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História da Arte:

O pintor suíço Paul Klee, disse uma vez que “a arte não limita o
visível: cria o visível” . Sua frase sintetiza uma das principais
discussões da história da arte, aquela que opõe de um lado os adeptos
da imitação e de outro os da invenção. Mais sistemático, o pintor russo
Vassili Kandinski definiu três elementos constitutivos de toda obra de
arte: o elemento da personalidade, próprio do artista; o elemento do
estilo, próprio da época e do ambiente cultural; e o elemento do puro e
eternamente artístico, próprio da arte, fora de toda limitação espacial
ou temporal.

Conceito:
De um ponto de vista genérico e com base em qualquer dos
teóricos modernos, a arte é pois todo trabalho criativo, ou seu produto,
que se faça consciente ou inconscientemente com intenção estética , isto
é, com fim de alcançar resultados belos. Se bem que o ideal de beleza
seja de caráter subjetivo e varie com os tempos e costumes, todo artista
(seja ele pintor, escultor, arquiteto. Ou músico, escritor, dramaturgo,
cineasta) certamente investe mais na possível beleza de sua obra do que
na verdade, na elevação ou utilidade que possa ter. Nas artes visuais
contemporaneamente chamadas artes plásticas, esse tipo geral esteve
sempre presente, assim como os outros que eventualmente se lhe
acrescentam, isto é, a originalidade, o aspecto critico e muitas outras
características.

Classificação da arte:
Artes espaciais, todas as artes plásticas, distinguindo as
bidimensionais como desenho e a pintura, e as tridimensionais, como a
escultura e arquitetura. O sentido mais importante para sua apreciação
estética é a visão, motivo por que também foram chamadas de “artes
visuais”.
Artes temporais, todas as artes que implicam um processo no
tempo. Costumam distinguir-se as artes sonoras, como a música
instrumental (que além disso, é intermitente, isto é, só existe como tal
quando é executada) e as artes verbais, que compreenderiam gêneros
literários como a poesia e o romance.
Artes mistas, as disciplinas artísticas em que intervêm,
combinados, elementos pertencentes aos dois grupos anteriores. O
teatro por exemplo, ainda que seja um gênero literário, inclui a
representação espacial; a dança é ao mesmo tempo espacial ou

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temporal; e a ópera compreende, além disso, componentes literários,
assim como o cinema.
Ao longo dos tempos, e à medida que se sucedem às gerações, a
arte experimenta mudanças em sua maneira de ser e cabe à história da
arte avaliar a importância dessas modificações. Mas a história deve ser,
mais do que uma enumeração interminável de fatos, um ordenamento
destes (com suas conseqüências). De que toda prioridade seja dada aos
realmente mais importantes. Também o historiador da arte deve
ordenar por classes os fatos de que dispõe, segundo um critério de
qualidade.

Quem faz arte?


O homem criou objetos para satisfazer as suas necessidades
práticas, como as ferramentas para cavar a terra e os utensílios de
cozinha . Outros objetivos são criados por serem interessantes ou
possuírem um caráter instrutivo. O homem cria a arte como meio de
vida, para que o mundo saiba o que pensa, para divulgar as suas
crenças (ou as de outros), para estimular e distrair a si mesmo e aos
outros, para explorar novas formas de olhar e interpretar objetos e
cenas.

Por que o mundo necessita de arte?


Porque fazemos arte e para que a usamos é aquilo que chamamos
de função da arte que pode ser ... feita para decorar o mundo ... para
espelhar o nosso mundo (naturalista) ... para ajudar no dia a dia
(utilitária)... para explicar e descrever a história... para ser usada na
cura de doenças... para ajudar a explorar o mundo.

Como entendemos a arte?


O que vemos quando admiramos uma arte depende da nossa
experiência e conhecimentos, da nossa disposição no momento,
imaginação e daquilo que o artista pretendeu mostrar.

O que é estilo? Por que rotulamos os estilos da arte?


Estilo é como o trabalho se mostra, depois de o artista ter tomado
suas decisões. Cada artista possui um estilo único.
Imagine se todas as peças de arte feitas até hoje fossem expostas
numa sala gigantesca. Nunca conseguiríamos ver quem fez o que,
quando e como. Os artistas e as pessoas que registram as mudanças na
forma de se fazer arte, no caso os críticos historiadores, costumam

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classificá-las por categorias e rotulá-las. É um procedimento comum na
arte ocidental.
Ex.: Renascimento, impressionismo, cubismo, surrealismo e etc.
Como conseguimos ver as transformações do mundo através da arte?
Podemos verificar que tipo de arte foi feito, quando, onde e como,
desta maneira estaremos dialogando com a obra de arte, e assim
podemos entender as mudanças que o mundo tiveram.

Como as idéias se espalham pelo mundo?


Exploradores, comerciantes, vendedores e artistas costumam
apresentar às pessoas idéias de outras culturas. Os progressos na
tecnologia também difundiram técnicas e teorias. Elas se espalham
através da arqueologia, quando se descobrem objetos de outras
civilizações; pela fotografia, a arte passou a ser reproduzida e, nos anos
1890, muitas das revistas internacionais de arte já tinham fotos; pelo
rádio e televisão, o rádio foi inventado em 1895 e a televisão em 1926,
permitindo que as idéias fossem transmitidas por todo o mundo
rapidamente, e os estilos de arte podem ser observados, as teorias
debatidas e as técnicas compartilhadas; pela imprensa, que foi
inventada por Johann Guttenberg por volta de 1450, assim os livros e a
arte podiam ser impressos.
Os historiadores da arte, críticos e estudiosos classificam os
períodos, estilos ou movimentos artísticos separadamente, para facilitar
o entendimento das produções artísticas.

ARTE PRÉ-HISTÓRICA:
Um dos períodos mais fascinantes da historia humana é a pré-
história. Esse período não foi registrado por nenhum documento
escrito, pois é exatamente à época anterior a escrita. Tudo que sabemos
dos homens que viveram nesse tempo é o resultado da pesquisa de
antropólogos, historiadores e dos estudos da moderna ciência
arqueológica, que reconstituíram a cultura do homem.

Divide-se em:
Paleolítico Superior: a principal característica dos desenhos da Idade
da Pedra Lascada é o naturalismo. O artista pintava os seres, um
animal por exemplo, do modo como o via de uma determinada
perspectiva, reproduzindo a natureza tal qual sua vista captava.
Atualmente, a explicação mais aceita é que essa arte era realizada por

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caçadores, e que fazia parte do processo de magia por meio do qual
procurava-se interferir na captura de animais, ou seja, o pintor
caçador do Paleolítico supunha ter poder sobre o animal desde que
possuísse a sua imagem. Acreditava que poderia matar o animal
verdadeiro desde que o representasse ferido mortalmente num
desenho. Utilizavam as pinturas rupestres, isto é, feitas em rochedos e
paredes de cavernas. O homem deste período era nômade.
Os artistas do Paleolítico Superior realizaram também trabalhos
em escultura. Mas, tanto na pintura quanto na escultura, nota-se a
ausência de figuras masculinas. Predominam figuras femininas, com a
cabeça surgindo como prolongamento do pescoço, seios volumosos,
ventre saltado e grandes nádegas. Destaca-se Vênus de Willendorf,
instrumentos de marfim, ossos, madeira e pedra; machado, arco e
flecha, lançador de dardos, anzol e linha; e desenvolvimento da pintura
e da escultura.

Paleolítico Inferior: aproximadamente 5.000 a 25.000 AC; primeiros


homindios; caça e coleta; controle do fogo; instrumentos de pedra e
pedra lascada, madeira e ossos: facas, machados.

Neolítico: a fixação do homem da Idade da Pedra polida, garantida


pelo cultivo da terra e pela manutenção de manadas, ocasionou um
aumento rápido da produção e o desenvolvimento das primeiras
instituições, como família e a divisão do trabalho. Assim o homem do
neolítico desenvolveu a técnica de tecer panos, de fabricar cerâmicas e
construiu as primeiras moradias, constituindo-se os primeiros
arquitetos do mundo. Conseguiu ainda, produzir o fogo através do
atrito e deu inicio ao trabalho com metais. Todas essas conquistas
técnicas tiveram um forte reflexo na arte. O homem que se tornara um
camponês, não precisava mais ter os sentidos apurados do caçador do
Paleolítico, e o seu poder de observação foi substituído pela abstração e
racionalização.Como conseqüência surge um estilo simplificador e
geometrizante, sinais e figuras, mais que sugerem do que reproduzem
os seres. Os próprios temas da arte mudaram; começaram as
representações da vida coletiva. Além de desenhos e pinturas, o artista
Neolítico produziu uma cerâmica que revela sua preocupação com a
beleza e não apenas com a utilidade do objeto, também esculturas de
metal. Desse período temos as construções denominadas dolmens
(consistem em duas ou mais pedras grandes fincadas verticalmente no
chão, como – se fossem paredes, e uma grande pedra era colocada

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horizontalmente sobre elas). E o menir que era monumento megalítico
que consiste num único bloco de pedra fincado no solo no sentido
vertical. O Santuário de Stonehenge, no Sul da Inglaterra, pode ser
considerado uma das primeiras obras da arquitetura que a história
registra. Ele representa um enorme círculo de pedras erguidas a
intervalos regulares, que sustentam traves horizontais rodeando outros
dois círculos interiores. No centro do último está um bloco semelhante a
um altar. O conjunto está orientado para o ponto do horizonte onde
nasce o sol no dia do solstício de verão, indicio de que se destinava às
praticas rituais de um culto solar. Lembrando que pedras eram
colocadas umas sobre as outras sem a união de nenhuma argamassa.
Instrumentos de pedra polida, enxada e tear; inicio do cultivo dos
campos; artesanato; cerâmica e tecidos; construção de pedra; e
primeiros arquitetos do mundo.

Idade dos metais: aparecimento da metalurgia; aparecimento das


cidades; invenção da roda; invenção da escrita; e arado de bois.

As cavernas: antes de pintar as paredes da caverna, o homem fazia


ornamentos corporais, como colares, e, depois magníficas estatuetas,
como as famosas “Vênus”.
Existem várias cavernas no mundo que demonstram a pintura
rupestre, algumas delas são:

Caverna de Altamira: Espanha, quase uma centena de desenhos


feitos há 14.000 anos, foram os primeiros desenhos descobertos, em
1868. Sua autenticidade porém só foi reconhecida em 1902.

Caverna de Lascaux: França, suas pinturas foram achadas em


1942, têm 17.000 anos. A cor preta por exemplo, contém carvão moído
e dióxido de manganês.

Caverna de Chauvet: França, há ursos, panteras, cavalos,


mamutes, hienas, dezenas de rinocerontes peludos e animais diversos,
descoberto em 1994.

Gruta de Rodésia: África, com mais de 40.000 anos.

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MESOPOTÂMIA:
Sua arte era designada em grego, menos conhecida que a arte
egípcia, não existiam pedreiras no vale e os edifícios eram construídos
de tijolos cozidos que se designavam com o tempo.
Esses povos não acreditavam que o corpo humano e sua
representação deviam ser preservados para que a alma sobrevivesse.
Quando os Sumérios governou a cidade de Ur, os reis eram
sepultados com toda sua casa, inclusive escravos.
No fragmento de uma harpa (2600 aC), em madeira decorada com
animais, simetricamente dispostos com precisão como era costume
deste povo.
Os reis costumavam encomendar monumentos para celebrar
vitórias nas guerras.
Monumento do rei Naransin, (2270 aC).
Exercito Assírio, sitiando uma fortaleza (883 – 859 aC).

ARTE EGIPCIA:
Uma das principais civilizações da Antiguidade foi a que se
desenvolveu no Egito. Era uma civilização já bastante complexa em sua
organização social e riquíssima em suas realizações culturais.
A religião invadiu toda a vida Egípcia, interpretando o universo,
justificando sua organização social e política, determinando o papel de
cada classe social e, conseqüentemente, orientando toda a produção
artística desse povo. Além de crer em deuses que poderiam interferir
na história humana, os egípcios acreditavam também numa vida após a
morte e achavam que essa vida era mais importante do que a que
viviam no presente. O fundamento ideológico da arte egípcia é a
glorificação dos deuses e do rei defunto divinizado, para o qual se
erguiam templos funerários e túmulos grandiosos.
O faraó era considerado ser divino que dominava o povo e que ao
partir desse mundo, voltava para junto dos Deuses dos quais viera.
As pirâmides, erguendo-se em direção ao céu, iriam ajudá-los.
Acredita-se também que uma cópia fiel da cabeça do rei fosse
preservada para ele viver para sempre, as esculturas eram colocadas
na tumba, onde ninguém as via. A múmia do rei ficava no centro da
pirâmide.
Arquitetura: As pirâmides do deserto de Gizé são as obras
arquitetônicas mais famosas e foram construídas por importantes reis
do Antigo império: Quéops, Quéfren e Miqueninos. Junto a essas três

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pirâmides está a esfinge mais conhecida do Egito, que representa o
faraó Quéfren, mas a ação erosiva do vento e das areias do deserto deu-
lhe, ao longo dos séculos, um aspecto enigmático e misterioso.

As características gerais da arquitetura egípcia são:


-Solidez e durabilidade;
-Sentimento de eternidade;
-Aspecto misterioso e impenetrável.

As pirâmides tinham base quadrangular eram feitas com pedras


que pesavam cerca de vinte toneladas e mediam dez metros de largura,
além de serem admiravelmente lapidadas. A porta da frente da
pirâmide voltava-se para a estrela polar, a fim de que seu influxo se
concentrasse sobre a múmia. O interior era um verdadeiro labirinto
que ia dar na câmara funerária, local onde estava a múmia do faraó e
seus pertences.
Os templos mais significativos são: Carnac e Luxor, ambos
dedicados ao Deus Amon.
Os monumentos mais expressivos da arte egípcia são os túmulos e
os templos. Divididos em três categorias:

Pirâmide: túmulos reais, destinados ao faraó;


Mastaba: túmulo para a nobreza; e
Hipogeu: túmulo destinado a gente do povo.

Os tipos de colunas dos templos egípcios são divididos conforme


seu capitel:

Palmiforme: flores de palmeiras;


Papiriforme: flores de papiro; e
Lotiforme: flor de lótus.

Para seu conhecimento:


Esfinge: representa corpo de leão (força) e cabeça humana
(sabedoria). Eram colocadas na alameda do templo para afastar os
maus espíritos.
Obelisco: eram colocados à frente dos templos para materializar
a luz solar.

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Escultura: Os escultores egípcios representavam os faraós e os
deuses em posição serena, quase sempre de frente, sem demonstrar
nenhuma emoção. Pretendiam com isso traduzir, na pedra, uma ilusão
de imortalidade. Com esse objetivo ainda, exageravam freqüentemente
as proporções do corpo humano, dando as figuras representadas uma
impressão de força e de majestade.
Os Uciabtis eram figuras funerárias em miniatura, geralmente
esmaltada de azul e verde, destinadas a substituir o faraó morto nos
trabalhos mais ingratos no além, muitas vezes coberto de inscrições.
Os baixos-relevos egípcios, que eram quase sempre pintados,
foram também expressão da qualidade superior atingida pelos artistas
em seu trabalho. Recobria colunas e paredes, dando um encanto todo
especial às construções. Os próprios hieróglifos eram transcritos,
muitas vezes, em baixo-relevo.

Pintura: A decoração colorida era um poderoso elemento de


complementação das atitudes religiosas.

Suas características gerais são:


- ausência de três dimensões;
- ignorância da profundidade;
- colorido a tinta lisa, sem claro-escuro e sem indicação do relevo;
- Lei do frontalidade que determinava que o tronco da pessoa fosse
representado sempre de frente, enquanto sua cabeça, suas pernas e
seus pés eram vistos de perfil.

Quanto a hierarquia na pintura: eram representadas maiores as


pessoas com maior importância no reino, ou seja, nesta ordem de
grandeza: o rei, a mulher do re, o sacerdote, os soldados e o povo. As
figuras femininas eram pintadas em ocre, enquanto que as masculinas
pintadas de vermelho. Importavam-se com a plenitude e não com a
beleza, desenhavam de memória destacando tudo claramente, mais
próximo da cartografia do que do pintor.
“O Jardim de Nebamun, 1400 aC”: Desenhavam o tanque como se
fosse visto de cima e as árvores de lado, peixes e aves de perfil com
veracidade (zoólogos reconhecem espécies).
Hórus, Deus do céu, representado como um falcão ou cabeça
de falcão.
Anúbis, Deus dos ritos funerais, como um chacal, ou cabeça de
chacal.

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Tolh, Deus mensageiro, com a cabeça de Íbis, anota o
resultado.
O Rei Amenófis IV, rompeu com vários costumes. Não desejava
homenagear vários Deuses, para ele só havia um Deus supremo, Atom
de quem era devoto e o representava pelo disco do sol, enviando seus
raios, cada um dotado com uma mão. Intitulou-se como Akhnaton, e
instalou sua corte longe dos sacerdotes dos outros Deuses, numa
localidade que hoje se chama Tell-el-Amama.
Nas imagens que aparece com sua esposa Nefertite e seus filhos,
homens e mulheres estão do mesmo tamanho. Seus retratos o mostram
como um homem feio.
Seu sucessor foi Tutankhamon, que restaurou as velhas crenças,
seu túmulo repleto de tesouros foi descoberto em 1922, algumas das
obras ainda tem o estilo da região de Atom.
Em Creta, habitavam um dos povos mais talentosos, que
representavam com movimentos rápidos e ágeis. Quando o palácio do
rei foi escavado em Cnosso, no fim do século XIX, era inacreditável que
um estilo livre e gracioso pudesse ser desenvolvido no 2º milênio.
Também na parte continental da Grécia, encontrou-se obra assim.
Os egípcios escreviam usando desenhos, não utilizavam letras
como nós.
Desenvolveram três formas de escrita:
Hieróglifos: considerados a escrita sagrada;
Hierática: uma escrita mais simples, utilizada pela nobreza
e pelos sacerdotes; e
Demótica: a escrita popular.

O livro dos mortos, ou seja um rolo de papiro com rituais


funerários, era posto no sarcófago do faraó morto, ilustrado com cenas
muito vivas, que acompanham o texto com singular eficácia. Formado
de tramas de fibras do tronco de papiro, as quais eram batidas e
prensadas transformando-se em folhas.

Para seu conhecimento:


Hieróglifos: foi decifrada por Champolion, que descobriu o seu
significado em 1822, ela se deu na Pedra de Rosetta que foi encontrada
na cidade do mesmo nome no Delta do Nilo.
Mumificação:
a) eram retirados o cérebro, os intestinos e outros órgãos vitais, e
colocados num vaso de pedra chamado Canopo.

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b) Nas cavidades do corpo eram colocados resinas aromáticas e
perfumes.
c) As incisões eram costuradas e o corpo mergulhado num tanque
com nitrato de Potássio.
d) Após 70 dias o corpo era lavado e enrolado numa bandagem
de algodão, embebida em betume, que servia como impermeabilização.

Quando a grande barragem de Assua foi concluída, em 1970,


dezenas de construções antigas do sul do país foram, literalmente, por
água abaixo, engolidas pelo Lago Nasser. Entre as raras exceções desse
drama do deserto, estão os templos erguidos pelo faraó Ramsés II, em
Abu Simbel. Em 1964, uma faraônica operação coordenada pela unesco
com recursos de vários países, um total de 40 milhões de dólares,
removeu pedra por pedra e transferiu templos e estátuas para um local
61 metros acima da posição original, longe da margem do lago. O
maior deles é o Grande Templo de Ramsés II, encravado na montanha
de pedra com suas estatuas do faraó de 20 metros de altura. Além de
salvar este valioso patrimônio, a obra prestou uma homenagem ao mais
famoso e empreendedor de todos os faraós.
Queóps, é a maior das três pirâmides, tinha originalmente 146
metros de altura, um prédio de 48 andares. Nove metros já se foram,
graças principalmente à ação corrosiva da poluição vinda do Cairo.
Para erguê-la, foram precisos cerca de 2 milhões de blocos de pedras e
o trabalho de cem mil homens, durante 20 anos.

ARTE GREGA:
Enquanto a arte egípcia é uma arte ligada ao espírito, a arte grega
liga-se à inteligência, pois os seus reis não eram deuses, mas seres
inteligentes e justos que se dedicavam ao bem estar do povo. A arte
grega volta-se para o gozo da vida presente. Contemplando a natureza,
o artista se empolga pela vida e tenta, através da arte, exprimir suas
manifestações. Na sua constante busca de perfeição, o artista grego cria
uma arte de elaboração intelectual em que predominam o ritmo, o
equilíbrio, a harmonia ideal. Eles têm como características: o realismo;
amor pela beleza; interesse pelo homem, essa pequena criatura que é “a
medida de todas as coisas”; e a democracia.

Arquitetura: as edificações que despertaram maior interesse são os


templos. A característica mais evidente dos templos gregos, é a simetria

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entre o pórtico de entrada e o dos fundos. O templo era construído
sobre uma base de três degraus. O degrau mais elevado chamava-se
estilóbata e sobre ele eram erguidas as colunas. As colunas sustentavam
um entablamento eram construídos segundo os modelos das ordens
dórica, jônica e corintia. Principal arquiteto Ictino.

Ordem Dórica: era simples e maciça. O fuste da coluna era


monolítico e grosso. O capitel era uma almofada de pedra. Nascida do
sentir do povo grego, nela se expressa o pensamento. Sendo a mais
antiga das ordens arquitetônicas gregas, a ordem dórica, por sua
simplicidade e severidade, empresta uma idéia de solidez e imponência.

Ordem Jônica: representava a graça e o feminino. A coluna


apresentava fuste mais delgado e não se firmava diretamente sobre o
estilóbata, mas sobre uma base decorada. O capitel era formado por
duas espirais unidas por duas curvas. A ordem Dórica traduz a forma
do homem e a ordem Jônica traduz a forma da mulher.

Ordem Corintia: o capitel era formado com folhas de acanto e


quatro espirais simétricas, muito usado no lugar do capitel jônico, de
um modo a variar e enriquecer aquela ordem. Sugere luxo e
ostentação.

Os principais monumentos da arquitetura grega:

a) Templos: dos quais o mais importante é o Partenon de Atenas.Na


Acrópole, também, se encontram as Cariátides homenageavam as
mulheres de Caria.
b) Teatros: que eram construídos em lugares abertos (encosta) e
que compunham de três partes: a skene ou cena, para os atores; a
konistra ou orquestra, para o coro; o koilon ou arquibancada, para os
espectadores. Um exemplo típico é o teatro de Epidauro, construído no
século IV a.C., ao ar livre, composto por 55 degraus divididos em duas
ordens e calculados de acordo com uma inclinação perfeita. Chegava
acomodar cerca de 14000 espectadores e tornou-se famoso por sua
acústica perfeita.
c) Ginásios: edifícios destinados a cultura física.
d) Praça: Agora onde os gregos se reuniam para discutir os mais
variados assuntos, entre eles; filosofia.

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Pintura: A pintura grega, encontra-se na arte cerâmica. Os vasos
gregos, são também conhecidos não só pelo equilíbrio de sua forma,
mas também pela harmonia entre o desenho, as cores e o espaço
utilizado para a ornamentação, encontramos vestígios da pintura
Egípcia (rosto de perfil, ombros de frente, mas os corpos com
diferenças), pesquisavam para pintar, havia movimento. Os pintores
fizeram a maior descoberta, o “escorço”, 500 aC (pintar um pé, como é
visto de frente). Além de servir para rituais religiosos, esses vasos eram
usados para armazenar, entre outras coisas, água, vinho, azeite e
mantimentos. Por isso, a sua forma correspondia à função para que
eram destinados:

Ânfora: vasilha em forma de coração, com o gargalo largo,


ornado com duas asas;
Hidra: (derivado de Ydor, água) tinha três asas, uma vertical
para segurar enquanto corria a água e duas para levantar;
Cratera: tinha a boca muito larga, com o corpo em forma de um
sino invertido, servia para misturar água com vinho (os gregos nunca
bebiam vinho puro), etc.
Escultores e pintores, eram de classes inferiores, trabalhavam para
sobreviver. Murais e mosaicos, descobertos em Pompéia mostravam a
natureza, animais e paisagens.
Segundo Sócrates, os artistas, deviam representar a “atitude da
alma”, observando como “os sentimentos afetam o corpo em ação”.
As pinturas dos vasos representavam pessoas em suas atividades
diárias e cenas da mitologia grega. O maior pintor de figuras negras foi
Exéquias.
A pintura grega se divide em três grupos:
1) figuras negras sobre o fundo vermelho
2) figuras vermelhas sobre o fundo negro
3) figuras vermelhas sobre o fundo branco

Escultura: A estatuaria grega representa os mais altos padrões já


atingidos pelo homem. Na escultura, o antropomorfismo (esculturas de
formas humanas), foi insuperável. As estatua adquiriram, além do
equilíbrio e perfeição das formas, o movimento. No Período Arcaico os
gregos começaram a esculpir, em mármores, grandes figuras de
homens. Primeiramente aparecem esculturas simétricas, em rigorosa
posição frontal, com o peso do corpo igualmente distribuído sobre as
duas pernas. Esse tipo de estatua é chamado Kouros (palavra grega:

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homem jovem). No período clássico passou-se a procurar movimento
nas estatuas, para isto, se começou a usar o bronze que era mais
resistente do que o mármore, podendo fixar o movimento sem se
quebrar. Surge o nu feminino, pois no período arcaico, as figuras de
mulher eram esculpidas sempre vestidas. Período Helenístico pode
observar o crescente naturalismo: os seres humanos não eram
representados apenas de acordo com a idade e a personalidade, mas
também segundo as emoções e o estado de espírito de um momento. O
grande desafio e a grande conquista da escultura do período helenístico
foi a representação não de uma figura apenas, mas de grupos de figuras
que mantivessem a sugestão de mobilidade e fossem bonitos de todos os
ângulos que pudessem ser observados.

Os principais mestres da escultura clássica grega são:


-Praxíteles, celebrado pela graça das suas esculturas, pela lânguida
pose em “S” (Hermes com Dionísio menino), foi o primeiro artista que
esculpiu o nu feminino.
-Policleto, autor de Doríforo, condutor da lança, criou padrões de
beleza e equilíbrio através do tamanho das estátuas que deveriam ter
sete vezes e meia o tamanho da cabeça.
-Fidias, talvez o mais famoso de todos, autor de Zeus Olímpico, sua
obra- prima, e Atenéia. Realizou toda a decoração em baixos-relevos do
Templo Partenon; as esculturas dos frontões, métopas e frisos.
-Lisipo, representava os homens “tal como se vêem” e “não como são”
(verdadeiros retratos). Foi ele que introduziu a proporção ideal do
corpo humano com a medida de oito vezes e cabeças.
-Miron, autor do Discóbolo (homem arremessando o disco).

Para seu conhecimento:


a) Mitologia: Zeus, senhor dos céus; Atenéia, deusa da guerra;
Afrodite, deusa do amor; Apolo, deus das artes e da beleza. Poissedon,
deus das águas; entre outros.
b) Olimpíadas: se realizavam em Olímpia, , a cada 4 anos, em honra
a Zeus. Os primeiros jogos começaram em 776 a.C. As festas olímpicas
serviam de base para marcar o tempo.
c) Teatro: Foi criadas a comédia e a tragédia. Entre as mais famosas:
Édipo Rei de Sófocles.
d) Música: Significa a arte das musas, entre os gregos a lira era o
instrumento nacional.

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ARTE ROMANA:
A arte romana, sofreu duas fortes influencias: a da arte etrusca
popular e voltada para a expressão da realidade vivida, e a da greco-
helenistica, orientada para a expressão de um ideal de beleza.
Um dos legados culturais mais importantes que os etruscos
deixaram aos romanos foi o uso do arco e da abóbada nas construções.

Arquitetura: As características gerais da arquitetura romana são:


- busca do útil imediato, senso de realismo;
- grandeza material, realçando a idéia de força;
- energia e sentimento;
- predomínio do caráter sobre a beleza;
- originais: urbanismo, vias de comunicação, anfiteatro, termas.

As construções eram de cinco espécies, de acordo com as funções:


1) Religião: Templos
Pouco se conhece deles. Os mais conhecidos são o templo de Jupter
Stater, o de Saturno, o da Concórdia e o de César. O Panteão,
construído em Roma durante o reinado do imperador Adriano, foi
planejado para reunir a grande variedade de deuses existentes em todo
o império, esse templo romano, com sua planta circular fechada por
uma cúpula, cria um local isolado do exterior onde o povo se reunia
para o culto.

2) Comércio e civismo: Basílica


A principio destinada a operações comerciais e a atos judiciários, a
basílica servia para reuniões da bolsa, para tribunal e leitura de editos.
Mais tarde, já com Cristianismo, passou a designar uma igreja com
certos privilégios. A basílica apresenta uma característica
inconfundível: a planta retangular, (de quatro a cinco mil metros)
dividida em varias colunatas. Para citar uma, a basílica Julia , iniciada
no governo de Julio César, foi concluída no império de Otavio Augusto.

3) Higiene: Termas
Constituídas de ginásio, piscina, pórticos e jardins, as termas eram
o centro social de Roma. As mais famosas são as termas de Caracala,
que além de casa de banho, eram centros de reuniões sociais e esportes.

4) Divertimentos:

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a) Circo: extremamente afeito aos divertimentos, foi de Roma que
se originou o circo. Dos jogos praticados temos:
Jogos circenses – corridas de carros;
Ginásios – incluídos neles o pugilato;
Jogos de tróia – aquele em que havia torneios a cavalo;
Jogos de escravos – executados por cavaleiros concluídos por
escravos;
Sob a influência grega, os verdadeiros jogos circenses romanos só
surgiram pelo ano 264 a.C. Dos circos romanos, o mais célebre é o
“Circus Maximus”.

b) Teatro: imitado do teatro grego. O principal teatro é o de


Marcelus. Tinha cenários versáteis, giratórios e retiráveis.

c) Anfiteatro: o povo romano apreciava muito as lutas dos


gladiadores. Essas lutas compunham um espetáculo que podia ser
apreciado de qualquer ângulo. Pois a palavra anfiteatro, significa
teatro de um e de outro lado. Assim era o Coliseu, certamente o mais
belo dos anfiteatros romanos. Externamente o edifício era
ornamentado por esculturas, que ficavam dentro dos arcos, e por três
andares com as ordens de colunas gregas (de baixo para cima: ordem
dórica, ordem jônica e ordem corintia). Essas colunas, na verdade eram
meias colunas, pois ficavam presas à estrutura das escadas. Portanto,
não tinham a função de sustentar a construção, mas apenas de
ornamentá-la. Esse anfiteatro de enormes proporções chegava a
acomodar 40.000 pessoas sentadas e mais de 5.000 em pé.

5) Monumentos decorativos:

a) Arco de Triunfo: pórtico monumental feito em homenagem aos


imperadores e generais vitoriosos. O mais famoso deles é o arco de Tito,
todo em mármore, construído no Fórum Romano para comemorar a
tomada de Jerusalém.
b) Coluna Triunfal: a mais famosa é a coluna de Trajano, com seu
característico friso em espiral que possui a narrativa histórica dos
feitos do imperador em baixo-relevo no fuste. Foi erguida por ordem do
Senado para comemorar a vitória de Trajano sobre os dácios e os
partos.
6) Moradia: Casas, construídas ao redor de um pátio chamado Átrio.

15
Pintura: O Mosaico foi muito utilizado na decoração dos muros e pisos
da arquitetura em gera. A maior parte das pinturas romanas que
conhecemos hoje provém das cidades de Pompéia e Herculano, que
foram soterradas pela erupção do Vesúvio em 79 a.C. Os estudiosos da
pintura existente em Pompéia classificam a decoração das paredes
internas dos edifícios em quatro estilos.

a) Primeiro estilo: recobrir as paredes de uma sala com uma


camada de gesso pintado; que dava impressão de placas de mármore.
b) Segundo estilo: Os artistas começaram então a pintar painéis que
criavam a ilusão de janelas abertas por onde eram vistas paisagens com
animais, aves e pessoas, formando um grande mural.
c) Terceiro estilo: representações fiéis da realidade e valorizou a
delicadeza dos pequenos detalhes.
d) Quarto estilo: um painel de fundo vermelho, tendo ao centro
uma pintura, geralmente cópia de obra grega, imitando um cenário
teatral.
Escultura: Os romanos eram grandes admiradores da arte grega,
mas por temperamento, eram muito diferentes dos gregos. Por serem
realistas e práticos, suas esculturas são uma representação fiel das
pessoas e não a de um ideal de beleza humana, como fizeram os gregos.
Retratavam os imperadores e os homens da sociedade. Mais realista
que idealista, a estatuaria romana teve seu maior êxito nos retratos.
Com a invasão dos Bárbaros as preocupações com as artes
diminuíram e poucos monumentos foram realizados pelo estado. Era o
começo da decadência do Império Romano que, no séc. V,
precisamente no ano de 476, perde o domínio do seu território do
Ocidente para os invasores germânicos.

Mosaico: Partidários de um profundo respeito pelo ambiente


arquitetônico, adotando soluções de clara matriz decorativa, os
masaístas chegaram a resultados onde existe uma certa parte de estudo
direto da natureza. As cores vivas e a possibilidade de colocação sobre
qualquer superfície e a duração dos materiais levaram a que os
mosaicos viessem a prevalecer sobre a pintura. Nos séculos seguintes,
tornar-se-ão essenciais para medir a ampliação das primeiras igrejas
cristãs.

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ARTE PALEOCRISTÃ:
Enquanto os romanos desenvolviam uma arte colossal e
espalhavam seu estilo por toda Europa e parte da Ásia, os cristãos
(aqueles que seguiam os ensinamentos de Jesus Cristo) começaram a
criar uma arte simples e simbólica executada por pessoas que eram
grandes artistas. Surge a arte cristã primitiva.
Os romanos testemunharam o nascimento de Jesus Cristo, o qual
marcou uma nova era e uma nova filosofia. Com o surgimento de um
“novo reino” espiritual, o poder romano viu-se extremamente abalado
e teve inicio um período de perseguição não só a Jesus, mas também a
todos aqueles que aceitavam sua condição de profeta e acreditaram nos
seus princípios.
Esta perseguição marcou a primeira fase da arte paleocristã: a fase
catacumbária, que recebe este nome devido as catacumbas, cemitérios
subterrâneos em Roma, onde os primeiros cristãos secretamente
celebravam seus cultos. Nesses locais, a pintura é simbólica.
Para entender melhor a simbologia:
Jesus Cristo poderia estar simbolizado por um círculo ou por um peixe,
pois a palavra peixe, em grego ichtus, forma as iniciais da frase: “Jesus
Cristo de Deus Filho Salvador”.
Outra forma de simbolizá-lo é o desenho do pastor com ovelhas
“Jesus Cristo é o Bom Pastor” e também, o cordeiro “Jesus Cristo é o
cordeiro de Deus”.
Passagens da Bíblia também eram ali simbolizadas, por exemplo:
Arca de Noé; Jonas engolido pelo peixe e Daniel na cova dos leões.
Ainda hoje podemos visitar as catacumbas de Santa Priscila e
Santa Domitila, nos arredores de Roma.
Os cristãos foram perseguidos por três séculos, até que em 313 d.C.
o imperador Constantino legaliza o cristianismo, dando inicio a 2º fase
da arte paleocristã: a fase basilical.
Tanto os gregos como os romanos, adotavam um modelo de
edifício denominado “Basílica” (origem do nome: Basileu = Juiz), lugar
civil destinado ao comércio e assuntos judiciais. Eram edifícios com
grandes dimensões: um plano retangular de 4 a 5 mil metros
quadrados com três naves separadas por colunas e uma única porta na
fachada principal.
Com o fim da perseguição aos cristãos, os romanos cederam
algumas basílicas para eles usarem como local para as suas celebrações.
O mosaico, muito utilizado pelos gregos e romanos, foi o material
escolhido para o revestimento interno das basílicas, utilizando imagens

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do Antigo e do Novo Testamento. Esse tratamento artístico também foi
dado aos mausoléus e os sarcófagos feitos para os fiéis mais ricos eram
decorados co relevos usando imagens de passagens bíblicas.
Na cidade de Ravena pode-se apreciar o Mausoléu de Gala Plácida
e a igreja de Santo Apolinário, o novo e a de São Vital com riquíssimos
mosaicos.
Em 395 d.C., o imperador Teodósio dividiu i Império Romano
entre seus dois filhos: Honório e Arcádio. Honório ficou com o Império
Romano do Ocidente, tendo Roma como sua capital, e Arcádio ficou
com o Império Romano do Oriente, com a capital Constantinopla
(antiga Bizâncio e atual Istambul).
O Império Romano do Ocidente sofreu várias invasões,
principalmente de povos bárbaros, até que, em 476 d.C., foi
completamente dominado (esta data, 476 d.C., marca o fim da Idade
Antiga e o inicio da Idade Média). Já o Império Romano do Oriente
(onde se desenvolveu a arte bizantina), apesar das dificuldades
financeiras, dos ataques bárbaros e das pestes, conseguiu-se manter até
1453, quando a sua capital Constantinopla foi totalmente dominada
pelos muçulmanos (esta data, 1453, marca o fim da Idade Média e o
inicio da Idade Moderna).

ARTE BIZANTINA:
O cristianismo não foi a única preocupação para o Império
Romano nos primeiros séculos de nossa era. Por volta do século IV,
começou a invasão dos povos bárbaros e que levou Constantino a
transferir a capital do Império para Bizâncio, cidade grega, depois
batizada por Constantinopla. A mudança da capital foi um golpe de
misericórdia para a já enfraquecida Roma; facilitou a formação dos
Reinos Bárbaros e possibilitou o aparecimento do primeiro estilo de
arte cristã – Arte Bizantina.
Graças a sua localização (Constantinopla) a arte bizantina sofreu
influencias de Roma, Grécia e do Oriente. A união de alguns elementos
dessa cultura formou um estilo novo, rico tanto na técnica como na cor.
A arte bizantina está dirigida pela religião; ao clero cabia, além
das suas funções, organizar também as artes, tornando os artistas
meros executores. O regime era teocrático e o imperador possuía
poderes administrativos e espirituais; era o representante de Deus,
tanto que se convencionou representá-lo com uma auréola sobre a

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cabeça, e, não raro encontrar um mosaico onde esteja juntamente com
a esposa, ladeando a Virgem Maria e o Menino Jesus.
O mosaico é expressão máxima da arte bizantina e não se
destinava apenas a enfeitar as paredes e abóbadas, mas instruir os fiéis
mostrando-lhes cenas da vida de Cristo, dos profetas e dos vários
imperadores. Plasticamente, o mosaico bizantino em nada se assemelha
aos mosaicos romanos; são confeccionados com técnicas diferentes e
seguem convenções que regem inclusive os afrescos. Neles, por exemplo,
as pessoas são representadas de frente e verticalizadas para criar certa
espiritualidade; a perspectiva e o volume são ignorados e o dourado é
demasiadamente utilizado devido à associação com maior bem existente
na terra: o ouro.
A arquitetura das igrejas foi a que recebeu maior atenção da arte
bizantina, elas eram planejadas sobre uma base circular, octogonal ou
quadrada imensas cúpulas, criando-se prédios enormes e espaçosos
totalmente decorados.
A igreja de Santa Sofia (Sofia = Sabedoria), na hoje Stambul, foi
um dos maiores triunfos da nova técnica bizantina, projetada pelos
arquitetos de Tralles e Isidoro de Mileto, ela possui uma cúpula de 55
metros apoiada em quatro arcos plenos. Tal método tornou a cúpula
extremamente elevada, sugerindo por associação à abóbada celeste,
sentimentos de universidade e poder absoluto. Apresenta pinturas na
paredes, colunas com capitel ricamente decorado com mosaicos e o
chão de mármore polido.
Toda essa atração por decoração aliada a prevenção que os
cristãos tinham contra a estatuária que lembrava de imediato o
paganismo romano, afasta o gosto pela forma e conseqüentemente a
escultura não teve tanto destaque neste período. O que se encontra
restringe-se a baixos relevos acoplados à decoração.
A arte bizantina teve seu grande apogeu no século VI, durante o
reinado do imperador Justiniano. Porém -, logo se sucedeu um período
de crise chamado de Iconoclastia. Constituía na destruição de qualquer
imagem santa devido ao conflito entre os imperadores e clero.
A arte bizantina não se extinguiu em 1453, pois, durante a segunda
metade do século XV e boa parte do século XVI, a arte daquelas regiões
onde ainda florescia a ortodoxia grega permaneceu dentro da arte
bizantina. E essa arte extravasou em muito os limites territoriais do
império, penetrando, por exemplo, nos paises eslavos.
Um pouco mais de Santa Sofia: “A verdadeira beleza de Santa
Sofia, a maior igreja de Constantinopla, capital do Império Bizantino,

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encontra-se no seu vasto interior. Um olhar mais atento permite ao
visitante ver o trabalho requintado dos artífices bizantinos no colorido
resplandecente dos mosaicos agora restaurados; no mármore
profundamente talhado dos capitéis das colunas das naves laterais,
folhas de acantos envolvem o monograma de Justiniano e de sua
mulher Teodora. No alto, sobre um solo de mármore, bordada em
filigrama de sombras dos candelabros suspensos, resplandece a grande
cúpula.
Embora a igreja tenha perdido a maior parte da decoração
original de ouro e prata, mosaicos e afrescos, há uma beleza natural na
sua magnificência espacial e nos jogos de sombra e luz, um claro-escuro
admirável quando os raios de sol penetram e iluminam o seu interior “.

ARTE BARBARA:
Depois da queda do império romano, mongóis, vândalos, alamos,
francos, germânicos e suecos, entre outros povos conhecidos
genericamente como bárbaros, avançaram definitivamente sobre a
Europa. Estava em curso o século V. Esses grupos, essencialmente
nômades, não demoraram a assimilar a cultura e a religião
(cristianismo) dos povos conquistados, ao mesmo tempo em que lhes
transmitia seus próprios traços culturais, o que deu origem a uma arte
completamente diferente, que assentaria as bases para a arte européia
dos séculos VIII e IX.
O fato de não possuírem um habitat fixo influenciou grandemente
os costumes e expressões artísticas dos bárbaros. Era notável sua
destreza naquelas disciplinas que permitiam a fabricação de objetos
facilmente transportáveis, fossem eles de luxo ou utilitários. Assim, não
é de admirar que tenham sobressaído na ourivesaria, na fundição e
moldagem de metais, tanto para a fabricação de armas quanto de jóias,
e nas técnicas de decoração correspondentes, como a tauxia ou
damasquinagem e esmaltação, a entalhadura e filigrana.
Todos esses povos tiveram uma origem comum na civilização celta,
que desde o século V a.C. até a dominação romana se estabeleceu na
Europa de norte a sul e de leste a oeste. Em suas crônicas, os romanos
os descrevem como temíveis guerreiros e hábeis fundidores de metais.
Uma vez dominados, uma boa parte da população foi assimilada pelo
império e outra fugiu para o norte. Somente quando o império começou
a ruir foi que conseguiram penetrar em suas fronteiras e estabelecer

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numerosos reinos, dos quais se originaram, em parte, as nacionalidades
européias.
A Europa entrou assim num dos períodos históricos mais obscuros,
a meio caminho entre a religiosidade, agora em parte aceita, dos
primeiros cristãos e a beligerância selvagem dos novos senhores. Mais
tarde sofreria também açoite dos vikings dinamarqueses vindos do
norte, em perpetua luta contra os francos e os eslavos ocidentais. Por
seu lado, a igreja ia ganhando posições com a proliferação de mosteiros
exatamente onde os mais temíveis exércitos não conseguiram vencer as
batalhas: as ilhas britânicas e o leste da Europa.

Escultura:
A escultura em pedra foi destinada a decoração de igrejas e
batistérios, na forma de relevos planos, capitéis e sarcófagos, seguindo
o estilo do império romano. A entalhadura do marfim não foi menos
importante. Confirmou-se com a tradição dos dípticos consulares de
Bizâncio, cujas formas foram adotadas na confecção de capas de livros
evangélicos e Bíblias. Sabe-se que as oficina dos artesãos que
trabalhavam com marfim eram numerosas tanto nas Gálias quanto na
península itálica, devido à ghrande demanda de exemplares.
A experiência de celtas e escitas como ourives inegavelmenteestava
ligada à sua experiência como entalhadores. As pedras com entalhes de
runas e ídolos nórdicos entre os vikings, saxões e os próprios celtas
mostram sua passagem pelos deferentes assentamentos e lugares
conquistados. Na península ibérica, a fusão de culturas, como entre
fenícios, celtas, visigodos e ibéricos, além de gregos e romanos, deixou
importantes amostras de escultura, como os Touros de Guisando ou a
Dama de Elche.

ARTE ROMÂNICA:
Em 476, com a tomada de Roma pelos povos bárbaros, tem inicio o
período histórico conhecido, por Idade Média. Neste período a arte tem
suas raízes na época conhecida como Paleocristã, trazendo
modificações no comportamento humano, com o cristianismo a arte se
voltou para a valorização do espírito. Os valores da religião cristã vão
impregnar todos os aspectos da vida medieval. A concepção de mundo
dominada pela figura de Deus proposto pelo cristianismo é chamada de
teocentrismo (teos = Deus). Deus é o centro do universo, e a medida de

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todas as coisas. A igreja como representante de Deus na terra, tinha
poderes ilimitados.

Arquitetura: No final dos séculos XI e XII, na Europa, surge a arte


românica cuja estrutura era semelhante às construções dos antigos
romanos.
As características mais significativas da arquitetura românica são:
-Abóbadas em substituição ao telhado das basílicas.
-Pilares maciços, que sustentavam, e das paredes espessas.
-Aberturas raras e estreitas usadas como janelas.
-Torres, que aparecem no cruzamento das naves ou na fachada.
-Arcos que são formados por 180 graus.

A primeira coisa que chama atenção nas igrejas românicas é o seu


tamanho. Elas são sempre grandes e sólidas. Daí serem chamadas:
fortalezas de Deus. A explicação mais aceita para as formas volumosas,
estilizadas e duras dessas igrejas é o fato da arte românica não ser fruto
do gosto refinado da nobreza nem das idéias desenvolvidas nos centros
urbanos, é um estilo essencialmente clerical. A arte desse período passa,
assim a ser encarada como uma extensão do serviço divino e uma
oferenda à divindade.
A mais famosa é a Catedral de Pisa sendo o edifício mais conhecido
do seu conjunto o campanário que começou a ser construído em 1174.
Trata-se de torre de Pisa que se inclinou porque, com o passar do
tempo, o terreno cedeu.
Na Itália, diferente do resto da Europa, não apresenta formas
pesadas, duras e primitivas.

Pintura e escultura: Numa época em que poucas pessoas sabiam ler, a


igreja recorria à pintura e à escultura para narrar histórias bíblicas ou
comunicar valores aos fiéis. Não podemos estudá-las desassociadas da
arquitetura.
A pintura românica desenvolveu-se nas grandes decorações
murais, através da técnica do afresco, que originalmente era uma
técnica de pintar sobre a parede úmida.
Os motivos usados pelos pintores eram de natureza religiosa. As
características essenciais da pintura românica foram à deformação e o
colorismo. A deformação, na verdade, traduz os sentimentos religiosos
e a interpretação mística que os artistas faziam da realidade. A figura
de Cristo, por exemplo, é sempre maior do que as outras que o cercam.

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O colorismo realizou-se no emprego de cores chapadas, sem
preocupação com meios tons ou jogos de luz e sombra, pois não havia a
menor intenção de imitar a natureza.
Na porta, a área mais ocupada pelas esculturas era o tímpano,
nome que recebe a parede semicircular que fica logo abaixo dos arcos
que arrematam o vão superior da porta. Imitação de formas rudes,
curtas ou alongadas, ausência de movimentos naturais.

Mosaico: A técnica da decoração com mosaico, isto é, pequeninas


pedras, de vários formatos e cores, que colocadas lado a lado vão
formando o desenho, conheceu seu auge na época do românico. Usado
desde a Antiguidade, é originária do Oriente onde a técnica bizantina
utilizava o azul e dourado, para representar o próprio céu.

ARTE GÓTICA:
Em 476, com a tomada de Roma pelos povos bárbaros, tem inicio o
período histórico conhecido, por Idade Média. Neste período a arte tem
suas raízes na época conhecida como Paleocristã, trazendo
modificações no comportamento humano, com o cristianismo a arte se
voltou para a valorização do espírito. Os valores da religião cristã vão
impregnar todos os aspectos da vida medieval. A concepção de mundo
dominada pela figura de Deus proposto pelo cristianismo é chamada de
teocentrismo (teos = Deus). Deus é o centro do universo, e a medida de
todas as coisas. A igreja como representante de Deus na terra, tinha
poderes ilimitados. No século XII entre os anos 1150 e 1500, tem início
uma economia fundamentada no comércio. Isso faz com que o centro
da vida social se desloque do campo para a cidade e apareça a
burguesia urbana. No começo do século XII, a arquitetura
predominante ainda é a românica, mas já começaram a aparecer as
primeiras mudanças que conduziram a uma revolução profunda na
arte de projetar e construir grandes edifícios.

Arquitetura: A primeira diferença que notamos entre a igreja gótica


e a românica é a fachada. Enquanto, de modo geral, a igreja românica
apresenta um único portal, a igreja gótica têm três portais que dão
acesso a três naves do interior da igreja: a nave central e as duas naves
laterais.
A arquitetura expressa a grandiosidade, a crença na existência de
um Deus que vive num plano superior; tudo se volta para o alto,

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projetando-se na direção do céu, como se vê nas pontas agulhadas das
torres de algumas igrejas góticas.
A rosácea é um elemento arquitetônico muito característico do
estilo gótico e está presente em quase todas as igrejas construídas entre
os séculos XII e XIV.
Outros elementos característicos da arquitetura gótica são os arcos
góticos ou ogivais e os vitrais coloridíssimos que filtram a luminosidade
para o interior da igreja.
As catedrais góticas mais conhecidas são: Catedral de Notre Dame
de Paris e a Catedral de Notre Dame de Chartres.

Escultura: As esculturas são ligadas à arquitetura e se


alongam para o alto, demonstrando verticalidade, alongamento
exagerado das formas, e as feições são caracterizadas de formas a que o
fiel possa reconhecer facilmente a personagem representada, exercendo
a função de ilustrar os ensinamentos propostos pela igreja.

Iluminura: È a ilustração sobre o pergaminho de livros


manuscritos (a gravura não fora ainda inventada, ou então é um
privilégio da quase mítica China). O desenvolvimento de tal gênero está
ligado à difusão dos livros ilustrados patrimônio quase exclusivo dos
mosteiros: no clima de fervor cultural que caracteriza a arte gótica, os
manuscritos também eram encomendados por particulares,
aristocratas e burgueses, É precisamente por esta razão que os grandes
livros litúrgicos (a Bíblia e os Evangelhos) eram ilustrados pelos
iluministas góticos em formatos manejáveis.
Durante o século XII e até o século XV, a arte ganhou forma de
expressão também nos objetos preciosos e nos ricos manuscritos
ilustrados. Os copistas dedicavam-se à transcrição dos textos sobre as
páginas. Ao realizar essa tarefa, deixavam espaços para que os artistas
fizessem as ilustrações, os cabeçalhos, os títulos ou as letras maiúsculas
com que se iniciava um texto. Da observação dos manuscritos
ilustrados podemos tirar duas conclusões: a primeira é a compreensão
do caráter individualista que a arte da ilustração ganhava, pois se
destinava aos poucos possuidores das obras copiadas, a segunda é que
os artistas ilustradores do período gótico tornaram-se tão habilidosos
na representação do espaço tridimensional e na compreensão analítica
de uma cena, que seus trabalhos acabaram influenciando outros
pintores.

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Pintura: Desenvolveu-se nos séculos XII, XIV e no inicio do século
XV, quando começou a ganhar novas características que prenunciam o
Renascimento. Sua principal particularidade foi a procura do realismo
na representação dos seres que compunham as obras pintadas, quase
sempre tratando de temas religiosos, apresentava personagens de
corpos pouco volumosos, cobertos por muita roupa, com o olhar
voltado para cima, em direção ao plano celeste.
Os principais artistas na pintura gótica são os verdadeiros
precursores da pintura do Renascimento (Duocento):

Giotto: a característica principal de seu trabalho foi a identificação


da figura dos santos com seres humanos de aparência bem comum. E
esses santos com ar de homem comum eram o ser mais importante das
cenas que pintava, ocupando sempre posição de destaque na pintura.
Assim, a pintura de Giotto vem ao encontro de uma visão humanista do
mundo, que vai cada vez mais se firmando até ganhar plenitude no
Renascimento.
Obras destacadas: Afrescos da Igreja de São Francisco de
Assis (Itália) e Retiro de São Joaquim entre os pastores.

Jan Van Eyck: procurava registrar nas suas pinturas os


aspectos da vida urbana e da sociedade de sua época. Nota-se em suas
pinturas um cuidado com perspectiva, procurando mostrar os detalhes
e as paisagens.
Obras destacadas: O Casal Arnolfini e Nossa Senhora do
Chanceler Rolin.

RENASCIMENTO:
O termo Renascimento é comumente aplicado à civilização
européia que se desenvolveu entre 1300 e 1650. Além de reviver a
antiga cultura greco-romana, ocorreram nesse período muitos
progressos e incontáveis realizações no campo das artes, da literatura e
das ciências, que superaram a herança clássica. O ideal do humanismo
foi sem dúvida o móvel desse progresso e tornou-se o próprio espírito
do Renascimento. Trata-se de uma volta deliberada, que propunha a
ressurreição consciente (o re-nascimento) do passado, considerado
agora como fonte de inspiração e modelo de civilização. Num sentido
amplo, esse ideal pode ser entendido como a valorização do homem

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(humanismo) e da natureza, em oposição ao divino e ao sobrenatural,
conceitos que haviam impregnado a cultura da Idade Média.

Características gerais:
- Racionalidade
- Dignidade do Ser Humano
- Rigor Cientifico
- Ideal Humanista
- Reutilização das artes greco-romana
- Perspectiva (ilusão de profundidade)

Arquitetura: Na arquitetura Renascentista, a ocupação do espaço


pelo edifício baseia-se em relações matemáticas estabelecidas de tal
forma que o observador possa compreender a lei que o organiza, de
qualquer ponto em que se coloque.
“Já não é o edifício que possui o homem, mas este que, aprendendo
a lei simples do espaço, possui o segredo do edifício” (Bruno Zevi,
Saber ver a Arquitetura)

Principais características:
- Ordens Arquitetônicas
- Arcos de volta-perfeita
- Simplicidade na construção
- A escultura e a pintura se desprendem da arquitetura e
passam a ser autônoma.
- Construções: palácios, igrejas, vilas,(casa de descanso fora
da cidade), fortalezas (funções militares).
Brunelleschi: è um exemplo de artista completo renascentista, pois
foi pintor, escultor e arquiteto. Além de dominar conhecimentos de
matemática, geometria e de ser grande conhecedor da poesia de Dante.
Foi como construtor, porém, que realizou seus mais importantes
trabalhos, entre eles a cúpula da catedral de Florença e a Capela Pazzi.

Pintura: Principais características:

-Perspectiva: arte de figura, no desenho ou pintura, as diversas


distâncias e proporções que têm entre si os objetos vistos à distância,
segundo os princípios da matemática e da geometria.

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-Uso do claro-escuro: pintar algumas áreas iluminadas e outras na
sombra, esse jogo de contrastes reforça a sugestão de volume dos
corpos.
-Realismo: o artista do Renascimento não vê mais o homem como
simples observador do mundo que expressa a grandeza de Deus, mas
como a expressão mais grandiosa do próprio Deus. E o mundo é
pensado como uma realidade a ser compreendida cientificamente, e não
apenas admirada.
-Inicia-se o uso da tela e tinta a óleo.
-Tanto a pintura, quanto a escultura que antes apareciam quase que
exclusivamente como detalhes de obras arquitetônicas, tornam-se
manifestações independentes.
-Surgimento de artistas com estilos pessoais, diferentes dos demais, já
que o período é marcado pelo ideal de liberdade e, conseqüentemente,
pelo individualismo.

Os principais pintores foram:


Botticelli: os temas de seus quadros foram escolhidos segundo a
possibilidade que lhe proporcionavam de expressar seu ideal de beleza.
Para ele, a beleza estava associada ao ideal cristão. Por isso, as figuras
humanas de seus quadros são belas porque manifestam a graça divina,
e , ao mesmo tempo, melancólicas porque supõem que perderam esse
dom de Deus.
Obras destacadas: A Primavera e O Nascimento de Vênus.

Leonardo da Vinci: ele dominou com sabedoria um jogo


expressivo de luz e sombra, gerador de uma atmosfera que parte da
realidade mas estimula a imaginação do observador. Foi possuidor de
um espírito versátil que o tornou capaz de pesquisar e realizar
trabalhos em diversos campos do conhecimento humano.
Obras destacadas: A Virgem dos Rochedos e Monalisa.

Michelângelo: entre 1508 e 1512 trabalhou na pintura de teto


da Capela Sistina, no Vaticano. Para essa Capela, concebeu e realizou
grande número de cenas do Antigo Testamento. Dentre tantas que
expressam a genialidade do artista, uma particularmente
representativa é a criação do homem.

Obras destacadas: Teto da Capela Sistina e a Sagrada


Família.

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Rafael: suas obras comunicam ao observador um sentimento
de ordem e segurança, pois os elementos que compõem seus quadros
são dispostos em espaços amplo, claros e de acordo com uma simetria
equilibrada. Foi considerado grande pintor de “Madonas”.

Obras destacadas: A Escola de Atenas e Madona da


Manhã.

Escultura: Em meados do século XV, com a volta dos papas de


Avinhão para Roma, esta adquire o seu prestigio. Protetores das artes,
os papas deixam o palácio de Latrão e passam a residir no Vaticano.
Ali, grandes escultores se revelam, o maior dos quais é Michelângelo,
que domina toda a escultura italiana do século XVI. (Algumas
obras:·Moisés, Davi, 94,10m) e Pietá. Outro grande escultor desse
período foi Andréa Del Verrochio, trabalhou em ourivesaria e esse fato
acabou influenciando sua escultura. Obra destacada: Davi (1,26 m) em
bronze.
Outro gênero dentro da escultura que também acaba sendo
beneficiado pela aplicação dos conhecimentos da perspectiva é o baixo-
relevo (escultura sobre o plano). Empregando uma técnica denominada
schiacciato, Donatello posiciona suas figuras a distâncias precisas, de
tal maneira que elas parecem vir de um espaço interno para a
superfície, proporcionando uma ilusão de distância, algo inédito até
então.

Principais características:
- Buscavam representar o homem tal como ele é na realidade.
- Proporção da figura mantendo a sua relação com a realidade.
- profundidade e perspectiva
- Estudo do corpo e do caráter humano
O Renascimento italiano se espelha pela Europa, trazendo novos
artistas que nacionalizaram as idéias italianas. São eles: Dürer, Hans
Holbein, Bosch e Bruegel.

Para seu conhecimento:


a) A Capela Sistina foi construída por ordem de Sisto IV (retangular
40 x 13 x 20 altura). E é na própria Capela que se faz o conclave:
reunião com os cardeais após a morte do Papa para proceder à eleição
do próximo. Lareira que produz fumaça negra, que o Papa ainda não

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foi escolhido; fumaça branca, que o papa acaba de ser escolhido, avisa
o povo na Praça de São Pedro.
b) Michelângelo dominou a escultura e o desenho do corpo humano
maravilhosamente bem, pois tendo dissecado cadáveres por muito
tempo, assim como Leonardo da Vinci, sabia exatamente a posição de
cada músculo, cada tendão, cada veia. Além de pintor, Leonardo da
Vinci, foi grande inventor. Dentre as suas invenções estão:
Parafuso aéreo “, primitiva versão do helicóptero, a ponte elevadiça,
um modelo de asa-delta, etc”.
c) Quando deparamos com o quadro da famosa Monalisa não
conseguimos desgrudar os olhos do seu olhar, parece que ele nos
persegue. Por que acontece isso? Será que seus olhos podem se mexer?
Este quadro foi pintado, pelo famoso artista e inventor italiano
Leonardo da Vinci (1452-1519) e qual será o truque que ele usou para
dar esse efeito? Quando se pinta uma pessoa olhando para frente
(olhando diretamente para o espectador) tem-se a impressão que o
personagem do quadro fixa seu olhar em todos. Isso acontece porque os
quadros são lisos. Se olharmos para Monalisa de um ou de outro lado
estaremos vendo-a sempre com os olhos e a ponta do nariz para frente
e não poderemos ver o lado do seu rosto. Aí está o truque em qualquer
ângulo que se olhe a Monalisa a veremos sempre de frente.
d) Mecenas, patrocinadores dos artistas, burgueses, aristocratas, clero,
corporações.

MANEIRISMO:
Paralelamente ao reconhecimento clássico, desenvolve-se em
Roma, do ano de 1520 até por volta de 1610, um movimento artístico
afastado conscientemente do modelo da antiguidade clássica: O
Maneirismo ( maniera, em italiano significa maneira). Uma evidente
tendência para a estilização exagerada e um capricho nos detalhes
começa a ser sua marca, extrapolando assim as rígidas linhas dos
cânones clássicos. Alguns historiadores o consideram uma transição
entre o renascimento e o barroco, enquanto outros preferem vê-lo como
um estilo, propriamente dito. O certo, porém, é que o maneirismo é
uma conseqüência de um renascimento clássico que entra em
decadência. Os artistas se vêem obrigados a partir em busca de
elementos que lhes permitam renovar e desenvolver todas as
habilidades e técnicas adquiridas durante o renascimento. Uma de suas
fontes principais de inspiração é o espírito reinante na Europa nesse

29
momento. Não só a igreja, mas toda a Europa estava dividida após a
reforma de Lutero. Carlos V, depois de derrotar as tropas de sumo
pontífice, saqueia e destrói Roma. Reinam a desolação e a incerteza. Os
grandes impérios começam a se formar, e o homem já não é a principal
e única medida do universo. Pintores, arquitetos e escultores são
impedidos a deixar Roma com destino a outras cidades. Valendo-se dos
mesmos elementos do renascimento, mas agora com um espírito
totalmente diferente, criam uma arte de labirintos, espirais e
proporções estranhas, que são, sem dúvida, a marca inconfundível do
estilo maneirista. Mais adiante, essa arte acabaria cultivada em todas
as grandes cidades européias.

Arquitetura: dá prioridade a construção de igrejas de plano


longitudinal, com espaços mais longos do que largos, com a cúpula
principal sobre o transepto, deixando de lado as de plano centralizado,
típicas do renascimento clássico. No entanto, pode-se dizer que as
verdadeiras mudanças que este novo estilo introduz refletem-se não
somente na construção em si, mas também na distribuição da luz e na
decoração.

Principais característica:
a) Nas igrejas:
- Naves escuras, iluminadas apenas de ângulos diferentes, coro com
escadas em espiral, que na maior parte das vezes não levam a lugar
nenhum, produzem uma atmosfera de rara singularidade.
- Guirlandas de frutas e flores, balaustradas povoados de figuras
caprichosas são a decoração mais característica desse estilo. Caracóis,
conchas e volutas cobrem muros e altares, lembrando uma exuberante
selva de pedra que confunde a vista.

b) Nos ricos palácios e casas de campo:


- Formas convexas que permitem o contraste entre luz e sombra
prevalecem sobre o quadrado disciplinado do renascimento.
- A decoração de interiores ricamente adornada e os afrescos das
abóbadas coroam esse caprichoso e refinado estilo, que, mais do que
marcar a transição entre duas épocas, expressa a necessidade de
renovação.

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Principais artistas:

Bartolomeo Ammanati, (1511-1592), autor de vários projetos


arquitetônicos por toda a Itália, tais como: a construção do túmulo do
conde de Montefeltro, o palácio dos Montova, a villa na Porta Del
Popolo, a fonte da Piazza della Signoria. Seu interesse pela arquitetura
o levou a estudar os tratados de Alberti e Brunelleschi, com base nos
quais planejou uma cidade ideal. De acordo com os preceitos dos
Jesuítas, que proibiam o nu nas obras de arte, legou a eles todos os seus
bens.

Giorgio Vasari, (1511-1574), Vasari é conhecido por sua obra literária


Le Vite (As vidas), na qual, além de fazer um resumo da arte
renascentista, apresenta um relato às vezes pouco fiel, mas muito
interessante sobre os grandes artistas da época, sem deixar de fazer
comentários mal-intencionados e elogios exagerados.
Sob a proteção de Aretino, conseguiu realizar uma de suas únicas
obras significativas: os afrescos do palácio Cornaro. Vasari também
trabalhou em colaboração com Michelângelo em Roma, na década de
30. Suas biografias, publicadas em 1550, fizeram tanto sucesso que se
seguiram várias edições. Passou os últimos dias de sua vida em
Florença, dedicado à arquitetura.

Palládio, (1508-1580), o interesse que tinha pelas teorias de Vitrúvio se


reflete na totalidade de sua obra arquitetônica, cujo caráter é
rigorosamente clássico e no qual a clareza de linhas e a harmonia das
proporções preponderam sobre o decorativo, reduzido a uma expressão
mínima. Somente dez anos depois iria dedicar-se à arquitetura sacra
em Veneza, com a construção das igrejas San Giorgio Maggiore e Il
Redentore. Não se pode dizer que Palládio tenha sido um arquiteto
tipicamente maneirista, no entanto, é um dos mais importantes desse
período. A obra de Palládio foi uma referência obrigatória para os
arquitetos ingleses e franceses do barroco.

Pintura: Nela o espírito maneirista se manifesta em primeiro lugar.


São os pintores da segunda década do século XV que, afastados dos
cânones renascentistas, criam esse novo estilo, procurando deformar
uma realidade que já não os satisfaz e tentando revalorizar a arte pela
própria arte.

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Principais características:
a) Composição em que uma multidão de figuras se comprime em
espaços arquitetônicos reduzidos. O resultado é a formação de planos
paralelos, completamente irreais, e uma atmosfera de tensão
permanente.
b) Nos corpos, as formas esguias e alongadas substituem os
membros bem-torneados do renascimento. Os músculos fazem agora
contorções absolutamente impróprias para os seres humanos.
c) Rostos melancólicos e misteriosos surgem entre as vestes, de um
drapeado minucioso e cores brilhantes.
d) A luz se detém sobre objetos e figuras, produzindo sombras
inadmissíveis.
e) Os verdadeiros protagonistas do quadro já não se posicionam
no centro da perspectiva.
f) Mas em algum ponto da arquitetura, onde o olho atento deve,
não sem certa dificuldade, encontrá-lo.

Principal artista:
El Greco, (1541-1614), ao fundir as formas iconográficas bizantinas
com o desenho e o colorido da pintura Veneziana e a religiosidade
espanhola. Na verdade, sua obra não foi totalmente compreendida por
seus contemporâneos. Nascido em Creta, acredita-se que começou
como pintor de ícones no convento de Santa Catarina, em Cândia. De
acordo com documentos existentes, no ano de 1567 emigrou para
Veneza, onde começou a trabalhar no ateliê de Ticiano, com quem
realizou algumas obras.
Depois de alguns anos de permanência em Madri ele se estabeleceu
na cidade de Toledo, onde trabalhou praticamente com exclusividade
para a corte de Felipe II, para os conventos locais e para a nobreza
toledana.
Entre duas obras mais importantes estão O Enterro do Conde de
Orgaz, a meio caminho entre o retrato e a espiritualidade mística.
Homem com a mão no Peito, O Sonho de Filipe II e O Martírio de São
Mauricio. Esta última lhe custou a expulsão da corte.

Escultura: O maneirismo, segue o caminho traçado por Michelangelo:


ás formas clássicas, soma-se o novo conceito intelectual da arte pela
arte e o distanciamento da realidade. Em resumo, repetem-se as
características da arquitetura e da pintura. Não faltam as formas
caprichosas, as proporções estranhas, as superposições de planos, ou

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ainda o exagero nos detalhes, elementos que criam essa atmosfera de
tensão tão característica do espírito maneirista.

Principais características:
a) A composição típica desse estilo apresenta um grupo de figuras
dispostas umas sobre as outras, num equilíbrio aparentemente frágil,
as figuras são unidas por contorções extremadas e exagerado
alongamento dos músculos.
b) O modo de enlaçar as figuras, atribuindo-lhes uma infinidade
de posturas impossíveis, permite que elas compartilhem a reduzida
base que têm como cenário, isso respeitando a composição geral da
peça e a graciosidade de todo o conjunto.

Principais artistas:
Bartolomeo Ammanati, (1511-1592), realizou trabalhos em várias
cidades italianas. Decorou também o palácio dos Montova e o túmulo
do conde da cidade. Conheceu a poetisa Laura Battiferi, com quem se
casou, e juntos se mudaram para Roma a pedido do papa Júlio II, que
o incumbiu da construção de sua villa na Porta Del Popolo.
Começaram assim seus primeiros passos como arquiteto.
No ano de 1555, com a morte do papa, voltou para Florença, onde
venceu um concurso para a construção da fonte da Piazza della
Signoria. Seu interesse pela arquitetura o levou a estudar os tratados
de Alberti e Brunelleschi, com base nos quais planejou uma cidade
ideal. De acordo com os preceitos dos Jesuítas, que proibiam o nu nas
obras de arte, legou a eles todos os seus bens.

Giambologna, (1529-1608), de origem flamenga, deu seus primeiros


passos como escultor na oficina do francês Jacques Dubroecq. Poucos
anos depois se mudou para Roma, onde se supõe que teria colaborado
com Michelangelo em muitas de suas obras.
Estabeleceu-se finalmente em Florença, na corte dos Médici. O
Rapto das Sabinas, Mercúrio, Baco e Os Pescadores estão entre as
obras mais importantes desse período.
Participou também de um concurso na cidade de Bolonha, para a
qual realizou uma de suas mais célebres esculturas. A Fonte de Netuno.
Trabalhou com igual maestria a pedra calcáia e o mármore e foi
grande conhecedor da técnica de despejar os metais, como demonstram
suas esculturas de bronze. Giambologna está para o maneirismo, como
Michelangelo está para o renascimento.

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BARROCO:
A Arte Barroca originou-se na Itália (século XVII) mas não tardou
a irradiar-se por outros países da Europa e a chegar também ao
continente americano, trazida pelos colonizadores portugueses e
espanhóis.
As obras barrocas romperam o equilíbrio entre o sentimento e a
razão ou entre a arte e a ciência, que as artistas renascentistas
procuram realizar de forma muito consciente; na arte barroca
predominam as emoções e não o racionalismo da arte renascentista.
É uma época de conflitos espirituais e religiosos.O estilo barroco
traduz a tentativa angustiante de conciliar forças antagônicas: bem e
mal; Deus e Diabo; céu e terra; pureza e pecado; alegria e tristeza;
paganismo e cristianismo; espírito e matéria.

Suas características gerais são:


- Emocional sobre o racional; seu propósito é impressionar os
sentidos do observador, baseando-se no principio segundo o qual a fé
deveria ser atingida através dos sentidos e da emoção e não apenas pelo
raciocínio.
- Busca de efeitos decorativos e visuais, através de curvas,
contracurvas, colunas retorcidas.
- Entrelaçamento entre a arquitetura e escultura;
- Violentos contrastes de luz e sombra.
- Pintura com efeitos ilusionistas, dando-nos às vezes a impressão de
ver o céu, tal a aparência de profundidade conseguida.

Pintura:
Características da pintura barroca:
- Composição assimétrica, em diagonal, que se revela num estilo
grandioso, monumental, retorcido, substituindo a unidade geométrica e
o equilíbrio da arte renascentista.
- Acentuado contraste de claro-escuro (expressão dos sentimentos),
era um recurso que visava a intensificar a sensação de profundidade.
- Realista, abrangendo todas as camadas sociais.
- Escolha de cenas no seu momento de maior intensidade dramática.
Dentre os pintores Barrocos:
Caravaggio: o que melhor caracteriza a sua pintura é o modo
revolucionário como ele usa a luz. Ela não aparece como reflexo da luz
solar, mas é criada intencionalmente pelo artista, para dirigir a atenção
do observador.

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Obra destacada: Vocação de São Mateus.

Andréa Pozzo: realizou grandes composições de perspectiva nas


pinturas dos tetos das igrejas barrocas, causando a ilusão de que as
paredes e colunas da igreja continuam no teto, e de que este se abre
para o céu, de onde santos e anjos convidam os homens para a
santidade.

Obra destacada: A Glória de Santo Inácio.

A Itália foi o centro irradiador do estilo barroco. Dentre os


pintores mais representativos, de outros paises da Europa, temos:

Velazquez: além de retratar as pessoas da corte espanhola do


século XII procurou registrar em seus quadros também os tipos
populares do seu país, documentando 0 dia-a-dia do povo espanhol
num dado momento da história.

Obra destacada: O Conde Duque de Olivares.

Rubens (Espanhol): além de um colorista vibrante, se notabilizou por


criar cenas que sugerem, a partir das linhas contorcidas dos corpos e
das pregas das roupas, um intenso movimento. Em seus quadros, é
geralmente, no vestuário que se localizam as cores quentes, o vermelho,
o verde e o amarelo, que contrabalançam a luminosidade da pele clara
das figuras humanas.

Obra destacada: O Jardim do Amor.

Rembrandt (Holandês): o que dirige nossa atenção nos quadros


deste pintor não é propriamente o contraste entre luz e sombra, mas a
gradação da claridade, os meios-tons, as penumbras que envolvem
áreas de luminosidade mais intensa.

Obra destacada: Aula de Anatomia.

Escultura: Suas características são: o predomínio das linhas


curvas, dos drapeados das vestes e do uso do dourado; e os gestos e os
rostos das personagens revelam emoções violentas e atingem uma
dramaticidade desconhecida no Renascimento.

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Bernini: arquiteto urbanista, decorador e escultor, algumas de suas
obras serviram de elementos decorativos das igrejas, como por
exemplo, o baldaquino e a cadeira de São Pedro, ambos na Basílica de
São Pedro, Vaticano e o Êxtase de Santa Tereza.

Para seu conhecimento:


a) Barroco: termo de origem espanhola “Barrueco”, aplicado para
designar pérolas de forma irregular.
b) Conteúdos: história sacra e antiga, cenas de batalhas, mitologia
e retratos.

ROCOCÓ:
É o estilo artístico que surgiu na França como desdobramento do
barroco, mais livre e intimista que aquele, e usado inicialmente em
decoração de interiores.
Desenvolveu-se na Europa do século XVIII, e da arquitetura
disseminou-se para todas as artes. Vigoroso até o advento da reação
neoclássica, por volta de 1770, difundiu-se principalmente na parte
católica da Alemanha, na Prússia e em Portugal.
Os temas utilizados eram cenas eróticas ou galantes da vida
cortesã (as fêtes galantes) e da mitologia, pastorais, alusões ao teatro
italiano da época, motivos religiosos e farta estilização naturalista do
mundo vegetal em ornatos e molduras.
O termo deriva do francês rocaille, que significa “embrechado”,
técnica de incrustação de conchas e fragmentos de vidro utilizado
originariamente na decoração de grutas artificiais.
Na França, o rococó é também chamado estilo Luis XV e Luis
XVI.

Características gerais:
- Uso abundante de formas curvas e pela profusão de elementos
decorativos, tais como conchas, laços e flores.
- Possui leveza, caráter intimista, elegância, alegria, bizarro,
frivolidade e exuberante.

Arquitetura: Durante o iluminismo, entre 1700 e 1780, o rococó foi a


principal corrente da arte e da arquitetura pós-barroca. Nos primeiros
anos do século XVIII, o centro artístico da Europa transferiu-se de

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Roma para Paris. Surgido na França com a obra do decorador Pierre
Lepautre, o rococó era a principio apenas um novo estilo decorativo.

Principais características:
a) Cores vivas foram substituídas por tons pastéis, a luz difusa
inundou os interiores por meio de numerosas janelas e o relevo abrupto
das superfícies deu lugar a texturas suaves.
b) A estrutura das construções ganhou leveza e o espaço interno,
foi unificado, com maior graça e intimidade.

Principal artista:
Johann Michael Fischer, (1692-1766), responsável pela abadia
beneditina de Ottobeuren, marco do rococó bávaro. Grande mestre do
estilo rococó, responsável por vários edifícios na Baviera. Restaurou
dezenas de igrejas, mosteiros e palácios.

Escultura: ao contrário do que ocorreu na arquitetura, não é


possível traçar uma clara linha divisória entre o barroco e o rococó,
quer cronológica, quer estilisticamente.
Mais do que nas peças esculpidas, é em sua disposição dentro da
arquitetura que se manifesta o espírito rococó. Os grandes grupos
coordenados dão lugar a figuras isoladas, cada uma com existência
própria e individual, que dessa maneira contribuem para o equilíbrio
geral da decoração interior das igrejas.

Principais artistas:
Johann Michael Feichtmayr, (1709-1772), escultor alemão, membro de
um grupo de famílias de mestres da moldagem no estuque, distinguiu-
se pela criação de santos e anjos de grande tamanho, obras-primas dos
interiores rococós.

Ignaz Günther, (1725-1775), escultor alemão, um dos maiores


representantes do estilo rococó na Alemanha. Suas esculturas eram em
geral feitas em madeira e a seguir policromadas. “Anunciação”, “Anjo
da guarda”, “Pietá”.

Pintura: Durante muito tempo, o rococó francês ficou restrito às artes


decorativas e teve pequeno impacto na escultura e pintura francesas.
No final do reinado de Luis XIV, em que se afirmou o predomínio

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político e cultural da França sobre o resto da Europa, apareceram as
primeiras pinturas rococós sob influência da técnica de Rubens.

Principais artistas:
Antoine Watteau, (1684-1721), as figuras e cenas de Watteau se
converteram em modelos de um estilo bastante copiado, que durante
muito tempo obscureceu a verdadeira contribuição do artista para a
pintura do século XIX.

François Boucher, (1703-1770), as expressões ingênuas e maliciosas de


suas numerosas figuras de deusas e ninfas em trajes sugestivos e
atitudes graciosas e sensuais não evocavam a solenidade clássica, mas a
alegre descontração do estilo rococó. Além dos quadros de caráter
mitológico, pintou, sempre com perfeição no desenho, alguns relatos,
paisagens (“O casario de Issei”) e cenas de interior (“O pintor em seu
estúdio”).

Jean-Honoré Fragonard, (1732-1806), desenhista e retratista de talento,


Fragonard destacou-se principalmente como pintor do amor e da
natureza, de cenas galantes de paisagens idílicas. Foi um dos últimos
expoentes do período rococó, caracterizado por uma arte alegre e
sensual, e um dos mais antigos precursores do impressionismo.

Para seu conhecimento:


a) Rococó: palavra rocaille (concha), elemento constante,
profusamente usado e caprichosamente estilizado, denominação
posterior ao estilo (1830); tirada do vocabulário das artes decorativas.
b) Os ambientes parecem de inspiração feminina, onde o
decorativismo é livre de normas, onde a fantasia alcança a graça de
curvas, contra curvas, a infalível concha estilizada de diversas
maneiras.
c) Em todos os estilos anteriores, os elementos ornamentais eram
acréscimos decorativos, subordinados a elementos construtivos. No
rococó são organismos independentes, causam as transformações dos
interiores: somem os ângulos retos formados por paredes e tetos,
surgem as curvas sob delicados ornamentos. As paredes se cobrem de
espelhos, elementos florais, treliças e pinturas, salões revestidos
também com porcelanas; surge o gosto pelo exótico oriental (chinês e
japonês).

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NEOCLASSICISMO:
Nas duas últimas décadas do século XVIII e nas três
primeiras do século XIX, uma nova tendência estética predominou nas
criações dos artistas europeus. Trata-se do Neoclassicismo (neo = novo),
que expressou os valores próprios de uma nova e fortalecida burguesia,
que assumiu a direção da sociedade européia após a Revolução
Francesa e principalmente com o Império de Napoleão.

Principais características:
- Retorno ao passado, pela imitação aos modelos antigos greco-
latinos.
- Academicismo nos temas e nas técnicas, isto é, sujeição aos
modelos e às regras ensinadas nas escolas ou academias de belas
artes.
- Arte entendida como imitação da natureza, num verdadeiro culto
a teoria Aristóteles.

Arquitetura: Tanto nas construções civis quanto nas religiosas, a


arquitetura neoclássica seguiu o modelo dos templos greco-romanos ou
o das edificações do Renascimento italiano. Exemplos dessa arquitetura
são a igreja de Santa Genoveva, transformada depois no Panteão
Nacional, em Paris, e a Porta do Brandemburgo, em Berlim. Os
edifícios proliferaram com abundancia na Europa, América Latina e
do Norte ( inclusive no Brasil ) e Rússia.

Pintura: Foi inspirada principalmente na escultura clássica grega e na


pintura renascentista italiana, sobretudo em Rafael, mestre inegável
do equilíbrio da composição.

Características da Pintura:
- Formalismo na composição, refletindo racionalismo dominante.
- Exatidão nos contornos.
- Harmonia do colorido.

Maiores representantes:
Jacques-Louis David, foi considerado o pintor da Revolução Francesa,
mais tarde tornou-se o pintor oficial do Império de Napoleão. Durante
governo do mesmo, registrou fatos históricos ligados à vida do
imperador. Suas obras geralmente expressam um vibrante realismo,
mas algumas delas exprimem fortes emoções.

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Obra destacada: Bonaparte atravessando os Alpes e Morte de
Marat.

Ingres, sua obra abrange, além de composição mitológica e literária,


nus, retratos e paisagens, mas a critica moderna vê nos retratos e nus o
seu trabalho mais admirável. Ingres soube registrar a fisionomia da
classe burguesa do seu tempo, principalmente no gosto pelo poder e na
sua confiança na individualidade.

Obra destacada: Banhista de Valpinçon.

No Brasil:Pedro Américo e Vitor Meirelles.

Para seu conhecimento:


a) Forte influência da arquitetura neoclássica foi a descoberta
arqueológica das cidades italianas de Pompéia e Herculano que, no ano
de 79 a.C., foram cobertas pelas lavas do vulcão Vesúvio. Diante
daquelas construções, num erro de interpretação, os historiadores de
arte acreditavam que os edifícios gregos eram recobertos com mármore
branco, ocasionando a construção de tantos edifícios brancos.
Exemplo: Casa Branca dos Estados Unidos.
b) As convenções técnicas e expressivas são as mesmas adotadas
em todos os paises, o que impede, dificulta ou mesmo desvirtuam a
afirmação de peculiaridades individuais e nacionais dos artistas.
c) Conteúdos: mitológicos, história sagrada e antiga, épicos.

ROMANTISMO:
O século XIX foi agitado por fortes mudanças sociais, políticas e
culturais causadas por acontecimentos do final do século XVIII, que
foram a Revolução Industrial que gerou novos inventos com objetivo
de solucionar os problemas técnicos decorrentes do aumento de
produção, provocando a divisão do trabalho e o inicio da especialização
da mão-de-obra, e pela Revolução Francesa que lutava por uma
sociedade mais harmônica, em que os direitos individuais fossem
respeitados, traduziu-se essa expectativa na Declaração dos Direitos do
Homem e do Cidadão. Do mesmo modo, a atividade artística tornou-se
complexa.
Os artistas românticos procuraram se libertar das convenções
acadêmicas em favor da livre expressão da personalidade do artista.

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Características gerais:
- A valorização dos sentimentos e da imaginação.
- O nacionalismo.
- A valorização da natureza como princípios da criação artística.
- Sentimentos do presente, tais como: liberdade, igualdade e
fraternidade.

Arquitetura e escultura: Registram pouca novidade. Observa-se,


grosso modo, a permanência do estilo anterior, o neoclássico. Vez por
outra retornou-se o estilo gótico da época medieval, gerando o
neogótico. Há um ecletismo: gótico para fachadas, barroco para
igrejas, clássico para museus e palácios.
Na escultura, inspiração helenística, domínio da massa.

Obra destacada: Edifício do parlamento Inglês.

Características da pintura:
- Aproximação das formas barrocas.
- Composição em diagonal sugerindo instabilidade e dinamismo ao
observador.
- Valorização das cores e do claro-escuro.
- Dramaticidade.
- Pinceladas espontâneas, vigorosas, pastosas, rugosidades,
asperezas.

Temas da pintura:
- Fatos reais da história nacional e contemporânea da vida dos
artistas.
- Natureza revelando um dinamismo equivalente as emoções
humanas.
- Mitologia Grega.

Principais artistas:
Goya, nasceu no pequeno povoado de Fuendetodos, Espanha, em
1746. Morreu em Bordeaux, em 1828. Goya e sua mitologia povoada
por sonhos e pesadelos, seres deformados, tons agressivos. Senhor
absoluto da caricatura do seu tempo. Trabalhou temas diversos:
retratos de personalidades da corte espanhola e de pessoas do povo, os
horrores da guerra, a ação incompreensível de monstros, cenas
históricas e as lutas pela liberdade.

41
Obra destacada: Os fuzilamentos de 3 de maio de 1808.

Turner, representou grandes movimentos da natureza, mas por meio


do estudo da luz que a natureza reflete, procurou descrever uma certa
atmosfera da paisagem . Uma das primeiras vezes que a arte registra a
presença da máquina (locomotiva).

Obras destacadas: Chuva, vapor e velocidade e o Grande Canal,


Veneza.

Delacroix, suas obras apresentam forte comprometimento político, e o


valor da pintura é assegurada pelo uso das cores, das luzes e das
sombras, dando-nos a sensação de grande movimentação.
Representava assuntos abstratos personificando-os.

Obras destacadas: A liberdade guiando o povo e Agitação de


Tanger.

Para seu conhecimento:


a) A palavra romantismo, designa uma maneira de se comportar,
de agir, de interpretar a realidade. O comportamento romântico
caracteriza-se pelo sonho, por uma atitude emotiva diante das coisas e
esse comportamento pode ocorrer em qualquer tempo da história.
b) Romantismo, designa uma tendência geral da vida da arte;
portanto nomeia um sistema, um estilo delimitado no tempo. Há uma
visão cientifica e dinamismo universa, restaura a liberdade individual,
representa a transformação e o sentimento de novas classes sociais,
elege-se o sentimento e a imaginação como fontes artísticas criadoras.

REALISMO:
Entre 1850 e 1900 surge nas artes européias, sobretudo na pintura
francesa, uma nova tendência estética chamada Realismo, que se
desenvolveu ao lado da crescente industrialização das sociedades. O
homem europeu, que tinha aprendido a utilizar o conhecimento
cientifico e a técnica para interpretar e dominar a natureza, convenceu-
se de que precisava ser realista, inclusive em suas criações artísticas,
deixando de lado as visões subjetivas e emotivas da realidade.

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Características gerais:
- O cientificismo.
- A valorização do objeto.
- O sóbrio e o minucioso.
- A expressão da realidade e dos aspectos descritivos.

Arquitetura: Os arquitetos e engenheiros procuram responder


adequadamente às novas necessidades urbanas, criadas pela
industrialização. As cidades não exigem mais novos palácios e templos.
Elas precisam de fábricas estações, ferrovias, armazéns, lojas,
bibliotecas, escolas, hospitais e moradias, tanto para os operários
quanto para a nova burguesia. É uma arquitetura racional, orgânica,
funcional. Usam se novos materiais: vidro, cimento, ferro, concreto.
Em 1889, Gustavo Eiffel, levanta em Paris a Torre Eiffel, hoje
logotipo da “cidade luz”.
Em Chicago, edifica-se o primeiro arranha-céu (Home Insurance
Bulldning).

Escultura:
Auguste Rodin, não se preocupou com a idealização da realidade. Ao
contrario, procurou recriar os seres tais como eles são. Além disso, os
escultores preferiam os temas contemporâneos, assumindo muitas vezes
uma intenção política em suas obras. Sua característica principal é a
fixação do momento significativo de um gesto humano.

Obras destacadas: Balzac, Os Burgueses de Calais, O Beijo e O


Pensador.
Características da pintura:
- Reapresentação da realidade com a mesma objetividade com que
um cientista estuda um fenômeno da natureza, ou seja o pintor buscava
representar o mundo de maneira documental.
- Ao artista, não cabe “melhorar” artisticamente a natureza, pois a
beleza está na realidade tal qual ela é.
- Revelação dos aspectos mais característicos e expressivos da
realidade.

Temas da pintura:
- Politização, a arte passa a ser um meio para denunciar uma ordem
social que consideram injustas; a arte manifesta um protesto em favor
dos oprimidos.

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- Pintura social denunciando as injustiças e a imensa desigualdade
entre a miséria dos trabalhadores e a opulência da burguesia. As
pessoas das classes menos favorecidas, o povo, em resumo, tornaram-se
assuntos freqüentes da pintura realista. Os artistas incorporavam a
rudeza, a fealdade, a vulgaridade dos tipos que pintavam, elevando
esses tipos à categorias de heróis, que nada tem a ver com os
idealizados heróis da pintura romântica.

Principais pintores:
Courbet, foi considerado o criador do realismo social na pintura, pois
procurou retratar em suas telas temas da vida cotidiana,
principalmente das classes populares. Manifesta sua simpatia
particular pelos trabalhadores e pelos homens mais pobres da
sociedade do século XIX.

Obra destacada: Moças peneirando o trigo.

Jean-François Millet, sensível observador da vida campestre, criou


uma obra realista na qual o principal elemento é a ligação atávica do
homem com a terra. Foi educado num meio de profunda religiosidade e
respeito pela natureza. Trabalhou na lavoura desde muito cedo. Seus
numerosos desenhos de paisagens influenciaram, mais tarde, Pissarro e
Van Gogh. É o caso, por exemplo, “Ângelus”.

Para seu conhecimento:


a) Courbet dizia: “Sou democrata, republicano, socialista, realista,
amigo da verdade e verdadeiro”.
b) A palavra realismo designa uma maneira de agir, de interpretar
a realidade. Esse comportamento caracteriza-se pela objetividade, por
uma atitude racional das coisas pode ocorrer em qualquer tempo da
história. O termo realismo significa um estilo de época que predominou
na segunda metade do século XIX.
c) O artista desse período é politizado, tem liberdade total de
criação e os maiores valores são considerados rebeldes, anti-acadênicos
e anti-românticos.
d) Formula-se o socialismo cientifico ou marxista com a
publicação do Manifesto em 1848, de autoria de Marx e Engels.

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MODERNISMO:
Corrente artística que surgiu na última década do século XIX na
Europa, como resposta as conseqüências da industrialização,
revalorizando a arte e sua forma de realização.
Com diferentes nomes e características próprias de cada país foi se
homogeneizando com as realizações das primeiras exposições
internacionais nas capitais européias.

São comuns as tendências modernistas:


a) Deliberação de fazer arte em conformidade com sua época e
renuncia a invocação de modelos clássicos.
b) Desejo de diminuir a distância entre as artes maiores (arquitetura,
pintura e escultura) e as aplicações aos diversos campos da
produção econômica (construção civil corrente, decoração vestuário e
etc).
c) Busca de uma funcionalidade decorativa.
d) A aspiração a um estilo ou linguagem internacional ou européia.
e) Esforço de interpretar a espiritualidade (ingenuidade, hipocrisia);
inspirar e redimir o industrialismo.

Alguns artistas e obras:


Auguste Rodin Damaide: Escultor francês, obras em “mármore”,
podemos encontrar algumas na Pinacoteca do Estado de São Paulo.

Gustav Klint: Pintor austríaco. “Sonia Knips”, 1895.

Edvard Munch: Pintor alemão. “Ansiedade”, 1894.

ARTE NOUVEAU:
O modernismo é uma corrente artística que surgiu na última
década do século XIX, como resposta às conseqüências da
industrialização, revalorizando a arte e sua forma de realização
manual. O nome deste movimento deve-se à loja que o alemão Samuel
Bing abriu em Paris no ano de 1895: “Art Nouveau”.
No resto da Europa difundiram-se diferentes traduções:
Modernismo, na Espanha; Jugendistil, na Alemanha; Secessão, na
Áustria; e Modern Style, na Inglaterra e Escócia.
Com características próprias em cada um desses paises, foram as
primeiras exposições internacionais organizadas nas capitais européias

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que contribuíram para forjar uma certa homogeneidade estilística. A
arquitetura foi a disciplina integral à qual se subordinaram as outras
artes gráficas e figurativas. Reafirmou-se o aspecto decorativo dos
objetos de uso cotidiano, mediante uma linguagem artística repleta de
curvas e arabescos, de acentuada influencia oriental.
Contrariamente à sua intenção inicial, o modernismo conseguiu a
adesão da alta burguesia, que apoiava entusiasticamente essa nova
estética de materiais exóticos e formas delicadas. O objetivo dos novos
desenhos reduziu-se meramente ao decorativo e seus temas, como que
surgidos de antigas lendas, não tinham nada em comum com as
propostas vanguardistas do inicio do século. O modernismo não teria
sido possível sem a subvenção de seus ricos mecenas.
Entre os precursores da arte modernista estava William Morris.
Seus desenhos, elaborados com espírito artesanal, se contrapunham à
produção industrial. Nos escritórios da empresa criada por ele, a
Morris & Co., eram determinadas as formas elegantes e sinuosas,
típicas do modernismo, bem como definidos os materiais nobres usados
na criação de objetos de uso cotidiano. Sua apresentação na exposição
de Bruxelas de 1892 produziu um grande impacto e determinou a
difusão desse novo estilo.

IMPRESSIONISMO:
Foi um movimento artístico que revolucionou profundamente a
pintura e deu inicio às grandes tendências da arte do século XX. Havia
algumas considerações gerais, muito mais praticas do que teóricas, que
os artistas seguiam em seus procedimentos técnicos para obter os
resultados que caracterizavam a pintura impressionista.

Principais características:
- A pintura deve registrar as tonalidades que os objetos adquirem ao
refletir a luz solar num determinado momento, pois as cores da
natureza se modificam constantemente, dependendo da incidência da
luz do sol.
- As figuras não devem ter contornos nítidos, pois a linha é uma
abstração do ser humano para representar imagens.
- As sombras devem ser luminosas e coloridas, tal como é a
impressão visual que nos causam, e não escuras ou pretas, como os
pintores costumavam representá-las no passado.

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- Os contrastes de luz e sombra devem ser obtidos de acordo, com a
lei das cores complementares. Assim um amarelo próximo a um violeta
produz uma impressão de luz e de sombra muito mais real do que o
claro-escuro tão valorizado pelos pintores barrocos.
- As cores e tonalidades não devem ser obtidas pela mistura das
tintas na paleta do pintor. Pelo contrario, devem ser puras e
dissociadas nos quadros em pequenas pinceladas. É o observador que,
ao admirar a pintura, combina as várias cores, obtendo o resultado
final. A mistura deixa portanto, de ser técnica para ser óptica.
São duas as fontes mais importantes do impressionismo: a
fotografia e as gravuras japonesas (ukiyo-e). A primeira alcançou o
auge em fins do século XIX e se revelava o método ideal de captação de
um determinado momento, o que era uma preocupação principalmente
para os impressionistas. A segunda, introduzida na França com a
reabertura dos portos japoneses ao Ocidente, propunha uma temática
urbana de acontecimentos cotidianos, realizados em pinturas planas,
sem perspectiva.
A primeira vez que o publico teve contato com a obra dos
impressionistas foi numa exposição coletiva realizada em Paris, em
abril de 1874. Mas o público e a critica reagiram muito mal ao novo
movimento, pois ainda se mantinham fiéis aos princípios acadêmicos da
pintura.

Principais artistas:
Claude Monet, incessante pesquisador da luz e seus efeitos, pintou
vários motivos em diversas horas do dia, a fim de estudar as mutações
coloridas do ambiente com sua luminosidade.

Obras destacadas: Mulheres no Jardim e a Catedral de Rouen em


pleno sol.

Auguste Renoir,foi o pintor impressionista que ganhou maior


popularidade e chegou mesmo a ter o reconhecimento da critica, ainda
em vida. Seus quadros manifestam otimismo, alegria e a intensa
movimentação da vida parisiense do fim do século XIX. Pintou o corpo
feminino com formas puras e isentas de erotismo e sensualidade,
preferia os nus ao ar livre, as composições com personagens do
cotidiano, os retratos e as naturezas mortas.

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Obras destacadas: Baile do Moulin de la Galette e La
Grenouilliere.

Edgar Degas, sua formação acadêmica e sua admiração por Ingres


fizeram com que valorizasse o desenho e não apenas a cor, que era a
grande paixão do impressionismo. Além disso, foi pintor de poucas
paisagens e cenas ao ar livre. Os ambientes de seus quadros são
interiores e a luz é artificial. Sua grande preocupação era flagrar um
instante da vida das pessoas, aprender um momento do movimento de
um corpo ou da expressão de um rosto. Adorava o teatro de bailados.

Obra Destacada: O ensaio.


Seurat, mestre do pontilhismo.

Obra destacada: Tarde de domingo na Ilha Grande Jatte.

No Brasil destacou-se o pintor Eliseu Visconti, ele já não se preocupa


mais em imitar modelos clássicos; procura, decididamente, registrar os
efeitos da luz solar nos objetivos e seres humanos que retrata em suas
telas. Ganhou uma viagem à Europa, onde teve contato com a obra dos
impressionistas. A influência que recebeu desses artistas foi tão grande
que ele é considerado o maior representante dessa tendência na pintura
brasileira.

Obras destacadas: Trigal e Maternidade.

Escultura:
As esculturas deste período também podem ser consideradas
impressionistas, já que de fato, os escultores tentaram uma nova
maneira de plasmar a realidade. É o tempo das esculturas inacabadas
de Rodin, inspiradas em Michelangelo, e dos esboços dinâmicos de
Carpeaux, com resquícios de Rococó. Tratava-se de desnudar o
coração da pedra para demonstrar o trabalho do artista, novo
personagem da estatuária.
A escultura do fim do século XIX tentou renovar totalmente sua
linguagem. Foram três os conceitos básicos dessa nova estatuária: a
fusão da luz e das sombras, a ambição de obter estátuas visíveis a
partir do maior número possível de ângulos e a obra inacabada, como
exemplo ideal do processo criativo do artista. Os temas das esculturas

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surgiram do ambiente cotidiano e da literatura clássica em voga na
época.
Rodin e Hildebrand foram em parte os responsáveis por essa nova
estatuaria, o primeiro com sua obra e o segundo com suas teorias.
Igualmente importantes foram as contribuições do escultor Carpeaux,
que retomou a vivacidade e a opulência do estilo rococó, mas
distribuindo com habilidade luzes e sombras. A aceitação de seus
esboços pelo público animou Carpeaux a deixar sem polimento a
superfície de suas obras, o que foi depois fundamental para as
esculturas inacabadas de Rodin.
Rodin considerava “O Escravo”, que Michelangelo não terminou ,
a obra em que a ação do escultor melhor se refletia. Por isso achou tão
interessantes os esboços de Carpeaux, começando então a exibir obras
inacabadas. Outros escultores foram Dalou e Meunier, a quem se deve
a revalorização dos temas populares. Operários, camponeses, mulheres
realizando atividades domésticas, todos faziam parte do novo álbum de
personagens da nova estética.

Para seu conhecimento:


- O quadro Mulher no Jardim, de Monet, foi pintado totalmente ao
ar livre e sempre com a luz do sol. São cenas do jardim da casa do
artista.
- O movimento impressionista foi idealizado nas reuniões com seus
principais pintores e elas aconteciam no estúdio fotográfico.

PÓS-IMPRESSIONISMO:
Designa um grupo de artistas que procuravam de varias maneiras
ampliar a linguagem visual. Os mais influente pós-impressionistas
foram Paul Gaugin, Paul Cézane e Van Gogh. Outros importantes
foram, entre outros, Henri Rousseau, Georges Seurat, e Henri de
Tourlouse-Lautrec. Todos franceses, com exceção de Van Gogh que era
holandês.
Influenciados pelos conhecimentos científicos sobre a refração da
luz, os neo-impressionistas criam o pontilhismo ou divisionismo. Os
tons são divididos em semitons e lançados na tela em pequeninos pontos
visíveis de perto, que se fundem na visão do espectador de acordo com
a distância em que se coloca. A preocupação em captar um instante dá
lugar ao interesse pela fixação das cenas obtida pela subdivisão das

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cores. Como resultado, elas tendem a exibir um caráter estático. Um
exemplo é Uma Tarde de Domingo na Ilha da Grande-Jatte, de Seurat.
Embora inicialmente ligado ao impressionismo, Cézanne
desenvolve uma pintura que será precursora do cubismo. Van Gogh
alia-se ao expressionismo, enquanto Gaugin dá ao impressionismo uma
dimensão simbólica que influência o simbolismo e o expressionismo.
Como Manet e os impressionistas, Cézanne não procurava contar
historias com seus quadros. Ao contrario dos impressionistas que
enfatizavam a luz, Cézanne enfatizava a forma e a massa. Ele dizia que
desejava “fazer do impressionismo algo sólido e duradouro como a arte
dos museus”. Sua procura de novos métodos de pintura levou-o a novas
maneiras de estruturar seus temas.
O gênio Cézanne para redistribuir as formas influenciou o
movimento cubista do inicio do século XX.
As pinturas de Paul Gauguin são altamente decorativas. Ele
enfatiza cores chapadas, desenhos vigorosos,, formas sem sombreado e
linhas curvas. Cézanne evitava retratar emoções em seus quadros.
Gauguin, porem, explorava sentimentos profundos mediante suas
pinturas, procurava constantemente a pureza e a simplicidade da vida.
Van Gogh desejava exprimir seus sentimentos mais íntimos
através da arte. Ele acreditava poder realizar esse anseio mediante o
uso de cores brilhantes e pinceladas violentas, aplicava suas tintas
diretamente sem misturá-las. Suas pinceladas parecem ondas
escapeladas de poderoso colorido. O resultado foi uma arte de
extraordinária intensidade.
Rousseau teve um dos estilos mais originais da história da arte. Ele
pintou cenas misteriosas e fantásticas que se parecem com as pinturas
surrealistas da década de 1920.
Georges Seurat criou um estilo de pintura chamado pontilhismo.
Estas pinturas são feitas de pontinhos de cores puras. A cor de cada
pontinho contrasta com a cor do pontinho do lado. De uma certa
distância, as diferentes cores misturam-se na visão dos observadores.
Lautrec pintava cenas da vida noturna dos cafés e das salas de
espetáculos de Paris.

Música:
As idéias do impressionismo são adotadas pela música por volta de
1890, na França. As obras se propõem a descrever imagens e várias
peças têm nomes ligados a paisagens, como Reflexos na Água, do

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compositor francês Claude Debussy (1862-1918), pioneiro do
movimento.
O impressionismo abandona a música tonal, estruturada a partir
da eleição de uma das 12 notas da escala (as sete básicas e os semitons),
como principal. Sustenta-se nas escalas modais (definidas a partir da
recombinação de um conjunto de notas eleito como básico para as
melodias de uma cultura) vindas do Oriente, da música popular
européia e da Idade Média.
A obra Debussy é marcada por sua proximidade com poetas do
simbolismo. Prelúdio para a Tarde de um Fauno, considerado marco
do impressionismo musical, ilustra um poema do simbolista Stéphane
Mallarmé. Na ópera, Debussy rejeita o formalismo e a linearidade,
como em Pelléas et Mélisande. Outro grande nome é o francês Maurice
Ravel (1875-1937), autor de A Valsa e Bolero.

No Brasil, nas artes plásticas há tendências impressionistas em


algumas obras de Eliseu Viscont (1866-1944), Georgina de
Albuquerque (1885-1962), Lucílio de Albuquerque (1877-1939) e João
Timóteo da Costa (1879-1930). Uma das telas de Visconti em que é
evidente essa influência é Esperança (Carrinho de Criança), de 1916 e
também nas primeiras telas de Anita Malfati, como O Farol, de 1915.

EXPRESSIONISMO:
É a arte do instinto, trata-se de uma pintura dramática, subjetiva,
“expressando” sentimentos humanos. Utilizando cores patéticas, dá
forma plástica ao amor, ao ciúme, ao medo, à solidão, à miséria
humana, à prostituição. Deforma-se a figura, para ressaltar o
sentimento. Predominância dos valores emocionais sobre os
intelectuais.
O expressionismo foi a primeira vanguarda artística do século XX
que utilizou a deformação da realidade para dar forma à visão
subjetiva do artista. Seus quadros foram os primeiros nos quais o
objeto representado se distancia totalmente do modelo original. O
termo expressionismo (com o sentido de retorcer, em alemão) foi
cunhado pelo galerista Georg Levin em 1912.

Principais características:
- Pesquisa no domínio psicológico.

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- Cores resplandecentes, vibrantes, fundidas ou separadas.
- Dinamismos improvisados, abruptos, inesperados.
- Pasta grossa, martelada, áspera.
- Técnica violenta: o pincel ou espátula vai e vem, fazendo e
refazendo, empastando ou provocando explosões.
- Preferência pelo patético, trágico e sombrio.

Observação: Alguns historiadores, determinam para esses pintores


o movimento “Pós Impressionista”, os pintores não queriam destruir os
efeitos impressionistas, mas sim levá-los mais longe: Gaugin, Cézanne e
Van Gogh, Também se destacam Toulouse-Latrec, Munch, Modigliani
e James Ensor.
. Os três primeiros pintores abaixo estão incluídos nessa designação.

Principais artistas:
Gaugin, depois de passar a infância no Peru, Gaugin voltou com os
pais para a França, mais precisamente para Orleans. Em 1887 entrou
para marinha e mais tarde trabalhou na bolsa de valores. Aos 35 anos
tomou a decisão mais importante de sua vida: dedicar-se totalmente à
pintura. Começou assim uma vida de viagens e boemia, que resultou
numa produção artística singular e determinante das vanguardas do
século XX. Sua obra, longe de poder ser enquadrada em algum
movimento, foi tão singular como a seus amigos Van Gogh ou Cézanne.
Apesar disso, é verdade que teve seguidores e que pode ser considerado
o fundador do Grupo Navis, que mais do que um conceito artístico,
representava uma forma de pensar a pintura como filosofia de vida.
Suas primeiras obras tentavam captar a simplicidade da vida no
campo, algo que ele consegue com a aplicação arbitrária das cores, em
oposição a qualquer naturalismo, como demonstra o seu famoso Cristo
Amarelo. As cores se entendem planas e puras sobre superfície, quase
decorativamente.
No ano de 1891, o pintor parte para o Taiti, em busca de novos
temas, para se libertar dos condicionamentos da Europa. Suas telas
surgem carregadas da iconografia exótica do lugar, e não faltam cenas
que mostram.
Um erotismo natural, fruto, segundo conhecidos do pintor, de sua
paixão pelas nativas. A cor adquire mais preponderância representada
pelos vermelhos intensos, amarelos, verdes e violetas. Quando voltou a
Paris, realizou uma exposição individual na galeria de Durand-Ruel,
voltou ao Taiti, mas fixou-se definitivamente na ilha Dominique.

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Obra destacada: Jovens Taitianas com Flores de Manga.

Cézanne, sua tendência foi converter os elementos naturais em figuras


geométricas, como cilindros, cones e esferas, acentua-se cada vez mais,
de tal forma que se torna impossível para ele recriar a realidade
segundo “impressões” captadas pelos sentidos.

Obras destacadas: Castelo de Médan e Madame Cézanne.

Vicent Van Gogh, empenhou profundamente em recriar a beleza


dos seres humanos e da natureza, através da cor, que era para ele o
elemento fundamental da pintura. Foi uma pessoa solitária. Interessou-
se pelo trabalho de Gaugin, principalmente pela decisão de simplificar
as formas dos seres, reduzir os efeitos de luz e usar zonas de cores bem
definidas. Em 1888, deixou Paris e foi para Arles, cidade do Sul da
França, onde passou a pintar ao ar livre. O sol intenso da região
mediterrânea interferiu em sua pintura, e ele libertou-se
completamente de qualquer naturalismo no emprego das cores,
declarando-se um colorista arbitrário. Apaixonou-se então pelas cores
intensas e puras, sem nenhuma matização, pois elas tinham para ele a
função de representar emoções. Entretanto ele passou por várias crises
nervosas e, depois de internações e tratamento médico, dirigiu-se, em
maio de 1890, para Anvers, uma cidade tranqüila ao norte da França.
Nessa época, em três meses apenas, pintou cerca de oitenta telas com
cores fortes e retorcidas. Em julho do mesmo ano, ele suicida-se,
deixando uma obra plástica composta de 879 pinturas, 1756 desenhos e
dez gravuras. Enquanto viveu não foi reconhecido pelo público nem
pelos críticos, que não souberam ver em sua obra os primeiros passos
em direção à arte moderna, nem compreender o esforço para libertar a
beleza dos seres por meio de uma explosão de cores.

Obras destacadas: Trigal com corvos e Café à Noite.

Toulouse-Lautrec, Pintava temas pertencentes à vida noturna de


Paris, e também foi responsável pelos cartazes dos artistas que se
apresentavam no Moulin Rouge. Boêmio, morreu jovem.

Obra destacada: Ivette Guilbert que saúda o público.

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Munch, foi um dos primeiros artistas do século XX que conseguiu
conceder às cores um valor simbólico e subjetivo, longe das
representações realistas. Seus quadros exerceram grande influência
nos artistas do grupo Die Brücke, que conheciam e admiravam sua
obra. Nascido em Loten, Noruega, em 1863, Munch iniciou sua
formação na cidade de Oslo, no ateliê do pintor Krogh. Realizou uma
viagem a Paris, na qual conheceu Gaugin, Toulouse-Lautrec e Van
Gogh. Em seu regresso, foi convidado a participar da exposição da
Associação de Berlim. Numa segunda viagem a Paris, começou a se
especializar em gravações e litografias, realizando trabalhos para a
Ópera. Em pouco tempo pôde se apresentar no Salão dos
Independentes. A partir de 1907, morou na Alemanha, onde além de
exposições, realizou cenários. Passou seus últimos anos em Oslo, na
Noruega. Uma de suas obras mais importantes é “O Grito”, 1889. È um
exemplo dos temas que sensibilizaram os artistas ligados a essa
tendência. Nela a figura humana não apresenta suas linhas reais, mas
contorce-se sob o efeito de suas emoções. As linhas sinuosas do céu e da
água, e a linha diagonal da ponte, conduzem o olhar do observador
para a boca da figura que se abre num grito perturbador. Perseguido
pela tragédia familiar, Munch foi um artista determinado a criar
“pessoas vivas, que respiram e sentem, sofrem e amam”. Recusou o
banal, as cenas interiores pacificas, comuns na sua época. A dor e o
trágico permeiam seus quadros.

Kirchner, foi um dos fundadores do grupo de pintura expressionista


Die Brücke, influenciado pelo cubismo e fauvismo, o pintor alemão deu
formas geométricas às cores e despojou-as de sua função decorativa por
meio de contrastes agressivos, com o fim de manifestar sua verdadeira
visão da realidade. Tendo concluído seus estudos de arquitetura na
cidade de Dresden, Kirchner continuou sua formação na cidade de
Munique.
Pouco tempo depois se reuniu com os pintores Heckel e Schmidt-
Rottluf em Berlim, com os quais, motivados pela leitura de Nietzche,
fundou o grupo Die Brücke (A Ponte, numa referencia à frase do
escritor: “...a ponte que conduz ao super homem”). Veio então a época
em que os pintores se reuniam numa casa de veraneio em Moritzburg e
se dedicavam apenas ao que mais lhes interessava: pintar. Dessa época
são os quadros mais ousados de paisagens e nus, bem como cenas
circenses e de variedades. Em 1914 Kirchner foi convocado para a
guerra, e um ano depois tentou o suicídio. Quando suas mãos se

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recuperaram do ferimento, voltou a pintar ao ar livre, em sua casa ao
pé dos Alpes. Quando finalmente sua contribuição para a arte alemã
foi reconhecida, foi renomeado membro da academia de Berlim, em
1931, para seis anos mais tarde, durante o nazismo, ver sua obra ser
destruída e desprestigiada pelos órgãos de censura, Kirchner tentou
mostrar em toda a sua produção pictórica uma realidade de pesadelo e
decadência.
Sensivelmente influenciado pelos desastres da guerra, seus quadros
se transformaram num amontoado neurótico de cores contrastantes e
agressivas, produto de uma profunda tristeza. No final de 1938 o pintor
pôs fim à própria vida. Suas obras mais importantes estão dispersas
pelos museus de arte moderna mais importante da Alemanha.

Paul Klee,considerado um dos artistas mais originais do movimento


expressionista. Convencido de que a realidade artística era totalmente
diferente da observada na natureza, este pintor dedicou-se durante
toda sua carreira a buscar o ponto de encontro entre realidade e
espírito. A exemplo de Kandinski, Klee estudou com o mestre Von
Stuck em Munique. Depois de uma viagem pela Itália, entrou em
contato com os pintores da Nova Associação de Artistas e finalmente
uniu-se ao grupo de artistas do Der Blaue Reiter.
Em 1912 viajou para Paris, onde se encontrou co Delaunay, que
seria de vital importância para suas obras posteriores. Klee escreveu:
“A cor, como a forma, pode expressar ritmo e movimento”. Mas a
grande descoberta ocorreria dois anos depois, em sua primeira viagem
a Tunis. As formas cúbicas da arquitetura e os graciosos arabescos na
terracota deixaram sua marca na obra do pintor. Iniciou uma fase de
grande produtividade, com quadros de caráter quase surrealista,
criados, segundo o pintor, em cima de “matéria e sonhos”. Entre eles
merecem ser mencionados: “Anatomia de Afrodite, Demônios, Flores
noturnas e Villa R”.
Depois de lutar durante dois anos na primeira guerra, Klee
juntou-se em 1924 ao grupo Die vier Blauen, mas antes apresentou suas
obras em Paris, na primeira exposição dos surrealistas. Paralelamente,
começou a trabalhar como professor em Dusseldorf e mais tarde na
escola da Bauhaus em Weimar. Em 1933, Klee emigrou para a Suíça.
Sua última exposição em vida aconteceu em Basiléia, em 1940. Além de
sua obra pictórica, Kee deixou vários trabalhos escritos que resumem
seu pensamento artístico.

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Amadeo Modigliani: iniciou sua formação como pintor no ateliê de
Micheli, em Livorno, sua cidade natal. Em 1902 entrou na academia de
Florença e um ano mais tarde na de Veneza. Três anos depois se
mudou para Paris, onde teve aulas na academia de Colarossi. Nessa
cidade travou conhecimento com os pintores Utrillo, Picasso e Braque.
Em 1908 participou do Salão dos Independentes e lá conheceu Juan
Gris e Brancusi. Produziu então suas primeiras esculturas motivadas
pelas peças de arte africana, chegadas a França das colônias. Esse
aspecto de máscara foi uma das constantes nos seus retratos e nus
sensuais. Modigliani teve em comum com os cubistas e expressionistas o
distanciamento das academias, a revalorização da cor e o estúdio das
formas puras. Sua visão tão subjetiva dos seres humanos e a
emotividade de suas cores o aproximam mais do reduzido grupo de
expressionistas franceses, composto por Rouault e Soutine. Apesar
disso, pode-se muito bem dizer que sua obra, elegante, recatada e ao
mesmo tempo misteriosa, pertence, juntamente com a dos mestres
Cézanne e Van Gogh, para citar alguns, à dos gênios solitários.

Grupos expressionistas:
O expressionismo vive seu auge a partir da fundação de dois
grupos alemães: o Die Brücke (A Ponte), em Dresden, que faz sua
primeira exposição em 1905 e dura até 1913; e o Der Blaue Reiter (O
Cavaleiro Azul), em Munique, ativo de 1911 a 1914. Os artistas do
primeiro grupo, como os alemães Ernst Kirchner, Emil Nolde, Karl
Schmidt – Rottluff e Max Pechstein, são mais agressivos e politizados.
Com cores quentes produzem cenas místicas e paisagens de atmosfera
pesada. Os do segundo grupo, entre eles o russo Vassili Kandinski
(Rússia), Frans Marc (Ale), August Macke, Paul Klee, Oskar
Kokoschka, Egon Schiele na Áustria, e Georges Rouault na França.
voltam se para a espiritualidade. Influenciados pelo cubismo e
futurismo. Sua visão totalmente pessoal e às vezes agressiva da
realidade, se formou mediante uma intensa deformação e abstração das
formas e uma acentuação de linhas e contornos. Suas descobertas
estilísticas foram decisivas para os movimentos plásticos, tanto
abstratos quanto figurativos, que surgiram mais adiante no século XX.
Uma das descobertas mais inovadoras foi a aplicação das teorias
musicais à composição Plástica.
Foram três as etapas que levaram o expressionismo ao
amadurecimento: o primeiro o período da arte naif, em que se
vislumbrou a importância da arte como meio de expressão dos

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sentimentos humanos; o segundo, denominado expressionismo puro,
cujo tema principal foi a abstração das formas; e finalmente, os
períodos anteriores e posteriores à I Guerra Mundial, nos quais atuou
como implacável critico da sociedade.
Na pintura, a principal característica foi a deformação da
realidade sob a óptica dos sentimentos. Não se preocupavam em imitar
o modelo da natureza ou o objeto real. Havia ainda uma realidade
ainda mais importante: “a da visão subjetiva do artista”.
Para o grupo Der Brüque(A Ponte), os temas centrais eram as
paisagens de policromia exarcebada e o corpo humano sintetizado em
poucas linhas. O que mais se destacaram em suas obras foram a
agressividade da cor e a falta de tranqüilidade das formas. Sua
preocupação era reformular os temas impressionistas.
Os artistas do Die Blaue Reiter (O Cavaleiro Azul), voltaram-se
para a espiritualidade, influenciados pelo cubismo e futurismo, usavam
as teorias musicais para conseguir composições de colorido harmonioso
e formas totalmente abstratas. Para os expressionistas vienenses, ao
contrario, o tema central era o resgate do feio como novo valor estético.
Com o expressionismo, conceitos como deformação da realidade,
expressividade da cor e abstração das formas passaram a ser os novos
princípios da arte. A escultura expressionista é escassa, e a arquitetura
é exclusivamente teórica. Contudo os princípios plásticos enunciados
pelo expressionismo marcarão a estética de todas as disciplinas
artísticas que vão surgir mais adiante.
Na América Latina, o expressionismo é principalmente uma via de
protesto político, no México os destaques são os muralistas como Diego
Rivera, David Siqueiros e Jose Clemente Orozco.
No Brasil: Nas artes plásticas, os artistas mais importantes são
Cândido Portinari, que retrata o êxodo do Nordeste, Anita Malfatti,
Lasar Segall e o gravurista Osvaldo Goeldi.
A última grande manifestação de protesto expressionista é o painel
Guernica, do espanhol Pablo Picasso. Retrata o bombardeio da cidade
basca de Guernica por aviões alemães durante a Guerra Civil
Espanhola. A obra mostra sua visão particular da angustia do ataque,
com a sobreposição de figuras, como um cavalo morrendo, uma mulher
presa em um edifício em chamas, uma mãe com uma criança morta e
uma lâmpada no plano central.

Cinema: os filmes produzidos na Alemanha após a I Guerra Mundial


são sombrios e pessimistas, com cenários fantasmagóricos, exagero na

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interpretação dos atores e nos contrastes de luz e sombra. A realidade é
distorcida para expressar conflitos interiores dos personagens. Um
exemplo é “O Gabinete do Doutor Caligari”, de Robert Wine (1881-
1938), que marca o surgimento do expressionismo no cinema alemão
em 1919.
Filmes como Nosferatu, de Friedrich Mumau (1889-1931), e
Metrópoles, de Fritz Lang (1890-1976), traduzem as angustias e as
frustrações do país em plena crise econômica e social. O nazismo, que
domina a Alemanha a partir de 1933, acaba com o cinema
expressionista. Passam a ser produzidos apenas filmes de propaganda
política e de entretenimento.

Literatura: O movimento é marcado por subjetividade do


escritor, análise minuciosa do subconsciente dos personagens e
metáforas exageradas ou grotescas. Em geral, a linguagem é direta,
com frases curtas. O estilo é abstrato, simbólico e associativo.
P irlandês James Joyce, o inglês T. S. Eliot (1888-1965), o tcheco
Franz Kafka e o austríaco Georg Trakl (1887-1914) estão entre os
principais autores que usam técnicas expressionistas.

Música: Intensidade de emoções e distanciamento do padrão estético


tradicional marcam o movimento na música. A partir de 1908, o termo
é usado para caracterizar a criação do compositor austríaco Arnold
Schoenberg (1874-1951), autor do método de composição dodecafônica.
Em 1912 compõe Pierrot Lunaire, que rompe definitivamente com o
romantismo. Schoenberg inova com uma música em que todos os 12
sons da escala de dó têm igual valor e podem ser dispostos em qualquer
ordem e critério do compositor.

Teatro: Com tendência para o extremo e o exagero, as peças são


combativas na defesa de transformações sociais. O enredo é muitas
vezes metafórico, com tramas bem construídas e lógicas. Em cena há
atmosfera de sonho e pesadelo e os atores se movimentam como robôs.
Foi na peça expressionista R.U.R., do tcheco Karel Capek (1890-1938),
que se criou a palavra robô.
Muitas vezes gravações de monólogos são ouvidas paralelamente à
encenação para mostrar a realidade interna de um personagem.
A primeira peça expressionista é A estrada de Damasco (1898-
1904), do Sueco August Strindberg (1849-1912). Entre os principais
dramaturgos estão ainda os alemães Georg Kaiser (1878-1945) e Carl

58
Stemnheim (1878-1942) e o norte americano Eugene O’Neill (1888-
1953).

FOVISMO:
Primeiro movimento artístico importante do século XX, brilhou
como grupo de 1903 a 1907, aproximadamente, mas seu estilo influiu
enormemente sobre muitos artistas posteriores. O movimento foi
liderado por Henri Matisse, outros importantes fauvistas foram André
Derain, Raoul Dufy, Georges Rouault e Maurice de Vlaminck, todos
franceses.
Em 1905 em Paris, no Salão de Outono, alguns artistas foram
chamados de fauves (em português = feras), em virtude da intensidade
com que usavam as cores puras, sem misturá-las ou matizá-las. Quem
lhes deu este nome foi o critico Louis Vauxcelles,pois estavam exposto
um conjunto de pinturas modernas ao lado de uma estatueta
renascentista.
Os fauvistas não se preocuparam em expressar motivos morais,
filosóficos ou psicológicos. A maioria deles, inclusive Matisse, queria
fazer quadros que trouxessem bem-estar, alegria e prazer. Usavam
cores puras intensamente brilhantes e até pintaram objetos em cores
muito diferentes de seu colorido natural.
Como por exemplo, para um fauvista o tronco de uma árvore não
precisava ser marrom, poderia ser de um vermelho brilhante, roxo ou
qualquer outra cor.

Os princípios deste movimento artístico eram:


- Criar, em arte, não tem relação com o intelecto e nem com
sentimentos.
- Criar é seguir os impulsos do instinto, as sensações primárias.
- A cor pura deve ser exaltada.
- As linhas e as cores devem nascer impulsivamente e traduzir as
sensações elementares, no mesmo estado de graça das crianças e dos
selvagens.

Características da pintura:
- Pincelada violenta, espontânea e definitiva.
- Ausência de ar livre.
- Colorido brutal, pretendendo a sensação física da cor que é
subjetiva, não correspondendo à realidade.
- Uso exclusivo das cores puras, como saem das bisnagas.

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- Pintura por manchas largas, formando grandes planos.

Principais artistas:
Maurice de Vlaminck, (1876-1958), pintor francês, foi o mais
autêntico fauvista, dizia: “Quero incendiar a Escola de Belas Artes com
meus vermelhos e azuis.” Adotou mais tarde estilo entre expressionista
e realista.

André Derain, (1880-1954), pintor francês, dizia: “As cores chegaram


a ser para nós cartuchos de dinamite.” Por volta de 1900, ligou-se a
Maurice de Vlaminck e Matisse, com os quais se tornou um dos
principais pintores fovistas. Nessa fase, pintou figuras e paisagens em
brilhantes cores chapadas, recorrendo a traços impulsivos e a
pinceladas descontinuas para obter suas composições espontâneas.
Após romper com o fovismo, em 1908, sofreu influencias de Cézanne e
depois do Cubismo. Na década de 1920, seus nus, retratos e naturezas-
mortas haviam adquirido uma entonação neoclássica, com o gradual
desaparecimento da gestualidade espontânea das primeiras obras. Seu
estilo, desde então, não mudou.

Henri Matisse, (1869-1954), pintor francês, nas suas pinturas ele não
se preocupa com o realismo, tanto das figuras como das cores. O que
interessa é a composição e não as figuras em si, como de pessoas ou de
naturezas-mortas. Abandonou assim a perspectiva, as técnicas do
desenho e o efeito de claro-escuro para tratar a cor como valor em si
mesma. Dos pintores fovistas, que exploravam o sensualismo das cores
fortes, ele foi o único a evoluir para o equilíbrio entre a cor e o traço em
composição planas, sem profundidade. Foi, também, escultor,
ilustrador e litógrafo.

Raoul Dufy, (1877-1953), pintor, gravador e decorador francês.


Contrastes tonais e a geometrização da forma caracterizam sua obra.
Impressionista a principio, evoluiu gradativamente para o fovismo,
depois de travar contato com Matisse. Morreu um ano depois de
receber o prêmio de pintura da bienal de Veneza.

CUBISMO:

60
Historicamente o Cubismo originou-se da obra de Cézanne, pois
para ele a pintura deveria tratar as formas da natureza como se fossem
cones, esferas e cilindros. Entretanto, os cubistas foram mais longe do
que Cézanne. Passaram a representar os objetos com todas as suas
partes num mesmo plano. È como se eles estivessem abertos e
apresentassem todos os seus lados no plano frontal em relação ao
espectador. Na verdade, essa atitude de decompor os objetos não tinha
nenhum compromisso de fidelidade com a aparência real das coisas.
O pintor cubista tenta representar os objetos em tre dimensões,
numa superfície plana, sob formas geométricas, com o predomínio de
linhas retas. Não representa, mas sugere a estrutura dos corpos ou
objetos. Representa-os como se movimentassem em torno deles, vendo-
os sob todos os ângulos visuais, por cima e por baixo, percebendo todos
os planos e volumes.

Principais características:
- Geometrização das formas e volumes.
- Renuncia à perspectiva.
- O claro-escuro, perde sua função.
- Representação do volume colorido sobre superfície planas.
- Sensação de pintura escultórica.
- Cores austeras, do branco ao negro passando pelo cinza, por um
ocre apagado ou um castanho suave.

O Cubismo se divide em duas fases:

CUBISMO ANALITICO: caracterizado pela desestruturação da obra


em todos os seus elementos. Decompondo-a em partes, o artista registra
todos os seus elementos em planos sucessivos e superpostos,
procurando a visão total da figura, examinando-a em todos os ângulos
no mesmo instante, através de sua fragmentação. Essa fragmentação
dos seres foi tão grande, que se tornou impossível o reconhecimento de
qualquer figura nas pinturas cubistas.

CUBISMO SINTÉTICO: reagindo à excessiva fragmentação dos


objetos e à destruição de sua estrutura. Basicamente, essa tendência
procurou tornar as figuras novamente reconhecíveis. Também
chamado de colagem porque introduz letras, palavras, números,
pedaços de madeira, vidro, metal e até objetos inteiros nas pinturas.
Essa inovação pode ser explicada pela intenção dos artistas em criar

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efeitos plásticos e de ultrapassar os limites das sensações visuais que a
pintura sugere, despertando também no observador as sensações táteis.

Principais artistas:
Pablo Picasso, tendo vivido 92 anos e pintado desde muito jovem até
próximo à sua morte passou por diversas fases. Entretanto, são mais
nítidas as fases: azul que representa a tristeza e a melancolia dos mais
pobres, e a fase rosa em que pinta acrobatas e arlequins. Depois de
descobrir a arte africana e compreender que o artista negro não pinta
ou esculpi de acordo com as tendências de determinados movimentos
estéticos, mas com uma liberdade muito maior. Picasso desenvolveu
uma verdadeira revolução na arte. Em 1907, com a obra Lês
Demoiselles d’Avignon, começa a elaborar a estética cubista que, como
vimos anteriormente, se fundamenta na destruição de harmonia
clássica das figuras e na decomposição da realidade.
Podemos destacar, também o mural Guernica, que representa,
com veemente indignação, o bombardeio da cidade espanhola de
Guernica, responsável pela morte de grande parte da população civil
formada por crianças, mulheres e trabalhadores, durante a Guerra
Espanhola.
“A obra de um artista é uma espécie de diário. Quando o pintor,
por ocasião de uma mostra, vê algumas de suas telas antigas
novamente, é como se ele estivesse reencontrando filhos pródigos, só
que vistos com túnica de ouro.” Pablo Picasso
“A arte não é a verdade. A arte é uma mentira que nos ensina a
compreender a verdade.” Pablo Picasso

Braque, um artista que passou pela fase do cubismo analítico e


sintético.

O cubismo manifesta-se ainda na arquitetura, especialmente na


obra de Corbusier, e na escultura. No teatro, restringe-se à pintura de
cenários de peças e balés feitos por Picasso.

Literatura, os princípios do cubismo aparecem na poesia. A


linguagem é demonstrada em busca da simplicidade e do que é
essencial para a expressão. O resultado são palavras soltas, escritas na
vertical, sem a continuidade tradicional. O expoente é o francês
Guillaume Apollinaire (1880-1918), que influencia toda a poesia

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contemporânea. Ao dispor versos em linhas curvas, torna-se precursor
do concretismo.

Cubismo no Brasil:
Só repercute no país, após a semana de arte moderna de 1922.
Pintar como os cubistas é considerado apenas um exercício técnico. Não
há portanto, cubistas brasileiros, embora quase todos os modernistas
sejam influenciados pelo movimento. É o caso de Tarsila do Amaral,
Anita Malfati e Di Cavalcanti.

Destacam-se:
Tarsila do Amaral: apesar de não ter exposto na semana de 22,
colaborou decisivamente para o desenvolvimento da arte moderna
brasileira, pois produziu uma obra indicadora de novos rumos. Em
1928 deu inicio a uma fase chamada antropofágica. A ela pertence a
tela Abaporu, cujo nome, segundo a artista é de origem indígena e
significa “antropófago”. Também usou de temática social nos seus
quadros como na tela Operários.

Rego Monteiro: um dos primeiros artistas brasileiros a realizar uma


obra dentro da estética cubista. Estudou em Paris, depois da Semana
de Arte Moderna, sua vida alternou-se entre a França e o Brasil. Foi
reconhecido também naquele país, tem seus quadros dentro de alguns
importantes museus.

Obra destacada: Pietá.

FUTURISMO:
Movimento artístico, de grande repercussão social, que ocorreu na
Itália de 1909 a 1916. Seus princípios foram ponto de partida para a
modernização da cultura italiana. Em 20/02/1909, o jornal parisiense
“Le Figaro”, publicou o primeiro manifesto futurista, assinado pelo
poeta italiano Filippo Tomaso Marinetti, suas bases eram totalmente
revolucionarias, e ele foi o primeiro grito exigindo uma arte
contemporânea.
O poeta propunha a destruição de um mundo representado pelo
governo, academias de arte e Vaticano, para fazer a sociedade italiana
despertar para a modernidade. Seu programa político, abordava o

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divorcio, a destruição das riquezas e a igualdade entre o homem e a
mulher, também defendia a guerra como único meio de mudar um
mundo antiquado e decadente, e o militarismo como revalorização do
sentido de pátria.
Marinetti contou com apoio incondicional de jovens pintores
italianos do inicio do século, como: Balla, Boccioni, Carrà, Russolo e
Severini; que também cheios de entusiasmos revolucionários,
redigiram seus próprios manifestos, nos quais assentavam as bases do
que viria a ser a arte futurista: “a maquina como única expressão do
dinamismo e a velocidade como novo sinal dos tempos”.
O arquiteto Sant’Elia, também se uniu a essa corrente, teorizando
sobre uma arquitetura caduca e transitória, que não sobrevivesse ao
homem. O verdadeiro desafio para os futuristas foi encontrar um estilo
que não tivesse nada em comum com as formas de arte tradicionais,
nos quais as formas se repetiam, amontoando-se umas sobre as outras,
para transmitir uma sensação de movimento continuo.
Em linhas gerais, os futuristas tentaram plasmar em suas pinturas
a idéia de dinamismo, entendido como a deformação e
desmaterialização por que passam os objetos e o espaço quando ocorre
a ação. Parece simples. Mas não é; os futuristas, que tão bem souberam
expressar suas teorias nos manifestos, tiveram muito trabalho ao
materializar sem cair nas antigas representações artísticas que tanto
abominavam.
Uma de suas propostas foi a divisão da cor. É mais do que sabido
que, qualquer objeto em movimento, é visto pelo observador como uma
sucessão de linhas coloridas fugazes. Esta teoria pode parecer familiar
quando se pensa nos esforços que os impressionistas fizeram para
captar a luz ou as cores num momento determinado. Mas é exatamente
ai que está a diferença na preposição dos futuristas.
“...é que os futuristas aspiram à captação de um instante preciso na
tela, sem a soma de momentos que, em conjunto, constroem a ação.
Além disso como um objeto em movimento também perde a sua forma
original, é necessário fragmentar volumes e linhas. Não bastasse isso os
futuristas, ousaram ainda mais. Repetiram essas fragmentações até
saturar o plano, com o que conseguiram alcançar um de seus maiores
objetivos: a simultaneidade.”
Diante das obras futuristas, o espectador, o estático, só consegue se
deixar envolver por essas telas velozes e movediças, que, mais do que
um prazer visual, transmitem a sensação de vertigem dos novos
tempos. O pintor Boccioni, um dos maiores expoentes do movimento,

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fez suas incursões pela escultura, aprofundando a busca do dinamismo,
embora se possa afirmar sem dúvida que, nas artes plásticas, o
futurismo foi uma arte eminentemente pictórica.
O futurismo é a concretização desta pesquisa no espaço
bidimensional. Procura-se neste estilo expressar o movimento real,
registrando a velocidade descrita pelas figuras em movimento no
espaço. O artista futurista não está interessado em pintar um
automóvel, mas captar a forma plástica a velocidade descrita por ele no
espaço.

Principais artistas:
Giacomo Balla, em sua obra o pintor italiano tentou endeusar os novos
avanços científicos e tecnológicos por meio de representações
totalmente desnaturalizadas, embora sem chegar a uma total
abstração. Mesmo assim, mostrou grande preocupação com o
dinamismo das formas, com a situação da luz e a integração do aspecto
cromático. A formação acadêmica de Balla restringiu-se a um curso
noturno de desenho de dois meses de duração, na Academia Albertina
de Turim, sua cidade natal. Em 1895 o pintor mudou-se para Roma,
onde apresentou regularmente suas primeiras obras em todas as
exposições da Sociedade dos Amadores e Cultores das Belas Artes.
Cinco anos mais tarde fez uma viagem a Paris, onde entrou em contato
com a obra dos impressionistas e neo-impressionistas e participou de
várias exposições. Na volta a Roma, conheceu Marinetti, Boccioni e
Severini. Um ano mais tarde, juntava-se a eles para assinar o Manifesto
Técnico da Pintura Futurista. Preocupado, como seus companheiros,
em encontrar uma maneira de visualizar as teorias do movimento,
apresentou em 1912 seu primeiro quadro futurista, intitulado: “Cão na
coleira ou Cão atrelado”. Dissolvido o movimento, Balla retornou às
suas pinturas realistas e se voltou para a escultura e a cenografia.
Embora em principio Balla continuasse influenciado pelos divisionistas,
não demorou a encontrar uma maneira de se ajustar à nova linguagem
do movimento a que pertencia. Um recurso dos mais originais que ele
usou para representar o dinamismo foi a simultaneidade, ou
desintegração das formas, numa repetição quase infinita, que permita
ao observador captar de uma só vez todas as seqüências do movimento.

Carlo Carra, (1881-1966), junto com Giorgio De Chirico, ele se


separaria finalmente do futurismo para se dedicar àquilo que eles
próprios dariam o nome de Pintura Metafísica. Enquanto ganhava seu

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sustento como pintor-decorador, freqüentava as aulas de pintura na
Academia Brera, em Milão. Em 1900 fez uma primeira viagem a Paris,
contratado para a decoração da Exposição Mundial. De lá se mudou
para Londres. Ao voltar, retornou as aulas na Academia Brera e
conheceu Boccioni e o poeta Marinetti. Um ano mais tarde assinou o
Primeiro Manifesto Futurista, redigido pelo poeta italiano e publicado
no jornal Le Figaro. Nessa época iniciou seus primeiros estudos e
esboços de Ritmo dos Objetos e Trens, por definição por definição suas
obras mais futuristas.
Numa segunda viagem a Paris entrou em contato com Apollinaire,
Modigliani e Picasso. A partir desse momento começaram a aparecer
as referências cubistas em suas obras. Carra não deixou de comparecer
às exposições futuristas de Paris, Londres e Berlim, mas já em 1915
separou-se definitivamente do grupo. Juntou-se a Giorgio De Chirico e
realizou sua primeira pintura metafísica. Em suas últimas obras
retornou ao Cubismo. Publicou vários trabalhos, entre eles “La Pittura
Metafísica, 1919 e La Mia Vita, 1943”. Pintor italiano, representante do
futurismo e mais tarde da pintura metafísica, influenciou a arte de seu
país nas décadas de 1920 e 1930.

Umberto Boccioni, (1882-1916), sua obra se manteve sob a


influencia do cubismo, mas incorporando os conceitos de dinamismo e
simultaneidade: formas e espaços que se movem ao mesmo tempo e em
direções contrarias. Nascido em Reggio di Calábria, Boccioni mudou-
0se ainda muito jovem para Roma, onde estudou em diferentes
academias. Logo fez amizade com os pintores Balla e Severini. No inicio
mostrou-se interessado na pintura impressionista, principalmente na
obra de Cézanne. Fez então algumas viagens a Paris, São Petesburgo e
Milão. Ao voltar, entrou em contato com Carra e Marinetti e um ano
depois se encontrava entre os autores do Manifesto Futurista de
Pintura, do qual foi um dos principais teóricos. Foi com a intenção de
procurar as bases dessa estética que ele viajou a Paris, onde se
encontrou com Picasso e Braque. Ao retornar, publicou o Manifesto
Técnico da Pintura Futurista, no qual foram registrados os princípios
teóricos da arte futurista: condenação do passado, desprezo pela
representação naturalista, indiferença em relação aos críticos de arte e
rejeição dos conceitos de harmonia e bom gosto aplicados a pintura.
Em 1912, participou da primeira exposição futurista, Suas obras ainda
deixavam transparecer a preocupação do artista com os conceitos
propostos pelo Cubismo. Os retratos deformados pelas superposições

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de planos ainda não conseguiam expressar com clareza sua concepção
teórica. Um ano mais tarde, com sua obra “Dinamismo de um jogador
de futebol”, Boccioni conseguiu finalmente fazer a representação do
movimento por meio de cores e planos desordenados, como num
pseudofotograma. Durante a Primeira Guerra Mundial, o pintor se
alistou como voluntário e ao voltar publicou o livro “Pittura, Scultura
Futurista, Dinâmico Plástico” (Pintura, escultura Futurista,
Dinamismo Plástico). Morreu dois anos depois, em 1916, na cidade de
Verona.

ARTE NAIF:
É a arte da espontaneidade, da criatividade autêntica, do fazer
artístico sem escola nem orientação, portanto é instintiva e onde o
artista expande seu universo particular. Claro que, como numa arte
mais intelectualizada, existem os realmente marcantes e outros nem
tanto.
Art naif (arte ingênua) é o estilo a que pertence a pintura de
artistas sem formação sistemática. Trata-se de um tipo de expressão
que não se enquadra nos moldes acadêmicos, nem nas tendências
modernistas, nem tampouco no conceito de arte popular.
Esse isolamento situa o art naif numa faixa próxima à da arte
infantil, da arte do doente mental e da arte primitiva, sem que, no
entanto, se confunda com elas.
Assim, o artista naif é marcadamente individualista em suas
manifestações mais puras, muito embora, mesmo nesses casos, seja
quase sempre possível descobrir-lhes a fonte de inspiração na
iconografia popular das ilustrações dos velhos livros, das folhinhas
suburbanas ou das imagens de santos. Não se trata, portanto, de uma
criação totalmente subjetiva, sem nenhuma referencia cultural.
O artista naif não se preocupa em preservar as proporções
naturais nem os dados anatômicos corretos das figuras que representa.
Características gerais:
- Composições planas, bidimensionais, tende à simetria e a linha é
sempre figurativa.
- Não existe perspectiva geométrica linear.
- Pinceladas contidas com muitas cores.

Principal artista:

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Henri Rousseau, (1844-1910), homem de pouca instrução
geral e quase nenhuma em pintura. Em sua primeira exposição foi
acusado pela critica de ignorar regras elementares de desenho,
composição e perspectiva, e de empregar as cores de modo arbitrário.
Estreou com uma original obra-prima, “Um dia de carnaval”, no Salão
dos Independentes. Criou exóticas paisagens de selva que lembram
tramas de sonho e parecem motivadas pelos sentimentos mais puros.
Nos primeiros anos do século XX, após despertar a admiração de
Alfred Jarry, Guillaume Apollinaire, Pablo Picasso, Robert Delaunay e
outros intelectuais e artistas, seu trabalho foi reconhecido em Paris e
posteriormente influenciou o surrealismo.

PINTURA METAFÍSICA:
A pintura deve criar uma impressão de mistério através de
associações pouco comuns de objetos totalmente imprevistos, em
arcadas e arquiteturas puras, idealizadas, muitas vezes com a inclusão
de estátuas, manequins, frutas, legumes, numa transfiguração toda
especial, em curiosas perspectivas divergentes. A pintura metafísica
explora os efeitos de luzes misteriosas, sombras sedutoras e cores ricas
e profundas, de plástica despojada e escultural. Tem inspiração na
Metafísica, ciência que estuda tudo quanto se manifesta de maneira
sobrenatural.

Principais artistas:
Giorgio De Chirico, (1888-1964), pintor italiano, nascido na Grécia,
principal representante da pintura metafísica, De Chirico, constitui um
caso singular: puçás vezes um artista alcançou tão rapidamente a fama
para em seguida renegar o estilo que o celebrizara e cair em um
esquecimento quase absoluto.
As suas obras retratam cenários arquitetônicos, solitários, irreais e
enigmáticos, onde colocava objetos heterogêneos para revelar um
mundo onírico e subconsciente, perpassado de inquietações
metafísicas. Também usada nas suas obras “manequins, nus ou
vestidos à moda clássica, enigmáticos e sem rosto”, que precisam
simbolizar a estranheza do ser humano diante do seu meio ambiente.

Giorgio Morandi, (1890-1964), pintor italiano. Notável por suas


naturezas-mortas em que buscava a unidade das coisas do universo.
Conferiu imobilidade e transparência de formas recorte intimista e

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atmosfera de luz cinza-clara, às naturezas-mortas que pintou usando
como modelos frascos, garrafas,caixas e lâmpadas velhas.

DADAÍSMO:
Formado em 1916 em Zurique por jovens franceses e alemães que,
se tivessem permanecido em seus respectivos países, teriam sido
convocados para o serviço militar, o Dada foi um movimento de
negação. Durante a Primeira Guerra Mundial, artistas de várias
nacionalidades, exilados na Suíça, eram contrários ao envolvimento dos
seus próprios países na guerra.
Fundaram um movimento literário para expressar suas decepções
em relação a incapacidade da ciências, religião, filosofia que se
revelaram pouco eficazes em evitar as destruição da Europa. A palavra
Dada foi descoberta acidentalmente por Hugo Ball e por Tzara Tristan,
num dicionário alemão-francês. Dada é uma palavra francesa que
significa na linguagem infantil “cavalo de pau”. Esse nome escolhido
não fazia sentido, assim como a arte que perdera todo o sentido diante
da irracionalidade da guerra.
Sua proposta é que a arte ficasse solta das amarras racionalistas e
fosse apenas o resultado do automatismo psíquico, selecionado e
combinando elementos por acaso. Sendo a negação total da cultura, o
Dadaísmo defende o absurdo, a incoerência, a desordem, o caos.
Politicamente, firma-se como um protesto contra uma civilização que
não conseguiria evitar a guerra. O fim do Dada como atividade de
grupo ocorreu por volta de 1921.

Principais artistas:
Marcel Duchamp, (1887-1968), pintor e escultor francês, sua arte
abriu caminho para movimentos como a pop art e a op art das décadas
de 1950 e 1960. Reinterpretou o cubismo a sua maneira, interessando-
se pelo movimento das formas.
O experimentalismo e a provocação o conduziram a idéias radicais
em arte, antes do surgimento do grupo Dada (Zurique,1916). Criou os
ready-mades, objetos escolhidos ao acaso, e que, após leve intervenção e
receberam um titulo, adquiriram a condição de objeto de arte.
Em 1917 foi rejeitado ao enviar a uma mostra um urinol de louça
que chamou de “Fonte”. Depois fez interferências (pintou bigodes na
Monalisa, para demonstrar seu desprezo pela arte tradicional),
inventou mecanismos ópticos.

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François Picabia, (1879-1953), pintor e escritor francês.
Envolveu-se sucessivamente com os principais movimentos estéticos do
inicio do século XX, como cubismo, surrealismo e dadaísmo. Colaborou
com Tristan Tzara na revista Dada.
Suas primeiras pinturas cubistas, eram mais próximas de Léger do
que de Picasso, são exuberantes nas cores e sugerem formas metálicas
que se encaixam umas nas outras. Formas e cores tornaram-se a seguir
mais discretas, até que por volta de 1916 o artista se concentrou nos
engenhos mecânicos do dadaísmo, de índole satírica. Depois de 1927,
abandonou a abstração pura que praticava por anos e criou pinturas
baseadas na figura humana, com a superposição de formas lineares e
transparentes.

Max Ernest, (1891-1976), pintor alemão, adepto do irracional e do


onírico e do inconsciente, esteve envolvido em outros movimentos
artísticos, criando técnicas em pintura e escultura. No Dadaísmo
contribuiu com colagens e fotomontagens, composições que sugerem a
múltipla identidade dos objetos por ele escolhidos para tema. Inventou
técnicas como a decalcomania e o frottage que consiste em aplicar uma
folha de papel sobre uma superfície rigorosa, como a madeira de veios
salientes, e esfregar um lápis de cor ou grafite, de modo que o papel
adquira o aspecto da superfície posta debaixo dele.

ABSTRACIONISMO:
A arte abstrata tende a suprimir toda a relação entre a realidade e
o quadro, entre as linhas e os planos, as cores e a significação que esses
elementos podem sugerir ao espírito. Quando a significação de um
quadro depende especialmente da cor e da forma, quando o pintor
rompe os últimos laços que ligam a sua obra à realidade visível, ela
passa a ser abstrata.
O abstracionismo apresenta várias fases, desde a mais sensível até
a intelectualidade máxima.
Informalismo: predominam os sentimentos e emoções. As cores e as
formas são criadas livremente. Na Alemanha surge o movimento
denominado “Der Blaue Reiter” (O cavaleiro azul) cujo fundadores são
Kandinsky e Frans Marc, entre outros.
O pintor russo Kandinski foi o primeiro artista propriamente
abstrato.

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Uma arte abstrata que coloca na cor e forma a sua expressividade
maior. Estes artistas se aprofundam em pesquisas cromáticas,
conseguindo variações espaciais e formais na pintura, através das
tonalidades e matizes obtidos. Eles querem um expressionismo
abstrato, sensível e emotivo.
Com a forma, a cor e a linha, o artista é livre para expressar seus
sentimentos interiores, sem relacioná-los a lembrança do mundo
interior. Estes elementos da composição devem ter uma unidade de
harmonia tal qual uma obra musical.
O fato de os artistas mais representativos da arte moderna
européia terem se mudado para os Estados Unidos, durante a Segunda
Guerra Mundial, foi muito significativo para a difusão da arte
abstrata. Muitos deles, convidados pelas universidades, deixaram
entusiasmados os jovens artistas americanos, lá se fundou a American
Abstracts Artists, precursora da vanguarda expressionista abstrata.
Donos de galerias e colecionadores apoiaram o desenvolvimento dessas
novas tendências e gerou-se um mercado do artístico dinâmico.
A arte abstrata encontrou finalmente seu lugar nas galerias e
coleções de uma sociedade moderna e pujante, principalmente depois
de superada a crise da depressão dos anos 30. Enquanto isso, a Europa
do pós-guerra retomou a s tendências abstratas, mas agora sob a
ideologia das novas filosofias existencialistas, que entendiam a atuação
do artista como um compromisso vital com uma sociedade devastada e
desolada pelo terror e pela violência.

Pintura:
De um lado a pintura abstrata lírica, de conteúdo simbólico e
gestual, com uma atitude totalmente animista e subjetiva diante da
obra, que parte de Kandinski, e evolui na obra dos expressionistas
americanos: Pollock, Kline, De Kooning e Motherwell, entre outros.
Também estão nesta categoria as vanguardas do pós-guerra europeu,
como o informalismo, representado por Fautrier, Duhuffet e Millares, e
mais tarde por Bacon, ou o grupo Dau al Set, no qual se inclui o pintor
Tapies.
De outro lado, desenvolve-se a pintura abstrata geométrica,
totalmente independente da visão subjetiva, que a partir do cubismo
evolui para um racionalismo matemático, representado pelas formas e
cores puras. É o caso dos neoplásticos da Holanda, como Mondrian ou
Van Doesburg, o suprematismo de Malevitch e o cosntrutivismo russo.
Também devem ser encluidas aqui as obras de Vsarely e Cruz-Diez.

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Principais artistas:
Wassilly Kandinsky, (1866-1944), pintor russo, antes do abstracionismo
participou de vários movimentos artísticos como impressionismo,
atravessou uma curta fase fauve e expressionismo.Escreveu livros como
em 1911. Sobre o espiritual na arte, em que procurou apontar
correspondências simbólicas entre os impulsos interiores e a linguagem
das formas e cores, e em 1926. Do ponto e da linha até a superfície,
explicação mais técnica da construção e inventividade da sua arte.
Dezenas de suas obras foram confiscadas pelos nazistas e várias delas
expostas na mostra de “Arte Degenerada”.

Franz Marc, (1880-1916), pintor alemão, apaixonado pela arte dos


povos primitivos, das crianças e dos doentes mentais, o pintor alemão
Marc escolheu como temas favoritos os estudos sobre animais,
conheceu Kandinsky, sob a influencia deste, convenceu-se de que a
essência dos seres se revela na abstração. A admiração pelos futuristas
italianos imprimiu nova dinâmica à obra de Marc, que passou a
empregar formas e massas de cores brilhantes próprias da pintura
cubista.
Os nazistas destruíram várias de suas obras. As que restaram
estão conservadas no Museu de Belas Artes de Liège, no
Kunstmuseum. Em Basiléia, na Stãdtische Galerie im Lembachhaus,
em Munique, no Walker Art Center. Em Minneapolis, e no
Guggenheim Museum, em Nova York.

Escultura:
A escultura abstrata se caracterizou pelo afastamento dos moldes
naturalistas, em favor da representação das formas geométricas puras,
mais racionais, ou as simbólicas, consideradas uma síntese das formas
orgânicas. É preciso, no entanto, falar de peças, objetos e instalações, já
que o tridimensional se desenvolveu a partir da combinação de
materiais completamente alheios aos que a escultura havia conhecido
até então, com exceção do dadaísmo.
A partir da arte abstrata o limite entre escultores e pintores se
dissolveu ainda mais. Por isso, embora se faça referencia a artistas
dedicados principalmente à escultura, como Henry Moore ou
Constantin Brancusi, houve muito outros que fizeram experiências

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interdisciplinares, como os neoplásticos holandeses ou os minimalistas
americanos e ingleses. Na escultura abstrata surgiram correntes
diversas, muitas vezes de acordo com as da pintura, que possibilitam
sua classificação.
A escultura orgânica, que tem seus antecedentes mais imediatos no
dadaísmo, agrupou todos os artistas que ainda buscavam a
representação da subjetividade humana e de seu próprio simbolismo
interno, sem abandonar totalmente as formas figurativas. Quanto à
escultura racionalista, ela se caracterizou pelo rigor de suas formas
volumétricas, chegando em alguns casos, como os neo-abstratos, a
reduzir a função da escultura á mera ocupação do espaço.
A exemplo da pintura, a escultura abstrata chega ao auge graças
ao interesse que despertou em marchands e colecionadores e aos
programas estatais que deram aos artistas oportunidade de
popularizar suas obras, utilizando-as na decoração urbana. Como
ocorreu antes, com os mecenas do renascimento, as cidades passaram
por uma renovação estética em que as novas peças de arte abstrata se
integraram, em praças e calçadas, com as mais importantes dos séculos
passados.

Outros abstracionistas:
Com influencias de Malevich, Matisse, Mondrian e Kandinski.

Artistas mais representativos:


Mark Rothko, Barnett Newman, Mark Tobey, Ad Reinhardt, Clyfford
Still.
A sua pintura era contraria à Action Painting. Perseguiram um
ideal de pintura absoluta, diferente de tudo o que tivesse existido. Nas
suas pinturas, a imagem torna-se um acontecimento ritual, mágico,
sagrado, pretendendo intervir psicologicamente nos espectadores. Em
1955 num ensaio intitulado “American Type Painting”, Clement
Greenberg empregou a expressão “Painting Field” (campo colorido,
também conhecida por Pintores em campo da cor), para diferenciar a
abstração sensual de Pollock, de W. de Kooning e de Gorky, das
superfícies planas, de cromatismo simplificado e vibrantes do
abstracionismo: ”As margens das grandes telas de Newman fazem o
mesmo papel que as linhas interiores das formas; dividem mas não
separam pontos, nem os fecham ou isolam; elas delimitam mas não
limitam”.

73
Na Europa, o gestualismo revelou-se mais moderado, reflexivo e
diluído em vários campos do que o da Action Painting dos Estados
Unidos.
Artistas mais representativos:
Europa: Jean Duhuffet, pintor francês que inventou a “arte bruta”
com origens na arte primitiva e que pretendia abarcar todas as
expressões artísticas não reconhecidas oficialmente como as obras de
videntes, primitivos, crianças e doentes mentais, usando como materiais
alcatrão, areia, matérias lamacentas, carvão, giz, e etc.

Antoni Tápies, importante pintor espanhol, que ainda hoje continua a


realizar pinturas de base matérica e influencia Zen.

Antonio Saura, também espanhol, como uma obra essencialmente de


“retratos” gestualmente deformados, grotescos.

Francis Bacon, importante pintor britânico, com uma pintura


socialmente empenhada e polemica com deformações grotescas de
imagens figurativas.

Hans Hartung, pintor alemão que desenvolveu a gestualidade e a


linguagem do inconsciente.

Lucio Fontana, italiano de origem Argentina, pintor experimentalista e


“espacialista”, com uma constante preocupação de resolução do espaço
nas suas obras.

Karell Appel, holandês, um dos fundadores do grupo expressionista


abstrato COBRA.

Alberto Burri, italiano que realizou uma pintura de pesquisa com


materiais diversificados e invulgares.

Lencillo, italiano, um dos raros escultores informalistas, que, em obras


de cerâmica e terracota, aderiu ao “sentido misterioso” da matéria
bruta.

Schulze Wols, Georges Mathieu, Manolo Millares.

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Em Portugal dentro do variado leque de expressões artísticas do
informalismo, podemos inserir os pintores Fernando Lanhas,
considerado o introdutor do abstracionismo em Portugal. João Vieira,
Antonio Sena, Eurico Gonçalves; bem como algumas fases de Nadir
Afonso, Joaquim Rodrigo, Julio Resende, Menez, João Hogan, Antonio
Charrua e Rogério Ribeiro.

SUPREMATISMO:
É uma pintura com base nas formas geométricas planas, sem
qualquer preocupação de representação. Os elementos principais são:
retângulos, círculos, triângulos e a cruz.
O manifesto do Suprematismo, assinado por Malevitch e
Maiakoviski, poeta russo, foi um dos principais integrantes do
movimento futurista em seu país, defendia a supremacia da
sensibilidade sobre o próprio objeto.
Mais racional que as obras abstratas de Kandinsky e Paul Klee,
reduz as formas, à pureza geométrica do quadrado.
Suas características são rígidas e se baseiam nas relações formais e
perceptivas entre a forma e a cor. Pesquisa os efeitos perceptivos do
quadrado negro sobre o campo negro, nas variações ambíguas de fundo
e forma.

Principal artista:
Kazimir Malevitch, (1878-1935), pintor russo, fundador da corrente
suprematista, que levou o abstracionismo geométrico à simplicidade
extrema, foi o primeiro artista a usar elementos geométricos abstratos.
Procurou sempre elaborar composições puras e cerebrais, destruídas
de toda sensualidade. O “quadrado negro sobre o fundo branco”
construiu uma ruptura radical com a arte da época. Pintado entre 1913
e 1915, compõe-se apenas de dois quadrados, um dentro do outro, com
os lados paralelos aos da tela. A problemática dessa composição seria
novamente abordada no “Quadro branco sobre fundo branco”, 1918,
hoje no Museu de Arte Moderna de Nova York.

EXPRESSIONISMO ABSTRATO:
Termo anos 20 com Wassily Kandinski (Cavaleiro Azul).
Anos 40 e 50, grupo de artistas norte americanos: William
Baziotes, Willen De Kooning, Arshile Goricy, Adolph Gottlich, Philip

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Guston, Hans Hofmann, Franz Kline, Robert Motherwel, Lee Krasner,
Barnett Newman, Jackson Pollock, Ad Reinhardt, Mark Rothko,
Clyfford Still e Mark Tobey.
Para eles o verdadeiro tema da arte eram as emoções interiores do
homem, exploraram gestos, cor, forma, textura, por seu potencial
simbólico e romântico.
O termo foi introduzido pelo critico Robert Coates em 1946;
outros títulos: Escola de N.Y.”;” American – Type paining”; “Action
pining” e “color field paining”.
Action paining: criado por Harold Rosemberg, 1952 –
Engajamento corporal – Pollock, nas pinceladas violentas De Kooning
e nas formas ousadas de Klive.
Por crescer sob grande depressão II Guerra mundial, perda de fé e
nas ideologias. As exposições nos EUA, apresentavam influências das
vanguardas Européias(Fauvismo, Cubismo, Dada e Surrealismo,
Astecas, Africanos e índios americanos). Complementadas por novas
gerações de mestres como: Hofman ( Esc. De Belas Artes Hans Hfman,
1934).
Os surrealistas André Breton, André Masson, Roberto Matta,Yves
Tanguy e Max Ernest. Momento decisivo do movimento
expressionismo abstrato, interesse maior pela psicanálise junguiana.
Pollock, submeteu 2 anos 1939/41 de análise junguiana, existência de
um “inconsciente coletivo”; arte de engajamento existencialista. A arte
e o artista eram exaltados.
Arshile Gorky para Breton surrealista, pode ser considerado o 1º
expressionismo abstrato, influenciado por Kandinsky e M iro.
(abstração orgânica), (formas biofórmicas). De Kooning também
pintou abstratos biomórfica, mais conhecido pela atenção que dava a
figura humana, especificamente nas imagens da “pin-up americana”,
“série mulher”, anos 50.
O mais conhecido Jackson Pollock, filme e fotos, (Jack o
respingador).
Anos 50, tela no chão gotejando tinta, imagens labiritimicas,
“energia e movimentos”.
A análise junguiana, nutriu sua pintura (míticas, alhares,
sacerdotes, totem e xanãs).
Paisagem americana, tema constante na obra de Pollock,
expressada na pintura de Clyfford Still e Barnett Newman.

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Mark Rothko: obra madura, executada no auge do continuísmo
americano, (espiritualidade e convite à contemplação). Capela Rothko,
arte religiosa.

DECLARAÇÃO CONJUNTA DE ROTHKO, GOTTILIEB E


NEWMAN.
“Não existe essa coisa de uma boa pintura sobre o nada.
Afirmamos que o tema é fundamental e só é valido quando se mostra
trágico e temporal”
Em 1948, “O tema dos artistas” foi fundado por Baziotes,
Motherwell, Rothko e o escultor Davi Hare. (nossa pintura não era
abstrata, mas repleta de temas).
Para Rothko: “emoções básicas”.
Para Still: “apenas eu e não a natureza”
Para Pollock: “Expressa meus sentimentos, mais do que
ilustra-los”.
Para Newman: “a busca do significado oculto da vida”
De Kooning: “pôs alguma ordem em nós”
Motherwell: “desposar o universo”.

Anos 40 E 50, a Arte Expressionista Abstrata, foi promovida por


vários críticos, entre eles Harold Rosemberg e Clement Greemberg.
1951, o movimento alcançou reconhecimento institucional com a
exposição Pintura e Escultura abstrata nos EUA (MOMA NY).
Aaron Siskind, fotografia abstrata.

Escultores: Herbert Ferber, Hare Ibram Lassaw, Seynour Lipton,


Reuben Nakiam, Newman Theodore Roszak e David Smiyh (principal).
Expressionismo Abstrato, reconhecimento internacional, exposição
itinerante (MOMA 1958/9).
Diferentes aspectos do expressionismo abstrato alimentaram
movimentos variados como: “abstração pós-pictórica”, “Minimalismo”
e “arte performática”.

CONSTRUTIVISMO:
Para o construtivismo, a pintura e a escultura são pensadas como
construções, e não como representações, guardando proximidade com a
arquitetura em termos de materiais, procedimentos e objetivos. O
termo construtivismo liga-se diretamente ao movimento de vanguarda

77
russa e a um artigo do critico N. Punin, de 1913, sobre os relevos
tridimensionais de Vladimir Evgrafovic Tatlin (1885-1953). A
consideração das especialidades do construtivismo russo não deve
apagar os elos com os outros movimentos de caráter construtivo na
arte, que ocorrem no primeiro decênio do século XX, por exemplo, o
grupo de artistas expressionistas reunidos em torno de Wassili
Kandinsky (1866-1914) no Der Blaue Reiter (O Cavaleiro Azul), em
1911, na Alemanha; o De Stiil (O Estilo), criado em 1917, que agrupa
Piet Mondrian (1872-1944), Theo van Doesburg (1883-1931) e outros
artistas holandeses ao redor das pesquisas abstratas; e o
Suprematismo, fundado em 1915 por Kazimir Malecich (1878-1935),
também na Rússia. Isso sem esquecer os pressupostos construtivos que
se fazem presentes, de diferentes modos, no Cubismo, no Dadaísmo e
no Futurismo italiano.
A ideologia revolucionaria e libertaria que impregna as
vanguardas em geral, adquire feições concretas na Rússia, diante da
revolução de 1917. A nova sociedade projetada no contexto
revolucionário mobiliza os artistas em torno de uma arte nova, que se
coloca a serviço da revolução e de produções concretas para a vida do
povo. Afinal, a produção artística deveria ser funcional e informativa.
Realizações dessa proposta podem ser encontradas nos projetos de
Aleksandr Aleksandrovic Vesnin (1883-1959) para o Palácio do
Trabalho e para o jornal Pravda e, sobretudo, no Monumento à
Terceira Internacional, de Tatlin, exposto em 1920, mas nunca
executado, seria erguido no centro de Moscou. De ferro e vidro, a
gigantesca espiral giraria sobre si mesma, concebida para ser também
uma antena de transmissão radiofônica, é descrita pelo artista como
“união de formas puramente plásticas (pintura, escultura e
arquitetura) para um propósito utilitário”.
A obra de Alexander Rodchenko (1891-1956) é outro exemplo de
atualização do programa construtivista e produtivista russo. Das
pesquisas iniciais, em estreito diálogo com as pinturas abstratas e
geométricas de Malevich, o artista passa às construções tridimensionais
por influencia de Tatlin, encontrado posteriormente na fotografia um
meio privilegiado de expressão e registro pictórico da nova Rússia. Sua
perspectiva fotográfica original influencia de perto o cinema de Sergei
Eisenstein (1898-1948).
As discussões sobre a função social da arte provocam fraturas no
interior do construtivismo russo. Os irmãos Antoine Pevsner (1886-
1962) e Naum Gabo (1890-1977), signatários do Manifesto Realista de

78
1920, recusam um programa social e aplicado da arte, lembrando as
criticas de Gabo ao monumento de Tattlin, em defesa de uma
morfologia geométrica em consonância com a teoria suprematista de
Malevich. Suas pesquisas inclinam-se na direção da arte abstrata, do
dialogo cerrado entre arte e ciência e do uso de materiais industriais,
como vidro e o plástico. Em 1922, quando o regime soviético começa a
manifestar seu desagrado com a pauta construtivista, Pevsner e Gabo
deixam a União das Republicas Socialistas Soviéticas – URSS. Na
década seguinte, a defesa oficial de uma estética “realista” e
“socialista” representa o golpe último nas pesquisas de tipo formal dos
construtivistas. O exílio dos artistas contribui para a disseminação dos
ideais estéticos da vanguarda russa que vão impactar a Bauhaus na
Alemanha, o De Stiil, nos Paises Baixos, e o grupo Abstracion-Création
(abstração-criação), na França. Gabo será um dos editores do
manifesto construtivista inglês Circle de 1937.
Não são pequenas as influencias do construtivismo na América
Latina, em geral, e no Brasil, em particular, no período após a Segunda
Guerra Mundial (1939-1945). Marcas da vanguarda russa podem ser
observadas no movimento concreto de São Paulo, Grupo Ruptura, e no
Rio de Janeiro, Grupo Frente. A ruptura neoconcreta estabelecida com
o manifesto de 1959, que reúne Amílcar de Castro (1920-2002),
Ferreira Gullar (1930), Franz Weissmann (1911-2005), Lygia Clark
(1920-1988), Lygia Pape(1927-2004), Reynaldo Jardim (1926) e Theon
Spanuds (1915), não afasta as influencias do construtivismo russo,
sobretudo na vertente inaugurada por Pevsner.

CONCRETISMO:
A arte concreta deve ser compreendida como parte do movimento
abstracionista moderno, com raízes em experiências como a do grupo De
Stiil (O Estilo), criado em 1917, na Holanda por Piet Mondrian (1872-
1944), Theo van Doesburg (1883-1931), Gernit Thomas Rietveld (1888-
1964). Entre outros. A abstração geométrica testada pelo grupo holandês
ecoa, com novos matizes, no manifesto Arte Concreta, redigido por Van
Doesburg, em 1930, em tendências abstratas, por exemplo, as professadas
pelo grupo Cercle et Carré, fundado em 1929 pelo critico Michel Seuphor
(1901-1999) e o pintor Joaquim Torres Garcia (1874-1949), em Paris. O
termo arte concreta é retomado por outros artistas, como Vassili
Kandinsky (1866-1944) por exemplo, popularizando-se com Max Bill
(1908-1994), ex-aluno da Bauhaus.

79
Os princípios do concretismo afastam da arte qualquer conotação
lírica ou simbólica. O quadro construído exclusivamente com elementos
plásticos, planos e cores, não tem outra significação se não ele próprio. A
pintura concreta é “não abstrata”, afirma Van Doersburg, “pois nada é
mais real, mais concreto do que uma linha, uma cor, uma superfície”.
Max Bill explora essa concepção de arte concreta defendendo a
incorporação de processos matemáticos à composição artística e a
autonomia da arte em relação ao mundo natural. A obra de arte não
representa a realidade, mas evidencia estruturas, planos e conjuntos
relacionados, que falam por si mesmos.
A noção de arte concreta visa rediscutir a linguagem plástica
moderna. Os Suíços, especialmente Max Bill, Richard Pall Lohse, Verena
Loewensberg, recolocam o problema bidimensionalidade do espaço
pictórico introduzido pelo cubismo ao definir o quadro como suporte
sobre o qual a realidade é reconstruída, e passível de ser aprendida de
múltiplos ângulos. Assim com os concretos a pintura se aproxima de
modo cada vez mais radical da escultura, da arqwuitetura e dos relevos.
Da pauta do grupo fazem parte também pesquisas sobre percepção
visual, e a defesa da integração da arte na sociedade, pela participação do
artista nos vários setores da vida urbana, ênfases Hochschule für
Gestaltung – HFG (ESCOLA SUPERIOR DA FORMA), fundada por
Max Bill em 19851 na Alemanha, dando continuidade ao projeto
Bauhaus.
Bill é o principal responsável pela entrada desse ideário plástico na
América Latina, especialmente no Brasil e Argentina, após a segunda
guerra mundial. A exposição do artista em 1951 no MASP e a presença da
delegação suíça na 1º Bienal Internacional de São Paulo, abrem as portas
do país para as novas tendências construtivas, que são amplamente
exploradas a partir de então. Os prêmios concedidos à escultura
“Tripartida” de Max Bill e a tela “formas” de Ivan Serpa, na 1º Bienal,
realizada no MAN/SP, são sintomas da atenção despertada pelas novas
linguagens pictóricas.
O impacto das representações estrangeiras na bienal se relaciona de
perto côas modificações verificadas no meio social e cultural brasileiro.
Cidades com o Rio de Janeiro e São Paulo iniciam processos de
metropolização, alimentados pelo surto industrial e pela pauta
desenvolvimentista, que alteram a paisagem urbana. Do ângulo das artes
visuais, a criação dos museus de arte e de galerias criam condições para a
experimentação concreta nos anos 1950, com o anúncio das novas
tendências não figurativas. É importante lembrar nessa direção as

80
exposições 19 Pintores, na Galeria Prestes Maia, em São Paulo, somente
do grupo Concreto Paulista; Do Figurativismo ao Abstracionismo, no
MAM/SP, em 1949; A. Calder no MASP, em 1949; e Fotoformas, de
Geraldo de Barros (1923-1998), no MASP em 1950. O ano de 1952 e a
exposição do Grupo Ruptura marcam o inicio oficial do movimento
concreto em São Paulo. Criado por Anatol Wladyslaw (1913-2004),
Lothar Charoux (1912-19887), Féjer (1923-1989), Geraldo de Barros,
Leopold Haar (1910-1954), Luiz Sacilotto (1924-2003), liderado pelo
artista critico Waldemar Cordeiro (1925-1973), o grupo propõe em seu
manifesto a “renovação dos valores essenciais das artes visuais”, por meio
das pesquisas geométricas, pela proximidade entre trabalho artístico e
produção industrial, e pelo corte com certa tradição abstracionista
anterior.
Os desdobramentos da arte concreta na poesia se evidenciam em
São Paulo pelo lançamento da revista Noigandres, em 1952, editada pelos
irmãos Haroldo de Campos (1929-2003) e Augusto de Campos (1931) e
Décio Pignatari (1927). No Rio de Janeiro, alunos do curso de Ivan Serpa
no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro – MAM/RJ, tendo como
teóricos os críticos Mario Pedrosa (1900-1981) e Ferreira Gullar (1930),
formam o Grupo Frente, em 1954. Fundado por Aluisio Carvão (1920-
2001), Carlos Val (1937), Décio Vieira (1922-1988), Ivan Serpa, João José
da Silva Costa (1931), Lygia Clark (1920-1988), Lygia Pape (1927-2004) e
Vicent Ibberson, e ao qual aderem em seguida Hélio Oiticica (1937-1980)
e César Oiticica (1939), Elisa Martins da Silveira (1912-2001), Emil
Baruch (1920), Franz Weissmann (1911-2005), Abraham Palatinik (1928)
e Ruben Ludolf (1932), o grupo concreto carioca prega a experimentação
de todas as linguagens, ainda que no âmbito não figurativo geométrico. À
investigação paulista centrada no conceito de pura visualidade da forma,
o grupo carioca opõe uma articulação forte entre arte e vida, que afasta a
consideração da obra com “máquina” ou “objeto”, e maior ênfase na
intuição como requisito fundamental do trabalho artístico. As
divergências entre Rio e São Paulo se explicitam na Exposição Nacional
de Arte Concreta, São Paulo, 1956, e Rio de Janeiro, 1957, inicio da
ruptura neoconcreta, efetivada em 1959.

NEOPLASTICISMO:
Onde as cores e as formas são organizadas de maneira que a
composição resulte apenas e expressão de uma concepção geométrica.
Resulta às linhas verticais e horizontais e as cores puras (vermelho,

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azul e amarelo). O ângulo reto é o símbolo do movimento, sendo
rigorosamente aplicado à arquitetura.

Principal artista:
Piet Mondrian, (1872-1944), pintor holandês. Depois de haver
participado da arte cubista, continua simplificando suas formas até
conseguir um resultado, baseado nas proporções matemáticas ideais,
entre as relações formais de um espaço estudado.
O artista utiliza como elemento de base, uma superfície plana,
retangular e as três cores primárias com um pouco de preto e branco.
Essas superfícies coloridas são distribuídas e justapostas buscando uma
arte pura.
Ele procura, pesquisa e consegue um equilíbrio perfeito da
composição, despojado de todo excesso da cor, da linha ou da forma.
Em 1940, Mondrian foi para New York, onde realizou a última
fase de sua obra: desapareceram as barras negras e o quadro ficou
dividido em múltiplos retângulos de cores vivas. É a série dos quadros
boogie-woogie.

SURREALISMO:
Nas duas primeiras décadas do século XX, os estudos psicanalíticos
de Freud e as incertezas, políticas criaram clima favorável para o
desenvolvimento de uma arte que criticava a cultura européia e a frágil
condição humana diante de um mundo cada vez mais complexo.
Surgem movimentos estéticos que interferem de maneira fantasiosa na
realidade.
O surrealismo foi por excelência a corrente artística moderna da
representação do irracional e do subconsciente. Suas origens devem ser
buscadas no dadaísmo e na pintura metafísica de Giorgio De Chirico.
Este movimento artístico surge todas às vezes que a imaginação se
manifesta livremente, sem o freio do espírito critico, o que vale é o
impulso psíquico. Os surrealistas deixam o mundo real para
penetrarem no irreal, pois a emoção mais profunda do ser tem todas as
possibilidades de se expressar apenas com a aproximação do fantástico,
no ponto onde a razão humana perde o controle.
A publicação do Manifesto do Surrealismo, assinado por André
Breton em outubro de 1924, marcou historicamente o nascimento do
movimento. Nele se propunha a restauração dos sentimentos humanos
e do instinto como ponto de partida para uma nova linguagem artística.

82
Para isso era preciso que o homem tivesse uma visão totalmente
introspectiva de si mesmo e encontrasse esse ponto do espírito no qual a
realidade interna e externa são percebidas totalmente isentas de
contradições.
A livre associação e a análise dos sonhos, ambos métodos da
psicanálise freudiana, transformaram-se nos procedimentos básicos do
surrealismo, embora aplicados a seu modo. Por meio do automatismo,
ou seja, qualquer forma de expressão em que a mente não exercesse
nenhum tipo de controle, os surrealistas tentavam plasmar, seja por
meio de formas abstratas ou figurativas simbólicas, as imagens da
realidade mais profunda do ser humano: o subconsciente.
O Surrealismo apresenta relações com o Futurismo e o Dadaísmo.
No entanto, se os dadaístas propunham apenas a destruição, os
surrealistas pregavam a destruição da sociedade em que viviam e a
criação de uma nova, a ser organizada em outras bases. Os surrealistas
pretendiam, dessa forma, atingir uma outra realidade, situada no plano
do subconsciente e do inconsciente. A fantasia, os estados de tristeza e
melancolia exerceram grande atração sobre os surrealistas, e nesse
aspecto eles se aproximam dos românticos, embora sejam mais
radicais.

Destacam-se 3 períodos importantes:


1924, Período dos sonhos, representado pelas obras da natureza
simbólica, obtida através de diferentes procedimentos de automatismo,
de um certo figurativismo.
1928, Período do compromisso político, expresso na filiação de seus
lideres ao comunismo.
1930, Período de difusão, se empenhou na formação de grupos
surrealistas em toda a Europa, com adesão de grupos americanos.
Segundo Breton, há dois métodos propriamente surrealistas: o
automatismo rítmico (se pintava seguindo o impulso gráfico) e o
automatismo simbólico (fixação das imagens subconscientes de maneira
natural).
Miro, Hans Arp e André Masson, representaram o surrealismo
orgânico, enquanto Dali, Magrite, Chagal e Marx Ernest entre outros,
desenvolveram o surrealismo simbólico.
Na América Latina, destacou-se Frida Kahlo e Wilfredo Lam entre
outros.

Principais artistas:

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Salvador Dali, é sem duvida o mais conhecido dos artistas
surrealistas. Estudou em Barcelona e depois em Madri, na Academia
de San Fernando. Nessa época teve oportunidade de conhecer Lorca e
Buñuel. Suas primeiras obras são influenciadas pelo cubismo de Gris e
pela pintura metafísica de Gorgio De Chirico. Finalmente aderiu ao
surrealismo, junto com seu amigo Luis Buñuel, cineasta. Em 1924 o
pintor foi expulso da Academia e começou a se interessar pela
psicanálise de Freud, de grande importância ao longo de toda a sua
obra. Sua primeira viagem a Paris em 1927 foi fundamental para sua
carreira. Fez amizade com Picasso e Breton e se entusiasmou com a
obra de Tanguy e o maneirista Arcimboldo. O filme “O Cão Andaluz”,
que fez com Buñuel, data de 19298. Ele criou o conceito de “paranóia
critica” para referir-se à atitude de quem recusa a lógica que rege a
vida comum das pessoas. Segundo ele, é preciso “construir para o total
descrédito da realidade”. No final dos anos 30 foi várias vezes para a
Itália a fim de estudar os grandes mestres. Instalou se ateliê em Roma,
embora continuasse viajando. Depois de conhecer em Londres
Sigmund Freud, fez uma viagem para a América, onde publicou sua
biografia “A Vida Secreta de Salvador Dali”, 1942. Ao voltar, se
estabeleceu definitivamente em Port Lligat com Gala, sua mulher, ex-
mulher do poeta e amigo Paul Éluard. Desde 1970 até sua morte
dedicou-se ao desenho e à construção de seu museu. Além da pintura
ele desenvolveu esculturas e desenho de jóias e móveis.

Obra destacada: Mae West.

Joan Miro, iniciou sua formação como pintor na escola de


La Lonja, em Barcelona. Em 1912 entrou para a escola de arte de
Francisco Gali, onde conheceu a obra dos impressionistas e fauvistas
franceses. Nessa época, fez amizade com Picabia e pouco depois com
Picasso e seus amigos cubistas, em cujo grupo militou durante algum
tempo. Em 1920 Miró instalou-se em Paris (embora no verão voltasse
para Montroig), onde se formara um grupo de amigos pintores, entre
os quais estavam Masson, Leiris, Artaud e Lial. Dois anos depois
adquiriu forma La masia, obra fundamental em seu desenvolvimento
estilístico posterior e na qual Miro demonstrou uma grande precisão
gráfica. A partir daí sua pintura mudou radicalmente. Bretton falava
dela como o Maximo do surrealismo e se permitiu destacar o artista
como um dos grandes gênios solitários do século XX e da história da
arte. A famosa magia de Miro se manifesta nessas telas de traços

84
nítidos e formas sinceras na aparência, mas difíceis de serem
elucidadas, embora se apresentem de forma amistosa ao observador.
Miro também se dedicou à cerâmica e a escultura, nas quais extravasou
suas inquietações pictóricas.

Obra destacada: Noitada Esnobe da Princesa.

Para seu conhecimento:


“O sonho não pode ser também aplicado à solução das questões
fundamentais da vida?” (fragmento do manifesto do surrealismo de
André Breton, francês que lançou o movimento). No mesmo manifesto,
Breton define Surrealismo: “Automatismo psíquico pelo qual alguém
se propõe a exprimir, seja verbalmente, seja por escrito, seja de
qualquer outra maneira, o funcionamento real do pensamento”.

Escultura: deve-se falar em objetos retirados de seu contexto, os


surrealistas se dedicaram conscientemente a reunir os objetos mais
diferentes, privados de sua funcionalidade, para expressar as
necessidades mais intimas do homem.
No inicio falavam de dois tipos de objetos: os naturais (vegetais,
animais e minerais) e os de uso cotidiano.
Exemplo claro do culto ao objeto, foi a exposição de Objetos
Surrealistas de 1936. Nela se representaram as mais extravagantes
combinações, produto das associações inconscientes de seus atores.
Alguns de fácil interpretação e outros complexos.
Destaca-se os objetos surrealistas, no limite entre a ironia e a
perversão, tentavam abrir a imaginação do espectador para a
multiplicidade de relações existentes entre as coisas, Prova disso foram
o engenhoso telefone-lagosta, de Dali, ou as combinações de objetos de
Miro.

ACTION-PAINTING:
Ou pintura de ação gestual, criada por Jackson Pollock nos anos
de 1947 e 1950 faz parte da arte Abstrata americana. Em 1937, fundou-
se nos Estados Unidos, a Sociedade dos Artistas Abstratos. O
abstracionismo cresce e se desenvolve nas Américas, chegando à
criação de um estilo original.

Características da Pintura:

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- Compreensão da pintura como meio de emoções intensas.
- Execução cheia de violência, agressividade, espontaneidade e
automatismo.
- Destruição dos meios tradicionais de execução, pincéis, trinchas,
espátulas e etc.
- Técnica: pintura direta na parede ou no chão, em telas enormes,
utilizando tinta à óleo, pasta espessa de areia, vidro moído.

Principal artista:
Jackson Pollock, (1912-1956), pintor americano, introduziu nova
modalidade a técnica, gotejando (dripping) as tintas que escorrem de
recipientes furados intencionalmente, numa execução veloz, com
resultados extraordinários e fantásticos, algumas vezes realizadas
diante do público. Desenvolveu pesquisas sobre pintura aromática. Nos
últimos trabalhos nessa linha, o artista usou materiais como pregos,
conchas e pedaços de tela, misturavam-se às camadas de tinta para dar
relevo e textura. Usou freqüentemente tintas industriais, muitas delas
usadas na pintura de automóveis.

Abstração no Brasil: Surge com maior ênfase nos meados dos


anos 50. O curso de abstração no Brasil, A abstração “gravação de
Iberê Camargo”, (1914-1994), forma uma geração de gravuristas
abstratos, na qual se destacam Antoni Babinski, 1931, Maria Bonomi,
1935 e Mario Gruber, 1927. Outros impulsos vêm da fundação dos
Museus de Arte Moderna de São Paulo, 1948 e do Rio de Janeiro, 1949
e da criação da Bienal Internacional de São Paulo, 1951. Entre os
pioneiros da abstração no Brasil, destacam-se Antônio Bandeira(1922-
1967), Cícero Dias (1908-) e Sheila Branningan (1914-). Posteriormente
artistas como Flavio Shiró, (1928-), Manabu Mabe (1924-1997),
Yolanda Mohalyi (1909-1978), Wega Nery (1912-), além de Iberê
Camargo, praticam a abstração informal. A abstração geométrica, que
se manifesta no concretismo e no neoconcretismo também nos anos 50,
encontra praticantes em Tomie Ohtake (1913-). Fayga Ostrwer (1920-),
Arcângelo Ianelli (1922) e Sanson Flexor (1907-1971).

COBRA:
Movimento artístico criado na Holanda, sigla de Copenhague-
Bruxelas-Amsterdã, grupo artístico europeu que surgiu entre 1948 e
1951. Ligado esteticamente ao expressionismo figurativo, teve como
principais representantes Asger Jorn, Karel Appel e Pierre Alechinski.

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Assim como as obras de Jacson Pollock essa pintura é gestual, livre,
violenta na escolha de cores e texturas.

Principais artistas:
Pierre Alechinski, pintor e gravador belga. Um dos mais jovens
integrantes do grupo Cobra, marcou sua obra pelo tachismo.
Participou da XI Exposição Internacional do Surrealismo, em 1965.

Asger Jorn, Pintor dinamarquês. Sua obra é caracterizada


pelo uso de cores vivas e formas distorcidas. Sofreu influência dos
pintores James Ensor e Paul Klee.
Karel Appel, pintor holandês. Criador de uma obra vigorosa e
colorida, caracterizada pela figuração rude e simplificada. Realizou
também esculturas em madeira e metal.

OP ART:
A expressão “op-art” vem do inglês, (optical art) e significa “arte
óptica”. Defendia para a arte “menos expressão e mais visualização”.
Apesar do rigor com que é construída, simboliza um mundo precário e
instável, que se modifica a cada instante.
Apesar de ter ganhado força na metade da década de 1950, a Op
Art passou por um desenvolvimento relativamente lento. Ela não tem o
ímpeto atual e o apelo emocional da Pop Art; em comparação, parece
excessivamente cerebral e sistemática, mais próxima das ciências do
que das humanidades. Por outro lado, suas possibilidades parecem ser
tão ilimitadas quanto as da ciência e da tecnologia.
Meados dos anos 60, exposição “Olho receptivo”, curador Willian
C. Seitz, MOMA/NY, 1965. “abstracionistas perceptuais”; americanos:
Richard Anuszkiewicz e Larry Poons. Britânicos Michael Kidner e
Bridget Riley, e o franco-hungaro Victor Vasarely.
Uso de formas geométricas em preto e branco, efeito de ritmo e
distorção, cores constratantes e variações tonais.
A arte op, exige a participação do espectador para “completá-la”,
tais preocupações ligam a arte op a vários movimentos: Fluxos, Hiper-
realismo e GRAV, bem como a teoria da Gestalt. A ilusão do
movimento, também Arte Cinética. Durante os anos 80 suas imagens e
técnicas foram retomados pelo americano Philip Taaff e o holandês
Peter Schuyff.

87
Principais artistas:
Alexander Calder, (1898-1976), criou os móbiles associando os
retângulos coloridos das telas de Mondrian à idéia do movimento. Os
seus primeiros trabalhos eram movidos manualmente pelo observador.
Mas, depois de 1932, ele verificou que se mantivesse as formas
suspensas, elas se movimentariam pela simples ação das correntes de
ar. Embora os móbiles pareçam simples, sua montagem é muito
complexa, pois exige um sistema de peso e contrapeso muito bem
estudado para que o movimento tenha ritmo e sua duração se
prolongue.

Victor Vassarely, criou a plástica cinética que se funda em


pesquisas e experiências dos fenômenos de percepção ótica. As suas
composições se constituem de diferentes figuras geométricas, em preto
e branco ou coloridas. São engenhosamente combinadas, de modo que
através de constantes excitações ou acomodações retinianas provocam
sensações de velocidade e sugestões de dinamismo, que se modificam
desde que o contemplador mude de posição. O geometrismo da
composição, ao qual não são estranhos efeitos luminosos, mesmo
quando em preto e branco, parece obedecer a duas finalidades. Sugerir
facilidades de racionalização para a produção mecânica ou para a
multiplicidade, como diz o artista; por outro lado, solicitar ou exigir a
participação ativa do contemplador para que a composição se realize
completamente como “obra aberta”.

POP ART:
Movimento principalmente americano e britânico, sua
denominação foi empregada pela primeira vez em 1954, pelo critico
inglês Lawrence Alloway, para designar os produtos da cultura
popular da civilização ocidental, sobretudo os que eram provenientes
dos Estados Unidos.
Com raízes no Dadaísmo de Marcel Duchamp, o pop art começou
a tomar forma no final da década de 1950, quando alguns artistas, após
estudar os símbolos e produtos do mundo da propaganda nos Estados
Unidos, passaram a transformá-los em tema de suas obras.
Representavam, assim, os componentes mais ostensivos da cultura
popular, de poderosa influência na vida cotidiana na segunda metade
do século XX. Era a volta a uma arte figurativa, em oposição ao
expressionismo abstrato que dominava a cena estética desde o final da

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segunda guerra. Sua iconografia era a da televisão, da fotografia, dos
quadrinhos, do cinema e da publicidade.
Com o objetivo da critica irônica do bombardeamento da
sociedade pelos objetos de consumo, ela operava com signos estéticos
massificados da publicidade, quadrinhos, ilustrações e designam,
usando como materiais principais, tinta acrílica, ilustrações e design,
usando como materiais principais, tinta acrílica, poliéster, látex,
produtos com cores intensas, brilhantes e vibrantes, reproduzindo
objetos do cotidiano em tamanho consideravelmente grande,
transformando o real em hiper-real. Mas ao mesmo tempo em que
produzia a critica, a Pop Art se apoiava e necessitava dos objetivos de
consumo, nos quais se inspirava e muitas vezes o próprio aumento do
consumo, como aconteceu por exemplo, com as sopas Campbell, de
Andy Warhol, um dos principais artistas da Pop Art. Além disso, muito
do que era considerado brega, virou moda, e já que tanto o gosto, como
a arte tem um determinado valor e significado conforme o contexto
histórico em que se realiza, a Pop Art proporcionou a transformação
do que era considerado vulgar, em refinado, e aproximou a arte das
massas, desmistificando, já que se utilizava objetos próprios delas, a
arte para poucos.

Principais artistas:
Robert Rauschenberg, 1925, depois das séries de superfícies
brancas ou pretas reforçadas com jornal amassado do inicio da década
de 1950. Rauschenberg, criou as pinturas “combinadas”, com garrafas
de coca-cola, embalagens de produtos industrializados e pássaros
empalhados. Por volta de 1962, adotou a técnica de impressão em Silk-
screen para aplicar imagens fotográficas a grandes extensões da tela e
unificava a composição por meio de grossas pinceladas de tinta. Esses
trabalhos tiveram como temas, episódios da história americana
moderna e da cultura popular.

Roy Lichtenstein, (1923-1997). Seu interesse pelas histórias


em quadrinhos, como tema artístico começou provavelmente com uma
pintura do camundongo Mickey, que realizou em 1960 para os filhos.
Em seus quadros a óleo e tinta acrílica, ampliou as características das
histórias em quadrinhos e dos anúncios comerciais, e reproduziu a
mão, com fidelidade, os procedimentos gráficos. Empregou, por
exemplo, uma técnica pontilhista para simular os pontos reticulados

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das historietas. Cores brilhantes, planas e limitadas, delineadas por um
traço negro, contribuíam para o intenso impacto visual.
Com essas obras, o artista pretendia oferecer uma reflexão sobre a
linguagem e as formas artísticas. Seus quadros, desvinculados do
contexto de uma história, aparecem como imagens frias, intelectuais,
símbolos ambíguos do mundo moderno. O resultado é a combinação de
arte comercial e abstração.

Andy Warhol, (1927-1987). Foi a figura mais conhecida e mais


controvertida da Pop Art, mostrou sua concepção da produção
mecânica da imagem em substituição ao trabalho manual numa série
de retratos de ídolos da música popular e do cinema, como Elvis
Presley e Marilin Monroe. Warhol entendia as personalidades públicas
como figuras impessoais e vazias, apesar da ascensão social e da
celebridade. Da mesma forma, e usando sobretudo a técnica de
serigrafia, destacou a impessoalidade do objeto produzido em massa
para consumo, como garrafas de Coca-Cola, as latas de sopa Campbell,
automóveis, crucifixos e dinheiro.
Produziu filmes e discos de um grupo musical, incentivou o
trabalho de outros artistas e uma revista mensal.

MINIMALISMO:
Ny, Entre 1963/5, após exposição de Donald Judd, Robert Morris,
Dan Flavin e Carl André. Outros nomes “estruturas primárias, objetos
unitários, arte ABC e Coll art. Estruturas geométricas, aparentemente
simples. Os artistas minimalistas, deram atenção às obras
Construtivistas e Suprematistas Russos que tendiam para Abstração
pura, como Kasimir Maliêvitch (quadrado negro).
Firmou – se como movimento Com a exposição Estruturas
Primárias: jovens escultores. Am. E brit. NY 1966, logo depois passou –
se a aplicar o termo a obras de escultura. Como André, Richard
Artschwager, Ronald Bladen, Larry Bell, Flavin, Judd, Sol Le Witt,
Morris, Beverly Pepper, Richard Serra e Tony Smith; os Britânicos:
Sir Anthony Caro, Philip King, Willian Tucker, Tim Scott, e pinturas
dos abstracionistas pós-pictóricos.
Judd, tornou – se um dos mais interessante comentarista de arte,
em 1965, escreveu: “O espaço real é intrinsecamente mais vigoroso e
especifico do que a tinta sobre uma tela...nova criação assemelha – se,

90
mais a escultura. Do q a pintura. A cor jamais deixa de ter
importância. O que não acontece na escultura.”
Judd, se referia a Frank Stella (abstração pós-pictórica), os
neodadáistas Robertr Rauchenberg, John Chanberlain e Claes
Oldenburg e o Novo realista Yves Klein. Denominadas por ele como
“objetos específicos”.
Um tema constante é a atuação recíproca entre espaços positivos e
negativos em objetos reais e sua interação com o entorno imediato.
As caixas cúbicas de Morris, 1965, revelam preocupações
semelhantes,... relacionam o minimalismo. Com performance e a Earth
art. Comentário dele: “A simplicidade da forma não se equaciona
necessariamente com a simplicidade da experiência. As formas
unitárias não reduzem os relacionamentos. Elas os ordenam.”
Flavin, explorou temas relacionados com espaço e luz., “lâmpadas
florescentes”, “Rosa e dourado”, 1968. Escreveu em 1967: “Simboliza
seu encolhimento, tornando – se ínfima”, teve em sua obra influencia.
De Du Champ e seus readymades (Dada) e os construtivistas.
(Monumento a V. Tatlin de Flavin , 1964) e Constantin Brancusi
(Colunas infinitas).
André se inspirou em Brancusi (esculturas modulares) e em Stella
(pinturas de faixa), fez experiências com cores e pesos, usando metais e
outros materiais, questionando a posição legitima das
esculturas(vertical/horizontal).
Começaram aparecer muitos críticos e um público opinativo
julgava – na fria, anônima e imperdoável. Os materiais pré-fabricados
usados, não pareciam arte. Judd por ex. pode ter mandado fabricar sua
obra, mas elas são reconhecidas como “Judds”.
Ao restringir os elementos que atuam em cada objeto, criam – se
efeitos mais complexos do que mínimos. Recordam a “arte conceitual”.
Em anos recentes, tem sido aplicadas à decoração de interiores,
mobiliário e artes gráficas e designers de moda.
Embora o termo não fosse aplicado à música, até inicio dos anos
70, muitas obras foram associadas ao minimalismo. (harmonia estática,
repetição e uso de instrumentos não convencionais). Terry Riley, Steve
Reich ou Philip Glass.
Embora não exista uma escola minim. Na arquitetura, vários
modernistas busca rigor e pureza. (Ludwig Miers van der Roche. “mais
é menos”) e o Mexicano Luis Barragan (sua resid. Pureza geométrica.
E cores ousadas).

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A pintura, a escultura e a arquitetura, fundiram – se nas Torres da
Cidade – Satélite 1957/8 (Barragan com Mathias Goeritz) .
Nos anos 80, no Japão: Kazuo Shinohara, Fulmiko Maki, Arata
Isozaki, Tadao Ando, influenciado pelo estado clássico zen-budismo e
modernismo europeu.
Os arquitetos “HIGH-tech”, tbem acompanham objetivos e
técnicas minimalistas. Colaboração do escultor Sir Anthony Caro e o
escritório Foster & Partners no projeto “Ponte do milênio”, 2000;
Londres. “Ecultitura”: termo utilizado por Caro, a partir de 1989 em
seus trabalhos.

EARTH ART:
Land art ou earthworks, USA, final anos 60, expandiram as
fronteiras da arte, quanto aos seus materiais e espaços físicos, se
deslocou para fora da cidade, assumindo o meio ambiente como seu
material, crescente interesse pela ecologia e conscientização do perigo
da poluição e os excessos do consumismo; pode ser uma forma de
preservação, pois se um pedaço de terra for consagrado como arte,
pode ser mantido intacto. Preservação do espírito humano,
espiritualidade dos sítios arqueológicos (cemitérios dos indígenas
americanos, os círculos nas plantações e as gigantescas figuras
esculpidas nas colinas da Inglaterra). A maioria dos artistas são
Americanos e Ingleses, e nota – se forte influência da paisagem(arte
britânica) e ligações românticas com o Oeste ( arte Usa).
Aristas americanos: Sol Lewitt, Robert Morris, Carl André,
Christo e Jeanne – Claude, Walter de Maria,, Nancy Holt, Robert
Smithson, Dennis Oppenhein, Richard Serra, Mary miss, James
Turrel, Michael Heizer, Alicer Aycock.
Europa: Britânicos: Richard Long, Hamish Fulton e Andy
Goldsworthy. Holandês: Jan Dibbets.
Alguns desses pioneiros também se filiaram ao Minimalismo. Com
efeito a earth art pode ser vista como um prolongamento do projeto
minimalista. Muitas de suas criações empregam a linguagem
geométrica do minimalismo, em forma de imensas esculturas no solo;
semelhantes a labirintos de Aycock ou as obras arquitetônicas de Holt,
De Maria e Heizer e Turrell.
Outras criações que usam fotos, textos e diagramas, tem afinidade
com a arte Conceitual (De Maria, Dibbets, Fulton, Goldsworthy, Le
Witt, Long e Openhein). E outras com reciclagem de lixo.

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Firmou – se como movimentoto, graças a exposição Earth Works –
NY em 1968, organizada por Smithson. (documentação fotográfica
“Caixa em um buraco” de Le Witt Desenho de De Maria, com giz no
deserto de Monjave). E a exp. De Earth Terra, NY, 1969.
Ocorrem em locais distantes. Para De Maria o isolamento é a
essência da earth arte.
Cristo e Janne, trabalham juntos desde os anos 60 e seu grande
tema, tem sido empacotar ou envolver coisas. Muitas conhecidas por
fotografias.

PÓS-MODERNISMO:
Novas formas de expressão, aplicada originalmente a arquitetura,
meados anos 70, (estilo Internacional), estrutura ambíguas e
contraditórias, animadas por referências jocosas a estilos históricos,
empréstimos de outras culturas e uso de cores ousadas e
surpreendentes. “Piazza d’Itália, 1975/80, Nova Orleans, USA , Charles
Moore.
Nos anos 80, no Designe e Artes Visuais, com criações inspiradas
em cultura popular. “O mundo do comércio”, Richard Prince.
Outras criações com elementos diferenciados (texto com imagens,
objetos com arte gráfica) Tin Rollins e K.O.S. garotos da sobrevivência,
também criações de cunho social e político.
“Trocados”, 1990, alemão Hans Haacke, “Torre de observação”,
permanece intacta após a queda do muro de Berlim, com logotipo da
Mercedes – Bens, marca do capitalismo.
Ao mesmo tempo é uma rejeição e um prolongamento do
modernismo. “O jantar” de Judy Chicago. Dá prosseguimento à
experimentação iniciada com Marcel Duchamp e se desenvolveu por
meio do Dada, surrealismo, neodadá, arte pop e arte conceitual.
Em 1966, dois livros: O arquiteto italiano Aldo Rossi, “novas
edificações, em vez de criar formas novas, deveriam adaptar a formas
antigas.” O 2º do arquiteto americano Robert Venturi, “vitalidade
desordenada” e parodiavam a frase modernista, “menos é mais” por
“menos é um tédio”. A equipe projetou o exuberante Groninger
Museum, 1995, Holanda, os italianos Alessandro Mendini e Michele de
Lucchi, o designer francês Philippe Starck e o escritório vienense Coop
Himmelblau.
A diversidade dos materiais, estilos, estruturas e ambientes
constitui características do pós-modernismo que não pode ser definido

93
por um único estilo. “Sede do HSBC, estilo High – tech, inglês Sir
Norman Foster; “Museo de arte Romano”, Espanha, espanhol Rafael
Moneo, estilo clássico; “Edif. De Serviços Públicos de Portland”, do
americano Michael Graves; “Arco da defense”, Paris, dinamarquês
Johan Otto Von Spreckelsen.
Apartir dos anos 60, os designer, insatisfeitos com a ordem e
uniformidade do Bauhaus, fizeram experiências com cores e texturas e
se inspiravam em motivos decorativos do passado (adhocismo). O
designer italiano Ettore Sottsass,( anmtidesign), é a figura mais
importante, obras para o grupo Menphis. “antifuncional Estante
Carton”, 1981, Menphis.
A influência do alemão Wolfgang Weigart, espalhou – se da
Basiléia/Suíça, para Europa e USA. Neville Brody, na Inglaterra; O
studio Dumbar, 1977, Holanda; e Javier Mariscal, Espanha, criaram
designes tipográficos de vanguarda nos anos 80 e 90.
O pós-modernismo, celebrava o pluralismo do final do século XX.
Refere – se a natureza dos meios de comunicação de massa e
proliferação universal das imagens, segundo o pensador francês Jean
Baudrilard: “Um êxtase da comunicação”. Representação: motivos ou
imagens de obras do passado, representados em novos e perturbadores
contextos ou despojados de seus significados tradicionais
(desconstruídos) por artistas como: Mike Bidlo, Louise Lawler, Sherrie
Levine e Jeff Wall. O Kitsch pode ser transformado em arte elevada,
“Coelho”, Jeff Koons.
Nos USA Julian Schumabel e David Salle, começaram a empregar
técnicas pós modernas, final anos 70, apropriando – se de filmes,
imagens e revistas populares e sobrepondo – as. Os palimpsestos
criados com louça quebrada, de Schmabel, e as figuras fantasmagóricas
e sobrepostas de Salle, criam uma surpreendente justaposição.
(neoexpressionistas e comparados a artistas de transvanguarda).
Nas artes visuais, se engajou em questões sociais e políticas, a arte
servia de um tipo social dominante, deram ênfase a identidades
marginalizadas: étnicas, sexuais, feministas e ambientais.
Jean Michel Basquiat, USA, iniciou como grafiteiro, final anos 70.
(SAMO, “Same old Shit”, “A mesma merda de sempre”, suas obras
protestavam contra o preconceito racial. Associado a Andy Warbol.
A morte, tema dominante na arte pós moderna, sobretudo a
identidade dos gays, como Basquiat, Keith Haring; David Wojnarowics
também vitima de aids, transformou sua doença em tema central de seu
trabalho. “Série sexo”.

94
Anos 70 e 80, USA, artistas como Mary Kelly, Bárbara kruger,
Jenny Holzer, Cindy Sherman, questões ligadas à identidade feminina,
“Documento pós parto”.
Imagens com legendas perturbadoras, sem titulo, seu olhar,
comportamento social, como homens olhando para mulheres, Holzer,
1º mulher americana a expor em Bienal de Veneza, 1990, “Proteja –
me, daquilo que desejo”.

RACIONALISMO:
Piet Mondrian, artista holandês, criou um estilo abstrato
extremamente simplificado. Como outros pintores abstratos, ele
rejeitava motivos que se pudessem identificar.
Mondrian também ignorou a textura em suas obras. Ele reduziu a
pintura a linhas retas que formavam ângulos retos. Usavam apenas
preto, branco e cinza e as cores primarias.
Sua pintura influenciou a arte comercial e o desenho industrial
moderno.

INFORMALISMO, EXISTECIALISMO E TACHISMO:


A arte informal engloba um grande leque de direções e
ramificações distintas e abrange obras de aspectos e conteúdos muito
diversos.
Dentro da arte informal pode falar-se de expressionismo abstrato,
pintura signico-gestual, gestualismo, action-painting, pintura tachista
(do francês “tache” – mancha) e espacialista.
Cada uma destas correntes tem o seu caráter especifico, quer pelos
“novos” (porque até então alheios à pintura) materiais ou técnicas
empregues quer pelas soluções espaciais que apresentam.
A arte informal – informalismo pode tirar-se numa categoria
muito vasta que é a “obra aberta”, indicada por Umberto Eco.
“Trata-se por conseguinte, de enfrentar um tipo de pinturas em
que a expressão adquiriu novas e múltiplas possibilidades. Em muitas
obras informalistas observa-se a presença de determinados signos e
manchas aos quais o artista não deu significado predeterminado
quando os criou, mas o espectador pode dotá-los de significados vários
ao contemplá-los. Neste sentido o espectador, contribui, de certa
maneira, para concluir a obra apresentada como “aberta” à
interpretação por parte do artista.” Considera-se que a pintura

95
informalista tve inicio em 1944, ou seja perto do final da 2º Guerra
Mundial, tendo ido buscar as suas influencias ao dadaísmo, surrealismo
e abstracionismo, em dois focos principais que foram Nova York e
Paris, tendo-se posteriormente espalhado por outros lugares dos
Estados Unidos e Europa.
O termo informed foi adotado na Europa pelo critico francês
Michel Tapie, que pretendia eliminar o realce dado pelos americanos
ao conceito de action painting e destacar a abolição da “forma” na arte,
substituindo-a por zonas de matéria pictórica muito elaboradas que
chegavam a criar verdadeiros relevos. Aliás, o vulgarmente
considerado iniciador do informalismo europeu foi o pintor francês
Jean Fautrier (1898-1964), que em finais da década de 20, realizava já
um tipo de trabalho que, apesar de ainda serem figurativos,
distinguiam-se pela espessura das suas texturas.

ARTE ASSEMBLAGES, AMBIENTES, HAPPENINGS, BODY ART


E NOVO DADAISMO:
Alguns artistas ligados à Arte Pop e Arte Conceitual, realizaram (e
ainda realizam atualmente) obras que se podem inserir nos termos
acima indicados e que não se circunscrevem nem ao ambiente plano da
tela, nem na escultura tradicional.
Claes Oldenburg, Robert Rauchenberg, Georges Segal, Edward
Kienholz, Duane Hanson, John de Andréa, Denis Oppenheim, Judd
Pfaff, Christo (famoso por seus embrulhos de edifícios). Dos quais o
último foi o Parlamento Alemão em 1996, Nam June Paik, Jim Dine,
Keith Arnatt, John Cage (músico), Mercê Cunningham (coreógrafo),
são os artistas mais representativos destas formas de expressão
artística.
ASSEMBLAGE ou AMBIENTE, a sua influencia vem do movimento
Dada e dos Ready-made, pois misturam em obras tridimensionais
deferentes materiais artísticos, com materiais reciclados, detritos e
produtos industriais, tirados do seu contexto habitual.
HAPPENING (Acontecimento), termo inventado pelo americano Allan
Kaprow (1927), no final dos anos 50, para designar um acontecimento
que se desenvolve perante o público, centrando a sua atenção no
comportamento humano e no meio circundante. É quase uma ligação
arte plástica/teatro, mas que não privilegia nenhum dos meios
expressivos tradicionais. Como a palavra música ou a cor.

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BOD ART (arte do corpo), utilização do corpo, por parte de certos
artistas, como forma de expressão, transgressão ou manifestação.
NEW DADA (Novo Dadaísmo, ou Novo Realismo na Europa),
Movimento que, embora com a presença dos mesmos artistas da Arte
Pop, pretendia retomar, de uma forma atualizada o espírito do
dadaísmo de Marcel Duchjamp, Man Ray e Kurt Schwitters, através
da fotomontagem e da colagem de materiais. Antonio Carvalhal,
Leonor Soares são exemplos.

INTERFERÊNCIA:
Como a pintura já não é claramente definível e deixou de ser a
única fornecedora de memoráveis imagens visuais. Alguns artistas
interferem na paisagem, colocam cortinas, guarda-sóis, embrulhos em
locais públicos.
Atualmente, ressaltamos Christo, o único artista que se destaca
com suas interferências.

Obras destacadas: Cartolina no vale, Ponte Neuf (Paris)


embrulhada para presente, Guarda-sóis colocados em um vale da
Califórnia e mais recentemente o Reichstag (Parlamento Germânico
em 1988 – Berlim), que foi envolvido em tecido sintético com duração
de duas semanas.

INSTALAÇÃO:
São ampliações de ambientes que são transformados em cenários
do tamanho de uma sala. É utilizada a pintura, juntamente com a
escultura e outros materiais, para ativar o espaço arquitetônico.
O espectador participa da obra, e não somente à aprecia.

Obra destacada: Homenagem a Chico Mendes de artista Roberto


Evangelista.

ARTE CONCEITUAL:
Surgiu nos anos 60 a partir dos Happenings e tem influencia dos
Ready-made de Marcel Duchamp. A arte conceitual pode usar meios e
materiais não relacionados diretamente com as artes plásticas, como o
vídeo, projetores de slides, fotografia e põe em causa as definições de

97
arte de uma forma mais radical do que a Arte Pop, pois insiste que é
na imaginação, no idealismo, na idéia geradora, no conceito, que
prevalece a arte e não a execução. “Uma vez que a obra de arte é um
sub-produto acidental desse salto imaginativo, pode perfeitamente ser
dispensada, assim como as galerias de arte e por extensão o próprio
público. P processo criativo só precisa ser documentado de alguma
forma geralmente verbal, ou pela fotografia, vídeo ou cinema.”

Artistas mais representativos:


Joseph Beuyes, alemão, se iniciou como escultor, utilizando materiais
insólitos, como gordura, feltro, elementos naturais e materiais
industriais (também conotado com a Arte Povera – Arte Pobre). Dele
escreveu Gillo Dorfles, “A própria personalidade física do artista faz
parte da obra (ou da encenação). Beuys serve-se habilmente do corpo
com ações publicas onde os seus gestos, as suas inclinações, a sua
participação com comportamentos diversos ajudam à compreensão do
espectador. Nos últimos tempos, porém, o aspecto mais singular da sua
atividade consistiu numa deliberada missão “de prédica”. Beuys
procedo como um sacerdote laico que, com as suas palavras, visa
convencer o auditório de alguns princípios ético-estéticos e politico-
espirituais”.
Joseph Kosuth, USA, impôs-se muito jovem na cena mundial da
vanguarda com uma obra desconcertante (one and three chairs, 1965-
66), onde apresentava uma cadeira verdadeira, ao lado de uma
fotografia da mesma cadeira e junto desta um texto escrito em que se
podia ler a definição de cadeira, tirada de um dicionário. Graças a uma
importante obra ensaistica é um dos maiores animadores no atual
debate sobre o papel do artista na sociedade contemporânea.
Giulio Paolini, Itália, tem uma obra essencialmente de pesquisa.
Vincenzo Agnetti, Itália, autor de uma obra de provocação intelectual.
Yves Klein, francês; Sol Le Witt, Ad Reinhardt, Frank Stella; Robert
Mangold, USA, pintores minimalistas; Donald Judd; Robert Morris,
USA, autor de enormes esculturas geométricas; Lawrence Weiner,
Anthony Caro, USA; Marcel Broodthaers, Belga; Keith Arnatt, GB e
etc.
Em Portugal, podem citar-se os pintores Ângelo de Souza, Jorge
Pinheiro, Álvaro Lapa, Artur Bual, Antonio Charrua, Luis Dourdil,
como representantes do informalismo/minimalismo.
Dentro da Arte Conceitual, pode inserir-se o Minimalismo
(minimal art), corrente dos anos 60 e 70, que como o nome indica

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pretendia desenvolver uma arte de grande simplicidade, reduzida a
materiais e formas geométricas puras, como configurações
triangulares, quadradas, circulares e cores monocromáticas. Como
muita da arte “moderna” e “pós-moderna”, o minimalismo questiona o
papel dos artistas e a natureza da criatividade.
Também as denominadas Land Art ou Earth Art (arte da terra), a
Arte Povera (arte pobre), sub tendências que existem desde os anos 60,
podem estar inseridas no espírito da Arte Conceitual, embora possam
ser conotadas com a chamada “Vanguarda” dos anos 60 e 70.
A Land Art, que pretende intervir nos espaços naturais, com
“instalações”, deixando sinais ou marcas ecológicas, nasceu e
desenvolveu-se nos EUA. Os seus principais representantes são Denis
Openheim, Robert Smithson,Carl André, Richard Serra, Richard
Long, Walter de Maria, Heizer.
A arte Povera, quando o critico italiano Germano Celant utilizou
pela primeira vez esta designação, em 1907, referindo-se à participação
de uma geração de artistas de vanguarda, entre Turin e Roma, o
famoso “milagre italiano”, como era conhecido o dinamismo econômico
da Itália do pós guerra, vivia a hora da recessão. Depois da
industrialização acelerada e da euforia de consumo provocada por um
modelo importado dos USA, a Itália entrava, por volta do inicio dos
anos 60, em depressão econômica, com profundos desequilíbrios sociais
e conflitos políticos.
É nesse clima de crise que sopra um vento literário, uma explosão
artística existencial, anarco-utópica, a pôr em questão a sociedade e a
arte como intervenção direta. No cinema, Pasolini. Na literatura, Ítalo
Calvino e Umberto Eco. No teatro, estreitam-se as relações entre
performance plástica e ação cênica, o Living Theatre omnipresente nas
cidades da Itália. Germano Celant resume a formula: “Arte povera +
azioni povera” (arte pobre + ação pobre).
Afirmando-se especificamente como manifestação européia, a
“Arte Povera” refere uma aventura intelectual e artística cujos
fundamentos ideológicos estão em oposição às propostas formalistas e
consumistas da arte americana e traduz uma atitude moral, uma
posição crítica, ética e política.
A “Arte Povera”, segundo as palavras de Celant, “significa
disponibilidade e anti-iconografia, introdução de elementos e imagens
perdidas, vindas do cotidiano e da natureza.”
É uma nova energia que se reclama das intenções da existência, da
realidade dos elementos e do homem. Os artistas exprimem-se

99
essencialmente e realizando instalações onde utilizam materiais
orgânicos, simples, “pobres”, querendo elevar as coisas mais banais e
mais insignificantes ao nível da arte. É como “um vasto campo de
convergências” onde se encontram ao mesmo tempo textos de artistas e
obras de um conjunto de criadores, então desconhecidos, hoje
solicitados pela cena artística internacional: Giovanni Anselmo,
Aligfhiero Boetti, Calzolari, Luciano Fabro, Jannis Kounellis, Mario
Merz, Marina Merz, Giulio Paolini, Pino Pascali, Giuseppe Penone,
Michelangelo Pistoletto, Gilberto Zorio e etc.

TRANSVANGUARDA, NEO-EXPRESSIONISMO, NOVOS


SELVAGENS, BAD PAINTING, NOVA FIGURAÇÃO E PÓS-
MODERNISMO:
Estes são alguns dos termos usados para enquadrar artistas em
correntes desde os anos 80 até o presente. “O Neo-expressionismo,
como alternativa. A partir dos finais dos anos 70, produz-se um
predomínio da pintura relativamente a qualquer outro tipo de
manifestações, embora haja locais em que a escultura adquiriu nítida
preponderância.” Seria o caso da escultura britânica, que conta com
grande numero de criadores importantes e que fundamenta a sua
linguagem nas técnicas da colagem e montagem.
Nos outros países da Europa, o pictórico triunfou plenamente e
poderia acrescentar-se que a corrente mais representativa é a que se
entendeu chamar Neo-expressionista na Alemanha e transvanguarda
na Itália. Essas denominações, contudo, reúnem um gênero de
manifestações que nem sempre se caracteriza pelos mesmos elementos e
portanto dir-se-á que não são muito coerentes. Podem indicar-se,
todavia, algumas constantes.
Em primeiro lugar, observa-se uma tendência para justapor uma
linguagem figurativa ao abstrato. Assim, sobre fundos formados por
manchas ou por franjas de cor, o artista dispõe configurações em largos
traços negros que contrastam violentamente com os fundos. Por outro
lado, as maioria dos artistas opta por pinturas de grandes formatos. Os
artistas nunca partem da cópia da realidade, mas esquematizam ao
Maximo os traços dos personagens captados. Do mesmo modo, quando
o assunto é a paisagem, quer rural quer urbana, também não se trata
de representações de caráter imitativo, mas apenas referencial. Os
objetos são capitados de um modo intuitivo e inseridos sem
preocupação pela perspectiva no conjunto pictórico.

100
O fato de estas pinturas se terem denominado neo-expressionistas
deve-se fundamentalmente a terem seguido a corrente expressionista
dos inícios do século. Isso sucede, como é lógico, de forma muito
peculiar, pois de contrario, poderia implicar uma simples cópia ou
inclusivamente apresentar-se a possibilidade de plágio, o que não
acontece. Nesse sentido o neo-expressionismo atua como uma tendência
da pós modernidade e recorre à “citação” de uma manifestação
anterior para construir, a partir dela, algo completamente novo. Não
foi em vão que decorreram mais de setenta anos depois de os artistas
alemães iniciarem o caminho do expressionismo.
Todas as outras correntes, logicamente, deixaram o seu ratro e a
sua presença, embora em estado latente, nesse neo-expressionismo.
Talvez se possa dizer desta corrente que é eclética, na medida em que
reúne os mais diversos elementos procedentes de correntes anteriores.
Mas no seu ecletismo existe algo verdadeiramente importante, como
seja a possibilidade de continuidade, o que se considerava nas últimas
décadas como impossível. Chegava-se a falar da morte da pintura, para
dar lugar a uma nova era dominada pela arte feita por computador.
Entretanto, viu-se que o artista do século XX foi capaz, embora
recorrendo ao passado, de renovar o seu repertório e de oferecer um
tipo de pintura despreocupada.
O tempo determinará a sua importância e permitirá estabelecer
quem são os artistas mais representativos do neo-expressionismo e das
restantes tendências contemporâneas. De momento, apenas se podem
dar listas que correm o risco de pecar por incompletas ou por
demasiado exaustivas.
Na Itália, trabalham nessa tendência pintores como Mimmo
Paladino (1948); Sandro Chia (1946); Francesco Clemente; Nino
Longobardi; Enzo Cuchi (1950); Mario Schifano (1952) e Mario Merz
(1925), entre outros.
Na Alemanha, os neo-expressionistas mais conhecidos na
atualidade são: Georg Baselitz (1938), pintor que muitos vezes
apresenta os seus quadros invertidos; Anselm Kiefer (1945); Doukoupil
(1954 Tchecoslovaquia); Salomé (1954); Markus Lupertz (1941); A. R.
Penck (1941); Per Firkeby, Jorg Immendorff (1945); Andréas Schulze
(1955), Gerhard Richter (1932); Sigmar Polke (1941), Martin
Kippenberger (19532), e Werner Buttner (1954).
Nos Estados Unidos, Jean Michel Basquiat e Keith Haring,
inicialnmente “apadrinhados” por Andy Warhol; Kenny Scharf; Eric
Fischl; Julian Schnabel; Cindy Sherman; Jeff Koons, escultor

101
polemico; Robert Longo, escultor e autor de instalações; James Turrell,
autor de “instalações” e “ambientes” que jogam com efeitos de luz;
David Salle.
Na Grã-Bretanha, Gilbert & George, Aléxis Hunter, Richard
Deacon, Victor Willing (marido da pintora Paula Rego), Ken Kiff,
Tony Cragg, Douglas Gourdon e Alan Davie entre outros.
Em Portugal, Álvaro Lapa; Paula Rego; João Penalva; Graça
Moraes; Sergio Pombo; Julião Sarmento; Cabrita Reis; J. Pedro Croft;
Leonel Moura; Pedro Proença; Pedro Calapez; Rui Chafez; Fernando
J. Pereira; Pedro Tudela; Antonio Olaio, entre outros.
No Brasil, Leonilson; Jorge DUARTE; Adir Sodré e Gervane de
Paula.
Na França, Grard Garouste; Robert Combas; François Boisrond e
Remi Blanchard.
Na Esopanha, há também muitos representantes notáveis das
“novas” tendências, como Miguel Barceló; Eduardo Arroyo (equipe
crônica); Frederic Amat; Ferran Garcia Servilha; Victória Civera;
Chema Cobo; Jose Maria Sicília; Florenci Guntin; Benassar; Alfonso
Fraile; Juan Bordes; Juan Gopar; Juan Muñoz; Manolo Valdes e
Cristina Iglésias escultores, (Equipe Limite), e etc.
A falta de objetividade relativamente a um movimento que na
atualidade se encontra em plena efervescência impede de estabelecer
com maior clareza quais são os seus objetivos e sobretudo, qual será o
seu futuro ou, pelo menos, aonde vai desembocar. O Neo-
Construtivismo Abstrato a figuração politizada tendem já, em certos
meios artísticos, a invadir o seu campo de ação, repondo a exigência de
progresso, de internacionalismo, de projeto e de consciência da
história. O Pós-Moderno, com a sua fragmentação, citações paródicas,
redundância e acaso, relativisa a história e afirma o regionalismo.
Os alemães recuperam o movimento moderno em que mais se
prestigiam, o expressionismo, enquanto os italianos citam a pintura
anti-cubista dos anos 10, que por sua vez citava já as tradições pós
renascentistas que as notabilizaram.
À margem da história oficial, quer política quer cultural, o
problema da maternidade ou da pós-maternidade põe-se de uma
maneira menos datada em Portugal, no Brasil e em outros paises
latino-americanos, sendo os seus artistas por vezes mais profundos e
originais, se não precursores, no que quer que se chame rigorosamente.
“O novo não é novo: o espírito da época”

102
Nos últimos anos deste século, a arte sofreu uma transformação.
Embora a sua própria essência seja a constante mudança, desta vez ela
atingiu camadas mais profundas, não se limitando aos aspectos
exteriores. O próprio conceito de arte é posto em questão. Não
obstante, à primeira vista, esta transformação manifesta-se em
numerosos aspectos exteriores> Assim, talvez a arte contemporânea
nunca tenha desfrutado de tal popularidade como agora. Os preços
sobem em flecha, colecionadores privados encomendam obras em
quantidades sem precedentes. Museus e galerias de arte dificilmente
conseguem conter as multidões de visitantes que afluem às
inaugurações das suas exposições. Este êxito vem-se registrando desde
há muito tempo, revelando uma tendência para o seu aumento. Os
preços astronômicos que as obras clássicas dos tempos modernos
atingem nos leilões de Londres e Nova Iorque, constituem um
investimento seguro para o futuro. Uma seguradora japonesa pagou o
equivalente a cerca de 72,5 milhões de dólares pelo quadro Girassóis de
Vincent Van Gogh que, freqüentemente pintou este mesmo tema e que,
em vida, apenas vendeu um único quadro.
Em 1987, os peritos do mundo da arte vaticinaram que este “preço
recorde” de uma obra de arte moderna atingindo a nível mundial seria
batido em curto prazo. E tiveram razão. Ainda em maio do mesmo ano,
o Dr. Gachet de Van Gohg ultrapassou aquela marca na Galeria
Sotheby, sendo o novo recorde de 82.5 milhões de dólares. Este fato
revela uma grande confiança nas perspectivas futuros do comercio de
arte. O preço Maximo alcançado por este pintor holandês não foi um
caso isolado.
Se os investidores privados estão dispostos a despender quantias
tão elevadas por quadros de mestres desaparecidos ainda há menos de
um século, isto significa que confiam nas suas perspectivas e esperam
que surjam mais Van Gohgs. Os artistas vivos são, por conseguinte,
direta ou indiretamente, beneficiados por esta situação.
A arte contemporânea tornou-se um componente natural da
sociedade burguesa. Mesmo as obras acabadas de sair do atelier de um
artista são bem acolhidas, obtendo, relativamente rápido, o
reconhecimento demasiado depressa, segundo os críticos de arte mais
indispostos. Naturalmente que nem todas as obras de arte encontram
logo um comprador, mas é indubitável que o número dos seus
compradores aumenta a um bom ritmo. Em vez de comprarem
automóveis mais dispendiosos ou velozes, muitos preferem investir em
quadros, esculturas e trabalhos fotográficos de artistas jovens, tendo

103
em mente que a arte contemporânea confere prestigio social. Além
disso, como as obras de arte não estão sujeitas a desgaste, constituem,
em principio, melhor investimento que os automóveis.
Os hábitos americanos começam a infiltrar-se na Europa: para
pertencer à elite social, ou aqueles que se consideram como tal, é
preciso saber falar de arte. No mundo ocidental, a arte contemporânea
voga mesmo sob ventos políticos favoráveis. Na França, um ministro
socialista da cultura defendeu a arte contemporânea mais do que
qualquer antecessor seu, tornando-se a figura mais popular do seu
governo. Apesar de nas eleições parlamentares não ter conseguido
impedir a derrota do seu partido, contribuiu para o prestigio da
cultura francesa; e um chanceler federal alemão da ala concervadora
abriu, de bom grado, as portas do seu gabinete às mais recentes
produções de arte contemporânea e não se coibiu em promovê-la
através de dispendiosas vernissage sobre a nova pintura.
Por último, estados e municípios da Alemanha Federal, cidades ,
províncias e regiões da França, Itália e dos Países Baixos, assim como
mecenas privados na Grã-Bretanha tentam suplantar-se mutuamente
com a fundação de novos museus e galerias de arte. A concepção de
projetos para novos museus tornou-se também uma tarefa apreciada e
muito pretendida pelos arquitetos.
Ao fazer-se um exame das correntes artísticas dos anos 80, o que
salta primeiro à vista é a abundante utilização do adjetivo “novo”.
Fala-se dos “novos pintores selvagens”, de uma arte “neo-figurativa”,
de uma “nova pintura alemã” ou de uma “nova pintura austríaca”.
Tudo aquilo de que se fala aparece a luz do “novo”. Aos “novos
selvagens” seguiu-se, numa rápida mudança, uma arte com um
programa neo-geometrico designada, abreviadamente, por “Neogeo”. E
como se não fosse suficiente: ainda os artistas neo-figurativos e neo-
geometrico de Nova Iorque e Colônia, Paris e Viena, Londres e Milão,
que definiam as tendências, não tinham saído das galerias para
iniciarem as suas longas digressões e apresentarem as suas exposições
em museus e galerias de arte internacionais, já os neo-conceptualistas
reclamavam a atenção do mundo da arte. Acontecia freqüentemente
que o que era lançado na Primavera, revelava-se, no outono do mesmo
ano, como obsoleto. E por mais estranho que pareça, eram os mesmos
críticos anteriormente citados que levantavam mais alto do que
ninguém que não aparecia nada de “novo”. Aliás, são eles que não
estão dispostos a aceitar de bom grado esta situação: o fato de a arte
contemporânea obedecer tão cegamente às leis da moda e que artistas

104
relativamente jovens e de ambos os sexos tenham um sucesso
comparável ao das “estrelas” do mundo do espetáculo e acima de tudo
não lhes agrada a idéia de que a arte contemporânea não pretende
inscrever no seu estandarte o novo pelo amor ao novo.
O emprego inflacionado do adjetivo “novo” no contexto das
diversas correntes artísticas não correspondente, de modo algum, à
concepçãp da linguagem corrente. Este adjetivo nunca aparece isolado,
mas sempre como prefixo, ligado a uma tendência artística já existente.
O novo não é, afinal de contas, tão novo e também não tem de o ser.
Por isso, é fácil para os críticos de arte porem a ridículo todo o
palavreado em redor da arte “nova” como servindo apenas para
encobrir o fato de que “o rei vai nu.”

GRAFITTI:
Definido por Norman Mailler como “uma rebelião tribal contra a
opressora civilização industrial” e por outros, como “violação,
anarquia social, destruição moral, vandalismo puro e simples”, o
grafitti saiu do seu gueto, o metrô e das ruas das galerias e museus de
arte, instalando-se em coleções privadas e cobrindo com seus rabiscos e
signos os mais variados objetos de consumo. A primeira grande
exposição de grafitti foi realizada em 1975 no “Artist’s space”, de Nova
York, com apresentação de Peter Schjeldahi, mas a consagração veio
com a mostra “New York/New Wave” organizada por Diego Cortez,
em 1981, no PS 1, um dos principais espaços de vanguarda de Nova
York.

Características gerais:
- Spray art, pixação de signos, palavras ou frases de humor rápido,
existe a valorização do desenho.
- Stencil art, o grafiteiro utiliza um cartão com formas recortadas
que, ao receber o jato de spray, só deixa passar a tinta pelos orifícios
determinados, valorizá-se a cor.

Principal artista:
Jean Michel Basquiat, (1960-1988), nascido no Haiti, iniciou sua
carreira grafitando as paredes e muros de Nova York. Seus grafites
mostravam símbolos de variadas culturas de obras famosas, e
principalmente ícones da cultura e consumo americanos,
principalmente no contexto político e social. As temáticas do seu

105
trabalho refletem suas preocupações, como o genocídio, a opressão e o
racismo. Com 21 anos participou da sua primeira coletiva em Nova
York. Foi patrocinado por Andy Warhol (Pop Art), a partir da virou
celebridade. Morreu prematuramente em virtude de depressão e
drogas.

No Brasil, destacam-se os artistas: Alex Valauri, Waldemar


Zaidler e Carlos Natuck.

PRÉ-COLOMBIANOS: MAIAS - ASTECAS - INCAS:


Tal como os negros nigerianos, os americanos pré-colombianos,
sabiam apresentar a face humana de madeira natural.
As civilizações mais avançadas da América Central foram a Maia e
a Asteca. Os Maias estabeleceram-se ao norte da península de Yucatán
e construíram várias cidades-santuarios, enquanto os Astecas se
estabeleceram nas ilhotas do lago de Texcoco, onde edificaram a capital
de seu império, México-Tenochtitlán. O império Maia teve uma
organização estatal e social bem definida, nas quais se diferenciavam
classes sociais e profissões. Foi essa mesma organização que os
beligerantes astecas adaptaram ao chegar ao vale do México.
Os mais desenvolvidos cientificamente e intelectualmente foram os
Maias: possuíam um sistema de escrita hieroglífica e atingiram grandes
avanços na astronomia e na matemática. Seu calendário de 365 dias
revelou-se mais exato que o utilizado então na Europa. Além disso já
conheciam o zero. Parte de seus conhecimentos foi absorvida pelos
Toltecas, que por sua vez os transmitiram para o resto das culturas do
vale do México e para os astecas, que conseguiram vencer as cidades da
Tríplice Aliança e estabeleceram assim seu império.
Ambos os povos deixaram o testemunho de sua grandeza em obras
arquitetônicas colossais, representadas por templos e palácios em
terraços piramidais, bem como em relevos e esculturas decorativos e
suas pinturas e objetos suntuosos. Os próprios conquistadores
espanhóis se deram conta das maravilhosas obras de ourivesaria de
prata, ouro e pedras preciosas dos astecas, utilizadas para dfecorar
palácios e templos, e das quais existem exemplos não apenas nos
museus do México, mas também nos de toda a Europa.

106
Pintura:
No ano de 1946 foi descoberta Bonampak, uma construção de três
salas, ou câmaras, cobertas de pinturas murais coloridas. Essas
pinturas chegaram quase intactas até o século XX, não só pelo fato de
term permanecido longe da vista dos espanhóis, mas também por terem
ficado protegidas por uma fina camada de calcário, depositada
naturalmente sobre sua superfície. Longe de toda abstração simbólica,
esses murais apresentam-se impregnados de figuras representativas de
um determinado momento histórico.
Cada parede representa uma cena, narrada com riqueza de
detalhes. É surpreendente o contraste deliberado de cores, bem como
sua grande variedade: as preferidas eram o vermelho e suas diferentes
tonalidades, o amarelo, o azul e o verde. A perspectiva é obtida pelas
superposições e escorços das figuras. Os rostos possuem traços
individualizados. O conjunto apresenta os contornos acentuados. A
pintura Asteca, ao contrario, manteve-se como complemento de relevos
e teve um caráter simbólico.
A ausência de um sistema preestabelecido de escrita, como a dos
Maias, transmitiu tanto aos desenhos como as cores da pintura Asteca
uma simbologia comparável à dos hieróglifos egípcios, e influiu na
almejada abstração. Sabe-se que, a partir da conquista espanhola, os
Astecas passaram a produzir pinturas de gosto europeu para os
conquistadores, e foram de fato excelentes copistas. Conservavam-se
também manuscritos e cópias de livros com iluminuras, encomendados
pelas cortes européias.

Escultura:
Para os Maias, a estatuaria deveria ser imagem e semelhança da
realidade. Em suas esculturas é possível identificar as características
físicas do povo, e em muitos casos existiu até um afã de
individualização dos rostos ou de sentimentos, embora persistindo a
esquematização. Ao contrario dos Astecas, as formas Maias são mais
suaves e arredondadas e mais estilizadas. A escultura colossal é muito
comum como complemento de templos e palácios, sobretudo a figura
do Chac Mool, ou mensageiro sentado.
São significativos os baixos-relevos dos templos, nos quais os
artistas Maias combinaram figuras naturalistas com fundos
geométricos acompanhados de textos em hieróglifos, não tão abstratos
como os egípcios, mas igualmente informativos, do estilo das gravações
de estrelas comemorativas. Não menos perfeitas foram as gravuras

107
sobre madeira das portas e seus respectivos dintéis. As figuras
modeladas em estuque para a decoração de interiores valeram-lhes o
qualificativo de primeiros barrocos da América Central.
A estatuaria Asteca era de um simbolismo profundo e de uma
linguagem tendente à abstração, que negava todo naturalismo. Sua
função era eminentemente religiosa, motivo por que as figuras
representadas eram normalmente deuses acompanhados de seus
atributos. Os materiais mais utilizados eram a pedra, andesita e
pórfido, e a terracota. O Deus mais importante era Quetzalcoatl
representado como homem ou serpente emplumada, já conhecido pelos
antecessores dos Astecas, os Toltecas.
Tlaloc: O Deus da chuva Asteca (século XIV-XV). A boca é
formada por duas cabeças de cascavel, colocadas frente a frente,
serpentes sagradas, simbolizavam o poder do raio.

ARTE INCA:
As origens do povo Inca remontam as civilizações anteriores aos
Nazcas e Tihuanacos. As crônicas do império narram a história da
família Ayar, que emigrou para Cuzco vinda do norte, cujo último
sobrevivente alcançou a condição de Deus. De fato, sabe-se com
segurança que esse império chegou a abranger mais de 900 000 km2 na
costa do Oceano Pacifico e que seu primeiro imperador-chefe, Manco
Capac, criou, por volta do século XV, o sistema de organização social e
estatal mais avançado da América pré-colombiana.
Essa organização do estado, aliada ao estabelecimento de uma
religião e uma língua oficial, permitiu a convivência pacifica de uma
grande dibversidade de etnias submetidas a um governo central, que
por sua vez delegou o poder às famílias mais importantes de cada
aldeia. Como em qualquer outro império do Ocidente, utilizaram a arte
com expressão máxima da difusão de seu poderio. A função religiosa
cedeu lugar à representativa e utilitária, com obras mais próximas da
engenharia do que das disciplinas artísticas.
Os testemunhos mais importantes dessa cultura encontram-se na
arquitetura monolítica e despojada de ornamentos, na qual
demonstraram tanto uma técnica impecável quanto uma grande frieza
expressiva. Atribuíram também grande importância à industria
metalúrgica, principalmente na fabricação de armas, ao artesanato
têxtil e à cerâmica.

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Nessa ultima, dedicaram-se às peças pequenas e às estatuetas
antropomórficas, num estilo tão ascético quanto o da arquitetura.

Escultura:
A cerâmica Inca revelou uma característica estrita de
funcionalidade e desenho, baseada na fusão com obras de civilizações
anteriores, como os Nazcas e Chimus. Limitados por essa
esquematização, os ceramistas tentaram, entretanto, imprimir um
caráter individual a cada peça, por meio do uso de cores chamativas e
bordas geométricas cada vez mais complexas. As formas básicas eram
urpu, espécie de cântaro; e raqui, ou jarro; as vasilhas de vários pés; e
os puynos, utensílios-escultura de grandes dimensões.
Os Incas modelaram também estatuetas antropomórficas e keros,
vasilhas de madeira decoradas com cenas ou figuras de animais. Os
motivos são na maioria discretos e puristas. Evitou-se o exagero e a
opulência, bem como o irregular ou assimétrico. Embora certamente
dispusessem de grande variedade de cores e até jogassem com as gamas
mais fortes, utilizaram, em composição, fundos neutros com
predominância dos tons terra e ocre. Isso se refletiu também nas
estampas dos tecidos.

ARTE CHINESA E JAPONESA:


A arte do extremo oriente, rica e variada em suas manifestações,
revela, na China e no Japão estreito relacionamento com a religião,
sendo ao mesmo tempo eco das numerosas dinastias chinesas e dos
guardiões da cultura (bonzos) japoneses. O vinculo permanente entre
ambos os países determinou a influencia do primeiro sobre o segundo,
desde os séculos V e VI até o XIX, em todas as disciplinas artísticas,
embora com o tempo os artistas japoneses tenham forjado suas
imagens próprias, naturalistas e distanciada do simbolismo chinês.
Um dos fatores que determinaram essa estreita relação cultural foi
a religião, mais precisamente o budismo. Os chineses, a principio
taoistas e confuncionistas, começaram a absorver as crenças budistas,
depois da expansão do império gupta (indiano) no século IV, sendo
definitiva a instauração dessa religião durante a dinastia Tang (século
VI). O Japão recebeu o budismo das mãos dos chineses durante o
período Nara (645-784). Difundiram-se assim os primeiros templos
chineses, os pagodes, inspirados nos stupas hindus.

109
A escultura chinesa também adotou as ousadas e elegantes formas
da Índia, que transpôs para o Japão nas estatuas colossais de Buda. A
cerâmica e a porcelana ocorreram com igual profusão em ambas as
culturas, embora os motivos tenham nascido da iconografia chinesa. Os
melhores expoentes pertencem às dinastias Ming e Ys’ing. A pintura de
paisagens atingiu o auge na China a partir do século XII, mas então o
Japão desenvolveu um estilo próprio, de costumes e narrativo, carente
do lirismo e da intelectualidade dos chineses.

Arquitetura:
Tanto uma como outra, tiveram e continuam tendo um caráter
eminentemente funcional, não apenas no que se refere a habitabilidade,
mas também ao conceito de integração ao cosmo ou harmonização com
a natureza. Para os chineses, a arquitetura deveria ser uma réplica do
universo. As formas quadradas, que representam a terra, e as
arredondadas, que simbolizam o céu, combinam-se de tal maneira que
tanto templos, quanto pagodes exibem aparência semelhante em
atenção a essas normas.
No geral, as construções chinesas que mais receberam atenção
foram os templos, localizados sobre um terraço com orientação
especifica, tendo em vista as estações do ano. O exemplo mais
interessante é o da Cidade Proibida, construída para o imperador no
inicio do século XV. Ali se pode observar a disposição do templo e dos
diferentes palácios, com um imenso jardim central, que se estende por
pequenos pátios internos em cada um dos diferentes edifícios.
Os telhados típicos de terracota, com suas pontas para cima, além
de serem uma realização complexa, simbolizam na China a união entre
o celestial e o terrestre. No Japão, persistiu-se na tradição arquitetônica
chinesa para os templos budistas, o que não ocorreu com a arquitetura
profana. Uma das construções mais típicas é o rikyu, criado por Kobori
Ensnu, para a realização da cerimônia do chá. Trata-se de uma vivenda
onde o volume e a simplicidade de formas são os personagens
principais.
Os materiais utilizados são os que o entorno natural oferece, no
geral madeira e argila, e em alguns casos também cobre e junco,
principalmente nos telhados. Com o tempo, os rikyu passaram a servir
de modelo para habitações particulares pela capacidade de
transformação do espaço que suas leves divisórias corrediças
ofereciam. Construído em meio a um jardim de plantas perenes, pedras
e água, que convidam à meditação, o rikyu continua sendo hoje em dia

110
uma das construções de maior influencia na arquitetura
contemporânea ocidental.

Escultura:
As primeiras esculturas chinesas eram figuras zoomórficas
monumentais da época da dinastia Han, tanto em pedra como em
bronze. Sob o governo da dinastia T’Sang proliferaram as figuras em
madeira pintada e folheadas a ouro, típicas da plástica indiana. Pode-se
dizer que esses modelos se conservaram ao longo de toda a história da
arte chinesa quase sem variações estilísticas, com exceção das famosas
estátuas monumentais do príncipe Buda, pertencentes à dinastia Ming
(século XIV).
Os escultores japoneses adotaram os modelos búdicos austeros da
dinastia chinesa T’ang, combinado-os com os preceitos históricos do
xintoísmo. Não satisfeitos com a idealização chinesa, tentaram dotar
sua estatuaria de grande expressividade, o que os levou a colorir rostos
e intensificar as feições. Esse expressionismo foi transferido depois para
as máscaras de teatro do século XV. Ousados e inconformados, os
artistas japoneses não temeram cair num certo maneirismo próximo do
grotesco.
Os trabalhos em jade, bronze, cerâmica e porcelana de caráter
suntuoso, nos quais tanto os chineses quanto os japoneses
demonstraram um refinamento singular e uma grande exigência de
qualidade, obscureceram a escultura. As jóias e os objetos decorativos
em jade, pedra extremamente difícil de se esculpir, e os espelhos
decorados eram muito cobiçados pelos aristocráticos mecenas
japoneses. A porcelana faz parte da tradição: a mais representativa
continua sendo o azul cobalto e branca (Arte Ming).

Pintura:
A extensa história da pintura chinesa começou com um quadro
sobre seda encontrado recentemente e que pertenceu à dinastia Shou
(206 a.C.). A ele seguem-se os afrescos dos tempos da dinastia Han e
mais tarde os da Tang, muito bem conservado e de uma elegância e
refinamento característicos das cortes imperiais. Os motivos eram
tanto religiosos quanto profanos. Existia o pequeno formato de álbuns,
combinando as ilustrações com letras desenhadas. No século XI
aparecem os primeiros quadros de paisagem.
O paisagismo foi considerado na China o gênero pictórico mais
relevante e atingiu o apogeu durante a dinastia Song (IX-XIII). As

111
paisagens ostentavam formas puras e simbólicas, as composições eram
em geral assimétricas e obtinha-se uma ilusão de perspectiva sem
paralelo na pintura universal. A partir de então, a pintura chinesa se
limitou à imitação dos modelos antigos, e surgiram as pinturas sobre
seda e as gravuras, que tão imitadas seriam na Europa rococó
(Chinoiserie).
A pintura japonesa, no essencial, não se afastou do modelo chinês.
A principio também se produziu grande quantidade de afrescos, que
decoravam as paredes dos templos. De caráter naturalista, eram
semelhantes às primeiras pinturas budistas dos pagodes chineses. Já
em plena Idade Média, os pintores japoneses abandonaram
definitivamente os temas religiosos e optaram por ilustrar o
refinamento e os luxos da corte. Adquiriu então importância a técnica
de aquarela sobre papel ou seda, sempre segundo cânones estéticos
chineses.
A partir do século XIV, a pintura sobre seda se transformou no
gênero mais valorizado, e manifestou-se uma renovada religiosidade
nos temas. Também foi o apogeu dos gêneros paisagistas e de costumes,
com os conhecidos quadros da cerimônia do chá. O grande
ressurgimento da pintura não chegou senão no século XVIII, com os
quadros de costumes conhecidos como ukiyo e obras de Utamaro e
Hokusal, que tanta influência exerceram sobre a pintura dos séculos
XIX e XX, principalmente e dos impressionistas e modernistas.

ARTE INDIANA E KHMERIANA:


Deve-se entender como arte indiana aquela que se manifestou não
apenas na Índia, mas também na Caxemira, Ceilão, Nepal, Tibete e
Indonésia. O modelo, entretanto, foi forjado no país que lhe dá o nome
e difundiu-se a partir do reino vizinho, o Khuner, pelos demais. As
origens da arte indiana remontam às invasões dos arianos, no século
VII a.C., que depois de devastar a civilização do vale do Indo
impuseram sua língua, o sânscrito, e seus escritos religiosos, Os Vedas,
com dinastia dos Mauryas começou um período de esplendor cultural.
O budismo, apesar de posterior ao Bramanismo e contemporâneo
do jainismo, estabeleceu os princípios da arte indiana ao longo de toda
a história, desde seu surgimento. A necessidade de difusão desse
movimento religioso levou à adoção de determinados parâmetros de
representação, que depois foram estendidos às outras religiões. A arte
indiana também recebeu influencia persa, principalmente nas cortes,

112
sob o reinado de Asoka (274-237 a.C.). No século I d.C. surgiram as
três escolas mais importantes da Índia. A de Gandhara e a de Mathura,
no norte; e a de Wengi, no sul. A primeira foi a mais importante, na
medida em que, influenciada pela arte grega, criou a chamada arte
grecobúdica e foi também responsável pela primeira representação
figurativa do príncipe Buda, sentado e com auréola, até então
simbolizado pelo vazio. O chamado período clássico começou com os
reis guptas, que revitalizaram notavelmente a pintura e a escultura e
renovaram as formas arquitetônicas, retomando a tradição indiana,
deixando de lado o budismo.
A arte indiana começou a se expandir a partir da Idade Média e
encontrou seu imitador mais respeitado no vizinho reino do Khmer, no
Camboja. Os artistas desse reino apostaram, entretanto, em
representações mais rígidas, de modo geral estritamente simétricas e
despojadas do sensualismo e erotismo do modelo. Especial relevância
tiveram os templos piramidais, que se difundiram de lá para o resto da
Ásia, e os relevos, de superfícies menos carregadas, aparentemente
devido à falta de conhecimento técnicos de seus escultores.

Pintura:
A pintura indiana complementou a escultura na decoração de
templos e palácios e serviu como veiculo de propagação da religião e da
história a partir da dinastia Vakataka (século V d.C.), que manteve os
princípios estilísticos da dinastia Gupta, anterior a ela: porte colossal,
extravagância e colorido. A técnica utilizada era a do afresco
combinado com a têmpera, ou seja, pintava-se o desenho básico com a
parte úmida, retocando-a depois de seca a superfície. Essa técnica deu
origem a graves problemas no que diz respeito à conservação das
obras.
No geral, as representações tendiam para o naturalismo, ainda que
fossem influenciadas por uma estética sensual e idealista. Os temas
preponderantes eram as cenas de vida do príncipe Buda (O iluminado),
cuja imagem apareceu pela primeira vez nas obras da escola de
Gandhara. Antes, fazia-se alusão a ele através d algum símbolo ou do
vazio, que era a representação mais completa de seu estado de pureza e
santidade. A época do esplendor desse tipo de afresco coincidiu com o
período de transição (séculos V a.C. – I a.C.).
No caso dos afrescos das famosas cavernas de Ajanta, alguns
datam do século II d.C., enquanto outros, mais novos, são do século V,
época em que esse tipo de pintura começa a se difundir por toda a Ásia.

113
No inicio do século X. a pratica do afresco cedeu lugar a miniatura,
consagrada na Idade Média, tanto no Oriente quanto no Ocidente.
Como a pintura era feita sobre folhas de plantas regionais dessecadas e
em rolos de papel, faltavam-lhes o colorido e a vivacidade dos afrescos.
Essa carência foi suprida com a influencia posterior da pintura persa.

Escultura:
A escultura Indiana teve, nas suas origens, um caráter
decididamente naturalista. As figuras talhadas na pedra pareciam se
reproduzir infinitamente para cobrir completamente, num
descontrolado horror ao vazio, as paredes internas e externas do
templo com figuras humanas e de animais, que, além de decorar,
cumpriam a função de ensinar aos iniciados os princípios de Buda.
Apesar de inteiramente figurativa, a arte budista dos pioneiros tempos
evitou representar o príncipe iluminado.
Durante o período clássico (320-570 d.C.) a escultura indiana
começou a adotar elementos fantásticos ao mesmo tempo em que
ganhou em monumentalidade. Essa tendência se manteve por vários
séculos. O melhor exemplo disso é o relevo “A Descida dos Ganges”
(século I d.C.). No século XI apareciam as primeiras imagens do
príncipe santo nas oficinas da escola de Gandhara sob a influencia
grega. Os relevos com cenas eróticas extremamente explicitas, típicas
da decoração dos stupas, surgiram a partir da indianização do
budismo.
Isso se deu ao fato de que sob a dinastia Mahayana, uma das
ramificações religiosas indianas do budismo, o tantrismo, interpretou o
ato sexual como a aproximação do homem divino. A influencia da
estatuaria indiana deixou sua marca no reino vizinho, o Khmer, no
Camboja. As formas búdicas e indianas foram adotadas em
representações mais esquemáticas e rígidas, que evitavam toda a
referencia ao erotismo, com uma qualidade artística visivelmente
inferior, tanto nas estátuas quanto nos relevos.

ARTE ISLÂMICA:
No ano de 622, o profeta Maomé se exilou (hégira) na cidade de
Yatrib e para aquela que desde então se conhece como Medina
(Madinat al-Nabi, cidade do profeta). De lá, sob a orientação dos
califas, sucessores do profeta, começou a rápida expansão do Islã até a
Palestina, Síria, Pérsia, Índia, Ásia Menor, Norte da África e Espanha.

114
De origem nômade, os muçulmanos demoraram certo tempo para
estabelecer-se definitivamente e assentar as bases de uma estética
própria com a qual se identificassem.
Ao fazer isso, inevitavelmente devem ter absorvido traços
estilísticos dos povos conquistados, que no entanto souberam adaptar
muito bem ao seu modo de pensar e sentir, transformando-os em seus
próprios sinais de identidade. Foi assim que as cúpulas bizantinas
coroaram suas mesquitas, e os esplêndidos tapetes persas, combinados
com os coloridos mosaicos, as decoraram. Aparentemente sensual, a
arte islâmica foi na realidade, desde seu inicio, conceitual e religiosa.
No âmbito sagrado evitou-se a arte figurativa, concentrando-se no
geométrico e abstrato, mais simbólico do que transcendental. A
representação figurativa era considerada uma má imitação de uma
realidade fugaz e fictícia. Daí o emprego de formas como os arabescos,
resultado da combinação de traços ornamentais com caligrafia, que
desempenham duas funções: lembrar o verbo divino e alegrar a vista.
As letras lavradas na parede lembraram o neófito, que contempla
uma obra feita para Deus.
Na complexidade de sua análise, a arte islâmica se mostra, no
inicio, como exclusividade das classes altas e dos príncipes mecenas,
que eram os únicos economicamente capazes de construir mesquitas,
mausoléus e mosteiros. No entanto, na função de governantes e
guardiões do povo e conscientes da importância da religião como base
para a organização política e social, eles realizavam suas obras para a
comunidade de acordo com os preceitos muçulmanos: oração, esmola,
jejum e peregrinação.
Arquitetura: As mesquitas (locais de oração) foram construídas
entre os séculos VI e VIII, seguindo o modelo da casa de Maomé em
Medina : uma planta quadrangular, com um pátio voltado para o sul e
duas galerias com teto de palha e colunas de tronco de palmeira. A casa
de Maomé era local de reuniões para oração, centro político, hospital e
refugio para os mais pobres. Essas funções foram herdadas por
mesquitas e alguns edifícios públicos.
No entanto a arquitetura sagrada não manteve a simplicidade e a
rusticidade dos materiais da casa do profeta, sendo exemplo disso as
obras dos primeiros califas: Basora e Kufa, no Iraque, a Cúpula da
Roca, em Jerusalém, e a Grande Mesquita de Damasco. Contudo,
persistiu a preocupação com a preservação de certas formas
geométricas, como o quadrado e o cubo. O geômetra era tão

115
importante quanto o arquiteto. Na realidade, era ele quem realmente
projetava o edifício, enquanto o segundo controlava sua realização.
A cúpula de pendentes, que permite cobrir o quadrado com um
circulo, foi um dos sistemas mais utilizados na construção de
mesquitas, embora não tenha existido um modelo comum. As
numerosas variações locais mantiveram a distribuição dos ambientes,
mas nem sempre conservaram sua forma.. As mesquitas transferiram
depois parte de suas funções aos edifícios públicos: por exemplo, as
escolas de teologia, semelhantes àqueles na forma. A construção de
palácios, castelos e demais edifícios públicos merece um capitulo a
parte.
As residências dos emires, construíram uma arquitetura de
segunda classe em relação às mesquitas. Seus palácios eram planejados
num estilo semelhante, pensados como um microcosmo e constituíam o
habitat privativo do governante. Exemplo disso é o Alhambra, em
Granada. De planta quadrangular e cercado de muralhas sólidas, o
palácio tinha aspecto de fortaleza, embora se comunicasse com a
mesquita por meio de pátios e jardins. O aposento mais importante era
o diwan ou sala de trono.
Outra das construções mais originais e representativas do Islã foi o
minarete, uma espécie de torre cilíndrica ou octogonal situada no
exterior da mesquita a uma altura significativa, para que a voz do
almuadem ou muezim pudesse chegar a todos os fiéis, convidando-os à
oração. A Giralda, em Sevilha, era o antigo minarete da cidade. Outras
construções representativas foram os mausoléus ou monumentos
funerários, semelhantes às mesquitas na forma e destinados a santos
mártires.
Tapetes: os tapetes e tecidos desde sempre tiveram um papel muito
importante na cultura e na religião islâmica. Para começar, como povo
nômade, esses eram os únicos materiais utilizados para decorar o
interior das tendas. À medida que foram se tornando sedentários, as
sedas, brocados e tapetes passaram a decorar palácios e castelos, além
de cumprir uma função fundamental nas mesquitas, já que o
mulçumano, ao rezar, não deve ficar em contato com a terra.
Diferentemente da tecedura dos tecidos, a do tapete constitui uma
unidade em si mesma. Os fabricados antes do século XVI chamam-se
arcaicos e possuem uma trama de 80.000 nós por metro quadrado. Os
mais valiosos são de origem persa e têm 40.000 nós por decímetro
quadrado. As oficinas mais importantes foram as de Shiraz, Tabriz e
Isfahan, no Oriente, e Palermo, no Ocidente. Entre os desenhos mais

116
clássicos estão os de utensílios, de motivos florais, de caça, com animais
e plantas, e os geométricos, de decoração.

Pintura e gráfica: as obras de pintura islâmica são representadas


por afrescos e miniaturas,. Das primeiras, muito poucas chegaram até
nossos dias em bom estado de conservação. Elas eram geralmente
usadas para decorar paredes de palácios ou de edifícios públicos e
representavam cenas de caça e da vida cotidiana da corte. Seu estilo era
semelhante ao da pintura helênica, embora, segundo o lugar, sofresse
uma grande influência indiana, bizantina e inclusive chinesa.
A miniatura não foi usada, como no cristianismo, para ilustrar
livros religiosos, mas sim nas publicações de divulgação cientifica, para
tornar mais claro o texto, e nas literárias, para acompanhar a
narração. O estilo era um tanto estático, esquematizado, muito
parecido com o das miniaturas bizantinas, com fundo dourado e
ausência de perspectiva. O Corão era decorado com figuras
geométricas muito precisas, a fim de marcar a organização do texto,
por exemplo, separando um capitulo de outro.
Estreitamente ligada à pintura, encontra-se a arte dos mosaicistas.
Ela foi herdada de Bizâncio e da Pérsia antiga, tornando-se uma das
disciplinas mais importantes na decoração de mesquitas e palácios,
junto com a cerâmica. No inicio, as representações eram
completamente figurativas, semelhantes às antigas, mas
paulatinamente foram se abstraindo, até se transformarem em folhas e
flores misturadas com letras desenhadas artisticamente, o que é
conhecido como arabesco.
Assim, complexos desenhos multicoloridos, calculados com base na
simbologia numérica islâmica, cobriam as paredes internas e externas
dos edifícios, combinando com a decoração de gesso das cúpulas.
Caligrafias de incrível preciosidade e formas geométricas multiplicadas
até o infinito criaram superfícies de verdadeiro horror ao espaço vazio.
A mesma função desempenhava a cerâmica, mais utilizada a partir do
século XII e que atingiu o esplendor na Espanha, onde foram criadas
peças de uso cotidiano.

ARTE AFRICANA:
Existem muitos preconceitos com relação à arte africana e à África
em geral. A denominação genérica de africano engloba maior
quantidade de raças e culturas do que a de europeu, já que no

117
continente africano convivem dez mil línguas, distribuídas entre quatro
famílias, que são as principais. Daí ser particularmente difícil
encontrar os traços artísticos comuns, embora, a exemplo da Europa,
se possa falar de um certo aspecto identificador que os diferencia dos
povos de outros continentes.
O fato de os primeiros colonizadores terem subestimado essas
culturas e considerado suas obras meras curiosidades exóticas,
provocou um saque sem sentido na herança cultural desse continente.
Recentemente, no século XX, foi possível, graças a antropologia de
campo e aos especialistas em arte africana, organizar as coleções dos
museus europeus. Mas o dono já estava feito. Muitos objetos ficaram
sem classificação, não se conhecendo assim seu lugar de origem ou
simplesmente ignorando-se sua função.
E isso é muito importante para a análise da obra. A arte africana é
eminentemente funcional. Mais ainda, não pode ser entendida senão
com base no estudo da comunidade que a produziu e de suas crenças
religiosas. Basicamente os povos africanos eram animistas, prestavam
culto ao espírito de seus antepassados. Outros chegaram a criar
verdadeiros panteões de deuses, existindo também os povos
monoteístas. Some-se a isso a influencia dos primeiros colonizadores
portugueses, que cristianizaram várias regiões.
O auge da arte africana na Europa surgiu com as primeiras
vanguardas, especialmente os fauvistas e os expressionistas. Estes, além
de reconhecer os valores artísticos das peças africanas, tentaram imitá-
las, embora sempre sob a ótica de suas próprias interpretações, algo
que colaborou em muitos casos, para a distorção do verdadeiro sentido
das obras. Entre as peças mais valorizadas atualmente estão, apenas
para citar algumas, as esculturas de arte das culturas fon, fang, ioruba
e bini e as de Luba.

ARTE OCEANICA:
A arte da Oceania constituiu um conglomerado de expressões
artísticas de grande diversidade. Sua inclusão na história da arte é
bastante recente, data deste século, quando fauvistas e expressionistas
se maravilharam diante da liberdade criativa que expressam as
primeiras peças chegadas ao Velho Continente, vindas das ilhas
paradisíacas dos mares do sul. Alguns, como Gauguin, não titubearam
em se mudar para lá por algum tempo, em busca de novas motivações
temáticas e técnicas.

118
São quatro as etnias principais encontradas no continente da
Oceania, vindas provavelmente da Índia e Indonésia: os australianos,
nos deserto do continente, os papuas, na ilha da Nova Guiné, os
Melanésios, no arquipélago da Melanésia, e os polinésios, na Nova
Zelândia (os maoris) e ilha de Páscoa. Embora todos tenham origem
asiática, cada um desenvolveu diferentes técnicas e disciplinas artísticas
submetidas em parte aos condicionamentos geográficos, climáticos e
materiais de cada região.
Assim, embora no caso do arquipélago da Polinésia e Malanésia os
materiais utilizados sejam variados: fibras vegetais, ossos, corais, penas
de pássaros, madeira e conchinhas; o mesmo já não ocorre com os
aborígines australianos, limitados pela escassez do deserto. Também é
possível detectar diferenças estilísticas consideráveis, inclusive entre os
povos mais próximos: os australianos se preocupam com o simbolismo
religioso, os papuas acentuam a expressividade, e os polinésios, menos
conservadores, buscavam a novidade.

119
Índice Remissivo
ABSTRACIONISMO:..........................................................................................................70
ACTION-PAINTING:..........................................................................................................85
ARTE AFRICANA...................................................................................................................
.......................................................................................................................................117
ARTE AFRICANA: ...........................................................................................................117
ARTE ASSEMBLAGES, AMBIENTES, HAPPENINGS, BODY ART E NOVO
DADAISMO:........................................................................................................................96
ARTE BARBARA:...............................................................................................................20
ARTE BIZANTINA:............................................................................................................18
ARTE CHINESA E JAPONESA:......................................................................................109
ARTE CONCEITUAL:.........................................................................................................97
ARTE EGIPCIA:....................................................................................................................6
ARTE GÓTICA:...................................................................................................................23
ARTE GREGA:....................................................................................................................10
ARTE INCA:......................................................................................................................108
ARTE INDIANA E KHMERIANA:..................................................................................112
ARTE ISLÂMICA:.............................................................................................................114
ARTE NAIF:.........................................................................................................................67
ARTE NOUVEAU:..............................................................................................................45
ARTE OCEANICA:............................................................................................................118
ARTE PALEOCRISTÃ:.......................................................................................................17
ARTE PRÉ-HISTÓRICA:......................................................................................................3
ARTE ROMANA:................................................................................................................14
ARTE ROMÂNICA:............................................................................................................21
BARROCO:..........................................................................................................................34
Classificação da arte:...............................................................................................................1
COBRA:................................................................................................................................86
Como as idéias se espalham pelo mundo?..............................................................................3
Como entendemos a arte?.......................................................................................................2
Conceito:.................................................................................................................................1

120
CONCRETISMO:.................................................................................................................79
CONSTRUTIVISMO:..........................................................................................................77
CUBISMO:...........................................................................................................................60
DADAÍSMO:........................................................................................................................69
DECLARAÇÃO CONJUNTA DE ROTHKO, GOTTILIEB E NEWMAN........................77
EARTH ART:.......................................................................................................................92
EXPRESSIONISMO ABSTRATO:.....................................................................................75
EXPRESSIONISMO:...........................................................................................................51
FOVISMO:............................................................................................................................59
GRAFITTI:.........................................................................................................................105
História da Arte:......................................................................................................................1
IMPRESSIONISMO:............................................................................................................46
INFORMALISMO, EXISTECIALISMO E TACHISMO:..................................................95
INSTALAÇÃO:....................................................................................................................97
INTERFERÊNCIA:..............................................................................................................97
MANEIRISMO:....................................................................................................................29
MESOPOTÂMIA:..................................................................................................................6
MINIMALISMO:..................................................................................................................90
MODERNISMO:..................................................................................................................45
NEOCLASSICISMO:...........................................................................................................39
NEOPLASTICISMO:...........................................................................................................81
O que é estilo? Por que rotulamos os estilos da arte?.............................................................2
OP ART:................................................................................................................................87
PINTURA METAFÍSICA:...................................................................................................68
POP ART..................................................................................................................................
.........................................................................................................................................88
POP ART: ............................................................................................................................88
Por que o mundo necessita de arte?........................................................................................2
PÓS-IMPRESSIONISMO:...................................................................................................49
PÓS-MODERNISMO:..........................................................................................................93
PRÉ-COLOMBIANOS: MAIAS - ASTECAS - INCAS:..................................................106
Quem faz arte?........................................................................................................................2

121
RACIONALISMO:...............................................................................................................95
REALISMO:.........................................................................................................................42
RENASCIMENTO:..............................................................................................................25
ROCOCÓ:.............................................................................................................................36
ROMANTISMO:..................................................................................................................40
SUPREMATISMO:..............................................................................................................75
SURREALISMO:.................................................................................................................82
TRANSVANGUARDA, NEO-EXPRESSIONISMO, NOVOS SELVAGENS, BAD
PAINTING, NOVA FIGURAÇÃO E PÓS- MODERNISMO:.........................................100

122