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UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA

Encontro Nacional de Estudantes de Biblioteconomia, Documentação,


Gestão, e Ciência da Informação
Os desafios do profissional da informação frente às tecnologias e
suportes informacionais do século XXI: lugares de memória para a
biblioteconomia
18 a 24 de julho de 2010

GESTÃO DA INFORMAÇÃO (GI) COMO INSUMO PARA O


PROCESSO DECISÓRIO: O Caso da EMPETUR1

Guilherme Alves de Santana*


Alice Cristina do Sacramento**
Gimene Cunha Rodrigues***
Rebeca Seabra Silva****
Shadlla Rossine Porto de Andrade*****
Resumo: A Gestão da Informação (GI) se destaca por estar voltada a produção, comunicação e uso adequado
das informações que subsidiam o processo decisório das empresas. Percebe-se a amplitude da GI no mercado
mundial de negócios por meio da identificação de aspectos relacionados ao ambiente interno (forças e fraquezas)
e externo (oportunidades e ameaças), e pela análise do potencial e situação atual da empresa para a elaboração
das metas e objetivos. Todavia, por ser uma área recente nas organizações, a GI necessita de maiores estudos,
para que suas contribuições e impactos sejam identificados e aproveitados pelas empresas. Neste sentido, o
presente artigo discute como a GI pode atuar como insumo para o processo decisório nas organizações. A fim de
melhor compreender o assunto, os autores empreenderam uma pesquisa de campo realizada em 2010, na
Unidade de Gestão da Informação da Empresa de Turismo de Pernambuco (EMPETUR) localizada em Olinda-
PE. De cunho qualitativo, realizaram-se entrevistas semi-estruturadas, aplicadas aos integrantes do setor e com
gestores da referida instituição. Pretendeu-se assim, diagnosticar os elementos relativos à indução do processo de
tomada de decisão na EMPETUR, ligados a três pilares: realização de pesquisas de contagem e perfil de
demanda turística; atividades rotineiras como tabulação de dados; e transformação dos dados coletados em
informações pertinentes à tomada de decisão. Os resultados apontam que as ações realizadas pela unidade de GI
da EMPETUR, atuam como insumo para o processo decisório, e fomentam a competitividade da atividade
turística de Pernambuco.

Palavras-chave: Gestão da Informação; Turismo; Processo Decisório; Empresa de Turismo de Pernambuco


(EMPETUR).

1
Comunicação oral apresentada ao GT-5 - Temática Livre.

* UFPE. Graduando em Gestão da Informação. guilherme.alves.santana@gmail.com

** UFPE. Graduanda em Gestão da Informação. alicefelixsacramento@hotmail.com

*** UFPE. Graduanda em Gestão da Informação. gimenerodrigues@yahoo.com.br

**** IFPE. Graduanda em Gestão em Turismo. rebeca_belzita@hotmail.com

***** UFPE. Graduanda em Gestão da Informação. shadlla_rossine@hotmail.com


1 Introdução

Embora a informação ocupe importante papel na produtividade e indução da


competitividade, as empresas ainda não fazem seu uso de forma adequada. Neste sentido, a
inserção de novos modelos de gestão que foquem o tratamento e organização da informação
pode ser considerada um fator condicionante para a ocorrência de vantagens competitivas
para as organizações.
Desta forma, a Gestão da Informação (GI) se destaca por compreender aspectos
intrínsecos para o desenvolvimento organizacional, como a produção, a comunicação e o uso
adequado das informações oriundas da área de negócios. Acerca desta afirmação, observa-se
uma lacuna a ser preenchida pela GI, pois esta poderá auxiliar para a maximização dos
recursos humanos e materiais, a otimização dos serviços informacionais e a coordenação para
o alcance das metas e objetivos das organizações.
Sendo assim, a GI pode dinamizar o potencial e a competitividade de empresas de
setores afins. Ao relacionar esta realidade com a atividade turística, percebe-se que as diversas
ferramentas provenientes das novas tecnologias de informação podem proporcionar uma série
de impactos positivos para o crescimento dos empreendimentos do setor. Neste caso, uma
eficiente administração da informação pode se inserir como vantagem competitiva para os
empreendimentos turísticos, já que pode ser pertinente à formulação de estratégias e ações
congruentes com a realidade destas empresas.
Neste sentido, este artigo objetiva analisar quais são as contribuições geradas pela GI
para o processo decisório das empresas. Para tanto, a Unidade de Gestão da Informação da
Empresa de Turismo de Pernambuco (EMPETUR) foi tomada como objeto de estudo, e assim
foram realizadas entrevistas semi-estruturadas com as funcionárias e gestoras do
departamento. Dessa forma, foi possível identificar que o departamento representa um modelo
de gestão e instrumento ativador para o aumento da competitividade, devido aos insumos e
contribuições gerados para o processo decisório da organização.

2 A informação no contexto empresarial

A crescente competitividade do mercado de negócios mundial, propiciada pela


globalização, condicionou as empresas a promoverem a inovação tecnológica e buscarem uma
adaptação às mudanças para lidar com a imprevisibilidade existente na área empresarial.
Neste sentido, as organizações sofreram diversas alterações na cultura organizacional que
resultaram em novos padrões de comportamento e de interação nos métodos de gestão.
De acordo com Dias e Belluzzo (2003), o Brasil teve uma maior abertura do mercado
a partir da década de 90, o que consequentemente, originou uma preocupação com a
eficiência técnica, a capacitação tecnológica e com as variações econômicas internacionais.
Para sobreviverem e se desenvolverem em um contexto empresarial, os gestores das
organizações criaram instrumentos e processos para auxiliar no processo decisório. Para
tomar decisões eficazes, o modo como coletam, avaliam e utilizam a informação deve ser
preciso, uniforme e consistente (BATEMAN; SNELL, 2006). Neste contexto, gestores
passaram a gerenciar a informação para promover o desenvolvimento e qualidade da
circulação das informações internas, além de otimizar a utilização dos recursos materiais e
humanos.
Antes de caracterizar a GI nas organizações, é necessário conhecer o seu objeto de
gerenciamento, que é a “informação”. Constata-se que a informação tem se tornado um
recurso estratégico cada vez mais valorizado para atuar como insumo à tomada de decisão nas
organizações. Segundo Peter F. Drucker (apud DAVENPORT, 1998), informação são dados
compostos por relevância e propósito. Barreto (2006) complementa ao afirmar que a
informação é um dado que gera conhecimento quando se agrega algum valor. Já Beal (2007)
insere a informação na esfera empresarial, colocando-a como um elemento essencial para a
criação, implementação e avaliação das estratégias nas organizações. Assim, a informação é
um conjunto de dados pertinentes à formulação de estratégias, ou seja, está intrinsecamente
ligada ao processo de tomada de decisão nas organizações, podendo inserir-se através de
diferentes tipos no âmbito empresarial (ver Quadro 1).
Quadro 1 - Tipos de informação utilizados no processo decisório

Tipos de
Definição
Informação
É o conhecimento resultante da pesquisa que se acrescenta ao entendimento
Científica
universal existente.
É todo tipo de conhecimento relacionado com o modo de fazer um produto ou
Tecnológica
prestar um serviço, tendo como objetivo a sua colocação no mercado.
De origem externa e interna, que objetiva conhecer, avaliar, decidir ou transformar
Estratégica
os processos produtivos organizacionais.
Aquela que subsidia o processo decisório do gerenciamento das empresas
De negócios industriais, de prestação de serviços comerciais, nos seguintes aspectos:
companhias, produtos, finanças, estatísticas, legislação e mercado.

Fonte: Adaptado de MONTALLI, CAMPELLO (1997); DIAS, BELUZZO (2003).

Os quatro tipos de informação mencionados pelos referidos autores formam a base


para o processo decisório nas empresas, já que incluem desde informações comerciais,
econômico-financeiras, regulamentares e jurídicas, até as ambientais e de segurança. Neste
caso, tais informações fornecem suporte para que os gestores possam elaborar planos de ação
e diretrizes estratégicas congruentes com a realidade da empresa e assim induzir a
competitividade na área de negócios (MONTALLI, CAMPELLO, 1997; DIAS, BELUZZO,
2003).
É notável que as mencionadas informações, quando gerenciadas, condicionam a
expansão do conhecimento dos gestores quanto às tendências e conjunturas econômicas que
afetam o comportamento do mercado, das empresas fornecedoras de insumos, de
organizações e produtos concorrentes e na implantação e expansão do ambiente operacional.
Estas podem contribuir para a cadeia de valor organizacional, assim como gerar vantagens
competitivas e possibilitar melhoramentos nas ações dos gestores compreendidos em
diferentes níveis organizacionais (LAMBERT, 2007).
Recorrer à GI para a tomada de decisão, então, aumenta a garantia da qualidade do
planejamento, do desenvolvimento e da oferta de serviços e produtos. A circulação de
informações de qualidade (pertinente, clara e precisa) no ambiente interno das organizações
pode ser fator de apoio à decisão, de produção, determinante de comportamento e de indução
para a sinergia organizacional.

3 Contribuições da GI para o processo decisório realizado nas organizações

A tomada de decisão nas organizações está sujeita a fatores como a incerteza e o risco,
que são fatores corriqueiros não apenas no meio empresarial, mas na sociedade em geral. Para
reduzir o índice de erros dos gestores em meio às situações adversas, o gerenciamento da
informação permite a construção de sólidos cenários para as consequências das ações, já que
são elaborados a partir de informações de qualidade (BAZERMAN, 2004).
Percebe-se que uma organização que gerencia a informação terá condições de inovar
enquanto outras empresas estarão desnorteadas devido à variação mercadológica proveniente
das mudanças e incertezas que ocorrem no contexto empresarial, pois quanto maior for o
fluxo de informação, maior será a competência e o nível de maturidade da GI para realizar
inovações ou transferências de tecnologia (DIAS; BELUZZO, 2003).
Devido às atividades atreladas à produção, coleta, organização, armazenamento,
processamento, comunicação, recuperação e uso da informação nas empresas, a GI tem a
capacidade de gerar riquezas de uma forma mais rápida e mais econômica que os ativos
financeiros e outros instrumentos empregados nas organizações. Segundo Dias e Beluzzo
(2003, p. 65):

Gestão da Informação é o conjunto de conceitos, princípios, métodos e


técnicas utilizadas na prática administrativa colocados em execução pela
liderança de um serviço de informação em ciência e tecnologia para atingir
a missão e os objetivos fixados.

Os processos nas organizações estão voltados para as atividades realizadas nas


gerências de finanças, de produção, de recursos humanos, e de marketing e vendas aliadas à
pesquisa e desenvolvimento. Para a realização de atividades relacionadas às áreas
mencionadas, as organizações fazem planejamentos que contém estratégias a serem adotadas
em cada setor. Neste ponto, o gerenciamento da informação apóia a análise do ambiente
interno e externo para posterior formulação do planejamento de cada setor. Observa-se que
uma estratégia bem direcionada tende a colocar a empresa em patamares elevados (ver figura
1), já que a estratégia pode ser vista como uma força mediadora entre a organização e seu
ambiente (MINTZBERG, 2003).

Figura 1 – A informação como matéria-prima para a formulação da estratégia


Fonte: Adaptado de BEAL (2007)

A figura 1 explica que as atribuições da GI dão suporte à coleta de informações no


ambiente interno e externo, logo, ela acelera a elaboração de estratégias que poderão aumentar
a competitividade das empresas através de subsídios que ajudam a tomar uma decisão racional
para a solução de problemas. Por conseguinte, a GI pode influenciar na formulação do
planejamento estratégico organizacional que está implícito na tomada de decisão e “pode ser
definido como um processo gerencial voltado a criar a adequação dos objetivos e recursos da
empresa às mudanças de oportunidades de mercados” (MORITZ; PEREIRA, 2006, p.16).
Vale ressaltar que a adoção de novas estratégias administrativas, como a
implementação de modelos de administração com base em GI, implicam em mudanças que os
tomadores de decisões devem estar preparados para lidar. A ocorrência de mudanças
administrativas relativas à adoção da GI leva as empresas a não se basearem em práticas
tradicionais, o que é uma quebra de paradigma e uma exaltação de parâmetros subjetivistas no
âmbito organizacional.

4 Gestão da Informação e Serviços Turísticos

A importância que o turismo conquistou no cenário atual possui forte relevância para o
crescimento econômico de uma região. Percebe-se que esta atividade é capaz de gerar novos
empregos e aumentar as receitas de um país. Segundo o Ministério do Turismo (2010), apenas
no mês de março de 2010, os turistas estrangeiros que visitaram o Brasil deixaram US$ 578
milhões. Assim, quando bem planejado, além dos impactos positivos no âmbito econômico, a
atividade turística propicia condições de estimular o aumento da qualidade de vida da
comunidade receptora, auxiliando assim o desenvolvimento social.
É importante salientar que o turismo envolve uma série de ações relacionadas à
promoção do lazer, das viagens e dos elementos complementares que garantem e dão
condições para que exista o deslocamento dos indivíduos. Segundo Barreto (2008, p.17), “o
turismo é um fenômeno social complexo e diversificado”, e por isso é considerado como uma
atividade dinâmica, com conceitos e definições abrangentes, existindo diversas interpretações
a respeito do assunto. Em sua obra, Ignarra (2003, p.14) demonstra a variedade dos serviços
relacionados ao turismo ao afirmar que:

O turismo é uma combinação de atividades, serviços e indústrias, que se


relacionam com a realização de uma viagem: transportes, alojamento,
serviços de alimentação, lojas, espetáculos, instalações para atividades
diversas e outros serviços receptivos disponíveis para indivíduos ou grupos
que viajam para fora de casa. O turismo engloba todos os prestadores de
serviços para os visitantes ou para os relacionados com ele. O turismo é toda
uma indústria mundial de hotéis, transportes e todos os demais componentes,
incluindo o marketing turístico, que atende as necessidades e desejos do
visitante.

Devido à amplitude do setor, observa-se que, para garantir o sucesso no mercado


turístico, os profissionais da área necessitam de uma formação adequada a fim de atender as
exigências da sociedade atual, marcada pelo papel de destaque da informação no ambiente de
negócios e pelo surgimento de novas tecnologias. Os equipamentos turísticos precisam
utilizar a tecnologia e a informação a fim de desenvolver serviços, identificar seu público
(banco de dados) ou para criar meios de acesso ao turista (O’ CONNOR, 2001). Assim como
outros ramos da economia, os benefícios de uma eficiente gestão da informação também
auxiliam de forma relevante a tomada de decisão nas empresas turísticas.
O uso da informação nos empreendimentos turísticos possui três funções primordiais:
identificar qual a melhor forma de investimento no modo de venda do produto; proporcionar
informações aos clientes, para auxiliá-los na escolha dos serviços; utilizar os meios de
informação para divulgar seus produtos e sua empresa (GUIMARÃES; LAPOLLI, 2007).
Percebe-se que as organizações que oferecem serviços turísticos usam as novas tecnologias de
informação e comunicação em várias etapas do planejamento empresarial.
Dessa forma, um gerenciamento eficiente da informação tende a fornecer suporte ao
coletar dados acerca do perfil dos clientes e suas preferências, e também possui a capacidade
de estreitar as relações dos fornecedores com os turistas, através da interatividade existente
nas ferramentas comunicacionais. Deste modo, a gestão da informação merece um papel de
destaque para que os empreendimentos turísticos alcancem sucesso no cenário econômico
atual, auxiliando consideravelmente o processo decisório.
5 Metodologia

Para fundamentar este artigo, foi realizado um estudo de caráter qualitativo, próprio às
ciências humanas e sociais. A respeito dos meios de investigação e técnicas de coleta de
dados, o presente estudo adotou a pesquisa bibliográfica, que foi alicerçada em livros e artigos
científicos provenientes de anais de congressos e periódicos. Deste modo, o material coletado
foi capaz de fornecer aos autores o embasamento teórico necessário para a possibilidade de
análise dos registros acerca do tema previamente delimitado (MARCONI, LAKATOS, 2009).
Com o intuito de melhor compreender os conceitos abordados e evidenciar os insumos
e contribuições da GI para o processo decisório das organizações, a Empresa de Turismo de
Pernambuco (EMPETUR) foi tomada como objeto de estudo. Para tal investigação, os autores
realizaram entrevistas semi-estruturadas (compostas por questões abertas e fechadas) em
março de 2010, com as quatro funcionárias e as duas gestoras do quadro de colaboradores da
Unidade de Gestão da Informação da EMPETUR. As entrevistas foram compreendidas pelas
seguintes variáveis: a caracterização da instituição; o perfil dos recursos humanos da Unidade
de Gestão da Informação; e as contribuições fornecidas para o processo decisório. Estas
variáveis foram escolhidas devido à inerente relação com os aspectos positivos à certificação
MPS.BR na organização.

6 Análise dos Resultados e Discussão

A Empresa de Turismo de Pernambuco (EMPETUR) foi criada em 1987, como uma


organização pública, com o propósito de condicionar a competitividade turística do estado
frente aos destinos da Região Nordeste. Atualmente, é uma sociedade anônima que tem por
principal função promover, controlar, planejar, organizar e desenvolver o turismo no estado,
em parceria com a Secretaria Estadual de Turismo (SETUR).
A Unidade de Gestão da Informação da EMPETUR coleta, gerencia, utiliza e divulga
informações relacionadas ao turismo em Pernambuco. Durante todo o ano, este departamento
empreende atividades para melhor compreender o potencial e o produto turístico,
armazenando informações primordiais à definição de metas e estratégias à gestão pública da
atividade turística em âmbito estadual. Para caracterizar como a Unidade de Gestão da
Informação subsidia o processo decisório da EMPETUR, realizou-se entrevistas com as
quatro funcionárias e as duas gestoras do departamento. As entrevistadas possuem faixa etária
entre 25 e 31 anos, nível superior completo e renda mensal média de 3 salários mínimos.
Como visto anteriormente, a implementação da GI nas organizações permite aos
tomadores de decisão se antecipar à situação dos mercados, à evolução da concorrência, e à
identificação e avaliação do ambiente concorrencial através de ações estratégicas ofensivas e
defensivas. Procurou-se, assim, evidenciar as principais atividades realizadas pelo setor, pois
elas estariam intrinsecamente ligadas ao processo de tomada de decisão da EMPETUR.
As entrevistas apontaram, então, que dentre as atividades do setor, seis tarefas são
consideradas prioritárias, pois exigem um maior nível de atenção e dedicação (ver gráfico 1).

Gráfico 1 - Indicador das principais atividades realizadas pela Unidade de GI

Realização de Pesquisas de
Campo
7% 30% Tabulação dos dados
13% coletados nas pesquisas
Transformação dos dados
para informação
10% Construção de Indicadores
Hoteleiros
Estimativa de Fluxo de
23% 17% Entrada de Turistas
Identificação de Oferta de
Meios de Hospedagem

Fonte: Elaboração própria

Dentre as seis atividades realizadas pela Unidade de Gestão da Informação da


EMPETUR, expostas no Gráfico 1, percebe-se que a realização de pesquisas de campo (30%),
transformação dos dados para informação (23%) e tabulação dos dados coletados nas
pesquisas (17%) representam a maior parte (70%) do percentual total das principais atividades
realizadas pela unidade. Já a estimativa de fluxo de entrada de turistas (13%), a construção de
indicadores hoteleiros (10%) e identificação de oferta dos meios de hospedagem (7%) somam
30 % do total.
Neste sentido, diagnosticou-se que os elementos relativos à indução do processo de
tomada de decisão existentes, oriundos do trabalho da Unidade de Gestão da Informação da
EMPETUR, estão ligados às três atividades consideradas mais relevantes pelas integrantes do
departamento, sendo elas: realização de pesquisas de campo para contagem e perfil de
demanda turística; atividades rotineiras como tabulação de dados; transformação dos dados
coletados em informações pertinentes a tomada de decisão. Com a constatação das três
principais atividades mais pertinentes para a tomada de decisão, objetivou-se obter descrições
de cada uma delas:
a) Realização de Pesquisas de campo nos municípios de Pernambuco:
(1) O setor estrutura um projeto de pesquisa que inclui a definição dos objetivos, tamanho da
amostra, período de realização, elaboração de um questionário e suas variáveis; (2) seleção e
treinamento de pesquisadores e coordenadores; (3) execução da pesquisa de campo nos
municípios de Pernambuco; (4) validação e análise dos questionários aplicados pelos
pesquisadores e coordenadores.
b) Tabulação dos dados coletados das pesquisas de campo:
Análise e digitação das informações contidas nos questionários. Esta ação permite que os
dados coletados fiquem estruturados para possibilitar o armazenamento dos dados.
c) Transformação dos dados tabulados para informação:
Utilização da planilha Excel (Microsoft Office 2003) para elaboração dos gráficos e tabelas
dos relatórios finais de pesquisa, possibilitando uma descrição e análise das informações aos
gestores.
Pelo conhecimento tácito adquirido diante das atividades feitas corriqueiramente na
referida unidade, a entrevista evidenciou também a percepção das integrantes (funcionárias e
gestoras) quanto à relevância das atividades realizadas para o processo decisório da
EMPETUR (ver gráfico 2).

Gráfico 2 - Percepção da importância das atividades realizadas para o processo decisório

40% 40% Realização de Pesquisas

Tabulação dos dados


coletados
Transformação dos dados
para informação

20%
Fonte: Elaboração própria

Notou-se que a realização de pesquisas (40%) e a transformação dos dados coletados


para informação (40%) foram às tarefas do setor que mais contribuem para o processo de
tomada de decisão da empresa. No que concerne às contribuições das referidas atividades para
a elaboração de ações realizadas pela EMPETUR, a gestora 1 da Unidade de GI afirma:
Os dados coletados nas pesquisas e transformados em informações são
importantes para subsidiar o planejamento turístico do estado, como
também são importantes instrumentos de suporte à tomada de decisão tanto
pela esfera governamental. [...] Além de ser um insumo que pode ser
utilizado internamente nas políticas de ação de marketing junto aos
mercados emissores nacionais e internacionais (informação oral).

Sobre as contribuições da Unidade de GI da EMPETUR, a gestora 2, afirma:

“[...] através do departamento de gestão da informação, pode-se estimular o


desenvolvimento organizacional, transformando-o em um processo
estruturado e contínuo que possibilita que a EMPETUR vislumbre novas
formas de criar valor e de antever demandas e tendências sociais do
turismo” (informação oral).

A gestora 1 ainda ressalta que “todas as ações, não só da EMPETUR, mas também de
entidades privadas, devem estar embasadas nas pesquisas de campo realizadas pela unidade
de gestão da informação, para haver coerência com a realidade” (informação oral). Deste
modo, a importância da Unidade de Gestão da Informação para o processo decisório da
EMPETUR se constata pelos insumos fornecidos por meio da identificação das ameaças e
diagnóstico das vantagens competitivas, assim como pela criação de mecanismos para
intensificá-los.
Portanto, a Unidade de Gestão da Informação da EMPETUR é o ponto de partida para
o planejamento e implementação de atividades operacionais e o levantamento das
necessidades das demandas turísticas, o que proporciona que todos os gestores da empresa
estejam embasados com informações consistentes e precisas para a tomada de decisão, visto
que tal gerência visa atender as necessidades dos consumidores (visitantes do estado).

6 Considerações finais

É fato que os clientes estão cada vez mais exigentes quanto aos serviços de
informação, pois esperam mais qualidade, eficiência e eficácia dos mesmos, por isso a GI
pode ser considerada como uma atividade de resposta às necessidades de informação destes.
O conhecimento dos processos que envolvem geração, organização e difusão da informação é
de grande importância para as empresas. A complexidade da produção do serviço, a relação
face a face com o cliente e a necessidade de atendimento personalizado (customização)
requerem a formação de equipes que tenham habilidades e competências diferenciadas para
lidar com a GI.
Portanto, a instalação efetiva da GI nas organizações pode causar à ampliação das
possibilidades de satisfação dos usuários, assim como a promoção de intercâmbio entre
serviços de informação, a cooperação de dados, a capacitação dos recursos humanos, a
aceitação de normas e padrões, a comutação entre organizações e o fornecimento de
informações para elaboração das metas da empresa (DIAS; BELUZZO, 2003).
Para que os processos e estratégias organizacionais possam ser maximizados e que
haja a otimização dos resultados, faz-se necessário a ocorrência eficaz de um gerenciamento
informacional. E, para que haja a implementação da atividade de GI, é preciso estabelecer
políticas para nortear esse processo, como a qualidade, a produção com criatividade
(inovação) e a satisfação do cliente como pontos essenciais às políticas de GI.
Este artigo trouxe, no decorrer de suas seções, as implicações pertinentes à GI,
principalmente no que tange à geração de subsídios ao processo de tomada de decisão nas
empresas, apoiando na identificação do comportamento ambiental para a elaboração de
diretrizes e estratégias. A partir disso, considera-se que a GI demanda um foco específico das
organizações.
Portanto, os gestores de empresas não devem ser apenas reprodutores das práticas
convencionais e de sucesso, mas sim, devem gerar e modificar – simultaneamente – o
ambiente que os circunda. Desta maneira, gestores embasados por informações obtidas no
ambiente empresarial, tanto externo quanto interno, podem vir a ter uma melhor capacidade
de atuar e tomar decisões nas organizações, mesmo quando o processo decisório estiver
voltado de incertezas e dúvidas.

Referências

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