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12 QUESTÕES SOBRE A VIOLÊNCIA

QUESTÃO 01:
Sobre as bases da abordagem sociológica e segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), no
Relatório Mundial sobre a Violência e Saúde (2002), a violência pode ser definida como o uso intencional
de força física ou do poder contra si mesmo, outra pessoa, um grupo ou uma comunidade. A violência
se dá de diversas formas: a violência física, que gera danos – permanentes ou não – à sua integridade
física; a violência psicológica, que constrange a vítima a adotar comportamentos contra sua vontade ou
privam-na de sua liberdade e a violência simbólica, quando as relações de dominação entre grupos sociais
encontram-se tão enraizadas e naturalizadas que a violência exercida por uns sobre os outros é vista como
uma parte “natural” da ordem social estabelecida. Exemplo: a dominação masculina sobre as mulheres que,
consideradas em nossa sociedade “naturalmente” mais fracas e sensíveis, devem se submeter aos homens.
Assinale a alternativa em que é citado casos de violência física e psicológica, respectivamente.
a) humilhações, ameaças de agressão / tentativas de asfixia, de afogamento, de homicídio.
b) xingamentos, uso constante de palavrões, expressões depreciativas / tapas, empurrões, chutes, mordidas,
queimaduras
c) tapas, empurrões, chutes, mordidas, queimaduras / tentativas de asfixia, de afogamento, de homicídio.
d) tentativas de asfixia, de afogamento, de homicídio / xingamentos, uso constante de palavrões, expressões
depreciativas.
e) humilhações, ameaças de agressão / tapas, empurrões, chutes, mordidas, queimaduras.

Gabarito: D
Comentário: A questão já cita em seu enunciado o que caracteriza a violência física e a simbólica
para a OMS. Com um pouco de atenção você chegaria a alternativa “D” que faz referência as situações
das violências citadas, respectivamente a física e a simbólica.

QUESTÃO 02:
(UEL 2015) Leia o texto a seguir e responda à próxima questão.
O desenvolvimento da civilização e de seus modos de produção fez aumentar o poder bélico entre os
homens, generalizando no planeta a atitude de permanente violência. No mundo contemporâneo, a formação
dos Estados nacionais fez dos exércitos instituições de defesa de fronteiras e fator estratégico de permanente
disputa entre nações. Nos armamentos militares se concentra o grande potencial de destruição da
humanidade. Cada Estado, em nome da autodefesa e dos interesses do cidadão comum, desenvolve
mecanismos de controle cada vez mais potentes e ostensivos. O uso da força pelo Estado transforma-se em
recurso cotidianamente utilizado no combate à violência e à criminalidade.
Adaptado de: COSTA, C. Sociologia: introdução à ciência da sociedade. São Paulo: Moderna, 1997. p.283-285.

Assinale a alternativa que apresenta, corretamente, a concepção sociológica weberiana sobre o uso da força
pelo Estado contemporâneo.
a) A força militar contemporânea, por seu poder de persuasão e atributos personalísticos, é um agente
exemplar do tipo de dominação carismática.
b) Na sociedade contemporânea, o poder compartilhado entre cidadãos e Estado, para o uso da força, define
a dominação legítima do tipo racional-legal.
c) O Estado contemporâneo caracteriza-se pela fragmentação do poder de força, conforme o tipo ideal de
dominação carismática, a exemplo do patriarca.
d) O Estado contemporâneo define-se pelo direito de monopólio do uso da força, baseado na dominação
legítima do tipo racional-legal.
e) O tipo ideal de dominação tradicional é exercido com base na legitimidade e na legalidade do poder de
uso democrático da força pelo Estado contemporâneo.
Gabarito: D
Comentário: No caso específico do Estado, Weber considera que este exerce seu domínio através do
monopólio do uso legítimo da força em determinado território. Essa é uma dominação do tipo
racional-legal, por não ser baseada nem no carisma de um líder, nem na tradição, e sim em um
regimento jurídico e racionalmente reconhecido por todos.

QUESTÃO 03:
(ENEM 2012)
TEXTO I
O que vemos no país é uma espécie de espraiamento e a manifestação da agressividade através da
violência. Isso se desdobra de maneira evidente na criminalidade, que está presente em todos os redutos —
seja nas áreas abandonadas pelo poder público, seja na política ou no futebol. O brasileiro não é mais violento
do que outros povos, mas a fragilidade do exercício e do reconhecimento da cidadania e a ausência do
Estado em vários territórios do país se impõem como um caldo de cultura no qual a agressividade e a
violência fincam suas raízes.
Entrevista com Joel Birman. A Corrupção é um crime sem rosto. IstoÉ. Edição 2099; 3 fev. 2010.

TEXTO II
Nenhuma sociedade pode sobreviver sem canalizar as pulsões e emoções do indivíduo, sem um
controle muito específico de seu comportamento. Nenhum controle desse tipo é possível sem que as pessoas
anteponham limitações umas às outras, e todas as limitações são convertidas, na pessoa a quem são
impostas, em medo de um ou outro tipo.
ELIAS, N. O Processo Civilizador. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1993.

Considerando-se a dinâmica do processo civilizador, tal como descrito no Texto II, o argumento do Texto I
acerca da violência e agressividade na sociedade brasileira expressa a
a) incompatibilidade entre os modos democráticos de convívio social e a presença de aparatos de controle
policial.
b) manutenção de práticas repressivas herdadas dos períodos ditatoriais sob a forma de leis e atos
administrativos.
c) inabilidade das forças militares em conter a violência decorrente das ondas migratórias nas grandes
cidades brasileiras.
d) dificuldade histórica da sociedade brasileira em institucionalizar formas de controle social compatíveis com
valores democráticos.
e) incapacidade das instituições político-legislativas em formular mecanismos de controle social específicos
à realidade social brasileira.

Gabarito: D
Comentário: O Brasil viveu grande parte de sua história sobre regimes autoritários, tanto no período
colonial, como também na república. A experiência da democracia é recente e ainda não foi enraizada
na sociedade, diferentemente da violência e do autoritarismo, que ainda assolam muitos locais do
nosso país.

QUESTÃO 04:
(ENEM 2013)
O edifício é circular. Os apartamentos dos prisioneiros ocupam a circunferência. Você pode chamá-los,
se quiser, de celas. O apartamento do inspetor ocupa o centro; você pode chamá-lo, se quiser, de alojamento
do inspetor. A moral reformada; a saúde preservada; a indústria revigorada; a instrução difundida; os
encargos públicos aliviados; a economia assentada, como deve ser, sobre uma rocha; o nó górdio da Lei
sobre os Pobres não cortado, mas desfeito — tudo por uma simples ideia de arquitetura!
BENTHAM, J. O panóptico. Belo Horizonte: Autêntica, 2008.
Essa é a proposta de um sistema conhecido como panóptico, um modelo que mostra o poder da disciplina
nas sociedades contemporâneas, exercido preferencialmente por mecanismos
a) religiosos, que se constituem como um olho divino controlador que tudo vê.
b) ideológicos, que estabelecem limites pela alienação, impedindo a visão da dominação sofrida.
c) repressivos, que perpetuam as relações de dominação entre os homens por meio da tortura física.
d) sutis, que adestram os corpos no espaço-tempo por meio do olhar como instrumento de controle.
e) consensuais, que pactuam acordos com base na compreensão dos benefícios gerais de se ter as próprias
ações controladas.

Gabarito: D
Comentário: O conceito de sistema panóptico foi criado no final do século XVIII pelo filósofo inglês
Jeremy Bentham. Jeremy estudou o sistema penitenciário e criou a penitenciária circular, em que o
observador central poderia vigiar todos os pontos em que houvesse presos. Acreditava que esse
sistema poderia ser utilizado como método de disciplina em escolas e no trabalho, tendo o olhar e o
espaço como instrumentos de controle.

QUESTÃO 05:
(FGV-RJ 2016)
TEXTO I
Os adolescentes são muito mais vítimas do que autores de crimes, o que contribui para a queda da
expectativa de vida no Brasil, pois se existe um "risco Brasil" este reside na violência da periferia das grandes
e médias cidades. Dado impressionante é o de que 65% dos infratores vivem em família desorganizada, junto
com a mãe abandonada pelo marido, que por vezes tem filhos de outras uniões também desfeitas e luta para
dar sobrevivência à sua prole.
Adaptado de REALE, M. J. Instituições de Direito Penal. Rio de Janeiro: Editora Forense, 2009, p. 212.

TEXTO II
A maioridade penal deve ser reduzida, pois assim os menores de 18 deixariam de ser usados para a
execução de crimes, como ocorre constantemente no Brasil, o que diminuiria a criminalidade. Devemos
considerar que o jovem dos dias atuais amadurece precocemente, devido às informações, às tecnologias e
a todos os aparatos desenvolvidos para melhor adaptação do homem ao mundo. Assim, a legislação deveria
se adequar a esse novo comportamento dos jovens, que é completamente diferente da época em que o
Código Penal foi criado, em 1940.
Adaptado de http://www.webartigos.com/artigos/proposta-de-reducaoda-maioridade-penal/56734/#ixzz3fhDuOaJb.

A respeito dos argumentos sobre a redução da maioridade penal, assinale a afirmação correta
a) Ambos os fragmentos afirmam que a punição pura e simples, com penas a serem adotadas e impostas
aos menores, não gera a diminuição da violência no Brasil.
b) O fragmento I relaciona a violência praticada por menores com as precárias condições sociais e familiares
dos moradores de áreas periféricas do Brasil.
c) Os fragmentos I e II discutem os aspectos jurídicos inerentes ao estabelecimento da idade mínima a partir
da qual uma pessoa responde pela violação da lei penal, na condição de adulto.
d) O fragmento II condena a redução da maioridade penal como um recurso que aumentaria o aliciamento
de jovens pelo crime organizado.
e) Tanto o fragmento I quanto o II consideram a mudança do conceito de “criança” e de “adolescente” ao
longo do tempo como elemento que legitima a atualização do Código Penal brasileiro.

Gabarito: B
Comentário: O fragmento I não faz qualquer menção à redução da maioridade penal ou ao Código
Penal brasileiro. Ele é somente uma pequena análise da relação entre adolescência e criminalidade,
a partir de uma perspectiva social. Já o fragmento II, a partir de uma visão com foco no indivíduo,
defende a redução da maioridade penal como forma de diminuição da criminalidade. Diante desse
panorama, a única alternativa adequada é a alternativa [B], que não altera nenhum argumento
defendido nos textos, nem faz inferências precipitadas.
QUESTÃO 06:
(UNESP 2015)

As charges permitem que se faça uma abordagem ao mesmo tempo crítica e irônica dos meios de
comunicação de massa e da vida nas cidades no período atual. Dentre os assuntos que podem ser
diretamente associados aos problemas abordados pelas charges estão:
a) o cumprimento pelos meios de comunicação de seu papel de noticiar o real cotidiano das cidades e o
fortalecimento da segurança pública em detrimento da privada.
b) o papel da mídia na propagação da sensação de insegurança junto à população e o surgimento de
atividades, produtos e serviços vinculados à segurança privada.
c) a influência restrita dos meios de comunicação sobre o cotidiano das cidades e a produção de um novo
urbanismo expresso na valorização dos espaços públicos.
d) a influência passiva da mídia sobre o comportamento e a vida das pessoas nas cidades e a regressão de
produtos, serviços e atividades ligadas à segurança privada.
e) a difusão de informações sensacionalistas pela mídia e a intensificação da convivência entre pessoas na
cidade.

Gabarito: B
Comentário: A mídia vem enfatizando as ondas de violência com muito fervor ultimamente o que
acaba gerando na população o sentimento de insegurança e medo, por vezes as famílias praticamente
não saem de suas casas devida a tamanha violência que os jornais enfatizam todos os dias em nossa
casa. Este medo faz com que as pessoas busquem formas de se proteger, e elas passam a recorrer
as empresas privadas de segurança fazendo com que suas casas sejam de segurança máxima para
que não ocorra com eles o que é visto nos jornais.

QUESTÃO 07:
(UNIOESTE 2016)
“(...) Durante o tempo em que os homens vivem sem um poder comum capaz de os manter a todos em
respeito, eles se encontram naquela condição a que se chama guerra; e uma guerra que é de todos os
homens contra todos os homens”
(HOBBES. Leviatã. Cap. XIII).

“Diz-se que um Estado foi instituído quando uma multidão de homens concordam e pactuam, cada um
com cada um dos outros, que a qualquer homem ou assembleia de homens a quem seja atribuído pela
maioria o direito de representar a pessoa de todos eles (ou seja, de ser seu representante), todos sem
exceção, tanto os que votaram a favor dele como os que votaram contra ele, deverão autorizar todos os atos
e decisões desse homem ou assembleia de homens, tal como se fossem seus próprios atos e decisões, a
fim de viverem em paz uns com os outros e serem protegidos dos restantes homens. É desta instituição do
Estado que derivam todos os direitos e faculdades daquele ou daqueles a quem o poder soberano é conferido
mediante o consentimento do povo reunido”
(HOBBES. Leviatã. Cap. XVIII).

Considerando as duas passagens da obra O Leviatã, é CORRETO afirmar.


a) Os homens já nascem em sociedade onde vivem de modo harmonioso, na medida em que cooperam uns
em relação aos outros.
b) Os homens vivem em estado de natureza e é preciso estabelecer um pacto social para a formação do
Estado.
c) O estado de natureza é um estado pacífico, em que reina a harmonia entre os homens e nenhum deles
está preocupado com aquilo que é do outro.
d) Para ascender ao Estado civil, é necessária a constituição de um partido revolucionário que se oponha à
exploração que é própria das sociedades capitalistas.
e) O estado de natureza, conforme o caracteriza Hobbes, é marcado pelo medo do Leviatã.

Gabarito: B
Comentário: O Thomas Hobbes defende que deve haver um poder absoluto, o "Leviatã" seria como
um rei que exerce o poder de forma absoluta para manter a ordem e a formação do Estado.

QUESTÃO 08:
A crise que explodiu de forma inédita nos presídios de São Paulo comprova a falência definitiva do
sistema penitenciário fechado e exclusivamente punitivo, em que a ênfase é a disciplina, e não a recuperação
do criminoso. O problema é antigo e não é só nosso. Todos os seminários e discussões sobre o sistema
penal condenam, há décadas, o que os especialistas descrevem como “a prevalência da idéia de segurança
sobre a idéia da recuperação”. E condenam, também, a ilusão de que a segurança da sociedade consiste
em trancafiar todo e qualquer tipo de criminoso, e não apenas aqueles de alta periculosidade. A afirmação
acima foi tirada de uma conferência feita em 1980 por um dos grandes advogados de São Paulo, Manoel
Pedro Pimentel (1922-91), que viveu de perto o problema por ter sido Secretário de Justiça e de Segurança.
Ele era bem explícito: “Acho que não há mais dúvida de que o sistema das prisões fechadas não tem
condições de promover a reabilitação social de um indivíduo.” Uma das provas da falência é a taxa altíssima
de reincidência. Estudos diferentes mostram que entre 40% a 60% dos criminosos acabam voltando para a
prisão.
Marcelo Beraba, Folha de S. Paulo, 23 fevereiro 2001.

É correto afirmar que no texto o autor, principalmente,


a) condena as sociedades que buscam manter afastados, em presídios mal administrados e com pouca
segurança, aqueles que não cumprem suas regras.
b) defende a opinião de que é importante em qualquer sociedade proteger os cidadãos de situações de
violência, mantendo presos os que agem de maneira contrária às suas normas.
c) desenvolve a idéia de que o sistema carcerário deve privilegiar a reabilitação do criminoso e não apenas
mantê-lo obrigatoriamente afastado do convívio social.
d) considera que, na violenta sociedade atual, os bandidos gozam de mais privilégios do que os
cidadãos comuns, já que o sistema penitenciário é antigo e pouco eficiente.
e) baseia-se em estudos feitos recentemente em vários países, para propor novos métodos de recuperação
de criminosos, inclusive por meio de severas punições.

Gabarito: C
Comentário: No texto de Marcelo Beraba, defende-se a ideia de que o sistema penal brasileiro
estrutura-se sob uma organização ultrapassada e que deveria preocupar-se mais com a reabilitação
de alguns tipos criminosos do que mantê-los em cárcere.
QUESTÃO 09:
Falando sobre a violência dos arrastões nas praias cariocas, Paulo Sérgio Pinheiro diz: “A síndrome da
militarização avança. Além dos morros, as praias são agora territórios a ocupar militarmente. A proposta do
cerco das praias é tão absurda que talvez, com o choque que se seguirá a essas propostas delirantes,
caminhemos para uma melhor compreensão de um apartheid que durante décadas foi dissimulado no Rio
de Janeiro. Em outubro de 1993, exatamente como em 1992, novamente os jovens não-brancos dos
subúrbios, numa delirante demonstração, ocupam o playground quase centenário dos brancos e das classes
médias: a invasão e ocupação das praias pelos jovens negros e suburbanos, que querem se tornar visíveis,
geram o pânico na Zona Sul do Rio de Janeiro. Antonio Candido, recentemente, dizia que a ameaça da
violência e do crime talvez consiga gerar aquele instante de consciência e desencadeie as reformas que mais
de meio século de revolução e protesto operário não conseguiram realizar aqui.”
(In: ARAÚJO, Ângela M.C.(Org.). Trabalho, cultura e cidadania. São Paulo: Escrita, 1997.p.208)

De acordo com o texto, é correto afirmar:


a) A certeza da impunidade leva os jovens dos subúrbios à invasão das praias da Zona Sul carioca
b) Os arrastões nas praias da Zona Sul, praticados pelos jovens dos subúrbios, são exemplos de superação
do apartheid social.
c) As praias são cobiçadas como locais de exibicionismo pelos jovens do subúrbio carioca.
d) A violência, representada pela invasão das praias por jovens dos subúrbios e pela presença do exército,
é um fenômeno que pode estimular a reflexão e a ação sobre as desigualdades sociais.
e) A militarização das praias poderia ser a solução para eliminar o apartheid social, abrindo esse espaço de
lazer aos jovens dos subúrbios.

Gabarito: D
Comentário: O texto alerta para o clamor social da população que se sente ameaçada pela presença
dos negros e pobres no espaço que sempre esteve reservado socialmente para a classe dominante.
Essa segregação da população de baixa renda, representada pelos jovens pobres e negros do espaço
da praia, utilizando a força militar demonstram a necessidade de reflexão da sociedade sobre a
desigualdade existente na nossa sociedade. Portanto a única opção que dá conta dessa necessidade
é a letra D.

QUESTÃO 10:
(FGV 2014)
Mais do que um problema relacionado à raça, o homicídio no Brasil sempre se caracterizou por ser um
tipo de crime vinculado ao território. Nas últimas décadas, as principais vítimas e autores de assassinatos
foram homens, jovens, moradores de bairros com pouca infraestrutura urbana dos grandes centros
metropolitanos. Eles mataram e morreram por viverem em locais com grande quantidade de armas,
marcados pela desordem. São territórios com frágil presença policial, vulneráveis à ação daqueles que estão
dispostos a tentar exercer o domínio pela violência.
http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,homicidio-e-um-crime-territorial-e-nao-esta-vinculado-a-racas, 531604,0.htm. Acesso em 15/01/2014.

A afirmação que é coerente com a situação da violência homicida no Brasil e com o texto acima, de autoria
do jornalista Bruno Paes Manso, é:
a) Nos grandes centros metropolitanos, a violência homicida afeta indistintamente a população negra e
branca, já que se trata apenas de um problema geográfico e não racial.
b) A presença policial, mesmo que frágil, garante a redução da violência homicida, já que impõe ordem aos
territórios violentos e com pouca infraestrutura urbana.
c) Territórios segregados e desintegrados do conjunto da cidade, habitados normalmente por populações de
baixa renda, são ambientes onde as pessoas são mais suscetíveis ao risco da violência homicida.
d) Embora sua influência deva ser considerada, a ausência de infraestrutura urbana não pode ter sua
importância sobrevalorizada quando a questão é o número de homicídios, porque esses dependem mais
de outras causas.
e) A violência homicida é um crime vinculado ao território, portanto, não pode ser combatida por meio de
políticas públicas de segurança ou de planejamento urbano.
Gabarito: C
Comentário: Tema há muito discutido pela Sociologia Urbana. Estudos comprovam o fato de áreas
segregadas, muitas vezes esquecidas pelas autoridades políticas, serem de fato mais violentas com
possibilidade de risco de morte real.

QUESTÃO 11:
(ENEM/2017 – 2ª Aplicação)
A política de pacificação não resolve todos os problemas da favela carioca, ela é apenas um primeiro
e indispensável passo para que seus moradores sejam tratados como cidadãos. As Unidades de Polícia
Pacificadora (UPPs) recuperaram um território que estava ocupado por bandidos com armas de guerra,
substituíram a opressão de criminosos pela justiça formal do Estado. [Mas] se a UPP não for seguida por
escola, hospital, saneamento, defensoria pública, emprego, daqui a pouco a polícia de ocupação terá que ir
embora das favelas por inútil. Ou será obrigada a exercer a mesma opressão que o tráfico exercia para se
proteger.
CACÁ DIEGUES. A contrapartida do lucro. O Globo, 28 jul. 2012.

Para o autor, a consolidação da cidadania nas comunidades carentes está condicionada à


a) efetivação de direitos sociais.
b) continuidade da ação ofensiva.
c) superação dos conflitos de classe.
d) interferência de entidades religiosas.
e) integração das forças de segurança.

Gabarito: A
Comentário: De acordo com o texto de Cacá Diegues, a consolidação da cidadania nas comunidades
carentes depende necessariamente da efetivação de direitos sociais para essas populações. A
política pacificadora seria, de acordo com ele, um fator importante para a melhoria de vida de muitas
pessoas que vivem nas favelas do Rio, mas nada disso resolveria, de maneira profunda, os problemas
vividos por elas caso não houvesse um grande investimento público para que seus direitos fossem
reconhecidos.

QUESTÃO 12:
(ENEM/2017 – 2ª Aplicação)
O racismo institucional é a negação de uma organização em prestar serviços adequados para pessoas
por causa de sua cor, cultura ou origem étnica. Pode estar associado a formas de preconceito inconsciente,
desconsideração e reforço de estereótipos que colocam algumas pessoas em situações de desvantagens.
GIDDENS, A. Sociologia. Porto Alegre: Penso, 2012. Adaptado.

O argumento apresentado no texto permite o questionamento de pressupostos de universalidade e justifica


a institucionalização de políticas antirracismo. No Brasil, um exemplo desse tipo de política é a
a) reforma do Código Penal.
b) elevação da renda mínima.
c) adoção de ações afirmativas.
d) revisão da legislação eleitoral.
e) censura aos meios de comunicação.

Gabarito: C
Comentário: O argumento apresentado pelo texto diz respeito ao racismo institucional, ou seja, uma
situação política e social em que é negada a igualdade de direitos, de renda e de oportunidades a
determinadas pessoas por conta da sua cor. Um exemplo desse racismo institucionalizado é quando
pesquisas apontam que brancos e negros no Brasil que ocupam a mesma função recebem salários
diferentes ou quando apontam que há mais que o dobro de brancos do que negros em idade escolar
nas Universidades Públicas. Uma possível resposta política ao racismo institucionalizado é
justamente a adoção de ações afirmativas como, por exemplo, as cotas raciais.