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SETEC – SEMINÁRIO TEOLÓGICO EPISCOPAL

CARISMÁTICO
IGREJA EPISCOPAL CARISMÁTICA DO BRASIL
CATEDRAL DA RECONCILIAÇÃO

DISCIPLINA: HISTÓRIA DA IGREJA I


TRABALHO: CAPÍTULOS 11 E 12
LIVRO: HISTÓRIA DO CRISTIANISMO
AUTOR: BRUCE L. SHELLEY

PROFESSOR: PR. PEDRO NEVES


ALUNO: WALTER WILSON HENRIQUE DE SOUZA
SUMÁRIO
1. CAPÍTULO 11: EMANUEL!

1.1 CRISTO NOS CREDOS


1.2 A PALAVRA TORNOU-SE CARNE
1.3 AS PRINCIPAIS HERESIAS SOBRE CRISTO
1.4 ESTABELECENDO OS LIMITES DA VERDADE

2. CAPIÍTULO 12: EXILADOS DA VIDA

2.1 PRIMÓRDIOS DO MONASTICISMO


2.2 IDEAL MONÁSTICO
2.3 MUDANÇA PARA VIDA COMUNITÁRIA
2.4 O GÊNIO DO OCIDENTE
2.5 PRÓS E CONTRAS

3. CONCLUSÃO
CAPÍTULO 11 – EMMANUEL (DEUS CONOSCO)

CRISTO NOS CREDOS

Jesus certa vez no sopé do monte Hermom, perguntou: “Quem o povo diz que eu
sou?

Respostas diversas foram dadas, como:

1.“Ele é um rabino judeu diferente que prega um reino de amor”;


2.“Não, ele é um revolucionário social cujo principal propósito é depor o regime
tirânico de Roma”;
3.Ele é um sonhador desorientado esperando que Deus irrompa na história e
estabeleça justiça na terra”
PEDRO RESPONDEU DA SEGUINTE FORMA: “TU ÉS O CRISTO, O FILHO
DO DEUS VIVO”.
A Igreja ao longo dos séculos, independentemente do ponto de vista dos homens,
sempre confessou juntamente com Pedro que Jesus Cristo é o Messias, o filho do
Deus vivo.
Ele é mais do que um tema de estudo para os cristãos: é o objeto da devoção
cristã.
CAPÍTULO 11 – EMMANUEL (DEUS CONOSCO)

CRISTO NOS CREDOS

Os teólogos chamam este ministério de encarnação, a corporificação de Deus.

Durante a época imperial da Igreja, os imperadores pressionaram os pastores a


formular declarações que expressassem a fé cristã com precisão. Desta forma a Igreja
passou a falar sobre o Deus-homem.

No concílio geral na Macedônia, no ao de 451, não muito longe de Constantinopla,


afirmou que Jesus Cristo era “completo divindade e completo na humanidade,
verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem [...] em duas naturezas, sem confusão,
sem mudança, sem divisão ou separação [...] em uma só pessoa”

Até hoje a maioria dos cristãos católicos romanos, ortodoxos orientais e protestantes,
consideram esta declaração uma cresça cristã ortodoxa.

Para alguns cristãos no Egito, na Síria e na Índia não a consideram assim, e as razões
desta disparidade encontram-se nas tentativas do quinto século de falar com clareza
sobre o Acontecimento.
A PALAVRA TORNOU-SE CARNE

É chamada essa área da teologia de Cristologia por apresentar a questão:

Quem foi Jesus Cristo?


Qual foi a relação entre a vida divida e a vida humana nesta pessoa singular, o
salvador Cristão?

A própria existência dessas perguntas na vida da Igreja é profundamente


significativa, ao considerarmos que:

ISLAMISMO NÃO TEM MAOMELOGIA

BUDISMO NÃO TEM UMA BUDOLOGIA

Na história do Cristianismo esse debate é um momento à singularidade daquele


que os cristãos chamam de Filho de Deus.
Na época do império não se inventou a questão da encarnação; ela simplesmente
a discutiu.
O ministério do Deus-homem já era central ao culto cristão muito antes de se
tornar central ao pensamento cristão.
Certa vez J. S. Whale disse: “a Igreja sempre soube que seu discurso mais seguro
sobre o ministério de Cristo está em seu louvor”
A PALAVRA TORNOU-SE CARNE

 “UMA IGREJA VIVA É UMA IGREJA QUE ADORA E CANTA, NÃO UMA ESCOLA
COM POSSE DE TODAS AS DOUTRINAS CORRETAS”
 Whale queria dizer que os hinos mais preciosos da Igreja sempre trataram Cristo
como um objeto de adoração, e o corpo pulsante da experiência cristã é encontrado
não no credo da Igreja, mas em seus louvores.
 Para os eruditos religiosos, entretanto, permanece que Deus em carne é mais do
que um sentimento cristão: é uma realidade cristã.
Os apóstolos já escreveram coisas como “a imagem do Deus invisível”, “a palavra
tornou-se carne”, e o “cordeiro que foi morto desde a criação do mundo”
No ebionismo e no gnosticismo se evidencia nítidas distorções dessa verdade,
motivo pelo qual os cristãos do segundo e terceiro séculos rejeitaram estes
movimentos.
As discursões ocorridas sobre o significado da encarnação não visavam explicar
Cristo, até porque Ele não se encaixa em nenhuma categoria: ELE É ÚNICO.
O grande mérito dos credos é que eles deixaram o mistério intacto.
Charles Williams destacou que as revoltas contra esses credos de Niceia e
Calcedônia, continha “sensibilidade imatura” – é natural.
Os concílios da Igreja estavam insensível com o JESUS SIMPLES. Elas não
servem a fé porque, os cristãos acreditavam que, em Jesus Cristo, há o encontro
entre terra e céu, entre homem e Deus.
A PALAVRA TORNOU-SE CARNE

Existiu 2 escolas de teologia, durante a Igreja primitiva, que deram ênfases


constantes à PALAVRA TORNANDO CARNE (JOÃO 1.14):

ALEXANDRIA Enfatizava que a Palavra divina assumiu a carne humana (a


humanidade de modo geral.

ANTIOQUIA Enfatizava como a Palavra divina foi unida ao homem chamado


Jesus.

Para os Alexandrinos o risco iminente era enfatizar a união do divino e humano


em excesso, a ponto da humanidade ser ofuscada pela divindade de Jesus.
Para os Antioquinos o perigo iminente era não enfatizar o suficiente a união do
divino e humano em Jesus, a ponto de sua divindade ser ofuscada por sua
humanidade.
Orígenes que foi a primeira e principal voz em Alexandria, falando sobre Jesus
Cristo, cunhou o termo Deus-homem.
Orígenes que desenvolveu um misticismo profundo e intenso com o foco na
Palavra divina (Logos) e suas ideias concentravam-se no pensamento de que, em
Cristo, o encontro entre Deus e a humanidade havia ocorrido perfeitamente e que
os cristãos deveriam se esforçar para imitar isso.
A PALAVRA TORNOU-SE CARNE

Gregório de Nisa, um dos pais capadócios, ensina que Cristo, o Logus – a


única pessoa divina – havia reunido em si as naturezas divina e humana. Estas
naturezas existiam por si só e eram distintas uma da outra; entretanto, não
estavam separadas, mas dispostas de maneira que seus atributos eram
intercambiáveis.
Para os antioquinos, duas naturezas permaneceram distintas e facilmente
pareciam dois seres - Deus e homem, Filho de Deus e Filho de Maria – ligados
os associados em vez de pessoalmente unidos.
 A discussão sobre o significado do Acontecimento perdurou por gerações,
em parte por haver influência política em jogo.
Sob o governo de Teodósio, o Cristianismo emergiu como religião oficial do
seu império, onde a estrutura da Igreja centrou-se em um pequeno números de
poderosos. Os bispos das principais cidades das províncias passaram a ser
chamados de ARCEBISPOS, enquanto, os bispos das cidades mais
importantes do império – Roma, Constantinopla, Alexandria e Antioquia – eram
considerados superiores e chamados de PATRIARCAS.
Esses 4 patriarcas na tentativa de estender seu prestígio e poder,
procuravam apoio, onde formou-se 2 blocos:
ALEXANDRIA E ROMA Motivado pelo ciúme e pela crescente
arrogância de Constantinopla “nova Roma”, no oriente.
A PALAVRA TORNOU-SE CARNE

ANTIOQUIA E CONSTANTINOPLA Por ter estado em conflito e rivalidade por


muito tempo no Oriente, necessitavam alcançar a preeminência (ocupara um lugar
mais elevado), do contrário a Antioquia preferia que a igreja na nova capital a
recebesse em vez de sua antiga rival no Nilo.

AS PRINCIPAIS HERESIAS SOBRE CRISTO

O surgimento de heresias nas igrejas do Oriente, entre 350 e 450, forçaram as


igrejas a buscar com maior clareza a seguinte pergunta: “Quem é Jesus Cristo?”
A primeira heresia associada a Apolinário, reagindo ao ensinamento de Antioquia,
teve a ideia de abordar a questão a partir do ponto de vista daquilo que chamaríamos
de psicologia, tendo sua proposta rejeitada. Ele acreditava que a natureza humana
incluía o corpo e a alma, mas na encarnação, a Palavra divina (Logos) substitui a
alma vivificadora e racional do corpo humano, criando uma “unidade de natureza”
entre a palavra e o seu corpo”
Surgiu logo objeções à oposição de Apolinário, como: Porventura o Evangelho não
descreve Jesus como um ser completo e genuíno?. Gregório de Nazianzo ainda se
expressou: “AQUILO QUE NÃO FOI ASSUMIDO NÃO PODE SER RESTATURADO”
A segunda heresia associada a Nestório, que defendia a posição de seu mestre na
fé, Teodoro, bispo de Mopsuésia, rejeitava uma designação popular de Maria como
“GENITORA DE DEUS, MÃE DE DEUS”
AS PRINCIPAIS HERESIAS SOBRE CRISTO

 Ao rejeitar a frase, Nestório fez parecer que, para ele, Cristo havia se unido a
duas pessoas.
 Nestório não negava a divindade de Cristo; mas, enfatizava a realidade e a
integridade da humanidade do Salvador, retratando a relação entre as duas
naturezas em termos de uma conjunção moral ou de uma fusão de vontades
em lugar de uma união essencial.
 Nestório também se recusava a atribuir os atos e sofrimentos humanos do
homem Jesus à natureza divina.
 Cirilo, o patriarca de Alexandria (412-444) ficou especialmente alarmado com o
ensinamento de Nestório e indignado quando este deu ouvidos às queixas de
alguns membros do clero Alexandrino que Cirino havia disciplinado.
 Cirilo durante o Concílio Geral de Éfeso, no ano de 431, reunido pelo imperador
Teodósio II, conseguiu fazer com que Nestório fosse deposto antes da chegada
tardia de seus partidários sírios, entretanto, quando estes chegaram, liderados
por João, patriarca de Antioquia, procederam com a condenação de Cirilo e
seus seguidores.
 Lamentavelmente toda a questão, estava impregnada de POLÍTICAS DE
PODER, inclusive, o historiador eclesiástico norte-americano Willinton Walker
chamou o episódio de “uma das disputas mais repugnantes na história da
Igreja”
AS PRINCIPAIS HERESIAS SOBRE CRISTO

Após a morte de Nestório, seus seguidores fugiram para a Pérsia e fundaram a


igreja Nestoriana. Com uma atividade missionária impressionante testificam de sua
força, onde seus missionários alcançaram a Malabar, Índia e Tuquistão, mas
durante perseguição sanguinotenta do conquistador muçulmano Taberlão no ano
de 1380, essa missão foi destruída.
Na atualidade, a igreja Nestoriana no Oriente Próximo e na Índia ainda conta com
cerca de 80 mil membros e, na América, 25 mil.
Em sua autobiografia, Nestório insiste que não se opunha ao uso da expressão
“genitora de Deus” por negar a divindade de Cristo, mas para enfatizar que Jesus
nascera com um ser humano genuíno, com o corpo e alma, e suas preocupações
não eram infundadas.
Algumas percepções liberais recentes de Cristo são identificadas como
nestorianas. Argumentam que, se Nestório acredita que somente a força de
vontade do homem Jesus o mantinha em uma união moral e volitiva com a Palavra
divina, então a diferença entre os cristãos e o próprio Cristo é uma diferença de
grau.
Infelizmente, alguns cristãos evangélicos são levados por essa mesma falha
doutrinária ao buscarem Jesus como um modelo para autoajuda e ignorando a
transformação vivificante oferecida por EMANUEL: DEUS CONOSCO.
ESTABELECENDO OS LIMITES DA VERDADE

Logo após o Concílio em Éfeso (431), surgiu uma terceira heresia, quando
Êutiques, líder espiritual de um mosteiro perto de Constantinopla, defendia a
natureza única de Cristo (monofisismo), unindo as duas naturezas a tal ponto que a
natureza humana parecia ser completamente absorvida pela divina.
É “como uma gota de mel que, ao cair no mar, se dissolve nele”, a natureza
humana em Cristo perde-se da divida”.
Desta forma, Êutiques negava o pré-requisito central para o mistério de Cristo e
sua missão como SALVADOR E REDENTOR – toda a doutrina cristã da redenção
estava em perigo.
Êutiques ao se recusar a abjurar frente ao patriarca Flaviano de Constantinopla
após uma convocação para um sínodo, foi condenado como herege, no entanto,
encontrou apoio em Dióscoro, patriarca de Alexandria, que seguia as ideias de
Cirilo, para a convocação de concílio imperial, por ordem do imperador Teodósio II,
resultando no restabelecimento de Êutiques, muito embora, isso não tenha sido
reconhecido pelo resto da igreja.
O papa Leão I (440-461) chamou-o de “CONCÍLIO DE LADRÕES”, pedindo ao
imperador um novo concílio. O sucessor de Teodósio, o imperador Marciano (450-
457), anuiu ao pedido e, no ano de 451, convocou o quarto Concílio Geral de
Calcêdonia.
A igreja primitiva, em oposição a Ário, afirma que Jesus era verdadeiramente Deus
e, em oposição a Apolinário, ele era verdadeiramente homem.
ESTABELECENDO OS LIMITES DA VERDADE

Já em oposição a Êutiques, ela confessava que a divindade e a humanidade de


Jesus não eram transformadas em outra coisa, e, em oposição a Nestório, que
Jesus não era dividido, mas uma única pessoa.

Dessa data em diante, a maioria dos cristãos católicos, protestantes, ortodoxos


passaram a encontrar, em Calcedônia, a base da doutrina da salvação: UM
ÚNICO DEUS-HOMEM, JESUS CRISTO.

Esse ensinamento monofisita (uma única natureza), foi um fator importante para
que as igrejas Monofisistas se desligassem do restante da Ortodoxia Oriental.

Também com o declínio do poder bizantino nas regiões remotas do Império


Oriental, a doutrina monofisita gerou a igreja Copta, o maior corpo cristão no Egito
hoje, com uma igreja relacionada na Etiópia, e a chamada Igreja Jacobita da Síria,
que tem a maior parte de seus adeptos no sul da Índia.
CAPÍTULO 12 – EXILADOS DA VIDA

PRIMÓRDIOS DO MONASTICISMO

oMonasticisimo (do grego monachos, uma pessoa solitária) é a pratica da abdicação


dos objetivos comuns dos homens em prol da prática religiosa. Os praticantes do
monasticismo são classificados como monges.
oIniciamos com o relato do monge egípcio Antão, que certa noite, no início do quarto
século, quando estava fervorosamente orando no deserto, Satanás aproveitou a
oportunidade para atiçar as feras selvagens da região contra ele e no momento que
os animais estavam prontos para atacá-lo, falou:

“Se recebestes poder sobre mim do Senhor, aproximai-vos e não vos


demorai, pois estou pronto; contudo, caso tenham vos preparado e vindo a comando
de Satanás, voltai aos vossos lugares sem tardar, pois sou servo de Jesus, o
Conquistador”. Quando o homem bendito proferiu essas palavras, Satanás afastou-
se imediatamente pela menção do nome de Cristo, tal como um pardal diante de um
falcão.

oEste relato poderia muito bem ser transformado em um cena hollywoodiana de


bangue-banque: Satanás de um lado, e Cristo, de outro, lutavam pela alma do
homem.
PRIMÓRDIOS DO MONASTICISMO
oA maioria do homem moderno não sabe ao certo o que pensar dos monges, inclusive
podemos citar o historiador inglês Edward Gibbon, que zombou “dos infelizes exilados
da vida social, impelidos pelo tenebroso e implacável espírito de superstição”
o Os cristãos – católicos e protestantes discordam quanto aos prós e contra do
monasticismo. Para os católicos romanos a Igreja é grande suficiente para acomodar
tanto acetas (pessoa que busca se afastar dos prazeres), quanto aqueles membros
fracos e pecadores, pois a Igreja deve ser para todos, independentemente de
conquistas morais ou falhas espirituais.
oOs protestantes não pensam desta maneira, e com a Reforma do século XVI infligiu
um duro golpe no monasticismo, inclusive, Lutero que já havia sito monge, deflagrou
guerra ao claustro (a vida ou os hábitos dos monges; clausura).
oPara Lutero e outros reformadores, o monasticismo incentiva a ideia de duas
estradas que levam a Deus, uma SUPERIOR e uma INFERIOR, no entanto, o
Evangelho só apresenta um caminho para a salvação: a fé no Senhor Jesus Cristo, a
qual não é morta, mas sim ativa no amor a Deus e ao próximo.

O IDEAL MONÁSTICO
Sem dúvida, notas ascéticas (voltada para a vida espiritual) ressoam nos pregadores
da idade apostólica, como João Batista que vagava pelo deserto da Judeia com vestes
rudimentares e clamores de arrependimento.
O IDEAL MONÁSTICO

Jesus mesmo exortou um jovem a livrar-se de seus bens a fim de encontrar a vida
eterna e o apóstolo Paulo argumentou “a carne deseja o que é contrário ao Espírito, o
que é contrário à carne. Eles estão em conflito um com o outro” (Galátas 5:17)
Em um documento escrito em torno do ano de 140, chamado O pastor de Hermas,
logo após a época dos apóstolos, surgiu a ideia de uma moralidade inferior e outra
superior.
O pastor diz que o Novo Testamento, tanto ensina preceitos de fé, esperança e amor
para todos, como, aconselha àqueles que almejam fazer mais do que é exigido aos
cristãos comuns.
Com pouco tempo, outros cristãos passaram a enaltecer a abnegação,
especialmente ao celibato – a renúncia ao matrimônio e a prática da penitência, como
meio para remover o pecado.
Muitos lideres, dentre eles, Tertuliano, Orígenes e Cipriano, endossaram a ideia de
um nível mais elevado de santidade.
A primeira forma de monasticismo foi a vida como eremita solitário (termo grego que
significa deserto), começando no Egito, tanto nas regiões leste e oeste, colocando o
monge sempre em um árido deserto.
Antão, considerado o primeiro monge, nasceu em cerca de 250, no povoado de
Coma, teve atitude oposta aquele jovem rico, e aos 20 anos de idade, doou seu
dinheiro e logo assumiu a vida de solidão em um túmulo. Lendas narram suas batalhas
contra tentações: demônios, feras e mulheres e apesar tamanho estresse viveu uma
vida plena de 105 anos.
O IDEAL MONÁSTICO

Por outro lado, os fiéis resolutos (determinados em seus propósitos) que


Diocleciano assassinara foram substituídos por uma multidão mista de pagãos
semiconvertidos, onde eram capaz de matarem uns aos outros com vistas a obter
recompensas da Igreja. Gregório de Nazianzo, queixando-se disse: “ A liderança é
conquista pelo mal, não pela virtude; e as sés (igrejas) pertencem não aos mais
dignos, mas aos poderosos”
Em oposição à grande instituição imperial, o canal da graça divina, os primeiros
monges voltavam-se à vida da alma, face a face com Deus, sobrevivendo as
tentações do mundo exterior, como: soberba, rivalidade e excentricidade. Muitos
monges que viviam no Egito e na Síria, submetiam-se a privações extremas: alguns
comiam grama, outros viviam em árvores e ainda tinham os que se recusavam a
tomar banho.

MUDANÇA PARA VIDA COMUNITÁRIA

O movimento monástico deu um passo significativo, através do ex-soldado


chamado Pâcomio, por volta do ano 320, instituído o primeiro mosteiro cristão,
possibilitando que os monges estabelecesse uma vida comum regrada, na qual
comiam, trabalhavam e adoravam. Tinham um planejamento com horários fixos,
trabalho manual, uniformes e disciplina rigorosa, o que chamamos de monasticismo
cenobítico, uma expressão proveniente dos termos gregos que significam vida
comum – koinos bios.
MUDANÇA PARA VIDA COMUNITÁRIA

A reforma melhorou consideravelmente a vida dos eremitas, com seus perigos de


ociosidade e excentricidade, impactando também a vida monástica para as mulheres,
às quais a vida de isolamento era quase impossível, colocando ainda o monasticismo
em uma espécie de sistema de restrição.
Pacômio via claramente que, “para salvar almas, é preciso uní-las”
O movimento ascético, iniciado no Egito, alastrou-se para a Síria, Ásia Menor, e
toda a Europa Ocidental. A Ásia Menor foi conquistada pelo movimento monástico,
influenciado por Basílio, Gregório de Nazianzo e Gregório de Nissa, os defensores da
fé nicena na geração que sucedeu Atanásio.
O cristianismo imperial foi atingido pelo ideal monástico com poder sem
procedentes, transformando em um movimento que afetava todos os níveis da
população cristã, durante o quarto e o quinto séculos.
Os monges renovaram o entusiasmo cristão e a piedade intensa de um tempo
anterior exigente, e transformaram o martírio no compromisso extremo com Deus e
na imitação ascética a Cristo. Com o objetivo de imitar a Cristo e não ser impedidos,
OS MONGES FAZIAM TRÊS VOTOS: DE POBREZA, DE CASTIDADE E DE
OBEDIÊNCIA.
Os verdadeiros guerreiros espirituais tentavam se despojar de seus bens, de sua
felicidade conjugal e de sua liberdade de escolha, o que chamamos esses elementos
atualmente de “direitos básicos”, no entanto, os monges considerava-os raízes do ego
e obstruções à comunhão com Deus.
MUDANÇA PARA VIDA COMUNITÁRIA

Depois que as extravagâncias diminuíram e os monges tiveram uma vida com


regras estáveis e suportáveis, o mosteiro passou a assumir tarefas de enorme
benefício para a Igreja e para o mundo. Com isso, praticamente todos os líderes
eclesiásticos, no quinto e sexto séculos, eram monges ou estavam intimamente
ligados monasticismo. As células monásticas transformaram-se em salas de aula,
e os monges se tornaram-se eruditos.(intelectuais, estudiosos, cultos)
Roland Bainton disse que o pioneiro nos estudos monásticos foi Jerônimo (340-
420), eremita no deserto Sírio, descobriu que só poderia exorcizar suas tentações
sexuais ocupando a mente com uma rígida disciplina intelectual.
Como Conhecedor da língua hebraica, Jerônimo estudou os problemas da
interpretação bíblica, no entanto, com a hostilidade contra os monges na Roma
Cristã – a qual para Jerônimo, ainda se assemelhava à Babilônia – levou para um
mosteiro em Belém, onde suas habilidades linguísticas foram aplicadas na
tradução do Antigo e Novo Testamento para o latim literário, resultando na Vulgata,
a versão autorizada da Bíblia no Catolicismo Romano até anos recentes.
Atanásio foi o primeiro a introduzir o monasticismo no Ocidente. No Ocidente, a
ideia do monasticismo foi difundida com a circulação de sua obra Vida de santo
Antão. Já no norte da África, este movimento teve a participação dos bispos
Ambrósio de Milão e Agostinho, tanto que este último, escreveu a primeira regra
monástica ocidental para a sua comunidade de clérigos em Tagaste e em Hipona.
MUDANÇA PARA VIDA COMUNITÁRIA

O monge Bento de Núrsia foi quem forneceu a constituição para o monasticismo


ocidental.
O GÊNIO DO OCIDENTE

Bento nascido em Núrsia, cerca de 135 quilômetros a nordeste de Roma, no final


do quinto século, adotou a forma mais extrema de ascetismo, passando a viver como
um eremita em uma caverna elevada e solitária no campo, ao sul de Roma. Ele
passou três anos ali estudando as Escrituras em rigoroso estado de abnegação, até
que “os monges de um mosteiro vizinho escolheram-no como abade”, líder espiritual
do grupo monástico.
Bento implantou uma rígida disciplina, culminando em uma tentativa de
envenenamento por parte dos monges que mais tarde expulsou-o da região,
lançando suas bases no sudeste de Roma, erguendo o mosteiro mais famoso na
Europa, a matriz da ordem beneditina, onde ele escreveu sua famosa regra, ensinou,
pregou e viveu um padrão de piedade monástica até sua morte, no ano de 542.
Ao realizar seu conjunto de regulamentos – a Regra - , ele se baseou na obra de
outros líderes monasticismo, mas revelou capacidade de moderação e um bom senso
provenientes de uma observação aguçada da natureza humana.
Bento focou na disciplina o que faltou em muitos monges, inclusive, dizia-se:
“Alguns eram em nada melhores do que vagabundos”, entendendo que ela não
deveria ser fardo pesado demais para os homens comuns.
O GÊNIO DO OCIDENTE

A regra de Bento demonstrou uma “combinação de restrição e certo grau de


liberdade.
Para o pretendente a vida monástica era necessário que o noviço experimentar-se
por, pelo menos, um ano. Caso não desistisse, o aspirante a monge tinha que fazer os
três votos que o desligariam para sempre do mundo e o prenderiam à vida permanente
no mosteiro: pobreza, castidade e obediência à Regra e aos lideres do mosteiro.
Bento estipulou que cada mosteiro, sempre que possível, deveria estar preparado
para suprir todas as suas necessidades da vida. Com isso, os monges cosiam seus
próprios tecidos, faziam seu próprio vinho e eram seus próprios carpinteiros e
construtores.
Bento exigia, com suposta base nas Escrituras que deveria ocorrer sete cultos ao
longo das 24 horas do dia, que duravam cerca de vinte minutos e consistia
principalmente na leitura dos salmos, incluindo, também uma obrigação especial às
duas horas da madrugada, a “vigília”.
Para Walker, as exigências mais proveitosas de Bento eram relacionadas ao
trabalho. “O ócio” , afirmou ele na Regra, “é inimigo da alma; portanto, os irmãos
devem ocupar-se, em horário fixos, com o trabalho manual e a leitura religiosa”
Um mosteiro beneditino fiel aos propósitos do fundador era: “um pequeno mundo
onde os monges levavam uma vida árdua, porém na sobrecarregada, envolvendo
cultos, trabalho diligente nos campos e oficinas e leituras sérias”
PRÓS E CONTRAS

A Regra beneditina, partindo da Itália, se expandiu rapidamente para a Europa


Ocidental, onde os monges prestaram imensurável serviço, dando a única
oportunidade que a Idade Média teve de estudo, descanso e proteção em meio as
guerras constantes. Os mosteiros também eram uma grande força missionária e um
lembrete constante para uma população bruta de que o homem não vive só de pão.

Williston Waker diz, é fácil identificar as falhas do monasticismo, pois, apesar de os


monges fazerem votos de pobreza, os mosteiros recebiam grandes doações,
principalmente de terras, o que motivou a corrupção de alguns membros destes
mosteiros. Estes acontecimentos, difere totalmente da essência do movimento
monasticismo que é a separação do mundo, abandonar as relações comuns da vida
social, abster-se do matrimônio e tudo aquilo que o lar cristão significa.

Apoiar todo este esforço foi uma visão errada do homem. Os monges diziam que a
alma está acorrentada à carne como um prisioneiro a um cadáver; essa não é uma
visão bíblica da vida humana e gerou uma falha nos fundamentos do monasticismo.

Estes erros que reconhecemos hoje, não quer dizer que estavam imperceptíveis aos
homens do decadente Império Romano ou da Idade Média, pois de modo geral o
movimento monástico aparentava ser a forma mais genuína da vida cristão. Também
não podemos, ao observar os males do monasticismo, subestimar o imenso serviço
que os monges prestaram com a difusão e o desenvolvimento do cristianismo e da
CONCLUSÃO

“O Cristianismo afirma que há apenas uma fonte de Verdade, e


essa é a Bíblia, a inspirada e inerrante Palavra do Deus vivente, a
única regra infalível de fé e prática (João 17:17; 2 Timóteo 3:15-
17; Hebreus 4:12). Ela é a revelação escrita por Deus aos homens
e nunca deve ser substituída pelos pensamentos, ideias, escrituras
ou visões humanas”