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AGRADECIMENTOS

Agradeço a ti, Mãe Raquel, por gerar-me em teu ventre


sagrado; sublime és e sublime sempre serás.
Agradeço a ti, Pai Gil, por dar-me ensinamentos que
germinariam o que eu sou, assim como Mãe Raquel; mas a
ti, ninguém beira sequer teu calcanhar.
Agradeço à minha família por dar-me conforto nesta
encarnação e fazer com que aprenda a resgatar meu Karma
de maneira próspera, adequada e mística.
Agradeço a ti, Nhanderuçuvu, por ser o criador deste
mundo e logo, de mim também.
Agradeço a todos.

अहं त्वयि स्निह्यामि!

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2
PRÓLOGO
PREPOSIÇÕES FILOSÓFICAS À LA SPINOZA

DEFINIÇÕES

1. Todo o ser é constituído por uma forma sutil, etérea e


profusamente psíquica de manifestação, com abertura
arrazoada perante as dimensões superiores da consciência e,
por conseguinte, a cosmicidade metafísica.
2. O espírito comanda com uma modalidade ubíqua de
ordenação os planos mentais, emocionais, astrais e físicos
do agente passivo de sua regência, neste caso, o ser; não
obstante, especialmente, aquele atrelado às circunstâncias
vulneráveis da esfera material d'existência.
3. O ser é espírito em essência, e, somente deixa de sê-lo, se
porventura gozar de indícios significativos de sujeição às
causas e efeitos da substância material, a qual origina o
bloqueio evolutivo da condição ôntica do ente.
4. O universo se configura como um espírito absoluto,
enquanto que seus residentes são somente modalidades ou
engenhos de sua expressão. Assim, se estabelece
filosoficamente que os seres, incluídos nesta estrutura, estão

3
inteiramente conectados a um âmago único e de
fundamentação precipuamente espiritual, na qual se
determina o alinhamento natural dos mecanismos
operativos do universo.
5. Todo o ser alicerçado em sua espécie espiritual
d'existência possui uma organização energética distinta
daqueles que habitam o plano material, em virtude do
fenômeno do contato direto e retilíneo com a própria
consciência una, que se situa, precisamente, nas regiões
espirituais daquilo que há-de classificar-se como posições e
arquétipos universais d'existência.
6. Mediante o espírito, se conforma toda a essência ôntica, e
mediante a essência do espírito, se conforma a substância
formadora do ser por natureza. Destarte, o ser é
irretorquivelmente subordinado a uma lei homogênea e
homócrona que define os seus parâmetros de vida e
ambiente.
7. O espírito é indene à decomposição orgânica das cousas
materiais, dado que, justamente, está contatado sem desvios
à consciência universal vigorante, ao passo que a matéria é
ignota a tal fenômeno, em razão de estar significativamente
distante desta realidade.
8. Com os propósitos, mormente interativo e libertador, o
espírito consolida certos tipos de revoluções e reedificações
e dos paradigmas consumados na dimensão da matéria a
fim de que esta conceba a sua inclinação partícipe
inevitável sobre os seres e o universo; isto se manifesta
através de seres com modelo biológico material que,
auspiciosamente, gozam de consciência espiritual plena e
genuína, em face de estarem assaz mais avançados na busca

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pela aquisição completa da consciência divina (neste caso
em particular, a sua realização) do que outrem ou, em
outras palavras, o resto dos seres existentes.
9. O espírito é o engendrador supremo dos fluxos
orientadores da psique humana; isto posto, a alma deve
circundar em torno da órbita das regulações do espírito,
mas, entrementes, a matéria obedece a pequenos comandos
anímicos (ou relativos à alma) em prol dum entendimento
um tanto mais elevado para situações de classe meramente
cotidiana, e com muita profundidade (até totalidade) ao
espírito, para todo o tipo de circunstância, sobretudo,
aquelas correlatas às evolução e ascensão ôntica.

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DISQUISIÇÕES

Preposição 1. O espírito é súpero conhecedor do


funcionamento d'organismo ôntico, bem como é seu
próprio ponto de partida, ou motor comportamental,
nos ínterins deste processo.
Demonstração. As defs. 2, 3 e 5 corroboram
significativamente para a validade axiológica da premissa
exposta de antanho. Portanto, fica muito evidente que as
condutas humanas, por mais físicas que sejam ou pareçam
ser, possuem uma origem localizada além das percepções
tangíveis, a qual, precisamente, está relacionada ao espírito.
Neste sentido, quer se disperse, quer se conserve, o espírito
está integralmente envolvido com os acontecimentos
sucedidos na matéria e vice-versa. A distinção fundamental
está no reconhecimento situacional, viz. ao passo que o
espírito está totalmente ciente da existência da matéria,
esta, por outro lado, está um tanto insciente da natureza
espiritual do universo. Dessarte, o espírito é primordial nas
questões materiais, mas é independente desta; sem
embargo, a matéria é dependente do espírito e este é sua
razão impostergável d'existência. O espírito, com efeito,
obtempera esta função (a de gerir com potência unívoca os
fatos materiais), pois, isso é imprescindível para manter a
harmonia e a perpetuidade do universo, invariavelmente,
em regularidade e eficiência supremas. C.Q.D.

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Escólio. Por isso, deve-se asseverar que toda forma de vida
material se suspende ou em elementos do espírito (e.g., o
períspirito) ou em ideias e conceitos a ele ligados (p. ex., a
reencarnação). Por conseguinte, existem várias formas de
reconhecer o organismo espiritual como contentor das leis
materiais; no entanto, a mais efetiva e vivaz seria a própria
vivência em suas dimensões correspondentes. Malgrado
isso seja racionalmente improvável de suceder-se com foco
envolvente na matéria, pode-se transferir o ser nela vivente
para as concentrações dimensionais do espírito
temporariamente. Tal fenômeno auxilia decisivamente na
evolução e n'ascensão ônticas, outorgando àquele que
experiencia tais eventos, uma expansão deveras excelsa de
sua consciência e, a propósito, um acesso mais amplo às
formas de vida lhanamente compostas por substâncias
divinas e celestiais, as quais, indubitavelmente, exercerão o
ultimato de destinação ôntica.
Preposição 2. A formação do espírito é essencialmente
determinada pela agregação compartilhada dos
caracteres onírico-psíquicos e daqueles anímico-
conscienciais.
Demonstração. Primeiramente, é necessário deslindar a
distinção entre as partículas onírico-psíquicas e anímico-
conscienciais tocantes ao espírito. Ora, a onírico-psíquica
está ligada àquilo que o espírito tem de mais absorto e
somente logra compreender por meio duma submersão
peremptoriamente cognoscível em suas sutileza e
incorporeidade etérea em escala demasiado expressiva. Por
outro lado, a anímico-consciencial está correlata àquilo que
o espírito goza na superfície e no relevo mais basilar de sua
manifestação, viz. o elemento inteligível somente com os

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sentidos elencados à área geral de condição d'existência.
Delineada a distinção, portanto, o espírito deve ser
constituído por bases símiles ao seu posto no conjunto
universal das cousas. Essas bases símiles aí mencionadas
corresponderiam ao inconsciente espiritual (nesta ocasião,
correlato ao caractere onírico-psíquico) e ao consciente
espiritual (por sua vez, relacionada ao caractere anímico-
consciencial). O inconsciente espiritual é uma divisão de
percepção do espírito que designa as funções mais
intrínsecas de sua operabilidade; sendo assim, a sua
sensibilidade é menor. Todavia, este é o que produz todos
os movimentos, impulsos e dinamismos tanto potenciais
quanto energéticos do espírito. Assim, este apenas concebe
o inconsciente através dum desdobramento projetivo à tal
partícula, o que denominamos de transferência ou
alternação. O consciente espiritual designa as funções mais
extrínsecas do trabalho cumprido pelo espírito; sendo
assim, a sua sensibilidade é maior.
Entretanto, este apenas conduz o espírito, tendo como papel
responder aos comandos do inconsciente e transmiti-los ao
ser espiritual ou aquele que pelo mesmo se constitui. Desta
maneira, ratificamos a tese defendida na premissa da prep.
2, embora ainda seja escasso o material retórico para opinar
definitivamente que o espírito deve ser julgado como o todo
do plano físico e, outrossim, do plano metafísico. C.Q.D.
Corolário I. A prep. 1 não nega uma causa para o
desenvolvimento supremo do espírito, bem como a prep. 2
não nega a supremacia das causas do desenvolvimento do
espírito. Isto posto, o espírito não é supremo por si só; não
obstante, o é devido aos elementos de operação que nele
estão conservados e, a partir daí, direcionados.

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Corolário II. Devo pressupor, avante às afirmações aqui
demonstradas, que os elementos que originam o espírito
não são surgidos ex nihilo, mas da vacuidade universal que
possui, de antemão, como centro o divino, que não depende
de formas para manifestar-se, posto que este transcendeu
qualquer limitação de figura ou de compactação sólida. Se
o universo, no início de tudo, fosse uma grande escuridão,
poder-se-ia apontá-lo como Deus, pois, idealizando-o como
um ser que não depende de formas para manifestar-se, logo,
é factível que Este pudesse ser configurado em escuridão.
Conseguintemente, as causas do espírito podem ser tanto
um grande vácuo, oco e informe, quanto corpos
constituídos de forma, volume e densidade bem definidos.
Corolário III. Em complemento ao corol. II, deve-se
proclamar que as emanações das causas do espírito não
precisam necessariamente estar neste para lograr a sua
manifestação. Sem embargo, estas estão em todos os
lugares, posto que são componentes divinos e, aliás,
condições do artificio de supremacia de Deus. Destarte,
convém assegurar que as causas da espírito podem,
igualmente, presenciar o âmbito material da natureza, em
que pese a insciência dos seres físicos com relação a esta
presença. Contudo, isto não nula, de modo algum, a
comparência das causas espirituais no plano físico.
Preposição 3. A contingência espiritual é írrita, pois
tudo no espírito existe efetivamente e empenha suas
funções e converte em concebível seus atributos
mediante a própria extensão indivisível do espírito.
Demonstração. Introduzamos, portanto, o conceito de que
no espírito, tudo que existe é necessário, pois cada engenho

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ou parte que se ausente, gera conflitualidade e discórdia
estruturais em demasia tanto n'organismo espiritual quanto
no arranjo do universo. Dessarte, os itens espirituais são
importantes, pois cada função que incumbe-lhes satisfazer,
complementa e torna íntegra e de razão percuciente a dum e
a doutro. Contanto que observemos a natureza particular
das propriedades que coadunam e contribuem para a
eficácia deste processo, inferiremos que o espírito, sendo
completo e incólume às variações imanentes na matéria em
sua constituição, e tendo cosmicidade, i.e. seguridade do
divino para ser efetivo e irrefragável ao nele operar, por
conseguinte, é decerto indivisível. Justificando
pormenorizadamente a sua indivisibilidade, tenhamos em
mente que o espírito exige que cada parte de si seja
irremovível e irrevogável, porquanto o universo, como
estrutura que requer concórdia nos seus componentes a todo
custo, e visto que a dimensão espiritual, praticamente,
comanda as duas repartições de interatuação universal (a
física <microcósmica> e a metafísica <macrocósmica>),
que fundamentam o universo em sua totalidade, portanto, o
espírito deve ser obrigatoriamente impartível. Malgrado
alguns filósofos ocultos doutrinem acertadamente que esta
afirmação é indisceptável, alguns objetá-la-ão, assegurando
a contingência do espírito e, ademais, proferindo até
bertoldices obviamente ilógicas; no entanto, convenhamos:
se do espírito é o regulador dos planos metafísico e físico e
é o sumo representante da cosmicidade da natureza das
cousas, será possível que ele possa se solver em várias
partes universo afora? Isso soaria lógico do ponto de vista
de causa e efeito ou consequência das cousas, ou ainda,
ação e reação das mesmas? Não obstante, retornando ao
que outrora sugeríamos, é porventura exequível a

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indivisibilidade d'organismo espiritual e todos os seus
elementos que o integram corroboram com este tipo de
estrutura lhe concernente. C.Q.D.
Escólio. Deve ser dito que tudo que tem consciência
cósmica é inquebrantável em essência, pois a própria
cosmicidade requer integridade na composição d'objeto ou
do ser em todos os aspectos que podem ser aí abarcados e,
ademais, o cosmos, o gerador supremo da cosmicidade, é
inquebrantável nimirum. Por conseguinte, em forma de
epissilogismo, perceberemos que cada ser que presencia os
eventos cósmicos com vigor, e que é constituído de espírito
pela mesma natureza (viz., vigorosamente ou, noutros
dizeres, com vigor), logo, é indivisível a sua eventualidade
ou a sua incidência natural de acontecimentos ulteriores à
sua formação.
Preposição 4. A unidade é espiritual em essência, posto
que o espírito é que domina as propriedades d'existência
das manifestações dimensionais tanto físicas quanto
metafísicas e, ademais, é por esse fato que a unidade
cósmica é preservada de modo harto intacto e infalível
em todas as suas bases d'expansão e de criação.
Demonstração. Ratifica-se essa preposição pela def. 4, que
fala justamente sobre a relação estreita e incorruptível entre
a unidade e o espírito. O espírito é, efetivamente, aquele
que torna essencial a unidade, pois, em face de sua
cosmicidade, transforma-a em algo impreterível para a
construção da respectiva unidade estabelecida. Designa-se,
portanto, que a metafísica ou a física, duas ciências que
abordam escopos aparentemente opostos, na realidade,
tratam-se de uma mesma organização e de uma mesmo

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árbitro: a organização é a unidade e o árbitro (neste caso,
aquele que, com prerrogativas supremas, ajuíza e sentencia
a natureza das cousas a um certo desígnio de acordo com
sua real propensão) é o espírito.
Assim, com este planejamento extremamente ordenado e
sem nenhum desalinhamento leviano, a unidade é então
consolidada em características indestrutíveis, e o espírito,
como árbitro ou desencadeador das harmonias instituídas
no cosmos, consegue tornar seguros os fenômenos
expansivos e criativos do universo.
Dessarte, deve-se pontuar minuciosamente que cada
elemento do espírito faz parte da cosmicidade e a torna
intacta e ilesa, consoante deliberado na prep. 4, deve ser,
com efeito, elementos também partícipes (viz.,
desempenhar funções na unidade e lograr moldá-la e
sustentá-la) na expansão e na evolução do universo. Como
resultado, contemplando afundo esta questão, notaremos
que, de fato, os elementos espirituais são unívocos da
mesma forma, malgrado tenham suas individualidades e
características referenciais próprias. C.Q.D.
Corolário. Coloca-se, em tese, que direcionado o espírito
como fator unívoco, logo, as suas sutileza e composição
etérea são firmadas por uma unidade estabelecida que é,
simplesmente, a consciência universal assentada na luz
espiritual, ou a esfera de circulação primordial do espírito.
Assim, deve-se crer que as liberações espirituais são
iluminadas do mesmo modo que, univocamente, o tipo de
transmissão destas também o são.
Preposição 5. Discorre-se, a partir do fato de que o
espírito é o criador das leis que regem o plano material,

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que todo o ser espiritual possui como base d'existência,
as faculdades particulares de movimentar-se em sua
correspondente dimensão potencial como sutis, sublimes
e etéreos e na matéria, como portadores de consciência
espiritual mas com forma, densidade e rigidez de
capacidade corpórea a fim de comunicar-se eficazmente
com aqueles que residem na matéria.
Demonstração. Presumamos a seguinte reflexão: o ser,
constituído d'espírito, possui amplitude consciencial maior
do que o ser material e uma propriedade de conectar-se ao
divino com mais desenvoltura. Por conseguinte, desnuda-se
a percepção subsequente desta afirmação, e eu ta
enunciarei: o ser espiritual, sendo transcendente e
metafísico, goza de poderes psíquicos em pleno
funcionamento e atributos mais evoluídos do que a matéria.
Itera-se, com efeito, que sem embargo do espírito conduzir-
se com um desenvolvimento experiencial aos arredores dos
planos de manifestação cósmica superior a matéria, este
pode também guiar-se com completude e destreza no plano
material, o que é uma qualidade e tanta. Cogitamos, pois,
que se o criador das leis materiais é o espírito, é uma
afirmação logicamente coerente que o regente supremo da
matéria não pode expressar-se nesta? Cotejemo-lo à
seguinte circunstância: um dono duma biblioteca (privada,
a fim de reiterar) não pode visitar uma única vez o seu
próprio empreendimento. Far-te-á sentido? Se analisarmo-
lo em seu ponto nevrálgico, deduziremos que não é
congruente dizê-lo e tampouco cometê-lo na práxis da
natureza. Destarte, estando cônscios disto, conjecturaremos
subsequentemente que o espírito, sancionado à adentrar na
matéria por natureza, pode modificá-la adrede conforme as

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necessidades cósmicas de mudança e transição projetadas
no desígnio cósmico. Portanto, o espírito não só possui a
função de controlar as cousas materiais, como, outrossim,
alterá-las caso improtelável. C.Q.D.
Escólio. Vemos, pois, que a altitude de tais considerações
de antanho apontadas na demonstração da prep. 5 é
consideravelmente suficiente para concluir que o espírito
pode consumar as rotações cósmicas. Não existirá,
consequentemente, ocasos nas instituições representadas
pelo trabalho espiritual, porquanto são absolutamente
infalíveis naquilo que elas decidem efetivar, pois, se não
realizado, podem causar cizânia na estrutura cósmica e
desalinhar todos os fluxos de mesma escala copiosamente.
Agora, ver-se-ia que tendo como fundamento a prep. 3 que
ratifica com resolução a indivisibilidade da matéria,
outrossim, seria irrepartível a manifestação espiritual na
matéria tanto quanto o próprio corpo de leis que o espírito
alveja nesta nimiamente. Desta forma, coligir-se-á que a
matéria é divisível ao passo que sobrevive por si mesma; se
formado um elo com espírito, e sendo este o mais
fortemente universal, tanto na questão de consciência
quanto naquela de sabedoria natural fornecida na sua
gênese, o mesmo encobre a superfície bruta e densa dos
campos materiais e vislumbra todas as suas áreas
d'expressão, e, assim, a matéria torna-se indivisível,
malgrado com um envolvimento do espírito total.
Preposição 6. Sói o espírito habilmente a locupletar o
ser, pois dele é composto por natureza, embora enjeite-o
na matéria e, a despeito disso, ele desfruta de chances e
apanágios o bastante para consubstanciar-se novamente
como ser espiritual.

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Demonstração. Evidencia isto qum excellentia a def. 1,
entretanto, aperfeiçoemo-la e perfaçamo-la. Ora, tendo
confirmada, com efeito, a afirmação de que o espírito é
supremo regente das cousas materiais e suas respectivas
leis, portanto, a matéria está atrelada diretamente ao espírito
e este completa as cousas materiais com a mesma natureza
que as rege (viz., com supremacia). Assim, podemos
objetivamente concluir que a matéria, tendo como leis
ocultas o espírito, conforme preceituado outrora, logo, esta
deve ser constituída, embora nas profundezas de sua
constituição no geral, por itens formativos de grandeza
espiritual. E, de acordo com que expus nesta prep. 6, a
matéria acaba por mescabar o espírito, pois esta limita a
cosmicidade e a torna até um tanto desvanecida e, até
invisível para os seres que nela são viventes. Não obstante,
não é em virtude disso que os seres materiais são tolhidos e
vedados a alcançar sua genuína e edificante espiritualidade;
por esse meio, desvelamos que todos os seres, por estarem
em complacência e ligação cônsona com espírito por este
ser o formador de suas leis ocultas, a tentarem alcançá-lo
substancialmente, malgrado o façam de modo sobejamente
impertérrito. Assim, estabeleçamos com nitidez que todo o
ser, sendo até mesmo material, é espiritual;
conclusivamente, devo dizer que os seres materiais não são
seres dessa natureza vivemos somente por esta natureza
porque o são por origem. Inadvertidamente, são seres
espirituais vivendo experiências materiais e, destarte,
verdade seja dita, empós tudo isso que eu mesmo declarara
outrossim nas preposições antecedentes. C.Q.D..
Corolário I. Provar-se-ia, portanto, que o espírito é de fato
um percursor da matéria, sendo esta uma consequência

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daqueles que, em algum momento, corromperam-se da
sacralidade espiritual e perverteram-se inteiramente na
paixão d'alma exorbitante e carnal. Por conseguinte, deve
ser aqui permitido afirmar que o ser material tem com uma
das primordiais missões (senão, a primordial mesmo),
libertar-se desta corrupção generalizada ou entendimento
aleivoso do espírito e tentar ser enquadrado neste
novamente.
Corolário II. Com a def. 1, ainda complemento que tudo o
que há no espírito, há um tanto defeituoso e deformado na
matéria, mas isto, de certo modo, é vantajoso e ainda
profícuo para o ser material possuir a noção de perfeição do
mundo espiritual e intentar, a todos os custos, encontrar
infatigavelmente esta sublimidade que no mesmo existe
com profusão.
Corolário III. Em prol de suplementar o que dissera na
prep. 6, esclareço que o próprio espírito não desdenha
aqueles que habitam a matéria, pois está ciente de que todos
que o são, uma vez, mesmo em um tempo tão remoto,
provieram de lá e habitaram-no dantes, malgrado estes
mesmos não o saibam com perceptibilidade.

LIVRO 1
A morfologia do cosmos

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1. A quintessência, desde os primórdios do conhecimento
humano, tem sido sobejamente postulada e espiritualmente
ratificada, não obstante a miríada de argumentos advindos
das admissões empírico-científicas, que objetam a sua
existência no cosmo. Se tal conceito for realmente
designado e desdobrado a cabo, todo o estabelecimento da
unidade, desprovido de uma fonte original, sutil e invisível,
que sustém e equilibra a todos os outros elementos
constituintes da Φύ σις, e conserva as suas propriedades a
fim de dar prosseguimento à vida cósmica, solicito àqueles
que contraditam a ideia de quintessência, postularem e
comprovarem uma outra substância ou, possivelmente, um
conjunto de forças presentes nas próprias características da
Φύ σις que desempenham suas funções in ipsis, que não
tenha alguma correlação, nem eidética, tampouco
epistêmica, com a concepção de quintessência.
Presumindo a execução de seus tentames, perceberei, pois,
a inabilidade, tanto prática quanto teorética, dos fenômenos
naturais ou preternaturais vigorarem somente com seus
próprios predicados de operabilidade, se não houver algum
agente etéreo que os uniformiza e os torna perfeitamente
exequíveis na realidade universal, sendo o mesmo, o motor
de atualização de suas potencialidades e que permeia seus
ínterins de propagação e fixação espacial. Tendo todas
estas afirmações, com efeito, enfatizadas, deverei dizer que
o modus essendi de todos os que habitam o universo são,
por formulação apodítica, concretizados pela substância
quintessencial que cruza por todo o espaço celeste ou
terreno.
2. Esta força que rege o universo, pela qual o pensamento
divino consegue afetar tanto a matéria como o espírito, a

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qual os romanos denominavam anima mundi e os gregos,
por sua vez, ψυχή τοῦ παντός, como noção abstrata e
cognoscitiva dos aspectos da realidade cósmica, preserva-se
com efetividade nos postulados composicionais do
esoterismo moderno. Platão declara abertamente sobre esta
ideia, sob uma modalidade de explicação sumamente
inteligível e, até mesmo, destinada a adquirir substrato de
hipótese imorredouro ante a tantas outras premissas
filosóficas:

"οὕτως οὖν δὴ κατὰ λό γον τὸν εἰκότα δεῖ λέγειν τό νδε τὸν
κό σμον ζῷον ἔμψυχον ἔννουν τε τῇ ἀληθείᾳ διὰ τὴν τοῦ
θεοῦ.". (Timeu, 30b-c).

Marsílio Ficino, também, realiza sua asserção, alegando


que o anima mundi possui papéis seminais na criação das
espécies de pensamento e do próprio sustentáculo supremo
ôntico eiusmodi formarum:

"Præter enim id quod hinc quidem conformis est divinis: inde


veio caducis, & ad utraque vergit affectu; tota interim est simul
ubique. Accedit ad heo, quod anima mudi totidem faltem
rationes rerum seminales divinitis habet, quot ideæ funt in mente
divina, quibus ipsa rationibus totidem fabricat species in materia.
Unde unaquæque species per pro idee impriam rationem
seminalem proprie respondet ideæ, facileque potest per hancsæpe
aliquid illinc est effecta.". (De vita libri tres, p. 154).

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No Tathāgatagarbha Sūtra, o Buddha ensina que cada ser é
coberto por uma essência universal, a qual, independente
dos atributos individuais, sempre acompanhará as
circunstâncias ônticas dos entes vivos, e, sendo, portanto,
impessoal, dinâmica e perene. Sob estas premissas, ele
expõe sua doutrina:

"Quer os budas apareçam ou não no mundo, o Tathagatagarbha


de todos os seres é eterno e imutável. (...) Da mesma forma,
kulaputras, o Tathagata vê que todos os seres que são
transportados pelo samsara cakra, recebem, especialmente, o
sofrimento e o veneno oriundo do teor e do caráter de suas
próprias ações; mas, apesar disso, seus corpos ainda possuem o
Tathagatagarbha.".

O antigo tratado grego de cosmologia, "Sobre o Universo",


sugere também a existência duma substância que modela os
elementos da disposição dimensional tanto do céu quanto
da terra, a par das declarações de antanho expostas:

"Λέγεται δὲ καὶ ἑτέρως κό σμος ἡ τῶν ὅλων τά ξις τε καὶ


διακό σμησις, ὑπὸ θεοῦ τε καὶ διὰ θεὸν φυλαττομένη. Ταύ της
δὲ τὸ μὲν μέσον, ἀκίνητό ν τε καὶ ἑδραῖον ὄν, ἡ φερέσβιος
εἴληχε γῆ, παντοδαπῶν ζῴων ἑστία τε οὖσα καὶ μή τηρ. Τὸ δὲ
ὕπερθεν αὐτῆς, πᾶν τε καὶ πάντῃ πεπερατωμένον εἰς τὸ
ἀνωτά τω, θεῶν οἰκητή ριον, οὐρανὸς ὠνό μασται.".

Os seres vivos, circunvalados pela alma universal,


interagem, em fenômenos cordos de processos

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intercambiáveis, conduzidos pelos veículos de locução das
faculdades impulsionais ônticas, ora esotéricos, ora
exotéricos, com os entes inorgânicos numa rede de
associações morfológicas sinergéticas e auto-reguladoras,
o que, conseguintemente, faz contrair um sistema complexo
com propriedades de estruturação sob os fios condutores
biológicos, pelos quais, resultam-se os processos do
artifício do poder ôntico de cada ser vivo de quaisquer
reinos (emprega-se cá, pois, uma terminologia fundamental
da taxonomia), os sistemas urbanos e rurais, no caso da
humanidade, os ecossistemas, o clima global, cada célula
viva e &c., construindo, portanto, relações entre todos os
ingredientes abarcados pela alma universal. Desta forma,
ter-se-ão certas características endêmicas de domínio da
própria alma universal, como, v.g., não-linearidade,
emergência, ordem espontânea, adaptação, retroalimentação
e assim por diante. Na alma universal, há, outrossim, os
influxos diretos e permanentes da biota na realidade
abiótica, e.g., temperatura e atmosfera. Esta, por
conseguinte, sustenta uma pletora de relações visando,
invariavelmente, a enteléquia dos efeitos de contrabalança
de causação ambiental, ou da estrutura sicut est, não das
coevulções dos organismos planetários, sendo estas,
movidas pela energia ou motores das potencialidades
ônticas, quer físicos, quer metafísicos. A alma universal, de
qualquer forma, é a responsável pela conservação plena da
homeostase global.
3. Deve-se manter em mente que a alma é o centro de todas
as atividades psicológicas do ente vivo, como o desejo, a
emoção, a vontade, o pensamento e &c., bem como dos
fenômenos paranormais, como as percepções extra-

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sensoriais, as projeções astrais e &c.; a alma é a dimensão
intermediária da consciência, sendo a mais elevada, o
espírito, o qual é incorruptível e eterno; a alma não o é.
Esta, na verdade, cumpre o papel de ser o portal de
interação e conexão entre o corpo e o espírito e, portanto,
compartilha certas características de ambos. Ela pode sofrer
atrações, tanto do espírito quanto do reino material, com tal
magnitude, que acaba desempenhando a função de "campo
de batalha" entre ambos. A alma somente será eterna e
divina se for aliciada ao espírito e fundir-se com o Eu
superior, i.e., a consciência suprema de cada substância
ôntica existente no cosmo. Enfatizado isto, deverei dizer
que o espírito, em realidade, é que será o desenvolvedor da
conceituação universal de qualidades, propriedades e
atributos espirituais (πνεύμα ανεξάρτητο) dos seres vivos.
Malgrado isso, as características da substância incorpórea,
inteligente e onisciente, i.e., o espírito, representar-se-ão em
uma divisão tricotômica, a qual é apresentada logo abaixo:
a) Princípio timético. – Este princípio superintende a
parte senciente da essência espiritual, viz., os
desejos, os impulsos, as paixões, com fortes
componentes conativos e emocionais.
b) Princípio epitimético. – Este princípio comanda a
parte intelectual ou mental da essência espiritual,
canalizando-se na disposição esotérica do ente vivo
e refletindo nas experiências exotéricas,
consubstanciada por afeições viçosas e
componentes cognitivos.
c) Princípio logístico. – É a essência espiritual
consciencial, em busca das verdades objetivas e
universais.

21
Classificamos o mecanismo de "propulsão" espiritual,
conforme as propriedades de personificação da natureza,
seja vegetal, seja humana, seja mineral, seja animal, seja
procarionte, uma substância hilozoica chamada "nisus", i.e.,
uma tendência conativa, consciente e de forte
empreendimento, que conduz a identidade, ou existência
separada, da forma vital de todos os entes cósmicos, quer
partícipe dos seres primordiais, quer dos derivados, quer
dos sensíveis, quer dos insensíveis. O hiato hilozoico,
analogamente, é o estado onde os seres se locomovem de
modo nômico (o qual é vigente desde a epigênese), e esta
mesma característica é adjacente às partes extrínsecas e
intrínsecas da mente, viz., extramentalmente. O hiato
hilozoico é o manejo predestinatório, no qual são
projetadas todas as intonações extra-sensoriais e sensoriais
e os estímulos ativos e reativos dos indivíduos durante sua
existência, tendo como geratriz desta providência, os
espíritos-guias e os seres ascensos encarregados da
presidência do plano extrafísico.
Existem, pois, três gêneros de modelo extrafísico para cada
essência espiritual, variando de acordo com seu sortimento
de proporção do entusiasmo procedente das partículas
intercessoras, insubmissas à compulsão especulativa, e suas
dimensões de percepção desempenhadas na sua conduta de
discernimento e de intelecto, relacionada aos âmbitos de
organização vital consumados de antemão, através da
adequação às eventualidades objetivas da realidade:
a) Espírito de tensão (tonos). – É o espírito unificador
e formador que provê estabilidade e coesão (hexis)
às coisas; a maneira como se manifesta é fornecida
pela moção tênsil (tonicê kinêsis). Isto é, o espírito

22
move-se externamente, produzindo qualidade e
quantidade, e, concomitantemente, internamente,
provendo unidade e substância. Um indivíduo é
definido pelos equilíbrios do espírito interior, os
quais enlaçam-no em junção e o separa do mundo
pelo seu derredor.
b) Espírito de força vital. – É o espírito vegetativo que
permite o crescimento procedente aos princípios
informes e indeterminados da consciência,
adjacentes às características comuns de todos os
entes vivos, e distingue uma cousa como tendo
propriedade orgânica ou inorgânica de subsistir às
experiências vitais.
c) Espírito da psique. – É o espírito, apresentado em
suas formas mais rarefeitas e ígneas, que serve
como uma alma animal, a qual penetra no
organismo, governa seus movimentos, e endossa-o
com poderes de percepção e reprodução.
d) Espírito racional. – Este espírito simboliza a
maturidade íntegra do ente vivo e condescende-lhe
grande poder de juízo criterial.
5. Creio eu, após muito examinar a natureza monádica do
criador, que o Altíssimo é comparado ao fogo e seu
espírito, às faíscas da chama que são Dele repelidas. Jamais
enjeitaria, portanto, a premissa na qual se designa a noção
da existência segregada de Altíssimo da Sua própria
identidade imagética. Deve-se saber que Deus conhece as
concepções impessoais e particulares são simultaneamente
presentes no todo e não há nelas relação de
incompatibilidade entre seus juízos, sem quaisquer
dimensões sintéticas que os concilie; daí, assenta-se Sua

23
sublime doutrina: unidade e diferença simultâneas. A
unidade que é manifestada de Deus é racional e
determinística, emanando do indeterminismo uma causa
incausada. Cada indivíduo como um microcosmo, reflete a
ordenação gradual ou fundamentação henológica do
universo referida, então, como macrocosmo. Ao fazer um
ideário constitutivo da entidade demiúrgica (mente divina),
fundir-se-á, portanto, com o Um ou a Mônada. Esta é a
culminação da deificação ôntica. O retorno do indivíduo ao
seu manancial cósmico, donde contempla todas as suas
peculiaridades ontológicas.

24
LIVRO 2
Das ações humanas

1. Resumamos os conceitos pertinentes às ações humanas


em três premissas fundamentais:
1ª: As ações humanas não são induzidas,
imprescindivelmente, pela sociedade ou influências
exteriores, senão forem pela consciência ou atributos
interiores, particulares da disposição noética do homem,
quer no estado de perturbação, quer no de mansuetude.
2ª: As ações humanas não só determinam substancialmente
o caráter e as condições personalísticas inerentes ao ser,
senão, ainda, desdobrarem a própria natureza do desígnio
ôntico e seus respectivos caminhos.
3ª: As ações humanas não são obras promanadas do agente
em si, senão forem de sua predestinação ou propriedades de
estabelecimento das causas e dos efeitos das atividades
humanas sob coordenação computável e irrefragavelmente
antecipada e de proveniência metempsicótica, i.e., relativa

25
às experiências consumadas em transposições carnais
precedentes do ser e caracterizadas como forças de
definição do perfil ôntico do indivíduo, a qual, sob
circunstâncias misteres, jamais se subjaz como estímulo da
nução individual, i.e., o moto próprio ou livre arbítrio de
aceite ou reprovação dos substratos existenciais mediados
pelo ser sui generis; sem embargo, suas peculiaridades
ônticas são decididas pelos configuradores da
fenomenologia espiritual de todos os entes vivos, i.e., estes
têm o exercício de suas funções de maneira universal e
onipotente sobre as entidades integrantes do cosmo.
2. Firmo com seguridade que o corpo nômico das ações
humanas é caracterizado não somente pelos efeitos que são
acarretados pela sua efetividade, mas, também, pelas causas
que fizeram com que eclodissem com definição e condições
produtivas e desenvoltas. Com isto salientado, deve-se
afirmar que a forma com que a elaboração das leis das
ações humanas é assentada, se resulta dos próprios juízos
aplicados nas atitudes das pessoas e seus respectivos
referenciais apodíticos, i.e., as faculdades de julgamento e
de pensamento valorativo que influem diretamente nas
atividades humanas, sobretudo, por seu veículo de
procedência cuja natureza de autoridade sobre o indivíduo
(potestate ec hominem) é indubitável e assaz presente.
Tendo todos estes componentes teoréticos elencados a
nossa filosofia, devemos presumir que os itens essenciais
(ora hipotética, ora concretamente) são estes: a) dimensão
noética, b) qualidades das ações, c) suscitação práxica e d)
modus operandi. Devê-vo-los-ei elucidar, tanto em seus
aspectos gerais, quanto nos pormenorizados, a fim de que
possamos instituir inconcussa e solidamente o nosso
entendimento sobre as regras e os princípios canônicos que
emanam, pois, domínio de suma e mister potência sobre as
ações humanas:

26
a) Dimensão noética. – O princípio de dimensão
noética contribui para a composição nômica das
ações humanas no sentido de que o indivíduo, sendo
regido pelos fluxos daquilo que empenha durante
sua vida, é diretamente coordenado pelo âmbito
transcendental de sua consistência psíquica, viz., de
sua própria consciência e correspondentes
conteúdos e liames transportadores de intervenção
ôntica. Decerto, esta poderá, de uma forma ou outra,
interagir com as forças corporais, integrá-las às suas
faculdades receptaculares de interferência e, por
conseguinte, modificar as suas capacidades de
andamento mútuo com a própria matéria ôntica e,
doravante, comandá-las sumamente, sem óbice de
trabalho algum, malgrado sendo englobada por ônus
e responsabilidades de elevada magnitude para
poder ministrar apropriadamente as zonas de
alcance de liberação da substância carnal.
Reiteradas estas elucubrações, deve-se estabelecer
teoreticamente que a nous humana é fundada sobre
um órganon geralmente extramundano e
preternatural, porquanto suas estruturas de
relacionamento com a identidade puramente
sintetizada no ὕλη (matéria) se devem através do
plano metafísico e seu locus subjacente, afora as
eventualidades espirituais que transferem o ser
corpóreo para a constituição etérea do cosmo,
convertendo sua carne rígida, bruta e densa em
projeção psíquica sutil e astral. Portanto, a
dimensão noética é a principal determinante na
elaboração das leis das ações humanas, pois ela
está mais propínqua do princípio uno e divino
(ἕνωσις), caracterizado normativamente pelas suas
mônadas que absolutamente geometrizam a todas as

27
realidades conforme os ditames misteres definidos
previamente na cosmogênese sobre edificação e
fenômenos manejadores do fornecimento
consciencial dos mundos existentes in universum.
b) Qualidades das ações. – Podemos determinar, com
circunspecção, as qualidades das ações humanas
como módulos ou meios fatoriais ad hoc, viz.,
aquilo que determina os papéis atributivos das
atividades e seu ethos, ou caráter, i.e., propriedade
moral de um ser, a qual sustém sua conduta e modos
de empreendê-la. Existem diversas qualidades das
ações humanas que podem ser expostas e
classificadas; contudo, há três que são mais
destacadas:
I. Funções de conveniência. – Nós podemos,
outrossim, denominá-las καθῆκον, sob a
terminologia do grego clássico. As funções
de conveniência são aquelas que pareiam o
nível de intensidade e prolongamento das
ações humanas conforme as suas
peculiaridades consubstanciadas nas causas
e nos efeitos, ou poderíamos considerá-las
como sendo o atributo metempsicótico em
representação subjetiva e íntima, influindo,
portanto, na própria formação do indivíduo e
seu destino ou ultimato.
II. Compreensão. – Chamar-se-ia, de igual
natureza, consoante o mesmo motivo que a
qualidade demonstrada no tópico I (i.e.,
funções de conveniência), quer dizer, sob
razões nominais, κατάληψις. A
compreensão abrange as áreas de

28
aprendizagem e absorção das relações
dicotômicas entre as causas e os efeitos das
ações humanas, e, a qualquer maneira
(qualubet), intenta superá-las. Todavia, não
necessariamente alcance este objetivo,
porquanto a imanência perpétua também é
consequência ainda mais apodítica, i.e., de
maior natureza plausivelmente evidente e
mister. Por conseguinte, a compreensão
funciona como uma espécie de instrumento
para sobrepujar à carne enfermiça e
imperfeita e, também, tencionar melhores
modelos conciliatórios (οἰκείωσις) com as
realidades parametrizadas e redundadas no
cosmo.
III. Condições ativas. – Da mesma forma que eu
fizera nos postulados anteriores, sob ângulo
terminológico do grego clássico, também,
denominemo-la ἕξις. As condições ativas são
aquelas que padronizam os gêneros de
consolidação das ações humanas,
desenvolvendo a receptividade e o
deferimento destas diante da estrutura total
do cosmo, incluindo, a realidade
hilomórfica, comumente nomeada de
material. Temos, por condições ativas, todos
os mecanismos do modus essendi do
homem, que, em morfologia, denominamos
substantivos abstratos, e.g., amor,
felicidade, sofrimento, dor, tristeza,
genuinidade, tranquilidade, tormento e &c.
c) Suscitação práxica. – Podemos categorizar por
suscitação práxica todo o estímulo, de forma

29
indireta ou direta, que ocasiona a ação humana e a
efetiva normativamente, desdobrando seus efeitos
com relativa nitidez e suficiente vivacidade. Por
conseguinte, se aprofundarmo-nos no estudo dos
gêneros concernentes à suscitação práxica de modo
a interagir com seus mecanismos principais,
notaremos, a priori, que quaisquer definições de ser
e viver nos pilares das suscitações práxicas serão
produzidas pelos próprios estados de conjunção ou
disjunção com os fenômenos monádicos e hieráticos
do cosmo. Todo o homem que se liberta dos ciclos
viciosos das suscitações práxicas e reverte a sua
submissão à eternidade da treva metempsicótica,
torna-se, portanto, metafisicamente harmonizado
com as mônadas e as substâncias hieráticas do
cosmo, alcançando, como supremo ultimato, a
imortalidade da alma, a qual os gregos nomeariam
ἀθανασία. Pitágoras, em seus “Versos de Ouro”,
no-la revela com sublimidade:

"ή ν δ΄ απολείψας σωμα έσ αίθερ΄ ελέυθερον έλτχσ


εσσεαι ά θανατος, θέος ανβροτος ού χ ετί θνή τος."

Por conseguinte, podemos deliberar as suscitações práxicas


como forças motrizes que engendram as ações humanas, as
quais são agentes reativos destas, de modo sensorial ou
extrassensorial; sem embargo, o objetivo de todo o ser
humano, enquanto existe, é transpassar este ciclo de
elevados vazio e vínculo de restrição da própria liberdade
de ser e viver, e, posteriormente (não necessariamente crás,
porventura), residir ad æternum na atánasia psíquica (i.e.,
imortalidade da alma).

30
d) Modus operandi. – Definamo-lo como a modalidade
de ação humana, i.e., a maneira como esta se efetiva
e se torna práxica. Evidencio-vos, ademais, que os
modus operandi das atividades humanas são
diversos e refertos de unicidade em sua disposição,
e, inclusive, em sua exequibilidade. Nós estamos
soídos a afirmar que as ações humanas são o
principal fator de identidade do verdadeiro ethos
dum ser, cuja opinião a sociedade em geral toma
como verdade. Todavia, será realmente apodítico
que os eventos exteriores ao homem prova a sua
essência ou são seus atributos interiores e
pneumáticos que fazem-no? É, com efeito, uma
indagação dificultosa para responder de prontidão,
não obstante as múltiplas validações teoréticas que
demonstram, irrefutavelmente, que nem tudo o que
nos afeta externamente, quer de modo ativo, quer de
modo passivo, revelar-nos-á ou instituir-nos-á per
essentia. Temos, e.g., a divisão das virtudes em
intelectuais e morais; segundo a visão recorrente na
sociedade, a virtude moral seria creditada como
determinadora do ethos do indivíduo. Contudo, esta
é absolutamente vulnerável às mudanças de hábito,
e, quiçá, não é nata com o indivíduo, tampouco é
herdada de suas experiências passadas que
perfazem, de fato, sua essência. Na realidade, é a
virtude intelectual que cumpre o papel de definir o
ethos do indivíduo, pois além deste ser ensinado
naturalmente e ser nato com o ser, outrossim, capta-
se metempsicoticamente, viz., é oriundo dos
eventos precedentes das outras vidas do indivíduo,
e, com efeito, constituem seus aspectos essenciais
indelével e imperecivelmente. Neste tópico,

31
Aristóteles transmite-nos sua concepção
peremptoriamente, na "Ética a Nicômaco":

"Διττῆς δὴ τῆς ἀρετῆς οὔσης, τῆς μὲν διανοητικῆς τῆς δὲ


ἠθικῆς, ἡ μὲν διανοητικὴ τὸ πλεῖον ἐκ διδασκαλίας ἔχει καὶ
τὴν γένεσιν καὶ τὴν αὔξησιν, διό περ ἐμπειρίας δεῖται καὶ
χρό νου, ἡ δ᾽ ἠθικὴ ἐξ ἔθους περιγίνεται, ὅθεν καὶ τοὔνομα
ἔσχηκε μικρὸν παρεκκλῖνον ἀπὸ τοῦ ἔθους.".

Em suma, o modus operandi é o conjunto de meios e


propriedades designantes, pelos quais, as ações humanas
são invariavelmente decorrentes, e sua demonstração
genuína se dá pelas virtudes intelectuais e aspectos
idiossincrásicos internos do indivíduo.
No tocante à elaboração das leis das ações humanas em
questões deontológicas, viz., correlatas aos deveres e às
responsabilidades que lhes são invocadas, deve ser
asseverado que o indivíduo possui certas incumbências
intelecto-morais a serem cumpridas e obtemperadas, a fim
de dar prossecução eficiente a sua experiência terrena de tal
modo com que ele possa visualizar novos desígnios para
serem enfrentados e cruzados, e, doravante, faça
desenvolver a cabo etapas afortunosas em prol da própria
agregação de juízos sagrados (iudicium sacrum) para sua
experiência ôntica. Devemos integrar alguns conceitos que
nos permitam desenvolver a nossa tese com proficiência,
como, v.g., de que o espírito é constituído pela
quintessência do cosmo, para que, dessarte, possamos
encontrar uma pletora de soluções razoáveis para um
específico gênero (conquanto seja assaz proeminente) de
questões ontosóficas, i.e., relacionadas à sabedoria de ser
ou o que pode ser classificado como preceito sábio para ser

32
ou não-ser, o qual é relacionado à natureza causal das ações
humanas. Independente disso, dever-vos-ei dizer que, se a
hipótese de que a quintessência compõe o espírito é
verdadeira, conseguintemente, os paradigmas edificantes do
cosmo serão, inevitavelmente, uma maneira de infiltração
nas redes do espírito humano (spiritus humanus) a fim de
influenciar ou não as suas ações, em aspectos individuais
ou universais, subjazendo nas intenções do agente supremo
da situação, i.e., os arquétipos cósmicos (conforme dantes
citado, entretanto, com exposição sinonímica).
Eu, portanto, devo esclarecer que as faculdades de
penetração das leis das ações humanas são, sobretudo,
originadas de forças transcendentes ao que constatamos
empírica e cientificamente, i.e., sob a ótica das
metodologias de inferência e análise hoje empregadas, não
obstante o fato de que as atividades humanas não só
recebem interferência dos fenômenos espirituais, mas
como, de modo discernível, são apoiadas por fios
condutores de ajuste e fixação dos sinais do cosmo, viz., as
representações semióticas da estrutura cósmica, nas quais
influem diversos transmissores de gêneros variados de
agentes motores que permitem a atualização das
potencialidades das ações humanas, particularmente, no seu
exercício crebro. É deveras cônscio o indivíduo, que ao
praticar seus atos de maneira a discriminar os empecilhos
morais, da realidade sob a perspectiva do alinhamento
conectivo dos artifícios sintéticos do cosmo, viz., a
conjuntura das totalidades que se agrupam em classes de
âmbitos preponderantes nas leis das ações humanas, donde
vêm, por conseguinte, as condições penetrantes nestas.
Além disso, mister afirmar que qualquer suposição
assertória com base não só nos artifícios de síntese
cósmica, mas também nas circunstâncias ônticas de
mutabilidade paulatina das cousas a fim de fortalecer seus

33
papéis na realidade total, é extremadamente vera e
insuspeita, se notarmo-la à guisa das preposições filosóficas
sob um ponto de vista substratal-pneumatológico.
Uma vez que tu entendes o vazio, ou a nulidade da natureza
das cousas (natura rem), tu poderás, conseguintemente,
captar o significado do emergente-dependente, e este
assistir-te-á na tua afirmação de certeza sobre as ações
humana e seus efeitos1. Devo, assim, dizer que se
concebermos que as assunções feitas mediante a esta
formulação embasada no axioma de que apenas o
entendimento da nulidade pode trazer à tona a completitude
transcendental da alma, dessarte, presumiremos que será
digno de nota desvelar as próprias condições de
intromissão dos efeitos das ações humanas nas nossas vidas
como instrumento eidético-apodítico de auto-entendimento
ou, a propósito, de autoconhecimento personalístico. Seja
qual for o gênero da causa (i.e., deficiente ou eficiente), o
efeito será sempre proporcional e indissociável a esta, isto
é, a intensidade como é exercida a causa é equivalente à de
sua consequência, inevitavelmente. As ações humanas
residem com abertura nos ciclos dicotômicos da eficiência e
da deficiência das causas e dos efeitos, sendo raras vezes, a
sua demonstração genuinamente tácita. Sobre esta questão,
na obra "Metafísica", declarar-no-la-á Baumgarten:

1
Vede o conceito estabelecido sobre comportamentos éticos com
fundações ontológicas do antigo mestre e filósofo tibetano,
Tsongkhapa, na sua célebre obra, “Grande Tratado sobre os Estágios
para o Caminho da Iluminação”, e, neste caso, reiterando ideias
centrais da filosofia da metempsicose como, v.g., o karma, conforme
observamos evidentemente.

34
"Omnis effectus caussӕ deficienti vel efficienti similis est, i.e.,
qualis causa, talis effectus. Effectus caussӕ efficenti vel similis,
qua differentiam utriusque, vel minus.".

Não há contraposição à penetração das leis das ações


humanas. Elas são impetuosas no exercício de suas funções.
Inclusive, elas podem muito bem determinar a própria
condição circunstancial de destinação do indivíduo
conforme o seu próprio ethos, e, portanto, imiscuindo em
caminhos que sejam, indubitavelmente, consentâneos à sua
performance individual nos conflitos e nos momentos de
apaziguamento interior (αταραξία); destarte, poder-se-á
conjecturar que, no indivíduo, serão naturalmente incutidas
as substâncias de natureza ôntica engendradas sob o
protótipo de aplicação "mutatis mutandis", viz., tudo o que
há de ser mudado no indivíduo, sob quaisquer pretensões
teleológicas, deve ser efetivada sua respectiva mudança, a
fim de, gradualmente, melhorar e expandir a sua
consciência espiritual, inclinando-se sempre ao princípio
dinâmico, infinito, incorpóreo e impessoal que as suas
experiências metempsicóticas, aquela energia vital que
aproxima o homem do sagrado, do divino e da própria
sumidade cósmica, que denominamos geralmente
"espírito". Os hindus chamá-lo-iam atman, i.e., o eu
verdadeiro, a faculdade aperceptiva de alcance irrestrito,
não-refratária, pulsional e suprema que está por detrás de
todos os fenômenos existentes, a essência (οὐσία) absoluta
de cada entidade viva e partícipe das eventualidades
cósmicas.

35
LIVRO 3
Generalidades de transcendência

1. A transcendência é o ultimato da existência, o substrato


do espírito e a unissonância dos poderes universais. Desta
maneira, o homem que a atinge, compreenderá, como
resultado imediato, estes três elementos fundamentais da
natureza tanto dele como o todo que há junto a ele. Eu devo
asseverar que se possível, então, configuremos o fenômeno
transcendental como algo natural e consoante com as
grandezas ônticas do homem. É objeto de estudo, neste
caso, o processo fundamental para se alcançar tal estado da
consciência; destarte, ora afirmo à guisa dos filósofos
neoplatonistas que a alma é o limiar de comunicação entre
o homem e sua entidade superior: o espírito. Levemos em
consideração que o ser transcendental é aquele que
transpassa os empecilhos lhe impostos na matéria bruta e
densa, guiando-se, assim, à condições mais sutis e, ainda,
sublimes da sua própria mente. Podemos salientar que a
verdadeira essência de todos nós está localizada não
naquilo que podemos palpar, mas naquilo que podemos
sentir e, outrossim, este sentimento está situado no interior
ôntico atinente ao ente existente.

36
Concebamos, neste instante, que cada ser em si possui
auspícios assaz para inocular em seu âmago de elevação as
particularidades supremas da transcendência.
Denominemos a substância transcendental como um fator
de inteligência receptacular preclaro e, igualmente,
proeminente em todos os seus aspectos, tanto cardinais
quanto coadunares. Sob o baluarte de uma inteligência do
tipo etérea, o homem poderá investigar minuciosamente a
natureza das coisas na constituição mais intrínseca lhes
concernente; com isso, poder-se-ia caracterizar tal
providência como transcendental, ou um sinal para tal
condição súpera da consciência. Devemos acrescentar a este
pensamento que podemos pressupor como transcendência
pode sê-lo ou não de fato, malgrado haja demasiado
proselitismo em volta da reconexão do homem com sua
divindade arcana e, na maior parte das vezes, sendo até uma
desmesurada intrujice. É de fato sisudo assegurar que,
dadas as dimensões perceptíveis das causas primaciais do
material ôntico do ser por si mesmo, clamemos que o
mesmo deva sortir, até mesmo de maneira nímia, os
componentes conscienciais para se compactar a mente
transcendental a fim de que possa ser consumada um dia.
Sem embargo, conquanto alguns respondam que a
transcendência pareça idílio vão, porventura, estes mesmo
sejam os volumosos ignorantes espiritualmente que
compõem grande parte da massa adulta hoje,
infortunadamente. A filosofia da transcendência não
procura suprimir a vontade de ninguém, pois é a própria
pessoa que a suprime mediante a defesa fátua de seus
dogmas confinados em um patamar ignominioso da
existência. Devemos, ademais, realçar que o ser em busca
de transcender-se, deveras, possua uma abertura profunda
de sua consciência pela qual projeta a sua transcendência.
Sobejamente, o homem, à guisa de um desígnio muito

37
côngruo com sua real essência, deve, por conseguinte,
emanar eflúvios energéticos interiores de alto potencial para
transcender-se, cujo elemento subjetivo é o próprio
indivíduo que o faz, sendo o escopo, a ubiquação ou
sublimação ômnica de sua própria alma. Mas sempre
advirtamos que deve prevalecer o que está se passando na
situação a qual presenciamos para que, exatamente nesta,
ocorram os engendramentos transcendentais suficientes
para podermos evoluir toldados por um firmamento estável
e sólido de amor e sabedoria profusos a fim de atingir, de
fato, o esclarecimento ôntico ou transcendência.
Desta modalidade de pensamento que até agora
perscrutamos, coligir-se-á que, precipuamente, os homens
logram a transcendência pelo rudimentar fato de
almejarem-na efusivamente; no entanto, é necessário treino,
prática e dedicação que coíbam com tal ambição que,
quando completamente ilibada de qualquer influxo
malfazejo, pode ser subsequentemente exercida em
plenitude. Devo atestar que tudo que podemos apontar
como sendo transcendentalmente ôntico está, de alguma
forma, combinante com a designação referente ao indício
transcendental aí formulado perante a aptidão do ser com
relação a sua autoconsciência, tirante o seu comportamento
egoico, obviamente. Entretanto, efetivamente, podemos
ponderar que o ser, absolutamente, possui atributos
unívocos conceituados, como pode-se inferir, na região
mais opípara de sentidos lúcidos da transcendência
similares a dos arcanos deiformes da virtude e dos
predicados de sua dignidade; destarte, estamos aptos a
assimilar que o ser transcendental deve renovar-se com
denodada saliência para notar que de fato o é.
2. Se alvejamos a transcendência como finalidade vital, isto
revela que o ser que o faz age conforme a sua lídima

38
substância ôntica, da qual se origina diversas outras
variedades de ordenação existencial para que este
transcenda de feito. Agora, elucubremos que a finalidade
transcendental é algo que, como examinado nas nossas
premissas efetuadas anteriormente, sobrepuja as balizas
fundamentais do que é mensurado lógica e racionalmente;
isto posto, deve-se conjeturar que é algo que transporta o
homem a exceder a imperícia do espírito tão arraigada no
fenômeno do culto aos bens materiais da nossa sociedade.
Frisado isso, deve-se entender que o ser sobremodo sábio e
consciente da realidade metafísica deve ter,
indubitavelmente, ter-se abnegado de tudo o que aviltava o
desenvolvimento de sua alma: a veneração à pura
materialidade da natureza e a dissociação do divino como
sutil e etéreo. A graça do homem, de qualquer maneira, é
fundamentalmente caracterizada pela sua peculiaridade
impreterivelmente transcendental, ao passo que esta se
concilia com o que é sagrado, e, como podemos enumerar
de modo inferencial, este transcende a realidade
microprosópica, que, factualmente, corresponde à nossa.
Devo perquirir que, com efeito, a transcendência é o
arcabouço ou pilar basilar daqueles que querem converter-
se em grandes adeptos de sua própria divindade, arcana,
original e primitiva; para isso, a fé sapiente e a razão
cônscia são itens imprescindíveis para se atingir esta esfera
de inteligência.
3. A ideia da divindade do homem é algo que causa
assombro a muitos, mas fascinação aos buscadores dos
mistérios arcanos. É necessário que reconheçamos o ser não
como apreendido ao seu corpo físico; todavia, estendendo-
se até o mais sublime de sua consciência: o espírito ou o
corpo sagrado (cujos termos soam um tanto tautológico).
Desta forma, devemos conduzir o homem não a investir seu
tempo (ou perder) em trabalhar mecanicamente, entretanto,

39
espiritualmente, dado que é este tipo de entendimento de
vida que lhe trará a evolução, a sabedoria e a plenitude
existencial, ocasionando uma ruptura no ciclo de inúmeras
reencarnações sucessivas ambientadas na matéria. Por
conseguinte, se o homem aplicar os princípios basilares do
autoconhecimento, decerto, não só entenderá a si mesmo,
como toda a ordenação obtida no panorama universal e,
precipuamente, a Deus.
Os ocultistas, os filósofos, os cientistas e os teólogos
sempre buscaram a perfeição ao realizarem suas obras,
confeccionando-as de maneira praticamente estrepitosa e
beirando aos caprichos da glória e, outrossim, de uma
espécie fulminante de excelsitude. Por que esta ambição de
converter todas as proezas em proeminentes e magistrais
está tão arraigada no ser humano? Porventura, a resposta
para esta indagação nunca saibamos, mas podemos tentar
encontrá-la mediante a um mergulho profundo na natureza
de nossa alma. Se, ainda, renovarmo-nos a cada dia e
estivermos mais próximos de nossa verdadeira grandeza
espiritual, talvez, consistiremos de não só uma integridade
da nossa mente física, mas aquela metafísica; assim, como
nós denominamos no Hinduísmo, de perlustrar em
totalidade o Svabhava, i.e., a real essência transcendental de
cada um de nós, e conquistá-lo do mesmo modo. É,
ademais, com relação ao Atma (o plano mais elevado da
consciência) que devemos nos tornar côngruos, tendo em
base um único elemento: o próprio ser que mais desfruta
desta suma dimensão consciencial: Tu. Deus não é um
homem gigante assentado em seu propugnáculo celestial,
pois, na verdade, Deus está dentro de ti e de todos nós,
posto que, em suma, nós somos os verdadeiros deuses
vivendo experiências humanas, a fim de que, um dia,
talvez, possamos viver legitimamente como deuses no topo
dos céus.

40
LIVRO 4
Das noções transcendentais de existência

1. Salienta-se, antes de tudo, que a psique do ser é


precipuamente transcendente, e não imanente, conforme
muitos devem inferir. Afirmemo-lo face aos fenômenos de
superação e independência dos bens palpáveis e das cousas
materiais que são exprimidas na constituição da psique.
Esta psique, primeiramente, deve-se pontuar que advém do
termo grego Ψυχή que quer dizer "alma". Portanto, tal
expressão faz jus a equivalência "psique = alma".

41
Retornando ao que se tratava anteriormente, os aspectos
transcendentes da psique estão interligados essencialmente
à consciência interna do ser, i.e., as capacidades de
conhecimento das funções intrínsecas e nucleares do
material ôntico por parte do ente existente.
Assim, quando maior a consciência interna, maior a
expansão psíquica, que, pois, se desenvolve, geralmente,
em escala paulatina de maturidade consciencial.
Examinando tal questão mediante a uma interpretação
unicamente metafísica, notaremos que, somente anotada tal
idiossincrasia da psique, a sua natureza estará efetivamente
elencada aos elementos basilares do mundo etéreo ou
aquele correlatado à quintessência ôntica – em outras
palavras – estão, em termos dimensionais, mui além
daquilo que conhecemos como corpo com volume,
densidade e massa definidos e cabíveis de serem
mensurados por razão lógico-matemática.
Realçando tais esclarecimentos pragmaticamente, devo
assegurar que a alma é, com efeito, o meio de interação ou
disposição mútua do espírito para com o corpo e vice-versa.
A fim de justificar tal elucubração, estipulemos que a alma
seja uma região mediana dos atributos lídimos da
transcendência, posto que está situada na esfera divisória
entre aquilo que corresponde à unidade material e, do
mesmo modo, à unidade espiritual. Noutros falares, se
deliberamos com propriedade tal fenômeno e extrairmos
suas configurações supremas, desnudaremos o seu próprio
desempenho e arquétipos comportamentais diante de duas
circunstâncias primordiais da realidade: o físico e o
metafísico.
A alma age de tal maneira que, ad hoc, consegue fazer um
liame acurado e proficiente entre os dois espaços e suas
variáveis de extensão ôntica; destarte, podemos deduzir que

42
a psique consagra os ditames súperos das leis que regem as
condutas do ser enquanto inclinado a tanto conceber as
forças materiais quanto aquelas de grandeza espiritual.
Sobremais, um elemento assaz importante da psique é o
conhecimento natural e puro do homem ou a intuição, viz.,
uma percepção extrassensorial na qual se figuram os
fundamentos essenciais da visualização das ocorrências
mediante a uma habilidade de tornar cognoscível o não-
cognoscível na tangibilidade das cousas; com tal premissa,
podemos desvelar, mais uma vez, a natureza metafísica da
psique, malgrado ainda conectada profundamente aos
componentes formadores da corporeidade da natureza.
Mister seja, portanto, a base na qual se institui as condições
de preservação das qualidades transcendentais da psique,
pois em razão de ser justamente para essa, que a psique
consegue subsistir e exercer seu papel mediante a
procedimentos íntegros e absolutamente lhanos. Outrossim,
é necessário adicionar a tudo que mencionei até agora que,
indubitavelmente, o homem é por necessidade suprido
pelos efeitos decorrentes dos mecanismos psíquicos,
alterando ou mantendo as suas partes emocionais e
racionais de ação e reação. Desdobrar-se-iam, por
conseguinte, processos versáteis de ressarcimento psíquico
nos quais são engendrados os atributos necessários para o
exercício constante e inconcusso da alma.
Em uma explanação um tanto mais descritiva,
contemplemos a sua integração intensa e aberta para com a
abertura partícipe de cooperação nas zonas de foco ôntico
tanto por parte do espírito quanto por parte do corpo. A par
dessas declarações, enfatizemos que, a despeito da alma
estar unida com a matéria com altíloqua veemência, esta
necessita fazê-lo a fim de que a fisicalidade, de natureza
igual, logre sua correspondente sobrevivência na realidade,

43
pois, sendo dependente da alma, desfruta substancialmente
do que denominamos de raison d'être (razão de ser).
Doravante, faz-se necessário o elo intacto entre a alma e a
matéria e vice-versa, bem como a alma perante o espírito.
2. Compreendendo os aspectos mais abrangentes do
desenvolvimento do espaço, a transcendência, em inúmeras
ocasiões, induz uma força a qual penetra em seus traços e
pormenores primitivos, tanto com relação à constituição
essencial quanto à sua coadunar. O ser, portanto, deve ter
em mente que sua situação espacial não determina o que ele
é quidem.
Entretanto, a sua posição diante de todo um parâmetro
existente o qual ele deve, dessarte, consolidar-se como
transcendente, não que ele não possa sê-lo, mas, nesse
sentido, deve evidenciá-lo através de suas capacidades de
empreendimento ontosófico, i.e., a sabedoria sobre si
mesmo e os motivos existenciais que a circundam. Nós
devemos, aliás, ruminar em demasia acerca do que pode ser
considerado como apropriado a se incutir com rigor nas
propriedades peculiares do espaço ou não sob a égide das
tendências transcendentais do ente vivo.
Ademais, note-se que toda a conjuntura insertada em um
ambiente de caráter transcendental pode ser, incontinenti,
considerada como adequada à evolução do ser enquanto ser,
consoante o que se pode averiguar nos pensamentos
efetuados outrora. Então, o que podemos atestar como
ilação mui contundente é que, conforme as inferências aqui
substancializadas, o espaço é um fator definitivo para o que
ser pode ou não praticar como sendo transcendental, não
aquilo que ele pode ou não exercer ontologicamente como
objeto consumador da transcendência per se.

44
Ao presumir que as questões espaciais são demasiado
interessantes para se avaliar a índole e o perfil singular do
indivíduo, constatamos que, ex tunc, promana-se o objeto
transcendental do ser pela própria edificação de seu caráter
e conceitos subjacentes.
Outrossim, ei-los, em seguida, a suplantar certa
compatibilidade com o azo provisório ou permanente, seja
esta permanência temporária ou infinda, da natureza do
espaço computada na própria urdidura ôntica dos
sentimentos, das percepções e das causas destes quando
introduzidos na mente individual, configurando uma
incidência diversa e difusa das características espacial-
existenciais de cada ente vivente.
É impreterível frisar que, hodiernamente, existe um
julgamento repleto de jeriza com relação às questões do
espírito unívoco, inclinando-se mais a aceitar a supremacia
do erudita (método científico) do que o equilíbrio entre a
ciência e a espiritualidade; igualmente, faz-se importante
salientar que o indivíduo, quando espacial e
transcendentalmente suputado em critica modum semita, é
estimado que seja apontado como aquilo que ele deve ser in
essentia, não aquilo que ele é profecto. Conseguintemente,
o espaço apenas avalia a possibilidade, não a real aptidão
do ente enquanto sendo eosdem diante de seus estados de
funcionamento.
3. Em cumprimento com a questão temporal, deixemos bem
estabelecido que os fluxos de mesma circunstância são
absolutamente complementares à precipuidade espacial em
matéria de natureza transcendental do ser.
Contudo, todo ser físico almeja incessantemente por
pressupor noção de mobilidade no espaço, como se todo o
seu motor de projeção, efetivamente, tivesse valores

45
definidos e ajustados conforme os objetos nele existentes.
Sabemos, dedutivamente, que tal ponto de vista é bastante
errôneo sob o prisma dos elementos da veracidade
inferencial, pois aquilo que não é perceptível naturalmente
e não se pode experimentar (tanto material quanto
espiritualmente), como resultado, é algo falso haud dubie.
Todavia, tal pensamento vigora e demasiadamente até os
dias de hoje. Quiçá, pensa-se que o homem, sob prevalência
do conteúdo temporal em termos de julgamento crítico e
das faculdades do saber, é, de feito, alguém dependente
destas ambiguidades conceituais que nada condizem com o
fornecimento transcendental de suas tenções ônticas.
Sob uma ótica dialética, demonstra-se que, contrapondo
ambos espaço e tempo, tem-se com efeito ulterior o próprio
dilema existencial engendrado artificialmente, o que é um
dos maiores empecilhos para a felicidade na nossa
contemporaneidade. Desta forma, faz-se imprescindível o
uso de recursos o suficiente a fim de preencher sobejamente
os espaços vácuos que o homem deixa de locupletar em
face de sua subjugação ao domínio temporal do
entendimento das cousas.
O tempo, a esmo, se delineia por características muito
específicas da existência as quais não estão de alguma
forma ligadas ao que se assume notavelmente no juízo
transcendental ôntico.
Sobremais, faz-se necessário, em caso de haver
pressupostos dúbios, frisar que o agente praticante, quando
alicerçado em princípio temporal, é impactado pela coação
à imanência e, logo, tolhido a atingir os estados supremos
da transcendência.

46
A predominância das noções temporais sobre a existência é
para o ser, o que a falta de chuva é para o solo das
plantações agrícolas, isto é, algo nada desejável a se
adquirir eficazmente.
Subsequentemente, é preciso relatar que o ser, dedicado
exclusivamente ao limiar temporal da compreensão de
mundo, é simplesmente limitado com relação ao seu
autoconhecimento, impedindo-o de evoluir e renovar-se
amiúde espiritualmente; ademais, isto, certamente, o deixa
ensarilhado em sua própria consciência, reservando-o a
aspectos tão irrisórios da mente, ao ponto de conseguir
cativar suas emoções a mais soez e enfraquecida de suas
correspondentes expressões. Portanto, o tempo é
transcendental se for fixado e adaptado à natureza do
espaço; a propósito, pode estar reforçando-o, se isto for de
fato realizado.
Sem embargo, se operado independente, é deveras
improfícuo para o indivíduo que desfruta de suas ações e
efeitos, deixando-o vulnerável à perda gradual da
identidade ôntica; desta maneira, o tempo se predispõe
contrário à adquisição de destrezas solícitas nas
modalidades de relacionamento do ser com seu juízo
transcendental.
Isto posto, em que pese a necessidade de haver perspectivas
matemáticas do tempo, ontosoficamente, se faz inoportuno
tal conceito à progressão ôntica enquanto desejosa de
avanços tanto na mente (manas) quanto na consciência da
natureza (chitta → prakriti).

LIVRO 5

47
Política e sociedade

1. A política, como instituição humana, visa


invariavelmente a ordem e o bem-estar geral da sociedade
mediante ao cumprimento e exercício das leis e ordenações
jurisprudentes, sustentadas por homens assaz perspicazes
que apliquem tais diretrizes eficazmente. Consoante a
impressão deixada em tal declaração, estatuemos que a
política possuirá, portanto, leis universais que deverão reger
os seus comandos e condições de existência producente e
afortunada. Previamente, devo dizer que é sobremodo
importante acentuar que o homem, como agente político,
designado a ocupar cargos ministeriais na área da
superintendência, deve ser quotidianamente examinado e
fiscalizado a fim de combater a sobrepujança e a tirania no
desempenho do poder.
Mas, sem embargo, devemos identificar com precisão e
acuidade os fluxos e andamentos das leis políticas enquanto
efetivas na gestão humana, viz. a sua própria natureza. De
maneira primacial, deve-se dizer que o método deveras
ideal para desnudá-la advém da experiência e da disciplina
políticas, pois, enquanto não houver os processos completos
d’emissão e recepção dos atos políticos na sua práxis civil,
não haverá dimensões o suficiente para se avaliar as suas
qualidades e tornar substancializados os seus atributos de
alcance providencial, convertendo, destarte, a política, de
algo vigoroso a algo baldio. Define-se, por conseguinte, a
principal lei da política: o empreendimento.
Contudo, antes de entrarmos profundamente neste assunto,
devemos salientar que a configuração objetiva da atitude

48
política, como presumivelmente se pode elucubrar, está
situada em seu ethos, i.e. o seu caráter, ou ainda, a
qualidade que dá forma ao semblante do agente incidente
como bom ou mau, justo ou injusto, eficiente ou ineficiente,
amparador ou desidioso, e assim por diante.
Outrossim, as leis políticas devem abranger com
percuciência a realidade, penetrar sobejamente no ideário
das massas, a fim de adquirir aceitação, nução e roboração
por parte destas, e, com efeito, serem exercidas finalmente
com proficuidade. À guisa de tais premissas então
assinaladas, devemos fixar que a natureza das leis políticas
é a própria medida destas enquanto sujeitas à atuação
protocolar e organizacional, uma vez que determinadas a
partir de seus elementos espaciais e registrados em
específicos escopos a serem concebidos na experiência e na
normatividade desta.
Com isso, podemos asseverar que o ser, subalterno das leis
políticas, não é restringido ou vedado de praticar as cousas
que almeja, mas que a sua vontade naturalmente
incontrolável e arbitrária deve ser orientada a fim de que
não sobrevenham leviandades e desordens que levem a
sociedade ao seu declínio que, porventura, seria engendrado
por atitudes voluptuosas e cúpidas por parte dos indivíduos
englobados nestas.
As leis políticas são a operação mais perfeita e peremptória
do estabelecimento consciencial do homem, tendo uma
simbiose irrefragável com o Estado, que é sua
personificação mais íntegra e idônea; isto posto, infere-se
que o poder civil é derivado das leis políticas, e,
entrementes, este mesmo se consolida como constituição
civil de fins jurídicos e forenses, se quiçá houver espaço
para o juiz exercer suas competências, como hoje,
efetivamente, existe, do qual se incumbe o Poder Judiciário

49
para praticá-lo; portanto, estes fins jurídicos e forenses são
conglobados pelas leis políticas com amplitude e mui
significativo domínio.
Estas são, ademais, ramificadas em diversos tipos de
atividade e empenho, integrando idiossincrasias particulares
de cada um para, indispensavelmente, esculpir canais de
interação entre a natureza teórica das leis e a natureza
concreta das mesmas.
Com relação à teórica, temos a abstração e a
conceptualização destas, isto é, o reconhecimento esotérico
das leis; no tocante à concreta, temos a consumação e a
corporificação destas num tipo de recognição exotérico.
Assim, logramos a discriminação de ambas as concepções.
2. Os poderes ministeriais devem ser ordenados a partir dos
princípios de lealdade, probidade, prudência, honradez e
sageza. Cada um destes princípios enuncia o gênero
homogêneo de conduta política por parte dos ministérios. A
força administrativa deve ser implementada sob criteriosas,
circunspectas e coesas sentenças jurisprudentes, procurando
vedar, com a maior diligência possível, posições coercitivas
nas aplicações nômicas, i.e., no exercício das leis, sendo
estas mesmas direcionadas espontânea e consultamente à
população, e não por meio de imposições ou
obrigatoriedades constitucionais, como é praticado
hodiernamente. Isto significa que a própria população
deverá dar seu voto de aprovação ou reprovação para a lei
mediante os plebiscitos jurisconsultos. A fim de criar os
ministérios, os sages e intelectuais, com perfil
estruturalmente sisudo, escolhidos por sufrágio universal,
cujo valores eletivos terão mais importância por parte dos
mais inteligentes da sociedade, fomentarão as concepções
doutrinárias do poder ministerial, os quais, in abeyance,
terão de perfazer e conduzir as leis sob elas. A eleição dos

50
sages e intelectuais, per comendaticiis, suceder-se-á todo
ano, podendo os candidatos reeleger-se, no máximo, 4
vezes. Criado o corpo ministerial, deverei dizer que
somente três disposições de seu poderio poderão ser válida
e consistentemente soerguidas, as quais serão: a) economia,
b) defesa e c) coordenação cívica, na qual se incluem áreas
importantes para o desenvolvimento duma nação, como,
v.g., saúde, educação, transportes, residência, saneamento
básico e &c., cujos escopos variarão de acordo com a
doutrina empregada pelos órgãos componentes do
ministério, por último, mencionado. Contudo, suponhamos
que um atuário qualquer estabeleça um plano de
amortização a fim de pagar as dívidas paulatinamente;
entretanto, o capital arrecadado visando isto é feito de
forma plausivelmente ilícita e inconcessa; tendo em mente
a austereza moral dos sages e intelectuais que, por nução,
escolheram os ministros e seus representantes e
subsidiários, logo, haverão de exonerá-lo do cargo
imediatamente, porquanto seu ato é deplorável do ponto de
vista do norteamento natural e de substrato benigno das
condutas humanas a serem desempenhadas, independente
da verdadeira talante do indivíduo que praticou um ato
abominoso qualquer.
3. Estabelecidas as primeiras concepções a respeito da
disciplina e da organização dos ministérios, devo transmitir
a ideia de que cada poder ministerial deve ser representado,
substancialmente, por instituições secundárias que manejem
setores especializados nas esferas de administração que
lhes são outorgadas a geri-los jurídica e atributivamente. A
representação ministerial não somente se dá pelos setores
especializados que o compõem, mas também, de qualquer
forma, da figura dos próprios administradores; em outras
palavras, a identidade do gestor ministerial ou seu putativo
renome deve estar em uníssono com a qualidade de seu

51
trabalho. Citando caso análogo, se o administrador
ministerial de economia estiver examinando o ágio nacional
com o país de fronteira propínqua, i.e., a relação da cotação
monetária dum país e outro, ele deverá efetivar um
cômputo estatisticamente fido à realidade atuante; se ele, ao
calcular, estiver sobrevalorando a cotação nacional com
relação ao país comarcão, propondo alguns fins econômicos
de restrição da importação das mercadorias desse mesmo,
impedindo que certos commodities, p. ex., improfícuos
nacionalmente sejam concedidos pela outra noção a fim de
satisfazer essas necessidades específicas, não obstante
sejam mui misteres, ele estará violando princípios éticos da
prática econômico, como, e.g., completitude temporal das
demandas nacionais, ou, ainda, disponibilização de
investimentos mediante o substrato quantitativo do capital e
o excedente da receita e das taxas de rendimento dos ativos
circulantes. Assim, a sua má qualidade operacional estará
indubitavelmente cônsona com sua identidade perante
outrem: má também. Recomendo-vos, ó, ministros, que
devais cumprir vosso trabalho eficaz e sisudamente para
lograr a identidade geral de ser, de igual natureza, eficaz e
sisudo no vosso ethos e na vossa práxis.
4. O ordenamento político deverá concentrar-se não na
pluralidade, tampouco na individualidade como substâncias
de exequibilidade jurisconsulta; entretanto, nas condições
homonômicas de intervenção e mediação arbitrária, as quais
englobarão os elementos não somente pertinentes ao que
geralmente estipulamos como atividades materiais,
esquematizadas em escopos meramente econômico-
domésticos – v.g., comércio, práticas pedagógicas
estabelecidas sob a ótica da estimulação unicamente
direcionada aos empreendimentos laborais e à subordinação
desvairada aos paradigmas sociopolíticos, disposição
nômica rígida e supraconstitucionalmente compelida por

52
manobras eticamente ímprobas, visando a falsificação das
verdades sobre as providências governamentais tramadas
contra a integridade e a regularidade das leis e convenções
hierático-cósmicas dirimidas especialmente para o avanço
ontosófico da humanidade, e assim por diante – mas,
também, o investimento patente e percuciente nas
atividades espirituais do homem, v.g., práticas
transcendentais ou de juízos teleológicos destinados à
ascensão noética, como o budismo Mahayana, o Tantra, o
Raja Yoga, o Tai Chi Chuan, o Zen, o Dzogchen, o Qigong,
o Kusha, o sufismo e &c., as interpresas correlatas ao
desdobramento das dons individuais, abarcando desde os
artísticos até os lógico-matemáticos, a fim de, sobretudo,
impulsioná-los para não só os benefícios ínsitos na pessoa
eo ipso, mas, de igual grandeza, aos segmentos causais-
eficientes (kinoun) do progresso nacional in generalis.
As instituições políticas, devido aos múltiplos desvios
deontológico-morais dos seus agentes partícipes, os quais
desempenham subterfúgios e operações insidiosas para
adquisições maiores de superintendência, a qual, na
totalidade das ocasiões, são engendradas no ínterim de
predicados hierárquicos, não funcionarão sob a ótica da
fiscalização e das incumbências de manutenção da lisura
estatutária das mesmas, mas sim no princípio isonômico-
agatológico de administração com prerrogativas
previamente consolidadas para a restringência dos
empreendimentos providentes diretoriais conforme o
código de conduta crática, regido por uma arbitragem
comissionada pelos fundamentos normativos da
polivalência deôntica, consentâneos com os princípios
ético-canônicos, suma e universalmente configurados em
genuíno aceite, tanto filosófico-científica quanto mística-
pneumatologicamente.

53
Com base nas premissas anteriores, por conseguinte, as
instituições políticas deverão ser sustentadas por uma
parenética esotérico-preternatural, viz., efetivarão o seu
estabelecimento ético-deôntico-canônico, conforme
previsto no código de conduta crática (δίκαιο), sob os
ângulos uniformemente interagidos com as extensões física,
mental e espiritual do homem, sobretudo, aquelas
relacionadas às metafísicas, a fim de, portanto, preservar as
relações humanas numa cadeia de processos ativos das
partículas dianoético-ônticas, as quais trabalham
mutuamente num órganon consumado por um gênero de
categorização social (κοινωνία) que cruza, no seu ponto
apogético, com a potência acroamática da gnose
apriorística, em estado de uníssono com as próprias
emanações cósmico-ônticas.
Realçadas estas questões, deverei, portanto, encetar um
protótipo extenso de prossecução à minha filosofia,
aprofundando estes conceitos e soerguendo um bojo ancho
de solidez argumentativa, sob o raciocínio de que, através
da determinação metódica dos dados particulares em
operações indutivas sobre o objeto cognoscente, toda a lei
pode ser inferida por meio da conjunção dicotômica entre a
causa e o efeito das eventualidades humanas nas
conciliações políticas.
5. Não só nos debates, mas também nos livros e nas
dissertações acadêmicas, quer na sociologia, quer na
filosofia, são nimiamente examinados o teor e a difusão das
relações entre a sociedade e o governo, e se estas são, com
efeito, fenômenos que pacificarão ou ainda trarão mais
conflitos para a humanidade. Hugo Grócio, e.g., cria que
acedendo analiticamente à problemática das controvérsias
sociais, poder-se-ia, então, averiguar ostensivamente as
probabilidades de discriminação situacional-preferencial

54
de ambas as partes da contenda, seja por alvedrio
intrínseco, seja sob competência de autoridades políticas
inter eligenda, cujas decisões deveriam ser tomadas,
invariavelmente, nas exortações de intercessão coinônica
dirigidas para o bem humano. Pufendorf, por sua vez,
considerava que as esferas de gestão, suportadas
devidamente ao principado e à magistratura, iriam
conservar eficazmente as instituições e anular qualquer tipo
de desaire aos seus critérios supervisionais e a sua
importância exercendos amandatur, incluindo, o órgão de
serviços notariais delegado per legem ao corpo hierárquico
dos funcionários públicos. Se examinarmos as questões
sociopolíticas sob o ponto de vista dicástico, notaremos que
estas não são apenas determinadas pelos níveis de
identidade e assimilação da sociedade com o governo e
vice-versa, todavia, outrossim, pelo próprio líbito social de
tencionar o acatamento perante o sistema ministerial de
execução nômica, i.e., o Estado. Não necessariamente a
conturbação das condições sociopolíticas provém das
insurreições (ou até levantes) sociais contrárias ao modelo
governamental, senão, assaz imprescindivelmente, do
próprio sistema de poder estabelecido estar em conflito com
os subalternos, opondo-se de modo comperto à sociedade
por ele comandada (providenciando-lhe, a propósito, um
corpo jurídico carnífice ou ftártico sob as óticas somático-
econômico-cívica ou psíquico-noético-pneumatológica), e,
inclusive, cometendo desvirtudes consultivas ou executivas
no período presidido. Juristas europeus célebres da história,
como Thomasius, Burmalaqui, Firmer, Selden, Suárez e
&c., dalguma forma, possuíram, em sua fundamentação
ideária jurisprudente, ligações estritas com o cristianismo,
ou uma das modalidades do caráter hierológico do
pensamento humano, na época em que este vigorava num
estrépito tão elevado que alcançava a qualquer alma que por

55
ele se aproximasse. Em termos de análise sociopolítica,
seria inconveniente ser extremadamente secular, quanto ser
religioso de mesma natureza, porquanto ambos acabam por
atingir o mesmo grau de proselitismo e dogmática quando,
assim, empregados como agente teorético contribuinte, quer
para coadunar, quer para fundamentar. Bem como o insumo
é importante para a fabricação da mercadoria, as causações
sociais, operáveis no contexto político, também o são para a
facetação das características sociopolíticas duma
coletividade. Averiguando as causações sociais com lídima
profundidade, é que chegaremos em respostas satisfatórias,
de modo anancástico, para todas as adversidades e
tribulações subsequentes vigorantes atualmente nas
sociedades humanas.

LIVRO 6
Filosofia da história

Todo eventual fenômeno que influiu com significância no


percurso da evolução humana é definido como um fato
histórico. O conjunto de desenvoluções no qual está ínsito
se denomina história. Contudo, a maneira de relatar e de
determinar a factualidade são multiformes e, muitas vezes,
se contraditam. Existem, no ramo da ciência da história,
diversas versões sobre um mesmo importante fenômeno
circunscrito na evolução humana; daí, eis a pergunta: como

56
determinar qual é a verdadeira e qual é a falsa? É neste
ponto em especial que deverá ser necessário um arranjo
epistêmico, o qual fornecerá sólido suporte tanto
metodológico quanto teleológico na construção de um
relato histórico mais próximo da verdadeira concretização
do fenômeno por ele reportado. Todo o relato histórico,
para ser considerado verdadeiro, deve ser apodítico, i.e.,
possuir uma base indubitável e inteiramente comprovável
por meios sensíveis ou inteligíveis de averiguação e
corroboração. Antigos historiadores, como Maneto, Tito
Lívio, Heródoto, Sima Qian, Al-Tabari, Kalhana e &c.,
possuíam distintos procedimentos e sistemas normativos e
técnicos nos seus componentes historiográficos, não
obstante seus escopos serem os mesmos: a verdade ou o
fato preciso dos eventos que foram presentados. Em toda
teoria do conhecimento, é preciso justificar cada um dos
componentes estruturais e, outrossim, as propriedades
ideacionais lhe concernentes. Mister asseverar que a
disposição dos critérios e das preposições na armação duma
reportagem histórica deve ser pormenorizadamente
examinada, sempre observando atenciosamente a sua
validade ou não como juízo ou valor atributivo de
estabelecimento da conhecença, antes de ser impulsionada e
produzida efetivamente na veiculação das informações
históricas. Por conseguinte, os propósitos arrematados na
configuração teorética do historiador devem estar de acordo
com a modalidade, isto é, o nível de intensidade e
proporção, do fenômeno histórico que se deseja discorrer.
Liu Zhiji afirma que o espectro alicerçador de cada
exposição dos fenômenos históricos, como as controvérsias
dos poemas de Chen Sici, se revela na expressão e do
entendimento do historiador, i.e., aquele que narra os
acontecimentos, é que transpõe os fatos, e não os fatos que
transpõem o narrador. Isto demonstra que o historiador é

57
partícipe daquilo que ele pretende contar, o que
denominamos de interface historiográfica. Bem como
existem o compartilhamento das fronteiras entre dois
dispositivos informáticos que trocam dados e sinais,
também há o mesmo protótipo conectivo entre o historiador
e os fatos históricos que intercambiam, por outro lado,
elementos de pressuposição nos processos de formulação
do conhecimento e suas próprias enunciações empíricas.
Esta relação é primordial na teoria do conhecimento da
filosofia da história. Eunápio fá-lo exemplarmente na sua
pequena biografia de Plotino:

"Πλωτῖνος ἦν ἐξ Αἰγύπτου φιλόσοφος. τὸ ἐξ Αἰγύπτου νῦν


γράφων, καὶ τὴν πατρίδα προσθήσω. Λυκὼ ταύτην
ὀνομάζουσιν· καίτοι γε ὁ θεσπέσιος φιλόσοφος Πορφύριος
τοῦτο οὐκ ἀνέγραψε, μαθητής τε αὐτοῦ γεγενῆσθαι λέγων,
καὶ συνεσχολακέναι τὸν βίον ἅπαντα ἢ τὸν πλεῖστον. τούτου
Πλωτίνου θερμοὶ βωμοὶ νῦν, καὶ τὰ βιβλία οὐ μόνον τοῖς
πεπαιδευμένοις διὰ χειρὸς ὑπὲρ τοὺς Πλατωνικοὺς λόγους,
ἀλλὰ καὶ τὸ πολὺ πλῆθος, ἐάν τι παρα3. κούσῃ δογμάτων, ἐς
αὐτὰ κάμπτεται. τὸν βίον αὐτοῦ πάντα Πορφύριος ἐξήνεγκεν,
ὡς οὐδένα οἷόν τε ἦν πλέον εἰσφέρειν· ἀλλὰ καὶ πολλὰ τῶν
βιβλίων ἑρμηνεύσας αὐτοῦ φαίνεται. αὐτοῦ δὲ Πορφυρίου
βίον ἀνέγραψεν οὐδὲ εἷς, ὅσα γε [εἰς] ἡμᾶς εἰδέναι·
ἀναλεγομένῳ δὲ ἐκ τῶν δοθέντων κατὰ τὴν ἀνάγνωσιν
σημείων τοιαῦτα ὑπῆρχε τὰ περὶ αὐτόν.".

Uma outra técnica, visível em Eunápio e outros


historiadores da filosofia, se chama capacitor de
reportagem. Bem como há um conjunto de dois ou mais
condutores isolados entre si por meio de dielétricos com
função de armazenamento da carga e energia elétrica no
campo eletrostático estabelecido entre os condutores, o

58
historiador apresenta uma série de duas ou mais premissas
cindidas entre si tendo o papel de preservação dos dados e
das amostras historiográficas no âmbito conceitual firmado
entre as próprias premissas. O procedimento que vemos,
por exemplo, em "τῆς μετὰ Μάρκον βασιλείας ἱστορία" de
Herodiano, e utilizado por vários outros historiadores da
Antiguidade clássica, sugiramo-lo a nomenclatura de
terminal explicativo, viz., assim como há pontos de entrada
ou saída num dispositivo elétrico ou eletrônico qualquer,
existe, na ciência da história, regiões de prolusão ou
desfecho na organização do relato histórico, que não
necessariamente estejam em ordem cronologicamente
perfeita, porquanto variam estas consoante o viés de
reportagem (não da apresentação dos fatos) do autor.
Deve-se alegar, peremptoriamente, que quaisquer
historiadores que almejem instruir os seus leitores de tal
forma com que não haja mistérios na sua narrativa, manter-
se-á, pois, um relato digno de eficiência discursiva,
convicção idônea e generalização somente contingente,
predominando, assim, a contínua particularização. Neste
instante, explicar-vos-ei com minudências cada um destes
elementos. O primeiro citado foi a eficiência discursiva.
Então, será neste que concentrar-nos-emos agora. Em
retórica, analogamente, chamamos de protrepse, i.e., o
potencial persuasivo da linguagem, o qual, ante a exposição
histórica, deve ser mui valorizado, sobretudo, quando
tratamos da ratificação das preposições utilizadas. Destarte,
Anaxímenes escreve:

"ιδεϊν δέ έοτι πά ντας τους ά ριστα των Ελλή νων


πολιτευομενους λό γω πρώ τον ή τοις έ'ργοις συγί
γινομενους, προς δε τού τοις και τους μέγιστον ά ξίωμα

59
των βαρβά ρων εχοντας τού τω προ των πραγμά των
χρωμένους, ειδό τας καλώ ς ώ ς ά κρό πολίς έστι σωτηρίας
ή διά του λό γου γινομένη του συμφέροντος θεωρία,
ταύ την ά πό ρθιμον οίητέον, ου την εκ τώ ν
οικοδομημά των ά σφαλή ιο, προς σωτηρίαν είναι
νομιστέον.".

A eficiência discursiva é o fenômeno retórico ou linguístico


no qual todas as sentenças empregadas para convergirem
com a tese são formuladas com fundamentação ad litem
etiológica, aretaica e auxética. Vemo-la em, praticamente,
todos os grandes historiadores da humanidade e, tal recurso,
outrossim, deve ser aplicado por todos aqueles que se
dedicam seriamente à ciência da história. Khorenatsi e
Propetsi, dois grandes historiadores da Armênia, são
modelos imitáveis de eficiência discursiva. Neste instante,
ir-nos-emos ao segundo ponto, isto é, a convicção idônea.
Em abordagem retórica, chamá-la-íamos de ethos. A
convicção idônea é a propriedade qualificativa da
reportagem histórica, i.e., determina o quão soído é o
exercício das faculdades morais e sentimentais do autor
com o seu objeto de estudo, a identidade mútua entre o
historiador e a história, examinada sob a perspectiva das
inclinações não só intelectivas, mas também
comportamentais, viz., o modo como se dá a interação do
autor com a história narrada, se isto acrescenta ao
conhecimento histórico ou não. Gregório de Toros, ilustre
historiador dos francos, da Alta Idade Média, no-lo
exemplifica:

"Sed cum epilcopatu eius multi expeterent, ipse Vrficinum qui


quondam reserendarius Vltrogotho reginae fuerat elegit. Que

60
dum adhuc viuerent, benedici deprecans, migrauit à seculo: suit
autem valde eleemo synarius, in scripturis ecclesiasticis valde
instructus, ita vt seriem diuersarum generationum, quae in libris
veteris Testamenti describitur, quod à multi difficile retinetur, hic
plerunq: memoria recenseret.".

A contínua particularização é quando eu relato algo em


mínimos detalhes com uma linha de raciocínio permanente
e que não se contradiz a nenhum instante, i.e., é homogênea
e possui eficiente e correto sentido lógico-fraseológico. Em
lógica, como Saccheri nos demonstra, isto correlacionar-se-
ia ao demonstratibus reliquoroum das suas preposições, i.e.,
o resto das demonstrações. O resto, neste contexto, seria os
indícios remanescentes dalguma ideia, que a mantém, inda
que fragmentada, firme e intacta. A estes indícios,
chamamos partículas, e seu conjunto, denominamos
contínua particularização, conforme dantes mencionado.
Kadlubek no-la delineia:

"Tum demum deo plenus antistes, pleniore nacta dicendi


oportunitate, ait: Divinum admodum, preses coviensis per
gloriose, sentenciasti oraculum; divinam constitucionis
promulgasti sentenciam; eatenus tamen tuas habere torsit in
presulem Cracovie, et contranibus ulla contrarietate non deroges;
audi, obsecro, modernos nota, quod ita est quoorsum respiciat
quam ipse tulisti sentencia? Tuum de te pacienter excipe
iudicium. Hec matrona, Craco robur constituciones noveris, si
tuis ipse constitucio viensis est provincia; tu, nisi dissimulare
velis, eius filius; grex tonsarum est populus provincie; huic
pascendo non pastores set hostes instituisti, qui ea que sua sunt
querunt, non que gregis; unde merito non iam filius, set
privingnus apellaris, privingnali enim hostilitate induitur, quem
calamitatis materne non miseret; tu canes rabidos id est officiales
turculentissimos, non in copula districcionis circumducis; set

61
nodis discipline tua solutis iussione, passim undique sinis
debachari. Hij atrocitate cruenta, morsibus virulentis, in gregem
penitus confractum, incessanter deseviunt; nec aliud sitire
videntur, quam ut lacerato gregis iugulo, gregis cruore
debrientur. Tuam igitur Nota contra modernos principes procas,
te ipsum condempnas; unde verendum nobis est pter eorum
oppressiones. (...) Quasi de principe durius aliquid fuissent
opinati, et presuli quidem occulcius proscripcionis meditatur
exilium, aliis vero finitimum capitis infotunium.".

Com efeito, somente comparando as culturas humanas é


que chegaremos na origem da civilização planetária, donde
todas as ideias surgiram e todo o esplendor do
conhecimento das eras foi desdobrado e estabelecido
perenemente. A historiografia comparativa, portanto, é
disposta tanto pela relação dos eventos quanto dos
pensamentos que vislumbraram-se por detrás deles. Isto é o
mesmo que dizer que esta abordagem da ciência da história
faz uma analogia entre tanto as cousas sensórias dos fatos
históricos quanto aquelas intelectivas. Cada método que é-
lhes postulado possui, sob qualquer natureza, um aspecto
doutrinal de princípios heurísticos e canônicos. Em outra
palavras, são sentenciados às cousas sensórias e intelectivas
dos fatos históricos, fundamentos tanto de natureza prática
a prazo instantâneo, para construir objetividade e
imparcialidade na narração dos acontecimentos, quanto de
natureza teorética, a fim de presentar composicional e
significativamente o processo de justaposição dos
constituintes elocutivos e coessenciais da instituição
exegética da história relatada. Vejamo-lo, citando caso
símile, na "Historia Anglorum", escrita por Henrique de
Huntingdon, conforme vós podeis muito bem examinar,
estrutural e substancialmente:

62
"Cedwalla secundo anno regni sui misit fratrem suum Mul
fortissimum, et juvenes cum eo fortissimos, praedatum Cent,
petitione ejusdem fratris sui.Allexerat enim eum prueteriti anni
lucrum gloriosum, et famse pretium non exosum. Pergens igitur
in Cent, non invenit qui ei resisteret, et terram praedando in
solitudinem redigens, et Christi servos immeritos affligens,
maledicta eorum merita sensit. Nam cum hostes effceniinatos
duceret, et nihil sibi pro viribus praevideret, irruit in domum
quandam longe a suis cum duodecim tantum militibus
praidaturus; ubi inopinata multitudine circumventus, cum hostes
interficiendo non deficeret nec proticeret, qui arrnis ctedi non
poterat, in ipsa domo cum duodecim militibus suis igne
combustus est. Periit ergo flos juvenum, et juvenilis evanuit
exercitus. Unde comparet quam nihili sit confidentia fortitudinis
ad Dei omnipotentiam. Hic audiens Cedwalla rursus iugressus est
Cantiam, ubi mirabili caede et innumera satiatus rapina, cum non
inveniret quid caederet vel raperet, ad sua magnus vindex et
victor saevus rediit.".

Vários historiadores ingleses medievais utilizaram deste


recurso o qual de antanho prelecionei-vos, como, v.g.,
Simão de Durham, William de Newburgh, Geraldo de
Gales, Rafael de Coggeshall, Roger de Wendover, Nicolas
de Trivet e &c., e muitos outros que não são de mesma
nacionalidade, visto que tal norma avaliativa e distintiva é
amplamente estipulada como sendo universal em qualquer
historiografia existente. Entretanto, um predicado de
exequibilidade tão importante quanto é o de verificação
dialética de competências aditivas, i.e., a pesquisa de fontes
bibliográficas e documentais, em que se projeta a ideia de
que haverá aditamentos, de extensa probabilidade factual,
contraditórios durante esta busca, e, juntando as duas ou
mais ideias antitéticas e antinômicas, chegar-se-á a uma
razoável e coesa inferência, viz., a verdade histórica.
Godffrey Higgins, por exemplo, diz que é provável que

63
acontecesse uma submersão continental no Oceano Pacífico
setentrional. Sem embargo, ele afirma que tal ideia parte de
narrativas legendárias da China e da Índia sobre o príncipe
Peiruum. Depois, inadvertidamente, afirma que grande
parte das ilhas da Polinésia faziam parte de um continente
mais extenso; tal asserção pode ser justificada, como diz o
próprio Higgins, pelos eventos zoológicos de que, na
porção restante do continente perdido do Oceano Pacífico,
i.e., a Oceania como um todo, não houvessem animais
encontrados em outros territórios. Este é um exemplo de
dialética historiográfica. Um outro encontramos na obra de
Fray Íñigo. Ele diz que os caribenhos são de boa estatura,
corpulentos, proporcionais e de nervo; em contraste, afirma
que seus aspectos são desagradáveis, porque fedos, então,
são os narizes e as bocas devido a pretensiosa galhardaria
de vivos ancenúbios; não obstante isso, ele reconhece a
grande utilidade de tal costume cultural para livrarem-se da
moléstia das cadimas picadas dos insetos. É outro
paradigma de dialética historiográfica na literatura. A
terceira técnica, que mescla tanto o caráter dialético quanto
o comparativo, se chama testemunho de paridade.

LIVRO 7
Filosofia da razão transcendental

64
As ideias são frequentemente pareadas com a ordenação
tópica dos pensamentos e das impressões lhe intrínsecas
eiusdem generis. Portanto, é muito válido que ocorram
associações ideacionais no tocantes às suas condições
percipientes, cognoscentes e eidéticas. Segundo D. M.
Armstrong, tendo Ramsey como suporte etiológico, as
crenças seriam mapeamentos interpretativos do mundo que,
ao contrário das preposições puramente cogitadas, inúteis e
fantasiosas, teriam o sólido papel de orientar as nossas
ações e atividades2. Em prossecução tética, Wang Yanming
nos evidencia que o homem, como agente cósmico
plenamente dotado de ideias, abrange, em sua composição,
tanto as miríadas de consciências terrenais quanto
celestiais, agrupando-as num corpo único e absoluto3.
Portanto, a estruturação do conhecimento das ideias teria
configuração héxica nas formas imateriais e transcendentes
de manifestação e no substrato unívoco de estabelecimento
imprescindivelmente ampliativo, esotérico e anagógico.

Desdobram-se as ideias em níveis variados de circulação


noética, em cuja disposição, vem terminante e casualmente
uma gama de correntes suprassensíveis ou sensíveis de
pensamentos relativos à realidade tal como firmada nas
áreas mais poderosas da obtenção e da transmissão do
conhecimento que, em tais processos, é integralmente
implementado. Nam et ispa scientia potestates est. Nos
dizeres de R. M. Chishlom, o termo "diretamente evidente"
implica necessariamente a coincidência das condições da
verdade e dos critérios de evidência 4. A ideia, sob estas
2
“Belief, Truth and Knowledge”, p. 4
3
“Inquiry on the Great Learning”, pp. 272-273, traduzido do chinês
para o inglês por Wing Tsit Chan
4
“Theory of Knowledge”, p. 111

65
circunstâncias, deverá ser apodítica e ampla no que
concerne às suas tipologias de demonstração. Daí, a sua
natureza pragmática. De acordo com os axiomas dos
cabalistas Baruch Ashlag5 e Yosef Hayyim6, a verdadeira
ideia pragmática surge de uma conjunção perfeita entre
corpo (‫ – ֶּג ֶׁשם‬geshem) e espírito (‫ – רּו ַח‬ruach) e da ligação
idônea e completa com o Sagrado. Logo, uma ideia
pragmática será inevitavelmente evidente se possuir
fundamentos racionais nos quais o elo entre as três
dimensões da consciência, viz., corpo, alma e espírito,
estiver sublimemente estabelecido e se o indivíduo que dele
é dotado, manter-se sempre em uníssono com a Coisa
Suprema e Absoluta que o rege omni tempore.
As ideias, em seus mais estritos pormenores, são analógicas
e paracléticas. Ao passo em que elas se associam tanto em
conteúdo quanto em convenção de agentes contingentes,
elas também cumprem, em reatividade mútua, assistência
epistêmica, na qual são designados os escopos e os
protótipos zetéticos. Segundo o Vivekachudamani, vers.
135, o Eu Supremo, distintamente do Conhecimento
Essencial e Universal, se manifesta diretamente tanto na
rigidez quanto na sutileza do cosmos, como obstinado
testemunho de Buddhi (Sublimação da Consciência), a
faculdade determinante do Todo. De acordo com Heinrich
Reckert7, os númenos, tal como propriedades do espaço
compreendidas na abstração transcendente da natureza, são
a consciência suprema e inefável do agente de expressão
ideacional. As singularidades das ideias, basicamente, se
encontram no seu nível de conexão com o âmago supremo
que as preside ubiquamente e de entendimento das leis do

5
“Sepher Ha Mammarim”, vol. I, pp. 174-175
6
“Bem Ish Shai’, lib. i, sec. i, cap. iii
7
“Das Gegenstand der Erkentniss”, pp. 15-16

66
andamento espaço-temporais pertinentes à ossatura da
Unidade Absoluta.
A substância ideada torna-se geralmente indispensável se
apresentar ao agente ideador, conveniência e adequação;
sobretudo, aquelas situacionais. Malgrado mister seja o
emprego ideacional, tenhamos de ter em mente que,
conforme as circunstâncias, algumas podem ser expressas,
v.g., para defender um ponto de vista político num colóquio
onde tal assunto está em pauta, e outras devem permanecer
tácitas, e.g., quando percebe-se que o pensamento caso
emitido oralmente poderá insultar a pessoa alvejada.
Shadworth Hodgson sugere que a consciência é estruturada
pelo Eu universal que sempre a constrói ou reconstrói, e é
limitada, quer pelos mecanismos sensitivos, quer pelos
ativos8; ou seja, as ideias podem ser expandidas por meio
do autoconhecimento direcionado em meios esotéricos e
intimamente ligados ao espírito interior, ou contraídas, caso
forem guiadas no exotérico e no mundano da realidade
cósmica, em que se predominam as ilusões estético-
somáticas das sensações e das ações. Consoante o Kananda
Sutra, vers. 4, o Bem Supremo (Nishreyasam) é produzido
por um dharma particular, sob a essência dos Predicáveis,
da Substância, do Atributo, do Gênero, da Espécie, e da
Combinação, à guisa de suas semelhanças ou
dessemelhanças. O Nishreyasam é, pois, o propósito das
ideias enquanto transmitidas e passadas por atos e
processos justificativos; é por meio da razão dialógica,
holística e mística, que chega-se na mais correta e valiosa
inferência, que é a sumamente desejável para edificar-se um
Bem Universal e Vital a ser distribuído para todos seus
agente partícipes.

8
“The Metaphysics of Experience”, vol. I, p. 5

67
Não se pode conduzir uma determinada pessoa ao equívoco
em face de sua vulnerabilidade; tal ato é, ética e
moralmente, repreensível atrocidade. Os fluxos ideacionais,
analogamente, não se podem se deixar desvanecer só
porque o agente ideador se distrai do seu âmbito noético
racional; elas devem permanecer e adaptadas a esta
situação, bem como deveria também ocorrer no supracitado
exemplo. E, doravante, se determina a corrente das ideias
pela sua intensidade natural e perpétua; supõe-se-lhe,
portanto, pela condição de se encontrar na naturalidade e no
motor incessante, as causas do desdobramento de tais
fenômenos e respectivas possibilidades de desígnio,
desbocamento ou, até mesmo, desfecho. Joseph Kaipayil
destaca em sua teoria relacionista de ontologia que as duas
leis primordiais do mundo físico, dando anteriormente o
exemplo dos padrões fotônicos, das dimensões, das cordas
vibracionais e etc., são, elementarmente, unidade e
pluralidade9. Para as ideias, temos a suposição, i.e., a
postulação abstrata e teórica, pura e etérea, como a unidade
central delas e a determinação, i.e., quando exerço e
transformo em diversas modalidades de consumação e
registro, como a fala e a escrita, que são reproduções
materiais das ideias; a determinação é, pois, a "pluralidade".
Subsequentemente, admite Johannes Clauberg que a
substância espiritual da consciência é que dispõe as
localidades permanentes e integrativas das ideias e de suas
expressões materiais e mundanas, na qual se circunscrevem
as demais substâncias em geral10. Logo, com efeito, a
determinação das ideias é extrafísica e incorporal e a
suposição é física e corporal, como pode-se inferir através
das inquirições e das premissas assumidas anteriormente.

9
“Relationism: a Theory of Being”, p. 42
10
“Ontosophia”, pp. 247-248

68
LIVRO 8
O esplendor da filosofia

As crenças falaciosas e as verdades absolutas caminharam


lado a lado na história; o dever da filosofia é, então,
desencorajar o embaimento dos homens no escárnio e no
fanatismo e trazê-los à plena iluminação através do amor à
sabedoria e da devoção ao autoconhecimento; tais

69
elementos dispõem por que o homem deu aceite à filosofia
como fundamental contribuição em seu processo evolutivo.
Fê-lo ele, pois, para desvendar não aquilo que não tem
respostas, mas sim para realizar um rosário de perguntas em
cima dos mistérios dos arcanos universais a fim de chegar a
respostas ainda mais penetrantes e indagativas, em cujo
processo tecido incessantemente, leva o filósofo a perfazer-
se como agente ativo da revelação do Absoluto. A filosofia
não se restringe à elaboração epistêmica especulativa,
abstrata ou conjectural; ela é, na verdade, a personificação
da conjunção do ente vivo com a sua razão verdadeira de
ser e de existir, em cujo rutilante aparamentado andaime,
está edificada maravilhosamente a sua enorme capacidade
de despertar seus poderes psíquicos latentes e tornar-se, em
suma, mirífico, excelso e divino; o pilar básico da filosofia
é a admissão da ignorância na matéria. À carne, somos
impedidos de livrarmo-nos da vã e perecível percepção
sensória; contudo, transcendida, poderemos saborear uma
parcela razoável daquilo que é eterno e invulnerável. Deste
aferimento, a filosofia busca ultrapassar as balizas das
impressões e das aparências e, além disso, examinar e
procurar a sua essência mediante a uma miríada de
momentos de sumas paz e meditação profunda e
extramundana sobre todos os gêneros de vida e de
fenômenos cósmicos, quer operados em estado de
enteléquia, quer em de energia.
Procedemos, por conseguinte, a nossa teosofia em busca da
mais perene e arcaica ideação concernente às concepções
primevas da filosofia, embasadas inicialmente no Logos
criador e seu esteio de manifestação, o qual sempre se
situou fora do dramatis personae dos complexos sistemas
pagãos panteônicos. Por mais iniciática que fosse a
mensagem de Martianus Cappella, na sua "De Nuptiis" (lib.
i, pp. 65-66), quando relata que Febo suavemente brilhava

70
em insólitas aparições, ao passo que Apolo vindicava a
celeridade das estações no eixo do seu curso mais exaltado,
as suas fontes pagãs desdobravam em seu texto, torvelinos
sorrateiros de fanatismo e dogmatismo desnecessários; pior
ainda, eram defendidas de forma enciclopédica por
Martianus sem ele saber a base doutrinal que iria exercer,
justamente com o efeito reverso ao que pretendia: o
preconceito hediondo e sanguinário do cristianismo com o
paganismo original e autêntico e, sendo este mesmo, sua
forma mais pervertida e absurda. Tomavam seus textos
como reflexos da "idolatria" e da "heresia" que, inclusive,
usaram frequentemente para caracterizar todas as culturas
dominadas e dizimadas ferozmente pelos europeus na época
da colonização da América. Sr. Reghini constata, assim,
que a filosofia deverá ser o estabelecimento preparatório e
definitivo para a transmutação e a ascensão da alma
humana para seu desenvolvimento mais virtuoso e
producente, diretamente em uníssono com o Grande Alento
Universal11; se não fá-lo, mesmo que não muito
metodicamente, jamais este pensamento poderá ser digno
de ser considerado mimese imperfeita da filosofia, senão
for um ultraje extremamente perigoso e metuendo à mesma.
Os cristãos adulteraram mui velhacos os seus símbolos
prístinos em escopos de adoração cega e imatura; tal foi
longo e exagerado o seu sono espiritual que deixou de ser
fiducial o elo do homem com o divino e, simplesmente,
designou-se como redes insensatas do seu alter ego num
inimigo fantasioso denominado Satã; somente fê-lo para
provocar medo e estupidez vantajosa ao poder sacerdotal
soez e cínico. A teologia cristã tinha, por origem, os
mesmos princípios que aquelas dos pagãos, dos egípcios,
dos gregos, dos caldeus, dos indianos e todas aquelas
11
“I Numeri Sacri nella Tradizione Pitagorica Massonica”, pp. 185-
186

71
concepções brilhantes da metafísica foram, ao longo do
tempo, por ela, levianamente descartadas: nil sub solem
novum; as seitas cristãs admitiam sempre a existência dum
chefe, monarca ou substância do Universo ao qual todos
eram subalternos; os cristãos herdaram dos gregos e dos
mistérios órficos, a sua sabedoria a respeito da unidade 12;
contudo, o culto cristão começou apresentar características
dum viciado culto solar, onde foi imposto, com propósitos
totalmente ilusórios, um personagem mítico, de adulterado
nome Jesus Cristo, malgrado ele realmente tenha existido
como um dos maiores iniciados de todos os tempos.
Dirigimo-nos, pois, a crer com fidedignidade que a filosofia
busca eviterna e precipuamente compreender a constituição
esotérica do homem e seus dotes epistemológicos e
ontológicos como fonte de gênese ou palingênese de sua
natureza espiritual, universal ou idiossincrásica; a peça-
chave da evolução é, evidentemente, o próprio homem.
Todavia, entendamos a natureza alegórico-simbólica da
forma dos relatos históricos da Antiguidade para que
possamos deduzir integralmente a tradição evolutiva
humana; dessarte, Diodoro Sículo nos conta que o primeiro
rei do Egito, Vulcano, conforme seus sacerdotes sabiamente
alegavam, quando o "fogo" começou a falhar, ele teve de se
tornar cada vez mais combustado para preservá-lo. A
"falha" do fogo, nota-se uma circunstância cataclísmica 13 do
conhecimento humano, pois o simbolismo arcaico do
"fogo" é o requeime mais elevado das potencialidades da
psique humana, viz., a sabedoria arcana que, neste caso,
pertencia à Atlântida, da qual o Egito era colônia e legatário
mais fiel de sua cultura. O ato de "combustar-se"
implicando a preservação é, portanto, a manutenção intacta

12
“Religion Universelle”, tom. III, pp. 221-222
13
“Biblioteca Histórica”, vol. I, lib. i, pp. 21-22

72
dos registros inerentes à raça atlante para continuar o
esplendor dessa civilização e prosseguir com sua grandiosa
e divina luz intelectiva para iluminar todos os buscadores
da remota verdade da história das eras, ou éons.
Os teólogos da patrística, como Inácio, Policarpo, Justino,
Ireneu, Clemente de Alexandria, Tertuliano, Orígenes,
Cipriano, Atanásio, Basílio e etc., já denotavam perversões
graves na doutrina original do cristianismo, mesmo depois
da morte do seu profeta fundador e Adepto; a ignorância
era ampla naquele tempo e os sábios aleivosos se
aproveitavam disso e faziam estas mudanças, sob pretextos
políticos e de dominação cultural, de forma sutil e
absolutamente irresponsável. Bem como Apolo, Atena,
Átis, Héracles e Dionísio tiveram de ser filhos de Zeus,
Merodach filho de Ea e Khonsu, de Amun em Tebas, o
mito de Jesus haveria de ser criado para continuar com
todas estas abominações pagãs do passado. Falsas e
exageradamente crédulas profecias foram cogentes tanto no
paganismo quanto (e a ainda é) no cristianismo; ademais,
tais credos foram exercidos para estimular a fé tola,
ignorante e supersticiosa das massas blasfemas, que nada
sabem de teologia, tampouco de teosofia. Sem embargo,
não ser-nos-ia tarefa nem um pouco fácil reverter o fracasso
da humanidade para que esta possa chegar, deveras, numa
lídima iluminação transcendental ou expansão dos seus
campos de consciência cósmica; a mudança advém da
admissão da nesciênca total enquanto projetado na carne,
como já sugerira, mas no mundo onde todos arrogam terem
conhecimento, os que de fato o têm, são calados, e os que
arrogam, são permitidos a falar; e muito...
Vemos, no caso do zoroastrismo, uma filosofia dualista e
engenhosamente formulada por Zaratustra, na qual Ahura
Mazda, o bem, em conluio com seus Amshaspends, travam

73
eternais lutas contra Ahriman, o mal. Os mais selvagens
conceitos da Igreja Católica foram retirados do Zend Avesta
e dos Vendidads. Inclusive, temos de considerar que as
religiões abraâmicas, tal como configuradas inicialmente,
eram gêneros de filosofia nos quais se valorizavam a
imagem do cultor religioso como agente comunicador ou
comunicante nos processos de hierofania; inferimos,
portanto, que o resoluto e significativo termo esotérico,
"Shen", é decorosamente postulado como curso e título de
bendição de Melquisedesque14. Daí, resulta o sucées
d'estime geral das religiões orientais como fonte primordial
das ocidentais. No Bundahisn (cap. vii), o alento espiritual
(gumkhit), caracterizado pelos seus predicados ventosos,
erigia-se dos céus para servir-se como almo à atmosfera e
aos planos mundanos; quem entender profundamente estes
ciclos de transposição do gumkhit, porventura, terá em
mente o funcionamento integral tanto de Tshitar quando de
Orhamazd.

14
“Veterum Persarum et Parthorum et Medorum Religionis Historia”,
p. 46

74
LIVRO 9
Sobre a grandeza dos poderes divinos latentes no
homem

Qualquer ramo da transcendência entre as fontes da


providência da vida tem o escopo de fazer o indivíduo
dominar a sabedoria dos arcanos no núcleo supremo de seus
mistérios sagrados; além disso, a transcendência é um
fenômeno pelo qual assinamos um vínculo com o divino, o
inefável e o absoluto, no ajuste mais perfeito e harmonioso
com o foco energético de Purusha, ou o próprio princípio
cósmico manifestado na totalidade. A partir desses fatos,
deduzimos que a carne, na verdade, é meramente um objeto
de concepção referente à realidade material e corporal, ou
seja, a vida em si mesma não contempla nada além das
substâncias densas e brutas, porém, engloba os elementos

75
sutis e etéreos. Designar a ordenação prévia para resolver
os problemas do Eu é de fato um dever difícil de ser
cumprido, no entanto, fomos orientados a aprimorar nossas
habilidades espirituais para nos transcendermos em outros
planos mais elevados da ciência da vida e promovê-la e,
ademais, fazê-lo gradualmente e também progressivamente
em consonância com a misericórdia de Deus. O Corpo é
extraordinariamente capaz de transformar seu fundamento
no do Espírito, o que significa a reforma completa
executada no setor mais íntimo da consciência humana. E,
mais do que isso, podemos apoiar as evidências da fé
esotérica na funcionalidade saudável do espírito em
diferentes classes de prática mágica, por exemplo,
meditação; ou até mesmo, atividades solitárias e de elã
esclarecedor em que se aplica uma suplicação súpera, que
soemo-nos a denominar de "oração"; não obstante, o
estabelecimento de tais condutas nos faz conceber a justiça
e a santidade do próprio Cosmos, revelando em suas
características naturais a atribuição e a distribuição das
coisas unívoca e ubiquamente.
A partir de então, podemos dizer, portanto, que a
cooperação entre humanos, objetos e deuses é o presságio
de que a união e a fraternidade sejam prestadas com clareza
firme e estável; levar a cabo tal pensamento na elevação
cerimonial do espírito não é um acontecimento voluntário
que se transpassa aleatoriamente, mas existe, portanto, uma
concepção de ideias ilimitadas que nos faz acreditar em
certas categorias de crenças sobrenaturais e parcelas
solícitas de misticismo, além de não confundir essa
fenomenalidade com o proselitismo imprudente da Igreja
Católica, por exemplo; assim, descobrimos que o itinerário
psíquico que podemos projetar é o mesmo que podemos
seguir, e a razão para esse marco em nossas vidas está
localizada em nosso coração, protegida por ações

76
recompensadoras de justiça e caridade no que diz respeito à
segurança e liberdade que nela habitam, com vista para
emanar também a vibraturgia da iluminação. Deus é o
Senhor do espaço e do tempo, logo, ele é todo-poderoso;
mas podemos questionar essa classificação a partir do todo
o julgamento das criaturas, que nunca se sustentam sem ele;
sem embargo das objeções, podemos concluir que as
criaturas têm um estado hierárquico sempre mais baixo no
panorama cósmico, desde que não tenham atingido o
Samadhi, que é uma condição apenas alcançada pelos
Iniciados; considerando que tu podes te considerar um
Adepto, submetido pela Luz do todo da Lei, podemos
designar-te ou como um fraudador ou um Adepto legítimo,
na medida em que todos têm a prova de ser um Adepto na
palma das mãos; outrossim, nós definimos a organização do
Bhakti, ou amor ou devoção divina, na geração da
ilustração esplendorosa e receptacular de arché, onde a
emoção é o poder verdadeiramente dotado de talentos
ocultos e a razão é o poder verdadeiramente sistêmico nas
faculdades de inteligência e conexão com os sentimentos do
Altíssimo; podemos avaliar a natureza das coisas por sua
grandeza interior, sua quididade, pertinente às suas
qualidades particulares ou monádicas e, analisando essa
questão, encontramos o homem como uma produção muito
sublime de Deus, bem como o próprio Deus, se ele o
despertou.
O homem deve estar guarnecido de modelos efetivos e
magistrais de sabedoria arcana com a qual ele pode lidar
juntamente aos fluxos e às empresas do magnetismo
universal para preservar seu conteúdo divino, mas, embora
agora, de fato, a essência da psique esteja demasiado
escondida de nós, enquanto atrelados à carne e à matéria,
visto que há muitas coisas a serem descobertas em relação
aos seus aspectos, nós temos capacidades de fazê-la se nos

77
revelar. Assim, podemos estabelecer a tese de que todos os
seres são sagrados, ilimitada e eternamente, porém em
determinados períodos de reencarnação, eles perdem sua
santidade temporariamente para resgatá-la e reaparecer no
Dabar do Todo. Os agentes da criação engendraram
benefícios indescritíveis para suas criaturas; além disso, os
teólogos pesquisaram desde a época dos ancestrais da
Cabala a natureza dos princípios da criação e a sustentaram
em um esquema oculto e leis vigorosas nesse processo;
assim conhecereis a verdade se factualmente dominada a
arte cabalística. A Verdade é solicitada e legada a nossos
antepassados antediluvianos de idiossincrasias sobre-
humanas, como o Senhor Adonai, citando caso análogo,
mas contaminamos os registros históricos dos ancestrais
para permanecer na frequência da ignorância e da
penitência; os esotéricos mais aplicados sabem que todo o
passado, futuro e presente estão recônditos no limiar de
Akasha na totalidade e podemos acessá-lo se tivermos os
poderes ocultos suficientemente desenvolvidos.
Consequentemente, podemos acessar as memórias cósmicas
sem problemas. Embora esses fatos expressem ações
esotéricas por sua próprio dever de ser, podemos meditar
sobre elas e pensar profundamente. Mas o que podemos
concluir a partir disso? Bem, é certo que os poderes divinos
nos homens são latentes; ainda assim, podemos despertá-los
sobre nossa simetria celeste que está estacionada em nossa
anatomia oculta; então, extrairemos essas informações
postadas na anatomia oculta e transporemos para nossa
consciência. Considerando que o amor de Deus é
incondicional e infinito, seja o que for, podemos segui-lo e
transformá-lo em um grande poder, o que significa que
nossa vontade é o mandamento de nossas ações em
quintessência, portanto, essa maneira de reconhecer nossa
verdadeira natureza é boa e satisfatória. Há outra rota e

78
tantas outras para alcançar a Amrita, a santa imortalidade da
consciência búdica. Se confiamos em nós mesmos,
podemos fazer coisas inimagináveis ao nosso próprio
sistema de introspecção, apesar de transferir os poderes
latentes para ativos, mas, mesmo assim, ainda são muito
desmembradas as percepções oníricas sobre o mundo,
todavia, em contrapartida, a concepção onírica nos faz cair
na realidade soberana, malgrado o Bem-Amado cria as
coisas com Amor e disposto a gostar do bem-estar das
criaturas, como o Sr. São Boaventura alegaria em seus
escritos teológicos, deslizando sobre o leito da gnosiologia
não-onírica.
Não obstante, o discernível do indiscernível da aptidão
humana é considerado, somente na salvação, suas melhores,
mais destras e divinas características; portanto, podemos
suportar a individuação como combinação de nossos
destinos individuais e, em prol dum prístino trato
comportamental da divindade nos seres humanos, não
devemos temê-la por ser natural em todos; no entanto,
sempre que falamos sobre isso, há muitas controvérsias
tentando refutar o estado de natureza divina do homem por
causa do mal por si só. Apesar dessas proposições, devemos
apoiá-las em um tema silogístico e, em seguida, contradizê-
las. Em primeira instância, o mal por si só existe pela razão
de que os seres humanos não acordaram em busca de
bondade e conhecimento celestes, e o conhecimento que
está impregnado nele ainda que não esteja amadurecido, o
que nos faz supor que o mal é natural da consciência
material, não de planos divinos ou mais elevados. O
conhecimento humano é aprimorado pela realização do
destemor do pensamento sagrado, fazendo com que a
individuação trabalhe em retidão, mas seja o que for que
pareça, está estabelecido que a maneira como conduzimos
nossos pensamentos está no erro teleológico relacionado a

79
Deus, então precisamos corrigir com uma elucubração
conciliatória de mecanismos universais, tanto em seu
verdadeiro âmago quanto em seu ethos programado; é
muito falado nos debates filosóficos que Deus existe ou não
existe pela perspectiva ontológica, mas devemos levar em
consideração o exame teosófico, que nos dá uma visão mais
abrangente e expositiva do rerum naturae, e se não é
suficiente para provar a existência ou inexistência de Deus
na revisão teosófica, e quanto à revisão cosmosófica? Sei
que algumas pessoas vão me denunciar e me chamar de
charlatão por defender uma visão panteísta de Deus, mas se
não for panteísta, podemos endossar e garantir nossa
opinião através de uma análise "tipoteísta"? Deus é Tudo e
Deus está em Todos, portanto, a pessoa panteísta está sendo
franca, lídima e honesta quando acentua-o e, para tua
surpresa, ela está sendo mais consagrada pela graça
partícipe do que qualquer cristão fielíssimo andando pelas
ruas.
Diz-se em um esquema de latria arcana que Deus é adorado
não apenas por rituais humanos, mas por seus desejos. O
Sol fora cultuado em culturas como Egípcia, Caldeia,
Babilônica, Inca, Lemuriana e etc. Deus criou seu Filho a
partir do seu brilho solar, e acreditaremos, por conseguinte,
que expiar seus pecados será uma solução eficaz, no
entanto, ainda permanece como uma fé vivaz conquanto
seja perdurável uma ação generosa de Deus, despertada por
um χά ρη proveniente e uma bênção suprema, em que é
suficiente, mas se não for atendida no final, tal
circunstância pode ser eleita como a razão suma da fé e
ascensão dos Boddhisattvas, comumente falando. Avante a
essas boas obras dos homens, como mostrar os bons
destinos aos amargurados, por exemplo, são a causa ou
resultado do desígnio de Deus, o que significa que o
Absoluto seleciona seus caminhos de transmissão de

80
sabedoria, que são credivelmente teosóficos, e esse tipo de
argumento uso em discussões filosóficas; podemos ter
conclusões teosóficas eficazes se usarmos a crença como
ferramenta principal para a conquista da fé e a fé como
matéria-prima para as ideias dos homens. Por isso, como
Buda disse uma vez a seus discípulos, "há coisas que não
podem ser escondidas por tanto tempo: o Sol, a Lua e a Sat
/ Satva (verdade)"; destarte, devemos executar essa garantia
de ação em harmonia com a mente de Paramananda, o
"além", o mais excelente ganho cognitivo e metacognitivo;
portanto, creio inexoravelmente que Deus recai sobre os
homens em uma ressonância sem voz, porque a voz de
Deus é o silêncio.
Porventura, difundindo diversos meios de epifania com a
perfeição de Deus, apenas trazemos adiante as relações
confidenciais e amigáveis com Sua clemência, mas se
considerarmos os postulados antroposóficos para descobrir
os motivos da justiça e do bom juízo de Deus, podemos
considerar dedutivamente que somos um objeto dessa
ocasião divina, ou seja, somos a força oscilável que faz
Deus brilhar em nosso ambiente, de uma maneira aceitável
de reação e recepção; no entanto, se apenas crermos em
Deus por apenas crer, poderemos não ultrapassar os reinos
materiais e despertar também nossos poderes divinos, mas
se você souber que suas potencialidades clarividentes estão
dentro de si mesmo, saberá da mesma maneira que,
independentemente dos obstáculos que a sociedade deseja
fazer por você, certamente alcançará a luz onipotente e
cósmica de Fohat, a manifestação iluminada da eletricidade
da alma no poder formativo e incessante sempre presente
no mundo.

81
LIVRO 10
Teosofia e teologia

1. Ante a uma miríada de asserções, nas quais se pondera


que os elos divinos são derivados uma unio mystica
profunda e genuína, deverei afirmar, dessarte, que para
qualquer experiência deste gênero, mister haver um
"encantamento sagrado" do receptor do contato hierático
para com o próprio transmissor da mensagem hierática.
Revelar-se-ia, portanto, como diria Diodoro Sículo: "Pela
experiência, deve-se aprender as cousas úteis".
Conseguintemente, sempre após a experiência hierática,
deve-se relevar invariavelmente os seus resultados
frutíferos, assim como qualquer outro evento. A
contemplação e a reflexão sobre as cousas divinas exercidas
de tal maneira que tu te possas identificar com a disposição
delas, é um elemento substancial para as abertura e outorga

82
divinas, e, daí, resultam os desdobramentos espontâneos da
caminhos, para o progresso das percepções pneumáticas da
consciência, mais próximos da verdade universal e da
eternidade da alma; e.g., no budismo, a consciência
espiritual deve sempre servir ao estado de liberdade celeste;
doravante isto, assevero-vos que cada um possui, pois, uma
conexão psíquica mui particular com uma essência criadora
de origem divina que reveste todas as distribuições
topográfica e ontológica das dimensões de vida terrestre,
quer carnais, quer espirituais.
2. Todos os corpos divinos associados ao homem são ou
suas orientações supremas ou os próprios modelos humanos
cuja composição é estruturalmente divina. Toda a
determinação das cousas divinas deve ser deliberada a
partir de sua região de dispersão e de interação com as
outras dimensões existentes na unidade cósmica. Consoante
acinte afirmado dantes, os acontecimentos espirituais de
singularidade hierática devem ser sempre usufruídos de
maneira prestadia e consentânea a fim de que possamos ter
nossa própria base de autoconhecimento, a partir destes
gêneros de empreendimento. Como é defendido no
Panchadasi, a consciência não difere de si mesma ao passo
que possui natureza uniforme. Assim, é evidente a
associação entre os corpos divinos e os humanos; existe
uma lei única que rege essas relações para que elas possam
operar mútua e sincronicamente.
Existem certas substâncias que devem ser terminais de
comunicação entre as mais variadas formas de consolidação
das leis da natureza e das sensações lhe inerentes.
Conforme no-la consuma doutrinariamente Zhu Xi, o amor
é uma destas substâncias, que, como ele sugere demonstrar,

83
é a produtora das vidas mental e celestial. Acaso
analisemos esta questão assaz profundamente, notaremos
que o amor é o sentimento de maior unio mystica e de
elevação do homem, que, com efeito, o torna propínquo das
consciências sublimes dos planos ascensos. Outrossim, no
Anu Vyakhyana, diz-se que a alma, por natureza, está em
uníssono com a configuração universal em termos de matriz
constitutiva tanto ativa quanto reativa. Analisando isto, a
alma deve ser, pois, a condição fundamental para as
expansão e evolução da consciência em termos de
desenvolvimento pleno da aptidão noética e do
direcionamento eidético para o próprio meio espiritual de
existência.
3. Os valores da virtude são primordiais para a obtenção da
luz teosófica que paira sobre todos os seres humanos desde
a sua gênese metempsicótica. Eu tenho pensado bastante a
respeito das cousas que nos cercam e se estas são emanadas
de uma realidade superior e una, i.e., um princípio absoluto
que rege a todos e que o universo e seus seres são dele
manifestação suprema, sendo, ao longo do tempo,
degenerados substancialmente a fim de alcançar, em
contrapartida, o cume da espiritualidade, em cujo estado
possuem lembranças vívidas de quem eles são, o que eles
vieram fazer no lugar onde estão, de suas experiências
passadas e assim, sucessivamente.
Destarte, devo dizer que se nós temos um grande ser divino
dentro de nós, por que não despertá-lo? Sem embargo, para
isto, mister possuir vontade para tal. No tocante à esta
questão, é preciso que o conhecedor saiba das várias formas
de manifestação, ora por meios dialogísticos, ora por meios
lógicos, a fim de obter a faculdade de compreender a

84
substância do substrato do eterno e do todo-penetrante,
conforme averigua o Atma Bodha.
4. Nem é verdade distante a própria singularidade
universal, tampouco a singularidade é de fato universal; eis
então uma asserção mui interessante de Hermann Conring.
Se formos escrutinizar esta questão, desvelaremos,
conseguintemente, que o que é singular, está efetivamente
inerente a realidade universal, malgrado não seja a própria
universalidade, bem como a universalidade possui
singularidade aplicada a ela mesma, e não as
particularidades existentes na unidade como um todo. Desta
forma, tudo que é universal, desfruta de fluxos
absolutamente convergentes com o estabelecimento das
cousas singulares, contudo, mister falar que nem todo o tipo
de cousa singular está diante do foco retilíneo e uniforme
da universalidade, estipulando que esta "seleciona" os seus
objetos de visualização a fim de influenciá-los com eficaz
consistência. Para entender a universalidade, de feito, é
necessário desvelar a singularidade ôntica de cada ser
existente, inclusive, de ti. Em prossecução a nossa ideia até
o momento firmada, devo falar um tanto a respeito das
propriedades herdadas de cada ser a partir da experiência
para consagrar a sua própria iluminação espiritual, visto
que, consoante as constatações do Naisharkamya Siddhi, a
destruição da semente (bija) da transmigração (samsara) é
a constituição principal da liberação (moksha). Assim, a
liberação seria, além do autoconhecimento, o
desmantelamento dos ciclos carnais metempsicóticos,
sendo este mesmo ato, o canal direto para a consciência da
luz.

85
5. As predileções epistêmicas devem ser sempre estar
direcionadas para a verdade, ou a propriedade universal na
qual se encontra a substância factual de todos os
acontecimentos ocorrentes no cosmo. Eu devo acrescentar a
este pensamento que todo o homem possui o elemento
divino dentro de si se lograr o alcance de seu verdadeiro
Eu, que é o próprio Deus interior, que reside em cada um de
nós e é manifesto se o convocarmos com lídima vontade
para nossas vidas. Demonstro aqui, peremptoriamente, que
todo homem possui condições homogêneas e unívocas de
psique, mas a intensidade de conexão com esta dependerá
de um para cada. Suponhamos que, conforme alega o
Samkhyakarika, existam três atributos universais que
constituem o ser em si, chamados de Gunas. São eles:
Sattva, Rajas e Tamas. É preciso fazer com que o Sattva
Guna se sobreponha aos demais durante os estágios da
jornada da liberação, pois, este é com que fará que o
buscador alcance a luz de forma verdadeira. Rajas e Tamas
são, respectivamente, estimulador e acelerador seja do bem,
seja do mal, e a energia pesada e problemática. Por
conseguinte, entende-se muito bem, etimologicamente, que
"sattva" está correlato ao vocábulo "sattvika" que significa
"real", e, mormente, palavras de mesma classe léxica ou de
emprego símile, como, v.g., "real" e "essencial" ou "real" e
"genuíno e &c. Por este meio, a verdade deve estar como
uma das principais buscas do homem, quer na matéria, quer
no espírito, porquanto ela é a base do conhecimento divino
sob quaisquer circunstâncias.
6. A salvação é nada além da separação do homem prestes a
ser lançado na realidade da luz da massa serva e ignorante
que habita com densidade a realidade das trevas. A

86
salvação cristã, ao contrário do que o Messias realmente
pregava, é a permanência do homem no seu estado de
subordinado e de "agnus Dei" desprovido de consciência
metafísica verdadeiramente estabelecida em uníssono com
a mente soberana, mirífica e sublimemente dina do cosmo,
ao contrário de outras filosofias bem mais pragmáticas
neste aspecto, como os budismos Theravada e Vajrayana e
as escolas tibetanas de pensamento como, e.g., Nyingma,
Kagyu, Gelug e Sakhya.
A salvação (vimukti), pois, é o primeiro passo para a
liberação (moksha), já que para a pessoa alcançar o estado
divino de sua consciência, ela precisa se distinguir daquelas
que não estão predispostas a atingi-la, viz., o resto da
humanidade.
Assume-se que a distinção entre o buda e a mente é
claramente falsa, porquanto ambos são a mesma cousa e
apresentam o mesmo significado cósmico.
Subsequentemente, salientar-se-ia que o verdadeiro corpo é
incorpóreo e a real forma é informe. Tudo, pois, deve estar
além da carne. A carne é a treva e o espírito é a luz. É muito
bem constatado que o espírito não tem corpo e não tem
forma. Logo, todos os atributos verdadeiros devem estar em
uníssono com aqueles do espírito. Conseguintemente, o
corpo deve ser incorpóreo e a forma deve ser informe para
serem verdadeiras. Ademais, a lei que rege o espírito é sutil,
profunda e ampla, a qual é o Dharma, conforme declara o
Longo Sukhavativyuha Sutra. Com essa afirmação de
autoridade filosófica, corroboramos, portanto, todas as
outras asserções até agora expostas.

87
"O capuz monacal é o símbolo da caridade de Deus",
declara Evágrio. Por quê? Com efeito. Ele protege o nosso
corpo, a nossa alma e o nosso espírito. Ele é o cume da
consciência humana, o Sahasrara ou chakra coronário dos
iogues tântricos, o Akhfa dos sufistas, o Kether dos
cabalistas e &c. É através dele que, então, a possibilidade
de hierofania é desbloqueada e, a partir disto, o receptor
hierofânico passa a receber a luz divina do seu transmissor
harto amiúde; é a mente dos bodhisattvas, dos rishis, dos
tulkus, dos walis, dos qidees, dos tzadiks, dos fravashis, dos
shengrens, dos kammis e &c. Sobre este assunto, o
Yogacarabhumi diz que o iluminado é tão-somente o
homem que além de ter "aceso a luz" da sua coroa arcana,
também, por meio disso e de outras formas precedentes,
esteve lembrado de sua verdadeira natureza espiritual e do
seu verdadeiro Eu, mediante a elementos tais como, e.g.,
processos mnêmicos das encarnações passadas e das vidas
nas quais estivera usando o veículo astral e seu
correspondente plano. Este é o verdadeiro moksha, como
dizem os hinduístas.
6. Diz o Bardo Thodol: "O primeiro vislumbre do Bardo
(morte) é a Clara Luz da Realidade, a qual é a Mente
Infalível do Dharma-kaya; ela é experimentada por todos
os seres sensíveis (ou autoconscientes).". A morte é a
realidade, pois referindo-se a esta como ato supremo da
transcendência psíquica, logo, tudo que está correlato a este
evento é, de feito, algo substancial e indubitavelmente real.
A morte é a revitalização das potências energético-ônticas
de cada indivíduo, é a passagem definitiva ou para os reinos
profanos de vez ou para os reinos sagrados, da mesma
forma. Dessarte, deverei dizer-vos que se a morte não

88
existisse, não teríamos oportunidade real de evolução,
porquanto é justamente com a ocisão d'alma, como assim
denomino, que ela pode se transferir, encarnar e ter chances
de transcender finalmente a partir das transformações e
reformulações primordiais de sua consciência.
A morte é a base prístina para o progresso espiritual de cada
ser existente, porquanto, precisamente, todas as criaturas,
por mais primitivas que sejam, possuem um núcleo
espiritual que permite com que auspícios restantes da
consciência cósmica e divina adentrem em seus
pensamentos ou em alguns elementos deles. Uma
autoridade no assunto de transcendência espiritual por
meio, v.g., da liberdade, como o Pramanavittaka, e &c., diz
que o estado búdico não é só um meio principal para atingir
estados divinos e supremos da mente humana, como, aliás,
assevera que o buddhahood deve ser alcançado mediante a
auto-regeneração do ser, com fundamentos consistidos no
Dharma, ou, vedicamente, chamamo-lo de Rta.
7. Diz Plotino nas suas Enéadas:
"Ει δέ εστιν αθά νατος έκαστος ημώ ν, ή φθείρεται πά ς, ή τα
μεν αυτού ά πεισιν εις σκέδασιν και φθορά ν, τα δε μένει εις
αεί, ά περ εστίν αυτό ς, ώ δ' ά ν τις μά θοι κατά φύ σιν
επισκοπού μενος. (...) Το δε κυριώ τατον και αυτό ς ο
ά νθρωπος είη ά ννή κατά το είδος, ώ ς προς ύ λην το σώ μα, ή
κατά το χρωμενον, ώ ς προς ό ργανον εκατέρως δε η ψυχή
αυτό ς."

Deveras, eu deverei demonstrar que a imortalidade, na


realidade, é inerente não só à natureza psíquica do homem,
mas igualmente à corpórea. Evidencio-lo pelo fato de que a
espécie de constituição corporal humana, quando esta passa

89
pelo estágio da ocisão ou de sua decomposição sistemática
e profunda, dissecando-a por completo até se desfazer, é
transferida para o seu veículo espiritual (óchema) e
transportada para sua dimensão de origem, a sua sutileza e
seu material etéreo são, portanto, fatores essenciais para
que essa alma subsista na eternidade, tirante os processos
metempsicóticos que ocorre com todos os seres dotados de
inteligência cósmica em todo o universo. Emanar-se-ia,
doravante, a noção de que todo o corpo derivado do espírito
intacto e inconcusso, por conseguinte, deverá herdar esta
mesma modalidade, facilitando os processos e os engenhos
substanciais da ascensão psíquica, ou iluminação, o que
acontece na maioria, senão, em todas as manifestações
avatáricas ou mensageiras (da Luz Divina) que até agora
perscrutaram a Terra.
Sobre as mesmas perspectivas até agora demonstradas, o
Vibhanga, outrossim, define "contemplação" como
"investigação da verdade", "visão correta", "sábio
entendimento" e &c. Aplicando esta noção à nossa teoria da
alma, nós encontraremos, portanto, componentes que a
constituem que projetam certas características a permitir a
sua visualização dos focos cósmicos de fluidez noética,
pelas quais se engendram todas as matrizes do
conhecimento humano e do divino, ou, a propósito, fomenta
as dimensões da consciência, concatenando também as suas
extensões e particularidades de sortimento aos receptores
das suas condições de substâncias universais
necessariamente ideadas e suscitadas psiquicamente. Desta
forma, fluem a determinação contemplativa e o estímulo
funcional da alma, sob as definições que o Vibhanga nos
oferece a respeito. Em sequência ao que estamos

90
discutindo, Aristóteles afirma peremptoriamente em sua
obra "Sobre a Alma":
"ἔστι δὲ ἡ ψυχὴ τοῦ ζῶντος σώ ματος αἰτία καὶ ἀρχή . ταῦτα
δὲ πολλαχῶς λέγεται, ὁμοίως δ' ἡ ψυχὴ κατὰ τοὺς
διωρισμένους τρό πους τρεῖς αἰτία καὶ γὰρ ὅθεν ἡ κίνησις καὶ
οὗ ἕνεκα καὶ ὡς ἡ οὐσία τῶν ἐμψύ χων σωμά των ἡ ψυχὴ
αἰτία."

Discutindo essa questão com bastante percuciência, eu


deverei crer que a alma, sendo, evidentemente, a substância
condicional de todos os seres vivos e a origem causal do
corpo, além de sua reguladora, portanto, poderá ativar ou
desativar seu exercício, seja qual fora a constância, ao seu
próprio entendimento das situações. Em complemento a
esta opinião, deverei, outrossim, fazer a asserção de que
todas as cousas a cercarem-nos corporalmente, com efeito,
são frutificados a partir do páthos da alma, ou, em
terminologia mais clara, das circunstâncias patológicas
adjacentes a esta.
Se, e.g., estipular com determinação que cada ser vivo que
existe possui uma essência espiritual, por conseguinte, a
alma dever-lhe-á conceder a substância motriz do próprio
corpo a fim de configurar harmonia plena entre o espírito e
o corpo. Dessarte, bem como uma puma concolor possui
sua estrutura genética disposta por 38 cromossomos, sendo
um par destes, acrocêntrico, com o restante sendo
metacêntrico, a alma possui, também, seus "compostos de
ácido desoxirribonucleico", nos quais, bem como nas
funções corpóreas, determinam o gênero de
desenvolvimento da substância carnal e às propriedades
herdadas desta dos processos metempsicóticos,

91
analogamente aos deveres dos cromossomos de definirem o
sexo e a herança genética do indivíduo.
Salienta Pietro Pomponazzi no seu Tractatus de
Immortalitate Animæ:
"Unus igitur erat quod immortale esset impliciter in homine,
mortale vero secundum, & quamvis secundum naturam
divisionis, modus iste in duos potest dividi, scilicet aut unum
numero in omnibus hominibus, aut multiplicatum ad numerum
hominum, quia tamen nullus posuit primum modum, ideo rei
inquiemus.".

Destaco, portanto, que tudo que está relacionado à geratriz


da alma, em uma examinação teológica, configura como
uma das consciências do plano sagrado de construção
psíquica para sincronizar os exercícios funcionais tanto do
corpo quanto do espírito; destarte, deve-se também afirmar
que, se o corpo não estivesse fundamentado na postura
apresentada geralmente pela alma, quiçá, ele poderia estar
decerto desordenado e sem rumos apropriados no seu
direcionamento como agente orgânico, levando a seu
desmantelamento completo e à morte, ou sacrifício mui
pungente. Eu devo enfatizar, analiticamente, que quaisquer
comparações a serem feitas entre a alma e o espírito serão
misteres do ponto de vista corpóreo, mas postergáveis sob a
ótica puramente cósmica, porquanto ambos operam
conjuntamente sob uma mesma ordem e intentar distingui-
los é o mesmo que empreender a discriminação da
reprodução assexuada por meio da citocinese da
cissiparidade, visto que ambas fazem parte da mesma fissão
celular. Assim, a alma e o espírito são diferentes sob a
ordenação da realidade una, sem embargo de serem a

92
mesma realidade na orientação do princípio cósmico, donde
todas as cousas são derivadas e regressadas.
Gemisto Pletão diz que, mediante o processo de
metempsicose, como várias vezes mencionara, as almas
retornam às vidas carnais, elevando-se, a partir da ascensão,
ao plano celeste se completas todas essas experiências na
matéria, em seu "Livro das Leis". Jerônimo Cardano,
outrossim, realça que a alma coordena diretamente as
funções intelectuais do homem, em sua “De Subtilitate”. Se
nós pensarmos que a alma é resultada por meio de
metempsicose e é, de igual natureza, orientação do
intelecto, logo, a metempsicose será, com efeito,
fundamentadora das aptidões ônticas intelectuais, bem
como da própria inteligência psíquica; é através desta causa
eficiente (kinoun) que a geração da consciência pode ser
estigmatizada e resoluta de tal modo com que todas as
outras mentes tenham conteúdo eidético invulnerável às
influências materiais depois de terem transcendido a própria
metempsicose.
Devo aconselhar ao meu leitor que tudo que vemos como
natureza divina ou origem de igual espécie deve ser
preservado a ponto de representá-lo como forma ou ideia
daquilo que se determina como oriundo de Deus ou, ainda,
das forças supremas que fornecem tais características o
suficiente para Ele controlar os movimentos do universo
conforme os ditames da concórdia teúrgica por Ele mesmo
proposta na Gênese. Afirmar-se-á, outrossim, que as
inferências acerca disto devem ser elaboradas conforme as
intenções dos fenômenos locomotores da própria unidade
em direção à obtenção do eidos sagrado, como organização
formal de seus ajustes e componentes. Sob esta mesma

93
corrente de pensamento, Santo Agostinho nos deslinda
sobre a opinião de Varro no tocante às instituições
humanas:
"In ea vero ipsa ratione quam reddidit nec alivis quicquam
reliquit pro arbitrio suspicari, & fatis probavit homines se
præpossuise instituris hominum, non naturam hominum naturæ
Deorum.”.

Deve-se considerar o homem como divino, ligado à


natureza de Deus, divinamente consciente, e não como um
ser ligado às impurezas e à dira e dolosa putrefação da
carne e dos objetos de sentidos, características do pobre ser
humano. O homem é um rei e seu reino é aquele divino e
celestial; assim, eu digo. Sobremais, é necessário falar-vos
que tudo o que ouvimos como verdade humana é falsidade
divina, porquanto todos os nossos conceitos morais estão
distantes do autoconhecimento suscitado pelos fluxos
consuetudinários desde a gênese da energia vital do cosmo
e sendo, portanto, pertencentes a uma consciência humana
primitiva e impotente. Se analisares o homem como mais
do que meras ações, descobrirás que, internamente, ele
constitui de singularidades herdadas da metempsicose e
sobretudo, de sua ligação estreita e deferida com a
substância (ousía) de Deus. A unidade cósmica da qual o
homem é agente partícipe por natureza, conforme
transmitir-no-la-ia Martinez de Pasqually, seria dividida em
três: a) o universo, que é a grande circunferência na qual
estão contidos ambos os mundos geral e particular, b) a
terra ou a parte geral, a qual provê todos os alimentos
necessários para os habitantes daquela particular e c) a
particular, a qual é composta por todos os seres de veículos
locomotores terrenos e celestes.

94
O homem deve entender, para atingir níveis sublimes de
sabedoria, a geral e a particular, i.e., as classes humanas de
existência e a ele mesmo, mormente; dessarte, o homem,
compreendendo estas duas seções universais, irá entender
toda a circunferência que o rodeia, que é o universo, o todo
sagrado das regras de autoridade de emanação que o regem,
como, v.g., a lei da mente, a lei da atração, a lei da
polaridade, a lei da correspondência e &c. Hemachandra
diz que a maior parte do nosso conhecimento advém não só
dos princípios transitórios do mundo material, mas,
igualmente, são advindos da eternidade (anantatā) que nos
é passada através de nossas próprias experiências, diferindo
nas inferências, nas analogias e nos testemunhos
comprobatórios que temos ao longo da metempsicose
(punarjanma).
No diálogo Timeu, de Platão, Crítias diz a Sócrates sobre
uma Grécia, aparentemente, existente antes da Guerra de
Troia – a Grécia antediluviana, porventura – a qual fora
relatada por Sólon ao bisavô de Crítias, Drópides, que
relatou ao seu avô de mesmo nome e assim por diante:
Κριτίας
"ἄκουε δή , ὦ Σώ κρατες, λό γου μά λα μὲν ἀτό που, παντά πασί
γε μὴν ἀληθοῦς, ὡς ὁ τῶν ἑπτὰ σοφώ τατος Σό λων ποτ’ ἔφη.
ἦν μὲν οὖν οἰκεῖος καὶ σφό δρα φίλος ἡμῖν Δρωπίδου τοῦ
προπά ππου, καθά περ λέγει πολλαχοῦ καὶ αὐτὸς ἐν τῇ ποιή σει:
πρὸς δὲ Κριτίαν τὸν ἡμέτερον πά ππον εἶπεν, ὡς
ἀπεμνημό νευεν αὖ πρὸς ἡμᾶς ὁ γέρων, ὅτι μεγά λα καὶ
θαυμαστὰ τῆσδ’ εἴη παλαιὰ ἔργα τῆς πό λεως ὑπὸ χρό νου καὶ
φθορᾶς ἀνθρώ πων ἠφανισμένα, πά ντων δὲ ἓν μέγιστον, οὗ
νῦν ἐπιμνησθεῖσιν πρέπον ἂν ἡμῖν εἴη σοί τε ἀποδοῦναι χά ριν

95
καὶ τὴν θεὸν ἅμα ἐν τῇ πανηγύ ρει δικαίως τε καὶ ἀληθῶς
οἷό νπερ ὑμνοῦντας ἐγκωμιά ζειν.".

Todas as lembranças que nós temos não só provêm de


dimensões materiais da consciência, mas, igualmente, das
espirituais. Conseguintemente, nós temos de falar que a
conexão espiritual com algum lugar, com alguma pessoa e
&c., é mui mais ampla e consistente do que a material; a
material é vulnerável e perecível, a espiritual é incólume e
eterna, pois ela transcende a todas as condições climáticas,
biológicas e &c. do espaço material, porquanto reside na
sutilidade e no éter cósmico. Se somente diligenciarmo-nos
a requerer a lembrança material, nós decerto nos
olvidaremos das cousas. Ei-lo que os gregos fizeram.
Somente cultivaram os prazeres carnais, mui promíscuos,
sobejamente voluptuosos e aleivosos, e, à guisa destes
gêneros de emanações mnêmicas, ou tentativa destas, se
obliteraram de seu passado, pois não tiveram uma conexão
profunda com este além da extensão física noética.
Discorro, portanto, sobre as cousas referentes a Deus, em
suas características mais singulares ou mais coletivas, viz.,
da relação de Deus para com suas criaturas. A sua
inteligência é infinita, a sua visão de mundo
(Weltanschauung) é oniscientemente correta e entre outros
atributos supremos. Diz Tomás de Aquino na sua Suma
Teológica:
"Sed Deus est huiusmodi: ergo prima probatur quia ad talem
intuitum non est ibi aliqua sucessio quia æternitas.".

Eu tenho pensado bastante a respeito do que pode ser


considerado como substância eterna, ou repositório desta, e
devo inferir, após meditar copiosamente, que tudo o que

96
ansiamos para com o Eterno, vem até nós, ainda que
sutilmente, e nos envolve como um foco de radiação ou
desígnio balsâmico de energia. Daí, resultam efeitos mui
fortes de espiritualidade, os quais podem aparecer a partir
da colisão entre a gratidão que se sente pelo eterno e a
própria indulgência do eterno com relação ao indivíduo que
recebe suas influências.
Assevera o Bridhanaranyaka Upanishad:
"De qualquer forma, um homem que acredita que existe um eu
que se relaciona com um corpo futuro, procura conhecer os
meios específicos de alcançar o bem e evitar o mal em conexão
com esse corpo."

Acredito, pois, que tudo o que temos de conectar ou de


desconectar dalguma cousa, é oriundo do nosso líbito de
seguir o caminho do bem supremo, da justiça e da beleza
cósmica e divina. Além disso, deve-se presumir que as
condições de existência humana são, na realidade, variados
gêneros de se conectar com os nossos genuínos escopos
vitais, quer estes sejam herdados de experiências
metempsicóticas passadas, quer estes sejam engendrados na
metempsicose recente. É levado em deliberação, ademais,
que os frutos ativos (karmaphala) de nossos ciclos
existenciais (samsara) são ativados por meio da intenção
(cetana) e de sua ação (karma). Afirma, então, o
Katthavattu, sob a eloquência do seu bodhisattva:
"Ó bhikkhus, vejo seres diminuindo e renascendo pela visão
purificada do olho celeste, superando a dos homens. Eu discirno
seres em esferas sublimes ou baixas, justas ou assustadoras,
felizes ou sombrias, de acordo com a ação deles.".

97
É, portanto, estabelecido que as nossas ações fomentam
quem nós somos, o que nós experimentamos e suas
respectivas conjugações porvindouras. Destarte, qualquer
ação que fizermos, decidirá as nossas vidas e denunciará o
nosso próprio caráter enquanto agentes transformadores do
projeto terreno de existência.

98
LIVRO 11
Sobre as ideias

1. A lascívia não se resume somente às prostitutas


amparadas pelos lenos velhacos, bem como as ideias não
podem ser sintetizadas apenas pela sua modalidade de
expressão; o conteúdo nelas impresso ou, melhor, o seu
arcano ideacional é que as perfaz. Hei de asseverar, por
conseguinte, que o homem, ao passo que raciocina sobre
algo, em estado de profunda contemplação (ἐνθύμησις),
tem acesso direto ao princípio basilar e absoluto de suas
ideias, viz., o arcano. Todavia, se se lhe produz outros
gêneros de reflexão, não muito profundos, ou mesmo de
irreflexão, é claro, o arcano não ser-lhe-se-á revelado, nem
que tente imiscuir-se na origem de sua vanidade filosófica;
é preciso penetrar nas vísceras da consciência para que se
possa sentir, com efeito, a sua potencialidade mais sublime,
que é, como dissera, o arcano. Até mesmo os entremezes
mais prepósteros gozam de uma substanciação arcana,
apesar de seu notório desvio ético com relação ao bem
supremo (ἀγαθός); outrossim, o bem supremo, conforme se
lhe pode implicar, é o substrato do arcano em sua
sublimação absoluta e cósmica. Assevera-no-lo Platão in
"A República" (508e1-5):

"τοῦτο τοίνυν τὸ τὴν ἀλήθειαν παρέχον τοῖς


γιγνωσκομένοις καὶ τῷ γιγνώσκοντι τὴν δύναμιν ἀποδιδὸν

99
τὴν τοῦ ἀγαθοῦ ἰδέαν φάθι εἶναι: αἰτίαν δ᾽ ἐπιστήμης οὖσαν
καὶ ἀληθείας, ὡς γιγνωσκομένης μὲν διανοοῦ, οὕτω δὲ
καλῶν ἀμφοτέρων ὄντων, γνώσεώς τε καὶ ἀληθείας, ἄλλο
καὶ κάλλιον ἔτι τούτων ἡγούμενος αὐτὸ ὀρθῶς ἡγήσῃ.".

O arcano é a unidade daquilo que chamamos da polaridade


pensamental entre o concreto e o abstrato; ele une ambos e
dá-lhes coeso esteio de funcionamento eidético. O
conhecimento objetivo, diz Levinas15, não é capaz de traçar
as marcas do real, nem em uma abordagem de
conhecimento κᾰτ’ αὐτό; conclui Levinas, portanto, que é
preciso modificar este desarrazoamento fenomenológico ao
prisma do conhecimento do Uno, cuja unidade consumada
colide com a concepção objetiva da realidade. A
objetivação da natureza, é claro, está relacionada ao
concreto – ao passo que é superposta, é assaz nociva; sem
embargo, a pura subjetivação da natureza que, por sua vez,
é correlata ao abstrato, também é algo prejudicial; destarte,
ou temos uma sólida e multicônscia acepção voltada às
naturezas extrínseca e intrínseca da realidade ou
restringimo-nos à conhecença instável de ambos os
hemisférios da realidade, i.e., o mundano e o
extramundano16.
O arcano das ideias é donde, conforme atestamos, emanam
as ideias; porém, afora o seu empenho emanativo, ele
15
“Totalité et Infini”, p. 36
16
Poderia ter usado outros termos para designar o mesmo contraste,
mas optei por usar aqueles a denotar mundanidade e extra-
mundanidade, pois expressam melhor e mais direta similitude com a
intrinsecalidade e a extrinsecalidade, além de assentá-las com
consubstanciação ideacional mais robusta e ampla.

100
possui uma consciência interativa com as ideias de natureza
gônica e proto-gônica, isto é, ao mesmo tempo em que as
concebe, também planeja-as antecipadamente. Wilber17,
aplicando este conceito no campo da psicologia, assegura-
nos que o organismo da realidade é, na verdade, uma
agregação da consciência preternatural com o cérebro
material, fomentando, assim, uma única fonte de emanação,
de criação e de pré-criação, que é a Grande Cadeia 18 do
cosmos. O arcano ideacional, nessa situação, será uma
espécie de elo entre a Grande Cadeia e a natureza prática da
emanação, isto é, entre a ideia absoluta e a adaptação e
circulação desta para com os seres emanados; adapta-se
com a intenção de aproximar seu predicado incriado e
absoluto dos seres criados e não-absolutos e, daí, configura-
se a Grande Harmonia do universo; circula-se, pois, para
consolidar este processo; consequentemente, ea gratia, o
arcano é o fio condutor de todas essas circunstâncias
cósmicas e, ao passo que tais númenos19 são aplicados às
ideias, é daí que ter-se-á o devir da natureza, que será
explicado com mais profundidade na próxima seção.
2. Chamamos de ideação, todo o processo de formação das
ideias. Desta forma, a ideação é uma força prévia às ideias,
sendo o seu plano de existência, superior ao das ideias; as
ideias, sabemos, estão confinadas no plano metafísico da
consciência; a ideação, por conseguinte, estaria além
inclusive do metafísico; deduz-se, destarte, que a ideação
está no plano do Absoluto e é, outrossim, a Sua fonte de
17
“Integral Psychology”, pp. 68-69
18
“Great Chain” em inglês.
19
Númeno é um evento ocorrido do Absoluto; ressalto-vo-lo a fim de
vo-lo diferenciar do fenômeno, evento ocorrido de qualquer substância
não-absoluta,

101
acepção e pensamento. O canal que interliga que a ideação
a ideia, denominamos ideador. O ideador têm as seguintes
funções: a) canalização, b) adaptação e c) transmissão.
Elucidá-vo-los-emos logo abaixo:
1) Canalização. – O ideador, sob esta função, capta a
intenção, a ação e os produtos resultantes de ambos
os fenômenos da ideação, viz. absorve o conteúdo
das informações que a ideação libera no seu
processo de formação das ideias e as retém no seu
próprio conteúdo.
2) Adaptação. – A adaptação pode ser classificado em
três sub-processos, que seriam: a) flexibilização, b)
balanceamento e c) adequação ou transformação
sapiente. A flexibilização decorre da capacidade
intrínseca de ser receptível e discernir com fluência
a ideação; o balanceamento se dá quando a função
adaptativa do ideador equilibra as informações da
ideação conforme a situação do agente ideacional
(i.e., a pessoa que possui as ideias) que pode ser ou
não pertinente ao plano absoluto e espiritual da
ideação; a adaptação é concebida em consonância
com a situação do agente ideacional, viz. com a
circunstância pela qual este está passando
instantaneamente.
3) Transmissão. – A transmissão ocorre quando a
substância formada pela ideação, encargada de ser
apropriadamente operada, norteada e comedida pelo
ideador, é transferida por este ao plano prático ou
realizador, i.e. a ideia.

102
A ideia, por sua vez, é classificada sob sua potencialidade
de expressão, ou seja, a sua condição de ter significado,
conteúdo, código e postulação ou conceito inerente.
Explicá-vo-los-emos logo abaixo:
1) Significado. – É o que a ideia pretende enunciar
enquanto expressa, i.e. o que ela quer dizer com
aquilo que está sendo dito por ela, é a sua definição,
é o valor da mensagem que está sendo exposta pelo
agente ideacional.
2) Conteúdo. – Enquanto o significado corresponde ao
"o que quer se dizer" da ideia, o conteúdo se
relacionado ao "o que quer" da ideia, sc., o
significado é para o sentido assim como o conteúdo
é para a relevância. O conteúdo, portanto, é referido
como a importância e a influência abstraídas da
ideia, i.e. no que esta realmente pode ser algo
valoroso, interessante, exequível, imprescindível e
entre outros atributos.
3) Código. – O código é o "com o que se diz" da ideia,
i.e. a modalidade como ela é expressa ou, simples e
justamente, a sua tipologia elocutiva. O código com
o qual agora vos escrevo é a língua portuguesa. A
língua portuguesa, logo, é a modalidade de
transmissão e convenção ideacionais. Platão tinha o
seu código ideacional no grego clássico, Robert
Grosseteste tinha-o, por vezes, no latim e, algumas
vezes, no alemão, Gaffarel tinha-o mediante o
francês e assim, sucessivamente.
4) Postulação. – A postulação é o ponto de vista, a
opinião e o substrato epistemológico no qual a ideia

103
está embutida, i.e. "o que a ideia quer dizer". As
postulações de Mircea Eliade são a hierofania e a
universalidade do mito do eterno retorno, as de John
Heydom estão relacionadas à astrologia, as de
Jacque-Louis David estão ao classicismo artístico e,
poderíamos aqui citar vários outros exemplos para
ilustrar o fenômeno das postulações.
Em síntese, a ideação é o que dá forma e configuração
prístina ou primitiva às ideias, viz. a geratriz ideacional; o
ideador é o agente intermediário que cumpre o papel de
regular, absorver, filtrar e transferir para o agente
ideacional, a ideia por ele condicionada; a ideia é a
liberação do que a ideação propôs-se fazer com o devido
engendramento adaptador e orientador do ideador, i.e. a
transmissão, a abertura e a prática do pensamento, seja ele
internalizado ou implícito, ou externalizado ou explícito.

LIVRO 12

104
Filosofia Esotérica I

1. Depois que o Hiranyagarbha consubstanciou-se como um


todo do poder criativo onipotente, temos todos os grilhões
do curso da consciência em que os corpos celestes são
incorporados e sustentados. A esses grilhões chamamos
Vyakataprasisam. Sob essa terminologia, o Sankhyakarika
afirma que Purusha ou Vyakata emanam e dirimam todas as
funções do cosmos e, nele, o vigor de Hiranyagarbha pode
ser expresso na totalidade e é precisamente sua penetração
multitudinária nos seres que desdobra seu retorno aos
Prajapati no Mahapralaya. O Vyakataprasisam é dividido
em sete grilhões, que correspondem a sete predicados da
matriz da consciência. A matriz da consciência que
chamamos de Dvaracit. Dvaracit significa "portão da
consciência" em sânscrito. Assim, Dvaracit superintende as
idiossincrasias das rondas, cadeias, revoluções e
transfigurações de cada corpo celeste, seja em enteléquia ou
energia, seja em potencialidade ou operação absoluta. Os
três grilhões do curso da consciência, para cuja elaboração
da teoria estabelecer-nos-emos nas escrituras sagradas e
ocultas e na literatura mais sublime que encontramos, são:
etéreo, astral e físico. A seguir, explicaremos essas
propriedades:
1) Etéreo. – Tal substância se localiza entre aquela que
é vulnerável e pode ser combalida e aquela que é
inarredável e indestrutível, isto é, é a força
intermediária entre o corpo e o não-corpo ou sem-
corpo. A esta substância, denominamos Akasha ou

105
Prana. É o primeiro elemento criado e o fundamento
constituinte de todos os outros quatro elementos.
Sua suma característica é Shabdi (som), pois, é por
meio da vibração, que ela pode ser geralmente
auferida e sentida. Vallabha, em seu "Shodasa
Grantha", nos diz que Shabdi fomenta o segredo
precípuo de Tattva. Tattva significa "princípio" em
sânscrito. Não haveria equívoco nenhum equivaler
Akasha / Prana a Brahma, se não fosse a sua função
meramente intermediária, apesar de superintender,
basicamente, todo o mundo material. O éter faz com
que os corpos celestes tenham sua moção e seu
alento totalmente ativo; o éter, portanto, conforme
de antanho aferido, é Prana ou Pranazvasa. O éter,
ademais, é irrevogável no que concerne ao seu
propósito e corruptível no que concerne ao seu meio
de operação; malgrado isso, ele é extremadamente
importante para o funcionamento da vida material e
de suas leis e, igualmente, o é para a vida psíquica,
porquanto, devido ao seu direto contato com esta,
transmite suas mensagens para a vida material a fim
de que ela corresponda às necessidades emergentes
do cosmos e, daí, continue prosseguindo em
sincronia com o mesmo. Appaya Dikshita, no seu
"Vadanakshatramala", no-lo ratifica ao que
momento em que nos expõe a afirmação de que
Pranazvasa é, por necessidade, o canal de Saṃjñā
ou Saṃjñāvedana do mundo e da vida no cosmos,
i.e., a percepção e o conhecimento das coisas se
perfazem se existir uma força que os auxilia na
trajetória percipiente; a esta força, justamente,
denominamos Akasha ou Prana / Pranazvasa. Em

106
suma, o éter é a força intermediária entre o
espiritual e o material, é a força da natureza cósmica
que comanda a vida material e nutre-a, é o canal da
mensagem do cosmos e do espírito na matéria e é a
partícula cósmica que configura a cognição de todos
os seres e fenômenos no universo.
2) Astral. – É a primeira dimensão do plano espiritual;
concentra-se aí o fio condutor do éter para a extra-
fisicalidade plena; apesar da ruptura com a matéria
ao momento do desenlace da transmigração,
algumas hordas de almas ou almas individuais ainda
sofrem devido a sua ligação terrenal bem
prevalecida ainda. Desta forma, o plano astral ainda
não está livre das influências terrenas e,
frequentemente, a maior parte das almas que nele
estão habitando vivem para o preparo de uma
próxima encarnação, a despeito de outras almas
apenas passarem por lá e, daí, ascenderem ao plano
extrafísico. O plano astral, conforme conhecemos
cabalisticamente, é referido como Gilgumaqom
(lugar de transmigração); Hayyim Vital, no seu
"Sepher Shaar HaGilgulim" e o Maaseh Merkabah
nos dizem que tanto ibbur quanto dybbuk ocorrem
no astral; isto posto, plano astral e Gilgumaqom
serão, por conseguinte, termos sinonímicos.
Ademais, se me permitem dizer, o plano astral,
sendo o sítio de transmigração, está sujeito aos elos
de ‫( ארץ‬erets) ou ‫( אדמה‬adamah), isto é, às
experiências concretizadas outrora nos planos
terrenais. O astral é um plano efetivamente
sublimado que, apesar das almas sombrias, existem
umas tantas outras de luz e sabedoria supremas;

107
segundo o Hadith e o Alcorão, o Barzakh, ou
Gilgumaqom, seria o istmo entre o aquém-mundo e
o além-mundo; dizem as duas fontes, outrossim, que
tal istmo compreenderia os fenômenos relacionados
ao a'raf (julgamento). Tal julgamento consiste em
ordenar a alma para ou reencarnar ou ascender ao
Jannah ou o plano ascenso; logo, Barzakh e
Makanaltanasukh são termos sinonímicos. Proclo,
em seu "Elementos de Teologia", nos diz a respeito
de um portal para chegar a Unidade, na qual, de
acordo com os fatores da alma individual, é ou
permitido a ela acesso a Unidade ou a distância dela
novamente, participando ou não das volições astrais.
Rosacrucianos e neo-rosacrucianos, como,
respectivamente, Fludd, Ashmole, Von Welling,
Fictuld, Madathanus, Vaughan, Naudé e Max
Heindel, Spencer Lewis, Beverly Randolph,
Catharose de Petri, Van Rijckenborgh, Gadal, etc.,
chamam o plano astral de "ponto de transição entre
o visível e o invisível, o racional e o intuitivo, o
sutil e denso e assim por diante.". Em síntese, o
plano astral é a mais primitiva dimensão espiritual,
o sítio das transmigrações e dos processos
ressomáticos (reencarnação) e o liame entre o
Prana / Pranazvasa e o Vyakata.
3) Físico. – Definimos o corpo físico como uma
dimensão ínfera, mundana e aparente ou sensível /
sensória da consciência cósmica. Estimamos
geralmente que a fisicalidade dimana a debilidade
do ser e o bloqueio do seu entendimento espiritual e
isto de fato ocorre, conforme cá realçado, enquanto
o ente está agrilhoado às ferropeias densas e brutas

108
da matéria. Denominamos tal predicado da
realidade física de Rupa ou Bhautika Padautha.
Consoante asseverado por Kananda, no seu
“Vaisheska Sutra”, a unidade elementar de Rupa é o
átomo (Paramanu / Anu); apesar disso, Rupa não
desfruta de nenhum dos cinco Bhutas, viz. a
conjunção dos elementos (conforme observamos no
asserto de Kananda) sutis (Atisuksmabhuta /
Suksmabhuta) dá-nos um conhecimento muito
amplo do cosmos que em Rupa é inexistente e
inoperante. O corpo, por conseguinte, é restrito
somente à percipiência corpórea, malgrado todos os
seres doutros mais sublimados planos consigam ser
transportados para Rupa e lograr sentir suas
densidade e bruteza.
2. Nós temos nos tornado cada vez mais distantes da nossa
legítima pátria nestes séculos de oblívio espiritual e
inglória. Temo-nos separados, ademais, em face de nosso
desdém perante a nossa essência metafísica, da magistral
consciência cósmica, embora esta esteja incorporada em
cada ente existente à vista de nossas faculdades perceptivas,
e, por isso, fragmentamo-nos em densas e substanciais
estilhas de desvairo e nesciência. Uma vez que Jâmblico
afirmara que "a sabedoria resulta nos processos
raciocinativos da transcendência interior e na conexão
direta com o bem criador", devemos determinar, por este
meio, as práticas de teurgia e invocação das emanações τό
ἕν como mecanismos deveras poderosos para alcançar os
estados mais elevados da mente e atingir as supracitadas
proeza e destreza suprassensíveis e empíreas. Destarte, a
pátria humana não é um território físico a existir na camada
mais proeminente da terra, nem um jebel idílico e

109
paradisíaco da Mesopotâmia; ela é, conforme delineamos,
um local extramundano e espiritual estabelecido nos
dosséis sutis e superlunares das dimensões celestes do
Absoluto.
As ideias são geralmente configuradas nas inclinações dos
nossos protótipos espirituais; elas vêm das dimensões mais
sutis da consciência, as quais, por sua vez, são derivadas da
substância da unidade suprema, i.e. o Todo-Poderoso
sublime. O seu substrato é moldado sobre o sólio do
turbilhão monádico, i.e. as partículas que dispõem a
estrutura do material divino. Os cônsules eleitos de Roma e
os canulei e icilii, para o mais exaltado e alto Júpiter,
blasonaram e arrogaram seus fasces, apesar de que isto fê-
los caírem em absoluto menoscabo; isto nos demonstra
como os comportamentos bazofiosos e sovinas não levam o
homem em direção à glória, mas à desonra e à mácula. Ou,
ainda, não podemos ignorar o fato de que nas analogias
subjacentes às alegações da filosofia sexual de Diotima,
conforme observamos no Banquete de Platão, é designada a
ideia de que pensar e conceber filhos são ambas longas e
dolorosas experiências que terminam em parto; a dor e a
pesarosa extensão, enfatizemos, neste sentido, representam
o engendramento dialético do desenvolvimento e do
nascimento dos bebês, o qual resulta justamente no regozijo
absoluto – este, por sua vez, é direcionado, particularmente,
ao ato de ver com clareza a vinda saudável do neófito ao
mundo. Alguns, porém, asseveram hipocritamente que isto
é inviável na modernidade, malgrado a privação e a
extinção da fecundação humana sejam tão indesejáveis
quanto às noções procedidas que as adotam como
aceitáveis; doravante, devemos clarificar o fato de que, sob

110
as circunstâncias do uníssono do masculino com o feminino
e vice-versa, são bloqueadas quaisquer manifestações de
adynaton (impossibilidade) e chalepos (dificuldade) e,
outrossim, é efetivada a dinâmica consagração das ideias na
associação de razão e intuição, de ação e pensamento20.
A realidade é uma vasta tapeçaria de ilusões, em que a
percepção de sua genuína composição fica gradualmente
intricada e extenuante. Assim, podemos afirmar que a coisa
mais nobre em que somos capazes de nos apoiar é a própria
verdade que, indubitavelmente, está localizada nas
dimensões mais espirituais e extrafísicas da consciência, na
medida em que está mais próxima do núcleo da estrutura
cósmica; a matéria, portanto, é uma rede de energia
imprecisa e abstrusa da mente sublime e imaculada dela –
destarte, propomo-nos a dizer que devemos, enquanto
encarnados, exceder os ciclos terríveis e repletos de
sofrimento da metempsicose e, daí, estar em conexão com o
espírito divino e eterno em toda parte; comprometer-nos-
emos com ele, independentemente das circunstâncias que
nos sucedam. Todavia, malgrado isso, vemos absurdos
controversos e ultrajantes, como um artigo de atual má
reputação sobre o comunismo, escrito por Heinz Neumman,
em 1925, dizendo que, no cenário de conflitos civis e
internacionais em andamento à altura, uma forte
centralização do poder sustentaria as formações militares e
os empreendimentos bélicos em direção ao ímpeto do
inimigo e, doravante, poderia derrotá-lo e conquistá-lo;
sabemos que o exercício desta ideologia, histórica e
sociologicamente provado, leva ao assaz exacerbado
20
Razão e intuição, razão e pensamento são, respectivamente, cada qual
em sua ordenação fraseológica, princípio masculino e princípio
feminino.

111
autoritarismo e às formas mais terríveis de totalitarismo,
resultando em desgraças, contendas e tragédias amplamente
testemunhadas pelo mundo. Sem embargo, em aspectos
religiosos, temos os Adeptos de Montano passando por uma
inspiração carismática em sua ardente convicção em
associação ao espírito do cristianismo, cujos ritos e
prosélitos são conferidos por uma doutrina teológica
exótica e, assim, professam-na assiduamente e
uniformemente; tal atividade nos apresenta que, apesar de
ser extensivamente confirmado que o verdadeiro iniciado
consuma seu pensamento na filosofia perene, ainda assim,
há aqueles que se restringem a determinadas filosofias e
metodologias dogmático-hieráticas, restringindo, desta
forma, as próprias iniciação e expansão da sabedoria. Além
disso, mencionamos, conforme o Adelphoe de Terênico nos
mostra, que Demea, em resposta ao clamor de Micio,
garantiu que o ferimento contundente dos homens guiava
imediatamente à morte e, assim, arrebatava-os. Esses
exemplos mostram que nada que possa reforçar nosso
vínculo com a dimensão material nos torna mais felizes,
mais sábios ou qualquer outro predicado mirífico e
prodigioso; devemos, portanto, nos concentrar em nosso
esplendor espiritual e trabalhá-lo frequentemente até nos
encontrarmos num estado de plena acepção das leis
cósmicas e do próprio Divino.
As paixões avidamente surgem da fantasia materialista e da
mesquinhez de ser, nas quais, é claro, são comumente
instituídas as concepções mais fátuas de amor, afetividade e
união; nossa pátria original tem, deveras, amor
incondicional e perpétuo – não obstante, nosso lar, ao passo
que estamos enclausurados e alcandorados em nosso
organismo corpóreo e físico, é tão-somente preenchido de

112
ludíbrio, mangnação e amargores convulsionados. Eis, pois,
a asserção enfática de Ovídio no tocante à natureza dos atos
de verriondez e luxúria, a despeito de considerá-los
genericamente (Ars Amatoria, lib. i, vers. 347-348):

"Sed cur fallaris, cum sint nova granta voluptas?


Et capiant animos plus aliena suos?"

De acordo com o Yajnavalkya Smrti (vers. 8), as paixões


obscenas e indisciplinadas da carne são inconsistentes com
o estudo dos Vedas (viz., a doutrina secreta da sabedoria
das idades); para alcançar o que denominamos
Atmadarsana, ou o conhecimento sublime do Eu superior, é
preciso renunciar a todas as devassidões carnais, mas não
necessariamente ao sexo e ao prazer, desde que concebidos
com lídima devoção e equilíbrio. Desta forma, o Karma
desvanece, o Dharma prevalece e Tatpurusha (viz., o
princípio cósmico pertencente ao divino) é estabelecido no
homem. Na história dos cultos religiosos da Índia, vemos
Nanak, um testemunho ocular da opressão muçulmana,
reagindo mediante a fundação do sikhismo; diversos santos
sikhistas, como Ramananda, Kabir, Namdev, Chaitanya e
etc. são rebentos desta doutrina. Para Nanak, sem o Sat
Nam (o Verbo Verdadeiro), ninguém pode atingir a
salvação; desta forma, hei de dizer que Sat Nam, na
verdade, complementa Atmadarsana, pois, se este é
sublime, verificamos que implica necessariamente a
veracidade de seus predicados; logo, a força única de
verdade de Sat Nam, em agregação à lhana sublimidade do
Atmadarsana, confere aos pangats, a consciência plena de

113
Tatpurusha. Eis, então, um dos atributos da pátria humana:
a infinidade de sua verdade ou de sua verdadeira forma de
ser e criar.
O mundo palpita e oscila em transições e cataclismos; o
processo é sempre dialético – uma força de unidade
contrastada com uma não-unidade forma uma unidade
perfeita; é assim que o mundo opera. No final do Bhagavad
Gita Parva, o filho de Pritha, Arjuna, teve sua ilusão
destruída, pela intervenção do Senhor Krishna, que é
evidenciada em um diálogo entre ele e Keshava – Krishna
concedeu a Arjuna a forma mais maravilhosa de dimanar o
vigor e o poder de Hari, sob os axiomas da doutrina secreta
do Senhor do Yoga. A fórmula é: eu venho inicialmente ao
mundo material com as memórias da minha essência ainda
armazenadas; no entretanto, quando cá chego, eu as
esqueço, as negligencio e fico, pois, assaz envolvido na
miséria desolada e funesta do universo mundano; mas
quando reconheço completamente a origem e as soluções
dessa terrível situação, fico sumamente esclarecido e,
portanto, atinjo a iluminação; conhecer a mim mesmo é
conhecer a tudo e a todos. No Siyastnama, cap. iii, é
relatado que Ya'qub ibn Laith instituiu uma grande rebelião
na cidade de Sistan e, logo depois, a conquistou por meio
dum impetuoso golpe de estado; assim, ele continuou a
conquistar outros territórios – malgrado isso, ainda desejava
dominar o Iraque e derrubar a dinastia dos Abássidas; no
entretanto, Ya'qub foi derrotado no primeiro ataque e,
depois disso, estabeleceu um tesouro no Khuzistão;
sabendo disso, o exército do Iraque veio até suas bases,
travou uma batalha contra ele e venceu-o; destarte,
imediatamente, eles fizeram dele um queixoso e
desamparado asir (prisoneiro) no mais sombrio dos

114
ergástulos do califado. Isso mostra como o mundo libera
demasiada energia bélica; esta é a causa da corrupção da
substância divina e da destruição das nações e dos
indivíduos nelas inseridos; para reverter essa condição de
ser, precisamos abandonar a frequência de existência
voltada às mundanidades pugnazes e começar a viver em
paz tanto com o espírito superior quanto com o ambiente
inferior, gerando, portanto, a harmonia suprema entre todas
as forças manifestadas na natureza do universo; só assim
podemos realmente refletir com fibra e profundidade sobre
a sabedoria das eras e da natureza verdadeira de todas as
entidades cósmicas.
Por mais que tentemos evitar, nosso espírito sempre dilata
seu organismo consciente em posição oposta ao corpo;
portanto, devemos administrar nossa consciência em
uníssono com a energia do nosso espírito, não com a do
corpo – isto é, por conseguinte, uma afirmação muito
importante a ser feita na medida em que a priorizaremos ao
longo de nosso livro. Consoante Abraham Irira dizia, os dez
soberanos sephiroth, cuja fonte primária é sustentada pela
força de ‫( כתר‬coroa), destacaremos que seu fundamento
primordial é ‫אין סוף‬, o Inefável Infinito ou, como os
cabalistas costumam denominar, Ain Soph. Na opinião do
rabino Loew, o apoio divino é geralmente estimulado para
se unir ao Ser Supremo, que é e não vem a ser ou existir;
chamamos esse atributo de ‫( ָהי ָה‬hayah); então, podemos
dizer que este é a força principal que governa as leis de
ambas as dimensões mundana e extramundana, cujo
predicado chamamos de ‫( םדר‬madar). Muitos cabalistas, tais
como Moisés de Leon, Abraham Abulafia, Abaraham
Merimon, Isaac Luria, Abaraham Gikatilla, Jacob Frank e
etc., nos instruem na mais nobre verdade da glória e da

115
grandeza da natureza, lançada na estrutura suprema da
sabedoria (‫)חכמה‬, que é liberada com a prática das
meditações mais profundas em transe com o Eu superior (
‫)שיחה‬.
Por trás do véu dos mitos e das lendas, sempre existe uma
verdade absoluta; mostraremos esse ponto de vista como
uma fonte de fatos imemoriais embutida com plenitude na
consciência da humanidade; portanto, podemos afirmar que
os sistemas de credo existentes também se valem de mitos e
lendas – por trás de seu véu, sempre se infiltra uma verdade
absoluta ou universal. Em Histoire de la Nation Mexicaine
depuis le départ d'Aztlan jusqu'à l'Arrivée des Conquérants
Espagnols, pp. 3-47, temos uma descrição detalhada da
zona insular de Aztlan, os costumes e tradições religiosas e
sua fuga do último cataclismo em vários barcos até os
povos colonizados – um deles eram os mexicanos; daí, cá
reitero, eles soíam chamar de Aztlan, sua pátria original
(teotlalli). Não obstante, como dizia Diodoro Sículo em sua
Bibliotheca Historica e, igualmente, Hecateu, havia uma
terra natal para os gregos, também mencionada pelo povo
asiático, chamada Hiperbórea; de acordo com esses relatos,
os hiperbóreos deram origem à língua e à cultura gregas,
especialmente, dos atenienses e dos delianos; também se
assegurou que Abaris visitasse a ilha de Hiperbórea a cada
dezenove anos, período em que o retorno das estrelas ao
mesmo lugar no céu era realizado; e por esse motivo o
período de dezenove anos foi chamado pelos gregos de
"ano de Meton". O mito da pátria ou terra natal, acrescento,
é compartilhado por praticamente todas as culturas do
mundo; discutiremos esse assunto mais profundamente no
decorrer de nosso livro.

116
Os percalços da vida nos atingem se estamos em desventura
ou em autodesprezo. Assim, podemos projetar, com os
elementos de nossa filosofia até agora construídos, o
arranjo dos pensamentos e das acepções epistêmicas no
sentido de que a pátria da humanidade pode ser não apenas
uma mera concepção idealista – mas uma verdade
composta por uma gama de evidências e axiomas
inatacáveis. Da mesma forma, enfatizamos que é certo que
toda prática religiosa conduz o homem a uma visão
espiritualista da vida, por mais distorcida que seja; assim, o
homem inicia seu vínculo com o divino quando se recusa
seguir algum dogma ou preceito inflexível, unilateral e
proselitista das religiões hierarquizadas. Zeus Καταιβάτης,
em uma moeda de Cirro, foi representado segurando um
raio com a águia aos pés; outros tipos de Zeus, como Zeus
βασιλεύς, Zeus Κράτος, Zeus Aσκραίος e etc., eram
adorados mediante a estátuas e outros monumentos
colossais, como templos dedicados à sua divindade. Por que
o homem venera entidades espirituais através de coisas
materiais? Não é uma contradição sobejamente ilusória?
Outrossim, todos esses gêneros de Zeus têm, como
afirmamos outrora, um estrato de verdade universal por trás
da máscara do mito – além disso, a explicação platônica das
fábulas gregas é tremendamente superior a dos mitólogos
modernos; conforme asseguram os mistérios báquicos,
existem três estágios de iluminação (metanoia): telete (o
fechamento ou o sigilo), mnesis (iniciação) e epopteia
(clarividência).
3. Não há comparação com as forças da natureza selvagem;
mas sabemos que as forças da natureza espiritual sempre
derrotam o aspecto selvagem do cosmos; somos designados
a ser mais espirituais e a não ser mais selvagens; mas, na

117
matéria, a inclinação do corpo físico é o oposto do plano do
Todo-Poderoso – somos mais selvagens e isso é,
simplesmente, uma contravenção. Portanto, precisamos
voltar ao espírito e abandonar esses hábitos miseráveis,
agrestes e desordeiros, uma vez que estamos cravejados e
embaraçados no organismo físico; no entanto, a pergunta é:
"Como fá-lo-emos?" Farei uma extensa pesquisa,
elucidando os elementos principais e subsidiários, sobre
este assunto. Não obstante, precisamos fazer uma
convenção com três conceitos elaborados em minúcias que
guiarão nosso exame. Estes serão:
1) Alêntono. – Esta substância integra a Verdade
Universal e Eterna do Universo, a Sabedoria do
Divino e a Filosofia Perene; isto é, o agregado de
partículas que geram o torvelinho de manifestação
do espírito mais poderoso existente, ou seja, o Todo
da Lei ou o próprio Deus. Este é o substrato da
verdade.
2) Pseudôno. – Esta substância corresponde à ilusão, à
ignorância, ao engano e ao estupor do ser.
Representa a suprema mentira; corrompe o homem
e penetra nele para desdobrar o mal, a tormenta e o
espírito da pecaminosidade. Isso deve ser excedido;
é o contrário do Todo da Lei. Este é o substrato da
mentira ou ilusão.
3) Anótato. – Este resulta da vitória do alêntono sobre
o pseudôno e seu domínio, isto é, quando o alêntono
toma o pseudôno e o envolve completamente. Este
não é o Todo da Lei; esta é a Lei do Todo ou do
próprio universo no próprio Deus. Esta é a força
suprema, quando o alêntono é a força do supremo
ou da supremacia.

118
Destacadas as propriedades do pensamento a ser operado,
vamos proceder nossas reflexões neste recém-elaborado
sistema de filosofia. Talvez os acontecimentos mais
catastróficos da humanidade a tenham levado ao auge da
jocundidade, prosperidade e sabedoria, especialmente, aos
países desenvolvidos posteriormente às hecatombes; talvez,
eu possa afirmar, os mitos quiméricos da história não são as
lendas alegóricas dos antigos, mas suas interpretações por
parte dos mitólogos cheias de zombaria contumaz e
imprudência assaz desrespeitosa; talvez, se não entendemos
a alegoria e a linguagem simbólica e os antigos as
apreenderam com facilidade, portanto, não podemos
arrogar para nós mesmos o atributo de "mais avançados"
que os antigos, nem em nossas narrativas históricas nem em
nosso entendimento cosmológico; tal concepção seria
desdenhosa e rude sob as circunstâncias cá demonstradas.
A pátria humana sempre é referida como a civilização mais
brilhante de todos os tempos, uma vez que seus
descendentes são uma perversão de sua santidade
construída em suas façanhas e tradições. Os chineses, por
exemplo, costumavam se chamar povo de Han; esta
palavra, ou seja, Han (韓), de acordo com o Rev. Morrison
(A Dictionary of Chinese Language, vol. i, p. 274), denota
uma localidade protegida e segura proporcionada por
projeções rochosas da margem de um rio e, portanto,
significa "colina". A questão é: seria a terra original dos
chineses conhecida por suas colinas exuberantes, toras,
montes e etc.? Os chineses representavam seu reino, Chum-
che, em diferentes épocas, seja por um paralelogramo
exatamente bissectado, ou classificando-o como Tien-hia,
sc., todas as coisas valiosas na Terra. Conforme o Sr.
Howorth aponta (History of the Mongols, vol. i, pp. 27-28),

119
os mongóis eram uma tribo líder dos Shi Wei; depois, ele
cita o Tableaux Historiques de Klaproth, dizendo que este
estava errado e que, na verdade, os mongóis tinham a
mesma origem que os kitanos. De Mailla (Histoire
Genérale de la Chine, vol. i, pp. 543-545) diz que os
chineses adoravam uma entidade suprema, geralmente
denominada Tien; os imperadores, como os relatos do
Chou-King nos contam, eram representantes de Tien na
Terra; eles eram, ademais, retratados como se fossem
brilhantes como o Sol, designando, assim, um culto claro ao
corpo estelar. Diremos que o culto ao Sol foi universal, ou,
ao que parece, extremamente remoto e nos faz considerar a
sua origem como correlata a um continente perdido de
civilização superior a nossa; mostramos que os sauras da
Pérsia fizeram-no e o povo de Baal-bec também fê-lo; o sol
era proclamado pelos templos dourados dos incas e pelos
teócállis dos índios pima; os cidadãos de Heliópolis
fizeram-no; sem embargo, ainda nos restam outros
inúmeros exemplos. Esses fatos são todas evidências para
constituir o nosso retrato da pátria original da
humanidade21.
O Tibete é um dos lugares do mundo que chamamos de
"chakras da Terra", viz. está incluído no rol de locais
mágicos e sagrados existentes na dimensão mundana do
planeta; infelizmente, durante o século XX, ocorreram o
genocídio tibetano e a invasão bárbara chinesa, destruindo,
por conseguinte, a maioria das miríficas tradições tibetanas
– no entretanto, enfatizemos, a ciência mística e secreta
tibetana, depositada com grandiosa solicitude nos

21
Aqui, refiro-me à pátria terrena, não à cósmica genericamente
postulada.

120
manuscritos da língua Senzar, contando a verdadeira
história da humanidade, permanecem ainda ativa; no-la
zelam, ainda que em sigilo, os Mestres da Sabedoria, ou
Mahatmas, em conluio com os monges mais instruídos e
sagazes do Tibete. Evans-Wentz foi um pioneiro no que
tange à divulgação da sabedoria tibetana e indiana, escrita
em tibetano e sânscrito, para os predatórios e temporais
materialistas do Ocidente; de acordo com ele, o princípio de
Shes-Rab Snying-Po Bzhûgs-So (Essência do Prajna-
Paramita ou Sabedoria Transcendental) cristaliza a
doutrina do Shunyata – ademais, o exercício da mesma
permite ao praticante conceber o Nirvana em sua
quiescência perfeita, em sua substância incriada; portanto,
digamos, num transe extático do samadhi efetuado por um
Grande Yogin, atinge-se o Conhecimento Indistinto, a
Sabedoria Transcendental. Vigorar-se-á, destarte, a
emancipação suprema, na qual Asanga se deleitou quando
se iluminara, o Buddhahood, a Sabedoria Perfeita do Yoga
e o domínio de Shakti ou Dolma, que são desprovidos de
indícios tangíveis (alakshna) e o Boddhisattva, então,
conquista todos os seis Paramitas.
Tsongkhapa diz sobre a consciência da metempsicose e
seus influxos no Prajna-Paramita (The Great Treatise on
the Stages of the Path to the Enlightenment, vol. i, p. 349):

"A maneira de eliminar as aflições é a seguinte, começando com


as seis aflições de raiz. Entre os grandes erros, a ignorância é a
mais tenaz e serve de base para todas as outras aflições. Portanto,
como remédio para a ignorância, tu deves meditar bastante sobre
o surgimento dos [elementos] dependentes e tornar-se
conhecedor da progressão e cessação da existência cíclica. Se tu

121
sóis cultivá-lo, nenhuma das visões ruins, como as cinco
afetadas, ocorrer-te-á.".

Sakya Pandita, no seu "Tshad ma rigs pa'i gter", p. 3, diz


que a cognição (khyem-pa) é formulada a partir do nosso
entendimento a respeito não só da disposição das coisas
como elas são, mas de como elas agem e operam perante a
moção do Grande Alento do universo (thruk-pa). Portanto,
inferimos a propriedade eternal e autoevidente do
Mahasatta (viz. o Absoluto). Gompapa assevera sobre um
dos aspectos imprescindíveis do Buddhahood, que
corrobora a nossa noção de alêntono como igualmente
imprescindível (The Jewel Ornament of Liberation, p. 31):

"Quando edificamos nosso caminho em direção à insuperável


iluminação e estamos indo ao nível espiritual do Samkhyasabuddha,
(...) e se caminhamos com um amigo espiritual como guia, então não
havendo perigo, chegamos à cidade do Onisciente.".

Caso investiguemos a priori a natureza humana em sua


mais nobre essência, deveremos manter em mente que a
magia, enquanto a ciência das idades e da sabedoria
absoluta, é inerente a todo e a qualquer homem, pois dele é
unicidade integrante e base de sua consciência suprema;
desta forma, verificamos que a sensibilidade do homem,
enquanto ser operante da magia, tende invariavelmente a ter
conhecença do alêntono, e não do pseudôno – esta última
característica somente remete à matéria; aos demais planos
cósmicos, prevalece o alêntono com íntegra soberania.

122
Tommaso Companella no-la ratifica (De Sensu Rerum et
Magia, lib. iv, pp. 263-264):

"Primi homines deum manifeste pene agnoscebant, quoniam creationis


opus recens erat, & continua beneficia ac adparitionis illius habebant.
Quapropter qui Deo familliarissimus erat, sapientissumus omnium erat.
Cum sapientia sic ipse cultus divinus, hoc est, religio, teste Iob. Qui
ergo purius ac obedientibus colebat Deum, illi magis obediebant
creaturae operaque miraculosa petrabat.".

Em progressão ao nosso raciocínio, o Aurora Tesaurusque


Philosophoroum, p. 16, no-la assegura também:

"Magiam per suam sapientia affirmarunt, omnes creature ad Unitam


substantiam adducendas, qua suis mundationibus & purgationibus
assertunt subtilitatem ascendere, divinanique naturam, & occultam
proprietate, ut opertetur admiranda.".

Alquimistas filósofos, como Giovanni Battista Agnello,


Cornélio Agrippa, Paracelso, Edward Kelley, John Dee,
Thomas Charnock, Jacob Böhme, Adam van Bodenstein,
Salomão Trismosin, Basílio Valentino, Pierre Jean-Fabre e
etc., sempre salientaram que aquele que domina as forças
do alêntono, igualmente domina seus poderes divinos e
demoníacos22. O ardor da magia presume ser a nossa

22
“Divino” está relacionado ao Ser Supremo e Absoluto e “demoníaco”
aos daemons, i.e. os seres que protegem e zelam pela sabedoria do Ser
Supremo e Absoluto; anoto isto para evitar más interpretações.

123
própria instintividade, na qual coordenamos nossas ações e
nossos predicados de poder e de possibilidade do usufruto
do mesmo; logo, o alêntono é plena e ampla satisfação das
capacidades psíquicas, enquanto que o pseudônio é sua
latência e correspondentes obscuridades e desuso. Avalia-
no-lo Oswald Croll em sua práxis, i.e. nas operações
mágicas (Basilica Chymica, p. 66):

"Hic vet Magus seu sapiens, Astroru operatione attrahere potest, in


imagines, lapides metalla et eande cum Astris exerceant vim atque
potentiam.".

A definição de alquimia é, basicamente, a mesma do


alêntono, apesar de tê-la em sua própria linguagem e
simbologia; daí, agregando o pseudôno, a alquimia torna-se
o próprio conhecimento de anótato; eis as palavras de
Andreas Libavius (Alchmyia, p. 1):

"Alchemia est ars perficiendi magisteria, & essentia puras è mistis


separato corpore, extrahendi.".

Eis, pois, a analogia de Giulio Vanini (Amphiteatrum


Aeternae, p. 237):

"Non Deus actioni nostrae, quia creatura magis assimilatu creatori &
effectus cause, qua creator creaturae, & causa effectu assimiletur.".

124
Com estas considerações até aqui designadas, devo dizer
que a pátria humana é, praticamente, a suma condição de
existência do alêntono, em uníssono com o anótato e
desprovida das influências do pseudôno, exceto no seu
período derradeiro e cataclísmico; a ciência da pátria
humana, pela qual ela progredia espiritual e materialmente,
sempre foi, conforme o que asseguramos, a magia.
4. A religião, enquanto instituição pormenorizadamente
estratificada, é nociva e doentia. Determinemos, com isso,
que suas fundações são basicamente incutidas na coerção
de crença e na ciência aleivosa do mendaz e contrafeito
preconício; a religião, sob esse viés, ser-nos-á
extremamente imprudente, falaz e pavonesca. No entanto,
existem certas crenças e atividades hieráticas que,
agregadas a outras culturas, ser-nos-ão deveras verdades e
axiomas absolutos; mesmo assim, a religiosidade
hierarquizada permanece horrenda e insidiosa.
Rabindranath Tagore, em seu ensaio "O Desenvolvimento
da Teologia e da Religião", no-los ratifica:

"O expressionismo não se cria em sua totalidade, mas está


gradualmente emergindo. Ao mesmo tempo, pensou-se que isso
atingisse a raiz da religião, de modo que os sacerdotes ficassem
apreensivos. Mas gradualmente foi tolerado, todos concordaram,
mas a essência da religião permaneceu inalterada. As pessoas
começaram a perceber o divino na criação infalível mais do que
subitamente. A crença de um grupo de pessoas é a religiosidade
de nossas mentes, a ideia de Deus é simples autoconfiança. (...)
A diferença visível entre a semente e a árvore não está em mais

125
nada, mas o propósito de ser uma árvore está presente nela. A
expressão do sistema solar a partir do vapor não significa que o
sistema solar faça parte do vapor. Antes, o mal e o bem, Satanás
e Deus foram colocados em duas categorias opostas. Agora, do
expressionismo, temos em nossa mente que a verdade surge da
mentira e o bem do mal.".

Sabemos que Abraão cultuou o Senhor através dos altares


erigidos e, neles, fazia sacrifícios e oblações abomináveis;
além disso, concedia um bocado de dízimos para o ícone de
Malquisedesque. Ademais, conforme nos diz Sr. Priestley
(History of the Corruptions of the Christianity, vol. ii, p.
25), os elementos eucarísticos constituíam, mormente, em
mergulhar o pão num vinho consagrado; notamo-los
particularmente no 11º concílio de Toledo em 675, e outro
em Braga na Galícia, em que um decreto foi dado para
interromper esta prática; apesar disso, os armênios e os
moscovitas continuaram a fazê-lo e estes últimos
colocavam tanto o pão como o vinho numa colher. Não
obstante, conhecemos o fato de que o título de Papa ou
Pontífice Máximo é estritamente pagão; no-lo assegura o
mesmo Sr. Priestley (Op. cit., vol. ii, p. 295) que tal
denominação se nivela em práticas absolutamente
anticristãs. Na Boêmia, a floresta de Miriquidu é, por vezes,
referida nos Eddas e nas tradições teutônicas e, consoante
nos diz Sr. Mone (Symbolik und Mythologie der alten
Völker, vol. v, p. 157), oferecia-se-lhe oferendas, tendo em
mente que os boêmios criam nas divindades lá existentes;
os cultos do tipo mitraísta do cristianismo são, justamente,
reflexos destes falicismos e adorações às divindades pagãs
da natureza; exemplos disso, temos as tradicionais festas da

126
Páscoa e do Natal. Discorreremos, doravante, sobre este
assunto, na nossa teoria sobre os dogmas religiosos; a pátria
humana não é secular, e nem demasiado teísta – ela é
sagrada por si só. E, assim, todas as religiões do mundo se
desenvolveram de suas tradições, embora, através do
tempo, fossem separadas pelo egoísmo e preconceitos
ignorantes do homem; é nesta ideia que vo-las mostraremos
e correlacioná-las-emos com a nossa teoria dos dogmas
religiosos.
Os dogmas religiosos se bifurcam em três graus de
transmissão; a escala é considerada pela maior aproximação
com o anótato, i.e. o Universo todo-poderoso e divino e sua
Lei suprema com o respectivo entendimento ou percepção.
Desta forma, tê-los-emos nas seguintes classificações:
1) Literal. – O dogma literal se caracteriza pela sua
denotação, i.e. o que se enuncia, é o que se pretende
enunciar e, portanto, é o que se deve fazer conforme
o que é dito ipsis litteris. A maior parte dos teólogos
cristãos, desde Clemente, Justino, Tertuliano,
Lactâncio, Santo Agostinho, Eusébio, João
Cristósomo e Pacômio até Caspar Batholin,
Laurentinus Gothus, Nicolas-Sylvestre Bergier,
Anton Christian Bang e Andreas Jungmann,
deliberaram acerca do simbolismo translatício
bíblico no modelo dogmático literal de
interpretação, o que é, evidentemente, errôneo e até
burlesco e enfatuado. Sr. Mosheim (Ecclesiastical
History, vol. i, p. 523) aponta que o cristianismo,
em seu tempo e, até mesmo, atualmente, se vale de
ritos e cerimônias exteriores; a devoção é
supersticiosa e a administração do sacramento do

127
repasto do Senhor (fé científica) não só foi ajaezada
com indecoro, mas também foi deturpada; isto
demonstra que o misticismo cristão do Messias foi
se transformando, paulatinamente, em fanatismo,
sectarismo e chauvinismo completos, reduzindo-se,
basicamente, a uma nuga infida e impróspera. Tais
hediondezas são resultantes, sobretudo, da
interpretação puramente direcionada à credulidade
injudiciosa, incauta e obtusa e pela literalidade
insipiente do simbolismo sagrado da doutrina
original e secreta, pois, consoante Sr. Du Choul (De
Varia Quercus Historia, p. 106), tal entendimento
pode desdobrar uma consciência malfeitora e
distante do escopo de verdadeira e absoluta bem-
aventurança dos Adeptos (viz. Iluminados).
Portanto, o dogma literal não consiste em apenas
interpretar um determinado simbolismo esotérico ou
exotérico mediante a uma designação percipiente
dos termos nele empregados em sua modalidade
denotativa, mas, também, contrai o maior dos
errantes partidarismos e dos jingoísmos engajados
em extremos detrimento e insularidade; desta forma,
não só necessita evitá-lo, mas prevenir-se de
qualquer pensamento similar ou igual.
2) Alegórico. – O dogma alegórico é quando existe
uma parcial revelação do simbolismo e um
simbolismo completo e claro; entende-se aí toda a
manifestação evocativa e emblemática da alegoria,
mas não se apreendem os seus verdadeiros e
inefáveis arcanos. Tebas, o centro civilizado do
Antigo Egito, muitíssimos séculos mais antiga que
Abraão, com templos de material similar aos de

128
Karnak e contendo 74 sepulcros régios, tinha dois
principais obeliscos a demonstrarem os tesouros e
os territórios por ela conquistados, defronte do
templo de Ammon e um arco esplêndido para o
oráculo de cedro dourado externamente e prateado
internamente (Historical Researches, vol. ii, p.
309); os cultos tebanos eram conhecidos por suas
alegorias e por seus grandes arcanos também – sem
embargo, apesar de seus empíreos santuários,
tabernáculos, templos e utensílios ritualísticos e dos
próprios gigantescos portões de pilones a levar o
iniciado ao mais inacessível sacrário, não podemos
negar que a iniciação tebana, ao se utilizar de
sacrifícios e de demasiada estima ao candelabro e ao
lehem panim, era um tanto apegada aos objetos de
sentidos, malgrado os sacerdotes verdadeiramente
Adeptos mais preocupavam-se com a sabedoria
absoluta dos ancestrais e meditar a respeito do que
com a tradição deiforme estabelecida na própria
Tebas. Eles, então, buscavam o dogma místico,
pertinente à civilização-mãe de Tebas, o qual
elucidaremos posteriormente, e não a alegoria,
pertinente à Tebas; ao passo que a alegoria conduz a
uma parte da verdade, o misticismo fá-lo para a
verdade íntegra e perfeita. E isto é o que
verificaremos.
3) Místico. – O dogma místico se caracteriza por estar
diretamente em uníssono com o anótato e ser,
conseguintemente, um axioma universal e
verdadeiro por si só, ou a grande sabedoria das
idades e dos mundos; possui seu simbolismo
deveras – todavia, para quem interpreta o dogma ao

129
seu viés místico, conforme cá delineado, não existe
mais simbologia nem nos relatos mais alegóricos;
existe somente, portanto, a verdade contada em sua
forma mais objetiva e apodítica. Sr. Carlyle (Past
and Present, p. 61) nos diz que a religião, sob o
sobredito dogma místico, reclina-se sobre um todo-
envolvente pálio celeste, como uma atmosfera e um
elemento vital, de que nada se fala, e que, justaposta
em todas as coisas, parece não ter algum discurso
devidamente falado; chamamos esta propriedade de
"simbologia mística suprema" ou, simplesmente,
"arcano"; continua Sr. Carlyle (Op. cit., p. 113)
afirmando que, corroborando a tese de que o
silêncio é a chave para a mais sábia e transcendente
iluminação, o Abade Samson, regressando de sua
estólida peregrinação, sentou-se aos pés do
santuário do Santo Edmundo e contemplou-o em
silêncio, passando a ficar, alguns momentos depois,
em íntegro transe. Vemos, inclusive, o dogma
místico incutido na numerologia e na matemática,
tradições arcanas tão sagradas quanto às alquímicas
e filosóficas; Sr. Ralston Skinner (The Source of
Measures, p. 217) no-lo assegura no sentido de que
a origem da medida 20612, onde são trabalhados os
valores de pé e cúbito valendo, respectivamente,
206¹² e 120, para obter a forma da medida de regular
os trabalhos interiores da Grande Pirâmide, tendo
referência a comparação do tempo lunar com o solar
e da correlação da medida de distância – prossegue
ele, claramente, falando que são exatidões de
sabedoria cósmica e de ajustamento divino. Tal
asserção ratifica o fato de que os construtores da

130
Grande Pirâmide (e, provavelmente, das outras
duas) usaram do dogma místico (ou dos princípios
basilares da filosofia perene) para edificarem-nas
com perfeição evidentemente extramundana, cuja
antiguidade vai de tempos imemoriais, que nem
mesmo o Antigo Egito alentava a sua existência.
O anótato, em que pese a sua supremacia completa no Todo
da Lei Cósmica, possui uma voragem energética na qual ele
se manifesta na periferia da consciência dos seres e deposita
toda sua força a fim de reger e regular a moção do Grande
Alento da vida no universo; chamamos este fenômeno de
biônio ou energia vital. Conforme nos assegura Zenão de
Cítio, o biônio (πνεῦμα) fomenta toda a essência sutil
ôntica (λεπτομερέστατον) pela qual se superintende o
núcleo existencial (υπάρχει) de cada ser vivo em sua
fenomenologia de expressão e impressão espirituais ou
materiais; Cleantes, através do πῦρ de Heráclito, diz que
πνεῦμα (ou biônio), complementando as elaborações
filosóficas de Zenão, governa a todo o universo permeado
ao passo que seus predicados são indivisíveis (ἄτομος) e
essenciais (οὐσία). Galeno designa o corpus magnitudine
fundando-se na concepção de πνεῦμα, e com base nessas
opiniões estoicas, nos diz (Defintiones Rerum Medicarum,
p. 6):

"Anima, secundum Stoicos est corpus subitilissimis ptibus


constans, quae volunatrio se motu exercet ratione geniturae. Vel:
Anima est actus primus et perfectus corporis organici potestate
vitam habentis, secundum Aristotelis sententiae.".

131
De acordo com o Bhagavad Gita, 4: 27, as funções dos
sentidos e da vitalidade (i..e, Prana, biônio ou energia vital)
são, pelos Adeptos, sacrificadas no fogo do Yoga exortado
pela Grande Sabedoria. Shankacharya comenta que as
funções do Prana, viz. o ar vital no corpo do indivíduo, são
espécies de contração, expansão e etc. Prossegue
Shankachraya dizendo que as funções dos sentidos são, por
sua vez, completamente dissolvidas ao passo que o yogin
concentra sua mente no seu Eu superior. De acordo com o
Kailasamhita, embutido no Shiva Purana, cap. iii, 3: 14-15,
o Pranava é o grande alento de todos os seres vivos desde
Brahma até os seres inanimados. Tendo em mente que o
Prana cumpre este dever, logo ele próprio é o Pranava.
Consistindo o mesmo das letras A, U e M no meio e de
Bindu e Nada no fim, logo ele é "OM", o som da criação e
do universo.
Segundo o Alcorão, sura 2, vers. 253, diz que a Jesus,
foram-lhe dados "sinais" (clarividência) por meio do
desenvolvimento de seu espírito sagrado (i.e. biônio,
energia vital ou, nos ditames do islã, ‫دس‬áá‫{ روح الق‬ruh al-
qudus} ou, simplesmente, ‫{ روح‬ruh}). Al-Suhrawardi, no
seu "Awarif Al-Maarif" (p. 49) diz que ruh, a energia vital,
é o predicado da verdade (‫ – ح ّق‬haqq) e, por isso, o meio
pelo qual se contempla os mistérios da alma em estado de
plena e sapiente liberdade, conforme a unidade suprema do
Mukashafa.
Eis uma das célebres frases do Neiye, incorporado ao
Guanzi, que define claramente o que é qi (energia vital):
" 凡 物 之 精 , 此 則 為 生 ." (Fán wù zhī jīng, cǐ zé wéi

132
shēng.)23. Agora, deixo convosco o texto do mesmo
discurso que fala claramente a respeito do biônio, sc. qi24:

"Liú yú tiāndì zhī jiān, wèi zhī guǐshén; cáng yú xiōngzhōng, wèi zhī
shèngrén. Shì gù mínqì, gǎo hū rú dēng yú tiān, yǎo hū rú rù yú yuān,
nào hū rú zàiyú hǎi, zú hū rú zàiyú jǐ. Shì gùcǐ qì yě, bùkězhǐ yǐ lì, ér kě
ān yǐ dé; bùkě hū yǐ shēng, ér kě yíng yǐ yīn. Jìng shǒu wù shī, shì wèi
chéng dé. Dé chéng ér zhì chū, wànwù guǒ dé. (...)".

Os melanésios, como todas as culturas até agora


mencionadas, conforme os dizeres do Sr. Codrington (The
Melanesians: Studies in their Antropology and Folklore,
pp. 120-122) acreditavam também no biônio, com todas as
propriedades "extraordinárias" e "preternaturais" impostas a
este, e chamavam-no de mana; ademais, cria o mesmo povo
que seres dotados de ubíqua inteligência, com corpos sutis,
etéreos e superlunares, tinham o seu mana desperto e
sumamente desenvolvido, denominados por convenção
antropológica de tamate', consoante as atribuições do Sr.
Hazelwood e do Sr. Brenchley.
Sr. Hewitt, num artigo intitulado "Orenda and a Definition
of Religion", na revista acadêmica American
Anthropologist em 1902, preliminarmente considera que o
Conselho de Condolência Iroquoiano era uma instituição
23
"A essência de todas as coisas é viva."
24
"Fluindo entre o céu e a terra, é chamado de espectro; oculto no peito,
é chamado de santo. É o sentimento de todos, é como estar no céu, é
como estar no abismo, é como o mar e é como tu. É por isso que o qi
não pode ser interrompido forçosamente, mas pode ser preservado com
virtude; não pode ser bradado, mas pode ser percebido com som.".

133
designada a dar vida e estabilidade à comunidade
amplamente pelo exercício da potência mística. Malgrado o
autor adjetive preconceituosa e inescrupulosamente os
povos ameríndios de "bestas" e "selvagens", ele faz, em
compensação, uma descrição fida dos conceitos sagrados
destas culturas. Ele ressalta o uso extensivo da música nas
práticas místicas nos sobreditos povos e a importância do
som para estimular a potência mística e espiritual do ser
humano, cuja acepção é compartilhada praticamente por
todos os povos antigos na história. Orenda é um terno
iroqouiano para "energia vital", enquanto, e.g., wadk,
mahópa e sube são utilizados pelos siouanos, manitowi
pelos algonquianos e pokunt pelos shosheanos. Os xamãs,
ou os hatirendiowa'né, i.e. os Adeptos e sábios das tribos
ameríndias, são aqueles que, efetivamente, dominaram as
influências da orenda, e neste grupo, incluem-se, v.g., os
ratendrats, ou profetas. A mesma tradição, a propósito,
enfatiza que, através do exercício e da estimulação da
orenda, é provável que o ser tenha uma realização plena, a
preservação completa de sua vida e a liberação de
consciência como irrevogáveis consequências.
Essas concepções universais e indubitáveis de biônio até
agora referidas são de natureza filosófico-religiosa; aquelas
pertinentes a psicológico-científica, elucidarei mais tarde.
Destarte, a pátria humana tinha como uma de suas tradições
filosóficas perenes, a ideia de biônio; e, sob esta mesma
ideia, prosperou espiritualmente em todos os sentidos e
caminhos possíveis.
5. As faculdades de projeção astral despertadas é um
glorioso secret estoupé para o homem, onde ele se
reinventa, se renova e retorna para sua verdadeira essência,

134
ante o serenismo e a infinda evolução en marchant par-
dessus et devant. Pierre Piobb escreve a respeito do
fenômeno com grande perspicácia (Formulário de Alta
Magia, p. 215):

"Dá-se mais ou menos o nome de meditação, a toda tentativa


volitiva de exteriorização do corpo astral. Reserva-se, então, o
nome de êxtase para as mesmas tentativas, quando involuntárias.
O corpo astral é capaz de exteriorizar-se:

1º – Totalmente, daí os fenômenos de ubiquidade ou de


aparecimento da mesma pessoa em dois lugares diferentes da
Terra e bastante distanciados um do outro; daí também o êxtase
ou morte momentânea (trata-se, então, de uma espécie de viagem
do "corpo astral" ao que se denomina "planos" mais ou menos
"superiores");

2º – Parcialmente, daí os fenômenos de telepatia, volitivos ou


não (que podem ser comparados à ubiquidade) e de vidência
involuntária (em certa medida, correspondendo ao êxtase).

Um método de exercício meditativo é o seguinte:

– Operar todas as manhãs, à mesma hora, durante dez, quinze ou


vinte minutos;

– Permanecer no leito, em semiobscuridade, sentado, com a


cabeça e os ombros cobertos;

– Fazer, assim, o pensamento viajar, concentrando-o e


exteriorizando-o.".

Conforme dizia Srta. Flarr, em seu admirável trabalho sobre


magia egípcia, a projeção astral, como iniciaticamente

135
pressuposta, é produzida a partir de presumíveis três
estágios, sobre os quais teorizaremos com certa base no
trabalho da supracitada Srta. Flarr:
1º – Cultivo do germe côncavo de Ab (vontade), cujo
fenômeno estimula, imprescindivelmente, a desconsciência
holossomática, a separação de Crookall ou o fenômeno
físico mais elevado do Dr. Carrington.
2º – A progressão do influxo quintessencial com Ka, ou o
Ego fundamental, em conluio com a entidade primaz, ou
Hammemit.
3º – A aspiração de cultivo ao pensamento e à vontade a
fomentar o todo-penetrante Baie, ou espírito ou espírito
sagrado.
O Baie contém, ademais, através do princípio do ovo, as
forças de Ab e Ka mediante a sua infiltração no princípio
côncavo.
Comovida por uma experiência projetiva prolongada, a
pessoa, incentivada pelo desejo de manter o evento somente
para si mesma ou para a gente de muita confiança sua,
temendo a represália da sociedade, passa pelo processo de
recéxis, i.e. as lembranças vívidas da projeção consciente
que, quando acumuladas em uma gama de circunstâncias
anamnésicas, acabam se transformando em uma espécie
"traumática" com sequelas para a vida toda; assim
aconteceu com Arisdeu de Soles, o qual, por sua vez,
relatou sua experiência para Prótegenes e Plutarco que,
inclusive, escreveu a respeito; quando estavam a enterrar o
corpo de Arisdeu, este imediatamente retornou a ele em três
dias. Tal fenômeno é muito importante para a casuística das

136
recéxis, pois ele é singular e, algumas vezes, inexplicável
até para os mais versados parapsicólogos.
Dean Shiels, em 1978, fez um estudo antropológico sobre
60 culturas do mundo com o objetivo de examinar as suas
crenças em projeção astral e concluiu, cientificamente, que
95% acreditava peremptoriamente no fenômeno extrafísico
e, o que é mais arrebatador da pesquisa, suas tradições
reportavam-na uniformemente. Sabemos que o domínio
íntegro tanto do deuterossoma quanto do holossoma resulta
na apoteose da consciência humana, cujo fenômeno
Guilmot compara à ressureição de Osíris, i.e. o raio zenital
do Baie (The Initiatory Process in Ancient Egypt, pp. 34-
35). Os grivenxes conscienciológicos, viz. as novas
gerações de nova consciência, conforme nos assegura Sr.
Fodor, quando relata que o Sr. Z. passou por uma
experiência projetiva sem acalmia e comunicação telepática
à trois, ao longo do seu livro "Between Two Worlds", no
qual relata casos que se estendem desde Greason e Nijinsky
até Ferecenzi e Jung, e muitos outros ocultistas e
parapsicólogos da projeciologia (como, v.g., Muldoon, Fox
e Holzer), será de pessoas com habilidades mediúnicas
plenamente desenvolvidas e dos sensitivos predispostos
naturalmente à ectoplasmias e outros grandes fenômenos
parapsíquicos; disto, os mestres da sabedoria ou os Adeptos
nos alertaram nimiamente e, devido a isso, não podemos
negar a sua perceptível veracidade.
Corrobora esta afirmação (viz. a de que o futuro da
humanidade será de paranormais e médiuns) a Madame
Steiger, quando em seu livro "Superhumanity", clamou que
ter-se-ia uma nova raça humana de poderes psíquicos
totalmente despertos e ativos, com base em sua

137
clarividência e nos axiomas da doutrina secreta da Ordem
Hermética da Golden Dawn, a qual ela pertencia. A lucidez
dos fenômenos extrafísicos, conforme nos afirma Geley, se
origina da evolução extraterrestre do ser subconsciente
(L'Être Subconscient, p. 132). No Genji, clássico livro
japonês, temos o fenômeno de ikisudama (ou ikiriyo, i.e.
projeção astral ou experiência extracorpórea) no tumulto
psíquico de Kashigawi e Rokujo, os quais passam pela
experiência de seu corpo sutil (ou alma) estar "vagando
solta", i.e. a alma se desdobra errabunda (tamashii).
Daí, eis que nos introduz Inardi, a fenomenologia da
projeção astral supra-holofótica ou ectoplasmia (L'Ignoto in
Noi, pp. 235-236):

"Neste tipo de fenomenologia, verificar-se-ia o escapamento do


corpo do médium de uma substância diferenciada, amorfa: ora
pastosa, ora elástica, de cor cinzenta ou intensamente branca: ás
vezes luminescente, dotada de movimento, ás vezes rapidíssimo,
e sensibilíssima ao tato, mas sobretudo à luz, que teria para esta
um notável poder segregativo (é a razão pela qual as sessões
sempre se envolvem no obscuro ou em tenuíssima luz vermelha).
Tal substância surgiria das cavidades naturais do médium (...) e
ás vezes dissolver-se-ia no ar, ao passo que em reentraria no
corpo do médium do mesmo modo como surgira.".

Sr. Kettelkamp nos relata que Ingo Swann, um grande


viajante astral, teve sua primeira experiência aos dois anos
e meio de idade, quando estava numa sala de operação a
fim de retirar as suas tonsilas palatinas e, de repente, ele se

138
separou do corpo físico e viu toda a extração do órgão;
depois de retornar, consciente de sua experiência, gritou:
– Eu quero minhas tonsilas!
Vivendo nas Montanhas Rochosas, continuou a ter
experiências extracorpóreas, cada vez mais frequentes, nas
quais ninguém de sua família acreditava, exceto a sua avó
que lhe dava mais atenção e, deveras, nele acreditava. Na
adolescência, querendo ser como seus pares, teve suas
experiências psíquicas reduzidas; a despeito disso, elas não
desapareceram. Ele também conseguia ver as auras das
pessoas e era dotado de certos poderes paranormais,
conforme comprovado pela Sociedade Americana para
Pesquisas Psíquicas em 1972. Também pintava
extraordinários quadros mediante a sua paranormalidade e,
ademais, tais obras eram expostas em galerias famosas do
mundo inteiro25.
Em três casos de EFCs26 com parapsicólogos, temos, v.g.,
Bayless, em seu caso, soía ter suas experiências de projeção
astral após praticar o pranayama e estar simplesmente
reclinado e parado, ao passo que Paul as tinha
simplesmente por deitar em sua cama e Rogo, por sua vez,
conscientemente as induzia e se projetava. Na Antiguidade,
como vemos na Bíblia, Ezequiel (11: 1) relata a sua
experiência de viagem astral com o auxílio de seu espírito-
guia:

25
Para saber mais, vede “Investigating Psychics”, pp. 28-47
26
Sigla de “experiências fora do corpo”.

139
"Ao depois me elevou o espírito, e me introduziu na porta
oriental da casa do Senhor, que olha para a nascente (...)".

João diz sobre o mesmo fenômeno em Apocalipse (1: 10; 4:


2):

"Eu fui arrebatado em espírito um dia de domingo, e ouvi por


detrás de mim uma grande voz como de trombeta.".

"E logo fui arrebatado em espírito: e vi imediatamente um trono,


que estava posto no céu, e sobre o trono estava um assentado.".

Paulo também fá-lo em II Coríntios (12: 2):

"Conheço a um homem em Cristo, que catorze anos há foi


arrebatado, se foi no corpo não o sei, ou se fora do corpo,
também não sei, Deus o sabe, até o terceiro céu.".

Sr. Delanne (Le Phenómene Spirite, p. 168) comprova que


as experiências de Zoëlnner são relativas à separação da
matéria (i.e. projeção astral) e, inclusive, deu-se no
intercurso dela comunicação com entidades meta-humanas,
o que corrobora que, quando se está no corpo sutil, as
sutilezas espirituais do universo poderão, portanto, ser

140
testemunhadas. Verifica-no-la (viz., a separação da matéria
ou projeção astral) a saga irlandesa da Visão de Adamnán
(vers. 3):

"Finalmente, para Adamnán u Thinne, o Sumo Erudito do


Mundo Ocidental, foram reveladas as coisas que estão aqui
registradas; pois sua alma saiu de seu corpo no banquete de João
Batista e foi levada ao reino celestial, onde os anjos celestiais
estão, e ao inferno, com seu povaréu numa assuada. Não muito
depois, sua alma foi lançada para fora de seu corpo, ao passo que
o anjo que era seu guardião apareceu ainda na carne, e
transportou-a, primeiramente, ao Reino dos Céus.".

Reporta o mesmo fenômeno o Visio Tgnudali:

"Quando Tundale entrou em colapso, seu espírito rapidamente


saiu de seu corpo. E assim que ele morreu, sua alma entrou em
um lugar escuro, sozinho e miserável – chorou e ficou muito
angustiado. Tundale pensou que havia chegado ao lugar de
eterna dor e condenação! Ele pensou que nunca mais existiria em
seu corpo, por causa dos pecados que sua carne havia cometido e
que ele não seria capaz de ocultar. Ele preferiria que à Terra
pudesse ter retornado! Mas ele deveria sofrer e testemunhar
muitas coisas hediondas e entender o leque de alegrias e
punições que esperam por todos nós, pois essa história devê-los-á
testemunhar.".

141
Valmiki, no seu Vasistha Maharamayana (vol. iv, cap.
clxxxviii, vers. 11-14) assume que o corpo intelectual (ou
racional) é formado por um vácuo intelectual, que é mais
raro do que o próprio ar rarefeito. Daí, ele prossegue,
corroborando a nossa tese de que o corpo é suscetível a
separar-se de si e converter-se em alma:

"Este corpo intelectual observa o universo, tanto do seu interno


quanto do seu externo; assim como o vidro reflete e refrata, as
imagens externas e internas são as mesmas fora e dentro; e o ar
aberto reflete e nos mostra os céus superiores.".

Sentindo uma estranha sensação abaixo da base da espinha,


entrando em meditação profunda, tendo a iluminação cada
vez mais cintilante, Gopi Krishna saiu do seu corpo e
entrou numa experiência consciente de projeção astral27. No
entretanto, adverte Sr. Lancelin sobre algumas propriedades
atribuladas da viagem astral em suas primeiras
manifestações (Méthode de Dédoublement Personnel, p.
135):

"As primeiras viagens astrais são bastante difíceis de controlar,


porque em muitas pessoas eles não deixam outras lembranças
além daquilo que é comumente chamado sono de chumbo.
Outros, pelo contrário, acordam no dia seguinte com um cansaço
geral mais ou menos pronunciado – que chega a um ponto de
rigidez – como se durante a noite tivessem se envolvido em um
ótimo trabalho físico, menos sonâmbulos, porque sua memória
27
Vede “Kundalini: the Evoltutionary Energy of Man”, pp. 12-13

142
não registrou nenhuma outra lembrança da noite a não ser a de
um sono profundo, contínuo e calmo. Alguns, finalmente,
acordando no dia seguinte em um estado de nervosismo mais ou
menos pronunciado, acompanhado por um leve desconforto (dor
de cabeça etc.)".

As pesquisas de Tart28 e Morris29 demonstraram que houve


diminuição substancial no movimento rápido dos olhos
durante as experiências fora do corpo. Spencer Shermann30
fez um estudo experimental e eletroencefalográfico para
examinar os padrões e as características de pessoas em
hipnose muito profunda e concluiu que houve amostras de
valorosa correlação com aqueles dos viajantes astrais. Os
registros eletroencefalográficos de Swann31 de ambos seus
hemisférios cerebrais atestaram que houve perda de
atividade elétrica e diminuição na frequência alfa durante a
EFC; contudo, a taxa de batimento cardíaco e as funções do
sistema autonômico permaneceram normais. Diante de
todos estes arrebatadores esclarecimentos, deverei encerrar
este capítulo com a brilhante frase de Lord Byron, exposta
logo abaixo:

"A verdade é estranha, sempre mais estranha que a ficção.".


28
“A Parapsychological Study in Out-of-Body-Experiences in Selected
Subjects”, Journal of the American Society for Psychic Research (1968)
29
“Studies of Communication in Out-of-Body-Experiences”, Journal of
the American Society for Psychic Research (1978)

30
“Brief Report: Very Deep Hypnosis”, Journal of Transpersonal
Psychology (1972)
31
Vede p. 26 e nota 6.

143
6. Quando Salomão – venerado por Deus, construtor da
Grande Loja de Jerusalém e da Eterna Casa – ascendeu ao
trono de Davi, seu pai, ele consagrou sua vida à edificação
de um templo para o Todo-Poderoso e um paço para os reis
de Israel. O fiel amigo de Davi, Hirão, rei de Tiro, ao ouvir
que um filho de Davi estava sentado no trono de Israel,
enviou mensagens de felicitações e ofertas de assistência ao
novo governante. O I Livro dos Reis no-lo justifica (5: 1):

"Enviou também Hirão de Tiro servos a Salomão: pois ouviu que


ele tinha sido ungido rei em lugar de seu pai: porque Hirão
sempre fora amigo de Davi.".

Salomão fez um acordo com Hirão de Tiro prometendo


grandes quantidades de cevada, trigo, milho, vinho e óleo
como salário para os pedreiros e carpinteiros de Tiro, que
deveriam ajudar os judeus na construção do templo. Hirão
também forneceu cedros e outras árvores finas, que foram
transformadas em jangadas e flutuaram no mar até Jope, de
onde foram levados para o interior pelos trabalhadores de
Salomão para o local do templo. Daí, segue a asserção do I
Livro dos Reis (5: 12):

"Deu o Senhor também a sabedoria a Salomão, conforme lho


tinha prometido: e havia paz entre Hirão e Salomão, e fizeram
ambos entre si aliança.".

144
Salomão iniciou a construção de seu imperioso templo no
seu quarto ano de reinado, no segundo mês, no que se
chamava o Jur hebraico32; Salomão, porém, dizia em seus
augúrios: "Sobre os estrangeiros, não podemos interferir
nestes, desde não façam-no conosco; igualmente, se eles
interferirem uns nos outros, deixemos com que eles o
façam. Sobre a concessão do terço, a qual alguns
desdenham, deve ser compreendida tanto como."33. Os
relatos talmúdicos nos contam que Salomão escreveu um
livro sagrado chamado Sepher Dekhenet, ou Biblion
Iamaton, no qual apresentava fórmulas mágicas e de
invocação minuciosas34. Sobre tal sabedoria divina e
secreta, eis o que diz o I Livro dos Reis (4: 30-31):

"E a sabedoria de Salomão excedia a sabedoria de todos os


orientais e egípcios, e era mais sábio do que todos os homens;
mais sábio do que Etan ezraíta, e do que Herman, e do que
Calcol, e do que Dorda, filhos de Maol: era nomeado por todas
as nações circunvizinhas.".

Retornando ao assunto da Aliança, por causa de seu grande


amor por Salomão, Hirão de Tiro enviou também o grão-
mestre dos arquitetos dionisíacos, Hirão Abiff, filho de uma
viúva, que não tinha igual entre os artesãos da terra. Ele era
tirano por castigo, mas descendente de israelitas e um
segundo Bezaleel, homenageado por seu rei com o título de
32
Vede “Antiquities of Jews”, Flávio Josefo, vol. i, lib. viii, cap. 3, p.
568
33
Vede “Synagoga Judaica”, Johannes Buxtorf, p. 567
34
Vede “Geschichte der Juden”, Heinrich Graetz, vol. i, p. 701

145
pai. Ele era o trabalhador mais astuto, hábil e curioso que já
existiu, cujas habilidades não se limitavam a construir
sozinho, mas estendiam-se a todo tipo de trabalho, seja em
ouro, prata, latão ou ferro; seja em linho, tapeçaria ou
bordado; considerado como arquiteto, estatuário; construtor
ou engenheiro, separadamente ou em conjunto, ele também
se destacou. A partir de seus desígnios e sob sua direção,
todos os móveis ricos e esplêndidos do Templo e seus
vários anexos foram iniciados, continuados e finalizados.
Salomão o nomeou, na sua ausência, para ocupar a cadeira,
como vice-grão-mestre; e em sua presença, Mestre de Obra
e superintendente geral de todos os artistas, bem como
aqueles que Davi havia anteriormente adquirido de Tiro e
Sidon, como os que Hirão agora deveria enviar.
Sr. Oliver observa (Historical Landmarks, vol. i, p. 83) que
Salomão ordenara a todos os chefes das tribos de Israel para
levarem o Arco de Sião a um templo que estava sendo
construído; tendo este concluído, os levitas o deram para os
sacerdotes que fixaram-no no centro do santum sanctorum;
malgrado todos os sacerdotes pudessem entrar no local do
santum sanctorum, ao longo do tempo, só pôde o Sumo
Sacerdote desfrutar deste elevado privilégio, no qual,
ademais, no grande dia da expiação, realizava lavagens e
ritos de purificação, cuja prática, nos ditames da lei
mosaica, tornava a carne limpa, pois, sem esta, ela
continuaria eternamente suja. Além disso, temos as célebres
colunas de Jaquin e Booz posicionadas no pórtico do
templo, o qual, acima delas, pôs-se um lavor a modo de
açucena. A frase formada pelas palavras Jaquin e Booz
significa:

146
"Deus dá estabilidade com força.".

Na edificação do Oráculo, fizeram-no com um cubo exato,


cada dimensão tendo vinte cúbitos, demonstrando
influência clara da simbólica egípcia. Os edifícios do
templo foram ornamentados com 1453 colunas de mármore
pariano, esculpidas magnificamente e 2906 pilastras
decoradas com capitéis. Segundo a tradição, os vários
edifícios e pátios podiam acomodar todas as 300.000
pessoas. Tanto o Santuário quanto o santum sanctorum
estavam inteiramente revestidos com placas de ouro maciço
incrustadas de joias. Em seu "Freemason's Guide", p. 209,
Daniel Sickels nos informa de que, um ano após a
construção do Templo, as cerimônias dedicatórias
começaram numa sexta-feira, 30 de outubro, e duraram por
14 dias, até 12 de novembro; elucida, outrossim, que 7 dias
do festival eram devotados exclusivamente à dedicação e o
restante aos subsequentes Banquetes do Tabernáculo. Eis o
que diz o I Livro dos Reis sobre a dedicação do templo (8:
2-4):

"E todo o Israel concorreu ao Rei Salomão num solene dia do


mês de Etanim, que é o sétimo mês. E vieram todos os anciãos de
Israel, e tomaram os sacerdotes a Arca, e levaram a arca do
Senhor e o tabernáculo do concerto, e todos os vasos do
santuário, que havia no tabernáculo: e os sacerdotes, e levitas os
levavam.".

Enquanto o simbolismo místico da Maçonaria decreta que o


avental deve ser um simples quadrado de pele de cordeiro branco

147
com aba apropriada, os aventais maçônicos são frequentemente
decorados com figuras curiosas e impressionantes. Para Marte, o
antigo plano de energia cósmica, os "observadores de estrelas"
atlantes e caldeus designaram Áries como trono diurno e
Escorpião como trono noturno. Aqueles que não foram
ressuscitados para a vida espiritual pela iniciação são descritos
como "mortos pela picada de um escorpião", pois vagam no lado
noturno do poder divino. Através do mistério do Cordeiro Pascal,
ou da conquista do Tosão de Ouro, essas almas são elevadas ao
dia construtivo Poder de Marte em Áries – o símbolo do Criador.

Quando usada sobre a área relacionada às paixões animais, a pele


de cordeiro pura significa a regeneração das forças procriadoras e
sua consagração ao serviço da Deidade. O tamanho do avental,
exclusivo da aba, faz dele o símbolo da salvação, pois os
Mistérios declaram que deve consistir em 144 polegadas
quadradas.

O avental mostrado acima contém uma riqueza de simbolismo: a


colmeia, emblemática da loja maçônica em si, a espátula, o
martelo e a carga; os silhares ásperos e verdadeiros; as pirâmides
e colinas do Líbano; os pilares, o templo e o tabuleiro de xadrez;
a estrela ardente e as ferramentas do ofício. O centro do avental é
ocupado pela bússola e pelo quadrado, representativos do
macrocosmo e do microcosmo, e pela serpente alternadamente
preta e branca da luz astral. Abaixo está um ramo de acácia com
sete ramos, significando os Centros de vida do homem superior e
inferior. O crânio e os ossos cruzados são um lembrete contínuo
de que a natureza espiritual só alcança a libertação após a morte
filosófica da personalidade sensível do homem 35.

35
A interpretação do avental maçônico foi feita com base no “The
Symbolism of Freemasonry” do Mackey, “Moral and Dogma” do Pike
e “The Secret Teachings of All Ages“ do Manly P. Hall.

148
Enquanto todos foram classificados de acordo com seus
méritos, alguns ficaram insatisfeitos, pois desejavam uma
posição mais elevada do que eram capazes de preencher.
Por fim, três companheiros artesãos, mais ousados que seus
companheiros, decidiram forçar Hirão a revelar-lhes a
Palavra do Mestre. Sabendo que Hirão sempre entrava no
sanctum sanctorum inacabado ao meio-dia para orar, esses
bandidos – cujos nomes eram Jubela, Jubelo e Jubelum –
esperavam por ele, um em cada um dos principais portões
do templo. Hirão, prestes a deixar o templo pelo portão sul,
foi subitamente confrontado por Jubela armado com um
medidor de vinte e quatro polegadas. Com a recusa de
Hirão em revelar a Palavra do Mestre, o rufião o golpeou na
garganta com a regra, e o Mestre ferido correu para o
portão oeste, onde Jubelo, armado com um esquadro, o
esperava e fez uma exigência semelhante. Mais uma vez,
Hirão ficou calado, e o segundo assassino o atingiu no peito
com o esquadro. Hirão então cambaleou até o portão leste,
apenas para ser encontrado por Jubelum, armado com um
maul. Quando Hirão recusou a Palavra do Mestre, Jubelum
golpeou o Mestre entre os olhos com o martelo e Hirão caiu
morto.
Salomão fez Jerusalém ficar abundante em prata tanto
quanto as estradas de pedra; multiplicou tanto, ademais, as
árvores de cedro nas chanuras de Judá, que não se
desenvolviam antes, que ficaram tão comuns quanto as de
sicômoro36. Além disso, eis o que é dito sobre as riquezas
de Salomão no I Livro dos Reis (10: 14; 17):

36
Op. cit., Flávio Josefo, vol. i, lib. viii, cap. 7, p. 599

149
"E o peso de ouro, que se trazia a Salomão cada ano, era de
seiscentos e sessenta e seis talentos de ouro. (...) E trezentos
broquéis de ouro fino: trezentas minas de ouro revestiam cada
broquel: e o rei os pôs na casa do Bosque do Líbano.".

Ao contrário de Samaria, cujo santuário javeístico era


ofuscado pelos templos de Dan e Bethel, Jerusalém tornou-
se paulatinamente o centro da vida judaica, com a
prosperidade exímia dos cultos e das cerimônias do Templo
de Salomão37. Salomão, quando trouxe três quartos da
produção do globo para seu reino, encorajou as relações
comerciais com as nações estrangeiras como, e.g., Ophir,
na costa oeste da Índia, e Tartessus, na Espanha 38. Eis o que
é dito sobre o domínio territorial de Salomão no I Livro dos
Reis (4: 21):

"E tinha Salomão debaixo do seu domínio todos os reinos desde


o rio do país dos filisteus até a fronteira do Egito: e lhe ofereciam
presentes, e lhe estiveram sujeitos por todos os dias de sua vida.".

Eis uma descrição de II Crônicas (3: 4-5) da opulência do


Templo de Salomão:

37
Vede “The Social and Religious History of the Jews”, Salo Wittmayer
Baron, vol. i, p. 68
38
Vede “The Religion of Israel to the Fall of the Jewish State”,
Abraham Kuenen, vol. i, pp. 342-343

150
"E o pórtico da frontaria, era do comprimento em
correspondência da largura da casa, de vinte côvados: mas a
altura era de cento e vinte côvados: e Salomão o fez dourar todo
por dentro de ouro puríssimo. Fez também forrar a parte maior
do Templo de madeira de faia, e fez chapear tudo de lâminas de
puríssimo ouro: e gravou nela palmas, e umas como
cadeiazinhas, que se enlaçavam umas com as outras.".

É conhecido que Salomão idolatrava divindades como


Astarte, Chemosh e Milcom; tais ações foram vistas com
dura penalidade em sua época, mas, na posteridade, foram
perdoadas39 – ambas as visões são levianas em certo ponto.
Salomão não viveu, porém, num estado de próspera e
jucunda pujança durante sua vida inteira; devido ao fato de
contrair esposais com as mulheres dos reinos comarcões40 e
os sacrifícios idólatras realizados no Gibeão, p. ex., e as
vítimas dos mesmos41, daí, transgredindo a lei mosaica,
suscitou o Senhor as rebeliões de Adad, Razon e Jeroboão,
acelerando, por conseguinte, sua morte, conforme relata o I
Livro dos Reis (11: 9-40). Apesar destas abominações,
Salomão possuiu uma sabedoria oculta inestimável e sobre
o seu impressionante e grandioso sistema de magia, base do
misticismo cabalístico em grande parte, falaremos mais
tarde com profundidade. Neste capítulo, vo-las mostramos
apenas em suas circunstâncias mais introdutórias, mas sem
sermos, em nenhum momento, supérfluos e rasos.

39
Op. cit., Abraham Kuenen, vol. i, p. 331
40
Op. cit., Flávio Josefo, vol. i, lib. viii, cap. 7, p. 600
41
Vede “Die Religiösen Alterthümer der Bibel", Daniel Bonifacius von
Haneberg, p. 214

151
7. Encontramos afinidades linguísticas, religiosas e etc.
entre, sobretudo, os povos da Ásia Setentrional e a América
Antiga; entre os próprios povos da América Antiga, reinou
uma similaridade muito significativa entre os idiomas, os
credos e as urbes, cujo fenômeno nos permite concluir que
devia haver, de feito, uma paridade de origem entre todos
os povos do continente42.
Platão conservou em Crítias a história de Atlântida, o elo
primitivo e verdadeiro da humanidade, que foi quase
esquecida; Netuno, segundo o que se conta, dividiu a ilha
em 10 reinos para cada um de seus filhos, cuja zona
geográfico-política foi chamada de Império das Terras
Flutuantes, segundo o que Volaterranius dizia; a partilha foi
dada da seguinte forma: a Atlas, lhe foi dada a parte da
Atlântida ou Vênus, a Gadirum, lhe foi dada a atual Cádiz;
ao restante, i.e. os outros oito filhos, partilhou-lhes Netuno
em espécies de "capitanias" as possessões, sobre cujo
modelo governamental prosperaram por éons – o território
conectava desde o Haiti e a República Dominicana até o
Egito, a Itália e a Espanha. Os incas deram o nome ao seu
criador de Viracocha Pachayachachi; o dilúvio foi chamado
uñu pachacuti; das memórias antediluvianas, tinha-se,
citando caso análogo, os edifícios de Pucara, a 60 léguas de
Cuzco; tal história, conforme a tradição no-la rastreia, é
correlacionada à de Netuno, pois, este era cultuado em
Atlântida como criador bem como Viracocha o era pelos
incas43.
42
Vede “De Originibus Americanus”, George Horn, pp. 36-37; 42
43
Vede “History of the Incas”, Sarmiento de Gamboa, pp. 22-23; 29-
30. Desconsiderai, ao lerdes, ou se lerdes, a petulância fanática do
cristianismo exacerbado do autor ao considerar os incas como “cegos” e
“bárbaros” e a cronologia judaico-cristã amplamente refutada por todos

152
Há, ainda, evidências de costumes similares entre os povos
pré-colombianos e as dez tribos de Israel; vemo-las, v.g., no
costume dos sumos sacerdotes dos povos americanos se
ungirem dum certo licor como Vlii, ou Olei, o qual se
mesclava com o sangue das crianças que circundavam-nos,
e dispunham-se ainda de largos cabelos, cujo hábito era
muito parecido com o dos nazarenos44. A história do
cataclismo universal foi compartilhada, praticamente, em
todas as memórias e tradições das civilizações do passado;
Amiano Marcelino alcunhava a terra natal de sua
civilização de insula Europaeo orbe spatiosor – além disso,
prova de submersões e emersões repentinas no mundo,
temos nos casos de Arcanânia e Acaia, Propôntida e Ponto
Euxino. Uma lenda haitiana, conservada pelo irmão
Romaine Pane, atribuiu a formação das Antilhas a uma
inundação. Os Quichés contavam, igualmente, o devastador
cataclismo e os povos de Orenoque chamavam-no de
catenamanoa. Eis que infere-se-nos que a Atlântida foi, de
fato, um intermediário antediluviano entre a Europa e a
América. Continuamos a discorrer neste mesmo
raciocínio45.
Houve, num passado remoto, uma grande ínsula, a qual era
próspera, estável e habitável e, depois de uma série de
cataclismos violentos, imergiu no Oceano Atlântico –
corroboram-no-lo Silvester Giraldus, Plínio, o Velho, São
Lourenço, Platão, Athanasius Kircher e outras autoridades;
tal ilha chamava-se Atlântida e compreendia, conforme de
os antropólogos, arqueólogos, biólogos, ocultistas e etc. no mundo.
44
Vede “Origen de los Indios del Nuevo Mundo e Indias Occidentales”,
Gregorio García, p. 262
45
Vede “Étude sur les Rapports de L'Amérique et de l'Ancien
Continent”, Paul Gaffarel, p. 1; p. 8; p. 11; pp. 26-27 

153
antanho averiguado, a maior parte da área oceânica hoje
existente e englobava, outrossim, as Canárias e os Açores46.
Nas doutrinas hieráticas, vemos o Föe da China, o La do
Tibete, o Amida do Japão e o Sommonocodon dos siameses,
cujos ramos uniformes de antropomorfismo derivam de um
mesmo corpo doutrinário que, através do tempo, se
degenerou; igualmente, aplica-se tal comparação ao Buda
dos indianos, Tauth dos egípcios e Mercúrio Trimigesto dos
gregos, que, nas suas nações, foram figuras de sumo
destaque ou mestres divinos. Afora a descoberta dos
sincronismos na astronomia durante a Era Moderna para
medir o tempo, que já eram usados com profusão muito
sofisticadamente pelos atlantes. Ademais, o império da
Atlântida se estendeu até Tirrenia, a Etrúscia dos antigos e,
ainda, comercializava com os egípcios e os gregos47.
Arnóbio comenta a respeito de Atlântida e o legado no
período pós-cataclísmico, malgrado no-lo ressalte em
aspectos um tanto negativos; mas não deixa de falar a
respeito de sua grandeza também (Adversus Gentes, lib. i,
p. 5):

"Ut ante millia annorum decem, ab insula quae perhibetur


Atlantica Neptuni, sicut Plato demonstrat, magna erumperet vis
hominum & innumeras sunditus deleret atque extingueret
nationes, nos suimus causa? Ut inter Assyrios & Bactrianus Nino
quondam Zoroatresque ductoribus non tantum ferro dimicaretur

46
Vede “Historia Orbis Terrarum”, Christoph Bekmann, pp. 108-110
47
Vede “Histoire Nouvelle de Tous les Peuples du Monde”, Delisle de
Sales, vol. i, pp. 19-20, pp. 262-263

154
& viribus, verum etiam magicis & Chaeldeorum ex reconditis
disciplinis, invidia nostra haec suit?".

Eis que sugere, por conseguinte, Sr. Rudbeck (Atlantica,


tom. i, p. 57):

"Orbis igitur terrarum in locis ab invicem longe distantibus,


maxime prope flumina & lacus piscibus abundantes, habitatores
illo tempore accepit.".

Sr. Guest, investigando a palavra basca ezpaña (borda), nos


assevera que os vascones, ancestrais dos bascos, eram a
tribo que ficava confinada à Gália e, ademais, o nome
ezpaña era familiar às tribos gaulesas no norte de Pirrenes,
e no curso do tempo ei-la designando o país como um todo;
daí, o nome Espanha para o país ibérico; além disso, os
iberes, ancestrais dos vascones, cuja palavra deve ter
igualdade a Tiberenoi, portanto, conectam-se aos vascones,
aos bascos e aos gauleses, demonstrando, daí, uma origem
comum para tais povos48.
Após exaustivo registro dos eventos transcorridos na
América, Gomara conclui que, tendo em consideração o
conhecimento adquirido dos povos americanos durante a
conquista europeia do novo continente, não há dúvidas de
que a Atlântida realmente existiu.
Ele no-lo evidencia, analogamente, em a) a palavra
mexicana "Atl" quer dizer "água", o que demonstra

48
Vede “Origines Celticae”, vol. i, pp. 51-63

155
correlação com a localização insular atribuída a Atlântida e
b) a obra de São Jerônimo, conhecedor sumo da língua
hebraica, que afirmava que os profetas reportavam a miúdo
que Tarsos afundara no mar em remota antiguidade sem
deixar vestígios, corroborando o relato do cataclismo
atlante e etc49.
Lyell inferiu que a migração das plantas na conexão entre
América e Europa, cujo fenômeno é amplamente
verificado, ocorreu numa época pré-glacial (ou, como
denominamos em filosofia oculta, antediluviana)50.
Encontrando uma flora muito similar entre a Europa e a
América, como, v.g., os antracites e a flora ad utrumque
carbono, Dr. Heer conclui, pois, que, ao menos na Era
Terciária, Europa e América deveriam ter tido a mesma
porção geológica51; Dr. Unger conclui o mesmo sob exames
similares e, outrossim, descobre peremptoriamente
analogias entre a armazenagem de carvão e a provisão e a
cultura de plantas da Europa e as da América52.
A latitude e a longitude do Templo Colossal de Atlântida
tinham acurada colinearidade, e ei-lo coligido nas palavras
de Platão, expostas por Eurennis53, no qual havia adornos
de ouro, prata e oricalco e pavimentava-se, igualmente, por
estátuas douradas, muito mais opulento e avançado que o
Templo Hierosolimitano; a comparação entre o Templo
Colossal de Atlântida e o Hierosolimitano é ridícula – o de

49
Vede “Histoire Generelle des Indes Occidentales”, p. 119
50
Vede “The Antiquity of Man”, p. 440
51
Vede “Flora Fossilis Helvetiae”, pp. 12-13
52
Vede “Die Versunkene Insel Atlantis”, pp. 3-5
53
Vede “Atlantica Orientalis”, pp. 21-22

156
Atlântida era muito maior54, muito mais luxuriante e muito
mais difícil de se construir, e crê-se que nem a arquitetura
moderna conseguiria realizar tal proeza, nem que se lhe
custasse demasiados éons para tal e Kircher no-lo prova
com argumentos sólidos55, apesar de este ter vivido no
século XVI.
Urano foi o primeiro rei do Império Atlante em seus
primórdios; casou-se com Gaia e teve 45 filhos; os seus
mais ilustres filhos foram Netuno e Saturno. Apuleio deu às
estrelas o nome de Coeligonae, i.e. os 45 filhos de Urano56.
Urano foi um grande astrônomo e Netuno, um grande
astrólogo57; Atlas foi a junção de ambas as sagradas
ciências, sendo este, por conseguinte, o mais venerado dos
reis na Atlântida. Wachter diz que a palavra Adel é, sob a
geral comunicação gótica, pronunciado como Atta e
significa "genus paternum" ou "nobilitas"58; os góticos, os
vândalos e os longobardos, ademais, soíam vocalizar Atala;
tal palavra está diretamente associada à Atlântida que era,
no mundo antediluviano, considerada o "genus paternum"
ou a personificação de "nobilitas"; Ihre no-lo corrobora59.
Diodoro diz sobre a influência do Dilúvio no Egito Antigo,
conforme o seu povo lho relatara, além das inundações no
54
Transformai a medida de estádios utilizadas por Platão e outros
autores da Antiguidade e convertai-lo em metros para verdes as
proporções do Templo.
55
Vede os argumentos de Petrie, Hörbiger, Colville, Asahel e Dunn.
56
Vede “République des Champs Elysées”, Charles Joseph de Grave,
pp. 1-8
57
De Grave se refere erroneamente a Atlas como filho de Urano; ei-lo
corrigido na passagem marcada por esta nota de rodapé.
58
Vede “Glossarium Germanicum”, vol. i, p. 69
59
Vede “Glossarium Suiogothicum”, pp. 6-14

157
próprio território egípcio (Op. cit., vol. i, cap. 10, pp. 19-
20):

“Em geral, se diz que, se no dilúvio que ocorreu no tempo de


Deucalião a maioria dos seres vivos foi destruída, é provável que
os habitantes do sul do Egito tenham sobrevivido a outros do que
qualquer outro, já que seu país não tem chuva; ou se, como
alguns sustentam, a destruição das coisas vivas foi completa e a
terra trouxe novamente novas formas de animais; mesmo assim,
mesmo com essa suposição, a primeira gênese das coisas vivas
atribui apropriadamente a este país. Pois quando a umidade das
chuvas abundantes, que caíam entre outros povos, se misturava
com o intenso calor que prevalece no próprio Egito, é razoável
supor que o ar tenha se tornado muito bem temperado para a
primeira geração de todos os seres vivos. De fato, mesmo em
nossos dias durante as inundações do Egito, a geração de formas
de vida animal pode ser vista claramente ocorrendo nas bacias
que permanecem as mais longas; pois, sempre que o rio começa
a retroceder e o sol secar completamente a superfície do lodo, os
animais vivos, se diz, tomam forma, alguns deles completamente
formados, mas outros apenas metade e ainda realmente unidos à
própria terra.”.

Também se menciona a Atlântida no "De Rebus


Samothraciae" de Dionísio Heracleota:

"In Samothracia habitat Electra, Atlantis filia, ibique ab indigines


apellanantur Strategis.".

158
Pausânia, aliás, nos diz sobre Poseidonis, a última ilha de
Atlântida das dez iniciais que, segundo ele, a sua capital
fora fundada por Aécio, i.e. Poseidonia60. Heródoro também
fala a respeito de Atlântida:

"Herculem, vaticinandi artem et rerum naturalium scientia


imbutum, apud Atlantem barbarum Phrygium mundi columnas
excepisse dici, significante ita fabula disciplina coelesti
scientiam.".

Heródoto61 menciona o Grande Labirinto, dizendo,


sobretudo, que sua circunferência media seis esquenos, viz.
a medida da região litorânea do Egito e em sua quina,
localizava-se uma pirâmide de quarenta braças, com várias
figuras encravadas nela; seu trabalho era mais colossal que
as três pirâmides de Gizé agrupadas; atualmente, conforme
relataram a Heródoto, fica nas profundezas do Lago
Moeris; a sua origem, com certeza, não é egípcia, senão for,
então, construída pelos citados "crocodilos sagrados" na
câmara ínfera que, presumivelmente, vieram de Ath-Men-
Ptah que, por sua vez, significa Atlântida; eis o que no-lo
diz, portanto, o Zodíaco de Dendera e outros artefatos
egípcios acerca de sua terra natal atlante.
8. Entende-se a palavra yoga (vede Panini, Adhayvasti, lib.
vi, sutra 94) pela distinção entre yuj samadhau, no qual yuj
é empregado no sentido de concentração, e yujir yoge, no
qual yujir é utilizado como significando "conexão". Eis,
60
Vede “The Description of Greece”, vol. i, p. 413
61
Vede “The History”, vol. i, pp. 190-192

159
pois, uma raiz imaginária para a palavra yoga. Goldstücker
afirma que o vocábulo yoga, para Panini, tinha os
derivativos yogya e yaugika62. Temos exemplos da prática
do yoga jus a sua etimologia, tanto para o corpo quanto
para os sentimentos e a mente, no Maha Satipatthana
Sutta63; vejamo-los:

"Dessa maneira, ele permanece focado internamente no corpo em


si mesmo, ou externamente no corpo em si mesmo, ou ambos
internamente e externamente no corpo em si mesmo. Ou ele
permanece focado no fenômeno da origem em relação ao corpo,
no fenômeno da morte em relação ao corpo, ou no fenômeno da
origem e no desaparecimento em relação ao corpo. Ou a
consciência de que "existe um corpo" é mantida na medida do
conhecimento e da lembrança. E ele permanece independente,
insustentável por [não se apegar] a nada no mundo. É assim que
um monge permanece focado no corpo em si mesmo.".

“Dessa maneira, ele permanece focado internamente nos


sentimentos em si mesmos, ou externamente nos sentimentos em
si mesmos, ou tanto interna quanto externamente nos sentimentos
em si mesmos. Ou ele permanece focado no fenômeno da origem
em relação aos sentimentos, no fenômeno da morte em relação
aos sentimentos, ou no fenômeno da origem e no
desaparecimento em relação aos sentimentos. Ou a consciência
de que "existem sentimentos" é mantida na medida do
conhecimento e da lembrança. E ele permanece independente,
62
Vede “Panini: His Place in Sanskrit Literature”, p. 151
63
Conforme defendem os Vedas, os Upanishads e etc., é visto nos
trechos selecionados (vide supra) o apoio às práticas de tapas
(asceticismo) e brahmacharya (abnegação).

160
insustentável por [não se apegar] a nada no mundo. É assim que
um monge permanece focado nos sentimentos em si mesmos.".

“Dessa maneira, ele permanece focado internamente na mente


em si mesma, ou externamente na mente em si mesma, ou tanto
interna quanto externamente na mente em si mesma. Ou ele
permanece focado no fenômeno da origem em relação à mente,
no fenômeno da morte em relação à mente, ou no fenômeno da
origem e na morte em relação à mente. Ou a consciência de que
"existe uma mente" é mantida na medida do conhecimento e da
lembrança. E ele permanece independente, insustentável por [não
se apegar] a nada no mundo. É assim que um monge permanece
focado na mente em si mesmo.".

Vijnana Bhikshu define yoga como "a supressão das


funções do princípio pensante (mente) que leva para a
permanência absoluta do agente (Purusha) na sua
verdadeira natureza.". Com base nas asserções do próprio
Vijnana Bhiksu, a liberação total (ou iluminação), mediante
a prática da yoga, dá-se através da associação entre
samprajnata samadhi (meditação cônscia ou concreta) e
asamprajnata samadhi (meditação abstrata ou incônscia).
De acordo com Vachaspati, nas atividades do yoga, a
supressão da ansiedade direcionada aos objetos sensíveis
(vasikara sanjna) é a mais elevada das supressões, pois ela
anula todas as formas de desejo64, tanto para os objetos
védicos quanto os perceptíveis.

64
Por desejo, entende-se cobiça e por cobiça, entende-se vontade egoica
ou egoísmo.

161
Segundo o Advaya-Taraka Upanishad, sob os princípios do
Taraka Yoga, ao conceber a forma da consciência (Cit),
com os olhos bem fechados, ou com os olhos ligeiramente
abertos, ver-se-á através da introspecção, portanto, o
Brahma transcendente, acima do meio das sombrancelhas,
como tendo forma da efulgência de Sat, Cit e Ananda (Ser,
Consciência e Felicidade). O Vahopanishad divide o yoga
em três gêneros de prática:
1) Laya (Suave). – É o repouso no Nada65.
2) Hatha (Mediano). – É o meio para atingir-se o
Nada.
3) Mantra (Místico). – É a meditação no Nada.
O Vahopanishad subidivide o yoga em oito elementos:
Yama (autocontrole), Niyama (observância), Asana
(postura), Pranayama (rarefação do alento), Pratyahara
(exalação ou respiração), Dharana (estabilidade da
respiração), Dhyana (meditação) e Samadhi (absorção).
O Yoga Sikhopanishad ainda aponta um quarto gênero
iogue, que se chama Raja Yoga. Descreve-no-lo como
estando situado no grande ponto do meio das genitais de
todas as criaturas; Rajas significa fluido menstrual – isto
posto, prossegue-se assegurando que este associa as flores
de Japa e Bandhuka em cor, é bem protegido e representa o
princípio Devi, i.e. o feminino sagrado e supremo. Pela
conjunção de Rajas e Retas, o órgão masculino (logo,
Shakti e Shiva), ter-se-á o Raja Yoga, ou a aquisição de

65
Nada, em sânscrito, significa “som do interior profundo”, i.e. AUM,
o Som Sagrado e Supremo, o Alento Divino.

162
todos os poderes psíquicos integralmente ativados e
potencializados. O Yoga Sikhopanishad nos esclarece de
que também, somente o Abasha Yoga (prática preliminar
ao yoga) pode derrotar as forças malditas e enganosas do
Kaka-mata (o controle do mundo sob Maya, i.e. a Ilusão, a
Ignorância) e oferecer a liberação da consciência divina ao
seu praticante. Segundo o Hamsopanishad, o Yoga é a
maneira mais apropriada de se alcançar o Hamsa (o Turya
Atman superior, interno e individual do microcosmo), cuja
estimulação se dá mediante o fluxo de energia para e suso
do Muladhara, circumambulando e vagueando com ímpeto
e elo divino os canais de energia (chakras) desde o
Manipuraka, An-ahata até o Ajna e o Sahasrara,
alcançando, destarte, o Nir-vikalkapa-samadhi e entrando,
ademais, na cervice de Brahma, atingindo, por conseguinte,
o Parama-hansa (Paramatma), o qual envolve todo o
cosmos em sua absoluta radiação.
Destaca o Rig Veda (surta v, cap. xlviii, vers. 10), as
propriedades dos Ushas como provedor do alento de todas
as criaturas; vemo-lo (viz. a mesma opinião) outrossim no
Srauta Sutra (vol. iii, p. 306).
Ei-las, pois, compondo os Vayus, e um deles é o Prana, i.e.
a energia vital, fundamental para a prática do yoga. O
Ayama é dito ser o Kumbhaka (pressão sob controle).
Combinados, formam o Pranayama. As propriedade dos
Kumbhakas, conforme o Yoga-Kundaly-Upanishad nos
demonstra, são:
1) Surya-Kumbhaka. – Destrói os quatro tipos de
desordem emergentes do Vata e os vermes
intestinais.

163
2) Ujjayi-Kumbhaka. – Destrói o calor produzido na
cabeça, o catarro da garganta, a tropesia dos Nadi-s
e as enfermidades que atacam os humores.
3) Sitali-Kumbhaka. – Destrói a dispepsia, o
dilatamento do baço e iguais maladias.
4) Bhastra-Kumbhaka. – Estimula a Kundali (ou
Kundalini), destrói o catarro e outras obstruções na
boca do Brahma-nadi.
O Hatha Yoga Pradipika nos certifica de que os Asanas são
um meio de ganhar estabilidade de posição e ajudar a obter
sucesso na contemplação, sem qualquer distração da mente.
Ressalta, outrossim, que entre vários métodos de
concentração da mente, a repetição do Pranava ou Ajapa
Japa e a contemplação são os melhores. O Yoga Nidra é
induzido e encorajado por tais práticas e, por conseguinte, a
mente se preenche com pensamentos sagrados e divinos
com ubiquidade. O Siddi Siddhanta Paddhanti no-los
chama de pensamento da criação (Pabhavana), em
conjunção sempre com a concepção criativa (Bhavayati).
Para o corpo doutrinário do Hatharatnavali e do
Yogacitanamani, o asana, tal como originalmente
desenvolvido, consiste, na verdade, somente em meditação,
repetição de mantra e controle da respiração. Segundo o
Gheranda Samhita, trazendo-se o Atma ao Kha (Éter), e
Kha ao Atma, logo, obter-se-á o Paramatma em comunhão
com Brahma, e ei-lo o Samadhi ou Mukti. Estudando todos
os Vedas e os Shastras e praticando assiduamente o yoga,
consoante as categóricas asserções do Shiva Samhita, a
Doutrina Secreta, Única, Suprema e Verdadeira do Yoga é

164
revelada ao Adepto. Eis, consequentemente, a essência real
do yoga.
9. A potência da tríade "nem – talam – muir", no Táin Bó
Cúailn, no Togail Bruidne Da Derga, no Talland Étair e
etc. é uma cosmovisão fundamental da religião e da
mitologia irlandesas antigas, na qual se lhe faz uma
interpretação de que representa o colapso do universo
concebido de tal forma que pode ameaçar terrivelmente a
raça humana66. Um dos elementos da sobredita tradição que
vos disponho se fixa na concepção de além-mundo; vemo-
la, sobretudo, no Immram Brain. Os seres do além-mundo
são descritos como habitando o interior de outeiros, o fundo
dos lagos ou do mar, as ilhas nos lagos, ou além da costa;
há também contos de salas que são vistas à noite e que
desaparecem durante o dia. Malgrado em muitas destas
histórias o herói de Immran Brain apenas visite uma das
abadias de áes síde, há também casos que as passagens
subterrâneas ou subaquáticas garantem acesso a uma terra
sobrenatural de abundância67.
Estrabão68 nos assegura que os celtas 69 (afora os
germânicos) procederam batalhas contra os romanos em
pauis, em florestas sem saída e em desertos e fizeram, neste
sentido, os adversários do Lácio parecerem ignorantes, i.e.
no que estes eram os mais fortes. A tradição celta é
maravilhosa e isso nem se critica; os romanos,
66
“Irish Perceptions of the Cosmos”, Liam Mac Mathúna, Celtica
(1999)
67
“The Location of the Otheworld in Irish Tradition”, John Carey,
Éigse (1983)
68
Vede “Geography”, vol. i, lib. i, cap. 17, p. 37
69
Incluem-se aí os irlandeses.

165
ironicamente, eram os verdadeiros bárbaros. No entretanto,
Carve70 e Keating71 nos evidenciam, apesar de seu evidente
partidarismo aos cristãos, como a dominação da cristandade
na Irlanda desmantelou e perverteu maliciosamente as
tradições celtas da nação; tal análise pode ser feita mediante
a designações éticas, históricas ou historiográficas e
teosóficas de exame e pensamento subsequente.
Se examinarmos profundamente as lendas dos umorianos,
fumorianos, nomedianos, Firbolgs, Tuatha Dé Danands,
milesianos e etc. que constituem a história mítica da
Irlanda, conforme o grande historiador O'Curry nos diz 72,
além de possuírem um núcleo autêntico de verdade, caso
removamos o seu invólucro de fábula, consistirão
unicamente numa verdade absoluta e inefável 73. O andaime
mitológico da afinidade dos vocábulos "pináculo-cabelo-
grão", no Caillech Bérre, consigna um prólogo para o
martirologia de Oengus, que nos assegura que, à altura,
havia ainda reminiscências dum Deus bucólico pré-cristão
na Irlanda, remotamente cultuado pelo seu povo74; as
cerimônias, as tradições e a sabedoria dos celtas, dessarte,
fazem parte do espírito irlandês (e também do britânico) e
tal condição é atemporal, atravessa os séculos e as almas
humanas. Para se ter uma noção da suma importância da
cultura celta, o seu idioma fora uma das dois únicos que
subsistiram após o cataclismo atlante, juntamente com o

70
Lede “Anacephalaeosis Hibernica”
71
Lede “Foras Feasa ar Éirinn”
72
Vede “On the Manner and Customs of Ancient Irish”, vol. i, p. 71
73
Tal asserção corrobora o que expomos no cap. i, p. 6 deste livro.
74
“Irische in der Edda”, H. Wagner, Ériu (1966)

166
árabe, do qual Jó falara profusamente no Antigo
Testamento75.
Stukeley já associara o Stonehenge a fins hieráticos dos
druidas, o que se lhe configurara como um templo
esplendoroso vastamente comentado de ser deveras da
época deste povo, conforme, sobretudo, os manuscritos de
Ninnius reportavam; os eclesiásticos, ademais, escreviam
que estes mostravam Aurélio Ambrósio, um rei cristão dos
bretões, construindo Stonehenge, no tempo do ancestral
supremo Hangist, com o auxílio de Merlim Ambrósio76;
acredito que tal história seja lendária sob o aspecto
historiográfico, mas pode ter realmente acontecido, sob um
mesmo entrecho, terminus ad quem; os antigos
historiadores chamavam o Stonehege de Gigantum Chorea
– Cadmen ficou sem palavras quando viu-o pelo primeira
vez77. Segundo White e Hawkins78, os alinhamentos do
Stonehenge eram côngruos com as declinações de +/- 23.9º
do Sol e +/- 29.0º e +/- 18.7º da Lua. A. Thom e A. S.
Thom79 escrevem que o fato de que os orifícios Y e Z
estabelecidos nas linhas radiais desenhadas através do
centro das pedras areníticas no anel principal mostra o quão
próximos eram almejados os orifícios para estarem
próximos dos anéis; destarte, eles se indagam: "Eles
carregaram uma escada helicoidal para terem acessos aos
lintéis?" Afora a configuração assegurada mediante a um
complexo sistema de mortagem e cavilha, os seixos,

75
Vede “The Celtic Druids”, Godffrey Higgins, p. 266
76
Vede “Stonehenge”, p. 1; p. 48
77
Vede “Britannia”, vol. i, p. 120
78
Vede “Stonehenge Decoded”, p. 107
79
Vede “Megalithic Remains in Britain and Brittany”, p. 149

167
conforme Hoyle80 nos diz, foram asseados em blocos
próximos do confinamento, especialmente o maior dos
trilítonos erigidos; outrossim, o levantamento das pedras,
dadas as proporções colossais dos megalitos, seriam
impossíveis de serem transportados por técnicas primitivas
– deve ter tido, portanto, uma tecnologia muito avançada
que os druidas atlantes-celtas usaram na época com
abundância.
Tuatha Dé Danands, conforme é descrito no ciclo de
Cúchulainn, eram deuses ou demônios que ajudaram a
humanidade a se desenvolver e, ao mesmo tempo, a
aprisionaram no medo e na ignorância, e isto também está
assinalado no ciclo de Fionn81. Malgrado tal mito se
assemelhe ao Oannes na Caldeia, a Quetzalcoatl nos povos
mesoamericanos, a Viracocha nos povos incas, a Thoth no
Egito, aos devarishis na Índia, a Enki na Suméria, a
Prometeu na Grécia Antiga, ser-nos-ia mais coerente
constatá-lo como tendo afinidade com o dos arcontes ou
hebdomads dos gnósticos, dos annunaki na Suméria, dos
asuras na Índia e do Budismo em geral, do Demorgogon
grego, do Camazotz dos maias e dos quichés e etc.
Conforme Diefenbach82 nos diz, com base nas copiosas
tradições dos antigos, os celtas seriam, na verdade, a raiz de
todas as tribos germânicas e subsequentes nações, cuja
tradição deveria ser, destarte, preservada com
circunspecção pelos mesmos.

80
Vede “On Stonehenge”, p. 13
81
Vede “The Religion of Ancient Celts”, John Arnott MacCullloch, p.
63
82
Vede “Origines Europae”, p. 190

168
Parthalon, segundo o Anal dos Quatros Mestres, é
considerado o pai fundador da Irlanda 278 anos após o
dilúvio. Nos ditames historiográficos de O'Halloran e
Fhirbhisigh, a Irlanda foi um grande império e colonizou
vários povos, incluindo os africanos, neimedianos, belgas,
damoninos e etc. Sobre os outros povos celtas, discutirei
mais tarde, mas os irlandeses foram realmente os mais
destacados entre eles.

LIVRO 13

169
Dos princípios transcendentais e divinos do
homem

1. Estabeleçamos com segurança o conceito de que todo o


desprezo pelas vicissitudes da vida, ao mesmo tempo em
que parece promover conforto e estabilidade, pode
ocasionar indevidamente problemas relativos aos modos de
enfretamento e reação às adversidades nela embutidas.
Assim, a prática da adiáfora deve ser realizada a fim de
prevenir-se das coisas que estimulam o esquecimento da
essência de ser e o apego demasiado às impressões e às
aparências materiais, que são mudanças negativas, mas
jamais do desejo de transcendência espiritual e de
superação ou libertação dos modelos de vida implantados,
através duma postura extremadamente opressora, pelo
corpo social, que são mudanças positivas. Chamamos os
predicados das mudanças negativas, polos sublunares, e os
das positivas, polos extramundanos. Estes últimos são
aqueles que formulam a adiáfora no sentido de que provêm
razão suficiente para que esta possa existir eficazmente e
com propósitos justificavelmente valiosos; a par disto, a
adiáfora, sob estas condições, seria uma espécie de
"transmutação" que, nos dizeres da Srta. Connway, seria
uma "ascensão" à natureza divina do ser, sc., a sua
verdadeira finalidade enquanto agente partícipe da vida no
cosmos, porquanto, consoante o que ela mesmo declara, "a
sabedoria divina, desta forma, segue seu curso e ordem

170
naturais."83. A adiáfora, neste aspecto, é pleonéctica, viz., é
benéfica e traz bons frutos a quem a pratica. No entretanto,
esta mesma, sob a orientação dos polos sublunares, é
meonéctica, i.e., é maléfica e desenrola abomináveis efeitos
a quem a exerce desta maneira. Para a supracitada Srta.
Connway, refutando Hobbes e Spinoza, disse que a
"substância invisível", configurada como procedência de
sublimidade divina84, é distanciada do homem e
enclausurada num corpo sombrio e enfermiço de existência,
estruturalmente similar a uma algente e astrosa enxovia.
Dessarte, deliberamos a adiáfora como desfrutando duma
evidente propriedade dual, mas temos em mente que seus
atributos extramundanos e positivos levam à conexão
supraconsciente e suprassensível com a unidade divina.
2. Dissolver as tentações à crença fanática e ao subterfúgio
das aparências e das impressões mundanas é mais fácil do
que parece; contudo, para tal, é preciso treino... muito
treino e devoção... Com efeito, os homens costumam
zombar de sua própria natureza espiritual e elevada, crendo
que esta é simplesmente um conceito filosófico esotérico e
transcendental, não uma realidade absoluta; mal sabem eles
que a causa da sua ignorância é esta mesma percepção.
Todos os seres humanos que tive prazer ou desgosto em
conhecer até o momento em que escrevo esta obra, nenhum
deles, realmente, têm ciência de seus poderes divinos
latentes no mais emaranhado de seu corpo sutil e supremo;
vivem por suas obras ínferas e sublunares, que nada valem
para manter ou progredir a harmonia e a perfeição
cósmicas. Daí, resulta que as pessoas, ao passo que estão

83
“The Principles of the Most Ancient and Modern Philosophy”, p. 153
84
Ibid., p. 150

171
presas nesta masmorra de azáfama e de inscícia profundas e
supérfluas, outrossim, são reduzidas à espécies muito
indecorosas e esdrúxulas de entes espirituais, se
analisarmos sob esta ótica, que é a deveras verdadeira.
Então, a mensagem que vos deixo é a de que vós sois, na
verdade, deuses vivendo experiências terrenais para que
possais entender o funcionamento do cosmos de forma
íntegra e lhana e, doravante, voltar a vossa natureza original
e, cá, repousar para sempre. Vós, portanto, sois abençoados
todos os dias pelo Tathagatha Universal, a Inteligência
Súpera e Infinita.
Em tudo o que almejas fazer, sempre busca a perfeição; é
dela que surge a legítima ascensão à deidade existente no
Mahayana (Grande Veículo) oculto dentro de teu Avastha e
de teu Svabhava. É sob esta via que nós conhecemos da
melhor forma a nossa condição essencial de ser e a nossa
autêntica ordem de grandeza cósmica. A excelência
(Parinispatti) é o princípio da prática búdica pela qual é
manifesto o dom de cada indivíduo em sua melhor e mais
genuína perfomance possível; conseguintemente, o seu fio
condutor é o agente que a invoca e se faz de recipiente de
suas respectivas forças, as quais denominamos mônadas, e
o seu canal de manifestação (Upadhi), por sua vez,
chamamos Dharma, ou a Lei Suprema do Todo. A
substância intelectual superior (Mahat) é, sob estas
circunstâncias, a fibra primordial da natureza dos sentidos
suprassensíveis, nos quais são designadas todas as funções
ônticas perfeitas e infalíveis; com isso, deveremos abstrair a
noção de que todo o homem disposto por fidedignidade ao
seu verdadeiro dever ao passo que são-lhe atribuídos
predicados divinos e de magnificência esotérica assaz
copiosa. É-nos permitido inferir, portanto, que a excelência

172
é a qualidade de converter a mediocridade material
(Madhyabhava) no mais alto substrato espiritual
(Mulaprakriti), em processos paulatinos, feitos com os
maiores empreendimentos e esforços disponíveis na
vontade eficiente (Nimitta-karana) do ser.

LIVRO 14

173
Filosofia Esotérica II

1. Os grandes registros teosóficos da Antiguidade, os quais


se fundaram na prístina e absoluta Religião-Sabedoria para
conceberem e engendrarem suas respectivas filosofias
esotéricas, transmitem até os dias atuais, um precioso e
completo sistema de conhecimento consagrador e
iniciático, consubstanciado em sua melhor e mais
impressionante forma de apresentação. No mito babilônico
da criação, testemunhamos o fenômeno da autoreprodução
das águas primitivas de Tiamat que, a fim de ocasionar
eficazmente o crescimento da natureza terrenal, geraram a
Lahmu e Lahamu85, responsáveis por realizar esta tarefa
definitivamente. Daí, reiterar-se-ia o que usualmente
nomearíamos de Trindade Criativa, vigente em todas as
doutrinas secretas e hieráticas do mundo. A sua origem é
evidentemente obscura para os uniliterais e conservadores
especialistas em história das filosofias e das religiões.
Todavia, Prof. Tiele, em um intento de elaborar uma
hipótese sobre a verdadeira procedência da religião egípcia,
assevera que, com os elementos do animismo, do
polidamonismo e do politeísmo, o dogma monoteísta seria
extremadamente plausível, caso sustentado por um ponto de
vista multiforme e abrangente, para suprir a conjuntura de
vários deuses embutidos no Grande Panteão do Egito,
personificando diversos atributos dum único elemento
85
Aplica-se-lhes o princípio da polaridade, sendo eles, respectivamente,
as partes masculina e feminina da energia cósmica, conduzida, neste
caso, por Tiamat.

174
divino no universo86; sua origem, no mesmo diapasão,
deveria ser mui remota e ainda transcenderia a cronologia
histórica e pré-histórica de antemão estabelecida pelos
arqueólogos, historiadores e antropólogos dotados de
lamentável cientificismo e materialismo epistemológico.
O evo causativo do espaço se arrola em diversos modos de
presença e exortação; se elicia, ademais, pelas suas
complexidades e propensões imprevisíveis, em "trajos
imperceptíveis" ao olhar sublunar, em cuja porfia está
localizada a raiz mística de toda a operação cósmica.
Mediante as nossas faculdades extra-sensoriais, podemos
notar, sem sombra de dúvida, a abstração fluída e
fortemente potencializa da coisa-em-si, i.e., o númeno pelo
qual é auto-evidente o Alento Universal, em que
incessantemente se designam as influências objetivas ou
subjetivas da Alma Eternal. O sentido no qual as dimensões
se asseguram (i.e., em cognação completa) e são
empreendidas afínicas da conformação autoexistente é, por
geral suposição, mui assertória e expedita no que concerne
à natureza de sua desembocadura tanto nos sublevados
limiares do espírito quanto da matéria. O espírito se
distingue em esporeadas partes de condução do "Isto"
cosmosófico, viz., o agente conjuntivo dos predicados tanto
da realidade mundana quanto da extramundana; por
conseguinte, dever-se-á salientar que, sob a sagácia do
catecismo ocultista, não temos nem um vazio integralmente
irrestrito ou, mesmo, uma plenitude indubitavelmente
condicionada; se a Alma Eternal não se repelir a nenhuma
destas propriedades, consequentemente, tê-las-á, como de
fato fá-lo.
86
"Geschichte der Religion im Altertum“, pp. 26-28

175
Delegam-se funções deveras concordes, na alacridade
maior da "vestidura cósmica", indiferenciada do númeno
assiduamente aplicativo na apoteose cósmica, na qual são,
por apodítica demonstração, eriçadas as propriedades
essenciais e apogéticas do co-eterno e sempre coetâneo
espaço, em apósitas condições relativas ao conúbio
perficiente entre matéria e espírito, apossuindo-se o Alento
Universal da consumação propositada do Mahat, ou a
consciência ímpar e insuperável dos Adi Budas. As sutis
raízes ou as fontes invisíveis dos Upadhis, ou veículos
numenais e fenomenais de manifestação, não se apremam
diante de nenhuma baliza física e corpórea, porquanto são
eles mesmos as condições infinitas da Unidade em geral;
portanto, ter-se-á acurada a percepção de que as radiações
da processão do Purna, i.e., a estrutura cósmica
integralmente estipulada, são a cabo desdobradas no
Mulaprakriti, do qual o Akasha deverá desfrutar de seus
divinais e substanciais aprestos mentais, psíquicos e
espirituais, a fim de comandar com sólido estribo tanto
Rupa quanto Arupa.
No "Maharaj" de Dnyashewar, realça-se que o célebre
código oculto védico, Rta, presume e justifica a libertação
(Mukti) do ser, na mais alta representação dos Pramanas,
viz., o Abhâsvâra; tal asserção, ao decurso da obra, é
ontológica e epistemologicamente ratificada. O Rta não só
depende do oculto abstrato para se liquidar nas "acéquias
do Fohat cósmico", mas também do concreto, i.e., relativo
ao valor, à arbitrariedade numéria e à projetividade
matemática. É evidenciado em um dos axiomas
apotegmáticos do "Siddhanta Siromani", escrito por
Bhâskara II, que Kala (i.e., o tempo infindo e não-

176
periódico) é, pois, o Eka, ou Saka de todas as suputações e
hipóteses sistemáticas a respeito das unidades numéricas e
suas edificação e importância no orto cósmico, residindo-
se, pois, no substrato das medas e hordas espirituais
invariavelmente sotopostas no Chayyapatha, viz., o
Firmamento. Os 311.040.000.000.000 anos de Brahma, isto
é, o Mahakalpa, é a amostra mais fida e autêntica do Kala,
sendo a fundamentação matemática do universo – ou seja –
de suas medidas, de seus graus, de sua quantidade, de suas
proporções e de seu esmo.
O tempo é apenas uma ilusão criada por uma sequência de
estados de nossa consciência, à medida que passamos para
a duração eterna, e não existe quando não há consciência na
qual a ilusão possa ser produzida. O presente é apenas uma
linha matemática que divide a parte da duração eterna que
chamamos de futuro, que está noutra que chamamos de
passado. Não há nada na Terra com duração real, pois nada
permanece inalterado, ou o mesmo por um bilionésimo de
segundo; e a sensação que temos da atualidade da divisão
de tempo conhecida como o presente decorre desse olhar
momentâneo ou obscurecimento da sequência de sugestões,
as coisas que nos dão nossos sentidos à medida que passam
pelo círculo dos ideais que chamamos de futuro, o período
de memórias que chamamos de passado. Da mesma forma,
experimentamos uma sensação de duração no caso de uma
faísca elétrica instantânea devido a uma impressão ardente
e contínua na retina. O homem ou coisa real não consiste
apenas no que aparece a qualquer momento, mas na soma
de todas as suas várias e distintas condições, desde a
aparência física até o perecimento integral da Terra.
Sobremais, Srs. Greene e Woods no-lo demonstravam de

177
forma clara e direta, assegurando o caráter relativo e
meramente teórico da substância temporal. Portanto, sob
via da importância providencial do que se delibera como
unidade de decorrência eventos, são as "somas"
supracitadas que existem desde a eternidade "no futuro" e,
até certo ponto, passam pelo material para existir no
"passado" para a eternidade. Ninguém poderia dizer que a
telha metálica caiu do mar e deixou de existir quando a
água entrou, e que a própria barra consistia apenas daquela
interseção que coincidia a qualquer momento com o plano
matemático que se divide e, ao mesmo tempo, une a
atmosfera e o oceano. Sr. Helwich, na sua "Chronologia
Universalis", afirma que a própria história da humanidade,
do modo cíclico e inclinado ao eterno retorno no qual
transcorreu, comprova peremptoriamente as idiossincrasias
vãs e enganosas do tempo. No entanto, mesmo para pessoas
e coisas que, já tendo existido, têm um futuro no passado;
instantaneamente, para os nossos sentidos, uma interseção,
como é, do seu eu comum, à medida que passam o tempo e
o espaço (assim como a matéria) no caminho de uma
eternidade para outra; e ambos constituem a "duração" em
que tudo por si só existe, nossos sentidos, mas foram
capazes de reconhecê-lo justamente neste ínterim.
2. A criação de inúmeros ramos de explanações filosóficas,
é claro, por relações mui subitâneas, formam-se em virtude
de execrandos fenômenos da constituição materialista e
exageradamente ortodoxa do desenvolvimento das ciências,
sobretudo, no tocante aos avanços que poderiam ser delas
derivados se os eruditos hodiernos e superintendentes da
derrogação ou aprovação das ideias e dos conhecimentos
até agora estabelecidos não ablegassem a sabedoria oculta e

178
integralmente unívoca, i.e., a magia ou a chave-mestra para
os mistérios arcanos da teosofia. Levemos ao ponto, o
discernimento e a observação onisciente e cauta das coisas,
nos assestando na fundamentação totalmente digna e
verdadeira do que há nos agentes contingentes e, também
nos do próprio conteúdo neles incutido, na ampla enseada
cósmica sob um caráter impressionantemente filosófico de
ativa firmeza; portanto, aplica-se-lhe uma miríada de
preceitos e leis magnificamente ornadas pela suficiente
essência da demonstração patente e absoluta do espírito
divino estendido e afigurado no homem; quer as diretrizes
da disposição elementar das coisas sejam ab-rogadoras,
quer confirmativas, bem como os desígnios dos recintos
embasados em ábsides sendo decerto ambíguos para os
arquitetos das basílicas romanas, deveremos manter em
mente que nós, invariavelmente, sob a égide do
transcendente e meta-senciente torvelino da circungeração
divina, abroquelar-nos-emos de apropriadas ideias, diretas e
completas, a respeito da razão universal e da grande obra,
escrupulosamente brunida e projetada, que é a infinita gama
de estratos e vórtices proeminentes da estrutura cósmica, a
qual, sob hipótese alguma, deverá ser abscidada, porquanto
esta mesma é o suporte pela qual a enteléquia vital e a
perfeição natural dos orbes e de seus seres são mantidos em
embevecimento contemplativo e copiosamente iluminado
pela resolução parapsíquica e suprema daquilo que
frequentemente lidamos em nosso estado mais coeso e são,
viz., em conexão retilínea e mui bem alentada com o canal
celeste de interação e pareamento noético e sua gloriosa
doutrina secreta. Salientado isso, deverei dizer que nem
mesmo os mais amainados berceuses podem trazer a
profunda paz levada a cabo em opípara plenitude; é

179
necessário concentrar em nosso predicado universal e levar
em consideração o uníssono que temos de atingir com a
beleza e a justiça orlada pela luz indecomponível,
imperecível e eterna; nesta, ver-nos-emos em fixação
mental preponderante nas nossas balizas intelectuais e
tentaremos superá-las; daí, com certeza, presenciar-se-nos-á
o Grande Sopro da Suprema Ordem Criativa, ou o turbilhão
teúrgico que nele está desembaraçadamente ínsito.
Estas lacunas que são encasteladas no ínterim das obras
científicas são acentuadas, na verdade, pela sua própria
volumosa limitação de método e consideração dos
fenômenos e dos númenos vigentes no panorama universal;
dever-se-á asseverar, portanto, que o estado deplorável do
conformismo dogmático da ciência moderna aderna-se ao
deplorável e sectário predicado de funcionamento e
construção epistêmica, projetando saberes nada
consentâneos com a realidade absoluta e extra-sensorial do
mundo. Destas empresas destinadas a amestrar o homem
em estritas unidades de energia basicamente especulativa e
até imprópria no ápex do seu desenvolvimento, não resta
alguma totalmente idônea e oportuna; todas acutilam nada
debalde a Sabedoria das Eras. Os sequazes iluminados, i.e.,
os adeptos e os iniciados, conhecem, pois, o fato de que a
gravidade intrínseca da rasa profundidade da adjeção e da
estrutura natural esotéricas do homem pode ocasionar,
como um cristaleiro adoperando erroneamente um
diamante, um estreito e superficial exercício da razão pura e
meditativa, ou o verdadeiro sentido do perseverante suporte
dos escopos divinos e humanos; ademais, tal sobrevença
adorta como circunstância mister a contenção longa e
dolorosa das operações transcendentais e sublimes do

180
espírito do ente. Jamais poderemos conceber isoladamente
o estabelecimento do conhecimento arcano; devemos, no
entanto, advinculá-lo à maior base de prossecução na qual
são designadas as suas qualidades e seus poderes de
abençoar a todos que o obstinadamente desejam e intentam
alcançar. Tal como a arte era mágica, e porventura ainda o
é, a ciência deve ser deliberada e executada da mesma
forma; daí, segue-se a par a inferência dos prodígios e dos
auspícios sutis e astrais produzidos pelo deslizamento
rotacional energético da natureza etérea, mirífica e celestina
do cosmos.

LIVRO 15
Origem das ideias

181
Os gêneros de percepção noética humana devem ser
classificados em consonância com o seu propósito e seus
graus de visualização dos atributos inerentes à realidade
natural das cousas. Salientado isso, recorramos à
modalidade de investigação essencialmente eidética para
averiguar o conteúdo das formas de pensamento de modo
fidedigno ao tipo de desdobramento sobre o qual se
caracteriza. Previamente, devo asseverar que as ideias não
apenas possuem disposição abstrata de exercício, mas,
outrossim, gozam de veículos incorpóreos e sutis de
manifestação, os quais, com efeito, não são inteligíveis e
descritíveis materialmente; propter hoc, a ideia de realidade
transcendente à carne é assaz rejeitada por esta humanidade
sobejamente apegada aos objetos de sentidos e aos prazeres
promíscuos do corpo físico. Agora, dir-vos-ei com
solicitude e precisão quais seriam as classes de modus
operandi noético. Ei-las aqui: a) patológica, b) lógica, c)
dialogística e d) pneumática. Tratarei de elucidá-las
minuciosamente a fim de fixar-vos um conhecimento de
teor completo e proficiente nesta abordagem. O gênero
patológico de ideia diz respeito às emoções e às sensações
humanas, i.e., processos de estímulos de origem esotérica
ou exotérica que ocasionam, ao passo que mobilizam o
indivíduo, reações específicas de variadas condições de
impressão ou entendimento, quer racional, quer intuitivo.
Destarte, a classe patológica abrange as noções noéticas
conduzidas por comoções e consciência sensível das
situações experimentadas, sejam interiores, sejam
exteriores, conforme eu dissera. O gênero lógico é

182
pertinente à razão e ao pensamento concreto, viz.,
faculdades dialéticas e dianoéticas incluídas na apreensão
cognitiva da realidade, conduzidas sobretudo pelo
discernimento dos fatos concernentes a esta, avaliando,
pois, o significado dos eventos da natureza das cousas e de
seus correspondentes ciclos. A classe lógica, em suas
peculiares condições, se refere a um modo noético
desenrolado pelos procedimentos inerentes à captação dos
sentidos, mormente, através da apresentação singular e
individual dos objetos então decorrentes de sua existência
pura. O gênero dialogístico, por sua vez, consiste na
imaginação e nas conjecturas imprescindivelmente abstratas
da natureza, i.e., faculdades de fomentar objetos, imagens
ou ações que não são condizentes com os estabelecimentos
de realidade, nem esotéricos, tampouco exotéricos, sendo
puramente um empreendimento guiado pela própria nous
com funções fantasiosas, conjecturais e, geralmente, com
propósitos ideacionais sem algum juízo crítico de
apreciação epistemológica, lógica, estética ou moral. Não
obstante, o gênero pneumático examina as cousas eidéticas,
metafísicas e anastásicas87, i.e., engendramentos
particulares das dimensões de corpos sutis, etéreos e de
consciência universal e automnêmica mais elevada que a da
fisicalidade, os quais se valem da razão transcendental,
espiritual e isopsíquica88 para ponderar e deduzir sobre as
87
Malgrado possa expressar “ressurreição”, neste sentido, refere-se à
elevação da mente humana, à sua ascensão, em outros termos, a
consciência da sabedoria sublime ou divina.
88
Está em oposição na nossa terminologia tanto no tocante à
“alopsíquico”, quanto à “autopsíquico”, pois enquanto ambas,
respectivamente, referem-se à relação da psique individual para com os
ambientes externo e interno, a “isopsique”, sem embargo, significa a
relação do indivíduo para com o Todo, i.e., para com o Absoluto

183
cousas existentes. Definidos os gêneros de percepção
humana, devemos entender, neste instante, as substâncias e
maneiras de se potencializar ou, ainda, consumar as ideias,
quer endóxicas, quer fironéticas, quer gnósticas, cujas
proveniências explicaremos na próxima seção.
Em um senso arbitrário da atribuição de preposições, deve-
se afirmar, sobretudo, que a substância d'alguma cousa, na
significação eidética a qual se aplica no nosso quadro de
referência, é a geratriz ou fundamentação prístina desta. Por
este meio, consequentemente, a substância de algo ideado
será seu componente formulador em primeira camada de
determinação. As substâncias das ideias se categorizam
conforme o seu impacto ou grau de efetividade e influência
nestas. Convém definir isto para edificar um conhecimento
de maiores solidez e compreensão. Ressaltadas estas
questões, ex tunc, os gêneros de substâncias ideacionais
seriam: a) enotaico e b) ediótico. A substância enotaica diz
respeito à ideia incidida nos paradigmas ou parâmetros
coordenativos da unidade cósmica assentada, i.e., a
percepção noética do indivíduo articulada com as condições
fixadas pelo estado único e absoluto da natureza, afora o
fato de que o conteúdo eidético e ideário individual possa
ser absorvido e aperfeiçoado, em forma de contribuição
assertória, pelo status quo cósmico ordenado e em
perficiente alinhamento, a fim de harmonizar as forças de
cada ser com todos os outros existentes. Por conseguinte, o
direcionamento cósmico é que estimula a noção ideada sob
perspectivas enotaicas. A substância ediótica, por outro
lado, é pertinente à ideia esquematizada nos arquétipos

cósmico, o Verbo e o Princípio, e sobretudo, para com o Eu divino e a


soberania nômica do Cosmos.

184
propriamente ditos individuais, viz., está relacionada às
maneiras de definição eidéticas da pessoa humana para com
ela mesma, e, detalhadamente, dir-vos-ei que o princípio
modular da individuação deverá desempenhar papel de
feito holoico89 em toda a configuração e respectivo modus
operandi do conteúdo das próprias ideias, a fim de tornar a
relação individual noética mais sólida e eficaz, permitindo
uma elevação nos níveis de adquisição de
autoconhecimento e autoidentidade inevitavelmente
esotéricos, assim como as próprias funções incumbentes à
substância enotaica sendo, contudo, a distinção
fundamental, o escopo de exequibilidade e meios de
desdobramento e competências ad hoc. Tendo demonstrado
os significados das substâncias, devo dizer, de modo
complementar, que nenhuma delas, efetivamente, podem
tornar vários e incorretos os sortimentos eidéticos
individual e universal, porquanto, justamente, serão
características do ser com fundamentos indispensavelmente
metempsicóticos e exelíxicos90. Tendo concedido
parâmetros para tal afirmação ser considerada como
inescusável, nós deveremos, pois, na próxima seção,
abordar as relações de congruência e incompatibilidade
entre as ideias, o que generalizaremos como,
terminologicamente, associações.
Denominamos “associação” toda forma de relação ou
convenção análoga, ora côngrua, ora incôngrua, entre dois
objetos ou mais. No sentido então proposto, refere-se às
89
Advém do termo grego “hólos”, entretanto, adjetivado para o
português, que significa “total”, “absoluto”.
90
É oriundo do vocábulo de língua grega “exelíxis”, com motivo ibid. a
nota §3, que significa “evolução”. Ao passo que é adjetivado, define-se
como “evolutivo”.

185
ideias. Devemos, conseguintemente, reiterar a natureza
integrativa e conjuntiva duma categoria de ideias ao passo
que estas são firmadas numa paridade de conteúdo, i.e., as
ideias possuem similitude nas suas preposições e nos seus
conceitos então conduzidos; e.g., eu presumo que as maçãs
são todas puníceas. Esta hipótese deve ser, pois, colocada
como afirmação putativa. Agora, outro indivíduo assume
que a matiz punícea é a cor precípua de todos os
pseudofrutos pomáceos. Sabemos, por razão dos
conhecimentos estabelecidos cientificamente na área da
nutrição, que as maçãs são, com efeito, pseudofrutos
pomáceos. Se eu presumo que as maçãs são puníceas, e o
outro que esta nuance é a primordial para todos os
alimentos deste gênero, ergo, a hipótese deste corrobora
com a minha e vice-versa. Isto posto, é firmada uma
associação sugcrínica (vocábulo provindo do grego
“συγκρίνω”, que significa “combinação”) onde as ideias,
nos seus sentido, andamento, conteúdo e veículo eidético,
possuem propriedades conformes e proporcionais, cujas
características devem desencadear inferências ratificadoras,
homólogas e sustentadoras de ambas. Ademais, ressalto-
vos que não só para estabelecer uma associação sugcrínica
deve-se corroborar mutuamente as asserções, como,
outrossim, devem ter composição exprimida coadunada e
convergente na sua base de articulação (p. ex., A: “Os
torcedores do Aston Villa são todos tunantes” – B: “Todo o
torcedor das equipes de futebol de Birmingham é deveras
tunante”. Deve-se, previamente, asseverar que o time de
Aston Villa fica sediado em Birmingham. Logo, de uma
forma ou outra, ambas as asserções sugerem corroborar-se
mutuamente. E a similitude a detectar-se muito facilmente
está no primeiro elemento da argumentação, que se refere a

186
“torcedor”. Assim, determinam-se as singularidades
dispostas nas associações sugcrínicas).
Agora, discorreremos analiticamente acerca das associações
desagregativas e disjuntivas enquanto são absolutamente
tendentes a serem constituídas pela discrepância na
organização dos elementos assertivos. Bem como fizera no
deslinde dantes, exemplificar-vos-ei para deferir-vos um
conhecimento de formidável alicerce; e.g., eu suponho que
todos os indivíduos da sociedade naturalmente desfrutam,
sob circunstâncias misteres, de espírito sui generis. Nada
obstante, outra pessoa disserta que nós somos movidos não
por conjunturas de características únicas e particulares,
senão pelos próprios paradigmas implantados ad natum
pelo corpo social. Reparar-se-ia, pois, uma contraditio in
termini duma afirmação e outra, sem correspondência
eidética alguma, transmitindo, dessarte, ideias de
posicionamento argumentativo adverso. Este tipo de
associação, chamá-lo-emos merizoica (advém do vocábulo
grego “μερίζω”, que significa “divisão” ou “distinção”).
Neste sentido, devo afirmar-vos que, afora as propriedades
dissonantes, contraditórias e não-recíprocas, existe uma
peculiaridade interessante de salientar, que é a antinomia do
argumento de contestação no ponto fundamental do anterior
de pura expressão (p. ex., A: Eu creio que as tartarugas são
voadoras – B: Os répteis da ordem Testudines não voam.
Examinamos o fato de que a premissa de B refuta o ponto
central de conceituação do A. B diz respeito ao fato de que
as tartarugas são répteis da ordem Testudines, e, sem
embargo, tem como preposição capital que um ser vivo
desta ordem (consoante a nomenclatura taxonômica da
zoologia) voa e B afirmando que nenhum ser vivo desta voa

187
e sendo as tartarugas, suas partícipes, consequentemente,
por meio duma estrutura de breve disquisição embasada no
modelo inferencial “post hoc ergo propter hoc”, teremos o
caráter antinômico da afirmação de A como premissa
primordial de sua ideia. Desta forma, concluímos a
determinação dos caracteres formadores das associações
merizoicas).

LIVRO 16
Filosofia Esotérica III

Cada qual com sua experiência transcorrida no disco


espacial eterno e imaculado do Pralaya deverá imantar-se
pelos mancomunados sistemas arcaicos de emanação

188
cósmica, designados a propagarem perpetuamente a
Energia criadora e culminante da Natureza. A Unidade, da
qual se procede, se verte e se dimana a Alma Universal,
circunvalada pela abstrata e incognoscente presença do
Pensamento Divino91, é, por preceito e manejo
evolucionários e clarividentes, a indicação simbólica do
único conhecimento demonstrado pela essência constitutiva
do Manvantara, na qual o Pralaya traça e desempenha as
suas versatilidade atemporal e periodicidade, urdidas na
cadência teúrgica do Abhautika, isto é, a dimensão
fundadora de todos os pretextos teoréticos das cosmogonias
e das teogonias até agora formuladas.
Os marçanos no ocultismo deverão compreender que a
única vitalidade que há de ser debruada pela onipresença
eternal e invisível é aquela que reside, quer de modo
subjugado, quer doutro marroaz, na todo-poderosa lei da
consciência regular e plenamente manifestada no reino
periódico, absoluto e auto-existente do Kutastha, o
imutável princípio do Kaos e do Kosmos. As propriedades
que daí podem ser aferidas são, em grande parte,
examinadas meticulosamente por sábios homens que, com
efeito, procuram saber rigorosa e obstinadamente a
91
Quer assinale-se determinadas conjurações da Unidade, quer das
derivadas substâncias dela, consoante nos transmite Sr. Vaihinger, são,
por conjectura propínqua, reflexos subjacentes do mundo externo, i.e.,
substratos de uma ficção psiquicamente útil, geralmente manutenidas
pelas aparências das coisas, o que nos leva a corroboração do conceito
de "seres sublunares", viz., toda aquela entidade viva que, através das
extremidades de suas balizas raciocinativas, consagra, por mais
picaresco que possa parecer, uma plêiade de débeis concepções como a
verdadeira fonte da intuição e da razão da Sabedoria Absoluta, ou
Mahaprajna, como os vedantinos no-la definiriam.

189
causativa identidade não-imagética e extramundana do
"Grande Sopro", no qual o espaço é ilimitado e
invariavelmente ensejado em companhia da moção
incondicional e incessante do universo. Não há nada imoto
na ordem, a não ser a própria inércia provedora da Alma
Universal92.
No século VI a.C., Confúcio ensinou ao seu discípulo Fan
Ch'ih que a sabedoria era constituída de devoção à que de
antanho denominamos Alma Universal, mais
especificamente, a sua intercessão nos planos materiais ou
preternaturais, e, outrossim, de respeito para com as
entidades incorpóreas (ou Dhyani Chohans) que
superintendem a evolução planetária. Xun Kuang e Yan
Hui praticamente ensinaram o mesmo desígnio ideacional,
sem desencadear de modo meandroso alguma
unilateralidade na linha de pensamento, mas sim a sempre
desdobrar uma rotatividade nos seus agregados elocutivos;
tal ensinança é incorporada nas estruturas mais profundas
do encólpio do ocultismo, ainda a desvelar-se com
integridade.
92
O organismo mental, conforme sabemos, mormente, é fomentado por
estados de consciência complexos e da variabilidade nas sensações e na
duração dos pensamentos e respectiva intensidade de trabalho;
portanto, a sensação, inerente a Manas (ou mente, como dissera), é
perscrutada e comedida com profundidade por Laukika que, por sua
vez, implica imprescindivelmente Maya, a ilusão, a ignorância, as
trevas. O deus Javé da Bíblia, um livro severamente profano, como
hodiernamente editado e publicado, é diretamente afetado por reações
eliciadas mediante as impensáveis externalidades (para um ser divinal
e supremo) nas quais são presididas as flutuações emotivas e facilmente
atribuíveis aos mundanos estímulos aí postulados e envolvidos; tais
conceitos não somente são anti-psicológicos, anticientíficos, mas
também passam longe de serem algum razoável sistema filosófico.

190
O homem efetivamente herda a conjuntura das colisões
entre as deidades arquitetas que geraram o mundo em que
vive, as quais coordenam o movimento universal e o
Grande Alento por ela confiado, numa espécie de revelação
que se reclina sobre seus aspectos filosóficos recte dicitur;
o ocultismo é, em suma, a fundamentação do conhecimento
absoluto e existencial direcionado, pois, para o fogo arcano
e vivaz, sobre o qual as eternas testemunhas dessa presença
invisível são agentes desenvolvedores dos henômenos
veiculados no Lingangasamarasya. O fluxo intracósmico é
deveras contínuo e ilimitado; o cósmico, por outro lado,
subordinado à percepção e aos sentidos, é finito e
intermitente. O Cosmos, i.e., o perficiente remate numenal
do Parabrahman, em nada se relaciona com os eventos do
mundo fenomenal. No tocante ao âmbito de organização
cósmica, malgrado não se possa dizer que teve uma prístina
ou que terá uma perimida e ultimada edificação, a
propósito, ter-se-á a cada nova fase do Manvantara, uma
organização estipulada como a primeira e a última no seu
mesmo sortimento, a fim de que esta desenvolua
invariavelmente em planos superiores.

Seção I
Das Mônadas

As mônadas que emanam da realidade única, a verdade


absoluta por essência, se subjazem aos ciclos de construção
e reconstrução da quadratura do cosmos, em uma gama de
variações de manifestação espectrais ou perfeitamente

191
"picturais", ao passo que são observadas sob o viés
eidético; não obstante isto, efetivamente, as mônadas são
eternas, imutáveis, incessantes e não conhecem limites para
sua dispersão nas infinitas dimensões do espaço-tempo.
Exemplo desta condição, temos o onipotente criador de três
olhos do Parameshthin, engendrando, pois, Brahma nas
propriedades do Rajoguna e Vishnu nas do Sattvaguna;
chamamos tal divindade de "protogono" ou a energia
primordial do universo que, anteriormente à sua produção
decisiva, já reinava nas Trevas e na Luz. Dir-nos-á Sr.
Beausbore, com o auxílio referencial de Santo Irineu e de
São Jerônimo, que as operações dos mistérios antigos do
Egito, de qualquer forma, por mais que relutem em afirmar
o contrário, contribuíram definitivamente para a verdadeira
mística do cristianismo. Esta mesma é, sob hierática
edificação, assim como de todas as religiões, por substrato
doutrinal, algo completamente monádico. As determinantes
desta mesma grandeza perscrutam com perseverança, em
rondas periódicas, o Pralaya da designação espontânea das
linhas evolutivas do próprio Nirvana de cada revolução
orbital concernente aos próprios corpos celícolas, quer
físicos, quer etéreos. É dito no Kitab al-Zabur que a
magnitude dos poderes incumbidos a Deus é, com efeito, o
escopo do motor perpétuo e do artifício atemporal de
sacramento. A Coroa Sefirotal, ou a expressão da Mônada,
se aplica nesta questão como, justamente, o Atma-Buddhi
dos "poderes incumbidos a Deus" e a geratriz moderadora,
consumada então a fim de que não se cometa abusos a
desdobrarem-se em abomináveis intencionalidades
seguidamente aprazadas; e, portanto, a constituição
progressiva e impulsiva de toda entidade viva se sumariza,
basicamente, nas agregações vivificadoras da Monas

192
Universal largamente estabelecida no Mulaprakriti da
circulação da Deidade Universal.

Seção II
Das Forças Sutis e Densas da Natureza

Observa-se en passant que a natureza sutil das coisas é


projetada em detrimento da densa, mas jamais configurada
em total dissonância com esta; é necessário o
entrelaçamento ou a soma das forças tanto microcósmicas
quanto macrocósmicas para que a unidade divina se
preserve e se mostre intacta numa espécie autogerada de
consciência sublime, suspensa diretamente no desvelar e no
atrair dos fenômenos cósmicos originados tanto do Manasa-
Dhyanis quanto dos Chhayas do Pitris lunar. No-los
evidencia Sr. Hyde, assaz destramente93:

"Sed ut hominum corrupta et depravata natura in pejorem partem


semper vergit & propensior est, & paulatim in degenerat &
prolabitur; sic & isti suam Religionem, quam primo intemeratam
& immixtam servaverant, processu temporis deinde corruperunt
& multi nugis interpolarunt, Dei notitiam cum plurimis
Superstionibus tenentes, & lucem cum tenebris commiscentes.".

“Veterum Persarum et Parthorum et Medorum Relgionis Historia“,


93

HYDE, Thomas, p. 2

193
Ocupam-se certas modalidades de extensão do
desenvolvimento espiritual, mutatis mutandis, numa
dinâmica injetora ou num ciclo introdutório de ordenações
causativas no Atma, a fim de prover-lhe a suma
continuidade e o equilíbrio otimamente consolidado94.
Todavia, ceteris paribus, a disposição dos elementos de
correlações premeditadas no próprio cerne do Atma,
suprime essencialmente o aparecimento das forças do
lapsus calami; malgrado isso, de vez em quando, permite-
se a sua encetadura nos meios de existência a serem
consequentemente rondados com propósitos
metempsicóticos e restauradores, em fases cataclísmicas ou
apáticas do nosso Globo ou de qualquer orbe alvejado.
Assevera-no-las, portanto, Sr. Sinnett95:

94
Consoante o Bhagavata Purana afirma, o Homem Supremo não se
passa de uma causa aparente, ao passo que o Deus Supremo detém a
energia divina, controla o universo sob agentes atemporais e
extrafísicos e destrói-o ao seu próprio líbito sem ser de fato destruidor.
O mais alto Dhyan Chohan, sob estas circunstâncias até aqui descritas,
não reside mais nas leis do Karma, senão nas do sacro Dharma.
Orientalistas, concentrados, sobretudo nas tradições indianas, como
Thomas Maurice, William Jones, Peter van Bohlen, Albrecht Weber e
&c., bem como outros estudiosos em diversas tradições ao redor do
mundo, afirmam que esta concepção da dualidade do funcionamento da
natureza em dois níveis díspares de consciência é tão universal,
difundida e exaustivamente registrada que, com efeito, pode ser uma
verdade arquetípica irrefutável, ou até mesmo, um vetor primordial para
o entendimento lídimo das leis que regem o universo.

95
“Esoteric Buddhism”, SINNETT, A. P., pp. 46-47

194
"Behind the human harvest of the life impulse, there lay the
harvest of mere animal forms, as every one realizes; behind that,
the harvest or growths of mere vegetable forms — for some of
these undoubtedly preceded the appearance of the earliest animal
life on the planet. Then, before the vegetable organizations, there
were mineral organizations,—for even a mineral is a product of
Nature, an evolution from something behind it, as every
imaginable manifestation of Nature must be, until in the vast
series of manifestations, the mind travels back to the
unmanifested beginning of all things. On pure metaphysics of
that sort we are not now engaged. It is enough to show that we
may as reasonably—and that we must if we would talk about
these matters at all—conceive a life impulse giving birth to
mineral forms, as of the same sort of impulse concerned to raise
a race of apes into a race of rudimentary men. Indeed, occult
science travels back even further in its exhaustive analysis of
evolution than the period at which minerals began to assume
existence. In the process of developing worlds from fiery
nebulae, Nature begins with something earlier than minerals—
with the elemental forces that underlie the phenomena of Nature
as visible now and perceptible to the senses of man. But that
branch of the subject may be left alone for the present.".

Analogamente, Sr. Pratt salienta96:

"The divine, while passing through spirit and matter into nature,
and then by natural process through the inorganic, the organic
and the animated, into the human, loses sight of its own divinity;
so loses sight thereof that it may re-pass from the create to the
increate, should the instruments through association with which

96
“New Aspects of Life and Religion”, PRATT, Henry, p. 357

195
it has sought evolution ulti mately fail to fit themselves for the
final transition for which it had sought to prepare them.".

Sophia Achamoth, a personificação do Éter, quando


elevada à sua máxima competência de superintendência de
Sofia (ou a Divina Sabedoria), pode nos assinalar
peremptoriamente uma noção imagética, subtendida no
Arupa estelar, de Ilda Baoth. A palavra quer dizer
“prole” ou “gerado de algo”; o vocábulo posteriormente
mencionado, , significa “caos” ou “primórdio
informe”. Poder-se-á dizer que Ilda Baoth cumpre a mesma
função que Brahma ou desempenha o próprio númeno do
Prajapati na cosmogênese e na evolução concebida após o
seu íntegro empreendimento (i.e., tanto das forças sutis
quanto das densas pari passu).

Seção III
Da Composição da Consciência

O sistema consciencial latente em cada entidade viva é


plenamente dotado de ubiquidade caso seja desenvolvido
apropriadamente e, incontinenti, despertado em todas as
suas unidades naturais de potencialidade e manifestação. O
Logos platônico, copiosamente mencionado nos
"Diálogos", é a substância mirífica que, todo o poder

196
muscular de expressão monádica percipiente, possui em
excelsa quantidade, sendo, pois, a própria ponte ou o
retilíneo cruzamento com as regiões célicas ou terrestres do
Tsanagi-Tsanami. O simbolismo concernente aos Jivas do
agente hospedeiro do próprio Chitta é diretamente
associado aos homogêneos e numenais elementos da
Criação, os quais são a miúdo organizados
tricotomicamente (Atma-Buddhi-Manas ou Rupa, as três
esferas da consciência cósmica ou a Tríade Absoluta). Isaac
Luria, no seu Hibur be-Kabbalah, afirma peremptoriamente
que, metafisicamente, o Pitris é a progênie intrínseca dos
Ancestrais da tradição dos Dhyanis terrestres. O célebre
apotema grego "γνῶθι σεαυτόν" nos ordena a desvendar o
nosso Ruach, não nosso Nephesch. Clama firmemente o
Codex Nazaraeus:

"Illuminatus quisque meis verbis eodem loci inter Genius reputabitur.".

A sombra das formas astrais será devorada, pois, pelos


quarto e quinto princípios da mente consuetudinariamente
relativa à chama da alma-pássaro97. Tal é este fenômeno,
algo deveras intrigante, porquanto toda forma astral se
estabelece em tão arrazoada sutileza que quaisquer veículos
de transportação que a assinalem no Iao (como os caldeus
diriam), podem diretamente influir em seu material divino.
As alusões a esta ocorrência do cosmos no Livro dos

Eis, pois, o formato não-predatório do Buda da iniciação, nas criptas


97

mais reveladoras do círculo do Buddhahood, donde é promanada a


Gênesis primeva das leis do Gupta Vidya.

197
Mortos ao Tiaou são indiscretas e mui elucidativas; tais
referências, socioculturamente falando, podem ser
derivadas da sabedoria dos Chitra-Sikhandinas da quarta
raça, viz., a Atlântida ou Mo-Uru. É dito no Dankmoe que a
integração de Osíris à geração essencial da concepção da
magnitude celícola ou terrestre é suscitada no
Conhecimento Oculto por ele próprio engendrado. Sr.
Seldem no-lo ratifica98:

"Utcumque autem, non sine singulari & ob hanc rem imprimis


admirada Dei Opt. Max. providentia.".

A entidade sobrevivente da biogênese planetária formou


com caráter elohístico, a todas as raças humanas e espécies
da terra. No tocante às raças humanas, dir-vos-ei que estas
possuem uma fonte original, donde surgiu a seminal
procriação de todas as suas etnias e nações, sendo a
condição suprema de cada prole, variada a cada
humanidade, agrupada então em ciclos septenários. Com
clareza, por exemplo, Baily, numa carta dirigida a Voltaire,
após extensa pesquisa, diz que o conhecimento das artes e
das ciências mundialmente considerado (da Raça Ária), em
preposição genérica, derivaram da Tartária, a qual, por sua
vez, provinha da Atlântida, ou a Raça Atlante. No mesmo
diapasão, assegura-se que tanto os tártaros, quando os
hindus e os árabes, étnica e biologicamente, originaram-se
de uma fonte ancestral compartilhada99. Pressupõe-se, pois,

98
“De Diis Syris”, SELDEN, John, p. 8
99
“Asiatic Researches”, vol. 2, pp. 23-24

198
que seja uma mistura dhyiânica entre as emanações vitais e
raciais tanto da Terceira Raça (Lemúria) quanto da Quarta
Raça (Atlântida). Destarte, gera-se todo o nosso dispositivo
mnemônico geosófico ou a própria consciência de Bhumi
ou Prithivi.

Seção IV
Da Razão Transcendental do Veículo Oculto

Personificam-se os Deuses por seus reflexos fásicos no


Narayana e, igualmente, os Homens. Todos possuem, por
nascente arcaica, uma duplicidade e, outrossim, uma
unidade. Agora, enfatizadas estas perspectivas esotéricas,
estimulo-vos a pensardes que vós não sejais apenas um
eflúvio constitutivo do Narayana, se não a própria cadeia
intergaláctica na qual ele é inteiramente compreendido. Os
Dhyan-Chohans deste cosmos são orientadores peritos da
espiritualidade e assombram a qualquer um com sua
magistral arquitetura, a qual invoca certamente a
independência suprassensível das infinitudes espaciais.
Vemos com abundância nos mistérios sagrados da Índia e
do Egito, um modelo de entendimento assaz ingente acerca
da ilimitada e triuna Consciência da natureza mágica das
coisas. No Papiro Leyden, encontrado, traduzido e
prefaciado pelo Sr. Griffith, encontramos um trecho no qual
Artamo, o narrador, clama provir duma grande basílica do
Leste, erguendo-se junto ao pai de Tat e Nap. A Ciência

199
Oculta e o Gupta Vidya nos demonstram claramente que a
"Grande Basílica do Oriente ou do Leste" é relativa à
Lemúria ou Mu, a qual é a Pátria-Mãe da humanidade e a
fonte da sabedoria dos deuses e dos sacerdotes dos Egito,
uma vez que a Terceira Raça configurou a Quarta Raça, a
Atlante (i.e., por tautologia, os deuses do Egito,
governantes da terra de Kem [Egito] segundo os Papiros de
Turim e os textos abscônditos nas câmaras secretas das
Pirâmides de Gizé e da Esfinge). O pai de Tat e Nap, por
analogia, é a Quarta Raça Atlante, que proveu os deuses e
semideuses egípcios, uma vez que seu envelope etéreo-
substancial ou físico-bioenergético fora a própria Terceira
Raça (viz., Lemúria ou Mu).
Todos os legítimos iniciados sabem que a Igreja Católica e
dissidentes correntes protestantes são, doutrinariamente e
per qualia, dominadas pelos Arcontes; eis a razão de todas
as suas crueldades durante 2 milênios de existência. 100 As
reencarnações terrenas, ou os fenômenos fádicos do
Sutratma, são um tugúrio desgostoso para todos os seres
vivos que se fisicalizam ante a roda de Samsara que os
simboliza e os organiza biofisicamente, pois, conforme os
hierofantes nos dizem, são demarcados pelo próprio
Saptaparna, ou as coirelas adorandas de Aanroo que
prosperam suas messes em inestimáveis cúbitos de
extensão, cujos gêneros de cultivo são sempre divididos em

100
Os aprofundamentos, não far-vo-los-ei, em face do fato de que isto
acarretaria provavelmente problemas gravemente fatais entre mim e a
poderosa doutrina religiosa e, inclusive, entre o leitor, naturalmente
despreparado para ouvir as arrebatadoras mensagens que são trazidas a
respeito da relação subordinativa do proselitismo cristão com os
Arcontes.

200
sete princípios de Consciência. Por conseguinte, Krishna
afirma no Bhagavad Gita:

"Esses corpos, que envolvem as almas que os habitam, que são


eternos, incorruptíveis e superam toda concepção, são declarados
perecíveis; portanto, Arjuna, resolve lutar. O homem que acredita
que é a alma que mata, e aquele que pensa que a alma pode ser
destruída, são igualmente enganados; pois não mata, nem é
morto. Não nasce, nem morre, nem existiu antes, não existe
mais; é antigo, constante e eterno, e não deve ser destruído nessa
sua estrutura mortal. Como o homem, que acredita que isso é
incorruptível, eterno, inesgotável e sem nascimento, pode pensar
que ele pode matar ou fazer com que seja morto? Como um
homem joga fora roupas velhas e veste novas, assim também a
alma, tendo abandonado suas velhas estruturas mortais, entra em
outras que são novas. A arma não a divide, o fogo não a queima,
a água não a corrompe, o vento não a seca. É indivisível,
inconsumível, incorruptível e não deve ser secado: é eterno,
onipresente, estável, imóvel e eterno: é invisível, inconcebível e
inalterável; portanto, acreditando que é assim, tu não deves
sofrer. Mas, se tu acreditas que tens nascimento e duração
eternos, ou que morres com o corpo, ainda não tens motivo para
lamentá-lo. A morte é certa para quem nasce e para quem morre
de parto é certa. Portanto, não é necessário que te lamentes pelo
que é inevitável. O antigo estado dos seres é desconhecido; o
estado intermediário é evidente, e seu estado futuro não é
descoberto. Por que então dever-te-ias se preocupar com cousas
como essas? alguns consideram a alma uma maravilha, enquanto
alguns falam e outros a ouvem com espanto; mas ninguém sabe
disso, embora ele possa ter ouvido isso descrito. Sendo esse
espírito nunca para ser destruído na estrutura mortal em que
habita, não é digno de ti ser perturbado por todos esses mortais.
Com relação também a seu dever, não deverás vacilar, pois não

201
há nada melhor para um Kshatriya do que uma batalha legal.
Felizes são os Kshatriyas que encontram tal batalha oferecida
gratuitamente a eles como uma porta aberta para o céu.".

A tríade imortal do espírito é constituída por diretrizes


desprovidas das grades pecaminosas mui vigorosas no
poderio profano do estágio evolutivo atual da
humanidade101. O Ego-Mônada, aliás, sustém todos os
preceitos estipulados no seio prístino da Rainha do Tempo,
a saítica Aset, mãe de Hor e esposa de Usir, a qual detém
todos os mandamentos ditados pelo primaz rei da terra de
Mo-Uru ou Poseida, como os esotéricos atuais soem
proferir. Os cabalistas judaicos, da mesma forma, referem-
se aos espíritos cósmicos como "Anjos" e aos planetários,
como "Elementais". Destarte, formam-se em uma
venustíssima estruturação as leis do Ocultismo, o Sol da
Sabedoria Divina, ou Teosofia, como dir-nos-ia o sage
Amônio Sacas.

Seção V
Da Linguagem Original da Humanidade

A teologia mística não é nem um pouco abstrata, senão for


o seu conteúdo esotérico, provindo da linguagem universal
101
Tu hás de entender, leitor, que as associações do Anima Mundi
conjugadas com o Espírito Absoluto, fomentam a aura circunjacente do
Planeta Terra; o entendimento das raças viventes nela programam,
portanto, os estágios coletivos conscienciais provisoriamente regentes.

202
dos "Mistérios". Nos salões de Amenti, a fonte hermética
do conhecimento é conjurada em sublimação ao grande
sistema arcaico da Ciência da Sabedoria. Os escritos
alegóricos dos Arianos e os grafados hieráticos do antigo
Egito o empregam com unívoca e expressiva abundância;
esta linguagem dos Mistérios cruza arquetipicamente todas
as nações do mundo, cujo manancial provém dum remoto
continente perdido em que floresceu a maior civilização de
todos os tempos na Terra. Tal linguagem servia-se (e ainda
serve) de instrumento primordial de comunicação e
interação entre os Adeptos ou os Adi Budas deste mundo.
Malgrado exista uma variação exotérica do Senzar (a
indisputável Voz do Silêncio ou linguagem original do
Cosmos) chamada Vatan, falada em Agartha e base de
registro dos seus textos iniciáticos, indecifráveis para o
vulgo, temos de enfatizar, necessariamente, que, como todo
conhecimento de valor sagrado, a linguagem dos Mistérios
pode ser pervertida para fins egoístas e de dominação total
e tirana da raça humana, como foi o caso da Igreja Católica,
na qual o sistema do Gupta Vidya dos primeiros papas foi
reduzido com velhaca inteligência pelos jesuítas em um
sistema blasfemo de feitiçaria e ritualística satânica. Diz,
pois, Sr. Dalgarno102:

"Supponamus enim Notionum aliquam, per didam Analysin


distribui incentum, forte mille particulas, ad omnes minutas
Differentias hujus Rei, quibus ab omnibus aliis dillinguitur,
notandas: oporteret, ut ad minimum, lingular particular seu
Differentise unam literam, ad illas dillinste significandum
haberent; his igitur Uteris in unam vocem colledis, Rerum
102
“Ars Signorum”, DALGARNO, George, pp. 46-47

203
Nomina in eam longitudinem excrescerent, ut vox una integram
paginam impleret. Summe quidem cum illis consentio, qui
majore acumine Philosophiae partem Analyticam contemplant,
quam Philofophorum vulgus; quanto pauciora fuerint Signa
Primitiva, ex quibus Rerum Complexarum Nomina, non ex mero
Arbitrio, fed Logice et fecundum Rei Naturam componentur,
tanto perfectior erit Ars: Frustra enim fit per plura, quod aeque,
vel magis commode fieri potest per pauciora. Verum in tanta
paucitate Primitivarum, ex nimia brevitate, nimia obfcuritas
oriretur: experientia etiam comprobaret, plus Arbitrii necessario
fore in hujusmodi Compolitis quam ipsis simplicibus.".

Um completo sistema astronômico, geométrico e


numerológico, ou qualquer outro disponível, deverá
cumprir funções infragmentáveis de construção de
conhecimento, sem que a Memphis atual sofra sua queda e
tampouco os países dos Mistérios, como a Caldeia de
Beroso, percam as Chaves para a Imortalidade novamente.
Vós, Teutônicos, deveríeis saber disso já há bastante tempo.
As crianças da Grande Rebelião Angélica, num estado de
Noun, excedem a agitação do próprio Mal nas escadarias de
Shoo. Engolfam-se, portanto, os ciclos de ressurreição
cósmica e de reencarnação humana na conjuntura eterna de
Benoo. Daí, a Linguagem Original é a salvação e o reforço
do próprio Toum ôntico. Corrobora-no-la Sr. Wilkins103:

"For Secrecy: such were the Egyptian Hieroglyphicks, (as they


are commonly esteemed ) being the representation or certain

“An Essay Towards a Real Character and a Philosophical


103

Language”, WILKINS, John, p. 12

204
living Creatures, and other Bodies, whereby they were wont to
conceal from the vulgar the Mysteries of their Religion. But there
is reason to doubt whether there be any thing in these worth the
enquiry, the discoveries that have been hitherto made out of them
being but very few and insignificant. They seem to be but a
slight, imperfect invention, sutable to those first and ruder Ages,
much of the same nature with that Mexicans way of writing by
Picture, which was a mere shift: they were put to for want of the
knowledge of Letters. And it seems to me questionable, whether
the Egyptians. (...) And though some learned men have (...)
thereby delivered the Art of Magic, or Conjuring (...).".

O Panteísmo Ocultista vexa e espanta os céticos, devido ao


fato deste ser a admissão final do princípio criativo da
Natureza, donde todos os Alastores são reduzidos a pó e os
Hougans encontram evidências tanto esotéricas quanto
exotéricas para a fonte suprema da revelação da perfeição e
do testemunho das cenas iniciáticas do falicismo do maior
Veda da história da linguagem dos Mistérios.

Seção VI
Da Fisiologia Arcaica dos Símbolos e dos Arquétipos da
Alma

A ideação cósmica constitui-se por inúmeras facetas da


Substância Absoluta, sendo a mesma, o Alfa e o Ômega,

205
cuja morfologia é soída a endereçar-se para as seletas
regiões do substrato da Verdade Eterna. Em matéria um
tanto mais metafísica, especula-se sobejamente acerca dos
mistérios da sabedoria das eras, por mais caricatas que
possam parecer suas estremes intenções! Contudo, ao
manejar este assunto com percuciência, as asas idealistas
aparadas pelos produtos da liberdade de pensamento,
invariavelmente, deverão surtir o temperamento da gnose
oculta tanto da coletividade quanto da individualidade.
Cultuara-se na Quarta Raça inicial, o Espírito da
manifestação dos mistérios e tal liturgia manteve-se até os
dias prósperos dos Helenos. As carruagens simbólicas,
avistadas nas constelações imagéticas do pensamento
oculto, são estruturadas pelos mais variados gêneros de
fenomenologias manvatáricas coevas e co-eternas. Desde a
moção molecular até os passos perniciosos ou santos do
Homem, existe uma diferenciação mui expressiva; vo-lo
saliento a fim de que possais estabelecer em vossas próprias
mentes o conceito de que Fohat, i.e. a Energia Cósmica, é
sustentado por um processo transcendental de veiculação
praláyica com os espelhos do Gupta Vidya, cujo
funcionamento é deveras incompreensível para a
Consciência Física Humana. Destarte, é necessário entender
que a heterogeneidade do Prakriti, conforme os graus de
visualização dos planos de percepção, é
consuetudinariamente definida pelos prótilos substanciais
da complexa natureza do estado pré-Material. O plano da
consciência metafísica coopera com os númenos das
faculdades perceptivas, numa industriosa intuição das
realidades concretas e experimentáveis das Entidades que,

206
então, residem no agregado septenário do Eu subjetivo-
objetivo.104
A consciência pura, como escopo e meio de vivência, é
desconhecida para nós, vulgos e meros mortais, deste
Mundo tridimensional. São barreiras que temos de superar
conforme nos aproximamos do mais alto Dhyan Chohan,
resguardado em silêncio e mágica sageza no Prabrahman,
como os vedantinos no-lo definiriam. Nada obstante, não
deixemos com que o Princípio Incognoscível degrada este
fenômeno per se; daí, segue-se a pré-diferenciação do
substrato cosmogônico da susbtância primeva, o "arché"
dos pré-socráticos e a "prima materia" ou "hyle" dos
alquimistas, na qual se delineia o Mahat cíclico e
procedente da conjunção vinculativa de Theos-Kosmos-
Caos; a fuga ilusória do Proteus, bem como a profanação de
Ichthus, devem, pois, ser extirpadas do Atma humano. Os
Puranas indianos e o Livro dos Mortos egípcio falam da
emanação do Éter ou da gradação de sua geratriz "Pater
Omnipotens Aether" nas balizas do mito enigmático da
"Substância Indivisível", ou άτομο. As injunções sobre os
estados regidos por "absque forma et figura" sempre
resultam numa indicação sobre a eternidade sintética do
Akasha no tocante ao Éter. Locupleta Pselo105:

104
O Manas é o fundamento desta condição intelectiva. A Ideação
Cósmica é, portanto, o upadhi desta Mente-Consciência, em graus de
manifestação sublimemente espirituais, os quais são derivados dos
estados hipnopômpicos da Entidade.
105
“Του Ψελλου Μιχαηλ εἰς την ψυχογονιαν του Πλατωνος”, PSELO,
Miguel, p. 12

207
""Πασα γαρ η μεταβετιχε κινησεις, χαν ασοματον εστιν ουσιον
ενεργεια, συνεγευγμενον εχει τον κρονον αυτε, καί γάρ ή ψσχέ
μεταβατιχος τούσ ορου νοέι (...), και εστιν αυτη εκ τον γενον του
οντος συγχειμένε, ούσίας, ταυτου, θατερου.".

Seção VIII
Da Energia Oculta ou do Madhyama Mirífico

A piedade e o conhecimento são cultivados de maneira


sucinta na tríade "Kwan-Shan-Yin", numa teologia referta
de simbolismos do Logos, no qual Shakti, ou Energia,
alegoriza a forma oculta e suprema do Avalokiteshwara,
cujo processo os seguidores e comentaristas dos Vedas,
como, v.g., Madhidara e Sayana, chamariam de
Daiviprakriti. As célicas abadias, efetivamente, engendram
doravante aos acontecimentos supracitados, um som
melodioso e paradisíaco ou uma voz divina, i.e., o próprio
Silêncio; outrossim, o grandioso Vach forma, abstrata e
conceitualmente, uma espécie de hierarquia teogônica
enquanto manifesta os seres no Cosmos. Os Kerhebs, ao
escreverem seus textos ritualístico-religiosos, quiçá,
recebessem inspiração das potências adjacentes ao Vach.
Os pantáculos de Enchridion, mais especificamente, o
Laburum, advindo da Cabala, o grande Monograma
mágico, é um receptáculo excelente para a liberação do
Fohat ou dos princípios cósmicos supramencionados. Por
conseguinte, analogamente, Adam Kadmon e Bath-Kol não
são somente complementares, senão forem os mesmos o
Par Perfeito ou a União e a Razão da existência do Cosmos;
ei-la, pois, como o almo e o sustento de todas as obras
criadas e suas criaturas. Eu, então, vo-los realço em

208
detrimento das blasfêmias contra os magos Lapland (por
exemplo), os quais dominaram o Logos e tornaram-se,
subsequentemente, matrizes de Adi Budas; Scheffer
descreveu-os com acuidade em sua "Lapponia".
Os anjos da escuridão, os geradores espirituais das
hierarquias planetárias e os seres sobrenaturais
desempenhando papéis dhyânicos, denominamos Lhas. Os
espíritos guardiões deste Globo são, com efeito,
encadeamentos subordinativos dos ciclos septenários dos
Gênios Célicos ou Terrenos lhes inerentes. Este Kyriel de
deuses, mesclado com os mistérios solares de Demiurgo,
porventura, no-los elucide de uma maneira que satisfaça as
condições de interpretação aspectual da metafísica e da
autoridade infalível dos Lhas nos quais estão incutidos.
Todos eles tampouco passaram pelo sofrimento dos
Sanjoyanas, i.e., os obstáculos da Iluminação da
Consciência Cósmica; por assim dizer, faço a asserção de
que a substância fibrosa que determina as potencialidades
místicas de cada um está internamente localizada na
exaltação da Sabedoria Oculta nela comissionada. É,
claramente, um simbolismo mui importante para este
gênero de alegoria esotérica.
Os supervisores divinais que modelaram o Espírito Terrenal
serviram-se de germe para a Árvore Ástrea ou a Astrolatria
in ipso. Os Kosmoscratores, bem como a situação favorável
do fogo para a pasta candente e oleenta ser causticada, são
as matrizes sumas dos arcanos de Christos dos arianos, dos
egípcios, dos herméticos, dos caldeus, e inclusive dos
judeus. O cinturão energético difuso, desde a cosmogênese,
dos Bne' Alhim, evidencia, sem sombra de dúvida, que,
desde Soma e Sin até Ísis e Diana, existe uma

209
intercambiável referência poderosa e invisível da Lua sobre
a Terra, sustentada pelos avançados materiais dos Kumaras
de vários sistemas galácticos, sobretudo, do Sistema Solar,
v.g., Brihaspati e civilizações planetárias próximas da Via
Láctea. É, sob um ponto de vista da antiga cosmogonia,
algo de extensiva alusão ao fundamento reitor do Logos,
com ativa e objetiva potência, sempre direcionando as
hierarquias universais. No-lo condensa Sr. Fioravanti no
contexto alquímico106:

"Et si alcuno intendere gli occulti secreti di tal'arte (alchimia),


potrá vedere il compendio di secreti (Gupta Vidya o Kumaras),
dove ha rivelatto totto (Logos)."107

O Logos, efetivamente, é o ápice do triângulo pitagórico


em todos os seus polos de mensurabilidade. É o tríplice raio
do Mulaprakriti, manifestado, principalmente, nos númenos
sublimes e parabrâhmicos, a despertar os poderes ocultos
do Homem, do Tetragrammaton, o supra-cônscio
pensamento da Substância Primordial.

Seção IX

106
“Dello Specchio di Scientia Universale”, FIORAVANTI, Leonardi,
p. 97
107
Os grifos são do próprio autor, para facilitar as associações das
ideias e o entendimento do leitor.

210
Da Alma do Mundo

Os Sete Elementos, durante o Mahapralaya, são


circunscritos numa esfera de análoga e peremptória
renovação, a partir do momento em que são examinados
pelas supremas sentenças das Ciências Ocultas. Estamos,
agora, na segunda metade da Quarta Ronda, i.e., a mais
densa e física; enfatizado isso, deveremos diferenciar a
Alma do Mundo da Super-Alma, a qual, por sua vez, se
apresenta como a Neblina de Fogo Cósmica. Sobremais,
teremos o Jivatma associado às propriedades nirvânicas do
endereçamento da atividade das Forças do Universo, que
são indecomponíveis e plenamente garantidas. Através das
sombras dos ciclos de vida e da latência elemental das
Divinas Antiguidades, compreenderemos, pois, que Akasha
é luminoso até mesmo no reino da negatividade; assim,
dever-se-á enunciar que, de fato, volvam ao seu plano
original, as manifestações, quando potencializadas as suas
características de limiar equiparadas ao prísitino fluxo
destinatório e manvatárico do Fohat sui generis. Assevera-
no-lo Timeu de Lócrida108:

"Δυο ων αιδε αρχαι εναντίας. αν τε μυ ειδο λογον εχει αρρενος


τε παζοσ α δ΄ υλα, θελεος τε και ματεψοσ. τειζα δε ει τα κα
ζαιτον εργονα.".

108
“Da Alma do Mundo”, DE LÓCRIDA, Timeu, pp. 8; 10

211
A imaculada e arcaica acumulação de penetrantes
processos metafísicos que designam, num andaime de
alumiosos ancenúbios, a eternidade e o re-despertamento
crebro da bulida Energia emanada do Verbo Universal, é,
pois, o perficiente disco do espaço eterno relativo
à periodicidade  sem lindes do Pralaya. Nos mitos hieráticos
persas, temos o relato duma árvore dupla sendo, conforme
o Bundahesh nos evidencia, a sacra provedora da bebida da
imortalidade (haoma) e do conhecimento espiritual,
invariavelmente atiçados ao seu ápice. As configurações de
grandeza preternatural, firmadas em onipotente Natureza,
são examinadas com percuciência pela magia, a qual, por
meio de extramundanas e supra-cônscias faculdades,
desvela os segredos e os prodígios de seus arcanos
incutidos, claramente, na ciência iniciática e incognoscível,
por canais sencientes, do divinorum interpres et cultor. Eis,
então, a ordenada dimensão do pensamento
manvatárico que assentou todas as antigas, presentes e, até
mesmo, porvindouras distribuições ideacionais
cosmogônicas e teogônicas; assim, analogamente,
nos Eddas, observamos o deus Iddhun a guardar as maçãs
da imortalidade, ao passo que na árvore cósmica de
Yggadrasil, encontramos o símbolo central, ascendendo
antes da fonte de Mimir, onde contém os princípios de
todas as sabedorias. Orfeu dizia que tais mecanismos
ocultos eram uma espécie paradigmática do Cultus Dei, no
qual, esotericamente, fazia-se a genuína reverência divina
e, exotericamente, fazia-se uma replicação dela e de seus
atributos soberanos.
A vida primeva, eterna e invisível está sucinta em sua
própria unicidade; logo, suas manifestações regulares hão
de provir dos reinos obscuros e enigmáticos do Não-Ser,

212
malgrado isto possa parecer, in abstracto, algo antitético; a
Consciência absoluta é, ainda, a inconsciência;
inconcebível, ei-la como a auto-existente realidade do Eu;
por conseguinte, todo o caos tem senso e contrassenso e
todo o cosmos tem razão e intuição. A propriedade absoluta
lhes intrínseca, consoante o movimento eterno e incessante
da Natureza, é, em linguagem mística, o "Grande Sopro",
i.e., o fluxo perpétuo do universo, se considerarmos o
Espaço como ilimitado e sempre a presenciar seus eventos.
O que é imoto, com efeito, não se enquadra, em alguma
hipótese, nas características estremes da Divindade. Vo-lo
realço para que tenhais em mente que não há nada de
factual e real integralmente inerte dentro da normatividade
constitutiva da Alma Universal. A simbologia dessas
concepções, por sinal, mui raciocinativas, podem ser
presentadas, hermeticamente, de acordo com os ditames
filosóficos de Bernardo de Treviso, no símbolo do dragão
"Ouroboros", o qual exprime o Todo. Ele
personifica Mercúrio, ou o primordial fundamento do Opus
alquímico, equânime a Água da Vida, que concede
a ressurreição  aos mortos e iluminados filhos de Hermes
ou, ainda, pode traduzir a insígnia alegórica da "Dama dos
Filósofos". Outrossim, ei-la capaz de retratar o Dragão,
viz., o poder dissolvente ou que mata. Prof. Malaq no-los
propôs:

"Labia Sacerdotis costediunt scieriam, et legem exquirunt de ore


ipsius.".

213
As ciências ocultas, isto é, os arcanos do testemunho e
pensamento divinos, encenam a contemplação dos númenos
e fenômenos que não são de comum percebimento do
vulgo; de fato, como julga-se a miúdo, não existe magia
natural, tampouco magia sobrenatural; a magia é a
invocação das sensações pertinentes ao respiro criativo da
Natureza Cósmica, que abrange tanto os desencarnados
quanto os encarnados e, assim, sê-lo-á.

Seção X
Esboço Essencial sobre as Doutrinas Secretas Reveladas

A filosofia caldeia é realmente um sistema de pensamento


peculiar, dotado de uma sagacidade louvável; portanto,
deve ser um dos principais escopos do exame de nosso
conhecimento humano. Uma vez que o Império Persa
derrotara os caldeus, suas instituições religiosas
prevaleceram sobre eles; durante esse período, foi
registrado que o povo caldeu adorava um ídolo divino e
intrigante chamado Moloch antes e depois da
superintendência de Ciro. Isso é um sinal de que a
civilização humana da Antiguidade já lidara com as
imensas crenças e superstições místicas e rituais sagradas e
reverenciadas, legadas, principalmente e supostamente, pela
raça atlante que, por outro lado, foi fortemente influenciada
pela religião solar lemuriana; portanto, nos certificaremos
de que os toltecas, os semitas e os turanianos eram as sub-
raças dos atlantes que fizeram a máxima e completa
exaltação religiosa da qual a raça ariana desfrutou

214
abundantemente desde seu período seminal. Um ocultista
deve defini-lo como uma herança simbólica e santificada
múltipla da designação mais adequada dos valores
doutrinários arcaicos de Eh'yeh, vigorosamente
estabelecidos na Quarta Raça e no povo ariano mais antigo.
Historicamente, essas circunstâncias são ilustradas com
precisão por Heródoto e Porfírio, que eram avidamente
interessados pelas ciências ocultas desde o início de suas
carreiras dedicadas à edificação da mais sólida tradição
erudita. Um mistério iniciático deve ser inegavelmente
autenticado pelas próprias nações pré-adamitas; portanto,
deve-se afirmar que as raízes da palavra ‫( אדון‬adon) são
fundadas à luz duma ideia relativa a um tipo primitivo e
onipresente de humanidade, que, na terminologia bíblica,
foi configurada como "a época de um lábio e uma palavra"
"ou fala.
Orfeu foi um iniciado consagrado, assim como Buda,
Confúcio, Jesus, Pitágoras, Krishna, Apolônio de Tiana,
Amônio Sacas e etc.; no entanto, nenhum deles realmente
pretendia transmitir seu conhecimento secreto à publicidade
total, porque alguns fatos e ações foram endossados para
serem mantidos em sigilo e silêncio. A caridade e a
generosidade serão consideradas em seu cume na
inteligência de Chrestos, segundo a qual os Adeptos estão
invariavelmente destinados a propagar sua Energia Divina.
Jâmblico, como iniciado, interpretou o panteão egípcio
como personificações de vários atributos do Poder Supremo
do Cosmos; esta é, de fato, a chave arrebatadora para
compreender os mistérios da Deidade Suprema, que é o
potentado mais abençoado e proficiente de todas as ciências
sagradas e o construtor mais elevado dos mundos.

215
Champollin-Figeac havia declarado que o panteão dos
egípcios era apenas simbólico; ele havia afirmado que era,
em parte, um sistema monoteísta perfeito. Além disso,
Abraão ensinou ao povo hebreu a magia, e os pitagóricos a
esquematizaram em uma tradição mística, ou gnose. O Sr.
Chabas instruiu seus leitores a entender o fato de que os
deuses e deusas eram um aspecto único de Deus, que
existia antes de tudo e era realmente todo-poderoso. Então,
diz o Sr. Knight109:

"By this universal expansion of the creative Spirit, every


production of earth, water, and air, participated in its essence;
which was continually emanating from, and reverting back to, its
source in various modes and degrees of progression and
regression, like water to and from the ocean. Hence not only
men, but all animals, and even vegetables, were supposed to be
impregnated with some particles of the Divine nature; from
which their various qualities and dispositions, as well as their
powers of propagation, were thought to be derived. These
appeared to be so many different nations of the Divine power
operating in different modes and degrees, according to the nature
of the substances with which they were combined (whence the
characteristic proper ties of particular animals and plants were
regarded, not only as symbolical representations, but as actual
emanations of the Supreme Being, consubstantial with his
essence, and participating in his attributes.” For this reason, the
symbols were treated with greater respect and veneration, than if
they had been merely signs and characters of convention; and, in
some countries, were even substituted as objects of adoration,

An Inquiry into the Symbolical Language of Ancient Art and


109

Mythology”, p. 19

216
instead of the deity, whose attributes they were meant to
signify.".

A idolatria surgiu de um solo mítico de idéias, no qual a


concepção de um Deus oculto através do véu de cada ser e,
além disso, representa cada predicado. Os fetiches de
adoração originais da humanidade tinham, ao contrário das
crenças e especialistas do senso comum, uma articulação
múltipla de noções monoteístas. Maiomonides, sugerindo o
dossel não envernizado da substância primitiva divina em
seu Sepher Hamitzvot, considerou uma injunção cabalística
sobre esse assunto. No entanto, como Clemente havia
anunciado anteriormente, durante o seu tempo, o
cristianismo sofreu uma ligeira perversão com relação aos
ensinamentos esotéricos dos patriarcas. Os mistérios
eleusianos, em que os egípcios, os caldeus e os gregos
pagãos abundantemente se articulavam, vieram da Quarta
Raça ou dos Atlantes; portanto, os Evangelhos,
fundamentados na mesma base, eram as diretrizes
misteriosas dos Mistérios da Fé, com as quais as parábolas
simbólicas puras e coradas da Bíblia estavam ali enraizadas.
O pleroma de cursos nos quais Deus pode instituir Sua
geratriz ostentada é basicamente estabelecido na fórmula
"uníssono homem-mulher"; daí, o substrato primordial do
universo era, como Khem intitulara "Ka-Mutf", o "homem-
mãe ", que se separou no começo para dar existência ao
universo, mas preservou a essência para mantê-lo e atestá-
lo em uma operação impecável e elevada, seja na
sobrevivência ou no júbilo das intenções da vida.

217
Afirma o Sr. Worsley110:

"Did we not know the rapacious disposition of mercantile men


when they leave their home in order to enlarge their fortune and
raise their families to wealth, it might be thought a most
extraordinary thing, that the settlers on the western continent
should have passed through a long succession of years without
giving themselves any concern about the origin of the people
among whom they had settled and whose land they had seized
upon; that a race altogether different from any already found in
any part of the world should be within their knowledge and under
their eye, and yet no enquiry be made from what stock they had
descended, and in what branch they were allied to the inhabitants
of the old Continent. The opinion generally prevailing among us
is, that the whole human race is descended from one pair. This
opinion is derived from what we regard as divine authority; but
lest any of my readers should question that authority, and
conceive that the early part of the history of the world was
gathered by Moses or some other learned Israelite from traditions
which had been handed down from gene ration to generation, and
therefore do not bear a divine stamp; it shall be added, that this
opinion is corroborated and strengthened, by the observations
which have been made by philosophical observers on the
different nations of the earth, by the light shades of difference
which are perceptible in the gradations from the purest fair to the
darkest black complexion, and the evident and palpable effects of
climate, food, manners, customs, habit and education, the
influence of superstition which has produced its effects on the
body as well as on the mind of man, and a variety of political and
moral regulations. If the mind be the standard of the man; it is
not less true, that peculiar notions taken up and acted upon, have
110
“A View of American Indians”, pp. 1-3

218
had a sensible influence on the features of the countenance, the
motions of the body, the shade of complexion and other traits of
the human character. So that although there are great diversities
in the general appearance of mankind, and we may divide them
into classes, each possessing peculiarities different from the
others; yet are there none of these peculiarities, whether of form
or feature, or colour, but may readily be accounted for by the
influence of climate, food, &c. and this is yet more confirmed by
the utter impossibility of drawing the line which shall separate
one race from another, and decide that this is descended from the
tawny race and that from the fair: because the difference is so
small, while the similarity is so striking, that more easy would it
be to divide the approximating colours of the rainbow. There are
great dissimilarities observable in the Inhabitants of Europe; the
nations of it are characterised in such a way as to be easily
distinguished; the German, the Frenchman, the Dutchman, the
Spaniard, although they have a general resemblance, are marked
by traits wide enough to be known, as well in general appearance
as in colour; nor can we readily say, why these nations have
assumed peculiarities by which they are known among their
fellows. But they have assumed those peculiarities. And if we
pass over a few more leagues of the land or of the sea either to
the north, the east, or the south, we come to nations whose
complexions, whose form of countenance, whose figure, and
whose manner of life, are very materially different from those of
the European; yet, while they exhibit as many shades of
difference as does the Iris on the cloud, they pass as gradually as
do the colours of that beautiful bow from one to the other, which
are known by differences so small, that we cannot perceive
where one of these colours ends and another begins: so neither
can we distinguish the termination of one set of characteristics of
the human race and the beginning of another, so as to say, these
are from one original stock and those from another.".

219
Os pitagóricos e platônicos mantêm-se como arcanos da
doutrina cristã, e, além disso, deve ser declarado o
testemunho dogmático com, malgrado supremo, o
δημιουργός ou πατὴρ ἀνδρῶν τε θεῶν τε θεῶν τε que medeia
com suserania o ψυχ‫ ח‬κόσμου, como proclamavam os
partidários de Moisés. Qualquer coisa que ocorra nesta
ocasião oculta, da qual as forças predominantes se
sobrepõem ao seu significado, isto é, pela vitalidade que ela
é capaz de doar, ela fortalece e equipa o homem com o
mundo invisível do qual o manifesto é o efeito. Assim, é
insinuado com precisão um enriquecimento da vida. Daí em
diante o que foi indicado, diz, em suma, Ferécides de Siro:

"Chronos e Zas sempre foram, e também Chthonie. Uma vez


Chronos, sozinho e sem um parceiro, lançou sua semente. De sua
semente ele fez fogo, ar e água, e depositou-os em cinco
cavidades. Lo, das misturas de fogo, ar e água nas cavidades
surgiram outra geração de deuses: os deuses ardentes habitavam
em Ouranos e brilhavam. Os deuses do vento em rajadas de
Tartaros, os deuses aquáticos no Caos e os deuses das trevas na
noite negra.

Depois que a geração de deuses, nascidos da semente do Tempo,


assumiu suas habitações, Zas tornou-se Eros e casou-se com
Chthonie. Os outros deuses construíram muitos palácios grandes
para ele; eles forneceram todos os bens necessários, as mesas de
banquete, os criados e as criadas, e quando todas as coisas
necessárias foram realizadas, realizaram o casamento. No
terceiro dia do casamento, Zas fez uma túnica grande e bonita e
bordou a Terra, Ogenos e as mansões de Ogenos. Quando ele
terminou sua tarefa, ele apresentou a túnica a Chthonie e disse:
'Porque desejo me casar com você, eu a honro com esta túnica.
Alegre-se e seja meu consorte! Eles dizem que foi a primeira

220
festa de revelação e, portanto, surgiu o costume de deuses e
homens. E ela respondeu ao receber a túnica dele: 'Tomo isso
como minha honra, e de agora em diante serei chamada Ge ...' Os
deuses celebraram, banqueteando-se com ambrosia. E a Terra era
como um carvalho alado, forte e poderoso; suas raízes se
estendiam às profundezas de Tartaros, seu tronco era cercado por
Ogenos e seus galhos chegavam a Ouranos. A Terra floresceu e
Zas se alegrou.

Mas abaixo da Terra, no oco de Tartaros, Ophioneus nasceu. Ele


e seus filhos monstruosos desafiaram Cronos. As linhas de
batalha foram traçadas, com Cronos o comandante de um
exército e Ofione liderando os Ophionidai. Os termos da batalha
foram declarados: quem deles caísse em Ogenos seria o
derrotado, enquanto aqueles que os expulsassem e derrotassem
possuiriam Ouranos. Um feroz conflito se seguiu. Cronos tinha
um forte aliado em Zas; em combate único, ele derrubou Ofione.
Ophioneus e sua ninhada foram lançados em Ogenos, e eles
habitam nas mansões de Ogenos até o dia de hoje. Cronos,
comandante do exército vitorioso, foi coroado pelos outros
deuses (daí surgiu o costume de usar coroas pelos vencedores).
Zeus honrou os deuses vitoriosos e atribuiu a eles seus domínios.
Cronos venceu Ouranos. Estas são as ações dos outros deuses:
abaixo de Ouranos está o ardente Aither; abaixo Qualquer parte
da Terra; abaixo dessa porção é Tartaros; as filhas de Boreas, as
Harpias e Thuella, guardam; ali Zeus bane qualquer um dos
deuses que se comportam com insolência. Também existem
almas de homens que cometeram derramamento de sangue. Suas
almas são carregadas através dos portais e portões de Tartaros
em um rio que flui até o nascimento; o rio é como a semente que
leva a uma nova vida. E as almas dos homens partem da vida e
entram novamente nas cavernas e cavidades de Tartaros através
de seus portais e portões. Ao lado de Tartaros está o Caos e os
reinos da noite escura ".

221
Esta descrição grega da Trindade mostra-nos poderes
regenerativos e degenerativos, ao lado de um poder
iniciador; os oráculos persas do zoroastrianismo o
descreviam perfeitamente, apesar do cristianismo ter uma
percepção perdida, por mais que fosse mui bem embutida
essa ideia no Espírito Santo cristão, que foi denominada "
‫( "יהךה רךה‬Ieue Ruh) ou " ‫( "אלהיח רךה‬Aleim Ruh) durante o
Pentateuco. No entanto, leitor, tu deves ter em mente que os
autênticos textos "apócrifos" foram escrupulosamente
protegidos nos santuários sagrados da Caldéia, Índia,
Fenícia, Pérsia, Pérsia, Tibete e China; à parte dessas
informações, os tratados intrigantes e açuladores de Targes
e seu aprendiz e defensor, Tarchon – florescendo há muito
tempo na Guerra de Troia – geraram e deslumbraram os
númenos de registros antediluvianos e talismãs da tradição,
principalmente o Livro de Thoth. Os teólogos devem estar
acostumados ao fato de que qualquer Espírito divino
procedente é provido, principalmente, por Ἀγάθων, isto é, o
bem supremo das dimensões intelectual e visível, no grande
engendramento do próprio Logos. Macróbio então se
pronuncia111:

"Cur enim, inquit, si reruin caelesiium notionem, si habitum nos


animarum docere voluisti, non simplici et absoluta hoc
insinuatione curatum est, sed quaesita persona, casusque
excogitata novitas et composita advocati scena figmenti ipsam
quaerendi veri ianuam mendacio polluerunt? Haec quoniam,
dum de Platonico Ere iactantur, etiam quietem Africani nostri
somniantis accusant (utraque enim sub adposito argumento electa
persona est quae accommoda enuntiandis haberetur), resistamus
111
“Ambrosii Theodosii”, p. 18

222
urgent, et frustra arguens refellatur, ut una calumnia dissoluta
utriusque factum ineolumem, ut fas est, retineat dignitatem.".

As conexões da enorme cadeia são o Spiritus Mundis ou


Mens, como é variado na terminologia cristã, que, assim,
será o principal valor de todas as coisas e depositada sobre
todos os seres gerados; sua essência, apoiada no Pai, é
crucial e notável para as doutrinas dos pagãos, que não são
tão conflitantes quanto as que correspondem às doutrinas
ou opiniões de várias seitas cristãs, na medida em que o
paganismo é o criador direto do cristianismo deturpado. O
entendimento cristão original era praticamente igual ao
entendimento platônico, por assim dizer. É sabido que um
certo número desempenhou um papel importante no
sistema de filosofia e teologia antigas. Os pitagóricos
ocultaram seus ensinamentos de maneiras numéricas e
geométricas, que é a única maneira que sua filosofia foi
dada ao mundo exterior. Os sacerdotes judeus também
explicaram o amplo método de contar na Cabala, e os
rabinos frequentemente o usavam na interpretação
talmúdica das Escrituras. Os primeiros antepassados da
igreja evitavam muitos elementos do sistema em seus livros
que contradiziam os conceitos errôneos das várias seitas
gnósticas cristãs. Mas todas essas explicações do raciocínio
matemático falharam em ser entendidas, e grande parte da
antiga doutrina mística dessa filosofia numérica lho
contribuiu. O antigo uso da matemática como símbolo da
doutrina esotérica pode ser encontrado no Egito, onde se
originou com os gregos, e também é exportado para o
mundo moderno. Embora não tenhamos, infelizmente,
nenhuma evidência conclusiva de como o povo misterioso

223
do Egito usou suas figuras, parece que seu sistema
matemático fazia parte do dogma dessas leis, dizia Platão,
que já existia há dez mil anos, e contínuo. Assevera o Sr.
Dupuis112:

"The word God seems intended to express the idea of a power


universal and eternally active, which gives impulse to the
movements of all Nature, following the laws of a harmony alike
constant and wonderful, and developing itself in various forms,
which organized matter can take, which blends itself with and
animates everything and which seems to constitute One, and only
to belong to itself, in its infinite variety of modifications. Such is
the vital force, which comprehends in itself the Universe, or that
systematic combination of all the bodies, which one eternal chain
binds amongst themselves and which a perpetual movement rolls
majestically through the bosom of space and Time without end.
When man began with this reason upon the causes of his
existence and preservation, also upon those of the multiplied
effects, which are born and die around him, where else but in this
vast and admirable Whole could he have placed at first that
sovereignly powerful cause, which brings forth everything, and
in the bosom of which all reenters, in order to issue again by a
succession of new generations and under different forms. This
power being that of the World itself, it was therefore the World,
which was considered as God, or as the supreme and universal
cause of all the effects produced by it, of which mankind forms a
part. This is that great God, the first or rather the only God, who
has manifested himself to man through the veil of the matter
which he animates and which forms the immensity of the Deity.
This is also the sense of that sublime inscription of the temple of
Sais: lam all that has been, all that is, and all that shall be, and no
mortal has lifted yet the veil, that covers me. Although this God
112
“Universal Religion”, vol. 1, pp. 15-16

224
was everywhere and was all, which bears a character of grandeur
and perpetuity in this eternal World, yet did man prefer to look
for him in those elevated regions, where that mighty and radiant
luminary seems to travel through space, overflowing the
Universe with the waves of its light, and through which the most
beautiful as well as the most beneficent action of the Deity is
enacted on Earth. It would seem as if the Almighty had
established his throne above that splendid azure vault, sown with
brilliant lights, that from the summit of the heavens he held the
reins of the World, that he directed the movements of its vast
body, and contemplated himself in forms as varied as they are
admirable, wherein he modifies himself incessantly. "The World,
says Pliny, or what "we otherwise call Heaven, in which
comprises in its immensity the "whole creation, is an eternal, an
infinite God, which has never been "created, and which shall
never come to an end. To look for something else beyond it, is
useless labor for man, and out of his reach." Behold that truly
sacred Being, eternal and immense, in which eludes within itself
everything ; it is All in All, or rather itself is All. It is the work of
Nature, and itself is Nature." Thus spoke the greatest philosopher
as well as the wisest of ancient naturalists. He believed that the
World and Heaven ought to be called the supreme cause and
God. According to his theory, the World is eternally working
within itself and upon itself, it is at the same time the maker and
the work. It is the universal cause of all the effects, which it
contains. Nothing exists outside of it, it is ail that has been, all
that is, and all that shall be, in other words: Nature itself or God,
because by the name of God we mean the eternal infinite and
sacred Being, which as cause, contains within itself all that is
produced.".

Seção XI
A Arte Perdida da Manifestação Oculta das Coisas

225
A miríada encontrada dos pontos de vista cabalistas –
confessa-se – instruídos pelos vãos e amadores estudantes
esotéricos da Cabala, que sequer possuem consistência na
própria adquisição dos ensinamentos, deverá ser assaz vária
e ambivalente nas inferências sintéticas daí postuladas. A
verdadeira marca do Zohar reside, incondicionalmente, nos
amplos ditames da preciosa ciência exata neste ensaiados.
Filalethes, Thomas Browne, Robert Fludd, Arthur Dee,
Della Porta, Paracelso, Agrippa, Reuchlin, Trithemius e &c.
viam o uníssono da Cabala com a tradição original do
Judaísmo como um verdadeiro poço de Sabedoria Oculta e
Universal; jurava-se, doravante, que sob esta fonte que
poder-se-ia guardar o conhecimento secreto acerca dos
mistérios da Natureza e relevantes inclinações metafísicas e
divinas. O Zohar consiste, basicamente, em apresentar-nos
um compêndio vastíssimo de léxico esotérico sinonímico
relativo a todos os arcanos dos evangelhos cristãos;
enquanto isso, o Sepher Yetzirah é a luz que brilha em todas
as trevas e o recipiente das chaves para abrir todos os
segredos da ordenação e do pensamento cósmicos. Tal
linguagem mística, tão-somente contemptada pelos
renomados ocultistas do Século das Luzes, era
copiosamente empregada pelos alquimistas, para
protegerem-se das ameaças da Inquisição, distinta, por
conseguinte, do idioma iniciático dos Adeptos pagãos, o
qual os alquimistas traduziram novamente e revelaram da
mesma forma. Caso se duvide agora, é apenas porque os
homens da modernidade da Quarta Revolução Industrial
não conseguem, em hipótese alguma, reproduzir
semelhante prodígio preternatural. Os antigos, bem como

226
os homens modernos, possuíam uma forma peculiar de
desejar bem-aventurança a outrem, imprimindo, pois, o
conceito de perpetuam felititatem; sem embargo disso, os
festivais cristãos que temos hoje são, na verdade, azougadas
cópias das celebrações pagãs orgíacas e idólatras. No-las
afirma Sr. Fauchet113:

"Taint de fiance auoyent auex lieux Saincts les gens de ce temps


la, & ne pouuoient ſitoſt oublier le ſoulagement qui leur ſembloit
venir des oracles des Dieux, pour la conſolation des affligez, ou
l'aſſeurance des entrepreneurs de quelque grand affaire: ce qui
teſmoigne en partie , comme nos premiers Chreſtiens
approprioyent le Paganiſme au Chriſtianiſme: car il eſt certain
que les anciens Payens ont vſé des ſorts tirez des liures d'Homere
& de Vir quand ils vouloyent ſçauoir les choſesauenir : & un
article du Concile d'Affrique, deffendant les ſorts diuins, ſe peut
entendre des liures du nouveau Teſtament.".

Prossegue, no mesmo raciocínio, Polydore Vergil114:

"For the xvij. yeare before the arrivall of the Englishe Saxons,
the Pelagien heresie as a festering canker hadde crepte throwghe
the Ilonde, which bie tyrannie of the Romaine Emperours was
confirmed emonge Christians, to the greate endamaginge of the
true Christian secte.".

113
“Les Antiquitez Gauloises et Françoises”, p. 225
114
“English History”, vol. I, p. 118

227
O festival de Martinmas foi uma imitação exata da festa dos
romanos e os gregos chamavam-no Pitegie, que significa a
abertura dos barris de vinho, que atualmente é praticada
pelos cristãos. Daí, seguir-se-á a asserção de Barônio115:

"In eodem sensu etiamaccipienda sunt verba Tertulliani libro


decoronamilicis, dumait: Chrirtianum hominem milicia?
Asscriptum eadem pro Chrsti nomine (...) quar (inquit) fides
Pagana condixit : ac si dicerct: istiani hominis militantis cum illa
quod fuerat ibi prescripta; cum adhuc Paganus nondum inter
«(...) eßfet adniimeratus. (...) Nec enim deliicorum impunitatem,
martyriorum immunitatem militia promittit. Et paulé psft: Apud
hunc (Chriftum feilicet) (...) miles eft Paganus fidelis; quàm
Paganus est miles infidel is, &c. quz verba male à Rhenanoeí
Teinterpretata, quisque facile intelliget: miramurque Pamelium
virum eruditum eum (...) secutummullo enim pació Paganus illic
pro Ethnico, sed pro eo tantum (...), quodautem Pagani portea
appellati sunt & huiusmodi non sunt Chriftiani, sed Gentiles: non
quidem antiqua, sed recens fuit eayocis significatio: quar licet
reperiatur in eo sensu posita in nonnullis vitisfanorum martyrum;
tamen non ex illorum Aöis olim conferiptis, fed ab iis qui
poftmodum eadem paraphrasticèdescripferunt (...) usurpatum
scias, utapparethicin Metrano, dequohac dieagiturin
Martyrologiis (...).".

Os alquimistas, sob alegoria simbólica, nos ofereceram a


chave para o entendimento absoluto de seus escritos;
todavia, os mistérios lhe inerentes incrustaram-se em
enigmas ainda mais arrebatadores a respeito do mesmo
fenômeno. O Kahalak, sob a influência da nada judiciosa
115
“Martyriologium Romanum”, p. 94

228
dogmatologia cristã, foi interpretado com uma máscara
teológica que distorceu completamente seus autênticos
ensinamentos místicos; sob a cristologia coagida, pois, é
simples que qualquer esotérico entre nossos modernos
propagadores do movimento da Nova Era e do espiritismo
renovado à luz da consciensciologia, interprete esta
gnosiologia arcana à sua maneira. O dogma cristão místico
é o turbilhão central que envolve todos os antigos símbolos
pagãos; o gênero de cristianismo que se opõe com
veemência aos trabalhos iniciáticos do primitivo
gnosticismo é a nova réplica do alambique alquimista;
consequentemente, toda aquela representação da poderosa
barba do Macroprosopos menciona, na verdade, somente a
carreira terrenal de Jesus Cristo, não a sua ascensa ou
espiritual; assim, far-se-á notável que a Cabala mística é o
suporte substancial dos arcanos da Maçonaria. Contudo, o
sistema maçônico hodierno é um reflexo sombrio e aviltado
da Maçonaria Oculta primitiva, i.e., os ensinamentos
daqueles maçons que restauraram em plenitude os mistérios
dos templos de iniciação antediluvianos e pré-históricos.
Outrossim, voltando à questão da Cabala, os legítimos
Adeptos ratificam que a linguagem cabalística instrui ao
estudante, verdades universais – e não um dogma religioso
repleto de proselitismo e catequização forçada, como no
caso do cristianismo atual.

Seção XIII
Do Poder Esotérico da Manifestação Oculta da Sabedoria

229
Os sete princípios correlatos aos Lhas116 são expressos
mediante ao Vahan (ou o veículo de manifestação pelo qual
o seu símbolo de poder é direcionado), que se congrui com
o cativante esplendor da mensagem do Ciclo Eterno e da
Maior Potencialidade (universalmente considerada), sobre
cuja projeção, discorremos, pois, a sua composição
enquanto integrante supremo do Ab-Soo, viz., o espaço
gerador e configurador da natureza total das coisas; é,
portanto, verdadeiramente conduzida, a fonte das
características primitivas do fogoso torvelino do Dzyu. Este
mesmo (Dzyu), por sua vez, é o conhecimento mágico
onisciente no qual são designados os aspectos imutáveis e
irrefragáveis das causas primaciais e da própria Sabedoria
Oculta; seu oposto, diríamos, é Dzyu-mi, em que a ilusão
das aparências e das ilusões sensórias, relacionadas ao
estabelecimento corpuscular e material de Karabtanos, i.e.,
o oposto de Cabar Zio (sob fundamento da terminologia
gnóstica, ut ita dicam), é contraída de maneira
integralmente profusa e mui bem ubíqua. Destarte, nos
convém assegurar que, esotericamente, o estímulo sumo do
Amithaba, sob as circunstâncias até agora descritas, é o
próprio Dzyu, em oposição vencedora ao Dzyu-mi; deste
valioso e lindíssimo processo, forma-se o que
denominamos de Dhyani-Bodhisattva. Confirma-no-lo Sr.
Rhys Davids, em uma de suas conferências117:

"To have acquired, as an habitual frame of mind, the eight


positive characteristics laid down in the Noble Path, to have got
rid of the ten failings specified in the list of the Fetters,
116
Vede Cap. II.
117
“Buddhism: its History and Literature”, pp. 151-152

230
constitutes Arahatship, the Buddhist ideal of life. Directly or
indirectly this is the one subject of the earliest Buddhist books.
The most eloquent passages lead up to it ; the longest (and to us,
sometimes I am afraid, the most tedious) deal with the details of
it. One might fill pages with the awe-struck and ecstatic praise
lavished in the writings of the early Buddhists, men or women,
who had reached this state, upon the glorious bliss and peace of
the mental condition it involved. They had endless love names
for it, each based on one of the phases of the many-sided whole.
It is Emancipation, the Island of refuge, the End of craving, the
State of purity, the Supreme, the Transcendent, the Uncreate, the
Tranquil, the Unchanging, the Going-out, the Unshaken, the
Imperishable, the Ambrosia, and so on, in almost endless
variety. One of the epithets is very familiar to us in the West;
being indeed much more exclusively used by European, than by
Buddhist writers, as a name for the Buddhist ideal. This epithet
is Nirvana, "the going out"; that is to say, the going out, in the
heart, of the three fires of lust, ill-will, and dulness. It is very
characteristic that the going out of dulness should be part of the
Buddhist salvation.

But our hour has come to its close. We have no time left in which
to discuss the exact force of each of these epithets, or to attempt,
further than has already been possible, to describe the Arahat.
We shall have to return to the subject in the next lecture. It
must suffice to remind you here that so predominant is this
subject in the Buddhist Pitakas that it is not too much to say that
Arahatship is Buddhism.".

E, igualmente fá-lo, Sr. Wassiljew118:

118
“Buddhismus”, pp. 364-365

231
"Dem Buddha sind zwei Arten des Nirvana eigenthümlich, die
einen Rest übrig lassende und die keinen Rest lassende. Die
erstere besteht nur in dem Abwerfen der Eitel keiten ; die zweite
ist eine vollständige Beendigung des Verlaufs der Skandha's; —
im erstern bleiben, wenn gleich die Eitelkeiten erstickt sind ,
doch noch angewohnte Irrthümer (...), wovonnichts im zweiten
bleibt; die Beendigung der Skandha's entsteht im (Gewinn des)
Dharmadhätu — wo alles Innere und Aeussere vernichtet wird,
der Begriff des Ich und Mein ver schwindet — und der
Dharmakäja erlangt wird.".

Dependendo das revoluções e das alterações periódicas do


eixo terreno, ou da própria moção instável da natureza
material, com efeito, poder-se-ão desdobrar dilúvios ou
tribulações ecossistêmicas. É daí que se resultam criaturas
bestiais e medonhas, como monstros, meio-animais e meio-
humanos, todos com aspecto pertinazmente selvagem. Os
processos pelos quais tais fenômenos são desdobrados são
divididos em três parcelas temporais, ou Triyugam. Quanto
maior o Prasadi daquele que é conduzido por estes ciclos,
igualmente aumentará a sua chance de transcender seu
aspecto sublunar e tornar-se, deveras, uma entidade divina e
extracorpórea, em direto contato com o Mulaprakriti ou o
Devachan. O Rig Veda, por exemplo, no-lo demonstra na
sua sublime e precisa interpretação dos predicados naturais
do Svatantra-tattva, i.e., a idiossincrasia fundamental do
Parabrahman, o Absoluto, a própria Unidade. Nas tábuas
mitológicas de Cutha, sobre as quais Heródoto e o Sr.
Rawlinson comentaram exaustivamente, temos menções ao
deus Armanny, cujas características e a própria identidade
fálica seriam mui parecidas (ou idênticas) ao teutônico
Herman ou Arminius. Isto demonstra que, ante o

232
Mahapralaya optingens, as criaturas se transformam
(μετεμορφώθη) sobre diversos modelos de manifestação e
deixam como legado, mitos e lendas a respeito destas
mesmas etapas de mudança e evolução. Ei-las o andaime
basilar dos ciclos da natureza. O caos primevo (πρῶτος),
conforme o Livro dos Mortos e o Relato Caldeu da Gênese
nos evidenciam, é suscitado justamente pelo que
denominamos, nas ciências ocultas, de Mahayama, ou o
Veículo Cósmico; por conseguinte, aferimos as suas
propriedades consumadas tanto no Arupa quanto no Rupa,
viz., tanto na forma astral, sutil e incorpórea quanto naquela
densa, rígida e corpórea.
Nada é alegórico; para o iniciado, todo código oculto é
explícito e patente. No Pimandro ou Peime-nte-rê, "a
sabedoria de Re ou Rá", i.e., o conhecimento arcano
propriamente dito, a prisca theologia de Ficino e Pico della
Mirandola e a religião-sabedoria dos teosofistas, diz-se que
"entre os homens, há sempre o nome do Bem". Denota,
pois, que a configuração da natureza das coisas sempre
possui carga equilibrada e de grandioso aprumo divino, em
todas as suas volutas energéticas. Na tradução duma
invocação caldeia do Sr. Lenormant, vemos o vocábulo
"uruk" como significando uma suposta classe de demônios.
Sem embargo, vemos no "Materials for a Sumerian
Lexicon" do Sr. Prince, uma referência primária no tocante
ao léxico mesopotâmico, "ur" designando "criação", "fonte"
ou "fundação" ao passo que "uk" está exprimindo "poder"
ou "força"; "uruk", portanto, teria o mesmo significado que
Dhyani-Chohans, i.e., os espíritos da mais alta hierarquia
planetária que comandam a escada evolutiva da Terra;
assim, pretende-se invocar, basicamente, um Kumara, um

233
Mestre da Luz que, com sua consciência cósmica ubíqua,
deverá fornecer ao mago as informações sobre os princípios
e o simbolismo essencial do Gupta Vidya, i.e., a Sabedoria
Oculta e Universal.
Beroso enuncia:

"Ante aquarum cladem famosam qua universus periit orbis,


multa praeterierunt saecula, quae à nostris Chaldaeis sia deliter
suerunt seruata.".

Ele incontinenti prossegue:

"Scribut illis temporis circa Lybannum suisse Enos urbem


maximam gigantum, qui universum dominabantur, ab occasu
solis ad ortum.".

Beroso fala, na verdade, da Quarta Raça Raiz (ou


Atlântida) e sua influência onipresente no mundo pós-
diluviano; Apolodoro corrobora ao momento em que diz
que os deuses egípcios e gregos foram gerados duma
mesma fonte (se permitis-me parafrasear) que é chamada de
"Hyperboreorum Atlante", em cuja asserção, ademais, se
designa que os atlantes prestigiaram e também se deixaram
levar pelos costumes e atividades culturais da Segunda
Raça Raiz (ou Hiperbórea). Eusébio, em seu “Prepaeratio

234
Evangelica”, citando uma passagem de Hesíodo que fala
unicamente da Atlântida, assevera119:

"Κάδμος μεν ο Σεμέλης πατήρ επι Λυγκέως ες Θήβας έρχεται


και των Ελληνικών γραμμάτων ευρετής γίνεται. Τριόπας δε
συγχρονεί Ίσιδι, έβδόμη γενεά από Ινάχου. Τριόπας δε
συγχρονεί Ίσιδι, έβδόμη γενεά από Ινάχου. Εισι δε οι την Ιώ
φασι, διά το ιέναι αυτήν διά πάσης της γης πλανωμένην. Ταύτην
δ' Ιστρος εν τώ περί της Αιγυπτίων αποικίας Προμηθέως
θυγατέρα φησί. Προ μηθεύς δε κατά Τριόπαν, έβδόμη γενεά
μετά Μωσέα ώστε και προ της καθ' Έλληνας ανθρωπογονίας ο
Μωσης. Λέων δε ο τά περί των κατ' Αίγυπτον θεών
πραγματευσάμενος, την Ίσιν υπό Ελλήνων Δήμητραν καλείσθαί
φησιν, ή κατά Λυγκέα γίνεται ενδεκάτη ύστερον γενεά
Μωσέως.".

Os paradoxos concernentes à eternidade indivisível e


subjetiva são consagrados de maneira integral pela filosofia
esotérica; são estes o objeto de exame pelo qual o ocultismo
reitera as suas premissas primordiais. A duração ilimitada
da consciência de Parajati é configurada nos aspectos
condicionais (Kandhakala) e incondicionais (Kala) da
extensão substratal do espaço. O Mahat é amplamente
conhecido como sendo a raiz do Mulaprakriti; logo,
concebemos a infinitude na qual se designam tanto Buddha
quanto Maya. É dito no Pancaratra Raska, de Vedanta
Desika, que "os arcanos das formas são informes"; parece
estruturalmente antitético, mas o simbolismo arcaico e

Eis, pois, uma parte da linha sucessória dos reis da Atlântida,


119

malgrado reportado de forma mítica.

235
universal aí empreendido demonstra que toda a substância
etérea, sublime e incorpórea (Akasha) fomenta, como
instrumento de manifestação de seu poder e persença,
aquela material, profana e corpórea (Rupaskandha).
Yamunacharya, no seu Agama Pramanya, alega
peremptoriamente que o "conhecimento correto deriva
daquilo que se discerne por Spanda (vibração, i.e., sintonia
da consciência com relação ao Prabrahman, o Absoluto, o
Azoth de Éliphas Levi), não por Sraddha (a fé, a crença, a
não-razão, a ilogicidade).". Nirguna se dissemina tanto em
Purusha quanto em Prakriti, sendo a distinção entre ambos,
o fato de que Purusha é o númeno (o evento por si só) e
Prakriti é o fenômeno (o testemunho ou o fio condutor do
evento). É pelo evento que deliberaremos, não pelo seu fio
condutor ou testemunho pois, se fizermos por este último,
ir-nos-emos iludir, cair na depravação e na ignorância do
Sthulacit, a Consciência Vã e Mundana.
Oannes, ou Dagon, personifica o sentido cosmogônico da
natureza, cujas peculiaridades fruem de certos predicados
conduzidos por várias combinações de seres míticos e
iniciáticos. Tallath, a Água, o Mar, o princípio feminino,
v.g., foi conquistado e uniu-se definitivamente com Belus,
o masculino; daí, resulta a quarta lei cósmica do Kaybalion,
i.e., a da polaridade. Isaac Myer, no mesmo assunto,
escreve que a coluna de Yakheen representa a graça e a
justiça e, sobremais, representa o princípio masculino, ativo
e positivo, ao passo que a da esquerda, viz., Bohaz,
representa a punição e o rigor, além de ser o princípio
feminino, passivo e negativo120. Eis, pois, o perfazimento

120
“Qabalah”, MYER, Isaac, p. 253

236
do Zi, o Espírito Absoluto das Coisas, sumamente
harmonizado.

LIVRO 17
Ideia e espírito

1. Assumindo que o homem, de maneira primaz, capta uma


mensagem, canaliza-a mediante a suas percepções e a
transforma em inferência de impulso e determinidade
intelectiva, sem necessariamente empregar o pensamento

237
concretamente racional para tal, logo, devemos assegurar
que o formato noético no qual o homem geralmente se
sustenta e se estabelece por essência é a própria
intuitividade que emana duma interpretação genuinamente
procedente de suas faculdades instintuais de cognição ou
entendimento dos objetos cognoscentes circunjacentes à sua
encetadura ôntica. Deve-se ratificar, pois, que a
predisposição do homem no tocante a sua intuição é
absolutamente algo de inclinação irrefragável, e tal
fenômeno pode ser advindo dos próprios comportamentos
morfológicos de natureza espiritual do mesmo ente.
Ademais, se cada ideia possui um elã que a torna exequível
em determinados âmbitos situacionais da vida como quadro
representativo da razão de ser do homem, logo, ela mesma
terá uma modalidade de manifestação na qual ela poderá
projetar quaisquer sinais de conteúdo de significação ao
próprio elã que dela se figura em totalidade; a isto,
denominamos meio intuitivo, e, pois, o substrato de
entendimento do elã ideado, chamamos de intuição, sui
generis.
2. Agora, falarei sobre a natureza do ideal. Por isso
pergunto: "Ei-lo utópico? Ei-lo meramente fantasioso?". O
ideal não é a realidade inconcebível e inexequível, se não a
suposição daquela mais correta e convergente com os reais
anseios da adquisição da perfeição organizacional humana
que deve estar ínsita e configurada integralmente no status
quo do mundo. Todos os ideais inclinados à sinarquia, isto
é, o sistema completo de harmonia e bem-estar espiritual,
conjungem o homem em si e o homem por todos. Não
quisera, inicialmente, esclarecer a questão pretendida, mas
farei. O ideal é o meio pelo qual podemos nos conectar com

238
nossa essência sem contato com as coisas tangíveis,
corporais e ilusórias na carne ou no estado das coisas na
matéria. De acordo com uma afirmação perfeitamente
apropriada, sistemicamente engendrada, por Nagarjuna, na
qual se segue a ideia de que todos os seres sencientes são
condicionados por suas próprias não-condições ou por
preceitos da enganoso conteúdo e por ditos injuntivos,
inferirei que, se realmente desejamos transcender a
ignorância e alcançar sabedoria original e divina latente em
nosso arcabouço psíquico oculto, saberemos que devemos
ter uma vontade infalível de buscá-la e empregaremos as
modalidades mais apropriadas epistemicamente e mais
eficazes onticamente de contemplação transcendental da
natureza mais íntima ou absoluta, então ensinadas pelo
Djawl Khul num tempo remoto e de incalculável idade, id
est, o gênero mais amplo e mais elevado da sageza de An
existente. Muitos sufis como Gilani, Hujwiri, Awliya e &c.
afirmam que a sensação extática da consciência
interdimensional é a melhor e mais abençoada forma de
viver e coexistir em uníssono com as onipotentes forças do
universo. Abhanavigupta chama esse poderoso processo
espiritual de Turiya e Asanga, por outro lado, classifica-o
como Alāyavijñāna. Assim, o ideal do homem
invariavelmente está inclinado a aderir aos tipos de
consciência em desenvolvimento de Turiya ou
Alāyavijñāna, ou a maneira mais clarividente e sobrenatural
de toda a visão da natureza universal, isto é, o Jivatma ou o
entendimento total do Ab-soo. O ideal do espírito é o ser
individual, tanto predicado quanto sujeito das atividades de
desenvolvimento de seu despertamento e da sua teosofia;
deve-se observar, complementarmente, que a conversão do
homem em um Egiskmoioi, por exemplo, é o escopo para

239
todos os seres que não-egoisticamente desejam a
presidência universal ou singular do Eu superior e o zênite
das potencialidades de seu Atma. Eu chamaria esse
processo de transmutação do Eu, a reforma mística ou o
grande desenrolar do Irdhi (isto é, o motor metafísico e
supremo ontosoficamente).
3. Apresento aqui algumas linhas úteis nas quais as ideias
podem ser entendidas em seu sentido melhor efetivado,
invariavelmente em uníssono com o estabelecimento
natural da ordem e do alinhamento psíquicos das leis de
intrínseca ou extrínseca harmonia sublime pertinente à
sabedoria arcana. Não posso aceitar Vashabadhu ou Asanga
como os supremos filósofos do budismo Mahayana, assim
como não posso ceder às concepções de Locke e
Maurpetius, franca ou puerilmente, apenas à sua suposta
disposição preposicional assaz convincente. Eu tenho que
analisar o que é cosmicamente aceitável, discernível ou não
para considerar uma filosofia verdadeira ou falsa nessas
circunstâncias irrefragavelmente examinadoras. A
validação cognitiva de algo é estipulada por sua
aproximação ou encontro direto com as leis unívocas que
são vigorosas em todos os estados mentais e não por seus
aspectos estruturais de implicação definitiva nas relações de
causalidade lógica ou ideias modais ratificadas
indutivamente. Um grande filósofo tibetano, Atisha, em seu
Bodhipathapradipa, afirmará que tudo o que libertamos
como energia será convertido como um sinal de
consciência; enquadrado e finalizado esse processo, o ente
senciente ou não conceberá as consequências dessa
libertação, resultando em sua ignorância da
dimensionalidade multiforme espiritual do cosmos ou da

240
sua sabedoria. Assim, discutirei as condições condutivas
fixas e perpétuas das ideias ou suas voláteis e eternamente
mutáveis. Explicá-las-ei minuciosamente para clarificar os
princípios da epistemologia concernente à teoria e à prática
da ascese e, outrossim, para tu pensares da maneira mais
transcendental, metafísica e autoconhecente do que a
sociedade impõe a ti de maneira cega e perversa sob
qualquer canal de compulsão, por mais antiética que possa
parecer em qualquer protótipo objetivo de tipos
comportamentais no arranjo psíquico coletivo ou singular
do cosmos.
Defino ideias como a matriz do pensamento ou da
inteligibilidade e a fonte absoluta de qualquer opinião
humana. Robert Fludd, que contestou com boas
preceituações os filósofos naturais e os materialistas de sua
época, diz que a magnitude do entendimento metafísico não
tem limites a serem conhecidos, na medida em que não
pode ser completamente revelada e na impossibilidade de
sua descritividade, devido à impossibilidade de
apresentação de seus elementos em qualquer discurso dado
como somente terreno e de deliberação apegada fortemente
aos objetos do sentido ou Sarīraprakr̥tih. Para designar os
escopos arquetípicos do Macrocosmos, conheceremos a
quadratura sagrada em que está inserido todo o substrato da
emanação e o fluxo energético da consciência divina e mais
elevada do cosmos, para que possamos viver e alcançar
eficazmente essas competências. Pode ser uma
interpretação ascética de ideias e eu elucidarei esta questão.
De acordo com a teoria da orientação da perfeição, todos
nós temos um fundo substancial de esforço espiritual para
aplicar nossas aspirações de iluminação e praticar, trabalhar

241
e realizá-las. As ideias são divididas em três: a não-
perceptiva, a a perceptiva e a aperceptiva. O não-perceptivo
é toda ideia sem causalidade, determinação, circulação
noética e consonância com a idearia verídica e cósmica,
levando-a ao mal-entendido e à falsidade. Lembra-nos o
Aggañña Sutta de que qualquer sortimento de ação ruim,
pensamentos perversos e palavras nefastas podem nos
enganar e prender-nos perenemente às trevas de nosso
Alaya, ou seja, nossa essência divina. Assim, a ideia não-
perceptiva não deve ser apenas evitada, assim como deve
ser eliminada pela consciência de qualquer ser senciente
para não sofrer essas consequências hediondas, conforme o
Sutta nos relata peremptoriamente. A ideia perceptiva
interage com o Purasha e o Prakiriti, é mais elevada que a
não-perceptiva, é mais sutil e multimodal em termos de
dimensionalidade consciencial, mas é corruptível e
decomponível simultaneamente. O Samyuta Nikayya
institui que a veracidade do Jivatma é mais elevada do que
aquela essência que é correlacionada por sua mensagem de
canalização e propósito, isto é, o Manas ou a alma como
uma força intermediária, na qual projetamos nossos
fundamentos teóricos a respeito. O aperceptivo é o
autoconhecimento, a mais alta sabedoria existente, a
colusão do Tathagtha com o Boddhi-Atma; então, ele se
torna o Lha mais sagrado e mais nobre; então, o ser torna-se
inevitavelmente o supremo Sohum. Agora, cito o Zhuangzi:
"Aquele que entende as condições da Vida não luta pelo
que não tem utilidade para a vida; e aquele que entende as
condições do Destino não luta pelo que está além do
alcance do conhecimento. Ao nutrir o é necessário ter de
antemão as coisas (apropriadas ao seu apoio), mas há casos
em que há uma superabundância de tais coisas, e mesmo

242
assim o corpo não é nutrido. Para ter vida, é necessário que
não tenha deixou o corpo, mas há casos em que o corpo não
foi deixado por ele e, no entanto, a vida pereceu. Quando a
vida chega, não pode ser recusada; quando se vai, não pode
ser detida. pense que nutrir o corpo é suficiente para
preservar a vida; e quando tal nutrição não é suficiente para
preservar a vida, o que pode ser feito no mundo que será
suficiente? Embora (tudo o que os homens possam fazer)
seja insuficiente, ainda há são coisas que eles sentem que
deveriam fazer, e fazem n ou tente evitar fazê-los.".
Deduzirei que as ideias aperceptivas são a compreensão
completa da vida, as perceptivas são o gênero mediano, na
medida em que são concomitantemente metacognitivas ou
cognitivas e as não-perceptivas são a total falta de
conhecimento sobre a real simetria constitutiva do mundo
extramundano ou mundano.

LIVRO 18
Preposições cosmosóficas

§1. Existe a Alfa bem como existe o Ômega.

243
Explicação: Existe o princípio, a geratriz primordial dos
elementos que fundamentam o arcabouço basilar do espaço
e de seus respectivos fluxos e operações visando
invariavelmente a plena consonância com a dinâmica
energética do Absoluto e, de modo similar, existe o verbo, a
finalidade dos projetos da criação, geração, evolução e
expansão dos seres e coisas annuit coeptis; ademais, esta é
a razão pela qual se modela o princípio e este, por sua vez,
é o limiar pelo qual o verbo se apontoa em sua suma
fundação, definitivamente.
Citação: O Altíssimo, como se desenreda em Apocalipse
22:13, assevera, para o profeta João, empregando sua
sublimidade de dimensões rematadamente cósmicas: "εγώ
το A και το Ω, αρχή και τέλος, o πρώτος και o έσχατος"
Corolário I: O ultimato do princípio está associado aos
valores prevalecentes ao verbo, de natureza igual, a
culminação do verbo conecta-se objetivamente às
providências surdidas por intercedência do princípio.
Corolário II: O princípio inexiste na ausência do verbo,
daí, não legitima seus fins e vice-versa, em vista de que o
princípio se aplica com a consideração de que é lídima a
função final do verbo, por conseguinte, ambos integram um
mesmo prisma onde são partícipes artifícios no panaroma
do Todo, todavia, se localizam em polos contrastantes de
emanação e níveis de manifestação ante as forças totais.

§2. Todos os corpos celestes estão em harmonia


geométrica com o arranjo cósmico tanto retrógrada quanto
progressivamente.

244
Explicação: A representação estrutural dos corpos celestes
está constituída em excelsa avença com os princípios
modulares da geometria sagrada, ou a cosmometria, pois
segue um eixo de movimento espacial linear e
imperturbável, articulado posicionalmente com a ordenação
acurada e suprema das extensões sidéreas de localização,
em constância na tensão e variabilidade nos volumes
dimensionais, materiais ou imateriais, e se tal fenômeno
cinético for desnorteado, esta orientação significa mudança
orbital e transformações planetárias ou estelares, se estiver
enquadrado em tal grupo de corpos, tanto nos âmbitos
astronômicos quanto nos astrológicos e, com efeito,
elucubrar-se-ia a disposição perfeita retrógrada,
concernente à cessação de certas condutas comportamentais
no estímulo potencial das atividades do corpo celeste, e a
progressiva, referente à aceleração das mesmas.
Citação: Comentando a respeito da delineação extensiva e
latitudinal de planetas comparados a Júpiter, analogamente,
no tocante à sua amplitude e índice de desdobramento
exterior cuja natureza, a ser estudada, é analiticamente
temporal, o cientista Galielo Galilei, em “Sinderius
Nucius”, assegura: “Hasce Iovis et adiacentium
Planetarum ad Fixam collationes apponere placuit ut ex
illis eorundem Planetarum progressus, tum secundum
longitudinem, tum etiam secundum latitudinem, cum
motibus, qui ex tabulis hauriuntur, ad unguem congruere,
quilibet intelligere possit.”.
Corolário: As inclinações periódicas de cada corpo
incorporam um ciclo que reflete as incontingências

245
infindáveis de causa e efeito, cujo objeto de penetração
implica a condição de não estacionária, graças à capacidade
esquemática de voltear aos arredores de um campo orbital
em variados valores de velocidade, pressão interna e
distintas regiões de equilíbrio dinâmico, categorizados
numa classe natural de angulação equante no qual se
propalam em ondas espectrais de dimensão etérea
substâncias que fortificam as suas bases de perfeição
geométrica no que se diz respeito ao alicerce cósmico de
construção e infiltração energética no tecido fulcral do
corpo celeste.

§3. Todo objeto corpóreo possui extensão incorpórea per


natura.

Explicação: Todo elemento contendo forma de tal modo a


absorver reservas magnéticas de cargas de injeção unívoca
do pilar absoluto do Universo, desfruta de um regime
deiforme em uníssono com as manifestações atinentes à
união ativa da imaterialidade, onde se concentra os ciclos
periódicos de natureza sempiterna de regeneração e
instauração da unidade teonômica representada pelas mais
elevadas e sublimas afluências palpitando ao balanço
alternado de suas condições supinas de estados psíquico e
vibratório, num percurso sempre transcendente, e tocante à
materialidade, em cuja lápide fundamental se comporta a

246
solidez, a rigidez e a concretude da substância com tensão
imanente e vulnerável às camadas atmosféricas e às
interações gravitacionais, o que não ocorre na
imaterialidade. Todavia, abrangem-se ambos, pois o é
indiscutivelmente necessário, em virtude de que se outorga
ao ser, objeto ou coisa, originalmente, possuir ambas as
modalidades de consciência a priori e, neste ínterim, ele
está propenso a dialogar com os planos superiores da
existência, inclusive, isto é o que fará alvejar o
entendimento puro e completo da arquitetura universal e de
suas leis vigentes, logo, eis a razão do ser, objeto ou coisa
per se, por natureza, se avultar ao eixo de orientação
dimensional da incorporeidade ou da corporeidade, numa
permutação concernente ao espírito ou a ele próprio, diante
de uma mística ou sabedoria oculta na qual flameja o
brasido mais sacrossanto do Cosmos.
Corolário I: O incorpóreo assinala a excedente dos
mecanismos supridos pela matéria, independendo de suas
ações e idiossincrasias e, destarte, introduzir-se-ia o
conceito de emancipação no desempenho do ônus
primordial e elementar para com o incorpóreo e o corpóreo;
este, por sua vez, sinaliza a égide proeminente e absoluta do
mundo físico – entretanto, é subalterna do incorpóreo, sem
embargo de independer de sua composição, mas subordina-
se essencialmente à sua prodigiosa e insigne manifestação
motora e anímica nas realidades do mundo no que tange ao
próprio conjunto de atividades imanentes e transcendentes
da subsistência (o qual se consagra como princípio
autônomo em relação à materialidade do corpo).
Corolário II: A substância incorpórea formata as
características gerais da matéria, num cenário ativo de

247
conceber, de gerar e de dar existência a alguma coisa em
sua mais peremptória sistemática ou firmamento vital, por
onde evacua e instila o módulo fluido das energias divinas e
a substância corpórea, por outro lado, incita a elaboração
concretíssima das coisas que se constituem e se inter-
relacionam em matéria, que definimos à la Renatus
Cartesius, de substância composta por comprimento,
largura e profundidade, ocupando um espaço, o qual está
suscetível à análise e medição matemática. Em seu caso, o
incorpóreo é indefinido, informe, subjacente aos objetos
mais elevados cuja natureza é superior aos objetos
materiais, e este adquire forma onisciente quando decorre,
passiva e receptivamente, a sua universalidade nos atributos
unívocos e individuais nos planos inferiores, respeitando os
preceitos sagrados da Lei de Um.
Nota: Tudo que é incorpóreo, se institui por uma
quintessência, que vagueia por todas as áreas contendo
espaço definido, a natureza inerente ou o âmago real de
esse ou ens, e se anexa ao Universo mediante a potência
astral do Manas (mente) de Akasha (éter), indo em
movimento evolutivo e ascendente, analogamente, no
aspecto rotacional doravante a cúspide de cazimi, ao Yoni
(passagem divina) do mais alto Bhakti (amor divino)
situado na mais elevada Satva (verdade) e tudo que é
corpóreo, se permite organizar por uma essência
necessariamente rudimentar e primitiva, encaminhada às
extensões concernentes ao espaço exterior, malgrado
carecente de graça e primor divino, porém representa o
Rupa (corpo) da produção da vitalidade humana na
experiência terrena, apesar de a substância incorpórea
causar no zênite do esclarecimento individual acerca dos

248
planos superiores do Absoluto (αυτογνωσία) a Amrita
(imortalidade).

§4. Todos os mundos foram formados por um processo


criativo e geracional em sua Gênesis.

Explicação: O princípio de todas as coisas é o utensílio da


criação do Todo e o manancial dos eventos da Lei do
Cosmos, num horizonte em que a casualidade é somente
imagética, visto que tudo é em exórdio planejado com o
intento de acarretar-se em fato vívido e sensível. Os
zimbórios celestes são encabeçados de obtemperar a gestão
suprema das realidades densas, obscuras e profanas da
superfície, visando a ascensão espiritual de seus habitantes,
cujo precípuo comando denominamos de θεία
αποκατάσταση (restaraução divina) ou, simplesmente,
αποκατάσταση (restauração), o qual é o fundamento final e
conclusivo da Gênesis do Absoluto: puramente o retorno do
ser ao ουράνιο και απόλυτο ωάριο δημιουργού (ovo criador
celeste e absoluto). O criativo relaciona-se à inteligência, à
vocação, ao empreendimento de G.A.D.U ao modelar os
mundos de forma onisciente, onipresente e onipotente, além
de soerguer o código genético da civilização pertencente a
um corpo planetário construída de acordo com os
propósitos e diretrizes de itinerários cósmicos do Senhor,
i.e., a Vontade Soberana de G.A.D.U, portanto, o criativo
conecta-se sem desvios ao Λόγος. O geracional
corresponde-se ao espírito, à essência, à emoção, ao
bálsamo medular do Universo, a contemplação e a alma das

249
coisas que G.A.D.U criou, a unidade e a harmonia
embasadas na configuração primordial da existência por
meio da potestade imperecível da Lei de Um, desta forma,
o criativo é para a individuação bem como o geracional é
para a univocidade; similarmente, coligir-se-á que o
parâmetro geracional do Cosmos está ligado a ἀρχή, isto é,
o princípio, o começo, o surgimento de Tudo, ut
commostrum.
Corolário I: Nos termos da acuidade engenhosa suprema
do Senhor, especializemos nossa solicitude assaz afã no que
toca a sua apurada súpera criatividade indecifrável aos
profanos, nas balizas do amor eterno que Ele goza
comportamental e sistemicamente, sobretudo, aos seres
mais avançados que fundara: as raças civilizatórias dos
corpos planetários. Celestialmente galhardo quedo eu
quando acesso as memórias cósmicas dos mistérios
sagrados e universais, a razão preclara da criação, assim,
acredito no mundo não como apenas uma obra de arte
divina, mas a própria manifestação de Deus por meio desta
obra de arte que é o mundo, clarividente e inefável,
principalmente, no crepúsculo excelso dos Aeons de
Suthya, onde somente a Luz do Todo-Poderoso regula com
alvedrio benfazejo a todos os homens, animais e criaturas
dos corpos celestes e, escrupulosamente, determinam-se as
propriedades essenciais dos seres, objetos ou coisas
consoante à sua concórdia com o quadro cósmico e as leis
aí em vigor, o que permanece desde a cosmogênese até os
períodos mais hodiernos da evolução sideral; somente se
transmuta dependendo do autoconhecimento do indivíduo
acerca destas leis.

250
Corolário II: Jamais sucumbe alguém conectado com o
vexilo indelével do poder da criação cravado no núcleo de
sua alma, isto posto, crê-se que, sem sombra de dúvida, o
laurel que lhe conspira é, de alguma forma, inestimável ao
fazer a meditação sob a custódia da luz de ‫יהוה‬,
subsequentemente, a pessoa sintonizada com a criação
despertar todos seus poderes latentes e vive, inobstante, na
suma realidade de ‫אֲדֹון עֹולָם‬, desfrutando dos maiores
ensinamentos que o glorioso ‫אין סוף‬, porventura, lhe dará e a
criação, naturaliter, é a emanação do Todo no princípio de
todos os elementos fundamentais da Natureza, no corpo
hermético do homem de seu ponto primordial, a sua coroa
psíquica, que se estende com sublimidade em unção
misericordiosa com a sabedoria, procedida pelo
entendimento do mundo dos pensamentos, das ideias e das
invocações e evocações celestes. Desta forma, sucede a
piedade e sua respectiva grandeza, de tal modo que o poder
prestimoso e diligente da justiça e a beleza, resultado da
combinação de ambas, tornem-se, juntamente, as
antecedências do triunfo e da conquista, ademais do
esplendor no qual se projeta nesta vivacidade coordenativa
e a base natural de tudo isso; agrupando e somando tais
fundamentos, forma-se o reino do todo, o Malkuth, o qual,
conjuntamente a Kether, Hokmah, Binah, Gevurah,
Chesed, Tipheret, Hod e Yesod, fomentam integralmente o
Adam Kadmon, o ser humano primordial e perfeito, isto é, o
Adam Ilaah, o homem dos céus e da terra, do princípio e do
verbo, do início e do fim, a unidade e o binário, o Jakin e o
Bohaz, Deus manifestado no Homem; eis o ser humano em
sincronia com o Criador!

251
§5. Todos os seres, objetos ou coisas funcionam mediante a
uma energia vital sensível em planos mais etéreos da
consciência que funciona também nos planos materiais da
existência.

Explicação: "Ormuz é Supremo!", brada o vigário místico.


Reconhecendo os atributos mais sutis de tal afirmação, é
por Ormuz, decerto, que enternecido com relação aos
blasfemos, ordena aos Amusha Spentas modularem a
formação e emanação dos campos psicosféricos do mundo,
o que o faz entesar com impávido ensejo as circunstâncias
da consciência energética do Todo, pois, deveras, a nossa
alma é introduzida ao princípio supremo de transparência
ativa (de extensão celeste) nos planos astrais, por meio da
representação simbólica, malgrado seja demasiado decorosa
com a Realidade dos Céus, do Faravahar, e este,
provavelmente, é o mecanismo de circulação perpétua de
energias incorpóreas (as quais trabalham com dadivosa
magnificência nos planos corpóreos) que guarnece
vitalidade e instinto de promoção nirvânica à alma, seja
esta manifesta carnal ou espiritualmente. Desta forma, a
energia vital ou Prana configura-se como superior à
matéria, entretanto, procede suas funções na materialidade,
visto que os seres materiais necessitam desta para
subsistirem em conformidade com o Todo; o Prana,
elucidativamente, é uma simplificação consentânea da Lei
de Um para a compreensão mais sacramente inabalável e
menos herética possível dos seres materiais; desta forma,
não há um consenso sobre a origem do Prana, todavia,
podemos constatar a sua função: determinar o modelo
espiritual organizador de cada um e conduzir o indivíduo às

252
suas evolução e expansão da consciência individual em
organismo unívoco.
Corolário: A corporeidade é escarmentada somente em
realidades onde o poder do Cosmos é amolgado de tal
maneira que a consciência dos seres que na matéria existem
sejam privados de transcenderem e alcançarem a
Boddhichita (mente da iluminação), por consequência, a
energia vital se encabeça de transfigurar tal situação para
favorecer o despertar paulatino dos indivíduos a ponto de,
com efeito, eclodir a sua percepção espiritual de modo
pleno. Defronte a tal fenômeno, coligimos que na sua mais
esmiuçada modalidade de incumbência na jerarquia da Lei
de Um, desempenha um papel de desembaraçar previsíveis
leviandades psíquicas do homem em prol do
desenvolvimento de sua compreensão maior da existência
superior situada no basileo ton ouranós, onde o fluxo do
Prana incorre com indefectibilidade, chefiando-o à sua
completa vitalidade, eviterna e infinda, ou Amrita, para fins
de vernáculo.
Nota: O Prana molda as circunstâncias qualitativas em
torno das demarcações características intrínsecas e
extrínsecas do ser tanto do pneuma quanto do soma, logo,
ele é a força intermediária e comunicadora entre a realidade
macrocósmica e a microcósmica, o Céu e a Terra, o
corpóreo e o incorpóreo, elevando a radiação gloriosa e
abundante em amor e devoção à sabedoria divina apregoada
pelas estremas do Céu e da Terra, mas predominantemente
no Céu há tal fenomenalidade, ainda em profusão indizível
comparando aos que residem na Terra. Destarte, o Prana
interage com os dois corpos que ultimam os
desmembramentos indissociáveis em alma e carne do

253
Cosmos, sendo assim, partícipe da ventura lépida da criação
de Deus no que se refere à sua natureza ancipital, a dual
bonança, de ‫ דָּ בָר‬e de ‫ ֵראשִׁית‬, dado que Deus é a manifestação
unânime e o substrato do conhecimento e da lei natural, e
que seu poder abrolha o Apeiron da Monad do mesmo.

§6. Tudo emana energia, frequência e vibração e a partir


disso, o ser, objeto ou coisa é.

Explicação: Na esfera científica, energia quer dizer a


capacidade de uma substância, um corpo ou um sistema
físico de fazer trabalho, tendo em perspicácia numerosos
tipos de engendramento de energia, como potencial,
cinética, térmica, química, elétrica, nuclear e assim por
diante. Como sabemos, toda variante energética está coesa
à noção arraigada de movimento, em virtude de o
aristotelismo afirmar invariavelmente: a energia é a ação de
um motor físico ou metafísico que anui a atualização de
uma determinada potencialidade.
Em significação esotérica, a energia é a aplicação das
atividades de deslocação e faculdades demasiado céleres de
exercício psíquico consumado tanto nas aptidões sensoriais
quanto extrassensoriais, viz., augura acentuadamente a
emanação, a percepção, a imaginação, a sensação, a
experimentação e a dualidade ação-reação do indivíduo nos
termos de suas constituição externa e interna, posto isto,
submete o ente a um processo de captação da natureza das
coisas ao redor de sua própria dimensionalidade em
potência, capacidade e definição consciencial, internamente

254
ao arquétipo mais bruto e denso do homem
concomitantemente à sua composição etérea e sutil que nele
se manifesta num estado de integridade suprema.
Consoante ao que a física assegura, frequência é o valor de
ciclos completos que ocorrem por uma unidade temporal
transcorrida, cuja unidade para segundo é hertz.
Pormenorizando tal ilustração, vibração é a taxa onde a
vibração ocorre quando constitui uma onda, tanto na
matéria (e.g., ondas sonoras) quanto nos campos
eletromagnéticos (e.g., ondas do rádio e luz). Nas
particularidades de sophia no âmbito das ciências ocultas, a
frequência é a regularidade sintonizadora do indivíduo com
os poderes superiores, em outras palavras, o valor de vezes
que o ser vibra tanto material quanto espiritualmente em
avença supina ou não com a ordem e a unidade de
Demiurge, na eudaimonia do que se comete articulado com
o domínio móvel e estendido do espaço, tendo labilidades
de consistência e assiduidade, vinculando-se à vibração do
indivíduo e, ex tunc, ocorre a fenomenologia hermética do
princípio da frequência, ut universi.
Bis in idem, conforme a ciência física assevera, a vibração é
a oscilação das partes de um fluido ou um sólido elástico
cujo equilíbrio fora perturbado, ou de uma onda
eletromagnética. Informalmente falando, a vibração
pondera a definição de um estado emocional pessoal, a
atmosfera de um lugar, ou as associações de um objeto, na
medida em que se comunica consigo ou se sente por
outrem.
Pressuponhamos que tu sejas aquilo que tu vibras, como
garante o esoterismo da cultura contemporânea. Assim, a

255
minha concentração energética evolada num específico
intervalo de tempo consoante aos princípios do balanço de
mutabilidade vibratória e, equitativamente, o paradigma no
qual isto se desconjunta é necessariamente aquilo que
designa o que eu sou e indica as minhas qualidades tanto
daquelas correlacionadas aos fatores da hyle quanto
daquelas ligadas aos fatores de hypokeimenon, desse modo,
o homem pode se degenerar e gozar de um ethos viperino e
formidoloso, indo ao oposto da henosis do Cosmos e tendo
que passar pela metapsychosis bis in idem, quer ele almeje,
quer ele não, ou se regenerar e alcançar o zênite de seu
esplendor psíquico, destinado a sofrer experiência
superiores, sutis, divinas e celestes, numa katalespsis onde
concebe facilmente a tudo e a todos, em apatheia com o
Cosmos, sempre dependendo daquilo que ele vibra,
obviamente, como estabelecemos outrora.
Corolário I: A unidade é o lume mais sacrossanto da
ordem natural do universo, inevitavelmente, pois no tocante
à composição unívoca do Todo, estaria o homem em
uníssono com a fusão dos elementos basilares da natureza e
seu sistema orgânico para com a energia, a vibração e a
frequência. No que concerne à relação dos elementos
perante a energia, identifiquemo-nos com a austeridade na
sua organização em termos de imparidade e uberdade de
bona fide e inteligência secreta do esplendor sublime,
similarmente, temos a virtude do triunfo probo como
aparelhamento vivaz e plácido em todas as suas margens de
destreza natural, então, a energia formata as categorias de
manifestação dos elementos, as suas uniões e divisões no
geral, as suas funções e dessuetudes, bem como suas

256
atrações e repulsas, abordando as questões mais sensíveis
de tal assunto.
E no que se diz respeito à frequência, os elementos (os
quais me obliterei de prenunciar de antemão, que seriam
Prithvi (terra), Agni (fogo), Vayu (ar), Apah (água), Akasha
(éter), formando o Pancha Mahabathus (cinco grandes
elementos)) têm o empenho de agregar os seus pontos mais
proeminentes sob o baluarte da Inteligência Hermética do
Criador, e reuni-los junto aos ciclos periódicos em sua
completude dando-se a razão imaculada do espaço que lhe
gerencia, fomentando, destarte, uma amostra de fluxos
decorrentes de certos tipos de onda pelos quais se constitui
a ressonância vibracional consagrada a estabilidade do
tempo como unidade existente dentro das singularidades do
espaço, isto é, a prolongação do som por reflexo de x-
superfície ou a sincronia da vibração de um objeto vizinho,
assim, forma-se uma duração frequencial mais reforçada
numa estrutura singular de energias mais elevadas por onde
os elementos decerto estariam aptos a passar sobre tal
itinerário, portanto, deduz-se a natureza osciladora em
certos índices de propagação temporal da frequência por
onde a vibração instila e a energia se exprime. A vibração,
no que concerne aos elementos, representa a sua interação
com a frequência, na sua conservação como unidade
perceptiva e a energia, na sua manutenção como unidade
sensitiva, abrangendo ambos os modelos de entendimento
da sagrada Prithvi Mata.
Corolário II: A energia, a frequência e a vibração são
fundamentos sacrossantos e inconcussos no respeitante a
sua santidade, e se tu fizeres uma reflexão deveras prestadia
a tua mente, verás que, bem como se sobreavisa, com

257
sabedoria, eu te apresentaria vívidas súplicas do habitante
de Bhavya no banco de Siddhu, de cujo Rei que fora
derrotado forneceu milhares de sacrifícios; sacrifícios estes
que representam a mesma coisa que a veladura pagã
exagerada dos harúspices romanos, o que não podemos
cometer nem em alvoroçados prélios, face ao requerimento
de equilíbrio, continuidade e harmonia da frequência, da
vibração e da energia, cada uma representando uma
tipologia diferenciada no que se refere aos seus valores
ocultos nas leis cósmicas vigentes. Diante de tal arcabouço,
acredito, indubitavelmente, que a energia cumpre o papel
de πατέρα (pai), a frequência, a de γιος (filho) e a vibração,
de ιερό πνεύμα (espírito santo), fazendo alegoria à doutrina
cristã da Trindade Sagrada.

§ 7. Toda consciência ôntica é, naturalmente, cósmica,


universal e absoluta, desde que desperta em sua plenitude.

Explicação: Todo o homem ao nascer usufruiu,


remotamente, de estados superiores da consciência, mais
propínquos do plano onisciente do qual fora encargado na
cosmogênese. Dedutivamente, podemos apontar que ainda
existem encalços desta égide totalmente divina na
consciência, já que tudo que se inicia com o princípio da
eternidade e da mente absoluta, permanece e acaba deste
modo, em maior ou menor grau de intensidade, dependendo
do quão o indivíduo esteja vizinhado ou ábdito da matéria;
no entanto, se pensarmos no imo do conjunto integral dessa
questão, o homem, na concretude densa, bruta e solecística,

258
reside, na verdade, no valhacouto mais mascavado a existir
na face da Terra. A cosmicidade do homem advém de sua
própria raison d'être, que é a integração vigorosa com as
forças cósmicas das quais sempre se influencia e se guia
mediante a elas, por conseguinte, a matriz do ser humano se
redunda da unidade lídima e cônscia do Cosmos, assim,
todo o páthos do qual se faz feitor é imbuído no âmago da
antropocosmia, onde o homem funda todos os seus
alicerces tanto materiais quanto espirituais, indispensável
para suas experiências tanto sutis quanto densas, bem como
no αστρικό επίπεδο ou no υλικό επίπεδο.
A universalidade do homem se justifica pela sua
univocidade, ou quididade, na perspectiva escolástica, que
definimos como essência ou natureza real de alguma coisa,
objeto ou ser; protraindo essa elucidação, o homem,
factualmente, consegue agir de acordo com sua verdadeira
natureza se redescoberta, ou a universalidade pode ser
determinada como os atributos presentes em todos os seres
que pertencem fielmente à Lei de Um e aos mandamentos
sacros do Todo, a mais íntima capacidade psíquica ou a
coleção desta, a memória original do homem latente e
inerte no homem prestes a ser ativada e desbloqueada ao
instante de seu resgate à Verdade, a secreta doutrina que
fora empregada por Deus na criação da árvore da ciência da
vida e de todas as outras formas biológicas de
representação divina nos planos terrenos.
Portanto, o homem universal, simbólica e misticamente, fita
com blandícia suprema e diligência deífica o caduceu, ou
seu arranjo universal que outrora herdara de seus mentores
ubíquos da Lei, logo, aquiesce aos sinais e signos de Deus
defronte a ele e num elã iluminador, ascensiona e eleva

259
divinamente a Ngön She, destarte, este é o modelo ideal de
homem universal, porém, embora nem todos os sejam,
todos carregam a universalidade dentro de si; certificai-vos
disso!
O Absoluto seria o agrupamento de ambos os fatores: a
universalidade e a cosmicidade, dispondo assim a totalidade
de todas as forças existentes, binárias ou não, cujo efeito é
necessariamente enquadrado na tríade ômnica da ciência
divina: onipotência, onisciência e onipresença. O Absoluto
envolve a todas as coisas, a todos os seres e objetos, em
suas mais minuciosas ou explícitas idiossincrasias, sendo
assim, é o grande mestre criador e arquiteto das moradas,
gozando da mais elevada tecnologia para realizar proezas a
nível planetário, galáctico ou cósmico e é claro, a propósito,
que um homem emanar a energia do Absoluto de modo
claro, justo, acurado e benigno, será este, em cuja
explicação serei lacônico, uma das manifestações mais
facilmente identificáveis do Absoluto, isto é, um
Boddhisattva, mas dependendo dos protótipos de
concepção de seu mundo, pode sê-lo considerado ou não,
todavia, com o veredito kármico ad instar Deum, venera-o
realmente como um legítimo Boddhisattva, o que todo é o
homem é ad natura; para isso, basta a aquisição perfeita,
proba e reta da αυτογνωσία, o que, decerto, é o mais
custoso a se lograr, mas aquele que se esforça
estupendamente para tal, o consegue indubitavelmente.
Nota: A magistral verdade paira em pé, dantes que havia-
lhe percorrido a mais doce das memórias. Assim, como
num riacho azulado e cuja correnteza é quieta e sossegada,
há paz, e o homem, enfrentando ambientes inóspitos para
cativar o seu Self transcendental e metafísico, precisa antes

260
de tudo de Shanti (paz). O absoluto do homem encanta-se
pela alma, a universalidade, pela consciência e a
cosmicidade, pela mente, igualmente, declamo, sem temer
objeções a impugnarem minhas reflexões, que todo o
homem é feliz não quando está para com outrem, mas para
consigo; o homem esvaziando-se de todos os entulhos que
recebera por anos nos seus campos naturalmente férteis no
seu edifício anímico, torna-se puro, e o que ele fez, na
nomenclatura mística, chamamos de resgate, regeneração,
restauração ou purificação. As leis dos Karma são deveras
nefandas e réprobas no que tange à afluência objetiva e
retilínea no homem, gerando absurdo e precito soçobro,
mas são de suma importância, dado que o homem somente
evolui, apesar de tudo, com a lancinante dor de estar na
vibração do sofrimento, para que, justamente, tente
transcendê-lo e reviva no Swarga Loga novamente. É claro
que a angústia é, com geral consenso, considerada nocente
e perniciosa, contudo, assim como o Karma, nos auxilia a
descobrir maneiras de não perecer a tal negatividade, que é
sempre o Tao, o Caminho do Eterno e do Poder de Wu,
ademais, se formos ruminar um pouco mais do que isso,
concluiremos que o homem, originalmente, é 然 (ran)
encarnado, entretanto, é necessário que haja
reconhecimento de tal fato para não arrefecer diante de tal
agonizante sensação, pois tudo que possuímos consciência
de agir, podemos fazer sem pespego algum.

§8. O cosmos subsiste por si só, pois é ubíquo.

261
Explicação: Nos portões do amanhecer, visualizam-se
bolas de luz cálidas e conspícuas. Vós indagais: "Qual é a
sua origem?" Responder-vos-ei que são provenientes do
centro do Cosmos. "Por quê?" Vejamos bem. Cosmos é
Luz, incólume e angélica, pavoneia a mais elevada posição
hierárquica da natureza da ordem universal, sobrepujando
as estremaduras da matéria, da forma e da figura; assim,
coligimos que o Cosmos independe de forma, pois o
Cosmos é a própria forma e qualquer expressão desta, será
o próprio Cosmos. Prorrogando nossa premissa, o que
independe de forma para existir, existe por si mesmo, pois
se a forma restringe a locomoção e inflexibiliza os pontos
de consciência de esse ou ens, e esse ou ens não possuem
forma, consequentemente, a sua locomoção e seus pontos
de consciência serão ilimitados, podendo se transferir a
qualquer região do universo a qualquer instante, assim,
existe ilimitadamente e sem biótipo definido, portanto,
informe; além disso, a autossubsistência é abalizada devido
à rigidez da constituição das coisas, reprimindo a conexão
do indivíduo com o objeto, do homem com a natureza,
refreando também o transpasse para a vivência de outros
tipos de modelo incorpóreo, para quedar-se mais próximo
da energia ubíqua demiúrgica que por aí medra
infindavelmente. Destarte, a autossuficiência começa pela
libertação da matéria, o que o Cosmos, já na Gênesis,
alcançara tal característica, então, o agente cósmico deve
subsistir por si mesmo não porque ele é cósmico, pois tanto
agentes brutos quanto sutis são cósmicos, posto que
integram esta hierarquia, mas sim porque transpassa a todas
as barreiras de definição das coisas, do julgamento, do
conhecimento lógico, dado que o Cosmos existe em todos
os planos dimensionais, desde o Stuhla Sharira até o Atma;

262
por conseguinte, ele é o Todo, e o Todo subsiste por si
mesmo, deduzindo que a subsistência do Cosmos se vale
pela ubiquidade incorpórea e imaterial dele próprio.

§ 9. O Universo existe em três dimensões principais:


Corpo, Alma e Espírito, em ordem crescente de
grandiosidade tanto em extensão quanto em importância.

Explicação: O Corpo, ou seu simbolismo, como todos os


outros planos de consciência humana correlacionados ao
arcabouço cósmico, caracteriza a materialidade bruta e rija
da rerum naturae, i.e., um conjunto de elementos e
circunstâncias atrelados a aquilo que é tangível, palpável e
perceptível sensorialmente; sob tal artifício, o objeto que se
inclui na constituição projetiva do Corpo, com certeza, é
designado a se dissolver quando esgota-se o seu ciclo de
estado ou condição material, denso e bruto, em outras
palavras, simplesmente fenece conjuntamente à supressão
de seus princípios de vitalidade de rupa e por conseguinte,
desencarna, viz., a sua urdidura carnal é desmanchada e
transcendida. Numa exposição mais concisa, nós temos o
objeto A suprido por uma estrutura carnal de potência B e o
seu motor vital se presume a sê-lo; as condições de Prithvi,
em planos sólidos, não outorga invariavelmente a
imortalidade ou a eternidade integral do objeto A, destarte,
esquerdeia baldo de divindade esotérica, espiritualmente
falando, logo, perece e malgrado essas enfermidades lesivas
ao indivíduo por parte do princípio do Corpo, este, em
contrapartida, emoldura o homem numa busca incessante

263
pela Guna Atman, para o mesmo recompor os elementos
supremos de sua consciência e poder elevar-se para o
basileo ton ouranós, consolidando-se num terreno de
experiências espirituais em busca do Self; assim sendo,
positiva graças a esta abertura de envolvimento que oferece
para as almas reencarnarem e tentarem destruir os elos
kármicos que ainda lhes restam e alcançar o Dharma em
sua totalidade e, como resultado, o Samadhi, embora haja
objeções demasiado holísticas que tentam refutar esta glória
insigne dos empreendimentos corpóreos, mas justificando-
se mediante a tal ideia, não há quem o faça com êxito.
A Alma, em sua suma conjuntura, é a porta de comunicação
e intercalação dimensionais entre o Espírito e o Corpo, sic,
como se pode atestar, a Alma se encarrega de transportar as
mensagens de comando do Espírito para o Corpo bem
como as ações do Corpo para o Espírito, verificando-se,
deste modo, uma função intermediária e equânime da Alma
ante aos outros níveis de consciência cósmica aplicada ao
homem. Pressuponhamos, em tal caso, que em terminologia
analítica, a Alma seja o ponto de interceptação que divide
as abscissas e as coordenadas, ou seja, a identificação dos
valores de ambos os eixos se dá pela divisão e separação de
ambas as partes pela reta que diferencia suas propriedades
numéricas, assim como a Alma, que além de fazer a
locomobilidade das circunstâncias do Espírito perante o
Corpo e vice-versa, desenvolve o empenho, etiam, de
diferenciar ambas as coisas em seus painéis de interação
particulares e ajudar, por consequência, a identidade de
ambos os planos de extensão universal, em seus atributos
tanto individuais quanto unívocos; é deixado claro,
portanto, que a Alma, diante dessas afirmações, é o ponto

264
médio dos segmentos corpóreos e espirituais, em seus
próprios andamentos de conectividade com relação a ambos
os princípios e também, o de nominação elementar das
características precípuas da multifacetação qualitativa dos
mesmos, como pode ser investigado em seus pormenores.
O Espírito, por exemplo, é a plena manifestação do
incorpóreo, do sutil, do macrocosmos, da unidade, do
imaterial, do etéreo, do divino, do sagrado, i.e., representa
aquilo que não pode nos comover sensorialmente, e sim,
extrassensorialmente, quando nosso arquétipo vibratúrgico
está mais elevado, e nossas capacidades psíquicas e dons ou
poderes ocultos (como diríamos em linguagem tibetana, o
Ngön She) foram desenvolvidos em completude; dessa
maneira, o ser, perante a tal estágio, está desperto, a saber, a
abertura aos mundos superiores foi concretizada em todos
os seus pretextos, logo, o indivíduo, embora
antecipadamente, atingiu os níveis sublimes e excelso de
consciência apropriados a era de Volcano, praticamente,
tornando-se um deus. O Espírito é responsável pela
evolução, concepção, expansão e ordenação das leis que
regem o Universo, gozando de apanágios aos quais se
dedica fervorosamente, pois é o princípio-mestre da mente
cósmica (Purusha) e de todos os outros elementos que
compõem os fundamentos da obra divina; destarte, calha a
nós certificar que o Espírito, em suas raízes ou fonte de
surgimento, conduz a todos para o domínio total dos
princípios de Prakriti, isto posto, nós devemos concluir
que, analogamente, heka e nekhakha, símbolos de insígnia
e condecoração teócrita dos faraós no Antigo Egito;
respectivamente, enquanto uma representava a glória da
iniciação em seus elementos supremos, a outra, por sua vez,

265
dispunha do significado do suporte iniciático em todas as
suas minúcias aí condizentes, assim, heka é o Espírito e
nekhakha, o Corpo, conclusivamente falando.
Conforme pode ser averiguado, no delineamento corpóreo
da consciência, esta "versada" convicção de que o homem
se identifica individualmente consigo mesmo e por esta
conscientização aparentemente benéfica para seu
desenvolvimento experimental no referente a seu espírito,
como a fraseologia "eu sou o que sou", nós temos
Ahamkara como pilar de tal juízo de valor aí transmitido,
isto é, a superstição egóica do homem enquanto ser
material, denso, rijo, sólido e bruto, pois é improvável ao
mesmo atingir níveis mais sumos dos planos de habitação
cósmica, posto que, em primeira instância, nós temos o
homem necessariamente apreendido aos bens materiais e
concretos, utilizados por este meio de distribuição natural,
não-celeste, mas exclusivamente terreno; em segunda
instância, o homem abjura de sua natureza espiritual para
viver intensamente as peripécias do traquejo carnal –
destarte, configurar-se-á a natureza adversária ao divino e
favorável à latência modorrenta de suas capacidade
psíquicas paranormais, enquanto vivente nos planos
materiais. Como os antigos sábios tibetanos, esotéricos e
iniciados, discutiam os assuntos filosóficos e espiritualistas
em seus bumapas, dentro de mosteiros, abadias ou vergéis
demasiado floridos, afirmavam que a Alma pertencia ao ser
em fase de transcendência, que embora possua
singularidades enquadradas neste estado, condição ou
qualidade da mente (Manas), ainda não é o homem-deus, o
Adam Kadmon, ou o ser humano que se prosternou no
Loka-chaksub, o olho do mundo, a divindade solar, todo-

266
poderosa; tal peculiaridade é concernente ao Espírito, não à
Alma, singular dos semideuses. Prolongando um pouco
mais nossa ilustração, o Ferho, o máximo poder criativo e
inteligente, assim como definido no gnóstico Codex
Nazareus, pode ser realmente colocado em pauta nas
qualidades e nos atributos do "Demi-God", todavia, seu
grau de presença, articulando tal comparação ao DEUS em
si, é inferior, mas muito mais ampliada do que os seres
somente coesos com a matéria e a rigidez da natureza das
coisas.
Coadunando a rerum naturae à abstração aqui frisada,
posso afirmar que os deuses, ou os homens mais elevados
consciencialmente falando, são a representação indiscutível
do Mahabuddhi, onde o Brahmishiti (a estabilidade da
mente ou intelecto no fenômeno do Samadhi, firme e
consistente), a Ananta (a infinidade, onde toda a sabedoria
e o poder do indivíduo são ilimitados e congruentes com o
tamanho do Absoluto: igualmente infinito) e o Paratma (a
grande inteligência, a Alma divina, o Espírito sagrado)
estão em consonância com as leis do Mahasunyata (o
espaço ou a lei eterna; a energia primordial da natureza
sidérea), dado que o estágio de alcance para lograr tal nível
de mentalidade cósmica (Purusha) foi consumado e
ministrado no Nitya Sarga, i.e., o estado ou condição de
constante evolução, inovação, regeneração e criação,
consequentemente, nós temos o Iniciado Completo e
Perfeito (o Adhi, o supremo, o primordial, ensejado nas
virtudes atiçadas no Adam Illah), não obstante, podemos
inferir que todo o homem possui a Inteligência Primeira em
si, que nós denominamos, em nomenclatura sânscrita, de
Adibuddhi, como qualquer outro filósofo que domina com

267
sobre-excelência as atividades referentes à ciência esotérica
perfeita (magia) situada nos fundamentos geradores dos
arranjos edificadores de Khnoom, o espaço primordial e
profundo; assim, define-se o Espírito, ou o plano de
consciência dos Deuses, com as suas habilidades psíquicas
(outrora latentes) todas despertas em plenitude, em suas
mais expositivas entrelinhas.
Como bem poderíamos pensar, consoante o que assevera
Johannes Tauler, não haveria dubiez de que a finalidade
suma do ser humano é atingir a unidade e o amor a Deus
em elo pleno e inefável; destarte, estes sentimentos mentais
de religiosidade da mente do homem, ou seu
correspondente Svabhava em termos mais latos, abrem
passagem para o ‫מלכות שמים‬, no qual a unio mystica do ser
humano com Deus é sempre possível e inevitável. Por ora,
devemos levar em consideração a tradição mística do
cristianismo de Tauler para formular um pensamento
mediante as suas meditações e reflexões para que, depois,
elaboremos as nossas engenhosamente.
Como desígnio final, o homem efetua, decerto, a sua unio
mystica com Deus, i.e., o Corpo funde-se com o Espírito,
incorpora os elementos supremos da inteligência divina e se
embebeda de seus maiores quilates, sendo assim, lima as
potencialidades de sua consciência de tal forma que logra a
assolação dos empecilhos que dividem o homem de Deus, o
incorpóreo do corpóreo, o sutil do denso, e agora, tudo
estará não mais inclinado à brutalidade das coisas, mas a
sua divindade íntegra e sisuda, tendo acarreado a sua versão
original de Chohah, o Senhor do Mundo, num estado
vibratório de onipotência e de sabedoria augusta,
conjuntamente à destreza da atuação de seu respectivo

268
princípio cósmico; assim, a tese de Johannes Tauler não
somente reforça, contudo, como confirma o que afirmamos
de antemão.
Puxar significa "fazer mover para si", isto é, um movimento
que se direciona para o sujeito que o desenvolve. Este é o
homem, que tenciona atingir os seis Abhijnas
(categoricamente, são os sentidos celestiais, que inclui,
segundo o Cânone Pali, o iddhi-vidhā [poderes superiores,
tal como atravessar paredes e andar sobres as águas],
dibba-sota [clariaudiência], ceto-pariya-ñāṇa [telepatia],
pubbe-nivāsanussati [retrognição], dibba-cakkhu
[conhecimento da destinação kármica de outrem] e
āsavakkhaya [extinção de todos os poluentes mentais,
estado de arthat]) em sua totalidade. Destarte, o
combustível aquoso representa a dinâmica e a
potencialidade da transcendência humana para a
consciência divina, ou até, a própria iminência de tal
ocorrido que suceder-se-á se o homem estiver preparado
para ser agraciado com as prerrogativas do Sammā-
Sambodhi (as propriedades do buddha perfeito, o bem mais
desenvolvido, o bem mais amado e o bem mais harmonioso
com Svayam Bhagavan), e dessa forma, congela como sol
perfeito (o sol perfeito é, de fato, o Sammā-Sambodhi,
aquele que alcançou o estado nirvânico da psique), i.e.,
converte-se em algo solidamente deífico por imisção da
conservação das propriedades mais absortas e entranhadas
da alma ôntica, com o propósito de que o indivíduo
persevere em sua busca pelo Boddhichitta e atinja o Ren, a
parte vital e celestial do homem que se obfirma tanto em
suas vidas físicas, quanto em suas pré-vidas e pós-vidas,

269
dado que Ptah colocara nome em todas as coisas no
Hiraṇyagarbha, o ovo dourado da geração cósmica.
Falemos, outrossim, do Trailokya, os três planos de
existência que se referem explicitamente, se formos
identificá-los detalhadamente, do Corpo, da Alma e do
Espírito, malgrado seja inteirado em circunstâncias
simbólicas diferentes:
a) Kamaloka: É o mundo de Mara. Kamaloka tem,
como todo mundo, suas sete divisões, a mais baixa
das quais começa na terra ou invisivelmente em sua
atmosfera; os seis outros ascendem gradualmente,
sendo o mais alto a morada daqueles que morreram
devido a acidente ou suicídio em um ataque de
insanidade temporária, ou foram vítimas de forças
externas. É um lugar em que todos aqueles que
morreram antes do final do mandato que lhes foram
atribuídos e cujos princípios superiores não entram,
portanto, imediatamente no estado devacânico –
dormem um doce sono sem sonhos, esquecido, no
término do qual eles renascem imediatamente ou
passam gradualmente para o estado devacânico.
Kamaloka possui ligações estritas com o Corpo,
pois o indivíduo que nele reside está vulnerável às
influências negativas do mundo de Mara, em cuja
estrutura, impera-se sensações inábeis, como
ganância, ódio e ilusão, morte, ou seja, representa a
força contrária da Iluminação, portanto, a Adiya
(ignorância) sustenta este mundo, e a insciência com
relação a Deus acarreta no fenômeno dos Kleshas,
os quais são emoções malignas aí amparadas, e.g.,

270
ansiedade, medo, raiva, depressão, inveja, ciúme,
desejo e assim, sucessivamente.
b) Rupaloka: É o mundo celestial de “forma” (rupa),
ou o que chamamos de “Devachan”. Com os
brâmanes não iniciados, chineses e outros budistas,
o Rupadhatu é dividido em dezoito Brahma ou
Devalokas; a vida de uma alma dura de meio Yuga a
16.000 Yugas ou Kalpas, e a altura das “Sombras” é
de meio Yojana a 16.000 Yojanas (onde um Yojana
mede de cinco e meia a dez milhas). A Filosofia
Esotérica ensina que, embora para os Egos, por
enquanto, tudo ou todos preservem sua forma (como
em um sonho), ainda que o Rupadhatu seja um
mundo puramente material e um estado, os próprios
Egos não têm forma fora de sua própria consciência.
O esoterismo divide este mundo em sete Dhyanas,
“regiões” ou estados de contemplação, que não são
localidades, mas representações mentais delas.
Somente no âmbito da Alma que o Ego não possui forma
senão em sua própria tomada de consciência. O Rapaloka,
embora sua pureza seja material, a sua materialidade não é
circunstancialmente tão nítida, havendo, consequentemente,
traços da imaterialidade neste espaço de eventos. As suas
localidades são somente representações mentais, logo, há
algo sutil e de natureza etérea conformado neste
soerguimento dimensional que é inexequível de se pensar e
descrever no Kamalopa, sentenciosamente, podemos
admitir que a Alma está inserida nesta esfera de existência,
sendo os Dhyanas, elementos da intercomunicação entre o
Kamalopa e o Arupaloka, o Corpo e o Espírito;
peremptoriamente, por isso, que devemos assumir que o

271
अस्त्र (astra), a carabina sobrenatural que é dada numa
reencarnação sagrada, imbuído de poder oculto que causa
seus efeitos e impactos, usada por Arjuna no Bhagavad-
Gita (neste caso, em específico, a Agneyastra, contra
Anagaraparna), se enquadra nos contextos causais da Alma
ou do Rapaloka; embora o Rapadhatu esteja suscetível aos
subterfúgios pecaminosos da Matéria, resguarda ainda a
consciência de Bhuman, a completude, a abundância de
Brahma, ut ita dicam.
c) Arupaloka: É o mundo que é novamente dividido
em sete dhyanas, ainda mais abstratos e sem forma,
pois esse "mundo" não possui nenhuma forma ou
desejo. É o mundo mais alto do Trailokya post-
mortem; e como é a morada daqueles que estão
quase prontos para o Nirvana, e é, de fato, o próprio
limiar do estado Nirvânico, é lógico que em
Anupadhatu (ou Arupavachara) não pode haver
forma nem sensação, nem qualquer sentindo
conectado com o nosso universo tridimensional. Se
o Arupadhatu está conectado com o Nirvana e é seu
manancial, por conseguinte, ele está ligado ao
Espírito. E o porquê disso? Formemos a seguinte
sugestão: nós sabemos que o Nirvana significa
perfeita quietude, liberdade plena, felicidade
suprema bem como o fim de Sansara, o infindável
ciclo de nascimento, vida e morte. E, similarmente,
contemplamos o Espírito como algo divino, incutido
nas idiossincrasias do eterno, do sereno, do pacífico
e do supremo. Lucubrando que ambos possuem
orientação, sentido e desígnio pariformes, portanto,
há um elo implicado em ambos; subsequentemente,

272
deduzimos que um está encaixado no outro,
axiomaticamente.
O Arupadhatu, sendo informe, indefinido materialmente e
indizível aos observadores sacrílegos, deve ser, cabalmente,
algo de natureza divina, representando, assim, o lócus ideal
para se conceber o Svatantrya (soberania divina), posto
isto, se valida como espelho de Caitanya (consciência) em
inteireza, apresentando uniformidade sui generis ao Nous
de Demiurge, logo, em sentido de Phronesis empregada nos
planos superiores, o Arupadhatu está mais ligado ao
Criador, logo, é o mais elevado dos Trailokyas post-
mortem.
O homem ante ao rumo do qual se dispõe a passar a todo
instante, não se condescende a conceber a luz divina em sua
mente, pois não vive momentos de união e irmanação
íntegra com seu espírito e sua natureza celestial no que
denominamos de ócio, meditação e autoconsciência,
entretanto, não falamos daquela mândria infausta que a
maioria dos profanos consuma quotidianamente, mas do
relaxamento, da concentração e do olhar atento à
constituição interna do ser, injetada no seu âmago
verdadeiro e original e, daí, confirmamos que ele está além
da insciência bruta de Acit, caso contrário, ele está
perdulário em todos os seus conceitos e atabalhoamentos
cognitivos, portanto, está centrado na consciência mais
baixa do homem: a material, pertinente ao homem físico,
isto é, a consciência humana propriamente ditada, utpote
verum est. Decompondo minuciosamente estes versos: "A
pessoa que aprendeu e foi sábia em seu poder de seguir
seus caminhos, e conforme solicitado; essa recompensa
notável levou sua mente a influenciar sua integridade para

273
os outros.", expressa claramente o fenômeno do Abhimukti,
a libertação do homem das trevas, o estado de arhat, onde
ele possui o conhecimento das chaves para alcançar o seu
verdadeiro ba, a sua alma imortal, ademais, este "conforme
solicitado" representa a harmonia do homem, ao caminhar
sobre tal itinerário, com o Advayata, a unidade do Universo
e todas as forças que focalizam em seu magnetismo único,
uníssono e unívoco, tendo assim todas as energias positivas
do ambiente total se direcionando ao centro de seu coração
que, por sua vez, se torna a chave para os mistérios arcanos
da sabedoria da criação divina e de todos os princípios que
nela incorrem e modulam. A demonstração desse
conhecimento torna-se seus elementos para as redes de
ensinamentos e formação das Escolas de Mistérios e,
nitidamente, nós temos a "integridade" como sabedoria a
ser passada, significando a probidade, a dignidade e a
santidade do homem conquistadas de maneira impecável e
consoante ao alicerce Akhanda (indivisível, o Todo) do Ein
Soph, quatinus bonum est.

274
LIVRO 19
Dos conceitos transcendentais do objeto sensível

§1. Da Razão Trascendental da Epistemologia dos


Sentidos

O sentido é tudo aquilo que dá andamento a uma percepção


de alguma cousa sob algum mecanismo pertinente a tal
ação, seja esta, concreta ou abstrata. Portanto, realizando
uma abujcção do concreto com abstrato, perceberemos que
um é totalmente sensível e tangível, o que se correlata
decerto ao concreto, e o outro é inteiramente inteligível e
cognoscível mediante o intelecto, o que se relaciona em
verdade ao abstrato.

275
Destarte, definimos não debalde que as percepções de
sentido envolvem tanto as características imanentes ao ser
quanto aquelas transcendentes; a imanente, por sua vez,
está em conformidade com a percepção concreta, enquanto
a transcendente, por conseguinte, corresponde àquela
abstrata.
Se pensarmos mais afundo, notaremos que, de certa forma,
o sentido das cousas se revela desembaraçadamente
compreensível ante a manifestação essencial de seus
elementos que compõem a sua estrutura de expressão e
condições de existência. Malgrado elucidamos,
concisamente, o objeto inteligível da concepção humana,
daremos nosso foco de investigação no sensível ao
percorrer desta nossa reflexão.
Um importante ponto da natureza observativa do objeto
sensível é sua direta influência na consciência em suas
partes mais densas e rígidas de incidência experimental, e,
porventura, sendo a mais próxima da apreensão quotidiana
do homem, tendo valor rítmico e sensorial, por certo,
examinado pelo mesmo, como fundamental para o
exercício providencial regular e percuciente na realidade
sensível e empírica da natureza das cousas.
Averiguando sob concurso de ideias epistemológicas ou a
própria fundação da teoria do conhecimento, conceberemos
que o objeto sensível é o alicerce teórico da consciência
externa e ambiental do homem, viz. o homem visto com
relação ao meio em que ele vive e sendo caracterizado desta
forma. Em contrapartida, o homem com relação a si mesmo
pode ser ambiental, todavia, este ambiente será
impreterivelmente interno.

276
Assim, quedar-se-ia demasiado lato afirmar que o sensível
é ambiental; com efeito, classifiquemos o sensível como
limiar da consciência externa de feito, mas, não obstante,
categorizemo-lo, distintamente doutro posicionamento,
como instrumental, em termos de constituição ambiental do
espaço, pois qualquer instrumento encontrado na espécie
material de natureza pode ser palpado e mensurado lógica e
matematicamente, enquanto que o inteligível, é puramente
cognitivo, dado que somente através do intelecto e da
mente, pode-se sentir alguma cousa a par de sua conjuntura
pensativa e do seu gênero perceptível concernente ao
entendimento metafísico e espiritual da natureza das
cousas. Desta forma, conseguimos discriminar
coerentemente ambos os conceitos.
O objeto sensível pode ser tanto experimentado pela razão
prática quanto acreditado pela modalidade pura desta.
Empregando recursos analíticos para sua respectiva
corroboração, deduzimos que a natureza sensível da
organização da realidade favorece a constatação racional
por meio de analogia e inferência, os quais são elementos
primordiais na formação racional do pensamento humano.
Outrossim, dadas as dimensões da sensibilidade dos
objetos, assimilemos tanto o seu conteúdo concebível
circunstancialmente quanto aquele de compreensão fixa e
invariável.
Com isso, temos de asseverar que a capacidade de
sensações que se pode gerar diante de um objeto qualquer
pode, certamente, determinar o quão ele é sensível ou não,
dado que quando mais o indivíduo senta alguma cousa,
mais ele pode se tornar consciente do âmbito supremo do
conteúdo do objeto o qual ele observa e contata.

277
Desta maneira, percebemos que, por intermédio duma
apuração fomentada pelo sistema transcedental da ilação
indutiva, o mundo sensível está sempre apropinquado da
manifestação carnal e corporal do homem como ser dotado
de espírito fillosófico e meditabundo e, inadvertidamente,
distanciado da eclosão do espírito sutil e etéreo, pertecente
ao mundo intelectual e psíquico, o qual os objetos sensíveis
não desenvolvem neste grau de consciência sob nenhuma
forma.
As faculdades de saber humano, embora não estejam
voltadas por lei natural ao conhecimento sensível, este é
sobremodo importante no tocante ao entendimento da
matéria em sua plenitude. Para concretizar este tipo de
doutrina, devemos ser assaz sábios para ratificar que cada
um dos seres existentes no espaço possuem prerrogativas o
bastante para desvendar a área de florescimento da esfera
material das cousas.
Esta está diretamente relacionada ao objeto sensível;
entretanto, o ser sensível é muito mais importante do que o
objeto de mesma natureza, em virtude de ser justamente
este que consegue representar sistêmica e intelectualmente
as suas coordenadas de planificação natural e evoluir seus
respectivos meios de vida a partir destas representações.
Doravante, podemos coligir que, indubitavelmente, o
homem é nimiamente congruente com a magistratura
universal dos fluxos e movimentos ocorrentes no espaço
universal e, por conseguinte, o objeto sensível é apenas um
motor de certos elementos da conduta ôntica que delega ao
ser funções para compreender as cousas materiais e
corpóreas que, a fim de pontuar, estão relacionadas

278
diretamente ao entendimento imanente da natureza dos
dispositivos existentes na construção do mundo, o qual,
neste sentido, está conforme à mesma.

§2. D’Objeto Sensível como Configuração Imanente dos


Itens Utilizados na Materialização do Espaço

A imanência d'objeto sensível está acinte confinada pelos


limites do alcance da matéria, a qual, a propósito, é o
âmago da manifestação imanente da natureza, e, portanto, o
objeto sensível coordena as suas balizas de expressão e
substância ôntica; assim, devemos agregar as afirmações
aqui estabelecidas e dizer que o objeto imanente será
necessariamente equiponderado e equipolar ao objeto
sensível.
Sobremais, se ainda for preciso elucidar a razão de tudo
isso, primeiramente, devemos fazer a seguinte asserção: se
o homem, em constituição material, está com relação ao
mundo, presente e pertencente à sua natureza concreta e,
igualmente, esta dimensão de saber é constratada com a
metafísica, logo, tudo aquilo que ele concebe, sente e vê
provém da própria imanência, conforme pode ser sondado
apenas pela relação de sentido entre os vocábulos aqui
empregados.
De fato, tudo aquilo que é imanente, está atinente ao mundo
sensível, e, como resultado, não é absolutamente incólume,
sendo até mesmo vulnerável às forças externas e, por
conseguinte, podendo ser danificada e sua base de

279
sustentação vital, também deteriorada. Assim, o objeto
sensível, sendo imanente, está sujeito à destruição e à avaria
do mesmo, em qualquer circunstância símile ou que intente
sê-lo.
No que concerne à materialização do ambiente, devemos
enfatizar que o homem, conectado ao objeto sensível com
intensidade em demasia, subsequentemente, é materializado
num ambiente que incorpora e acouta com empresa tal
região da consciência humana.
Outrossim, se formos pensar com ácie sobreguisa reflexiva,
notaremos que o material o qual é empregado de forma
partícipe, analisando o azo apropriado no qual se implica e
se motiva o seu alicerce de existência, é deveras verdadeiro
que este seja a forma contribuinte de manifestação e
exibição do objeto sensível na natureza das cousas, e os
itens de mesma grandeza são meros efeitos ulteriores desta
fusão entre o objeto sensível, i.e. o sujeito e o campo
material de apresentação, i.e. o objeto deste fenômeno.
Porquanto nós tentemos explicar as cousas do ponto de
vista do objeto, sabemos que, do prisma da verdadeira
filosofia, é um perdimento sobremaneira irrisório e até, da
ótica das noções gerais do espaço universal, um tanto
perfunctório. Assim, é harto importante dizer, da mesma
maneira, que se o objeto sensível for de fato o modo como
a materialização proporciona os seus efeitos subsequentes,
logo, esta será o modo propício de se conseguir o objeto
sensível et absque macula offeret.
Mas, mesmo verossimilmente imaculado quando nunca
tocado, está ainda vulnerável à degeneração induzida pelas

280
forças externas e, portanto, ele não é, de algum modo,
perficiente, já que desfruta de uma série de disformidades
assaz evidentes tanto na sua aparência quanto na sua
essência constituintes.
Numa dispersão de itens materiais num espaço, há-de
arrazoar que o homem, sendo complacaente à natureza
d'objeto sensível, logra a sua percepção mediante os orgãos
de sentidos e sua correspondente mentalização. Por
conseguinte, também sabemos que todo o ser carnal aspira
a conquista dos bens materiais, acumulando, assim,
propriedades de mesma natureza.
Todavia, como de antanho elucidado, isto pode tornar o ser
acometível ao ambiente e suas forças, e, deste modo,
podemos proferir solenemente que o ser material, sob
aspectos temporais, pode até se tornar consciente d'objeto
inteligível, mas, nesse plano, jamais poderá alcançá-lo em
indemnidade. Assim, faz-se necessário ressaltar que o ser,
do ponto de vista subjetivo, logra detectar os jaezes
fundamentais dos traços, qualidades e gêneros d'objeto
sensível.
Não obstante, entendido da concepção obejtiva, apenas
consegue verificar inteiramente os elementos coadunares,
atinentes ao mundo material, d'objeto sensível, entretanto, a
sua origem e as bases de seu surgimento são indizíveis,
pois, precisamente, advém de uma realidade superior para
dar condicionamento existencial para tal. Desta maneira,
faz-se improtelável dizer que o homem consegue visualizar
as cousas de acordo com a capacidade de alcance aspectual
da natureza, e tudo aquilo que não se apresente

281
sensivelmente, não é possível de se representar, tampouco
de se assimilar a ponto de descrever em minúcias, veluti.

§3. Da Procedência Natural ou Representativa d’Objeto


Sensível em termos de Promoção e Engendramento

Asseguro que, através de uma inquirição analítica nos


elementos primordiais d'objeto sensível, podemos
desvendar o seu tipo d'engendramento. Portanto, os
processos que dão fomentação a tal evento incrementam
atuantes as condições bastantes para que a sensorialidade
do objeto se torne notoriamente real tanto do observador
panarômico quanto daquele que o faz em pontos
particulares do ambiente.
Numa espécime mui categórica de disseminação desses
fenômenos, temos que considerar o objeto sensível como a
própria exteriorização de seus engendramentos um tanto
mais genéricos; agora, com relação àqueles efetivamente
específicos, na verdade, deve ser um tipo dos arquétipos
exteriores dos mesmos, e não aquele que é difuso e global.
Contudo, sejamos sobremodo escrupulosos ao afirmar que,
malgrado haja diatribes a tal pensamento, o homem reside
na ilusão, desde que habite a matéria, e tal ilusão é
provocada pela densidade e limitação das cousas num
cenário extremamente soez e suscetível a grandes
padecimentos.
Um exemplo de homem iludido e injudicioso é aquele que é
edaz; o sobejo de comida e o vício aí adquirido faz com que

282
ele esteja ínsito com vivacidade apenas nesta realidade,
deixando-o nas mais desconcertantes e incôditas das
imperícias humanas, fazendo-o cair nas trevas de sua
própria consciência, e impedido, por vontade própria, de
alcançar a luz da sabedoria na realidade suprema. O objeto
sensível, em processo de engendramento, estimula certas
ideias atreladas somente ao carnal, denso, bruto e material,
tolhendo o homem de ser o que realmente é e, também, de
obter conhecimento espiritual, sutil, esotérico, oculto e,
sobretudo, transcendental.
Tendo em mente que o objeto sensível pode ser um tanto
idílico, portanto, a sua austeridade para com seus agentes
pode ser sobreposse insidioso. Além disso, se
contemplarmos tal questão em seu cerne, infiriremos que a
sensibilidade d'objeto pode ser tanto conduzida pela sua
promoção especulativa quanto por aquela empírica.
Expliquemos, dessarte, ambos esses conceitos. O
especulativo advém daquele tipo de pensamento mui
abstrato, que é irrealizável, impossível e instável
deliberadamente; tal preceito pode ser ratificado por meio
das atividades copiosas de conjecturas e teorizações, que
apenas quedam neste âmbito e não evoluem para sua
efetividade. Aplica-se ao objeto sensível por meio da
crença, viz. o que eu opino acerca dum objeto qualquer sem
nunca poder observá-lo, tocá-lo, removê-lo, consumi-lo e
entre outras ações que podem se realizadas.
O empírico, por outro lado, requer como princípio
fundamental a experiência, viz. a concretude, a observação
direta, retilínea e sólida ao objeto que se quer ver, o que é
testável, provável e exequível na natureza,

283
propositadamente; assim, neste caso, não existem reles
conjecturas; no entanto, evidências, provas e persepctivas
sobremodo realistas daquilo que existe, embasadas em
cousas factuais e verídicas na vida imanente.
No tocante à essência d'objeto sensível, temos que
considerar que este pode ser empírico dentre dois níveis de
extensão: o objeto empírico pelos meios indutivo e
dedutivo. O meio indutivo demonstra a representação mais
próxima d'objeto, isto é, aquela que não é exata, dado que a
sua precisão sobreguisa acurada seria impossível do foco de
observação humana, mas que é testável e que se pode
desenvolver a partir da mesma. Citando caso análogo,
temos o modelo das ciências botânicas no ramo da
taxonomia vegetal: plantas como aloe vera (babosa) ou
simmondsia chinensis (jojoba) não possuem nomenclatura
latina naturalmente, dado que são incapazes de denominar a
si mesmas.
Essas noções são claramente formadas pelo homem, que
são convenientes para ele, a fim de compreender o espaço
de uma forma mais iniludível e esclarecida conforme a sua
própria natureza. O meio dedutivo, por sua vez, representa
a projeção exata e indubitável d'objeto sensível, i.e. aquela
que possui abosluta justeza e pontualidade perficiente na
identificação e reconhecença das cousas; cumpre com rigor
os comandos de mensuração e determinação dos objetos
existentes, por meio de artifícios que condigam com tal
realidade.
Por exemplo, nós temos a matemática como espécime
notória deste fenômeno; ficou claramente provado pelos
especialistas, teóricos e doutrinadores n'área que:

284
3
∑ ∞ 0 2n = 6
n=¿¿

O artifício que se adequa a tal realidade é o cálculo desta


equação duma somatória onde ∞é o índice inicial e n é o
índice do somatório. Efetuando os procedimentos
matemáticos que são demandamos, encontramos a
resolução “6”. E assim, com estas exemplificações,
definimos satisfatoriamente os conceitos dos meios
indutivo e dedutivo empíricos d’objeto sensível.

§4. Da Formação d’Objeto Sensível sob o Ponto de Vista


Transcendental

Ponderando o objeto sensível sob um ângulo


transcendental, perceberemos que o mesmo, na verdade, a
esmo é controlado pelas realidade superiores a partir da
captação energética da densidade contida em si mesmo.
Portanto, se sua distância com relação ao mundo inteligível
se perfaz um tanto frívola da perspectiva da unidade, ela é
sobremodo ingente daquilo que chamamos de interpretação
dual do espaço ou, como soemos chamar em terminologia
puramente filosófica, de dyadikóti̱ta, o seu equivalente em
grego. O conceito de dyadikóti̱ta é harto presente na
descrição de fenômenos dictômicos entre uniformidade e

285
discrepância entre o sensível e o intelegível e, sobretudo, o
imanente e o transcendente.
Se pensarmos na distribuição destes componentes na
natureza do espaço irrevogavelmente, nos tornaremos
cientes de que cria-se, mormente, uma substância de
natureza dual e conflitante entre os seus aspectos de
influência e composição, já preditas pelo próprio
desdobramento incoativo.
Por conseguinte, sob a direção transcendental de raciocínio,
o objeto sensível cria a dualidade já em seus fatores
inceptivos de posicionamento no ambiente em que está
situado, enquanto o inteligível, naturalmente, sobrepõe-se
sobre o sensível e cria parâmetros assaz peremptórios para
o estabelecimento de uma unidade harmoniosa entre o ser e
o espaço. Assim, o ser transcedental considera o objeto
sensível como um obstáculo para um elo íntegro e
intimorato entre as cousas existentes na natureza universal,
que permite acintosamente a inteligibilidade total destas
para o indivíduo.
Avante a isso, temos que factualmente afirmar que,
transcendentalmente, a formação d'objeto sensível se dá
pela dualidade da natureza e pela separação entre o emissor
e o receptor das ações e reações humanas, distanciando o
verdadeiro sujeito de seu verdadeiro objeto.
Portanto, prolongando um pouco mais este pensamento,
descobriremos que o objeto sensível pode ser considerado
uma categoria ligada de fato, no que concerne à expressão
em seus ambientes particulares, ao objeto inteligível, mas
em termos de classe geral, é consumada a sua partição.

286
A existência integral d'objeto sensível, com efeito, deve ser
a causadora de todas as bifurcações dualistas dos conceitos
que até hoje perduram no imaginário da humanidade. A
partir desse exemplo, deve-se peremptoriamente inferir que
a sensibilidade das cousas causa também dupla
interpretação, que é oriunda de seu cerne constituinte de
mesma natureza.
A par dessa declaração, temos de ressaltar que o homem,
enquanto atrelado ao instinto, pode desenvolver ainda mais
dualidade no mundo, desordenando-o, assim,
absolutamente. Por conseguinte, a razão serve para regular
e nortear com sapiência esta "inópia" humana para que não
se expresse claramente nas relações coletivas em geral, a
fim de não desencadear um cenário de dissonância e
decerto babélico no mundo.
A finalidade do esclarecimento transcendental sobre o
objeto sensível invariavelmente se baseia em entendimentos
metafísicos concentrados no mundo físico, destacando a sua
superioridade tanto no tocante à qualidade dos recursos de
usufruto e edificação da vida quanto aos níveis de
consciência aí existentes, os quais, sob o prisma metafísico,
são muito mais elevados.
O objeto sensível, afinal de contas, deve ser bastante notado
que este, em sua formação, corrompe naturalmente a
divindade do homem, que, em contrapartida, é reconhecida
irrevogavelmente pelo objeto inteligível da realidade
metafísica. Assim, existe um processo degenerativo da
consciência divina do homem quando este se torna apenas
cônscio dos objetos sensíveis no mundo físico, denso,
concreto, bruto, carnal e material.

287
Se formos pensar mais cautelosamente nesta peculiar
ocasião, presumiremos que a composição fundamental na
qual se configura a matéria está na própria sua
vulnerabilidade, viz. qualidade ou estado de suscetibilidade
à ruína, à ferida ou ao prejuízo, o que determina
substancialmente as idiossincrasias materiais, ligadas, por
consequência, aos objetos sensíveis.
Ainda que alguns aleguem que o objeto sensível é
importante n'assimilação do conteúdo primordial das
cousas, sabemos, teoricamente, que o seu primórdio não
provém do mundo material propriamente dito, tampouco de
seus elementos relacionados; contudo, sua origem se situa
em planos superiores da consciência ou, até em estágios
mais avançados do desenvolvimento do homem.
Um ponto central na nossa doutrina é que a lógica
matemática, malgrado seja mui vultosa no tocante ao
entendimento da disposição adequada e linear das cousas
existentes na natureza, é detentora de muitas falhas ao
tentar explicar coisas indedutíveis por meios de
discernimento material.
Por exemplo, uma das equações de Schröndiger (neste caso,
a mais famanaz) listada aqui abaixo, tenta descrever como
um estado quântico dum sistema físico se modifica
temporalmente, cuja elaboração possui vetores, unidade
imaginária, constante e operador auto-adjunto:

288
Entretanto, tal equação não explica as mudanças sistêmicas
das realidades metafísicas, pois se aplica somente à
natureza dos objetos sensíveis, não àquela dos inteligíveis.
Conseguintemente, fica intricado o surgimento de novas
propostas de pesquisa psíquica, espiritual e metafísica nos
ramos tanto exatos quanto biológicos da ciência per se
agens.

§5. A Sensorialidade da Natureza das Cousas sob o Prisma


Metafísico e suas Interações com os seus Elementos
Partícipes

As cousas podem ser sensoriais ou pela sua causa de


sentido ou pelo seu efeito de sentido. Façamos, portanto, a
distinção entre ambos os conceitos para prosseguir com a
elucubração transcendental de tal fenômeno, a fim de
facilitar a compreensão do estudante de nosso sistema
filosófico.
Ora, a causa de sentido seria tudo aquilo que origina,
provoca e motiva as faculdades de captação de
determinadas classes ou grupos de sensações,
estabelecendo, destarte, um contato de dimensão hipotética
com a realidade o que, incontinenti, nos faz pensar que

289
assentam-se aí os princípios fundamentais dos processos
elaborativos teóricos, conjeturais, abstratos e imagéticos da
capacidade sensorial do ser ou objeto.
Por outro lado, o efeito de sentido seria tudo aquilo que
vem como resultado ou subsequência das propriedades as
quais determinam, por conseguinte, as dessemelhantes
classes ou grupos de sentimentos, configurando, deste
modo, uma direção consciencial projetada nos fundamentos
naturais, concretos e empíricos das aptidões sensoriais
individuais. Assim, conseguimos formular de maneira
concisa e coerente a discriminação entre o efeito de sentido
e a causa de sentido pertinentes aos objetos sensíveis in sui.
Deve-se deliberar, a partir das proposições aí deferidas, que
a causa de sentido e o efeito de sentido sensíveis sob a ótica
metafísica, como podemos afirmar cordatamente, são meros
processos de gravidade consunta da matéria em relação à
natureza das cousas. Contanto que não se valha contempto
para tal fenomenologia, façamos o esforço de afirmar que o
teor sensível da natureza, como causa ou efeito, é distinto
aliter dos panaromas causal e efetivo da realidade
metafísica. Ao passo que as causas e os efeitos da
sensorialidade física estão conectadas ao que ser é videtur,
aquelas que pertencem à metafísica, ao que ser que é penite.
O conceito filosófico de videtur (palavra latina que
significa "pela aparência") alude à composição externa,
carnal e material do homem, relacionado provavelmente ao
ekho (ter), viz. o que ser tem para oferecer socialmente,
quantos objetos corporais ele se ocupa para enriquentar-se,
qual a sua maneira de agir ante ao sistema implantado e se é

290
adequada ou não, se é obsequente ou não, e assim,
sucessivamente.
O ekho não só abrange o ter de gozar de uma propriedade
material (e.g., reserva nímia de numerário na conta corrente
bancária), mas o ter do ser não-meditativo ou, como vamos
denominar, asófico, viz. o ser instrumental, que não reflete
sobre suas ações, apenas segue levianamente o que outros
têm para lhe dizer, um ser praticamente robótico, mecânico,
enfadonho, sempre aperreante, sem sentimentos, sem
pensamentos, convive apenas com suas nugacidades
cognitivas (e.g., o operário que trabalha 12 horas por dia, é
extremamente submisso, não possui concepções originais,
acredita nas falácias divulgadas amiúde e
descompassadamente pelos meios de comunicação e assim,
vive sem descobrir os seus verdadeiros dons e aptidões).
Portanto, o ekho engloba tanto as características da posse de
algo material e uma vida dedicada totalmente a este e da
existência sobejamente técnica, mecânica, automática,
laboral, cujo nuto é apenas dirigido pela consciência de
outrem, convivendo sempre em azáfama e celeuma
profissonal, impedindo, por conseguinte, o ser de evoluir
espiritualmente na Terra; isto posto, ele é asófico – caso
contrário – ele é sófico, como explicaremos posteriormente.
Por outro lado, a noção de penite está correlata ao ser em si,
viz. ao esse, ao eimí, ou aquilo que denominamos de
essência transcendental, i.e. o lídimo espírito do homem, a
sua natureza intrínseca e superior; outrossim, seria o ser que
garante a si mesmo a evolução, a transformação, a
libertação espiritual e a elevação do seu autoconhecimento.

291
Conseguintemente, devemos deduzir que o penite está
relacionado ao ser reflexivo, isto é, aquele que medita
acerca das cousas da natureza e da realidade do mundo, que
fundamenta as suas reflexões com base na razão reflexiva,
valoriza o intelecto, o esclarecimento e a sabedoria lhana
(e.g., um filósofo que aprecia o saber humano, estudando
sobejamente as conjunturas pertinentes a existência humana
na tradição filosófica vigorosa e não-vigorosa à sua altura).
Penite é uma palavra latina que quer dizer "interiormente";
portanto, uma ilação que podemos soerguer é de que
videtur é imanente e penite é transcendente; ao passo que
videtur é externo e físico, penite é interno e metafísico.
Dessarte, devemos coligir que o homem é um ser que
naturalmente pode atingir a essência transcendental, desde
que ele reconheça a mesma como seu bem supremo; esta é
a verdadeira consciência de penite. Ademais, penite é
sófico, dado que a luz da sabedoria é uma de suas
incocussas bases e um de seus morigerados estros, que
trazem-na consonância com a estrutura universal em
vigência.
Nada obstante, as interações na quais se comum os
elementos tanto de penite quanto de videtur, sob as
colocações metafísicas, são arranjadas como fim diante da
univocidade e como meio perante a individuação.
A individuação é o reconhecimento particular de cada
indivíduo para com si mesmo, viz. é a grande perspicácia
humana: a autoconsciência. Tenho em base para tal
afirmação as seguintes premissas estruturadas num
silogismo:

292
Argumentos:
a) O indivíduo é um ser que possui potencial o suficiente
para atingir níveis superiores da consciência.
b) A consciência só pode ser ativada se o indivíduo tiver
ciência de suas bases e condições de existência.
Conclusão:
c) Logo, o indivíduo, para alcançar o estado supremo da
consciência, deve ter conhecimento pleno de sua própria.

A univocidade é a relação do ser para com o universo, viz.


todas as extensões dimensionais da estrutura universal,
desde que, em uníssono com esta, se associe ao todo que
nela vigora. Penite se enquadra com ambas as classes de
interação, mas a videtur proporciona uma terceira e,
também, uma quarta: o egoicismo e o coletivismo.
O egoicismo, símile na proposta inicial com a individuação,
é sua parte ruim; enquanto a individuação reconhece a si
mesma para obter entendimento do todo da consciência
universal, o egoicismo o faz para interesses próprios, de
maneira jactanciosa e aleivosa. O coletivismo, bem como o
egoicismo, é a deturpação de seu fundamento "semelhante".
Ao passo que a univocidade representa a natureza humana
com relação ao todo do absoluto, gerando concórdia do ser
com o cosmos, o coletivismo posiciona os indivíduos como
inferiores a sua natureza cósmica, gerando, destarte,

293
dissonância e atritos baldosos com o cosmos; este,
provavelmente, é a matriz de todos os conflitos sociais que
acarretaram em eventos funestos na história da
humanidade.

294
LIVRO 20
Metafísica do conhecimento

1. O conhecimento é inerente à alma do ser enquanto ser,


não enquanto não-ser. O ser vive o conhecimento enquanto
conhecimento; por outro lado, o não-ser não obtém o
conhecimento, pois justamente porque não é. Assim, se é,
portanto, tem conhecimento.
Examinando mais profundamente a origem do
conhecimento em seu cerne de existência, conceberemos
que o mesmo é formado pela própria natureza íntegra da
geração das cousas enquanto cousas dotadas de existência.
Por conseguinte, se existe como sendo cousa dotada de
existência, é efetivamente uma fonte de conhecimento.
Agora, se precisarmos determinar os caminhos percorridos
pelo conhecimento enquanto sendo ele mesmo, podemos
notar que, efetivamente, percorre sobre itinerários que o
expressem com clareza e acesso àqueles que o querem
obter.
Caso contrário, estaria oculto, e isto, porventura, soaria um
tanto contraditório, pois, todo o conhecimento, como
manifestação elementar do ser, tende a abrir-se para o
mesmo. Outrossim, certamente, o conhecimento abrange
tanto espírito quanto matéria com profusão e se,

295
igualmente, intentada a interpretação de tal fenômeno, é
deixado claro que o conhecimento é a emanação dos
elementos do saber tanto do espírito quanto da matéria,
como deve-se inferir em prossecução.
Analisando transcendentalmente a natureza da origem do
conhecimento, há-de entender que enquanto conhecimento
é natural que vá se originando em parte dos elementos do
ser, ou se possível, configurar sistematicamente uma forma
de sabedoria da própria origem mediante a categorização
das cousas consoante os seus níveis de condicionamento no
princípio e na direção interativa da realidade que as
circunda com empenho observável e perceptível, seja por
experiência imanente ou transcendente.
Dessarte, progredindo no limiar do conhecimento enquanto
princípio de saber humano, podes definir que a sua
identidade também está relacionada à sua própria condição
de existência do ponto de vista unívoco e estrutural tanto
nas cousas relacionadas à vida quanto relacionadas à sua
essência.
Agora, saibamos que, normativamente, a causa eficiente da
origem do conhecimento é voltada a própria ideia ou a
noção de distinção entre a crença pura e a sabedoria pura ou
prática. Sob a perspectiva geral das cousas colocadas nos
aspectos do conhecimento como origem da lógica da
construção do mundo e da realidade que este representa, o
seu significado é o próprio propósito pelo qual vem a ser ou
está a ser, quer em circunstâncias propícias para a sua
expressão, quer aquelas para a sua impressão.

296
O fato é uma derivação do conhecimento dada por uma
experiência real e visível deste numa relação dual sujeito-
objeto, mas a origem do fato está inerente a todo
conhecimento particular do sujeito-objeto enquanto
premissa o suficiente para constatar com abrangência as
apresentações eventuais ou sempiternas da natureza, pois
natureza.
Doravante, instituamos que a verdade pode ser dada como
uma rota direta e retilínea para o conhecimento per se
agens e, sem embargo das objeções que podem ser feitas à
conservação da verdade como conhecimento, salientemos
que a verdade como conhecimento é o próprio fundamento
das ideias que se têm a respeito das percepções adjacentes à
organização do universo.
Portanto, se dadas as dimensões discerníveis das faculdades
de saber o conhecimento, por um método axiológico,
perceberemos que suas leis são fomentadas pela natureza de
desenvolvimento, seja esta evolução, seja esta involução,
do âmago da manifestação do conhecimento enquanto
conhecimento ou puro ou prático.
O que sentimos, o que vemos, o que percebemos, o que
somos são modalidades de se conectar ao conhecimento
como essência lídima e conceitual deste; assim, marca-se a
natureza do conhecimento em suas origens particulares de
manifestação pela sua identidade e capacidade de
infiltração na realidade supremas das cousas então
existentes.
Paralelamente ao que podemos assimilar, o conteúdo do
conhecimento presume a ser o cumprimento dos

297
fundamentos implantados no momento de sua criação,
formação e geração primordial, liquidando assim em uma
assinalação de seus próprios sinais e formas de expressão e
impressão. Ademais, toda a ideia que se origina de um
conhecimento firme, estável e seguro, pode estar cônsona
com sua origem e seus respectivos princípios de
coordenação tanto geral quanto minuciosa.
Num âmbito mais focal do conhecimento, os planos nos
quais este se faz mui evidente e mui comperto se dão pela
sua extensão tanto dedutiva quanto indutiva. Sobre a classe
indutiva de conhecimento, esta, efetivamente, seria
formulada com alicerce naquilo que chamamos de
generalização dos pressupostos para a ilação e a provisão
do conhecimento ut notum est, onde a constante do saber
não valida a sua variável, e vice-versa.
Sobre a classe dedutiva do conhecimento, esta seria
caracterizada com predicado pela intervenção na definição
e constituição das cousas, aplicada por intermédio tanto da
esquematização quanto das potências modais e funcionais
do conhecimento, denotando-o de maneira designadora
tanto em seus atributos genéricos quanto aqueles sobreguisa
meticulosos.
Assim, devemos conjecturar que o conhecimento pode
acompanhar a sua formação por meio da transcendência de
sua integração para com a realidade suprema, visualizando
os seus pontos concentradores tanto de matéria quanto de
espírito; com isso, devemos asseverar que as referências
singulares dos campos originais do conhecimento estão
inseridas e preservadas internamente ao ser que detém e
satisfaz as condições necessárias para se considerar dotado

298
de alguma espécie de conhecimento, quer estável, firme e
seguro, quer o adverso, todavia, o mais importante é gozar
de algum processo conversível ou fixo de conhecimento
puro ou prático.
É competência do conhecimento elucidar as cousas como
elas são de acordo com sua designação tanto de metas
quanto de funções a serem desempenhadas enquanto cousas
dotadas de essência ôntica própria.
Sobremais, se formos contemplar esta questão com bastante
foco, é de fato importante afirmar que quando estipulada
uma espécie de cousa significante, o conhecimento,
portanto, deverá fornecê-la significado o suficiente para ter
algum sentido factual na realidade suprema da natureza.
Incumbe ao conhecimento, da mesma maneira, determinar
as relações descritíveis dos objetos encontrados no
ambiente em que estão ínsitos e presenciam ativamente. As
origens de tais fenômenos epistemológicos estariam
centrados nas concepções concretas ou hipotéticas da
mente.
Isto posto, é improtelável sugerir que os indicativos do
conhecimento enquanto conhecimento puro ou prático são
demonstrados pela fonte da qual foram consagrados a
serem o que eles são, de tal modo que possuem deveres e
responsabilidades para determinar se uma cousa ou falsa ou
não por essência.
Naturalmente, as propriedades particulares da natureza
situacional do conhecimento estão meramente direcionadas
e descendidas de um setor muito unívoco da consciência
humana, de tal maneira que cada cousa existente pode ser

299
ou não explicativa por si só, pois o conhecimento pode ser
evidenciado ou potencializado pelo simples fato de ser
erigido ad re.
Tendo tal fato em mente, temos de inferir com sobreposição
aos enunciados outrora comentados que cada conhecimento
é originado a partir de sua matriz de significância e
convenção associativa. Assim sendo, podemos esperar que
a construção do conhecimento seja providenciada ou pelo
espaço atemporal sem nenhuma interferência direta das
ações representativas ou o contrário desse fenômeno de
composição do conhecimento das cousas.
O saber é indecomponível, mas os seus ramos são vários;
malgrado isso, ele é absolutamente intransponível e
irrefragável em sua maior essência. Estabelecido isso,
devemos dizer que o conhecimento é efetivamente
originado ou por sua correspondência predicável e
arquetípica ou pelas suas derivadas, diversas e subjetivas.
Nós devemos seccionar que cada um dos fatores correlatos
à natureza inconcussa do conhecimento estão simplesmente
multiplicados em vários, sendo cada um deles
caracterizados pela sua relevância no soerguimento de mais
conhecimento, independente de suas qualidades
discerníveis e factíveis.
Num deslinde inclusivo de tal fenômeno epistemológico,
devemos focar-nos nas seguintes cousas: ora, se o
conhecimento é oriundo de uma designação que ocorre em
suas próprias regiões de fluxos interativos com o ser, por
conseguinte, este pode ser, indubitavelmente, uma
disposição das substâncias intelectuais que são encontradas

300
na constituição primordial do arranjo do corpo do ser per
se.
Assim, inferindo em sua consumação mais próxima da
realidade suprema, perceberemos que a introdução do
conhecimento como original e primitivo pode ser tanto
conjuntivo quanto disjuntivo. O conhecimento conjuntivo é
a conexão das sentenças, dos adágios ou dos apotegmas,
seja qual for a fraseologia, que formam uma unidade
verdadeira, sendo os seus antecedentes originários também
de mesma natureza, i.e. verazes e lhanos em sua condição
designativa.
O alvo irredutível da natureza conjuntiva das cousas
enquanto fonte de conhecimento está permeada pelos
caracteres factuais e disposicionais do que podemos
denominar crucialmente de solução posicional da unidade,
viz. aquilo que pode demonstrar e evidenciar a ocupação
duma cousa no espaço em relação ao todo aí concretizado.
Por outro lado, o conhecimento disjuntivo é o
conhecimento lógico das alternativas e das medidas
modificativas de sua própria origem que se alinham assaz
congruentemente com os atributos heterogêneos e
abjuntivos (eticamente falando) do ponto de partida deste
fenômeno.
Em termos idiossincrásicos, poderíamos dizer que
qualificadas as lateralidades do conhecimento disjuntivo em
seu próprio meio de conteúdo nominativo estariam
diretamente correlatas ao afastamento condutivo das
admissões naturais feitas a partir da natureza mais próxima
da real origem do conhecimento humano.

301
Subjacente aos valores explicativos da conjunção e da
disjunção do conhecimento está a implicação distributiva
das cousas em seus próprios termos que, nomeadamente, os
fazem ser ocasionados pela substância ontológica do
conhecimento em si, tanto nas sensações quanto nas
percepções, quer sejam empíricas, quer sejam não-
empíricas.
Sob o prisma da modalidade alética de pensamento,
podemos cogitar com bastante certeza que a construção
deliberativa do conhecimento é de feito aprioristicamente
tomada como verdadeira se a sua formulação unívoca ante a
seus valores também for verdadeira.
Portanto, podemos afirmar que o conhecimento pode
originar-se sem dúvida nenhuma da substância mais
próxima de seu juízo analítico e procedimentos aritméticos,
no sentido de dados que solucionam problemas
epistemológico em propriedades relativas teleológicas, seja
estas autotélicas ou não-autotélicas, dependendo da
qualidade dos fins necessários em termos de predicação
analógica e definição noética.
O conhecimento formado a partir de preposições autotéticas
pode ser apontado como fundamentos por gêneros, classes,
categorias, tópicos, diferenças e espécies, compostos por
terminologias imprescindíveis para tornar-se verídico,
dados em certos parâmetros de formulação e incorporação
de elementos apodíticos. Assim, todo conhecimento
autotético ou não possui uma origem discriminadora em seu
tipo de abordagem lógica das suas versões originais e
primitivas, sendo tal sistema fenomenológico, promovido

302
por âmbitos justificatórios de suas verdades e também
resolutórios aporéticos.
Entretanto, se inferirmos tais cousas sob uma questão
metodológica original da natureza noética do
conhecimento, notaremos que a substância intelectiva que o
engrena e o ampara é puramente desenvolvida por um
envoltório de ideias e noções de causa e efeito da natureza
das ações e reações pertinentes à natureza do conhecimento
a priori.
Tudo que concede consistência ao conhecimento e se
integra às suas bases de sustentação pode ser deliberado
como parte ativa da construção do saber humano,
independentemente do grau partícipe do elemento
atribuído.
Se considerarmos o conhecimento como algo aretaico,
perceberemos que suas virtudes são absolutamente
introduzir pelos valores constantes de suas referências e
determinações ulteriores. Preceitua-se o conhecimento, por
conseguinte, em sua própria aplicabilidade singular na
realidade suprema.
Simbolizando as admissões feitas por estes meios, tácitas
ou bem expressas, notaremos que efetivamente cada parte
do conhecimento pode estar localizada numa concernência
de valores tais que tornem-no efetivamente algo válido e
cônscio de sua própria natureza em totalidade.
Então, devemos inferir que os limites do conhecimento
como princípio podem rejeitar ou aceitar adrede as cousas
que lhe proporcionam suporte e probabilidade. Num
quantificador universal de restrição de premissas, podemos

303
dizer que o conhecimento pode ser ou eliminado se suas
sentenças forem compostas por designações não-
pragmáticas ou anuídas se forem pragmáticas.
Deve-se estigmatizar que o conhecimento é precípuo no
sentido de que seu andamento significante é mui notório
nas suas instituições declarativa e consequencial ou
contingencial se quiçá for uma ocasião fortuita e tiver sido
transcorrida isoladamente, em uma circunstância eventual
dada à limitação do conhecimento humano em descobrir
sua origem causal.
Embora se considere a propensão do conhecimento como
algum tipo de viés, efetivamente, deve ser ponderado que
inquirido que a natureza circulatória do conhecimento é
mormente reiterado pelo seu agenciamento tanto em forma
(eidos) quanto pelos fins (telos).
A continuidade do conhecimento é atinado com as
propriedades, as substâncias e as potencialidades da sua
grandeza da sua asserção na realidade suprema da natureza
das cousas. Por conseguinte, o princípio do conhecimento
per se como método de investigação pode ser linearizado
substancialmente por atribuições que encorajem a sua
solidez e consciência como um todo.
As determinações enumeráveis do conhecimento são
consubstancializadas, talvez, pela asseguração de seus
elementos constituintes, os quais roboram a sua
cardinalidade ideária e transição categorial, seja simétrica à
verdade sublinhada de dicto, ou à operação monádica do
estado das cousas.

304
Perante a uma superveniência num conjunto de relações
específicas entre as propriedades mencionadas outrora das
extensões naturais do conhecimento, presumir-se-ia que
uma entidade de alegação conceptualmente credível poderia
ratificar suas respectivas fundações basilares.
Assim, refletindo de uma maneira que abarque tanto as
modalidades tanto de Bedeutung (significado) quanto de
Begriff (conceito), perceberemos que indubitavelmente a
estratificação epistêmica é nimiamente viabilizada pelos
estímulos consuetos ou não de seu ultimato reportado por
gênero qualitativo de cogitação.
Todavia, considerando as cousas mais profundas de ambos
os ensinamentos, tanto de Bedeutung quanto de Begriff,
perceberemos que o objeto dos princípios do conhecimento
é sempre voltado àquilo que denominamos de ethos, i.e. seu
caráter ou traços personalísticos que o conduzem e que o
movimentam consoante a sua maturação, designação
declinativa e papéis essenciais de significação e
definibilidade, além de sua intencionalidade preterida in
singulari loco.
2. O fenômeno da transcendência porfia em crer que o
homem é assaz ínclito para incoar a cambiar seu
assentamento ideário e sortir sua alma de divindade arcana,
a qual é involucrada por uma energia teúrgica decerto
ubíqua e súpera em todos os aspectos. Há-se de discernir
que o que estimula o denodo benfazejo das particularidades
formadoras da transcendência é, precipuamente, o
esclarecimento metafísico o qual consuma na quintessência
e, porventura, a difunde em inteireza para o indivíduo que
desfruta de vontade inconcussa e irrefragável de obtê-la e,

305
outrossim, compreendê-la. Dessarte, devo assegurar que,
em síntese, anexando os componentes da fenomenologia
transcendental ao lídimo âmago ôntico, coligir-se-á que
ambos consistirão, indeclinavelmente, em um arcabouço
inescurecível e indefectível tanto em suas idiossincrasias
principais quanto aquelas coadunares. Não obstante, tais
declarações suprimirão, quiçá, as cousas soezes e
pusilânimes existentes no homem. Isto posto, a
transcendência liberta o homem de sua acídia e insciência e,
por conseguinte, deve transformá-lo, como deve ser
anotado em nossa ilação, em alguém demasiado sábio e
fraterno com relação à natureza do mundo. Deliberemos, à
guisa de um ente proeminentemente ilibado, sobre as
balizas que gizam e designam a nossa vida como um
organismo de estrutura perficiente e exímia. Com isso
salientado, a filosofia transcendental, portanto, intentará
sobrepujar o homem ínsito numa submissão coagida pela
matéria e encaminhá-lo para a mais sublime extensão de
sua constituição natural. Como resultado, a filosofia da
transcendência se consagra intemerata e nímia de cousas
magníficas para fortificar o homem de substrato espiritual,
a fim de atingir a íntegra iluminação, consoante o que pode
ser averiguado em suas preposições enxertadas concernente
às suas noções prístinas de operação e procedimento.
Em uma perspectiva mais percuciente da mesma matéria,
devemos conglomerar elementos que predizem o conteúdo
da transcendência, pela qual dirimimos com lisura as suas
atividades e respectivos efeitos, principalmente, ao
encontroarmos com estas quando nos incumbidas
fundamentalmente. Inferimos, com efeito, que os fatores
transcendentais são poderes equiponderantes e unissonantes

306
da consciência humana, cuja natureza incita as condições de
coordenação e regularidade. Homens de caráter
desapiedado, descaroável ou, ainda, pantagruélico se feitas
as ações alimentares de modo transgressor, não estão, de
algum modo, afeiçoados a transcenderem e desprenderem-
se da tribulação que os acomete quase vitaliciamente.
Assim, o homem deve estar magníloquo psiquicamente
para adquirir os poderes mágicos da existência perscrutada
pelas forças transcendentais de comportamento e andança.
Seria incôngruo asseverar que a transcendência é
absolutamente incontrita, pois, aquele que transcende, é
invulnerado à humanidade, todavia, devo dizer incontinenti
que a penitência lhe melindra face à natureza infortunosa
das ocorrências sempiternas da dualidade universal.
Necessitar-se-ia, conseguintemente, da adesão à magnitude
da natureza controlada pela própria manifestação da cousa
sacrossanta na qual está aperaltada o cosmos: Deus. O
homem, num espaço e ambiente cuja destreza de indicação
para os itinerários mais propínquos de Deus é
particularidade inimitável, sempre busca a versatilidade
perante a veemência perceptiva do magnetismo perpetrado
no panaroma supremo da natureza; desta maneira,
desertando o cenário insulado dele com a sua tenção
deiforme e fomentar de forma hirta e incorrutível a sua
relação com o todo do cosmos, acompanhado de uma
jucunda finura e, igualmente, de encomiada beatitude, para
com a inviolabilidade das leis cósmicas vigorantes.
O homem neurastênico ipsis-verbis não pode ser
acatassolado de modo algum pelos matizes sisudos da
transcendência, ao passo que sua própria natureza é
adversária a esta. Verifiquemos, sem embargo, que

307
conquanto o homem concerna atributos negativos
sobejamente, é putativo certificar que o mesmo pode ser o
suficiente intrépido para auferir resultados os quais, de tão
gloriosos, subsequentemente conceder-lhe-ão as
características inerentes ao ser transcendental in essentia.
Oportuno seria mostrar-vos que aqueles de comportamento
pronóstico também não estão inclinados a alcançarem a
transcendência, malgrado propugnem por esta. A propósito,
articulemos que o propugnáculo do homem atinente à
pudicícia transcendental está situado em seu baluarte
primordial e, equitativamente, natural, do princípio ao fim:
Deus.
3. A filosofia não se consagra necessariamente pela
exatidão de suas explicações para os númenos e os
fenômenos cósmicos, mas sim pelos níveis de teor e
encorajamento epistêmicos sistematizados em cada uma de
suas tentativas ou façanhas de construir um corpo didático
exato e completo; em outras palavras, é em fazer o homem
encontrar a sua essência teóptica e suprema, no decorrer de
um longo trajeto de busca incessante pela sabedoria arcana,
que a filosofia cumpre perfeita e integralmente seu papel.
Salientado isto, conseguimos elaborar um método filosófico
consistente que se configura basicamente em três fatores
gnosiológicos: a) entomeomáse, b) melétese e c) empíria.
A entomeomáse é concernente à meditação, isto é, um
processo de contemplação interior, denso, plácido,
profundo e transcendente, que visa alcançar os estados mais
elevados da consciência, para que se possa, daí, ter domínio
sapiente tanto da mundanidade quando da espiritualidade, e
adquirir gradualmente conhecimento íntegro de ambas as
dimensões cósmicas e, logo, do princípio absoluto que as

308
rege. Tal estado é chamado de Dhyana na filosofia budista;
Dhyana possui como seu radical a palavra “dhi", que
significa "refletir", "ponderar", etc. Dasgupta, fundando-se
no Lankavatara, classifica o Dhyana em quatro tipos: a)
balopacarika, b) arthapravicaya, c) tathatalambana e d)
tathagata. A partir destes princípios, descrevamos os quatro
estágios da entomeomáse, detalhando suas teoria e prática;
são eles: a) concentração, b) compreensão, c) ididade e d)
omnitude.
A concentração consiste numa consideração profunda,
crítica e reflexiva sobre as coisas impuras, transitórias e
profanas da vida mundana; de acordo com Asvaghosa, in
"The Awakening of Faith" (p. 99), a concentração, de
maneira compassada e paulatina, contribui para a
purificação mental do indivíduo, ao passo que ele vai
perdendo suas indolência e arrogância, circunscritas e
nimiamente ativas em sua vida terrenal; ademais,
Hemachandra, in "Kavyanushasanam" (p. 183), assegura
que a concentração, profunda, crítica e reflexiva é algo
assaz primoroso e deleitável. Desta forma, em suma, a
concentração desempenha a função de ajudar o homem a
livrar-se dos grilhões da ignorância e da ilusão mundanas,
de purificar-se mentalmente para evoluir espiritualmente e
aumentar exponencialmente seus níveis de prazer para que
ele possa ficar num estado de "Nirvana" desde o início da
sua jornada espiritual, a fim de que, quando chegar
realmente no estado nirvânico da consciência, isto flua nele
natural e manifestadamente.
A compreensão consiste em absorver as informações que
vêm dos predicados sóficos do alento universal e dos
componentes de seu turbilhão de fluxo e movimentação e

309
repassar por todo o círculo energético estabelecido em
corpo, alma e espírito. Santayana, in "The Realm of Spirit"
(p. 39), diz que a compreensão sempre sucede a inspiração;
tal ênfase corrobora a nossa alegação de que o alento ou a
energia inspiradora do universo precisa desencadear o
entendimento de seus atributos inspiradores para que,
destarte, se possa se nos circular abundantemente. Neste
mesmo diapasão, Goldsmith, in "The Art of Meditation" (p.
36) afirma que a compreensão, substanciada pela
meditação, deve ser direcionada à natureza do Absoluto e à
nossa relação com Ele. Em síntese, a compreensão funciona
por meio duma força que inspira-a e, doravante, esta
inspiração circula por todas as dimensões conscienciais do
homem; a compreensão, também, deve estar em uníssono
com o princípio divino e supremo do cosmos para que se
possa entendê-lo de forma holística e arcana e, destarte,
poder atingir seus níveis epignósticos integralmente.
A ididade é aquele estado da consciência em que o
indivíduo não tem um conhecimento absoluto de seu Eu,
mas também está muito distante de ser ignorante dele; no
estado de ididade, o indivíduo possui amplo conhecimento
sobre as leis cósmicas, mas ainda não conseguiu atingir a
plenitude consciencial suficiente para entendê-las de guisa
total. Nagarjuna classifica, algures, este estado semi-
absoluto da consciência como sendo a superação definitiva
dos Dharmas condicionais (samskrtdharma), mas a não-
absolutidade da percepção exigida d'alguém que atingiu o
Nirvana e superou a ilusão da morte (marana). Com esta
asserção de Nagarjuna, podemos concluir que a ididade é,
basicamente, o estado semiabsoluto da consciência, no qual

310
várias percepções espirituais foram despertas, mas a suma
potencialidade delas ainda não foi totalmente liberada.

LIVRO 21

311
Das constituições da natureza humana

§1. Dos princípios em geral

Desde os tempos perniciosos e obnóxios das catástrofes


diluvianas, nós obliteramos de adaptarmos diametralmente
os nossos níveis de consciência com o poder da energia
vital que circula sobre todo o organismo no qual estamos
fundamentalmente comprimidos. A moção e a difusão de
tal energia vital instituem os nossos pensamentos e, por
conseguinte, as nossas ações; sabemos que as culturas
humanas realizaram suas assombrosas façanhas, desde as
arquitetônicas até as filosóficas, subjacentes às empresas
que para estas foram exortadas e estabelecidas. Desta
forma, eis que resulta a seguinte inferência: os estados
psíquicos, articulados com o fluxo incessante da energia
vital, atuam na formação dos estados da consciência que,
por sua vez, agem nas ideias e nas atividades individuais ou
coletivas, as quais se estendem do nível material ao
espiritual.
Considerando solidamente que as atividades individuais e
coletivas se distinguem em ambos os pormenores e os
caracteres abrangentes, então, teremos dois princípios
essenciais para o florescimento geral de uma civilização;
são eles: a) tradição e b) indústria. A tradição é um corpo
de conhecimentos, quer fabulosos, quer verídicos,

312
compartilhados pela sociedade, os quais se incutem nela de
forma ubíqua e passam a influenciar, destarte, os seus
costumes, o seu credo e seu modelo de regime tanto cívico
quanto político. A indústria é o conjunto de
empreendimentos que visam sempre um valor benéfico, que
é geralmente adquirido por meio de ativos pecuniários e,
daí, surge ou o faturamento ou o prejuízo numerários que
determinam o grau de riqueza econômica duma nação.
Contudo, nem sempre os fundamentos econômicos podem
constatar se a nação é realmente rica ou não, próspera ou
não e etc.; aqueles que apenas deliberam o agregado de
cabedais como o único ou o mais proeminente elemento de
determinação do bem-estar e da afluência de uma
civilização, é ou porque deveras desconhece os múltiplos
atributos da fortuna humana enquanto estratificada em
vários níveis de consciência, ou porque é demasiado
materialista e possui uma cupidez sobejamente chauvinista
e orientada unilateralmente ao dinheiro e às mui maculadas
mundanidades. Há-se de também levar em conta as
idiossincrasias espirituais do homem para avaliar se a
qualidade de suas empresas, tanto no campo da tradição
quanto no da indústria, são elevadas ou regressivas,
inovadoras ou enfadonhas, sábias ou basbaques e assim por
diante.

§2. Dos princípios das relações entre as nações

Os princípios que regem os câmbios e as coligações


internacionais são derivados dos princípios fundamentais da

313
tradição e da indústria duma nação per se, dos quais são
procedidos as noções precípuas desta inter alios: a)
comercial e b) cultural. As trocas comerciais estão
relacionadas ao aspecto industrial da nação, o qual se vale
dos princípios de constante busca pelo lucro e de orientação
consignada aos bens e serviços prestados mutuamente,
visando o íntegro preenchimento das escassezes naturais
duma nação e, igualmente, benefícios políticos e
econômicos. As trocas culturais, por outro lado, são
assinaladas no compartilhamento entre as tradições, os
credos e as próprias interferências idiomáticas, as quais,
conforme historicamente atestado, são possíveis de serem
efetivadas, e são, aliás, resultantes das permutas comerciais;
tal afirmação se deve ao fato de que somente mediante a
uma motivação material visando o lucro, através do qual
pode se perfazer o consumo e o usufruto da produção
humana para satisfazer as necessidades singulares, poder-
se-á haver um desenvolto estímulo para exercer as devidas
influências culturais na nação com que se comercia.

§3. Da natureza das nações

Definir peremptoriamente a natureza inerente a uma nação


não é tarefa assaz fácil de ser cumprida; desta forma,
convém-nos raciocinar com sistematicidade acerca daquilo
que é universalmente incorporado ao espírito nacional, que
se abrevia, simplesmente, à identidade. A natureza das
nações é conduzida por sua postura identitária, mormente,
concernente a sua origem ou, ainda, pátria-mãe ou terra
natal. Todos os povos do mundo compartilham tal tradição

314
em suas literaturas, lendas e sentenças religiosas; os
fenícios, os egípcios, os hindus, os chineses e etc. rastreiam
sua proveniência a uma antiga terra existente no Oceano
Pacífico, próspera nos tempos antediluvianos. Tamanha era
a identidade deste povos com relação a essa pátria-mãe, que
os mesmos navegaram até as regiões onde um dia ela se
localizara em grande extensão, cruzando, v.g., Sumatra,
Maldivas, onde havia um afamado Templo do Sol,
Austrália, Nova Zelândia e o Pacifico inteiro. A identidade
pode ser entendida como um elemento fundamental para a
sede de progresso e de prosperidade das nações, pois, tendo
uma pátria-mãe gloriosa e suprema espiritual e
materialmente em mente, as civilizações decerto almejarão
herdar ao máximo as suas extraordinárias características e
preservar a belíssima tradição auferida por éons; desta
forma, elas poderão dar prosseguimento às conquistas da
terra natal como fizera num remoto passado e,
conseguintemente, igualar-se a ela ou, mesmo, excedê-la. A
identidade é, pois, o valoroso motor da vontade de
progredir, de conservar a boa ordem pré-estabelecida e, daí,
de gerar uma nímia e ínclita dita para a nação.

§4. Da essência das nações

Cada nação, por assim dizer, possui uma personalidade


única e inimitável. A Sicília, diz Diodoro121, era
amplamente conhecida pela sua pleonexia e luxúria entre as
nações circunvizinhas; outro exemplo, não muito distante
121
“Bibliotheca Historica”, vol. ii, lib. vi, cap. vi, p. 11, edição em
grego antigo de Leipzig, 1888

315
da Sicília, mas muito mais conhecido, é Roma,
caracterizada pela sua belicosidade e, igualmente, pelo seu
poder de dominar os territórios doutros povos e, desta
forma, as tradições dos povos dominados penetravam
também nos ideais soberbos de Roma. A Macedônia, na
época apogética das campanhas de Alexandre Magno,
malgrado o seu espírito expansionista e armipotente,
conforme Teopompo e Cúrcio sobejamente relataram,
valorizava profundamente a filosofia, as tradições
esotéricas e científicas dos povos dominados e, sobretudo,
as raízes de todo o conhecimento que preponderava na
Antiguidade, devido ao fato de que, Plutarco122 no-lo diz,
Alexandre fora instruído, em sua adolescência, nas mais
elevadas ciências e correntes filosóficas prevalecentes em
seu tempo, sobretudo, das de Aristóteles. Os Estados
Unidos é assaz semelhante a Macedônia e a Roma em seus
aspectos de espirito de dominação, que, em seu caso, não se
abrange a territórios, mas a economias e a sistemas
ideológicos; o Brasil, porventura, deve ser o país da grande
diversidade espiritual e da admirável jocundidade de lidar
com as moléstias da vida, o que seu povo sempre
demonstrou ao longo dos séculos, porquanto já vemos que,
nesta grande nação, está sendo implantada uma semente
que, caso florescida integralmente, poderá resultar numa
era de prosperidade e excelsitude cultural não só para o
Brasil, mas também para o mundo. Daí, eis que, de fato, as
nações possuem uma essência que pode ser traduzida em
termos de perfil atitudinal ou personalístico, i.e. o agregado
de suas ações e potencialidades industriais ou culturais
imbuídas na sua moral ou tradição idiossincrásicas.
122
“Vitae Parallelae”, vol. iii, part. ii do par xxii, p. 285, edição em
grego antigo de Leipzig, 1889

316
§5. Do desenvolvimento positivo ou negativo das nações
Antes de procedermos uma dissertação acerca do
desenvolvimento positivo ou negativo das nações, devemos
prover a definição deste conceito. O desenvolvimento
positivo é quando, industrialmente, se possui uma demanda
de consumo mui expressiva para uma produção elevada, a
qual satisfaz as necessidades humanas e, destarte, gera uma
determinada receita superavitária ou extremamente
superavitária e, tradicionalmente, há uma população com
exercício pleno de uma espiritualidade em uníssono com
suas ciências. O desenvolvimento negativo, em que pese o
consumo e o rendimento altos, ou a sua normativa
característica de apresentar uma economia deficitária, é,
com efeito, singularizado pelo desequilíbrio entre a
espiritualidade e a ciência, viz., quando uma das duas se
sobrepõe a outra. Na época de Kepler, quando ele descobriu
a lei das órbitas e das áreas e evidenciou a teoria
heliocêntrica de Copérnico, a Igreja Católica imediatamente
condenou tais teses, pois, conforme ela mesmo decretava,
estar-se-iam assegurando em detrimento das Sagradas
Escrituras123; tal época foi a sobreposição da religião, ou
espiritualidade, sobre a ciência. Hoje, vemos o contrário: as
modalidades cientificistas de pensamento que, embasadas
em um sortimento absolutamente parco e fragmentado de
observação dos fenômenos naturais ou sociais, sem
considerar tampouco a universalidade de certos relatos de
eventos da humanidade e poder assim examiná-los com
erudição e minudência, criam teorias em cima de teorias,
“History of the Conflict between Religion and Science”, por John
123

William Draper, p. 231

317
que nunca chegam a nada sólido ou definitivo, que
esclareçam e enunciem a verdade com eficácia e exatidão
sem que isto pereça ou se perverta com mais postulações
hipotéticas, se sobrepõem à moral e ao pensamento
judicioso tanto dos simbolismos religiosos globais quanto
da espiritualidade e da filosofia oculta em geral.
Além das características de cada tipo de desenvolvimento
nacional, seja positivo ou negativo, demonstrados de
antanho, a identidade duma pátria-mãe sumamente
estabelecida na tradição e na indústria duma civilização é,
provavelmente, um dos principais estímulos para o
progresso e a prosperidade desta124, afora o constante elã
para a expansão tanto do poder cívico e político quanto do
conhecimento em todos os seus pormenores. Os agentes
causativos do desenvolvimento negativo são, basicamente,
o esquecimento das origens e do significado civilizacional e
a ignorância, quer industrial, quer tradicional, integralmente
imiscuídas numa nação; os dois fatores são tanto
responsáveis pelas crises que esta pode eventualmente
sofrer quanto pelo declínio e, subsequentemente, pela
queda, a não ser que seja destituída por outra civilização e,
ainda, nesta mesma conjuntura, conserve o
desenvolvimento positivo, apogético ou não, construído
pelos ancestrais. Daí, as consequências para o
desenvolvimento positivo poderão ser inúmeras, bem como
as do negativo, as quais sempre configuram à nação uma
recompensa proporcional ou à sapiência e às lembranças
das suas origens ou à insciência e ao esquecimento de sua
verdadeira história. Faber est suae quisque fortunae125.
124
Vede seção §3 neste mesmo livro.
125
Expressão latina que significa “todo homem é artesão de sua
própria fortuna”.

318
§6. Da origem, da necessidade e das leis da indústria

A indústria surge da fidúcia do homem em depositar na


geração de coisas traficadas ad laborem, o gozo dos seus
frutos, sobejados pelo ciclo produtivo e, consequentemente,
no câmbio comercial, para satisfazer as escatimas
particulares ou as coisas exíguas de outrem e estes,
talqualmente, exercem no mesmo processo, a satisfação das
outras escatimas ad alterum. Coríntio126, em seus tempos
áureos, comerciara, colonizara e dominara as artes
marítimas com suprema potência tanto como Egina;
mantinha, assim, relações comerciais, conforme convinha
às produções e às inópias locais, com todas as cidades ao
longo ou próximas da costa de Epiro. A Arábia 127 possuía
uma miríada de incensos e preciosas resinas, cujo negócio
com os países comarcões prosperou nimiamente, sobretudo,
no Iêmen, o qual mantinha um comércio integralmente
independente e uma cultura elevadíssima. Isso demonstra
que a troca comercial, quando extremamente bem-sucedida
e florescente, desdobra também valores ricos e nobres,
proporcionais ao sucesso econômico; exemplos disso,
temos o Egito, a Índia, a China, a Pérsia, os impérios da
Mesopotâmia, os povos antigos da Mesoamérica, o reino de
Funan, o Império Inca, a civilização que construiu Gunung
Padang ou as pirâmides da Bósnia, o reino de Tartesso, a
Fenícia, o reino de Israel sob o governo de Salomão, o
reino de Sinala, a Tartária, os reinos de Burma, o reino de
Paititi, os próprios impérios sul-americanos antediluvianos,
como o reino de Akakor e o Império de Tiwanaku, o
126
“A History of Greece”, por George Grote, vol. iv, p. 533
127
“Geschichte des Altertums”, por Eduard Meyer, vol. i, part. ii, p. 384

319
Império do Sol, os Dez Reinos do Atlântico e assim por
diante.
Se não houvesse a indústria, não haveria comércio e
tampouco cruzamentos culturais; todavia, o ponto mais
importante de sua conjecturável falta não é essa, mas sim
aquele que está relacionado ao seu principal propósito: a
completitude das escassezes de outrem e de si mesmo,
gerando, portanto, a integridade de recursos para a fruição
dos consumidores, o proveitoso lucro daí gerado e a
motivação cívica para os avanços nos âmbitos da tecnologia
que, ademais, pode ser complementada com a
espiritualidade128. Roma, durante a história de suas
conquistas, diz Dio Cássio129, se concentrava basicamente
em regiões com indústrias e terras fortíssimas nas suas
atividades comerciais; exemplo disso, temos Cartago, que,
apesar da República Romana tê-la destruído e toda a sua
maravilhosa e considerável antediluviana tradição,
restaurou-a Sula, crudelíssimo ditador que, conforme o
sobredito Dio Cássio no-lo descrevia, era sequioso por
conquistas justamente movido por fins de expansão
comercial e de novos e mais afluentes soerguimentos do
baluarte industrial de Roma neste mesmo organograma de
interesses geopolíticos. Os sameses, estatui Duris de
Samos130, seguindo os princípios propositivos da indústria e
do subsequente fazer comercial, traficavam, mediante
128
Vejamos os luxuosos templos egípcios, romanos, gregos, maias e,
inclusive, construções megalíticas como, e.g., Stonehenge e Baal-bec.
129
“Historia Romana”, vol. iv, lib. xlii, p. 301, edição em grego antigo
e inglês, 1914
130
Fragmento de “Samiorum Annales” no “Fragmenta Historicum
Graecorum”, vol. ii, p. 480, edição parisiense de 1878, organizada por
Karl Müller

320
assíduas navegações, com o reino de Tartesso, mas com
alguns países do Mediterrâneo, jamais comerciava
porquanto era ao povo de Samos, harto desvantajoso e até
terrível, dependendo da repulsa política. Por conseguinte, a
necessidade da indústria também dá forma à
indispensabilidade de se ter a consciência do comércio
proveitoso ou contraproducente e, daí, o âmbito estratégico
das atividades industrial-comerciais que as nações elaboram
conforme lhes convém em termos de lucratividade e
completitude econômica.
A indústria, sabemos, possui suas diretrizes naturais e
peculiares de funcionamento, para as quais damos o nome
de “leis”. Estas leis estão relacionadas aos seus fatores de a)
planejamento, b) empreendimento ou investimento, c)
produção, d) distribuição e e) consumo. O planejamento é a
etapa conceitual da indústria, sc., quando o homem logra
idear um determinado objeto ou produto com finalidades
lucrativas e que igualmente satisfaçam as necessidades dos
consumidores; doravante o processo de conceituação,
examina, sob uma convenção ideacional, geralmente
pormenorizada, as possibilidades de efetivação para tal
ideia. O empreendimento ou investimento é o que se
expende para que a ideia, sob a égide de artifícios de
produção, seja por estes engendrada, i.e. a etapa
orçamentária do processo industrial. A produção, como o
próprio termo sugestiona, significa a efetivação do produto
em sua forma e conteúdo, i.e. quando, através dos engenhos
produtivos, a veniaga passa a ser configurada e
transformada para ter uma utilidade concreta. A
distribuição se dá quando a mercadoria produzida pelo
aparato industrial é difundida, mediante um meio de
transporte ou mais, entre a sociedade. O consumo, a última

321
e mais importante etapa do processo, se dá quando o
indivíduo adquire a mercadoria, usufrui dela, gerando um
capital de emolumento para o empreendedor e, outrossim,
satisfaz as suas necessidades singulares. Vejamos por que
eu ressaltei o consumo como o elemento mais proeminente
da indústria: como teria valor um livro para o escritor se
ninguém o lesse? Como o artista se sentiria recompensado
se ninguém apreciasse ou mesmo comprasse as suas
pinturas? Como o artesão se sentiria realizado se ninguém
gostasse e comprasse os seus artigos? O mesmo se aplica à
indústria. Como que um empreendedor se sentiria contente
se ninguém comprasse e fruísse de seu produto? Portanto, o
mais importante de todos os processos industriais sempre
será o seu desfrute, nunca o seu modelamento; a indústria
sempre objetiva, por essência, a fruição de seus produtos,
pois para que planejar, empreender, produzir e distribuir se
ninguém querê-los-á? Desta forma, o resultado, para a
indústria, será invariavelmente mais importante que o
processo.

§7. Dos quatro tipos de indústria

Conforme podemos observar com minudências o panorama


das indústrias ao longo da história, veremos que
predominam quatro gêneros de seu exercício: a)
pleonéctico, b) elemesinário, c) metaférico e d)
holocleromático. Aqui, porventura, dever-se-á propor um
estudo analítico das indústrias, uma ciência teórica
industrial ou da indústria que, aqui, denominarei
"biomaquinologia" que, em grego, significa ''estudo da

322
indústria". Salientado isso, explicarei sob as bases
biomaquinológicas, que são fundamentadas nas leis da
indústria, os tipos aos quais ela está incorporada. A
indústria pleonéctica apenas cobiça o lucro, i.e. é orientada
somente pelas vantagens próprias e unilateralmente ao
dinheiro e, daí, desdenha-se qualquer moral, ética,
prudência perante o consumidor e, inclusive, a condição
qualitativa da mercadoria, expondo-nos, destarte, uma
cupidez nimiamente intemperante e esuriente pela pecúnia e
pelo abrupto arrecadamento. A indústria elemesinária,
caracterizada por seu constante barateio e sintética
benefacção, pensa somente em dar o melhor para o
consumidor economicamente, para que este possa comprar
sua mercadoria sem ter que ser até mesmo assalariado
razoavelmente para tal; desta forma, ela compromete seu
produto em termos de precificação e relativo labor
produtivo e acaba por embaraçar seu próprio potencial
lucrativo. A indústria metaférica, a qual se delimita por seu
trabalho enfático na estética do produto (i.e., a sua forma) e
em todos os aspectos concernentes à produção da aparência
do mesmo, crendo que quando mais venusto ficar, maior
serão suas vendas (assumindo, assaz precipitadamente, que
as pessoas só se importam com a aparência daquilo que elas
compram e consomem), se preocupa unicamente com a
imagem do produto, prejudicando, assim, o conteúdo da
mercadoria, o lucro e, inclusive, o consumo ou o próprio
consumidor, que acaba por suspeitar da qualidade
contingente da mercadoria e, por conseguinte, optar por não
adquiri-la sob qualquer hipótese. A indústria
holocleromática se ocupa em considerar uma abordagem
holística em seus processos e resultados industriais, viz.
direciona-os judiciosamente para o lucro, o produto e o

323
consumidor, tornando o seu ciclo comercial, sumo e
perfeito; equilibrando os três elementos fundamentais da
indústria em seu propósito, poder-se-á equilibrar os seus
processos tanto produtivo quanto distributivo e, desse
modo, formar uma suma unidade industrial, conseguindo,
com seguridade, alcançar um ótimo lucro, um grande e fido
consumo e um produto de qualidade em forma e conteúdo.

§8. Exemplos dos quatro tipos de indústria

Nas práticas comerciais pleonécticas de Leopoldo III131,


salientando que ele era ávido por expandir seu poder
econômico, incitou a dupla oposição das cidades da Suábia
e da Confederação, quando Lucerna fazia-lha fluir. A busca
exclusiva pelo lucro na indústria nacional, neste caso,
aumenta a tensão entre os países, considerando o fenômeno
em escala internacional. Os funcionários francônios132, ao
longo de suas carreiras, desenvolveram uma movimentação
financeira, relativa aos tipos de empreendimentos à altura
comerciados e operados, que ficou sendo repassada
nimiamente entre a nobreza, e prova disso, temos o duque
de Hansa tentando extrair ao máximo os benefícios
econômicos do comptoir hanseático de Bruges do conde de
Flandres. No Egito133, ao passo que os homens laboravam

131
“Geschichte des Mittelalterlichen Handels”, por Aloys Schulte, vol.
i, p. 401
132
“Geschichte des Handels”, por Adolf Lafaurie, p. 193
133
Fragmento de “De Rebus Aegyptii” em “Fragmenta Historicum
Graecorum”, vol. iii, p. 497, edição parisiense de 1878, organizada por
Karl Müller

324
demasiadamente e repudiavam os grandes ofícios de
conservação das suas originais indústria e tradição, rendiam
cultos idólatras aos deuses que "tutelavam" todos os seus
prismas concernentes à vida e respectiva contemplação; por
conseguinte, diz-nos Camerão de Alexandria, faltava aos
egípcios, o mesmo espírito, embora razoavelmente avaro,
de forte comércio para tornar o seu religioso, realmente
coerente e de razões sólidas em relação às raízes históricas
que, efetivamente, modelaram o credo e os dogmas
epifânicos do Egito. O problema da pleonexia se concentra,
consoante o que até agora foi exemplificado, na falta de
consciência moral para com outrem, o povo, viz. o escopo
precípuo da indústria e as condições de ser espirituais ou a
moral espiritual, emocional e psíquica. Os empreendedores
pleonécticos deverão, por conseguinte, raciocinar além do
seu lucro e ver as pessoas não como objetos de obtenção de
vantagem, mas como seres dotados de espírito de liberdade
para decidir o que quer ou não quer e de grande inteligência
ou, ainda, de profusa fruição de belas e elevadas
competências, quer físicas, quer mentais, quer espirituais.
Mashamah ibn-'Abd-al-Malik134, uma vez governante da
terra de Baghras, concedeu-lhe um legado inalienável em
nome da justiça, passando-a hereditariamente; contudo,
demonstrando um descuido perceptivelmente elemesinário
do proprietário à altura, Ibrahim ibn-Sa’id al-Jauhari,
comprou-a furtivamente o mui sorrelfa e dissimulado
Ahmad ibn-abi-Duwad-al-Iyadi, um qadi135 célebre por suas
134
“The Origins of Islamic State”, por Al-Baladhuri, vol. i, p. 228,
traduzido do árabe “Kitab Futuh Al-Buldan” por Philip Khuri Hitti para
uma edição inglesa de 1916.
135
Esta é um termo técnico do direito islâmico que significa
“magistrado”.

325
sediciosas perseguições religiosas mediante os institutos de
mihnah por ele postos em vigor na jurisprudência do
Califado Abássida. Na venda, Ibrahim se importava
exclusivamente com o usufruidor com o qual comerciaria,
qualquer que fosse, pois o importante era que lhe pagasse
mui bem na transação; sendo mui liberal, Ibrahim deixou
subterfúgios o suficiente para Al-Iyadi aproveitar-se deles e
comprar a terra com nímia velhacaria; embora a compra
fosse de íntegro conhecimento de Ibrahim, mal sabia dos
nefandos usos que Al-Iyadi exerceria em sua terra
posteriormente que não foram devidamente protocolados
em sua negociação.
É conhecida a estória da cidade de Messing nas Mil e Uma
Noites, que retrata o desejo impulsivo do povo pela
aparência das coisas; a estória de Mandeivelle sobre o
ludíbrio feito em cima dum produto de seda por um
comerciante ganancioso e cuja vítima foi uma mulher que a
tudo malbaratava também retrata o fenômeno da
ingenuidade humana perante as aparências. A dinâmica do
sistema capitalista monopolista que vivemos, usando-se de
engenhos enganosos e abomináveis para seduzir as pessoas
à mercadorias fascinantes exteriormente e até deleitáveis, é
capaz de transformar uma linguagem supérflua e aleivosa
em algo aceitável e agradável. Portanto, dever-se-á dizer
que, sob a prática metaférica, os engodos são muito mais
perigosos e a estética, por mais importante que seja para
compor uma mercadoria, é dirimida exagerada e
ardilosamente com finalidades somente hedônicas.
Ibn Battuta, em sua célebre obra Rihla, nos fala a respeito
da cidade de Mogadixo, cujos comerciantes atribui-lhes a
epítome de "excelentes", pois além de serem mui bons em

326
matéria de transação, igualmente, são produtores e
mercadores habilidosos, não admitindo que o consumidor
seja ludibriado ou o próprio comerciante não tenha um
lucro justo. Conforme designado por este grande viajante
árabe, este exemplo, quiçá, seja clássico para ilustrar o que
é uma indústria holocleromática, a qual se preocupa com
profundidade nos três elementos fundamentais do
comércio: lucro, produto e consumidor.

§9. De como se deve gerir uma indústria

O empreendedor, é claro, sempre deve planejar e saber


desenrolar os seus projetos de maneira eficaz e produtiva;
sem embargo, planejamento sem engenho de aplicação ou
estratégia é o mesmo que uma parede sem alvenaria, i.e. as
noções e as empresas estratégicas são essenciais para o
planejamento industrial. Um empreendedor deve,
conseguintemente, saber como direcionar as coordenadas
do seu projeto, armar, com base nas possibilidades de custo
de operação, capitalização de recursos e outros elementos
da rede desenvolvimental de negócio ao seu alcance, as
rotas favoráveis para ele, descartar ou aprovar ideias que
sejam benéficas para o empreendimento e, talquamente,
saber o momento apropriado ou as condições certas para
tornar exequível o seu planejamento. A consciência
estratégica, chamamos de princípio tático. Supondo que se
precisa das noções da estratégia para efetivar o projeto a ser
empreendido, igualmente se necessita do conhecimento de
como efetivar, isto é, saber o que se deve fazer nos
parâmetros mais corretos e expeditos possíveis para que o

327
empreendimento siga uma via produtiva competente e
fecunda, sc., o savoir-faire dos negócios; as noções do gute
Umgangsformen, viz., o conhecimento das melhores formas
de empreender e de seus caminhos mais oportunos,
chamamos de princípio técnico. Não obstante a relevância
dos princípios tático e técnico, se não houver um élan vital,
viz. uma diligência significativa, um desvelo pelo
empreendimento e uma sólida vontade de prosseguir
sempre com este, o trabalho contínuo para que o mesmo
seja ao menos mui prestimoso para o consumidor, cujos
aspectos de préstimo se manifestam já na produção da
mercadoria a ser comerciada, não ter-se-á de fato uma
indústria boa, tampouco seu empreendedor será realmente
bom. Vejamos: o que seria uma grande obra de arte se o
artista estivesse com preguiça de fazê-la, não se esforçasse,
não tivesse se dedicado com afã para tal? O que seria um
grande edifício se o arquiteto não tivesse diligenciado o
bastante dia e noite, noite e dia para planejar, estruturar e
comandar a sua construção? O mesmo se aplica à gestão ou
ao empreendedorismo. A gana de querer efetivar o projeto
empresarial é fundamental para que este possa ser
articulado para seu pleno e melhor exercício; chamamos
este princípio aqui delineado de telêmico, o qual finaliza
magistralmente todo o ciclo gerencial e, igualmente, torna-
o deveras perficiente.

§10. Teoria da aspersão gerencial

Imaginai um indivíduo, devotado ao seu plantio, quer em


gleba, quer em courela, que está em posse de um regador e

328
o usa para aspergir sua planta e orvalhá-la o suficiente a fim
de que possa borbotoar; um dia, como qualquer lavrador
sabe, não é suficiente para a planta desabrochar-se; destarte,
ter-se-á de regá-la todos os dias, com devoção e amor, até
que, efetivamente, ela possa chegar ao seu ápice de
desenvolvimento, quando suas pétalas estiverem mui
sobrejacentes. O mesmo ocorre com a indústria. Um dia,
uma hora, um minuto não são o suficiente para ela operar
com eficiência, produtividade e magnitude; é preciso
cultivar a indústria, o comércio todos os dias, para que se
possa obter não somente a lucratividade diariamente, mas
também a produtividade e, a propósito, a experiência do
empreendimento que, associada aos dois sobreditos
elementos, poderá conduzir o empreendedor a cada vez
mais cumprir seu propósito socioeconômico e, inclusive,
sociocultural; desse modo, ele poderá tornar não apenas a
sua indústria próspera e rica, mas como de toda a nação,
pois a sua empresa também integra a riqueza nacional e é
nimiamente ativa nesta.

§11. Dos quatro tipos de gestão industrial

Os tipos de gestão industrial, dos quais trataremos nesta


seção, serão: a) ideacional, b) laboral, c) difusivo e d)
integrativo. A gestão ideacional se preocupa precipuamente
com o planejamento, i.e. com a concepção do
empreendimento e seus elementos prototípicos de
pensamento e abstração e, por conseguinte, com sua
qualidade, grau de engenhosidade ou mesmo
exequibilidade perfeita na práxis empresarial, ao passo que

329
tais elementos são tão-somente ideados. A ideia, é claro,
tem sua importância, mas apenas a idealização ou a
condição idílica da empresa não produz, não resulta em
consumo, não resulta em lucro e, logo, nada de riqueza
pode ser construída a partir da ideia, caso esta não seja
exercida em sua plenitude. A laboral se preocupa
predominantemente com a produção, i.e. a mão-de-obra, a
matéria-prima, os componentes produtivos e respectivos
artifícios maquinados ou manufaturados para se perfazer a
mercadoria planejada e empreendida; no entanto, só a
produção não basta; ela deve ser comerciada, distribuída e
tanto o processo comercial quanto o distributivo devem ser
feitos na melhor qualidade bem como a produção na
veniaga exercida. A difusiva estabelece prevalência na
distribuição, i.e. nos processos de câmbio comercial, de
transportação, de alocação, de resolução de cumprimento
para com alguma exigência aduaneira, de cabotagem e
elementos correlatos; a distribuição é importante, mas, se
pensada a indústria somente nesta via, consequentemente, a
produção e o próprio planejamento ficarão comprometidos,
pois o foco demasiado em algo, desdenhando outros de
mesma importância, dimana o desequilíbrio perante outros
fundamentos que deveriam ter o mesmo foco, porquanto
estes são agentes partícipes de grande relevância em igual
ou símile processo. A integrativa engloba com percuciência
tanto a ideia, quanto a produção e as atividades comerciais,
sendo esta, com o seu princípio fundamental de unidade e
equidade entre os parâmetros industriais, o modelo ideal de
negócio.

§12. Exemplos dos quatro tipos de gestão industrial

330
Exemplos clássicos de empresários idealistas, ou de gestão
ideacional, não necessariamente exercida com nímio
durante toda a vida empresarial, temos Robert Owen e
Henry Ford. Robert Owen foi um teórico do socialismo
utópico que, em New Harmony, Indiana, nos Estados
Unidos, no ano de 1825, montou uma fazenda cooperativa,
a segunda sua; aplicando a sua ideologia socialista em
totalidade no negócio, não sabendo dirigir corretamente a
sua ideia, fixando-se a prática, portanto, na pura
idealização, arruinou-se completamente e teve que voltar às
pressas para a Inglaterra. Coisa similar ocorreu com Henry
Ford. Ford almejava reunir agricultura e indústria em um
processo único; contudo, ao tentar tornar exequível a sua
ideia, sem nenhuma corroboração de planejamento prático
ou da prática em si, apostando na pura idealização, como
Owen fizera, acabou por desperdiçar milhões de dólares e,
ainda, desmatou uma porção considerável da Floresta
Amazônica e nada dela extraiu para a prossecução do
empreendimento, a não ser irrevogáveis aprendizados do
mal que cometera. Hoje, os resquícios do fracasso estão
concentrados na cidade-fantasma Fordlândia, uma vila do
município de Aveiro, no Amazonas.
Um exemplo de sobreposição laboral acima até mesmo dos
sentimentos e do perfil psíquico idiossincrásicos do homem
é a exploração colonial celerada dos nativos do Peru nas
minas, cuja realidade era assaz evidente até mesmo para os
cronistas paroquialistas e a nobreza. O trabalho a miúdo
começava a uma hora e meia após a alvorada e terminava
praticamente um pouco depois do pôr-do-sol. Em Potosí,
por exemplo, viviam os índios em rancherias que pareciam

331
"pocilgas", conforme os dizeres de Ocaña. Tanto que foi
necessário em Toledo, em 1574, um protocolo de medidas
de humanização do tratamento dos nativos no sistema
mitaio, apesar de reforçarem a sua catequese e a
continuação da prática da exploração agora padronizada.
Outro caso de sobreposição laboral na gestão industrial é
refletido no Oeste do Paraná, especialmente nos
frigoríficos, onde agudas expropriações de trabalho,
"justificadas" pelo "desenvolvimento econômico", tem sido
feitas tanto em homens quanto em mulheres, desde
mutilação física até desonra perante a sociedade. Daí,
inferimos que toda percepção industrial que destaca mais de
um fator aos demais é algo sempre superlativamente
improfícuo e inadequado sob quaisquer prismas. A seguir,
focar-nos-emos nos exemplos da gestão difusiva ou
unicamente voltada ao tráfico de mercadorias.
O enfoque exclusivo na distribuição do produto prejudica,
peculiarmente, a sua própria distribuição. Geralmente, os
tráficos comerciais, quando exacerbados no planejamento
de comercialização, acabam por querer suprir
demasiadamente uma população e, em face desse
desarranjo de suprimento, transportação e equilíbrio
distributivo, acabam também por suprir absolutamente nada
a ninguém. Analogamente, de forma abundante, guarda-
chuvas e galochas eram enviados para o norte da União
Soviética e valenki para a Transcaucásia; porém, de tão
exacerbada a distribuição, que a própria moeda da época, o
torgsin, não garantia a receita dos bens desejados, dando
forma à escassez de mercadorias e à carência da população
soviética perante bens, serviços e outras necessidades
vitais.

332
Como exemplo de indústria integrativa, temos a GM, a
qual, Drucker136 no-la elucida, as suas admissões
mercadológicas (etapa difusiva ou competitiva), o seu
ótimo processo manufatureiro (etapa laboral ou produtiva)
e sua teoria da alocação de capital (etapa ideacional)
fizeram com que tivesse décadas de grandioso faturamento
e de ascendência nos negócios, figurando-a, portanto, como
uma das maiores empresas do mundo. Portanto, eis que
Drucker assume que as três áreas, enfatizadas nos nossos
parênteses, devem estar em perfeita harmonia para que a
indústria também seja "perfeita"; em outras palavras, a
afirmação de Drucker corrobora com as nossas preposições
biomaquinológicas relativas ao êxito e à prosperidade da
indústria que, simplesmente, se resumem na palavra
"equilíbrio".

§13. Da natureza, dos elementos e da necessidade da


tradição

Nada resiste ao tempo sem conservação; nenhuma memória


permanece sem ter sido contada ao longo das gerações;
toda verdade desvanece se ela não for registrada ou
inculcada universalmente; eis, portanto, a necessidade de
haver uma tradição entre os povos da terra. A tradição,
inclusive, se configurarmo-la no sentido de smriti (um
termo em sânscrito), Eliade137 no-lo doutrina, significa
justamente "memória". A tradição, portanto, nos faz
relembrar das memórias, dos eventos e dos marcos
136
“Management”, p. 90
137
“A History of Religious Ideas”, vol. i, p. 215

333
históricos e espirituais da humanidade; esquecer-se é
esquecer de si mesmo e, logo, de tudo ao redor e em si; se a
humanidade relembrasse de todas as suas memórias dos
tempos gloriosos existentes antes do dilúvio, que é um mito
tão universal que sugere ser, com efeito, uma verdade
universal, e Faber, Harcourt, Bryant e Jones no-lo
evidenciam, indubitavelmente, nosso conhecimento tanto
macrocósmico quanto microcósmico seria mui sumo e
pujante, porquanto muito dos conhecimentos antediluvianos
foram perdidos e fragmentados em estilhas indissociáveis;
tanto que vários monumentos ao redor do mundo e mesmo
artefatos ainda intrigam os arqueólogos, historiadores e
antropólogos profundamente, petrificando-os em severa
arrepsia, pois considerando os antigos como meramente
primitivos, bloqueia-se-lhes novos horizontes de
entendimento do homem e de sua condição de existência
não-linear e cíclica. Destarte, convém-nos abreviar todo o
loquaz discurso até o momento discorrido para,
basicamente, dizer que as tradições humanas salvam a
humanidade da mais perversa corrupção, da mais fulmínea
crise moral e epistêmica e, sobretudo, da ignorância
implacavelmente absoluta.
Ao definirmos a tradição como memória, evocamos
elementos, caracterizados como fásicos, relativos à
memória, conforme Roy138 nos diz: a) fase lábil inicial e b)
fase estável posterior. No estudo da tradição, teremos dois
elementos similares; porém, com termos diferentes; serão
eles: a) tautocrônico e b) aoristo. Podem implicar dois
sentidos: o temporal e o anamnéstico. O temporal é
relacionado ao evento e sua natureza; o anamnéstico, às

138
"Mechanisms of Memory", p. 18

334
atribuições do evento, ou aquilo que permanece dele, seja
em mito, seja em relato histórico in posse; salienta-se-vos
aqui, o mito invariavelmente é aoristo e o relato histórico
pode ser ou tautocrônico ou aoristo. O elemento
tautocrônico é relativo ao momento no qual o raconto da
tradição acontece ao momento em que ela se passa; em 27
de maio de 2020, ao momento em que escrevo este
parágrafo, estamos passando pela dramática pandemia do
COVID-19, ou coronavírus; quando eu falo do coronavírus,
ou COVID-19, um evento histórico que, ao passo que é
estabelecido no memento popular, torna-se uma tradição
(como de fato já aconteceu, sobretudo, no momento em que
começou a afetar diretamente o país onde vivo, isto é, o
Brasil), e estou o vivenciando, seu relato (um tanto etopeico
dependendo do transmissor da mensagem) é tautocrônico;
logo, a tradição dele será tautocrônica, dubio procut. O
elemento aoristo pode ser exemplificado seratim pela
lembrança da cultura moderna em relação às duas primeiras
guerras mundiais; uns contam de uma maneira igual ou
semelhante às anquilhas oficiais, outros divergem delas,
sendo alguns mais arrazoados, outros evidentemente inops
mentis; ninguém hoje vive o período de 1 de setembro de
1939 a 2 de setembro de 1945 para ser tautocrônico; logo, a
sua tradição deverá ser, sem dúvida, aorista. O elemento
aoristo está correlato ao que se sucede após a tautocronia da
tradição, cujo traçado tradicional pode ser ou feito por meio
nuncupativo ou por via de atramento ou escritural, que pode
ser tanto encíclico (prosa) quanto anacíclico (verso); pode
vir em forma comentícia139 ou racionável.

139
Apesar do termo "comentício" designar algo "inventado", neste
contexto, significa algo "mítico", que, ao olhar geral, parece de fato
algo inventado.

335
A tradição é classificada em quatro gêneros de necessidade:
a) psicológico, b) social, c) histórico e d) espiritual. A
necessidade psicológica reflete a indispensabilidade mental
de se haver um corpo de conhecimento tradicional, ou seja,
a existência duma tradição é de suma importância para a
construção, a incolumidade e o progredimento mentais,
pois, segundo Jung140 nos assevera, integra uma atitude
singular à consciência humana, na qual é designada
naturalmente a modificar-se, conforme a influência de
πίστις nas experiências de natureza numinosa, no protótipo
hipsotático do numinosun. A necessidade social se
configura como colacionada à organização, à formação
bonançosa e à condição mais humana da sociedade, i.e. faz
com que a sociedade tenha parâmetros de prestadias e
propícias qualidades de parilidade, tenha predicável
harmonia assinalada em sumas temperança e prudência e
também tenha uma humanidade ou um pensamento
benfazejo evocado ao próximo, ao seu bem, à sua melhor
forma de viver e, sobretudo, à sua segurança tanto física
quanto psíquica. Durkheim141 no-lo elucida, nos termos
sociológicos:

"Esta [a necessidade social da religião] é um tipo particular de


necessidade moral que é para a vida intelectual o que a obrigação
moral é para a vontade.".

A necessidade histórica é relativa ao papel da tradição


como fator decisivo nas transformações, nos processos
140
“Psychology and Religion”, p. 8, tradução de R. F. C. Hull
141
“Las Formes Élementaires de la Vie Religieuse”, p. 25

336
civilizatórios e nas construções humanas ao longo da
história, isto é, a tradição estimula o homem a alterar certos
protótipos ônticos conforme as exigências espaciais e
temporais sob um espectro de pensamento absoluto e ideal,
a soerguer bases civilizacionais de acordo com as
circunstâncias transcorridas instantaneamente em
detrimento do descalabro que a humanidade pode a esmo
ou não sofrer e a auxiliar nas edificações do homem para
prosseguir e instituir fundamentos para a maior comodidade
de espírito possível para fortuitas ou eternífluas
prosperidades. Ademais, a tradição, quer religiosa ou
científica, impediu que a razão impulsiva do homem
ultrapassasse seus limites e se quedasse num elevado
frenesi de espúria e vilanaz condição de ser. Frazer 142,
então, no-lo explica:

“Se a humanidade fosse sempre lógica e sábia [i.e., se sempre


mantivesse uma tradição sólida e universal], a história não seria
uma longa crônica de loucura e crime.”.

A necessidade espiritual é concernente à transcendência


interior, à sabedoria essencial e à iluminação consciente do
homem; tais númenos são, com efeito, os princípios
proeminentes da tradição per se; logo, toda tradição
humana tende, por mais que não aparente demonstrar tal
propósito, a religar o homem à sua verdadeira natureza, ao
seu estado arcaico e universal de ser, viz. o seu âmago
superior, e o estudo destes processos de reconexão, de
meditação, de ritualística, de contemplação dos eventos e
142
“The Golden Bough”, p. iv, v. i, p. 4

337
dos fluxos cósmicos e da sacralidade dirimida pelo corpo
de conhecimento tradicional, chamamos de "sofologia" que,
em grego, significa "estudo da sabedoria".

§14. Dos três tipos de tradição

A tradição é categorizada em três sortimentos de adoração


ou eixo cultor; são eles: a) demiúrgico, b) poemático e c)
antrópico. O sortimento demiúrgico venera o ser criador,
i.e. aquele que edifica e perfaz tudo o que existe no
universo, é aquele que dá forma e conteúdo às coisas
evidentes na matéria e no espírito, ambos vinculados ao
solvente e ao dissolvente cósmicos. O poemático concentra-
se na obra, i.e. o que foi criado, o que existe, o que é
evidente, quer material, quer espiritualmente; somos nós e
todos os outros entes existentes no universo que, nesta
corrente tradicional, são venerados em uníssono com a
força criadora e incriada. O antrópico cultua o ser humano;
não como um ser imorigerado e ruvinhoso, mas como um
ser integrante do processo demiúrgico ou criação e de
absoluta consciência divina. Todas as tradições, porém,
podem ser pervertidas em relação aos seus preceitos
originais e, dessarte, virarem zombaria, fanatismo, odium
theologicum, enfatuação, jingoísmo, sectarismo,
animadversão sistemática e assim por diante. Sem embargo,
considerando tanto as correntes imaculadas quanto as
sáfaras dos sortimentos tradicionais, faremos a nossa
próxima dissertação.

338
§15. Exemplos dos três tipos de tradição

Exemplo bem palmilhado de tradição demiúrgica, temos o


culto da sinagoga, a qual defere a Deus e ora a ele como o
Criador todo-poderoso do mundo e, por conseguinte,
conforme evidenciado nos Salmos 104 e 105, se faz
essencial a veneração do Criador e da sua onipotência
criativa na tradição da sinagoga hebraica 143. Na religião
javanesa Prijaji, vemos um dualismo entre uma força que
representa a luz, que se chama alus, e uma outra que fá-lo
às trevas, que se chama kasar; alus é dito como sendo o
próprio Deus Todo-Poderoso, o ultimato espiritual do ser
humano, valorizando, assim, o Uno que a tudo gerou,
enquanto kasar é dito como sendo tudo que é vitando e de
revés, o contrário do Uno. Neste ínterim, há as concepções
de lair e baith; lair é a vida mística e interior, baith é a vida
patente e exterior144. Comparemos, desta forma, na visão
das forças cósmicas da religião Prijaji ao gnosticismo,
maniqueísmo e, não poderia faltar no nosso pequeno exame
comparativo, ao zoroastrismo; na visão das forças vitais,
comparemos Prijaji, por exemplo, ao taoísmo, à teosofia
moderna, ao espiritualismo e ao budismo Vajrayana ou aos
próprios conceitos de esotérico e exotérico. Os Essênios,
citando caso análogo, consideravam hokma como mediador
da criação – é o conhecimento soberano e perfeito que
somente o Criador tem145; isto demonstra que, com efeito, a

143
“A History of the Early Church”, por Hans Lietzmann, vol. i, p. 101,
traduzido por Bertram Lee Wolf
144
“The Religion of Java”, por Clifford Geertz, p. 232
145
“Judaism and Hellenism”, por Martin Hengel, p. 219, traduzido por
John Bowden

339
tradição essênica é sofologicamente embasada, com
perceptível unicidade, em preceitos demiúrgicos. No
mesmo diapasão, Baron146 observa, evidenciando-nos um
claro culto demiúrgico no judaísmo:

"Ao passo que o judeu cumpre integralmente a Lei de Deus [viz.,


o Criador], e assim serve os objetivos inescrutáveis de Deus
enquanto são concebidos ao longo do tempo, ele pode e ainda
deve satisfazer as suas necessidades naturais, porque então elas
não tem algum significado intrínseco. Mas onde quer que haja
um conflito entre a natureza e a Lei [do Deus ou do Criador], a
última é reconhecida como suprema.".

Geralmente, por mais displicente que possa aparentar,


considera-se o culto à criação como idolatria; o Egito,
conforme Heródoto nos sugere, era o centro deste tipo de
adoração; outrossim, Luciano diz-nos que os egípcios
foram pioneiros em celebrações solenes aos deuses147; os
egípcios, em seus primórdios antediluvianos, conheciam a
arte da simbologia de forma suma e perfeita – a idolatria é
uma perversão dessa sabedoria proveniente de Lemúria,
mas, mesmo assim, de acordo com o que caracterizamos,
ela é um claro espécime de tradição poemática. Os druidas
sempre procuraram estudiosamente por uma árvore de
carvalho, grande e bonita; sobre o ramo direito, gravavam
na casca, em justos caracteres, a palavra HESUS; sobre o
meio, a palavra TARAMIS; sobre o ramo esquerdo, a

146
“A Social and Religious History of the Jews”, vol. i, pp. 7-8
147
“A History of the Heathen Mythology”, por H. North, p. 23

340
palavra BELEMEUS; sobre BELEMUS, a palavra THAU.
Tau, dizemos, é o símbolo do Júpiter Druídico148. A
inscrição de tal símbolo sacro numa árvore, o que implica a
sua sacralidade também (pois jamais fá-lo-iam em algo que
considerassem como profano), logo, ver-se-á uma clara
veneração poemática que, conforme definimos outrora,
considera as coisas criadas como escopo de circunscrição
da coisa suprema. Os druidas, em sua filosofia da medicina,
contavam que alguns remédios de poder soberano, uns
viscos brancos do roble, se situavam em Gales, os quais
ainda possuem o nome de Oll-iach, o todo-curador, além
daqueles de Pren-awr, a árvore celestial, e de Uchelwydd, a
touça elevada149. Mais uma vez, observamos um padrão
poemático na tradição druídica, bem como em outras
religiões celtas.
Ressalta Helm150, destarte, a condição poemática das
religiões germânicas, bem como as celtas, em termos
vocabulares:

"Das palavras singulares dos sacrários, as quais têm importância


para o período e a região [mencionados posteriormente,
conforme se nos pode implicar], apontam-se a antiga germânica
paro e a anglo-saxônica bearo que são equivalentes a "bosque", e
igualmente, a antiga germânica lôh, que não é rara em certos
lugares.".

148
“The Celtic Druids”, por Godffrey Higgins, p. 130
149
“Mysteries of the Druids”, por W. Winwood Reade, p. 74
150
“Altgermanische Religionsgeschichte”, vol. i, p. 287

341
O homem que vê o exterior da caixa de cima,
subsequentemente, verá o interior da caixa de baixo; eis que
Kuhn151 no-lo explica no sentido de que há sempre
mudanças nos paradigmas epistemológicos do homem de
tal forma a modelar a ciência como uma tradição centrada
no ponto de vista do homem perante as coisas e, conforme
o próprio Kuhn salienta, essas transformações são escopos
comuns e concomitantes no conhecimento científico.
Protágoras já dizia: "O homem é a medida de todas as
coisas, das coisas que são, das coisas que não são.". Em
prosseguimento ao que estamos abordando, eis que, a fim
de finalizar esta seção, em cuja última dissertação eu
identifico a ciência como tradição antrópica, cito uma frase
de Heisenberg, na qual se enfatiza o papel do homem como
ser integrante dos fenômenos e das manifestações da
natureza e seu mais proeminente agente e desbravador
como um todo; a frase é-nos mostrada por Holton, em sua
magnífica obra, Thematic Origins of Scientific Thought (pp.
34-35):

"O objeto de investigação [da ciência] é nada mais do que a


natureza nela mesma, mas preferencialmente a natureza exposta
aos questionamentos do homem, e nesta extensão, o homem
encontra a si mesmo.".

§16. Da tradição original ou religião-sabedoria

151
“The Structure of Scientific Revolutions”, p. 111

342
Esta filosofia perene, esta prisca theologia, tão sedutora,
tão sem idade e tão aurifulgente, me faz vaguear na origem
de tudo e do todo. Eu, sem rebuços, jamais dispor-me-ia
desta grandiosa e sisuda sabedoria sem possuir consciência
de sua grandiosidade e de sua sisudez; é necessário que
entendamos com profundidade e substancialmente tanto a
Ficino quanto a Guénon, tanto a Ananda quanto a
Burckhdart, tanto a Schuof quanto a Blavatsky, para que,
como consequência, entendamos a ELLELA, o ser
supremo, ou mesmo a AZOTH, a Alfa e o Ômega, e até a
ATZILUTH, o mais alto poder da Árvore da Sabedoria-
Sem-Idade, ou Cabala. Saint Yves d'Alveydre152 chama o
Arqueômetro de "evocateur de toute la sagesse antique"; se
pegarmos a raiz das palavras, derivadas do grego,
Arqueômetro significará "medida do princípio"; desta
forma, o Arqueômetro de D'Alveydre seria o canal de
desdobramento de ἀρχή , a sua medida, o seu ponto
mediador. É no Arqueômetro, portanto, que nos surge o
φᾰνερό ν da sabedoria, viz., a sua evidência, a sua
manifestação no cosmos; daí, eis que Steuco153 no-la
explica como a "incorruptibilis sapientia, perennis, omnia
sentiens" ou "Sapientia Dommini", sc., TEOSOPHIA!

§17. A simbologia como os primórdios das tradições


humanas

152
“L’Archéométre”, p. 319
153
“De Philosophia Perennis”, lib. vi, p. 294

343
Os símbolos são a maneira pela qual a humanidade
consegue interpretar as leis cósmicas em sua circungeração
de forma, isto é, mediante a uma espécie simbólica de
entendimento, logra-se com efeito toda a argúcia ou todo o
discernimento das constantes condutas cósmicas e,
mormente, quando exercidas no mais invedável da
consciência e, ao passo que existe uma simbologia que
consiga traduzir tais inacessas formas, logo, o homem
conseguirá captar sua essência e, conseguintemente,
entender a si mesmo e ao cosmos. A simbologia das
dimensões e dos gêneros polares da consciência cósmica
vê-se mui frequentemente nas culturas antigas; aparece na
iconografia jainista, a paridade de eloquência da Mulher
Cósmica ao Homem Cósmico154, por exemplo. A suástica,
uma cruz de quatro limbos, é amplamente distribuída no
mundo, desde a Escandinávia, a Pérsia, o México até o
Peru, a Grécia, a Escócia, a Índia, a Anatólia, o Tibete, o
Japão, os féretros hipogeus proto-históricos da América do
Norte e etc., a qual sempre é associada ao culto solar. A
palavra vem do sânscrito e significa: "está bem" ou "estar
bem". Representa a Inescrutabilidade Divina155.
Presumimos, a partir da universalidade de certos símbolos,
que existe uma origem comum para todos eles; a
representação pictórica da lua em forma de foice, a
montanha em formato triangular, e a água como linha
ondulada, nos dão o parecer de que realmente há uma
linguagem perdida do simbolismo ou um urschrift, uma
inscrição arcaica e prístina que originou a todas as
“The Hero with a Thousand Faces”, por Joseph Campbell, p. 219
154

“The Lost Language of Symbolism”, por Harold Bayley, vol. i, pp.


155

81-82

344
representações dos fenômenos cósmicos pelas culturas
humanas ao longo da história. Vemos no sacerdócio
oriental, uma profunda veneração pela simbologia e seu
poder oculto; vemo-la nas religiões pagãs e também no
cristianismo puro156; na maior parte das ocasiões, as crenças
são reforçadas pela simbólica evocada por uma
representação arquetípica desta, levando inclusive, a fim de
serem exercidas em completude, à prática de sacrifícios 157.
Por conseguinte, de fato, a simbologia deverá ser, sob
qualquer prisma, o conhecimento original da humanidade
do cosmos, de si mesma e do Ser Supremo.

§18. Das três expressões das tradições

Existem três gêneros de tradição, classificados de acordo


com sua modalidade de transmissão; são eles: a) escritural,
b) muncupatório e c) simbólico. A modalidade escritural se
refere à escrita, i.e. quando a tradição é registrada por via
da palavra marcada em determinada superfície de
transcrição onde esta pode se fixar e se estabelecer de
maneira visível ao receptor ou mesmo ao registrador, como,
v.g., papel, papiro e etc. A modalidade muncupatória se
refere à palavra falada, i.e. quando se comunica a tradição
mediante a oralidade, registrando-se geralmente pela
capacidade mnemônica dos agentes comunicadores e, a
miúdo, pode ser transmitida hereditariamente em face desta
mesma competência; contudo, é mais fácil de ser perdida
156
“Völkerpsychologie”, por Wilhelm Wundt, vol. ii, p. i, p. 535
157
“Symbologie und Mythologie der Alten Völker”, por George
Friedrich Creuzer, vol. v, p. 179

345
ou desviada do que a escritural, apesar de que pode
acontecer deturpações ou fragmentações mui sobejas na
escrita também. A modalidade simbólica é aquela referida
na seção anterior, i.e. quando a tradição de determinado
conhecimento se registra por meio de símbolos, desde
pictogramas até ideogramas, designando um entendimento
eidético das coisas e dos fenômenos; conforme já afirmara,
a modalidade simbólica é a mais primitiva de toda a
humanidade e de todas as civilizações existentes no
cosmos, provavelmente.

§19. Exemplos das três expressões das tradições

As ideias do terceiro concílio budista e de Tishya-


Maudgaliputra, por mister circunstância, eram escritas,
citando caso análogo, pelos ceiloneses, os quais,
igualmente, expunham os primeiros pensamentos da
expedição dos apóstolos para terras circunvizinhas em prol
da pregação das doutrinas budistas158. Maneto, sacerdote
egípcio de Sebbenytos no Delta, nimiamente influenciado
pela cultura grega, se encarregou de preparar sua base
histórica num conúbio entre os dois elementos, grego e
egípcio, e escreveu então uma história religiosa e política
de seu país, registrando, assim, uma grandiosa fonte para a
história do Egito na antiguidade, desde a sua governança
até costumes sociais e religiosos, cuja obra foi dedicada a
Ptolemeu Filadelfo159. A geração dos Mu'taziliten
158
“Der Buddhismus und seine Geschichte in Indien”, por Heinrich
Kern, vol. ii, p. 356
159
“Manuale di Storia delle Religioni”, por Nicola Turchi, p. 127

346
exercitaram sua filosofia e seu espírito na dialética grega,
cujo estudo da tradição se dava, justamente, através das
suas escrituras, malgrado todas elas praticamente se
perderam e não chegaram aos dias de hoje160. Os escritos do
Antigo Testamento, por exemplo, são formas de conteúdo
que, quando substituídas por novas escrituras e novas
interpretações, foram sendo mui contravertidas ao longo do
tempo, não obstante o fato de que, originalmente,
representassem a tradição suprema dos hebreus161. Dessarte,
as escrituras, efetivamente, são formas de conservação, de
apresentação e de lhana ilustração de determinada tradição;
contudo, ainda estão vulneráveis à adulteração in transitu.
Grande parte da tradição hindu foi evocada pela palavra
falada (mündliche Worte) conforme Winternitz nos diz e,
após éons, ela foi transcrita; malgrado isso, ao contrário do
que muitos pensam, Winternitz salienta que a tradição
hindu, quando deixada às mãos dos eruditos copistas e dos
recitadores oficiais, foi enviesada e deixou de ter a mesma
autoridade enquanto ela era falada espontaneamente162. Nas
fábulas heroicas do povo africano, Frobenius 163 nos diz que,
quase que em totalidade, eram narradas mediante a
oralidade, desde as sagas heroicas e as cosmogonias até as
lendas e os mitos populares, os quais lhes edificavam um
auto-entendimento profundo ou, mesmo, um sentimento
previdente de identidade nacional. Porfírio164 diz que
160
“Geschichte der Abarischen Litteratur”, por Carl Brockelmann, vol.
i, p. 192
161
“Das Christentum”, por Ferdinand Christian Baur, p. 19
162
“Geschichte der Indischen Litteratur”, vol. i, p. 31
163
“Kulturgeschichte Afrikas”, p. 405
164
“Quaestionem Homericarum”, fasc. i, p. 12, fragmentos coletados
por Herman Schrader, edição de Leipzig, 1880, em grego antigo

347
Homero, em seus épicos, conseguiu conduzir de maneira
sublime a tradição oral dos homens e a sabedoria ilimitada
dos deuses; os relatos de Homero sobre a suma
belicosidade de Aquiles e Agamenão, no-lo assevera
Montbel-Dugas165, influenciou profundamente o espírito
dos soldados gregos; lendas e mitos, como o episódio de
Térsites, quiçá foram contados por Homero conforme
verbatim se dizia a respeito. A tradição oral, logo, pode ser
verdadeira, ao momento em que se preserva as suas
características primitivas e prima facie, e falsa, quando
estas idiossincrasias são simplesmente transfiguradas,
geralmente, pelo próprio passar do tempo e das gerações.
Sobre a simbologia, de maneira panorâmica, Jung166 no-la
elucida:

"Os símbolos aparecem em todos os tipos de manifestações


psíquicas. Eles são pensamentos e sentimentos simbólicos, atos e
situações simbólicas. Parece frequentemente que mesmo objetos
inanimados cooperam com o inconsciente na configuração dos
padrões simbólicos.".

Neumann167 nos fala, outrossim, da simbologia sexual (cuja


energia psíquica Freud e Reich provaram ser a mais
poderosa existente no homem), que nos ritos e cultos
primitivos, possui um significado sacrossanto e
transpessoal; simboliza, desta forma, a energia criativa,
165
“Observations sur l’Illide d’Homer”, vol. i, p. 88
166
“Man and His Symbols”, p. 55
167
“The Origin and History of Consciousness”, vol. i, p. 19, traduzido
por R. F. C. Hull

348
sobre a qual, conforme as mitologias nos relatam, gerou-se
o universo, e tal geração teve, como ponto de partida, a
associação sexual dos dois gêneros universais. Portanto, a
simbologia, efetivamente, é universal, total e onipresente;
logo, é por ela que a tradição verdadeiramente se manifesta
e penetra nos homens e em todos os entes cósmicos.

LIVRO 22
Religião e metafísica

349
1. Todos os lugares de consagração deífica e revelação da
divindade são fluidos do próprio divino ou de sua potência,
sendo, portanto, privados de perfazimento profano.
Os Massab, na antiga religião semita, eram considerados
"habitações divinas"; outrossim, eram originalmente
erigidos blocos de pedras e, posteriormente, em certa
medida, colocavam-se estes em colunas. A religião é
fundamentada sob uma cosmovisão ideada numa conexão
entre o mundo inferior e o mundo superior, o qual, nos
dizeres de Eucken, é "presença viva" das doutrinas
hierológicas. Destarte, devo ser pertinaz ao expor um
asserto no qual é mencionado o fato de que todas as
religiões possuem, como um das base centrais, uma história
pré-civilizacional ou antediluviana, i.e., antes de nossa
humanidade, havia uma outra realidade que se desvaneceu
catastroficamente em tempos remotos. Espécimes disso,
incluem-se o Antigo Testamento, o Mahabharata, a Epopeia
de Gilgamesh, entre outros escritos sumérios, os escritos
egípcios aludindo como foco primacial os Shenshu Hor, e,
até mesmo, o Livro dos Mortos, ademais das lendas das
civilizações pré-colombianas, como os maias, incas,
astecas, toltecas e outros. Pois, vo-lo deslindemos um tanto
minuciosamente. Tomamos, como exemplo, os astecas, que
asseveram que nos 4.008 anos de mundo, ocorreu o
Dilúvio, sem embargo de haver povos que eram partícipes
da primeira época, que denominavam de Atonatiuh, a qual
se sucedeu mais tarde à criação ou "tecpatl”.
Le Plongeon encontra nos códices maias uma pista para a
identificação de um lugar comum de surgimento dos
antigos mistérios sagrados, que ligava, numa vasta
expansão d'água, o Ocidente e o Oriente, que se chamava a

350
"Terra de  Kui". Sobre os comentários e sugestões
historiográficas de Diego de la Landa, encontramos, v.g.,
no Codex Chimalpopoca e no Livro Sacro ou Popol Vuh,
ademais da ancestral tradição mexicana, que as três grandes
catástrofes do mundo foram desencadeadas pelo fogo, pela
água e pelo vento, que presume, com efeito, o ar. Segundo
estes mesmos livros, os homens que conseguiram escapar a
bordo d'alguns navios restaram em pequenos aglomerados
populacionais, quase se sentiam solitários no mundo;
devido a sobrevivência destes, encomiava-se no México e
na América Central, a renovação da Terra e o triunfo da
humanidade. Nada obstante, nos falares de Hartman, a
religião é, sobretudo, um fenômeno de proveniência
psíquica da humanidade e, pois, opera abundantemente.
Portanto, a consciência humana e suas memórias sobre os
eventos que se sucederam (mormente, no período
antediluviano) possuem autoridade consistente na formação
das tradições religiosas dominantes local
ou globalmente. Na natureza mítico-simbológica das
convicções doutrinárias e na sua construção definitiva,
segundo Geo Widengren, é neste ponto, que religião
e magia se agregam em confluência.
Agora, consoante as asseverações de James Frazer, os
cultos religiosos entre os povos hostis e civilizados se
distinguem nas suas marcas de formação internas,
sobretudo, conforme ele exemplifica, a veneração das
árvores entre os gregos, romanos e povos ários da Europa
comparando com os mais primitivos da época, malgrado,
para tal, se utilize de uma teoria sobejamente evolucionista,
a qual prevalecia com quase unanimidade na sua época. Na
opinião de Van Deer Leeuw, todos os objetos de

351
consumação e adoração do sagrado, desde os objetos
utilizados na liturgia e na hierofania, como, e.g., a pedra
sacra, até o sacramento místico com fundamentações
nimiamente pensabundas são experiências de caráter
essencialmente religioso e, pois, deve ser deliberado que
todas as religiões possuem como
principais modus operandis d'efetivação da comunicação
com o divino, a oração e a meditação, no caso do budismo,
do hinduísmo, do jainismo, do taoísmo e &c. Conquanto
pareça soer com um conceito mui abrangente de
religiosidade, temos, a propósito, conforme nos assegura
Conrad von Corelli, a religião como não só uma concessão
da autoridade indispensável da ordem fixa às condições de
vida humana, como, igualmente, um motor que impulsiona
a sua mais elevada atividade com impetuosos objetivos de
sublimação dos seus agentes atuantes. Como resultado,
devo dizer que a religião é, efetivamente, um desígnio de
percepções soerguidas num espectro de dedução da
realidade original como a mais perfeita e íntegra,
intentando reconstruí-la pormenorizadamente no mundo
que é considerado sobretudo profano e mundano. Mais
especificamente, nos juízos de valor de Jovet, o fato de que
Jesus Cristo estabelecera diversos pastores de sua Igreja,
para instruir os fiéis, já se conservara, neste ponto, a
unidade sustentada d'epistemologia da Igreja Católica em
suas raízes e que foi prolongada doravante a tal evento. Isto
demonstra a força suma dos ídolos representantes das
religiões como suportes dogmatológicos de seus respectivos
arcanos potenciais.
2. Não podemos, à qualquer sorte, prefixar padrões de
determinação dimensional dos limiares ou das livres

352
afluências da filosofia. É necessário justificar, com
efetividade, as propriedades, tanto arbitrárias quanto
regulamentadas, dos processos qualificativos do modus
operandi, incondicionado ou independente, das designações
analíticas das extensões essenciais e ontológicas da
realidade, a fim de que os procedimentos ramificadores do
saber possam ultrapassar as opiniões irrefletidas do senso
comum, as quais se mantêm cativas das aparências, das
ilusões empíricas e das sensações concernentes ao espaço
somente passível, teoreticamente, às mediações e
enunciações matemáticas, o qual é conglobado
pela tricotomia composicional de comprimento, de largura
e de profundidade, subjacente à constituição informe,
indeterminada e indefinida comum a todos os objetos da
natureza. O bem moral, ou simplesmente, as atividades
surgidas da intencionalidade do agente direcionadas, pelo
exame imperativo da causa e da consecução deônticas, para
o progresso e o aperfeiçoamento espiritual em favor do
ápice da sabedoria humana, onde são inexistentes o desejo e
o sofrimento, é intrinsicamente soerguido através da
determinidade singular das condições referenciais daquilo
que é caracterizado como abordagem justa e equânime das
eventualidades transcorridas na totalidade integrada e
coerente onde habitam os seres vivos e sistemas vitais
vigorantes e, outrossim, tratamento precolendo e
substantífico daquilo que sublima e deifica o homem,
culminando nas suas confiabilidade e identidade
convergentes entre o intelecto puro e o mundo
preternatural; por conseguinte, é endereçada a construção
intuitiva dos fenômenos de permissibilidade
transcendente ao propósito filosófico em geral, formulando,
doravante, uma centralidade relacional entre a licitude e

353
a normatividade das potencialidades providentes
extramundanas. Ante a um postulado abstrato da
significação entre as formas distintas de si mesmo no lugar
das séries circunstanciais das preposições factuais do
conhecimento esotérico, notaremos que a filosofia, em seus
pormenores, possui uma miríada de apanágios para elucidar
as causalidades conativas da consciência metafísica
conciliada, pois, com o protótipo do mundo suprassensível
(res cogitans) das tendências miríficas atualizadas. A
filosofia é, portanto, a grande e vasta sageza produzida por
uma enteléquia válida e coerente, engendrada, por vias
apodíticas de expressão, pela sistematicidade metodológica
de sua função cognoscível ativa, transformadora e
ordenadora, para explicar os sentidos plausíveis das
transferências locomotoras dianoéticas de cada partícula,
quer extra-sensorial, quer tangível, existente na disposição
cósmica, tanto no seu âmago quanto nos seus elementos
subsidiários. Assinalo aqui, fundamentalmente, que todo o
fio condutor do discernimento sobre as unidades de
substância e os critérios de individualização são, por
vinculação ou indício de similitude às esferas espirituais
das percepções pulsionais humanas, as diretrizes dos juízos
universais, no tocante às experiências vivenciadas interna
ou externamente. Desde o cedro do Líbano até Druk, o
dragão do trovão do Butão, existem princípios de
identidade consciente com os símbolos aí representados,
emblemando, aliás, o orgulho pela cultura nacional, o que
reflete características praticamente sortais das fibras
transportadoras do discernimento, o que deve ser
investigado com minudências pela filosofia, devido a sua
grande influência esotérica nos seres humanos.
Descrevendo certos fenômenos de elisão dos objetos

354
concretos em favor daqueles incorpóreos, intimamente
contidos nas valências de arranjo distribuídas nos gêneros
de performance ôntica, poderemos perceber que o genuíno
saber filosófico edifica não apenas cousas que fornecem
substâncias ínsitas nos conjuntos modais do
Absoluto intransitivo, mas, também, a amplitude dos
encadeamentos regulares das eras cósmicas, em cujas
frequências, decorrem as relações sucessivas das
cousas que formam a consciência universal em si e através
de si. A filosofia deverá investigar, neste parâmetro
metafísico-cosmológico, como que as mônadas (i.e.,
átomos inextensos de atividade espiritual, componente
basilar de quaisquer realidades, quer físicas, quer psíquicas,
com atributos imateriais, indivisíveis e eternos) perscrutam
na emergência da unidade divina no princípio do ciclo
cósmico e no seu final, quando elas retornam, viz., se
guiam novamente a sua fonte, malgrado a sua ingressão na
ordem criada, i.e., a pleroma universal. Enjeita-se, sob esta
ótica, qualquer convicção na filosofia da identidade
sustentada, por exemplo, pela Lei da Indiscernibilidade dos
Idênticos, criada por Leibniz, a qual é assaz presente
na ontologia formal. Eis, então, a sua correspondente
amostra: 
 

∀x ∀y (x=y → ∀P (P(x)↔P (y)))
 
A realidade, tal como é esquematizada sobre si e para si, é,
sob jaezes misteres, uma dimensão numênica do universo,
i.e., aquilo que independe do sujeito conhecedor para

355
existir, é a manifestação objetiva da entidade cósmica. A
filosofia não deve concentrar-se naquilo que todos nós
estamos aptos a descortinar por eixos carnais de
perquirição, viz., os fenômenos, os quais necessitam da
resolução do eu pensante dotado exclusivamente
de faculdades cognoscentes, quer nas suas qualidades,
transformações ou acidentes, mas, sem embargo, no que
a qualia não logra em algum momento ser concebida, senão
no que a hipóstase pode contribuir como sendo
a essência  das substâncias, elementares ou não, do cosmo,
porquanto a matriz noética da filosofia está justamente
em transcender, até mesmo, o substrato
material (ὑποκείμενον) e conduzir-se, com percuciência, à
camada alicerçadora do espírito (πνεῦμα). Ei-la, portanto,
como fito indispensável da filosofia, ou capital dever que
deve ser desdobrado sob quaisquer ensejos ou fenômenos
que demandam ocasiões propícias para serem concretizados
(καιρός). A conhecença das cousas não é por natureza algo
que se direciona para si, mas em si e consigo. A
conhecença se conjunge para com outrem e compartilha
funções, mormente, de apresentar
o modus essendi das agnições mais elevadas, contendo
peculiaridades esotéricas em uníssono com a verdade
espiritual. A fusão sintética entre as diversas identidades
morfológicas dos pontos de vista filosóficos almeja, a
priori, alcançar a grandeza suprema da uniformidade e da
coerência dos itens de agregação reflexiva sobre o caráter,
as etapas e os limites da gnose humana. Far-se-ão estes
elementos proficientes diante do estabelecimento relacional
entre o sujeito indagativo e o objeto inerte, quer dizer, as
duas polaridades dos processos cognitivos. Ante a um
conjunto sistemático de leis e procedimentos precisos e

356
estáveis, os quais, conquanto sejam captadas as
informações com base nas competências, nas habilidades e
nos valores efetivados pela ciência da aprendizagem
(docendo discimus), darão origem às particularidades
epistêmicas que preconizam as ações assimiladoras do
sujeito sobre o objeto e as acomodações esquemáticas sob
adaptividades dos instrumentos de entendimento, nós
daremos configuração a ideia de que os conceitos
fundamentais que constituem os objetos do conhecimento
são generalidades sistêmicas do tópos ativo de uma espécie
de substância incognoscível, naturalmente plural, daquilo
que denominamos, cumprindo o papel de meio perceptivo,
como sagácia  cônscia das situações desta natureza que
penetram a realidade cósmica sui generis.   
A enumeração de características, atributos, propriedades
&c., do conteúdo lógico das definições conceituais dos
sistemas de faculdades mentais, pelos quais, os
significados, de modo complacente, são apreendidos, é
subjacente aos pensamentos e sentimentos introduzidos nas
experiências vividas, seja pela
captação informacional paulatina, seja pela súbita. Os
elementos iniciais de qualquer ato de conhecimento
(impressão sensível, axioma &c.), demonstrados de
forma direta e imediata à consciência, servem de
fundamento ou pressuposto em quaisquer processos
cognitivos, os quais, estruturalmente, são agrupados por
planos mentais de estimulação, em que há uma série de
características funcionais e composicionais, das quais são
derivadas as percepções associadas ao objeto do
conhecimento a ser assimilado. Nada obstante, a filosofia
deverá examinar, de modo infindo e inconcusso, a natureza

357
das apercepções, considerando o senso de que estas são
uma faculdade metacognitiva na qual ocorrem a ampliação,
a intensificação ou a plenitude dos estados internos e
representações da consciência. A alteração da contiguidade
semântica de dois arranjos potenciais lógicos se dá pela
subsunção de dois ou mais valores predicáveis e, portanto,
nominalmente cumprem o papel de sortir a inerência
universal a quaisquer unidades átonas do léxico agregadas
a outros termos fonéticos, as quais são instrumentos de
composição do raciocínio, da argumentação e da aplicação
dialógica tética ou antitética do pensamento humano;
mediante a este ênfase dado à nossa abstração não
estritamente especulativa, poderemos concluir que as
propriedades (idios) de quaisquer classes são conversíveis a
partir do momento em que, fenomenologicamente,
transformam-se em cogência categorial e inadvertida das
classes intercambiáveis constituídas de premissas
essencialmente declarativas e singularmente compostas
por atuação infixa. 
A constatação da verdade, a qual não suscita quaisquer
dúvidas, é clara e distinta, conquanto esteja em
consonância representativa com o espírito, i.e., a essência
imortal do homem. A ascese deve estar refinada e
purificada em si e para si, considerando que o ser, nesta
natureza, esteja sempre fortalecendo a sua austeridade,
tanto no corpo quanto no espírito, e desenvolvendo a sua
percepção correta, insuspeita e notável acerca da realidade.
As propriedades duma função ontológica, a qual dispersa
sobre a mente os objetos de conhecimento para serem
detectados sob nossas faculdades cognitivas inatas e
possui estreito enquadramento metafísico, são variáveis

358
duma medida disposta em divisórias transformativas das
razões numênicas sob pareamento extenso e verificável
apenas diante das circunstâncias ontosóficas, num modelo
de consistência probabilística preexistente. As proposições
(ou conjuntos destas), quando antecipadas provisoriamente
como elucidação ostensiva dos fatos, devem ser
ulteriormente examinadas sob
metodologias transcendentais, i.e., princípios de
conhecimento divinos, que sob seus estados de perfeição e
poder absolutos, estão situados acima da realidade
sensível; são, ademais, percepções mediatizadas de objetos
e ambientes localizados suso das faculdades de concepção
de modalidades específicas das sensações, as quais
correspondem a órgãos determinados. 
Os princípio que distorcem, motivam, disciplinam e
orientam a conduta comportamental humana são, portanto,
um conjunto
de valores, normas, prescrições e exortações presentes nas
realidades sociais; deve-se deveras conduzir a pessoa, sob
preceitos éticos, ao perfazimento da autoconsciência;
mediante isto, infere-se que conseguir-se-á, absolutamente,
com as atividades moldadas sob esta natureza, desenvolver
as capacidades individuais ao seu pináculo. Enfatizado isto,
deverei assegurar que o autoconhecimento sempre acarreta
em estados exitosos de status quo espiritual e,
inerentemente, é um bem essencial; por conseguinte, ações
dirigidas sob o mal, e pior ainda se forem, mesmo que
somente na intenção, extraídas favorezas a partir destas
condutas, são desvios totais do autoconhecimento e,
inclusive, da autoconsciência. A filosofia, neste panorama,
deverá ser não só o pensamento contemplativo que busca

359
entender a constituição espiritual e a realidade circundante,
mas também a origem cósmica de todas estas entidades
vivas e procurar a maior fonte de sageza possível sobre suas
propriedades universais que as caracterizam como sendo
únicas, afora o fato destas mesmas serem conhecidas
somente quando a encetadura causal imaterial, incorpórea,
suprassensível e imortal for despertada e as faculdades
cognitivas humanas sobrepujarem o
caráter mendaz e ilusório das impressões sensíveis. O
conjunto dos aspectos psíquicos tomados como unidade, de
tal modo a distinguir uma pessoa do resto sociedade,
chamamos de personalidade. A maneira como conduz o
filósofo (modus aliorum actuum) a operação exegética que
consiste em transpor num sólido elóquio o conteúdo latente
que existe nas unidades mínimas de disposição do
enunciado e nos procedimentos individuais face a estímulos
sociais, a sentimentos e necessidades íntimos, ou a junção
de ambos, do examinando ou do objeto de conhecimento
filosófico. 
 3. Em companhia da prudência inconcussa da metafísica,
devo assumir que a fortuna do homem ou o contrário ou é
gerado a partir do ambiente externo ou físico, mediante a
fusão da causa e efeito dos acontecimentos que
desencadeiam reações e ações ao indivíduo, ou é o estado
de espírito ou da mente derivado de pujanças veementes
superiores ao meio meramente cognitivo, ilustrado pela
elaboração de um alvitre filosófico notavelmente metafísico
que, etenim, incrementa taxas de tendência psicoemocional
que numa ordem instantânea de repercussão, logram a
compelir o receptor de tal fluxo a sentir como estava sendo
de antemão delineado, dehinc, é inerente à atuação

360
periódica dos elementos medulares de tal caso, e
justificando o orto de tal fenomenologia, devo enunciar que
toda a emoção sentida ao momento não é elucidada por vias
racionais, logo, ocorre o julgamento
puramente interpretativo de quem está observando tal
emoção. Portanto, a emoção está conectada a algo que não
permite a quem vê assimilar exatamente o que está
ocorrendo naquele indivíduo naquele estado de espírito e,
em segunda colocação, o ser que se emociona é movido
pela intensidade da sua fase primordial naquele momento,
colocando-se em adaptação a cada pulsação espacial-
temporal de tal forma com que outro tipo de artifício com
capacidades além da razão física delegue-o a sua expressão
por completo. O que seria isso precisamente? O
magnetismo de tal arbítrio conceituado na alma é oriundo,
provavelmente, de dispositivos súperos comparativamente
ao mundo físico e, sinteticamente falando, seriam engenhos
de ação que sobrexcedem ao físico sobre um indivíduo no
qual este corresponde exatamente aos seus comandos,
embora este não saiba. É atribuído a isto, porventura,
que isso é mais afanoso de elucidar do qualquer outro tipo
de fenomenologia e, num deslindar mais coadunável com a
condição proposta, é mais presencial na vida do que
qualquer outro fenômeno físico articulado com a conjuntura
das posturas emocionais e assim, devo projetar tais
conceitos, ad prospicentia autem explicatio. 
Numa turbulência de ideias recém-formadas, conformar-se-
ia, assim em seu zênite, o ciclo metafísico das coisas, do
modo em que elas são investidas e como elas são tratadas
neste sentido; de modo solícito, prognostiques qualquer
extensão particular de um objeto circundando em

361
movimento rotacional sua mente e imagine que este objeto
se açoda gradualmente, até em que no apogeu de seu
apressurar, amolda em ti uma modalidade de saber
constante e normativamente peculiar, ao passo de que está
inoculado com copiosidade analítica na raison d'être e
assim, o pensamento aterrissa com demasiado reforço e
ímpeto na concepção mental do indivíduo, caracterizando
um distúrbio metafísico de origem inconsciente, que
nominamos comumente como "sem-noção" e tecnicamente
como abstração malfadada ou mal dirigida. Os atos que se
enquadram como sem sentido aparente são aqueles que
inquirem um entendimento de como se eles fossem
apoquentados e isso reflete uma epistemologia alusiva ao
mau soerguimento da ideia admitida e, nada obstante, a
investigação metafísica procura compreender as causas
superiores de tal fenômeno. Uma tese da qual tenho direito
de defender é de que quando a consciência dos planos
superiores está em má contemplação, também está da
mesma maneira no mundo inferior da manifestação
do Stuhla Sharira (incorporação física), ademais, inúmeras
coisas advindas do entrecho metafísico são justapostas a tal
peripécia, como a má organização do fluxo de parâmetros
de idealização dos conceitos e a condução errônea das
ideias a posteriori. O primeiro episódio diz a respeito do
desarranjo já cognoscível na conceptualização metafísica de
tal ideia e que se conglomera vários elementos disformes e
incongruentes substanciada pela razão pura e o segundo,
por outro lado, pode estar em irreprovável disposição na
imaterialização no princípio dos Manas com todas as
informações prestes a serem conduzidas, todavia, perante
ao momento de conturbação ou que é temerário por
essência, faz com que o ente se embaraça e desalinhe em

362
inteireza logo em seguida. Por consequência, a condição
metafísica está tanto para a organização dos pensamentos
consonantes com a realidade das coisas quanto para a
desordem total de sua conjunção. 
Tracemos um pensamento no qual se anexe a indagação: "O
que causa a existência do ser?". Para responder com
plenitude e maneira sumarizada essa inquisição,
elaboremos os conceitos de univocidade para a causa
universal da existência ôntica e de individuação para
relacionar-se a causa individual da mesma. No que se diz
respeito à univocidade, vos digo que esta proporciona uma
organização absoluta e global de todos os seres, respeitando
a uma preposição de formação natural no qual o modelo de
existência será fundamentado, i.e., alegoriza ao
mandamento primário e original da consciência e da
verdade original presente em cada um, tendo um arquétipo,
mesmo não sabido materialmente, referente ao escopo de
vida, que é retornar ao exórdio puro e sacro do princípio da
criação e seus objetos de construção tanto da sabedoria una
quanto da elaboração de diversas sabedorias a partir desta, a
fim de determinar o ciclo da vida como uma unidade de
existência somente, em etapas consecutivas porém com
uma abertura ôntica deveras substancial no arcabouço
histórico de cada. Adicionalmente, devo ressaltar que a
univocidade não só forma o material ôntico no qual o ser se
constitui com primazia ou como arranjo primeiro, mas
forma os próprios campos anímicos de manifestação
energético do ser, com a intenção de dar-lhe poderes
suficientes para reconhecer o sistema único de ordem e
harmonia que existe nos arredores do ambiente o qual
vivencia, e se o reconhece, ele regressa ao ser metafísico de

363
potência ômnica de cuja virtude desfrutou na casualidade
unívoca durante as suas experiências no espaço universal e
todas essas propriedades de recognição unívoca e de primor
basicamente espiritual existem em todos os seres, ou o
tentame ou a consolidação íntegra da interpretação certeira
do funcionamento das entidades cósmicas, subordinadas ao
princípio de univocidade do ser, o qual nomearemos, daqui
em diante (a partir do idioma grego), de ενότητα (enótita). 
No que concerne à individuação, esta cause d'être está
remetida ao verdadeiro âmago intrapessoal de cada um de
nós, ou seja, nossos dons e domínios individuais que em
vista deste talento de prevalência metafísica, devem ser
aperfeiçoados em todos os seus componentes para que
sejam ingredientes precípuos da aquisição da Sabedoria
Suprema, em outras palavras, refere-se ao que cada
indivíduo tem a oferecer para a organização das coisas
existentes no espaços universos provindo de sua
atmosfera dármica, i.e., o ensinamento principal que ele há-
de disponibilizar ao mundo com efeitos principais, os quais
são a obtenção irreprochável do autoconhecimento e a
formação de uma nova vertente de saber que, decerto,
melhorará a situação presente do mundo, quer dizer, a sua
correspondente missão ou dever de vida em sua jornada
atual. A individuação, filosoficamente falando, imprime,
como disse, o autoconhecimento, o desvendar do real cerne
do ser, quem ele é de verdade, qual é sua tarefa vital
naquele momento, o porquê dele existir e todas essas
perguntas são partes integrantes do princípio da
individuação, que leva em conta a relação do indivíduo
existente com a existência do espaço universal no qual ele
reside, e especialmente, a articulação do ser humano com a

364
ordem e sincronia cósmicas, ou o elo cooperativo e
gracioso do homem com Deus. Além disso, a individuação
trata de questões como os elementos que corroboram com a
motivação do ser em praticar tal ato, isto é, o porquê de
existir aquele momento da vida eclodido por uma específica
ação do ser vivente, e as particularidades que circundam o
objeto, coisa ou ser, dentro dos seus parâmetros ônticos,
que, segundo a nomenclatura escolástica, chamamos de
"hecceidade"; por outro lado, a univocidade está
relacionada a "quididade", os atributos e qualidades
universais de cada ser. Denominaremos, assim como
univocidade de enótita, igualmente, individuação
de μεμονωμένα (menoména), consecutivamente. Eis então
as causas ou o porquê da existência e de todos os
acontecimentos sofridos por determinado ser vivo no seu
itinerário terrícola: a univocidade, que encabeça de definir
os atributos universais de cada ser, na unidade do espaço e
a individuação, que é responsabilizada por assentar as
balizas individuais de cada ser, na unidade do indivíduo e
seu vínculo com o espaço celestial. 
Agora, gozamos de mais uma indagação: "O que rege o
ser?" ou "Quem move o ser?". Com o intento de minuciar a
resposta, apesar de lacônica estruturalmente, definamos
dois princípios de regência ôntica: o livre-arbítrio e
a omnicidade. O livre arbítrio, em sua conjuntura, referir-
se-á à possibilidade de escolha e de decisão pela própria
vontade ou mente do indivíduo, em função de seus
interesses e motivações momentâneos, isenta de qualquer
razão de restrição, condicionamento ou ação causal
determinante. Numa abordagem mais aprofundada, seria o
meio pelo qual a atitude de um indivíduo se desenvolve,

365
feita sobre suas próprias medidas e pareceres sobre dada
situação, a qual passará por uma reação ou consequência na
mesma proporção que fora realizada anteriormente a ação,
assim, o livre-arbítrio instiga a reação e num ciclo
infindável, ele opera de tal modo com que o ser tenha a
ilusão de sua necessidade ou da firmação das contingências
pelas quais pode ser efetuado normalmente, sendo que
somente deve ser utilizado em instantes de suma
importância para sua vida, ou seja, aquelas que sentenciam
o fadário do indivíduo para um caminho W e outro caminho
W'. Em prossecução ao nosso pensamento, a ação do livre-
arbítrio se dá ou pelos mecanismos morais ao selecionar
seu próprio desígnio doravante à sua concepção alicerçada
pela sua autonomia e pessoalidade e, dessa maneira, a
questão capital não é os níveis da arbitrariedade ou o quão
esta é significativa o suficiente para a decisão, todavia, as
qualidades da mesma; citando caso análogo, suponhamos
que o indivíduo E possua conhecimentos magníficos em
variadas áreas do conhecimento humano, logo, afigura ser
um polímata. Numa fase transtornada de sua vida, ele é
substancialmente coato a tomar uma decisão ou para o
caminho W ou W', sendo a rota W, a mais preferível;
considerando que indivíduo E esteja em conturbação
emocional num passo efêmero instantaneamente, ele opta,
mediante a um arranco psicológico severo, sem
almejar genuinamente,  por W'. No entanto, incorre-lhe aí
agravos críticos no período de sua vida, justamente por não
estar seguro de si naquele intervalo de tempo e não
recompensou nenhuma de suas arbitrariedades ordenadas
por suas capacidades intelectuais diversificadas. Portanto,
determina-se o livre arbítrio pela decisão ut voluntatem e a
natureza do mesmo pela qualidade. O corolário que gostaria

366
de anotar aqui, novamente, é que o livre-arbítrio é
unicamente empregado em momentos de juízo definitivo,
nunca umquam, por assim dizer. 
No que se diz respeito à omnicidade, este princípio é
categorizado pela singularidade de ser uma potência
universal com capacidade de indicar e modificar o fado
individual de cada um, comandando a natureza das
experiências designadas ao indivíduo em seus pormenores e
investigando com ubiquidade cada ação empenhada pelo
ser, por intermédio de uma comunicação estreita e
inconsciente desta força com aquele que usufrui de seus
impactos empregues, assim, a sua dimensão ômnica é
efluída por vias de performance superior ao plano físico da
existência, logo, está sitiado em algum terreno de natureza
metafísica, portanto, a omnicidade é necessariamente
procedente da superfície transcendente, sutil e etérea, e
além disso, tutela as frequências kármicas expelidas dos
campos vibratórios e da cromologia áurica do indivíduo,
sendo tais elementos, basilares para determinar tanto a
compreensão da natureza real da verdade universal inerente
à lei cósmica estabelecida ao comportamento de sua energia
vital na sua animação bem como no seu aspecto inanimado
quanto a soma das ações da pessoa e estados prévios de sua
consciência, visualizando-a como fator decisivo no destino
em existências futuras. A omnicidade cumpre o papel de
determinar o rumo que o indivíduo obrará a partir dessa
análise esmiuçada e detalhada destes coeficientes ônticos,
sendo o livre-arbítrio, uma permissão temporária de
discriminação de certos tipos de ventura destinada como
resultado direto do planejamento predecessor do princípio
da omnicidade, como forma de liberdade controlada

367
ofertada ao agente passivo pela mesma. Suponhamos que a
entidade O, representando a omnicidade, dirija a vida de
um homem M, e este homem ingressa num momento
divisor de sua vida; a entidade O, com todo o bosquejo do
destino engendrado, dá-lhe oportunidades para escolher o
seu destino, porém, quem decidirá as consequências e a
proporção destas será a entidade O. Por quê? Por efeito da
onisciência de tal princípio, ele deve estar umquam atento
aos acontecimentos que envolvem seus subalternos e, como
subsequência, deve movê-los para um destino que seja
coerente com as tendências kármico-dármicas do
indivíduo. Em vista do fato de que o indivíduo no plano
físico, cujas emanações energéticas são densas e opressivas,
não desfruta do conhecimento suficiente para determinar as
consequências de seus atos e, por isso, deve existir algum
ente que exerça papel de potestade superior para definir tal
situação adequada e propiciamente: a omnicidade. Assim, o
homem M estará se apossando dos
efeitos kármicos proporcionalmente às suas ações
realizadas mediante a esta potestade superior da qual fiz
referência. Em resumo, o livre-arbítrio é a possibilidade de
escolha do ser em momentos de suma relevância e
a omnicidade é a entidade metafísica que gere a vida do ser
a todo o momento, determinando tanto a sua missão de vida
quanto os seus atributos particulares. 
A metafísica trabalha com o primeiro princípio das coisas,
incluindo conceitos abstratos como ser, saber, substância,
causa, identidade, tempo e espaço, cujos elementos
constituem a base do ser enquanto ser, pois o ser é, sabe,
possui uma substância exteriormente ou interiormente, a
sua existência possui uma razão determinante e

368
circunstancial, se associa com alguma coisa, objeto ou ser
que possui ligação ou se estabelece dessa forma, vive e
morre no período existencial que compreende a função de
movimento constante no espaço, e reside numa extensão
ideal, sem limites, que contém todas as extensões finitas e
todos os corpos ou objetos existentes ou possíveis. 
Ao assegurar que o princípio e a causas supremos
constituem o ser enquanto ser, mas não o ser acidental,
sobrevém um escólio demasiado importante de que o ser é
respaldado por elementos mais importantes e precípuos de
sua elaboração, numa realidade que é por si mesma a
própria realidade, id est, a realidade como ela é planificada
com o ser enquanto ser.
A alma, de fato, move os corpos, pois é a substância
primordial de cada um deles, assim sendo, o seu
movimento é o eixo de angularidade móvel e variável dos
componentes corpóreos os quais nela estão abrangidos,
além disso, a alma possui sua própria locomoção e pontos
intermediários de deslocamento material ou imaterial,
sendo assim, a direção que marcha está simétrico ao
movimento dos corpos que domina, e inadvertidamente,
assimétrico à direção deles, havendo uma contraposição no
modelo de horizontes direcionais dos corpos com relação à
alma. E os elementos da alma são divisíveis em membros
integrantes do ser, ou partes ônticas, que são os
desdobramentos do ser enquanto ser, porém, neste caso,
conjugado à sua alma, os quais possuem seu próprio
mecanismo de operação e desta forma, consagram uma
espécie de trabalho essencialmente versátil e de matriz
anímica, logo, a harmonia convém ao sentido de tais
divisões plurivalentes e de quantidades numerosas dos

369
componentes correspondentes, e claro, se a função de tais
divisões é conveniente à harmonia, portanto, a sua estrutura
motivacional, similarmente, deve ser conveniente à sua
matriz anímica, em síntese. 
Muitas pessoas empregam as duas locuções como se
parecessem sinônimos, ou termos análogos e
correspondentes em definição e aplicação, e até, o recursam
de maneira ambivalente. Se é possível esclarecer, que
esclareçamos! Se é possível que exista uma diferença, qual
seria? Para começo de conversa, devo admitir que alma e
espírito ocupam-se do ser enquanto ser, e não precisa
mourejar para obter tal solução como muitos o fazem, e
ademais, a alma corresponderia ao princípio da univocidade
e o espírito, por sua vez, ao princípio da individuação, que
explicaremos com mais profundidade no outro parágrafo.
Prosseguindo, a diferença é normalmente etimológica, pois
espírito está ligado a pneuma, que é um dos compostos
formadores do indivíduo e a alma, por outro lado, está
elencada a psyché, que é a formação de todos os outros
compostos do indivíduo, portanto, através desse fato, que a
dissociação deve ser realizada, não por interpretações
meramente tautológicas, ou por fins de complacência com
as intenções mais intrínsecas da investigação sobre tal
tema. 
A alma contempla toda a substância do indivíduo, em seus
pormenores mais característicos de seu âmago pertencente,
encaminhando-os a seu mais pleno funcionamento e
disposição, com o propósito de consolidar a manutenção da
avença ôntica do ser enquanto ser e seus elementos mais
meticulosos, o que atiça-lo uma função organizadora e
arbitrária, dentro dos parâmetros do que é coeso ou não

370
com a condição energética do ser, objeto ou coisa, com
relação às múltiplas facções de manifestação desenvolvidas
pelo ser enquanto ser, portanto, inclui-se na alma um
empenho indubitavelmente ubíquo, posto que suas
dimensões abrangem os desenrolamentos das partes do ser
que se incrementam ao seu corpo e devido ao seu
papel confeccionado de comandar o ser enquanto ser, na
posição mais elevada dos planos de existência possíveis, ou
seja, a alma é a própria consciência em toda a totalidade
ôntica, conclusivamente. O espírito abarca as conexões dos
corpos inerentes tanto ao mundo superior quanto ao mundo
inferior, isto é, o portal de comunicação dos efeitos das
condutas de ordenança holística da alma com os planos
densos e compactos da realidade material e física onde
todos os componentes das coisas são maciços concretos; o
espírito, analogamente, é como se fosse uma força
intermediária que interliga dois polos distintos em
estruturação entre si que, nesta ocasião, são a alma
(superior/metafísica) e o corpo (inferior/físico), viz.,
coordena as energias sutis e siblinas para serem injetadas
nas energias mais rijas e profanas e transmitidas aos
orifícios de interlocução primacial situados no cerne ôntico
acionado pelo campos de consciência do ser, que são os
sete chakras referidos na primeira página deste capítulo,
portanto, o pneuma devota-se à concernir como um pórtico
vibratório de separação entre o que é sagrado e o que é
profano, entre o que é físico e o que é metafísico e entre o
que é anímico e o que é corpóreo. 
Dadas as definições e fórmulas básicas de significância de
alma perante ao espírito e vice-versa, estabeleçamos,
mediante a tal explicação, a diferença fundamental entre

371
alma e espírito; a alma abrange o todo do ser, i.e.,
configura-se em todos os seus aspectos globais ou nos mais
particulares e rege-os em potência suprema e onisciente, em
integral ubiquidade, para que eles realizem seus processos
de locomoção e fluxos tocantes a equidade estrutural
(harmonia) e, outrossim, potencializam as aptidões
individuais do ser para florescer e apurar a sua religação
direta com o seu verdadeiro Eu e providências relacionadas,
salvante a sua imersão no mundo físico, claro. O espírito é
uma parte integrante dos elementos do ser que possui o
papel de outorgar, invariável e indispensavelmente, a
conversação primordial do mundo superior para o mundo
inferior, para aprimorar e causar a elevação dos níveis de
consciência do indivíduo, reptando-o a tentar ascender
espiritual e psiquicamente ainda em sua realidade, pois
como eu disse, é o vestíbulo isolante dos volumes
energéticos do mundo físico e profano para com a profusão
tônica de energia do mundo metafísico e sacrossanto,
porém os dois se comunicam através dos átrios de poder
(chakras) cujas cavidades possuem aberturas dimensionais
para receber tais correntezas de comunicação. Em tal grau
de ilustração, deduzimos que a alma é a cobertura de caráter
imaterial do todo do Ser e sua regente e o espírito é a rede
de intercomunicação entre a alma e o corpo, para fins de
recapitulação de tais ideias. 
ntroduz o seu pensamento assegurando que a fim de
evidenciar que em Deus, há ‘ciência perfeitíssima’,
considerar-se-ia a distinção entre os seres dotados de
conhecimentos e aqueles que não são dotados, a saber, a
ciência de Deus por si só não é totalmente comprobatória,
em vista do fato de que há necessidade de distinguir uma

372
classe de indivíduos para outra classe em prol de atestar a
existência de Sua ciência, logo, aqueles que são
guarnecidos pela ciência de Deus são aqueles têm
conhecimento e aqueles que não o tem, são malfadados em
consequência por não fruírem da ciência de Deus. Para
distinguir “conhecido” e “conhecente”, pelo que é
inteligível, empreguemos a premissa de que “conhecido” é
algo que se atesta para se conhecer, mediante à realização
de alguma observação focada pontualmente ao objeto, e
“conhecente” é algo que é conhecido por si só, que todos
sabem de sua existência só pelo fato de estar aí, quer dizer,
de existir, sem necessitar de prova empírica para tal, que é
o caso de Deus, como pode-se notar. Na questão da
matéria, ele está de fato correto e exporei com mais
acuidade tal assunto, pois, dado um corpo com um
agregado de partículas a formar massa de determinada
natureza a partir de uma substância corpórea,
necessariamente, é limitativo e restringente, pois se não o
fosse, albergaria tanto a substância corpórea quanto
incorpórea, assim como não só agregaria partículas para
massa corpórea, mas incorpórea, igualmente (o que
mudaria a natureza do agregado de partículas,
notoriamente.) Concordo manifestamente com a acepção
“quanto mais imateriais são as formas, mais se aproximam
de uma certa infinidade”, pois sendo a matéria, um
elemento que limita as dimensões de um objeto, e o
elemento imaterial, aquele que expande o comprimento do
objeto para além do perceptível fisicamente, deduz-se que
uma forma imaterial possui menos limites que uma forma
de natureza contrária, e de maneira igual, depreende-se que
quanto menos limites na forma, mais a sua constituição terá
menos finitude e, por consequência, a infinidade de sua

373
composição será mais visivelmente plausível nesta espécie
de forma. 
Em prossecução a tese da meditação como artefato arcano
para o desvelar da verdade máxima sobre o real, seria
compatível afirmar que todo o ser possui a verdadeira
realidade dentro de si, e que para o despertar dela enquanto
latente internamente, basta despertá-la com vontade e
identificação suprema com este princípio; assim, o ser
excelsa o estado físico da consciência, do maciço e
concreto e adentra no estado metafísico da mesma, sutil e
etérea, e a partir disso, ao descortinar ambos os lados do
universo, o corpóreo e o incorpóreo, ele pode distinguir a
realidade (saber o que de fato é) da irrealidade (saber o que
de fato não é). Nós ignoramos a realidade incorpórea,
imaterial e metafísica para responder enigmas filosóficos,
portanto, devemos, na verdade, coexistir com esse âmbito e
grau de vida, para que possamos entender o que nós somos,
conhecer o que somos e ao mundo e aos deuses, pois é a
partir da elevação sublime do homem que se descobre
a enótita do Universo e o funcionamento real dele; desta
forma, o real é aquilo que está disposto em todos os planos
dimensionais presentes no projeto do espaço sidéreo  e de
todo o arranjo do motor que permite a atualização das
potências ômnicas contido no plano geral da ação celestial
de conceber, de gerar, de dar existência ao que não existe,
ou de dar nova forma, novo uso a alguma coisa e, de fato, o
real presume a própria manifestação da geração de coisas
pelo Absoluto, a realidade transcendente, o Ser primordial
responsável pela origem do universo, das leis que o
regulam e dos seres que o habitam, fonte e garantia do Bem

374
e de todas as excelências morais existentes no Cosmos, em
toda a causa, designação e personalidade suprema. 
O irreal é aquilo que não está nem no princípio, nem no
ponto médio, tampouco no fim das realidades corpórea e
incorpórea do mundo, ou seja, não é partícipe em nenhuma
das sequências de coadunação na organização geral e
minudenciada da planificação da obra universal, pois não
pertence a nenhuma de suas bases e dos seus arcabouços de
apoio e de emanação consabida pelo mapeamento das
extensões materiais ou imateriais, físicas ou metafísicas
ordenadas pela perenidade da natureza das coisas, ou o que
compõe a substância do ser e existe no cosmos, neste caso,
o irreal não compõe a substância do ser e inexiste no
cosmos, deste modo, é distinguível da categoria
fundamental do pensamento que determina as propriedades
ou características de alguma dimensão do universo presente
na realidade, neste caso, é adjacente a irrealidade, que não
tem existência em nenhuma das realidades que se mantém
permanente sob os acidentes múltiplos e mutáveis,
servindo-lhes de suporte e sustentáculo ou aquilo que
subsiste por si, com autonomia e independência em relação
às suas qualificações e estados, porque todos esses modelos
paradigmáticos de quididade não se
inserem circunstancialmente naquilo que é irreal ou que não
é real em um conjunto de princípios supremos do
soerguimento do alicerce cósmico a partir dos quais pode se
formar ou deduzir o seu sistema de formação, e que,
identicamente, não está apto a instaurar um agrupamento de
conhecimentos que contribuam significativamente para o
bojo da sabedoria sagrada e dos mistérios relativos ao
divino e ao uniforme a Deus; por isso, toda substância irreal

375
é um fator não conveniente e impossível para a disposição
dos elementos tanto concretos quanto etéreos do universo,
tanto nos aspectos mortais da fisicalidade quanto na
imortalidade da alma relacionada ao Ser Supremo. 
A sabedoria transcendente, tocante ao mundo metafísico,
não é admitida com unanimidade pelas massas profanas,
devido a transcender o senso comum, pérfido e desditoso,
delas; aquilo que transcende a matéria, não se pode
compreender por forças intermediadoras materiais, em
razão de não perfazer integralmente a alma do ser quanto
ser e não estar diretamente articulada com os planos físicos.
Deste jeito, os seres creem que transcendem, pois o seu
ego permite com que tenha impressão de fausto e grandeza,
como se extrapolassem os confins da sociedade, porém, tal
transcendência se experimenta materialmente, e todavia, a
transcendência do ser enquanto ser se experimenta
metafisicamente, em virtude do pilar essencial do ser
enquanto ser embasar-se na realidade metafísica e de sua
gênese se interconectar sem desvios para a dimensão de
mesma natureza, assim, concebe-se uma quimera
existencial, não congruente com aquilo que é verdadeiro em
todas as matrizes de realidade, portanto, além das massas
profanas não distinguirem a sabedoria transcendente de
caráter metafísico da abastança concreta e material
adquirida pelos mesmos ao longo dos anos, também creem
que a sabedoria transcendente está aplicada na imanente,
sendo tal interpretação, uma contradição sem precedentes.  
As classes supremas de metafisica arrazoam uma visão
geral, no sentido de que abrange a totalidade de todos os
planos dimensionais, com maior ou menor interferência, ou
maior ou menor visibilidade, pois estão instaladas no

376
âmbito precípuo dos princípios supremos do ser unívoco, e
posicionados na esfera absoluta no que se refere ao ser
individual, assim, o conjunto de elementos propostos tanto
nos atributos universais quanto particulares do indivíduo
creditam a afirmação de generalidade global e suma das
classes supremas, como pode-se inferir consistentemente
com assistência da própria participação oniativa destas,
embora debalde o ser físico não a conceba inteiramente,
infortunadamente, vos deixo nítido.  
O ser desfruta de qualidades decerto complexas,
onde divergem os atributos em seu significado íntimo de
tanto ação quanto reação alastradas nas atividades humanas,
pois tudo que é bom, pode tender a constituir uma variante
complexa de tal atributo, como clemente ou injusto, e isto é
intransponível, em outras palavras, é unicamente descrita
dessa forma a partir de um bem qualitativo simples e
conversível e, metafisicamente falando, demonstra a
individuação em taxas de atribuição divisíveis, pois tudo
aquilo que possui o pendor a manifestar-se de diferente
formas apropriadamente ao instante, os atributos dessa
manifestação podem ser múltiplos, logo divisíveis e, assim,
o potencial de tais apanágios peculiares se demonstram ou
na sua forma de manifestação fixa ou mutável em divisão e,
defronte disso, concluir-se-ia a natureza multifacetada
destes e assim por diante. 
Nas categorias dos princípios supremos da metafísica,
coligados à omnicidade, vemos uma espécie de unidade
abrangendo todos os elementos da entidade como um todo,
em suas características primaciais, conjecturada na figura
mais significativa de seus vértices de interação e
congregação com a matéria ôntica unívoca, na qual se

377
apreende um sistema organizado e em concórdia com as
faculdades de pureza e sofisticação postuladas em sua
essência como ser, assim, a forma na qual se exprime a
substância unívoca está dentro de suas medidas rematadas
no espectro metafísico de concepção da natureza das coisas,
como é destrinçado e pode ser denotado. Marcar-se-ia, do
mesmo modo, que a primazia de toda entidade está em sua
causa primeira e fundamento súpero, isto é, na primeira
constituição de caráter gônico  de seu talante vital e
precedente de sua própria existência anímica,
e classificada coerentemente no princípio de enótita, tem
como a sua capital a sua criação e engajamento para cada
gênero e espécie individual com fundação primariamente
suprema e, notoriamente, devo acrescentar que tais
condições quididativas se consolidam praticamente a
respeito de todas as virtudes atribuíveis ao arcabouço
psíquico da pessoa, não obstante, é esclarecedor dizer que o
conceito de diferenciação qualitativa não se contempla na
aquisição do saber dos princípios supremos, porém da
aplicação dos mesmos; desta forma, adequar-se-ia o ser à
sua dedicação anímica à compreensão maior sobre sua
natureza metafísica, caso contrário, à menor sobre a mesma,
logo, a qualidade da quididade é diretamente proporcional
ao grau evolutivo do ser enquanto ser, dedutivamente. 
E, por instância, é difícil definir o ser mediante à
mentalidade material, todavia, define-lo concernente ao ser
metafísico, e inquiramos sobre seus elementos primordiais.
Bem, creio que todo o ser possui um elo objetivo e de
evento perene com o Ser Supremo, logo, associa-se e está
intimamente ligado à sua respectiva energia, no entanto,
assim que considerada tal asseveração, determinamos as

378
qualidades desta ligação e os atributos subsequentes a tal
acepção. A qualidade está conectada de maneira indeferível
com a aplicação das atividades e práticas espirituais, a sua
intensidade, a devoção à tal exercício e a engenhosidade do
ser ao realizá-las, isto é, se ele é original ou está sendo ele
mesmo quando o faz, assim, atribui-se à conexão divina
com relação ao estado evolucional do ser e o quão está
antenado com seu espírito superior, juntamente a outros
fatores atinentes ao percurso do canal histórico
das projeções da verdade como a regularidade e a sincronia
universal, em seus princípios supremos, manipulando-os ad
libitum  conforme o ser queira aprimorar as suas causas
existenciais (enótita e menómena) enquanto ser
comprovadamente metafísico, em essência e corpo. Sobre a
especificação das qualidades, devo constar a franqueza do
ser ao realizar sua prática meditativa e espiritual, se é lhano
naquilo que faz, sem interesses movidos ao ego, a luz estará
mais próxima do mesmo, do contrário, estará mais afastada.
Suponhamos que indivíduo E esteja meditando no seu
quarto em silêncio, sem presença fortuita de seu ego,
tentando entregar-se totalmente a Deus, logo, está
desinteressado e, por conseguinte, não usufrui de ego;
assim, ele encontra em contato com as forças superiores
que advém dos zimbórios celestiais, em equilíbrio e paz
interior com todo este alicerce de natureza dármica e sob
averiguação comportamental, sem nocividade ou
conflitualidade anímica, a fim de ressaltar. Do outro modo,
se indivíduo E' está meditando motivado a ambições
egoístas, feitas para si mesmo, e não para com outros
escopos, por consequência, não se entregando inteiramente
a Deus, ele estará mais distante da luz, pois tal energia é
repulsiva para essas entidades metafísicas, obviamente, pois

379
justamente emanam a ausência total e sublime do ego, não
contrariamente.  
Fundamentando-se num método procedente para desvelar
as concepções decorrentes de tais vertentes de pensamento,
lembremos que o ser deve praticar e julgar tais funções por
si mesmo em prol da elevação e expansão da consciência. A
primeira acepção que devemos levar em conta é a
da sinédise  (oriunda do grego que quer dizer, literalmente,
"consciência), id est, ter a percepção mais aguçada e
apurada do que se está realizando a partir do sentimento ou
sapiência que anui ao ser humano vivenciar, experimentar
ou compreender aspectos ou a totalidade da sua realidade
interna e seu Eu superior ou Self metafísico, na medida da
unidade das coisas conectadas à faculdade, princípio ou
propriedade das qualidades espirituais dos atos e motivos
de um indivíduo, a qual funciona como juízo do Desperto,
relatado à Luz ou como juízo do Adormecido, por outro
lado, relatado às Trevas. Imaginemos que indivíduo A
possua grande dedicação à sua espiritualidade, encarando
tais desafios com quietude e fleuma interior, em busca
incessante aos ensinamentos iniciáticos e com abertura
maior à vibração da luz, subsequentemente, a sua
consciência será maior, em termos tanto expansão quanto
de evolução; por sua vez, o indivíduo A' nunca medita,
jamais intenta dialogar com os planos superiores ou estuda
o ser e as ciências holísticas (até mesmo, as racionais)
somente por incumbi-lo exigências, ainda por cima, detesta
fazê-lo, por consequência, a sua consciência será contraída,
em processo retroativo e declinante. 
Assim, estabelece-se a sinédise, a partir de tanto
exemplificações para dá-la a definição quanto a sua

380
efetivação teórica, exclusivamente. Tendemos a aprimorar
sempre nossas habilidades, e considerando tal fato como
verídico, nós, portanto, sofremos o processo de evolução,
que é simplesmente indeclinável para o homem aprender a
ser humanamente o ser, e com substancial relevo, inclusive,
no itinerário espiritual do indivíduo, propende a melhorar e
aperfeiçoar seu estado de espírito, o que denominamos,
agora, de exélixe. O ser sempre busca o melhor de seus
atributos para conquistar seus objetivos-alvos e os
elementos que se incluem em tal atitude, expressam com
grande relevância a origem de componentes universais para
o seu índice de graduação para o desenvolvimento pleno de
suas faculdades psíquicas, que desliza por um estágio de
plena bem-aventurança e alijamento da angústia e
consternação para alvejar a assunção lídima do verdadeiro
júbilo e da alta verdade, o que garante a ambição do ser em
querer evoluir, desde o mais superficial até o topo da
cúspide operativa de sua sabedoria; annuit coeptis, o Ser
Supremo estará adjacente a tal elã para com a aquisição do
todo da Lei em todas as suas chaves-mestras, consumada
nos elementos mais íntimos de seu escrúpulo e
discernimento perscrutados, na arcana coelestia aí aludida,
logo, a exélixe também é o princípio prístino dos graus de
elevação do ser, desde os mais profanos até os mais
sublimes, assim, trabalha-se na exélixe o ser como
indivíduo propenso a ser sempre melhor naquilo que ele faz
e o maior naquilo que ele é, e como fim último, o
esclarecimento total sobre o Todo num prisma amplo e
extensivamente eminente em sua vastidão às fontes do
mesmo, então, eis o princípio da evolução e sua relação
conjugada ao Todo e o seu papel no subsídio do
crescimento pneumático do ser. 

381
Como resultado da exélixe e da sinédise, se sucede a
ascensão divina do ser, a análipse, isto é, a etapa final da
medrança espiritual, notabilizado pela apartação do desejo
(subhakammana) ou sofrimento (vyathaya), quando o
indivíduo é tocado pela alma de Deus ou do Absoluto, ou
seja, pela luz divina, que é o meio mais excelso pelo qual os
homens são esclarecidos com o propósito de alcançarem o
verdadeiro conhecimento. É a égira do homem, a inspiração
na qual o páthos se torna o seu campo central das suas
faculdades de iluminação espiritual, o qual é atributo divino
ou a incorporação da verdade divina, a Prajna, durante o
percurso elucidativo de seu Moksha, a ácie clarividente que
torna manifesto ao ser dotado de tais aptidões a visualizar
os planos superiores sem canais sensoriais humanos físicos,
dialogando diretamente das entidades sobrenaturais
incorpóreas, imateriais e psíquicas onde incorre toda a
energia vital do ser, no conjunto das atividades imanentes à
vida (pensamento, afetividade, sensibilidade), entendidas
como  manifestações de uma substância
inteiramente autônoma em relação à materialidade do
corpo, em virtude de sua quididade onisciente, que rege a
todos os seres com poder absoluto, infinito e total.
A análipse regenera o ser em toda a sua plenitude e o leva
para o mais alto do Céu, o local onde habitam Deus, os
anjos, os bem-aventurados e as almas dos ascensionados
que já passaram por este momento, desfrutando de uma
situação na qual reina a felicidade, a harmonia, o completo
bem-estar, desta forma, a ascensão é um fenômeno superior
ao padrão mais encontradiço, i.e., perfeito, sublime e
excelso, que está em consonância com que é semelhante
a Deus ou o próprio, na austeridade mais integral e vigorosa
do espírito. 

382
O Um é a unidade absoluta do universo, onde tudo surge e
onde tudo termina e o que está relacionado ao seu
movimento, é sua manifestação espacial e subjetiva, isto é,
o agente ativo e inaugurador da movimentação e da
emancipação primacial do ser, instituindo-se um organismo
comandante e limiar do todo, por isso, o move e o Espírito
se comunica numa posição estática, estacionária e
sempiterna, e não é deveras partícipe na vitalidade
primacial do ser, numa condição de ritmo regular e
harmônico com aquilo que é móvel realmente à borda do
Um: a Alma; o Espírito é objetivo, é a finalidade na qual se
evidencia como receptor das ações da alma e sua integração
com a mesma, logo, justifica-se a imobilidade do Espírito
com relação à unicidade do Cosmos, e a Alma, por ser a
realidade instituidora e iniciadora do Todo, significa a
mobilidade do Cosmos, por assim dizer. Por que a alma é
indivisível embora divisível? Ora, se formos ruminar
profundamente, a alma se expele em sua mais diversas
flexibilidades nas incorporações em outros planos, nas
quais suas seções de manifestação relacionadas ao seu
mecanismos de capacidade funcional, se metodiza a sua
absoluta expressão indistinguível do indivisível, devido ao
fato de que sua separação é a própria revelação da
impossibilidade de divisão, pois na alma, tudo se resume ao
princípio de enótita  e à unicidade absoluta do Um;
consequentemente, conclui-se que a divisão é os seus
subtipos de expressão psíquica e a improbabilidade de
divisão é sua expressão de unidade em consonância com o
todo do Um.  
As almas individuais devem ser, como afirmado, as
siglas ou assinaturas registráveis combinantes com as

383
extensões de tais formas e substâncias, relacionados ao ser
do Espírito, pois simbolizando o prenúncio de tal
magnitude, deve haver conexão entre a Alma e o
Espírito, logo, aventurar-se-ia tal simbiose no infalível e
omnipotente Azoth; em suma, existe o deslocamento livre
em todas as partes da Alma em qualquer gênero de
figuração do Espírito, pois como diz Apolônio de Tiana,
“toda a Terra é minha, e tenho direito de ir por toda ela e
através dela”, o que explicita a disposição da Alma na Terra
como ente totalmente livre e irrefragável em seu
potencial ômnico, tanto em seus elementos relatados ao
Espírito quanto àqueles que valem para seus próprios
efeitos e circunstâncias, claro. Justificando-se por estas
premissas, concluir-se-á a sua maior evolução, isto é, o seu
desenlace estrutural mais inconcusso e vivaz em
determinado ritmo e velocidade comparativamente ao
espírito, todavia, não se pode assegurar da mesma forma
que são mais entrelaçadas do que o Espírito, em vista de
este cumprir o papel, como argumentado anteriormente, de
comunicação direta e inefável entre o Corpo e a Alma, o
que geralmente unifica ambos, mas a Alma por si mesmo
não o faz; portanto, a Alma possui uma matriz unívoca
maior do que o Espírito, porém, a sua polivalência
constituinte acaba sendo inferior ao Espírito, por este,
justamente, desempenhar a função de levar a Alma às
naturezas vibratórias do Corpo e vice-versa. 
Primeiramente, ele deduz que se houver uma distinção clara
e visível entre a alma e sua essência, esta deve ser um
agregado composto por consequência, isto é, uma união de
elementos primaciais ajustadas em determinada
combinação, no caso, dos princípios corporais etéreo-

384
oníricos e físico-densos do homem aglomerados entre si, e
certificando-se de que tal afirmação é verídica e insuspeita,
logo, essência da alma e alma são variáveis; explica-se tal
questão face aos primórdios ativos da inteligência
anímica, assim sendo, pensar-se-ia, pontuando as alegações,
que o âmago psíquico, em geral, se sujeita à disposições
dos signos supremos de ‫א‬ (o princípio, a unidade) e ‫ת‬ (o
verbo, a dualidade), consumando em hábitos
de gerenciamento das partes integrantes do ser
com propriedades ou qualidades referentes à absoluta
sumidade de seu poder e empenho, podendo variar entre os
fundamentos de caráter harmônico ou desarmônico, quando
um dos fatores, ou ‫א‬, ou ‫ת‬, está em desequilíbrio ou
estabilidade insuficiente, o que pode ser rearranjado e
corrigido mediante à pratica extensiva e obstinada
da exélixe, da sinédise, gerando a análipse, se estiver
consoante ao ideal perfeito de ‫א‬ e ‫ת‬, obviamente. Revela-se,
não obstante, que sob a identificação equívoca de alma e
essência d’alma, logo, a alma deveria possuir uma
representação formativa na qual não se recepcione à
totalidade energética congênita em cuja razão se divulga,
i.e., é cognoscível que as energias provindas das
substâncias das quais provêm do Espírito seriam
inteiramente inflexíveis à inserção metafísica interiormente
aos parâmetros anímicos, sendo que, na realidade, para
haver uma comunicação entre os dois, decursa o fenômeno
da abertura para ambas as realidades, como acontece
auspiciosamente, todavia, com a equidade entre os dois
polos, não ocorreria tal fato fundamental para a natureza
ontológica da vida humana, assim, faz-se necessário a
distinção entre ambas as coisas, definindo-as tanto em seus
aspectos mais perfunctórios quanto os mais profundos, o

385
que será explanado com mais descerramento
diametralmente filosófico no parágrafo ulterior. 
A alma é o agente correspondente a ‫א‬ e ‫ת‬, o princípio e o
verbo, i.e., é aquilo que dá a origem a todas as coisas,
primeiro instante da existência, a causa primeira, a raiz, a
razão do todo, outrossim, é o arcano prepositivo elementar
e fundamental que serve de base a uma ordem de
conhecimentos universais, ou a ordem de todas as
sabedorias ou discernimentos inspirados nas naturezas
sobrenaturais, humanas e divinas, suscitado na disposição
primordial da cosmosofia, o conhecimento que, em
constante interrogação de seu método, suas origens e seus
fins, obedece a princípios válidos e rigorosamente austeros,
almejando especialmente, coerência interna e
sistematicidade de todo o Cosmos em todas as suas
dimensões e a alma, em seu arcabouço na faculdade do
pensamento que permite a apreensão de um objeto, por
meio de mecanismos ocultos diversos e combináveis, como
a intuição, a contemplação, a classificação, a
experimentação.  
A essência da alma é a disposição de seus elementos
conforme a consonância com o eixo de inclinação aos
limites de ação e reação conjugados à frequência
interferente do universo, isto posto, a alma é o mistério, a
sua essência é o que torna-a algo misterioso, e num sistema
de transcendência particular desses departamentos de
operação da alma, planificar-se-ia uma tabela de títulos
naturais e originais divinos do homem concernindo-lhe à
sua alma, sem crenças cônsonas a pascácios, em uníssono
com a iluminação profética e cerimonial, no que tange às
suas direções, da criação de Deus; desta forma, a essência

386
fomenta o que a alma tem, e a alma aquilo que é, logo, a
alma está ligada ao ser e a essência da alma está conectado
ao ter da mesma, numa rota sem volubilidades e sempre
apropriada e ajustada à energia cósmica – de fato – a alma
coincide com os pontos centrais do Universo, e a sua
essência está côngrua com as regiões dispersivas do
Universo, interligadas objetivamente a estes centros, de
natureza igual. Não obstante, vós sabeis que se fizerdes a
essência da alma estar acima da alma, a alma não se torna
mais imortal, pois ocorre a mobilidade do corpo físico em
alta profusão de atividade, o que causa desorganização
tortuosa na ordem e harmonia do Cosmos, assim, é
necessário que a alma em si esteja acima de seu próprio
cerne, para haver, como havia
dito, iussum  et concordia  per universum.  
rakriti (Natureza) é definida, contextualmente, como ‘a
existência plena e consoante com o universo de espíritos
individuais que habitam e convivem com objetos e
fenômenos naturais e outros que são separáveis ou não de
seus corpos, num conjunto uníssono e de cultivo aos quatro
elementos terrenos (água, ar, fogo e terra) e à quintessência
da ordem natural cósmica (éter ou espírito), em todos os
planos que compreendem a realidade divina', desta
forma, isto sugere harmonia perfeita e sublime, em vista de
sua impecável adequação com a energia do universo e a
lealdade e piedade todo-poderosa que compreendem todos
os planos, celestes ou carnais, concernentes às suas
inclinações com o propósito de levar em conta o minucioso
cuidado para com Sattwa (bondade), o atributo que é
pertinente à ordem e elevada graça com base no fato de que
tudo é paz e tudo é bom, o mal

387
pertence somente ao mundo profano e aos corruptores da
Lei de Deus, além disso, quem pertence à Lei de Deus, é
tudo de bom e tudo é paz e fraternidade, daqui em diante;
isso é bondade articulada com Prakriti. Avante este
fenômeno, Prakriti equilibra Rajas (paixão) enquanto que
em um estado maduro de sensibilidade no que diz respeito
aos planos mais elevados e mais belos da existência, um
afeto real ou devoção à natureza de algo ou alguém, assim,
o indivíduo pode se destruir e acabar com a estrutura da
alma dele se ele cair na obscuridade das tentações derivadas
da substância sombria do Ego, portanto, a Prakriti, como a
Substância Santa dos Planos Celestes e Carnais, tem que
equilibrar esse tipo de instabilidade não consonante com a
energia metafísica cósmica, para reequipá-lo com o
glorioso e esplendoroso arcano do desenho universal
saudado diretamente pelas mãos de Brahma. Tu pensas que
eu estou recebendo toda esta agregação de confidências
relativas à sabedoria metafísica da minha própria
mentalidade, no entanto, devido a este conceito, eu devo
provar que Prakriti é a substância de toda a forma das
coisas como de fato é, na medida em que Prakriti sustenta a
base da consciência planetária para com os animais, plantas
e seres humanos, dando-lhes a fonte de vida e,
inclusive, imortalidade se alcançada a Iniciação, claro; além
disso, imagino que tu a suponhas indistintamente, por
exemplo, a Natureza é a contemplação da alma, o vislumbre
de espírito e toda a manutenção e providência ao corpo.
Esta é a pura razão da Natureza ou Prakriti, seja lá o que
tu assim o chames, de modo intercambiável ou não, ainda
assim, tu deveras não conheces seus principais e múltiplos
objetivos e ideias. 

388
Eu declaro a ti, leitor, que Tamas (escuridão) deve ser
compensado e igualado comparativamente a Deus
por Prakriti devido à impiedosa e arrebatadora desgraça na
psique humana desencadeada pela energia perniciosa e
infernal das Trevas, em um modo severo de agir. Então, é
necessário abafar tal negatividade e somente a vida e o
movimento universais, respeitando os seres divinos e o
representante do ambiente divino, podem e têm a tarefa de
cuidar do desvio energético que permeia as Trevas na Lei
do Ciclo de Vida, que corresponde ao poder da Prakriti.
Assim, justificando este discurso filosófico, Tao
Te  Ching afirma que "todas as coisas são produzidas pelo
Tao, e alimentadas por sua operação de fluxo. Recebem
suas formas de acordo com a natureza de cada um e são
completadas de acordo com as circunstâncias de sua
condição. Portanto, todas as coisas sem exceção honram o
Tao e exaltam sua operação de vazamento", porque a
abundância de Tao é operada na Natureza, portanto, é claro
que as trevas atrapalham a harmonia e a univocidade do
Tao, dessa maneira a natureza poderia refrear sua
expressão porque trabalha com a ordem sustentadora do
ambiente Absoluto, como poderia ser testemunhado e
observado por qualquer um; neste caso, Tamas deve ser
inibido para Sattwa sendo evidenciado e transmitido em
todas as terras, para estas concernirem à emanação da
bondade em sua totalidade. Como São Bonaventura enuncia
perfeitamente, "nas coisas de beleza, ele contemplou
Aquele que é supremamente belo, e, conduzido pelas
pegadas que encontrou nas criaturas, ele seguiu o Amado
em toda parte", e o "Amado em todos os lugares" é o
significado existencial de ter em conta isso em parte do
Cosmos, a Natureza, a menos que haja escassez de coisas se

389
a mesma estiver desprovida de algo ou perder algo
factualmente, assim, a Natureza é a representação da beleza
do Universo em todos os seus componentes e elementos
primos, como Tao ou Deus, e Prakriti é tudo isso, sendo
onipresente em todos os lugares e, meditando sobre este
procedimento vindo da entidade referida, Prakriti é a
unidade e prevê o Bem Soberano da consciência planetária,
de uma maneira perspicaz e sábia. 
Se Mahat (mente) procede de Prakriti, portanto, é
associado e unido a um dos fundamentos cardeais e
predominantes de Prakriti ou, ainda, um dos pressupostos e
usos essenciais tratados pela Natureza, processo esse que é
efetivado com glória e retidão; observe que tudo é
executado nas nuances mais inteligentes e astutas no que
diz respeito à ação: suponha que o Ahamkara seja o
proprietário do título de "força sutil e divina do Eu, nos
sentidos metafísico e físico", notavelmente, em particular,
esta espécie de signo ou preposição. "Conhecer a si mesmo
é conhecer os deuses e o Universo", isto é que foi relatado
no Oráculo de Delfos a seus visitantes como Sócrates,
outrossim, isso é Ahamkara, o chamado do
autoconhecimento em sua linha de fundo, pelo qual o
indivíduo brilha seu talento espiritual, juntamente com
pontos de vista inspirados, em um olhar inesquecível seu
núcleo unívoco no estado de excelsitude, assim as coisas se
comportam como ele é, por conseguinte, é original e com
seus títulos e direitos primitivos e divinos restaurados em
todos seus arcanos encantados pela voz do silêncio ou
o Dhyana, o estado de meditação suprema e majestosa; o
indivíduo ouvindo a voz que soa de sua estrutura interna,
narra significativamente seu Nirvana e um tipo de ciência

390
da mente, onde ele descobre o basiléo ton ouranós, com
destaque na assistência criativa de Ahamkara e o santo
apoio de Prakriti no impulso e desenvolvimento de sua
jornada espiritual com uma transcorrência expansiva da
consciência, viz., tanto de sua corporal quanto
psíquica. Como Lucrécio diz em "De rerum naturae":
"Principium  cuius hinc nobis exordia sumet,  nullam  rem
i nihilo  gigni divinitus umquam quippe  it formid mortis c
ontinet omnis, quod multa
in terris  fieri caeloque  tuentur, quorum operum causes nu
lla ratione videre  possuit ac fieri
divino  numine  rentur", ajustaremos de maneira harmônica
o texto à formulação de nossa teoria de Purusha (alma), a
fim de, unicamente, aumentar a credibilidade de nossa
tese e escorar, definitivamente, a ideia desenvolvida ante ao
nosso raciocínio estabelecido. 
Sabemos, como qualquer um pode pesquisar por si mesmo,
que Purusha é moldado por Tán-Matra (os cinco elementos
da sutileza) e Sthúla-Bhuta (os elementos densos). Vamos
supor quais são os cinco elementos da sutileza, sem
embargo, em primeiro lugar, devemos considerar os
elementos densos para a nossa análise. Bem, os elementos
densos, vós sabeis, concernentes à substância material ou à
sua modelagem, malgrado as tendências à composição
espiritual, são Ap (água), Vayu (ar), Agni (fogo), Prithvi (ter
ra) e Akasha  (éter), o mais sutil de todos os elementos
listados aqui.  
Em Analectos, capítulo 8, verso 13, comparativamente ao
delineamento comportamental dos elementos defronte às
forças da Natureza, assevera com maestria, Confúcio, para
seu discípulo Tai Bo: "seja de boa fé inabalável e aprenda o

391
amor. Seja firme até a morte em busca do bom caminho.
Não entre em um estado que esteja em perigo, nem resida
em um que as pessoas tenham se rebelado. Quando o
Caminho prevalecer no mundo, mostre-se. Quando isso não
acontecer, então se esconda. Quando o Caminho prevalece
em seu próprio estado, ser pobre e obscuro é uma desgraça.
Mas quando o Caminho não prevalece em seu próprio
estado, ser rico e honrado é uma desgraça." Os elementos
sutis gozam de firmeza e solidez no seu aspecto etéreo, pois
é justamente dessa veemente e forte manifestação de suas
características que se arraiga a sua sutileza de maneira
plena e sublime, assim, pode-se inferir que o Caminho no
qual se planteiam são o de imortalidade e estabilidade
morfológicas, de crucial substância para o ser elementar, 
não obstante, efetivar-se-ia o comprimento tanto material
quanto espiritual dos elementos brutos, os quais são agentes
passivos e reativos articulados com os elementos sutis,
dando origem, destarte, à uma espécie esplêndida e
demasiada apreciável de equilíbrio mútuo, cujo fenômeno
deve ser exíguo de oscilações lautas e feéricas, todavia,
preenche-se o mesmo de ondas significativas de iluminação
dadivosa e munífica em causa e efeito para o receptor da
mesma; é asseguradamente óbvio que a concórdia bem
equiparada entre os dois elementos é a suma finalidade de
suas correspondentes condutas basilares, com o ultimato da
dinâmica celeste para tal operação ser realizada
distintamente. A propósito, nós observamos a virtude de
todo este engendramento cíclico e infindável, como o
mestre Confúcio garante, na mesma obra, capítulo 12, verso
16, pouco após a indagação do discípulo Zhanzi, que "o
homem superior desenvolve os bons atributos de outrem,
não os maus. O inferior faz o contrário", distendendo a

392
cúria de aprimorar o equilíbrio e as configurações
benévolas do mesmo e reabilitar a instabilidade das
disposições malévolas da ocorrência colidente, gerando,
desse modo, uma organização estratégica dos elementos de
suprema relevância nos mais minuciosos caracteres
de Prakriti, como pode se atestar. 
 

LIVRO 23
Direito romano

A união dos latinos e sabinos e, em pequena proporção, os


samnitas, os quais constituíram os primeiros elementos do
povo romano, de cuja mutualidade cívica, desencadearam a
adoção de instituições sociais comuns e protótipos jurídicos

393
equânimes. Uma vez em que houve necessidade de se ter
jurisprudência homogênea e órgão governamental, não
puderam ser evitados os vínculos do agente arbitrário com
o subalterno de modo com que este mesmo correspondesse
à abordagem consumada da natureza de ação e conduta do
seu poder regente168. No entanto, malgrado estes povos
tivessem a mesma origem indo-europeia, o seu
desenvolvimento separado e independente mudou pouco ou
se manteve intacto ao longo das eras. Mas vemos, sem
embargo, no desenvolvimento da judicatura e do sistema
nômico dos romanos, os autores juristas jactando múnus
decerto írritos duma miríada de leis desarrazoadas,
vigoradas e supridas ideologicamente por vaidosos
interesses meramente senatoriais. (Ab Urbe Condita, lib. ii,
p. 80) Tantum liquet sententia legis.
O direito romano, tal como exposto e facultado em seu
conjunto de fontes e materiais de desenvolvimento, era
aplicado em detrimento das condições espúrias do gênio
impulsivo do homem e, pois, adequava-o consoante as
convenções de ordem e harmonia cívicas169, numa
compacta associação dos princípios dogmáticos de Fas e
Jus que, mesmo em estritos pormenores, correspondiam a
Têmis e a Diqué, respectivamente; a prática da religião
romana, com substrato nos moldes míticos helênicos,
auxiliava na concepção e invocação afigurativa da rerum
notitia da jurisprudência lhe inerente. Deste olhar teológico,
surgiriam as primeiras manifestações atque juris praecepta.

168
Vede “Lehrbuch der römische Rechts”, ERXELEBEN, Albrecht, p. 23
169
“Grundlegung der Soziologie des Rechts”, EHRLICH, Eugen, pp. 86-87

394
As consequências da agregação entre as tribos itálicas
aglomeradas na região do Lácio foram um aumento deveras
significativo do número de pontífices, de áugures, de
vestais, de colegiados sacerdotais, das centúrias da
cavalaria e do povo romano em geral. O organismo político
(corpus romanurum quiritum), tal como estabelecido,
edificou uma fortaleza no duplo outeiro entre o Palatino e o
Quirinale, i.e., capitolium novum. Outro propugnáculo
chamado Poperium também foi construído. O espaço
compreendido nos baluartes foi dividido em quatros
distritos (regiões) que duraram até o reinado de Augusto.
Estes são os prováveis começos do estado de Roma.
A lex curiata romana era votada pelo povo mediante o
rogatio regis e ratificada pelo autoritatum patrum. Até
certo período, as leis não eram escritas, mas vigoradas por
meio da tradição, dos costumes e das convenções sociais
(jus non scriptorum, mos majorum); entretanto, uma
contrapartida foi consubstanciada, na qual um corpo
jurídico mui estável, inclusive o próprio Pompônio o
admitiu, que era o das 12 tábuas, foi terminantemente
postulado e posto em empenho; a fim de alinhar a lex
curiata à tradição de caráter determinado pelos hábitos
populares, presumiu Pompônio a sua categórica queda já no
fim da realeza romana. Portanto, no-la assevera Sr.
Savigny170:

"Le droit coutumier particulier était le seul dont ils vissent les
manifestations, dans la vie réelle, et c'est à lui que se rapportent

170
“Traité de Droit Romain”, DE SAVIGNY, M. F. C., vol. I, pp. 141-142,
traduzido do alemão para o francês por GEUNOUX, M. CH.

395
la plupart des textes sur le droit coutumier qui se sont conservés
jusqu'à nous: Cependant leurs principes sont en général fort
justes; et si les auteurs modernes s'y sont trompés, on ne doit
l'attribuer qu'à un manque de précision dans les termes. Les
jurisconsultes romains admettent, comme constante, toute règle
établie par une longue consuetudo, une coutume de plusieurs
années, et ils lui donnent pour base le consensus tacite du
populus qui l'applique (utentium, omnium). Par là, on a entendu
que l'habitude était le fondement du droit, et que le droit était
l'oeuvre d'un acte de volonté des mêmes individus qui votent la
loi dans les comices. Cette opinion a de graves conséquences:
elle lie le droit coutumier à une forme spéciale de constitution
politique, et l'exclut nécessairement de Rome impériale et des
monarchies modernes. Mais les jurisconsultes romains
regardaient la consuetudo, non comme le fondement du droit,
mais comme un signe sensible servant à le reconnaître; et c'est
sous ce même point de vue qu'ils envisagent l'écriture, en parlant
du droit écrit.".

Distinguimos o procedimento jurídico romano em jus


scriptum e jus non scriptum. Sabemos que o jus scriptum é
promulgado por uma autoridade legalmente constituída
para exortar tal tarefa. O jus non scriptum incorpora, em
sua disposição, leis, plebiscitos, constituições imperiais,
senatoconsultos, éditos de magistrados e responsórios dos
prudentes, i.e., é geralmente relativo ao exercício ou à
interatividade com o jus scriptum propriamente dito.
Designa Sr. Accarias que a obrigatoriedade de ambas as
formas jurídicas dependerá exclusivamente da imposição da
autoridade encarregada de praticá-las e compeli-las171, o
que não deixa de ser um fato indiscutível, porquanto, como
171
“Précis de Droit Romain”, ACCARIAS, C., vol. I, pp. 21-22

396
dir-nos-ia Ulpiano, "sed poenam injugit ei, qui contra
legem fecit.". (Regularum Singularis, caput I, p. 1).
Dionísio de Halicarnasso dir-nos-á um pouco a respeito da
natureza consueta dos processos e técnicas jurídicas da
legislatura romana172:

"δι´ ὀλίγης ὑπομνήσεως σημανῶ, τοσοῦτο προειπών, ὅτι μοι


δοκοῦσιν ἅπαντες οἱ διατάξαντες τάς τε βαρβαρικὰς καὶ τὰς
Ἑλληνικὰς πολιτείας τὸ μὲν κοινὸν ὀρθῶς ἰδεῖν, ὅτι πόλιν
ἅπασαν ἐκ πολλῶν οἴκων συνεστῶσαν ὀρθήν τε πλεῖν εἰκὸς ὅταν
οἱ τῶν ἰδιωτῶν εὐσταθῶσι βίοι, καὶ χειμῶνα πολὺν ἄγειν ὅταν
κακῶς ἑκάστοις ἔχῃ τὰ ἴδια, καὶ ὅτι δεῖ τὸν νοῦν ἔχοντα
πολιτικὸν ἐάν τε νομοθέτης ἐάν τε βασιλεὺς ᾖ, ταῦτα νομοθετεῖν,
ἃ ποιήσει δικαίους καὶ σώφρονας τοὺς τῶν ἰδιωτῶν βίους.".

Nos primórdios do Senado, viz., na época da realeza


romana, segundo Sr. Mommsen e outros, chamava-se
patres, sob via técnica, a parte senatorial aristocrática em
sua integridade. Ademais, os membros patrícios do senado,
conforme salientava Sr. Karlowa, não deviam ser apontados
em sua capacidade como tal, mas somente naquela tocante à
sua condição de patrício. Assim, fica evidente a não-
exclusão particular da expressão "jus familias" usada para
todos os membros de mesma consanguinidade, inclusive os
vulneráveis à violência, pois "quidem summa divisio de
iure personarum haec est.". (Instutionem, Gaius, lib. i,
caput IX)

172
“Rhōmaïkḕ Arkhaiología”, DE HALICARNASSO, Dionísio, lib. ii, caput
XXIV

397
Dever-se-á realçar, pois, que as interjeições axiomáticas da
lei romana como fixadas em pertinência ad populum,
teriam a obrigação de serem otimizadas e efetivas naquilo
que se propunham a ser, quer para diminuir a obstinação
das luxúrias, quer para firmar vitoriosa concórdia e,
outrossim, seriam ab-rogadoras dependendo das irritantes
afrontas lhes dirigidas igitur primum lex, como constata Sr.
Rosini173.
A potestade executiva do estado romano, que o
representava de jure174, nas relações tanto humanas quanto
divinas, que competiam ao rei eleito pelo sufrágio popular
com a adesão senatorial, compreendia a administração dos
cultos, o comando do exército, a jurisdição criminal e civil
e a faculdade de convocação do povo e do senado (ius
agendi cum populo et his referendi ad senatum). Para a
gestão dos poderes que lhe foram confiados, ele elegia
auxiliares, ou militares, como o tribunus celerum, ou
judiciários, como o duoviri perduellionum. Segue-se, por
conseguinte, a asserção do Sr. Costa175:

"A distintivo del suo potere il re ha un particolare vestimento in


tempo di pace {toga pietà} e la tunica pedinata in guerra, ed una
singolare calzatura, il mulleus. È preceduto, quando compare al
pubblico cospetto, da 12 littori, recanti i fasci di verghe con la
scure nel mezzo, a segno della facoltà che gli spetta di decretare
la morte d'ogni cittadino colpevole di reati a cui le leggi
173
“Antiquarum Romanarum”, ROSINI, Johannes, p. 374
174
O senado (patrum auctoritas) era o estado de facto, compreendendo, então,
as aprovações dos clamores populares e a prestação de conselho ao rei no
exercício de sua magistratura.
175
“Storia dello Diritto Romano Publico”, p. 55

398
comminino la pena del capo, o di gravi infrazioni agli ordini da
lui emanati. Trascorre la città sopra il currus, e nell'esercizio del
suo ufficio di giudice e di presidente delle assemblee popolari e
senatorie, siede sopra un solium.".

Observamos, na época mais antiga de Roma, da qual agora


tratamos, que a tradição dos ancestrais (mos majorum)
governava a maioria dos elos familiares ou parentais, até
mesmo dos patrões com os escravos, os clientes e
partidários. Esta regia, inclusive, relatórios formais do
estado a respeito de atos considerados indignos de
solenidade e, também, açoites religiosos, sanções, penas e
censuras. Não obstante, conforme Sr. Cuq relata, tais
práticas deixaram de ser associadas à religião no Baixo
Império e o estado se sobrepôs ao mos majorum176, o que
foi, pois, uma revolução jurídica mui significativa e
compensadora, já que Pompônio, um dos maiores juristas
de Roma, ao comentar os numes cultuados por imolações e
atos de consagração hediondos exercitados por Rômulo,
disse177:

"Quae profanae fuerunt, memorantur istae: De humano foetu


servandu, de praediis sinuindis, de pactis, de patria potestate, de
perduellione. Quod Tulli Hostiliis leges attinet, earum nihil hodie
scimus.".

176
“Manuel des Institutions Juridiques Romaines”, vol. I, CUQ, Edouard, p. 5
177
“De Origines Juris”, POMPONIUS, Sextus, p. 52

399
Os francos-gauleses vindicaram e hospedaram os vínculos
cristãos os quais os antigos gauleses já continham, e em
cuja disposição, as leis sálicas eram ainda vigentes; desta
forma, os romanos abraçaram ambas as coisas eclesiásticas
e populares dos mesmos, provavelmente, independentes dos
Concílios Aurelianense I e Turonense II178. No-los
evidencia Sr. Chesne179:

"Denique in multis causis occasio se imergit, quae difficultatem


contraria legis bono exitu meliorem reddit. Quis enim non laudet
curam pastoralis regiminis, si profit? (...) Solet nempe esse in
praeceptis divinis, quod & in antiquitis reperitur edictis. Lex
est.".

Os éditos concernentes ao direito privado romano, são


aqueles dos pretores ou dos presidentes das províncias, dos
edis curuis ou dos questores, e dos prefeitos do pretorado.
Aquele do prefeito do pretorado, como a magistratura por si
mesma, que era o império, e à época onde somente o
prefeito do pretorado encargara-se de ser o chefe de todas
as hierarquias administrativas. Daí, segue-se a afirmação do
autor de "Précis de Droit Romain" sobre direito honorário
e direito pretorário180:

178
“Rerum Antiquarum”, DE HAUSTERRE, Antoine D., pp. 205-206
179
“Historiae Francorum”, vol. IV, DE CHESNE, André, p. 129
180
Op. cit., vol. I, p. 16

400
"Le droit honoraire est le genre, le droit prétorien l'espèce. Le
droit honoraire comprend l'ensemble des règles introduites par
les édits des magistrats, et on l'appelle ainsi parce qu'il émane des
personnes in honor. Le droit prétorien ne comprend de ces règles
que la portion établie par les préteurs.".

Nos axiomas do ius civile, o homem é sujeito de direitos na


condição de que seja lhe concorrentes os predicados de
livre, o de cidadão romano e o de pessoa independente do
poderio familiar. Para justificarem a afirmação de que o
“homem existe porque nasceu”, Correia e Sciascia citam
Papiniano e Ulpiano nas seguintes frases: “Partus nondam
editus homo non recte fuisse dicitur, quoniam antequam
edatur, mulieris portio est vel viscerum.”. O brocado vulgar
conceptus pro iam nato habetur determina a capacidade
jurídica do indivíduo, caso favoreça o seu status libertatis
ou lho aproveite perante as qualidades honoríficas do pai.
Outrossim, ao indivíduo concebido, são garantidos direitos
de natureza sucessória; no seu interesse, portanto, é
nomeado um curador181.
As ordens inferiores dos cidadãos (humiles) se formaram a
partir das instituições de Sérvio Túlio infra classem e da
centuria dos proletarii. A influência do seu jus suffragi era
praticamente nula. Tampouco estes cidadãos dispunham
dos comícios centuriatos, que ordinariamente não poderiam
se intrometer sob hipótese alguma; e assimilados
geralmente ao libertini quanto à inscrição das tribos, eles
ficavam comumente nas quatros tribos urbanas. Em
compensação, eram isentados de serviço militar e de
181
“Manual de Direito Romano”, CORREIA. A., SCIASCIA G., pp. 36-37

401
tributum182, porquanto "nonnumquam etiam liberi plebeij,
& humile personae.". (Digesto, lib. xxxxviii, tit. xix, caput
IX)
Na procuração romana, vemos a sua aplicação nos casos de
imposição do verdadeiro institor, sob o qual a institoria
deveria comandar e regular o paradeiro dos negócios,
inclusive, em várias exortações dos respectivos litígios,
observar-se-ia o reconhecimento legal do comércio. Os
liames contratuais dos procuradores jamais eram
desenvolvidos sob os éditos dos pretores em adjutória
reclamação, mas sim pelos contraentes sob a razão do
próprio contrato, onde ambas as vontades eram
estabelecidas e satisfeitas no institório actio neg.
gestorum183.
A lei Terentia, em seis anos, frustrara de modo jactancioso
os tribunais da época, no sentido de que a concessão
múltipla dos tribunos pudesse penalizar e restringir os seus
atos, em particular, de Romílio e Vetúrio (Fastis
Consularis, an. cciii, p. 17). Então, a divisão da herdade dos
juízes, presentes a todos os juízos dos coerdeiros, ou seu
decreto deveras irretratável, apenas era condicionada na
coisa julgada184; a Lei Terentia promulgava, no entanto,
quinqueveris creandis.
As judicaturas da maior parte dos italianos na época do
Reino de Roma desapareceram sem deixar algum vestígio;
a jurisdição coincidia com o princípio da municipalidade,
182
“Droit Public Romain”, WILLEMS P., p. 120
183
“Ueber die römischen Handlungbevollmächtinge”, Zeitschrift der
Savigny-Stiftung für Rechtsgeschichte, E. RUHRTAST, Hern, p. 323
184
“Istituzioni di Diritto Romano”, vol. II, DOVERI, Alessandro, p. 613

402
cuidada então pelo rei, cuja corte ou comando mantinha-o
nos dies fasti no tribunate, e acomodados em cadeiras
donairosas (sella curulis), os mensageiros (lictores)
contatavam-no, quer consubstanciado pelos acusados, quer
pelas partes interessadas185. Mas saibamos: as leis do
período dos reis da linhagem de Eneias, Ascânio, Numitor
e, sobretudo, Amúlio, que prendeu sua esposa por
simplesmente engravidar dos gêmeos Rômulo e Remo, os
quais foram felizmente salvos por zagais à orla do rio
Tibre, eram extremadamente atrozes. (Romaica, Apiano,
lib. i, caput I)

LIVRO 24
Metafísica geral e aplicada

1. Usualmente, sob orientação fortemente metafísica,


colocamos as ideias como sendo pertinentes à disposição
incorpórea, intangível e suprassensível da substância
cósmica. Requer-nos, agora, asseverar que as ideias são
canais percipientes estabelecidos numa rede intransponível
na dimensão material; portanto, elas são transcendentes e
185
“Römische Geschichte”, vol. I, MOMMOSN, Theodor, p. 138

403
superiores a qualquer gênero de impressão contraída nas
bases mais densas da consciência e, a fortiori, presumimos
a sua supremacia no arranjo e no funcionamento da mente
humana. Nemésio corrobora, acrescentando que as ideias
possuem fluxo eternal e ímpar diante de todas as outras
percepções humanas (De Natura Hominis, p. 65).
Postulando que, com efeito, para as ideias, não existe
limiar, sequer balizas que as impeçam de se deslocar, logo,
elas serão penetrantes em quaisquer objetos ou forças
receptaculares que as atraiam; considerando que as ideias
são supremas e absolutas, como pode se inferir da
propriedade anterior, por conseguinte, elas conseguirão
perscrutar quaisquer coisas existentes no universo sem
maiores dificuldades. As ideias, como consequência dessa
travessa, são condicionadas num turbilhão autogerado de
operabilidade, gerando o que nomeamos de pensamentos e,
caso intensificados, seja ao seu zênite ou não, engendrar-se-
ão as nossas emoções, que são as forças criadoras das
paixões e de todos os sentimentos humanos. Antes de mais
nada, deverei salientar a distinção entre emoção e
sentimento, conforme teoricamente expomos. A emoção é
suprida por algo imaterial, e sendo ela mesma, de igual
natureza, porquanto somente se manifesta no subconsciente
ou no próprio inconsciente do homem; o sentimento é
derivado de fato da emoção, mas, em contrapartida, este
pode ser expresso e configurado perfeitamente na realidade
física, como expressões faciais, gestos e atitudes, o que não
é facultado às emoções e, igualmente, dos sentimentos, não
é predicado a condição etérea, sutil e incorporal.
2. Há de se ter em mente que a razão, ou o verbo universal,
é exequível em todas as formas de manifestação ôntica,

404
quer física, quer metafísica. Portanto, afirmo que o espírito,
bem como o corpo, possui seus próprio procedimento de
atuação e intervenção nas dimensões noéticas da unidade e
isto, chamo de natureza racional, viz., a própria razão.
Porquanto analiticamente devamos examinar a razão
espiritual, mister ressaltar que o espírito é expresso no
universo não por meio de formas densas e rígidas
direcionadas volumétrica, mensurável e solidamente, senão
por meio de substâncias etéreas, sutis, incorpóreas e um
tanto plasmáticas, caso analisemos a sua volubilidade
cinemática no seu respectivo quadro de existência.
Salientado isso, configurar-se-ão os seguintes postulados:
a) a natureza racional do espírito está correlata diretamente
ao mais elevado substrato da consciência humana, b) a
razão espiritual é extramundana e de certo modo
extraterrestre e c) o seu desdobramento é provavelmente
exercido através do contato imediato e manifesto com o
divino cósmico; mediante isso, se sobressai a todas as
outras dimensões da consciência humana, e, destarte,
regendo-as com propriedades porventura ubíquas.
3. Reconheço o fato de que ao exprimir as noções que
pretendo empregar ao longo do meu discurso, inúmeras
controvérsias poderão delas derivar inevitavelmente.
Malgrado isso, fá-lo-ei à qualquer guisa. Se me permitis
discorrer, dir-vos-ei que depois da fase vulnerável da
criança, e.g., da fase de colo até o período recentemente
passado após a alfabetização, com efeito, pode-se zelar por
ela inconcussa e impetuosamente; terminado o ciclo de
vulnerabilidade infantil, deve-se asseverar que a criança,
agora, não deve somente prestar obediência ou seguir
cegamente preceitos deveras abstratos e irrefletidos dos

405
pais, senão adquirir uma relação de cooperação e
aprendizado mútuo com a estrutura parental lhe inerente.
Tendo feito estas considerações, estabeleço aqui a tese na
qual se designam inferências diretas das experiências
familiares e que, se traçadas exata e dedicadamente,
resultam na seguinte linearidade: a) relação subordinativa,
b) relação cooperativa e c) não-relação. Primeiramente,
deverei introduzir os prístinos fundamentos de tais
concepções. Salientado isso, asseguro que, desde muito
cedo, deve-se instruir o indivíduo nas ciências ocultas e nas
artes empíricas, estimulado o seu potencial ao seu cume
consciencial, se estipulado irrefragavelmente que todo o ser
humano, quer criança, quer adulto, é dotado de
fenomenologia espiritual completa e, aliás, suscitada em
uníssono com a sabedoria cósmica sob via de obtenção
inata. Dessarte, deve-se deliberar indisputavelmente que o
ente infantil não é mero nesciente da ordenação e do fluxo
configurador da natureza da realidade, senão for, na
verdade, um agente plenamente desperto às verdadeiras
condições nas quais tais disposições estão concretamente
ínsitas; por conseguinte, os pais ou parentes deste devem
suprir tanto seu intelecto quanto sua alma de conhecença
numenal (i.e., pertinente aos fatos noéticos que funcionam
ceteris paribus na substância bioenergética tanto do éter
quanto da matéria e que são de unívoca extensão) e de
graus avançados de espiritualidade, sem prover-lhe dogmas
ou prosélitos, mas, sem embargo, demonstrar-lhe
diametralmente a importância da liberdade e da evolução
esotérica encadeada pela apercepção (i.e.,
autoconhecimento) sistemática do Eu transcendente.
Consolidadas estas perspectivas, elucidarei em minúcias

406
cada um dos intervalos espaço-temporais da relação do
agente filial com o parental.
4. Assumindo que o homem, de maneira primaz, capta uma
mensagem, canaliza-a mediante a suas percepções e a
transforma em inferência de impulso e determinidade
intelectiva, sem necessariamente empregar o pensamento
concretamente racional para tal, logo, devemos assegurar
que o formato noético no qual o homem geralmente se
sustenta e se estabelece por essência é a própria
intuitividade que emana duma interpretação genuinamente
procedente de suas faculdades instintuais de cognição ou
entendimento dos objetos cognoscentes circunjacentes a sua
encetadura ôntica. Deve-se ratificar, pois, que a
predisposição do homem no tocante a sua intuição é
absolutamente algo de inclinação irrefragável, e tal
fenômeno pode ser advindo dos próprios comportamentos
morfológicos de natureza espiritual do mesmo ente.
Ademais, se cada ideia possui um elã que a torna exequível
em determinados âmbitos situacionais da vida como quadro
representativo da razão de ser do homem, logo, ela mesma
terá uma modalidade de manifestação na qual ela poderá
projetar quaisquer sinais de conteúdo de significação ao
próprio elã que dela se figura em totalidade; a isto,
denominamos meio intuitivo, e, pois, o substrato de
entendimento do elã ideado, chamamos de intuição, sui
generis.
5. O Aṣṭāṅgahr̥dayam assevera que se há desordem na
disposição no akasha, o maior dos panchamahabutas, todos
os outros elementos declinam conjuntamente, levando ao
que chamamos de enfermidade de espírito (āmaya). Deve-
se manter em mente que a própria enfermidade de espírito é

407
o hētu (causa) de todas as outras, sobretudo, aquelas
correlatas à matéria (dravyam). O Rājavallabhanighaṇṭuḥ
declara peremptoriamente que a condição de ama está
intrinsecamente conectada à absorção de substâncias
nocivas ao organismo bioenergético (ādhyātmika) ou
mesmo carnal, as quais desdobram, incontinenti,
inapropriadas ou incompletas transformações metabólicas
ou homeostáticas no corpo do ente que as ingere. Assim,
infere-se que, v.g., num experimento de ab-reação, intenta-
se liberar sob modalidades mnêmicas de transmissão a
carga traumática do indivíduo; sob a noção de antanho
introduzida, o agente objetivo da ab-reação deve configurar
a sua catarse emocional mediante a uma abstração noética
percuciente no próprio fenômeno da abscisão entre ele e a
toxina infiltrada em seu corpo; realizando processo com
lucidez e precisão, ele pode, então, liberar seu trauma e se
obliterar, num engendramento comparável (no sentido
conotativo) a uma adiadococinesia autocontemplativa. No
Ayuverda, classificamos tal fato como escopo de
tratamento do Panchakarma, utilizando-se de diversas
técnicas num direcionamento multiforme, mas não se
desviando do alaya (essência) dos aṣṭāṅgāyāṃ (oito
componentes).
6. O modelo pragma-dialético duma discussão crítica
funciona sob papéis heurísticos e analíticos no que
concerne à sua forma da lidar com problemas de
interpretação a surgir no exame dum discurso
argumentativo (Eemeren 2016); isto demonstra que, sob
uma ótica resoluta de validação cognitiva, nós podemos
apropriadamente analisar esta situação inerente ao próprio
desenvolvimento do discurso argumentativo. Numa teoria

408
pragma-dialética da argumentação, geralmente, se averigua
o argumento sob as abordagens da externalização,
socialização e dialetificação, dentro duma expressão
complexa e muito atuante (Eemeren, Grootendorst 1992).
Desta forma, metodicamente, se chega à clarificação das
dúvidas desdobradas durante a trajetória dialógica e,
outrossim, a um julgamento devidamente racional numa
discussão crítica muito bem elaborada. O raciocínio
abdutor, analogamente, se funda, mormente, nos
conhecimentos dos interlocutores de natureza comum e,
tanto o falante quanto o ouvinte necessitam aplicá-lo para
eficazmente constatar os reais e causais escopos da sua base
dialógica, resultando numa comunicação bem sucedida; sob
a análise de Antônio Duarte (2020), a perspectiva pragma-
dialética contribuiria para tornar normativa e apodítica o
substrato teorético da comunicação; em seu caso, para
chegar a esta conclusão, ele analisou um pronunciamento
irônico, o qual é assaz presente na conversação em geral e
válido para a corroboração da tese proposta.
A análise pragma-dialética do discurso argumentativo é
consensualística e almeja um consenso não-qualificado, sc.,
um consenso que não está sujeito a maiores exigências
(Lumer 2010); é-nos endereçada a interpretação de que, sob
uma abordagem retórica da pragma-dialética, a
argumentação é epistemologicamente padronizada.
Classicamente, na doutrina de Aristóteles, a retórica é a
antistrophos (contraparte) da dialética; contudo, estudiosos
como Kennedy (1994), Perelman e Olbrecths-Tyteca etc.
asseveram que a aplicação pragmática da lógica é, num
método colaborativo das conjunturas persuasivas da
argumentação, assumida como dialética, crítica, racional e

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disposta por procedimentos circunscritos numa base
dialógica basicamente maquinada na retórica e na razão
comunicativa; dessarte, retórica e dialética são saberes e
atividades complementares, não opostos como Aristóteles
afirmava. Já no período humanista, e.g., no "De inventione
dialectica libri tres" (1479), já há sinais evidentes deste
pensamento; logo, os fundamentos da ideia de
complementaridade entre retórica e dialética deveriam ter
surgido na antiguidade ainda com Boécio, no seu "De
topicis differentiis".
7. O evo causativo do espaço se arrola em diversos modos
de presença e exortação; se elicia, ademais, pelas suas
complexidades e propensões imprevisíveis, em "trajos
imperceptíveis" ao olhar sublunar, em cuja porfia está
localizada a raiz mística de toda a operação cósmica.
Mediante as nossas faculdades extrassensoriais, podemos
notar, sem sombra de dúvida, a abstração fluída e
fortemente potencializa da coisa-em-si, i.e., o númeno pelo
qual é auto-evidente o Alento Universal, em que
incessantemente se designam as influências objetivas ou
subjetivas da Alma Eternal. O sentido no qual as dimensões
se asseguram (i.e., em cognação completa) e são
empreendidas afínicas da conformação auto-existente é, por
geral suposição, mui assertória e expedita no que concerne
à natureza de sua desembocadura tanto nos sublevados
limiares do espírito quanto da matéria. O espírito se
distingue em esporeadas partes de condução do "Isto"
cosmosófico, viz., o agente conjuntivo dos predicados tanto
da realidade mundana quanto da extramundana; por
conseguinte, dever-se-á salientar que, sob a sagácia do
catecismo ocultista, não temos nem um vazio integralmente

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irrestrito ou, mesmo, uma plenitude indubitavelmente
condicionada; se a Alma Eternal não se repelir a nenhuma
destas propriedades, consequentemente, tê-las-á, como de
fato fá-lo.
Delegam-se funções deveras concordes, na alacridade
maior da "vestidura cósmica", indiferenciada do númeno
assiduamente aplicativo na apoteose cósmica, na qual são,
por apodítica demonstração, eriçadas as propriedades
essenciais e apogéticas do co-eterno e sempre coetâneo
espaço, em apósitas condições relativas ao conúbio
perficiente entre matéria e espírito, apossuindo-se o Alento
Universal da consumação propositada do Mahat, ou a
consciência ímpar e insuperável dos Adi Budas. As sutis
raízes ou as fontes invisíveis dos Upadhis, ou veículos
numenais e fenomenais de manifestação, não se apremam
diante de nenhuma baliza física e corpórea, porquanto são
eles mesmos as condições infinitas da Unidade em geral;
portanto, ter-se-á acurada a percepção de que as radiações
da processão do Purna, i.e., a estrutura cósmica
integralmente estipulada, são a cabo desdobradas no
Mulaprakriti, do qual o Akasha deverá desfr