PROTOCOLO DE TRATAMENTO FISIOTERÁPICO NA ARTROPLASTIA DO QUADRIL: Antonio Vital Sampol Este estudo pretende descrever um protocolo de tratamento fisioterápico

para a artroplastia do quadril através da vivência do autor em sua residência de Fisioterapia em Ortopedia no H.U.P. E. e do trabalho voluntário em vários hospitais e em conjunto com a revisão da literatura com o objetivo de estabelecer a importância do tratamento fisioterápico de forma precoce , isto é desde a fase pré-operatória com cuidados e orientações fundamentais para a evolução satisfatória continuando nas fases de pósoperátório e mantendo acompanhamento até ás quatro semanas de operado alcançando sua recuperação funcional desejada. This study intends to describe a protocol of treatment physioterapy for the artroplastia of the hip through the author's existence in its residence of Physiotherapy in Orthopedics in H.U.P. E. and of the voluntary work in several hospitals and together with the revision of the literature with the objective of establishing the importance of the treatment physioterapy in a precocious way, that is from the pré-operative phase with cares and fundamental orientations for the satisfactory evolution continuing in the pós-operátório phases and maintaining accompaniment to ace four weeks of having operated reaching its wanted functional recovery. PALAVRAS CHAVES: FISIOTERAPIA; ARTROPLASTIA; QUADRIL

INTRODUÇÃO: O quadril é a articulação proximal do membro inferior . ela tem como função orientá-lo em todas as direções no espaço , razão pela qual ela possui 03 eixos e três graus de liberdade . os movimentos do quadril são realizados por uma única articulação que é a coxo femural , a qual é uma articulação tipo esferóide , bem encaixada . é dotada de uma menor amplitude de movimento compensada de uma certa forma pela coluna lombar , mas contrariamente ela é mais estável , é a articulação mais difícil de ser luxada em todo o corpo. Essas características do quadril são condicionadas pela função de peso do corpo e de locomoção assumida pelo membro inferior . A artroplastia total do quadril em acetábulos deficientes foi sempre considerado problema de difícil solução, porém grandes reconstruções articulares começaram em 1962, quando John Charnley realizou pela primeira vez uma artroplastia de quadril utilizando um componente femoral metálico e um componente acetabular de polietileno de alta densidade e cimento ósseo acrílico auto-secante. Um dos principais objetivos da artroplastia é o alívio da dor e a restauração da função articular, sendo sua principal indicação o tratamento da coxartrose em pacientes da 3ª idade. Em nossa experiência os diagnósticos mais comuns foram: coxartrose primária, necrose da cabeça do fêmur, artrite reumatóide, fratura do colo femoral, espondilite anquilosante entre outros. Porem as próteses têm inúmeros problemas : quanto a dimensão da esfera protética ; natureza das superfícies de contato , ligadas às questões do coeficiente de atrito, resistência ao uso ; toxidade eventual conseqüente ao desgaste normal e sobretudo pelo modo de ligação com o osso vivo , dado pela questão da fixação . por isso as pesquisas sobre as próteses de quadril foram as que mais se desenvolveram e onde o número de modelos é maior . consequentemente a recuperação funcional é objetivo de preocupação pois o tratamento fisioterápico deve iniciar desde a fase pré-operatória que é uma fase fundamental para na evolução do tratamento, é nesta fase que o fisioterapeuta iniciará um programa de fortalecimento muscular , orientações para um bom posicionamento no leito, prevenção das complicações respiratórias e quanto as escaras de decúbito, prescrições de cadeiras de rodas e andadores, ao passarmos para o pós operatório continuaremos com todo o protocolo fisioterápico de forma mais intensa e os cuidados nas posições de decúbito, ortostática e sentado durante as quatro primeiras semanas . Avaliação e tratamento fisioterápico na fase pré-operatória da artroplastia do quadril Quando ocorre um trabalho de equipe nós fisioterapeutas iniciamos um tratamento precoce começando no pré operatório, desta forma proporcionaremos ao paciente informações de toda a sua recuperação funcional.

1

permaneceram com coxim abdutor por uma semana. evitando girar o segmento operado em rotação interna ou externa. adução excessiva e flexão do quadril no período pós operatório inicial acima dos limites de angulação segura. pois no pós operatório imediato o paciente tende a ficar confinado a leito e ao quadro álgico presente. o encurtamento do fêmur. onde apenas é trocado o componente femoral preservando o acetábulo. sua orientação quanto ao tempo e espaço verificando durante o contato com o paciente seu nível de consciência e a velocidade para a obtenção da resposta aos estímulos. visando preencher a cavidade. manter as pernas abduzidas. motoras e evitar as escaras de decúbito. pois ele é quem vai suportar após a cirurgia . avulsão do grande trocanter. o paciente deverá manter a perna que será operada em extensão. deprimido. Iniciar contrações isométricas de quadríceps e glúteos. Quanto mais esclarecido o paciente estiver mais fácil será sua recuperação e desta forma evitaremos uma série de complicações. pois o paciente não pode ficar em decúbito lateral para o lado da cirurgia. onde é substituido o componente acetabular e femural. Fortalecer o membro oposto ao que vai ser operado. sendo assim iniciaremos da seguinte forma o tratamento:  Cinesioterapia motora dos membros inferiores associados a respiração profunda e lenta . Posicionamento adequado no leito para os membros inferiores devendo manter as pernas abduzidas. A marcha sem apoio foi liberada tão logo o paciente conseguiu auto sustentar-se e a carga total.  2 . como se encontra. O tratamento fisioterápico na fase pré operatória deve ter uma função preventiva o qual seria prevenir as complicações respiratórias. rotação interna ou externa acentuada podem luxar a prótese. acredita que há tendência hoje a utilizar também componentes não cimentado em revisões.            Fatores que contribuem para luxação e subluxação do quadril: A posição inadequada de um ou ambos os componentes da artroplastia. pois o uso do exerto para uso do acetábulo tem sido considerado superior ao cimento. como Charnley inicialmente preconiza ou os anéis e telas sugeridos por Eichker e Muller. evitando também a flexão da articulação coxo-femural acima 45º de como medida preventiva para a luxação. porque os movimentos de flexão.Na avaliação fisioterápica devemos observar o estado emocional e psicológico do paciente. descrevem que no pós-operatório imediato. coordenação e sensibilidade do paciente. grande parte do peso corporal Orientação para a mudança de decúbito. O exame motor deve ser iniciado precocemente e será avaliado sua força muscular. sentado com a região lombossacral na cadeira evitando assim uma angulação exagerada na cadeira. Manutenção das articulações do segmento que vai ser operado evitando assim bloqueio do joelho e tornozelo desnecessariamente. orientar o posicionamento correto na cama e a transferência para uma mesa ortostática ou caso não haja a mesa ortostática. amplitude de movimento . Considerações sobre a utilização ou não do cimento ósseo:  Drumond & Brasil (1990). devendo ser iniciado quase sempre um andador. deve ser bem trabalhado. Flexão e extensão de tibio-társica com exercícios ativos livres/resistidos . liberada após 90 dias. tenso. procurando expandir o máximo o pulmão e manter as articulações preservadas . assim como movimentos de inversão e eversão. abdução. Orientar sentar em cadeiras e vasos sanitários. *Thompson e Bipolar: são próteses utlizadas nas artroplastias parciais. facilitar a mudança de deitado para sentado e posteriormente em pé. Orientação e prescrição quanto ao uso de muletas ou andador Orientar como será a reeducação de marcha. fraqueza dos músculos abdutores . Oliveira & Barros (1992). TIPOS DE PRÓTESES MAIS USADAS :   Charnley e Muller: são próteses utilizadas nas artroplastias totais. conformado com a situação. os pacientes que receberam prótese sem utilização de cimento. Continuaremos com o exame cardio-respiratório para verificarmos a condição pulmonar através da ausculta pela presença do murmúrio vesicular ou ruídos adventícios determinando portanto a qualidade do aparelho respiratório. Cinesioterapia motora para os membros inferiores procurando potencializar a musculatura abdutora do segmento a ser operado.

assim como o joelho. um travesseiro serviria para manter ambas as pernas em abdução. pode se utilizado uma tipóia para manter tracionado em abdução. Segundo a experiência do autor deste trabalho em relação à recuperação funcional as próteses cimentadas são melhores pois permitem ao paciente uma carga precoce a partir do 2º ou 3º dia de pós operatório. C) Evitar os movimentos de flexão acima de 45º. duas vezes ao dia. adução e rotação interna e também a rotação externa. G) Nos primeiros dias o paciente é colocado na posição ortostática através de uma mesa ortostática. E) A patela deve ser mobilizada. podem ser usados patins para diminuir o atrito no leito. TRATAMENTO FISIOTERÁPICO NO PÓS-OPERATÓRIO: A) Esta segunda fase inicia-se. assistida. pois agora o paciente está mais preso ao leito. D) Proporcionar mudança de decúbito para prevenir escaras. ele sentará mais propriamente sobre o sacro e a região lombar. F) A cinesioterapia respiratória deve ser intensificada. com o máximo de cuidado para que não haja o deslizamento do lado operado o que irá favorecer a adução e conseqüentemente a luxação da prótese. lembrando que o membro operado deve ser mantido em abdução e o pé em posição neutra. não dormir sobre o lado operado. permitindo assim que o paciente descanse do próprio ato cirúrgico e anestesia. F) Fortalecimento muscular: no caso dos abdutores. colocar dois travesseiros entre os joelhos ou coxim triangular feito de espuma quando for virar para o lado não operado. H) No terceiro dia ele é colocado de pé com ajuda de um andador e progressivamente deambula com uma marcha de carga parcial onde o paciente divide o peso de seu membro operado com as muletas ou andador. caso não tenha. contraturas musculares e etc. livre ou resistida dependerá apenas das condições do paciente. porém o quadril não deve ser fletido mais do que 45 graus. já a não cimentada terá que aguardar a consolidação o que pode ocasionar complicações no pós operatório que já possui uma alta taxa de mortalidade na 3º idade em decorrência de complicações respiratórias. I) No quarto dia o paciente poderá sentar em uma cadeira na posição semi-ereta. isometria de quadríceps e glúteos. foi iniciado exercícios isométricos no pós-operatório imediato e carga total permitida após 10 dias. TOMADOS APÓS A ALTA HOSPITALAR DURANTE AS 3 . mantendo o quadril imóvel. E) O paciente não deve ser colocado sobre o lado operado. J) Do quarto dia até a alta hospitalar manteremos esta atividade com aumento gradativo sendo mais intensos em relação à amplitude e incentivados e realizar com mais freqüência aumentando sua resistência e força muscular.Nos pacientes que receberam prótese com cimento. no dia seguinte do pós-cirúrgico. CUIDADOS A SEREM PRIMEIRAS 04 SEMANAS: 1 ) PACIENTE DEITADO : Manter as pernas abertas. escaras de decúbito. deslocando o paciente de modo que ele fique em diagonal na cama e com a perna do membro operado para fora. B) Deve ser colocado um coxim triangular. os quais podem luxar o quadril. Colocaremos o paciente em diagonal no leito mantendo a coxo femoral em posição neutra permitindo que o joelho operado fique pendente e realizaremos exercícios isotonicos para flexão e extensão de joelho passiva.

Nº 5. drenagem sangüínea ou purulenta no quadril deve ser notificada.Wachelke.2) PACIENTE SENTADO : Não sentar reto na cadeira. não cortas as unhas. Fisioterapia no pós-operatório de artroplastia de quadril ( fase hospitalar ).foa. p. Vol 26.org.br/vitalsampol/Artigos/Artigo02/artigo02. Vol 25. utilizar muletas ou andador . Maio. evitar o uso de tapetes e a presença de animais que possam escorregar. Nº s. só tomar banho no chuveiro em pé. Nºs . 3) PACIENTE EM PÉ : Evitar girar o membro operado sobre ele mesmo. E. pode dobrar o joelho operado quando andar pois não vai alterar no aumento da flexão do quadril. Revista Brasileira De Ortopedia. Afrouxamento asséptico em artroplastia total de quadril. Normalmente os pacientes podem voltar as atividades sedentárias após 4 a 6 semanas e após 3 meses poderão retornar as atividades que exigem em pouco de flexão lombar e dos joelhos CONCLUSÃO É necessário compreender bem o mecanismo das artroplastias de quadril. Revista Fisioterapia em Movimento. tropeçar e provocar tombos 5) ORIENTAÇÃO AVDs : Abster-se do trabalho e das atividades sexuais. J. Quanto ao tratamento fisioterápico quanto mais precoce for a atuação do fisioterapeuta mais rápido será a recuperação funcional do paciente sem complicações para os componentes cirúrgicos. Vol 25. Revista Brasileira de Ortopedia.Oliveira.Elias. Revista Brasileira de Ortopedia. 81 a 87. Sérgio Nogueira & Brasil. Vol 27.html Acesso em 11/04/2005 4 . Helton L. Autor: Antonio Vital Sampol Disponível em: http://www.F. Cesar Ricardo ( ). não pegar objetos no chão. colocando carga progressiva sobre a extremidade operada. dor torácica .W. 137 a 142. O uso do enxerto ósseo em deficiências acetabulares na artroplastia total do quadril. 3 . 873 a 876 5 . Tratamento das Fraturas do colo do fêmur com Prótese Bipolar. pode sentar somente inclinando o tronco para trás com a região lombo-sacra. nelson et alii (1990 ). evitar cruzar o membro afetado sobre o lado não operado. não dirigir veículos. 2 . ( 1992 ). Revista Brasileira de Ortopedia.Defino. Bibliografia: 1. Nov/Dez. Nelson Alexandre (1990 ). Adriana Gutierrez & Matschinske. não sentar em cadeiras baixas. Maio. 395 a 402. p. Vol p. pois nem sempre os tratamentos seguem a mesma linha de conduta. qualquer alteração no quadril. A. Tratamento da necrose avascular da cabeça do fêmur pela técnica de Descompressão. o que implicará em modificações e adaptações de acordo com cada paciente e complicação que por ventura tenha apresentado. andar com as pernas abertas 4) PACIENTE NO BANHEIRO Não tomar banho de banheira . 4 . nº5. p. & Barros. et alii (1991 ). edema nas pernas . motores e respiratorios para uma adequada reabilitação as atividade de vida diária e profissionais.Drumond.

E.br 5 .390 Tel: ( 021) 9688-1168 Artigo publicado na Revista Fisio & terapia de 1999 Tel: 0xx021 Cel 9688-1168 .   Residente de Fisioterapia no Serviço de Ortopedia do Hospital Universitário Pedro Ernesto (H.com. 186 – Bento Ribeiro – RJ – BR – Cep: 21.P.550.U.) Professor da Universidade Unigranrio e SUAM Presidente da Sociedade de Fisioterapia em Traumato Ortopedia do Estado do Rio de Janeiro (SOFITOERJ) Endereço: Rua Ivinheima .Email vitalsam@bol.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful