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Aula 05

Professor: Vicente Camillo


Microeconomia
Analista (Área 3) – BACEN
Teoria e exercícios comentados
Prof. Vicente Camillo

Aula 04. Estrutura de Mercado: Concorrência


Perfeita

SUMÁRIO PÁGINA
1. CONCORRÊNCIA PERFEITA: CONCEITOS 03
INICIAIS

2. PRESSUPOSTOS DO MODELO DE 04
CONCORRÊNCIA PEFEITA

3. MAXIMIZAÇÃO DE LUCRO 07

4. CUVA DE OFERTA DA FIRMA NO CURTO E 12


NO LONGO PRAZO

5. EXCEDENTE DO PRODUTOR 16

6. TRIBUTAÇÃO E OFERTA 19

7. QUESTÕES RESOLVIDAS E GABARITO 23

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1. CONCORRÊNCIA PERFEITA: CONCEITOS INICIAIS

A presente aula continua com a análise da firma. Mas, a partir de


agora, iremos analisar a firma dentro do ambiente de mercado em
que se insere.

O primeiro e mais comum ambiente de mercado é o de


concorrência perfeita. Entender o seu funcionamento serve muito
bem para compreender os demais ambientes, tais como o
monopólio e o oligopólio.

Na verdade, a intenção da firma é a mesma em qualquer mercado:


maximizar o lucro. No entanto, cada tipo de mercado fornece um
resultado diferente.

Vamos iniciar com os pressupostos e condições do modelo de


concorrência perfeita para depois analisar como é feita a
maximização de lucros da firma. A curva de oferta é o resultado
desta nossa análise.

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2. PRESSUPOSTOS DO MODELO DE CONCORRÊNCIA
PERFEITA

As firmas, assim como os consumidores, não estão sozinhos na


economia. As decisões de oferta e demanda por parte das empresas
e dos consumidores devem considerar o ambiente em que se
inserem.

Como nosso interesse neste momento é para as firmas, vamos


focar nelas. Imaginando que apenas uma empresa forneça os bens
para determinado mercado, é de se esperar que a demanda pelos
produtos da empresa é a própria demanda do mercado.

Ou seja, os consumidores irão demandar o referido bem, sendo que


o único ofertante dele é a nossa referida empresa. Isto a coloca em
uma posição confortável. Supondo que temos uma curva de
demanda negativamente inclinada (bem normal), a firma pode
escolher a qual preço irá vender seus produtos e saberá qual a
quantidade demandada. Para tanto, ela deve tão somente conhecer
a curva de demanda deste mercado.

Mas, isto quase nunca acontece. Bem da verdade, a microeconomia


se iniciou com o estudo da organização oposta de mercado, ou seja,
daquela em que existem muitas firmas e consumidores, de modo
que nenhum deles possui condição de influenciar preços e
quantidades.

É o caso da concorrência perfeita. Um mercado em concorrência


perfeita é caracterizado (i) pela existência de muitos
compradores e vendedores, (ii) livre entrada e saída de
produtores, (iii) produtos homogêneos e mercados
completos e (iv) informação perfeita.

 Muitos compradores e vendedores  a existência de


muitos ofertantes e demandantes impede que algum deles detenha
poder de mercado e possa, desta forma, determinar preços e

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quantidades dos bens transacionados. Ou seja, considera-se tanto
as firmas como os consumidores como tomadores de preço (price
takers), variável que é determinada no mercado pelas forças de
oferta e demanda.

 Livre entrada e saída de firmas  A livre entrada e saída


de firmas no mercado é uma das formas de garantir a existência de
muitos ofertantes. A inexistência de barreiras à entrada e à saída
permite que o mercado opere de maneira eficiente, ou seja, oferte o
maior número de bens ao menor preço. Caso existam barreiras à
entrada, é possível que determinada firma controle parte do
mercado, colocando preços mais elevados e menores quantidades
ofertadas, pois a concorrência seria reduzida nestes casos.

 Produtos homogêneos e mercados completos  Os bens


comercializados são idênticos. Isto quer dizer que tanto faz para o
consumidor demandar o produto da empresa A ou da empresa B.
Adicionalmente, considera-se a existência de mercados completos,
ou seja, que haja mercados para todos os tipos de bens.

 Informação perfeita  A informação é perfeita quando os


dois lados da negociação possuem o mesmo conhecimento sobre a
transação.

Evidente que o modelo de concorrência perfeita apresenta um


mundo ideal, pois suas hipóteses são difíceis de se verificar na
prática ao mesmo tempo. Difícil, mas não impossível. Existem
alguns mercados, como commodities, em que estes pressupostos se
encontram e os resultados são bem parecidos com os propostos
pelo modelo de concorrência perfeita. Digo isto pois já me deparei
com questões de concursos perguntando se o modelo de
concorrência perfeita existe no mundo real. A resposta é sim, pois
muitos mercados operam de maneira similar ao modelo que
veremos a seguir.

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Continuando, vamos compreender o que realmente significa a
existência de muitas empresas através da ótica de uma única firma.

Nossa firma sabe que opera em um mercado cheio de concorrentes.


Ou seja, ela sabe que de alguma forma precisa respeitar o preço
colocado no mercado. Um bom exemplo é o mercado de soja. O
produtor de soja sabe que o preço da saca de soja está
determinado e ele deve vender àquele preço. Mesmo que o valor da
saca varie, ele deve sempre vender ao preço de mercado, pois corre
o risco de não comercializar sua produção (caso venda acima do
preço de mercado) ou comercializar sua produção abaixo do preço
mínimo e incorrer em prejuízo.

Desta forma, mesmo que a curva de demanda para o referido


mercado apresente forma decrescente (quanto mais elevado o
preço, menor a demanda), a curva de demanda da firma em
particular é uma reta horizontal. Ou seja, a empresa só consegue
ofertar seus produtos se o fizer ao preço de mercado. Abaixo,
seguem as duas curvas de demanda:

P P
Curva de
Curva de Demanda da
Demanda do Firma
Mercado

Q
Como já foi citado, para bens normais se espera uma curva
de demanda de mercado com inclinação decrescente, de modo que
preço e quantidades se relacionem inversamente. Mas, para a firma
individual, não há escolha: ou ela vende ao preço de mercado, ou
está fora do jogo. Este fato torna a curva de demanda da firma
horizontal, pois ela oferta diferentes quantidades ao mesmo preço.

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3. MAXIMIZACÃO DE LUCRO

Para compreender como a firma maximiza o lucro, precisamos


antes entender o conceito de lucro na microeconomia.

Já afirmo de antemão: o lucro aqui analisado é o lucro


econômico, e não o lucro contábil.

Enquanto o luro contábil é dado pela diferença entre receitas e


despesas efetivamente geradas em um processo produtivo, o lucro
econômico considera despesas que não são efetivamente geradas,
como os custos de oportunidade. Isto é, são consideradas despesas
até mesmo itens que não apresentam saída de caixa, mas sim uma
oportunidade de remuneração perdida.

A ideia, mesmo que um pouco abstrata, é de fácil entendimento.


Suponha, por exemplo, que uma firma decide adquirir um imóvel
para iniciar suas atividades. A aquisição do imóvel pode ser
classificada contabilmente com um ativo permanente, ou mesmo
como um investimento. Ou seja, há um dispêndio financeiro com o
imóvel que será amortizado (utilizado) no decorrer do tempo.

À luz da teoria econômica, há mais um custo a ser considerado


nesta aquisição, chamado de custo de oportunidade. O custo de
oportunidade é a medida que avalia o quanto a firma deixa de
ganhar ao escolher uma aplicação a outra de seus recursos. Adquirir
o imóvel por R$ 100 mil, por exemplo, representa a perda em
aplicar este recurso de outra maneira. A firma poderia escolher
direcionar este valor a um título financeiro e auferir uma
remuneração. Este remuneração é o valor do custo de
oportunidade.

Quando tratamos de maximização de lucro, há que se considerar


todos os custos envolvidos, inclusive os custos de oportunidade. Em
outras palavras, não basta apenas considerar como custo o valor
dispendido na aquisição do imóvel, mas também considerar o valor

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que a firma deixou de ganhar por escolher o imóvel, ao invés de
uma aplicação alternativa.

Esta adição de custo de oportunidade torna o lucro econômico da


firma igual a zero no longo prazo, quando ela pratica a condição
ótima de maximização de lucros. Não se engane, pois no curto
prazo ainda é possível à firma apresentar lucro econômico positivo.
No entanto, no longo prazo o lucro econômico torna-se zero no
mercado em concorrência perfeita. As Bancas adoram confundir os
alunos com esta diferença entre curto e longo prazo e lucro
econômico. Se atente!

Portanto, podemos tratar o lucro contábil e lucro econômico (que é


o que nos interessa) como:

á =

á =

Tendo isto mente, podemos passar à questão da maximização de


lucros. Dito de outro modo, como a firma pode minimizar seus
custos produtivos para determinada produção, ou como maximizar
a produção para determinado custo?

É razoável supor que toda e qualquer firma comercializa sua


produção com a finalidade de auferir lucro. A empresa precisa lucrar
para continuar sua operação, remunerar os fatores de produção
empregados, entre outras questões. Isto é, a firma pretende
maximizar o lucro.

Como o lucro pode simplesmente ser expresso a partir da diferença


entre a receita total (RT) e o custo total (CT) (lembrando que aqui
está incluso o custo de oportunidade), a ideia da firma pode ser
expressa da forma que segue:

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× ( )

A receita total é obtida através do preço (p) multiplicado pela


quantidade produzida (q). Se a empresa produz 100 unidades de
alimento e os oferta ao preço de R$ 1,00, a receita total será de R$
100,00. A função custo já foi vista em momento anterior e pode ser
expressa pela sua forma resumida acima apresentada (o custo,
compreendido pelo custo fixo e marginal, depende da quantidade
produzida q).

Como sabemos, a função de custo médio possui um formato em U,


de modo que, a partir de certo ponto, o custo médio por unidade
produzida é crescente. Este fato impede que a produção aumente
para sempre, pois a partir de certo momento ela se tornará
economicamente inviável: o preço do bem será inferior ao custo de
produção do mesmo, e a firma irá incorrer em prejuízo. Desta
forma, podemos concluir que maximizar o lucro não significa
produzir cada vez mais bens.

Há um ponto ótimo de produção. Este ponto é aquele em que


a receita extra obtida com a produção de mais um bem é
igual ao custo extra de produção do mesmo bem. Vamos
imaginar que a firma inicie a produção e consiga obter receita
superior ao custo de produção. É muito tentador à firma continuar a
produzir, pois ela obtém lucro econômico (receita – custo > 0).
Mas, devido ao custo médio crescente, produzir mais unidades se
torna mais custoso, de modo que a firma se interessa em produzir
até o ponto em que o custo da unidade adicional produzida iguale a
receita da mesma unidade.

Este é o ponto em que a receita marginal é igual ao custo


marginal. Este é o ponto ótimo de produção, no qual a firma
maximiza seu lucro!

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Vamos entender de uma maneira mais detalhada. Como já foi
afirmado, a empresa vende seus produtos ao preço de mercado. A
receita obtida com a comercialização de cada bem adicional é igual
ao preço de mercado. Ou seja, a receita marginal é igual ao preço:

Também foi afirmado que o problema da firma consiste na


maximização de seu lucro, ou × ( ) . Acontece que os
problemas de maximização podem ser resolvidos de uma maneira
simples quando usamos a derivada. O segredo é derivar a função e
igualar o resultado a zero. Como a variável da função de lucro é a
produção (q), podemos derivá-la da seguinte forma:

= × ( )

Lembrando que a derivada da função custo total é o custo marginal.


Igualando a zero para resolver a maximização, temos que:

Como = , ficamos com a seguinte expressão:

= =

Ou seja, no ponto de maximização de lucro a firma atende ao


pressuposto de que o preço é igual à receita marginal e ao
custo marginal. Como o preço em concorrência perfeita é dado
pelo mercado, a firma deve adequar seu custo marginal ao preço de
mercado, sob pena de não participar do mercado.

Em resumo, considerando a existência de mercados completos,


produtos homogêneos, livre entrada e saída de participantes e
muitos produtores e consumidores, o mercado em concorrência
perfeita possibilita que o preço apresente o mesmo valor do custo
marginal, o que indica a máxima quantidade produzida possível.

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Dito de outro modo, neste modelo os consumidores estão satisfeitos
por pagar o menor preço possível e os produtores, por ofertar a
máxima produção possível.

Mas, como tudo na vida, há uma exceção importante a este


pressuposto. Observe o gráfico abaixo:

CMe
CMe
CMg

CVMe

Q
Ele mostra as conhecidas curvas de custo médio, variável médio e
marginal. Como é possível observar, a curva de custo marginal é
igual ao preço (P) em dois momentos. A parte decrescente da curva
de custo marginal é igual ao preço em certo momento, mas não é o
ponto ótimo da firma. Isto porque a firma pode continuar elevando
sua produção e, mesmo assim, apurar lucro positivo.

A “moral da história” neste caso diz algo importante. A condição de


igualdade entre preço e custo marginal para a maximização de lucro
de firma é condição necessária, mas não suficiente. Se atentem
para este fato em algumas questões de prova com “pegadinhas”. E
o lucro é maximizado apenas na parte ascendente da curva de
custo marginal que cruza o preço de mercado.

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4. CURVA OFERTA DA FIRMA NO CURTO E NO LONGO
PRAZO

A condição de maximização de lucros da firma em concorrência


perfeita é = = . Isto é, a quantidade ótima de oferta da
firma (aquela que a possibilita atingir o lucro máximo) ocorre no
ponto em que a receita de uma nova unidade vendida é igual ao
preço de mercado e igual ao custo de produção desta nova unidade.

Mas, isso não significa que a firma irá ofertar apenas neste ponto. É
interessante à empresa comercializar sua produção no
mercado, desde que o preço do bem seja superior ao custo
variável médio. Isto considerando o curto prazo.

Vamos compreender melhor o porquê.

No curto prazo, se a empresa decidir simplesmente não produzir,


ela irá incorrer em um lucro negativo igual ao valor do custo fixo
( = ). Ou seja, a existência de custos fixos irá gerar um
lucro negativo (prejuízo), pois os custos fixos existem
independentemente da produção. Caso ela decida produzir, além do
custo fixo, terá de suplantar o custo variável, o qual depende do
nível de produção. Podemos escrever esta relação como = ×

Esta decisão entre produzir ou não representa a condição de


fechamento da firma. Ou seja, quando produzir nada gera um lucro
maior à firma do que produzir, ela se encontra em sua condição de
encerramento (ponto onde ela decide não ofertar sua produção).

Igualando as duas expressões que denotam o valor do lucro,


temos:

> ×

Rearranjando a expressão:

> ×

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>

>

Assim, caso o preço seja inferior ao custo variável médio, a firma


deve encerrar a produção (desistir de ofertar). Esta condição nos
leva à conclusão que a decisão de oferta da firma se dá no trecho
da curva de custo marginal acima da curva de custo variável médio.

Vamos analisar isto graficamente:

CMe
CMe
CMg

CVMe

Como o preço é igual ao custo marginal, a curva de oferta da


firma é a curva de custo marginal situada acimada da curva
de custo variável médio. Este trecho da curva de custo marginal
inicia-se em A. A partir deste ponto a firma decide ofertar sua
produção; abaixo dele, não há oferta.

Para que fique claro, a curva de oferta da firma indica a


quantidade que a firma deseja ofertar ao preço corrente. A
quantidade ofertada e o preço são diretamente relacionadas nos
mercados em concorrência perfeita, pelo que devemos compreender
que quanto mais elevado o preço, mais unidades a firma deseja
ofertar. Como a firma não determina o preço, a quantidade ofertada

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também será uma variável definida pelo mercado. Se a firma decide
oferta a um preço diferente do preço de mercado, ele não irá
ofertar nada. Se decidir oferta ao preço do mercado, pode vender
quantas unidades desejar, desde que atenda às condições aqui
estabelecidas.

E qual é a decisão de oferta da firma no longo prazo? Como já


sabemos, no longo prazo não existe custo fixo. A firma pode ajustar
seus fatores de produção, de modo que eles evidenciam custos
variáveis.

E isto nos leva a duas conclusões importantes. Primeiro, na


inexistência de custos fixos, a curva de oferta da firma situa-se
acima da curva de custo médio. Ou seja, a curva de oferta é
representada pela parte ascendente da curva de custo
marginal situada acima da curva de custo médio.

Segundo, como os fatores de produção são ajustáveis a mudanças


de preços (tanto capital como trabalho são variáveis), a curva de
oferta de longo prazo se ajusta mais às oscilações de preços do que
a curva de oferta de curto prazo. Isto indica que a curva de oferta
de longo prazo é mais elástica (mais horizontal) do que a
curva de oferta de curto prazo. As duas considerações podem
ser vistas graficamente, como seguem:

P P
OfertaCP

OfertaLP
CMg CMe

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No gráfico à esquerda é possível ver que a curva de oferta é o


trecho ascendente da curva de custo marginal acima da curva de
custo médio, trecho representado a partir do ponto A. No gráfico à
direita, vemos que a curva de oferta de longo prazo (OfertaLP) é
mais elástica que a curva de oferta de curto prazo (OfertaCP).

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5. EXCEDENTE DO PRODUTOR

Assim como a curva de demanda representa o excedente do


consumidor, a curva de oferta indica o excedente do produtor.

Definindo, o excedente do produtor é a diferença entre o


preço de oferta de um bem e o preço que o produto estaria
disposto a vender este mesmo bem. Este valor pode ser obtido
através da curva de oferta da firma e indicado pelo área do
triângulo A disposto abaixo:

P*
A

Q1 Q2 Q3 Q*

Mais uma vez, temos uma curva de oferta ascendente, indicando


que preços mais elevados combinam com maiores quantidades
ofertadas pelas firma. Ao preço de mercado P*, a firma oferta a
quantidade Q*. No entanto, ela estaria disposta a ofertar
quantidades a preços inferiores, como as indicadas por Q1, Q2 e
Q3.

Esta disposição da firma a ofertar sua produção a preços inferiores


ao preço de mercado indica que ela está auferindo um ganho em
sua satisfação, ou seja, uma excedente de produção. E este
excedente é calculado pela área triangular do gráfico indicada por
A.

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Em geral, o aumento do preço de mercado eleva o excedente do
consumidor. Vamos analisar esta situação através do gráfico
abaixo, considerado que o preço de mercado aumenta de P1 para
P2:

P2
B A
P1

Q1 Q2

O aumento no preço de P1 para P2 eleva a quantidade ofertada da


firma de Q1 para Q2. A variação no excedente do produtor pode ser
vista em dois momentos. Primeiro, o produtor vende mais unidades,
o que já representa um ganho de utilidade a ele. Segundo, todas as
unidades (antes e depois da variação de preço) são agora vendidas
a um preço mais elevado.

Estes dois efeitos podem ser vistos respectivamente pelas áreas A e


B representadas no gráfico. Enquanto A denota o ganho das
unidades adicionais ofertadas a P2, B mostra o ganho obtido
com a venda ao preço P2 das unidades antes vendidas a P1.
A soma destes dois ganhos representa a variação no
excedente do consumidor.

As Bancas costumam apresentar o excedente do consumidor de 3


maneiras. Para facilitar a resolução de questões, seguem abaixo as
outras 2 maneiras, apresentadas graficamente e com as explicações
pertinentes:

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O excedente do e exercícios
produtor é igual à áreacomentados
do
retângulo A e pode Prof.
serVicente Camillo
representado
através da diferença entre a receita e os
custos variáveis.
P É possível que a Banca solicite alguma
questão de excedente do produtor
CMg CMe fornecendo os valores da receita e do
CVMe custo variável. Você deve apenas
encontrar a diferença entre os dois.
A
P* =

Q* Q

P O excedente do produtor é igual à área do


acima da curva de custo marginal e abaixo
do preço de mercado P*.
CMg CMe A situação envolve cálculos matemáticos
mais sofisticados, fato que torna a
P* CVMe cobrança disto em provas muito
improvável.
A Mas saiba desta possibilidade. Assim como
o excedente do produtor pode ser
representado pela trecho à esquerda da
curva de oferta e abaixo do preço de
Q mercado, ele pode ser representado da
mesma forma, só que considerando a
curva de custo marginal.

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6. TRIBUTAÇÃO E OFERTA

As Bancas adoram questionar os efeitos da tributação sobre a oferta


da firma em um mercado competitivo (em concorrência perfeita).
Até o momento, nossas análises não consideraram a existência de
tributos, ou seja, não incluíram eventuais “vazamentos” de recursos
na forma de remuneração ao governo. O preço pago pelo
consumidor era o mesmo preço recebido pelo produtor.

Mas, o mundo real é diferente. A existência de tributos é um fato e


modifica a maneira como analisamos a oferta da firma.

Começando, podemos entender os tributos de duas formas: (i)


sobre quantidades, o qual é aplicado um valor pela quantidade de
produção ofertada; e (ii) ad valorem, tributos sobre o valor,
geralmente na forma de alíquotas.

Para facilitar a análise, vamos compreender a sistemática da


situação através da incidência de um imposto sobre quantidades
ofertadas. Como a quantidade ofertada pela firma depende do preço
de mercado, a imposição de um imposto sobre vendas, ao modificar
o preço de mercado, irá modificar a quantidade ofertada. Que é o
que nos interessa.

Então, vamos supor que a firma é quem legalmente paga o


imposto. É o que comumente ocorre com impostos indiretos, cujo
pagamento é feito pelo fornecedor/vendedor. Desta forma, o preço
pago pelo consumidor (PD) não será igual ao preço recebido pelo
ofertante (PS). Na verdade, o produtor recebe o valor pago pelo
consumidor deduzido do valor do imposto (t):

ou

= +

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As duas funções são idênticas. Em resumo, dizem que o preço de
demanda é mais elevado que o preço de oferta. Esta diferença, que
é exatamente o imposto, é direcionada ao governo.

Em termos gráficos, a situação pode ser vista como segue:

S´ A imposição de um tributo à firma desloca


P
a curva de oferta à esquerda. Como já dito,
S
o imposto reduz o preço recebido pelo
PD
ofertante, que é o que provoca o
P* deslocamento à esquerda da curva.
PS
A diferença entre PD (preço de demanda) e
PS (preço de oferta) é exatamente o valor
do tributo t
Q

Apresentada a situação, fica a pergunta: quem de fato paga o


tributo?

Mesmo que os ofertantes estejam obrigados legalmente a efetuar o


pagamento, como em nosso exemplo, será que são eles quem de
fato sofrem o ônus econômico do imposto? Muito provavelmente
não!

Em geral, a conta dos impostos é dividida entre consumidores e


firmas. Por exemplo, a imposição de um tributo sobre um bem,
mesmo que legalmente cobrada de uma firma, onera também o
consumidor, pois a firma pode elevar o preço do bem e assim
“passar a frente parte do imposto”. Isto é, na maioria das vezes, o
ônus do imposto é suportado pelos consumidores, através do
aumento de preços, e dos produtores, via redução no valor recebido
pela quantidade ofertada.

Para saber quem paga a maior parte do imposto, guarde a seguinte


regra:

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 Curva de Oferta Perfeitamente Elástica (horizontal) 
O imposto é repassado aos consumidores em sua totalidade,
de modo que a firma não paga nada
 Curva de Oferta Perfeitamente Inelástica (vertical)  O
imposto é suportado pelos ofertantes, de modo que os
consumidores não pagam nada.

No caso de uma curva de oferta perfeitamente inelástica, isto é, não


suscetível a variações de preço (a quantidade ofertada é fixa,
independentemente do preço), a firma não possui condições de
repassar o imposto aos consumidores, de modo que ela suporta
todo o ônus tributário.

No caso de uma curva de oferta perfeitamente elástica, ocorre o


contrário. A firma possui condições de repassar todo o tributo aos
consumidores, de modo que estes pioram de situação. Este é o caso
dos modelos de concorrência perfeita quando consideram o longo
prazo.

Em geral, são mais comuns situações intermediárias, como


curva de oferta elástica (quase horizontal) ou inelástica
(quase vertical). Nestes casos o ônus tributário é dividido
entre demandantes e ofertantes, mas a maior parcela recai
sobre os consumidores no caso de curva de oferta elástica
(quase horizontal) e mais sobre os produtores no caso de
curva de oferta inelástica (quase vertical).

À direita segue a demonstração gráfica do deslocamento de uma


curva de oferta elástica e, à esquerda, o exemplo do deslocamento
de uma curva de oferta inelástica, considerando a mesma curva de
demanda. Nota-se que, quanto mais elástica a curva de oferta
(modelo mais próximo à concorrência perfeita no longo prazo),
menor é o deslocamento de quantidades e maior é o deslocamento
de preços, demonstrando que o ônus tributário é repassado aos
consumidores, em benefício das firmas:

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P
S

Bom, finalizamos o conteúdo desta aula. Abaixo segue


diversos exercícios resolvidos, incluindo questões da ANPEC.

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7. QUESTÕES RESOLVIDAS E GABARITO

01. FGV - Auditor (AL BA)/Auditoria/2014/

Com relação à situação de mercado competitivo, assinale V


para a afirmativa verdadeira e F para a falsa.

( ) A empresa, no longo prazo, decide sair do mercado em


que atua, se o preço for menor do que seu custo total médio.

( ) A empresa calcula seu lucro por meio da expressão (P –


CT) Q, em que P é o preço, CT, o custo total e Q, a
quantidade de produto vendida.

( ) No longo prazo, os lucros se exaurem, e o preço, que é


fixado igual ao custo marginal, minimiza o custo total médio.

As afirmativas são, respectivamente,

a) V, V e V.

b) V, F e V.

c) V, F e F.

d) F, V e V.

e) F, F e V.

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Antes de analisar os itens, devemos compreender que a condição
de maximização de lucros da firma em concorrência perfeita é:

P = RMg = CMg.

Isto é, a quantidade ótima de oferta da firma (aquela que a


possibilita atingir o lucro máximo) ocorre no ponto em que a receita
de uma nova unidade vendida é igual ao preço de mercado e igual
ao custo de produção desta nova unidade. Neste ponto de
maximização do lucro, a firma exaure seus lucros econômicos, pois
oferta a maior quantidade possível ao preço que minimiza seu custo
médio.

Mas, isso não significa que a firma irá ofertar apenas neste ponto. É
interessante à empresa comercializar sua produção no mercado,
desde que o preço do bem seja superior ao custo variável médio.
Isto considerando o curto prazo.

No longo prazo, dada a inexistência de custos fixos (todos os cursos


são variáveis), a curva de oferta da firma situa-se acima da curva
de custo médio. Ou seja, a curva de oferta é representada pela
parte ascendente da curva de custo marginal situada acima da
curva de custo médio. Dito de outro modo, a empresa, no longo
prazo, decide sair do mercado em que atua, se o preço for menor
do que seu custo total médio.

Sendo assim, as alternativas são V, F e V.

GABARITO: LETRA B

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Microeconomia
Analista (Área 3) – BACEN
Teoria e exercícios comentados
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02. VUNESP - Analista em Planejamento, Orçamento e
Finanças Públicas (SEFAZ SP)/2013/

Um determinado bem é negociado num mercado competitivo.


O governo está em dúvida se tributa a produção ou o
consumo desse bem.

Com relação aos efeitos da tributação, podemos afirmar que:

a) a solução mais eficiente é tributar o consumo quando a


demanda do bem for elástica com relação ao preço e tributar
a produção quando a demanda for inelástica.

b) a tributação do consumo significa que toda a carga do


imposto será assumida pelos consumidores.

c) se ninguém puder sonegar, os efeitos de se tributar o


consumo ou a produção são os mesmos.

d) a tributação da produção aumenta os custos e o preço


final, e, portanto, a carga é paga integralmente pelos
consumidores em qualquer dos casos.

e) a tributação do consumo significa que a maior parte da


carga do imposto será assumida pelos consumidores.

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Microeconomia
Analista (Área 3) – BACEN
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A incidência de tributos sobre a renda ou consumo modifica os
preços e quantidades negociadas no mercado.

Primeiramente, em um mercado em concorrência perfeita, devemos


considerar a curva de oferta em seu formato de longo prazo, isto é,
perfeitamente elástica (horizontal), pois os fatores de produção
(capital e trabalho) são perfeitamente ajustáveis a mudanças de
preços nesta forma de organização de mercado.

A figura abaixo representa a mudança ocorrida com a curva de


oferta na medida em que a firma se desloca do curto ao longo
prazo:

Em geral, a conta dos impostos é dividida entre consumidores e


firmas. Por exemplo, a imposição de um tributo sobre um bem,
mesmo que legalmente cobrada de uma firma, onera também o
consumidor, pois a firma pode elevar o preço do bem e assim
“passar a frente parte do imposto”. Isto é, na maioria das vezes, o
ônus do imposto é suportado pelos consumidores, através do
aumento de preços, e dos produtores, via redução no valor recebido
pela quantidade ofertada.

Para saber quem paga a maior parte do imposto, guarde a seguinte


regra:

 Curva de Oferta Perfeitamente Elástica (horizontal) - O


imposto é repassado aos consumidores em sua totalidade, de modo
que a firma não paga nada

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 Curva de Oferta Perfeitamente Inelástica (vertical) - O
imposto é suportado pelos ofertantes, de modo que os
consumidores não pagam nada.

No caso de uma curva de oferta perfeitamente elástica (o caso da


questão), a firma possui condições de repassar todo o valor do
tributo aos consumidores, de modo que eles suportam todo o ônus
tributário.

Vejamos o erro das demais alternativas:

a) Nestas situações, a receita tributária será menor do que as


situações contrárias. O mais eficiente seria tributar o consumo
quando a demanda do bem for inelástica com relação ao preço e
tributar a produção quando a demanda for elástica.

b) Como apresentado anteriormente, o ônus é em geral dividido.

d) Como apresentado anteriormente, o ônus é em geral dividido.

e) Como vimos, o ônus econômico da tributação é diferente do ônus


legal. Assim, não é porque o ônus legal é repassado aos
consumidores, que eles serão os mais onerados economicamente. A
resposta a esta questão depende das elasticidades, como já
apresentado.

GABARITO: LETRA C

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03. FGV - Analista Judiciário I (TJ AM)/Economia/2013/

Suponha uma firma em um mercado competitivo. A firma


encerrará suas atividades no curto prazo necessariamente
quando

a) os lucros forem negativos.

b) o seu excedente for negativo.

c) o preço do produto for maior do que o seu custo variável


médio.

d) o preço do produto for menor do que o seu custo total


médio.

e) o negativo do custo fixo médio for menor do que o custo


total médio.

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A condição para encerramento das atividades da firma competitiva
no curto prazo ocorre quando o custo marginal é inferior ao custo
variável médio. Como a firma competitiva atende à condição de que
o preço é igual à receita marginal e igual ao custo marginal,
podemos afirmar que ela encerra suas atividades quando o preço é
inferior ao custo variável médio.

Em termos de excedente do produtor, isto pode ser visto da


seguinte maneira:

GABARITO: LETRA B

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04. FGV - Analista Judiciário I (TJ AM)/Economia/2013/

Suponha que o mercado de um bem seja de concorrência


perfeita, ou seja, exista um número suficientemente grande
de firmas as quais são tomadoras de preço do bem. Quando
uma empresa elevar o seu nível de produção o preço do bem
ficará constante por que

a) a demanda de mercado é perfeitamente elástica.

b) a demanda individual é perfeitamente elástica.

c) a demanda de mercado é perfeitamente inelástica.

d) a demanda individual é perfeitamente inelástica.

e) a oferta individual é perfeitamente inelástica

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Como afirmado na questão, no mercado em concorrência perfeita
existe um número suficientemente grande de firmas tomadoras de
preço.

Neste contexto, a firma sabe que precisa respeitar o preço praticado


no mercado (este é o significado de uma firma tomadora de
preços). Caso contrário, qualquer modificação no preço, como um
aumento, irá reduzir a demanda pelo seu produto a zero. Afinal, os
consumidores irão optar pelos bens substitutos oferecidos pelos
concorrentes da firma em questão.

Isto significa que a curva de demanda individual da firma é


perfeitamente elástica. Ou seja, uma variação marginal no preço
provoca uma variação infinita na quantidade demandada pelo bem
da firma. Este tipo de curva de demanda individual apresenta
horizontalidade, como demonstrado no gráfico abaixo:

GABARITO: LETRA B

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05. CESPE - Analista Administrativo (TCE-
ES)/Administração-Economia/2013/

A produção de uma firma que opera, no mercado


concorrencial, com função custo total C(q) = 0,5q² -10q + 40
e com preço igual a 20 unidades monetárias corresponde a

a) 30 unidades.

b) 40 unidades.

c) 50 unidades.

d) 10 unidades.

e) 20 unidades.

A firma que opera no mercado concorrencial oferta sua produção no


ponto em que maximiza o lucro, ou seja, no ponto em que o preço
é igual ao custo marginal e à receita marginal. Assim sendo: P =
Cmg = Rmg.

A questão fornece a função de custo total. Derivá-la em função da


quantidade produzida é a forma de encontrar o custo marginal.
Desta forma:

GABARITO: LETRA A

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06. ESAF - Analista de Finanças e Controle
(STN)/Economico-Financeira/2000

Um mercado em concorrência perfeita possui 10.000


consumidores. As funções de demanda individual de cada um
desses consumidores são idênticas e são dadas por
q=10−0,5p, em que q é a quantidade demandada em
unidades por um consumidor e p é o preço do produto em
reais. As empresas desse mercado operam com custo
marginal constante igual a 4 e custo fixo nulo. Pode-se
afirmar que

a) o preço de equilíbrio é igual a R$ 4.000,00 e a quantidade


de equilíbrio é igual a 8 unidades

b) o preço de equilíbrio é igual a R$ 4,00 e a quantidade de


equilíbrio é igual a 8 unidades

c) a curva de demanda agregada é dada pela soma vertical


das curvas de demanda individuais

d) não é possível determinar preço e quantidade de


equilíbrio

e) o preço de equilíbrio desse mercado é igual a R$ 4,00 e a


quantidade de equilíbrio é igual a 80.000 unidades

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Como o mercado opera em concorrência perfeita, temos que:

P = CMg

P=4

Substituindo na questão o preço, temos que:

q = 10 - 0,5x4

q = 8 >> quantidade demanda pelo indivíduo

Multiplicando pelo total de consumidores:

qt = 10.000 x 8

qt = 80.000

GABARITO: LETRA E

07. FEPESE - Analista Financeiro do Tesouro Estadual (SEF


SC)/2010

Sobre as curvas de custo de curto prazo de uma firma em


concorrência perfeita, é verdadeiro afirmar:

a) O custo marginal é mínimo quando este é igual ao custo


variável médio.

b) A curva de oferta da firma coincide com a curva de custo


variável médio quando este é superior ao custo marginal.

c) A firma decide fechar quando o preço for inferior ao custo


variável médio.

d) O lucro máximo da firma ocorre quando o custo variável


médio é mínimo.

e) O lucro máximo da firma ocorre quando o custo variável


médio é igual ao preço.

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As curvas de custo de uma firma operando em concorrêncIa


perfeita possuem a seguinte forma:

Ao passo que produção aumenta, o custo marginal é reduzido até


certo ponto. Deste ponto em diante, sofre aumento. O custo
variável médio e custo total médio são decrescentes na área de
custos marginais decrescentes e passam a aumentar quando o
custo marginal também aumenta. Como o custo marginal mede a
variação nos custos dada uma variação na produção, custos
marginais crescentes elevam o custo total em relação ao total
produzido e, consequentemente, o custo médio. Deste modo, o
custo marginal cruza a curva de custo médio em seu ponto mínimo.

Analisando os itens:

a) o ponto mínimo do custo marginal não possui relação com o


custo médio; o correto é o contrário

b) a curva de oferta coincide com a curva de custo marginal a partir


do custo variável médio mínimo

c) como explicado acima, a curva de oferta coincide com a parte da


curva de custo marginal que supera a curva de custo variável médio

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mínimo; portanto, abaixo deste ponto, a firma não oferta e encerra
suas atividades. Item correto.

d) o lucro econômico da companhia é zero neste ponto

e) não existe esta relação

GABARITO: LETRA C

08. FGV - Auditor Fiscal da Receita Estadual (SEFAZ


RJ)/2010

Considere um mercado competitivo em equilíbrio de longo


prazo. As firmas desse mercado possuem a mesma função
custo

C(q) = q²/40 + 2q + 40.

A quantidade produzida por cada firma e o preço de


equilíbrio são, respectivamente:

a) 40 e 2.

b) 40 e 4.

c) 20 e 2.

d) 20 e 4.

e) 80 e 4.

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A questão nos informa que a firma opera em concorrência perfeita.
Deste modo, ela maximiza seus lucros, respeitada as seguintes
condições:

Custo Marginal = Receita Marginal = Preço

Custo Marginal = Custo Médio (equivale a dizer que a firma oferta a


partir da igualdade entre o custo marginal e o custo médio que,
pode definição, será o custo médio mínimo)

Vamos aos cálculos

( ) = ²/ + + .

= + + .

= / +

= / +

CMe = custo total dividido pela quantidade produzida

+ +
=

= + +

+ = + +

Substituindo q na expressão de custo marginal, temos que

= +

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= =

GABARITO: LETRA B

(CESPE-UnB - Consultor do Senado – Economia – Política


Econômica) A análise das estruturas de mercado, tanto
competitivas quanto não competitivas, é fundamental para o
entendimento da formação do sistema de preços. Com
relação a esse assunto, julgue os itens subsequentes.

09. Em mercados competitivos, o fato de as firmas


individuais serem tomadoras de preço (price takers) faz que
a curva de demanda com a qual essas firmas se confrontam
seja perfeitamente elástica.

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Em mercados competitivos, as firmas apresentam caráter
atomizado, ou seja, não possuem relevância na determinação das
condições de mercado (preços e quantidade). A curva de demanda
da firma individual apresenta perfeita elasticidade, de modo que
modificação no preço provoca variação infinita na quantidade
demandada. Resultado: a firma oferta seus produtos ao preço de
mercado, tendo a curva de demanda o formato horizontal.

GABARITO: CERTO

10. Em uma indústria competitiva, caracterizada pela


existência de custos decrescentes, a curva de oferta de longo
prazo é negativamente inclinada.

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A existência de custos decrescentes possibilita à firma a redução
dos custos médios com o aumento da produção. A firma situa-se na
parte descendente da curva de custo médio.

Como resultado, no longo prazo, o aumento na oferta é


acompanhado de redução na curva de custo marginal e, portanto,
no ponto de maximização de lucros da firma, evidenciado curva de
oferta negativamente inclinada.

Esta dinâmica pode ser compreendida por 2 fatores operando em


conjunto: a redução do custo médio à medida que a produção
aumenta e a existência de competição, o que indica que as firmas
irão reduzir os preços à medida que elevam a produção. Portanto,
preços e quantidades ofertadas estão negativamente relacionadas,
o que indica curva de oferta negativamente inclinada.

GABARITO: CERTO

11. Sairá do mercado a firma competitiva que auferir lucros


econômicos nulos no longo prazo.

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Sairá do mercado a firma competitiva que auferir lucros econômicos
negativos no longo prazo. Este caso, é demonstrado quando o preço
de mercado situa-se abaixo da curva de custo médio total e acima
da curva de custo variável médio.

Resta citar que a condição de maximização de lucros da firma


ocorre no ponto em que RMg = CMg, evidenciado lucro econômico
zero.

GABARITO: ERRADO

(ANPEC/2005/QUESTÃO 06/) Considere um mercado em


concorrência perfeita, avalie as afirmativas:

12. A igualdade entre preço e custo marginal é condição


necessária, mas não suficiente para a maximização dos
lucros da firma.

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Como citamos na parte teórica, a curva de custo marginal cruza a
curva de receita marginal em dois momentos. Portanto, não é
apenas necessário tocar, mas tocar na parte ascendente da curva
de custo marginal para que se possa obter a condição necessária e
suficiente de equilíbrio.

GABARITO: CERTO

13. No curto prazo, se o lucro econômico do produtor é


positivo, a produção se faz com custo marginal superior ao
custo médio.

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Sabemos que a curva de oferta é derivada da parte da curva de
custo marginal situada acima da curva de custo médio. Caso a
curva de custo marginal se situe acima da curva de custo médio, a
situação apresenta lucro econômico.

GABARITO: CERTO

14. Se a função de custo total da firma for C (q)  q 3  9q 2  42 q ,

então, a função de oferta será p(q)  3q 2  18 q  42 , para valores

de q maiores que 3.

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Como já mencionado, a curva de oferta é derivada da parte da
curva de custo marginal situada acima da curva de custo médio.
Assim, necessitamos encontrar a função de custo marginal e
encontrar a quantidade produzida para o ponto mínimo da curva de
custo médio através da derivada da função de custo médio quando
ela é igual a zero (fato que representa o ponto mínimo da curva).

a) Custo Marginal:

= 3 9 2 + 42

= 3 2 18 + 42

Como Cmg = p, então:

= +

Representa a curva de oferta da firma a partir do ponto mínimo da


curva de custo médio.

b) Quantidade produzida no ponto mínimo da curva de custo médio

= +

= /

= +

Para encontrar o ponto mínimo é necessário derivar em relação a q


e igualar a zero:

= =

= ,

Deste modo, a função de oferta é valida para valores maiores que


4,5.

GABARITO: ERRADO

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15. Se a função de custo total de uma firma for
C (q)  q 3  9q 2  42 q e se o preço de mercado for igual a 42, a
18
elasticidade-preço da oferta deste produtor será igual a .
7

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Para encontrar a elasticidade preços da curva de oferta, devemos
encontrar a curva de oferta. Como sabemos, a firma passa a oferta
quando feita a condição Rmg = CMg. Como se trata de uma firma
em concorrência perfeita, RMg = P. Deste modo:

= +

A elasticidade da oferta é calculada pela variação na quantidade


ofertada em termos da variação de preço. Algebricamente, temos
que:

= =

= = =
( )

GABARITO: ERRADO

16. O valor do excedente do produtor iguala-se aos lucros


totais da firma mais o valor do custo fixo

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Esta é uma das maneiras de se expressar o excedente do produtor.

Como já citado, o excedente do produtor é obtido pela aérea


situada acima da curva de oferta e abaixo do preço de mercado.

Analogamente, podemos representá-lo como:

EP = RT – CV (receita total – custo variável).

Já o lucro da companhia pode ser expresso como:

Lucro = RT – CF - CV (receita total – custos fixo e variável)

Substituindo:

EP = Lucro + CF

GABARITO: CERTO

(ANPEC/2005/QUESTÃO 07) Sobre as condições de


maximização do lucro em diferentes estruturas de mercado,
avalie as afirmativas:

17. No curto prazo, para uma firma que opere em


concorrência perfeita, a condição para a maximização dos
lucros, de que a receita marginal seja igual ao custo
marginal, impõe lucros econômicos nulos ao produtor.

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Mais um item da ANPEC que pode muito bem ser motivo de
“pegadinhas” na prova d CESPE. De fato, em concorrência perfeita,
a condição para maximização de lucros se dá no ponto em
Rmg=Cmg.

Não obstante, no curto prazo, a firma pode apresentar lucro


positivo ou negativo. A curva de oferta no curto prazo é derivada da
parte da curva de custo marginal superior à curva de custo variável
médio. No entanto, ela pode se situar abaixo da curva de custo total
médio (que considera também o custo fixo médio), evidenciando
prejuízo no curto prazo.

Mas, no longo prazo, a condição de lucro econômico zero é valida.

Abaixo, segue o formato das curvas com a indicação da curva de


oferta no curto prazo:
CMg

Lucro < 0
CTME

CVME

Curva de Oferta a
partir deste ponto

GABARITO: ERRADO

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QUESTÕES GABARITO

01 B

02 C

03 B

04 B

05 A

06 E

07 C

08 B

09 CERTO

10 CERTO

11 ERRADO

12 CERTO

13 CERTO

14 ERRADO

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15 ERRADO

16 CERTO

17 ERRADO

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