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Contra razões apelação no expediente apartado de medidas protetivas urgentes - LEI MARIA DA PENHA

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EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ DE DIREITO DA 14ª VARA CRIMINAL DA COMARCA DE BELO HORIZONTE – MINAS GERAIS

Autos nº 0024.......-1

…..., já qualificado nos autos de expediente apartado de medidas protetivas urgentes em seu desfavor, vem, tempestiva e respeitosamente, por seu defensor dativo, nomeado por este juízo, oferecer e requerer a juntada aos autos das presentes CONTRA-RAZÕES ao recurso de apelação interposto pelo Emérito MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS, para apreciação pelo Egrégio Tribunal de Justiça do Estado. Por oportuno informa o Endereço Profissional à Rua …, Bairro Santa Efigênia, Belo Horizonte, Minas Gerais, CEP... onde recebe intimações. Em cumprimento a intimação presente ao despacho que nomeou O Defensor Dativo, informa o número do CPF: ... e os dados bancários: BANCO ….: AGÊNCIA ... CONTA ...

Nestes termos, pede deferimento.

Belo Horizonte, 24 de Agosto de 2012.

Leonardo Zocrato Nébias OAB/MG …

CONTRA-RAZÕES DE RECURSO DE APELAÇÃO ORIGEM: Autos nº 0024....-1 RECORRENTE: MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS RECORRIDO: ...

EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS DOUTA PROCURADORIA-GERAL DE JUSTIÇA DE MINAS GERAIS COLENDA TURMA,

Embora a defesa tenha admiração pelo zeloso representante do Ministério Público, não concorda com suas razões de apelação e com o pedido de reforma da respeitável sentença de folhas: 27/29, proferida nos autos de Expediente Apartado de Medida Protetiva Urgente. O ilustre representante do “Parquet”, afirma nas Razões recursais à folha: 43/44 que a natureza jurídica das medidas protetivas não é cautelar e aduz como fundamento a nomenclatura final do instituto na lei 11.340/06. Em tal argumento afirma que o texto final aprovado da lei 11.340/06 denomina o instituto em questão como “medidas protetivas”, no entanto tal instituto é denominado, conforme consta na lei 11.340/06, “MEDIDAS PROTETIVAS URGENTES”, grifei. Embora a Urgência seja um requisito das medidas cautelares não é o único presente em tal diploma legal. A análise sistemática dos institutos presentes na lei 11.340/06 deixa clara a sua natureza cautelar. O art. 19, §1º da lei 11.340/06 autoriza ao Magistrado a conceder a medida protetiva urgente, de imediato, com cognição sumaríssima, sem a audiência da parte contrária. Logo presente outra característica de natureza cautelar. Ademais a aplicação de medidas Protetivas a um cidadão que não é Réu em Processo Penal afronta de forma indubitável o

Princípio

da

Intervenção

Mínima

tão

caro

ao

Processo

Penal

Constitucional

contemporâneo. Consolidando, portanto, o caráter cautelar da Medida. Aduz, ainda, o recorrente em suas razões, à folha 46, que: “A lei não faz qualquer outra exigência para que a vítima obtenha tais medidas, não sendo dado ao intérprete acrescentar óbices à consecução das mesmas, onde a lei não as colocou.” Ora, “data venia”, a prevalecer tal entendimento o juiz passa a ser mero aplicador formal da frieza da lei. Um Processo justo e concretizador, que analisa e aplica a teoria dos direitos fundamentais, que dá concretude à igualdade, não pode se imobilizar na interpretação gramatical. O conceito de legalidade estrita está a muito superado no ordenamento jurídico brasileiro. O conceito de legalidade é modernamente entendido como juridicidade. A aplicação da lei deve observar o ordenamento jurídico como um todo, mormente aplicar o filtro constitucional. A aplicação de medidas restritivas aos direito fundamentais deve observar a ponderação entre os direitos fundamentais em colisão. A interpretação gramatical e “fatiada” de um diploma legal não é razão para restrição de direitos tão caros ao recorrido. A interpretação sistemática mostra a natureza cautelar da medida e a sua inaplicabilidade diante de fatores que não as autorize, sobretudo a inexistência da Ação Penal por ter a vitima não exercido o seu direito potestativo.

Pelo exposto, requer seja negado provimento ao recurso interposto pelo MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS, mantendo-se a respeitável sentença.

Belo Horizonte, 24 de Agosto de 2012.

Leonardo Zocrato Nébias OAB/MG ...

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