Você está na página 1de 18

Sumário

Introdução 5
O circuito RL série em corrente alternada 6
Impedância e corrente no circuito RL série em corrente alternada
8
As tensões no circuito RL série em corrente alternada 11
Rede de defasagem RL 14
Apêndice 20
Questionário 20
Bibliografia 20
Espaço SENAI

Missão do Sistema SENAI

Contribuir para o fortalecimento da indústria e o desenvolvimento


pleno e sustentável do País, promovendo a educação para o trabalho e a
cidadania, a assistência técnica e tecnológica, a produção e disseminação
de informação e a adequação, geração e difusão de tecnologia.

Imagem Institucional – Desenvolver ações que atendam as reais


necessidades do mercado.
Série de Eletrônica do SENAI

Introdução
Os indutores também podem ser associados em série ou em paralelo com
resistores formando circuitos RL.

A partir deste fascículo, inicia-se o estudo desses circuitos, denominados


de circuitos reativos indutivos.

Este fascículo tratará do circuito RL série, abordando os aspectos relativos


a impedância, tensão e corrente, visando a possibilitar a compreensão do
comportamento desses circuitos.

Para ter sucesso no desenvolvimento do conteúdo e atividades


deste fascículo, o leitor já deverá ter conhecimentos relativos a:

 Representação fasorial de parâmetros elétricos.


 Indutores.

5
Circuito RL série em corrente alternada

O circuito RL série em
corrente alternada
Quando se aplica a um circuito série RL uma fonte de corrente alternada
senoidal, a corrente circulante também assume a forma senoidal, como pode ser
visto na Fig.1.

t
L

Fig.1 Circuito RL série.

Como em todo o circuito série, a corrente é única no circuito (IR = IL = I).


Por esta razão, a corrente é tomada como referência para o estudo do circuito RL
série.

A circulação de corrente através do resistor dá origem a uma queda de


tensão sobre o componente.

6
Série de Eletrônica do SENAI

A queda de tensão no resistor (VR = I  R) está em fase com a corrente,


como ilustrado na Fig.2.

VR

t I VR

Fig.2 Tensão em fase com a corrente no resistor.

Essa mesma corrente ao circular no indutor dá origem a uma queda de


tensão sobre o componente. Devido à auto-indutância, a queda de tensão no
indutor (VL = I  XL) está adiantada 90º em relação à corrente do circuito, como
pode ser visto na Fig.3.

VR

VL

I
VL (90 adiantado)

90
t
I VR

Fig.3 Tensão no indutor adiantada 90 em relação a corrente.

A Fig.3 representa o gráfico senoidal e fasorial completo para o circuito


RL série.

7
Circuito RL série em corrente alternada

Impedância e corrente no
circuito RL série em
corrente alternada
O circuito RL série usado em corrente alternada apresenta uma oposição à
circulação de corrente, denominada impedância.

A fórmula para calcular esta impedância pode ser encontrada a partir da


análise do gráfico fasorial do circuito mostrado na Fig.1. A Fig.4 mostra
novamente este diagrama fasorial.
VL

I VR

Fig.4 Gráfico fasorial para circuito RL.

O fasor VL é dado por I  XL e o fasor VR representa I  R.

Dividindo-se as intensidades dos fasores pela intensidade de I, o gráfico


não se altera e assume a característica mostrada na Fig.5.

XL

R
Fig.5 Diagrama fasorial XL versus R.

8
Série de Eletrônica do SENAI

A resultante do sistema de fasores fornece a impedância do circuito RL


série, e pode ser calculado pelo uso do Teorema de Pitágoras.

Z 2  R2  X L2

Isolando-se Z, tem-se:

Z  R2  X L2 (1)

onde
Z = impedância em ohms
R = resistência em ohms
XL = reatância em ohms.

A partir dessa equação, podem ser isoladas as equações que determinam R


e XL.

R  Z 2  X L2

X L  Z 2  R2

Exemplo 1

Um indutor de 200mH em série com um resistor de 1.800 é conectado a


uma fonte CA de 1.200Hz . Determinar a impedância do circuito.

Solução :

XL =2  f  L = 6,28  1.200  0,2


R
XL = 1.507,2  1.800 

Z R 2  X L 2  1.800 2  1.507,2 2 1.200 Hz


L
Z = 2.347,7  0,2 H

9
Circuito RL série em corrente alternada

A partir do momento em que se dispõe da impedância de um circuito,


pode-se calcular a corrente a partir da Lei de Ohm para circuitos de corrente
alternada.

Exemplo 2

Aproveitando o Exemplo 1, que corrente circulará no circuito se a fonte


fornece 60V (eficazes) ao circuito?

Solução :

V 60
R
I T  1.800
Z 2.347,7
60V
I = 25,6 mA 1.200 Hz
L
0,2 H

10
Série de Eletrônica do SENAI

As tensões no circuito RL
série em corrente
alternada
No gráfico fasorial do circuito RL série a tensão no indutor VL está
defasada 90º da tensão no resistor VR devido ao fenômeno de auto-indução.

A tensão total VT é a resultante do sistema de fasores, e é calculada através


do Teorema de Pitágoras, como ilustrado na Fig.6.

VL
VT

VR
VT  V R 2  V L 2 (2)

Fig.6 Cálculo da resultante VT.

Cabe ressaltar que a tensão total não pode ser encontrada através de soma
simples (VR + VL) porque estas tensões estão defasadas, entre si.

A fórmula de VT pode ser desdobrada para isolar os valores de VR e VL.

V R  VT 2  V L 2

V L  VT 2  V R 2

Os valores de VR e VL podem ser calculados separadamente, se a corrente


é conhecida, através da Lei de Ohm.

11
Circuito RL série em corrente alternada

A seguir são mostrados dois exemplos que ilustram a utilização das


equações.

Exemplo 3:
Determinar as tensões sobre o resistor e o indutor do circuito da figura
abaixo.
Solução :

Z  R2  X L2
R
XL = 2  f  L = 6,28  90  1,2 560 

XL = 678,2  150V
90 Hz
L
Z  560 2  678,2 2  773.555 1,2 H
Z = 879 

VT 150
I I I = 0,171 A
Z 879

VR = I  R VR = 0,171  560 VR = 95,8 V

VL = I  XL VL = 0,171  678,2 VL = 115,9 V

As tensões VR e VL podem ser conferidas, aplicando-se os seus valores na


Eq.(2) de VT.

VT  V R 2  V L 2 VT  95,8 2  115,9 2

VT  22.610,45 VT = 150,36 V

A diferença de 0,36V deve-se as aproximações usadas.

12
Série de Eletrônica do SENAI

Exemplo 4:

Determinar a corrente que circula no circuito da figura abaixo.

Solução :

Com VR e R , pode-se determinar I :

VR 50 A
I 
R 330  R
330  50V
I = 0,152 A
70V
Com VT e VR , pode-se determinar VL 60 Hz
:
L
VL  VT 2  VR 2  70 2  50 2

VL = 49 V

Com VL e I, pode-se determinar XL :

VL 49
XL   XL = 322,4 
I 0,152

Então, pode-se determinar L :

XL = 2  f  L

XL 322,4
L  L = 0,86 H
2  f 6,28  60

13
Circuito RL série em corrente alternada

Rede de defasagem RL
O circuito RL série usado em corrente alternada permite que se obtenha
uma tensão alternada defasada da tensão aplicada, como ilustrado na Fig.7.

CA de entrada
t

~ Entrada
Saída V

60
CA de saída
t

Fig.7 Rede de defasagem RL.

A tensão aplicada à rede RL corresponde à tensão VT no gráfico fasorial e


a tensão de saída ao fasor VL, uma vez que a saída é tomada sobre o indutor.

14
Série de Eletrônica do SENAI

Pelo gráfico fasorial, verifica-se que a tensão VL (tensão de saída) está


adiantada em relação a tensão VT (tensão de entrada). O ângulo entre os fasores
VL e VT é o ângulo de defasagem entre entrada e saída, como pode ser visto na
Fig. 8.

VT
VL

VL

VT
60 t

VR 60

Fig.8 Defasagem entre as tensões VL e VT.

O ângulo de defasagem pode ser determinado a partir do gráfico fasorial


da impedância ou das tensões, como mostrado na Fig.9.

XL VL
Z VT

 
R VR
Fig.9 Gráfico fasorial da impedância e das tensões.

O ângulo entre VR e VT é o ângulo  que pode ser encontrado através das


seguintes relações do triângulo retângulo :

R VR
cos   ou cos  
Z VT

R VR
  arc cos ou   arc cos
Z VT

15
Circuito RL série em corrente alternada

Tendo-se o ângulo  (ângulo entre VR e VT), determina-se o ângulo 


(entre VT e VL).

 = 90- 
Quando o efeito resistivo no circuito é maior que o indutivo (R > XL), o
ângulo  é menor que 45º e o circuito é dito predominantemente resistivo.

Se, por outro lado, o efeito indutivo é maior que o resistivo (XL > R), o
ângulo  é maior que 45º e o circuito é dito predominantemente indutivo.

A seguir são mostrados dois exemplos de determinação do ângulo de


defasagem provocado por um circuito RL série em corrente alternada.

Exemplo 5:

Determinar o ângulo de defasagem entre a saída e a entrada do circuito da


figura abaixo.

Solução :

R
cos  
Z
R
Determinação de Z :
680 

Z  R 2  XL2 300 Hz
XL = 2  f  L
L
saída
600 mH
XL = 6,28  300  0,6

XL = 1.130 

Z  680 2  1.130 2 Z  1.739.300 Z = 1.319 

R 680
cos   cos   cos   0,515
Z 1.319

16
Série de Eletrônica do SENAI

Consultando-se uma tabela de cossenos ou usando-se uma calculadora,


tem-se que:

 = 59 (circuito predominantemente indutivo)

Pode-se ainda construir o gráfico fasorial de R e Z :

XL


19
13
=
Z
 o
59

R = 680 
O ângulo entre Z e XL pode ser determinado da seguinte forma:

 = 90-   = 90- 59  = 31

Isto significa que a senóide de saída (VL) está 31º adiantada com relação à
entrada, como ilustrado na figura abaixo.

VT = entrada
R
680 
entrada
300 Hz
L t

600 mH saída VL = saída

31

17
Circuito RL série em corrente alternada

Exemplo 6:

Determinar a defasagem entre a saída e a entrada na rede mostrada na


figura abaixo.

Solução :
VR
cos  
VT

Determinação de VR :

VT  VR 2  VL 2

VR  VT 2  V L 2

120 V
V R  120 2  55 2
saída
VR  107V 55 V

VR 107 V
cos   cos   cos  = 0,89 = 27
VT 120 V

Como  < 45 , o circuito é predominantemente resistivo.

O ângulo entre VL e VT pode ser calculado da seguinte forma:

 = 90- 27  = 63

18
Série de Eletrônica do SENAI

Isto significa que a tensão de saída está 63 adiantada em relação à da


entrada, como ilustrado na figura abaixo.

VT = entrada

120 V
saída t
55 V
63

19
Circuito RL série em corrente alternada

Apêndice
QUESTIONÁRIO
1. Desenhe o gráfico senoidal e fasorial completo de um circuito RL série em
corrente alternada.
2. Como se determina o ângulo de defasagem entre as tensões VR e VL de um
circuito RL série em corrente alternada ?

BIBLIOGRAFIA
DAWES, CHESTER L. Curso de Eletrônica; corrente alternada. A course in
a
electrical engineering. Trad. de João Protásio Pereira da Costa. 18. ed.,
Porto Alegre, Globo, 1979, vol.4

DEGEM SYSTEMS. Circuitos elétricos de CA. Is rall, Eletrônica Modular


Panter. c1976. 163p. ilust.

SENAI/DN. Impedância. Rio de Janeiro, Divisão de Ensino e Treinamento,


1980, 91p. (Módulo Instrucional: Eletricidade - Eletrotécnica, 18).
a
VAN VALKEMBURGO, NOOGER & NEVILLE. Eletricidade Básica. 5. ed.,
Rio de Janeiro, Freitas Bastos, 1960, vol.4. ilust.

20