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CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO

Syllabus

2017/2018 — Turma C

André Salgado de Matos


2
Programação das aulas
Calendarização indicativa das aulas
Bibliografia sumária
Exercícios

1.ª e 2.ª AULAS

Sumário
Presente, passado e futuro do contencioso administrativo: os modelos objectivista e
subjectivista do contencioso administrativo. O caso português.

Bibliografia sumária1
José Carlos Vieira de Andrade, A justiça administrativa, 15.ª ed., Coimbra, 2016, 9-
48
Vasco Pereira da Silva, O contencioso administrativo no divã da psicanálise, 2.ª ed.,
Coimbra, 2009, 9-239

3.ª e 4.ª AULAS

Sumário
O âmbito material e funcional da jurisdição administrativa.

Bibliografia sumária
JCVA, 47-117
Diogo Freitas do Amaral/Mário Aroso de Almeida, As grandes linhas da reforma do
contencioso administrativo, 3.ª ed., Coimbra, 2003, 25-45
Marcelo Rebelo de Sousa/André Salgado de Matos, Direito administrativo geral, I,
3.ª ed., Lisboa, 2008, 183-204
Maria João Estorninho, «A reforma de 2002 e o âmbito da jurisdição administrativa»,
Cadernos de Justiça Administrativa 35 (2002), 3 e ss.
Mário Aroso de Almeida, Manual de processo administrativo, 3.ª ed., Coimbra, 2017,
156-191

1
As indicações bibliográficas devem ser complementadas com as constantes das obras citadas e com as
indicações fornecidas nas aulas.

3
Materiais para a aula

Jurisprudência2
Tribunal Constitucional n.º 371/94
Tribunal Constitucional n.º 746/96
Tribunal Constitucional n.º 284/2003

5.ª AULA

Sumário
O direito judiciário administrativo. Os sujeitos processuais: o tribunal, as partes e
Ministério Público.

Bibliografia sumária
JCVA 123-146
MAA, 55-68

6.ª AULA

Sumário
O processo: noção de processo, tipos de processos, relação jurídica material e relação
jurídica processual (instância).
Elementos essenciais do processo: condições de existência (partes e tribunal:
remissão), condições de validade (pedido, causa de pedir, objecto do processo),
condições de admissibilidade, condições de procedência, forma de processo, valor do
processo.

Bibliografia sumária
JCVA 261-271
MAA 41-51
VPS 254-313

2
Disponível em www.tribunalconstitucional.pt.
7.ª AULA

Sumário
O princípio da tutela jurisdicional efectiva. Suas implicações nas formas de processo e
na cumulação de pedidos.

Bibliografia sumária
JCVA 147-165
MAA 69-76, 345-352
VPS 241-254

8.ª, 9.ª e 10.ª AULAS

Sumário
Princípios do direito processual administrativo: o princípio do dispositivo, do
inquisitório, da igualdade das partes, do contraditório, da cooperação processual e da
boa fé processual, da tipicidade das formas de processo, do favorecimento do
processo, da economia e da celeridade processuais, da universalidade dos meios de
prova, da livre apreciação da prova, da forma escrita, da publicidade e da
fundamentação das decisões.

Bibliografia sumária
JCVA, 425-458

11.ª e 12.ª AULAS

Sumário
Os pressupostos processuais: aspectos gerais.
Pressupostos processuais relativos aos sujeitos.
Pressupostos processuais relativos ao tribunal: competência e não preterição de
tribunal arbitral consequências da sua falta.
Pressupostos processuais relativos às partes. Pressupostos processuais absolutos:
personalidade judiciária, capacidade judiciária, patrocínio judiciário. Pressupostos

5
processuais relativos: legitimidade activa e passiva em geral; formas da pluralidade de
partes: litisconsórcio e coligação; regime da ilegitimidade. Interesse em agir. Não-
aceitação da situação material controvertida.
Outros pressupostos processuais: propriedade da forma de processo e do tipo de
acção; admissibilidade da cumulação de pedidos

Bibliografia sumária
JCVA 271-291
MAA 151-155, 192-223, 246-262, 310, 340, 345-350

13.ª e 14.ª AULAS

Sumário
Resolução de hipóteses práticas e análise de jurisprudência.

Materiais para a aula

Hipótese n.º 1
Daniela, presidente da Câmara Municipal de Freixo de Espada à Cinta, tentando evitar
um grupo de jornalistas que se encontrava à sua espera após uma conferência de
imprensa, ordenou a Eduardo, motorista do município que o conduz num veículo
particular, que abandone os paços do concelho «o mais depressa que puder e sem
parar». Eduardo assim fez, atropelando o jornalista Filipe e causando-lhe várias
lesões. Filipe propôs no Tribunal Administrativo e Fiscal de Mirandela uma acção de
responsabilidade civil contra a companhia de seguros do município de Freixo de
Espada à Cinta e, porque o montante da indemnização pedida ultrapassava o valor
assegurado, também contra aquele município, bem como contra Daniela e Eduardo. O
Tribunal absolveu a companhia de seguros da instância e invocando os princípios da
tutela jurisdicional efectiva e do favorecimento do processo, determinou a
continuação do processo contra os restantes réus.
Hipótese n.º 2
Os irmãos António e Berta, residentes respectivamente em Cascais e Paris, são
comproprietários de uma casa situada junto à praia em Cascais. Considerando que a
casa está implantada no domínio público marítimo, a Ministra do Ambiente, do Mar e
do Ordenamento do Território ordenou a sua imediata demolição. Inconformada,
Berta dirigiu um requerimento à Ministra em que, apesar de reconhecer que a casa
estava efectivamente implantada no domínio público marítimo, manifestou a sua
indignação pelo facto de não ter sido ouvida previamente à decisão de demolição.
António e Berta acabaram por demandar o Estado no Tribunal Administrativo de
Círculo de Lisboa, pedindo a anulação da decisão da Ministra e uma indemnização
pelos danos causados. O Tribunal absolveu o Estado da instância, com fundamento
em incompetência territorial e na ilegitimidade de Berta. António e Berta recorreram
desta decisão para o Supremo Tribunal Administrativo.

Hipótese n.º 3
Carlos, Primeiro-Ministro, anunciou numa conferência de imprensa que, como
medida extraordinária de combate ao défice estrutural, o Conselho de Ministros tinha
deliberado, mediante resolução, que o Estado e os institutos públicos iriam deixar de
pagar o trabalho extraordinário que lhes fosse prestado. O Sindicato dos
Trabalhadores do Estado da Figueira da Foz pediu no Tribunal Administrativo e
Fiscal de Coimbra a anulação da deliberação do Conselho de Ministros e o
reconhecimento do direito de todos os trabalhadores a serem pagos pelo trabalho
extraordinário que prestassem ao Estado e aos institutos públicos, dirigindo a acção
contra o Conselho de Ministros. O demandado arguiu a incompetência relativa do
tribunal. Sem ouvir o Sindicato, o Tribunal remeteu oficiosamente o processo para o
Tribunal Administrativo de Círculo de Lisboa.

Jurisprudência3
STA 29/3/2007, Proc. 089/07
STA 17/6/2010, Proc. 0838/09
STA 23/11/2010, Proc. 0985/09
STA 16/12/2010, Proc. 0788/10

3
Disponíveis em www.dgsi.pt  Acórdãosdo Supremo Tribunal Administrativo  Pesquisa por
Campo. Recomenda-se a pesquisa por número do processo.

7
Tribunal dos Conflitos 20/9/2012, Proc. 07/12

15.ª AULA

Sumário
A acção administrativa. Pressupostos processuais gerais: tempestividade.
Pressupostos específicos das acções de simples apreciação, relativas a contratos e de
condenação de particulares ao abrigo do art. 37.º, 3 CPTA.

Bibliografia sumária
JCVA 217-223
VPS 437-558
MAA 329-332

16.ª AULA

Sumário
A acção administrativa (cont.). Acções de impugnação de actos administrativos.
Pressupostos processuais específicos e com regime especial: legitimidade,
impugnabilidade do acto administrativo, tempestividade da impugnação e limites da
cognoscibilidade da invalidade de acto administrativo inimpugnável, não-aceitação do
acto administrativo, impugnações administrativas necessárias.

Bibliografia sumária
JCVA, 168-177
MAA, 264-310
VPS, 331-376
17.ª AULA

Sumário
A acção administrativa (cont.). Acções de condenação à prática de actos
administrativos devidos. Pressupostos processuais específicos e com regime especial:
legitimidade, pressupostos relativos à constituição da relação jurídica procedimental,
omissão ou recusa de acto administrativo, impugnação administrativa prévia,
tempestividade.
Bibliografia sumária
JCVA 187-196
VPS 396-411, 429-435
MAA 311-327

18.ª AULA

Sumário
A acção administrativa (cont.). Acções de impugnação de normas. Pressupostos
processuais específicos e com regime especial: legitimidade, existência de norma,
lesividade imediata ou mediata, tempestividade.
Acções de condenação à emissão de normas. Pressupostos processuais específicos e
com regime especial: legitimidade, omissão de norma devida.

Bibliografia sumária
JCVA, 198-216
MAA, 329-330

19.ª, 20.ª, 21.ª e 22.º AULAS

Sumário
A acção administrativa. A instância. A marcha do processo: as fases dos articulados,
do saneamento, da instrução, da discussão, das alegações e do julgamento. A
sentença: estrutura, conteúdo e limites.

9
Bibliografia sumária
JCVA, 293-309, 345-364
MAA, 353-392

Materiais para a aula


Proc. X/2007

Tarefas
Comente a sentença proferida no Proc. X/2007 à luz do objecto e da tramitação do
processo e dos conhecimentos de direito processual administrativo já adquiridos.

23.ª, 24.º, 25.º e 26.ª AULAS

Sumário
Resolução de hipóteses práticas e análise de jurisprudência.

Materiais para a aula

Hipótese n.º 4
António é proprietário de um imóvel situado em Sintra, classificado como de interesse
público, no qual reside. António requereu à Câmara Municipal de Sintra licença para
proceder a obras de demolição de uma parede interior no referido imóvel.
Previamente à decisão, a Câmara Municipal solicitou um parecer à Direcção-Geral do
Património Cultural (DGPC), que, nos termos da lei, é obrigatório e vinculativo. Em 1
de Setembro, António foi notificado de que a DGPC se tinha pronunciado em sentido
favorável apenas a parte da demolição pretendida. António e Benta, casada com
aquele em regime de comunhão de adquiridos, mas que não é proprietária do imóvel,
intentaram em 1 de Maio no tribunal administrativo de círculo de Lisboa uma acção
administrativa especial com pedido de impugnação do parecer da DGPC. Os autores
não juntaram à petição inicial documento comprovativo da existência do parecer da
DGPC e requereram a realização de uma perícia tendente à demonstração da
inocuidade da demolição para o valor patrimonial do imóvel. Citado em 1 de Outubro,
o Ministério da Cultura contestou em 15 de Novembro, alegando a incompetência do
tribunal, a ilegitimidade activa, a inadequação do pedido e a inimpugnabilidade do
acto, por considerar que não está em causa um verdadeiro acto administrativo e
porque, ainda que assim não fosse, a lei prevê a existência de um recurso tutelar para
o membro do governo responsável pela área da cultura. O processo administrativo não
foi junto aos autos.

a) O que deve fazer a secretaria após a recepção da petição inicial?


b) Em função da conduta processual do Ministério da Cultura, qual deve ser o
juízo do tribunal acerca dos factos alegados na petição inicial?
c) O que deve fazer o juiz do Tribunal Administrativo de Círculo de Lisboa?
d) Qual deve ser o conteúdo do despacho pré-saneador?
e) Pode o tribunal recusar a perícia requerida?
f) Pode o juiz conhecer do mérito da causa no despacho saneador?
g) Há lugar a alegações?
h) Na véspera da sentença, António tomou conhecimento de um facto que
implicava novo vício do parecer da DGPC. Pode invocar esse facto no âmbito
do processo em curso e ampliar a causa de pedir? Em caso de resposta
afirmativa, de que modo?
i) Na mesma data, António desistiu da instância. Pode o Ministério Público
assumir a sua posição processual?
j) Tendo em conta que a lei permite à DGPC dar parecer negativo a operações
urbanísticas em imóveis classificados com fundamento em juízos estéticos,
poderá a sentença condenar aquele instituto público a emitir um parecer
favorável às obras de demolição pretendidas por António?

Hipótese n.º 5
António é comproprietário de um imóvel situado em Loures, no qual reside. Em 1 de
Setembro, começou a laborar um estabelecimento industrial no terreno vizinho de
António, causando a emissão de fumos incómodos. António conseguiu apurar que a
laboração tinha sido autorizada por acto administrativo do presidente da câmara de
Loures de 1 de Maio anterior, da qual António não teve conhecimento. Em 20 de
Dezembro, António impugnou a autorização no Tribunal Administrativo e Fiscal de
Sintra, alegando que os níveis de poluição atmosférica autorizados ultrapassavam os
limites legais. A acção foi dirigida contra o presidente da câmara municipal. A petição

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inicial continha um requerimento de produção de prova testemunhal, mas não
indicava o valor da causa. Citada em 4 de Janeiro, a entidade pública demandada
contestou que os níveis de poluição autorizados são legais.

a) O que deve fazer a secretaria após a recepção da petição inicial?


b) Se fosse mandatário/a da entidade pública demandada, que argumentos
invocaria na contestação? Até que dia poderia apresentar, sem multa, a
contestação?
c) Se fosse mandatário/a do autor, como se defenderia dos argumentos que
identificou na alínea anterior?
k) Qual deve ser o conteúdo do despacho pré-saneador?
d) Admitindo que subsiste matéria de facto controvertida, pode o juiz conhecer
do mérito da causa no despacho saneador?
e) Admitindo que a empresa exploradora do estabelecimento industrial vem a
intervir supervenientemente no processo, pode António deduzir contra ela um
pedido de indemnização a título de responsabilidade civil delitual?
f) O juiz tem fortes suspeitas de que um documento apresentado pelo autor é
falso. Não tendo os demandados impugnado a sua veracidade, dispõe o juiz de
algum meio para apurá-la?
g) Pode o juiz, na sentença, anular o acto administrativo impugnado com
fundamento em incompetência, sem conhecer do vício alegado por António?

Jurisprudência
TCA/N 28/10/2010, Proc. 00064/09.1BECBR, com anotação em CJA 87 (2011), 42
TCA/S 18/11/2010, Proc. 06326/10, com anotação em CJA 87 (2011), 42
STA 16/4/2008, Proc. 0743/07

27.ª AULA

Sumário
Processos principais urgentes. A acção administrativa urgente: contencioso eleitoral,
contencioso dos procedimentos de massa e contencioso pré-contratual.
Bibliografia sumária
JCVA, 231-248
MAA, 332-337, 383-398
André Salgado de Matos, «Contencioso pré-contratual urgente e invalidade dos actos
administrativos pré-contratuais», comentário ao Acórdão do Supremo Tribunal
Administrativo (Pleno) de 12/12/2006, Proc. 0528/06, CJA62 (2007), 18-27

28.ª AULA

Sumário
Processos principais urgentes. As intimações: intimação para a prestação de
informações, consulta de processos e passagem de certidões e intimação para a
protecção de direitos, liberdades e garantias

Bibliografia sumária
JCVA, 248-260
MAA, 337-340, 399-402

29.º, 30.ª e 31.ª AULAS

Sumário
Processos cautelares: função, características, espécies, pressupostos processuais
gerais. Marcha comum do processo cautelar. Critérios gerais de decisão, vigência,
cessação, alteração e substituição, publicidade, garantias, responsabilidade civil do
requerente.

Bibliografia sumária
JCVA, 311-334
MAA, 423-437, 451- 462, 470-472

13
32.ª AULA

Sumário
Processos cautelares: regimes especiais da suspensão de eficácia de actos
administrativos, da suspensão de eficácia de normas, das providências relativas a
procedimentos pré-contratuais, da regulação provisória do pagamento de quantias, da
produção antecipada de prova e do decretamento provisório de providências
cautelares

Bibliografia sumária
JCVA, 334-343
MAA, 437-451, 462-470

33.ª e 34.ª AULAS

Sumário
Processos executivos: regime geral, execução para prestação de factos ou de coisas,
execução para pagamento de quantia certa, execução de sentenças de anulação de
actos administrativos.

Bibliografia sumária
JCVA 365-398
MAA, 479-508

35.ª e 36.º AULAS

Sumário
Recursos jurisdicionais. Aspectos gerais, espécies. Pressupostos processuais:
competência, legitimidade, recorribilidade (relação com valor do processo e alçada do
tribunal). Interposição, efeitos, tramitação e decisão.
Bibliografia sumária
JCVA, 399-423
MAA, 403-422, 474-478

37.º e 38.º AULAS

Sumário
Resolução de exercícios e análise de jurisprudência.

Materiais para as aulas

Hipótese n.º 6
Pronuncie-se sobre os meios processuais administrativos adequados em cada uma das
situações seguintes:
1.
a) António pretende impugnar o acto administrativo que determinou a sua exclusão
dos cadernos eleitorais.
b) António pretende impugnar o acto administrativo que determinou a exclusão da
proposta por si apresentada num concurso público para a celebração de um contrato
de concessão de uso privativo do domínio público.
c) António pretende impugnar o acto administrativo que determinou a exclusão da
proposta por si apresentada num concurso público para a celebração de um contrato
de concessão de obra pública.
d) António pretende impugnar o acto administrativo que recusou a prestação de uma
informação por si solicitada.
2.
a) Bento, adventista do sétimo dia, pretende assegurar que a entidade administrativa
para a qual trabalha não lhe distribui serviço aos sábados.
b) Bento, adventista do sétimo dia, pretende não trabalhar no próximo sábado, data
em que ocorrerá uma celebração particularmente importante na sua congregação e
para a qual a entidade administrativa para a qual trabalha lhe distribuiu serviço.

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c) Bento pretende não trabalhar no próximo sábado, data em que terá lugar um jogo
de futebol da equipa da qual é adepto fervoroso e relativamente à qual a entidade
administrativa para a qual trabalha lhe distribuiu serviço.

Hipótese n.º 7
Carlos requereu à câmara municipal de Loures a renovação da autorização para
exercício da sua actividade de vendedor ambulante, que foi recusada em 2 de Janeiro,
com o fundamento de que Carlos vende produtos alimentares sem cumprir as regras
de segurança alimentar aplicáveis. Uma vez que a autorização iria caducar em breve,
em 15 de Janeiro Carlos requereu junto do Tribunal Administrativo de Círculo de
Lisboa a suspensão de eficácia do acto administrativo que recusou a sua renovação,
alegando que a não renovação da autorização o impediria de assegurar a sua
subsistência. Carlos não indicou o tribunal ao qual era dirigido o requerimento nem
ofereceu prova dos factos alegados. Na oposição, o Município de Lisboa não
impugnou os factos alegados por Carlos, mas invocou o grave prejuízo para o
interesse público que resultaria da possibilidade de Carlos vender mercadoria
estragada. Invocando o princípio da tutela jurisdicional efectiva, o Tribunal
Administrativo e Fiscal de Sintra, para o qual tinha entretanto sido remetido o
processo, intimou o município de Loures a renovar provisoriamente a autorização de
exercício da actividade de vendedor ambulante. As partes foram notificadas da
sentença em 15 de Abril, data em que Carlos ainda não tinha adoptado qualquer outra
conduta processual. Em 15 de Maio, o município de Loures recorreu para o Supremo
Tribunal Administrativo, alegando que não se verificavam os pressupostos de
decretação da providência em questão, e continuava sem emitir a autorização
provisória.

Hipótese n.º 8
A câmara municipal de Lisboa notificou Damásia da intenção de proceder à
demolição da construção clandestina em que aquela habita, abrindo prazo para a
audiência dos interessados. Damásia requereu no Tribunal Administrativo de Círculo
de Lisboa a decretação de uma providência cautelar que inibisse a câmara municipal
de Lisboa de praticar um acto administrativo que ordenasse a demolição da
construção. O requerimento fundamentava-se na circunstância de, a ser praticado o
acto administrativo em questão, Damásia ficar privada de habitação e de não ser
manifesta a improcedência da pretensão a deduzir no processo principal, tanto mais
que o acto administrativo a praticar seria necessariamente ilegal em virtude da
deficiente realização da audiência dos interessados. Damásia não demandou Ernesto,
proprietário do terreno no qual estava abusivamente implantada a sua construção e
que tinha requerido à câmara municipal a emissão da ordem de demolição. O Tribunal
considerou que Damásia não demonstrou, como devia, existir uma probabilidade séria
de procedência da pretensão a deduzir no processo principal e, em conformidade, não
decretou a providência requerida.

Jurisprudência
STA 5/6/2012, Proc. 01078/11
TCA/S 29/6/2006, Proc. 01695/06
TCA/S 18/11/2004, Proc. 00327/04

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