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Educação Infantil - Material do Educador

Era uma vez


~
as emocoes
,
Consciência, Regulação e Autoestima

Unidade 3
Autoestima

Roteiro de Atividades de Educação


Emocional e Social para crianças de 3 a 6 anos

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--
Unidade 3 – Autoestima
-- Sumário
03
Semanas 22 e 23 – Desenvolvimento da responsabilidade 04
Aula Inaugural – Fazendo a horta 04
Atividades Complementares 05

Semanas 24 e 25 – Desenvolvimento da Identidade Pessoal 05


Aula Inaugural – O Significado do Meu Nome 05
Atividades Complementares 06

Semanas 26 e 27 – O Autoconhecimento 07
Aula Inaugural – Aprendendo a gostar de si mesmo 07
Atividade Complementar 08
Observando minhas qualidades 08

Semanas 28 e 29 – A Autoconsciência 09
Aula Inaugural – Como os outros me veem 09
Atividades Complementares 10

Semanas 30 e 31 – O Protagonismo 11
Aula Inaugural – Sou o protagonista 11
Atividades Complementares 12

Anexo 13
Anexo 4 - Textos para Quietude e Atenção 14

Referências Bibliográficas 16

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Unidade 3
Autoestima
Introdução à Autonomia Emocional
Nas duas primeiras unidades trabalhamos a Consciência e a Regulação Emocional, como reconhecer
e nomear as emoções em si e nos outros e aprender a lidar com nossos sentimentos. Na unidade 3 –
Autoestima, veremos o terceiro passo, o autoconhecimento.

O ser humano é unidade enquanto espécie e diversidade enquanto indivíduo, (MORIN, 1997). Nós temos
uma história biológica e hereditária e uma história cultural na convivência com a família e o grupo
social, que nos fazem ser diferentes uns dos outros. O aspecto físico, o comportamento, as capacidades
divergem de pessoa para pessoa. Sendo assim, podemos dizer que somos únicos e temos estrutura de
compreensão únicas e, portanto, cada indivíduo pode sentir uma emoção diferente diante da mesma
situação.

No processo de autoconhecimento, de descoberta de quem somos, o papel das pessoas que estão ao
nosso lado (familiares, professores, amigos etc.) é de extrema importância. São eles que nos ajudam a
construir nossa identidade pessoal e social. Ou seja, a forma como eles nos veem, o que esperam de nós,
como se sentem a nosso respeito, como interagem conosco contribuem para formar a construção de
nossa identidade pessoal.

O meu autoconceito (imagem física e mental que concebo sobre mim) contribui para a construção da
autoestima, que possui dois componentes: o sentimento de competência pessoal e o sentimento de valor
pessoal.

“Em outras palavras, a autoestima é a soma da autoconfiança


com o autorrespeito. Ela reflete o julgamento implícito da nossa
capacidade de lidar com os desafios da vida (entender e dominar os
problemas) e o direito de ser feliz (respeitar e defender os próprios
interesses e necessidades)”. NATHANIEL BRANDEN, 1998.

No processo de desenvolvimento da autoestima, o desafio está em aprendermos a aceitar e valorizar


nossas oportunidades de melhoria, sem deixar de sentir grande consideração por nós mesmos e, ainda,
defender nossas necessidades.

A melhor forma de desenvolver a autoestima nas crianças é ensinando-as desde cedo a reconhecer suas
características físicas e pessoais, suas qualidades e também suas oportunidades de melhoria. Para isso,
é importante ter o envolvimento de pessoas da família em algumas das atividades desta unidade, pois,
juntamente com você, educador, elas são referências para as crianças.

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Semanas 22 e 23 Aula Inaugural
Desenvolvimento da
Responsabilidade
Fazendo a horta

• Aumentar a responsabilidade por meio do cuidado com


uma horta;

• Desenvolver a tolerância;
• Gerar automotivação para o alcance de metas.

Horta - Manual para escola. Projeto “A escola promovendo


hábitos saudáveis".
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/horta.pdf
Shuttrerstock

• Convide os alunos a construírem uma horta para uso de todos na escola. Para isso, siga as orientações do
Manual para escola, Projeto “A escola promovendo hábitos saudáveis". Nele você encontra todas as orientações
necessárias;

• Faça um Grupo de Diálogo para decidir, juntamente com os alunos, quais verduras serão plantadas a partir de
uma seleção previamente feita sobre o que é possível cultivar na escola;

• Se possível, aproveite o momento para apresentar às crianças o ciclo de desenvolvimento de algumas plantas;
• Decidido o que será plantado, faça a horta com as crianças;
• Finalizada a horta, faça uma lista de tarefas necessárias para mantê-la saudável, como regar, adubar, podar etc.;
• Explique para as crianças que não podemos nos esquecer de fazer as tarefas listadas, para assim vermos as
sementes plantadas virarem verduras e em seguida comê-las;
• Mantenha a motivação e o interesse das crianças para a realização de todas as tarefas de manutenção da horta.
Às vezes, pode haver um pouco de desmotivação e pouca tolerância por parte das crianças, já que o nascimento
das plantas não será instantâneo. Aproveite estes momentos de frustração para explicar que algumas coisas que
queremos não acontecem ou vêm rápido. Precisamos esperar um pouco e cuidar com carinho, como a horta;
• DICA: A horta pode ser um projeto da escola toda.
• Cada sala pode ficar responsável por plantar uma verdura diferente;
• Pode haver um rodízio de salas para os cuidados de manutenção da horta;
• As turmas de alunos de 5 anos podem ajudar as turmas de crianças de 3 a 4 anos nos cuidados com a horta.
Esta é uma ótima forma de desenvolvimento de responsabilidades.

Ao longo do ano, continue os cuidados e a manutenção. Quando a horta der os primeiros alimentos, faça
uma refeição festiva com os alunos.

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Semanas 24 e 25 Aula Inaugural
Desenvolvimento da O Significado do Meu Nome
Identidade Pessoal

• Identificar-se com o nome e com o que ele representa;


• Desenvolver a identidade pessoal.

• Dicionário de nomes ou computador com acesso à


internet;
• Folhas de papel;
• Lápis de cor, giz de cera, canetinha etc.
Shuttrerstock

• Explique para as crianças a importância de nosso nome. Diga que com ele somos únicos, que podemos
mostrar aos outros quem somos e conseguimos nos reconhecer quando alguém nos chama. Ao explicar a
importância do nome às crianças, lembre-se que ele representa a primeira marca do indivíduo e é fonte de
grande satisfação para as crianças, satisfação que deve ser cultivada em um processo de desenvolvimento da
autoestima;

• Escreva um bilhete para os pais e/ou responsáveis pedindo que eles contem a história de escolha do nome de
seus filhos: por que escolheram aquele nome, o significado, se tem alguém na família com o nome semelhante
etc. Deixe que as crianças decorem este bilhete com desenhos para que façam parte do processo. Estipule um
prazo para entrega da história do nome das crianças pelas famílias;
• Recebidas as histórias dos nomes, prepare um momento especial para ler o significado e história do nome de
cada coleguinha para a turma. Antes de começar a ler, abra espaço para que as crianças digam se elas sabem
como seu nome foi escolhido e por que. É importante envolvê-las no processo durante todo momento;

• Após a leitura da história do nome, pergunte se a criança já conhecia aquela história e o que achou ao saber o
porquê do seu nome ter sido escolhido;

• Convide toda a turma a fazer um desenho que represente a história de seu nome.

Sugestão:
Caso os familiares tenham dificuldade na escrita, converse pessoalmente com eles, explicando a atividade que
será feita. Pergunte e anote por que aquele nome foi escolhido para a criança. Esta é uma forma de envolver a
famílias e não deixar a criança sem a história de seu nome.

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• Pendure as folhas que os alunos fizeram com seu nome, significado e desenho em um barbante, formando um
“varal de exposições”;

• Convide as outras salas de aula da escola para visitarem a exposição. Durante as visitas, oriente que as crianças
apresentem seus desenhos e expliquem o significado de seus nomes para as outras turmas. Esta é uma forma de
empoderá-las e de fortalecer a identidade pessoal de cada um, alicerces para a construção da autoestima.

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Semanas 26 e 27 Aula Inaugural
O Autoconhecimento Aprendendo a gostar de si mesmo

• Fazer com que as crianças compreendam a importância


do autoconhecimento;

• Proporcionar reflexões para que a crianças, por meio da


história da Leoparda Lili, identifiquem suas qualidades.

• História da Leoparda Lili (disponível no Anexo 4).

Shuttrerstock

• Com as crianças sentadas em círculo, leia a história da Leoparda Lili de forma envolvente e divertida.
Aproveite alguns elementos já utilizados anteriormente, como o fantoche de meia, ou conte a história com as
mãos coloridas. Você também pode produzir alguns cartões com cenas da história;
• Após a história, apresente ilustrações de Lili em diversas situações. Sugira desenhos que enfatizem as emoções:
• Lili triste por não ser aceita pelos outros leopardos;
• Lili alegre brincando com as outras leopardas de manchas coloridas.
• Para ajudar os alunos a compreenderem a história, proponha um círculo de conversa com as seguintes
perguntas:
• Por que Lili estava triste?
• Por que ela fugiu?
• O que ela viu quando acordou de seu cochilo?
• Ela ficou surpresa ao ver uma leoparda de manchas verdes?
• Que qualidades Lili conseguiu listar sobre si mesma? (generosa, cuidadosa, amiga, amável, corajosa, forte.
O significado de qualidades é ilustrado na história, porém é importante se certificar de que as crianças o
compreendam. De forma simples o conceito pode ser apresentado às crianças como sendo aquilo que elas
fazem bem e o que os outros gostam nelas próprias.);
• Ela ficou feliz ao descobrir estas qualidades?
• E para vocês, quais são as suas qualidades?
• Como você se sente quando pensa em suas qualidades?

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• Educador, algumas crianças podem ter dificuldade em identificar suas qualidades. Por isso, é muito importante
que você esteja atento para ajudá-las, de forma construtiva a encontrar suas habilidades e características
especiais, que as fazem únicas;
• É importante que você anote as qualidades que cada criança identificou em si. Assim será mais fácil ajudá-las
a se lembrar do que fazem de bom no dia a dia;
• Paraas crianças menores, divida esta atividade em duas ou três aulas. Desta forma, eles podem ir
compreendendo a importância de identificarmos nossas qualidades aos poucos.

Até a próxima semana, mantenha viva a história de Lili com dramatizações, pinturas, desenhos etc.

Observando minhas qualidades

• A partir das qualidades que cada criança listou sobre si, organize uma rotina de atividades diárias, na qual, a
cada dia, uma criança terá a oportunidade de colocar sua qualidade a serviço da turma. Por exemplo:
• Ana colocou que sua qualidade é gostar de ajudar as pessoas. Promova o dia em que Ana ajudará a todos da
escola que precisarem de apoio para realizar uma tarefa, como ajudar a responsável pela cozinha a servir o
lanche, a professora na sala de aula, os colegas em alguma atividade etc.

• Mostre para as crianças que colocar nossas qualidades a serviço dos outros é uma forma de nos sentirmos
felizes. Assim, todas as vezes que estivermos sentindo emoções desconfortáveis, basta oferecermos aquilo que
fazemos de melhor aos demais. Isso se chama solidariedade.

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Semanas 28 e 29 Aula Inaugural
A Autoconsciência Como os outros me veem

• Desenvolver a autoconsciência por meio do desenho


do corpo das crianças em papel pardo;
• Elaborar uma imagem positiva de si mesmo, por meio
dos elogios feitos pelos colegas a cada um dos alunos;

• Praticar o elogio.

• Rolo de papel pardo;


• Lápis de cor, giz de cera, canetinha etc.
Shuttrerstock

• Explique para as crianças o que é um elogio. Comece com os elogios de aspectos concretos, físicos do corpo,
como olhos e boca, e a beleza. Depois, ensine-os a elogiar as características pessoais.
• Sugestão: “Elogio é quando falamos para os outros coisas que gostamos neles. Por exemplo, Pedro sempre
chega sorridente. Eu gosto do nariz da Maria, para mim é muito bonito. Alice, você é amiga de todos. Bruno
ajuda a todos que precisam”. (Prossiga fazendo um elogio a cada um de seus alunos para exemplificar.
É importante dar mais preferência às qualidades de personalidade que aos atributos físicos).

• Explicado o elogio, sorteie um aluno da sala e faça o Exercício do Elogio com esta criança:
• Coloque todos sentados em círculo e dê algo para a criança sorteada segurar, pode ser um urso de pelúcia,
um brinquedo, ou algo que a diferencie para sinalizar que ela será a elogiada;

• Explique para as crianças o que significa estar com aquele brinquedo na mão: “A Maria está com o ursinho.
Todo mundo que segurar o ursinho tem que receber um elogio de todos os amigos”;

• Convide cada um dos alunos, um por vez, para fazer um elogio a quem está segurando o ursinho;
• Ajude as crianças que tiverem dificuldade em fazer o elogio;
• Anote os elogios que a criança receber;
• Para acalmar a vontade de todos de segurarem o brinquedo e receberem um elogio, explique que cada dia
será a vez de um segurar o ursinho do elogio e que, assim como o colega, todos serão elogiados nos outros
dias.

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• Para que a criança elogiada possa guardar os elogios recebidos, faça a segunda etapa desta atividade:
• Desenhe o contorno do corpo da criança elogiada em uma folha de papel pardo;
• Peça para que as crianças da sala pintem o lugar do corpo do amigo que foi elogiado, se possível no local
correspondente, ou seja, se elogiaram os olhos, pintem os olhos, já que crianças pequenas que ainda estão
desenvolvendo uma imagem corporal podem fazer uma boca no lugar da barriga, por exemplo;

• Escreva o elogio feito ao lado dos desenhos, assim as crianças se lembrarão dos elogios recebidos no futuro;
• Juntamente com os alunos, entregue o desenho à criança elogiada. Faça-o de forma festiva, marcando a
importância que se tem elogiar, diga que é como dar um presente a alguém;
• Ao entregar o desenho, relembre os elogios feitos, dizendo: “Olha, Maria, seus amigos acham você bonita,
disseram que você tem os olhos lindos...”;

• Deixe que a criança leve o presente para a casa para mostrar aos pais. É importante contextualizar pais
sobre o que foi a atividade. Se possível, vale uma oficina na escola, reproduzindo a mesma atividade com
a família.

• Até a próxima semana, repita a atividade com as outras crianças, assim todos poderão receber e fazer elogios e
ter o desenho coletivo como presente para se lembrar deste momento.

catraquinha www.catacralivre.com.br

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Semanas 30 e 31 Aula Inaugural
O Protagonismo Sou o protagonista

• Expressar as qualidades positivas e as oportunidades


de melhoria da criança protagonista com a ajuda da
família;

• Valorizar as qualidades e considerar os aspectos


necessários a serem transformados para garantir
melhor qualidade de vida;
• Auxiliar o desenvolvimento da autoconsciência nas
crianças por meio do levantamento de suas qualidades
e oportunidades de melhoria.

Foto: Rubens Guerra

• Carta dos pais para o protagonista;


• Fotografia de cada uma das crianças;
• Álbum de fotos da família.

• Explique para os alunos que, a partir daquela aula, a cada semana, será sorteado um aluno para ser o
protagonista da semana. Explique para a turma o que é ser um protagonista;

• Diga que o protagonista receberá uma carta especial contando sobre as curiosidades de sua vida e sobre
suas qualidades. Diga também que durante a semana ele poderá oferecer para sua turma suas brincadeiras
favoritas;

• Cartas e Fotografias: Nesta etapa, contaremos com o apoio da família. Esta é uma forma de envolvê-la no
processo de Educação Emocional e Social dos filhos. Os familiares/pais/responsáveis devem seguir os pontos
abaixo:

• Escrever uma carta para a criança dizendo tudo o que mais gosta nela e algumas atitudes que gostaria que
mudasse. Assegure que a carta contenha mais elogios que oportunidades de melhoria, garantindo, assim,
que ela contribua para o fortalecimento da autoestima da criança. É importante que a carta seja entregue
dois dias antes da aula em que será lida . Também é importante ocultar da carta dos pais situações que
deixam as crianças desconfortáveis perante os colegas, como fazer xixi na cama ou na calça;

• Enviar um álbum de fotografias da criança ou pelo menos alguma foto;


• Se possível, é desejável que os pais participem de uma aula. Pode ser a aula em que for lida a carta que
escreveram para o filho;

• Se os pais e/ou familiares, por algum motivo, não escreverem a carta, você deve escrevê-la no lugar. O
importante é que nenhuma criança fique sem uma cartinha.

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• Finalize a leitura da cartinha falando para as crianças o quanto é importante ouvir de pessoas especiais, como
seus pais ou responsáveis, o que gostam em nós. Isto nos faz felizes, nos deixa fortes, com coragem para fazer
várias coisas. Também é importante poder contar com aqueles que nos amam para nos ajudar a melhorar
sempre, a ser uma pessoa melhor e mais feliz.

• Para cada dia da semana, organize uma atividade a ser escolhida pelo protagonista para realizar com a turma.
Por exemplo:
• Segunda-feira: escolher um livro na biblioteca para o educador contar a história à sua turma;
• Terça-feira: escolher um brinquedo para todos brincarem juntos;
• Quarta-feira: cantar sua canção favorita com seus colegas;
• Quinta-feira: mostrar seu álbum de fotografias;
• Sexta-feira: ler a carta que os pais/responsáveis escreveram.
• Na sexta-feira, último dia em que a criança sorteada será a protagonista, faça um círculo de conversa com a
turma sobre os seguintes pontos:

• Como você se sentiu esses dias em que foi o protagonista?


• O que você gostou? O que não gostou?
E a turma, o que mais gostou nesta semana em que o__________ foi o protagonista?

• Também na sexta-feira, sorteie outra criança para ser a protagonista da semana seguinte.

Sugestão:
Antes de começar esta atividade, faça uma reunião com os pais e/ou responsáveis para contextualizar o que será
feito e envolvê-los no processo desde o início, assegurando assim que os objetivos da atividade sejam assegurados.

Nas próximas semanas, repita a atividade até que todas as crianças da turma tenham sido protagonistas.

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-- Anexo
--

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Anexo 4

Lili, a leoparda 2
A luz do amor
A leoparda Lili achava que havia algo muito errado com ela. Diferente de todos os outros leopardos,
suas manchas não eram da cor preta, mas cor-de-rosa. Isso não seria tão ruim se os outros leopardos a
tivessem aceitado. Mas eles não aceitavam. Até a sua própria família se afastou dela. Sua mãe chorou ao
ver o bebê coberto de manchas rosa, e seu pai e seus irmãos, Juliano e Ricardo, tinham vergonha de ter uma
leoparda tão estranha na família. Os leopardos da vizinhança nem ligavam para Lili, riam e até batiam
nela, só porque suas manchas eram de cor diferente.

Lili vivia triste, com medo, e por isso era muito brava com todos. Ela passava muito tempo sozinha,
sempre deitada, vendo os outros leopardos brincarem e se divertirem. Mesmo que a chamassem para
brincar, ela se lembrava das vezes que riram dela e grunhia baixinho, em resposta ao convite.

Não era culpa dela. Era diferente, não podia fazer nada, e ficava se perguntando por que os outros
leopardos não entendiam isto. Já tinha feito de tudo para se livrar das manchas cor-de-rosa. Uma vez, pintou
seu pelo de preto, mas logo as manchas rosa voltaram. Nada funcionava. Após algum tempo, Lili percebeu
que estava presa a elas. O que poderia fazer?

Certo dia, quando quatro filhotes a atormentaram falando coisas muito malvadas, Lili decidiu fugir
de casa. Já tinha aguentado demais. Fugiu para a floresta correndo o mais rápido que pode. Correu por
horas e horas, parando apenas para chorar de vez em quando. Quando estava cansada, deitou e dormiu.
Foi acordada com uma lambida no focinho. Quando abriu os olhos, viu algo que a deixou espantada: uma
leoparda com as manchas verdes. Lili ficou tão surpresa que piscou os olhos várias vezes para ter certeza
de que não estava sonhando. Sempre imaginou outros leopardos com cores diferentes, mas nunca pensou
que existissem. A leoparda de manchas verdes disse que se chamava Leni e perguntou o que Lili fazia tão
longe de casa. Pela primeira vez ela não se importou de contar sua história.

Leni ouviu tudo em silêncio. Quando Lili terminou, Leni deu um abraço muito forte nela, enxugou
suas lágrimas, sorriu e disse: “Você precisa respeitar mais a sim mesma”.

“Preciso?” perguntou Lili. “Como?”

“Gostando de si mesma, mesmo quando os outros não gostam”, disse Leni. “Você tem que valorizar
tudo que é especial em você.”

“Não há nada de especial em mim, só estas manchas cor-de-rosa que eu odeio. Sou tão estranha e
feia que queria não ter nascido!”

“Não seja boba”, disse Leni. “Você é muito especial. Não há ninguém como você no mundo inteiro, e
posso ver que tem muitas qualidades”. Leni parou um pouco e pensou. “Eu tive uma ideia: vamos fazer uma
lista de todas as coisas de que você gosta em você.”

2 Um texto de John McConnel. extraído de Tillman, Diane & Hsu, Diana. Programa Vivendo Valores na Educação. Atividades com valores
para crianças de 3 a 6 anos. São Paulo: Editora Confluência, 1999. p. 191-193.

Apesar de não haver o gênero “leoparda” em português, optamos por deixar desta forma para não descaracterizar a história, conservando seus
aspectos lúdicos e didáticos. Para as crianças mais velhas informar que no Brasil se utiliza “leopardo macho” e “leopardo fêmea”.

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“Tudo bem”, disse Lili, um pouco mais entusiasmada. Pensou um pouco e então disse: “Bem, eu sou
gentil, atenciosa e procuro ser amiga de todo mundo. Ajudo minha mãe, meu pai e sou muito...” Lili parou,
mas Leni a encorajou, então ela continuou: “Tenho olhos dourados e corro muito rápido. Eu sou corajosa,
forte e...”

Nesse momento, Luci e Laura, duas leopardas, se aproximaram. Luci tinha manchas azuis e Laura
manchas vermelhas. Quando viram Lili, ficaram encantadas. Rugiram e saltaram no ar de alegria. “Que
leoparda bonita você é e que pelo maravilhoso você tem!”

“Obrigada,” respondeu Lili, lembrando-se de que tinha muito mais do que os olhos podiam ver. Foi
assim que se sentiu muito feliz.

“Tudo bem ser diferente”, pensou. “Na verdade, acho minhas manchas bem bonitas! Se os outros
leopardos não gostam de mim por eu ser diferente, não tem problema. Eu estou bem! Estou feliz de ser
única.”
Lili passou mais algumas horas brincando com as novas e coloridas amigas. Quando o sol começou
a se pôr, ela se lembrou de sua família e sentiu saudade. Eles já deviam estar preocupados. Lili deu tchau
a Leni, Luci e Laura. Prometeu que iriam se encontrar novamente e partiu. Enquanto ia para casa, viu o
pôr do sol. Pela primeira vez, percebeu muitas cores brilhantes no céu. Havia rosa, azul, verde, vermelho e
laranja. “Que bonito!”, pensou. “Por que será que eu nunca percebi essas cores antes?”

Quando Lili chegou em casa, seus pais correram para encontrá-la. Então percebeu perceberam que
havia algo diferente. Lili parecia mais bonita, mais brilhante. Vinha de cabeça erguida e sorridente. “Como
Lili é bonita”, pensaram todos, perguntando-se porque não tinham reparado isso nisso antes.

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Referências Bibliográficas
ARAÚJO, João Roberto. Ensinar a Paz. Ensaio sobre educação emocional. Ribeirão
Preto: Inteligência Relacional. 2013.

ARAÚJO, João Roberto. Liga Pela Paz. Teoria na Prática. Ribeirão Preto: Inteligência
Relacional. 2013.

ARAÚJO, João Roberto; BIS, Lilian & KROLL, Karen. Liga Pela Paz. Livro 1 Educando.
Ribeirão Preto: Inteligência Relacional. 2012.

ARAÚJO, João Roberto; BIS, Lilian & KROLL, Karen. Liga Pela Paz. Livro 1 Educador.
Ribeirão Preto: Inteligência Relacional. 2012.

BISQUERRA, Rafael. Psicopedagogía de las emociones. Madrid: Síntesis. 2009.

BRANDEN, Nathaniel. AUTOESTIMA: Como aprender a gostar de si mesmo. São Paulo:


Saraiva. 1998.

CASSÀ, Èlia Lópes. Educar las emociones en la infancia (de 0 a 6 años): Reflexiones
y propuestas prácticas. 1. Ed. Madrid: Walters Kluwer España, 2011.

CASSÀ, Èlia Lópes (Coord.). Educación emocional: Programa para 3-6 años. 5. Ed.
Madrid: Walters Kluwer España, 2010.

MORIN, Edgar. Os sete saber necessários à educação do futuro. São Paulo: Cortez.
1997

NAVARRO, Adiana de Almeida. Estimulação Precoce. Educação Emocional e


Cognitiva. Barueri: Grupo Cultural.

PUEBLA, Eugenia. Educar com o coração. Série Educação para a paz. São Paulo:
Fundação Peirópolis. 1997.

TILLMAN, Diane & HSU, Diana. Programa Vivendo Valores na Educação. Atividades
com valores para crianças de 3 a 6 anos. São Paula: Editora Confluência, 1999.

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