Coleção Fábulas Bíblicas Volume 62

A
FARSA DA
CRONOLOGIA

BÍBLICA
Mitologia e Superstição Judaico-cristã

JL
jairoluis@inbox.lv

Sumário
Introdução .................................................................................. 4
1 - Anacronismos da Cronologia Bíblica de Ussher ............................ 5
2 - Resumo da Cronologia de Ussher: ............................................. 6
1 - A Ignorância de Ussher ...................................................... 7
3 - Detalhes da cronologia de Ussher ............................................ 10
1 - 4004 AEC ...................................................................... 15
2 - 3873 AEC ...................................................................... 17
3 - 3768 AEC ...................................................................... 19
4 - 3678 AEC ...................................................................... 20
5, 6, 7, 8, 9, 10 - 3608 AEC .................................................. 21
11 - 2348 AEC ..................................................................... 21
12 - 2348-2345 AEC ............................................................ 26
13, 14, 15, 16, 17, 18 - 2310-2154 AEC ................................. 32
19, 20 - 2125 - 1920 AEC ..................................................... 33
21, 22 e 23 - 1919 a 1908 AEC .............................................. 33
24, 25, 26, 27 e 28 - 1894 - 1704 AEC ................................... 33
29, 30 - 1489 - 1009 AEC .................................................... 43
31 a 48 - 931-533 AEC ......................................................... 47
49 - 533 AEC ...................................................................... 48
50 - 455 AEC ...................................................................... 49
51 - 33 AEC ........................................................................ 49
52 - 36 AEC ........................................................................ 50
53 - 1996-97 AEC ................................................................ 50
Conclusão ........................................................................... 52
Fontes: .............................................................................. 53
6 - Mais bobagens do Cristianismo >>> ........................................ 54
Mais conteúdo recomendado ................................................. 55
Livros recomendados ............................................................ 56

3

Introdução
A cronologia para as origens do mundo baseada na Bíblia é de
uma infantilidade e ignorância que chega a dar dó das pessoas
que conseguem ser iludidas e enganadas com ela. Em cinco
segundos pesquisando no Google se descobre que quando o deus
bíblico estava criando o mundo, este já estava cheio de nações
organizadas em torno da crença em outros deuses muito mais
antigos, também criadores de tudo. Este fato histórico irrefutável
deixa apenas uma alternativa possível ao deus bíblico: é um
simples plágio de deuses criadores mitológicos mais antigos. Aqui
analisaremos apenas a cronologia de Ussher, a mais aceita e a
única que chegou a ser impressa na Bíblia, em todas as
bíblias calvinistas do século 17.

4

1 - Anacronismos da Cronologia Bíblica de Ussher

A cronologia de Ussher é a mais utilizada pelos criacionistas
fanáticos para explicar quando ocorreram os fatos narrados na
Bíblia. Foi criada pelo arcebispo anglicano James Ussher, que em
16501 publicou “Os Anais do Mundo” tentando explicar quando
começou o mundo ou o Universo. Apesar do homem já ter
descoberto que o mundo ultrapassa os bilhões de anos, essa
maioria de fanáticos prefere seguir negando as evidências e
confiar nas conjecturas de uma pessoa do século XVII, que
desconhecia as descobertas que a arqueologia faria mais tarde,
(entre outras ciências) e que desmentiriam por completo os mitos
infantis deste livro tão estimado para muitos, que é a Bíblia
mitológica cristã.

Note que ainda no século 17 era impensável para qualquer cristão uma interpretação não literal da
Bíblia, sendo considerada a palavra final em todos os assuntos e ciências.
1

5

2 - Resumo da Cronologia de Ussher:
Anos
1656 anos
429 anos

430 anos
480 anos
407 anos
147 anos

490 anos

4039 anos
1962 anos

Periodo
Desde a criação até o
dilúvio
Desde as inundações a
partir de Harã até
Abraão
Desde a saída de
Abraão até o Êxodo
Êxodo até o 4º ano de
Salomão
Do 4º ano de Salomão a
Nabucodonosor
Do 1º ano de
Nabucodonosor até o 7º
de Artaxerxes I
Do 7º ano de
Artaxerxes I até a
conversão de
Cornélio
Desde a criação até a
conversão de Cornélio
Desde a conversão de
Cornélio até o retorno
de Cristo em 1995/7 EC

Anos
0000

Ano
4004 AEC

Evento
Adão foi criado

1657

2347 AEC

Inundações

2085

1919 AEC

Saída de Abraão

2995

1009 AEC

4º ano de Salomão

3401

603 AEC

Nabucodonosor I

3471

533 AEC

7º ano de Artaxerxes
I

4039

33 EC

Cornélio

4543

537 EC

Mesquita de Omar

6000

1997 EC

Retorno de Cristo2

Como comprovaremos, esta cronologia usada pelos criacionistas
“peca” por desconhecimento, pelos erros de cálculo devido aos
conhecimentos de Ussher e está baseada (como toda religião) no
argumento circular de sempre: pressupor que o que é afirmado
na Bíblia é correto e, a partir disso, tentar forçar todo o
conhecimento atual ao contexto bíblico, algo mais que impossível
nos dias atuais.

2

Veja AQUI, AQUI e AQUI porque Cristo não retornou em 1995.

6

1 - A Ignorância de Ussher

1 - Champollion

Ussher desconhecia que posteriormente (século XVIII) se
descobririam os hieeróglifos e que pessoas como Champollion
descifraria o significado desses hieróglifos mostrando, entre
muitas outras cosas, que as datas em que Ussher situava o dilúvio
eram as datas nas quais os reis egípcios estavam construindo as
pirâmides. Além de uma longa lista de linhagens reais initerruptas.
Ou que mais tarde (1835 EC) se descobriria a escrita cuneiforme
(Inscrição de Behistun), continuando com a descoberta de
dezenas de milhares de tabuletas de argila, (Nínive, 1842 EC) que
confirmariam a descoberta anterior, mostrando como era a vida,
a religião e os costumes da Mesopotâmia em torno do ano 3300
AEC. Estas descobertas transformaram a cronologia de Ussher em
uma bobagem sem pé nem cabeça.
7

2 - A Farsa do Êxodo
Ussher desconhecia que o Êxodo não foi um fato real, como conta
a Bíblia. Algo que a arqueologia atual já demonstrou. (Veja mais
nos erros 29 e 30)
3 - A Farsa de Abraão
Ussher situa Abraão no século XXI AEC. Um personagem
anacrônico, levando em conta o uso de camelos como transporte
de uma migração para o Egito, quando sabemos graças ao registro
arqueológico que o camelo não foi usado como animal de carga
até o início do século X AEC; e que este era desconhecido para os
egípcios até depois desta data. (Veja mais nos erros 21 a 24).
4 - A farsa do Retorno de Jesus em 1995
Ussher afirma, baseado em seus cálculos, que outro personagem
mitológico Bíblico, Jesus, regressaria em 1995 EC3. Coisa que não
aconteceu.
Apesar destas mancadas de Ussher, o crente crédulo prefere
continuar aceitando não só as afirmações infantis de alguns
nômades hebreus do primeiro milênio AEC, mas também aceita
as dadas por um religioso no século XVII utilizando os
conhecimentos de sua época, hoje completamente ultrapassados.
Algo compreensível já que sua cronologia foi impressa em
todas as Bíblias calvinistas dessa época. O criacionismo
simplesmente segue o modelo ideológico desse século, quando se
3

Reveja AQUI, AQUI e AQUI porque Cristo não retornará jamais.

8

considerava a Bíblia como um livro de história. Algo que foi pouco
a pouco sendo descartado graças às explicações naturais desde
Copérnico até Darwin, quem deu a patada final nessas crenças
quando publicou “A Origem das Espécies”. Devido a isto desde
então, se converteu no alvo principal a ser atacado, já que pelo
visto, o créculo religioso crê que consegue descartar a evolução
como explicação; e que seu personagem mitológico hebreu será
considerado como única alternativa para explicar a nossa
existência (agora rebatizado por esses religiosos com o nome
pseudocientífico de “design inteligente”)

9

3 - Detalhes da cronologia de Ussher
Para melhor percebermos a quantidade de contradições
inventadas por por Ussher e aceitas pela maioria desses
criacionistas e defensores do desenho de falácias pouco
inteligentes,
analisemos
agora
esta
cronologia
mais
4
detalhadamente . Ussher considera como inicio o ano de 4004
AEC (concretamente 23 de outubro). Por esta razão o final do ano
6000 seria 1997 EC (aprox) já que, assim como expôs Dionísio,
durante o nascimento de Jesus não haveria (nem há) um ano 0.
Ano

Datação

Referência

Fato

Erro

0
131
236
326
396

4004
3873
3768
3678
3608

AEC
AEC
AEC
AEC
AEC

Gen 1:26
Gen 5:3
Gen 5:6
Gen 5:9
Gen 5:12

1
2
3
4
5

461

3543 AEC

Gen 5:15

623

3381 AEC

Gen 5:18

688

3316 AEC

Gen 5:21

875

3129 AEC

Gen 5:25

1057

2947 AEC

Gen 5:28

Adão e Eva são criados
Sete nasce quando Adão tem 131 anos
Enos nasce quando Sete tem 105 anos
Cainã nasce quando Enos tem 90 anos
Maalaleel nasce quando Cainã tem 70
anos
Jarede nasce quando Maalaleel tem 65
anos
Enoque nasce quando Jarede tem 162
anos.
Matusalém nasce quando Enoque tem
65 anos.
Lameque nasce quando Matusalém tem
187 anos.
Noé nasce quando Lameque tem 182
anos.

6
7
8
9
10

Nota: “Ano” faz referência ao ano que começa “a criação”, segundo Ussher. “Datação” é o ano
segundo a datação feita por Dionisio o Exíguo, segundo a qual Jesus nasceu 525 anos antes de propôla (segundo seus cálculos) e que era a usada pelo ocidente, AC (“antes de Cristo”); até ser mudada
para AEC (Antes da era comum) e EC (Era comum). “Referência” é o versículo em que Ussher se
baseia para estabelecer sua datação. “Fato” é o evento ocorrido, segundo esse versículo e que, para
Ussher, é real e aconteceu como narrado na Bíblia. “Erro” é o número da nossa lista de anacronismos,
onde analisamos as evidências que tornam essa datação falsa e cheia de contradições. “Em vermelho”
destacamos os “eventos” mais conhecidos.
4

10

1656

2348 AEC

Gen 7:6

1659
1694

2345 AEC
2310 AEC

Gen 11:10
Gen 11:12

1724
1758

2280 AEC
2246 AEC

Gen 11:14
Gen 11:16

1788

2216 AEC

Gen 11:18

1820

2184 AEC

Gen 11:20

1850

2154 AEC

Gen 11:22

1879
2084

2125 AEC
1920 AEC

Gen 11:24
Gen 11:32

2085

1919 AEC

Gen 12:4

2095

1909 AEC

Gen 15:18

2096

1908 AEC

Gen 16:16

2110

1894 AEC

Gen 21:5

2144

1860 AEC

Gen 23:1

2147
2170

1857 AEC
1834 AEC

Gen 23:1
Gen 25:26

2300
2515

1704 AEC
1489 AEC

Gen 47:9
Gen 15:13

2995

1009 AEC

1 Reis 6:1

3031
3048
3051
3092
3117
3122

973
956
953
912
887
882

AEC
AEC
AEC
AEC
AEC
AEC

3123
3129
3169

881 AEC
875 AEC
835 AEC

1 Reis 11:42
1 Reis 14:21
1 Reis 15:2
1 Reis 15:10
1 Reis 22:42
2 Reis 8:17
2 Reis 8:26
2 Reis 11:3
2 Reis 12:1

Noé tem 600 anos quando ocorre o
dilúvio.
Arfaxade tem 2 anos depois do dilúvio.
Selá nasce quando Arfaxade tem 35
anos.
Éber nasce quando Selá tem 30 anos.
Pelegue nasce quando Éber tem 34
anos.
Reú nasce quando Pelegue tem 30
anos.
Serugue nasce quando Reú tem 32
anos.
Naor nasce quando Serugue tem 30
anos.
Terá nasce quando Naor tem 29 anos.
Terá morre com 205 anos. (Durante o
ano 206 de seu reinado)
Abraão deixa Harã para entrar em
Canaã. (sai aos 75 anos)
Típica confirmação da Aliança: Abraão
tem 85 anos.
Ismael nasce quando Abraão tem 86
anos.
Isaaque nasce quando Abraão tem 100
anos.
Isaque é oferecido em sacrifício
humano com 33 anos e meio.
Sara morre com 127 anos.
Jacé e Esaú nascem quando Isaque
tinha 60 anos.
Jacó entra no Egito com 130 anos.
Veja-se Gal 4:28-30, Israel fica no
Egito 215 anos até o Êxodo.
Salomão coloca as fundações do
templo 480 anos depois do Êxodo. (O
4º ano de seu reinado)
Salomão reina durante 40 anos.
Roboão reina durante 17 anos.
Abias reina durante 3 anos.
Asa reina durante 41 anos.
Jeosafá reina durante 25 anos.
Jeorão reina durante 5 anos (+3 prorex).
Acazia reina durante 1 ano.
Atalia reina durante 6 anos.
Joás reina durante 40 anos.

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33
34
35
36
37
38
39

11

3198
3250
3266
3282
3311
3366
3397
3401

806
754
738
722
693
638
607
603

AEC
AEC
AEC
AEC
AEC
AEC
AEC
AEC

2 Rey 14:2
2 Rey 15:2
2 Rey 15:33
2 Rey 16:2
2 Rey 18:2
2 Rey 21:1
2 Rey 22:1
2 Rey 23:36

3471

533 AEC

Je 25:11-12

3471

533 AEC

2 Cro 36:22

3549

455 AEC

Ezra 7:7-8

4036

33 EC

Dan 9:27

4039

36 EC

Atos 10

6000

1997 EC

Heb 4:1-11

Amazias reina durante 29 anos.
Azarias (Uzias) reina durante 52 anos.
Jotão reina durante 16 anos.
Acaz reina durante 16 anos
Ezequias reina durante 29 anos
Manassés reina durante 55 anos
Josias reina durante 31 anos
Jeoiaquim (Elialim) reina 4 anos antes
de ser tributário de Nabucodonosor em
seu 1º ano
A terra de Israel serviu
à Babilônia durante 70 anos.
O decreto de Ciro permite a volta do
cativeiro.
Artaxerxes Longimanus faz um decreto
para reconstruir Jerusalém
O Messias é eliminado na metade da
70ª semana.
Fim da 70ª semana, conversão de
Cornélio e abertura da porta aos
Gentios
Regresso de Cristo – Fim do 6º dia
(1000 anos) - começo do 7º dia do
resto (1000 anos) ...

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52

53

Deixando de lado o fato de que temos milhões de evidências (em
geologia, palentologia, etc.) de que o mundo possui milhões de
anos e da existencia de civilizações anteriores a que, segundo a
Bíiblia, é a primeira de todas: como os restos arqueológicos de
Atapuerca (que situam os primeiros hominídos há 1,4 milhões
de anos), os das cavernas de Abauntz (onde se mostra um mapa
de 13.700 anos de antiguidade), os restos arqueológicos
encontrados há pouco (2011) no Alaska (que mostram que há
11.500 anos já existiam assentamentos humanos cruzando a
estepe siberiana e adentrando-se no continente americano), os de
Çatal Höyük (de uns 8000 anos de antiguidade e onde existem
mapas de povoados de 10.000 habitantes)… Esqueçamos das
culturas que habitaram a Mesopotâmia em torno de 6000 AEC,
como a Halaf e da qual podemos estudar graças aos restos
12

arqueológicos encontrados a nordeste da Síria pelo arqueólogo
Max von Oppenheim, os quais nos mostram várias divindades
adoradas por esta civilização que deu passagem ao período Obeid.
E esqueçamos também de que temos pessoas escrevendo em
cuneiforme em 5300 AEC (Tabuletas de Tartária, ver imagem),
uns 1296 anos antes “da criação do mundo” segundo a cronologia
bíblica.

Esqueçamos de tudo isto e analisemos data por data as incríveis
incoerências (contradições absurdas) mostradas nesta cornologia
bíblica, ainda usada como correta hoje em dia por esse bando de
fanáticos “criacionistas” (e defensores do “design inteligente”)
aferrados à interpretação literal da mitologia hebraica.
Quem quise saber mais sobre a verdade, pode visitar também o
Museu da Evolução Humana ou informar-se sobre Atapuerca na
13

Wikipédia (a não ser que prefiram ser enganados diretamente
pelos guias criacionistas que realizam “visitas aos museus
biblicamente corretos”) e comprovar todas as evidências de que
dispomos.

Restos arqueológicos do lado nordeste do palácio de Tell Halaf
(6000AEC), Síria. (Foto de Bertramz)

14

1 - 4004 AEC5
Yahvé debe ter se escondido por muito tempo, já que, pelo visto,
os deuses sumérios chegaram bem antes na hora de “criar
civilizações” (ao menos se aceitarmos seus mitos, anteriores aos
hebreus e escritos muitos séculos antes). Porque nesse ano já
existiam povoados na Mesopotâmia e a civilização suméria já
estava bastante expandida; e também já contava com um
crescimento da burguesia desde finais do ano 5000 AEC até o
começo de 4000 AEC. Um dos períodos dessa época foi o período
de Obeid ou Ubaid6. (Especificamente o período Obeid IV), que
durou de 4500 a 3700 AEC. Quando Adão e Eva estavam sendo
“criados” por esse deus bíblico, o resto das civilizações já tinha
florecido e construído edifícios religiosos (templos como o de
Uruk) e fabricado cerâmica como estas abaixo:

Jarra do período tardio de
Obeid IV, 4100 AEC–3700 AEC.
(Museum of Fine Arts, Boston)

5

AEC = Antes da Era Comum

6

O período de Ubaid (c. 6500 a 3 800 a.C.) é um período pré-histórico da Mesopotâmia. O tell (sítio
arqueológico do oriente próximo) (árabe: ‫ )العبيد‬situa-se a oeste de Ur no sul da província iraquiana de
Dhi Qar. Seu nome foi atribuído a uma cultura pré-histórica de cerâmica do período neolítico e da idade
do bronze, que representa a primeira ocupação na planície aluvial da mesopotâmia meridional. A cultura
de Ubaid teve uma longa duração, iniciando-se antes de 5 300 a.C. e encerrando-se com o período de
Uruk, por volta do ano 4 000 a.C. A adoção da roda e o início da era do bronze fazem parte deste
período.

15

Cerâmica procedente do Irã
do periodo de Obeid.

Pode descobrir muito mais informações visitando fisicamente o
Museo Nacional do Irã e outros museus onde se expõem peças
deste museu ou seu website.
Teriam que ter se deslocado muito rápido para chegar ao sudeste
da Europa (as atuales Romênia, Moldávia e Ucrânia) e assentarse ali formando a cultura Cucuteni.

Vasilha de cerâmica datada
entre 4050 e 3900 AEC.

16

2 - 3873 AEC
Deixando de lado o “fato” de que uma pessoa possa dar à luz aos
131 anos, idade quase inalcançável mesmo hoje em dia com as
condições de higiene e alimentares que possuímos, vejamos o que
realmente acontecia nessa época. Enquanto Adão estava se
esforçando para criar seu terceiro filho reconhecido (do resto de
filhos e filhas nada é mencionado), o período de Obeid estava no
fim e começava o período inicial de Uruk. ( Uruk XVI-X) Se
consideramos como verdadeira a afirmação de que Adão e Eva
são os pais da humanidade, Eva pariu em torno a umas 45.000
pessoas, que são as que habitavam essa zona em torno de 3800
AEC; que aprenderam as técnicas de fabricação de cerâmica
praticamente instantaneamente, já que se pode encontrar peças
como o vaso de Susa e uma peça funerária de origem
protosuméria que atualmente se conserva no Museu do Louvre,
Paris.
Muitos tiveram que correr os descendentes de Adão e o próprio
Adão para fundar a aldeia de Susa (Shusa ou Susa) e a de Ur; e
ao mesmo tempo adquirir os conhecimentos de fabricação de
cerâmica necessários para fabricar vasilhas e demais utensílios.
Espontaneamente? Pelo menos é isso que os criacionistas de uma
Terra jovem e os literalistas bíblicos (fundamentalistas),
pretendem nos fazer crer
Fontes a consultar e pesquisar:

http://www.uned.es/geo-1-historia-antiguauniversal/MESOPOTAMIA/PROTOHISTORIA_1.htm

http://www.historiaantigua.es/articulos/uruk/uruk.html
http://marialuisaregalado.suite101.net/uruk-la-ciudad-de-gilgamesh-a48662
http://islamictourism.com/PDFs/Issue%2036/Spanish/62-70.pdf


17

Museu do Louvre, 4200 AEC, Susa, Irã
18

3 - 3768 AEC
Vamos ignorar também do curioso costume que “o povo eleito”
tinha de praticar o incesto e a endogamia, de ter filhos em idades
tão avançadas e dessa fantástica expectativa de vida de centenas
de anos, que os protagonistas possuiam nesta época (quando
mal chegava aos 30 anos) apesar de não terem os
conhecimentos médicos e de higiene que possuímos hoje em dia
(pelo menos nos países chamados desenvolvidos). Quando Enos,
o neto de Adão, nasce:

O periodo de Uruk já havia começado há mais de 30 anos.
O período pré-dinástico egípcio já tinha começado com a
cultura Amratiense (Naqada I).

Coleção de cerâmica do
período Naqada I. (4000 a
3500 AEC)

Paradoxalmente, o calendário de Ussher não coincide com o
calendário hebreu, segundo qual, a criação (Gênesis 1:1)
acontece em 7 de outubro de 3761 AEC (1º do mês de Tishrei
do ano 1), tornando a Bíblia ainda mais contraditória.
19

4 - 3678 AEC
Enquanto Cainã, o bisneto de Adão, nasce segundo a Bíblia, na
Mesopotâmia os povoados de Eridu7 e Uruk já eram cidades
importantes e neles já haviam inventado a roda, que era usada
em veículos puxados por bois, na América já haviam se assentado
os primeiros povoados indígenas e na África já mumificavam os
mortos durante a época Quiani II (“Cultura Chinchorro8, as
múmias artificiais mais antigas do mundo”, de Bernardo T.
Arriaza).

Múmia da cultura
Chinchorro.Entre
7020 e 1500 AEC

Eridu (Abu Shahrein, O Iraque, "Lugar Poderoso" ou "Lugar do Príncipe") foi uma cidade antiga
localizada a 11,2 quilômetros a sudoeste de Ur, hoje conhecida como Tell Abu Shahrain no
Governorado Dhi Qar, no Iraque. Eridu representava a extremidade sul do conglomerado de cidades
que se desenvolveu ao redor de templos na Suméria, país no sul da Mesopotâmia. Eridu foi pensado
para ser criado pelos deuses e foi a casa do deus da água Enki. A cidade de Eridu recebe destaque na
mitologia suméria, não só como a primeira cidade do mundo antigo mas também como a morada dos
deuses. Investigações arqueológicas tomaram lugar na década de 1940, provando que o assentamento
mais antigo da região provavelmente ocorreu por volta de 5.000 a.C.
8
Cultura Chinchorro é o nome dado a um grupo de pescadores que habitaram a costa do deserto do
Atacama entre 7020 e 1500 AEC.
7

20

5, 6, 7, 8, 9, 10 - 3608 AEC
Nada de importante. (Exceto as genealogias com personagens
cuja espectativa de vida é de quase um milênio). Alguns
historiadores (religiosos, óbvio) explicam que tais personagens
representam na realidade os povos aos quais se atribui sua
fundação e são a vaga lembrança que o povo hebreu tinha deles
quando escreveram os textos (o mais antigo datado do século XIX
AEC – O Cântico de Débora).

11 - 2348 AEC
De todas as histórias absurdas que podemos encontrar na Bíblia,
esta é uma das mais defendidas pelos criacionistas fanáticos (da
terra jovem). Segundo eles, neste ano ou próximo a ele (segundo
o website Answersingenesis.com, um grupo creacionista que usa
e abusa de argumentos circulares), um Noé com nada menos de
600 anos de idade enfiou todos os animais do mundo em um barco
de construção caseira para livrá-los de um dilúvio que arrasaria,
segundo a Bíblia, “toda a face da Terra” (Gen. 7:3 – 8:14). Um
dilúvio muito estranho, já que enquanto este ocorria, segundo os
autores do Antigo testamento e Ussher, a V e a VI Dinastias do
Egito estavam transcorrendo com total normalidad e alheias a
esse dilúvio.
Enquanto “acontecia” o dilúvio, Dyedkara Isesi, pertencente à V
Dinastia, (2380 a 2342 AEC) estava reinando e sendo sucedido
por Unis (2342 a 2322 AEC) que foi sucedido por Teti (2322 a
2312 AEC), todos citados nas listas reais de Abidos e Saqqara. As
evidências que temos deles incluem desde objetos cotidianos até
as próprias construções erigidas em seus nomes:
21

Pirâmide de Dyedkara Isesi, Saqqara, que aparece na lista real de
Abidos e na lista real de Saqqara.

Pirâmide de Unis, Saqqara, que aparece na lista real de Abidos e
na lista real de Saqqara.
22

Pirámide de Teti, Saqqara9, que aparece na lista real de Abidos e
na lista real de Saqqara.
Não é incrível? Enquanto acontecia o dilúvio os egípcios estavam
construindo pirâmides. Milagre! Mas a coisa não acaba aí. Não só
os egípcios viviam com total indiferença a esse dilúvio, como os
sumérios faziam o mesmo. Entre os anos 60 e 70 descubriram
mais de 20.000 tabuletas de argila datadas entre 2500 e 2000
AEC.

Sacará ou Sacara (em árabe: ‫ ;سقارة‬transl.: Saqqara) é o nome de um sítio arqueológico do Egito,
que funcionou como necrópole da antiga cidade de Mênfis, uma das várias capitais que o Antigo Egito
conheceu ao longo da sua história. Situa-se a cerca de trinta quilómetros a sul da moderna cidade do
Cairo, apresentando uma área com mais de seis quilómetros de comprimento e um quilómetro e meio
de largura. No local encontram-se estruturas funerárias de um período que se estende desde 3 000 a.C.
até 950 d.C. O nome "Sacará" deriva de Sokar, nome de um deus da mitologia egípcia considerado
como protector da necrópole e que junto com o deus Ptá e o deus Nefertum formava a tríade
(agrupamento de três divindades) de Mênfis. Alternativamente, há também quem procure relacionar
este nome com o de uma tribo que ali viveu no passado, os Beni Sokar.
9

23

Urukagina, governante da cidade-estado de Lagash (aprox.
2380-2360 AEC) foi sucedido por Lugalzagesi, rei de Umma
(aprox. 2.350-2318 AEC). Uma das muitas evidências que
temos disso, entre as 20.000 tabuletas de argila encontradas
em Ebla, é o cone de argila acima, datado de 2350 AEC e escrito
em cuneiforme onde se detalha todas as reformas legais que
Urukagina fez contra os abusos “dos dias de outrora”. Bem ao
contrario das leis do Antigo testamento, este código, o primeiro
conhecido, pregava liberdade e igualdade.

24

Fragmento de inscrição sobre um
cone de argila de Urukagina:“Él
[Uruinimgina] excavou (…) o canal
à cidade de NINA. No inicio,
construido por Eninnu (E-ninnu),
no final, construido por Esiraran”.
Museu do Louvre, também datado
de 2350 AEC.

Excavações da antiga cidade de Ebla (norte da Síria), habitada
desde 3000 a 1600 AEC.
25

O religioso cristão fanático, para admitir tão só a história desse
relato do dilúvio, não basta apenas ignorar o registro geológico,
mas as centenas de milhares de evidências arqueológicas
encontradas e analisadas mediante todos os sistemas de datação.
Mesma história que pode ser encontrada em várias tabuletas
sumérias com diferentes personagens como protagonistas
(Epopeya de Gilgamesh).
Dado curioso: no Gênesis se usa o termo semítico “Elohim”, que
significa deuses ou divindades. Uma referência aos deuses
elohíticos (com o deus EL como chefe) nos quais acreditavam as
tribus de Judá e do norte de Israel antes de converterem esta
palavra em um nome próprio.

12 - 2348-2345 AEC

1 - A Fraude bíblica da Torre de Babel
Segundo a Bíiblia todas as pessoas, que falavam a mesma língua,
partiram do Oriente “acharam um vale na terra de Sinar; e
habitaram ali”. (Gênesis 11:2”), construíram uma cidade de tijolo
queimado (não se explica como descobriram este método de
fabricação) e decidiram edificar uma torre “cujo cume toque nos
céus”. (Gênesis 11:4) O deus bíblico desceu do céu (esquecendo
sua onipresença) e viu o povo unido, falando uma só língua e
trabalhando todos juntos por um objetico comum, não gostou
nada e decidiu “confundí-los” (sacaneá-los). “Por isso se chamou
o seu nome Babel, porquanto ali confundiu o Senhor a língua de
toda a terra, e dali os espalhou o Senhor sobre a face de toda a
26

terra”. (Gênesis 11:9) Entretanto,
arqueológicas sabemos que:

graças

às

descobertas

– Nessa época - e muito antes - já existiam diferentes culturas
com diferentes línguas. No conjunto de línguas afroasiáticas
podemos ver registros da língua semítica que se divide em várias
como a língua acádia (ca. 2500 AEC – 1600 AEC) que, por sua
vez, se divide em diversas variedades de acordo com a geografia
e o período histórico: Acádio antigo (2500 AEC - 1950 AEC),
babilônio antigo/Assírio antigo (1950 AEC - 1530 AEC), babilônio
médio/Assírio médio (1530 AEC - 1000 AEC), Neo-babilônio/Neoassírio (1000 AEC - 600 AEC) e babilônio tardio (600 AEC - 100
EC); a língua eblaíta10 (ca. 2400 AEC), considerada como a mais
antiga língua semítica com registo escrito; ou a egípcia, que
podemos dividir em Egípcio arcaico (antes de 2600 AEC) e Egício
antigo (2600 - 2000 AEC). Isto, referente apenas às línguas
registradas que se conhece. Evidentemente a linguagem apareceu
muito antes e começou a se dividir quando o ser humano se
expandiu criando aldeias isoladas pelo mundo todo; e graças à
necessidade de criar novas palavras para definir objetos e
comportamentos.
- Que o nome original não era Babel, mas Ká.dingir. Assim era
chamada nos textos sumérios e seu significado era “Porta dos
deuses”. Termo que foi traduzido pelos acádios como a Bãb-ilim,
que mais tarde evoluiu em seus dialetos assírios e babilônios
(Bab-ilu e Bab-ilani) durante a dinastia kashshû11 (1531-1155
A língua, estreitamente ligada com a língua acádia, é conhecida pela existência de umas 17.000
tabuletas em escrita cuneiforme, que foram encontradas entre 1974 e 1976 nas ruínas da cidade de
Ebla (Tell Mardikh). As tabuletas foram traduzidas inicialmente por Giovanni Pettinato.
11
Os cassitas (Kashshû) foram uma tribo do Antigo Oriente que controlou a Babilónia após a queda do
Império Paleobabilônico cerca de 1 531 a.C. O reinado dos cassitas durou até 1 155 a.C., quando foram
derrotados pelos elamitas. Sua linguagem é classificada como isolada.
10

27

AEC); dos quais deriva “Babel”, por esta razão dificilmente se
pode denominar como Babilônia antes desse período.
– O relato afirma que durante esse tempo Babel construiu a torre.
Essa torre foi identificada como um zigurate. Embora na Babilônia
tivesse existido um zigurate, o mais antigo (Tappeh Sialk), do qual
parece que os autores do Antigo testamento não tinham
conhecimento, não foi construido durante esse período, mas uns
600 anos antes (2900AEC), contendo restos arqueológicos que
foram datados pela Organização do Patrimônio Cultural do Irã, o
Louvre e o Instituto Francês de Investigação no Irã entre 5500 e
6000 AEC. Este, obviamente, não estava na Babilônia, mas em
Kashán (Irã).

Tappeh Sialk

Reconstituição do Etemenanki
desenhada por Robert Koldewey em
1919

O situado na Babilônia, Etemenanki (Templo da criação do céu e
da terra) não foi construído por ninguém que sequer soubesse da
existência do Yahvé hebreu, como querem dar a entender os
monoteístas, mas era dedicado a um de seus deuses: Marduque12.
Não confundir o Marduk do Enuma Elish com Marduk filho de EA/ENKI. O Marduk do Enuma Elish é o
mesmo Demiurgo Criador, o outro, um deus filho de outro deus e que recebeu o nome em homenagem
ao Demiurgo.
12

28

Esta “torre”, apesar do que a Bíblia diz, que foi deixada pela
metade, foi construída em sua totalidade chegando a ter 7 pisos
e, segundo o Enuma Elish13, uns 90 metros de altura com um
templo no alto. (Possivelmente daí tenha surgido o nome que a
cidade possuía).
- Embora a Bíblia mencione que a Babilonia (Babel) começou
sendo uma cidade na qual a torre (zigurat) foi contruída, sabemos
graças às escavações arqueológicas que esta:


Era uma cidade provinciana somente até os tempos de
Nabucodonosor II (605-562 AEC),
Que não pode ter sido fundada antes de 2270 AEC, (depois
das invasões dos bárbaros procedentes das montanhas;
Ou mais cedo por Sargão da Acádia) sendo convertida na
capital dos amorreus em 1900 AEC graças à conquista
desse território, até que com o reinado de Hammurabi
(sexto rei da dinastia amorreia) se converteu em uma
cidade importante (c 1700 AEC).
Que os autores do Antigo testamento citam Babilônia (a
cidade) como uma cidade mais importante que Nínive,
mencionada únicamente no livro de Jonas (3:3) (Ora,
Nínive era uma cidade muito grande, de três dias de

O Enûma Eliš é o mito de criação babilônico. Foi descoberto por Austen Henry Layard em 1849 (em
forma fragmentada) nas ruínas da Biblioteca de Assurbanípal em Nínive (Mossul, Iraque), e publicado
por George Smith em 1876.O Enûma Eliš tem cerca de mil linhas escritas em babilônico antigo sobre
sete tábuas de argila, cada uma com cerca de 115 a 170 linhas de texto. A maior parte do Tablete V
nunca foi recuperado, mas com exceção desta lacuna o texto está quase completo. Uma cópia duplicada
do Tablete V foi encontrada em Sultantepe, antiga Huzirina, localizada perto da moderna cidade de
Şanlıurfa na Turquia. Este épico é uma das fontes mais importantes para a compreensão da cosmovisão
babilônica, centrada na supremacia de Marduque e da criação da humanidade para o serviço dos deuses.
Seu principal propósito original, no entanto, não é uma exposição de teologia ou teogonia, mas a
elevação de Marduque, o deus chefe da Babilônia, acima de outros deuses da Mesopotâmia.
13

29

caminho.) Demonstrando que esses autores possivelmente
escreveram os textos durante esse período (século VII AEC
em vez de século XXIII AEC)
- Na primeira citação da Bíblia sobre Ninive se afirma que Cuxe
engendrou a Ninrode, que este era um poderoso caçador diante
da face do Senhor; por isso se diz: Como Ninrode, poderoso
caçador diante do Senhor. Gênesis 10:8,9. E que “o princípio do
seu reino foi Babel, Ereque, Acade e Calné, na terra de Sinar.
Desta mesma terra saiu à Assíria e edificou a Nínive, Reobote-Ir,
Calá, Gênesis 10:10,11. Entretanto, como já mostramos, Babel
(cidade de Babilônia) não foi capital de nenhum império até 1900
AEC e o foi desde então até sua conquista e queda em c.625 AEC.
Possuimos além da história registrada pelas mãos dos próprios
sumérios em dezenas de milhares de tabuletas de argila, todo o
resto de objetos e cidades encontradas nos jazimentos
arqueológicos, onde não só NÃO se confirma o dito pela Bíblia,
mas nos contam uma história totalmente diferente (muitas dessas
tabuletas foram encontradas na própria Nínive, na biblioteca de
Ashurbanipal14):
1. Assur já existia há pelo menos uns 400 anos, traduzida ao
grego como Assíria, foi fundada por colonos sumérios por
volta de 2700 AEC, algo mais coerente levando em conta
as invasões que este povo realizou posteriormente até
converter-se em um império.

A Biblioteca de Nínive, também conhecida como Biblioteca de Assurbanípal, é uma coleção de
milhares de placas em argila contendo textos em escrita cuneiforme sobre vários assuntos, a partir do
7º século AEC. Dentro desse acervo está a famosa Epopeia de Gilgamesh e fragmentos do Enuma Elish.
Tal biblioteca é considerada a primeira da história, foi encontrada no século XIX por arqueólogos ingleses
e se acredita ter sido fundada pelo rei assírio Assurbanípal II (século VII a. C.).
14

30

2. Calá, citada nestes versículos, foi fundada sob o reinado de
Salmanasar I no século XII AEC (não no XXIV AEC como diz
a bíblia), que também fundou Nimrud.
3. A única relação de Nínive com um nome similar foi com
Nimrud, conhecida como Kalkhu pelos assírios, e como
Calah ou Kalakh (Calá ou Calaj) na Bíblia. O que demonstra
que esta, assim como Assur (Assíria), tampouco foi fundada
por nenhum rei chamado Nemrod e muito menos um
anterior ao século XII AEC.
2 - Desculpas cristãs furadas
Alguns autores como Asimov explicam que Gen. 10:10-11 são um
resumo da história desses territórios, onde o autor colocou um
único personagem, Nemrod, para representar todos os
governantes do império que existiu entre 2300 e 1200 AEC.
Segundo Asimov “os versículos 10:8-12 são um breve resumo de
2500 anos de história da região do Tigre-Eufrates, desde o período
das cidades-estado sumérias, passando pelos impérios acádio e
amorreu, até chegar ao império assírio”. O relato mescla as
histórias de “Lugal Zaggisi, de Sargão da Acádia, de Hammurabi
e de Salmanasar I (e talvez até de Gilgamesh), para fazer com
que apenas essa pessoa reflita a grandeza dos sumérios, acádios,
amorreus e assírios. ” (Guia da Bíblia: Antigo testamento, pag 24),
não é uma história que possa ser interpretada literalmente como
verídica, mas formando parte da memória de um autor de uma
época posterior sobre uma história contada mediante uma
tradição oral.
Óbvio que diante de tais contradições nada pode ser
interpretado como literal ou verdadeiro na Bíblia,
31

principalmente depois da descoberta das tabuletas assírias
com as histórias originais. Sem dúvida, uma ótima desculpa
para dizer que a Bíblia só fala merdas contraditórias e
escritas muitos séculos depois dos fatos históricos.

13, 14, 15, 16, 17, 18 - 2310-2154 AEC
Nada importante neste período, exceto um erro gigante da Bíblia
em Gênesis 11:10-22, que relata nessa genealogia personagens
vivendo uma média de 500 anos (quando a espectativa de vida
na época mal chegava aos 30 anos), apesar de Yahvé ter
decretado em Gênesis 6:3 que “sua vida será de 120 anos”. Isto
é explicável dentro da hipótese documental, aceita pela maioria
dos eruditos, onde foi demonstrado que os livros como Gênesis
não foram escritos por um só autor, mas montados com várias
fontes anônimas diferentes chamadas J, E, S e D; e unidas por
um redator (R) que compôs a estrutura atual do Tanak
(eliminando os acréscimos posteriores, como ficou demonstrado
graças ao descobrimento (em 1945) dos manuscritos de Nag
Hammadi onde não aparecem essas interpolações). A outra
explicação, uma explicação mágica dada por alguns religiosos,
é que “Deus abriu uma exceção para essas pessoas”. Isto,
obviamente, não se sustenta racionalmente e muito menos nos
textos, onde não existe tal explicação em nenhum dos relatos.
2144-2147 AEC
Nada importante exceto quando se cita que o Faraó dá a Abraão
e Sara pela chantagem, entre outras coisas, camelos, que não
existiam na época no Egito. (Veja mais adiante)
32

19, 20 - 2125 - 1920 AEC

Em Gênesis 11:28 lemos que Harã, o irmão de Abraão (como era
chamado então) morreu em sua terra natal, chamada “Ur dos
caldeus”. (E morreu Harã estando seu pai Terá ainda vivo, na terra
do seu nascimento, em Ur dos caldeus. Gênesis 11:28) Ur, situada
no que hoje é o Iraque, foi uma antiga cidade, a capital da
Suméria. Mas o Império Caldeu só existiu durante um período
relativamente breve, ao redor de 626 a 539 AEC. Ou seja, não
existiram caldeus até finais dos séculos VII e VI AEC.
Gênesis 11:28 diz que Abraão e seu pai Terá (nasceu em
2125) ainda estavam vivos no século 7AEC, no tempo dos
caldeus (626 a 539 AEC).

21, 22 e 23 - 1919 a 1908 AEC
Nada de importante neste período.

24, 25, 26, 27 e 28 - 1894 - 1704 AEC

1 - Os camelos que destruíram a Bíblia
Os camelos são mencionados como animais de carga nas histórias
bíblicas de Abraão e outros. Os arqueólogos já mostraram que os
camelos não foram domesticados na região histórica de Israel até
séculos depois da hipotética Era dos Patriarcas (2000 a 1500 AEC.
33

Patriarcas dos quais não há nenhum registro histórico, segundo o
arqueólogo israelense Israel Finkelstein). Além de questionar a
veracidade histórica da Bíblia, este anacronismo é prova direta de
que o texto foi preparado bem depois dos acontecimentos que
descreve.
Agora, Erez Ben-Yosef e Lidar Sapir-Hen do Departamento de
Arqueologia e Culturas do Oriente Próximo na Universidade de Tel
Aviv, Israel, usaram a datação por radiocarbono para determinar
o momento em que chegaram os primeiros camelos domesticados
à região sul do Oriente Próximo, fazendo a estimativa retroceder
do século XII para IX AEC. Os resultados acentuam ainda mais
as discrepâncias entre os textos bíblicos e a história
verificável, e também permitem vislumbrar que essa introdução
dos camelos coincidiu com uma época de mudanças históricas
importantes na região e contribuiu para marcar um antes e um
depois. A introdução do camelo nesta região foi um avanço
econômico e social muito importante. Analizando as evidências
arqueológicas presentes nos lugares onde se produzia cobre no
Vale de Aravá, os investigadores conseguiram estabelecer a data
dessa introdução com uma precisão da ordem de décadas em
vez de séculos.
Os arqueólogos estabeleceram que, provavelmente, camelos
foram domesticados na Península Arábica para serem usados
como animais de carga no final do segundo milênio AC. Na parte
sul do Oriente Médio, onde se encontra Israel, os ossos mais
antigos conhecidos de camelos domesticados vêm do Vale do
Aravá, que se extende ao longo da fronteira entre Israel e
Jordânia, desde o Mar Morto até o Mar vermelho e que foi um
antigo centro de produção de cobre.
34

A chegada de camelos domesticados ao Vale do Aravá parece
coincidir com mudanças drásticas na mineração local do cobre.
Eles fecharam muitas minas e fundições, e aqueles que se
mantiveram ativos começaram a usar a mão d eobra mais
centralizada e tecnologia sofisticado, como indicam as evidências
arqueológicas. Os investigadores acreditam que os antigos
egípcios poderia imposto essas mudanças (e ter trazidos camelos
domesticados) depois de terem conquistado a região em uma
campanha militar mencionada tanto em fontes bíblicas como do
Antigo Egito.
A chegada dos camelos domesticados estimulou o comércio entre
Israel e lugares distantes e exóticos que antes eram de difícil
acesso; os camelos podem percorrer distâncias muito maiores que
os burros e mulas que eram usados antes. No século VII AC,
existiam rotas de comercio, como a Rota do Incenso, que ian da
África à Índia através de Israel. Os camelos abriram Israel para o
mundo através dos vastos desertos, alterando profundamente sua
história econômica e social. (Erez Ben-Yosef e Lidar Sapir-Hen da
Universidade de Tel Aviv)
2 - A Bíblia não sabia de nada
A Bíblia hebraica contém pelo menos 53 referências aos camelos
(mais de 20 em Gênesis), que se extendem desde as histórias dos
patriarcas às viagens de Esdras e Neemias à Jerusalém desde a
Babilônia no começo do período persa, em torno de 538 AEC. Em
Gênesis 12:16 (E fez bem a Abrão por amor dela; e ele teve
ovelhas, vacas, jumentos, servos e servas, jumentas e camelos.),
se relata que a causa da pilantragem provocado pela mentira de
Abraão ao prostituir sua mulher para posteriormente fazer uma
35

chantagem ao Faraó, se afirma que este faz a entrega de “ovejas,
vacas, jumentos, servos e servas15, jumentas e camelos”. Esta
é a primeira referência que há sobre eles. Os camelos também
são mencionados a respeito de Isaque, Jacó e José. (Veja-se, por
exemplo, Gênesis 24:61-64, 31:17, 34, 37:25). Deixando de lado
o fato que certos personagens deste relato vivam mais de 120
anos com total normalidade e que Sara pariu Isaque com 90 anos
de idade, partindo unicamente das evidencias históricas, não
existem escritos, figuras ou pinturas em cerâmica de
camelos antes de 1000 AEC. (Megido) A história do camelo,
acaba por ser bastante incomum, complexa não muito bem
detalhada ou compreendida. Os antepassados dos camelos de
hoje em dia, aquilo que entendemos como dromedário ou camelo
de apenas uma corcova (Camelus dromedarius), teve origem na
América do Norte e, em depois, há uns dois milhões de anos, no
final do Plioceno (durante a Era glacial) viajou em massa para o
norte e oeste continente asiático, em última análise, para chegar
a Mesopotâmia e até o que hoje é o deserto do Saara. Apesar de
evidências da presença esporádica de camelos na Síria e na região
do Mar Morto ao longo de centenas de milhares de anos atrás, o
Prof. Juris Zariņš (Southwest Missouri University) explica que os
camelos selvagens "parecem ter desaparecido ou ter sido
expulsos de seu habitat natural na parte mais inóspita da
península Arábica ", por volta de 3000 AC, no início da Idade do
Bronze. (Veja Zarins, "Camel"-Doubleday Anchor Bible Dictionary,
1992, I, 824.)

As revisões e traduções cristãs são muito distorcidas. Nos textos primitivos o termo não é servo, mas
escravo.
15

36

Metropolitan Museum of Art, em Nova York
(53.117.1). A figura é uma pequena estatueta de
liga de cobre de um camelo bactriano equipado com
o que parece ser um certo tipo de arreio. O artefato
é datado entre o fim do terceiro e início do segundo
milênio AEC, procedente de Bactria-Margiana.
(camelo
Bactriano
con
un
arreio,
Museo
Metropolitano de Arte.)

No Baixo Egito, Petrie encontrou uma estatueta de dromedário
que parece estar levando duas jarras de água. Baseando-se na
procedência e no estilo da cerâmica e das vasilhas de água, Petrie
concluiu que o artefato foi feito na dinastia XIX, datada entre
1292-1190 AEC.
Com base na existência dos tarros e das estatuetas con forma de
camelos várias pessoas proporam uma ampla gama de datas para
a domesticação do camelo, inclusive antes de 2000 AEC. Os
antigos registros egípcios do Vale do Nilo, entretanto, enquanto
mostram uma ampla coleção de animais selvagens, incluídos
todos os grandes mamíferos, não contêm nenhuma palavra para
o camelo. Por outro lado, existe uma brecha de mil anos, entre
aproximadamente 2180 e 1170 AEC nas representações de
camelos em cerâmica.
Petróglifo de um homem que leva um
dromedario, Ripinsky 1985.

Petróglifo de um homem que leva um
dromedario, Younker 1997.

37

Petróglifo (acima/esq) de camelos no Egito provêm de uma rocha
talhada próxima de Assuã e Gezireh nol Alto Egito. Esta escultura
representa um homem que leva um dromedário com uma corda e
com 7 caracteres hieráticos à ezquerda do homem. A escultura foi
datada na VIª Dinastia do Egito, 2345-2181 AEC, com base na
inscrição, no estilo e na pátina.
Petróglifos (acima/dir) que representam camelos domesticados
foram descobertos junto a inscrições Proto-Sinaiticas em uma
rocha no Wadi Nasib. À direita das inscrições mencionadas, as
quais não fazem referência alguma ao desenho, estão dois
petróglifos de animais diferentes (camelos) representados em pé
no estilo caravana através da rocha para a direita (leste). Embora
o primeiro camelo esteja parcialmente desfigurado, o camelo
detrás é diferente e facilmente identificável como um dromedário.
Junto a estas inscrições há uma inscrição hieroglífica egípcia que
se traduz como “Ano 20 sob a majestade do rei do Alto e do Baix
Egito Nema’re ‘, filho de Ra’ Ammenemes, vivendo como Re
“eternamente”.
Usando como referência Ammenemes I, um governante da XIIª
dinastia (1991 AC a 1962 AC16) e as inscripções Proto-Sinaiticas
do século 15 AC, sem nenhuma evidência atual de atividade na
área além de 1600 AC, os petróglifos de camelos poderiam ser
datados em algum momento entre estas datas.
O professor Richard Bulliet (Columbia University) diz que
“historicamente, as primeiras indicações explícitas do uso de
camelos no noreste da África remontam aos séculos VI e
A margem de erro das dinastias é dentro de um século mais ou menos por volta de 3000 AC e dentro
de duas décadas por volta de 1300 AC. As datas são precisas a partir de 664 AC. (WILKINSON, 2010,
p.09)
16

38

VII antes de Cristo e estão relacionadas com as invasões asirias
e persas do Egito através da península do Sinai. ” (Veja Bulliet, O
camelo e a Roda; Columbia 1990, pág. 116; de acordo com Saber,
acima, na pág. 209). Além disso, o maior registro de ossários de
camelos os situa nessa época. Os arqueólogos Israel Finkelstein e
Neil Asher Silberman concordam que os textos assírios do
século VII AEC são os primeiros a citar as caravanas
comerciais de camelos em Canaã e que as excavações
arqueológicas revelaram um aumento notável nos ossos de
camelos descobertos a partir desse período. (Veja Finkelstein e
Silberman) Portato, embora os camelos possam ter sido
domesticados, significando que poderiam ter sido usados como
uma fonte de leite e carne no segundo milênio AC em outros
lugares como a Pérsia (atual Irã), parece não haver indícios sérios
descobertos até o momento indicando que os camelos foram
domesticados no Egito, antes de 800 AC. A história de Rebeca
montando um camelo (Gênesis 24:61-64), das caravanas de
camelos para o Egito (Gênesis 37:25), dos camelos como parte
da criação de gado do Faraó (Êxodo 9:3) parecem ser totalmente
inventadas.

Gênesis 24:61-64
E Rebeca se levantou com as suas moças, e subiram sobre os
camelos, e seguiram o homem; e tomou aquele servo a Rebeca, e
partiu. Ora, Isaque vinha de onde se vem do poço de Beer-Laai-Rói;
porque habitava na terra do sul. E Isaque saíra a orar no campo, à
tarde; e levantou os seus olhos, e olhou, e eis que os camelos
vinham. Rebeca também levantou seus olhos, e viu a Isaque, e
desceu do camelo.
Gênesis 37:25

39

Depois assentaram-se a comer pão; e levantaram os seus olhos, e
olharam, e eis que uma companhia de ismaelitas vinha de
Gileade; e seus camelos traziam especiarias e bálsamo e mirra, e
iam levá-los ao Egito.
Êxodo 9:3
Eis que a mão do Senhor será sobre teu gado, que está no campo,
sobre os cavalos, sobre os jumentos, sobre os camelos, sobre os
bois, e sobre as ovelhas, com pestilência gravíssima.

3 - Estranha curiosidade
O irônico é que os mesmos que se apoiam em citar restos
arqueológicos do Egito e mesopotâmia anteriores ao século XXIV
AC para dotar de antiguidade a domesticação do camelo,
(principalmente alguns biblistas, teólogos e criacionistas, os
apologistas em geral) se esquecem que, também segundo eles,
nessa época estava acontecendo um dilúvio e estes povos
e os camelos ainda nem deviam existir. (Segundo a Bíblia
todos esses povos são descendentes de Sem, Cam e Jafet).
Outras evidências, como as migrações assírias durante o século
XIX AEC, as quais NÃO se dirigiam, como dá a entender a Bíblia,
de leste a oeste, mas de oeste a leste. Transformando o relato de
Abraão partindo de Ur a Canaã em algo contraditório. Entre 1813
e 1780 AEC, a Assíria atingiu a categoria de império sob a mão do
rei Shamshiadad I até este ser derrotado por Hamurabi
(Babilônia).
Relacionado com esta estranha curiosidade notamos a seguinte
contradição: Segundo a Bíblia, da descendência de Cão (filho de
40

Noé) surgiram os povos de Canaã, Mizraín (Egito), Cús (cushitas,
cusitas ou casitas) e Fut. Entretanto, esses povos já existiam
milhares de anos antes, inclusive antes do dilúvio do Gênesis.
Excavações arqueológicas em Ugarit (Canaã), por exemplo,
demonstram a existência desta já em torno de 3000 AEC.

4 - (27 - 1834 AEC)
Em Gênesis 26:1 lemos que em um dado momento, quando a
fome o obrigou a mover-se, Isaque se dirigiu ao rei dos
filisteus. A história parece perfeitamente razoável até que
alguém descobre que os filisteus, como parte da migração dos
“povos do mar” (Assim chamados pelo faraó Merenptah – Grande
inscrição
de
Karnak),
não
chegaram
a
Canaã
até
aproximadamente 1200 AEC, atacando o Egito durante as
dinastias XIX e XX, séculos depois que o Isaque bíblico tinha
morrido.
Gênesis 26:1
E havia fome na terra, além da primeira fome, que foi nos dias de
Abraão; por isso foi Isaque a Abimeleque, rei dos filisteus, em
Gerar.

5 - (28 - 1704 AEC)
Em Gênesis 47:1-11 podemos ler como José apresenta seu pai e
seus irmãos diante de um faraó sem nome. Os irmãos solicitam
permissão para permanecer na zona do delta do Nilo conhecida
como Gósen. O Faraó concede seu desejo e permite à família
instalar-se “na melhor parte da terra”, na “região de Gósen.” A
41

história conclui dizendo que José fez habitar a seu pai e irmãos
“no melhor da terra, na terra de Ramessés” (Gênesis 47:4 e 11).
Gênesis 47:11
E José fez habitar a seu pai e seus irmãos e deu-lhes possessão na
terra do Egito, no melhor da terra, na terra de Ramessés, como Faraó
ordenara.
Gênesis 47:4
Disseram mais a Faraó: Viemos para peregrinar nesta terra; porque
não há pasto para as ovelhas de teus servos, porquanto a fome é
grave na terra de Canaã; agora, pois, rogamos-te que teus servos
habitem na terra de Gósen17.

Os problemas aqui são dois
Em primeiro lugar, o reinado de Ramsés o Grande18 não começou
antes de 1279 AEC e durou até 1213 AEC. Portanto, essa terra em
questão não pode ter sido citada por Ramsés antes do século XIII
AEC ou posteriormente. Em segundo lugar, o nome Gosén parece
estar relacionado com uma tribo árabe cujo dominio da região não
ocorreu antes do século VI ou V AEC. (Veja Finkelstein y
Silberman, La Biblia desenterrada (Free Press 2001), 67.)
Em resumo, José viveu no século 18 AEC, falou com Ramsés
no século 13 AEC e recebeu a terra de Gósen que existiu
entre 7 e 4 AEC.

A Terra de Gosén (em hebraico: ‫ )ארץ גושן‬é chamada na Bíblia como o lugar no Egito dado aos
hebreus pelo faraó de José, e a terra de onde mais tarde deixou o Egito na época do Êxodo. Foi localizado
no Delta oriental, bem como o nome ajuda a colocar a data da história, no período de 7 a 4 AC, o
período em que o nome estava em uso.
18
Houve 11 Ramsés no reino do Egito, mas apenas ele foi chamado de Ramsés, o Grande.
17

42

29, 30 - 1489 - 1009 AEC
No capítulo 28 do Êxodo (em torno de 1274 AEC segundo a
cronologia de Ussher) o texto da Torá descreve detalhadamente
as vestimentas que devem ser confeccionadas e usadas por Aarão
e seus filhos em sua condição de sacerdotes. Após o manto, a
túnica, o cinto, a tiara e outros ítens. O versículo 42 descreve:

Êxodo 28:42
Far-lhe-ás também calções (cuecas)
de linho, para cobrirem as suas
partes; estender-se-ão desde os
rins até as coxas.

Essas calças, cuecas ou roupa interior deviam, segundo o relato,
ser usadas pelos sacerdotes para entrar no tabernáculo da reunião
ou para se aproximar do altar. Entretanto, como o biblista David
S. Sperling demonstrou, as calças foram inventadas pelos persas
em torno do século VI AEC. Mais tarde, durante as conquistas,
exportaram para outras culturas como a frigia e a grega, que não
costumavam usá-las, chegando a zombar daqueles que as
possuíam (Epistulae ex Ponto, Ovidio). Essa ordem sacerdotal de
Êx. 28:42 não pode, potanto, ter sido escrita antes do século VII
AEC. Com toda certeza, não durante qualquer período entre os
séculos XIV e XIII AEC. (Veja Sperling, La Torá original – NYU
Press 1998, pag. 116.)
43

1 - A bobagem infantil do Êxodo

Segundo a cronologia bíblica o Êxodo
ocorreu em 1489 AEC. Alguns
historiadores tentan situá-lo durante o
reinado de Ramsés II, considerado
como o Faraó do relato de Moisés.
Israel é mencionado unicamente em
uma estela escrita durante o reinado
do
13º
filho
de
Ramsés
II,
Merenptah19 (1213 a 1203 AEC).

Foi o 13° filho do faraó Ramsés II e de uma das suas esposas, a rainha Isitnefert. Tornou-se rei
devido à morte prematura dos seus irmãos primogênitos, que deveriam suceder o pai; tinha já sessenta
anos quando ascendeu ao trono. No quinto ano do seu reinado os Povos do Mar, vindos da Anatólia,
invadiram a Líbia. Este povo foi responsável por ali introduzir as armas de bronze; junto com os Líbios,
os Povos do Mar pretendiam invadir o Egipto. Os Povos do Mar e os Líbios procuraram também incitar
a revolta dos Líbios do Sul e dos Núbios contra a dominação do Egipto. Meremptá não só abortou esta
revolta, como também derrotou os Líbios e os Povos do Mar numa batalha que ocorreu na região
ocidental do Delta do Nilo. No acto de generosidade, o faraó forneceu cereais aos Hititas (antigos
inimigos do Egipto) durante um período de fome motivado por mudanças climáticas na área do
Mediterrâneo. Realizou também campanhas militares na Palestina contra as cidades de Ascalão, Gezer
e Yenoham, com o objectivo de manter a dominação egípcia sobre aquele território. Uma estela no seu
templo funerário, que descreve as suas vitórias sobre os Líbios e as cidades da Palestina, faz referência
ao nome "Israel", naquela que é a mais antiga menção não bíblica a este nome (que deve ser entendido
em referência a uma tribo e não a um país). Em parte por causa disto divulgou-se a ideia de que
Merneptá seria o "faraó do Êxodo", mas nada sustenta esta teoria. De resto, não existem provas
arqueológicas ou históricas que sustentem a história do Êxodo ou a ideia da escravatura de
um povo semita no Egipto.
19

44

Segundo a Bíblia, após a saída do Egito (algo que teria causado a
queda desse império *) o povo de Moisés, Aarão e Josué realizou
uma série de campanhas militares e conquistas (entre 1489 e
1009 AEC). Isto teria sido algo bastante complicado levando em
conta o império egipcio. Como demonstram os restos
arqueológicos, tinha postos de controle que iam desde o Egito até
Canaã. A Estela de Merneptá (Estela de Israel), encontrada em
1896 por Flinders Petrie confirma a conquista de Canaã pelas
mãos de Meneptá durante o século XIII AEC (c 1210 AEC).
Anterior a seu reinado (entre 1213 e 1203 AEC) reinou Ramses II
(1279 a 1213 AEC), sucessor de Sethi I (1294 a 1279 AEC), que
por sua vez foi sucessor de Ramses I (1295 a 1294 AEC).
2 - Onde estaba e o que era Israel nessa época?
Uma pista podemos encontrar na própia estela, que utiliza um
gentílicio para referir-se a Israel (ysyriar), o qual significa que
para Egito Israel não era sequer um país. Esta estela é a única
menção a Israel que existe, junto com as menções que tanto
o Egito como os sumérios fizeram dos “habiru”20. Em torno de
1440 AEC o general Toth do faraó Thutmose III (c. 1479 a 1425
AEC), se refere aos habiru como bandidos. O flho de Thurmose
III, Amenhotep II (c. 1427 a 1401 AEC) menciona ter capturado
Habiru, ou Apiru, foi o nome dado por várias fontes Sumérias, Egípcias, Acádias, Hititas e Ugaríticas
(datadas aproximadamente de antes de 2000 A.C. a cerca de 1200 A.C.) a grupos de pessoas que
viveram como invasores nômades em áreas da região nordeste do Crescente Fértil da Mesopotâmia e
do Irã até á fronteira do Egito em Canaã. Dependendo da fonte e época, estes Habirus são descritos
como nômades ou semi-nômades, rebeldes, bandidos, salteadores, mercenários e arqueiros, servos,
escravos, trabalhadores migrantes.. Carol Redmount que escreveu Bitter Lives: Israel in and out of
Egypt, em The Oxford History of the Biblical World concluiu que o termo "Habiru" não teria nenhuma
afiliação étnica comum, que não falam uma língua comum, e que geralmente tinham uma existência
marginal e às vezes ilegal nas margens da sociedade. Ela define os vários Apiru/Habiru como uma
"classe social mais baixa, mal definida, composta por elementos de mudança e a pessoas sem vínculos
seguros para as comunidades assentadas" em que se refere como "foras da lei, mercenários e escravos"
nos textos antigos. Nesse sentido, alguns cientistas modernos consideram que os Habirus são mais uma
designação social que étnica ou tribal.
20

45

3600 hapiru (estela de Menfis e estela de Karnak). Seti I se refere
a eles de novo como um povo nômade de bandidos. Por volta de
2150 AEC os sumérios já os consideravam como “gente
esfarrapada, que viaja entre um silêncio mortal, que destroi todo,
cujos homens vão onde querem — montam suas tendas e
acampamentos — passam seu tempo no campo sem observar os
decretos de meu rei”. Sumérios e Hititas já se referiam a eles
como SA.GAZ (salteadores) desde o século XIX ao XIV AEC. E para
confirmar ainda mais tudo isso existem as Cartas de Amarna21,
correspondêcia escrita em tabuletas de argila (379 delas) que o
Egito mantinha em seu imperio, que incluía Canaã, Amurru,
Mittani e Babilônia por volta de 1350 AEC.

Uma fuga de 600.000 guerreiros, como narra a Bíblia, junto
com suas famílias (mulheres, idosos e crianças) significaria
a saída de 2 milhões de pessoas. O colapso econômico e
político de tal migração, “embora não registra por orgulho”
(desculpa furada dados pelos religiosos), teria refletido no
resto dos escritos que o Egito fazia ou no resto das
construções. Este colapso teria também impedido as
conquistas posteriores e os enfrentamentos com o império
assírio,
com
quem
o
Egito
também
mantinha
correspondência.

3 - Mais cidades inexistentes
Outra contradição importante é a situação dos hebreus
construindo Pithon e Ramesés nesta data (Êxodo. 1:11).
As Cartas de Tell Amarna é a designação dada a um conjunto de tabuinhas em escrita cuneiforme
encontradas em Amarna, uma das várias capitais do Antigo Egito, que faziam parte do arquivo de
correspondência do Egito com os seus reis vassalos e governadores em Canaã. A correspondência diz
respeito aos reinados de Amenófis III e de Amenófis IV (mais conhecido como Akenáton), tendo sido
escrita em acádico, língua diplomática da época.
21

46

Êxodo 1:11
E puseram sobre eles maiorais de tributos, para os afligirem com suas
cargas. Porque edificaram a Faraó cidades-armazéns, Pitom e
Ramessés.

O nome Pitón provém do egípcio Pi-Athon, e esta cidade não foi
construída durante o Reino Novo (muito menos construída por
Ramsés II), mas pelo faraó Necao II (Nekau) no ano 605 AEC.
(Período saita [dinastia XXVI] – 664 a 525 AEC). Otros termos
como Pi-Ahirot não foram criados até ese período.22

31 a 48 - 931-533 AEC
A ausência de contradições importantes nesse período confirma o
que foi dito por arqueólogos como Finkelstain e Silberman ao
situar a data de composição do Tanak. Possivelmente nos tempos
de Josias, quem tentou unificar as tribos do norte de Israel e Judá
mediante a religião (convertendo, assim como fez Constantino I
no século IV DC, um politeísmo em um monoteísmo) e a
centralização usando Jerusalém como capital. A hipótese
documentaria situa Esdras e Neemias como os sacerdotes
redatores (fonte R) responsáveis por recopilar os livros e mitos
das tribos dando a estrutura atual do Tanak (A bíblia com fontes
reveladas – Richard Elliott Friedman e Quem escreveu a bíblia? –
Richard Elliott Friedman). Deuteronômio também aparece durante
o reinado de Josias, quem se declara tê-lo encontrado. Esta
hipótese se confirma também mediante a análise das evidências
em torno do idioma hebraico e do documento mais antigo do
Todas essas contradições históricas revelam com bastante coerência a data aceita para a confecção
do Tanak, a bíblia hebraica, entre o século 7 e 6 AEC. Os autores tentam encaixar eventos históricos
desse período na cronologia bíblica, o que é impossível diante das evidências históricas.
22

47

Antigo testamento. O Cântico de Débora e Baraque, (Juízez 4 e 5)
é o texto mais antigo disponível. Foi escrito em paleo-hebraico e
está datado em torno do século X AEC.

49 - 533 AEC
Segundo as versões dadas em 2 Crônicas 36:22-23 e Esdras. 1:12, Ciro II o Grande invoca Yahvé quando diz: “O Senhor, o Deus dos
céus, deu-me todos os reinos da terra e designou-me para construir-lhe
um templo em Jerusalém, na terra de Judá.”
2 Crônicas 36:22,23
No primeiro ano do reinado de Ciro, rei da Pérsia, para que se
cumprisse a palavra do Senhor anunciada por Jeremias, o Senhor
tocou no coração de Ciro, rei da Pérsia, para que fizesse uma
proclamação em todo o território de seu domínio e a pusesse por
escrito, nestes termos:
"Assim declaro Ciro, rei da Pérsia: ‘O Senhor, o Deus dos céus, deume todos os reinos da terra e designou-me para construir-lhe
um templo em Jerusalém, na terra de Judá. Quem dentre vocês
pertencer ao seu povo vá para Jerusalém, e que o Senhor, o seu Deus,
esteja com ele’ ".

Algo estranho e difícil de crer, já que Ciro, rei da pérsia que fundou
a Dinastia Aquemênida23, embora permitisse o culto religioso às
diferentes divindades nos povos que conquistava, tinha como
c. 550–330 a.C.), por vezes referido como Primeiro Império Persa, foi um império iraniano situado
no Sudoeste da Ásia, e fundado no século VI a.C. por Ciro, o Grande, que derrubou a confederação
médica. Expandiu-se a ponto de chegar a dominar partes importantes do mundo antigo; por volta do
ano 500 a.C. estendia-se do vale do Indo, no leste, à Trácia e Macedônia, na fronteira nordeste da
Grécia - o que fazia dele o maior império a ter existido até então.[3] O Império Aquemênida
posteriormente também controlaria o Egito. Era governado através de uma série de monarcas, que
unificaram suas diferentes tribos e nacionalidades construindo um complexo sistema de estradas.
23

48

religião oficial o zoroastrismo24 cuja divindade era Ahura Mazda25;
e a primeira coisa que fez ao conquistar a Babilônia foi restaurar
o culto de Marduk, divindade mesopotâmica.

50 - 455 AEC
Nada destacável exceto a Daniel mencionando Ciro. Sabemos que
o livro de Daniel foi escrito durante o período entre o século VI e
II AEC. Embora o autor da parte mais antiga do libro pudesse ter
sido Daniel e escrito no século VI AEC, dificilmente os autores das
outras partes, situados em torno do século II AEC possam ter
conhecido o próprio Ciro. Mais uma montagem com escritos de
várias épocas e vários autores anônimos.

51 - 33 AEC
Segundo um monge, Dionísio, o Exíguo, que no ano 1278 Ab Urbe
Condita (sistema usado para medir o tempo no imperio
romano) realizou uma série de cálculos usando a mesma
O zoroastrismo, masdaísmo, masdeísmo[1] ou parsismo é uma religião fundada na antiga Pérsia
pelo profeta Zaratustra, a quem os gregos chamavam de Zoroastro. É considerada como a primeira
manifestação de um monoteísmo ético. De acordo com historiadores da religião, algumas das suas
concepções religiosas, como a crença no paraíso, na ressurreição, no juízo final e na vinda de um
messias, viriam a influenciar o judaísmo, o cristianismo e o islamismo.
24

Ahura Mazda, Ormasde, Ahura Mazda ou Ormuz era o princípio ou deus do bem, segundo o
zoroastrismo e a mitologia persa. Vivia em luta constante contra seu irmão gêmeo, o princípio ou deus
do mal conhecido como Arimã. Ambos eram filhos do primeiro deus criador, Zurvan (o tempo). Arimã,
como filho primogênito, era mais poderoso que Aúra-Masda e teria um reinado de mil anos. Porém,
após esse período, ele seria derrotado por Aúra-Masda. Aúra-Masda também era o deus do céu, da
sabedoria, da abundância e da fertilidade. Podia profetizar. Era defendido por um grupo de espíritos
chamados de Amshaspends. Era pai de Atar, o fogo do céu; de Gayomart, o primeiro ser humano mortal
(o primeiro ser humano, segundo a mitologia persa, havia sido Yima, que era imortal), criado a partir
da luz e que teria dado origem a todos os demais seres humanos; e de Mitra, deus da sabedoria, da
guerra e do sol.
25

49

cronologia de Ussher (a bíblica *), predisse que Jesus nasceu 525
anos antes. Entretanto, não existe evidência alguma além dos
textos do próprios cristianismo, datados em 75 DC, de tal evento;
e cujo exemplar mais antigo, o papiro p52 (um pedaço do
evangelho de João) datado entre 120 e 130 DC.
Entre os erros cronológicos que podemos encontrar no novo
testamento se encontram: Segundo o autor anónimo de Mateus,
texto utilizado por Ussher, Herodes I estaría reinando durante o
suposto nascimento de Jesus, quatro anos depois de sua morte.
Herodes I morre em 4 AEC –. Entretanto, segundo o autor
anônimo de Lucas, Jesús nasceu durante o censo de Quirino ou
Cireno em 6 DC.

(*) Ussher utiliza a cronologia do Novo testamento criada
por Dionísio, o Exíguo, para estabelecer os anos posteriores
ao século I DC.

52 - 36 AEC
Nada digno de nota nesse ano, já que não se pode confirmar
nenhum dos relatos que aparecem em torno das figuras de Paulo
e Simão. O contexto leva a maioria dos especialistas a situar a
escritura do texto posterior ao ano 70 DC e no máximo 60 DC,
portanto o autor não foi testemunha direta dos fatos.

53 - 1996-97 AEC

50

Obviamente Jesus não apareceu em 1996, nem em 97, nem em
98. Não apareceu durante toda a década de 90 nem em qualquer
época até o dia de hoje.

51

Conclusão
Podemos perdoar Ussher por cometer erros devido a sua situação,
a época em que escreveu e ao contexto no qual escreveu. O que
não é perdoável são as pessoas que, posteriormente e mais ainda
em nossa época, negam toda a evidência mantendo-se na
ignorância voluntária e na paralisia ideológica.
Até aquí mostramos numerosas evidências que mostram não só
um, mas vários erros na cronologia bíblica; e graças a esses erros
podemos estabelecer uma data aproximada em que os autores
anônimos do Antigo testamento escreveram os textos. Como
pudemos comprovar, a maioria dos livros que compõem o Tanak
não puderam ser escritos antes do séculoi VII AEC (Pentateuco) e
alguns deles no século X AEC no máximo (resto de libros).
Cidades e nomes inexistentes em certas épocas, expressões e
relatos onde são citados povos que ainda não existiam ou
apareceram posteriormente, lugares sem uma mínima evidência
da passagem do povo hebreu, conquistas inexistentes devido à
situação em que se encontrava esse povo, demonstram quais
eram os conhecimentos que possuíam os autores que montaram
o Tanak (Antigo testamento).
A Bíblia, em que pese os desejos dos religiosos, não é um livro de
fontes inspiradas por uma divindade mitológica, mas escrita por
uma série de autores desconhecidos que, como em muitas outras
culturas, estavam limitados por seus conhecimentos. Pretender
defender o contrário é coisa de néscios e de ignorantes.

52

Fontes:
Fonte original traduzida, adaptada e ampliada com mais textos, imagens
e links:

http://www.ateoyagnostico.com/2013/08/19/los-anacronismosde-la-cronologa-bblica-de-ussher/

Todas as demais fontes foram incluídas no próprio texto. Algumas delas
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libertad de millones de
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ayuda eficazmente a hallar
respuesta a esa pregunta.
Confluyen en esta obra dos
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relieve en lo que, desde
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Género literario propio: la
crítica de la iglesia y de todo
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<salvífico>.

Todos estos asuntos son
estudiados, puestos en duda
y expuestas las conclusiones
en una obra de rigor que,
traducida
a
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idiomas,
ha
venido
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métodos y razones de una de
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poderosas del mundo: la
Iglesia católica.

Karlheinz Deschner.

58

1 – (365 pg) Los
orígenes, desde el
paleocristianismo hasta
el final de la era
constantiniana

2 - (294 pg) La época
patrística y la
consolidación del
primado de Roma

3 - (297 pg) De la
querella de Oriente hasta
el final del periodo
justiniano

4 - (263 pg) La Iglesia
antigua: Falsificaciones y
engaños

5 - (250 pg) La Iglesia
antigua: Lucha contra los
paganos y ocupaciones
del poder

6 - (263 pg) Alta Edad
Media: El siglo de los
merovingios

59

7 - (201 pg) Alta Edad
Media: El auge de la
dinastía carolingia

8 - (282 pg) Siglo IX:
Desde Luis el Piadoso
hasta las primeras luchas
contra los sarracenos

9 - (282 pg) Siglo X:
Desde las invasiones
normandas hasta la
muerte de Otón III

Sua obra mais ambiciosa, a “Historia
Criminal do Cristianismo”, projetada em
princípio a dez volumes, dos quais se
publicaram nove até o presente e não se
descarta que se amplie o projeto. Tratase da mais rigorosa e implacável
exposição jamais escrita contra as formas
empregadas pelos cristãos, ao largo dos
séculos, para a conquista e conservação
do poder.
Em 1971 Deschner foi convocado por uma corte em Nuremberg acusado
de difamar a Igreja. Ganhou o processo com uma sólida argumentação,
mas aquela instituição reagiu rodeando suas obras com um muro de
silêncio que não se rompeu definitivamente até os anos oitenta, quando
as obras de Deschner começaram a ser publicadas fora da Alemanha
(Polônia, Suíça, Itália e Espanha, principalmente).

60

414 páginas
LA BIBLIA DESENTERRADA
Israel Finkelstein es un arqueólogo y
académico
israelita,
director
del
instituto
de
arqueología
de
la
Universidad de Tel Aviv y coresponsable de las excavaciones en
Mejido (25 estratos arqueológicos, 7000
años de historia) al norte de Israel. Se
le
debe
igualmente
importantes
contribuciones a los recientes datos
arqueológicos
sobre
los
primeros
israelitas en tierra de
Palestina
(excavaciones de 1990) utilizando un
método que utiliza la estadística (
exploración de toda la superficie a gran
escala de la cual se extraen todas las
signos de vida, luego se data y se
cartografía por fecha) que permitió el
descubrimiento de la sedentarización de
los primeros israelitas sobre las altas
tierras
de
Cisjordania.

Es un libro que es necesario conocer.

639 páginas
EL PAPA DE HITLER: LA VERDADERA
HISTORIA DE PIO XII
¿Fue Pío XII indiferente al sufrimiento
del pueblo judío? ¿Tuvo alguna
responsabilidad en el ascenso del
nazismo? ¿Cómo explicar que firmara
un
Concordato
con
Hitler?
Preguntas como éstas comenzaron a
formularse al finalizar la Segunda
Guerra Mundial, tiñendo con la
sospecha al Sumo Pontífice. A fin de
responder a estos interrogantes, y con
el deseo de limpiar la imagen de
Eugenio Pacelli, el historiador católico
John Cornwell decidió investigar a
fondo su figura.

El profesor Cornwell plantea unas
acusaciones acerca del papel de la
Iglesia en los acontecimientos más
terribles del siglo, incluso de la historia
humana, extremadamente difíciles de
refutar.

61

513 páginas
En esta obra se describe a
algunos de los hombres
que ocuparon el cargo de
papa. Entre los papas hubo
un
gran
número
de
hombres casados, algunos
de los cuales renunciaron a
sus esposas e hijos a
cambio del cargo papal.
Muchos eran hijos de
sacerdotes,
obispos
y
papas.
Algunos
eran
bastardos, uno era viudo,
otro un ex esclavo, varios
eran
asesinos,
otros
incrédulos, algunos eran
ermitaños,
algunos
herejes,
sadistas
y
sodomitas;
muchos
se
convirtieron
en
papas
comprando
el
papado
(simonía), y continuaron
durante sus días vendiendo
objetos
sagrados
para
forrarse con el dinero, al
menos uno era adorador de
Satanás, algunos fueron
padres de hijos ilegítimos,
algunos eran fornicarios y
adúlteros en gran escala...

326 páginas

Santos
e
pecadores:
história dos papas é um
livro que em nenhum
momento soa pretensioso.
O subtítulo é explicado pelo
autor no prefácio, que
afirma não ter tido a
intenção de soar absoluto.
Não é a história dos papas,
mas sim, uma de suas
histórias. Vale dizer que o
livro originou-se de uma
série para a televisão, mas
em nenhum momento soa
incompleto
ou
deixa
lacunas.

480 páginas
Jesús de Nazaret, su
posible descendencia y el
papel de sus discípulos
están de plena actualidad.
Llega así la publicación de
El puzzle de Jesús, que
aporta un punto de vista
diferente y polémico sobre
su figura. Earl Doherty, el
autor, es un estudioso que
se ha dedicado durante
décadas a investigar los
testimonios acerca de la
vida
de
Jesús,
profundizando hasta las
últimas
consecuencias...
que a mucha gente le
gustaría no tener que leer.
Kevin
Quinter
es
un
escritor de ficción histórica
al que proponen escribir un
bestseller sobre la vida de
Jesús de Nazaret.

62

576 páginas

380 páginas

38 páginas

First published in 1976,
Paul
Johnson's
exceptional
study
of
Christianity has been
loved and widely hailed
for its intensive research,
writing, and magnitude.
In a highly readable
companion to books on
faith and history, the
scholar
and
author
Johnson has illuminated
the Christian world and
its fascinating history in a
way that no other has.

La Biblia con fuentes
reveladas (2003) es un
libro del erudito bíblico
Richard Elliott Friedman
que se ocupa del proceso
por el cual los cinco libros
de la Torá (Pentateuco)
llegaron a ser escritos.
Friedman sigue las cuatro
fuentes del modelo de la
hipótesis
documentaria
pero
se
diferencia
significativamente
del
modelo S de Julius
Wellhausen
en varios
aspectos.

An Atheist Classic! This
masterpiece,
by
the
brilliant atheist Marshall
Gauvin is full of direct
'counter-dictions',
historical evidence and
testimony that, not only
casts doubt, but shatters
the myth that there was,
indeed, a 'Jesus Christ',
as Christians assert.

63

391 páginas
PEDERASTIA EM LA IGLESIA CATÓLICA
En este libro, los abusos sexuales a
menores, cometidos por el clero o por
cualquier otro, son tratados como
"delitos", no como "pecados", ya que en
todos
los
ordenamientos
jurídicos
democráticos del mundo se tipifican como
un delito penal las conductas sexuales con
menores a las que nos vamos a referir. Y
comete también un delito todo aquel que,
de forma consciente y activa, encubre u
ordena encubrir esos comportamientos
deplorables.
Usar como objeto sexual a un menor, ya
sea mediante la violencia, el engaño, la
astucia o la seducción, supone, ante todo y
por encima de cualquier otra opinión, un
delito. Y si bien es cierto que, además, el
hecho puede verse como un "pecado" según el término católico-, jamás puede
ser lícito, ni honesto, ni admisible
abordarlo sólo como un "pecado" al tiempo
que se ignora conscientemente su
naturaleza básica de delito, tal como hace
la Iglesia católica, tanto desde el
ordenamiento jurídico interno que le es
propio, como desde la praxis cotidiana de
sus
prelados.

Robert Ambelain, aunque defensor de la
historicidad de un Jesús de carne y hueso,
amplia en estas líneas la descripción que
hace en anteriores entregas de esta
trilogía ( Jesús o El Secreto Mortal de
los Templarios y Los Secretos del
Gólgota) de un Jesús para nada acorde
con la descripción oficial de la iglesia sino
a uno rebelde: un zelote con aspiraciones
a monarca que fue mitificado e inventado,
tal y como se conoce actualmente, por
Paulo, quién, según Ambelain, desconocía
las leyes judaicas y dicha religión, y quien
además usó todos los arquetipos de las
religiones que sí conocía y en las que
alguna vez creyó (las griegas, romanas y
persas) arropándose en los conocimientos
sobre judaísmo de personas como Filón
para crear a ese personaje. Este extrajo
de cada religión aquello que atraería a las
masas para así poder centralizar su nueva
religión en sí mismo como cabeza visible
de una jerarquía eclesiástica totalmente
nueva que no hacía frente directo al
imperio pero si a quienes oprimían al
pueblo valiéndose de la posición que les
había concedido dicho imperio (el consejo
judío).

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