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Gêneros do Discurso em Bakhtin: Enunciados e Estilo

O documento discute os conceitos de enunciado e gêneros do discurso segundo Bakhtin. Segundo o autor, (1) enunciado é uma unidade da comunicação discursiva que transcende o texto, (2) os gêneros do discurso são tipos relativamente estáveis de enunciados em cada campo da atividade humana, e (3) os gêneros primários surgiram em comunicação imediata versus gêneros secundários complexos em cultura organizada.

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Gêneros do Discurso em Bakhtin: Enunciados e Estilo

O documento discute os conceitos de enunciado e gêneros do discurso segundo Bakhtin. Segundo o autor, (1) enunciado é uma unidade da comunicação discursiva que transcende o texto, (2) os gêneros do discurso são tipos relativamente estáveis de enunciados em cada campo da atividade humana, e (3) os gêneros primários surgiram em comunicação imediata versus gêneros secundários complexos em cultura organizada.

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FICHAMENTO

TEXTO: BAKHTIN, Mikhail. Os gêneros do discurso. In:_____. Estética da criação verbal. Trad. Paulo
Bezerra. 6ª. ed. São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2011. p. 261-306.

“Todos os diversos campos da atividade humana estão ligados ao uso da linguagem. [...] O emprego da língua
efetua-se em forma de enunciados (orais ou escritos) concretos e únicos, proferidos pelos integrantes desse ou
daquele campo da atividade humana” (p. 261).

CONCEPÇÃO DE ENUNCIADO PARA BAKHTIN : Para o autor, enunciado significa uma unidade da comunicação
discursiva. Assim, cada enunciado constitui um novo acontecimento, um evento único e irrepetível da
comunicação discursiva. Nessa lógica, o enunciado pode ser citado, mas nunca repetido, pois, nesse caso,
constitui-se como um novo acontecimento. Dessa maneira, o enunciado não deve ser compreendido como
uma frase, mas sim como uma unidade complexa que transcende os limites do próprio texto.

SOBRE A DEFINIÇÃO DE GÊNEROS DO DISCURSO: “[...] o conteúdo temático, o estilo, a construção


composicional – estão indissoluvelmente ligados no todo do enunciado e são igualmente determinados pela
especificidade de um determinado campo da comunicação. Evidentemente, cada enunciado particular é
individual, mas cada campo de utilização da língua elabora seus tipos relativamente estáveis de enunciados,
os quais denominamos de gêneros do discurso” (p. 262).

“A riqueza e a diversidade dos gêneros do discurso são infinitas porque são inesgotáveis as possibilidades da
multiforme atividade humana e porque em casa campo dessa atividade é integral o repertório de gêneros do
discurso, que cresce e se diferencia à medida que se desenvolve e se complexifica um determinado campo”
(p. 262).

SOBRE A DEFINIÇÃO DE GÊNEROS PRIMÁRIOS E SECUNDÁRIOS: “Aqui é de especial importância atentar para
a diferença essencial entre os gêneros discursivos primários (simples) e secundários (complexos) – não se trata
de uma diferença funcional. Os gêneros discursivos secundários (complexos – romances, dramas, pesquisas
científicas de toda espécie, os grandes gêneros publicitários, etc.) surgem nas condições de um convívio
cultural mais complexo e relativamente muito desenvolvido e organizado (predominantemente o escrito) –
artístico, científico, sociopolítico, etc. No processo de sua formação, eles incorporam e reelaboram diversos
gêneros primários (simples), que se formaram nas condições da comunicação discursiva imediata” (p. 263).

“A diferença entre os gêneros primário e secundário (ideológicos) é extremamente grande e essencial, e é por
isso mesmo que a natureza do enunciado deve ser descoberta e definida por meio da análise de ambas as
modalidades; apenas sob essa condição a definição pode vir a ser adequada à natureza complexa e profunda
do enunciado (e abranger suas facetas mais importantes)” (p. 264).
QUESTÕES DE ESTILÍSTICA: “Todo enunciado – oral e escrito, primário e secundário e também em qualquer
campo da comunicação discursiva – é individual e por isso pode refletir a individualidade do falante (ou de
quem escreve), isto é, pode ter estilo individual. Entretanto, nem todos os gêneros são igualmente propícios a
tal reflexo da individualidade do falante na linguagem do enunciado, ou seja, ao estilo individual. [...] As
condições menos propícias para o reflexo da individualidade na linguagem estão presentes naqueles gêneros
do discurso que requerem uma forma padronizada, por exemplo, em muitas modalidades de documentos
oficiais, de ordens militares, nos sinais verbalizados da produção, etc.” (p. 265).

“Uma determinada função (científica, técnica, publicística, oficial, cotidiana) e determinadas condições de
comunicação discursiva, específicas de cada campo, geram determinados gêneros, isto é, determinados tipos
de enunciados estilísticos, temáticos e composicionais relativamente estáveis” (p. 266).

“Os enunciados e seus tipos, isto é, os gêneros discursivos, são correias de transmissão entre a história da
sociedade e a história da linguagem. Nenhuma fenômeno novo (fonético, léxico, gramatical) pode integrar o
sistema da língua sem ter percorrido um complexo e longo caminho de experimentação e elaboração de
gêneros e estilos” (p. 268).

SOBRE O CONCEITO DE DIALOGISMO EM BAKHTIN: Em termos filosóficos, o dialogismo diz respeito à escrita
em que se lê o outro, o discurso do outro. Para Bakhtin, é fundamental compreender o dialogismo a nível da
linguagem, criando, portanto, uma relação fundamental da linguagem como função comunicativa. Na
perspectiva bakhtiniana, o processo dialógico da linguagem ocorre por meio da interação verbal entre o
enunciador e o enunciatário (linguagem como elemento que estabelece a relação entre os seres humanos e
propicia a experiência da intersecção ou interação entre interlocutores) e no espaço do texto – intertextualidade
no interior do discurso (o sentido não é originado no instante da enunciação, ele faz parte de um processo
contínuo, em que “tudo vem do exterior por meio da palavra do outro”, sendo o enunciado “um elo de uma
cadeia infinita de enunciados, um ponto de encontro de opiniões e visões de mundo”. O texto é tecido
polifonicamente por fios dialógicos de vozes que polemizam entre si, se completam ou respondem umas às
outras).

ATITUDE RESPONSIVA DO OUVINTE-FALANTE: [...] o ouvinte, ao perceber e compreender o significado


(linguístico) do discurso, ocupa simultaneamente em relação a ele uma ativa posição responsiva: concorda ou
discorda dele (total ou parcialmente), completa-o, aplica-o, prepara-se para usá-lo, etc.; essa posição
responsiva do ouvinte se forma ao longo de todo processo de audição e compreensão desde seu início, às vezes
literalmente a partir da primeira palavra do falante. Toda compreensão da fala viva, do enunciado vivo é de
natureza ativamente responsiva (embora o grau desse ativismo seja bastante diverso); toda compreensão é
prenhe de resposta, e nessa ou naquela forma a gera obrigatoriedade: o ouvinte se torna falante. A compreensão
passiva do significado do discurso é apenas um momento abstrato da compreensão ativamente real e plena,
que se atualiza na subsequente resposta em voz real e alta” (p. 271).
ALTERNÂNCIA DOS SUJEITOS DO DISCURSO: “Os limites de cada enunciado concreto como unidade da
comunicação discursiva são definidos pela alternância dos sujeitos do discurso, ou seja, pela alternância dos
falantes. Todo enunciado – da réplica sucinta (monovocal) do diálogo cotidiano ao grande romance ou tratado
científico – tem, por assim dizer, um princípio absoluto e um fim absoluto: antes do seu início, os enunciados
de outros; depois do seu término, os enunciados responsivos de outros (ou ao menos uma compreensão
ativamente responsiva silenciosa do outro ou, por último, uma ação responsiva baseada nessa compreensão).
O falante termina o seu enunciado para passar a palavra ao outro ou dar lugar à sua compreensão ativamente
responsiva. O enunciado não é uma unidade convencional, mas uma unidade real, precisamente delimitada da
alternância dos sujeitos do discurso, a qual termina com a transmissão da palavra ao outro, por mais silencioso
que seja o ‘dixi’ percebido pelos ouvintes [como sinal] de que o falante terminou” (p. 275).

PECULIARIDADES CONSTITUTIVAS DO ENUNCIADO COMO UNIDADE DE COMUNICAÇÃO DISCURSIVA: “Desse


modo, a alternância dos sujeitos do discurso, que emoldura o enunciado e cria para ele a massa firme,
rigorosamente delimitada dos outros enunciados a ele vinculados, é a primeira peculiaridade constitutiva do
enunciado como unidade de comunicação discursiva, que o distingue da unidade da língua. Passemos à
segunda peculiaridade do enunciado, intimamente vinculada à primeira. Essa segunda peculiaridade é a
conclusibilidade específica do enunciado. A conclusibilidade do enunciado é uma espécie de aspecto interno
da alternância dos sujeitos do discurso; essa alternância pode ocorrer precisamente porque o falante disse (ou
escreveu) tudo que quis dizer em dado momento ou sob dadas condições. Quando ouvimos ou vemos,
percebemos nitidamente o fim do enunciado, como se ouvíssemos o ‘dixi’ conclusivo do falante. Essa
conclusibilidade é específica e determinada por categorias específicas” (p. 280).

A INTEIREZA DO ENUNCIADO QUANTO ÀS FORMAS TÍPICAS COMPOSICIONAIS E DE GÊNERO DO

ACABAMENTO : “Passemos ao elemento terceiro e mais importante para nós – as formas estáveis de gênero e
do enunciado. A vontade discursiva do falante se realiza antes de tudo na escolha de um certo gênero de
discurso. Essa escolha é determinada pela especificidade de um dado campo da comunicação discursiva, pela
composição pessoal dos seus participantes, etc. A intenção discursiva do falante, com toda a sua
individualidade e subjetividade, é em seguida aplicada e adaptada ao gênero escolhido, constitui-se e
desenvolve-se em uma determinada forma de gênero. Tais gêneros existem antes de tudo em todos os gêneros
mais multiformes da comunicação oral cotidiana, inclusive do gênero mais familiar e do mais íntimo” (p. 282).

“Muitas pessoas que dominam magnificamente uma língua sentem amiúde total impotência em alguns campos
da comunicação precisamente porque não dominam na prática as formas de gênero de dadas esferas.
Frequentemente, a pessoa que domina magnificamente o discurso em diferentes esferas da comunicação
cultural, sabe ler o relatório, desenvolver uma discussão científica, fala magnificamente sobre questões sociais,
cala ou intervém de forma muito desajeitada em uma conversa mundana. Aqui não se trata de pobreza
vocabular nem de estilo tomado de maneira abstrata; tudo se resume a uma inabilidade para dominar o
repertório dos gêneros da conversa mundana, a uma falta de acervo suficiente de noções sobre todo um
enunciado que ajudem a moldar de forma rápida e descontraída o seu discurso nas formas estilístico-
composicionais definidas, a uma inabilidade de tomar a palavra a tempo, de começar corretamente e terminar
corretamente (nesses gêneros, a composição é muito simples)” (p. 285).

SOBRE O CONCEITO DE ASSIMILAÇÃO DO DISCURSO: “Em certo sentido, essa experiência pode ser
caracterizada como processo de assimilação – mais ou menos criador – das palavras do outro (e não das
palavras da língua). Nosso discurso, isto é, todos os nossos enunciados (inclusive as obras criadas) é pleno de
palavras dos outros, de um grau vário de alteridade ou de assimilabilidade, de um grau vário de
aperceptibilidade e de relevância. Essas palavras dos outros trazem consigo a expressão, o seu tom valorativo
que assimilamos, reelaboramos, e reacentuamos” (p. 294-295).

SOBRE O CONCEITO DE ENDEREÇAMENTO: “Um traço essencial (constitutivo) do enunciado é o seu


direcionamento a alguém, o seu endereçamento. À diferença das unidades significativas da língua – palavras
e orações –, que são impessoais, de ninguém e a ninguém endereçadas, o enunciado tem autor (e,
respectivamente, expressão, do que já falamos) e destinatário. [...] Todas essas modalidades e concepções de
destinatário são determinadas pelo campo da atividade humana e da vida a que tal enunciado se refere. A quem
se destina o enunciado, como o falante (ou o que escreve) percebe e representa para si os seus destinatários,
qual é a força e a influência deles no enunciado – disto dependem tanto a composição quanto, particularmente,
o estilo do enunciado. Cada gênero do discurso em cada campo da comunicação discursiva tem a sua
concepção típica de destinatário que o determina como gênero” (p. 301).

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Bezerra. 6ª
QUESTÕES DE ESTILÍSTICA: “Todo enunciado – oral e escrito, primário e secundário e também em qualquer 
campo da comunicação d
ALTERNÂNCIA DOS SUJEITOS DO DISCURSO: “Os limites de cada enunciado concreto como unidade da 
comunicação discursiva são defi
composicionais definidas, a uma inabilidade de tomar a palavra a tempo, de começar corretamente e terminar 
corretamente (nes

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