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Mercado e o seu Funcionamento

Conceito de Mercado
Em economia e nas ciências económicas e empresariais em geral, o termo mercado
designa um local, físico ou não, no qual os compradores e os vendedores se confrontam
para estabelecer o preço e a quantidade de um determinado bem que pretendem
transaccionar.
Em qualquer mercado, o mecanismo regulador é o preço (ver mecanismo de
mercado): se comprador e vendedor chegam a acordo no preço relativamente a
determinado bem, isso significa que para o comprador o bem vale tanto ou mais do que
o preço estabelecido e que para o vendedor o bem vale tanto ou menos do que o preço
estabelecido. Além disso, os preços estabelecidos no mercado funcionam como
verdadeiros sinais para toda a economia.
Por exemplo:
Os consumidores aumentarem o seu desejo por determinado bem, o preço
desse bem tem tendência a aumentar, dando assim um sinal aos produtores que devem
produzir mais quantidade desse mesmo bem. O inverso acontecerá se os compradores
passarem a desejar menos quantidade do bem.
Tipos de mercados
Quando se fala em mercado, pode-se falar em:
a) Mercado de bens de consumo (por exemplo, mercado das batatas);
b) Mercado dos factores produtivos (por exemplo, mercado petrolífero);
c) Mercado financeiro;
d) Mercado de trabalho.
As leis e mecanismos que se aplicam ao mercado dos bens de consumo e ao mercado
dos factores produtivos são as mesmas.
Por exemplo, no mercado de trabalho também existe um encontro entre a oferta
(famílias/trabalhadores) e a procura (empresas/empregadores), formando-se
um preço que regulará esse mercado (o salário).
Da mesma forma, no mercado financeiro existe o encontro entre quem tem dinheiro para
emprestar ou aplicar e quem dele necessita, formando-se um preço que é a taxa de
juros.
Noutros contextos, o termo mercado pode ser entendido como o conjunto de
consumidores potenciais do produto ou serviço oferecido por determinada empresa ou,
em termos mais gerais, ao conjunto de consumidores actuais e potenciais de um
determinado sector de actividade ou conjunto de concorrentes.
Mecanismo de Mercado
O mecanismo de mercado é, segundo as palavras de Adam Smith, uma espécie de “mão
invisível” que regula as respostas dadas às três questões base estudadas pela
economia:
➢ “O quê” é produzido;
➢ “O como” é produzido;
➢ “Para quem” é produzido.
No caso da resposta à questão “o quê” produzir, quando as famílias procuram mais de
um bem significa que estão dispostas a pagar mais pela mesma quantidade fazendo com
que o preço aumente e criando incentivos aos produtores para que estes afectem mais
recursos produtivos para a produção deste mesmo bem.
Quanto à resposta à questão “o como” produzir, também são os preços dos bens e
dos factores produtivos que regulam as combinações e quantidades de cada factor
produtivo utilizado na produção.
Relativamente à resposta à questão “para quem” produzir, também são os preços dos
diferentes factores produtivos que, juntamente com as quantidades detidas, determinam
a repartição do rendimento e, portanto, o consumo de cada família.
Pelo referido antes, facilmente se conclui que o papel central do mecanismo de mercado
cabe aos preços. De facto, é através dos preços que o mercado consegue compatibilizar
os interesses antagónicos de produtores e consumidores. Desta forma, o mecanismo de
mercado mais não é do que o processo pelo qual são formados os preços no mercado.
Lei da oferta e da procura:
A lei da oferta e da procura é uma das bases do mercado e consiste na relação entre o
preço de bens e serviços ofertados e a demanda existente por eles.
A lei da oferta e da procura é um dos conceitos mais importantes da economia pois
funciona como um modelo de definição de preços e determina a melhor forma de se
alocar recursos.
Devido essa função regulamentadora, a lei da oferta e da procura é a própria essência
do liberalismo econômico, que defende um mercado independente e autorregulado.
Procura
A procura diz respeito ao quanto um produto ou serviço é desejado por compradores
dispostos a pagar um determinado preço.
A análise entre o preço e a quantidade demandada pelos compradores resulta na
chamada lei da procura.
Oferta
A oferta se refere ao quanto de um produto ou serviço o mercado pode disponibilizar por
um determinado preço.
A correlação entre o preço e quanto de um bem ou serviço é ofertado pelo mercado é
conhecida como lei da oferta.
A lei da oferta e da procura nada mais é do que a combinação entre a lei da procura e a
lei da oferta. O conceito analisa a interação entre as duas relações e é utilizada na
definição de preços de bens e serviços. Além disso, a lei explora os diferentes resultados
em casos de equilíbrio e desequilíbrio das relações.
Funcionamento da lei da procura?
A lei da procura afirma que, em um cenário de concorrência perfeita, quanto maior o
preço de um bem ou serviço, menor será a demanda (procura) por ele. Conforme o
preço diminuir, maior será a demanda (procura). O diagrama abaixo demonstra a
relação:
Representação gráfica da chamada curva da procura ou curva da demanda.

No preço “P1”, a quantidade procurada é “Q1”. Quando o preço do bem ou produto é


aumentado para “P2”, a quantidade demandada é diminuída para “Q2”, e assim em
diante. Assumindo que todos os outros fatores permaneçam os mesmos, a quantidade
demandada varia de forma inversamente proporcional ao preço.
Exemplo 1: Conforme o Dia das Crianças se aproxima, as lojas tendem a aumentar o
preço dos brinquedos. Isso faz com que muitos consumidores desistam de adquirir esse
tipo de bem e procure outras alternativas, como roupas, eletrônicos, etc.
Exemplo 2: Após a páscoa, diversas lojas permanecem com excedentes de produtos
como ovos e caixas de chocolate. Para vender os produtos mais rápido, as lojas
diminuem os preços, resultando no aumento da procura por parte dos consumidores.
Funcionamento da lei da oferta?
A lei da oferta é o exato oposto da lei da procura. A lei prevê que, conforme os preços
dos bens e serviços aumentam, os fornecedores tendem a ofertar cada vez mais, tendo
em vista que vender mais e a um preço mais alto aumenta significativamente os lucros.
Confira o diagrama abaixo:
O gráfico acima representa a chamada "curva da oferta".

Quando o preço “P1” sobe para “P2”, a quantidade ofertada no mercado aumenta para
“Q2”, e assim em diante. Assim, se todos os fatores permanecem os mesmos, a
quantidade ofertada varia de forma proporcional ao preço.
Exemplo: Sabendo que o fornecimento de água encanada foi interrompido na região, os
fornecedores de água mineral da cidade aumentam o preço do produto. Tendo em vista
que a procura não diminui (considerando a essencialidade do produto), os fornecedores
continuam produzindo mais bens e, na medida do possível, aumentando o preço.
Interração da Lei da oferta e da procura
Quando as relações de oferta e de procura são analisadas em conjunto, as duas
funcionam em espelho, conforme o diagrama:
Em um determinado preço “P” a quantidade demandada e a quantidade ofertada se
cruzam formando um ponto de equilíbrio. Nele, os fornecedores vendem todos os bens
e produtos ofertados e os consumidores recebem tudo o que procuram.
O ponto de equilíbrio entre as relações de oferta e procura é o cenário econômico ideal
no qual consumidores e produtores estão satisfeitos.
Saiba mais sobre oferta e demanda e mão invisível.
Desequilíbrio nas relações de oferta e procura
Sempre que o preço de um bem ou serviço não for igual à quantidade demandada,
haverá desequilíbrio na relação de oferta e procura. Nesses casos, as duas hipóteses
possíveis são:
Excesso de oferta
Se o preço de um bem ou serviço é muito alto, o mercado enfrentará um excesso de
oferta, significando que os recursos não estão sendo alocados de forma efetiva.

Nos casos de excesso de oferta, em um determinado preço “P1”, a quantidade de bens


e serviços que os fornecedores estão dispostos a ofertar é indicada por “Q2”. Contudo,
com o mesmo preço, a quantidade de bens e serviços que os consumidores desejam
adquirir é de “Q1”, ou seja, menor que “Q2”.
O resultado do diagrama acima é que muito está sendo produzido e pouco está sendo
consumido. Nesse cenário, surgirá a necessidade de diminuir os preços.
Excesso de procura
O excesso de procura é criado quando o preço definido está baixo do ponto de equilíbrio.
Se o preço é baixo, muitos consumidores demandarão o bem ou serviço, ocasionando
uma escassez no mercado.
Nessa situação, em um preço “P1”, a quantidade de bens e serviços procurada por
consumidores é “Q2”, enquanto os fornecedores estão aptos a produzir, por determinado
preço, apenas “Q1”. Assim, os bens e serviços produzidos são insuficientes para
satisfazer a demanda dos consumidores.
O excesso de procura fará com que os consumidores disputem a aquisição dos bens e
serviços, fazendo com que os produtores aumentem os preços, o que ocasionalmente
diminuirá a procura e restaurará o equilíbrio do mercado.
Quem criou a lei da oferta e da procura?
A lei da oferta e da procura não possui autoria determinada. Sabe-se que a noção da lei
já era conhecida no século XIV por diversos estudiosos muçulmanos, que entendiam que
se a disponibilidade de um bem diminuísse, seu preço aumentava.
Em 1961, o filósofo inglês John Locke descreveu em uma de suas obras o conceito que
hoje define a lei da oferta e da procura sem, contudo, utilizar essa nomenclatura. Na
época, o filósofo escreveu:
"O preço de qualquer comodidade aumenta e diminui na proporção
do número de compradores e vendedores, e isso regula o preço...".
A expressão "oferta e procura" foi utilizada pela primeira vez pelo economista escocês
James Steuart em 1767 e, anos depois, por Adam Smith.