Você está na página 1de 16

TERAPIAS DA

TERCEIRA ONDA
Conceituação e protocolos das principais abordagens comportamentais integrativas.
2 SUMÁRIO

3 INTRODUÇÃO

TERAPIA DE ACEITAÇÃO E COMPROMISSO (ACT):


5 Em busca da flexibilidade psicológica.

TERAPIA ANALÍTICA FUNCIONAL (FAP):


8 O ambiente clínico como verdadeiro cenário de cura.

11 TERAPIA COMPORTAMENTAL DIALÉTICA (DBT):


Eficácia para o tratamento do Transtorno Borderline.

13 CONCLUSÃO

15 SOBRE O SECAD

2
INTRODUÇÃO
3
O Brasil é o país com maior incidência de transtornos de ansiedade no mundo. De acordo com a Organização Mundial
INTRODUÇÃO

de Saúde, cerca de 9,3% da população sofrem com o problema.

A escolha do tratamento para pacientes com distúrbios de ansiedade e outras psicopatologias pode ser desafiadora
para os profissionais. Mas, atualmente, o setor possui abordagens inovadoras e bem consolidadas. Elas integram a
chamada Terceira Onda das Terapias Comportamentais. Também conhecidos como Terapias da Terceira Geração, os
métodos unem técnicas tradicionais a princípios evidenciados pela análise empírica do comportamento – incluindo o
mindfulness e a gestalt-terapia. Além disso, os sistemas abordam aspectos menos explorados em outras correntes –
como o papel da linguagem na elaboração da experiência e a influência do ambiente na percepções de self.

O conjunto de psicoterapias da Terceira Onda é vasto. Neste e-book, o Secad traz informações sobre três vertentes
preponderantes: Terapia de Aceitação e Compromisso, Terapia Analítica Funcional e Terapia Comportamental Dialéti-
ca. A proposta é apresentar a conceituação e os protocolos básicos das metodologias, oferecendo um material dinâ-
mico e objetivo aos psicólogos.

Boa leitura!

4
TERAPIA DE ACEITAÇÃO
E COMPROMISSO (ACT)
Em busca da flexibilidade psicológica.
5
As primeiras terapias comportamentais surgiram nos anos 1950 e priorizavam a mudança da conduta do paciente,
ACT: TERAPIA DE ACEITAÇÃO E COMPROMISSO

dedicando menor atenção a pensamentos e sentimentos. Já os tratamentos da segunda geração apareceram na


década de 1960 e integraram as crenças e percepções do indivíduo sobre o mundo – com a possibilidade real de
transformá-las. Essas vertentes são consideradas a base das Terapias Cognitivo-Comportamentais (TCCs). A Terceira
Onda, por sua vez, é uma derivação das TCCs e abrange teorias e práticas desenvolvidas nas décadas de 1980 e
1990, como a ACT.

Criada pelo psicólogo norte-americano Steven Hayes, em 1999, a Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT, na sigla
em inglês) instrui o paciente a não confrontar sentimentos e pensamentos aversivos – como raiva e frustração.
Conforme a teoria, a aceitação auxilia o desenvolvimento de uma atitude consciente e flexível em relação aos
eventos íntimos, tornando o indivíduo capaz de liberar suas influências nocivas – conseguido através de alguns

6 preceitos.
Um deles é a descrição não-valorativa. O paciente pode, por exemplo, elaborar um diário com as situações e ideias
ACT: TERAPIA DE ACEITAÇÃO E COMPROMISSO

que lhe ocorrerem entre as sessões, sem considerá-las positivas ou negativas. A noção de estar presente auxilia o
processo. Ou seja, viver no aqui e agora faz o paciente se prender menos a lembranças traumáticas ou a
preocupações com eventos futuros. Por isso, a ACT emprega os exercícios de mindfulness.

Outro elemento importante é a diluição da crença de que as emoções negativas são anormais e precisam ser
contidas a todo custo.

O psicólogo também deve conduzir o paciente à descoberta de valores individuais. Assim, em vez de dispensar seu
tempo fugindo de situações, a pessoa assume o compromisso de se dedicar às áreas mais significativas. As ações de
compromisso podem abranger aquisição de habilidades, métodos de formação e estabelecimento de objetivos. Em
geral, as metas propostas buscam ampliar a compreensão acerca de barreiras psicológicas identificadas nas sessões.

PRINCIPAIS INDICAÇÕES DA ACT


Depressão, estresse, síndrome de burnout, transtornos de ansiedade, auto-ferimento, dor crônica, prevenção
de suicídio e dependência química.

7
TERAPIA ANALÍTICA FUNCIONAL (FAP)
O ambiente clínico como verdadeiro cenário de cura.

8
A Terapia Análitca Funcional (FAP, na sigla em inglês) tem o objetivo de otimizar as sessões de terapia para consolidar
TERAPIA ANALÍTICA FUNCIONAL (FAP)

as mudanças buscadas pelo paciente. Desenvolvido pelos psicanalistas norte-americanos Robert Kohlenberg e Mavis
Tsai, o método surgiu no começo da década de 1990 e é inspirado no behaviorismo radical.

O diferencial da FAP é a análise das reações do paciente em consultório. Ou seja, o terapeuta deve estimulá-lo a
apresentar os sintomas e condutas que o incomodam. A percepção in loco permite uma avaliação mais precisa e
assertiva.

Um indivíduo com dificuldades para expressar seus sentimentos, por exemplo, pode ser incitado a dizer o que pensa
da própria terapia. Assim, a abordagem ao caso não fica restrita aos relatos do paciente. O resultado é o aumento da
eficácia do tratamento.

CCRS
O bom andamento da FAP depende de dois fatores. A relação de confiança no consultório é o primeiro deles. O
paciente deve se sentir confortável para expor sua conduta problemática no ambiente clínico. A outra é a percepção
do terapeuta sobre essas reações. Nesse sentido, a FAP determina os chamados Comportamentos Clinicamente
Relevantes (ou CCRs). Eles se dividem em três tipos:

- CCR1s: comportamentos problemáticos apresentados em consultório.


- CCR2s: sinais de melhora detectados em sessão.
- CCR3s: análises trazidas pelo próprio paciente sobre a sua conduta.

9
AS CINCO REGRAS
TERAPIA ANALÍTICA FUNCIONAL (FAP)

A partir da constatação dos CCRs, o terapeuta pode seguir o protocolo das cinco regras:

1) Estar atento aos CCRs;


2) Evocá-los;
3) Responder a eles;
4) Avaliar o efeito da resposta no paciente;
5) Fornecer interpretações e estratégias de generalização.

10
TERAPIA
COMPORTAMENTAL DIALÉTICA (DBT)
O ambiente clínico como verdadeiro cenário de cura.

11
A Terapia Comportamental Dialética (DBT, na sigla em inglês) toma como base o Método Dialético (tese, antítese e
síntese) para guiar o tratamento. Durante o processo, o paciente é direcionado à mudança de comportamentos e à
TERAPIA ANALÍTICA FUNCIONAL (FAP)

aceitação radical de sua realidade. O equilíbrio entre as duas etapas gera a síntese almejada pela terapia. Criada pela
PhD. norte-americana Marsha Linehan, na década de 1980, a DBT foi inicialmente aplicada no tratamento de
pacientes suicidas. Poteriormente, a abordagem também se mostrou útil para pessoas com Transtorno da
Personalidade Borderline (TPB).

As estratégias de aceitação são fundamentais na DBT. A ideia não é adotar uma postura conformista, mas
compreender os quadros imutáveis da existência. A partir disso, o paciente direciona sua atenção para experiências
relevantes, que realmente valham a pena ser vividas.

A terapia, nesse ponto, guarda semelhanças com a ACT. Para chegar lá, a DBT divide os comportamentos entre os
que devem ser reduzidos ou aumentados.

O primeiro espectro abrange condutas prejudiciais, capazes de interferir no bem-estar e no senso de realização
pessoal. A segunda classificação engloba traços a serem incentivados, como efetividade interpessoal e regulação
emocional.

MÓDULOS DE TRATAMENTO
O protocolo da DBT pode incluir desde terapia individual e coaching remoto até a organização de grupos
para desenvolvimento de habilidades. Em casos de Transtorno Borderline, os grupos familiares podem ser
de grande valia. As técnicas de mindfulness também são empregadas, visando à tolerância ao mal estar e à
minoração de efeitos pós-traumáticos.
12
CONCLUSÃO
13
O escopo das Terapias da Terceira Onda ainda contém diversas outras metodologias. Uma delas é a Terapia do
CONCLUSÃO

Esquema, que pressupõe o comportamento como algo construído na infância. Ou seja, o terapeuta auxilia o paciente
a encontrar as raízes de seus transtornos e a ressignificar os vínculos de afetos conflitivos. Essas formulações foram
úteis em determinadas situações, mas não mantêm a mesma eficácia ao longo da vida.

Já a Terapia Metacognitiva lida com ideias mal-adaptativas. O tratamento é direcionado a pacientes chamados de
‘metacognitivos’ – caracterizados por uma reflexão excessiva sobre os próprios atos e pensamentos. O movimento da
Terceira Geração também inclui a Terapia Focada na Compaixão, a Terapia de Ativação Comportamental e a Terapia
Comportamental Integrativa para Casais, entre outros sistemas.

As mudanças na sociedade atual são as principais responsáveis pelo surgimento e popularização dessas terapias – o
que impõe a necessidade de constante atualização dos psicólogos. É nesse sentido que os programas de atualização
do Secad representam uma opção eficaz para os profissionais interessados em acessar conteúdos relevantes,
capazes de trazer benefícios objetivos às práticas diárias dos consultórios.

14
SOBRE O SECAD
15
SOBRE O SECAD
SOBRE O SECAD

O Sistema de Educação Continuada a Distância (Secad) é um modelo de programas de atualização profissional que
permite o acesso a conteúdos de diversas especialidades. Os módulos, desenvolvidos por autores renomados e
vinculados a instituições científicas, são organizados em ciclos de 12 meses e divididos em quatro volumes
impressos – entregues trimestralmente, via correio, aos participantes inscritos. Além disso, os materiais também
podem ser acessados online.

Ao fim do ciclo, o profissional pode fazer uma avaliação virtual e, se obtiver aprovação, recebe um certificado
chancelado pela sociedade de classe parceira do Secad.

Lançado em 2002, o Secad é gerido pela Artmed Panamericana – uma parceria entre a Artmed Editora, do Brasil, e
a Editorial Médica Panamericana, da Argentina. Desde a criação, a plataforma já acumula mais de 500 mil inscrições
nos seus 40 programas de atualização, disponibilizados nas áreas de Medicina, Enfermagem, Fisioterapia, Psicologia,
Nutrição e Veterinária.

16