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ESCOLA DE REFERÊNCIA EM ENSINO MÉDIO PROFESSORA MARGARIDA DE

LIMA FALCÃO

PAULO RICARDO GALINDO COELHO

INDUSTRIALIZAÇÃO NO BRASIL

Pesqueira
2020
PAULO RICARDO GALINDO COELHO

INDUSTRIALIZAÇÃO NO BRASIL

Pesquisa bibliográfica para área de Ciências


Humanas Escola de Referência em Ensino
Médio Professora Margarida de Lima Falcão.
Professores: Abigail V. Dos Santos; Emerson
Luiz; Gircelio T. L. Galindo e Olegário P. N.
Neto.

Pesqueira
2020
SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO ...................................................................................................................... 1
2. DESENVOLVIMENTO......................................................................................................... 2
3. CONCLUSÃO ........................................................................................................................ 4
4. ANEXO .................................................................................................................................. 5
5. REFERÊNCIAS ..................................................................................................................... 6
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1. INTRODUÇÃO
Na segunda metade do século XVIII o mundo vira a primeira máquina a vapor. Tal
tecnologia fora rapidamente aplicada no ramo têxtil e posteriormente, na criação de locomotivas.
Este acontecimento, revolução industrial, marcou para sempre como o ser humano vive e
produz. Foi a partir de tal revolução que o capitalismo ganhou um novo significado e a
capacidade de produzir em massa, bem como as cidades começaram a crescer
desenfreadamente. O presente trabalho visa analisar superficialmente os períodos
imediatamente antes e durante o processo de industrialização no Brasil, observando os aspectos
sociodemográficos e os movimentos migratórios.
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2. DESENVOLVIMENTO
A onda de desenvolvimento tecnológico europeia, especialmente inglesa, de nada se
aproximava a realidade brasileira no fim do século XVIII. A então colônia portuguesa exportava
principalmente café e outras commodities. Os bens produzidos só podiam ser comercializados
com sua metrópole devido ao Pacto Colonial imposto por Portugal que limitava a autonomia
mercantil da colônia, atrasando o desenvolvimento do Brasil. Tal ato só foi revogado a partir
da chegada da família imperial portuguesa no país e mudança da sede para o Rio de Janeiro em
1807. Diferente da Europa Ocidental, o Brasil demorou mais de um século após a primeira
revolução industrial para ter suas primeiras máquinas, estas importadas do velho continente,
usadas e ultrapassadas. O processo de industrialização no país começou na primeira metade do
século XX, no contexto da Grande Guerra. Surgiu da necessidade da elite de produzir em solo
nacional os produtos não duráveis antes importados, uma vez que a atividade das fábricas
europeias estavam voltadas para a guerra. Também neste contexto, o principal produto de
exportação brasileira, o café, estava em baixa, dando espaço para produtos enlatados, mais
resistentes às condições da guerra. Portanto é nessa época que algumas famílias da elite cafeeira
migram para São Paulo afim de iniciar instalações fabris. Uma vez que a escravidão havia sido
abolida e surgiram ideais racistas de ‘branqueamento populacional’, decide-se buscar por mão
de obra branca. A população do velho continente se via em frangalhos, principalmente aqueles
que seus países não desenvolveram exploração imperialista, como a Alemanha, Itália e alguns
países do leste europeu. Estes eram persuadidos pelo clima e solo brasileiros, uma melhor
condição de vida e a oportunidade de salários maiores. Ao chegarem no Brasil encontraram
empregadores acostumados com a mão de obra preta e escrava. Muitos sofriam maus tratos,
não tinham boa condição de vida e seus salários eram baixos, diferente do que lhes fora
prometido.
Já na era Vargas, visando a centralização do poder, começaram a ser criadas estatais,
empresas fundadas e geridas pelo governo. Dentre elas foram criadas, por exemplo, a Vale do
Rio Doce, a usina hidrelétrica do Vale do São Francisco e a Companhia Siderúrgica Nacional,
sendo a última advinda de um pacto feito pelo Brasil com os Aliados, especialmente os Estados
Unidos da América, na Segunda Guerra Mundial. O pacto previa o apoio brasileiro na guerra,
que era um local estratégico para segurança dos Estados Unidos, em troca da criação de uma
siderúrgica para o refinamento dos metais vindos do quadrilátero ferrífero em Minas Gerais. A
estrutura da indústria de base criada por Getúlio Vargas deu suporte posteriormente ao plano
de industrialização e entrada de capital externo de Juscelino Kubischek.
Em sua obra ‘Vidas Secas’, Graciliano Ramos retrata a fuga incansável da seca por uma
família na caatinga nordestina. Apesar de se tratar de um romance, as motivações das
personagens de Graciliano muito assemelhavam às dos nordestinos em meados do século XX.
A macrorregião brasileira enfrentava um grande recesso de chuvas, que era intermitente devido
ao clima semiárido. O ambiente hostil, as políticas coronelistas, a fome e as notícias de vagas
de trabalho levaram a população do nordeste a verem na região sudeste esperança para uma
vida melhor, uma vez que era lá onde as fábricas se instalavam, principalmente no ABC paulista.
Os imigrantes vinham em paus-de-arara¹, não tinham condições financeiras e muito
frequentemente traziam consigo suas famílias. A diáspora nordestina, como foram chamados
estes movimentos migratórios, mudou as formas das cidades. O cenário de pobreza somado à
falta de políticas públicas sociais e urbanas para suportar a grande quantidade de imigrantes que
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chegavam nas grandes cidades fez com que estas pessoas fossem para as periferias, muitas
vezes viviam em condições precárias, sem saneamento básico, transporte e moradia.
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3. CONCLUSÃO
Ainda hoje é possível observar o atraso tecnológico brasileiro. Apesar do país ter
profissionais capacitados e cientistas requisitados no mundo todo, nossa tecnologia ainda é
importada de fora, o que reflete intimamente o início da industrialização brasileira. É claro
também que os impactos gerados pela imigração persistem até hoje nas grandes cidades, tais
como desigualdade social, precariedade de moradia e manutenção dos espaços na periferia. Faz-
se bom notar também o descaso dos governantes e legisladores brasileiros em relação a essas
zonas urbanas. A industrialização no Brasil ainda é muito nova se comparada aos países de
primeiro mundo pelo fato de ter sido tardia e às políticas limitantes que vêm desde o período
colonial.
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4. ANEXO
1 – Pau de arara é um veículo que tem sua caçamba coberta para o transporte de humanos. É
desconfortável, funcionavam além da capacidade e as viagens do nordeste para o sudeste
nesses veículos duravam entre 4 e 7 dias.

Xilogravura ‘Pau de Arara do Nordeste’, J. Borges, 2020


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5. REFERÊNCIAS

1. Diáspora nordestina e a construção do Brasil; Lili Schwarcz; disponível em:


https://youtu.be/IdGd9vDEltA
2. Ultrapassando Fronteiras – Os 120 anos de Japão e Brasil; documentário produzido por
Leandro Rolim e Márcio Garapa e dirigido por Linei Lopes. Disponível em:
https://youtu.be/9o1d4BZgz6E
3. Revolução industrial, Daniel NEVES, Rafaela SOUSA. Disponível em: Revolução
Industrial: o que foi, fases, consequências - Brasil Escola (uol.com.br)
4. Revolução industrial do Brasil, Eduardo DE FREITAS. Disponível em:
Industrialização no Brasil. Processo de industrialização no Brasil (uol.com.br)
5. Era Vargas – Estado novo; Reiner SOUSA. Disponível em: Era Vargas – Estado Novo.
O Estado Novo e a Constituição Polaca (uol.com.br)