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UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE

Centro de Estudos Gerais


Instituto de Ciências Humanas e Filosofia
Área de História
Departamento de História
Curso de Graduação em História
Professor: Norberto Ferreras
Disciplina: História da América II
Período: 5º/2005
Aluno: João Koatz Miragaya

OS MODELOS POLÍTICOS DA AMÉRICA LATINA E A


INFLUÊNCIA INTERNACIONAL PÓS-
INDEPENDÊNCIA

A América Latina, na sua condição de um conjunto de ex-colônias européias, foi


fortemente influenciada política e ideologicamente pelos novos Estados europeus,
principalmente após a Revolução Francesa. Os modelos seguidos são, principalmente, os
oriundos dos Estados Unidos, França e Inglaterra, devido ao seu destaque na conjuntura
mundial, fosse econômica, social, ou culturalmente. O ethos católico herdado dos
espanhóis e portugueses, no entanto, não foi abandonado pelos colonos. Os povos latino-
americanos são, como o norte-americano, bastante imbuídos da idéia de liberdade e de
igualdade; uma, porém, é a concepção medieval, contrabalançada pela autoridade,
segundo a doutrina católica de sociedade; a outra, a liberdade do indivíduo soberano;
tendo as duas as mesmas bases, a segunda, entretanto, foi por um caminho cujo resultado
criaria um certo atrito social. A máquina política latino-americana, apesar desta
influência, se desenvolve de maneira distinta da norte-americana, influenciada por vários
fatores, como veremos a seguir.

UM DEBATE COM ANALISTAS

“A formação do Estado nacional na América Latina corresponde a dois processos


indissociáveis: a internacionalização do modo de produção capitalista que conduz à
institucionalização do poder burguês no mundo todo e, por outro lado, os processos de
emancipação das colônias ibéricas”.1 De fato que a economia global, sobretudo a européia,
exerciam fortíssima influência sobre a do novo mundo, e contribuíram, não somente para a
criação de uma economia própria, mas também para a formação de um poder próprio, já
livre do monopólio da metrópole.

Em um debate com a historiografia podemos analisar afirmações de diferentes especialistas


no assunto. Iniciamos com Halperín Donghi, que afirma que a política hispanoamericana
“nasce das dificuldades de adaptação de doutrinas pensadas em um contexto europeu a uma
realidade em tantos aspectos diferentes”.2 De forma mais precisa nos coloca Freire Ribeiro
quando afirma que “a quase totalidade dos historiadores considera que os sistemas
adotados, com exceção do que se instalou no Paraguai, representam, grosso modo,
imitações aproximadas dos modelos norte-americano e francês republicano”. 3 Percebe-se a
semelhança entre as duas análises, nos permitindo chegar a conclusão que a América Latina
não cria o seu modelo político próprio. O que se passa, contudo, é que posteriormente, este
continente desenvolverá sistemas políticos homônimos aos adotados nos Estados Unidos e
na Europa, mas com certas particularidades bastantes características, ou comuns a todo o
continente, ou somente a certos países.

Ainda em outra análise, Freire Ribeiro coloca ainda que “a falta de originalidade seria
conseqüência da ausência de liberdade administrativa de que se ressentiam as colônias
espanholas, tendo controlados seus principais órgãos de governo por nativos da metrópole
nomeados pela coroa. (…) Faltava realmente aos colonos qualquer tipo de experiência que
lhes fosse útil para a formação de um sistema de governo abrangendo não somente áreas
municipais, mas também toda uma vasta região, que seria o núcleo de novas
nacionalidades”.4

1
WASSERMAN, Claudia (coord.) A formação do Estado Nacional na América Latina: as emancipações
políticas e o intrincado ordenamento dos novos países IN “História da América Latina: Cinco Séculos” Porto
Alegre, Edufgrs, 1996, pp. 179-214.
2
HALPERÍN DONGHI, Tulio; Hacia una política para la Hispanoamérica postrerevolucionaria IN
“Hispanoamerica después de la independencia” Buenos Aires, Ed. Paires, pp. 184-228.
3
FREIRE RIBEIRO, Pedro, Cap. 8: Estruturação Política dos Novos Estados, IN “Raízes do Pensamento
Político da América Espanhola (1780-1826). Niterói, Eduff, 1995, pp. 113-148.
4
Idem.
Os autores Claudia Wasserman e Halperín Donghi concordam em relação a uma maior
influência norte-americana do que européia. A primeira vê que “a elite hispano-americana
(…) inspirava-se no modelo liberal da Independência americana (1776), que preservara
muitas estruturas do mundo colonial, notadamente a escravidão, e admirava as idéias do
iluminismo”. 5 O outro percebe que “frente à Revolução Francesa, manchada de sangue e
crimes, a dos Estados Unidos oferece um exemplo muito mais digno de ser imitada; a
comparação com o ‘imortal Washington’ se transforma no recurso retórico favorito dos
jornalistas no trem de adular de seus governantes, enquanto os opositores murmuram contra
o costume de invocar em vão o nome do herói”.6

O exemplo do federalismo norte-americano, portanto, será o mais trabalhado aqui, já que


exerceu enorme influência em duas das maiores e mais importantes nações da América
espanhola: o México e a Argentina. Estes, no entanto, não refletirão esse sistema político de
forma tão perfeita quanto se imagina. Além disto, como nos mostra Freire Ribeiro, “nos
países de pequena extensão territorial, o federalismo não chegou a ter importância por
motivos óbvios (…)”.7 Sendo os conflitos geo-econômicos o motor das brigas políticas, os
menores Estados não fazem parte deste seleto grupo.

A MONARQUIA COMO ALTERNATIVA

Surge imediatamente após o período de independência da América Hispânica, a alternativa


de monarquias constitucionais como meio transitório para uma política que beneficiasse as
elites criollas. Junto à monarquia, outros sistemas políticos aparecem lhe fazendo frente,
sugerindo formulas que poderiam ser aplicadas a estes novos Estados. “Monarquias
constitucionais, repúblicas populares e representativas, sistemas federalistas ou centralistas
foram encarados como opções pelas diversas chefias revolucionárias”.8 Nesta mesa época, é

5
WASSERMAN, Claudia (coord.) A formação do Estado Nacional na América Latina: as emancipações
políticas e o intrincado ordenamento dos novos países IN “História da América Latina: Cinco Séculos” Porto
Alegre, Edufgrs, 1996, pp. 179-214.
6
HALPERÍN DONGHI, Tulio; Hacia una política para la Hispanoamérica postrerevolucionaria IN
“Hispanoamerica después de la independencia” Buenos Aires, Ed. Paires, pp. 184-228.
7
FREIRE RIBEIRO, Pedro, Cap. 8: Estruturação Política dos Novos Estados, IN “Raízes do Pensamento
Político da América Espanhola (1780-1826). Niterói, Eduff, 1995, pp. 113-148.
8
Idem.
importante assinalar que as novas nações começavam a se distanciar, ao contrário do que
desejava Simon Bolívar, devido a fatores como “condições geográficas ou conjunturas
nacionais e internacionais (que) favoreciam umas ou outras”.9 Freire Ribeiro ainda afirma
que “o monarquismo foi sempre menos poderoso que a corrente republicana. Ele teve três
origens diversas: convicções ideológicas sinceras, aparente solução conciliatória única em
momentos de choques de tendências diversas, e melhor fórmula para obter o
reconhecimento dos novos Estados pelas grandes potências”. 10 Além disto, ele assinala que
a monarquia nunca foi preferência de uma maioria.

No México vemos que “o intento monarquista que buscava conservar a velha ordem
hispano-americana”.11 Em novos Estados como o Peru, também surgiram estas idéias,
servindo de influência, inclusive, para as províncias do Rio da Prata. A verdade é que esta
monarquia serviria como um pano de fundo para impedir o avanço de massas
revolucionárias (na verdade não tão temíveis como eram tratadas), restabelecendo a velha
ordem social colonial, com uma substituição dos espanhóis (chapetones) pelos criollos em
cargos administrativos. Obviamente que a intenção não se reflete na prática tão
simplesmente, e estes monarquistas, mesmo se tivessem tido o êxito desejado, não teriam
mantido tão fielmente a velha ordem política.

A OPÇÃO PELO (CON) FEDERALISMO NA ARGENTINA

“Os sistemas constitucionais criados para transferir o poder através de eleições e para
garantir liberdades individuais foram, freqüentemente, formais e não eram respeitados na
prática. Ainda movidos pela necessidade de romper com o passado colonial, os governos
pós-revolucionários adotaram sistemas federalistas em oposição às estruturas políticas
centralizadas metropolitanas”.12 Esta tese geral é adequada de formas diferentes a cada nova

9
FREIRE RIBEIRO, Pedro, Cap. 8: Estruturação Política dos Novos Estados, IN “Raízes do Pensamento
Político da América Espanhola (1780-1826). Niterói, Eduff, 1995, pp. 113-148. .
10
Idem.
11
ZORAIDA VÁZQUEZ, Josefina: El Federalismo Mexicano, IN CARMAGNANI, Marcelo “Federalismos
Latinoamericanos: México / Brasil / Argentina. El Colegio de México. Pp. 15-50.
12
WASSERMAN, Claudia (coord.) A formação do Estado Nacional na América Latina: as emancipações
políticas e o intrincado ordenamento dos novos países IN “História da América Latina: Cinco Séculos” Porto
Alegre, Edufgrs, 1996, pp. 179-214.
nação latino-americana. A Argentina, por exemplo, é definida por José Carlos Chiaramonte
como “um conjunto de tendências políticas doutrinariamente pouco definidas, que o que
mais produziu, sobre a base de um pacto, foi uma débil confederação vigente entre 1831 e
1853”.13 Este autor a todo tempo contesta este federalismo vigente na ex-província platina,
considerando-o uma espécie de confederação. Ele afirma que se considerarmos as
províncias do Rio da Prata uma confederação, e não uma federação, ao mesmo tempo
consideramos-nas “Estados independentes e soberanos, e não províncias de alguma nação
ou Estado pré-existente”.14 Sendo assim, é errôneo chamarmos a Argentina de Estado nesta
época segundo a concepção deste autor. De fato, a unificação ainda não acontecera.

Sabemos que as lutas na região platina foram bastante acirradas devido às oposições
centralistas. As elites de Buenos Aires, por comandarem a região de posição geográfica
mais vantajosa e importância econômica vital para todas as outras províncias, considerava
justo que comandassem também a capital de forma centralizada de um novo Estado
nacional. “As longas lutas entre as províncias que formariam a futura Argentina, em torno
da imposição de um sistema federalista ou unitário, nasceram de características ou
interesses diversos, da província de Buenos Aires, de um lado, e das províncias do litoral e
do interior”, 15 do outro.

Reforçando a tese anterior, embasada por questões econômicas, Claudia Wasserman coloca
que “o confronto entre interesses de unificação do Estado nacional e os que pretendiam
autonomia provincial traduzia-se na tentativa dos comerciantes de Buenos Aires em manter
uma exportação hegemônica na exportação de couros, charque, lã e outros produtos
provinciais e, ao mesmo tempo, manter-se adiante no processo de importação de produtos
europeus”.16 Viam-se prejudicados novamente os criollos das províncias do interior, depois
que se estabeleceu este centralismo, já que para eles a ordem havia se alterado para pior
13
CHIARAMONTE, José Carlos: El federalismo argentino en la primera mitad Del siglo XIX, IN:
CARMAGNANI, Marcelo “Federalismos Latinoamericanos: México / Brasil / Argentina. El Colegio de
México. Pp. 81-132.
14
Idem.
15
FREIRE RIBEIRO, Pedro, Cap. 8: Estruturação Política dos Novos Estados, IN “Raízes do Pensamento
Político da América Espanhola (1780-1826). Niterói, Eduff, 1995, pp. 113-148.
16
WASSERMAN, Claudia (coord.) A formação do Estado Nacional na América Latina: as emancipações
políticas e o intrincado ordenamento dos novos países IN “História da América Latina: Cinco Séculos” Porto
Alegre, Edufgrs, 1996, pp. 179-214.
desde a independência, pois além de não exercerem funções administrativas como antes,
viram seus produtos serem substituídos por outros europeus exportados.

O que vemos, no entanto, é que mesmo Buenos Aires sendo uma das maiores cidades do
novo mundo, mesmo sendo uma das mais cosmopolitas do continente, não há uma posição
realmente baseada em ideais. Nem todos os portenhos eram centralistas, mas mesmo os que
simpatizavam com os ideais federalistas, não o faziam por crença ideológica, como nos
mostra Freire Ribeiro. “Já existia então (em 1824), em Buenos Aires, uma forte corrente
federalista, não de um federalismo extremado, mas um que desejava a coexistência
harmoniosa entre a sua província e as restantes”. 17 As teses apontam somente para uma
briga de elites criollas por poder. Mesmo os que desejam esta harmonia entre as províncias,
o querem somente por vantagens que um grande Estado forte poderia acarretar.

Após a recusa da constituição de 1826 pelas províncias interioranas, o movimento


federalista fica ainda mais forte, atingindo o seu objetivo em 1831. Chiaramonte nos mostra
que “as províncias argentinas (Buenos Aires ou as do litoral e interior) não puderam
transcender o forte autonomismo que as dominava. O chamado federalismo, limitado, de
fato, a um confederalismo – mas sem chegar sequer ao grau de vinculação que tiveram os
artigos de confederação norte-americanos –, não pôde afirmar-se no que poderíamos
considerar com um critério atual seu momento nacional, e ficou vigente em seu momento
autonomista”.18 Mais uma vez o autor fala em confederação, ao invés de federação, mas
desta vez, assumindo que, mesmo esta confederação se distinguia da dos Estados Unidos na
sua forma. Além disso, ele reduz este (con) federalismo argentino a um respiro de
autonomismo, sem caracterizar-se como um “momento nacional”. Conclui-se que o seu
estabelecimento não reforça os laços provinciais, e, sendo assim, não satisfaz a uma parcela
da população suficiente.

17
FREIRE RIBEIRO, Pedro, Cap. 8: Estruturação Política dos Novos Estados, IN “Raízes do Pensamento
Político da América Espanhola (1780-1826). Niterói, Eduff, 1995, pp. 113-148.
18
CHIARAMONTE, José Carlos: El federalismo argentino en la primera mitad Del siglo XIX, IN:
CARMAGNANI, Marcelo “Federalismos Latinoamericanos: México / Brasil / Argentina. El Colegio de
México. Pp. 81-132.
Este regime, no entanto, é apontado por Halperín Donghi como exclusivista e parcial do
ponto de vista de quem era o real beneficiado, e da democracia. “Há aqui, então, uma das
conseqüências de uma democratização somente parcial do estilo político, ao qual se
adaptam particularmente mal as rivalidades internas de uma elite que – despojada em mais
de um caso de monopólio político em beneficio de dirigentes provenientes das faixas antes
marginais do grupo, mas quase nunca estranhos a ela – não tem modo de reconquistar o
terreno perdido e não se vê por outra parte ameaçada de retrocessos ainda mais graves, na
medida em que os que haviam sido levados pela conjuntura revolucionária e pós-
revolucionária para cima do sistema político, mostram também uma tendência bastante
escassa de ampliar ainda mais o setor cuja influência se faz sentir na vida política”.19 O jogo
de interesses está bastante vivo, como se vê; quando a política centralista entra em vigor,
Buenos Aires é nitidamente beneficiada. No caso de o federalismo ser a base, entretanto,
percebe-se que Buenos Aires é afetada de forma grave.

O que extraímos destas análises destes autores é que a razão pela qual o federalismo (ou
confederalismo, como Chiaramonte frisa o tempo todo) é instalado na Argentina, se deve
puramente a questões econômicas e sociais. Não havia uma ordem política e ideológica
característica neste sentido, deste novo Estado, somente uma cópia de modelos utilizados,
como vimos anteriormente. A questão se resume a um conflito territorial, explicitada por
um choque de interesses entre as elites de Buenos Aires e as de províncias do interior,
medindo forças até que a segunda vencesse de forma temporária. E mesmo esta cópia, na
Argentina, se manifesta de maneira equivocada, sinalizada pela divisão de opiniões de
historiadores entre um federalismo ou confederalismo. O fato é que nenhum dos dois
sistemas se manifesta nesta região sequer de forma parecida com que ocorre nas nações
inspiradoras.

O CASO MEXICANO

O México, como veremos a seguir, também serviu de base para um sistema federalista no
início do século XIX, mas com certas particularidades não comuns à Argentina. “O que não
19
HALPERÍN DONGHI, Tulio; Hacia una política para la Hispanoamérica postrerevolucionaria IN
“Hispanoamerica después de la independencia” Buenos Aires, Ed. Paires, pp. 184-228.
parece despertar dúvida é que a federação foi à opção que manteve a unidade em 1824 ao
responder ao regionalismo, verdadeira força política ao derrubar-se a tentativa
monarquistas que buscava conservar a velha ordem novo-hispana”. 20 Talvez por
proximidade o México possivelmente foi a ex-colônia espanhola que teve seu sistema
federal mais próximo ao norte-americano, embora contasse com diferenças marcante,
quanto à soberania dos Estados.

No que podemos notar a partir da análise de Claudia Wasserman, é que as razões


econômicas não são um diferencial entre Argentina e México, pelo contrário; ambos se
caracterizam por terem estas causas como carro chefe do sistema político. “A classe
dominante mexicana apresentava-se dividida entre liberais e conservadores. Os primeiros
defendiam a descentralização política e o federalismo, tomando como exemplo o modelo de
organização norte-americano e, por isso, eram conhecidos como yorkinos. Os
conservadores inspiravam-se na Inglaterra, mantinha relações com o cônsul britânico no
México e defendiam o centralismo político, sendo chamados também de escoceses”.21 A
questão regional também é bastante relevante no caso mexicano, pelos mesmos motivos
portenhos.

Zoraida Vázquez nos mostra que “mesmo que tenha sido aceito o federalismo, ainda se
provocou uma polêmica e seus inimigos conseguiram que a definição de nação mexicana
desconhecesse a existência dos estados estabelecidos (…); desta maneira a nação assumia a
soberania, mas compartilhava-a com estados livres, soberanos e independentes no que
exclusivamente tocasse a sua administração e governo interior. Não havia um só conceito
de nação”.22 Este sistema estava enfraquecido, pois, como vimos anteriormente, não havia
uma base ideológica por trás do prático. O que se pretendia era uma cópia de um modelo
que aparentemente está funcionando em nações mais desenvolvidas, e que solucione os
problemas que estes Estados recém-formados (ou ainda se formando) possuem.

20
ZORAIDA VÁZQUEZ, Josefina: El Federalismo Mexicano, IN CARMAGNANI, Marcelo “Federalismos
Latinoamericanos: México / Brasil / Argentina. El Colegio de México. Pp. 15-50.
21
WASSERMAN, Claudia (coord.) A formação do Estado Nacional na América Latina: as emancipações
políticas e o intrincado ordenamento dos novos países IN “História da América Latina: Cinco Séculos” Porto
Alegre, Edufgrs, 1996, pp. 179-214.
22
ZORAIDA VÁZQUEZ, Josefina: El Federalismo Mexicano, IN CARMAGNANI, Marcelo “Federalismos
Latinoamericanos: México / Brasil / Argentina. El Colegio de México. Pp. 15-50.
A desigualdade gerada nesta federação era nítida, contrastando a prosperidade com o atraso
econômico e social. Além disto, o México ainda arcava com os prejuízos da guerra, e
passava por uma forte crise econômica, endividando-se cada vez mais. A precária situação
das camadas baixas da sociedade fez com que essas se manifestassem de maneira mais
marcante do que na Argentina, dividindo a própria elite, que se identificava, segundo
Claudia Wasserman, afirmando que “o que dividia liberais e conservadores (…) era a
tolerância dos primeiros para com as camadas populares e médias”. 23 No México, a questão
social, ao menos era levada em conta na distinção de grupos ideológicos. Apesar disto,
“grandes setores da população ficaram excluídos dos processos políticos, e suas aspirações
se expressariam em movimentos populares que não seriam acionados em todo o período”.24

Apesar de alguns considerarem, assim como foi o argentino, o federalismo mexicano


fortemente marcado por características confederais, este cumpriu um pouco mais com o que
propunha o seu nome. Os conflitos com a igreja, tendo esta parte de suas terras
expropriadas, e o domínio de um exército nacional enriquecem este sistema mexicano um
pouco mais do que o argentino. No entanto, como concluirei adiante, não há uma forte
influência ideológica que pudesse manter este sistema como deveria ser.

CONCLUSÃO

México e Argentina são os Estados de destaque na América Espanhola, que podem servir
de exemplo para outras nações grandes. No entanto, possuem particularidades que diferem
um do outro, e deve ser considerado. O que nos importa, contudo, é que ambos não
seguiram estes modelos devido a uma influência ideológica, ou criaram os seus modelos,
mas sim copiaram de forma incoerente com as suas estruturas, modelos políticos europeus e
norte-americano que estavam vigentes no contexto.

23
WASSERMAN, Claudia (coord.) A formação do Estado Nacional na América Latina: as emancipações
políticas e o intrincado ordenamento dos novos países IN “História da América Latina: Cinco Séculos” Porto
Alegre, Edufgrs, 1996, pp. 179-214.
24
ZORAIDA VÁZQUEZ, Josefina: El Federalismo Mexicano, IN CARMAGNANI, Marcelo “Federalismos
Latinoamericanos: México / Brasil / Argentina. El Colegio de México. Pp. 15-50.
A emancipação da América Hispânica – e aqui podemos incluir o Brasil também –
aconteceu de forma totalmente parcial. A economia destes novos Estados era dependente ao
extremo das importações e exportações européias, já que as indústrias não avançaram
durante um bom tempo. A cultura era, talvez, o que mais mesclava traços europeus com os
americanos Mas, mesmo assim, na vida das elites os fatores externos predominavam. E a
conjuntura política, como analisamos aqui, foi uma mistura de influência externas
adaptadas aos conflitos regionais, que caracterizaram os sistemas federais (ou confederais)
latino-americanos como bastante particulares e contraditórios algumas vezes.

BIBLIOGRAFIA

 CARMAGNANI, Marcelo “Federalismos Latinoamericanos: México / Brasil /


Argentina. El Colegio de México
 FREIRE RIBEIRO, Pedro: “Raízes do Pensamento Político da América Espanhola
(1780-1826). Niterói, Eduff, 1995.
 HALPERÍN DONGHI, Tulio; “Hispanoamerica después de la independencia” Buenos
Aires, Ed. Paires, pp. 184-228.
 WASSERMAN, Claudia (coord.) “História da América Latina: Cinco Séculos” Porto
Alegre, Edufgrs, 1996.