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Solidão e Convivialidade em Contos

✶ A personagem de George desdobra-se em três idades da vida: a jovem Gi de 18 anos, que representa o passado; a própria George com 45 anos, no presente; e a idosa Georgina de 70 anos, que simboliza o futuro. O conto explora temas como a natureza humana, a evolução da figura feminina ao longo do tempo e o diálogo entre realidade, memória e imaginação.

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Solidão e Convivialidade em Contos

✶ A personagem de George desdobra-se em três idades da vida: a jovem Gi de 18 anos, que representa o passado; a própria George com 45 anos, no presente; e a idosa Georgina de 70 anos, que simboliza o futuro. O conto explora temas como a natureza humana, a evolução da figura feminina ao longo do tempo e o diálogo entre realidade, memória e imaginação.

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Contos

“Sempre é uma companhia”, Manuel da Fonseca

1. Resumo do conto:
“Carregado de tristeza, o entardecer demora anos. A noite vem de longe, cansada; tomba tão vagarosamente que o mundo parece
que vai ficar para sempre naquela magoada penumbra. Lá vêm figurinhas dobradas pelos atalhos, direito às casas tresmalhadas da
aldeia. Nenhuma virá até à venda falar um bocado, desviar a atençao daquele poente dolorido. São ceifeiros, exaustos da faina, que
recolhem. Breve, a aldeia ficará adormecida, afundada nas trevas. E António Barrasquinho, o Batola, não tem ninguém para
conversar, não tem nada que fazer. Está preso e apagado no silêncio que o cerca.”
Este conto relata a solidão da velhice nos povos do interior, como sendo o caso de Batola, o chapeirão redondo, pobre,
sozinho e sempre a beber vinho, e da sua mulher, uma senhora bastante diferente dele, alta e robusta, que abre a venda de manhã
e atende todos os fregueses. Batola era um homem baixo, carrancudo, que passa os seus dias sentado no banco em frente à venda,
onde só apareciam ceifeiros, já cansados e exaustos da faina, que recolhem para as suas casas. Era uma rotina, uma solidão imensa.
No meio da sua monotomia desolada, Batola recorda o seu amigo, o velho Rata, a sua única companhia, um mendigo que
se suicidara.
Numa tarde, ouviu-se um motor, coisa que não se ouvia à muito tempo na aldeia. Era um carro, com dois homens, um de
fato de ganga e outro muito bem vestido. Era um vendedor e o seu motorista, que pararam em frente à venda de Batola para pedir
uma bilha de água. Puseram-se à conversa e é então que, o vendedor pede a Calcinhas, o motorista, para tirar a “caixa” do modelo
pequeno. Um rádio. Este diz-lhe que quando quisesse, podia ouvir musica toda a noite e todo o dia, canções, fados e guitarradas, e
até noticias da guerra.
Batola, surpreendido e apaixonado pelo aparelho, pondera comprá-lo, mas a sua mulher diz-lhe que se o fizer, ela sai de
casa. É uma escolha que ele tem de fazer. O vendedor, apressado, sugeriu-lhes que, se ao prazo de 1 mês não o quisessem,
poderiam devolvê-lo a preço zero. A mulher concordou, e apartir daquele dia, todos se reuniam para ouvir as canções, comentar as
noticias de ultima hora, e assim por diante.
O velho Batola, antes sozinho e vivendo uma vida em que as horas passavam devagar, renasceu. Acordava cedo para
vender coisas aos fregueses e fazia notar a sua vivacidade, a sua vontade de saber mais. Nunca algo deste género tinha acontecido
na aldeia. Por contradiçao, a sua mulher, refugiou-se em casa, e ninguém soube dela durante o mês inteiro. O tempo passou tao
rapido, que o final do mês chegara e Batola tivera se esquecido de tentar convencer a mulher.
O conto termina com Batola, a guardar o aparelho e a sua mulher, ternuramente, a dizer-lhe “Olha… Se tu quisesses, a
gente ficava com o aparelho. Sempre é uma companhia neste deserto.”

 Solidão e convivialidade:
O título «Sempre é uma companhia» remete para a companhia que a rádio vinha trazer à população isolada,
invadindo a taberna e as suas vidas, com as notícias da II Guerra Mundial.
No conto de Manuel da Fonseca, as primeiras páginas anunciam o isolamento geográfico, a solidão e o silêncio,
bem como referem a chegada do automóvel.
Os habitantes de Alcaria viviam em condições indignas, de tao forma que perderam, praticamente, as suas
características humanas.
A chegada da rádio viria a permitir a ligação com o mundo, a tomada de contato com informação nova e que
permitia aos habitantes ter novos assuntos de conversa. Até mesmo as mulheres, que não costumavam frequentar a
taberna, passaram a fazê-lo.
Se a vinda da rádio havia interferido com a vida do casal, a possibilidade de ficarem sem a rádio era dolorosa,
pois os habitantes regressariam novamente ao seu isolamento. A mulher de Batola, apresenta-se, no final, com um ar
ternurento, contrastando com a altitude altiva inicial, afirmando que a radiofonia «sempre é uma companhia neste
deserto»

 Caracterização das personagens:


• António Barrasquinho, o Batola – preguiçoso, improdutivo, sonolento, bêbado, bate na mulher; tem nome e alcunha
típica do Alentejo; a sua indumentária é própria do homem alentejano. A Sebenta Português 12º ano Liliana Vieira Conde
3 morte do seu amigo Rata, acentua a sua solidão. É «atarracado, as pernas arqueadas», usa «chapeirão» e um «lenço
vermelho atado ao pescoço».
• Mulher de Batola – expedita, trabalhadora, incansável, é ela quem abre a venda e atende os clientes, voltando depois
para a lida da casa; ela é «alta, grave, um rosto ossudo», dotada de um sossego único, característica advinda da sua
possibilidade de por e dispor do governo da casa e do negócio.
• Rata – era mendigo e viajante, uma espécie de mensageiro. Quando Batola o escutava a tarde inteira, parecia que
também ele havia viajado pelo mundo. Quando deixou de poder viajar, suicidou-se.
• Caixeiro-viajante – vendedor de aparelhos radiofónicos, comerciante e amigo de vender
• Os homens de Alcaria – figurinhas metaforicamente apresentadas com gado e que vivem em casas «tresmalhadas»: «o
rebanho que se levanta com o dia, lavra, cava a terra, ceifa e recolhe vergado pelo cansaço e pela noite. Mais nada que o
abandono e a solidão.» Têm falta de esperança numa vida velhor. Batola contrasta com estes, pois pode preguiçar, bebe
o melhor vinho da venda, tem um fio de ouro no colete, mas é solidário com os aldeãos. Partilha com este, a condição
animalesca dos conterrâneos: “rumina” a revolta; os suspiros saem-lhe “como um uivo de animal solitário”.
A intriga
• Peripécia banal: um engano de percurso leva um vendedor a Alcaria.
• Isolamento geográfico da aldeia e ausência de comunicação: abandono, solidão e desumanização da população.
Chegada do novo aparelho: a radiotelefonia.
• Ligação ao mundo: música e notícias.
• Alteração de comportamentos: devolução da humanidade.

O tempo
• Tempo histórico: anos 40 do século XX (referência à eletricidade e à telefonia).
• Passagem do tempo condensada: “há trinta anos para cá”, “todas as manhãzinhas”.
• Tempo sintetizado: da chegada do vendedor à partida do vendedor e prazo de entrega do aparelho – um mês.

O narrador
• O narrador de terceira pessoa narra os acontecimentos, comenta, conhece o passado e o mundo interior das
personagens (presença: não participante; ponto de vista: subjetivo; focalização: omnisciente)
• O narrador centra a atenção do leitor no abandono e solidão sentidos pelo protagonista.
• O narrador conhece os pensamentos de Batola e desvenda como se vão formando: o desgosto leva-o a fechar-se num
mundo de evocações

A atualidade
• Isolamento e falta de convivialidade.
• Relações entre homem e mulher.
• Vícios sociais: o alcoolismo, a violência doméstica.
• As inovações tecnológicas e alterações de hábitos sociais.

O espaço
• Aldeia de Alcaria: “quinze casinhas desgarradas e nuas”.
• Estabelecimento do casal Barrasquinho: “a venda” é um local onde reina o desleixo.
• “Fundos da casa”: espaço de habitação sombrio separado da venda.
• Locais “longínquos” por onde viajava Rata: Ourique, Castro Marim, Beja.

✶ Espaço fisico – Aldeia de Alcaria com “quinze casinhas desgarradas e nuas”, rodeadas pela “solidão do campo”.
✶ Espaço psicológico - Alteração do comportamento das personagens após a instalação da telefonia:
 Autoritária e oponente à compra da telefonia, a mulher de Batola revela possuir densidade psicológica,
já que, ao fim de um mês, faz um pedido submisso ao marido. A mulher respeita agora o “novo” Batola.
 Ocioso e apático, Batola torna-se ativo após a chegada da telefonia que o arranca da sua solidão.
 Os ceifeiros, outros solitários e condenados a uma existência árida, encontram naquele pequeno
aparelho a esperança de comunicação com o mundo.
✶ Espaço social- espaço rural pobre, duas condições de vida dos ceifeiros, alheamento social e falta de informação.
“George”, Maria Judite de Carvalho

“George” é um conto da autoria de Maria Judite de Carvalho que aborda temas como a complexidade da natureza
humana, as metamorfoses da figura feminina, o diálogo entre realidade, memória e imaginação e as três idades da vida humana.
Primeiramente, ao iniciarmos a leitura do texto, percebemos que estamos perante duas figuras femininas que caminham
na rua e têm vestidos iguais. No entanto, ao longo do conto, vamos concluindo que as duas mulheres, afinal, são a mesma pessoa,
mas em idades diferentes. Gi tem 18 anos, olhos grandes e semicerrados, boca fina, cabelos escuros e lisos e pescoço alto. George,
com 45 anos, é apenas descrita como alguém que usa um vestido claro e amplo. Deste modo, vemos que George recorda o seu
passado representado em Gi e dialoga com ela, a partir da sua imaginação.
Em segundo lugar, e em oposição a Gi, surge na narrativa Georgina, uma senhora de 70 anos, que passa a dar conselhos à
artista de renome: George. Diversos indícios apontam para o facto de existir um desdobramento da personagem, neste caso, de
George, que se projeta, agora, no futuro. Estamos, portanto, perante uma personagem que se divide em três, as quais representam
o passado, o presente e o futuro.
Gi é uma personificação da ânsia de liberdade, da descoberta e do conhecimento. Recusa seguir o modelo feminino
imposto pela sociedade uma vez que não se quer casar nem ter filhos, sendo desapegada de qualquer laço afetivo, característica
esta que prevalece na figura do presente.
George representa a solidão, o desamparo e a exclusão, estando em constante processo de fuga.
Por sua vez, Georgina tem consciência da passagem do tempo, da efemeridade da vida e do poder. Em oposição às duas
outras figuras, dá importância aos laços afetivos.
Toda a obra é marcada pelo diálogo entre dois espaços, sendo estes o espaço físico/exterior, ou seja, a realidade, e o
espaço psicológico/interior relacionado com a imaginação e com a memória. Maria Judite de Carvalho tem uma linguagem e um
estilo ricos em recursos expressivos, o que permite ao leitor um maior envolvimento na história, uma maior compreensão da
dimensão psicológica da personagem e a possibilidade de acompanhar passo a passo a viagem que George realiza no espaço e
também no tempo.
Podemos, assim, concluir que, através das três idades da vida humana, este conto aborda a efemeridade da vida e a
importância dos laços afetivos.

Metamorfoses da figura feminina

Passagem do tempo:
Convivialidade:
- Juventude;
- Partida da vila e concretização do sonho de
- Idade Adulta;
ser pintora;
- Velhice;
- Alteração do visual (cor do cabelo);
-Irregularidade amorosa;
- Mudanças frequentes de residência.

As três idades da vida

Gi – 18 anos George – 45 anos Georgina- quase 70 anos


A “rapariguinha” do retrato: a A mulher independente, A velhice, o espectro da solidão
inocência, a juventude, a vida profissional e financeiramente e da inevitabilidade da morte.
familiar na vila. Representa o bem sucedida. Representa o Retrato construido com recurso
passado e a sua juventude. presente. Mora em à imaginação. Perspetivação do
Tem jeito para o desenho, tem Amesterdão e vai à sua terra futuro da sua figura. Trata-se de
uma namorado e a mãe está a natal para vender a sua casa uma velha, imperfeitamente
preparar-lhe o enxoval. de infância de modo a maquilhada.
desprender-se do passado.
Não possui nada seu, mora
em casas alugadas, desfez-se
dos livros, do passado apenas
possui uma foto dela em
jovem.
Dialogo entre as idades:

Gi / George – Através do dialogo entre Gi e George percebe-se que a jovem tenciona abandonar a terra natal
(refere que o namorado não tem ambição senão a de ficar e construir uma casa). Tem a função de recordar a George o
seu passado.
George/Georgina – Tem a função de deixar antever a George o que será o seu futuro, um tempo marcado pela
solidão e pela degradação fisica, o que impedirá a protagonista de pintar até ao fim da sua vida.

“Familias desavindas”, Mário de Carvalho

Ramon era um galego, proprietário de um bom restaurante, que se candidatou ao cargo de «semaforeiro», função para que foi
selecionado de forma caricata, e que pertencia a uma família honesta e trabalhadora, que se dedicava à profissão pelo amor à mesma e
não ao salário, que era modesto («equivalente ao de um jardineiro»).
Ramon, o seu filho Ximenez e o seu neto Asdrúbal trabalhavam até altas horas da madrugada, pedalando na bicicleta que gerava
a energia que mudava as luzes do semáforo ou afinando-a quando era necessário.
O Dr. João Pedro Bekett tinha-se instalado no Porto, oriundo de Coimbra, com a sua família, num primeiro andar de um prédio
situado próximo do semáforo, onde tinha o seu consultório. Tratava-se de um médico afamado, mas que exagerava nitidamente no seu
espírito de missão. Obcecado por encontrar doentes que pudesse curar, considerava que o semáforo dificultava a sua ação. Por isso,
ofendeu, de forma arrogante, Ramon, que não gostou e passou a dificultar-lhe ainda mais a vida. Aqui teve início a inimizade, o conflito
e o ódio entre as duas famílias.
O filho (João) e o neto (Paulo), igualmente médicos, herdaram o ódio à família dos semaforeiros e deram seguimento ao conflito
com os descendentes de Ramon. A troca de insultos entre os dois lados da barricada prosseguiu, roçando por vezes o extremismo ou
raiando o conflito físico: por exemplo, o Dr. Paulo pedia aos seus clientes que insultassem o «semaforeiro»; certa vez, Asdrúbal levantou
a mão para o médico.
Quando Paco, bisneto de Ramon, sucedeu ao seu pai, Asdrúbal, deu-se um acidente: um jovem que passava de moto, ao tentar
um roubo por esticão, bateu no «semaforeiro» e deixou-o estendido, no chão. Então, o Dr. Paulo, na sua qualidade de médico, esqueceu
o ódio secular e socorreu Paco, cujas mazelas, no entanto, eram graves, pelo que teve de ser transformado de ambulância para o
hospital.
Após o acidente, o Dr. Paulo, com a sua bata branca, por remorso, passou a pedalar todos os dias, do nascer ao pôr-do-sol, para
manter o semáforo a funcionar, enquanto Paco se restabelecia.

O título
O título “Famílias Desavindas” prevê uma narrativa de conflitos entre famílias, indicando que o tema se
desenvolverá até à rutura e falta de entendimento. Contudo, a conclusão apresenta o último elemento da família dos
médicos cheio de remorsos pelo desentendimento com o semaforeiro ferido, condoendo-se dele e querendo desculpar-
se, dispondo-se a fazer o seu penoso trabalho. O conto é pois, não a história de uma guerra entre famílias, como o título
parece fazer crer, mas a de uma pacífica e bondosa reconciliação.

Constituição da obra
O primeiro parágrafo constitui a introdução, localizando a ação no espaço (uma rua do Porto) e apresentando o
motivo de toda a ação (a instalação de um insólito semáforo de pedais).
O desenvolvimento é constituído pelos parágrafos seguintes até “com Paco” (l.62). Aqui narram-se as
circunstâncias da instalação do semáforo e o conflito de famílias a que ele dá origem.
Na parte final, a conclusão apresenta a resolução do conflito, mostrando o arrependimento do representante da
família dos médicos e anunciando a pacificação entre as famílias.

Caracterização das Personagens

Família do semaforeiro:
• Ramon: “Cheio de boavontade”, “era esforçado”, tinha “amor à profissão”, tão focado no seu trabalho, “ Não gostava
que interferissem com o seu trabalho” (Sente-se magoado e triste pelo Dr.Bekett e inicio com o conflito).
• Ximenez: amor à profissão.
• Asdrubal: amor à profissão (insulta o médico Paulo).
• Paco: acessível, “se estivesse bem disposto, comuta, facilita” (Mantém o conflito com o dr. Paulo até ser socorrido pelo
mesmo no seu acidente).
Família do médico:
• Dr. João Pedro: obsessivo, ambicioso; “andava pelas ruas a interpelar os transeuntes”; “boa fama”; “transbordava de
espírito de missão” (autor do primeiro conflito com o semaforeiro).
• Dr. João (filho): a sua personalidade é contraditória, no trabalho era, pessoa simples, “Médico muito modesto”, falta de
autoconfiança, inseguro, “Enganava-se, era um facto, mas fazia questão de orientar os pacientes para um colega”;
contrariamente, mantinha um enorme ódio para com o semáforo, “Herdou o ódio ao semáforo” (odeio o semaforeiro e
intensifica o conflito).
• Dr. Paulo: era inconveniente e impaciente, “Ouvia as queixas dos doentes, com impaciência, e depois impunha
silêncio.”; exibicionista e muito explicativo, “As doenças são provocadas por vírus ou bactérias. No primeiro caso,
chamam-se viróticas, no segundo, bacterianas.” (Insulta o semaforeiro Asdrúbal e mantém uma relação de conflito
também com Paco mas depois socorre-o, deixando os ódios de lado e solidariamente ocupa o lugar de Paco até este
voltar do hospital).

Marcos Históricos e seu valor:

Dobrar do seculo XIX: Época da industrialização (o progresso estava nos novos e insólitos inventos); Corrupção associada
à implantação dos semáforos no Porto.
Primeira Guerra Mundial : Simplificação e melhoria da máquina, concluida por inspeção camarária (retira-se a roda da
frente).
Segunda Guerra Mundial: Substituição do semaforeiro (época de mudança).
Pouco depois da Revolução de Abril: Novo semaforeiro, novos tempos.

Dimensão Irónica:

 O insólito com aparência de real (fantástico que se introduz no quotidiano recriado)


Conto em que se articulam dois universos logicamente incompatíveis:
→ o da realidade e da normalidade (verosimilhante) – que é reforçado e legitimado pelo narrador através de marcadores
históricos, de topónimos e de nomes de pessoas;
→ o do insólito /fantástico (inverosimilhante) – que é marcado pelo carácter incomum e pitoresco das ações narradas
(semáforo a pedais; escolha do primeiro semaforeiro; origem do conflito entre médicos e semaforeiros; acidente, que
culmina com o médico a assumir a função de semaforeiro).

 O cómico extraído do quotidiano


Denúncia, com recurso ao humor/cómico e à ironia, de aspetos negativos extraídos do quotidiano:
→ censura dos ódios entre famílias sem motivo;
→ vícios sociais como o suborno, a burocracia excessiva, a incompetência profissional (cf. descrição caricatural dos
médicos e da própria função de semaforeiro). O insólito com aparência de real (fantástico que se introduz no quotidiano
recriado).

A importância dos episódios e da peripécia final

De estrutura linear, esta história tem 3 sequências narrativas:


- O relato das histórias pessoais das duas familias;
- O conflito entre João Pedro Bekett e Ramon, resultando no ódio que se perpetua nos descendentes.
- a reconciliação entre ambos após o acidente de Paco, o que levou à rápida intervenção do Dr. Paulo Bekett.
Poetas Contemporâneos

Temáticas
1) Representação do quotidiano- são abordados assuntos do quotidiano e representações dele à imagem do
poeta em questão;
2) Tradição literária- Influência de outras correntes e de outros autores faz-se sentir nos poetas
contemporâneos, seja através de temas como o amor, a passagem do tempo e a complexidade da
natureza humana;
3) Figurações do poeta- remete para a caracterização do poeta e reflexão sobre o papel do mesmo, tanto na
vida como no mundo ou poesia.
4) Arte poética- ocorre uma reflexão sobre a própria composição poética. Remete para a centralidade que a
própria poesia e o seu autor ocupam no seu processo de criação.

Representação do
Poeta Tradição Literária Figuração do poeta Arte poética
contemporâneo
Miguel Torga Comprometimento Temos ligação à Paixão pela Terra. Processo de criação
político e social com o condição humana: Consciência social e ética. como algo rigoroso
seu tempo (de ditadura). duelo Inquietação, agonia e e que implica
Presença da Natureza. homem/mundo; rebeldia do “eu” poético face sofrimento.
homem/Deus; ao seu tempo.
homem/criação Inconformismo quanto à
poética. condição humana.
Influência de
correntes e poetas
tradicionais, como
Pessoa e Camões
Ana Luísa Presença de espaços Temas ligados ao Ambiguidade “eu” poético Quotidiano
Amaral quotidianos, quer sejam quotidiano, à vs autor, numa poesia de enquanto motor da
eles interiores ou questão do género, contornos auto biográficos. matéria poética.
exteriores. ao amor. Aparente
Referência a Diálogo com a simplicidade do
acontecimentos comuns tradição anglo- poema e que
do dia a di, ligados às saxónica e esconde um
tarefas domésticas que reinvenção dos trabalho de
despetam curiosidade grandes poetas aperfeiçoamento.
poética. macionais – Camões
e Pessoa.

Luiza Neto Fragmentos do mundo Ligação à poesia do “Eu” poético atento ao real e Estilo puro e em
Jorge circundante. olhar e da descrição às ações quotidianas. transgressão com o
Poesia descritiva do real. do real que lembra, Diálogo com o leitor através cânone- subversão
Inquietação face ao Cesário Verde. da transgressão sintática que evidente na sintaxe
convencionalismo social implica a releitura e a que se afasta da
e à cidade responsabilidade do leitor na tradição.
desumanizada. perceção do produto Papel sacralizado
artistico. conferido à palavra

Manuel Comprometimento Diálogo intenso com Visão do poeta enquanto ser Poesia enquanto
Alegre político, denúncia da Camões e com as comprometido com o seu arma contra a
opressão da ditadura cantigas de amigo. tempo, batalhando pela opressão, a violência
salazarista(e do drama defesa da liberdade. e a falta de
da Guerra Colonial). liberdade.
Defesa das liberdade.
Representação do
Poeta Tradição Literária Figuração do poeta Arte poética
contemporâneo
Nuno Júdice Reflexão sobre várias Diálogo com o Observação do real
vertentes da atualidade património literário e posteriormente submetido à Privilégio da poesia
– poema enquanto lugar histórico naciomal, subjetividade do sujeito. de caracteristicas
de eleição para a análise no rumo de Camões narrativas – poema
do mundo. e da tragédia dos longo.
Poesia de contraste amores entre Pedro e
entre o mundo exterior e Inês, mas também
o mundo interior do com Garrett e Antero
sujueito poético. de Quental.
Alexande Crítica sarcástica ao país Poesia em diálogo Ironia, provocação enquanto Defesa da liberdade
O’Neill e à consciência com a poesia satírica formas de recusa da ordem de criação poética,
burguesa. medieval (canigas de estabelecida. alheada do
escárnio e de Poesia de intervenção. sentimentalismo
maldizer). Poeta enquanto ser excessivo.
empenhado na luta contra a Condenação da rima
injustiça. e dos artificialismos
normativos.
Comprometimento ético Temas ligados à Drama do Homem face à Trabalho árduo de
e cívico com o seu critica social, poesia consciência da finitude criação poética,
tempo e com Portugal. de intervenção. humana. Visão do poeta visto como um óficio
Poesia enquanto forma enquanto ser comprometido artesanal.
Ruy Belo de intervenção. com o seu tempo.
Oposição passado eufórico
(infância/juventude)/
presente disfórico (vida
adulta).
Recusa da opressão Ligação à tradição Poeta enquanto portador da Importtância à
salazarista. lírica camoniana e denúncia do regime palavra, considerada
Consciência do Homem pessoana. repressivo do Estado Novo. a verdadeira matéria
enquanto ser para a prima do poema.
morte. Poesia reflexiva que
António
Forte presença da procura tocar o
Ramos Rosa realidade das coisas – as indizível.
árvores, a luz... -, visão Aceitação dos
panteísta e apaixonada limites da poesia.
da Natureza.

Presença da Natureza e Influências Presença de temática Criação poética


dos quatro elementos tradicionais e de amorosa, quer na vertente enquanto processo
primordiais (água, terra, poetas tradicionais maternal que na vertente de trabalho
ar e fogo). como Camões. sexual. angustiante e
Eugénio de Tempo presente Poeta enquanto ser “do artesanal, de forma
Andrade enquanto momento povo” que trabalha em a revelar o poema
analisado criticamente e sofrimento até encontrar as na sua plenitude –
que permita construir palavras exatas. daí a mão ser o
um outro futuro. simbolo da génse
artistica.
Inquietação com o Ligação a Cmaões, Ligação à Natureza no Forte presença de
enigma da vida e da mas também à decurso da criação poética. metáforas e de
criação poética e recusa poesia de Orpheu Poeta enquanto artista da simbolos complexos.
do quotidiano banal. (época de Fernando palavra, insatisfeito mas sem Consciência do
Herberto
Repúdio da realidade Pessoa). desistir. trabalho intimo para
Helder
individual. o poeta ao trabalho
Presença do sagrado. criativo.
Representação do
Poeta Tradição Literária Figuração do poeta Arte poética
contemporâneo
Poesia de pendor Forte diálogo Perceção subjetiva da Apurado processo
humanista, ora mais intertextual com realidade. de criação
melancólica ora mais poetas nacionais Atenção às grandes questões intelectual, com
satírica. como Camões e que atormentam o ser metáforas e jogos
Dimensão Pessoa. humano, desprezando o palavras.
autobiografica, a partir sentimentalismo barroco. Poeta enquanto
Vasco Graça de situações artifice que model
Moura quotidianas, por vezes a palavra, a rima, a
observada de forma métrica.
irónica. Poesia finamente
trabalhada e
sustentada num
vasto conhecimen
teórico.
Poesia enquanto procura Constante diálogo Tensões ligadas à condição Poesia vista
da superação da com as duas figuras humana. Poeta enquanto enqaunto produto
imperfeição do mundo centrais da lirica portador da liberdade. concreto (existênc
real. portuguesa – camões e menos enquanto
Jorge de Sena Temas ligados às e Pessoa. produto metafísico
questões da liberdade, (essência).
da justiça, da
efemeridade da vida
(velhice) e da morte.

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