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SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................... 1

2 O PSICOPEDAGOGO .......................................................................................... 8

2.1 Diagnóstico Psicopedagógico Clínico ................................................................. 18

3 MODALIDADE DE APRENDIZAGEM ................................................................. 19

4 DESENVOLVIMENTO INFANTIL ....................................................................... 21

5 A FUNÇÃO DIAGNÓSTICA DA AVALIAÇÃO PSICOPEDAGÓGICA ................ 22

6 AVALIAÇÃO PSICOPEDAGÓGICA ................................................................... 24

7 INSTRUMENTOS ............................................................................................... 26

7.1 Anamnese ........................................................................................................... 27

7.2 Entrevista Operativa Centrada na Aprendizagem (EOCA) ................................. 29

7.3 Provas Operatórias de Piaget ............................................................................. 30

7.4 Teste de Desempenho Escolar ........................................................................... 31

7.5 Atividades de Leitura, Escrita, Aritmética e Interpretação Textual ...................... 32

8 A IMPORTÂNCIA DA AVALIAÇÃO E DIAGNÓSTICO PSICOPEDAGÓGICO... 32

8.1 Entrevista de Queixa ........................................................................................... 34

8.2 Técnicas Projetivas Psicopedagógicas ............................................................... 34

9 ENTREVISTA DE DEVOLUÇÃO E ENCAMINHAMENTO ................................. 36

10 A PSICOPEDAGOGIA INSTITUCIONAL EM COLABORAÇÃO À GESTÃO


EDUCACIONAL ........................................................................................................ 36

11 A CLÍNICA PSICOPEDAGÓGICA E AS DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM


44

12 A PSICOPEDAGOGIA CLÍNICA E SUA RELAÇÃO COM PROFESSORES,


ESCOLA E FAMÍLIA ................................................................................................. 47

13 CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................ 51

0
14 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .................................................................... 52

15 SUGESTÕES BIBLIOGRÁFICAS ....................................................................... 55

1
1 INTRODUÇÃO

Prezado aluno!
O Grupo Educacional FAVENI, esclarece que o material virtual é semelhante
ao da sala de aula presencial. Em uma sala de aula, é raro – quase improvável -
um aluno se levantar, interromper a exposição, dirigir-se ao professor e fazer uma
pergunta, para que seja esclarecida uma dúvida sobre o tema tratado. O comum
é que esse aluno faça a pergunta em voz alta para todos ouvirem e todos ouvirão a
resposta. No espaço virtual, é a mesma coisa. Não hesite em perguntar, as
perguntas poderão ser direcionadas ao protocolo de atendimento que serão
respondidas em tempo hábil.
Os cursos à distância exigem do aluno tempo e organização. No caso da
nossa disciplina é preciso ter um horário destinado à leitura do texto base e à
execução das avaliações propostas. A vantagem é que poderá reservar o dia da
semana e a hora que lhe convier para isso.
A organização é o quesito indispensável, porque há uma sequência a ser
seguida e prazos definidos para as atividades.

Bons estudos!

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2 PSICOPEDAGOGIA ESCOLAR: BREVE HISTÓRICO

Fonte: br.images.search.yahoo.com

Alguns fatores educacionais afetam diretamente no processo


de aprendizagem. A psicopedagogia surgiu exatamente no sentido de compreender
e intervir na aprendizagem humana. Segundo Serra (2012 p. 5), ”A Psicopedagogia
é uma área de estudo bastante recente, existindo à aproximadamente 40 anos no
Brasil”.
Ao contrário do que algumas pessoas imaginam a psicopedagoga não se
resume a atender pessoas com dificuldades ou distúrbios de aprendizagem, seus
princípios são construídos em cima de estudos que visam à aprendizagem de um
modo geral, independentemente da idade, estado patológico ou normal, qualquer
pessoa pode fazer uso da psicopedagogia para aprender de forma eficaz. Sua
origem é atribuída aos argentinos, Bossa (2000, p. 36), frisa que:

“A origem do pensamento argentino acerca da Psicopedagogia está


centrada na literatura francesa e se baseia em autores como Lacan,
Mannoni, Françoise Dolto, Ajuriaguerra, Pichon-Rivière, entre outros, no
Século XXI”. (BOSSA, 2000, apud LIMA, 2017. p. 3).

Quando surgiram novas pesquisas em relação aos problemas de


aprendizagem, século também que se passou a ter uma preocupação maior com
relação aos ambientes que cada ser humano está inserido, e a forma de incentivo
que cada um recebe, enfatizando também a forma como o pensamento e a
aprendizagem se modificam e se reestruturam de acordo com a motivação e ensino
3
que cada pessoa tem acesso. Foi a partir de 1946, na França, que os chamados
Centros Psicopedagógicos ganharam importância e se multiplicaram com rapidez
até o início da década de 1960, ligando equipes de trabalho “compostas por
médicos, psicólogos, pedagogos, psicanalista e reeducadores de psicomotricidade e
da escrita” (PERES, 2007, p.41).
Nos Estados Unidos, o mesmo movimento ocorria. O foco das pesquisas era
em relação aos métodos, aos conceitos a serem construídos quanto à deficiência. O
movimento europeu deu origem à Psicopedagogia. Já o movimento americano
propagou a crença de que os problemas de aprendizagem tinham causas orgânicas
e que precisavam de atendimento especializado, influenciando parte do movimento
da psicologia escolar (JERÔNIMO SOBRINHO, 2016, p. 20).
Peres (1998, p. 43), discorre sobre a Psicopedagogia no Brasil, que se deu na
década de 1950, com o surgimento do chamado ‘Serviço de Orientação
Psicopedagógica’ (SOPP), no estado da Guanabara,

[...] e “tinha como meta desenvolver a melhoria da relação professor-aluno e


criar um clima mais receptivo para a aprendizagem, aproveitando para isso
as experiências anteriores dos alunos” (PERES, 1998, p. 43, apud LIMA,
2017. p. 4).

Segundo Jerônimo Sobrinho (2016), O Brasil recebeu influências americanas


e europeias por meio dos teóricos argentinos, principalmente na região sul do país,
que anos de 1970 ofereceu os primeiros cursos de formação de especialistas em
psicopedagogia. No entanto, somente nos anos de 1990 esses cursos se
propagaram pelo Brasil nas regiões sul e sudeste, onde há maior demanda de
especializações e de trabalhos realizados na área.

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3 O PSICOPEDAGOGO NO AMBIENTE ESCOLAR

Fonte: br.images.search.yahoo.com

A escola tem uma grande missão em ensinar assuntos e habilidades que


terão valor durante a vida adulta, tornando-se fundamental a qualidade da formação
do educador. Porém segundo Jerônimo Sobrinho (2016),

[...] essa mesma “escola tem revisto a sua política educacional, que vem
mostrando deficiências históricas oriundas, muitas vezes, da má vontade de
seus membros, das equipes de orientação escolar que possuem
dificuldades frente às problemáticas de aprendizagem. Jovens são rotulados
de desatentos e hiperativos por uma educação que não motiva, e por uma
ignorância de muitos âmbitos escolares”. (JERÔNIMO SOBRINHO 2016,
apud LIMA, 2017. p. 4).

Para Côrtes & Rausch (2009), “A falta de conhecimento a respeito das


dificuldades de aprendizagem fez e, ainda faz, com que os alunos com dificuldades
sejam encaminhados para profissionais das mais diversas áreas de atuação”.
Isso fez com que se criasse uma consciência da necessidade de uma
formação mais globalizante onde uma única pessoa fosse apta para atuar de forma
mais objetiva, eficaz e fazer com que os atendimentos se centralizassem num só
profissional, facilitando o vínculo do aluno com o processo de aprendizagem e assim
resgatar o prazer de aprender. Vê-se então, que o papel da Psicopedagogia, que é a
área que estuda e trabalha com o processo da aprendizagem e suas dificuldades
devem englobar vários campos do conhecimento. O atendimento psicopedagógico
que antes era restrito a clínicas particulares, começa a contribuir aos poucos, para a

5
diminuição dos problemas de aprendizagem nas escolas e assim reduzir os altos
índices de fracasso escolar”.

As escolas, por falta de conhecimento adequado e por não conseguir


solucionar alguns problemas, por não compreender as dificuldades dos
alunos, acabam discriminando da mesma forma alunos que tem problemas
e não são tratados, não conseguindo então, intervir de forma eficaz. Abre-se
então, a questão do papel do psicopedagogo na e para uma determinada
instituição, cujas formas de estrutura e articulação não podem ser ignoradas
(CÔRTES; RAUSCH, 2009, apud LIMA, 2017. p. 4).

No contexto educativo, o psicopedagogo assume uma postura cada vez mais


especializada para dar conta das demandas de um sistema educativo a cada dia
mais complexo. A maior parte da atuação psicopedagógica se concentra nas
instituições ligadas a educação formal. Os níveis de ação psicopedagógica abarcam
os estudantes e a comunidade educativa. No sistema educativo, é o profissional
preparado para estruturar estratégias de intervenção junto aos alunos com
dificuldades de aprendizagem. Também são funções do psicopedagogo:
diagnosticar, prevenir, reeducar e intervir nas dificuldades de aprendizagem nas
áreas de leitura, escrita e cálculo. O psicopedagogo tem capacidade de inserir-se
nos processos de ensino, propondo mudanças e adaptações curriculares para
apoiar, orientar e guiar os alunos com dificuldades de aprendizagem, aplicando
programas e técnicas para constatar a evolução e o progresso do aluno (JERÔNIMO
SOBRINHO, 2016).

Neste sentido, torna-se imprescindível a interação com a instituição escolar,


para que se possa dentre outras questões, conhecer a proposta da escola,
os seus objetivos, as justificativas, os seus projetos, o projeto de trabalho
dos docentes dos diversos componentes curriculares, bem como o
desenvolvimento desses projetos, o material didático utilizado, o processo
avaliativo tanto dos alunos como dos docentes e da instituição (PERES,
2007, apud LIMA, 2017. p.5).

Diante disto, segundo o autor supracitado, o trabalho psicopedagógico na


escola tem assumido um caráter preventivo, considerando desde a avaliação da
realidade, da identidade da escola, perpassando pelo planejamento, pelos
pressupostos didático-metodológicos, como também pelas relações interpessoais
que envolvem o ato educativo, dentre outras questões. A autora afirma ainda que,
em um trabalho psicopedagógico preventivo, não pode ignorar a importância do
assessoramento educacional tanto aos alunos como aos docentes, coordenadores,
orientadores, diretores, pais e familiares. O processo educacional é um processo de
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desenvolvimento conjunto. É um processo compartilhado, onde o aluno vai
construindo seus conhecimentos não somente a partir das relações vivenciadas no
interior da escola, mas também nas que extrapolam a instituição escolar e envolvem,
especialmente, o convívio familiar e social.
Côrtes & Rausch (2009), afirmam que o aluno não pode ser o único
responsável pelas dificuldades; as causas devem ser procuradas também num
sistema escolar excludente; na formação precária dos professores e nas causas de
risco social. Para a recuperação desses alunos e a superação das dificuldades a
psicopedagogia necessita integrar-se com os saberes de outras áreas de
conhecimento como a psicologia, a neurologia, a psicolinguística, a psiquiatria, a
fonoaudiologia e outros.

Acredita-se que o trabalho da Psicopedagogia quando encontra


consonância e parcerias na escola, pode promover efeitos muito positivos
para a minimização das dificuldades que emergem no contexto escolar,
apesar de representar um constante desafio, pois requer o envolvimento de
toda a equipe, e um desejo permanente de mudanças, para que as
transformações, de fato, ocorram (NASCIMENTO, 2013 apud LIMA, 2017.
p. 5).

O trabalho do psicopedagogo em todas as escolas, sejam elas públicas ou


particulares, poderia, dado a importância da atuação desse profissional, ser mais
bem valorizado no contexto educacional geral, e em todas as modalidades de
ensino, sendo marcada por isso, a urgência de ações e políticas públicas que
trabalhem no âmbito da prevenção e da promoção da aprendizagem. Muito embora
existam registros de iniciativas e ações nessa direção, parece que esse processo
precisa ganhar força com o empenho dos profissionais da área, mostrando
resultados dos seus trabalhos e denunciando a falta dele no âmbito das escolas
onde os problemas de aprendizagem precursoramente se manifestam. Considerar
legítimo o trabalho da Psicopedagogia nas escolas, embora verdadeiro, não é a
garantia para que ela se efetive (BRUM, PAVÃO, 2014).

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4 O PSICOPEDAGOGO

Fonte: dialogosdosaber.com.br

O Código de Ética do Psicopedagogo, no seu artigo 1°, define a


Psicopedagogia como um campo de atuação em Saúde e Educação que lida com o
processo de aprendizagem humana: seus padrões normais e patológicos
considerando a influência do meio, família, escola e sociedade no seu
desenvolvimento, utilizando procedimentos próprios da Psicopedagogia. A
Psicopedagogia surge para atender a uma demanda específica de auxílio à
superação das dificuldades de aprendizagem, atuando de forma preventiva e
terapêutica.
A Psicopedagogia se divide em três processos: prevenção, diagnóstico e
intervenção. Na prevenção, o psicopedagogo realiza uma investigação institucional,
avaliando os processos didáticos e metodológicos aplicados, e a dinâmica dos
profissionais, buscando compreender o processo ensino/aprendizagem e propondo
alternativas que aperfeiçoem os esforços empreendidos pelos envolvidos. A
Psicopedagogia, na forma clínica, busca a promoção da saúde mental auxiliando o
indivíduo na superação das dificuldades de aprendizagem, investigando os
sintomas, a modalidade de aprendizagem e desenvolvendo atividades interventivas.
O atendimento psicopedagógico com uma postura clínica considera a singularidade
do sujeito, os aspectos inconscientes envolvidos no não aprender nos seus diversos
contextos (biológico, afetivo e cognitivo), além da família e da escola.

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Pode-se destacar duas formas básicas de trabalho psicopedagógico: a
primeira delas é o atendimento clínico, que tem como objetivo a recuperação, a
outra é a institucional, que tem como objetivo principal a prevenção. Atualmente há
um grande interesse no trabalho preventivo, situação que não é exclusiva da área
psicopedagógica. Ao contrário, é uma tendência em várias áreas. Acredita-se que
dessa forma muitos problemas podem ser evitados.

5 HIPÓTESES SOBRE AS DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM

Fonte: br.images.search.yahoo.com

Segundo Souza (2012) as teorias sobre as Dificuldades de Aprendizagem


possuem três enfoques:

1) O enfoque no processo de informação tendo mais prevalência nas


últimas décadas em Psicologia.
2) O enfoque interativo ou ecológico: no qual incluí uma visão analítica
sobre os contextos familiares e escolares que contribuem de maneira
exógena para o emburrecimento do estudante. A perspectiva sociocultural:
evoluindo bem nos últimos cinco anos.
3) Enfoque neuropsicológico enfatizando os fatores psíquicos e cognitivos
estudados cada vez mais tanto no Brasil como no exterior. (SOUZA, 2012,
apud TOSTES, 2016, p. 126).

É muito relevante para compreender a importância multidisciplinar no campo


das Dificuldades de Aprendizagem variando os métodos podemos conseguir
alcançar os objetivos.

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Segundo Castanho, o termo Dificuldade de Aprendizagem pode ser
caracterizado por alterações no processo de desenvolvimento, no aprendizado da
leitura, da escrita e do raciocínio lógico-matemático, pode estar ou não associadas a
comprometimentos da linguagem oral.
Santos (2009) salienta que a grande preocupação de educadores, psicólogos,
fonoaudiólogos e outros profissionais da área sempre foram saber como uma
criança aprende, ou seja, como ela elabora seu pensamento, suas ideias, seu
raciocínio lógico e principalmente como ela adquire a linguagem falada, lida e a
escrita, e, a partir disso, compreender a razão pela qual alguns alunos, sem
deficiência, apresentam dificuldades de aprendizagem e consequentemente
insucesso escolar.
De acordo com Weiss & Cruz (s/d apud GLAT, 2007), o sujeito que está em
processo de construção de seu conhecimento, seja em situação de aprendizagem
formal ou informal, não é determinado somente pelo seu potencial cognitivo. Ele é o
resultado da interação entre seu aparelho biológico, suas estruturas psico-afetiva e
psico-cognitiva, nas interações com o meio social no qual ele está inserido. Para
Piaget a aprendizagem depende do estágio de desenvolvimento atingido pelo
sujeito, para Vygotsky, a aprendizagem favorece o desenvolvimento das funções
mentais. Assim os educadores não devem deixar de perceber o sujeito em relação
ao tempo e a cultura (SANTOS 2009).
Jardim (2001) explica que as crianças com dificuldades de aprendizagem têm
disfunções em habilidades necessárias para haver aprendizagem efetiva,
apresentando problemas na compreensão da leitura, organização e retenção da
informação e na interpretação de textos. Geralmente são lentas ao processar
informações, apresentam estratégias pobres para escrever, problemas de
organização espacial e muita distração o que acarreta dificuldade de comunicação e
hábitos ineficientes de estudo. Correia (2004) cita que há alunos que, devido às
“desordens neurológicas” apresentam uma desorganização no momento da
recepção, integração e expressão da informação, refletindo numa “discapacidade”
para aprendizagem da leitura, da escrita e cálculo matemático, se não for
amparados, apoiados por serviços de apoio especializados, abandonam a escola
por causa de experiências de insucesso acadêmico.

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Em “Os Idiomas do Aprendente” de Alicia Fernandes, encontra-se a diferença
entre fracasso escolar e dificuldade de aprendizagem. A autora define dificuldades
de aprendizagem como uma situação “que provém de causas que se referem à
estrutura individual da criança, tornando-se necessária uma intervenção
psicopedagógica mais direcionada” A autora afirma ainda:

Fracasso escolar afeta o aprender do sujeito em suas manifestações sem


chegar a aprisionar a inteligência: muitas vezes surge do choque entre o
aprendente e a instituição educativa que funciona de forma segregadora.
Para entendê-lo e abordá-lo, devemos apelar para a situação promotora do
bloqueio (FERNANDEZ, 2001, apud TOSTES, 2016, p. 129).

Santos (2009) acredita que como consequência de sua dificuldade de


aprendizagem, os alunos podem apresentar baixos níveis de autoestima e de
autoconfiança, o que pode conduzir à falta de motivação, afastamento, crises de
ansiedades e estresse e até mesmo depressão.
Para Santos (2009) a dificuldade que mais é encontrada na atualidade é a
dislexia. Porém, é necessário estar atento a outros sérios problemas como: disgrafia,
disortografia, discalculia, dislalia e o TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e
Hiperatividade), são as dificuldades que ocorrem com mais frequência nas salas de
aula.

5.1 Dislexia

Fonte: dislexiafeliz.online

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De (origem grega, da contração das palavras dis= difícil, prejudicada, e lexis=
palavra). Ocorre um retardo e desordem para ler, escrever e soletrar. Portanto,
dislexia é o impedimento que aparece na leitura, bloqueando o aluno de ser fluente,
pois faz trocas e omissões de letras, inverte sílabas, apresenta leitura lenta,
silabada, dá intervalos entre linhas ao ler um texto não consegue dar continuidade
na mesma linha, possui desorganização espacial etc. Estudiosos afirmam que suas
causas têm origem de fatores genéticos, porém ainda nada foi comprovado pela
medicina. Ciasca (2005, p. 66), define dislexia:

Falha no processamento da habilidade da leitura e escrita durante o


desenvolvimento. A dislexia como um atraso do desenvolvimento ou a
diminuição em traduzir sons em símbolos gráficos e compreender qualquer
material escrito é o mais incidente dos distúrbios específicos da
aprendizagem, com cifras girando em torno a 15% da população com
distúrbios da aprendizagem, sendo dividida em três tipos: visual, mediada
pelo lóbulo occipital, fonológica mediada pelo lóbulo temporal, e mista com
mediação das áreas frontal, occipital, temporal e pré-frontal. (CIASCA,
2005, apud TOSTES, 2016, p. 130).

6 DISGRAFIA

Fonte: priscillaranieri.com.br

Normalmente vem associada à dislexia, porque se o aluno faz trocas e


inversão de letras consequentemente apresenta dificuldade na escrita. Além disso,
está associada a letras mal traçadas e ilegíveis, letras muito próximas e
desorganização ao produzir um texto. A habilidade de escrita está abaixo do nível

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esperado para idade cronológica, escolaridade e inteligência, associada ou não ao
transtorno de leitura. Segundo Ciasca (2005, p. 67), define como:

Falha na aquisição da escrita; implica uma inabilidade ou diminuição no


desenvolvimento da escrita. Atinge 5 a 10% da população escolar e pode
ser dos seguintes tipos: disgrafia do pré-escolar: construção de frases:
ortográfica e gramatical: caligrafia e espacialidade. (CIASCA, 2005, apud
TOSTES, 2016, p. 130).

6.1 Disortografia

Fonte: priscillaranieri.com.br

É a dificuldade da linguagem escrita e também pode acontecer como


consequência da dislexia. É um quadro, muitas vezes, descrito como característico
da disgrafia. Esse transtorno da escrita apresenta-se como uma persistência de
trocas de natureza ortográfica (como ch por x, ou s por z, e viceversa), aglutinações
(de repente/derepente, tem que/temque), fragmentações (em baraçar); inversões
(in/ni, es/se) e omissões (beijo/bejo), após a 2ª série do Ensino Fundamental ou
equivalente. Estas alterações devem ser observadas com determinada frequência, e
em vocabulário conhecido pelo aluno.

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6.2 Discalculia

Fonte: neurosaber.com.br

É a dificuldade em lidar com cálculos, numerais e quantidades, prejudicando


as atividades de vida diária que envolve essas habilidades e conceitos. De acordo
com o DSM (Manual de Diagnóstico e Estatística de Doenças Mentais), em
indivíduos com transtornos da Matemática, a capacidade para a realização de
operações aritméticas, cálculo e raciocínio matemático encontra-se
substancialmente inferior à média esperada para sua idade cronológica, capacidade
intelectual e nível de escolaridade.

Discalculia é uma falha na aquisição da capacidade e na habilidade de lidar


com conceitos e símbolos matemáticos. Basicamente, a dificuldade está no
reconhecimento do número e do raciocínio matemático. Atinge de 5 a 6% da
população com dificuldade de aprendizagem e envolve dificuldade na
percepção, memória, abstração, leitura, funcionamento motor; combina
atividades dos dois hemisférios. (DSM 5, apud TOSTES, 2016, p. 131).

Para Santos (2009) talvez a maioria das dificuldades não tenha causas
orgânicas e não esteja relacionada às atividades cognitivas da criança, mas seja
resultado de problemas educativos ou ambientais. Estratégias de ensino ineficientes
podem prejudicar o nível de sucesso das crianças na realização de tarefas, gerando
problemas como falta de autoconfiança e efeitos negativos sobre a aprendizagem
comprometendo aspectos como a atenção, concentração, memória, coordenação
motora e outros.

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Entre tantas dificuldades de aprendizagem, as mais encontradas nas escolas
são estas apresentadas, porém, somente após uma avaliação a psicopedagoga
pode realmente sugerir o que fazer com a criança.
Como a profissional da psicopedagogia pode atuar nas escolas, em clínicas e
empresas, quando aparece a dificuldade em aprender, sua avaliação será útil para
saber se a criança com reforço escolar pode melhorar, ou se necessita da clínica
psicopedagógica para melhorar seu desempenho escolar.
Dessa forma é interessante observar como e quando a psicopedagogia
apareceu, mesmo porque segundo Sá (2013, p. 21), trata-se de uma crescente
profissionalização na área, ou seja, “enquanto profissional, o psicopedagogo pode
intervir em uma concepção eminentemente preventiva ou em uma abordagem
terapêutica, clínica”.

7 A PSICOPEDAGOGIA E AS PRÁTICAS PSICOPEDAGÓGICAS

Fonte: priscillaranieri.com.br

Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN)

[...] a formação da escola deve favorecer o desenvolvimento de


capacidades, de modo que ocorra a compreensão e a mediação dos
fenômenos sociais e culturais, assim como possibilitar aos alunos usufruir
das manifestações culturais nacionais e universais (BRASIL, 1996, apud
TOSTES, 2016, p. 131).

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Bossa (2002) se refere à escola explicando que na atualidade, apresenta-se
como o principal espaço social para a identificação das “anormalidades” infantis,
mesmo que sob o risco de ancorar-se uma concepção de criança ideal, construída
ao longo da modernidade. Assim, a criança pode estar resistindo, com o seu
sintoma, à excessiva normatização da escola, enquanto essa fracassa nas suas
tentativas pedagógicas de remover o problema de aprendizagem, apelando, muitas
vezes, aos especialistas em terapêuticas educativas na esperança de ver o fracasso
reparado (SALVARI, DIA, 2006).
Todavia nos PCNs é possível observar que a educação básica precisa ter
qualidade que a sociedade mereça como a possibilidade de o sistema educacional
vir a propor uma prática educativa adequada às necessidades sociais, políticas,
econômicas e culturais. Considerando os interesses reais dos alunos com a garantia
de uma metodologia essencial para a formação de cidadãos autônomos, críticos e
participativos, capazes de atuar com competência, dignidade e responsabilidade na
sociedade em que vivem (BRASIL, 1996).
No entanto, cabe ao campo educacional propiciar aos alunos diferentes
vivencias onde sejam inseridos cultura e valores sociopolíticos. Assumir-se como
espaço social de construção dos significados éticos necessários e construtivos de
toda e qualquer ação de cidadania (BRASIL, 1996). Logo a educação básica tem
assim a função de garantir condições para que o aluno construa instrumentos que o
capacitem para um processo de educação permanente (BRASIL, 1996).
Para Colelo (2004) um aspecto muito importante no trabalho docente é o fato
de que a seleção e a definição dos conteúdos são, em última instância, tarefas do
professor. É ele quem tem pela frente determinados alunos, com suas
características de origem social, vivendo num meio cultural determinado, com certas
disposições e preparo para enfrentar o estudo. O trabalho pedagógico implica a
preparação desses alunos para as atividades práticas - profissionais, políticas,
culturais - e, para isso, o professor enfrenta duas questões centrais:

Que conteúdos (conhecimentos, habilidades, valores) os alunos deverão


adquirir a fim de que se tornem preparados e aptos para enfrentar as
exigências objetivas da vida social, como a profissão, o exercício da
cidadania, a criação e o usufruto da cultura e da arte, a produção de novos
conhecimentos de acordo com interesses de classe, as lutas pela melhoria
das condições de vida e de trabalho? - Que métodos e procedimentos
didático-pedagógicos são necessários para viabilizar o processo de
transmissão-assimilação de conteúdos pelo qual são desenvolvidas as

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capacidades mentais e práticas dos alunos de modo a adquirirem métodos
próprios de pensamento e ação, ou seja, a construção do conhecimento?
(COLELO, 2004, apud TOSTES, 2016, p. 132).

Conforme Colelo (2004) são três as fontes que o professor selecionará para
os conteúdos do plano de ensino e organizar as suas aulas: a programação oficial
na qual são fixados os conteúdos de cada matéria; os próprios conteúdos básicos
das ciências transformadas em matérias de ensino; as exigências teóricas e práticas
colocadas pela prática de vida dos alunos, tendo em vista o mundo do trabalho e a
participação democrática na sociedade. Deve ocorrer a reflexão sobre o que se
pretende com o ensino fundamental, sobre seu currículo como um todo e as
expectativas que se tem a respeito dos alunos que terminam essa fase de
escolarização; e sobre a realidade da escola e suas condições de trabalho para
viabilizar as metas pretendidas. Quando o professor escolher e indicar conteúdos e
procedimentos de ensino, suas escolhas estarão, pois, ancoradas num contexto
mais amplo de desafios e problemas, bem como em concepções norteadoras.
Dentro desse contexto a escola tem uma equipe que compreende alguns
cargos, como diretora, coordenadora, educadores, psicopedagogos, entre outros.
Essa equipe tem a função de ensinar, o que significa transmitir informações aos
alunos. E dentre esses alunos existem aqueles que têm dificuldades em aprender.
Para esses, é preciso primeiro identificar a problemática sobre suas dificuldades, em
seguida pedir auxílio ao psicopedagogo, e este deve orientar como transmitir o
ensino aprendizagem a esses alunos.

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8 DIAGNÓSTICO PSICOPEDAGÓGICO CLÍNICO

Fonte: unir.net

O diagnóstico, para o terapeuta, tem a mesma função que a rede para um


equilibrista, ou seja, ele dará o suporte para que o psicopedagogo caminhe de
maneira segura durante o processo de intervenção. O sucesso e a eficácia do
diagnóstico psicopedagógico pressupõem por parte do terapeuta: profundo
conhecimento teórico do processo de aprendizagem, postura clínica, capacidade de
observação e instrumentos e métodos adequados. O objetivo do diagnóstico
psicopedagógico clínico é identificar a modalidade de aprendizagem, o nível da
escrita e o nível cognitivo. Os instrumentos aplicados no diagnóstico
psicopedagógico aqui relatado são descritos no item método e fazem parte do
protocolo utilizado na clínica-escola campo desta pesquisa.

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9 MODALIDADE DE APRENDIZAGEM

Fonte: pt.dreamstime.com

A forma como cada indivíduo entra em contato com o objeto de


conhecimento, a modalidade de aprendizagem, é particular, individual e oferece um
saber que é singular para cada indivíduo. A modalidade de aprendizagem é
construída desde o nascimento e nas várias situações de aprendizagem,
constituindo-se como um esquema de operar ou processar as informações. Com a
identificação da modalidade de aprendizagem do sujeito com dificuldades de
aprendizagem, o psicopedagogo poderá introduzir a intervenção adequada, que
atenda às necessidades específicas do paciente. Para melhor compreensão do
processo que resulta em modalidade de aprendizagem, é importante compreender o
movimento definido como “adaptação”. Adaptação é o resultado de um duplo
movimento complementar de assimilação e acomodação. Por meio da assimilação, o
sujeito transforma a realidade para integrá-la às suas possibilidades de ação e,
através da acomodação, transforma e coordena seus próprios esquemas ativos,
para adequá-los às exigências da realidade.
As modalidades de aprendizagem sintomáticas são geradas por um
desequilíbrio nos movimentos de assimilação e/ou acomodação. O excesso (hiper)
ou escassez (hipo) em um desses movimentos afeta o resultado (aprendizagem), ou
seja, dificuldades de aprendizagem estão relacionadas a uma hiperatuação ou hipo -
atuação de um desses processos. Quando há o predomínio da assimilação, as
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dificuldades de aprendizagem são da ordem da não resignação, o que leva o sujeito
a interpretar os objetos de modo subjetivo, não internalizando as características
próprias do objeto.
Quando a acomodação predomina, o sujeito não empresta sentido subjetivo
aos objetos, antes, resigna-se sem criticidade. As modalidades de aprendizagem
sintomáticas são assim descritas:
• Hipoassimilação: nesta sintomatização ocorre uma assimilação pobre ou
baixa, o que resulta na pobreza no contato com o objeto.
• Hiperassimilação: sendo a assimilação o movimento de adaptação que
permite a alteração das informações fornecidas pelo meio, para que possam ser
incorporadas pelo sujeito, na aprendizagem sintomatizada pode ocorrer um exagero
desse movimento, de forma que o sujeito não se submete ao aprender. Nesse
movimento, há o predomínio dos aspectos subjetivos sobre os objetivos;
• Hipoacomodação: a acomodação consiste em adaptar-se para que ocorra a
internalização. A sintomatização da acomodação ocorre pela resistência em
acomodar elementos do meio (informações), que pode ser definida como a
dificuldade de internalizar os objetos;
• Hiperacomodação: se acomodar significa internalizar os elementos do meio
(informações), o exagero nesse processo pode levar a uma pobreza de contato com
a subjetividade, levando à submissão e à obediência acrítica às normas;
As informações, ou elementos do meio, são pouco alterados, de forma que
não podem ser incorporados pelo sujeito, apenas acomodados. Analisando a forma
como operam as modalidades de aprendizagem, existe três grupos de modalidades
(organizações) que perturbam o aprender: hipoassimilação-Hipoacomodação;
hiperassimilação-hipoacomodação; e hipoassimilação-hiperacomodação.

20
10 DESENVOLVIMENTO INFANTIL

Fonte: daddy.com.br

O conceito de desenvolvimento infantil pode ser entendido como um processo


que envolve vários aspectos: crescimento físico, maturação neurológica, construção
de habilidades relacionadas ao comportamento e às esferas cognitivas, social e
afetiva da criança. O desenvolvimento adequado habilita a criança a atender à
demanda do meio, tornando-a “competente” para responder às suas necessidades,
considerando o seu contexto de vida. O desenvolvimento infantil relaciona-se
diretamente com fatores biológicos e ambientais. Os fatores biológicos estão
relacionados a danos ocorridos nos períodos pré, peri e pós-parto, que podem
conduzir a deficiências e problemas no desenvolvimento neurológico.
Neste grupo estão os distúrbios de ordem genética, malformações
congênitas, prematuridade, hipóxia cerebral, meningites e condições da gestação da
mãe (uso de drogas, fumo e doenças) que podem impactar o desenvolvimento da
criança. Os fatores ambientais estão relacionados à exposição da criança aos
estímulos e situações do meio, tais como condições de habitação, higiene, conforto,
nutrição, estímulo familiar e vida social.
Neste contexto, a reabilitação é o processo pelo qual a criança com
alterações no desenvolvimento poderá ser adequadamente estimulada com o
objetivo de melhorar a funcionalidade das suas habilidades físicas, mental e/ou
social. Nessa perspectiva, todo trabalho de reabilitação, independentemente da

21
idade, deve estar centrado nas habilidades da criança, lembrando que sua
integridade e dignidade devem sempre ser respeitadas. Para tal, importa que, ao
planejar os programas de reabilitação e de apoio, o terapeuta possa
impreterivelmente considerar os costumes, possibilidades e as estruturas da família
e da comunidade, adequando sua proposta terapêutica às dificuldades e
necessidades da criança. No entanto, para orientar qualquer proposta terapêutica, a
avaliação diagnóstica é a primeira etapa.

11 A FUNÇÃO DIAGNÓSTICA DA AVALIAÇÃO PSICOPEDAGÓGICA

Fonte: pt.dreamstime.com

O trabalho de Educação Escolar se desenvolve através do processo


ensino/aprendizagem e de todos os seus determinantes, sendo assim há um ponto
muito importante na prática psicopedagógica que é a busca do diagnóstico do
porquê da criança (s) ou adolescente (s) não conseguirem aprender dentro dos
padrões pré-estabelecidos pela escola, família e sociedade. Quando se remete ás
dificuldades ou problemas de aprendizagem, alguns aspectos tem que ser levados
em conta como a constituição do sujeito (física, psicológica, necessidades especiais,
afecções cerebrais – lesões herdadas ou adquiridas por distúrbios metabólicos,
cromossômicos, etc.); o desejo do sujeito (motivação pessoal, familiar ou social); a
família do sujeito (estrutura e dinâmica familiar, nível de autonomia na família, nível

22
sociocultural, relação da família com a escola e papéis assumidos na configuração
familiar); e a escola (estrutura, organização material, de conteúdo e pessoal). Dessa
forma o cabe ao psicopedagogo vasculhar cada “canto” da pessoa, enxergando não
apenas o que a criança mostra, mas saber perceber que a mesma pode ter algum
problema imperceptível que está dificultando sua aprendizagem e saber conduzi-la a
outros profissionais como psicólogos, fonoaudiólogos, neurologistas, etc., com intuito
de investigar múltiplos fatores que influenciam o não aprender dessa criança.

O psicopedagogo é como um detetive que busca pistas, procurando


solucioná-las, pois algumas podem ser falsas, outras irrelevantes, mas a
sua meta fundamental é investigar todo o processo de aprendizagem
levando em consideração a totalidade dos fatores nele envolvidos, para
valendo-se desta investigação entender a constituição da dificuldade de
aprendizagem (RUBINSTEIN, 1987, apud UHLMANN 2018, p. 225).

É um processo que permite ao profissional investigar, levantar hipóteses


provisórias que serão ou não confirmadas ao longo do processo, porém uma vez
iniciado esse processo, deve-se lançar mão de todos os instrumentos diagnósticos
necessários. Essa busca terá o intuito de descobrir as razões que impedem o sujeito
de aprender, situação essa levantada por uma queixa seja do educador, da família,
da escola ou até mesmo do próprio sujeito. Caberá, portanto, ao psicopedagogo
“ouvir” essa queixa, analisá-la, interpretá-la e seguir com seu processo de avaliação
como função diagnóstica na busca em atender as necessidades educativas
traduzidas em situações passíveis de melhora e com a concretização de auxílio e
suporte.

23
12 AVALIAÇÃO PSICOPEDAGÓGICA

Fonte: dialogosdosaber.com.br

Na área clínica, o psicopedagogo atua com um papel investigativo em relação


aos problemas que envolvem a aprendizagem e intervindo, diretamente com o
sujeito, no intuito de sanar suas dificuldades e proporcionar melhor qualidade de
vida para o indivíduo. Na prática psicopedagógica clínica é preciso que o profissional
tenha um olhar observador, examinador, o qual possibilita condições para identificar
os porquês da não aprendizagem. Ou seja, o psicopedagogo clínico atuará
investigando e intervindo. Como afirma Escott (2004),

[...] no âmbito da Psicopedagogia Clínica, o objetivo não se limita apenas na


contribuição da solução dos problemas de aprendizagem, mas também tem
o papel de cooperar para a construção de um sujeito pleno, crítico e mais
feliz. (ESCOTT, 2004, apud MOREIRA, 2015, p. 4).

A Psicopedagogia clínica procura entender o indivíduo nos seus mais


variados âmbitos e contextos, sejam eles cognitivos, pedagógicos, emocionais,
culturais, biológicos, sociais, bem como compreender a interferência que esses
aspectos causam na aprendizagem, trabalhando juntamente com os pais ou
responsáveis, professores, orientadores educacionais e demais profissionais que
façam parte da vida do sujeito. Esses processos podem ser analisados a partir da
avaliação psicopedagógica, que consiste também na investigação das causas do
não aprender.

24
A avaliação psicopedagógica ou diagnóstico psicopedagógico consiste em um
processo observador e investigativo, que por meio da coleta e análise de
informações relevantes do sujeito, é possível verificar os vários elementos que
influenciam no processo de ensino e aprendizagem do mesmo. Para Rubinstein
(1996), o diagnóstico psicopedagógico pode ser comparado com um processo de
investigação. Nesse processo, o psicopedagogo reproduz o papel do detetive à
procura de vestígios, informações, selecionando-as criteriosamente e levando em
consideração todos os aspectos que abarcam o processo de aprendizagem do
indivíduo.
Weiss (2004) corrobora com o pensamento de Rubinstein (1996), afirmando
que todo diagnóstico psicopedagógico consiste em uma investigação, uma busca
acerca de algo que não está adequado com o sujeito em relação a um
comportamento esperado. Na avaliação psicopedagógica é realizada a investigação,
na qual se procura compreender a forma que o indivíduo aprende e os desvios que
ocorrem nesse processo.
A avaliação está integrada na intervenção psicopedagógica e se fundamenta
nas decisões voltadas à solução das possíveis dificuldades de aprendizagem,
levando em consideração os contextos em que o indivíduo está inserido e também
promove melhores condições para o desenvolvimento global do mesmo.
O diagnóstico psicopedagógico é uma das peças fundamentais para uma
intervenção eficaz. Não é suficiente o psicopedagogo ter o aprimoramento das
técnicas e testes, pois cada caso é único e exige do profissional, além do
conhecimento teórico, um olhar sensível e singular. Cada paciente que chega à
clínica traz consigo suas particularidades, suas relações sociais, suas bagagens
emocionais, para o psicopedagogo é sempre um novo caso, uma nova história, que
necessita de um novo olhar. Weiss (2002) afirma que:

[...] a grande quantidade de instrumentos utilizados no diagnóstico não é


suficiente para que haja do sucesso o mesmo, porém é necessária a
eficiência e percepção do profissional em explorar as várias dimensões e
aspectos revelados em cada momento do processo. (WEISS, 2002, apud
MOREIRA, 2015, p. 5).

A avaliação psicopedagógica inicia-se com uma entrevista com os pais ou


responsáveis pela criança, nela o psicopedagogo também irá analisar o material
escolar, as atividades de leitura, escrita, matemática, como também aplicar testes e

25
provas que avaliem o nível de pensamento e outras funções cognitivas. Além de
fazer uso da observação direta do sujeito e de seus contextos. A princípio, deve-se
verificar se a queixa trazida como motivo da procura do atendimento, não só
descreve o sintoma, mas também pode trazer indícios que possam apontar o
caminho a ser trilhado no processo de investigação.
Portanto, esse processo buscará a explanação de uma queixa, advinda do
próprio indivíduo, da família ou da escola. Nesse caso, a queixa estará relacionada
com o não aprender, com a dificuldade de aprendizagem ou com o aprender
lentamente.

No primeiro contato com a família é necessário construir hipóteses sobre os


vários aspectos relevantes para a avaliação dos problemas relacionados à
aprendizagem. Também é preciso entender o significado da queixa para a
família, ou seja, perceber como os membros reagem comportamentalmente
ao assumir a presença da dificuldade e quais são as suas expectativas em
relação ao acompanhamento psicopedagógico. (PAÍN, 1985, apud
MOREIRA, 2015, p. 6).

O psicopedagogo pode usar como recurso da avaliação psicopedagógica a


entrevista com a família. Com o uso da observação, ele poderá investigar o motivo
da procura pelo atendimento. A partir da realização da anamnese poderá conhecer a
história de vida do sujeito, entrevistar a criança, fazer contato com os professores ou
outros profissionais que acompanhem a mesma, fazer a devolutiva de tudo que foi
executado com o indivíduo e, se preciso encaminhar o caso para outros profissionais
(RUBINSTEIN, 2002).
Dessa forma, Rubinstein (1996) aponta que o diagnóstico psicopedagógico
clínico deve voltar-se para identificar o potencial de aprendizagem, buscar hipóteses
para as causas do não aprender, impulsionar o aprendiz e os que estão em volta
dele, com o intuito de construir uma explicação para os problemas de aprendizagem.

13 INSTRUMENTOS

Serão elencados os instrumentos utilizados na avaliação psicopedagógica,


bem como um pouco de seus objetivos e observações. Serão utilizadas as seguintes
provas psicopedagógicas: Anamnese, Entrevista Operativa Centrada na
Aprendizagem (EOCA), Provas Operatórias de Piaget, Teste de Desempenho
Escolar (TDE), atividades de leitura, escrita, aritmética e interpretação textual.
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13.1 Anamnese

Fonte: geledes.org.br

A anamnese é um dos instrumentos utilizados no diagnóstico


psicopedagógico, ela consiste em uma entrevista realizada com os pais ou
responsáveis da pessoa que está sendo avaliada e tem o intuito de resgatar a
história de vida do sujeito, coletando informações relevantes que possam desvendar
dados e fatos observados durante a avaliação, a partir dela também é possível
chegar a uma hipótese diagnóstica, com base nas informações obtidas. Portanto, é
necessário que o psicopedagogo esteja atento aos detalhes e registre-os com
precisão.

A história de vida do sujeito em atendimento é interpelada através da


anamnese, ou seja, procura-se obter o maior número possível de
informações sobre a vida do mesmo, sempre documentando e analisando
os dados (SAMPAIO, 2010, apud MOREIRA, 2015, p. 6).

A entrevista engloba, desde os momentos da gestação e concepção, até os


dias atuais. Trata-se de uma lembrança de dados importantes acerca da vida do
indivíduo.
Para Weiss (2007), a anamnese é um dos pontos categóricos de uma boa
avaliação psicopedagógica. Através da entrevista, será possível verificar a
percepção da família acerca da história da criança, da angústia do não aprender, as
expectativas, anseios, afetos, conhecimentos e tudo que se espera do sujeito.

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Considerada como um dos pontos principais de um bom diagnóstico, busca
colher dados significativos sobre a história do sujeito na família, integrando passado,
presente e com projeções para o futuro. Permite entender a inserção do mesmo na
família. O trabalho da Anamnese se inicia com dados das primeiras aprendizagens,
da história clínica, da história familiar do núcleo que o sujeito está inserido, nas
histórias das famílias maternas e paternas e a influência dessas gerações passadas
sobre a família nuclear. É necessário que todos estejam bem à vontade

“[...] para que todos se sintam com liberdade de expor seus pensamentos e
sentimentos sobre a criança para que possam compreender os pontos
nevrálgicos ligados à aprendizagem.” (WEISS, 1992, apud UHLMANN
2018, p. 227).

Anamnese permite a obtenção e análise de dados desde a concepção até a


vida escolar atual do aluno, considerando que se trata de uma investigação profunda
e detalhada. Leva em consideração como foi o processo gestacional, se a gravidez
foi desejada ou não por ambos os pais assim como por toda a família, qual opção de
parto, posteriormente analisar sobre as primeiras aprendizagens como usar
mamadeira, copo, a colher, quando aprendeu a sentar, engatinhar, a andar,
controlar seus esfíncteres, com objetivo de descobrir como a família possibilita e
participa do desenvolvimento cognitivo da criança. Se os pais não permitem o
descobrimento ou bloqueiam novas experiências da criança por si só evitando, por
exemplo, comer sozinha para não se sujar, não tira a fralda para não urinar em casa,
também não permitem que haja o processo de desenvolvimento do equilíbrio entre
assimilação e acomodação, causando o processo chamado de hipoassimilação,
onde os pais acabam retardando o desenvolvimento da criança. Por outro lado,
existem pais que forçam as crianças a realizarem sozinhas atividades para as quais
ainda não possuem maturidade em seu organismo, não estando portando a criança
pronta para assimilar, é o chamado Hiperassimilação, que acaba acelerando
negativamente o pensamento da criança, tornando as precoces.
Dando continuidade ao processo investigatório, o psicopedagogo por meio da
Anamnese também abordará a história clínica da criança, abordando as possíveis
doenças, como foram diagnosticadas e tratadas, se resultaram em alguma
consequência. É também de grande relevância saber a história escola do sujeito,
desde quando começou a frequentar a escola, como foi o primeiro dia de aula, se
existiram frustrações, entusiasmos, porque os pais escolheram aquela escola, se
28
houve alguma troca de escola, quais são os aspectos positivos e negativos e as
possíveis consequências para o processo de aprendizagem. As informações obtidas
na Anamnese deverão ser registradas para levantar hipóteses que poderão justificar
a defasagem do indivíduo, bem como auxiliar na seleção de outros instrumentos de
diagnóstico.

13.2 Entrevista Operativa Centrada na Aprendizagem (EOCA)

A Entrevista Operativa Centrada na Aprendizagem é um instrumento que


auxilia no processo de avaliação psicopedagógica, ele foi idealizado por Jorge Visca,
inspirado na psicologia social de Pichon-Rivière, nos postulados da psicanálise e no
método clínico da escola de Genebra, é um instrumento de fácil uso e avalia, através
de uma entrevista, a aprendizagem (BOSSA, 2007). Conforme Visca (1987),

[...] o teste consiste em solicitar ao sujeito que mostre ao entrevistador, o


que ele sabe fazer, o que lhe ensinaram a fazer e o que aprendeu a fazer,
isso é chamado de consigna. Cada indivíduo tende a proceder de formas
diferentes no momento em que houve a consigna. (VISCA, 1987, apud
MOREIRA, 2015, p. 7).

A avaliação do teste baseia-se em três pilares que fornecerão a formulação


de hipóteses que devem ser verificadas em outro momento do diagnóstico, sendo
eles: a temática, a dinâmica e o produto. A temática consiste em tudo aquilo que o
sujeito diz. A dinâmica é tudo aquilo que o sujeito faz, por meio de gesticulação,
sons, postura corporal, pela própria fala, tom da voz. Por fim, o produto, que é tudo
aquilo que a criança deixa registrado no papel.
Através da EOCA podemos observar qual a modalidade de aprendizagem da
criança em questão, podendo ser esta hipoassimilativa, hiperassimilativa,
hipoacomodativa, hiperacomodativa ou a assimilação e a acomodação podem estar
em equilíbrio. Hipoassimilativa- A criança é muito tímida, fala pouco, não explora os
objetos e costuma querer ficar em uma só atividade. Hiperassimilativa- Durante a
atividade, a criança fala sobre diversos assuntos, faz perguntas, questionamentos,
mas não costuma ouvir, pois ela já está formulando outra pergunta para o
entrevistador. Ela pode prender-se aos detalhes e o não observar o todo.
Hipoacomodativa- Demonstra dificuldade no estabelecimento de vínculos
emocionais e cognitivos. Assim como a hipoassimilativa, a criança também não

29
explora muito os objetos e quer permanecer em apenas uma atividade. A criança
pode ser confundida como um (a) menino (a) preguiçoso (a). Hiperacomodativa- A
criança prefere copiar, tem dificuldade em criar, inventar. Aceita tudo, é muito
obediente, submisso e com pouca autonomia.
A partir da aplicação da entrevista, o psicopedagogo poderá formular suas
hipóteses, conforme as observações que foram feitas e levando em consideração a
temática, a dinâmica e o produto. Sendo assim, o profissional poderá chegar a
algumas conclusões, como por exemplo, qual o nível cognitivo da criança, qual o
nível de leitura, se a criança tem dificuldade em organização, se tem iniciativa,
identificar a modalidade de aprendizagem, suspeitar de algum distúrbio, analisar a
coordenação motora da criança, entre outras hipóteses que possam ter relevância.

O que é relevante na EOCA é observar quais são os conhecimentos da


pessoa que está sendo avaliadas, quais são suas habilidades, seus
anseios, seus níveis de operatividade. É, a partir dessa entrevista, que o
psicopedagogo poderá extrair suas hipóteses, o que futuramente irá
contribuir para a intervenção. (VISCA, 1987, apud MOREIRA, 2015, p. 8).

13.3 Provas Operatórias de Piaget

As provas operatórias auxiliam na avaliação psicopedagógica no sentido de


que é possível conhecer o funcionamento e o desenvolvimento das funções lógicas
do sujeito em atendimento, ainda é possível verificar o nível cognitivo em que a
criança se encontra e se há a hipótese de atraso cognitivo em relação a sua idade
cronológica. Segundo Visca (1987), as provas operatórias têm o intuito de
determinar o nível de pensamento do sujeito.
Weiss (2003) corrobora com a ideia de Visca (1987), quando afirma que:

[...] as provas têm por objetivo definir o grau de alcance das noções
essenciais do desenvolvimento cognitivo, podendo detectar o nível de
pensamento adquirido pelo sujeito. (VISCA, 1987, apud MOREIRA, 2015, p.
8).

É necessário que o psicopedagogo tenha em mente que, a aplicação de um


pequeno número de provas de conservação, em uma mesma sessão, a elaboração
cuidadosa das perguntas, evitando-se erros e consequente alteração no resultado
das provas e a precaução para que não haja uma possível contaminação das
respostas do sujeito, alternância das provas consiste no bom procedimento para a

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aplicação do instrumento. De acordo com MOREIRA, 2015, as respostas do teste
em questão são classificadas em três níveis: Nível 1: não há conservação, o sujeito
não atinge o nível operatório nesse momento. Nível 2: as respostas apresentam
oscilações ou não são completas. Em um momento conservam outro não. E, por fim,
Nível 3: as respostas demonstram aquisição da noção, sem vacilação.

13.4 Teste de Desempenho Escolar

O Teste de Desempenho Escolar (TDE) foi proposto por Lilian Milnitsky Stein,
ele consiste em um instrumento psicométrico, que possibilita uma avaliação das
capacidades fundamentais para o desempenho escolar, são elas: a escrita, a
aritmética e a leitura (STEIN, 1994). O teste avalia escolares de 2º a 7º anos do
Ensino Fundamental, podendo ser utilizado, com algumas exceções, pelos 8º e 9º
anos.
Conforme Stein (1994), o Teste de Desempenho Escolar é composto por três
subtestes: escrita, aritmética e leitura. O subteste de escrita solicita que o avaliado
escreva seu nome e outras palavras isoladas que são apresentadas a partir de um
ditado. O subteste de aritmética solicita, primeiramente, a solução oral de problemas
e, em seguida, a resolução de cálculos de operações matemáticas por escrito. E, a
partir do subteste de leitura, a criança deverá ler as palavras isoladas solicitadas.
Esse tem como objetivo avaliar o desempenho escolar, especificamente nas áreas
da escrita, aritmética e leitura. O instrumento deve ser aplicado de forma individual.
Segundo Stein (1994), para que o teste seja aplicado, é necessário que o
psicopedagogo esteja familiarizado com as instruções para uma aplicação eficaz. O
aplicador deverá explicar para a criança o que deve ser feito, instruí-la de como
funciona o TDE. O levantamento de seus dados é feito registrando os itens
respondidos de forma correta, cada item correto vale 1 (um) ponto. Cada subteste
terá uma pontuação, a soma de todos os pontos subteste em questão é denominada
Escore Bruto (EB). O somatório dos Escores Brutos dos três subtestes será o
Escore Bruto Total (EBT).
O teste conta com algumas tabelas para a classificação dos Escores Brutos
por série escolar, ao todo são seis tabelas, uma para cada série. Cada tabela é
composta por uma classificação baseada no Escore Bruto de cada subteste (escrita,

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leitura e aritmética). As classificações podem ser três: Superior, Médio e Inferior,
apenas os escores brutos para o 2º ano foram classificados em quatro níveis
(Superior, Médio Superior, Médio Inferior e Inferior), a fim de que não ficassem
agrupados em intervalos muito grandes.

13.5 Atividades de Leitura, Escrita, Aritmética e Interpretação Textual

As atividades de leitura, escrita, aritmética, coordenação motora,


reconhecimento das letras, de coordenação motora, identificação das características
da personalidade da criança e de interpretação textual, são extremamente
importantes para o diagnóstico psicopedagógico, pois a criança se diverte por meio
de brincadeiras, jogos, brinquedos, tarefas e ainda é possível investigar o nível de
aprendizagem da criança em atendimento e detectar as principais dificuldades de
aprendizagem.

Os jogos e brincadeiras permitem que a criança tenha conhecimento sobre


si mesmo e sobre o mundo, eles contribuem tanto para o desenvolvimento
da criatividade e raciocínio, quanto para seu desenvolvimento cognitivo e
emocional (PEDROZA, 2005, apud MOREIRA, 2015, p. 9).

Brenelli (1996) corrobora com a ideia de Pedroza (2005), afirmando que o


jogo consiste em uma atividade que tem enormes contribuições para a educação de
crianças, pois possibilita o desenvolvimento cognitivo, afetivo, social, motor e ainda
contribui para aprendizagem. Em seguida, serão abordadas algumas definições e
informações sobre a Deficiência Intelectual, que possibilitará um conhecimento
prévio a cerca da deficiência e seus comprometimentos.

14 A IMPORTÂNCIA DA AVALIAÇÃO E DIAGNÓSTICO PSICOPEDAGÓGICO

Ao se colocar diante de um sujeito e sua família, de primeiro momento já há


uma implicação do psicopedagogo em se situar nas possibilidades de escuta da
história de vida que irá se apresentar a partir daí para além de uma simples queixa.
Receber alguém que pede esclarecimentos em relação a determinadas
questões e dúvidas que envolvem o aprendizado, requer, antes de tudo, respeito e
comprometimento com o que está por vir.

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Assim se dá o começo de uma avaliação psicopedagógica: de maneira
apurada e investigativa, a escuta analítica é primordial para se promover um
encontro da fala da família e do sujeito, com o saber do profissional que o escuta.
(GERMANO, 2018).
Trata-se de uma investigação que consiste na compreensão, de ordem
global, com base em Weiss (2008), na forma de aprender e dos desvios que estão
ocorrendo nesse processo. É a organização de dados em relação a vida biológica,
intrapsíquica e social de forma única e pessoal.
Após o acolhimento com a família, existe a necessidade de apurar as
formulações de hipóteses através de encontros com o sujeito, sendo possível utilizar
alguns instrumentos tais como: Entrevista Familiar Exploratória Situacional (EFES),
Entrevista Operativa Centrada na Aprendizagem (EOCA) elaborada por Visca,
Sessões Lúdicas (criadas por Weiss), provas e testes diversos, Diagnóstico
Operatório (autoria de Piaget), bem como entrevistas com a equipe da escola e com
outros profissionais, análise de produção do sujeito em questão como, por exemplo,
o material escolar, desenhos, construções e o que for necessário. (GERMANO,
2018).
A Anamnese com a família se faz essencial por apresentar a visão familiar da
história de vida do sujeito em relação a preconceitos, normas, culturas, expectativas,
circulação de afetos e conhecimentos, além do peso das gerações anteriores que às
vezes é depositado no sujeito (Weiss, 2008).
Vale lembrar que, o diagnóstico psicopedagógico é um processo, um
contínuo que sempre poderá ser revisado, onde a intervenção do psicopedagogo
inicia numa atitude investigadora, até a intervenção. É preciso observar que essa
atitude investigadora, de fato, prossegue durante todo o trabalho, na própria
intervenção, com o objetivo de observação ou acompanhamento da evolução do
sujeito (BOSSA, 2000, p.95).
Mesmo diante da importância de alguns instrumentos de intervenção
avaliativa no diagnóstico psicopedagógico, é essencial destacar, segundo Weiss
(2008), que o sucesso do diagnóstico não está no grande número de instrumentos
utilizados, mas, principalmente, na competência e sensibilidade do psicopedagogo
em explorar a multiplicidade de aspectos revelados em cada situação.

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Como consequência, a elaboração da devolutiva, tanto para o sujeito como
para a família, exige um momento que deve ser considerado desde a queixa inicial,
assim como todo o trabalho desenvolvido, detalhadamente, em cada sessão, as
entrevistas investigativas (família, escola, profissionais e o próprio sujeito), seguido
de orientações e devidos encaminhamentos.
Todos os aspectos apresentados devem ser necessariamente sustentados
pelo bom senso e propriedade do psicopedagogo em construir com o sujeito e
família questões relacionadas com a queixa inicial, assim como também de destacar
as potencialidades e as necessidades que fazem parte também do contexto de
aprendizado do sujeito como um todo, no sentido de prosseguir com condutas e
estratégias que realmente signifiquem o sujeito e suas particularidades em aprender.
(GERMANO, 2018).

14.1 Entrevista de Queixa

A queixa escolar poderá ser recebida pela direção, orientação e professores,


onde teremos a primeira visão do sintoma apresentado pela escola. É importante
estar atento de como os profissionais envolvidos com a criança encaram esta
dificuldade de aprendizagem e o que esperam desta avaliação.
Num segundo momento, é necessário ouvir a queixa do próprio sujeito, para
poder perceber se tem consciência da sua dificuldade e o que espera da possível
proposta de intervenção.
Passando, assim, para a entrevista com os pais ou responsáveis, que poderá
ser bem detalhado através da anamnese, onde serão observadas as reações
comportamentais dos demais.

14.2 Técnicas Projetivas Psicopedagógicas

A área emocional avalia o lado afetivo frente à aprendizagem nos âmbitos:


escolar, familiar e consigo mesmo. Dão informações sobre o aspecto emocional e
relacional. As técnicas projetivas Psicopedagógicas buscam entender o vínculo que
o sujeito estabelece com a realidade e com a própria aprendizagem. Investiga-se a
rede de vínculos em três domínios: escolar, familiar e consigo mesmo.

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O uso de provas e testes não é indispensável em um diagnóstico
psicopedagógico, porém representa um recurso a mais a ser utilizado quando
avaliado necessário na especificação do nível pedagógico, estrutura cognitiva e ou
emocional do sujeito. Provas operatórias, testes psicométricos e técnicas projetivas
poderão ser relacionados de acordo com a necessidade de confirmação de aspectos
levantados aos longos das sessões anteriores (E.F.E.S, Anamnese, Sessões
Lúdicas centradas na Aprendizagem, etc.). Existem diversos tipos de testes e provas
para serem atrelados a um diagnóstico, como as provas de inteligência (WISC é o
mais conhecido, porém de aplicação exclusiva por psicólogos), avaliação
perceptomotora (Teste de Bender, cujo objetivo é avaliar o grau de maturidade viso
motora do sujeito, também só podendo ser aplicado por psicólogos); testes
projetivos (CAT, TAT, desenho da família, desenho da figura humana, também de
uso apenas para psicólogos). Os psicopedagogos devem ser criativos e desenvolver
atividades que atendam a mesma propositura dos testes apenas administrados por
psicólogos, ou trabalhar em conjuntos com uma equipe multidisciplinar objetivando
levantar todos os aspectos que envolvem a hipótese do diagnostico inicial
lembrando sempre que a psicopedagogia não é um ramo da medicina, mas sim da
educação acoplado com a saúde. Dessa forma prioriza-se o conhecimento sobre o
qual o processo que se dá a aprendizagem. Lembrando também que algo
padronizado não vai servir para todos os “aprendentes”, os testes são apenas umas
das alternativas de uso.

“[...]as provas operatórias têm como objetivo principal determinar o grau de


aquisição de algumas noções chave do desenvolvimento cognitivo,
detectado o nível de pensamento alcançado pela criança, ou seja, o nível de
estrutura cognitiva que opera”. (WEISS 2012, apud UHLMANN 2018, p.
229).

Os psicopedagogos podem aplicar diretamente os testes de TDE (que busca


oferecer de forma objetiva a avaliação das capacidades fundamentais para o
desempenho escolar, mais especificamente da escrita, aritmética e leitura); Teste
ABC (para verificar nas crianças de escola primária o nível de maturidade requerido
para a aprendizagem da leitura e da escrita); Provas de nível de pensamento
(Piaget, como alvo principal crianças na fase escolar, com objetivos de investigar e
avaliar o nível cognitivo da criança e constatar se realmente corresponde a sua

35
idade cronológica ou se existe alguma defasagem), testes psicomotores e jogos
psicopedagógicos.

15 ENTREVISTA DE DEVOLUÇÃO E ENCAMINHAMENTO

É o momento em que o psicopedagogo irá relatar o motivo da avaliação


(encaminhamento), período e número de sessões, instrumentos utilizados, descritivo
das dimensões do sujeito, síntese dos resultados que concluiu, articulando as
queixas, os sintomas, os obstáculos e as possíveis causas bem como o prognóstico,
ou seja, as indicações. É perfeitamente normal que esse momento seja norteado por
muita ansiedade dos envolvidos, ou seja, o psicopedagogo, o paciente e os pais e
que deve ser bem conduzida para que haja efetiva participação de todos na
eliminação das dúvidas, não se deve ater somente a apresentação das conclusões,
é necessário sensibilizar os pais para que tomem todas as rédeas e assumam o
problema em todas as suas dimensões, procurando afastar rótulos e fantasmas.

16 A PSICOPEDAGOGIA INSTITUCIONAL EM COLABORAÇÃO À GESTÃO


EDUCACIONAL

Fonte: professorreflexivo.com.br

A importância da Psicopedagogia Institucional consolida-se no momento em


que o profissional dessa área consegue olhar e escutar com a devida atenção um
36
grupo de pessoas que faça parte de uma instituição/escola. Dessa forma, por meio
da avaliação Psicopedagógica Institucional, é possível compreender quais as
necessidades desse grupo, qual a melhor forma para que ele aprenda e se
desenvolva de forma ampla.

O trabalho psicopedagógico institucional é realizado com base na análise


das redes de relações que se estabelecem em instituições que atuam,
direta ou indiretamente, em processos de ensino e aprendizagem. Logo,
seu objeto de estudo é a instituição, seja ela uma escola, um hospital ou
uma empresa, onde pessoas se relacionam, ensinam e aprendem.
(GRASSI, 2009, apud TEIXEIRA, 2015, p. 3).

Pode-se compreender a amplitude de abordagem dessa área que não se


detém apenas ao ambiente escolar. Além disso, firma-se que a psicopedagogia no
espaço institucional tem um papel importante no auxílio nas relações de ensino e
aprendizagem. Essa relação é influenciada por todos que a constituem, sejam
alunos, professores, comunidade escolar em geral, assim como as metodologias
utilizadas. Portanto, é preciso compreender essas diferenças e aproveitar de cada
um aquilo que melhor pode contribuir para um processo de ensino e aprendizagem
que busque minimizar ou até superar as dificuldades identificadas no contexto da
instituição.
Dessa forma, o psicopedagogo, em uma ação institucional, dedica atenção ao
grupo e pode atuar de forma preventiva. Isso possibilita a abordagem de diferentes
projetos, a compreensão da cultura dessa instituição e a forma como o grupo
interage entre si. A psicopedagogia institucional se propõe, portanto, a estar atenta
às inúmeras possibilidades de construção do conhecimento e valorizar o imenso
universo de informações que nos circunda. Para isso, em sua atuação o
psicopedagogo institucional, busca contribuir de forma com que a instituição melhore
no processo de ensino, e que isso aconteça por meio de trabalhos envolvendo
aprendizagens cooperativas, do estreitamento da relação com a comunidade
escolar, da promoção de momentos de formação para seus professores, entre
outros.
É muito importante o diálogo no processo de avaliação institucional quando o
psicopedagogo se insere na atuação na escola.

“O psicopedagogo desenvolve seu trabalho orientando os elementos que


compõem essa instituição, pontuando o que precisa ser feito e, às vezes,

37
como deve ser feito, sendo o diálogo fundamental nesse processo”.
(GRASSI, 2015, apud TEIXEIRA, 2015, p. 35107).

Além disso, é essencial, no processo de avaliação, observar a instituição


como um todo, como acontece o seu funcionamento, como o processo de ensino e
de aprendizagem é direcionado e como as relações entre o grupo constituem-se e
estabelecem-se. O olhar para a rede de relações e de ações, que estão presentes
na instituição, acarreta também a percepção e a compreensão de fatores de ordem
social, política e econômica que se refletem no ambiente escolar.
É na interação com seu meio social que o indivíduo se constitui, e um desses
meios é a escola. É nela que o aluno tem espaço para se transformar e influenciar a
transformação dos outros. Logo, nessa troca mútua, com influências diversas
advindas de todas as realidades que circundam o espaço escolar, é que se torna
possível perceber os avanços e também as dificuldades e os fracassos. A
dificuldade de aprendizagem é um sintoma que se destaca na escola, mas pode
emergir de uma situação social, familiar, entre outras.

“[...] a dificuldade de aprendizagem pode, portanto, caracterizar-se como


um sintoma que emerge em uma situação familiar, configurando-se a partir
do não-cumprimento das funções sociais por parte de determinado sujeito,
[...]”. (Oliveira, 2009, apud TEIXEIRA, 2015, p. 4).

Todas essas convergências de influências que cercam a vivência tanto de


alunos quanto de professores refletem-se na atuação pedagógica, na Gestão
Educacional e na intervenção Psicopedagógica Institucional. Por isso é preciso estar
sempre atento à realidade que circunda a instituição e aos comportamentos e às
ações dos indivíduos que dela fazem parte. Ao realizar a atuação psicopedagógica,
o psicopedagogo institucional vai analisar o sintoma referido na queixa prestada e,
diante disso, o que isso afeta no funcionamento da instituição e no processo de
ensino e aprendizagem. Depois de realizado todo o processo de avaliação, o
psicopedagogo institucional irá chegar a um diagnóstico da realidade estudada.

[...] o diagnóstico é muito mais do que uma coleta de dados, sobre a qual se
organiza um raciocínio. Ele é um momento de transição, como um
passaporte para a intervenção posterior. Usa de aproximação sucessiva
para entrar em contato com seu objeto de estudo. [...] (Oliveira, 2009, apud
TEIXEIRA, 2015, p. 5).

38
Essa troca é uma dinâmica de relações e que assim deve ser entendido. Além
disso, para entender o processo de ensinar e aprender, é preciso ter uma
compreensão das causas do sintoma apresentado, como também é preciso um
olhar psicopedagógico direcionado ao fenômeno. Para compreender as causas do
sintoma apresentado, é importante que se conheça a realidade vivenciada, com a
finalidade de melhor direcionar a ação psicopedagógica.
Ao propor uma intervenção, o psicopedagogo precisa refletir sobre as
necessidades da escola para que sua atuação venha a contribuir para a solução
dessas demandas. Então, é preciso influenciar a reflexão crítica sobre a atuação no
ambiente escolar e o processo de ensino e aprendizagem perpassando por todas as
instâncias da instituição. A intervenção do psicopedagogo tem como objetivo
potencializar ao máximo a capacidade de ensinar dos profissionais que a integram e
a capacidade de aprender dos alunos, supondo que há um complexo emaranhado
em que aspectos estruturais e organizacionais e as configurações relacionais intra e
extra instituições interagem constantemente.
Portanto, a intervenção psicopedagógica visa a possibilitar a transformação
tanto da instituição como dos próprios sujeitos, compreendendo a dinâmica
estabelecida entre as partes e buscando a melhor forma de operacionalizá-las.
Assim, acontecerá um trabalho colaborativo entre a psicopedagogia e a gestão
educacional, possibilitando uma transformação de forma mais abrangente, com a
reflexão não apenas no ambiente escolar, mas também que se estenda para a
comunidade escolar.
É necessário que a atuação do psicopedagogo esteja de acordo e leve em
consideração a proposta apresentada no Projeto Político Pedagógico da instituição,
pois esse documento é o que define o perfil da escola e de suas ações. Com isso,
tendo conhecimento do que embasam as ações dessa instituição, o psicopedagogo
institucional pode agir em colaboração a Gestão Educacional.

[...] gestão educacional corresponde ao processo de gerir a dinâmica do


sistema de ensino como um todo e de coordenação das escolas em
específico, afinando com as diretrizes e políticas educacionais públicas,
para a implementação das políticas educacionais e projetos pedagógicos
das escolas compromissados com os princípios da democracia e com
métodos que organizem e criem condições para um ambiente educacional
autônomo [...] de participação e compartilhamento [...], autocontrole [...] e
transparência (LÜCK, 2006, apud TEIXEIRA, 2015, p. 6).

39
Pensar, pois, um processo educacional e a ação das escolas significa definir
um projeto de cidadania e atribuir uma finalidade à escola que seja congruente com
aquele projeto. Nesse viés torna-se evidente a necessidade de articulação entre
gestão e comunidade escolar.

A gestão democratizada da escola autônoma consiste na mediação das


relações intersubjetivas, compreendendo, antes e acima das rotinas
administrativas: identificação de necessidades; negociação de propósitos;
definição clara de objetivos e estratégias de ação; linhas de compromissos;
coordenação e acompanhamento de decisões pactuadas; mediação de
conflitos, com ações voltadas para a transformação social (BORDIGNON,
2011, apud TEIXEIRA, 2015, p. 6).

Nesse sentido, conhecer e ter uma relação próxima entre comunidade escolar
e a escola é imprescindível. Além disso, torna possível que todos trabalhem em prol
da educação. Participando da rotina escolar, o psicopedagogo interage com a
comunidade escolar, participando das reuniões de pais - esclarecendo o
desenvolvimento dos filhos; dos conselhos de classe - avaliando o processo didático
metodológico; acompanhando a relação professor-aluno - sugerindo atividades ou
oferecendo apoio emocional e, finalmente acompanhando o desenvolvimento do
educando e do educador no complexo processo de aprendizagem que estão
compartilhando.
Essa ideia vem a corroborar com a educação, entendida como emancipação
humana, precisa levar em conta a condição de sujeito tanto de educandos quanto de
educadores. A partir disso, é importante que sejam feitos esforços para
compreender ambas as partes e as necessidades específicas identificadas. Para se
ter um processo de ensino e aprendizagem estimulador para alunos e professores, é
necessário compreender o que os alunos precisam para aprender e o que os
professores precisam para ensinar. Além disso, é preciso que se tenham
professores preparados por meio de processos formativos e que procurem
proporcionar aos seus alunos experiências educacionais que estimulem o processo
de aprendizagem tornam a prática enriquecedora.
A respeito da atuação do psicopedagogo na instituição promovendo
formações e orientações, pode-se dizer que: o psicopedagogo pode desempenhar
uma prática docente, envolvendo a preparação de profissionais da educação, ou
atuar dentro da própria escola. Cabe também ao profissional detectar possíveis
perturbações no processo de aprendizagem; participar da dinâmica das relações da

40
comunidade educativa a fim de favorecer o processo de integração e troca;
promover orientações metodológicas de acordo com as características dos
indivíduos e grupos; realizar processo de orientação educacional, vocacional e
ocupacional, tanto na forma individual quanto em grupo. Os fatores envolvidos na
educação são articulados pela gestão, a qual deve buscar o caminho para planejar e
agir com a participação de todos os sujeitos envolvidos. As ações articuladas - e
com colaboração de diferentes áreas - precisam ter:

A compreensão da visão, missão, valores e princípios assumidos pela


escola, assim como dos seus objetivos e metas, constitui-se em condição
para o estabelecimento da unidade entre as diferentes ações educacionais,
de modo a dar o sentido de continuidade entre elas e obter resultados mais
amplos e consistentes. (LÜCK, 2006, apud TEIXEIRA, 2015, p. 7).

Assim, contar com a colaboração de um psicopedagogo institucional contribui


para que as decisões e a prática a ser realizada tenham uma estratégia bem
elaborada. Isso porque será composta tanto pela visão da gestão quanto da
psicopedagogia, oportunizando, dessa maneira, que os reflexos obtidos sejam
positivos e duradouros. Isso pode ser uma forma de caracterizar a dimensão social
que essas ações em conjunto, tanto da psicopedagogia como da gestão
educacional, podem atingir promovendo mudanças no espaço escolar e na forma
como os sujeitos envolvidos nesse processo relacionam-se entre si e com a própria
educação.
A questão da gestão educacional e a dimensão política e social que a
permeia diz o seguinte: é importante notar que a ideia de gestão educacional,
correspondendo a uma mudança de paradigma, desenvolve-se associada a outras
ideias globalizantes e dinâmicas em educação, como, por exemplo, o destaque a
sua dimensão política e social, ação para a transformação, participação, práxis,
cidadania, autonomia, pedagogia interdisciplinar, avaliação qualitativa, organização
do ensino em ciclos, etc., de influência sobre todas as ações e aspectos da
educação, inclusive as questões operativas, que ganham novas conotações a partir
delas. A respeito da gestão educacional, ela abrange tanto a gestão dos sistemas de
ensino quanto a gestão escolar. Além disso, a gestão educacional tem como foco a
interação social, o que é importante para que se efetive uma gestão democrática e
participativa, com a colaboração da comunidade escolar.

41
Em termos organizacionais, os mecanismos autoritários de mando e
submissão devem dar lugar a processos e dispositivos que favoreçam a
convivência democrática e a participação de todos nas tomadas de decisão.
Nesse sentido é que devem ser implementados os conselhos escolares, os
grêmios estudantis e outras formas que favoreçam a maior participação de
todos os usuários e o relacionamento mais humano e mais democrático de
todos os envolvidos nas atividades escolares. (PARO, 2008, apud
TEIXEIRA, 2015, p. 8).

Dessa forma, para que aconteça uma transformação do processo


educacional, é preciso que seus participantes sejam conscientes de sua
responsabilidade por seus desenvolvimento e resultado. O processo educacional só
se transforma e se torna mais competente na medida em que seus participantes
tenham consciência de que são corresponsáveis pelo seu desenvolvimento e seus
resultados.
A realidade educacional é dinâmica e complexa; por isso, faz-se necessário
valorizar a realidade local e as vivências dos alunos como uma forma de
aproximação que possibilita a compreensão desse meio. Também, enfatiza-se que
com a colaboração de todos os envolvidos no processo educacional é possível
melhor atender as ações necessárias.
Cada vez mais se faz necessário inserir o psicopedagogo na instituição
escolar, já que seu papel é analisar e assinalar os fatores que favorecem, intervém
ou prejudicam uma boa aprendizagem em uma instituição. O papel da
Psicopedagogia e da Educação é o de instituir caminhos entre os opostos que
liguem o saber e o não saber e estas ações devem acontecer no âmbito do
indivíduo, do grupo, da instituição e da comunidade, visando a aprendizagem.
Articular a visão, a partir da Psicopedagogia Institucional com a visão a partir
dos estudos sobre Gestão Educacional, possibilita a compreensão mais abrangente
do processo de ensino e aprendizagem e como agir em momentos de dificuldades.
Ações conjuntas tendem a superar, com maior eficácia, os casos de fracasso e
melhoram a qualidade do ensino. A psicopedagogia institucional pode ter caráter
assistencial e que, nesse formato de atuação,

[...] o psicopedagogo participa de equipes responsáveis pela elaboração de


planos e projetos no contexto teórico/prático das políticas educacionais,
fazendo com que professores, diretores e coordenadores possam repensar
o papel da escola frente a sua docência e às necessidades individuais de
aprendizagem da criança ou, da própria "ensinagem”. (BEYER, 2003, apud
TEIXEIRA, 2015, p. 8).

42
Nesse sentido, a Psicopedagogia Institucional, em colaboração com a Gestão
Educacional, possibilita que sejam elaborados projetos que favoreçam o processo
de ensino e de aprendizagem de forma que compreenda as diferenças existentes e
as necessidades de seus alunos. Também, pode ser um suporte aos professores
para sua formação.
É importante que a escola seja próxima de sua comunidade escolar, que
desenvolvam projetos em parceria. A comunidade precisa participar das ações da
escola e da sua gestão, porque, para o psicopedagogo institucional, essa relação da
comunidade com a escola facilita a compreensão da organização sistemática dessa
instituição e o reflexo no processo de ensino e aprendizagem. O psicopedagogo, em
sua avaliação e atuação, leva em consideração a relação do sujeito com o meio em
que está inserido, pois o processo de aprendizagem é influenciado por essas
vivências. Por isso, a necessidade de a escola ter uma boa relação com sua
comunidade, de atuar de forma que traga elementos do local a sua forma de ensino,
procurando levar em consideração a história de vida e experiências de seus alunos.
Nesse sentido,

[...] entender o sujeito da aprendizagem de forma contextualizada permite


ao psicopedagogo e ao educador que se subsidia pelo saber
psicopedagógico uma visão mais compreensiva das particularidades
existenciais do sujeito, de maneira que se possa melhor inseri-lo nos
sistemas dos quais ele faz parte. (OLIVEIRA, 2009, apud TEIXEIRA, 2015,
p. 35112).

Uma escola que tem uma gestão democrática e participativa, bem organizada
com a participação da sua comunidade e que a escuta, tem evidências positivas no
rendimento dos alunos. Para a atuação do psicopedagogo, o conhecimento da
realidade local ajuda a delinear o perfil e a identificar certas dificuldades; dessa
forma, torna mais fácil o processo de avaliação e de atuação psicopedagógica.
Dificuldades identificadas na escola não são específicas da escola, do aluno,
da família do aluno, mas sim de um conjunto de fatores e sujeitos que contribuem de
alguma forma para isso. Sendo assim, estão envolvidos fatores sociais, institucionais
e individuais, e é importante identificar como cada parte envolvida trata da
dificuldade. Além disso, é importante dar voz aos sujeitos que enfrentam essas
dificuldades e procurar compreendê-los nas suas singularidades, pois, dessa
maneira, será possível auxiliá-los e solucionar ou minimizar as dificuldades
encontradas na escola.
43
Lück (2006) salienta que é necessário reconhecer como elementos
substanciais da realidade o pluralismo, a diversidade e a multiplicidade que são
fatores que compõem a complexidade da realidade estudada. Por isso, a
intervenção de forma articuladora, contextualizada com todos os segmentos
envolvidos proporciona ações engajadas na busca por melhoras no processo de
ensino e aprendizagem.
Ter um conhecimento contextualizado a respeito do caso investigado
proporciona que o psicopedagogo compreenda, de melhor forma, tanto a
especificidade quanto a amplitude do que precisa ser trabalhado em sua
intervenção. No caso da atuação da Psicopedagogia Institucional em colaboração
com a Gestão Educacional, possibilita a análise das dificuldades encontradas na
escola, a partir dos dois pontos de vista, e, assim, encontrar a melhor forma de ação
para que se resolva efetivamente.

17 A CLÍNICA PSICOPEDAGÓGICA E AS DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM

Fonte: guiadoestudante.abril.com.br

Existem muitos fatores que interferem no processo de aprendizagem, porém a


criança não é a única responsável pelos problemas que enfrenta ou que se
encontra. Mas também, não é a busca de culpados por esses problemas que
permitirá encontrar soluções. É preciso o psicopedagogo ter clareza de que a
dificuldade de aprendizagem não se dá isoladamente, mas precisa ser

44
compreendida como um sintoma social, cultural, epistemológico e individual, que se
manifesta na dimensão da singularidade do sujeito. Na realidade, para compreender
os problemas que surgem na aprendizagem, necessita-se um processo de
interação, fora desse não existirá compreensão. Os problemas necessitam ser
analisados considerando o processo interativo existente para haver a aprendizagem.
Dessa forma o psicopedagogo precisa ter um olhar e uma escuta aprofundada a
todos os momentos do processo.

[...] podemos considerar o problema de aprendizagem como sintoma, no


sentido de que o não aprender não configura um quadro permanente, mas
ingressa numa constelação peculiar de comportamentos, nos quais se
destaca como sinal de descompensação. (PAÍN, 1989, apud ESCOTT,
2004, p. 28).

A dificuldade de aprendizagem pode apresentar-se como um sintoma,


mascarando a repressão de algum acontecimento no qual o aprender tem seu
significado, outra possibilidade se dá pela inibição cognitiva, que diz respeito a uma
retratação intelectual do ego. E ainda, tem-se como terceira possibilidade o
comportamento reativo em relação às propostas escolares. Neste caso, a dificuldade
de aprendizagem está fora do sujeito, pois corresponde às inadequações das
propostas escolares às necessidades da criança e às diferenças de ideologia entre
escola e grupo social familiar.
O sintoma do não aprender tem um significado funcional dentro da estrutura
na qual está inserido o sujeito. Nas dificuldades de aprendizagem sintoma, aprender
torna-se um fato ameaçador e, portanto, fonte de sofrimento, de repulsa e de
desprazer. Pode-se dizer que, o que é percebido pelo próprio sujeito ou pelos outros
é chamado de sintoma. Com o sintoma o sujeito sempre diz alguma coisa aos
outros, se comunica, e sobre o sintoma sempre se pode dizer algo. O sintoma é,
portanto, o que surge da personalidade em interação com o sistema social em que
está inserido o sujeito.
O problema de aprendizagem pode ser gerado por causas internas ou
externas à estrutura familiar e individual, ainda que sobrepostas. Os problemas
ocasionados pelas causas externas são chamados de aprendizagem reativos, e
aqueles cujas causas são internas à estrutura de personalidade ou familiar do sujeito
denominam-se sintoma. Segundo as autoras, quando se atua nas causas externas,

45
o trabalho é preventivo. Na intervenção em problemas cujas causas estão ligadas à
estrutura individual e familiar, o trabalho é terapêutico.

“Para entender o significado do problema de aprendizagem sintoma,


deveremos descobrir a funcionalidade do sintoma dentro da estrutura
familiar e aproximar-nos da história individual do sujeito e da observação de
tais níveis operando”. (FERNÁNDEZ, 1991, apud ARAGÃO, 2010, p. 21).

De acordo com essa comparação, no sintoma, existem as possibilidades de


aprendizagem, como a comida existe para o anoréxico, porém se perdeu a vontade
de aprender. E no problema chamado de reativo, pode-se comparar com o
desnutrido, pois nesse caso o sujeito deseja aprender, mas não são ou não foram
proporcionadas situações de aprendizagens viáveis. “Assim como em todas as
classes sociais pode aparecer a anorexia, em todas as situações socioeducativas
pode aparecer o problema de aprendizagem sintoma”.
É de grande importância ter-se claro o que é a desnutrição (fracassos
escolares) e o que é a anorexia (problemas de aprendizagem), para que dessa
forma se possa fazer a intervenção antes que algum deles seja produzido, pois, em
muitos casos, um pode vir a surgir do outro, ou seja, um sujeito com desnutrição
pode vir a se transformar em um sujeito com anorexia como uma defesa, dessa
forma um problema reativo pode vir a se tornar um sintoma. O fracasso escolar ou o
problema de aprendizagem deve ser sempre um enigma a ser decifrado que não
deve ser calado, mas escutado. Dessa forma, quando surgir o “não sei” como
principal resposta, o psicopedagogo deve perguntar-se o que não está permitido
saber.

Para resolver o problema de aprendizagem reativo, necessitamos recorrer


principalmente os planos de prevenção nas escolas (batalhar para que o
professor possa ensinar com prazer para que, por isso, seu aluno possa
aprender com prazer, tender a denunciar a violência encoberta e aberta,
instalada no sistema educativo, entre outros objetivos), porém, uma vez
gerado o fracasso e conforme o tempo de sua permanência, o
psicopedagogo deverá também intervir, ajudando através de indicações
adequadas (assessoramento à escola, mudança de escola, orientação a
uma ajuda extraescolar mais pautada, a um espaço de aprendizagem
extraescolar expressivo, etc.), para que o fracasso do ensinante,
encontrando um terreno fértil na criança e sua família, não se constitua em
sintoma neurótico. Para resolver o fracasso escolar, quando provém de
causas ligadas à estrutura individual e familiar da criança (problema de
aprendizagem – sintoma ou inibição), vai ser requerida uma intervenção
psicopedagógica especializada [...] para procurar a remissão desta
problemática, deveremos apelar a um tratamento psicopedagógico clínico
que busque libertar a inteligência e mobilizar a circulação patológica do

46
conhecimento em seu grupo familiar. (FERNÁNDEZ, 1990 apud BOSSA
2000, p.88).

Em determinados casos de não aprendizagem, a intervenção pode ser feita


na escola, em outros na clínica. A aprendizagem é um processo que resulta de uma
interação do sujeito com seu meio. Dessa forma a dificuldade para aprender se
caracteriza por ser um impedimento, persistente ou momentâneo, do sujeito diante
de obstáculos que surgem nessa interação.
O processo de aprender não acontece em linha reta, numa ascensão suave
de aquisições que vão se somando simplesmente umas às outras; e sim apresenta
um traçado acidentado, definido como “dente de serra”, com picos de alturas
variadas, em que se soma, subtrai-se, divide-se e multiplica-se. Em alguns
momentos o aprendiz resolve as situações com facilidades; em outros, surge a
dificuldade que mobiliza para a solução. A dificuldade na aprendizagem é um
elemento que faz parte do processo de aprendizagem e não deve ser vista sem
vínculo com o mesmo. Sem dificuldade não existe aprendizagem real, não havendo
desequilíbrio, não há busca pelo equilíbrio e a aprendizagem não se faz.

18 A PSICOPEDAGOGIA CLÍNICA E SUA RELAÇÃO COM PROFESSORES,


ESCOLA E FAMÍLIA

Fonte: www.domboscoead.com.br

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É de grande importância que haja um trabalho integrado entre
psicopedagogo, professor, escola e família. Dessa forma é necessário que no
trabalho do profissional de psicopedagogia, se tenha a definição dos papéis dele, do
professor, da escola e da família. Em relação à família no processo de ensino e
aprendizagem:

Propor o pensamento psicopedagógico sistêmico no entendimento das


questões educativas, na família e na escola, é possibilitar uma visão mais
ampla entre o ensinar e o aprender na compreensão do quando, onde e
como acontece. Seria possibilitar aos alunos, crianças e adolescentes,
membro de uma família, assimilarem os conhecimentos que vão adquirindo
em seus contextos culturais, reunindo-os, religando-os em novas bases de
saberes. (MUNHOZ, 2004, apud SCOZ, 2004, p.175)

Com base nessa afirmação, defende-se que um saber só é pertinente se for


capaz de ser situada num contexto, neste caso a família. O ambiente escolar pode
exercer, também, um efeito estimulador para o estudo ativo dos alunos. Os
professores precisam procurar unir-se a direção da escola e aos pais para tornar a
escola além de um espaço educativo, também um lugar agradável e acolhedor. A
família deve estar ligada à escola, pois suas funções se encontram e se
complementam. É na família que se tem as primeiras experiências de
aprendizagem, pois o indivíduo e a família vivem em constante interação.

Sabemos que as famílias podem ser facilitadoras ou inibidoras desse


processo, portanto compreendê-las em suas interações e significados sobre
o que consiste a autoria de pensamento na formação do sujeito autor, como
poder diferenciar-se de suas famílias de origem, acaba sendo um ponto
crucial nos estudos sobre a família, no desempenho de sua função
educativa. (MUNHOZ 2004 apud SCOZ, 2004, p. 181).

O psicopedagogo deve buscar o que significa o aprender para o sujeito e sua


família, tentando descobrir o porquê de o sujeito não aprender. Conhecer como se
dá à circulação de conhecimento na família, qual a modalidade de aprendizagem do
sujeito, não esquecendo qual o papel da escola na construção do problema de
aprendizagem apresentado, tentando também engajar a família no projeto de
atendimento. É a escola, indiscutivelmente, a principal responsável pelo grande
número de crianças encaminhadas ao consultório por problemas de aprendizagem.
Há alguns anos, a falta de clareza a respeito de problemas de aprendizagem fazia
com que os alunos com dificuldade fossem encaminhados concomitantemente para
profissionais das mais diversas áreas da atuação. Pouco a pouco, foi se criando a

48
consciência da necessidade de uma formação mais globalizante e consciente, que
unisse a ação educacional na figura de um único indivíduo apto para integrar
conhecimentos e para atuar de maneira mais objetiva e eficaz. Assim, os
atendimentos antes dispersos entre várias pessoas poderiam centrar-se num só
profissional, facilitando o vínculo do aluno com o processo de aprendizagem e o
resgate de aprender e desenvolver-se.
Assim, é extremamente importante que a Psicopedagogia dê a sua
contribuição à escola, seja no sentido de promover a aprendizagem ou mesmo tratar
de distúrbios nesse processo.

[...] não basta que o psicopedagogo tenha somente uma ação preventiva,
trabalhando com educadores, quando surgirem processos patológicos
individuais; nessas situações cresce a importância da identificação da
patologia e da indicação terapêutica. Da mesma forma, não é suficiente que
o psicopedagogo intervenha terapeuticamente, atendendo ao sujeito
individualmente, sem que sua ação se estenda à instituição escolar. Dentro
dessa perspectiva, as dimensões clínicas e institucionais não se
contrapõem. (WONFEBUTTE, 2001 apud ESCOTT, 2004, p.34).

O profissional de psicopedagogia tem grande importância, atuando, como


assessor na busca da melhoria do processo de aprendizagem e mais importante
ainda é que se desenvolva um trabalho integrado psicopedagogo, professor, escola
e família, no sentido de melhor desenvolver a prática educativa. A reação familiar
frente ao fracasso escolar ou frente ao não aprender, relaciona-se com os valores
que predominam o grupo social ao qual se liga à família, uma imagem desvalorizada
de si mesma. É necessário que a família procure conhecer melhor a escola que vai
escolher para seus filhos, que tipo de homem pretende formar, sua metodologia de
ensino, formas de avaliação, normas disciplinares, atualização de professores, etc.
Nem todas as famílias se comprometem com a escola em que seu filho está
inserido, muitos pais se ausentam da participação escolar. Alguns desconhecem a
importância de sua participação junto à escola e aos professores.
Pensar a escola, à luz da psicopedagogia significa analisar um processo que
inclui questões metodológicas, relacionais e socioculturais, englobando o ponto de
vista de quem ensina e de quem aprende, abrangendo a participação da família e da
sociedade. Sendo assim, o psicopedagogo não irá analisar somente quem ensina ou
quem aprende, mas todo o contexto, incluindo também a família e a sociedade.
Cabem aos profissionais da psicopedagogia livrar-se de estereótipos,

49
generalizações e analisar cada escola com suas histórias e particularidades. O
professor desempenha essa tarefa com dedicação e esforço constante e,
geralmente, ao sentir que a família não colabora ou até atrapalha a sua tarefa,
sente-se impotente e desvalorizado e faltam-lhe estratégias e habilidades para
intervir. Nesses casos, fica difícil ajudar esse aluno, e a relação com a família torna-
se frustrante e difícil. O psicopedagogo pode, então, ajudar a tomar distância, a
analisar a situação com maior objetividade e a tentar mediar nessa relação para
superar a incompreensão ou rejeição que possa gerar.
Dessa forma, família, escola e professores possuem um fundamental papel
no processo de aprendizagem da criança. Essa tríade precisa estar comprometida
com o processo de ensino e aprendizagem e, assim, haverá um trabalho integrado
com o psicopedagogo.

50
19 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Todo processo de aprendizagem é composto por estes elementos: em


primeiro lugar há a pessoa que aprende que traz consigo os órgãos dos sentidos,
seu sistema nervoso, seu sistema muscular e também o conjunto de habilidades e
capacidades que adquiriu anteriormente.
Em segundo lugar, existe a situação estimuladora, compreendendo o conjunto
de fatores que estimulam os órgãos dos sentidos como a família, a escola e a
sociedade que a pessoa está inserida e finalmente, há a ação ou resposta que
resulta da estimulação e da atividade nervosa subsequente. O primeiro elemento
corresponde à condição interna e o segundo, à condição externa, graças ao qual o
terceiro elemento se manifesta, ou seja, a resposta.
As dificuldades de aprendizagem interferem consideravelmente na vida do
cidadão, dessa forma quanto mais precocemente forem observadas melhor será o
seu diagnóstico e tratamento, dando importância e atenção devida que o
compreende. Sabe-se que o déficit de aprendizagem pode ter causas das mais
diversas, como um simples elo afetivo, um suporte pedagógico precário, além de
distúrbios de ordem fisiomotora do sujeito, o importante é que o psicopedagogo
saiba introduzir os meios para um diagnóstico cuidadoso, evitando rotular ou
marginalizar o sujeito aprendiz. Cabe, portanto, ao psicopedagogo diante das
dificuldades apresentadas, ser capaz de ouvir, falar, propor, intervir diagnosticar e
encaminhar corretamente o sujeito á profissionais especialistas quando realmente
necessário, envolvendo nesse trabalho todos os que se relacionam diretamente ou
indiretamente com o indivíduo, ou seja, a família, escola, amigos, etc. Dessa forma o
trabalho do mesmo deverá ser um trabalho de dedicação, de atenção, acolhimento e
sensibilidade para redescobrir o indivíduo, aprimorar e transformar sua vida, através
do respeito a si próprio e ao próximo, tornando – o ativo, capaz e único dentro da
sociedade onde vive.

51
20 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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