***criminalidade infantil

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A violência e o crime têm se tornado problema cada vez mais agudo, especialmente nas grandes cidades. Para muitos, os principais responsáveis por essa sensação generalizada de insegurança são os jovens. A reação mais comum, não apenas do público, mas de muitas autoridades e de parte da imprensa, é culpar o Estatuto da Criança e do Adolescente, pedir mais polícia, e, especialmente, mais cadeia. Só com a prisão a paz seria restabelecida. De acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente, infrações leves devem ser punidas, preferencialmente, com medidas que ofereçam oportunidade de educação e reinserção do jovem na sociedade. Nesses termos, a medida de internação só deve ser aplicada na impossibilidade de outra medida e naqueles casos em que se comprove grave ameaça, reiteração no cometimento da infração e descumprimento de medida imposta, seguindo os princípios de brevidade, excepcionalidade e respeito à condição peculiar de pessoa em desenvolvimento. Não se trata mais de saber se o jovem com 16 ou 17 anos tem ou não capacidade de entendimento do caráter ilícito de seu ato infracional e de se determinar conforme esse entendimento. É claro que a grande maioria dos jovens tem esse discernimento e essa possibilidade de autodeterminação, principalmente em relação aos atos infracionais mais graves. Para esses adolescentes infratores, o ECA prevê a aplicação de uma medida sócioeducativa, consistente na privação de liberdade, mediante internamento em estabelecimento educacional, pelo prazo máximo de 03 anos (art. 121 e segs.). A questão, na verdade, é de natureza política e consiste em saber se queremos reprimir e castigar ou, ao contrário, educar e proteger as crianças e adolescentes, que vivem numa sociedade tão desigual e, por isso mesmo, tão opressiva e violenta. Entendemos que a segunda alternativa é a mais correta e justa. Mais, ainda: diante dos desajustes, das desigualdades e das injustiças que caraterizam a realidade sócioeconômica e cultural brasileira, entendemos que essa é a única solução ética e politicamente legítima. A PROBLEMÁTICA Diante do grave quadro apresentado pela delinquência juvenil, a alternativa mais razoável talvez seja alterar a lei para aumentar o tempo de internação dos autores dos atos infracionais mais graves (aqueles cometidos mediante violência ou grave ameaça à pessoa) de forma a permitir que a internação possa ultrapassar o limite máximo de 21 anos de idade. É claro que esse maior tempo de internação somente teria sentido e legitimidade se vier a ocorrer em estabelecimentos adequados, capazes de dar ao adolescente (e ao adulto jovem que permanecer internado após 18 anos), a educação e a assistência prevista no próprio ECA. Enquanto o Estado não cumprir o que dispõe o

228 não pode ser alterado. É neste contexto que está inserido o art. consistem. posto que prevista pelo art. da Constituição Federal. 227.º. A supremacia dos princípios das normas constitucionais está claramente garantida pelo art. Cabe aos Poderes Públicos. preconceito: enfim. Desta forma. Nela se assentam todos os pressupostos contrários ao processo de reeducação e ressocialização . Os direitos e garantias individuais previstos pela Constituição Federal não são passíveis de supressão. estigma. além das desigualdades e exclusão social.apregoados como justificativas para afastar o sujeito ativo do crime do convívio social. 60. o qual estabelece expressamente que são plenamente inimputáveis os menores de dezoito anos. a solução dos problemas que derivam da criminalidade infanto-juvenil não reside nas fórmulas autoritárias de redução da idade-limite da imputabilidade penal e nem na internação habitual dos jovens infratores. e à Sociedade Civil começarem a trabalhar conjuntamente para sanar este problema. O perverso subsistema carcerário. http://expressocidadania. não poderão ser objeto de deliberação. Assim. também à família e à sociedade a obrigação insuprimível de proteção maior. como preceitua o art.Estatuto. uma vez que definem os princípios e linhas mestras da Carta Constitucional.com/2008/04/criminalidade-infantil. retira do encarcerado qualquer sentido de dignidade humana. para a sua supressão.Convenção Internacional sobre os Direitos da Criança. mais intensa e integral às crianças e aos adolescentes. torna-se incoerente a proposta de ampliar a sua clientela. se afigura. como flagrante inconstitucionalidade. Regras Mínimas das Nações Unidas para a administração da infância e da juventude. que por sua vez dirigem e norteiam todo o conteúdo de suas normas. A prisão só tem contribuído para a reprodução da criminalidade. também. em seus três níveis. à habitação. caput. pelo Estatuto da Criança e do Adolescente e Convenções Internacionais subscritas pelo Brasil . que quase sempre seleciona os que se encontram à margem do processo econômico. 4. à saúde. diante do proclamado fracasso da prisão. desqualificação. à educação e à busca da felicidade. se o art. É preciso. parág. 228. as reais causas do índice de criminalidade entre jovens. da Constituição Federal vigente. mas.html . Pois. ao estabelecer que os direitos e garantias individuais. traz em si premissas de desumanização. antes. através de Emenda Constitucional. Na verdade. A pena privativa de liberdade tem se mostrado absolutamente ineficaz. inequivocamente. sujeitos às normas da legislação especial. parece-nos irrelevante e até desarrazoada toda e qualquer discussão acerca da redução da maioridade penal. Portanto. respeitar-lhes os direitos básicos garantidos pela Constituição Federal Brasileira. dentre outros. que os impedem de gozar plenamente do direito à vida. não compete apenas ao Estado. caput. 228. na desestruturação familiar e na crise de valores. à liberdade. a proposta de redução da idade-limite da imputabilidade penal. Vale ressaltar que a proposta de redução da idade-limite é inconstitucional.blogspot. Regras Mínimas das Nações Unidas para a Proteção de Jovens Privados de Liberdade. na ausência de referenciais éticos e morais.

mas de muitas autoridades e de parte da imprensa. Nesses termos. seguindo os princípios de brevidade. o ECA prevê a aplicação de uma medida sócioeducativa. Para esses adolescentes infratores. infrações leves devem ser punidas. Não se trata mais de saber se o jovem com 16 ou 17 anos tem ou não capacidade de entendimento do caráter ilícito de seu ato infracional e de se determinar conforme esse entendimento. Mais. excepcionalidade e respeito à condição peculiar de pessoa em desenvolvimento. a medida de internação só deve ser aplicada na impossibilidade de outra medida e naqueles casos em que se comprove grave ameaça. Entendemos que a segunda alternativa é a mais correta e justa. é culpar o Estatuto da Criança e do Adolescente. especialmente. é de natureza política e consiste em saber se queremos reprimir e castigar ou. pelo prazo máximo de 03 anos (art. Para muitos. que vivem numa sociedade tão desigual e.TEXTO 2 Criminalidade Infantil QUEM SÃO OS MENORES CRIMINOSOS? A violência e o crime têm se tornado problema cada vez mais agudo. reiteração no cometimento da infração e descumprimento de medida imposta. ao contrário. ainda: diante dos desajustes. entendemos que essa é a única solução ética e politicamente legítima. das desigualdades e das injustiças que caraterizam a realidade sócioeconômica e cultural brasileira. na verdade. A questão. preferencialmente. tão opressiva e violenta. mais cadeia. com medidas que ofereçam oportunidade de educação e reinserção do jovem na sociedade. especialmente nas grandes cidades. pedir mais polícia. 121 e segs. e. não apenas do público. A reação mais comum. É claro que a grande maioria dos jovens tem esse discernimento e essa possibilidade de autodeterminação. De acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente. consistente na privação de liberdade. mediante internamento em estabelecimento educacional. . Só com a prisão a paz seria restabelecida. principalmente em relação aos atos infracionais mais graves.). os principais responsáveis por essa sensação generalizada de insegurança são os jovens. educar e proteger as crianças e adolescentes. por isso mesmo.

e as medidas sócio educativas por ele preconizadas são instrumentos para tal. além das desigualdades e exclusão social. respeitar-lhes os direitos básicos garantidos pela Constituição Federal Brasileira.blogspot. Cabe aos Poderes Públicos. à liberdade. Regras Mínimas das Nações Unidas para a administração da infância e da juventude. http://crminalidadeeviolenciaurbana2f. as reais causas do índice de criminalidade entre jovens. principalmente aqueles de uma classe social menos favorecida. mas recebe pelo caminho muitos "não".Convenção Internacional sobre os Direitos da Criança. à habitação. à saúde. a solução dos problemas que derivam da criminalidade infanto-juvenil não reside nas fórmulas autoritárias de redução da idade-limite da imputabilidade penal e nem na internação habitual dos jovens infratores. em seus três níveis. na desestruturação familiar e na crise de valores. É preciso. É uma situação lamentável ver que "o futuro do nosso país". sem atuar nas causas. Regras Mínimas das Nações Unidas para a Proteção de Jovens Privados de Liberdade. Portanto. Sabemos que muitas das propagandas atinge principalmente esse público e isso aumenta a vontade de querer comprar. já está sem esperanças. consistem. Imagine um jovem da periferia que se esforça muito para conseguir um emprego. o prêmio procura quebrar o ciclo de formação de criminosos. Ele tenta conseguir um trabalho para poder ter o seu dinheiro mas não consegue. bem como da impunidade. O Estatuto da Criança e do Adolescente abre o caminho para que todo a política de atenção à criança e ao adolescente seja transformada. pois são meios realmente eficientes para o controle da criminalidade infanto-juvenil. aí esse jovem revoltado entra no mundo do crime.Logo o único meio que resta para esse indivíduo conseguir isso é através do crime. à educação e à busca da felicidade. ao incentivar a aplicação de medidas socioeducativas. pois há também sobre ele uma pressão da sociedade em estabelecer que os melhores são aqueles que possui objetos caros e muito dinheiro. formam o grupo de pessoas mais vulnerável a entrar no mundo do crime por estar numa fase que deseja muito consumir. Que todos os jovens possam assim sonhar. Uma sociedade que talvez tenha perdido de vista o sentido profundo da dignidade não pode negar a perspectiva de um futuro melhor àqueles que são vítimas de sua miséria social e ética. pelo Estatuto da Criança e do Adolescente e Convenções Internacionais subscritas pelo Brasil . além de criar nesses adolescentes a consciência de seu papel na sociedade. também. e à Sociedade Civil começarem a trabalhar conjuntamente para sanar este problema. Precisamos romper com a cultura tradicional de combater apenas as conseqüências. na ausência de referenciais éticos e morais. antes. diminuindo a reincidência. Elas precisam ser implantadas e implementadas na sua plenitude. que os impedem de gozar plenamente do direito à vida. Dessa forma. Reflexão do texto: Os jovens.html .com/2008/05/criminalidade -infantil.Na verdade. topando entrar na criminalidade por não achar outra solução.

João Lopes. E também através da educação familiar e escolar. É preciso fazer-lhes crer que o mundo é bom e que vale a pena viver. no sentido da ausência de participação dos pais na vida dos seus filhos. Para além desta falta de acompanhamento a nível familiar. A escola não o faz. Octávio Cunha. Empresário Essencialmente..html . Os pais têm cada vez menos tempo para as crianças. que são valorizados e que os valorizam. entregues a si próprias. EmpresáriaEssencialmente pela educação e pela formação das crianças e dos pais. as penas criminais não levam a nada.com/2008/05/como -combater-criminalidadeinfantil. No caso concreto. o nível de criminalidade infantil seria reduzido. negligência e desinteresse) será talvez a forma mais eficaz de enfrentar o problema. tem muito a ver com a insegurança e a falta de afectos.LUIS ESSE TRECHOO SÃO OPINIAO DE ALGUMAS PESSOAS AGENTE PODE USAR ISSO Como combater a criminalidade infantil ? Padre José Maia A primeira forma de combater a criminalidade infantil é voltar a centrar na família a educação e o acompanhamento afectivo. Estas crianças ficam. funcionando esta como pólo de prevenção. por se tratar de crianças. Outra forma consiste em ajudá-los a criar laços com os amigos.. Falta. como se sabe. desde novas. da identificação e estudo social dos gangues e de um acompanhamento real a ser efectuado por assistentes sociais. deixando-as muitas vezes sós na rua. Por: Isadora Queiroz http://crminalidadeeviolenciaurbana2f. disciplinar e de convivência das crianças. Esta é relacionada com a loucura dos adultos. os pais e a sociedade ainda menos. à rua e a pares com comportamentos de elevado risco. Pediatra Não é fácil combater a criminalidade infantil. Laura Esperança. Isso consegue-se se a sociedade for capaz de lhes oferecer qualidade de vida e se lhes conseguir incutir valores e perspectivas de futuro. Com a diminuição das desigualdades entre os homens e uma participação afetiva da família na vida dos jovens. por isso. Professor Inverter as formas trágicas de parentalidade (abandono. A criminalidade. para mim a solução estaria em dar importância a esses fatores. dar maior apoio às famílias. buscando auxiliá-los. a solidão que a criança sente está muitas vezes por trás de situações criminosas. através de uma política de grupo.blogspot. Carlos Pereira. Minha opinião: Como eu acredito que as principais causas da criminalidade e violência são as desigualdades sociais e também a desestruturação familiar.

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