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CRIATIVIDADE, INOVAÇÃO

E APRENDIZAGEM
criatividade, inovação
E APRENDIZAGEM

2ª edição
APRESENTANDO
A DISCIPLINA
Prezado aluno,
os objetivos da disciplina Criatividade, Inovação e Aprendiza-
gem são:
• Identificar os diferentes conceitos em relação a criativi-
dade.
• Aplicar o conceito de inovação que beneficie o desenvol-
vimento da aprendizagem.
• Comparar os modelos de aprendizagem no ambiente
organizacional.
• Investigar e compreender o significado do pensamento
sistêmico e seus ganhos para aprendizagem.
• Registrar as possibilidades e os limites de aprendizagem
do sujeito avaliando o processo.
• Compreender a importância do laboratório sensorial para
o desenvolvimento do sujeito e os seus benefícios para
aprendizagem.
• Reconhecer a importância da aplicabilidade de oficinas
lúdicas como ferramentas para o desenvolvimento do
sujeito - psíquico, cognitivo, emocional e psicomotor.
• Identificar os ambientes interativos que propiciem o pro-
cesso criativo e inovador do sujeito.
• Propor técnicas que potencialize o sujeito na criação e
produção de produtos ou serviços.
• Comparar estruturas de empresas tradicionais e inovadoras.
• Apresentar conceitos e ferramentas de gestão para plane-
jamento estratégico.
• Experimentar atividades que propiciem a correlação da
criatividade para a inovação no processo de aprendizagem.
Unidade 1
Conceitos e processos de criatividade,
inovação e aprendizagem

OBJETIVOS DE
APRENDIZAGEM

• Identificar os diferentes conceitos em relação à criatividade.


• Verificar o conceito de inovação que beneficie o desenvol-
vimento da aprendizagem.
Criatividade, Inovação e Aprendizagem | Unidade 1
- Conceitos e processos de criatividade, inovação e
aprendizagem

1.1 O que é criatividade?

Você já percebeu como, muitas vezes, falamos: “como aquela pessoa é criativa!”?
Certamente, quando percebemos algo diferente, inovador, acreditamos que, de
fato, a criatividade está presente. Podemos crer que pessoas consideradas criati-
vas são mais curiosas em tudo, e buscam oportunidades para criar.
Refletindo um instante sobre o conceito de criatividade, logo pensamos na
capacidade de criar, de inventar, de produzir coisas novas. Para Khan (2013), a
criatividade tem relação com a habilidade de enxergar algo novo, de criar algo a
partir do que não se vê, de explorar ideias inéditas.

Figura 1.1 – Espaços criativos

Fonte: 123rf. ID: 31301020


Criatividade, Inovação e Aprendizagem | Unidade 1
- Conceitos e processos de criatividade, inovação e
aprendizagem

No contexto atual, o grande desafio das organizações é desenvolver o raciocínio


voltado para as oportunidades criativas, inovadoras e relevantes para a aprendi-
zagem. Segundo Zogbi (2014), nós temos uma grande dificuldade em classificar
o que é criatividade, por isso muitas vezes ignoramos sua importância na nossa
trajetória pessoal e profissional.
A palavra “criatividade” vem do latim creare, que tem relação com
fazer, realizar. Antigamente, a criatividade era sinônimo de inova-
ção. Hoje, apesar de os conceitos serem distintos, temos que con-
siderar que a criatividade está atrelada à inovação.

Você sabia que as pesquisas referentes à criatividade começaram a ser


realizadas pela área da psicologia na década de 1950, devido à influência
do movimento humanista?

Conforme aponta Bruno-Faria (2013), a criatividade movimenta


uma junção de ideias, que permitirá contribuições valiosas. Nessa
dinâmica, devemos arriscar para a construção do novo, uma vez
que a nossa experiência cria marcas e abre novas ligações cere-
brais (ZOGBI, 2014). Para Vygotsky (1982), a criatividade está li-
gada às realizações humanas, tanto a partir de objetos externos
quanto por meio de construções internas do próprio ser humano.
A criatividade, por vezes, é entendida como uma qualidade das
pessoas capazes de atos criativos. Todavia, com as ferramentas
certas, esforço e disciplina, qualquer pessoa pode desenvolver a
criatividade. Como trata-se de um processo que gera resultados, o
importante é a qualidade desses resultados.
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- Conceitos e processos de criatividade, inovação e
aprendizagem

No senso comum, a palavra criatividade aponta para algo inédi-


to, uma solução de problemas, uma meta a conquistar. De acordo
com Assmann (2004, p. 216),
[...] a palavra criatividade não deveria ser usada leviana-
mente como se se tratasse de algo totalmente espontâneo
e isento de esforço disciplinar. Ao contrário, os textos que
li na direção indicada frisam o nexo entre a criatividade e
capacidade de empreender, de tomar iniciativa e de inter-
vir de forma decisiva.
A criatividade também pode ser vista como um fenômeno com-
plexo, que, através de uma abordagem multidisciplinar, facilita a
aprendizagem em diferentes situações.
Considerando todas essas ideias, vamos relembrar nossa época
de criança e nossa juventude. Nesse período, fazemos coisas sem
pensar, temos curiosidade, falamos o que pensamos, misturamos
brinquedos, criamos brincadeiras, tudo sem limite criativo. Com o
passar do tempo, notamos que algo vai mudando em nosso com-
portamento, em nossa ação. Aquelas atitudes criativas, que antes
eram tão espontâneas, hoje já se tornam mais inibidas.

Figura 1.2 – Liberdade criativa


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Fonte: 123rf. ID: 17892591

Refletindo sobre esse processo, podemos pensar que palavras


limitadoras conseguiram ”engavetar” uma parte de nossa ação
criativa. Pensando um pouco mais além, já na fase adulta, vamos
considerar o exemplo de um gestor que conduz seu negócio com
bastante eficiência.
No senso comum, podemos achar que esse gestor é criativo, pois
conduz o negócio corretamente. Todavia, conduzir bem o negócio
indica que esse gestor tem profissionalismo, mas isso não quer di-
zer que é a criatividade que determina o sucesso do negócio.
Dessa forma, compreendemos que algumas palavras são empre-
gadas de maneira errônea. No que se refere à criatividade, muitas
vezes dizemos: “Nossa! Renato é tão criativo!”. Isso porque pode-
mos acreditar que algumas pessoas são realmente mais criativas
do que outras.
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- Conceitos e processos de criatividade, inovação e
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Fazemos comparações e percebemos que, após ter exercido


a criatividade em nossa ação, conseguimos vislumbrar um
ser criativo em nós. Mas a única comparação que faz com
que evoluamos é a de querer crescer e melhorar a cada dia.

Muitas investigações sobre criatividade apontam para comporta-


mentos que indicam um aguçamento de nossos sentidos. Seriam
inúmeras as possibilidades de estar sempre a serviço da criativida-
de. Um dia após o outro, temos a possibilidade de tentar mais uma
vez, permitindo que a imaginação avance para reações concretas.
Quanto mais nos relacionarmos com pessoas criativas, mais nos
desafiamos a sermos criativos. Hoje, verificamos que as pessoas
não se permitem acessar a criatividade, ficam restritas a algumas
atitudes e a um grupo de pessoas.
Para sermos criativos precisamos explorar novos conhecimentos,
novas conquistas. Para Zogbi (2014, p. 6), “a primeira coisa a fazer
é estimular a vontade de ser mais criativo e a segunda é sempre
lembrar das oportunidades de ser curioso”.

1.2 Criatividade e Educação

A criatividade e a Educação são dois conceitos que estão interliga-


dos. Quando pensamos em desenvolver sujeitos com habilidades
e competências, consideramos que o sujeito tenha ótimas ideias,
capacidade de criação, de autodesenvolvimento e de inúmeras
conquistas para alcançar sua felicidade (sentido amplo e real) e,
consequentemente, o mercado de trabalho.
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Estimular a curiosidade desenvolve emoções e sensações que nos


fazem bem. O fato de experimentar outras opções, de conhecer
outras pessoas, de nos desafiarmos etc. colabora para o desenvol-
vimento de novas ideias. Essa relação com outras pessoas e ideias
amplia nossos horizontes e colabora com ações criativas, que vão
crescendo pouco a pouco.
Hoje, percebemos que a ampliação da rede de contatos é um bom
estímulo para a criatividade. Portanto, o fato de termos curiosida-
de nos coloca constantemente em novas experiências.

Você acredita que podemos ser criativos sem a curiosidade?


Ou ela é fundamental para o desenvolvimento da criativi-
dade?

Uma dica interessante para desenvolver a criatividade é manter o


bom humor. Você já percebeu como a proximidade com pessoas
de humor elevado revela o quanto precisamos sorrir e nos alegrar-
mos? Segundo Zogbi (2014, p.13), “o bom humor reduz nosso es-
tresse e facilita a mobilização em prol de um objetivo. Se estamos
querendo ser mais criativos, devemos investir nisso”.
Outra questão importante para o desenvolvimento da criatividade
é assegurar que o sujeito tenha uma boa autoestima, o que está di-
retamente relacionado com o fato de estar satisfeito consigo mes-
mo. Mas como esse fato se conecta com a criatividade?
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Figura 1.3 – Confiança e criatividade

Fonte: 123rf. ID: 42345735

Acontece que podemos ter ideias e até sermos criativos, mas, se


não tivermos visibilidade, essa criatividade se torna improdutiva. A
criatividade tem relação com a independência, com a liberdade de
criar e agir, mas, se o sujeito não tem uma boa autoestima, ele não
se sentirá capaz de criar, sentirá que não tem potencial criativo a
ser desenvolvido. Por isso, a importância de valorizar o desenvol-
vimento da criatividade, sempre respeitando os limites e as formas
de expressão do sujeito.
Você já parou para pensar quantas vezes nossas ideias foram inibi-
das de alguma forma? Já percebeu que a avaliação do outro, mui-
tas vezes, destrói nossa ação de pensar criativamente? Ou mes-
mo que, muitas vezes, nos falta flexibilidade para ação criativa ou
mesmo para lidar com a criatividade do outro? O comportamento
flexível, por exemplo, permite a exploração de nosso sentido críti-
co. Essa forma maleável, flexível, auxilia na visão de olhar o outro,
revendo nossa postura e nossas opiniões.
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Essas experiências são produtos de nossa própria atividade e inte-


gram um contexto que facilita o desenvolvimento de nossos sen-
tidos. Nesse universo, a sensibilidade está atrelada à ampliação de
nossas possibilidades. Só é possível ver o outro quando consegui-
mos perceber algo em nós. Quando nos conhecemos, compreen-
demos o outro instantaneamente.

Para Piaget, o sujeito vai desenvolvendo a compreensão do


modelo de mundo ao longo de cada período de sua vida. E
isso de fato acontece com todos os indivíduos. Essa cons-
trução é um processo, de idas e vindas.

Muitas vezes estamos motivados a sermos criativos, em outros tan-


tos momentos não. Quando nos sentimos mais motivados, estamos
próximos a um objetivo, uma meta pré-determinada, planejada.
O planejamento, nesse caso, favorece a organização de ideias e o
crescimento de ações criativas, no trabalho, nas relações e na vida.
A criatividade nada mais é do que vivência. Criar é vivenciar e en-
contrar novas respostas nessa experiência, novos caminhos para a
ação a seguir (HAETINGER; HAETINGER, 2011).
As instituições devem ser espaços que possibilitam o pensamen-
to criativo, crítico e articulador. E o espaço no qual o sujeito está
inserido precisa estimular a construção de significados e o desen-
volvimento de habilidades, como resolução de problemas, trabalho
em equipe, comunicação de forma eficiente, pensamento crítico,
liderança e inteligência emocional.
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Portanto, é possível ensinar o sujeito a pensar criativamente e os


movimentos motivacionais fazem a diferença para desempenhar a
criatividade. Mas, para despertamos a criatividade no outro, pre-
cisamos ter a habilidade criativa em nós. Precisamos ser ousados,
curiosos, confiantes e abertos a novas experiências.

Figura 1.4 – Ousadia e novas experiências

Fonte: 123rf. ID: 26953237

Para que um espaço permita a liberdade criativa, é importante que


o sujeito envolvido nesse processo desenvolva algumas habilida-
des, tais como:
• envolve-se no contexto da empresa, estando aberto as diferen-
tes ideias;
• permitir-se ter tempo para o pensamento criativo;
• desenvolver e estimular o seu pensar “fora da caixa”;
• acreditar que a construção do processo criativo acontece entre
erros e acertos e que o erro faz parte de todo processo de apren-
dizagem; aprender com as frustrações garante o recomeçar;
• conhecer e verificar diferentes pontos de vista;
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• planejar como forma de criação, identificando os interesses;


• visualizar as queixas, gerando múltiplas hipóteses;
• ser tranquilo, estimula ambientes sem pressão;
• ter flexibilidade, permite-se trabalhar com a diversidade nas
relações, garantindo assim a troca de conhecimento e diálogo
mútuo.
Quando oportunizamos ambientes de aprendizagem diversifica-
dos, divertidos e alegres, contribuímos para o bem-estar do sujeito
e do grupo. Portanto, você precisa estar atento para perceber se
um ambiente está estimulando ou inibindo a criatividade.

Em um ambiente inibidor da criatividade as ideias são igno-


radas, os líderes são controladores e a estrutura hierárquica
é excessiva.

Com muita propriedade, diferentes autores revelam alguns fatores


que bloqueiam a criatividade dos sujeitos. Esses bloqueios podem
vir por meio de ambientes inibidores de barreiras perceptíveis, cul-
turais, relações ambientais, emocionais, intelectuais e expressivas.
Fatores esses que estão enraizados em nossa sociedade contem-
porânea.
Nesse cenário, o desenvolvimento do pensamento criativo, ocorre
por meio de estímulos circunstanciais, o que seria a necessidade
de solução. Muitas empresas assumem o compromisso de desen-
volver em seus funcionários possibilidades criativas.
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Isso é um suporte organizacional que eleva o grau de motivação


das pessoas que estão nesses locais. Essa iniciativa se torna bas-
tante interessante pelo fato de estimular a criatividade priorizando
a inovação, pois
[...] para entender a criatividade não é suficiente estudar os
indivíduos que parecem mais responsáveis por uma nova
ideia ou coisa. A contribuição deles, apesar de necessária
e importante, é somente um elo da corrente, uma fase no
processo. (CSIKSZENTMIHALYI,1996, p. 7).

Figura 1.5 – Valorização da criatividade em grupo

Fonte: 123rf. ID: 44322096

Desse modo, cabe pensar a criatividade sob o aspecto de dife-


rentes ambientes, além de ser uma ação individual do sujeito, po-
demos pensar nos ambientes que proporcionam desenvolver a
criatividade. Segundo Alencar, Bruno-Faria e Fleith (2010), a criati-
vidade está vinculada à habilidade, e ela deve ser incentivada nos
mais diversos ambientes.
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Se pensarmos quantas possibilidades criativas presenciamos em


um contexto profissional, quantas experiências de aprendizagem e
quantas possibilidades de bem-estar emocional, vemos que a cria-
tividade dentro das empresas assume um papel fundamental na
inovação de produtos e serviços. Ela é a fonte de oportunidades
de interação entre a equipe.
A construção dessas habilidades contribui para a melhoria de au-
tonomias individuais, aprendizagens significativas e possibilida-
des de desenvolvimento de uma sociedade. Segundo Haetinger e
Haetinger (2012, p. 22), “a criatividade é ao mesmo tempo com-
portamento, qualidade, processo e produto. É a base do ato de
liberdade, ou melhor, da ação libertadora, é fator determinante na
formação do senso crítico”.
A criatividade está presente na esfera das grandes e pequenas
empresas. Quando as instituições se organizam para dar conta de
uma demanda importante no meio da competitividade, significa-
tivamente elas enxergam algo que está escondido. E aqui está um
ponto maravilhoso, a partir do qual podemos refletir sobre a “vida
das empresas”. O ambiente criativo proporciona novas ações, e
[...] se o indivíduo se percebe e se avalia como competente,
capaz e criativo, ele tende a ter mais confiança em expres-
sar ideias e em exibir comportamento criativo. Por outro
lado, se o indivíduo se percebe como incapaz e não cria-
tivo, esta percepção irá refletir em suas ações, limitando as
possibilidades de uma expressão mais plena de seu poten-
cial e talento. (ALENCAR, 1997, p. 8).
Quando a empresa cogita a possibilidade de se desafiar para a
criatividade, ela está colaborando para as questões do potencial
criativo do sujeito, que assume um reflexo amplo para a instituição.
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Esse processo inovador demonstra um caráter de sensibilidade,


tendo em vista as oportunidades que acontecem nesse decurso.
Desde sempre, acompanhamos diferentes mudanças. Nós mes-
mos, encaramos mudanças pessoais e profissionais. Frente a essa
ação, sabemos que os desafios emergem em todo o comporta-
mento. Quando uma empresa quer crescer, por exemplo, logo pen-
sa nas dificuldades que enfrentará, porém, o foco deverá ser nos
benefícios que terá, e isso faz parte do processo.
Toda instituição será desafiada se conduzir suas ideias para am-
bientes de trabalho criativos. Para realizar a mudança, seja ela de
qualquer ordem, as empresas deverão contar com ótimas ideias, e,
para isso, necessitam de pessoas para conduzi-las.

Empresas inovadoras criam estratégias motivacionais com


metas táticas. Dessa forma, o gestor criará possibilidades
para despertar e valorizar diferentes ideias criativas.

Bom, podemos pensar que a criatividade é um comportamento


individual. Mas para focarmos em inovação, não cabe desenvolver-
mos um plano inovador, criativo, com ideias tradicionais por meio
de um planejamento individual. A criatividade será expressa através
de pessoas e do próprio ambiente proporcionado para o contexto.
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Segundo Costa (2008), as empresas necessitam focar em profis-


sionais que tenham:
• capacidade de comunicação, flexibilidade;
• capacidade de contribuir com a empresa através de ações ino-
vadoras e atuantes, com atitudes;
• capacidade de ensinar e aprender no meio institucional, atra-
vés de um crescimento mútuo e eficaz;
• capacidade de adaptação a novas situações, novos contextos; e
• capacidade de agir com humildade, bom humor, criatividade,
motivação e ética.
Através da criatividade e da inovação, as empresas acabam mu-
dando sua forma organizacional e isso dependerá da maturida-
de de seus gestores. A introdução dessas estratégias beneficia
o bem-estar e as atitudes dos sujeitos que estão nesse contexto
empresarial.
Entretanto, para essas ideias se concretizarem, a empresa, bem
como outras instituições, deve se manter focada em um planeja-
mento estratégico, alicerçado na gestão de mudanças.
Várias são as características presentes em uma empresa. Pensa-
mos nessa característica: ambientes saudáveis e ambientes doen-
tes. Pensamos no que estes ambientes proporcionam.
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Figura 1.6 – Ambiente saudável

Fonte: 123rf. ID: 45502207

Um ambiente de bem-estar acolhe e permite uma relação mais


harmônica. Já o ambiente que está doente, percebe-se muitas
queixas e o desanimo parece se instalar nesse espaço.
De fato, independente das características das instituições, de-
vemos proporcionar espaços de tranquilidade e bem-estar, que
permitam refletir sobre as relações e a qualidade do trabalho de
todos os sujeitos envolvidos. A empresa precisa desenvolver uma
postura mais madura.
As empresas que se tornam “maduras” são locais que acreditam
que a mudança proporciona inovações no ambiente e nas relações.
Elas operam através de um mecanismo de planejamento interno
e externo. Empresas doentes são como pessoas doentes, que não
estão animadas; o desânimo, em muitos casos, preenche seus pen-
samentos e sua forma de atuar.
Especificamente, tanto empresas quanto outros tipos de organiza-
ções se constituem através das relações. Alternativas planejadas
convidam o sujeito a desenvolver a criatividade. A inter-relação irá
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colaborar para a concretização de ações que venham favorecer a


empresa. Portanto, a criatividade para diversos autores tem liga-
ção com nossa vivência, pois viver é um ato criativo.
Vamos considerar a criatividade um combustível para nosso agir.
Ela passou a ser um ponto forte em tudo o que fazemos. É válido
acreditar que a criatividade é a descoberta para nós e para o con-
texto. Tudo indica que aprendemos a ser criativos e o fato de apro-
veitarmos todas as oportunidades indica inovação, pois contém
uma mudança nesse processo.

1.3 Criatividade e Inovação

Criatividade e inovação são ações que estão interligadas. Quando


pensamos em criar algo, articulamos ações que facilitaram nossa
idealização. Criar é a própria essência da transformação e, com a
evolução da sociedade, temos um aparato tecnológico que per-
mitirá termos informações que possibilitam explorarmos nossas
ideias e ações.

A criatividade é o exercício de pensar de forma curiosa,


criativa, com ideias novas. Já a inovação tem relação com a
implementação dessas novas ideias. É importante salientar
que a criatividade e a inovação andam juntas.
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Você já parou para pensar em quantas inovações surgiram para de


fato facilitar a nossa vida cotidiana? A invenção da roda, dos instru-
mentos de caça e pesca, dos meios de locomoção e comunicação,
entre outros, são exemplos de como a criatividade e a inovação são
relevantes para nossas vidas. Esses são pequenos exemplos de ino-
vações que vão surgindo conforme as necessidades do homem.

Figura 1.7 – Evolução e inovação

Fonte: 123rf. ID: 46452354

Sabemos que as instituições precisam ser flexíveis, pois cada no-


vidade implica modificações importantes em todo o contexto da
instituição. A criatividade, por ser a arte de lançar novas ideias, é
o fator principal da inovação. Inovar significa ter ideias novas, criar
coisas novas, remanejar com eficácia, buscar novas alternativas
como respostas favoráveis aos objetivos claros e precisos.
A inovação busca melhorar os serviços das empresas e instituições.
Não estamos nos referindo a atitudes radicais, mas sim a movimen-
tos que trarão qualidade e satisfação. É importante salientar que a
essência de qualquer organização perpassa pela vontade de inovar.
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Segundo Veríssimo (2016), a inovação é percebida como uma so-


lução mágica e infalível para as instituições e empresas. Hoje, essas
ideias acabam sendo desatualizadas, visto que a inovação pode
partir de ajustes, melhorias de pequeno e grande porte.
As ações que ocorrem em empresas bem-sucedidas partem de
um objetivo, uma meta a ser alcançada. Por isso, o primeiro passo
é sempre saber por que inovar. Conforme afirma Veríssimo (2016,
p. 109),
A capacidade de inovação consiste em um conjunto de fato-
res que a empresa tem ou não tem, e nos modos de com-
biná-los de maneira eficiente. Essa capacidade depende da
integração de várias características da empresa, desde sua
forma de trabalho, competências, diferenciais, estrutura
financeira, estratégia, relacionamentos, até a sua organiza-
ção interna.
Ao utilizar a tecnologia para estimular a criatividade, incorpora-
mos uma ferramenta adequada para inúmeras possibilidades. Mais
do que nunca, precisamos estar atentos às inovações. Precisamos
pensar na lógica do desenvolvimento em diferentes espaços.
Dessa forma, nutrimos a inovação com pessoas e suas ideias. A
tecnologia trabalha para permitir que nada se perca no mundo da
criação; foi criada para servir à sociedade.
Nesse contexto, as empresas se apoiam em pessoas, em uma dinâ-
mica de funcionamento, juntamente com a tecnologia. Os empre-
endimentos bem-sucedidos, que de certa forma são considerados
inovadores, vivem constantemente buscando algo diferente, de im-
pacto, de qualidade. Seus gestores apresentam atitudes visionárias
e reorganizam suas ações pautando-se em novas ideias e produtos.
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Figura 1.8 – O gestor direciona a equipe

Fonte: 123rf. ID: 50478712

Mas, é fundamental que o processo de mudança aconteça de for-


ma gradual. A verdadeira mudança contempla o ser humano. Um
indivíduo produtivo, competente, valorizado, estimulado a crescer
e visionário estará desperto para a inovação. Podemos dizer que
fatores humanos, sociais e culturais são valiosos para a eficácia da
inovação nas empresas.
A análise do processo de inovação das instituições, frente às de-
mandas já existentes, permitirá a visão de todo o contexto, consi-
derando tanto as variáveis internas quanto as externas à institui-
ção. Portanto, inovação tem a ver com:
• criatividade;
• ideias novas;
• desenvolvimento e implementação de novidades;
• mudanças;
• assumir riscos;
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A inovação também está muito relacionada ao processo de gestão.


A empresa, por exemplo, tem a responsabilidade de estar inovan-
do com qualidade. Para isso, é necessário que os líderes estejam
atentos para as demandas, juntamente com pessoas que realizam
planejamentos estratégicos.
Outro saber importante é a inovação social, que está muito ligada
à forma com que as pessoas se relacionam e interagem. Frente a
isso, podemos questionar:
• Como podemos ampliar o acesso ao conhecimento?
• Como podemos preparar as pessoas para viverem em uma rea-
lidade pós-industrial, na qual a tecnologia poderá substituir boa
parte do trabalho humano?
• Como podemos romper com a lógica dominante do ensino,
que foi concebida em uma sociedade industrial e que prepara
a mão de obra para esse sistema econômico?
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A inovação social movimenta a rotina e os padrões pré-estabeleci-


dos. Essa inovação ocorre quando pessoas fazem algo diferente no
seu dia a dia. Conforme pontua Costa (2008), as empresas contam
com três níveis possíveis para a inovação:

ONDE ESTÃO OS ADMINISTRADORES


QUE TÊM VISÃO HOLÍSTICA DO
ESTRATÉGICO OU MERCADO E DO NEGÓCIO, QUE
INSTITUCIONAL DEFINEM CONCEITO E ESTRATÉGIA E
TRAZEM INFORMAÇÃO PARA DENTRO
DO CONTEXTO ORGANIZACIONAL.
ONDE SE ENCONTRAM OS
ADMINISTRADORES QUE ESTÃO EM
NÍVEL INTERMEDIÁRIO (GERÊNCIA).
TÁTICO
ESTES COMPREENDEM O CONCEITO
E O LEVAM PARA OPERAÇÃO, CRIAM
MANEIRAS DE EXECUÇÃO.
CONTA COM ADMINISTRADORES
QUE POSSUEM DOMÍNIO
OPERACIONAL
TÉCNICO, RESPONSÁVEIS PELA
OPERACIONALIZAÇÃO DOS NEGÓCIOS.

Essa articulação, considerando o mundo contemporâneo globali-


zado, favorece o encaminhamento ao plano de ação para a visibi-
lidade da qualidade de uma sociedade. A instituição caminha para
encontrar respostas frente aos diferentes desafios que surgem no
contexto educacional e social. Segundo Cardoso (2003, p. 5),
O conceito de inovação compreende necessariamente a
introdução de uma novidade num sistema educativo que
promova uma real mudança resultante do esforço delibe-
rado e conscientemente assumido, fruto de uma ação per-
sistente e integrada num processo dinâmico, que objetive
uma melhoria pedagógica.
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Entendendo todo esse movimento de inovação, que tem o obje-


tivo de desenvolver dignamente o sujeito na sociedade, não po-
demos esquecer que devemos pensar em uma prática educativa
como cultura. Quando pensamos em inovação, temos o compro-
misso de envolver toda a questão social. Conforme Garcia (1980),
as propostas de inovação (educacional, social) necessitam de mo-
vimentos mais tolerantes e com uma gama maior de criação.

As propostas de inovação necessitam de um clima de maior


tolerância e de possibilidade de criação para que possam
representar algo significativo para a educação. [...] parece
claro que propostas viáveis de inovação [...] corram o risco
de ensaios e erros, avanços e retrocessos, para encontrarem
formulações que atendam efetivamente às necessidades
sentidas. (GARCIA, 1980, p. 11).

Com o intuito de avançar em nosso estudo, vamos trazer as ques-


tões voltadas para a formação de sujeitos na questão de inovação.
O gestor deve participar ativamente desses novos olhares da cria-
tividade e da inovação na aprendizagem. Nesse aspecto, distanciar
o gestor de combinações consideradas fundamentais prejudica o
andamento de qualquer percurso empresarial.
O funcionário necessita ter mais autonomia e flexibilidade de atuar,
principalmente no que se refere à autonomia para inovação. Nessa
perspectiva, avançar com a criatividade, partindo de uma realida-
de, na busca da inovação, é o que de fato permeia essa relação.
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A possibilidade de emergir em possibilidades com energia criativa


(SEVERINO, 2011) anima o grupo em função de um mesmo objeti-
vo. Não podemos jamais coisificar as ações do sujeito. A intencio-
nalidade da inovação tem que estar amarrada para o desenvolvi-
mento social.
Para tanto, podemos destacar uma palavra que permite acrescen-
tar o nosso estudo, “entusiasmo”. Uma pessoa sem entusiasmo
demonstra não aceitar a mudança. Quando vivemos entusiasma-
dos, acreditamos naquilo que estamos realizando.
Para ser criativo e inovador é necessário, antes de qualquer coisa,
pensar, refletir e agir. É necessário despertar para a criatividade
com a inocência de uma criança, com a sua felicidade de inovar e
criar algo que nunca foi visto, porque pensar o inédito viável é ino-
vação. Essa confiança alimenta nossas atitudes, nosso crescimento
e o de todos os que estão ao nosso redor.
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