UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

A AUDITORIA NA PREVENÇÃO E DETECÇÃO DE FRAUDES NA GESTÃO PÚBLICA: Um Estudo à Auditoria no Combate às Fraudes e à Corrupção

por PAULO SERGIO SIQUEIRA BASTOS

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EXAME DE DISSERTAÇÃO

BASTOS, Paulo Sergio Siqueira. A Auditoria em Fraudes na Gestão Pública: Um Estudo à Auditoria no Combate às Fraudes e à Corrupção. Dissertação apresentada no Programa de Mestrado em Ciências Contábeis. Universidade do Estado do Rio do Janeiro, primeiro semestre de 2007.

BANCA EXAMINADORA

_______________________________________ Professor L.D. Julio Sergio de Souza Cardozo _______________________________________ Professor Dr. Ricardo Bezerra Cavalcanti Vieira _______________________________________ Professor L.D. Lino Martins da Silva

Examinada a dissertação: Conceito Em: ____/____/ 2007.

A AUDITORIA EM FRAUDES NA GESTÃO PÚBLICA Um Estudo à Auditoria no Combate às Fraudes e à Corrupção

por PAULO SERGIO SIQUEIRA BASTOS Universidade do Estado do Rio de Janeiro Faculdade de Administração e Finanças

Dissertação apresentada ao Programa de Mestrado em Ciências Contábeis – requisito parcial à obtenção do título de Mestre. Orientador Prof. L.D. Lino Martins da Silva

Rio de Janeiro, primeiro semestre de 2007.

pelas maravilhas que tem feito em minha vida. pelo incentivo e apoio nos estudos desde minha infância. . pelo amor. Aos meus pais.A Deus. alegria e paz no lar. À minha esposa Michele e meu pequeno Gabriel.

” Jesus Cristo. 26 .“Não tenhais medo dos homens. in Mateus 10. e nada há de escondido que não venha a ser conhecido. pois nada há de encoberto que não venha a ser revelado.

Os órgãos de controle precisam atuar de forma mais efetiva e ágil para a minimização de perdas. Em casos recentemente ocorridos no Brasil. “Sanguessugas”. o ciclo de vida da fraude. ganha importância neste contexto. Para tanto. as expectativas em auditoria.RESUMO A fraude e a corrupção é um problema mundial que tem exigido maior atenção dos governos e dos órgãos de controle internos e externos. novas ferramentas no combate às fraudes. Palavras-chave: Auditoria. O objetivo desta dissertação é o estudo de melhores procedimentos e técnicas de auditoria que venham a proporcionar maior segurança dos controles e combater com mais veemência os tipos de fraudes e corrupção ocorridos no governo. A auditoria passa a exigir um modelo desenvolvido especificamente para atuação no combate às fraudes e corrupção e. sinais (indícios ou alertas) de fraudes. prevenção e detecção de fraudes organizacionais. Observou-se que os tipos de auditoria destacados em consultas bibliográficas não abordam a auditoria de fraudes como espécie do qual auditoria é gênero. Fraude. práticas e técnicas de auditoria direcionadas para a apuração dos fatos. Procedimentos de auditoria. dentre outros assuntos correlatos. ficou evidente a necessidade de atuação no combate às fraudes e à corrupção. São também abordados temas como: as causas e efeitos da fraude. por sua natureza de independência da execução. os quais ficaram conhecidos por “Mensalão”. Corrupção. a atuação dos órgãos de controle. “Vampiros”. são realizados estudos de dois casos de fraudes e corrupção recentemente ocorridos: “Fraude nos Correios” e a “Operação Vampiro”. denotando que a avaliação de fraudes somente tem sido realizada dentro de outros trabalhos específicos. . dentro deste modelo. A auditoria. fases e peculiaridades da auditoria de fraudes.

The control agencies need to act in a more agile and effective way to minimize losses. . for its nature of independence of the operational actions. the fraud cycle of life’. Thus. The auditing. “Vampiros”. They are also covered subjects such as: the causes and effects of the fraud. Auditing procedures. which had been known by “Mensalão”. new tools in the combat to the frauds.ABSTRACT The fraud and the corruption are a worldwide problem that has demanded bigger attention of the governments and the internal and external agencies of control. It was observed that the types of auditing pointed in bibliographical references do not approach the auditing of frauds as species of which auditing is sort. the signs of frauds or “red flags”. The auditing starts to demand a model specifically developed to action against the frauds and corruption and. there are evidences of the necessity of an action towards the combat the frauds and the corruption. “Sanguessugas”. Corruption. phases and peculiarities of the fraud auditing. the expectations in auditing. In cases recently occurred in Brazil. inside this model. the performance of the control agencies. The objective of this dissertation is to study better auditing procedures and techniques that come to provide greater security of the controls and to vehemently fight the types of frauds and corruption ocurred in the government. studies of two cases of fraud and corruption recently detected in Brazil are carried: Fraud in the Brazilian Post Office (“Correios”) and the “Operação Vampiro”. Fraud. denoting that the evaluation of frauds has only been carried through inside other specific works. prevention and detection in frauds organizations. gains importance in this context. amongst other correlate subjects. practical and directed techniques of auditing for the verification of the facts. Keywords: Auditing.

Natureza.Diferenças entre Auditoria Interna e Externa Quadro 4 – Estrutura do Controle Interno no Brasil em agosto/2006 Quadro 5 – Tipos de Auditoria e seus Objetivos Quadro 6 – Red Flags Quadro 7 – Classificação e Característica das Red Flags Quadro 8 – The Ten Commandments of Detecting Frauds Quadro 9 – Evidência Corroboradora: Tipos. Confiabilidade e Exemplos Quadro 10 – Sinais Típicos da Corrupção (Red Flags) Quadro 11 – Recomendações e Determinações do TCU Quadro 12 – Procedimentos de Auditoria x Pontos/Fragilidades Quadro 13 – RED FLAGS baseadas nos depoimentos prestados à CPMI dos Correios Quadro 14 – Principais Irregularidades Detectadas nas Auditorias do TCU nos Correios Quadro 15 – Procedimentos de Auditoria Utilizados – CGU e TCU Quadro 16 – Irregularidades Constatadas pela CPMI dos Correios 26 35 44 49 52 55 59 62 68 73 78 82 86 88 91 94 .LISTA DE QUADROS Quadro 1 – Motivations Towards Fraud and Corruption Quadro 2 – Alguns eventos históricos em Auditoria Quadro 3 .

.

LISTA DE TABELAS E FIGURAS Tabela 1 – Índice de Percepção de Corrupção .TCU Figura 5 .Mapeamento das Red Flags e Demais Pontos de Auditoria – CGU 51 53 70 89 90 .2005 31 Figura 1 – Artigo 74 da Constituição Federal Figura 2 – Ciclo de Vida de Fraude Figura 3 – Confiabilidade de Evidência Documentária Figura 4 – Mapeamento das Red Flags e Demais Pontos de Auditoria .

LISTA DE ABREVIATURAS OU SIGLAS ACFE ACL AICPA Association of Certified Fraud Examiners (Estados Unidos da América) Audit Command Language (programa informatizado para auditoria) American Institute of Certified Public Accountants (Estados Unidos da América) Audibra BID CFC CGRL/MS CGU CMN CNPJ COMEC Instituto dos Auditores Internos do Brasil Banco Interamericano de Desenvolvimento Conselho Federal de Contabilidade Coordenação Geral de Recursos Logísticos do Ministério da Saúde Controladoria Geral da União Conselho Monetário Nacional Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas Coordenação de Suprimento de Medicamentos e Correlatos do Ministério da Saúde COPEF Coordenação de Programação e Execução Orçamentária e Financeira do Ministério da Saúde .

COSUP CPL CPMI CVM DECAM DPE ECT FGV FMI GAO IAA IFAC IRB ISA MPF MPU NAO NBC P NBC T NBC T – IT ONG ONU PNUD RECI.Profissionais Normas Brasileiras de Contabilidade .Técnicas Normas Brasileiras de Contabilidade – Técnicas – Interpretação Técnica Organização Não Governamental Organização das Nações Unidas Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento R-Responsável / E-Executor / C-Consultado / I-Informado Sistema de Acompanhamento de Processos em Andamentos do Ministério da Saúde SDE/MJ SEC Secretaria de Direito Econômico do Ministério da Justiça Security Exchange Comission (Estados Unidos da América) . Diretoria de Programas Estratégicos do Ministério da Saúde Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos Fundação Getúlio Vargas Fundo Monetário Internacional General Accounting Office (Estados Unidos da América) The Institute of Internal Auditors (Estados Unidos da América) International Federation of Accountants Instituto de Resseguros do Brasil International Standards on Auditing Ministério Público Federal Ministério Público da União National Audit Office (Reino Unido) Normas Brasileiras de Contabilidade . Análise SAPA Coordenação de Suprimento e Controle Patrimonial do Ministério da Saúde Comissão Permanente de Licitação Comissão Parlamentar Mista de Inquérito Comissão de Valores Mobiliários Departamento de Contratação e Administração de Material da ECT.

Análise S.SWOT.Opportunities (oportunidades) / T-Threats (ameaças) TC TCE TCU Tomada de Contas Tribunal de Contas do Estado Tribunal de Contas da União .Weaknesses (fraquezas) / O.Strengths (forças) / W.

REFERENCIAL TEÓRICO 5.1.3.2.1.1.2. DELIMITAÇÃO 2.2.Expectativas em Auditoria 5.Diferenças de Expectativas 5.SUMÁRIO 1.1.2. OBJETIVO 2.1.Detecção de Fraudes: Nova Demanda? 13 15 18 18 19 19 20 21 23 23 23 25 29 32 32 35 38 41 .1. HIPÓTESES DE PESQUISA 3.Causas e Efeitos 5. METODOLOGIA 5. INTRODUÇÃO 1.3.2. QUESTÕES A INVESTIGAR 2.Atuação no Combate 5.Síntese Histórica 5. PROBLEMA 2.1.2. FRAUDE E CORRUPÇÃO 5.2. RELEVÂNCIA DO TEMA 4.Definições 5.3.1. A AUDITORIA 5.2.4.

2.2. A AUDITORIA NA PREVENÇÃO E DETECÇÃO DE FRAUDES E CORRUPÇÃO 5.2. SUGESTÕES E RECOMENDAÇÕES REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS APÊNDICE A .Atuação dos Órgãos de Controle e Auditoria no Brasil 5.1.4. Atuação Prévia dos Órgãos de Controle e Procedimentos de Auditoria Utilizados 6.3.6.3.3.1.Organização Brasileira 5. Delimitação para o Presente Estudo 6.1.1. CONCLUSÕES.2.ESTUDO DOS CASOS PROPOSTOS 6. PRÁTICAS. TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS DE AUDITORIA 5.5.2.3. “OPERAÇÃO VAMPIRO” 6.Trechos de Depoimentos Prestados à CPMI dos Correios Vinculados às Red Flags APÊNDICE B .2.SP 1. Histórico 6. AUDITORIA INTERNA E EXTERNA NA GESTÃO PÚBLICA 5. “Red Flags” 6.2.Principais Irregularidades Detectadas nas Auditorias do TCU nos Correios APÊNDICE C – Principais Fragilidades Detectadas nas Auditorias da CGU nos Correios 44 47 49 51 54 62 70 76 76 76 78 83 83 85 85 87 95 100 104 112 120 125 .Tipos de Auditoria na Área Pública 5.5.3.3.2. Histórico 6.3.Fraude Nos Correios e Mensalão 6.4. Atuação Prévia dos Órgãos de Controle e Procedimentos de Auditoria Utilizados 6.1.1.ATUAÇÃO EXIGIDA DOS ÓRGÃOS DE CONTROLE E PROCEDIMENTOS DE AUDITORIA APLICÁVEIS 7. O EXEMPLO DA CIDADE DE RIBEIRÃO BONITO .

1. que tem como função básica a promoção do bem estar social através de recursos arrecadados principalmente pela tributação. 2003”. alguns números destacados impressionam:  67% das empresas já foram vítimas de fraudes.INTRODUÇÃO A indignação social decorrente dos mais diversos casos de corrupção divulgados pela imprensa tem sido crescente nestes últimos anos. os casos de corrupção têm sido explorados pela imprensa mundial. O sentimento de impunidade. rotulado popularmente como “tudo acaba em pizza”. por exemplo. despertando maior mobilização no combate às fraudes e corrupção. a Revista Exame apresentou o assunto em sua capa com o seguinte título “Corrupção – o custo dessa praga para os negócios e para o País”. aflorou em especial pela falta de crença de uma mudança ético-cultural radical para uma convivência harmônica e compromissada com a verdade. Em se tratando do governo. cujo título é “Fraude e Corrupção no Brasil: A Perspectiva do Setor Privado. O assunto tem tomado capas de jornais e revistas de todo o Brasil. Os debates sobre fraudes e corrupção têm se tornado cada vez mais acalorados. Na pesquisa realizada pela ONG Transparência Brasil (em colaboração com a Kroll The Risk Consulting Company). a moral e o bem. baseando-se em pesquisas realizadas pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e pela ONG Transparência Brasil. . Em 20/07/2005.

dentre outros organismos internacionais passaram a desenvolver estudos e análises sobre o tema com desenvolvimento de políticas e programas anticorrupção. na eleição do presidente George Bush. entre outros países. Certamente. discorda: (.) Na Bélgica. Itália. as ações do governo precisam de maior transparência. o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).. Há um mito de que a corrupção é um problema dos países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento. tanto nas instituições quanto na sociedade. por muito tempo.    Ao contrário do que muitos pensam. fiscalizações técnicas.) Os países tidos como os maiores corruptores (ativos) são exatamente os mais desenvolvidos. a Organização das Nações Unidas (ONU).. a corrupção desempenha hoje. 21% (apenas) corresponde à recuperação média das perdas com fraudes nas empresas. Os Estados Unidos. A questão tomou proporção mundial e passou a receber maior análise da parte de vários organismos e governos. a corrupção não é um problema estritamente do Brasil. p. Diante de um quadro mundial tão alarmante. . apenas para citar alguns dos países que enfrentam problemas semelhantes. São necessárias medidas em todas as funções de governo: o Poder Legislativo. clareza e divulgação dos procedimentos e resultados. Hong Kong. entretanto. Klitgaard (1994) realiza uma análise de alguns casos de corrupção ocorridos nas Filipinas. As leis precisam ser revisadas para torná-las menos complexas e burocráticas. Rússia e Espanha. Japão. Os processos legais necessitam de maior agilidade. Cingapura e na Coréia. divulgação.. Ribeiro (2004. são várias as frentes de trabalho exigidas para combater esse mal. agilidade e ter como propósito o combate às maiores causas das fraudes e corrupção internas. atravessaram sérios problemas por indícios de fraudes. (. 23). Enfim. incluindo o Brasil. grande parte da corrupção do Terceiro Mundo conta com uma importante participação do chamado Primeiro Mundo.. um papel mais preocupante do que em outras épocas de que se tenha memória recente. o que demonstra ser difícil atribuí-la exclusivamente ao Terceiro Mundo. conviveu com o crime organizado e corrupção daquela que ficou mundialmente conhecida por Máfia Italiana. o Poder Judiciário e o Poder Executivo. 62% das empresas que já participaram de licitações públicas foram sujeitas a pedido de propinas. o Fundo Monetário Internacional (FMI). Ademais. Mais de 82% das empresas consideraram que a cobrança de propinas e a prática de nepotismo é freqüente nas licitações. 53% das empresas já foram achacadas por parte de agentes públicos quanto à propina ou outros pagamentos indiretos com respeito a impostos e taxas. A Itália. fiscalizações tributárias e polícia. enquanto entre os mais corrompidos (passivos) encontram-se precisamente os subdesenvolvidos.

Para tanto. a Auditoria não compromete a ação da Administração por ter a natureza primária da independência da execução. em geral. Peter & Machado. eficazes e efetivas e colaborar no combate às fraudes e corrupção. de forma geral. Um desses controles tem se dado pelo uso da tecnologia da informação e de poderosos programas informatizados que permitem o acompanhamento imediato das ações da gestão. os quais vinham a tornar mais morosos os sistemas administrativos. eram criadas dificuldades que acabavam sendo resolvidas com a “venda de facilidades” (propinas). Tais tecnologias. mas pretende-se avaliar as técnicas utilizadas no combate às fraudes e corrupção. passou a crescer a importância de controles salutares ao governo que pudessem acompanhar o início. criar obstáculos temporais comprometedores à agilidade requerida. PROBLEMA Observando a literatura especializada em Auditoria Governamental. utilizadas plenamente. 2003. identificar os casos recentemente divulgados e realizar um estudo criterioso com a finalidade de tornar as auditorias mais eficientes. o presente estudo está dividido em duas grandes partes. Isto porque. em especial os efeitos e a atuação no combate.Por muito tempo se confundiu que o combate às fraudes e corrupção no governo se daria através de fortalecimento de controles burocráticos internos. A partir de então. até mesmo contrariamente ao objetivo almejado. hão de revolucionar os sistemas de controle e auditoria dos órgãos governamentais. auditoria contábil e auditorias especiais. a aplicação da auditoria em fraudes com um exemplo da cidade de Ribeirão Bonito – SP. meio e fim das ações dos gestores públicos sem. Dentro de cada um dos trabalhos de auditoria tipificados. auditoria de programas. a auditoria na área pública. há exigência de avaliação quanto às práticas inadequadas que podem resultar fraudes e erros relevantes. Audibra. Na primeira parte. auditoria de sistemas. são apresentados os estudos de dois casos de fraudes. auditoria de gestão.1. por vezes. a Auditoria sozinha não há de resolver e sanar todos os casos de fraudes e corrupção. os quais são analisados para cumprimento do objetivo desta pesquisa. nota-se que esta tem sido classificada geralmente nas seguintes modalidades (Lima & Castro. Entretanto. Na segunda parte. aumentavam os gastos da máquina estatal e. 1992): auditoria operacional. contudo. A Auditoria (mesmo diante das críticas mais inusitadas) ganha importância capital dentre as formas de atuação do controle interno no combate às fraudes e corrupção. Certamente. e. 1. 2003. por fim. auditoria de desempenho. as . será feita uma abordagem sobre: fraudes e corrupção. a origem da auditoria e as expectativas.

2005). as quais dispõem que não é objetivo precípuo do auditor a detecção de fraudes e erros. “o fato de haver uma auditoria anual poderia atuar como fator dissuasório” (Normas Internacionais de Auditoria. mas que deve planejar seus trabalhos com vista a detectar fraudes e erros relevantes. Ou seja. noticiados pela imprensa brasileira. é a disciplina que tem por objeto de estudo os julgamentos de valor na medida em que estes se relacionam com a distinção entre o bem e o mal (Priberam ‘On-Line’. . NBC T 11 e NBC T 11-IT 03). A NBC T 11-IT 03. Talvez nunca se tenha aprofundado tanto na Academia.auditorias são planejadas com um foco específico que acabam por não contemplar a possibilidade de ocorrências de fraudes. pode-se destacar as normas profissionais de auditor independente. as normas de auditoria independente das demonstrações contábeis e a interpretação técnica dada a fraudes e erros (NBC P 1. antecedendo-se aos recentes casos de quebra de empresas e queda de cotação em bolsa (Enron. sua moral. que sequer passaram por uma análise prévia dos órgãos de controle. Xerox. empresarial e pública. a de nº 240 editada pelo International Federation of Accountants (IFAC). Fato é que a prevenção e detecção de fraudes passam a exigir trabalhos direcionados e de rotina com este objetivo específico. a respeito da necessidade de ser promovida maior ética em todas as instâncias organizacional. WorldCom. nota-se que a prevenção e detecção de fraudes não vem sendo tratada como um exame específico. sonegação fiscal e inculturação de atitudes imorais e antiéticas freqüentemente justificadas pelos indivíduos através do jargão “todo mundo faz”. como atualmente. buscou explicitar com mais detalhes a responsabilidade do auditor nas fraudes e erros. Tais notícias têm efeito colateral devastador sobre a descrença nos governos. conforme se pode verificar em documentos disponíveis na internet pelo The Institute of Internal Auditors (IAA) e pela Association of Certified Fraud Examiners (ACFE). seu costume. Pode-se citar também. a qual ressaltava que embora o auditor não fosse o responsável pela prevenção de fraudes. Parmalat. À medida que o tema “corrupção e fraude” ganhou relevância mundial. Outra questão que merece atenção é a quantidade de casos de fraudes e corrupção envolvendo agentes públicos. 1998). tendo sido revisada e atualizada imputando maiores responsabilidades ao auditor na obtenção de razoável certeza da inexistência de fraude ou erros relevantes e exigindo do profissional elevado grau de ceticismo (Normas Internacionais de Auditoria. seu caráter. Em filosofia. dentre outros) em que os auditores independentes acabaram sendo penalizados pelo mau planejamento dos trabalhos e pela falta de previsão de fraudes. A ética compreende a disposição natural do homem na vida. desencadeou-se uma discussão de sua maior causa: a crise ética. Dentre as normas de auditoria editadas pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC). 2006). titulada “Fraude e Erro”. dentre as normas internacionais de auditoria.

Os órgãos públicos de controle e auditoria precisam de uma postura mais investigativa. e atitudes imediatas coercitivas e corretivas que demonstrem a seriedade. As técnicas de auditoria exigidas não podem se restringir tão somente às análises de conformidade documental. compromissada em apresentar informações fidedignas completas. sobretudo. em seus exames. austeridade e força do governo. mas avançar. em um novo campo que propicie auditorias mais completas e efetivas. 2003). as quais raramente são trazidas pela imprensa. com o propósito de serem desenvolvidas estruturas organizacionais e procedimentos de controle preventivos que permitam minimizar os riscos de fraude e de mensurar o desempenho ético da organização e seu efeito social (Raven.Também a auditoria. tem desenvolvido pesquisas quanto à ética organizacional para informar aos dirigentes sobre vulnerabilidades éticas. .

2. Para a avaliação quanto às melhores técnicas e aos procedimentos de auditoria no combate às fraudes e corrupção foi considerada a literatura nacional e estrangeira. foram analisados os que ficaram conhecidos como “Operação Vampiro”. (2) identificar as falhas de controle que facilitaram os desvios. DELIMITAÇÃO Dentre os casos recentemente divulgados pela imprensa e que tiveram repercussão nacional. forma. estado de São Paulo ocorridos entre 2001 e 2005. se possível. “Fraude nos Correios” e corrupção na cidade de Ribeirão Bonito.OBJETIVO O objetivo principal desta pesquisa foi estudar melhores procedimentos e técnicas de auditoria que venham a proporcionar maior segurança dos controles e combater com mais veemência os tipos de fraudes e corrupção ocorridos no governo. . Para atender ao objetivo principal foram estabelecidas algumas etapas: (1) avaliar alguns dos mais recentes casos em fraudes e corrupção ocorridos no governo quanto à origem. (3) consultar a atuação prévia dos órgãos de controle e auditoria e. conseqüência. as técnicas de auditoria utilizadas. 2.1.

de alguma forma. como inspeção física e confirmação externa. o Tribunal de Contas da União (TCU) e a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Correios. Outra hipótese a ser avaliada é a de que os órgãos de controle e auditoria utilizaram-se demasiadamente do procedimento de auditoria de análise documental. em comparação aos de avaliação de campo ou externa. as técnicas de auditoria aplicadas não foram suficientes para diagnosticar a existência de fraude e/ou corrupção. em especial a Controladoria Geral da União (CGU). HIPÓTESES DE PESQUISA Partiu-se da hipótese de que os casos de fraudes e corrupção sob análise não foram previamente detectados pelos órgãos de controle e auditoria do governo. ainda que realizado qualquer trabalho específico. previamente detectados pelos órgãos de controle e auditoria? Se afirmativo. dentre outros estritamente de conformidade. QUESTÕES A INVESTIGAR Pretende-se com esse trabalho responder às seguintes questões: (1) Os recentes casos de fraudes e corrupção no governo foram. 2.2.3.Para verificação das técnicas e procedimentos de auditoria adotados foram considerados os trabalhos realizados pelos órgãos de controle e de auditoria. E. quais técnicas de auditoria foram aplicadas nesses casos? (2) Que procedimentos ou melhores técnicas poderiam ter sido adotadas nos casos em estudo como forma de atuação da auditoria? 2. .

A diferença de expectativas tem sido assunto de várias pesquisas realizadas no âmbito da auditoria (Almeida.RELEVÂNCIA DO TEMA A sociedade tem exigido que a função de auditoria seja cada vez mais interveniente no diagnosticar de situações fraudulentas e atos ilegais. Adams & Evans. 2004. uma das formas de monitoramento do fim que está sendo dado aos recursos arrecadados é a auditoria.3. O produto de auditoria tem sido alvo de críticas em decorrência do gap existente entre as expectativas dos usuários das informações e o desempenho idealizado e oferecido pelos órgãos de controle. The Institute of Internal Auditors – IIA). . Hojskov. International Federation of Accountants – IFAC . para isso. 2004. 1998).AICPA . Os gestores de recursos públicos são exigidos a fazerem bom uso do dinheiro do povo e. podendo também ser encontrada em documentos disponíveis na internet (American Institute of Certified Public Accountants . Com o presente trabalho pretende-se reduzir o gap existente e colaborar para que a auditoria proporcione maior valor público e efetivamente aja reduzindo os casos de fraudes e corrupção no governo.

traçando o caminho a ser seguido. pela . sem os quais não há ciência. em especial em atas e relatórios disponibilizados pelo Tribunal de Contas da União (TCU). p. 83) ressaltam a importância dos métodos científicos. Quanto aos fins. pp. tendo finalidade prática.4. pois é motivada pela necessidade de resolver problemas concretos. Lakatos & Marconi (1994. 4649). detectando erros e auxiliando as decisões do cientista. p. Dentre esses. podem ser classificados quanto aos fins e quanto aos meios. classificamos como: a) Investigação documental – por ser realizada em documentos de órgãos públicos. com maior segurança e economia. Quanto aos meios. destacamos para essa pesquisa os métodos histórico e comparativo por colaborarem no estudo da auditoria no que tange aos seus primórdios. permite alcançar o objetivo – conhecimentos válidos e verdadeiros –. mediante a proposição de melhores técnicas e procedimentos de auditoria na prevenção e detecção de fraudes. Quanto ao tipo de pesquisa realizado. seu principal foco de atuação em séculos anteriores e nos dias atuais. possui métodos específicos que contribuem de forma mais restrita em termos de explicação geral dos fenômenos (e menos abstratas) e que seriam etapas mais concretas da investigação. como ciência social aplicada. classificamos a presente pesquisa como aplicada. Definem métodos como “o conjunto das atividades sistemáticas e racionais que.METODOLOGIA Lakatos & Marconi (1994. seguindo a proposição de Vergara (2004.” A Contabilidade. 106) os denomina métodos de procedimento.

pois não foi possível acesso às informações protegidas por sigilo da Polícia Federal e Ministério Público da União. ou seja. da 1a. b) Pesquisa bibliográfica – pelo estudo desenvolvido com base em material publicado ou divulgado em livros. revistas. redes eletrônicas (internet). da CGU e da CPMI dos Correios. O método qualitativo “é mais subjetivo e envolve examinar e refletir as percepções para obter um entendimento de atividades sociais e humanas” (Collis & Hussey. Câmara do Tribunal. 26). Uma outra classificação dada à pesquisa é ser predominantemente qualitativa. O universo dessa pesquisa está restrito às atuações do TCU. c) Investigação ex post facto – por referir-se a fatos já ocorridos. em todo material acessível ao público em geral. As atuações da CGU puderam ser verificadas com base em relatórios de auditoria. Há que se considerar que a escolha deveu-se principalmente à adoção do método de estudo de casos. à exceção daquelas divulgadas pelas respectivas assessorias de imprensa dos órgãos. As atuações da CPMI dos Correios. jornais. . pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Correios. 2005. dentre outros. p. Câmara e da 2a. E a atuação do TCU mediante análise das Atas e Acórdãos das Sessões Plenária. e d) Estudo de casos – por encontrar-se circunscrita a duas ocorrências de fraudes no Brasil.Controladoria Geral da União (CGU). através do Relatório Final dos Trabalhos divulgado.

A última subseção traz um exemplo de auditoria aplicada em um caso de fraude ocorrido na cidade de Ribeirão Bonito do Estado de São Paulo. Na segunda subseção. Na primeira subseção. O Código Penal Brasileiro apresenta fraude como elemento típico do estelionato.1. pode-se considerar que é o ato de utilizar-se de artifícios com a intenção de prejudicar outrem. logro.1. engano. é apresentado o problema fraude e corrupção. 5. a auditoria na prevenção e detecção de fraudes e os procedimentos de auditoria aplicáveis em fraude.5. burla. Assim. FRAUDE E CORRUPÇÃO 5.1. induzindo ou . vantagem ilícita.REFERENCIAL TEÓRICO A presente seção encontra-se capitulada em seis subseções. 2006). destaca-se a auditoria e as expectativas históricas. que significa “obter. Em seguida. contrabando (PRIBERAM. para si ou para outrem. em prejuízo alheio. apresentam-se as subseções de auditoria na gestão pública.Definições O termo fraude em seu sentido mais amplo significa dolo.

1993. fraude pode ser definida como ato intencional de omissão ou manipulação de transações. Corruption can lead to fraud which is but one of the effects caused by corruption. 2003” quanto à fraude e corrupção no Brasil. 01) no qual estabelece as seguintes definições para os termos: Fraude: processo de enriquecimento privado por burla de normas públicas ou privadas. Na fraude.mantendo alguém em erro. ou qualquer outro meio fraudulento”(Art. From an audit viewpoint corruption is more complex than fraud. 3)1 Na fraude podem ser complexas as condições que a desencadearam. Do ponto de vista da auditoria. (NBC T 11 – IT 03 – Fraude e Erro / International Standards on Auditing . o agente é sempre um cidadão privado. extorsão. (JONES. registros e demonstrações contábeis. p. corrupção é mais complexa que fraude”. (d) registro de transações sem comprovação. It is a state of mind or ethos that can spread among individuals that make up an organization. Por corrupção pode-se inferir que são atos ou atitudes praticadas por um agente que se vale de sua posição ou cargo para interesses próprios ou interesse de outros com os quais esteja coadunado. nepotismo. p. adulteração de documentos. São exemplos: suborno. mediante artifício. propinas.ISA 240) Na apresentação de “A perspectiva do setor privado. Diferentemente. à empresa ou organização. falsificação ou alteração de registros ou documentos. as condições que favorecem a corrupção são mais complexas e difíceis de serem evidenciadas. podendo ser caracterizado por: (a) manipulação. Corrupção: processo em que um administrador público aufere vantagens ou rendimentos indevidos aproveitando-se de sua posição. desvios de recursos. a qual é apenas um dos efeitos causados pela primeira. e (e) aplicação de práticas contábeis indevidas. tráfico de influência e lavagem de dinheiro. (c) supressão ou omissão de transações nos registros contábeis. (b) apropriação indébita de ativos. A detecção de corrupção em uma rotina de 1 Tradução livre dada pelo autor desta dissertação: “A corrupção é de forma geral menos tangível que a fraude. sem participação da parte prejudicada. A corrupção sempre envolve um administrador público e um co-participante privado (empresa ou indivíduo). Representa um estado de espírito ou ética disseminada entre os indivíduos de uma organização. Em contabilidade. mas de forma geral é possível detectar sua existência. Baseia-se em um estado de espírito do indivíduo que o leva a prejudicar alguém. . Corruption is usually less tangible than fraud. 171 do Código Penal Brasileiro). A corrupção pode conduzir à fraude. a ONG Transparência Brasil em conjunto com a Kroll The Risk Consulting Company emitiu um relatório (2004. praticados por um ou mais indivíduos da administração da entidade ou por terceiros com o intuito de obtenção de vantagens injustas e/ou ilegais. ardil. A diferença principal entre fraude e erro é a intenção dolosa existente somente no primeiro. A corrupção difere da fraude por ser mais intangível. de modo a modificar os registros de ativos. passivos e resultados.

g. UK. cidade de Londres). em especial quanto a experimentos de cálculo do “grau” de corrupção. 1993. a sociedade e a credibilidade das instituições políticas. 4) concluiu que havia institutos e organizações que procuravam classificar e mensurar os casos de fraude. Confirmando a assertiva. Favorecimento é uma das principais manifestações da corrupção que não são registradas. enquanto não notadas. e pelas quais o corrupto possui (5) autoridade. Jones (1993. Ao contrário. 23) propõe uma definição composta de cinco condições que devem ser satisfeitas simultaneamente: “Corruption occurs when a corruptor (1) covertly gives (2) a favour to a corruptee or to a nominee to influence (3) action(s) that (4) may benefit the corruptor or a nominee. Senior (2004. Occasionally fraud crime statistics are published on an industrial sector basis. Uma das dificuldades em acompanhar e mensurar casos de corrupção deve-se à dificuldade de se encontrar uma definição universalmente aceita para o termo. the city of London). The quantifiable extent of fraud is sometimes estimated by writers who refer to types of fraud (e. Exemplos incluem o levantamento das fraudes por computador realizado aproximadamente a cada três anos pelo Comitê de Auditoria. Notou ainda que as tentativas mais corriqueiras de quantificação encontram-se baseadas em três diferentes indicadores: os escândalos relatados na mídia.” . The most that can be assumed is that the known cases of fraud form but part of the total illegal or unjust actions of corrupt individuals. Sênior (2004) tece considerações quanto às definições apresentadas sobre corrupção e aponta como maior crítica o fato de a grande maioria delas apresentá-la como um fenômeno aplicável somente ao setor público. Reino Unido. ainda não há nenhum grau quantificável da corrupção por valor ou freqüência de ocorrência da realidade. 03) realizou uma revisão de dados provenientes de pesquisas empíricas sobre a corrupção e pôde notar uma mudança no debate sobre corrupção. p. Favouritism is one of the main manifestations of corruption that goes unrecorded. computer fraud) or to geographical areas (e. even at times unnoticed. and for which the corruptee has (5) authority.g. p. p. quando na verdade essa impacta também o setor privado. Examples include the Audit Commission survey of computer fraud which is done approximately every three years. e do custo que o fenômeno tem para a economia. O máximo que pode ser verificado são casos conhecidos de fraude que partiram de ações ilegais ou injustas de indivíduos corruptos.” 3 2 Tradução livre dada pelo autor desta dissertação: “O grau quantificável da fraude é algumas vezes estimado pelos autores os quais se referem a tipos de fraude (por exemplo: fraude por computador) ou por áreas geográficas (por exemplo: EUA.” 3 Tradução livre dada pelo autor desta dissertação: “Corrupção ocorre quando um corruptor: (1) dá cobertura (2) a um corrupto ou a um designado a influenciar (3) ações que (4) possam beneficiar o corruptor ou um designado. ao final da década de 90. By contrast no one has yet made a realistic attempt to quantify the extent of corruption by reference to value or frequency of occurrence. as condenações contabilizadas nas instituições ligadas à esfera penal e as informações obtidas em pesquisas entre cidadãos. Speck (2000. p.auditoria é extremamente difícil ou quase que impossível. mas que estatísticas sobre corrupção eram mais difíceis e ainda não quantificadas. do volume dos desvios. Dessa forma. Ocasionalmente estatísticas de crime por fraude são publicadas sobre uma base do setor industrial. 04)2 Entretanto. USA. (JONES.

Disgruntlement and malice: all but the smallest organization will have rivalries and ‘co-operation’ problems. problemas financeiros. sendo assunto de maior domínio e discussão dos campos da criminologia e psicologia criminal do que dos auditores e contadores. No Quadro 1 são elencadas motivações relacionadas a fraudes e corrupção.5. ainda pouco comentado no Brasil. A intenção está relacionada à motivação. Ideological: these include political. pressão interna. Fonte: Jones. In general corrective action must be firmly taken from the top down. Ego: beating the system by perpetrating fraud can represent a challenge. Also in this category (and possibly partly under ‘Ego’) can be placed ‘Robin Wood’ motivations of fraud to redistribute wealth from the rich to the poor. conduta ética corporativa de corrupção. . Circumstances that are completely beyond the tolerance of one individual may be considered quite a minor problem by others. petty pilfering and so on – but is often very difficult to correct. A auditoria ético-social corporativa busca ir além da contabilidade. p. etc. família. But with peer groups the pressures are usually more intensive and restricted to parts of an organization. Entretanto. QUADRO 1. descontentamento e malícia. corporativamente é possível que sejam estabelecidas políticas e cultura de ética. even religious motivations. finanças e controles internos da organização.1. usually including the perpetrator. cuja denominação em inglês é Ethical and Social Auditing. Ela tem como finalidade verificar como a companhia afeta seus 4 Tradução livre dada pelo autor desta dissertação para as motivações destacadas em negrito no quadro 1: motivações que conduzem à fraude e à corrupção: problemas financeiros pessoais. particularly in the area of computerrelated fraud. A motivação para fraude por um agente individualmente é de difícil mensuração pela cultura e pelos fatores que lhe são intrínsecos – ego. This category may be relatively easy to recognize – overtime ‘fiddles’. o qual poderíamos chamar de Auditoria Ético-Social Corporativa. Peer pressure: this is effectively part of the corporate culture category. These can get out of hand and bureaucratic point-scoring can become personal. ideologia. ego. Neste sentido tem crescido um tipo de auditoria. 1993. justiça. This category is often the most complex and difficult to recognize. Also in this category come a wide variety of the under-rewarded pay and ‘perks’ motivations.Causas e Efeitos Fraude e corrupção ocorrem quando duas condições básicas as permitem: intenção e oportunidade. educação. Officers who feel they have been wronged may try to get even. A corporate ethos conductive to corruption: the ‘everyone-else-is-doing-it’ syndrome. 02. particularly if these have persisted for long periods of time. family and gambling-related problems. MOTIVATIONS TOWARDS FRAUD AND CORRUPTION 4 Personal financial problems: particularly indebtedness. honestidade e moralidade de forma a criar um ambiente desmotivante às ações fraudulentas por agentes da empresa ou organização.2.

atitudes. p. ações de toda espécie. honestidade. 06) Assim. discriminação. a convite do Centro de Estudos Norberto Bobbio. integridade. aos seus empregados de forma a minimizar os riscos de fraude e corrupção cuja causa provém da intenção (motivação) do agente. em 26 de abril de 2006. moral. os mais adequados. valores e expectativas da sociedade como um todo. Tanto a fraude como a corrupção. Já as auditorias sociais examinam o impacto na sociedade das operações. bem como quanto às práticas de intimidação. pois permite a aceleração do volume de casos e de outros efeitos. O interesse específico da auditoria ética está relacionado com atitudes internas quanto princípios básicos morais como: verdade. (Raven. família e amizade – pela atuação da mundialmente conhecida Máfia Siciliana. A auditoria ética pode também ser utilizada para mensuração do desempenho ético organizacional. O presente estudo se desenvolve basicamente dentro do segundo elemento condicionante de fraudes e corrupção: a oportunidade. de integridade e honestidade por toda a organização. o aumento do risco para investimentos e a desconfiança dos investidores. Em conferência realizada em São Paulo. decisões ou omissões e o comportamento de seus empregados ou outras pessoas ou organizações fechadas associadas à companhia. a auditoria ética auxilia instando uma cultura ética. Através desse tipo de auditoria. tendem a gerar uma cultura de inversão de valores na organização e na sociedade. da Bolsa de Valores daquela cidade e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD-Brasil). seus stakeholders e. dentre outros problemas que hão de ser mencionados nesta pesquisa. quando tomadas como comuns e inevitáveis. indução ao erro. As oportunidades abrangem falhas de controle interno. . Certamente este é o efeito mais degradante e fatal trazido pela fraude e corrupção. busca-se que sejam reveladas estruturas organizacionais e processos preventivos (envolvendo empregados). em especial. comportamento. lealdade. respeito. Os procedimentos de auditoria a serem estudados têm por finalidade exatamente minimizar “oportunidades” de ocorrência de fraudes e corrupção.stakeholders (todo tipo de pessoas interessadas na empresa ou organização) e também como revela sua visão. (Encarte Rio Estudos nº 201 da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro). o objetivo principal da auditoria ética é informar os gestores quanto vulnerabilidades éticas na organização que favoreçam práticas delituosas ou desfavoráveis à organização. falta de definição das responsabilidades. roubo e fraude. 2003. o professor Leoluca Orlando (ex-prefeito de Palermo – capital da Sicília – Itália) fez uma reflexão sobre a perversão dos valores tradicionais sicilianos – honra. fraca regulamentação. processos. Quando realizada efetivamente. como por exemplo.

exclusão social dos negócios públicos. existirem sérias injustiças sociais. econômicas e sociais. em que a máfia se infiltrava no governo e nas instituições jurídicas. se nesse processo cumulativo de causas forem incluídas inúmeras distorções no ordenamento jurídico. nesse quadro. autoritarismo. Além da degradação sócio-cultural.. a corrupção e a fraude têm efeito sobre a economia e a política com a alocação ineficiente de recursos e pela deterioração da qualidade dos serviços públicos. sem dúvida a corrupção tornar-se-á endêmica e imune aos meios clássicos de controle. se os padrões culturais e éticos da nação propiciarem a corrupção. congestionamento da Justiça.) partindo-se das ‘causas naturais’ (imperfeições da natureza humana). a forma que encontrou para resgatar os valores sicilianos da honra. Por último. A inculturação de valores errôneos corrompem toda a sociedade. segurança. dentre outros. centralização do poder e outras atitudes antidemocráticas. econômico-sociais. ineficácia dos controles formais. Leoluca. (SPECK. por que todos aqueles que respeitam a lei são tristes e choram sempre e aqueles que não a respeitam são alegres e vivem bem?” Certamente. (. A corrupção não somente desperdiça recursos públicos como também cria incentivos errados para o direcionamento dos investimentos econômicos. 2004. por exemplo. Se.. p. mais se abrirão as portas à generalização do fenômeno. 25) Em tese de doutoramento. . lentidão nas investigações. porque instituições vistas como corruptas são desacreditadas e não terão o apoio da população. 24) apresenta as causas da corrupção como “as condições culturais. o qual permitiria “recuperar a alma e a identidade de um povo”. O custo político é alto. políticas e jurídicas nas quais ela [corrupção] tende a se proliferar”. p. mais corrupção deverá ocorrer. como era o caso da Sicília. além disso. família e amizade foi através do resgate e desenvolvimento da cultura. muitos sicilianos se depararam com essa triste realidade.) A idéia da associação política para realizar o bem comum torna-se um eufemismo para encobrir a convivência cínica de egoístas não assumidos. Bruning (apud RIBEIRO.. A onda de corrupção e fraude em locais que a cultura encontra-se sensivelmente abalada por essa inversão de valores tende a ser muito maior e difícil de se conter com meros atos de repressão e justiça. (.. impunidade e outros obstáculos à punição dos corruptos. no caso de sua cidade. justiça. forem adicionados intransparência administrativa. Se. Até mesmo porque os órgãos de governo. aumentarão as chances de sua prática. a qual passa a aceitar atitudes antiéticas e imorais que em outros lugares são tratadas com desprezo. 2000. destacou em sua conferência que.A inversão de valores pôde ser claramente notada quando Leoluca citou logo ao início da conferência uma pergunta feita pela sua filha aos oito anos de idade: “Papai. se encontram demasiadamente corrompidos.

5. melhoria nas normas contábeis e de auditoria no setor privado.Atuação no Combate No debate sobre políticas para combater a corrupção. O desempenho dessas instituições depende em muitos casos de sua independência. a iniciativa privada ou cidadãos individuais. códigos de conduta para funcionários públicos. controles do Legislativo manifestado. No que tange à atuação dos órgãos de controle interno e externo. economia. as novas tecnologias de informação podem ser diferenciais. alguns importantes assuntos têm sido destacados: a transparência do setor público. exercido através de organizações da sociedade civil. sistemas de contratação transparentes e objetivos. serviços prestados e processos de decisões da administração pública. A ONU estabeleceu em 09 de dezembro de 2003 a . buscam e mantém mecanismos para a identificação de falhas de eficiência. o que se verifica é exatamente que as causas e os efeitos das fraudes e de corrupção se confundem. medidas para prevenir lavagem de dinheiro. estão interessados em melhorar o seu desempenho e evitar a exposição a escândalos. maior participação da sociedade na luta contra a corrupção. Na área de fiscalização e controle. quando encaram a função com seriedade e zelo. Por esse motivo. E a omissão das pessoas e autoridades para a quebra dessa viciosa corrente somente poderá gerar um ciclo contaminante na cultura. funcionamento. criação de órgãos de prevenção. Ministério Público e Tribunais Judiciais. dos recursos humanos e materiais disponíveis para a atuação e da motivação dos seus integrantes para exercer a sua função.1. bem como os controles internos e ouvidorias dos órgãos.3. independência do poder judiciário e do ministério público. como o controle social.Em verdade. em Comissões Parlamentares de Inquérito. em decorrência do efeito de um episódio condicionar novas “causas”. etc. Outras frentes de atuação também têm sido enfatizadas. O governante e a administração. Para tais sistemas de controle interno. e o resgate da ética comentado anteriormente. por exemplo. As iniciativas e medidas adotadas contra a corrupção têm sido enfatizadas pela Organização das Nações Unidas (ONU) através de políticas e práticas de prevenção. muitos enfatizam o aumento da eficiência destas instituições. a imprensa. política e sociedade. destacam-se aqueles exercidos pelos Tribunais de Contas. transparência da informação pública quanto organização. a prestação de contas de políticos e administradores e o fortalecimento dos mecanismos de fiscalização e controle.

A técnica de benchmarking tem como objetivo principal auxiliar as organizações (e. selecionar e. A implementação de políticas anticorrupção a partir de 1960 foi essencial para que Cingapura ocupasse a posição de referência que ocupa atualmente quando o assunto é a atuação contra corrupção. conforme se pode perceber pelo ranking apresentado pela Transparency International – Tabela 1 (p. Dentre os países asiáticos é o que ocupa a primeira posição no ranking. até mesmo.. a obrigação de prestar contas e a devida gestão dos assuntos e dos bens públicos. 246) Cingapura tem apresentado um dos melhores índices do mundo em relação à atuação contra corrupção. o referido autor considera que leis específicas deveriam possuir as seguintes características: nenhuma imunidade para políticos. Dentro da proposta de se estudar melhores práticas contra a corrupção para que essas possam ser incorporadas por outras nações. facilitar e apoiar a cooperação internacional e a assistência técnica na prevenção e na luta contra a corrupção. em especial nos níveis mais elevados. se for o caso. 27) ainda destaca dentre as ações para eliminar a corrupção: previsão legal para punição do corruptor e demais envolvidos culpados. impedimento automático de cinco anos de empresas que ofertassem ou recebessem subornos.687/06 de 31/01/2006. 2001. b) Promover. Senior (2004. Destaca que o sucesso de Cingapura em minimizar a corrupção no país pode ser atribuído a duas estratégias de reduzir concomitantemente as oportunidades e incentivos a atos corruptos. comparar. a qual tem sido referendada por várias nações do mundo. a identificar. incorporar o que os concorrentes praticam de melhor.Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção. imunidade em juízo para o denunciante do ato de corrupção. 31). (ARAÚJO JR. penalidades severas tanto financeiras quanto a sentença de prisão dos corruptos e envolvidos culpados. A Convenção elenca as seguintes finalidades: a) Promover e fortalecer as medidas para prevenir e combater mais eficaz e eficientemente a corrupção. Adicionalmente. Quah (2001) realizou pesquisa que apresenta o que pode ser aproveitado da experiência de Cingapura no combate à corrupção. c) Promover a integridade. . p. funcionários públicos ou do setor privado. uma nação). dentre outras já mencionadas. p. da gestão da qualidade total e de inteligência competitiva que podem e devem ser utilizadas no combate à corrupção. incluída a recuperação de ativos. como benchmarking. através do Decreto 5. Uma outra forma de combater a corrupção é a utilização das técnicas de planejamento estratégico. imprensa independente e livre. dentre as quais o Brasil. registro de ações de sucesso contra a corrupção.

0 21 Chile 7.5 97 Argentina 2.4 9.8 2.6 7. Fonte: Transparency International ( www.8 .4 55 Colombia 4.2 .9 .1 1.3.2 2.7 16 Germany 8.2 7.6 .2.4 59 Cuba 3.9.3 .5 5.8.2 -2.9 .2005 TI 2005 Corruption Perceptions Index Country Country 2005 CPI Confidence rank score* range 1 Iceland 9.8 15 Hong Kong 8.7 2 Finland 9.7.5 3.0 3.0 1.3.5 3.3 .3.3 2.8 78 China 3.8 .6 9.7 Japan 7.5 .7 3.9 .9 126 Russia 2.9.3. onde 0 seria o mais corrupto e 10 o menos corrupto (ou mais limpo).9 Ecuador 2.6 130 Venezuela 2.7 .3 .5 .5 11 United Kingdom 8.3 7.8.4.2.9.9.4 2.8.4.1 158 Bangladesh 1.3 .3 151 Angola 2.5 2.TABELA 1 – ÍNDICE DE PERCEPÇÃO DE CORRUPÇÃO .7.6.0 Surveys used 8 9 9 12 11 11 12 10 12 10 14 9 6 9 4 10 10 7 14 10 6 6 12 10 7 5 7 * CPI Score representa o índice de percepção de corrupção.9 5.6 8.3.transparency.7 .7 62 Brazil 3.4 .0 .2.7.6 .1 117 Bolivia 2.2.org) .8 26 Portugal 6.8.7 New Zealand 9.5 .5 2.5 .8 2.3 6.3 .8 14 Canada 8.7 5 Singapore 9.5 17 USA 7.9 .2.5 .7 9.3 .4 144 Paraguay 2.3 6.6 9.9 .1 .7 Peru 3.9 65 Mexico 3.1 32 Uruguay 5.8.4 7.2.7 1.

810) quanto à ocasião exata em que se iniciaram os primeiros trabalhos em auditoria. 1998.2.(.1. Embora haja divergências entre alguns estudiosos (CRUZ. p. pp. A dificuldade em se reconhecer um período de surgimento da contabilidade e auditoria deve-se em grande parte ao empirismo com que era empregada nos séculos anteriores. principalmente. LOPES DE SÁ. em investigações científicas que realizou no Museu de Louvre e no Museu Britânico: A necessidade de guardar memória dos fatos ocorridos com a riqueza patrimonial gerou critérios de escrita em formas progredidas mesmo nas civilizações mais . A Auditoria evoluiu à medida que se desenvolviam economicamente os países. pois o exame documental e a escrituração contábil sempre foram o ponto de referência para legitimar a Auditoria (CRUZ. cresciam as empresas e se expandiam as atividades produtoras. teve seu grande impulso com o desenvolvimento europeu no século XVI com as expedições marítimas e. no século XIX com o amadurecimento das indústrias e o aumento das relações comerciais. através do exame das demonstrações financeiras e outros processos técnicos. Gonçalves da Silva (1959. A AUDITORIA 5. pode-se inferir que a Auditoria. apud LOPES DE SÁ.13) encontrou suficientes evidências de que povos bárbaros já tinham amplo desenvolvimento nas técnicas contábeis. tendo sido pouco registrada e documentada por estudiosos. “gerando crescente complexidade na administração dos negócios e de práticas financeiras como uma força motriz para o desenvolvimento da economia de mercado” (ATTIE. 2002. p. uma vez que eles entendiam ser possível desenvolver uma atuação de apoio e proteção aos investidores. 21. p. 02). de Besta e outros estudiosos que nessa época vieram a sacudi-la do marasmo em que jazia. Lopes de Sá (1994. Em pesquisa realizada. p. p.5. 1984. p. pp. 22). de Cerboni. Cardozo (1997. após realizar um levantamento e propor “Doutrinas Contabilísticas” observou: A Contabilidade nasceu na fúria dos negócios e até finais do século XIX. 27) considera que: Isto fez com que os contadores da época sentissem a necessidade de se organizarem para a prestação de serviços capaz de suprir aquele mercado profissional emergente. 27).. 2002. ATTIE.) Antes de Villa. 1998. 21-22. raros são os autores que merecem ser recordados por qualquer contribuição real para o seu progresso teórico.Síntese Histórica A origem da Auditoria pode ser associada à origem da Contabilidade. pp.. 1998.2. na forma atualmente concebida. DEFLIESE et al. 2001. foi sempre feudo dos práticos pois nunca mereceu atenção de pessoas com bastante saber e engenho bastantes para a tirarem do pântano do empirismo e das sistematizações precipitadas. 27-28.

. Foi nesta ocasião que o conhecido “método das partidas dobradas”. Portal da Classe Contábil. Nos desembolsos continham despesas com “espiões”. criação da Comissão de Valores Mobiliários e da Lei das Sociedades Anônimas em 1976. No Brasil. crescimento das empresas brasileiras e necessidade de descentralização e diversificação de suas atividades econômicas. bem antes. Disponível em: http://www. Em meados de 1960. “santos”. para que ajudassem ao sucesso nas lutas com orações e missas de graças. evolução do mercado de capitais. Através da obra de Pacioli. ao menos na sua forma empírica. filiais e subsidiárias de firmas estrangeiras. c. como a da Suméria. iniciou-se o pensamento científico da contabilidade como ciência social. chegaram ao Brasil.br/servlet_art.. e. Dom Gonzalo recebeu para a campanha uma soma considerável de dinheiro e. b. Há registros que embarcações espanholas possuíam tesoureiro e contadores encarregados do registro das despesas relativas ao “exercício de uma nave mercantil”. há cerca de 6. cognominado “Grande Capitão”. fatos patrimoniais diversos. Pequenas tábuas de barro cru serviam para gravar. O Rei Fernando chamou Dom Gonzalo de Córdoba para combater os inimigos. p. em especial pela contribuição de Francisco D´Auria. e f. o Brasil passou a receber forte influência da escola norteamericana e das exigências trazidas pelas empresas de auditoria independente. d. encontrada na sala do Tribunal de Contas da Espanha. 04 jun. pois o que modifica e gera um patrimônio é a ação humana. com as primeiras expedições marítimas ao nosso continente.com. Sinceridade nas Contas.000 anos.php?id=626 . retornou cheio de glórias com a missão cumprida. ainda que em apêndice de um livro de matemática. Conta-se que a Espanha perdia muitas embarcações em decorrência de ataques piratas no século XVI. 29): As principais influências que possibilitaram o desenvolvimento da auditoria no Brasil foram: a. usando os termos débito e crédito para o fenômeno patrimonial foi teoricamente estabelecido. Segundo Attie (1998. 2006. 2005. com muita insistência do rei e ser ameaçado de confisco dos seus bens. escrita pelo Frei Luca Pacioli em 1494. que expandiam seus escritórios para o Brasil e o resto do mundo. A.antigas. o estudo científico da contabilidade teve sua origem na primeira metade do século XX. de forma simples. Acesso em: 19 jan.classecontabil. Ocorre que quando os tesoureiros reais pediram uma prestação de contas de como foram aplicados os recursos públicos. sufrágio dos mortos e 5 Lopes de Sá. criação das normas de auditoria promulgadas pelo Banco Central do Brasil em 1972. encontram-se já registros em peças de argila que indicam tais evoluções. Ceará. Depois de passado algum tempo. para conhecer a tática do inimigo.. ao fim de muitas batalhas vitoriosas. Dom Gonzalo apresentou um curioso balanço da missão. Um dos marcos mais importantes da contabilidade foi a primeira literatura contábil. sob influência da teoria contábil italiana. Entretanto. Provavelmente os registros contábeis e a auditoria das contas passaram a ser exigidos e a ganhar relevância após casos como o de Dom Gonzalo de Córdoba. a contabilidade e a auditoria convencional. financiamento de empresas brasileiras através de entidades internacionais. relatado por Lopes de Sá 5.

24-25). No Quadro 2 apresentamos um resumo de eventos históricos em auditoria. em 1911. Em 1976 se deu a criação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A regulação da atividade de auditoria independente ocorreu em 1965. referente ao período compreendido entre junho de 1899 e 31 de dezembro de 1902. órgão regulador atual. religiosos. com o título “Contabilidade na Grã-Bretanha”. 2004. pela Revista Paulista de Contabilidade. relatórios e pareceres de auditores independentes registrados no Banco Central” (art. b). Concluía que. O primeiro parecer de auditoria conhecido no Brasil foi emitido há um século pelos auditores canadenses Clarkson & Cross – atual “Ernst & Young” – após examinarem o balanço da São Paulo Tramway Light & Power Co. após a edição da Lei 4728/65. denominado “Curso de Auditoria”. A primeira empresa de auditoria independente a se estabelecer no território nacional foi a atualmente denominada Deloitte Touche Tohmatsu. que instalou seu primeiro escritório no Rio de Janeiro. ele não os possuía e logo não tinha como os apresentar. O Conselho Monetário Nacional regulamentou a atividade dos auditores através da Resolução CMN nº 7/1965 e. 20. como espiões. a qual estabeleceu competência ao Conselho Monetário Nacional para expedir normas relativas à “organização do balanço e das demonstrações de resultados.conserto de sinos. posteriormente pelas resoluções nos 39/1966 e 88/1968. pp. e o primeiro livro sobre Auditoria foi editado somente em 1957 de autoria do Prof. em 1928. e a edição da conhecida lei das sociedades anônimas – Lei 6404/1976 – a qual estabeleceu a obrigatoriedade da Auditoria Independente para as Sociedades por Ações. Antônio Lopes de Sá. (RICARDINO & CARVALHO. padrão de organização contábil. . mortos e santos não ofereceram comprovantes de gastos. Um dos primeiros artigos acadêmicos sobre auditoria foi publicado.

na cidade de Veneza – Itália.2.000 a. 28 / Motta. 1314 Criação do Cargo de Auditor do Tesouro na Inglaterra. 1999. 1921 Criação do GAO (General Accounting Office). Foi com o surgimento dos auditores independentes que a Auditoria passou a receber status profissional e a ser estudada cientificamente. 1887 Fundado o American Institute of Certified Public Accountants (AICPA). – 95 d. Evento Provas arqueológicas constataram existência de inspeções e verificações de registros realizados entre a família real de Urukagina e o templo sacerdotal sumeriano. 61 d. como hoje conhecida. 977 d. 1998. 1800 a. não sendo possível estabelecer com certeza um marco histórico.C.Expectativas em Auditoria A Auditoria. 1903 Primeiro parecer de auditoria no Brasil que se tem conhecimento emitido pelos auditores canadenses Clarkson & Cross – atual “Ernst & Young”. 1640 Criação do Tribunal de Contas de Paris 1750 e ss.2. 1957 Publicação do primeiro livro de auditoria no Brasil. 1130 Auditoria de receitas e despesas por Órgão Governamental Inglês e Escocês. são feitas referências sobre práticas de revisão. Revolução Industrial com o surgimento de grandes empresas.500 a. 13 / Sá.C.C – 117 d. 1934 Criação do Security Exchange Comission – SEC – nos Estados Unidos. 1494 Publicação da primeira literatura contábil pelo Frei Luca Pacioli 1500 e ss. o jovem. Intensificação do comércio com as expedições marítimas.C. o principal objetivo da contabilidade era produzir informação para o proprietário – geralmente proprietário único – conforme .C. existem relatos de práticas de auditoria realizadas nas províncias romanas. 4. as quais começaram a demandar auditorias. Durante o período que se estende até o século XVI. na ocasião ainda denominado American Institute of Accountants (AIA). 1845 A Railway Companies Consolidation Act passou a adotar a verificação anual dos balanços por auditores. p. denominada Mafatih Al-Ulum (As chaves da ciência). órgão governamental de contabilidade dos Estados Unidos. 38-49 / Attie. 1998. No entanto. havendo registros de casos de “auditores” nas embarcações. conforme anteriormente mencionado. 1892 Publicação do livro Dicksee´s Auditing: A Practical Manual for Auditors. Auditoria na cobrança de impostos na Babilônia. 1854 Criação do primeiro conselho profissional na Escócia: Chartered Accountant (CA).QUADRO 2 – ALGUNS EVENTOS HISTÓRICOS EM AUDITORIA Ano / Período 4. 1928 Publicação do primeiro artigo científico no Brasil em auditoria pela Revista Paulista de Contabilidade. deve-se em grande parte ao desenvolvimento da Auditoria Independente ao final do século XIX e no século XX.21-22 / Hendriksen & Breda. p. p. 1310 Execução de funções de auditoria por conselhos londrinos. 1773 – 1792 Criação das Bolsas de Valores de Londres e de Nova Iorque. escritas por Plínio.C. 1988. 1581 Execução de funções de auditoria pelo Collegio dei Raxonati. Obra de Abu-Abdallah Al-Khawarismi.C. Referências bíblicas de controle interno e auditorias. 1559 Sistematização e Estabelecimento da auditoria dos pagamentos a servidores públicos pela Rainha Elizabeth I. 13-14. p. os primórdios da Auditoria são bem anteriores. 5. 1965 Regulação da atividade de auditoria independente no Brasil com a Lei 4728/65 1976 Criação da CVM e edição da Lei das Sociedades Anônimas (Lei 6404/76). Fonte: Defliese et al. 1984. 1200 Auditoria em Londres – Inglaterra. Cartas a Trajano.

elevada ao grau de postulado de contabilidade.42) é o dos agricultores egípcios nas margens do Nilo. Um exemplo da antiguidade citado por Hendriksen & Breda (1999. 40). nas quais o capital fornecido pelo sócio inativo (“commendator”) era como um empréstimo ao sócio ativo (“tractator”). Certamente. pois ele era o seu principal e. a qual possui o objetivo de “fiscalizar as transações sob as óticas financeira e patrimonial. Cruz (2002. p. Começavam a surgir as primeiras sociedades conhecidas por “commenda”. cobiça. bem como os registros delas decorrentes”. 43). 26) destaca a “Auditoria fiscalizadora” como sendo a primeira etapa da evolução da Auditoria. tão imprescindível nas sociedades dos dias atuais. A Auditoria nasceu fruto da concentração da riqueza e do risco ao qual o proprietário se expunha em negociações realizadas por subordinados. pouco era o interesse externo pela informação e não havia pressão pela divulgação como nos dias atuais. O “commendator” encarregava alguém de sua confiança para vigiar e fiscalizar todos os recursos despendidos pelo “tractator” necessários ao . O desenvolvimento comercial europeu. atos corruptos e fraudulentos por parte de empregados. 1999. p. poderiam ser fiscalizados quanto à quitação das obrigações (pagamento) pelo uso da água. BREDA. O aspecto fiscalizador da Auditoria foi o primeiro a emergir como forma de conter desvios.Hendriksen & Breda (1999. combinando a riqueza do capitalista com a vontade e disposição dos jovens mercadores (HENDRIKSEN. subordinados ou por quem quer estivesse submetido a ordenamento superior (de um Reino. Um dos melhores e mais antigos exemplos de atuação da “auditoria fiscalizadora” são os coletores de tributos da antiguidade. ainda não havia a continuidade. único usuário. A informação produzida era mantida em sigilo pelo proprietário. p. o proprietário já não possuía total controle de suas operações. Império ou Estado). Tais sociedades se realizavam para empreendimentos por tempo limitado. O próprio dono do negócio executava o papel de acompanhar. ocorrido nos séculos XII e XIII com as sucessivas cruzadas possibilitava a acumulação de riquezas e que a negociação individual fosse sendo substituída pelo comércio por meio de representantes e associações. Ou seja. controlar e fiscalizar as operações. A auditoria nascia modestamente com a principal função de fiscalizar as operações do negócio e proteger o patrimônio do proprietário. talvez. Eles pagavam aos coletores de tributos com cereais e linhaça pelo uso de água para irrigação e recibos lhes eram dados desenhando-se figuras de recipientes de cereais nas paredes de suas casas. Os recursos investidos e lucros eram recebidos com o retorno das embarcações e findo o negócio. em especial na Itália. O uso de sociedades permitia o compartilhamento dos custos e riscos da navegação marítima de longo prazo. p. interesses alheios. Com a ampliação dos negócios e aumento das riquezas patrimoniais. Assim. de forma que passava a exigir quem o fizesse.

tornando o conceito de depreciação mais importante. Surpreendentemente. exceto se estes possuíssem caráter de vulto e . seguindo-se a de Nova Iorque logo depois. o qual em 1800 já era de 400 em toda Inglaterra. passando a tornarse também mais complexa. fraudes e corrupção não eram a maior preocupação nos trabalhos em auditoria. BREDA. Fazendas e fábricas maiores com novos equipamentos exigiam mais capitais. Essas empresas caracterizaram-se pelos indivíduos reunirem-se para financiar um empreendimento e receber direitos de participação proporcionais aos seus investimentos. Ampliava-se o número de bancos. 46). O final do século XVIII e o século XIX ficaram conhecidos pela Revolução Industrial ocorrida. Os ativos fixos (imobilizados) passavam a representar um custo significativo. as quais podem ser vistas como extensões das “commendas” italianas e predecessoras das sociedades por ações modernas (HENDRIKSEN. A Contabilidade de Custos emergia na medida que aumentava a necessidade de informação gerencial. pp.retorno do investimento. a preocupação com o desvio de recursos. conta-se que ele foi acompanhado em sua viagem por um auditor nomeado pela corte espanhola para fiscalizar quando começasse a calcular o custo do ouro e das especiarias que acumulasse (HENDRIKSEN. na Inglaterra. A Auditoria passou a assumir um novo e importante papel: assegurar aos investidores que as demonstrações financeiras apresentadas refletiam a realidade da empresa. a demanda por auditorias nas contas (demonstrações financeiras). tipicamente fiscalizadora. do ponto de vista de sua relevância. Ao final do negócio. 1999. Sua principal função era não deixar que o “tractator” desviasse recursos em benefício próprio. BREDA. de forma ainda incipiente. O proprietário deixava de ser o principal usuário da informação contábil. A demanda crescente para sustentar a população cada vez maior fez com que fossem desenvolvidas manufaturas. Ao final do século XVI e início do século XVII passaram a surgir as empresas de capital conjunto. 45-46). 1999. especialmente. A Contabilidade passava a ser tratada com maior mérito e relevância. Diferentemente dos séculos anteriores. Iniciava-se. p. O século XX pode ser marcado pela Contabilidade como sendo aquele em que a Auditoria teve sua função elevada a níveis extremos em termos profissionais. dividindo essa posição com os investidores (proprietários ausentes). Em 1773 foi criada a Bolsa de Valores de Londres. os investidores eram reembolsados segundo sua “participação de liquidação” no total dos resultados. ou seja. Cristóvão Colombo chegou à América. em 1792. Em 1492. navegando para oeste num galeão espanhol (o sucessor das caravelas).

5.Diferenças de Expectativas em Auditoria A sociedade tem exigido que a função de auditoria seja cada vez mais interveniente no diagnosticar de situações fraudulentas e atos ilegais. nasceram em função de uma expectativa de que sua presença nas embarcações para fiscalizar os ganhos seria oportuna e valiosa. uma das formas de monitoramento do fim que está sendo dado aos recursos arrecadados é a auditoria. 2004. da mesma forma . International Federation of Accountants – IFAC . e ainda que tivessem uma conduta ética e moral no desempenho de suas atribuições. podendo também ser encontrada em documentos disponíveis na internet (American Institute of Certified Public Accountants .3. LIN & CHEN. O produto de auditoria tem sido alvo de críticas em decorrência do gap existente entre as expectativas dos usuários das informações (investidores. The Institute of Internal Auditors – IIA). Ainda que esses primeiros profissionais de auditoria tivessem profundo conhecimento das práticas de auditoria e controle para detectar e prevenir desvios dos ganhos obtidos. A pressão das forças econômicas que acompanham a profissão de auditoria desde os seus primórdios. da mesma forma como nos deparamos na última década com escândalos financeiros. ADAMS & EVANS. acadêmicos e o cidadão em geral) e o desempenho idealizado e oferecido pelos órgãos de controle governamentais e pelas empresas de auditoria independente. 2004. WorldCom. 2005). Mas.relevância que implicassem em distorções significativas nas demonstrações financeiras divulgadas. independente da forma como eram designados. só para citar alguns). Os contadores e auditores do tempo das caravelas são fruto da necessidade da época do descobrimento das Américas de que os “colombos” responsáveis pelas embarcações retornariam às suas origens com todos os ganhos obtidos em suas viagens. Os gestores de recursos públicos e os dirigentes de empresas são exigidos a fazerem bom uso do capital que lhes é confiado por parte do povo e pelos investidores.AICPA . Para isso. Xerox.2. Assim ocorreu no tempo das caravelas. 2004. falência de empresas e ineficácia de auditorias (Enron. CHOWDHURY & KOUHY. esses contadores e auditores. Desta forma. 2004). como anteriormente destacado na história de Dom Gonzalo de Córdoba. fisco. a sua adaptabilidade à realidade econômica e às exigências da sociedade têm originado o desenvolvimento da auditoria (ALMEIDA. A diferença de expectativas tem sido assunto de várias pesquisas realizadas no âmbito da auditoria (ALMEIDA. certamente houve casos de fraudes e corrupção que não puderam ser constatados ou que o foram tardiamente. respectivamente.

Griffiths (1885)8 já alertava para um problema e para uma diferença de expectativas: Existe uma enraizada opinião do público e da imprensa. Lin & Chen (2004) realizaram um estudo empírico quanto às diferenças de expectativas em auditoria na República da China. et al. 23.] 7 Ibid. Este tumulto é extremamente injusto e cruel. do mercado de capitais. e em relação à nossa capacidade de prevenir e detectar fraudes durante o normal desenrolar de uma auditoria. .20) consideravam que a auditoria dava uma especial ênfase à detecção de fraudes na sua primeira fase. Alguns estudiosos como Pixley (18816). a põe em evidência e demanda controles e auditorias mais eficazes e efetivas. R. a percepção que os leigos têm sobre fraude é a de que quando esta ocorre os culpados. p. A geração de lucros futuros passou a ser base do estabelecimento e previsão dos valores das ações. deveria ser analisado em que medida somos responsáveis pela ignorância que certamente existe em relação aos nossos poderes de controle. de que um auditor falhou no desempenho do seu dever caso uma fraude não seja descoberta ou comunicada.como se tem debatido atualmente. O resultado desta ignorância foi que em casos onde fraudes foram descobertas. 8 Ibid. Aplicaram questionários em pessoas beneficiárias das 6 Referenciado por CANHDLER. p. “Changing perceptions of the role of the company auditor. conseqüentemente. 443-459. Accounting and Business Research.. A preocupação maior em auditoria era a posse de ativos. apesar de também acentuar as críticas existentes. p. 82. A expectativa na auditoria aumenta. com a repartição do capital das grandes empresas por investidores. 1993. que alterou o comportamento e originou uma mudança nas linhas de orientação da auditoria. 82). Reforçando a idéia de que o público dava grande importância à detecção de fraudes em auditoria no final do século XIX. Certamente. No 92. Canhdler. das sociedades anônimas e. Somente com o desenvolvimento da indústria. Vol.. Porém tal normativo ainda encontra muita resistência na sociedade. Silva (2004. London.. 1993. além de funcionários da própria empresa. 5) considera que “de um modo geral. Dicksee (18927) e Meigs (1974. exigiu-se imediatamente a demissão do auditor. em decorrência da maior relevância do primeiro (ALMEIDA. 1840-1940”. 2004. são os profissionais de contabilidade ou de auditoria”. subtraindo o foco da auditoria na posse de ativos. ao invés dessas situações esvaziarem a relevância profissional do auditor.. p. [Citado por ALMEIDA. 2004. p. a necessidade de proteção do auditor no exercício de suas atividades e a delimitação de suas responsabilidades foram as principais motivações para que as normas de auditoria indicassem explicitamente que a responsabilidade por fraudes e erros é dos gestores do negócio. o gap (diferença) de expectativas na auditoria se amplia e força uma resposta às novas demandas por parte dos órgãos de controle governamentais e por empresas de auditoria independente.

. aliada à instabilidade econômica gerada pelos recentes casos de auditorias mal sucedidas (Enron. WorldCom. sendo as mais relevantes quanto à oportunidade do relatório (tempo despendido até a divulgação) e quanto ao conteúdo apresentar contas com informações obrigatórias. opiniões quanto responsabilidade por detecção de fraudes. os grupos estão inclinados a considerarem que os relatórios não confirmam a existência de fraude de proporções materiais. A demanda social. No que tange a fraudes no setor público. embora as expectativas não tenham sido discrepantes. Verificaram que realmente existe uma diferença de expectativa entre os dois grupos ao constatarem que os beneficiários das auditorias consideraram a responsabilidade dos auditores na detecção de fraudes em mais de 80%. Nota-se que as diferenças de expectativas hão de existir sempre. enquanto o grupo dos auditores somente concordou em torno de 40%.). considerando de um lado o órgão governamental de controle e auditoria e de outro lado os usuários dos relatórios: representantes do Parlamento e de agências internacionais que aplicam recursos no país. maior impacto e exigências sobre os trabalhos de auditoria demandados. dentre as quais destacam-se os aspectos de accountability (prestação de contas) quanto aos relatórios serem mecanismos efetivos que asseguram a accountability do setor público e quanto ao conteúdo apresentar contas com informações obrigatórias. tem exigido auditorias mais eficazes e efetivas. foi avaliada a diferença de expectativas em auditoria no setor público. etc. Xerox. Já os representantes de agências de fundos internacionais apresentaram maiores diferenças de expectativas em relação aos representantes dos órgãos de controle e auditoria de Bangladesh. Em outra pesquisa realizada por Chowdhury & Kouhy (2005) em Bangladesh. dentre outras coisas. Os representantes do Parlamento apresentaram algumas poucas diferenças de expectativas. Quanto maior essas diferenças.auditorias (principalmente investidores) e em auditores propriamente ditos e acadêmicos de auditoria visando identificar.

O investimento privado caiu 90%. Ressalte-se.2. com a quadruplicação do volume médio negociado de 1922 a 1929. p. em decorrência de fraudes em grandes empresas globais. A arrecadação de impostos reduziu a ponto de não ser possível ao governo pagar os salários de professores e funcionários. Porém. p. A administração da empresa havia escondido um passivo contendo dívidas milionárias e havia inflado seus lucros apresentando demonstrações contábeis com valores irreais. a qual abalou o mundo. Os anos anteriores foram muito bons para a economia. iniciou-se a Grande Depressão. a extinção do grupo e a saída dos seus sócios e auditores para as demais quatro grandes empresas de auditoria do mundo – PricewaterhouseCoopers.. (HENDRIKSEN. O final da grande guerra em 1919 liberou uma demanda reprimida de bens de consumo.4. Tendo a imagem da empresa de auditoria sido afetada. Todos os bancos do país foram fechados até março de 1933.) Os investimentos na Bolsa de Nova Iorque cresceram em termos dramáticos. demitiu o sócio diretamente responsável pelo serviço de auditoria prestado. 57). A Enron era a maior empresa mundial do setor de energia e estava entre os dez maiores grupos empresariais dos Estados Unidos. Terminada a expansão. O desemprego alcançou a taxa de 24%.Detecção de Fraudes: Nova Demanda? No final de 2001. que em 2005. o fator chave que ensejou a descredibilidade da Arthur Andersen foi a mais declarada atitude antiética que uma empresa do seu setor poderia tomar: a destruição dos papéis de trabalho. 1999. KPMG. BREDA. Ernst & Young e Deloitte Touche Tohmatsu – foi a resultante do fato. tão logo começaram os rumores sobre problemas com a Enron (Borgerth. 2006). A crise no mercado de capitais tem sido comparada com a crise americana ocorrida em 1929. (HENDRIKSEN. contudo. mas este posteriormente acusou a empresa de saber das fraudes há pelo menos um ano antes do escândalo. a Arthur Andersen foi inocentada pela Suprema Corte Americana. (. Numa tentativa de salvar sua imagem. . o mercado de capitais foi significativamente abalado. A conhecida empresa de auditoria independente Arthur Andersen era a responsável pela auditoria das demonstrações contábeis do grupo. A fragilidade do sistema em garantir confiabilidade aos investidores através de demonstrações contábeis verídicas ficou mais evidente pelo fato de investigações haverem confirmado o envolvimento da empresa de auditoria no caso e devido ao surgimento de novos casos de fraudes em balanços de grandes empresas (WorldCom e Xerox).5. 1999. BREDA. 57). instalações industriais e equipamentos que alimentou uma explosão de investimentos.. A produção diminuiu 56%. A fraude e o pedido de concordata do grupo Enron desencadeou uma crise de credibilidade no mercado de capitais.

de corretagem ou distribuição. Essa normatização nasceu. Isto acarretou um grande aumento da oferta e a diminuição do valor de mercado das ações.De forma similar ao ocorrido na atualidade. a lei SOX vedou a prestação de serviços de auditoria e consultoria à mesma entidade auditada. (MARAN. órgão regulador do mercado de ações americano. Daí surgiu a tão comentada Lei Sarbanes-Oxley (SOX) com uma série de exigências que visam dar maior ênfase aos controles internos. funções gerenciais ou de recursos humanos. um tanto. serviços de perícia. serviços atuariais. nos Estados Unidos. serviços jurídicos. Tal proibição incluiu: a contabilização ou outros serviços relacionados aos registros contábeis ou demonstrações financeiras. serviços de conselheiro de investimento. Também de forma similar. a qual vedara a prestação conjunta de serviços de consultoria e de auditoria para a mesma entidade auditada e exigira rodízio obrigatório de firmas de auditoria independente. p. a crise no mercado de capitais em 2001/2002 iniciou um movimento de discussão em torno de maiores controles e melhor evidenciação das demonstrações contábeis. antes do escândalo da Enron (2001) e da WorldCom (2002). No que tange às empresas de auditoria independente. . 97) Os próprios contadores foram duramente criticados pela falta de padrões contábeis à época. as empresas foram acusadas de modificar seus balanços com o intuito de torná-los mais atrativos aos investidores. dentre outros passíveis de posterior regulamentação. visando dar maior credibilidade aos investidores. Em 1929. portanto. alguns investidores perceberam que os valores de suas ações não correspondiam ao valor real das empresas que as emitiram. de 14 de maio de 1999. 2002. No Brasil havia sido editada uma norma pela CVM. banqueiro de investimento. atualmente verifica-se uma grande discussão da necessidade de harmonização das normas contábeis a nível global. a partir de 1933. e criado o Securities and Exchange Commission (SEC) em 1934. pelo colapso financeiro que desencadeou a quebra de algumas instituições bancárias no Brasil. concepção e implementação de sistemas de informação. GIUNTINI. responsabilização à administração e garantia aos investidores quanto à real situação da empresa. serviços de avaliação e laudos. não relacionados à auditoria. serviços de auditoria interna. porém com conseqüências muito mais danosas. iniciando-se um grande movimento de venda de ações. Similarmente. fato este que colaborou para grande desenvolvimento dos padrões contábeis nos Estados Unidos. Foi também para dar maior credibilidade aos investidores que passou a ser obrigatória a verificação das demonstrações contábeis por auditores independentes das empresas com ações negociadas em bolsa. PERINELI. a Instrução Normativa nº 308.

Na próxima seção. o GAO concluíra pela não recomendação da aplicação do rodízio de firmas. Um outro importante ponto a ser ressaltado em relação aos auditores independentes. Em 2003.br/ . através de um setor de auditoria interna bem atuante.deunojornal. Na administração pública. sob o pagamento individualizado de funcionários. ainda em pequenas proporções. por exemplo. nas avaliações de desempenho e de programas de governo. como a Lei de Newcomb-Benford. Em outras situações. mantém um banco de dados de reportagens relacionadas à corrupção publicados em jornais e revistas no Brasil através do link: http://www. E a tendência é. Atualmente. Denota-se que trabalhos de auditoria específicos em fraudes somente vêm sendo realizados após a detecção ter sido tornada pública. será aprofundado o debate auditoria interna e externa na gestão pública. com relação à regra do rodízio de firmas. . todavia. por exemplo. casos de corrupção e fraudes têm ganhado páginas de jornal e revistas cotidianamente.org. mediante uso de sistemas de auditoria na folha de pessoal. diz respeito às determinações de guarda dos papéis de trabalho de auditoria por 7 (sete) anos. A ONG Transparência Brasil. promovesse um estudo sobre os efeitos da aplicação do referido rodízio. em uma de suas seções determinara que o General Accounting Office – GAO. órgão governamental responsável pelo controle interno geral das entidades governamentais nos EUA. que tais ferramentas tecnológicas sejam cada vez mais utilizadas. Foi também em decorrência das fraudes ocorridas que passaram a ser debatidos maiores procedimentos de auditoria que visassem à detecção de fraudes nas demonstrações contábeis. mas apenas a rotação do sócio-auditor no prazo limite de 5 (cinco) anos. principalmente. processando trabalhosos cálculos estatísticos que apontam as áreas que precisam receber maiores testes em auditoria ou sistemas específicos de auditoria.3. Os trabalhos de auditoria vêm se norteando na conformidade legal. As demandas atuais passam a exigir uma resposta: a auditoria na prevenção e detecção de fraudes. O desenvolvimento de sistemas informatizados tem ajudado bastante à auditoria na prevenção e detecção de fraudes. como o ACL (Audit Command Language).Já a lei SOX. 5. pela ênfase nos controles internos e. novas tecnologias têm permitido controle das variações excessivas na folha de pessoal. utilizando técnicas de detecção de indícios de fraude.

operações e controles existentes na entidade. O Institute of Internal Auditors (IIA) define auditoria interna como “atividade independente. entidade ou órgão público nos seus mais abrangentes aspectos. de forma que possui maior independência para a execução dos trabalhos. controle e governança. na implementação e policiamento das normas internas que foram traçadas por esta mesma direção. Diferenciando-se do auditor interno.4. de fornecimento de segurança objetiva e de consultoria que visa acrescentar valor a uma organização e melhorar suas operações. A ação da auditoria interna estende-se a todos os serviços. Cardozo (1997. KELL. A auditoria externa é aquela realizada por empresa. . 932). 34-35) estabelece algumas distinções entre a auditoria independente (externa) sobre as demonstrações contábeis e a auditoria interna. órgão ou entidade independentes. QUADRO 3 . O Auditor Interno examina o sistema de controles internos visando o seu aperfeiçoamento e efetivo cumprimento tal como inicialmente planejado. AUDITORIA INTERNA E EXTERNA NA GESTÃO PÚBLICA A auditoria interna e externa na gestão pública desenvolveu-se no mundo todo visando assegurar a legitimidade dos atos e fatos administrativos de cada organização. O Auditor Independente examina o sistema de controles internos. O objetivo principal da Auditoria Interna é servir à direção da empresa. por razões óbvias de tempo e recursos empregados. Outra questão diferencial é o volume de testes que. O Auditor Interno está constantemente preocupado com a descoberta de erros e irregularidades. O principal objetivo da Auditoria Independente é expressar uma opinião independente sobre as demonstrações contábeis da empresa que a contratou. Fonte: Cardozo. assessorando a direção na implementação de medidas imediatas de correção. sujeitos à subordinação hierárquica. a menos que o exame do sistema de controles internos indique uma possibilidade razoável de ocorrência desses eventos e desde que possam afetar substancialmente as demonstrações contábeis sobre as quais deve opinar. Trazendo para a organização uma abordagem sistemática e disciplinada para avaliação e melhora da eficácia de seus processos de gerenciamento de risco. pp. pp. conforme Quadro 3. O Auditor Independente não tem a preocupação específica de descobrir erros ou irregularidades. programas. p. o auditor externo não possui vínculo funcional ou empregatício com o auditado.DIFERENÇAS ENTRE AUDITORIA INTERNA E EXTERNA AUDITORIA INTERNA Auditoria Interna é executada por funcionários da própria empresa.5. 2002. em geral. a fim de determinar o escopo (extensão e profundidade) dos exames. 1997. 34-35. e até que ponto se pode depositar confiança nas demonstrações contábeis. sem qualquer vínculo ou subordinação com a empresa auditada. de forma isolada ou associado. será menor na auditoria externa. não se restringindo às demonstrações contábeis. JOHNSON. AUDITORIA INDEPENDENTE (EXTERNA) A Auditoria Independente é executada por um profissional independente. ajuda-a a atingir seus objetivos” (BOYNTON.

81-91) destaca a criação do Tribunal de Contas Europeu. Itália. Argentina. Vinculados a esse escritório estão os Escritórios Regionais e Ministeriais de Auditoria e os Escritórios Provinciais e Municipais. o patrimônio. Ribeiro (2004. A China estruturou o seu controle externo em 1983 através de um órgão responsável pelo controle das instituições vinculadas ao poder central. lucros e perdas das empresas estatais. o controle interno está a cargo da Sindicatura Geral da Nação. Os seus membros são escolhidos pelo parlamento. naquela época ainda subordinada ao Ministério da Fazenda. O Síndico Geral da Nação tem a atribuição de informar à Auditoria Geral da Nação – órgão máximo de controle externo – atos e condutas que indiquem irregularidades. as contas dos projetos governamentais. entidade pública ou autoridade que administre recursos públicos. com a missão de controlar as finanças européias e sugerir procedimentos para melhoria da gestão. realizada pela Secretaria Federal de Controle entre 1997 e 2001.Baseando-se em uma série de publicações. pela orientação aos trabalhos de auditoria em todo o país e pela auditoria do Banco Central e outras instituições financeiras estatais: o Escritório Nacional de Auditoria. pp. o qual tem por finalidade o estabelecimento e manutenção de políticas voltadas para essa forma de controle. denominada “Domínio Público”. No Canadá. Na Argentina. foi legalmente definida a obrigatoriedade de todos os órgãos e entidades públicas manterem unidades de auditoria interna. Ribeiro (2004. os quais a seguir destacamos. órgão de controle externo. Polônia. 81-91) realiza uma explanação geral relativa a competências e formas de atuação dos órgãos de controle da administração pública dos seguintes países: União Européia. o qual está subordinado ao Parlamento de Israel. além das despesas e receitas das instituições públicas. para a gestão financeira e para a avaliação de programas governamentais. em sessão secreta. e suas unidades de Controle Interno estão vinculadas hierarquicamente às autoridades máximas de cada instituição pública. o órgão de controle interno é a Controladoria Geral do Canadá. China. Reino Unido. Portugal. Este possui a competência para fiscalizar qualquer órgão. O Tribunal desempenha funções fiscalizadora e consultiva de maneira independente. Israel. Em 1992. Em Israel. órgão normativo e executivo. além de conselhos e sindicatos de trabalhadores. França e Cuba. A Auditoria Geral da Nação está subordinada ao Congresso Nacional e goza de independência funcional e . Suas principais atribuições são auditar a implementação do orçamento público. subordinado ao Poder Executivo. o gerenciamento e uso de fundos extraorçamentários. Canadá. Na União Européia. possuindo mandato de cinco anos. o principal órgão de controle e auditoria público denomina-se Controladoria do Estado. organizando-se como um órgão colegiado composto por 15 (quinze) membros com experiência em fiscalização externa. as receitas e despesas dos projetos co-financiados por organismos internacionais. pp.

a Corte mudou significativamente sua atuação a priori para a posteriori e possibilitou o desenvolvimento da auditoria de desempenho. através principalmente das Inspetorias Gerais e da Direção Geral do Orçamento. Seus membros são escolhidos pelo Congresso e seu presidente é nomeado por proposta do partido de oposição com maior número de membros no Congresso. das entidades privadas que exercem funções de governo. da sigla em inglês) para dar apoio ao Controlador e Auditor Geral. Também estão sujeitas à inspeção as organizações privadas que recebem recursos públicos. das empresas estatais e órgãos autônomos. a qual encontra-se subordinada à Sejm (Câmara Baixa) do Poder Legislativo. Estão submetidos às auditorias do Tribunal: o Estado e seus serviços. Já o controle interno encontra-se sob subordinação do Ministério das Finanças. o julgamento e a punição dos responsáveis por violações dos regulamentos financeiros e a fiscalização da execução do orçamento. O Reino Unido destaca-se por. associações públicas e os governos locais. Sua atuação é abrangente. englobando o exame das contas dos ministérios e órgãos do governo. Na Polônia. o Tribunal de Contas é o órgão supremo de fiscalização da legalidade das despesas públicas. em trabalho conjunto com a Assembléia Nacional. podendo determinar procedimentos técnicos e requerer auditorias. o controle interno da administração pública tem-se realizado por cada organização pública. Essas unidades de “auditoria interna” sofrem fiscalização da Câmara Suprema de Controle da Polônia (controle externo). através dos Escritórios Centrais de Contabilidade e da Inspetoria Geral de Finanças. relatando seus achados ao parlamento. Entre suas funções estão a emissão de parecer sobre o Relatório da Conta Geral do Estado. o qual possui a missão de “ajudar a Nação a gastar . órgão auxiliar do governo. A Corte de Contas foi estruturada inicialmente em 1862. É uma corte independente e soberana com competência definida pela constituição portuguesa. Estes se responsabilizam pela apresentação dos resultados financeiros. haver sido criado o cargo de Controlador e Auditor Geral para exercer a posição superior de controle externo das contas públicas. inclusive aqueles provenientes de financiamentos da Comunidade Européia. Suas principais funções são a verificação da legalidade das despesas do governo central e das empresas públicas e o monitoramento da administração financeira e patrimonial das autoridades locais. em decorrência do forte regime socialista que se submeteu até 1989. normalmente a cargo dos setores de contabilidade. bem como. Em Portugal. Na Itália. Em 1983 foi criado o Escritório Nacional de Auditoria (NAO. Já o controle interno é supervisionado pela Divisão Geral de Contabilidade do Tesouro.financeira. instituições da seguridade social. o controle externo é exercido pela Corte de Contas. desde o ano de 1866. Em 1994. que exerce função supervisora da despesa pública. em decorrência da mudança da legislação em auditoria.

os quais possuem o foco nos princípios da economicidade. a fiscalização e o controle governamental. ou que. cuja função é de dirigir. em especial na seção que cuida da Fiscalização Contábil. as quais são subordinadas ao Ministério da Fazenda. envolvendo os recursos da União Européia. aplicação das subvenções.) . Após a descrição das formas de controle interno e externo de auditoria em vários países. será feito. Financeira e Orçamentária (artigos 70 a 75). arrecade. Artigo 71 – O Controle Externo. dirigir e controlar metodologicamente o sistema nacional de auditoria. o controle encontra-se organizado e definido pela Constituição Federal de 1988. Dentre os trabalhos de auditoria realizados destacam-se os de auditoria de desempenho. analisando a legalidade e os aspectos operacionais das ações de governo. As Inspetorias Gerais realizam análises prévias das despesas ordenadas e auditorias específicas conforme relevância da área. pelas avaliações produzidas voltadas para a assessoria na tomada de decisões e pela publicação de relatórios e acompanhamento de contratos de gestão firmados entre o governo central e os governos territoriais.sabiamente”.. bens e valores públicos ou pelos quais a União responda. assuma obrigações de natureza pecuniária. a cargo do Congresso Nacional. detectar e enfrentar atos de corrupção administrativa. legitimidade. quanto à legalidade. na próxima subseção. será exercido com o auxílio do Tribunal de Contas da União(. em nome desta. renúncia de receitas. organizar. executar e controlar a aplicação da política de Estado e Governo quanto a prevenir. destaca-se a criação em 2001 do Ministério de Auditoria e Controle. O controle interno na França é formado pelas Inspetorias Gerais e pelas Inspetorias Financeiras. um estudo da organização brasileira de controle. O controle externo é exercido pela Corte de Contas através das Câmaras Central e Regionais. economicidade. gerencie ou administre dinheiros. 5.1. financeira. tendo como função o controle e avaliação de gestão. orçamentária e patrimonial da União e das entidades da administração direta e indireta. Destaca-se também o Conselho Científico.4. mediante Controle Externo e sistema de Controle Interno de cada Poder.Organização Brasileira Na administração pública brasileira. vinculado ao Conselho de Estado. guarde. Cumprem também importante papel no fornecimento de informações ao parlamento a respeito da maneira como os órgãos públicos gastam os recursos. eficiência e eficácia. a verificação da regularidade das contas e a avaliação da qualidade das políticas públicas. será exercido pelo Congresso Nacional. e a auditoria governamental.. Em Cuba. Artigo 70 – A fiscalização contábil. Parágrafo Único – Prestará contas qualquer pessoa física ou Entidade Pública que utilize. assim como regular.

conforme apresentado no Quadro 4 (p. . em 1993. foi o primeiro a criar uma Controladoria. de 24 de janeiro de 2006).Como se verifica. quanto aos assuntos que. diretamente vinculados ao chefe do executivo. “compete a Controladoria-Geral da União (CGU) assistir direta e imediatamente ao Presidente da República no desempenho de suas atribuições. maiores cidades do País em população e produção interna. correição. por meio das atividades de controle interno. a qual era subordinada à pasta da Fazenda. sejam relativos à defesa do patrimônio público e ao incremento da transparência da gestão. a Constituição Federal indica que será realizado por cada Poder. Nos Estados e Municípios verificam-se iniciativas de criação de órgãos responsáveis pelas atividades de controle interno. ou seja. No Brasil. Quanto ao controle interno. órgão de controle interno. 49). no âmbito do Poder Executivo. visitados aleatoriamente. por exemplo. O município do Rio de Janeiro. Verificando a estrutura de 25 estados ou cidades-capitais do Brasil disponibilizadas em sites na internet nos dias 18 e 21 de agosto de 2006. por cada órgão ou entidade que executa ações. Até então somente se verificava função de controle interno exercida por inspetoria de finanças. controlando a si próprios. A pasta da fazenda ainda aparece como a responsável pelas funções de auditoria e controle interno em 40% dos estados e cidades-capitais. pode-se verificar que um percentual relevante – 36% – dos estados e cidades-capitais já possuem em sua estrutura. No que tange ao Controle Interno. um órgão de controle interno ou auditoria. cada Estado possui um Tribunal de Contas auxiliando o Poder Legislativo.683. de 28 de maio de 2003 e o Decreto n° 5. e ouvidoria” (Lei n° 10.683. auditoria pública. com status de Secretaria Municipal. através do Tribunal de Contas (órgão auxiliar do Poder Legislativo). Observa-se também a existência de Tribunal de Contas nos municípios do Rio de Janeiro e São Paulo. a fiscalização será exercida por um Controle Externo. prevenção e combate à corrupção.

orçamentária.apreciar as contas prestadas anualmente pelo Presidente da República. Controle/ Gestão) Rio Grande do Norte (Controladoria) Tocantins (Controladoria) Vitória (Controladoria) Subordinados à pasta da Fazenda Subordinados à outra pasta ou Finanças Bahia Acre (Sec. ressalte-se a existência de Ouvidoria Geral com status de Secretaria. acordo. em caso de ilegalidade de despesa ou irregularidade de contas. sobre a fiscalização contábil.sustar. a qualquer título. II . Controle Interno) Belo Horizonte (Controladoria) Espírito Santo (Auditoria-Geral) Maranhão (Controladoria) Rio de Janeiro (Capital – Controladoria) Rio de Janeiro (Estado – Sec. IV .fiscalizar as contas nacionais das empresas supranacionais de cujo capital social a União participe. III . operacional e patrimonial e sobre resultados de auditorias e inspeções realizadas. bem como a das concessões de aposentadorias. a execução do ato impugnado. nas unidades administrativas dos Poderes Legislativo. mediante parecer prévio. IX . da Câmara dos Deputados. de forma direta ou indireta. X . VI . e as contas daqueles que derem causa a perda. financeira.2. será exercido com o auxílio do Tribunal de Contas da União. extensivamente. entre outras cominações. a cargo do Congresso Nacional. na administração direta e indireta.assinar prazo para que o órgão ou entidade adote as providências necessárias ao exato cumprimento da lei.Atuação dos Órgãos de Controle e Auditoria no Brasil A competência do Tribunal de Contas da União e.aplicar aos responsáveis.realizar. para fins de registro. comunicando a decisão à Câmara dos Deputados e ao Senado Federal. orçamentária. por iniciativa própria.prestar as informações solicitadas pelo Congresso Nacional. Especial Governo) Recife São Paulo (Casa Civil) Rio Grande do Sul Sergipe (Sec. Gestão Administrativa) Mato Grosso do Sul Curitiba (diluída entre pastas) Pernambuco Florianópolis (Sec.QUADRO 4 – ESTRUTURA DO CONTROLE INTERNO NO BRASIL – Agosto/2006 Estados / Capitais do Brasil – órgãos ou funções de controle interno / auditoria Subordinados diretamente ao Governador / Prefeito Aracaju (Sec. ressalvadas as melhorias posteriores que não alterem o fundamento legal do ato concessório.fiscalizar a aplicação de quaisquer recursos repassados pela União. extravio ou outra irregularidade de que resulte prejuízo ao erário público. VIII . incluídas as fundações instituídas e mantidas pelo poder público. e demais entidades referidas no inciso II. ao qual compete: I . que deverá ser elaborado em sessenta dias a contar de seu recebimento. financeira. do Senado Federal. Governo) Roraima Salvador * Santa Catarina São Paulo (Capital) 36% 40% 24% * Em Salvador. ajuste ou outros instrumentos congêneres. excetuadas as nomeações para cargo de provimento em comissão. nos termos do tratado constitutivo. a Estado. operacional e patrimonial.julgar as contas dos administradores e demais responsáveis por dinheiros. inspeções e auditorias de natureza contábil. reformas e pensões. . está prevista no artigo 71 da Constituição Federal. 71. a legalidade dos atos de admissão de pessoal. por qualquer de suas Casas. ou por qualquer das respectivas comissões. dos Estados e Municípios. ao Distrito Federal ou a Município. 5. O controle externo. bens e valores públicos da administração direta e indireta. se não atendido.apreciar. as sanções previstas em lei. se verificada ilegalidade. que estabelecerá. Governo) Porto Alegre Pará (Sec.4. incluídas as fundações e sociedades instituídas e mantidas pelo poder público federal. Executivo e Judiciário. VII . mediante convênio. V . Art. de comissão técnica ou de inquérito. multa proporcional ao dano causado ao erário.

sobre despesas não autorizadas (art. ou infração à norma legal ou regulamentar de natureza contábil.XI . financeira. §1º). As regulares com ressalvas decorrem da existência de impropriedades ou faltas de natureza formal de que não resultem danos ao erário. fixar os coeficientes dos fundos de participação dos Estados. de desfalque ou desvio de dinheiros. São julgadas iliquidáveis as contas que se apresentarem materialmente impossíveis de julgamento de mérito. bens ou valores públicos e de reincidência no descumprimento de determinações do Tribunal. por solicitação da Comissão Mista Permanente de Senadores e Deputados. antieconômico. a exatidão dos demonstrativos contábeis. as quais podem ser verificadas na Figura 1 (p. operacional ou patrimonial. de dano ao erário decorrente de ato de gestão ilegítimo ou antieconômico.. 2003. p. 70). as contas são analisadas pelo Tribunal: [. a legalidade. informativa. as atribuições conferidas ao Tribunal pela Lei de Responsabilidade Fiscal. ilegítimo. 51).” (LIMA.. 161. a legitimidade e a economicidade dos atos de gestão do responsável. economicidade. A Constituição Federal também estabelece no artigo 74 as finalidades do sistema de controle interno de cada poder. CASTRO. normativa e de ouvidoria. (TCU. irregulares ou iliquidáveis. legitimidade. eficiência e eficácia (Princípios Constitucionais da Administração Pública). emissão de pronunciamento conclusivo. da prática de ato de gestão ilegal.]sob os aspectos de legalidade. 60). regulares com ressalvas. anualmente. O caso de as contas serem julgadas irregulares advém da omissão no dever de prestá-las. 72. corretiva. judicante. associação ou sindicato sobre irregularidades ou ilegalidades e. do Distrito Federal e dos Municípios. sancionadora.representar ao Poder competente sobre irregularidades ou abusos apurados. Destacam-se entre elas. As contas são julgadas regulares quando a prestação de contas expressa de forma clara e objetiva. e depois são julgadas regulares. orçamentária. consultiva. 22/08/2006) No desempenho de suas atribuições. Algumas de suas atuações assumem ainda o caráter educativo. partido político. Além das atribuições previstas na Constituição. várias outras têm sido conferidas ao Tribunal por meio de leis específicas. parágrafo único). pela Lei de Licitações e Contratos e. apuração de denúncias apresentadas pelo cidadão. e fiscalizar a entrega dos recursos aos governos estaduais e às prefeituras (art. As funções básicas do Tribunal de Contas da União podem ser agrupadas da seguinte forma: fiscalizadora. A Constituição Federal ainda prevê como atribuição do Tribunal de Contas da União: a fiscalização das aplicações de subvenções e renúncia de receitas (art. pela Lei de Diretrizes Orçamentárias. .

PETER & MACHADO. No Quadro 5 (p. Orçamentária Gestão Financeira Patrimonial Órgãos e Entidades da Adm.Apoiar o Controle Externo no exercício de sua missão institucional Fonte: Constituição Federal da República Federativa do Brasil de 1988.Comprovar a Legalidade SISTEMA DE CONTROLE INTERNO Eficiência 3 .Tipos de Auditoria na Área Pública A literatura especializada tem classificado a Auditoria Governamental nas seguintes modalidades (LIMA & CASTRO. auditoria de gestão. 1992. 74 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL Cumprimento das Metas Previstas no Plano Plurianual 1 . inspeções.Avaliar Resultados Eficácia Rec. as quais. Direta Adm. mediante auditoria. são realizadas mediante fiscalizações. 2003. há que se restringir à atuação dos órgãos de controle e auditoria no que tange àquela contra fraude e corrupção. as atribuições dos órgãos de controle são amplas. AUDIBRA.Controlar Garantias Direitos e Haveres do Estado 5 . em geral. 5. auditoria de programas. Para esse estudo. 2003. auditoria contábil e auditorias especiais. 2006): auditoria operacional.3. 52) apresentamos uma síntese dos seus objetivos.Avaliar Execução Dos Programas de Governo Dos Orçamentos da União 2 . em suma. monitoramentos.FIGURA 1 – ARTIGO 74 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL DO BRASIL / 1988 ART. Humanos Operações de Crédito Avais 4 . TCU.4. . auditoria de desempenho. auditoria de sistemas. Indireta Como se verifica.

a situação econômico-financeira do patrimônio. cumprimento de metas previstas. (LIMA & CASTRO. 45) Auditoria de Gestão Emitir opinião com vista em certificar a regularidade das contas. exige um tratamento mais específico e direcionado. bem como a aplicação de recursos descentralizados (PETER & MACHADO. a probidade na aplicação de recursos públicos e na guarda de administração de valores e outros bens. p. procurando auxiliar a administração na gerência e nos resultados por meio de recomendações que visem aprimorar os procedimentos. os resultados do período administrativo examinado e as demais situações nela demonstradas. 2006. 2003. p. 43). acordos e ajustes. aquisição. 2003. proteção e utilização dos recursos de órgãos e entidades públicas e cumprimento de dispositivos legais. convênios. Auditoria de Busca examinar em que medida as organizações governamentais estão operando de forma Desempenho econômica. eficácia e equidade de sua implementação. (LIMA & CASTRO. 45) Auditorias Especiais Examina os fatos ou situações considerados relevantes. assim como a economicidade. 2003.QUADRO 5 – TIPOS DE AUDITORIA E SEUS OBJETIVOS Tipos de Auditoria Auditoria Operacional Objetivos de Auditoria Avalia as ações gerenciais e os procedimentos relacionados ao processo operacional de um órgão ou entidade. 2003. p. PETER & MACHADO. com a finalidade de emitir opinião sobre a gestão quanto aos aspectos da eficiência. 70) Auditoria Contábil Objetiva obter elementos comprobatórios que permitam opinar se os registros contábeis foram efetuados de acordo com os Princípios Fundamentais de Contabilidade e se as demonstrações que dele se originaram refletem adequadamente. 71. Denominada “Avaliação de Programas” pelo Tribunal de Contas da União. . 2) buscar evidências de indícios e provas relativas a fraudes e 3) adotar medidas corretivas quanto à punibilidade dos responsáveis e coniventes de fraudes comprovadas. verificar a execução de contratos. Os órgãos de auditoria devem operar na concepção do “Ciclo de Vida de Fraude e projetos de busca e garimpagem de fraudes” (GIL.(TCU. 71) Fonte: Lima & Castro. projetos e atividades. melhorar os controles e aumentar a responsabilidade gerencial. 22/08/2006) Auditoria de Objetiva assegurar a adequação. (LIMA & CASTRO. ela é realizada para atender à determinação expressa de autoridade competente (LIMA & CASTRO. p. examinar e avaliar a execução de programas e projetos Programas governamentais específicos. p. p. 71) Auditoria de Objetiva acompanhar. Os órgãos de auditoria necessitam de previsão em suas estruturas de uma unidade de atenção ao combate às fraudes e corrupção. eficiência. privacidade dos dados e informações oriundas dos Sistemas sistemas eletrônicos de processamento de dados. concebida dentro de cada um dos tipos de auditoria da área pública citados. esse tipo de auditoria visa avaliar a efetividade dos programas e projetos governamentais. p. eficiente e eficaz e trata de aspectos relacionados a práticas antieconômicas e ineficientes. 2003 / TCU. de natureza incomum ou extraordinária. Os mecanismos e ferramentas necessitam ser desenvolvidos e aperfeiçoados pela área de auditoria para que essa possa ser mais efetiva no combate às fraudes e corrupção. A auditoria de fraudes. observando as diretrizes estabelecidas e a legislação específica (PETER & MACHADO. de um programa de governo. 2003. 2003. eficácia e economicidade. 2003. 2003 / Peter & Machado. 76) em três macromomentos distintos: 1) prever a existência de fraudes enquanto da ocorrência das atividades normais da organização. em seus aspectos relevantes. p. 1999.

La revisión de gastos e ingresos específicos con el fin de evaluar el posible riesgo de pérdidas en contratos seleccionados y las revisiones necesarias para evaluar el alcance y la índole del riesgo. incluindo a aplicação de políticas sobre conflitos de interesse e códigos de conduta.5. inclusive os sistemas informatizados organizacionais. A AUDITORIA NA PREVENÇÃO E DETECÇÃO DE FRAUDES E CORRUPÇÃO A auditoria na prevenção e detecção de fraudes busca examinar os controles internos adotados. vulnerabilidades de programas e atividades específicas. en caso de que lo haya. detecção e informação da fraude. p. Flores (2004. p. identificar os stakeholders envolvidos. 5. ● a . 22. objetivando prevenir e detectar fraudes e corrupção na organização. incluindo a aplicação de políticas de gestão de riscos.FIGURA 2 – CICLO DE VIDA DE FRAUDE Busca de indícios MUM MDOIS MZERO PCFI – Ponto de Controle de Fraude Instalado Confirmação de FRAUDES PCFC Ponto de Controle de Fraude Comprovado Providências em face de FRAUDES PCFEPonto de Controle de Fraude Eliminad o Comprovação Denúncias de FRAUDES Fonte: Gil. A falta de uma unidade organizacional de auditoria que cuide de atuar especificamente contra fraudes dificulta a busca e garimpagem de fraudes. detección e informe del fraude. com adaptação do autor desta dissertação. vulnerabilidad de programas y actividades específicas. incluyendo la aplicación de políticas sobre conflictos de interés y códigos de conducta. 91) inclui como atribuição deste tipo de auditoria os seguintes pontos: • Una evaluación de los procedimientos de prevención. pois a análise sistematizada (como parte de um ciclo – Figura 2) desses macromomentos acaba deixando de ser realizada. incluyendo la aplicación de políticas de gestión de riesgos. avaliar fatores exógenos que possam representar indícios de irregularidades. 9 • 9 Tradução livre dada pelo autor desta dissertação: “● Uma avaliação dos procedimentos de prevenção. 1999. A auditoria somente tem observado casos de fraudes isolados dentro dos trabalhos desenvolvidos em outras áreas ou mediante denúncias.

estabelecer as áreas suscetíveis ou vulneráveis da entidade que se convertem em red flags (indícios de fraudes). b) Estabelecimento das áreas de risco. indicadores de qualidade operacional e da segurança. d) Obtenção de evidência comprobatória e confiável. e) Comunicação dos resultados (achados) às instâncias pertinentes. quantitativa e comportamental: Sistêmica – com conhecimento detalhado do modelo organizacional e sua respectiva tecnologia de controles e particularmente seu ambiente e sua plataforma de informática. conseqüentemente. Neste aspecto tornase fundamental o papel dos recursos humanos para verificação de antecedentes (“Background checks”). 91). segundo Gil (1999. ou seja. por conseguinte. fica claro que a auditoria deve buscar atuar tanto na prevenção como na detecção de fraudes. O que a difere das demais é o foco ou objetivo da auditoria e a adequação de algumas fases às suas peculiaridades. dimensionamento de sinais exteriores de riqueza. gráficos de tendências de fraudes. p. investidores. Dentro desses enfoques. são arquitetadas por profissionais que integram o quadro de funcionários e colaboradores da empresa. 2004. terceirizados. como por exemplo. quanto às técnicas de auditoria gerarem evidências corroboradoras de uma prática fraudulenta. p. Essas red flags orientarão a aplicação das técnicas de auditoria. prestadores de serviço. métodos de avaliação que permitam obter evidência comprobatória e confiável nas quais o auditor basear-se-á nas suas opiniões e respectivas conclusões (FLORES. erros intencionais / não intencionais. Assim. Um grande número de fraudes ocorre com funcionários que detêm algum grau de confiança. etc. da mesma forma como os demais tipos de auditoria. a análise deve ser. e para isso o auditor deve aplicar técnicas que o permitam obter um conceito do sistema de controle interno e. como forma de minimizar tais ocorrências.De acordo com a tipologia dos enfoques a serem identificados para detecção de fraudes. também da atividade econômica da organização e sua relação com as demais instituições. parâmetros que necessariamente devem utilizar a informática para a quantificação. Uma metodologia geral a ser seguida tem como ponto de partida o conhecimento da área ou do ente auditado e do seu entorno. Quantitativa – deve antever a existência de fraudes e propor atuação com análise de risco. nos casos em que haja”. c) Aplicação das técnicas de auditoria. 92). sistêmica. Comportamental – Os dados de pesquisa são consensuais em identificar que a maioria das ações fraudulentas são de origem interna. . a necessidade de aplicação de medidas revisão dos gastos e ingressos específicos com o fim de avaliar o risco provável de perdas em contratos selecionados e as revisões necessárias para avaliar o alcance e a índole do risco. a auditoria de fraudes segue as seguintes fases: a) Conhecimento da entidade e seu entorno. Desse processo deriva a necessidade de se estabelecer áreas de risco. estatísticas. a sinalização e mapeamento de áreas de risco e de indícios ou casos de fraude (red flags). A pesquisa da KPMG (2000) demonstra que 50% dos envolvidos na fraude ocupam posição de gerência e ou supervisão e 49% pessoal de suporte. inclusive em relação a fornecedores.

em especial em áreas de maior risco. Aquisição crescente de bens ou serviços de uma única empresa. já tanto discutidos e abordados pela literatura ao tratar de auditoria. Falta de aplicação de penalidades em situações de descumprimentos contratuais e/ou relevação de penalidades aplicadas sem sustentação ou com sustentação insuficiente. Desvios de recursos de caixa.RED FLAGS Concentração de poderes em mãos de poucos funcionários. entre otros. QUADRO 6 . Dar información privilegiada. e medidas de recuperabilidade das perdas. Aprovação de pessoal de confiança dos primeiros escalões do governo em concursos públicos realizados na mesma esfera. Soborno para la obtención privilegiada de servicios. 94): • • • • La negociación de los contratos con el fin de favorecer a amigos. Excessiva rotação de pessoal.preventivas. em especial. Favorecimentos. licencias. Falta de segregação adequada de funções. 2004. Registros contábeis não usuais. além das avaliações de controle interno e do conhecimento da organização e suas atividades. Aquisição de bens e materiais desnecessários. voucher´s e outros bens. Restrição da concorrência. Pérdida. p. Subsídios ou outros repasses a entidades sem fins lucrativos às vésperas de eleições. Exigências da licitação (edital) aparentemente sem suporte técnico ou legal. . vales. Pagamento por material e serviços acima do preço de mercado. excessivos ou extraordinários. sustracción o daño a bienes del Estado cuando hay conocimiento de liquidaciones o cierres del ente. Conflito de interesses. Falta de aprovações e autorizações para compras. Na auditoria de prevenção e detecção de fraudes deve-se adicionar na fase de conhecimento da entidade e seu entorno. Falta de controles e documentação. fatores condicionantes de fraude já identificados. como por exemplo (FLORES. No Quadro 6 são apresentados alguns exemplos de red flags. Perdas ou subtrações contínuas ou relevantes de estoques. Casos ou suspeita de suborno. familiares o conocidos. quando não planejado em cronograma de desembolso.

dentre outros. realizando os detalhamentos e aprofundamentos necessários. com a habilidade de distinguir situações anormais. Para isso. p. 95): No necesariamente deben ser significativas. 2004). Planejamento Estratégico em Auditoria: auditoria baseada em risco. dar informação privilegiada. 2004. A confecção e atualização permanente de uma matriz de risco para a organização levando em conta os fatores mais relevantes no contexto de riscos. 10 No estabelecimento das áreas de risco. mas colabora para uma análise mais profunda da situação. Essa matriz de risco pode e deve orientar todos os trabalhos de auditoria e a auditoria de fraudes deve utilizála para direcionar seus trabalhos. Segundo Flores (2004. ferramentas informatizadas e softwares de auditoria podem auxiliar o auditor. comprometimento dos gestores e tipos de certificados de auditoria emitidos anteriormente. Um modelo de matriz de risco geral que pode ser citado é o utilizado pela Auditoria do Município do Rio de Janeiro (Rio de Janeiro. aumentando a probabilidade de existência de fraude. Em seguida. riscos de processo. como fatores relevantes de risco. As red flags podem ser caracterizadas por pontos suspeitos. duas questões: a) Materialidade da despesa . licenças. . em especial. e os riscos de informação e da tomada de decisão. que afetam a viabilidade da prestação de serviços públicos internos ou externos. Rio de Janeiro: Controladoria Geral. ou parecida situação. suborno para a obtenção privilegiada de serviços. o auditor terá detectado uma red flag. Lino Martins da. Nesse modelo foram considerados. O auditor deve direcionar seus trabalhos. pero la 10 Tradução livre dada pelo autor desta dissertação: “Negociação dos contratos com o fim de favorecer amigos. que tratam da relevância e da confiabilidade das informações que suportam o processo decisório11. indícios ou meros alertas. impacto no cidadão. Prefeitura da Cidade do. A sinalização com red flags desses pontos não estabelece a existência de irregularidades ou fraudes. certamente há de contribuir para uma análise sistematizada e parametrizada das áreas. perda. quando a mesma. tende a se repetir e receber novas red flags. que afetam a execução do modelo de controle estabelecido. entidades. es sólo una alerta que se plantea el auditor ante una situación que percibe extraña o fuera de lugar. baseando-se no conhecimento da entidade (atividade ou programa) e seu entorno e na análise de riscos. familiares ou conhecidos.mensurada com base no orçamento e contratos. In prefácio da obra: RIO DE JANEIRO. subtração ou danos a bens do Estado quando há conhecimento de liquidação ou extinção do ente.• Errores cometidos a propósito y que obligan a la organización a cancelar demandas o verse inmersa en procesos legales. programas ou atividades. cabe um mapeamento e gerenciamento do risco da organização considerando: riscos de ambiente. b) Vulnerabilidade – considerando aspectos de macroorientação do governo. erros cometidos propositadamente e que obrigam a organização a cancelar demandas ou acometê-la em processos legais. estranhas e extraordinárias que agucem sua inteligência e levantem dúvidas quanto à efetividade e veracidade do observado.” 11 Silva.

which are present. pois quando há subornos ou comissões fraudulentas recebidas por funcionários da área de compras. as quais estão presentes. . estas situações tendem a fugir do controle por motivo desses funcionários se verem impossibilitados de efetuar reclamações. the auditor has a responsibility to design audit procedures to determine if a fraud has been committed. 13 Tradução livre dada pelo autor desta dissertação: “Bandeiras vermelhas são como luzes de casa. Red flags are indicators that the circumstances or conditions. provide the opportunity to commit a fraud. • Empregar elevado grau de ceticismo quando examinar a razão dos materiais adquiridos pela organização.acumulación de varias pequeñas “banderas rojas” podría sí estar indicando la presencia de irregularidades. e adicionalmente. pois freqüentemente existe um grau de verdade. fraudulent activity will probably not be detected. Red Flags are like light houses. qual a extensão. observando a qualidade do material. os quais são uma das maiores formas de corrupção: • • Atentar para rumores e queixas de empregados. o momento (oportunidade) da entrega. é somente um alerta que se denota o auditor diante de uma situação perceptivamente estranha ou fora do lugar. o auditor tem a responsabilidade de realizar procedimentos de auditoria para determinar se tem ocorrido fraude. Bandeiras vermelhas são indicadores de que circunstâncias ou condições. Se um auditor não está preparado para reconhecer as bandeiras vermelhas ou se falha ao assumir a responsabilidade da auditoria por fraudes. Elas suprem o auditor com uma advertência. pois em geral este é o maior suspeito de corrupção.13 Wells (2003) apresenta algumas sugestões aos auditores para auxiliar a detecção e dissuasão de subornos ou comissões fraudulentas. provavelmente não detectará uma atividade fraudulenta. If an auditor is not trained to recognize the red flags or fails to assume the responsibility to audit for fraud. atividades fraudulentas provavelmente não serão detectadas”. Logo que uma bandeira vermelha seja reconhecida. p. a entrega dentro dos padrões. a necessidade do material. 12 Tradução livre dada pelo autor desta dissertação: “Não devem ser necessariamente significativas. Once a red flag is recognized. and if so. to what extent. They provide the auditor with a warning. a falha ou mau preparo do auditor em reconhecer red flags e em adotar procedimentos cabíveis. fornecem a oportunidade para acometimento de uma fraude. porém a acumulação de várias pequenas “bandeiras vermelhas” pode ser indicativo da presença de irregularidades”. 12 Em trabalho reconhecido pela Association of Certified Fraud Examiners – ACFE – titulado “Auditing for Fraud” – Dycus (2001. 46) oferece uma definição simples para as red flags ressaltando que depois de reconhecida uma red flag é responsabilidade do auditor a realização de procedimentos de auditoria que permitam verificar a existência e extensão da fraude e que. quanto àqueles que aparentam viver além de suas posses. os preços pactuados. Verificar minuciosamente os controles utilizados na área de compras. em especial sobre o agente responsável pelas compras.

• Observar o relacionamento do pessoal de compras com os fornecedores. que Joseph Wells (2003). à prisão federal. Uma classificação que pode ser estabelecida para as red flags encontra-se apresentada no Quadro 7 (p. pois alguns desses fornecedores corruptores nomeiam alguém para realizar o “trabalho sujo” e esse alguém pode ser uma ponte que irá fechar o elo entre o corruptor ativo e o passivo. sucesso do fornecedor em grande parte das concorrências. levou o Senador William G. investigando um caso de corrupção no Senado de Mississippi nos Estados Unidos. Foi exatamente seguindo essas orientações e analisando suspeitas e indícios levantados (red flags). como um representante. 59). por exemplo. e outras situações de relacionamento estranhas à área de compras que venham a ampliar suspeitas de corrupção e fraude. Burgin Jr. em especial casos de oferecimento de presentes e brindes. “amizade” entre o fornecedor e o comprador. . • Verificar se as transações de compras são realizadas diretamente com os fornecedores ou através de uma pessoa intermediária.

QUADRO 7 – CLASSIFICAÇÃO E CARACTERÍSTICAS DAS RED FLAGS

Classificação das Red Flags
Documentais Pessoais Do processo Conceituais

Características
São aquelas encontradas em contratos, faturas, correspondências, extratos bancários, duplicatas, cauções, ações, debêntures, certificados, relatórios e todos os tipos de documentos externos e internos à organização. São aquelas que dizem respeito às pessoas, que podem se traduzir em atitudes, comportamentos estranhos ou pouco usuais. Quando se dão nos procedimentos administrativos das despesas. Necessitam de um elemento racional, ou seja, não derivam de uma observação direta dos fatos sem que requeiram um processo de raciocínio e análise por parte do auditor.

Fonte: Flores, 2004, p. 96.

Pode-se observar na auditoria de fraudes um avanço em uma área pouco explorada pela ciência contábil e controle interno: a área comportamental. Nesse sentido, a auditoria de fraudes tem desenvolvido procedimentos utilizando-se das práticas forenses e de investigação, em especial através de entrevistas e interrogatórios, e também se aprofundando nos campos da psicologia e sociologia. Dycus (2001) dedica grande parte do seu trabalho em auditoria de fraudes na questão das entrevistas e interrogatórios, abrangendo os métodos de entrevistas, táticas, percepções e análise de comportamento do suspeito. Destaca que “para pegar um ladrão................pense como um!” Após o episódio da Enron, que abalou todo o mercado de capitais e deu início à discussão da efetividade das auditorias contra fraudes, Baer (2002) realizou uma análise na qual considera que a utilização de práticas forenses contábeis na auditoria das demonstrações contábeis pode ser o melhor método para redução do gap entre as expectativas dos investidores e dos auditores para a prevenção e detecção de fraudes. Figueiredo (2000, p. 65-69) traça um paralelo entre a auditoria contábil e a criminalística e considera que “com o estudo de técnicas profissionais utilizadas pela Criminalística, aplicadas juntamente com os conhecimentos de auditoria contábil, o trabalho profissional do auditor contábil ficaria completo...”. Apesar da forte afirmação, que daria a entender que basta à auditoria o conhecimento contábil e de criminalística, Figueiredo considera em seu trabalho que “o auditor, no exercício da sua função, precisa utilizar conhecimentos de outras ciências e disciplinas, para melhor desempenho profissional”. Um outro ramo do conhecimento que tem contribuído e ainda tem muito a contribuir com a auditoria é a Informática. Pode-se destacar entre os produtos da Informática, a tecnologia da inteligência artificial, que é um programa ou função de um programa que fazem o computador

pensar de forma inteligente, como um cérebro humano, ou seja, tomar suas próprias decisões e aprender com seus erros. Dentro desse, inclui-se as Redes Neurais. As redes neurais têm sido utilizadas com relativo sucesso na prevenção e detecção de fraudes eletrônicas. Um exemplo, é o uso de rede neural pelas administradoras de cartão de crédito. Supondo que determinado cliente faça uso do seu cartão somente duas vezes por mês, basicamente para compras de mercado e despesas com restaurantes; que em determinado mês, aquele cliente tenha feito quatro ou cinco compras em um mesmo dia, ou tenha realizado diferentes tipos de despesa que o habitual, ou tenha utilizado o cartão em dois ou três locais diferentes e em curto espaço de tempo que levantariam a dúvida quanto ao deslocamento real. Dentre outros tantos possíveis indícios de fraude, por meio da análise do tipo de despesa, data, hora, local, a rede neural pode detectar uma fraude em menos de um minuto e suspender transações com o cartão de crédito. De forma similar, as redes neurais podem ser inicialmente alimentadas com os red flags identificados e de rotina e, realizando a leitura dos bancos de dados administrativos, contábeis e financeiros identificar fraudes ou casos que exijam ação imediata de auditoria pelo grande indício de irregularidade. A utilização de redes neurais tende a ser mais eficiente quanto mais próximo da ocorrência do evento puder ser detectada a irregularidade. Assim, a possibilidade de uma rede neural funcionar on-line com os sistemas contábeis, administrativos e financeiros amplia a sua eficiência e eficácia em prevenir e detectar fraudes. Lima (2005) desenvolveu sua tese de doutoramento com a aplicação de redes neurais no combate ao crime organizado e lavagem de dinheiro. Utilizou-se de dados e entrevistas junto ao mercado financeiro, em especial o Banco Central do Brasil, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal. O desafio ao qual se propôs foi “como operacionalizar o treinamento ou aprendizagem de uma rede neural artificial, na perspectiva de generalização – e eficaz reconhecimento dos quarenta padrões de lavagem de dinheiro no sistema financeiro” (LIMA, 2005, p. 160). Em outro trabalho em redes neurais, Oliveira et al (2003) realizaram estudos da sua aplicação à auditoria em folhas de pagamento, visando analisar o comportamento temporal de cada verba e apresentar aquelas com comportamento suspeito.
Redes neurais são usadas para acompanhar a evolução mensal dos valores dessas verbas. Quando o valor previsto pela rede neural se afastar significativamente do valor observado num determinado mês, o auditor será notificado. Desse modo, ele poderá concentrar seus trabalhos na análise das verbas apontadas como suspeitas pelo sistema. (OLIVEIRA et al., 2003, p. 2)

Outra iniciativa de mapeamento de áreas com indícios de fraudes é a utilização da Contabilometria, através das distribuições de probabilidades esperadas (segundo a Lei de

Newcomb-Benford) e as observadas, adicionando-se, para medição do grau de significância, dos Testes de Hipótese (Z-Teste). Em estudo recentemente realizado em 20 municípios do Estado da Paraíba utilizando-se da Contabilometria, pôde ser verificado que alguns municípios apresentavam superfaturamento nas despesas e fracionamento de outras para fugir do limite da licitação (SANTOS; DINIZ; RIBEIRO FILHO, 2003, p. 13-14). A Lei de Newcomb-Benford pode ter seu uso ampliado na detecção de fraudes avaliando-se despesas, orçamentos, receita, etc. Encerrando esse tópico, apresentamos, no Quadro 8 (p. 62), algumas orientações para detectar fraudes.

Lembre-se que as pessoas estão freqüentemente divididas entre padrões morais e sua relutância em se envolver. especially adjustments. Use seus conhecimentos de controle interno para “pensar sujo” e depois verifique suas suspeitas. 7. 5. Seja intrometido. Have faith in yourself. first impressions are often right. (If you’re surprised. 3. 8. 8. 2. Consider the reasonableness of account balances and accounting entries. Use your knowledge of internal control to "think dirty" and then check out your suspicions. valores expressos em moeda. 3. Considere a racionalidade dos saldos das contas e registros contábeis. especialmente se você não as entender. dollar amount. p. Pay attention to documents themselves and the supporting paperwork.QUADRO 8 – THE TEN COMMANDMENTS OF DETECTING FRAUDS14 1. especialmente os ajustes. tipo de tinta usado e a condição geral do documento. 4. datas. 6. Remember that people are often torn between their moral standards and their reluctance to get involved. Use statistical sampling to force you to look at items you would not generally otherwise examine. Assuma que qualquer um pode cometer fraudes sob determinadas circunstâncias. Desenvolva relacionamentos e preste atenção às pistas ou rumores de coisas erradas. especially if you don't understand them. 2. Siga em frente. Check out hunches. 50) 14 Tradução livre dada pelo autor desta dissertação para o quadro 8: “Os dez mandamentos na detecção de fraude: 1. Tenha confiança. mas somente se alguém confirmar o ocorrido. Remember that good documentation does not mean something happened. 5. only that someone said it happened. (Se você surpreender-se. tax. Look for patterns of unusual transactions. 10. Elas raramente contam tudo que sabem na primeira entrevista. primeiras impressões estão freqüentemente certas. it's unusual!) Fonte: Dycus (2001. Observe modelos de transações não usuais. don't easily accept explanations. Preste atenção em documentos internos e nos papéis de trabalho de suporte. ela não é usual!)” . Follow up. 4. impostos. Percepções aumentam com a experiência. 7. observing the consistency of numbers. type of ink used and the general condition of the document. 9. Use amostras estatísticas para te forçar a olhar os itens que geralmente não examinaria de outra forma. They seldom tell all they know in the first interview. não aceite explicações facilmente. dates. Be nosy. Assume anyone can commit fraud under the right circumstances. Verifique pressentimentos. Perception increases with experience. observando a consistência dos números. 6. Develop relationships and pay attention to hints or rumors of wrongdoing. Lembre-se que uma documentação regular não significa que algo aconteceu. 9. 10.

165 / ALMEIDA. p. 1998. Os testes de observância são aplicados na verificação da existência. b. e b) determinar a natureza e a quantidade de erros que possam ter ocorrido na aplicação dos procedimentos de controles previstos no sistema. portanto. Cardozo (1995. As técnicas de auditoria seriam.83): (a) existência. conforme o sistema seja mais ou menos confiável. atos formais. O objetivo é a meta a ser alcançada. as quais devem ser suficientes. 72). JOHNSON. 2002. p. em testes de observância e testes substantivos. 131). relevantes e úteis para conclusão dos trabalhos (LIMA. p. . CASTRO. este poderá estender e aprofundar seus exames. 76) os denomina testes de conformidade e considera que são dois os objetivos deste teste: a) verificar se o sistema funciona consistentemente conforme descrito pelos funcionários da empresa. 74 / ATTIE. Os procedimentos são os caminhos que levam à consecução dos objetivos” (ATTIE. manuais de controle interno. p. Dividem-se em testes de transações e saldos e procedimentos de revisão analítica. Pode-se definir como sendo o conjunto de processos e ferramentas operacionais de que se serve o controle para a obtenção de evidências. adequadas.6. Os testes substantivos têm por finalidade a obtenção de evidências quanto à suficiência. KELL. efetividade e continuidade dos controles internos. (d) abrangência. “A aplicação dos procedimentos de auditoria precisa estar atrelada ao objetivo que se quer atingir. pode-se elencar: a. pp. Na aplicação dos testes substantivos nas demonstrações contábeis o auditor deve objetivar as seguintes conclusões (FERREIRA. Realizando uma revisão das técnicas e procedimentos de auditoria mais usuais.5. apresentação e divulgação. 2003. no momento certo. 2003. Análise documental (inspeção de documentos / exame dos documentos originais) – exame de processos. Indagação escrita ou oral (inquérito / questionamentos) – realizada através de entrevistas e/ou questionários (FERREIRA. 37 / BOYNTON. 2002. 140-141 / LIMA. TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS DE AUDITORIA Procedimentos de auditoria representam o conjunto de técnicas utilizadas pelo auditor para obtenção de evidências suficientes e adequadas para fundamentação de sua opinião sobre o objeto de auditoria. p. 2002. fluxogramas. conseqüência dos procedimentos de auditoria. 1998. (c) ocorrência. Com a avaliação do sistema de controle interno realizada pelo auditor. (b) direitos e obrigações. p. CASTRO. (e) mensuração. 210). p. 2003. basicamente. Dividem-se. p. exatidão e validade das informações produzidas pelos sistemas de informações sob análise.

165 / ATTIE. 2002. 2003. particularmente daqueles relativos à segurança de quantidades físicas ou qualidade de bens tangíveis. CASTRO. 40 / BOYNTON. 1998. com a finalidade de revelar erros. p. 2002. Correlação das informações obtidas – cotejamento de informações obtidas de fontes independentes. p. p. 165 / ALMEIDA. 2002. 2002. 2003. p. 137-138 / LIMA. 2003. p. KELL. pp. de modo a constatar a adequação dos cálculos apresentados ou eventuais erros nas operações aritméticas e financeiras (FERREIRA. 1998. problemas ou deficiências que de outra forma seriam de difícil constatação (FERREIRA. JOHNSON. 2003. 138-139 e 141-142 / LIMA. p. p. 165 / LIMA. 36 / BOYNTON. KELL. 2003. 165 / ALMEIDA. p. 37-38). relatórios e outros documentos internos ou externos (FERREIRA. 211-212). p. p. 2002. geralmente no interior da própria organização (FERREIRA. pp. 3637 / BOYNTON. CASTRO. 35-36 / BOYNTON. 165 / ATTIE. 1998. bem como da escrituração contábil no diário e razão (FERREIRA. CASTRO. 133 / LIMA. 2003. KELL. Inspeção física (contagem física / exame físico) – exame usado para testar a efetividade dos controles. 2002. 155-156 / ATTIE. 2002. pp. Corresponde à verificação in loco da existência física do objeto ou item examinado (FERREIRA. elaborados de forma manuscrita ou por sistemas informatizados. p. d. Conferência de cálculos (repetição) – revisão das memórias de cálculos ou a confirmação de valores por meio do cotejamento de elementos numéricos correlacionados. pp. mapas e demonstrativos. CASTRO. Observação das atividades e condições – verificação das atividades que exigem a aplicação de testes flagrantes. autônomas e distintas. 165 / ALMEIDA. p. JOHNSON. direitos e obrigações (FERREIRA. c. 142-143). 1998. p. p. KELL. Confirmação externa (confirmação com terceiros / circularização) – verificação junto a fontes externas ao auditado. 56 / ATTIE. 56 / ATTIE. 2002. 1998. . pp. p. 1998. e. JOHNSON. pp. 210-211). 2003.demonstrações. CASTRO. p. 210-211). 2002. 134 / LIMA. por exemplo. da fidedignidade das informações obtidas internamente. p. 2003. 56. KELL. f. JOHNSON. 2003. existência de bens. 56 / ATTIE. 2002. recursos. 210). g. 165 / ALMEIDA. Exame dos registros (exame da escrituração) – verificação dos registros constantes de controles regulamentares. p. pp. p. 2002. 2003. p. 136-137 / LIMA. JOHNSON. CASTRO. h. 2002. pp. 35 / BOYNTON. para comprovar. 211). relatórios.

as técnicas já citadas podem ser facilitadas e realizadas em maior amplitude. p. p. envolvendo o cálculo e a utilização de índices financeiros simples. 39). Amostragem – método aplicado como forma de viabilizar a realização de ações de controle em situações onde o objeto alvo da ação se apresenta em grandes quantidades e/ou se distribui de maneira bastante pulverizada. p. p. em especial quando a verificação da totalidade do objeto de auditoria se torna impraticável (FERREIRA. 143 / LIMA. como análise de regressão. unidades. 211). p. 1998. inclusive análise vertical de demonstrações. 139-140 / LIMA. 2002. KELL. 2002. p. possibilitará que sejam identificados quaisquer problemas no item em exame. como por exemplo. CASTRO. A direção do teste é oposta a do rastreamento. quanto à correta classificação contábil. KELL. n. Corte das operações ou ‘cut-off” – corte interruptivo das operações ou transações para apurar. Revisão Analítica – estudo e comparação de relações entre dados. p. Vouching – “envolve (1) seleção de lançamentos nos registros contábeis e (2) obtenção e inspeção da documentação com base na qual os lançamentos foram efetuados. 2002. com exame de documentos. 2003. 2002. 2003. um momento-chave de um processo (FERREIRA. para determinação da validade e exatidão das transações contabilizadas” (BOYNTON. p. 1998. JOHNSON. (BOYNTON. p. 210) o. dos conhecimentos e da experiência do auditor. setores. 37 / BOYNTON. (BOYNTON. a conferência de cálculos e o exame dos registros. p. 2003. JOHNSON. órgãos e procedimentos interligados. j. Observação crítica – técnica que depende da argúcia. CASTRO. JOHNSON. 2002. que. 165). ou seja.i. 40). p. 211). comparação de quantias reais com dados históricos ou orçados e utilização de modelos matemáticos e estatísticos. CASTRO. de forma seccionada. de itens morosos ou obsoletos durante contagem de estoques. 165 / ATTIE. como por exemplo a revisão analítica. colocada em prática. 167 / LIMA. observação de despesas consideradas como disponível. 212) . Rastreamento – investigação minuciosa. l. JOHNSON. visando dar segurança à opinião do responsável pela execução do trabalho sobre o fato observado (FERREIRA. m. pp. KELL. a dinâmica de um procedimento. e passivos não registrados (ATTIE. 2002. k. quanto à uniformidade de obediência aos princípios de contabilidade. KELL. Técnicas de auditoria computadorizadas – quando a auditoria possui acesso à base de dados mantida em meio eletrônico. 2002.

mediante comparações de desempenho e de boas práticas. Seu propósito é determinar. b. especialmente nos de cultura anglo-saxônica (EUA. Exemplos de processos são: todas as sequências de tarefas para conservação de estradas. Produto deve ser entendido como um bem. Análise RECI .ferramenta que ajuda a identificar quem é responsável pelas atividades desenvolvidas. quem as executa. Indicadores de desempenho e mapa de produtos . efetividade e eqüidade. por exemplo: estradas conservadas. Esse conceito tem sido adotado nas administrações públicas de diversos países. O Tribunal de Contas da União apresenta as seguintes técnicas de auditoria de natureza operacional: a. avaliação e implementação de melhores práticas de gestão. algumas técnicas não utilizadas ou pouco utilizadas em outros tipos de auditoria passaram a ser destacadas e desenvolvidas. tornar mais clara a relação entre as partes envolvidas e conhecer a distribuição de poder. pacientes atendidos e pesquisas realizadas. entidade ou programa. c. Reino Unido). um serviço ou uma condição resultante de atividade(s) de uma organização ou de um indivíduo. quem é consultado e quem é informado. identificar o tipo ou grau de participação de cada agente em cada decisão.ROM). d. . Mapa de Processos . Processo deve ser entendido como a maneira pela qual se realiza uma operação. seja no âmbito limitado de uma equipe de trabalho.é a representação de um processo de trabalho por meio de um diagrama contendo a seqüência dos passos necessários à consecução de determinada atividade. para atender pacientes e para realizar pesquisas. Como tais tipos de auditoria têm por finalidade a avaliação dos programas de governo e seus desempenhos sob os aspectos da economicidade. Mapa de produtos é uma técnica utilizada para a obtenção de indicadores de desempenho. Através da análise RECI é possível estabelecer a responsabilidade pelas decisões e pela execução das atividades.Diferentes tipos de técnicas têm sido enfatizadas na realização das auditorias de natureza operacional – avaliação de programas e auditoria de desempenho operacional – como forma de alcançar o objetivo da auditoria. eficácia.técnica voltada para a identificação.A utilização de indicadores de desempenho para mensurar os resultados almejados e alcançados pelos administradores é uma metodologia que está relacionada ao conceito de gerenciamento voltado para resultados (results oriented management . eficiência. se é possível o aperfeiçoamento do trabalho desenvolvido em uma organização. Austrália. O benchmarking pode contribuir na identificação de oportunidades de melhorar a eficiência e proporcionar economia. Benchmarking . seja em relação a um órgão.

a execução. Natureza. confiabilidade e exemplos. Os procedimentos e técnicas adotadas em auditoria. A verificação de risco pode identificar se os recursos alocados ao gerenciamento do risco do programa ou projeto estão consistentes com o nível de risco dos objetivos da organização em termos de resultado e qualidade na prestação de serviços públicos e na entrega dos produtos almejados. mas também contribuindo para a combinação de tais dados em um único cenário. Confiabilidade e Exemplos . Marco Lógico . não só utilizando as informações oriundas destas abordagens. como já mencionado. O auditor deve considerar a natureza da evidência que será colhida de forma a obter comprovação suficiente e válida. No Quadro 9. sua natureza. A matriz de verificação de risco é útil como ferramenta de diagnóstico no estágio de formulação do problema de auditoria. Análise Stakeholder . QUADRO 9 – EVIDÊNCIA CORROBORADORA: Tipos. g. é uma ferramenta facilitadora do diagnóstico institucional. Portanto. KELL. ou seja. são apresentados os tipos de evidência corroboradora. pp. sendo utilizado por todas organizações públicas que requerem financiamento ao BID . o acompanhamento e a avaliação de programas ou de projetos governamentais. segundo alguns autores. f. Na análise das capacidades internas busca-se identificar as forças e as fraquezas da organização.modelo analítico para orientar a formulação. deve ser aplicada anteriormente à formulação estratégica de ação. A aplicação da técnica. A utilização desses procedimentos permitirá ao auditor colher as evidências necessárias à sua opinião. 2002. JOHNSON. Está ligada à apreciação institucional e à avaliação social. visam atingir objetivos específicos. evidência corroboradora (BOYNTON.e. 207-208). dos seus interesses e do modo como esses interesses irão afetar os riscos e a viabilidade de programas ou projetos. Análise Swot e Matriz de Verificação de Risco . enquanto o ambiente externo no qual atua a organização deve ser analisado em termos das oportunidades e ameaças presentes.consiste na identificação dos principais atores envolvidos. podendo ser usada também no âmbito da avaliação de programas. pode ocorrer quando do diagnóstico estratégico. Esse modelo foi criado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento – BID. após a definição da missão ou após o estabelecimento de objetivos.A técnica da análise SWOT integra as metodologias de planejamento estratégico organizacional. De qualquer forma. Stakeholders são pessoas. grupos ou instituições com interesse em algum programa ou projeto e incluem tanto aqueles envolvidos quanto os excluídos do processo de tomada de decisão.

pelo banco. • Conhecimentos de embarque com assinatura do transportador. • Cálculo de lucro pro ação. pelo próprio. Natureza: Vários tipos de documentos muitas vezes se encontram em poder do cliente e podem ser inspecionados durante a auditoria. Confiabilidade: Direito confiável mas também considerado um procedimento de alto custo. • Extratos bancários. • Faturas contra clientes. pelo agente fiduciário dos bônus. de valores utilizados na preparação das demonstrações contábeis. • Bônus a pagar. Características físicas de documentos. • Termos de um arrendamento mercantil. • Tabelas auxiliares. • Contas a receber de um cliente. • Relatórios gerados por computador Evidência eletrônica criada ou capturada por meios eletrônicos tais como scanners. • Estoque de um armazém geral. Confiabilidade: Documentos gerados externamente geralmente são mais confiáveis que documentos gerados internamente. • Outras expectativas desenvolvidas pelo auditor. pelo custodiante das ações. porque foi verificada independentemente pelo auditor. • Faturas de fornecedores. • Cheques cancelados. arrendador. a solicitações específicas de informações factuais. Confiabilidade: Geralmente considerada confiável. Evidência eletrônica Confirmações Evidência matemática Natureza: Recálculo. • Obrigações com fundos de pensão. Confiabilidade: Depende da confiabilidade de controles sobre a criação. orçamentos. • Estatísticas da indústria. Confiabilidade: Depende da relevância dos dados utilizados no desenvolvimento de valores esperados pelo auditor. . Recálculo de itens tais como: • Totais no diário. pelo auditor. pelo responsável pelo armazém. • Razões. assinaturas de terceiros em documentos preparados internamente ou carimbo de banco em um cheque. dados da indústria e conhecimento do negócio e da indústria. • Contratos. • Atas de reuniões do conselho de administração.Tipo de evidência corroboradora Evidência analítica Evidência documentária Natureza e confiabilidade de evidência corroboradora Natureza: Comparações com expectativas desenvolvidas com base em experiência anterior. Confirmação de: • Saldo em um banco. • Pagamentos mínimos de arrendamento mercantis. alternação e integridade de dados e competência de ferramentas de auditoria utilizadas para acessar a evidência eletrônica. aumentam a confiabilidade de um documento interno. por escrito. tais como endossos. Natureza: Tipo especial de evidência documentária que envolve respostas diretas de terceiros competentes. Exemplos Comparações de saldos de clientes ou índices financeiros principais com: • Resultados do ano anterior. sensores. Também tem custo relativamente baixo. meios magnéticos ou mensagens de computador. • Orçamentos. • Quantidade de ações ordinárias em circulação. Natureza: Informação produzida ou mantida em meio eletrônico.

2002. Confiabilidade: Depende das qualificações. e pode ter que recorrer a um especialista. . Exame de: • Recebimentos não depositados. 207-208. reputação e independência dos indivíduos que fazem as representações. Fonte: Boynton. mais do que qualquer outro tipo de análise em auditoria. • Estoques. assinadas por indivíduos responsáveis e competentes. pela sua natureza formal e escrita. condição ou valor. Dentre as evidências corroboradoras deve-se destacar. avaliação de estimativa contábil feita por cliente. em reposta a perguntas dirigidas a executivos e empregados. Entretanto. Seu valor principal encontra-se em dirigir o auditor a buscar outras fontes de evidências. Johnson & Kell. pois há casos de fraudes ocorridas através de transações forjadas entre empresas de um mesmo grupo. • • Resposta verbal a pergunta do auditor. Representações por Natureza: Declarações que abordam afirmações escrito da administração. bem como da capacidade para corroborar outras evidências. pois os primeiros tendem a ser menos confiáveis em decorrência do poder de emissão ser da própria empresa e seus empregados. o auditor pode não ser qualificado para determinar qualidade. Confiabilidade: Geralmente muito confiável. Deve-se também considerar o conceito de grupo econômico na segregação entre documentos internos e externos.Evidência Física Natureza: Evidência obtida em exame físico ou inspeção de ativos tangíveis. As evidências documentárias. 70). geralmente exige evidência corroboradora. pp. para detecção de fraudes. Explicação de tratamento contábil. • • Representação. em especial. Contudo. Cartas de representação de clientes. necessitam de evidências corroboradoras irrefutáveis. por escrito. • Ativos imobilizados. cabe distinguir os documentos gerados internamente dos documentos gerados externamente. as evidências documentárias colhidas externamente em decorrência de sua maior confiabilidade. tendem a ganhar maior importância na detecção de fraudes. Casos de corrupção e fraudes. Confiabilidade: Não considerada muito confiável. Podem-se resumir os efeitos de circulação sobre a confiabilidade de evidência documentária através da Figura 3 (p. Evidência verbal Natureza: O auditor muitas vezes recebe evidência verbal. de especialistas externos.

Documentos gerados internamente. Comprovantes de depósitos bancários. Documentos gerados externamente. . Documentos gerados internamente. MENOS CONFIÁVEL Fonte: Boynton. Confirmações. o Tribunal de Contas emitiu relatório que dizia haver encontrado alguns indícios de irregularidades somente em parte das denúncias. concluindo que “nada se apurou”. Requisições de compra. O EXEMPLO DA CIDADE DE RIBEIRÃO BONITO – SP A cidade de Ribeirão Bonito em São Paulo passou recentemente por um movimento anticorrupção.7. comprovando. mantidos pelo cliente. 2002. Cheques pagos. Extratos bancários de posições no final do período. A Comissão concluiu os trabalhos e apresentou o resultado no dia 13 de março de 2002. a ONG Amarribo requereu à Câmara Municipal a instauração de uma Comissão Especial de Investigações para apurar os fatos.FIGURA 3 – CONFIABILIDADE DE EVIDÊNCIA DOCUMENTÁRIA MAIS CONFIÁVEL Exemplos: Documentos gerados externamente. e junto ao Tribunal de Contas do Estado de São Paulo. p. De forma concomitante. Johnson & Kell. 5. Extratos bancários normais. contudo. que circulam externamente. que não circulam externamente. que as denúncias eram verdadeiras. Duplicatas de faturas contra clientes. com uma solicitação de realização de auditoria especial para apuração de desvios na prefeitura. iniciado através de uma organização não governamental. pedindo abertura de inquérito civil público. Faturas de fornecedores. decorrente de desvios de dinheiro público e outros desmandos acometidos pelo prefeito da cidade. enviados diretamente ao auditor. A AMARRIBO – Amigos Associados de Ribeirão Bonito – agiu através dos órgãos de controle visando à investigação de indícios de irregularidades que haviam observado. 209. Em janeiro de 2002. A ONG ingressou em novembro de 2001 com uma representação junto à Promotoria de Justiça da Cidade de Ribeirão Bonito.

as red flags mais comuns. Como a nota fiscal passou a ser a base de toda transação comercial no Brasil. 23-24) Os órgãos de controle interno e externo. que inexistem física ou juridicamente. sendo preso em agosto do mesmo ano. A Amarribo recebeu algumas denúncias e passou a investigar por conta própria. após a exibição da matéria no Jornal Nacional da Rede Globo de Televisão. foi criada uma indústria de venda de “notas frias” desse tipo de empresa. ou seja. Uma estratégia utilizada habitualmente em desvios de recursos públicos se dá por meio de notas fiscais fictícias ou “frias”. Ficou detido por 09 (nove) meses. tendo a prefeitura contratado um posto de gasolina. a qual posteriormente foi publicada visando subsidiar a luta contra as fraudes e corrupção nos municípios brasileiros. A Amarribo deu início a investigações que permitiram embasar a ação e o requerimento de maiores análises por parte dos órgãos de controle. A terceira denúncia dizia respeito à aquisição de combustível. que são aquelas nas quais os serviços declarados não são prestados ou os produtos discriminados não são entregues. teve sua prisão preventiva decretada e fugiu. ou recebem contra a apresentação de notas que discriminam serviços não executados e produtos não entregues. Baseando-se nas denúncias. donos ou “laranjas” de empresas fantasmas e funcionários da prefeitura. Em 24 de abril de 2002 o prefeito renunciou ao mandato. o Promotor de Justiça da cidade ingressou com uma ação civil pública contra o prefeito.No início de abril de 2002. O trabalho foi titulado como “O combate à corrupção nas prefeituras do Brasil” (TREVISAN et al. foram desviados dos cofres municipais cerca de R$ 1 milhão de reais e o esquema de corrupção era encabeçado pelo ex-prefeito e envolvia pelo menos um vereador. indícios e casos de fraude detectados. A burla pode ser feita com as chamadas empresas-fantasma. o qual foi deferido em 08 de abril pela juíza da comarca. p. tendo elaborado uma cartilha. solicitando o seu afastamento imediato do cargo. localizado em outra cidade a 160 quilômetros de distância. pois determinados casos de fraudes se dão justamente em montar todo um processo licitatório nos moldes legais. visando não levantar . A segunda veio de uma funcionária que trabalhava com a merenda escolar. mas que quase nada recebiam. A primeira seria referente a um pequeno empreiteiro que estava recebendo por serviços que não realizara. não podem simplesmente se pautar em verificar formalidades. Com o conluio dos administradores públicos cúmplices do “esquema”. (TREVISAN et al. 2004). quando analisam indícios de fraude. a Amarribo decidiu divulgar seu exemplo para saneamento do município. Existem organizações criminosas com atuação a nível estadual e até nacional. Para este estudo deve-se destacar o padrão típico de corrupção nas prefeituras do Brasil e os sinais de irregularidades por eles destacados. Pelas apurações da Amarribo. tais empresas vendem ao município produtos e serviços superfaturados. informando que a prefeitura comprava grande quantidade de carne por mês. para fornecimento de quantidade excessiva de combustível para a pequena frota de veículos oficiais. Mas a fraude também utiliza empresas legalmente constituídas e com funcionamento normal. ou seja. 2004.

Contudo.suspeitas. fato esse que deveria ser objeto de pesquisa e avaliação. p. porém o envolvimento dos auditores pode estar comprometido. Por esse motivo. mas o objeto da despesa e a intenção dos agentes são totalmente viciados. o Tribunal de Contas só conduz investigações se o denunciante entregar provas evidentes de fatos relacionados a desvios orçamentários. provavelmente. Quanto às notas fiscais. Por ser excessivamente formal. devem-se considerar as red flags e sugestões de investigações promovidas pela Amarribo tendo-as como foco de análise constante dos órgãos de controle. o tribunal faz um exame somente do ponto de vista contábil. estes possuíam. são detalhados alguns dos “sinais típicos da corrupção” destacados na cartilha. Não se verifica se as firmas cadastradas ou participantes das concorrências existem física ou juridicamente. Quanto aos associados da Amarribo à frente das investigações. sem perquirir sobre a existência das firmas emitentes das notas fiscais contabilizadas. a regularidade dos procedimentos de licitações é examinada apenas formalmente pelo TCE. mais fácil verificar quando próximo. Por outro lado. cabe lembrar que quanto mais distante dos fatos. os quais tratamos por red flags: . A parte do relatório em que o Tribunal de Contas concluía que “nada se apurou” passou a ser usada publicamente pelo prefeito como prova de sua idoneidade. (TREVISAN et al. mais difícil sua apuração. 2004. Buscando uma atuação mais efetiva e eficaz dos órgãos de controle. embora se tenha maior independência. Não se pode afirmar que o TCE de São Paulo tenha realizado procedimentos inadequados sem acesso e conhecimento da denúncia original que lhe foi apresentada. o Tribunal de Contas do Estado de São Paulo foi duramente criticado pela organização Amarribo. informações adicionais que não foram levadas ao conhecimento do TCE. No Quadro 10. 73-74) Contudo.

viagens e passeios com tudo pago. são duas medidas que podem e devem ser utilizadas na auditoria. Relutância em prestar informações. Criação de cláusulas restritivas nas licitações. notas fiscais seqüenciais. como manutenção das vias. 11. e nas técnicas de abrir e fechar empresas de fachada com a utilização de “laranjas” e documentos falsos. dentre outras práticas fraudulentas na licitação. provavelmente. Notas de empresas diferentes. Tecnologia das fraudes – Notas fiscais. CARACTERÍSTICAS / EXEMPLOS Gastos excessivos do grupo de amigos da prefeitura e/ou parentes. padrão de vida muito diverso da condição precedente. Verificar detalhes como: notas fiscais com valores redondos ou próximos de valor de R$ 8 mil. quase todas com o mesmo layout. obras nas propriedades desses. Falta de controle de estoques 10. excesso de gastos com combustíveis. Os almoxarifados não registram entradas e saídas de materiais. praticada por alguns que se aprofundaram nas técnicas de obtenção desses documentos. 4. dentre outros descontroles. indicando que a empresa só fornece para a prefeitura. como por exemplo: carros para parentes. pagamento de contas em restaurantes e bares para todos. água e esgoto. coleta de lixo. participam do certame empresas já acertadas com o esquema as quais fornecem propostas perdedoras. Abandono generalizado no atendimento às necessidades da cidade.. procura-se comprometer a todos que fiscalizam os gastos da prefeitura. É uma artimanha utilizada para encobrir desvios de recursos e materiais. Uma avaliação rigorosa dos controles internos nessas áreas é essencial. por exemplo. Cessão de bens e serviços para os integrantes do esquema. 8. Resistência em prestar contas. imóveis. notas fiscais com visual simples. para que sejam pagas as custas das eleições e/ou para que o esquema articulado possa ser usado durante o período de governo. 5. . pessoas ingênuas e inocentes. etc. Favorecimentos com contraprestação 7. merenda escolar e materiais de construção. Nomeia-se uma comissão de licitação com funcionários envolvidos no esquema ou coniventes com a fraude. Consumo de combustível. tudo isso são formas de obterem-se vantagens mediante comissões fraudulentas coadunadas com os fornecedores. Prestar atenção nas datas de constituição das empresas e de seu protocolo na Junta Comercial do Estado e verificar se os nomes que constam como sócios são meros “laranjas”. impressas na mesma gráfica. Falta crônica de verbas para os serviços básicos. uso de cabos. como os vereadores. Tem-se notado que diversas fraudes se dão no início ou no fim de um mandato. Sinais exteriores de riqueza. notas fiscais de fornecedores distantes e desconhecidos para materiais e serviços que poderiam ser adquiridos na localidade. Convites de fornecimento direcionados. fornecedores de reputação suspeita ou de locais distantes. educação e saúde. A avaliação do cumprimento do objeto e do preço pactuado encontrar-se dentro dos parâmetros do mercado são as duas principais medidas. fornecedores permanentes e cativos. ostentação de bens adquiridos como carros. falta de prestação dos serviços básicos. Faltam registros das requisições e identificação dos requisitantes. utilizadas como “testas de ferro”. gastos pessoais incompatíveis com a renda. Falta de qualidade na merenda ou consumo desproporcional ao número de alunos.QUADRO 10 – SINAIS TÍPICOS DA CORRUPÇÃO (RED FLAGS) RED FLAGS 1. para dar aparência de legitimidade ao processo. 3. A produção de notas fiscais “frias” se tornou uma profissão. tubulações e outros materiais de construção de forma incompatível com a dimensão e propriedades de seus empregos. Fornecedores “profissionais” de notas frias. direcionando a um determinado fornecedor. 9. etc. 2. definem-se condições restritivas visando direcionar a licitação para alguma empresa. 6. mas evidentemente impressas com o mesmo layout e características e defeitos gráficos. restrição à concorrência de outros comerciantes e fornecedores. Empresas constituídas em início ou fim de mandato. Fraude em licitações. Representam as montagens dos processos de licitação com vista a atender as formalidades. falta de transparência nas informações contábeis e financeiras. notas fiscais genéricas de prestação de serviço nas quais não estão especificados os serviços prestados.

Quando isto não acontece pode estar havendo acobertamento de fatos de interesse público. ouro. o qual é imediatamente homologado pelo juiz. 15. que querem realizar sua função com responsabilidade e dignidade. Fonte: Trevisan et al. Declaração de renda do prefeito. 21. A aprovados em verificação dos candidatos aprovados e do seu grau de envolvimento com a Administração concursos públicos. etc. O remanejamento de verbas orçamentárias deve ser submetido ao verbas orçamentárias. 22. o movimento de caixa do dia anterior (boletim de caixa). quer de fato. no qual são especificados quais os pagamentos efetuados. Alguns prefeitos realizam tais remanejamentos e sequer buscam dar transparência. Assim. dificulta suas atuações visando afastá-los da Câmara Municipal. A parte entra na justiça contra a prefeitura. diariamente. Transferências de O orçamento é uma lei. Aconselha-se verificar: existência efetiva na Junta . 16. depois. 17. Isso pode ser uma forma de retorno por vias transversas para o bolso do prefeito. legislativo. sacam o dinheiro em espécie e. aparentemente justas. 13. A utilização de notas frias e/ou superfaturadas na promoção de eventos públicos deve ser examinada. ela vai a juízo e propõe um acordo. Uma forma de dificultar a atuação dos órgãos de fiscalização e controle é justamente não atender aos seus pedidos. envolvidas no processo de corrupção. Inexistentes quer de direito. Em geral. o prefeito deve afixar. No caso dos vereadores honestos. ou de qualquer outra fraude. Comprometimento O prefeito procura envolver os vereadores com o esquema de corrupção visando o apoio de vereadores. o prefeito não atende aos seus pedidos e. 19. Esse acordo proporciona o ar de legalidade que se precisava em uma transação fraudulenta. Muitos trocam tais quantias por dólar e se utilizam de cofres ou realizam depósitos em contas no exterior. a autorização legislativa na própria lei do orçamento para o remanejamento de até 5%. 18. os agentes da fraude evitam ao máximo o uso de depósito bancário visando não deixar rastro sobre o destinatário final. irrestrito ao seu governo visando manipular a opinião pública. deve ser examinada. Pagamento com cheques não cruzados. 14. Promoção de festas públicas. Um prefeito que tem a intenção premeditada de apropriar-se dos bens públicos prepara. por exemplo.).12. A contratação de advogados e outros profissionais baseados no argumento de notória especialização a preços demasiadamente elevados em relação à tarefa a ser cumprida. até mesmo. visando obstaculizar a fiscalização dos gastos públicos. proteger-se daquele que o deveria fiscalizar. oficiais. incondicional às suas pretensões e. propagandas revistas. até mesmo. Depois de mapear as red flags deve-se passar a fase de apuração e investigação. administradores corruptos deixam que sejam causadas ações contra à prefeitura judiciais. 20. Somente tem sido aceitável. Publicações Devem merecer especial atenção as contratações com as empresas de publicidade (jornais. Trevisan et al (2004. sua declaração de renda. 59-65) destacam algumas medidas que consideramos eficazes na detecção de fraudes: a. Assim. Notória especialização. Parentes e amigos Os concursos públicos podem ser montados para beneficiar correligionários do prefeito. na sede da Prefeitura. Falta de publicidade dos pagamentos efetuados. Assim. pela Lei Orgânica do Município. 2004. p. de modo a recepcionar a quantificação do enriquecimento ilícito. Conluio em ações Por vezes. De forma geral. Falta de atendimentos a pedidos de informações sobre despesas realizadas. a declaração é cheia de bens semoventes. como obras de arte. gado e coisas que possam ser valorizadas. As empresas promotoras desses eventos podem ser partícipes de um esquema de fraude pela difícil tarefa que é saber o cachê cobrado por artistas. dentre outras tantas facilidades. pois o prefeito pode estar favorecendo poucas empresas em troca do apoio e promoção. Investigação de empresas “fantasmas”: é muito mais comum do que se pensa a figura de empresas “fantasmas”. antes de assumir o cargo. pode realizar serviços e fornecimentos às custas da prefeitura ou nomear um parente ou amigo do vereador para algum cargo. fazem a partilha dos envolvidos no esquema sem transitar pelo banco visando não deixar pistas.

Câmara de Vereadores e de Deputados. junto à Receita Federal. É também destacada a mobilização popular como forma de apoio à apuração das denúncias e cobrança das autoridades encarregadas das investigações. Constatação da existência física da empresa: por vezes a empresa apresenta todos os documentos. documentos formais. Polícia Federal. como o Ministério Público. Conselhos Profissionais. ir ao endereço indicado na nota fiscal e verificar se a empresa está instalada no local e no endereço especificados são medidas obrigatórias. mas não possui sequer sede física. registro no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ). Ministério Público. o envolvimento de todos os órgãos públicos competentes: Tribunal de Contas.Comercial por meio de certidão. Perícia nas aquisições de materiais e serviços prestados: quando se desconfia de pagamentos superfaturados ou de notas fiscais “frias” é necessário pormenorizar uma análise dos preços e inspeções físicas nos locais de entrega do produto ou de prestação dos serviços. etc. d. A verificação da existência da gráfica é outro exame essencial. Constatação da existência da gráfica impressora: todas as notas fiscais possuem indicação da gráfica que imprimiu o talonário da empresa. c. Assim. Pode também ser solicitada ao Ministério Público uma perícia. b. como por exemplo: laudos. por exemplo. cadastro da receita estadual junto à Secretaria de Fazenda Estadual. gravações. se faz necessária documentação comprobatória mínima e suficiente que representem indícios de fraude. . Obtenção de provas: para abertura de qualquer processo junto aos órgãos de controle. etc. Com base nos resultados da perícia. e. fotos. o Ministério Público poderá ingressar com ação civil pública visando à punição dos responsáveis e o ressarcimento dos recursos desviados. bem como.

identificar as falhas de controle detectadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e pela Controladoria Geral da União (CGU). e. A última subseção aborda a atuação exigida dos órgãos de controle e os procedimentos de auditoria aplicáveis.1.6. título derivado da descoberta de um esquema de fraudes em licitações na compra de derivados de sangue. A Polícia Federal verificou que funcionava um sistema de desvio no Ministério da Saúde.1. Buscou-se avaliar a origem. Histórico A “Operação Vampiro”. “OPERAÇÃO VAMPIRO” 6. Logo que foi identificada a fraude. sendo 06 (seis) para servidores do Ministério e 42 (quarenta e duas) ordens judiciais de busca e apreensão de documentos e computadores. Baseado em . os procedimentos de auditoria aplicados. com base nos casos estudados. foram expedidos 17 (dezessete) mandados de prisão. 6. forma e conseqüência da fraude. teve início no dia 19 de maio de 2004. o quanto possível.1. segundo noticiado pela imprensa desde 1990.ESTUDO DOS CASOS PROPOSTOS Neste capítulo far-se-á uma análise dos casos propostos: “Operação Vampiro” e “Fraude nos Correios”.

Sistema de busca de notícias do Ministério Público Federal. Acesso em: 10 out. mediante informações privilegiadas repassadas por servidores do Ministério da Saúde. Operação Vampiro prende servidores do Ministério da Saúde.dpf. US$ 120 mil e 7 mil euros. A empresa pagava aos lobistas que faziam o saque e contratavam pessoas para levar o dinheiro em malas até os destinatários.gov.mpf. e se organizavam para. Acesso em: 01 dez.gov. empresários. combinação de preços e divisão dos lotes entre as empresas do cartel.pgr. 2006. segundo o Ministério Público Federal (MPF)16 muitas vezes era transportado em espécie.7 mil. 6. Nota à imprensa do procurador Gustavo Velloso sobre denúncia da Operação Vampiro. Disponível em: http://noticias. lobistas e servidores do Ministério da Saúde. Publicada em 16 nov. Publicação em 19 mai. . Os lobistas acompanhavam as intenções de compra do Ministério. Disponível em: http://www. 16 MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL. Os crimes praticados que tem sido objeto de investigação são formação de quadrilha.html . quando constatou diversas irregularidades. O pagamento de vantagens e propinas. Atuação Prévia dos Órgãos de Controle e Procedimentos de Auditoria Utilizados 15 Agência de Notícias do Departamento de Polícia Federal.2. O Tribunal de Contas da União (TCU) havia realizado Tomada de Contas em licitações ocorridas entre 1998 e 2003. Humberto Costa. 2006. 2006. Apesar da imprensa haver noticiado que os desvios seriam realizados desde 1990. tal afirmação não foi confirmada. foram encontrados por agentes federais com os presos. As investigações sobre o esquema pela Polícia Federal tiveram início em março de 2003.1. fraude a licitações. que não puderam ser confirmados nos relatórios técnicos e nas divulgações dos órgãos de controle e de governo. tendo sido ampliada a análise dos órgãos de controle sobre a aquisição de outros medicamentos. que em setembro de 2006 teve seu nome aditado à denúncia pelo Ministério Público Federal em função de novos elementos de prova trazidos ao processo. R$ 29. lavagem de dinheiro e corrupção ativa e passiva. A fraude nas licitações gerou grandes prejuízos aos cofres públicos. a pedido do Ministro da Saúde. tendo sido divulgado pela imprensa um montante de R$ 2 bilhões desviados. 2004. A fraude envolveu empresas fornecedoras de derivados de sangue.br/DCS/index. em especial no que tange às restrições aos concorrentes. intervir no modelo da licitação.informações divulgadas pela Polícia Federal15. Os trabalhos da Polícia Federal iniciaram-se em 2003. à época. por meio de superfaturamento em compras no exterior de hemoderivados e insulina.br/search_form . tomando por base dados daquele exercício. de alguma forma.

13/2002 e 14/2002. promova estudo com vistas ao mapeamento das atividades da COMEC. 4.584/2003-0 trata de auditoria realizada na Coordenação Geral de Recursos Logísticos do Ministério da Saúde (CGRL/MS).584/2003-0. em 2003.762/2003-9 e TC 006. elabore fluxogramas relativos aos processos de aquisição da COMEC.2ª Câmara. Recomendar à Coordenação-Geral de Recursos Logísticos – CGRL/MS que: 1.Há registros de atuação prévia do Tribunal de Contas da União (TCU) em três representações mediante Tomada de Contas (TC). O plenário do TCU considerou que o conhecimento dos preços ofertados nas referidas licitações. TC 012. na qual foram analisados procedimentos licitatórios conduzidos por aquela unidade. buscando estabelecer responsabilidades e prazos para cada etapa dos processos de aquisição.COSUP. A TC 005. objetivando o estabelecimento de rotinas e identificação de pontos críticos e oportunidades de melhoria. No Quadro 11 são transcritas as recomendações e determinações referentes ao ACÓRDÃO 1. 2. suprimentos e de finanças. elaborados para as diferentes etapas das atividades desempenhadas pela Coordenação de Programação e Execução Orçamentária e Financeira COPEF. QUADRO 11 – RECOMENDAÇÕES E DETERMINAÇÕES DO TCU – Acórdão 1077/2004 – 2a. 2. à semelhança da Coordenação de Suprimento e Controle Patrimonial . A TC 006. constituiu prova suficiente para a quebra do sigilo das propostas de preço.2003. inclusive quanto ao tempo necessário à realização dos certames e ao cronograma de pagamentos.110/2003-0 . todas de 2003: TC 005. 3.077/2004 . Câmara Recomendar ao Ministério da Saúde que: 1. solicitando ao Tribunal a apuração de indícios de irregularidades cometidas no âmbito das Concorrências Internacionais nos 11/2002.COMEC objetivando efetuar um planejamento de médio/longo prazo para a aquisição de medicamentos adequados às necessidades vigentes. por meio do Acórdão 1771/2003 . de sorte a atender aos princípios da prevalência do interesse público e do zelo pela coisa pública. O TCU teceu uma série de recomendações e determinações com vista a tornar mais adequado e transparente o sistema de controle e gestão das compras e materiais. bem como o risco de desabastecimento da rede de saúde. resolveu determinar a anulação das Concorrências Internacionais nos 11 e 12/2002. de 19. . considerando cada modalidade de licitação e os casos de dispensa e inexigibilidade de licitação. 12/2002.11. Como resultado final dos trabalhos empreendidos. envolvendo as áreas de medicamentos.110/2003-0 trata de representação interposta pelo Ministério Público junto ao TCU. estude mecanismo para viabilizar a conclusão do Projeto de Modernização e Ampliação da Capacidade do Almoxarifado Central. procedidas pelo Ministério da Saúde objetivando a aquisição de hemoderivados. por parte de um dos participantes.Plenário .DPE e da Coordenação de Suprimento de Medicamentos e Correlatos .TCU . estabeleça prazos nos fluxogramas. de modo a evitar sucessivos termos aditivos a cada contrato. o TCU. levando em consideração margem de segurança quanto aos quantitativos e prazos estabelecidos. estude a adoção de medidas para agilizar os procedimentos relativos à fase de homologação dos processos licitatórios.TCU. promova uma ação integrada da Diretoria de Programas Estratégicos .

crie um sistema de informações gerenciais para consulta sobre a atuação da CPL. promovendo a numeração seqüencial das páginas dos processos licitatórios. quanto aos contratos de fornecimento de bens (compras). sobre a avaliação da implantação e funcionamento do Projeto “Melhoria da Visão Estratégica da COSUP” no exercício de 2003. de forma clara. 8. desenvolva. consoante o disposto no art. as penalidades previstas nos arts.em conformidade com o § 2º do referido artigo e com o princípio da motivação. caso estejam disponíveis cálculos feitos pelo setor competente. 14. sobre a efetiva implantação do módulo do Sistema de Acompanhamento de Processos em Andamento –SAPA.666/93. se o contratado demonstrar. cumprindo o que determina o art. por escrito. observe o disposto no art. 67 da Lei n. 11. promova a criação de um sistema de informações gerenciais para consulta sobre a atuação da Comissão Permanente de Licitação . conforme disposto no art. evitando o risco de simulação de cumprimento anterior de formalidades. aplicando-se aos contratados. 9.º 8. 57. inclua nos processos licitatórios a portaria de designação de representantes da Administração para acompanhar e fiscalizar a execução do contrato. informe.5. alínea “b” e § 1º da Lei n. quando da elaboração dos contratos e termos aditivos. nas próximas contas. 2º da Lei n. se abstenha de celebrar contratos com efeitos retroativos. completa e precisa .666/93. de sorte a justificar.666/93. no âmbito do Projeto de Melhoria de Gestão implementado na CGRL.º 8.666/93.º 8.º 8. de tal forma que não gerem dúvidas sobre o recebimento dos mesmos. conforme o art. objetivando tornar os processos de compra mais transparentes. da Lei n.º 93. § 1º. da Lei n. nos termos do art. não ter condições de produzir maior quantidade no mesmo prazo anteriormente concedido.º 4. em desrespeito ao disposto nos artigos 60 e 61 da Lei n. a fim de reduzir o número de recursos e representações impetrados pelos licitantes contra as decisões daquela comissão. se abstenha.º 8. no âmbito do Projeto “Melhoria da Visão Estratégica da COSUP”. 57.º 101/2000. inciso I. da Lei nº 8. 54. em conformidade com o disposto no art. de emitir Notas de Empenho tipo "Estimativo" com valores muito inferiores ao custo total estimado da aquisição. . índices de desempenho baseados nos fluxogramas elaborados para cada modalidade de licitação e para as situações de contratação direta. quando da celebração dos contratos. devendo ser empenhados valores compatíveis com os previstos. o acréscimo do objeto contratual. só implicará prorrogação dos prazos contratuais.666/93. 4. encaminhe as minutas dos contratos à Consultoria Jurídica. inciso IV e § 2º do mesmo normativo. 38. 6. da Lei n. bem como para os prazos entre a publicação e a data da abertura da licitação. 7. observe a necessária coerência e a requerida correção. Determinar à Coordenação-Geral de Recursos Logísticos – CGRL/MS que: 1. nos termos do art. objetivando tornar os processos de compra mais transparentes. implantado no âmbito da COPEF no exercício de 2003. de forma a estabelecer parâmetros mínimos de desempenho em cada etapa do processo. observe o disposto no art. 42 da Lei Complementar n. 6. 41. não elabore termos aditivos para prorrogação dos contratos realizados sem que haja a previsão de recursos para atendimento das despesas decorrentes deste. parágrafo único. 38 da Lei de Licitações.784/1999 . atenda ao prazo legal de até três dias úteis para julgamento e resposta ao pedido de impugnação. evitando a inserção de cláusulas equivocadas ou conflitantes que possam levar à interpretação dúbia quanto às disposições nelas estabelecidas.666/93. 30 do Decreto n. 3. § 1°. 12.666/93.666/93. § 1º e seus incisos. nas próximas contas.872/86.666/93. 57. 15.666/93. atente para o correto arquivamento dos comprovantes dos serviços adquiridos. § 1º. nas contratações envolvendo moeda estrangeira. 86 e 87 da Lei n. sobre a avaliação da implantação e funcionamento do “Projeto de Melhoria da Gestão”. 65. 13. 2. 60 da Lei n. observe fielmente os termos do edital de licitação. 21 da Lei nº 8. informe. atente para a correta publicação dos extratos dos contratos e dos termos aditivos no Diário Oficial da União. no art.º 8.º 9.a extensão do prazo de vigência inicialmente acordado. os quais devem estar devidamente autuados no processo. caput. 10. limitando a sua duração à vigência dos respectivos créditos orçamentários. 7. nas próximas contas. previsto no caput do art. 5. 8. em caso de não cumprimento tempestivo do objeto avençado. na formalização de contratos com terceiros que não possam ser enquadrados nas exceções previstas nos incisos I.º 8. 9. informe.320/64 e no art.CPL.º 8. que efetue a prorrogação dos contratos apenas nos casos previstos no art. da Lei n. II e IV do citado dispositivo legal. observando especialmente o disposto no art.

b) inobservância ao princípio da publicidade. e) indícios de formação de cartel. conforme divulgado pela Assessoria de Imprensa da CGU.16. em 2002.TCU. Na auditoria foram analisadas as seguintes questões: a) possibilidade de limitação à concorrência ante a exigência de oferta parcial mínima (30% e. com o objetivo de verificar as licitações destinadas à aquisição de medicamentos hemoderivados nos exercícios de 1998 a 2003. deixe de efetuar aquisições sem cobertura contratual. d) quebra do princípio do sigilo das propostas e do caráter competitivo dos processos de licitação. do complexo protrombínico parcialmente ativado. especialmente quanto ao tópico relativo à formação de cartel por laboratórios internacionais (Acórdão 215/2004 . em observância ao disposto nos artigos 60. e) superfaturamento na aquisição.02.762/2003-9 trata de auditoria realizada também na Coordenação de Recursos Logísticos do Ministério da Saúde (CGRL/MS) em 2003. foram apresentadas respostas para todos os itens. c) falhas na apreciação dos recursos interpostos contra as decisões da comissão de licitação. 50% do total do lote). As principais falhas e suas conseqüências confirmadas pela auditoria da CGU foram: a) ausência de pesquisas de preços e valores de referência nos processos de compra. Relação de 17. do complexo protrombínico. Já a Controladoria Geral da União (CGU) somente veio a realizar suas auditorias no Ministério da Saúde sobre a aquisição de hemoderivados depois de tornada pública a “Operação Vampiro” da Polícia Federal.Primeira Câmara . Foram analisadas todas as licitações que envolveram a aquisição dos fatores VIII e IX de coagulação. f) preços praticados pelo Ministério da Saúde incompatíveis com o mercado. g) regularidade da habilitação ou inabilitação dos participantes. bem como solicitar a entrega dos bens ou prestação de serviços antes da celebração formal dos contratos. b) descumprimento de requisitos fundamentais da Lei de Licitações e de Contratos.601/2004-5. do selante de febrina e do fator VIII para tratamento da doença de von Willebrand. posteriormente. Conforme informado no relatório da Representação TC 007.2004). com enfoque na capacidade técnica. parágrafo único. e 61 da Lei de Licitações. a TC 012. . d) quebra do sigilo das propostas. Os trabalhos da CGU foram concluídos em abril de 2005. Por último. c) rateio dos certames a um restrito grupo de fornecedores.

segundo o relatório do TCU. 2004.br/SDE/temp/PA%20hemoderivados%20instauracao%20pública%20site. Outro ponto constatado é que os preços cotados pelas empresas também não apresentavam diferenças significativas entre as concorrentes. A diferença entre o maior e o menor preço ofertados aumentou. houve queda de preços e os licitantes passaram a utilizar-se de atos que demonstravam uma real concorrência entre as empresas. Disponível em: www. se todos procedimentos licitatórios e contratuais foram realizados dentro da formalidade e essência da lei. Em “Versão Pública” divulgada pela Secretaria de Direito Econômico do Ministério da Justiça (SDE/MJ)17. o fornecimento dos hemoderivados ao Ministério acabava sendo dividido entre os participantes da licitação.pdf .f) perda de medicamentos. havia um padrão de comportamento entre as empresas para definir o resultado da licitação. Apesar de não termos obtido acesso aos relatórios de auditoria propriamente ditos do TCU e da CGU. cujo escopo foi a conformidade processual. por exemplo.gov. Havia também. ou seja. Brasília: SDE/MJ. pode-se observar com base nos pontos e fragilidades apurados que foi realizada Auditoria Operacional ou Auditoria Especial. h) prejuízos aos cofres públicos. Ao que consta. enquanto a que cotasse o maior preço ofereceria todo o lote. g) aquisição em quantidades superiores às definidas pela área técnica e. um revezamento entre as empresas que sairiam vencedoras numa licitação e as que ofereceriam as maiores cotações nas licitações seguintes. era fazer com que a empresa que cotasse o menor preço se dispusesse a ofertar apenas parte do que o Ministério da Saúde estava disposto a comprar. foi sugerida a instauração de processo administrativo contra as empresas participantes do suposto cartel formado. Dessa forma. a SDE/MJ verificou indícios de acordo entre as empresas em licitações do período de 1998 a 2001. Com base nas auditorias do TCU realizadas no período de 1998 a 2003 e no documento encaminhado pela Polícia Federal titulado “Consolidação de Informações do Relatório de Inteligência Policial atinentes à Operação Vampiro”.mj. A partir de 2002. Uma das estratégias adotadas. como solicitação de esclarecimentos e impugnações ao edital. Acesso em: 10 mai. o TCU verificou que houve mudança de comportamento por parte das empresas. No Quadro 12 é apresentado um relacionamento entre os pontos ou fragilidades constatadas pela auditoria da CGU e do TCU e os prováveis procedimentos de auditoria utilizados. QUADRO 12 – PROCEDIMENTOS DE AUDITORIA X PONTOS/FRAGILIDADES 17 In: SECRETARIA DE DIREITO ECONÔMICO DO MINISTÉRIO DA JUSTIÇA. Relatório “Versão Pública” do Departamento de Proteção e Defesa Econômica. 2006 .

Procedimentos de Auditoria

Pontos / Fragilidades de Auditoria
TCU Limitação à concorrência; Inobservância do princípio da publicidade; Falhas na apreciação dos recursos; Quebra do sigilo das propostas; Preços incompatíveis; Regularidade na habilitação ou inabilitação dos licitantes; Procedimentos e rotinas de execução e controle nas compras insuficientes ou não estabelecidas. Preços incompatíveis CGU Ausência de pesquisas de preços e valores de referência; Descumprimentos de requisitos da lei 8666/93; Quebra do sigilo das propostas e do caráter competitivo; Superfaturamento na aquisição; Aquisição em quantidades superiores às definidas.

Análise Documental

Correlação das Informações Obtidas

Superfaturamento na aquisição

Observação Crítica

Falhas na apreciação dos recursos; Quebra do sigilo das propostas e do Quebra do sigilo das propostas; caráter competitivo; Indícios de formação de cartel; Rateio dos certames a um grupo restrito. Procedimentos e rotinas de execução e controle nas compras insuficientes ou não estabelecidas Capacidade insuficiente para armazenamento no Almoxarifado Perda de Medicamentos Central Mau planejamento de médio/longo prazo para a aquisição de medicamentos adequados às necessidades vigentes; Procedimentos e rotinas de execução e controle nas compras insuficientes ou não estabelecidas Aquisição em quantidades superiores às definidas

Inspeção Física Exame dos Registros Vouching Conferência de Cálculos Indagação Escrita ou Oral Observação das Atividades e Condições

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6.2.FRAUDE NOS CORREIOS 6.2.1. Histórico A revista Veja, em sua edição nº 1.905, de 18 de maio de 2005, publicou uma matéria intitulada “O homem chave do PTB”, na qual são transcritos diálogos de que participava o Sr. Maurício Marinho, então diretor do Departamento de Contratação e Administração de Material da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT). Nesses diálogos pode-se denotar a existência de atos de corrupção no âmbito da ECT e de diversas outras irregularidades administrativas. Além disso, tornaram-se públicos supostos procedimentos de troca de apoio político, no Congresso Nacional, por cargos e funções estratégicas em empresas estatais e diversos órgãos públicos da Administração Direta e Indireta. (CPMI, 2006, p. 3) Através de espionagem industrial ou comercial, foi realizada a gravação de uma fita de vídeo em que o funcionário Maurício Marinho foi flagrado recebendo três mil reais e expondo o esquema de corrupção nos Correios, no qual citava o Sr. Roberto Jefferson, à época Deputado Federal, como co-responsável desse esquema. A CPMI dos Correios não concluiu se a espionagem teve motivação política, financeira ou se “por amor à Pátria”, como alegou, nesse último caso, um dos envolvidos na espionagem. Entretanto, com base nos depoimentos colhidos e divulgados pela imprensa no que tange aos levantamentos da Polícia Federal, existem fortes indícios de que a gravação foi inicialmente planejada com o intuito de determinada empresa obter vantagens comercial-financeiras e, posteriormente, haver ganhado conotação política. A partir da divulgação da fita, o então Deputado Federal Roberto Jefferson, Presidente Nacional do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), que fazia parte da base de apoio e sustentação do Governo no Congresso Nacional, passou a apontar, em inúmeras manifestações na mídia nacional, a existência de um complexo sistema de financiamento ilegal dessa base de apoio, seja em processos políticos ou eleitorais, seja fora deles. Cunhou-se, então, o vocábulo mensalão para descrever esse esquema e apontar os que nele se envolveram, destacando a participação, sobretudo, de parlamentares de deputados federais. (CPMI, 2006, p. 4) A CPMI dos Correios desencadeou processos de investigação internos e externos em vários órgãos e entidades públicas, mediante auditorias, sindicâncias e procedimentos administrativos instaurados, bem como, teve como conseqüência a punição de empresas e afastamento de funcionários envolvidos. No Relatório Final da CPMI, inclusive, consta uma seção com todos os indiciamentos dos envolvidos em esquemas e os crimes por cada um praticados.

O Relatório Final da CPMI dos Correios também destaca a atuação da Receita Federal, Polícia Federal, Tribunal de Contas da União, Controladoria Geral da União e do Ministério Público Federal, por convergirem suas investigações na mesma direção e sustentarem as conclusões da Comissão Parlamentar. A CPMI dos Correios, instalada a partir de determinado fato, ocorrido naquela empresa estatal, ampliou o escopo de suas investigações quando identificou diversas outras áreas, no Estado brasileiro, com as quais se conectavam as irregularidades inicialmente apontadas. Assim, a Comissão Parlamentar focou sua análise em cinco áreas: contratos, movimentações financeiras, IRB, fundos de pensão e proposições legislativas. A área de análise de contratos da CPMI abrangeu aqueles de publicidade, da rede postal noturna, de informática, das franquias e do correio híbrido postal. A área de movimentações financeiras observou as atividades de Marcos Valério, publicitário, que ficou vulgarmente conhecida por valerioduto, desde a origem dos recursos até a destinação através do mensalão. No IRB foram analisados contratos, pagamentos, colocações no exterior e retrocessões no período de 2004 a 2005 (CPMI, 2006, p. 1131). Destaca-se a indenização de sinistro sem cobertura de contrato de seguro e sem recebimento prévio do prêmio, causando prejuízo ao erário em aproximadamente quinze milhões de reais e os fortes indícios de favorecimentos por parte dos gestores do IRB a determinadas empresas corretoras de resseguro. A área de fundos de pensão teve por objetivo principal “a identificação de desvios de recursos dos fundos de pensão, procurando desvendar e compreender os diversos mecanismos utilizados por determinadas instituições financeiras e grupos de interesse para receptar recursos das entidades de previdência complementar” (CPMI, 2006, p. 1527). Puderam ser identificados diversos problemas, os quais foram resumidos em três eixos: a) Interferência nos propósitos de boa governança, ampliando riscos, perda de eficiência e danos aos interesses legítimos das entidades, decorrentes de influência político-partidária, desqualificação profissional dos diretores dos fundos, rotatividade do corpo técnico, insuficiência de controles internos e compliance, relacionamento com intermediários financeiros e falta de rigor no acompanhamento dos investimentos; b) Insuficiência de fiscalização e de controles externos, por lei de responsabilidade da Secretaria de Previdência Complementar; c) Complexa estrutura e prática operacional do mercado financeiro e de capitais. A última seção do relatório, que cuida das proposições legislativas, coube a avaliação de todo o emaranhado de irregularidades, ilicitudes e imoralidades que puderam ser levantados no decorrer dos trabalhos da CPMI, vislumbrando a adoção de normas para o combate à corrupção.

2. 2006). as investigações e análises promovidas pela Comissão Parlamentar tomaram uma dimensão muito maior que aquela inicialmente concebida. culminando em um relatório final de 1857 páginas. indícios de corrupção e fraudes nos Correios. Dado o objetivo desse trabalho em avaliar e propor procedimentos de auditoria que visem prevenir e detectar fraudes e corrupção. 110). porém subseqüentes: compras (licitação) acompanhamento dos contratos.6.2. que foi o objeto da gravação. conforme Quadro 13. há que delimitar esse estudo de caso ao esquema de corrupção ocorrido nos Correios. Joel Santos Filho (responsável pela gravação) e Deputado Roberto Jeferson pode-se observar que a origem da corrupção e fraude nos Correios se deu em duas áreas distintas. a grande amplitude que tomou a CPMI dos Correios. Arthur Washeck Neto (empresário solicitante-responsável pelas gravações). Delimitação para o Presente Estudo Conforme se pode observar no Relatório Final da CPMI dos Correios (CPMI. com base nos depoimentos colhidos (apresentados no Apêndice A. p. Antônio Velasco (sócio do Sr. em função dos diversos ilícitos com que se deparou após sua abertura. e . quanto ao IRB e os fundos de pensão. os quais sinalizamos com red flags.3. a Comissão ampliou sua análise para verificar a existência do mensalão e avaliar a existência de corrupção no Instituto de Resseguros do Brasil (IRB) e em fundos de pensão (previdência complementar). propiciado pelo esquema também apelidado valerioduto. por si só. Arthur).2. apontamentos e conclusões da CPMI quanto ao que ficou conhecido por mensalão. 6. seriam assuntos suficientes a serem desenvolvidos em outros trabalhos. Pode-se deduzir. deixamos de considerar nesse estudo os levantamentos. Antônio Osório (diretor da área administrativa nos Correios). Assim. Além da avaliação do esquema de corrupção existente nos Correios. “Red Flags” Com base nos depoimentos tomados dos senhores Maurício Marinho (funcionário dos Correios que aceitou o suborno na gravação divulgada na imprensa). os quais.

org. Todos os depoimentos estão disponíveis em: http://www. c) Restrição da concorrência. h) Contratos com preços majorados.QUADRO 13 – RED FLAGS BASEADAS NOS DEPOIMENTOS PRESTADOS À CPMI DOS CORREIOS a) Entregas de materiais fora das especificações técnicas b) Retardamento ou não aplicação de penalidade por atrasos de entrega e/ou descumprimento contratual. i) Concessão de reequilíbrio ou reajuste ao contrato sem embasamento jurídico. f) Cargos de alto e médio escalão ocupados por pessoas com grande envolvimento político. Trechos transcritos no Anexo A. reprovadas por mais de uma vez sem que a empresa fosse inabilitada ou penalizada pelo retardamento. Acesso em: 10 set. e) Amostras de material exigidas pela Comissão de Licitação. em especial de publicidade. d) Relevação de penalidade aplicada. Fonte: Depoimentos prestados à CPMI dos Correios. l) Direcionamento de empresas.cpmidosCorreios. em decorrência de recurso. j) Suspeita de diversos contratos e processos negociados com “vantagens ilícitas”. para fins de avaliação. legal ou econômico. 2006. .br/. g) Sinais exteriores de enriquecimento. nas contratações realizadas por órgãos e entidades públicos.

Os trabalhos do TCU foram realizados na sede dos Correios em Brasília. restringiram-se a uma amostra de 51 processos de licitação e contratos escolhidos pela Equipe de Auditoria (que envolviam recursos da ordem de 5. mais especificamente quanto ao aspecto legal e econômico. A partir da publicidade que teve o episódio de corrupção em jornais. Visando confirmar. baseou-se nos documentos e processos que foram objeto de análise. adotando como critério a abertura de representações específicas a cada processo analisado com indício(s) de irregularidade(s) grave(s). de forma impressa ou através da rádio e televisão. ou seja. tendo sido subdivididos em grupos especializados nas áreas de informática. se as red flags que puderam ser destacadas com base nos depoimentos prestados por investigados e testemunhas à CPMI dos Correios efetivamente colaboraram para a fraude e corrupção ocorridas. uma série de auditorias foram demandadas a esses órgãos de controle. contudo.694/2005-2. Entretanto. O TCU consolidou os trabalhos de auditoria realizados nos Correios em relatório constante da Tomada de Contas TC-007. No Quadro 14 (p. apenas pudemos constatar a realização de trabalho de auditoria especial pela CGU. 118) são detalhadas as representações ocorridas. A auditoria realizada foi de conformidade.6. ou seja. transportes. Atuação dos Órgãos de Controle e Procedimentos de Auditoria Utilizados Em levantamento realizado junto ao site do TCU e da CGU quanto a trabalhos de auditoria concluídos antes da ocorrência do escândalo dos Correios e do mensalão divulgados pela imprensa em maio de 2005. nos serviços de transporte de carga postal no exercício de 2004. Além da CGU e do TCU. . através da auditoria interna dos Correios. ressalte-se o desenvolvimento das ações da Polícia Federal e do Ministério Público. os quais. 88) são sintetizadas as irregularidades ou “achados” e no Apêndice B (p. reportagens. verificamos algumas atas das sessões do plenário do TCU e relatórios disponibilizados pela CGU quanto aos “achados” nos Correios. essa auditoria foi iniciada em função de uma comunicação do então Ministro de Estado das Comunicações de que a ECT havia estabelecido negociações contratuais que permitiram uma redução de R$ 64 milhões nas despesas anuais de transporte de carga. propaganda e marketing e suprimentos de materiais.7 bilhões de reais). abrangeram os exercícios de 1998 a 2005 (com ênfase nos três últimos anos). não obtivemos acesso aos relatórios. não foi objeto de planejamento anual da CGU e nem demandada por denúncia de irregularidades. revistas.4.2.

Licitação global de serviços de impressão e acabamento em conjunto com outros produtos e serviços. c) Restrição da concorrência h) Contratos com preços majorados j) Suspeita de diversos contratos e processos negociados com “vantagens ilícitas” l) Direcionamento de empresas h) Contratos com preços majorados j) Suspeita de diversos contratos e processos negociados com “vantagens ilícitas” l) Direcionamento de empresas PU BLI CI DA DE E PRO PA GAN DA TRANS 2. 6. Concessão indevida de reequilíbrio financeiro. quando poderiam ser licitados separadamente. 7. 8. fundamentada. 7. Fuga do objeto contratual / burla ao processo licitatório. Elaboração inadequada de briefing. Apresentação de projeto básico inadequado. 9. Aquisição de licenças de software e respectivo treinamento em único certame. Direcionamento de certame licitatório. 3. Subcontratação de serviços sem comprovação da sua prestação com cobrança de despesas vedadas no contrato.Ata Plenária nº 08. Realização de dispêndios em duplicidade. 1. Habilitação indevida. Expedição de editais com cláusulas restritivas à competição. legal ou econômico. em caráter emergencial. 8. c) Restrição da concorrência h) Contratos com preços majorados i) Concessão de reequilíbrio ou reajuste ao contrato sem embasamento jurídico. 11. 12. 10. 3.QUADRO 14 – PRINCIPAIS IRREGULARIDADES DETECTADAS NAS AUDITORIAS DO TCU NOS CORREIOS Áreas IN FOR MÁ TI CA Principais Irregularidades Restrição à competitividade do certame licitatório. l) Direcionamento de empresas indevidamente. Contratação sucessiva. 9. Intempestividade na aplicação de penalidades. Red Flags confirmadas b) Retardamento ou não aplicação de penalidade por atrasos de entrega e/ou descumprimento contratual. processos negociados com “vantagens 4. Recebimento de comissão pela agência sem a prestação de qualquer serviço. Prestação de serviço sem cobertura contratual. c) Restrição da concorrência h) Contratos com preços majorados 3. sem a comprovação da inviabilidade de competição e sem justificativa de preço. Intempestividade na aplicação de penalidades. Fonte: TCU . Sobrepreço na aquisição de bens ou na prestação de serviços intermediados pela agência de publicidade no âmbito do contrato. 5. 7. Aceitação de bens sem a devida certificação de qualidade. 11. Subcontratação do objeto sem justificativa. Superfaturamento de preços. Ausência de avaliação posterior dos resultados obtidos pela ação promocional. Pagamento de serviços não-realizados. Compra antecipada de mídia. 1. 5. por dispensa de licitação. Inexistência de projeto básico da ação publicitária produzida. 3. Aceitação de proposta comercial em desacordo com o edital. Superfaturamento de preços. Superfaturamento de preços. 1. Realização de despesa sem amparo contratual. Subjetividade no julgamento das propostas técnicas. 2. 9. Contratação de consultoria sem a realização de licitação. 10. 1. 10. j) Suspeita de diversos contratos e processos negociados com “vantagens ilícitas” l) Direcionamento de empresas SU PRI MEN TO DE MA TE RI AIS a) Entrega de materiais fora das especificações b) Retardamento ou não aplicação de penalidade por atrasos de entrega e/ou descumprimento contratual. 5. como caso de emergência. de partes de solução sem restar configurado tal situação. Ausência de critérios objetivos para fixação de preços. de 22/02/2006 – TC-007. 8. Indícios da apresentação de propostas fraudulentas para respaldar a subcontratação de produtos/serviços. Direcionamento das linhas aéreas visando transporte de cargas j) Suspeita de diversos contratos e POR para determinadas aeronaves e empresas. 2. 12. 4. 2. ilícitas” TES 5.694/2005-2 . Contratação de treinamento por inexigibilidade de licitação. 4. Fornecimento de bens que não atendiam às especificações editalícias. 4. 6. Não-absorção de conhecimentos técnicos quando da implementação da solução contratada. Cometimento de ilícitos fiscais. 6. Contratação.

morosidade na aplicação ou sanção desproporcional à falta cometida.48 (51%) Corroborando com os achados de auditoria do TCU. Baixa qualidade do material ou serviço ou impossibilidade de avaliação dos resultados Direcionamento de empresas Outros pontos e formalidades.07 (07%) D -05 (05%) E . C . 90) apresentamos um mapeamento consolidado em macropontos das red flags com base nos pontos de auditoria (achados) pela CGU nas Auditorias junto aos Correios. a Controladoria Geral da União (CGU) também constatou a existência de restrição à concorrência.19 (20%) B . . objetivando uma visão consolidada dos maiores indícios de fraude constatados. superfaturamento de preços. 123) apresentamos os pontos de auditoria da CGU. Restrição à competitividade. intempestividade na aplicação de penalidades. relacionando-os com as red flags que puderam ser mapeadas através dos depoimentos prestados por alguns investigados e testemunhas à CPMI dos Correios.03 (03%) B C D E F G G .04 (04%) F . No Apêndice C (p.MAPEAMENTO DAS RED FLAG´s E DEMAIS PONTOS DE AUDITORIA . entregas fora das especificações. O tipo de auditoria realizado também foi de conformidade documental. FIGURA 4 . visando uma visão consolidada dos maiores indícios de fraude constatados. Falta de prestação de serviços.09 (10%) A LEGENDA Contratos com preços majorados.Na Figura 4 apresentamos um mapeamento consolidado em macropontos das red flags com base nos pontos de auditoria (achados) do TCU nas representações junto aos Correios. serviços prestados com capacidade ociosa ou objeto de contrato além do adequado. superfaturados ou sem a adequada justificativa dos preços. concessão de reequilíbrio indevidos. dentre outros pontos. direcionamento de empresas. Na Figura 5 (p.TCU A . Falta de aplicação de penalidade.

17 (14%) E . Foi verificado também a adoção de outros procedimentos de auditoria.50 (42%) LEGENDA A B C D E F G Contratos com preços majorados.06 (05%) G . serviços prestados com capacidade ociosa ou objeto de contrato além do adequado.10 (08%) D . questionários. análise documental e conferência de cálculos. os quais encontram-se listados no Quadro 15.27 (23%) B . Baixa qualidade do material ou serviço ou impossibilidade de avaliação dos resultados Direcionamento de empresas Outros pontos e formalidades. dentre outros atos). em especial na revisão dos atos contidos nos processos (editais.FIGURA 5 . Restrição à competitividade. entrevistas). reequilíbrios.06 (05%) C .MAPEAMENTO DAS RED FLAG´s E DEMAIS PONTOS DE AUDITORIA – CGU A . observação crítica.03 (03%) F . execução orçamentária e financeira. Os procedimentos de auditoria e técnicas utilizadas nos trabalhos realizados pela CGU e pelo TCU foram basicamente: indagação escrita ou oral (notas de auditoria. licitações. e amostragem para a seleção dos processos e contratos. superfaturados ou sem a adequada justificativa dos preços. Falta de prestação de serviços. . morosidade na aplicação ou sanção desproporcional à falta cometida. Falta de aplicação de penalidade. contratos.

Correlação das informações obtidas. Confirmação externa. Vouching. Exame dos registros. mantido pela Caixa Econômica Federal. Inspeção física. Revisão de relatório de auditoria interna da ECT. Amostragem das empresas subcontratadas para fins de verificação de regularidade fiscal. Rastreamento. • Relatório Parcial CGU n. Relatório Parcial CGU n. 1 • PROCEDIMENTOS DE AUDITORIA Pesquisa na Internet quanto às especificações técnicas do produto ofertado. Revisão analítica. conhecido pela sigla SINAPI. 9 Relatório Parcial CGU n. Correlação das informações obtidas. Relatório Parcial CGU n.Oeste. Revisão analítica. 3 Relatório Parcial CGU n. das informações Conferência de cálculos. Inspeção física ao local alugado pelos Correios para servir de Centro de Distribuição . Revisão de relatório de auditoria interna da ECT. Levantamento de notícias veiculadas sobre impressão distribuída de dados. Conferência de cálculos. Verificação de Acórdãos do TCU para dirimir dúvidas quanto à concessão de reequilíbrio econômicofinanceiro. Análise dos preços de mercado para comparação com o contratado e dos índices de correção para avaliação de reequilíbrio econômicofinanceiro. Verificação junto ao sistema informatizado de recebimento de estoque quanto à entrada de material. Amostragem.QUADRO 15 – PROCEDIMENTOS DE AUDITORIA UTILIZADOS – CGU E TCU RELATÓRIO Relatório Parcial CGU n. 17 • • • • Relatório Parcial CGU n. Consulta ao sistema de banco de preços no que tange a obras civis. 12 • • • • • Relatório Parcial CGU n. RESUMO DOS PROCEDIMENTOS Correlação das informações obtidas. 20 • • • • . 8 • • • • Análise documental. Análise dos preços de mercado para comparação com o contratado e dos índices financeiros de correção para materiais e mão de obra na construção civil. Verificação da situação do processo de diligência do TCU relacionadas às especificações técnicas do produto licitado junto ao site do TCU. Correlação das informações obtidas. Análise dos preços de mercado para comparação com o contratado e dos índices de correção para avaliação de reequilíbrio econômicofinanceiro. 4 • • • • • Correlação obtidas. Correlação das informações obtidas. Revisão Analítica. Levantamento de notícias veiculadas sobre os serviços de distribuição de medicamentos. 2 • • • • • • Análise documental. • • • • • Relatório Parcial CGU n. Revisão analítica. Conferência de cálculos.

21 • • • • Relatório Parcial CGU n.199/2005-6 – TCU. Observação das atividades e condições. Correlação das informações obtidas. Revisão de relatório de auditoria interna da ECT. . • • • • Revisão analítica. Revisão de cálculo do prejuízo. Análise documental. Rastreamento. Correlação das informações obtidas. Extração de dados do sistema STAN sobre carga transportada. Revisão analítica. Revisão de relatório de auditoria interna da ECT e de Acórdãos do TCU. • • • • Ata nº 38 de 28/09/2005 – Representação TC-015. 30 • • Ata nº 35 de 14/09/2005 – Representação TC-015. Revisão de manifestações do TCU e do Ministério Público Federal. Confirmação externa. Rastreamento. Revisão de manifestações anteriores do TCU. Consulta ao Departamento de Aviação Civil (DAC) quanto às empresas de transporte aéreo de cargas. Análise documental. Análise dos preços de mercado. Ata nº 38 de 28/09/2005 – Representação TC-016. Consulta ao INMETRO quanto à credenciamento institucional para certificação de qualidade de produto. Consulta ao cadastro de contribuintes do ICMS do Estado de Minas Gerais. Revisão analítica.938/2005-4 – TCU. Revisão analítica. Conferência de cálculo. Consulta ao sistema de gerenciamento CNPJ da Secretaria da Receita Federal quanto aos sócios registrados para cada empresa licitante. 27 • • Relatório Parcial CGU n. Análise dos índices de variação de preço. Pesquisa de preços no mercado local para fins de comparação com os preços pagos pelos serviços. • Correlação obtidas. Técnicas de auditoria computadorizadas.• • Relatório Parcial CGU n. Correlação das informações obtidas.556/2005-5 – TCU. Rastreamento. Correlação das informações obtidas. Correlação das informações obtidas. Análise do custo médio de construção civil regionalizado junto ao IBGE. das informações • • • • • • • Análise documental. Confirmação externa. Visitas in loco ao DAC (Departamento de Aviação Civil) e ao Terminal de Cargas dos Correios para melhor compreensão do tipo de serviço prestado e as formas de tratamento e mensuração. • • Verificação de regularidade fiscal de empresas subcontratadas junto à Fazenda Federal. Inspeção física. contido em relatório de auditoria (acórdão) do TCU. • • • • • • • • • • • • Análise documental. Confirmação externa.

. controle e operacionalização de logística de fornecimento de medicamentos.418/2005-3 • • • Verificação de sites corporativos e de registro na internet. • • Correlação das informações obtidas.676/2005-9 Ata nº 42 de 26/10/2005 – Representação TC. Obtenção de dados comparativos ao modelo de serviço licitado pelos Correios junto a outras empresas públicas.015. no sentido de haver realizado maiores investigações sobre os recursos financeiros propriamente ditos através de quebras de sigilo bancário. Confirmação externa. A CPMI promoveu uma série de quebras de sigilo bancário de pessoas jurídicas e de pessoas físicas envolvidas que se encontravam sob investigação. Visita. • • • • • Revisão analítica.Ata nº 42 de 26/10/2005 – Representação TC. • • Ata nº 43 de 09/11/2005 – Representação TC-017. Confirmação externa.017. conforme Quadro 16 (p. No que tange à atuação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Correios deve-se destacar sua contribuição com base nos depoimentos tomados e sua intervenção junto aos órgãos competentes na obtenção de dados e informações.714/2005-0 • Análise dos preços de mercado. Nessas quebras de sigilo bancário pôde-se confirmar diversas irregularidades. endereços e outros dados das empresas e responsáveis que apresentaram propostas. em especial. Correlação das informações obtidas. Pesquisa na Internet no que tange ao tipo de serviço de administração. Correlação das informações obtidas. Consulta a situação cadastral na Receita Federal das empresas participantes do processo com propostas de preços. Rastreamento. 94). entrevista e coleta de dados no Ministério da Saúde.

por exemplo. 2006. em 2002. Reforça o entendimento de que as empresas estrangeiras favorecidas eram vinculadas à Skymaster. 2. houve fechamento de operação de câmbio com vistas à remessa de dinheiro às empresas no exterior. b) que por quatro meses.00 .398.000. dentre outras ilicitudes e imoralidades.360. pertenciam aos próprios sócios da Skymaster. a CPMI analisou os contratos da empresa Skymaster e da empresa Beta constatando: a) ligações entre o presidente. Pôde-se verificar uma série de interesses conflitantes que acabaram indicando conluio entre empresas que deveriam competir entre si. da Beta e da Skymaster. Relações entre as empresas de publicidade Giacometti & Associados e SMP&B de 2000 a 2004. O total das operações de câmbio nessa data montaram em US$ 2. c) a existência de um acordo entre as empresas. correspondente a R$ 6.896. e que. no dia 25/5/2005. Saques em espécie (dinheiro) da Agência dos Correios Franqueada (ACF) Shopping Tamboré no período de 2000 a 2005 de mais de sete milhões e setecentos mil reais realizados por três agentes da polícia civil do Estado de São Paulo. contudo. todas relativas a pagamento de parcelas de arrendamento já vencidas. a subcontratar os serviços à outra parte na proporção de cinqüenta por cento.00. Pagamentos a beneficiários diversos (sócios ou funcionários da própria empresa Skymaster) contabilizados como se realizados à empresa estrangeira arrendatária dos aviões utilizados pela Skymaster.745. as duas empresas mantiveram-se dentro de um mesmo conglomerado econômico informal de empresas.QUADRO 16 – IRREGULARIDADES CONSTATADAS PELA CPMI DOS CORREIOS 1.855. sob . 5. Diversas remessas para o exterior a título de pagamento por arrendamento de aeronaves a valor muito além dos praticados pelo mercado. articulações com vista a promover fraude à licitação. A Giacometti teve contrato firmado com os Correios até dez/2003 e a SMP&B foi uma das empresas que se sagrou vencedora na licitação ocorrida em 2003. das contratações para os serviços de atendimento à rede postal noturna (RPN). não conta como autorizada pelo Departamento de Aviação Civil (DAC) para voar. montando em mais de seis milhões e seiscentos mil reais. lobistas e demais pessoas interessadas nos contratos com os Correios.00. configurando transferência ilegal de recursos. Fonte: Relatório Final da CPMI dos Correios. que obrigava a adjudicada. o fato de que. totalizando mais de cinco milhões de reais. para fins de pagamento por arrendamento de aeronave que. 3. 4. No caso. data de aprovação da CPMI dos Correios. sócios e de suas participações das empresas contratadas pelos Correios.568. dias antes da licitação em 2000. sediadas nas Ilhas Virgens britânicas (conhecido “paraíso fiscal”). d) que as supostas empresas arrendadoras de aeronaves. à época. em montante jamais verificado. Remessas para o exterior pela Skymaster em 17 parcelas mensais de oitenta mil dólares o que totalizam remessas de US$ 1.00 . A Giacometti repassou para a SMP&B recursos da ordem de 8% do faturado contra os Correios entre 2001 e 2004.000. A CPMI efetuou uma análise detalhada e histórica dos presidentes. posteriormente contratada. Destaque também deve ser feito à atuação da CPMI na tentativa de interpretar a teia das relações das empresas. correspondente a R$ 3.

ATUAÇÃO EXIGIDA DOS ÓRGÃOS DE CONTROLE E PROCEDIMENTOS DE AUDITORIA APLICÁVEIS Certamente. ora de outro. diretor do DECAM. Se ainda agregarmos . esses remetiam dinheiro para o exterior de forma aparentemente legal. identificar alguns indícios de erros ou fraudes. Para melhor compreensão da área de compras e acompanhamento dos contratos é útil à Auditoria Interna do órgão / entidade manter sempre atualizada Análise Stakeholder . restando apenas a inserção específica dos agentes (stakeholders) e do ambiente (swot e matriz de risco) inerentes ao mercado de hemoderivados. as quais pelos depoimentos contraditórios. A auditoria deve sempre realizar o exame da área considerando o risco inerente. bem como dos demais agentes envolvidos nas rotinas de licitações. a Análise SWOT e a Matriz de Verificação de Risco poderiam apresentar descrições que pudessem subsidiar o conhecimento inicial pelos auditores do ambiente em que estariam realizando seus exames. na formalidade legal. Se agregarmos a isso o fato de que.o manto dos contratos de arrendamento. Da mesma forma como as auditorias operacionais ou especiais são pautadas na conformidade processual. Análise RECI .3. mas não identificam a existência de fraude. ampliamos nosso conhecimento quanto aos motivos que ensejaram a restrição à concorrência e à falta de publicação do edital. 6. mas dificilmente identificará a existência de fraudes. Análise SWOT e Matriz de Verificação de Riscos da área. por exemplo. No caso dos “vampiros”. tenha ficado demonstrado que não havia nenhum “responsável” pela revisão do edital ou nenhum agente “executor” pela sua publicação. possivelmente. a Análise Stakeholders poderia esclarecer quais os interesses do Sr. a auditoria realizada nos processos de aquisição de hemoderivados já teria um panorama geral do setor de compras do Ministério da Saúde. a Análise RECI poderia apresentar os reais responsáveis e executores das atividades. compras e acompanhamento dos contratos. a área de compras e acompanhamento dos contratos é uma das mais importantes dentro do contexto de risco de fraudes. Retornando ao caso dos “vampiros”. a limitação à concorrência e a inobservância da publicidade da licitação são indícios de erros ou fraudes. ou seja. à época. Esta avaliação permitirá nos exames específicos uma análise mais profunda e detalhada. ora eram de responsabilidade de um departamento. Maurício Marinho. a aplicação desses procedimentos de auditoria irá contribuir para o mapeamento dos riscos e. em uma possível Análise RECI. Já no caso dos “Correios”.

restando à auditoria uma avaliação complementar. falta de aplicação ou morosidade na aplicação de penalidades. recebendo propina. Tais ações ficam na dependência de atuação complementar do controle externo ou dos próprios dirigentes a quem se deve reportar a Auditoria Interna. Assim. a atuação da CGU e do TCU foram muito mais abrangentes. os quais por si só identificam elevado grau de probabilidade de existência de fraude. em especial. pois quanto mais se distancia o momento da fraude . ampliamos ainda mais nossos conhecimentos dos motivos das fragilidades encontradas na área de compras. Maurício Marinho. Com base no estudo do caso realizado. ex-diretor do DECAM. Indiscutivelmente. Contudo. a auditoria possui razoável certeza de que houve desvio. perda do material contratado em estoque. contudo. No caso dos “vampiros”. se considerá-las como indícios suficientes para uma análise da existência de fraudes. superfaturamento de preços. elemento de prova contundente e comprobatório de fraude é quase que impossível somente se restringindo à análise de ambiente. procedimentos e riscos. pôde-se verificar: restrição à concorrência. com base na avaliação do auditor. Entretanto. A auditoria deve avaliar as fragilidades encontradas em conjunto. visando não cometer o engano de considerar todas como erros isolados. podem ser postergadas. alguns desses pontos já terão sido alvos de exame anterior. Assim. existem fortes indícios dessa existência. dentro de uma rotina de confirmação de fraudes. a auditoria confirmou a ocorrência desses pontos (exceção dos dois últimos). O caso dos “Correios” somente foi objeto de auditoria depois da divulgação pela imprensa da gravação do Sr. Tem-se verificado que. 89-90). Possivelmente. falta de prestação de serviços ou serviços prestados com capacidade ociosa e baixa qualidade do material entregue ou serviço prestado. pp. até esse ponto. comprometendo a questão da oportunidade. as auditorias internas mais estruturadas têm atuado. nos macropontos (figuras 04 e 05. direcionamento de empresas. mas geralmente não conclui os prováveis responsáveis e nem toma medidas para recuperação das perdas. faturamento de quantidades excessivas de material. as evidências de auditoria colhidas através de exames de conformidade ou dos controles internos são valiosíssimos como indícios em uma rotina de detecção de fraudes. falta de recebimento efetivo do material e/ou recebimento de material com baixa qualidade (fora das especificações). As ações.informações adquiridas por meio de uma possível Análise SWOT de que um dos pontos fracos do ambiente interno à área de compras é a baixa qualificação dos profissionais e por meio de uma Análise Stakeholder de que existem agentes envolvidos imotivadamente no processo. mas não provam a fraude. E. A rotina de confirmação de fraude na área de compras e acompanhamento dos contratos deve considerar a existência de: superfaturamento de preços. propor que seja dada continuidade mediante rotinas de confirmação de fraudes.

quando sido provocado a realizar auditoria em todas as licitações do Ministério da Saúde ocorridas entre 1999 e 2003. tal medida somente poderá ser realizada através da atuação em esfera judicial. e e) verificar junto aos órgãos fiscais e comerciais (Receita Federal e Estadual / Junta Comercial) a regularidade da situação e a atividade registrada da empresa. Polícia Federal. não justificaria uma atuação dos órgãos de controle em detecção de fraudes. Assim. consideramos que o TCU agiu com grande coerência através do Relatório TC 007. identificando. a atuação da Polícia Federal e do Ministério Público. portanto já em esfera judicial. menor a chance dessa recuperação. d) avaliar relacionamentos da empresa contratada na figura dos sócios e/ou diretores. junto ao Ministério Público Federal e ao Departamento de Polícia Federal. a auditoria deve: a) realizar entrevistas com todos os agentes envolvidos no processo de compras e contratos com o objetivo de assegurar-se quanto ao recebimento de subornos ou propinas – lembrando também que dificilmente uma pessoa conta tudo que sabe na primeira entrevista.do momento de detecção e medidas de recuperação de perdas. passa a ser de suma importância os convênios de cooperação com esses órgãos visando à recuperação das perdas. se os dados que puderem ser colhidos na via administrativa não puderem esclarecer totalmente a fraude ocorrida. em especial quanto à possibilidade de atender ao objeto contratual. Câmara dos Deputados ou Vereadores. informando que não deveria atuar na repetição (duplicação) de auditoria que já estava sendo realizada pela CGU. mas que deveria tentar ir além. incluindo: Ministério Público. no caso dos “Vampiros”. c) inspecionar instalações da empresa contratada avaliada. Nesse caso. as Receitas Estaduais e as Municipais. avaliar e elaborar relatório com as proposições de encaminhamento devidas. mesmo porque esta já era pública. elementos concretos acerca dos ilícitos apurados . a qual poderá principalmente requerer as quebras dos sigilos bancário e fiscal. Desta forma. Evidentemente. O estabelecimento de convênios de cooperação com outros órgãos públicos como a Receita Federal. dentre outros órgãos competentes. Com base nos dados colhidos. b) avaliar sinais exteriores de riquezas por parte dos agentes de compras e acompanhamento dos contratos. bem como com as Juntas Comerciais. também virá a auxiliar a auditoria na obtenção de dados mais rapidamente e confiáveis.601/2004-5. A auditoria em fraudes possui uma linha limítrofe para sua atuação a partir da qual somente se pode prosseguir mediante investigação judicial. Já dentro de uma rotina de confirmação de fraudes na área de compras e contratos.

por aqueles órgãos para, a partir daí, adotar as providências da sua alçada, objetivando complementar as ações já desenvolvidas ou em andamento. Quanto aos “Correios”, devem-se destacar os trabalhos de investigação da CPMI na confirmação da fraude, os quais vieram a somar consideravelmente às apurações da CGU e do TCU. Consideramos que três pontos principais colaboraram para as apurações da CPMI: (1) a análise e investigações das relações de amizade e parentesco das empresas nas figuras dos sócios e diretores; (2) a quebra do sigilo bancário de empresas e envolvidos e; (3) a presença na mídia e, como conseqüência, a pressão social para apuração dos fatos e punição dos culpados, abreviando o tempo de resposta às solicitações da CPMI a outras instâncias. Pelos estudos de casos propostos, pudemos verificar que os órgãos de controle e auditoria precisam intensificar os procedimentos que busquem evidências externas, ou seja, não se pautar tão somente nas formalidades do processo licitatório e contrato. Dentro dessa rotina de confirmação de fraudes na área de compras e acompanhamento dos contratos devem-se ressaltar os procedimentos de auditoria de inspeções físicas, confirmação externa e correlação das informações obtidas como importantes aliados em trazer evidências comprobatórias e irrefutáveis. As inspeções físicas puderam auxiliar, por exemplo, na verificação pela equipe de auditoria do local alugado pelos Correios para servir de centro de distribuição com base nas especificações constantes do processo, como também utilizadas na verificação do atendimento a algumas especificações de produtos. As confirmações externas puderam verificar o credenciamento de empresas junto a órgãos competentes, por exemplo, junto ao INMETRO e ao antigo Departamento de Aviação Civil. E as correlações das informações obtidas de preços junto aos processos e faturamentos com os praticados no mercado ou estabelecidos no setor (construção civil, por exemplo) puderam diagnosticar a existência de superfaturamento nos preços. Outro importante procedimento de auditoria muito utilizado, mas aparentemente pouco estudado sob o ponto de vista técnico, são as entrevistas e questionários aplicados. As equipes de auditoria com atuação em fraudes devem procurar uma formação mais específica para o desenvolvimento e condução de entrevistas, considerando práticas forenses e de investigação, o estudo do comportamento humano, e valendo-se, em especial, dos estudos da psicologia e da sociologia. À exceção dos depoimentos colhidos pela CPMI dos Correios, não obtivemos acesso às demais entrevistas realizadas. Pudemos, contudo, perceber pouca objetividade nos questionamentos realizados, repetição de perguntas por parte de políticos e muita preocupação em usar o tempo concedido em formulação de teses que pouco tinham a ver com o depoente, com raras exceções.

Por fim, consideramos que a auditoria na detecção de fraudes deve valer-se das novas tecnologias aplicadas e do uso de métodos estatísticos, em especial, para levantar indícios e áreas de maior risco de fraudes.

7. CONCLUSÕES, SUGESTÕES E RECOMENDAÇÕES O objetivo principal desta pesquisa foi estudar melhores técnicas de auditoria que viessem a proporcionar maior segurança aos controles e combater com mais veemência os tipos de fraudes e corrupção ocorridos no governo. Foram avaliados dois dos mais recentes casos em fraudes e corrupção ocorridos no governo – “Fraude nos Correios” e “Operação Vampiro” – quanto à origem, forma, conseqüência; identificadas falhas de controle que facilitaram os desvios; consultada a atuação prévia e a posteriori dos órgãos de controle e auditoria; e, o quanto possível, as técnicas de auditoria utilizadas. As hipóteses inicialmente descritas eram de que os casos de fraudes e corrupção sob análise não teriam sido previamente detectados pelos órgãos de controle e auditoria do governo, a qual pôde ser parcialmente negada em função das auditorias do TCU em hemoderivados no Ministério da Saúde haver sido objeto de exame prévio pelo TCU. E, quanto às técnicas de auditoria aplicadas não terem sido suficientes para diagnosticar a existência de fraude e/ou corrupção, consideramos que a hipótese pôde ser confirmada, pois embora os relatórios do TCU sugerissem indícios de fraude, esta somente foi confirmada após atuação da Polícia Federal. A terceira hipótese – quanto aos órgãos de controle e auditoria utilizarem demasiadamente do procedimento de auditoria de análise documental, dentre outros estritamente de conformidade, em comparação aos de avaliação de campo ou externa, como inspeção física e

Apenas houve atuação por parte da auditoria interna dos Correios. Da mesma forma como na “Operação Vampiro”. tendo sido detectados. restrição à concorrência. foi que o TCU e a CGU deram início a diversos trabalhos de auditoria junto aos Correios e foi instaurada a CPMI dos Correios. Duas questões foram formuladas no início desse estudo para norteamento da pesquisa. Baseando-se nos pontos detectados nas auditorias. Após a divulgação da fita em que o diretor de administração à época. com forte conotação na conformidade documental. Maurício Marinho. falta de aplicação de penalidade. inspeção física. inclusive. os prováveis procedimentos de auditoria utilizados foram análise documental. parlamentares. fortes indícios de cartelização do setor de hemoderivados e superfaturamento de preços. em especial das licitações e dos contratos. conferência de cálculos. por demanda da CGU. Passamos a apreciá-las individualmente. dentre as quais destaca-se superfaturamento de preços. as auditorias realizadas pelo TCU e pela CGU foram do tipo operacional ou especial. observação crítica e correlação das . exame dos registros. Pela análise nos relatórios da CGU e nas atas de Representações do TCU. (1) Os recentes casos de fraudes e corrupção no governo foram.confirmação externa – também pôde ser confirmada com base nos relatórios e procedimentos de auditoria observados. indagação escrita ou oral e observação das atividades e condições. dentre outros pontos. conferência de cálculos. e com a repercussão nacional que o caso teve. envolvendo. após conhecimento de notícia divulgada pelo Ministro de Estado das Comunicações de drástica redução nas despesas com transporte de cargas por renegociação contratual. Com o estudo do caso “Fraude nos Correios” verificou-se que não houve atuação prévia direta da CGU e do TCU na área de compras e acompanhamento dos contratos. previamente detectados pelos órgãos de controle e auditoria? Se afirmativo. direcionamento de empresas e baixa qualidade do material entregue. O TCU e a CGU constataram em suas análises uma série de falhas de controle que coadunam com a existência de fraude nos Correios. aceitara propina de terceiros. quais técnicas de auditoria foram aplicadas nesses casos? Através do estudo de caso da “Operação Vampiro” pôde-se constatar que houve atuação prévia do Tribunal de Contas da União (TCU). em especial das licitações e dos contratos. com forte conotação na conformidade documental. Sr. A “Operação Vampiro” propriamente dita da Polícia Federal somente veio a ocorrer após os levantamentos realizados pelo TCU e a Controladoria Geral da União (CGU) somente realizou auditoria após divulgações na mídia. análise documental. observação crítica. de alguma forma. vouching. As auditorias realizadas pelo TCU e pela CGU foram do tipo operacional ou especial. correlação das informações obtidas. prestação de serviços com capacidade ociosa. os principais procedimentos de auditoria utilizados foram indagação escrita ou oral.

amostragem. revisão analítica. Os principais procedimentos utilizados pelo TCU e pela CGU em suas análises diagnosticaram erros relevantes e sustentaram forte indício de fraude mediante visão conjunta das fragilidades apontadas pela auditoria. Entretanto. Na tentativa de contribuir com melhores práticas de auditoria na detecção de fraudes. com tudo isso se espera que a auditoria possa ter uma atuação mais eficaz e efetiva na detecção de fraudes. (2) Que procedimentos ou melhores técnicas poderiam ter sido adotados nos casos em estudo como forma de atuação da auditoria? Esta foi a motivação principal dessa pesquisa: avaliar melhores técnicas ou procedimentos de auditoria no combate às fraudes e à corrupção. inspeção física. Análise RECI. ferramentas de planejamento estratégico que têm sido também utilizadas nas auditorias de desempenho e avaliação de programas. algumas medidas por parte dos órgãos de controle e auditoria que proporcionarão minimizar tais desvios: . Os procedimentos de auditoria utilizados nas auditorias cujo enfoque principal é a conformidade à legislação continuam tendo importante papel na apuração dos indícios de fraudes. pôde-se constatar utilização de procedimentos de exame dos registros. Diante dos casos apresentados e dos estudos realizados constantes do Referencial Teórico. Por fim.informações obtidas. sociologia e no comportamento humano. Porém. recomenda-se aos órgãos de controle e auditoria a intensificação de procedimentos que busquem evidências externas como inspeções físicas. Assim. confirmação externa. embora não se tratem de procedimentos de auditoria. com base nos estudos realizados para o desenvolvimento dessa dissertação. rastreamento. sugerimos. pôde-se constatar pelos casos estudados que não foram suficientes para a confirmação da fraude. diante das maquinações humanas com vistas a burlar e corromper o sistema e fraudar os órgãos e entidades públicas. deve-se considerar ainda. confirmação externa e correlação das informações obtidas. Recomenda-se também: o uso de ferramentas tecnológicas e estatísticas computadorizadas com vista à análise de grande base de dados. o acompanhamento dos controles internos dos órgãos / entidades das áreas de compras e acompanhamento de contratos mediante utilização da Análise Stakeholder. e o desenvolvimento e estudo das técnicas de entrevistas considerando práticas forenses e de investigação baseados na psicologia. embora em menor grau. na prevenção de fraudes. vouching. a análise dos relacionamentos de amizade e parentesco das empresas na figura dos sócios e diretores. observação das atividades e condições e técnicas de auditoria computadorizadas. Análise SWOT e Matriz de Verificação de Riscos. mas sabe-se que a certeza absoluta é praticamente impossível.

dentre outros. . preferencialmente. dos servidores) e dos demais stakeholders. deve-se indicar: a) Auditoria ética social corporativa. como forma de identificar o perfil ético da organização (em especial. Receita Federal. b) Aprofundamento do estudo das técnicas de questionário e entrevistas para contribuição nas rotinas de exame de fraude e corrupção. Juntas Comerciais. b) criação e divulgação de mecanismos de denúncia de fraudes e corrupção diretamente ao órgão de controle e auditoria. Conselhos Profissionais. No que tange às sugestões de novas pesquisas acadêmicas em assuntos correlatos ao desenvolvido nessa pesquisa. Receitas Estaduais e Municipais. e c) estabelecimento de convênios para cooperação de outros órgãos e com outros órgãos públicos. Agências Reguladoras. e da contabilometria em rotinas de detecção de fraudes. disponíveis no mercado. Sindicatos. em especial.a) criação e desenvolvimento de um órgão de auditoria específico em detecção de fraudes. mediante aplicação em casos específicos de auditoria. visando o aperfeiçoamento e aprofundamento das técnicas na detecção de fraudes. ao setor específico de atuação em fraudes. c) Estudo da utilidade de ferramentas informatizadas.

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APÊNDICES APÊNDICE A – Trechos de Depoimentos Prestados à CPMI dos Correios vinculados às Red Flags APÊNDICE B .Achados pelo TCU nas Representações junto aos Correios APÊNDICE C – Principais Fragilidades Detectadas nas Auditorias da CGU nos Correios .

PMDB – PR) – Ou seja. MAURÍCIO MARINHO – A parte legal. PMDB – PR) – Falo o seguinte: dos fornecimentos cujas especificações técnicas não estão sendo atendidas.APÊNDICE A – Trechos de Depoimentos Prestados à CPMI dos Correios vinculados às Red Flags a) Entregas de materiais fora das especificações técnicas O SR. Correto? Então. . Se ele infringiu o prazo. (. Ouvi dizer sim. você sabia que existia o esquema de propina na Empresa dos Correios e Telégrafos? O SR. Esta xícara é para chegar com 20 dias. se ele está sendo adequado ou não. Chegou com 25 dias. Achei que havia. O SR. ÁLVARO DIAS (PDT – RN) – No entanto. Sª tem poder para qualificar o cumprimento do contrato. RELATOR (Osmar Serraglio. RELATOR (Osmar Serraglio. Num momento. b) Retardamento ou não aplicação de penalidade por atrasos de entrega e/ou descumprimento contratual. RELATOR (Osmar Serraglio. O edital prescrevia pena de multa e suspensão. ou seja. o gestor operacional nos comunica.) O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Eu digo três de que sei. O SR... as coisas começaram a acontecer diferente dentro dos Correios. Então. PMDB – PR) – Quais? Os das malas.. ARTHUR WASCHECK NETO – Eu digo dois. V. O SR. nem era suspenso... ninguém era multado. de que tenho conhecimento: mala postal. O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Esse é um assunto que já abordei. empresas entregando material fora da especificação da norma técnica que prescreveu o edital. senti que tinha alguma coisa errada. bota para operador de triagem e tênis para carteiro. O SR. O tênis para carteiro está sendo adquirido hoje via pregão eletrônico nos Correios. ele tem que levar uma penalidade. a aplicação da penalidade e a concessão do recurso para o fornecedor são feitos pela gestão administrativa. O gestor operacional entra em contato conosco..

O gestor operacional acionou a área administrativa. dizendo que o contrato seria cancelado e que ele seria multado. Júlio Imoto. Então.. Tipo assim. PMDB – PR) – Que era o seu. A área operacional. Acho que algumas pessoas já estão lá hoje fazendo isso e. Nunca fui a ele. eu vou dar preferência para essa. V. O que fizemos? Acionamos o Sr. Ele tinha um prazo para entrega dos produtos. levei o caso ao Diretor de Administração. em decorrência de recurso. ANTONIO VELASCO – A forma mais simples de se saber é analisando os processos que estão lá. em caracterizar uma empresa como a minha de “picareta”. O senhor quer dizer que havia nos Correios um esquema. Ao participar da reunião. Não recorreu e desistiu. “Por quê? Por que você vai dar preferência?” “Porque essa. O SR. aplica-se a multa. c) Restrição da concorrência. tem a ata da reunião de que participou o Sr. por indústrias grandes.) O SR. essa e essa”. MAURÍCIO MARINHO – Era o nosso departamento. porque o que fizemos. isso fora da lei. porque. . Cancela-se o contrato – primeiro ato –. RELATOR (Osmar Serraglio. porque não tinha condições de concluir a execução das caixetas operacionais. Haroldo.. cancelado o contrato e processo de impedimento de licitar..O SR. numa churrascaria. Ato contínuo. essa e essa são indústrias”. se a propina.. E tem mais: ele recebeu o recurso da empresa.) O SR. como “firminha”. ARTHUR WASCHECK NETO – Bom. para preterir algumas empresas e dar preferência a outras? O SR. mas ele afirma no jornal que uma pessoa dos Correios esteve lá três vezes com ele. primeiro. não eu. Não procedeu à entrega dos produtos. concedeu novo prazo para ele. participaram da reunião oito pessoas – e não só o Sr. Haroldo. não sei nem onde fica a fábrica dessa pessoa. Agora. Não foi mandar nenhum intermediário pedir dinheiro. tem que justificar. ele pediu mais um prazo. daí? O preço vai ser mais alto e eu tenho um produto tão bom quanto”. “E. Segundo. (.. Haroldo Marschner. digamos assim. (. que esse alguém se justifique. com certeza. vão constatar isso. através do Sr. nem em meu nome e muito menos – não sei. Exªs verão. em meu nome. Júlio deve ter que justificar. tênis: “Ah. Esse contrato foi feito antes da minha chegada ao departamento. Ele não cumpriu o segundo prazo. MAURÍCIO MARINHO – A página 44 do dossiê trata desse assunto.. POMPEO DE MATTOS (PDT – RS) – Eu faço uma dedução e quero ter a sua posição sobre ela. O SR. Está lá o contrato. Ele foi até Brasília. Ato contínuo: foi multado. alguém foi lá em nome de alguém. para acertar esses negócios... Ele tinha cinco dias de prazo para recorrer. se é verdade isso. uma total preferência. e inicia o processo de impedimento de licitar. e a decisão foi tomada. que alguém diga em nome de quem ele foi e para quem é esse dinheiro. é o que manda a lei. ele está usando o nome do PTB. d) Relevação de penalidade aplicada.

João Henrique de Sousa – Michel Temer. que aqui está presente. cujo responsável seria Silvinho Pereira – é o que me disseram.) . está na quota também do PMDB e do próprio Ministro Eunício Oliveira. as sete áreas da organização são distribuídas da seguinte forma – esse é o nosso conhecimento técnico dentro da organização. são ocupadas por funcionários de carreira e. Três. Proteline. o Sr. uma coisa assim. (.. Essa é a nossa visão. PMDB – PR) – Ele lhe disse em que sentido estava sendo beneficiada? O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. O SR. o Diretor de Recursos Humanos – Ney Suassuna. O SR.. MAURÍCIO MARINHO – Bom. O SR. O Diretor Antonio Osório Menezes Batista – PTB. ANTÔNIO VELASCO – Que estava sendo. ANTÔNIO VELASCO – Sim. concluindo. operações e tecnologia. O SR. para fins de avaliação.. reprovadas por mais de uma vez sem que a empresa fosse inabilitada ou penalizada pelo retardamento. PMDB – PR) – Alguma vez. Que estava sendo beneficiada.O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. são ligadas ao PT. pois eu não o conheço. PMDB – PR) – É. o nosso Diretor Comercial. f) Cargos de alto e médio escalão ocupados por pessoas com grande envolvimento político. ele lhe fez referência de alguma empresa que estivesse sendo beneficiada ou prejudicada? O SR. O SR. para nós. ele citou o nome de uma empresa. Não entendi bem. não sei se é Silvinho o nome dele completo. Esse tipo de coisa vinha acontecendo regularmente. e foi isso que começou a me preocupar muito. para nós. não é influência política de ninguém: as duas diretorias de área. Carlos Eduardo Fioravante – Senador Hélio Costa. Não sei se faltou algum diretor. Essa é a nossa informação. indicado por Roberto Jefferson. ANTÔNIO VELASCO – Parece que a pessoa tinha tido uma multa de R$800 mil e tinha sido perdoada. Ricardo Caddah. PMDB – PR) – De uma empresa? O SR. ARTHUR WASCHECK NETO – Ele foi desclassificado em amostra umas três.. RELATOR (Osmar Serraglio. ANTÔNIO VELASCO – Ele citou o nome de uma empresa. RELATOR (Osmar Serraglio. quatro ou cinco vezes. quatro ou cinco vezes. o nosso Presidente. Deram três oportunidades de amostra para essa empresa. o que é totalmente ilegal. O SR. o nosso Diretor Financeiro. Deputado. de calçados. e) Amostras de material exigidas pela Comissão de Licitação.

Quando nós indicamos a estrutura lá na Eletronorte. MAURÍCIO MARINHO – Só para situar depois. não foi nomeado para a Diretoria de Informática. e só em dinheiro foram . José Carlos Martinez. em baixo. e eu estava até panfletando o meu currículo. O Fortuna. Quando nomeamos o Presidente do IRB. a Chefia de Fiscalização e a Chefia de Vigilância de Medicina do Trabalho. presidência. no Correio. lá no Rio de Janeiro. Ezequiel. disse à mídia que foi ele que havia me indicado para assumir a chefia do Departamento de Contratações. em 2003. e era o Rondeau o Diretor Administrativo da Eletronorte. Sª disse que o seu capital é de duzentos mil.. para depois verificarem. Acidente e Medicina do Trabalho. se não me falha a memória. Ele falou: “Vamos atrás de um Deputado do PTB. indicada pelo Sílvio Pereira. toda a estrutura em baixo nomeada pelo Sílvio Pereira. que eu tenho trânsito”. em primeiro lugar. Mas. é do PT. O que eu tratei? A Diretoria do Dnit. mas. tem a aqui “O caso Fortuna”. Quando nós fizemos a diretoria da Eletronorte. foi o Dr. ainda vivo. da forma como era feito. O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. O Fortuna disse ter trânsito aqui. (.) g) Sinais exteriores de enriquecimento. (.O SR.. era do PT.. toda a estrutura foi costurada e montada pelo Sílvio Pereira. do PTB. quem é diretor de Recursos Humanos é do PTB”. do PT. E ele prontamente me atendeu. V. Sª comprou um apartamento. Esse foi o meu entendimento. em vários lugares. desde que houvesse interesse. Ele falou que o esquema lá funcionava assim: na realidade. Esse departamento. O que eu entendi do que ele falou é que qualquer coisa que ele decidisse ali. e toda a estrutura em baixo. tentou indicar o Dr. tinham vários diretores indicados por alguns partidos e que todos eles atuavam em consonância. eu entrego o seu currículo e vou lhe ajudar. quando decidiam em colegiado. o Delegado Regional do Trabalho. Ele pegou o meu currículo e falou: “Meu amigo. Muito interessante essa pergunta. o que é verdade: foi ele que pegou o meu currículo na época. na página 50 do dossiê. Nós fizemos o Diretor. quero deixar claro isso aqui. PMDB – PR) – V. salvo engano. porque havia essa concordância.) O SR. o Carlos Cotta. a Diretoria Financeira do Dnit foi tratada com o Silvio Pereira. Quando o Senador Fernando Bezerra. não é verdade. O que ele fez? Me levou ao gabinete do Deputado José Chaves. Quando nós fizemos. Isso é bastante interessante. JOEL SANTOS FILHO – Ele falou do esquema de licitação. toda a estrutura. O SR. passaria. uma vez proposta para cima. para o colegiado. de Pernambuco. diretoria. no âmbito da diretoria dele.. assim que todos tiverem na mão. indicadas pelo Silvio Pereira. até o gerente. eu estava sem uma função desse porte. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Não posso lhe dizer isso. tratada com o Silvio Pereira. que era o Diretor Antônio Osório. e não conseguiu.

Os contratos são em dólar. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Não. i) Concessão de reequilíbrio ou reajuste ao contrato sem embasamento jurídico. Agora. Relator. Aí o reequilíbrio é feito. é assinado pelo diretor e pelo presidente da empresa. que eu falei na Polícia e no Ministério Público.bom. o dólar cotado a R$3. cem mil reais.. com reajuste não. A informação que eu tinha clara era a da Skymaster.Se é reajuste. quando a moeda está sendo cotada no dia a R$2.. não é reajuste. reduzindo a cona.. depois daquela remajoração(?) dos preços. Os técnicos financeiros a analisam. legal ou econômico. O SR. O que eu tenho é um ágio. que está dentro da declaração de Imposto de Renda. agora. ninguém guarda dinheiro debaixo do colchão.. Eles me perguntaram: você vive guardando dinheiro? Olha..cem mil reais. MAURÍCIO MARINHO – Esse apartamento. guardar dinheiro. Emitem um relatório. Eu compro e vendo carro. posteriormente. em espécie. tem que estar dentro do contrato. as empresas solicitam. Devem apresentar uma planilha de custo na época em que ela sofreu desequilíbrio financeiro. Foi vendida uma casa no Paraná pelo meu filho e pela minha nora. Se está dentro do contrato.00. O reequilíbrio. peguei todo o dinheiro do Correio. na 409.. Foi assim que foi comprado. São as bases contratuais que estão no edital. consegui trazer. que eu comprei esse ano. Só que o preço do apartamento na época era cento e sessenta e oito. transferiram. concursado.45 e o Correio vem pagando à Skymaster no dólar a R$3. MAURÍCIO MARINHO – Não. funcionária da Receita Federal e ele funcionário dos Correios. muito recentemente. Vai ao Diretor da área correspondente. tanto que tenho dito desde o início: por que não vão investigar a Skymaster? São aviões de 18 toneladas que são pagos por terem 18 toneladas e que vão com 4 toneladas. Nós vendemos um carro. eu usei trinta e poucos mil reais do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço para completar o dinheiro e mais um empréstimo que foi feito junto ao Postalis. Sr. Nós trabalhamos. Eu sabia dessa intervenção do ex-Ministro Miro Teixeira. É repassado ao departamento jurídico para ver a legalidade e. da proposta. se aprovado. . O SR. Está aqui a escritura. Esse apartamento está no meu nome. Tinha informação. A palavra mais utilizada nos Correios. é reajuste também. A palavra-chave é reequilíbrio.. ganhei férias. eu usei.. Está aqui dentro o contrato de compra e venda ao meu filho. está escrito aqui. como ele foi pago e por quê. você tem que reajustar.00. Qual a razão de pagar em espécie? O SR. uma pessoa que ganha R$140mil a R$150mil por ano não tem condição de comprar um ágil de apartamento? h) Contratos com preços majorados. O apartamento saiu no meu nome. saiu no meu nome o apartamento. Vou deixar isso aqui. Eu vou juntar ao dossiê dos senhores. por R$80mil à vista. Hoje eu até pedi para trazer a escritura. Devem apresentar a planilha de custo inicial da época do contrato. Eles venderam a casa.

Isso é recurso que sai para pagar comissão a agência franqueada. São pontuações. Partidos e Parlamentares estão por trás dessas ACFs.550 agências de Correios. as 1. Veja bem. PMDB – PR) – Ou seja.. que hoje são exclusividade da empresa Marfinite. dali vai para cima. Deputados e Senadores neste caso. Obrigado. RELATOR (Osmar Serraglio. Levantar o envolvimento dos grandes clientes da ECT. Sª a possibilidade de reconhecer um desequilíbrio no segundo mês depois de contratado. vinculada 100% ao Bradesco.O SR. A carta do fornecedor tem que entrar no meu departamento. caixetas. RELATOR (Osmar Serraglio. temos. O SR. MAURÍCIO MARINHO – Há qualquer momento. levantar.. aquisição de veículos em geral. A gestão administrativa é nossa. Solicito avaliar. MAURÍCIO MARINHO – Pois não. Sr. de poder ser feito no interregno inferior a um ano. diferentemente do reajuste. Haroldo Marschner. O envolvimento do Bradesco com as agências de Correio franqueadas na postagem de objetos postais. MAURÍCIO MARINHO – No início do processo. está sendo falado. só vinculada ao Bradesco. PMDB – PR) – Onde a sua diretoria ou departamento entra nisso? O SR. PMDB – PR) – Esse equilíbrio tem a facilidade. mil caminhões. Solicito.. dez mil bicicletas. Scopus. o que pode atingir muitos dos Srs. O SR. todo esse relacionamento. O SR... motocicletas. Sr. ainda. Estou falando como empregado da empresa por todo esse tempo. o Bradesco detém 22. bicicletas. estava às mãos de V. Correio Híbrido Postal.. mil vans. dentro da ECT. Mas passa pela minha área sim. Por último. . principalmente as de São Paulo.5% da American Bank Note. A empresa ganhou recentemente a manutenção de equipamentos de informática praticamente em todo o País. j) Suspeita de diversos contratos e processos negociados com “vantagens ilícitas”. Se vai ser aprovado. Solicito avaliar a aquisição dos equipamentos operacionais. É possível? O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. Presidente. Correto? Banco Postal é um contrato. não é descrição de contratos. O Bradesco também venceu toda licitação de cartão de compras dos Correios destinados. que têm essa denúncia veiculada no Jornal O Globo sobre o Sr. desde que você comprove – isto é lei – que o contrato sofreu um desequilíbrio financeiro. Onde são feitas as principais postagens desses grandes clientes. Não consigo nem enxergar a malha que envolve a ECT e o Bradesco. Hoje vinculado às agências franqueadas. também. avaliar contratos. Se for comprovado. Qual é o faturamento anual dessas agências? Qual é o percentual dessas agências em relação ao faturamento da nossa empresa? Que pessoas. qual é o ranking anual dessas franquias faturando milhões de reais por mês. seis mil motos. em especial caixetas. que foram direcionados da ECT para as agências franqueadas. Presidente. MAURÍCIO MARINHO – É possível. O SR. mas é para falar. é outro problema.

mas não cumpriu o seu contrato e foi multada. Por fim. No que se refere ao caso do Bradesco. que ele está como mandante da gravação. de pessoas vinculadas às agências de Correios franqueadas. Eu não estou especificando a administração dos outros e as áreas dos outros. Luiz Gushiken... que deixamos para o final. e não creio que seja só ele. Essa é a informação corrente dentro da organização. JEFFERSON PÉRES (PDT-AM) – Sr. Agora eu quero me dirigir ao Presidente da Comissão e ao Relator. Marcos Valério. obviamente –. Aí nós temos o nome da pessoa que está à frente dos Correios. (. através do American Bank Note.) O SR. As quatro empresas que foram chamadas são as últimas dos cinco anos. O direito dela está sendo exercido. foi feita uma reunião dentro da Diretoria de Administração. Fora isso. Eu só ouvi falar da Skymaster. São os principais contratos que nós verificamos que precisam ser mais bem avaliados. a SPMB. que foi levantado pelo Ministério Público e Polícia Federal. Mas. Presidente. MAURÍCIO MARINHO – Quanto aos contratos de seguros recentes na empresa. Denilton. a partir da entrevista do Deputado Roberto Jefferson. O caso da Precision. esta Comissão foi criada para investigar um fato determinado. Nem esse depoimento do Sr. que também veio a público no jornal. todo com a marca Bradesco – vencida a licitação pelo Bradesco. eu já disse que são três... São dezenas de empresas. Só me lembro de uma. o próprio Banco Postal. mais de 1500. esses são os principais processos. Presidente. em que se diz que se solicita verba para repassar ao PTB. uma . com nenhuma empresa. lá em São Paulo. e o envolvimento do Bradesco em agências de Correios franqueadas. Sr. Com relação aos contratos efetuados com as agências de propaganda. não tenho conhecimento das empresas que participaram e das que foram chamadas através dessa comissão especial. Correto? Isso não está claro e precisa ser investigado. Todos os contratos de transporte de carga são da Diretoria de Operações. o Cartão Correios. eu relatei os principais contratos e convênios que a empresa tem com a entidade Bradesco. fluvial e terrestre. que já foi amplamente dito aqui. eu estou satisfeito com suas respostas. A Precision era um concorrente da Marfinite. Não sabemos quem está por trás dessas pessoas. Isso faz parte da nossa administração. foi glosado da sua fatura R$1 milhão.Sr. suposta corrupção dos Correios. que está ligada à Secom. mas dezenas de empresas que fazem toda a malha de transportes do Brasil. a aquisição dos cofres de 2002 da Coman. Com relação às aquisições de equipamentos postais. que é utilizado pelos funcionários. Ela entrou com recurso e se julga no direito. Com relação ao caso dos tênis. que é feito via empresa Scopus. o Correio Híbrido. O Departamento Jurídico deve opinar a curto prazo.) O SR. Deputado. temos o envolvimento. são várias empresas. Em nenhum momento foi feito nenhum acerto. aéreo. que saiu hoje no Correio Braziliense. que está na mídia e que é do Sr. (. disse que houve qualquer tipo de acerto. É interessante avaliar esse processo atual.

vencida pelo publicitário. nas contratações realizadas por órgãos e entidades públicos. Ele se confessa amigo. O Sr. Está provado que o Sr. Confessa que foi quatro ou cinco vezes à Casa Civil e conversou com uma Srª Sandra sobre banalidades.isso é um fato a investigar. l) Direcionamento de empresas. detentoras de contas publicitárias de diversos entes públicos.entrevista sem provas. por onde passariam os recursos que eram repassados a parlamentares. milionário. como ele mesmo disse. Não importa se houve fraude ou não . segundo a agenda da secretária Fernanda Karina. e. o que é inverossímil..00]. os fatos foram aparecendo e se concatenando.000. Marcos Valério Fernandes. Delúbio Soares. (1º Relatório Parcial da CPI dos Correios) . Marcos Valério. Recebia dinheiro do Correio com um contrato muito alto.. seriam as instituições intermediárias. nenhum empresário sério deste País movimenta tal quantia em dinheiro vivo. no dia 03 de setembro de 2003. a Câmara lançou o edital oficial para escolher uma agência de publicidade para fazer as campanhas da Casa. no dia seguinte. Marcos Valério tem um contrato com os Correios. Nenhum! Isso é uma evidência do que disse o Deputado Roberto Jefferson. Marcos Valério retirava dinheiro vivo. amigo mesmo do Sr. (. Sobre esses fatos. a esposa do deputado recebeu a importância acima aludida [R$ 50. com o sr. As empresas de propriedade do Sr.. nove dias depois (15/09/2003). comprovando o que lhe havia dito o Deputado Roberto Jefferson. em especial de publicidade. alegou ao Relator que não foi questionado. Mesmo que sejam R$21 milhões. Prova que ele tinha.. houve um café-da-manhã na residência oficial do Presidente da Câmara Federal. sobretudo a SMP&B Comunicação e a DNA Propaganda.) Outrossim.

poderia transferir os custos dos serviços para o TC-015. Ata nº 35 de 1. Ata nº 35 de 1.022/2005-6 Pontos de Auditoria (Achados) 1. Restrição à competitividade do certame licitatório: possibilidade do serviço em objeto ser 14/09/2005 – dividido permitindo a participação de maior número de empresas.199/2005-6 3. 3. Adoção de critérios inadequados de qualificação e pontuação técnica. durante o exercício de 2002. Medida Cautelar TC-015. Ausência de critérios objetivos para fixação de preços. Superfaturamento de serviços contratados. Aceite dos “cofres” sem a certificação de qualidade referente à combinação de segredos do Representação TC. prazo exíguo. constatado no item relativo à manutenção evolutiva do software GPDD e na previsão de repasse de valores à empresa Postel SPA a título de transferência de tecnologia. a qual por sua vez. Falta de providências e acompanhamento do desempenho do transporte de carga relativo ao Contrato nº 11.977/2005-2 fornecimento de peças. que se reflete na impossibilidade de verificação da completa conformidade dos preços cotados com os valores de mercado e. decorrente de serviços que poderiam ser licitados a parte dos demais. em prejuízo ao princípio do julgamento objetivo das propostas 4. A Certificação Técnica da análise da combinação mecânica não atendia aos requisitos das especificações técnicas do contrato . 015. 2. 2. possibilidade do serviço em objeto ser dividido permitindo a participação de maior número de empresas e critérios de pontuação na seleção das melhores propostas sem correlação com o objeto da licitação. 14/09/2005 – 2. A assinatura de contrato permitiria a aquisição de peças sem licitação pela empresa Medida Cautelar prestadora dos serviços.008/2001. Restrição à competitividade do certame licitatório: exigência em edital de patrimônio líquido superior ao limite estabelecido na Lei 8666/93. Apresentação de preços aparentemente inexeqüíveis pela empresa vencedora da licitação. por conseguinte. Habilitação técnica da empresa indevida para fornecimento dos “cofres” . Restrição de caráter competitivo da licitação do Serviço de Correio Híbrido Postal.tipo mecânico previsto nas especificações técnicas. exigência de instalação de centros de produção nas dependências da própria ECT e na vedação sem justificativa ao somatório de atestados para qualificação técnica no caso de participação em consórcio. 4. Qualidade do produto inferior ao exigido no edital Ata nº 38 de 28/09/2005 – Medida Cautelar TC.572/2005-9 (REVOGADA EM 07/12/2005 – Ata nº 48 de 07/12/2005) 1.APÊNDICE B – Achados pelo TCU nas Representações junto aos Correios Documentos Ata nº 29 de 03/08/2005 – Medida Cautelar TC-013.RPN: 1.016. Irregularidades detectadas na contratação do Rede Postal Aérea Noturna . Direcionamento do certame licitatório para determinada empresa. 14/09/2005 – 2. permitindo a ocorrência de Ata nº 38 de 28/09/2005 – Representação TC- .554/2005-6 (REVOGADA EM 06/12/2005 – Ata nº 48 de 07/12/2005) Ata nº 35 de 1.

a qual garante à empresa pagamentos adicionais sobre o preço inicialmente contratado (da licença) em função do aumento do número de empregados da ECT. Achados referentes ao contrato para aquisição de licenças perpétuas. Intempestividade na aplicação de sanções contratuais 3. 3.etc. havendo indícios da prática de ato antieconômico. Subcontratação / apresentação de propostas de empresas em situação fiscal irregular. 6. 2.556/2005-5 capacidade ociosa na sua execução. Objeto de contratação emergencial além do adequado. Indícios da apresentação de propostas fraudulentas para respaldar a subcontratação de produtos/serviços. 3. Fraude ao caráter competitivo da licitação. Montagem de processo e simulação de concorrência na dispensa de licitação nº 02/2001. Achados referentes à contratação de empresa para fornecimento e serviços de solução integrada de gestão empresarial (ERP. 4. suporte e manutenção do software “Enterprise One : 1. Subcontratação de produtos/serviços sem a apresentação de três propostas. Procedimentos inadequados de concessão de reequilíbrio econômico-financeiro 2. Achados referentes à contratação de empresa de serviços de agenciamento de publicidade e promoção: 1. onerando desnecessariamente o contrato. Ata nº 38 de 28/09/2005 – Representação TC015. Pagamento de despesas sem comprovação. 4. Superfaturamento de serviços. Achados referentes à contratação de empresa de serviços de agenciamento de publicidade e promoção: 1. sem a existência de um estudo detalhado e completo. Aceitação de faturas em desacordo com o contrato 4. Falta de amparo legal para a inserção da Cláusula de “Expansão de Direitos”. quando o instrumento contratual permitia o ajuste de carga contratada. Ausência de avaliação posterior dos resultados obtidos pela ação promocional. Habilitação da empresa Precision e adjudicação do objeto do Edital à mesma com base em parecer técnico omisso e falho. 3. caso fosse considerado necessário. Sobrepreço na aquisição de bens ou na prestação de serviços contratados pela agência de publicidade no âmbito do contrato. Solução de gestão implantada parcialmente sem domínio da ECT e com risco de paralisação 5. Achados referentes ao contrato de aquisição de licenças perpétuas. Ausência de adequada justificativa do preço contratado. 3.676/2005-9 Ata nº 42 de 26/10/2005 – Representação TC017. 3. 2. Ausência de avaliação posterior dos resultados obtidos pela ação promocional.121/2005-8 Ata nº 42 de 26/10/2005 – Representação TC016.): 1. Achados referentes à aquisição de caixetas plásticas e porta-etiquetas: 1.294 licenças em 2004. para respaldar a viabilidade da aquisição pela ECT de licença de uso perpétuo com número irrestrito de usuários. 5. suporte e manutenção do software OneWorld e prestação de serviço de treinamento de servidores: 1.016. Subcontratação do objeto do contrato sem justificativa. Edital não estabeleceu que a exigência de qualificação técnica fosse compatível em quantidades com o objeto da licitação 4. Indícios da apresentação de propostas fraudulentas para respaldar a subcontratação de produtos/serviços.570/2005-4 Ata nº 42 de 26/10/2005 – Representação TC015. 7. durante a vigência da avença. 2. Pagamento de despesas sem comprovação. CRM. Inexistência de publicação em jornal de grande circulação regional de aviso de convocação dos interessados para o Pregão. 2. Valor contratado não guardou relação com a proposta apresentada pela contratada.714/2005-0 Ata nº 43 de 09/11/2005 – Representação TC- . 4. Recebimento de comissão pela agência sem a prestação de qualquer serviço. Utilização da informação de que seria necessária a aquisição de mais 14. 6. 2. 5. Recebimento de comissão pela agência sem a prestação de qualquer serviço. Subcontratação do objeto do contrato sem justificativa. Morosidade na aplicação de multa por atraso na entrega do objeto contratual.938/2005-4 Ata nº 42 de 26/10/2005 – Representação TC016. Ausência de justificativa da inexigibilidade de contratação do treinamento. 4.

execução de serviços sem cobertura contratual e pagamento irregular de parcela do termo aditivo.418/2005-3 2. 4. ausência de cobrança. Concessão indevida de reequilíbrio econômico-financeiro.1. Falta de embasamento técnico na modelagem e dimensionamento do projeto básico. 5. Diminuição do período de garantia do objeto licitado em relação às licitações anteriores. assunto este que já havia sido completamente encerrado. Quando da homologação do certame: aceitação de proposta comercial da empresa com superfaturamento do subitem de manutenção das aplicações desenvolvidas. Indícios de superfaturamento de preços. Valor de referência para licitação acima de estimativa razoável. vinculadas à definição do objeto e a exigências inadequadas para qualificação econômico-financeira. com acréscimo no valor global do Contrato. 2.000 sacos de Selos Lacres para Caixetas SLC-01: 1. 2. utilizando como argumento súbita desvalorização do Real frente ao Dólar a partir de agosto de 2002. Aceite da ECT em retomar discussão acerca do percentual devido em função do reequilíbrio econômico-financeiro. 3. sem justificativa plausível. Ata nº 43 de 09/11/2005 – Representação TC018. 2.775/2005-7 Ata nº 43 de 09/11/2005 – Representação TC017. Achados referentes à contratação para aquisição de 130. 3. Achados referentes à contratação de empresa especializada na administração.2. com a instalação de equipamentos digitais conectados em rede: 1. mascaramento de aumento de custo acima de 25% no termo aditivo em relação a valores de referência. Inexistência de publicação em jornal de grande circulação regional de aviso de convocação dos interessados para o Pregão. 3.016/2005-1 Achados referentes à contratação para aquisição e prestação de assistência técnica em equipamentos: 1. 2. Achados referentes à contratação de serviços de manutenção de equipamentos de informática e periféricos: 1.4. Restrição à competitividade. Inobservância de recomendações técnicas do Comitê de Avaliação das Contratações Estratégicas.122/2005-4 Ata nº 48 de 07/12/2005 – Representação TC018. controle e operacionalização de logística no fornecimento de medicamentos: 1. Morosidade na aplicação de multa por atraso na entrega do objeto contratual. 3. Ausência de justificativas para a variação a maior do custo originalmente orçado e aprovado pela Diretoria. sem chances de contestação. Ausência de pesquisa de preços para justificar o custo do treinamento. Projeto Básico em desacordo com as definições constantes da Lei 8. Quando da elaboração do edital: inclusão de cláusulas restritivas à competitividade do certame.900/2005-0 . 3.3. mediante a assinatura do 5º Termo Aditivo ao contrato.934/2005-4 Ata nº 43 de 09/11/2005 – Representação TC018. Irregularidades na contratação de serviços reprográficos de cópias em preto e branco. fuga à licitação na contratação do desenvolvimento de uma nova solução através de um contrato aditivo. Quando da execução do contrato: 3. 2.015. cobrança intempestiva e redução indevida de multas contratuais.020/2005-4 Ata nº 43 de 09/11/2005 – Representação TC018. Modalidade de licitação adotada inadequada para os serviços Ata nº 43 de 09/11/2005 – Representação TC017.666/93. 3. Achados referentes à contratação para aquisição de Solução Integrada para fornecimento de Endereço Eletrônico Permanente: 1. 3. Omissão do Departamento de Contratação e Administração de Materiais (DECAM) na aplicação de multas contratuais solicitadas pelas Diretorias Regionais em função de atraso no atendimento de chamados para reparos nos equipamentos em garantia nas agências. contratado por inexigibilidade.

116/2005-1 Ata nº 08 de 22/02/2006 – Representação TC019. além de grave infração à norma legal. 6. bem como conseqüente celebração de contrato com incrementos de valor. 3. 4. escorada no inciso XIII do art.6%. da Tecnologia e da Cultura – FUNPAR. Ausência de avaliação da possibilidade de contratação de agências em condições mais adequadas à ECT. Realização de contratos com objetos múltiplos. Inobservância. contrariando a Decisão TCU 650/1997 – Plenário. incluindo a manutenção e prestação de serviços necessários à operação de um sistema de comunicação de dados e controle da frota da ECT: 1. na Licitação. 24 da Lei nº 8666/1993. 2. médio/técnico e superior. para aquisição de mobiliários idênticos/similares para DR/PR.6. com a ocorrência de uma série de irregularidades. 8. 4. item 2. Desconformidade na elaboração do briefing da Concorrência nº 003/2003. Ausência. Aquisição de equipamentos de proteção individual por preço elevado da licitante classificada em 3º lugar no certame. indevidamente. Achados referentes à inspeção na Diretoria Regional da ECT no Estado do Paraná. Realização de três certames licitatórios (Pregão nºs 48. 8. 7. tendo em vista a expressa determinação para rescisão do mesmo após o seu término de vigência em decorrência de Termo de Conciliação Judicial firmado entre a Advocacia Geral da União e o Ministério Público do Trabalho. fraude ao certame licitatório. Celebração de contrato para prestação de serviços de armazenagem e distribuição de produtos advindos de contrato comercial pactuado com a TIMSUL. 10. como casos de emergência. 6. fundamentadas. 5. Contratações sucessivas por dispensa de licitação. 3. Realização de licitação e posterior contratação de três agências de propaganda sem distinção de contas publicitárias. 3. 7. 2. do que preceitua a norma legal nas Normas-Padrão da Atividade Publicitária.995/2005-9 Achados referentes à contratação para aquisição de sistemas de rastreamento de veículos. Celebração de convênios pela DR/PR com pagamento de taxa de administração ao partícipe privado. em decorrência de “suposto” conluio entre as duas empresas que apresentaram propostas mais vantajosas. 49 e 50/2004)..202/2005-8 Ata nº 49 de 13/12/2005 – Representação TC019. Pagamento adicional de 15% atinente a despesas com Contribuição Previdência dos cooperados. e em confronto com o Decreto 4. 2. tendo em vista que os contratos celebrados até 31/10/2003.118/2005-6 Ata nº 48 de 07/12/2005 – Representação TC016. existindo relevante diferença nos preços de aquisição. por parte das agências. acarretando prejuízo aos cofres públicos. Achados referentes à contratação de serviços prestados por agências de publicidade e propaganda (consolidação): 1. de 3% para 7. sem a devida motivação e ao arrepio da legislação vigente. Direcionamento de edital e aquisição suplementar em data anterior à própria publicação da homologação do respectivo certame licitatório. tendo em vista que. para determinada empresa constituída sob a forma de Cooperativa. 2o . com vistas à realização de serviços especializados inerentes ao concurso público para cargos de nível básico. Ausência de definição da sistemática de avaliação de resultados das ações desenvolvidas. Processo licitatório para contratação de serviços de hospedagem com inserção de cláusula restritiva no respectivo edital. Prestação de serviços sem cobertura contratual. Prorrogação indevida do Contrato 028/2004. 5. caracterizando. Aquisição de cursos “on line” sem o devido planejamento e comprovação da real necessidade. quanto a proposta da licitante. art. Duplicidade de investimentos para aquisição de sistema já em desenvolvimento. 2. não sofreram repercussão com o referido incremento. Desconformidade do planejamento para a realização das ações de publicidade.Ata nº 48 de 07/12/2005 – Representação TC019. Achados referentes à contratação da Fundação Universidade de Brasília – FUB: 1. 9. já estabeleciam que este valor estava incluído no valor contratado. Contratação da Fundação da Universidade Federal do Paraná para o Desenvolvimento da Ciência. em dias seqüências (27. – Cooperativa de Trabalho dos Profissionais de Processamento de Dados Ltda.799/93. 28 e 29/09/2004). Pagamento indevido de valores decorrentes de aumento da alíquota da COFINS. da exigência de apresentação do Certificado de Qualificação Técnica emitido pelo CENP. celebrado com a Tecnocoop Sist. com o objetivo de verificar a regularidade das licitações e contratos realizados: 1. tanto o Edital de Licitação. Atestação de faturas e pagamentos por serviços não realizados. que determina que as agências são responsáveis pela .

sem essa intermediação. apesar da possibilidade de realizá-las diretamente.3). .1. Utilização constante de agências de propaganda para a realização de ações de “promoção”.verificação da regularidade de suas subcontratações no âmbito de contratos com entes do Poder Público (conforme 11. 9. Ausência de normativo para a definição de ações promocionais e os critérios para seu reconhecimento e concessão de verba. Fonte: Atas do TCU. 10.

Especificações Técnicas exigidas para o objeto da licitação somente EQUIPAMENTOS eram atendidas por produtos de um mesmo fabricante. Insuficiência de controles internos aplicáveis à gestão do Contrato n° 11. 3. Exigência de documento de habilitação sem amparo legal. 12.328/2002. adquiridos por dispensa. sem a caracterização de situação emergencial e utilização das impressoras móveis. Ausência de estabelecimento.Configuração Mínima Exigida. Vedação legal na contratação – DL 2.355/87 e Resolução DEST/MP 09/96.329/2002. 67 da Lei nº 8. Relatório Parcial nº 03 – Medicamentos 5. 9. Contratação por Dispensa de Licitação. . 7. 8. Suspensão do certame. Assinatura de documento por funcionário sem competência regimental. Relatório Parcial nº 06 – Cofres 11. 14. b) Retardamento ou não aplicação de penalidade por atrasos de entrega e/ou descumprimento contratual.666/93. O produto adquirido não atende plenamente a todos os atributos relacionados na Especificação Técnica do Produto . para atendimento de situação alheia à de emergência. celebrado entre a ECT e a Empresa Comam. 6. Inobservância das regras do Edital e do Contrato quanto ao instituto da subcontratação do objeto. j) Suspeita de diversos contratos e processos negociados com “vantagens ilícitas” l) Direcionamento de empresas SUPRIMENTO Relatório Parcial nº 01 – Impressoras DE MATERIAIS / 1. 13. Falta de embasamento técnico na modelagem e dimensionamento do projeto. O projeto básico não atende às exigências da Lei 8. Semelhanças entre o conteúdo da gravação divulgada e o do processo em análise. legal ou econômico. 9. Inexistência do ato de designação formal de representante da Administração para acompanhamento e fiscalização da execução dos Contratos nº 11. em afronta ao que preceitua o art. Inobservância de recomendações técnicas do Comitê de Avaliação das Contratações Estratégicas. no âmbito da AC e das DR’s. 2. indicando possíveis interesses no atendimento a empresas.666/93. c) Restrição da concorrência h) Contratos com preços majorados i) Concessão de reequilíbrio ou reajuste ao contrato sem embasamento jurídico. extrapolando os limites de atribuições do cargo e convalidação do ato sem avaliação dos critérios de conveniência e oportunidade pelo superior hierárquico. 4.APÊNDICE C – Principais Fragilidades Detectadas nas Auditorias da CGU nos Correios Áreas Principais Irregularidades Red Flags confirmadas a) Entrega de materiais fora das especificações técnicas. de prazos para atendimento aos chamados de assistência técnica. Restrição à competitividade. 15. em contrato.328/2002 e nº 11. 10.

000.329/2002. no julgamento das propostas. 33. Resposta a questionamento do edital prestada além do prazo legal – Pregão 063/2004. fundada em parâmetros de custos apresentados pela própria contratada e mediante a dispensa de pesquisa realizada pela ECT. 24.evidenciada pela não rescisão do Contrato por inadimplência da contratada. Autorização irregular para substituição de fechaduras da marca RWN por fechaduras da marca SAFETRONIC. Relatório Parcial nº 11 – Tênis para Carteiro 28. constituído para orientar a execução. Substituição de característica do objeto do contrato para fornecimento de cofres e fechaduras por modelo comprovadamente mais barato. firmado com a empresa FORTEX Comercial Ltda. firmados com a empresa COMAM e com a FORTEX. . 19. 29.328/2002 e nº 11. Ineficiência na gestão do Contrato. 21. no Edital. 17. Processamento de licitação gerando diversas irregularidades: cerceamento ao caráter competitivo. em tempo hábil. Ineficiência na gestão do Contrato nº 11. 31. de critérios objetivos para verificação da adequação da “estrutura de produção” da licitante vencedora. Tramitação de decisão pelo pagamento de serviços de assistência técnica. Relatório Parcial nº 13 – Caminhões 30. Ausência. 27. ocasionando perda de desconto no montante de R$612. Relatório Parcial nº 14 – Veículos Leves e Furgões 32. Restrição ao caráter competitivo da licitação por exigências injustificadas e inadequadas de dimensões mínimas do compartimento de carga. pela não realização.959. Estimativa de preços inadequada e ausência de verificação da conformação do preço dos objetos licitados com o preço corrente de mercado. por força dos contratos nº 11. sob a argumentação da contratada de que estão fora da garantia. Tramitação de decisão pelo pagamento de visitas técnicas ocorridas. como manifesta renúncia ao exercício de direito da contratante. Inexistência de registros das avaliações e orientações levadas a efeito pelo Grupo de Trabalho. beneficiando um único licitante – Pregões 029/2004 e 063/2004. Prorrogação contratual além do prazo previsto no termo e assinatura extemporânea. 16. Inobservância por parte da Administração de cláusula do Contrato n° 11. por exigência de apresentação de amostra de tênis para carteiros em prazos inexeqüíveis para sua confecção. Inobservância da normatização interna dos procedimentos referentes à operacionalização dos cofres. Restrição ao caráter competitivo. no período de garantia. respectivamente.329/2002. 18.328/2002-COMAM. manifestada pela morosidade na aplicação das multas por atraso na entrega dos cofres. dos contratos de Segurança Patrimonial. Relatório Parcial nº 10 – Locação de Notebooks 25. tratamento não isonômico às proponentes e adjudicação indevida de objeto. Ausência de orçamento detalhado em planilhas. Resposta intempestiva a questionamento de licitante e exigência de carta de solidariedade. dentre outras atribuições. nos termos da Portaria n° PRT/DIRAD-005/2003 e CI/GT-005/DIRAD001/2003-CIRCULAR. 20. de treinamentos. resultando em ônus adicional de R$78. 22.15 (setenta e oito mil novecentos e cinqüenta e nove reais e quinze centavos). 26. referente a multas compensatórias.00. 23.

c) Restrição da concorrência h) Contratos com preços majorados i) Concessão de reequilíbrio ou reajuste ao contrato sem embasamento jurídico. Aplicação de penalidades contratuais intempestivamente. ensejando recebimento de veículos em desacordo as condições contratadas. 2. Relatório Parcial nº 16 – Caixetas 36.105/2004 (FIAT). 37. vez que não constou tal exigência no Edital de Licitação. que apresentou o menor preço. Ineficiência na fiscalização do contrato. 4. 41. TRANSPORTES Relatório Parcial nº 02 – RPN – Reequilíbrio Econômico.687. Desclassificação precipitada de empresa licitante. manifestada pela inércia da ECT em garantir a execução da manutenção preventiva prevista contratualmente. Ausência de aplicação de penalidade de multa no valor de R$ 1. Impossibilidade de mensuração do valor pago indevidamente pelo serviço de manutenção preventiva. por não possuir os moldes de injeção. requisito técnico de balança.56 por atraso na manutenção corretiva. Superestimativa do valor de referência.10 pelo não desenvolvimento e manutenção de banco de dados. Equipamentos comprados há 3 anos por R$10. 50.868. j) Suspeita de . Inobservância de cláusulas contratuais relativas aos contratos 13.191. por Sistema de Produção.046. Desconformidades na contratação de serviço de consultoria. Descumprimento do princípio da vinculação ao instrumento convocatório ao alterar.888.768. legal ou econômico.97. Relatório Parcial nº 29 – Aquisição de Equipamentos – Projetos Corporativos 40. 46. 45.10 pelo não cumprimento do serviço de manutenção preventiva previsto contratualmente. Inobservância de preceito legal quanto às formalidades na manutenção dos registros do processo licitatório. desmotivadamente. prestados por consultor (pessoa física). 49. 42.286. não constante do edital. sendo que o equipamento entregue em decorrência desta alteração não é aprovado pelo INMETRO. Ausência de aplicação de penalidade de multa no valor de R$ 1.00 sem uso por falta de integração com sistema de automação. Inobservância de preceito legal quanto à não identificação e elaboração de orçamento detalhado de serviços a serem licitados. 51. Morosidade na tomada de decisão quanto à supressão da Linha BA02 (Petrolina/Salvador/Petrolina).financeiro 1. Falta de justificativa consistente para as variações de quantidades da carga contratada.148/2004 (FIAT). Desclassificação precipitada de empresa licitante. Falta de justificativa consistente para as variações de preço por quilograma contratado. 39. 43.147/2004 (VOLKSWAGEN) e 13. 35.34. 44.888. Ausência de estudo técnico que justifique a supressão do valor do contrato. 47. 3. Concessão indevida de reequilíbrio econômico financeiro no valor de R$ 5. 48.18 por atraso na manutenção corretiva de equipamentos.517. Falta da verificação de que os preços das propostas de todos os objetos licitados estavam de acordo com os de mercado. Ausência de aplicação de penalidade de multa no valor de R$ 22.191. em decorrência da indefinição da área técnica da ECT. 13. 38. Morosidade na aplicação de penalidade de multa no valor de R$ 137. além de conflito de informação relacionado ao procedimento de pagamento.407. na Rede Postal Aérea Noturna – RPN.

7. Majoração de preços desproporcional ao período decorrido entre as estimativas elaboradas pela ECT para as obras do Centro Cultural de São Paulo e do CTCE de Aparecida de Goiânia. Realização de Aditivos Contratuais celebrados após o prazo de vigência contratual haver expirado. (Contrato nº 13. para conclusão da Reforma do Centro Cultural/AC Central de São Paulo. h) Contratos com preços majorados i) Concessão de reequilíbrio ou reajuste ao contrato sem embasamento jurídico. 6. em razão de não aplicação de penalidades.247/2002) 4. majorando-se o valor contratual em R$9. Rescisão consensual da obra efetuada em condições favoráveis à empresa contratada. Reprogramação do cronograma físico-financeiro acima dos prazos concedidos em aditivo.5. Incoerência das justificativas apresentadas pelo DEINF/ECT para aprovação de acréscimos de serviços ao Orçamento Base. elaborada pela ECT. (Contrato nº 11. Mau dimensionamento da capacidade de carga contratada e não adoção de medidas corretivas. nos contratos da Rede Postal Aérea Noturna – RPN. (Contrato nº 13. diversos contratos e processos negociados com “vantagens ilícitas” l) Direcionamento de empresas b) Retardamento ou não aplicação de penalidade por atrasos de entrega e/ou descumprimento contratual. em 2004. Estabelecimento de novo orçamento para serviços remanescentes ao Contrato 005/2001. 9. (Contrato nº 11. legal ou econômico. Indícios de combinação de preços e frustração do caráter competitivo do certame.2 milhões. por ocasião de celebração de acordo judicial para retomada da obra. Falta de transparência e objetividade nos critérios e métodos adotados para concessão de reequilíbrios econômico-financeiros. Relatório Parcial nº 21 – RPN – Consolidado 7. em relação ao valor original atualizado pelo INCC. 13. Elevação injustificada de preços contratados (superfaturamento). Pagamentos de serviços para elaboração de projetos.026/2004).026/2004) 5. (Contrato nº 11. ensejando na não aplicação de multas. 14. j) Suspeita de diversos contratos e processos negociados com “vantagens ilícitas” . 16. Divergências entre os Atestados de Capacidade Técnica emitidos pela ECT para a Construtora Atlanta Ltda.026/2004) 6. Super dimensionamento de serviços na planilha licitada. (Contrato nº 13. (Contrato nº 13. Concessão de aditamentos contratuais com prorrogação de prazo. vencedora do certame licitatório. Duplicidade de serviços previstos na planilha orçamentária. cujo montante está acima do percentual praticado no mercado. na forma de restabelecimento do equilíbrio econômico-financeiro. Relatório Parcial nº 12 – Obra Centro Cultural São Paulo 2. Pagamento de serviços do Aditivo com sobrepreço. de 24/03/2004. Concessão indevida de aditivo (Quarto Termo Aditivo.026/2004) 10.247/2002) 3. 8. no período de 2000 a 2005. Celebração de termos aditivos após o prazo de vigência contratual. Relatório Parcial nº 18 – Obra no CTC Saúde 12.. valor: R$969.257. Aprovação de Aditivo com aumento no preço unitário de serviços já previstos no contrato inicial.247/2002) 9. OBRAS Relatório Parcial nº 04 – Obra COA Santa Catarina 1. Concessão indevida de recomposição de preços para restabelecer o equilíbrio econômico-financeiro de contratos. Pagamento de serviços sem comprovação pela construtora. Relatório Parcial nº 19 – Obra no CTC Santo Amaro 15. 8. Relatório Parcial nº 17 – Obras no CTCE Campinas 11. de 29/10/2002.59) ao Contrato nº 080/2002 ASJUR/DR/SPI.

28. (Contrato nº 095/2001). 8. Relatório Parcial nº 08 – Correio Híbrido Postal b) Retardamento ou não aplicação de penalidade por atrasos de entrega e/ou descumprimento contratual. Omissão na aplicação de multa por descumprimento de cláusula contratual. Relatório Parcial nº 22 – Reforma da UNICO 19. Ausência de aplicação de multas contratuais no valor de R$44. com valor de R$ 408. 20. c) Restrição da concorrência h) Contratos com preços majorados j) Suspeita de diversos contratos e processos negociados com “vantagens ilícitas” .32. dois meses após. (Contrato nº 095/2001).06 superior ao apurado. gerando pagamento indevido de custos fixos administrativos para a contratada. 2. Reprogramação do cronograma físico-financeiro acima dos prazos concedidos em aditivo. Ausência de justificativas para a contratação do Consórcio Alpha ECT 042. efetuada em condições favoráveis à empresa. ensejando a aplicação de multas. 27. Ausência de prévia análise dos autos da Dispensa de Licitação nº 074/2005. por dispensa de licitação em detrimento de outras possíveis empresas interessadas. Morosidade na tramitação de processo licitatório (Concorrência nº 13/2004) ocasionando contratação por dispensa de licitação (DL nº 074/2005). Alteração no cronograma físico-financeiro da obra sem respaldo contratual. em razão de não aplicação de penalidades. Ausência de comprovação de regularidade fiscal. por atraso na entrega final da obra. em caráter emergencial (inciso IV. Ausência de aplicação de multas contratuais. 23. 18.666/93). 5. 21.em decorrência de chuvas. 6. consistindo na inobservância de prazos para atendimento. Desconsideração dos valores devidos pela construtora quando da rescisão contratual. INFORMÁTICA Relatório Parcial nº 05 – Manutenção de Equipamento Banco Postal 1. 26. 7. por atraso na entrega da obra. 38 da Lei nº 8. por parte de unidade de assessoramento jurídico da ECT. superiores ao prazo de paralisação dos trabalhos verificados no Diário de Obra. solicitado pela empresa. Rescisão consensual do Contrato. 17. (Contrato nº 148/2002) Relatório Parcial nº 24 – Obra São José dos Campos 25.348. Reprogramação do cronograma físico-financeiro acima dos prazos concedidos em aditivo. Aprovação do pedido de alteração no cronograma físico-financeiro. na Concorrência nº 13/2004. 3. 4. formado por duas empresas. do art. Não aplicação da multa devida por descumprimento do cronograma físico-financeiro.666/93. 24. Fragilidade na fixação do preço de referência que norteou tanto a concorrência quanto a dispensa de licitação. Super dimensionamento de serviços na planilha licitada. Relatório Parcial nº 23 – Obra TECA Salvador 22. ensejando a não aplicação de multas. Pagamento de equipamento (elevador) não fornecido pela Construtora. devidamente comunicados pelo Departamento de Manutenção – DEMAN. sem a devida motivação para o atendimento desse pleito. em desacordo com o disposto no parágrafo único do art.224. quanto à rescisão do contrato. previsto no contrato celebrado. 24 da Lei nº 8. que foram calculadas por valores inferiores ao devido. Morosidade nas decisões da Administração da ECT. Ausência de comprovação de retenção de seguro-garantia na dispensa de licitação. Ausência nos autos do processo de publicação da dispensa na imprensa oficial dentro do prazo estipulado em Lei.

3. Alteração de Peso de Critério de Julgamento das Propostas Técnicas. PUBLICIDADE E Relatório Parcial nº 20 – Publicidade e Propaganda PROPAGANDA 1. indícios de sobrepreço. de 400. Extensão das atividades financeiras postais a agências terceirizadas em desacordo com condições previamente estabelecidas. c) Restrição da concorrência h) Contratos com preços majorados j) Suspeita de diversos contratos e processos negociados com “vantagens ilícitas” l) Direcionamento de empresas . Inconsistência entre o primeiro e o segundo estudos de viabilidade econômico-financeira. 5. de pelo menos R$2. 9. de 24/09/2001. Alteração de exigência editalícia. 16. contrariando normativo da SECOM. Superfaturamento na aquisição de material promocional (bandeiras) e material gráfico (manuais e cartilhas). 10. Divergência entre a despesa autorizada e a realizada. Indicativo de fraude na elaboração de propostas para cotação de preços. Favorecimento à determinada empresa 12.000.77%. Alteração injustificada dos percentuais e das bases de cálculo de multas da primeira para a última versão do Edital. 4. na aquisição de material promocional. na contratação de serviços de recepcionistas para estande promocional e na de serviço de alimentação oferecido durante o evento de inauguração do CD Oeste. Ausência de realização de audiência pública. 6. Sobrepreço na contratação de serviços gráficos. ocasionando possível favorecimento a licitantes. Ocorrência de variação injustificada. Inconsistências contábeis na alocação das despesas publicitárias em 2004. Inexistência de aprovação da SECOM para a prorrogação dos contratos de Publicidade. 13. em desacordo com a Resolução do Conselho Monetário Nacional nº 2.000. Fonte: Relatórios de Auditoria da CGU. a maior. Relatório Parcial nº 15 – Microcomputadores 14. no valor contratado. 2. Exigência de atestado de capacidade técnica de forma restritiva ao caráter competitivo do certame. Avaliação das Propostas Técnicas subjetiva e pouco transparentes. em relação ao estimado. necessária em razão do valor da contratação. 13. e descumprimento de cláusula contratual. 10. Comissão Especial de Licitação constituída posteriormente à publicação do Edital e à fase de habilitação dos licitantes. 11.00. 15. evidenciando a não realização das etapas previstas para o processo de prorrogação dos contratos. 7. 12. Alteração dos termos do Contrato nº 10. Aprovação da SECOM nas Planilhas de Ações de Divulgação posterior ao atesto do recebimento do serviço executado. Contratos com objeto múltiplo geraram dispêndios financeiros adicionais. Descumprimento de cláusula contratual por subcontratação de empresas irregulares junto à Fazenda Pública.707/2000 e Parecer Jurídico da ECT. 8. Pesquisa de preços insuficiente para definição do valor de referência do Projeto. Inconsistência das datas dos documentos.805/2001. 11.9. 14. mediante o 1º Termo Aditivo. com pagamento de honorários de intermediação desnecessária. Morosidade na cobrança de multa da contratada por parte do DECAM Relatório Parcial nº 28 – Banco Postal 15.

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