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EVOLUÇÃO CÍCLICA E KARMA

Jerônimo Lucena

KARMA É UMA LEI QUE GOVERNA O MUNDO DO SER. - OS OCULTISTAS TÊM IGUAL
RESPEITO À VIDA ANIMAL EXTERNA DO HOMEM E A SUA NATUREZA ESPIRITUAL
INTERNA.
A EVOLUÇÃO espiritual do Homem interno e imortal constitui a doutrina fundamental das
Ciências Ocultas. Para ter uma compreensão, ainda que imperfeita, de semelhante processo,
deve o estudante crer:
(a) Na Vida Universal Una, independente da Matéria (ou do que a Ciência entende por
Matéria); e...
(b) Nas Inteligências individuais que animam as - diferentes manifestações desse
princípio.
O Senhor Huxley não acredita na Força Vital; outros homens de ciência acreditam. O livro do
Dr. J. H. Hutchinson Stirling As Regards Protoplasm ocasionou algum dano a essa dogmática
negativa. Também o Professor Beale se decidiu em favor de um Principio Vital, e as
conferências do Dr. B. W. Richardson sobre o Éter Nervoso têm sido citadas freqüentemente.
As opiniões se acham, portanto, divididas.
A Vida Una está intimamente relacionada com a Lei Una que, governa o Mundo do Ser:
O KARMA.
Em seu sentido exotérico e literal, esta palavra quer dizer simplesmente "ação", ou melhor,
"uma causa que produz seu efeito".
Esotéricamente, o Karma é uma coisa inteiramente diversa em seus efeitos morais de grande
alcance. É a infalível LEI DE RETRIBUIÇÃO. Falar aos ignorantes sobre a verdadeira
significação, as características e a suma importância desta Lei eterna e imutável; dizer que
nenhuma definição teológica de uma Divindade Pessoal pode dar uma idéia deste Princípio
impessoal, mas sempre ativo e presente, é falar em vão. Não se pode tampouco lhe dar o nome
de Providência. Porque a Providência, para os teístas - ao menos para os cristãos protestantes -
recai em um criador pessoal masculino, enquanto que para os católicos romanos é uma
potência feminina. "A Divina Providência tempera suas graças para melhor assegurar os seus
efeitos", diz Wogan, "Ela" as tempera, o que o Karma - princípio sem sexo - não faz.
Nas duas primeiras partes desta obra mostramos que, ao primeiro palpitar da vida
renascente, Svabhâvat, "a Radiação Cambiante das Trevas Imutáveis e inconscientes na
Eternidade", passa, em cada novo renascimento do Cosmos, de um estado inativo a outro de
atividade intensa; que ele se diferencia, e então começa a sua obra através desta diferenciação.
Essa obra é o KARMA.
Os Ciclos são também dependentes dos efeitos produzidos pela mesma atividade.
O Átomo Cósmico Uno se converte em sete Átomos no plano da Matéria, e cada um se
transforma em um centro de energia; aquele mesmo Átomo se converte em Sete Raios no
plano do Espírito; e as sete Forças criadoras da Natureza, irradiando-se da Essência-Raiz...
Seguem, umas a via da direita, outras a via da esquerda, separadas até o fim do Kalpa, e, sem
embargo, estreitamente enlaçadas. Que é que as une? O Karma.
Os Átomos emanados do Ponto Central irradiam, por sua vez, novos centros de energia, que,
sob a influência do sopro potencial de Fohat, iniciam a sua obra de dentro para fora, e
multiplicam outros centros menores. Estes, no curso da evolução e involução, formam por sua
vez as raízes ou causas geradoras de novos efeitos, desde os mundos e globos "habitados pelo
homem" até os gêneros, espécies e classes de todos os sete reinos, dos quais só conhecemos
quatro Pois, como diz o Livro dos Aforismos de Tsong-kha-pa, "Os benditos artífices receberam
o Tyan-kam na eternidade".
Tyan-kam é o poder ou conhecimento que permite dirigir o impulso da Energia Cósmica no
sentido conveniente.
O verdadeiro budista, que não reconhece nenhum "Deus pessoal", nenhum "Pai" ou
"Criador do Céu e da Terra", crê, no entanto, em uma Consciência Absoluta, Adi-
Buddhi; e o filósofo budista sabe que há Espíritos Planetários, os Dhyân Chohans. Mas,
apesar de admitir "Vidas Espirituais", mesmo estas, sendo transitórias na eternidade, não
deixam de ser, conforme a sua filosofia, "Mâyâ do Dia", a Ilusão de um "Dia de Brahma", um
curto Manvantara de 4.320.000.000 de anos. O Yin-Sin não é para servir às especulações do
homem, pois o Senhor Buddha proibiu todas as indagações desse gênero. Se os Dhyân
Chohans e todos os Seres Invisíveis - os Sete Centros e suas Emanações diretas, os centros
menores de Energia - são o reflexo direto da Luz Una, os homens estão ainda muito
distanciados deles, por isso que todo o Cosmos visível se compõe de "seres produzidos por si
mesmos, as criaturas do Karma".

Considerando, assim, que um Deus pessoal "não passa de uma sombra gigantesca projetada
no vazio do espaço pela imaginação do homem ignorante" (*), ensinam os budistas que "só
duas coisas são eternas (objetivamente), a saber: o Akasa e o Nirvana", e que ambas se
identificam em uma só, não passando de Mâyâ quando estão separadas. (*Catecismo Budista, Questão
122, por H. S. Olcott, Presidente da Sociedade Teosófica).
"Todas as coisas saíram de Akasa [ou Svabhâvat, em nossa Terra], em obediência a uma lei de
movimento que lhe é inerente, e desaparecem após uma certa existência. Do nada jamais saiu
alguma coisa. Não cremos em milagres; e por isso negamos a criação e não podemos conceber
um criador".
Se perguntasse a um brâmane da Seita Advaita se ele crê na existência de Deus, a resposta
seria provavelmente igual à que recebeu Jacolliot: "Eu próprio sou Deus"; ao passo que um
budista (sobretudo um cingalês) se limitaria a sorrir, dizendo: "Não há Deus, não há Criação".
Contudo, a filosofia fundamental dos eruditos advaitas é idêntica à dos budistas; e uns e outros
têm igual respeito à vida animal, acreditando que toda criatura da Terra, por pequena e
humilde que seja, "é uma parcela imortal da Matéria imortal" - a Matéria tendo para eles um
significado muito diferente do que tem para os cristãos e os materialistas - e que todas as
criaturas estão sujeitas ao Karma.
A resposta do brâmane teria ocorrido a todo filósofo antigo, cabalista ou gnóstico dos
primeiros tempos. Ela encerra o espírito mesmo dos mandamentos délficos e cabalísticos; pois
a Filosofia Esotérica resolveu, desde há séculos, o problema do que o homem foi, é e será;
sua origem, seu ciclo de vida - interminável na duração das encarnações e renascimentos
sucessivos e sua absorção final na Fonte de onde proveio.
Nenhum ocultista negaria que o homem - da mesma forma que o elefante e o micróbio, o
crocodilo e o lagarto, a folha de erva e o cristal - seja, em sua constituição física, o simples
produto das forças evolutivas da Natureza, através de uma série inumeráveis de
transformações; mas ele apresenta um aspecto diferente.
A INFLUÊNCIA ESOTÉRICA DOS CICLOS KÁRMICOS SOBRE A ÉTICA UNIVERSAL.
- NINGUÉM PODE ESCAPAR AO SEU DESTINO DOMINANTE.
- KARMA, A LEI DE COMPENSAÇÃO.
Para que a obra do Karma - nas renovações periódicas do Universo - se torne mais evidente
e inteligível ao estudante, quando este chegar à origem e evolução do homem, é mister que ele
nos acompanhe agora no exame da influência oculta dos Ciclos Kármicos sobre a Ética
Universal. A questão é a seguinte: exercem alguma influência sobre a vida humana, ou têm
relação direta com ela, essas misteriosas divisões do tempo, chamadas: Yugas e Kalpas pelos
hindus, e às quais os gregos deram o nome, tão expressivo de (KÚKÂOI), Ciclos, anéis ou
círculos? A própria Filosofia Esotérica esclarece que esses ciclos perpétuos do tempo
recomeçam constantemente, de modo periódico e inteligente, no Espaço e na Eternidade. Há
"Ciclos de Matéria" e há "Ciclos de Evolução Espiritual", e há também ciclos de raças, de nações
e de indivíduos.- Permitirá a Doutrina Esotérica que cheguemos a um conhecimento mais
profundo da ação dos Ciclos?
Segundo os ensinamentos, Mâyâ - a aparência ilusória da ordenação de acontecimentos e
ações nesta Terra - muda e varia com as nações e os lugares.
Mas os traços dominantes da vida de cada homem estão sempre em harmonia com a
"Constelação" sob a qual nasceu, ou - poderíamos dizer - com as características do principio
que o anima, ou da Divindade que lhe preside a existência, chame-se Dhyân Chohan, como
na Ásia, ou Arcanjo, como nas Igrejas grega e latina. No simbolismo antigo, era sempre o Sol
- mas o Sol espiritual, e não o físico - que se acreditava enviar os principais Salvadores e
Avatares. Dai o laço de união entre os Buddhas, os Avatares e tantas outras encarnações dos
Sete Supremo.
Quanto mais se aproxime do seu Protótipo no "Céu", tanto melhor para o mortal cuja
personalidade foi eleita - por sua própria Divindade pessoal (o Sétimo Principio) - para sua
mansão terrestre. Porque, a cada esforço de vontade no sentido da purificação e da união com
esse "Deus Próprio", um dos Raios inferiores se interrompe, e a entidade espiritual do
homem é atraída cada vez mais para o alto, para o Raio que sucede ao primeiro, até que, de
Raio em Raio, o Homem Interno é absorvido no Raio Uno, o mais elevado do Sol-Pai.
Assim, pois, "os sucessos da humanidade estão em coordenação com as formas numéricas",
uma vez que as unidades simples dessa humanidade promanam todas da mesma fonte - o Sol
Central e sua sombra, o Sol visível. Porque os equinócios e os solstícios, os períodos e as
diversas fases do curso solar, astronômicos e numericamente expressos, são somente os
símbolos concretos da verdade eternamente viva, ainda que pareçam idéias abstratas aos olhos
dos mortais não iniciados. E isto explica as extraordinárias coincidências numéricas com as
relações geométricas, como assinalado por diversos autores.
Sim, "o nosso destino está escrito nas estrelas!" De ver, porém ' que, quanto mais estreita a
união entre o reflexo mortal, que é o Homem, e seu Protótipo Celeste, tanto menos
perigosas as condições externas e as reencarnações subseqüentes - às quais nem os Buddhas
nem os Cristos podem escapar. Não é superstição, e muito menos fatalismo. Este último
parece implicar ação cega de uma força ainda mais cega; o homem, porém, é um agente livre
durante a sua estada na Terra. Não pode fugir ao seu Destino dominante, mas pode escolher
entre dois caminhos que conduzem àquela direção, e chegar à meta da desgraça - se é a que
lhe está reservada - ou com as níveas vestes do mártir ou com a roupa tisnada de um
voluntário da senda do mal: porque há condições externas e internas que podem exercer
influência sobre o uso de nossa vontade no conduzirmos as nossas ações, e está em nosso
alvedrio eleger um ou outro dos dois caminhos.
Os que crêem no Karma não podem deixar de crer no Destino que cada homem, do berço
ao túmulo, tece ao redor de si mesmo, fio por fio, como a aranha a sua teia; e esse Destino é
dirigido, ou pela voz celeste do invisível Protótipo exterior a nós, ou pelo nosso mais intimo
astral, ou homem interno, que mui freqüentemente é o gênio do mal da entidade encarnada.
Ambos influenciam o homem externo, mas um deles tem que prevalecer; e, desde o principio
desse conflito invisível, a austera e implacável Lei de Compensação intervêm, e segue o seu
curso, acompanhando lance por lance as flutuações da luta.
Quando o último fio se acha tecido, e o homem se deixou enredar na malha de seus próprios
atos, vê-se ele sob o império absoluto desse Destino, que ele mesmo elaborou. Este então o
imobiliza, qual concha inerte presa ao firme rochedo, ou o arrasta, como uma pena, no
torvelinho levantado por suas próprias ações; isto é o KARMA.
Um materialista, tratando das criações periódicas do nosso globo, assim as expressou em
uma só frase: "Todo o passado da Terra não desenvolvido".
O autor era Büchner, que nem de longe suspeitava estar repetindo um axioma dos
ocultistas. É também verdade, como observa Burmeister, que "As pesquisas históricas sobre o
desenvolvimento da terra demonstraram que o hoje e o ontem assentam na mesma base; que
o passado se desenvolveu do mesmo modo por que se desenvolve o presente; e que as forças
em ação permanecem sempre as mesmas".

AS GRANDES MUDANÇAS GEOLÓGICAS NÃO SÃO MAIS QUE INSTRUMENTOS QUE


ATUAM PERIODICAMENTE PARA ALCANÇAR CERTOS FINS.
- OS GRANDES CICLOS E OS CICLOS MENORES.
- KARMA-NÊMESIS. -
As Forças - ou melhor, os seus Números - são certamente as mesmas; portanto, as Forças
fenomenais devem ser também as mesmas. Mas quem pode assegurar que os atributos da
Matéria não se tenham modificado sob a ação da Evolução Protéica? Como pode o materialista
afirmar, com a confiança com o que faz Rossmassler, que "Esta conformidade eterna na
essência dos fenômenos dá a certeza de que o fogo e a água possuíram em todos os tempos
as mesmas propriedades e as possuirão sempre?”
Quem são os "que obscurecem o segredo com palavras sem sabedoria", e onde estavam os
Huxleys e os Büchners quando as fundações da Terra foram lançadas pela Grande Lei? Esta
mesma homogeneidade da Matéria e esta mesma imutabilidade das leis naturais, em que tanto
insiste o Materialismo, constituem um princípio fundamental da Filosofia Oculta; mas tal
unidade se baseia na inseparabilidade de Espírito e Matéria: se por acaso os dois se
divorciassem, todo o Cosmos cairia no Caos e no Não-Ser. Portanto, é absolutamente falso, e
uma demonstração a mais da grande presunção da nossa época, que todas as grandes
transformações geológicas e as terríveis convulsões do passado tenham sido produzidas
por Forças físicas ordinárias e conhecidas, como afirmam os homens de ciência. Porque essas
Forças não foram mais que os instrumentos e os meios finais para o cumprimento de certos
desígnios, atuando periodicamente e, na aparência, de modo mecânico, em obediência a um
impulso interno incorporado à sua natureza material, mas independente dela. Há um objetivo
em cada ato importante da Natureza; e todos os seus atos são cíclicos e periódicos. Devido,
porém, à confusão generalizada entre forças espirituais e forças puramente físicas, são as
primeiras negadas pela Ciência, que, por não as haver examinado, continuará ignorando-as (*).
(* Dirão os homens de ciência: "Negamos, porque no campo de nossas experiências jamais se
apresentou algo parecido". Observa, porém, o fisiólogo Charles Richet: "Seja! Mas, pelo menos,
já demonstrasses o contrário?... Não negueis, pois, a priori. A ciência atual ainda não progrediu
o suficiente para vos conferir esse direito". La Suggestion mentale et le Calcul des Proba-bilités.)
Há uma predestinação no que se refere à vida geológica do nosso globo, assim como na
história, passada e futura, das raças e das nações. Tem isso estreita relação com o que
chamamos Karma, e os panteístas ocidentais chamam Nêmesis e Ciclos. A lei de evolução nos
está levando agora ao longo do arco ascendente de nosso ciclo, até que os efeitos mais uma
vez se fundirão com as causas, hoje neutralizadas, identificando-se com elas, e tudo o que haja
sofrido a influência dos efeitos terá recuperado sua harmonia original. Este será o ciclo de
nossa Ronda particular, um simples instante na duração do Grande Ciclo, ou Mahâyuga.
Os belos conceitos de Hegel encontram aplicação nos ensinamentos da Ciência Oculta, que
nos mostram a Natureza obrando sempre com um propósito determinado, cujos resultados
apresentam sempre dois aspectos. Já o assinalamos em nossos primeiros livros de Ocultismo
com as seguintes palavras:
"Assim como O nosso planeta efetua anualmente uma revolução ao redor do Sol, e ao
mesmo tempo gira sobre o seu eixo em cada vinte e quatro horas, cumprindo deste modo
ciclos menores dentro de um ciclo maior, assim a obra dos períodos cíclicos menores se realiza
e recomeça no curso do Grande Saros”.
A revolução do mundo físico, segundo a doutrina antiga, é acompanhada de uma revolução
similar no mundo do intelecto, pois a evolução espiritual do mundo procede por ciclos, tal
como a evolução física. Assim é que observamos na história uma alternação regular de fluxo e
refluxo na maré do progresso humano. Os grandes reinos e impérios deste mundo, depois de
atingirem o ponto culminante de seu desenvolvimento, passam a descer, de acordo com a
mesma lei que os fez subir, até que, tendo chegado ao ponto inferior, a Humanidade
novamente se afirma e sobe outra vez, para então alcançar, graças a essa lei de progressão
ascendente, uma altura algo maior que a do ponto de onde havia anteriormente descido.
Mas estes ciclo rodas que se engrenam em outras rodas, simbolizadas de modo tão
compreensível quanto engenhos pelos vários Rishis e Manus da Índia e pelos Cabiros do
Ocidente (*) - não incutem de uma só vez e ao mesmo tempo toda a Humanidade. Dai a
dificuldade em identificá-los e distingui-los uns dos outros, em seus efeitos físicos e
espirituais, sem que haja uma compreensão nítida de suas relações com as nações e as raças,
e de sua influência sobre elas, quanto ao respectivo destino e evolução. E este sistema não
pode ser compreendido se a ação espiritual de tais períodos - de certo modo prefixados pela
lei Kármica - for separada de seu curso físico. Os cálculos dos melhores astrólogos serão
inúteis, ou pelo menos imperfeitos, a menos que se leve em conta essa ação dual, entendida
naquele exato sentido.
Ora, tal entendimento só pode ser alcançado por meio da INICIAÇÃO. (*)
(*Este simbolismo não impede que tais personagens, que hoje parecem mitos, hajam
governado a Terra em dado momento, sob a forma humana de seres realmente vivos, embora
fossem homens verdadeiramente divinos e semelhantes a deuses. A opinião do Coronel
Valiancey - e também a do Conde de Gebelin - de que "os nomes dos Cabiros parecem ser
todos alegóricos, sem outra significação que a de um almanaque com as mudanças das
estações - calculadas para os misteres da agricultura" (Collect. de Reb. Hibern., n. 13, Prwf. Sect. 5), é tão
absurda como a sua afirmação de que Æon, Cronos, Saturno e Dagon não representam
senão uma só pessoa, que seria o "Patriarca Adão". Os Cabiros foram os instrutores da
Humanidade em agricultura, por serem os Regentes das estações e dos Ciclos Cósmicos. Daí a
razão por que foram eles que regularam, como Espíritos Planetários ou Anjos
(Mensageiros), os mistérios da arte da agricultura).

O Grande Ciclo abrange o progresso da Humanidade desde o aparecimento do homem


primordial de formas etéreas. Ele circula através dos Ciclos internos da evolução progressiva do
homem, desde o homem etéreo ao semi-etéreo e ao puramente físico, até à libertação do
homem de sua "veste de pele" e de matéria; e depois prossegue seu curso descendente, e
passa de novo ao ascendente, para recolher-se ao atingir o ponto culminante da Ronda,
quando a Serpente Manvantárica "engole a própria cauda", e são decorridos sete Ciclos
Menores. Estes são os Grandes Ciclos de Raça, que incluem por igual todas as nações e tribos
pertencentes àquela Raça especial; mas, dentro deles, há Ciclos menores ou nacionais, como
também Ciclos de tribos, que seguem seu próprio curso, sem dependerem uns dos outros. O
Esoterismo Oriental lhes dá o nome de Ciclos Kármicos. No Ocidente, onde a Sabedoria Pagã
foi repudiada como obra das Potências Tenebrosas, que se supunha estarem em guerra
permanente contra o Deus de uma pequena tribo, Jeová, toda a plena e solene significação da
Nêmesis grega, ou Karma, foi totalmente esquecida. Se não fosse isso, os cristãos teriam
compreendido melhor a profunda verdade de que Nêmesis não possui atributos; e que, se a
temida Deusa é absoluta e imutável como Princípio, somos nós - as nações e os indivíduos -
que a pomos em ação e lhe traçamos o rumo. Karma-Nêmesis é quem cria as nações e os
mortais; mas, uma vez criados, são estes que a convertem em uma Fúria ou em um Anjo que
recompensa. Sim; Sábios são os que rendem cultos a Nêmesis, (Seria mais acertado dizer que
temem Karma-Nêmesis) como diz o Coro a Prometeu. E pouco sábios aqueles que
acreditam poder propiciar a Deusa por meio de sacrifícios e orações, ou fazer desviar a sua
roda do caminho que tomou. "As três Parcas e as Fúrias sempre atentas" só na Terra são os
seus atributos, e nós mesmos os criamos. Não há retorno possível dos caminhos trilhados por
seus ciclos, conquanto sejam esses caminhos nossa obra, porque nós somos: individual ou
coletivamente, que os preparamos.
Karma-Nêmesis é um sinônimo de Providência, menos o motivo, a bondade e todos os
demais atributos e qualificativos finitos, atribuídos à última de maneira tão pouco filosófica. Um
ocultista ou um filósofo não falará de bondade ou de crueldade da Providência; mas,
identificando-a com Karma-Nêmesis, não deixará de ensinar que ela protege os bons e vela
sobre eles, nesta vida como nas futuras, e que pune os que praticam más ações - sim, até o
seu sétimo renascimento - por tanto tempo, na verdade, quanto dure o efeito da perturbação
que tenham causado, ainda que do mais insignificante átomo, no Mundo Infinito da Harmonia.
Porque o único decreto do Karma - decreto eterno e imutável - é a Harmonia completa no
Mundo da Matéria, como o é no Mundo do Espírito. Não é, portanto, o Karma que pune ou
recompensa, mas somos nós mesmos que nos recompensamos ou punimos, segundo
trabalhemos com a Natureza, pela Natureza e de acordo com a Natureza, obedecendo-lhe às
leis de que depende essa Harmonia, ou transgredindo-as.
As vias do Karma não serão impenetráveis, se os homens deixarem que a união e a
harmonia presidam aos seus atos, em vez de os nortearem pela desunião e a luta. Nossa
ignorância desses processos - que uma parte da Humanidade chama de caminhos sombrios e
inextricáveis da Providência, enquanto outra parte vê neles a ação de um cego fatalismo, e
uma terceira a obra de um simples acaso, sem que haja Deus ou Demônio a guiá-la - nossa
ignorância, dizíamos, certamente que desapareceria, se nos dispuséssemos a atribuí-los a suas
verdadeiras causas. Com o conhecimento real, ou pelo menos com uma convicção firme de que
os nossos próximos não procurariam causar-nos dano maior do que o que nós pensássemos em
fazer-lhes, dois terços do mal que há no mundo se desvaneceriam. Se nenhum homem
prejudicasse o seu semelhante, Karma-Nêmesis não teria motivo para intervir nem armas
com que executar o seu ofício. É a presença constante, entre nós, dos elementos de luta e de
oposição, é a divisão das raças, nações, tribos, sociedades e indivíduos em Cains e Abels, lobos
e cordeiros, que constituem a causa principal dos "caminhos da Providência". Com as nossas
próprias mãos, traçamos diariamente o curso sinuoso dos nossos destinos, crendo estar
seguindo em linha reta no caminho real da respeitabilidade e do dever, e nos queixamos depois
de que sejam tão sombrias e inexplicáveis essas curvas sinuosas. Quedamo-nos estupefatos
diante do mistério que nós próprios fabricamos, e dos enigmas da vida que não queremos
resolver, e depois acusamos a grande Esfinge de nos devorar. Em verdade, não há um acidente
em nossa vida, não há um dia mau ou uma desgraça, cuja causa não possa ser encontrada 'em
nossas próprias ações, nesta ou em outra existência. Se alguém infringe as leis da harmonia ou,
conforme a expressão de um teósofo, as "leis da vida", deve estar preparado para cair no caos
que ele mesmo produziu. Porque, segundo as palavras desse escritor, "A única conclusão a que
podemos chegar é que são as próprias leis da vida que se vingam; e, portanto, que todo anjo
vingador não é senão a representação simbólica da reação dessas leis".
Conseqüentemente, se alguém tiver desarmado em presença de tais leis imutáveis, não
somos nós, os artífices de nossos destinos; mas antes aqueles Anjos guardiões da Harmonia.
Karma-Nêmesis outra coisa não é senão o efeito espiritual dinâmico de causas produzidas e
forças postas em ação pelas nossas próprias obras. É uma lei da dinâmica oculta que "uma
quantidade de energia desenvolvida no plano espiritual produz efeitos muito maiores que a
mesma quantidade aplicada no plano físico da existência objetiva".
Semelhante estado de coisas deve perdurar até que a intuição espiritual do homem esteja
completamente desperta, e isto não acontecerá antes que tenhamos conseguido libertar-nos de
nossas grosseiras, vestes de matéria, antes que principiemos a pautar os nossos atos de acordo
com a voz interior, em vez de seguirmos sempre os impulsos externos, impulsos que são
devidos aos nossos sentidos físicos e ao nosso corpo egoísta e grosseiro. Até esse momento, os
únicos paliativos para os males da vida consistem na união e na harmonia, em uma
Fraternidade in actu e no Altruísmo não apenas em nome. A supressão de uma só causa nociva
eliminaria não um, mas numerosos efeitos maléficos. E se uma Fraternidade, ou ainda várias
Fraternidades não bastam para impedir que as nações por vezes se degolem mutuamente, a
unidade de pensamento e de ação e as investigações filosóficas nos mistérios do ser impediriam
sempre algumas pessoas, que se esforçam por compreender o que até então lhes parecia um
enigma, de gerar causas adicionais de infortúnio em um mundo tão cheio de males e de dor. O
conhecimento do Karma dá a convicção de que, se... A angústia da virtude e o triunfo do vício
Tornam a Humanidade atéia, é tão-somente porque a Humanidade teve sempre os olhos
fechados a esta grande verdade: O homem é o seu próprio salvador e o seu próprio destruidor,
Ele não precisa acusar o Céu e os Deuses, o Destino e a Providência, de serem os autores da
aparente injustiça que impera na Humanidade. Mas deve ter presente e repetir aquele
fragmento de sabedoria grega, que recomenda ao homem: abster-se de acusar Aquele que,
Justo, ainda que misterioso, Nos conduz, infalível, Por caminhos ignotos, Do pecado ao castigo.
E são estes atualmente os caminhos por onde seguem os grandes países europeus. Todas as
nações e tribos dos Arianos ocidentais, assim como os seus irmãos orientais da Quinta Raça,
tiveram sua Idade de Ouro e sua Idade de Ferro, seu período de relativa irresponsabilidade, ou
sua Idade Satya de pureza, e agora várias delas estão em sua Idade de Ferro ou Kali Yuga,
uma idade de trevas e de horrores.
Por outro lado, é verdade que os Ciclos exotéricos de cada nação se derivaram diretamente
dos movimentos siderais, e deles são dependentes, conforme se demonstrou. Tais movimentos
se acham inseparavelmente ligados aos destinos das nações e dos homens.
Os Iniciados do Oriente asseguram haverem conservado anais - do desenvolvimento das
raças e dos sucessos de importância universal desde o inicio da Quarta Raça, e que conhecem
pela - tradição os sucessos anteriores a essa época.
Além disso, os que acreditam em Clarividência e em Poderes Ocultos não sentirão
dificuldade em admitir o caráter geral da informação, ainda que seja apenas tradicional, sempre
que se possa corroborar esta tradição pela Clarividência e o Conhecimento Esotérico. Mas
no presente caso não se reclama crença metafísica dessa espécie, pois a prova nos é dada 'de
maneira equivalente, para o ocultista, à evidência científica - nos anais preservados por meio
do Zodíaco durante tempos incalculáveis.
Está hoje demonstrado amplamente que os horóscopos e a própria Astrologia judiciária não
se baseiam inteiramente em ficções, e, conseqüentemente, que as Estrelas e as Constelações
exercem uma influência oculta e misteriosa sobre os indivíduos, e se acham com eles
relacionadas. E se o estão com os indivíduos, por que também não havia de acontecer a mesma
coisa com as nações, as raças e a Humanidade como um todo? Semelhante afirmação ainda
encontra fundamento nos anais do Zodíaco.
Vamos agora examinar até que ponto os Antigos conheciam o Zodíaco, e até que ponto os
Modernos o esqueceram.