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Forma de Governo

O jeito como as instituições exercem o poder soberano do Estado e suas relações


entre si é o que define as formas de governo. Para muitos estudiosos, "forma de
governo" e "regime político" são a mesma coisa. Maurice Duverger, por exemplo, usa
“regime político” para designar tanto a forma de governar em um grupo social amplo,
entre governantes e governados, quanto, num sentido mais específico, para se referir à
estrutura governamental em um Estado particular. Xifra Heras vê diferente,
destacando a ligação entre a organização política e a estrutura social. Essa perspectiva
permite distinguir entre o “regime político” como a estrutura geral da política e o
“sistema de governo”, que detalha as relações entre instituições.

De fato, o termo “forma de governo” é mais preciso para estudar como os órgãos de
governo são organizados e interconectados. Observando diferentes Estados, vemos
que as formas de governo variam bastante. Para classificá-las, focamos nas
características comuns a muitos Estados, que frequentemente replicam o modelo de
governos bem-sucedidos, originando formas “clássicas” de governo.

É importante dizer também que essa classificação geralmente abrange apenas as


formas de governo estabelecidas por evolução natural. Regimes de força, como
totalitarismos e ditaduras, são difíceis de classificar, pois seguem apenas a lei da
força, não a das vocações políticas.

Aristóteles, na classificação mais antiga de formas de governo, dividiu elas segundo o


número de governantes: realeza (um só governante), aristocracia (governo de poucos)
e democracia (ou república, segundo alguns tradutores), na qual a própria população
governa para o bem comum. Quando esses governantes agem por um interesse
próprio, a forma de governo se degenera: a realeza vira tirania, a aristocracia,
oligarquia, e a democracia, demagogia. Essa divisão fica relevante até hoje.

Maquiavel, em "Discursos sobre a Primeira Década de Tito Lívio", propôs que as formas
de governo passam por ciclos de transformação: um estágio inicial anárquico, seguido
por uma monarquia (eleição do mais justo), que com o tempo degenera em tirania;
para combater isso, instala-se uma aristocracia, que logo se corrompe em oligarquia;
insatisfeito, o povo toma o poder, instaurando a democracia, que, ao se deteriorar,
volta à anarquia.

Para quebrar esse ciclo, Maquiavel sugeriu um governo misto, com características de
monarquia, aristocracia e democracia tanto que em “O Príncipe”, ele divide os Estados
entre repúblicas e principados, as formas viáveis no Estado moderno.
Montesquieu também em "O Espírito das Leis", propôs uma classificação em
república, monarquia e despotismo. No governo republicano, o poder soberano é do
povo; na monarquia, governa um só com leis fixas; e no despotismo, uma pessoa
governa sem obedecer a leis, de acordo com sua vontade.

Hoje, monarquia e república continuam sendo as principais formas de governo, cada


uma com suas próprias características e argumentos favoráveis e contrários. Na
monarquia, o rei governa por tempo vitalício, é escolhido pela hereditariedade e é
politicamente irresponsável, ou seja, não precisa prestar contas ao povo. Seus
defensores dizem que essas características o mantêm acima das disputas políticas e
promovem estabilidade. Críticos, por outro lado, argumentam que a monarquia é
dispendiosa, antidemocrática e arriscada, pois submete o destino de um povo a uma
única família.

Já a república, ao contrário da monarquia, baseia-se na participação popular e na


limitação temporal e responsabilidade do chefe de governo, que é eleito pelo povo.
Essa forma de governo ganhou popularidade com a noção de soberania popular e a
luta contra a monarquia absoluta, defendida por líderes como Thomas Jefferson, que
via as monarquias europeias como grandes fontes de problemas. A república foi
adotada como uma maneira de assegurar liberdade e a possibilidade de mudanças
periódicas no governo, conquistando a simpatia de muitos povos.

Além da diferença entre monarquia e república, sistemas como parlamentarismo e


presidencialismo, baseados na relação entre executivo e legislativo, foram
desenvolvidos e influenciam as tendências do Estado moderno.

Referências bibliográficas

DALLARI, Dalmo de Abreu. Elementos da Teoria Geral do Estado. 16. Ed. São Paulo:
Saraiva, 2003. P. 222-227.

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