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JUBIABÁ – A REPRESENTAÇÃO DA CULTURA E IDENTIDADE DA BAHIA

Rosane Prudente Thioune1

Refletimos sobre o romance amadiano Jubiabá e a sua transcrição fílmica homônima,


dirigida por Nelson Pereira dos Santos, obras que tematizam a fissura das relações
socioculturais numa sociedade fragmentada e verticalizada pelo recorte da identidade.
Fundamentados na crítica cultural e na observação participante analisamos as
representações do imaginário social, face aos paradigmas que fundamentam as
construções das personagens - abordagens com temas essenciais para a compreensão
sobre a formação identitária baiana. A dialética das representações do enfrentamento do
homem com a realidade, de seu questionamento de Deus e o da verossimilhança
engessadas pelos limites do imbricamento da sociedade burguesa, cultura modernista e
economia capitalista apontam que a luta de classes: burguesa versus proletariado é uma
imagem do âmago entre a ótica sólida e diluída do reflexo dos paradigmas da
democracia racial e do racismo.

Palavras-chave: JUBIABÁ, IDENTIDADE, CULTURA, BAHIA.

1 INTRODUÇÃO

O retrato em preto e branco da luta pela afirmação política e social do povo


baiano, datado entre a pós-escravização e modernidade tem como alegoria a decadência
econômica do Recôncavo, a nova configuração urbana de Salvador - a transição dos
meios de produção na busca pela afirmação cultural e identitária da comunidade negra,
as relações parentais da nova família baiana– a paixão entre um homem negro e uma
mulher branca como representações fronteiriças entre o texto literário e fílmico.
Paralelos que ancoram o diálogo comparativo entre os textos, literário e fílmico.
O contraponto da trajetória do anti-herói Baldo com o herói da comunidade
Jubiabá versus a decadência da burguesia branca representada pelo comendador
Ferreira, a sua filha Lindinalva (objeto do desejo de Baldo) e Amélia (empregada
doméstica do comendador, branca e racista) é revelado em um contexto eugenista. Os
principais bens simbólicos da comunidade negra - a capoeira, a música, a dança, o
candomblé, a comida africana e afro-baiana e a língua ioruba constituem elementos de
salvaguardada de lazer e alegria, capital individual que subsidia as possibilidades de
resistência as intempéries na trajetória de Baldo. O cultivo da cana-de-açúcar no

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Mestranda em Cultura e Sociedade - Pós-Cultura – UFBA/CAPES. Licenciada em Língua Portuguesa e
Literaturas - UNEB, pesquisadora de Migração e Literaturas - Grupos de Estudos: Ecus – UFBA, do
Núcleo de Estudos Lexicais/ NEL-UNEB e do Grupo Cartografia dos Direitos Humanos dos Migrantes –
UNB. E-mail: dare.rose@gmail.com.
Recôncavo, o trabalho na estiva do porto, o boxe, a prostituição, o roubo e a atuação no
circo relatam a busca por um lugar de um homem negro.
A obra Amadiana, segundo Adonias Filho (1961), é uma vibrante transposição
literária de cenários e do povo que expressa, tanto na linguagem quanto no conteúdo da
nossa personalidade nacional, uma singular sensibilidade de representação da Bahia,
fato que popularizou a obra e as seus principais cenários. A perspectiva estética
imanente a significação objetiva da obra está imbricada aos fatores econômicos, sociais
e culturais da época, a visão de mundo que traduzem os fatos sociais (GOLDMAN:
1979) de uma escrita comprometida com o materialismo dialético, percepção de
mundo na qual Amado nos apresenta, em Jubiabá, uma ressonância engajada da
perspectiva marxista de crítica ao processo capitalista de inserção dos trabalhadores nos
processos econômico de produção do capital.
A literatura de ênfase social, dos anos de 1930 e 1940, com o enfoque
ideológico afetou determinantemente a atividade artística amadiana. Engajada, sua obra
é marcada profundamente pela denúncia das mazelas nacionais e pela consciência
catastrófica do subdesenvolvimento. Rastreia os valores e os ideais da luta de cunho
internacional dos trabalhadores e oprimidos, acaba dando ação, voz aos sujeitos negros,
marginalizados ou não, uma contribuição expressiva para a cultura baiana e a
representação do Brasil diversificado, de nação multicultural. Ele agrega e lidera um
conjunto de artistas e intelectuais que solidificam a mística da Bahia mágica em uma
fase posterior de sua obra, Jubiabá foi essencial para a sua credibilidade e incursão pelo
universo afro-baiano, publicado em 1935, as novas discussões que levantou sobre a
identidade nacional corroborou para a eleição do autor em 1961 como imortal da
Academia Brasileira de Letras. Distintamente de José de Alencar, o patrono da cadeira
que ocupou, a 23, Amado insere o negro no imaginário de nosso nacionalismo.
Nelson Pereira dos Santos, cineasta que tem a sua obra baseada em adaptações
literárias, adaptou, dirigiu e produziu em 1983 Jubiabá, uma releitura focada na
percepção do diretor sobre a identidade de Baldo, de seus laços sociais, dos percalços
que a personagem enfrenta na reconstrução de seus laços parentais, na busca pela sua
cidadania. Quadros marcados por representações culturais de música, dança, capoeira,
Candomblé, Igreja Católica focados sob o lado agressivo do racismo – a violência
psicológica e física como controle dos novos meios de produção econômica, da luta pela
supremacia dos atores sociais, pela voz e espaço das manifestações socioculturais das
identidades das classes produtivas.
Considerando que a obra de Jorge Amado está baseada em três etapas,
refletimos sobre a primeira fase, uma etapa engajada na qual a temática político-social
coloca-nos as discussões da opressão à classe trabalhadora, as rupturas do capitalismo
contra as manifestações culturais dos negros em primeiro plano, uma nova
contextualização literária do cenário baiano. O romance Jubiabá que está inserido nesta
fase nos revela perante a tragédia do percurso do protagonista, sem um juízo de valor
maniqueísta, a beleza oportuna das representações simbólicas da comunidade afro-
brasileira, uma discussão atemporal e oportuna na contemporaneidade sobre as culturas
e identidades que emergem ao pertencimento da baianidade. Uma inserção simbólica
das culturas negras que amplia os paradigmas identitários da Bahia, um conceito
redesenhado que troca os valores até então proscritos, valoração que adquiri um
compartilhamento no imaginário nacional e internacional sobre a diversidade cultural do
Brasil. Entre os diálogos da cultura europeia com as culturas negras, tem um discurso
comprometido com as causas sociais na qual as línguas faladas pelos povos negros
pontuam a voz de novos atores sociais, efeitos que servem de inspiração para vários
autores africanos recorrentes na Lusofônia. O romance social brasileiro da década de 30
capitaneado por Jorge Amado exerce na construção destas literaturas nacionais
africanas uma relação interativa para a construção de suas identidades narrativas, a base
de estéticas de autenticidade para a construção de obras instrumentalizadas na
mobilização e crítica sociopolítica como vozes das reais culturas nacionais que
intertextualizam a literatura com o cinema pós-colonial. Em Angola Assis Júnior, Castro
Soromenho, Óscar Ribas, José Luandino Vieira, Pepetela e Agualusa usam as línguas
locais como contraponto para alinhar estes elementos na busca pelo nacionalismo
literário durante a revolução pela Independência. Na prosa de ficção o uso da língua
Crioula durante a modernidade literária em Cabo Verde é aliada a temática social de
autores como Baltazar Lopes, Manuel Ferreira, um continuísmo da temática nacionalista
do sujeito lírico da poética de Amilcar Cabral. Abdulai Sila que apresenta a literatura de
Guiné-Bissau para o mundo contaminado por essa nova percepção literária. Mia Couto,
em Moçambique, alia o simbólico com o mítico na reflexão do contexto social em sua
obra. Por toda África portuguesa floresceu a pista da nova construção ficcional
germinada em Jubiabá, ecos que também ecoaram na literatura africana francófona.
2 CINEMA E LITERATURA

Como arte de origem popular o cinema transpôs na contemporaneidade as suas


origens transformando-se em objeto de estudo de várias teorias acadêmicas, sobre o
prisma dos “estudos culturais” tem uma sensibilidade as questões étnicas e as interações
diferenciadas em singulares contextos sociais periféricos do capitalismo. Neste ele tem
estratégias alegóricas de representação, segundo Fernão Pessoa Ramos (2005: p.20)
“entre “comunidades imaginadas” (Anderson) e procedimentos descontrutivistas, a
dialética da fragmentação e da totalização alegórica ainda atravessa, como estratégia, a
produção de países periféricos, particularmente na representação da nação brasileira”, o
que coloca a teoria cinematográfica em paralelo com as principais correntes do
pensamento contemporâneo.
Nelson Pereira dos Santos, caracterizado pelo conjunto da obra como neo-
realista nos fornece em Jubiabá elementos para uma perspectiva de reflexão
contemporânea - os estudos culturais, os pós-modernistas e os culturalismo da Escola de
Frankfurt tem uma concepção fundacional quanto ao conhecimento e a ação, nesta
perspectiva os culturalistas concebem as “grandes narrativas” como fragmentos
históricos que nos dão pistas dos discursos e práticas dos agentes sociais em momentos
de embate entre a cultura preponderante e a verticalizada como sub-cultura. Nos estudos
culturais o repertório de ações cotidianas é exibido como armas de transformação social
onde a identificação das personagens ocorre pelas características externas (cor, gênero,
classe) imbricadas com os pactos narrativos. (RAMOS: 2005).
A literatura elabora uma consciência estética moral da nação-povo, fabricando a
imagem do popular em que a identidade nacional é construída com um discurso de
caráter ambíguo onde o povo e o passado constituem a nacionalidade constrída, uma
base para os pêndulos da autoridade política moderna. Perante a pedagogia nacionalista
a nacionalidade brasileira é construída pela mestiçagem, uma ação que alterou a nossa
representação simbólica de Nação. Já que o Estado Novo definiu a nacionalidade como
real, a partir da política e da mídia radiofônica, o nacional-popular resgata o passado
histórico cultural dos excluídos e atua como signos de unificação cultural, política e
ideológica.
Nesta perspectiva a concepção de Bahia está ligada ao corpo multi-textual de
representações, imagens e discursos da legitimidade de sentido indefinido de auto-
representação da abstração reificada de uma comunidade imaginada do discurso-povo,
tradição e da cultura. É um objeto cultural multifacetado pelo autoritarismo político e o
racismo onde a produção da consciência nacional é fincada em representações
populares e na autenticidade cultural.
A baianidade é tem uma bibliografia marcada da especificidade cultural que
cria um modelo ou paradigma para a representação estereotipada e identitária baiana,
textos literários que utilizam semelhante ação em suas narrativas com conectivos da
narração de nação, explorando a condição multirracial da cidade – estereótipos sexuais e
raciais, ironias e máscaras que enceram a democracia racial; uma dialética fonte de
autenticidade aliada ao reverso colonial, o pensamento branco dominante que justifica a
criatividade cultural como extrato da mestiçagem. Uma idealização das singularidades
do senso comum de pertencimento à baianidade, que desvelada a partir das narrativas
específicas de conteúdos particulares que restringem ideologicamente a construção do
consenso do Estado para a resistência a mercantilização seriada de bens simbólicos.
Amado e os cânones locais baseiam sua ficção numa Bahia sincrética, um fruto
da herança colonial barroca e da religiosidade africana que alia contextos e cenários
com a mitologia africana. O Pelourinho, um dos mitos fundantes, metaforiza as
desigualdades sociais evocativas da escravidão e da originalidade do povo e da Bahia,
uma polifonia de estereótipos que na obra amadiana compõe a identidade regional e as
condições de produção das obras. (PINHO:1998). Uma estratégia ficcional do autor
com imagens e metáforas de mundos possíveis de uma brasilidade que amplifica a voz
de uma nova percepção simbólica de mundo, que exala os conflitos raciais e constrói
uma verossimilhança diferenciada de Bahia.

3 CULTURA E IDENTIDADE

A cultura na modernidade apresenta rasuras e fissuras que estão intimamente


ligadas às identidades nacionais e as representações imbricadas nos contextos dialéticos
da criação e produção das relações socioculturais, que formaram o capitalismo entre as
grandes guerras. A busca pela definição do patrimônio civilizatório africano na
formação social nacional tiveram uma boa reflexão a partir da Bahia entre as décadas
de 1930 e 1940, quando estas reflexões adentraram o circulo acadêmico etiquetadas
como estudos afro-brasileiros, nas quais Jorge Amado utiliza estes novos olhares sob o
povo negro para os seus repertórios.
No Brasil a literatura amadiana nos apresenta o romance social como um
espelho de nossa configuração sociocultural, o que após 30 retrata a construção de nossa
“nação” extremamente impulsionada pela mestiçagem, demarcada pelas fronteiras da
verticalização das classes e acomodação dos conflitos étnicos. Elementos que
construíram o enredo e a verossimilhança do romance Jubiabá, símbolos e
representações que articulam o texto fílmico homônimo.
A cultura no senso comum corresponde a um status intelectual de conhecimento
ou a caracterização dos hábitos e costumes de certa comunidade, mas a partir do seu
sentido primordial de cultivar a terra, desde à Antiguidade Clássica recebe metáforas
que a conotam basicamente a partir de seis categorias: descritiva, histórica, normativa,
psicológica, estrutural e genética, pólos de uma análise restritiva da organização
simbólica de um grupo que atenta aos hábitos, costumes, tradições e estéticas
imbricadas no seu contexto social e tecnológico, ou seja o sentido lato e o estrito que
permite que a cultura como ator principal defina a vida (SANTAELLA: 2010). Durante
a Era Vargas o Estado rotulava as identidades e culturas pela sua necessidade política de
regulação social, o nacionalismo era centrado na realidade objetiva e subjetiva do
território com representações do contexto coletivo que mercantilizavam o sentido
individual e coletivo, coisificando desesperadamente seus sujeitos em busca de uma
significação de cultura que atendesse as novas demandas da indústria cultural
globalizada. Jubiabá contextualiza uma dinâmica cultural que nos revela a circularidade
do descortinamento de culturas e identidades descoladas da nação, um florescimento
imbricado com a renovação dos atores sociais (COELHO: 2008) que procuram o seu
lugar como sujeitos representativos.
Partindo da referencialidade da différance, o trabalho discurso, a demarcação
simbólica pontua o efeito de fronteiras estratégicas e posicionais, uma negação ao
conceito essencialista do eu coletivo recorrente ao pertencimento cultural aliada à
história e ancestralidade compartilhada, ponderando (HALL: 2014) de onde viemos,
uma negociação com nossas rotas (GILROY: 1994, apud HALL: 2014) a narração
ficcional não dilui a força discursiva, histórica ou material das identidades que são
construídas fora e dentro do discurso. Segundo Kathryn Woodward (2007) as crises
globais de identidade estão fincadas no conceito de Ernesto Laclan de deslocamento,
uma única classe social não consegue resolver a demanda da emancipação social, estes
diminuiriam o prestígio de agregação, baseadas em entidades de classe o que deflagra
a efervescência de outras áreas de desconforto. A questão racial surge em todos os
cenários dos diferentes campos sociais do enredo na complexa vida moderna. Balduino
assume diferentes identidades, que muitas vezes não tem lastro psicológico para
suportar as demandas de sustentação destas. A construção literária e fílmica das
personagens buscam reencontrar a substancialidade e a essência, para sempre perdidas
em um meio pautado pelo superficialismo e pela convencionalidade. A cisão profunda
entre o indivíduo e seu próprio mundo circundante reflete as reverberações das diversas
identidades culturais, a estrutura narrativa passa a destacar a fragmentação do homem,
um mundo dividido, um sintoma característico do sistema capitalista. Antonio Balduino,
que assume, durante o desenvolvimento narrativo, uma feição revolucionária, ao passar
da rebeldia à ação é um homem livre em sua inconsciência e naturalidade, ao rejeitar a
solidificação do que estava posto esboça novas profissões e diversas experiências de
vida. Nas quais o protagonista tenta o rompimento com a conjuntura histórico- social
vigente na determinação de legitimar a sua identidade, firmando a identidade cultural
dos indivíduos que compõem um determinado grupo oprimido, marginalizado e
estigmatizado. Quando é exposta a religiosidade afro-brasileira: “nas noites de
macumba os negros da cidade se reuniam no terreiro de Jubiabá e contavam suas coisas.
.E por isso que Antonio Balduino não queria levar o branco” (AMADO: p. 101-102),
aponta a relação marxista entre base e superestrutura, o apagamento das relações
sociais determinadas pela base material de uma sociedade que faz com que o
pertencimento de classe seja diluído frente aos sistemas simbólicos de representação. O
conceito de sagrado e profano, partilhados caracterizam-se pelos diferentes aspectos da
vida social do povo soteropolitano.
O Decreto-Lei no. 1202 de 8/4/39 que autorizava a liberdade religiosa afro-
brasileira foi articulado pela líder religiosa baiana Eugenia Anna dos Santos – Mãe
Aninha, a relação de ambos, uma líder religiosa e um jovem escritor estão marcadas
entre a ficção e o memorialismo. Jubiabá retrata os cenários e contextos africanos e
afro-brasileiros em uma época de extrema repressão, as religiões de matrizes africanas.
Período em que os líderes religiosos dos Egungun de Itaparica, as lideres espirituais de
Salvador e do Recôncavo tinham que ter extrema atenção para não serem presos e ou
terem seu bens materiais confiscados, como prova da transgressão de não professar a
religião católica. A perda do halo, segundo Marshal Berman (1986) é uma das imagens
das ambiguidades que o marxismo apontou: a vida é dividida em sagrada e profano. Na
celebração religiosa da confraria do Candomblé o negro podia resgatar a sua cidadania
africana – ser um rei, uma rainha, um pai, uma mãe, amar, ser filho, ser pai, ser mãe –
apagar a sua coisificação da escravização e exercer a humanidade, a sua vida africana
interrompida.
Expressa em mitos fundantes as cidades têm um referencial simbólico de
identificação que publicam a concretude e o seu imaginário social - a identidade,
enquanto padrão de referência, sensação de pertencimento e fator de coesão social é
uma categoria socialmente construída (PESAVENTO: 1999). E o mar surge como uma
das estradas para subsistência da população negra - “Os saveiros dormem. Apenas o
viajante sem porto sai de lanterna acesa, carregado de abacaxis...o mar é seu inimigo e o
seu amante....a estrada do mar é larga” (AMADO: p. 305) nos dando pistas de como os
saveiros personificaram um veiculo de independência financeira, de muitos homens
negros.

4 JUBIABÁ, AS FRONTEIRAS ENTRE O FICÇIONAL E DO FILMÍCO

A adaptação de textos literários para roteiros cinematográficos está sujeita a


diversas exigências intra e extra o texto, prerrogativas condicionantes para a produção
artística: tempo de veiculação, as relações de produção e patrocínio, a contextualização
social e mercadológica da indústria cultural na época em que esta releitura textual
acontece. Fatores que muitas vezes acarretam um distanciamento imanente entre os
textos e uma possibilidade diferente de recepção destes, no caso de Jubiabá as
sequências de construção da narrativa partiram de ângulos diferenciados para traçarem
paralelas que cruzam-se na discussão da cultura e da identidade, por consequência de
representações simbólicas da Bahia.
Escrito entre 1934 e 1935 é dividido em três tópicos: Bahia de Todos os Santos e
do Pai de Santo Jubiabá, diário de um negro em fuga, e A.B.C. de Antônio Balduíno. O
negro é o grande protagonista, algo significativo à época, pelo ineditismo do enfoque
das questões étnicas e de classe no Brasil, a obra retrata a situação que condena o negro
soteropolitano, após a “libertação”, à atividades produtivas mutáveis e ao continuísmo
da profissão de ganhadeiro, esboça a configuração moderna da cidade, na qual o negro
fica em uma distribuição geográfica estigmatizada.
Lançado em 1985 e restaurado em 1987 o filme colorido de 100 minutos
propagandeia na sua ficha técnica a direção de Nelson Pereira dos Santos, o elenco com
Françoise Goussard, Charles Baiano e Catherine Rouvel, a censura para 12 anos, com a
seguinte sinopse:
“ O filme de Nelson Pereira dos Santos, Jubiabá conta o amor
do negro Antônio Balduíno pela loura Lindinalva. Depois de
algumas desventuras, Balduíno torna-se o imperador das ruas da
Bahia. Mas o gigante negro tinha o coração escravo de
Lindinalva e a cabeça de Jubiabá, seu padrinho pai-de-santo.”

O elenco conta com alguns dos grandes ícones da dramaturgia brasileira: Grande
Otelo, Ruth de Souza, Zezé Mota, atores negros que ficaram invisíveis na divulgação
da ficha técnica, uma concepção do plano de mídia da película que foca um público
interessado em uma trágica estória de amor em um local paradisíaco, o que dilui a
representação do herói da trama protagonizado por Grande Otelo. Na capa da primeira
edição do livro o Pai Jubiabá esta em primeiro plano de uma foto que ao fundo tem dois
meninos negros e o Pelourinho no Centro Histórico de Salvador, sínteses visuais
coerentes com o discurso narrativo de baianidade da trama literária, já no cartaz e flyer
da propaganda do filme temos duas versões: dois meninos em primeiro plano em um
fundo com uma natureza não marcada e outra com uma foto metaforizando uma peneira
de jogo circulada pela conta de Sàngó com Baldo adolescente realizando um brinde
com Lindinalva adulta ao centro.
Nos anos iniciais de sua carreira, 1935, Amado publica um romance em que um
negro é o primeiro grande protagonista, algo extremamente significativo à época, pelo
ineditismo do enfoque das questões étnicas e de classe no Brasil. O viés da luta política
e social da étnica negra num Brasil eugenista, que tenta firmar-se em uma sociedade
europeizada é o dilema do contingente negro. Excluído após a “libertação”; alijado das
forças produtivas respeitáveis e da distribuição geográfica de uma cidade que tentava
marginalizá-los para a configuração moderna. Antônio Balduíno, nascido no morro do
Capa-Negro, em Salvador, é o protagonista do romance Jubiabá. O anti-herói em sua
trajetória pela sua identidade pessoal e coletiva é marcado no ABC principalmente pelas
ações de quando vivia nas ruas, ainda criança, cometendo pequenos delitos, agregado na
casa de um comendador, malandro, boxeador, trabalhador nas plantações de fumo,
artista de circo e estivador. O filme faz uma trajetória cronologicamente linear, sobre a
vida do protagonista Baldo e coloca o Pai Jubiabá como alguém que alimenta-se
culturalmente da literatura escrita eurocêntrica. Apagando os acervos da literatura oral
africana e afro-brasileira, esquecendo os mecanismos de produção de saberes que
alimentam as comunidades negras, as constantes imagens de Pai Jubiabá lendo são um
paradoxo com a temática recorrente na obra literária, a representação de um pai de santo
que muito lê fica deslocada quando o que o legitima enquanto autoridade religiosa e
civil não são os conhecimentos que provêm do letramento pedagógico. O livro enfatiza
a busca pela afirmação identitária e auto-estima através de capítulos que narram a busca
de Baldo pelo seu lugar.
A vitória de Baldo na luta de box sobre o europeu, narrada no primeiro capítulo,
desvela que os sentimentos do protagonista seriam narrados sem máscaras durante a
trama. O mito do Lobsomem e a explicação da origem do nome da comunidade Capa-
Negro (AMADO: p.23) ilustram a importância da literatura oral na construção e
manutenção da memória coletiva. A rendeira branca e os estivadores que moravam no
Morro reiteram a condição de compartilhamento da exclusão social que o proletários
sofreram, a discussão de classe sobrepõe-se a do racismo: “Negro ainda é escravo e
branco também – atalhou um homem magro que trabalhava no cais. – Todo pobre é
ainda escravo. Escravidão ainda não acabou. Os negros, os mulatos, os brancos
baixaram a cabeça” (AMADO: p.24) quando o romance fala dos meios de produção de
capital. A persistência de baldo em não aceitar o lugar social destinado ao negro, às
restrições quanto à afetividade, religião, cultura o colocam associando a etnia branca
como objeto de desejo e ódio, elemento restritivo e acessível à transposição de sua
realidade. Ao mesmo tempo em que ambiciona uma mulher branca ele não é aceito
pelos brancos enquanto um ser humano em condições de igualdade, a todo o momento o
racismo tenta lembrá-lo que ele tem que seguir a trilha dos outros meninos do Morro.
Considerando, pela significação semiótica, a estrutura narrativa do filme gera
uma escala de conquistas e ilusões coladas ao discurso na qual a relação entre o
procedimento sintático do foco narrativo e aos efeitos produzidos pela imanência
fatorial de organização narrativo-discursivo-textual, quanto à variação sociocultural e
histórica nos apresentam paixões complexas, modalidades que se organizam em uma
configuração patêmica e desenvolvem percursos com uma variação tensiva. (BARROS,
2005, p. 95). Os pontos de tensões do filme representam basicamente à busca da
sobrevivência, a saída do Morro, a saída da casa do comendador, a vida na rua; a vida
de boxer, no canavial, no circo, na estiva, momentos nos quais a proteção de Sàngó é
representada pelo colar ritual que recebe de Pai Jubiabá quando sai do Morro. Um
percurso no qual as paixões complexas relegam um estado de anseio, decepção,
confiança, segurança decorrente do querer ser de Baldo a não ter rancor o de alma cita
o rancor que faz pressupor a presença de um estado de espera e de confiança, um estado
de decepção, um estado de falta ou de insegurança e aflição, um estado de malevolência
e, no fim, culminando com o rancor.
O mito da continuidade; a vida como um eixo que alimenta e circula a vida,
metáforas de espaço - rodas de samba, de candomblé, Box. Mostram a mítica africana
que a vitória não esta agregada à temporalidade, mas sim a circularidade ou retorno da
nossa harmonia com o cosmos. É um contraponto dialético aos anseios de coisificação
da modernização que aporta em Salvador.
Ao substituir os valores estigmatizados por uma forma de vida
qualitativamente consequente, a consciência transformada do anti-herói Balduíno,
enfim, encontra um caminho. Das coisas que o negro Balduíno gostava não contava o
conformismo. Desde a infância, Balduíno não aceitava o legado aos negros pobres,
procurou ser um trabalhador assalariado, apagou a herança escrava do final do século
XIX; foi morar nas ruas, viver de esmolas, sacralizar Jubiabá, líder espiritual. A
musicalidade esta no cotidiano, o ABC são livretos de histórias heróicas, as epopeias
urbanas. Balduíno traça sua saga para converter-se de anti-herói em herói. Como boxeur
vence os lutadores locais e o campeão do Rio de Janeiro mas problemas sentimentais
quebram a sua invencibilidade, Balduíno fica extremamente triste e resolve sair da
cidade de Salvador e se fixar no interior do estado. Frustrado passeia pelos portos do
Recôncavo, aprecia a voz da mulher de seu companheiro e conta com a terna companhia
de seu antigo amigo, o Gordo, lá Baldo reconhece outra forma de escravidão nas
lavouras de fumo. Enquanto os grandes industriais e agricultores, donos das plantações
e das fazendas de fumo consumiam champanhes caros, andavam em carros luxuosos e
moravam em mansões, os trabalhadores viviam com um salário de indigno ao menos
para prover a comida em casa.
Os conflitos étnicos atualizam a historia nacional, o negro tenta recuperar a
verdade histórica que possa consolidá-lo com dignidade no contexto individual e
coletivo em nossa nacionalidade, A História recontada de Zumbi dos Palmares tem um
objetivo ideológico, são mecanismos de interposição para compreender o passado de
opressão e investir na construção de um futuro com base num saber estruturado em
pressupostos políticos inovadores, já que a tradição reavaliada alimenta o imaginário de
desconstrução da leitura racista que contamina as produções culturais. Que alimenta o
fôlego para transpor as adversidades, a tentativa de somente ser como somos e não ter
que assumir na essência os valores capitalistas: resistir as alegorias da modernidade.
É preciso, então, ultrapassar a mentalidade servil e alcançar uma consciência
esclarecida do sistema social vigente. Como saldo final, a trajetória ascendente do
protagonista culmina com a aquisição da consciência de classe, identificada na união de
todos os trabalhadores em prol de uma sociedade mais justa. O negro Balduíno articula
triunfantemente a formação de uma consciência social. Encontra no materialismo
histórico o fundamento ideológico para a sua práxis política, por meio de uma adesão
franca à causa do espoliado e coloca, segundo Paulo Sérgio Rouanet (1990) a memória
e a experiência como elementos preservadores de suas raízes e identidade.
Seu percurso, consagrado com a vitória total do movimento grevista,
demonstra os caminhos e os descaminhos de uma consciência social à deriva, em busca
de alternativa, que finalmente encontra a sua rota. Os objetos símbolos e papéis-
símbolos, segundo Nicolau Sevcenko (2003) era destinado aos agraciados, os
respaldados por papéis ou títulos, que possuíam uma existência superior para a graça de
mandar não estava acessível ao universo negro. Daí o seu alicerce representativo, de
um escopo entre existencial e histórico, foi concretizado por meio da greve vitoriosa. A
significação da forma preliminar, a transformação e a união de esforços de todos os
espoliados em favor de outro modelo social já vislumbrado utopicamente.
Amado argumenta que “negro ainda é escravo e branco também – atalhou um
homem magro que trabalhava no cais – todo pobre é ainda escravo. Escravidão não se
acabou” (p.46) para igualar a luta de classes a étnica, equívoco que a esquerda brasileira
usou, tal ferozmente quanto a direita, para apagar e diluir os avanços da luta étnica na
modernidade. Para aqueles teóricos que acreditam que as identidades modernas estão
entrando em colapso, o argumento se desenvolve da seguinte forma um tipo diferente de
mudança estrutural está transformando as sociedades modernas, está fragmentando as
paisagens culturais de classe, gênero, sexualidade, etnia, raça e nacionalidade que no
passado nos tinham fornecido sólidas localizações como indivíduos sociais. (HALL,
2001). “Balduíno disse à dos Reis: - Agora não sou mais malandro....sou jogador de
boxe.... vou ser campeão....Depois vou para o Rio, para a América do Norte”
(AMADO:p.115). Transformações que tentam a mudança das nossas identidades
pessoais, abalando a ideia que temos de nós próprios como sujeitos integrados.
O "hibridismo" e o sincretismo — a fusão entre diferentes tradições culturais —
são uma poderosa fonte criativa, produzindo novas formas de cultura, mais apropriadas
à modernidade tardia que às velhas e contestadas identidades do passado. (HALL,
2003). Outras, entretanto, argumentam que o hibridismo, com a indeterminação, a
"dupla consciência" e o relativismo que implica, também tem seus custos e perigos.
De acordo com essas "metanarrativas" da modernidade, os apegos irracionais ao
local e ao particular, à tradição e às raízes, aos mitos nacionais e às "comunidades
imaginadas", seriam gradualmente substituídos por identidades mais racionais e
universalistas. Crioulização, mestiçagem, fusão são definições que ainda não respondem
ao complexo imbricamento da reinvindicações da identidade ética como o
pertencimento nacional. Salvador continua na ponta destas exemplificações, quando
falamos de Brasil.
Jubiabá é um retrato da sociedade brasileira que esta frente aos antagonismos da
modernidade: “não estou dizendo máquina não vale nada. O cavalo fogoso nunca
encrencou. Vocês já viram um cavalo encrencar?..(AMADO: p.223) desvela um
caldeirão de significados. Enfoca as relações raciais a partir da distinção de olhares de
duas experiências sócio-culturais distintas. A obra prima pelo ineditismo do
protagonismo dos anti heróis negros, retrata o mundo africano e afro—brasileiro em
seus cenários e marcas linguísticas. Antecede a imagem literária de Zumbi dos
Palmares como herói nacional.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Jubiabá, regionalista, fotógrafa problemas sociais universais na diáspora


africana - dramaticamente, o negro e o branco proletários, a principio categorias tão
díspares tornam-se simultaneamente significativas para o contexto específico de nossa
complexa e intrincada formação sociocultural. A busca pela modernidade não conseguiu
e não consegue apagar seu relevo cultural e étnico africano, as heranças patrimoniais
imateriais das heranças das rebeliões e resistências negra, um romance que pincela, sob
uma ótica marxista, alguns aspectos das fraturas que a modernidade tardia causou na
sociedade brasileira. A luta de classes e o racismo exigiram dos excluídos uma
peculiarização - a mistura de hábitos socioculturais que transformaram a Bahia em um
caldeirão de diversas culturas nas quais as negras sobressaem-se pelo diferença
quantitativa e qualitativa que agrega à dinâmica cultural das representações do Estado.
Sons, tons e sabores – a musicalidade dos tambores do samba de roda e do
candomblé, as cores da sua arte plástica – pinturas, esculturas, bordados, tecelagem,
joalheria, etc, os sabores da comida africana e afro-brasileira- acarajé, moquecas,
mingaus, etc são elementos que singularizados ou agregados a outras estéticas
consolidam como bens materiais e imateriais o domínio da etnia negra, em um leque de
representações que estão fixadas no imaginário do senso comum como elementos
baianos. Recursos que Jorge Amado fixou na sua composição do contexto e cenário do
romance Jubiabá, que Nelson Pereira dos Santos sintetizou na trajetória de Baldo,
.marcando o processo de modernização antropofagica da burguesia. Do seu
destroçamento histórico de paradigmas, a do proletariado como uma representação das
diluições sedimentadas e o seu “ideal desenvolvimentista” apontando e exaltando
como revolucionário “o ativismo burguês”, apaga o percurso humano e ambiciona a
valia da mudança com o suporte desta ferramenta que horizontaliza esta fragilidade nas
esferas individuais e coletivas. A modernidade é somente uma alegoria útil somente aos
que não conseguem entender que a luta de classe brasileira é uma amenidade frente ao
nosso maior conflito: o racismo pessoal, coletivo e institucional, a fragmentação do
direito real à cidadania.
O texto literário apresentou a Bahia de Todos os Santos ao Brasil e a
comunidade internacional, como uma territorialidade em que o pertencimento e
compartilhamento das culturas africanas dá voz a representação de personalidades e
intelectuais negros. O filme intensificou a consagração da mística afro-brasileira, como
um destino, um roteiro para viver o dialogo de africanias na diáspora soteropolitana.

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