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O saber-fazer na BNCC Anos

Iniciais do Ensino Fundamental:


repercussões na prática
pedagógica docente

Profa. Maria da Conceição Farias da Silva Gurgel Dutra


DE/CCHSA/UFPB
O que é? para que serve? Como
organizar a prática pedagógica no Ensino
Fundamental – Anos Iniciais?
PARTE INTEGRANTE DO GUIA DE IMPLEMENTAÇÃO DA BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR
BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR (BNCC)
Documento normativo que define o conjunto de
aprendizagens essenciais que todos os alunos devem
desenvolver ao longo das etapas e modalidades da
Educação Básica, para que tenham assegurados seus
direitos de aprendizagem e desenvolvimento, em
conformidade com o Plano Nacional de Educação (PNE
2014 - 2024); LEI N° 13.005/2014.
É necessário que sistemas, redes e
escolas garantam um patamar
comum de aprendizagem a todos os
estudantes, tarefa para a qual a BNCC
é para o MEC o instrumento
fundamental.
As aprendizagens essenciais da BNCC concorrem para
assegurar o desenvolvimento de dez competências gerais, que
consubstanciam os direitos de aprendizagem e
desenvolvimento.

Competência: mobilização de conhecimentos


(conceitos e procedimentos), habilidades (práticas,
cognitivas e socioemocionais), atitudes e valores
para resolver demandas da vida cotidiana, do pleno
exercício da cidadania e do mundo do trabalho.
10. Responsabilidade e
Cidadania 1. Conhecimento

9. Empatia e cooperação 2. Pensamento científico


crítico, criativo

8. Autoconhecimento e
3. Repertório Cultural
autocuidado

7. Argumentação 4. Comunicação

6. Trabalho e
5. Cultura Digital
projeto de vida
As competências gerais desdobram-se
no tratamento didático da Educação
Infantil, Ensino Fundamental e Ensino
Médio, articulando - se na construção
d e c o n h e c i m e n t o s , n o
desenvolvimento de habilidades e na
formação de atitudes e valores.


Ensino Fundamental - Anos Iniciais
Valorizar de situações lúdicas de
a p r e n d i z a g e m , a r t i c u l a n d o a s
experiências da Educação Infantil.
Progressão e desenvolvimento de novas
formas de relação com o mundo, ler e
formular hipóteses, testá-las, refutá-las,
elaborar conclusões, com atitude ativa
na construção de conhecimentos.
PROGRESSÃO DO CONHECIMENTO
No Ensino Fundamental – Anos Iniciais

Consolidação das aprendizagens anteriores pela ampliação das
práticas de linguagem e da experiência estética e intercultural
das crianças, considerando tanto seus interesses e suas
expectativas quanto o que ainda precisam aprender.

ÁREAS DO CONHECIMENTO COMPONENTE COMPETÊNCIAS
ENSINO CURRICULAR ESPECÍFICAS
FUNDAMENTAL - ANOS
INICIAIS
Linguagens Língua portuguesa; Por área e
Arte e Educação Física componente
Matemática Matemática Por área e
componente
Ciências da Natureza Ciências Por área e
componente
Ciências Humanas História e Geografia Por área e
componente
Práticas E F - Anos Normas
de Iniciais Vida social
Linguagem

Tecnologias CONSOLIDAÇÃO Autonomia


Meio E AMPLIAÇÃO DE intelectual
Ambiente APRENDIZAGENS

Natureza
Cultura Experiências Interesses
História Anteriores
APREDIZAGEM DA LEITURA E DA ESCRITA

1º E 2º ANOS 3º, 4º e 5º Anos


Deve ter como foco a alfabetização, Capaz de ler e escrever textos de
a fim de garantir que os alunos se diversos gêneros. Um processo que a
apropriem do sistema de escrita BNCC indica ter continuidade a partir
alfabética de modo articulado ao do 3º ano, quando a ênfase é
d e s e n v o l v i m e n t o d e o u t r a s na ortografização.
habilidades de leitura e de escrita e
ao seu envolvimento em práticas
diversificadas de letramentos.
Língua Portuguesa
Práticas de linguagem:
Oralidade, leitura/escuta, produção (escrita e multissemiótica) e
análise linguística/semiótica (que envolve conhecimentos linguísticos –
sobre o sistema de escrita, o sistema da língua e a norma-padrão –,
textuais, discursivos e sobre os modos de organização e os elementos
de outras semioses).
Eixos: Leitura; Produção de textos; Oralidade; Análise Linguística/
Semiótica

Campos de atuação: Campo da vida cotidiana; Campo artístico-


literário ; Campo das práticas de estudo e pesquisa; Campo da vida
pública.
LÍNGUA PORTUGUESA, 1º E 2º ANOS
Práticas de Objetos de Campo Habilidades
linguagem conhecimento de atuação
Leitura/ Protocolos de Todos os (EF01LP01) Reconhecer
escuta linguagem campos que textos são lidos e
escritos da esquerda
(compartilhada
para a direita e de cima
e autônoma) Decodificação/ para baixo da página.
Fluência de
leitura (EF12LP01) Ler palavras
novas com precisão na
decodificação, no caso
de palavras de uso
frequente, ler
globalmente, por
memorização.
O SEQUENCIAMENTO DAS APRENDIZAGENS EXPRESSO POR CÓDIGO
EF 02 CI 01
O primeiro par de números
O primeiro par de letras indica o ano (ou bloco de
indica a Etapa de Ensino (EI, anos) a que se refere a
EF ou EM). aprendizagem ou habilidade).

O segundo par de letras é uma O último par de números indica


abreviação do componente a posição da aprendizagem ou
curricular ou da área (no caso da habilidade na numeração
de Ensino Médio). sequencial do ano (ou do bloco
de anos)*
* No caso do Ensino Médio, o primeiro número desta última
sequência indica a que competência específica a habilidade está
relacionada
Ex.: EM13LGG402, indica que se refere a uma habilidade da
Etapa do Ensino Médio para o 1º ao 3º ano, da área de
Linguagens, está relacionada à competência 4 e é a 2ª habilidade
apresentada.
Artes, 1º e 2º anos
Unidades Objetos de Habilidades
temáticas conhecimento
Dança Contextos e práticas (EF15AR08) Experimentar e
apreciar formas distintas de
m a n i f e s t a ç õ e s d a d a n ç a
presentes

em diferentes contextos,
cultivando a percepção, o
imaginário, a capacidade de
Elementos da linguagem simbolizar e o
repertório corporal. (...)

Processos de criação

Língua Portuguesa 1º Ano Ensino Fundamental – PROPOSTA
CURRICULAR DO ESTADO DA PARAÍBA (p. 84)
Objetivos de Conteúdos Habilidades
aprendizagem
Eixo da oralidade
CAMPO DA VIDA COTIDIANA
Interagir e respeitar a Estratégias de EF12LP06
diversidade de formas oralidade através do
de expressão oral em trabalho com textos do
diversos contextos universo oral;
sociais; objeto de
Prática de linguagem: conhecimento:
oralidade Produção de texto oral

(EF12LP06)
“Planejar e produzir, em colaboração com os colegas e com a ajuda do
professor, recados, avisos, convites, receitas, instruções de montagem,
dentre outros gêneros do campo da vida cotidiana, que possam ser
repassados oralmente por meio de ferramentas digitais, em áudio ou
vídeo, considerando a situação comunicativa e o tema/assunto/
finalidade do texto” BNCC (2018, p. 103)
Controle da Educação escolar e do
trabalho docente
Há lições que nunca esquecemos, e destas havia muitas. (CANETTI, 2005,
p. 266).

•  Ao invés de pensarmos nos desafios cotidianos e problematizarmos
coletivamente a prática docente, a escola, a sociedade... vamos nos
alinhar um “currículo único”?
•  É A BNCC um currículo único?
•  Se caracteriza como currículo único, fundamentado na necessidade de
reduzir “desigualdades” e melhorar a “qualidade” da educação no país.
•  As aprendizagens postas na BNCC por serem amplas, não
impossibilitam trabalhar as aprendizagens diversificadas?
•  Que conhecimentos serão exigidos nas avaliações de sistema? (ANA,
Provinha Brasil) Os inclusos na Base ou os da parte diversificada?
•  A BASE padronizou o ensino por competências e habilidades, a
formação humana de forma individualizada, ignorou contradições
sociais, diversidade, relações de gênero, etc.
Norbert Elias – Sociedade de Corte (2001), evidencia que as maneiras de fazer humanas,
produzem-se em relações conflituosas, antagônicas, móveis e, por vezes, equilibradas.
Na teia das independências, cada movimento pressupõe alianças, disputas, equilíbrios,
instabilidades, duráveis ou não. Recuar, perder, conquistar, desviar e esperar a hora do
melhor lance, mesmo com desgaste, constroem o jogo social.

As maneiras de fazer humanas, por assim dizer, produzem-se em relações conflituosas,


antagônicas, móveis e, por vezes, equilibradas. (ELIAS, 2001)

A BNCC não imobiliza nossas ações emancipatórias, porque as práticas de grupos e de
sujeitos no mundo social, conforme Certeau (2001) não estão isentas de serem
questionadas, reinventadas, silenciadas, reordenadas de outros modos, pelas formas de
agir, de ser e viver de outros sujeitos e coletivos.

Chartier (1991, p. 177) considera “não haver práticas ou estrutura que não sejam
produzidas pelas representações, contraditórias e em confrontos, pelas quais os indivíduos
e os grupos dão sentido ao mundo que é o deles”.