UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÁO CARLOS-UFSCar

CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS E DE TECNOLOGIA-CCET DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL-DECiv

LOGÍSTICA
ARCHIMEDES AZEVEDO RAIA JUNIOR Notas de Aula SÃO CARLOS 2007

LOGÍSTICA

NOTAS DE AULA

Prof. Archimedes Raia Jr.

Conteúdo
1 LOGÍSTICA: UMA FUNÇÃO ESSENCIAL .......................................................... 3 1.1 1.2 1.3 1.4 1.5 2 2.1 2.2 2.3 3 4 3.1 4.1 ORIGENS ...................................................................................................... 3 DEFINIÇÕES................................................................................................. 3 RELAÇÃO LOGÍSTICA E COMPETITIVIDADE ............................................ 6 APLICAÇÕES LOGÍSTICAS ......................................................................... 8 ESTRATÉGIA LOGÍSTICA ............................................................................ 9 FORMAS DE COMÉRCIO........................................................................... 11 O PAPEL DA LOGÍSTICA ........................................................................... 15 DEFINIÇÕES E CONCEITOS ..................................................................... 16 A CADEIA DE SUPRIMENTOS E SUA GESTÃO ....................................... 28 FUNÇÕES DE DEPÓSITOS E ARMAZÉNS ............................................... 33 Operação de Recebimento ................................................................... 35 Operação de Carregamento e Descarregamento ................................. 35 Movimentação ....................................................................................... 37 Armazenagem....................................................................................... 39 Preparo de pedidos ............................................................................... 40 Circulação externa e estacionamento ................................................... 41

RELAÇÕES ENTRE LOGÍSTICA E COMÉRCIO .............................................. 11

GERENCIAMENTO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS ..................................... 24 ARMAZENAGEM DE PRODUTOS EM DEPÓSITOS E ARMAZENS ............... 33 4.1.1 4.1.2 4.1.3 4.1.4 4.1.5 4.1.6

5

CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO ............................................................................. 42 5.1 5.2 CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO ....................................................................... 43 Características dos canais de distribuição ............................................ 44 Etapa 1 – Definir os segmentos homogêneos de clientes .................... 45 Etapa 2 – Identificar e priorizar funções ................................................ 45 Etapa 3 – Realizar benchmarking preliminar ........................................ 46 Etapa 4 - Revisar o projeto ................................................................... 47 Etapa 5 – Analisar custos e benefícios ................................................. 47 Etapa 6 – Integrar com atividades da organização ............................... 47 DEFINIÇÃO DOS CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO .......................................... 45 5.1.1 5.2.1 5.2.2 5.2.3 5.2.4 5.2.5 5.2.6

6

DISTRIBUIÇÃO FÍSICA .................................................................................... 52 6.1 6.2 COMPONENTES DO SISTEMA DE DISTRIBUIÇÃO FÍSICA ..................... 52 TIPOS BÁSICOS DE DISTRIBUIÇÃO ........................................................ 53 Sistema de distribuição UM PARA UM ..................................................... 53 Sistema de distribuição UM PARA MUITOS .............................................. 56

6.2.1 6.2.2 7

O TRANSPORTE NA DISTRIBUIÇÃO FÍSICA ................................................. 60

LOGÍSTICA 7.1 7.2

NOTAS DE AULA

Prof. Archimedes Raia Jr.

ROTEIRIZAÇÃO.......................................................................................... 60 PROBLEMAS DE ROTEIRIZAÇÃO ............................................................ 61 Problemas de roteirização pura de veículos ......................................... 61 Problemas de programação de veículos e tripulações ......................... 63 Problemas combinados de roteirização e programação ....................... 64 Tendências tecnológicas da roteirização .............................................. 65 Roteirização no SIG TransCAD ............................................................ 66 Encontrando um menor caminho .......................................................... 67 Menor caminho ou Caminho mais Rápido ............................................ 67 Problema do Caixeiro Viajante.............................................................. 68 Particionamento de rede ....................................................................... 70

7.2.1 7.2.2 7.2.3 7.2.4 7.2.5 7.2.6 7.3 7.3.1 7.3.2 7.3.3

EXEMPLOS DE APLICAÇÃO DE SIG EM LOGÍSTICA .............................. 67

7.3.4 Resolvendo um problema de roteamento de veículo com Janela de Tempo .............................................................................................................. 71 7.3.5 7.3.6 7.3.7 7.3.8 Resolvendo um problema de roteamento de arco ................................ 71 Resolvendo um problema de localização duplamente ponderado ........ 72 Resolvendo um problema de particionamento regional ........................ 73 Resolvendo um problema de localização da facilidade ........................ 73

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................... 75

denominações a respeito da logística. da loja à residência do cliente.2 DEFINIÇÕES O termo logística tem feito muito sucesso. Qual a sua importância? Qual o seu significado? Qual é a definição de logística? Um aspecto básico do processo produtivo é a distância espacial existente entre: i) o sítio da indústria e os mercados consumidores. 1. Porém. armamentos. e ii) fábricas e os locais de origem de matérias-primas e componentes necessários para o fabrico de produtos. encontrando novas aplicações. movimentação e transporte de bens tais como: remédios. termos. a logística foi desenvolvida na área militar para designar atividades de suprimentos. hoje em dia. posteriormente. sem o status da estratégia belicista e de resultados vitoriosos da batalhas. expandindo seu escopo para a indústria. em geral. de armamentos e munições. no momento do reconhecimento. Assim. é necessário que eles sejam colocados nos pontos desejados pelos clientes. O conceito elementar de transporte. no entanto. no momento certo. equipamentos e material de atendimento médico no campo de guerra. Foi por este motivo. Pode-se depreender disso que a logística significa "a arte de calcular" ou "a manipulação dos detalhes de uma operação". um grupo de disponibilizasse o deslocamento. é simplesmente deslocar materiais e . equipamentos. de suas técnicas e atividades. no entanto. comércio e serviços em geral. A decisão de expansão das tropas segundo uma determinada estratégia militar. Este valor de lugar depende do transporte do produto desde a planta industrial ao depósito. Este fato se repetiu. conceitos. Atribui-se à logística a responsabilidade pelo sucesso ou fracasso das diversas empresas. Archimedes Raia Jr. alimentos. deste à loja e. encontrando novas aplicações. comércio e serviços. a palavra logística é derivada do radical grego logos. Percebe-se. 1 LOGÍSTICA: UMA FUNÇÃO ESSENCIAL Ouve-se. que tem o significado de razão. a logística muito se desenvolveu nas últimas décadas. no momento. uniformes e tropas. Estes. o que é mais grave.1 ORIGENS Considerando o aspecto etimológico. É preciso que se evite que situações de modismo acabem por influenciar o uso equivocado da palavra. expandindo seu escopo para a indústria. que as atividades logísticas foram por muito tempo confundidas com as atividades de transportes e armazenagem. segundo Novaes (2001). muitas informações. as equipes militares que eram responsáveis pelos aspectos logísticos ficavam sempre em um plano inferior. A logística se desenvolveu muito após a Segunda Guerra Mundial. pouco se sabe sobre as atividades logísticas e como as mesmas devem ser definidas nas empresas. estocagem. Para que os clientes finais possam realmente fazer uso destes produtos. seu significado e. Mas de onde vem o termo logística? 1. Como este era um serviço de apoio. que no mercado. um sistema logístico pode agregar valor de lugar ao conjunto de sala de visita. e virou moda. os comandantes militares necessitavam ter sob seu comando. quando saem das fábricas já possuem valores intrínsecos agregados a eles. Para que um conjunto de sala de visita tenha pleno valor para o cliente é preciso que ele esteja colocado na sua residência.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. nas empresas por um espaço de tempo considerável. Inicialmente.

estava associado a aspectos militares. constatar que a tradicional logística empresarial passou por grande evolução. em que depósito ela se encontra. norte-americano. etc. sejam elas de materiais ou de processos. Logística é definida como sendo a união de quatro atividades básicas. Segundo o Council of Logistics Management. se já foi despachada. com benefícios diretos aos clientes. passando a incorporar estes novos valores (tempo. informação) à cadeia produtiva. etc. algumas empresas logísticas classe mundial vêm incorporando um fator adicional. A figura 1. Um outro elemento muito importante que passou a fazer parte da cadeia produtiva é o valor de tempo.1 apresenta o quadro contendo os principais elementos da logística. tanto para fins administrativos ou operacionais. transporte. então. ou seja. é fundamental que as atividades de planejamento logístico. reparação. Outro exemplo é o serviço Sedex dos Correios. Pode-se citar a Livraria Cultura. os conceitos de ECR-Efficient Customer Response e QR-Quick Response. bem como os serviços e informações associados. mesmo sendo de grande importância. “logística é o processo de planejar. no prazo estabelecido. o valor informação. O termo logística origina-se da língua francesa. implementar e controlar de maneira eficiente o fluxo e a armazenagem de produtos. que desde quando recebe o pedido de um livro via Internet. em sua origem. As informações permitem ao cliente rastrear a localização de uma determinada mercadoria. manutenção e evacuação de material. Para que essas atividades produzam o efeito desejado. do processo produtivo. Na hipótese que o produto seja disponibilizado adequadamente desde a origem até o destino. Archimedes Raia Jr. . Os clientes podem acompanhar a posição espacial de sua encomenda desde a sua saída da agência de postagem até o destino. armazenamento. mercadorias de um ponto a outro no espaço. distribuição.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. O conceito de logística. armazenagem e entrega de produtos. com o intuito de eliminar “gordurinhas” do processo logístico. produzindo custo financeiro igualmente alto. Nos últimos anos. cobrindo desde o ponto de origem até o ponto de consumo. com o objetivo de atender aos requisitos do consumidor”. obrigando ao cumprimento de prazos estabelecidos de forma muito mais severa. Faltaria ainda um outro aspecto. que é o valor qualidade. a moderna logística procura eliminar. qualidade. portanto. Isto se torna significativo porque o valor monetário dos produtos vem se elevando gradativamente. em nível nacional. tudo que não agregue valor aos clientes. o elemento transporte. muito importante. se já foi despachado. movimentação. de São Paulo. Pode-se. significando como a parte da arte bélica que trata do planejamento e da realização de projeto e desenvolvimento. Várias empresas. Com a evolução do sistema produtivo e do setor comercial. ainda assim as funções logísticas não estariam exercidas de forma plena. o cliente pode acompanhar se ele já foi faturado. estejam intimamente relacionadas com as funções de manufatura e marketing. se está em trânsito. Paralelamente. Surgem. passou a não satisfazer de maneira isolada às necessidades das organizações e clientes finais. consideradas básicas: aquisição. têm incorporado o valor informação ao seu sistema logístico. obtenção.

À medida que as organizações investem em novos parceiros comerciais. a tendência é que exista uma redução de custos. distribuição de bebidas transporte público. a globalização do mercado. na verdade. A partir desse momento. ampliando o número de fontes de suprimento e dificultando a administração desse exército de fornecedores. Verifica-se que a tendência das organizações é o processo de horizontalidade. Figura 1. ampliam-se os gastos com o planejamento de toda a cadeia logística. Neste processo. uma vez que elas acabam por investir em tecnologia de ponta para os desenvolvimentos dos materiais. constata-se que há. poderá ocorrer falência daquelas que não se enquadrarem neste novo paradigma. focado agora em uma determinada linha de produto. etc. uma redução de custos. até então produzidos pela empresa que está no fim da cadeia.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. ou seja. Archimedes Raia Jr. uma questão pode ser colocada: se os custos são tão altos. Mas. Ao se analisar essa situação de forma holística. é explicada pela especialização das empresas fornecedoras. melhorando os níveis de satisfação dos usuários. serviços postais. Diante deste panorama. e que agora passarão a ser produzidos pela mais nova empresa horizontalizada. quando devidamente acompanhada de estudos logísticos. Mais significativa do que tal redução. por que então horizontalizar e criar demandas para as atividades logísticas? A resposta para esta pergunta pode ser sintetizada em duas palavras. de transporte de cargas. Um alerta precisa ser feito: se a mudança na atividade logística não for acompanhada pelas diversas organizações. . alimentícias. a atividade logística passa a agregar valor aos produtos. muitos produtos até então produzidos por determinada empresa do fim da cadeia de fornecimento passam a ser produzidos por outras empresas. proporcionada pelo ganho de escala na produção e pelo desenvolvimento tecnológico. distribuição de petróleo e combustíveis. Pode-se citar como exemplos: empresas manufatureiras. Logística é a chave de muitos negócios por diversos motivos e dentre eles pode-se citar os elevados custos de operação das cadeias de abastecimento.1 – Principais elementos da logística Muitos são os tipos de organização do setor público ou privado que fazem uso dos serviços logísticos. ainda pode ficar uma questão a ser esclarecida: como se dá essa propalada diminuição nos custos? Essa redução.

As metas da logística são as de disponibilizar o produto certo. Se as organizações não forem capazes suficientemente de cumprir as suas promessas. os clientes poderão ficar profundamente frustrados. Assim. essas são tarefas que estão desafiando os executivos em todo o mundo e exigindo maiores esforços. A atualização tecnológica. tais como o café. . elas precisam também aumentar a sua qualidade e confiabilidade. 1. Numa situação como essas. Esses fatos têm evidenciado que a diferenciação pode ser obtida pela prestação de um maior e mais completo pacote de serviços. percebe-se que as marcas estão perdendo o seu poder de sedução e. a eficiência e a eficácia nesse processo. está se tornando cada vez mais difícil. os fabricantes estão caindo em uma vala comum. O sucesso desta empreitada. e poder atender de maneira mais efetiva às necessidades de um determinado nicho de mercado. no entanto. o objetivo seria atingir esses alvos simultaneamente. e que são compradas e vendidas numa Bolsa de Mercadorias. Numa situação ideal. algodão. nas condições adequadas para o cliente certo ao preço justo. Muitas organizações buscam um diferencial em relação aos seus concorrentes para conquistar e manter os clientes. inclusive para entrega futura. estão se tornando cada vez mais parecidos na percepção dos clientes. Alguns aspectos são comuns a todas elas: produzir a um custo menor. Além disso. fica evidente a intenção de se atingir. Pode-se perceber que essas atividades logísticas estão inseridas nos mais diferentes setores das organizações e suas corretas aplicações se fazem necessárias para que as atividades sejam desenvolvidas de forma adequada. essas vantagens deveriam ser as mais duradouras possíveis e devem tornar-se bem perceptíveis aos olhos dos clientes. da redução dos preços praticados. o que pode soar conflitante. a necessidade de lançamentos mais freqüentes de novos produtos. e a mudança no perfil dos clientes. na quantidade certa. A ampliação do cenário de competição. etc.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. Isto representa um desafio. Sem dúvida. no entanto. Existe. no momento certo. retratado pelas possibilidades de consumo e produção globalizadas. Existem diversas teorias sobre a obtenção de vantagens competitivas. Recentes pesquisas mostram que os produtos. pois a oferta dessas commodities deve vir acompanhada da manutenção ou. de modo geral.3 RELAÇÃO LOGÍSTICA E COMPETITIVIDADE A competição entre as organizações é uma realidade que não se pode mais ser ignorada. ágeis e flexíveis. 1 O termo é muitas vezes utilizado para descrever coisas que podem ser graduadas. Além disso. E. açúcar. até mesmo. ao se criarem maiores expectativas para os clientes. também a qualidade das operações passa a ser um atributo-chave. em geral. simultaneamente. Archimedes Raia Jr. os quais. Para estas teorias. algo em comum entre todas essas abordagens. surge a implementação da logística para a obtenção de vantagem competitiva. conseqüentemente. terão ciclos de vida curtos. no local certo. cada vez mais bem informados e exigentes. colocando a organização num patamar de supremacia diante de seus concorrentes. a aplicação de processos produtivos mais competentes e enxutos e o acesso a fontes de suprimento capazes de garantir matérias-primas de qualidade são realidades que estão permitindo o nivelamento dos fabricantes de um mesmo produto. transformando os produtos em commodities1. forçam as organizações a serem criativas. agregar mais valor.

A agregação de valor poderá surgir da oferta de entregas mais confiáveis e freqüentes. Como existe parceria. empregando o conceito de co-localização. o emprego racional e a otimização de todos os fatores usados. com mais rapidez. em menores quantidades. portanto. Todas essas facilidades poderão ser transformadas em um diferencial aos olhos do cliente. Archimedes Raia Jr. melhores serviços de pós-venda. que pode estar disposto a pagar um valor mais alto por melhores serviços. c) devem ser definidos os níveis de serviços a serem oferecidos. O projeto e o desenvolvimento conjunto de produtos permitem que uma cadeia lance novos produtos. ao mesmo tempo. minimizar os recursos necessários para a realização das atividades. e) faz-se necessária a utilização de tecnologia de informação para integrar as operações. ou no consórcio modular empregado na fábrica de caminhões da Volkswagen. A almejada redução de custos ocorrerá pela suavização e correta execução do fluxo de materiais. Conceitos mais modernos como Outsourcing e o Global Sourcing passam a ser utilizados. sem perda de qualidade no atendimento ao cliente final. o planejamento estratégico será compartilhado e os riscos serão divididos. em menores quantidades. É o que se pode observar. na recente instalação de suas modernas plantas produtivas no Brasil. d) a segmentação dos serviços deve dar-se de acordo com os requisitos de serviço dos clientes e com a lucratividade de cada segmento. a organização amplia sua visão e pode se tornar muito mais ágil e mais flexível do que seus concorrentes. Neste ambiente. que passa a ser um esforço cooperativo na procura pelo aumento da lucratividade. novos arranjos produtivos podem ser desenvolvidos. alguns pontos precisam ser observados (Ferraes Neto & Kuehne Jr. . Pode-se citar como exemplo. onde se percebe que as montadoras de automóveis. Para que um sistema logístico seja corretamente implantado e atinja os objetivos planejados. e confiáveis permitem que o cliente trabalhe com estoques menores. Haverá. reduzir os custos. 2002): a) o sistema deve ser planejado para atender as necessidades dos clientes. da oferta de maior variedade de produtos. e eliminação dos desperdícios. que passará a ser feito de forma sincronizada com o fluxo de informações. lançaram mão de tais arranjos. maiores facilidades de se fazer negócio e sua singularização na organização.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. possibilitando uma redução dos inventários. em Resende (RJ). nos condomínios industriais. b) o pessoal envolvido deve ser treinado e estar capacitado. além de otimização dos sistemas de transporte e armazenagem. por exemplo. e dá-se uma mudança no foco do relacionamento. A atividade logística está diretamente voltada para a resolução de uma questão crucial: como agregar mais valor e. garantindo o aumento da lucratividade? Ao adotar o conceito de Gerenciamento da Cadeia de Abastecimento. possibilitando diminuir os seus investimentos. podendo ser dotados de melhor funcionalidade e ser produzidos a custos totais mais baixos. que representem benefícios. uma maior utilização dos ativos envolvidos. Isto significa dizer que serão trocadas incertezas por informações que permitirão. o que seria extremamente desejável. entregas mais rápidas. através de um processo bem coordenado.

pode-se dividi-la em 4 grandes grupos: fornecedor. ou seja. para ser bem executada. Para facilitar a explanação. quanto e quando produzir determinado produto. g) necessita-se da adoção de indicadores de desempenho que permitam garantir que os objetivos sejam alcançados. encontrar respostas para algumas questões. Aqui fica clara a atividade de . o terceiro grande grupo. o segundo. ser o caminho para a diferenciação de uma empresa aos olhos de seus clientes. Uma empresa mais lucrativa e com menores custos estará.2. deve responder a algumas questões básicas. O primeiro. acondicionar e entregar os produtos ao quarto grande grupo. sem dúvida. em uma posição de superioridade em relação aos seus concorrentes. em cada um dos quatro grandes grupos. países para o aumento de sua competitividade. Aqui. colocando os seus principais fornecedores dentro do seu parque fabril. Analisando a cadeia da figura 2. onde se vai instalar a fábrica. diluídas ao longo da cadeia de suprimento. mas sim.onde se vai produzir. são os centros de distribuição. Archimedes Raia Jr. será demonstrada esquematicamente uma cadeia de suprimentos.de quem se adquirem materiais e componentes. tema que já foi abordado no item 1. a logística por si só não alcançará esses resultados. manufatura. a exemplo do que estão fazendo as montadoras de automóveis. sendo necessário que esteja inserida no processo de planejamento de negócio da organização e alinhada com os demais esforços para atingir sucesso no seu segmento de atuação. responsáveis em receber. Figura 1. até mesmo. Não está se propondo que a logística seja a “tábua de salvação” de um negócio mal organizado e mal gerenciado. f) há que haver consistentes previsões de demanda e a percepção do seu comportamento. o grupo de empresas manufatureiras.2 – Cadeia de suprimentos As atividades logísticas deverão. que transformam as diversas matérias-primas em produtos acabados. quais sejam as aplicações em análise: a) Fornecedores . na figura 1. podese perceber a importância da atividade logística no desenvolvimento dos fornecedores.4 APLICAÇÕES LOGÍSTICAS A função logística. 1. distribuição e consumidor. como sendo o grupo dos fornecedores. o que irá ser refletido num aumento da lucratividade. que ela seja vista como uma opção real que já foi adotada por muitas empresas e.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. para a redução dos custos e para agregação de valor. b) Manufatureiras . que são os consumidores finais.2. portanto. uma atividade de fundamental importância. A logística poderá. Porém.

Historicamente. como o impacto em múltiplas funções dentro das organizações. Não fossem suficientes as respostas a todas as questões acima. nos custos. É sempre bom lembrar também que a definição do nível de serviço implica um incremento de custos: quanto maior o nível. em curto prazo. decisões disponíveis e possíveis. não calcadas no “achismo” e em sensações estranhas. indispensáveis para a verificação do rumo que a organização está tomando e dos resultados que as mudanças estão trazendo. . análises quantitativas são essenciais para a tomada de decisões inteligentes e científicas. da importância de se traçar uma correta estratégia e como ela pode ser efetivada. com o objetivo de garantir a satisfação das solicitações dos clientes e não faltar material . Nesse sentido. tanto mais caro. a atividade logística estará preocupada em definir para que mercado será fornecido o produto e com que nível de serviço. sendo que as necessidades quantitativas desses produtos eram baseadas em planejamentos de compras ou planejamentos de demandas futuras. o custo dos inventários acaba subindo demasiadamente. a troca ou tradeoffs entre objetivos conflitantes. Muitos produtos em estoque. Some-se a tais dúvidas a dificuldade de se precisar o custo que sistemas logísticos irão gerar. os produtos tinham de ser empurrados pela cadeia de suprimentos. sem sombra de dúvida. mesmo que sumariamente. Archimedes Raia Jr. c) Centros de distribuição .o que levaria ao emperramento de toda a cadeia de suprimentos.onde se devem armazenar produtos acabados? Onde se devem armazenar peças de reposição? Quanto se deve armazenar de peças e de produtos acabados? Aqui fica clara a preocupação com o nível de serviço a ser repassado ao consumidor. porém com uma conseqüente elevação dos custos. em ultima análise. diminuirá as vendas devido ao incremento nos preços de venda. planejamento de materiais. tática e visão do desenho e da operação do sistema logístico. diminuindo custos e barateando os produtos.este quarto e último grande grupo dentro da cadeia de suprimentos é o ponto central onde desembocam todos os outros grupos. o que. além dos critérios de avaliação de desempenho de todo o sistema.5 ESTRATÉGIA LOGÍSTICA Não se pode deixar de tratar. ou aumentar o nível de serviço. o que nem sempre ocorria. d) Consumidores . sejam peças de reposição ou produtos acabados. e diversos locais de armazenagem melhoram. Entretanto. em nível estratégico. 1. o nível de serviço para o consumidor. como aumentar vendas. deixando-a lenta e inflexível às rápidas mudanças exigidas pelo mercado -. Uma definição estratégica inclui necessidades do negócio. com um acréscimo. não se deve supor de antemão que a organização será perfeita e atenderá a todos os mercados com a mesma presteza. seja de matéria-prima ou de produtos acabados.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. Como a chance de erro ainda é bastante grande. muitas empresas começaram a utilizar altos estoques para se resguardarem de eventuais quebras de estoque. O que ocorre na situação descrita acima é que. nesse sentido. pois é a partir das decisões acima que poderá ser definida toda a política de estoques da organização em questão. não se pode esquecer ainda que essas definições logísticas envolvem algumas características fundamentais das organizações.

nas questões a serem respondidas para os quatro grandes grupos logísticos. A correta e rápida transmissão de informações é um diferencial estratégico que coloca as organizações que investem em tais recursos em vantagem competitiva junto às demais. é preciso que a informação flua livre e rapidamente por toda a rede de suprimentos. ou será brevemente. é preciso cuidado na forma das implementações. qualidade assegurada com um bom desenvolvimento de fornecedores. a preocupação em manter altos níveis de estoque para elevar o nível de atendimento acaba. Não se está defendendo a idéia de que isso é fácil de ser feito. com o atravancamento de todas as atividades logísticas. Mas o que fazer para melhorar esse cenário? Volta-se ao que foi exposto anteriormente. comprando mais vezes e em quantidades menores. Não existem pacotes fechados ou “receitas de bolo” para a implementação de plataformas logísticas. compras freqüentes. com redução de custos. . são atividades que aprimorarão toda a cadeia de abastecimento e. em alguns casos. O que se está procurando demonstrar é a importância da aplicação da filosofia JIT (Just-in-time) nas redes logísticas. Fica claro que a integração de membros e o fluxo de informações são atividades inter-relacionadas em uma cadeia de suprimentos. Dessa maneira. mas sim de que é. melhor. a integração dos diversos membros de toda a cadeia é essencial. no médio prazo (e. não é suficiente a mera integração filosófica. as organizações têm de se preocupar com a constante redução dos níveis de inventário e a conseqüente redução nos custos de armazenagem desse material. Porém. Isso tudo explica o motivo do termo logística estar tão em moda ultimamente. Poucos itens em estoque.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. por diminuir o nível de atendimento. no curto prazo). Basicamente. Mas. dentre outras. Somente com criteriosas análises é que as organizações sairão vencedoras nas implementações logísticas. Archimedes Raia Jr. necessário ser feito. Para que isso se consolide.

uma forma um pouco diferente de comércio. câmbio. e varejistas e clientes. Caso haja a presença de atacadistas. ou seja. Os varejistas. algumas mercadorias (ou serviços) são trocadas por alguma coisa que não seja dinheiro. Em seguida. na língua inglesa. nada mais é do que uma operação de troca de mercadorias (ou serviços) por dinheiro. serão apresentadas algumas das principais formas de comércio. A oferta de produtos era muito diversificada (calçados. o foco supremo e final é o cliente. no entanto. Era praticamente impossível a devolução de mercadorias encalhadas aos fornecedores e não era comum a promoção de campanhas de liquidação de estoques. Qualquer que seja o modo de comércio. ao longo de toda a cadeia produtiva. Conhecidos como general stores. os produtos (ou serviços) eram comercializados em postos de realização de trocas. Estas permutas. por sua vez. com o forte desenvolvimento do chamado comércio eletrônico. vestimentas. e os vende ao setor atacadista ou mesmo direto às lojas de varejo. conforme o caso. 2 3 Troca. que representa a operação final em um canal de comercialização de mercadorias. onde o ouro serviu de moeda em muitas transações. Archimedes Raia Jr. o cliente é abastecido pelo setor de varejo.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. Foi neste tempo que surgiram os chamados armazéns gerais3 que trabalhavam segundo determinadas condições. atacadistas e varejistas. Essa era a fase do escambo2. em um período onde as moedas dos países não tinham grandes credibilidades financeiras para que fossem aceitas em contexto mundial. As indústrias adquirem suas matérias-primas e componentes de um grupo de fornecedores. estas relações têm se alterado substancialmente. estes vendem os produtos aos varejistas. Eles ficavam disponíveis nas prateleiras até a consumação de sua venda. das quais Novaes (2001) aponta as principais:    O comércio era realizado com dinheiro. bem como um histórico da sua evolução. interessantes aos seus clientes. 2. no entanto. os pioneiros colonizadores que desbravavam a região oeste dos EUA precisavam de uma grande quantidade de mercadorias para concretizar a sua missão. preferencialmente.  Fase dos Armazéns Gerais No período colonial americano. Esta história do comércio moderno pode ser resumida em algumas fases. permuta. ferramentas.1 FORMAS DE COMÉRCIO Na fase embrionária do desenvolvimento do comércio moderno. ficavam mais restritas às regiões onde havia a presença do metal precioso. compram os produtos diretamente das indústrias ou de atacadistas. de modo geral. ou seja. 2 RELAÇÕES ENTRE LOGÍSTICA E COMÉRCIO O comércio. Algumas transações são realizadas sem o uso do dinheiro. produtos alimentícios não-perecíveis. etc. Há. revendendo-os aos clientes finais. . Este canal liga o setor manufatureiro e o setor de fornecedores. Na atualidade. hipoteticamente.) O lojista fazia o pedido de produtos. De maneira mais comum. e suas relações com a logística.

esses caixeiros-viajantes. providenciavam as remessas aos comerciantes varejistas. ainda que atendesse razoavelmente aos clientes rurais do oeste americano. marcas. através de tarifas subsidiadas. etc. posteriormente. decoração de casas. 2001):   Distribuição de mercadorias aos clientes finais com maior rapidez. após a consolidação e organização dos pedidos. pois os clientes aumentaram as suas exigências. então. A localização destes armazéns gerais se dava em pontos estratégicos da malha de transportes. No entanto. o excessivo intervalo de tempo entre duas passagens consecutivas do caixeiroviajante. teve seu modelo exaurido. As primeiras empresas que comercializavam produtos via catálogo foram a Montgomery Ward. surge uma nova forma de comercialização de mercadorias através de catálogos e encomendas via correio. bem como a grande variabilidade entre os tempos de distribuição de mercadorias faziam com que houvesse elevação nos custos de comercialização. tais como terminais ferroviários. em termos de número de instalações. etc. variedade e tipos de mercadorias.  Fase da Comercialização por Catálogos e Remessa pelos Correios Com o tempo. o sistema postal americano que trouxe novos impulsos ao comércio. Houve a centralização de estoques em alguns locais que trazia algumas vantagens (Novaes. que visitavam uma grande quantidade de clientes-varejistas. Queriam. Neste cenário. Archimedes Raia Jr. Isto representou um grande avanço em termos logísticos nas operações comerciais. o governo criou incentivos especiais às zonas não-urbanas. Ato seguinte. considerando os diversos níveis de qualidade. e a Richard Sears. As encomendas dos comerciantes eram feitas aos representantes comerciais da época. os caixeiros-viajantes. nas cidades. num período que podiam levar até semanas. que eram despachados pelo transporte ferroviário. produtos de beleza. Para uma situação onde prevalecia uma escassez de oferta de produtos. o pioneirismo e a ausência de competitividade desse tempo permitiam que estes custos fossem absorvidos pelos clientes finais. Um cenário onde existia uma grande quantidade de mercadorias encalhadas. Havia pouca variedade de mercadorias. tipos. com o intuito de fixar o homem ao campo. através de novas tecnologias. aliado a isso. Disponibilização de maior variedade de marcas. O correio tinha na época um atendimento que atendia às necessidades das regiões mais interiores e. em 1872. posteriormente. em 1886. Sob essas condições. o esquema de operação dos armazéns gerais. surge. a logística da época era precária para essa fase considerada primitiva do setor de varejo. maior variedade de produtos e estilos com mais sofisticação para mercadorias dos tipos: calçados. Os pedidos eram acondicionados em caixas ou caixotes. etc. Com o passar do tempo. esse sistema logístico disponível na época até que podia ser considerado aceitável. agora. pontos por onde circulavam as principais caravanas. encaminhava-os aos fornecedores que. eles passaram a se localizar nos novos povoados que iam surgindo. tamanhos. Como se pode esperar.LOGÍSTICA  NOTAS DE AULA Prof. o extenso ciclo do pedido. vestuários. cores. tamanho. .

na língua inglesa. A Sears já tentava contornar este problema. os clientes ainda mantinham expectativas da compra feita na loja. Redução de preços. que passaram a ser comandas por profissionais afetos às respectivas áreas. uma grande empresa de comercialização via catálogos. etc. vestuário masculino ou feminino. a empresa poderia perder o crédito com a população. de outra forma. principalmente calçados e vestimentas. Para que esta estratégia desse certo. pois se o cliente recebesse um produto quebrado. São exemplos dessas lojas os açougues. veículos adequados. Eliminação de intermediários na comercialização como os casos de caixeirosviajantes e lojistas. . maquiagem. de calçados. Surgindo paralelamente ao comércio via catálogo. as lojas especializadas4. com boa organização. as primeiras lojas de departamento em nada poderiam ser comparadas com os armazéns rurais. As diferenças também eram grandes quando se fala em termos logísticos. depósitos especializados. com os grandes volumes de negócios proporcionados por estes tipos de investimentos. brinquedos. Fase da Especialização do Setor Varejista Apesar do sucesso na comercialização através de catálogos. o serviço de entrega das compras aos clientes precisou ser reestruturado. pois podiam ver e tocar os produtos de interesse. surgiu a necessidade de soluções que contemplassem mais de um tipo de produto.LOGÍSTICA    NOTAS DE AULA Prof. as lojas de departamentos5. a Sears precisava de um sistema logístico confiável. etc. na língua inglesa. distribuídos em departamentos especializados. Conhecidos como departament stores.. reunindo em um único local. exigindo pessoal mais qualificado. Com a diversificação e o crescimento da demanda. móveis.. etc. portanto. pois seus produtos eram oferecidos aos clientes em ares fisicamente separadas. a optar por atuar também neste novo nicho de mercado. seria preciso estabelecer um canal de devolução que fosse confiável e prático. amassado ou com a embalagem violada. ou seja. chocolates. as farmácias. calçados. vestuário. no início do século XX. aproveitando os conhecimentos da área química que eles possuíam. surgiram com grande sucesso. que incorporaram os trabalhos tradicionais dos farmacêuticos manipuladores. na época. A idéia para essas grandes lojas era aliar as vantagens da especialização. no território americano.. Uma nova logística precisou ser implantada para o sucesso desse tipo de comércio. O seu slogan era “satisfação garantida ou seu dinheiro de volta”. como resposta ao crescimento e aumento da sofisticação da demanda. Exemplo clássico são as drugstores. Também. através da possibilidade do cliente devolver a mercadoria caso não ficasse satisfeito. e não simplesmente visualizar as mercadorias por meio de desenhos ou fotos. estão as lojas que passaram a atuar com uma linha particular de produtos. o que motivou a Sears. sem burocracia. Este modelo foi um grande sucesso. Já. proporcionando a ampliação das fatias de mercado. Archimedes Raia Jr. com certa especialização no produto. Uma vez que as lojas de departamentos operam com um grande número de produtos. Mesmo oferecendo um rol diversificado de produtos. filmes fotográficos. produtos como eletrodomésticos. com produtos de beleza. oferecendo 4 5 Conhecidos como limited line stores.

Surgem. produtos fonográficos. uma maior competição no ramo. escolhe dentre os produtos ofertados aqueles que lhe interessam e os paga na saída do estabelecimento. no Brasil. essas lojas aumentaram o leque de produtos ofertados. que passam a oferecer lojas especializadas em vestuário. drugstores. essas empresas de departamentos passaram a dispor de um poder de compra muito maior. Uma nova modalidade de cadeias varejistas se consolida. Este tipo de operação comercial teve um crescimento significativo. restaurantes. com a alta motorização. porém mantém a propriedade do comércio. e por conseguinte. ocorreram com a abertura de novas lojas na cidade sede ou mesmo em outras cidades do estado e fora dele. comida pronta. Nos supermercados. inicialmente. Este tipo de estabelecimento surgiu na década de 1930. tamanhos etc. como também de lojas de departamentos. perfumarias. O advento dos supermercados trouxe uma inovação nos conceitos comerciais e logísticos. etc. surgem os shopping centers. etc. apostando ganhar no grande giro de estoque proporcionado. de computação. O novo modelo de comércio que surge está embasado no conceito do auto-serviço. Archimedes Raia Jr. eliminando o trabalho anteriormente feito pelo varejista do armazém. então.  Fase dos Supermercados Com o advento do surgimento e grande expansão da indústria automobilística. condições estavam propiciadas para o surgimento dos supermercados. onde o franqueador transfere ao franqueado todo o conhecimento do negócio.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. que passou a ter mais força na hora da compra junto aos fornecedores. o cliente sozinho faz a compra. lanchonetes. diversão. que dialogava com o cliente e o ajudava na definição de marcas. aliado ao franco crescimento do uso de geladeiras e freezers nos ambientes domiciliares. e o conseqüente aumento da taxa de motorização da população.  Fase dos Shopping Centers Ainda. etc. calçados. nos prazos de pagamento e também em campanhas publicitárias. uma grande quantidade de clientes. ao invés de buscar margens mais significativas nos lucros. possibilitando condições mais favoráveis de suprimento ao comerciante. Diferentemente de lojas . devido às vantagens logísticas oriundas desse modelo. modelos. eles passaram a ter como sítio os bairros e as regiões periféricas das cidades. para um público exigente. as novas cadeias varejistas. Com o decorrer do tempo. um serviço de melhor qualidade ao cliente final. O franqueado paga uma certa quantia ao franqueador. nos Estados Unidos e na década de 1950. Menores preços passaram atrair. portanto. Surgem. os supermercadistas reduziram suas margens. tais como: utensílios domésticos. passando a atrair outros empresários. além de fazer os investimentos necessários. Com um volume de vendas elevado. lanchonetes. Com a expansão dos negócios. não só de supermercados. na fase de migração das lojas do centro comercial tradicional para bairros e periferias. permitindo aumentar a oferta de produtos sem o proporcional aumento de custo de mão-de-obra. na atualidade. através do conceito de franquias. os hipermercados. alimentação. Outra vantagem estava na operação do estabelecimento com uma quantidade relativamente baixa de funcionários. altamente lucrativos. em geral. Os primeiros supermercados surgiram nas áreas urbanas centrais. De outra parte. padaria. resultando em melhores condições na aquisição de mercadorias. posteriormente.

O processo de fabricação e as funções logísticas da organização devem ser abraçadas de forma integrada e pensados conjuntamente. Conforme o modelo varejista hoje prevalecente. e é ainda pouco difundida no Brasil. podendo ocorrer de forma positiva se bem implementada ou negativa. Conhecido como vending machines. os shopping centers oferecem serviços adicionais. em países com moeda volátil. Esta modalidade de comércio necessita de uma estrutura logística diferenciada. na atualidade. pois o dinheiro perde o valor rapidamente. recebe do comerciante uma promessa de data de entrega. academias. pet shops. são muito utilizadas. e Japão e EUA. telefone. tamanho. pode operar com moedas e dinheiro em papel. No caso do varejo sem loja (correio. ou falha na operação do depósito. A modalidade de vendas denominada de varejo por máquinas6. de produtos considerados duráveis. ar condicionado. a logística é o setor que proporciona o embasamento para a execução das metas a serem cumpridas pelo setor de marketing. não necessita de funcionários. permite a comercialização de número limitado de produtos. As principais serão brevemente descritas a seguir:  Informação – a logística tem atuação significante no processo de disseminação da informação. por qualquer motivo. Com uma logística deficiente essas metas ficam extremamente comprometidas. principalmente com a velocidade com que as mercadorias sofrem modificações com qualidade. normalmente comercializa produtos tais como refrigerantes. sabor. lanchonetes. cigarros. prejudicando os esforços mercadológicos. dificultando a competitividade. Momento desejado – a logística tem a função de garantir que o produto esteja com o cliente final no momento desejado. deve ser entendido de forma sistêmica. se transformou em vendas pela Internet. jornais. quando da compra. Archimedes Raia Jr. na língua inglesa   6 . o processo logístico em sua totalidade. Em outros países da Europa. o shopping center oferece vagas de estacionamento. etc. como desvantagens: requer nível alto de segurança. Inicialmente. passagens de metrô e ônibus. embalagem. onde cada uma das partes depende das demais. além de poder-se evitar os irritantes congestionamentos das áreas centrais. etc.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. é difícil a operação. uma dificuldade existente é a ausência de contato entre o cliente final e o produto a ser adquirido. 2.2 O PAPEL DA LOGÍSTICA A logística cumpre um papel de relevância no comércio moderno de produtos e serviços. Algumas vantagens: fácil de operar. como: cinemas. Paralelamente. fax e Internet). seja ele resultante falha(s) no sistema de informação. Se esta data não for cumprida. se realizada de maneira equivocada. O cliente. especializadas localizadas no centro comercial. etc. que se inicia com a matéria-prima e termina com o cliente final. houve um grande impulso no chamado varejo sem loja. posteriormente via telefone e fax e. ambiente coberto e seguro. Na organização. este modelo se resumia às vendas por catálogo. supermercados.  Fase do varejo sem loja e varejo por máquinas Com o desenvolvimento dos sistemas de comunicação e Internet.. Produto – também aqui a logística tem uma função ímpar. por ex.

Neste processo. À medida que as organizações investem em novos parceiros comerciais. sem precisar passar pelo varejista. voltagem. modelo) ao adquirido. pode resultar em prejuízos na imagem da empresa. sua confiança nele aumenta. honestidade e profissionalismo do vendedor. Confiança mútua – a confiança mútua entre o comerciante e o cliente mesmo que seja de derivada de aspectos como atenção pessoal. para toda a cadeia. problemas com assistência técnica. o varejista é o elemento da cadeia mais próximo do cliente. Na medida que o cliente vai conhecendo melhor o comerciante. de transporte de cargas. vê suas reclamações e sugestões atendidas. ou com componentes faltando.3 Muitos são os tipos de organização do setor público ou privado que fazem uso dos serviços logísticos. O Correio brasileiro aposta em sua eficiência logística ao garantir ao cliente que sua encomenda/correspondência será entregue até as 10 horas do dia seguinte. para produtos de consumo rápido. muitos produtos até então produzidos por determinada empresa do fim da cadeia de fornecimento passam a ser produzidos por outras empresas. DEFINIÇÕES E CONCEITOS   2. através do serviço Sedex 10. ampliam-se os gastos com o planejamento de toda a cadeia logística. preços inadequados dos serviços). É ele que acaba recebendo as reclamações dos clientes. também. Logística é a chave de muitos negócios por diversos motivos e dentre eles pode-se citar os elevados custos de operação das cadeias de abastecimento. Pode-se citar como exemplos: empresas manufatureiras. serviços postais. Deficiências do tipo prazo de validade vencido.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof.  Satisfação – a satisfação que o cliente sentirá no momento do consumo ou utilização de um determinado produto também está intimamente relacionada com a logística. alimentícias. A continuidade na relação clientecomerciante na fase pós-venda é sempre difícil. Continuidade – este aspecto é considerado ainda como um grande problema para o setor de bens duráveis no Brasil. por que então horizontalizar e criar demandas para as atividades logísticas? A resposta para esta pergunta pode ser sintetizada em duas palavras. poderão arranhar substancialmente a imagem do comerciante. várias organizações criaram a figura do ombudsman. que também se espalha por toda cadeia varejista. em qualquer elemento cadeia. Ao se analisar essa . é fortemente dependente do desempenho logístico da cadeia de suprimentos em seu todo. Archimedes Raia Jr. Mesmo que problemas na relação comercial ocorram e sejam eles de responsabilidade do fabricante (falta de peças. ou mesmo do sistema de transporte. Verifica-se que a tendência das organizações é o processo de horizontalidade. Quando o contrário ocorre. distribuição de bebidas transporte público. vai constando a veracidade de suas afirmações e promessas. Esta relação poderá ser mais forte ou mesmo subjacente. ou bens duráveis entregues com especificação errada (cor. a globalização do mercado. Diante deste panorama. ou seja. distribuição de petróleo e combustíveis. Para equacionais estes problemas. etc. que passa a atender diretamente as reclamações dos clientes. a imagem negativa tende a se estender. uma questão pode ser colocada: se os custos são tão altos. ampliando o número de fontes de suprimento e dificultando a administração desse exército de fornecedores.

Archimedes Raia Jr. ainda pode ficar uma questão a ser esclarecida: como se dá essa propalada diminuição nos custos? Essa redução. é explicada pela especialização das empresas fornecedoras. o termo logística. Pode-se perceber que essas atividades logísticas estão inseridas nos mais diferentes setores das organizações e suas corretas aplicações se fazem necessárias para que as atividades sejam desenvolvidas de forma adequada. consideradas básicas: aquisição. bem como os serviços e informações associados. estava associado a aspectos militares. A figura 2. “logística é o processo de planejar. o autor que seja utilizado um certo tipo de . todo o sistema logístico precisar ser periodicamente avaliado. obtenção. Para que essas atividades produzam o efeito desejado. sejam elas de materiais ou de processos. tanto para fins administrativos ou operacionais. Diversas organizações entendem que o processo termina aqui. Mais significativa do que tal redução. De outro lado. Logística é definida como sendo a união de quatro atividades básicas. uma redução de custos. A logística se inicia pelo estudo e o planejamento do projeto ou do processo a ser implementado. distribuição. e que agora passarão a ser produzidos pela mais nova empresa horizontalizada. origina-se da língua francesa. armazenagem e entrega de produtos. Um alerta precisa ser feito: se a mudança na atividade logística não for acompanhada pelas diversas organizações. para outros autores. A partir desse momento. melhorando os níveis de satisfação dos usuários. uma vez que elas acabam por investir em tecnologia de ponta para os desenvolvimentos dos materiais. significando como a parte da arte bélica que trata do planejamento e da realização de projeto e desenvolvimento. poderá ocorrer falência daquelas que não se enquadrarem neste novo paradigma. com o objetivo de atender aos requisitos do consumidor”. focado agora em uma determinada linha de produto. constata-se que há. No entanto. Defende. implementar e controlar de maneira eficiente o fluxo e a armazenagem de produtos. Alguns afirmam que ela vem do verbo francês loger (acomodar. que devido à grande complexidade dos problemas logísticos e às suas características de sua natureza dinâmica. monitorado e controlado. quando devidamente acompanhada de estudos logísticos. afinal.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. proporcionada pelo ganho de escala na produção e pelo desenvolvimento tecnológico. qual é a definição de logística? O conceito de logística. dizem que ela é derivada da palavra grega logos (razão) e que significa a “arte de calcular” ou a “manipulação dos detalhes de uma operação” (Wood Jr. transporte. é fundamental que as atividades de planejamento logístico. segue as fases de implementação e operação. Mas. na verdade. & Zuffo. armazenamento. a tendência é que exista uma redução de custos. manutenção e evacuação de material. Diferentes autores atribuem diversas origens à palavra logística. em sua origem. alojar). reparação. 1998). até então produzidos pela empresa que está no fim da cadeia. a atividade logística passa a agregar valor aos produtos. cobrindo desde o ponto de origem até o ponto de consumo. estejam intimamente relacionadas com as funções de manufatura e marketing. movimentação. situação de forma holística.1 apresenta o quadro contendo os principais elementos da logística. Após a fase de planejamento e a sua devida aprovação. Segundo o Council of Logistics Management. norte-americano. defende Novaes (2001). ainda. outros. Mas.

1 – Principais elementos da logística Os fluxos relacionados com a logística e que envolvem a armazenagem de matériaprima. Archimedes Raia Jr. depois a varejista e. passando pela manufatura.2 – Fluxos logísticos CLIENTE FINAL FORNECEDOR FABRICAÇÃO DISITRUIÇÃO VAREJO . especialização.2). começando pelos fornecedores. existe paralelamente. é sempre o foco principal de toda a cadeia de suprimentos. operar e controlar Fluxo e armazenagem Matéria prima A partir do ponto de origem Produtos em processo Produtos acabados Informações Recursos financeiros Até o ponto de consumo De maneira econômica. monitoramento e controle. chegando ao cliente final. o fluxo financeiro (dinheiro) e. efetiva e eficiente Atendendo aos requisitos e preferências dos clientes Figura 2. Este. denominada auditoria logística. finalmente. deve ficar claro. além deste. de materiais em processamento e de produtora acabados. percorrem todo o processo. Além do fluxo de materiais (insumos ou produtos). Processo de planejar. há o fluxo (nos dois sentidos) de informações que está presente em todo o processo (ver figura 2.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. em sentido contrário. que realiza de maneira sistemática e periódica as atividades de avaliação. FLUXO DE MATERIAIS FLUXO DE INFORMAÇÃO FLUXO FINANCEIRO Figura 2.

rede de distribuição. aponta a visão sistêmica.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. segundo Wood Jr. ou seja:  Atividades estratégicas – atividades relacionadas às decisões e à gestão estratégica da própria empresa. A definição apresentada pelo Council of Logistics Management pode ser considerada como uma boa declaração de intenções. investimentos. É o caso das alianças estratégicas. mercados. nesta fase. alocação de recursos. quando a função logística passou a englobar processos de negócios fundamentais para a competitividade organizacional. Envolvem decisões sobre fornecedores. etc. alianças. nas quais a participação da função logística nas mais importantes decisões empresariais é ressaltada. Esta afirmação pode ser constatada no Quadro 2. das parcerias e dos consórcios logísticos. As atividades da função logística integrada podem ser decompostas em três grandes grupos. o conteúdo estratégico só fica marcante na terceira e quarta fases. etc. de maneira subjacente. sistemas de controle da produção. a tendência histórica direciona para a valorização da função logística (Wood Jr.. ela igualmente deixa de ter uma característica puramente técnica e operacional. que devem ser integradas à estratégia empresarial e orientadas para o atendimento às necessidades do cliente. & Zuffo (1998). Porém. A estrutura integrada de logística passa. produtos.1.   . A função logística deve participar de decisões sobre serviços. 1998). solução de problemas. etc. ao mesmo tempo em que a função logística é enriquecida em atividades.. a articular toda a cadeia de suprimentos. Archimedes Raia Jr. A logística. Atividades táticas – relacionam-se com o desdobramento das metas estratégicas e ao planejamento do sistema logístico. desde a entrada de matérias-primas até a entrega do produto final. e Atividades operacionais – relacionam-se à gestão do cotidiano da rede logística e envolvem a manutenção e melhoria do sistema. passando a ter também o enfoque estratégico. uma vez que cita a integração de todas as funções. & Zuffo. É de relevância observar que. Além disso. ressalta o foco no cliente e. possui dez funções essenciais. terceirização de serviços.

ou seja parcerias. .1 – Evolução do conceito de logística Fonte: Razzoni (2001) Por fim. Integração efetiva e sistêmica entre todos os setores da organização. segundo Novaes (2001). considerando a racionalização dos processos e a redução de custos em toda a cadeia de suprimentos. Procura pela otimização total. pode-se dizer que a logística moderna procura incorporar. os seguintes aspectos:      Prazos previamente combinados e cumpridos integralmente.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. Integração efetiva e estreita. Satisfação total do cliente. Archimedes Raia Jr. Quadro 2. no decorrer do toda a cadeia de suprimentos. mantendo o nível de serviço (NS) previamente estabelecido e adequado. entre fornecedores e clientes.

Quais as necessidades de serviço para cada segmento? ESTRATÉGIA DA ORGANIZAÇÃO Qual o melhor sistema de distribuição? Serviço Ao Cliente Nível estratégico Existem oportunidades de otimização no sistema de transportes? Como atingir a integração do canal? Projeto do canal Estratégia da rede Nível estrutural A gestão de estoques é adequada à demanda de serviços? Quais as melhores tecnologias / metodologias? Projeto / operação de armazéns Gestão de transportes Gestão de materiais Nível funcional Como definir e implementar mudanças? Como definir e implementar mudanças? Sistema de informações Políticas e procedimentos Instalações e equipamentos A distribuição de recursos está otimizada? Gestão da organização e mudanças Como melhorar o desempenho do sistema? Nível de implementação Figura 2.3 – Funções essenciais da logística Fonte: adaptado de Andersen Consulting (1997) . Archimedes Raia Jr.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof.

o Grupo JP Morgan e o Grupo Martins. a empresa fez uma parceria com o Grupo Intecom. WIS-SIGMA – gestão de estoques e picking.posicionamento da carga e comunicação com o motorista. sendo o restante do processo operacionalizado pela Intecom. o posicionamento de sua encomenda no território (Tracking). cujo negócio depende fundamentalmente da logística. que por sua vez tem o controle acionário dividido entre dois grandes grupos. com bastante capilaridade no território brasileiro. .planejamento de rotas e cargas. SCOF – gerenciamento da operação da frota. LOGÍSTICA NA SUBMARINO A Submarino é uma das maiores empresas brasileiras no ramo de comércio eletrônico (e-commerce). Geo Marbo .LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. maior atacadista distribuidor da América Latina. Archimedes Raia Jr.  A Submarino realiza as operações de Picking e embalagem. e atua em todo o território nacional. a qualquer momento.rota geográfica em tempo real. Possibilita o cliente acompanhar. As principais características do processo logístico da Submarino são:   Usa um operador logístico – Intecom. A figura abaixo possibilita um melhor entendimento de todo o processo logístico da Submarino. Para permitir a operacionalização do seu processo logístico. Trom . Usa intensivamente a tecnologia da informação: o o o o o  Marbo Sat .

Processo Logístico da Submarino Fonte: Schimtt & Shionara (2001) apud Viana (2002) .LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. Archimedes Raia Jr.

exigindo que o canal de distribuição esteja preparado para atender de maneira satisfatória às necessidades e expectativas do cliente final. vantagens em novas frentes de atuação. A ênfase era funcional e a execução dava-se por departamentos especializados. Aqui parece surgir um paradoxo. vários fatores apontaram fortemente no sentido de que as atividades funcionais devessem ser executadas de forma integrada e harmoniosa.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. Em um segundo momento. o começo se dá na correta escolha e no estabelecimento de parcerias com fornecedores. reduzir os custos. em sua fase inicial. simultaneamente. Archimedes Raia Jr. A facilitação dessa mudança de paradigma se deu pelo avanço na tecnologia da informação e pela adoção de um gerenciamento voltado para os processos. A este processo se dá o nome de Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos-GCS7. ultimamente. permanentemente. Neste período. 3 GERENCIAMENTO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS Nos dias atuais. no meio empresarial e acadêmico. a ampliação das atividades sob sua responsabilidade e. A essa nova fase deu-se o nome de logística integrada. toda a cadeia terá falhado. A maneira como a logística vem sendo implantada e desenvolvida. A explanação mais significativa pode estar na sua capacidade de evolução para fazer frente às necessidades surgidas de mudanças profundas e constantes que as empresas se deparam. 7 Conhecido como Supply Chain Management-SCM. as áreas funcionais da empresa e. obrigando-as a desenvolver. Em seu estágio mais avançado. podendo ser substituída por outra mais considerada mais vantajosa. A logística foi aplicada de forma fragmentada. Esta segunda fase denotou claramente que o processo logístico não se inicia e nem se extingue nos muros da própria organização. Ele conseguirá a sua realização se o cliente final aprovar a qualidade de seu produto e do serviço ofertado no momento da compra. quando se procurou a melhoria do desempenho de cada uma das atividades básicas de forma individual. ou seja. Este fato evidencia de forma cabal a idéia de que deva existir uma ligação forte entre esse fabricante e a empresa de varejo para que haja agregação de valor para o cliente final. a assimilação de sua importância estratégica. por um lado. as empresas são constantemente desafiadas a operar de maneira sempre mais eficiente e eficaz para garantir a continuidade de suas atividades. assegurando aumento da lucratividade? A logística se apresenta como uma das mais freqüentes formas utilizadas para superar esses desafios. a coordenação e o alinhamento dos esforços das empresas no anseio de se obter menores custos e maiores valores agregados aos produtos visando o cliente final. a logística vem sendo adotada para subsidiar o planejamento de processos de negócios que integram. evidencia a evolução do seu conceito. pois. inexistia uma abordagem sistêmica. de outro. . Um exemplo pode ser dado quando se cita um fabricante de refrigerantes. na língua inglesa. visando à obtenção de um melhor desempenho da organização. Caso isto não ocorra. como agregar mais valor aos produtos e. As demandas impostas pelo aumento da complexidade operacional e pelas exigências de níveis mais elevados de serviço e menores preços pelos clientes. servem de exemplo.

constata-se ainda a existência de muitas dificuldades na implementação do GCS. Archimedes Raia Jr. garantindo a sua sincronização com o fluxo de informações. inclusive aquelas relacionadas com os custos. . no entanto. Assim. aqueles com visão sistêmica e conhecedores de todas as atividades logísticas. que deve ocorrer no sentido inverso. que passa a ter dimensão interorganizacional. em especial. A sua adoção. o horizonte de tempo desloca-se do curto para o longo prazo e um dos elos. Os relacionamentos devem ser construídos com base em confiança mútua. O Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos. Por último. Esse fato evidencia que está havendo. chamado de elo forte. várias organizações vêm desenvolvendo significativos esforços na organização de uma rede integrada e na realização de forma eficiente e ágil do fluxo de materiais. e muitas vezes esquecido. entre os diversos integrantes de uma determinada cadeia produtiva que passarão a planejar estrategicamente suas atividades e partilhar informações de modo a desenvolverem as suas atividades logísticas de forma integrada. principalmente aquelas que acontecem nas interfaces entre as organizações e que são representadas pelas duplicidades de esforços. Não se pode esquecer que deve existir compatibilidade entre os sistemas de informação dos elos. que muitas vezes utilizam plataformas diferentes. Mesmo que resultados expressivos tenham sido atingidos. As empresas que optaram por implantar o Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos estão obtendo como resultado: significativas reduções de estoque. competitividade entre as diversas cadeias. Um outro desafio é equacionar os diferentes tamanhos e objetivos dos componentes. portanto. informações precisam ser compartilhadas. Este fluxo vai desde os fornecedores e atingindo os consumidores finais. através e entre suas organizações. Estes procedimentos proporcionam melhorias no desempenho conjunto pela busca de novas oportunidades e redução de custos. poderá ser uma fonte potencial de obtenção de vantagem competitiva para as organizações.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. deverá ser treinado e estar preparado para esta nova realidade. melhorando o desempenho de seus produtos e obtendo êxito no lançamento de novos produtos em intervalos menores de tempo. Como agregação de valor. implicando na não existência de uma metodologia única para a sua implementação. Cabe registrar a escassez de profissionais nessa área. na verdade. e como isso exige uma mudança de cultura. a medição de desempenho necessita de indicadores que permitam o controle da performance da cadeia como um todo. de maneira resumida. consiste no estabelecimento de relações de parcerias. visando agregar mais valor ao cliente final. otimização dos transportes e eliminação das perdas. está o fato de que o elemento humano é de suma importância e. Esta implantação requer uma análise profunda na cultura das organizações que farão parte de uma determinada cadeia. Dada a complexidade desse novo arranjo. pois se mostra como um caminho a ser trilhado pelas demais organizações. o estabelecimento da cadeia requer tempo e esforço. será responsável pela coordenação do sistema e seu desempenho neste papel será fundamental para a obtenção dos objetivos estabelecidos. O conceito de Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos ainda está em fase de desenvolvimento. essas empresas têm conseguido confiabilidade e flexibilidade mais elevadas. A visão funcional deve ser abandonada. em prazos dilatados.

a Xispex implementou. iii) montagem de uma estrutura de assistência técnica e de distribuição junto aos principais clientes no exterior. em cada uma destas áreas. Foi dessa maneira que a Xispex chegou ao Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos. No Brasil. EMPRESA XISPEX A Xispex (nome fictício) é uma importante empresa brasileira do setor de autopeças. que une a estas idéias o que há de .LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. a partir dos anos 1990. Como parte do programa de mudanças foi implantado. e iv) compra ou construção de fábricas nos principais mercados-alvo. Europa Ocidental e Europa Ocidental. Após a implantação da nova estrutura e do modelo de gestão. a criação de coordenadorias de logística para cada uma das unidades de negócios significou reunir. o que aponta para um cenário mais otimista na aplicação da logística no aproveitamento de seus benefícios para o país. passando pelo planejamento e controle de produção. pode-se citar como exemplo o caso da indústria automobilística e do setor de supermercados. Este programa inclui profissionalização da empresa. Oceania e Europa. A empresa hoje exporta para América do Norte. o que as coloca em desvantagem diante de concorrentes do exterior. grande parte das organizações ainda está aplicando a logística de forma embrionária. São restritos os segmentos considerados mais evoluídos neste assunto. Empresa familiar. cresceu vigorosamente durantes os anos 1960 e 1970. melhorando assim sua competitividade. até o controle de distribuição de produtos acabados. Esforços para mudar este cenário já estão sendo empreendidos. Sustentada por uma sólida competência tecnológica e aproveitando as oportunidades emergentes. todas as funções logísticas. desde a entrada de matérias primas e suprimentos. acompanhando o boom da indústria automobilística. cujo objetivo foi a implementação da gestão de toda a cadeia de valores a partir de uma visão sistêmica da empresa. uma metodologia embasada na visão sistêmica da organização e no conceito de cadeia de valores. em 1995. Ásia. a partir de bases industriais no Cone sul. Para acompanhar a estratégia de internacionalização e fazer frente a mudanças no contexto de concorrência interna. Archimedes Raia Jr. a Xispex passou a internacionalizar suas atividades a partir dos anos 1980. fundada na década de 1940. Na prática. o conceito de logística integrada. ii) abertura de escritórios de representação no exterior. criação de unidades estratégicas de negócios e integração mundial das atividades técnicas e comerciais. Os passos estratégicos seguiram o padrão usual: i) início das atividades de exportação. um amplo programa de mudança organizacional. a etapa seguinte constou em rever os processos de trabalho.

ferramentaria. Quase dois anos após o início do projeto. Fonte: Wood Jr. etc. os impactos já puderam ser observados: drástica redução de estoques. se transformar em padrão para as organizações brasileiras. & Zuffo (1998) . unificação de atividades de apoio (manutenção. no futuro. reparando velas e encerando o convés. “Após alguns anos cuidando da casa de máquinas. mudanças na organização do trabalho no chão de fábrica. muitos executivos finalmente se deram conta de que o barco estava apontado para a direção errada”. desativação de armazéns (que se tornaram desnecessários). mais eficácia e custos menores. deverão. Tudo isto resultou em maior eficiência. como o da Xispex. O passo seguinte foi a expansão dos conceitos para as atividades internacionais do Grupo Xispex e o maior envolvimento de fornecedores e clientes.) e melhor nível de atendimento ao cliente. mais avançado em termos de ferramentas de racionalização e sincronização da produção.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. Faltava-lhes visão de conjunto e também um conjunto de conhecimentos que permiti-se otimizar o todo. Archimedes Raia Jr. O conceito de logística integrada e a metodologia de Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos talvez possam dispor de respostas a estas questões. Casos.

tais como a logística reversa (será estudada adiante) e as operações pós-venda.1. uma vez que muitos varejistas não comercializam um volume suficiente do produto que lhes proporcione a compara direta. os distribuidores. o cliente não tem idéia da existência de um grande processo necessário para a conversão de matéria-prima. borracha. A CADEIA DE SUPRIMENTOS E SUA GESTÃO Quando se adquire um determinado produto. tecidos. Fornecedores de matéria-prima entregam insumos de natureza variada para a indústria/manufatura e também para os fabricantes de componentes. e é chamado de cadeia de suprimentos. 1997) . uma parte. chegando ao cliente final. O caminho é longo e vai desde a obtenção da matériaprima. devidamente abastecidas diretamente pelo fabricante ou indiretamente pelo comércio atacadista/distribuidores. como uma bandeja de salgados. Outros. etc. que é distribuído ao comércio varejista e. Um modelo de cadeia de suprimentos está apresentado na figura 3. necessitam um grande número de matérias-primas. a partir do fabricante. A indústria fabrica o produto em referência. tintas. menos complexos. requer: a coxinha. plástico. passando pela fábrica de componentes. o comércio varejista.LOGÍSTICA 3. o filme de polietileno. Archimedes Raia Jr. como o automóvel. papelão. das mais diversas naturezas. Exemplos de produtos complexos.1 NOTAS DE AULA Prof. Figura 3. por exemplo. a manufatura do produto. ao comércio atacadista/distribuidores. mas também a bandeja de isopor. As lojas varejistas. por exemplo. tais como: metais.1. a etiqueta adesiva contendo informações sobre o produto e código de barras. vendem o produto ao cliente final. que participam da fabricação de um mesmo produto. Existem ainda outros aspectos que não foram considerados na figura 3. de recursos humanos e de recursos energéticos em um produto que seja útil ou saboroso.1 – Modelo de cadeia de suprimentos (Fonte: Handy.

1 as setas são orientadas da esquerda para a direita (na parte superior da figura). Novaes (2001) enfatiza que. Seus principais objetivos são desenvolver produtos e garantir a qualidade das matérias-primas. o setor de fabricação. um grau elevado de sintonia entre as organizações que participam dessa cadeia. alimentação de empregados. Chama-se logística de suprimentos aquela que trabalha com os fluxos de materiais de fora para dentro da manufatura. dentro de prazos pré-definidos. pois eram capazes de produzi-los com baixos custos. incluindo-se. armazenagem e transportes de insumos e produtos. pensa-se imediatamente em fluxo de materiais. Ao se considerar o setor de manufatura. manutenção. na cadeia de suprimentos. e não gostavam de ter dependências em relação a fornecedores. há muitos anos. Nessa maneira de gerenciar. como também os serviços. grandes organizações produziam grande parte dos componentes necessários à fabricação de seus produtos. evidentemente. .2 (Capítulo 2). com confiança mútua significativa. que na figura 3. etc. Logística de produção .gerencia as relações entre a empresa e seus fornecedores. de forma a obter o menor custo total possível dentro da cadeia logística. pode-se identificar algumas especializações inerentes à logística. Archimedes Raia Jr. a matéria8 Competência central. A figura 3. Era a chamada tendência de verticalização industrial. Exemplo disso é o fluxo da figura 2. porém este não é o tipo único de fluxo de cadeia de suprimentos. Esta realidade exige. segundo Ching (1999):  Logística de suprimentos . quando se trata de cadeia de suprimentos. no que tange à matéria-prima.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. ou seja.objetiva sincronizar a produção com as demandas. a logística de distribuição deve maximizar o atendimento ao cliente.   Ao se considerar as relações com o ambiente.gerencia a relação empresa/consumidor. tais como: distribuição. que é composto por insumos. por questões estratégicas e de poderio econômico. segurança.1 apresenta três novos conceitos: logística de suprimentos. A estrutura a cadeia logística integrada é composta em três grandes grupos. Entende-se que seja mais adequada a concentração de atividades naquilo que a organização consegue realizar com competência. os mais variados. componentes e embalagens que atendam aos requisitos de fabricação. aí. os conceitos de vantagem competitiva e core competence8 estão presentes estão presentes no momento da definição do planejamento estratégico para as grandes organizações. verifica-se que há um subsistema. como ponto referencial. Por esse motivo. proporcionando o nível de serviço adequado. Cabe à logística de produção transformar os materiais em produtos finais ou acabados. denominado logística de suprimentos. estacionamento. Responsável pela distribuição física dos produtos acabados. não somente os componentes e matérias-primas são adquiridos em outras empresas. assessoria jurídica. componentes e produtos acabados. além de adquirir externamente componentes e/ou serviços associados a tudo que não estiver dentro da sua competência central. logística da produção e logística de distribuição. sem incorrer em custos desnecessários. diferenciando-a de maneira positiva em relação aos concorrentes. Acontece que. Logística de distribuição . Na atualidade.

nível de serviço. é chamado de setor de compras (Novaes & Alvarenga. tratamento de informação. prima e outros insumos (peças. com as quantidades necessárias para a operação/produção. além de outras variáveis do problema logístico. a logística de distribuição é parcela das mais importantes em virtude dos impactos produzidos nos custos. dependem de um alto grau de cooperação entre as empresas participantes. 9 Manufacturing Resources Planning ou Planejamento dos Recursos da Manufatura. A logística de distribuição física atua de dentro para fora da manufatura e envolve as transferências de produtos entre a fábrica e os armazéns próprios ou de terceiros. despacho. Técnica japonesa. A logística de suprimentos é também chamada de logística de materiais ou logística de abastecimento. componentes. que proporciona redução de estoque. 2006). Kanban10. é considera geralmente com o auxilia de metodologia própria.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof.) além de outros aspectos (Novaes & Alvarenga. vai ser dado um enfoque mais evidente na logística de distribuição. os armazéns e depósitos do sistema (movimentação interna. Transporte da matéria-prima desde a fonte de suprimentos até o local de manufatura. O fluxo constante e confiável de informações é fator determinante no gerenciamento da cadeia de distribuição e essencial para que bons resultados de satisfação das exigências dos clientes finais sejam atingidos (Silva. O sucesso e a eficiência da cadeia logística e. com cartões. A logística de produção. etc. tais como: MRP II 9. 10 11 . Seus componentes são:    Extração ou retirada da matéria-prima na sua origem e preparação da mesma para o transporte. outros produtos acabados que vão integrar o processo produtivo). estoques. Archimedes Raia Jr. Técnica que tem como filosofia atender ao cliente interno ou externo no momento exato de sua necessidade. Existem algumas técnicas e procedimentos americanos e japoneses bastante eficazes. da cadeia de distribuição. 2000). 2000). Embora a logística incorpore uma diversidade de fatores que vai muito além do domínio estrito da logística de distribuição. embalagem. até que os produtos sejam industrializados. em empresas pequenas. evitando-se assim a manutenção de maiores estoques. Estocagem da matéria-prima na fábrica. mais especificamente. que cuida dos aspectos logísticos dentro da manufatora em si. e por isso inserida dentro da Programação e Controle da Produção (PCP). Neste trabalho. que será mais bem estudada nos próximos capítulos. seus estoques. abrangendo também aspectos associados à comercialização. redução das perdas e aumento da flexibilidade. específica. marketing. os subsistemas de entrega urbana e interurbana de mercadorias. dentro outros (Novaes & Alvarenga. Just-in-Time (JIT)11. otimização do fluxo de produção. 2000).

Os fabricantes e distribuidores entregam os medicamentos ao depósito central da rede. indiretamente. que se estende desde os fornecedores de matérias-primas (fármacos) até o consumidor final.d. centros de saúde. em geral. . LOGÍSTICA DE DISTRIBUIÇÃO DA PETROBRÁS Fonte: ANP (2005) apud PUC-Rio (s. diretamente dos fabricantes. Archimedes Raia Jr. O segmento institucional (hospitais. secretarias públicas estaduais e municipais de saúde).LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. constitui importante mercado. que entregam medicamentos diretamente às redes ou. As farmácias compram também produtos de higiene pessoal e cosméticos. passando pelos fabricantes (laboratórios).) CADEIA DE SUPRIMENTOS NA ÁREA FARMACÊUTICA A primeira figura representa a cadeia de suprimentos. que estoca os produtos e os aloca às lojas. por meio de distribuidores. ao lado das farmácias.

A segunda figura representa a cadeia logística que prevalece no setor farmacêutico. Fonte: Machline. & Amaral Jr.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. (1998) . Archimedes Raia Jr.

bacalhau. no entanto.). entre fabricação e transferência. cimento. dependendo do caso. Este tempo é necessário somente para a realização da triagem da mercadoria que acabou de chegar e posterior reembarque. dentre outras.1 – Figura simplificada de um depósito O problema de movimentação interna nos depósitos ou armazéns é tratado como uma especialidade aparte. carvão siderúrgico. este tempo pode ser maior. iii) demanda irregular (cervejas.).). por exemplo).2 a 4. ou seja. etc. Um outro tipo que é bastante comum é o depósito destinado à armazenagem de insumos ou matérias primas (minério de ferro. etc. nozes. a etapa de armazenagem e manuseio de mercadorias tem impacto significativo. não se constituindo em objetivo deste capítulo. no natal (castanhas. gasolina. As interfaces do processo logístico. iv) demanda em queda (máquina de escrever. protetor solar. Nos pontos de transição da rede logística estão localizados os diversos tipos de instalações para armazenagem (figura 4. 4 ARMAZENAGEM DE PRODUTOS EM DEPÓSITOS E ARMAZENS Durante o fluxo logístico. surgem fluxos de mercadorias entre os diversos nós da rede. etc.1). Figura 4. disquete. como é o caso de mercadorias para consumo. ii) demanda sazonal (enfeites de natal. Archimedes Raia Jr. que impõe que certas empresas façam o estoque de determinados produtos em certos períodos para aproveitarem níveis de comercialização mais altos em outros momentos. de uma empresa de varejo. Segundo Ballou (1995). com a aplicação do enfoque sistêmico necessário à solução de problemas logísticos. fita de impressora. carburador. long play (LP).). entre transferência e distribuição física. que dará ênfase aspectos mais proeminentes. etc. a estocagem de produtos está relacionada com a sazonalidade de consumo.1 FUNÇÕES DE DEPÓSITOS E ARMAZÉNS Como visto anteriormente. refrigerantes. ou sazonalidade da produção (caso da soja. 4. estimando-se que seja de 12% a 40% dos custos logísticos em uma organização. no caso de siderúrgicas). . ovos e colombas de páscoa. sal. Um tipo mais comum é o depósito com objetivo de armazenamento e despacho de mercadorias de uma indústria. em geral. por exemplo. nos pontos de transição de um fluxo para outro. Um outro caso é o efeito na variação de preços no mercado. etc. As figuras 4.). leite. sucata. o período de permanência da mercadoria no depósito ou armazenagem é derivado de objetivos gerais da organização. Em alguns casos.4 mostram exemplos de demandas ao longo do tempo: i) demanda permanente (creme dental. surge a necessidade de armazenamento dos produtos por um espaço geralmente curto de tempo.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. de uma grande loja. panetone.. sabão em pó. etc.

das mais diversas origens e clientes. seja ela armazém. .Exemplo de demanda irregular Figura 4.Exemplo de demanda sazonal Figura 4. depósito ou centro de distribuição.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. Figura 4.5 . a armazenagem de produtos assume as mais diversas funções.Exemplo de demanda em queda Pensando no aspecto da logística. variando conforme os objetivos gerais da organização e da função exercida pela facilidade no sistema.3 . 2000):   Armazenagem – estocagem de mercadorias por um período curto ou longo. Archimedes Raia Jr. As principais funções destas facilidades são (Alvarenga & Novaes.2 – Exemplo de demanda relativamente invariável no tempo Figura 4. Consolidação – mercadorias chegam em pequenas quantidades. Permanecem por um tempo determinado para formar uma carga “completa” para ser encaminhada a outro ponto da rede logística.4 .

analisando o depósito como um sistema em si mesmo. Para cargas secas não granelizadas. formando invólucros com dimensões mais aproximadas de um paralelepípedo. feitos em seguida.2 Operação de Carregamento e Descarregamento No estudo desse componente ou subsistema. tais como uma empresa de transportes. A doca para recebimento de mercadorias é constituída normalmente por uma plataforma elevada. de forma a dar mais agilização no processo de carga e descarga.1 Operação de Recebimento Os objetivos do componente recebimento do armazém são: i) retirar a carga do veículo. O termo invólucro refere-se ao contexto puramente logístico e de transportes. onde carregamentos maiores são desagregados em lotes menores e encaminhados a distintos destinos. onde os caminhões acostam de ré. Desconsolidação – função inversa à anterior. um depósito de grande loja ou organização do ramo de varejo. anotando a zona e a região do destino. iii) efetuar a triagem da mercadoria. alguns aspectos devem ser abordados: i) característica da carga a ser descarregada.1. como caixas de madeira. ii) conferir a mercadoria. Figura 4. é preciso definir com clareza seus objetivos.9). Archimedes Raia Jr. precisam ser considerados como componentes do sistema logístico global. ii) equipamento e pessoal necessário pra realizar a descarga de um veículo do tipo padrão. 4. Esta última operação acontece nos depósitos que trabalham com distribuição física de produtos em trânsito.6 – Caminhão acostado em setor de descarregamento de um depósito Um aspecto importante nas operações de carga e descarga está associado ao grau e tipo de unitização. bebidas e outros. papelão.LOGÍSTICA  NOTAS DE AULA Prof. O depósito e/ou armazém. o transporte e a movimentação se faz normalmente conforme três tipos mais usados de acondicionamento: i) invólucros diversificados. ii) paletes ou estrados (figura 4.1.8) e iii) contêineres (figura 4. Há que se fazer uma distinção entre os termos invólucro e embalagem. sacarias.20 metro do solo. com aproximadamente 1. a 90º (figura 4.7). sendo elementos importantes na rede logística. arranjo e dimensões das posições ou berços de acostamento dos caminhões da doca de descarga. Segundo Alvarenga & Novaes (2001).6) ou 45º. incluindo-se os produtos manufaturados. sacas e tambores (figura 4. Para isso. deve-se definir os seus principais componentes. o termo embalagem está mais próximo ao marketing. visando melhorar o nível de serviço do sistema e sua redução de custo. . iii) número. 4. metal e plástico. envolvendo aspectos mais subjetivos e estéticos que têm como objetivo atrair o consumidor. No entanto. levando-se em consideração seu papel no sistema logístico global da empresa. A unitização corresponde ao agrupamento e arrumação da carga com volumes menores em unidades maiores.

9 – Contêineres No final do processo. são encaminhadas a uma doca para o seu embarque no veículo de transporte.10) e despacho do veículo constitui outro componente do sistema. em sacos (c). s.7 – Invólucros em caixa de papelão cintadas (a). em big bag (d) e em tambores (e) (Fonte: de “b” a “e”. após serem devidamente preparadas e rotuladas para serem distribuídas ou transportadas. (a) (e) (b) (c) (d) Figura 4.d.8 – Alguns modelos de paletes (Fonte: Incomade. as mercadorias.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. em filme PVC (b). Archimedes Raia Jr. BOSCH. O processo de carregamento (figura 4.10 – Caminhões acostados em setor de carregamento de depósitos .) Figura 4. 2007) Figura 4. Figura 4.

ser deslocadas até o ponto onde se consolidam as cargas para o carregamento.12 – Equipamentos de movimentação: ponte rolante (a) e pórtico (b) e guincho (c) (a) (b) (c) . volumes e pesos de mercadorias. Depois da operação de recebimento das mercadorias elas devem ser deslocadas até o local onde devem ser armazenadas. pórticos e pontes rolantes (figura 4. Existe uma grande quantidade de equipamentos mecânicos para o manuseio de grande variedade de tamanhos. Posteriormente. formas. (a) (b) (c) (d) Figura 4. Na maioria dos casos a movimentação é feita com auxílio de uma empilhadeira (figura 4.11a).11a.3 Movimentação NOTAS DE AULA Prof. ii) transportadores e esteiras (figura 4. Archimedes Raia Jr.11 – Equipamentos de movimentação: empilhadeira (a). Os tipos mais comuns são: i) empilhadeiras.11d). elas devem. iii) guinchos.12). empilhadeira manual e tratores (figura 4.1. b e c). empilhadeira manual (b) trator (c) e esteira (d) Figura 4. novamente.LOGÍSTICA 4.

de maneira geral. caixas tipo "KLT") passíveis de agrupamento/intercâmbio (passíveis de trocas universais entre os agentes de carga. Os seguintes princípios devem ser observados:   Evitar cargas soltas.  As embalagens retornáveis devem possibilitar o seu completo esvaziamento/drenagem.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. MANUAL DE LOGÍSTICA – EMBALAGEM Um dos pontos mais determinantes para a realização de uma logística eficiente. Archimedes Raia Jr. Embalagens retornáveis (ex: paletes PBR. foram definidos vários tipos de embalagens padrão que serão detalhados a seguir.  Quando do uso de embalagens descartáveis ou recicláveis. que sejam capazes de ser levados diretamente às linhas de produção sem a necessidade de manuseio.    Uso de materiais do mesmo tipo.   Deve servir para acomodação das peças e proteção contra intempéries. diz respeito à padronização de embalagens.). fornecedores e clientes) devem ser preferidas. impedindo que sejam danificados durante o transporte e. com impacto direto em praticamente toda a cadeia. devem ser suficientemente robustas para acomodar os itens. A embalagem não deve ser maior ou mais elaborada que o essencial para proteger os itens (superdimensionada). plástico-bolha. As embalagens. É mandatório o uso de embalagens retornáveis para os fornecedores nacionais. econômicos e quantitativos. Os tipos e sistemas de embalagens foram definidos a partir de diferentes critérios: ecológicos. esses materiais devem estar devidamente identificados de acordo com as normas e padrões dos serviços de reciclagem e retorno de embalagens. Tendo tal fato em vista. . O uso de materiais para acomodação interna dos itens deve ser minimizado (Ex: isopor. papel. ao mesmo tempo. etc.

todas deverão possuir o nome e ou logotipo do fornecedor gravado em local de fácil visualização. que fazem uso da técnica just in time. em geral.4 Armazenagem O processo de armazenagem ocorre por períodos curtos ou longos. a gravação deverá estar na sua lateral.d. sujeira.  Materiais perigosos deverão estar devidamente identificados e rotulados conforme Norma Técnica NBR 7500.” Fonte: BOSCH (s. peso de embalagem cheia/vazia. etc. atendendo em conjunto demais regulamentações governamentais.  O fornecedor deverá ter um plano de embalagem para os itens fornecidos. Para os paletes.  Para o cintamento das embalagens. material da embalagem. A armazenagem e manuseio de mercadorias são componentes essenciais no conjunto das atividades logísticas (figura 4. Este plano deve incluir: dimensões da embalagem.  Embalagens movimentadas manualmente não devem exceder 18 kg. Archimedes Raia Jr.  A cor das embalagens retornáveis de propriedade do fornecedor deverá ser azul “RAL 5012”.) 4. ser fornecidas instantaneamente.   Materiais a granel devem vir acondicionados sobre paletes e cintados de forma segura.1. deverão vir com proteção contra ferrugem. número de embalagens por palete. como é o caso das montadoras automobilísticas. com exceção do grupo de matérias primas metálicas. Ballou (1995) questiona a necessidade de espaço físico para estocagem e justifica: se as demandas pelos produtos da empresa forem conhecidas com precisão e se as mercadorias puderem. Para facilitar a identificação da propriedade das embalagens. Quando as peças ou produtos apresentarem características ou superfícies críticas quanto à qualidade ou operação. contaminação e danos. número de peças por embalagem. muitas vezes não é prático nem econômico operar desta .LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. conforme norma do SESMT (Serviço Especializado em Segurança e Medicina do Trabalho). No entanto. assim como apresentar facilidade de limpeza. só será aceita fita de poliéster. teoricamente não há necessidade de manter espaços físicos para estoque.  Embalagens danificadas deverão ser retiradas de circulação imediatamente e a manutenção das mesmas ficará a cargo do fornecedor.13).

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maneira, pois, em geral, a demanda não pode ser prevista com precisão. Para alcançar uma perfeita coordenação entre oferta e demanda, a produção deveria ter tempo de resposta instantâneo e o transporte deveria ser totalmente confiável, com tempo de entrega nulo. Isto não acontece em operações reais. Assim, as organizações usam os estoques para melhorar a coordenação entre a oferta e a demanda e diminuir os custos totais. Portanto, manter inventário gera a necessidade de espaço de armazenagem e de movimentação interna de materiais. Um leiaute de uma unidade armazenadora pode ser visualizado na figura 4.14.

Figura 4.13 – Locais de armazenagem em um depósito

Figura 4.14 – Leiaute básico de unidade armazenadora (Fonte: FJG, s.d.)

4.1.5 Preparo de pedidos Em certos tipos de armazéns, os pedidos dos clientes são preparados em uma área determinada do depósito (figura 4.15). As mercadorias são acondicionadas em caixas, pallets, contêineres, etc. Ao acondicionamento das mercadorias é acrescentado rótulo externo contendo o nome do cliente e endereço, para depois serem encaminhados à doca de embarque.

Figura 4.15 – Setor de preparo de pedidos

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4.1.6 Circulação externa e estacionamento Os depósitos, em geral, devem possuir áreas apropriadas para a circulação interna e estacionamento dos veículos (figura 4.16). Em vários casos, há a possibilidade de se usar a via pública para executar esta tarefa, o que não é desejável.

Figura 4.16 – Área de circulação externa de um depósito de cimento

A figura 4.17 apresenta um leiaute geral de um depósito, além da disposição de seus diversos componentes.

Figura 4.17 – Leiaute de um depósito e seus componentes

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5 CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO
O processo de abastecimento da manufatura com matéria-prima e componentes é denominado inbound logistics na literatura internacional, sendo que no Brasil é normalmente denominado de logística de suprimento. Segundo Novaes (2001), a logística de suprimento é uma parte muito importante pelo seu aspecto estratégico e pela importância econômica a ela associada tanto pelo setor público como pelo privado. Para as atividades ligadas ao varejo, o setor da logística que movimenta os produtos acabados desde a planta da fábrica até o consumidor é normalmente chamado de distribuição ou outbound logistics, com uma importância mais específica. Os especialistas em logística chamam de distribuição física de produtos ou simplesmente distribuição física os processos operacionais e de controle que possibilitam a transferência dos produtos desde o local de manufatura até o local onde o produto é entregue ao cliente final. Geralmente, esse cliente final é o ponto de varejo, porém existem casos de entrega da mercadoria na residência do cliente, particularmente para mercadorias com grande peso ou volumosas. Os responsáveis pelo setor de distribuição física trabalham com elementos específicos, de natureza preponderantemente material, ou seja, depósitos, veículos para transporte, estoques, equipamentos de carga e descarga, etc. Grande parcela das mercadorias comercializadas no setor de varejo chega ao consumidor final por meio de empresas intermediárias, isto é, o fabricante produza a mercadoria, o atacadista ou o distribuidor, o varejista e, eventualmente, outros intermediários. Segundo essa visão, os elementos que formam a cadeia de suprimento, que começa na fabrica e vai até o varejo, compõem aquilo que se chama canais de distribuição. Assim canais de distribuição constituem conjuntos de organizações interdependentes envolvidas no processo de tornar a mercadoria ou serviço disponível para uso ou consumo. Há certo paralelismo e uma correlação forte entre as atividades que constituem a distribuição física de produtos e os canais de distribuição, conforme pode ser visto na figura 5.1.

Figura 5.1 – Paralelismo entre Distribuição Física e Canais de Distribuição

A rede logística compõe-se de: depósitos (ou armazéns). comum na maioria deles. etc. Em conseqüência da estratégia competitiva adotada pela organização.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. Intensificar ao máximo o potencial de vendas do produto sob enfoque. 5. Tal como deve ocorrer em todas as etapas da logística. inicialmente. Indução da demanda – as empresas da cadeia de suprimentos necessitam gerar ou induzir a demanda de seus serviços ou mercadorias. Definidos os canais de distribuição. é possível identificar alguns fatores gerais. 2001):  Assegurar a rápida disponibilidade do produto no mercado identificado como prioritários. A definição do canal ou de canais de distribuição. uso ou não de paletização ou de tipos especiais de acondicionamentos em embalagens. precisa-se oferecer os serviços de pós-venda. Archimedes Raia Jr. 2. Satisfação da demanda – é necessário comercializar os serviços ou mercadorias para satisfazer a demanda.1 CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO A definição mais detalhada dos objetivos dos canais de distribuição depende essencialmente de cada organização. Serviço de pós-venda – uma vez comercializados os serviços ou mercadorias. Garantir rápido e preciso fluxo de informações entre os parceiros. detalhando-se. Assegurar nível de serviço estabelecido previamente pelos parceiros da cadeia de suprimentos. segundo as modernas concepções trazidas pelo supply chain management: 1. Porém. 3. analisando a cadeia de suprimentos na sua totalidade. ou seja. isto é buscar parcerias entre fabricante e varejista que possibilitem a exposição mais adequada da mercadoria nas lojas. estoque de produtos. de maneira integrada. Por vezes. as soluções propostas. urge que se pense de maneira sistêmica na projeção dos canais de distribuição e na estruturação da distribuição física subjacente.      Os canais de distribuição podem desempenhar quatro funções básicas. a partir dessa análise. a rede logística e o sistema de distribuição física derivadas. buscar lotes mínimos dos pedidos. Promover cooperação entre os participantes da cadeia de suprimentos. atuando em conjunto com os parceiros. o produto precisa estar disponível para a venda nos estabelecimentos varejistas do tipo correto. restrições de tempo de espera. com os serviços a eles associados. e Procurar redução de custos. As atividades logísticas associadas à distribuição física são então definidas a partir da estrutura planejada para os canais de distribuição. não dispensa de uma análise criteriosa de suas implicações sobre as operações logísticas. escolhe-se um esquema de distribuição específico. ou seja. principalmente relacionada aos fatores mais significativos associados à distribuição física. centros de distribuição. transporte usado e as estruturas complementares de serviço. tais como (Novaes. e . é possível a identificação dos deslocamentos físico-espaciais que as mercadorias deverão obedecer. podem ser configurar em custos muito elevados. condições de descarga. da forma com que ela compete no mercado e da estrutura geral da cadeia de suprimentos.

O canal nível 2 é aquele onde existem dois intermediários. em geral. móveis. Archimedes Raia Jr. pois o fabricante vende seu produto direto ao consumidor. em número de três: i) distribuição exclusiva: com amplitude um. Extensão e amplitude A extensão de um canal de distribuição é associada à quantidade de níveis intermediários na cadeia de suprimentos. mas com certo controle. revendendo-os nas próprias lojas. como é o caso dos grandes supermercados.1. Neste caso. como é o caso de pequenos mercados que adquirem as mercadorias através de atacadistas. Os fabricantes .). verifica-se um novo paradigma de canais mais curtos na cadeia de suprimentos eliminado-se. certa pesquisa de condições antes de sua aquisição (TVs. apenas um nível intermediário da cadeia. Este é o caso da distribuição exclusiva.). O canal nível zero não possui níveis intermediários. e ii) encurtamento de canais. acrescendo-se também os consumidores que disponibilizam um retorno importante tanto para os fabricantes quanto para os varejistas. onde cada patamar de intermediação da cadeia de suprimentos se caracteriza como um nível do canal. A partir da realidade de sistemas logísticos de entregas rápidas. Os produtos de consumo freqüente – são as mercadorias consumidas cotidianamente (xampus. A escolha de uma dessas alternativas leva em consideração: Os produtos especiais – mercadorias de valor elevado. sendo. ligadas às trocas de informações eletrônicas. em domicílio. etc. A amplitude (largura do canal) determinada para cada segmento intermediário da cadeia de suprimentos é representada pela quantidade de empresas que nela trabalham. a figura dos atacadistas. portanto.1 Características dos canais de distribuição As características principais dos canais de distribuição são: i) extensão e amplitude. 5. Os produtos que envolvem pesquisa antes da aquisição – são os produtos que requerem. existindo. e iii) distribuição intensiva: com amplitude múltipla. Como exemplo pode-se citar o caso da Avon Cosméticos. O canal nível 1 prevê que os varejistas de grande porte compram os produtos diretamente dos fabricantes.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. geladeiras. o consumidor procura o representante exclusivo da marca. a estratégia aponta para a distribuição intensiva. sabonetes. 4. segundo Novaes (2001). inclusive com a criação do comércio eletrônico. considerados desde a manufatura até o consumidor final. etc. geralmente. e que têm sua aquisição caracterizada pela esporadicidade. Encurtamento de canais A partir de novas realidades proporcionadas pelo avanço da tecnologia da informação. A estratégia neste caso sugere distribuição seletiva. o setor varejista tem menor dificuldade em fazer seus pedidos de maneira direta aos fabricantes. que comercializa suas mercadorias por meio de suas próprias vendedoras. sem controle. em geral. como é o caso das canetas Mont Blanc. que sejam diferenciados. dentifrícios. adquire-nas dos fabricantes. Troca de informações – o canal viabiliza a troca de informações ao longo de toda a cadeia de suprimentos. o varejista. que por sua vez. Neste caso. ii) distribuição seletiva: com amplitude múltipla.

não dando a devida importância aos elementos seguintes da cadeia de suprimentos. com a oferta de serviços mais modernos de informação e rápida resposta ao atendimento dos pedidos dos clientes. os fabricantes utilizam distribuidores e atacadistas com o objetivo de chegar a locais geograficamente distantes.1 Etapa 1 – Definir os segmentos homogêneos de clientes Nesta etapa procura-se agrupar os clientes com necessidades e preferências semelhantes nos canais específicos e. 5. 5. ou seja.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. As empresas de refrigerantes.  Customização do produto – alguns produtos precisam de modificações técnicas para se adaptar a determinadas condições de mercado e/ou exigências dos . Ex. o uso da figura de distribuidores e/ou atacadistas pode ser uma boa solução. Com o aumento da concorrência. procurando tão somente atender as especificações de qualidade.2 DEFINIÇÃO DOS CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO Para a estruturação da cadeia de suprimentos. fiscalizadas pelo varejista ao invés de também se preocupar com a qualidade inerente ao produto a ser sentida pelo consumidor final. A idéia mandatária é não se cometer erros graves segundo a visão moderna de gerenciamento da cadeia de suprimentos . de forma se obter uma maior competitividade no mercado. 5. para proporcionar maior cobertura a seus clientes a partir de estoques dos intermediários e para atendimento a pequenos varejistas. preocupação com a saúde e meio ambiente produzem no cliente exigências de informações em abundância e com qualidade. são 6 as etapas a serem empreendidas para o projeto dos canais de distribuição. neste caso. associada ao avanço das grandes empresas varejistas na repartição dos mercados. Estes requerem maior assistência no abastecimento de seus estabelecimentos e condições mais favoráveis de crédito.supply chain management (SCM). de maneira total ou parcial. os clientes são assumidos como sendo os usuários finais do produto. um dos aspectos estratégicos a ser abordado é sobre qual seria o melhor projeto de canais de distribuição.2 Etapa 2 – Identificar e priorizar funções Após a definição dos canais a empresa deve identificar quais são as funções deverão ser associadas a cada canal de distribuição. As funções são enquadradas em oito categorias:  Informações sobre o produto – evolução tecnológica. permitindo o monitoramento e o atendimento dos pedidos individuais do setor varejista.: detergente biodegradável.2. Para determinados tipos de mercados. de encarar o cliente mais próximo como se fosse o cliente final. Segundo Novaes (2001).2. que abastece um grande supermercado. contam com modernas tecnologias de tratamento de informações. Este fato pode ser mais bem entendido no exemplo de um produtor de geléias. têm como foco o consumidor final na definição dos seus canais de distribuição e não o comerciante. por exemplo. Archimedes Raia Jr. Portanto. tanto atacadistas quanto distribuidores devem adotar posturas proativas. No caso das empresas que produzem a embalagem plástica para os refrigerantes devem focar as indústrias que produzem as bebidas e não o consumidor final.

Archimedes Raia Jr.  Logística – grande parcela das sete funções citadas anteriormente produz impactos significativos nas operações logísticas de uma determinada organização. Ex. Ex. o nível de satisfação dos requisitos dos clientes com o enfoque na cadeia de suprimentos. para um pequeno supermercado.2. cadastramento e monitoramento de informações. a embalagem poderá ser menor. de outras empresas que apresentam o desempenho “melhor da classe”.: Varejistas em regiões mais abastadas de uma grande cidade podem necessitar dispor de maior disponibilidade de variedades de iogurte (sabores.. Ex. etc.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof.  Variedade de características – certos canais de distribuição que atendem diferentes regiões do país precisam ter diversidade para atendimento das diversas necessidades. onde uma menor variedade pode satisfazer à clientela. As medidas de benchmark derivam. não sendo necessariamente concorrentes.  Disponibilidade de variedades – determinados consumidores querem maior disponibilidade de variedades de um mesmo produto para diferentes regiões.: empresa que comercializa álcool com a indústria química precisa garantir mais qualidade do que no fornecimento para uso geral.: Serviços de pós-venda de refrigeradores podem precisar de visitas técnicas.: Atacadistas de materiais elétricos precisam dispor de lâmpadas com voltagem 127 Volts e 220 Volts. transporte (próprio ou terceirizado). etc.  Afirmação de qualidade do produto – certos produtos necessitam uma afirmação mais explícita de sua qualidade e confiabilidade. comparando uma empresa com outras. etc. compatíveis ao seu nível de comercialização. Ex.: No caso de computadores. considerando as despesas com a aquisição. facilidade de armazenagem. clientes. eventuais manutenções.  Serviços de pós-venda – os clientes precisam de serviços diversificados.: para grandes empresas varejistas. consertos. Ex.: venda de motos para países com exigente controle de emissão de poluentes. nos produtos etc. diet ou light. hardware e periféricos. em geral. 12 Processo sistemático usado para estabelecer metas para melhorias no processo. manuseio e custos de estocagem. versões. 5.) do que em região da periferia. comparando-o com práticas consideradas de referência de concorrentes e verificando-se. é necessário fazer uma análise do projeto. movimentação. . particularmente.3 Etapa 3 – Realizar benchmarking 12 preliminar Após serem definidas e detalhadas as funções atribuídas a um canal ou vários canais de distribuição. Ex. o fornecimento de garrafas de refrigerante poderá se dar em grandes embalagens paletizadas com quantidades maiores. tais como: instalação. atendimento de reclamações. onde o cliente compra o produto e precisa da instalação. tamanhos. com menos unidades.  Tamanho dos lotes – função associada mais especificamente à capacidade de comercialização dos clientes. nas funções. realização de atualização de software. manutenção de rotina. quando comercializados por determinados canais. que vão além da garantia tradicional. Ex.

Nesta etapa.2. Este grupo de trabalho. engenheiros do produto. A definição das alternativas deve-se estar assentada nos objetivos da organização. Inicialmente. Comparando-se os elementos de investimentos. 5. inicialmente:  Grupo 1 . É necessário proceder a determinadas melhorias nas funções atualmente desempenhadas ao longo dos canais existentes. e . através de licitações públicas ou grandes pedidos. de forma sistemática. geralmente. em alguns casos. mudanças radicais na estrutura dos canais de distribuição representam grandes custos e podem apresentar. Archimedes Raia Jr. considerar a repartição de mercado e os investimentos a serem realizados considerando cada opção. 5. os fatores estratégicos de longo prazo assumem grande significado. além de analisar os canais de distribuição da mercadoria. adicionalmente. Precisa-se. dentre eles o gerente de marketing. à escolha da alternativa que melhor atenda aos interesses da organização. é necessário integrar o projeto de distribuição.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. identificou dois segmentos homogêneos de clientes. obtidas pelo benchmarking realizado na etapa 3. que compram lotes grandes da mercadoria. imprevisíveis conseqüências. então.Revisar o projeto A combinação dos resultados obtidos nas etapas 2 e 3 pode definir algumas alternativas. com previsão de produção de refrigeradores. com a estrutura de canais já existentes na organização. e está sendo implantada na região de Bauru. e alguns engenheiros especialistas em logística. são avaliados os custos e benefícios associados a cada alternativa gerada na etapa 4. A Alta Direção do Grupo designou uma equipe de analistas. chega-se. Neste sentido. de maneira a proceder a compatibilização do novo produto.5 Etapa 5 – Analisar custos e benefícios Na etapa 5. Empresa GeloFrio A Empresa GeloFrio é parte de um conglomerado bastante significativo no mercado brasileiro. Como visto. compreendendo alternativas possíveis de canais de distribuição e de suas funções. é necessário questionar se a estrutura de distribuição proposta assegura vantagens de mercado e se existe condições de estabilidade por um período longo de tempo. Eles tinham a missão de encontrar a definição. de custos e benefícios. chamado de GCD.6 Etapa 6 – Integrar com atividades da organização Uma empresa quando lança um produto no mercado.2.4 Etapa 4 . obtido na etapa 5. já produz ou comercializa outros produtos. levando-se em conta os requisitos do consumidor e devidamente delimitados considerando as práticas das empresas concorrentes. 5. representantes do setor de vendas.Clientes institucionais – órgãos governamentais e grandes organizações.2.

Em vista disso. que atendem diretamente os clientes do Grupo 1. para o resto do território nacional. e “canal de 2 níveis”. o varejo seria fracionado. O gerente de marketing sugere que a empresa abasteça de forma direta os clientes do Grupo 1. em um “canal de 1 nível” para as regiões Sudeste e Sul. Os clientes do Grupo 2 seriam atendidos através de lojas varejistas. Esses distribuidores teriam a missão de abastecer as empresas varejistas de suas regiões específicas e agiriam de maneira exclusiva para a Empresa Gelofrio. Muitos debates se sucederam até que o consenso apontasse para a solução proposta pelos engenheiros de logística. e que seria antieconômico. um “canal de 1 nível”. levando-se em conta o nível de renda da população e a participação no mercado (market share) nessas regiões. por sua vez. por um lado. não dispõe de tempo e disposição para atender os pequenos clientes do Grupo 2. Assim. A 1ª etapa da . o GCD decidirá pelo número de locais de venda conforme cada região do território nacional.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. por outro lado. uma ou duas unidades. A figura mostra esquematicamente os 4 canais propostos nas reuniões do GCD. em geral. portanto. em termos espaciais. e “canal de 1 nível” para o varejo. Um colaborador do setor de vendas. O representante do departamento de marketing apontou que a maneira mais apropriada de distribuição para este tipo de mercadoria.  Grupo 2 . representando. O gerente de marketing procurou deixar claro de que a organização precisará encurtar os “canais de 2 níveis” para “canais de 1 nível” tão logo haja um adensamento de demanda capaz de justificar economicamente a alteração. em função de suas características e da concorrência.Clientes formados por pequenas organizações ou famílias – que compram quantidades pequenas da mercadoria. seria a distribuição seletiva. especialmente montada para esse fim. Eles fazem a sugestão de se criar dealers (representantes regionais) que comercializariam o produto atuando diretamente junto às pequenas e médias empresas. sem o processo licitatório. demonstrou uma preocupação com o atendimento aos varejistas de pequeno porte. através de uma equipe de vendedores. O engenheiro de logística fez alguns estudos e aponta que o abastecimento direto a todas as empresas varejistas no território nacional requer muitos recursos. O GCD sugere que o Grupo 1 seja atendido de maneira direta pelo departamento de vendas da fábrica. pois a equipe de vendedores da GeloFrio. uma vez que o mercado básico da organização está basicamente localizado nas regiões Sudeste e Sul. fazendo jus a uma parcela de ganho a ser definida posteriormente. Archimedes Raia Jr.

se apresentando como uma vantagem competitiva no mercado. implicando em custos adicionais de fabricação. onde foram identificados os segmentos homogêneos de clientes. com um nivelamento correto. O que foi aceito por todos do GCD. afetando seu desempenho e estética. todo o grupo entendeu que esse seria um problema bastante complexo. eliminando futuramente o dealer. Um dos especialistas em logística lembrou que os representantes regionais. Criou-se um subgrupo composto por engenheiros do produto e de logística. precisa levar de alguma forma esta informação ao cliente pessoa física. A seguir o GCD passou a analisar quais seriam as funções inerentes aos canais de distribuição. por isso. Um representante de vendas alertou que os concorrentes estavam oferecendo um produto que se oxidava rapidamente nas cidades litorâneas. definição dos canais de distribuição ficou concluída. que foram agrupados em canais específicos. Portanto. necessitando um tratamento adicional antiferrugem para essas regiões. para garantir esta qualidade o eletrodoméstico necessita de uma montagem especial dos pés hidráulicos. em função do gasto extra com a instalação dos dispositivos dos pés. e disponíveis nas voltagens 127 e 220 Volts. o engenheiro do produto alertou que essa diversificação resultaria em um processo adicional na fabricação do produto. medidos em capacidade (litros). O gerente de marketing sugeriu que toda a produção saísse com este tratamento. O gerente de marketing selecionou alguns aspectos importantes com relação às informações do produto: i) o refrigerador GeloFrio foi desenvolvido de forma a não gerar qualquer tipo de ruído. Porém. igual comportamento não poderia ser esperado dos pequenos varejistas. poderiam oferecer o serviço de nivelamento dos pés com facilidade. Haveria maiores custos e benefícios a serem analisados e. necessitaria fazer uma operação de benchmarking para conhecer melhor o que os concorrentes estavam pensando a respeito. o que extrapola as funções mais comuns dos varejistas. bem como os clientes formados pelas pequenas lojas. uma vez que o serviço requer mão-de-obra especializada. independente da praça a qual se destinaria. e gerente de marketing para estudar a questão e apresentar resultados para serem discutidos no GCD.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. Questões propostas: 1. Archimedes Raia Jr. O gerente de marketing apontou para a necessidade de se ter três capacidades diferentes do refrigerador. estocagem e problemas na linha de distribuição. para que mostrem claramente este aspecto e que não assuste o consumidor potencial. A intenção de encurtar o canal 4 (figura). preocupados com o atendimento de empresas de pequeno porte. mas. não é de fácil . Diante disso.

Discutir as vantagens e desvantagens de adoção desde o início a mesma estrutura de distribuição do canal 3. especificando os objetivos. Admita que você foi designado como líder do subgrupo incumbido de analisar o problema do tratamento do produto contra ferrugem. ii) afirmação da qualidade do produto. onde o grupo trouxe a visão do cliente para a elaboração de suas propostas? Você acha que ficou faltando alguma coisa ou se poderia simplificar a estrutura proposta? 9. neste exemplo. de uma área cinzenta entre dois mercados. Outro conflito entre os dealers e o corpo de vendas do fabricante poderia ocorrer como decorrência. propondo soluções para contornar o problema. daqui a 5 anos? 2. Foram explicitados pelo grupo GeloFrio de forma completa e adequada? 6. iv) serviços pós-venda. Archimedes Raia Jr. à manufatura de cada tarefa. Considerar os aspectos ligados à logística. principalmente. e) serviços logísticos.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. e os resultados de cada tarefa. Um conflito mercadológico entre dealers e os varejistas. Analisar a questão. Identificar. à manufatura... por ex. Como proceder ao benchmarking da estrutura de distribuição definida pelo GCD. para todas as regiões no território nacional. 8. Por que separar os clientes “empresas pequenas” dos clientes pessoa física? Os primeiros não poderiam adquirir o refrigerador diretamente das lojas? Quais as vantagens e desvantagens de efetuar essa separação? 3. a metodologia ser empregada. considerando os principais concorrentes da GeloFrio? . Delinear uma seqüência de tarefas para a questão. Por quê? O que poderia ser feito no futuro para evitá-lo? 4. 7. particularmente. iii) variedade. custos e investimentos que se deslumbra para proceder ao encurtamento do canal. quais dificuldades. Faça um confronto entre as estruturas logísticas necessárias para atender os canais 3 e 4. Considerar os aspectos ligados à logística. ao marketing e às vendas. no que diz respeito aos clientes de médio porte (são grandes ou são pequenos?). poderia ocorrer com certa probabilidade. Admitindo que o esquema da figura seja adotado. execução. De maneira geral. 5. que formam os canais 2 e 3 da figura. você considera satisfatórios os resultados definidos até o momento pelo grupo de estudos da GeloFrio? Por quê? Por ex. indicados na figura. as seguintes funções: i) customização do produto.

Fonte: adaptado de Novaes (2001) .LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. Archimedes Raia Jr.

no ato da compra. a distribuição física cobre os segmentos que vão desde a saída do produto da fábrica. nos casos onde a aquisição é feita através de fax. a necessidade de maior freqüência nas entregas de produtos às lojas. Dispõem de facilidades para descarga de produtos. uma geladeira ou jogo de sofá. 3. transporte interno e carregamento dos veículos de distribuição. ocasionando um acréscimo expressivo nos níveis do estoque. em geral. caso de bebidas e cigarros. Em certos casos. até sua entrega final ao consumidor. no abastecimento de lojas. Em muitas atividades varejistas o produto é entregue diretamente ao consumidor na loja. Na transferência de produtos desde o fabricante até o centro de distribuição do varejista (ou depósito do atacadista) emprega-se veículos maiores. passou a ser um encargo elevado para as empresas. por ex. sua distribuição implica o deslocamento espacial das mercadorias. No estudo do supply chain. para lugares certos. Estoque de produtos – é formado pelo estoque de produtos ao longo de todo o processo. isto é. porém há muitos casos em que o produto é entregue posteriormente ao comprador em seu domicílio.1 COMPONENTES DO SISTEMA DE DISTRIBUIÇÃO FÍSICA A distribuição física dos produtos é feita com a participação de alguns componentes. Veículos – já que os produtos são normalmente comercializados em pontos distintos em relação ao local de fabricação. com variedade de tipos. Instalações físicas – fornecem espaços destinados a abrigar as mercadorias até que sejam transferidas para as lojas ou entregues aos clientes. nas lojas de varejo e nos veículos de transporte. A distribuição física tem como objetivo geral levar os produtos certos. nos centros de distribuição dos atacadistas. com mais condições de manobrabilidade em áreas urbanas. cita Novaes (2001). 2. com mais capacidade. capacidade. Archimedes Raia Jr.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. Informações – no caso de distribuição. 2001). 4. o produto é despachado da fábrica para o depósito de um atacadista. 6. para vários pontos de varejo. Não são raros os casos onde o fabricante abastece diretamente as lojas de varejo. 6 DISTRIBUIÇÃO FÍSICA A cadeia de distribuição física é formada por um “canal de 1 nível”. acabamento e cores. na prática. Isto se deve ao fato do produto ser de grande volume ou peso. é necessário fazer o detalhamento do processo logístico que realizará. sejam eles físicos ou informacionais: 1. pelo menor custo possível (Novaes. Também. são usados veículos menores. no momento certo e com o nível de serviço desejado. o produto é transportado desde o fabricante para o centro de distribuição do varejista. necessitando de veículos para realizá-lo. Após a definição dos canais de distribuição (Capítulo 5). distribuidores e varejistas. ou pelo fato do varejista oferecer ao cliente este serviço. Internet ou telefone. nunca vistos. por exemplo. Entre o fabricante e o consumidor existe apenas um intermediário. O custo de capital dos produtos acabados que permanecem estocados nos depósitos da fábrica. em outros. é fundamental dispor de um cadastro de .. favorece a opção de veículos de menor porte e capacidade. o varejista. Isto porque a oferta de produtos se abriu num leque de opções muito grande. o projeto mercadológico escolhido.

Estrutura de custos – deve ser adequada e constantemente atualizada. Pessoal – para que um sistema de distribuição física funcione adequadamente e de forma competitiva. Distância entre os pontos de origem e de destino é um dos elementos que mais influenciam nessa forma de transporte. horários para entrega. o que impede a otimização do arranjo interno da carga no caminhão. Hardware e software – grande parte das atividades de distribuição é planejada. e Distribuição UM PARA MUITOS – também chamada de compartilhada. pode-se sintetizá-las duas configurações básicas. uma vez que na distribuição de um para muitos. além de outras informações importantes para a operação logística. Outras informações são: quantidade de produtos a ser entregue a cada cliente. Atualmente. é necessário adotar uma estrutura mais eficaz para os serviços logísticos de distribuição física. Archimedes Raia Jr. etc. com o objetivo de se obter um melhor aproveitamento de sua capacidade. é preciso que a empresa disponha de colaboradores devidamente treinados e capacitados. Devido à diversidade de custos associados à distribuição física. 5. onde o veículo é carregado no CD varejista com mercadorias destinadas a diversas lojas ou clientes. controle de pedidos. 6. vai se acomodando a carga nos espaços disponíveis. motoristas. uma quantidade significativa de tipos de distribuição física de produtos. 6. precisando de um roteiro de entregas elaborado previamente. administrativos.2. não se consegue. clientes. endereço (com coordenadas geográficas para uso de SIG ou roteirizadores). o emprego de formas de custeio modernas. na prática. etc. . Isto porque se é obrigado a carregá-lo na ordem inversa das entregas. programada e controlada através de softwares aplicativos. como é o caso do modelo ABC-Activity Based Costing. que auxiliam na preparação dos romaneios de entrega.1 Sistema de distribuição UM PARA UM Na distribuição do tipo UM PARA UM. o carregamento do veículo é realizado de forma a lotá-lo por completo. roteirização de veículos. monitoramento de frota. 6.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. segundo Novaes (2001): Distribuição UM PARA UM – o veículo é totalmente carregado (lotação total) no depósito da fábrica ou CD varejista e transporta a carga para um único ponto de destino. Este aspecto é importante. ajudantes. é imperativo. tipo de acondicionamento. composto pela razão social. em todos os níveis. Ao carregar o veículo. etc. com freqüência. roteiros de distribuição. quando enfocada sob o ponto de vista da logística: 1. 7. Esses softwares funcionam em computadores (hardware) instalados para favorecer o uso dos softwares. pois condiciona a seleção do tipo de veículo. A distribuição UM PARA UM é influenciada por 12 fatores. seja ele uma loja ou outro CD. o custo. sejam eles técnicos logísticos.2 TIPOS BÁSICOS DE DISTRIBUIÇÃO Embora possa existir. o dimensionamento da frota. e o frete a ser cobrado do usuário. devoluções. um bom aproveitamento do espaço do veículo.

Por ex. etc. Archimedes Raia Jr. A velocidade operacional é a velocidade média entre os pontos de origem e de destino. De nada adiantaria uma empresa de transporte aéreo oferecer os aviões mais velozes para deslocar produtos de um local a outro. que atende um grande número de pequenos varejos. Uma forma de redução dos tempos de carga e descarga é utilizar outras formas de acondicionamento da carga. etc. principalmente. isto é. ou ferrovias). os tempos de carga e descarga. conferência. t AB = tempo total de viagem entre os locais A e B. como é o caso de supermercados. porém planejado e operado conforme suas especificações. sua unitização que. 2. Dessa forma. etc. Tempo porta a porta é um dos fatores mais importantes para o usuário do serviço de transporte. isto é. retirando os tempos de carga e descarga. além de grandes clientes. para carregar uma carreta de forma manual. Pode ser citar o caso da Coca Cola. isto é. caso a mesma tivesse sido carregada com a carga unitizada em pallets e com o auxílio de uma empilhadeira e seu operador. a empresa se vê obrigada a usar os serviços de transportadores autônomos ou empresas . operando com frota própria ou terceirizada.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. descontando os tempos nos terminais. 4. a velocidade operacional é fortemente condicionada pelas características das estradas (ou rodovias. emissão de documentos. tempos de espera para a carga ser recebida no cliente. prejudicando sua produção (menos toneladas-quilômetro realizadas por ano) e acarretando aumento nos custos operacionais. descontando os tempos nos terminais. tempos de espera para a carga ser recebida no cliente. 5. a empresa pode optar por um serviço próprio de distribuição. Nas viagens intermunicipais. para uma transferência entre dois locais A e B. principalmente para distâncias relativamente curtas. se a mercadoria sofrer retenções e atrasos excessivos no solo. os tempos de carga e descarga. bem como nas operações de carga e descarga propriamente ditas.. no transporte doméstico. descontando os tempos nos terminais. O tempo de carga e descarga afeta bastante as características operacionais e econômicas da distribuição UM PARA UM. Tempo de carga e descarga é o tempo total gasto na pesagem. reduzem bastante a velocidade operacional dos veículos. a velocidade operacional é calculada da seguinte maneira: Vop  Onde: D AB t AB Vop =velocidade operacional entre os locais A e B D AB = distância entre os locais A e B. As condições de má conservação das rodovias. esta mesma carreta pode ser descarrega em 25 minutos. Quantidade ou volume transportado também e outro fator de grande significância na distribuição física dos produtos. atualmente. tempos de espera para a carga ser recebida pelo cliente. Quando os volumes transportados são elevados. 3. é feita com o uso de pallet. Quando os volumes não comportam um sistema especialmente implantado para tal. requer-se cerca de duas horas e quatro funcionário.

principalmente sua unitização que. que vem sofrendo de constantes assaltos. É o caso dos móveis citados anteriormente. Em geral. com maior volume. 11. Um veículo de molas muito duras pode levar à perdas excessivas no transporte de ovos. como também a empresa transportadora em alguns casos. Disponibilidade de carga de retorno – a não disponibilidade de carga de retorno. no transporte doméstico. Grau de fragilidade da carga tem influência nos cuidados necessários no processo de embalagem do produto. etc. Custo global da distribuição de produtos do tipo UM PARA UM tem características peculiares. Grau de periculosidade da carga tem implicações severas na distribuição de produtos. pode afetar o nível de serviço oferecido ao cliente. que possa assegurar o frete à transportadora quando o veículo volta ao ponto inicial. como é o caso de distribuição de gasolina na Europa. 12. Compatibilidade entre produtos de natureza diversa. compartilhando com outros clientes o uso de veículos e terminais. como por ex. o transportador autônomo. Dimensões e a morfologia da carga também afetam seu transporte. Densidade de carga afeta a escolha de um tipo de veículo adequado ao serviço e. tubos e sofás longos. por exemplo. Como exemplo. 7. no seu manuseio e no transporte. dificultando a estivagem dos mesmos dentro do veículo e as operações de carga e descarga. é feita geralmente por meio de pallets. 9. apresenta forte economia de escala. obrigando as transportadoras a instalar antenas de rastreamento de veículos e dispor de equipes de segurança. o custo do transporte. Em alguns casos. Valor unitário da carga pode implicar no uso de veículos especiais e na implantação de sistemas de segurança e de monitoramento adequados. transportadoras. Acondicionamento – uma das formas de reduzir significativamente os tempos de carga e descarga é utilizar outras formas de acondicionamento da carga. 13. o manuseio e o transporte. . válvulas de segurança. 8. pode-se citar o transporte de remédios e aparelhos eletrônicos. controle de vazamentos. é comum a escolha de carrocerias especiais (baús). Mercadorias de baixa densidade acabam lotando o veículo por volume e não por peso. pode negociar o frete admitindo que haja carga de retorno. de forma a cobrir seus custos. visto que as transportadoras são obrigadas a atender clientes diversos. principalmente nos países mais desenvolvidos. com diferentes tipos de carga e com diferentes prioridades. Neste caso. o controle do nível de serviço é obviamente mais difícil. com sistema de reaproveitamento dos vapores (para evitar que sejam lançados na atmosfera). 14. 10. 6.. Há casos de mercadorias com dimensões muito diversas. que apresentam formas diversas.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. em que a densidade média e muito baixa. por conseqüência. Archimedes Raia Jr. quase sempre caros. num ambiente de grande concorrência. As formas da carga também afetam o seu arranjo. que exige veículos bastante sofisticados. Isto porque.

Divisão da região a ser atendida em zonas de entrega. V2 no percurso dentro da zona. também conhecido como distribuição compartilhada. Compatibilidade entre produtos de naturezas distintas.2 Sistema de distribuição UM PARA MUITOS Neste sistema de distribuição de UM PARA MUITOS. 10. Dentro da zona. Quantidade de mercadoria a ser entregue em cada loja do roteiro. quando enfocada sob o ponto de vista da logística: 1. 6. A distribuição UM PARA MUITOS é influenciada por 15 fatores. onde o veículo parte do depósito carregado e percorre uma distância d até a zona de entrega. Grau de fragilidade. volta ao depósito. percorrendo uma distância d. a granel. 2. 7. ou seja. Distância d entre o CD e a zona de entrega. 6.2. novamente. Findo o serviço. 3. 4. e 15. Velocidades operacionais médias: a. etc. Tempo de parada em cada cliente. Valor unitário. Grau de periculosidade. 9. diária. Acondicionamento – carga solta. Custo global. V1 no percurso entre o depósito e a zona. mensal. b. o veículo é carregado no CD do varejista com mercadorias destinadas a diversas lojas ou clientes. sendo cada zona alocada normalmente a um veículo. Archimedes Raia Jr. e executa um roteiro de entrega determinado. Densidade da carga. 12.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. Tempo de ciclo – necessário para completar um roteiro. paletizada. 11. Dimensões e morfologia das unidades transportadas. A situação típica é mostrada na figura 6. 8. etc.1. semanal. . efetuando coletas e entregas. 13. 14. Freqüência das visitas às lojas ou aos clientes. o veículo realiza n visitas a diversos clientes. 5.

técnicos do fornecedor do software acompanharão os motoristas nas entregas. Figura 6. desenvolvidos para atender as operações de transporte/distribuição em geral: Roteirizador Este software geralmente é instalado no Sistema de Vendas. tempos médios de espera para descarga. fazendo com que exista uma maior automação na geração da programação de entregas. muitos profissionais ainda não conhecem os detalhes operacionais de um software roteirizador ou um de controle de fretes. produtos a distribuir com conversão de quantidades. explicarei abaixo o funcionamento de alguns softwares. horários de recebimento ou os mais indicados para recebimento. essas médias estarão sendo ajustadas. evitando . para avaliar/dimensionar estas médias de tempos. restrições de áreas para circulação. etc. chegando a ficar muito próximas da realidade. Como esclarecimento. Archimedes Raia Jr. onde são necessários: localização geográfica dos clientes.1 – Esquematização básica para a DF UM PARA MUITOS SOFTWARES DE TRANSPORTES/DISTRIBUIÇÃO.  Na implementação.  O software se utiliza das informações já existentes no cadastro de pedidos/faturamento. SAIBA MAIS SOBRE ELES Apesar de já estarem sendo utilizados por várias empresas. dias de recebimento.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. Com o passar do tempo. tempos de trânsito.  Necessita uma alimentação inicial como base de dados.

LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. etc. na ordem inversa do roteiro de entregas (primeira a entrar. com volumes significativos. custos das operações. conforme necessidade do usuário. última a sair). ou seja. considerando as condições comerciais de cada uma (tabelas de preço. além de gerar rotas otimizadas. Ex. Indicado para empresas que fazem constantes concorrências de preços.).  Emite um tipo de relatório. sendo necessário este ajuste manual. o roteirizador necessita aproximadamente de 15 a 20 minutos para rodar o sistema e mais uns 15 minutos para ajustes posteriores. fazendo a comparação de preços entre várias transportadoras cadastradas no sistema. . gráficos de roteiros e outros adicionais. O software vem a automatizar o trabalho.  Cadastra-se frota própria e/ou de terceiros com seus dados (placa. simulando os gastos.  Atende os benefícios do Rastreador (é compatível).). que especificará a ordem em que o veículo deve ser carregado. Archimedes Raia Jr. impostos. condição de pagamento. controle e conferência de fretes O software deve ser instalado e utilizado pelo departamento que realiza o controle. definindo a escolhida em cada nova cotação.  Emite relatório com consolidação de quantidades por tipo de produto. taxas. porém não deixa de receber por causa de 5 a 10 minutos de atraso. redigitação ou manutenção de cadastros paralelos.  Emite as notas fiscais já na seqüência das entregas.: O cliente tem horário para recebimento.  Emite relatórios com a seqüência de entregas. Automação para concorrência. rápidas e eficientes. O software não consegue ler esta flexibilidade. seguro. Pode ser aplicado em rede local ou em qualquer microcomputador PC/AT compatível.  Reduz custos com a distribuição racional dos produtos. capacidade. etc. para que a Expedição separe previamente as cargas que sairão (nas áreas de preparação de cargas). economia de tempos de trabalho e quilometragem.  Utilização maximizada da frota ou otimização de dimensionamento da frota necessária.  Para uma média de atendimento de 200 clientes por dia. por terem grande freqüência de transportes para vários lugares diferentes.

por origem. Archimedes Raia Jr. por percurso. para conferência das cobranças das transportadoras. por destino. podendo ser separados por transportadora. o sistema poderá gerar os valores a serem pagos. . Fonte: VERLANGIERI (1997). por data de pagamento ou alguma outra situação desejada pelo usuário.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. por data do transporte. Se as informações efetivas de cada operação (dados da nota fiscal) forem alimentadas neste sistema (via importação do sistema de faturamento da empresa ou mesmo através da digitação pelo usuário). Este sistema servirá portanto.

mantendo os custos operacionais e de capitais tão baixos quanto possível. 1997). A importância dos problemas de distribuição diz respeito à magnitude dos custos associados a esta atividade.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. o processo de roteirização visa proporcionar um serviço de nível elevado aos clientes. a organização precisa desenvolver o planejamento e a execução da atividade de transporte de forma racional. apesar de restringir-se à distância a ser percorrida entre o armazém ou almoxarifado até o cliente. envolvendo também a programação e o sequenciamento de visitas. O termo roteamento também é utilizado alternativamente por alguns autores. que necessitam de atendimento. Archimedes Raia Jr. que pode ser definida como transporte local ou entrega. Como atividade ao mesmo tempo similar e compreendida no transporte surge a distribuição que. porém. e uma das atividades mais importantes para a concretização desta perspectiva é o transporte. A última etapa nesta movimentação. Embora as decisões de transporte se expressem em uma variedade de formas. para a adoção de medidas necessárias ao bom desempenho das atividades de distribuição. em locais pré-determinados. compreende decisões da mesma complexidade e merece igual atenção. Segundo Bowersox e Closs (1997). ii) roteirização do transportador. . Assim. faz-se necessário um aprofundamento no estudo das decisões a ela relacionadas. objetivos e restrições. Um problema real de roteirização é definido por 3 fatores fundamentais: decisões. representa a etapa mais custosa da cadeia de distribuição. a porcentagem mais elevada de custos do que qualquer outra atividade logística. a um conjunto de veículos e motoristas. Para esta etapa seja realizada de forma eficiente. objetivando visitar um conjunto de pontos geograficamente dispersos. as principais são: i) escolha modal. iii) programação de veículos.  Decisões . o transporte representa cerca de dois terços.1 ROTEIRIZAÇÃO O termo roteirização é a designação que vem sendo adotada como equivalente ao inglês “routing” ou “routeing”.como objetivos principais. paralelamente. o transporte absorve. 7. e destes custos. As atividades de distribuição de uma organização compreendem toda a movimentação e estocagem de bens “a jusante” da fábrica. dos centros de distribuição para os consumidores. embora este termo seja mais comumente utilizado quando associado às redes computacionais (Cunha. com exceção dos custos de bens adquiridos. em média. O transporte é uma área chave de decisão no arcabouço logístico. Há pesquisas que apontam que os custos de distribuição física agregam cerca de 16% do valor final de um item.  Objetivos . ou seja. Ballou (1995) aponta que os custos logísticos correspondem a 23% do PIB dos EUA.as decisões dizem respeito à alocação de um grupo de clientes que deve ser visitado. e iv) consolidação do embarque. para designar o processo de determinação de um ou mais roteiros ou seqüências de paradas a serem cumpridos por veículos de uma frota. 7 O TRANSPORTE NA DISTRIBUIÇÃO FÍSICA A logística contempla em seu conceito a perspectiva de adicionar valor de tempo e lugar ao serviço e/ou produto direcionado ao cliente.

horários de carga/descarga. etc. com softwares específicos sendo desenvolvidos para resolver os problemas de roteirização. os chamados roteirizadores. e iii) combinação de roteirização e programação de veículos. deve-se respeitar os limites de tempo impostos pela jornada de trabalho de motoristas e ajudantes. O SIG pode ser definido como uma ferramenta que permite manipular dados georeferenciados e alfanuméricos para.  distribuição de dinheiro para caixas eletrônicos de bancos. deve-se completar as rotas com os recursos disponíveis.  Restrições – adicionalmente.  entrega domiciliar de correspondência. a restrição de comprimento máximo da rota pode ser considerada. onde as condicionantes temporais não são consideradas na geração dos roteiros para coleta e/ou entrega. Uma das alternativas para esse problema é a utilização de roteirizadores como módulos associados a uma plataforma de Sistemas de Informações Geográficas (SIG). Nos últimos anos. devem ser respeitadas as restrições de trânsito. Em alguns casos. O objetivo é definir uma . em domicílio. de produtos comprados nas lojas de varejo ou pela internet. como a definição do melhor roteiro de entregas a ser seguido. a partir de análises espaciais. Finalmente.2. por exemplo. Apesar disso. segundo Bodin et. Como exemplo pode-se citar a localização geográfica exata dos pontos a serem atendidos (clientes) ou a consideração das restrições de tráfego rodoviário.  coleta de lixo urbano. ou Geographic Information Systems (GIS). 7. apoiar a tomada de decisão espacial. tamanho máximo dos veículos nas vias públicas. houve o crescimento na utilização da informática como ferramenta de apoio e de sua capacidade de processamento. deve-se obedecer a certas restrições.1 Problemas de roteirização pura de veículos O problema de roteirização pura de veículos é primariamente um problema espacial. ii) programação de veículos e tripulações. no que se refere às velocidades máximas. Inicialmente. Nesse tipo de problema.  distribuição de bebidas em bares e restaurantes. existe um conjunto de nós e/ou arcos que devem ser atendidos por uma frota de veículos. al. Problemas de roteirização ocorrem com bastante freqüência na distribuição de produtos e serviços no dia a dia e alguns exemplos são apontados por Novaes (2001):  entrega. 7.2 PROBLEMAS DE ROTEIRIZAÇÃO Os problemas de roteirização podem ser classificados em três grupos principais. mas cumprindo totalmente os compromissos assumidos com os clientes. Archimedes Raia Jr. trabalhando com médias ou distâncias euclidianas.  distribuição de combustíveis para postos de gasolina. (1983): i) roteirização pura de veículos. Galvão (1997) afirma que muitos deles pecam por não serem capazes de abordar a componente espacial do problema.  distribuição de produtos dos Centros de Distribuição (CD) de atacadistas para lojas do varejo.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. Em seguida.

de forma a minimizar a distância total a ser percorrida por toda a frota. Figura 7. A determinação de itinerários dos veículos implica em se fazer entregas a partir de um depósito para vários pontos de parada. exceto que cada veículo deve visitar ao menos um nó.1 apresenta um exemplo onde três itinerários são estabelecidos para os veículos atenderem os pontos de demanda a partir de um único depósito.consiste em encontrar uma rota de percurso mínimo. É um problema de cobertura de arcos. serviços de endereçamento postal. dentro de uma área. e é uma extensão do problema do caixeiro viajante. coleta de lixo. Este problema admite que o indivíduo (ou veículo) que vai efetuar o roteiro não seja limitado por restrições de tempo. É um problema de cobertura de nós. etc. todos os pontos de parada devem ser designados para veículos. somado a isso. são:  Problema do caixeiro viajante . seqüência de locais (a rota) que cada veículo deve seguir a fim de se atingir a minimização do custo de transporte. Cada ponto de parada é servido exatamente uma vez e. segundo Naruo (2003). de tal maneira que a demanda total em qualquer rota não exceda a capacidade do veículo alocado para esta rota.clássico problema de roteirização de veículos – PRV. Os n veículos na frota têm suas rotas iniciadas e terminadas em um único depósito comum a todos. Existe quando há restrições de tempo ou capacidade dos veículos. Situações freqüentes que se inserem dentro deste contexto são: varrição de rua.consiste em determinar uma rota de mínimo custo que passe por todos os nós de uma rede exatamente uma vez.  Problema de múltiplos caixeiros viajantes .1 – Problema de roteirização de veículos . Não há restrições no número de nós que cada veículo deve visitar. de capacidade.  Problema do carteiro chinês . Archimedes Raia Jr.é uma generalização do problema do caixeiro viajante onde há a necessidade de se levar em consideração mais de um caixeiro viajante (veículos).LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof.  Problema de roteirização em nós com um único depósito . A demanda em cada nó é assumida como sendo determinística e cada veículo possui capacidades conhecidas. etc. Os principais problemas de roteirização pura de veículos. A Figura 7. passando ao longo de cada arco pelo menos uma vez.

muitas estratégias de solução adotam procedimentos seqüenciais que resolvem um problema primeiro e então o outro. embora o problema de programação de tripulações envolva restrições mais complexas. Bodin et. Consequentemente. de modo que uma determinada função custo seja minimizada. Esta restrição é comumente encontrada na prática e corresponde a restrições de combustível. Com relação a programação de tripulações. ex. ambos os problemas deveriam ser resolvidos simultaneamente. como horário de parada para almoço e outros aspectos de natureza trabalhista. em que uma frota de veículos está alocada em um número D de depósitos ao invés de um.2 Problemas de programação de veículos e tripulações Os problemas de programação de veículos e de tripulações podem ser considerados como problemas de roteirização com restrições adicionais relacionadas aos horários em que várias atividades devem ser executadas.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof.  Problema de programação de veículos de vários tipos . pode requerer que o atendimento seja feito em um horário específico. as condicionantes temporais devem ser consideradas explicitamente no tratamento do problema. Cada ponto de parada.2.  Problema de roteirização em nós com múltiplos depósitos . Estes dois tipos de problemas são essencialmente semelhantes.. 7.  Problema de programação de veículos com múltiplos depósitos. segundo Pelizaro (2000). e ii) programação de tripulações.  Problema de programação de veículos com restrições de comprimento de caminho .consiste no particionamento dos nós (tarefas) de uma rede acíclica em um conjunto de caminhos.. Os principais problemas de programação de veículos.considera a possibilidade de que veículos com diferentes capacidades estejam disponíveis para realização das tarefas.considera restrições de tempo máximo de viagem ou de distância máxima percorrida pelo veículo antes dele voltar para o depósito. etc. são:  Problema de programação de veículos com um único depósito . Naruo (2003) apresenta os seguintes problemas: . É semelhante ao problema anterior. Idealmente. mas modelos que incorporam ambos os problemas em um único problema de otimização são geralmente mais complexos. Uma função objetivo que minimize o número de caminhos efetivamente minimiza os custos de capital desde que o número de veículos necessários seja igual ao número de caminhos. Todas as outras restrições com relação ao PRV são aplicáveis. Estes dois tipos de problemas interagem entre si: a especificação da programação dos veículos definirá certas restrições na programação das tripulações e vice-versa. Cada caminho corresponde a um veículo. Ocorre onde as tarefas podem ser realizadas por veículos a partir de mais de um depósito. considerações de manutenção. Archimedes Raia Jr. (1983) classificam os problemas desta categoria em dois grupos: i) programação de veículos.generalização do problema anterior. com algum mecanismo de interação entre ambos. al. Assim. e estes ao final do serviço retornam aos seus depósitos de origem. p. Existe um período de tempo associado a cada tarefa a ser executada.

p. segundo Bodin et al. No PRPVJT. Estes problemas combinados de roteirização e programação de veículos freqüentemente surgem na prática e são representativos de muitas aplicações do mundo real. A necessidade de revezamento no cumprimento das tarefas ocorre pela necessidade de uma equalização da carga e das condições de trabalho para atividades que percebem a mesma remuneração. O proprietário. mas sujeitas à penalidades. entregas postais.. se um veículo chega ao cliente muito cedo. ele terá que esperar para iniciar o atendimento. e determinar também as jornadas das tripulações. 2003). Vale a pena se distinguir aqui as janelas de tempo hard e soft. ex. nas janelas de tempo do tipo soft. No caso de janelas de tempo do tipo hard. Dentro das instâncias do problema com janelas de tempo soft. de equalização de esforço de trabalho e outras. de um restaurante pode desejar que as entregas de produtos sejam feitas entre 8:00 horas e 9:00 horas. trabalhistas. as restrições de janelas de tempo podem ser violadas.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. Exemplos específicos de problemas com janelas de tempo hard incluem entregas bancárias. havendo um rodízio de turno de pessoal.consiste em encontrar um conjunto de programação de trabalho que seja capaz de atender todas as necessidades de tarefas em todos os períodos de tempo.  Problema de programação de pessoal em turnos de revezamento .2. 7.se caracteriza pela programação diária que varia de um dia para outro. Assume-se que os trabalhadores são intercambiáveis e que um determinado trabalhador possa ser deslocado ao final de cada período de tempo e que outro possa ser alocado no início de cada período de tempo. o problema pode ser visto como um problema combinado de roteirização e programação de veículos. que cita os seguintes casos exemplificativos: . (1983). Em contraste. sindicais. em função de restrições legais. em geral utilizados para o transporte porta-a-porta de idosos e deficientes (Naruo. estão os problemas do tipo dial-a-ride. que são problemas de roteirização e programação de serviços de transporte de pessoas. Archimedes Raia Jr. considerando que as trocas de serviço e de turno só podem ser realizadas em pontos específicos dos trajetos das linhas.consiste em determinar a alocação ótima de veículos a um conjunto de viagens programadas de linhas.  Problema de programação de pessoal em um local fixo .3 Problemas combinados de roteirização e programação Quando existe a ocorrência de aplicações com restrições de janelas de tempo (horário de atendimento) e de precedência de tarefas (coleta deve preceder a entrega e ambas devem estar alocadas ao mesmo veículo). um número de pontos para atendimento tem uma ou mais janelas de tempo durante o qual o serviço pode ser executado. qualquer rota que envolva esta tarefa deve assegurar que o tempo de entrega esteja dentro dos limites de tempo especificados. coleta de rejeitos industriais e roteirização e programação de ônibus escolares. Assim.  Problema de programação de veículos e tripulações no transporte público de massa . O problema de roteirização e programação de veículos com janelas de tempo (PRPVJT) é uma importante variação do PRV.

que fornecem a latitude e a longitude do caminhão em tempo real. ou seja. e ligava para sua sede. segundo Farkuh Neto & Lima (2006). Atualmente. Hoje. No entanto. motoristas dos veículos poderão não somente se comunicar com a sede como também obter informações sobre tráfego e . os avanços tecnológicos disponibilizam ferramentas como telefones celulares. Archimedes Raia Jr. Por isso. de duração máxima da jornada e de janelas de tempo associadas aos horários de proibição de estacionamento. na maioria das vezes o contato só era realizado em algumas ocasiões. os roteirizadores focalizavam o planejamento da distribuição no CD dentro de um prazo mínimo de 24 horas . o objetivo consiste na minimização da frota ou em um objetivo correlato. para uma frota conhecida. os despachantes localizados nos depósitos e CDs só conseguiam falar com os motoristas dos veículos através de rádio e assim mesmo quando estavam dentro da área de alcance das transmissões. o planejamento ocorria num dia. em que o motorista conseguia um acesso telefônico. Em geral.2. a tendência atual dos software de roteirização é de executarem a programação em tempo real através da Internet. segundo Farkuh Neto & Lima (2006). A razão para isso é fundamentalmente a busca por estoques cada vez menores. como por exemplo. de forma a evitar situações emergenciais irreparáveis. Diversos veículos são hoje equipados com rastreadores. se dispõe no mercado de um número razoável de software de roteirização (roteirizadores).  Problema de roteirização e programação de ônibus escolares para atendimento de um conjunto de escolas consiste de um número de escolas e cada uma delas possui um conjunto de paradas de ônibus com um dado número de estudantes vinculados a cada uma destas e uma janela de tempo correspondente aos horários de início e término do período escolar. Problema comum de roteirização logística. na rede viária.4 Tendências tecnológicas da roteirização Há algum tempo atrás. e as entregas eram realizadas no dia seguinte. a qualquer instante. pagers alfanuméricos. respeitando as janelas de atendimento. No entanto. na qual se precisa associar os clientes (paradas) a serem atendidos a determinados veículos e numa seqüência ótima. mas com restrições de capacidade dos veículos.  Problema de roteirização em atacadistas. O GPS. combinado com uma base geográfica de dados de um SIG. Hoje. que minimize o custo total. o que obriga as empresas a controlarem de modo bastante preciso a distribuição dos produtos. Essa facilidade permite alocar o veículo mais próximo e disponível a uma tarefa emergencial. num passado não muito distantes. scanners portáteis. pequenos computadores de bordo. na minimização do tempo morto total. por exemplo. permite ao despachante localizar o veículo. que auxiliam as empresas a planejarem e programarem os serviços de distribuição física. perguntam quando os produtos serão entregues e querem saber onde está a carga. 7. de forma a possibilitar a execução do serviço de varrição. muitos clientes indagam constantemente sobre a situação de seus pedidos. Com a utilização de Palm-Tops.  Problema de definição de roteiros e programação de serviços de coleta de resíduos domiciliares e de varrição de ruas é semelhante ao problema do carteiro chinês. muitas vezes dispondo de receptores GPS (Global Positioning System). O principal objetivo desse problema é minimizar os custos de transportes para os municípios.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof.

Essa situação é particularmente problemática no Brasil.  Janela de tempo rígida . quando necessário (Novaes.2. o software possui um módulo específico que resolve diversos tipos de problemas de roteirização de veículos. que incorpora.tempo necessário para descarregar (ou carregar) cada unidade da mercadoria demandada. Obviamente. É considerado.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. Dentre essas rotinas. 2001). as bases de dados georeferenciadas nem sempre estão disponíveis no mercado. 2006). independente da quantidade de produto (ou serviço) demandada. em que pesem os esforços de algumas entidades e empresas. rotinas específicas para soluções de problemas de logística.  Restrição de comprimento total da rota .  Tempo por unidade .5 Roteirização no SIG TransCAD O TransCAD é um Sistema de Informação Geográfica aplicado à área de transportes. ou deixar que o próprio sistema se encarregue de alocar as paradas ao depósito mais adequado. ou o tempo para colocar o veículo em uma doca de descarga e verificar a mercadoria. e quando estão. ou em função da jornada de trabalho do motorista. muitas vezes estão incompletas. além de trocar mensagens com os clientes e solicitar socorro. . entre outras requisitos.é definida por todas as paradas em função de restrições de horários de atendimento. É atribuída também ao depósito. de pesquisa operacional e transportes em geral. além das funções básicas de um SIG.corresponde ao montante de tempo requerido em cada parada. os Sistemas de Informações Geográficas acabam sendo o termo automaticamente associado (Farkuh Neto & Lima. imprecisas e desatualizadas. Archimedes Raia Jr.  Frota heterogênea de veículos . Outra meta das empresas fornecedoras de roteirizadores é tornar os software mais fáceis de serem utilizados pelos despachantes. é necessário. sobre condições de tempo. atuando na fase preliminar de preparação dos dados. Para isso. que se possua uma representação digital adequada da rede viária e uma base de dados georeferenciada dos endereços dos clientes.  Tempo fixo de serviço . 7.é possível determinar antes da roteirização quais as paradas que serão atendidas por um determinado depósito. como um tempo de espera em filas para descarregar o veículo. 2006). Algumas características do módulo de roteirização do TransCAD são apresentadas a seguir (Pelizaro. tanto na forma de relatórios quanto na forma gráfica (Farkuh Neto & Lima. Infelizmente. quando se fala em dados georeferenciados. na resolução do problema em si de roteirização e programação de veículos e na elaboração das rotas.pode considerar veículos de diferentes capacidades. que vêm tentando suplantar tais deficiências. por exemplo. em função do seu horário de funcionamento. 2000):  Múltiplos depósitos .esta restrição é dada em função do tempo máximo permitido para realizar uma rota.

utilizando o sistema rodoviário de um estado qualquer.3 EXEMPLOS DE APLICAÇÃO DE SIG EM LOGÍSTICA A partir de exemplos extraídos de Raia Jr. O menor caminho é aquele que minimiza o valor total de um atributo particular de uma rede. através de uma fórmula.net.2.7 demo) na área de logística. 4. Esteja certo que layer Highway esteja mostrada na lista “cortininha” da barra de ferramentas. tal que poder-se-ia encontrar uma rota para material perigoso que minimiza o número de pessoas que vivem na área de influência da rota escolhida. ou que tenham menos congestionamento. Podem também encontrar rotas que minimizam uma combinação de atributos. o tempo ou algum outro atributo de rede. pode-se também incluir pontos intermediários na solução do problema de menor caminho. O TransCAD atualiza a barra de status para mostrar Nes_hwi.net como rede ativa. Click em na barra de ferramentas. apresenta-se a seguir alguns exemplos de aplicação do software TransCAD (versão 4.6 Encontrando um menor caminho O problema de menor caminho pode ser caracterizado. tempo ou custo monetário.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. que permitem desenvolver maiores velocidades. Alguns SIGs têm a capacidade de encontrar o caminho mais curto ou o melhor caminho entre dois pontos em uma rede. 2006). ocorre em vias maiores.3. Dataview. na pasta Tutorial. Em geral. Isso. como um atributo na rede (Raia Jr. 7. Verifique que LENGHT já esteja selecionada como o campo Minimize para definir a rota mais curta.em geral. Escolha Networks/Paths-Shortest ou ( ) na barra de ferramentas para exibir a caixa de ferramentas Shortest Path. . 2. basicamente. que não necessariamente é o mais curto. na pasta Tutorial.map. Click em na barra de ferramentas. o arquivo Nes_hwi.  Caminho com menor distância ou menor tempo . desejam andar menos para chegar ao seu destino e o menor em tempo é o desejado pelo motorista. de três maneiras: caminho com menor distância. Figure. Archimedes Raia Jr. tais como: distância. pois. 7. via de regra. 3. Layout”. avenidas. Atributos de custo percebido em uma rede podem incluir algum tipo de dado. minimizando a distância. 1. o menor caminho. Além disso. caminho mais rápido e caminho com o menor custo percebido. para que se possa avaliar o potencial dessa ferramenta na solução de problemas do setor. o arquivo S_path. os motoristas preferem os caminhos que conduzem a um menor tempo de viagem. Layout”. Dataview. Escolha no campo Files of type (arquivos do tipo) “Map. Figure..O caminho com menor distância ou menor tempo entre dois pontos é aquele onde a somatória dos vários segmentos entre dois pontos A e B conduzem a um menor valor.  Caminho com menor custo percebido . 7.1 Menor caminho ou Caminho mais Rápido Neste caso vamos obter o menor caminho entre um CD (Here) e uma loja (There). A determinação do menor caminho é um problema que aparece com certa freqüência. quase sempre de maneira indireta em processos de otimização em redes de transportes. O menor caminho é o conjunto de links em uma rede que conectam dois pontos. em termos de distância é desejado pelos pedestres. (2006). Nem sempre o menor caminho em distância é aquele que permite menor tempo de deslocamento ou menor custo percebido. Escolha no campo Files of type (arquivos do tipo) “Map.

LOGÍSTICA 5. Click em para limpar os pontos selecionados de início e fim do trajeto. o caminhão de entregas sai do CD (Home). 6. O TransCAD calcula e mostra a menor distância e mostra uma janela de mensagem com a distância total calculada. na caixa de ferramentas e click no mapa nos pontos rotulados HERE e THERE. vamos acompanhar o cálculo da rota do problema de caixeiro viajante.3. a rota com menor tempo de percurso. Repita a operação para o caminho mais rápido. Click em NOTAS DE AULA Prof. passando por todos os . Repita esta mesma seqüência. Perceba que os caminhos são diferentes (ver Figura 7. Archimedes Raia Jr. antes de chegar no cliente final (There). Em seguida. além do banco de dados (atributos) 7. passando por um cliente intermediário (Throught Point). Figura 7. 9. sem salvar as alterações.2 – Exemplo de caminhos menor e mais rápido entre um CD e um cliente. Click em na caixa de ferramentas e click no mapa nos pontos rotulados HERE. ou seja. THROUGHT POINT e THERE. O TransCAD calcula e mostra o caminho mais rápido e mostra uma janela de mensagem com o tempo total calculado. Click em na caixa de ferramentas Shortest Path. agora considerando não mais o comprimento. 5. a opção [Travel Time] no campo Minimize para definir a rota mais rápida. Escolha File–Close e click No para fechar o mapa contendo o caminho mais rápido (menor tempo). vamos calcular o menor caminho (em seguida o menor tempo) para uma entrega saindo do CD (Here). 8. Click Ok para continuar. ou seja. mas minimizando o tempo. 10.2). 7. Escolha. Click Ok para continuar. Click em na caixa de ferramentas Shortest Path.2 Problema do Caixeiro Viajante Neste exercício.

baseado no tempo de viagem. Layout”. Veja na Figura 7. 6. 7. Click Ok para fechar a janela de mensagem. 1. passando em 7 lojas e retornando ao CD (HOME). ou seja. a rota com menor distância de percurso. passando em 7 lojas e retornando ao CD (HOME).net. Escolha no campo Files of type (arquivos do tipo) “Map. Click em na barra de ferramentas. Archimedes Raia Jr. Escolha a opção [Travel Time] no campo Minimize para definir a rota mais rápida. Click Ok. um caminhão sai carregado de mercadorias do CD. Networks/Paths-Traveling Salesman Problem para exibir a caixa de diálogo Traveling Salesman Problem. Dataview. devendo entregá-las em 7 lojas e retornando ao CD. Neste caso. 2. indo do CD (HOME). O TransCAD encontra o menor caminho. Escolha Networks/Paths-Traveling Salesman Problem (Problema de Caixeiro Viajante) para exibir a caixa de diálogo Traveling Salesman Problem. O TransCAD encontra o menor caminho. 10. Click Ok.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. Escolha a opção [LENGHT] no campo Minimize para definir a rota mais CURTA. ou seja. O caminho é exibido na tela e uma janela de mensagem mostra o tempo total de viagem. Figura 7. através do problema do caixeiro viajante .3 a rota traçada e o banco de dados de atributos. 7 clientes e retornando ao CD. O TransCAD exibe um mapa de rodovias e de pontos de paradas em lojas em Southern New England e abre o arquivo de rede Nes_hwy. 3. 11. Escolha Highway nas opções da “cortininha” na barra de ferramentas. novamente. na pasta Tutorial. Figure. 8. 9. o arquivo Travel_s. Escolha File–Close e click No para fechar o mapa contendo o caminho mais rápido (menor tempo). baseado na distância total de viagem. 5. sem salvar as alterações. indo de do CD (HOME).3 – Calculo de rota entre CD e 7 lojas. Escolha. Veja isto no canto direito inferior da tela. 4.map. a rota com menor tempo de percurso. O caminho é exibido na tela e uma janela de mensagem mostra o tempo total de viagem. Click Ok para fechar a janela de mensagem.

Click Close para fechar a caixa de diálogo Results Summary. Archimedes Raia Jr. Digite “my_emzone” como o nome do arquivo e click Save. 3. e Based on. O TransCAD particiona o sistema viário urbano em 3 zonas baseadas na proximidade com os pontos de localização das ambulâncias.3 Particionamento de rede Neste exercício vamos ver como o SIG calcula a repartição de zonas de atendimento de emergência de 3 ambulâncias do Sistema de Saúde (SAMU) para minimizar o tempo de atendimento aos pacientes. 7. 7. na pasta Tutorial. Click Ok para exibir a caixa de diálogo Store Link Table.map. o arquivo Net_part. 5. Veja isto no canto direito inferior da tela. Ambulance.4 – Repartição de zonas de atendimento de ambulâncias do sistema de saúde . Figura 7.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. LENGHT. Esteja certo que na caixa de diálogo Network Patitioning tenha as seguintes opções selecionadas: no campo Settings/Service Locations.3. O TransCAD exibe um mapa de sistema viário urbano com a localização 3 pontos de referência de localização de ambulâncias em postos SAMU e abre o arquivo de rede Net_part. 1. Layout”. O software exibe cores temáticas para mostrar as 3 zonas. Também é exibida a caixa de diálogo Results Summary (Síntese dos resultados) (Ver Figura 7.net. Escolha no campo Files of type (arquivos do tipo) “Map. 2. 4. 6.4). Escolha Networks/Paths-Network Patitioning para exibir a caixa de diálogo Network Patitioning. Esteja certo de que a opção Streets esteja selecionada na “cortininha” da barra de ferramentas. Click em para verificar os dados do banco de dados relacionados com a partição de redes de serviços de atendimentos das ambulâncias. neste caso). Escolha File–Close All e click No para fechar o mapa contendo a divisão da rede viária em subredes de atendimento por veículos de emergência (ambulâncias. 8. Dataview. sem salvar as alterações. Click em na barra de ferramentas. Figure.

7. dentre as opções da caixa de diálogos Output File Settings e click Save As. 11. escolha File-Open e abra a rede Boston. se pretende mostrar o cálculo de uma roteirização 1. Se Routing/Logistics não aparecer na barra de menu. Click no ícone . dentre as opções da caixa de diálogos Output File Settings e click Save As. Dataview. Layout”. O relatório de itinerários aparece em Notepad contendo o itinerário de cada veículo. agora.net no canto inferior da tela.wrk. novamente. 14. capacidade e custo. Escolha Routing/Logistics-Vehicle Routing para exibir a caixa de diálogo Vehicle Routing with Time Window (Roteamento de veículo com janela de tempo).5 Resolvendo um problema de roteamento de arco 1. o arquivo Arc_rte. adiciona-o ao mapa e abre uma planilha com os dados das paradas da rota.map.net na pasta Tutorial.4 Resolvendo um problema de roteamento de veículo com Janela de Tempo Este exemplo se aplica aos casos onde. Click Go para exibir a caixa de diálogo Save Route System As. 5.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. sem salvar as alterações. Matrix e Vehicle estão com os dados corretos. 8. 12. New Jersey. Digite “my_vproutes” como o nome do arquivo e click Save. em Route Table. na pasta Tutorial. 2. 16. Escolha File–Close All e click No para todos para fechar o mapa contendo as rotas na rede viária e o os outros arquivos. Figure.3.ex. Dê uma olhada em cada uma delas para conhecer os dados utilizados na determinação do roteamento com janela de tempo. Uma tabela de veículos. Click Close para fechar a caixa de diálogo Vehicle Routing with Time Window (Roteamento de veículo com janela de tempo). Click em Itinerary File. O SIG cria o sistema de rotas. O TransCAD resolve o Problema de Roteamento de Veículo e exibe a tabela de rotas contendo uma lista de paradas (lojas) em cada uma das rotas. click em delivery. 4. Click Go para exibir a caixa de diálogo Output File Settings. 9. Digite “my_itinerary” como o nome do arquivo e click Save para retornar para a caixa de diálogo Output File Settings. escolha ProceduresRouting/Logistics. Caso ela não esteja. Escolha no campo Files of type (arquivos do tipo) “Map. O TransCAD exibe um mapa contendo 2 depósitos e 25 pontos de entregas de mercadorias (lojas. Digite “my_route” como o nome do arquivo e click Save para retornar para a caixa de diálogo Output File Settings. Archimedes Raia Jr. As “orelhas” Depot. Abra o mapa Vrptw. na pasta Tutorial. Click em na barra de ferramentas.3. 6. 18. de 27 colunas por 27 linhas. p. uma matriz de tempo de roteamento de veículo. contendo 3 . 15. Click no ícone . para tonar ativa a janela do mapa e veja as rotas. contendo os tipos. 17. 3. O TransCAD exibe um mapa de Bayone. As páginas Matrix/Network e Route Table estão corretas. Click Ok. Click. Stop. 7. por exemplo. Feche o programa de roteamento contido no Notepad e click Close na caixa de diálogo Results Summary. 7. 10. No campo Selecting a Operation Mode. 13. Verifique que esteja ativa a rede Boston.). Escolha File-Open Workspace na barra de ferramentas.

2. e está também ilustrado em um mapa usando linhas feitas “à mão”. 9.net na barra de status no botão da tela. 6. Caso ela não esteja. 9. Click Ok para exibir a caixa de diálogo Save Route System As. . Acione o campo Bipartite no campo Problem Type. O TransCAD determina a melhor atribuição de faxineiro ao prédio de escritório. Escolha Routing/Logistics-Arc/Street Routing-Arc Routing para exibir a caixa de diálogo Arc Routing. Se Routing/Logistics não aparecer na barra de menu. Escolha File–Close e click No para todos para fechar o mapa contendo as rotas. A matriz de distância é também exibida.net na pasta Tutorial. com o objetivo de minimizar a viagem (menor distância). 4. Click Close para fechar a caixa de diálogo Results Summary. Digite “my_matching”como o nome do arquivo e click Save. 2. e 3 vias que necessitam serem raspadas (eliminação da neve). Click na “orelha” Turn Penalties da caixa de diálogo Networking Settings para exibir a página Turn Penalties. Verifique que a penalidade para conversão esteja em 10 para conversão à esquerda (left turn). O TransCAD resolve o problema de roteamento em arcos (segmentos) e adiciona um sistema de rotas ao seu mapa. 6. Click Ok para exibir a caixa de diálogo Save As. Escolha a opção BUILDING no campo Destination-Layer e All Features no campo Destination-Set. 3. Você quer determinar qual faxineiro deveria ser alocado a cada escritório. depósitos de veículos com pás para raspar a neve das vias. 7. e 5 para movimentos em frente (through movements).6 Resolvendo um problema de localização duplamente ponderado 1. Perceba que valores nulos na matriz indicam que um faxineiro em particular não pode ser alocado a um trabalho específico. Se Routing/Logistics-Weighted Matching não aparecer na barra de menu. 10. Archimedes Raia Jr.Routing/Logistics. Escolha File-Open Workspace na barra de ferramentas. escolha File-Open e abra a rede Bayone. Todos os conjuntos serão preenchidos automaticamente. Ele também mostra um resumo dos dados (summary data) dos procedimentos de roteamento em arcos. Abra o mapa Assign. 7. 7. Escolha Routing/Logistics-Weighted Matching para exibir a caixa de diálogo Weighted Matching. Escolha a opção CLEANER no campo Origin-Layer e All Features no campo Origin-Set. Click Close para fechar a caixa de diálogo Results Summary. Digite “my_plow” como o nome do arquivo e click Save. 10. sem salvar as alterações. 25 para conversão de retorno (Uturn). Acione o campo minimization no campo Objective. 8.map na pasta Tutorial. 5. A atribuição de faxineiros aos prédios de escritórios está exibida em uma planilha. escolha ProceduresRouting/Logistics. Click Ok para fechar a caixa de diálogo Networking Settings. Verifique que esteja ativa a rede Bayone.3. 3. 8. escolha Procedures. O TransCAD exibe um mapa contendo 8 escritórios que necessitam de limpeza e 8 funcionários faxineiros. 5.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. Escolha Network/Paths-Settings e a caixa de diálogo Networking Settings será exibida. 4.

11.ex. 11. Uma layer adicional no mapa. .) existente e 8 facilidades candidatas. Esteja certo que no campo SettingsLayer esteja selecionado a opção Black Group e no campo Settings-Zone. 3. O exercício consta em criar 5 distritos escolares ao redor dos grupos de quadras em cor laranja. 2. Escolha File-Open Workspace na barra de ferramentas. Escolha File-Close All e click No para todos (All) para fechar o mapa de partição sem salvar as alterações. 10. 8. Click Close na caixa de diálogo Results Summary. All features. O TransCAD exibe um mapa da cidade de São Francisco contendo grupos de quadras. distritos balanceados ao redor dos 5 blocos considerados “sementes” (núcleos) e exibe a planilha com os resultados. 3.3. Digite “my_partition” para atribuir nome à tabela e click Save. 7. a matriz e a planilha sem salvar as alterações.wrk na pasta Tutorial. uma facilidade (depósito. Abra o espaço de trabalho (workspace) . Escolha a opção [School Age Childres] no campo Balancing Condition-Zone Size na caixa de diálogo Regional Partitioning. 9. 2. Fac_loc.wrk na pasta Tutorial. 6. O TransCAD construirá. O TransCAD exibe a caixa de diálogo Save District Layer As. como a porcentagem tolerada na variação das zonas. Escolha Routing/Logistics-Regional Partitioning para exibir a caixa de diálogo Regional Partitioning.7 Resolvendo um problema de particionamento regional 1. Escolha Common Border Length no campo Adjacency Matrix-Matrix da caixa de diálogo Regional Partitioning. Se Routing/Logistics não aparecer na barra de menu.3. O TransCAD exibe um mapa da região nordeste de Sales. 7. escolha ProceduresRouting/Logistics. para fechar o mapa. 12. Archimedes Raia Jr. Escolha Window-Map1-Caliper Office Cleaning Co para tornar o mapa a janela ativa. escolha ProceduresRouting/Logistics. Se Routing/Logistics não aparecer na barra de menu. 4. Escolha File-Open Workspace na barra de ferramentas. Escolha File-Close All e click No para todos (All). O exercício consta em determinar quais duas facilidades serão adicionadas para minimizar o custo de transporte de mercadores entre essas três facilidades e os 46 clientes. Isto determinará ao SIG checar a densidade pelo exame da relação de perímetro e área. Verifique que o arquivo Adjacency of Block Group esteja selecionado no campo Adjacency Matrix-Matrix File da caixa de diálogo Regional Partitioning. 5. Click Ok para exibir a caixa de diálogo Save Output Table As. então. No mapa estão 46 clientes.8 Resolvendo um problema de localização da facilidade 1. p. Uma matriz de adjacência se abre também. Abra o espaço de trabalho (workspace) Regional. chamada New Terrotories é juntada ao seu mapa. Uma matriz se abre também. Digite “5” no campo Tolerance. Escolha Routing/Logistics-Faciliting Location para exibir a caixa de diálogo Faciliting Location. Digite “my_schooldist” como o nome do novo arquivo geográfico e click Save.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. 7. Cada distrito deverá ter um mesmo número de crianças em idade escolar. 12.

8. 9. 12. Escolha Facility no campo Facility Settings-Layer da caixa de diálogo Facility Location. Archimedes Raia Jr. Escolha Customer no campo Cliente Settings-Layer da caixa de diálogo Facility Location. Click Close na caixa de diálogo Results Summary. Click Ok para exibir a caixa de diálogo Store Assigment Table.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. O TransCAD determina as duas novas facilidades que deverão ser abertas (ou construídas) que. 7. . A seleção chama New Facilities. é exibida no mapa. considerando a propostas de 3. 14. contendo essas novas facilidades. 10. Escolha File-Close All e click No para todos (All) para fechar o mapa. 4. na caixa de edição Facility Location. em conjunto com a facilidade já existente em New York. 11. 13. 5. Escolha Demand no campo Cliente Settings-Weight da caixa de diálogo Facility Location. 4 e 5 novas facilidades. Digite “2” no campo Facilities-# New Facilities. a matriz e a planilha juntada (joined) sem salvar as alterações. Uma tabela está associada à layer Customer mostrando qual facilidade servirá cada cliente. Digite “my_facility” para atribuir nome à tabela e click Save. Escolha Window-Map 1-Facility Location Problem para tornar o mapa a janela ativa e veja as novas facilidades destacadas no mapa. minimizarão os custos de transportes para os 46 clientes. Repita agora as operações anteriores. 6.

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