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CHASSOT, Attico. Alfabetização Científica: uma possibilidade para inclusão social.

Revista Brasileira de Educação. 2003, nº22, p. 89 -100.

Flávia Lopes Barbosa Siqueira¹

Para definir a alfabetização científica, inicialmente o artigo irá abordar aspectos sobre
a história da escola e suas transformações sociais devido a globalização. O autor faz uma
comparação acerca das escolas dos nossos avós e as escolas que temos nos dias de
hoje. Sabe-se que antes, a escola era detentora do conhecimento e o professor era
aquele que possuía o poder na sala de aula. O aluno apenas recebia o conhecimento
depositado pelo professor. Hoje, porém, percebe-se uma escola diferente, a maioria dos
alunos possui o “conhecimento” em suas mãos. Dessa forma, o aluno que antes
precisava ir à escola para receber o conteúdo depositado pelo docente, hoje tem acesso à
informação muito mais rápido e em diversos lugares.

Aqui temos que reconhecer que eles, não raro, superam as professoras e os
professores nas possibilidades de acesso às fontes de informações. Há situações
nas quais temos docentes desplugados ou sem televisão, que ensinam a alunos
que surfam na internet ou estão conectados a redes de TV a cabo, perdendo a
escola (e o professor) o papel de centro de referência do saber. (CHASSOT, 2003,
P. 90)

A partir disso, o autor realiza uma reflexão sobre a interpretação dos alunos no que
diz respeito aos conhecimentos adquiridos através das mais diversas tecnologias
presentes no cotidiano deste público. Além disso, Chassot destaca que a alfabetização
científica não é apenas necessária no ensino fundamental, mas também no ensino médio
e no ensino superior.
Mesmo que adiante eu discuta o que é alfabetização científica, permito-me
antecipar que defendo, como depois amplio, que a ciência seja uma linguagem;
assim, ser alfabetizado cientificamente é saber ler a linguagem em que está
escrita a natureza. É um analfabeto científico aquele incapaz de uma leitura do
universo. (CHASSOT, 2003, P. 91)

Acredita-se que o aluno alfabetizado cientificamente, irá conseguir compreender as


manifestações do universo, bem como as mais diversas ciências como a biologia e a
matemática ou a história e a geografia. De acordo com Chassot, a ciência é uma
linguagem, assim como a língua portuguesa. Por isso, compreender a linguagem da
ciência significa entender a linguagem na qual está sendo escrita a natureza. A
alfabetização científica possui enorme relevância para o cidadão, pois, a partir dela o
indivíduo será capaz de compreender a sociedade e suas transformações de forma
crítica.
Nesse contexto, o autor faz uma análise sobre a divisão das ciências naturais e
humanas. Para Chassot, fica claro que todas as ciências possuem interconexões, por
isso, torna-se inadequado essa divisão. Lateralmente ainda, vale referir também o quanto
a divisão em ciências hard e ciências soft é uma classificação no mínimo enviesada e,
muito provavelmente, de autoria de um assim chamado cientista hard (CHASSOT, 2003,
P. 92).
No penúltimo tópico do artigo, Attico Chassot, relata que a comparação da ciência
com a linguagem pode ser considerada muito simplista, porém, ele reafirma que essa
colocação é pertinente, visto que, ter em mente que a ciência é uma linguagem, pode
facilitar a leitura do mundo natural. Nesse sentido, o artigo aborda a alfabetização
científica numa perspectiva de inclusão social. Há uma continuada necessidade de
fazermos com que a ciência possa ser não apenas medianamente entendida por todos,
mas, e principalmente, facilitadora do estar fazendo parte do mundo. (CHASSOT, 2003, P.
93). Percebe-se que no decorrer do artigo, que o autor tem como foco demonstrar a
importância do conhecimento científico para todos os indivíduos. Para ele, a alfabetização
científica é tão essencial quanto saber ler e escrever. Além disso, Chassot também
destaca o papel do professor nesse processo. Desse modo, os educadores devem
transformar o saber acadêmico em saber escolar para que o processo da alfabetização
científica ocorra de forma significativa.
Por fim, o artigo finaliza com o questionamento acerca de como devemos realizar a
alfabetização científica. Segundo Chassot, a alfabetização científica só irá acontecer
quando ela fizer parte de todos os níveis de ensino, não só apenas na educação básica,
mas também do ensino superior e da pós-graduação. Para ele, estes conhecimentos irão
permitir que os estudantes compreendam o mundo e melhorem sua qualidade de vida,
assim como, percebam que a limitação destes mesmos conhecimentos podem gerar
resultados negativos para o seu desenvolvimento, não apenas acadêmico, mas também
na sua evolução como cidadão.