Você está na página 1de 27

INSTITjUTO SUPERIOR POLITÉCNICO LUSÍADA DE BENGUELA

DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS JURÍDICAS

CURSO DE DIREITO
LICENCIATURA EM DIREITO, CIÊNCIAS JURÍDICO-FORENSES

TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO

TÍTULO: Os Contratos de Adesão e a sua Repercussão na


Defesa dos Direitos dos Consumidor

AUTORA: ETELVINA AVELINO JOÃO


Orientador: Manuel Tomás A. D. Tchakamba, MSc.

BENGUELA, JUNHO DE 2017


INSTITUTO SUPERIOR POLITÉCNICO LUSÍADA DE BENGUELA
DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS JURÍDICAS

CURSO DE DIREITO
LICENCIATURA EM DIREITO, CIÊNCIAS JURÍDICO-FORENSES

TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO

TÍTULO: Os Contratos de Adesão e a sua Repercussão na


Defesa dos Direitos dos Consumidor

AUTORA: ETELVINA AVELINO JOÃO


Orientador: Manuel Tomás A. D. Tchakamba, MSc.

BENGUELA, JUNHO DE 2017

ii
Etelvina Avelino João

Ass: ________________________________________________________

Elaboração de Trabalho de Conclusão de Estágio Curricular em


Direito, Ciências Jurídico-Forenses

Trabalho de Conclusão de Curso Apresentado ao Departamento de Ciências Jurídicas


do Instituto Superior Politécnico Lusíada de Benguela, como parte dos requisitos
exigíveis para a obtenção do grau académico de Licenciado em Direito, Ciências
Jurídico-Forenses

Orientador: _______________________________________________
Co-orientador: _____________________________________________
Arguente: _________________________________________________
Presidente: ________________________________________________

iii
AGRADECIMENTOS

A conclusão do presente relatório, bem como da minha formação ao nível da


licenciatura, só foi possível graças à intervenção de algumas pessoas em relação às quais
me sinto no dever de expressar a minha gratidão.

Nestes termos, agradeço em primeiro lugar à Deus, pelo dom da vida, pela saúde e
protecção, em especial em momentos que desistir parecia inevitável.

Agradeço, em segundo lugar, aos meus orientadores, em especial o Prof. Manuel


Tchakamba, pela sábia e simpática forma como conduziu o processo até a redacção da
versão final do presente relatório. Foram lições que certamente servir-me-ão para além da
prática forense.

Aos meus familiares, pela ausência e indisponibilidade nos momentos de recolecção


familiar, aos meus professores colegas e amigos, entre outras pessoas que directa ou
indirectamente tudo fizeram em prol da minha formação …

O meu Muito Obrigado!

iv
ÍNDICE DE CONTEÚDOS

Conteúdos Páginas
AGRADECIMENTOS iv
INTRODUÇÃO 1
CAPÍTULO I: Os Contratos de Adesão – Questões Preliminares 3
1.1. Noção do Contrato de Adesão, Elementos e Evolução Histórico-
legislativa 3
1.2. 2Características dos Contratos de Adesão
5
1.3. Vantagens e Desvantagens dos Contratos de Adesão 7
1.4. A Boa-fé na Formação dos Contratos de Adesão: As cláusulas
contratuais gerais 8
1.5. Cessação dos Contratos de Adesão 10
CAPÍTULO II: Os Contratos de Adesão e a sua Repercussão nos Direitos dos
Consumidores 11

2.1. O Princípio da Liberdade Contratual e as suas Limitações: em especial o


dever de contratar 11
2.2. As Cláusulas Contratuais Gerais Abusivas (e a sua Exclusão?) nos
Contratos de Consumo 12
2.3. Referências a alguns formulários de contratos de Adesão 15

CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES 17
BIBLIOGRAFIA 18

ANEXOS
Anexo I: Alguns Formulários de Contratos de Adesão
Anexo II: Lei sobre as Cláusulas Gerais dos Contratos
Anexo III: Lei sobre as Cláusulas Gerais dos Contratos

v
INTRODUÇÃO

Da leitura do art.º 405.º do Código Civil (doravante CC), resulta que as pessoas são
livres de celebrar contratos sem necessidade de interferência do Estado. As partes podem
celebrar contratos não previstos na lei, reunir neles cláusulas de um e outro contrato,
“conforme lhes aprouver”, na linguagem do legislador. Ora, é no uso abusivo deste
princípio da autonomia privada que várias vezes as empresas, sobretudo, celebram
contratos com consumidores apresentando cláusulas pré-elaboradas, aparentemente claras
no momento da formação do contrato mas que na fase de execução muitas minúcias se
revelam, ferindo os direitos dos consumidores.

Por exemplo, há escassos meses a operadora de televisão ZAP deixou de exibir do


dia para noite os programas da TV SIC, violando os direitos dos consumidores que se
calhar não teriam pago a subscrição se soubessem antes da intenção da operadora. E o que
mais intriga é que como esta operadora, tantos outros agentes comerciais cometem
irregularidades semelhantes e acabam sempre impugnes. Assim, surgiu-nos o interesse de
explorar esta área dos contratos de adesão e contribuir com algumas ideias no que respeita a
defesa dos direitos dos consumidores.

Como objectivos do trabalho, pretendemos entender o sentido e alcance dos


contratos de adesão e propor uma forma de tutela mais efectiva dos direitos dos
consumidores.

Quanto a estrutura do trabalho, o mesmo comporta dois capítulos: no primeiro


faremos uma abordagem descritiva sobre o conceito e aspectos gerais inerentes aos
contratos de adesão e no segundo capítulo teceremos algumas considerações sobre os
contratos de adesão e a sua repercussão nos direitos dos consumidores, isto é analisar até
que ponto os contratos de adesão podem ser prejudiciais à efectiva satisfação dos interesses
dos consumidores, em especial na relação de consumo com empresas prestadoras dos
chamados serviços mínimos essenciais.

Em sede de anteprojecto, pretendíamos fazer inquéritos a um certo número de


consumidores e agentes de representação de empresas de prestação de serviços (por
exemplo, a um número considerável de bancos; a Empresa Nacional de Distribuição de

1
Energia; a Empresa de Águas e Saneamento; as Operadoras de TV ZAP e Multichoice; as
Operadoras de telefonia móvel Movicel e Unitel, a algumas universidades e instituições de
ensino superior privadas, entre outras empresas e estabelecimentos comerciais que restam
serviços aos consumidores julgados indispensáveis). Mas por dificuldades e razões alheias
à nossa vontade tal não foi possível. Porém, faremos referência a alguns formulários de
contratos de adesão, aos quais tivemos acesso, para discutirmos alguns aspectos que
reclamam por uma solução legislativa mais interventiva e proporcionar uma dinâmica
diferente ao próprio trabalho.

Esperamos com o presente trabalho contribuir para o entendimento da matéria,


especialmente na vertente de despertar nos consumidores a cultura de reclamarem pelos
seus direitos.

2
CAPÍTULO I: Os Contratos de Adesão – Questões Preliminares

1.1. Noção do Contrato de Adesão, Elementos e Evolução Histórico-


legislativa

Como foi dito na introdução, a concepção tradicional de contrato conduz-nos a uma


relação contratual idealmente formada por duas partes em posição de igualdade, em que as
cláusulas eram discutidas previamente de acordo com a vontade das partes. Mas nos dias
de hoje, fruto do surgimento da sociedade consumista, diante de toda a evolução ocorrida,
surgiu a necessidade de as contratações realizarem-se com maior eficiência e rapidez, o que
fez com que novos métodos de contratação surgissem. A contratação em massa, foi um
meio encontrado pelos fornecedores, para que um maior número de consumidores
pudessem contratar de uma forma mais eficaz, dispensando toda a fase inicial de tratativas
e discussões de todas as cláusulas contratuais1.

Steffania Basso define os contratos de adesão como aqueles as cláusulas são


elaboradas de forma unilateral pelos fornecedores, não existindo portanto, uma discussão
com os consumidores para sua elaboração, na qual aderem ao contrato, tendo que aceitar
em bloco todas as suas cláusulas e em que a manifestação de vontade do consumidor se dá
pela simples adesão ao contrato preestabelecido, não podendo modificar substancialmente o
seu conteúdo2.

No conceito de Orlando Gomes, “contrato de adesão é o negócio jurídico no qual a


participação de um dos sujeitos sucede pela aceitação em bloco de uma série de cláusulas
formuladas antecipadamente, de modo geral e abstrato, pela outra parte, para constituir o
conteúdo normativo e obrigacional de futuras relações concretas”3.

Dos conceitos expostos percebe-se que nos contratos de adesão as suas cláusulas
são previamente estipuladas pelo fornecedor, de modo que a outra parte não tenha o poder
de debater as condições, nem introduzir modificações no esquema proposto, aceitando tudo
1
No mesmo sentido, ver TELLES, Inocêncio Galvão – Direito das Obrigações, 2010,
pp. 59 e sgtes e BASSO, Stefania – Contratos de adesão, 2006, p. 1.
2
BASSO, Stefania, ob. Cit., p. 3.
3
GOMES, Orlando. Contrato de adesão. São Paulo: RT, 1972. p. 3.

3
em bloco ou recusando por inteiro 4. Neste sentido, o contrato de adesão caracteriza-se por
permitir que seu conteúdo seja constituído por uma das partes, eliminando a discussão que
precede a formação dos contratos.

No fundo, os contratos de adesão são utilizados na prática com o objectivo de


garantir o rápido acesso, de um número considerável de clientes aos serviços essenciais
como luz, transporte coletivo, gás, telefonia contrato bancário, etc.

Como elementos do contrato de adesão temos dois sujeitos: o fornecedor/prestador


de serviço ou proponente, que é aquele que elabora as unilateralmente as cláusulas
contratuais e aderente ou consumidor, que é aquele que se sujeita às condições contratuais
propostas pelo prestador, em virtude de necessitar dos serviços prestados por aquele.

Os contratos de adesão em si não são uma realidade nova. Segundo a doutrina,


datam de 1901 por intermédio de um estudo feito pelo autor Raymond Saleiles, no âmbito
da chamada massificação das relações contratuais, e constitui hoje uma das maiores
repercussões no mundo jurídico5.

No nosso ordenamento jurídico, a matéria dos contratos de adesão não tinha


previsão legal. Uma vez que em função da necessidade de celeridade na contratação as
estipulações do prestador de serviços é que fazem fé como declaração de vontade das
partes, o legislador angolano estabeleceu com a aprovação da Lei n.º 04/03, de 18 de
Fevereiro (Lei sobre as Cláusulas Gerais dos Contratos, doravante LCGC) algumas normas
imperativas que visam minimizar os efeitos prejudiciais ao consumidor, designadamente as
condições de aceitação por parte do consumidor (art.º 2.º), o dever de comunicação,
informação e esclarecimento (art.º 3.º) e um vasto catálogo de cláusulas que devem ser
excluídas do contrato (art.º 5.º) e as chamadas cláusulas proibidas (art.ºs 8.º e sgts). Assim o
legislador veio garantir de forma razoável a tutela dos direitos do consumidor, numa altura
em que não havia uma lei de defesa dos direitos do consumidor visto que a mesma só veio a
ser aprovada mais tarde por intermédio da Lei n.º 15/03, de 22 de Julho (vulgo Lei de

4
No mesmo sentido ver BARBOSA, Glauco – “Os Contratos: contratos de adesão”, s/d,
p. 3.
5
NOVAIS, Alinne Arquette Leite. A Teoria Contratual e o Código de Defesa do
Consumidor. São Paulo: RT, 2001, p.98., apud BASSO, Stefania, ob. Cit.

4
Defesa do Consumidor, doravante LDC) em cujos art.ºs 2.º, 4.º e seguintes podemos hoje
encontrar expressamente consagrados os referidos direitos.

Concluindo, com a consagração da LDC o legislador veio estipular um conceito e


âmbito dos contratos de adesão, conforme o art.º 19.º: «Contrato de adesão é aquele cujas
cláusulas tenham sido aprovadas pela autoridade competente ou estabelecidas
unilateralmente pelo fornecedor de bens ou serviços, sem que o consumidor possa discutir
ou modificar substancialmente o seu conteúdo».

De sublinhar que no ponto 1 deste artigo o legislador diz que o facto de existirem
cláusulas não retira a natureza de contrato de adesão, pelo que na mesma se impões os
deveres de comunicação, informação e esclarecimento descritos nos parágrafos anteriores.

1.2. Caracterísiticas dos Contratos de Adesão

Como já foi dito acima, a ideia de contrato de adesão surge em oposição à de


contrato paritário. No conceito clássico de contrato, admite-se uma fase em que se procede
ao debate das cláusulas da avença e na qual as partes, colocadas em pé de igualdade,
discutem os termos do negócio. É a chamada fase pré-contratual, onde as divergências são
eliminadas através da contraposição das vontades dos contraentes, pressupondo-se a
igualdade entre as partes. No contrato de adesão, a fase inicial de debates e contraposição
dos interesses das partes fica eliminada, pois uma das partes impõe à outra, como um todo,
o instrumento inteiro do negócio, que esta, em geral, não pode recusar6.
Isto serve para afirmarmos que os contratos de adesão têm caraterísticas próprias
que os diferencia dos contratos paritários. Entre estas características podemos citar “a
predisposição; a uniformidade; a abstracção e a rigidez”, no entendimento de Bárbara
Meingast Piva7 ou ainda “pré-elaboração unilateral; oferta uniforme e de caráter geral para
um número indeterminado de indivíduos; e no modo de aceitação, que se dá por meio de

6
Neste sentido, RODRIGUES, Sílvio. Direito Civil. 24.ed. São Paulo: Saraiva, 1996, vol.
III, p. 45.
7
PIVA, Bárbara Meingast – “O Contrato de Adesão: Aspectos atuais e possibilidades
de revisão”, 2004, pp. 12 e sgts.

5
adesão ao contrato estabelecido pela parte economicamente mais forte”, segundo Glauco
Barbosa8.
a) A Predisposição ou Pré-elaboração Unilateral
A primeira característica dos contratos de adesão é a chamada pré-elaboração
unilateral das cláusulas contratuais. Quer isto dizer, a faculdade que se atribui ao prestador
de serviço de definir as regras do jogo antes da celebração do contrato e sem a possibilidade
de contradição do aderente. Ao aderente cabe apenas aceitar as condições impostas ou
rejeitá-las. Tratando-se de um serviço essencial o consumidor acabará sempre por aderir
ainda que não perceba os contornos do contrato ao qual aderiu9.
Assim, o indivíduo que se dirige a uma universidade privada para fazer matrículas e
frequentar um ciclo de formação terá de se submeter às cláusulas pré-definidas sobre o
pagamento de propinas, o horário das aulas e ainda a certas informações que muitas vezes
não recebem aquando da celebração do contrato. Por exemplo, as multas aplicáveis por
atraso no pagamento das propinas, os valores a pagar para a realização de provas, etc.
b) Rigidez
A rigidez é outras das características dos contratos de adesão. Trata-se da
obrigatoriedade de as partes não alterarem as condições contratuais. A partir do momento
em que o aderente assina o contrato, não tem mais volta: ou consome o produto ou fica sem
o produto mas sempre com a obrigação de pagar o preço.
Na prática, portanto, o que acontece é que os prestadores de serviços alteram a belo
prazer as condições e nunca são sancionados. É sempre o consumidor a ser prejudicado.
Lembramos aqui os recentes exemplos da retirada dos canais SIC das operadoras de
televisão ZAP e Multichoice DSTV, a subida dos preços da energia e água, entre outros.
c) Forma de Aceitação
Por fim, a forma de aceitação também é uma característica única do contrato de
adesão. Ou o consumidor adere ao serviço nas condições impostas ou fica sem o serviço. E
diante de uma situação de necessidade (por exemplo de energia da rede geral) sem
alternativa, o consumidor sofrerá sempre os prejuízos dos excessos e abusos do prestador.

8
BASSO, Stefania, ob. Cit., pp. 10 e sgts.
9
Para mais desenvolvimentos, ver as obras conforme as notas de rodapé n.ºs 7 e 8.

6
1.3. Vantagens e Desvantagens dos Contratos de Adesão: A contratação em
massa

Com a globalização e o crescimento económico surgem os contratos de adesão,


como forma de proporcionar maior uniformidade, rapidez, eficiência e dinamismo às
relações contratuais, especialmente as de consumo, pois, mundo não suportaria que todos
os contratos de consumo ainda fossem paritários, ou seja, uma discussão prévia das
cláusulas contratuais.

Na sociedade atual, as empresas incluindo o Estado têm celebrado contratos para


atender as expectativas do mercado e a necessidade dos consumidores. Para tanto
necessitam que seu conteúdo seja homogéneo e que seja concluído com uma série
indefinida de contratantes. E por uma questão de economia, segurança e praticidade, as
empresas pré-redigem um complexo uniforme de cláusulas, que serão aplicáveis
indistintamente a toda uma série de futuras relações contratuais. O certo, porém, é que essa
espécie de contratação está presente em toda sociedade industrializada e já faz parte de
todas as relações entre os consumidores e fornecedores.

Pelas razões expostas, os contratos de adesão têm razão de ser e contemplam


inúmeras vantagens, sem prejuízo das desvantagens que também são em número
considerável10. Entre as desvantagens dos contratos de adesão podemos destacar:

o A ruptura dos princípios da autonomia da vontade e liberdade contratual,


dando lugar a um acentuado desequilíbrio entre as posições jurídicas das
partes;

o A ausência de uma fase pré-negocial, forçando assim o consumidor, que é a


parte mais fraca, a aceitar as condições impostas pelo fornecedor;

o A tentação por parte dos prestadores de serviço de incluir em letras de


tamanho quase invisível, cláusulas abusivas que muitas vezes integram parte
essencial do conteúdo do contrato, viciando assim a decisão do consumidor;
etc.

Entre as vantagens dos contratos de adesão podemos destacar:


10
Ver, neste sentido, BASSO, Stefania, ob. Cit., pp. 12 e sgtes.

7
o A concretização celeridade na contratação em massa que gera benefícios
vários ao prestador de serviços, pois através de um modelo padronizado
consegue em tempo útil atender às demandas do mercado;

o Os contratos de adesão possibilitam à uniformidade, a redução dos custos e a


racionalização contratual11; etre outras.

Assim sendo e no intuito de promover a justiça contratual, justifica-se uma mão


pesada, uma intervenção pontual do Estado de formas a impedir o abuso na elaboração do
conteúdo dos contratos, para impedir que o consumidor ou aderente se vincule à realização
de prestações sem ter um conhecimento prévio do conteúdo e das condições contratuais,
através da imposição dos deveres de prestar informações corretas, bem como da proibição
de inserção de cláusulas abusivas12.

1.4. A Boa-fé na Formação dos Contratos de Adesão: As cláusulas


contratuais gerais

Uma vez que o aderente pouco ou nada interfere na produção dos efeitos do
contrato, o primeiro dever que se impõe ao proponente é a boa-fé (cfr., art.ºs 19.º, n.ºs 3 e 4
da LDC e 227.º e 762.º, n.º 2, do CC). Trata-se da obrigação de as partes, em especial, os
prestadores de serviço actuarem no sentido de promover o equilíbrio entre os interesses das
partes e não explorarem a ignorância da parte mais fraca no contrato: o consumidor13.

Como é regra, os contratos de adesão são celebrados de forma padronizada – as


clásulas são pré-concebidas e o seu texto também. Isto faz-se com recurso às chamadas
cláusulas ou condições contratuais gerais.

Trata-se, segundo Cláudia Marques, de “contratos, escritos ou não escritos, em que


o comprador aceita, expressa ou tacitamente, que cláusulas, pré-elaboradas pelo fornecedor
unilateral e uniformemente para um número indeterminado de relações contratuais, venham

11
Neste sentido, BARBOSA, Glauco, ob. Cit., p. 4.
12
Cfr., Basso, Stefania, ob. Cit., p. 12.
13
Para mais desenvolvimentos, ver CAPELOTTI, João Paulo – “Contratos de Adesão e
Condições Contratuais Gerais”, s/d e Pereira, Luísa de Freitas – “Boa-fé Objetiva no
Contrato de Adesão”, 2006.

8
a disciplinar o seu contrato específico” 14. Por outras palavras, trata-se de “técnica de pré-
elaboração do conteúdo de futuros contratos”.

Como ao consumidor cabe apenas aderir, o legislador veio consagrar através da


LCGC uma série de cláusulas abusivas e que devem ser excluídas dos contratos de adesão,
sob pena de invalidade (cfr., art.º 15.º da LCGC e 16.º da LDC).

Por exemplo, não podem ser inseridas nos contratos de adesão cláusulas que não
tenham sido comunicadas aquando da publicitação do bem ou serviço (cfr., art.º 5.º, n.º 1,
al. a). Não podem ser inseridas nos contratos cláusulas comunicadas com violação do dever
de informação, com o intuito de levar o consumidor ao seu desconhecimento (cfr., art.º 5.º,
n.º 1, al. b). Não podem ser inseridas nos contratos de adesão as cláusulas cuja apresentação
gráfica, a epígrafe ou o contexto em que sãoo inseridas passem despercebidas a um
contraente de diligência comum (cfr., art.º 5.º, n.º 1, al. c); por exemplo, as cláusulas
escritas em tamanhos quase invisíveis, quando tenham conteúdo relevante. São ainda
excluídas dos contratos de adesão todas as cláusulas inseridas depois da assinatura de um
dos contraentes (cfr., art.º 5.º, n.º 1, al. d); as cláusulas que impossibilitem, exonerem,
atenuem ou transfiram a responsabilidade do fornecedor por vícios dos bens e serviços
(art.º 16.º, als. a) e c) da LDC); as cláusulas que autorizem o fornecedor a cancelar o
contrato unilateralmente, sem que igual direito seja atribuido ao consumidor; que permitam
ao fornecedor , directa ou indirectamente, a variação do preço de maneira unilateral, ou que
estabeleçam a inversão do ónus da prova em prejuízo do consumidor, (art.º 16.º, als. j) e e)
e i) da LDC), etc.

Para além das clásulas acima, são ainda excluidas dos contratos de adesão, por
serem relativa ou asolutamente proibidas, todas as cláusulas contratuais gerais contrárias à
boa-fé, em especial quando consideradas a confiança suscitada nos contraentes, as
prestações de cada contraente, e o objectivo que os contraentes visam atingir (cfr., art.ºs
8.º, 10.º, 11.º, 13.º e 14.º da LCGC)15.

14
MARQUES, Cláudia Lima – Contratos no Código de Defesa do Consumidor …, 2002,
p. 52.
15
Para outros desenvolvimentos, em especial quanto à realidade brasileira, ver
SANTOS, Rafael Carneiro dos – “As Cláusulas Abusivas no Contrato de Adesão”, 2009.

9
que violem queno fundo, do órgão do Ministério do Interior que tem como
finalidade praticar diligências tendentes a efectivação de actos processuais que se destinam
a averiguar a existência de elementos que comportam ou compõem um tipo legal de crime
ou elementos que caracterizem um tipo legal de crime, determinando os seus agentes e o
seu grau de responsabilidade em face da descoberta e recolha de provas no âmbito do
processo criminal.

1.5. Cessação dos Contratos de Adesão

Os contratos de adesão cessam pelas mesmas razões que os demais contratos – por
caducidade (art.º 328.º e sgts do CC), por revogação (art.º 406.º do CC), por resolução (art.º
432.º do CC), por denúncia (art.ºs 916.º e 1220.º do CC), pela prescrição (art.º 309.º do CC)
e pela verificação do cumprimento (art.ºs 762.º e sgts)16.

Os contratos de adesão em particular extinguem-se pela prescrição e caducidade do


direito de reclamar pelos vícios aparentes e de fácil constatação (cfr., art.º 13.º da LDC) e
pela resolução (cfr., art.º 19.º, parágrafo 2 da LDC). Nos termos destes artigos, a caducidase
opera no prazo de 30 dias e de 90 dias, tratando-se respectivamente de fornecimento de
serviço e de bens não duradouros e duradouros. Já a resolução, ocorre quando houver justa
causa e tiver sido convencionado no contrato a admissão de cláusula resolutiva.

16
Para mais desenvolvimento, ver MARTINEZ, Pedro Romano – Da Cessação do
Contrato, 2015, pp. 45 e sgts.

10
CAPÍYULO II: Os Contratos de Adesão e a sua Repercussão nos Direitos dos
Consumidores

2.1. O Princípio da Liberdade Contratual e as suas Limitações: em especial


o dever de contratar

Conforme abordamos na introdução, os contratos têm como centro o princípio da


liberdade contratual plasmado no art.º 405.º do CC. Quer dizer, em regra a um contraente
teria direito a escolher a forma de contratar, com quem contratar, sobre quê contratar, onde
contratar e inclusive afastar no tempo a produção dos efeitos jurídicos do contrato. Mas
como nota Vicente Marques17, ao princípio da liberdade contratual impõem-se três limites:
a) o respeito ao princípio da licitude, b) o dever jurídico de contratar como ocorre com os
contratos de adesão e as cláusulas contratuais gerais e c) a responsabilidade pré-contratual e
a boa-fé na formação dos contratos.

Sobre o último limite já atrás abordamos mas é o segundo que merece destaque,
neste ponto. Nas palavras de Vicente Marques, a liberdade contratual corresponde apenas à
margem de actuação reconhecida às partes pelo ordenamento jurídico18, mas não é um
direito em absoluto. Há situações em que há um dever de contrar mesmo que no âmbito da
sua autonomia privada uma das partes não queira. É o que acontece quando há uma
promessa de contratar, quando se trata da contratação de serviços públicos essenciais ou
necessários (como é o caso dos serviços de comunicação electrónica, de distribuição de
energia e água, etc.) e ainda nos casos de contratos de consumo celebrados com
comerciantes através de cláusulas contratuais gerais.

Mais desenvolvimentos sobre a contratação através de cláusulas gerais e sobre as


cláusulas abusivas são feitos no próximo ponto.

17
MARQUES, António Vicente – Direito das Obrigações, Vol. I, 2008, pp. 72 e sgts.
18
MARQUES, A. V., ob. Cit., p. 75.

11
2.2. As Cláusulas Contratuais Gerais Abusivas (e a sua Exclusão?) nos
Contratos de Consumo

No capítulo anterior descrevemos algumas cláusulas abusivas e que devem ser


excluidas do contrato. O problema na verdade é que as cláusulas abusivas nem sempre têm
como consequência jurídica a nulidade do contrato 19. O legislador exige que estas cláusulas
acarretem prejuízos excessivos para que gerem nulidade ou anulação do contrato e
conhecendo esta prerrogativa muitas empresas escondem as minúcias do contrato e
enganam os consumidores. Por exemplo, nos contratos bancários é sempre frequente
pedirem os clientes para assinarem no fim da folha para um formulário de contrário com
quatro páginas ou mais (ver exemplos no Anexo I).

Por tão atento que fosse o cliente, em trinta minutos ou uma hora jamais conseguiria
ler e interpretar detalhadamente o conteúdo do contrato. Entendemos, por isso, que pedir-se
ao cliente para assinar não pode constituir argumento em como ele aderiu ao serviço de
livre e expontânea vontade e com conhecimento prévio. São os funcionários do prestador
de serviço que devem prestar informação detalhada e de qualidade e qualquer
esclarecimento adicional por se entender estarem dotados be conhecimentos para o efeito.

Assim, as cláusulas contratuais que contenham conteúdos e que pelo seu carácter o
consumidor conhecesse não teria celebrado o contrato nas mesmas condições, se as
conhecesse, devem ser consideradas proibidas e nunca devem integrar o conteúdo dos
contratos. Poucos clientes bancários sabem que devem pagar comissões de manutenção das
contas porque disto não são informados, mas são obrigados a pagar. O mesmo funciona
com as taxas pela utilização de cartões de crédito ou débito, entre outros serviços.

Por último, segue-se uma lista20 de cláusulas abusivas e proibidas que devem ser
excluídas dos contratos de consumo, e para mais remetemos ao remetemos para o Anexo
III, designadamente o art.º 16.º da LDC.

19
Neste sentido, Glauco Barbosa, ob. Cit., p. 9.
20
A lista em questão foi retirada da obra de Glauco Barbosa, já citada no presente
trabalho, concretamente das pp. 10 e sgts.

12
LISTA DE CLÁUSULAS ABUSIVAS

Multa Excessiva:
 Estipulação de carência para cancelamento nos contratos de cartão de crédito;
 Estabelecimento de carência em caso de impontualidade das prestações e
mensalidades;
 Estipulação de multa moratória superior a 2% em contratos educacionais e
similares;
 Cobrança cumulativa de comissão de permanência e de correção monetária.

Perda das Prestações Pagas:


 Perda das prestações pagas como multa por inadimplemento em caso de
financiamentos;
 Recebimento de valor inferior ao valor contratado na apólice de seguro;
 Perda total ou desproporcionada das prestações pagas pelo consumidor em razão da
desistência ou inadimplemento, ressalvada a cobrança judicial de perdas e danos
comprovadamente sofridos;
 Devolução das prestações pagas, sem correção monetária.

Reajuste Unilateral

 Aumento unilateral em planos de saúde por mudança de faixa etária;

 Escolha unilateral por parte do fornecedor quanto aos índices de reajuste a serem
utilizados;

 Reajuste de preços excessivo.

Pagamento Antecipado
 Imposição do pagamento antecipado referente a períodos superiores a 30 dias em
contratos de prestação de serviços educacionais e similares;
 Exigência de parcelas vincendas, no caso de restituição do bem em contratos de
leasing;
 Imposição do pagamento de percentual a título de taxa de administração futura em
consórcio.
 Exigência do pagamento do valor residual antecipadamente sem previsão de
devolução desse montante, corrigido monetariamente, se não exercida a opção de
compra do bem nos contratos de leasing.

13
Reconhecimento de Dívida

 Estipulação da fatura de cartões de crédito e de conta-corrente como dívida líquida


certa e exigível;
 Capitalização de juros;
 Capitalização mensal dos juros.

Cláusulas de Vantagem Excessiva


 Cobrança de outros serviços sem autorização prévia do consumidor em faturas de
serviço essencial.
 Venda casada em contrato de prestação de serviços educacionais. Impedimento ao
consumidor de benefício do evento constante do termo de garantia contratual que
lhe seja mais favorável;
 Estabelecimento de sanções por descumprimento somente em desfavor do
consumidor;
 Opção unilateral do fornecedor de concluir ou não o contrato, não estabelecendo
igual opção para o consumidor;
 Autorização de cancelamento unilateral do contrato pelo fornecedor, não
estabelecendo igual opção para o consumidor;
 Assinatura de títulos de crédito em branco;
 Ressarcimento de custos de cobrança da obrigação do consumidor, não
estabelecendo o mesmo para o fornecedor;
 Modificação unilateral do contrato após sua celebração por parte do fornecedor;
 Não restabelecimento dos direito integrais do consumidor, após a purgação da mora;
 Interrupção de serviço essencial sem aviso prévio em caso de impontualidade;
 Cobrança de honorários sem ajuizamento da ação correspondente;
 Limitação de riscos e minimização de garantias para eventuais danos do produto;
 Afastamento contratual do CDC nos contratos de transporte aéreo;
 Autorização do envio do nome do consumidor, e/ou seus garantes, a bancos de
dados e cadastros de consumidores, sem comprovada notificação prévia.

Cláusulas de exoneração de responsabilidade

 Restrição além dos limites do dever de indenizar do contratante, por eventuais


violações das obrigações contratuais;
 Limitação de riscos e minimização de garantias para eventuais danos do produto;

14
 Verificação unilateral pelo fornecedor da qualidade de produto ou serviço, bem
como da conformidade com o pedido;
 Limitação ou restrição procedimentos médicos e internações hospitalares em
contratos de planos de saúde;
 Imposição de limite de tempo de internação hospitalar;
 Transferência da responsabilidade a terceiros;
 Renúncia do direito de indenização por benfeitorias necessárias.

Cláusulas de disparidade no acesso à justiça


 Imposição de representante para concluir ou realizar negócio jurídico pelo
consumidor
 Eleição de foro diferente daquele onde reside o consumidor;
 Inversão do ônus da prova em prejuízo do consumidor;
 Utilização compulsória de arbitragem para concluir ou realizar negócio pelo
consumidor.

2.3. Referências a Alguns Formulários de Contratos de Adesão

Na presente secção abordamos alguns pontos sobre alguns contratos de adesão em


concreto, aos quais tivemso acesso na tentativa de inquirir um grupo de pessoas que de
algum modo já se viram envolvidos na celebração de contratos de adesão. Infelismente,
como já dissemos na introdução, algumas burocracias administrativas entre outras razões
não nos permitiram abordar órgãos de gestão ou mesmo funcionários de certas empresas de
fornecimento de bens e serviços para percebermos com maior exactidão as principais
dificuldades criadas pelo uso de cláusulas contratuais gerais.

Não obstante, trazemos neste trabalho um formulário de contrato de prestação de


serviço televisivo e outro respeuitante a adesão a um serviço bancário.

Qualquer dos dois contraria o disposto nalgumas normas da Lei de Defesa do


Consumidor. Diz a lei no art.º 19.º, parágrafo 3, que «os contratos de adesão escritos são
redigidos em termos claros e com carácteres ostensivos e legíveis, de modo a facilitar a sua
compreensão pelo consumidor». Se repararmos a aparência gráfica do formulário do

15
contrato de TV à cabo, o texto não é legível o suficiente e é extenso demais para um
consumidor que precisa tomar decisão em minutos, dada a necessidade.

Por outro lado, há clásulas que aparecem nos contratos mas que nuca são cumpridas
pelos prestadores. No formulário bancário, por exemplo, há a cláusula 11 sobre a Utilização
de Informações. Parece abusivo exigir que o consumidor pela simples assinatura se obrigue
a ter a sua informação partilhada com todos outros bancos. Se há normas imperativas sobre
o sigilo bancário, não parece ser de defender esta cláusula, uma vez a mesma cláusula nada
diz sobre a responsabilidade do banco em caso de má utilização da informação.

O mesmo ocorre com a cláusula sobre a responsabilidade pelo produto (cláusula 8).
Dizer que só o cliente é responsável pela segurança na utilização dos serviços bancários
parece abusivo. O banco estaria sempre em melhores condições para acaurtelar riscos
inerentes a utilização fraudulenta dos produtos bancários, sobretudo nos últimos tempos em
que tem crescido o crime de pirataria informática.

Ainda a cláusula 6.2 do contrato de TV à cabo faz menção à possibilidade de o


prestador alterar unilateralmente e qualquer momento o preço do serviço. Esta norma
contraria, de algum modo, o disposto no art.º 16.º, al. i) que proiíbe a aletarção do preço do
serviço de maneira unilateral. Acontece que se fizermos uma busca rápida neste sentido, é o
aumento injustificado e não comunicado dos preços e da diminuição da quantidade e
qualidade dos serviços prestados é uma realidade que acontece frequentemenete no dia-a-
dia e as operadoras quase nunca são sancionadas. De recordar novamente o caso da SIC TV
já abordado neste trabalho.

Nos termos do art.º 4.º, n.º 1, da LDC, os consumidores têm direito a qualidade de
bens e serviços (al. a); a protecção dos interesses económicos e contra publicidade
enganosa e abusiva (al. d); a informação e divulgação sobre o consumo adequado dos bens
e serviços (al. c) e não se justifica que os direitos do consumidor sejam violados pela
simples vontade de satisfazer os interesses do mercado.

16
CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES

De tudo o exposto, conclui-se que os contratos de adesão, em si, não são um defeito
na celebração dos negócios jurídicos nem de todo prejudiciais aos direitos dos
consumidores. Antes pelo contrário são desejáveis e facilitam o tráfego jurídico-comercial:
se todos os contratos com consumidores fossem paritários, não haveria crescimento
económico em larga escala nem concorrência empresarial à medida de proporcionar aos
consumidores produtos e serviços de qualidade a preços razoáveis.

Sem prejuízo do que foi dito no parágrafo anterior, o que gera perturbações nos
contratos de adesão é a utilização abusiva do direito dos vendedores e prestadores de
serviços da prerrogativa de determinar as regras do jogo sem pré-acordo, o que limita o
jexercício do direito de escolha por parte dos consumidores e os obriga a contratar, mesmo
quando não concordem com as exigências, comparadas ao preço e a qualidade do serviço
prestado. Lembre-se, por exemplo, que o fornecimento de energia eléctrica em Angola é
visivelmente débil mas ainda assim os consumidores são obrigados a pagar por valores que
às vezes não justificam nem satisfazem o equilíbrio dos interesses das partes e a justiça
contratual. Dito de outro modo, analisadas as desvantagens e vantagens, o equilíbrio é
difícil de ser alcançado, mas cabe a toda a ordem jurídica mediante as regras adotadas, a
busca de tal equilíbrio, proporcionando à parte mais fraca do contrato uma garantia maior
na relação de consumo que será concretizada.

Por esta razão, e entendendo-se que os contratos de adesão são um mal- necessário,
impõe-se que haja boa-fé e maior transparência por parte dos prestadores de serviço na
prestação de informação detalhada e esclarecimento aos consumidores para minimizar os
dissabores que normalmente caracterizam a relação entre os consumidores e as prestadoras
de serviços e impõe-se ainda que haja maior fiscalização do cumprimento das normas
regulamentares sobre a defesa dos direitos dos consumidores.

Assim recomendamos:

 Que o legislador seja mais incisivo na previsão de normas que penalizem os


prestadores de serviços de formas a coagi-los a serem zelosos na abordagem
aos consumidores;

17
 Que a Associação de Defesa dos Direitos dos Consumidores, enquanto
guardiã dos diretos destes, cumpra com o papel que lhe é vocacionado,
independentemente da pessoa da empresa que esteja na posição de
incumpridor;

 Que se promovam fóruns e discussões tendentes a desenvolver nos


consumidores uma cultura de interrogação e reclamação, de maior exigência
no pedido de informação e esclarecimento, tanto na fase de negociação
como na fase da execução dos contratos de formas a minimizar os efeitos
nefastos dos contratos de adesão.

18
BIBLIOGRAFIA

Fontes legislativas:

Código Civil Angolano


Lei n.º 15/02, de 22 de Julho (Lei de Defesa do Consumidor)
Lei n.º 04/03, de 18 de Fevereiro (Lei sobre as Cláusulas Gerais dos Contratos)

Fontes Doutrinais:

BARBOSA, Glauco Robson Aves – “Contratos: contratos de adesão”, s/d, disponível


online.
BASSO, Stefania – “Os Contratos de Adesão”, disponível online em
http://www.direitonet.com.br/textos/x/13/22/, 16/Agosto/2006.
CAPELOTTI, João Paulo – “Contratos de Adesão e Condições Contratuais Gerais”, s/d,
disponível online.
GOMES, Orlando. Contrato de adesão. São Paulo: RT, 1972.
MARQUES, Cláudia Lima – Contratos no Código de Defesa do Consumidor: o novo
regime das relações contratuais. 4. ed., rev., atual. e ampl. São Paulo: RT, 2002.
p. 52.
MARTINEZ, Pedro Romano – Da Cessação do Contrato, Coimbra: Almedina, 2015.
NOVAIS, Alinne Arquette Leite. A Teoria Contratual e o Código de Defesa do
Consumidor. São Paulo: RT, 2001.
PEREIRA, Luísa de Freitas – “Boa-fé Objetiva no Contrato de Adesão”, Monografia
Jurídica apresentada à Universidade Federal de Rondônia, disponível online,
2006.
PIVA, Bárbara Meingast – “O Contrato de Adesão: Aspectos atuais e possibilidades de
revisão”, trabalho Final apresentado à Universidade Federal do Paraná,
disponível online, 2004.
RODRIGUES, Sílvio. Direito Civil, Vol. III. 24.ed. São Paulo: Saraiva, 1996.
SANTOS, Rafael Carneiro dos – “As Cláusulas Abusivas no Contrato de Adesão”, Artigo
apresentado a Escola de Magistratura do Rio de Janeiro, 2009.
TELLES, Inocêncio Galvão – Direito das Obrigações, 7.ª ed., Coimbra: Coimbra Editora,
2010.

19
ANEXOS
ANEXO I: Alguns Formulários de Contratos de Adesão
ANEXO II: Lei sobre as Cláusulas Gerais dos Contratos
ANEXO III: Extracto da Lei de Defesa do Consumidor