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Dedicatória Canto I (estâncias 6 a 18)

A dedicatória é uma parte facultativa da estrutura

da epopeia. Camões inclui-a n’Os Lusíadas ao dedicar a

sua obra ao rei D. Sebastião. Nessa altura, D. Sebastião

era ainda muito jovem e por isso era visto como a

esperança da pátria portuguesa na continuação da

difusão da fé e do império. D. Sebastião, rei de Portugal

de 1568 a 1578, foi o penúltimo rei antes do domínio

espanhol (1580-1640). O seu prematuro

desaparecimento numa manhã de nevoeiro na batalha

de Alcácer Quibir deu origem ao mito sebastianista,

Dedicatória – Canto I (estâncias 6 a 18) A dedicatória é uma parte facultativa da estruturamito sebastianista , um sentimento muito português, que nasceu de uma lenda e que tem povoado o imaginário coletivo do nosso povo, ao longo dos séculos. A lenda sebastianista continua envolta numa rede de incertezas e mitos. Realmente, não é incontestável afirmar que D. Sebastião morreu na batalha de Alcácer Quibir, a 4 de Agosto de 1578, ainda que essa seja a versão mais pacífica. O médico Mário Saraiva, por exemplo, publicou um estudo intitulado Dom Sebastião - Na História e na Lenda , no qual advoga que o rei não morreu nessa data, apoiando-se em documentos, nos quais se veem escritas frases como esta: «Era um facto que ninguém vira morrer o rei» . De acordo com a investigação de Mário Saraiva, D. Sebastião foi batalhar em Alcácer Quibir por ter sido vítima de uma cilada por parte de Espanha, no fito de levarem o jovem rei à morte, o que abriria caminho à dominação filipina em Portugal, a qual acabou por se concretizar. Segundo Mário Saraiva, a corte filipina chegou a intervir no sentido de os portugueses perderem a batalha de Alcácer Quibir, tentando matar D. Sebastião quando este pelejava em Marrocos. A cilada montada por Espanha não resultou e o rei refugiou-se num ermitério, após a batalha. Quando se apercebeu que tinha sido destronado, apelou ao Vaticano e fugiu para Vicenza, de onde foi expulso em 16 de Dezembro de 1600. Posteriormente, alojou-se em Nápoles, onde foi acolhido pelo conde de Lemos. De acordo com a investigação de Mário Saraiva, a prova está numa diretiva do Papa Urbano VIII, de 20 de Outubro de 1630, onde se pode ler: «Fazemos saber que por parte do nosso filho D. Sebastião, rei de Portugal, nos foram apresentadas pessoalmente no Castelo de Santo Ângelo duas sentenças de Clemente VIII e Paulo V, nossos antecessores ( ... ), em que constava estar justificado largamente ser o próprio rei e nesta conformidade estava sentenciado para lhe largar (o trono) Filipe III, rei de Espanha, ao que (este) não quis nunca satisfazer, pedindo-nos agora (que) tornássemos a examinar os processos ( ... )» Sem dúvida uma versão fascinante, que vem pôr em causa as teses que até agora vigoraram. Metáfora: O elogio ao rei está presente em toda a dedicatória, mas é desde logo visível nas primeiras três estrofes, salientando-se as várias metáforas, nomeadamente: “Vós, tenro e novo ramo florescente”, que realça a jovialidade do rei. A metáfora é um " id="pdf-obj-0-32" src="pdf-obj-0-32.jpg">

um sentimento muito português, que nasceu de uma lenda e que tem povoado o

imaginário coletivo do nosso povo, ao longo dos séculos. A lenda sebastianista

continua envolta numa rede de incertezas e mitos. Realmente, não é incontestável

afirmar que D. Sebastião morreu na batalha de Alcácer Quibir, a 4 de Agosto de 1578,

ainda que essa seja a versão mais pacífica. O médico Mário Saraiva, por exemplo,

publicou um estudo intitulado Dom Sebastião - Na História e na Lenda, no qual advoga

que o rei não morreu nessa data, apoiando-se em documentos, nos quais se veem

escritas frases como esta: «Era um facto que ninguém vira morrer o rei». De acordo

com a investigação de Mário Saraiva, D. Sebastião foi batalhar em Alcácer Quibir por

ter sido vítima de uma cilada por parte de Espanha, no fito de levarem o jovem rei à

morte, o que abriria caminho à dominação filipina em Portugal, a qual acabou por se

concretizar. Segundo Mário Saraiva, a corte filipina chegou a intervir no sentido de os

portugueses perderem a batalha de Alcácer Quibir, tentando matar D. Sebastião

quando este pelejava em Marrocos. A cilada montada por Espanha não resultou e o rei

refugiou-se num ermitério, após a batalha. Quando se apercebeu que tinha sido

destronado, apelou ao Vaticano e fugiu para Vicenza, de onde foi expulso em 16 de

Dezembro de 1600. Posteriormente, alojou-se em Nápoles, onde foi acolhido pelo

conde de Lemos. De acordo com a investigação de Mário Saraiva, a prova está numa

diretiva do Papa Urbano VIII, de 20 de Outubro de 1630, onde se pode ler: «Fazemos

saber que por parte do nosso filho D. Sebastião, rei de Portugal, nos foram

apresentadas pessoalmente no Castelo de Santo Ângelo duas sentenças de Clemente

VIII e Paulo V, nossos antecessores (

...

),

em que constava estar justificado largamente

ser o próprio rei e nesta conformidade estava sentenciado para lhe largar (o trono)

Filipe III, rei de Espanha, ao que (este) não quis nunca satisfazer, pedindo-nos agora

(que) tornássemos a examinar os processos (

...

Sem dúvida uma versão fascinante,

que vem pôr em causa as teses que até agora vigoraram.

Metáfora: O elogio ao rei está presente em toda a dedicatória, mas é desde logo

visível nas primeiras três estrofes, salientando-se as várias metáforas, nomeadamente:

“Vós, tenro e novo ramo florescente”, que realça a jovialidade do rei. A metáfora é um

recurso estilístico que permite estabelecer uma relação de semelhança sem o uso de

elementos específicos de comparação (“como”, “equivalente”, “parecido”, “semelhante”,

“igual”).

Aposto: O aposto é uma expressão que vem imediatamente a seguir a outra,

normalmente entre vírgulas e que surge como uma caracterização ou explicação

complementar. A expressão “poderoso rei” exerce a função de aposto, pois surge a

seguir ao pronome “Vós”, adicionando-lhe uma informação que o torna mais completo.

Sinédoque: Na caracterização de D. Sebastião, o poeta usa frequentemente a

sinédoque figura de estilo em que se troca a palavra que indica o todo de um ser por

outra que indica apenas uma parte dele: “Vós, ó novo temor da Maura lança,” Embora

só se refira à lança, o poeta pretende designar todo o exército de mouros.

Linguagem argumentativa

Para além do elogio ao rei, Camões pretende convencê-lo a aceitar o seu canto,

por isso recorre a uma linguagem argumentativa, sendo a função de linguagem

predominante a apelativa. O poeta recorre a numerosos vocativos, apóstrofes e ao uso

frequente do modo imperativo. Há quem considere que o discurso da Dedicatória

segue a estrutura própria do género oratório.

O poeta chama constantemente a atenção do seu destinatário, D. Sebastião, para o

que o poema vai celebrar.

Argumentar é expressar uma convicção, um ponto de vista, que é desenvolvido

e explicado de forma a persuadir o ouvinte/leitor. Por isso, é necessário que

apresentemos um raciocínio coerente e convincente, baseado na verdade, e que

influencie o outro, levando-o a pensar/agir em conformidade com os nossos objetivos.

Há três fases na produção de um texto argumentativo: na primeira trabalha-se sobre

textos diversos com a intenção de criar um estado de opinião, na segunda, recolhe-se

de forma individual informação variada sobre o tema; na terceira realizam-se trabalhos

de escrita e aperfeiçoamento textual.

O texto argumentativo deve começar por uma introdução que ocupa normalmente um

parágrafo; segue-se o desenvolvimento, em parágrafos que contêm os argumentos e

os contra-argumentos, seguidos de exemplos; finalmente, uma conclusão, de parágrafo

único, que retoma a afirmação inicial provada ou contrariada. Os vários parágrafos

devem estar encadeados uns nos outros pelos articuladores (conjunções e locuções

coordenativas e subordinativas) do discurso ou conectores lógicos (de causa-efeito-

consequência, hipótese-solução, etc.).