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NUTRIÇÃO E ALIMENTAÇÃO DE CÃES E GATOS

Flávia Maria de Oliveira Borges


Médica Veterinária, MSc., Doutora em Nutrição Animal
Professora adjunta da UFLA – Departamento de Zootecnia
e-mail: borgesvet@yahoo.com

1- INTRODUÇÃO

Os animais de estimação, mesmo sem códigos de comunicação verbal com o homem, exceto as
manifestações de afeto, conquistam lugar na sociedade de consumo de massas só pelo fato de
necessitarem e exigirem cuidados especiais. No mundo globalizado, o mercado dos bichos de
companhia também é sinônimo de lucros, representando uma movimentação de até então
estimados US$ 30 bilhões por ano. Nesse montante, as rações ficariam com 47% e os serviços
veterinários com 26%. Atualmente, existem no Brasil cercas de 25 milhões de cães e 11 milhões
de gat 16 animais para cada 100 habitantes, entretanto apenas
28% deles recebem alimentos industrializados.

Até 10 anos atrás o mercado de alimentos para animais de companhia no Brasil era inexpressivo.
Segundo a ANFAL-pet (Associação Nacional dos Fabricantes de Alimentos para Animais) em
1998 o segmento de alimentos para cães e gatos movimentou US$ 800 milhões/ano com a venda
de 750 mil toneladas. Naquele ano o mercado brasileiro de rações animais girava em torno de 35
milhões de toneladas com faturamento global de US$ 6,2 bilhões. Os
gatos representavam 2,5% do mercado, em volume, entretanto participavam com 12,9% da
receita do setor. De acordo com Salvador et al (2002) a previsão da ANFAL é que para 2002 este
mercado chegue a 1300 mil toneladas.

1400 1300*
1175
1200
Alimentos (1000 ton.)

950 1000
1000
750
800
550
600
380 420
400

200

0
1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002

Produção de Alimentos Industrializados para Cães e Gatos


(Fonte: ANFAL apud Salvador et al, 2002)

Para Yabiku (sem data), o mercado de alimentação de animais de companhia pode ser mais bem
trabalhado, mesmo que o crescimento tenha sofrido um ligeiro declínio. Antes de 1998 o
crescimento era de 15% ao ano. A previsão é que o crescimento até 2002 seja entre 3 e 5%, com
previsões otimistas de 7%. Alguns setores vêm se destacando, como alimentos para gatos
(crescimento de 300% de nos últimos cinco anos), alimentos de alta qualidade (denominados
“prêmio” e “superprêmio”) e alimentos específicos para determinadas doenças ou condições
especiais. Neste segmento a presença de profissionais como veterinários, zootecnistas,
engenheiros de alimentos e outros é prioritária.
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O crescimento no setor de alimentos para cães e gatos abre uma importante frente de trabalho
para profissionais da área especializados em nutrição. Para tal tarefa estes profissionais devem
ter conhecimentos dos aspectos nutricionais de cães e gatos nas diversas etapas fisiológicas,
além de conhecimentos em alimentos e manejo alimentar, processamento industrial e controle de
qualidade (como por exemplo, o Housekeeping-5S, as Boas Práticas de Fabricação - BPF, a
Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle -APPCC etc).

Mesmo para os profissionais que não atuam no mercado de alimentos, mas que trabalham com
animais de companhia, existe a necessidade do conhecimento de todos os aspectos relacionados
à nutrição, inclusive com o objetivo de complementação nas áreas de clínica e cirurgia, como
dietas pré e pós-cirúrgicas. Um clínico deve saber identificar desordens de origem nutricional e
adequar a nutrição dos cães, lembrando que a mesma pode ser distinta para animais de
companhia, guarda, esporte, etc.

Na nutrição de cães e gatos é importante atentar para alguns aspectos bastante específicos. Ao
contrário de outras produções animais, como a avicultura ou suinocultura, ainda que a
alimentação tenha uma grande importância e seja uma das principais preocupações do criador ou
proprietário, seu custo assume um papel secundário. Em um questionário realizado pela internet
em um grupo de discussão entre proprietários de cães e gatos, mais de 90% deles gastam mais
que 500,00 reais anuais com alimentação, fora os cuidados de higiene, serviços veterinários e
outros.

Os dois objetivos básicos são a longevidade e o bem estar de seus animais. Estes dois propósitos
normalmente conduzem os proprietários a um erro primário no manejo alimentar; uma
superalimentação. Até pouco tempo não se preocupava com problemas de obesidade em cães e
gatos; a nutrição era baseada em requisitos nutricionais das espécies com valores
superestimados. Além disso, a maioria dos animais de companhia sofre com a ociosidade, devido
a uma grande concentração dos mesmos nos centros urbanos, particularmente em apartamentos .
Nesse caso pode-se considerar que o grande problema nutricional em animais de companhia é a
superalimentação.

A outra questão a ser considerada em cães com respeito à nutrição é a diversidade de raças, com
uma gama de pesos (entre 1,0 a 100 kg) com padrões de crescimentos distintos e,
conseqüentemente, requisitos nutricionais e manejos alimentares diferentes.

Finalmente, embora os alimentos para cães e gatos possam ser agrupados dentro de um mesmo
seguimento, eles apresentam características muito distintas determinadas basicamente pelas
diferenças nas exigências nutricionais e nos hábitos alimentares de cada uma destas espécies.

2. DIFERENÇAS ENTRE CANÍDEOS E FELINOS

O gato doméstico (Felis catus) pertence a ordem Carnívora, a superfamília Feloidea e a família
Felídea. Já o cão (Canis familiaris), embora da classe Mammalia e ordem Carnívora, da mesma
forma que o gato, encontra-se na superfamília Canoideia. A superfamília Canoideia inclui
famílias com diferentes hábitos alimentares; os Ursídeos (ursos) e os Procionídeos (texugo) são
famílias com animais onívoros, mas espécies da família Alurídea (pandas) são estritamente
herbívoras. As espécies carnívoras incluem, entre outras, os Canídeos (cães) e os Mustelídeos
(doninhas). Já a superfamília Feloidea inclui três famílias estritamente carnívoras: os Viverídeos
(lemur), os Hyaenideos (hienas) e os Felídeos (gatos).
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Enquanto que a História evolutiva do cão sugere uma dieta mais onívora na natureza, a história
do gato indica que esta espécie consumia uma dieta a base de carne através de seu
desenvolvimento evolutivo.

Tabela 1 - Diferenças nutricionais entre cães e gatos

NUTRIENTE DIFERENÇAS
Carboidratos Os felinos possuem um metabolismo único para a glicose (maior semelhança ao
metabolismo de ruminantes que ao de canídeos). Os cães, fisiologicamente e
metabolicamente, possuem uma melhor adaptação a carboidratos que os
carnívoros restritos (felinos). Deste ponto de vista pode ser considerado um
onívoro. Os gatos possuem menor tolerância a carboidratos na dieta - não
possuem amilase salivar e possuem pouca amilase pancreática.
Proteína e Os felinos possuem um maior requisito protéico que os cães. A dieta natural dos
aminoácidos gatos, rica em proteína e pobre em carboidratos, levou a adaptação dos sistemas
enzimáticos do fígado. Estes apresentam uma alta conversão de aminoácidos
em glicose, fazendo com que a necessidade protéica dos gatos seja maior que a
dos cães em 50% para o crescimento e o dobro para manutenção de adultos.
Os gatos têm requisitos dietéticos de taurina, um aminoácido que não é
incorporado à cadeia protéica, sendo essencial para o funcionamento do
miocárdio (músculo do coração) e da retina. Diferente dos demais mamíferos
domésticos, o gato não a sintetiza em quantidades suficientes, devendo estar
presente em suas dietas. Sua deficiência leva a degeneração da retina, cegueira e
doença cardíaca.
Os felinos são inaptos na conversão do aminoácido triptofano a niacina
(vitamina do complexo B). Suas necessidades de niacina são 4 vezes maiores
que a dos cães. Sua deficiência causa perda de peso e apetite e úlceras na
cavidade oral e língua.
Além disso os felinos são extremamente sensíveis a deficiência de arginina,
diferente dos cães.
Lipídeos Os felinos não têm uma enzima necessária para a conversão do ácido graxo
essencial linoléico em araquidônico, o que é possível nos cães Este ácido graxo
é um dos constituintes da membrana celular. Sua deficiência leva a problemas
reprodutivos, dermatite, pele hiperplásica, paraqueratose, hemorragia
subcutânea, etc. As dietas para felinos devem apresentar este ácido graxo e, na
prática, significa que rações para gatos devem apresentar gordura animal em sua
composição.
Vitaminas Os gatos são inaptos para a conversão de -caroteno (presente nas plantas) em
vitamina A, necessitando de uma fonte de vitamina A pré-formada na dieta., ao
contrário dos cães.
A piridoxina, também conhecida como vitamina B6, participa do metabolismo
das proteínas. A necessidade de piridoxina nos gatos é quatro vezes maior do
que em cães, devido ao alto metabolismo protéico dos felinos. A deficiência
desta vitamina leva a anemia, parada do crescimento, lesões renais irreversíveis
e convulsões.
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3. NECESSIDADES NUTRICIONAIS DOS CÃES E GATOS

Os nutrientes necessários para os cães são semelhantes aos dos outros animais superiores e são
classificados e agrupados de acordo com sua natureza química e biológica: proteínas, lipídeos,
carboidratos, elementos minerais e vitaminas. Metabolicamente também se deve considerar
como nutrientes o oxigênio e a água.

A proteína tem dupla função, que seria o fornecimento de aminoácidos para a formação de
tecidos e também o fornecimento de energia. Já os carboidratos têm como função principal o
fornecimento de energia, assim como os lipídeos.

Tanto as proteínas, quanto carboidratos e lipídeos, vão entrar nos ciclos metabólicos, em rotas
variadas, produzindo substâncias intermediárias iguais ou distintas. Muitos destes produtos serão
oxidados em CO2 e H2O produzindo nestes processos ATPs (Adenosina Trifosfato).

Com relação aos minerais, pode-se dizer que desempenham as mais diversas funções, podendo
ser divididos, de acordo com sua quantidade nos tecidos animais, em macro e micronutrientes. Já
as vitaminas não são homogêneas quimicamente, mas podem ser agrupadas de acordo com suas
funções, uma vez que quimicamente podem ser consideradas como proteínas, carboidratos ou
lipídeos.

3.1. Água

A necessidade teórica seria de 1 a 2 cm3 de água para cada kcal de energia metabolizável
ingerida, para manutenção. Na prática, pode-se considerar 3 - 4 vezes a quantidade de matéria
seca ingerida.

O consumo pode ser afetado por vários fatores entre os quais o exercício, temperatura e umidade
relativa do ar, estádio fisiológico (lactação), condições patológicas (febre, diarréia e vômito),
tipo de dieta, etc.
Sabe-se que os gatos apresentam uma capacidade de concentrar a urina como um meio para
economizar água, capacidade aparentemente herdada de seus ancestrais desérticos que
desenvolveram essa característica como estratégia de adaptação às condições áridas. Dessa
forma, os gatos ainda hoje são hábeis em sobreviver e proliferar em ambientes adversos, como,
por exemplo, o deserto australiano.
Além disso os gatos aproveitam melhor a água metabólica, isto é, água originada dos alimentos.
A ingestão de água é soma da água de bebida, água dos alimentos e água metabólica (oxidação
metabólica dos nutrientes-1 g de água é obtida da oxidação de 1,4 g de proteína, 1,7 g de
carboidratos e 0,9 g de lipídeos). A água metabólica responde somente por 5 a 10% das
necessidades diárias de manutenção dos cães, entretanto pode corresponder, juntamente com a
água do alimento, a 80% das necessidades dos felinos, principalmente daqueles que vivem em
ambientes desérticos.
Os gatos apresentam uma capacidade compensatória, mediante o consumo de água voluntária,
em resposta às modificações do conteúdo de água do alimento, menos precisa e menos rápida
que os cães. De forma similar, sua resposta à sede para hidratação quando aumenta a temperatura
ambiental é menos efetiva que em cães. Isto quer dizer que ainda que exista muito calor ou que o
alimento seja seco, os gatos tomarão a mesma quantidade de água que em outras condições, o
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que faz com que esta espécie seja mais susceptível à Síndrome Urológica Felina pela formação
muito concentrada da urina.

3.2. Energia

Em qualquer dieta o nível energético deve ser uma das principais preocupações. Ele regula a
quantidade de ingestão do alimento e, portanto, todos os outros nutrientes devem estar
balanceados de acordo com a densidade energética do alimento a ser fornecido.
Para cães e gatos, tanto os requisitos energéticos como valor energético dos alimentos, se
expressam em energia metabolizável (EM). Isto porque, sendo carnívoros, as perdas energéticas
pela urina são muito importantes.

3.2.1. Necessidades energéticas dos cães e gatos

As necessidades energéticas dos cães, como em outras espécies animais, se calculam segundo
seu peso metabólico; entretanto, ao contrário de outras espécies animais, o peso metabólico dos
cães se calcula como o peso vivo elevado a una potencia diferente a 0,75. O National Research
Council – NRC (1985) utiliza a potência 0,88 (PM = PV0,88), e a Association of American Feed
Control Officials (AAFCO) utiliza a potência 0,67 (PM = PV0,67).

No NRC (1974) adotava-se a equação de Brody (132 xPV0,73) para estimar o consumo de energia
para cães, entretanto sugestões de que esta equação atenderia bem para predições entre espécies
diferentes (inter-espécies) mas não se adequaria para grandes variações dentro de uma mesma
espécie (intra-espécies) levou a uma modificação no NRC de 1985, com a adoção da formula de
Thonney (1983) onde Y = 100 PV 0,88 ou Y = 144 = 62,2 PV.

Além destas equações outra foi proposta por Heusner (1982), tornando mais suave a inclinação
no aumento do consumo de energia determinado em cães entre 1,0 e 100 kg, onde Y = 140 a 160
PV0,67 para um cão adulto em manutenção.

Todas estas equações são genéricas e não podem consideradas como exatas para a predição dos
requisitos absolutos dos cães em energia, uma vez que as necessidades variam com a idade,
atividade, condição corporal, temperatura, aclimatação, tipo de pelo (curto, longo),
temperamento, etc.

Como pode ser observado na tabela 2, os resultados da predição das diversas equações podem
ser muito distintos, principalmente em cães de raças grandes. Neste caso, a escolha deveria ser
feita com bom senso e criteriosamente. Por exemplo: animais criados em áreas extensas, com
possibilidade de movimentação, ou animais sangüíneos - equação linear de Thonney (tanto para
raças grandes ou pequenas). Animais linfáticos, criados em áreas confinadas, com vida
sedentária - equação de Heusner para raças grandes e a equação alométrica de Thonney para
raças pequenas.

De qualquer modo, a utilização das equações é mais recomendável que a predição do consumo
baseado simplesmente no peso vivo.
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Tabela 2 - Necessidades recomendadas de energia para cães adultos em manutenção (Kcal


EM/dia) segundo as fórmulas utilizadas nos NRC de 1974 e 1985 e pela AAFCO.

PESO (Kg) NRC (1974) THONNEY (1983) THONNEY (1983) NRC (1985)e AAFCO
(132 PV0,75) (100 PV0,88) (144 + 62,2 PV) (159 PV0,67)
1 132 100 206 159
3 301 262 331 332
5 441 412 455 467
10 742 758 766 744
20 1248 1396 1388 1183
30 1692 1995 2010 1553
40 2099 2569 2632 1883
50 2482 3127 3254 2186
60 2846 3671 3876 2470
70 3194 4204 4498 2739
80 3531 4728 5120 2995
90 3857 5245 5742 3241
100 4174 5754 6364 3479

Para gatos, como o peso das várias raças não apresenta grande variação, as necessidades de
nutrientes se expressam em função do peso vivo, e não em função do peso metabólico, como em
cães.
As necessidades energéticas dos gatos adultos são cerca de 60 a 80 kcal EM por kg de peso;
assim, as necessidades energéticas diárias de um gato de 4 kg são 240-320 kcal EM (dependendo
da atividade física).
Na tabela 3 encontram-se as necessidades de energia metabolizável para as diferentes funções e
estados fisiológicos dos animais domésticos.

Tabela 3. Requisitos energéticos diários baseados no estádio fisiológico, temperatura e


grau de atividade de cães e gatos

CÃES GATOS
METABOLISMO 30 x PV + 70 = Kcal/dia METABOLISMO 30 x PV + 70 = Kcal/dia
BASAL (MB) 70 x PV0,75 = Kcal/dia BASAL (MB) 70 x PV0,75 = Kcal/dia
50 x PV = Kcal/dia

MANUTENÇÃO (M) 2 x MB = Kcal/dia MANUTENÇÃO (M) 1,4 x MB = Kcal/dia


144 + 62 x PV = Kcal/dia 70 x PV = Kcal/dia
100 PV0,88= Kcal/dia
159 PV0,67= Kcal/dia
TRABALHO
1 hora /dia (Leve) 1,1 x M
1 dia (Leve) 1,5 x M
1 dia (Pesado) 2,0 - 4,0 x M

GESTAÇÃO 1as 6 semanas = 1,0 x M GESTAÇÃO 1as 6 semanas = 1,0 x M


Últimas 3 semanas = 1,3 x M Últimas 3 semanas = 1,4 x M

LACTAÇÃO LACTAÇÃO
1ª Semana 1,5 x M 1ª Semana 1,3 x M
2ª Semana 2,0 x M 2ª Semana 1,4 x M
3ª Semana 3,0 x M 3ª Semana 1,6 x M
4ª semana 4,0 x M 4ª semana 1,8 x M
> 4ª Semana {1 + (0,25 x número de crias)}x M > 4ª Semana 2,8 x M
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CRESCIMENTO CRESCIMENTO
Nascimento - 3 meses 2,0 x M Nascimento -10 Semanas 3,6 x M
3 - 6 meses 1,6 x M 10 - 20 Semanas 1,9 x M
6 - 12 meses 1,2 x M 20 - 30 Semanas 1,4 x M
3 - 9 meses (Gigantes) 1,6 x M 33 - 40 Semanas 1,1 x M
9 - 24 meses (Gigantes) 1,2 x M
AMBIENTE
Frio (Vento, 8,5 ºC) 1,25 x M
(Vento, <0 ºC) 1,75 x M
Calor até 2,5 x M

ENFERMIDADES
Repouso em gaiola 1,25 x MB
Pós-cirúrgico 1,25 - 1,35 x MB
Traumatismo 1,35 - 1,50 x MB
Câncer 1,35 - 1,50 x MB
Septicemia 1,50 - 1,70 x MB
Queimaduras 1,70 - 2,00 x MB

Fonte: López (1997)

3.2.1. Aporte energético dos alimentos.

Para calcular o aporte de energia digestível (ED) dos alimentos, parte-se dos valores de energia
bruta dos nutrientes, que são ponderados pelos coeficientes de digestibilidade dos mesmos, de
forma separada para cada una das espécies, conforme o descrito na tabela 4. Para o cálculo do
aporte de EM, deve se considerar adicionalmente as perdas energéticas urinárias (tabela 5)

Tabela 4 - Cálculo da energia digestível de alimentos para cães e gatos

NUTRIENTE g/ kg ENERGIA COEFICIENTE DE COEFICIENTE DE FATOR FATOR


BRUTA DIGESTIBILIDADE (1) DIGESTIBILIDADE (1) Cães Gatos
Kcal/ g Cães Gatos
Carboidratos 4,15 84,3 80,0 3,50 3,50
(CHO)
Gorduras (EE) 9,40 90,4 90,4 8,50 8,50
Proteína bruta 5,65 79,5 73,1 4,50 4,13
(PB)
(1)
Valores médios recomendados pela AAFCO (1993).
Fonte: López (1997)

Energia digestível:

E.D cães = (CHO x 3,50) + (E.E. x 8,50) + (PB x 4,50)

E.D gatos = (CHO x 3,50) + (E.E. x 8,50) + (PB. x 4,13)

Energia metabolizável:

Tabela 5 - Calculo da energia metabolizável de alimentos para cães e gatos


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NUTRIENTE g/ kg E. BRUTA COEFICIENTE DE COEFICIENTE DE FATOR FATOR


CORRIGIDA DIGESTIBILIDADE DIGESTIBILIDADE Cães Gatos
(1) (2) (2)

Kcal/ g Cães Gatos


Carboidratos (CHO) 4,15 84,3 84,3 3,50 3,50
Gorduras (EE) 9,40 90,4 90,4 8,50 8,50
Proteína bruta (PB)- cães 4,40 79,5 3,50
Proteína bruta (PB)- gatos 4,79 73,1 3,50
(1)
Energia urinária= -1,25 kcal/ g PB. (cães) / - 0,86 kcal/ g PB. (gatos)
(2)
Valores médios recomendados pela AAFCO (1993).
Fonte: López (1997)

E.Mc = (HO x 3,50) + (EE x 8,50) + (PB x 3,50)

E.Mf = (CHO x 3,50) + (EE x 8,500 + (PBx 3,50)

Outras fórmulas para estimar energia metabolizável dos alimentos para cães:

EM= E.D. – (1,25 x P.D).(g) (AAFCO,94)

EM= (CHOD x 4,15) + (EED x 9,40) + (PD x 4,40) (AAFCO,93)

EM = EB x 0,80 (Esta metodologia superestima os alimentos ricos em fibra).


E.M. = (0,99 x EB) - 126
A partir do conteúdo de lipídeos: EM = 3,075 + ( 0,066 x EE) (Só é válido na base seca).

Para felinos várias fórmulas são sugeridas para a estimativa do conteúdo energético dos
alimentos:

EMf= ED – (0,90 x PD) (Rações secas, NRC,86)

EMf= (CHOD x 4,15) + (EED x 9,40) + (PD x 4,79) (AAFCO, 1993)

EMf= EB x 0,99 - 1,26 (Rações secas, NRC,86)

EMf= (CHO x 3,00) + (EE x 7,70) + (PC x 3,90) - 0,05 (NRC, 1986)

Dependendo da fórmula utilizada para o cálculo da energia metabolizável em alimentos para


gatos, variações de mais de 20 % nos resultados podem ser encontradas. Por isso sugere-se
subdividir os alimentos em diferentes tipos (alimento seco, semi-úmido e úmido) com uma
equação específica para cada tipo.

Tabela 6 . Energia metabolizável e tipo de alimento

ALIMENTO TEOR DE ENERGIA METABOLIZÁVEL


UMIDADE (%)
Seco <14 EM = 0,99 (PB x 5,65 + EE x 9,4 + ENN x 4,15) - 126
9

Semi-úmido 15 a 59 EM = PB x 3,7 + EE x 8,8 + ENN x 3,0


Úmido > 60% EM = PB x 3,9 + EE x 7,7 + ENN x 3,0
PB – proteína bruta; EE – extrato etéreo e ENN –extrativo não nitrogenado (carboidratos não
estruturais)
Fonte: (FEDIAF 1991) apud López (1997)
Em alimentos para cães e gatos, a energia advinda de cada um dos nutrientes assume um papel
importante nos diversos estágios fisiológicos. Isso porque um excesso de proteína, por exemplo,
seria desaminada e utilizada como energia. Em animais mais velhos o excesso de proteína é
prejudicial pois sobrecarregaria as funções renais. Por outro lado, a gordura tem menos
catabólitos e pode ser importante em diversas fases fisiológicas. Nas tabelas 7 e 8 encontram-se
as distribuições típicas de energia dos alimentos para cães e gatos.

Tabela 7 - Distribuição energética a partir dos nutrientes para cães em vários estádios
fisiológicos

PROTEÍNA GORDURA CARBOIDRATOS


Crescimento 27% 41% 32%
Adultos 26% 38% 36%
Trabalho 32% 56% 12%
FONTE: Richard (1996)

Tabela 8 - Distribuição energética a partir dos nutrientes para gatos em vários estádios
fisiológicos
PROTEÍNA GORDURA CARBOIDRATOS
Recém-nascidos 42,1% 29,2% 28,8%
5 Semanas 47,2% 27,5% 25,3%
10 Semanas 50,0% 26,1% 23,9%
20 Semanas 51,9% 30,0% 18,1%
6 meses 51,3% 33,3% 15,4%
1 a 10 anos 52,0% 35,9% 12,1%
15 anos 44,0% 42,0% 14,0%
20 anos 43,3% 41,5% 15,2%
Gestação 45,7% 31,8% 22,5%
Aleitamento 44,9% 31,1% 24,0%
Fonte: http://www.benshemesh.com/nutricao.htm

3.3. Proteína.

As proteínas são os nutrientes que mais despertam discussão na nutrição de cães e gatos, pois
são essenciais no desenvolvimento dos filhotes, reprodução, amamentação e qualidade dos
músculos e pêlos em animais adultos.
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A proteína é requerida pelo seu aporte em aminoácidos essenciais (AAe) e pelo aporte
nitrogenado necessário para que o organismo sintetize os aminoácidos não essenciais. Além
disso, pode ser uma fonte considerável de energia dependendo de sua porcentagem de inclusão
nas rações.
As necessidades protéicas dos gatos adultos são relativamente altas já que, por motivos
evolutivos, desaminam boa parte da proteína ingerida para utilizar os cetoácidos como substrato
energético. Além disso, os gatos não reciclam bem o nitrogênio procedente da renovação
protéica e, como conseqüência, os gatos excretam muito N na urina. Seu requisito mínimo de
proteínas é de 2 a 3 vezes a do cão. Sendo o gato estritamente carnívoro, seu trato digestivo está
mais apto a digerir e absorver proteínas de origem animal. Portanto, essas proteínas possuem
digestibilidade maior que as de origem vegetal, sendo então mais indicadas na alimentação dos
felinos. Além disso, por terem um perfil de aminoácidos mais adequado às necessidades do cão
e do gato, o valor biológico das proteínas animais é superior ao das vegetais, tendo um
aproveitamento maior após serem absorvidas.

Tabela 9 - Requisitos de proteína para cães e gatos (% matéria seca)

GATOS CÃES
Manutenção 26-28 18-20
Crescimento 30-32 22-25
Fonte: López (1997)

A relação ótima de proteína/energia nas rações de cães adultos é cerca de 30-35 g de PB por
1000 kcal de EM, enquanto que a dos gatos adultos é de 50 g de PB por 1000 kcal de EM (mais
alta que para cães). As rações comerciais aportam bem mais proteína que o exigido para
melhorar sua palatabilidade já que os gatos, assim como os cães, preferem as comidas
hiperprotéicas e hiperenergéticas.

Alguns pesquisadores afirmam que o excesso de proteína na dieta devido a uma excessiva
desaminação e excreção de uréia, sobrecarrega o sistema hepático e renal, favorecendo o
aparecimento de insuficiências, assim como a precipitação de ureólitos. Além disso uma parte da
proteína ingerida passa ao intestino grosso, provocando fermentações que dão lugar a fezes
moles, pegajosas e com forte odor. Esta questão ainda é bastante controversa pois muitos outros
pesquisadores afirmam que o excesso de proteína só é prejudicial para animais que já tenham
alguma disfunção renal, e que animais saudáveis não sofrem nenhuma alteração com um aporte
de proteína muito superior aos níveis mínimos recomendados.

Tabela 10 - Função dos diversos aminoácidos para os cães

AMINOÁCID FUNÇÕES
OS
Arginina Formação de hormônios - insulina e hormônio de crescimento. Remoção do
nitrogênio resultante da quebra das proteínas para fornecimento de energia
Histidina Importante na estrutura muscular (deficiência - perda de apetite e peso e
quadros de catarata).
Isoleucina Regula o metabolismo de energia e é requerido para otimizar o crescimento.
Leucina Mesmas funções da isoleucina e valina.
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Lisina Essencial para o crescimento de cães jovens.


Metionina Essencial para o crescimento (excesso provoca depressão do crescimento,
anorexia e lesões cutâneas).
Fenilalanina Manutenção da integridade da pele, músculo e pelos.
Treonina Importante no crescimento e manutenção.
Triptofano Crescimento e manutenção - metabolismo de energia.
Valina Similar à isoleucina e valina.
Fonte: Royal Canin (2000)
A arginina é essencial para ambas espécies em todos os estados fisiológicos, entretanto seu
requisito é maior em gatos que em cães, devido a sua capacidade limitada de síntese de ornitina e
baixa conversão de citrulina em arginina nos rins. A arginina intervém na síntese de uréia,
molécula que permite a eliminação de dejetos nitrogenados. As particularidades metabólicas do
gato podem ser explicadas pela adaptação a um regime estritamente carnívoro, onde a arginina
está presente em quantidades muito superiores às necessidades.

Os aminoácidos sulfurados também são requeridos em maior proporção pelos gatos que pelos
cães, relacionado ao fato que em gatos existe uma maior excreção de enxofre pela urina, além da
excreção em machos de “Felinina”, um aminoácido sulfurado originado provavelmente da
metionina.

Adicionalmente o gato requer taurina na dieta, um ácido ß-amino sulfônico (ou ácido 2-
aminoetanossulfônico), sintetizado no fígado e outros tecidos de mamíferos a partir de
aminoácidos sulfurados (metionina e cistina). Esta síntese ocorre também nos gatos, mas é
muito lenta para manter o equilíbrio na ausência de taurina na dieta, sendo insuficiente para a
conjugação biliar e o metabolismo tissular, especialmente no músculo e no sistema nervoso
central (SNC).
A perda obrigatória desta substância nos gatos ocorre porque apenas a taurina pode ser
combinada com o colesterol durante a síntese de sais biliares, enquanto que a maioria das outras
espécies pode substituir a taurina pela glicina. A deficiência de taurina em felinos resulta
principalmente em degeneração central da retina, infertilidade, distúrbios neurológicos e
cardiomiopatia dilatada.

A taurina está presente apenas em tecidos animais e, portanto, a alimentação do felino deve
conter uma grande quantidade de proteínas de origem animal para suprir a necessidade deste
nutriente. A suplementação extra no alimento deve ser feita ainda que o produto contenha as
proteínas animais em grande porcentagem.

Os requisitos de aminoácidos para o crescimento de cães e gatos encontram-se na tabela 11.

Tabela 11. Requisitos de aminoácidos para o crescimento de cães e gatos (mg/kcal EM)

GATOS CÃES
Arginina 2,5 1,4
Histidina 0,6 0,5
Isoleucina 1,1 1,0
12

Leucina <2,6 <1,6


Lisina 1,7 1,5
Metionina 0,8 1,2
Metionina + Cistina 1,6 1,5
Fenilalanina 1,1 1,3
Fenilalanina + Tirosina 2,2
Taurina 0,1 0,0
Treonina 1,5 1,2
Triptofano 0,25 0,4
Valina <1,3 <1,0
Fonte: López (1997)

O conceito de proteína ideal trata de estabelecer a proporção ótima de aminoácidos


indispensáveis em relação à lisina (considerada como 100% com base nas necessidades dos
tecidos), com o objetivo de otimizar o crescimento e a utilização da dieta. O perfil de
aminoácidos ideal é independente do nitrogênio e dos níveis energéticos da dieta. O perfil de
proteína ideal para gatos é bastante diferente do perfil para cães, conforme mostra a tabela 12.

Tabela 12 - Perfil da proteína ideal para cães e gatos adultos.

AMINOÁCIDO IDEAL POR ESPÉCIES


Gatos Cães
Lisina 100 100
Metionina + Cistina 100 64
Triptofano 19 22
Treonina 87 67
Arginina 112 71
Isoleucina 63 57
Valina 75 75
Leucina 150 100
Histidina 38 29
Fenilalanina + tirosina 112 100
Requisitos de lisina para 0,7% = então para aa sulfurados = 0,45%, argina = 0,6%,
cães triptofano = 0,16%, etc.
Requisitos de lisina para 0,85% = então para aa sulfurados = 0,85%, argina = 1,0%,
gatos triptofano = 0,15%, etc.
Fonte: Baucells & Serrano (1992)

3.4. Lipídeos
13

O controle da ingestão é muito relacionado com a energia (todos os outros nutrientes da dieta
também devem estar relacionados com ela), e a gordura é responsável por conferir à dieta altos
teores energéticos (um grama de gordura contem cerca de 9,0 kcal de EM).

Além do aporte energético, a adição de óleos e gorduras a dietas de cães e gatos tem relação com
palatabilidade da ração, a ponto de misturas de ácidos graxos tornarem-se segredos comerciais.

Segundo Nunes (1998), a resposta dos gatos em função da palatabilidade é de natureza


quadrática, isto é, respondem positivamente até determinado nível de adição de gordura às
dietas. Acima deste nível (entre 20 e 25% da MS), a ingestão diminui. Aparentemente, existe
uma predileção por gorduras de origem animal, particularmente as de boi e frango.

Cerca de 15 a 50% dos requisitos energéticos dos gatos podem ser suplementados a partir de
óleos e gorduras (entre 5 - 20% da MS da dieta). Uma maior introdução de gordura pode ser
desejável em épocas de maior demanda energética, como na lactação.

Na tabela a seguir apresenta-se uma dieta típica de felinos em estado selvagem e a participação da
gordura nessa dieta.

Tabela 13 - Dieta de felinos selvagem

MATÉRIA MATÉRIA RELAÇÃO


ENERGIA
NATURAL SECA PB:EE:CHO
Água 70% - - -
Proteínas (PB) 14% 46,7% 50,0% 35,7%
Extrato Etéreo (EE) 9,0% 30% 32,1% 51,5%
Carboidratos (CHO) 5,0% 16,7% 17,9% 12,8%
Cinzas 1,0% 3,3% - -
Cálcio 0,6% 2,0% - -
Outros 0,4% 1,3% - -
Fonte: http://www.benshemesh.com/nutricao.htm

Ao contrário das proteínas, as gorduras geram poucos resíduos metabólicos no gato, portanto
não causam sobrecargas renais. Por essa razão, à medida que o gato envelhece, deve ser
aumentado o teor de gordura da sua dieta, enquanto que em alguma proporção deve ser reduzido
o conteúdo protéico. Dessa forma, a quantidade energética total e apropriada pode ser mantida,
aliviando a carga de trabalho dos rins.

Além de fornecer energia, melhorar a absorção das vitaminas, diminuir a pulverulência,


aumentar a palatabilidade, etc., as gorduras e os óleos, quando adicionados às rações, aumentam
a eficiência de utilização da energia consumida, por causa do menor incremento calórico no
metabolismo de lipídeos. Cerca de 30% da energia metabolizável das proteínas é perdida como
incremento calórico, enquanto que para carboidratos fica em torno de 6% e, para lipídeos, em
torno de 3%.

Alguns autores consideram três os ácidos graxos essenciais (AGE) - linoléico, linolênico e
araquidônico, outros fazem somente uma distinção prática: consideram o linoléico
nutricionalmente essencial e o araquidônico metabolicamente essencial. Para gatos o ácido
araquidônico tem uma grande importância dietética.
14

O ácido araquidônico é um ácido graxo da família ômega 6 (6), abundante em gorduras de


origem animal. É o mais importante precursor dos eicosanóides (entre outros, as
prostaglandinas), substâncias que são sintetizadas por todas as células dos mamíferos. Os
eicosanóides são responsáveis pelo desencadeamento do processo inflamatório e por outras ações
em diversos sistemas, principalmente reprodutor, cardiovascular, sangue e rins.

O ácido araquidônico permanece incorporado aos fosfolipídios das membranas celulares e, após
estímulos ofensivos ou ações de hormônios, neuro-hormônios ou autacóides, são liberados para,
então, ocorrer a biossíntese de eicosanóides.

Nos cães a enzima -6-dessaturase converte o ácido linoléico, ácido graxo essencial da família
6, em ácido araquidônico em quantidade insuficiente para o seu metabolismo, necessitando,
portanto, que sua alimentação o suplemente com esse nutriente, a fim de evitar a sua carência. Já
nos gatos está conversão é muito lenta, portanto a dieta dos felinos deve conter quantidade
suficiente de gorduras de origem animal para suprir sua necessidade de ácido araquidônico.

Gatos com alimentação deficiente em ácido araquidônico apresentam distúrbios dermatológicos


severos, esteatose hepática, anemia e infertilidade (fêmeas e machos), entre outros.

3.5. Minerais

Os requisitos alimentares de macro e micro elementos minerais para cães e gatos são
estabelecidos por extrapolação dos requisitos de outras espécies e baseados em poucos trabalhos
práticos.

Tabela 14. Resumo das deficiências e excessos de elementos minerais para cães gatos

MINER DEFICIÊNCIA EXCESSO


AL
Cálcio Raquitismo, osteomalácia, Crescimento ósseo prejudicado.
hiperparatireodismo secundário nutricional Osteocondrose e outras condrodistrofias
em cães de raças gigantes
Fósforo As mesmas que cálcio Causa deficiência de cálcio
Magnésio Calcificação de tecidos moles, Absorção regulada de acordo com as
espessamento das metáfises de ossos necessidades
longos, irritabilidade neuromuscular FLUTD em gatos
Enxofre Não relatado Não relatado
Ferro Anemia microcítica hipocrômica Improvável, absorção regulada
Cobre Anemia microcítica hipocrômica, prejudica Doenças hepáticas
crescimento. ósseo
Zinco Dermatose, despigmentação dos pelos, Causa deficiência de cálcio e cobre
crescimento retardado, falhas reprodutivas
Manganê Improvável. Caso ocorra pode causar falhas Improvável
s no crescimento ósseo e falhas reprodutivas
Iodo Bócio, crescimento retardado, falhas Improvável
reprodutivas
Selênio Miopatias cardíacas Miocardite necrosante, hepatite tóxica e
nefrite
15

Cobalto Anemia Não relatada


Fonte: Borges & Nunes (1998)

3.6. Vitaminas

Na nutrição animal 12 vitaminas (A, D, E, K, tiamina, riboflavina, niacina, vitamina B6, ácido
pantotênico, biotina, ácido fólico e vitamina B12.) e alguns vitagênios como a colina e o inusitol
são muito importantes na diferenciação de tecidos e manutenção da estrutura tecidual (A, D, E,
C) ou como cofatores em sistemas enzimáticos catalisando processos metabólicos (vitaminas do
complexo B e vitamina K).

Tabela 15 - Resumo das deficiências, excessos e principais fontes de vitaminas

VITAMINA DEFICIÊNCIA EXCESSO


A Falha de crescimento e na Anormalidade esquelética,
reprodução, perda da integridade espondilose cervical deformante
epitelial, dermatose. (síndrome de pingüim) em gatos que
alimentam de muito peixe
D Raquitismo, Osteomalácia, Hipercalcemia, reabsorção óssea,
hiperparatireoidismo secundário calcificação dos tecidos moles
nutricional
E Falha reprodutiva, doença da Não tóxica, pode aumentar requisitos
gordura amarela (esteatite) em da vitaminas A e D
gatos alimentados com peixe
enlatado
K Aumento do tempo de Não relatada
coagulação, hemorragias
Tiamina Disfunções do SNC, anorexia, Não tóxica
perda de peso. Ocorre em gatos
alimentados com peixe cru,
devido à presença da tiaminase
Riboflavina Disfunções do SNC, dermatite Não tóxica
Niacina Mesmo em gatos (incapazes de Não tóxica
transformar triptofano em
niacina) é rara.
Piridoxina – B6 Anemia microcítica hipocrômica Não relatada
Ácido Pantotênico Anorexia, perda de peso Não relatada
Biotina Dermatite Não tóxica
Folacina Anemia, leucopenia Não tóxica
Cobalamina - B12 Anemia Não tóxica
Colina Disfunção neurológica, fígado Diarréia
gorduroso
C Não requerido (condições Não tóxica
normais) para cães e gatos
Fonte: Borges & Nunes (1998)
16

4 - REQUISITOS NUTRICIONAIS:

Para simplificação de manuseio, as necessidades de nutrientes dos cães e gatos são apresentadas
em tabelas. Estas podem se apresentar de várias maneiras:

Requisito é o mínimo necessário para a manutenção da saúde e do bom desempenho dos


animais;

Recomendação, além do mínimo necessário, dá uma margem de segurança baseada na variação


individual entre animais e na experiência prática acumulada por técnicos, criadores e indústrias
de rações. Por isso, novas recomendações nutricionais são publicadas periodicamente, com o
objetivo de ajustá-las aos novos conhecimentos.

Recomendações Nutricionais ou Padrões de Alimentação: conjunto de normas destinadas a


uma população animal definida, de uma dada região ou país, e elaboradas em consonância com
requisitos já estabelecidos e objetivos claros a serem alcançados.

Para cães e gatos os requisitos estão estabelecidos e apresentados como Porcentagem ou kg/100
kg de dieta e/ou quantidade por quilograma de dieta (UI/kg, mg/kg), que pode ser obtida sobre a
ingestão de matéria seca por dia, por animal ou quantidade por quilograma de peso vivo (UI/kg
PV, mg/kg PV).

As tabelas normalmente utilizadas são as do NRC (National Research Council) e AAFCO


(Association of American Feed Control Official).

Tabela 16 - Requisitos mínimos de cães em crescimento e manutenção (quantidades por kg


de peso vivo)

NUTRIENTE UNIDADE CRESCIMENTO MANUTENÇÃO


Gordura g 2,7 1,0
Acido Linoléico mg 540 200
Proteína
Arginina mg 274 21
Histidina mg 98 22
Isoleucina mg 196 48
Leucina mg 318 84
Lisina mg 280 50
Metionina – cistina mg 212 30
Fenilalanina – tirosina mg 390 86
Treonina mg 254 44
Triptofano mg 82 13
Valina mg 210 60
Aminoácidos não essenciais mg 3414 1266
Minerais
Cálcio mg 320 119
Fósforo mg 240 89
Potássio mg 240 89
Sódio mg 30 11
Cloro mg 46 17
17

Magnésio mg 22 8,2
Ferro mg 1,74 0,65
Cobre mg 0,16 0,06
Manganês mg 0,28 0,10
Zinco mg 1,94 0,72
Iodo mg 0,032 0,012
Selênio g 6,0 2,2
Vitaminas
A IU 202 75
D IU 22 8
E IU 1,2 0,5
K IU
Tiamina g 54 20
Riboflavina g 100 50
Ácido Pantotênico g 400 200
Niacina g 450 225
Piridoxina g 60 22
Ácido fólico g 8 4
Biotina g
Cianocobalamina g 1,0 0,5
Colina mg 50 25
Fonte: Nutrient... (1985)

Tabela 17 - Requisitos mínimos de nutrientes disponíveis em alimentos para cães


formulados para a fase de crescimento

NUTRIENTE NA MATÈRIA SECA (3700 kcal /kg)


Proteína
Arginina 0,50%
Histidina 0,18%
Isoleucina 0,36%
Leucina 0,58%
Lisina 0,51%
Metionina - cistina 0,39%
Fenilalanina - tirosina 0,72%
Treonina 0,47%
Triptofano 0,15%
Valina 0,39%
Aminoácidos não essenciais 6,26%
Proteína bruta* 15,00%
Gordura 5,00%
Acido Linoléico 1,00%
Minerais
Cálcio 0,59%
18

Fósforo 0,44%
Potássio 0,44%
Sódio 0,06%
Cloro 0,09%
Magnésio 0,04%
Ferro 31,9 ppm
Cobre 2,9 ppm
Manganês 5,1 ppm
Zinco 35,6 ppm
Iodo 0,59 ppm
Selênio 0,11 ppm
Vitaminas
A 3710 IU / kg
D 404 IU / kg
E 22 IU / kg
Tiamina 1,0 mg / kg
Riboflavina 2,5 mg / kg
Ácido Pantotênico 9,9 mg /kg
Niacina 11,0 mg / kg
Piridoxina 1,1 mg/ kg
Ácido fólico 0,2 mg / mg
Biotina
Cianocobalamina 26 ,0 g / kg
Colina 1,2 g / kg
* Desde que supra todos os aminoácidos indispensáveis e dispensáveis
Fonte: Nutrient... (1985)

Tabela 18 - Perfil de nutrientes em alimentos caninos1 - recomendações da AFFCO

NUTRIENTE UNIDAD CRESCIMENTO E MANUTENÇÃO MÁXIMO


E REPRODUÇÃO (min.)
(MS) (min.)
Proteína % 22,0 18,0
Arginina % 0,62 0,51
Histidina % 0,22 0,18
Isoleucina % 0,45 0,37
Leucina % 0,72 0,59
Lisina % 0,77 0,63
19

Metionina - cistina % 0,53 0,43


Fenilalanina - tirosina % 0,89 0,73
Treonina % 0,58 0,48
Triptofano % 0,20 0,16
Valina % 0,48 0,39

Gordura % 8,0 5,0


Acido Linoléico % 1,0 1,0

Minerais %
Cálcio % 1,0 0,6 2,5
Fósforo % 0,8 0,5 1,6
Relação Ca:P 1:1 1:1 2:1
Potássio % 0,6 0,6
Sódio % 0,3 0,06
Cloro % 0,45 0,09
Magnésio % 0,04 0,04 0,3
Ferro ppm 80 80 3000
Cobre ppm 7,3 7,3 250
Manganês ppm 5,0 5,0
Zinco ppm 120 120 1000
Iodo ppm 1,5 1,5 50
Selênio ppm 0,11 0,11 2
Vitaminas
A IU/kg 5000 5000 50.000
D IU/kg 500 500 5.000
E IU/kg 50 50 1000
Tiamina ppm 1,0 1,0
Riboflavina ppm 2,0 2,0
Ácido Pantotênico ppm 10 10
Niacina ppm 11,4 11,4
Piridoxina ppm 1,0 1,0
Ácido fólico ppm 0,18 0,18
Cianocobalamina ppm 0,022 0,02
Colina ppm 1200 1200
1- Supondo a EM em 3500 kcal/kg
Fonte: Case et al (1995) (Reprodução do AAFCO, 1994)

Tabela 19 - Perfil de nutrientes em alimentos para gatos - recomendações da AFFCO


20

NUTRIENTE UNIDAD CRESCIMENTO E MANUTENÇÃO MÁXIMO


E REPRODUÇÃO (min.)
(MS) (min.)
Proteína % 30,0 28,0
Arginina % 1,25 1,04
Histidina % 0,31 0,31
Isoleucina % 0,52 0,52
Leucina % 1,25 1,25
Lisina % 1,20 0,83
Metionina - cistina % 1,10 1,10
Fenilalanina - tirosina % 0,88 0,88
Treonina % 0,42 0,42
Triptofano % 0,10 0,10
Valina % 0,20 0,20

Gordura % 9,0 9,0


Acido Linoléico % 0,5 0,5
Ácido Araquidônico % 0,02 0,02

Minerais %
Cálcio % 1,0 0,6
Fósforo % 0,8 0,5
Potássio % 0,6 0,6
Sódio % 0,2 0,2
Cloro % 0,3 0,3
Magnésio % 0,08 0,04
Ferro ppm 80 80
Cobre ppm 5 5
Manganês ppm 5,0 5,0
Zinco ppm 75 75
Iodo ppm 0,35 0,35
Selênio ppm 0,1 0,1
Vitaminas
A IU/kg 9000 5000 75.000
D IU/kg 750 500 10.000
E IU/kg 30 30
Tiamina ppm 5,0 5,0
Riboflavina ppm 4,0 4,0
Ácido Pantotênico ppm 5 5
Niacina ppm 60 60
Piridoxina ppm 4,0 4,0
Ácido fólico ppm 0,8 0,8
Cianocobalamina ppm 0,022 0,02
Colina ppm 2400 2400
1 - Supondo a EM em 4200 kcal/kg
Fonte: Case et al (1995) (Reprodução do AAFCO, 1994)
21

Tabela 20. Características (em MS) das dietas recomendadas para cães

ESTADO DIGESTIBILI EM PROTEÍ LIPÍDE FIB Ca P Na


FISIOLÓGIC DADE (%) (min) NA (%) OS (%) RA (%) (%) (%)
O kcal/ g (%)
Manutenção >75 3,5 15-25 >8 <5 0,5- 0,4- 0,2-
0,9 0,8 .0,5
Crescimento
1,0- 0,8-
Gestação >80 3,9 >29 17 <5 0,3-0,7
1,8 1,6
Lactação
Geriatria >80 3,75 14-21 >10 <4 0,5- 0,4- 0,2-0,4
0,8 0,7
Stress 82 4,2 >25 >23 4 0,8- 0,6- 0,3-0,6
1,5 1,2
Fonte: López (1997)

Tabela 21. Características (em MS) das dietas recomendadas para gatos (*)

ESTADO DIGESTIBILI EM PROTE LIPÍDE FIBR Ca P Na


FISIOLÓGIC DADE (%) (min) ÍNA OS (%) A (%) (%) (%)
O kcal/ g (%) (%)
Manutenção >75 3,75 >25 >10 <5 0,5-0,9 0,4- 0,2-
0,8 .0,5
crescimento
0,8-
Gestação >80 4,5 >35 17 <5 1,0-1,8 0,3-0,7
1,6
Lactação
Geriatria >80 3,75 25-35 >15 <5 0,5-0,8 0,4- 0,2-0,4
0,7
(*) O Conteúdo de Mg nas dietas (MS) deve ser < 0,10%.
Lewis et al, 1994 apud López (1997)

5 - CONCLUSÕES

Neste trabalho foram discutidos somente alguns pontos básicos da nutrição de cães e gatos. É
importante ressaltar que a nutrição destes animais envolve aspectos muito mais profundos como
bem estar animal e segurança alimentar, nutrição pediátrica e geriátrica, nutrição como suporte a
diversas situações clínicas (ex: alergias multifatoriais, insuficiências renais e hepáticas,
cardiopatias, problemas locomotores, obesidade, etc.), entre outros.
22

Apesar dos trabalhos desenvolvidos pela indústria de alimentos para animais de companhia,
ainda são poucos os projetos e os profissionais que se interessam por está área de atuação dentro
das instituições de ensino e pesquisa no Brasil, entretanto o setor exige cada vez mais
profissionais especializados.

Neste setor, tanto veterinários quanto zootecnistas têm um horizonte muito promissor, com boas
perspectivas profissionais e, principalmente, pessoais. Trabalhar com animais de estimação
envolve sentimentos que podem ser resumidos com as palavras seguintes:

“Possuir um animal de estimação é o que existe de melhor em


pertencer à raça humana. Nenhum outro animal abriga em sua casa
espécie completamente diferente, fornecendo-lhe alimento e abrigo,
apenas pelo prazer da companhia” Patricia Fish”

6 - BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

ASSOCIATION of American Feed Control Officials Incorporated. Official Publication. Atlanta,


1994
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US Government Printing Office. Washington, D.C. 1910
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