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Auditoria Financeira II

Auditoria das Demonstrações


Financeiras
Materialidade, risco e prova
Enquadramento
“Em nossa opinião, as DF referidas apresentam de forma
verdadeira e apropriada, em todos os aspectos
materialmente relevantes a posição financeira……
Estamos convictos que a prova de auditoria que
obtivemos é suficiente e apropriada para proporcionar
uma base para a nossa opinião”
Em nossa opinião
O auditor recolheu prova que lhe permite opinar Mas,
existe sempre risco - não há certezas
Em todos os aspectos materialmente relevantes
A recolha de prova é por amostragem Esta deve ter em
conta a materialidade e o risco
Enquadramento
A consideração da materialidade ajuda o auditor
em dois momentos: Dai
Na determinação da natureza, profundidade e
oportunidade dos procedimentos de auditoria
(ISA 320)
Na avaliação do efeito real e potencial das
distorções (ISA 450)
Nota: Várias fases de aplicação da Materialidade
Materialidade Conceito
ISA 320
“Materialidade” é um conceito de significado e
importância relativos de um assunto, quer
- Considerado individualmente;
- De forma agregada,
No contexto das demonstrações financeiras tomadas
como um todo.
Um erro ou omissão é considerado material se for
razoável esperar que pode influenciar as decisões
económicas de um utilizador baseadas nas
demonstrações financeiras.
Materialidade-Conceito
Magnitude de uma omissão ou erro de informação
contabilística que, à luz das circunstâncias que o rodeiam,
torna provável que o juízo de uma pessoa razoável que
confia na informação tivesse alterado ou tenha sido
influenciado pela omissão ou erro. Considerar:
1. Circunstâncias relacionadas com a entidade
2. Necessidade de informação
• Tipo de utilizadores
• Objectivo da informação financeira
Nota: Depende da dimensão e natureza da distorção
Materialidade-Conceito
• Assim, assume que os utentes:
• Têm conhecimento razoável:
• Do negócio
• Das actividades económicas
• Da contabilidade
• E, vontade de estudar com diligência o conteúdo das informações
financeiras
• Entendem que as DF são preparadas, apresentadas e auditadas com
níveis de materialidade
• Reconhecem as incertezas inerentes à mensuração de quantias
baseadas no uso de estimativas, de julgamento e na consideração
de acontecimentos futuros
• Tomam decisões económicas razoáveis na base do que consta nas
DF.Juízo sobre
A estimativa do que é materialmente relevante é uma questão
de juízo profissional e é afectada pela percepção que o auditor
tem das necessidades de informação financeira dos utentes
Materialidade Conceito
A materialidade pode ser vista como:
Um todo: quantia máxima de distorções que o auditor
está disposto a aceitar nas DF considerando que estas
ainda continuam a apresentar uma imagem verdadeira e
apropriada
Erro tolerável: quantia máxima de distorções que o
auditor está disposto a aceitar numa determinada conta,
classe de transacções ou divulgação antes de considerar
que enganam um utilizador razoável
A ISA 320 refere-se, ainda, à materialidade do
desempenho de forma a garantir níveis de risco aceitáveis
Materialidade Conceito
Materialidade do desempenho significa a quantia ou quantias
estabelecidas pelo auditor a um nível inferior à materialidade
das DF como um todo, para reduzir a um nível apropriadamente
baixo a probabilidade de que o agregado de distorções não
corrigidas e não detectadas excedam a materialidade das DF
como um todo
Materialidade Aplicação
Materialidade Aplicação
1. Julgamento preliminar
Preliminar: pode ser revisto ao longo da
auditoria
1. As circunstâncias podem ter-se alterado
2. Obtenção de informações adicionais
É o montante máximo de distorções que o
auditor crê que as DF possam incluir sem afectar
a opinião dos seus utentes. “Pode ser diferente
do final”
Materialidade Aplicação
1. Julgamento preliminar

Faz o julgamento preliminar por 2 motivos:


1. Com vista a tomar decisões sobre o âmbito
dos procedimentos
2. Para avaliar quando os erros conhecidos são
suficientemente significativos para requerer o
ajustamento das DF ou, para emitir uma opinião
qualificada
Materialidade Aplicação
1. Julgamento preliminar
Temos que atender:
- A que é um conceito relativo (depende da dimensão da empresa)
- À necessidade de utilização de bases (ex. 5 a 10% dos Rº; 0,5 a 1% do
activo ou do VN, método da escala móvel de valores, …)
É determinado por dimensão natureza
- A que existem factores qualitativos correlacionados
Materialidade Aplicação
1. Julgamento preliminar
Materialidade Aplicação
2. Erro tolerável
Materialidade ao nível dos saldos de contas ou das classes
de transacções - 2º passo
A materialidade a este nível é a distorção máxima que
poderá existir no saldo de uma conta antes da mesma
poder ser considerada distorcida. Erro tolerável
Ex: Se atribuir um erro tolerável de 10.000 unidades
à conta de clientes quer dizer que o auditor vai
considerar esta conta correta mesmo que contenha
um erro de 10.000 unidades
Materialidade Aplicação
Materialidade Aplicação
Avaliação dos resultados
Antes de avaliar o efeito das distorções não corrigidas o
auditor deve reavaliar a materialidade para confirmar se
continua adequada no contexto dos resultados obtidos na
auditoria
Temos de avaliar o conjunto de distorções não corrigidas
acumuladas ao longo da auditoria
Podemos ter 3 tipos diferentes de distorções:
• Distorções factuais sobre as quais não há quaisquer dúvidas
• Distorções de julgamento resultantes de diferenças de
estimativas
• Distorções projectadas resultantes da projecção para a
população das distorções encontradas nas amostras
Materialidade Aplicação
Materialidade Aplicação
Materialidade Aplicação
Materialidade Aplicação
Risco - Enquadramento
Responsáveis por obter segurança razoável de que as DF
tomadas como um todo estão isentas de distorção material, quer
causada por fraude quer por erro “Não há segurança absoluta”
É a susceptibilidade do auditor dar uma opinião de auditoria
inapropriada quando as demonstrações financeiras estejam
distorcidas de forma materialmente relevante. Isto é,
probabilidade de errar na sua opinião
Teoricamente, podemos ter opinião inapropriada por:
• Dar como corretas DF que estejam distorcidas (As normas só
consideram esta hipótese)
• Dar como incorrectas DF que não estejam distorcidas (Antes de
dar uma opinião desfavorável acerca da DF deve reforçar os
testes)
Risco - Enquadramento
O RA significa que o auditor reconhece e aceita determinado
nível de incerteza ao realizar a auditoria, nomeadamente
sobre:
 A apresentação adequada das DF
 A eficácia da estrutura de CI
 A qualidade do seu próprio trabalho
“No fundo estamos a falar no erro de auditoria”
Mas temos outros riscos para o auditor:
 Directamente: perda do cliente, responsabilidade civil,
disciplinar, …
 Indirectamente: publicidade adversa, custos de
oportunidade, tempo perdido, …
Risco - Enquadramento
Risco - Enquadramento
Risco
Relação materialidade, risco e planeamento da
auditoria
A auditoria deve ser planeada para assegurar que:
- O RI é adequadamente avaliado (o que depende
da compreensão da entidade e do seu ambiente)
- O RC é adequadamente avaliado (o que inclui a
realização de testes de controlo)
- O RD é reduzido ao nível desejado pelo auditor (o
que significa que são realizados testes substantivos
suficientes)
Risco
Relação materialidade, risco e planeamento da auditoria
Risco
Fases do processo de auditoria
1. Avaliar o risco de distorções materiais
2. Resposta aos riscos avaliados
3. Realizar procedimentos de auditoria adicionais
4. Avaliar a prova obtida (a referir aquando da prova)

1. Avaliar o risco de distorções materiais


- Identificando os riscos através da compreensão da entidade
e do seu ambiente
-Relacionar os riscos identificados com o que pode estar mal
ao nível das asserções
-Considerar a importância e a probabilidade destes riscos
Risco
Risco
Respostas globais
São medidas gerais que afectam toda a auditoria e que se prendem
com maior cuidado, maior profundidade, …
• Enfatizar à equipa de auditoria a necessidade de manter cepticismo
profissional ao recolher e avaliar prova de auditoria
• Atribuir mais pessoal com experiência ou os com habilitações
especiais ou usar peritos
• Incorporando elementos adicionais de imprevisibilidade na selecção
de procedimentos adicionais de auditoria a serem executados
• Alterações gerais à natureza, tempestividade, ou extensão de
procedimentos de auditoria
Ex: Executar procedimentos substantivos no fim do período em vez de
numa data intercalar

Normalmente estão associadas a uma avaliação negativa do ambiente da


empresa que conduz a uma falta de confiança na informação produzida pelo
sistema
Risco
Risco
Risco
Risco
3. Realizar procedimentos de auditoria adicionais
O auditor deve conceber e executar procedimentos
adicionais de auditoria cuja natureza,
tempestividade e extensão se baseiam e dêem
resposta aos riscos avaliados de distorção material
ao nível de asserção
Que tipo de procedimentos…
Que quantidade…
Que profundidade…
Resumindo qual a prova
Risco
Risco e Fraude
Risco e Fraude
Responsabilidades
Órgãos de gestão e de fiscalização
Responsáveis pela prevenção e detecção de
fraudes
Auditor
Responsáveis por obter segurança razoável de que
as DF tomadas como um todo estão isentas de
distorção material, quer causada por fraude quer
por erro “Existe sempre risco”
Risco e Fraude
O risco de não detectar uma distorção material
resultante de fraude é mais elevado Envolve,
normalmente, formas de ocultação:
• Falsificação
• Omissão de registo de transacção
• Declarações falsas ao auditor
Que se agravam quando há conluio

O risco de não detectar uma distorção material


resultante de fraude da gestão é mais elevado
Risco e Fraude

Incentivos/pressões – a gestão ou os empregados têm um incentivo ou estão sob


pressão
Oportunidade – a inexistência de controlos ou a capacidades de os ultrapassar
Atitude/racionalização – personalidade que admite a fraude
Risco e Fraude
Objectivos do auditor perante a fraude
• Identificar e avaliar os riscos de distorção material das DF devido a fraude
• Obter prova apropriada e suficiente acerca dos riscos avaliados de
distorção
• Material devida a fraude
• Responder apropriadamente a fraude identificada ou sob suspeita
Exige
• Maior atitude de cepticismo profissional em toda a auditoria
• Mais debate entre a equipa de trabalho quanto ao risco de fraude
• Indagações à gerência sobre a sua actuação relativamente ao controlo e
prevenção de fraudes
• Compreensão da acção de supervisão dos encarregados de governação
• Relacionamentos com resultados dos PA
Nota: Avaliar como afectou as DF como um todo e as asserções ao nível das
transacções, saldos e divulgação
Prova Introdução
Prova Introdução
Prova Introdução
Prova Introdução
Prova Introdução
Prova-Estrutura Conceptual
Prova-Estrutura Conceptual
Prova- Conceito
Prova – conceito
Noção: é qualquer informação utilizada pelo auditor para
determinar quando uma informação que está a ser
auditada está relatada de acordo com o critério
estabelecido. “”Informação em que se baseia a opinião”
Compreende:
• Informação proporcionada pelos documentos
comprovativos e registos contabilísticos subjacentes às
DF
• Informação corroborativa provenientes de outras
fontes
Prova – Características
Prova – Características
Prova – Características
Suficiencia
Prova – Características
Prova – Procedimentos
Prova – Procedimentos
Prova – Procedimentos
Prova – Procedimentos
Prova – Procedimentos
Prova – Testes

Os procedimentos podem ser classificados atendendo aos objectivos a


atingir, em:
• Procedimento para avaliação do risco
• Testes de controlo
• Testes substantivos (ou procedimentos substantivos)

Procedimento para avaliação do risco


• São procedimentos que se realizam para tomar conhecimento de:
• Políticas e procedimentos contabilísticos
• Plano de contas
• SCI de forma a permitir elaborar um esquema de como deve
funcionar o SCI
Nota: Fazer o levantamento do CI
Prova-Testes

Testes de controlo
São realizados para obter prova sobre os sistemas contabilístico e de
CI, com vista a:
- Constatar a sua existência
- Avaliar se é adequada a sua concepção
- Avaliar o seu funcionamento eficaz ao longo do período sob exame

• Confirmam procedimentos contabilísticos e as medidas de controlo


interno.
• Testam atributos (conclusões do tipo sim ou não) ou determinam
uma taxa de ocorrência
Nota: Verificar o que se faz
Prova-Testes
Prova – Procedimentos analíticos
Prova – Procedimentos analíticos
Processo de revisão analítica
Revisão analítica – o processo de planeamento,
execução e elaboração de conclusões a partir dos
procedimentos analíticos
Consiste em 4 fases:
• Formação das expectativas
• Identificação das diferenças
• Investigação das causas
• Avaliação e formação da opinião
Prova – Procedimentos analíticos
Prova – Procedimentos analíticos
Prova – Procedimentos analíticos
Prova – Procedimentos analíticos
Prova – Procedimentos analíticos
Prova – Procedimentos analíticos
Como testes substantivos
Requisitos segundo a ISA 520
 Adequação do tipo de PA a utilizar
• Grandes volumes de transacções que tendem a ser previsíveis
• Quando há dados objectivos não são necessários procedimentos
sofisticados. Ex: Uma remuneração fixa no período para um nº conhecido
de empregados é suficiente para estimar e validar os gastos com o pessoal
• Há níveis diferentes de segurança associados aos diferentes tipos de PA
• A natureza da asserção e a avaliação do RDM influencia a adequação do
PA
• Podem ser um complemento dos testes de pormenor
 Fiabilidade dos dados que servem para formular as expectativas
 Avaliar se a expectativa é suficientemente precisa para identificar uma
distorção
 Determinar a quantia da diferença considerada aceitável sem
investigação
Prova – Procedimentos analíticos
Como testes substantivos
Desvantagens
-Podem demorar mais tempo a serem desenhados
-Podem ser menos eficazes do que os testes de detalhe
-Podem não dar os resultados desejados todos os anos
Períodos de:
• Instabilidade, Mudanças rápidas,
• Assim, frequentemente, há necessidade de serem
corroborados:
Recolha de prova suficiente para justificar as diferenças
significativas
Prova – Procedimentos analíticos
Prova – Procedimentos analíticos
Na fase final de auditoria
Objetivo:
Formar opinião global sobre as DF

Deve atender a:
• Se todas as flutuações significativas ou itens não usuais estão
justificados
• Se as DF dão uma imagem consistente com os resultados da
auditoria e com o conhecimento do negócio.
No caso de identificação de distorção material entre as expectativas e
os valores contabilísticos, podemos ter de:
-Reavaliar os procedimentos usados
-Realizar novos testes substantivos complementares
Prova – Procedimentos analíticos
Armadilhas
-Expectativas e previsões não suficientemente precisas
-Falta de fiabilidade dos dados a usar
-Uso excessivo e inadequado, levando a relações e rácios
inúteis
-Aceitar explicações não realistas ou imprecisas
-Investigar de igual forma as diferenças significativas e as
não significativas
-Colocar pessoal pouco experiente na análise dos
resultados
Prova – Amostragem
Prova – Amostragem
Prova – Amostragem
Prova – Amostragem
Prova – Amostragem
Prova – Amostragem
Prova – Amostragem
Prova – Amostragem
Prova – Amostragem
Prova – Avaliação
Prova – Avaliação
Prova – Documentação
Prova – Documentação
Prova – Documentação
Prova – Documentação
Prova – Documentação
Materialidade/Risco/Prova