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A EVOLUÇÃO E AS GERAÇÕES DA

PROGRAMAÇÃO NEUROLINGUÍSTICA:
RUMO À QUARTA GERAÇÃO!

André Percia
Master Trainer em Coaching, PNL e Hipnose
Psicólogo Clínico
Conferencista Internacional

O presente artigo é inspirado em interpretações e reflexões do autor


assim como na compilação de ideias publicadas por Robert Dilts, Peter
Wrycza, PhD e Steven Saunders sobre o assunto..
Valendo-me da emersão da quarta geração da PNL, aproveito a
oportunidade para fazer uma recapitulação de suas bases e de sua
evolução em linhas gerais até a quarta geração em 50 anos.
É especialmente importante ressaltar que a “quarta geração” está em seu
início. O que apresento aqui são as ideias iniciais com base no trabalho de
três autores os quais não escrevem juntos sobre o tema, portanto entra
muito do meu “mapa” no processo de “interpretar” esse conjunto de
propostas de forma unificada.
Além disso a visão de “gerações” da PNL pertence a escola de Robert Dilts,
especificamente, enquanto outros expoentes não necessariamente
aceitam essa “divisão”. No entanto, em geral, Dilts é bem inclusivo e
parece pensar na PNL como um todo ao apresentar esse modelo.
A Programação Neurolinguística foi desenvolvida nos Estados Unidos por
Richard Bandler e John Grinder, tendo sido influenciada enormemente por
grandes terapeutas de sucesso e pelo Movimento do Potencial Humano,
que surgiu do ambiente social da contracultura da década de 1960,
formado em torno do conceito de cultivar o potencial extraordinário que
seus defensores acreditavam que existe em grande parte inexplorado em
todas as pessoas. O movimento teve como premissa a crença de que
através do desenvolvimento do desse potencial, os seres humanos podem
experimentar uma qualidade excepcional de vida preenchida
com felicidade, criatividade e realização. Como corolário, aqueles que
começam a libertar este potencial assumido encontram-se
frequentemente direcionando suas ações dentro da sociedade no sentido
de ajudar outras pessoas a também liberar seu potencial. Os adeptos
acreditam que o efeito líquido de indivíduos que cultivam seu potencial é
uma mudança social positiva em geral.

Em “Cognitive Patterns of Jesus of Nazareth: Tools of The Spirit”, Robert


Dilts, um dos principais nomes da Programação Neurolinguística que
esteve com Bandler e Grinder desde os primórdios, lembra-nos que
Gregory Bateson, um antropólogo teórico dos sistemas e uma das
influências mais importantes no desenvolvimento inicial da PNL,
acreditava que a mente era imanente em qualquer sistema com um
conjunto bastante complexo de conexões e interações. Grupos,
sociedades, organismos menores e quase qualquer sistema pode mostrar
certas propriedades do processo mental se tiverem suficiente
complexidade na interação.

A mente em si não é uma “coisa”, mas um processo que resulta e é


governado por relacionamentos e as interações em um sistema, além de
um produto de nosso sistema nervoso. Ela se manifesta e expressa através
de uma série de sistemas complexos de interação nos hemisférios de
nosso córtex e outras estruturas cerebrais e nas estruturas nervosas que
se estendem ao longo de nosso corpo. A PNL entende a atividade dentro
dessas estruturas, na forma de linguagem e "programas", como a principal
fonte de inteligência e experiência humana.

Dilts relaciona o que considera os elementos básicos da experiência


humana:

A. O sistema nervoso

Trata-se da parte "neuro" da Programação Neurolinguística. É através do


dele que coordenamos o nosso comportamento e organizamos a nossa
experiência do mundo. Pode ser dividido em três subsistemas primários:

1) O Sistema Nervoso Central


2) O Sistema Nervoso Periférico
3) O Sistema Autônomo Nervoso.
O Sistema Nervoso Central é composto de cérebro e medula espinhal
controlando nossos músculos e movimentos e está associado ao
pensamento e à ação conscientes.

O Sistema Nervoso Periférico está acima dos ramos da medula espinhal e


dos órgãos dos sentidos. Ele retransmite informações sobre o ambiente
dos órgãos, músculos e glândulas para o sistema nervoso central e de
volta.

O Sistema Nervoso Autônomo trata de uma rede de nervos fora da


medula espinhal que lida com muitas atividades inconscientes, como
regulação da temperatura, circulação, salivação, ativação da reação "luta-
fuga" e outros estados emocionais e de atenção.

O Sistema Nervoso Central executa programas, planos e estratégias


mentais através do Sistema Nervoso Periférico. O Sistema Nervoso
Autônomo determina o estado do hardware biológico dentro dos quais
esses programas são executados.

B. Sistemas representacionais

Os sistemas representacionais relacionam-se às estruturas do sistema


nervoso que operam os cinco sentidos: visual (visão), auditivo (som),
cinestésico (sensação), olfativo (cheiro) e gustatório (gosto).

Cada sistema representacional é projetado para perceber e representar


certas qualidades básicas da parte do mundo que sente através da
interação entre os sistemas nervosos periférico e central. Essas
percepções e representações incluem características como a cor, brilho,
tom, intensidade, temperatura, pressão, etc. Essas qualidades são
chamadas de "submodalidades" na PNL, uma vez que são componentes
secundários de cada um dos sistemas representativos. Nós construímos
modelos individuais do mundo e orientamos nossas vidas com base em
como combinamos nossas memórias e construções do futuro para
responder ao que somos capazes de perceber no permanente mundo
externo.

A ênfase colocada nesses vários modos de uso dos sentidos da maneira


como eles são equilibrados e combinados, etc. influencia muito como
percebemos e respondemos ao nosso meio ambiente. Pessoas diferem na
forma como acessam suas habilidades para usarem seus sistemas
representacionais, influenciando na capacidade de pensar, agir e modelar,
desenvolver-se e até mesmo desenvolver diferentes aspectos de suas
personalidades.

Os diferentes sentidos enfatizam diferentes aspectos de eventos e


situações.

C. Sinestesia: sobreposição entre os sentidos.

As experiências mentais são claramente distinguíveis em uma categoria


sensorial particular e se misturam em nossos sistemas nervosos. Essa
conexão de diferentes sentidos torna possível a aprendizagem. No
entanto, as experiências ficam tão conectadas e sobrepostas que não é
possível distinguir facilmente uma da outra numa relação causal. Ambas
estão lá simultaneamente, mas uma precisa da outra. Sentir emoção em
um concerto ou mediante obras de arte, como sugere Dilts, seriam
exemplos disso, pois o sentimento não poderia existir sem a arte e a arte
não poderia existir sem o sentimento.

Na PNL, essa conexão é chamada de sinestesia. O termo literalmente


significa “uma síntese dos sentidos”. As sinestesias são, portanto, mais
ricas e poderosas do que perceber algo através de um sentido sozinho. A
sinestesia também pode ser um fator importante para determinar a
facilidade ou efetividade de certos desempenhos envolvendo funções
mentais, como o próprio desenvolvimento dos sentidos em si. A força das
sinestesias varia de acordo com a pessoa.

D. Linguagem

Linguagem relaciona-se ao “linguístico” da PNL.

A palavra falada é parte do sistema representacional auditivo que


organiza e conecta informações dos outros sentidos, ao invés de,
simplesmente, registrar qualidades de uma experiência, tal como os
elementos mais puramente tonais do sistema auditivo o fazem. Quando a
linguagem é representada diferentemente no cérebro, para além dos sons
puros, a PNL considera-a um meta-sistema representacional.

A palavra é um ponto de convergência que une múltiplas representações


sensoriais na forma de imagens mentais, sons, sentimentos, etc. O
significado de uma palavra para um determinado indivíduo é uma função
da quantidade de neurologia mobilizada na linguagem.

A linguagem conecta-se com as funções do cérebro e as palavras que as


pessoas usam oferecem muitas pistas importantes sobre seus processos
de pensamento. Um método primário de análise neurolinguística é buscar
padrões linguísticos específicos, tais como os que indicam um sistema
representacional particular ou sub-modalidade, o que acontece através de
palavras específicas ou “predicados” e como esse sistema ou qualidade
está sendo usado no universo de pensamento da pessoa. Os predicados
são palavras, como verbos, advérbios e adjetivos, que indicam ações,
relacionamentos ou qualidades em oposição a pessoas, lugares ou coisas.
Para Dilts, este tipo de linguagem é tipicamente selecionado em um nível
inconsciente e, portanto, reflete a estrutura subconsciente subjacente que
os produziu, como na linguagem dos sistemas representacionais.

E. Estratégias cognitivas

Representam a “programação” na PNL.

Nós não agimos no mundo de forma aleatória fazendo associações casuais


e por reflexos. Nós damos passos consistentes para resolver problemas,
tomar decisões, criar planos, etc. Tais sequências específicas de etapas
mentais são chamadas de “estratégias” em PNL. Tal como em um
programa de computador, uma estratégia define um processo,
independente dos dados ou conteúdo que está sendo processado. A
forma como cada passo mental está ligado ao passo que vem antes dele e
ao que vem depois é uma característica importante do pensamento e da
aprendizagem. Os elementos exatos em uma sequência diferente podem
mudar completamente o significado de uma experiência.

Nossos sistemas representacionais e padrões de sinestesia, no decorrer


dos processos de linguagem, organizam-se para as sequências ou
estratégias consistentes que compõem nossas capacidades e
personalidade. Mesmo que todos comecemos com basicamente o mesmo
potencial em nossos cérebros, esses potenciais são rearranjados em
diferentes combinações e sequências. As sequências de estratégias
geralmente são organizadas de forma a refletir o ciclo de feedback através
do qual a informação típica flui através de um sistema.

A informação (1) entra para o sistema através de (2) um mecanismo de


interface, que (3) passa informações para o núcleo do sistema. A
informação é organizada e processada e depois (4) transformada em (5)
saída no sistema.

AS “GERAÇÕES DA PNL”

Para Robert Dilts no histórico livro “NLP II”, a função de qualquer técnica
de PNL é enriquecer ou adicionar uma das três propriedades do
comportamento efetivo que são:

1. Um rico modelo do mundo, em particular com objetivos desejados


2. Acesso total a experiência sensorial
3. Flexibilidade em respostas internas e comportamentos externos
Filósofos reconheceram e separaram dois tipos de problemas. Um grupo
tem a ver com o que as coisas são, o que é uma pessoa e que tipo de
mundo é esse (ontologia). Outro grupo é sobre como sabemos as coisas e
como sabemos como é esse mundo (epistemologia).
PNL é tanto uma forma de ser (ontologia) quanto uma forma de saber
(epistemologia). Na essência, PNL enquanto ONTOLOGIA é um conjunto
de pressupostos fundamentais sobre comunicação, mudança e intenções
por trás de comportamentos.
No coração da PNL, enquanto EPISTEMOLOGIA, está a modelagem como
um processo contínuo para expandir e enriquecer nossos mapas de
mundo pela consciência, curiosidade e habilidade de sintetizar múltiplas
perspectivas e descrições.
PNL não tem a ver com o conteúdo das experiências subjetivas as quais
estão sendo estudadas. Tem a ver com a maneira através da qual essas
experiências são estudadas e representadas. Essa é a essência da
epistemologia da PNL.
O que quer que alguém experimente, a PNL terá interesse de saber como
aquilo está estruturado na pessoa e afeta seu modelo de mundo. Por
exemplo: Crença em “vidas passadas”. Não importa se elas existem ou
não, mas “como” aquele conceito funciona na vida de uma pessoa.
Para Bandler e Grinder, a PNL não é meramente outro modelo do
comportamento humano, mas um “meta-modelo”, ou seja, um modelo de
como humanos criam seus modelos de mundo.
A PNL divide a estrutura ou processo por trás da experiência em passos e
distinções específicos, envolvendo representações sensoriais (imagens,
sons, sensações etc.), padrões de linguagem e fisiologia. Todas as
distinções e formatos mais essenciais em PNL são construídos na forma de
combinações destes três aspectos.
Desde sua fundação, PNL é o estudo da estrutura subjetiva da experiência,
tendo essa “estrutura neurolinguística” em sua natureza. Podemos dizer
que “algo é PNL” quando:
1) Enfatiza processos e a estrutura, mais que conteúdo.
2) Baseia processos e distinções na anatomia e funções do sistema
nervoso humano.
3) Faz com que distinções e processos possam ser facilmente
identificáveis e influenciáveis por padrões de comunicação verbal e
não-verbal.
4) Organiza os resultados do estudo em exercícios, ferramentas e
técnicas práticas os quais podem ser usados para influenciar ou
fazer diferença na experiência e nos comportamentos das pessoas.

Robert Dilts e outros refletem sobre a evolução da PNL ao longo de cerca


de cinquenta anos e definem “gerações” da PNL.

PRIMEIRA GERAÇÃO DA PNL

Modelo original oriundo de terapeutas eficazes nos anos 60/70.


Focalizado em “solucionar problemas” no nível de comportamentos e
capacidades, focada na mente cognitiva
A PNL de primeira geração se concentrava mais no comportamento
observável, na experiência sensorial específica e nos padrões de
linguagem, como os "predicados" relacionados aos sentidos e as
distinções do "meta-modelo". O foco estava no que Gregory Bateson
denominou "Aprendizagem I", aprendizagem mecânica simples e a
identificação e prática de mudanças sensoriais e comportamentais para
substituir respostas indesejáveis e gerar novos comportamentos.

Muito rapidamente, os praticantes descobriram que, embora as mudanças


comportamentais fossem extraordinariamente poderosas na melhoria do
desempenho e da qualidade de vida, tais mudanças eram limitadas por
atitudes e ideias fortemente defendidas. E assim, os inovadores no novo
campo da PNL começaram a considerar os quadros conceituais que
condicionam esse tipo de Aprendizagem I.

A PNL inicial não trabalhava com um conceito de desenvolvimento


humano. Abordava o ser humano praticamente da mesma maneira
sincrônica, qualquer que fosse a idade da pessoa e poderia ser chamada
de “PNL da caixa preta”. A analogia é com programação de computadores.
O programador de PNL analisa os programas do “computador”. O
modelador de PNL se considera fora do sistema, analisando seus
programas, traduzindo-os em códigos do sistema representacionais
(VACOG: visual, auditivo, cinestésico, olfativo e gustativo) sensorial e
reescrevendo esse código em benefício daquele “biocomputador” em
particular ou de outros onde novas estratégias podem ser “instaladas”. A
ênfase está em identificar e, em seguida, simplificar ou melhorar as
"estratégias" internas para melhorar o desempenho comportamental.
Implica numa objetividade do programador que não precisa se envolver
muito com o cliente.

Na PNL de primeira geração, o trabalho com os clientes envolve primeiro


especificar o "resultado desejado" do cliente, contrastando com seu
“estado atual ou presente" e identificando o ajuste ou recursos
necessários para ajudar que este mude o “Estado Atual” para o desejado.
Este processo centra-se na identificação de mudanças sensoriais ou
comportamentais discerníveis. São necessários objetivos "bem
formulados" (critérios de boa formulação de objetivos) de forma
específica, ao invés de generalizações abstratas.

E embora o processo possa reconhecer a mente inconsciente, recorrendo


a ela e tentando reprograma-la, a abordagem é principalmente conduzida
por uma mente consciente para a mente consciente do cliente, seguindo
um modelo essencialmente linear. O cliente está aqui, no “aqui, ponto A”
e quer chegar “lá, no ponto B”. O terapeuta ou o coach ajuda o cliente a
identificar os "passos" que faltam para fazê-lo, da maneira mais direta e
elegante possível.

Muito do “Coaching” mais comportamental e objetivo recebeu influência


da PNL de primeira geração, assim como muitas abordagens em
treinamento e desenvolvimento depois dos anos 70.

Esse processo, no entanto, envolve a modelagem da experiência do


cliente. Usando a "estratégia de resultados", extraímos o modelo de
estados presentes e desejados do cliente e, comparando-os
estruturalmente, identificamos o elemento ou processo que permitirá que
o presente impasse produza a realização do objetivo do resultado.

SEGUNDA GERAÇÃO DA PNL

Inicia-se em meados dos anos 80 com abordagens além do contexto


terapêutico, abrangendo vendas, educação, gerenciamento e não só a
pessoa é trabalhada, mas sua relação com outros.
Ênfase em valores, Linhas de tempo, posições perceptuais, mudança de
crenças, reimpressão, integração de crenças conflitivas, alinhamento dos
níveis neurológicos.
Ao ajudar sua mãe a superar o câncer, Robert Dilts descobriu que
precisava abordar as crenças e valores que influenciam, não apenas sua
mãe, mas também os médicos e o sistema médico que a tratava,
percebendo que nossas crenças e valores não apenas refletem o
significado dado à experiência anterior, mas estabelecem as fronteiras
para respostas futuras a situações semelhantes. Por exemplo, nossas
experiências de intimidade ou falta dela na infância não apenas
determinam como as relações são compreendidas no passado, elas
moldam nossas respostas, como nossa capacidade de confiar ou não, no
futuro.

Será que as pessoas estarão preparadas para mudarem suas vidas, se não
fizerem nada para abordar os antigos conhecimentos (crenças)?
Richard Bandler também trabalhou crenças nesse período, mas com
ênfase em sua estrutura, ou “submodalidades”, que são os detalhes do
que alguém vê, ouve, fala consigo e sente. Ele desenvolveu bastante essa
abordagem culminando no DHE™ e o NHR™.

Poderosos mapas cognitivos surgiram através a Teoria do Campo


Unificado da PNL de Dilts, que mostrou como os elementos variados da
PNL estavam conectados conceitualmente, fornecendo um modo holístico
de pensar sobre a mesma. Processos da PNL foram explicados através de
uma metáfora espacial abrangente, à medida que analisamos a estrutura
e os processos micro e macro que moldam um "espaço do problema"
cognitivo específico e sugestões para ampliar esse espaço para um
"espaço de solução"(linguagem criada por Dilts). Nesse empreendimento
conceitual, a PNL de segunda geração está, indiscutivelmente,
demonstrando o "Aprendizado II" de Bateson ou o "aprender a aprender".

A PNL de segunda geração, com modelos como o Reimprinting,


reconheceu como nossa condição atual é influenciada por impressões
anteriores. Enquanto isso, outros instrutores se interessaram por estudos
complementares, como no caso do trabalho de Cris Cowan, Don Bek e Ken
Wilber no conceito da Espiral Dinâmica.

Foi basicamente o trabalho de Robert Dilts com crenças na década de


1980 que impulsionou a PNL clássica de primeira geração para a PNL de
segunda geração.

Modificando as “Categorias Lógicas de Aprendizagem e Comunicação” de


Bateson, Dilts observou que não se pode explorar e influenciar crenças a
partir da mesma postura impessoal da PNL de primeira geração. Ele
percebeu que os níveis lógicos "superiores", como as crenças, demandam
mais de nossa neurologia, afetando nosso sistema nervoso autônomo, daí
sua preferência pelo termo “Níveis Neurológicos”.

Na prática, foi a “morte” da PNL da “caixa preta”. Se reconhecemos o


impacto das crenças no comportamento, temos que conduzir a
modelagem de uma maneira diferente, nos envolvendo com os clientes de
uma forma mais íntima, construindo confiança não apenas no nível
comportamental, mas empaticamente, acompanhando-os com a mesma
sensibilidade que queremos que eles manifestem. Somos parte do
processo de modelagem e mudança do cliente. Sem essa conexão, o
processo permanece "mental" e, portanto, superficial, não se
aprofundando nas facetas altamente influentes e mais ocultas do mundo
de uma pessoa.

A modelagem envolve, nesta fase, o “aprendizado cooperativo ou


colaborativo”, no qual o modelador e o modelo se envolvem em um
relacionamento mais próximo. Algo emerge através dessa relação que é
fruto não da modelagem nem do modelador, mas uma expressão de sua
interação. A pessoa modelada não apenas contribui, mas beneficia-se do
processo de modelagem, pois ao mesmo tempo tem suas habilidades
"mapeadas" enquanto aprende algo com o processo. Nessa “modelagem
de segunda ordem”, há a capacidade de entrar em um espaço
compartilhado vital.

Na PNL de segunda geração, há o reconhecimento de que as


aprendizagens passadas influenciam profundamente como e se o Estado
Desejado pode ser alcançado. Isso significa que o modelo básico de
resultados da PNL e o processo de modelagem precisam acomodar mais
complexidade, em particular as interferências potenciais de experiências
passadas e generalizações influentes (crenças) derivadas delas.

Refletindo essa mudança, Robert Dilts ampliou o “Modelo de Resultados”


da primeira geração para o “Modelo SCORE” (onde SCORE corresponde a
Sintomas, Causas, Resultado, Recurso e Efeitos). O estado atual inclui
agora não apenas os "sintomas", mas suas "causas" subjacentes derivadas
das crenças e aprendizados passados que os moldaram. Da mesma forma,
o resultado desejado inclui não apenas o resultado, mas também seu
impacto potencial no futuro do cliente.

Embora esses benefícios potenciais estejam motivando o resultado atual,


assim como as causas estão impulsionando os sintomas, o modelo SCORE
em sua forma inicial, como o antigo quadro de resultados, permanece
essencialmente linear - abordando como ir do “ponto A” para o “ponto B”.
Mesmo que, estruturalmente, esperemos combinar o nível lógico (e
outras facetas da padronização) de sintoma e resultado, causas e efeitos,
estamos ampliando ainda mais essa linearidade temporal no passado e no
futuro. A PNL de segunda geração traduz essa metáfora espacial abstrata
para o tempo, em uma correspondência literal no espaço físico, situando
os elementos SCORE em uma "linha do tempo" no chão. Exploradores
andam ao longo dessa linha trabalhando sintomas que ocorreram antes
no tempo eventualmente chegando nas causas iniciais, ou indo na direção
do resultado desejado, e daí para seus efeitos futuros.

Eventualmente, o(s) recurso(s) pertinente(s) que corresponde(m) ao


mundo do cliente, podem ser identificados a partir da própria experiência
do cliente, presente em algum contexto, em algum ponto na linha do
tempo. Os recursos correspondentes podem então ser conectados a
contextos e intervalos de tempo onde eles não estiveram presentes, de
modo a neutralizar a influência de causas passadas e seus sintomas
resultantes, facilitando o caminho para o alcance dos resultados e seus
efeitos benéficos esperados.

Dessa forma, o modelo SCORE é um modelo para trabalhar o “espaço do


problema” do cliente, transformando-o no “espaço da solução”.

TERCEIRA GERAÇÃO DA PNL

Inicia-se nos anos 90 com foco em questões que envolvem identidade,


visão e missão.
Enfoque na Integração e equilíbrio entre mentes cognitivas, somáticas e
de campo, promovendo Geratividade (algo bom leva a outras coisas boas
em cadeia), empoderamento, conexões e relacionamentos, estética e
harmonia, proposta e transformação, trabalhando o campo, energias
arquetípicas, pontes de crenças, inteligência colaborativa e gerativa.

Para Peter Wrycza e outros, “a percepção de que o "estudo da estrutura


da experiência subjetiva" tinha uma dimensão vital ainda inexplorada em
nossas vidas coletivas levou-nos a aprofundar o processo grupal e a sua
facilitação”. Isso representou uma volta às raízes sistêmicas da PNL no
trabalho de Gregory Bateson, sugerindo um olhar além do foco nos
indivíduos para considerar a dimensão coletiva. E, para o autor, isso
começou a fazer com que pessoas da PNL se perguntassem que tipo de
qualidades seriam necessárias para abordar efetivamente esse domínio.

Ao considerar o tipo de capacidade de resposta necessária para explorar a


consciência grupal e lidar com a complexidade do processo grupal,
identificou-se uma série de habilidades de ordem superior, chamadas de
"habilidades transcontextuais". Essas meta-habilidades essenciais para a
modelagem neste nível (atenção, reflexão, discernimento, compromisso e
consciência simples) pareciam ser um retorno às raízes sensoriais da PNL.

A PNL de terceira geração é mais geradora, sistêmica e focada em níveis


mais altos de aprendizado, interação e desenvolvimento, incluindo
aqueles relacionados à identidade, visão e missão.

Tem, então, interesse na modelagem de sistemas e em seus


desdobramentos, como o "Aprendizado III" de Bateson e começa a
transcender o quadro conceitual e experimental de “eus separados”.

Enquanto a PNL de primeira geração era essencialmente linear e


comportamental, focando na mudança simples, a PNL de segunda geração
é mais focada na aprendizagem, e a PNL de terceira geração no
crescimento de toda a pessoa e sua situação como parte de um contexto
maior.

Na PNL de terceira geração, a modelagem também se estende à


exploração de padrões profundos de definição, não apenas de indivíduos,
mas de grupos e organizações. A natureza e a qualidade do "campo
relacional" torna-se de interesse, não apenas como um foco de
investigação no trabalho com a organização, mas em termos de como isso
é refletido no relacionamento com o coach individual ou consultor
modelando esse campo relacional.

Técnicas de PNL começam a ter menos “passos e etapas” e passam a ter


mais profundidade e abertura para experiências subjetivas.

As “ações discretas” (Aprendizagem I) e “interação de interações”


(Aprendizagem II) do grupo ou sistema são importantes. Mas, em última
análise, são os indicadores críticos para a “coreografia” abrangente dos
padrões de grupo (Aprendizagem III) que é apreendida, não apenas
através da observação e da investigação das ações e interações do
sistema, mas através da imersão do consultor em uma dança dinâmica
envolvente com esse grupo ou organização.

Assim, para resumir, se a modelagem de primeira geração se concentra no


nível comportamental e a PNL de segunda geração desenvolve
capacidades para modelar crenças e valores, enquanto ajusta sua melhor
prática para que possamos 'combinar' e construir relacionamento com o
tema da modelagem nesse nível, na terceira geração de PNL há uma
tentativa de modelar e abraçar a identidade, tanto individual quanto
compartilhada.

À medida que a PNL de segunda geração evolui para a PNL de terceira


geração, essa abordagem se torna mais sistêmica e integral. São buscados
padrões que combinam sintoma e resultado, causa e efeitos, combinando
não apenas conteúdo, mas também características estruturais, como nível
lógico ou perspectiva perceptiva.

A QUARTA GERAÇÃO DA PNL

A PNL de quarta geração está ainda “nascendo”, mas aponta para além do
conteúdo da experiência do indivíduo que “percebe o mundo ou mapa”
no contexto dessa experiência. É o que Bateson entendeu por
“Aprendizagem III”. Para Bateson, se Aprendizagem I significa uma
mudança de comportamento, a II envolve aprender sobre o contexto
dessa aprendizagem, cognitivamente e conceitualmente. Aprendizagem
III, por sua vez, envolve aprender sobre o contexto da aprendizagem de
nível II. O contexto do nível II é proporcionado pelo nosso “eu” ou
“pseudo-eu”, o que nós nos “consideramos ser”, a soma de nossas
aprendizagens, não apenas sobre o que podemos e não podemos fazer,
mas sobre quem e o que somos.

O “senso de ser” é um produto ou agregado da Aprendizagem II.


Aprendizado III significa perceber e agir em termos dos contextos por trás
dos contextos. Envolve refletir sobre estruturas maiores que criam as
estruturas de referência que temos, inclusive o “senso de ser”. Estas
estruturas maiores “montam” um senso de “ser” que “criam
configurações de crenças, Níveis Neurológicos e submodalidades.

A PNL de quarta geração vai mais longe na desconstrução do mapeamento


conceitual do “eu pessoal”, para explorar o que sustenta ou fornece
estrutura ou contexto para esse “eu”, problemático ou saudável. Tal
processo deve transcender o intelecto, pois este é o que fornece o
contexto para a Aprendizagem II. Deve ir além das referências individuais,
pois o Aprendizado III questiona a natureza do contexto do Aprendizado II,
do “eu”, transcendendo-o. Isso implica em uma forma diferente de saber
que não é apenas sistêmica, mas essencialmente transpessoal. A PNL da
quarta geração, como tal, reconhece implicitamente que o nosso “eu
habitual” é principalmente um “constructo” que surge da memória e da
sua subsequente reinterpretação. Nesse aspecto lembro-me de Bandler
nas várias formações que fiz pessoalmente insistindo: “Pessoas
geralmente não pensam, relembram”.

A desconstrução da Aprendizagem II, foco-chave da PNL de quarta


geração, pressupõe e conduz a um novo tipo de conhecimento: uma
percepção direta do “território” antes da experiência e da cognição,
postulado por filósofos como Franklin Merrell-Wolff.

Tal como a primeira geração de PNL distingue entre experiência baseada


nos sentidos e abstrações e generalizações sobre essa experiência, a PNL
de quarta geração deveria ser capaz de traçar uma linha clara entre os
conteúdos da consciência e generalizações e o que Merrell-Wolff chama
de "consciência sem um objeto", entre o conteúdo perceptivo da
experiência e o refletor puro livre de conteúdo dessa experiência. Tal
experiência e sua descrição soa abstrata, mas na verdade está bem
documentada nos escritos e enunciados de muitos santos e poetas de
vários períodos e culturas diferentes.

Sendo assim, a PNL da quarta geração deve modelar experiências e


estados que transcendam a identidade, seja ela individual ou
compartilhada. Como tal, tem interesse em modelar experiências que são
transpessoais. O modelador precisa de qualidades e habilidades além
daquelas necessárias para a modelagem de acordo com as três primeiras
gerações da PNL.

A atenção ao papel das crenças e valores na PNL de segunda geração não


elimina o interesse pelo substrato sensorial a ser experimentado. Apenas
adiciona uma dimensão extra a ele. Da mesma forma, a modelagem de
terceira geração pressupõe um interesse contínuo no substrato sensorial,
bem como atenção às crenças e valores relevantes e, além disso, atenção
aos princípios organizadores abrangentes do sistema como um todo.

A modelagem da quarta geração vai incluir tudo isso, além de abordar o


campo transpessoal e transcontextual abrangente de conscientização,
considerando todos os elementos de interesse das três primeiras
gerações. Esse processo pressupõe a expansão e o crescimento da
consciência do modelador, de modo a poder entrar e combinar o mundo
experiencial da pessoa ou grupo que encontra o transpessoal. Se estamos
apenas abordando essa experiência analiticamente, a partir do estado de
espírito e capacidades, continuamos sendo praticantes de segunda ou, na
melhor das hipóteses, de terceira geração da PNL.

Para Bateson, a estrutura do que aprendemos no Aprendizado II indica


que o Aprendizado III precisamos perceber a nós mesmos e ao mundo
através das próprias lentes que eles criam. Isso tem implicações
importantes para o desafio de modelar experiências extraordinárias. Será
que é possível modelar essa experiência se ela estiver muito além do
nosso próprio modelo de mundo? Para Robert Kegan, que estudou a
“complexidade mental” em adultos, 6% destes começam a fazer a
transição além do que ele chama de “mente autodidata” (em alinhamento
e coerente com seu próprio sistema de crenças, código , limites) em
direção à “mente auto transformadora” (transcendendo a ideologia
pessoal, entretendo múltiplas perspectivas, ciente de sua capacidade de
fazer mapas, mas não envolvida nela). E menos de um por cento da
população desenvolve mentes totalmente autotransformadoras.
Peter Wrycza pergunta-se como poderemos nos tornar verdadeiramente
prontos para modelar se, talvez, não façamos parte desse 1%. E quem
fornecerá critérios confiáveis do tipo de integração pessoal, transpessoal e
espiritual que nos ajudará a entender a natureza dessa totalidade e nosso
relacionamento com ela?

'Fonte' é uma palavra que serve para tudo o que os clientes tomam como
sua fonte pessoal ou mesmo uma fonte comum englobando o todo maior
- Humanidade, Cosmo, Natureza, Vida, etc. Tais palavras não
necessariamente denotam fonte em qualquer sentido, embora denotem
algo absolutamente importante ou essencial no mundo do cliente.

Para Wrycza, o senso de 'Fonte' para o cliente pode ser de vital


importância quando estamos explorando seus padrões de vida e a
epistemologia pessoal. A presença, ausência e a qualidade da forma de
interagir com essa “fonte” tem grandes repercussões para a vida de
algumas pessoas, provando uma sensação de coerência e alinhamento.

Quando imaginamos uma “fonte” maior de referências, Robert Dilts nos


lembra que “fonte” é uma simples palavra ou metáfora que pode nos
apontar na direção certa. A que ou quem a palavra "fonte" se refere?
Existirá acordo para definir? Existe uma fonte ou mais de uma? Mais de
uma descrição válida? Como reconheceremos a Fonte? Em nós mesmos?
Em outros? No mundo? Como podemos desvendar o conhecimento direto
da Aprendizagem III da Fonte de nossas descrições do Aprendizado II e as
descrições desse conhecimento? Como o nosso trabalho pode ajudar a
desvendar as confusões de territórios e mapas?

A relação com a “fonte” pode trazer experiências de integração e


preenchimento aos clientes, mas não significa que eles não tenham
questões em outros níveis para resolver! O simples pedido de uma sessão
é um indicador de que, apesar de todo o bem-estar do cliente, ele tem a
sensação de que há algo mais a ser trabalhado. Estar em contato com a
“fonte” pode se tornar um tipo de limitação de desenvolvimento para
alguns. Existe uma pressuposição de que uma vez em contato com a
fonte, “os problemas acabam”. Não necessariamente!

Do ponto de vista epistemológico, "Integralidade" não é uma experiência


completa se algumas partes da experiência ainda são rejeitadas. A
verdadeira inteireza incluiria tudo, tanto o que está bom quanto o que é
desafiador. Segundo Wrycza, há uma espécie de redução da Totalidade
em um modo particular de sentir ou de funcionar nesses casos.

Para ele, a “fonte” (se é que existe) é inconcebível, além da experiência


sensorial e conceitual. De certo modo, não podemos conhecê-la, nem
podemos despertar para ela. Nós percebemos que somos a “fonte”,
quando deixamos de lado qualquer separação ou diferenciação entre
aquilo que conhecemos ou estamos cientes da “fonte” e a própria “fonte”
em si. Essa proposta visa minimizar a interferência do “pseudo eu”, que
finalmente se entrega e serve essa onda ascendente da vida.

Peter Wrycza percebeu desde os anos 90 que haviam padrões recorrentes


discerníveis entre os tipos de crenças profundas que afetam o
relacionamento das pessoas consigo mesmas, com os outros e com o
mundo: “Percebi que as crenças refletem uma separação progressiva da
consciência da Fonte. A certa altura, ao nascer neste mundo, eu me vejo
distinto do “todo maior”. Algumas crenças, como "eu sou separado" ou
"diferente", refletem essa separação da inteireza interior do todo maior
do "mundo". Quando essa separação acontece, eu ainda posso estar em
casa em meu interior, mas agora estou potencialmente vulnerável ao
impacto daquele mundo que é maior do que eu.

Para Peter Wrycza uma vez que estou marcando uma separação entre o
que sou e o resto do mundo, também estou correndo o risco de perder
minha homogeneidade interior. Se eu sou pequeno e vulnerável,
relativamente insignificante no esquema das coisas, perco facilmente
minha identificação interna com a consciência da Fonte e me identifico
com qualquer número de substitutos do eu: meu corpo, emoções,
sentimentos, sensações, mente, pensamentos, ações, papéis, status
social, etc. Essa fragmentação da integridade interna e externa acentua
minha vulnerabilidade. Meu poder e força estão potencialmente em
questão e em risco. E com o meu poder, o meu valor também, eu posso
me perceber como "fraco", "sem poder", "não suficientemente bom" ou
simplesmente "errado", e muitos tons distorcidos semelhantes de
autodefinição”.

'Eu não sou amável' é uma crença. A noção de que uma sensação
particular no meu corpo significa que eu não sou amável ou que a
experiência passada é uma evidência irrefutável para esse "fato" são
suposições epistemológicas. Eles confirmam o que estou assumindo ser, a
fim de manter a crença.

Crenças e metáforas ganham uma análise mais estrutural e abrangente.


Algumas das facetas dos padrões centrais funcionando numa pessoa, para
o referido autor, “são mais como crenças fundamentais e outras mais
como pressuposições epistemológicas implícitas nas crenças ou mapa do
cliente, tornando-se útil fazer essa distinção mais nitidamente. É
importante considerar as crenças do cliente, mas também identificar as
raízes epistemológicas das crenças e padrões. Afinal, há mais influência
sobre uma crença, quando está claro que o que ela pressupõe ser verdade
não é necessariamente assim.

A medida que exploramos padrões profundos, o cliente expressa


verbalmente e não-verbalmente uma importante dimensão física e
energética para seus padrões. Normalmente, esses padrões na expressão
e comunicação do cliente se repetem de maneira consistente. Por
exemplo, ao falar sobre conexão ou separação, os clientes demonstrariam
isso nos movimentos das mãos e do corpo, mostrando a direção e o fluxo
de energia e onde ela estava presa. E muitas vezes, esses padrões
profundos refletem as inter-relações entre nossos três centros primários
de inteligência - cabeça, coração e intestino - indicando quais eram
favorecidos, como a energia flui entre eles e onde fica presa”.

Padrões básicos são estruturados na pessoa, não se refletindo apenas nas


palavras, no tom de voz, na postura e nos gestos do cliente, como uma
parte essencial do que caracteriza o mesmo, representando volta à parte
"neuro" da Programação Neurolinguística, mas agora em um nível lógico
superior, tocando a identidade e a individualidade do cliente, e atentos
para os limites entre o “eu” e o “mundo”.

Para Wrycza, as crenças funcionam sistemicamente através de tensões


binárias que elas geram. E essas tensões moldam o desdobramento
dinâmico de nossas vidas. Ecoando em Saussure e Estruturalistas como
Claude Lévi-Strauss, Wrycza sugere que toda a nossa criação de significado
se desdobra através da tensão dinâmica entre pares de opostos
interconectados.

Por exemplo, se eu sustento que "eu não sou amável", estabeleço uma
dinâmica na qual seu oposto também está em jogo. "Eu não sou amável"
para quem e em quais circunstâncias? E o que é esse “eu” cuja
“amabilidade” está em questão? Tudo depende da perspectiva e
definição.

E a mente inevitavelmente procura corrigir o viés inevitável de tomar um


lado, encontrando-se compelido a aceitar o outro. Por exemplo, quanto
mais eu acredito que não sou digno de amor, mas me sinto impelido a
criar situações em que posso provar que sou realmente muito amável. Eu
posso então me comportar de uma maneira que atraia muito amor. Mas
quando as pessoas mostram seu amor, o outro lado da polaridade pode
voltar a se manifestar, e eu posso me comportar de uma maneira que
desafie esse amor. Se a outra pessoa fica frustrada e retira seu amor, eu
estou confirmado em minha natureza não amável, que por sua vez leva a
novas tentativas de encontrar amor, e assim por diante.

É necessário resolver as tensões entre os dois lados, o que Bateson


chamou, evocando William Blake, de “a resolução dos contrários",
abraçando os dois ou percebendo que não se é nenhum dos dois. Robert
Dilts e Judith DeLosier criaram o Tetralema, inspirados em trabalhos
diversos como o de Richard Moss e Gilligan, para lidar com essa questão.

Wrycza acredita que entre as muitas oposições binárias que moldam o


significado em cada um de nós, pessoas tendem a favorecer grupos de
apenas algumas dessas "polaridades primárias" como princípios
orientadores dominantes em suas vidas. Para ele, um ou dois pares de
opostos influenciam o mundo de uma pessoa, influenciando toda a sua
vida. Tais oposições frequentemente aparecem em crenças que o cliente
mantém, enquanto as tensões entre os opostos também apontam para
crenças influentes em sua vida.

Wrycza diz que toda essa conceitualização, em última instância, reflete


uma dualidade mais essencial entre sujeito e objeto, entre conhecedor e
conhecido, consciência e conteúdos, entre aquilo que é concebível e
quem o concebe. A dualidade, entre o conceitual e o não conceitual, é em
si conceitual, em última análise, ela também precisa ser desconstruída
para que a liberdade plena e o despertar sejam contemplados.

Assim como encontramos uma tensão criativa entre pares de opostos, ou


"polaridades primárias", à medida que trabalhamos os padrões centrais de
um cliente, acabamos descobrindo uma tensão criativa entre dois pares
de opostos (ou grupos de pares).

Clientes muitas vezes usam espontaneamente metáforas poderosas para


descreverem sua experiência.

As metáforas carregam suas próprias suposições embutidas, expressando


as tendências e tensões presentes no padrão do cliente, bem como as
suposições implícitas nesses padrões cognitivos. Mudanças estruturais
pedem mudanças de metáforas de referência. É interessante perceber a
dinâmica entre metáforas e como essas se encaixam nas expressões
energéticas dos padrões no cliente, compondo um modelo mais claro e
mais coerente.

Steven Saunders identifica algumas questões importantes sobre a quarta


geração da PNL. Para ele, manipular submodalidades é a essência das três
primeiras gerações da PNL.

A primeira geração foi caracterizada pelo desenvolvimento da habilidade


de modelar submodalidades conscientemente e empregar a distração e a
hipnose para efetuar a mudança movendo ou alterando as mesmas. A
segunda geração desenvolveu modelagem inconsciente, fluxo, posições
perceptivas e acesso mais direto ao inconsciente através de processos
chamados de “edições”. A terceira geração estava preocupada com dois
aspectos:

1) modelagem corporal - criando consciência somática e flexibilidade,


e aproximando a PNL do método de Feldenkrais.
2) agrupamento da inteligência, “transformações e estados essenciais.
Um estado "essencial", libera uma pessoa de um problema de
comportamento, crença ou estado. Esses são sinais de mudanças de
submodalidade que afetam a PNL ao passar por estruturas das
mesmas.

Para Sanders, a quarta geração de PNL sofre a influência de muitos


campos paralelos e derivados da arte da psicoterapia, como o RAPSI de
Eileen Watkin Seymour e o trabalho de David Grove (Modelagem de
Metáfora, Criança Interior, Espaço Limpo, Linguagem Limpa, Cura
Integrativa e Emergência). Em termos de estruturas psicológicas humanas,
investiga-se o que faz que uma submodalidade específica seja mantida em
um local e espaço. Portanto, o equivalente de submodalidades da quarta
geração é o trabalho com estruturas em camadas que mantêm as mesmas
estruturadas e funcionando como estavam.

Trabalhos de quarta geração deveriam visar, literalmente, desconstruir e


reconstruir as estruturas maiores que mantinham, por exemplo, as
submodalidades estruturadas numa situação limitante. Isso elimina a
necessidade de trabalhar com as submodalidades em si. Em vez disso, há
padrões de perguntas que literalmente desconstroem os espaços e
períodos de tempo e, em seguida, recriam novas estruturas de realidade.
O benefício da abordagem estrutural é que sistemas inteiros de problemas
podem ser abordados em um processo, em vez de um problema de cada
vez.

Para Sanders, muitas das pressuposições originais permanecem


inalteradas na quarta geração. No entanto, algumas são alteradas, com
efeitos dramáticos:

1. Pode haver verdades universais, que transcendem a experiência


subjetiva individual.
2. Existe uma estrutura para a estrutura da realidade, baseada nos
padrões de emergência.
3. A escolha é uma ilusão. O ambiente mais seu sistema restringem
seu comportamento. Você continuará a se comportar como sempre
fez até que a estrutura de sua realidade tenha mudado, então seu
comportamento deterministicamente seguirá as consequências da
nova estrutura em relação ao seu ambiente.
4. Você não possui todos os recursos desejados, mas seu sistema
contém todos os recursos de que você precisa. Os recursos podem,
no entanto, ser separados da sua consciência pela estrutura da sua
estrutura da realidade.

As principais diferenças entre a PNL tradicional e a de Quarta Geração são:

PNL TRADICIONAL PNL DA QUARTA GERAÇÃO


Submodalidades Estruturas contendo submodalidades
Modelagem Navegação
Sugestão/reenquadramento Apenas perguntas (feitas a partir do
corpo como um todo), auto
reenquadramento
Intenção Positiva Equilíbrio e Totalidade (positivo e
negativo, opostos juntos)
Meta modelo Padrão de questões emergentes,
sequências que operam nas estruturas
Divisão Trabalhar com o todo
consciente/Inconsciente
Processo de mudança Perguntas

Sanders conclui que a PNL da quarta geração não precisa mais usar
submodalidades e não precisa mais de modelagem de submodalidade
para facilitar a mudança. Existem simplesmente questões e processos
naturais que resultam em maior inteireza de ser. A intrusão da realidade
causada pela reformulação, processos de mudança e de sugestão podem
ser uma coisa do passado, e podemos realmente experimentar que o
sistema inteiro de um cliente realmente tem todos os recursos
necessários - embora sua consciência dominante não possa! Aprender a
navegar na estrutura mais profunda que mantém as submodalidades,
facilitar a recuperação da força vital e trabalhar de forma limpa com o
sistema do cliente para crescimento pessoal de curto e longo prazo é a
arte e a ciência da PNL de quarta geração.

Rita Aleluia, PhD. nos lembra que “A primeira geração da PNL foi liderada
pela mente cognitiva (Inteligência Cognitiva), de onde emergiria um
modelo terapêutico. Na segunda geração da PNL, a parte somática, as
crenças (Inteligência Somática) foram introduzidas e surgiu o modelo de
Coaching. Na terceira geração de PNL, já existe a noção de "campo" entre
duas pessoas (em uma primeira fase - Inteligência Relacional). Agora,
integrando esse "campo" e indo muito além, na PNL da 4ª Geração, assim
como acontece no trabalho Gerativo (Mudança Gerativa), há um "nós"
que amplia, uma Inteligência Espiritual. “Nós” como comunidade, “nós”
como parte de um planeta. E o conceito de "Holon" e holograma surge.
Em um holograma, o todo está em toda parte e cada parte pode recriar o
todo.

Na 4ª geração da PNL, a noção de espírito emerge, não no sentido


religioso, mas como uma experiência subjetiva, algo que está além de
mim. A física quântica também segue essas linhas e provou a noção de
sistemas e a noção de que eventos imprevisíveis surgem a partir deles.
Isto é de onde os "campos morfogenéticos" também surgem, dos quais eu
lhes contarei em um artigo futuro.

Nós já sabemos que “o mapa não é o território” e que somos o resultado


de experiências subjetivas. Então, vamos entender como fazemos isso de
uma maneira prática, sem colocar nossos mapas de crenças no topo do
que surge durante a experiência.

A 4ª geração de PNL procura entender se o "campo" é a "fonte" ou se a


"fonte" é o "campo". Ele tenta entender dois fenômenos: algo emerge, e
eu não sei de onde vem e algo passa por mim (eu canalizo)”.

Trata-se de um promissor campo aberto para praticantes de todos os


níveis, e mesmo em trabalhos mais básicos e na aplicação de técnicas mais
antigas em formações, a “presença” de um paradigma de quarta geração
pode fazer toda a diferença, assim como para o coaching e para as
terapias em geral que tiverem essa abordagem como psicologia e filosofia
predominantes.

BIBLIOGRAFIA:

Robert Dilts. NLP II. The Next Generation. Meta Publications, CA.
Robert Dilts. Cognitive Patterns of Jesus of Nazareth: Tools of The Spirit.
Dynamic Learning Publications
Peter Wrycza, PhD. Fourth Generation NLP and Modelling.
http://www.transformationalacademy.com/fourth-generation-nlp-and-
modelling/
Rita Aleluia,PhD. This is 4th Generation NLP.
https://www.ritaaleluia.com/en/this-is-4th-generation-nlp/
th
Steven Saunders. About 4 Generation NLP – Emergent, Clean
th
Facilitation. NLPtCA Conference, Regents College, London, 17 January
2007.