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1ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – 4º BIMESTRE

Representações gráficas e cartográficas

Conversa Inicial

"A Geografia trabalha com imagens, recorre a diferentes linguagens na busca


de informações e como forma de expressar suas interpretações, hipóteses e
conceitos" (MEC, 1999).

Caro professor (a),

Esta unidade está voltada para as formas de representação do espaço


geográfico e os fenômenos que nele acontecem. É uma parte deste estudo
ligado a um conhecimento amplamente utilizado na Geografia e também por
outras ciências afins que tratem a informação espacial registrando fatos,
fenômenos e processos importantes.
A Geografia trabalha de forma interdisciplinar com diversas áreas do
conhecimento, a fim de, compreender a sociedade humana e sua atuação no
espaço geográfico. Sob este enfoque interdisciplinar, a Cartografia se destaca
com grande contribuição conceitual, epistemológica e técnica nas diferentes
maneiras de registrar a informação espacial. Seja numa primeira etapa, quando
a Geografia limitava-se a descrição da Terra ou a partir do século XIX quando
passou a ter um caráter de análise e interpretação, a Geografia sempre fez
usos dos recursos cartográficos.
O mapa é um importante recurso utilizado pela Geografia desde os seus
primórdios. É o elemento técnico que une o saber cartográfico e a Geografia,
estreitando as relações entre duas áreas de conhecimento com características
diferenciadas segundo suas bases técnicas. A Cartografia, ciência de cunho
cartesiano, voltada para a elaboração da representação plana e parcial (uma
região ou um continente) ou total (o espaço terrestre). A Geografia, por sua
vez, fazendo usos dos mapas para registrar os processos naturais e sociais,
através de uma concepção analítico-interpretativa do espaço geográfico. Tanto
o saber cartográfico quanto o saber geográfico apresentam afinidades diretas
devido ao uso das técnicas de representação do espaço geográfico e seus
fenômenos realizados através de tabelas, gráficos, mapas e cartas.
Entretanto, o correto manuseio dos mapas e cartas requer um conjunto de
conhecimentos teóricos e práticos, de caráter tipicamente interdisciplinar. É um
conhecimento com demandas de habilidades e competências analítico-
interpretativas que precisam ser adquiridas previamente em outras áreas do
saber, especialmente, a matemática. Sendo assim, nesta unidade
serãotratados os conhecimentos básicos sobre a Cartografia e sua importância
para representação do espaço geográfico, como é realizado pela Geografia.

Sobre as Representações Gráficas

Caro professor (a), você concorda que uma imagem vale mais que mil
palavras?
Observe e analise as Figura 1 e 2, logo abaixo.

Figura 1. Composição de tabela e gráfico representativo da população total


nos dez países mais populosos do mundo, para o ano de 2010. Disponível
em: http://atlasescolar.ibge.gov.br/. Acesso: 20 de agosto de 2013.
Figura 2. Distribuição dos casos de dengue nos estados do Brasil,
no ano de 2008. Disponível em: http://atlasescolar.ibge.gov.br/.
Acesso em: 20 de agosto de 2013.

Agora procure pensar um pouco mais baseado nas questões propostas


logo a seguir e responda:
É fácil responder observando a tabela e o gráfico onde se concentram
mais pessoas no mundo?
E verificando o mapa, onde foram registrados os maiores casos de
dengue no território brasileiro, em 2008?
Você percebe o poder das representações gráficas, tabelas, gráficos e
mapas, na comunicação?
Por isso o trabalho escolar precisa considerar que é fundamental que
cada sujeito possa utilizar diferentes linguagens de comunicação para
possibilitar as diversas formas de entender, interpretar, sintetizar e explicar o
mundo real (RANGEL e TARGINO, 1997). Nesta perspectiva, a cartografia
como uma linguagem de comunicação visual - lógica - tem um papel
preponderante no que se refere à compreensão do espaço geográfico. É a
compreensão do mundo real pelo "mundo de papel" e, agora, também, por
meio do mundo digital.
O mapa não é a realidade, é um modelo que nos permite vislumbrar a
realidade de forma sintética. E segundo Lacoste (1988),
“... saber interpretar um mapa é saber agir sobre o terreno, podendo nele
se orientar e até nele interferir".
Saber interpretar um mapa é, portanto, uma questão de cidadania. É
"... pensar na educação do indivíduo habilitado a participar do diálogo de
seu tempo"(RANGEL e TARGINO, 1997).
Ou ainda, como afirma Lacoste (1988, p.38),
"cartas, para quem não aprendeu a lê-las e utilizá-las, sem dúvida, não
têm qualquer sentido, como não teria uma página escrita para quem não
aprendeu a ler".
Poderia se dizer uma leitura de mundo de um indivíduo analfabeto. E uma
leitura de mundo requer um instrumento básico para a compreensão dos
modos de organização do espaço geográfico e
"o mapa é a possibilidade de trazer o mundo até nós" (OLIVEIRA, 1977).
O aprendizado cartográfico propicia uma aproximação com o objeto de
estudo e, se a escola tem a função de proporcionar condições de acesso aos
conhecimentos e habilidades para o exercício da cidadania, à Geografia cabe a
responsabilidade de alfabetizar para leitura de mapas ou educação
cartográfica.
Para Oliveira (1977), representar os fenômenos estudados sempre foi
uma necessidade básica em Geografia e afirma que a sua história está
intimamente correlacionada com a representação espacial. Segundo a autora,
a grande maioria dos geógrafos concorda que o mapa é uma representação
indispensável aos seus trabalhos. Para Oliveira (1977) os geógrafos por muitos
anos abarcaram o estudo dos mapas e frequentemente sugeriram os mapas
como o coração da disciplina de geografia.
Como observa Oliveira (1977), os geógrafos sempre recorreram ao uso
de imagens gráficas para resolver os problemas básicos do estudo do espaço
geográfico, ou seja, “a impossibilidade de percebê-lo em sua totalidade”. Para a
autora, os mapas são considerados modelos, por excelência, para o
desenvolvimento do conhecimento geográfico.
Os mapas sempre estiveram associados à Geografia (MARTINELLI,
1990), pode-se dizer que de todas as ciências ligadas à Cartografia, a
Geografia é uma das mais importantes, na medida em que os fatos e
fenômenos se originam de diversos ramos da Geografia, quer física, humana,
econômica, etc. (OLIVEIRA, 1988).
Seria muito difícil a construção de um mapa econômico sem o
conhecimento da Geografia Econômica, ou a elaboração de um mapa da
distribuição de vegetação, sem o influxo da Fitogeografia. Para Oliveira (1988),
a participação da Geografia na Cartografia não se restringe somente à
elaboração de mapas temáticos. Há, por exemplo, certas formas de relevo e
determinados padrões de drenagem de uma área, que se distinguem
fundamentalmente dos de outras áreas.
Para Oliveira (1977), não resta dúvida de que o homem necessita saber
onde estão localizadas as coisas e onde ocorrem os acontecimentos na
superfície da Terra. A atividade de mapear nasceu como manifestação de uma
utilidade imediata e sob a pressão de necessidades fundamentais, tais como
saber onde estamos e, quais relações espaciais podem estabelecer. A
necessidade de localizar-se e orientar-se se manifestam em termos de defesa,
segurança e movimentação.
Sendo o mapa um instrumento necessário e básico para o homem
estabelecer relação com o mundo e comunicação com outros homens, na vida
moderna lhe é exigido cada vez mais a manipulação de mapas com as mais
variadas informações. Além disso, o geógrafo sempre utilizou o mapa como
instrumento científico e como forma de comunicação gráfica, onde se tem
constituído numa linguagem para expressar espacialmente seu objeto de
estudo. Assim como a linguagem escrita e falada está, indissoluvelmente,
associada à atividade mental, também a linguagem gráfica (mapa) é uma
exteriorização do pensamento humano. Para que esta exteriorização possa ser
compreendida e ser repetida, é preciso que o “fazedor” do mapa utilize técnicas
que diminuam ou permitam medir a sua subjetividade (OLIVEIRA, 1977).
Hoje, estamos vivendo um momento muito rico na difusão do
conhecimento geoespacial. Graças a Internet temos acesso a uma quantidade
enorme de representações espaciais, que já se tornaram parte do nosso
cotidiano, como é o caso do uso dos aplicativos do Google Maps ou Google
Earth.
Os avanços tecnológicos dos últimos 30 anos, não somente no âmbito
das ciências cartográficas, mas também os relacionados à comunicação, como
a World Wide Web (WWW), permitiram a distribuição em massa de
informações geoespaciais.
Independente dos objetivos da distribuição desses dados e informações,
esse novo momento contribui em larga escala para a formação de
desenvolvedores e leitores ou consumidores dainformação espacial
espalhados pelo mundo.
A Cartografia Escolar deve estar relacionada ao ensino de Geografia com
objetivo de atender as necessidades dos educandos em seu cotidiano. Pois
induz o mesmo a perceber o ambiente em que vive, relevando as
características físicas, econômicas, sociais e humanas do ambiente e as suas
transformações. De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais de
Geografia (PCN’s) (MEC,1999), o ensino da Cartografia é importante não
somente para a compreensão do espaço, mas tambémpara transformar os
alunos em leitores críticos.
O mapa é tão velho quanto à história da humanidade e está presente em
todas as sociedades. E a exigência para o entendimento da complexidade da
sociedade moderna é grande e há poucas disciplinas como a cartografia que
respondem a essa demanda, uma vez que “o mapa é um meio de navegação,
de fundamental importância em um mar turbulento de dados e informações de
uma larga gama de tópicos” (Taylor, 1991).
“A cartografia serve em primeiro lugar para fazer a Guerra” (LACOSTE,
1988),mas serve ainda mais para fazer a Paz. A paz depende de muitos
fatores, mas quando conseguimos pensar em conjunto, a resolução dos
problemas que enfrentamos no espaço geográfico, temos sem dúvida muito
mais chances de acertar, afinal bilhões de cabeças pensam melhor do que
centenas.
Vamos fazer um pequeno passeio pela história e aterrissaremos em
pleno século XXI,quando temos uma enormidade de opções de materiais
disponíveis quase que gratuitamente ao nosso alcance, principalmente quando
consideramos o acesso a Internet.
Afinal,

“Gutenberg inventou uma maneira barata e rápida de produzir


material de leitura em grandes quantidades e o mundo mudou; a
eletrônica e a Internet podem fazê-lo de forma gratuita, à
velocidade da luz e em quantidades similares ao número de
estrelas do Universo” (SIMON LOMORAL).

“Antes mesmo da invenção da escrita os homens já criavam mapas para


representar os lugares onde viviam e por onde passavam, e saberpor onde
andava foi uma questão de sobrevivência em tempos inóspitos.Até hoje, as
situações de localização vão da simples necessidade de encontrar uma
farmácia 24 horas ao monitoramento ambiental”.
“Localizar-se está na essência humanaea popularização dos benefícios
do Geoprocessamento passa pelo uso de fermentas simples que causam
grandes impactos na vida cotidiana das pessoas” (REVISTA GEOGRAFIA,
2011).
A Cartografia é a ciência e a arte de expressar graficamente o
conhecimento humano da superfície terrestre, por meio de representações
gráficas. Dentre as principais representações cartográficas destacam-se o
globo, os mapas, as cartas topográficas, as cartas temáticas e as plantas.
As inovações tecnológicas e científicas têm levado a uma revisão do
conceito tradicional de cartografia, que passa a ser vista como a organização,
apresentação, comunicação e utilização de geoinformação em forma gráfica,
digital ou táctil (TAYLOR, 1991).
A comparação dessas duas definições já nos mostra que as coisas
mudaram.
O desenvolvimento da Cartografia, desde épocas bem remotas até hoje,
acompanhou o próprio progresso da civilização.
“Ela deve ter surgido, no seu estágio mais elementar, com as populações
nômades da antigüidade, sob a forma de mapas itinerários. Posteriormente,
com o advento do comércio entre os homens e o consequente aparecimento
dos primeiros exploradores e navegadores, descobrindo novas terras e novas
riquezas e ampliando o horizonte geográfico conhecido, o homem sentiu
necessidade de se localizar sobre a superfície terrestre. Estabeleceu-se,
então, o marco inicial da cartografia como ciência” (OLIVEIRA, 1988).
A evolução da cartografia também foi incrementada pelas guerras, pelas
descobertas científicas, pelo desenvolvimento das artes e ciências, pelos
movimentos históricos que possibilitaram e exigiram, cada vez mais, maior
precisão na representação gráfica da superfície terrestre.
No século XX, a grande revolução na cartografia foi determinada,
principalmente pelo emprego da aerofotogrametria e pela introdução da
eletrônica no instrumental utilizado nos levantamentos.
Atualmente, a cartografia procura atender a demanda em todos os ramos
da atividade humana, tendo como objetivo uma produção em massa no menor
tempo possível e com precisão cada vez maior. Para isso,contam com
tecnologias modernas como o sensoriamento remoto, o GPS (Global
Positioning System), e os SIGs (Sistemas de Informação Geográfica).

Revisitando - A Cartografia e a representação do espaço

A história da representação do espaço por meio de mapas se confunde


com a própria história da humanidade. Não se sabe ao certo quando foi
realizada a primeira representação espacial, ou seja, o primeiro mapeamento
dentro de uma concepção cartográfica propriamente dita. Mas existem
evidências de que o ato de representar o lugar onde se encontravam, eram
práticas já conhecidas por povos da antiguidade.
Um dos primeiros mapas conhecidos foi elaborado na Mesopotâmia,
aproximadamente por volta de 5000 anos a.C. (antes de Cristo). Era uma
representação rudimentar feita numa espécie de tábua de argila mostrando
montanhas, corpos d’água e outras feições geográficas desta região. Datados
desta mesma época, também foram encontrados mapas, de estrutura similar,
referentes ao vale do Rio Eufrates e do Rio Nilo. Os povos fenícios produziram
o que foram reconhecidas como as primeiras cartas náuticas e sondagens
sobre partes litorâneas.
A Terra foi reconhecida como esférica na Grécia antiga, à época de
Aristóteles (384-322 a.C.). Baseados na concepção de que a esfera era a
forma geométrica “perfeita”, na maneira como as embarcações apareciam no
horizonte e pelas evidências da diferença de altura das estrelas em diferentes
lugares, os gregos começaram a deduzir que a superfície terrestre fazia parte
de um corpo redondo. Já por volta de 200 a.C. o sistema de latitude e longitude
era conhecido, bem como, a divisão dos círculos em 360° graus. Destaca-se o
processo de Eratóstenes (276-195 a.C.) que estimou o tamanho da Terra
considerando os domínios técnicos daquela época, por meio da observação
angular do Sol e das estrelas. Observe o processo utilizado por Eratóstenes na
Figura 3.

Figura 3. Representação do processo utilizado por Eratóstenes para


determinar o tamanho da circunferência da Terra.

Eratóstenes utilizou a diferença vertical do Sol ao longo do meridiano que


unia Alexandria e Syene (atual Aswan). Sabendo que a distância entre as duas
cidades era de 5000 estádias (1st = 185m), conseguiu verificar que a diferença
do ângulo nas duas cidades, de 7°12’, equivalia a 1/50 da circunferência
completa da Terra, logo tendo um valor aproximado de 46.250 km. Através
deste método, Eratóstenes estimou a circunferência da Terra com um erro de
15%, ou seja, um valor bem razoável para época. Ele não havia considerado
que as duas cidades não estavam no mesmo meridiano e por isto, poderia ter
acertado a circunferência da Terra com aproximadamente 2% de precisão.
Caro professor (a), caso tenha oportunidade, utilize o vídeo indicado
abaixo junto a seus alunos auxiliando a compreensão do processo utilizado por
Eratóstenes para medir a circunferência da Terra. Acesse o link
http://www.youtube.com/watch?v=YMcE9zDEJNQ e assista, online, ao breve
documentário Cosmos - As Margens do Oceano Cosmico.
Os gregos faziam usos recorrentes dos mapas. Ptolomeu tinha
relacionado 26 mapas em seu tratado intitulado Geografia. Os romanos
também utilizavam mapeamentos de áreas administrativas ocupadas e das
principais vias de circulação, representados nas tábuas de Peutinger.
No período da Idade Média a produção cartográfica pouco foi
desenvolvida. Apenas esboços e croquis foram criados e as melhores
produções de representações do espaço foram confeccionadas pelos povos
árabes. No início da Idade Moderna surgiram as cartas voltadas para atender a
expansão comercial europeia. Os principais portos das rotas comerciais, em
diferentes localidades, foram mapeados com riqueza de detalhes, orientação
(Rosa dos Ventos) e muitos deles artisticamente desenhados, a exemplo das
cartas de Gutemberg, em 1472. Neste período também foi desenvolvido o
primeiro sistema de projeção cartográfica, atribuído a Gerhardt Kremer dit
Mercator (Figura 4).

Figura 4. Planisfério desenhado, por Mercator, para representação da Terra. Denominado


OrbisTerrae Compendiosa Descriptio foi publicado em Genebra em 1587. Fonte: Antiquario
Leen Helmink, disponível em: http://www.helmink.com/. Acesso em: 15 de julho de 2013.
Os sistemas transversos de Mercator foram aperfeiçoados por Gauss e
Küger e aplicados no mapeamento da Alemanha e ainda é muito utilizado até
os dias de hoje.
Durante o século XX, a representação do espaço geográfico passou a
acontecer de forma mais acentuada e desenvolvida. Vários fatores ajudaram a
desenvolver a Cartografia, tais como o aperfeiçoamento da litografia, a
invenção da fotografia em cores o aprimoramento das técnicas estatísticas e a
invenção do avião. A combinação entre fotografia e a aviação foi
preponderante para o desenvolvimento dos mapeamentos de grandes áreas de
forma rápida e precisas, especialmente devido ao advento da fotogrametria. A
Figura 5 demonstra o processo realizado pelo levantamento aerofotogramétrico
para fins de mapeamento.

Figura 5: processo utilizado para levantamento realizado pela aerofotogrametria. (1)


área de recobrimento lateral: cerca de 30% da área fotografada é utilizada para o
mapeamento (I); (2) área de recobrimento da área longitudinal: cerca de 60% da área
fotografada é utilizada para o mapeamento (II). Área total das fotografias aproveitadas.
BOX Fique de olho

Caro professor (a), uma opção interessante para utilizar junto aos alunos
e melhorar as explicações sobre a importância das diferentes formas de
representação do espaço geográfico pelo homem, estão disponíveis nos
recursos online do Atlas do IBGE. Confira os links abaixo:

 Atlas escolar do IBGE: http://atlasescolar.ibge.gov.br/. Disponibiliza um


grande acervo de mapas, tabelas e gráficos que podem ser utilizados
pelo professor e pelos alunos durante as aulas.

 Histórico sobre o desenvolvimento da Cartografia:


http://www.ibge.gov.br/ibgeteen/atlasescolar/apresentacoes/historia.swf.
Um recurso animado está disponível para a visualização online, com
boas explicações sobre diversos fenômenos ocorridos na Terra e sobre
a Cartografia.

BOX Enriquecimento

A Figura 6 é uma linha do tempo representando os principais


acontecimentos ocorridos durante o século XX que, de alguma forma,
influenciaram na elaboração de mapas e representações gráficas do espaço
geográfico. Destaque para o surgimento dos computadores que permitiram a
elaboração de mapas, tabelas e gráficos de forma mais rápida, dando uma
grande versatilidade ao trabalho dos cartógrafos e geógrafos. Após o avanço
dos sistemas de informações, a tecnologia da geoinformação passou a estar
cada vez mais presente nos trabalhos destes profissionais, acima citados.
Figura 6. Representação dos principais fatos e desenvolvimentos tecnológicos que
alavancaram o trabalho de cartógrafos e geógrafos, ao longo do século XX.

Mas por que a Cartografia é importante na Escola?

A cartografia proporciona maior aproximação com o objeto de estudo e


fornece a oportunidade de acesso ao conhecimento espacial para o exercício
da cidadania.
O que significa o mapa para mim?
Para a Profª. Lívia de Oliveira “O Mapa é a chance de trazer o mundo até
nós” (OLIVEIRA, 1977).
Para Yves Lacoste “Saber interpretar um mapa é saber agir sobre o
terreno, podendo nele se orientar e até nele interferir” (LACOSTE, 1988).
Já Milton Santos afirma que “um cidadão é aquele que conhecebem o
espaço no qual está inserido. Conhecendo não só o espaço geométrico, mas
também a organização social, política, econômicaé que podemos ter um
mínimo de conhecimento para criticá-lo e poder assim, ter voz para influir nas
lutas políticas" (SANTOS, 2007).

Cartografia social

Milton Santos dizia que é no espaço em que estão inseridas todas as


formas de reprodução social e o conhecimento do homem sobre uma infinidade
defenômenos. Podemos levar em consideração que o conhecimento do espaço
é fundamental ao exercício pleno de todos os direitos de um cidadão. Logo,
faz-se necessário um esforço para levantar a discussão do papel do
conhecimento geoespacial na formação de nossa sociedade, e de uma
possível emancipação social que busque solucionar os problemas pertencentes
à realidade que aflige o nosso país.
A cartografia social utiliza imagens ou representações da vida cotidiana
das pessoas, que começam a identificar e representar os elementos e
asrelações que caracterizam seu território, e depois ter uma melhor
compreensão dos problemas e de potenciais conflitos, riscos, ameaças, pontos
fortes e oportunidades. A cartografia social é uma representação alternativa de
espaço, uma oportunidade de internalizar os elementos do território, em que
todos os membros de um grupo ou comunidade, são participantes ativos no
desenvolvimento múltiplos mapas.

BOX enriquecimento

Nova Cartografia Social da Amazônia

O Projeto denominado “Nova Cartografia Social da Amazônia” vem sendo


desenvolvido na região, desde 2005, objetivando mapear e identificar grupos
sociais pouco conhecidos, dando-lhes visibilidade, no que diz respeito a sua
história, conflitos, reivindicações, etc.
Elaborado e coordenado pelo Antropólogo e Professor Dr. Alfredo Wagner
Berno de Almeida, teve início junto à organização de Mulheres Quebradeiras
de Coco Babaçu, do Maranhão, e aos poucos foi se expandindo para outras
comunidades ribeirinhas do Estado do Amazonas. O Projeto combina técnicas
de mapeamento com atividades participativas, em reuniões para discutir temas
sobre a realidade local, cria condições para que cada comunidade tradicional
possa se auto-cartografar e leva em conta o que de fato é essencial e relevante
para elas.
Como produtos dessas experiências, foram publicados mapas, livros e
fascículos, que constituem um registro desses grupos sociais e contribuem
para orientar a elaboração de políticas públicas para a Região.
Experimente fazer uma rápida visita com seus alunos ao site
http://www.novacartografiasocial.com e conhecer um pouco deste trabalho,
como representado na Figura 7.

Figura 7. Pescadores e extrativistas das Ilhas ao Sul de Belém.


Fonte: Nova Cartografia Social da Amazônia.

Cartografia e Informática

No caso da Cartografia, o computador não é apenas uma ferramenta para


acelerar a criação de mapas de papel, ele representa um meio diferente de
visualizar e interagir com mapas, a tecnologia está facilitando se repensar
como os mapas são apresentados.
As Geotecnologias, como os Sistemas de Informação Geográfica (SIG),
Sistema de pocisionamento Global (GPS), e técnicas de sensoriamento
remoto, não são em si mesmas a solução para os problemas sociais, mas as
informações que elas podem mobilizar incentivam novas formas de
conhecimento e ações e sua inclusão proporciona impactos positivos nas
práticas de ensino da escola, inclusive em favor da cidadania, tendo em vista a
grande quantidade de dados disponíveis com acesso gratuito na web.
O computador possibilita a aprendizagem na medida em que motiva os
alunos a utilizar procedimentos de pesquisa de dados, permite experimentar
diferentes variáveis para situações do mundo real, a partir da manipulação de
parâmetros, oferece recursos para a construção de representações espaciais -
comandos que auxiliam no estabelecimento de relações de proporção,
distância, orientação, aspectos fundamentais para a compreensão e uso da
linguagem gráfica (MEC, 1999).
No contexto das interações sociais mediadas pela cartografia e novas
tecnologias, como o SIG, há necessidade da transferência mais facilmente
compreensível de conceitos para diferentes usuários potenciais, a fim de
incentivar a participação, a tomada de decisões e a formulação de estudos e
planos.
Isso atende a cartografia social!
A Cartografia Social, incluindo SIG pode servir como um suporte para os
processos de interação sociais e participativos de ação dos agentes sociais em
seu caminho para uma reversão gradual da alienação social ou falta de
informação, particularmente para os processos de desigualdade política e
social e segregação espacial.
Instigar o pensamento espacial cria rotas de raciocínio lógico para
entender os problemas a partir do espaço onde estão inseridos, no contexto da
região, das características locais, enfim introspectar e viver as questões do
espaço onde se vive. Participar dar sugestões encontrar soluções enfim SER
CIDADÃO ou como Julião (1999) se refere Geocidadão.
O conceito de Informação Geográfica não se limita à informação
cartográfica; ele deverá ser entendido num sentido lato que engloba todo o tipo
de dados diretamente materializáveis sobre as representações cartográficas e
susceptíveis de análise espacial. Ou seja, engloba todo o tipo de informação
cartográfica, mais a informação de índole quantitativa e/ou qualitativa
georeferenciável, representando cerca de 80 a 90% do universo da informação
existente. Poder-se-á assim dizer que a Sociedade da Informação é, na
realidade, uma Sociedade de Informação Geográfica ou Georeferenciável
(JULIÃO, 1999).

BOX Atenção

Segundo Wolfmann (1994) apud Castro e Magalhães (1997), as


estatísticas revelam que as pessoas lembram-se de 15% do que escutam, 25%
do que vêem e 60% daquilo com o que interagem. Logo as atividades são
fundamentais no aprendizado.

Sugestão: para acessar atividades com o uso do SIG Eduspring (SIG para
Educação) Visite o site do projeto GEODEN (Geotecnologias Digitais no
Ensino) em www.uff.be/geoden (DI MAIO, 2004) e veja o GEODEM (Ensino
Médio), O GEODEF (Ensino Fundamental), O GEOIDEA (Geotecnologia como
Instrumento de inclusão digital e educação ambiental) e o RISO (Rede de
Informações solidárias para o Rio de Janeiro).

Revisitando - As propriedades básicas para compreensão do mapa.

O mapa é a representação simbólica de um espaço real, que utiliza de


uma linguagem semiótica complexa: signos, projeções e escalas (PASSINI
1994, p.23).
Entender um mapa não é apenas saber se localizar geograficamente, a
partir das coordenadas,um rio, uma cidade, uma estrada ou qualquer outro
fenômeno em um mapa. É compreender que o mapa é a representação de um
espaço real, um modelo, transmitido em linguagem cartográfica que se utiliza
de 3 elementos básicos: sistema de signos,redução e projeção. Entender
mapas, portanto, significa dominar essa linguagem cartográfica. É entender o
espaço em uma representação bidimensional.
O mapa mostra: Onde? O que? Em que ordem? Em que proporção?
A cartografia divide-se basicamente em dois ramos principais: o temático
e o topográfico.
O ramo topográfico trata os detalhes planialtimétricos, que incluem
aspectos naturais e artificiais de uma área tomada de uma superfície
planetária, possibilitando a determinação de altitudes através de curvas de
nível, a avaliação precisa de direções e distâncias, e a localização de detalhes,
com grau de precisão compatível com a escala. Produto: carta topográfica.
O ramo temático trata da espacialização de diferentes temas das
diferentes áreas do conhecimento, tendo como base o ramo topográfico. O
produto gerado é a carta temática ou o mapa temático.

1- Localização geográfica: coordenadas geográficas

Para que cada ponto da superfície terrestre possa ser localizado, existe
um sistema de linhas imaginárias ao redor do globo, essas linhas são
representadas nas cartas pelos meridianos e paralelos. Cada ponto na
superfície é dado em termos de sua Latitude e Longitude constituindo essas as
coordenadas geográficas.
As coordenadas geográficas baseiam-se em 2 linhas: o Equador e o
Meridiano de Greenwich.

 Latitude: é o ângulo de arco norte-sul em relação ao Equador, ou seja, é


o arco contado sobre o meridiano do lugar e que vai do Equador até o
local considerado. Varia de 0o a 90o, sendo convencionado + para Norte
e – para o Sul.
 Longitude: é o ângulo de arco leste-oeste do Meridiano Principal, ou
seja, é o arco contado ao longo do paralelo do ponto, que vai do
Meridiano de Greenwich até o meridiano considerado. Varia de 0o a
180o, sendo convencionado (–) para oeste e (+) para leste de
Greenwich.

Possuindo-se os ângulos de latitude e longitude de um local estão


determinadas as coordenadas geográficas do mesmo.
EXEMPLO 1: as coordenadas geográficas do centro da São Gonçalo (RJ) são:

 Lat.: 22º 48´ 30”S ou – 22o 48´30”


 Long.: 43o 03´ 20”W ou – 43o 03´20”

EXEMPLO 2: observe o planisfério abaixo.

Figura 8. Neste exemplo, as coordenadas do local


são 39º de latitude norte e 95º de longitude oeste.
Fonte: Santos M. C. S. R. Manual de Fundamentos
Cartográficos e Diretrizes Gerais para a Elaboração
de Mapas Geológicos, Geomorfológicos e
Geotécnicos. São Paulo. IPT, 1990, p.10.

Box enriquecimento

Visite o site :http://www.fourmilab.ch/cgi-bin/uncgi/Earth?imagesize=1024


e observe a Terra em suas diferentes localidades, use as coordenadas. Veja
também onde é noite e dia no planeta Terra.

Fim do Box.
A Latitude pode nos dizer mais do que uma localização, ela nos indica o
clima da região do ponto de interesse, tal qual podemos ver na Figura 9.

Figura 9. Cada zona climática está delimitada por uma linha de latitude
específica.

Se um amigo me diz que mora próximo a latitude 80º N eu já sei que lá


faz muito frio! E se eu receber um convite para conhecer um lugar próximo a
0o, ou seja, perto do da linha do Equador, já sei que vou sentir calor!
A longitude também pode passar mais informações além da localização,
como por exemplo, os fusos horários. Por exemplo, sabemos que no Rio de
Janeiro agora (longitude 43º) meu relógio está marcando 12 horas a menos
que o relógio do meu amigo lá no Japão (longitude 135º).

Fuso Horário

O fuso horário compreende, por definição, uma faixa situada entre 2


meridianos na qual é conservada a mesma hora. Como o círculo terrestre tem
360º e o movimento de rotação da terra é executado em 24 horas, temos: 360
/ 24 = 15, o que significa que cada hora do globo se acha situada numa faixa
de 15º de amplitude, ou seja, cada fuso horário tem 15º de amplitude no
sentido da longitude.

EXEMPLO: De Londres à Brasília são 3 fusos, assim quando é meio-dia em


Londres são 9 horas em Brasília. Por outro lado, havendo 4 fusos entre
Londres e Teerã, meio-dia em Londres corresponde a 16 horas em Teerã.

A hora legal no Brasil, de acordo com o sistema de fusos, está em vigor


desde 1º de janeiro de 1914. Devido à grande extensão leste-oeste do seu
território, o Brasil hoje possui 3 fusos horários (24/06/08), todos situados a
oeste de Greenwich e, portanto, com horários sempre atrasados em relação a
Londres.
Chamamos a atenção ao fato de que existe uma linha correspondente ao
limite teórico e outra correspondente ao limite prático. Trata-se de um artifício
ou recurso mundialmente utilizado para se obter maior uniformização dos
horários no sentido de evitar que pequenos territórios (países ou estados)
tenham horários diferentes. Observe a Figura 10, logo abaixo.

Figura 10. No mapa pode-se observar que alguns territórios


nacionais e internacionais estão situados num mesmo fuso horário,
no entanto, vemos que o fuso da hora real é burlado para atender
aos decretos e leis que estipulam as horas. Disponível em:
ftp://ftp.ibge.gov.br/Cartas_e_Mapas/Mapas_Tematicos/. Acesso em:
20 de agosto de 2013.
Noções sobre Sistemas de Projeções

A Maior dificuldade em cartografia sempre foitransferir tudo o que existe


na superfície curva que é a terra para uma superfície plana que é o mapa. Isso
porque uma figura esférica não se desdobra em um plano sem que permaneça
na planificação deformações.
Como a esferanão se desenvolve sobre o plano, passou-se a utilizar
superfícies intermediárias, ou auxiliares. O cone, o cilindro e o próprio plano
constituem esses tipos de figuras. Daí as projeções cônicas, cilíndricas e
planas.
A confecção de um mapa exige antes de tudo o estabelecimento de um
método segundo o qual, a cada ponto da Terra corresponda um ponto no mapa
e vice-versa.
Desta forma, Projeção Cartográficaé um arranjo sistemático de linhas, ou
seja, é um “sistema plano de meridianos e paralelos sobre os quais pode ser
traçado um mapa” (ERWIN RAISZ, 1969).
Como esse arranjo pode ser estabelecido segundo diferentes condições,
ou as figuras intermediárias em diferentes posições, cada conjunto de novas
condições resultará em uma projeção diferente, existindo então vários sistemas
de projeção.

Exemplos: projeção plana polar, projeção cilíndrica equatorial,projeção cônica


transversa.

Figura 11. Cada projeção se adéqua melhor a região que se pretende mapear. Disponível em:
http://www.ibge.gov.br/home/geociencias/cartografia/manual_nocoes/representacao.html.
Acesso em: 22 de agosto de 2013.
Propriedades dos Sistemas de Projeção

Como já falamos, não existe nenhuma projeção que elimine todos os tipos
de deformações advindas da transformação da esfera em um plano. As
deformações se refletem nos ângulos, comprimentos e nas áreas. Podemos
obter representações que conservam em verdadeira grandeza ou ângulos, ou
distâncias ou áreas, uma se mantém em detrimento de 2 outras.
Propriedade refere-se ao elemento geométrico que não sofreu
deformação.

Sistema Equidistante -> conserva as distâncias em um ou mais direções.


Sistema Conforme -> conserva os ângulos, mantendo a verdadeira forma.
Sistema Equivalente -> conserva as áreas.

Projeção UTM - Universal Transversa de Mercator

O mapeamento sistemático do Brasil é feito na projeção UTM, Universal


Transversa de Mercator, que nada mais é que a projeção cilíndrica na posição
transversa com a propriedade conforme (Figura 12).

Figura 12. Projeção UTM. Disponível em: http://coral.ufsm.br/cartografia/.


Acesso: 22 de agosto de 2013.
Além das coordenadas geográficas, muitas cartas são construídas no
sistema de projeção UTM apresentam também um sistema de coordenadas
plano-retangulares, que correspondem matematicamente às coordenadas
geográficas da Terra. O sistema de coordenadas UTM divide a Terra em 60
fusos (Figura 13) que são numerados de 1 a 60, com início no antimeridiano de
Greenwich e contado no sentido oeste-leste.
Algumas características:

 O cilindro transverso adotado como superfície de projeção assume 60


posições diferentes, já que seu eixo mantém-se sempre perpendicular
ao meridiano central de cada fuso ou zona.
 A Terra é dividida em 60 fusos ou zonas de 6 o de amplitude na
longitude.
 Os fusos são numerados de 1 a 60. Cada fuso tem seu sistema de
coordenadas no eixo N e no eixo E.

Figura 13. Fusos UTM e sua distribuição sobre o território brasileiro. Disponível em:
http://www.lapig.iesa.ufg.br/lapig/cursos_online/gvsig/a_projeo_utm_no_brasil.html. Acesso
em: 22 de agosto de 2013.

N = coordenadas do eixo Norte-Sul


E = coordenadas do eixo leste-oeste
Em E, para direita do
meridiano central do fuso
aumenta o valor e para
esquerda diminui. Para o
Hemisfério Sul, em N, para
baixo do Equador o valor
diminui.

Figura 14. Iustração de coordenadas UTM. Fonte: IPT. 2000

Na Figura 14,

23 é o número do fuso
45o é o meridiano central do fuso
0o é a linha do equador

Na carta podemos facilmente conhecer distâncias, pois as coordenadas


UTM se apresentam em metros ou quilômetros.
Na Figura 15, usando as informações da coordenada UTM, podemos
saber a distância entre A e B na carta.
Se 4 cm equivale a 1 km na carta então 3 cm equivale a 750m.
Figura 15. Trecho da carta topográfica de Brasília. Fonte: DSG, 1980.

ESCALA

A representação da superfície terrestre sob a forma de carta implica na


representação de uma superfície muito grande sobre outra de dimensões
bastante reduzidas.
Daí decorrem 2 problemas:

1) Determinados detalhes não permitem uma redução pronunciada, pois


se tornariam imperceptíveis.

Solução: Convenção Cartográfica.

2) necessidade de reduzirmos as proporções dos acidentes a


representar a fim de que seja possível representá-los dentro das
dimensões que foram estabelecidas para a carta.

Solução: Escala.
O que é traçar uma planta do terreno?
É traçar, no papel, uma figura semelhante à do terreno levantado, onde os
ângulos se mantêm em VG, e as distâncias reduzidas numa proporção
constante.
Assim, podemos definir escala como uma relação constante entre um a
medida na carta e a mesma dimensão no terreno. Esta relação é traduzida por
uma fração em que o numerador (invariavelmente a unidade) representa uma
distância no mapa, e o denominador a distância correspondente no terreno.
Exemplo: 1/25.000, 1:25.000. Qualquer medida linear na carta é no
terreno 25.000 vezes maior.
Se considerarmos como unidade o cm, teremos que 1 cm na carta
corresponde à 25.000 cm no terreno, ou 250 m.

Escala Numérica

medida sobre a carta medida gráfica (d)


Escala = =
medida sobre o medida real (D)
terreno

D=dxN

Uso da regra de três.

No exemplo da carta de Brasília, a distância real no terreno (entre as


coordenadas 192 km e 193 km) é de 1 km, na carta esta distância aprece
representada por 4 cm. Então, o fator de redução N foi o seguinte (passando
todos para a mesma unidade):

N= D/d -->> N = 1000m / 0,04m = 25.000


Logo a escala da carta é 1/25.000, ou seja, a cada 1 cm naquela carta
equivale a25.000 vezes mais no terreno, ou seja, 250 m.

Escala Gráfica

A escala gráfica é representada por um segmento de reta graduado


(Figura 16), pode ser uma linha ou uma barra, subdividida em partes
denominadas de talões. Cada talão apresenta a relação de seu comprimento
com o correspondente no terreno. O talão deve ser preferencialmente um
número inteiro.

EXEMPLOS

Figura 16. A régua é fundamental para os trabalhos com as escalas gráficas dos mapas. Também
podemos observar alguns exemplos de escalas gráficas utilizadas em mapas e cartas. Disponível
em: http://www.educacaopublica.rj.gov.br/oficinas/geografia/escala/01.html. Armazenzinho
(http://portalgeo.rio.rj.gov.br/armazenzinho/web/descobrindoCartografia.asp?area=2&PaginaAtual=
3). Acesso em: 22 de agosto de 2013.
Sugestão: Roteiro de Atividade 1 - Representação do relevo nas cartas
topográficas : As CURVAS DE NÍVEL.

1) Representação do Relevo Terrestre (altimetria).

A representação do relevo pode ser feita por vários métodos


(sombreamento, pontos cotados, curvas de nível) sendo o mais usual o das
curvas de nível, uma vez que este fornece ao usuário, em qualquer parte da
carta, um valor aproximado da altitude.
As curvas de nível (Figura 17) constituem linhas imaginárias do terreno,
materializadas na carta por linhas que ligam os pontos de mesma cota, em
relação a uma superfície de referência, o nível médio do mar (NMM).

Figura 17. Representação de curvas de nível. Disponível em:


http://www.ibge.gov.br/home/geociencias/cartografia/manual_nocoes/el
ementos_representacao.html. Acesso em: 22 de agosto de 2013.

As curvas de nível indicam se o terreno é plano, ondulado, montanhoso,


íngreme ou de declive suave. Elas são eqüidistantes, isto é, a distância vertical
– o desnível entre as curvas é constante e varia de acordo com a escala da
carta. A eqüidistância é alterada quando se representa área
predominantemente plana como a Amazônia, onde pequenas altitudes são de
grande importância, ou quando o detalhe é muito escarpado e a representação
de todas as curvas dificultaria a leitura.
As curvas de nível fornecem informações sobre altitudes. Para uma leitura
correta do relevo a partir das curvas de nível deixamos aqui algumas pistas:
a) Curvas de nível mais próximas significam declives mais fortes, mais
abruptos, enquanto que curvas de nível mais afastadas representam
áreas de declives mais suaves.

b) curvas de nível concêntricas com os valores mais elevados no centro


representam montanhas ou montes. Se no centro estiverem, ao contrário,
valores mais baixos, então temos uma área de depressão.

c) A melhor forma de tirar dúvidas é fazer um perfil topográfico

Vejamos alguns exemplos

Figura 18. Disponível em:


http://www.ibge.gov.br/home/geocie
ncias/cartografia/manual_nocoes/el
ementos_representacao.html.
Acesso em: 22 de agosto de 2013.

Neste caso (Figura 18), temos dois conjuntos de curvas concêntricas que
formam dois cumes relativamente arredondados. Mas, no cume da direita, as
altitudes são mais elevadas e os declives são mais acentuados na vertente
direita. Repare que a curva de nível dos 20m envolve as duas elevações de
maior altitude.
Figura 19. Representação das curvas de nível
do relevo sendo representado em superfície
plana em um mapa. Disponível em:
http://www.ibge.gov.br/home/geociencias/cartogr
afia/manual_nocoes/elementos_representacao.h
tml. Acesso em: 22 de agosto de 2013.

O exemplo acima mostra um perfil topográfico mais complexo. Temos


duas elevações com formas muito distintas. A da esquerda tem maiores
altitudes, tem um cume mais pontiagudo, maiores declives e alguma
assimetria. A sua vertente direita tem maiores declives que a vertente da
esquerda, como se pode ver no perfil e nas curvas de nível que estão mais
juntas. O cume da direita tem uma forma mais arredondada, menores altitudes,
mas continuamos na presença de um relevo assimétrico: há uma diferença de
declives entre as duas elevações.

Sugestão: Roteiro de Atividade 2 - Orientação

Entre outras finalidades, as cartas servem para orientação no terreno.


O termo orientação tem origem no termo oriente, tomado como referência a
posição do nascer do Sol (Leste) (Figura 20).
Figura 20. Exemplo de rosa dos ventos e bússola. Disponível em:
http://www.marcospaiva.com.br/localizacao.htm. Acesso em: 22
de agosto de 2013.

O primeiro contato relativo à orientação está associado aos pontos


cardeais. Estando a mão direita indicando o nascer do Sol, estaremos de
frente para o norte, tendo o oeste à esquerda e o sul nas costas.
Nos dias atuais tornou-se usual o uso do norte como referencial de
orientação e não o leste.
A informação mínima que um mapa deve ter é a indicação do norte.
Normalmente o norte está indicado para o topo da folha. Isto não impede,
porém, que o mapa esteja orientado em outra direção.
As cartas construídas no sistema de projeção UTM trazem a indicação
simultânea de dois sistemas de coordenadas– coordenadas geográficas e
coordenadas UTM, e assim mostram além do nortegeográfico ou
verdadeiro, o norte magnético, aquele apontado pela bussola (Figura 21).
Norte geográfico verdadeiro - (NG) ou (NV), corresponde à orientação
do eixo de rotação da Terra;
Norte magnético(NM), indica a direção do polo norte magnético. É a
direção apontada pela agulha da bússola.
Figura 20Ângulo de declinação magnética.

As cartas topográficas são construídas com a orientação do norte


verdadeiro, para uma correta orientação da carta no terreno com a bússola,
devemos corrigir a declinação magnética, que é o ângulo entre o norte
verdadeiro e o magnético.

A Cartografia Temática e a Semiologia Gráfica

• As representações gráficas fazem parte do sistema de sinais que o


homem construiu para se comunicar com os outros compondo, portanto,
uma linguagem gráfica, bidimensional, atemporal, destinada à vista.

• A linguagem das representações gráficas tem supremacia sobre as


demais, pois demandam apenas um instante de percepção, a qual se
expressamediante a construção da IMAGEM.

A Semiologia Gráfica éuma proposta no mundo das imagens que permite


gerar mapas feitos para ler em mapas para ver. Com exceções muito raras, as
representações gráficas sob quaisquer de suas formas (diagramas,
mapas,gráficos, etc.) são concebidas como ilustrações que não condizem com
regras da linguagem visual.
O ponto de partida da semiologia gráfica é não admitir um mapa ou um
gráfico como sendo mera ilustração.
Objetivo da Semiologia Gráfica: Formular as regras de uma utilização
racional da linguagem cartográfica como a gramática da linguagem gráfica, na
qual a unidade linguística é o signo (símbolo).
Tanto no processo de construção gráfica como no de sua apresentação, o
autor do mapa deve obedecer às propriedades específicas da percepção
visual.
Passa-se, assim, ao domínio do raciocínio lógico (Martinelli, 1996). Não
há convenções; fazer esta Cartografia significa mostrar a diversidade pela
diversidade visual; a ordem pela ordem visual e a proporção pela proporção
visual. Transgredir esta regra básica significaria realizar uma comunicação
enganosa (MARTINELLI, 1990).
A eficácia de uma representação gráfica pode ser conseguida,
principalmente, observando-se duas etapas na sua construção:

1- Definir as características do tema. Os elementos que constituem o tema


podem ser diferentes entre si, ou podem estar unidos por uma relação de
ordem, ou podem exprimir quantidades; isto permite distinguir 3 níveis de
organização: o nível diferencial (#), o nível ordenado (O) e o nível
quantitativo(Q).

2- Escolher dentre as variáveis visuais disponíveis qual ou quais


representariam melhor aquele tema. As variáveis visuais são exploradas pela
variação de tamanho, valor, granulação, cor, orientação e forma.

Nem todas as variáveis visuais admitem todos os níveis de organização, e


esta condição é uma das fontes de erros nas representações gráficas.
O quadro a seguir resume a questão das relações fundamentais (O, Q,
##, =) e sua organização em relação às variáveis visuais, e que aspectos estas
assumem nas diferentes implantações.
Fonte: Notas de aula Prof. Cardoso.
Figura 22. Exemplo de representação gráfica (legenda)
de informações de um mapa. Disponível em:
http://www.ibge.gov.br/home/geociencias/cartografia/man
ual_nocoes/elementos_representacao.html. Acesso em:
22 de agosto de 2013.

Figura 23. Representação da distribuição da população brasileira por


cor e raça pelo território, em 2010. Disponível em:
http://atlasescolar.ibge.gov.br/. Acesso em: 20 de agosto de 2013.

No mapa da Figura 23 podemos observar a distribuição da população


segundo o critério de cor e raça. A variável visual e a forma exprimem as idéias
de quantidade segundo uma proporção?
Apesar dos avanços científicos e tecnológicos ocorridos, a escola se
limita ao uso do giz e do quadro-negro e, na grande maioria, com uma didática
centrada na fala do professor e na passividade dos alunos (HASSE, 1999).
Como Papert (1995) menciona, se imaginarmos um grupo de viajantes do
tempo de um século anterior, com cirurgiões e professores primários, todos
ansiosos por constatarem o quanto as coisas mudaram. Imaginem o espanto
dos cirurgiões entrando numa sala de operações de um moderno hospital. Já
os professores viajantes do tempo, poderiam perceber algumas modificações,
mas, com bastante facilidade poderiam assumir a classe.
Para Hasse (1999), a escola de hoje precisa corresponder aos estímulos
do progresso tecnológico e científico e ser estimulante e atrativa para a
juventude, e enfatiza que,

"não podemos pensar em escolas pobres para pobres.


Temos que pensar em uma escola que possibilite as duas
coisas: de um lado, a apropriação de conhecimentos e
habilidades que independem do computador, e, de outro,
devemos pensar uma escola que possibilite a apropriação e
o uso deste e de outros instrumentos que sejam significativos
e importantes para a vida do ser humano" (LUCKESI, 1988,
p.41, apud HASSE, 1999, p.128).

Noções básicas e uso do GNSS (Global NavigationSatelitte System) -


Sistemas Globais de Navegação por Satélite

A tecnologia atual permite que qualquer pessoa possa se localizar no


planeta com uma precisão nunca imaginada por navegantes e aventureiros há
até bem pouco tempo.

• GPS –Global Positioning System; Departament of Defense – EUA.

• GLONASS – Global Orbiting Navigation Satellite System; Rússia.


• Galileo – Global Orbiting Navigation Satellite System; UE (União
Européia).

• Beidou/Compass – China.

Figura 24. Aparelho receptor de sinais GPS de uso típico em automóveis. Disponível em:
http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=28038. Acesso: 22 de
agosto de 2013.

O SISTEMA GPS

O sofisticado sistema GPS – Global Positioning System (Sistema de


Posicionamento Global) – foi concebido pelo Departamento de Defesa dos
EUA no início da década de l960. O sistema foi declarado totalmente
operacional apenas em l995. Seu desenvolvimento custou 10 bilhões de
dólares. Consiste de 24 satélites que orbitam a terra a cerca de 20.000 km e
emitem simultaneamente sinais de rádio codificados.
Este sistema está especificado para fornecer as coordenadas
bidimensionais ou tridimensionais de pontos no terreno, bem como a
velocidade e direção do deslocamento entre pontos. É objetivo do sistema
GPS, auxiliar nas atividades de navegação e realização de levantamentos
geodésicos e topográficos. O sistema opera ininterruptamente, independe das
condições meteorológicas, embora se tenha conhecimento que essas
condições podem interferir, de alguma maneira, na precisão do resultado.
Especificado para que pelo menos 4 satélites possam ser observados a
qualquer momento do dia e em qualquer parte do planeta, o sistema GPS
garante a determinação de posição geográfica 24 horas do dia.

Sensoriamento Remoto e Cartografia

Os dados provenientes do sensoriamento remoto, tanto aéreo (fotografias


aéreas) quanto orbital (imagens de satélite), fornecem importantes dados para
os levantamentos cartográficos, principalmente para um país tão grande quanto
o Brasil.

Fotografia aérea

Figura 25. Fotografia aérea e mapa temático do Rio de Janeiro. Fonte: Atlas
Escolar da Prefeitura do Rio de Janeiro, 2001.

O Princípio básico do sensoriamento remoto: transferência de dados


do objeto para o sensor através de ENERGIA. Da ENERGIA
ELETROMAGNÉTICA ou radiação eletromagnética. Assim, a energia solar é a
base dos princípios que fundamentam a tecnologia de sensoriamento remoto.
Imagine que em um único segundo um feixe de luz percorre 300.000 km,
isto parece muito rápido, não?Que tal usar esta rapidez para levar uma
informação?
É uma maneira eficiente de transportar ou de obter informações de alvos
bem distantes de nós.
Pensemos nas seguintes situações:

1- Começou um foco de incêndio no meio da floresta Amazônica. 1970 – A


informação sobre o fogo deve viajar por horas e horas para chegar às
autoridades e depois mais tantas horas para chegar o socorro, é possível que o
fogo tome proporções enormes 2013 - O satélite captou a informação que
percorreu mais de 700 km a uma velocidade fantástica (velocidade da luz),
transmitiu para a Estação Terrena em Cuiabá e o IBAMA obteve a informação
a tempo de tomar as providências e conter o fogo que se alastrava.

2- Um ganancioso dono de madeireira iniciou um desmatamento em uma área


protegida de 100 km2 no litoral sul do país, na mata Atlântica. Graças ao
monitoramento feito por satélite as autoridades responsáveis chegaram a
tempo de impedir que ele continuasse com a destruição ambiental.

Os sensores, a bordo de satélites ou de aeronaves, são dispositivos


capazes de detectar e registrar a radiação eletromagnética em uma ampla faixa
espectral. Enquanto nós observamos a natureza com dois olhos (fantásticos
por sinal) que decifram o ambiente ambos na faixa do visível. Os sensores são
construídos para observar cenas da superfície terrestre com mais de dois
olhos, ou seja, há sensores que captam dados do planeta a partir de, por
exemplo, sete faixas espectrais diferentes (há sensores que conseguem muito
mais que sete outros menos) (Figura 26). Observam, portanto, o planeta com
visões além do visível. Existem diversos sensores, operando nas mais variadas
faixas espectrais, que geram dados que podem ser transformados em produtos
como imagens, gráficos ou tabelas.
Figura 21. Espectro Eletromagnético. Fonte: INPE.

AQUISIÇÃO DE DADOS POR SENSORIAMENTO REMOTOORBITAL

A energia radiante emitida pela fonte (Sol), após atravessar a atmosfera


(trajetória), atinge a superfície terrestre (alvo, por exemplo, água, vegetação,
estrada, prédios e etc), sofre interações, produz uma radiação de retorno, que
se propaga novamente pela atmosfera e atinge o sensor, onde é detectada.
Essa radiação de retorno é transformada em sinais elétricos, que
correspondem às variações de energia da cena original.

Figura 27. Interação dos alvos com os sensores remotos. Fonte: Instituto
Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

Esses sinais elétricos são transmitidos e registrados nas estações de


recepção de dados terrestres em meios de armazenamento.
Observe a Imagem do sensor TM do satélite Landsat (Figura 28).Veja
quantas informações podemos extrair da imagem!

Figura 28. Imagem Landsat – Baía de Guanabara. Fonte: INPE.

1. Comentários para o professor

Para cada município, uma imagem poderia ser obtida (site do


INPE gratuitamente ou no Google Earth) e usando uma folha de papel
vegetal, poderia se fazer uma interpretação visual dos elementos
presentes na imagem.

Fim do Comentário.

Sistemas de Informação Geográfica

Antes de dar o conceito de SIG é importante sabermos bem o que é uma


informação geográfica.

Informação espacial consiste numa informação georeferenciada ou


geográfica. É uma informação que pode ser representada num plano
cartesiano com coordenadas X e Y. Em geografia dizemos são as coordenadas
geográficas.
A informação (dado) geográfica é caracterizada como tendo os seguintes
componentes fundamentais:

1 – Fenômeno – aquilo que está sendo reportado como uma dimensão


física (altura das arvores, população de uma cidade), ou uma classe (tipo
de rochas, vegetação, etc.).

2 – Localização espacial – localização em relação a superfície terrestre,


ou seja, referencia a um sistema de coordenadas.

3 – Tempo – descreve um fenômeno em um determinado local, em um


tempo especifico (Ex.: data da coleta de dados).

Um SIG é um sistema integrado de programas que permitem manipular


mapas, imagens, dados tabulares com a referência geográfica. Por exemplo,
quando eu pouso o mouse sobre um ponto no mapa ele me mostra as
coordenadas geográficas daquele local. Ele permite sobrepor vários temas,
enfim permite manipular e criar novos documentos cartográficos e facilita a
análise espacial de fenômenos.
Nesse sentido, um SIG possui a capacidade de integrar dados de
diversas fontes (informações tabulares, dados de GPS, altimétricos, imagens
de satélite, bases cartográficas vetoriais, dentre outros). Assim, esses dados
são armazenadosno SIG que é capaz de manipular, editar e integrar esses
dados, fornecendo como resultado final um produto cartográfico para a tomada
de decisões.

Questões investigadas em um SIG

• Sobre localização – Qual a população de um setor censitário ou um


determinado bairro?
• Sobre condição – Onde estão todas as fazendas localizadas em uma
faixa de até 200 metros da rodovia Fernão Dias e tem florestas
tropicais?
• Sobre tendências – Qual será o volume de trafego na Av. Paulista no
ano de 2015?
• Sobre rotas/caminhos – Qual é o hospital mais próximo para
atendimento de feridos em acidentes?
• Sobre padrão – Qual o padrão espacial da distribuição da dengue no Rio
de Janeiro?
• Sobre modelagem – quais as áreas de superfície terrestre serão
afetadas pelo aumento em 20cm no nível do oceano?

SIGS Gratuitos em Português

Existem diversos tipos de SIGs disponíveis no mercado e muitos outros


disponíveis para usos gratuitos. Abaixo seguem três SIGs disponibilizados
gratuitamente que podem ser utilizados para diversos fins.

• SPRING - www.inpe.br
• EduSPRING- www.uff.br/geoden
• TerraView - www.uff.br

Exemplos de Aplicações:

- Ação para consolidar o uso social da geoinformação

Exemplo: O conhecimento da localização geográfica pode mudar a história da


sociedade indígena Kayapó.

Fonte: http://mundogeo.com/blog/2011/01/24/kayapos-usam-geotecnologia-
para-preservar-florestas/.

O Programa de monitoramento das terras indígenas com uso de


aerolevantamento, GIS e GPS utiliza a geotecnologia como ferramenta para
auxiliar na preservação da Floresta e da cultura Kayapó, reduzindo a incidência
de invasões e práticas ilegais de caça, garimpo e extração de madeira.
Figura 29. Geotecnologias aplicadas ao monitoramento de terras indígenas. Fonte:
Revista Geografia: Conhecimento Prático, pág. 25, agosto 2011.
Considerações Finais

Caro professor (a),

A apreensão de conhecimentos do espaço geográfico é uma questão de


formação e cidadania, e o conhecimento torna-se um instrumento fundamental
para a atuação do homem, de forma significativa, no meio em que vive, em
especial, para despertar suas responsabilidades quanto à preservação do meio
ambiente e de seus direitos de cidadão.
As Geotecnologias não são em si mesmas a solução para os problemas
sociais, mas as informações que elas podem mobilizar incentivam novas
formas de conhecimento e ações e sua inclusão proporciona impactos positivos
nas práticas de ensino da escola.
As inovações nos ambientes escolares trazem reflexos positivos
aosprocessos de ensino e aprendizagem e isto bastaria para justificar a
inserção de novos recursos nas aulas, afinal "o avanço da ciência e da
tecnologia corresponde a avanços cognitivos da população e das suas
estratégias de investigação "(ALMEIDA E FONSECA JÚNIOR, 2000).
Para Hasse (1999), toda essa revolução na comunicação permite muito
mais do que a difusão e a socialização de informações entre os homens, uma
vez que o conhecimento que os homens possuem, não apenas daquilo que
acontece onde vivem, aumenta suas possibilidades de compreender o mundo e
nele interferir.
E a Cartografia como uma linguagem de comunicação que se beneficia
da informática não pode ficar alheia a toda evolução tecnológica, constituindo a
cartografia digital importante instrumento de análise espacial que possibilita
interação do aluno com os documentos produzidos. As tecnologias para a nova
Cartografia incluem, principalmente, o uso de sistemas de informação
geográfica, sensoriamento remoto e sistema de posicionamento global (GPS).

“La tierra de la gente es su geografía, ecología, su topografía y biología. Ella es


tal como organizamos su producción, hacemos su historia, educación, su
cultura, su comida y su gusto al cual nos acostumbramos: La tierra de las
personas implica luchapor sueños diferentes a veces antagónicos como los de
sus clases sociales mi tierra no es, finalmente una abstracción.”
Paulo Freire

Referências bibliográficas

ALMEIDA, F.J.; Fonseca Jr., F.M. ProInfo: Projetos e Ambientes


Inovadores. MEC, SEED, ed. Parma, Brasília, 2000, 96 p.

CASTRO, J.F.M.; MAGALHÃES, M.G.M. Apresentação de uma Carta


Topográfica Utilizando Recursos de Multimídia. Revista Geografia e Ensino,
V.6 N.1, p.73-76, Belo Horizonte, 1997.

DI MAIO, A. C.Geotecnologias Digitais do Ensino Médio: Avaliação Prática


de seu potencial. Tese de doutorado. Programa de Pós-Graduação. UNESP.
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RAISZ, E. - Cartografia geral. Rio de Janeiro: Ed. Científica. 1969.

HASSE, S.H.A. Informática na Educação: Mito ou Realidade. In: Pesquisa em


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Mapas nos Possibilitam. Revista Geografia e Ensino, V.6 N.1, p.67-69, Belo
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TAYLOR,D.R.F. A conceptual Basis for cartography/New Directions for The
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Revista Geografia: Conhecimento Prático, no 39, Escala educacional, pp22-32,


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SANTOS, M. O Espaço do Cidadão. São Paulo: Nobel, 2007.

TAYLOR, D.R.F. A conceptual Basis for cartography/New Directions for The


Information Era, Cartographica, vol. 28, No 4, 1991, pp 1-8.

Indicação de leituras

Livro - Dash Joan. O Prêmio da longitude. Ed.Cia das Letras, SP, 2002.

Livro - Astronáutica - Coleção Explorando o Ensino - vol 12. MEC/AEB-


Escola.