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Fluxo Circular da Actividade Econômica

As remunerações pagas pelas Unidades Produtoras criam renda para as famílias.


As famílias, por sua vez, têm necessidades que precisam ser satisfeitas pelo
consumo de mercadorias produzidas pelas Unidades Produtoras. As unidades
produtoras entregam os bens e serviços às famílias mediante o pagamento
adequado. Portanto, podem-se identificar dois fluxos principais entre as famílias e
as unidades de produção.

Fluxo Real
Representa o envio dos recursos produtivos das famílias para as empresas e, por
outro, o envio das mercadorias (bens e serviços) das empresas para as Unidades
Familiares.

Fluxo Monetário
Representa o envio de recursos financeiros das Unidades de Produção para as
Unidades Familiares, como remuneração pelos recursos produtivos fornecidos
anteriormente.

Além disso, são representados os fluxos financeiros das Unidades Familiares para
as Unidades de Produção, decorrentes do pagamento pelas mercadorias (bens e
serviços) consumidas.

Inter-relação do Fluxo Real e Monetário


A relação entre dois grandes agentes econômicos – famílias e empresas – se dá
no mercado.

Existem também dois tipos distintos de mercados, decorrentes do funcionamento


conjunto dos Fluxos Real e Monetário.
Mercado de Recursos de Produção.
Esse mercado é o local em que as unidades familiares ofertam seus recursos
disponíveis e que as unidades de produção as procuram.

Mercado de Bens e Serviços.


Neste mercado, as unidades de produção exercem a função de oferta e as
unidades familiares, a de procura.

A interação entre os agentes econômicos por meio da análise do


fluxo circular da renda em uma economia
O fluxo econômico retrata como a economia se movimenta, mostrando como os
agentes econômicos – Empresas, Família e Governo – transacionam entre si na
busca de atingir seus objetivos e, ainda, proporcionar o equilíbrio da economia
como um todo.
Apesar de ser difícil, atualmente, imaginar uma economia cujos fluxos econômicos
não incluam o setor externo, neste trabalho, em virtude dos objetivos propostos e,
ainda, de modo a mostrar de maneira bem simples o funcionamento da economia,
optamos por apresentar um modelo de economia fechada envolvendo apenas as
famílias, as empresas e o governo.
A Figura abaixo representa a oferta e a demanda de bens e a oferta e a demanda
de recursos num sistema econômico com três agentes, ou seja, famílias,
empresas e governo.
Analisando-se a figura, pode-se perceber que as empresas demandam, no
mercado de fatores, força de trabalho das famílias para utilizá-la para a produção
de bens e serviços.
Essas empresas remuneram as famílias, por meio de recursos monetários
denominados rendas, de modo que essas famílias se tornem consumidoras de
produtos no mercado de bens.

Fonte: Adaptado de MONTELLA, M. Economia Passo a Passo, Rio de Janeiro: Quailitymark, 2004
Figura 1 - Fluxo circular de uma economia com três agentes
De toda a renda destinada às famílias como forma de pagamento pelo uso dos
seus fatores, apenas parte reverte-se diretamente às empresas na forma de
consumo (alimentação, moradia, saúde, educação, transporte, etc).
O restante da renda destina-se, em parte, ao mercado financeiro – na forma de
poupança – e, em parte, ao governo – na forma de tributos diretos sobre a renda
e sobre o patrimônio das famílias.
O montante de renda mantido no mercado financeiro, sob a forma de poupança
das famílias, é direcionado às empresas, como recurso para investimento. Estes
recursos são fonte de financiamento para aquisição de bens de investimento,
como máquinas, equipamentos e até novas instalações.
O montante de recurso monetário desviado das unidades familiares e das
empresas para o governo sob a forma de tributos – impostos, taxas e
contribuições de melhoria – equivale à receita pública utilizada pelo governo para
financiar seus gastos dentro e fora do mercado de fatores e do mercado de bens.
No mercado de fatores, o governo, no papel de comprador, adquire fatores de
produção e os utiliza para produzir bens e serviços públicos não negociados no
mercado, tais como defesa nacional, saúde pública, proteção policial etc.,
tornando-os disponíveis à comunidade em geral.
Já no mercado de bens, o governo atua:
a) Do lado da oferta, quando vende determinados bens e serviços, como
serviços postais, transporte, habitações populares e serviços públicos em
geral; e
b) Do lado da demanda, quando compra bens e serviços que vão ser úteis,
direta ou indiretamente, à coletividade, tais como equipamentos bélicos,
veículos, material de escritório, alimentos para hospitais e escolas públicos,
serviços de manutenção, limpeza etc.
Fora do mercado de bens e do mercado de fatores, registram-se como gastos do
governo: as transferências, que são auxílios financeiros do governo para as
famílias, e os subsídios, que são auxílios financeiros do governo para as
empresas.
No que tange especificamente aos impostos, podemos classifica-los em:
a) Impostos diretos e;
b) Impostos indiretos.

Os impostos diretos são aqueles que incidem sobre a renda e o patrimônio das
pessoas ou entidades. Dentre os mais conhecidos, encontram-se: o Imposto
sobre o Rendimento de Pessoas Singulares (IRPS) e Colectivas (IRPC), o
Imposto Simplificado para Pequenos Contribuintes. Os impostos indiretos são
aqueles que incidem sobre a produção, a venda e a circulação de bens e serviços.
Dentre eles, destacam-se: Imposto sobre a despesa, Imposto sobre o Valor
Acrescentado (IVA), Imposto sobre Consumo Específico (ICE), Direitos
Aduaneiros.
Diante desse fluxo de renda entre governo, empresas e famílias, podemos dizer
que o crescimento econômico ocorrerá quando os preços dos bens produzidos
pelas empresas forem suficientes para: cobrir os custos dos fatores de produção;
cobrir os tributos pagos ao governo; propiciar uma renda que permita as unidades
familiares pouparem (depois de garantido o seu consumo); gerar um volume de
vendas suficiente para que as empresas possam auferir lucros.
Esses lucros associados a novos investimentos, proporcionam:
➢ crescimento das unidades produtivas;
➢ aumento da absorção de força de trabalho (maior contratação);
➢ aumento da renda das famílias (devido ao aumento do volume de
empregados);
➢ aumento de arrecadação de tributos para que o governo possa melhorar as
condições de infra-estrutura da sociedade; e
➢ maior volume de poupança e de recursos para (re)investimento.

Recursos Produtivos ou Fatores de Produção


Para a produção de bens e serviços necessários à satisfação das necessidades
humanas, exige-se o emprego de recursos produtivos ou fatores de produção. Os
fatores de produção são divididos em cinco categorias: o trabalho, a terra, o
capital, a capacidade empresarial e a capacidade tecnológica.

Em economia, o termo terra é usado em sentido amplo, indicando não só a terra


cultivável e urbana (espaço físico), mas também os recursos naturais que contém:
os minerais, os vegetais, os recursos hídricos, etc.

O fator de produção trabalho se refere às faculdades físicas e intelectuais dos


seres humanos que intervêm no processo produtivo. Ou seja, é todo esforço
humano, físico ou mental, despendido na produção de bens e serviços. O recurso
trabalho também é considerado escasso, já que até mesmo quando ele é
abundante em quantidade, pode não preencher os requisitos de qualidade
necessários para empreender a produção.

O capital compreende as edificações, a maquinaria, os equipamentos, as


matérias-primas, computadores, estradas de ferro e demais meios elaborados
utilizados no processo produtivo. Ou seja, são bens utilizados no processo de
produção de outros bens.

É importante observar que dinheiro, ações e títulos são considerados capital


financeiro e não constituem riqueza e sim, direitos a ela. Um exemplo de que o
capital financeiro somente não produz riqueza é o fato de que uma sociedade não
fica mais rica se simplesmente emitir mais moeda.

A capacidade empresarial também é um fator de produção, pois o empresário


exerce funções fundamentais para o processo produtivo. É a capacidade
empresarial que organiza a produção, reunindo e combinando os outros recursos
produtivos e assumindo todos os riscos inerentes à elaboração dos bens e
serviços.

A capacidade tecnológica é o conjunto de conhecimentos e habilidade intelectuais


ou não que dão sustentação ao processo de produção. A capacidade tecnológica
se divide em três categorias:
➢ a capacidade de pesquisa e desenvolvimento (invenção);
➢ a capacidade de desenvolver e implantar projetos de novos processos ou
produtos (inovação) e;
➢ a capacidade para operar as atividades de produção propriamente ditas.
Remuneração dos Proprietários de Recursos Produtivos
Qualquer que seja a empresa – agrícola, industrial ou de serviços, ela necessita
para operar de recursos produtivos como um espaço para operar, recursos
naturais, mão-de-obra (trabalho), capital (máquinas e equipamentos), capacidade
tecnológica (conhecimento técnico dos processos de produção) e empresarial
(gestão competente).

O preço pago pela utilização desses fatores de produção é a sua remuneração,


que normalmente é recebida pelas famílias e outras empresas ou governo que
são os proprietários desses fatores produtivos.

Assim, a remuneração paga pelo fator de produção trabalho é o salário. A


remuneração pela utilização de capital são os juros e as remunerações pelos
fatores de produção terra, capacidade tecnológica e administrativa são
respectivamente o aluguel, os royalties e os lucros.

Fatores de Produção Remuneração dos Fatores


Trabalho Salário
Capital Juros
Terra Aluguel
Capacidade Empresarial Lucros
Capacidade Tecnológica Royalties
Tabela 1 – Fatores de Produção e sua remuneração