Você está na página 1de 9

Verso e Reverso, 31(78):235-243, setembro-dezembro 2017

2017 Unisinos – doi: doi: 10.4013/ver.2017.31.78.07

Por que humanizar o jornalismo (?)

Why humanize journalism (?)

Jorge Kanehide Ijuim


Universidade Federal de Santa Catarina. Campus Reitor João David Ferreira Lima, s/n,
Trindade, 88040-900, Florianópolis, SC, Brasil. ijuimjor@gmail.com

Resumo. O ponto de vista que proponho já no título Abstract. The view that I propose,​ hinted at in the
deste trabalho visa contribuir para a reflexão sobre title of this work,​ aims to contribute to a reflection on
o papel do Jornalismo. Neste artigo, de caráter the role of Journalism. In this essay, I try to question
ensaístico, procuro questionar se o Jornalismo, como whether journalism, as one a means of socialization,
um dos meios de socialização, tem também como also has the mission of humanizing. Here, I
missão humanizar. Abordo aqui pelo menos três approach at least three situations that have led
situações que me levam a acreditar na necessidade me to believe in the need to humanize journalism,
de humanizar o Jornalismo, quais sejam: (i) quando namely: (i) when journalism caricatures the human
caricaturiza o ser humano, (ii) quando ignora being, (ii) when it ignores the complexity of the
a complexidade do fenômeno, (iii) quando não phenomenon, (iii) when it does not recognize
reconhece o Outro. Para tanto, trago à discussão the Other. For this reflection and based on the
as influências do pensamento social moderno no ideas of Boaventura de Sousa Santos (2002, 2010)
Jornalismo com base nas ideias de Boaventura de and Edgar Morin (2006), I bring to discussion the
Sousa Santos (2002, 2010) e de Edgar Morin (2006). influences of modern social thought in Journalism.
Ao considerar a responsabilidade e a importância In considering the responsibility and importance of
dos modelos jornalísticos para a compreensão do journalistic models for understanding the theme,
tema, desenvolvo uma crítica a partir de estudos de I develop a critique based on studies by Cremilda
Cremilda Medina (2008). Medina (2008).

Palavras-chave: jornalismo e sociedade, teorias do Keywords: journalism and society, theories of


jornalismo, epistemologia, humanização. journalism, epistemology, humanization.

Preceitos e compromissos manuais profissionais do nosso campo, em


geral, abordagens mais pragmáticas. Vladimir
Para que serve o Jornalismo? O Jornalismo, Hudec, ao explicitar algumas finalidades por
como um dos meios de socialização, tem tam- esta corrente europeia, menciona que “o jorna-
bém como missão humanizar? O ponto de vis- lismo orienta socialmente o público, formula e
ta que proponho já no título deste artigo visa exprime as suas diferentes opiniões, atitudes e
contribuir para a reflexão sobre o papel do Jor- ações sociais, as suas concepções de mundo”
nalismo. As várias visões – sejam da tradição (Hudec, 1980, p. 36-37).
europeia baseada na formação de opinião, ou Os norte-americanos Bill Kovach e Tom
da norte-americana fundamentada no direito Rosenstiel (2004) evidenciam a tradição de de-
à informação (Merton, 1970) –, refletem nos fesa pelo direito à informação ao destacarem

Este é um artigo de acesso aberto, licenciado por Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional (CC-BY 4.0), sendo per-
mitidas reprodução, adaptação e distribuição desde que o autor e a fonte originais sejam creditados.
Jorge Kanehide Ijuim

a Primeira Emenda da Constituição dos Esta- Já os Princípios Internacionais da Ética Pro-


dos Unidos da América. Por este documento, fissional no Jornalismo emitido pela quarta
“[...] o Congresso não legislará no sentido de reunião consultiva de organizações interna-
estabelecer uma religião, ou proibindo o livre cionais de jornalistas profissionais, em Praga
exercício dos cultos; ou cerceando a liberdade e Paris em 1983, tais preceitos são ainda mais
de palavra, ou de imprensa”. Por isso mesmo, especificados. Ao fazer referência ao Respeito
os autores acreditam que a principal finalida- aos valores universais e à diversidade de cul-
de do jornalismo é “fornecer aos cidadãos as turas, o documento assinala que “Um verda-
informações de que necessitam para serem li- deiro jornalista zela pelos valores universais
vres e se autogovernar” (Kovach e Rosenstiel, de humanismo, acima de tudo paz, democra-
2004, p. 31). cia, direitos humanos, progresso social e libe-
De fundo filosófico e político, o pragmatis- ração nacional [...]”. No artigo em que aborda
mo destas noções influenciou o pensamento a preocupação de Eliminação da guerra e de
jornalístico do nosso país de várias maneiras. outros grandes males que confrontam a huma-
Percebe-se, contudo, que elas apenas mar- nidade, preceitua:
geiam os primeiros artigos da Declaração Uni-
versal dos Direitos Humanos: XIX - O compromisso ético para com os valores
universais do humanismo pede que o jornalis-
I - Todas as pessoas nascem livres e iguais em ta se abstenha de qualquer justificação para, ou
dignidade e direitos. São dotadas de razão e cons- incitação para, guerras de agressão e a corrida
ciência e devem agir em relação umas às outras armamentista, especialmente em relação a armas
com espírito de fraternidade. nucleares, e todas as outras formas de violência,
II - Toda pessoa tem capacidade para gozar os ódio ou discriminação, especialmente o racismo
direitos e as liberdades estabelecidos nesta Decla- e o apartheid, a opressão de regimes tirânicos, o
ração, sem distinção de qualquer espécie, seja de colonialismo e o neocolonialismo, como também
raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política outros grandes males que afligem a humanidade,
ou de outra natureza, origem nacional ou social, como a pobreza, a desnutrição e as doenças. Fa-
riqueza, nascimento, ou qualquer outra condi- zendo assim, o jornalista pode ajudar a eliminar
ção (ONU, 1948). a ignorância e o desentendimento entre os povos,
fazer com que os nacionais de um país sejam mais
sensíveis em relação às necessidades e desejos dos
Os códigos de ética e deontológicos do nos-
outros, assegurar o respeito aos direitos e à dig-
so fazer enfatizam estes preceitos. A começar nidade de todas as nações, todos os povos e todos
pelo Código de Ética dos Jornalistas Brasilei- os indivíduos sem distinção de raça, sexo, idioma,
ros (FENAJ, 2007), este institui como um dos nacionalidade, religião ou convicção filosófica
deveres do profissional “opor-se ao arbítrio, (UNESCO, 1983).
ao autoritarismo e à opressão, bem como de-
fender os princípios expressos na Declaração Diante destes compromissos assumidos
Universal dos Direitos Humanos”. No mesmo pelos profissionais, vale reafirmar o questiona-
artigo 6º, detalha a preocupação de “defender mento: O Jornalismo, como um dos meios de
os direitos do cidadão, contribuindo para a socialização, tem também como missão huma-
promoção das garantias individuais e coleti- nizar? No meu entender, sim. Como já escre-
vas, em especial as das crianças, adolescentes, vi anteriormente, por meio de um jornalismo
mulheres, idosos, negros e minorias”. Os jorna- humanizado podemos produzir narrativas em
listas portugueses adotam postura semelhante que o ser humano seja o ponto de partida e de
em seu Código Deontológico ao sublinhar que chegada (Ijuim, 2002, 2012).
“o jornalista deve rejeitar o tratamento discri- Ao provocar esta discussão, já fui questio-
minatório das pessoas em função da cor, raça, nado se existe algum jornalismo inumano ou
credos, nacionalidade ou sexo” (ERC , 1993). desumanizado, uma vez que a comunicação é
A Federação Internacional de Jornalistas um ato humano. Este ato humano de comuni-
também acompanha esta linha de raciocínio ao car tem sido, em todos os momentos, huma-
estabelecer como um de seus princípios que “o nizados ou humanizadores? Eu creio que não.
jornalista estará ciente do perigo de a impren- Justamente por isso, neste trabalho, de caráter
sa promover discriminação, e fará o extremo ensaístico, procuro abordar pelo menos três
para evitar discriminação baseada, entre ou- situações que me levam a acreditar na neces-
tras coisas, em raça, sexo, orientação sexual, sidade de humanizar o jornalismo, quais se-
linguagem, religião, ou opiniões políticas e jam: (i) quando caricaturiza o ser humano, (ii)
origens nacionais ou sociais” (FIJ, 1954). quando ignora a complexidade do fenômeno,

236 Verso e Reverso, vol. 31, n. 78, setembro-dezembro 2017


Por que humanizar o jornalismo (?)

(iii) quando não reconhece o Outro. Para tanto, levou à Imprensa posturas que provocaram
trago à discussão as influências do pensamen- desvios fundamentais. Como ressalta Boa-
to social moderno no Jornalismo com base nas ventura de Sousa Santos (2010a), a Ciência
ideias de Boaventura de Sousa Santos (2002, Moderna adquiriu o status de modelo único,
2010a, 2010b) e de Edgar Morin (2006). Ao que reduz os fatos sociais às suas dimensões
considerar a responsabilidade e a importância externas, observáveis e mensuráveis. Santos
dos modelos jornalísticos para a compreensão acredita que esta lógica, ao enfatizar o real
do tema, desenvolvo uma crítica a partir de e o útil, privilegia a relação sujeito-objeto. Na
estudos de Cremilda Medina (2008). Os exem- maioria das vezes adequado nas ciências na-
plos que ilustram as situações aqui debatidas turais, no campo social esta objetivação des-
foram colhidos nos últimos doze anos em que liza ao enxergar fenômenos também como
venho investigando tais questões. objetos (coisificação). Esta racionalidade cien-
tífica, “fundamentada no rigor matemático,
Caricatura do ser humano quantifica e, ao quantificar, desqualifica; ao
objetivar os fenômenos, os objetualiza e os
Desde já é importante lembrar que as bases degrada e, ao caracterizar os fenômenos, os
para o Jornalismo Moderno foram estabeleci- caricaturiza” (Santos, 2010a, p. 54).
das no Século XIX, quando a Imprensa institu- Este equívoco se reproduz no jornalis-
cionalizou-se como empresa de comunicação. mo ao encarar a maioria dos acontecimentos
Esta transformação aconteceu no clima e na como “coisas”. Ao analisar uma amostra de
circunstância da predominância do pensa- matérias sobre o sistema prisional publicadas
mento funcional-positivista. Esses princípios em vários veículos do país, constatei a força
operaram tanto nas práticas científicas como desta racionalidade. Primeiro, há grande in-
nas práticas comunicacionais. Como salienta cidência sobre a ocorrência de tentativas de
Cremilda Medina, naquele período, “se pro- fugas e rebeliões. Quando uma reportagem se
põe gramáticas presentes tanto na metodo- propõe a tratar o assunto de forma reflexiva,
logia da pesquisa do conhecimento científico o tom recai para as insuficiências do sistema,
quanto na de captação e narrativa da contem- a insegurança da população com as fugas. Em
poraneidade que se difunde nos meios de co- outras palavras, o tema é visto como fato-coisa
municação social” (Medina, 2008, p. 18). e não de maneira a ultrapassar o campo da
Cabe esclarecer aqui as diferenças e as re- segurança pública – não é tratado como fenô-
lações entre Jornalismo e Imprensa. Conforme meno social. Por que a sociedade necessita de
advertiu Adelmo Genro Filho, a imprensa é o tantas prisões e penitenciárias? Raramente
corpo material do Jornalismo, o processo téc- uma matéria jornalística provoca a discussão
nico que resulta num produto final. Já o jorna- sobre as causas do aumento da violência, con-
lismo é a modalidade de informação que sur- jugada ao estado de pobreza da população,
ge sistematicamente destes meios para suprir ao índice de desemprego, a instabilidade fa-
certas necessidades histórico-sociais (Genro miliar, entre outros fatores.
Filho, 2012, p. 182). Ao ignorar o fenômeno social nos aconte-
Os influxos positivistas levados aos mode- cimentos, esta racionalidade tem levado a im-
los jornalísticos tiveram grande importância prensa a constituir critérios de noticiabilidade
para sua evolução. A efervescência socioeco- que privilegiem o imediato em detrimento da
nômica, política e cultural daquele final de reflexão sobre a complexidade das questões
século na Europa respondiam ao crescimento sociais. Postura semelhante tem sido adotada
demográfico e o aumento da alfabetização. ao abordar pautas relacionadas a minorias ra-
Este quadro exigia uma comunicação mais ciais, pessoas em situação de rua, indígenas,
ágil e, da mesma maneira, mais informações trabalhadoras do sexo. Sobre estas, vale ob-
da atualidade, o que refletiu em simplicidade e servar um pequeno trecho veiculado por um
concisão na linguagem. O gênero reportagem importante jornal de Brasília:
criou condições para a narração da experiên-
Elas vendem o que o diabo compra. Algumas
cia humana na forma de cenas do cotidiano.
negociam o rebolado das filhas com uma pistola
O rigor científico traduziu-se nas salas de re- na cintura. Disparam se o cliente abusa. Não se
dação em trabalho de apuração e checagem de acham devassas nem contraditórias. Dizem-se
dados, com ganhos em precisão, entre outros realistas.
benefícios (Medina, 2008). Outras se desesperam com a fome das crianças,
Mas este espírito predominante também dormem com bandidos e acordam cobertas de

Verso e Reverso, vol. 31, n. 78, setembro-dezembro 2017 237


Jorge Kanehide Ijuim

sangue, como Luiza Rodrigues, 21 anos e 17 na- Morin, Descartes produziu um paradigma
valhadas espalhadas pelo corpo maltratado nos simplificador, pois a simplicidade vê o uno, ou
becos e motéis de Corumbá. o múltiplo, mas não consegue ver que o uno
A rua plantou quatro brasileiros no ventre de pode ser ao mesmo tempo múltiplo. Por isso
Luiza. Cada um de um pai diferente, quatro ho-
mesmo, “o princípio da simplicidade separa o
mens que não educam, não sustentam nem veem
os filhos. que está ligado (disjunção), ou unifica o que
Filhos da pistoleira, Caderno especial “Filhos é diverso (redução)” (Morin, 2006, p. 59). Em
da Mãe” (CORREIO BRAZILIENSE, 2005, p. contrapartida, o pensador francês ressalta a
4-5). necessidade de um pensamento complexo,
que decorre da ideia de tecido – complexus, o
Note-se que os personagens nesses dois que é tecido junto. Esta noção nos leva a con-
casos são tratados como objetos, o que leva siderar que o jornalista deve observar a reali-
repórteres e editores a carregarem em seus dade como um tecido de acontecimentos, de
fazeres vários estereótipos e estigmas que ba- forma compromissada e solidária aos valores
nalizam a vida humana. Assim, estes seres hu- universais, identificada com a sociedade que
manos não têm sido representados como pes- este profissional (teoricamente) tem que servir.
soas, mas como caricaturas desses fenômenos. Como ler/compreender a pauta? Como
E isso desumaniza. transformar a pauta numa narrativa que crie
identificação com a audiência? Vejamos outro
Complexidade dos acontecimentos episódio1: O IBGE divulga periodicamente os
resultados da PNAD – Pesquisa Nacional por
Na mesma crítica à Ciência Moderna já Amostra de Domicílios. O relatório disponi-
mencionada, Santos argumenta que esta racio- bilizado em setembro de 2008 apresentou a
nalidade destrói a personalidade da natureza. evolução do país em aspectos como popu-
Assim, “o conhecimento ganha em rigor o que lação ativa, trabalho com carteira assinada,
perde em riqueza, e a retumbância dos êxitos trabalho infantil, acesso à educação formal,
da intervenção tecnológica esconde os limites entre outros. Dois grupos de comunicação de
da nossa compreensão do mundo e reprime a grande abrangência cobriram o tema de ma-
pergunta pelo valor humano do afã científico neiras distintas.
assim concebido” (Santos, 2010a, p. 54). Em O jornal Folha de S. Paulo publicou, no dia
outros termos, o autor relativiza a sobrevalori- seguinte, uma série de matérias sobre o as-
zação da ciência e da tecnologia em detrimen- sunto com o destaque “Retrato do Brasil”.
to dos valores e dos personagens para os quais Vale realçar que as 13 matérias se basearam
estas devem servir. fundamentalmente no relatório do IBGE;
Sobre esse desprezo aos valores humanos, além disso, foram ouvidas as fontes oficiais,
Paulo Freire (1983) se contrapõe ao defender em especial o coordenador da pesquisa, os
a importância de um compromisso do profis- ministros do Trabalho e da Previdência. O
sional com a sociedade. Para o autor, firmar o segundo jornal analisado, O Estado de São
compromisso com o mundo tanto requer hu- Paulo, publicou no dia seguinte um caderno
manizar como é decorrência de um processo de seis páginas intitulado PNAD Especial.
humanizador – humanização dos outros ho- As pautas, aparentemente semelhantes, fo-
mens, como de si mesmo. Humanização, para ram desenvolvidas de forma diversa. Além
Freire, portanto, exige engajamento com a rea- do relatório do IBGE e das fontes oficiais, O
lidade, cumplicidade com o outro – solidarie- Estadão preocupou-se em ouvir os benefi-
dade. Ao negar este compromisso e esta soli- ciados com as carteiras assinadas, as pessoas
dariedade, o jornalista – alienado dos valores que tiveram maior acesso aos bens de con-
universais – ignora também a complexidade sumo, os novos alfabetizados, os trabalhado-
dos acontecimentos que deve investigar. res infantis. As diferenças na construção das
Tanto Santos como Edgar Morin advertem narrativas podem parecer sutilezas, mas não
sobre as heranças do pensamento cartesiano. são. O primeiro jornal foi competente para
René Descartes, em seus estudos sobre o uni- analisar o ‘retrato do Brasil’ num ponto de
versal e o particular, criou uma visão de mun- vista macro: o que cresceu, como, por quê.
do que separa, fragmenta, disciplinariza. Para O segundo, além disso, lembrou que tais nú-

1
Realizei estudo sobre o tema que foi publicado na Revista Em Questão (Ijuim, 2009).

238 Verso e Reverso, vol. 31, n. 78, setembro-dezembro 2017


Por que humanizar o jornalismo (?)

meros são constituídos por pessoas que têm de outros indícios importantes. Ao ampliar a
nome, endereço, carteira identidade e histó- amostra do material, averiguei que o aumento
rias de vida. do cultivo da soja vem ocupando áreas origi-
Solidariedade, portanto, também se refe- nalmente destinadas a outros produtos, como
re à possibilidade que um fazer jornalístico o milho. Ora, se os cultivares da soja passam
que permita criar nexos entre o que se pro- a ocupar espaço tradicionalmente do milho, a
põe a divulgar e a maior identificação com a oferta deste será menor e estará mais caro; o
audiência. Por um lado, a ênfase da primeira milho é o principal insumo para a ração para
cobertura foi simplificadora e reducionista e frangos, suínos e gado, logo, também poderá
atendeu a um público – provavelmente uma fazer aumentar o preço da carne de frango e
elite – que precisa desses números para tomar de suínos, do leite.
decisões. Por outro, a segunda cobertura, ao Ao prosseguir no exame de reportagens,
atribuir um caráter mais abrangente, propor- notei que no sentido macro o tema ganha ain-
cionou oportunidades para que mais pessoas da maior complexidade. No início de 2016,
pudessem ‘se ver’, se identificar nas matérias. os preços do arroz e do feijão, o componen-
Em outro estudo que realizei recente- te básico do cotidiano do brasileiro, teve alta
mente2, abordei um episódio que também significativa por conta do tamanho da safra.
permite refletir sobre a importância de uma Esta teria sofrido a influência de algumas va-
visão complexa. No primeiro semestre de riáveis como as condições climáticas desfavo-
2016, a imprensa catarinense divulgou uma ráveis – muita chuva no sul e seca ao norte.
série de reportagens destacando o aumento Outras matérias dão conta de que o país tem
da produção de soja no estado. Ao exami- importado muito desses alimentos básicos.
nar uma amostra deste material jornalístico, Ao cidadão é difícil entender porque o país
constatei a partir dos títulos e pela constru- exporta tanto algumas espécies de grãos e
ção das narrativas, o clima de entusiasmo importa tantas outras. Os especialistas nor-
dos produtores que denotam um tom de ce- malmente têm explicações para tudo, mas ne-
lebração. Veiculadas em jornal diário e em cessariamente não convencem o leigo preocu-
noticiário de TV aberta, o foco foi exclusi- pado com a conta do supermercado. Como ou
vamente econômico, sem qualquer conexão por que exportar soja para a China e importar
com o dia a dia do cidadão comum. A abor- daquele mesmo país o feijão-preto? Por que o
dagem adotada não causaria estranheza Brasil precisa importar tanto trigo?
se essas reportagens fossem veiculadas na O clima de entusiasmo e o tom de cele-
região Centro-Oeste, onde a área plantada bração proclamado pelo noticiário regional
desse grão supera os 15 milhões de hectares, me levam a inferir que a cobertura da im-
ou fossem divulgadas em publicações ou prensa regional sobre esses resultados suge-
programas especializadas em agronegócio. re: (i) foco restrito ao econômico, (ii) falta de
Mas Santa Catarina dispõe de dimensões abrangência – fatos periféricos ou correlatos
modestas (95 mil km²) e construiu historica- que possam ajudar a dar nexos, a contex-
mente a tradição na produção de alimentos tualizar o fato original, (iii) admite que os
básicos por meio da agricultura familiar. bons resultados da produção de soja sejam
Esta aparente mudança no panorama nos o melhor para todos, (iv) despreza as neces-
permite algumas questões: Essas notícias es- sidades (alimentação básica) dos principais
tariam a sinalizar a prioridade de uma balan- interessados – os cidadãos.
ça comercial positiva em detrimento da agri- Portanto, pelos dois casos aqui discuti-
cultura familiar? Mas... Se a soja é um produto dos, pode-se deduzir que o repórter “focado
predominantemente de exportação, esse cres- nos fatos”, ao ler/compreender uma pauta
cimento pode comprometer a produção e o por um pensamento disjuntivo e reducio-
mercado de alimentos básicos? Tal fato me es- nista, ignora a complexidade do fenômeno;
timulou a desenvolver uma linha de raciocí- não engajado à realidade, perde em cumpli-
nio para complexificar a investigação. Dessas cidade com o outro e, por isso, não reporta a
primeiras perguntas sobreveio a observação vida. E isso desumaniza.

2
Pesquisa que desenvolvo junto ao Programa de Pós-graduação em Jornalismo da UFSC intitulada “O pensamento mo-
derno e os modelos jornalísticos”. Em resultados parciais, elaborei o trabalho “Modernidade e modelos jornalísticos:
Ordem e progresso como critério de noticiabilidade” que foi apresentado no XVII Congresso de Ciências da Comunicação
na Região Sul (Curitiba, PR), de 26 a 28/05/2016 (Ijuim, 2016).

Verso e Reverso, vol. 31, n. 78, setembro-dezembro 2017 239


Jorge Kanehide Ijuim

Reconhecer o Outro, comunicar-se ral de Santa Catarina teria tentado estuprar


com o Outro duas moças. Publicada como ‘caso de polícia’,
a reportagem provoca questões relevantes so-
O indígena, a prostituta, o migrante ou o bre o enfoque e a abordagem, como se pode
pobre ainda são “estranhos” aos olhos de se- averiguar neste fac-símile:
tores da imprensa brasileira. Várias motiva-
Africano é preso suspeito de tentar estuprar
ções de ordem socioculturais colaboram para
duas estudantes na UFSC
a criação de estereótipos e a consequente dis- Um africano foi preso em flagrante suspeito de
criminação destes e de outros grupos sociais. tentar estuprar duas jovens dentro do campus da
Estranhar, não reconhecer o Outro é uma ma- Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)
neira de reforçar estigmas. E a imprensa tem em Florianópolis, entre a noite de sexta (21) e a
reproduzido esta postura discriminatória que madrugada deste sábado (22). Segundo a polícia,
desqualifica o ser humano. o homem de 28 anos tentou estuprar duas es-
Para Boaventura de Sousa Santos (2010b), tudantes, de 19 e 22 anos.
o pensamento moderno ocidental é um pen- O homem de Cabo Verde e as duas garotas esta-
samento abissal. Este consiste num sistema de vam em uma festa no campus do bairro Trindade.
De acordo com o setor de segurança da UFSC,
distinções visíveis e invisíveis, sendo que as
minutos depois da primeira tentativa frustrada,
invisíveis são estabelecidas através de linhas
o jovem teria atacado outra estudante no bosque
radicais que dividem a realidade social em da universidade.
dois universos distintos. A divisão é tal que o A primeira estudante ficou ferida no rosto. Ela
“o outro lado da linha” desaparece enquanto também foi à delegacia e denunciou o africa-
realidade, torna-se inexistente, e é mesmo pro- no. Na Central de Polícia, o suspeito negou as
duzido como inexistente. Santos enfatiza que acusações. “Eu não tentei estuprar nenhuma de-
“inexistência significa não existir sob qualquer las. Como tu ia tentar estuprar uma pessoa com
forma de ser relevante ou compreensível” no mínimo 500 pessoas ali? Como tu ia fazer
(2010b, p. 23). A principal característica do isso?”, afirmou Claudino Brandão Lopes.
pensamento abissal é a impossibilidade da co- Mesmo negando, diante do relato das vítimas, o
suspeito foi autuado em flagrante por estupro, já
-presença dos dois lados da linha, pois, para
que pela lei não é necessário que o ato sexual seja
além da linha, há apenas inexistência, invisibi- consumado para caracterizar o crime. A situação
lidade e ausência não-dialética. do africano ficou ainda pior, já que ele está ilegal
Para o autor, a modernidade ocidental no Brasil por causa de documentação vencida.
constituiu um paradigma fundado na tensão Ele foi encaminhado para o presídio da Capital.
entre regulação e emancipação social, pelo De acordo com o agente de segurança da UFSC,
qual transcorreram os principais conflitos mo- crimes são comuns durante as festas que acon-
dernos. Simultaneamente a esta, ocorre outra, tecem durante a madrugada no campus (G1 SC,
a distinção entre as sociedades metropolitanas 2014, grifos meus).
e os territórios coloniais. Enquanto as metró-
poles vivenciaram a dicotomia regulação/ Focado como notícia de polícia, o repórter
emancipação, as colônias sofreram a apropria- ateve-se a ouvir fontes oficiais, quais sejam os
ção/violência. Segundo Santos, no entanto, o responsáveis pela investigação e o setor de
pensamento abissal moderno salienta-se pela segurança da Universidade. Ao colher o de-
sua capacidade de produzir e radicalizar dis- poimento do estudante, o jornalista transcre-
tinções. A naturalização dessas ideias interfere ve de maneira burocrática uma fala rápida,
na postura adotada por setores da Imprensa dando-lhe pouca ênfase. A maior preocupação
brasileira, assim como suas práticas – como do profissional, ao que parece, foi evidenciar
uma produção cultural educada sob essa he- a condição do personagem como imigrante.
gemonia – colaboram para tal naturalização. Do título à última linha, o texto cita o termo
Como podemos notar em casos a seguir: “africano” quatro vezes. Por que esta repeti-
ção africano... africano... africano... africano?
(i) Estigmas de migrante A “estranha estranheza” do repórter não es-
conde uma questão de fundo. O estudante de
Um fato emblemático envolvendo migran- Cabo Verde é menos estudante que os outros?
tes aconteceu em Florianópolis em 2014. Em Claudino Brandão Lopes, que teve nome cita-
matéria veiculada pelo Grupo RBS (TV, jornal do apenas no quinto parágrafo, é menos hu-
e portal de notícias), um estudante de Cabo mano que os demais? É natural de Cabo Verde,
Verde em intercâmbio na Universidade Fede- portanto africano, logo, é negro (?).

240 Verso e Reverso, vol. 31, n. 78, setembro-dezembro 2017


Por que humanizar o jornalismo (?)

O mais estranho, neste caso, foi o seu des- existir. Em Sociologia das ausências (2002), Boa-
dobramento. As duas moças envolvidas reti- ventura de Sousa Santos sublinha que a gera-
raram a queixa depois que repensaram os fa- ção de não-existência foi acentuada na Moder-
tos. Esta informação só foi compartilhada pela nidade que desenvolveu uma razão indolente.
rede de estudantes da comunidade cabo-ver- A indolência está em impor ao todo o que é
diana da Universidade. A imprensa não publi- característica de uma das partes, ou seja, os in-
cou uma linha sequer sobre esta sequência. teresses do homem ideal – europeu, branco, le-
trado, rico, dominador. Conforme este pensa-
(ii) Índio inconveniente mento dominante, toda pessoa fora do padrão
é invisível, não existe e, no caso do indígena
Sobre a questão indígena, tenho acom- brasileiro, não precisa ser ouvido e respeitado.
panhado os conflitos no Morro dos Cavalos, Por outro lado, esta lógica, segundo San-
próximo a Florianópolis, e em Mato Grosso do tos, determina uma série de monoculturas. A
Sul, estado em que vivi por 14 anos. Em recen- monocultura do saber enfatiza a primazia do
te estudo, em parceria com dois pesquisadores saber científico e da alta cultura; despreza e
da UFMS3, discorremos sobre os embates en- desconsidera quaisquer outros saberes. A mo-
tre fazendeiros e indígenas. Naquele estado, as nocultura do tempo linear entende que a histó-
tensões entre ruralistas e os povos indígenas ria tem uma direção única e conhecida, a do
registram casos marcantes. Alguns episódios progresso, modernização, desenvolvimento e,
de violência tiveram repercussão nacional e por isso, os que não se adaptam representam o
internacional como o assassinato do líder Mar- atraso. A lógica da classificação social se assenta
çal de Sousa (Tupã-i), em 1983. Outro caso ex- na naturalização das diferenças e, assim, des-
pressivo foi a morte do cacique Marcos Verón, respeita e não reconhece o outro, o diferente.
em 2003 e um caso mais recente foi o “Caso Já a lógica da escala dominante torna irrelevante
Guaiviry”, em 2011, que resultou na morte do qualquer outra escala; esta privilegia o global
cacique Nísio Gomes. Em finais de agosto de e o universal – as características e interesses
2015, indígenas ocuparam fazendas no muni- locais são irrelevantes. Por último, a lógica pro-
cípio de Antônio João, no interior do estado. dutivista, que se apoia na monocultura dos cri-
A presidente do Sindicato Rural local decidiu térios de produtividade capitalista; nos termos
retomar as propriedades e, acompanhada de desta lógica, o crescimento econômico é um
pelo menos 100 homens armados, reocuparam objetivo racional inquestionável e, como tal, é
uma das fazendas. O confronto levou o líder inquestionável o critério de produtividade que
indígena Simeão Vilhalva à morte. mais bem serve a esse objetivo.
Em nossa avaliação, a questão de fundo Quem é o indígena? Por esta racionalidade,
nesses episódios tem sido um jogo de “legiti- o seu saber é “primitivo”, seu modo de vida
mação-deslegitimação” entre proprietários e não visa o “progresso”, é “atrasado”, é um ser
indígenas. O discurso na cobertura enfatizou, “inferior e pouco sociável”, por isso “domina-
de um lado, o ruralista que adquiriu legalmen- do” e “improdutivo”. Assim, é um inconve-
te suas terras e tem direito à propriedade e, de niente e irrelevante.
outro, o indígena como o transgressor que su- A lógica que conduziu as duas cobertu-
postamente usa da violência para violar a or- ras aqui mencionadas nos permite perceber o
dem estabelecida. A pesquisa nos possibilitou quanto o pensamento abissal e a razão indo-
inferir que a principal causa para tais embates lente incidem sobre a atuação do profissional
se deve às tensões entre o modelo desenvolvi- de Imprensa que, componente de uma fatia
mentista ocidental e o modo de vida do índio do mesmo bolo social, reproduz e reforça pre-
– bom viver (tekove porã). conceitos, estigmas. O indígena ou o migrante,
As linhas entre índios e não-índios se tor- posicionados no outro lado da linha abissal, de-
nam mais profundas na medida em que, em vem ser mantidos abaixo na classificação social
nome do progresso, a “civilização avassala- estabelecida por um pensamento hegemôni-
dora” alarga seus domínios. Para o ruralista, co? Não reconhecer o Outro, não se comunicar
tudo que bloqueia seus objetivos não deve com o Outro, desumaniza.

3
Como resultado parcial da mesma pesquisa que realizo na UFSC já mencionada, elaboramos trabalho em coautoria com
o antropólogo Antônio Hilário Aguilera Urquiza e a jornalista Moema Guedes Urquiza. Este foi publicado na revista
Extraprensa (Ijuim et al., 2016).

Verso e Reverso, vol. 31, n. 78, setembro-dezembro 2017 241


Jorge Kanehide Ijuim

Considerações finais ças, o ateísmo e a religiosidade; múltiplo no tra-


balho e na criatividade (Puledda, 1996, p. 148).
As três situações aqui debatidas que, na
Estas noções nem sempre são respeitadas
minha avaliação, denotam a necessidade de
no meio acadêmico e suscitam críticas de se-
humanizar o Jornalismo, parecem destoar, de
rem apenas “intenções” e, assim, não terem
um lado, das noções sobre o seu papel, seja de
fundamento filosófico. O que não concordo.
direito à informação ou de formação de opi-
No meu entender, o descrédito está mais por
nião. Assim também, confrontam os preceitos
Mario Luis Rodríguez Cobos ser um sul-ame-
aceitos e compromissados pela categoria pro-
ricano que viveu embasado e contribuiu para
fissional, em várias instâncias, de defender os
uma Epistemologia do Sul e, por isso mesmo,
valores humanos, de repudiar a discriminação
não consagrado pelo pensamento eurocentris-
e todas as formas de preconceito.
ta. Por essas razões, reafirmo minha identifica-
Caricaturizar o ser humano, não perceber a
ção às ideias do autor.
complexidade dos fenômenos e não reconhe-
Cabe, por fim, também ratificar minhas
cer e não se comunicar com o Outro, me pare-
convicções em torno da necessidade de huma-
ce, são maneiras de não colocar o ser humano
nizar o Jornalismo. O compromisso social do
como ponto de partida e de chegada na nar-
profissional e a elevação da consciência para
rativa jornalística. Como escrevi anteriormen-
um pensamento pós-abissal são fundamentais.
te, entendo por um jornalismo humanizador
quando o repórter,
Referências
[...] em sua relação com o mundo, esvazia-se de
preconceitos de modo a captar, ver e enxergar, CORREIO BRAZILIENSE. 2005. Filhos da pistoleira.
ouvir e escutar, questionar e sentir. Munido de Brasília, 31 ago., p. 4-5. (Caderno especial “Fi-
uma racionalidade criativa e da emoção solidária, lhos da Mãe”).
assume a postura de curiosidade e descoberta, ERC. 1993. Entidade Reguladora para a Comunica-
de humildade para sentir as dores do mundo ção Social. Código Deontológico do Jornalista.
(Dines), de empatia, de solidariedade às dores Portugal. Disponível em: http://www.erc.pt/
universais (Medina). Assim, seu trabalho respei- documentos/legislacaosite/CodigoDeontologi-
ta as diferenças de qualquer natureza e se isenta codoJornalista.pdf. Acesso em: 20/12/2016.
de prejulgamentos, de preconceitos e estereótipos. FENAJ. 2007. Federação Nacional dos Jornalistas.
Sua narrativa adquire caráter emancipatório, Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros. Vi-
pois, de forma humanizada, seu ato é humaniza- tória, ES. Disponível em: http://fenaj.org.br/
wp-content/uploads/2016/08/codigo_de_etica_
dor (Ijuim, 2012, p. 133-134).
dos_jornalistas_brasileiros-1.pdf. Acesso em:
20/12/2016.
Estas noções, acima de tudo, coadunam-se FIJ. 1954. Federação Internacional de Jornalistas.
com os preceitos da Declaração dos Direitos Declaração de Princípios da FIJ sobre a condu-
Humanos aqui citados. Encontra diálogo com ta dos jornalistas. Bordéus, França. Disponível
o Humanismo Universalista, do argentino em: http://www.ifj.org/es/la-fip/declaracion-de-
Mario Luis Rodríguez Cobos, mais conhecido -principios-de-la-fip/. Acesso em: 20/12/ 2016.
como Silo, interpretado pelo italiano Salvatore FREIRE, P. 1983. O compromisso do profissional
com a sociedade. In: P. FREIRE, Educação e mu-
Puledda (1996). Em síntese, esta linha de pen-
dança. 10ª ed., Rio de Janeiro, Paz e Terra, p. 15-
samento esclarece: 25.
GENRO FILHO, A. 2012. O segredo da pirâmide: Para
Os humanistas são mulheres e homens deste uma teoria marxista do jornalismo. Florianópolis,
século, desta época. Reconhecem os antecedentes Insular, 240 p.
do humanismo histórico e se inspiram nos aportes G1 SC. 2014. Africano é preso suspeito de tentar
das distintas culturas, não somente daquelas que estuprar duas estudantes na UFSC. Disponível
ocupam um lugar central neste momento; - pen- em: http://g1.globo.com/sc/santa-catarina/noti-
sam no futuro, lutando para superar a crise geral cia/2014/11/africano-e-preso-suspeito-de-tentar-
do presente. São otimistas, acreditam na liber- -estuprar-duas-estudantes-na-ufsc.html. Acesso
dade e no progresso social; em: 20/12/2016.
- são internacionalistas, aspiram a uma nação HUDEC, V. 1980. O que é jornalismo? Lisboa, Edito-
humana universal. Compreendem globalmente o rial Caminho, 76 p.
mundo em que vivem. Não desejam um mundo IJUIM, J.K. 2002. Jornal escolar e vivências humanas:
uniforme, mas múltiplo: em etnias, línguas e cos- Um roteiro de viagem. São Paulo, SP. Tese de dou-
tumes; múltiplo nas localidades, nas regiões e nas torado. Programa de Pós-graduação em Ciên-
autonomias; nas ideias e nas aspirações; em cren- cias da Comunicação da ECA/USP, 244 p.

242 Verso e Reverso, vol. 31, n. 78, setembro-dezembro 2017


Por que humanizar o jornalismo (?)

IJUIM, J.K. 2009. A Responsabilidade social do jor- MORIN, E. 2006. Introdução do pensamento complexo.
nalista e o pensamento de Paulo Freire. Revista Porto Alegre, Sulina, 120 p.
Em Questão, 5(2):31-43. Disponível em: http:// ONU. 1948. Organização das Nações Unidas. De-
seer.ufrgs.br/index.php/EmQuestao/article/ claração Universal dos Direitos Humanos. Pa-
view/10060/7368 . Acesso em: 27/07/2016. ris, França. Disponível em: http://www.dudh.
IJUIM, J.K. 2012. Humanização e desumanização org.br/wp-content/uploads/2014/12/dudh.pdf.
no jornalismo: Algumas saídas. Revista Comu- Acesso em: 20/12/2016.
nicação Midiática, 7(2):117-137. Disponível em:
PULEDDA, S. 1996. Interpretaciones del humanismo.
http://www2.faac.unesp.br/comunicacaomidia-
México, Plaza y Valdés Editores, 163 p.
tica/index.php/comunicacaomidiatica/article/
view/196 . Acesso em: 27/07/2016. SANTOS, B.S. 2002. Para uma sociologia das ausên-
IJUIM, J.K. 2016. Modernidade e modelos jornalís- cias e uma sociologia das emergências. Revista
ticos: Ordem e Progresso como critério de no- Crítica de Ciências Sociais, 63(1):237-280. Disponí-
ticiabilidade. In: Congresso de Ciências da Co- vel em: http://rccs.revues.org/1285. Acesso em:
municação na Região Sul, XVII, Curitiba, 2016. 27/07/2016.
Anais... Curitiba, PR. 12 p. Disponível em: http:// SANTOS, B.S. 2010a. Um discurso sobre as ciências. 7ª
www.portalintercom.org.br/anais/sul2016/re- ed., São Paulo, Cortez, 92 p.
sumos/R50-1917-1.pdf. Acesso em: 27/07/2016. SANTOS, B.S. 2010b. Para além do pensamento
IJUIM, J.K., URQUIZA, A.H.A., URQUIZA, M.G. abissal: das linhas globais a uma ecologia de
2016. Imprensa, indígenas versus ruralistas: saberes. In: B.S. SANTOS; M.P. MENESES, Epis-
As tensões entre o modelo desenvolvimentista temologia do sul. 2ª ed., Coimbra, Almedina, p.
e o bom viver (tekove porã). Revista Extrapren- 23-71.
sa, 9(2):53-70. Disponível em: http://revistas.usp. UNESCO. 1983. Organização das Nações Unidas
br/extraprensa/article/view/113880. Acesso em: para a educação, a ciência e a cultura. Princípios
27/07/2016.
Internacionais da Ética Profissional no Jornalis-
KOVACH, B.; ROSENSTIEL, T. 2004. Os elementos
mo. Paris, França. Disponível em: http://www.
do jornalismo: O que os jornalistas devem saber e o
público exigir. 2ª ed., São Paulo, Geração Edito- abi.org.br/institucional/legislacao/principios-in-
rial, 302 p. ternacionais-da-etica-profissional-no-jornalis-
MEDINA, C. 2008. Ciência e jornalismo: Da herança mo/. Acesso em: 20/12/2016.
positivista ao diálogo dos afetos. São Paulo, Sum-
mus, 118 p.
MERTON, R.K. 1970. Sociologia, teoria e estrutura. Submetido: 14/11/2016
São Paulo, Ed. Mestre Jou, 384 p. Aceito: 16/12/2016

Verso e Reverso, vol. 31, n. 78, setembro-dezembro 2017 243