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CONCEPÇÕES DE LINGUAGEM E EXERCÍCIOS DE LIVROS DIDÁTICOS:


UMA VISÃO CRÍTICA SOB O PONTO DE VISTA BAKHTINIANO1
Fernando Soares Ferreira de Santana2

INTRODUÇÃO
A linguagem é um fenômeno discutido e estudado a muitos anos, tendo vários
momentos ideológicos que definiram e moldaram seu conceito, chegando até os dias
atuais. Ao longo da história da nossa língua, observamos muitos estudos e linhas de
pensamento que tentam explicar esse fenômeno. É importante que, dentre estas inúmeras
opções, o educador se posicione em relação a metodologia que utilizará em sala de aula,
e saiba que ela está necessariamente ligada a pensamentos teóricos já estudados.
Apesar das inovações no mundo da docência, os livros didáticos ainda são uma
ferramenta muito utilizada pelos educadores nas escolas públicas do país. Para realizarem
um filtro, permitindo que os alunos possam, de forma eficaz, aprender aquilo que é
proposto a eles, os educadores devem estar conscientes perante o objetivo das abordagens
e propostas que os livros trazem.
Vendo a necessidade em abordar o tema, este artigo irá discorrer acerca de três
concepções de linguagem, organizadas e nomeadas por Geraldi (2006), um dos estudiosos
dos pressupostos bakhtinianos. Analisamos criticamente atividades do livro Português:
linguagens (CEREJA; MAGALHÃES, 2015), o qual foi aprovado pelo PNLD (Programa
Nacional do Livro Didático) para os anos de 2015, 2016 e 2017. Logo após pretendemos
entender qual seria, dentre as três concepções, aquela que realmente traria a ideia mais
coerente sobre o que seria a linguagem, para que assim ela possa ser transmitida da melhor
forma possível pelos professores de língua materna das escolas públicas aos alunos,
visando sempre o desenvolvimento do educando na sociedade, compreendendo e
exercendo por meio dela o seu papel.

1. PRIMEIRA CONCEPÇÃO: A LINGUAGEM COMO EXPRESSÃO DO


PENSAMENTO

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Artigo apresentado como requisito parcial para a aprovação na disciplina “Introdução ao Estágio
Curricular Supervisionado” sob orientação da Profª Dra. Rejane Centurion Gambarra e Gomes.
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Acadêmico do curso de Licenciatura Plena em Letras da Universidade do Estado de Mato Grosso, câmpus
universitário de Tangará da Serra. Bolsista do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência.
E-mail: fernandosoares.fsfs@gmail.com.
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A primeira concepção de linguagem é denominada “expressão do pensamento”.


Originada pelos estudos de Dionísio da Trácia, ela surgiu na tradição gramatical dos
gregos (transmitida pelos latinos) e manteve-se até o início do século XX, sendo a que
perdurou pelo maior tempo em toda a história da língua, antecedendo assim as outras
concepções (FUZA et al, 2011, p. 481).
Nesta concepção, a língua é vista como um “produto acabado”, que não se altera.
Como ela manifesta aquilo que se pensa, entende-se também que “[...] as pessoas não se
expressam bem porque não pensam. ” (TRAVAGLIA, 2001. p.21).
Ela está ligada aos estudos da gramática normativa, que trazem o conceito de certo
e errado para a língua, fazendo julgamento de valor. Segundo Britto (1991, p. 40-41):
“Existiria, pois, uma forma ‘correta’ da linguagem que equivaleria à forma ‘correta’ do
pensamento” (apud FUZA et al, 2011, p. 482). O mal-uso da língua nesta concepção seria
tudo aquilo que está fora da gramática normativa. Aqueles que não a dominam são
considerados inaptos ou desprovidos de saber. Por consequência, nesta concepção, o
aprendizado da gramática seria objetivo principal para chegar ao domínio da linguagem.
A língua não é vista em sua amplitude, não sofrendo, portanto, mutações de fatores
externos: os fatores extralinguísticos são desconsiderados pois eles não interfeririam na
língua. Entre os que podemos destacar, o fato de as variações linguísticas não serem
consideradas como objeto de estudo é reforçado por Fuza et al: “Ao considerar a língua
como uma unidade imutável, não se tem abertura para o estudo das variações linguísticas,
uma vez que isso implicaria ‘variações’ de pensamento, algo incabível nesse contexto. ”
(2011, p. 481).

2. SEGUNDA CONCEPÇÃO: A LINGUAGEM COMO INSTRUMENTO DE


COMUNICAÇÃO
Nomeada por Geraldi como “instrumento de comunicação”, a segunda concepção
de linguagem “[...] vê a língua apenas como código (conjunto de signos que se combinam
segundo regras) capaz de transmitir ao receptor certa mensagem.”. (2006, p. 41) [grifo
nosso]. Este seria um dos elementos comunicativos definidos pela teoria da comunicação
de Roman Jakobson (1969), assim como o emissor, o receptor e o tema da mensagem.
Conforme a teoria, a comunicação verbal, portanto, se daria no seguinte processo: na
transmissão de uma mensagem, é utilizado um código pelo transmissor que deve ser
conhecido pelo receptor. A mensagem, que demanda um contexto, passa por um canal de
comunicação, que é recebida pelo receptor e retribuída.
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A linguagem é percebida apenas como uma ferramenta utilizada na comunicação,


um código que transmite a mensagem de um emissor a um receptor, mensagem esta que
deve ser considerada utilizando somente a norma padrão (FUZA et al, 2011, p. 485-486).
O Estruturalismo e Transformacionalismo estão inseridos nesta linha de
pensamento linguístico. No raciocínio estruturalista, as leis linguísticas não possuem
valor ideológico pois a língua será considerada como um sistema fechado. O
Transformacionalismo estará voltado para as “formas abstratas da língua” (FUZA et al,
2011, p. 486), um dos focos desta concepção.
A resposta para todas as perguntas que fossem geradas do texto estariam nele
mesmo. Os elementos que estiverem fora do sistema da língua, que nesta concepção é
“imutável”, são desconsiderados, assim como o ambiente em que se fala e suas influências
sobre o falante. Até mesmo o vínculo entre a história da língua e a própria língua são
descartados. Bakhtin/Volochinov afirma que as ideias de alguns conceitos pregados por
Saussure apontam que “[...] a história é um domínio irracional que corrompe a pureza
lógica do sistema lingüístico. ” (1997, p. 88).

3. TERCEIRA CONCEPÇÃO: A LINGUAGEM COMO PROCESSO DE


INTERAÇÃO VERBAL
A terceira concepção de linguagem é descrita como um “processo de interação
verbal”. Concebida pelo grupo de estudiosos denominado “Círculo de Bakhtin”, que tem
como líder intelectual Mikhail Bakhtin, esta concepção é fundamentada pela linguística
da enunciação.
Bakhtin dá uma outra visão ao que seria a definição de linguagem. Ela é definida
pelo filósofo, juntamente com Volochinov, membro do Círculo de Bakhtin, como
“processo ininterrupto”, sendo designada como o agir sobre o outro.
Fuza et al sintetiza os pensamentos bakhtinianos a respeito da linguagem como
processo de interação verbal, dizendo que:

Nesta concepção, a preocupação básica do ensino da língua materna é levar o


aluno não apenas ao conhecimento da gramática de sua língua, mas, sobretudo,
ao desenvolvimento da capacidade de refletir, de maneira crítica, sobre o
mundo que o cerca e, em especial, sobre a utilização da língua como
instrumento de interação social (2011, p. 490).

No momento em que sujeitos utilizam a língua em suas relações comunicativas


eles estão dando a ela sua subsistência. A bagagem enunciativa dos interlocutores, ou
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seja, os enunciados que foram por eles internalizados, o contexto enunciativo e outros
fatores estarão voltados para o sujeito falante, denotando assim seu papel ativo nas
relações interpessoais. “[...] os enunciados geram efeitos de sentido que só podem ser
analisados no contexto de enunciação e estão sempre relacionados a outros enunciados
anteriores e àqueles que ainda estão por vir” (ARAÚJO, 2016).
A bagagem enunciativa do falante, supracitada, estará impregnada de ideologias,
que seriam as marcas exteriores, deixadas por outro indivíduo que também utilizaram
daquele enunciado:

Um produto ideológico faz parte de uma realidade (natural ou social) como


todo corpo físico, instrumento de produção ou produto de consumo; mas, ao
contrário destes, ele também reflete e refrata uma outra realidade, que lhe é
exterior. Tudo que é ideológico possui um significado e remete a algo situado
fora de si mesmo. Em outros termos, tudo que é ideológico é um signo. Sem
signos não existe ideologia. (BAKHTIN/VOLOCHINOV, 1997, p. 31)

A enunciação cria seus significados e sentidos apenas no diálogo entre os falantes


sob um ambiente, sendo algo social e não individual: “A situação social mais imediata e
o meio social mais amplo determinam completamente e, por assim dizer, a partir do seu
próprio interior, a estrutura da enunciação” (BAKHTIN/VOLOCHINOV, 1997, p. 113).
Nesta concepção, a interação verbal é a constituição da língua, é o campo onde
tudo irá ocorrer. Entende-se que a natureza social do signo e da enunciação é para Bakhtin
algo incontestável.
Da mesma forma, Lev Vygotsky (2010), em sua Teoria Histórico Social, irá
contribuir com este pensamento, afirmando que o ser humano apenas aprenderá
efetivamente através da interação. O Psicólogo afirma que o indivíduo não deveria apenas
agir, mas principalmente interagir sobre o meio em que vive, sendo a interação ponto
chave para a melhora do nível da aprendizagem. São pelas trocas que ocorrem no social,
entre as relações humanas, que o sujeito adquire o conhecimento e que a língua irá se
realizar, o que não foge da linha de pensamento bakhtiniano.

4. ANALISE DE ATIVIDADES DO LIVRO DIDÁTICO


Analisaremos agora, de forma crítica, retomando comentários de Bakhtin/
Volochinov, alguns exercícios retirados de um livro didático de língua portuguesa,
utilizado por professores das escolas públicas no país. Teremos como perspectiva o
motivo que estas atividades contribuiriam para o ensino em sala de aula.
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4.1. A Característica Excludente das Primeira e Segunda Concepções

Figura 1 – Exercícios estruturais que partem de um texto.

(CEREJA; MAGALHÃES, 2015, p. 193-4).

Percebemos no primeiro exercício, fundamentado pelo objetivismo abstrato


(presente na segunda concepção de linguagem) que a atividade pede para o aluno buscar
algo que já está presente no texto, não pedindo nenhuma reflexão do aluno: nesta
atividade ele só teria de encontrar e copiar o que está no enunciado, denotando assim a
natureza mecanicista desta atividade.
Assim como o primeiro, os outros exercícios não trabalham o assunto do texto,
ignorando completamente possíveis discussões produtivas que poderiam ser feitas a partir
de discussões em torno da temática que ele traz. As linguagens como “expressão do
pensamento” e “forma de comunicação” se assemelham em muitos pontos, mas vemos
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que as atividades 2, 3 e 4 da figura acima pertencem a primeira concepção. Outro ponto


que devemos nos atentar é que os exercícios partem de um texto apenas como pretexto
para se ensinar a gramática, objetivo principal da primeira concepção.
Contendo-se ao estudo do funcionamento interior da língua, a primeira concepção
está deixando de lado o papel social que ela desempenha, sua ideologia, que de acordo
com os estudos bakhtinianos, está intrinsicamente ligada a língua. Bakhtin/Volochinov
afirma: “A separação da língua de seu conteúdo ideológico constitui um dos erros mais
grosseiros do objetivismo abstrato. ” (1997, p. 96).
Devemos salientar aqui que, ao contrário do que a primeira concepção revela, a
língua não seria algo que vem pronto para ser utilizado: “Os indivíduos não recebem a
língua pronta para ser usada; eles penetram na corrente da comunicação verbal; ou
melhor, somente quando mergulham nessa corrente é que sua consciência desperta e
começa a operar. ” (BAKHTIN/VOLOCHINOV, 1997, p. 108).
A língua consiste numa construção que se dá através da interação entre autor,
texto, contexto e leitor (ANDRADE; STORTO, 2016, p.136). Ela está em constante
evolução, sofrendo diversas influências e sendo moldada de acordo com o uso. Isso se
comprova através dos estudos históricos da língua, que deve ser considerada como fator
determinante quando vamos explicar o que é linguagem. A segunda concepção contraria
estas ideias, estudando a linguagem, como confirma Travaglia (2001), apenas como “[...]
código virtual, isolado de sua utilização [...]” (p. 22). Ele aponta a consequência desta
visão:

Isso fez com que a Lingüística não considerasse os interlocutores e a situação


de uso como determinantes das unidade e regras que constituem a língua, isto
é, afastou o indivíduo falante do processo de produção, do que é social e
histórico na língua. Essa é uma visão monológica e imanente da língua, que a
estuda segundo uma visão monológica e imanente da língua, que a estuda
segundo uma perspectiva formalista – que limita esse estudo ao funcionamento
interno da língua – e que a separa do homem no seu contexto social
(TRAVAGLIA, 2001, p. 22).

Por fim, entendemos que estes exercícios não contribuem com o aprimoramento
da capacidade crítica do aluno, se limitando apenas a parte estrutural da língua e
separando o indivíduo daquilo que é social. Não devemos aqui retirar o papel da gramática
no ensino de língua materna, mas para estes exercícios, seria mais produtivo que viessem
acompanhados de uma reflexão que fizesse o aluno exercer sua criticidade e
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interatividade, pois o texto apresentado acompanha um tema passivo de uma discussão


que se tornaria muito rica em sala de aula.

4.2. Interação e Exercício da Criticidade Através da Terceira Concepção

Figura 2 – Interação a partir do texto.

(CEREJA; MAGALHÃES, 2015, p. 111).

A proposta acima traz exercícios que partem de um texto não-verbal, que retrata
uma menina indígena banhando-se em uma represa. A princípio, na atividade, pretende-
se analisar o texto gramaticalmente, porém vemos que, no terceiro exercício, o aluno tem
a possibilidade de fazer suposições sobre a vida de uma pessoa da comunidade indígena:
isso traria uma discussão cultural muito rica, o que contribuiria muito para a bagagem dos
educandos. Observa-se também que o objetivo dos dois primeiros exercícios, que
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abordam os adjetivos, seria o de servir como base na resposta da terceira questão que é o
ponto central da atividade.
Vemos que o exercício de número três pertence a terceira concepção de
linguagem. Os exercícios dela geralmente têm objetivo de, partindo da materialidade,
fazer o aluno pensar além, saindo do texto material. Eles podem utilizar a gramática
apenas como ponto de partida para uma reflexão que vai além da materialidade textual e
da parte estrutural da língua, não sendo seu objetivo final o ensino da gramática.
Na medida em que faz o aluno exercer seu próprio conhecimento, o exercício
promove a interação do aluno com a temática proposta, retomando os conceitos trazidos
por Bakhtin/Volochinov e Vygotsky.
Vemos, através desta proposta, que os sentidos não estão presos somente ao texto,
o educando não depende da materialidade e exerce sua criticidade, buscando resposta fora
do texto. Desse modo, o papel ativo do aluno no processo de ensino e aprendizagem é
colocando em foco.

5. O POSICIONAMENTO DO DISCENTE PERANTE AS CONCEPÇÕES:


QUAL DEVE SER A ESCOLHA DO PROFISSIONAL?
As concepções são norteadoras no que diz respeito a formação docente do
professor de língua materna. É de extrema importância que este profissional tenha
consciência do objetivo de cada uma delas e que ele se posicione, escolhendo aquela que
melhor atende as necessidades dos alunos.
Devemos buscar por opções que explorem potencialidades do aluno, fazendo
exercer seu papel como ser social crítico e participativo, permitindo o educando refletir e
sair da materialidade, fazendo-o não depender dela. Através da linguagem enquanto
interação (terceira concepção) o professor tem a possibilidade de valorizar as funções da
linguagem e reconhecer suas estruturas (ZANINI, 1999, p. 86).
Não podemos aqui ignorar o papel e a importância que os estudos das outras
concepções agregaram para a linguagem, porém como afirma Zanini, “[...] cada
concepção teve sua validade a seu tempo” (1999, p. 86), dizendo ainda que a mudança de
posição visa evolução.
Tendo observado o momento histórico-político da educação no nosso país, o
professor deve entender as necessidades dos alunos e oferecer aquilo que o coloque em
papel de destaque, mediando o aluno por um caminho reflexivo, levando este ao agir
sobre o outro.
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REFERÊNCIAS

AMARAL, Suely. Teoria da comunicação: Emissor, mensagem e receptor, 2005.


Disponível em: <https://educacao.uol.com.br/disciplinas/portugues/teoria-da-
comunicacao-emissor-mensagem-e-receptor.htm>. Acesso em: 10 de nov. 2017.

ARAÚJO, Luciana K. O que é enunciado, 2016. Disponível em:


<http://brasilescola.uol.com.br/o-que-e/portugues/o-que-e-enunciado.htm>. Acesso em:
11 de nov. 2017.

BAKHTIN, M. (VOLOCHINOV, V. N). Marxismo e Filosofia da Linguagem. 8. ed.


São Paulo: Hucitec, 1997.

CEREJA, William R.; MAGALHÃES, Thereza C. Português: linguagens, 6. 9. ed.


reform. São Paulo: Saraiva, 2015.

FUZA, Ângela F.; OHUSCHI, Márcia C. G.; MENEGASSI, Renilson J. Concepções


de linguagem e o ensino da leitura em língua materna. Linguagem & Ensino,
Pelotas, v.14, n.2, p. 479-501, 2011.

GERALDI, João Wanderley (Org.). Concepções de Linguagem e Ensino de


Português. In: ______. O Texto na sala de aula. 4. ed. São Paulo: Ática, 2006. p. 39-
46.

JAKOBSON, Roman. Lingüística e Comunicação. São Paulo: Cultrix, 1969. 162 p.

PINHEIRO, Tatiana. Mikhail Bakhtin, o filósofo do diálogo, 2009. Disponível em:


<https://novaescola.org.br/conteudo/1621/mikhail-bakhtin-o-filosofo-do-dialogo>.
Acesso em: 12 de nov. 2017.

TRAVAGLIA, Luiz C. Concepções de linguagem. In: ______. Gramática e Interação:


uma proposta para o ensino de gramática no 1º e 2º graus. 7. ed. São Paulo: Cortez,
2001. p. 21-23.

VYGOTSKI, Lev S. A Formação Social da Mente. 4. ed. São Paulo: Martins Fontes,
1991. 90 p.

ZANINI, M. Uma visão panorâmica da teoria e da prática do ensino de língua


materna. Acta Scientiarum, v. 21, n. 1, 1999.