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Materiais e sua soldabilidade

Aços resistentes à fluência

Direcção de Formação

Curso de Engenharia de Soldadura EWF


IIW Guideline – doc. IAB-002-2000/EWF-409
Tópicos para discussão

• Identificação dos mecanismos de fluência dos aços;


• Aços resistentes à fluência;
• Soldadura dos aços resistentes à fluência;
• Aplicações – Problemas de corrosão a alta temperatura.

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Reis Góis
Fluência de Metais
Fase I – Fluência primária – Período de fluência transiente até se atingir o equilíbrio;
Fase II – Fluência secundária – Período com taxa de fluência é constante devido ao
equilíbrio entre a taxa de encruamento e os mecanismos de fluência;
Fase III – Fluência ternária – Período onde o crescimento de precipitados e a coalescência
de microvazios originam a perca de resistência à fluência.
Deformação

Curva Típica de Fluência

Th ≥ 0,5
Temperatura homóloga dε
ε0 dt = Taxa de fluência
I II III

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Tempo
Reis Góis
Fluência de Metais
A Curva Típica de Fluência corresponde ao somatório da fluência
instantânea com a transiente e a viscosa.

ε = ε0 + εt (1- e-rt) + εs . t
Deformação

ε0 – Deformação instantânea
εt – Limite transiente de fluência
r – Razão entre a taxa transiente e a deformação
Tempo
εs – Taxa de fluência em equilíbrio

ε0 εt (1- e-rt) εs . t
+ +
Fluência instantânea Fluência transiente Fluência viscosa

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Fluência de Metais
Taxa mínima de fluência
1. Tensão necessária para produzir uma taxa de fluência de 0,0001% por
hora ou 1% por 10 000 horas;
2. Tensão necessária para produzir uma taxa de fluência de 0,00001% por
hora ou 1% por 100 000 horas;
O primeiro caso é vulgarmente usado em aeronáutica (motores) enquanto que a segundo é
utilizado em turbinas, caldeiras e permutadores de calor.
Tensão

400ºC
500ºC Inflexões devido à
variação estrutural
do material

Tempo (escala logarítmica


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Fluência de Metais

Processo de deformação a temperatura elevada

1. Deformação nos planos de deformação


2. Formação de sub-grãos (Poligonização)
3. Deslizamento nos limites de grão

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Deformação nos planos de deformação


Para além dos planos normais para os quais a deformação ocorre a baixa
temperatura, quando a temperatura é aumentada são activados novos planos de
deformação – entrada em funcionamento de novas fontes de deslocações.

Formação de sub-grãos
Corresponde à fase de “restauração” e “poliginização”, onde se formam
contornos de grão de baixo ângulo por agrupamento e reordenação das
deslocações, desbloqueando barreiras ao seu movimento, facilitando assim a
deformação plástica

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Fluência de Metais
Deslizamento nos limites de grão
Com o aumento da temperatura a fractura de metais tende a passar de
transgranular a intergranular.
• Fractura Transgranular – Os planos de deslizamento são mais
fracos que os limites de grão;
• Fractura Intergranular – Os limites de grão são mais fracos que os
planos normais de deslizamento
Lim
Resistência

ite d
e grã
o
Interior do TEC – Temperatura equicoesiva
gr ão

Fractura Fractura
Transgranular Intergranular
TEC Temperatura
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Fluência de Metais
Deslizamento nos limites de grão
À medida que a temperatura aumenta os processos controlados pela difusão são
progressivamente activados. Nos limites de grão verifica-se a formação e
crescimento de micro vazios tanto em zonas de pontos triplos como em
partículas precipitadas nos limites de grão (carbonetos e carbonitretos).

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Fluência de Metais

Fase 1 – Precipitados de carbonetos isolados nos Limites de Grão


Fase 2 – Precipitados de carbonetos em linha quase contínua nos Limites de Grão
Fase 3 – Precipitação franca de carbonetos com início de formação de micro-vazios
Fase 4 – Coalescência de microvazios e propagação de fissuras – início da fractura.
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Fluência de Metais

Variáveis metalúrgicas que afectam a fluência


1. Tamanho do grão;
2. Tratamentos térmicos;
3. Deformação plástica prévia (encruamento);
4. Elementos de liga.

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Influência do tamanho do grão


A resistência à fluência aumenta (diminui a taxa de fluência secundária) à
medida que o tamanho de grão diminui, quando se trate de fluência a baixa
temperatura. No caso de fluência a altas temperaturas esta relação é
alterada – quanto maior o tamanho do grão maior será a resistência à
fluência.
Aços desoxidados com alumínio, que tem grão muito fino, apresentam, no
entanto, no entanto, piores resultados de resistência à fluência que aços
desoxidados com silício.
O alumínio não só refina o grão como acelera a esferoidização e grafitização
dos precipitados nos limites dos grãos.
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Influência do tamanho do grão

Fluência da liga
Monela 595ºC

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Influência do tratamento térmico


A temperatura relativamente baixa as estruturas “temperadas” são
favoráveis à resistência à fluência; porém, para temperaturas altas
(superiores a 550ºC, para aços ferríticos) as estruturas tratadas
termicamente (recozidas) apresentam melhor resistência.

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Fluência de Metais

Influência da deformação plástica (encruamento)


A influência da deformação plástica
prévia é variável de material para
material.
Na maioria dos casos verifica-se um
comportamento idêntico ao aço
inoxidável 18%Cr-8%Ni, onde ocorre
alguma melhoria da resistência à
fluência para deformação baixa,
deteriorando-se posteriormente para
maiores taxas de deformação.

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Influência dos elementos de liga

O papel dos elementos de liga dos aços pode ser analisado pela
influência que estes têm na mobilidade das deslocações aquando da
deformação a altas temperaturas, na formação e estabilização de
precipitados, assim como na obtenção de estruturas metalúrgicas
mais ou menos favoráveis.
Os elementos de liga vulgarmente adicionados aos aços são: Mn, Si,
Cr, Mo, V, Al, W, Nb, Ti e Zr.

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Fluência de Metais

Influência dos elementos de liga


O carbono tem uma influência Positiva na fluência a baixas temperaturas
(fluência transiente), não se verificando nenhum ganho na fluência viscosa,
verificada a altas temperaturas

Aço carbono Normalizado


Influência do teor de carbono na
resistência à fluência

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Influência dos elementos de liga


O manganês melhora francamente a resistência à fluência dos aços

Aço carbono (com 0,1% C)


Temperatura 510ºC
Carga de 12,6 Kg/mm2

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Fluência de Metais

Influência dos elementos de liga


A influencia do silício parece ser muito variada; porém para cargas
elevadas e taxas mínimas de fluência altas parece, tal como o alumínio, não
apresentar grandes vantagens.
O azoto, quando não ligado ao alumínio, formando nitretos de alumínio,
melhora a resistência à fluência.

Aço carbono
(influência do azoto)
Temperatura 450ºC
Carga de 12,5 Kg/mm2

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Fluência de Metais

Influência dos elementos de liga


O Molibdénio, Vanádio, Tungsténio e o Nióbio melhoram significativamente
as propriedades de resistência à fluência dos aços devido não só à
formação de carbonetos estáveis e de fases intermetálicas novas.
Ensaio de fluência de um
aço com 0,5% Mo
(Temperatura 500ºC)

Mo Tx Min. Fluência ε em 1 000 h


(%) (Kg/mm2) (%)
0 3,50 0,160
0,51 5,25 0,032
1,01 8,40 0,0078
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Fluência de Metais

Influência dos elementos de liga


A adição de crómio melhora a resistência à fluência até um teor de 3%.
Teores mais elevados são utilizados para certas aplicações específicas pois
permitem obter estruturas temperadas favoráveis e melhor resistência à
corrosão.

Ensaio de fluência de um
aço com 0,5% Cr e 0,5% Mo
(Temperatura 500ºC)

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Fluência de Metais

Influência dos elementos de liga

O níquel até um teor de cerca de 5% não provoca nenhum benefício na


resistência à fluência. A adição deste elemento somente poderá ser
analisada em conjunto com outros – exemplo aços Cr-Ni-Mo ou Mn-Mo-Ni.
O vanádio, mesmo em adições da ordem de 0,1% ou 0,2% nos aços com
Crómio e Molibdénio (Cr-Mo-V) actua em conjunto com o Crómio e o
Molibdénio, melhorando bastante a resistência à fluência.

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Aços resistentes à fluência

Os aços de baixa liga para serviços a alta temperatura com 0,5% a 9%


de Crómio e 0,5% a 2% de Molibdénio contêm normalmente teores
máximos de 0,15% de carbono (são excepção os aços com ½ % Mo ou
com ½% Cr e ½ % Mo, onde poderá aparecer cerca de 0,20% C), por
forma a permitir boa soldabilidade.

A composição destes aços tem a seguinte finalidade:


1. Boa resistência à oxidação;
2. Boa propriedade mecânicos a altas temperaturas;
3. Boa resistência à corrosão pelos sulfuretos.

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Análise da inoxibilidade de um
aço com vários teores de
crómio
Perca de peso num cubo de aço com
12,5 mm de aresta após exposição
durante 48 horas a uma temperatura
de 1835ºF (1000ºC) ao ar

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Aços resistentes à fluência
Elaboração dos aços – tratamentos térmicos
1. Tratamento de “Recozimento”.
• Patamar de 1550 a 1675ºF durante 1 hora por polegada de espessura
• Arrefecimento com velocidade inferior a 50ªF/hora
2. Normalização
• Patamar de 1550 a 1675ºF durante 1 hora por polegada de espessura
• Arrefecimento ao ar calmo
3. Têmpera e Revenido
• Patamar de 1550 a 1675ºF durante 1 hora por polegada de espessura
• Arrefecimento com jacto de água
• Revenido a 1400ºF durante 1 hora por polegada de espessura
• Arrefecimento no forno ou em ar calmo.
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Soldadura dos aços resistentes à fluência
Este tipo de aços é bastante sensível à fissuração pelo hidrogénio
(fissuração a frio), assim como à fissuração devido à formação de
estruturas temperadas.
Para evitar problemas de fissuração em metal depositado os consumíveis de
soldadura contêm usualmente carbono mais baixo que o do Metal de Base.
Efeito do teor de carbono no metal
depositado com eléctrodo do tipo
2½% Cr - 1% Mo nas propriedades
mecânicas (Tensão de Rotura e
Alongamento).
AS – Bruto de soldadura
SR – Tratado Termicamente
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Soldadura dos aços resistentes à fluência

A soldadura dos aços


com ½% Mo será
efectuado com eléctrodos
do tipo E 70XX-A1, de
acordo com a
especificação AWS A5.5

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Soldadura dos aços resistentes à fluência

Composições químicas de alguns


Eléctrodos para a soldadura de
aços resistentes à fluência

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Soldadura dos aços resistentes à fluência

Composições químicas de alguns Eléctrodos para a soldadura de aços


resistentes à fluência

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Soldadura dos aços resistentes à fluência

Composições químicas de alguns Eléctrodos para a soldadura


de aços resistentes à fluência

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Soldadura dos aços resistentes à fluência
Selecção de consumíveis de soldadura
Como regra geral deverá ser seleccionado um consumível de composição
idêntica à do metal de base; no entanto, quando numa mesma aplicação
são utilizados vários tipos de aços Cr-Mo (até teores de crómio máximos de
3%) poderá limitar-se o uso de diferentes tipos de consumíveis, recorrendo
somente ao de mais alta liga.
A selecção dos binários fio/fluxo para SAS deverá ser feita tendo em conta
que o MD apresenta teores de carbono, manganês e crómio mais baixos e
de silício mais alto do que o fio utilizado.
Varetas para TIG deverão ser de aços desoxidados, com teores de silício
superiores a 0,5% por forma a evitar porosidades.
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Soldadura dos aços resistentes à fluência
Selecção de consumíveis de soldadura
Na soldadura heterogénea dos diversos aços Cr-Mo poder-se-á optar pela
escolha dos consumíveis de mais baixa liga (conforme os Códigos assim o
permitam) tendo em vista não suscitar tanto a ZTA das soldaduras com
tensões residuais tão elevadas;
Como forma de evitar a fissuração em metal depositado recorre-se
vulgarmente à utilização de consumíveis de aço inoxidável austenítico do
tipo E 309 ou E 310 (AWS A 5.4). Este procedimento apresenta o
inconveniente de provocar problemas de fissuração na zona de ligação
(linha de fusão) devido a fadiga térmica (diferentes coeficientes de
expansão) assim como pela difusão do carbono do aço Cr-Mo para o MD
com a consequente formação de Martensite.
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Soldadura dos aços resistentes à fluência
Pré-Aquecimento e Pós-Aquecimento
Dado o grande poder temperante dos aços Cr-Mo dificilmente poderão ser
soldados sem pré-aquecimento.
Contrariamente aos aços C-Mn e C-Mn microligados, não existem
processos de determinação do pré-aquecimento em função do “Carbono
Equivalente”. O pré-aquecimento é estabelecido de acordo com ensaios
prévios de soldabilidade, respeitando, no entanto, as recomendações dos
Códigos de construção aplicáveis (ASME, AD-Merkblätter, por exemplo).
Pós-aquecimento a temperaturas da ordem de 400º a 500ºF (200º a 260ºC)
são recomendados aquando da soldadura dos aços com maiores teores de
crómio. Este procedimento permite a libertação de hidrogénio e evitar
fissuração a frio
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Soldadura dos aços resistentes à fluência
Recomendação de pré-aquecimento de com “AWS Welding Metallurgy”

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Soldadura dos aços resistentes à fluência
Recomendação de pré-aquecimento de com “AWS Welding Handbook”

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Soldadura dos aços resistentes à fluência
Tratamento térmico após soldadura
Em função das dimensões das peças soldadas, assim como das suas
condição de funcionamento, as soldaduras dos aços Cr-Mo poderão não
requerer tratamento térmico após soldadura ou ser necessário um
tratamento térmico de relaxação de tensões ou de normalização.
Os Códigos de construção definem vulgarmente de uma forma muito clara
a necessidade de executar tratamentos térmicos após soldadura.
O tratamento térmico de relaxamento de tensões tem, neste caso, o duplo
papel de alívio de tensões residuais da soldadura e revenir as estruturas da
ZTA e MD.

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Soldadura dos aços resistentes à fluência
Tratamento térmico após soldadura

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Corrosão dos aços resistentes à fluência
Os dois principais campos de aplicação dos aços de baixa liga resistentes
ao calor são a Indústria petrolífera (refinação do petróleo) e a produção
de energia por via térmica.
Os principais problemas de corrosão destes aços quando expostos a altas
temperatura são:
1. Oxidação sob tensão localizada;
2. Corrosão em meios sulfurosos;
3. Ataque pelo hidrogénio a quente.
Para combater esta situação poderemos tentar baixar a temperatura de
metal durante o funcionamento dos equipamentos, eliminar ou controlar os
agentes corrosivos ou utilizar aços de alta liga, com resistência à corrosão
mais apropriada aos meios agressivos existentes.
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Corrosão dos aços resistentes à fluência
Oxidação sob tensão localizada

A acumulação de partículas sólidas arrastadas no escoamento dos fluídos


ou acumuladas em pequenas cavidades das peças ou imperfeições da
soldadura, assim como a formação de óxidos de baixo ponto de fusão
(óxido de vanádio ou de zinco, por exemplo), poderão ser bastante
perigosos, pois podem quebrar ou mesmo arrancar a fina película de
óxido de ferro protectora da superfície do metal.
Este fenómeno associado à ocorrência de tensões localizadas (tensões
residuais das soldaduras ou tensões de origem térmica) poderão originar
graves corrosões sob tensão.

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Corrosão dos aços resistentes à fluência
Reacção em meios sulfurosos

Equipamentos em funcionamento a temperaturas entre 850º e 1050ºF (450º


a 560ºC) com pressões superiores a 250 psi e em presença de vapor de
água com mais de 1,5% de ácido sulfúrico poderão sofrer sérios ataques de
corrosão.
O recurso a aços de alta liga, com 10 a 17% de crómio, melhora, se bem
que moderadamente, esta situação.
O problema é praticamente eliminado utilizando aços inoxidáveis ferríticos
com 25 a 30% de crómio.

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Corrosão dos aços resistentes à fluência
Ataque pelo hidrogénio a quente

Ambientes com altos teores de hidrogénio (com pH baixo, devido ao


deficiente tratamento do vapor em caldeiras, por exemplo) associado às
altas temperaturas e pressões, origina a introdução de hidrogénio (H +)
difusível no metal que, quando atinge uma concentração elevada reage
com os carbonetos do aço, nomeadamente com o carboneto de ferro da
perlite libertando gás metano.

Fe3C + 4H → 3Fe + CH4


A pressão gerada pela acumulação de gás metano origina a fissuração do
aço.
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Corrosão dos aços resistentes à fluência

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Corrosão dos aços resistentes à fluência
Ataque pelo hidrogénio a quente

Fase 1
Ampliação de 100X Fase 2
Ampliação de 200X Fase 3
Ampliação de 200X
Fase 4
Ampliação de 100X
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Corrosão dos aços resistentes à fluência
Ataque pelo hidrogénio a quente

Ampliação de 200 X Ampliação de 500 X


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Corrosão dos aços resistentes à fluência
Ataque pelo hidrogénio a quente
Dado que os carbonetos de crómio ou os carbonetos de ferro e crómio têm
melhor resistência ao ataque pelo hidrogénio a quente, os aços Cr-Mo têm
melhor resistência a este tipo de fissuração. Mesmo para aços Cr-Mo
poderemos ter problemas quando a pressão parcial de hidrogénio atinja
valores críticos – curva de Nelson.
O ataque pelo hidrogénio é um fenómeno que tem um período de
encubação. No princípio, à medida que o hidrogénio difusível no aço
aumenta verifica-se uma perca de ductilidade e de tenacidade, porém sem
nada se verificar a nível de alteração nicroestrutural. Somente quando a
quantidade de H+ difusível atinge uma concentração crítica se inicia a
descabonização do aço e a posterior fissuração.
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Corrosão dos aços resistentes à fluência
Ataque pelo hidrogénio a quente – curva de Nelson.

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Anexos
Diagrama de arrefecimento contínuo do aço T/P91.

Ms ≈ 400ºC
Mf ≈ 100ºC

Após soldadura e antes do


tratamento térmico de alívio de
tensões (também de revenido) o
aço deverá ser arrefecido abaixo
de 100º C para transformar toda
a austenite.

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