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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE

DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA QUÍMICA E QUÍMICA


INDUSTRIAL

ENGENHARIA QUÍMICA

CALIBRAÇÃO DE MEDIDORES DE VAZÃO PARA


LÍQUIDOS A PARTIR FO MÉTODO DE MEDIÇÃO
DIRETA
BIANCA OLIVEIRA MEDEIROS

FERNANDA CARVALHO SANTOS

JOÃO VÍCTOR MAIA LEITE GARRIDO

JULIANE ARAUJO DE CARVALHO

RAQUEL ESTEVEZ ROCHA

SÃO CRISTOVÃO

2018
BIANCA OLIVEIRA MEDEIROS

FERNANDA CARVALHO SANTOS

JOÃO VÍCTOR MAIA LEITE GARRIDO

JULIANE ARAUJO DE CARVALHO

RAQUEL ESTEVEZ ROCHA

CALIBRAÇÃO DE MEDIDORES DE VAZÃO PARA


LÍQUIDOS A PARTIR FO MÉTODO DE MEDIÇÃO
DIRETA

Relatório para a disciplina de Laboratório de


Fenômenos de Transporte da turma 01 do curso
de Engenharia Química no período 2018.2.

PROFª. DR. MANOEL PRADO.

SÃO CRISTOVÃO

2018
Resumo:

O estudo em questão consiste em método de calibração de diferentes medidores de vazão:


medidores deprimogênios, rotâmetro e hidrômetro. A calibração foi feita fazendo-se
ajustes entre os dados obtidos no experimento e correlações, a fim de encontrar a vazão
medida por cada medidor, comparando-os com valores de vazão real (medição direta).
Foram obtidas curvas de calibração e equações de ajuste para cada medidor. Além disso,
foi analisado o efeito da dissipação viscosa em cada equipamento, em que o erro
percentual não atingiu 1%, concluindo-se na irrelevância do efeito em escoamentos
turbulentos como os em questão. Foram calculados os coeficientes de descarga, obteve-
se: 0,886 para tubo de Pitot; 0,834 para tubo de Venturi; e 0,816 para placa de orifício.
Sobretudo, investigou-se o efeito provocado pela histerese, em que se notou maior desvio
entre as medidas no tubo de Pitot.

Palavras-chave: medidores de vazão, calibração, tubo de Pitot, Venturi, placa de orifício,


hidrômetro, rotâmetro, dissipação viscosa, histerese, coeficiente de descarga.

3
LISTA DE TABELAS

Tabela 1 – Dados de tempo e determinação da vazão real do experimento.....................27


Tabela 2 – Vazões do hidrômetro................................................................................... 29
Tabela 3 - Alturas manométricas para o Tubo de Pitot...................................................30

Tabela 4 - Erro na vazão provocado pela negligência da dissipação viscosa..................33

Tabela 5 - Alturas manométricas e suas respectivas raízes.............................................34

Tabela 6 – Valores de coeficiente de descarga calculados...............................................37


Tabela 7 – Alturas manométricas para as vazões ascendentes e descendentes.................38
Tabela 8 - Desvio na altura manométrica entre valores ascendentes e descendentes de
vazão................................................................................................................................41

4
LISTA DE FIGURAS

Figura 1 - – Esquema o funcionamento de: (a) um tubo de Pitot que mede apenas a
pressão de estagnação e (b) um “tubo de Pitot estático”, que mede tanto a pressão de
estagnação quanto a pressão estática em outros pontos. (Fonte: Çengel & Cimbala,
2007)................................................................................................................................13

Figura 2 - Esquema básico do funcionamento de um tubo de Pitot com piezômetro


acoplado (Fonte: Brunetti, 2008).................................................................................... 14

Figura 3 - Esquema ilustrativo de uma placa de orifício (Fonte: Çengel & Cimbala,
2007)................................................................................................................................15

Figura 4 - Esquema ilustrativo de um medidor Venturi (Fonte: Çengel & Cimbala,


2007)................................................................................................................................17

Figura 5 - Operação de um rotâmetro (Fonte: Ribeiro, 1997)........................................ 18


Figura 6 - Foto de um hidrômetro (Fonte: <http://www.casadacaldeira.com.br/home/
produtos/hidrometros/hidrometro-para-agua-fria-multijato/)..........................................20

Figura 7 - Diagrama de Moody (Fonte: White, 2011).....................................................22

Figura 8 - Gráfico da curva de erros de um manômetro calibrado, tanto na tomada de


pressão em sentido crescente quanto decrescente, mostrando uma histerese acentuada
nas medidas realizadas (Fonte: Fidélis, 2006).................................................................23

Figura 9 - Vista frontal e isométrica. (SketchUp 2018)..................................................25


Figura 10 - Curva de calibração do medidor de área variável.........................................28

Figura 11 - Gráfico da curva de calibração do hidrômetro..............................................29

Figura 12 - Gráfico da curva de calibração para o tubo de Pitot.....................................32

Figura 13 - Gráfico de curva que relaciona as raízes da altura manométrica com a vazão
real para o tubo de Venturi..............................................................................................36
Figura 14 - Gráfico de curva que relaciona as raízes da altura manométrica com a vazão
real para placa de orifício................................................................................................37

Figura 15 – Gráfico do fenômeno de histerese para o tubo de Pitot...............................39

5
Figura 16 – Gráfico do fenômeno de histerese para o tubo de Venturi...........................40

Figura 17 – Gráfico do fenômeno de histerese para a placa de orifício. ........................40

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SUMÁRIO

1. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA .................................................................................. 8


1.1. Medidores de vazão e equacionamento matemático................................................... 9
1.1.1. Equação da continuidade, Balanço de energia e Equação de Bernoulli................ 9
1.1.2. Tubo de Pitot............................................................................................................... 13
1.1.3. Placa de orifício........................................................................................................... 15
1.1.4. Venturi ........................................................................................................................ 16
1.1.5. Rotâmetro.................................................................................................................... 17
1.1.6. Hidrômetro.................................................................................................................. 19
1.1.7. Coeficiente de descarga para Placas de Orifício e tubos Venturi........................... 20
1.2. Dissipação de energia no escoamento interno.............................................................. 21
1.2.1. Perda de carga em tubulações.................................................................................... 21
1.2.2. Dissipação viscosa........................................................................................................ 22
1.3. Histerese.......................................................................................................................... 23
1.4. Aplicações na Engenharia ............................................................................................ 23
1.5. Objetivos ........................................................................................................................ 24
2. MATERIAIS E MÉTODOS ........................................................................................... 24
2.1. Equipamentos e Materiais............................................................................................ 24
2.2. Procedimento Experimental ........................................................................................ 26
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO .................................................................................... 27
3.1. Rotâmetro....................................................................................................................... 27
3.2. Hidrômetro .................................................................................................................... 28
3.3. Tubo de Pitot.................................................................................................................. 30
3.3.1.Dissipação Viscosa....................................................................................................... 32
3.4. Coeficiente de Descarga dos medidores Deprimogênios ........................................... 33
3.4.1. Tubo de Pitot .............................................................................................................. 35
3.4.2. Tubo de Venturi.......................................................................................................... 36
3.4.3. Placa de Orifício ......................................................................................................... 36
3.5. Análise dos Coeficientes de descargas ......................................................................... 37
3.6. Histerese ......................................................................................................................... 38
4. CONCLUSÃO................................................................................................................... 41
5. REFERÊNCIAS................................................................................................................ 42

7
1. Fundamentação teórica

Segundo Delmée (2003) o termo vazão pode ser definido como a quantidade de
um determinado fluido que passa pela seção reta de um duto por unidade de tempo. A
quantidade do fluido que atravessa o duto pode ser mensurada em unidade de volume por
unidade tempo (vazão volumétrica) ou unidade de massa por unidade tempo (vazão
mássica).

A medição dessa variável é uma das aplicações mais importantes da Mecânica


dos Fluidos. Portanto, emprega-se grande quantidade de recursos tecnológicos no
desenvolvimento de medidores e transmissores de vazão, resultando em uma ampla
variedade de equipamentos, com níveis de sofisticação, tamanhos, custos, exatidão e
princípios operacionais bem distintos. A maioria dos instrumentos de vazão é projetada
para medir fluidos homogêneos e a medição é realizada a partir do efeito da interação
entre o fluido e o medidor, tornando o conhecimento das propriedades dos fluidos de
trabalho extremamente importante. (Çengel & Cimbala, 2007; Delmée, 2003).

A escolha do medidor de vazão mais adequado para determinada aplicação é


influenciada por variáveis como incerteza exigida, custos e facilidade de leitura do
instrumento. Além disso, também deve ser realizada uma análise quanto à perda de carga
introduzida na tubulação pelo medidor e os trechos retilíneos disponíveis para sua
instalação (Delmée, 2003; Fox et al., 2014).

A medição de vazão pode ser realizada de forma direta, ou seja, simplesmente


medindo a quantidade de fluido que se acumula em um período de tempo determinado,
utilizando-se comumente tanques para esse tipo de medição. Este método é preciso desde
que o intervalo de tempo seja suficientemente longo. No entanto, a maioria dos medidores
mensura a vazão de forma indireta, por meio das medidas da velocidade média do fluido
ou da queda de pressão em determinado ponto do escoamento (Çengel & Cimbala, 2007;
Fox et al., 2014).

Delmée (2003) classifica os medidores de vazão em quatro grupos:

 Os deprimogênios (geradores de diferença de pressão). São os medidores


mais antigos, versáteis e utilizados na maioria das aplicações industriais;
 Os lineares, que são aqueles que produzem um sinal de saída diretamente
proporcional à vazão;

8
 Os volumétricos, também chamados de “medidores de deslocamento
positivo”;
 E os de canais abertos.

1.1. Medidores de vazão e equacionamento matemático


1.1.1. Equação da continuidade, Balanço de energia e Equação de Bernoulli

De acordo com Delmée (2003), a teoria da medição de vazão pelos medidores


deprimogênios (a partir da pressão diferencial) é fundamentada nas leis físicas
estabelecidas por duas equações: a Equação da Continuidade e a Equação de Bernoulli.

Entretanto, antes de definir as duas equações supracitadas, é necessário deduzir


o Teorema de Transporte de Reynolds. Segundo Çengel & Cimbala (2007), o Teorema
de Transporte de Reynolds (TTR) é uma equação que relaciona as taxas de variação
temporais de uma propriedade extensiva para um sistema com a variação temporal dessa
mesma propriedade em um volume de controle, fornecendo uma ligação entre as
abordagens lagrangeana e euleriana.

Conforme afirma White (2011), a dedução do TTR parte da suposição de um


volume de controle fixo por onde atravessa um escoamento arbitrário. Tomamos uma
propriedade extensiva P qualquer do fluido (massa, energia, quantidade de movimento)
e sua propriedade intensiva p = dP/dm correspondente. A quantidade total de P no volume
de controle (VC) é dada pela Equação 1:

𝑃𝑉𝐶 = ∫ 𝑝 𝑑𝑚 = ∫ 𝑝 𝜌𝑑𝑉 (1)


𝑉𝐶 𝑉𝐶

Analisando o escoamento arbitrário anteriormente citado, é possível deduzir três


fontes de variação de P no volume de controle: a partir de uma variação no interior do
VC (acúmulo), expressa pela Equação (2); um fluxo de saída de p na superfície de
controle (SC), dado pela Equação (3); e entrada de p na superfície de controle (Equação
4).

𝑑
𝐴𝑐ú𝑚𝑢𝑙𝑜 = ( ∫ 𝑝 𝜌𝑑𝑉 ) (2)
𝑑𝑡
𝑉𝐶

9
𝐹𝑙𝑢𝑥𝑜 𝑑𝑒 𝑠𝑎í𝑑𝑎 = ∫ 𝑝 𝜌𝑉 cos 𝜃 𝑑𝐴𝑠𝑎𝑖 (3)
𝑆𝐶

𝐹𝑙𝑢𝑥𝑜 𝑑𝑒 𝑒𝑛𝑡𝑟𝑎𝑑𝑎 = ∫ 𝑝 𝜌𝑉 cos 𝜃 𝑑𝐴𝑒𝑛𝑡 (4)


𝑆𝐶

E assim, no limite quando dt → 0, a variação instantânea de P no sistema é a


soma do seu acúmulo no VC, mais seu fluxo que sai, menos seu fluxo que entra, conforme
expresso na Equação (5).

𝑑 𝑑
(𝑃𝑠𝑖𝑠𝑡 ) = ( ∫ 𝑝 𝜌𝑑𝑉 ) + ∫ 𝑝 𝜌𝑣 cos 𝜃 𝑑𝐴𝑠𝑎𝑖 − ∫ 𝑝 𝜌𝑣 cos 𝜃 𝑑𝐴𝑒𝑛𝑡 (5)
𝑑𝑡 𝑑𝑡
𝑉𝐶 𝑆𝐶 𝑆𝐶

Outra forma de escrever a equação é atendando-se ao fato de que se n é definido


como um vetor unitário normal para fora em qualquer local da superfície de controle,
então 𝑣⃗. 𝒏 = 𝑣𝑛 na saída e 𝑣⃗. 𝒏 = −𝑣𝑛 na entrada. Logo, os termos de fluxo podem ser
representados em uma única integral e o TTR pode ser escrito na forma compacta como
na Equação (6):

𝑑 𝑑
(𝑃𝑠𝑖𝑠𝑡 ) = ( ∫ 𝑝 𝜌𝑑𝑉 ) + ∫ 𝑝 𝜌(𝑣⃗. 𝒏)𝑑𝐴 (6)
𝑑𝑡 𝑑𝑡
𝑉𝐶 𝑆𝐶

Para o caso da conservação de massa, onde P = m e p = dm/dm, a Equação (6)


torna-se a Equação (7):

𝑑 𝑑
(𝑚𝑠𝑖𝑠𝑡 ) = ( ∫ 𝜌𝑑𝑉 ) + ∫ 𝜌(𝑣⃗. 𝒏)𝑑𝐴 (7)
𝑑𝑡 𝑑𝑡
𝑉𝐶 𝑆𝐶

Como a massa não varia em um sistema, 𝑑𝑚𝑠𝑖𝑠𝑡 /𝑑𝑡 = 0 e obtém-se a Equação


(8):

𝑑
( ∫ 𝜌𝑑𝑉 ) + ∫ 𝜌(𝑣⃗. 𝒏)𝑑𝐴 = 0 (8)
𝑑𝑡
𝑉𝐶 𝑆𝐶

Considerando que os medidores de vazão têm apenas uma entrada e uma saída e
que sua análise se dá em Regime Permanente, chega-se à Equação (9):

10
𝜌2 𝑣⃗2 𝐴2 − 𝜌1 𝑣⃗1 𝐴1 = 0 (9)

Considerando, também, que essa análise é aplicada diretamente a líquidos


incompressíveis, onde 𝜌1 = 𝜌2 chegamos à Equação da Continuidade expressa na
Equação (10):

𝑣1 𝐴1 = 𝑣2 𝐴2 = 𝑄𝑣 (10)

Sendo 𝑣𝑖 a velocidade média do fluido escoando em determinado ponto, 𝐴𝑖 a


seção transversal em determinado em determinado ponto e 𝑄𝑣 é a vazão volumétrica ao
longo da tubulação.

Outra equação que pode ser obtida a partir do Teorema de Transporte de


Reynolds é a do balanço de energia. Aplicando a Primeira Lei da Termodinâmica, que
relaciona energia como um balanço de calor e trabalho em um sistema, podemos substituir
a propriedade arbitrária P na Equação (6) pela energia E, sendo p = e (energia por unidade
de massa). Assim, é obtida a Equação (11):

𝑑𝑄 𝑑𝑊 𝑑𝐸 𝑑
− = 𝑄̇ − 𝑊̇ = = ( ∫ 𝑒𝜌𝑑𝑉 ) + ∫ 𝑒𝜌(𝑣⃗. 𝒏)𝑑𝐴 (11)
𝑑𝑡 𝑑𝑡 𝑑𝑡 𝑑𝑡
𝑉𝐶 𝑆𝐶

Sendo que um valor de Q positivo indica calor entrando no sistema e um valor


de W positivo significa trabalho realizado pelo sistema.

A energia do sistema por unidade de massa pode ser dividida como demonstrado
na Equação (12):

1
𝑒 = 𝑒𝑖𝑛𝑡𝑒𝑟𝑛𝑎 + 𝑒𝑐𝑖𝑛é𝑡𝑖𝑐𝑎 + 𝑒𝑝𝑜𝑡𝑒𝑛𝑐𝑖𝑎𝑙 = 𝑢̂ + 2𝑣 2 + 𝑔𝑧 (12)

Além disso, o termo de trabalho do sistema pode ser dividido de acordo com a
Equação (13):

𝑊̇ = 𝑊̇𝑒𝑖𝑥𝑜 + 𝑊̇𝑝𝑟𝑒𝑠𝑠ã𝑜 + 𝑊̇𝑡𝑒𝑛𝑠õ𝑒𝑠 𝑣𝑖𝑠𝑐𝑜𝑠𝑎𝑠 = 𝑊̇𝑒 + 𝑊̇𝑝 + 𝑊̇𝜇 (13)

O termo do trabalho de pressão pode ser determinando a partir da Equação (14):

𝑊̇𝑝 = ∫ 𝑃(𝑣⃗. 𝒏)𝑑𝐴 (14)


𝑆𝐶

Substituindo as relações encontradas na Equação (11), obtém-se a Equação (15):

11
𝑑 1 1 𝑃
𝑄̇ − 𝑊̇𝑒 + 𝑊̇𝜇 = ( ∫ (𝑢̂ + 2𝑣 2 + 𝑔𝑧) 𝜌𝑑𝑉 ) + ∫ (𝑢̂ + 2𝑣 2 + 𝑔𝑧 + ) 𝜌(𝑣⃗. 𝒏)𝑑𝐴 (15)
𝑑𝑡 𝜌
𝑉𝐶 𝑆𝐶

Uma dedução possível para a Equação de Bernoulli é tratá-la como uma


simplificação da Equação (15). Segundo Çengel & Cimbala (2007), as restrições para a
aplicabilidade e as limitações para o uso da equação residem nas seguintes hipóteses:

1) Escoamento em regime permanente. Esta hipótese pode ser assumida fora dos
períodos de início e fechamento do sistema ou mudanças nas condições do
escoamento. Desta maneira, o termo de acúmulo no balanço de energia é
desprezado;
2) Escoamento sem atrito. Os efeitos de atrito podem ser desprezados para trechos
de escoamento curtos com grandes seções transversais e baixas velocidades.
Assim, 𝑊̇𝜇 = 0;
3) Nenhum trabalho de eixo. A Equação de Bernoulli só pode ser aplicada em
trechos do escoamento que se encontram antes ou depois de uma máquina de
fluxo, mas nunca em uma seção de escoamento que envolve um dispositivo desse
dentro do seu volume de controle. Portanto, 𝑊̇𝑒 = 0;
4) Escoamento incompressível. Hipótese válida para escoamento de líquidos e de
gases a baixas vazões.
5) Nenhuma transferência de calor. A Equação de Bernoulli não deve ser usada
nas seções de escoamento que envolvem variação significativa de temperatura.
Para sua utilização, pressupõe-se 𝑄̇ = 0 e que não há variações na energia interna
(𝑢̂), que é intrinsicamente ligada à termodinâmica dos processos.

Assim, a partir das simplificações impostas a Equação de Bernoulli pode ser


expressa como a Equação (16):

1 2 𝑃1 1 𝑃2
𝑣
2 1
+ 𝑔𝑧1 + = 2𝑣2 2 + 𝑔𝑧2 + (16)
𝜌 𝜌

Sendo 𝑣𝑖 a velocidade média do fluido em determinado ponto, g a aceleração da


gravidade (9,81 m/s²), 𝑧𝑖 a distância vertical a algum ponto de referência, 𝑃𝑖 em
determinado ponto do escoamento e 𝜌 a massa específica do fluido.

12
1.1.2. Tubo de Pitot

Uma sonda de Pitot consiste num tubo cuja abertura está na direção da trajetória
das partículas de fluido, permitindo a tomada de pressão no ponto de estagnação e
transmitindo esse resultado para um medidor de pressão adequado. A sonda de Pitot mede
a velocidade local do escoamento a partir da diferença de pressão. Um aparelho derivado
chamado “tubo de Prandtl” ou “tubo de Pitot estático” é capaz de realizar várias medições
estáticas e a medida de pressão total num só instrumento. (Brunetti, 2008; Çengel &
Cimbala, 2007; Delmée, 2003). Os dois tipos de tubo de Pitot citados estão ilustrados na
Figura 1.

Figura 1 – Esquema o funcionamento de: (a) um tubo de Pitot que mede apenas a
pressão de estagnação e (b) um “tubo de Pitot estático”, que mede tanto a pressão de
estagnação quanto a pressão estática em outros pontos. (Fonte: Çengel & Cimbala,
2007).

Para deduzir-se um equacionamento matemático para a medição da velocidade


do escoamento a partir do tubo de Pitot é necessário partir da Equação de Bernoulli.
Segundo Çengel & Cimbala (2007), isso pode ser alcançado para escoamento
incompressível a velocidades extremamente altas, de modo que os efeitos de atrito entre
a entrada e saída do tubo sejam desprezíveis. A Figura 2 apresenta um esquema de tubo
de Pitot que será utilizado para ilustrar a dedução do equacionamento adequado.

13
Figura 2 – Esquema básico do funcionamento de um tubo de Pitot com piezômetro
acoplado (Fonte: Brunetti, 2008).

Ao incidir no ponto (2) as partículas de fluido são paradas ao encontrar o fluido


piezométrico. Esse é o de ponto de estagnação, local onde a energia cinética será
convertida em efeito de pressão, formando a altura da coluna h. Partindo da análise da
Equação (16) e considerando 𝑧1 ≅ 𝑧2 e a velocidade no ponto de estagnação igual a
zero, obtém-se como resultado a Equação (17), que pode ser utilizada para estimar a
velocidade de um escoamento a partir de qualquer tipo de tubo de Pitot.

2(𝑃1 − 𝑃2 )
𝑣= √ (17)
𝜌

Cabe voltar a salientar que a velocidade calculada a partir da Equação (17) é uma
velocidade local e para o cálculo da vazão volumétrica é necessário o conhecimento da
velocidade média do fluido na seção transversal. Supondo esta velocidade aferida pelo
tubo de Pitot como a velocidade máxima do escoamento, pode-se utilizar as Equações
(18) e (19), que relacionam a velocidade média de escoamento do fluido com a velocidade
máxima do perfil de velocidades para escoamentos em Regime Laminar e Regime
Turbulento, respectivamente.

𝑣𝑚á𝑥
𝑣̅ = (18)
2

49
𝑣̅ = 𝑣 (19)
60 𝑚á𝑥

14
Por fim, para o cálculo da vazão medida a partir do tubo de Pitot deve-se
substituir a velocidade encontrada nas Equações (18) ou (19) na Equação (10) (a Equação
da Continuidade), resultando na Equação (20):

𝑄𝑃𝑖𝑡𝑜𝑡 = 𝑣̅ 𝐴 (20)

1.1.3. Placa de Orifício

A placa de orifício é um medidor de vazão por obstrução (redução da área de


escoamento). A ideia é que a vazão pode ser determinada restringindo o escoamento e
medindo a queda de pressão devido ao aumento da velocidade no local da constrição
(Çengel & Cimbala, 2007).

Esse tipo de medidor consiste em uma placa que pode ser colocada entre flanges
de tubos. Suas principais vantagens residem na sua geometria simples e no pouco espaço
que ocupa, tornando-o um instrumento de baixo custo e de fácil reposição. No entanto, a
variação repentina da área nas placas de orifício causa um redemoinho considerável,
levando a significativa perda de carga e perdas permanentes de pressão (Çengel &
Cimbala, 2007, Fox et al., 2014). A Figura 3 mostra um esquema ilustrativo de uma placa
de orifício instalada em uma tubulação.

Figura 3 – Esquema ilustrativo de uma placa de orifício (Fonte: Çengel & Cimbala,
2007).

Segundo Çengel & Cimbala (2007), o equacionamento para o cálculo de


velocidade a partir da colocação de placa de orifício na tubulação deve ser realizado
partindo da Equação da Continuidade. Considerando 𝐷𝑖 o diâmetro da tubulação e 𝑑𝑖 o

15
diâmetro da obstrução. Rearranjando a Equação (10) é possível deixar uma velocidade
em função da outra e chegar à Equação (21):

𝐴2 𝑑 2
𝑣1 = 𝑣2 = (𝐷𝑖 ) 𝑣2 (21)
𝐴1 𝑖

É possível substituir então a Equação (21) na Equação (16), a Equação de


Bernoulli. Com as equações combinadas, isola-se 𝑣2 e obtém-se a Equação (22):

2(𝑃1 − 𝑃2 )
𝑣2 = √ (22)
𝜌(1 − 𝛽 4 )

Onde 𝛽 = 𝑑𝑖 /𝐷𝑖 .

Posteriormente, de posse de 𝑣2 deve-se voltar à Equação da Continuidade e


calcular a vazão a partir desta velocidade. Chega-se, então, à Equação (23):

2(𝑃1 − 𝑃2 )
𝑄𝑂𝑟𝑖𝑓í𝑐𝑖𝑜 = √ 𝐴 (23)
𝜌(1 − 𝛽 4 )

1.1.4. Venturi

O medidor do tipo Venturi tem uma forma que tenta reproduzir os padrões de
escoamento do projeto através de uma obstrução carenada num tubo. Sua contração e
expansão graduais evitam a separação do escoamento, tornando-o um medidor de vazão
muito preciso. De fato, reporta-se que a perda de carga irreversível devido ao atrito nos
Venturi é da ordem de apenas 10%. Outra vantagem desse tipo de medidor é que ele é
autolimpante devido ao seu contorno interno muito liso (Çengel & Cimbala, 2007, Fox et
al., 2014; Potter et al., 2004).

No entanto, os medidores Venturi apresentam algumas desvantagens: são


pesados e volumosos, tornando-os inconvenientes para instalação. Além disso, sua
fabricação é bastante dispendiosa, e por isso são raramente utilizados atualmente (Çengel
& Cimbala, 2007; Potter et al., 2004). Na Figura 4, encontra-se representado um medidor
do tipo Venturi.

16
Figura 4 – Esquema ilustrativo de um medidor Venturi (Fonte: Çengel & Cimbala,
2007).

A exemplo das Placas de Orifício, os Venturi também são medidores de vazão


por obstrução. Portanto, o equacionamento matemático para calcular a vazão a partir das
aferições desse medidor não difere em nada daquele exposto na Equação (23). Assim,
𝑄𝑉𝑒𝑛𝑡𝑢𝑟𝑖 = 𝑄𝑂𝑟𝑖𝑓í𝑐𝑖𝑜 .

1.1.5. Rotâmetro

O rotâmetro é um medidor linear de área variável, ou seja, oferece uma área de


passagem em função da vazão de escoamento do fluido. O instrumento consiste num tubo
afunilado com um flutuador móvel em seu interior. Em seu funcionamento, o fluido entra
pela parte inferior do tubo cônico no sentido vertical ascendente. Ao encontrar o
flutuador, uma força vertical ascendente é produzida e o flutuador se move para cima ou
para baixo até que uma posição seja alcançada de forma a equilibrar a força de arrasto no
flutuador com seu peso submerso. Assim, a área anular é desobstruída, permitindo a
passagem do fluido. A vazão é lida diretamente da posição marcada no flutuador através
de uma escala graduada gravada no próprio tubo cônico (Delmée, 2003; Potter et al.,
2004).

Segundo Delmée (2003), os rotâmetros constituem um dos raros medidores de


vazão que não precisam de trechos retilíneos para seu funcionamento. No entanto,
atualmente os rotâmetros são raramente utilizados para aplicações industriais, devido à
sua pouca acurácia se comparada aos medidores deprimogênios, chegando a 5% de erro
na escala total (Delmée, 2003; Potter et al., 2004). Um esquema ilustrativo de um
rotâmetro encontra-se na Figura 5.

17
Figura 5 – Operação de um rotâmetro (Fonte: Ribeiro, 1997).

É possível deduzir a equação para a o rotâmetro segundo o trabalho de Ribeiro


(1997). Primeiramente, sabe-se que a força de arraste do flutuador depende da massa
específica do fluido, da massa específica do material do flutuador, do volume e da
velocidade média do fluido na restrição. O medidor possui também um coeficiente de
arraste, que é em função da sua geometria. O equilíbrio de forças é dado pela Equação
(24) e a força de arraste pela Equação (25):

𝐹𝑎 + 𝜌1 𝑉𝑔 = 𝜌2 𝑉𝑔 (24)

Onde 𝐹𝑎 é a força de arraste, V o volume do flutuador, 𝜌1 a densidade do fluido,


𝜌2 é a densidade do flutuador e g é a aceleração da gravidade (9,81 m/s²).

𝜌1 𝑣1 ²
𝐹𝑎 = 𝐶𝑎 𝐴𝐹 (25)
2

Onde 𝐶𝑎 é o coefciente de arraste, 𝐴𝐹 a área frontal do flutuador, 𝜌1 e 𝑣1 a


velocidade média do fluido na restrição anelar.

18
Além disso, como dito anteriormente, a área do tubo não é constante. Desta
forma, o diâmetro do tubo é variável como demonstra a Equação (26):

𝐷 = 𝑑 + 𝛼ℎ (26)

Sendo D é o diâmetro do tubo, 𝑑 o diâmetro interno da entrada do tubo medidor,


𝛼 o ângulo de conicidade do tubo e h a altura do flutuador.

Combinando as Equações (24), (25) e (26), e fazendo certas simplificações


matemáticas, chega-se à equação de vazão volumétrica para o rotâmetro:

𝜋𝛼ℎ 𝑔𝑉𝑑² 𝜌2
𝑄𝑅𝑜𝑡â𝑚𝑒𝑡𝑟𝑜 = √ ( − 1) (27)
√𝐶𝑎 2𝐴𝐹 𝜌1

E como todos os parâmetros, com exceção de h, são constantes, pode-se reduzir


a Equação (27) à Equação (28):

𝑄𝑅𝑜𝑡â𝑚𝑒𝑡𝑟𝑜 = 𝐾ℎ (28)

Demonstrando, assim, que a vazão varia linearmente com o comprimento do


tubo.

1.1.6. Hidrômetro

Segundo Netto et al. (1998), os hidrômetros são aparelhos destinados à medição


da quantidade de água que escoa em certos intervalos de tempo. Existem dois tipos
principais: os de velocidade (tipo turbina), mais baratos, simples e mais sensíveis às
impurezas da água; e os de volume, com um compartimento que enche e se esvazia
continuamente e são mais sensíveis e mais precisos. Uma foto de um hidrômetro é
apresentada na Figura 6.

19
Figura 6 – Foto de um hidrômetro (Fonte:
http://www.casadacaldeira.com.br/home/produtos/hidrometros/hidrometro-para-agua-
fria-multijato/).

1.1.7. Coeficiente de descarga para Placas de Orifício e tubos Venturi

O equacionamento do cálculo de vazão para a placa de orifício e para o Venturi


(Equação (23)) é obtida quando não se considera nenhuma perda, mas é inevitável que
haja alguma perda de pressão devida a efeitos de atrito e, portanto, a velocidade será
menor. É necessário corrigir a equação a partir do coeficiente de descarga (𝐶𝑑 ), que é
determinado experimentalmente (Çengel & Cimbala, 2007). Segundo Delmée (2003), o
coeficiente de descarga é obtido pela Equação (29):

𝑣𝑎𝑧ã𝑜 𝑟𝑒𝑎𝑙
𝐶𝑑 = (29)
𝑣𝑎𝑧ã𝑜 𝑡𝑒ó𝑟𝑖𝑐𝑎

A vazão real é calculada a partir do método de medição direta, mensurando o


tempo necessário para preencher um volume determinado. Assim, combinando relação
𝑄𝑟𝑒𝑎𝑙 = 𝐶𝑑 . 𝑄𝑡𝑒ó𝑟𝑖𝑐𝑎 com a Equação (23), chegamos à Equação (30):

2(𝑃1 − 𝑃2 )
𝑄𝑟𝑒𝑎𝑙 = 𝐶𝑑 √ 𝐴 (30)
𝜌(1 − 𝛽 4 )

A Equação (31) mostra o valor do coeficiente de descarga para a placa de orifício


determinados por Miller (1997, apud Çengel & Cimbala, 2007, p. 319):

20
91,71𝛽 2,5
𝐶𝑑 = 0,5959 + 0,0312𝛽 2,1 − 0,184𝛽 8 + (31)
𝑅𝑒 0,75

Onde Re é o Número de Reynolds. Este parâmetro adimensional é utilizado para


determinar se o regime do escoamento é laminar (para Re < 2300, em tubos de seção
circular) ou turbulento. Ele é calculado a partir da Equação (32):

𝜌𝑣𝐷
𝑅𝑒 = (32)
𝜇

Sendo 𝜌 a massa específica do fluido, v a velocidade média do fluido, D o


diâmetro interno do tubo e 𝜇 a viscosidade do fluido.

A relação expressa na Equação (31) é válida para 0,25 < 𝛽 < 0,75 e 104 < 𝑅𝑒 <
107 .

Além disso, segundo Çengel & Cimbala (2007) os valores de 𝐶𝑑 para os


medidores Venturi são muito altos, variando de 0,95 a 0,99.

1.2. Dissipação de energia no escoamento interno


1.2.1. Perda de carga em tubulações

Segundo Potter et al. (2004) as perdas de carga podem ser divididas em dois
tipos: aquelas causadas pelo cisalhamento do fluido na parede do tubo e aquelas causadas
pelos componentes da tubulação, tais como joelhos ou válvulas.

De acordo com White (2011), a equação que quantifica a perda de carga ℎ𝑝 é


diretamente proporcional ao quadrado da velocidade do escoamento e à razão
comprimento do tubo/diâmetro da tubulação (L/d) como demonstrado na Equação (33):

𝐿 𝑣²
ℎ𝑝 = 𝑓 (33)
𝑑 2𝑔

Onde f é o fator de atrito de Darcy, que depende do número de Reynolds, da


rugosidade do tubo (𝜀) e do formato do duto. O fator de atrito pode ser calculado a partir
do Diagrama de Moody, apresentado na Figura 7:

21
Figura 7 – Diagrama de Moody (Fonte: White, 2011).

Por fim, pode-se dizer que perda de carga total ao longo da tubulação é uma
contribuição tanto da perda de carga distribuída quanto das perdas de carga localizadas.

1.2.2. Dissipação viscosa

Segundo Versteeg & Malalasekera (1995), a dissipação viscosa representa um


termo de geração em uma equação de conservação de energia para um fluido em
movimento. O trabalho requerido para haver a dissipação viscosa é retirado do
maquinário necessário para pôr o fluido em movimento, com parte dele sendo convertida
em energia interna e calor. Em um balanço diferencial de energia, o termo para a
dissipação viscosa é dado pela Equação (34):

𝜕𝑣𝑟 2 𝜕𝑣𝑥 2 𝜕𝑣𝑟 𝜕𝑣𝑥 2


𝜇𝜑 = 𝜇 {2 [( ) + ( ) ]+( + ) } (34)
𝜕𝑟 𝜕𝑥 𝜕𝑥 𝜕𝑟

Bird et al. (2004), demonstraram através da resolução analítica do problema


intitulado “Condução de Calor com Fonte Viscosa de Calor”, que em sistemas fechados,
tais como um viscosímetro, o termo de dissipação viscosa tem magnitude suficiente para
interferir na transferência de calor do sistema.

22
1.3. Histerese

De acordo com Fidélis (2006), a histerese em um instrumento de medição ocorre


quando há uma diferença entre os valores medidos em sentido crescente daqueles
medidos nas mesmas configurações, mas em sentido decrescente. A Figura 8 apresenta
uma ilustração da histerese em um instrumento de medição.

Figura 8 – Gráfico da curva de erros de um manômetro calibrado, tanto na tomada de


pressão em sentido crescente quanto decrescente, mostrando uma histerese acentuada
nas medidas realizadas (Fonte: Fidélis, 2006).

Quando a histerese é importante, as normas de calibração de exigem que elas


sejam quantificadas (Fidélis, 2006). A histerese (H) pode ser calculada a partir da
Equação (35):

𝐻 = |𝑖𝑛𝑑𝑖𝑐𝑎çã𝑜 𝑛𝑜 𝑠𝑒𝑛𝑡𝑖𝑑𝑜 𝑑𝑒𝑐𝑟𝑒𝑠𝑐𝑒𝑛𝑡𝑒 − 𝑖𝑛𝑑𝑖𝑐𝑎çã𝑜 𝑛𝑜 𝑠𝑒𝑛𝑡𝑖𝑑𝑜 𝑐𝑟𝑒𝑠𝑐𝑒𝑛𝑡𝑒| (35)

1.4. Aplicações na Engenharia

A medição de vazão é essencial em todas as fases de da manipulação dos


fluidos, incluindo na produção, no processamento, na distribuição dos produtos e das
utilidades a ele associadas. Está diretamente associada ao balanço do processo e na

23
logística de compra de insumos e venda de produtos (Ribeiro, 1997). Portanto, medidores
de vazão encontram ampla aplicação nos mais diversos ramos da Engenharia.

Nas Engenharias Civil, Ambiental e Sanitária e, de certo modo, no cotidiano da


população, a medição de vazão encontra ampla aplicação na Hidráulica. Dentre as
aplicações mais recorrentes, é possível citar os sistemas de abastecimento de água,
estudos de lançamento de esgotos, instalações hidrelétricas, obras de irrigação e defesa
contra inundações (Netto et al., 1998).

Nas Engenharias Química, de Petróleo, de Alimentos e de Processos em geral a


medição de vazão é necessária no transporte de fluidos em oleodutos e gasodutos, para
controle de balanços de massa e da produção na industrial de determinado produto, além
de ser fundamental parao controle de qualidade e o controle e otimização dos processos
industriais (Delmée, 2003).

1.5. Objetivos

O experimento descrito nesse estudo tem por objetivo geral a calibração dos
medidores de vazão do tipo: tubo de venturi, placa de orifício, hidrômetro, rotâmetro e
tubo de Pitot. Como objetivos específicos pode-se definir: análise do efeito da
temperatura na calibração (dissipação viscosa), a verificação ocorrência da histerese nos
medidores, influência do coeficiente de descarga nas medidas.

2. Materiais e Métodos

2.1. Equipamentos e Materiais

A figura abaixo é uma representação esquemática do aparato experimental


utilizado para a realização da prática.

24
Figura 9 - Vista frontal e isométrica. (SketchUp 2018).

Conforme mostrado na Figura 9 os equipamentos e materiais enumerados são:

1) Medidor de vazão tipo rotâmetro AppliTech modelo AP-7000 SSG com leitura
mínima de 10 L/min e máxima de 100 L/min;

2) Barrilhete de água com visor de nível graduado e capacidade para 20 L;

3) Manômetro tubo em U ligado ao Tubo de Pitot que contém Tetracloreto de


Carbono (CCl4) como fluido manométrico;

4) Manômetro tubo em U ligado ao Venturi que contém Mercúrio (Hg) como fluido
manométrico;

5) Manômetro tubo em U ligado à Placa de Orifício que contém Mercúrio (Hg)


como fluido manométrico;

6) Medidor de velocidade tipo Tubo de Pitot com régua linimétrica;

7) Medidor de vazão tipo Venturi com Di=27,5 mm; di=13 mm; β=0,47;

8) Medidor de vazão tipo Placa de Orifício com Di=25,5 mm; di=12,2 mm; β=0,56;

9) Medidor de vazão tipo Hidrômetro Itrón Multimag Cyble com vazão nominal de
3,5 m3/h;

10) Válvula de Bloqueio em PVC;

25
11) Válvula Reguladora de Vazão;

12) Reservatório de água;

13) Bomba centrífuga Grundfos Mark, modelo NXDP-3 com potência de 0,75 cv e
3500 rpm;

14) Tubulação em PVC Tigre DN=32 mm e Di=27,5 mm;

Além destes representados na Figura 9, foram utilizados também um termômetro


de mercúrio graduado e um cronômetro digital.

2.2. Procedimento Experimental

Antes de iniciar a prática foi observado se válvula 10 estava paralela à tubulação,


significando que estava aberta, bem como a válvula 11 que inicialmente deverá estar
fechada. Os níveis dos manômetros também foram verificados, de forma a anotar
qualquer alteração, além de observar o nível da água do reservatório.

Posteriormente a bomba centrífuga foi ligada e a vazão no rotâmetro foi regulada


para 10 L/min através da válvula 11. Esperou-se poucos segundos até a água percorrer
toda a tubulação e o estabelecimento do regime permanente para começar as medidas.

A leitura da vazão através do hidrômetro foi realizada em triplicata


cronometrando o tempo de uma volta completa do maior ponteiro à direita, o que equivale
ao tempo necessário para que 10 L de água passe pelo mesmo, obtendo-se assim a vazão.

Então foram aferidas as diferenças de alturas dos manômetros 3, 4 e 5


respectivamente. Ao término, a válvula 10 foi rotacionada de forma a ficar perpendicular
à tubulação e impedir o fluxo da água. Desse modo foi possível medir a vazão real através
do barrilhete graduado e auxílio de um cronômetro. Essa medida foi realizada em
triplicata.

O procedimento foi repetido para vazões de 20 L/min, 30 L/min, 40 L/min, 50


L/min, 60 L/min, 70 L/min, 80 L/min no sentido crescente e decrescente a fim de analisar
o fenômeno da histerese. Apesar de o rotâmetro ter leitura máxima de 100 L/min, as
medidas realizadas foram até 80 L/min por questões de segurança operacional. A
temperatura da água no reservatório foi aferida a cada vazão com auxílio do termômetro

26
de mercúrio. Após todas as medidas a válvula 11 foi fechada completamente e a bomba
centrífuga desligada.

3. Resultados e Discussão

A calibração dos medidores que seguem foi realizada utilizando uma instalação
fixa como mostrado na Figura 9. A escala graduada associada ao sistema de medidores
serviu de referência fixando-a como vazão real para ser usada como base comparativa
para os resultados obtidos nos medidores. A vazão foi determinada visualizando-se o
volume preenchido no recipiente e dividindo-o pelo tempo medido no cronômetro. Os
tempos foram medidos em triplicata e os cálculos de vazão média foram obtidos com o
tempo médio, como mostra a Tabela 1.

Tabela 1: Dados de tempo e determinação da vazão real do experimento.

Antes de iniciar o experimento assegurou-se que a tubulação estivesse


completamente preenchida pelo líquido evitando assim que ar ou vapor pudessem
interferir na medição da vazão. Foi observado, de fato, pouca variação entre a vazão real
calculada e a vazão teórica ajustada no rotâmetro, essa aproximação será discutida mais
profundamente no tópico 3.1.

3.1. Rotâmetro

As vazões aferidas no Rotâmetro foram baseadas no ajuste manual do flutuador


pelo operador, utilizando a escala graduada em seu equipamento. As vazões visualizadas
estavam em L/min e estão indicadas na Tabela 1 como vazão teórica. A partir dos valores
da vazão real foi plotado uma curva para calibração do medidor de área variável.

27
Figura 10 – Curva de calibração do medidor de área variável.

Devido ao comportamento dos pontos do gráfico apresentado na Figura 10, um


ajuste linear foi feito obtendo-se assim uma função y(x)= Ax +B que representa a curva
de calibração do rotâmetro, sendo essa correção do instrumento apresentada na equação
(36).

𝑄𝑟𝑒𝑎𝑙 = 0,9473 × 𝑄𝑡𝑒𝑜𝑟𝑖𝑐𝑜 + 1,3232 (36)

Durante o experimento ocorreram problemas com a estabilidade do flutuador,


pois o mesmo apresentava pequenas oscilações na escala, não mantendo a constância da
vazão. Logo, essa é uma provável causa da pequena variação observada entre as vazões.

Porém, considerando que o rotâmetro é um dos raros instrumentos que não


necessitam de trechos retos para seu funcionamento, além de tender a ser relativamente
insensível as variações de viscosidade do fluído medido, a curva obtida foi considerada
uma boa aproximação da vazão real.

3.2. Hidrômetro

A vazão no hidrômetro foi calculada por meio de um acessório mecânico de


forma contínua, derivando matematicamente o volume no tempo. Com o auxílio de um

28
cronômetro foi anotado o tempo necessário para o ponteiro do instrumento dar uma volta
completa, a qual representava um volume de 10 L. Assim pode-se construir a tabela
abaixo.

Tabela 2: Vazões do hidrômetro.

Com os valores descritos na Tabela 2 plotou-se a curva de calibração para o


hidrômetro com referência aos valores da vazão real da escala graduada.

Figura 11 – Gráfico da curva de calibração do hidrômetro.

Partindo de uma regressão linear, foi possível obter uma relação para a
calibração do hidrômetro, mostrado na Equação 37.
29
𝑄𝑟𝑒𝑎𝑙 = 0,9284 × 𝑄𝑡𝑒𝑜𝑟𝑖𝑐𝑜 + 0,060 (37)

O pequeno desvio do teórico para o valor real da vazão pode ser atribuído a erros
do observador ao marcar o tempo no cronômetro. Ainda, segundo Bega et al. (2006) há
possibilidade de fugas do fluído através das folgas mecânicas, que são indispensáveis para
que os movimentos das peças móveis se façam com pouco atrito, o que justificaria
também a diferença do valor teórico para o real. Os fabricantes buscam minimizar essas
folgas.

3.3. Tubo de Pitot

A Tabela 3 relaciona os dados referentes às alturas manométricas para o tubo de


Pitot lidas, com as temperaturas medidas e suas respectivas massas específicas e
viscosidades.

Tabela 3: Alturas manométricas para o Tubo de Pitot.

Fonte: Massas específicas e viscosidade foram retiradas do Perry (1999).

Para obter a vazão no tubo de Pitot é necessário correlacionar a velocidade


máxima a qual é obtida através do medidor devido seu ponto de estagnação com alguma
equação que forneça a velocidade média. Esta relação é visualizada na Equação (19),
utilizada em escoamento turbulento. Em posse da velocidade máxima foi estimado o
número de Reynolds para cada vazão de referência e as viscosidades do fluído foram
aplicados nas devidas temperaturas medidas ao longo do experimento.

 Para vazão de 10 L/min:

2 × 𝑔 × ∆𝐻 × (𝜌𝑚 − 𝜌𝑓 )
𝑣𝑚𝑎𝑥 = √
𝜌𝑓 × (1 − 𝛽 4 )

30
2 × 9,81 × 0,0085 × (1584,2 − 996,783)
𝑣𝑚𝑎𝑥 = √
996,783

𝑣𝑚𝑎𝑥 = 0,313 𝑚/𝑠

Logo, o Re estimado:

𝜌 × 𝐷𝑖 × 𝑣
𝑅𝑒 =
𝜇

996,783 × 0,0275 × 0,313


𝑅𝑒 =
0,871 × 10−3

𝑅𝑒 = 9850,53

Assim para a velocidade média:

49
𝑣̅ = 𝑣
60 𝑚𝑎𝑥

𝑣̅ = 0,256 𝑚/𝑠

Recalculando o Re com a velocidade média encontrada:

𝑅𝑒 = 8044,59

Com as velocidades médias pode-se determinar as vazões volumétricas do tubo


de Pitot, utilizando-se a Equação (20). Para a calibração do medidor plotou-se uma curva
relacionando a vazão de referência com a vazão determinada.

31
Figura 12 – Gráfico da curva de calibração para o tubo de Pitot.

A equação (38) representa a correção da vazão para o Pitot:

𝑄𝑟𝑒𝑎𝑙 = 0,9019𝑄𝑝𝑖𝑡𝑜𝑡 (38)

A não correspondência entre as vazões podem ser explicadas por alguns fatores,
dentre eles a relação da perda de carga com a vazão. Nos escoamentos laminares observa-
se que esta dependência é proporcional ao aumento da vazão, já para escoamentos
turbulentos essa dependência é ainda maior, aplicando-se para o caso em questão, visto
que todos os valores para Reynolds encontrados estavam na faixa de regime turbulento.
Também há interferências causadas pela da perda de carga distribuída e localizada.

É importante frisar que houve a necessidade de repetir o experimento devido a


vazamento do fluído de operação e mesmo com a correção do equipamento alguma outra
fuga pode ter ocorrido em menor quantidade sem ter sido observada, interferindo assim
nos valores da altura manométrica.

3.3.1. Dissipação Viscosa

Como mostra a Tabela 3, houve uma variação na temperatura do fluido de


trabalho durante as mudanças de vazões. Essa elevação das temperaturas ocorre pela
dissipação viscosa, onde há a conversão da energia cinética em energia térmica.

A Tabela 4 mostra o erro considerado em não corrigir as viscosidades e massas


específicas da vazão encontrada no tubo de Pitot.

32
Tabela 4: Erro na vazão provocado pela negligência da dissipação viscosa.

Apesar desse efeito, os erros apresentados não influenciaram significativamente


os resultados das vazões obtidas, pois o regime de escoamento observado, como mostra
os números de Reynolds da Tabela 3, foram predominantemente turbulentos e esse efeito
é mais evidente em escoamentos laminares. Também cabe a discussão ressaltar que a
Equação de Bernoulli (16), utilizada para a dedução do equacionamento dos medidores
de vazão, não considera variações viscosas.

As vazões sem correção foram calculadas seguindo a temperatura inicial da


operação de 26°C, com seu respectivo 𝜌𝑓 e 𝜇. É perceptível que o erro percentual das
vazões observadas não chegou a 1%, erro considerado muito baixo para ser relevante nos
cálculos executados. Logo, pode-se desconsiderar a variação da temperatura nesse
sistema operante.

3.4. Coeficiente de Descarga dos medidores Deprimogênios

Teoricamente a energia é conservada através do medidor de vazão, porém na


prática, devido ao atrito, alguma energia é perdida no medidor. Por isso se faz necessário
definir um fator que reflita a interferência deste atrito, já que a queda de pressão real é
maior que a teórica, este fator é o coeficiente de descarga. Da equação (16) temos que:

𝑄𝑟𝑒𝑎𝑙 = 𝐴√ΔH

Para o tubo de Venturi e Placa de orifício:

2×𝑔×(𝜌𝑚 −𝜌𝑓 )
𝐴 = 𝐶𝑑 × 𝑎 𝑋 √ (39)
𝜌𝑓 ×(1−𝛽 4 )

33
E para o tubo de Pitot:

2×𝑔×(𝜌𝑚 −𝜌𝑓 )
𝐴 = 𝐶𝑑 × 𝑎 × √ (40)
𝜌𝑓

Onde A é o coeficiente angular da reta obtida através de um ajuste linear.

𝐶𝑑 - Coeficiente de descarga

𝑎- Área da seção transversal da restrição

𝑔- Aceleração da gravidade

𝜌𝑚 - Massa específica do fluído manométrico

𝜌𝑓 – Massa específica da água

𝛽 – Relação (di/Di)

Para obter os coeficientes foram plotadas curvas com os valores de √ΔH


observados nos manômetros associados a cada medidor durante o experimento.

Tabela 5: Alturas manométricas e suas respectivas raízes.

34
3.4.1. Tubo de Pitot

A partir dos dados para o Pitot da Tabela 5 pode-se plotar o gráfico da Figura
12.

Figura 12 – Gráfico de curva que relaciona as raízes da altura manométrica com a vazão
real para o tubo de Pitot.

Como A= 107,3846 e utilizando a Equação (40) temos:

𝐿
107,3846 = 𝐶𝑑
𝑚𝑖𝑛√𝑚

𝑚3
1,790 × 10−3 = 𝐶𝑑
s √𝑚

2 × 9,81 × (1584,2 − 996,783)


1,790 × 10−3 = 𝐶𝑑 × 5,94 × 10−4 √
996,783

𝐶𝑑 = 0,886

35
3.4.2. Tubo de Venturi

De forma análoga ao procedimento referido para o tubo de Pitot, mas utilizando


a equação (39):

Figura 13 – Gráfico de curva que relaciona as raízes da altura manométrica com a vazão
real para o tubo de Venturi.

𝐿
196,3973 = 𝐶𝑑
min√𝑚

𝑚3
3,273 × 10−3 = 𝐶𝑑
s √𝑚

2 × 9,81 × (13595,1 − 996,783)


1,790 × 10−3 = 𝐶𝑑 × 1,33 × 10−4 √
996,783 (1 − 0,0488)

𝐶𝑑 = 0,834

3.4.3. Placa de Orifício

Similar ao cálculo descrito no tópico acima, pode-se determinar o 𝐶𝑑 para a placa


de orifício, utilizando por sua vez o valor de A obtido com o ajuste linear da curva

36
representada no gráfico da Figura 14, e a área utilizada a partir do diâmetro di=14, 28mm
da sua obstrução.

Figura 14 - Gráfico de curva que relaciona as raízes da altura manométrica com a vazão
real para placa de orifício.

Portanto, o valor de 𝐶𝑑 calculado:

𝐶𝑑 = 0, 816

3.5. Análise dos Coeficientes de descargas

Segundo Delmeé (2003) os coeficientes de descarga dos elementos


deprimogênios são funções do tipo de elemento primário, da posição das tomadas, do
diâmetro da linha, do valor de 𝛽 e do número de Reynolds. Os valores dos coeficientes
devem variar na faixa entre 0 e 1. A Tabela 6 mostra os coeficientes de descarga
calculados para cada medidor de vazão.

Tabela 6: Valores de coeficiente de descarga calculados.

É possível observar que todos estão em conformidade física, pois estão entre 0 e
1. Um coeficiente de descarga maior que 1 significaria que o fluido ganhou energia

37
durante seu percurso na tubulação, o que não ocorre. De fato, há perdas relacionadas ao
atrito. O valor encontrado para o tudo de Venturi deveria estar mais próximo de 1, pois
segundo Çengel & Cimbala (2007) os coeficientes de descarga dos medidores Venturi
são muito altos, variando entre 0,95 e 0,99. Esses medidores apresentam menores quedas
de pressão, porém o equipamento estava localizado logo após um joelho, acessório de alta
perda de carga, o que pode ter influenciado nos resultados obtidos.

Para a placa de orifício encontrou-se o menor valor de 𝐶𝑑 dentre os três


medidores de vazão supracitados, justificável já que possui perda de carga elevada (entre
50% e 80% do diferencial de pressão), e parâmetros de 𝐶𝑑 comparativos para esse
medidor dependem fortemente dos detalhes construtivos deste, como a presença de
arestas vivas, partes chanfradas ou arredondadas.

O tubo de Pitot apresentou o 𝐶𝑑 mais próximo de 1, possivelmente porque teve


um trecho retilíneo considerável a montante do medidor permitindo que o perfil de
velocidade fosse restabelecido. É importante frisar a necessidade de trechos retos
adequados a tubulação a montante, visto que a exatidão também é afetada por perfis de
velocidade não plenamente desenvolvidos em sua entrada. Uma proposta para assegurar
o desenvolvimento do perfil seria fazer uso de condicionadores de fluxo, que permitem
diminuir o trecho reto.

Deve-se ressaltar que a exatidão diminui com o desgaste da tubulação, sobretudo


por ser um experimento recorrente no laboratório pode ter sofrido danos devido o ‘’golpe
de aríete’’ que ocorre quando a velocidade do líquido é diminuída de forma repentina,
ocasionando rachaduras na tubulação, provocando vazamentos (como observado no
medidor de Pitot) e pode destruir internos de medidores de vazão e válvulas.

3.6. Histerese

Ao alterar a vazão ascendentemente de 10 até 80 L/min e retornar as vazões


descendentemente até 10 L/min foram obtidos os dados da Tabela 7.

38
Tabela 7: Alturas manométricas para as vazões ascendentes e descendentes.

Com a Tabela 7 foi verificado o fenômeno de histerese nos equipamentos medidores


através de análise gráfica, observados nas Figuras 15, 16 e 17.

Figura 15 – Gráfico do fenômeno de histerese para o tubo de Pitot.

39
Figura 16 – Gráfico do fenômeno de histerese para o tubo de Venturi.

Figura 17 – Gráfico do fenômeno de histerese para a placa de orifício.

40
O fenômeno observado nos três gráficos acima é resultado de diferentes
respostas do sistema quando a escala é percorrida ascendentemente e descendentemente.
É notório que o tubo de Venturi e Placa de Orifício apresentaram menor desvio nas
medidas da volta com relação a ida, esse comportamento pode ser atribuído aos fluidos
manométricos utilizados, pois ambos os medidores, Venturi e Placa de Orifício,
utilizavam o mercúrio, enquanto que o tubo de Pitot que teve uma maior histerese
observada, utilizava tetracloreto de carbono. Os valores de histerese das medidas também
podem ser comparados pela Tabela 8, calculada pela Equação (35) em que mostra o erro
entre as medidas de ida e volta.

Tabela 8: Desvio na altura manométrica entre valores ascendentes e descendentes de


vazão.

Foi observado durante o experimento que o manômetro acoplado ao tubo de Pitot


apresentava maiores flutuações nas medidas, sendo que este poderia estar descalibrado e
causar maior histerese.

4. Conclusões

Nesse estudo foi possível aplicar o método de calibração dos medidores a partir
das curvas de calibração e dos ajustes feitos, assim concluiu-se o objetivo principal.

Ademais, as análises propostas acerca da dissipação viscosa mostraram que o


erro percentual entre os valores de vazão considerando a dissipação viscosa e os que não
consideraram foi menor que 1%. Conclui-se, assim, que esse efeito não se faz relevante
nesse caso, escoamentos turbulentos.

Os valores obtidos para os coeficientes de descarga foram: 0,886 para tubo de


Pitot; 0,834 para tubo de Venturi; e 0,816 para placa de orifício. Todos os valores estão
em conformidade física e os valores estão próximos dos adequados para tubo de Venturi

41
e placa de orifício, justificado pelo golpe de aríete. Porém, segundo Çengel & Cimbala
(2007) os valores para o tubo de Pitot deveriam estar entre 0,95 e 0,99. Este desvio foi
atribuído a proximidade do medidor a um acessório quando este necessita de trechos
retilíneos. Esse problema poderia ser solucionado com o uso de condicionadores de fluxo,
assegurando o desenvolvimento do perfil.

Além de tudo, os desvios averiguados no fenômeno de histerese foram


explicados pela flutuação de medidas, que poderão ser reduzidos com uma calibração
frequente. Outra explicação para o efeito proposta foi a da influência do fluido
manométrico utilizado nas medições, visto que o tubo de Pitot apresentou maior desvio
na histerese. Esse medidor utilizava tetracloreto de carbono como fluido manométrico,
enquanto os outros utilizavam mercúrio. A utilização de um mesmo fluido em todos os
medidores reduziria divergências relativas às propriedades do fluido.

5. Referências

Bega, E.A.; Delmée, G.J.; Cohn, P.E.; Bulgarelli, R.; Koch, R.; Finkel, V.S.
Instrumentação Industrial. Rio de Janeiro: Interciência, 2006, 2ª ed, 122 p.

Bird, R. B.; Stewart, W. E.; Lightfoot, E. N. Fenômenos de Transporte. Rio de


Janeiro: LTC, 2004, 2ª ed., 831 p.

Brunetti, F. Mecânica dos Fluidos. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2008, 2ª
ed., 420 p.

Casa da Caldeira. Hidrômetro para água fria Multijato. Disponível em:


<http://www.casadacaldeira.com.br/home/produtos/hidrometros/hidrometro-para-agua-
fria-multijato/>. Acesso em 09.11.2018.

Çengel, Y. A.; Cimbala, J. M. Mecânica dos fluidos – Fundamentos e


aplicações. São Paulo: McGraw-Hill, 2007, 816 p.

Delmée, J. Manual de Medição de Vazão. São Paulo: Editora Edgard Blucher,


2003, 3ª ed., 203 p.

Fidélis, C. G. O que é Histerese. Metrologia e Qualidade, ano 01, n. 10, 2006.

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