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Elton Bonifacio Mubai

Sistema Financeiro de Moçambique

Licenciatura em Contabilidade Habilitação em Auditoria

Universidade Pdagógica

Maputo

2020
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Elton Bonifacio Mubai

Sistema Financeiro de Moçambique

Licenciatura em Contabilidade Habilitação em Auditoria

Trabalho de pesquisa a ser


apresentado na disciplina de
contabilidade sectorial, 4o ano,
para avaliação
Docente: DR. Francisco Moiane

Universidade Pdagógica

Maputo

2020
ÍNDICE

1. INTRODUÇÃO .................................................................................................................... 1
1.1. OBJECTIVOS ............................................................................................................... 2
1.1.1. Objectivo geral ...................................................................................................... 2
1.1.2. Objectivos específicos ........................................................................................... 2
1.2. Metodologia .................................................................................................................. 2
2. REVISÃO DA LITERATURA ............................................................................................. 3
2.1. Conceptualização do sistema financeiro Moçambicano................................................ 3
2.2. As tarefas do sistema financeiro.................................................................................... 4
2.2.1. A oferta de instrumentos de regulação das trocas ................................................. 4
2.2.2. A acumulação das poupanças e o financiamento do investimento por via da
intermediação no crédito ....................................................................................................... 5
2.2.3. A gestão do risco ................................................................................................... 7
3. COMPONENTES DO SISTEMA FINANCEIRO ............................................................... 8
3.1. Política........................................................................................................................... 8
3.2. Instituições .................................................................................................................... 9
3.2.1. Instituições Monetárias ......................................................................................... 9
3.3. Legislação ................................................................................................................... 14
4. VISÃO MACROECONÓMICA-REQUISITO IMPORTANTE PARA O
DESENVOLVIMENTO DO SISTEMA FINANCEIRO ........................................................... 15
5. AUTORIDADES FINANCEIRA E MONETÁRIA ........................................................... 15
6. A estrutura do Sector Bancário moçambicano .................................................................... 16
7. COMCLUSAO .................................................................................................................... 18
8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................................ 19
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1. INTRODUÇÃO

O presente trabalho aborda o sistema financeiro Moçambicano, que tem evoluído de tal
maneira que pode-se destacar o seu desenvolvimento em três momentos, o sistema
financeiro antes da independência, o sistema financeiro no período colonial e o sistema
financeiro depois da independência.

O sistema financeiro moçambicano antes da independência contava com cerca de dez


bancos comerciais de entre eles se destacam: o Instituto de Crédito de Moçambique,
Montepio de Moçambique Banco, Nacional Ultramarino (BNU), Banco Pinto & Sotto
Maior e o Banco Standard Totta de Moçambique (BSTM). No período colonial, as
actividades do banco central no país eram exercidas pelo BNU que, na prática, funcionava
como uma dependência do Banco de Portugal (banco central português), portanto sem
nenhuma autonomia, e funcionava sobretudo como um banco comercial.

Depois da independência, as actividades do BNU foram herdadas pelo então Banco de


Moçambique que, simultaneamente, passou a desenvolver as funções de banco central e
de banco comercial. Com a independência e através da lei 5/77 e 6/77 que preconizava a
restruturação da banca foram nacionalizados todos os bancos com excepção do Banco
Standard Totta de Moçambique. A partir daquelas instituições financeiras herdadas do
colonialismo, foram criados em 1977 apenas dois bancos estatais: o Banco de
Moçambique (BM) e o Banco Popular de Desenvolvimento (BPD) e o sector financeiro
passo a contar com três bancos comerciais uma vez que o Banco de Moçambique para
além das suas funções como banco central também desempenhava funções comerciais.

Hoje em dia , a importância do sistema financeiro para o desenvolvimento económico e


social vem ganhando espaço no sentido de que a ampliação do acesso aos mesmos gera
impactos positivos.
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1.1.OBJECTIVOS
1.1.1. Objectivo geral
• Abordar de forma clara o sistema financeiro moçambicano
1.1.2. Objectivos específicos
• Descrever as tarefas do sistema financeiro
• Identificar os componentes do sistema financeiro
• Descrever a sua importância bem como o seu funcionamento
• Descrever a estrutura do sector bancário moçambicano

1.2. Metodologia

RAMOS et al. (2013) A metodologia é a ciência que nos ensina a conduzir um


determinado processo de maneira eficiente e eficaz para alcançar os resultados desejados
e tem como objectivo da-nos a estratégia para seguir o processo.

Para elaboração deste trabalho foi feito um levantamento bibliográfica, reunindo obras
Artigos e relatórios.
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2. REVISÃO DA LITERATURA
2.1. Conceptualização do sistema financeiro Moçambicano

Às vezes, usa-se a designação sistema financeiro quando se pretende referir às


instituições, o que não é totalmente errado. Na verdade, sistema sugere a ideia do conjunto
de que as instituições são partes integrantes.

Em Moçambique, o Ministério das Finanças e o Banco de Moçambique são as instituições


com poderes para gerir as políticas fiscais e monetárias, respectivamente, no quadro dos
objectivos macroeconómicos definidos pelo Governo. Ao Banco de Moçambique
compete a supervisão das instituições financeiras e ao Ministério das Finanças a sua
superintendência, garantindo aos órgãos competentes de projectos de legislação para o
sistema bancário.

De acordo com MALEIANE (2014), O sistema financeiro deve ser entendido como um
conjunto que integra a Politica, as Instituições e respectiva Legislação.

POLITICA, + INSTITUIÇÕES + LEGISLAQÃO

ABREU et al. (2007) citado por JOSSEFA (2011) Um sistema financeiro é constituído
por intermediários financeiros e mercados financeiros, os quais angariam fundos junto
dos agentes económicos excedentários e os canalizam para os agentes económicos
deficitários, garantindo desta forma o bem-estar e a eficiência na alocação dos recursos
(Abreu et al., 2007).

De acordo com FERREIRA et al (2013) o sistema financeiro moçambicano encontra-se


organizado segundo a quadripartição clássica, atrás enunciada, agrupando:

• Nas instituições monetárias, as entidades que podem criar moeda, por via da sua
autorização para receber depósitos junto do público e utilizá-los por sua conta e
risco na concessão de crédito, naturalmente oriundas do sector bancário;
• Nas instituições não monetárias, as entidades que podem receber do público
outros fundos reembolsáveis e, de forma ampla, conceder crédito por sua conta e
risco (instituições de crédito e/ou sociedades financeiras), bem como as empresas
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que promovem a captação de poupanças para ulterior aplicação em activos


financeiros, sem uma específica actividade de intermediação creditícia (no âmbito
da actividade seguradora, da gestão de fundos de pensões e dos fundos de
investimento);
• Nos intermediários financeiros, as entidades que, de forma ampla, praticam
actos cujo objecto sejam valores mobiliários, por conta própria ou de terceiros;
• Nas entidades supervisoras, o Banco de Moçambique e o Instituto de
Supervisão de Seguros de Moçambique, nos termos da legislação que lhes é
própria, neste último caso funcionando sob tutela do Ministro que superintende a
área das Finanças.
2.2. As tarefas do sistema financeiro

FERREIRA et al (2013) Através do sistema financeiro é assegurada, mediante a produção


e a oferta de serviços diversificados, a realização de três tarefas fundamentais para o
funcionamento da economia: a oferta de instrumentos de regulação das trocas; a
acumulação das poupanças e o financiamento do investimento, por via da intermediação
no crédito; finalmente, a gestão do risco.

2.2.1. A oferta de instrumentos de regulação das trocas

A especialização dos agentes económicos, traduzida no exercício de actividades que


permitam um melhor desempenho individual, constitui uma das principais características
dos sistemas económicos modernos. Cada agente tende a fazer aquilo que domina melhor,
o que proporciona uma natural diversificação das posições individualmente ocupadas, em
função dos respectivos recursos e competências. Um sistema cuja funcionalidade se
fundamenta na especialização e na diversificação tem, forçosamente, de proporcionar aos
agentes económicos uma regulação dos meios de troca desenvolvida e eficaz. Um dos
elementos fundamentais da funcionalidade das trocas comerciais é o sistema de
pagamentos, traduzido na adequação dos instrumentos monetários que regulam as
transacções comerciais e não comerciais. A sucessiva sofisticação do sistema de
pagamentos tem percorrido um longo caminho, que o conduziu de um sistema de
economia de troca, estruturado num intercâmbio de bens específicos e vinculado à
satisfação directa de necessidades contrapostas, até um sistema de economia monetária,
definido por um bem capaz de medir o valor dos bens trocados e aceite como regulador
das transacções, isto é, a moeda.
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Nesta perspectiva, fundamentalmente, a moeda elimina a necessidade de verificação da


denominada dupla coincidência na procura: é que num sistema de troca directa (barter),
cada indivíduo tem de possuir o que a outro deseja para que a troca se possa realizar. Sem
o espartilho dessa dupla coincidência é evidente o aumento acentuado das áreas de troca,
a diversificação da possibilidade de contrapartidas, a redução de custos e a limitação de
riscos. O objectivo da produção passa agora a ser o mercado e não já a satisfação das
necessidades inerentes ao auto-consumo, com todas as vantagens de diversificação e
valorização dos produtos inerentes a uma acentuada especialização. A organização da
produção sente agora outras necessidades: o investimento no aumento e melhoria das
capacidades produtivas específicas e no desenvolvimento de formas de organização mais
funcionais, visando processos produtivos e distributivos de dimensões crescentes, mais
complexos e mais eficazes. Mas também a moeda, enquanto instrumento universal de
regulação das trocas, percorreu um caminho de evolução histórica que acompanhou todo
este desenvolvimento derivado da especialização. Da inicial “moeda mercadoria”, cujo
valor correspondia ao seu valor intrínseco e de que são exemplo evidente realidades tão
afastadas no tempo como o gado ou os cereais e as moedas cunhadas em metal precioso,
até ao “papel-moeda”, cujo valor é definido nominalmente e que tem como exemplo
paradigmático a nota de banco; ou da “moeda bancária”, cuja difusão tem como
pressuposto a confiança do público na fiabilidade e segurança dos débitos bancários
(depósitos) como meios de pagamento, até à “moeda electrónica”, assente na
desmaterialização de um simples registo computacional. De toda esta evolução, no
entanto, sobressai um fio condutor de orientação: a procura de novos meios de pagamento
idóneos a satisfazer a necessidade de redução dos custos das transacções e de garantia de
uma regulação cada vez mais segura.

2.2.2. A acumulação das poupanças e o financiamento do investimento por via da


intermediação no crédito

Uma das funções primordiais do sistema financeiro é, como já se afirmou, a canalização


dos fundos captados junto de quem os não utiliza para quem deles necessita para assegurar
as respectivas despesas de consumo ou de investimento. No entanto, o processo de
transferência de recursos apresenta riscos variados para as partes envolvidas, cabendo ao
sistema financeiro reforçar esse processo e torná-lo mais eficiente: definindo formas
contratuais adequadas, desenvolvendo os mercados como momento organizado de
encontro entre sujeitos com necessidades contrapostas, produzindo informação fiável,
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garantindo a intervenção de intermediários financeiros que desenvolvam uma função


integradora dos mecanismos de troca e ofereçam serviços que facilitem a circulação dos
instrumentos financeiros.

Cabe ao sistema financeiro encontrar esquemas eficientes de disponibilização de


informação, de liquidez e de transformação do risco. Através da informação é garantido
o acesso, em termos mais eficientes e menos onerosos, a um conjunto de factos que visam
três objectivos fundamentais:

• reforçar a fiabilidade do utilizador dos fundos disponibilizados e das finalidades


a que tais fundos se destinam;
• colmatar as eventuais assimetrias que sempre se verificam quando uma das partes
possui melhor informação do que a outra (o que, no caso das relações creditícias,
normalmente acontece a favor do devedor, uma vez que este domina
exclusivamente a informação relativa ao destino que, na realidade, vai dar aos
fundos que lhe são creditados);
• permitir uma melhor avaliação das potencialidades de retorno do investimento.
Complementarmente, a informação garante o acesso a uma maior diversidade de
instrumentos contratuais quecobrem os variados esquemas de preferência dos
agentes em termos de risco a assumir, desde uma pura aversão ao risco até à
procura de uma exposição elevada.

A liquidez traduz a facilidade com que alguém consegue trocar activos por dinheiro,
por outros activos ou por bens e serviços, constituindo a respectiva abrangência um
dos instrumentos de medição da eficiência do sistema financeiro. Neste
enquadramento, ao sistema compete assegurar a presença de mecanismos de liquidez
que contribuam para a redução do risco dos investidores e para tornar mais fácil o
intercâmbio com os utilizadores dos fundos. Desses mecanismos justificam um
particular destaque a negociabilidade e a padronização dos instrumentos financeiros
e a existência de mercados organizados. O papel do sistema é claramente visualizado,
por exemplo, na facilidade de disponibilização de liquidez proporcionada pela
capacidade de certos intermediários financeiros em comprar e vender acções ou
outros instrumentos a baixo custo após a respectiva emissão; ou, por outro lado, na
disponibilização associada aos montantes objecto de depósito bancário, para
movimentação mediante cheque. No entanto, existe ainda uma margem de risco que
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apenas a informação e a liquidez não conseguem anular: pense-se, por exemplo, nos
casos em que os utilizadores preferem instrumentos financeiros que não cativam os
investidores ou, por outro lado, nos casos em que os utilizadores apresentam uma
elevada margem de risco, pela novidade dos respectivos projectos ou organizações
empresariais ou pela incerteza de resultados associada à sua actividade. Através da
transformação do risco o sistema financeiro vai ultrapassar o impasse criado,
proporcionando aos investidores utilizações de baixo risco e proporcionando ao
utilizador o financiamento desejado, apesar do seu elevado risco, ou ainda
proporcionando-lhe outros instrumentos de maior risco (acções, por exemplo). Isto é
conseguido por uma de duas formas: ou pela interposição de um intermediário
financeiro entre investidor e utilizador, de modo a que o risco deste seja assumido
pelo próprio intermediário; ou pela disponibilização aos investidores de aplicações
agregadas e diversificadas.

2.2.3. A gestão do risco

Constituindo o risco a essência da actividade financeira, torna-se compreensível que esta


tente encontrar formas especializadas de o gerir, minimizando as adversidades dele
eventualmente resultantes. A função de gestão do risco desenvolve-se no sistema
financeiro fundamentalmente através de duas áreas específicas: Por um lado, a dos
instrumentos financeiros derivados, cuja função essencial é a de proporcionar meios de
salvaguarda das variações das cotações de valores mobiliários, das taxas de juro, das taxas
de câmbio. São, aqui, utilizados os contratos a prazo (de swap, forward e de futuros) e os
contratos de opção. Por outro lado, a da actividade seguradora, cujo objecto se traduz na
negociação dos denominados riscos puros, ou seja, os riscos que se manifestam sob a
forma de perdas ou danos futuros, mas não determináveis nem no tempo nem na extensão.
A transferência do risco para entidades especializadas traduz, neste caso, a transformação
pelo segurado de um evento futuro, danoso e incerto quanto à gravidade e à frequência
(e, portanto, também quanto ao respectivo custo), num custo certo configurado pelo
prémio da apólice.

No que, especificamente, à actividade bancária diz respeito, a gestão do risco insere-se


na sua quadripartição funcional típica, a par da oferta de liquidez e acesso a um sistema
fiável de pagamentos, da transformação de activos e da consultoria e disponibilização de
informação. Com efeito, a actividade de financiamento desenvolvida pelos bancos através
da concessão de crédito traduz-se, fundamentalmente, na troca de uma prestação actual
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pela promessa de uma contraprestação futura, geralmente a troco de uma remuneração.


Cabe, aqui, destacar a especial relevância que o factor risco assume numa operação desta
natureza, pela diversidade de situações que lhe podem estar na origem. São, por isso,
tradicionalmente identificadas vertentes de risco relacionadas com o risco do crédito, o
risco da taxa de juro e da liquidez e o risco das operações fora de balanço.

3. COMPONENTES DO SISTEMA FINANCEIRO


3.1. Política

MALEIANE (2014), Refere-se à política económica adoptada pelo Governo. Pode ser
centralmente planificada, onde predomina o sector público produtivo, com a tarefa de
executar as metas, como foi o caso de Moçambique desde 1978 a 1990, ou baseada nas
forças de mercado, jogando o Estado o papel de arbitro, através da imposição do
cumprimento dos contratos e provimento de serviços públicos. Este é o modelo que está
em vigor em Moçambique desde aquele ano. Por isso, toda a estrutura do sistema toma
em consideração a politica e integra ainda os MERCADOS, que podem ser monetários e
de capitais, onde se transacionam instrumentos de curto e longo prazo, respectivamente.
São exemplos do mercado onde se transacionam activos de curto prazo o Mercado
Monetário Interbancário (MMI) e o Mercado Cambial Interbancário (MCI) a Bolsa de
Valores constitui exemplo de mercado de capitais que transaciona instrumentos de longo
prazo.

Mercado Cambial Interbancário

O mercado monetário interbancário é o segmento de mercado em que o banco central e


as instituições autorizadas compram e vendem divisas, visando equilibrar as necessidades
e excedentes de moeda estrangeira

Mercado Monetário Interbancário

As instituições financeiras utilizam este mercado com as seguintes finalidades:

• Mobilizar recursos para financiar os clientes;


• Regular as suas responsabilidades, quando não tem fundos suficientes em seu
poder;
• Fazer aplicação dos seus excedentes financeiros, quando outros mercados não
oferecem produtos mais atractivos que os transacionados no mercado monetário
interbancário;
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• Transformar aplicações de curto prazo em aplicações de longo prazo.

3.2. Instituições

As instituições podem ser classificadas, segundo a forma de propriedade, em públicas ou


privadas ou, de acordo com o tipo de operações que realizam, em monetárias e não
monetárias. São monetárias aquelas que aceitam depósitos e concedem crédito, isto é,
criam moeda. As não monetárias são todas aquelas que não aceitam depósito e usam
fundos próprios ou alheios sob forma de títulos financeiros. são exemplos de instituições
monetárias os bancos comerciais, incluindo microbancos, e todas aquelas que por lei
forem autorizadas a aceitar depósitos do público para os aplicar nas operações activas
(concessão de crédito). Estão enquadradas na classificação de instituições não monetárias
as seguradoras, as sociedades financeiras previstas na lei e as microfinanças.

3.2.1. Instituições Monetárias

Banco Central

De acordo com Lei nº 1/92, de 3 de Janeiro, no seu artigo 2, o objectivo principal do


Banco Central a preservação do valor da moeda nacional. Aqui o sentido de preservar
deve ser entendido como toda a política monetária do Banco Central tendente a garantir
a aceitaqão da moeda nacional como meio de pagamento para as transações internas. Este
objectivo obtém-se normalmente mantendo-se uma taxa de inflação baixa e estável. Em
Moçambique, o Banco Central é ainda gestor da política monetária e cambial, banqueiro
dos bancos, emissor da moeda nacional, supervisor das instituições de crédito e
conselheiro do Governo em matéria da sua especialidade. Para a execução destas funções
o Banco central deve deter:

Independência institucional que se pode resumir no seguinte:

Capacidade técnica Deve possuir técnicos capazes de prever e comunicar claramente


com o público-alvo produzindo e divulgando informação de qualidade científica, de modo
a granjear simpatia e reconhecimento público e levar os agentes económicos a usar a
informação nas suas projeções económicas.

Capacidade legal - A lei orgânica deve ser clara quanto ao âmbito da actuação do Banco
Central, incluindo os aspectos relacionados com a nomeação dos Membros do Conselho
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de Administração e respectivos mandatos. No caso moçambicano, O art. 132 da


Constituição da República define claramente que o Banco de Moçambique é o Banco
Central da República de moçambique e rege-se por lei própria e pelos acordos
internacionais a que o Estado aderir. Também a referida Lei nº 1/92, de 3 de Janeiro,
define as funções do Banco de Moçambique, bem como a forma de nomeação dos
Membros do Conselho de Administração.

Autonomia operacional - Que permite aos órgãos de direção do Banco decidirem sobre
que instrumentos de gestão de política monetária aplicar e a forma da sua implementação,
sem carecer de autorização prévia do governo ou de membros do governo.

SÓ nestas condições se pode afirmar que existe um Banco Central à altura para gerir os
mercados monetários, cambial e de crédito com maior liberdade e transparência.

Uma das actividades principais do Banco Central é a gestão da politica monetária. Para
isso necessita de projectar como é que a massa monetária devera evoluir para financiar o
crescimento do PIB a um nível de inflação adequado. É a chamada programação
monetária.

Programação monetária

De acordo com MALEIANE (2014), A programação monetária constitui uma das mais
importantes funções do Banco Central. Para isso, o sector financeiro deve estar
devidamente organizado e com a contabilidade em dia, de modo a facilitar a recolha de
relevante informação pra efeito. Os balanços consolidados são instrumentos
incontestáveis, pois a partir deles podemos recolher dados para programação do crédito
total da balança de pagamentos. Com base nesta informação, pode-se fixar metas para o
funcionamento do PIB.

Bancos Comerciais

SOZINHO (2008) A actividade bancária tem como função principal a dinamização da


actividade económica interna bem como as suas relações com o exterior e ainda a
materialização dos objectivos macroenómicos do governo. Essa função é exercida através
da oferta de produtos e serviços financeiros e exercício de uma correcta supervisão
(Banco de Moçambique).

A principal função dos bancos no sistema económico é a intermediação financeira:


canalização de recursos financeiros execedetários (poupanças) para onde eles são
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escassos, que pode ser para o investimento ou para o consumo. Esta função, materializa-
se na captação de poupanças sob a forma de depósitos e na sua cedência através da
concessão de crédito.

Os Bancos comerciais são instituições de crédito que têm, de acordo com o artigo 4 da
Lei nº 15/99, de 1 de Novembro, com as alterações introduzidas pela Lei nº 9/2004, de 21
de Julho, como funções as seguintes:

• Recepção, do público, de depósitos ou outros fundos reembolsáveis;


• Operações de crédito, incluindo concessão de garantias e outros compromissos,
excepto locação financeira factoring;
• Operações de pagamentos;
• Emissão e gestão de meios de pagamento, tais como cartões de crédito, cheques
de viagem e cartas de crédito;
• Transações, por conta própria ou alheia, sobre instrumentos do mercado
monetário, financeiro e cambial;
• Participação em emissões e colocações de valores mobiliários e prestação de
serviços correlativos;
• Consultoria, guarda, administração e gestão de carteira de valores mobiliários;
• Operações sobre metais preciosos, nos termos estabelecidos pela legislação
cambial;
• Tomada de participações no capital de sociedades;
• Comercialização de contratos de seguro;
• Aluguer de cofres e guarda de valores;
• Consultoria de empresas em matéria de estrutura de capital, de estratégia
empresarial e questões conexas.

Os bancos podem ainda, de acordo com a inovação introduzida pela Lei nº 9/2004, de 21
de Julho, exercer as actividades de leasing factoring.

Microbancos

Ao abrigo da referida Lei nº 9/2004, foi introduzido no país um novo tipo de instituição
de crédito, com o objectivo de permitir que agentes económicos, singulares e pessoas
colectivas possam com experiência possam mas com poucos recursos exercer actividade
reservada aos Bancos comerciais, oferecendo produtos e serviços nos termos e limites
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fixados por lei. Neste grupo de instituições, temos as Caixas de Poupança e Crédito, as
Caixas Financeiras Rurais, as mas Económicas e as Caixas Postais.

3.2.2. Instituições financeiras não monetárias

MALEIANE (2014), Nas instituições financeiras não monetárias destacam-se as


seguintes: sociedades de seguros, sociedades financeiras, casas de câmbio e Bolsa de
valores.

Sociedades de Seguros

São instituições que aceitam o risco especificado na apólice contra o pagamento de um


prémio pelos segurados. Desempenham um papel relevante na sociedade na medida em
que, aceitando o risco, permitem que os gestores minimizem as consequências dos
sinistros provocados pelos próprios, os chamados danos próprios, e a outras instituições
e pessoas. De acordo com o tipo de ramo em que cada seguradora se especialize, podemos
ter empresas de seguro de ramo VIDA, também conhecido de seguro de longo prazo, e
seguro de ramo NÃO VIDA ou seguro de curto prazo.

Sociedades financeiras

De acordo com A lei nº 15/99, de 1 de Novembro, com as alterações introduzidas pala A


lei nº 9/2004, de 21 de Julho, as sociedades permitidas em moçambique, caracterizadas
por não aceitarem depósitos de público, mas que realizam operações especificadas nestas
leis:

• Sociedades administrativas de compras em grupo;


Sociedades financeiras que têm por objectivo exclusivo a administração de
compras em grupo. Entende-se por compras em grupo o sistema de aquisição de
bens ou serviços pelo qual um conjunto determinado de pessoas designadas
participantes constitui um fundo comum, mediante a entrega periódica de
prestação pecuniária, com vista à aquisição, por cada participante, daqueles bens
ou serviços ao longo de um período de tempo previamente estabelecido;
• Sociedades corretoras:
sociedades financeiras que têm por objecto principal o exercício da actividade de
intermediação em bolsa de valores, através do recebimento de ordens dos
investidores para a transação de valores mobiliários e respectiva execução,
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podendo, no âmbito do mercado de valores mobiliários, realizar outras actividades


que lhes sejam permitidas por lei;
• Sociedades de capital de risco:
sociedades financeiras que têm por objecto o apoio e promoção do investimento
em empresas, através da participação temporária no respectivo capital social;
• Sociedades de factoring:
Instituições de crédito que têm por objecto exclusivo o exercício da actividade de
factoring ou cessão financeira. Diz-se factoring ou cessão financeira o contrato
pelo qual uma das partes (factor) adquire, da outra (aderente), créditos a curto
prazo, derivados da venda de produtos ou da prestação de serviços a uma terceira
pessoa (devedor);
• Sociedades de investimento:
Instituições de crédito que têm por objecto principal a concessão de crédito e a
prestação de serviços conexos, nos termos que lhes sejam permitidos por lei;
• Sociedades de locação financeira:
Instituições de crédito que têm por objecto exclusivo o exercício de actividade de
locação financeira ou leasing. Entende-se por locação financeira o contrato pelo
qual uma das partes (locador) se obriga, mediante retribuição, a ceder à outra
(locatário) o gozo temporário de uma coisa, móvel ou imóvel, adquirida ou
construída por indicação do locatário e que este pode comprar, decorrido o período
acordado, por um preço determinado ou determinável mediante simples aplicação
dos critérios fixados no contrato.
• Sociedades financeiras de corretagem:
Sociedades financeiras que têm por objecto principal o exercício da actividade de
intermediação em bolsa de valores, quer através do recebimento de ordens dos
investidores para transação de valores mobiliários e respectiva execução, quer
através da realização de operações de compra e venda de valores mobiliários por
conta própria, podendo realizar outras actividades, no âmbito do mercado de
valores mobiliários, que lhes sejam permitidas por lei;
• Sociedades gestoras de patrimónios:
Sociedades financeiras que têm por objecto exclusivo o exercício da actividade de
administração de conjuntos de bens pertencentes a terceiros;
• Sociedades gestoras de fundos de investimento:
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Sociedades financeiras que têm por objecto exclusivo a administração, em


representação dos participantes, de um ou mais fundos de investimento.
Entende-se por fundos de investimento o conjunto de valores resultantes de
investimentos de capitais recebidos do público e representados por unidades de
participação.

Casas de Câmbio

Sociedades financeiras que-têm por objecto principal a compra e venda de moeda


estrangeira e cheques de viagem, podendo ainda realizar outras operações cambiais nos
termos estabelecidos por lei.

Bolsa de valores

São locais ou espaços onde se transacionam activos financeiros em regra títulos


representativos de capital social de empresas e de dívidas (publica e privada). São por
isso mercados organizados, estruturados e dotados de instrumentos jurídicos que
permitem que as transações sejam feitas com a maior segurança e transparência possíveis.

Microfinanças

São instituições que não aceitam depósitos, podendo, porém, fazê-lo em Representação
de instituições de crédito autorizadas a operar no país. Usando fundos próprios, podem
conceder crédito e prestar serviços financeiros permitidos por lei. Para seu
funcionamento, carecem de autorização prévia do Banco Central e não são objecto de
supervisão sistemática, devendo, contudo prestar periodicamente informação ao Banco
Central sobre a sua actividade.

3.3. Legislação

Um aspecto importante no sistema é a existência de legislação adequada, que permita a


fluidez necessária na realização das operações no mercado. Em países onde o sistema
financeiro ainda não está suficientemente desenvolvido por estar a sofrer um processo de
transição de um sistema centralizado para o de economia de mercado é normal a
abundância de legislação bem elaborada, mais sem capacidade institucional para fazer
cumpri-la. Às vezes, por causa da necessidade de se dar passos acelerados, fazem-se
adaptações da legislação das antigas metrópoles, mormente desajustadas da cultura e das
práticas locais e agravada pela falta de técnicos capazes de garantir uma aplicação isenta
da mesma. Nestas condições, o sistema financeiro continuará a apresentar boas politicas
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e instituições, mas faltará elemento importante para o funcionamento do mercado, que é


a CONFIANÇA.

A confiança cresce com a capacidade do Estado de poder garantir o cumprimento dos


contratos e possuir mecanismos cé1eres para disciplinar o mercado. O sistema financeiro,
é o conjunto de política, instituições e legislação que disciplina o funcionamento do
mercado.

4. VISÃO MACROECONÓMICA-REQUISITO IMPORTANTE PARA O


DESENVOLVIMENTO DO SISTEMA FINANCEIRO

A existência de uma mão macroeconómica, tal como acontece em organizações e


empresas, é importante para o desenho e Implementação de ma política financeira
adequada aos desafios de cada momento da vida económica. A ausência desta pode
equiparar-se a alguém que caminha sem direção certa e nestas condições qualquer
caminho serve. É o que acontece em muitos países em desenvolvimento quando pedem
ajuda externa sem primeiro ter ma visão de longo prazo. O apoio vem e com ele o
know-how e as prioridades de cada parceiro, para serem geridos pelo país receptor, que,
além da falta de visão, carece também de técnícos qualificados para gerir a tecnologia e
as prioridades do parceiro doador. Neste processo, o desenho e a implementação dos
programas ficam reféns do doador. Por musa disso, o sistema financeiro desenhado
raramente responde às necessidades dos pais receptor de ajuda, porque desajustado à
Cultura e capacidade institucional locais. No caso moçambicano, já a primeira
Constituição (1975) indicava claramente o que eram então as prioridades nacionais. Por
exemplo, a referência da agricultura como base de desenvolvimento e da indústria como
sector dinamizador desse desenvolvimento tomava claro como é que o sistema financeiro
devia organizar-se para responder a estas prioridades.

5. AUTORIDADES FINANCEIRA E MONETÁRIA

Em Moçambique, o Ministério das Finanças é a autoridade financeira do país, coordena


a preparação de legislação para a deliberação do Governo ou para a submissão à
Assembleia da República, conforme se trate de Resoluções, Decretos ou Leis,
respectivamente. É a instituição que orienta a implementação da política fiscal do país,
que integra a elaboração e execução do orçamento do Estado. O Banco de Moçambique
é o banco central do país, de acordo com, o estipulado na Constituição, e rege-se pela sua
lei orgânica-Lei nº 1/92, de 3 de Janeiro, que no seu artigo 2 define a sua principal função,
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que é a preservação do valor do Metical interna e externamente. Por causa destas funções,
o Banco Central é a autoridade monetária do país e nessa função tem a responsabilidade,
de entre outras, de zelar pela implantação de um sistema monetário, ou seja, conjunto de
moedas em circulação no país.

6. A estrutura do Sector Bancário moçambicano

Antes da independência, o sector financeiro nos finais da década sessenta apresentava um


certo grau de desenvolvimento tendo em conta a política económica então vigente. A
estrutura do sector financeiro à data de independência era constituída por 9 bancos
comerciais: Banco Comercial de Angola, banco espirito santo, Banco Standard Totta,
Banco Pinto & Sottomayor, banco comercial de credito industrial, banco fomento,
Instinto de Crédito de Moçambique e, Casa Bancária de Moçambique, Caixa económica
de montepio geral e o próprio banco de moçambique que, a par da função de Banco
Central, exercia também a função de banco comercial.

Existiam também quatro companhias de seguro: Nauticus, tranquilidade de Moçambique,


Lusitana e Império, bem assim um fundo de investimento aberto (FIUL-Fundo de
Investimento ultramarino), gerido pela empresa Sociedade Moçambicana de Gestão de
Bens e que foi instrumental no financiamento do desenvolvimento, do parque imobiliário
especialmente nas cidades de Maputo e Beira. O Banco de Moçambique desempenhou o
papel de depositário deste fundo. Em 1978, O sector financeiro, como corolário da
consolidação da gestão macroeconómica baseada no PEC (Plano Estatal Central) foi
reestruturado, passando de 9 instituições de crédito para apenas 3, tendo neste processo o
Banco de Moçambique absorvido quase todas as instituições de crédito à excepção do
Banco Standard Totta, que manteve a sua actividade como único banco privado, e dos
bancos Pinto & Sottomayor e Banco de Fomento de Moçambique, que cessaram as suas
actividades. Todas as companhias seguradoras foram integradas na EMOSE. Em termos
de produtos financeiros, para além das operações activas e passivas clássicas dos bancos
comerciais, estavam em desenvolvimento as operações de hedging da taxa de câmbio nas
operações com o exterior (as chamadas compra e venda da taxa de câmbio a prazo). Com
as reformas da política económica iniciadas em 1984 e com maior visibilidade a partir de
1987, foi necessário introduzir nova e moderna legislação financeira que permitiu a
entrada de novos operadores financeiros e o saneamento das contas dos balanços dos
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bancos do Estado e a sua privatização, bem como o reforço do papel do Banco de


Moçambique como Banco Central da República de Moçambique. Com base nesta
reforma, a estrutura do sector financeiro em 2012 tinha o seguinte figurino:

Tipo de instituição
Bancos 18
Cooperativas de crédito 8
Sociedades de locação financeira 7
Sociedade de investimento 0
Instituição de moeda eletrónica 1
Sociedades emitentes ou gestores de cartões de crédito 1
Sociedades de capital de risco 1
Organizações de poupança e empréstimo 11
Operadores de microcrédito 199
Casas de câmbio 19
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7. COMCLUSAO

O sistema financeiro joga um papel multidimensional no processo de desenvolvimento


económico porque a interacção dos agentes económicos na actividade económica envolve
custos de informação ou de transacção resultados das imperfeições dos mercados, os quais
devem ser minimizados. Para o efeito, é importante a existência de intermediários
financeiros. A presença de intermediários financeiros contribui para mitigar os problemas
decorrentes dos custos de transacção e de informação, um facto que concorre para
influenciar as decisões de poupança e de investimentos, e, por via disso, o crescimento
económico.
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8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

RAMOS, T. NARANJO, S. metodologia de investigação científica. Escolar editora.


Luanda, 2013.

MALEANE, Adriano. Banca e finanças: o essencial sobre sistema financeiro. Indico


editora. Maputo, 2014.

FERREIRA, A. Et al. Legislação do sistema financeiro de Moçambique. Vida económica.


Maputo, 2013.

JOSSEFA, A. Determinantes do acesso ao sistema financeiro: O caso de moçambique.


Lisboa, 2001.

SOZINHO, Cândido. Manual de contabilidade bancaria. Maputo, 2008.