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O ANEL DE GIGES

Sem dúvidas a narrativa do “O anel de Giges” é um dos mitos de Platão mais conhecidos e
de ideais mais difundidos, partimos do princípio que mitos, analogias e parábolas são uma
forma mais simples de se passar informações e pensamentos complexos, baseado nisso Platão
criou a figura de um personagem chamado Giges sendo este condicionado a uma vida simples
e tranquila de pastor de ovelhas, na época um pastor de ovelhas era sinal de pessoa humilde e
sem grandes poderes socioeconômicos, sendo a figura do pastor de ovelhas empregada em
diversos outros pensamentos como as próprias parábolas Bíblicas de Jesus Cristo (cultura
cristã).

No mito de Platão o humilde Giges encontra em um cadáver um anel muito poderoso,


capaz de deixa-lo invisível (é importante considerar que Platão era um grande romancista e
analogias tão exageradas assim se tornam racionais e compreensíveis quando observamos seu
desfecho) a partir deste anel Giges percebe ter adquirido um enorme poder, ele percebe ser
capaz de realizar feitos que nunca poderia ter feito em sua normal capacidade física. Em certa
oportunidade Giges decide tomar o poder do rei para si, já que com a invisibilidade e
persuasão esta seria uma simples tarefa, logo após ele matou o rei e tomou o reino para si.

A grande pergunta de Platão e o grande ensinamento perante a narrativa “O pastor se


beneficiou após os acontecimentos da história?” se tomarmos uma perspectiva egocêntrica e
material com clareza é possível se dizer que sim, obviamente de um simples pastor ele se
tornou um rei e imperador, mas Platão não pensava assim, o senso de justiça é um dos
princípios mais defensáveis por Platão, segundo ele o resultado só pode ser bom e positivo se
os meios para conquista-lo seguirem o mesmo princípio. Giges não obteve seu poder de forma
justa, isto começa desde o fato dele furtar o anel de um cadáver até seu pensamento de tomar
o poder para si através de um homicídio.

Uma pessoa justa segundo Platão é um ser mais feliz e livre de qualquer peso na
consciência, a justiça é uma das belezas que mantém as interações econômicas e sociais nos
eixos certos. Giges encontrou uma forma de sair impune de suas atrocidades e quando o
poder subiu a cabeça, ele deixou de ser um humilde pastor de ovelhas e se revelou um grande
tirano que apenas não tinha condições de fazer suas vontades egoístas e injustas, como na
famosa frase do filósofo Francês Maquiavel: “Dê o poder ao homem, e descobrirá quem ele
realmente é”.

Concluindo, o mito de Platão nos ensina a importância de um dos princípios mais básicos da
ética e valores sociais, a justiça e a bondade são fatores que sustentam o bem estar social ao
passo que uma sociedade sem estas é uma sociedade perdida no caos e nas guerras (como
acontecimentos históricos e prováveis problemáticas futuras).
MINHA COMPREENSÃO

Sem dúvidas, após ler a narrativa de Platão, a ideia “me entrou pela cabeça” é interessante
esta sistemática dinâmica que os grandes oradores da nossa sociedade usavam e usam, os
mitos e as parábolas tornam a compreensão mais simples e menos monótona.

O senso de justiça de Platão é sem dúvidas muito admirável e eu partilho dos mesmos
princípios, valores como a ética pra mim são insubstituíveis por qualquer ganho material ou
social (isto é reflexo da minha criação). Para muitas pessoas de hoje em dia, os pensamentos
de Platão podem parecer simples e até óbvios, e até por isso Aristóteles receba mais prestígio
em certas comunidades, mas a realidade em que Platão viveu e principalmente o pioneirismo
dele nessa linhagem de pensamentos é uma questão lógica aceitar que sem Platão raramente
conheceríamos pensadores como Aristóteles, Sócrates e etc.

O caso do anel de Giges é uma realidade latente até os tempos atuais, considerando que a
maioria das pessoas, mais se importam com os ganhos e os prazeres materiais do que o bom
senso e a boa saúde social, todos os indivíduos convivem ou conviverão com pessoas assim, o
mundo está “infestado” delas, nos basta fazer nossa parte e nunca render-se a uma visão
totalmente egocêntrica e pautada apenas nos próprios interesses.

Sobre o questionamento levantado no vídeo eu não posso dizer com clareza o que faria no
lugar de Giges, eu posso ser hipócrita de falar que não faria o mesmo e levaria os meus ideais
acima de tudo, mas só posso ter certeza se viver uma situação parecida, afinal “O homem
nasce puro e a sociedade o corrompe” seja pelo dinheiro ou poder.

Víthor dos Anjos Cabral – 3°A