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CASO CONCRETO

Em 24/10/2016, segunda-feira, Almerinda, de 41 anos de idade, do lar, moradora de Niterói-RJ, foi até uma rede de
supermercado próxima a sua residência fazer algumas compras, com R$ 150,00 (cento e cinquenta reais) em sua bolsa. Ao
terminar de comprar o que constava em sua lista, Almerinda se dirigiu ao caixa para efetuar o pagamento de suas compras.
No entanto, ao passar as compras pelo caixa do supermercado, a funcionária chamada Aline informou que o total de-
ra R$ 157,00 (cento e cinquenta e sete reais), momento em que Almerinda falou que não teria a quantia suficiente para efetuar
o pagamento. Neste instante, de maneira surpreendente, Aline, aos berros, falou: “Sabia que não teria dinheiro, sua vaca gor-
da!! Tinha que ser uma vadia pobre!!”, e complementou dizendo: “porque você não troca algum produto diet por 1 kg de açú-
car, aí, quem sabe, consegue pagar e aproveita para engordar mais”, fazendo referência à aparência física de Almerinda.
Alguns clientes que estavam no local chegaram a interpelar Aline, que, descontrolada, insistiu nas ofensas, afirmando
ainda que Almerinda deveria ter feito as contas antes de entrar na fila. Inconformada com tamanho absurdo, Almerinda foi para
casa aos prantos.
Com base na situação descrita acima, elabore a peça processual cabível, datando-a no último dia do prazo. Para fins
desta questão, o candidato deverá considerar que o último dia é considerado dia útil.

Padrão de resposta:

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DO ___ JUIZADO ESPECIAL CRIMINAL DE NITERÓI-RJ

Almerinda, nacionalidade, estado civil, do lar, portadora da carteira de identidade n°__, inscrita no CPF sob o n°__,
residente e domiciliada no endereço ___________________, município de Niterói-RJ, por seu advogado abaixo assinado,
conforme procuração com poderes especiais em anexo, em conformidade com o artigo 44 do Código de Processo Penal, vem
a Vossa Excelência, com fundamento nos artigos 30 e 41 do Código de Processo Penal, e art. 100, § 2º do Código Penal,
oferecer

QUEIXA CRIME

em face de Aline, estado civil, caixa de supermercado, identidade número ___, inscrito no CPF sob o n°__, residência e domi-
cílio, pelos fatos e fundamentos jurídicos a seguir expostos.

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1. Dos Fatos

Em 24/10/2016, a querelante foi ao supermercado próximo a sua residência, para fazer algumas compras para sua
casa e, convicta de que R$ 150,00 (cento e cinquenta reais) seriam suficientes, ao passar pelo caixa, foi surpreendida com o
valor superior das compras.
Ao indicar para a atendente, ora querelada, que não possuía o valor integral, foi verbalmente agredida pela mesma,
que, aos berros, falou: “Sabia que não teria dinheiro, sua vaca gorda!! Tinha que ser uma vadia pobre!!”, e complementou
dizendo: “porque você não troca algum produto diet por 1 kg de açúcar, aí, quem sabe, consegue pagar e aproveita para en-
gordar mais!!”.
O fato foi ainda praticado na presença de várias pessoas.

2. Do Direito

É evidente que a ora querelante foi, através das absurdas agressões verbais promovidas pela querelada, alvo de
ofensas injuriosas, sendo evidente ter a querelada agido com a vontade de injuriar, ofendendo-a chamando de “vaca gorda” e
“vadia pobre”, dentre outros.
As palavras levianas e irresponsáveis da querelada agrediram subjetivamente a honra da querelante, e foram ainda
presenciadas por diversas pessoas que se encontravam no local, entre clientes e demais funcionários do estabelecimento.
Assim não há dúvida que a querelada possuía animus injuriandi, com objetivo de macular a honra da querelante,
reduzindo sua valia, prestigio e autoestima.
Torna-se, assim, nítida a configuração do crime de INJÚRIA por parte da querelada, sem perder de vista, ainda, que a
conduta foi proferida diante de dezenas de pessoas que estavam no supermercado naquele momento.
Encontra-se, portanto, a querelada incursa na pena do artigo 140, com o aumento de pena previsto no artigo 141,
inciso III, ambos do Código Penal, já que a infração foi praticada na presença de várias pessoas.

3. Do Pedido

DIANTE DO EXPOSTO, requer a querelante seja designada audiência preliminar, na forma do artigo 72 da Lei
9.099/95, e, em caso de impossibilidade de conciliação, requer seja recebida a presente, citada a querelada para responder
aos termos da ação penal e, ao final, julgado procedente o pedido para condenar a querelada como incursa nas penas do
artigo 140, combinado com 141, III, ambos do Código Penal.

Pede sejam fixados os valores de que trata o art. 387, IV, do CPP.
Requer ainda sejam intimadas as testemunhas ao final arroladas.

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Nestes termos,
Espera deferimento.

Niterói, 23 de abril de 2017.


Advogado/OAB

ROL DE TESTEMUNHAS:

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