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Data do estudo Lição 3

Texto base: 2 Coríntios 1:12-14

O Ministério da
Reconciliação
A Segunda Carta aos
Coríntios

É natural que qualquer pessoa d.C., aproximadamente um ano de-


se sinta triste quando é criticado pois da primeira. Tudo indica que
ou a ela se faz oposição, ainda mais ele escreveu outra carta, conforme
quando se faz o que é certo e de sugerem 2 Co 2:3 e 7:8, o que causou
acordo com a vontade de Deus. O muita tristeza na Igreja. Parece que
apóstolo Paulo expressa os seus a situação entre Paulo e os mem-
sentimentos nessa segunda car- bros daquela igreja piorou depois
ta aos Coríntios, provavelmente que eles leram as cartas. A Igreja
por ter sofrido oposição de um ou tinha uma série de erros graves, os
alguns crentes que o ofenderam quais Paulo procurou corrigir, mas
muito. Não sabemos os detalhes do alguns membros diziam que Pau-
que tenha ocorrido na viagem que lo não tinha autoridade apostólica
fez após ter fundado a igreja em para resolver problemas da igreja. A
Corinto, em 51-52 d.C., mas nessa segunda carta aos Coríntios busca
carta ele vai defender o seu minis- sanar essa questão e, por isso, tem
tério e motivar cada cristão a exer- o objetivo pastoral de trazer conso-
citar o ministério da reconciliação. lo em meio ao sofrimento. Vejamos
então, alguns aspectos da carta
Paulo escreve essa carta da Ma-
que são importantes para nós hoje.
cedônia, provavelmente no ano 57

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1. Ajuda no sofrimento irmãos e parece que ele faz essas
(1:3-11) colocações para chegar ao destino
que pretendia – avaliar o sofrimento
Após a sua apresentação e sau- causado por alguns irmãos na pró-
dação, Paulo agradece a Deus pela pria Igreja.
consolação dispensada em meio a
tantas angústias e tribulações pelas
quais passou. Ele afirma que Deus é
2. O ministério da
restauração (2:5-17)
o único que pode de fato consolar,
por isso ele bendiz ao Senhor. Sim, Nesse capítulo, Paulo vai direto
Deus é o Pai das misericórdias e o ao ponto que causou o problema
Deus de toda a consolação. Mas a na Igreja. Perceba que ele não cita
visão dele vai além e enxerga um o nome nem o problema em si, mas
propósito até para o sofrimento simplesmente diz: “se alguém cau-
com o consolo divino, pois apren- sou tristeza” (2:5). Ele não quer criar
demos como consolar os outros mais polêmica e, sim, solucionar o
com o conforto que recebemos conflito. É sempre bom nos repor-
de Deus. Ele expressa que somos tarmos à Primeira carta, na qual
capacitados a “consolar os que es- muitos pecados são denunciados,
tiverem em qualquer angústia” (1:4), mas com objetivo de trazer cura
ou seja, todo crente torna-se um para a comunidade. Aqui no texto,
consolador neste mundo de de- percebemos o apóstolo mostran-
sesperança. Paulo relembra (1:8) as do maneiras para restaurar aqueles
ameaças e perseguições que so- que caem. O mal cometido não foi
freu na Ásia e foram de tal intensi- apenas uma ofensa ao apóstolo,
dade que ele sentiu ser acima das mas a toda a Igreja (2:5). Provavel-
forças humanas. Ele se desesperou mente a Igreja (a maioria dos cren-
da própria vida. Parece que Paulo tes) já havia aplicado a disciplina ao
compartilhou sua experiência na ofensor (2:6), o que já era bastante.
certeza de que mesmo com a sen- Portanto, a disciplina não devia con-
tença de morte não confiava em si tinuar, qualquer que fosse o peca-
mesmo, mas em Deus, que ressus- do, se houve arrependimento. Se o
cita os mortos. Mas também enten- irmão já tinha se arrependido, não
deu que as orações da Igreja a seu havia mais por que se prolongar a
favor o ajudaram, pois foi livramento questão. Quantas vezes perde-se
da parte do Senhor como resposta tanto tempo e a comunhão porque
a essas orações. Paulo sempre re- alguns irmãos se prolongam num
fletia o melhor acerca daqueles

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assunto que Deus já perdoou, e os 3. Vasos frágeis, mas
ofensores já se arrependeram! Que fortalecidos (4:7-18)
bom seria se esses quesitos fossem
seguidos sempre que houvesse Paulo continua tratando aqui so-
tristeza pelo pecado cometido. bre o ministério cristão que, apesar
de todo sofrimento e perseguição,
Mas Paulo continua em sua traz em si mesmo um grande te-
orientação, insistindo no perdão. souro, que é a boa nova do evan-
A atitude da igreja em perdoar e gelho. Ele vai agora falar sobre essa
confortar (2:7) é para impedir que instrumentalidade humana, que é
pessoas sejam consumidas pela usada por Deus para levar a mensa-
tristeza excessiva, o que leva ao gem de paz, o tesouro em vasos de
desânimo. Só havendo verdadeiro barros. Vejam o senso de humilda-
amor é que se perdoa! (2:8, 9). As- de e confiança do apóstolo em ob-
sim, a recomendação é que a igreja servar sua condição humana, mas
confirme o amor para com o irmão. que experimenta uma glória de ser
É um sinal de obediência agir assim, portador da nova aliança de Deus
e foi por isso que Paulo escreveu com o homem. Somos fracos e frá-
estas orientações. A expectativa do geis em nosso corpo físico, como
apóstolo era de que se a Igreja per- um vaso que pode se quebrar a
doasse, ele também perdoaria, por- qualquer momento, mas que trans-
que confiava no julgamento da con- porta a excelência do poder de
gregação, uma vez que tudo devia Deus (4:7). O poder está, portanto,
ser feito na presença de Cristo, que sempre nas mãos de Deus e nunca
é o Senhor da Igreja (2:10). Um alerta nas mãos humanas, até mesmo de
é dado agora (2:11): é um risco para um líder na igreja. Esta é sempre a
a igreja não aplicar uma disciplina maneira de Deus agir, de modo que
que é necessária, mas também é tudo que é de fato útil e aproveitá-
um perigo não perdoar quando há vel eternamente é realizado por Ele
verdadeiro arrependimento, pois por intermédio dos que são fracos
Satanás pode obter vitória contra e humanos.
a igreja. Como ele faz isso? Apa-
Paulo vai mais uma vez falar da
gando o testemunho da igreja que
condição de sofrimento humano,
admite o pecado, mas também não
nossa verdadeira realidade. Apesar
perdoando, aniquila-se o irmão ar-
de aparentemente nos sentirmos
rependido.
fortes e cheios de vitalidade, so-
mos vasos extremamente fracos e

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inúteis se não formos sustentados e esta razão, para o apóstolo Paulo,
por Deus mesmo. Somos todos, e tornava firme e inabalável a sua es-
Paulo se inclui em primeiro lugar, perança a ponto de suportar todos
“atribulados, mas não angustiados; os infortúnios, para que Deus fosse
perplexos, mas não desanimados; honrado em todos os lugares. Mas
perseguidos, mas não desampara- a graça de Deus é tão abundante
dos; abatidos, mas não destruídos” que, apesar de ser a sua glória o ob-
(4:8-9). Ele havia passado por tudo jetivo final, durante a caminhada o
isso em seu ministério – pressão fí- amor entre os irmãos cresce, e ou-
sica, emocional e espiritual, como tros também são beneficiados pelo
se estivesse levando em seu corpo mesmo amor de Deus. Quando a
o morrer de Jesus, para que a vida graça é multiplicada, mais pessoas
de Jesus pudesse se manifestar no são salvas e abençoadas, e mais e
corpo (4:10-11). Cristo sempre este- mais Deus é honrado. A razão pela
ve ao seu lado, por isso mesmo não qual Paulo não desanimava era por-
se sentiu angustiado, desanimado, que a glória de Deus se manifestava
desamparado nem destruído. através do desempenho do minis-
tério a ele confiado e se reanimava
Qual seria a razão para não de-
dizendo: “embora o homem exterior
sanimar desse árduo ministério de
(o corpo físico) se corrompa, contudo
levar o tesouro a todas as pessoas?
o nosso homem interior se renova de
Ele responde dizendo que é pelo
dia em dia” (4:16). É assim também
“espírito da fé, conforme está escrito:
com você?
Eu cri; por isso é que falei” (4:13), re-
ferindo-se ao Salmo 116:10 (na ver- Paulo finaliza esse capítulo in-
são Septuaginta). Esse é o alimento centivando os crentes de Corinto
diário de cada crente, que com uma a continuar a jornada cristã, com-
fé genuína tem condições de falar parando o que é momentâneo e o
da graça de Deus e superar todas que é eterno. Embora as tribulações
as tribulações. Essa fé age na vida tenham sido severas, para ele foi
do crente de forma presente, mas como se fossem leves e breves se
também o leva para o futuro, na comparadas com “o eterno peso de
certeza da ressurreição: “aquele que glória” (4:17). A fé nos convoca a nos
ressuscitou o Senhor Jesus, também identificarmos com Cristo em seus
nos ressuscitará com Jesus e nos sofrimentos, para que também
apresentará convosco” (4:14). Por- possamos desfrutar de sua glória.
tanto, o grande propósito do nosso Sim, somente pela fé podemos ver
ministério (4:15) é a glória de Deus o mundo invisível, pois as coisas

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visíveis fisicamente são temporais, deixar as coisas erradas acontece-
mas as que não se veem são eter- rem nem podemos deixar de aco-
nas (v.18). lher aquele que se arrepende.
2. Quando foi a última vez que
Conclusão você se sentiu perseguido por fa-
lar e viver o evangelho? Nesses
A segunda epístola aos Corín-
momentos, o próprio Espírito San-
tios é uma carta muito pessoal,
to está sofrendo conosco. Jesus
que demonstra toda a emoção do
está ao nosso lado para consolar e
apóstolo Paulo. Assim como ele,
confortar, mas também encorajar a
todos nós somos surpreendidos
continuar. Somos fortalecidos em
diariamente por problemas e tribu-
nosso caráter para que também se-
lações, mais ainda quando se tra-
jamos portadores do ministério da
ta do ministério cristão, passamos
consolação.
por perseguições e críticas de todo
jeito, até mesmo internamente na 3. Você vive consciente do valor
igreja. Aprendemos que o consolo e precioso do tesouro que leva consi-
o encorajamento divino estão pre- go? E da fragilidade do seu corpo?
sentes em meio ao sofrimento e às Pense sempre em ser completa-
dificuldades, e que somos fortale- mente dependente do poder de
cidos para que sejamos portadores Deus para viver a vida abundante
do ministério da consolação. Mas que Ele prometeu, não andando por
também aprendemos que o poder vista, mas pela fé que leva a espe-
de Deus é manifestado por meio da rança na eternidade.
fraqueza e, embora sejamos vasos
de barros, levamos um tesouro co-
nosco. Quando nos identificamos
com Cristo em seu sofrimento e
morte, podemos ter esperança e Leitura Diária
aguardar a ressurreição, para assim SEG 2 Coríntios 1:1-14
experimentar a sua glória. TER 2 Coríntios 1:15-24
QUA 2 Coríntios 2:1-13
Para pensar e agir QUI 2 Coríntios 2:14-17
1. Muitas vezes a igreja sofre por SEX 2 Coríntios 3:1-18
problemas causados por algum ir- SÁB 2 Coríntios 4:1-15
mão. Não podemos ser omissos e DOM 2 Coríntios 4:16-18

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