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Introdução à Engenharia dos Materiais

Resenha 1 – Cap. 1 (Engenharia e Ciência dos Materiais)

A Ciência e a Engenharia do Materiais são áreas do conhecimento intimamente


interligadas. Enquanto a ciência investiga as relações entre a estrutura e propriedades dos
materiais, a engenharia utiliza dessas relações para projetar ou desenvolver técnicas de
processamento de materiais.

A estrutura de um material é associada ao arranjo dos componentes do material em


estudo e pode ser analisada em diferentes escalas: subatômica, atômica, nanoestrutura,
microestrutura e macroestrutura.

Já a propriedade é uma característica do material em termos do tipo e intensidade da


resposta a um estímulo que é imposto ao material. As principais propriedades dos materiais e
seus respectivos estímulos são descritos a seguir:

 Mecânica: relacionam deformação a uma carga ou força aplicada; exemplos incluem


módulo elástico e resistência mecânica;
 Elétrica: tais como condutividade elétrica e constante dielétrica, o estímulo é um
campo elétrico;
 Térmica: representado em termos de capacidade calorífica e condutividade térmica;
 Magnética: demonstram a resposta de um material à aplicação de um campo
magnético;
 Ótica: tais como índice de refração e refletividade; e o estímulo é eletromagnético ou
radiação de luz;
 Deteriorativa: indicam a reatividade química de materiais.

Uma engrenagem de transmissão, uma superestrutura para um prédio, um


componente para uma refinaria de óleo são exemplos de projetos que podem expor cientistas
aplicados ou engenheiros à problemas envolvendo materiais. Frequentemente, esses
problemas envolvem a seleção do material correto dentre milhares que são disponíveis. Essa
decisão é normalmente baseada em diversos critérios e raramente um material terá uma
combinação perfeita de propriedades. Em tais casos, um compromisso razoável entre duas ou
mais propriedades pode ser necessária.

Inicialmente, é importante analisar e caracterizar as condições de serviço, já que estas


ditarão as propriedades requeridas do material. Uma segunda consideração de seleção é
qualquer deterioração de propriedades de materiais que pode ocorrer durante operação em
serviço. Por exemplo, significativas reduções em resistência mecânica podem resultar da
exposição a temperaturas elevadas ou ambientes corrosivos. Finalmente, é necessário analisar
o lado econômico já que o custo do material afeta diretamente o custo do produto acabado.
Encontrar um material que tenha a combinação ideal de propriedades e seja extremamente
caro pode inviabilizar um projeto.

Quanto maior for a familiaridade de um engenheiro ou cientista com as várias


características e correlações estrutura-propriedade, bem como técnicas de processamento de
materiais, mais eficiente e confiável ele será para fazer melhores escolhas de materiais
baseadas nestes critérios.

Os materiais têm sido convenientemente agrupados nas seguintes classificações:


 Metais
o Composição: combinação de elementos metálicos;
o Grande número de elétrons livres;
o Muitas propriedades estão relacionadas a esses elétrons;
o Propriedades gerais: resistência mecânica de moderada a alta,
moderada plasticidade, alta tenacidade, opacos, bons condutores
elétricos e térmicos.
 Cerâmicas
o Composição: combinação de elementos metálicos e não metálicos;
o Tipos de materiais: cerâmicas tradicionais, cerâmicas de alto
desempenho, vidros, vitro-cerâmicas e cimentos.
o Propriedades gerais: Isolantes térmicos e elétricos, refratários, inércia
química, corpos duros e frágeis.
 Polímeros
o Composição: compostos orgânicos (carbono, hidrogênio, oxigênio,
nitrogênio, enxofre...);
o Compostos de massas moleculares muito grandes (macro-moléculas);
o Propriedades gerais: baixa densidade, flexibilidade e facilidade de
conformação, tenacidade.
 Compósitos
o Composição: constituído por mais de um tipo de material;
o Projetados para apresentar as melhores características de cada um dos
materiais envolvidos;
 Semicondutores
o Propriedades elétricas: intermediárias entre os condutores elétricos e
os isolantes;
o Tem seu comportamento elétrico ditado pela presença de impurezas
em sua composição;
o contêm características elétricas especiais que os tornam úteis em
diversas aplicações.

É certo que avanços futuros na tecnologia dependerão mais do que nunca da


descoberta e do desenvolvimento de materiais mais sofisticados e especializados, com
propriedades novas e valiosas.

Um bom primeiro exemplo é a necessidade de encontrar novas e econômicas fontes


de energia, bem como usar as fontes atuais de forma mais eficiente. As células solares, por
exemplo, que convertem diretamente a energia solar em energia elétrica ainda emprega
materiais caros e complexos. Sendo assim, a viabilidade dessa tecnologia depende do
desenvolvimento de materiais altamente eficientes e menos custosos.

A energia nuclear com toda certeza necessitará de avanços no desenvolvimento de


materiais que solucionem problemas ainda remanescentes no setor. Outro exemplo, envolve a
qualidade ambiental e os materiais que contribuem para técnicas de controle da poluição e
degradação ambiental.

Na área do transporte, novos materiais estruturais de alta resistência e baixa


densidade remanescem para ser desenvolvidos, bem como materiais que têm maiores
capacidades de temperatura para uso em componentes de motores.
Por último, mas de extrema importância, a utilização de materiais derivados de
recursos não renováveis constitui um desafio para a ciência e engenharia dos materiais,
implicando na necessidade de descobrir reservas adicionais desses recursos ou,
principalmente, no desenvolvimento de novos materiais tendo propriedades comparáveis e
impacto ambiental menos adverso.

Em suma, percebe-se que a ciência e engenharia dos materiais são campos


interdisciplinares e bem abrangentes, além de ser de duma importância já que muitos dos
problemas enfrentados atualmente são devido às limitações dos materiais que estão
disponíveis no momento, logo, avanços nessas áreas certamente terão impactos significativos
sobre o futuro da sociedade.