INTRODUÇÃO EMENTA A Teologia Contemporânea trata do estudo acerca da teologia mais particularmente do Século XX.

Esse século esteve comprometido com uma pluralidade de ―teologias‖, de caminhos e de muitas reflexões sobre o mundo, sobre Deus e o homem. De início, há a necessidade de uma passagem reflexiva pelo período medieval, ainda que de modo conciso, no que tange aos debates teológicos e seus grandes expoentes. Depois, em evidência, a Reforma Religiosa com suas propostas renovadoras, não no sentido de se estabelecer novas doutrinas, mas de reaver a natureza e sentido da Bíblia como padrão de fé e prática da Igreja. Sobre a salvação e o papel da Igreja, se constituem algo de extrema importância nesse cenário, respectivamente. Entretanto, o que era para ser renovado, transformou-se numa divisão de segmentos eclesiais, fazendo surgir posturas diversas em relação a vários pontos doutrinários. Antes de se refletir sobre a teologia do Século XX, é imprescindível verificar que a Teologia Contemporânea tem suas bases assentadas no Século XIX. Immanuel Kant sistematizou a confiança do homem moderno na capacidade da razão para tratar de todo o material em sua capacidade e em sua incapacidade para ocupar-se do que vai mais além. Assim, um novo conjunto de pressupostos religiosos moldou o pensamento do homem moderno. O Iluminismo qualificou os séculos XVII e XVIII, constituindo a história intelectual do Ocidente. Enquanto a cosmologia da Idade Média era percebida como um sistema orgânico, na modernidade tudo passou a ser relativo, fragmentado. A era da razão toma corpo, de modo que o homem passou a ser visto como o centro do universo. Deus já não era mais visto como o autor da criação, e se era, não interviria nela; a religião não mais doutrinava a vida humana, mas a produção científica. A Teologia Contemporânea é a teologia do Século XX. Em sentido real, nasceu em 1919. Seu iniciador foi um jovem pastor, Karl Barth (1886-1968). É ele um novo pivô teológico na história, o anúncio de uma nova era teológica, considerando como marca o seu Comentário da Carta de Paulo aos Romanos, em 1919. Uma análise não só em Barth, mas também em muitos outros expoentes faz justiça à natureza da matéria. OBJETIVO GERAL Conduzir o estudante de Teologia à reflexão sobre os principais pontos da Teologia Contemporânea relacionados aos seus expoentes, é o objetivo geral da matéria. Consequentemente, se pode também observar as muitas facetas de posturas teológicas que ainda hoje se propagam, fazendo que as mentes reflitam mediante diversificados caminhos, bem como gerando diversificadas conclusões. Conclusões que muitas vezes se distanciam da Bíblia e comprometem negativamente a antropologia e áreas afins. OBJETIVOS ESPECÍFICOS Por objetivos específicos, significa o entendimento das diversas posturas de teólogos do período que compreende o Século XX. A percepção de como se conduziram os pensamentos diversos, uma vez que não daria mais para estar preso a dogmas. Serão sistematicamente percebidos, os postulados divergentes e convergentes dessa época, que tiveram seus objetivos de se tentar dar respostas às perguntas surgidas, quer do ângulo da Ciência, quer do ângulo da própria Igreja, respostas concretas.

Índice
Introdução: Vertentes que influenciaram a teologia do séc XX 1. 1.1. 1.2. 1.3. 1.4. Fase Racionalista ou Iluminista Racionalista Deísmo Iluminismo Principais temas em debate

2. Fase Romantista ou Modernismo 2.1 Imannuel Kant 2.2 Um novo conjunto de pressupostos religiosos para o homem moderno. 2.3 A autonomia do homem e sua influência no pensamento religioso moderno. 2.4 O relativismo de David Hume e sua influência na filosofia kantiana. 2.5 O confinamento de Deus na teologia contemporânea. 2.6 As idéias deístas na filosofia da emancipação e sua influencia na teologia contemporânea. 2.7 Uma separação radical entre história e fé. 3. Friedrich Schleiermacher. 3.1 Ritschl e sua escola. 3.2. Adolf von Harnack da escola de Ritschl. 3.3 Hegel e os idealistas. 3.4 Ferdinand Christian Baur. 3.5 David Friedrich Strauss.

4. Dialética de Karl Barth e a revolta contra o Liberalismo Teológico. 4.1 Neo-ortodoxia: Analisando os pressupostos teológicos do novo liberalism.o 4.2 Objeções à neo-ortodoxia. 5. Crítica da Forma: O método investigativo de Rudolf Bultman. 5.1 O método investigativo da crítica formal. 5.2 Objeções ao método crítico de Rudolf Bultmamm 5.3 Desmitologização: O método interpretativo de Rudolf Bultmann 6. Heilsgeschichte: A escola teológica do Dr. Oscar Cullmann 6.1 O pensamento de Cullman e a ortodoxia teológica.

7. Teologia Secular: Robinson, Cox e Buren: Uma teologia do mundo para o homem moderno. 7.1 A postura da teologia secular. 7.2 Avaliação da teologia secular.

8. Ética Situacional: Joseph Fletcher e um novo conjunto de valores para o homem moderno. 8.1 Conhecendo os pressupostos da nova moralidade. 8.2 Uma análise da nova moralidade religiosa. 9. Teologia da Esperança: Jurgen Moltmann e a análise escatológica existencial. 10. Teologia da história: Wolfhart Pannenberg e a teologia histórica da ressurreição. 11. Pannenberg e a ressurreição de Cristo. 12. Teologia da Evolução: Teilhard de Chardin e o darwinismo teológico. 13. Teologia do Processo: Dr. Charles Hartshorne e a Teologia do Deus Finito. 14. Pressupostos da teologia de Paul Tillich. 15. Teologia da Libertação: Uma resposta teológica à crise econômica e social Latino-Americana. 16. Pentecostalismo: Parham, Seymour e o avivamento místico-pietista do século XX. 17. Neopentecostalismo: Misticismo, pragmatismo e culto à Mamom. 18. Glossário Teológico Contemporâneo.

Conclusão

que era con-siderada serva da teologia. o movimento veio à tona e seus adeptos foram chamados de latitudinarians (latitudinários). reagiram à confessionalidade e à disciplina. pelo menos inicialmente. . especialmente na Holanda reformada e na Inglaterra puritana. formas de governo e de culto. De uma maneira geral. 1. permitindo uma ampla variedade de doutrinas.1. Essa classificação generalizada. pois. quem não era calvinista era tido como arminiano. chamando-as reséctivamente. até então. por algum tempo. que significa amplo ou largo. O objetivo dos latitudinários era manter a igreja unida com base em uns poucos artigos fundamentais de fé. FASE RACIONALISTA OU ILUMINISTA No mundo cristão. os adeptos do uso da razão ou racionalistas. Nos anos que se seguiram ao Sínodo de Dort (1618-19). a filosofia. em 1687. Entretanto. pouco afetando. que. a partir do final do século 16. O progresso da ciência. se expandiu para além dos limites do pensamento aristotélico e da Bíblia – em parte devido à ciência natural e em parte fruto de reflexões de pensadores como René Descartes (1596-1650). se pensava serem inacessíveis à razão. de dogmatismo e intolerância. Os principais mentores desse movimento foram os Cambridge Platonists (Platonistas de Cambridge) ou Teólogos-Filósofos de Cambridge (c. especialmente devido à obra de Isaac Newton (1642-1727). termo derivado da palavra latina latitudo. a partir da publicação. inis. Essa influência fez-se mais presente na Europa continental. de seus Principia Mathematica (Princípios de Matemática). inclusive aquelas relacionadas à área da consciência ou do espírito. serviu para encobrir os racionalistas. por fazerem oposição ao calvinismo. alguns teólogos começaram a atacar o calvinismo. Houve uma sensível mudança no comportamento da sociedade cristã em face da influência do racionalismo. as novéis colônias inglesas na América.1 Racionalismo No período que marca a virada do século 16 para o 17. foram englobados no contexto arminiano. que tratou da controvérsia arminiana na Holanda. 1640-1680) – que diziam que a ―razão é um reflexo da mente divina na alma humana‖. que no século 17 estavam fortemente impregnadas de religiosidade. através do uso da razão.(1) fez com que muitos homens se convencessem do poder da razão e da necessidade de todas as coisas serem testadas por ela.

a prova da verdade era a razoabilidade. por conseguinte. o barão Christian von Wolff (1679-1754). a teologia racionalista tendeu a modificar. eles suspeitavam de tudo que não se conformava com sua visão mecanicista do universo.O racionalismo dava ênfase principalmente a dois pontos: (1) liberdade e dignidade. Foi um movimento de curta duração. Alemanha e Estados Unidos. e até mesmo destruir. alguns dos quais discípulos de John Locke. Deus não pode-ria fazer o que para o homem seria imoral. 1. no sentido de conformidade com o senso comum. especial-mente. no seio de um grupo de escritores de tendência racionalista. No campo teológico-eclesiástico. membro do grande núcleo pietista que funcionava a partir da Universidade de Halle. cuja teologia começou a tender para um número exagerado de definições precisas. Contudo. defensor do princípio da lei natural. e (2) investigação científica. o racionalismo provocou graves e perturbadoras conseqüências na vida da igreja. O racionalismo teve grande influência no escolasticismo protestante. foi o estopim de outros movimentos de reação à ortodoxia protestante. muitas vezes acompanhadas de frieza espiritual. Halle foi aos poucos se tornando um centro de teologia racionalista entre os protestantes. Toland defendia a idéia de que ―a doutrina cristã nunca foi misteriosa e devia ser entendida somente como uma réplica da religião natural‖. Para os escolásticos. John Toland (1670-1722). Entre os filósofos alemães. desenvolveu uma espécie de teologia matemática. Embora. ser um bom religioso era aceitar as doutrinas corretas. pelo menos até o final do século 18 os racionalistas aceitassem os milagres do Novo Testamento. o declínio da fé e o enfraquecimento da vida religiosa. e. caracterizada pela busca de uma verdade racional e imutável. Os principais filósofos racionalistas da época foram: o judeu holandês Baruch Spinoza (1632-1677) e o matemático alemão Gottfried Leibniz (16461716) no Continente Europeu. Para Locke. Dentre os deístas ingleses destaca-se. Embora tenha havido algumas contribuições benéficas à sociedade como um todo. em especial na França. John Locke (1632-1704). na Inglaterra. em sua grande maioria. dentre as quais o ateísmo. as ortodoxias confessionais protestantes.2 Deísmo O deísmo teve início na Inglaterra na primeira metade do século 17. Os teólogos racionalistas defendiam a tese de que a bondade em Deus não poderia diferir em essência da bondade no homem e. . que em meados do século 18 já havia perdido a sua força original.

sendo a causa primeira. um conhecimento religioso inato em todas as pessoas. explicados à luz da razão. ou são um insulto à perfeita obra de um Criador. Para corroborar o que foi dito resumidamente sobre os princípios do deísmo. o empenho dos cristãos em atividades humanitárias e em uma maior tolerância religiosa. preocuparam-se mais com o sujeito conhecedor. sob a alegação de que há uma religião natural. a Alemanha e especialmente as colônias inglesas na América. milagres. em síntese. Deus não se envolve mais com o mundo que ele mesmo criou. Dentre os princípios que balizavam o deísmo. em 1776. por intermédio do Espírito Santo. Christianity as Old as the Creation (O Cristianismo é Tão Antigo quanto a Criação. como culto perene a Deus. como Estados Unidos da América. portanto. Os deístas. substituíram a revelação pela razão e pelos sentidos. como tal. 3) tudo o que é de valor na revelação já foi dado aos homens na religião natural racional. que pôs este mundo a girar segundo as mais perfeitas leis mecânicas e não interfere no seu funcionamento. alguns eram declaradamente deístas. destaca-se a crença num Deus transcendente. Este último. totalmente negativo. O legado do deísmo não foi. Cristo foi apenas um mestre e. não havendo lugar. considerada por alguns historiadores como a bíblia deísta: 1) tudo que é reconhecido além e acima da razão é crença sem prova. do que com a realidade a ser conhecida. 1794-1796). desvalorizaram o pecado. que está acima e além da sua criação. Thomas Jefferson (1743-1826) e Thomas Paine (1737-1809). na assim chamada revelação. . 4) tudo o que é obscuro. não deveria ser cultuado. Seu propósito era estabelecer uma religião ao mesmo tempo natural e científica. ou que pode ser obtido pelo uso da razão. popularizou as idéias deístas em seu país. 1730). 5) os milagres não são prova real da revelação. providência e encarnação. Dentre os líderes do movimento de independência. pois. com seu livro Age of Reason (Idade da Razão. como Benjamin Franklin (1706-1790).O movimento deísta surgiu como uma reação à idéia de que o conhecimento teológico somente poderia ser adquirido através do ensino da Igreja ou da revelação pessoal de Deus. 2) os piores inimigos da humanidade são os que têm mantido as criaturas na superstição: os sacerdotes. Tudo é regido por leis naturais. para revelação bíblica. O deísmo não ficou restrito à Inglaterra. contudo. Os deístas criam também que a ética e a piedade eram as virtudes que necessitavam ser desenvolvidas. Em seu afã de valorizar o homem. podem ser retiradas cinco idéias básicas da obra de Matthew Tindal (1657-1733). de alguma forma. que. mas migrou para a França. ou são supérfluos. obtiveram sua independência. ou está acima da razão. é superstição e não tem valor. posto que o cultivo da ética e da piedade estimulou. por exemplo. daí o cristianismo ser tão antigo quanto a criação. ou seja. sendo a Bíblia um manual eminentemente ético. mudando o foco da teologia de Deus para o homem.

Essa postura enfaticamente racional gerou uma forte oposição a todas as atividades e instituições que não fossem meramente racionais.] Assim. a razão humana passou a dominar acima de tudo e de todos. Locke desenvolveu o deísmo inglês como uma religião natural e racional dos livres pensadores.[. que forneceu ao iluminismo o método crítico que utilizou com habilidade. social e religioso que se desenvolveu na Europa no período que vai da Revolução Inglesa (1688) até a Revolução Francesa (1789). Ele nasceu livre. como a Igreja. ou seja. as crianças devem ser criadas fora da influência danosa da Igreja. que devia ser restaurado. exceto para a oficial. A Revolução Francesa.. autor do Contrato Social. sem a tutela de autoridades externas. que foi um poderoso instrumento para a difusão das idéias iluministas. Locke defendeu a moral natural. Dentre os principais iluministas franceses destacaram-se. mais conhecido como Voltaire. da tradição e da sociedade política e religiosa. Outra figura de destaque foi François-Marie Arouet (1694-1778). não só na França. para a qual a religião deve arcar com boa dose da culpa. O alvo era o homem no estado de pura natureza. cerca de 100 anos. responsáveis pela editoração da Enciclopédia. Jean D‘Alembert (1717-1783) e Denis Diderot (1713-1784).1. colaborador da Enciclopédia e autor de vários tratados na área da filosofia. mediante a razão. disse que era a chegada do homem à maturidade. ao responder a uma pergunta sobre o que era o iluminismo. O seu lema foi Sapere Aude (Tenha a coragem de usar o seu próprio entendimento). inicialmente. No campo da ética. Itália e Alemanha. ou seja. foi altamente influenciada pelo iluminismo e colocou em dúvida os dogmas da religião cristã. O iluminismo teve origem na Inglaterra. em especial a ingerência da Igreja nas coisas do Estado. . O pleno desenvolvimento do iluminismo ocorreu na França. o filósofo alemão Immanuel Kant. mas em outros países.3 Iluminismo Iluminismo é o nome do movimento cultural. O objetivo do movimento era iluminar o povo. Sua escravidão deve-se à corrupção da sociedade. imposta. contra o obscurantismo da história. Sua fonte principal foi o racionalismo. Não menos importante que Voltaire foi Jean-Jacques Rousseau (1712-1778). mas em todos os lugares se acha em cadeias. Voltaire professava um teísmo baseado na ordem e na realidade do mundo. Em 1784. ou seja. tais como a Bíblia e o Estado. e pregava a tolerância para todas as religiões. afirmando: Todo homem é nobre por natureza. Como foi visto. que lhe diziam o que devia fazer. que tanto influenciou os chamados Pais Fundadores da Independência Americana. onde houve o culto da razão. daí passando para a França. racional e autônoma. Rousseau repudiou a doutrina cristã da queda.. considerada o maior movimento social dos tempos modernos. ao estágio em que o homem pensa por si mesmo.

responsável pela divulgação do racionalismo de Leibniz. identificação e desenvolvimento de várias tendências religiosas e filosóficas. a que se submete também a religião. O iluminismo exerceu significativa influência. Muitos estudiosos consideram que o maior expoente do iluminismo alemão foi Gotthold Ephraim Lessing (1729-1781). através das obras de Hermann Reimarus (1694-1768) e Moses Mendelssohn (1729-1786). segundo uma concepção historicista. conseqüentemente. Foi no Sacro Império Germânico que a teologia iluminista alcançou o seu maior desenvolvimento. naturalmente. a história da vida de Jesus deveria passar pelo crivo da razão. do tema do Jesus Histórico. a uma racionalização da teologia e. e sim uma perene investigação. os livros da Bíblia deveriam ser lidos e estudados como todos os outros livros. inclusive o cristianismo‖. inclusive verificando aspectos ligados à credibilidade dos escritos evangélicos.O fundador do iluminismo na Alemanha foi Christian Wolff. Ele ainda considerava que as principais religiões eram expressões diferentes da única religião verdadeira. Isso porque a ênfase dos iluministas estava centrada no homem. colocando Cristo e seu evangelho em segundo plano. através do livro Apologie oder Schutzschrift für die vernunftigen Verehrer Gottes (Apologia dos Adoradores Racionais de Deus). tendo procurado em vão estabelecer o reino de Deus na Terra. cujo ensinamento moral se misturou com a política e a escatologia. no âmbito da teologia histórica. embora negativa. ―a cultura. a verdade não é uma posse. deu azo ao surgimento. autor de Die Erziehung des Menschengeschlechts (A Educação do Gênero Humano. que foi. Essa obra expressa a sua crença na perfeição da raça humana e na perspectiva do desenvolvimento de uma consciência moral que poderia conduzir a humanidade a um estágio nunca atingido de irmandade universal e liberdade moral. segundo o qual todos os fatos e circunstâncias estariam obrigados a ser considerados exclusivamente à luz da evidência dos Evangelhos. portanto. 1780). mormente sobre o movimento evangélico. Para Reimarus. cujo papel é fornecer uma educação moral para a raça humana. Reimarus é considerado o precursor. no qual retratou Jesus como um pregador simples da Galiléia. responsável pelo novo tratamento dado pelos historiadores e teólogos a detalhes da vida de Jesus. Para Lessing. no século 19. Conseqüentemente. que os discípulos teriam inventado depois da morte de Jesus. Essa atitude se tornou típica do iluminismo teológico. Tal entendimento os levou. sobre o cristianismo de um modo geral. e que morreu desiludido. a ciência. ensinando todos os homens a viverem como irmãos. . Disse ainda que o cristianismo se baseia nas alegações fraudulentas da ressurreição e da segunda vinda de Cristo. superior a todos os dogmas e doutrinas. em especial o deísmo de Locke.

Assim. não têm direitos inalienáveis de governo. . houve um notável desenvolvimento da maçonaria. A Revolução Industrial também pode ser considerada uma das filhas do iluminismo. FASE ROMANTISTA OU MODERNISMO Os diversos movimentos de reação à ortodoxia estão interligados entre si. A concepção dos iluministas era substancialmente diferente: embora reconhecessem a Divindade. mesmo com o acréscimo tomista ―para o povo‖. o iluminismo exerceu forte influência sobre dois movimentos que marcaram a história recente da civilização ocidental: a Revolução e Independência Americana (1775-83) e a Revolução Francesa (1789-99). como no que se refere ao seu conteúdo. Não obstante as diferenças essenciais assinaladas.Os liberais iluministas rejeitaram o antigo aforismo ―todo poder emana de Deus‖. Dessa forma. que afirmou: ―Em contraste com a teologia existe a religião. Ainda com base no pensamento iluminista. em especial na Europa e nos Estados Unidos. que significa a piedade viva que coincide com a consciência religiosa universal‖. o governo deriva sua autoridade do consentimento do povo governado. quer quanto à época de sua aplicação. O primeiro entendia que o Estado era um instrumento estabelecido por Deus para a manutenção da moralidade e para a promoção da verdadeira religião. mesmo os reis ou príncipes de sangue. propunham alvos essencialmente humanistas para a sociedade.36 2. no período de 1555 a 1564. o modernismo nada mais foi que uma continuação de seus antecessores: racionalismo. Nos campos político e social. Isso pode ser constatado na leitura da obra de Matthew Tindal. o iluminismo tinha pelo menos um ponto em comum com o movimento evangélico: a ética moralizadora da sociedade. razão pela qual a Genebra calvinista. Pelo contrário. para quem ―a moralidade é o alvo da religião‖. Na realidade. É interessante a comparação entre a concepção de Calvino sobre o Estado e o pensamento iluminista. de modo que fica difícil discernir fronteiras específicas. os governantes. deísmo e iluminismo. é um exemplo clássico de moderna teocracia. se constata que é muito tênue a linha divisória entre as fases e subfases do liberalismo teológico. Nessa mesma linha moralizante também se enquadra o racionalismo neologista de Johann Semler (1725-1791).

O mundo grego havia elaborado algumas normas religiosas básicas em torno do paradoxo entre a forma e a matéria.2 Um novo conjunto de pressupostos religiosos para o homem moderno. fazendo dela um elemento aperfeiçoador da superestrutura. tem as suas raízes nas idéias do filósofo Immanuel Kant. Ela não é baseada em uma revelação particular ou histórica. A influência de Immanuel Kant na Teologia Contemporânea A revolução teológica do século passado que ficou conhecida pelo nome de teologia existencialista ou contemporânea. na própria natureza da vida humana‖. um capítulo à parte. Na idade média. As idéias de Tindal estão bem presentes no pensamento de Kant. mas também sobre o século vinte. Embora já tenha sido mencionado na introdução. Kant não se projetou apenas sobre o século dezenove. .1 Immanuel Kant O modernismo teve origem na Alemanha. sem nenhuma dúvida.2. Para Kant. ele se posicionou ante a religião enfatizando que a religião moralista da razão é a única necessária. colocando em primeiro lugar a ética absoluta. Ao fazer isso. pois produz modificação no caráter de tal modo que ―o mal radical do homem é derrotado e o bem é trazido à tona‖. Kant se mostrou simpático à ênfase deísta apoiada no tripé Deus. 1793). reorganizando-as em torno do conceito de natureza e graça. quando ele afirma que ―a verdadeira religião é natural e universal. ao invés de ser um ato transformador de Deus. Quem deu início a esse tipo de teologia liberal foi Immanuel Kant (1724-1804). o homem do ocidente havia assimilado algumas dessas idéias. o princípio básico da moralidade é o imperativo categórico. especialmente através do livro Die Religion innerhalb der Grenzen der blossen Vernunft (Religião dentro dos Limites da Razão Somente. e sua incapacidade para ocupar-se de tudo o que está além do nosso mundo. a síntese de Tomás de Aquino era de origem pagã e aristotélica. para onde haviam convergido várias correntes teológicas e filosóficas no século 19. Com base nessa premissa. ao invés da felicidade. De certa forma. Kant logrou sistematizar a confiança do homem moderno na capacidade da razão para tratar de tudo o que diz respeito ao mundo material. ao contrário. e privava a graça de seu caráter puramente cristão. esse filósofo merece. mas. virtude e imortalidade. o qual é universalmente conhecido. 2. mas divergiu do iluminismo no que tange ao propósito da vida.

segundo Kant. 2. . pode ser alcançada sem a necessidade de nenhum aprendizado bíblico. o homem tinha que nascer de novo como pessoa completamente livre e autônoma. modelaram uma nova teologia e um novo mundo. a graça foi suplantada pela idéia de emancipação. poderia julgar o mundo do fenômeno e o mundo do número. essa autonomia representava a substituição do conceito de revelação do cristão – que tem sua expressão máxima em Cristo e na Bíblia – pela razão autônoma do homem. Em um sentido ulterior. na filosofia kantiana. e sim em conhecer o que devemos fazer para chegarmos a ser dignos dela. A história do pensamento e da teologia ocidental desde Kant nos mostra como esses pressupostos religiosos. e somente a razão. nem da negativa de Cullmann de considerar os relatos da criação de Gênesis como história autêntica.3 A autonomia do homem e sua influência no pensamento religioso moderno. passando a ser uma esfera micro-cósmica dentro da qual a personalidade humana podia exercer sua autonomia. Não há muita distância entre esse pensamento de Kant e o pensamento posterior dos teólogos contemporâneos. não consiste em conhecer o que Deus tem feito para a nossa salvação. conseqüente e consciente. Essa moralidade religiosa. A natureza era agora interpretada como um terreno infinito que o pensamento matemático autônomo devia controlar. A verdadeira religião. isto é.Kant e sua idéia de autonomia fizeram dessa privação da graça mais que uma simples moldura teológica: pela primeira vez na história da civilização ocidental. sobretudo da razão humana como autoridade final e como crivo para a verdade. emancipada de qualquer pensamento preconizado. A razão. Kant entroniza a razão como sendo o princípio supremo. De acordo com essa nova maneira de pensar. trabalhando com idéias tomadas do cristianismo. Para Kant. que apresenta os relatos da ressurreição como estando contaminados de lendas. produziu uma avaliação muito elevada da capacidade humana. a emancipação de valores exteriores. até mesmo o conceito de natureza – conservado da síntese medieval aquiniana – se transformou. nem está longe da idéia da razão autônoma como juíza da revelação na análise racional de Pannenberg. No pensamento do homem moderno. tal como em Bultmann e sua idéia de desmitologização. A autonomia preconizada por Kant. a natureza foi separada da graça de forma elaborada.

e reaparece de forma modificada nos primeiros escritos de Karl Barth acerca de Deus como ―Totalmente Outro‖. não conhecemos a coisa em si. ainda que capaz de falar de um futuro numenal. e o outro.4 O relativismo de David Hume e sua influência na filosofia kantiana. como ―Aquele que não pode ser explicado como se explica um objeto‖. havia lançado dúvida em quanto à possibilidade de alguém provar alguma coisa. da liberdade e das idéias reguladoras que a razão não pode explicar. Kant. filósofo escocês. da imortalidade. Ele reaparece na divisão neo-ortodoxa entre História e Geschichte. Esse confinamento do mundo espiritual é o fator preponderante da insistência contemporânea na ―humanidade‖ da Bíblia e da definição barthiana de revelação como sendo o encontro divino-humano. quase ninguém se atreve a buscar o Jesus histórico. mas que devem ocupar um lugar na vida como se fossem objetos reais ao alcance da razão. Kant tomou emprestado de Hume o problema do conhecimento proposto por ele e o reformulou. tanto dentro como fora de si mesmo. uma vez que o homem não pode perceber as coisas como são na realidade – tanto no mundo dos fenômenos como no mundo dos números – não pode introduzir-se por essa porta para conhecer a Deus. o numeral que toca o fenomenal. à saber. não pode entrar. . seu único vínculo com o mundo dos fenômenos se daria por meio da necessidade que o homem tem da idéia de Deus para o seu mundo ético.5 O confinamento de Deus na teologia contemporânea. Kant não fechou totalmente a porta do nosso mundo para Deus. Esse confinamento de Deus no mundo dos números é o tema favorito da teologia contemporânea. o mundo dos fenômenos e o mundo dos números. completamente cética quanto a qualquer fim escatológico na história fenomenal. Da mesma forma. sem entrar nele. ou. tudo isso era para ele completamente evasivo. o aprisionou com um muro à prova de som. Deus como origem de todas as coisas. mas a diminuiu de tal forma que o Deus soberano. como se isso fosse pudesse resolver o problema epistemológico. Causa e efeito. na diferenciação de Bultmann entre o Jesus histórico e o Cristo kerigmático. Ele ficou isolado no mundo dos fenômenos e Deus no mundo numeral. devastador. ele é simplesmente irrelevante. O efeito de tudo isso foi em parte. Tal confinamento se reforça com a insistência crescente do existencialismo na liberdade. entre o Jesus fenomenal e o Cristo numenal. cujas vestes enchiam o templo (Isaías 6. David Hume. 2. ao colocar Deus em um outro mundo. sendo um percebido pela razão e pelos sentidos. mas apenas aquele conhecimento que os sentidos nos proporcionam. Segundo ele. Com isso. Kant criou dois mundos. o homem como ser contingente.2.1). porém. usando uma linguagem kantiana. Nesse ínterim. Ele também produz em Moltmann uma teologia da esperança. o mundo de Deus.

Também John Robinson. seguem unidos no emprego dessa metodologia. O Jesus histórico parecia cada vez mais distante do Cristo da fé.7 Uma separação radical entre história e fé. A divisão entre história e fé também se tornou mais tarde um pressuposto da teologia contemporânea. ou em suas expressões mais radicais (como em Paul Tillich. e ao mesmo tempo falará sobre a igreja orientada para o futuro. fala de uma nova dimensão de vida como ser em profundidade. e de Deus como o Fundamento do ser. por causa da sua compreensão existencial do ―Eu‖. Acerca desse impasse. afirmando que ainda que a história escrita do cristianismo não se possa aceitar. e junto com o pressuposto metodológico. apesar de todo o seu debate interno. Essa idéia de humanização da Bíblia veio a ser uma das características distintivas da crítica bíblica.6 As idéias deístas presentes na filosofia da emancipação e sua influencia na teologia contemporânea. Começa-se então a fazer distinção entre a Palavra de Deus e a Bíblia. 2. ressurge a idéia de que há erros na Bíblia e que esta deve ser tratada como qualquer conjunto de documentos do passado. Também Barth e Bultmman.E. Moltmann o utilizará ao burlar-se da noção clássica de escatologia cumprindo-se na história. quer seja em sua forma mais conservadora (como se encontra em Oscar Cullmann e Wolfhart Pannenberg). A historicidade da Bíblia parece menos importante que aquilo que ela diz. a autonomia do método sobre o texto bíblico estabeleceu certos pressupostos que o método histórico-crítico ainda mantém. e aceitando-os. John Robinson e nos teólogos seculares). Barth fará isso ao ser indagado sobre se a serpente realmente falou no jardim do Édem. . por outro lado. como o abandono da doutrina da inspiração verbal. senão de sua capacidade de transformar a vida através do amor‖. Lessing afirmou que ―o verdadeiro valor de qualquer religião não depende da história. Da mesma forma. dizendo que isso não tem a menor importância diante do que a serpente disse. G. o ensino de Cristo pode e deve ser aceito. ao mesmo tempo em que rejeita a idéia de céu como sendo um ―lugar lá em cima‖. Bultmann fará o mesmo ao rejeitar os relatos evangélicos como sendo produtos historicamente duvidosos por um lado. O conceito deísta que fez parte do processo de florescimento da autonomia não dava nenhum lugar à intervenção divina na criação por meio de algo sobrenatural e revelador.2. Os teólogos contemporâneos apresentam repetidas vezes essa dissociação do Jesus histórico e do Jesus da fé.

Lançar uma ponte sobre o abismo entre o universal e o finito. Todos os progressos da religião na história são verdadeira revelação. todas são falsas! . pois. desde Kant que a história do pensamento e da teologia ocidental é a história de como seus pressupostos religiosos. Friedrich Schleiermacher O luterano Friedrich Schleiermacher (1768-1834) é talvez o mais influente teólogo alemão do século 19. deram origem a um mundo novo. uma é a mais óbvia: Se o nosso entendimento acerca de Deus não é ao menos alegórico.] um microcosmo.. mas quanto aos seus relativos graus de eficiência. sente-se finito. em Seu mundo. absoluto e eterno.100-c. um reflexo do universo. Schleiermacher ―deu à teologia nova base e à pessoa de Cristo um significado em grande parte desconhecido em seu tempo‖. Como se pode notar no texto reproduzido. embora parecidas. afirmara: ―O cristianismo é a verdadeira filosofia!‖. em algum sentido. diferem substancialmente daquelas esposadas pelo apologista Justino Mártir (c.165). Para Walker. ele enclausurou os seres humanos no mundo dos fenômenos. O mestre Justino. limitado e temporário – numa palavra.42 Contudo. Não há. pôr o homem em harmonia com Deus. Esse sentido de dependência é a base de toda religião. onde. Embora sua filosofia encarasse com valentia as questões pleiteadas por Hume. como pode o homem conhecer a Deus? A filosofia de Kant transforma Deus em um ser incognoscível. outra menos verdadeira. as idéias de Schleiermacher. O teólogo alemão afirmou que o cristianismo é a melhor das religiões. dando a entender que outras existem igualmente boas. Portanto. não havendo modo da mente fenomenal conhecer o numeral. esse Deus imanente não intervém na natureza e tampouco opera milagres através dos homens. eis o alvo de todas as religiões [. Entre tantas objeções que se pode fazer a Kant. Em contraste com o que é universal.Não há duvida de que Immanuel Kant teve grande influência sobre o pensamento teológico contemporâneo. 3. A maior obra de Schleiermacher no campo da teologia dogmática foi Der Christliche Glaube (A Fé Cristã. uma plena manifestação do Deus imanente. Na verdade..]. em seu tempo.. e esse pressuposto será um grande dilema para a teologia dialética de Karl Bath. Deus está. por exemplo. entre outros. encontra-se o seguinte conceito sobre religião: O Absoluto está em tudo. as religiões não devem ser divididas em falsas e verdadeiras. associados a muitas idéias cristãs. Williston Walker e Justo González. considerandose o rol de simpatizantes entre renomados historiadores eclesiásticos. dependente. tais como Robert Nichols. sendo considerado o fundador da moderna teologia protestante. O homem é em si mesmo [. 1831). bem como de outros teólogos contemporâneos.. por conseguinte. A influência do seu pensamento no campo da teologia histórica é significativa.

Dessa forma. A cristologia de Schleiermacher é peculiar. Ao expressar esses conceitos. Ainda no campo da cristologia. Schleiermacher não difere substancialmente dos teólogos racionalistas. Schleiermacher rejeitou a idéia do diabo ou de espíritos maus. Assim. em conseqüência. Daí a não aceitação de que as Escrituras fossem a Palavra de Deus inspirada. ao afirmar que a obra de Jesus (sofrimento. Schleiermacher fez as seguintes afirmações a respeito de Deus: 1) Deus e o mundo são. Sua pressuposição básica é que existe um único espírito ou consciência comum que une todos os seres humanos e tal espírito possibilita a correta interpretação. a qual não deve ser considerada literalmente. Esta união. Há comunicação de atributos somente no sentido da natureza divina para a humana. A união do Divino com o humano recebeu sua expressão perfeita na pessoa de Cristo. posto que estes também negligenciavam a morte e ressurreição de Cristo. a partir de Adão. ele diz: ―O Filho e o Espírito são simplesmente formas de revelação desta substância. pois a criação não pode ser combinada com a idéia de um poder espiritual mau e. nenhuma realidade ou influência pode ser atribuída ao diabo. Bengt Hägglund considera que tal conceito aproxima Schleiermacher dos gnósticos.Ao tentar eliminar da teologia todo e qualquer resquício de dualismo. em última análise. ascensão e segunda vinda. Schleiermacher ataca frontalmente a ortodoxia. No que se refere à Trindade Santa. O mal não pode ser concebido como algo hostil a Deus. morte e ressurreição) nada significa para a salvação. não é dependente da doutrina do nascimento virginal. não se pode atribuir qualquer significado ao sofrimento de Cristo na cruz. Influenciado pelo romantismo da época. as histórias do Éden não devem ser interpretadas como historicamente verdadeiras. mas devem ser vistas como expressões válidas da consciência de Deus e não devem ser ignoradas. Schleiermacher considerava que ―o espírito é o que há de mais elevado no homem e não pode ser considerado algo mau. mas psicológico. Dessa forma. No que tange à hermenêutica bíblica. 2) Deus e o conceito natural são um. Para ele. e 3) Deus é a única substância indivisível. que eram simples seres humanos. Ele preconizava que os intérpretes da Escritura deveriam tentar entender as idéias de seus autores. o enfoque principal de Schleiermacher não era teológico. sendo que a história da paixão serve apenas como exemplo e ilustração da perseverança em meio ao sofrimento. O pecado é simplesmente a carne em oposição ao espírito‖. as idéias de Tindal parecem brotar em seu subconsciente. . O mesmo raciocínio se aplica às doutrinas da ressurreição. que permanece passiva. ainda de modo romântico. O Espírito Santo é identificado como o espírito público que aviva a comunhão dos crentes‖. Quanto à doutrina do pecado. idênticos. o teólogo alemão se aproximou da heresia sabelianista ou modalista. ele rejeitou o conceito de pecado como desobediência a Deus ou à sua lei. entretanto. Assim.

restaura a liberdade ética entravada pelo pecado.1 Ritschl e sua escola Uma teologia liberal até certo ponto nova e original. revelação. surgiu em fins do século XIV e nos primeiros anos do século XX. Mediante a fé. a partir de Lutero e Calvino.3. O esforço de Ritschl em manter uma teologia de revelação divina sem a fé em milagres foi duramente atacada tanto por liberais como por conserva-dores. das quais a mais importante é Die christliche Lehre von der Rechtfertigung und Versöhnung (A Doutrina Cristã da Justificação e da Reconciliação. igreja. Bengt Hägglund sintetiza o livro da seguinte forma: Salvação. . a relação entre o homem e Deus. Ritschl negou ou reinterpretou as seguintes doutrinas tradicionais: trindade. mas a sua influência na teologia protestante alemã da segunda metade do século XIV foi. que Ritschl define como “justificação” (Rechtfertigung) ou perdão dos pecados. antes perturbada. A influência de Kant se traduz no conceito de religião como o triunfo do espírito ou do valor moral sobre os males da sociedade. reino de Deus. sem dúvida. Ritschl foi autor de várias obras. tendo como divulgadores o teólogo protestante alemão Albrecht Ritschl (1822-1889) e seus discípulos. manifesta-se em boas obras. 1870-1874). defendido por setores da ortodoxia protestante. Tal transformação interna é o que Ritschl denomina “reconciliação” (Versöhnung). Ritschl não concebia o pecado como corrupção universal perante Deus e entendia que a divindade de Cristo era figurada e se caracterizava unicamente pela unidade de sua vontade com Deus. configurando uma espécie de monotelismo. transforma-se em confiança e filiação. mas somente até onde ele se auto-revela através de Cristo. muito grande. pecado original e encarnação. na crença de que Deus não é conhecido como autoexistente. Além de rejeitar o conceito jurídico da justificação. e a de Schleiermacher. Esta. Disto resulta uma modificação interna na vontade do homem: o homem chega a reconhecer a vontade de Deus e deste modo se predispõe a fazer o bem. A tentativa de aplicar os princípios filosóficos kantianos ao cristianismo protestante constituiu atitude típica de uma era em que havia pouco respeito pelos mistérios da religião e praticamente nenhum temor ante o julgamento divino. a teologia do valor moral. Ritschl fora influenciado tanto por Kant como por Schleiermacher. por sua vez.

1886-1889). teólogo e historiador alemão. Harnack procurou apresentar um sumário do que ele considerava a essência do evangelho. na Assembléia de Westminster. havia um grupo que. posto que a primeira onda. das formas mutáveis de vida e de pensamento nas quais o evangelho foi transmitido. O miolo da mensagem de Jesus é o reino de Deus. que é permanentemente válido. chegando alguns a considerar os Dez Mandamentos como elementos dogmáticos cuja referência deveria ser evitada no contexto dos padrões de Westminster. Sua idéia mais distintiva foi que o dogma da igreja primitiva consistia no resultado natural da busca de padrões para filiar membros. uma vez que ela leva à conclusão de que só deve ser aproveitado no Novo Testamento aquilo que tiver uma ligação clara ou for derivado do Antigo Testamento. mas no entendimento da religião como um desenvolvimento histórico.2. o antidogmatismo de Harnack foi muito mais substancial e profundo. pois no século XVII. considera a generalização de Harnack inadequada. e que isto obscurecia a natureza essencial e o impacto prático dos ensinos de Jesus. que se isso for verdadeiro. compiladas e publicadas com o título Das Wesen des Christentums (O que é o Cristianismo. Harnack O discípulo mais importante da escola de Ritschl foi Adolf von Harnack (1851-1930). Sua intenção era separar essa essência. na formulação do dogma da Trindade e da Pessoa de Cristo. se colocava contra toda e qualquer idéia de dogma configurada especialmente pelos credos. havia sido rejeitada pela igreja. que ele chamou de o ―miolo‖ do evangelho. . As idéias de Harnack sobre os dogmas não eram inéditas. pois tanto Paulo como João usam muitos conceitos helenistas. Numa série de conferências realizadas em Berlim em 1900.3. a doutrina gnóstica. ou seja. Ele também procurou demonstrar que os credos formulados nos Concílios Ecumênicos de Nicéia (325) e Calcedônia (451) usaram um grande número de conceitos retirados da filosofia grega. do elemento periférico ou da ―casca‖. 1900). e os cristãos devem seguir o exemplo de Jesus de uma ―retidão superior‖ governada pela lei do amor. contemporâneo de Harnack. onde ele procurou demonstrar que a relevância do cristianismo para o mundo moderno não repousa no dogmatismo teológico. Paul Tillich. grande erudito em patrística. que existe independente do culto religioso. cerca de dois terços da escritura neotestamentária deve ser deixada de lado. Sua obra mais conhecida é Lehrbuch der Dogmengeschichte (História dos Dogmas. Diz mais. Contudo. paradoxalmente. embora concorde com uma possível influência gnóstica. A este desenvolvimento ele chamou de segunda onda da helenização.

afirma que o maior erro dele e de toda a teologia liberal é que ela não está apoiada em uma teologia sistemática. em última análise. Esta mensagem original é a mensagem da vinda do reino. como. reputado como o principal filósofo alemão de sua época. ao concluir a sua análise crítica sobre a obra de Harnack. contida na Bíblia. moderna. ele mesmo se considerava apenas um teólogo e. na realidade. A teoria do conflito entre Paulo e Pedro. ou seja. toda a comunidade cristã primitiva que rodeava Paulo estava impregnada de conceitos helenizantes. Ele se objetiva no Filho – a antítese. Essa.3 Hegel e os idealistas Muitos dos teólogos e filósofos liberais também são considerados como tendo ligações com o idealismo. a partir do Absoluto. ou seja. é a fórmula clássica da teologia liberal: o evangelho ou a mensagem pregada por Jesus nada tem com a mensagem posterior. e foi ela. por exemplo. doutrinas que não podem ser encontradas na mensagem original de Jesus. .Em decorrência da fórmula de miolo e casca. ou seja. Harnack cunhou a idéia de dois evangelhos. enfatiza que toda e qualquer experiência humana ou percepção consiste de idéias. Ele afirmou que o evangelho sobre Jesus não está contido no evangelho pregado por Jesus. A união se dá na mais suprema síntese – o Deus-Homem. Tillich. que produziu as doutrinas sobre Jesus. Ademais. O Amor que os une é o Espírito Santo – a síntese. com base na experiência da ressurreição. como tal. pregada sobre Jesus. 3. voltou-se contra Schleiermacher. Contudo. Hegel considerou o Pai como a unidade divina – a tese. tudo o que existe só se torna real porque é percebido pela mente do homem. e mesmo assim devem ser eliminados todos os sinais que identifiquem uma possível influência paulina. às doutrinas da trindade e da encarnação. um verdadeiro e outro falso. No que se refere à encarnação. o cristianismo é a religião absoluta e o universo está em uma constante luta. Tal afirmativa pressupõe a redução do evangelho somente aos sinóticos. desenvolvida por Baur (ver adiante). que é Deus. Dentre os principais idealistas destaca-se Georg Wilhelm Friedrich Hegel (1770-1831). é revivida aqui em uma versão mais refinada. Para Hegel. Na realidade. uma escola filosófica que. mútua aceitação e amor. O processo completo culmina na Trindade. e o reino de Deus é o estado no qual Deus e os membros individuais de seu domínio estão em uma relação de perdão. Distingue-se ele da humanidade finita – a antítese. que Paulo interpreta Jesus de um modo que está muito longe do verdadeiro Jesus histórico. o evangelho de Jesus e evangelho sobre Jesus. Hegel afirma que Deus é a tese. Na primeira. ele desenvolveu um método dialético aplicável também à teologia.

Ainda nessa linha. por seu irenismo e familiaridade com controvérsias da metade do século II. ele aplicou os conceitos hegelianos de tese. trouxe sérias conseqüências ao desenvolvimento do hegelianismo posterior. nesse particular Baur parece ter sido influenciado por Kant e Hegel. em especial. que eram grandes admiradores do quarto evangelho.Apesar de não ter atacado a teologia ortodoxa tradicional. Ademais. A tensão inevitável surgiu com o cristianismo paulino a antítese. Em seu livro Paulus. antítese e síntese ao desenvolvimento primitivo do cristianismo. pois sintetiza e harmoniza o conflito entre cristãos judeus e gentios e. teólogo filosófico protestante alemão e fundador da Escola de Tübingen de crítica bíblica. ou a Igreja Católica – a síntese.4 Ferdinand Christian Baur Ferdinand Christian Baur (1792-1860). foi escrito no final da segunda centúria. resolvendo-se a oposição em uma unidade mais elevada. der Apostel Jesu Christi (Paulo. portanto. em que cada conceito aponta além de si mesmo a outro conceito contrário. 1845). Assim. ele afirmou que a maior parte do Novo Testamento teria sido escrita no segundo século. 3. não poderia ter sido escrito no século I. O partido de Cristo começou essencialmente como um judaísmo messiânico sob a liderança de Pedro e adotado pelos apóstolos originais – a tese. . por parte do grupo chamado de esquerda hegeliana. Coríntios e Gálatas eram genuinamente de Paulo. sendo que o Evangelho de João. Os partidos petrino e paulino lutaram e dessa luta surgiu o partido joanino. Baur aplicou os mesmos princípios à vida e pensamento do apóstolo Paulo e concluiu que somente as Cartas aos Romanos. o método dialético de Hegel. achou na filosofia contemporânea de Hegel um instrumento adequado para a remodelação da teologia. representada entre outros por Ferdinand Baur e David Strauss. ele acreditava que o autor de Atos era pós-apostólico. mais precisamente em um ensaio sobre o chamado partido de Cristo na correspondência de Paulo aos coríntios. o Apóstolo de Jesus Cristo. com base em suas pesquisas do Novo Testamento. Segundo Paul Tillich.

A vida de Jesus. Racionalista não confesso. Seu conceito de que o homem é a união entre o finito e o infinito. que esperavam um Messias que fizesse maravilhas e aguardavam o cumprimento das profecias do Antigo Testamento. em todos os seus característicos sobre-humanos. em sua maior obra. criação mitológica e deve ser entendido simbolicamente como a realização da Idéia ou Espírito Absoluto na raça humana. tem sido copiado por algumas crenças esotéricas modernas como a Nova Era. uma forma personalizada de darwinismo. em atendimento aos anseios dos homens daquele tempo. do mesmo modo que Baur considerou o Evangelho de João como o mais afastado no tempo. que. todos os textos nos quais Deus intervém no curso natural dos fatos não são históricos. Os argumentos de Strauss podem ser reduzidos aos seguintes silogismos: 1) Todos os textos que não se conciliam com as leis conhecidas e universais que governam os acontecimentos não são históricos. mas o Cristo do Novo Testamento é essencialmente. Das Leben Jesu kritisch bearbeitet (A Vida de Jesus Criticamente Examinada. Para Strauss. justificando-os através da idéia de mito. 1872). considerou os milagres bíblicos atribuídos a Jesus como impossíveis. de 700 páginas.3. foi uma tentativa de despir o Jesus histórico de sua moldura de mito criada pela imaginação poética da igreja antiga. . 1836). conforme apresentada nos Evangelhos. que teriam sido engendrados por escritores do século II. Strauss publicou o livro Der alte und der neue Glaube (A Velha Fé e a Nova. no qual se propõe a substituir o cristianismo pelo materialismo científico. entre o espírito e a natureza. 3) Logo. Jesus existiu.5 David Friedrich Strauss Outro membro da esquerda hegeliana foi David Friedrich Strauss (1808-1874). influenciado pelo pensador iluminista Reimarus e pelos ensinos da escola de Tübingen. 2) Todos os textos nos quais Deus intervem no curso natural dos fatos são irreconciliáveis com as leis conhecidas e universais que governam os acontecimentos. No final de sua vida.

à saber: Harnack e Herrmann. Cornelius Van Til. Ele produziu um impacto tão grande na teologia protestante. Karl Barth e a revolta contra o Liberalismo Teológico Tendo já comentado a influencia da filosofia kantiana para a teologia do século vinte. e com muito mais força em 1921. que ela foi ainda mais revolucionária que a primeira. ainda que ordinário. não era o filho de Deus único e sobrenatural. e sim um livro extraordinário. O que havia nesse comentário do pastor Barth que sacudiu os alicerces teológicos do século vinte? Quais foram os princípios que Barth apresentou e que se converteram no legado de uma nova era teológica? Harvie M. Ele transformou a teologia do século vinte em teologia da crise.4 . Em 1919. Herrman. A revolta teológica contra o liberalismo teológico foi uma das mais notórias características da teologia barthiana. . Diz-se da segunda versão do comentário aos Romanos. Porém. o sentimento. Um teólogo católico disse que esse comentário aos Romanos foi uma revolução copernicana na teologia protestante que acabou com o predomínio do liberalismo teológico. uma bomba que Barth lançou no cenário teológico contemporâneo. esboça alguns princípios que emanam do comentário de Karl Barth aos Romanos e que parecem ter desempenhado o papel mais influente na formação das novas variantes teológicas. aluno do Dr. A medida de toda a verdade era a experiência. mas não pode jamais ignorá-la se quiser conhecer a situação teológica contemporânea. caracterizado por uma profunda veia de pietismo e de preocupação pela prática da experiência religiosa cristã. O Jesus do mentor de Barth. totalmente revisada e publicada em 1921. Foi ele quem dominou o ambiente teológico. Em 1919. passemos agora a discorrer sobre a teologia contemporânea em si. A teologia desses dois mestres e também a de Barth era o Idealismo teológico. que todo teólogo do nosso século que quiser estudar teologia a sério. de qualquer forma. cheio de erros e que exigia uma crítica radical para encontrar a verdade. Barth se encarregou de repudiar grande parte desse liberalismo clássico. Conn. Ele foi. Harnack. Não há nenhuma dúvida de que o pensamento de Barth dominou o pensamento teológico do seu tempo. mas a encarnação do amor e dos ideais humanistas. um jovem pastor de uma pequenina igreja da Suíça escreveu um comentário tão radical que certo escritor disse que Karl Barth pegou uma carta escrita em grego do primeiro século e transformou em uma carta urgente para o homem do século vinte. formulou os problemas e apresentou as hipóteses de maior relevância. e desde então tem estado no centro da teologia moderna. A influência da obra de Karl Barth nessa nova era da teologia é enorme. A Bíblia do mentor de Barth. Esses princípios serão abordados nos tópicos a seguir. não era a Palavra infalível de Deus. de fato. 1919 tem sido para muitos o ponto de partida da teologia contemporânea. Barth havia aprendido teologia aos pés de dois grandes teólogos liberais. pode se opor à sua teologia ou acolher suas idéias.

até que ela nos fale da nossa situação existencial. O comentário de 1921 de Barth propôs uma nova idéia de revelação. porém indireta. Kierkgaard havia dito que toda afirmação teológica era paradoxal. até que a Bíblia se torne real para nós. Barth se opôs a isso e apresentou Deus como ―Totalmente Outro‖. Nesse ínterim. Barth quis edificar a ética sobre a base da teologia. O comentário de Barth também introduziu um novo método para explicar a teologia. Bart condenou a religião como o pecado máximo. o que demonstrou que eles eram mestres de uma religião atada a uma cultura. A culta Alemanha. os mestres liberais de Barth se uniram com outros teólogos para declarar seu apoio à Alemanha. ―é a Palavra de Deus enquanto Deus fala por meio dela [. A Bíblia é simplesmente um livro. Segundo Barth. a liberal Inglaterra e a civilizada França lutavam como animais ferozes. Esse é o conceito barthiano de revelação. Barth. Esse termo ficou rapidamente associado à obra de Barth. ela não é Palavra de Deus. insistiu na distinção entre a Bíblia e a Palavra de Deus. Para ele. e não a Deus. A dialética de Barth.. O subjetivismo do liberalismo do século XIX havia colocado o homem no lugar de Deus. ainda que o método tenha sido tomado por empréstimo do teólogo existencialista Soren Kierkgaard. A Bíblia. mas. Em oposição ao antigo liberalismo. O homem devia somente conservar ambos os elementos do paradoxo.] a Bíblia se transforma em palavra de Deus nesse momento‖. Este era seu legado kantiano. um livro através do qual nos pode chegar a Palavra de Deus. O liberalismo edificou a teologia sobre a base da ética. ou teologia do paradoxo. a dialética. e não o homem!‖. O comentário de Barth aos Romanos surgiu então como repúdio de seus antigos mestres liberais. Barth exclamou: ―Seja Deus. porém. Barth enfatizou a necessidade que o homem tem da revelação. O liberalismo fazia de Deus algo imanente ao mundo.A primeira guerra mundial e seus horrores acabaram por soterrar o idealismo teológico liberal. O liberalismo havia exaltado o uso aculturado da religião.. e chamou suas idéias de Teologia da Palavra de Deus. diz Barth. pode-se ler a Bíblia sem ouvir a Palavra de Deus. . pelo menos. É esse ato de sustentação do paradoxo que Kierkgaard chama de ―salto de fé‖. não podendo ser sintetizada. A relação entre Deus e a Bíblia é real.

é que Deus é sempre sujeito. Apenas falamos a Deus. céu e terra. que também é um legado kantiano. O comentário de Barth veio reafirmar a transcendência absoluta de Deus. só pode ser assimilada pela mente humana como sendo um paradoxo. Segundo Barth. se dedicaram a buscar nos evangelhos – os quais eles condenavam como não-confiáveis – os fatos históricos sobre Jesus. segundo Barth. ao encontrar a contradição do pecado e finitude humana. . Um dos pressupostos de Barth.] Por esta razão. ele é infinito e soberano. não há nada na história sobre o que possamos basear a fé. mas pela revelação. Ele pertence. Sem dúvida o grande tema de Barth. e só pode ser conhecido quando nos fala. Deus não é simplesmente uma unidade no mundo dos fenômenos. de maneira que quando preparava o comentário aos Romanos. Segundo Barth.Tal conceito influenciou muito a teologia barthiana. apenas a toca como uma tangente toca um círculo. A fé é um vazio preenchido não pela história. não cabe à teologia medílo em uma forma de pensamento direto ou unilinear‖. conhecemos a Deus e conhecemos o pecado. em certo sentido. Harnack. Não se pode identificar Deus com nada no mundo. segundo a teologia dialética de Barth. ―Totalmente Outro‖.. mas ainda é pecador. tudo o que resta é uma cratera abrasada no terreno. Barth asseverou que essa busca é um a busca sem importância. o homem é justificado por Cristo. ao coração do pensamento doutrinário‖. em oposição declarada ao liberalismo. Certo comentarista observou que. a própria natureza de Deus exige que as afirmações que lhe dirigimos sejam revestidas de contradição: ―Não podemos considerá-lo perto. A teologia do século dezenove se dedicou a procurar o Jesus histórico por detrás do Cristo sobrenatural da Bíblia. Deus chega ao homem como a tangente que toca o círculo.. todo homem é escolhido e também reprovado em Cristo. Não podemos falar a respeito de Deus. a revelação não entra na história. segundo ele. ―Ele não pode ser explicado como qualquer outro objeto pode ser. Depois da explosão. Barth afirmava que ―enquanto estamos na terra.] O paradoxo não é acidental na teologia cristã. é um paradoxo: Deus é o oculto que se revela. e essa cratera é a igreja. a revelação que vem de cima para o homem. Deus e o homem. nem sequer com as palavras da Escritura. não podemos fazer outra coisa em teologia a não ser utilizar o método de afirmação e contraafirmação. Não nos atrevemos a pronunciar em forma absoluta a palavra definitiva [. mas na realidade não o toca. a não ser que o consideremos longe‖. nunca objeto. pois. A própria natureza da revelação. apenas podemos nos dirigir a Ele [. foi a ―infinita diferença qualitativa‖ entre eternidade e tempo.. O comentário de Barth também demarcou a fronteira entre a história e a teologia.. Deus fala ao homem como a bomba explode na terra. Os liberais clássicos como o professor de Barth.

o homem é entronizado no centro da experiência religiosa.Profundamente influenciado pelos conceitos de história de Kierkgaard e de Franz Overbeck. Há. e o posicionamento de Barth nada mais é que uma opção por ficar em cima do muro. a ressurreição de Jesus pertence ao âmbito de Geschichte. dentro da sua teologia dialética. Para ele. Barth não aceita a inerrância da Bíblia. as idéias kantianas de fenomenal e numenal ―volta e meia‖ reaparecem com uma nova roupagem. Segundo Barth. podendo-se até dizer que a teologia contemporânea tem sua raiz em Konigsberg. algumas críticas que se pode fazer à obra de Barth. Mais uma vez a influência do pensamento de Immanuel Kant sobre a teologia de Karl Barth. pode-se dizer que ele suavizou algumas idéias mais incisivas. Barth dividiu a história em dois níveis: Historie e Geschichte. Por causa dos seus pressupostos liberais. Para Barth. Em primeiro lugar. Objeções à teologia dialética de Karl Barth. Sua idéia de revelação. que exige algo de mim e requer meu compromisso. o âmbito da Historie de nada vale para o crente. porém sua influência continua sendo grande a ponto de podermos designar o século dezoito e o pensamento de Kant como protótipo da teologia contemporânea. na prática. a diferença entre a Bíblia como meramente um livro e a Bíblia como a Palavra de Deus depende exclusivamente da reação humana frente a este livro. sem dúvida. O que passo a expor agora são algumas críticas que se podem fazer ao pensamento de Barth. Ao longo do desenvolvimento da teologia contemporânea. na Prússia. . Ainda que ambos os termos possam ser traduzidos por história. e até certo ponto. Jesus deve ser confrontado no âmbito de Geschichte. chegando mesmo a afirmar que toda a Bíblia é um documento humano falível e que buscar partes infalíveis nas Escrituras é ―simples capricho pessoal e desobediência‖. principalmente no que concerne ao mundo dos fenômenos e dos números é muito grande. suas idéias podem ser chamadas de novo liberalismo. é puramente subjetiva. Historie é a totalidade dos fatos históricos do passado. A inerrância das escrituras é uma das diferenças cruciais entre o liberalismo e o cristianismo ortodoxo. a conotação que essas duas palavras têm é bem diferente. Embora em uma atitude de revolta contra o liberalismo ele tenha exclamado: ―Seja Deus e não o homem‖. Barth não conseguiu se livrar do ponto de vista crítico liberal das Escrituras. Ele mesmo reconheceu alguns de seus excessos e poliu boa parte dos argumentos que enfatizou a princípio. Alguns tomam o tema e o ampliam. não de Historie. no alemão. Geschichte se ocupa daquilo que une essencialmente. em última instancia. ainda que as idéias de Barth representem uma revolta contra o liberalismo clássico. podendo ser comprovada objetivamente.

Emil Brunner talvez tenha sido um dos nomes mais conhecidos dessa nova escola. mas não pode livrar-se de seus pressupostos. de Barth. Ele exclui a razão a priori e deixa a porta fechada à percepção humana. quase todo o pensamento teológico moderno até a década de setenta envolverá a perspectiva de Barth. se avolumando sob a égide de um novo movimento teológico denominado ―neo-ortodoxia‖. Ele revoltou-se contra o liberalismo teológico. de que maneira o homem pode conhecê-lo? A separação que Barth faz da Historie e da Geschichte. o homem não pode conhecê-lo diretamente. Podemos aceitar seus pressupostos ou acirrar-nos contra ele. A questão é: se Deus é assim tão indescritível e insondável. e ao fazê-lo. Tal como Kant.1 Neo-ortodoxia: Analisando os pressupostos teológicos do novo liberalismo Karl Barth havia desencadeado uma tremenda revolução com seu comentário aos Romanos. É claro que o propósito de Barth foi tirar do liberalismo o monopólio quanto ao método de interpretação. Ao que vemos. embora a teologia de Barth tenha sido responsável por uma prática religiosa em que os valores evidenciam a religiosidade do cristão. e visto que a ―inescrutabilidade e recondidez formam parte da natureza de Deus‖. acaba por solapar a base do cristianismo. afirma ele. Como Deus não é um objeto no tempo e no espaço. Barth confina Deus ao mundo dos números e apresenta a dialética – a teologia do paradoxo – como sendo à única teologia possível. argumentou contra ele. mas ao fazê-lo. Sua teologia é de suma importância para o século vinte e. Ela argumenta na tradição de Nietzche e Overbeck. Se toda comunicação histórica e toda experiência direta com Deus se encaixa em uma concepção pagã de Deus. é claro. mas nenhum teólogo de nossa época poderá jamais ignorar a teologia dialética de Karl Barth e sua influência no cenário teológico contemporâneo. também privou o cristianismo do seu lugar na história. separando o cristianismo da história. e nos anos que se seguiram. como poderemos aproximar-nos da verdade sobre Deus? Também a sua insistência em descrever Deus como ―Totalmente Outro‖ faz de Deus um ser indescritível. depois. 4. a revolução se ampliou consideravelmente. de fato.O resultado final da dialética de Barth é a destruição da verdade objetiva. . ele jamais conseguiu se libertar completamente do liberalismo teológico de seus mestres Herrmann e Harnack. traz à tona a problemática concernente à historicidade da obra redentora de Cristo como fundamento do cristianismo.

mas se defendeu argumentando que se o homem pecador não é mais a imagem de Deus e se não há nenhuma revelação de Deus na natureza. O esboço que demonstraremos a seguir está baseado principalmente na obra Dogmática da Igreja. estudou em Zurich. apesar da influencia de Brunner. Ele foi duramente criticado por Barth por afirmar que a imagem de Deus se encontra ainda no homem pecador e que Deus se revela na natureza. Agora. a neo-ortodoxia – às vezes chamada de barthianismo – cruzou muitas fronteiras. no Japão ele era conhecido como o único teólogo. Ele argumenta que Deus não pode ser tratado como um objeto de estudo. conceito que é negado por Brunner. foi Barth quem foi apelidado de ―o papa teológico‖. e em 1953 deixou a Suíça para tornarse professor na Universidade Cristã do Japão. é extremamente subjetiva. A ferrenha diferença de opiniões entre Barth e Brunner quanto à realidade do nascimento virginal e da revelação geral. são indicativos de que as vozes dentro do movimento neo-ortodoxo nem sempre foram unânimes. assim como a de Barth. ele define o cristianismo e a teologia em termos mais relacionais que racionais. indicamos alguns dos pressupostos.Brunner foi um teólogo suíço residente nos Estados Unidos que também teve participação importante no desenvolvimento da teologia neo-ortodoxa. o mundo inteiro sentiu o abalo da teologia barthiana. Enquanto nos Estados Unidos ele era recebido como um dos mais importantes teólogos. bem como a metodologia da estrutura teológica neo-ortodoxa. Berlim e também no Union Theological Seminary. Essa influência de Barth no Japão deve-se principalmente aos escritos de Tokutaro Takahura. e a mesma é negada por Barth. de Barth. Emil Brunner aceita a revelação geral. Na verdade. tendo exercido influência no oriente. por volta de 1925. Essa insistência em que Deus é sempre sujeito e nunca objeto será um tema bastante recorrente na teologia contemporânea. Desde os primeiros anos do comentário aos Romanos. a discordância de Pannenberg acerca do conceito barthiano de história. Em um capítulo anterior. Nascido em 1889. Temos que reconhecer que existe muita rivalidade no movimento. Tornou-se professor de teologia em Zurich em 1924. então o homem não pode ser responsabilizado pelo pecado que comete. em Nova Iorque. . ou um ―isso‖. tanto que ao final da década de cinqüenta. Buscando inspiração nos escritos dos filósofos Martin Bubber e Soren Kierkgaard. liberal e neo-ortodoxa. mas devemos nos relacionar com ele apenas como um ―Tu‖. A teologia de Brunner. as criticas de Barth à Bultmann e as críticas que Bultmann devolveu à Barth. Barth aceita o nascimento virginal. cabe a nós destacarmos os temas comuns. as três principais correntes teológicas já eram mencionadas como sendo a conservadora ou ortodoxa. por exemplo. No Japão.

O tema mais debatido pela neo-ortodoxia é o conceito de revelação. A revelação, segundo Barth, é uma perpendicular que vem de cima, e que por isso não pode se comparar com as melhores intuições humanas. A revelação é um evento no qual Deus toma a iniciativa. Também é dito que a revelação não pode comparar-se com a Bíblia, pois é superior a ela. A Bíblia e suas afirmações são testemunhas, são sinais indicadores da revelação, mas não é a revelação em si. A Escritura não é a Palavra de Deus, e nem as afirmações da Escritura são revelação. Segundo Barth, comparar a Bíblia com a Palavra de Deus é objetivar e materializar a revelação. Nesse mesmo terreno, Brunner definiu a revelação como sendo uma ocasião de diálogo em que Deus se encontra com o homem. Não se pode dizer que a revelação tenha acontecido, à não ser que ambos os participantes do encontro – a saber, Deus e o homem – se encontrem. O coração da revelação da Palavra de Deus, segundo a perspectiva neo-ortodoxa, é Jesus Cristo. De fato, Barth insiste tanto nessa idéia que chega ao ponto de negar a existência de qualquer outra revelação, à parte de Cristo. Para ele, a história da revelação e a história da salvação vêm a ser a mesma coisa. No Cristo de Barth, Deus revelou que não queria deixar o homem existir em pecado. Por isso, Barth insiste em que nunca deveríamos mencionar o pecado, a não ser que agreguemos imediatamente que o pecado foi derrotado, esquecido e vencido por Jesus. A reconciliação entre Deus e o homem se efetua por meio de Cristo. Jesus Cristo é o próprio Deus, isto é, é Deus que se humilha a si mesmo. Em sua liberdade, Deus cruza o abismo aberto e mostra que ele é verdadeiramente Senhor. Na encarnação, Deus se humilha a si mesmo. Barth não quer admitir a humilhação do homem Jesus. Segundo ele, dizer que a humilhação se refere ao homem é uma mera tautologia. Que sentido haveria em falar de um homem humilhado? A humilhação é algo natural no homem. Porém, dizer que Deus se humilhou a si mesmo, segundo Barth, é entender o verdadeiro significado de Jesus Cristo como Deus. Ele é o Deus que se humilha que se revela, e é também a própria essência da revelação. Barth afirma que Cristo, embora haja se humilhado como Deus, foi exaltado como homem. Ele se nega a admitir a idéia tradicional dos dois estados de Cristo, humilhação e exaltação, referindo-se à totalidade do Deus-homem em ordem cronológica. Para Barth, Deus se humilhou a si mesmo e o homem (a humanidade de Jesus) foi exaltada. Dizer que o estado de exaltação se refere a Deus também é mera tautologia. Que sentido haveria em falar em um Deus exaltado? A exaltação é algo natural em Deus. Segundo Barth, ―em Cristo, a humanidade é humanidade exaltada, assim como a divindade é divindade humilhada. E a humanidade é exaltada com a humilhação da Divindade‖.

A doutrina de Barth traz implícito o universalismo. Outro problema bastante polêmico dentro da neo-ortodoxia é a ambigüidade de seus proponentes no que concerne à possibilidade de salvação universal. Barth desde o início repudiou o conceito supralapsariano – que é a dupla predestinação – afirmando que a eleição não diz respeito a pessoas, e sim à Cristo. Ele afirma que a tarefa da igreja é proclamar que os homens já foram eleitos em Cristo, e que portanto, devem viver como escolhidos. Para Barth, a eleição não é um estado que adquirimos em Cristo, e sim uma vida de ação e serviço a Deus. Esse conceito barthiano implica em universalismo? Barth não afirmou, mas também jamais negou essa hipótese. Em uma de suas últimas conferências sobre a humanidade de Deus, ele disse que ―não temos o direito teológico de estabelecer quaisquer limites à misericórdia de Deus que se manifesta em Jesus Cristo‖. 4.2 Objeções à neo-ortodoxia. Como se pode observar, muitos pressupostos da neo-ortodoxia são resultantes da influência do liberalismo, o que torna algumas de suas propostas inaceitáveis para os teólogos ortodoxos. Há ainda muita polêmica dentro da neo-ortodoxia, não sendo difícil levantar objeções a essa corrente teológica. O que apresentamos a seguir são algumas objeções mais freqüentes que são levantadas contra a neo-ortodoxia. Primeiramente, a neo-ortodoxia coloca a experiência subjetiva acima da revelação objetiva. Para a neo-ortodoxia, a revelação não é simplesmente uma declaração de Deus ao homem, e sim um encontro divino-humano, uma confrontação e um diálogo existencial. De acordo com essa premissa, a Bíblia não pode ser a Palavra de Deus. Ela se transforma em Palavra de Deus à medida que Deus fala conosco por meio dela. Reconhece-se nessa premissa a dívida que a neo-ortodoxia tem com a escola de filosofia existencialista. A neo-ortodoxia conserva a linguagem teológica ortodoxa, porém a reinterpreta, e muitas vezes o resultado desta reinterpretação é tão nocivo quanto veneno no leite. As doutrinas do pecado original, da queda de Adão, da redenção, da ressurreição e da segunda vinda de Cristo são chamadas de mitos por Brunner e de saga por Barth. A interpretação que a neo-ortodoxia dá a essas passagens é acima de tudo existencial, quase nunca literal, sob alegação de que essas doutrinas não descrevem eventos na história, e sim condições históricas sob as quais todos os homens vivem. Gênesis 3, por exemplo, não deve ser tomado como história literal, sendo apenas uma forma simbólica de explicar a realidade do pecado e do orgulho na vida humana. Esse conceito de teologia não deixa nenhuma porta pela qual possa entrar a pregação da vinda do Filho de Deus como evento a ocorrer na história, por exemplo.

A insistência de Barth em Jesus Cristo como o coração da revelação é tão forte que o leva a negar a existência de qualquer outra revelação de Deus. Essa idéia é contrária a Bíblia, pois esta afirma que Deus se revela através da sua criação (Atos 14.17 e Romanos 1.19-20). O conceito barthiano e neo-ortodoxo de revelação também é contrário à doutrina bíblica da inspiração, e acaba por destruir o caráter bíblico de revelação canônica. Alguns acusam Barth de fazer uma interpretação dualista da encarnação de Cristo, pois ele parece fazer distinção entre as duas naturezas, repudiando por completo o credo da Calcedônia. Ora, Cristo não nos salvou apenas por meio da sua divindade, mas também por meio da sua humanidade. Nós temos paz por meio do sangue da cruz (Colossenses 1.20, Efésios 2.16) e não há nada mais humano que o sangue de uma pessoa. Ainda que Barth diz que nem afirma e nem nega a teoria da salvação universal, sua idéia de ―eleição universal em Cristo‖ parece uma espécie de neo-universalismo. Além disso, seu repúdio pelas descrições do céu e do inferno parecem um conceito de salvação bem diferente do que é apresentado nas Escrituras. O resultado dessa postura ―neouniversalista‖ é a destruição da gravidade da incredulidade, e deste modo a neo-ortodoxia destrói as advertências bíblicas contra a apostasia, bem como o chamado ao arrependimento e à fé. Por várias razões, muitos teólogos têm entendido mal a neo-ortodoxia. Essa corrente teológica pretende, entre outras coisas, ser um retorno ao ensino dos reformadores. A razão de ser da neo-ortodoxia é atacar o otimismo do liberalismo clássico e as corrupções da teologia católica romana. É sua intenção por em evidência a centralidade absoluta da pessoa de Cristo, a transcendência de Deus e a necessidade de revelação. Naturalmente, todos esses pontos básicos estão em harmonia com o conceito evangélico. Apesar disso, como se pode observar, a neo-ortodoxia se separa da fé cristã histórica não somente em algumas esferas pouco relevantes, mas também em seus conceitos básicos. Recomendamos as obras de Barth, Bultmann e Brunner – bem como de outros teólogos neo-ortodoxos – por sua influência e contribuição para o cenário teológico contemporâneo, mas a apreciação dessas obras deve ser feita com cautela e com espírito crítico. 5. Crítica da Forma: O método investigativo de Rudolf Bultmann No mesmo ano em que Karl Barth publicou seu comentário aos Romanos, apareceram mais dois livros acerca de temas neotestamentários que anunciavam uma nova mudança nos estudos críticos. O livro Die Formgeschichte des Erxrngeliums, de Martin Dibelius (1883-1947), foi o responsável por popularizar o jargão teológico crítica formal. Outro livro, Der Ráhmen der Geschichte Jesus (1919), de Karl L. Schimidt, pretendia ser o golpe de misericórdia dos liberais contra a confiabilidade do Evangelho de Marcos. Porém, mais que a estes dois nomes, a coluna vertebral dessa nova mudança estaria associada a um outro nome: Rudolf Bultmann. O livro de Bultmann que revolucionou a história dos estudos da Bíblia foi History of the Synoptic Tradition (História da tradição dos Sinóticos), escrito em 1921. A influência de Bultmann no campo da crítica sobrepujou a de Dibelius.

tendo sofrido acréscimos por parte da comunidade cristã primitiva. A igreja ajuntou essas tradições e usou em forma de narrativa. acolheram vários pressupostos da crítica formal. que teria sido anterior aos quatro Evangelhos canônicos e diferente dos mesmos. consistindo basicamente de ditos e relatos individuais referentes a Jesus e aos seus discípulos. Segundo os seus proponentes. partindo da premissa de que a igreja primitiva compilou. tais como Oscar Cullmann e Joachim Jeremias. e deve ser avaliada como qualquer outra obra literária religiosa antiga. a Bíblia é o produto de antigas influências históricas e religiosas. Frases como as dos Evangelhos.1 O método investigativo da crítica formal. inclusive histórias independentes acerca de Jesus. Para ele. Segundo a crítica formal. e afirma que a Bíblia não é a Palavra inspirada de Deus em nenhum sentido objetivo. O propósito da crítica formal é encontrar o Evangelho por detrás dos Evangelhos. tais detalhes não são confiáveis. ao refutar as conclusões de Bultmann. ―em uma viagem‖ – são apenas meros recursos literários usados pelos compiladores dos Evangelhos para unir todas as narrativas. importante. etc. ―no dia seguinte‖. lugares. .O método crítico de Bultmann é de fato. Como disse K. A premissa fundamental da crítica formal é que os evangelhos são o produto do labor da igreja primitiva. A Bíblia. tal como a temos hoje seria apenas uma compilação de lendas e ensinos isolados que foram ardilosamente inseridos como sendo parte da história original. temos apenas histórias sobre Jesus‖. usam uma adaptação do seu método crítico. O labor do crítico formal é mostrar que a mensagem de Jesus. Inglaterra e Estados Unidos. inventando lugares. bem como outros países com tradição no estudo da teologia.L. tempos e enlaces para unir as tradições independentes. Shimidt. Essas tradições orais também não são dignas de confiança. tal como temos nos sinóticos. os quatro Evangelhos que dispomos servem apenas como ―matéria prima‖ na nossa busca pelo verdadeiro Evangelho. ―imediatamente‖. teriam sido acrescentados detalhes quanto à seqüência. Bultmann vai mais além. é em grande parte espúria. um dos pioneiros no campo da crítica. Milagres. nós ―não possuímos a história de Jesus. ainda que receosos quanto à nova matéria que estava associada principalmente ao nome de Bultmann. de acordo com seus próprios propósitos apologéticos e evangelísticos. Aos poucos. cronologia. Com respeito à confiabilidade da Bíblia. editou e organizou os livros canônicos de forma artificial. histórias controvertidas e profecias cumpridas seriam nada mais que uma tradição proveniente de uma fonte tardia e menos confiável. 5. Até mesmo os seus críticos. Os autores dos evangelhos procuraram unir várias tradições orais independentes e contraditórias que existiam na igreja antes que fosse escrito o Novo Testamento. Para dar aos Evangelhos um detalhe harmônico. ―em um barco‖.

ele não conseguiu demonstrar objetivamente o Jesus ―não-sobrenatural‖.3 Objeções ao método crítico de Rudolf Bultmann. Mateus para os judeus. Consenso com os cristãos ortodoxos. como por exemplo. por considerá-las principais. sendo antes disso um testemunho da fé dos crentes. Há várias objeções que se pode fazer ao criticismo de Bultmann. Além disso. o método crítico de Rudolf Bultmann é demasiadamente injusto com a natureza do Novo Testamento. Os cristãos ortodoxos aceitam. Ela também nos recorda que os Evangelhos não são relatos neutros ou imparciais. não importa a forma em que a crítica formal os selecione. filho de Deus. mas ele se mostra extremamente cético. Ele disse: ―Creio que não podemos saber quase nada acerca da vida e personalidade de Jesus. como a comunidade cristã ortodoxa havia pensado e praticado anteriormente. expressam em primeiro lugar uma preocupação vital com a problemática da época. já que as fontes cristãs primitivas não se interessam por isso. por maiores que foram os esforços de Bultmann. Cada um deles foi escrito com uma idéia. e até mesmo com alguns pressupostos de Bultmann. em uma ocasião histórica específica. Todos os documentos do Novo Testamento. continuam refletindo o Jesus sobrenatural. Não há dúvida que Jesus viveu e realizou muitas das obras que lhe são atribuídas.Por fim. E por último. alguns dos pontos sustentados pela neo-ortodoxia. . entre outros. a crítica formal nos lembra que os Evangelhos não se interessavam grandemente por detalhes geográficos e cronológicos. Flávio Josefo e Tácito. e Marcos e Lucas para os gentios. pois há menção da pessoa de Cristo nos escritos dos Pais apostólicos. Como tais. A crítica formal nos lembra que o evangelho se conservou oralmente durante pelo menos uma geração. dentre as quais destacaremos cinco. Para Bultmann. principalmente quanto à possibilidade do sobrenatural e do chamado ―Jesus histórico‖. o que temos nos Evangelhos canônicos são apenas resíduos do Jesus histórico. sendo fragmentadas e lendárias. A crítica formal também nos recorda o caráter ocasional dos Evangelhos. Assim como a teologia dialética de Barth. antes de adquirir a forma escrita do Novo Testamento. o resultado dessa metodologia é essencialmente anti-sobrenaturalista. e não existem outras fontes acerca de Jesus‖. de forma quase consensual. É claro que esses pontos consensuais são superficiais. 5. É claro que o comentário de Bultmann é preconceituoso e tendencialista.

Além disso. apesar disso. como no prólogo de Lucas (Lucas 1. como a ausência de sinais de Cristo em sua terra natal (Mateus 13. porém. Segundo a crítica formal. e sim a preservação e proclamação das antigas tradições. Na verdade. A grande premissa deste método de estudo é que a comunidade cristã. cada evangelista distribuiu seu material histórico de acordo com seus propósitos. . Em Atos 4. por se tratar de uma crônica de contínuos sucessos. Não há embasamento sólido para a teoria da inconfiabilidade histórica dos Evangelhos. Porém. os apóstolos eram uma fonte autorizada de informação com respeito dos atos e doutrinas de Cristo.1.21-22. Diferente do que dizem estes críticos. Os Evangelhos possuem uma unidade básica de testemunhos confiáveis de Cristo. mas a crítica formal não reconhece a diversidade de transmissão oral dentro da unidade dos relatos evangélicos. e não criar uma versão mitológica e deturpada do Evangelho. A igreja a qual Paulo e seus companheiros testemunharam não foi criadora (2 Coríntios 4. várias vezes eles se mostram cautelosos com os dados históricos. eles não podem ser um esquema historicamente confiável sobre a vida de Cristo. narra também alguns fatos embaraçosos. e os Evangelhos a relatos contraditórios. A verdade. Sua presença tinha como finalidade impedir que surgissem versões deturpadas do Evangelho. exerceu o papel mais importante na produção dos Evangelhos. mas apenas receptora da verdade. e não Cristo. Eles eram testemunhas oculares. é que a mensagem neotestamentária está centrada na pessoa de Cristo e no que ele fez (2Coríntios 4. e ainda nos apresentam marcos diferentes da vida de Jesus.5). Os críticos da tradição de Bultmann argumentam que. a crítica de Bultmann é exagerada porque exige dos escritores dos Evangelhos algo que eles não quiseram fazer. a pesar dos muitos sucessos. Eles também ignoram que o Novo Testamento.1-2). Isso tudo viola injustamente a unidade do relato evangélico. mas não eram historiadores treinados. Marcos e Lucas a meros compiladores de documentos. A crítica formal também é injusta com os escritores dos relatos evangélicos.1-4). O método crítico de Bultmann separa o cristianismo de Cristo. Sua maior responsabilidade não foi a criação de novas tradições.A primeira delas está relacionada com a história. O que eles não levam em conta é que dentro dos limites de um esquema histórico amplo. está claro que os apóstolos exerciam um controle estratégico da mensagem oficial da igreja durante os anos de transmissão oral. Eles reduzem Mateus.54-58) e a sua agonia no Getsêmani. cada Evangelho é um marco histórico de certos aspectos da vida de Cristo. e não na comunidade cristã. o cristianismo dos apóstolos não passava de versões falhas sobre Cristo e sua mensagem.

Apesar disso. apresentamos uma parte muito importante da influência atual de Bultmann. Mas a crítica formal não foi a única contribuição de Bultmann à teologia contemporânea. eles esquecem que o intervalo entre os fatos acontecidos e o registro desses fatos é muito pequeno. e se por um lado a Alemanha perdeu pouco a pouco o interesse pelos pressupostos da desmitologização. está demasiadamente comprometida com os pressupostos do liberalismo para que possa ser considerada uma analise imparcial dos fatos. O impacto desse conceito na Europa foi tremendo.A crítica formal parece esquecer que o lapso de tempo entre os fatos históricos e os documentos escritos é mínimo. O primeiro relato documental foi feito por Marcos e as evidências demonstram que ele foi escrito cerca de vinte e cinco anos após os eventos por ele narrados. caso estes fossem impostores e estivessem inserindo mitos na narrativa. .3 Desmitologização: O método interpretativo de Rudolf Bultmann Uma das palavras chaves para entender a teologia do século vinte é a ―desmitologização‖. Quando as primeiras versões evangélicas começaram a circular. a idéia recebeu um novo estímulo quando o John Robinson discorreu sobre o tema em seu livro Honest to God. porém. a ponto de instigar consideravelmente os teólogos dos Estados Unidos. tornando-se a partir daí um jargão teológico. De tudo isso. como os críticos desejam que seja. segue-se irrefragavelmente que a crítica da Bíblia tal como aparece em Rudolf Bultmann. é uma analise preconceituosa do relato evangélico. é justamente o contrário: os Evangelhos foram recebidos com muita alegria e divulgados pelas igrejas. e continuar exercendo influência no pensamento teológico contemporâneo ocidental? É isso que estaremos analisando neste capítulo. entre as quais está a desmitologização. Quando Bultmann e outros críticos da Bíblia dizem que a narrativa evangélica está repleta de fábulas que se acumularam durante o período entre a tradição oral e a palavra escrita. Essa palavra cacofônica é uma terminologia que foi popularizada por Bultmann em um ensaio escrito em 1941. 5. Não é possível sintetizar todo o pensamento de Bulmann em uma única palavra. O que ocorre. além de ser ainda hoje a parte de sua formulação teológica mais controversa. Europa e da Ásia. Outras idéias dele também permearam o cenário teológico do século vinte. O problema em dizer que o NT está repleto de material lendário é que vinte e cinco anos é muito pouco tempo para se formar uma lenda. de 1963. muitas das testemunhas oculares estavam vivas e poderiam facilmente desmascarar os escritores. O que será que há de tão controverso e ao mesmo tempo tão atraente nesse conceito de Bultmann. No capítulo anterior. a teologia da desmitologização é sem dúvida uma parte importantíssima da teologia contemporânea e merece destaque entre as idéias que Bultmann ajudou a preconizar.

O programa de desmitologização. No centro do programa de desmitologização de Bultmann consta na afirmação de que no Novo Testamento encontram-se duas coisas: O Evangelho cristão, por um lado. A cosmogonia do século primeiro, de índole mitológica, de outro lado. Sendo assim, o teólogo contemporâneo precisa separar o kerigma (transliteração da palavra grega que significa ―conteúdo da pregação‖), de sua envoltura mitológica. O kerigma seria a entranha irredutível na qual o homem moderno deve crer. A idéia de mito, para Bultmann, tem sua origem no pensamento pré-científico do século primeiro. O propósito do mito seria expressar a maneira como o homem vê a si mesmo, e não apresentar um quadro objetivo e histórico do mundo. O mito emprega imagens e termos tomados deste mundo para transmitir convicções acerca do enfoque que o homem tem de si mesmo. No século primeiro, o judeu entendia o seu mundo como um sistema aberto a Deus e aos poderes sobrenaturais. Nessa era pré-científica, acreditava-se que o universo tinha três níveis, com o céu acima, a terra no centro e o inferno debaixo da terra. Bultmann insiste que essa é a visão de mundo encontrada na Bíblia. Esta inserção mítica, segundo Bultmann, também foi utilizada para transformar Jesus. A pessoa histórica de Jesus, segundo esse professor, se converteu rapidamente em um mito do cristianismo primitivo, e é por isso que Bultmann argumenta que o conhecimento histórico de Jesus não tem valor para a fé cristã primitiva, pois o quadro apresentado pelo Novo Testamento é de índole essencialmente mítica. Os fatos históricos acerca de Jesus se transformaram em uma história mítica de um ser divino e preexistente que se encarnou e expiou com seu sangue os pecados de todos os homens, ressuscitando também dentre os mortos e subindo ao céu e, segundo se cria, regressaria rapidamente para julgar o mundo e iniciar uma nova era. Esta história também foi embelecida com histórias milagrosas, vozes celestes e triunfos sobre demônios. Bultmann afirma que toda essa apresentação que o Novo Testamento faz de Jesus não passa de mito., isto é, do reflexo do pensamento pré-científico das pessoas do século primeiro, que criaram esses mitos para entenderem melhor a si mesmos. Esses mitos, segundo ele, não tem nenhuma validade para o homem do século vinte, que acredita em hospitais, e não em milagres; em penicilina, e não em orações. Para transmitir com eficácia o evangelho ao homem moderno, devemos despojar o Novo Testamento dos mitos e encontra o Evangelho por trás dos Evangelhos. É este processo de descobrimento que Bultmann chama de desmitologização.

O processo de desmitologização, segundo o próprio Bultmann, não significa negar a mitologia, e sim interpretá-la existencialmente, em função da compreensão que o homem tem de sua própria existência. Bultmann busca fazer essa interpretação existencialista dos mitos utilizando conceitos do filósofo existencialista alemão Martin Heidegger (1889). Assim, ele afirma que o suposto nascimento virginal de Cristo é uma tentativa humana de expressar o significado de Jesus para a fé. A cruz de Cristo também perde seu significado expiatório. Cristo na cruz não está fazendo nenhuma substituição vicária: ela tem significado apenas como símbolo de que o homem assumiu uma nova existência, renunciando toda a segurança material por uma vida que se vive apoiado no transcendente. Características básicas da mitologia do Novo Testamento. Em ultima análise, Bultmann diz que as características básicas da mitologia do Novo Testamento se concentram em duas categorias de autocompreensão: a vida fora da fé e a vida de fé. A vida fora da fé. Nesse sentido, os termos conhecidos como pecado, carne, temor e morte são apenas explicações míticas da vida fora da fé. Em termos existenciais, pode-se dizer que significam uma vida escrava das realidades tangíveis, visíveis e que perecem. A vida de fé. A vida de fé, por outro lado, consiste em abandonar completamente esta adesão às realidades tangíveis. Significa ainda a libertação do próprio passado e a abertura para o futuro de Deus. Para Bultmann, essa abertura ao futuro de Deus é o único significado real da escatologia. A implicação desse pensamento é que o viver escatológico genuíno é viver em constante renovação através da decisão de obedecer. Objeções à doutrina de Bultmann. A teologia de Bultmann é anti-cristã e herética, e o nosso juízo sobre ela deve ser negativo por vários aspectos: Primeiro, a desmitologização, assim como a neo-ortodoxia, tem grande dívida com a filosofia existencialista, que está em desacordo com o Novo Testamento. No existencialismo, assim como na neo-ortodoxia e na teologia da desmitologização, o enfoque central é o próprio homem, quando na Bíblia o enfoque é Deus. Sob influência do existencialismo, Bultmann coloca o homem no centro das atenções, cometendo uma injustiça e porque não dizer, sendo desonesto para com o caráter teocêntrico do Novo Testamento. O verdadeiro propósito do Novo Testamento é proclamar que o Deus soberano veio ao mundo na pessoa de Jesus para restaurar a natureza humana e resgatar a humanidade. O coração do Novo testamento continua sendo Deus, e não o Homem.

A desmitologização destrói a objetividade do NovoTestamento, portanto, é anticristã. Ela converte a Bíblia em uma religiosidade baseada no irreal e pré-científico. A religião cristã se transforma em um aglomerado de mitos e a historicidade dos eventos milagrosos é logo descartada. Herman Riddebos nota que, segundo Bultmann, Jesus ―não foi concebido pelo Espírito Santo, nem nasceu da virgem Maria. Sofreu sob Pôncio Pilatos e foi crucificado, mas não desceu ao hades, não ressuscitou dos mortos e nem subiu aos céus. Também não está assentado à direita de Deus Pai e não voltará para julgar os vivos e os mortos‖. Segundo Bultmann, ressurreição, inferno e nascimento virginal são palavras desprovidas de significado real, não sendo literais. São dogmas mitológicos e não expressam nenhuma realidade objetiva. O mesmo ocorre com a trindade, com a expiação vicária e com a obra do Espírito Santo. O cristianismo primitivo está marcado pelo impacto da pessoa e da obra de Cristo. Não existe outra justificativa capaz de explicar o nascimento da igreja e da sua teologia, porém Bultmann reduz sua influência à zero. Ele preconceituosamente assume uma postura anti-sobrenaturalista e presume, com base em seus conceitos tendenciosos e sem nenhuma evidência plausível, que todos os relatos confiáveis acerca de Jesus ficaram suprimidos ou destruídos no breve período que transcorreu entre sua vida terrenal e o início da pregação evangélica. Seu ceticismo é insustentável. Será que 50 dias é tempo suficiente para que os discípulos viessem a esquecer tudo o que ouviram e viram? Não foi só Heidgger que influenciou a teologia de Bultmann. As idéias de David Hume, o cético escocês, haviam influenciado o mundo e seu legado se estendia à época de Bultmann. É injustificável a negação de Bultamann dos relatos sobrenaturais e a classificação arbitrária desses relatos como sendo essencialmente mitológicos. Também podemos perceber várias pressuposições do liberalismo clássico na obra de Bultmann, razão pela qual tanto o seu método crítico como sua teologia da desmitologização ganharam o apelido de neo-liberalismo. Bultmann é totalmente incoerente ao basear suas idéias nas Escrituras, pois o que ele chama de mito, a Bíblia chama fato. Seu antropocentrismo pode estar bem de acordo com a filosofia existencialista, mas é totalmente oposto ao caráter teocêntrico do Novo Testamento. O desvendamento das Escrituras pela desmitologização é herético. Ao contrário do que Bultmann pretende, não é a desmitologização que desvendará de modo compreensível as Escrituras para o homem moderno, e sim o Espírito Santo. Somente ele, segundo a Bíblia, é que pode dissipar as trevas da incredulidade levando o pecador a ver o Evangelho. Com seu método interpretativo, Bultmann nos desafia a compreender o homem moderno, quando pregamos a ele. Esse enfoque é digno e necessário, mas não é ―desmitologizando‖ o Evangelho e interpretando-o existencialmente que nós solucionaremos os problemas da humanidade. Ao apresentar a mensagem cristã ao homem moderno, devemos ter em mente que por mais moderno que ele seja, ele ainda é homem natural, e portanto ―não pode compreender as coisas que são do Espírito de Deus, porque lhe parece loucura‖ (1 Coríntios 2.14). Creio que esse versículo, mais que qualquer outro, pode ser aplicado ao método interpretativo de Rudolf Bultmann.

se opondo fortemente a muitas características radicais da crítica formal e da desmitologização. Devido a essa relação com os escritos de Barth e Bultmann.6. Heilsgeschichte: A escola teológica do Dr. . ele submeteu suas interpretações ao contexto que lhe oferecia a própria Escritura. enfatizou a importância da história para a compreensão adequada da Bíblia. Oscar Cullmann Parte do mundo teológico do século vinte gira em torno de uma palavra alemã. que pode ser traduzida para a língua portuguesa como história da salvação. Diferente desses dois homens. O mais interessante na obra de Cullmann é que. Neste mesmo sentido. Cullmann é a ênfase cristológica de seus escritos. Neste livro ele afirma que a teologia cristã primitiva é quase exclusivamente cristologia.C. o impulso de Bultmann. Oscar Cullmann. de que Deus atua na história. porque parte da obra de Cullmann foi escrita de modo a refutar e interagir algumas idéias de dois importantes teólogos contemporâneos. Ele diz que Barth e Bultmann assimilaram noções filosóficas estranhas ―que corromperam sua percepção da mensagem espontânea do Novo Testamento‖. a saber: Barth e Bultmann. Ainda que seu conceito de história está bastante renhido com o evangélico. o Dr. Um dos livros mais inteligentes de Cullmann é um estudo exegético dos títulos de Cristo no Novo Testamento. Também foi influenciado pela compreensão cristocêntrica do barthianismo e pelo conceito definitivo do papel da fé na revelação divina. ao mesmo tempo em que Cullmann manteve algumas idéias de Barth e Bultmann. principalmente ao fazer distinção entre os elementos essenciais e acidentais da mensagem do Novo Testamento. Cullmann é a pessoa que popularizou o termo no século vinte. Esta diferença entre Cullmann e seus contemporâneos pode explicar porque muitas de suas idéias têm sido aceitas aos evangélicos ocidentais. ao passo que as idéias de Barth têm sido rejeitadas. A palavra ganhou um significado mais pleno dentro da teologia ocidental contemporânea após os escritos do teólogo suíço. sua ênfase na idéia central da história da salvação. von Hofmann e Adolf Schlater. e mais dependentes da exegese bíblica do que a obra de Barth e Bultmann. Cullmann tomou os métodos exegéticos da crítica formal para aplicá-lo em sua reconstrução da história do Novo Testamento. cujos pressupostos já foram apresentados. comunga muito bem com a teologia ortodoxa. Introduzir neste ponto nosso estudo sobre Cullmann e a Heilsgeschichte é intencional. é arbitrário e ingênuo. o Dr. é sábio referir-se as idéias de Oscar Cullmann como sendo neo-ortodoxas em sua orientação.K. Outro ponto importante na teologia do Dr. perito no Novo Testamento. Heilsgeschichte. a Heilsgeschichte de Cullmann tomou muitas idéias básicas para um novo enfoque da história. Ainda que o significado e origem de heilsgeschichte remonta aos teólogos alemães do século dezenove. deve ser a chave para a compreensão de si mesmo. Seus escritos são menos dependentes do existencialismo e de outros pressupostos filosóficos. O Novo Testamento. ele não temeu desassociar-se desses homens. De Rudolf Bultmann. segundo ele. De Karl Barth. Segundo Cullmann. como J.

A história. como escola de interpretação teológica insiste principalmente na história e na revelação de Deus na história. e o estudioso participa dessa história pela fé. A igreja. Cullmann afirma que o interprete somente conhece a história quando se identifica com ela. Cullman e os outros teólogos da história da salvação ainda têm dificuldades em considerar o significado da salvação como algo objetivamente acessível. A razão pela qual Cullmann não admite que o Evangelho seja revelação é justamente essa: aceitar o Evangelho seria limitar a ação de Deus a essa linha estreita. o centro da história. em todo o seu poder e glória. Toda a história e todo o tempo. e não em mitos levantados pela igreja. e continua falando da experiência religiosa como ponto de apoio da revelação. Para Cullmann. como afirma Bultmann. .Principais postulados da escola Heilsgeschichte de teologia. ao enfatizar a história como veículo da revelação. são um drama mundial e Jesus é a figura principal neste drama. a escatologia inclui todos os sucessos salvadores a partir da encarnação e concluirá com a segunda vinda. é algo no qual Deus atua para realizar a salvação do homem em Cristo. O dado básico passa a ser a história santa e a Escritura passa a ser apenas uma constante desse dado definitivo. mas sua finalização está reservada para o tempo da segunda vinda. perito em Antigo Testamento da mesma escola. portanto. não em palavras. A batalha que decide a vitória final já teve seu lugar. quando o interprete a conhece. depois do qual viriam as glórias da era vindoura. para Cullmann. passa a ser revelação. A Heilsgeschichte (daqui por diante nos referiremos a ela apenas por história da salvação). Obviamente que essa é uma idéia neo-ortodoxa. apareceu na história da salvação na fase final do plano de redenção divino. Devemos entender o Novo Testamenticomo testemunho dos atos reveladores de Deus‖. segundo Cullmann. A Bíblia dá testemunho que Jesus é o messias e que ele deu início a essa nova era. quando o Reino de Deus estará presente de modo pleno. sendo ela mesma a chave de ação na linha estreita da história bíblica. ―a revelação se dá em fatos históricos. Cullmann consequentemente está privando a Escritura de ser o dado básico da religião cristã. Os judeus no tempo do Novo Testamento aguardavam a vinda do Messias-Salvador como o anuncio iminente do fim do mundo. de modo que a história se encontra em um drama cósmico.unho de Cristo. e não uma realidade em si mesma. Quanto à revelação. porém. As bênçãos da era vindoura começaram com a obra e o testem. A ação central na história da salvação é a primeira vinda de Jesus Cristo como Salvador. Isso implica em uma nova perspectiva escatológica. A pesar da forte insistência na historicidade dos relatos bíblicos. A revelação e a redenção divina estão baseadas em realidades históricas bem objetivas. O tempo. Como afirmou George Ernest Wright.

Cox e Buren: Uma teologia do mundo para o homem moderno. e no período pós-guerra esse clamor se intensificou e se homogeneizou com algumas idéias extremamente sociais e humanistas. A teologia da reforma sempre insistiu na necessidade da iluminação do Espírito Santo para compreender a revelação de Deus (1 Coríntios 2. mas era também uma teologia trinitariana (Romanos 8. a teologia da Heilsgeschichte se parece muito com a teologia ortodoxa. a tendência parecia ser a oposta.13).18 e 1Coríntios 15. ele acaba por negligenciar as formulações cristãs históricas da doutrina da trindade. Em meados do século vinte. também deveríamos advertir que ele continua dependendo muito do subjetivismo da neo-ortodoxia. Como já foi esposado anteriormente. Por último. A intenção era trazer o Reino de Deus através da força militar e plantar suas idéias na sociedade.14). inclusive para corrigir certa insistência ortodoxa do passado.6. Apesar da crítica que Cullmann faz do uso da crítica formal por parte de Bultmann. O maior propagador da história da salvação crê que. Desde Karl Barth. 7. pois ao enfatizar demais o cristocentrismo. Sua forte insistência na salvação como um sucesso histórico centrado em Cristo é muito útil como defesa apologética e refuta a contento o programa de desmitologização de Bultmann. o uso que ele mesmo faz do criticismo faz distinção entre a Bíblia e a palavra de Deus. em última análise.1 O pensamento de Cullman e a ortodoxia teológica. o que mostra que ele não está totalmente disposto a admitir a realidade da revelação como verdade infalível contida na Escritura.31-39. a menos que o homem a entenda. Na idade média houve uma forte tendência eclesiástica de sacramentalizar a sociedade. Cullmann chama o relato Bíblico da criação e a segunda vinda de mitos.28). Suas idéias acerca da relação entre a escatologia e a primeira vinda de Cristo. havia um forte clamor por um cristianismo menos dogmático e mais vivenciável. de tal forma que o pensamento teológico acerca do Reino de Deus se mesclou com as pretensões do papado. Suas idéias exegéticas a respeito das escrituras também são parte significativa de sua contribuição para a teologia. João 1. têm se demonstrado especialmente úteis. sua ênfase exclusivamente cristológica acaba por converter o cristianismo em cristomonismo – para usar uma terminologia barthiana – . É verdade que a teologia da igreja primitiva estava marcada pela cristologia (2Coríntios 13. Começava a nascer então a teologia da secularização. Com relação ao conceito de Cullmann sobre a revelação. . o leitor evangélico deve ter sempre presente que os pressupostos básicos de Cullmann são os de Barth e Bultmann e consequentemente essas mesmas idéias às vezes são um estorvo para o exame e compreensão da história da salvação. ela nem mesmo é revelação. Junto com isso. Teologia Secular: Robinson.

resiste a toda definição. mas como fruto do evangelho. cristãos secularistas é ―ama a Deus e faça o que quiser‖. ele parte para a idéia de um Deus no nosso interior. Esse tipo de concessão. algo totalmente imanente. rodeados por um paganismo agressivo e arrogante. o final do século vinte e início do século vinte e um. . tão transcendente como na teologia de Kierkgaard. O centro de interesse dessa nova teologia não é a igreja. deve ser redefinido como sendo o Deus deste mundo (cf. A Cidade Secular. De fato. mas o secularismo tão presente e difundido em nossa era. de Barth e na filosofia de Kant deve ser deixada de lado por se tratar de uma idéia antiquada e errônea. apresenta o secularismo não como inimigo da igreja. Sendo esse um movimento com muitas posições extremas. O problema é que ao invés de buscar a moderação entre a transcendência e a imanência de Deus. está mudando vertiginosamente. encontra sua versão religiosa no que passou a chamar-se teologia secular. apostasia deliberada e oposição aberta ao sagrado. não deve haver uma distinção entre igreja e mundo. Robinson reafirma que Deus é o fundamento do nosso ser.1 A postura da teologia secular. Cox entende o processo histórico pelo qual a sociedade se liberta do controle da igreja e dos sistemas metafísicos fechados. segundo ele. os secularistas conservaram alguma forma moderada de religião. mas sim o mundo e as suas necessidades. O livro de Robinson começa com o convencimento de que a idéia de um Deus ―lá em cima‖. O conhecido movimento da morte de Deus talvez tenha já morrido como moda teológica. 2 Coríntios 4. foram marcados por uma forte tendência secular. de Harvey Cox. os cristãos consagrados serão uma minoria consciente no ocidente. já esteve organizado em um forte sistema religioso. Esse radicalismo ateológico ganhou proporções gigantescas no best-seler de John Robinson. escrito em 1965. que é o desenvolvimento lógico da nossa tendência secularista‖. Em outro livro. como ramificação da teologia secular. Por secularismo. se percebem as mesmas exigências teológicas. ele continua influenciando a igreja e seus ensinos sadios. O Deus da Bíblia.4). mesmo quando pensavam que a idéia de Deus era obsoleta. talvez por medo de se oporem ao amor e ao culto cristão. porém. Quais seriam os pressupostos dessa teologia do mundo? Que idéias os chamados teólogos seculares defendem? O que apresentamos à seguir são as principais idéias esposadas pela teologia do mundo. e acrescenta que a igreja nunca deveria ser uma organização para homens religiosos. A princípio. O lema desses novos ―crentes‖. Uma das manifestações mais abertas e nocivas dessa ―deserção secularista de Deus‖ que caracteriza a apostasia. Honest to God (1963). porém. 7. tanto que se cumpre hoje o que foi dito por certo comentarista: ―no fim do século vinte.Poucos sabem. ainda que exige atenção.

Ele é. e Cristo deve ser visto como o paradigma da existência humana. É uma teologia totalmente naturalista. cujo Deus é literalmente o Deus deste mundo (2 Coríntios 4.4). Muitos dos valores desse movimento teológico foram retiradas do diário e das cartas de Bonhoeffer. A Bíblia nos instrui a amar nossos inimigos (Mateus 5. escritas na prisão. Ele. no máximo. Os teólogos seculares também afirmam que nossa teologia deve expressar um espírito de secularização. Buren. assim como Cox e Buren. no qual ele ―revela que o fundamento do ser humano é o amor‖. os teólogos seculares rejeitaram totalmente o reino sobrenatural e a segunda vinda de Cristo. os teólogos seculares estão de acordo que os problemas deste mundo deveriam ser uma das preocupações vitais da igreja. e a idéia do céu é chamada por eles de ―escotilha de escape‖. Assim também. seus pressupostos nos trazem à mente uma verdade que foi expressa pelo próprio Bonhoeffer. enquanto este aguardava a execução. o mais radical dos teólogos seculares é Paul Van Buren. um bom exemplo. Porém. em seus razoamentos teológicos afirma que o próprio Deus deve ser excluído do cenário teológico. O espírito ativista de Hitler é o espírito da teologia secular.2). A idéia liberal de que Jesus foi apenas um homem bom que viveu perto de Deus ganhou vida dentro da teologia secular. pastor alemão executado pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial por participar de um complô contra a vida de Hitler. a pergunta ―Como posso encontrar um Deus benigno?‖ deve ser substituída por ―Como encontrar um próximo benigno?‖. Robinson fala da expiação como ―a entrega completa de Jesus em amor‖. Nas palavras de Robinson. Existe na teologia secular um esforço para minimizar o sobrenaturalismo.44). deve ser reconstruído sem Deus. não a assassiná-los. O campo é o mundo. a voz mais eloqüente foi Dietrich Bonhoeffer. Sem dúvida.Em primeiro lugar. Com respeito a isso. O cristianismo. a orar pelas autoridades (1 Timóteo 2. . O único mundo real é o aqui e agora. e a nossa teologia não deve ser confinada às quatro paredes da nave de um templo. não há espaço para o Jesus salvador. e talvez seja essa a razão pela qual ele chegou a ser considerado uma espécie de patrono do secularismo teológico. A conduta de Bonhoeffer é reprovável e anti-cristã. a de que ―não se pode encerrar a Cristo na sociedade sagrada da igreja‖.Eles reclamam que a igreja tem se esquivado e racionalizado quanto as suas falhas em não enfrentar-se com os males sociais e políticos. Na teologia secular. Harvey Cox diz que devemos deixar de falar da ontologia antiquada para começarmos a falar de funções e de ativismo dinâmico. e não lutar contra elas. A terceira objeção diz respeito à possibilidade do sobrenatural. segundo ele. repudia a idéia de uma expiação sobrenatural e perdoadora.

A teologia secular é uma teologia mundana elaborada para responder à incredulidade arrogante de um homem que não ama a Deus. nunca no homem (cf. uma da suas contribuições para a teologia ortodoxa foi plantar algumas perguntas que os teólogos. encerrados em seus sistemas dogmáticos. A teologia secular fala de um reino centralizado na obra e no futuro de um homem autônomo. O problema é que eles não somente captaram.7. É verdade que Jesus recomendou que preocupássemos com os males do nosso mundo e buscássemos corrigi-los (Mateus 25. mas. em seu repúdio pela metafísica e a ontologia. e muitas delas têm repercussão missionária e verdadeira importância na contextualização da mensagem cristã para o mundo. 12. Os teólogos seculares vestem seu humanismo de jargões teológicos e nos ensinam a viver no mundo de Marta. O único reino que a Bíblia conhece está centralizado no poder e na obra de Cristo.11 ss. e não para servir a ele. demonstram seu preconceito quanto ao mundo fenomenal. Eles não querem uma Bíblia sobrenaturalmente inspirada. senão que deixaram dominar-se por ele. Sua teologia é a essência da apostasia descrita na Bíblia como característica do tempo do fim. A teologia secular é radical e antibíblica.). apesar do prejuízo causado ter sido maior que o bem que ela tem feito. estamos no mundo para servir nele. mas a si mesmo. é uma vida em adoração e não somente uma vida de trabalhos humanitários. Há quem creia que a teologia da secularização tenha trazido apenas prejuízo à teologia ortodoxa.. eles ignoram o sobrenatural. Além do mais. A vida cristã é um viver com Deus. e não apenas servos. . e não esperam um reino futuro. eles esquecem que o amor de Deus escolhe filhos. Tal como Bultmann.22 ss. Mateus 11. mas os teólogos seculares confundem o serviço no mundo com serviço para o mundo. A teologia secular. A teologia secular demonstra o desejo de uma reformulação do cristianismo em termos que sejam aceitáveis para o pensamento moderno e que possa ser traduzido em termos compreensíveis para o homem do século vinte. não tinham pensado em fazer.31-46). quando uma coisa só é necessária. Qual deve ser a reação da igreja perante essas doutrinas? Certamente reconhecemos que esses homens captaram o espírito de nosso tempo.2 Avaliação da teologia secular. não querem crer em um Deus ativo na criação.

professor de ética social no Seminário Episcopal de Cambridge. Positivismo – Segundo essa cosmovisão. A popularidade da ética situacional como sistema teológico não teve tanta influência nos seminários teológicos protestantes do Brasil. eternamente validadas e imutáveis. as declarações de fé são voluntaristas e não racionais. mais neo-ortodoxos do que propriamente ortodoxos. Relativismo – Conceito filosófico segundo a qual a verdade é um valor subjetivo. a ética situacional exalta o homem sobre a lei. por sua vez. mas a maneira como o ser humano experimenta esses valores. publicou o livro Situation Ethics. o movimento chamou a atenção da opinião publica em 1966. Honest to God. com princípios teológicos mais existencialistas que puritanos. se opõe grave e abertamente a muitas formas da ―ética tradicional‖. é indutiva. Ética Situacional: Joseph Fletcher e um novo conjunto de valores para o homem moderno. Ela é uma reação às leis. começando a partir de normas absolutas. suas idéias tenham sido rapidamente implantadas nas universidades brasileiras. Com isso. Rudolf Bultmann e Paul Tillich. Não demorou muito para que o ocidente abandonasse as idéias éticas tradicionais do cristianismo. não havendo imposição moral absoluta. Quanto aos pressupostos da ética situacional. A nova moralidade. também ajudou a propagar as idéias do movimento. embora como sistema filosófico. ou ética situacional. O importante não são os valores objetivos. Fletcher definiu esses pressupostos como sendo: Pragmatismo – Doutrina segundo a qual o valor da verdade é determindado pela funcionabilidade. sustentada como modo ideal de conduta. É esse novo conjunto de valores do homem moderno que nós denominamos ética situacional. quando o Dr. o que denota. normas e princípios morais da velha moralidade. O livro de Robinson. Robinson diz que a velha moralidade é dedutiva. Com raízes que penetram os princípios éticos de homens como Karl Barth. começando com a própria pessoa. e consequentemente teve que partir em busca de uma nova moralidade. Essa nova moralidade religiosa. Joseph Fletcher. a prioridade da pessoa sobre os princípios. segundo ele mesmo. .8. O homem moderno distanciou-se de Deus. e ao distanciar-se perdeu também seus valores éticos. Massachusetts. Existencialismo – Filosofia que coloca o homem no centro do universo.

A nova moralidade da qual o homem moderno se vê vestido tende a ver toda a moralidade cristã como um conjunto de tabus que devem ser quebrados a todo custo. que colocam o crescimento numérico acima do crescimento espiritual. O pior de tudo não é quando as tendências pragmáticas são usadas para construir o crescimento de igrejas – ainda que o pragmatismo já seja um conceito escandaloso em si mesmo – mas sim. O pensador bíblico. pragmática. o único mal intrínseco é a falta de amor e o único bem e virtude é exclusivamente o amor. 8. então. conforme diz C. que também é um pragmático: ―A Bíblia não nos consente pecar. existencial e deve estar baseada no amor. É tolice pensar que alguém pode ser bíblico e pragamático. porém tal amor é impossível dentro de uma teologia pragmática. Para Robinson e Fletcher. segundo a cosmovisão situacionista. Quanto ao pragmatismo como tendência evangélica. a resposta é não. mas: ―o que eu acho disso?‖. Não há nela nenhuma menção a pureza sexual. em que os fins justificam os meios. O certo e o errado. A principal característica da ética situacional é que o fim justifica os meios. As duas filosofias se opõem mutuamente no nível mais básico. a fim de que a graça seja mais abundante. a fim de alcançarmos os fins que Ele nos recomendou‖.O critério fundamental e único de conduta para o situacionista. e sim o amor ágape. para Fletcher e os demais teólogos da situação. é uma questão subjetiva. crendo que podem induzir esse crescimento numérico por seguirem quaisquer técnicas que parecem produzir resultados naquele momento‖. É claro que esses conceitos são demasiadamente ingênuos e conduzem fatalmente à imoralidade. O pragmatista deseja saber o que produzirá resultados. a nova ética transforma o amor ágape em eros. Por exemplo: ―se o bem estar emocional e espiritual do casal e dos filhos será promovido com a separação do casal. por outro lado. É justamente esse tipo de pragmatismo imoral e anti-cristão que Fletcher propõe em sua teologia. não é um código ético. . se importa tão-somente com o que a Bíblia ordena. neste caso. ―dará certo?‖ e por último ―eu estou fazendo por amor?‖.1 Conhecendo os pressupostos da nova moralidade. ao mesmo tempo. Pode um bom fim ser anulado por um meio mau? Para a ética situacional. Ao afirmar que aquilo que é feito com amor não é pecado. quando a ética cristã é comprometida no afã alcançar as massas. Certo e errado dependem da nossa decisão neste mundo relativista. McArthur diz o seguinte: ―Oponho-me ao pragmatismo tão freqüentemente defendido por especialistas em crescimentos de igreja. Peter Wagner. ou não permite usarmos quaisquer meios que Deus tenha proibido. um amor desinteressado e sacrificado. ―de que forma isso pode me dar prazer?‖. Em outras palavras. ela promove a sensualidade. John F. ao contrário. ao avaliar a veracidade de um determinado comportamento a pergunta a ser feita não é ―o que a Bíblia diz?‖. o amor exige o divórcio‖.

mas parecem totalmente dominados por ele‖.44-48).. Além disso.] não faz perguntas embaraçosas a respeito da sabedoria daquilo que estamos realizando ou a respeito de sua moralidade. o conceito de verdade para um pragmatista é moldado pelo que parece ser eficaz e não pela revelação objetiva das Escrituras. não há verdade nenhuma. Como corrente teológica. Essa tendência de interpretar a Bíblia em termos existenciais tem sua origem muito antes de Fletcher. Não há nenhuma possibilidade de ser um indivíduo cristão e ao mesmo tempo relativista. se a verdade em moralidade é uma questão pragmática e relativa. o existencialismo se descaracteriza completamente como proposta bíblico-teológica. Se todas as reivindicações de verdade são de um mesmo valor. Aceita como corretos e bons nossos alvos escolhidos. a única razão para ser bom é a vantagem que eu posso tirar da situação. não há razão nenhuma no estudo da verdade. sem a menor dúvida nossa doutrina será diluída. a verdade não é uma questão relativa. por sua vez. Qualquer tentativa de conciliar o relativismo com o cristianismo constitui irracionalidade e fraude.36). bem como na teologia de Friedrich Scheleiermacher. o relativismo também é uma afronta ao cristianismo. em tom de desabafo: ―A filosofia pragmática [. e não apenas idéias pragmáticas e relativas (Mateus 5. é um fideísmo exagerado e anti-bíblico. buscando meios e maneiras eficientes para alcançá-los‖. e consequentemente. o existencialismo é uma forte tendência na teologia contemporânea. e não o homem (Romanos 11. Assim como o pragmatismo. o relativismo deve ser rejeitado por várias questões.W. o estupro e o genocídio possuem o mesmo valor dos ideais cristão da caridade. O positivismo. Deus é a pessoa central para quem todas as coisas convergem. Com idéias que remontam ao Romantismo. mas extremamente absoluta que tem seu ápice na pessoa de Jesus (João 14. ao contrário do que ensina o relativismo. Do mesmo modo. O existencialismo é uma filosofia centrada no eu. a despeito de qualquer proposição em contrário. A Bíblia nos apresenta um conjunto de imposições morais que devem ditar o nosso modo de viver. Em 1955. tem sua maior abrangência nos círculos místicos. no pensamento do dinamarquês Soren Kierkgaard. visto que as duas cosmovisões são mutuamente excludentes. Porém. e está sempre reaparecendo na teologia contemporânea. portanto. Em última análise.O pragmatismo também foi a maior tendência da igreja ocidental na segunda metade do século vinte. onde às vezes a ignorância pretensamente se veste de autoridade espiritual.. de um modo quase profético. Dentro de um sistema relativista o assassínio. perdão e respeito mútuo. Se a verdade é apenas uma questão relativa. . o estudioso A. Tozer discorreu sobre o futuro da igreja nestes termos: ―Digo sem hesitação que uma grande parte das atividades existentes hoje nos círculos evangélicos não são apenas influenciadas pelo pragmatismo. todas as proposições de verdade são verdadeiras. como doutrina teológica ela comete erros graves. Ao propor um antropocentrismo teológico.6). Qualquer filosofia de ministério do tipo ―fins-que-justificam-os-meios‖ inevitavelmente comprometerá a doutrina. Se a eficácia se tornar o indicador do que é certo ou errado. Este mesmo escritor acrescenta.

A ética situacional elabora seu programa sem dar nenhuma atenção ao arrependimento.2 Uma análise da nova moralidade religiosa. . Os teólogos receberam entenderam o livro de Jurgen Moltmann como sendo um chamado refrescante a uma maior valorização da escatologia. Há quem relacione ao movimento outros dois nomes: Wolfhart Pannenberg. o conceito de verdade para um pragmatista/relativista é moldado pelo que parece ser eficaz e não pela revelação objetiva das Escrituras. além de ser um ataque devastador aos teólogos existencialistas que argumentavam na linha de Bultmann. à fé e à redenção. a despeito de qualquer proposição em contrário. Nosso Deus será Deus quando cumprir suas promessas e com isso estabelecer o seu reino. As implicações surgem em vários aspectos. Religion. Na teologia de Moltmann. Deus e Jesus Cristo aparecem fora do tempo. Todas as afirmações que fazemos sobre Deus. não há como negar que esses homens possuem muitos aspectos em comum. a eternidade se perde no tempo. No ano de 1969. Para Moltmann. porque ele é parte do tempo que avança para o futuro. Neste processo. Se a eficácia se tornar o indicador do que é certo ou errado. Revolution and the Future (Religião. Robinson deixa a impressão de que o homem moderno é tão maduro que precisa de muito pouca – e talvez nenhuma – ajuda espiritual fora dos seus próprios recursos naturais. sem a menor dúvida nossa doutrina será diluída. Deus está presente apenas em suas promessas. ainda que seja possível fazer essa distinção. desde desonestidade a imoralidade sexual. foi publicada a sua segunda obra. em nosso estudo. e Ernst Benz. ele está determinado pelo futuro. O sistema ético situacional é um sistema que não pede nada em termos éticos e teológicos. de Marburg. Entendendo a teologia futurista de Moltmann. que saiu em inglês em 1967. Porém. e sim quem ele será no futuro. Teologia da Esperança: Jurgen Moltmann e a análise escatológica existencial Em 1965. um jovem teólogo alemão da Universidade de Tubinga fez ressoar a sua voz através de seu livro The Theology of Hope (A Teologia da Esperança). Deus não é absoluto. de Munique. Poderia haver sistema melhor para o homem natural? A conclusão quanto ao referido capítulo é aparentemente óbvia: qualquer teologia do tipo ―fins-que-justificam-os-meios‖ inevitavelmente comprometerá a doutrina. cujo teor repercutiu grandemente no mundo acadêmico. revolução e o Futuro). No cristianismo tradicional. 9. Deus não é plenamente Deus. sem nenhuma dúvida. dentro da teologia cristã. A chave central para entender a teologia futurista de Moltmann é sua idéia de que Deus está sujeito ao processo temporal. que apresentaremos no capítulo seguinte. são produto da esperança. Deus está presente na esperança. expressando. no atempo. a religiosidade idealizada pelo homem moderno. ao juízo. o futuro é a natureza essencial de Deus. porém. Deus não revela quem ele é.8. Em última análise. entendemos que Pannenberg se encaixa melhor em outro movimento. Desta forma.

Deus entrou no tempo. as categorias do passado devem ser descartadas. Moltmann diz que o homem não deve olhá-lo passivamente.23. bem como os horrores que traria a sua visão ética. A ressurreição de Cristo é um fato histórico que atribui pleno significado ao nosso futuro. A tarefa da igreja é não é apenas se informar sobre o passado para mudar o futuro. Moltmann porém diria que a ressurreição final é a base da ressurreição de Jesus. O futuro significa liberdade e liberdade é relatividade. e consequentemente o futuro se tornou algo desconhecido tanto para o homem como para Deus. O cristianismo evangélico relaciona intimamente a ressurreição de Cristo com a escatologia. É também ―pregar o Evangelho de tal forma que o futuro se apodere do indivíduo e lhe impulsione a agir de modo concreto para mudar o seu próprio futuro. A idéia de Moltmann de considerar a Bíblia desde o começo como um livro escatológico pode parecer um atrativo para o cristão ortodoxo. mesmo que ela não seja necessariamente o único meio.Segundo Moltmann. Realmente um assunto tão importante quanto a escatologia não deveria ocupar as últimas páginas em nossos livros de teologia sistemática. A participação da igreja na sociedade poderá utilizar a revolução como meio apropriado. Essa tendência pragmática em que os fins justificam os meios é uma tendência muito forte dentro da Teologia da Esperança. e por isso. Acontece que a escatologia para ele não significa a previsão tradicional da segunda vinda de Jesus. Assim como na ―Teologia Secular‖. toda teologia cristã deve modelar-se através da escatologia. Moltmann interpreta como aberta ao futuro. aberta à liberdade do futuro. O presente em si mesmo não é importante. Neste avançar para o futuro.2). a questão da historicidade da ressurreição corporal de Jesus não é válida. o começo da ressurreição final. o problema da violência versus não-violência recebe o nome de ―problema ilusório‖. Não devemos olhar desde o Calvário para a Nova Jerusalém. Para que o futuro se realize na sociedade. para Moltmann. A morte e ressurreição de Cristo são a garantia que Deus dá de que haverá ressurreição futura. Porém. pois não existem formas ou categorias fixas no mundo. ele deve participar ativamente na sociedade. Jesus ressuscitou dentre os mortos há quase dois mil anos com seu corpo físico? Para Moltmann essa é uma questão sem importância. qualquer conservador certamente saberá reconhecer os erros patentes de Moltmann. O principal propósito da igreja é ser o instrumento por meio do qual Deus trará a ―reconciliação universal e social‖. O Cristo ressuscitado é ―as primícias‖ da ressurreição (1Coríntios 15. . Afirma-se tradicionalmente que a ressurreição de Cristo é a base histórica da ressurreição final. aqui também pode ser vista uma profunda consciência para com o mundo. At 4. O importante é que o futuro se apodere da pessoa no presente‖. Porém. A questão não é a violência em si. e sim se o uso da violência foi justificado ou injustificado. Ainda quanto ao futuro. e sim olhar o nosso futuro ilimitado para o Calvário.

ele não admitia nenhum Deus eterno ou infinito. em um homem que observa o futuro e age na sociedade. não pode ser teologia bíblica. Apesar de todo esforço de Moltmann para produzir uma teologia bíblica. a teologia de Moltmann destruiu até mesmo a possibilidade de haver história. o Reino de Deus traz a paz. com Overback e com Feurbach do que com Paulo. no entanto.Objeções à Teologia da Esperança. pois no presente ele sequer é Deus. mas Moltmann não permitua que Deus lhe dissesse o mesmo. . Deus se tornou finito e aberto a um futuro desconhecido. Pedro ou João. Como observou certo escritor: ―No monte sinai.30-31). o de Moltmann. e que ainda incita a rebeldia e a revolução. só existe no futuro. vemos que nesse intercâmbio. o Reino de Deus. no final. Para Moltmann. no entanto. A teologia de Moltmann tem maior dívida com Nietzche. e mais filosófica que teológica. um escândalo e uma nociva ameaça à sã doutrina. porém. é descrito na Bíblia como celestial. segundo ele. ―Teologia da Esperança‖ nasceu de um dialogo com o ateu alemão Ernst Bloch. e rejeitou todo o conceito objetivo da história. Moltmann assimilou muitas idéias de Bloch. Ela é antes. e será introduzido por meio da proclamação do poder salvador de Jesus Cristo (Atos 28. A idéia que Moltmann tem da escatologia é destituída de base bíblica. O primeiro livro de Moltmann. esse reino é também uma realidade terrenal e tangível. Para ele. Para Moltmann. Ela é mais marxista que bíblica. Se por um lado a dialética de Barth acabou com a possibilidade da relação entre história e fé. mas ele acaba levando os conceitos barthianos muito mais longe. e quando lemos o seu segundo livro. Para o apóstolo Paulo. Essa teologia do Deus finito e temporal. no entanto. A meta do futuro de Moltmann não é a plena manifestação da glória de Cristo. Ainda que Moltmann revista sua escatologia de conceitos bíblicos. o Reino de Deus é. Barth havia transcedentalisado a escatologia por meio do emprego da distinção entre Historie e Geschichte. O Deus da Bíblia existe de eternidade a eternidade. mas Moltmann foi ainda mais além.7). Moltmann ultrapassou o limite do bom senso e acabou por propor uma teologia quase tão nociva quanto aquela a que ele se dedicou a refutar. e não a guerra (Romanos 14. o Reino de Deus é trazido por meio da revolução. Deus disse a Moisés: Eu sou o que sou. seu sistema está mais fundamentado no marxismo do que em Cristo. o Reino de Deus se introduz na terra por meio da política e da revolução. segundo a Bíblia. ela é a edificação da utopia na terra. seu sistema nada mais é do que uma teologia centralizada no homem. Em seu afã de refutar as teologias não-ortoxas do seu tempo. Ao entrar no tempo. um tropeço. Quanto ao conceito de Deus. Moltmann critica muitos conceitos neo-ortodoxos.

As idéias de Pannenberg foram revolucionárias em seu tempo. tanto que esse grupo de jovens teólogos e a nova escola ganhou o epíteto de ―círculo de Pannenberg‖. porém. No final da década de cinqüenta se podia facilmente perceber o surgimento de uma nova escola de interpretação teológica. e ainda os dois mundos propostos por Kant: o dos fenômenos e o mundo numenal . Pannenberg apresenta uma forte resistência às idéias de Rudolf Bultmann. A questão da fé relacionada à história.10. a fé está relacionada com o passado. o maior nome dessa nova escola foi sem dúvida o de Wolfohart Pennenberg. ao ponto de certo crítico afirmar que ele foi o primeiro teólogo alemão contemporâneo a romper totalmente com os pressupostos dialéticos barthianos. Neste sentido. na Alemanha. Pannenberg também não compartilha dos pressupostos marxistas de Moltmann. por outro lado há diferenças importantes entre esses dois esquemas teológicos. Ele também se opõe à Karl Barth. Klaus Koch e Rolf Rendtorff. Os dois também falam da ressurreição de cristo como um tema central da fé cristã. Apesar do caráter particular da sua obra. jovem professor de teologia sistemática da Universidade de Mainz. . Porém. o desejo de uma orientação teológica escatológica e principalmente a ressurreição de Cristo. como o interesse pela relação entre a história e a fé. mesmo com tal similaridade de interesses. Moltmann está muito mais vinculado a Bultmann que a Pannenberg. Esta nova ênfase podia ser claramente percebida nas teses de doutorado de jovens professores como Ulrich Wilckens. na visão de Pannenberg são ―um clamor sem sentido‖. se por um lado há um ponto de contado entre os dois. acusando-o de proteger sua teologia. É verdade que Pannenberg compartilhem algumas idéias comuns. nem com suas idéias de revolução social. A fé não pode ser separada de sua base e conteúdo histórico. foi o responsável por dar uma forma mais sistemática ao que posteriormente se convencionou chamar Teologia da História. enquanto Moltmann descarta qualquer interesse pela ressurreição corporal como sendo algo impertinente. Outra diferença entre ambos está no modo de entender a fé: Para Pannenberg. ou Teologia da Ressurreição. Porém. além do esforço por refutar os pressupostos existencialistas de Bultmann. Teologia da história: Wolfhart Pannenberg e a teologia histórica da ressurreição. Wolfhart Pannemberg. isso porque. entre o Jesus histórico e o Cristo Kerigmático. principalmente por seu conceito de redução da história à experiência individual. enquanto Moltmann a relaciona com o futuro. A pregação da ―Palavra de Deus‖ é uma afirmação vazia se não estiver relacionada com aquilo que realmente aconteceu. Em sua teologia. seria incorreto agrupar os dois na mesma escola de pensamento. Pannenberg reconhece a realidade histórica da ressurreição como algo crucial para a compreensão do Novo Testamento. há quem associe a este círculo o nome de Jurgen Moltmann. escondendo-a dos ataques da história. Por exemplo: Moltmann não está tão interessado em alicerçar a fé na história. As supostas diferenças entre Historie e Geschicthe. Ele não consegue assimilar as idéias dialéticas.

portanto. toda história é algo plenamente conhecido e até mesmo ordenado por Deus. Ele afirma ainda que esta história na qual se dá a revelação. Pannenberg não busca desmitologizar a ressurreição. mas ninguém se atreve a questionar a realidade do túmulo vazio. O conhecimento histórico é a única base da fé. Eles também não teriam nenhum benefício em inventar uma mentira de tamanha proporção. Esta revelação histórica está ao alcance de todo aquele que tenha olhos para ver. vazia. uma vez que os atos salvíficos de Deus realmente aconteceram e tem o seu lugar na história. A explicação inventada pelos judeus para refutar a ressurreição é que os discípulos roubaram o corpo. o conhecimento da verdade histórica. O túmulo vazio é um fato histórico e aliado à mudança repentina que ocorreu nos discípulos. .O conceito de revelação e fé em Pannenberg. é uma forte evidência de que Jesus realmente ressuscitou corporalmente. como afirma a escola Heilsgeschichte. Para ele. por meio dos sucessos históricos. Ele se recusa a explicar os relatos evangélicos da ressurreição como fruto da imaginação dos apóstolos. A única explicação satisfatória para a repentina mudança que ocorreu nos apóstolos é exatamente a ressurreição corporal de Cristo. Pannenberg e a ressurreição de Cristo. 11. a ressurreição foi um fato histórico. Segundo ele. e sim mediata. não é uma revelação especial que só pode ser compreendida pela fé. como ensinou Bultmann. Além disso. a revelação se dá exclusivamente por meio de atos históricos. para Pannenberg. de fato. Não existem partes específicas na história. Difernte de Moltmann e dos outros teólogos existencialistas. ou ramificações dentro da história. como também de que ela é historicamente demonstrável. não devemos fazer distinção entre história salvífica e história secular ou profana (distinção comum tanto na Heilsgeschichte como nas teologias existencialistas contemporâneas). Pannenberg insiste em que a revelação de Deus não chega ao homem de forma imediata. Ele diz estar convencido não só de que a crença da igreja na ressurreição não é um mito pré-fabricado. em oposição clara e aberta com a escola Heilsgeschichte. A fé é. antes. caso o túmulo de Jesus não estivesse. a comunidade cristã primitiva não teria conseguido sobreviver. isso porque. pois estes estavam muito desanimados após a morte de Cristo para chegarem sozinhos à conclusão de que Cristo ressuscitou.

elas apenas podem crer quando ouvem e confiam no relato de um perito em história cristã. essa visão que ele possui da Bíblia tem levado muitos a relacionar o seu nome com a crítica histórica e com o próprio Bultmann. dando a entender que algumas partes são mais importantes que outras. Porque foi que quando Paulo pregou em Atenas uns creram e outros zombaram? A teologia de Pannenberg é muito mais do que uma simples escola de interpretação. de fato. que garante a confiabilidade da informação. Ao refutar a idéia neo-ortodoxa de que a revelação só se transforma em verdade para as pessoas por meio de uma aceitação pessoal. não são capazes de crer por si mesmas. Uma e outra vez ele insiste em que o nascimento virginal é um mito. Ele também está de acordo com Bultmann em que os títulos que expressam a divindade de Jesus foram criados pela igreja primitiva. embora Barth e Bultmann hajam tido debates acirrados. Os críticos de também parecem indicar que. Pannenberg não pôde explicar de modo satisfatório a razão da incredulidade. Ele não confere à toda Bíblia o status de revelação divina. Se a fé está baseada exclusivamente no conhecimento da história e esta é o seu único fundamento. ele parece tirar a fé das mãos do crente simples e colocá-la nas mãos do teólogo experiente. Ela é uma brilhante defesa apologética em favor do cristianismo histórico. Pannemberg também ressalta que a falta de uma revelação objetiva da neo-ortodoxia é. Ambos advogam uma teologia dialética que sufoca tanto a revelação histórica como o caráter universal do cristianismo. Embora o mesmo ocorra no pensamento de Agostinho e até mesmo de Lutero. Pannenberg destaca que a revelação não se torna revelação quando é compreendida. uma ameaça à própria revelação. sobre esta base. Ainda que Pannemberg ataque as posições de Barth e Bultmann no que concerne à relação entre fé e história.Objeções à teologia de Wolfhart Pannenberg. Com isso. Seu sistema é mais ortodoxo que o proposto pelos existencialistas e nos faz lembrar que. Pannenberg leva-nos a concluir que as pessoas simples e sem condições para efetuar uma pesquisa investigativa. não existe grande diferença entre seus sistemas. ela é revelação. mesmo quando o homem não se interessa ou busca compreendê-la. Ao fazer que a fé dependa exclusivamente da história. . Além disso. Sua teologia também é importante porque ressalta ao mundo que a fé cristã é a única verdade universal. há muitos aspectos em que ele parece mais um herdeiro da neoortodoxia que seu oponente.

este teólogo foi impedido de publicar seus livros. O ponto de partida do pensamento teológico de Telhard é a evolução. em 1920. esses livros suprimidos durante toda a sua vida começaram a aparecer. Sua destacada personalidade e seu caráter humanitário podem ser percebidos por qualquer pessoa que o tenha conhecido ou lido algo acerca da vida deste destacado sacerdote católico. Um dos acontecimentos religiosos que mais despertaram o interesse dos teólogos no fim da década de cinqüenta foi a popularidade póstuma do cientista e místico jesuíta Pedro Teilhard de Chardin (1881-1955). Conhecendo a proposta teológica de Teilhard de Chardin. estudioso equatoriano. permaneceu fiel a sua ordem durante toda vida. curva a que devem seguir todas as linhas‖. que apesar das restrições que o Vaticano impôs aos seus livros. Embora ele tenha sido um teólogo católico. publicou uma obra meticulosa sobre Teilhard. Esta é a etapa mais importante na história do mundo. Essa noosfera nada mais é do que o surgimento do homem pensante sobre a terra. a qual ele chama de ―luz que ilumina todos os fatos. . Nesta fase. Seus conhecimentos de geólogo e paleontólogo são grandes atrativos para o mundo científico. Esta é a fase da história evolutiva da terra aparece a vida biológica na terra. fundador de um sistema teológico que ficou conhecido como teologia da evolução. A terra. Suas idéias lograram arrancar elogios até mesmo de Dom Hélder Câmara.12. que significa a ―camada mental‖ da terra. pode ser resumido como consta no seguinte esquema: Partículas elementares (chamadas de Ponto Alfa) => Átomos => Moléculas => Células Vivas => Organismos Pluricelulares. foi formada ente cinco e dez milhões de anos e desde então vem se desenvolvendo através da evolução. quinze anos depois da sua morte. que a faz tornar-se cada vez mais complexa. Sua influência pode ser percebida até mesmo nos países que compõem o nosso terceiro mundo. Francisco Bravo. Muitos fatores ajudam a explicar a repentina popularidade que alcançou a teologia de Teilhard. segundo ele. Porém. Chardin criou o termo noosfera. alguns dos seus comentaristas mais apaixonados são cientistas e teólogos protestantes. Este processo evolutivo avança segundo o que Teilhad chama de ―lei da consciência e da complexidade‖. e também é chamada de hominização. ou biosfera. O processo. Durante sua vida. considerados pela igreja católica como sendo nocivos e de conteúdo herético. Para descrever a etapa seguinte. segundo ele. arcebispo do Recife. que pode ser descrito na seguinte ordem: Barisfera (época da ―terra derretida‖) => Formação da crosta => Formação da água e do ar => Formação da atmosfera. Ele admite que a terra veio a existir por meio de um lento processo. com o que ele alude que na evolução existe uma tendência por parte da matéria. Teologia da Evolução: Teilhard de Chardin e o darwinismo teológico. o processo evolutivo adquire consciência de si mesmo.

segundo a qual o aperfeiçoamento advém da comunhão com Cristo Jesus. ou seja. mas nenhuma dessas concessões desabilita o esquema de criação conforme narrado em Gênesis. Nesta etapa. não é exclusividade humana. .. sendo ele a afinidade do ―ser‖ com o ―ser‖. e criando cada ser em conformidade com a sua espécie. desde Kant aparece e reaparece na teologia contemporânea. Principais objeções a teologia evolucionista de Chardin. o ponto Alfa. O amor. Sua teologia é o reflexo do pensamento naturalista do seu tempo. Assim sendo. a teoria de Teilhard é macroevolucionista e negligencia completamente o ponto mais básico da criação que é Deus fazendo todas as coisas do nada pela sua palavra. Assim como as teorias evolutivas seculares. tal como aparece na Bíblia. a união sobrenatural de todas as coisas em Deus. etc. dando a perfeição a todas as coisas. a expectativa da unidade perfeita.21-25). é também contrária a Bíblia. Por meio de um ato pessoal de comunhão. e converge no que ele chama de Ponto Ômega. para Teilhard.28). e sim propriedade geral de toda a vida. Movidos pelas forças do amor. Microevolução é a mutação que ocorre dentro das espécies e seria o fator responsável pelas diferentes raças de cães. Isso também é contrário a doutrina da graça. diferentes tons de pele. Esse movimento para o centro. Teilhard começa a se apoiar na teologia para predizer o futuro da evolução. na qual cada um dos elementos alcançará sua consumação.Nessa etapa de sua teoria evolutiva. O Cristo de Teilhard é o reflexo no coração do processo do ponto Ômega. Ele vê todo o processo evolutivo que começa com as partículas. Sua ênfase na personalidade autônoma que. Deus vem a ser a causa final. Os princípios de Teilhard de Chardin apresentam várias dificuldades para o crente ortodoxo. os fragmentos do mundo se buscam para que o mundo possa chegar a ―ser‖. ao mesmo tempo que o universo. é o processo de amor. e com a evolução das espécies à partir das espécies criadas por Deus (Gênesis 1. Assim como todas as teorias evolucionistas seculares. Há muitos teólogos contemporâneos que concordam com a teoria da antiguidade da terra. Deus será tudo em todos (1Coríntios 15. a teologia evolucionista deste teólogo descaracteriza a criação. a teologia de Teilhard Chardin parte do pressuposto de que o homem alcança sua verdadeira dignidade e plenitude espiritual por meio do processo evolutivo. e o universo se auto-realiza em Cristo. Dessa síntese filosófico/naturalista procedem as demais divergências de Teilhard com a teologia ortodoxa. Cristo é o centro do processo evolutivo e o seu princípio básico. fazendo diferenciação entre microevolução e macroevolução. mais que a causa eficiente do universo. Na teologia darwiniana de Teilhard. e se encontra no final do processo. Cristo incorpora em si o ―psiquismo‖ total da terra. segundo ele. Sua linguagem é obliqua e seu esforço hercúleo para fazer de Cristo o centro da evolução é desonesto e contraditório. numa forma superior de panteísmo. Ao contrário disso.

Teilhard foi um homem totalmente deslumbrado com as teorias científicas do seu tempo. Ele se emociona tanto com a evolução que se esquece que. que se manifesta em planos diferentes. sem fazer nenhuma alusão à graça de Deus. Em segundo lugar. Assim como as outras teologias radicais surgidas no século vinte. morte. Talvez essa seja uma das razões da sua difusão rápida. a cristologia de Chardin transforma o Cristo da Bíblia em um Cristo cósmico. . a doutrina bíblica do juízo quase não se vê na obra de Teilhard. a filosofia do processo. segundo a fé cristã. apresenta dois grandes inconvenientes: Primeiro. A teologia da evolução. essa nova escola teológica tem como seu maior expositor o professor Dr. e não a teoria da evolução. 13. A teologia de Chardin não permite que a graça seja graça. através da desordem material. tal união tem como conseqüência lógica a deificação da criação (panteísmo). elaborada pelo famoso matemático e filósofo. A teologia do processo como escola teológica é uma tentativa de restabelecer a doutrina de Deus em um mundo extremamente cético. O homem moderno está disposto a aceitar qualquer tipo de droga entorpecente que se apresente sob o pseudônimo de ciência. e nem permite que o pecado seja pecado. Não há como sustentar esse sistema teológico sem perder a identidade cristã. Em última análise. solidão e angústia. é uma superabundância da estrutura de um mundo em evolução. a teologia da evolução de Teilhard é demasiado otimista. é antagônica a Bíblia. O mal. chegando ao ponto de afirmar que a evolução é ―o sucesso mais prodigioso que a história jamais se referiu‖. a teologia do processo também toma por empréstimo alguns pressupostos de uma vertente filosófica contemporânea. Por essa mesma razão. como de Cristo. Alfred North Whitehead (1861-1947). o maior sucesso da história é a vinda de Cristo.Teologia do Processo: Dr. o resultado de tal união é a perda tanto do mundo. para ele. Charles Hartshorne e a Teologia do Deus Finito De origem norte-americana. Ele divaga pela senda do universalismo e do panteísmo.Como todas as teorias evolucionistas. a saber. bem como as teorias evolucionistas seculares. elaborou sua filosofia em torno de algumas idéias de Charles Darwin. que por sua vez. Charles Hartshorne. A proclamação da evolução constante por parte de Chardin nunca se vê alterada pela realidade bíblica do pecado no homem. sendo que o universo representa o corpo orgânico de Cristo ainda em evolução. A idéia de Teilhard de união do universo com Cristo. prometendo um final feliz para todos. da Universidade de Chicago.

As idéias de Chardin também são muito parecidas com a dos teólogos do processo. Daniel Day Willlians. Nesse sentido. Essa tendência teológica torna injustificável a escatologia. algo que é real e ao mesmo tempo espera por realizar-se. ―é a visão de algo que está além. o livro de apocalipse e as profecias bíblicas perdem todo o sentido. tanto na história como na natureza‖. a teologia do processo descaracteriza Deus. Os teólogos do processo também comprometem a soberania de Deus. e sim uma força dinâmica por detrás da evolução. Schubert Ogden e John Coob Jr. está bem latente na filosofia de Whitehead. atrás e dentro do fluxo passageiro das coisas imediatas. Whitehead lhes serve como ponto de partida. em que o ser incluía o porvir. Com isso. reduzindo-o a um mero conceito panteísta. emergindo sempre em tudo. devemos demonstrar a realidade objetiva de Deus através de uma metafísica racional. ―não é um ser. uma coexistência de ordem e liberdade na qual o homem participa para criar o futuro. até Deus está sujeito ao porvir (um conceito semelhante ao do teísmo aberto e da teologia da esperança). ―Deus literalmente contém o universo‖. o teólogo do movimento. Associado com teólogos radicais de língua inglesa como Norman Pittenger. A criação de Deus é um processo contínuo. não há certeza alguma quanto aos eventos futuros. Deus. Objeções à teologia do processo. segundo a teologia do processo. o que reduz o cristianismo bíblico a uma mera versão panteísta de religião. O legado kantiano. estando sempre em constante processo de transformação. reduzindo Deus à uma força que existe como o aspecto principal de todas as coisas. está além do nosso alcance‖.. para ele. . Desse modo. a teologia do processo tende à dissipar a idéia de Deus como ser pessoal. é ―co-criador‖ do universo. Os filósofos antigos desenvolveram seus sistemas em torno da idéia de que o mundo era algo fixo. pois uma vez que não há um Deus soberano e onisciente. Segundo ele. e mesmo assim.Pressuposições da Teologia do Processo. Harthshorne desenvolveu ainda mais a filosofia de Whitehead e aplicou suas conclusões no cenário teológico. Nas palavras de Hartshorne. na teologia do processo também há um grande apelo à autonomia e a liberdade humana. isso porque tanto ele quanto Whitehead assimilam idéias evolucionistas. Assim como na filosofia kantiana. A religião. possuí-la é o bem último. algo que é uma possibilidade remota e mesmo assim é o maior de todos os atos presentes. Assim como na teologia de Paul Tillich. Whitehead desenvolveu seu sistema ao redor da idéia de que o mundo é dinâmico. Deus. como se pode observar. segundo Whitehead. o grupo está convencido que para responder à ―Teologia da Morte de Deus‖.

Ele é um homem em quem Deus atuou. Ao negar o conhecimento que Deus possa ter de fatos ainda não ocorridos. Dessa forma. a redenção se transforma em relação e a ressurreição se transforma em renovação. em sua teologia o mundo se torna necessário para que Deus exista. impotente. como pode fazer predições sobre o futuro? A conseqüência lógica do seu sistema é que não pode haver predição ‗cem por cento‘ segura na Bíblia. a teologia do processo está muito mais fundamentada em hipóteses filosóficas do que naquilo que a Bíblia realmente diz. e não somente isso mas também retira o próprio Deus Soberano do cenário e introduz em seu lugar uma divindade caricata. Um evento tal como esse acabaria por forçar nossa vontade. [na teologia do processo] a criação se transforma em evolução. finita. Há um abandono do sobrenatural. um conceito mental tomado à partir de analogias da experiência humana. os milagres desaparecem. esse biblicismo é apenas aparente. A Bíblia na afirma categoricamente: “Deus não é homem para que minta”. pois parece altamente improvável que um ser que não tenha presciência plena dos contingentes futuros saiba o que acontecerá. Mesmo que a teologia do processo tenta dar um ―toque bíblico‖ em sua teologia. . o Deus pessoal da Bíblia que se auto-revela. a teologia do processo põe em risco a credibilidade das Escrituras. e manifesta seus designos de forma inteligente.Ainda que muitos teólogos do processo se neguem a admitir que descrevem Deus em termos panteístas. segundo os teólogos do processo. penteísta e consequentemente. Cristo aparece mais como um ―símbolo‖ da atividade divina na terra do que como uma intervenção divina no curso desse mundo. pois se Deus não tem nenhum conhecimento dos fatos ainda não ocorridos. Além disso. Como se pode perceber. também na teologia do processo há uma tendência em reinterpretar os milagres da Bíblia em termos existenciais. uma intervenção direta no livre-arbítrio humano. A doutrina da ressurreição. também é insustentável porque tal ato seria uma coerção divina. o mundo também condiciona as atividades de Deus. Como disse Carl Henry: ―apesar de todo esforço. dentro da teologia do processo é ―uma seqüência de experiências pessoalmente ordenada‖. mas suas conclusões o dissociam do Deus encarnado. fala e atua por conta própria. de que maneira qualquer uma das profecias preditivas das Escrituras poderia ser qualquer coisa além de probabilidades? A teologia do processo aniquila a fé que o crente tem em Deus. e o Deus vivo da Bíblia fica submerso em termos imanentes‖. mas se Deus é ignorante em relação a grandes períodos da história futura. Como podemos ver. Sua cristologia também é bastante confusa.

por essa razão. O fato é que Tillich se valeu das elucubrações de ambas as partes. ele argumenta que deve haver uma correlação entre os problemas do homem e a fé cristã. é provável que somente Rudolf Bultmann tenha exercido uma influencia igual no cenário teológico mundial. apesar das semelhanças. A mensagem do cristianismo surge como ―um conjunto de verdades sagradas que apareceram em meio à situação humana como corpos estranhos procedentes de um mundo estranho‖. neo-ortodoxa e liberal. lhe renderam o título de ―teólogo dos teólogos‖.Teologia do Ser: Paul Tillich e a fronteira entre o liberalismo racionalista e a teologia existencialista. apelido pelo qual é conhecido hoje nos círculos acadêmicos. Falando do ―princípio de correlação‖. Sua experiência como capelão no período da guerra fez com que ele tivesse uma vívida impressão dos problemas sociais. filosofia. O teólogo Willian H. em Nova Iorque. o ―sobrenaturalismo do cristianismo histórico‖ é muito transcendente para que o homem possa encontrar nele a resposta. Na Europa ele é considerado um liberal e ferrenho opositor de Barth e Brunner. segundo ele. ele é considerado como pertencendo a escola neo-ortodoxa e em alguns círculos teológicos. Ele se situa exatamente no centro. Como encontrar a verdade? E de que modo podemos construir uma teologia? . psicologia. Na América do Norte. Paul Tillich. Pressupostos da teologia de Paul Tillich. Tendo fugido da tirania de Hitler em 1933. mas tal comentário será sempre especulação. a teologia. Ao chegar nos Estados Unidos. coletando ―supostamente‖ o que havia de melhor nessas duas escolas. no entanto. além de sua especialidade. Embora fosse um homem de grande erudição. por outro lado. Já apresentamos dois deles. Se por um lado a filosofia naturalista não pode responder os questionamentos do homem. Hordern define a teologia de Paul Tillich como sendo ―a fronteira entre o liberalismo e a neo-ortodoxia‖. 14. dedicou seu tempo para ajudar os refugiados da Europa. Exerceu capelania durante os quatro anos da Primeira Guerra Mundial e participou do Movimento Socialista Religioso na Alemanha. não formou especificamente uma escola teológica específica. e é isso mesmo que ela é. entre a crítica destrutiva da desmitologização e o existencialismo neo-ortodoxo. à saber: Barth e Bultmann. arte e análise política. ele é mencionado em conjunto com Barth e Brunner. Paul Tillich se tornou professor do Union Theological Seminary. Queremos agora apresentar o terceiro deles. Há pelo menos três grandes vultos teológicos do século vinte. Parte da popularidade de Tillich nos círculos acadêmicos deve-se a sua profunda preocupação em encontra alguma forma de relacionar a mensagem da Bíblia com as necessidades do século vinte. e talvez. Porém. Tillich é mesmo uma figura controversa. Há quem pense que seu existencialismo teológico tenha surgido nesse período e especificamente por causa dos horrores da guerra. sua intelectualidade não o privou de prestar importantes serviços sociais e religiosos. Sua profunda erudição e seus conhecimentos de história. Tillich desenvolveu um sistema teológico que resiste a qualquer rótulo. Apesar de não ter formado uma escola específica.

Cristo é o símbolo do ―Novo Ser‖. Nossa preocupação é essencial quando ponderamos sobre aquilo que é a soma da nossa realidade e a estrutura e objetivo da nossa existência. Essa preocupação essencial é o que determina nosso ser ou o não-ser. O relato da crucificação é mencionado como lendário e contraditório. para Tillich. tais como o ser e o não ser que tanto o angustiam. e sim uma palavra simbólica que indica que o homem é aceito apesar de si mesmo. mas também o poder de Ser por si mesmo. mas também sem sentido. Em sua cristologia. ou aquilo que tradicionalmente chamamos de Deus. segundo ele. Este Ser (com maiúscula). Não podemos compará-lo a nada a fim de definilo. A justificação também não é um ato soberano de um Deus pessoal. regeneração e santificação também estão sujeitas à reinterpretações. Quanto ao pecado. pois mesmo que o considerássemos como o ser mais elevado. tais como justificação. Ela se resume na entrega total de nosso ser. isso porque o Ser transcende à existência. tem o poder de elevar o homem sobre si mesmo. A religião não é apenas uma questão de ter determinada crença ou praticar certas ações. A preocupação essencial é aquela que tem prioridade sobre todas as preocupações da vida. ele define Jesus como o símbolo no qual se supera a alienação. paradoxalmente não é nem uma coisa nem um ser. Tillich o define em função do ser e da alienação do Ser. como portador do ―Novo Ser‖. em que se rompe a distância. Ele é a resposta simbólica do homem para a sua busca de bravura para superar as situações que o limitam. a afirmação ―Deus se fez homem‖ é uma afirmação não apenas paradoxal. Essa preocupação. o homem é religioso quando está ―essencialmente preocupado‖. O pecado é a alienação do fundamento do nosso ser. Para Tillich. Ele esta além do ser ou das coisas. e isso foge a nossa compreensão. As descrições da salvação em seus aspectos. significa simplesmente que Jesus foi restituído à sua dignidade na mente dos discípulos. afirmar a existência de Deus é tão ateu quanto negá-la. no qual se dissolve toda alienação que tenta diluir a unidade do homem com Deus. Segundo ele. A ressurreição.Para Tillich. A palavra ―símbolo‖ é resultado do repúdio de Tillich por qualquer interpretação ortodoxa acerca da pessoa e da obra de Cristo. Nós nos preocupamos essencialmente quando ponderamos sobre aquilo que tem o poder de destruir ou de salvarnos. Deus não é apenas o Ser. segundo ele. A santificação é o processo através do qual o Novo Ser transforma a personalidade e a comunidade fora da igreja. o estaríamos reduzindo a um objeto e uma criatura. Por isso. . O essencial é o próprio Ser. o que seria uma explicação superficial e simplória. começamos definindo a religião. A regeneração é descrita por ele como ―ser incorporado na Nova Realidade manifesta em Jesus‖. A responsabilidade pelas tensões da vida moderna não está relacionada a um conceito clássico de pecado.

entre elas a sua rejeição da Bíblia como palavra de Deus. Sua doutrina definitivamente não é doutrina bíblica. nesse caso. sua tradução faz violência tanto ao Espírito quanto à letra que ele traduz. Como escreveu o crítico Kenneth Hamilton. temos a impressão de estar diante de um incrível tratado teológico produzido por uma mente enciclopédica. A Bíblia. não há mais distinção entre Criador e criatura. As vezes essa tradução nos ajuda a ver as coisas sob uma luz mais clara e profunda. Seguindo os moldes neo-ortodoxos e liberais. Há várias objeções que se pode fazer à teologia de Tillich. mas não é uma pessoa que se comunica ou com quem possamos ter comunhão. a maior falta dele não foi substituir a teologia pela filosofia. e que não é nem sobrenatural nem natural. exceto como um símbolo a mais para descrever uma situação existencial que não tem relação com o Deus Vivo. sutil e tremendamente criativa. No entanto. precisa. Sua idéia de Deus não é trinitária e nem pessoal. Também não conseguimos entender que tipo de Deus pode estar além da transcendência. A soteriologia de Tillich não tem significado concreto. Essa teologia diluída poderia ser bastante aceitável para um budista ou um hindu. porém na maioria das vezes. O conceito de ―Ser‖ que Tillich apresenta se assemelha muito mais a um aspecto desse mundo do que existe por si só e independe de sua criação. Tillich reduz Jesus a um mero símbolo. Não entendemos o porquê Paul Tillich insiste em empregar a palavra Deus com sentido cristão. e sim uma ―tradução‖ da linguagem teológica em termos teosóficos e ontológicos. exceto pela sua afirmação de que só ele foi e é o Cristo. Tillich utiliza a filosofia para analisar os problemas mais profundos da existência do homem contemporâneo. Por esta causa. Sua cristologia também é uma fraude. No sistema dele. sua teologia não é especificamente cristã. Religiosos de ambos os grupos certamente abraçariam com alegria seus pressupostos. . o que faz dele um absoluto nada. ele argumenta que a Bíblia. mas estará sempre em plano secundário. não é aplicável aos problemas da nossa época. ―sua maior falha foi substituir a Palavra de Deus pela palavra do homem‖. No entanto. Quando nos deparamos pela primeira vez com a obra de Paul Tillich. pode até aparecer. Deus é um poder racional que penetra a profundidade do ser. interpretada da maneira tradicional.Objeções à teologia de Paul Tillich. O ―princípio da correlação‖ de Tillich afirma que a filosofia pode dar-nos uma analise adequada da situação humana.

E. Teologia da Libertação: Uma resposta teológica à crise econômica e social LatinoAmericana. . e somos tidos por falsas testemunhas de Deus. Se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida. e cujos pressupostos tem de alguma maneira modelado a forma de fazer teologia no Brasil. Cristo não ressuscitou. Ao negar a historicidade dos fatos narrados no Novo Testamento. Assim como Bultmann. a influência dessas escolas teológicas na nossa teologia e em nossas denominações é pequena. é vã a nossa pregação. quase não vemos influência desses movimentos. E. abordaremos três correntes teológicas cuja presença é marcante no Brasil. porque temos asseverado contra Deus que ele ressuscitou a Cristo. ele lança tantas dúvidas acerca dos milagres e da ressurreição que de nenhuma maneira. a ocorrência literal dos milagres e o maior milagre do cristianismo: a ressurreição. Imagino o que diria o apóstolo Paulo a um pregador como Paul Tillich: ―E.Vemos em Paul Tillich um sério compromisso com a filosofia existencialista. se Cristo não ressuscitou. somos os mais infelizes de todos os homens‖(1Coríntios 15. Temos analisado as doutrinas dessas escolas e em nenhum momento fugimos da responsabilidade de apresentar o nosso parecer. conforme já foi dito no capítulo primeiro.13-19). segundo os princípios paulinos. E ainda mais: os que dormiram em Cristo pereceram. ao mesmo tempo em que podemos perceber seu particular descaso para com a Palavra de Deus. então. se não há ressurreição de mortos. e talvez o leitor nunca se depare com os problemas aqui levantados. Não sei ao certo como Paulo argumentaria com Tillich. é a Teologia da Libertação. e ainda permaneceis nos vossos pecados. sua teologia pode ser chamada cristã. à partir desse capítulo. ou quase nula. Tillich remove o fundamento e a esperança da fé cristã. Porém. ao qual ele não ressuscitou. se Cristo não ressuscitou. salvo nas esferas seculares. é vã a vossa fé. 15. a vossa fé. se é certo que os mortos não ressuscitam. Muitos dos programas teológicos até aqui apresentados foram postos em caráter de informação. de origem netamente Latina. Se por um lado Tillich é considerado excelente erudito (e eu diria até um bom filósofo). A análise que fazemos dessas propostas teológicas encontra seus pressupostos na ortodoxia bíblica. se os mortos não ressuscitam. da perspectiva ortodoxa. mas creio que seria algo assim. Nas comunidades eclesiásticas brasileiras. Até aqui a nossa abordagem tem sido principalmente teórica. passando pelas principais escolas teológicas da era contemporânea. e vã. apresentada por nós no capítulo dez sob o título de ―teologia do processo‖. também Cristo não ressuscitou. Apesar da relevância dos problemas até aqui levantados. A primeira dessas três escolas. sua interpretação meramente existencial do cristianismo faz dele um teólogo ruim. Porque. a não ser um ou outro incidente recente de pastores que abraçaram a teologia relacional. onde o liberalismo teológico e o naturalismo têm estado ativo e presente.

Hugo Assman e Gustavo Gutiérrez Merino. Nas décadas de 60 e 70. e sim os ideais do marxismo. Richard Shaull. resultante da criação contínua de uma nova maneira de ser e de uma revolução permanente. Ele foi a maior fonte de inspiração e o impulso motor dessa nova tendência teológica. como se pode deduzir dessas linhas. Para eles. o ambiente teológico da América Latina passou por sérias transformações. os meios se fazem necessário. política e econômica que lhes é imposta. protestantes como Rubem Alves. onde os estudantes que protestam são torturados. e se o fim é nobre. Qualquer semelhança com os conhecidos jargões do comunismo não é mera coincidência. o problema da violência e da não-violência é um problema ilusório. e mais laica e prática. . José Míguez Bonino e o então missionário no Brasil. Libertação social para melhores condições de vida. Católicos romanos como Juan Luís Segundo. ―dominação estrangeira‖. Apenas existe a questão do uso justificado ou injustificado da força. sacerdote colombiano que morreu em um tiroteio como membro da guerrilha de Che Guevara. Sob a palavra ―libertação‖. os teólogos da libertação são bem pragmáticos. ―exploração‖. Os teólogos que viveram esse período foram levados a formular uma teologia que fosse menos acadêmica e teórica. ―capitalismo‖ e ―proletariado‖. animados pela política mais aberta do Vaticano II. sendo o cerne dessa conscientização o despertar da consciência das massas miseráveis que vivem a cultura do silêncio. como o santo patrono da causa. onde quinhentos em cada mil crianças morrem antes de completar um ano de idade. a voz revolucionária começou a clamar em favor das massas. As palavras chaves para entender essa teologia social são ―revolução‖. Na questão da violência. O padre Camilo costumava dizer que ―cada católico que não é revolucionário e não está do lado da revolução comete pecado mortal‖. se empenharam em buscar uma teologia que pudesse resolver os conflitos sociais da América Ibero Hispana. ―libertação‖. uma mudança radical nas estrutura. não está subentendida a obra de Cristo por nós.Contextualizando a teologia da libertação. Essa atitude violenta foi de fato uma proposta aberta aos religiosos para que tomem lugar nas barricadas e lutem em prol do desenvolvimento social e econômico da América Latina. A palavra. Em meio a uma estrutura social em que um homem velho morre aos vinte e oito anos. O ambiente no Brasil e na Argentina era de ditadura. Libertação pedagógica para uma consciência crítica através do que o pedagogo brasileiro Paulo Freire chamou de ―conscientização‖. que pudesse sanar os problemas sociais e econômicos de então. e oitenta por cento da população vive com uma renda de oitenta dólares por ano. para se interarem da dominação social. A teologia da libertação e a revolução social. Os teólogos da libertação se declararam várias vezes favoráveis a luta armada. Emílio Castro. dentro desse movimento teológico significa: Libertação política das pessoas e setores socialmente oprimidas. ao ponto de alguns considerarem Camilo Torres.

se resume em ―um processo que abarca o homem e a história‖. professor e conferencista nos mais diferentes auditórios do Brasil e do exterior. então arcebispo do Recife. Dom Hélder Câmara. Boff participou da coordenação e publicação da coleção ―Teologia da Libertação‖. dentro da cosmovisão libertária. mas pouco tem a ver com o conceito tal como utilizado por Jesus e por Paulo. apresentadas no livro ―Igreja: Carisma e Poder‖. sendo também deposto de todas as suas funções editoriais e de magistério no campo religioso. Como membro do conselho editorial da Editora Vozes entre 1970 e 1985. Os pressupostos da Teologia da Libertação e as objeções à doutrina. órgão herdeiro da Inquisição. em razão de suas teses ligadas à teologia da libertação. e condenado a um ano de ―silêncio obsequioso‖. deve ter uma transcrição e aplicação política. a principal voz do movimento no Brasil. Em 1984. A responsabilidade social é um dever do cristão.5). mas a salvação não se restringe a essa responsabilidade: salvação significa perdão e cancelamento dos pecados cometidos contra Deus (Hebreus 9. por não se contentar com as reformas triviais. e o evangelho. e a teologia deve ser elaborada à partir de elucubrações sócio-políticas. entre outros. Curiosamente a cúpula da CNBB parece continuar com boas relações com Boff. apesar de sua ―apostasia‖ e de seu marxismo. de uma sociedade mais justa e fraterna. atualmente é o Dr. o que faz da teologia da libertação mais um movimento político que um movimento netamente teológico. 1João 3.28. sendo de novo ameaçado com uma segunda punição pelas autoridades de Roma. com raízes na dimensão humana e política. Dada a pressão mundial sobre o Vaticano. podendo retomar algumas de suas atividades. foi interrogado pelo cardeal Joseph Ratzinger (o atual papa Bento XVI). Leonardo Boff. A salvação. ―é o esforço do ser humano para ser parte do processo através do qual o mundo será transformado‖. Em 1985. Leonardo Boff que está no centro do debate sobre a teologia da libertação. então prefeito da Congregação da Doutrina e da Fé. promove uma revolução pacífica. ―Mudou de trincheira para continuar a mesma luta‖: continua como teólogo da libertação. O encontro com Deus é descrito como ―o compromisso com o processo histórico da humanidade‖. Como movimento político. Embora Hugo Assman e Dom Hélder Câmara sejam dos nomes que representam o pensamento da teologia da libertação no Brasil. Tal ponto de partida deve ser contextual. assessor de movimentos sociais de cunho popular libertador. ela tem sido um brado a favor da dignidade humana. . Porém. foi negado por eles mesmos muitas vezes na prática. O ponto de partida para a elaboração da teologia da libertação. escritor. como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra e as Comunidades Eclesiais de Base (CEB‘s). foi submetido a um processo no Vaticano. o que eles admitem na teoria. segundo o peruano Gutiérrez. ―apostatou‖ de sua condição de padre e da própria Igreja Católica para se unir com uma mulher. em nossa época. Em 1992. Essa concepção de salvação talvez corresponda à idéia judaica de messianismo na época de Cristo. a pena foi suspensa em 1986.No Brasil.

hoje não há muitos grupos ou indivíduos que mantém a Teologia da Libertação. Em outras palavras. que tentam colocar em prática as idéias sociais da mesma. nem é preciso forçar a exegese ou fazer eisegese para defender pressupostos sociais. a teologia da libertação não pode escapar das mesmas acusações levantadas contra ela: moralidade relativista e pragmática. não podemos deixar de aludir que. conforme temos exposto em tese. O problema é que. a missão da igreja acaba por confundir-se com confrontamento político e adesão e exposição de idéias sociais. pois neste caso. Como é difícil associar todo esse discurso com as palavras de Jesus no Sermão da Montanha! Como o evangelicalismo deve responder a essa ―revolução teológica‖? É óbvio que o cristão não deve viver alienado de qualquer idéia política ou deva se conformar a uma mentalidade status quo. e no caso da Teologia da Libertação. ou não somos cristãos. a teologia da libertação é fortemente um movimento violento. A teologia da libertação está fundamentada em uma postura na qual a presente práxis histórica se transforma em norma canônica para descobrir a vontade de Deus. Como disse. é proclamar que o filho de Deus ressuscitou e tem poder de perdoar pecados. segundo a Bíblia. e nesse sentido. os fins justificam os meios. Atualmente o movimento se reduz a algumas ―comunidades de base‖. ―a violência se converte na força que move a história no caminho para conduzir à sociedade perfeita‖. mas a missão do cristão. Rubem Alves. ainda que não totalmente. É preciso ressaltar que as afirmações de violência não são de nenhum modo característica de todos os teólogos da libertação. mas a influência nas faculdades ainda é grande. Toda rotulação é pobre. Não é preciso polarizar para ter responsabilidade social. ou o marxismo. Devido à repressão ao movimento. ou a razão. é justo empregar a violência contra a violência. ou a fé. Ele também afirma que o ―amor para os oprimidos significa cólera contra os opressores‖. há de se admitir a classificação do movimento da teologia da libertação como um movimento violento é falha.Nesse processo de teologia libertária. também teólogo libertário. ou a história. a tendência da teologia cristã é polarizar: Ou a experiência. e não há nenhuma possibilidade de um crente evangélico sustentá-la sem cair em contradição. Ela foge totalmente a ortodoxia reformada. isso porque a ―Sola Scriptura‖ não admite nenhum ―somado a‖. ou ―junto com‖. Ao refletir algo parecido com a ética situacional. . Ainda assim.

em 1895. a dissidência teológica começou a surgir. Aos que procuravam receber a segunda obra de graça. e Tongue of Fire (Língua de Fogo). que livraria os crentes de sua natureza moral imperfeita. A crença na segunda obra de graça não ficou confinada ao metodismo. quando o pregador Wesleyano radical da Santidade. Outros pregadores de renome. posterior à conversão. por exemplo. o revestimento de poder para o serviço cristão. a noção que Irwin possuía de uma terceira obra de graça. e o segundo teria ocorrido no sul da Índia. teólogo pentecostal das Assembléias de Deus. uma das principais líderes metodistas.A. Segundo Irwin. Finney. Seymour e o avivamento místico-pietista do século XX. cuja ênfase estava voltada à vida santificada. pelo menos dois reavivamentos do século XIX podem ser considerados precursores do moderno movimento pentecostal.16. e inspirou o Movimento de Santidade. firmou-se como alicerce do Movimento Pentecostal. da irmã Phoebe Palmer. ao redor de 1830. de John Wesley. C. O primeiro teria ocorrido na Inglaterra. O advogado e pregador cristão Charles G. O movimento também tem suas raízes na Doutrina da Perfeição Cristã. Mesmo assim. que é o batismo no Espírito Santo. Outros três livros que proporcionaram as bases sobre a qual foi construído o movimento pentecostal foram Guia para a Santidade e A Promessa do Pai. Porém. Benjamin Hardin Irwin começou. Essa doutrina chegou na América do Norte. A maior parte do Movimento de Santidade condenou essa terceira obra da graça como sendo heresia. Torrey. Segundo o Dr. Gary B. também acreditavam que uma segunda obra de graça revestiria o cristão com o poder do Espírito.49. era ensinado que cada cristão precisa esperar pela promessa do batismo no Espírito Santo. acreditava que o batismo no Espírito Santo provesse revestimento de poder para se obter a perfeição cristã. Wesley conclama os crentes à buscarem uma segunda obra de graça. porém. Moody e R. de William Arthur. em 1760. Aroolappen. tendo como caudilho o ministério de Edward Irving. Pentecostalismo: Parham. . sob a liderança de J. McGee. fazendo uma interpretação pessoal de Lc 24. a segunda obra de graça iniciava a santificação e a terceira trazia o ―batismo do amor ardente‖. tais como Dwight L. Em seu livro A Short Account of Christian Perfection. a ensinar sobre três obras de graça.

Aqueles que presenciavam esses acontecimentos. e desde então o falar em outras línguas tem sido destacado pelos pentecostais como sendo a evidência física inicial do batismo no Espírito e a prova cabal do mesmo. um homem negro chamado William Seymour. Foi à partir do início do século vinte que o pentecostalismo ganhou projeção mundial. Suas asserções estão baseadas nos relatos de Atos dos Apóstolos. Foi então que o movimento pentecostal explodiu. muitos outros alunos foram batizados com o ―novo‖ batismo. os cristãos pentecostais achavam que as línguas faladas por eles eram. A partir da rua Azuza. Posteriormente. Charles Parham era um pregador do Movimento de Santidade. capítulos 2. em Los Angeles. quando Agnes Ozman. xenolalia. De fato. 10 e 19. cada vez mais pentecostais estavam de acordo em que as línguas por eles faladas eram glossolalia. em lugares bem distantes entre si.Dois eventos marcaram definitivamente a chegada do moderno movimento pentecostal. como na já mencionada Índia e na Finlândia. a mensagem pentecostal. faziam rapidamente um paralelo com os eventos do livro de Atos dos Apóstolos. que seriam capacitados sobrenaturalmente para falarem outros idiomas. teve uma experiência mística e começou a falar em outras línguas. isto é. Depois de Agnes Ozman. divulgou-se pelos Estados Unidos e pelo resto do mundo. testemunhou um grande reavivamento na Escola Bíblica Betel. experiências semelhantes. porém. Parham mudou-se para Houston. já haviam ocorrido em fins do século XIX. que influenciado por Irwin e convencido pelos seus próprios estudos dos Atos dos Apóstolos. O primeiro deles é datado de 1º de Janeiro de 1901. Parham. de fato. tornou-se líder de uma igreja na rua Azuza. continuava crendo que as línguas faladas pelos pentecostais eram xenolalia e que essas línguas eram expressões idiomáticas de outras nações. Sendo assim. Essa tese perdeu força com o decorrer dos anos e hoje é crença quase comum em círculos pentecostais que as línguas faladas por eles não são idiomas estrangeiros. Depois de 1906. Na verdade. quando Bennett Freeman Lawrence escreveu a primeira história do movimento pentecostal. porém até então esses eram apenas casos isolados. e um de seus alunos. o fenômeno das línguas auxiliaria como uma ferramenta nas mãos dos missionários transculturais. línguas inteligíveis – idiomas pátrios. que incluía o falar noutras línguas como sinal do batismo no Espírito Santo. porém. no ano 1906. em 1916. e falaram em outras línguas (xenolalia). . À princípio. tanto nos Estados Unidos quanto no exterior. deu ao movimento o título de The Apostolic Faith Restored (Fé Apostólica Restaurada). e muitos diziam que o movimento era a restauração da fé apostólica. após ter passado pela mesma experiência mística. em Topeka. isto é. A grande contribuição teológica de Parham ao movimento acha-se na sua insistência de que o falar noutras línguas é a evidência bíblica vital da terceira obra de graça: o batismo no Espírito Santo. aluna da Escola Bíblica Betel de Charles Fox Parham. línguas desconhecidas e não identificáveis pela inteligência humana. no estado americano do Kansas. incluindo o falar noutras línguas.

caracterizada pela plenitude do Espírito. houve quatro grandes controvérsias. R. em especial o livro de Atos e os últimos versículos de Marcos. no entanto. A quarta controvérsia é de ênfase cristológica. enquanto os pentecostais de tendências reformada defendiam a santificação progressiva. Essa sentença está alicerçada no conceito wesleyano. Um grupo acreditava tratar-se de expressões idiomáticas inteligíveis (línguas pátrias) enquanto outro acreditava que as línguas faladas eram expressões de mistério. McGee também menciona as conferências de Keswick. Gary B. Em um sermão pregado em Arroyo Seco. que é uma variação do unitarismo. portanto. ininteligíveis por meios naturais. e diz respeito à natureza das línguas faladas. No início do movimento houve muitos debates acerca da doutrina. uma vida mais profunda. Os que deram crédito à pregação de McAlister foram ―rebatizados‖ em nome de Jesus. na GrãBretanha como tendo uma grande influência sobre o Movimento de Santidade na América do Norte.O Dr.38) ao invés da fórmula trinitariana (Mt 28. Seria ela progressiva ou instantânea? Os pentecostais de tendências wesleyanas asseguravam que a santificação era uma obra instantânea. . McAlister observou que os apóstolos batizavam apenas em nome de Jesus (At 2. Houve então uma cisma no movimento e os que enfatizaram o batismo apenas no nome de Jesus acabaram por propor uma doutrina modalística da trindade.E. Os principais pressupostos da doutrina pentecostal. e consequentemente sobre o pentecostalismo. que afirmava que o batismo no Espírito produzia a perfeição cristã. para fundamentar o falar noutras línguas como a evidência inicial do batismo no Espírito Santo. não acompanharam as tendências modalísticas. A primeira. Os conferencistas de Keswick acreditavam que o batismo no Espírito Santo produzia uma vida contínua de vitória. sobre o valor teológico da literatura narrativa.19). Outro debate girava em torno da segunda obra da graça: a santificação. A segunda controvérsia já foi mencionada. As Assembléias de Deus. e logo nos primeiros dezesseis anos de existência.

Apesar disso. No falar em línguas como evidência física inicial do batismo no Espírito. com sua crença na purificação instantânea do pecado ou no revestimento do poder do Espírito produziu um ambiente receptivo aos ensinos da cura mediante a fé. c) Que o batismo pentecostal reveste o crente com poder do alto capacitando-o para exercer seu ministério ao mundo. A promessa de uma cura instantânea veio de encontro com as necessidades básicas do nosso povo. b) Na atualidade dos dons espirituais. tais como cura. sobretudo no norte do país. destacamos à seguir aquilo que consideramos ser as crenças mais universais dos pentecostais. o quanto resulta difícil fazer generalizações doutrinárias acerca do movimento.Vemos. Razões que contribuíram para crescimento do Movimento Pentecostal. havia em nossas terras um grande número de leprosos e muita gente morria apenas por falta de higiene ou por efeito de uma desinteria. e ainda que isso tenha contribuído para a aceitação do evangelho. os ministérios que ressaltavam a importância da oração pelos enfermos atraía a atenção dos crentes estadunidenses. também foi um fator decisivo para a recepção das doutrinas pregadas pelos missionários suecos. A lista não é exaustiva. a fé no miraculoso para a cura física começou a ressurgir nos círculos evangélicos. podendo haver outros itens não relacionados nessa pesquisa. de modo o movimento teve ampla aceitação. Consequentemente. Lembremos que o mundo greco-romano nos dias apostólicos também tinha suas religiões de mistério. São dispensacionalistas. Não queremos dizer com isso que o pentecostalismo somente se instaurou no Brasil por causa da influência dos cultos afros e do xamanismo. Na Alemanha do século dezenove. ao mesmo tempo que a teologia pietista. . portanto. na época em que Daniel Berg e Gunnar Vingren aportaram em nosso país. No final do século dezenove e início do século vinte. a medicina era ainda mais precária. Todos os cristãos pentecostais crêem: a) No Batismo no Espírito Santo como experiência subseqüente e distinta da salvação. a medicina avançava à duras penas e oferecia pouca ajuda aos que se achavam gravemente enfermos. a maioria dos cristãos pentecostais também crê: a) b) c) Na vinda de Jesus pré-milenista e pré-tribulacionista. esse não foi o fator decisivo. Além disso. No Brasil. profecias. línguas e interpretação de línguas e operação de milagres. A crença mística do povo brasileiro.

por outro lado. E os exageros não param por aí: a Bíblia também. Alguns cessassionistas dizem que a ocorrência de sinais fantásticos seria mais que persuasão e violaria incondicionalmente o livre-arbítrio humano. filha desse reavivamento espiritual. Em muitas igrejas evangélicas. Muitos cessacionistas têm se empenhado para desacreditar o pentecostalismo e a atualidade dos dons espirituais. invocar serafins antes de fazer sua preleção. a excessiva ênfase na inspiração sobrenatural da fala. e nem por isso aqueles que se convertiam tinham seu livre-arbítrio violado.Objeções à doutrina pentecostal. então teremos duas fontes inspiradas: a Bíblia e a profecia. Muitas foram as contribuições do pentecostalismo. é permutada. Jamais vimos Jesus ou os seus apóstolos invocando a presença de anjos antes de trazer uma mensagem aos fiéis. enquanto os teólogos alemães e norteamenricanos patenteavam jargões como geschichte. Não faltam porém objeções às práticas do movimento. As Assembléias de Deus. ou dom de profecia. faziam estudos sobre o Jesus histórico desassociando-o do Jesus da fé. dizem que as profecias só são válidas se estiverem em comum acordo com a Bíblia sagrada e terão valor apenas após o seu cumprimento. na leitura e pregação devocional da Bíblia e com uma visão de ministério às nações. nenhuma exegese por eles apresentada justifica o anti-sobrenaturalismo presente em sua teologia. o pentecostalismo por sua vez surgiu do desejo de reencontrar a fé cristã primitiva e de desassociar-se do sistema secular. Talvez minha observação pareça arrebatada ou até mesmo apaixonada demais. entre as quais destacamos algumas. Outra questão diz respeito aos milagres. tem substituído a pregação da palavra de Deus. criavam teologias com ênfase em teorias naturalistas e evolucionistas. e quando reaparece. desmitologização. tornou-se uma das maiores denominações do mundo. mas nem por isso se tornaram crentes. surgiu também um movimento de restauração da fé apostólica. Porém. Em meio ao cenário árido da teologia do início do século vinte. visões e da conduta cristã. Os restauracionistas pentecostais. Se por um lado os demais movimentos estavam associados ao desejo de amoldar a fé cristã aos padrões filosóficos e científicos do homem moderno. surgiu um movimento com ênfase na santificação. É comum em nossos dias ver pregadores pentecostais trazendo novas e estranhas revelações acerca de anjos. A isso os pentecostais dizem que Jesus e os discípulos também faziam sinais. Crédito no céu? Onde está a mensagem da graça. mas o fato é que o pentecostalismo foi uma das principais reações contrárias ao secularismo teológico que surgiu no século vinte. Os cessacionistas argumentam que se a inspiração profética é atual. volta e meia desaparece dos púlpitos nos congressos. É interessante perceber que nesses cem anos de controvérsias teológicas. a ponto de ter se tornado praxe de certo pregador televisivo. Muitos presenciaram a multiplicação dos pães. Esse mesmo pregador gosta de dizer a Deus em suas ―fervorosas‖ orações: ―se tenho crédito no céu…‖. Essa prática definitivamente não é cristã. do favor de Deus? .

mas isso não desqualifica o movimento. O pentecostalismo surge no cenário contemporâneo na contramão da teologia moderna liberal e neo-ortodoxa. creio que o movimento contará com certa credibilidade. Bultmann. esses excessos ocorrem bem na fronteira de dois movimentos contemporâneos com muita força em nosso país: o pentecostalismo e o neopentecostalismo. a pregação catequética e com embasamento escriturístico tem sido substituída por empolgados shows evangélicos. vive em nós. Apesar da semelhança semântica. Enquanto Barth apresentava Deus como ―Totalmente-Outro‖. e enquanto existirem esses. Conhecemos muitos assim. urgência de uma nova reforma religiosa dentro do próprio movimento: uma nova restauração da fé apostólica. Tillich e Brunner agitavam o cenário teológico mundial com inovações e com suas tendências filosóficas. Enquanto Barth. William Seymour e os demais pregadores do movimento pietista pentecostal instavam para que os homens se amoldassem à Palavra de Deus. quero ressaltar que a dissimile é maior que qualquer afinidade que estes dois nomes possam sugerir. promovidos por pregadores que mais parecem animadores de auditório. surgiu no cenário mundial um movimento que buscava justamente o oposto. Na verdade. No entanto. faz-nos pensar na necessidade e porque não dizer. pelo ceticismo de David Hume e pelos apelos filosóficos de Immanuel Kant. os pregadores pentecostais insistiam na possibilidade de um relacionamento pessoal com Deus e definiam-no como aquele que habita os céus e que paradoxalmente. Há muitos que ainda prezam pela pregação bíblica e que mantém o perfeito equilíbrio entre a unção. mercadejando as bênçãos de Deus e enfatizando muito mais o presente que o porvir. Isso. sobretudo no cenário nacional. . porém. o atual quadro do pentecostalismo. Muitos excessos têm sido cometidos desde então.Outro pregador pentecostal que há anos se identificava como homem ortodoxo tem se rendido fatalmente à práticas neo-pentecostais. não significa que não haja pentecostais sérios e ortodoxos. Virou já um ícone do evangelho da prosperidade. obviamente influenciados pelo existencialismo de Kierkgaard. De modo quase geral. Se por um lado Paul Tillich buscava amoldar a Bíblia às necessidades do homem. a erudição e o conhecimento teológico.

sejam pregadores ou leigos. juntamente com as doutrinas neopentecostais têm surgido muitas doutrinas paralelas. sem nenhuma consulta à exegese bíblica. em escolas bíblicas de férias e na televisão. Marilyn Hickey. Maldição de Família e Pecado de Geração.17. fundada em 1970. como a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD). de novas manifestações. Quebra de Maldições. Muitos obreiros e ministérios são envolvidos em assuntos aparentemente simples como os que temos abordado. as Igrejas com pouca estrutura eclesiástica. em 1973. Maldições Hereditárias. e Socorrista. embora seja possível estabelecer uma símile entre o pentecostalismo e o neopentecostalismo. como a chamada Confissão Positiva (Evangelho da Saúde e da Prosperidade. originária da Igreja Católica Romana. Kenneth Copeland. da Cura Diferencial e do Exorcismo. em 1975. Como já foi dito no capítulo anterior. alicerces ou filtro teológico. Essek William Kenyon e de seus principais porta-vozes. Mateus 12. de multidão má e incrédula (cf. pensando estar fazendo o melhor para Deus. mas lembremos-nos: o sinal sempre foi sinal para incrédulos! Em toda a história. além de apresentar as principais doutrinas do século vinte. apregoadas por supostos avivalistas em acampamentos cristãos. chega-se à conclusão de que o verdadeiro pai da confissão positiva é Essek William Kenyon. fundadas em 1967. Porém. as diferenças entre esses dois grupos protestantes são maiores que qualquer semelhança que possam ter. Neopentecostalismo: Misticismo. à qual fomos chamados. Nos nossos dias. Na década de 70. de tal forma que muitos pregadores da prosperidade – inclusive os brasileiros – se consideram discípulos de Hagin. pragmatismo e culto à Mamom. Temos buscado nessas páginas. tais como a Igreja Presbiteriana Renovada. . chegou no Brasil o movimento que ficou conhecido como neopentecostalismo. sempre buscaram um sinal e uma materialização do imaterial. e os Pentecostais Carismáticos. Renovação Carismática. defender com muita submissão os valores do Evangelho e a imaculada Igreja de Nosso Senhor Jesus. ensinam sempre sob a orientação filosófica de seu pai. História do Movimento Neopentecostal. Jesus chamou essa multidão que de um lado para o outro em busca de uma experiência. Jorge Tadeu e outros. fundada em 1977. quando na verdade estão sendo instrumentos para erosão perniciosa contra a vida espiritual da Igreja. Nova Unção). Todos estes. Este movimento se originou a partir de denominações históricas. as Igrejas Pentecostais Livres: Sinais e Prodígios. Kenneth Hagin.38-39). e por mentores católicos carismáticos no exercício do Toque do Dom. Estes. evangélicos ou não. Robert Schüller. Muitas pessoas no movimento da confissão positiva consideram Kenneth Hagin como o pai do movimento. em congressos. quando se investiga o desenvolvimento histórico do movimento. vivem em busca de ―sinais‖ de Deus. homens e mulheres no decorrer de sua incansável busca por um toque religioso.

No início do seu ministério. Antes de sua morte. Fundou em Tusla. e terminou. onde freqüentou várias escolas. Hagin foi um jovem pregador batista (1934-1937) e pastoreou uma igreja da comunidade onde morava. e chegou a abraçar inclusive muitos ensinos de seitas heréticas. fundada por Charles Emerson. mudou-se para Boston. Segundo o professor Paulo Romeiro. Duas experiências polêmicas teriam afetado toda a sua vida e ministério. Paulo Romeiro. Neste mesmo ano foi licenciado como ministro da Assembléia de Deus (1937-1949) e pastoreou várias igrejas dessa denominação no Estado do Texas.Kenyon nasceu no condado de Saratoga. onde supostamente viu e sentiu coisas que o deixaram perplexo. Nova York. Depois da terceira ―visita ao inferno‖. Mais tarde. para o transcendentalismo. finalmente fundou. a Escola Bíblica por Correspondência Rhema e o Centro de Treinamento Bíblico Rhema em Tulsa. alguém utilizaria as idéias e os escritos de Kenyon para dar forma ao que viria a ser um dos maiores e mais controvertidos movimentos dentro do corpo de Cristo da atualidade. Esta pessoa é Kenneth Erwin Hagin. finalmente. No dia 19 de março de 1948. É muito importante saber quem foi Charles Emerson para se compreender a hermenêutica de Kenyon. Devido à sua crença em cura divina. em 1908. faleceu Kenyon. Hagin conta ter descido outras duas vezes ―ao inferno‖ para ali contemplar os seus horrores. foi uma mente muito confusa e sincretista. que à bem da verdade. Ésse Charles Emerson. seu próprio ministério. escreve o seguinte acerca de Emerson: Charles Emerson foi uma figura um tanto contriversa. para o unitarismo. Em Super Crentes. não é nem ciência nem cristã. Emerson uniu-se à Ciência Cristã em 1903 e nela permaneceu envolvido até sua morte. em 1974. encarregou sua filha Rute de continuar o seu ministério e publicar os seus escritos. entre elas a Faculdade Emerson de Oratória. O ministério de Kenneth Hagin é hoje um dos maiores do mundo e sua influência tem se espalhado por muitas partes do globo. com a idade de 80 anos. a Ciência Cristã. segundo se sabe. começou a associar-se com os pentecostais e em 1937. nas mais rígidas e dogmáticas de todas as seitas metafísicas. Estados Unidos. para o Novo Pensamento (Nova Idéia). A primeira foi Hagin ter sido ―levado ao inferno‖. . a teologia de Emerson evoluiu do congregacionalismo para o universalismo. recebeu o batismo com Espírito Santo e falou em línguas. a Escola Bíblica de Hagin já formou cerca de 6. O professor do Makenzie e apologista do ICP. Sua conversão à Ciência Cristã foi a última progressão lógica na sua evolução metafísica do ortodoxo para o sectário‖. Em 1892. em 1867. Tendo passado por essas duas denominações. Hagin aceitou a Cristo como seu Salvador. como por exemplo a Ciência Cristã.600 alunos. o que ela cumpriu fielmente. em 1962. sendo assim levado a tomar uma decisão quanto a sua vida espiritual. Em seus 40 anos de ministério.

de modo que um indivíduo realmente convertido nunca deve ficar doente. porém inteligente livro Considerações à Doutrina da Prosperidade. hoje pastor e líder das igrejas Maná. o Filho do Homem muitas vezes não tinha sequer onde reclinar a cabeça. portanto.A revista Word of Faith (Palavra da Fé).4-5. pobreza e enfermidade são características de uma vida sem fé. Serafim Isidoro. enquanto no Antigo Testamento a promessa é de prosperidade advinda da obediência. L. R. John Osteen. Segundo essa abordagem teológica. Para o Dr. É muito difícil enumerar os pressupostos do neopentecostalismo. o Novo Testamento traz em seu cerne uma mensagem de abnegação. Pressuposições da Doutrina da Prosperidade. Para justificar o disparate. R. os nomes mais conhecidos ligados à confissão positiva são Ken Hagin Jr. o já mencionado Edir Macedo e o líder da Igreja Internacional da Graça de Deus. a destacar algumas práticas dos principais grupos neopentecostais. R. que já esteve no Brasil acompanhado de Rex Humbard. Apenas queremos chamar a atenção para algo que se tornou o principal enfoque do neopentecostalismo: a teologia da prosperidade. visto que existem diversas denominações neopentecostais e todas possuem sistema doutrinario eclético. Kenneth e Glória Copeland. Charles Capps.R. sendo a pobreza uma maldição. afirmam que Jesus era rico – bem como os seus discípulos – mas até onde sabemos. em Portugal. no Rio de Janeiro. Jerry Savelle. A doença tem sua origem na falta de comunhão com Deus. . Nos limitaremos. Outra pessoa que tem influenciado muitos no Brasil é o engenheiro Jorge Tadeu. Osborn. Já foram vendidos cerca de 33 milhões de cópias de seus 126 livros e panfletos. (filho de Kenneth Hagin). Kenyon e Kenneth Hagin. Ele também diz que ―a busca do sensacionalismo e da prosperidade facil afasta o homem da ordem antiga: Comerás o pão do suor do teu rosto‖. Pode ser citado ainda o ministério de Miguel Ângelo da Silva Ferreira. T. Benny Hinn e Lester Sumrall. Os bens da organização estão avaliados em 20 milhões de dólares. que também pertence ao movimento. Soares. principalmente pelos seus métodos de levantamento de fundos. Fred Price. Hobart Freeman. baseando a cura divina na expiação e usando para isso o texto de Isaías 53. é enviada para 190 mil lares mensalmente e calcula-se que cerca de 20 mil fitas cassete de estudos são distribuídas a cada mês. Os porta-vozes da doutrina da prosperidade não medem esforços para conseguir arrecadações. é uma figura extremamente controvertida hoje nos Estados Unidos. pastor da Igreja Evangélica Cristo Vive. responsável pela publicação da maioria dos livros de Kenneth Hagin no Brasil. A prosperidade financeira também é um direito do crente. Soares. em seu pequeno. Bob Tilton. líder da Igreja Internacional da Graça de Deus. chegando até mesmo a chorar e a profetizar enquanto pede dinheiro no seu programa de televisão. Além de Essek W.

fundada pelo bispo Edir Macedo. O boletim The Berean Call (O Chamado dos Bereanos). além de objetos sem nenhum valor financeiro. O vídeo consta nos arquivos do ICP e o episódio é citado por Paulo Romeiro em Super Crentes. réplicas da Arca do Concerto. há ainda questões escatológicas. Espírito Santo. No ano de 1992. quando a Bíblia diz que ―aquele dia e hora ninguém sabe‖. portais da felicidade. na Flórida. medalhas com inscrições. cruzes. A capacidade imaginativa de Hinn é tão perspicaz que não exitariamos em recomendar sua ―história‖ à Walt Disney Pictures. por exemplo. mas também voava para o espaço (…) com um pensamento ele estaria na Lua (…) podia nadar [debaixo d'água] sem perder o fôlego. o estudo acerca do ―corpo‖ do Espírito Santo. a guarda do sábado. a denominação faz uso de rosas. Na Igreja Universal do Reino de Deus. Hinn levou os membros de sua igreja a repetir depois dele a seguinte frase: ―Eu sou um deus-homem‖. tais como água do Jordão e azeite para unção. . de Benny Hinn. Espírito Santo. o jornal Mensageiro da Paz publicou uma nota sobre Benny Hinn: ―O livro Bom Dia. onde afirma que Jesus morreu duas vezes. Bom Dia. bem como a afirmação de que o número dos salvos será maior do que o número dos perdidos. Não sei se as pessoas chegam a saber disso. de Oregon. Ela também defende a maldição de família e a necessidade de ruptura das mesmas. Seu livro. Adão não só voava [como os pássaros]. lenços. e sua esposa fazia o mesmo (…) Ambos eram sobrehumanos‖. publicou os seguintes comentários de Hinn a respeito de Adão e Eva: ―Adão era um ser sobre-humano quando Deus o criou. retalhos dos ternos usados pelos pastores (será que eles rasgam o Armani do Bispo Macedo também?). supostamente importados de Israel. Ele passa a idéia de que existem nove deuses na Trindade. Entre seus ensinos mais controversos está o seu comentário de Is 53:9. física e espiritualmente. está causando celeuma nos Estados Unidos. Porém. lenços. pastor do Centro Cristão de Orlando. Valnice Milhomens também tem aderido à muitas práticas neopentecostais. A ênfase sobre a prosperidade financeira é bastante acentuada. é um dos mais vendidos hoje na América do Norte. Não faz muito tempo.Não há dúvida de que o movimento da fé tem em Benny Hinn. Além destas. em setembro de 1992. como. mas ele foi o primeiro super-homem que já existiu. como a volta de Jesus num dia de sábado no ano 2007. é um de seus nomes mais famosos. mas a semelhança com as práticas iconoclasticas da idade média é evidente: Substituindo a idolatria por metodologias visuais e palpáveis. copos com água. tanto o livro de Hinn como seus ensinos têm levantado muita polêmica. podemos encontrar muitos pressupostos do ―movimento da fé‖. A confissão positiva já alcançou repercussão significativa nos meios de comunicação. especialmente na televisão. O autor se justifica afirmando que não soube explicar bem o que queria dizer.

o que é uma idéia absurda‖. após ser colocado na sepultura de Eliseu. ―não podemos esquecer também que. morreu em conseqüência de sua enfermidade. Será que ele não tinha fé ou estava em pecado? Muito pelo contrário. Pedro se refere à cura espiritual (citando a Septuaginta). Por exemplo. tocou em seus ossos e ressuscitou (2 Reis 13:14-21). Para ratificar sua asserção. rapha). do ICP (Instituto Cristão de Pesquisas). John Ankerberg e John Weldon nos ajudam a interpretar o texto de Isaías 53:4-5 com o seguinte comentário: ―No hebraico a palavra ―sarar‖ (em hebraico. Para Deus lhe dar uma doença teria que pedi-la emprestada ao diabo. nem tampouco foi o diabo quem decidiu provar Jó. O pastor Jorge Tadeu. a expiação de Cristo ainda não havia acontecido. ―Basta examinar as Escrituras para notarmos que verdadeiros servos de Deus passaram privações e dificuldades em suas trajetórias a serviço do Senhor‖. pecados ocultos ou falta de fé. Muitos pregadores da confissão positiva declaram que toda enfermidade procede do diabo. Por causa disso. quando Jesus curou a sogra de Pedro (Mateus 8:14-17). Mateus se refere à cura física (citando o texto hebraico massorético). . pois a Bíblia diz que um soldado morto. em Portugal. É comum assistir na TV pregadores da Prosperidade ensinando os crentes a dar ordens em Deus. de modo que a fé é reduzida à uma mera confissão positiva. total e perfeita. Objeções ao neopentecostalismo. em 1 Pedro 2:24. mas o ensino de Jorge Tadeu é contrário ao que diz a Bíblia. O contexto deve determinar se um dos sentidos ou ambos são empregados. Números 12:10). utilizando um jargão próprio do neopentecostalismo. usar esta passagem para dizer que a cura divina. líder das igrejas Maná. pode-se referir à cura física ou à cura espiritual. Um outro exemplo citado por ele é o de Jó. Seu sofrimento não foi causado por confissões pessimistas. e em Mateus 8:17.Os pregadores neopentecostais também ensinam que a fé e o recebimento das bençãos de Deus está relacionada com a confissão que fazemos. Ele também afirma que dizer que a enfermidade é conseqüência da falta de fé ou pecado na vida do crente constitui-se numa falácia bíblica. muitos membros dessas igrejas vivem frustrados. A cura física também deve ser pronunciada. está garantida na expiação com base em Isaías 53:4. ―decretada‖. Por acaso Deus teve que tomar a lepra emprestada do diabo para colocá-la em Miriã? A lepra de Miriã foi provocada por Deus (cf. Segundo Paulo Romeiro. que apesar de ter sido um grande profeta de Deus e de ter tido um ministério marcado por muitos feitos sobrenaturais. ele menciona o profeta Eliseu. O Senhor Soberano foi substituído por um Deus vassalo. afirma que ―Deus só pode dar o que Ele tem. Portanto. sempre disposto à acatar ordens e tudo sem reclamar. A iniciativa partiu de Deus. ou ainda. 5 é forçar o texto e não reflete uma boa exegese‖. pois temem pronunciar maldições que interfiram em seu progresso espiritual.

pela palavra (Gr. mas ao seu próprio ―decreto‖ (rhema) ou uma palavra pessoal de Deus para ele (logos). . direta. a polêmica da semântica. não de semente corruptível. na primeira página. mas da incorruptível. não tem escapado das críticas da imprensa em Portugal. na mente do apóstolo não havia distinção entre estas palavras. o vocábulo rhema é o ―abracadabra‖ que os neopentecostais pronunciam para materializar o objeto desejado. Secou-se a erva. Rhema) do Senhor permanece para sempre. eles afirmam que podemos usar a palavra rhema para realizarmos no mundo espiritual e físico tudo aquilo que desejamos. Sendo assim fica desfeita a pretensão daqueles que querem forçar uma interpretação e aplicação errônea destes termos. Logos) de Deus.Existe nos Estados Unidos muitos casos documentados de mortes causadas pela pretensa fé. mas é geralmente empregado no contexto de sonhos. Russel Shedd afirma que Pedro não fez distinção sobre estes termos em sua primeira carta. Assim. A palavra rhema seria uma espécie de ―vara de condão‖ capaz de materializar o objeto da nossa cobiça. sobre as circunstâncias que levaram ao falecimento do pequeno Nelson Marta. visões e comunicações particulares entre Deus e seu ―agente‖. que faz com que as coisas sejam realizadas. a revelação ou palavra da fé. podemos perceber no movimento neopentecostal duas fontes de autoridade: uma objetiva – a Bíblia. viva que permanece para sempre. O termo pode-se referir também à Bíblia. Mas a palavra (Gr. de oito anos. dizem eles. e outra subjetiva. O Dr. Segundo Michael Horton. na Palavra de Deus não há sequer uma distinção teológica entre estes dois termos. revelada de Deus. ou ―agir sobre a Palavra‖ e outras. é a ―palavra‘‖ que os crentes usam para ―decretar‖ ou ―declarar‖ a fim de trazer prosperidade ou cura para esta dimensão‖. Entretanto. dizendo que há uma distinção entre eles no sentido de que logos é a Palavra escrita. quando alguém lê uma referência na literatura do pregador da fé à ―Palavra de Deus‖. expressa de Deus. que Deus fala aos iniciados. Depois vem logos. Logos e Rhema. O jornal Tal & Qual. na edição de 30 de agosto a 5 de setembro de 1991. o autor pode não está mais se referindo à Palavra de Deus escrita. O ministério das igrejas Maná. que seriam como os sinônimos ―enorme‖ e ―imenso‖ no português. muitos pais perderam seus filhos para enfermidades que poderiam ser facilmente medicadas. não existe nenhuma grande diferença entre estes dois vocábulos. Rhema. ou ―a palavra de revelação‖ que é a palavra mística. Supostamente baseados nas promessas de Deus. e caiu a sua flor. Dessa forma. ―Mas que Grande Seita! Deixem de tomar remédios! — aconselha a seita religiosa Maná.23-25: “Sendo de novo gerados. capítulo 1. Rhema) que entre vós foi evangelizada”. a Bíblia. Em uma linguagem mais coloquial. Ele declara que ―os ensinadores da fé inventavam uma falsa distinção de significado entre essas duas palavras gregas. Desta forma. Porque toda a carne é como a erva. faz uma séria denúncia. e que rhema é a palavra dita. Os apologistas da confissão positiva fazem um cavalo de batalha sobre as palavras gregas logos e rhema que significam palavra. Como se pode ver. Mas a morte de uma criança acaba de pôr em causa o insólito ―mandamento‖. e toda a glória do homem como a flor da erva. ocorrido em 13 de maio de 1991. e esta é a palavra (Gr.

a não ser das realidades apreendidas pela experiência sensível. Temos depois o apóstolo Paulo escreveria aos coríntios: ―se esperamos em Cristo só nessa vida. Nega a possibilidade de um conhecimento racional e certo de qualquer realidade transcendente. O termo foi criado por T. o agnosticismo deve ser considerado segundo o sistema científico a que se amolda e também os pressupostos da teoria do conhecimento que adota. AGNOSTICISMO Doutrina que defende a incognoscibilidade de qualquer ordem de realidade desprovida de evidência lógica satisfatória. quando a prioridade dele deveria ser ―buscar as coisas que são do alto‖. ecléticopragmática que busca os resultados mais que a pureza doutrinaria. somos os mais miseráveis de todos os homens‖. Cristo. e nem na verdadeira igreja evangélica. Entrou em Jerusalém montado em um jumento emprestado. 18. à luz da ortodoxia.O neopentecostalismo. Em sua mensagem ele nos falou sobre a necessidade de negar-se a si mesmo e tomar a cruz. . Sob qualquer forma que se apresente. A mensagem triunfalista dos pregadores da prosperidade podem até caber em um discurso político onde a avareza prima sobre o caráter. Entrou no mundo desassistido de bens materiais e proferiu suas pregações em um barco emprestado. levando-o a buscar a prosperidade terrena. Ela desvirtua o crente. para expressar o seu desprezo em face da atitude de certeza dogmática simbolizada pelas crenças dos antigos gnósticos. Como sistema teológico foi condenado pelos apóstolos e pela Igreja. apenas afirma que isso não se pode conhecer com certeza por meio da razão. Só a cruz era dele.H. Para o agnosticismo a razão humana não pode adquirir uma ciência certa. Foi ele quem disse: ―No mundo. Huxley (1825 – 1895). mas não cabe nos lábios de Cristo ou dos apóstolos. e foi sepultado em um túmulo emprestado. tereis aflições‖. Glossário Teológico Contemporâneo. em um estábulo emprestado. alardeado pelos teólogos da prosperidade como um homem abastado. nasceu humilde e pobre. é uma teologia mal elaborada.

ANALOGIA DA FÉ Era analogia entis que Karl Bath substitui pela analogia Fidei (analogia da fé), visto que a verdade religiosa é dada por Deus. É um conceito Bíblico tirado de Romanos 12, (analogia tes pisteões) ou (metron pisteõs), que são palavras semelhantes "analogia da fé" e "medida da fé", representam um desenvolvimento do significado paulino original. Para a hermenêutica a analogia da fé conota que passagens bíblicas podem ser interpretadas com outras passagens porque nada dentro das escrituras podem se contradizer e tendo em vista que Deus é o autor das Escrituras. Para Agostinho a interpretação da das Escrituras não deve violar a fé. E Lutero usa termos quase semelhantes "o intérprete primário da Escritura deve ser ela própria", por isso as autoridades cristãs evitavam qualquer fonte fora das Escrituras. Para alguns pais da igreja passagens difíceis das escrituras são iluminadas pela fé ensinadas pela igreja, já o protestantismo da reforma é contra essa idéia imposta pelo catolicismo. Ainda como princípio exegético a analogia da fé sofre alguns abusos com significados que o autor bíblico não quis colocar no texto, por isso o intérprete de uma passagem bíblica deve se esforçar o máximo para extrair do texto o que realmente ele diz.

ANTROPOLOGIA TEOLÓGICA Antropologia nasceu com o grego Heródoto, no século V a.C. que foi cognominado Pai da Antropologia. Antropologia Teológica é a doutrina do homem no que tange a Deus. Teve sua transformação em duas grandes transições: a do cosmo para Deus, quando o cristianismo suplantou a visão grega da realidade. A segunda é de Deus para o homem e ocorreu na época moderna em conseqüência da secularização e do ateísmo. Repentinamente Deus desaparece de cena e cede lugar ao homem. Sua transformação teve início no Renascimento. O espírito humano abre-se a um novo modo de ver e agir, um violento contraste com o precedente, enquanto o primeiro, o centro de todo interesse era Deis, agora o centro é o homem. A filosofia é ao mesmo tempo a testemunha fiel e artífice principal da transição do teocentrismo para o antropotismo. Vemos aí (Descartes, Hume, Spinoza). Mas Kant que atinge o momento conclusivo, afirmando que o homem não é mais simplesmente o ponto de partida, mas também o ponto de chegada da reflexão filosófica. Vemos também dois princípios que são supremos na antropologia teológica: São o arquitetônico e hermenêutico. O arquitetônico é o eixo do ordenamento de todos os eventos da história da salvação. O hermenêutico é a verdade primária a cuja luz a teologia procura compreender e interpretar um dos aspectos da história da salvação.

CALVINISMO

Doutrina religiosa fundada por João Calvino. Ele nasceu em Noyon, em 1509 e morreu em Genebra em 1564. Caracteriza-se pela origem democrática da autoridade religiosa (os ministros não são padres). Os principais fundamentos da doutrina estão contidos na obra de Calvino intitulada "Instituição da Religião Cristã". Calvino e seus seguidores, sustentavam a soberania absoluta de Deus, a justificação pela fé, e a predestinação. O Calvinismo não admite as cerimônias religiosas e nega com rigor a tradição; pela crença na predestinação acha inútil as obras para a salvação. Segundo Calvino, a fé se dá pela deposição de absoluta confiança em Deus. Os seguidores de Calvino, na França, passaram a ser chamados "huguenotes". Propagou-se a doutrina pela Holanda, Suíça, Hungria, Escócia e Estados Unidos. Do Calvinismo, originou-se o puritanismo e as demais igrejas protestantes. Esta doutrina não foi aceita pelos sorbonistas, e Calvino foi perseguido e obrigado a deixar a Igreja Católica, fugindo para Basiléia.

CONSELHO MUNDIAL DE IGREJAS – CMI

Desde 1909 – Conferência Missionária Mundial em Edinburgo até 1937 – Conferência sobre "Vida e Trabalho" em Oxoford e sobre "Fé e Ordem" em Edimburgo – o movimento ecumênico era atuante sob muitos aspectos mas não tinha organização central. Por ocasião das conferências de 1937 tomaram-se as primeiras iniciativas para a fusão de "Vida e Trabalho" e "Fé e Ordem" num Conselho Mundial de Igrejas – CMI. De 1938 a 1948 este permaneceu – devido à Segunda Guerra Mundial – oficialmente em "processo de formação"; em Amsterdã, em 1958, ele foi formalmente estabelecido. O CMI é uma comunhão de igrejas que confessam o Senhor Jesus como Deus Salvador, segundo as Escrituras e por isso buscam cumprir em conjunto a sua vocação comum para glória do único Deus, Pai, Filho e Espírito Santo. É uma organização ecumênica internacional das igrejas cristãs da Reforma da qual a igreja católica faz parte como observadora. Prolonga historicamente os dois movimentos mundiais: "Vida e Trabalho", "Be Oxford" e "Fé e Ordem" de Edimburgo. O CMI não é uma igreja, nem pretende ser uma espécie de "super igreja", mas existe para servir as igrejas como instrumento, possibilitando-lhes entrar em contato umas com as outras. O CMI não considera nenhum conceito ou doutrina sobre a unidade da igreja como normativo para suas igrejas membros. Pretende ajudar todas elas na procura dessa meta. A 5ª Assembléia Geral foi em Nairobi em 1975. Ela propôs um consenso em torno da unidade nos seguinte termos: "Jesus Cristo fundou uma igreja. Hoje vivemos em

diversas igrejas separadas umas das outras. Contudo, nossa visão do futuro é que algum dia viveremos de novo, como irmãos e irmãs numa igreja indivisa. O CMI exerce seu mandato por intermédio da Assembléia Geral, do Comitê central do Comitê executivo, das Comissões, dos Comitês das Unidades de Programas e dos Centros Permanentes Administrativos de Genebra e Nova York. A Assembléia se reúne a cada sete anos.

CORRELAÇÃO (teologia)

Paul Tillich faz uma correlação entre teologia de Bultmann ortodoxia e a teologia de Karl Barth cristomonismo, esta teologia foi desenvolvida em 1951. Paul Tillich chegou a um consenso que sintetiza a sabedoria e a experiência humana com a religião bíblica, empregando todos os recursos da ciência, da história, da literatura, da arte, e da psicologia em profundidade, bem como a filosofia clássica e a moderna, em especial o existencialismo de Kierkegaard. Assim estabeleceu um tipo de doutrina teológica que era o fim apologético e estabeleceu a correlação de fé com a existência humana. Paul Tillich afirma que a doutrina só tem valor ou significado para o homem, se estiver relacionado com os problemas, as situações, e as crises de sua existência cultural, secular e cotidiana.

Paul Tillich escolheu atuar "na fronteira" entre a religião e a cultura ele escreve "a religião é a substância da cultura e a cultura é a forma da religião" Paul Tillich afirma que sempre que ele se encontra entre duas possibilidades existenciais, ele reflete sobre sua posição de sempre Ter um pé em cada um dos dois arraiais tradicionalmente antagônicos. Daí sua teologia de correlação inteiramente dialética. Paul Tillich procurou relacionar os problemas de sua filosofia, a partir da condição humana comum e demonstrou a relevância e o significado da doutrina teológica relacionada com o problema assim interpretado. Sua tese torna-se numa síntese em quatro níveis: (1) disciplina, (2) antológica, (3) histórica, e (4) na vida pessoal. DEÍSMO

Vem do latim deus, "deus". Os socianos introduziram o termo no século VI. Porém veio a ser aplicado a um movimento dos séculos XVII e XVIII, que enfatizava que o conhecimento sobre questões religiosas e espirituais vem através da razão, e não através da revelação, que sempre aparece como suspeita e como instrumento de fanáticos e de pessoas de estabilidade mental questionável. Vendo-se nisto a característica principal do deísmo, conhecimento através da razão e não sobrenatural. A isso podemos chamar de religião natural comum a todos, era uma garantia de uma convivência pacífica, que surge como um reflexo do iluminismo no campo religioso.

tese. Dialética é o emprego da formulação. Na sua forma genuína. A dialética explica a mudança como resultado do conflito entre os opostos. salva o essencial das narrativas. DIALÉTICA Dialética vem do Dialéktos grego. que se fundem num novo tipo de coisa que sintetiza ambos os opostos.DEMITIZAÇÃO Método desenvolvido na teologia protestante e católica. A própria vida é dialética. . e que visa a escoimar a mensagem cristã da roupagem dos mitos. proposto pelo teólogo alemão Rusolf Bultmann (1884-1976). que significa discurso. para que a mensagem nelas contida adquira dimensões existenciais. e deve ser aplicada na biologia. A dialética determina todos os processos da vida. que é a nova tese. Busca impedir que a mensagem evangélica se fundamente em assertivas mitológicas. que gera uma síntese. Consiste na discrepância entre cosmologia antiga e moderna bem como entre as compreensões existenciais divergentes dos homens da Bíblia e dos de todas as épocas posteriores. para poder interpretá-las de modo crítico e não eliminá-las. Essa interpretação pressupõe que as categorias mitológicas utilizadas pelos autores se constitua em instrumento destinado a expressa a revelação. A demitização. debate. perdendo seu caráter paradoxal. e na sociologia. despindo-as de sua veste literária mítica. não reside na eliminação de asserções e descrições. mas em sua interpretação. antítese e síntese. Dialética é o jogo dos opostos que se fundem gerando assim uma tese. Para Platão a dialética tornou-se uma forma suprema de adquirir conhecimento. que tem em si uma antítese. que trazem à luz contrários e opostos. na psicologia. A dialética aparece como o nome dado ao estudo do inter-relacionamento das idéias platônicas. Esse vocábulo refere-se àquele tipo de atividade filosófica que traça distinções rígidas.

não sabemos o fim. A idéia de eternidade não deve ser entendida em contraste com o tempo. Na filosofia grega. a era futura tem um começo.ETERNIDADE As palavras hebraicas. tendo um começo e um fim. XIX e dava bastante ênfase aos aspectos sociais do cristianismo. associava a idéia de fluxo com a idéia de existência. portanto ele não tem causa. a consciência cristã viu-se obrigada a converter-se em consciência social. A era presente é limitada em sua duração. Heráclito. O Evangelho Social se caracterizou por uma dupla ênfase. Foi sem dúvida alguma uma aplicação da ética cristã em resposta as exigências de uma nova situação histórica – a intensidade dos problemas sociais geradas pelo rápido crescimento industrial dos EUA. ADH e OLAM. e tempo não fixado. Tendo em vista este fato. EVANGELHO SOCIAL O Evangelho Social apareceu no final do séc. as quais são: Uma função mais ampla da Igreja. Para Platão a esfera da eternidade é imaterial diferente de nosso mundo. dotado de um tipo de vida que se encontra exclusivamente no ser divino. A idéia Bíblica de eternidade não é ausência de tempo mas a extensão ilimitada de tempo. E uma crítica crescente dos sistemas e ideologias da ordem vigente. uma sucessão infinita de eras. a existência da eternidade divina subentendia. A eternidade unida no próprio Deus. a realidade e insignificância daquilo que é temporal. É similar no grego no vocábulo AIÔN que indica uma vida inteira ou um tempo indefinido no passado ou no futuro. . Esta corrente do protestantismo moderno teve como base o livro "Em Seus Passos o que Faria Jesus?" Esta corrente teve como sua maior expressão a figura de Walter Rauschenbush. designam qualquer período com duração desconhecida.

que frisam a necessidade do evangelismo. Na Inglaterra. Com a "autoctonização" das organizações assistenciais e evangelísticas e o envio de missionários por grupos dentro dos próprios países do Terceiro Mundo. esses grupos apegam-se a esses documentos sagrados com a sua base de autoridade. Na Alemanha. pregadores como Bernardo de Claraval. os batistas. Moody. o espírito evangélico sempre se manifestou no decurso da história eclesiástica. Estas palavras aparecem quase cem vezes no Novo Testamento e passaram para os idiomas modernos através do equivalente em latim. essencialmente protestantes. A palavra é derivada do substantivo grego euangelion. John Huss e Savonarola se distinguiram dentro do evangelicalismo de tempos remotos. o evangelicalismo já obteve sua maioridade e é verdadeiramente um fenômeno global. da expiação mediante o sangue de Cristo. evangelium. e outros. A igreja apostólica. Usualmente. Assim. que significa anunciar boas-novas ou proclamar como boas-novas. George Williams. surgiram Charles Spurgeon. enfatizando a conformidade com as doutrinas básicas da fé e um alcance missionário de compaixão e urgência. Quem se identifica com este movimento é um "evangélico conservador" (ou "evangelical") que crê no evangelho de Jesus Cristo e o proclama. L. Desde a Reforma Protestante. em contraste com o sistema tradicional que se desenvolveu na Igreja Católica Romana. a palavra tem sido adotada por certos grupos cristãos. os evangélicos são aqueles grupos. George Whitefield. No século XIX. na Suíça e em alguns outros países a palavra passou a indicar o corpo geral das igrejas protestantes. os pais da igreja. Embora o evangelicalismo seja geralmente considerado um fenômeno contemporâneo. sendo euangelizomai o verbo correspondente. Hudson Taylor. notícias de alegria. o evangelicalismo é muito mais do que um assentimento ortodoxo a determinados dogmas ou uma volta racionária aos costumes antigos. Pedro Waldo. como padrões de fé e prática. os concílios. Na atualidade. John Wycliffe. Charles Finey. D. é empregada quase como sinônimo da Igreja Baixa (expressão que aponta para os membros de postura mais protestante e evangélica). da regeneração. os movimentos reformistas medievais. É a afirmação das crenças centrais do cristianismo histórico.EVANGELICALISMO Movimento no cristianismo moderno que transcende as fronteiras denominacionais e confessionais. traduzido como boasnovas.. rejeitando as tradições. Dos mais recentes podemos citar: John e Charles Wesley. . etc. congregacionais e metodistas. as cruzadas evangelísticas de Billy Graham. que supõem que retornaram ao evangelho (ou Bíblia). da crença nos elementos fundamentais do ensino bíblico.

mas subordinavam as questões tradicionais da metafísica e da filosofia do conhecimento a uma perspectiva antropocêntrica (isto é. o homem como referência o valor principal). Os mesmos menosprezavam o conhecimento científico em particular a psicologia. ser brilhante. Os filósofos existencialistas refletem sobre a natureza da realidade. No séc. sendo estas relações múltiplas. denominadas possíveis de acontecer ou não. enfatizando como preferência a realidade e a importância da liberdade humana. pois para os mesmos existir implica em estar em relação como outros seres humanos. diziam que o homem é um ser histórico e que sua essência vai sendo construída pois a "existência precede a essência".EXISTENCIALISMO Os existencialistas ao contrário do modo de pensar do homem da Idade Média que dizia que o ser humano possuía uma essência que "a priore" o determinava. A doutrina existencialista tem como precursor Kierkegaard (1813-1855) o qual atacou a interpretação dogmática do cristianismo e o sistema metafísico Hegeliano. FENOMENOLOGIA – Fenômeno + logia – aparência + conhecimento – estudo do fenômeno. A FENOMENOLOGIA tem como pai o filósofo alemão Esmund Husserl (1859-1938) da escola de Cristian Wolff. Kierkegaard propôs-se a conduzir os indivíduos à plenitude da sua existência. é o conceito de existência. concretas. dar luz. XX as posições existencialistas desenvolveram-se na sua forma ateísta por Heidegger (1889-1969) e Gabriel Marcel (1889-1963). FENOMENOLOGIA FENOMENOLOGIA – Do grego yaíva que significa: a brilhar. a qual seria realizada mediante a decisão livre do indivíduo e a fé em Deus. com as coisas e com a natureza. na medida em que esta se pretende ciência – e nega a existência de valores objetivos. Karl Jaspers considerava a filosofia como metafísica dentro da qual se processa todo o saber e toda a descoberta possível do ser. O que os filósofos existencialistas tem em comum. Para eles dar-se um confronto dramático e trágico entre o homem e o mundo. .

É uma investigação a priore dos significados do pensamento". Gnosticismo é a primeira tentativa de uma filosofia cristã. A principal corrente das idéias gnósticas foi o espiritualismo neoplatônico de Filo de Alexandria. pressupondo-lhe como o pensamento absoluto. tentativa conduzida sem rigor sistemático. na tentativa de fundir as revelações dadas por meio de Cristo e seus apóstolos com os padrões de pensamentos já existentes. O filósofo Lambert. Kant tomou o vocábulo para explicar as características dos fenômenos de forma geral. explicando-a termos teosóficos ou de filosofia pagã. No tocante ao cristianismo. Sartre concorda com Heidegger e entende que o pensamento natural é um fenômeno que busca a transfenomenologia que leva a considerações antológicas. mas também as formas de categorias. o cristianismo tornar-se-ia apenas mais outro culto misterioso greco-romano. as essências e os objetos ideais. Os principais gnósticos: Basílides. Se porventura o gnosticismo tivesse sucesso. com a mistura de elementos cristãos. saber. Todavia. Hegel particularizou-lhe ao desempenho da mente. Husserl insistiu em purificar o termo desatrelando-o da psicologia. entendeu FENOMENOLOGIA como sendo o estudo dos erros da aparência ilusória. o que chamava de purificação do fenômeno – A busca da essência. Carpócrate.Hussel pretendia fazer uma análise descritiva particularizada do fenômeno. o gnosticismo consistia essencialmente. Na compreensão de William Hamilito era a identificação do objeto pelos dados empíricos. Para Heidegger a FENEMOLOGIA mostra o que está escondido e fundamenta o que se mostra possibilitando o estudo do "SER". sistema eclético filósofo-religioso. místicos. nessa tentativa. É de Husserl o conceito contemporâneo: "FENOMENOLOGIA é a generalização da noção de objeto que compreende não somente as coisas materiais. surgido nos primeiros séculos da era cristã buscando conciliar todas as religiões e decifrarlhes o sentido através da gnose. . GNOSTICISMO Esta palavra vem do grego "gignoskein". Ele aplicava a redução eidética. Valentim e Bardesane. neoplatônicos e orientais. O gnosticismo cristão era basicamente uma forma de heresia sobre a pessoa de Cristo. Este termo foi trabalhado por outros pensadores que lhe deram diferentes compreensões.

por haver pensado. na história. como sinônimo de falácia genética. uma palavra usada para se aplicar a uma ênfase exagerada sobre a história.HISTORICISMO Doutrina Histórica-Filosófica que define o pensamento como resultado cultural do processo histórico e reduz a realidade e sua concepção à história adotada por autores como Croce. se estivermos olhando para os sentidos envolvidos no processo histórico. Certamente. portanto. que o comunismo poria fim ao processo histórico. a história como a própria realização de Deus. porque via a síntese histórica cumprida na monarquia constitucional do governo alemão. . desenvolvimento. Conte e Simmel. Hegel. O termo historicismo também é usado em um sentido negativo. Hegel e Marx podem ser criticados desse modo. totalmente. em sua pátria: e Marx. mediante uma alusão à sua origem. Isto significa que é muito difícil chegar-se a uma história pura. A doutrina segundo a qual a realidade é histórica (isto é. Esta consiste em explicar de outro modo (mediante falsificação) a natureza de algum fenômeno. Ela supõe a coincidência de finito e infinito. e Dilthey. argumentava que todos os historiadores escrevem como cativos de sua era e circunstâncias particulares. de mundo e de Deus. que vigorava em seus dias. por ser uma síntese final. Nietzesche. incluídos por ele. Uma variante da doutrina precedente. Concepção segundo a qual o pensamento humano se caracteriza por seu processo histórico erigido em sistema a ponto de fazer do tempo o gerador e o decorador das verdades que a escola vai paulatinamente ensinando. racionalidade e necessidade) e que todo conhecimento é conhecimento histórico. que vê na história a revelação de Deus no sentido de considerar cada momento da própria história em relação direta com Deus e permeado dos valores transcendentes. Essa palavra vem do termo alemão "historismus". O termo foi cunhado por Mannheim e Troeltsch. da escola neokantiana. afirmava que "tudo é história". e considera.

dava valor à missão de Cristo. Erasmo. e de eidos. ou seja para algo que deve ser emulado. "ver".HUMANISMO Na idade média no séc. "visão". De acordo com um uso popular. O homem aparece como a base de todos os valores e de toda excelência bem como o objeto de todas as atividades. o modo de pensar que se desenvolvera no escolasticismo. e assim foi rejeitado. etc. o termo indica um conjunto de padrões daquilo que é mais desejável. Foi assim cunhada a significação clássica do termo. para alguma elevada qualidade. todas as considerações éticas. com sua autoridade religiosa centralizada. XVI o que predominava era o teocentrismo. contemplação. O humanismo cristão da Idade Média e da Renascença tem mostrado ser o único fundamento da liberdade pessoal e acadêmica da era moderna. IDEALISMO O termo vem do grego ideein. tudo era em nome de Deus ou seja (Deus era o centro de tudo). Assim. O ideal é a forma mais desejável de realização de qualquer coisa. que também caracterizava a Igreja medieval e a sociedade. enquanto na renascença criaram o humanismo. o homem no centro de todas as coisas. como cristão. Ele fazia da humanidade o único objeto da nossa adoração. Protágoras afirmava que o homem é a medida de todas as coisas. consideremos os pontos abaixo: O uso popular dessa palavra refere-se a algum padrão de perfeição ou algo que aponta para nobreza. "visão. Durante a Renascença. como os esforços necessários para atingir tal alvo. homens como Petrarca e Erasmo de Roterdã retornaram às raízes gregas quanto a muitos valores. ou aquele tipo de cultura e ênfase promovidos por certos filósofos gregos. Augusto Conte foi o grande campeão dessa forma de humanismo. criou-se um filosofia relativista. e não de forças cósmicas. metafísicas e práticas dependem do homem. pelo menos em parte. contemplação". Aquilo que . sem valores fixos ou absolutos. dos deuses. naturalmente. o homem é a primazia (visão antropocêntrica). de tal modo que segundo o humanismo. Ideal – Vem do termo grego "eidos". tendo adicionado isso à sua clássica maneira de pensar sobre o homem.

imitativa do real. O mundo ideal é o mundo arquétipo e não material das idéias. mas através da Enciclopédia seus ataques ao governo. onde o ideal é mais real. dentro desse sistema. As lojas maçônicas ajudaram a disseminá-lo por toda a Europa. e não material. das formas universais. formas ou universais. as idéias. Quando um ideal é pertencente às idéias. são verdadeiras realidades. e é mera cópia do mundo superior. Apresenta aspectos diversos conforme os países. Idealismo Hegeliano – Hegel ensinava um idealismo absoluto. Essa forma de idealismo metafísico chama-se realismo metafísico. Os trechos de Heb. por intermédio do poder do LOGOS. e pelo incentivo à liberdade de pensamento. O cristianismo reteve essa forma de dualismo. O movimento contra as crenças e instituições estabelecidas ganhou impulso durante o século XVIII. O Espírito Absoluto nunca descansa. e nenhuma síntese dEle é final. e o mundo inferior é material. 8. espiritual em sua essência. A força Cósmica todo-abrangente (Deus) é idéia. Condorcet e outros. Irradiou-se da Inglaterra e dos Países Baixos.existe somente na imaginação. Esse é um tipo de idealismo metafísico. são apenas nomes que damos às operações do Espírito Absoluto. ILUMINISMO Movimento filosófico que teve seu apogeu no século XVIII e determinou a face espiritual do século XIX.5. que atua através de seu próprio sistema de tese. sem qualquer realidade física. O mundo celeste é o mundo espiritual. 9-23 refletem o dualismo Platônico. então teremos um dualismo. através da qual dá forma a todas as coisas. em seu caráter. Caracterizou-se pela confiança no progresso e na razão. bem como seu estado de ser. Essas formas. pelo desafio à tradição e à autoridade. é a tese. Muitos foram presos em função de suas convicções. se admitirmos qualquer realidade. seus atos e suas realizações. Idealismo Platônico – Platão preparou o caminho para um tipo especial de idealismo que tem desfrutado uma longa e influente história. Para ele. com Voltaire. onde imperam as realidades espirituais. idéia é arquétipo. O iluminismo católico mostra linhas nitidamente sociais e humanitárias. Rousseau. Uma nova tese surgirá inevitavelmente de sua antítese. então devemos falar em ideal conceptual. possuídas de natureza espiritual. A matéria seria menos real e. dando origem a uma nova síntese. Nos escritos de Platão. dando a entender que a idéia é que é real". O idealismo subjetivo. à Igreja e ao judiciário forneceram a base intelectual para a Revolução Francesa. com uma cópia do arquétipo que vai sendo produzida nos objetos materiais. que admite certo tipo de dualismo. É. antítese e síntese. e a matéria é menos real. O idealismo objetivo seria a antítese. . Tugot.

O seu tratado teológico. disciplinares e de costume. É contrário a qualquer tipo de intolerância. pois achava que a reforma dos dogmas católicos e da ética romana deveria usar moldes agostinianos como guia. O jansenismo foi um movimento de tentativa de reforma. Ele não reconhece como verdadeira nenhuma religião. seguindo idéias de Cornelius Jansen. Um resultado positivo do movimento foi que o mesmo inspirou um maior desenvolvimento da filosofia e da teologia morais. · LIBERALISMO RELIGIOSO – foi um desenvolvimento da teologia alemã posterior ao iluminismo. Preconiza o direito ao indivíduo de adotar idéias e posições avançadas. chamado Augustinus. Causou grande comoção. mas um sentimento e um gosto. publicado dois anos após a sua morte. No campo moral. eqüivale no campo do conhecimento à valorização da experiência individual. É a doutrina segundo a qual não existe verdade positiva em religião. Ensina que todas devem ser toleradas e que todas são matéria de opinião. mas num credo vale o outro. como de escrúpulos éticos extremos e grande rigor quanto às questões dogmáticas. Admite maior amplitude na esfera das opiniões pessoais. não é um fato objetivo nem milagroso. vivia uma forma extrema e radical da idéias de Agostinho. dentro da Igreja Católica Romana. . LIBERALISMO POLÍTICO – Defende a valorização da livre iniciativa e da liberdade individual no campo da política e da economia. Jansen buscava respostas para certas questões doutrinárias levantadas pelo luteranismo e pelo calvinismo. Foi adotada a principio na abadia de Port-Royal e condenada pelo para Inocêncio X em 1653. O termo "jansenista" adquiriu significados secundários. depois da morte dele. o jansenismo atacava o laxismo e defendia uma disciplina rigorosa. A religião revelada não é uma verdade. LIBERALISMO Conjunto de idéias e doutrinas que têm por objetivo assegurar a liberdade individual inclusive no campo moral e religioso. bispo de Ipres (1585-1638). tanto intelectual quanto sensível.JANSENISMO (Do francês jansénisme). e é direito de todos os indivíduos seguirem aquilo que a sua fantasia quiser. principalmente em face de sua forte ênfase sobre a doutrina da predestinação e sobre o ensino que a graça divina se limita aos eleitos.

mas não por outras forças. ou realidade última. Refere-se a qualquer doutrina que diz que algum princípio único governa todas as coisas. Esse termo foi introduzido na filosofia por Christian Wolff. ao final dos tratados de física. o Estado. que colecionou pela primeira vez. etc. agindo ativa e passivamente no tempo e no espaço. sua cultura. Essa palavra procede de Andronico de Rhodes.C. que passaram a ser conhecidas com o nome de meta ta phusia (depois da física). não implica. Ainda no sentido da unidade da verdade. A liberdade ética pois. ou ainda existentes. em sua discussão sobre o problema corpo-mente. "único". suas crenças religiosas. Assim. o mito consistindo em história da (s) divindade (s). Também pode ser uma doutrina panteísta em que Deus e a natureza se dissolvem em uma só realidade impessoal. etc. pensando que o corpo físico é uma ilusão. O homem como indivíduo. um homem pode sentir-se restringido por sua própria consciência e pela fé bíblica. mas somente na liberdade de certos tipos de restrição. Em quase todas as religiões primitivas e desaparecidas. Passou a designar as teorias racionais que se situam além da verificação experimental dos fenômenos físicos aparentes. necessariamente. existe um forte elemento mítico. monos. Em teologia. que significa "contar". Um mito é uma ficção popular. "narrar uma ficção". sobre quaisquer bases e de acordo com qualquer sistema ou teoria. no ano 70 a. ou que reconhecem somente a existência da mente. especulações abstratas. o termo meta (depois) tomou o sentido de "mais além" dos domínios da física. O pensamento religioso dos povos primitivos se expressa quase que exclusivamente através de mitos. pressupõe a existência desta (s). ou apenas uma instância da mente. contada como se fosse histórica e real. os escritos de Aristóteles. numa fé religiosa. Pode-se aplicar o monismo para o cristianismo para o cristianismo no sentido de que postula uma única causa da existência. Com o passar do tempo. MITO Vem do grego. por meio de cujo princípio tudo existe e opera. apresentada como histórica. Pode-se dizer que é uma estória. visto que Deus é a fonte originária de toda verdade. MONISMO Esse vocábulo vem do grego. uma única fonte da vida. relacionada a tradições cosmológicas e sobrenaturais de um povo. com seus deuses. na liberdade de qualquer tipo de obrigação.LIBERALISMO ÉTICO – Não admite nenhuma restrição imposta por algum sistema. Ele usava a palavra "monismo" a fim de designar a idéia daqueles filósofos que reconhecem somente a existência do corpo físico. seus heróis. tem a liberdade de tomar suas próprias decisões éticas. Não obstante ao apresentado o monismo mostra outras formas: . METAFÍSICA Ramo da filosofia que trata dos princípios e fundamentos das coisas primárias. Escreviam-se então. e que fazem da mente apenas uma função do cérebro. como numa igreja. que propões que toda verdade é uma só. mythos.

garantindo para o homem um teísmo baseado no amor. É o mesmo e único Deus que aparece nas histórias de Caim e Abel. O Deus único é Pai. o texto sagrado menciona EL ou ELHOIM (Deus). que tudo tira do nada por sua palavra toda-poderosa. 1. MONOTEÍSMO MÍSTICO – afirmação de um só Deus por razões místicas.MONISMO NEUTRO – defendido por Bertrand Russel. com: Deus é dotado de vida necessária e independente. Ele representa o poder e o valor da hierarquia. que tem interesse pelo homem. Seu fim seria o fim de todos aqueles sobre os quais ele impera. O deus-monarca impera sobre os deuses inferiores e sobre os seres da natureza divina. 4). Todos os conflitos entre os deuses. de Noé. ainda indefinida. incluem sobretudo as normas de conduta apodicamente formuladas. MONOTEÍSMO MONÁRQUICO – afirmação de um só Deus com soberania absoluta. os autores israelitas se referem a um só Deus. Assim desde os primeiros capítulos da Bíblia. Deus não pode deixar de existir e a sua vida não depende de qualquer coisa externa ou fator sustentador. e seus representantes divinos. fizeram quando identificaram Zeus como ultima cidade ontológica. Deus como único Criador. os fenômenos materiais e mentais. segundo as leis que expressam a vontade de Deus. MONISMO EPISTEMOLÓGICO – assevera que o objeto conhecido e o processo de conhecer são uma só coisa dentro da relação-conhecimento. O monoteísmo tem outras formas. por meio da qual se expressam. O Javinismo era uma religião de vida e conduta. de diferentes modos. em que a vontade de Deus assumiu forma concreta. que continua interessado pela sua criação. MONOTEÍSMO Essa palavra vem do grego mónos. Essas leis. "Deus. 1-2. dos Patriarcas. Está na linha divisória entre politeísmo e monoteísmo. o que empresta imenso poder à percepção dos sentidos e suas capacidades. que exige completa obediência. O Deus único criou tudo. Ela indica aquele ensino que só existe um Deus. Há muita idéias associadas ao monoteísmo. Desde o princípio Javé foi considerado um Deus de propósito ético. Essa é a proposição mais consoladora da religião. o mesmo dizia que a realidade básica do mundo nem é a matéria física e nem é a idéia. como por exemplo: MONOTEÍSMO ÉTICO – que é a afirmação de um só Deus com base ética. entre o divino e o demoníaco. "único" e theós. intervindo. . Transcende todos os reino do ser e do sentido. desta forma ao narra a criação (Gn. de Moisés. entre os deuses e as coisas. Foi isto que os estóicos. Ele determina a ordem de valores. dos profetas que anunciam a sua encarnação na Pessoa de Jesus Cristo. alguma coisa neutra. dos quais ele provê e no qual desaparecem. Os conflitos entre os deuses estão reduzidos por seu poder. são superadas naquele que é último e que transcende a todos eles. em favor do fundamente e abismos divinos. mas antes.

Gustaf Aulém e Ander Nygren tornaram-se seguidores. ou ainda "Teologia dialética". O monoteísmo trinitário é o monoteísmo concreto: a afirmação do Deus vivo. outros a voltarem à sua pátria tais como Barth. A nova abordagem metodológica do movimento envolvia o uso do pensamento dialético que remonta ao mundo grego e a Sócrates. na Suíça. Este movimento também foi chamado de "Teologia da crise". porém dentro em breve passou a se expressar de vários modos. e é técnica de colocar os opostos. H. e com uma negação do movimento liberal protestante que tinha ressaltado a acomodação do cristianismo à ciência e à cultura ocidentais. feito por Hitler. forçou alguns como Paul Tillich. Começou com a crise associada à desilusão que seguiu a Primeira Guerra Mundial. A neo-ortodoxia não é um sistema único. Foi usado por Abelardo em Sic et Non. A primeira reação eficaz contra o liberalismo teológico foi promovida por Karl Barth. pelo uso de perguntas e respostas para derivar o discernimento e a verdade. na procura da verdade. Para os neo-ortodoxos. É uma tentativa de falar do Deus vivo: o Deus em quem estão unidos o último e o concreto. tais como Dietrich Bonhoeffer. não tem um conjunto articulado de fundamentos em comum. e em outros lugares igrejas e países começaram a ler a respeito do movimento e a observar aquilo que estava acontecendo. com uma rejeição do escolasticismo protestante (que foi quando Melanchthom abandonou a intransigência dos outros Reformadores e colocou seu profundo conhecimento do pensamento aristotélico a serviço da Escritura). com os irmãos Niebuhr. que retomando Kiekegaard. a se exilarem. onde C. Com a ascenção do movimento nazista na Alemanha. Em pouco tempo esse movimento alcançou a Inglaterra. Dodd e Edwyn Hoskyns se envolveram. A repressão resultante. pode ser descrito como uma abordagem ou atitude que começou num ambiente comum. nos Estados Unidos. Na melhor das hipóteses. denunciou vigorosamente todas as tentativas de amordaçar Palavra de Deus com a razão. e o método dialético que procura descobrir a verdade no opostos dos paradoxos leva a uma fé verdadeira e dinâmica. NEO-ORTODOXIA O termo neo-ortodoxia significa uma "nova ortodoxia". muitos líderes do movimento neoortodoxo encontraram-se com outros cristãos alemães em Barmem em 1934 e publicaram um declaração contra os males do nazismo. Não é uma questão com o número três. a imanência de Deus e a melhoria progressiva da humanidade. um contra o outro. não é um movimento unificado.MONOTEÍSMO TRINITÁRIO – afirmação de um só Deus em três pessoas distintas. alguns a se esconderem. os paradoxos da fé devem permanecer exatamente assim. . além de "Neo-ortodoxia".

como a Palavra que Se fez carne. as Escrituras. Foi usado por Abelardo em Sic et Non. A nova abordagem metodológica do movimento envolvia o uso do pensamento dialético que remonta ao mundo grego e a Sócrates. A repressão resultante. A primeira reação eficaz contra o liberalismo teológico foi promovida por Karl Barth. na procura da verdade. que retomando Kiekegaard. A relevância desse movimento foi tirar a Bíblia das mão dos críticos liberais que procuraram só pela crítica-histórica explicá-las. um ato dinâmico da graça. a se exilarem. um contra o outro. Jesus. as Escrituras. feito por Hitler. um ato dinâmico da graça. outros a voltarem à sua pátria tais como Barth. pelo uso de perguntas e respostas para derivar o discernimento e a verdade. redimida. os paradoxos da fé devem permanecer exatamente assim. quanto à forma como ela é controlada. outros a voltarem à sua pátria tais como Barth. . a se exilarem. que é totalmente outro em relação a Sua criação. Também que a auto-revelação de Deus. tais como Dietrich Bonhoeffer. Também que a auto-revelação de Deus. ortodoxo encontraram-se com outros cristãos alemães em Barmem em 1934 e publicaram um declaração contra os males do nazismo. Este movimento também foi chamado de "Teologia da crise". que apontam para a Palavra que Se fez carne e o Sermão. Essa revelação é a Palavra de Deus num sentido tríplice. alguns a se esconderem. forçou alguns como Paul Tillich. Ortodoxo encontraram-se com outros cristãos alemães em Barmem em 1934 e publicaram um declaração contra os males do nazismo. quanto à forma como ela é controlada. Para os neo-ortodoxos. O conceito teológico fundamental do movimento foi aquele do Deus soberano e completamente livre. tais como Dietrich Bonhoeffer. e o método dialético que procura descobrir a verdade no opostos dos paradoxos leva a uma fé verdadeira e dinâmica. e como Ele determina revelar-Se a ela. como a Palavra que Se fez carne. além de "Neo-ortodoxia". redimida. como também enfatizou a unidade das Escrituras e ajudou a precipitar um novo interesse pela hermenêutica. e é técnica de colocar os opostos. ao qual resposta da humanidade deve ser escutar. Essa revelação é a Palavra de Deus num sentido tríplice. denunciou vigorosamente todas as tentativas de amordaçar Palavra de Deus com a razão. que é o veículo para proclamação do Verbo que se fez carne. ao qual resposta da humanidade deve ser escutar. A relevância desse movimento foi tirar a Bíblia das mão dos críticos liberais que procuraram só pela crítica-histórica explicá-las. que apontam para a Palavra que Se fez carne e o Sermão. ou ainda "Teologia dialética". Jesus. alguns a se esconderem. A repressão resultante. que é totalmente outro em relação a Sua criação.O conceito teológico fundamental do movimento foi aquele do Deus soberano e completamente livre. feito por Hitler. forçou alguns como Paul Tillich. como também enfatizou a unidade das Escrituras e ajudou a precipitar um novo interesse pela hermenêutica. e como Ele determina revelar-Se a ela. que é o veículo para proclamação do Verbo que se fez carne.

Desenvolveu a mística do platonismo. redimida.A primeira reação eficaz contra o liberalismo teológico foi promovida por Karl Barth. que retomando Kiekegaard. O neoplatonismo teve influência no Oriente Próximo até o século VI. como também enfatizou a unidade das Escrituras e ajudou a precipitar um novo interesse pela hermenêutica. Jesus. Também que a auto-revelação de Deus.C. partindo da idéia sobre a capacidade da alma de elevar-se a contemplação dos arquéticos perfeitos do mundo.). que foi iniciada pela incíclica de Leão XIII. NEOPLATONISMO Modalidade do platonismo criado por Plotino (204-270 a. Três níveis da realidade são afirmados: o da alma. inclusive na escola cristã de Alexandria. além de "Neo-ortodoxia". A nova abordagem metodológica do movimento envolvia o uso do pensamento dialético que remonta ao mundo grego e a Sócrates. O conceito teológico fundamental do movimento foi aquele do Deus soberano e completamente livre. pelo uso de perguntas e respostas para derivar o discernimento e a verdade. ou ainda "Teologia dialética". denunciou vigorosamente todas as tentativas de amordaçar Palavra de Deus com a razão. quanto à forma como ela é controlada. Essa revelação é a Palavra de Deus num sentido tríplice. Este movimento consiste na defesa . O Uno é Deus. A alma corresponde à mente do indivíduo com pensamentos. um ato dinâmico da graça. que apontam para a Palavra que Se fez carne e o Sermão. Para os neo-ortodoxos. Entendesse que este movimento de retorno a doutrina de Tomás de Aquino e no anseio da cultura católica. memórias e percepções. ao qual resposta da humanidade deve ser escutar. os paradoxos da fé devem permanecer exatamente assim. O intelecto é o repositório dos arquéticos. um contra o outro. e o método dialético que procura descobrir a verdade no opostos dos paradoxos leva a uma fé verdadeira e dinâmica. Este movimento também foi chamado de "Teologia da crise". como a Palavra que Se fez carne. na procura da verdade. A relevância desse movimento foi tirar a Bíblia das mão dos críticos liberais que procuraram só pela crítica-histórica explicá-las. e como Ele determina revelar-Se a ela. NEOTOMISMO Um reavivamento do pensamento de Tomás de Aquino no século XX. Foi usado por Abelardo em Sic et Non. que é o veículo para proclamação do Verbo que se fez carne. as Escrituras. A meta da vida filosófica consiste em se unir com o Uno. e é técnica de colocar os opostos. que é totalmente outro em relação a Sua criação. o do intelecto e o do Uno.

O termo deriva do advérbio latino nihil que significa nada. preservava alguns valores. dizia que o NIHILISMO está fora de um comportamento admissível. O NIHILISMO TEOLÓGICO pode ser visto nos escritos de Nietzsche. mas nada tendo a ver com a verdade. Schopenhauer. O PESSIMISMO é uma forma de NIHILISMO ÉTICO. mas sem qualquer plano construtivo. Certo movimento russo do último quartel do século XIX foi acusado de empregar esse termo. Esse termo pode tornar-se absolutamente ateísta: Deus não existe. ou como William Hamilton. que declarou que "Deus está morto". servindo a pessoas e a classes. Foi cunhado por Turgeniev. em termos religiosos. o termo tinha um significado político. Bakunin era defensor dessa posição extremada. Sartre e aqueles que promoviam o que veio a ser chamado de Teologia Radical. contrariamente. à descrença radical. Pais e Filhos (1862). mas nada se fez de construtivo. ensinando que a renúncia e a simpatia têm algum valor. mesmo que nada seja apresentado para tomar o lugar das coisas e instituições destruídas.polêmica das teses filosóficas tomistas contra as diversas direções da filosofia contemporânea e indiretamente. Muitos oficiais russos foram mortos. Esse tema. . também empregaram esse tema em suas discussões. Um dos mais importantes efeitos da florescência neotomista é a importância renovada que asseveram. que substituísse o que eles pretendiam eliminar. a moralidade e os valores seriam artificiais. Ali. em sua novela. Equivale. por si mesma. foi aceito por alguns teólogos posteriores. NIHILISMO Doutrina filosófica que nega a existência do absoluto. digno do nome. em uma tentativa de destruição. na relaboração e na modernização de tais teses. Ou. como Thomas Altizer. então pode indicar que nossos conceitos de Deus são obsoletos. designa a corrente segundo a qual não há hierarquia de valores nem qualquer verdade de ordem moral. um ato bom e positivo. contudo. O NIHILISMO ÉTICO afirma que não existem valores genuínos. mas Canuns. O NIHILISMO POLÍTICO chega ao extremo de afirmar que a destruição da ordem social herdada é. Em ética. Esse vocábulo tem sido largamente usado em vários campos e com vários sentidos. desafortunadamente. os estudos de filosofia medieval isto é da escolástica clássica. a partir dos últimos decênios do século passado. imperou o caos.

conforme é possível ao homem conhecê-lo. por causa da inclusão da cláusula "filioque" no seu credo. ONTOLOGIA A palavra ontologia deriva-se de dois termos gregos. que nos deixa admirados. A aceitação rigorosa da "regra de fé" (regula fidei) era exigida como uma condição prévia da comunhão. E a experiência que gera todas as respostas morais e éticas da religião.NUMINOSO Designação dada ao que é influenciado ou está sob dependência da divindade. É a experiência do Outro. do incompreensível – de Deus. ORTODOXIA O equivalente em português da palavra grega "orthodoxia" (de orthos "certo". especialmente os luteranos conservadores. o que significa crença correta. do Santo. Pelo fim daquele século. santa. Uma divisão da filosofia e da teologia emprega esse vocábulo para indicar o estudo geral e o conhecimento do ser. ressaltavam a importância da ortodoxia quanto a soteriologia dos credos da reforma. primeiramente como o gnosticismo e depois com outros erros a respeito da trindade e da pessoa de Cristo. terrível. "conhecimento". O termo numinoso tem por propósito transmitir a idéia da Presença do Espírito Divino. O termo não é bíblico. são por sua própria natureza normativas para a igreja universal. em 1647. aterrorizadora e sagrada da deidade. Os teólogos protestantes do século XVII. "ontos" "SER" e logia. quando foi cunhado por Clauberg. A Igreja Oriental se autodenomina "ortodoxa" e condena a Igreja Oriental como heterodoxa. chegamos a conhecer a Deus. Essa experiência do numinoso é aquilo que está por trás de todas as grandes religiões do mundo. A palavra expressa a idéia de que certas declarações sintetizam como exatidão o conteúdo do Cristianismo às verdades reveladas e. bem como os dogmas e as doutrinas. em contraste com a heresia ou a heterodoxia. e dessa maneira. é uma divisão de metafísica. tinha-se tornado o termo padrão para indicar o estudo do ser. referindo-se à finalidade misteriosa. Esse termo foi usado pela primeira vez no século XVIII. e doxa "opinião"). portanto. Nenhum escritor secular ou cristão usa-o antes do século II. A idéia da ortodoxia veio a ser importante na igreja a partir do século II. e surgiu uma multiplicidade de credos que explicavam essa "regra". o que por sua vez. por causa de conflitos. Essa palavra foi chamada por Rudolph Otto com base no termo latino numem. . embora o verbo orthodoxein esteja em Aristóteles.

A história está tão clara em suas funções revelatórias que sua interpretação pode ser feita sem a ajuda da revelação sobrenatural. os credos. Wuppertal (1958) e Mainz (desde 1961). o mesmo oferece uma base complexa para a ortodoxia: as Escrituras. 1959.Quanto ao catolicismo romano. oferecendo uma exagerada simplificação. as decisões dos concílios. cortam o nó górdio. Rejeitando certas idéias católicas romanas. que é professor de teologia sistemática na Universidade de Munique. . Deixar de captar a revelação dentro da história é falha do indivíduo e da sua investigação. Wolfhart Pannenberg. Porque para ele a história é o princípio de averiguar o futuro com a revelação da Palavra. A verdade revelatória está necessariamente inerente na totalidade da história e bem clara para todos quantos observam. PANNENBERG Teólogo evangélico alemão. conforme elas foram definidas pela Igreja. veio a ser uma influência no mundo de fala inglesa. as declarações excatedráticas dos papas. toda história é a revelação de Deus. Wolfhart Pannenberg. Para Pannenberg. professor de teologia sistemática em Heidelberg (1955). e não da própria história. por sua vez. eles oferecem as "Escrituras somente". Obras principais: Heilsgeschethen Und Geschechte (A redenção como acontecimento e história). Quando foi publicado seu livro Jesus – God And Man em 1968. 1964. Os grupos protestantes. pode ser chamado o teólogo da história. os pareceres dos chamados pais da Igreja. (Revelação como história) 1962. nascido em Stettin. A doutrina teológica de Pannenberg considera que a realidade histórica tem prioridade sobre a fé e o raciocínio humanos. apresenta sua teologia de dentro da categoria da história. (Que é o homem? A antropologia atual à luz da teologia).

· Formas de Panteísmo mais importantes: Hilozoísta – O divino é imanente do mundo e é caracterizado como elemento básico do mundo que empresta mudança e movimento à sua totalidade. De acordo com o panteísmo. E assim. . embora sujeito a modificações. pan. dando a entender que tudo é Deus. enquanto que a Bíblia apresenta um equilíbrio. todos os seres e toda a existência de Deus. removido do mundo transcedente sobre ele.PANTEÍSMO Essa palavra vem do grego. em 1705. Monista absolutista – Deus é tanto absoluto quanto idêntico com o mundo. Sendo assim. onde Deus está ativo na história e na sua criação. desde então o termo tem sido continuamente usado. Acósmico – Deus é absoluto e constitui a totalidade da realidade. "panteísta". Do ponto de vista bíblico. o caráter pessoal de Deus. e que pensa que a unidade é divina. Da identidade dos Opostos – qualquer dissertação a respeito de Deus deve necessariamente apelar aos opostos. negando assim. Imanentista – Deus faz parte do mundo e é imanente nele. mas não é idêntico a elas. De acordo com o panteísmo. Por sua vez. que identifica a mente e a matéria. O universo passa a ser auto-existente. Tendência de identificar Deus com o mundo material. Monista Relativista – O mundo é real e mutável. Deus é imutável e não é afetado pelo mundo. o finito e o infinito tornam-se uma e a mesma coisa. foi cunhada pela primeira vez por John Toland. Nas Escrituras. "tudo". E. e usou a forma nominal "panteísmo". Deus é retratado supremamente como uma pessoa. A forma objetivada. Deus é o cabeça da totalidade. "deus". Neoplatônico – Deus é absoluto em todos os aspectos. sem começo. são concebidos como um todo. o panteísmo é deficiente por causa de duas considerações: Nega a transcendência de Deus e defende Sua imanência radical. + Theós. embora diferentes expressões de uma mesma coisa. e o mundo é o seu corpo. O panteísmo é uma espécie de monismo. Fay atacou a filosofia de Toland.

procurando ser mais piedosas. o que justifica o seu protesto e o movimento que daí resultou.PIETISMO A base latina dessa palavra portuguesa é pius. o valor do misticismo. A ênfase do pietismo recai sobre as experiências religiosas. ou seja. e uma santificação que continuasse esse processo. e foi mui significativa a sua ênfase sobre as experiências místicas. também. A necessidade de experiências religiosas pessoais. "ser reverente". Tinha organizado escolas para os pobres. passando a ser aplicado a fanáticos e sonhadores religiosos. a santidade e a devoção. "aquele que cumpre seus deveres". o calor emocional na religião cristã. No grego temos sébomai "ser piedoso". um desprezo relativo aos credos. associado principalmente a Philipp Jakob Spener. e. De fato. em vez de ritos. organizada pelo enteado de Spener. a fraternidade universal dos crentes. adotou a prática dos princípios pietistas. Essas coisas são enfatizadas em lugar do ritualismo e das formalidades do culto. no fim do século XVII. uma religiosidade que gera mais calor emocional do que iluminação fanatismo. o conde Von Zinzendorf. entusiasmadas e dotadas de mais profundas experiências religiosas do que outras pessoas. considerados dotados de espiritualidade inferior. axetismo e separação desnecessária de outros cristãos. o calvinismo. ou mesmo como se nem fossem cristãos autênticos. . Ele foi um bem sucedido professor e obreiro cristão. as pessoas transformam-se em atores. Como um movimento organizado. segundo a história informa-nos. A igreja morávia. uma casa publicadora e outras obras de caridade. Um teatro religioso. O metodismo trouxe de volta à igreja a necessidade de uma experiência religiosa pessoal. sobre a conversão pessoal. Spener cria que a ênfase original da reforma protestante. o tema pietismo assumiu uma conotação negativa. mas a sua mensagem não tardou as espalhar-se por toda a Alemanha e daí para outros países. que causou forte desequilíbrio no movimento. historicamente falando o metodismo foi muito influenciado pelo pietismo alemão. era combatido por ministros e teólogos invejosos. O mais notável discípulo de Spener foi August Hermann Framke. Também houve uma pronunciada ênfase antiintelectual. um orfanato. Ele servia como pastor em Frankfurt-ammain. desnecessária. caiu no legalismo dogmático. A corrente principal do luteranismo tornara-se rígida em suas doutrinas e morta no sacramentalismo. o pietismo teve início entre os luteranos da Alemanha. Mas a palavra alude a uma reverência especial diante de Deus. a retidão pessoal. incluindo misticismo. John Wesley e o metodismo primitivo podem ser classificados como um movimento pietista. a santificação e a experiência religiosa tinha-se perdido essencialmente. a necessidade de uma conversão que realmente mudasse a vida do indivíduo. sacramentos e da religiosidade. Outrossim. Por causa desses vícios.

que a palavra hermenêutica deve sua origem de Hermes. mas agia também como intérprete. frases. Diz-se. o que pode chegar a uma clarificação. na Georgia prostrou relevantes contribuições ao Pietismo. não só as anunciava textualmente. O conde Nikolas Vom Zinzendory. num aspecto ou noutro. Os irmãos unidos em Cristo e a igreja Evangélica foram denominações que incorporaram tendências pietistas. no caso designa a teoria dessa arte. mas. os mononitas. história. A Hermenêutica "Sacra" tem caráter muito especial. o que também sucedeu ao luteranismo norte-americano. tais como. João Wesley em 1735. PRINCÍPIO HERMENÊUTICO A palavra Hermenêutica é derivada do termo grego hermeneutike que. outra descobrir as instruções contidas em formas simbólicas. A Hermenêutica "Geral" se aplica a determinados tipos de produção literária. PRINCIPAIS EXPOENTES DO PIETISMO – Philipp Jacob Spener é considerado o Pai do Pietismo. também. A igreja reformada alemã da América do Norte exerceu uma influência pietista sobre povo reformado alemão naquele continente. A igreja reformada holandesa também teve líderes cujos discípulos salientaram esse conceito. tornando as palavras inteligíveis e significativas. Platão foi o primeiro a empregar Hermeneutike (subentendendo-se a palavra techne) Hermenêutica é. os dunkers (batistas alemães). ou a um comentário adicional.O metodismo. Hermes transmitia as mensagens dos deuses aos mortais. propriamente. etc. . eides da igreja Marávia renovada. as leis e os métodos de interpretação. era afiliado de Spener e aluno de Francke. por sua vez.. através dele. Talvez possamos dizer que a maioria das igrejas pentencostais da atualidade retém tanto as virtudes quanto os vícios desse movimento. leis. quer isto dizer que. os Schewenkfelderes e os morávios devem todas alguma coisa ao pietismo. profecia. em 1666 foi chamado para ser o ministro principal em Frankfurt-am-Main. A Expansão do Pietismo. um novo interesse por Lutero e sua teologia. texto. a arte de Hermeneuein (interpretar). Spenes e Francke aspiravam outras variedades de Pietismo alemão. porque trata de um livro peculiar no campo da literatura – a Bíblia como inspirada palavra de Deus. Podemos defini-la assim: Hermenêutica é a ciência que nos ensina os princípios. poesia. Johann Albrecht (1687-1752) Haus Nielsem Hauge (1771-1824) que teve. Consequentemente a hermenêutica tem duas tarefas: Uma determinar o conteúdo do significado exato de uma palavra. se deriva do verbo Hermeneuo.

e a todos os rituais e às glosas que havia acumulado durante séculos. assim. isto é. . mas na sua substância verdadeira. REALISMO METAFÍSICO: Advoga a existência da realidade metafísica em si mesma. Preparada pelo humanista Erasmo de Roterdão (1466-1536). não pondo em dúvida a possibilidade do seu conhecimento. Em sua orientação de conjunto. Explicando que a realidade dos indivíduos derivava do universal. de uma entidade (digamos assim) metafísica. ao Evangelho. que se julgava sua depositária e intérprete. o retorno direto à palavra de Jesus Cristo. a Reforma protestante apresenta-se como um dos meios de realização daquele retorno aos princípios que foi a divisa do Renascimento. a Reforma foi iniciada pela obra do monge agostiniano Martinho Lutero (1483-1546) que em 1517 afixou. REALISMO GNOSEOLÓGICO: é o que admite a possibilidade do conhecimento das causas. REFORMA A Reforma foi a renovação da vida religiosa acontecida na Europa do século XVI pelo retorno às origens do Cristianismo. No texto Contra Henrique VIII da Inglaterra (1522) Lutero contrapunha a tradição eclesiástica. à parte dos objetos em particular. O Realismo Gnoseologico dos Milésios eles admitiam a existência real de uma substância das causas. No domínio religioso. e a humanidade como um universo procedia o homem como indivíduo. Refere-se a uma existência separado. e portanto da Igreja. nas portas da catedral de Wittenberg. independentemente das coisas em que se manifestam. Explicando. de onde tudo programa. 95 teses contra a venda das indulgências. ULTRA-REALISTAS: (século XII) expandiu a teoria de Agostinho que tinha modificado o realismo de Platão ao sustentar que as proposições universais existiam na mente criativa de Deus antes do universo material. o retorno aos princípios levava a negar o valor da tradição. naquilo que elas tem de invaríavelem face da multiplicidade do vir a ser. a universalidade do pecado na raça humana e a unicidade da trindade.REALISMO Doutrina medieval. de que estas se constituíam. originada na teoria das idéias de Platão segundo a qualos universais existem por si.

o trabalho inicial de Lutero teve continuidade graças aos esforços de Melanchthon e João Knox. Lutero opôs o exercício dos deveres civis. o RENASCIMENTO religioso enfatizava o principal objetivo da religião que seria levar o homem de volta a DEUS. tornando-se quase sinônimo de protestantismo. sacrifícios. Além de Zwinglio e Calvino. A Reforma é o berço de toda a teologia moderna. 3) a esquerda. representada pelo anglicanismo. a justificação por meio da fé. constituído pelo luteranismo e o calvinismo. que foi outra figura espiritual que lançou o alicerce sobre o qual a Reforma veio a ser edificada. eucaristia. no século XIV e com John Huss. penitência. poderíamos distinguir três alas: 1) a direita. a qual implica dois corolários fundamentais: 1º) a negação do valor das obras. Wasler e Burdach para explicar o RENASCIMENTO espiritual do homem adâmico morto pelo pecado. que não rejeitaram completamente uma constituição hierárquica da Igreja. uma vez que a Igreja Católica institucionalizava a religião e asseverava os seus dogmas sem nenhuma flexibilidade para discussão a respeito. das técnicas religiosas (ritos. formar uma Igreja separada. No movimento renascentista. do sentido salvífico dos sacramentos e do batismo de crianças. com sua rejeição da hierarquia. cerimônias) e a redução dos sacramentos àqueles que são mencionados pela Bíblia. Ao culto sacerdotal. Quando. 2º) a negação da liberdade humana e o reconhecimento da predestinação da parte de Deus. Os grandes líderes da Reforma. segundo Lutero. como único "serviço divino" que possuía valor religioso. Michelet e Burckhardt usaram esse vocábulo para enfocar a historicidade do período em 1855 e 1860. isto é. Verifica-se portanto que o tema religião discutido . de "Reforma". que se encarna no anabatismo. os quais não pretenderam. batismo. mas apenas "reformar" a existente. se consumou a separação entre católicos e protestantes. RENASCIMENTO Este termo deriva-se do francês Renaissance e corresponde a um movimento literário. com John Wycliffe. Dentro da Reforma protestante. no século XVI. 2) O centro. além de Lutero. A fé é o sinal seguro desta predestinação e portanto o indício da salvação. mas também estes subtraídos de qualquer supervisão sacerdotal e considerados como expressão da relação direta do homem com Deus. artístico e filosófico desenvolvido no período dos séculos XIV e XVI na Europa Ocidental. que conservou numerosos elementos "católicos". Pode-se dizer que a Reforma começou. No sentido teológico a palavra RENASCIMENTO foi usada nos estudos de Hildebrand. em sua forma preliminar. o nome da Reforma veio adquirir um aspecto nitidamente confessional. porém.O ensinamento fundamental do Evangelho é. foram Zwinglio e Calvino. Por isso foram chamados de "reformadores" e sua ação. inicialmente. isto é.

Avaliação da qualidade da vida. sendo julgada de conformidade com ela. David Frederich Straus (1808 a 1877) Straus também escreveu a obra a Vida de Jesus. Julgado de acordo com suas obras/atos. no estado espiritual. 2º O movimento revisionista foi um movimento teológico moderno que tinha como objetivo a busca do Cristo histórico. e primeiro revisionista não podemos dizer que Ritschel é o pai do movimento revisionista. O revisionismo nasceu dentro a teologia moderna e adeltro a teologia contemporânea até hoje os teólogos influenciam. REVISIONISMO: Espiritual 1º Revisionismo crença que a verdadeira pessoa é uma alma sobrevive a morte biológica. Eles pretendiam fazer uma revisão dos relatos bíblicos. e também recontar a história de modo racional. sobre a vida de Cristo. Não admitia que Jesus tinha feito qualquer milagre. Revisão da vida anterior à morte. Embora Ritschel.dentro do RENASCIMENTO contribuiu eficazmente para a revolução teológica que reflete até nossos dias que foi a REFORMA PROTESTANTE. Straus não aceitou a mensagem de Cristo. O revisionismo biografo procurava desmistificar a deidade de Cristo. esse título. seja o pai da teologia liberal e dos principais. Por isso pretendiam fazer uma biografia corrigida de Jesus. Era o tema central do revisionismo. é comumente dedicado a Herman Reinamein. Prestação de contas dos seus atos. . ou seja a vida além do túmulo. a qual. precisa enfrentar uma revisão da vida na carne. Henrique Paulus (1761 a 1877) publicou em 1928 a obra vida de Jesus Paulus.

Da perspectiva da teologia bíblica cristã. religião invertida e una. utilizava-se da pura razão. expressa um entusiasmo sem reservas pelo processo da secularização em todas as esferas da vida. o secularismo é o culpado porque "mudaram a verdade de Deus em mentira. para uma visão fechada do mundo que funciona semelhante a uma religião. Tendo excluído o Deus transcendente como absoluto e o objetivo da adoração. e das organizações sociais (não-religiosas) humanas. adorando e servindo a criatura em lugar do criador" (Rm. E uma cosmovisão e um estilo de vida que se inclina par ao profano mais do que para o sagrado. existem em liberdade e responsabilidade que o homem tem com Deus e o mundo. Embora Deus haja Senhor da história e do universo. Na discussão contemporânea. E uma forma de religiosidade. Educado em Tübingen e Berlim. "pertence a uma época". e age para redimi-lo. No secularismo as dimensões – presente e imanente de existência estão revertidos dos atributos do eterno e do transcendente. Este mundo (o saeculum) tem valor porque Deus o criou. Prússia (depois Wroclaw. No entanto. Antes. Homens e mulheres. o natural mais do que o sobrenatural. Nos círculos religiosos recebe o sentido de "aquilo que pertence ao mundo de nosso tempo" e que não faz parte do que é sagrado ou espiritual. O secularismo carrega uma falha fatal. O secularismo é uma abordagem não-religiosa da vida individual e social. na Polônia). 1. Nenhuma discussão contemporânea do cristianismo e secularismo pode deixar de lidar com as cartas e papéis da Prisão escritos por Dietrich Bonhoeffer. O secularismo. Em termos bíblicos. O principal expoente do secularismo é Dietrich Bonhoeffer nascer em Breslau. O secularismo é uma ideologia. o secularismo e o humanismo são freqüentemente vitais como uma só dupla que forma o humanismo secular – uma abordagem da vida e da sociedade que glorifica a criatura e rejeita o criador. O secularismo procurava aprimorar as condições humanas. o Deus sobrenatural criou o mundo e sustenta a sua existência. e objetivo da adoração. continua a preservá-lo. Em 1931 . porque nega e exclui Deus e o sobrenatural numa fixação míope naquilo que é imanente e natural. da ciência. O secularismo veio a ser uma espécie de movimento do tipo humanista. Em termos gerais. a 4 de fevereiro de 1906. sem fazer qualquer alusão à religião ou as reivindicações da igreja. tornou-se pastor luterano e trabalhou em Barcelona e Nova York.25). o secularismo envolve uma afirmação da realidades imanentes deste mundo.SECULARISMO Essa palavra vem do latim seculum. Ele não pode ser identificado com um ou outro (panteísmo). como filosofia abrangente de vida. o secularismo inexoravelmente torna o mundo do homem e da natureza absoluta. como tal constitui-se num rival do cristianismo. pelo seu conceito reducionista da realidade.

A igreja não deve permanecer fora do mundo. significando "esta idade presente". dedicado a causas humanistas. o que sugeria a possibilidade de haver cristãos arreligiosos. nos conceitos científicos. onde o ser humano começa a se voltar para o presente esquecendo completamente o futuro. última conseqüência das mudanças processadas pelo Iluminismo. Secularização é a libertação do que é mundano em relação ao que é santo. quando dizia que a igreja não existe senão quando é "para os outros".assumiu a cátedra de teologia sistemática na Universidade de Berlim. A Secularização é uma ameaça provocante. Em 1935 foi chamado a assumir a direção de um seminário clandestino em Finkenwald. Dirigindo a nova orientação do período. Propunha como uma das soluções a interpretação não-religiosa dos conceitos bíblicos. fizeram sufocar o anseio doentio por um nacionalismo exacerbado. A secularização como teologia surgiu com Bonhoeffer. que por sua vez. A provocação da Secularização é um desafio às nossas igrejas de nos integrarmos às necessidades humanas. saecelum. que significa era ou época. Bonhoeffer estava em Londres e decidiu lutar contra o nazismo. do final do século anterior. A Secularização é uma palavra temporal usada para traduzir a palavra grega "aeon". havia a Revolução Francesa. na Pomerânia. A igreja deve participar das tarefas humanas. O problema central de sua teologia era como ser cristão num mundo secularizado e ateu. mas como quem serve. Este homem novo. não nos deve causar medo. caracterizam o século dezenove. SÉCULO XIX Mudanças profundas na sociedade. SECULARIZAÇÃO A palavra secular provém do termo latino. Quando Hitler subiu ao poder em 1933. mas está no mundo. É a inversão de valores dentro dos campos teológicos e secularistas. não como quem governa e comanda. A Secularização adquire significados da distinção medieval entre aquilo que ficava sob jurisdição eclesiástica ou monástica ou aquilo que não ficava por serem de competência do Estado. tendo como objetivo principal Jesus Cristo. na produção de bens de consumo. nas artes. que deve ser levada a sério. O destinatário do evangelho é o homem novo. A secularização é como ameaça e precaução. O que ele asseverou é que o cristão moderno deve ser um homem também voltado para atividades seculares. Havia a violenta substituição do Absolutismo pelo "terceiro estado da burguesia". Ao cristianismo essencial ao que chama razoável. Essa ditadura só será subjugada por Napoleão e suas guerras Imperialistas. sufocada no terror sanguinário da Ditadura Jacobina. .

um século de tolhedora tristeza e de branda melancolia. que adentra a Teologia Contemporânea. o primeiro instante da Teologia Moderna como se sabe é a Reforma que se constituiu no oferecer de uma nova era teológica. Além dessa auto-afirmação. tais como a liberdade de consciência e de culto. Schleiermacher formulou uma teologia à luz do Romantismo. Imperador da França. realizou com o Papa Pio VII a concordata. Schleiermacher formulou sua obra-prima de teologia sistemática. ele deixou uma marca que dura até hoje. A vida humana envolve uma tensão entre a dependência e a independência. Um mundo de anseio à morte prematura. Por esse tratado "a igreja ficava sujeita ao Estado". do Tudo. cada indivíduo deve desenvolver-se como uma pessoa. O século do cidadão. Nesse documento foram denunciados como "erros". de Deus. e do medo da morte que afora devia ser enfrentada sem Deus. Na religião o século XIX encontrou o papado em grande humilhação. O século da questão social. . O século do artista e de seu atrevimento. como para os demais românticos. do Universo – enfim. de Pio IX. Sentimo-nos dependentes não somente de outras pessoas. Mas é também o tempo de um mundo pintado pelos impressionistas. cada um de nós também vive num estado de dependência. enfrentou poderosamente todos os surtos do processo humano. O segundo instante da Teologia se evidencia na Teologia Liberal. Em 1801 Napoleão. Muitos indicam Friedrich Schleiermacher (1768-1834) como o pai da Teologia Moderna. A Igreja Católica Romana. Ele aproveitou as idéias principais do Iluminismo e do Romantismo e s incorporou em um sistema teológico. A Teologia Contemporânea nasce sob as hostilidades de teólogos liberais e neo-ortodoxos. resistiu às influências modernizantes e continuou desenvolvendo todos os seus elementos medievais. A hostilidade do papado ao progresso do mundo moderno manifestou-se de vários modos. É o século do medo. O século do materialismo e do material. Entre 1800 e 1821. mas também do Infinito. ou pelo menos a ele atrelada e dele dependente e auxiliada. Quando o Romantismo passou de moda.. Cada um precisa afirmar sua individualidade. frágil e passadiço. vários elementos. de sua arrogância. Schleiermacher continuou sua atividade como pregador e professor de teologia sistemática. distinta de qualquer outra. da morte. Durante essas duas décadas. a teologia de Schleiermacher passou também. Para Schleiermacher. publicado em 1864. Mesmo assim. porém. Da esperança perdida. tratado que definia as relações da Igreja Católica Romana na França com o Governo. e essa dependência é a base de nossa vida religiosa. de ideais abandonados.. Pio VII voltou a Roma e os Estados papais foram restabelecidos. depois de sofrer certa pressão no século XVIII e começos do XIX. Após a queda de Napoleão. O século da declaração da morte de Deus. desde o início do século XIX e encontrou sua máxima expressão no SILABUS. o século do drama.É o século dos grandes prospectos e das máquinas.

a ortodoxia protestante restaurou a metafísica à teologia. especialmente em questões metodológicas. sua obra-prima: Die Christliche Lehre von der Rechtfertigung und Versohnung (A Doutrina Cristã da Justificação e Reconciliação). Para Ritschl. se interessavam menos pelos sentimentos do que os românticos. Ritschl insistiu em rejeitar a metafísica. O autor apresenta uma reinterpretação moralizante da fé cristã em termos especialmente atraentes para os protestantes alemães. Ritschl publicou. Ritschl é o primeiro dos revisionistas. um número crescente de teólogos queria uma teologia reduzida. Schleiermacher havia lançado a Teologia Liberal Protestante. Schleiermacher iniciou a Teologia Liberal Protestante – um movimento que cresceu durante o século XIX e que existe ainda hoje. Além disso a Teologia Liberal Protestante pouco enfatiza o pecado. Por influência do Realismo. A Teologia Moderna é marcada pelo revisionismo. e a ortodoxia a trouxe de volta com Melanchton e Ritschl a retirou em suas formulações teológicas liberais. . com uma interpretação liberal da fé cristã. esses teólogos rejeitaram o sistema que herdaram de Schleiermacher. da natureza humana. embora pouco profunda. Revisionismo foi um movimento teológico moderno que tinha como objetivo a busca do Cristo histórico. Em matéria de religião. até hoje. mas uma teologia voltada para questões éticas. Mas a Teologia Liberal Protestante não recebeu sua expressão plena de Schleiermacher. em três volumes. Depois de 1850. Por sua parte. da Universidade de Göttingen. e sua influência continua. A partir de Schleiermacher. tendo uma visão otimista.Schleiermacher começou por reduzir a fé às proporções dos sentimentos religiosos de cada pessoa. Lutero tirou a metafísica das reflexões tão lógicas. Ele valorizou os "sentimentos piedosos". Ritschl apresentou-se como um estudioso do Novo Testamento e de Lutero. (2) da História do Cristianismo. eliminando-a da teologia. Por esta razão. a Teologia Liberal Protestante diminuiu o peso doutrinário da fé. Os três volumes desta obra tratam dos pontos de vista: (1) do Novo Testamento. dizendo que os sentimentos piedosos equivaliam ao senso de consciência absoluta de Deus. Ritschl (1822-1889) era um pesquisador incansável. Agostinho fez teologia de uma base platônica. por isso pretendiam fazer uma biografia corrigida de Cristo. Já quanto aos realistas. História do Cristianismo e Dogmática. Esta honra ficou para o professor Albrecht Ritschl. ou da autoconsciência imediata". Lutero – o herói das mais diversas teologias alemãs – desvinculou a teologia da metafísica. Isto quer dizer: ele enfrentou os ortodoxos com suas próprias armas. (3) da Teologia Sistemática. Ritschl argumentou que os ortodoxos dos seus dias erraram por confundirem a doutrina cristã com a metafísica. e Tomás de Aquino argumentou de pressuposições aristotélicas. a maioria rejeitou a distinção de Schleiermacher entre religião e moralidade. Entre 1870 e 1874. ele se limitou a falar da "modificação do sentimento. Ele não pretendia falar de Deus em si. Em lugar disso. Ele dominou três áreas de estudo: Novo Testamento. que ele apreciava desde sua formação pietista. eles queriam saber o efeito da doutrina na vida e na sociedade.

Aqui. . Dentro da teologia contemporânea destacam-se: Karl Barth. Estes entre os protestantes. como na teologia deísta. mas o juízo divino sobre tudo que se revela humano. Entre os ortodoxos: Bulgakov. Bultmann. Nietzche e Marx. Ritschl apresentou uma nova teoria de expiação – a teoria da influência moral. seus argumentos antimísticos foram. Teólogos do século dezenove como Albrecht Ritschl (1822-1889) e Ernst Troeltsch (18651923) procuravam encontrar o espaço da teologia no mundo pós-Kantiano. inclusive a religião. Mas talvez tenha sido o teólogo suíço Karl Barth (1886-1968) quem melhor resultados alcançou nessa direção. a mais importante é sua leitura da obra redentora de Cristo. Schilebuckk. e inspirado por críticos como Soren Kierkegaard (1813-1855). uma outra ala do protestantismo alemão. Os escritos de Ritschl contra a metafísica eram. Das reinterpretações de Ritschl. ataques contra o pietismo.Compete a Ritschl reformular a teologia sem metafísica. Oscar Culmann. Friedrich Nietzsch (18441900). na realidade. Barth. deu início no entre-guerras a um movimento teológico que buscava alcançar aquilo que a teologia oitocentista não havia conseguido: uma teologia não iluminista e pós-Kantiana que não se evaporasse à medida que fosse produzida. na realidade. Dessa maneira Ritschl se apresenta como o campeão do verdadeiro luteranismo. Paul Tillich. Entre os católicos: Teilhard de Chardin. Os escritos de Ritschl também continham numerosos ataques contra o misticismo. insatisfeito com as soluções propostas pelos teólogos do século dezenove. Florowsky e Lossoky. também rejeitou o pietismo como uma infiltração do misticismo no pensamento cristão. Lonergan. sobremodo humano. Guardini Ranner. Heidegger. que não fosse redutível a nada além da teologia cristã propriamente e da revelação de Deus em Jesus Cristo. julgar). Von Balthasar e outros. A teologia liberal foi constituída nos pressupostos iluministas racionalistas. Na "teologia da crise" de Barth (do grego krinein. Wilhelm Herrmann (1946-1922) e Albert Schweitzer (1875-1965). não é a infinita bondade de Deus que é salientada. Brunerr. contra a ortodoxia protestante. A forma da teologia liberal encontrase no idealismo gnóstico de Kant. A teologia contemporânea tem bases em Soren Kickegaard. A teologia moderna foi construída com base em Kant e Hegel. outra vez. Ritschl rejeitou tanto a ortodoxia como o pietismo. Como ele acusou os ortodoxos de confundirem a metafísica com o cristianismo. Bonhofer.

Foi Leibnitz quem cunhou esse termo. com as suas modificações subjetivas. Além disso para Leibnitz.SOLIPSISMO Doutrina segundo a qual a única realidade no mundo é o eu. Por sua vez. expõem Teodicéias. TEODICÉIA Esse termo vem do grego theos. Essas razões podem ser discernidas pela luz da razão pura. todas as demais pessoas e coisas podem ser um produto de sua própria mente. O solipsismo epistemológico refere-se ao "dilema do conhecimento do próprio eu". conforme se verifica durante os sonhos. "o equivalente concreto do que os filósofos chama de solipsismo. preservando assim a idéia de um Deus ortodoxo. É possível que outras pessoas existam. Porém. temos aí um pseudodilema. no sentido em que vivemos no melhor de todos os mundos possíveis. e dike. mas não posso afirmá-lo com certeza absoluta. a despeito de aparentes erros que nos cercam. Alguns filósofos usam o solipsismo metafísico para anular o solipsismo epistemológico. o solipsismo metafísico redunda do dilema do conhecimento: uma pessoa qualquer pensa que é a única entidade em existência. Como pode haver um Deus justo. Até onde posso determinar. tenho bases para crer que somente eu existo. aparece como o programados das demais mônadas. salpicado de males naturalmente. introduzindo-o na filosofia. esse vocábulo usualmente designa aquela atividade que busca justificar as maneiras de Deus como os homens. só eu existo. e onde Deus não incorre em equívocos. sendo assim. A idéia é que a pessoa ou mente individual. ou até onde a pessoa pode provar. "sozinho" e ipse. da atitude que consiste em sustentar que o eu individual de que se tem consciência. A Teodicéia de Leibnitz era determinista. Acreditar que só eu existo é tão absurdo que também é absurdo dizer que só posso Ter conhecimento de minha própria existência. sem ajuda da revelação. não somente há razões pelas quais Deus faz tudo quanto faz. a grande mônada. A Teodicéia de Leibnitz foi estruturada para seu sistema teológico extremamente racionalista. Em seu uso comum. justiça. . Leibnitz teve fazer toda espécie de ginástica para defender sua tese. isto é. Sua Teodicéia fazia parte do seu sistema de mônadas. é que forma toda a realidade". Utilizam-se de um argumento do reduction ad absurdum. Ou seja. onde Deus. Todo-poderoso onisciente ao mesmo tempo em que há tantos males no mundo? Aqueles que procuram explicar o problema do mal. Deus é o único ser metafisicamente necessário. no mundo em que vivemos. até onde ela está envolvida. é a única que existe. até onde vai o meu conhecimento. como também tais razões são leis necessárias. deus. "o próprio eu". O latim por detrás desse termo português é solus.

será demonstrado que Deus não é um Deus bom. metafisicamente falando. isto é. que a "teologia de cruz" representa o estágio préreformatório da teologia de Lutero. são pela sua própria natureza e Deus não poderia ter criado. isto é. à "Teologia da Glória". portanto. Ele será moralmente digno de louvor. Portanto.O mal metafísico é a finitude ou a falta de existência. que muitas delas respondem aos problemas do mal que são enfrentados pelas teologias para as quais são construídas. e Deus é livre quanto a criar ou não criar. a Teodicéia tem um grande valor apologético. São raras as definições claras do que seria propriamente "teologia da cruz". na maioria dos casos. à Teologia eclesial dominante. Os que são maus. mas. a despeito da presença do mal no mundo. que há quatro considerações básicas: Universo Racionalista modificado. em Heidelberg. Foi Lutero quem. na primavera de 1518. Geralmente essa formulação aparece como algo que dispensa maior discussão. . Se possível for demonstrar que Deus desejou aquilo que é metafisicamente melhor. Evidentemente ele se serviu dessa formulação porque nela encontrou a caracterização mais sucinta e certeira da peculiaridade do evangelho. Ele já concretizou o melhor de todos os mundos possíveis. Não houve teólogo na igreja cristã que tenha feito ressuscitar como Lutero. as ocasionais manifestações tacitamente pressupõem. TEOLOGIA DA CRUZ Por mais que divirjam as opiniões a respeito da chamada Teologia dialética. O sistema de Leibnitz exige que haja o melhor mundo possível. e o bem metafísico é a plenitude da existência . Portanto o sistema de Leibinitz diz que Deus opera com base na razão suficiente. criar um mundo é uma coisa condigna a ser feita por Deus. A bondade moral de Deus consiste. Deus não fará coisa alguma sem uma razão suficiente e discernível pela razão pura. contrapôs expressamente seus "paradoxos" teológicos como "Teologia da Cruz". Outras Teodicéias bem conhecidas baseiam-se numa teologia racionalista modificada. as idéias de Paulo. Se for possível demonstrar que Deus desejou algo inferior ao mundo melhor. metafisicamente falando. por mais que a considerem carente de contemplação e correção. Se for possível demonstrar que Deus desejou algo inferior ao mundo melhor. ao que parece. por mais que alguém decididamente se distancie da mesma. a contrastar com a Teologia oficial. Visto que Deus é totalmente bom. em todo caso será preciso admitir que de modo geral é ela que dita à teologia de hoje o seu enfoque. Essa metafísica subjaz a defesa do livre-arbítrio e também a Teodicéia da edificação das almas. Deus não é obrigado a criar mundo algum. em desejar o melhor. há um número infinito de mundo contingentes finitos possíveis. metafisicamente falando. porque sua própria existência é o sumo bem. não existe nenhum mundo melhor. É herança de Paulo que Lutero levanta com sua teologia da cruz contra uma igreja que se tornou segura e saciada.

de fato. O teólogo da cruz não está posicionado como espectador em relação à cruz de Cristo. a cruz de Cristo e a cruz do cristão formam uma unidade. A teologia da cruz é cristocêntrica. O que é tolo. Cristo é tudo. ela não pode ser limitada a um período particular de sua teologia. Pelo contrário. como marca de todo o pensamento teológico de Lutero. é glória. como também no caso de Paulo. ele é o eixo central da reflexão teológica. é sábio.Em contrapartida defendemos a seguinte tese: a teologia da cruz é o princípio de toda a teologia de Lutero. antes. é desejável e digno de amor e em altíssimo grau. o que parece odioso ao ser humano. Ele sabe que só Deus pode ser encontrado na cruz e no sofrimento. é na cruz de Cristo e do cristão que se mostra o sentido mais profundo da ação de Deus junto ao mundo. mas apenas à experiência sofredora. mas ele próprio é envolvido neste acontecimento. Denominamos a teologia da cruz como a marca de toda a teologia de Lutero. Por isso não foge do sofrimento. essa fórmula apresenta uma característica de todo o seu pensar teológico. Podemos constatar a marca da teologia na cristologia ou na doutrina da santa ceia. para a teologia da cruz. ela representa a inversão radical de todas as suposições humanas. mas considera-o como as sagradas relíquias que devem ser abraçada devotadamente – pois o próprio Deus "está oculto nos sofrimentos" e quer ser venerado por nós como tal. a exemplo do teólogo da glória. mas que deve ser considerada. ainda assim valeria a pena retraçá-la como um todo orgânico. só é compreendida numa vida sob a cruz. . Na cruz se frustra toda concepção fictícia de Deus. Face à situação real do ser humano. é apenas um mergulhão da árvore da mística medieval e de teologia monástica. o que é vergonha. "A cruz põe tudo à prova". O resultado deste estudo é para nós uma prova indireta de que a teologia da cruz não constitui o pré-estágio pré-reformatório da teologia de Lutero propriamente dita. A teologia de Lutero. Ouvimos que. O sentido da cruz não se revela ao pensar contemplativo. A cruz é o juízo sobre todas as ideias e obras humanas de escolha própria. Para o cristão. o que é fraco. A doutrina da cruz que determinou decisivamente o conceito de Deus e de Fé. forte.

que adota como princípio hermenêutico exatamente a esperança. não é destinada e não se apresta a salvar até mesmo a mudar a evolução?. Ultimamente. e a mensagem do Reino de Deus não significam apenas liberdade e santidade interiores. em 1º de maio de 1881. nenhum autor suscitou tanto interesse quanto Pierre Teilhard de Chardin. . A obra termina com a seguinte afirmação do valor superior do cristianismo: "De qualquer forma. o padre Schillebierckx tornou-se um zeloso seguidor da Teologia da Esperança.. Filho de um aristocrata rural interessado pela geologia. TEOLOGIA DA EVOLUÇÃO Pierre Teilhard de Chardin nasceu em Sarcenar. a paz na Terra e a libertação de tudo o que é efêmero. Expressam sempre e por igual o "Shalon" dirigido a todo homem em suas relações sociais. quer o novo e consequente êxodo da sociedade atual das grandes estreitas das estruturas vigentes.TEOLOGIA DA ESPERANÇA O fundador desse tipo de teologia foi o alemão Jürgen Moltmann. e nos leva a entender a Ressurreição como mensagem promissora que se abre para a história e nos obriga a nos empenharmos por nos transformar a nós próprios e ao mundo. porque o cristianismo vem de encontro às mais intimas exigências da ciência. que traçou suas linhas programáticas em seu famoso livro Theologie Der Hoffring (Teologia da Esperança). França. Segundo Chardin é preciso fazer ver aos cientistas que não há nenhuma imcompatibilidade entre a religião cristã moderna e a ciência moderna. Nos últimos anos. quando o mundo da ciência era decididamente adverso ao mundo da fé e da religião. em 1899. por seu turno. Suas obras conheceram um sucesso editorial sem precedentes em seu gênero: Chardin iniciou sua atividade científica no início do século. que não interrompeu nem mesmo quando suas inquietações espirituais o levaram a ingressar na Companhia de Jesus. Este sentido teológico foge ao inconveniente de considerar a mensagem da Ressurreição como mero e inconsistente relato histórico ou como simples apelo a decisão. Mas a fé cristã. O Escopo desta Teologia é expor que as implicações práticas da fé inflamada na chama da Ressurreição de Jesus.. Lé phenomène humain foi a obra em que Chardin procurou realizar tal programa. uma nova interpretação da mensagem Cristã. mas sim uma maravilhosa correspondência. Deus não é "totalmente diverso" de nós (Ganz Andere). a Evolução infunde sangue novo às perspectivas e aspirações cristãs. dedicou-se desde a juventude ao estudo dessa matéria. A liberdade. outorgada e vivida a partir de Cristo.

Ao juízo de Chardin a evolução não está absolutamente em conflito com o cristianismo. uma condição geral à qual devem se dobrar e satisfazer. em 1955. muito mais que tudo isso. porque a evolução deve passar através do cristianismo.. uma curva que todas as linha devem seguir: eis o que é a evolução: Segundo Chardin. a física. A evolução – uma teoria. seja a passada. não é uma hipótese. a evolução evidente do universo material. O homem é o centro e a razão dessa evolução: sua alma o liga a esse universo. do menos consciente ao mais consciente. no qual a fé e a esperança se consumam na caridade. Um após outro. a seus semelhantes e a seu fim último. ao contrário. a evolução outra coisa não é que o transformismo. Isso não significa outra coisa senão que ele satisfaz a todas as condições que nós temos o direito de exigir de uma religião do futuro e que. Examinemos este axioma. uma hipótese?. todas as teorias. é um argumento muito forte a seu favor. que parece esmagar o homem e sua consciência. outra coisa não é que a velha hipótese Darwinista. é elaborar uma visão cósmica que abarque em um só olhar tanto o mundo da ciência quanto o da fé. a realizar a passagem da matéria ao espírito. verdadeiramente. por sua vez. o eixo principal de evolução". Os estudos científicos conduzira Teilhard de Chardin a uma profunda meditação sobre o problema da evolução. O futuro do homem). São verdadeiramente cegos aqueles que não se dão conta da amplitude de um movimento cuja órbita. para ser pensáveis e verdadeiras. um sistema. Somente ele – absolutamente só ele sobre a Terra moderna – se mostra capaz de sintetizar em um só ato vital o todo e a pessoa. a sociologia e até mesmo as matemáticas e história das religiões. que é Deus. conduzem ambas à perfeição intelectual. longe de se contradizerem. Lé Phénomène Humain (O fenômeno humano). Uma luz que aclara todos os fatos. Em seu pensamento. todos os sistemas. mas só publicada postumamente. O meio divino) e L‘Avenir de L‘homme (1959.No presente momento. em um abraço completo e indefinidamente perfectível. ganhou e invadiu sucessivamente a química. Exatamente: mas. mas também a amar o formidável movimento que nos arrasta. o cristianismo representa a única corrente de pensamento suficientemente audaz e progressiva para abraçar prática e eficazmente o mundo. tão local e caduca quanto a concepção laplaciana do sistema solar. As implicações morais e religiosas desse sistema foram desenvolvidas numa série de obras como Le Milieu divin (1958. em toda a sua obra. a evolução é a maior descoberta do século passado e de todos os tempos. é através dele que passa enfim. em direção ao estudo de algum desenvolvimento. O axioma número um refere-se à evolução. Esta. origem de sua obra mais importante. ultrapassando infinitamente as ciências naturais. que ela domina. não apenas servir. Somente o cristianismo pode-se inclinar. e o transformismo. A intenção declarada de Chardin. na realidade. segundo Chardin.. portanto. todas as hipóteses. na medida em que nos coloca em condições de entender a história. todos os domínios do conhecimento humano se movimentam. concluída em 1940. . arrastados por uma única corrente de fundo. visa. Ciência e religião. seja a futura. mas sim uma verdade certíssima: "Para muitos.

os bispos consideraram que a igreja tinha como missão continuar a obra de Cristo. enviado ao mundo para "libertar todos os homens de todo tipo de escravidão a que os tenha sujeitado o pecado. de Nova York. O eixo da teologia da libertação é a figura do Cristo libertador. J. A mensagem de salvação é interpretada à luz das opressões de que o homem precisa ser libertado. . López Trujillo. no sentido de política. Ao narrar a libertação dos hebreus do cativeiro no Egito e sua marcha para a Terra Prometida. Leonardo Boff. Segundo Galiléia. que patrocinou. a miséria. a opressão e. numa palavra. Um outro elemento importante da teologia da libertação é o método de análise marxista. surgido na Europa na década de 1970. o Êxodo é a imagem bíblica da mensagem da salvação. o Senhor". que têm sua origem no egoísmo humano". L. está na origem da chamada teologia da libertação. a ignorância. Apesar do nome. Bonino. Analisando a situação social do continente. Teilhard de Chardin morreu em Nova York. Hugo Assmann. e a história sagrada não é algo distinto da história da humanidade ou superposto a ela. examinou o problema das relações entre a igreja e o mundo moderno. TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO A experiência cotidiana das comunidades cristãs latino-americanas que combatem as injustiças econômicas. mas ante a impossibilidade de publicar seus textos – que circularam em exemplares mimeografados e só foram editados após sua morte – transferiu-se para os Estados Unidos. Eduardo Pironio e A. A conferência pediu uma teologia e uma catequese que oferecessem "a possibilidade de uma libertação plena e a riqueza de uma salvação integral em Cristo. Segundo. Entre os principais teólogos que a iniciaram e desenvolveram. J. mas também de todas as suas conseqüências. duas expedições científicas ao continente africano. em 1968. A característica mais inovadora do movimento foi encarar os problemas políticos como base para a interpretação dos textos bíblicos. Reunida na cidade colombiana de Medellín. Ingressou então na Fundação Wenner-Gren. inclusive as injustiças. nos últimos anos de sua vida. em 10 de abril de 1055. Seu método hermenêutico deixa de lado as categorias idealistas tradicionais e emprega categorias históricas. citem-se Gustavo Gutiérrez. culturais e políticas. A teologia da libertação constitui uma nova interpretação da mensagem evangélica. não é propriamente uma teologia. Libânio. a fome. B. mas sim a intervenção de Deus. Porfirio Miranda. à luz da injustiça social. sociais. José M. depois que o Concílio Vaticano II (19621965). que veio libertar os homens não apenas do pecado.Teilhard de Chardin regressou à França em 1946. a Conferência Episcopal Latino-Americana (Celam) foi o grande impulso da teologia da libertação. a injustiça e o ódio.

e isso significa que tem raízes ligadas a pessoas. tais como a trindade e a divindade de Cristo. mas negam doutrinas básicas da Bíblia. Horn. 1989) e várias seitas metafísicas do início do século XX. A Confissão Positiva é outra corrente da doutrina da teologia da prosperidade. Tendo em vista a Autoridade profética. o cristão que está passando tal coisa ou coisas. nunca: "Se Deus quiser!" Isso envolvendo saúde ou bem material. como decretar a morte de alguém (até mesmo a de um pastor) Segundo Kenneth Hagin. a teologia da prosperidade não se cansa de repetir que nem doenças nem problemas financeiros são da vontade de Deus. Na teologia da prosperidade. desenvolveu-se com o tempo. Parece que nada assim já foi visto antes. o pentecostalismo fornece a base ou o grupo. Uma seita é composta por um grupo bem definido de pessoas. Como todo movimento. mesmo passando por cima da vontade divina. que se chamam cristãos.TEOLOGIA DA PROSPERIDADE Algumas obras norte-americanas. ela garante a realização com fé dos pedidos desejados pelo cristão. ela não é uma seita. escritas contra a teologia da prosperidade. tratam-na como se fosse uma heresia ou uma seita. Sua doutrina é radical com relação com relação ao homem físico e espiritual. A posição. onde a teologia encontrou a maior parte de seus adeptos. épocas e lugares diversos. A Teologia da Prosperidade é algo novo na história da igreja. Dessas duas fontes. trata-se de uma forma de compreender a Bíblia. ele não tem fé ou está em pecado. enquanto os pressupostos filosóficos propriamente ditos foram fornecidos pelas seitas metafísicas. Pesquisas feitas nos Estados Unidos sobre a teologia revelam que existem duas raízes históricas e filosóficas da teologia da prosperidade: O pentecostalismo (Barron. que floresceram na região de Boston (McConnell. é. . 1987. assim como os Testemunhas de Jeová ou os Mórmons. Mas isso não quer dizer que ele tenha surgido de modo repentino ou aparecido totalmente formado. 1988). Antes. afirma que sempre positivamente. seus adeptos não negam nenhuma doutrina básica nem buscam outro fundamento que não seja Cristo e os apóstolos. Saúde e Prosperidade são algo vivido dentro da teologia.

ou seja. um livro sagrado. No hinduísmo muitos se referem a sua fé como sanatana darma. então o que certamente para os homens resulta é morar no inferno". família e mandamentos de Deus. o livro sagrado dos muçulmanos. Mas.TEOLOGIA DAS RELIGIÕES É a globalização das religiões com o intuito da integração dos seus conteúdos comuns. Quando no referimos à "teologia das religiões" queremos destacar um conjunto. . o Cristo deve relacionar-se neste diálogo só como a palavra " " sem reivindicar a autoridade do " ". numa alma humana imortal. costumes (ética) e muitos outros fatores. quer dizer. No islamismo o árabe é a língua obrigatória para se ler o Qur‘na (Alcorão). No budismo acredita-se em um inferno onde estão os ímpios. etc. 4. também destacam-se os conteúdos de caráter ético e moral. no tormento eterno para os maus e uma recompensa celestial para os bons. um lugar de fogo atormentado por demônios horrendos. um redentor. se removermos as distinções da língua. bem como a interação de Cristo com os diversos credos. é surpreendente notar a similaridade entre todas. um todo. repita Seu nome". Nas religiões Crê-se em uma vida pós-morte. De forma superficial parece que as religiões são muito diferentes umas das outras. um ponto em comum. Enfim. um Deus trino ou uma divindade superior. Janardana. lei ou ordem eternas. Podíamos nos referir a "teologias" mas daria um sentido de independência. condições de clima. Eles acreditam que o árabe é a língua usada por Deus falar por meio de Gabriel. No que diz respeito à moral ou quebra de valores encontramos o seguinte texto: "Quando as leis da família são destruídas. melhor dizendo "o árabe é a forma mais pura de revelação". Dentre estes conteúdos comuns podemos citar a revelação do logos. Porém. são inúmeros os exemplos no que se refere ao estudo dos conteúdos comuns entre as religiões. No siquismo um dos grandes mandamentos do guru Nanaque era: "Lembre-se sempre de Deus. surge um grande problema no que diz respeito à estruturação do diálogo do cristianismo para com as demais religiões.

A oração e o serviço possuem pouco significado a não ser que haja um relacionamento real e pessoal entre Deus e os homens. Esse tipo de Deus não consegue casar com a idéia de um Deus que interage na História e mantém uma relação de amor e ajuda às criaturas. Deus cria junto com o resto do mundo. Não há apelo existencial num Ser impessoal com quem não se pode ter relacionamento. do pensamento de Alfred North Whitehead. o mesmo Deus. Segundo pensam. "imperial" e conceitualmente impossível. Ademais. supostamente. A primeira destas ênfase é achada em Bernar Loomer. O Deus da metafísica do processo e o Deus da revelação bíblica são. Bernard Meland. O mundo para eles está em mudança e Deus também está nesse processo. seguido por John Cobb e Schubert Ogden. . XX que se originou. dentro da corrente racional. e Henry Weiman. Ele é o Pai da criatividade. em grande parte. que considerava a realidade como tendo uma natureza progressiva ou evolutiva. A teologia de processo seguiu duas direções principais desde Whitehead: a empírica e a racional. A teologia do processo adotou a metafísica elaborada pelos filósofos do processo para obter os recursos mais adequados para expressar aquilo que a Bíblia entende por Deus e por mundo dentro da moderna estrutura da cosmovisão evolutiva. A grande contribuição da teologia de processo é a doutrina do relacionamento de Deus com o mundo. Propõe a Teologia de Processo que um Deus criou a partir do nada seja autocrático.TEOLOGIA DE PROCESSO Movimento teológico do séc. Um Deus que não pode agir ou ter interação com o mundo teria uma personalidade menos do que significante. Deus está tão intimamente ligado com o restante da realidade que Ele também é visto como estando crescendo e se desenvolvendo. o campeão da segunda delas Charles Hartshorne é talvez o mais relevante dos teólogos de processo desde Whitehead.

único. e este fato lança uma luz bastante reveladora sobre os deuses em questão: é que cada uma delas se considera e se proclama a se mesma sendo a única correta ou ao menos como sendo a melhor. Teologia evangélica é aquela que intenciona perceber. a única teologia correta do Deus sublime. latentes nos documentos das história de Israel. que por si mesmo fala aos homens.já que evidentemente aponta para a Bíblia – que de alguma maneira está sendo respeitada em todas as confissões. que são: dialética insolúvel do evento da existência humana. de compreender e de interpretar a "Deus". há uma coisa comum entre as mais variadas teologias. ainda não é necessariamente evangélica. de forma que necessariamente também deverá haver uma multiplicidade de teologias. de conceituação e de expressão de todos os homens. que tem por finalidade perceber um objeto (respectivamente uma área definida) como fenômeno. dentro do caminho indicado pelo próprio objeto em questão. A teologia evangélica raciocina com base em três premissas secundárias. A teologia da qual trataremos é a que. Mas ao termo "Deus" poderão ser atribuídos os mais variados sentidos. realizado no confronto com Deus que se auto-revela no evangelho. de forma ativa. compreendê-lo em seu sentido e interpretá-lo quanto ao alcance de sua existência – e isso. por ser "protestante". XVI. isto é. do esforço teológico-cognitivo. o Deus que se manifesta no evangelho. fato este que os capacita tecnicamente a participarem. Mas. existência que vê confrontada com a auto-revelação de Deus no evangelho. por ser ciência específica (e muito específica).TEOLOGIA EVANGÉLICA Teologia representa um dos empreendimentos humanos costumeiramente qualificados de "científicos". verdadeiro e real é aquela que procura comprovar a se mesma pela "demonstração do espírito e do poder". O termo "teologia" parece indicar que em seu âmbito. inclusive os crentes. para ser redescoberta e revivida na Reforma do séc. A teologia à qual queremos introduzir é a teologia evangélica. Teologia. A melhor teologia. e na razão. XVI. de forma clara e inequívoca. veio à luz. se trate de perceber. origem e norma da mesma – é aí que existe teologia evangélica. E existe teologia evangélica no catolicismo romano e oriental-ortodoxo. a fé de pessoas humanas que receberam o Dom e a vontade de reconhecerem e de confessarem a auto-revelação de Deus como tendo acontecido a favor deles. nos escritos dos evangelistas. como também existe na área das inúmeras variações e mesmo das formas degeneradas. que age dentro deles e entre eles da maneira por Ele mesmo indicada. Onde se realizar o evento deste Deus se tornar objeto da ciência do homem e como tal. posteriores aos evento reformatório. Não queremos o termo evangélico de forma confessionalista . na capacidade de percepção. compreender e tornar manifesto o Deus do evangelho – quer dizer. a partir de suas origens absconditas. . por ser a mais correta de todas. dos apóstolos e profetas do novo testamento. O adjetivo aponta para o novo testamento e simultaneamente para a Reforma do séc.

mas igualmente não só acima do homem. a sua auto-revelação benigna e amiga ao homem. seu irmão.Teologia não ignora que o Deus do evangelho se acha voltado para a existência humana. para verificar como a existência. A prioridade absoluta da teologia evangélica é Deus mesmo. de ser Deus – não ao lado do homem. O Deus do evangelho não é nenhum Deus solitário. de jure e de fato. por ser palavra de graça. como sendo o homem de Deus. isto é. isto é. venha revelar-se. como seu ser e sua auto-compreensão. A teologia evangélica lida com o Deus do homem. o Deus do homem. que tem uma palavra amiga. antes de tudo. Nela é que Ele se manifesta a si mesmo. de forma que vai sendo liberada continuamente por seu próprio objeto. junto a ele. O assunto da teologia evangélica é Deus – Deus . mas precisamente lida com o homem. mas antes em confirmação do mesmo. o Deus do evangelho é o Deus que se relaciona com o homem. Mas nesta história Ele também é o que é. Ela em toda a sua modéstia é ciência livre. é ciência que deixa seu assunto agir livremente. e. Teologia evangélica. Filho e Espírito Santo – assim. a fé e a capacidade intelectual do homem. mas sim. seu amigo. isto é. em relação a realidade – dele distinta – Ele é livre. responde ao gracioso sim de Deus. O Deus do evangelho se compadece. Nela Ele tem e prova tanto sua existência como sua essência. Teologia evangélica sabe esperar. Portanto. superior a existência humana. na unidade de sua vida como Pai. através do seu labor. em confronto com o Deus do evangelho. seu Deus. na história de suas ações. mas também como seu pai. que bastasse a si mesmo e que fosse recluso em si mesmo: não é nenhum Deus absoluto. Como em si mesmo é o Uno. . não é um Deus desvinculado de tudo que não seja Ele mesmo. e isto não em detrimento ou em abandono do seu ser divino. a favor dele: não só como seu senhor.

Os primeiros vestígios da teosofia encontram-se nos UPANISSHADS SÂNSCRITOS. a filosofia hindu teosófica. É panteísta e nega um Deus pessoal e imortalidade da pessoa humana. e cresceu em influência. . defendida por Madame Blavatsky. O tomismo foi atacado por causa de alegados erros. Porém sobreviveu facilmente a isso. Para Leão XIII pediu que o catolicismo romano voltasse à filosofia tomista tradicional. (sabedoria de deus) . movidos por forças ocultas. A doutrina do tomismo entra nas relações entre razão e a fé que consiste em confiar à razão o dever de demonstrar o preângulo da fé. Nos tempos modernos. alemão – theosophic. inglês – theosophy. em um julgamento em Paris. Esta especulação mística espalhou-se também para a Pércia e foi recebida pelos árabes depois da sua conquista do Irã. virtualmente oficializando o tomismo como a maneira como os católicos romanos devera filosofar acerca de sua fé cristã. de Deus e das leis do universo. para conseguir isto precisa livrar-se gradativamente dos grilhões da matéria. mas só aparecido ou correspondente ao ser de Deus. Em diversas épocas apareceram homens a imortalidade da alma e a existência de um vasto cosmos. através do conhecimento e do domínio da ordem natural. Mostravam a instabilidade da existência material. A doutrina fundamental da teosofia é que o homem tende a voltar à ordem divina de onde saiu. assim como de uma intuição ou iluminação que o leva a conhecer a divindade. Prega a fraternidade dos homens e tolerância de todas as crenças religiosas. baseado no conhecimento interiormente revelado e místico. de esclarecer e defender os dogmas indemonstráveis e de proceder de modo relativamente autônomo no domínio da física e da metafísica. francês – théosophic. Desenvolveu-se em várias fases e passou por períodos de apoio e descuido. TOMISMO A escola de filosofia e teologia que segue o pensamento de Tomás de Aquino. A época mais fluente do tomismo começou nos meados do século XIX. XV. a qual consiste ser absolutamente em abstrair do objeto. Ciências divinas. O termo já era usado pelos neoplatônicos para indicar o conhecimento das coisas divinas derivadas de uma direta inspiração de Deus. em certo sentido.TEOSOFIA No grego: theós + sóphos. o nome de teosofia foi dado a uma forma de crença. a realidade de um mundo oculto que de todas as partes nos cerca. escritora russa. É doutrina do caráter abstrativo do conhecimento. Em uma encíclica de 1879. O termo emprega-se também para um sistema filosófico. Doutrina da analogicidade do ser que consiste em julgar que o termo ser referido à criatura tem um significado não identifico. Conhecimento de Deus. Comunicação com Deus. nos séculos XVI. França em 1876. sendo.

não devem ser confrontados na esfera secular. enquanto o segundo diz respeito à história subjetiva e sacra. e sim uma mera narrativa mítica. e outros. Ao fazê-lo. alguns nomes inevitavelmente ficaram de fora. Ainda bem que não escrevemos nossas obras para obter lisonjas dos homens. Os milagres. equiparando-a a qualquer narrativa antiga. que propõe uma distinção entre história e fé. mas não lhe dedicamos um capítulo especial porque entendemos que ele foi um teólogo cristão e não especificamente um filósofo secular como Kant e Marx. . demos também a Immanuel Kant um capítulo à parte. pois temos considerado que sua influência sobre a teologia do século vinte é maior que o de qualquer outro. Bultmann também nega todo valor objetivo da Bíblia como Palavra de Deus. e nesse aspecto. ele faz distinção entre Historie e Geschichte. o Jesus descrito nos evangelhos não é o Jesus histórico. tenham tanta repercussão quando outros como Pannemberg e Cullmann. Marx e Darwin. se Deus permitir. ele é cético: todas as narrativas miraculosas não passam de mitos. Não tivemos com isso nenhuma intenção de reduzir a importância Brunner ou qualquer outro teólogo contemporâneo. Bultmann e Tillich. Em suma. Quanto aos milagres. É claro que nessa abordagem. a ressurreição e outros atos sobrenaturais narrados na Bíblia não são Historie. e da influência desses pensadores sobre a teologia contemporânea. não puderam ser apresentados em um capítulo próprio. Também entendemos que seu nome caberia melhor em um ensaio sobre a teologia do século dezenove. O teólogo de maior projeção dentro da teologia contemporânea é Karl Bath. são quase ignorados. Parece que a popularidade de um teólogo está mais relacionada ao grau de inovação que ele apresenta do que com a coerência lógica. Apesar de ser mencionado já na introdução. alegando que a primeira diz respeito à história objetiva e secular. Para Bultmann. Uma distinção semelhante ocorre em Bultmann. definindo-o como Totalmente-Outro. o que um dia faremos. tornando difícil conhecê-lo e relacionar-se com ele. apenas tentamos apresentar os nomes associados às respectivas escolas. muito mais ortodoxos que os três primeiros. Barth inspirou-se na filosofia existencialista e principalmente em Kant para elaborar o seu conceito teológico de Deus. e sim Geschichte. A grande lição que o século vinte nos ensinou foi: ―saia da linha ou seja esquecido‖. inevitavelmente isola Deus do outro lado do abismo. bíblica e sistêmica de seus escritos. Seguindo Kant. portanto. tais acontecimentos não são eventos históricos. como Emil Brunner. Consideramos injusto que nomes como Barth. entre o Jesus histórico e o Cristo kerigmático.Conclusão: Qual será a cara da teologia do século XXI? Neste trabalho apresentamos as principais escolas teológicas do século vinte e seus respectivos arautos. Um contemporâneo de Kant que também influenciou a teologia do século vinte foi Soren Kierkgaard. o nome de Brunner está bem associado ao de Karl Barth e à teologia dialética. sendo equiparada à própria fé. Nossa exposição começou com uma abordagem panorâmica do pensamento de Kant. e que deve ser desmitificada por nós. Ele insiste que a Bíblia está cheia de mitos.

que construiu a sua teologia tendo por base a história. o que levanta inclusive algumas objeções sobre a sua teologia. A maioria deles parecia estar mais ligada às idéias de seu tempo do que à Palavra de Deus. nem todos os teólogos contemporâneos assumiram a mesma postura. a teologia de Cullman é uma ponta de esperança para o pensamento teológico contemporâneo. Buscando inspiração não na Bíblia. Na década de sessenta. apesar de Cullmann e Pannemberg terem prestado um relevante serviço á ortodoxia (ainda que nenhum deles é considerado literalmente ortodoxo). O patrono da teologia secular. A história abrange os atos portentosos de Deus em favor da nossa redenção. Oscar Cullmann com a Heilsgeschichte. do ―bispo‖ John Robinson. Ele foi sem dúvida o mais radical deles. Wolfhart Pannenberg construiu uma teologia sobre o alicerce da história. Leonardo Boff. No Brasil. porém. mas na filosofia socialista de Karl Marx. discordando dele quanto às conclusões. . A resposta por eles é uma afronta à teologia. buscava consolidar uma teologia que pudesse oferecer respostas ao clima ditatorial e à crise econômica latino-americana. A sua ênfase é extremamente cristológica. Richard Shaull.Para refutar a teologia de Bultmann. o principal expoente dessa nova e estranha doutrina é o expadre e posteriormente professor da PUC-SP. Nessa mesma época surge na América Latina a Teologia da Libertação. essa nova escola teológica agitou o cenário teológico nas décadas de sessenta e setenta. Dietrich Bonhoeffer ficou conhecido por participar de um complot contra a vida de Hitler. bem como Pannemberg. ou simplesmente ―História da Salvação‖. Porém. surge um grupo de teólogos cujo exacerbado esforço era elaborar uma teologia que estivesse mais próxima dos problemas da humanidade. surge o Dr. aliás. Honest to God. com pressupostos bastante semelhantes. de Harvey Cox. a própria expressão ―Palavra de Deus‖ caiu em desuso no decorrer do século vinte. A Cidade Secular. Para Cullman não existe duas histórias. Hugo Assman e Gustavo Gutiérrez Merino. sobretudo à teologia protestante. pois faz do marxismo o maior dos atos de Deus na história. Em uma época em que os teólogos faziam questão de distinguir entre teologia e história. ele sequer admite uma história secular. A heresia fomentada por católicos romanos como Juan Luís Segundo. uma cristã e uma secular. Outro importante teólogo secularista foi Paul Van Buren. Para ele. e protestantes como Rubem Alves. De qualquer forma. Emílio Castro. O problema é que essa idéia foi levada ao extremo. É essa teologia ativista que os teólogos secularistas propõem. salvando assim a historicidade do cristianismo. José Míguez Bonino e o então missionário no Brasil. aliás. foram as principais obras desse movimento. Uma característica interessante de Culmann é que ele aceita o desafio de Bultmann e apresenta suas elucubrações partindo de alguns pressupostos da crítica formal. toda história é História da Salvação.

Como homens loucos. A questão central não é a violência em si. tornando-se um ser meramente temporal. Joseph Fletcher afirmou que a moral não é absoluta. como um Ser em evolução. nega o sobrenaturalismo das escrituras e se esforça para reinterpretar as narrativas miraculosas em termos existenciais. O ―Deus Finito‖ não é o único problema da teologia de Moltmann: ele também nega que a ressurreição de Cristo seja um fato histórico. Não há conduta errada quando se quer alcançar um fim nobre. mas nada tem a ver com a Bíblia. e sim se a violência é justificável ou injustificável. que nos ensina que melhor é o sofrer fazendo o bem do que fazer o mal para que os advenham bens. é vã a nossa fé‖. Esse pragmatismo também está presente na Teologia da Libertação e na Teologia Secular. Pecar deliberadamente para que a graça seja mais abundante. assim como outras teologias modernas. ―se Cristo não ressuscitou. mas a escatologia de Moltmann nada tem a ver com a noção tradicional que envolve o retorno de Cristo e a entrada dos crentes no estado eterno. Para ele não existe o problema da violência versus não-violência. . Em seu afã de apresentar uma teologia que pudesse se adequar aos padrões mundanos e às crenças seculares. Esse teólogo católico teve a mente tão doutrinada pelas teorias evolucionistas que chegou a apresentar o próprio Deus. do pragmatismo e das filosofias relativista e positivista. porém. Esse conceito tem suas base na filosofia ateísta de Nietzche e aparece também na Teologia do Processo. Na perspectiva de Moltmann. Nossos atos não deveriam ser julgados por padrões absolutos e uma ética relativa se infiltrou na teologia contemporânea. e sim uma demonstração de amor. duas teorias totalmente opostas uma à outra. Não é preciso dizer que ele teve que fazer um esforço hercúleo e muita eisegese para conciliar o criacionismo bíblico e o evolucionismo. Usando pressupostos do existencialismo. Ora. Somos bem-aventurados quando somos perseguidos e vilipendiados. A Ética Situacional. Essa teologia é de ênfase escatológica.Várias outras tentativas de amoldar a teologia à praxe modernista também foram elaboradas. uma vez que ele decidiu entrar no tempo. a morte de Cristo não foi substitutiva. tudo isso soa dissonante ao supremo às palavras de Jesus no sermão do monte. eles corriam desesperados em busca de uma associação que pudesse ―salvar‖ à teologia. assim como a de Fletcher. conhecida como Teologia da Esperança. a violência é desaconselhável em qualquer situação. nem mesmo Deus é eterno. Desse modo. militância contra governos que se oponham aos nossos valores. e não o contrário. A Bíblia cada vez mais parecia um livro ultrapassado e cada vez mais os teólogos procuravam muletas seculares para amparar à Bíblia. Outra mostra desse desespero é a teologia de Jurgen Moltmann. Para Cristo. a Ética Situacional apregoa uma teologia na qual os fins justificam os meios. muitos teólogos do século vinte perderam completamente o senso de direção. Vemos isso na teologia do padre católico Teilhard Chardin. aquele que a Bíblia descreve como imutável. A moralidade de Molmann. é relativa e pragmática.

A ressurreição também é reinterpretada por ele.13-19). Esse teísmo anti-bíblico mina toda confiança que o crente deposita na Bíblia. a natureza do pecado e a própria salvação. e como Chardin. retirando assim a base da esperança cristã (cf. segundo essa concepção. Deus. ao contrário. Essa teologia também é conhecida pelo nome de Teísmo Aberto e Teísmo do Livre-Arbítrio. Reservamos os dois últimos capítulos para abordar dois movimentos que estão em acelerado crescimento em nosso país.Charles Hatshorne é o preconizador da Teologia do Processo. Hernandes Dias Lopes em palestra no congresso Vida Nova de Teologia. ―as igrejas liberais nasceram fadadas ao fracasso‖. olhamos ao nosso redor e indagamos pelas igrejas liberais e neo-ortodoxas. Muitos excessos foram cometidos nessa tentativa de retorno ao modo de culto primitivo. apesar da semelhança com as teologias de Moltmann e Chardin. As igrejas pentecostais. como já vimos. mas um que se posicionou bem na fronteira entre esses dois pensadores: Paul Tillich. Nascido na Califórnia. É fácil fazer um paralelo entre Moltmann e Chardin: assim como Moltmann. bem como a mudanças e a evolução moral. Hoje. O teólogo mais controverso do século passado. Ele propõe reinterpretações da Bíblia. mas também a dissociação dessas dois movimentos das demais escolas contemporâneas de intrepretação teológica. Não foi apenas a importância dessas duas teologias no cenário brasileiro que lhe renderam um lugar especial neste trabalho. Trata-se de uma tentativa de voltar à fé cristã primitiva. mas isso não desqualifica o movimento como um todo. o moderno movimento pentecostal teve como principal pregador o pastor William Seymour. Barth. a principal influência de Hatshorne foi o matemático e filósofo Alfred North Whitehead. A conseqüência direta dessa teologia é simples: se Deus não tem o controle dos contingentes futuros. Tillich e dos demais teólogos de influência no século vinte. Valendo-se de pressupostos existencialistas e liberais. e o principal teólogo e sistematizador das doutrinas pentecostais foi Charles Parham. à saber. não foi Hatshorne. não é um Ser Onisciente. Ele fatalmente não pode prever o futuro. reduzido à mera força racional e criadora. Bultmann ou Barth. encontra suas raízes no Movimento de Santidade e tem em John Wesley seu principal antecessor. ele afirma que Deus tornou-se finito e temporal. Tillich elaborou uma teologia que ficou conhecida pelo nome Teologia do Ser. podemos perceber no pentecostalismo certo frescor. Embora em alguns círculos Paul Tillich seja citado como o ―teólogo dos teólogos‖. mais de um século depois. De modo geral. Como disse o Rev. de tal forma que o movimento foi chamado em seus primórdios de Restauração da Fé Apostólica. 1Co 15. O pentecostalismo. É simplesmente impossível encontrar uma só igreja liberal com membresia superior a cem membros. Contudo. da perspectiva conservadora ele não passa de um herege. e deve ser logo descartado. A característica principal dessa teologia é a afirmação de que Deus é um ser temporal e está sujeito ao tempo. não há nenhuma razão para depositarmos nele alguma confiança. muito das quais beiram o absurdo. o pentecostalismo e o neopentecostalismo. . Ele surge como chuva serôdia em meio ao árido cenário teológico do século vinte e mantém-se na contramão de Bultmann. Entre as doutrinas por ele modificadas estão a encarnação. ele assevera que Deus está em constante processo evolutivo. no entanto. vivem abarrotadas e há constante necessidade de se construir novos templos. mas um ser finito e limitado ao tempo. Sua própria teologia está baseada em um ser impessoal.

como no caso de Brunner. não significa que toda filosofia seja ruim. Parece que para ganhar projeção no meio evangélico é preciso romper com os antigos padrões e fomentar o erro no seio da cristandade. que ela exista ao menos para refutar a filosofia ruim‖. Kenyon.O neopentecostalismo surge na década de setenta como uma deturpação do movimento pentecostal e como reflexo de uma cultura capitalista. Os teólogos do século vinte foram grandemente influenciados pelas idéias teológicas e filosóficas de pensadores anteriores a eles. enquanto Benny Him endossa a fileira espiritualista. fruto do casamento da teologia com a filosofia existencialista. A análise da teologia do século vinte nos ensina pelo menos três coisas. vemos de cara a influência da filosofia pragmatista norte-americana e até mesmo idéias da seita Ciência Cristã. como por exemplo o Pr. Atualmente há também pregadores pentecostais aderindo à idéias do movimento neopentecostal. Sheleiermacher e Soren Kierkgaard. A primeira é que do ponto de vista conservador. No Brasil. há também a boa filosofia e como disse C. ou por Nietzche e Overback.S. Quer seja por Immanuel Kant. haja vista que ao final de cada capítulo são apresentadas várias objeções às respectivas escolas. Tillich e outros tantos teólogos neo-ortodoxos. e não demorou para que um grupo de pentecostais. nem sempre há justiça em teologia. A tendência dos ―poderosos‖ sempre foi usar o poder em benefício próprio. A verdade é que herdamos uma teologia deturpada. Tudo isso torna o trabalho do teólogo muito árduo. Até no pentecostalismo podemos perceber as idéias previamente concebidas por John Wesley e no neopentecostalismo. O próprio neopentecostalismo é um materialismo disfarçado de cristianismo. Soares e Edir Macedo. e repetilas agora seria uma tarefa enfadonha e pouco proveitosa. A segunda conclusão à que chegamos é que mui dificilmente um pensador escapará às idéias do seu tempo. prostrado ante Mamon em adoração. que já ganhou o apelido de Bíblia do Milhão. Silas Malafaia. Qualquer que leia a obra de Teilhard Chardin logo se dará conta de que o evolucionismo para ele está acima da teologia e que as idéias de Darwin são mais aludidas por ele que os portentosos atos de Cristo. Cooperland e Hagin formam a ala mais materialista do movimento. o certo é que nenhum deles escapou das influências do seu tempo. que inclusive escreve livros sobre prosperidade e promove a Bíblia de estudo do Morris Cerrullo. Isso porém. estabelecesse uma teologia para verter as bênçãos espirituais em materiais e essas sobre si mesmos. como é o caso de Jurgen Moltmann. aumentando a necessidade de apologistas cristãos entre nós. da Assembléia de Deus. a Bíblia da Batalha Espiritual e Vitória Financeira. O problema é quando a filosofia ruim ou irracional arroga para si o status de verdade universal. É difícil enumerar uma a uma as diversas conclusões à que chegamos. os principais expositores desse movimento pragmático-mercantil são RR. Lewis. esquecendo do exemplo de Jesus na tentação de Mateus capítulo quatro. Barth. . ―se não há razão para existir a filosofia.

Esperamos que o que hoje é um fato. se quisermos construir um edifício teológico bem alicerçado para o futuro. mas amanhã serão analisados os pressupostos teológicos do século vinte e um. hoje estamos analisando a teologia do século vinte. . aquelas igrejas que permaneceram fiéis à tradição reformada e ao cristianismo histórico. No entanto. ―é impossível exegese sem pressupostos‖. faz-se necessária a avaliação dos nossos paradigmas e não apenas a simples adequação dos mesmos à interpretação bíblica. Essa tentativa foi feita no século passado por neo-ortodoxos e liberais. A razão disso é que o homem não está simplesmente buscando uma doutrina para concordar. O que dirão da nossa teologia? Ou será que nós não temos pressupostos? Sim. não devemos sujeitar a nossa teologia às novas tendências. incitá-los a pensar de modo crítico e com isso propor uma analise concernente ao fundamento sobre o qual construiremos a teologia do século vinte e um. saberemos o resultado dessa construção. como bem afirmou o controverso Rudolf Bultmann. Portanto. os temos. Entendemos que tal esforço cabe mais a uma enciclopédia que a um ensaio de teologia. A necessidade do homem ainda é a salvação. Devemos nos esforçar ao máximo para fazer da Bíblia o nosso pressuposto básico. E a nossa teologia? Ela ainda pode ser considerada cristã? Ora. à fim de agradar as mentes contemporâneas. Diante de tudo o que temos exposto. No momento. ainda permanece uma pergunta: Até que ponto nós somos ortodoxos? Muitos teólogos do século passado se perderam nas idéias do seu tempo de tal forma que as suas abordagens dificilmente podem ser consideradas cristãs. ainda que pareça agradável aos ouvidos no início. nesse início de século. é levá-los a refletir sobre as bases sobre a qual a teologia do século passado foi edificada. e fracassou. ele está em busca de uma fé para viver. nós analisamos e julgamos a teologia contemporânea à luz das nossas pressuposições. E na verdade. Não foi possível apresentar uma obra completa ou fazer uma analise dos pormenores dentro de cada escola. correntes filosóficas e modismos pós-modernistas. Terminamos assim a nossa introdução à difícil matéria de teologia contemporânea. e amanhã. além de introduzir estudantes de teologia no panorama teológico do século vinte. Agora. uma música do cantor evangélico João Alexandre parece representar bem o quadro do protestantismo brasileiro. A nossa principal intenção. logo será abandonado: Ele fatalmente fracassa por não pode satisfazer às exigências da alma humana. isso porque. Precisamos olhar para os erros do passado e com muita cautela construir a teologia do futuro. ressurreição ou imposições morais. com certeza.A terceira conclusão é que embora seja muito difícil escapar do nosso invólucro cultural. sem salvação. É por isso que um evangelho sem cruz. cabe a cada teólogo fazer a sua parte nesse edifício. amanhã seja apenas história. permanecem até hoje.

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[. entre outros. Paul Tillich. Teilhard Chardin.. bem como artigos compilados da internet. .] Também foram utilizadas várias resenhas dos livros de Barth. Brunner. Leonardo Boff. Bultmann. John Robinson..

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