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POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS

AJUDÂNCIA-GERAL

SEPARATA
DO
BGPM

N° 01

BELO HORIZONTE, 04 DE JANEIRO DE 2011.

Para conhecimento da Polícia Militar de Minas


Gerais e devida execução, publica-se o
seguinte:
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POLÍCIA
MILITAR DE MINA* DER AI«
Nossa profissão, sua vida.

COMANDO-GERAL

DIRETRIZ PARA PRODUÇÃO DE SERVIÇOS DE


SEGURANÇA PÚBLICA N° 3.01.05/2010-CG

REGULA A ATUAÇÃO DA POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS


SEGUNDO A FILOSOFIA DOS DIREITOS HUMANOS

Dezembro/2010
GOVERNADOR DO ESTADO
ANTONIO AUGUSTO JUNHO ANASTASIA
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SECRETÁRIO DE ESTADO DE DEFESA SOCIAL


MOACYR LOBATO DE CAMPOS FILHO

COMANDANTE-GERAL DA PMMG
Coronel PM RENATO VIEIRA DE SOUZA

CHEFE DO ESTADO-MAIOR
Coronel PM MÁRCIO MARTINS SANTANA

COMANDANTE DA ACADEMIA DE POLÍCIA MILITAR


Coronel PM FÁBIO MANHÃES XAVIER

DIRETOR DE APOIO OPERACIONAL


Coronel PM EDUARDO DE OLIVEIRA CHIARI CAMPOLINA

SUPERVISÃO TÉCNICA
Ten Cel PM ARMANDO LEONARDO L. A. F. DA SILVA
Chefe da Seção de Emprego Operacional do EMPM

REDAÇÃO
Cel PM QOR Jovino César Cardoso Ten Cel PM Marcelo
Vladimir Corrêa Cap PM Cleverson Natal de Oliveira Cap PM
Sandro Heleno Gomes Ferreira Cap PM Gilmar Luciano
Santos Cap PM Carla Cristina Marafeli Cap PM Cláudia
Herculana F. Glória Cap PM Cláudio Duani Martins Cap PM
QOS Paola Bonanato Lopes Pedagoga Resângela Pinheiro
Sousa

COLABORAÇÃO
Sd PM Edna Márcia Costa Mendonça Assessora Jurídica
Maria Amélia Pereira

REVISÃO DOUTRINÁRIA
Maj PM Alexandre Nocelli Cap PM Edivaldo Onofre Salazar
2° Sgt PM Luiz Henrique de Moraes Firmino

REVISÃO FINAL
Ten Cel PM Leandro Bettoni Subcomandante da APM

Ten Cel PM Armando Leonardo L. A. F. da Silva Chefe da


Seção de Emprego Operacional do EMPM
MINAS GERAIS. Polícia Militar. Comando-Geral. Diretriz para
Produção de Serviços de Segurança Pública n°
3.01.05/2010-CG:
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Regula a Atuação da Polícia Militar de Minas Gerais segundo a
filosofia dos Direitos Humanos. Belo Horizonte: PMMG -
Comando- Geral, 2010. 74 p.: il.

1. Direitos Humanos - PMMG. 2. Ética policial. I. Título.


Direitos exclusivos da Polícia Militar do Estado de Minas Gerais (PMMG).

Reprodução condicionada à autorização expressa do Comandante-Geral da PMMG.

Circulação restrita.

CDU 342.7
CDD
355.13
Ficha catalográfica: Rita Lúcia de Almeida Costa - CRB - 6a Reg. n.1730

ADMINISTRAÇAO Estado-Maior da Polícia Militar


Quartel do Comando-Geral da PMMG
Cidade Administrativa/Edifício Minas, Rodovia Prefeito Américo Gianetti, s/n - 6° Andar - Bairro Serra Verde -
Belo Horizonte - MG - Brasil. CEP 31.630-900
Telefone: (31) 3915-7806.

SUPORTE METODOLÓGICO E TÉCNICO

Centro de Pesquisa e Pós-Graduação da PMMG


Rua Diabase, 320 - Prado, Belo Horizonte - MG - Brasil. CEP 30410-440 Tel: (0XX31) 2123-9513; Fax:
(0XX31) 2123-9512 E-mail:cpp@pmmg.mg.gov.br

Seção de Planejamento do Emprego Operacional (EMPM/3)


Quartel do Comando-Geral da PMMG
Cidade Administrativa/Edifício Minas, Rodovia Prefeito Américo Gianetti, s/n - 6° Andar - Bairro Serra Verde -
Belo Horizonte - MG - Brasil. CEP 31.630-900
Telefone: (31) 3915-7799.
E-mail: pm3@,pmmg.mg.gov.br
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DPSSP N° 3.01.05/2010 - CG

Elaborada a partir:

Dos Instrumentos Internacionais de Direitos Humanos, em especial a


Declaração Universal dos Direitos Humanos, que tem explícito no Art. 1° que "todas
as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotadas de razão e
consciência e devem agir em relação umas às outras com espírito de fraternidade;

Dos Direitos Individuais e Coletivos contidos no Art. 5° da Constituição


Federal, sintetizados no princípio de que "todos são iguais perante a lei, sem
distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros
residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à
segurança e à propriedade...”;

Do Princípio Normativo da Constituição Federal contido no Art 144:


Segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de todos [...];

Do princípio constitucional da eficiência na Administração Pública, contido no


Art. 37, caput, da Constituição Federal e art. 13, caput, da Constituição do Estado
de Minas Gerais;

Dos Princípios da Segurança Pública Brasileira, segundo diretrizes provenientes


do Governo Federal, entendendo que "direitos humanos e eficiência policial são
compatíveis entre si e mutuamente necessários” e que "ação social preventiva e
ação policial são complementares e devem combinar-se na política de segurança”;

Da Missão da PMMG, que é "promover e assegurar a dignidade da pessoa


humana, as liberdades e os direitos fundamentais [...]”;

Da Visão da PMMG, definida em "sermos excelentes na promoção das liberdades


e dos direitos fundamentais [...]”;

Dos Valores Definidos para a PMMG, contidos na Diretriz Geral para Emprego
Operacional da PMMG, destacando-se o "Respeito aos Direitos Fundamentais e
Valorização das Pessoas”;

Dos Pressupostos e Orientações Procedimentais Básicos para Emprego da


Polícia Militar, contidos na Diretriz Geral para Emprego Operacional da PMMG,
dentre os quais se destaca a "Primazia dos Direitos Fundamentais e da Dignidade
da Pessoa”.
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LISTA DE SIGLAS

AFAS Associação Feminina de Assistência Social


APM Academia de Polícia Militar
CBMMG Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais
CF Constituição Federal
CFarm Centro Farmacêutico da Polícia Militar
CFO Curso de Formação de Oficiais
CG Comando-Geral da Polícia Militar
Cia Companhia de Polícia Militar
CICV Comitê Internacional da Cruz Vermelha
COdont Centro Odontológico da Polícia Militar
CPE Comando de Policiamento Especializado
CPM Corregedoria de Polícia Militar
CRA Centro de Referência do Alcoolista
CTPM Colégio Tiradentes da Polícia Militar de Minas Gerais
DAL Diretoria de Apoio Logístico
DAOp Diretoria de Apoio Operacional
DEEAS Diretoria de Educação Escolar e Assistência Social
DEPM Diretrizes de Educação da Polícia Militar
DPSSP Diretriz para Produção de Serviços de Segurança Pública
DRH Diretoria de Recursos Humanos
DS Diretoria de Saúde
DTS Diretoria de Tecnologia e Sistemas
EAD Educação à Distância
ECA Estatuto da Criança e do Adolescente
EMEMG Estatuto dos Militares do Estado de Minas Gerais
EMPM Estado-Maior da Polícia Militar de Minas Gerais
FGR Fundação Guimarães Rosa
GRSau Gerente (ou Gerência) Regional de Saúde
HPM Hospital da Polícia Militar
IPSM Instituto de Previdência dos Servidores Militares de Minas
LGBTT Gerais Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e
MJ Transexuais Ministério da Justiça Ministério Público
MP Método de Tiro Defensivo de Preservação da Vida Núcleo
MTDPV de Assistência Integral à Saúde
NAIS
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ONG Organização Não Governamental


ONU Organização das Nações Unidas
PIDCP Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos
PIDESC Pacto Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais
PMMG Polícia Militar de Minas Gerais
PNDH Programa Nacional de Direitos Humanos
PROMORAR Programa de Apoio Habitacional dos Militares do Estado de Minas
Gerais
RPM Regiões de Polícia Militar
SAS
Seção de Assistência à Saúde
SENAC
Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial
SENASP
Secretaria Nacional de Segurança Pública
SIEA
Sistema de Ensino Assistencial
SISAU
Sistema de Assistência à Saúde
TPI
Tribunal Penal Internacional
UEOp
Unidades de Execução Operacional
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SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ....................................................................................................................... 10

2 OBJETIVOS. ........................................................................................................................... 11

3 DIREITOS HUMANOS ......................................................................................................... 11

3.1 Breve histórico ..................................................................................................................... 11

3.2 Conceito................................................................................................................................ 13

3.3 Características ..................................................................................................................... 14

3.4 Juridicização e Justicialização ........................................................................................... 15

3.5 Universalismo e Relativismo Cultural ............................................................................... 15

3.6 Proteção Internacional dos Direitos Humanos ................................................................. 16

3.7 Direitos Humanos no ordenamento jurídicobrasileiro .................................................... 17

4. DIREITOS HUMANOS NA PMMG..................................................................................... 18

4.1 Trajetória histórica ............................................................................................................. 18

4.2 Filosofia Institucional.......................................................................................................... 19

4.3 Fundamentação Teórico-Metodológica. ............................................................................ 21


4.3.1 Para quem são os Direitos Humanos? ......................................................................................21
4.3.2 Quem deve proteger os Direitos Humanos?.............................................................................22
4.3.3 A validade dos Direitos Humanos no mundo ..........................................................................22

5. EIXOS TEMÁTICOS EM DIREITOS HUMANOS ........................................................... 23

5.1 Eixo 1: Educação ................................................................................................................. 23


5.1.1 Educação em Direitos Humanos: Significado e Princípios ......................................................23
5.1.2 Educação de Polícia Militar: Espaços Formativos para uma Cultura de Direitos Humanos.24
5.1.3 Capacitação Docente para a Educação em Direitos Humanos .................................................27

5.2 Eixo 2: Procedimento Policial para Proteçãodos Direitos Humanos dos Grupos
Vulneráveis , Minorias e Vítimas .................................................................................................. 29
5.2.1 Contextualização ......................................................................................................................29
5.2.2 Grupos Vulneráveis .................................................................................................................30
5.2.3 Minorias ...................................................................................................................................31
5.2.4 Diferença entre grupos vulneráveis e minorias ........................................................................32
5.2.5 Vítima da criminalidade e abuso de poder ...............................................................................33
5.3 Eixo 3: Política Interna de Direitos Humanos ................................................................. 34
5.3.1 Contextualização ...................................................................................................................... 34
5.3.2 Direitos do policial militar ....................................................................................................... 35
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5.3.3 Programas e benefícios existentes na corporação voltados para o policial militar ................. 36
5.3.4 Órgãos Internos e Externos de Promoção dos Direitos Humanos na PMMG .................... 39

5.4 Eixo 4: Integração com Outros Órgãos e Entidades ....................................................... 43


5.4.1 Poder judiciário local ............................................................................................................... 43
5.4.2 Ministério Público.................................................................................................................... 43
5.4.3 Ouvidoria de Polícia ................................................................................................................ 44
5.4.4 Conselho Estadual de Defesa dos Direitos Humanos.............................................................. 44
5.4.5 Delegacias de Polícia Civil ...................................................................................................... 44
5.4.6 Prefeituras Municipais ............................................................................................................. 45
5.4.7 Câmara dos vereadores ............................................................................................................ 45
5.4.8 Ordem dos Advogados do Brasil ............................................................................................. 45
5.4.9 Órgãos Oficiais de Defesa dos Direitos Humanos ................................................................... 45
5.4.10 Entidades Religiosas, Assistenciais, Conselhos Comunitários de Segurança Pública e ONGs
45
5.4.11 Universidades, Faculdades e Escolas Superiores ................................................................46
5.4.12 Órgãos do sistema municipal e estadual de ensino .............................................................46

6 AÇÕES PARA OS COMANDOS NOS DIVERSOS NÍVEIS ............................................ 46

6.1 Estado-Maior da Polícia Militar ....................................................................................... 46

6. 2 Atribuições dos Elementos Subordinados .......................................................................... 47


6.2.1 Academia de Polícia Militar (APM) ........................................................................................ 47
6.2.2 Diretoria de Apoio Operacional (DAOp)................................................................................. 47
6.2.3 Corregedoria de Polícia Militar (CPM).................................................................................... 47
6.2.4 Regiões de Polícia Militar (RPM) ............................................................................................ 48
6.2.5 Unidades de Execução Operacional (UEOp) ........................................................................... 48

6.3 Ações de Âmbito Geral ...................................................................................................... 49

7 AÇÕES DE DIREITOS HUMANOS ................................................................................... 49

7.1 Ações Eixo 1: Educação ..................................................................................................... 49


7.1.1 Conteúdos de Direitos Humanos nos cursos de formação e na educação continuada ............49
7.1.2 Conduta no Ambiente Escolar ................................................................................................. 50
7.1.3 Capacitação Docente ................................................................................................................ 50
7.1.4 Atividades Extensionistas ........................................................................................................ 51

7.2 Ações Eixo 2: Estratégias para Sensibilização do Atendimento aos Grupos Socialmente
Vulneráveis e às Vítimas da Criminalidade e Abuso de Poder .................................................. 51

7.3 Ações Eixo 3: Política Interna de Direitos Humanos ...................................................... 52

7.4 Ações Eixo 4: Integração com Outros Órgãos e Entidades ............................................ 53


7.4.1 Poder judiciário e Ministério Público ...................................................................................... 53
7.4.2 Ouvidoria de Polícia................................................................................................................. 53
7.4.3 Conselho Estadual de Defesa dos Direitos Humanos .............................................................. 53
7.4.4 Delegacias de Polícia Civil ...................................................................................................... 53
7.4.5 Prefeituras Municipais e Câmara dos vereadores .................................................................... 54
7.4.6 Ordem dos Advogados do Brasil ............................................................................................. 54
7.4.7 Entidades Religiosas, Assistenciais, Conselhos Comunitários de Segurança Pública,
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ONGs e outros órgãos de Defesa dos Direitos Humanos ........................................................................ 54


7.4.8 Universidades, Faculdades e Escolas Superiores ..................................................................... 54
7.4.9 Órgãos do sistema municipal e estadual de ensino .................................................................. 54

8 PRESCRIÇÕES DIVERSAS ................................................................................................ 55

ANEXO “A” (ASPECTOS DA LEGISLAÇÃO CORRELATOS AO TEMA) À DPSSP N°


3.01.05/2010-CG ............................................................................................................................. 56

ANEXO “B” (CONDUTA ÉTICA E LEGAL DO POLICIAL) À DPSSP N° 3.01.05/2010-CG 60

ANEXO “C” (DEVERES E FUNÇÕES DO POLICIAL) À DPSSP N° 3.01.05/2010-CG 66

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................................... 72


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DPSSP N° 3.01.05/2010 - CG

Regula a Atuação da Polícia Militar de


Minas Gerais segundo a filosofia dos
Direitos Humanos.
1 INTRODUÇÃO
Atualmente, o Brasil está entre os países que mais possuem instrumentos
jurídicos de proteção dos Direitos Humanos, como a própria Constituição da
República Federativa do Brasil de 1988, o Estatuto da Criança e do Adolescente
(ECA), o Estatuto do Idoso, a Lei Maria da Penha, dentre outros. Todavia, apesar de
todos esses avanços no campo formal, proporcionados por duas décadas de
reconstrução democrática, ainda são notórias as dificuldades que o país enfrenta
para assegurar, na prática, esses direitos.
Historicamente, o país viveu, nos últimos tempos, grandes transformações
políticas e sociais, fruto de anos de fomento à liberdade e igualdade. No cenário
instaurado, descortina-se uma nova agenda mundial focada nos direitos individuais
e coletivos. Paralelamente, surge também um grande desafio, o de operacionalizar
esses direitos, inserindo-os na prática cotidiana dos cidadãos.
Compreende-se que o maior dos obstáculos para a promoção e proteção
dos direitos fundamentais da pessoa humana repousa sobre o desconhecimento,
pois é por essa via que muitos desses direitos são ignorados e, consequentemente,
desrespeitados.
Nesse cenário de incertezas sociais, a educação de Direitos Humanos surge
como um candeeiro, lançando luzes sobre o mundo e construindo novos modelos
de comportamento para os processos de mudança da sociedade contemporânea. É
imensurável o potencial da educação, seja ela formal ou informal, na construção de
uma sociedade, com base moral e ética, voltada para os princípios fundamentais da
Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Inserida neste contexto, encontra-se a Polícia Militar de Minas Gerais, que
traz, em sua identidade institucional, princípios de respeito aos Diretos Humanos,
concretizados em sua missão: "Assegurar a dignidade da pessoa humana, as
liberdades e os direitos fundamentais, contribuindo para a paz social e para tornar
Minas o melhor Estado para se viver”. (MINAS GERAIS, 2009, p.15)
A atualização desta diretriz compõe esta macro política institucional com o
propósito de sistematizar a prática de uma segurança cidadã, ampliando e
consolidando aspectos teórico-práticos da educação em Direitos Humanos para
policiais, levando-os ao exercício da promoção e da prática dos direitos universais
junto às diversas comunidades.
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2 OBJETIVOS
2.1 Definir as conceituações teórico-metodológicas dos princípios de Direitos
Humanos adotadas na prática policial, referendada nos principais documentos
internacionais de Direitos Humanos e no ordenamento jurídico brasileiro.
2.2 Determinar procedimentos, deveres e funções policiais-militares segundo a
filosofia dos Direitos Humanos, com base na conduta ética e legal e no respeito à
diversidade social.
2.3 Divulgar aos integrantes da Instituição as políticas internas de promoção de
Direitos Humanos que visam garantir e promover seus direitos.
2.4 Ser referencial teórico na educação em Direitos Humanos, em âmbito
institucional.
2.5 Estabelecer uma linha de comunicação entre a Polícia Militar e a população
em geral, para discutir assuntos relacionados a filosofia de direitos humanos

3 DIREITOS HUMANOS
3.1 Breve histórico
Em breve linha temporal, podemos visualizar o processo construtivo dos
Direitos Humanos. Sua historiografia remonta à antiguidade com registros como o
Código de Hamurabi (Séc. XVIII A. C.)1 e o Cilindro de Ciro2 (539 A. C.), perpassa
pela Idade Média, na Inglaterra, com a Magna Carta 3 e segue com outros
instrumentos Ingleses relevantes : o Habeas Corpus Act (1698) que garante
liberdade por prisão arbitrária e o Bill of Rights (1689) que retirou do monarca o
poder absoluto de legislar, transferindo-o a um parlamento, até a modernidade.
Segundo Herkenhoff (2002, p.2), o termo Direitos Humanos é "[...] Um
projeto histórico a ser realizado”. Esses direitos não são estáticos, eles evoluem à
medida em que a ciência e seus avanços, como as pesquisas com células tronco, a
clonagem humana, a sustentabilidade ambiental, os avanços cibernéticos, dentre
outras tecnologias, também evoluem, ocorrendo uma natural ampliação dos

Khammu-rabi, Rei da Babilônia no 18° século A. C., estendeu grandemente o seu império e
governou uma confederação de cidades-estado. Erigiu, no final do seu reinado, uma enorme "estela" em
diorito, na qual ele é retratado recebendo a insígnia do reinado e da justiça do Rei Marduk. Abaixo
mandou escrever 21 colunas, 282 cláusulas que ficaram conhecidas como Código de Hamurábi (embora
abrangesse também antigas leis).
2
Primeira Declaração dos Direitos Humanos contêm uma declaração do Rei Persa (antigo
Irã) Ciro II depois de sua conquista da Babilônia em 539 A. C. Foi descoberto em 1879 e a ONU o traduziu
em 1971 a todos os seus idiomas oficiais.

Carta Magma das Liberdades (...) foi a declaração solene que o Rei João da Inglaterra, também
conhecido como João Sem Terra, assinou, em 15 de junho de 1215, perante o alto clero e os barões do
reino._ Comparato, Fábio Konder - Afirmação histórica dos Direitos Humanos, 6. ed. rev. e atual. - São
Paulo: Saraiva, 2008.
Direitos Humanos em uma dinâmica que acompanhará os passos da humanidade,
garantindo às próximas gerações uma vida digna e próspera.
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Para efeito desta diretriz, há quatro marcos históricos que merecem


destaque: o Iluminismo4, a Declaração de Independência dos Estados Unidos da
América, a Revolução Francesa e o término da II Guerra Mundial.
A independência das treze colônias americanas e as ideias iluministas
[razão, espírito crítico e fé na ciência] impulsionaram a Declaração de Direitos do
Homem e do Cidadão, proclamada após a Revolução Francesa (1789), que, por
sua vez, gerou os ideais de igualdade, liberdade e fraternidade.
Segundo Comparato (2000,p.99), "A independência das antigas colônias
britânicas da América do Norte [...] representou o ato inaugural da democracia
moderna, combinando, sob o regime constitucional, a representação popular com a
limitação de poderes governamentais e o respeito aos Direitos Humanos”.
Por fim, após o término da II Grande Guerra, surgiu a necessidade de se
erradicar as atrocidades, como as cometidas pelos nazistas, onde o anti- semitismo
apregoado pelo chamado Terceiro Reich negou a diversidade, a dignidade e a
própria vida a milhões de pessoas, em um dos maiores genocídios da História da
humanidade. A dignidade e a igualdade, entre os seres humanos, foram
desconsideradas.
Após esse período, surgiram as primeiras manifestações de
internacionalização dos Direitos Humanos, como o Tribunal de Nuremberg e o de
Tóquio (1945 a 1949)5, a criação da Organização das Nações Unidas - ONU (1945)
e a Declaração Universal dos Direitos Humanos, proclamada em 10 de dezembro
de 1948, em Paris/França.
Mais tarde, surgiram outros instrumentos que deram sustentabilidade
jurídica aos Direitos Humanos em nível mundial, como o Pacto Internacional dos
Direitos Civis e Políticos (1976) e o Pacto Internacional dos Direitos Econômicos,
Sociais e Culturais (1976), a Convenção Americana de Direitos Humanos (1969) e a
Carta Africana dos Direitos dos Povos (1981).
Surgiram também outras declarações, que são manifestações de povos e
culturas, cujo objetivo é despertar o mundo para a diversidade. São exemplos: a
Declaração dos Direitos dos Povos (1 976), a Declaração Solene dos Povos
Indígenas (1975), a Declaração Islâmica Universal dos Direitos dos Homens (1991),
bem como a Declaração dos Direitos da Criança (1959) e a Convenção

O Iluminismo é (...) uma atitude geral de pensamento e de ação. Os iluministas admitiam que os
seres humanos estão em condição de tornar este mundo um mundo melhor - mediante introspecção, livre
exercício das capacidades humanas e do engajamento político-social. Disponível em
http://pt.wikipedia.org/wiki/Iluminismo#cite_note-4- acessado em 19nov2009.
Os tribunais de Nurenberg e de Tóquio causaram dois grandes impactos relativos ao direito
internacional dos Direitos Humanos: possibilitaram a responsabilização de indivíduos e apresentaram
novo limite ao conceito de soberania. IKAWA, PIOVESAN, ALMEIDA - Fundamentos e história dos
Direitos Humanos - formação de conselheiros em Direitos Humanos - Secretaria Especial de Direitos
Humanos, 2007.
sobre a Igualdade de Homens e Mulheres, para Remuneração de Trabalho de Igual
Valor da Organização Mundial do Trabalho (1953).
Atualmente, um número cada vez mais expressivo de países tem
referendado as normas e filosofias de Direitos Humanos, adotando garantias, tanto
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em suas constituições quanto em tratados regionais como: a Convenção


Interamericana de Direitos Humanos e a Carta Africana dos Direitos dos Povos
(1981).

3.2 Conceito
Direitos Humanos correspondem à somatória de valores, de atos e de
normas que possibilitam a todos uma vida digna. Durante sua historiografia, esses
direitos receberam várias definições. Na Revolução Francesa (1789), surgiu o
termo "direitos do homem e do cidadão”, que após ter sido inserido nas
Constituições de vários países, passaram a ser chamados de "direitos
fundamentais da pessoa humana”, e, finalmente, quando foram previstos em
Convenções, Pactos e Tratados, receberam a designação de "Direitos Humanos”.
(OLIVEIRA, 2009, p.14)
Para Bobbio (1988, p. 30), "os Direitos Humanos nascem como direitos
naturais universais, desenvolvem-se como direitos positivos particulares (quando
cada Constituição incorpora Declarações de Direito), para finalmente encontrarem
sua plena realização como direitos positivos universais”.
Por sua vez, Herkenhoff (2002, p. 19) afirma que os Direitos Humanos são
modernamente compreendidos como direitos fundamentais que o ser humano
possui por sua própria natureza humana e pela dignidade que a ela é inerente.
Segundo Rover (2005, p. 72), Direitos Humanos são entendidos como: "[...]
um título. É uma reivindicação que uma pessoa pode fazer para com outra de
maneira que, ao exercitar esse direito, não impeça que outrem possa exercitar o
seu. Os Direitos Humanos são títulos legais que toda pessoa possui como ser
humano. São universais e pertencem a todos, rico ou pobre, homem ou mulher.”
É de se ressaltar que direitos fundamentais, segundo Comparato (2007, p.
58-59), são "os direitos humanos reconhecidos como tais pelas autoridades às
quais se atribui o poder político de editar normas, [...]; são os direitos humanos
positivados nas Constituições, nas leis, nos tratados internacionais.”
(COMPARATO, 2007, p.58-59 apud OLIVEIRA, 2010, p.41)
Segundo Ramos, corroborado por Oliveira, Direitos Humanos
correspondem a um conjunto mínimo de direitos necessários para assegurar uma
vida, baseada na liberdade e na dignidade. (RAMOS, 2001, p.27 apud OLIVEIRA,
2003, p. 13)
Constata-se que os Direitos Humanos são próprios da natureza humana,
não tem que ser concedidos, pois todo cidadão já nasce com eles. O que deve
haver pelo poder político é sua garantia, ou seja, que esses direitos não sejam
violados. É por este motivo que os direitos de todos os cidadãos estão prescritos
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em normas, tanto nacionais como internacionais, com o fim único e exclusivo de


serem garantidos e respeitados.
Observa-se que os autores apresentados possuem um núcleo único sobre o
conceito de Direitos Humanos. Eles concordam que os Direitos Humanos são
Direitos Humanos são todos os direitos que possuímos, pelo
simples fato de sermos seres humanos, que nos permitem viver
com dignidade, assegurando, assim, os nossos direitos
fundamentais à vida, à igualdade, à segurança, à liberdade e à
propriedade, dentre outros. Eles se positivam através das normas
jurídicas nacionais e internacionais, tais como tratados,
convenções, acordos ou pactos internacionais, leis e
constituições. Estes direitos são universais, interdependentes e
indivisíveis.
universais e pertencem a todos pelo simples fato de serem seres humanos, sem
nenhuma discriminação.
A Conferência Mundial Sobre Direitos Humanos, ocorrida em Viena - 1993,
em seu parágrafo 5°, estabelece: "Todos os Direitos Humanos são universais,
interdependentes e inter-relacionados. A comunidade internacional deve tratar os
Direitos Humanos globalmente de forma justa e equitativa, em pé de igualdade e
com mesma ênfase.” Este preceito vem a completar o conceito que será doravante
adotado por esta diretriz, servindo como padrão na Educação Policial Militar, o qual
pode ser lido a seguir.

3.3 Características
A Declaração Universal dos Direitos Humanos foi adotada com a aprovação
de 48 Estados membros, presentes à Assembléia Geral da ONU, em 10 de
dezembro de 1948. Essa declaração consolidou uma visão contemporânea de
Direitos Humanos, marcada pela universalidade, pela invisibilidade e pela
interdependência.6
A Universalidade é uma característica de Direitos Humanos, a qual confere a
todas as pessoas o reconhecimento de "sujeito de direitos” no âmbito internacional,
independentemente da nação a que pertence.
A indivisibilidade implica que, para a consolidação da dignidade humana, se
faz necessária a indissociabilidade dos direitos civis e políticos (direitos à vida, à
liberdade e ao voto) dos direitos sociais, econômicos e culturais ( o direito à
educação, à alimentação e à moradia, etc.)

IKAWA, PIOVESAN, ALMEIDA. Fundamentos e história dos Direitos Humanos


Formação de Conselheiros em Direitos Humanos, Secretaria Especial de Direitos Humanos, 2007.
( - SEPARATA DO BGPM N° 01, de 04 de janeiro de 2011 - ) Página: ( - 15 - )

A interdependência aponta para o liame existente entre todos esses diretos


fundamentais. Um exemplo é o voto (direito político) que mantém dependência com
o direito à alimentação (direito social), pois, em um país onde as pessoas sofrem de
desnutrição, pressupõe-se a falta de condições físicas e psicológicas para
promoverem uma eleição consciente. Assim, para se exercer um direito civil e
político, é necessário que os direitos sociais, econômicos e culturais sejam
eficazmente satisfeitos.

3.4 Juridicização e Justicialização


Segundo Oliveira (2009, p.28), a juridicização "[...] é o mecanismo inerente
ao direito por meio do qual, fatos são submetidos ao âmbito jurídico de proteção.”
Após a Declaração Universal dos Direitos Humanos, houve a necessidade da
criação de instrumentos jurídicos internacionais, sendo criados o Pacto
Internacional dos Direitos Civis e Políticos (PIDCP) e o Pacto Internacional dos
Direitos Econômicos, Sociais e Culturais (PIDESC), os quais atualmente compõem
a "Carta Internacional dos Direitos Humanos” (Internacional Bill of Rights). Através
desses instrumentos, houve um processo de juridicização de Direitos Humanos,
possibilitando a construção de uma ordem normativa. Outra característica desses
documentos é que, se ratificados pelos Estados, estes ficam obrigados a
cumpri-los.
A justicialização corresponde a:
[...] efetivação ou materialização da proteção dos direitos. No sistema global, a
justicialização dos Direitos Humanos operou-se na esfera penal, mediante a
criação de tribunais ad hoc e, posteriormente, do Tribunal Penal Internacional
(TPI). Nessa esfera penal, a responsabilização internacional atinge indivíduos
que realizaram crimes internacionais. Nos sistemas regionais, a justicialização
operou-se na esfera civil mediante a atuação das cortes européia,
interamericana e africana. (OLIVEIRA, 2009, p.28)

A garantia de Direitos Humanos no plano internacional só seria


implementada quando uma "jurisdição internacional se impusesse concretamente
sobre as jurisdições nacionais, deixando de operar dentro dos Estados, mas contra
os Estados e em defesa dos cidadãos.” (BOBBIO, 1988, p.30 apud PIOVESAN,
2007).

3.5 Universalismo e Relativismo Cultural


A Declaração e Programa de Ação de Viena (1993) afirmou a universalidade
dos Direitos Humanos. Porém, ainda hoje, diversas argumentações são
construídas em favor do relativismo cultural dos Direitos Humanos, o qual afirma
que Direitos Humanos devem ter a legitimidade das diversas culturas, cedendo a
práticas regionais. O relativismo, porém, tem se confrontado com as ideias
universalistas, as quais estipulam que Direitos Humanos, sendo universais, têm
primazia sobre quaisquer culturas, entre outras formas de manifestações regionais.
Segundo KERSTING, (2003, p. 82) "Qualquer que seja o contexto cultural
específico que determine a ética de condução devida dos seres humanos [...]
deve-se afirmar que pressupostos fundamentais precisam ser cumpridos para que
as pessoas possam levar, dentro de tais contextos, uma vida suportável, que lhes
( - SEPARATA DO BGPM N° 01, de 04 de janeiro de 2011 - ) Página: ( - 16 - )

proporcione sentido.”
Santos (1995) aduz que "[...] temos o direito a ser iguais quando a diferença
nos inferioriza; temos o direito a ser diferentes quando a igualdade nos
descaracteriza”.
Entretanto, inobstante as contraposições ideológicas elencadas, em um
mundo globalizado, no qual existem modernos meios de comunicação e transporte,
como a rede mundial de computadores, que nos permite navegar por um sem
número de culturas, abrindo espaço para uma dialética universal, torna-se cada vez
mais complexo o pensamento de se manter culturas intactas, livres de qualquer
influência externa à sua realidade. As interações entre padrões culturais diferentes
tornaram-se inevitáveis, o que resulta em um intercâmbio de valores culturais cada
vez mais significativos.
Nesse contexto, deve haver uma maior predisposição à tolerância por parte
dos diferentes povos no tocante ao ideal de proteção à dignidade humana em todas
as suas facetas, para que, enfim, possa ser estabelecido, definitivamente, um
código comum de normas, que conte com a adesão de todas as nações e que
venha a proporcionar uma proteção mais eficaz dos direitos inerentes à pessoa
humana, independentemente de qualquer fator cultural.

3.6 Proteção Internacional dos Direitos Humanos


Existe atualmente um sistema global, presidido pela Organização das
Nações Unidas (ONU), de proteção aos Direitos Humanos, composto por vários
documentos internacionais, além de outros sistemas regionais, com seus
respectivos documentos de proteção aos direitos das pessoas. São eles: o
Interamericano (Convenção Americana de Direitos Humanos), o Europeu
(Convenção Européia de Direitos Humanos) e o Africano (Carta Africana de Direitos
Humanos). Esses sistemas são complementares ao sistema normativo global e
apresentam especificidades regionais de cada país.
O Brasil faz parte do sistema interamericano desde 13 de dezembro de
1951, porém, só aderiu à Convenção Americana de Direitos Humanos em 1992.
A inserção do Brasil no sistema internacional de proteção aos Direitos
Humanos se deu após a promulgação de nossa Carta Magna de 1988, que
inaugurou os princípios da prevalência da dignidade da pessoa humana, com base
no respeito aos Direitos Humanos.
Foi a partir desse período que vários documentos foram ratificados pelo
governo brasileiro, tais como: a Convenção Interamericana para Prevenir e Punir a
Tortura, em 20 de julho de 1989; a Convenção contra a Tortura e outros
Tratamentos Cruéis, Desumanos ou Degradantes, em 28 de setembro de 1989; a
Convenção sobre os Direitos da Criança, em 24 de setembro de 1990; o Pacto
Internacional dos Direitos Civis e Políticos, em 24 de janeiro de 1992; o Pacto
( - SEPARATA DO BGPM N° 01, de 04 de janeiro de 2011 - ) Página: ( - 17 - )

Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais, em 24 de janeiro de


1992; a Convenção Americana de Direitos Humanos, em 25 de setembro de 1992;
a Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a
Mulher, em 27 de novembro de 1995; o Protocolo à Convenção Americana
referente à Abolição da Pena de Morte, em 13 de agosto de 1996 e o Protocolo à
Convenção Americana referente aos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais
(Protocolo de San Salvador), em 21 de agosto de 1996.
Em 03 de dezembro 1998, o Brasil reconheceu a competência jurisdicional
da Corte Interamericana de Direitos Humanos por meio do Decreto Legislativo n°
89/98. Em 07 de fevereiro de 2000, o Brasil assinou o Estatuto do Tribunal
Internacional Criminal Permanente.
Segundo Piovesan (2000),"[...]uma média de 50 casos foram impetrados
contra o Estado brasileiro, perante a Comissão Interamericana, no período de 1970
a 1998”.
Esses casos foram classificados em sete grupos: 1) casos de detenção
arbitrária e tortura, cometidos durante o regime autoritário militar; 2) casos de
violação dos direitos das populações indígenas; 3) casos de violência rural; 4)
casos de violência da Polícia Militar; 5) casos de violação dos direitos de crianças e
adolescentes; 6) casos de violência contra a mulher; e, 7) casos de discriminação
racial.

3.7 Direitos Humanos no ordenamento jurídico brasileiro


A Constituição Federal de 1988, chamada de "Constituição Cidadã”7, abarca
em seu bojo diversos artigos projetivos dos Direitos Humanos. Dentre esses
artigos, alguns merecem ser destacados.
O inciso III do art. 1° estabelece que a dignidade humana é um dos
fundamentos do Estado Democrático de Direito Brasileiro. No art. 3°, são
postulados os objetivos fundamentais da República Brasileira, quais sejam:
construir uma sociedade livre, justa e solidária (inciso I), erradicar a pobreza e a
marginalização, reduzir as desigualdades sociais e regionais (inciso III) e, por fim,
promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e
quaisquer outras formas de discriminação (inciso IV).
No tocante às relações internacionais, o art. 4° estabelece os seguintes
princípios: prevalência dos Direitos Humanos (inciso II), autodeterminação dos
povos (inciso III), não-intervenção (inciso VI), igualdade entre os Estados (inciso
VII), repúdio ao terrorismo e ao racismo (inciso VIII), cooperação entre os povos
para o progresso da humanidade (inciso IX), concessão de asilo político (inciso X).
Os direitos e deveres individuais e coletivos, que são objeto do artigo 5°,
estabelecem em seu caput que: "todos são iguais perante a lei, sem distinção de
qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no

Nome dado à Constituição por Ulisses Guimarães, que foi um dos constituintes em 1988.
país a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à segurança e à propriedade”.
Esse artigo elenca diversos incisos que abarcam a temática Direitos Humanos.
7
( - SEPARATA DO BGPM N° 01, de 04 de janeiro de 2011 - ) Página: ( - 18 - )

O parágrafo 1° do artigo 5° determina que as normas definidoras dos Direitos


Humanos e garantias fundamentais têm aplicação imediata. O § 2° do mesmo
artigo reza que os Direitos Humanos expressos na Constituição "[...] não excluem
outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados, ou dos tratados
internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte”. Esse parágrafo
inclui, entre os direitos já protegidos pela norma interna (CF/88), os direitos gerados
nos tratados internacionais assinados pelo Brasil. A Emenda Constitucional
45/2004, incluiu, ainda, o § 3° ao art. 5° da CF/88 que estabelece: "Os tratados e
convenções internacionais sobre Direitos Humanos que forem aprovados, em cada
Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos
respectivos membros, serão equivalentes às emendas constitucionais”.
Além de todos os direitos insculpidos em nossa Constituição Federal,
existem outros dispositivos infraconstitucionais, de proteção aos grupos
socialmente vulneráveis, como: o Estatuto da Criança e do Adolescente, o Estatuto
do Idoso, a Lei Maria da Penha, dentre outros.

4 DIREITOS HUMANOS NA PMMG


4.1 Trajetória histórica
A temática Direitos Humanos foi inserida nos currículos dos cursos de
formação da PMMG, já no final dos anos 80, coincidentemente com a promulgação
da Constituição Federal de 1988.
Ressalta-se, entretanto, que em 1984, a PMMG, através da Nota de
Instrução n° 001/84, já destilava preciosos ensinamentos sobre direitos humanos,
onde consta como algumas de suas recomendações aos policiais militares
"respeitar a pessoa humana qualquer que seja a sua condição”, além de "[...]
assegurar a liberdade individual e promover o bem-estar da coletividade.”
Nos anos seguintes, outros documentos foram instituídos, como a Nota
Instrutiva n° 029/93, cuja finalidade era chamar a atenção para a necessidade de
conferir-se à formação policial-militar um tratamento onde inexistissem influências
maléficas de insensatez, de açulos à violência e de desrespeito à dignidade das
pessoas, e a Nota Instrutiva n° 37/94 que orientava sobre o cumprimento da
legislação estadual referente aos Direitos Humanos.
Em 1998, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), em parceria com
o Ministério da Justiça e os comandos das Policias Militares, lança, em Brasília, as
bases do Projeto Polícia Militar, que tinha como principal objetivo ampliar os
conhecimentos teóricos e técnico-procedimentais das polícias, mormente das
militares, para a atuação em concordância com as normas internacionais de
Direitos Humanos, no seu contexto nacional e internacional, bem como ampliar e
consolidar as noções de direito internacional humanitário.
( - SEPARATA DO BGPM N° 01, de 04 de janeiro de 2011 - ) Página: ( - 19 - )

Ainda em 1998, na Polícia Militar de Minas Gerais, foi realizado o primeiro


curso de Professores Multiplicadores das Doutrinas de Direitos Humanos,
coordenados por oficiais da Instituição e contando com a participação de instrutores
internacionais. Em 1999 e 2000, tivemos mais dois cursos, que, com uma dinâmica
inovadora, aliavam os conhecimentos teóricos às práticas policiais reflexivas e
lançavam as bases para uma profunda mudança na educação em Direitos
Humanos na corporação, como adiante será mostrado.
No ano de 2004, fruto do amadurecimento da percepção acerca da
importância de um direcionamento institucional no que tange aos procedimentos
policiais embasados no reconhecimento e respeito aos Direitos Humanos, entrou
em vigor a primeira versão da diretriz de Direitos Humanos8.

4.2 Filosofia Institucional


A identidade institucional da PMMG estabelece como missão "assegurar a
dignidade da pessoa humana, as liberdades e os direitos fundamentais,
contribuindo para a paz social e para tornar Minas o melhor Estado para se viver.”
Assim, a PMMG procura ajustar-se à nova agenda mundial, que concita ir
além do meramente formal, e de fato produzir ações que irão proporcionar à
sociedade um atendimento de qualidade, que faça com que cada cidadão se sinta
respeitado em seus direitos fundamentais.
A filosofia institucional para Direitos Humanos, não somente exorta ao fiel
cumprimento às normas internacionais e nacionais relativas a Direitos Humanos,
como também estabelece estratégias para atender com qualidade as necessidades
do cidadão e da sociedade:
[...] desenvolver ações para atender o cidadão, em toda e qualquer
circunstância de envolvimento, seja como vítima, agente, testemunha,
envolvido e solicitante, pautado no respeito aos direitos fundamentais e na
dignidade humana, praticando os valores institucionais em todas as ações
desencadeadoras. (MINAS GERAIS, 2009, p.20).
Na contemporaneidade, é importante a reflexão sobre as questões
concernentes à educação em Direitos Humanos, por todos os policiais militares, em
sua concepção mais extensiva, isto é, aquela que contempla o apropriado
conhecimento e correlação do profissional de segurança pública com sua formação
ética e moral dotada de valores equivalentes à plena vivência coletiva e social.
Por ser isto da maior importância é que a Instituição estabeleceu sua
Identidade Organizacional, a qual tramita no ensejo da sociedade, incorporando a
planificação de preceitos fundamentais, que possam construir estratégias e ações
alinhadas a todos os seus procedimentos, atitudes e tomadas de decisão em
conformidade com as expectativas de paz, igualdade e fraternidade, essenciais à

Diretriz para Produção de Segurança Pública n° 08- Filosofia de Direitos Humanos da Polícia
Militar de Minas Gerais, 2004.
plenitude e magnitude do princípio que fundamenta a Constituição Federal, a
"dignidade da pessoa humana”, nos valores Institucionais da Polícia Militar de
Minas Gerais.
( - SEPARATA DO BGPM N° 01, de 04 de janeiro de 2011 - ) Página: ( - 20 - )

Os valores institucionais como o Respeito aos Direitos Fundamentais,


Valorização das Pessoas, Ética e Transparência, Excelência e Representatividade
Institucional; Disciplina e Inovação; Liderança e Participação; Coragem e Justiça
devem ser entendidos e exercitados no dia a dia por todos em todos os níveis da
organização, tornando-se expoentes centrais do elementar ato de aplicar os
Direitos Humanos no exercício de nossas ações.
Esses valores devem ser entendidos como paradigmas e referenciais éticos
para todos os comportamentos e condutas legais do policial militar. Na verdade, ao
se alinharem os valores institucionais estabelecidos em nossa Identidade
Organizacional com normas de Direitos Humanos que delineiam as liberdades
fundamentais, a dignidade da pessoa humana, asseguram-se, sobretudo, os
direitos de liberdade e direitos sociais que inspiram a produção normativa interna, a
qual os profissionais de segurança pública devem observar, aplicando-a em sua
atividade, no que couber.
O alinhamento de nossa missão, visão e valores é, neste sentido, de
fundamental importância para a adoção de padrões de comportamentos
operacionais na solução de problemas e observância dos Direitos Humanos junto
ao cidadão. Assim, só serão eficazes as ações e resultados das atitudes do
profissional de segurança pública congruentes com as estratégias e objetivos
descritos nesta Diretriz e na Identidade Organizacional.
Esses objetivos, por sua vez, deverão ser congruentes com a cultura e a
missão Institucional, em relação a toda sociedade em sua diversidade. Em outras
palavras, a síntese e propósito desta Diretriz será a consecução do alinhamento
interno do indivíduo com a visão “Sermos excelentes na promoção das
liberdades e dos direitos fundamentais, motivo de orgulho do povo mineiro.”
Esta visão ao ser observada por todo integrante da Polícia Militar - nos
diversos níveis, direciona-se aos preceitos contidos na Declaração Universal dos
Direitos Humanos - de estrutura Bipartite ou Bifronte - em Direitos de Liberdade (de
1a Geração) e Direitos Sociais (de 2a Geração) garantidos em outros Estatutos
como a Convenção Americana de Direitos Humanos, bem como em nossa
Constituição Federal, alinhando-se aos anseios - de servir e proteger - esperados
pela comunidade.
Portanto, a instituição busca, por meio de seus Valores, três tipos de
alinhamento: 1) alinhamento pessoal, no qual deverá existir uma congruência entre
todas as ações individuais com os preceitos de nossa Identidade; 2) alinhamento
dos processos voltados aos Direitos Humanos relativos aos objetivos estratégicos e
a nossa Visão de futuro; 3) alinhamento operacional, no qual os objetivos e ações
(planejamento e comunicação) de todos os policiais ou grupos ajustem-se de
maneira congruente com os demais sistemas que alcançam as normas imperativas
de Direitos Humanos (ambiente interno da organização e externo na comunidade,
grupos vulneráveis, minorias, ONGs, Sociedade Civil Organizada etc.).
( - SEPARATA DO BGPM N° 01, de 04 de janeiro de 2011 - ) Página: ( - 21 - )

Fonte: DPSSP- 08/04- CG, corroborado por


MARTINS, Claudio Duani. Uma análise
sobre a aplicabilidade prática do conteúdo
trabalhado no Curso de Formação de
Oficiais da Polícia Militar de Minas Gerais.
Monografia (Especialização em Gestão de
Direitos Humanos) Centro Universitário
UNIEURO, Belo Horizonte, 2007.
4.3 Fundamentação Teórico-Metodológica
Para sistematização teórico-metodológica da filosofia de Direitos Humanos,
será estabelecida, para fins desta diretriz, a metodologia doravante denominada
TRIÂNGULO DOS DIREITOS HUMANOS. Tal metodologia estrutura-se em duas
perguntas e uma reflexão sobre Direitos Humanos, conforme sugere a figura a
seguir:
Figura 1: Triângulo dos Direitos Humanos

4.3.1 Para quem são os Direitos Humanos?


Essa pergunta nos remete a várias respostas, tais como: "para todos, mas só
alguns os têm”; "para todos, mas não passam do papel”, "Direitos Humanos para
humanos direitos”; "para proteger marginais” ou a uma simples e direta "são para
todos os cidadãos.”
A partir dessas manifestações, pode-se inferir que parece não haver uma
clareza conceitual sobre a temática dos Direitos Humanos, decorrente da falta de
sensibilização sobre o que é ter direito.
Na verdade, as normas de Direitos Humanos foram criadas para oferecer
garantias de direitos a todas as pessoas. Essa constatação nos conduz a outra
pergunta: quem realmente acredita que Direitos Humanos foram criados para todas
as pessoas? Muitos não acreditam totalmente, ou acreditam em parte, que os
Direitos Humanos foram criados para todas as pessoas. O policial, como promotor
dos Direitos Humanos, deve ter a convicção de que esses direitos foram criados
para todas as pessoas, inclusive para ele próprio.
Direitos Humanos não são sinônimos de direito abstrato, pelo contrário,
fazem parte do dia a dia de todas as pessoas, pois abarca o direito à vida, o direito
à propriedade, o direito de constituir uma família, além de tantos outros.
( - SEPARATA DO BGPM N° 01, de 04 de janeiro de 2011 - ) Página: ( - 22 - )

Os direitos das pessoas estão garantidos na Constituição da República


Federativa do Brasil, mais especificamente no art. 5°, os quais elencam direitos e
liberdades individuais, fundados na Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Conclui-se que Direitos Humanos são para todos, integram o cotidiano de
todos os cidadãos e, principalmente, do cidadão policial, o qual tem a nobre missão
de servir e proteger a sociedade da qual ele faz parte.

4.3.2 Quem deve proteger os Direitos Humanos?


Se Direitos Humanos são de todos e para todos, quem deve protegê-los?
Sem dúvida, está inserto na nossa Constituição Federal que a segurança pública é
responsabilidade de todos e dever do Estado. Logo, todas as pessoas tem a
responsabilidade de defendê-los e o Estado tem o dever de tal ação. O policial,
como representante do Estado, tem papel fundamental na proteção dos Direitos
Humanos, pois ele é a autoridade mais comumente encontrada nas ruas e
emblematiza o Estado (BALESTRERI, 2003, p.23).
As pessoas identificam o policial como alguém em quem confiam e trazem a
perspectiva de que ele solucionará seus problemas. Por isso, o policial tem o dever
de estar sempre preparado tecnicamente, para agir com imparcialidade e
humanismo, em todos os seus contatos com o público.
As entidades de defesa dos Direitos Humanos, governamentais ou não,
contribuem para que o papel do Estado se materialize, completando sua ação de
proteção.
No momento atual, quando se evidencia o recrudescimento da violência no
País, principalmente nos grandes centros urbanos, é imprescindível que se faça um
esforço sinérgico pela paz, congregando forças e trabalhando junto a essas
entidades de Direitos Humanos, por meio de parcerias, abrindo portas para um
conhecimento mútuo, trabalhando não apenas com a denúncia de ações policiais
incorretas, mas dando ênfase ao anúncio de ações integradas em prol da
construção da cidadania e da paz social.
4.3.3 A validade dos Direitos Humanos no mundo
Agora que foram respondidas as duas perguntas, será feita uma análise
global de Direitos Humanos.
Podemos nos perguntar: por que existe então tanta miséria, fome e guerras
no mundo? Por que não há uma efetividade das políticas de Direitos Humanos no
mundo? Essas respostas podem ser conseguidas estudando-se a diversidade
cultural e religiosa dos países, suas diferenças geográficas, seus costumes e
normas, suas desigualdades sociais, os governos ditatoriais e as consequências da
economia globalizada, entre outros aspectos que interferem diretamente na
plenitude da prática de Direitos Humanos por toda a humanidade.
Um aspecto fundamental a ser ressaltado é que o policial deve ser um
pedagogo da cidadania. Ele deverá, sempre que possível, por meio de orientações
ou palestras, informar as pessoas corretamente sobre seus direitos.
( - SEPARATA DO BGPM N° 01, de 04 de janeiro de 2011 - ) Página: ( - 23 - )
Atenção: Recomenda-se antes da leitura dos Eixos
Temáticos o estudo do texto “Deveres e Funções Policiais”
e o Texto “Conduta Ética e Legal do Policial” anexos a esta
diretriz.
Dessa forma, elas poderão desenvolver-se, por meio de uma cooperação mútua, rumo à
construção de uma sociedade consciente de seus direitos.

5 EIXOS TEMÁTICOS EM DIREITOS HUMANOS


Esta diretriz foi organizada em eixos estruturantes cada qual com uma
temática diferenciada, porém transversal, de forma a facilitar o estudo, global e
setorial, dos conteúdos, bem como proporcionar uma articulação com a identidade
institucional e com os programas e atividades já existentes na área de Direitos
Humanos.
Os eixos constituem-se de temáticas afetas ao universo policial-militar, que
objetivam explicitar conceitos, correlacionando-os com a atuação policial
referendada na promoção e proteção dos Direitos Humanos, seja na Educação
Policial, no trato com grupos socialmente vulneráveis, nas políticas internas e no
relacionamento com as entidades e órgãos ligados à defesa dos Direitos Humanos.
Ao final dos Eixos, serão apresentadas as ações programáticas e estratégias
institucionais recomendadas aos comandos, em seus diversos níveis, para
efetivação da filosofia contida nesta diretriz.

EIXOS TEMÁTICOS EM DIREITOS HUMANOS


EIXO 1 EDUCAÇÃO
EIXO 2 GRUPOS VULNERÁVEIS, MINORIAS E VÍTIMAS
EIXO 3 POLÍTICA INTERNA
EIXO 4 INTEGRAÇÃO COM ÓRGÃOS E ENTIDADES

5.1 Eixo 1: Educação


Este eixo tem como viés a inserção dos Direitos Humanos na Educação de
Polícia Militar em todos os seus níveis e modalidades (formação, treinamento,
pesquisa e extensão), mediada por uma abordagem interdisciplinar e transversal,
visando à construção de uma cultura humanística que reconheça na diversidade a
base para o respeito aos direitos fundamentais.
5.1.1 Educação em Direitos Humanos: Significado e Princípios
( - SEPARATA DO BGPM N° 01, de 04 de janeiro de 2011 - ) Página: ( - 24 - )

O Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos (2003), do Governo


Federal, evidencia que a educação em Direitos Humanos é um processo de
socialização em uma cultura de Direitos Humanos. Socializar em Direitos Humanos
implica implantar processos educativos que possam difundir, para o maior número
possível de pessoas, concepções e práticas culturais para que elas se percebam e
se formem como sujeitos detentores de direitos, já que se constituem em sujeitos de
dignidade.
A educação em Direitos Humanos deve ser um dos eixos fundamentais da
educação policial-militar, permeando o currículo dos cursos de formação, da
educação continuada, da pesquisa e extensão.
A educação em Direitos Humanos deve ser estruturada na diversidade
cultural e ambiental, garantindo assim a cidadania. Ela deve ser promovida em três
dimensões:
a) Conceitual: compreende a temática dos Direitos Humanos e dos
mecanismos existentes para a sua proteção, desencadeando atividades para a
promoção, defesa e reparação das violações aos Direitos Humanos;
b) Procedimental: abrange a prática dos Direitos Humanos na vida
cotidiano-profissional;
c) Atitudinal: corresponde à internalização de valores e atitudes de respeito
e valorização aos Direitos Humanos.

5.1.2 Educação de Polícia Militar: Espaços Formativos para uma Cultura de


Direitos Humanos
A idealização de uma política de educação em Direitos Humanos para os
policiais militares de Minas Gerais não se restringe apenas à formação em seus
ambientes escolares - Academia de Polícia e Companhias de Ensino e Treinamento
- devendo se constituir parte integrante de todo o contexto onde haja ação policial
militar, seja ela preventiva ou repressiva.
A educação em Direitos Humanos na PMMG se constitui de três
pressupostos fundamentais:
1 - uma educação de natureza permanente, continuada e global;
2 - uma educação necessariamente voltada para a mudança, objetivando
transformações efetivas referendadas nos pressupostos de respeito à dignidade da
pessoa humana;
3 - uma introjeção de valores que pretende atingir a prática reflexiva e, não
apenas, transmissão de conhecimentos restritos às salas de aula.
Para tanto, esta educação deve estar imbuída de uma postura pedagógica,
que se insira nas diversas dimensões da ação educativa. Deve ser expressa no
ambiente escolar e no trabalho por meio de atitudes, saberes, comportamentos e
compromissos. É um exercício que não se inicia e se encerra na formação, mas
deve ser uma constante da ação policial em todos os momentos da sua vida
pessoal e profissional.
As Diretrizes de Educação da Polícia Militar (DEPM) contém em seu
arcabouço filosófico-educacional artigos que intencionam propagar e disseminar
( - SEPARATA DO BGPM N° 01, de 04 de janeiro de 2011 - ) Página: ( - 25 - )

uma cultura de respeito ao próximo, que promova a paz, repudiando ações e


pressupostos que possam, mesmo que subliminarmente, ferir os princípios dos
Direitos Humanos e da Cidadania.
Em suas atividades diárias, o policial militar lida com a diversidade humana,
muitas das vezes em situação de conflito. É sua missão assegurar a dignidade da
pessoa humana e promover a paz social no contexto contemporâneo globalizado e
de violência crescente. Para isto, ser-lhe-ão exigidos conhecimentos diversos nas
áreas jurídicas, humanas, de gestão, técnico-profissionais que devem estar
alinhados aos preceitos dos Direitos Humanos. Assim, é necessário proporcionar
uma formação e capacitação interdisciplinar e transversal que favoreçam a
interlocução entre as diversas disciplinas, consolidando temáticas centrais
indispensáveis ao desempenho de suas funções. Adquirir conhecimentos,
entretanto, não garante o desenvolvimento de competências procedimentais de
respeito à pessoa humana. Como postula Rover (2005), esses conhecimentos
deverão fazer parte da rotina deste policial, o simples conhecimento não é o
bastante. Os policiais também precisam de certas habilidades técnicas e táticas,
para assegurar a aplicação da lei, com respeito aos direitos e liberdades individuais.
Neste sentido, depreende-se a importância de que a aprendizagem ocorra no
contexto acadêmico-profissional, por meio de estudos de caso e vivências
operativas que favoreçam uma aprendizagem significativa.
A visão de só reprimir, entretanto, ainda povoa as metodologias de ensino e
treinamento de muitas instituições policiais, fruto de uma trajetória histórica, onde
as polícias serviram de instrumento de repressão popular. No entanto, após a
Constituição de 1988, o cenário transformou-se e um novo paradigma profissional
emergiu fundamentado em uma prática que tem como lema "Servir e Proteger”,
conforme ensina Rover (1998). Para a consolidação deste paradigma, faz-se
necessário investir na Educação de Polícia Militar, em suas atividades e disciplinas
curriculares, em seus procedimentos educativos e práticas docentes de maneira a
propiciar uma cultura acadêmica que valorize e promova ações de cidadania e de
respeito à pessoa humana.
O policial, particularmente durante o processo formativo, deve ser
conscientizado da importância de sua profissão e estimulado a ser um promotor de
Direitos Humanos, pois suas ações, futuramente, terão um caráter pedagógico na
sociedade. As atitudes do policial se propagam na sociedade por meio de sua
imagem, de suas condutas, de seu exemplo como cidadão. A percepção do
profissional cooperador, solucionador de conflitos e defensor dos Direitos Humanos
impacta de maneira diferente quando ele é percebido como profissional não
confiável, insensível aos problemas sociais. É o que diz Balestreri (1988): "Há,
assim, uma dimensão pedagógica no agir Policial [...]. O Policial, assim, à luz
desses paradigmas educacionais mais abrangentes, é um pleno e legítimo
educador.”
5.1.2.1 Formação Policial
A formação dos policiais militares estrutura-se no arcabouço de
conhecimentos jurídicos, técnicos e humanísticos que proporcionam o
desenvolvimento das competências necessárias para as funções de operadores da
segurança pública com a missão profícua de promoção da paz social. Neste
sentido, os cursos da PMMG destinados à formação inicial do policial militar devem
se pautar em uma educação comprometida com os ideais e valores da cidadania,
da democracia e de direitos humanos, promovendo a humanização, socialização,
( - SEPARATA DO BGPM N° 01, de 04 de janeiro de 2011 - ) Página: ( - 26 - )

transparência e valorização do ser humano. Os princípios de Direitos humanos


devem se constituir em eixos articuladores de toda a prática policial sendo
estruturados nas dimensões ética, técnica e legal que compõem a malha curricular
dos cursos e se fazem presentes em todo planejamento escolar. Devem ser
encarados como uma pedagogia que não quer apenas conscientizar, mas formar
profissionais, agentes transformadores, cidadãos empenhados na erradicação das
injustiças e na construção de um mundo verdadeiramente humano.
Neste sentido, em três princípios fundamentais é que se baseiam a atividade
dos policiais sob o aspecto ético e legal: 1) o respeito e a obediência às leis; 2) o
respeito pela dignidade humana; e 3) o respeito e a proteção dos Direitos Humanos.
(CERQUEIRA, BARBOSA e ÂNGELO, 2001 apud OLIVEIRA, 2010, p. 94)

5.1.2.2 Educação Continuada


O objetivo central da educação continuada em Direitos Humanos é a
atualização de conhecimentos, quebra de paradigmas, a reflexão acerca da prática
profissional e o realinhamento de condutas e procedimentos.
No Sistema de Ensino da Polícia Militar, são consideradas como educação
continuada os cursos de capacitação, aperfeiçoamento e treinamento policial,
sejam na modalidade presencial, semi-presencial ou à distância.
A metodologia adequada para a educação em Direitos Humanos considera o
educando no centro do processo educativo, vai da prática à teoria, para retomar e
melhor qualificar a prática. Parte de casos concretos e utiliza recursos como
dramatização, simulação de casos, jogos vivenciais e outra práticas de ensino, em
que o processo educativo tem como ponto de partida e chegada a ação do
educando na transformação da realidade na qual se insere.
Os temas de Ética Policial e Direitos Humanos serão enfatizados em todas
as modalidades de educação continuada e devem ser tratados de forma transversal
e interdisciplinai9, conscientizando o policial quanto às alternativas de

Transversalidade: [...] refere-se a temas sociais que permeiam os conteúdos das diferentes
disciplinas,exigindo uma abordagem ampla e diversificada não se esgotando num único campo de
conhecimento.Interdisciplinaridade[...] questiona a segmentação dos diferentes campos do
conhecimento, possibilitando uma relação epistemológica entre as disciplinas[...] (CORDEIRO e SILVA,
2005, p.31,32)
resolução pacífica de conflitos que antecedem o uso efetivo da força e proibição da
tortura e do tratamento desumano, cruel ou degradante.

5.1.2.3 Atividades Extensionistas


Atividades extensionistas humanísticas são atividades complementares que
compõem o currículo da formação e da educação continuada e objetivam ambientar
o discente com a prática dos Direitos Humanos junto à comunidade por meio de
projetos, seminários, workshops e intercâmbio com universidades e academias do
Brasil e do exterior.
( - SEPARATA DO BGPM N° 01, de 04 de janeiro de 2011 - ) Página: ( - 27 - )

5.1.3 Capacitação Docente para a Educação em Direitos Humanos


A educação de polícia militar, compromissada com os princípios éticos e de
respeito à dignidade da pessoa humana e acreditando na imprescindibilidade do
trabalho transversal e interdisciplinar para a consolidação do conhecimento, deverá
promover a formação humanística aos seus integrantes para as atividades típicas
de polícia militar e de docência.
Os cursos deverão ser desenvolvidos com base na matriz curricular da
Secretaria Nacional de Segurança Pública - SENASP/Ministério da Justiça - MJ,
nas orientações teórico-metodológicas do Comitê Internacional da Cruz Vermelha,
no Plano Nacional de Direitos Humanos - PNDH, no Plano Nacional de Educação
em Direitos Humanos, e no Plano Estadual de Direitos Humanos - PEDH.
O conteúdo programático dos cursos de Direitos Humanos, bem como as
condições de funcionamento, avaliação e aprovação, obedecerão ao previsto nas
DEPM.
5.1.3.1 Promoção em Direitos Humanos
5.1.3.1.1 Curso de Promotores de Direitos Humanos
Finalidade: Potencializar, nos policiais militares, os valores humanísticos
para o exercício profissional de proteção e promoção de Direitos Humanos. O
policial Promotor de Direitos Humanos, terá habilitação para proferir palestras e
auxiliar os professores em aulas nos Cursos de Direitos Humanos e na organização
de eventos.
Público alvo: Policiais militares formados no Curso de Bacharelado em
Ciências Militares - Curso de formação de Oficiais (CFO) e designados pelos
respectivos chefes e comandantes.1
5.1.3.2 Docência em Direitos Humanos
5.1.3.2.1 Curso de Multiplicador de Direitos Humanos
Finalidade: Destinado aos policiais militares que pretendem lecionar a
disciplina de Direitos Humanos nos diversos cursos da Educação de Polícia Militar,
sendo conferido a eles o título de Professor de Direitos Humanos. O Professor de
Direitos Humanos terá habilitação para planejar e coordenar cursos e eventos de
Direitos Humanos, além de ministrar aulas para os referidos cursos.
Público Alvo: Policiais militares possuidores do curso de Promotor de
Direitos Humanos, designados pelos respectivos chefes e comandantes,
observando-se os requisitos abaixo.
Pré-requisitos: Além dos previstos nas Diretrizes de Educação de Polícia
Militar - DEPM, o candidato deverá:
a) ser voluntário e ter interesse em multiplicar a doutrina dos Direitos
Humanos;
b) ter desenvoltura pessoal, fluência verbal e habilidades para
apresentações em público;

1
Conforme a Resolução n° 3.936/2007- CG, os militares formados no Curso de Bacharelado em Ciências
Militares, CBCM/CFO, a partir do ano de 2006, são reconhecidos como Promotores de Direitos Humanos,
tendo em vista a carga horária da disciplina durante o curso.
( - SEPARATA DO BGPM N° 01, de 04 de janeiro de 2011 - ) Página: ( - 28 - )

c) ter capacidade de criar, inovar, motivar e liderar os Promotores de


Direitos Humanos;
d) ter o aval, por escrito, do Comandante ou Chefe de sua Unidade, na
ficha de inscrição do curso;
e) não estar preso ou à disposição da Justiça e não estar sendo processado
por crime doloso previsto:
- em lei que comine pena máxima de reclusão superior a dois anos,
desconsideradas as situações de aumento ou diminuição de pena;
- nos títulos I e II, nos capítulos II e III do Título III e nos Títulos IV, V, VII
e VIII do Livro I da Parte Especial do Código Penal Militar;
- no Capítulo I do Título I e nos Títulos I, nos Títulos II, VI e XI da Parte
especial do Código Penal.
( - SEPARATA DO BGPM N° 01, de 04 de janeiro de 2011 - ) Página: ( - 29 - )

5.1.3.2.3 Curso de Atualização em Direitos Humanos


Finalidade: atualização em Direitos Humanos através do sistema de
Educação à Distância (EAD), ficando a cargo da APM a sua construção e
instrumentalização. É obrigatório a todos os professores que tenham concluído o
curso de Direitos Humanos há mais de dois anos. Esse curso manterá o professor
habilitado para lecionar nos cursos de formação, habilitação e especialização da
PMMG. Os professores terão um prazo de 01 (um) ano, após a publicação desta
DPSSP, para se adequarem a esta situação. O Curso de Atualização em Direitos
Humanos será requisito para docência de Direitos Humanos.
Público alvo/Pré-requisitos: destinado aos policiais, possuidores do curso
de multiplicadores de Direitos Humanos, e que tenham concluído o curso há mais
de dois anos.

5.2 Eixo 2: Procedimento Policial para Proteção dos Direitos Humanos dos
Grupos Vulneráveis , Minorias e Vítimas
5.2.1 Contextualização
A cultura brasileira é o resultado de um grande sincretismo que uniu
costumes de diversos povos. Os caracteres genéticos que compõem as nossas
raízes são frutos de uma secular miscigenação de etnias, gerando uma diversidade
que nos proporciona uma imensurável riqueza cultural e social. As diferenças
relacionadas à etnia, gênero, deficiência, idade, entre outros, também constituem
essa diversidade.
Porém, quando essas diferenças se convertem em desigualdade, criam um
ambiente propício a toda sorte de violações de direitos, tanto no espaço público
quanto privado, tornando vulneráveis as pessoas que estão na condição de
diferentes. É possível citar como exemplo as pessoas com deficiência, os idosos,
as mulheres, as crianças e os adolescentes e a população em situação de rua.
Esses grupos são chamados, assim, de grupos vulneráveis.
A busca dessas pessoas pelo reconhecimento de seus direitos é hoje um
fator democrático preponderante, pois, somente através da igualdade é que se
percebe a plena democracia. Foram muitos os movimentos sociais e conquistas,
notadamente nos setores mais vitimados pelo preconceito e pela discriminação.
A falta de políticas públicas direcionadas a esses grupos e a desinformação
da sociedade são fatores que contribuem para a vitimização, por isto, existe
atualmente um grande esforço nacional no sentido de se dar mais visibilidade a
esses grupos e de proporcionar mais informação à sociedade, estimulando, assim,
uma co-responsabilidade na formulação de leis e políticas garantidoras dos direitos
dos grupos vulneráveis, como, por exemplo, a criação do Conselho Nacional dos
Direitos da Mulher, o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente,
entre outros.
A prática da defesa dos Direitos Humanos pelos organismos
governamentais e não governamentais proporciona à sociedade e, mormente a
esses grupos vulneráveis, reconhecimento e abertura de espaço político, trazendo
a realização concreta de seus anseios, e cumprindo efetivamente o que está escrito
nas leis e nos estatutos.
( - SEPARATA DO BGPM N° 01, de 04 de janeiro de 2011 - ) Página: ( - 30 - )

Dentro desse contexto, o policial, na sua atividade cidadã e de proteção


social, deve conhecer a dinâmica dos grupos humanos, ou seja, descobrir seus
anseios, dificuldades, necessidades e se engajar, no que for atinente à segurança
pública, para a defesa e promoção dos direitos desses grupos.
Por vezes, é necessário repensar as atitudes e valores que temos,
confrontando-os com a nova ordem social e política de nossa sociedade. Por
exemplo, pense:
"Como agiria caso uma pessoa que usa cadeira de rodas lhe solicitasse
ajuda para descer uma escada ou sair de seu carro? Como agiria se uma pessoa
surda e muda tivesse sofrido uma agressão próxima ao seu setor de trabalho? Qual
seria sua atitude, caso um cidadão cego lhe solicitasse ajuda, ou se deparasse com
uma ocorrência de violência doméstica contra uma mulher ou abuso sexual de
crianças e adolescentes?”
Com certeza, essas seriam situações embaraçosas, por fugirem da rotina de
seu trabalho, pois estamos habituados a lidar com pessoas que podem se
locomover normalmente, que podem entender o que lhes é solicitado, enfim, que
não possuem características que dificultam suas vidas, em sociedade. Porém,
quando nos deparamos com casos como os citados, ocorrem dúvidas de como
atuar. Por outro lado, essas pessoas esperam ser tratadas com respeito e
dignidade e reconhecidas como cidadãos sujeitos de direitos.

5.2.2 Grupos Vulneráveis


5.2.2.1 Conceito
É um conjunto de pessoas que, por questões ligadas a gênero, idade,
condição social, deficiência e orientação sexual, tornam-se mais suscetíveis à
violação de seus direitos (MARTINS, 2007).
Os seis principais grupos são:
a) mulheres;
b) crianças e adolescentes;
c) idosos;
d) população LGBTT;
e) população em situação de rua;
f) pessoas com deficiência física e intelectual, ou sofrimento mental.
( - SEPARATA DO BGPM N° 01, de 04 de janeiro de 2011 - ) Página: ( - 31 - )

5.2.3 Minorias
O conceito de minoria, não se refere somente a desvantagem numérica,
quantitativa de determinada população, mas também diz respeito a sua posição de
domínio ou dominado:
[...] um grupo de cidadãos de um Estado, constituindo minoria numérica e em
posição não-dominante no Estado, dotada de características étnicas,
religiosas ou linguísticas que diferem daquelas da maioria da população,
tendo um senso de solidariedade um para com o outro, motivado, senão
apenas implicitamente, por vontade coletiva de sobreviver e cujo objetivo é
conquistar igualdade com a maioria, nos fatos e na lei [...] (DESCHENES apud
MAIA, 2001, grifo nosso)

Nota-se desta forma que o conceito de minoria não está somente


relacionado à questão numérica, mas também inclui a relação dominante e
dominado. Por exemplo, na África do Sul, durante a colonização Inglesa, a minoria
branca, que exercia o poder político, sobrepunha-se em dominação à maioria da
população negra que era obrigada a se submeter às normas sociais, políticas e
econômicas, estruturadas no estilo de vida inglês.
Estas minorias, conceituadas por Poulter (1986), em seus estudos, são
assim identificadas:
a) Minorias étnicas;
b) minorias religiosas;
c) minorias linguísticas.

5.2.3.1 Minorias étnicas


A minoria étnica traz importantes traços culturais e históricos que farão sua
destinação no tecido social. Vejamos a definição abaixo:
[...] são grupos que apresentam fatores distinguíveis em termos de
experiências históricas compartilhadas e sua adesão a certas tradições e
significantes tratos culturais, que são diferentes dos apresentados pela
maioria da população [...] (POULTER, 1986, p.2 apud MAIA)

O povo cigano é um exemplo de minorias étnicas. Estudos mostram que,


após séculos de perseguições, discriminação e preconceitos, este grupo começa a
sair da invisibilidade e a ser reconhecido, apesar de ainda serem grandes suas
demandas, como o direito à cidadania brasileira, o acesso ao registro civil de
nascimento e de óbito, o direito de frequentar escolas, as condições de
saneamento, a assistência médica, dentre outras.

5.2.3.2 Minorias linguísticas


As minorias linguísticas são assim definidas:
[...] são grupos que usam uma língua, quer entre os membros do grupo, quer
em público, que claramente se diferencia daquela utilizada pela maioria, bem
como da adotada oficialmente pelo Estado. Não há
necessidade de ser uma língua escrita. Entretanto, meros dialetos que se
desviam ligeiramente da língua da maioria, não gozam do status de língua de
um grupo minoritário. (NOWAK, 1993, p.491 apud MAIA)
( - SEPARATA DO BGPM N° 01, de 04 de janeiro de 2011 - ) Página: ( - 32 - )

5.2.3.3 Minorias religiosas


Segundo Maia (2001), vários autores se convergem na definição de minorias
religiosas e afirmam que: "[...] São grupos que professam e praticam uma religião
(não simplesmente uma outra crença, como o ateísmo, e.g.)” (DINSTEIN, 1992
apud MAIA).
No Brasil, são exemplos de minorias religiosas: judeus, budistas,
muçulmanos, praticantes de candomblé (religião jeje-nagô ou ioruba),
umbandistas.
É importante ressaltar que as religiões cristãs formam um grande bloco,
inclusas as religiões tais como: espíritas, protestantes, católicos e todas as outras
que tenham como base doutrinária o cristianismo.
A nossa Constituição, em seu artigo 5°, inciso VI, reza que: "é inviolável a
liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos
religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e suas
liturgias”.
Tal preceito legal abarca as religiões de matriz africana, como o Candomblé,
Umbanda ou outras de manifestação afro-católica, como o Congado, assim
designadas, devido à sua origem, trazida para o Brasil pelos negros vindos do
continente Africano, desde o início da colonização portuguesa.
O Brasil, constitucionalmente, é um país laico (não tem religião oficial), por
isso, todos têm o direito de praticar cultos religiosos e manifestações ideológicas,
políticas e culturais, sem intervenções de caráter repressivo, discriminatório ou
jocoso.
Assim, o Estado tem por obrigação garantir essa efetividade e punir as
violações a esse direito. Não há espaço, em um país democrático, para a prática de
violência e de discriminações por motivação religiosa, e que, lamentavelmente,
ainda ocorrem.11

5.2.4 Diferença entre grupos vulneráveis e minorias


Os "Grupos Vulneráveis” são pessoas que podem fazer parte de uma
minoria étnica, mas, dentro dessa minoria, têm uma característica que as difere das
demais e as torna parte de um outro grupo. Por exemplo, uma pessoa que faz parte
de um pequeno grupo islâmico, num país católico, e é também portadora de

Segundo o Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades, em parceria com o


SESC-SP, INTECAB - Instituto Nacional da Tradição e Cultura Afro-brasileira.
deficiência física, pertence a uma minoria religiosa (islã) e integra um grupo
vulnerável por ser deficiente física.
A diferença básica é que as minorias limitam-se aos aspectos étnicos,
linguísticos e religiosos, enquanto os grupos vulneráveis estão relacionados com
características especiais como tenra idade, gênero, idade avançada, orientação
sexual e deficiência física ou sofrimento mental.
( - SEPARATA DO BGPM N° 01, de 04 de janeiro de 2011 - ) Página: ( - 33 - )

5.2.5 Vítima da criminalidade e abuso de poder


Atualmente, a legislação voltada para as vítimas da criminalidade é escassa
e de pouca repercussão. O único instrumento internacional sobre a matéria é a
Declaração das Nações Unidas sobre os Princípios Fundamentais de Justiça
Relativos às Vítimas da Criminalidade e do Abuso do Poder, conhecida também
como Declaração das Vítimas. Este documento fornece orientações aos Estados
Membros no tocante à proteção e reparação às vítimas. Como a Declaração não é
um tratado, os Estados não têm obrigatoriedade legal em relação a ela, porém
alguns poucos dispositivos da Declaração das Vítimas geram obrigações legais
como, por exemplo, o direito à indenização às vítimas de captura ou detenção ilegal
(PIDCP, art. 14.6) e o direito de indenização justa e adequada às vítimas de tortura
(Convenção contra a Tortura, art.14.1)
Dentro deste contexto, e, de acordo com a Declaração das Vítimas, no seu
artigo 1°, entende-se por vítimas de crimes:
[...] as pessoas que, individual ou coletivamente, tenham sofrido danos,
nomeadamente a sua integridade física ou mental, ou sofrimento de ordem
emocional, ou perda material, ou grave atentado a seus direitos fundamentais,
como consequência de atos ou omissões que violem as leis penais em vigor
em um Estado Membro, incluindo as que proíbem o abuso do poder.[...]

As vítimas do abuso de poder, à luz da Declaração das Vítimas no seu


artigo 18, são assim conceituadas:
[...] entendem-se por "vítimas" as pessoas que, individual ou coletivamente,
tenham sofrido prejuízos, nomeadamente um atentado à sua integridade
física ou mental, um sofrimento de ordem moral, uma perda material, ou um
grave atentado aos seus direitos fundamentais, como consequência de atos
ou de omissões que, não constituindo ainda uma violação da legislação penal
nacional, representam violações das normas internacionalmente
reconhecidas em matéria de direitos do homem. [...]
No âmbito estadual, a legislação preocupou-se em proteger as vítimas do
crime, porém a nomenclatura utilizada trata das vítimas da violência conforme aduz
a Lei Estadual n°. 13188 de 21 de janeiro de 1999, que traz a definição de vítima da
violência:
[...] Art. 2° - Para os efeitos desta Lei entende-se por vítima de violência:
I - a pessoa que tenha sofrido dano em consequência de crime tipificado na
legislação penal vigente;
II - o cônjuge e o dependente da vítima;

III - a pessoa que tenha sofrido dano ao intervir em socorro de outrem em


situação de perigo atual ou iminente;
IV - a testemunha que sofrer ameaça por haver presenciado ou
indiretamente tomado conhecimento de ato criminoso, ou por deter
informação necessária à investigação e à apuração dos fatos.
Nota-se que a referida ei não trata dos casos de abuso de poder, mas
também não podemos ignorar que existe, tanto na legislação nacional quanto na
estadual, uma gama de instrumentos normativos que tratam da matéria, daí a
necessidade de uma norma que busca proteger os direitos das vítimas do crime.
As disposições que tratam dos direitos da vítima da criminalidade previstas
na Declaração das Vítimas estabelecem os seguintes direitos:
( - SEPARATA DO BGPM N° 01, de 04 de janeiro de 2011 - ) Página: ( - 34 - )

- acesso à justiça e tratamento equitativo;


- obrigação de restituição e reparação;
-Indenização;
- serviços.
No âmbito estadual, na Lei n° 13.188/99, os direitos das vítimas buscam
medidas de proteção, auxílio e assistência. Reparação de danos físicos e materiais,
acompanhamento de diligências policiais ou judiciais, no caso de crimes violentos,
plano de auxílio e de manutenção econômica para vítimas, testemunhas e seus
familiares sob ameaça, transporte, acompanhamento psicológico, dentre outros,
visam minimizar os danos sofridos pelas vítimas.

5.3 Eixo 3: Política Interna de Direitos Humanos


5.3.1 Contextualização
A valorização do policial é fundamental para o sucesso da Instituição, por ser
ele o seu maior patrimônio. Para que o trabalho desse profissional produza os
melhores resultados possíveis, é preciso que ele seja capacitado, que haja controle
sobre as pressões a que é submetido, que ele seja motivado e, acima de tudo,
tenha os seus direitos respeitados.
O policial deve estar ciente de que também é possuidor de Direitos Humanos
e, além disso, é um cidadão muito especial, pois além de exigir que sua dignidade e
seus direitos sejam respeitados, tem a nobre missão de ser um agente de
promoção dos Direitos Humanos na comunidade. Sua atuação profissional faz com
que a lei seja aplicada e os direitos de todas as pessoas sejam respeitados,
independente de cor, raça, sexo, classe social, enfim, sem qualquer tipo de
discriminação.
O Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3) da Secretaria Especial
dos Direitos Humanos da Presidência da República referencia que a
desvalorização profissional dos policiais, dentre outras condições, proporciona o
mau funcionamento de uma instituição policial. Esse programa propõe, como um
dos objetivos, a criação de programas de atendimento psicossocial para o policial e
sua família, a obrigatoriedade de avaliações periódicas da saúde física e mental
dos profissionais de polícia e a implementação de programas de seguro de vida e
de saúde, de aquisição da casa própria e de estímulo à educação formal e à
profissionalização. Propõe, ainda, apoiar estudos e programas para a redução da
letalidade em ações envolvendo policiais.
Atualmente, pode-se dizer que a PMMG está à frente dos tempos, pois, como
citado no parágrafo anterior, a corporação tem desenvolvido programas e ações
para a valorização de seu profissional.
No Plano Estratégico 2009/2011, os valores definidos para a PMMG são
respeito aos direitos fundamentais e Valorização das pessoas, que inclui os
deveres que temos em relação a quem serve na PMMG e a quem servimos: o
cidadão e a sociedade.
A PMMG se esforça para dar aos seus servidores condições (estabilidade,
( - SEPARATA DO BGPM N° 01, de 04 de janeiro de 2011 - ) Página: ( - 35 - )

benefícios, saúde, recursos, formação, capacitação) para que expressem o seu


potencial de inteligência e as suas capacidades na garantia dos direitos
fundamentais das pessoas. Tais valores são norteadores permanentes das ações
com foco na preservação da vida e da dignidade, observância aos Direitos
Humanos e às liberdades, dentro dos ditames instituídos na Constituição Federal.

5.3.2 Direitos do policial militar


Além dos direitos e garantias fundamentais previstos na Constituição Federal
de 1988, o policial militar é possuidor de direitos previstos na Lei Estadual n° 5.301,
de 1969, que contém o Estatuto dos Militares do Estado de Minas Gerais (EMEMG)
e traz em seu contexto os direitos, prerrogativas, deveres e responsabilidades dos
militares do Estado, nos termos do art. 39 da Constituição do Estado. São
considerados direitos dos militares:
I - exercício da função correspondente ao posto ou graduação, ressalvados
os casos legais de afastamento;
II - percepção de soldo e vantagens, na forma do EMEMG e demais leis em
vigor;
III - transferência para a reserva ou reforma, com proventos, na forma do
EMEMG;
IV - julgamento em foro especial, nos delitos militares;
V - dispensa de serviço, férias, licença e recompensa, nas condições
previstas no EMEMG;
VI - demissão voluntária e baixa do serviço ativo, de acordo com as normas
legais;
VII - transporte, quando movimento, para si e sua família, nos termos do
EMEMG e artigos 26 e 29 da Lei Delegada 37;
VIII - porte de arma, nos termos da legislação específica;
IX - prorrogação por sessenta dias da licença-maternidade prevista no
inciso XVIII do caput do Art. 7°. Da Constituição da República, concedida a
militar.

A lei complementar estadual n° 109, de 22 de dezembro de 2009,


acrescentou, dentro outros, os seguintes direitos:
1) jornada de trabalho reduzida , vinte horas semanais, para o militar
responsável por cuidar de pessoas com necessidades especiais;
2) 25 dias úteis de férias anuais para os policiais militares;
3) aumento da licença maternidade para as mulheres
policiais militares;
4) aposentadoria especial para as mulheres (25 anos de serviço).

5.3.3 Programas e benefícios existentes na corporação voltados para o policial militar


( - SEPARATA DO BGPM N° 01, de 04 de janeiro de 2011 - ) Página: ( - 36 - )

5.3.3.1 Programa de Prevenção e Cessação ao Tabagismo


Regulamentado através da Instrução de Saúde N° 05/08, de 30Jul08 ,
considerando que o tabagismo envolve uma interação complexa,
influenciada por fatores e há necessidade de conscientizar os militares e
seus dependentes dos malefícios do tabagismo.

5.3.3.2 Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional da Tropa


Regulamentado através da Resolução N.° 3899/06, de 14Dez06, com o
intuito de promover e preservar a saúde dos policiais militares da ativa da
Corporação. O programa compreende a identificação e o controle de riscos
relacionados à execução das atividades policiais-militares, a realização de
exames médicos periódicos, objetivando a identificação precoce de
possíveis agravos à saúde, bem como a adoção de medidas técnicas e
administrativas que impeçam a progressão de alterações já identificadas e/ou
possibilitem a reabilitação profissional do policial militar.

5.3.3.3 Programa de Prevenção, Atendimento, Tratamento e Reintegração do


Alcoolista
Regulamentado através da Resolução N° 3.599, de 20jun01, que cria o
Centro de Referência do Alcoolista (CRA) da Polícia Militar de Minas Gerais
cuja missão envolve planejamento, coordenação e controle das ações
relativas à prevenção, atendimento, tratamento e reintegração do alcoolista
da PMMG. A prestação de assistência médica, psicológica e social aos
pacientes que apresentem problemas com o uso de bebidas alcoólicas e de
outras substâncias psicoativas é estendida aos familiares do policial militar.
5.3.3.4 Programa de Prevenção e Tratamento da Obesidade
Regulamentado através da Instrução de Saúde N° 04/09, de 10Jun09, que
objetiva regulamentar e padronizar as ações de implementação e execução do
Programa de Prevenção e Tratamento da Obesidade na PMMG, considerando que-
a obesidade é considerada atualmente um dos mais graves problemas de saúde
pública.

5.3.3.5 Programa de Preparação para a Reserva


Inserido através da Resolução N° 3842, de 31Jan06, o programa tem como
finalidade despertar e estimular o militar para a necessidade de elaborar um projeto
para a nova etapa da vida, através de abordagens variadas que contemplem
aspectos médicos preventivos, nutrição, atividades físicas, fatores psicológicos,
contextos sociais e legais, perspectivas econômicas, relacionamento familiar e
outras informações práticas.

5.3.3.6 Promorar Militar


Criado através da Lei Estadual N° 17.949, de 22Dez08, do Fundo de Apoio
( - SEPARATA DO BGPM N° 01, de 04 de janeiro de 2011 - ) Página: ( - 37 - )

Habitacional (Promorar Militar), destinado ao público da PMMG, CBMMG (ativos e


inativos) e pensionistas do IPSM, para aquisição de casa própria, com
regulamentação pelo Decreto Estadual N° 45.078, de 02 de abril de 2009. O
Promorar Militar tem como principal objetivo proporcionar, aos segurados do IPSM,
financiamentos destinados à aquisição de imóveis, novos ou usados, em condições
notoriamente mais favoráveis que aquelas praticadas no mercado de crédito
imobiliário.

5.3.3.7 Programa Lares Geraes- Moradia Funcional


É regulamentado pelo Decreto Estadual N° 44.280, de 17 de abril de 2006,
que institui a Permissão Temporária de Uso de Moradia Funcional, em caráter
emergencial e precário, aos policiais militares, policiais civis, bombeiros e agentes
penitenciários que em razão da natureza de suas atividades e do local onde
residam, tenham sua vida ou a de seus familiares em situação de risco, e que não
disponham de recursos que possibilitem a mudança de moradia por meios próprios.

5.3.3.8 Programa de Orientação Financeira e Familiar


Tem como objetivo incentivar o policial militar na cultura do equilíbrio
financeiro pessoal, fornecendo conhecimentos úteis e ferramentas práticas para a
autogestão responsável das finanças da família, promovendo aumento do bem-
estar e da qualidade de vida, e, assim gerando amplo impacto positivo na esfera
familiar e profissional.
5.3.3.9 Programa de Orientação Social
O Programa de Orientação Social é destinado ao policial militar matriculado
em Curso de Formação ou Aperfeiçoamento da Corporação e tem por objetivo
orientar e sensibilizar sobre as causas que podem leva-lo ao enfrentamento de
vulnerabilidades sociais.

5.3.3.10 Indenização Securitária e Auxílio-Invalidez


A Resolução N° 4070, de 30Mar10, dispõe sobre o pagamento de
indenização securitária e de auxílio-invalidez aos militares da Polícia Militar de
Minas Gerais. Os benefícios da indenização securitária e auxílio-invalidez decorrem
das funções que apresentam alto grau de periculosidade, constantes de exposições
a situações de risco ou que ocasionarem distúrbios psíquicos devido às condições
ou à natureza do trabalho do militar estadual. Para fins de auxílio- invalidez, será
beneficiário o militar reformado em virtude de invalidez permanente, considerado
incapaz para o serviço de natureza de policial-militar ou bombeiro- militar, em
consequência de acidente no desempenho de suas funções ou de ato por ele
praticado no cumprimento do dever profissional. O militar, em atividade, vítima de
acidentes em serviço que ocasionem reforma por invalidez, nos termos da lei
previdenciária, receberá do Estado a quantia equivalente a vinte vezes o valor da
remuneração mensal a que fizerem jus na data do acidente, a título de indenização
securitária, e Auxílio-invalidez de valor igual à remuneração de seu posto ou
graduação, incorporado ao seu provento para todos os fins. Em caso de morte, a
( - SEPARATA DO BGPM N° 01, de 04 de janeiro de 2011 - ) Página: ( - 38 - )

indenização securitária será paga aos beneficiários da pensão da vítima.

5.3.3.11 Auxílio Orçamentário-Financeiro


A Instrução de Pessoal N° 193, de 19Abr01, dispõe sobre a concessão de
auxílio orçamentário-financeiro ( auxílios diversos) para os policiais militares da
PMMG que se encontrem em situação de carência financeira, decorrente de uma
circunstância adversa imprevisível que o desestabilize momentaneamente, tais
como enchentes, temporais, incêndios, desabamentos, acidentes, em que fique
caracterizada a necessidade de socorrimento urgente, com repasse financeiro
como único meio para enfrentamento do problema. Objetiva também socorrer os
militares que se encontrarem financeiramente desestabilizados, em razão de
gastos com tratamento de saúde própria e/ou de seus dependentes, em que
tenham ficado descobertas as suas despesas básicas essenciais.

5.3.3.12 Assessoria Jurídica e Assistência Judiciária na Polícia Militar de Minas


Gerais
Regulamentada através da Resolução N.° 3.801, de 15Fev05, que define a
prestação de assessoramento jurídico e de assistência judiciária aos militares.
Considera-se Assessoria Jurídica a atividade desenvolvida pelo Assessor Jurídico
em auxílio aos Comandantes, Diretores e Chefes na solução de assuntos jurídicos
da Administração, e Assistência Judiciária a atividade desenvolvida pelo Assessor
Jurídico na defesa dos direitos e interesses dos militares.

5.3.4 Órgãos Internos e Externos de Promoção dos Direitos Humanos na PMMG


5.3.4.1 Diretoria de Saúde (DS)
Unidade de Direção Intermediária da Polícia Militar , responsável pela
coordenação e controle da rede orgânica de saúde da PMMG (HPM, COdont,
CFarm, GRSau, NAIS e SAS). Possui entre suas funções, a responsabilidade pela
definição de estratégias e diretrizes para a regulamentação, gerenciamento e
avaliação das ações de atenção à saúde no âmbito do Sistema de Assistência à
Saúde (SISAU); a gestão das ações de vigilância e promoção da saúde e de
prevenção de doenças no âmbito do SISAU; a gestão de créditos orçamentários
para atendimento das demandas das Unidades subordinadas à DS e todas as
GRSau/NAIS/SAS; a aplicação dos recursos financeiros necessários ao
desenvolvimento das atividades administrativas da DS; a divulgação de atividades
e trabalhos referentes à atenção, promoção e programas de saúde, monitorar o
nível de satisfação dos beneficiários do SISAU e assessoramento do Comando da
Corporação na busca de soluções para os problemas identificados e informações
gerenciais com o intuito de aprimorar o processo de atendimento à saúde dos
servidores militares e seus dependentes.

5.3.4.2 Diretoria de Educação Escolar e Assistência Social (DEEAS)


A Diretoria de Educação Escolar e Assistência Social é a Unidade de Direção
( - SEPARATA DO BGPM N° 01, de 04 de janeiro de 2011 - ) Página: ( - 39 - )

Intermediária responsável, perante o Comandante-Geral, pelo planejamento,


coordenação, controle e supervisão técnica das atividades especificas de educação
escolar e de assistência social, securitária, judiciária, habitacional, cultural,
desportiva e de lazer da Polícia Militar de Minas Gerais.
A educação escolar tem por finalidade propiciar, prioritariamente, aos
Policiais e Bombeiros Militares, assim como a seus dependentes legais, o acesso e
permanência a uma educação básica de qualidade, aliada a uma disciplina
consciente e interativa.
A assistência social, prestada pela Corporação, objetiva proporcionar aos
militares e a seus dependentes um padrão de vida compatível com suas
necessidades essenciais, de forma a contribuir para a harmonia e a integração do
policial-militar, caracterizando-se pelos benefícios, recursos e auxílios previstos em
regulamento, distribuídos àqueles que, atingidos por determinadas situações de
carência, se vejam impossibilitados de suprir as necessidades básicas por seus
próprios meios.
A Diretoria de Educação Escolar e Assistência Social atua nas seguintes
vertentes:
a) Assistência Social e Securitária no acolhimento dos policiais militares e
seus dependentes legais em situação de vulnerabilidade social (ocorrência de
sinistros e endividamento, entre outras) e na intermediação entre os militares
segurados através do seguro de vida em grupo da PMMG e as seguradoras Itaú e
Minas Brasil, em processos decorrentes de sinistros pessoais (acidentes, invalidez
e morte). Objetiva, ainda, proporcionar aos policiais militares e seus dependentes
legais um padrão de vida compatível com suas necessidades básicas essenciais,
de forma a contribuir para o seu bem-estar social e da sua família. Desenvolve
ainda de forma preventiva os Programas de Orientação Financeira Familiar e
Social;
b) Assistência Judiciária aos militares da PMMG processado no foro criminal
(comum ou militar), por delito praticado em serviço ou decorrente deste, no foro
cível, nas ações de reparação do ato lesivo causado pelos respectivos autores
contra militares, decorrente da atividade policial; além de promover a
responsabilidade penal dos autores de denúncias improcedentes contra integrantes
da Polícia Militar, mediante ação penal própria, em assuntos decorrentes da
atividade policial;
c) promoção das atividades de esporte, cultura e lazer na Corporação:
Concursos de poesia e fotografia, Semana de Artes Cênicas e Musicais e Mostra de
Artes Plásticas da PMMG;
d) assistência na área de Habitação com a missão de participar do
Programa Lares Geraes no gerenciamento das moradias funcionais e
acompanhamento os trabalhos do Fundo de Apoio Habitacional-PROMORAR;
e) organização e atendimento escolar com a missão de difundir as
informações educacionais e assessoramento técnico no que se refere a dados e
informações estatístico-educacionais, avaliações governamentais, processo de
inscrição, seleção e matrícula, documentos de registro dos alunos, gerenciamento
do Sistema de Ensino Assistencial (SIEA) e da distribuição de créditos
orçamentários para os Colégios Tiradentes,bem como a coordenação, elaboração
e acompanhamento de normas pedagógicas que norteiam o desenvolvimento da
( - SEPARATA DO BGPM N° 01, de 04 de janeiro de 2011 - ) Página: ( - 40 - )

ação educacional nas unidades de CTPM, articulando-se com a Secretaria de


Educação e Conselho Estadual de Educação;
f) estabelecimento de convênios com vistas à realização de estágios de
estudantes em Unidades da Polícia Militar ou que objetiva descontos em
mensalidades nos cursos ofertados pelas Instituições de Ensino Superior.

5.3.4.3 IPSM
O IPSM (Instituto de Previdência dos Servidores Militares de Minas Gerais)
possui a finalidade institucional de prestar assistência médica, social e
previdenciária a seus beneficiários, conforme regulamento do Instituto de
Previdência dos Servidores Militares do Estado de Minas Gerais a que se refere o
Decreto n° 43.581, de 11Set2003 e a Lei n° 10366, de 28Dez90.
Através do SISAU, criado por meio de Convênio de Cooperação Mútua entre
o IPSM, a Polícia Militar do Estado de Minas Gerais e o Corpo de Bombeiros Militar
do Estado de Minas Gerais, a assistência à saúde encontra um sistema bem
estruturado, contando, para a efetiva prestação de serviços, com uma vasta
rede orgânica e contratada em todo o Estado, buscando atender a todos os beneficiários
de maneira rápida e eficiente.
Na área previdenciária, podemos citar os seguintes benefícios:
I - para o segurado:
a) assistência à saúde: prestada com a participação do segurado
em seu custeio, compreende os serviços de natureza médica,
hospitalar, odontológica e farmacêutica e a aquisição de aparelhos
de prótese e órtese;
b) auxílio-natalidade devido pelo nascimento de filho de segurado;
c) auxílio-funeral: O Estado assegura o sepultamento condigno ao
militar, o translado do corpo do militar da ativa falecido para a
localidade, no País, solicitada pela família, através de quantitativo
em dinheiro destinado à indenização das despesas com
sepultamento do militar.
II - para o dependente:
a) pensão: por morte do segurado é devida aos seus dependentes
a partir do óbito;
b) pecúlio: por morte do segurado será devido o pecúlio ao seu
dependente regularmente inscrito;
c) assistência à saúde: compreende os serviços de natureza
médica, hospitalar, odontológica e farmacêutica e a aquisição de
aparelhos de prótese e órtese;
d) auxílio-reclusão: devido ao dependente do segurado detento ou
recluso, não albergado e recolhido à prisão, a partir da data em que
se verificar a perda total de sua remuneração.
5.3.4.4 Associação Feminina de Assistência Social - AFAS.
( - SEPARATA DO BGPM N° 01, de 04 de janeiro de 2011 - ) Página: ( - 41 - )

A Polícia Militar de Minas Gerais trabalha, também, em parceria com a AFAS


na promoção social da família policial-militar. A AFAS tem como finalidade atender
às necessidades de policiais militares e funcionários civis da Corporação, através
de auxílios diversos, em caráter emergencial e eventual, depois de já esgotados os
demais recursos oferecidos pela PMMG.
A Entidade faz doações de aparelhos ortopédicos, cadeiras de rodas,
aparelhos de audição, óculos, material escolar, gêneros alimentícios, cobertores,
enxovais para recém-nascidos, passagens de viagem, vale transporte,
medicamentos e outros.
A Ação Feminina de Assistência Social tem como objetivo específico,
regulado pelo seu Estatuto, atuar, na Capital do Estado, como articuladora em
ações que visem à melhoria da qualidade de vida dos militares, civis e seus
familiares, por meio do desenvolvimento de projetos de proteção à família, à
maternidade, à infância, à adolescência e à velhice, assim como aos portadores de
doença física; promover a integração social das famílias desprovidas de recursos,
através da educação para o trabalho e do estímulo ao desenvolvimento das
aptidões artesanais, atividades comunitárias e cursos diversos, em convênio com
outras instituições; auxiliar instituições e projetos sócio-culturais e na área da saúde
na Polícia Militar, bem como para a melhoria da qualidade de vida dos militares,
civis e seus familiares.
A referida Associação desenvolve importantes Programas e Projetos
Sociais, tais como: Projeto Capacitação; Programa 1° Emprego; Projeto de Estágio
Remunerado; Projeto Aprendiz; Projeto de Geração de Trabalho e Renda, em
parceria com o SENAC; Banco de Empregos; Programa de Orientação Financeira
Familiar; Programa de Ações Emergenciais Básicas; Projeto de Inclusão Digital;
Oficinas de Artes e Artesanato e outras atividades. A instituição é modelo no Estado
de Minas Gerais no que se refere ao apoio social e atendimento das demandas de
policias, bombeiros militares e de famílias da comunidade.

5.3.4.5. Fundação Guimarães Rosa - FGR


A Fundação Guimarães Rosa (FGR) é uma entidade sem fins lucrativos
com autonomia administrativa e financeira. Foi instituída pela Ação Feminina de
Assistência Social (AFAS) em 19 de dezembro de 2001, com a missão de contribuir
para a melhoria da Segurança Pública no Estado de Minas Gerais, maximizando os
recursos necessários a uma atuação mais eficaz das instituições Militares
Estaduais.
Constituem objetivos da FGR, mediante apoio ao desenvolvimento
institucional ou de pesquisas, o exercício e estímulo às atividades de segurança
pública, habitação, saúde, educação, capacitação profissional, cultura, lazer, ação
comunitária, assistência social, apoio na administração de recursos humanos e
suporte administrativo.
Podemos citar vários projetos relacionados aos Direitos Humanos realizados
pela Fundação Guimarães Rosa em parceria com a PMMG:
S Programa Artista da Paz: Este é um desdobramento do
Programa "Artistas da Paz: Cidadania e Segurança Também se
Fazem com Música" - Projeto "Despertar do Canto na Terceira
( - SEPARATA DO BGPM N° 01, de 04 de janeiro de 2011 - ) Página: ( - 42 - )

Idade". Seu objetivo primordial é desenvolver estratégias


adequadas à integração do idoso na comunidade. Saber usufruir
todos os momentos de lazer, a interação social e o
desenvolvimento de hobbies e interesses diversos colaboram para
que a mente mantenha-se ativa e saudável. É importante que o
idoso seja respeitado como ser humano que é, com todas as
limitações inerentes a sua idade.
S O Programa "Bom na Escola, Bom de Bola" - Projeto Grêmio
Esportivo Tiradentes, consiste em aulas esportivas para crianças
e adolescentes a fim de inseri-los na interação sócio-comunitária e
estimular a frequência e permanência na escola. Os alunos
desenvolvem duas modalidades esportivas: Futebol de campo
Masculino e Handball Feminino, com o acompanhamento de
voluntários que lhes apresentam as regras do jogo, técnicas,
táticas e treinamento das habilidades. Além disso, há uma reunião
semanal na qual as crianças e adolescentes do projeto participam
de uma apresentação de conteúdos ligados à cidadania, cultura,
saúde e outros temas que possibilitam a discussão para o
desenvolvimento social inclusivo.

5.4 Eixo 4: Integração com Outros Órgãos e Entidades


Neste eixo, devemos entender a atuação da Polícia Militar inserida no
contexto do Estado Democrático de Direito, insculpido a partir da Promulgação da
Magna Carta de 1988, como sendo a instituição responsável por integrar a
sociedade ao Estado, na busca da paz social, principalmente no tocante à redução
do tratamento desigual e acesso das pessoas às políticas públicas de inclusão
social capazes de minimizar ou até mesmo extinguir a violência local.
Devemos ter em mente que os grupos vulneráveis, por sua própria tipologia
específica, devem ter atenção especial na elaboração dos planejamentos locais
bem como na inserção das políticas e metas a serem atingidas em conjunto, na
participação efetiva da construção e fortalecimento da rede de proteção social
existente em cada área de atuação.
Em face do exposto, cada policial militar deve tomar conhecimento dos
diversos órgãos que constituem o aparelho de proteção social do Estado para
assegurar a dignidade da pessoa humana, as liberdades e os direitos fundamentais
contribuindo para a paz social.

5.4.1 Poder judiciário local


O Poder Judiciário é responsável, dentro do Estado Democrático de Direito,
por prestar a jurisdição no país, cabendo a ele dirimir as lides e fazer valer os
direitos positivados. Neste mister, será de grande avanço a celebração de uma
parceria e ter o mencionado órgão como aliado na aplicação dos preceitos de
Direitos Humanos, principalmente nas comarcas que possuam apenas um
magistrado.
( - SEPARATA DO BGPM N° 01, de 04 de janeiro de 2011 - ) Página: ( - 43 - )

5.4.2 Ministério Público


Conforme preconiza o Art. 127 da CF/88, o Ministério Público "é instituição
permanente, essencial à função jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe a defesa da
ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais
indisponíveis ", além de ser o responsável pela fiscalização externa da atividade
policial. Logo, é um grande parceiro na efetivação das ações voltadas à proteção e
repressão à violação dos direitos dos grupos vulneráveis, principalmente no tocante
à efetivação das garantias previstas nas leis ordinárias, como por exemplo às
mulheres vítimas de violência doméstica, às crianças e adolescentes vítimas de
maus tratos, abandono ou qualquer forma de abuso e, ainda, acompanhamento aos
direitos dos idosos.
5.4.3 Ouvidoria de Polícia
Órgão auxiliar do Poder Executivo na fiscalização dos serviços e atividades
da Polícia estadual. Compete à Ouvidoria da Polícia:
I - ouvir qualquer pessoa, diretamente ou por intermédio dos órgãos de
apoio e defesa dos direitos do cidadão, inclusive de policial civil ou militar ou
outro servidor público, reclamação contra irregularidade ou abuso de
autoridade praticados por superior ou agente policial, civil ou militar;
II - receber denúncia de ato considerado arbitrário, desonesto ou
indecoroso, praticado por servidor lotado em órgão de segurança pública;
III - verificar a pertinência da denúncia ou reclamação e propor as medidas
necessárias para saneamento da irregularidade, ilegalidade ou
arbitrariedade comprovada;
IV - propor ao órgão competente a instauração de sindicância, inquérito ou
ação para apurar a responsabilidade administrativa e civil de agente público
e representar ao Ministério Público, no caso de indício ou suspeita de crime;
V - propor ao Secretário de Estado da segurança Pública e ao
Comandante-Geral da Polícia Militar as providências que considerar
necessárias e úteis ao aperfeiçoamento dos serviços prestados à população
pelas Polícias Civil e Militar;
VI - promover pesquisa, palestra ou seminário sobre tema relacionado com
a atividade policial, providenciando a divulgação dos seus resultados;
VII - manter, nas escolas e academias de polícia, em caráter permanente, cursos
sobre democracia, direitos humanos e o papel da polícia.

5.4.4 Conselho Estadual de Defesa dos Direitos Humanos


O Conselho Estadual de Defesa dos Direitos Humanos possui por finalidade
promover a investigações e estudos para a eficácia das normas asseguradoras dos
Direitos Humanos, consagradas na Constituição Federal, na Declaração Americana
dos Direitos e Deveres Fundamentais do Homem e na Declaração Universal dos
Direitos do Homem.

5.4.5 Delegacias de Polícia Civil


( - SEPARATA DO BGPM N° 01, de 04 de janeiro de 2011 - ) Página: ( - 44 - )

A Delegacia de Polícia é a unidade responsável pelo atendimento das


vítimas de infrações penais e apuração das infrações, através de procedimentos
técnico-científicos que objetivam a análise de provas - materiais e objetivas, da
infração penal, para elaboração de inquérito. A parceria com este órgão do sistema
de defesa social é de fundamental importância, particularmente no que diz respeito
ao acolhimento das pessoas incluídas nos grupos vulneráveis que tiverem seus
direitos violados.
5.4.6 Prefeituras Municipais
De acordo com o Art. 30 da CF/88, os municípios gozam de autonomia
política administrativa e orçamentária, sendo, portanto, um grande parceiro
operacional para a implementação de ações e políticas públicas locais voltadas à
filosofia dos Direitos Humanos.

5.4.7 Câmara dos vereadores


Dos instrumentos democráticos, o Poder Legislativo local é o que está mais
acessível à população das cidades e, como neste eixo a premissa maior é a
participação conjunta entre a PMMG e a comunidade, os vereadores serão
parceiros importantes para a disseminação, promoção, efetivação e
acompanhamento do trabalho de Direitos Humanos em todos os níveis daquela
comunidade específica.

5.4.8 Ordem dos Advogados do Brasil


Nos termos do Art. 44 da Lei 8.906/94, a Ordem dos Advogados do Brasil
(OAB,) tem por finalidade defender a Constituição, a ordem jurídica do Estado
Democrático de Direito, os Direitos Humanos,a justiça social, pugnar pela boa
aplicação das leis, pela rápida administração da justiça e pelo aperfeiçoamento da
cultura e das instituições jurídicas, dentre outras.
A OAB torna-se, desta forma, um parceiro importante para a efetivação das
diretrizes previstas nesta norma por ter uma função pragmática no seio da
sociedade brasileira.

5.4.9 Órgãos Oficiais de Defesa dos Direitos Humanos


Por todo o país, existem conselhos, estaduais e municipais, que têm a
função de zelar pelos direitos humanos, como os Centros de Referência do Cidadão
e os Núcleos de Atendimento às Vítimas de Crimes Violentos.

5.4.10Entidades Religiosas, Assistenciais, Conselhos Comunitários de Segurança


Pública e ONGs
Estas entidades estão em contato direto com o cidadão ocal, conhecem suas
necessidades e vulnerabilidades, logo, no presente plano, serão parceiros efetivos.
( - SEPARATA DO BGPM N° 01, de 04 de janeiro de 2011 - ) Página: ( - 45 - )

5.4.11 Universidades, Faculdades e Escolas Superiores


As empresas e organizações responsáveis pelo ensino no Brasil possuem,
em sua estrutura, projetos e mecanismos de relacionamento com a comunidade,
como, por exemplo, o serviço jurídico comunitário como cadeira obrigatória da
graduação do Curso de Direito ou Assistência gratuita local fornecida pelos
Acadêmicos de Terapia Ocupacional, Fisioterapia, entre outros. Logo, acabam
sendo parceiros importantes para a divulgação e implantação da filosofia dos
DDHH e encaixam-se nas linhas de ação deste eixo.
Neste contexto, é imprescindível a parceria da PMMG com essas escolas de
ensino, no intuito de abrir um diálogo permanente entre a comunidade escolar e a
Polícia Militar, para discutir questões relativas à Filosofia de Direitos Humanos.

5.4.12 Órgãos do sistema municipal e estadual de ensino


Órgãos do sistema de Educação que têm como missão apoiar a elaboração
da política educacional do estado e do município, coordenando sua implantação e
avaliando resultados, com vistas a assegurar a excelência na Educação de maneira
a contribuir para formar indivíduos autônomos e habilitados a se desenvolver
profissionalmente e como cidadãos.

6 AÇÕES PARA OS COMANDOS NOS DIVERSOS NÍVEIS


De maneira a tornar efetiva a aplicação desta diretriz nos diversos níveis de
gestão da PMMG, ficam estabelecidas, neste item, as ações que deverão ser
implementadas, coordenadas e supervisionadas pelos respectivos comandos.

6.1 Estado-Maior da Polícia Militar


6.1.1 Estabelecer as diretrizes estratégicas no campo afeto à Filosofia de Direitos
Humanos.
6.1.2 Assegurar recursos orçamentários e financeiros necessários à aquisição de
equipamentos e ao constante aperfeiçoamento dos policiais-militares no que tange
à prática de Direitos Humanos (seminários, cursos, tecnologia menos letal,
equipamentos de autoproteção, entre outros).
6.1.3 Monitorar as atividades afetas à Filosofia de Direitos Humanos de forma a
manter o constante aperfeiçoamento.
6.1.4 Difundir a filosofia de Direitos Humanos, utilizando ferramentas de
comunicação de marketing, para os públicos interno e externo.
6.1.5 Adotar institucionalmente o Método de Tiro Defensivo de Preservação da
Vida (MTDPV), como um módulo do treinamento com arma de fogo.
6.1.6 Implantar no currículo dos cursos de formação a disciplina referente ao
armamento, munição e equipamento menos letal.
6.1.7 Coordenar as atividades constantes nesta Diretriz, em especial as
constantes dos eixos temáticos (item 5).
( - SEPARATA DO BGPM N° 01, de 04 de janeiro de 2011 - ) Página: ( - 46 - )

6. 2 Atribuições dos Elementos Subordinados


6.2.1 Academia de Polícia Militar (APM)
6.2.1.1 Revisar, atualizar e padronizar o material didático da disciplina de Direitos
Humanos dos cursos realizados na PMMG, respeitando as particularidades de cada
um.
6.2.1.2 Promover a transversalização das normas internacionais de Direitos
Humanos com as demais disciplinas dos cursos de formação e educação
continuada, no prazo de no máximo seis meses após a entrada em vigor desta
diretriz.
6.2.1.3 Enviar ao EMPM até o primeiro dia útil do mês de fevereiro de cada
ano as atas finais das atividades de Direitos Humanos (seminário, cursos, entre
outros) realizadas pela Unidade, inclusive às referentes ao curso de atualização à
distância.
6.2.1.3 Coordenar, em conjunto com o EMPM, as atividades constantes do Eixo
Temático 1 ( item 5.1).

6.2.2 Diretoria de Apoio Operacional (DAOp)


6.2.2.1 Assessorar a APM na padronização, revisão e atualização do material
didático, conforme item 6.2.1.1.
6.2.2.2 Planejar, implementar, coordenar, controlar e avaliar o desenvolvimento
das atividades de Direitos Humanos no Estado, pela PMMG, no que se refere aos
eixos temáticos 2 e 4 desta Diretriz (itens 5.2 e 5.4) .
6.2.2.3 Assessorar o Estado-Maior da PMMG nas deliberações sobre a
necessidade de capacitações e definição de vagas, no que se refere às atividades
de Direitos Humanos.
6.2.2.4 Representar a PMMG junto aos Órgãos de Direitos Humanos, de forma a
manter um contínuo alinhamento com as práticas estabelecidas, tanto a nível
internacional como nacional.
6.2.2.5 Assessorar os comandos nos diversos níveis, quanto ao desenvolvimento
das ações contidas nos eixos 2 e 4 desta diretriz.
6.2.3 Corregedoria de Polícia Militar (CPM)
6.2.3.1 Monitorar e controlar a violência policial, especialmente a letalidade de
seres humanos, através da gestão por indicadores.
6.2.3.2 Encaminhar semestralmente, para o EMPM, o índice de letalidade (por
mês) envolvendo policiais militares (PM mortos e feridos e civis mortos e feridos).
6.2.3.3 Coordenar, em conjunto com o EMPM, as atividades constantes do Eixo
Temático 3 (item 5.3) desta Diretriz.

6.2.4 Regiões de Polícia Militar (RPM) e Comando de Policiamento Especializado


(CPE)
6.2.4.1 Planejar, coordenar, controlar e avaliar o desenvolvimento de atividades de
( - SEPARATA DO BGPM N° 01, de 04 de janeiro de 2011 - ) Página: ( - 47 - )

Direitos Humanos pelas UEOp subordinadas, de forma alinhada às diretrizes


estabelecidas pela PMMG.
6.2.4.2 Enviar ao EMPM até o primeiro dia útil do mês de fevereiro de cada ano a
ata final das atividades de Direitos Humanos (seminário, cursos, entre outros)
realizadas pela Unidade.
6.2.4.3 Manter um banco de dados atualizado, por UEOp subordinada, dos
policiais militares que possuem os cursos de Direitos Humanos (Multiplicador e
Promotor de Direitos Humanos, Método de Tiro Defensivo de Preservação da Vida
(MTDPV), Tecnologia Menos Letal, Violência Doméstica, Grupo Especializado no
Atendimento à Criança e Adolescente em Situação de Risco (GEACAR), entre
outros, inclusive os realizados à distância.
6.2.4.4 Encaminhar à DAOp semestralmente, diagnóstico (dados estatísticos por
mês), referente a criminalidade e violência envolvendo os Grupos Vulneráveis
(crianças e adolescentes, mulheres, idosos, pessoas com deficiência, população
LGBTT e população em situação de rua) e Minorias (crimes violentos praticados por
e contra tais grupos e minorias), por natureza e por Batalhão/Cia Ind.
6.2.4.5 Diagnosticar e propor ao EMPM a necessidade de treinamentos afetos à
filosofia de Direitos Humanos.

6.2.5 Unidades de Execução Operacional (UEOp)


6.2.5.1 Planejar e executar, através da assessoria de Direitos Humanos, atividades
de Direitos Humanos, conforme preceitua a Instrução que regula a prevenção ativa
na PMMG, devendo enviar para a Região da Polícia Militar (RPM) tal planejamento.
6.2.5.2 Manter em arquivo próprio biblioteca de Direitos Humanos.
6.2.5.3 Premiar o(s) destaque(s) em Direitos Humanos da Unidade, a cada ano.
6.2.5.4 Manter um banco de dados atualizado dos policiais militares que possuem
os cursos de Direitos Humanos (Multiplicador e Promotor de Direitos Humanos,
Método de Tiro Defensivo de Preservação da Vida (MTDPV), Tecnologia Menos
Letal, Violência Doméstica, Grupo Especializado no Atendimento à Criança e
Adolescente em Situação de Risco (GEACAR), entre outros, inclusive os realizados
à distância.
6.2.5.5 Encaminhar para a RPM ao final de cada ano, a ata final das atividades de
Direitos Humanos realizadas na Unidade.
6.2.6 DAL, DEEAS, DRH, DS e DTS
Coordenar, no que lhe compete, e em conjunto com o EMPM, as atividades
constantes do Eixo Temático 3 desta Diretriz (item 5.3).

6.3 Ações de Âmbito Geral


6.3.1 Os comandos, nos diversos níveis, deverão promover no ambiente de
trabalho os princípios de respeito à dignidade humana, de maneira a garantir a
auto-estima do policial e criar um cultura interna de valorização profissional.
6.2.2 Os programas e projetos de diversas áreas da corporação deverão ser
( - SEPARATA DO BGPM N° 01, de 04 de janeiro de 2011 - ) Página: ( - 48 - )

analisados e ajustados à filosofia de Direitos Humanos contida nesta diretriz e


deverão ser encaminhados à DAOp para análise.
6.2.3 Os comandos, nos diversos níveis, deverão estimular e apoiar a participação
dos policiais militares sob seu comando, em cursos, seminários e eventos que
tenha como objetivo a Educação em Direitos Humanos.
6.3.4 Na localidade onde houver conselhos ou coordenadoria de defesa dos
Direitos Humanos, como Conselho Municipal de Direitos Humanos, Conselho
Municipal dos Direitos da Criança e Adolescente, Conselho Municipal do Idoso,
Conselho ou coordenadoria da Mulher, do Deficiente, entre outros, o comando local
deverá envidar esforços no sentido de fazer participar dos referidos órgãos um
policial militar, professor ou promotor de Direitos Humanos, como representante da
PMMG, a fim de manter um diálogo permanente com a comunidade acerca das
questões sobre Direitos Humanos, devendo relatar à DAOp, Adjuntoria de Direitos
Humanos, todos os aspectos relacionados à atividade policial militar.
6.3.5 É vedada a criação e a utilização de brevês, bottoms, pinturas, cartazes,
banners em viaturas ou em prédios da PMMG, canções, gritos de honra e outras
manifestações que façam apologia à morte, violência ou discriminação, no
ambiente institucional.
6.3.6 Qualquer participação de policiais militares em eventos relacionados à
Filosofia de Direitos Humanos deverá ser encaminhado cópia da designação ou ata
à DAOp.

7 AÇÕES DE DIREITOS HUMANOS


7.1 Ações Eixo 1: Educação
7.1.1 Conteúdos de Direitos Humanos nos cursos de formação e na educação
continuada
7.1.1.1 Os conteúdos da disciplina Direitos Humanos, nos diversos cursos de
formação e educação continuada, deverão ser revisados a cada dois anos, ficando
a cargo da Seção de Direitos Humanos da APM, a coordenação e controle deste
trabalho.
7.1.1.2 O conteúdo de Direitos Humanos para os cursos da educação continuada
focados na atividade operacional, salvo os de multiplicador e promotor de direitos
humanos, terão como conteúdo os eixos desta DPSSP, sendo reservada uma
carga horária mínima de 20 % do total da carga horária do curso.
7.1.1.3 A carga horária da disciplina de Direitos Humanos do Curso Técnico de
Segurança Pública (CTSP) deverá ser no mínimo à prevista no Curso de Promotor
de Direitos Humanos.
7.1.1.4 O material didático da disciplina de Direitos Humanos deverá ser
padronizado, respeitando as particularidades de cada curso. Para tanto, os
supervisores de ensino e/ou coordenadores de curso deverão se reportar à Seção
de Direitos Humanos da APM, responsável por intermediar, coordenar e assessorar
a elaboração e padronização deste material.
7.1.1.5 A APM deverá promover a transversalização das normas internacionais de
Direitos Humanos com as demais disciplinas dos cursos de formação e educação
( - SEPARATA DO BGPM N° 01, de 04 de janeiro de 2011 - ) Página: ( - 49 - )

continuada, no prazo de no máximo seis meses após a entrada em vigor desta


diretriz.

7.1.2 Conduta no Ambiente Escolar


7.1.2.1 É vedada, no ambiente educacional, qualquer demonstração, conduta ou
postura violenta ou discriminatória de qualquer natureza, ou que faça apologia à
violência e à discriminação ainda que de forma subliminar, conforme previsto no
artigo 4° das Diretrizes de Educação da Polícia Militar (DEPM).
7.1.2.2 É vedada qualquer forma de sanção ou correção que implique castigo
físico, conforme previsto no artigo 4°, § 2° das DEPM.

7.1.3 Capacitação Docente


7.1.3.1 Os Centros de execução de ensino e companhias de treinamento deverão
exigir do candidato a professor de Direitos Humanos, em seus diversos cursos, os
certificados de conclusão do Curso de Professor e Atualização de Direitos
Humanos;
7.1.3.2 A supervisão de ensino dos centros e das Cias de Treinamento
supervisionarão a docência no sentido de fazer cumprir as determinações contidas
nesta diretriz, contribuindo para reforçar comportamentos e uniformizar
procedimentos que coadunem com a filosofia institucional.
7.1.3.3 Para a docência das disciplinas de Direitos Humanos, técnica policial, tiro
policial, defesa pessoal e disciplinas que envolvem uso da força, nos cursos de
formação, habilitação e especialização da PMMG, além de possuir curso superior,
será obrigatória, ao docente, ser detentor do curso de Multiplicador de Direitos
Humanos.
7.1.3.4 Os docentes das disciplinas que envolvem uso da força deverão ser
capacitados a realizar a transversalização do conteúdo de sua disciplina com as
normas internacionais de Direitos Humanos.

7.1.4 A tividades Extensionistas


7.1.4.1 A APM deverá fortalecer o desenvolvimento de programas já existentes
como o projeto "Educadores para a Paz”12 e o "Seminário Anual de Direitos
Humanos”, bem como ampliar atividades humanísticas que possam proporcionar a
seus discentes a integração entre a teoria e a prática de Direitos Humanos.
7.1.4.2 As Cias de Ensino e Treinamento deverão envidar esforços no sentido de
implementar atividades extensionistas, com foco no desenvolvimento de
competências humanísticas, encaminhando seu respectivo programa à APM, para
análise e assessoria. Os programas realizados deverão ser aprovados pelo EMPM.

7.2 Ações Eixo 2: Estratégias para Sensibilização do Atendimento aos


Grupos Socialmente Vulneráveis e às Vítimas da Criminalidade e Abuso de
Poder
( - SEPARATA DO BGPM N° 01, de 04 de janeiro de 2011 - ) Página: ( - 50 - )

7.2.1 As técnicas de abordagem policial a pessoas pertencentes aos grupos


socialmente vulneráveis e às vítimas da criminalidade e abuso de poder deverão
ser adequadas conforme os procedimentos definidos no caderno doutrinário 2 -
Tática policial, abordagem a pessoas e tratamento às vítimas.
7.2.2 A sensibilização para atendimento aos grupos socialmente vulneráveis
deverá ser realizada em todos os níveis de comando, devendo sempre que possível
os comandantes e chefes incentivarem e apoiarem ações ligadas ao
reconhecimento e à proteção dos Direitos Humanos, notadamente no que se refere
aos grupos socialmente vulneráveis.
7.2.3 A sensibilização para as ações e atitudes voltadas para as vítimas da
criminalidade e do abuso de poder deverá ser incluída, pela APM, no treinamento
policial básico, com a finalidade de manter o policial atualizado com relação aos
procedimentos a serem adotados.
7.2.4 Durante os cursos de formação, educação continuada e especialização, as
estratégias metodológicas para a sensibilização deverão privilegiar o contato direito
com ONGs, entidades municipais, estaduais e federais, bem como representantes
dos grupos vulneráveis através de visitas in loco, seminários, workshops, dentre
outros. Para tanto, deverá ser realizado um contato prévio, no sentido de conhecer
os propósitos dessas pessoas e entidades. Este cuidado é

Programa desenvolvido pela APM, que consiste em proporcionar ao discente uma vivência
junto às escolas, como docente da temática de Direitos Humanos, utilizando uma metodologia lúdica, que
abarca dinâmicas e jogos vivenciais direcionados a crianças.
importante para evitar manifestações de cunho ideológico ou ofensivo ao público
presente durante a vivência.
7.2.5 Nos currículos dos cursos de formação e da educação continuada, ao se
tratar do tema grupos vulneráveis, este deverá sempre estar relacionado à temática
Direitos Humanos.
7.2.6 A temática grupos vulneráveis deverá ser incluída no treinamento policial
básico com a finalidade de manter o policial atualizado com relação aos
procedimentos a serem adotados no atendimento a esses grupos.
7.2.7 O sistema de educação à distância da Polícia Militar deverá contemplar
cursos sobre a temática.
7.2.8 Recomenda-se, nas estratégias metodológicas, aliar a teoria à prática e, a
partir da sensibilização, direcionar a vivência do tema referente a grupos
socialmente vulneráveis a procedimentos práticos, de forma a desenvolver, no
policial, habilidade procedimental para auxiliar as pessoas. Os termos relativos a
cada grupo também deverão ser explicados e refinados.

7.3 Ações Eixo 3: Política Interna de Direitos Humanos


7.3.1 Os comandos, nos diversos níveis, deverão divulgar os benefícios e
programas de promoção e assistência disponibilizados para o policial militar,
constantes nesta diretriz, no sentido de dar visibilidade e tornar efetivo o
( - SEPARATA DO BGPM N° 01, de 04 de janeiro de 2011 - ) Página: ( - 51 - )

atendimento às demandas internas relativas ao bem-estar e a qualidade de vida da


família policial militar.
7.3.2 Os comandos, nos diversos níveis, deverão promover parcerias no sentido
de ampliar os benefícios e programas institucionais que visem ao bem-estar do
público interno.
7.3.3 A Diretoria de saúde deverá coordenar e/ou realizar estudos sobre a
vitimização primária, secundária e terciária que acomete o Policial Militar,
objetivando diagnosticar e subsidiar ações que visem a aumentar a segurança no
exercício profissional de maneira a reduzir o risco de morte e a incapacidade
laboral.
7.3.4 Os policiais militares acometidos por doença ou deficiência incapacitante
decorrente da atividade laboral ou não deverão ser acompanhados no sentido de
avaliar suas condições emocionais, físicas e econômicas, prestando auxílio naquilo
que for necessário.
7.3.5 A DAL e a DTS deverão manter o controle e a fiscalização da aquisição de
equipamentos de proteção individual, armamento e viaturas adequadas ao
enfrentamento do risco operacional.
7.3.6 Os comandos, nos diversos níveis, deverão manter controle e fiscalização do
uso e aquisição dos equipamentos de proteção individual, armamentos e viaturas
adequados ao enfrentamento do risco operacional.
7.4 Ações Eixo 4: Integração com Outros Órgãos e Entidades
Os comandos em todos os níveis deverão envidar esforços no sentido de
estabelecer relações com os órgãos e entidades constantes nesta diretriz, com o
objetivo de planejar ações conjuntas para a promoção dos Direitos Humanos,
observando as individualidades regionais e as ações abaixo.
7.4.1 Poder judiciário e Ministério Público
a) Buscar sensibilizar os magistrados e o Ministério Público (MP) local para
que sejam parceiros da PMMG nas ações previstas nesta diretriz.
b) Desenvolver projetos locais visando à proteção e acompanhamento aos
grupos vulneráveis existentes na cidade.
c) Criar fóruns de discussão sobre a temática Direitos Humanos
envolvendo, além do magistrado e MP, outros órgãos de promoção e defesa dos
Direitos Humanos, bem como a sociedade civil.

7.4.2 Ouvidoria de Polícia


a) Estabelecer parceria com o referido órgão com o intuito de realizar
pesquisas e monitorar as denúncias que envolvem policiais militares, mormente as
ligadas à violação dos Direitos Humanos, com vistas à agilidade das apurações e
transparência das ações tomadas.
b) Criar espaços de debate e informação para a divulgação das ações da
Ouvidoria de Polícia, sua missão e objetivos de maneira a tornar mais inteligível aos
policiais as atividades desenvolvidas por este órgão.
( - SEPARATA DO BGPM N° 01, de 04 de janeiro de 2011 - ) Página: ( - 52 - )

7.4.3 Conselho Estadual de Defesa dos Direitos Humanos


a) Conhecer as diretrizes do Conselho a fim de estabelecer uma agenda
conjunta de debates acerca dos temas de Direitos Humanos;
b) Divulgar a presente diretriz com vistas a estabelecer uma parceria na
execução de ações efetivas de defesa dos Direitos Humanos.

7.4.4 Delegacias de Polícia Civil


a) Desenvolver linhas de atuações conjuntas, principalmente no tocante ao
acolhimento das pessoas incluídas nos grupos vulneráveis que tiverem seus
direitos violados, buscando minimizar os impactos da violência, reprimindo os
agressores/violadores e mediando conflitos, dentro de cada realidade.
b) Fomentar a criação de uma agenda conjunta de debates acerca dos
temas de Direitos Humanos;
c) Promover capacitações e treinamentos integrados sobre a temática de
Direitos Humanos visando à socialização de conhecimentos.
7.4.5 Prefeituras Municipais e Câmara dos vereadores
a) Estabelecer contato direito com o Prefeito, a fim de apresentar as
diretrizes da organização e desenvolver um programa de sensibilização que
envolva o Poder Executivo local, com vistas a elaboração de uma ação conjunta
para a promoção e defesa dos Direitos Humanos;
b) Conhecer os programas e projetos realizados pelo município acerca da
doutrina de Direitos Humanos;
c) Fomentar uma agenda municipal de debates dos principais temas de
Direitos Humanos.

7.4.6 Ordem dos Advogados do Brasil


a) Conhecer as atividades locais da OAB, divulgando a presente diretriz
com vistas a implementar uma atuação conjunta na defesa dos Direitos Humanos;
b) Fomentar uma agenda conjunta de debates e estudos locais acerca da
proteção, prevenção e repressão à violação dos direitos das pessoas pertencentes
aos grupos vulneráveis.

7.4.7 Entidades Religiosas, Assistenciais, Conselhos Comunitários de Segurança


Pública, ONGs e outros órgãos de Defesa dos Direitos Humanos
a) Promover reuniões de sensibilização com participação das mencionadas
entidades a fim de que adiram aos preceitos do presente plano e se tornem
parceiros da PMMG na defesa dos Direitos Humanos;
b) Estabelecer uma agenda mensal de reuniões conjuntas com o objetivo de
criar e reestruturar metas e avaliar resultados.
( - SEPARATA DO BGPM N° 01, de 04 de janeiro de 2011 - ) Página: ( - 53 - )

7.4.8 Universidades, Faculdades e Escolas Superiores


a) Estreitar as relações com as mencionadas entidades, nas cidades em
que houver, apresentando a presente diretriz, como forma de visibilidade das ações
da PMMG na defesa dos Direitos Humanos, a fim de firmar parceria local para o
desenvolvimento da Educação em Direitos Humanos;
b) Firmar parcerias com as mencionadas instituições visando oportunizar
aos policiais militares capacitação que propicie o desenvolvimento de competências
humanísticas.

7.4.9 Órgãos do sistema municipal e estadual de ensino


Manter parceria com a Secretaria Estadual e Municipal de Educação no
sentido de fomentar, na comunidade escolar, a discussão da temática Direitos
Humanos, utilizando ferramentas pedagógicas de Educação em Direitos
Humanos, como estratégia para a construção de uma cultura de Paz e cidadania
nas escolas.

8 PRESCRIÇÕES DIVERSAS
8.1 Todas os serviços e atividades referentes à doutrina de Direitos Humanos na
Polícia Militar devem ser reportadas ao EMPM, o qual, em trabalho conjunto e
harmônico com a APM e com a DAOp; avaliará quanto à viabilidade institucional e à
exequibilidade operacional.
8.2 Todas as Seções do EMPM envolver-se-ão nas atividades de consolidação
das políticas de Direitos Humanos da Polícia Militar, propondo readequações que
porventura sejam necessárias.
8.3 As grades curriculares dos diversos cursos da Polícia Militar deverão ser
readaptadas, a partir de dezembro de 2010, de forma a contemplar as estratégias
estabelecidas na presente Diretriz.
8.4 Observar-se-á, na condução das diretrizes relativas aos Direitos Humanos,
as recomendações constantes na Diretriz n° 3.02.01/2009, que regula
procedimentos e orientações para a execução com qualidade das operações, e as
normas constantes na Diretriz n° 3.02.02/2009, que estabelece orientações básicas
para as atividades de coordenação e controle.
8.5 As diretrizes estabelecidas na presente norma não devem conflitar com as
demais macroestratégias previstas pela PMMG e, portanto, nas situações
conflituosas, o EMPM dirimirá as dúvidas por intermédio de norma complementar.
8.6 Revogam-se as disposições em contrário, principalmente a DPSSP n°
08/2004.
Publique-se, registre-se e cumpra-se.
( - SEPARATA DO BGPM N° 01, de 04 de janeiro de 2011 - ) Página: ( - 54 - )

QCG em Belo Horizonte, 06 de dezembro de 2010.

(a) RENATO VIEIRA DE SOUZA, CEL PM


Comandante-Geral

Anexo “A” - Aspectos da Legislação Correlatos ao Tema.


Anexo “B” - Conduta Ética e Legal do Policial.
Anexo “C” - Deveres e Funções do Policial.

Distribuição: TODA PMMG.


Anexo “A” (Aspectos da Legislação Correlatos ao Tema) à DPSSP N°
3.01.05/2010-CG

INSTRUMENTOS INTERNACIONAIS DE DIREITOS HUMANOS

1) DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS Artigo I - Todas as


pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotadas de razão e
consciência e devem agir em relação umas às outras com espírito de fraternidade.
Artigo II - Toda pessoa tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades
estabelecidas nesta Declaração, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor,
sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social,
riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição.
Não será tampouco feita qualquer distinção fundada na condição política,
jurídica ou internacional do país ou território a que pertença uma pessoa, quer se
trate de um território independente, sob tutela, sem governo próprio, quer sujeito a
qualquer outra limitação de soberania.
Artigo III - Toda pessoa tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.
Artigo IV - Ninguém será mantido em escravidão ou servidão; a escravidão e o tráfico de
escravos serão proibidos em todas as suas formas.
Artigo V - Ninguém será submetido a tortura, nem a tratamento ou castigo cruel,
desumano ou degradante.
Artigo VII - Todos são iguais perante a lei e têm direito, sem qualquer distinção, a igual
proteção da lei. Todos têm direito a igual proteção contra qualquer discriminação que
viole a presente Declaração e contra qualquer incitamento a tal discriminação.
[...]
Artigo IX - Ninguém será arbitrariamente preso, detido ou exilado.
Artigo XI
S Toda pessoa acusada de um ato delituoso tem o direito de ser presumida
inocente até que a sua culpabilidade tenha sido provada de acordo com a lei, em
( - SEPARATA DO BGPM N° 01, de 04 de janeiro de 2011 - ) Página: ( - 55 - )

julgamento público no qual lhe tenham sido asseguradas todas as garantias


necessárias à sua defesa.
S Ninguém poderá ser culpado por qualquer ação ou omissão que, no momento,
não constituíam delito perante o direito nacional ou internacional. Tampouco
será imposta pena mais forte do que aquela que, no momento da prática, era
aplicável ao ato delituoso.
Artigo XII - Ninguém será sujeito a interferências na sua vida privada, na sua
família, no seu lar ou na sua correspondência, nem a ataques à sua honra e
reputação. Toda pessoa tem direito à proteção da lei contra tais interferências ou
ataques.
[...]
Artigo XIII
S Toda pessoa tem direito à liberdade de locomoção e residência dentro das
fronteiras de cada Estado.
Artigo XVII
a) Toda pessoa tem direito à propriedade, só ou em sociedade com outros.
b) Ninguém será arbitrariamente privado de sua propriedade.
Artigo XVIII - Toda pessoa tem direito à liberdade de pensamento, consciência e
religião; este direito inclui a liberdade de mudar de religião ou crença e a liberdade
de manifestar essa religião ou crença, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pela
observância, isolada ou coletivamente, em público ou em particular.
Artigo XIX - Toda pessoa tem direito à liberdade de opinião e expressão; este
direito inclui a liberdade de, sem interferência, ter opiniões e de procurar, receber e
transmitir informações e idéias por quaisquer meios e independentemente de
fronteiras.
Artigo XX
a) Toda pessoa tem direito à liberdade de reunião e associação pacíficas.
Artigo XXIX
a) Toda pessoa tem deveres para com a comunidade, em que o livre e pleno
desenvolvimento de sua personalidade é possível.
b) No exercício de seus direitos e liberdades, toda pessoa estará sujeita
apenas às limitações determinadas por lei, exclusivamente com o fim de
assegurar o devido reconhecimento e respeito dos direitos e liberdades de
outrem e de satisfazer às justas exigências da moral, da ordem pública e do
bem-estar de uma sociedade democrática.
c) Esses direitos e liberdades não podem, em hipótese alguma, ser exercidos
contrariamente aos propósitos e princípios das Nações Unidas.
( - SEPARATA DO BGPM N° 01, de 04 de janeiro de 2011 - ) Página: ( - 56 - )

DIREITO CONSTITUCIONAL BRASILEIRO E DIREITO INTERNACIONAL


PACTO
INTERNACIONAL DOS
PACTO DIREITOS
DECLARAÇÃO CONVENÇÃO
INTERNACIONAL DOS ECONÔMICOS, SOCIAIS CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA
UNIVERSAL DOS AMERICANA SOBRE OS
DIREITO DIREITOS CIVIS E CULTURAIS FEDERATIVA DO BRASIL
DIREITOS HUMANOS DIREITOS HUMANOS
POLÍTICOS (v. nota 3) (v. nota 5)
(v. nota 1) (v. nota 4)
(v. nota 2)

VIDA Art. 3° Art. 6° * art. 4° * art. 5°, caput

INTEGRIDADE art. 3° e 5° art. 7° * e 10 art. 5° * art. 5°, III


PESSOAL

PROIBIÇÃO DA art. 4° art. 8° (1-2)* art. 6° * art. 1°, II e art. 5°, XLVII
ESCRAVIDÃO

PROTEÇÃO A art. 16 art. 23, 24 e 25 art. 10 art. 17 * e 19* Art. 5°, LXXVI; 6°, 226,
FAMÍLIA E A 227 e 229
CRIANÇA
GARANTIAS art. 10 e 11 art. 14 e 15 * art. 8°, 9° * e 10 Art. 5°, incisos XXXV,
JUDICIAIS
XXXVIII, XXXIX, LIII,
LV, LVII, LXXIV
IGUALDADE art. 7° art. 14 e 26 art. 24 art. 3°, IV e 5°, caput e
PERANTE A LEÃ inciso I

ACESSO AO art. 8° e 10 art. 14 e 26 art. 8.1 e 25 art. 5°, XLI, XXXV


JUDICIÁRIO

LIBERDADE art. 3°, 9° e 11.2 art. 9°, 11 * , 14.6 e art. 7°, 9° e 10 art. 5°, caput, incisos
PESSOAL
15* LXI, LXVII e LXXV
LIBERDADE DE art. 18 art. 18 * e 27 art. 12 * art. 5°, VI e VIII
CONSCIÊNCIA

DIREITO A art. 22 e 25 art. 9° art. 26 art. 3°, I a IV, 4°, IX, 194
SEGURIDADE a 204
SOCIAL
DIREITO A SAÚDE art. 25 art. 12 art. 26 art. 196

DIREITO A art. 25 art. 11 art. 26 art. 7°, IV


MORADIA

DIREITO A art. 26 e 27 art. 13 e 15 art. 26 art. 205


EDUCAÇÃO

AMBIENTE art. 25 art. 12 art. 26 art. 5°, LXXIII, 225,


SAUDÁVEL
170, VI
DIREITO DOS art. 27 art. 231
ÍNDIOS

*) Esses direitos não podem ser derrogados sob nenhuma circunstância, mesmo em estado de
exceção.
( - SEPARATA DO BGPM N° 01, de 04 de janeiro de 2011 - ) Página: ( - 57 - )

DECLARAÇAO PACTO PACTO CONVENÇÃO CONSTITUIÇA


UNIVERSAL DOS INTERNACION INTERNACIONA AMERICANA O DA
DIREITOS AL DOS L DOS DIREITOS SOBRE OS REPÚBLICA
HUMANOS DIREITOS ECONÔMICOS, DIREITOS FEDERATIVA
DIREITO
CIVIS SOCIAIS E HUMANOS DO BRASIL
(v. nota 1) POLÍTICOS CULTURAIS
(v. nota 4) (v. nota 5)
(v. nota 2) (v. nota 3)

LIBERDADE DE
art. 19 art. 19 art 5°, incisos IV,
PENSAMENTO E VII e IX
EXPRESSÃO

art. 19.3 (a) art. 14 art. 5°, inciso V


DIREITO DE RESPOSTA

art. 20 art. 21 art. 15 art. 5°, XVI


LIBERDADE DE REUNIÃO

art. 5°, XXXIV (a)


DIREITO DE PETIÇÃO

art. 20 art. 22 art. 16 art. 5°, incisos


LIBERDADE DE
ASSOCIAÇÃO XVII a
XX
art. 20 e 21 art. 25 art. 23 * art. 1°, § único,
DIREITOS POLÍTICOS 5°, LXXIII, 14, 15
e 37, I
art. 12 art. 17 art. 11 art. 1°, III e 5°, X
DIREITO À HONRA E
DIGNIDADE PESSOAL

art. 9 e 13 art. 12, 13 e 24 3 art. 22 art. 5°, XV e


LIBERDADE DE
LOCOMOÇÃO
LXVIII

INVIOLABILIDADE DO
art. 12 art. 17 art. 11 art. 5°, XI
DOMICÍLIO

INVIOLABILIDADE DE art. 12 art. 17 art. 11 art. 5°, inciso XII


CORRESPONÊNCIA E
COMUNICAÇÃO

PROTEÇÃO DA art. 25.2 art. 24 art. 19 art. 5°, I, 6°, 227,


MATERNIDADE E INFÂNCIA
§ 1°, inciso I
LIBERDADE DE TRABALHO art. 23 art. 6°, 7° e 8° art. 26 art. 5°, XIII, 7° ,
8° e 9°

NOTAS:
1. Adotada e proclamada pela Resolução n° 217 A (III) da Assembléia-Geral das
Nações Unidas, em 10 de dezembro de 1948, e assinada pelo Brasil, em 10 de
dezembro de 1948.
2. Adotado pela Resolução n° 2200-A (XXI) da Assembléia-Geral das Nações
Unidas, em 16 de dezembro de 1966, e ratificada pelo Brasil, em 24 de janeiro de
1992.
3. Adotado pela Resolução n° 2200-A (XXI) da Assembléia-Geral das Nações
Unidas, em 16 de dezembro de 1966, e ratificada pelo Brasil, em 24 de janeiro de
1992.
4. Adotada e aberta à assinatura na Conferência Especializada Interamericana
sobre Direitos Humanos, em San José de la Costa Rica, em 22 de novembro de
1969, e ratificada pelo Brasil, em 25 de setembro de 1992 (Pacto de San José de la
Costa Rica).
5. Promulgada pela Assembléia Nacional Constituinte, em 05 de outubro de 1988.
( - SEPARATA DO BGPM N° 01, de 04 de janeiro de 2011 - ) Página: ( - 58 - )

(a) RENATO VIEIRA DE SOUZA, Coronel PM


Comandante-Geral
Distribuição: a mesma da DPSSP n° 3.01.05/2010-CG
Anexo “B” (CONDUTA ÉTICA E LEGAL DO POLICIAL) à DPSSP N°
3.01.05/2010-CG

CONDUTA ÉTICA E LEGAL DO


POLICIAL 1 INTRODUÇÃO
A Organização Policial existe para zelar pelo cumprimento das leis. Estas
foram instituídas com o objetivo de efetivar a garantia dos Direitos Fundamentais do
ser humano, possibilitando a todos condições básicas de sobrevivência e
convivência harmônica e pacífica, imprescindíveis ao desenvolvimento do homem na
sua vida em sociedade.
A polícia tem a obrigação de obedecer à lei, inclusive às leis promulgadas
para a promoção e proteção dos Direitos Humanos. Agindo assim, o policial estará
não somente cumprindo o seu dever legal, como também respeitando e protegendo
a dignidade da pessoa humana, mesmo que para isso tenha que fazer uso da
coerção e da força, nos casos estritamente necessários e na medida exata.
O uso da força policial não deve ser indiscriminado, pois, ao contrário, pode
abalar as bases da conduta ética e legal do policial, as quais são: a obediência às
leis, o respeito à dignidade humana e a proteção dos Direitos Humanos. A
legalidade, a necessidade e a proporcionalidade devem estar internalizadas no
policial, para que sua ação não colida com os propósitos que deve defender. A
comunicação deve ser a principal e a primeira intervenção do policial.
Através da qualificação ético-profissional, o policial tem como pilar de sua
atuação o respeito à dignidade humana. O policial é um profissional capacitado a:
manter em sigilo as informações de caráter confidencial; manifestar-se
contundentemente contrário à tortura e ao tratamento desumano, cruel ou
degradante; ser cuidadoso para com a saúde das pessoas privadas da liberdade e
que estejam sob sua custódia; e contrapor-se aos atos de corrupção que visem a
difamar o organismo policial e a denegrir a imagem da instituição perante a
sociedade.
Com suas qualidades morais, psíquicas e físicas, além do adequado
treinamento, o policial terá habilidades técnicas para raciocinar e atuar
acertadamente, preservando vidas e cumprindo o seu papel social.
1.1 Policial defensor da dignidade humana
Os Direitos Humanos estão protegidos por leis internacionais e nacionais.
Esses instrumentos interagem com a atividade policial, fornecendo-lhe
direcionamentos para o desenvolvimento de um policiamento ético e legal. As
normas e regulamentos internos da Polícia Militar encontram-se em consonância
com as diretrizes estabelecidas pelos Direitos Humanos e as leis internas e externas,
garantem a efetividade desses direitos, não podendo, jamais, serem descumpridas.
Os Direitos Humanos são fundamentos do respeito à dignidade da pessoa
humana e esses direitos são inalienáveis, ou seja, ninguém pode transferi-los nem
( - SEPARATA DO BGPM N° 01, de 04 de janeiro de 2011 - ) Página: ( - 59 - )

tampouco barganhá-los.
Quando o policial comete qualquer ato contra a dignidade da pessoa humana,
responde por sanções nas esferas administrativa, civil e penal. Individualmente, o
policial é o responsável pelo dano causado, porém, toda a instituição fica maculada
perante a sociedade, refletindo negativamente no trabalho dos demais policiais.
Não basta somente que o policial respeite e proteja a dignidade humana,
mas, também, que mantenha e defenda os Direitos Humanos, que têm as
características da irrenunciabilidade 13 e da imprescritibilidade14, portanto, não são
objeto de desistência, pois ninguém pode renunciar à vida, à liberdade e à dignidade.
São conquistas que não podem retroagir, ou seja, os Direitos Humanos não perdem
seu valor com o passar do tempo, nem podem ser extintos.
A importância da atuação do policial não se restringe somente ao
cumprimento do dever legal, mas também à conduta ética de aplicação da lei, na
construção da paz social e à defesa dos Direitos Humanos de todas as pessoas,
independentemente da nacionalidade, sexo, orientação sexual, raça, credo,
convicção política, religiosa ou filosófica.

2 POLICIAL MANTENEDOR DE SIGILO EM ASSUNTOS CONFIDENCIAIS


Os assuntos de natureza confidencial em poder do policial devem ser
mantidos em sigilo, a menos que, em razão do dever legal ou necessidade de justiça,
exijam atitude contrária.
Pela natureza da atividade, o policial acaba obtendo informações variadas
que podem prejudicar a reputação do acusado, o que torna necessária a devida
cautela com o manuseio de tais informações, para que elas não sejam reveladas
com objetivos diferentes do cumprimento do dever ou da necessidade de justiça.

3 POLICIAL CONTRA A TORTURA E O TRATAMENTO CRUEL,


DESUMANO OU DEGRADANTE
A sociedade reconhece como inteiramente legítimo o uso da força pela
polícia, para manter e defender o direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.
Para tanto, o policial foi investido de autoridade e poderes como o de dar buscas,
deter, capturar e prender.
Quando as pessoas têm sua liberdade cerceada, elas crêem que sua
integridade física será preservada. A mesma sociedade que reconhece a
necessidade do uso da força pelo policial espera que não haja abuso praticado por
ele. As pessoas capturadas, detidas ou presas beneficiam-se de formas específicas
de proteção, com base nos seguintes princípios: 2 3
a) ninguém será submetido à tortura ou a quaisquer outros maus-tratos;
b) todos os presos fazem jus a tratamento humano e respeito à sua inerente
dignidade humana;
c) todas as pessoas são presumidas inocentes, até prova contrária, de
acordo com a lei.

Os Direitos Humanos não podem ser objeto de renúncia.


3
Os Direitos Humanos não sofrem alterações com o decurso do tempo, pois têm caráter eterno.
( - SEPARATA DO BGPM N° 01, de 04 de janeiro de 2011 - ) Página: ( - 60 - )

3.1 Policial inibidor da tortura


Não existe nenhuma situação em que a tortura possa ser infligida legalmente.
Nenhum policial, seja qual for seu posto ou graduação, tem justificativa ou defesa por
ter cometido tortura.
Em alguns casos, pode-se entender como correto e oportuno restringir alguns
direitos individuais em benefício do interesse público mais amplo, para garantir
outros benefícios, tais como a ordem civil e a segurança pública. Mesmo assim,
existem alguns direitos que não são derrogáveis e permanecem protegidos em
qualquer circunstância. Esses direitos variam ligeiramente de acordo com as
disposições de cada tratado, mas incluem sempre:
a) o direito à vida;
b) a proibição da tortura;
c) a proibição da escravidão.
A tortura foi obviamente tornada ilegal pela comunidade internacional e é
definida na Convenção contra a Tortura e Outros Tratamentos e Punições Cruéis,
Desumanos e Degradantes - ONU (1984), como: "forte dor ou sofrimento, seja físico
ou mental, infligidos a uma pessoa por um servidor público, ou através de sua
instigação, com os objetivos de obter, desta ou de outra pessoa, informações ou
confissão, castigando-a por um ato que tenha cometido, ou seja, suspeita de haver
cometido, ou intimidando esta ou outras pessoas”. A responsabilidade pela tortura
inclui os policiais de todos os níveis, que possam ser responsabilizados por não
terem conseguido preveni-la e/ou reprimi-la.
3.2 A responsabilidade do policial contra a tortura
A convenção contra a tortura estipula que uma ordem de um policial na
função de comando não pode ser invocada como justificativa para a tortura.
Tal situação é ratificada no Código de Conduta dos Funcionários
Responsáveis pela Aplicação da Lei, no qual se afirma que "nenhum policial poderá
invocar ordens superiores como justificativa para praticar tortura”.
A obediência a ordens superiores não constituirá defesa eficaz para o policial
que sabia ser ilegal uma ordem para emprego de força ou arma de fogo, causadora
de morte ou sério dano à pessoa, tendo possibilidade razoável de desobedecer a tal
ordem. Tal responsabilidade recai também no superior que emitiu a ordem ilegal.
Os princípios para uso da força e arma de fogo afirmam que "nenhuma
sanção criminal ou disciplinar será imposta àqueles policiais que, seguindo o Código
de Conduta dos Policiais, se recusem a cumprir uma ordem para usar abusivamente
força ou arma de fogo, ou relatem que há esse costume por outros policiais”.
O policial tem enorme proteção para resistir a ordens ilegais que visem à
prática de tortura e outros tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes. É,
portanto, definitivamente proibida ordem de policial que exerce comando sobre os
demais, para autorizar ou incitar outros policiais a realizar execuções extrajudiciais,
sumárias e arbitrárias. Nesse caso, o policial comandado terá o direito e a
obrigação de desafiar tais ordens. Tal procedimento deve ser enfatizado
obrigatoriamente nos ensinamentos dos cursos e treinamentos realizados na
Corporação.
A exigência de conduta policial ética e legal significa que os policiais, como
( - SEPARATA DO BGPM N° 01, de 04 de janeiro de 2011 - ) Página: ( - 61 - )

indivíduos, devem procurar a eficácia, ao mesmo tempo respeitando a lei, a


dignidade humana e os Direitos Humanos.

4 POLICIAL PROTETOR DA SAÚDE DAS PESSOAS PRIVADAS DA


LIBERDADE
O cuidado e a custódia de pessoas capturadas, detidas ou presas, é aspecto
extremamente importante para o policial. Apesar de o tratamento dessas pessoas
estar regulamentado, tanto por leis internacionais quanto por leis nacionais,
continuam a ocorrer abusos.
O tratamento humano das pessoas privadas da liberdade não exige alto grau
de habilidade técnica policial, mas requer o respeito pela dignidade da pessoa
humana e o cumprimento de algumas regras básicas de conduta.
A maneira como uma instituição policial trata as pessoas privadas da
liberdade é um índice do profissionalismo de seus integrantes, dos padrões éticos
que ela é capaz de manter e demonstra até que ponto ela pode ser vista como um
serviço para a comunidade, mais do que como um instrumento de repressão. Esses
fatores, em longo prazo, determinarão a eficácia da instituição policial.

5 POLICIAL INIBIDOR DA CORRUPÇÃO


5.1 Policial inibidor dos atos de corrupção na busca de informações
Nenhuma polícia trabalha com êxito sem o mapeamento de informações por
sua equipe de inteligência. A busca de informações é extremamente importante e
tem de contar com informantes confidenciais, e, às vezes, são os únicos meios pelos
quais alguns criminosos podem ser trazidos perante a Justiça.
A busca de tais informações acarreta sérios perigos à instituição e ao policial,
pelos seguintes motivos:
a) os próprios informantes confidenciais são, muitas vezes, criminosos
estreitamente associados a outros criminosos;
b) as informações são geralmente trocadas por dinheiro ou favores;
c) os entendimentos entre os policiais e os informantes são
necessariamente conduzidos de maneira secreta.
A falta de procedimento policial eficaz sobre as maneiras de lidar com tal
assunto pode acarretar corrupção de policiais e, consequentemente, o desrespeito e
o abuso aos Direitos Humanos.
Dessa forma, é imprescindível a adoção de medidas que visem a:
a) formular política clara para a fundamentação de procedimentos e
orientações, e maximização de benefícios com o recebimento de informações
confidenciais sobre crimes e criminosos;
b) estabelecer procedimentos rígidos e orientações explícitas para os
policiais subordinados entenderem exatamente a forma de conduzir o
relacionamento com informantes confidenciais, e a extensão em que esse
( - SEPARATA DO BGPM N° 01, de 04 de janeiro de 2011 - ) Página: ( - 62 - )

relacionamento é monitorado.
5.2 Policial inibidor da corrupção no desempenho da atividade operacional
No desempenho da construção da paz social, o policial deparar-se-á com
situações em que estará do lado oposto ao do cidadão. Nesse caso, ele será
obrigado a atuar contra aquele que infringir a lei. Para isso, atuará sempre
respaldado pela lei, sem abusos nem arbitrariedades. Quando o policial recorre a
práticas contrárias à lei ou atua além do poder e autoridade concedidos por lei, a
distinção entre o suspeito e o policial já não pode ser feita.
O desenvolvimento de atitudes e comportamentos pessoais pelo policial
fazem com que ele desempenhe sua atividade de forma correta. Cada cidadão
coloca seu bem-estar nas mãos de outros seres humanos, necessitando de garantia
e proteção para fazê-lo com confiança.
Escândalos de corrupção, envolvimento em grande escala com o crime
organizado e outros desvios de conduta relacionados com policiais, abalam
profundamente as fundações da instituição, a qual almeja níveis de ética prontos
para efetivamente erradicar esse tipo de comportamento indesejável.
Vale ressaltar que não é suficiente que o policial saiba que sua ação deve ser
pautada na lei e não na arbitrariedade. A ética pessoal do policial é que decidirá o
tipo de ação a ser tomada em dada situação.
Em razão da natureza do trabalho, o policial estará atuando sempre em
grupo. Trabalhar com colegas em situações difíceis e perigosas, durante grande
parte do dia, pode levar ao surgimento de comportamentos típicos de grupos
caracterizados por padrões subculturais. O policial terá sua ética pessoal
confrontada com a ética de grupo, cabendo a esse indivíduo aceitar ou não a
pressão que lhe foi imposta.
Quando nos consultamos com um médico, psicólogo ou advogado,
acreditamos e esperamos que nossa privacidade seja respeitada e nosso caso seja
tratado confidencialmente. A bem da verdade, confiamos na existência e no respeito
de um código de ética profissional, visto que a natureza da atividade possui um
impacto direto na qualidade de vida dos cidadãos, como também da sociedade com
um todo.

6 O REFELEXO DA VIOLAÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS PELO POLICIAL


A atividade policial é um componente visível da prática do Estado na
construção da paz social. As ações dos policiais não são vistas nem avaliadas pela
sociedade como individuais. Pelo contrário, são vistas como indicador do
comportamento da Instituição Policial como um todo. O policial age sob a autoridade
direta do Estado que lhe conferiu poderes especiais. Por esse motivo, as ações
individuais do Policial, como o abuso de autoridade, o uso excessivo da força, a
corrupção e a tortura, podem ter um efeito devastador na imagem de toda a
Instituição, gerando traumas, que nem sempre o tempo poderá superar.
As decisões e práticas tomadas pelo Policial devem ser vistas e aceitas como
ações e decisões do Estado, que é responsável em prestar contas à sociedade de
seus atos. As práticas do policial militar devem estar fundamentadas no respeito e
obediência às leis do Estado. Consequentemente, o que se espera do Policial é que
( - SEPARATA DO BGPM N° 01, de 04 de janeiro de 2011 - ) Página: ( - 63 - )

ele respeite, proteja e promova os Direitos Humanos de todas as pessoas sem


nenhuma distinção.
O policial militar tem a capacidade individual e coletiva de influenciar a opinião
pública. Quando a ação do policial militar viola os direitos e liberdades dos cidadãos,
a aceitação da autoridade do Estado é questionada e desacreditada. E, sempre que
o violador desses direitos não for responsabilizado, não será somente a credibilidade
do Estado, com respeito às obrigações internacionais em Direitos Humanos, que
estará em risco, mas o próprio conceito e a qualidade dos direitos e liberdades
individuais defendidos pela Instituição Policial.
O ato individualizado do policial na violação dos Direitos Humanos poderá
acarretar em responsabilidades ao Estado Brasileiro perante a Comunidade
Internacional.

(a) RENATO VIEIRA DE SOUZA, Coronel PM


Comandante-Geral

Distribuição: a mesma da DPSSP n° 3.01.05/2010-CG


Anexo “C” (DEVERES E FUNÇÕES DO POLICIAL) à DPSSP N° 3.01.05/2010-CG

DEVERES E FUNÇÕES DO POLICIAL


1 INTRODUÇÃO
Em defesa de uma sociedade que adota, promove e aplica a paz social,
envolvida em aspectos de solidariedade entre as pessoas, na busca contínua de
uma nova consciência sobre o real significado de Direitos Humanos para os
profissionais que trabalham na esfera policial da segurança pública, deve a polícia
pontuar quais sãos seus deveres e sua função, para contribuir para o quadro social
cada vez mais justo.
Dentro da esfera legal da polícia, é necessário conhecer seu exato dever, que
é a obrigação ética e moral de fazer ou deixar de fazer algo, orientada e tutelada por
leis, convenções socioculturais e preceitos deontológicos.
O policial, diante da função que lhe reserva o Estado, tem o dever legal de
respeito e promoção dos Direitos Humanos do cidadão.
Não basta ser teórico em matéria de Direitos Humanos, prioritariamente na
atividade policial. É indispensável ser prático, preocupado sempre em servir e
proteger a sociedade, observados os deveres e a função atribuídos ao policial.
( - SEPARATA DO BGPM N° 01, de 04 de janeiro de 2011 - ) Página: ( - 64 - )

2 PRINCÍPIOS DA AÇÃO POLICIAL


O policial deve ter sempre em mente que sua presença, principalmente de
forma ostensiva, inibe a ocorrência de infração penal. A experiência prática
mostra-nos que o primeiro a chegar ao local da ocorrência é o policial. Assim, é
fundamental sua ação inicial, pois será suporte dos passos seguintes das
investigações. É imprescindível que essa providência inicial seja conduzida de forma
ética e legal.
Durante a fase de rastreamento policial no levantamento de dados, padrões
internacionais e nacionais de Direitos Humanos são de especial relevância.
Para que os princípios éticos sejam acatados em todos os procedimentos
policiais do ciclo completo de polícia, deve haver obediência às leis e respeito aos
Direitos Humanos.
Todas as informações levantadas pelo policial militar devem ser redigidas no
boletim de ocorrência, o qual será útil à polícia judiciária no que tange aos aspectos
investigativos e subsidiará todo o processo desencadeado, até a esfera judiciária de
julgamento e solução.
Deve-se ressaltar, que o serviço policial-militar, competente para o exercício
da polícia ostensiva e preservação da ordem pública, tem atuação eminentemente
preventiva. Uma vez rompida essa ordem, devem ser adotadas medidas que
restaurem os direitos da sociedade e socorram o cidadão. Em casos de delito, a
perseguição criminal deve ser desencadeada imediatamente, com ou sem a
presença da polícia judiciária. Assim, a Polícia Militar não interrompe nem cessa o
cumprimento de seu dever de polícia administrativa em favor de outro órgão, em
busca da defesa e promoção dos direitos e garantias fundamentais da pessoa
humana. A polícia persiste, enquanto durar o estado de flagrância delituosa.
O rastreamento é a primeira ação de resposta a ser dada para localizar o
suspeito, logo após o fato delituoso.
O cidadão capturado terá seus direitos e garantias preservados pelo policial.
Dentro da concepção sistêmica de defesa social, deve-se buscar a
participação de outros órgãos. É prudente que a polícia judiciária esteja ciente da
ocorrência e alongamento da intervenção do policial militar na realização do
rastreamento.
A resposta eficiente e rápida pela polícia contribui para o aumento da
sensação de segurança do cidadão que teve seus direitos desrespeitados. Para o
melhor aproveitamento do aparato policial, deve ser levado em conta o tempo
decorrido entre o fato e o início do atendimento policial.
A guarnição policial, durante sua atuação, deve adotar os cuidados
necessários para não causar, em detrimento de resposta imediata, um mal maior à
integridade física do próprio militar e dos demais cidadãos.
2.1 Presunção de Inocência das Pessoas Capturadas pela Polícia
Toda e qualquer pessoa no ato de sua captura, detenção ou prisão tem
direitos que lhe assistem e devem ser respeitados. Dentre eles, a presunção de
inocência, que é um direito garantido pelo inciso LVII do art. 5° da CF/88: "ninguém
será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória”.
A culpa ou inocência pode ser determinada somente por tribunal constituído de
( - SEPARATA DO BGPM N° 01, de 04 de janeiro de 2011 - ) Página: ( - 65 - )

forma apropriada, após processo conduzido adequadamente, em que o acusado


tenha todas as garantias necessárias à sua defesa. O direito de ser presumida
inocente, até ser considerada culpada, é fundamental para assegurar à pessoa um
julgamento justo.

3 DEVERES DO POLICIAL
O policial, no uso de suas atribuições legais, deve estar atento a cumprir e
fazer cumprir o direito à liberdade e à segurança pessoal do cidadão. Ninguém pode
ter sua liberdade cerceada, salvo pelos motivos previstos em lei e em conformidade
com os procedimentos nela estabelecidos. A pessoa, ao ser capturada, deve ser
prontamente avisada das acusações contra ela.
Para transparência da conduta do policial, é prudente que ele, na execução
dos procedimentos, conte com a presença de testemunhas, a fim de evidenciar a
lisura e a cristalinidade de seus atos.
Nenhuma pessoa é obrigada a constituir prova contra si mesma nem a
confessar a culpa, o que lhe dá o direito a permanecer calada no ato da captura e
posterior detenção, se assim for o caso, sem violência nem tortura, com direito a
tratamento humano, especialmente pelo policial, e a consultar um advogado, mesmo
no local de sua captura, mediante observância das regras mínimas de segurança.
Após ter passado da captura para a detenção, o detido tem direito de avisar
sua família, ou pessoa por ele escolhida, acerca dessa sua situação. Ele pode, para
isso, usar telefone ou qualquer outro meio de comunicação.
Para conhecimento do policial militar, no momento da ratificação da detenção
pela polícia judiciária, alguns direitos devem ser preservados ao detido. Cabe, ao
policial que lida com a comunidade, assegurá-los e comunicá-los ao detido, naquele
momento, como promoção dos Direitos Humanos. A preservação desses direitos
impõe deveres ao policial como agente do Estado. Diante de tal postura profissional,
o policial deve ter em mente que, em nenhum momento, essa conduta não lhe causa
descrédito nem desconforto, no que tange à ameaça de perda de autoridade. Ao
contrário, o próprio detido passa a respeitá-lo, em razão de seu comportamento
ético, motivo da autenticidade e legitimidade da Polícia Militar.
O policial deve saber que a detenção, antes do julgamento, é exceção, ao
invés de regra. As pessoas detidas devem ser mantidas somente em locais
oficialmente reconhecidos e apropriados para detenção, e sua família e
representantes legais devem, sobre isso, receber todas as informações. A detenção
de uma pessoa deve ser confirmada por uma autoridade judicial. Ao detido,
informa-se a razão de sua detenção e qualquer acusação contra ele, e faculta-se-lhe
comunicar-se, reservada e pessoalmente, com seu representante legal.
3.1 Interferência policial na privatividade
Todas as pessoas, independentemente do sexo, orientação sexual 4, raça,

Orientação Sexual é a atração afetiva e/ou sexual que uma pessoa sente pela outra. A orientação
sexual existe num continuum que varia desde a homossexualidade exclusiva até a heterossexualidade
exclusiva, passando pelas diversas formas de bissexualidade. Embora tenhamos a possibilidade de
escolher se vamos demonstrar, ou não, os nossos sentimentos, os psicólogos não consideram que a
orientação sexual seja opção consciente que possa ser modificada por um ato de vontade. CONSELHO
NACIONAL DE COMBATE À DISCRIMINAÇÃO CONTRA GLTB E PROMOÇÃO DA CIDADANIA
( - SEPARATA DO BGPM N° 01, de 04 de janeiro de 2011 - ) Página: ( - 66 - )

cor, língua, idade, crença religiosa e opinião política, devem ter sua honra e
reputação protegidas e preservadas.
Ninguém pode sofrer interferência em sua vida privada, em seu lar, em sua
família, respeitado o rigor do sigilo de correspondência.
Nem mesmo a autoridade pública, exercida pela polícia, pode intervir em tal
privatividade que é garantida às pessoas. O policial só pode interferir nesse direito
em concordância com a lei, e, assim mesmo, em prol dos interesses de segurança
nacional, e segurança pública, para a prevenção da ordem e do crime, proteção da
saúde ou da moral, em favor da coletividade, em busca da paz social.
O policial deve pautar sua conduta por não violar o lar, residência, veículos,
nem outras propriedades, nem interceptar correspondência, mensagens telefônicas
ou outras comunicações, a não ser em cumprimento legítimo do que a lei permite,
como flagrante delito ou execução de mandado judicial.
O fato é que o policial, dentro da postura ética, deve se autopoliciar para o não
cometimento de atos contrários à lei, aos aspectos morais e à honra das pessoas.
3.2 Como lidar com informantes confidenciais
O policial deve ter habilidade individual para lidar com informantes
confidenciais, haja vista o nível de importância que a informação cedida pelo
informante confidencial pode representar para a justiça. A ética, a inteligência
policial, a discrição e a conduta profissional do policial passam a ser os vetores de
tais informações e devem ser adotadas em virtude de poder ser o informante, até
mesmo alguém integrante do crime organizado ou nele envolvido.
É importante lembrar que tais informações podem ser as únicas a contribuir
com a descoberta da veracidade, alcançando a legalidade. O policial deve estar
preparado para lidar com todos os tipos de situação, sem se envolver. Ao contrário,
cometerá atos que contribuirão para a falta de ética e desabonarão sua conduta
como policial. Tal atitude pode ser tal como a troca de favores dos mais diversos
possíveis, a qual, muitas vezes, foge da alçada e competência do policial, até mesmo
porque tal situação ocorre de forma secreta e pode acarretar, inclusive, atos de
corrupção pelo policial que lida diretamente com esse tipo de caso.
Para evitaresse caso, que pode afetar a credibilidade da Instituição, em
decorrência de ações isoladas, alguns procedimentos nesse tipo de
relacionamento devem ser levados em consideração, tais como direcionar para o
mesmo policial os reiterados contatos para melhor acompanhamento, dando-lhe a
responsabilidade de conduzir a troca de informações para o alcance da justiça.
Embora seja uma premissa a ausência de identidade desses informantes, são
necessários para a segurança do próprio policial e consequentemente da
instituição, seus dados em registro oficial, e que estes estejam acessíveis a uma
pessoa específica na estrutura de comando. Tais dados devem ser verdadeiros, até
mesmo para a própria segurança do informante, que deles deve ter
conhecimento.
Não deve ser desprezado pelo policial o fato de o próprio informante ser o
responsável pelo planejamento das informações prestadas. Isso deve ser
cautelosamente monitorado.

HOMOSSEXUAL. Brasília: Ministério da Saúde, 2004.


( - SEPARATA DO BGPM N° 01, de 04 de janeiro de 2011 - ) Página: ( - 67 - )

O relacionamento entre a polícia e informantes transporta-nos à esfera da


corrupção. Isso implica que o controle e a supervisão devem ser tratados com o mais
alto grau de profissionalismo, ética e moralidade, sem deixar que a subcultura policial
permeie tais situações. As políticas internas da Instituição, tratadas com bastante
rigidez e lisura, devem deixar claro ao policial que não é aceitável nenhum tipo de
comportamento que possa contribuir para o mínimo ato de corrupção ou
desonestidade, durante o trato com as informações de caráter confidencial.
A prevenção para não ocorrerem atos contrários aos aspectos legais, éticos e
morais tem de ser clara e constante, inclusive para não contribuir para o desrespeito
aos Direitos Humanos.

4 PROCEDIMENTOS NA INTERVENÇÃO POLICIAL


O policial, ao aproximar-se do local onde sua intervenção é necessária, deve
ter em mente como, de que forma, com que técnica, em que formação tática, entre
outros, os procedimentos indispensáveis a sua segurança e à de sua equipe. Utilizar
cobertas e abrigos durante a aproximação é de vital importância para a vida do
policial. Os primeiros minutos de qualquer fato em que houve a quebra da ordem
pública são o instante em que o profissional deve adotar medidas para minimizar as
causas geradoras do problema. O policial, em local seguro e com técnicas e
formação tática adequadas, poderá utilizar a força mais razoável a aplacar a forma
de agir do suspeito, sem atentar contra sua integridade física e moral.
4.1 Autoidentificação
A autoidentificação deve ser feita de modo que o policial sempre esteja
praticando procedimentos de auto-salvaguarda, autodefesa e autossegurança,
quando se identificar como policial ao cidadão. Demonstrar clareza, falando seu
nome e posto ou graduação, não obscurecerá, em momento algum, sua autoridade
de policial, mas enfatizará sua postura ética e humana. Cabe ao policial saber que
sua identidade profissional deve ser pública diante de sua função revestida pelo
Estado, e não pode confundir-se com sua identidade pessoal, cujos registros não
podem ser expostos aleatória e indiscriminadamente.
4.2 O tratamento respeitoso para com as pessoas
O policial deve tratar as pessoas com respeito e cordialidade. O
discernimento aliado ao tirocínio deve ser inerente ao policial, especialmente para
utilização de técnicas e atitudes, entre as quais a forma de falar, para facilitar o
entendimento e cumprimento de ordens emanadas do policial. Tratar a pessoa pelo
nome demonstra respeito e, automaticamente, possibilita o surgimento de empatia
entre as partes. Essa conduta humana, ética e respeitadora gera reciprocidade.
4.3 Valorização da vida acima de qualquer bem
Em todos os momentos, o bem maior de todas as pessoas é a vida, que deve
ser preservada. Para isso, o policial emprega todos os recursos disponíveis. O direito
à vida tem de ser respeitado e garantido pelo policial. Há momentos em que esse
profissional, dotado de poderes especiais, pode usar a força letal como seu último
recurso. O policial precisa usar meios menos ofensivos para alcançar seu intento,
mas não pode menosprezar o uso da letalidade. A postura ética, a experiência de
vida e o treinamento profissional são imprescindíveis em momentos cruciais da
atuação policial.
( - SEPARATA DO BGPM N° 01, de 04 de janeiro de 2011 - ) Página: ( - 68 - )

A integridade física e moral da pessoa tem de ser respeitada e preservada,


em todas as atitudes do policial, desde a aproximação, até o último ato do
atendimento a uma ocorrência.
4.4 Relacionamento adequado com a imprensa
Preservar as pessoas à veiculação, ou não, de sua imagem é
responsabilidade do policial, quando essas estiverem sob sua custódia. O policial
deve saber que não tem o direito de expor ninguém, independentemente do nível de
seu envolvimento, a vexame ou constrangimento. Exposição da própria imagem, só
se a pessoa o quiser e permitir. O policial tem o dever de assegurar a todos, o direito
de não se exporem à câmera, nem à máquina de fotografia, nem ao assédio ou
interrogatório por repórteres, sem ferir a integridade física ou moral dos profissionais
da imprensa. O policial não pode desrespeitar direitos de pessoas em nenhuma
hipótese, nem em razão do direito de outras. Ele deve oferecer tratamento polido,
ético e profissional a ambas as partes.
4.5 Esclarecimento sobre os motivos de uma abordagem
O policial deve esclarecer seus atos às partes interessadas e envolvidas, e
expor-lhes o porquê da abordagem, como forma de respeitar o direito de saberem o
motivo da intervenção policial e seu possível desdobramento. Desta forma, o policial
está, mais uma vez, criando clima de respeito, cortesia e credibilidade, para
aumentar às pessoas a sensação de segurança, seja no atendimento originado pela
Central de Operações, por solicitantes durante o radiopatrulhamento ou por iniciativa
do próprio policial.

(a) RENATO VIEIRA DE SOUZA, Coronel PM


Comandante-Geral

Distribuição: a mesma da DPSSP n° 3.01.05/2010-CG


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(a) RENATO VIEIRA DE SOUZA, CORONEL PM

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