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INSTITUTO SUPERIOR DE CIÊNCIAS

EDUCATIVAS

Curso de Educação Física e Desporto

Trabalho para a disciplina de Treino das


Capacidades Motoras – Módulo de Flexibilidade

“A Flexibilidade no Futebol”
A Flexibilidade no Futebol

ÍNDICE

INTRODUÇÃO...............................................................................................................................2

CLASSIFICAÇÃO DA FLEXIBILIDADE...............................................................................................3

BENEFÍCIOS DA FLEXIBILIDADE.....................................................................................................4

FACTORES INFLUENCIADORES DA FLEXIBILIDADE............................................................................6

MÉTODOS DE TREINO...................................................................................................................8

A IMPORTÂNCIA DA FLEXIBILIDADE NO FUTEBOL............................................................................11

COMO SE TREINA A FLEXIBILIDADE EM CLUBES DE ALTA COMPETIÇÃO..............................................12

BIBLIOGRAFIA.............................................................................................................................15

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A Flexibilidade no Futebol

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A Flexibilidade no Futebol

INTRODUÇÃO

O crescente desenvolvimento da ciência do futebol proporciona a cada dia novos


métodos e maneiras de treino físico, técnico-táctico e psicológico. O condicionamento físico
dos atletas é um dos aspectos que mais se desenvolveu na ciência do treino. Cada capacidade
motora apresenta características próprias para seu aperfeiçoamento. Muito se discute sobre a
importância da flexibilidade no futebol moderno.
Este trabalho tem como objectivo saber qual a importância do treino da flexibilidade no
futebol.
A Flexibilidade pode ser definida como a capacidade de executar movimentos de
grande amplitude articular por si só ou sob a influência auxiliar de forças exteriores.
A flexibilidade é uma capacidade altamente treinável, devendo ser trabalhada desde a
infância, atingindo o desenvolvimento máximal dos 11 aos 14 anos.
É ainda importante salientar que esta capacidade vai regredindo ao longo da vida, se os
níveis atingidos não forem mantidos através de um treino adequado.

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CLASSIFICAÇÃO DA FLEXIBILIDADE

A classificação de flexibilidade deve ser feita tendo em conta as suas formas de


manifestação:

1. Em função das forças utilizadas


Flexibilidade activa: é produzido utilizando forças internas como acontece quando se
executa uma flexão do tronco à frente. Neste caso as forças actuantes são as forças musculares
que fazem parte das articulações.
Flexibilidade passiva: é produzida por forças externas, como é a força da gravidade ou
a força de um colega.

2. Em função das acções realizadas


Flexibilidade estática: é quando uma determinada posição de determinada articulação
é mantida durante um certo tempo.
Flexibilidade dinâmica: verifica-se sempre que a flexibilidade solicitada implique
movimentos dos músculos e articulações envolvidas

3. Em função dos objectivos


Flexibilidade Geral: refere-se à amplitude norma das oscilações das articulações
especialmente nos principais sistemas articulares: escapulo-humeral, coxo-femural e coluna
vertebral, articulação do joelho e cotovelo.
Flexibilidade Especifica: está relacionada com movimentos específicos exigidos pelas
diversas modalidades. Este tipo de flexibilidade ocorre quando está envolvido um grupo
específico de articulações, que estão directamente implicadas num dando movimento. No
caso do futebol que exige assiduamente uma flexibilidade especicifica na articulação do
joelho.

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BENEFÍCIOS DA FLEXIBILIDADE

⇒ Nível Fisiológico
o Regulação do tónus muscular;
o Melhoria da coordenação inter e intramuscular;
o Melhoria da regulação sanguínea;
o Intervenção na melhoria das funções vegetativas;
o Apoia a mulher durante a gravidez e parto;
o Melhoria das funções respiratórias;
o Retarda a aparição da fadiga e permite uma mais rápida recuperação;
o Previne cardiopatias e outras doenças.

⇒ Nível Mecânico
o Melhoria da amplitude de movimentos;
o Facilita a economia da execução do gesto técnico;
o Diminui a tensão da coluna vertebral;
o Actua como equilibrador e corrector postural;
o Equilibra a função sinérgica do movimento.

⇒ Nível Físico Motor


o Melhoria das qualidades físicas, principalmente da velocidade e da força;
o Melhoria das qualidades motoras de coordenação, equilíbrio, agilidade...;
o Favorece a aquisição das técnicas desportivas e desenvolvimento físico geral.

⇒ Nível Psíquico
o Melhoria da auto imagem;
o Actua como regulador nos estados emocionais;
o Controla os estados de ansiedade e diminui a tensão psíquica;
o Predispões o estado de relaxação;
o Melhoria do conhecimento de si mesmo;
o Possibilita momentos de reflexão e análise;
o Melhoria das relações sociais.

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⇒ Nível Higiénico
o Ajuda no alcançar de uma beleza corporal;
o Produz uma sensação de rejuvenescimento;
o Melhoria da qualidade de vida;
o Actua como facilitador da saúde.

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FACTORES INFLUENCIADORES DA FLEXIBILIDADE

Factores endógenos:

Idade: A capacidade motora flexibilidade tende a diminuir com a idade, isto deve-se ao
facto de a elasticidade muscular e tendinosa também diminuírem à medida que a idade vai
aumentando.

Sexo: A mulher é, em geral, mais flexível que o homem. A razão da mulher ser mais
flexível do que o homem é devido ao facto de ela possuir uma maior taxa de estrogeneos do
que o sexo masculino.

Individualidade biológica: Pessoas do mesmo sexo e idade, podem possuir graus de


flexibilidade totalmente diferentes entre si.

Somatotipo: Exerce uma forte acção sobre a flexibilidade. A gordura corporal


apresenta uma correlação negativa com o grau de flexibilidade, em pessoas do mesmo sexo.
Uma grande massa muscular, pode, na maioria das vezes, impedir fisicamente a execução de
diversos movimentos com grande amplitude, em determinadas articulações.

Estado físico: A elasticidade dos tecidos muscular e conjuntivo é reduzida pela


inactividade.

Tonicidade muscular: O grau de firmeza dos tecidos musculares denomina-se de


tonicidade muscular. De acordo com a tonicidade muscular, pode-se aumentar a flexibilidade
aumentando a participação da componente passiva através de exercícios, ao mesmo tempo
que se diminui a influência da componente activa através de relaxamentos dos músculos
solicitados.

Respiração: A respiração por si só, não apresenta evidências de que seja capaz de
melhorar a flexibilidade, mas ela é sem dúvida um importante meio para alcançar a

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concentração. É importante quando se está a alongar, respirar com naturalidade (lenta e


profundamente).

Concentração: Propicia, o relaxamento e o alongamento dos músculos solicitados,


facilitando a execução correcta dos exercícios de flexibilidade, possibilitando assim, a
aquisição de níveis superiores desta qualidade física.

Factores exógenos

Hora do dia: De manhã, após o sono, a sensibilidade dos fusos neuromusculares é


superior, logo, a flexibilidade está reduzida. A flexibilidade atinge os seus níveis normais por
volta das 12 horas (meio dia).

Temperatura ambiente: Uma temperatura baixa (frio) reduz a elasticidade muscular,


se a temperatura ambiente for alta, vai conduzir a uma elevação da temperatura corporal,
levando, desta forma, ao relaxamento muscular e consequente aumento da flexibilidade.

Exercício: A realização de exercícios leves, visando o aquecimento corporal vai levar a


que haja um aumento da flexibilidade.
A realização de exercícios intensos vão levar ao aparecimento da fadiga muscular,
levando a uma diminuição da flexibilidade.

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MÉTODOS DE TREINO

Segundo Matveiev, a melhoria e o desenvolvimento da flexibilidade deve estar


relacionada com o desenvolvimento e melhoria da técnica assim como com o
desenvolvimento das capacidades motoras requeridas pela respectiva modalidade.

Do programa de treino de flexibilidade deve constar um conjunto de exercícios


planeados de forma intencional e regular que visam num determinado espaço de tempo
ampliar de forma progressiva o grau de amplitude de movimento numa ou várias articulações.
Alter (1990).
Para o mesmo autor este conceito deve ser distinguido de um outro designado de
programa de flexibilidade aquecimento/esfriamento sendo este um programa intencional e
regularmente planeado antes ou depois de uma qualquer actividade física com o intuito de
melhorar o rendimento desportivo ou reduzir de forma significativa o risco de lesões. Este
tipo de trabalho consiste na realização de ligeiros estiramentos específicos do esforço que foi
efectuado ou que se pretende vir a efectuar.

Para o trabalho e desenvolvimento da flexibilidade existem vários métodos de treino:


 Método Dinâmico
 Método Estático
 Método Passivo
 Método Passivo-Activo
 Método Activo- Assistido
 Método Activo
 Método da Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva (PNF)

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Método dinâmico
Os estiramentos dinâmicos normalmente estão associados a movimentos de balanço,
insistências e rítmicos, sendo também designados de isotónicos, cinéticos, rápidos ou
balísticos.

Método estático
Implica o emprego de uma posição que é mantida e que pode ou não ser repetida,
estando também associados aos termos de estiramentos isométricos, controlados ou lentos.

Método passivo
O indivíduo não contribui ou exerce contracção activa, pelo contrário, o movimento é
realizado por um agente externo, responsável pelo estiramento.

Método activo-passivo
Neste método, inicialmente o estiramento é realizado por uma força externa, sendo
mantida a posição pelo indivíduo executante, através de contracção isométrica dos músculos
agonistas.

Método activo-assistido
Ao contrário do anterior, este tipo de estiramento é realizado pela contracção inicial
activa dos músculos agonistas e, quando se alcança o limite da capacidade, a amplitude de
movimento é complementada com a ajuda de um companheiro.

Método activo
É efectuado pela contracção muscular do indivíduo, sem qualquer ajuda.

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Método da facilitação proprioceptiva neuromuscular


Pode ser definido como um método de desenvolvimento da flexibilidade que apela ao
mecanismo neuromuscular, através da estimulação dos proprioceptores ( Knott & Voss, 1968;
cit in Alter, 1990). A FNP foi formulada e desenvolvida originalmente como um
procedimento de terapia física para a reabilitação dos pacientes e, na actualidade, algumas
técnicas de PNF são utilizadas como dos mais avançados para desenvolver a flexibilidade.
O método de PNF engloba uma variedade de estratégias e técnicas para promover
resultados específicos. As contracções isotónicas (concêntricas e excêntricas) e isométricas
podem ser combinadas de diferentes formas (Alter,1990).

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A IMPORTÂNCIA DA FLEXIBILIDADE NO FUTEBOL

O futebol é uma modalidade desportiva que requer dos seus praticantes algumas
exigências em termos técnico-tácticos, físicos e psicológicos.
Os treinadores de futebol normalmente, as capacidades motoras a que dão mais
relevância são: a velocidade, a resistência, e a força.
A flexibilidade por outro lado não é considerada de grande importância.
Na nossa opinião a flexibilidade também desempenha um papel bastante importante no
processo de treino.
Podemos afirmar que a flexibilidade no futebol contribui favoravelmente para os
seguintes aspectos.
o Forma de prevenção do risco de lesões e dores musculares;
o Forma de preparação para o esforço físico a realizar;
o Forma de recuperação activa após o esforço;
o Forma de modelar e também de influenciar os processos de reparação tendicular,
após a lesão;
o Forma de complementar as outras formas de trabalho físico;
o Forma de melhorar a capacidade de descontracção muscular;
o Forma de melhorar a mobilidade articular;
o Forma de possibilitar a execução dos gestos técnicos do futebol de forma mais
elegante, eficaz e precisa;
o Forma de possibilitar a execução dos gestos técnicos do futebol de forma mais
elegante, eficaz e precisa;

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COMO SE TREINA A FLEXIBILIDADE EM CLUBES


DE ALTA COMPETIÇÃO

Através dos quadros seguintes, vamos analisar:


 Tempo dedicado por unidade de treino;
 Se é feita transmissão das vantagens da flexibilidade;
 Se a solicitação é livre ou orientada
 Método utilizado em vários clubes de Portugal.

Estes valores foram tirados de um trabalho de monografia de 1997. Os clubes


analisados foram sete, que nessa altura três actuavam na primeira divisão nacional (Vitória de
Guimarães, Futebol Clube Boavista, Futebol Clube Rio Ave) e quatro na divisão de honra
(Varzim Futebol Clube, Grupo Desportivo das Aves, Futebol clube Tirsense e Moreirense
Futebol Clube).

Tempo dedicado por unidade de treino:

Clubes tempo (minutos)


Guimarães 10 a 20
Moreirense 10 a 20
Varzim 20
Rio Ave 15
Boavista 15 a 30
Aves 20
Tirsense 15 a 20

Podemos verificar que o tempo gasto com exercícios de flexibilidade é entre 10 a 30


minutos tendo uma média de 15 a 20 minutos por unidade de treino. Na nossa opinião este
tempo é suficiente se for bem aproveitado, requerendo empenho e dedicação por parte dos
atletas, sendo necessária igualmente uma boa orientação.

Transmissão das vantagens da flexibilidade

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Clubes Sempre, quase sempre, raramente


Guimarães Quase sempre
Moreirense Sempre
Varzim Quase sempre
Rio Ave Quase sempre
Boavista Quase sempre
Aves Sempre
Tirsense Quase sempre

Através dos resultados concluímos que a maioria transmite quase sempre as vantagens
da flexibilidade, sendo apenas o Moreirense e o Aves as equipas que o fazem sempre.
Nós achamos correcto, pois sabendo da importância da realização dos exercícios de
flexibilidade os atletas vão estar mais motivados e consciencializados para a realização da
tarefa.

Solicitação livre ou orientada

Clubes Livre ou orientada


Guimarães Orientada
Moreirense Livre / orientada
Varzim Livre / orientada
Rio Ave Livre / orientada
Boavista Orientada / Livre
Aves Orientada
Tirsense Orientada / Livre

A maioria dos clubes faz os exercícios de flexibilidade de forma livre / orientada.


Na nossa opinião os exercícios deveriam ser sempre orientados, de forma a dirigir o
trabalho de flexibilidade para objectivos específicos e pré-definidos, trazendo deste modo
mais benefícios para os grupos musculares requeridos.

Método utilizado

Clubes Método
Guimarães Estático / Dinâmico
Moreirense Estático / Proprioceptivo
Varzim -------------------------------------------
Rio Ave Estático (activo)

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Boavista Estático (activo / passivo)


Aves Estático (passivo)
Tirsense Vários

Chegamos à conclusão que os métodos utilizados são variados, verificando-se contudo


que à excepção do Tirsense que utiliza vários métodos, os restantes clubes apresentam
preferência num determinado método.
Percebemos então que dentro dos métodos de treino de flexibilidade não existe nenhum
que se evidencie nos resultados obtidos, pois não existe um método comum nos vários clubes
aqui referidos.

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A Flexibilidade no Futebol

BIBLIOGRAFIA

Fernandes, J. (1994). Flexibilidade – estudo comparativo dos níveis de flexibilidade em


indivíduos entre os 16 e 18 anos de idade na modalidade desportiva de futebol. Monografia,
licenciatura em Educação Física e Desporto. UTAD.

Machado, S. (1997). A Flexibilidade no Futebol de alta competição. Monografia,


licenciatura em Educação Física e Desporto. UTAD.

www.cdof.com.br

www.deportedigital.galeon.com/entrena/entrenam.htm

www.efdeportes.com/entrenamiento/ep.htm

www.geocities.com/colosseum/base/6883/preparacafisica.html

www.geocities.com/Pipeline/4928/index.htm

www.marciofariacorrea.com/preparacao.htm

www.saudeemmovimento.com.br

www.sportscience.com

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