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A influência de Hegel

A filosofia de Hegel, que assenta na ideia do desenvolvimento simultâneo do


pensamento e da realidade, e que foi não apenas o último grande sistema idealista, mas
a culminância do espírito sistemático na especulação filosófica, influenciou direta ou
indiretamente o século XIX.

O influxo indireto decorreu da importância histórica da filosofia hegeliana. Foi Hegel


quem colocou em primeiro plano, no século XIX, a ideia de evolução da Natureza e do
Espírito, quem definiu o caráter histórico do pensamento, da filosofia e da cultura, e
quem mostrou existir, em cada época, uma conexão orgânica, que varia conforme
mudam as condições do desenvolvimento humano, entre a arte, a religião e as ciências.
Foi Hegel, finalmente, o crítico da concepção romântica do mundo e o reformulador da
dialética, à qual atribuiu a importância de método integral da filosofia.

Sob o influxo direto de Hegel estão os primeiros intérpretes, que se mantiveram fiéis às
linhas-mestras do sistema hegeliano, sem romper com o seu conceito idealista. Mas
atenção, não foram primeiros os adversários diretos de Hegel (Trendelenburg,
Schopenhaueur), é de dentro do próprio grupo de interpretes do pensamento de Hegel
que verifica-se o declínio do sistema e verifica-se a superação., em particular pelos
chamados da “esquerda hegeliana”.

Se há esquerda, é porque havia uma direita.

Mas afinal, como podemos classificar os interpretes de Hegel em esquerda e direita.

Na interpretação do pensamento hegeliano dois problemas foram particularmente


discutidos e geraram duas correntes diferentes: o religioso e o político.

Comecemos pelo problema religioso.

A religião é para Hegel um dos momentos do espírito absoluto, isto é, do espírito que se
atualiza não apenas conhecendo um objeto (espírito subjetivo), não apenas realizando
uma civilização (espírito objetivo), mas contemplando a si mesmo como espírito; trata-
se, entretanto, de um momento inferior à filosofia porque é representação e não conceito
de si. Mas de que modo, a filosofia supera a religião: salvando seu conteúdo e sua
verdade, ou transformando-a em si mesma?

Quanto a política, o problema é: o que significa a afirmação hegeliana de que a filosofia


do direito deve abranger o direito vigente, abranger aquilo que é, que se realiza na
história (o real que é racional)? Isto é, é preciso aceitar, justificar as instituições vigentes
ou que é preciso transformá-las para racionalizá-las?

A direita e a esquerda hegeliana se distinguiram e se opuseram em torno desses dois


problemas.

Esses dois grupos, de certa forma antagônicos, também denominados de os “jovens” e


os “velhos” hegelianos, viamse diante de um paradoxo em relação à contribuição de
Hegel: a partir da tese o que é racional é real e o que é real é racional, explícita na
Filosofia do Direito, a direita hegeliana tratava de sustentar “o sistema como uma
realidade consumada” (FREDERICO, 2010, p. 10), isto é, a noção de que o real devia
ser identificado imediatamente com a realidade. Esta interpretação, segundo a qual seria
possível justificar a racionalidade do real e, portanto, da miséria alemã e da própria
monarquia, encontrava forte resistência entre os jovens hegelianos 2 . Isso porque, a
rigor, ao compreender como racionais e necessários os fenômenos sensíveis da
realidade, Hegel abre caminho para aquilo que Engels (2012), mais tarde, denominaria
“canonização de todo o existente” (ENGELS, 2012, p. 133).

De todo modo, segundo Frederico (2009)

A esquerda hegeliana recorria ao caráter negativo da dialética para argumentar que o


movimento ininterrupto da Ideia nunca cessa e, portanto, em sua marcha ascendente,
superaria o presente, negaria o Estado prussiano monárquico, anunciaria os novos
tempos (p. 21).

De uma forma geral, se Kant havia posto no centro da filosofia a criatividade humana e
sua capacidade de construir suas próprias representações, é mérito de Hegel deslocar tal
ideia para o plano do ser: o homem não apenas constrói suas representações, mas
constrói a si mesmo e a história em uma relação com a natureza mediada pelo trabalho.
Notas-e como, embora embrionária, a concepção de trabalho como mediação será
retomada por Marx em suas obras posteriores, especialmente a partir dos Manuscritos
de 1844.

Ver a citação ROVIGHI, página 62.

Depois ler todo o texto sobre

H. Heine (1799-1956)

F. D. Strauss (1808-1874), página 63 até a página 65.

Bruno Bauer (1809-1882) páginas 66-63.

Explicar que além dos interpretes da direita e esquerda hegeliana, podemos destacar que
há os neo-hegelianos. Esses surgiram em fins do século XIX para o início do século
XX, surgem em torno do idealismo hegeliano, não é o sistema propriamente dito,
exposto, de maneira exemplar, na Enciclopédia das ciências filosóficas (1817), que vai
de novo vingar, mas determinados temas de que se ocupa a Fenomenologia do Espírito
(1807).

Francis Herbert Bradley na Inglaterra, com Aparência e realidade (1894)

Benedetto Croce (1866-1952) e Giovanni Gentile (1875-1945), na Itália.

Alexandre Koyré e Alexandre Kojève dois russos, mas que desenvolveram o


pensamento na França.