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Apostila Teologia Contemporanea

Apostila Teologia Contemporanea

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INTRODUÇÃO EMENTA A Teologia Contemporânea trata do estudo acerca da teologia mais particularmente do Século XX.

Esse século esteve comprometido com uma pluralidade de ―teologias‖, de caminhos e de muitas reflexões sobre o mundo, sobre Deus e o homem. De início, há a necessidade de uma passagem reflexiva pelo período medieval, ainda que de modo conciso, no que tange aos debates teológicos e seus grandes expoentes. Depois, em evidência, a Reforma Religiosa com suas propostas renovadoras, não no sentido de se estabelecer novas doutrinas, mas de reaver a natureza e sentido da Bíblia como padrão de fé e prática da Igreja. Sobre a salvação e o papel da Igreja, se constituem algo de extrema importância nesse cenário, respectivamente. Entretanto, o que era para ser renovado, transformou-se numa divisão de segmentos eclesiais, fazendo surgir posturas diversas em relação a vários pontos doutrinários. Antes de se refletir sobre a teologia do Século XX, é imprescindível verificar que a Teologia Contemporânea tem suas bases assentadas no Século XIX. Immanuel Kant sistematizou a confiança do homem moderno na capacidade da razão para tratar de todo o material em sua capacidade e em sua incapacidade para ocupar-se do que vai mais além. Assim, um novo conjunto de pressupostos religiosos moldou o pensamento do homem moderno. O Iluminismo qualificou os séculos XVII e XVIII, constituindo a história intelectual do Ocidente. Enquanto a cosmologia da Idade Média era percebida como um sistema orgânico, na modernidade tudo passou a ser relativo, fragmentado. A era da razão toma corpo, de modo que o homem passou a ser visto como o centro do universo. Deus já não era mais visto como o autor da criação, e se era, não interviria nela; a religião não mais doutrinava a vida humana, mas a produção científica. A Teologia Contemporânea é a teologia do Século XX. Em sentido real, nasceu em 1919. Seu iniciador foi um jovem pastor, Karl Barth (1886-1968). É ele um novo pivô teológico na história, o anúncio de uma nova era teológica, considerando como marca o seu Comentário da Carta de Paulo aos Romanos, em 1919. Uma análise não só em Barth, mas também em muitos outros expoentes faz justiça à natureza da matéria. OBJETIVO GERAL Conduzir o estudante de Teologia à reflexão sobre os principais pontos da Teologia Contemporânea relacionados aos seus expoentes, é o objetivo geral da matéria. Consequentemente, se pode também observar as muitas facetas de posturas teológicas que ainda hoje se propagam, fazendo que as mentes reflitam mediante diversificados caminhos, bem como gerando diversificadas conclusões. Conclusões que muitas vezes se distanciam da Bíblia e comprometem negativamente a antropologia e áreas afins. OBJETIVOS ESPECÍFICOS Por objetivos específicos, significa o entendimento das diversas posturas de teólogos do período que compreende o Século XX. A percepção de como se conduziram os pensamentos diversos, uma vez que não daria mais para estar preso a dogmas. Serão sistematicamente percebidos, os postulados divergentes e convergentes dessa época, que tiveram seus objetivos de se tentar dar respostas às perguntas surgidas, quer do ângulo da Ciência, quer do ângulo da própria Igreja, respostas concretas.

Índice
Introdução: Vertentes que influenciaram a teologia do séc XX 1. 1.1. 1.2. 1.3. 1.4. Fase Racionalista ou Iluminista Racionalista Deísmo Iluminismo Principais temas em debate

2. Fase Romantista ou Modernismo 2.1 Imannuel Kant 2.2 Um novo conjunto de pressupostos religiosos para o homem moderno. 2.3 A autonomia do homem e sua influência no pensamento religioso moderno. 2.4 O relativismo de David Hume e sua influência na filosofia kantiana. 2.5 O confinamento de Deus na teologia contemporânea. 2.6 As idéias deístas na filosofia da emancipação e sua influencia na teologia contemporânea. 2.7 Uma separação radical entre história e fé. 3. Friedrich Schleiermacher. 3.1 Ritschl e sua escola. 3.2. Adolf von Harnack da escola de Ritschl. 3.3 Hegel e os idealistas. 3.4 Ferdinand Christian Baur. 3.5 David Friedrich Strauss.

4. Dialética de Karl Barth e a revolta contra o Liberalismo Teológico. 4.1 Neo-ortodoxia: Analisando os pressupostos teológicos do novo liberalism.o 4.2 Objeções à neo-ortodoxia. 5. Crítica da Forma: O método investigativo de Rudolf Bultman. 5.1 O método investigativo da crítica formal. 5.2 Objeções ao método crítico de Rudolf Bultmamm 5.3 Desmitologização: O método interpretativo de Rudolf Bultmann 6. Heilsgeschichte: A escola teológica do Dr. Oscar Cullmann 6.1 O pensamento de Cullman e a ortodoxia teológica.

7. Teologia Secular: Robinson, Cox e Buren: Uma teologia do mundo para o homem moderno. 7.1 A postura da teologia secular. 7.2 Avaliação da teologia secular.

8. Ética Situacional: Joseph Fletcher e um novo conjunto de valores para o homem moderno. 8.1 Conhecendo os pressupostos da nova moralidade. 8.2 Uma análise da nova moralidade religiosa. 9. Teologia da Esperança: Jurgen Moltmann e a análise escatológica existencial. 10. Teologia da história: Wolfhart Pannenberg e a teologia histórica da ressurreição. 11. Pannenberg e a ressurreição de Cristo. 12. Teologia da Evolução: Teilhard de Chardin e o darwinismo teológico. 13. Teologia do Processo: Dr. Charles Hartshorne e a Teologia do Deus Finito. 14. Pressupostos da teologia de Paul Tillich. 15. Teologia da Libertação: Uma resposta teológica à crise econômica e social Latino-Americana. 16. Pentecostalismo: Parham, Seymour e o avivamento místico-pietista do século XX. 17. Neopentecostalismo: Misticismo, pragmatismo e culto à Mamom. 18. Glossário Teológico Contemporâneo.

Conclusão

1. inis. alguns teólogos começaram a atacar o calvinismo. os adeptos do uso da razão ou racionalistas. até então.(1) fez com que muitos homens se convencessem do poder da razão e da necessidade de todas as coisas serem testadas por ela. que tratou da controvérsia arminiana na Holanda. a filosofia. O objetivo dos latitudinários era manter a igreja unida com base em uns poucos artigos fundamentais de fé. as novéis colônias inglesas na América. Entretanto. Houve uma sensível mudança no comportamento da sociedade cristã em face da influência do racionalismo. se pensava serem inacessíveis à razão. Os principais mentores desse movimento foram os Cambridge Platonists (Platonistas de Cambridge) ou Teólogos-Filósofos de Cambridge (c. O progresso da ciência. termo derivado da palavra latina latitudo. que.1 Racionalismo No período que marca a virada do século 16 para o 17. pois. por fazerem oposição ao calvinismo. inclusive aquelas relacionadas à área da consciência ou do espírito. de seus Principia Mathematica (Princípios de Matemática). em 1687. 1640-1680) – que diziam que a ―razão é um reflexo da mente divina na alma humana‖. De uma maneira geral. quem não era calvinista era tido como arminiano. Essa influência fez-se mais presente na Europa continental. permitindo uma ampla variedade de doutrinas. através do uso da razão. especialmente na Holanda reformada e na Inglaterra puritana. Essa classificação generalizada. pelo menos inicialmente. que significa amplo ou largo. serviu para encobrir os racionalistas. 1. foram englobados no contexto arminiano. que era con-siderada serva da teologia. o movimento veio à tona e seus adeptos foram chamados de latitudinarians (latitudinários). chamando-as reséctivamente. FASE RACIONALISTA OU ILUMINISTA No mundo cristão. . pouco afetando. Nos anos que se seguiram ao Sínodo de Dort (1618-19). se expandiu para além dos limites do pensamento aristotélico e da Bíblia – em parte devido à ciência natural e em parte fruto de reflexões de pensadores como René Descartes (1596-1650). reagiram à confessionalidade e à disciplina. a partir do final do século 16. formas de governo e de culto. por algum tempo. a partir da publicação. especialmente devido à obra de Isaac Newton (1642-1727). de dogmatismo e intolerância. que no século 17 estavam fortemente impregnadas de religiosidade.

e (2) investigação científica. por conseguinte. Embora tenha havido algumas contribuições benéficas à sociedade como um todo. muitas vezes acompanhadas de frieza espiritual. Para os escolásticos. Os teólogos racionalistas defendiam a tese de que a bondade em Deus não poderia diferir em essência da bondade no homem e. caracterizada pela busca de uma verdade racional e imutável. cuja teologia começou a tender para um número exagerado de definições precisas. Alemanha e Estados Unidos. desenvolveu uma espécie de teologia matemática. Toland defendia a idéia de que ―a doutrina cristã nunca foi misteriosa e devia ser entendida somente como uma réplica da religião natural‖. dentre as quais o ateísmo. Foi um movimento de curta duração. John Locke (1632-1704). No campo teológico-eclesiástico. Dentre os deístas ingleses destaca-se. defensor do princípio da lei natural. o racionalismo provocou graves e perturbadoras conseqüências na vida da igreja. Para Locke. que em meados do século 18 já havia perdido a sua força original. a teologia racionalista tendeu a modificar. a prova da verdade era a razoabilidade. o declínio da fé e o enfraquecimento da vida religiosa. na Inglaterra. Contudo. eles suspeitavam de tudo que não se conformava com sua visão mecanicista do universo.2 Deísmo O deísmo teve início na Inglaterra na primeira metade do século 17. 1. em especial na França.O racionalismo dava ênfase principalmente a dois pontos: (1) liberdade e dignidade. foi o estopim de outros movimentos de reação à ortodoxia protestante. Os principais filósofos racionalistas da época foram: o judeu holandês Baruch Spinoza (1632-1677) e o matemático alemão Gottfried Leibniz (16461716) no Continente Europeu. o barão Christian von Wolff (1679-1754). alguns dos quais discípulos de John Locke. em sua grande maioria. . e. e até mesmo destruir. Deus não pode-ria fazer o que para o homem seria imoral. Halle foi aos poucos se tornando um centro de teologia racionalista entre os protestantes. Entre os filósofos alemães. O racionalismo teve grande influência no escolasticismo protestante. no seio de um grupo de escritores de tendência racionalista. especial-mente. ser um bom religioso era aceitar as doutrinas corretas. as ortodoxias confessionais protestantes. no sentido de conformidade com o senso comum. Embora. membro do grande núcleo pietista que funcionava a partir da Universidade de Halle. pelo menos até o final do século 18 os racionalistas aceitassem os milagres do Novo Testamento. John Toland (1670-1722).

3) tudo o que é de valor na revelação já foi dado aos homens na religião natural racional. como tal. providência e encarnação. como Benjamin Franklin (1706-1790). obtiveram sua independência. sendo a Bíblia um manual eminentemente ético. preocuparam-se mais com o sujeito conhecedor. com seu livro Age of Reason (Idade da Razão. Tudo é regido por leis naturais. como Estados Unidos da América. em 1776. considerada por alguns historiadores como a bíblia deísta: 1) tudo que é reconhecido além e acima da razão é crença sem prova. sob a alegação de que há uma religião natural. Os deístas criam também que a ética e a piedade eram as virtudes que necessitavam ser desenvolvidas. não deveria ser cultuado. posto que o cultivo da ética e da piedade estimulou. a Alemanha e especialmente as colônias inglesas na América. contudo. Os deístas. podem ser retiradas cinco idéias básicas da obra de Matthew Tindal (1657-1733). Cristo foi apenas um mestre e. milagres. ou está acima da razão. um conhecimento religioso inato em todas as pessoas. que está acima e além da sua criação. 4) tudo o que é obscuro. popularizou as idéias deístas em seu país. o empenho dos cristãos em atividades humanitárias e em uma maior tolerância religiosa. do que com a realidade a ser conhecida. totalmente negativo. Em seu afã de valorizar o homem. Christianity as Old as the Creation (O Cristianismo é Tão Antigo quanto a Criação. por intermédio do Espírito Santo. mas migrou para a França. ou que pode ser obtido pelo uso da razão. mudando o foco da teologia de Deus para o homem. . ou seja. explicados à luz da razão. daí o cristianismo ser tão antigo quanto a criação. Thomas Jefferson (1743-1826) e Thomas Paine (1737-1809). destaca-se a crença num Deus transcendente. Dentre os líderes do movimento de independência. por exemplo. desvalorizaram o pecado. sendo a causa primeira. é superstição e não tem valor. não havendo lugar. ou são um insulto à perfeita obra de um Criador. ou são supérfluos. 5) os milagres não são prova real da revelação. Dentre os princípios que balizavam o deísmo. O deísmo não ficou restrito à Inglaterra. que pôs este mundo a girar segundo as mais perfeitas leis mecânicas e não interfere no seu funcionamento. na assim chamada revelação. pois. como culto perene a Deus. O legado do deísmo não foi. substituíram a revelação pela razão e pelos sentidos. 2) os piores inimigos da humanidade são os que têm mantido as criaturas na superstição: os sacerdotes. 1730). em síntese. Para corroborar o que foi dito resumidamente sobre os princípios do deísmo. Deus não se envolve mais com o mundo que ele mesmo criou. alguns eram declaradamente deístas. que. portanto. Este último. para revelação bíblica. de alguma forma. 1794-1796). Seu propósito era estabelecer uma religião ao mesmo tempo natural e científica.O movimento deísta surgiu como uma reação à idéia de que o conhecimento teológico somente poderia ser adquirido através do ensino da Igreja ou da revelação pessoal de Deus.

Voltaire professava um teísmo baseado na ordem e na realidade do mundo. Outra figura de destaque foi François-Marie Arouet (1694-1778). mediante a razão. o filósofo alemão Immanuel Kant. Locke defendeu a moral natural. mas em todos os lugares se acha em cadeias. racional e autônoma. Essa postura enfaticamente racional gerou uma forte oposição a todas as atividades e instituições que não fossem meramente racionais. que devia ser restaurado. ao responder a uma pergunta sobre o que era o iluminismo.. . foi altamente influenciada pelo iluminismo e colocou em dúvida os dogmas da religião cristã. responsáveis pela editoração da Enciclopédia. as crianças devem ser criadas fora da influência danosa da Igreja. O seu lema foi Sapere Aude (Tenha a coragem de usar o seu próprio entendimento). A Revolução Francesa. disse que era a chegada do homem à maturidade. O objetivo do movimento era iluminar o povo.3 Iluminismo Iluminismo é o nome do movimento cultural. afirmando: Todo homem é nobre por natureza. como a Igreja. mais conhecido como Voltaire. social e religioso que se desenvolveu na Europa no período que vai da Revolução Inglesa (1688) até a Revolução Francesa (1789). Dentre os principais iluministas franceses destacaram-se. que forneceu ao iluminismo o método crítico que utilizou com habilidade. Ele nasceu livre. onde houve o culto da razão. e pregava a tolerância para todas as religiões. exceto para a oficial. não só na França.[. colaborador da Enciclopédia e autor de vários tratados na área da filosofia.1. sem a tutela de autoridades externas. inicialmente. Locke desenvolveu o deísmo inglês como uma religião natural e racional dos livres pensadores. ao estágio em que o homem pensa por si mesmo. cerca de 100 anos. Itália e Alemanha. No campo da ética. contra o obscurantismo da história. ou seja. ou seja. mas em outros países. da tradição e da sociedade política e religiosa. que lhe diziam o que devia fazer. que tanto influenciou os chamados Pais Fundadores da Independência Americana. a razão humana passou a dominar acima de tudo e de todos. tais como a Bíblia e o Estado. Não menos importante que Voltaire foi Jean-Jacques Rousseau (1712-1778). em especial a ingerência da Igreja nas coisas do Estado.] Assim. que foi um poderoso instrumento para a difusão das idéias iluministas. daí passando para a França. Em 1784. O pleno desenvolvimento do iluminismo ocorreu na França. O alvo era o homem no estado de pura natureza. autor do Contrato Social. considerada o maior movimento social dos tempos modernos. para a qual a religião deve arcar com boa dose da culpa.. Sua fonte principal foi o racionalismo. imposta. Sua escravidão deve-se à corrupção da sociedade. ou seja. Jean D‘Alembert (1717-1783) e Denis Diderot (1713-1784). O iluminismo teve origem na Inglaterra. Rousseau repudiou a doutrina cristã da queda. Como foi visto.

autor de Die Erziehung des Menschengeschlechts (A Educação do Gênero Humano. inclusive verificando aspectos ligados à credibilidade dos escritos evangélicos. Para Reimarus. mormente sobre o movimento evangélico. Tal entendimento os levou. segundo uma concepção historicista. a história da vida de Jesus deveria passar pelo crivo da razão. segundo o qual todos os fatos e circunstâncias estariam obrigados a ser considerados exclusivamente à luz da evidência dos Evangelhos. através das obras de Hermann Reimarus (1694-1768) e Moses Mendelssohn (1729-1786). inclusive o cristianismo‖. Disse ainda que o cristianismo se baseia nas alegações fraudulentas da ressurreição e da segunda vinda de Cristo. colocando Cristo e seu evangelho em segundo plano. a uma racionalização da teologia e. conseqüentemente. no qual retratou Jesus como um pregador simples da Galiléia. 1780). portanto. Reimarus é considerado o precursor. a que se submete também a religião. e sim uma perene investigação. tendo procurado em vão estabelecer o reino de Deus na Terra. Ele ainda considerava que as principais religiões eram expressões diferentes da única religião verdadeira. no âmbito da teologia histórica. cujo ensinamento moral se misturou com a política e a escatologia. responsável pelo novo tratamento dado pelos historiadores e teólogos a detalhes da vida de Jesus. Muitos estudiosos consideram que o maior expoente do iluminismo alemão foi Gotthold Ephraim Lessing (1729-1781). os livros da Bíblia deveriam ser lidos e estudados como todos os outros livros.O fundador do iluminismo na Alemanha foi Christian Wolff. deu azo ao surgimento. a verdade não é uma posse. em especial o deísmo de Locke. a ciência. Para Lessing. . identificação e desenvolvimento de várias tendências religiosas e filosóficas. e que morreu desiludido. que os discípulos teriam inventado depois da morte de Jesus. naturalmente. cujo papel é fornecer uma educação moral para a raça humana. ―a cultura. do tema do Jesus Histórico. responsável pela divulgação do racionalismo de Leibniz. que foi. O iluminismo exerceu significativa influência. Conseqüentemente. ensinando todos os homens a viverem como irmãos. Essa obra expressa a sua crença na perfeição da raça humana e na perspectiva do desenvolvimento de uma consciência moral que poderia conduzir a humanidade a um estágio nunca atingido de irmandade universal e liberdade moral. Foi no Sacro Império Germânico que a teologia iluminista alcançou o seu maior desenvolvimento. sobre o cristianismo de um modo geral. Isso porque a ênfase dos iluministas estava centrada no homem. através do livro Apologie oder Schutzschrift für die vernunftigen Verehrer Gottes (Apologia dos Adoradores Racionais de Deus). superior a todos os dogmas e doutrinas. no século 19. Essa atitude se tornou típica do iluminismo teológico. embora negativa.

o iluminismo tinha pelo menos um ponto em comum com o movimento evangélico: a ética moralizadora da sociedade. o iluminismo exerceu forte influência sobre dois movimentos que marcaram a história recente da civilização ocidental: a Revolução e Independência Americana (1775-83) e a Revolução Francesa (1789-99). para quem ―a moralidade é o alvo da religião‖. A Revolução Industrial também pode ser considerada uma das filhas do iluminismo. de modo que fica difícil discernir fronteiras específicas. Na realidade. o modernismo nada mais foi que uma continuação de seus antecessores: racionalismo. Dessa forma. O primeiro entendia que o Estado era um instrumento estabelecido por Deus para a manutenção da moralidade e para a promoção da verdadeira religião. FASE ROMANTISTA OU MODERNISMO Os diversos movimentos de reação à ortodoxia estão interligados entre si. se constata que é muito tênue a linha divisória entre as fases e subfases do liberalismo teológico. houve um notável desenvolvimento da maçonaria. é um exemplo clássico de moderna teocracia. quer quanto à época de sua aplicação. os governantes. Nessa mesma linha moralizante também se enquadra o racionalismo neologista de Johann Semler (1725-1791). no período de 1555 a 1564. Ainda com base no pensamento iluminista.Os liberais iluministas rejeitaram o antigo aforismo ―todo poder emana de Deus‖. mesmo os reis ou príncipes de sangue. razão pela qual a Genebra calvinista. . que significa a piedade viva que coincide com a consciência religiosa universal‖. deísmo e iluminismo. Não obstante as diferenças essenciais assinaladas. o governo deriva sua autoridade do consentimento do povo governado.36 2. como no que se refere ao seu conteúdo. que afirmou: ―Em contraste com a teologia existe a religião. mesmo com o acréscimo tomista ―para o povo‖. não têm direitos inalienáveis de governo. A concepção dos iluministas era substancialmente diferente: embora reconhecessem a Divindade. Nos campos político e social. Assim. propunham alvos essencialmente humanistas para a sociedade. Pelo contrário. É interessante a comparação entre a concepção de Calvino sobre o Estado e o pensamento iluminista. Isso pode ser constatado na leitura da obra de Matthew Tindal. em especial na Europa e nos Estados Unidos.

ao invés de ser um ato transformador de Deus. ao contrário. Embora já tenha sido mencionado na introdução. Para Kant. mas. o qual é universalmente conhecido. reorganizando-as em torno do conceito de natureza e graça. Quem deu início a esse tipo de teologia liberal foi Immanuel Kant (1724-1804). Na idade média. mas também sobre o século vinte. a síntese de Tomás de Aquino era de origem pagã e aristotélica. fazendo dela um elemento aperfeiçoador da superestrutura. 2. ao invés da felicidade. e sua incapacidade para ocupar-se de tudo o que está além do nosso mundo. colocando em primeiro lugar a ética absoluta.2. Kant logrou sistematizar a confiança do homem moderno na capacidade da razão para tratar de tudo o que diz respeito ao mundo material. esse filósofo merece. ele se posicionou ante a religião enfatizando que a religião moralista da razão é a única necessária. e privava a graça de seu caráter puramente cristão. pois produz modificação no caráter de tal modo que ―o mal radical do homem é derrotado e o bem é trazido à tona‖. para onde haviam convergido várias correntes teológicas e filosóficas no século 19. Kant não se projetou apenas sobre o século dezenove. tem as suas raízes nas idéias do filósofo Immanuel Kant. A influência de Immanuel Kant na Teologia Contemporânea A revolução teológica do século passado que ficou conhecida pelo nome de teologia existencialista ou contemporânea. De certa forma. na própria natureza da vida humana‖. Ao fazer isso. especialmente através do livro Die Religion innerhalb der Grenzen der blossen Vernunft (Religião dentro dos Limites da Razão Somente. As idéias de Tindal estão bem presentes no pensamento de Kant. virtude e imortalidade. um capítulo à parte. Com base nessa premissa. sem nenhuma dúvida. o homem do ocidente havia assimilado algumas dessas idéias.1 Immanuel Kant O modernismo teve origem na Alemanha. mas divergiu do iluminismo no que tange ao propósito da vida. . Kant se mostrou simpático à ênfase deísta apoiada no tripé Deus. Ela não é baseada em uma revelação particular ou histórica. O mundo grego havia elaborado algumas normas religiosas básicas em torno do paradoxo entre a forma e a matéria.2 Um novo conjunto de pressupostos religiosos para o homem moderno. quando ele afirma que ―a verdadeira religião é natural e universal. 1793). o princípio básico da moralidade é o imperativo categórico.

No pensamento do homem moderno. conseqüente e consciente. poderia julgar o mundo do fenômeno e o mundo do número.Kant e sua idéia de autonomia fizeram dessa privação da graça mais que uma simples moldura teológica: pela primeira vez na história da civilização ocidental. modelaram uma nova teologia e um novo mundo. a natureza foi separada da graça de forma elaborada. A história do pensamento e da teologia ocidental desde Kant nos mostra como esses pressupostos religiosos. na filosofia kantiana. nem da negativa de Cullmann de considerar os relatos da criação de Gênesis como história autêntica. produziu uma avaliação muito elevada da capacidade humana. a emancipação de valores exteriores. Em um sentido ulterior. a graça foi suplantada pela idéia de emancipação. trabalhando com idéias tomadas do cristianismo. A natureza era agora interpretada como um terreno infinito que o pensamento matemático autônomo devia controlar. Kant entroniza a razão como sendo o princípio supremo. isto é. e sim em conhecer o que devemos fazer para chegarmos a ser dignos dela. não consiste em conhecer o que Deus tem feito para a nossa salvação. Para Kant. tal como em Bultmann e sua idéia de desmitologização. que apresenta os relatos da ressurreição como estando contaminados de lendas. nem está longe da idéia da razão autônoma como juíza da revelação na análise racional de Pannenberg. emancipada de qualquer pensamento preconizado. A verdadeira religião. passando a ser uma esfera micro-cósmica dentro da qual a personalidade humana podia exercer sua autonomia. 2. até mesmo o conceito de natureza – conservado da síntese medieval aquiniana – se transformou. . Essa moralidade religiosa. segundo Kant. pode ser alcançada sem a necessidade de nenhum aprendizado bíblico. sobretudo da razão humana como autoridade final e como crivo para a verdade. De acordo com essa nova maneira de pensar. A razão. e somente a razão. o homem tinha que nascer de novo como pessoa completamente livre e autônoma.3 A autonomia do homem e sua influência no pensamento religioso moderno. essa autonomia representava a substituição do conceito de revelação do cristão – que tem sua expressão máxima em Cristo e na Bíblia – pela razão autônoma do homem. Não há muita distância entre esse pensamento de Kant e o pensamento posterior dos teólogos contemporâneos. A autonomia preconizada por Kant.

usando uma linguagem kantiana. sendo um percebido pela razão e pelos sentidos. seu único vínculo com o mundo dos fenômenos se daria por meio da necessidade que o homem tem da idéia de Deus para o seu mundo ético. o mundo de Deus. Ele também produz em Moltmann uma teologia da esperança. o numeral que toca o fenomenal. mas que devem ocupar um lugar na vida como se fossem objetos reais ao alcance da razão. ao colocar Deus em um outro mundo. não conhecemos a coisa em si. como ―Aquele que não pode ser explicado como se explica um objeto‖. Segundo ele. devastador.5 O confinamento de Deus na teologia contemporânea. O efeito de tudo isso foi em parte. Da mesma forma. . da liberdade e das idéias reguladoras que a razão não pode explicar. uma vez que o homem não pode perceber as coisas como são na realidade – tanto no mundo dos fenômenos como no mundo dos números – não pode introduzir-se por essa porta para conhecer a Deus. Esse confinamento de Deus no mundo dos números é o tema favorito da teologia contemporânea. Com isso. tanto dentro como fora de si mesmo. como se isso fosse pudesse resolver o problema epistemológico. Deus como origem de todas as coisas. mas a diminuiu de tal forma que o Deus soberano. ou. e o outro. Kant não fechou totalmente a porta do nosso mundo para Deus. o aprisionou com um muro à prova de som. Causa e efeito. mas apenas aquele conhecimento que os sentidos nos proporcionam. da imortalidade. Kant criou dois mundos. Kant tomou emprestado de Hume o problema do conhecimento proposto por ele e o reformulou. tudo isso era para ele completamente evasivo. na diferenciação de Bultmann entre o Jesus histórico e o Cristo kerigmático.4 O relativismo de David Hume e sua influência na filosofia kantiana. o homem como ser contingente. sem entrar nele. Tal confinamento se reforça com a insistência crescente do existencialismo na liberdade. David Hume. havia lançado dúvida em quanto à possibilidade de alguém provar alguma coisa. Nesse ínterim.1). ainda que capaz de falar de um futuro numenal. completamente cética quanto a qualquer fim escatológico na história fenomenal. à saber. cujas vestes enchiam o templo (Isaías 6. Ele reaparece na divisão neo-ortodoxa entre História e Geschichte. 2.2. ele é simplesmente irrelevante. Ele ficou isolado no mundo dos fenômenos e Deus no mundo numeral. porém. filósofo escocês. e reaparece de forma modificada nos primeiros escritos de Karl Barth acerca de Deus como ―Totalmente Outro‖. Esse confinamento do mundo espiritual é o fator preponderante da insistência contemporânea na ―humanidade‖ da Bíblia e da definição barthiana de revelação como sendo o encontro divino-humano. entre o Jesus fenomenal e o Cristo numenal. quase ninguém se atreve a buscar o Jesus histórico. Kant. o mundo dos fenômenos e o mundo dos números. não pode entrar.

e junto com o pressuposto metodológico. Também Barth e Bultmman.2.7 Uma separação radical entre história e fé. .E. dizendo que isso não tem a menor importância diante do que a serpente disse. e aceitando-os. Bultmann fará o mesmo ao rejeitar os relatos evangélicos como sendo produtos historicamente duvidosos por um lado. quer seja em sua forma mais conservadora (como se encontra em Oscar Cullmann e Wolfhart Pannenberg). Também John Robinson. Lessing afirmou que ―o verdadeiro valor de qualquer religião não depende da história. Moltmann o utilizará ao burlar-se da noção clássica de escatologia cumprindo-se na história. A historicidade da Bíblia parece menos importante que aquilo que ela diz. o ensino de Cristo pode e deve ser aceito. 2. fala de uma nova dimensão de vida como ser em profundidade. apesar de todo o seu debate interno. seguem unidos no emprego dessa metodologia. por outro lado. Da mesma forma. Barth fará isso ao ser indagado sobre se a serpente realmente falou no jardim do Édem. O Jesus histórico parecia cada vez mais distante do Cristo da fé. Essa idéia de humanização da Bíblia veio a ser uma das características distintivas da crítica bíblica. Os teólogos contemporâneos apresentam repetidas vezes essa dissociação do Jesus histórico e do Jesus da fé. ou em suas expressões mais radicais (como em Paul Tillich. a autonomia do método sobre o texto bíblico estabeleceu certos pressupostos que o método histórico-crítico ainda mantém. senão de sua capacidade de transformar a vida através do amor‖. John Robinson e nos teólogos seculares). ressurge a idéia de que há erros na Bíblia e que esta deve ser tratada como qualquer conjunto de documentos do passado. afirmando que ainda que a história escrita do cristianismo não se possa aceitar.6 As idéias deístas presentes na filosofia da emancipação e sua influencia na teologia contemporânea. e de Deus como o Fundamento do ser. Acerca desse impasse. por causa da sua compreensão existencial do ―Eu‖. A divisão entre história e fé também se tornou mais tarde um pressuposto da teologia contemporânea. ao mesmo tempo em que rejeita a idéia de céu como sendo um ―lugar lá em cima‖. G. Começa-se então a fazer distinção entre a Palavra de Deus e a Bíblia. O conceito deísta que fez parte do processo de florescimento da autonomia não dava nenhum lugar à intervenção divina na criação por meio de algo sobrenatural e revelador. e ao mesmo tempo falará sobre a igreja orientada para o futuro. como o abandono da doutrina da inspiração verbal.

tais como Robert Nichols. Todos os progressos da religião na história são verdadeira revelação. em algum sentido. Embora sua filosofia encarasse com valentia as questões pleiteadas por Hume. Lançar uma ponte sobre o abismo entre o universal e o finito. pois. por exemplo. Não há. em seu tempo. esse Deus imanente não intervém na natureza e tampouco opera milagres através dos homens. uma plena manifestação do Deus imanente.. diferem substancialmente daquelas esposadas pelo apologista Justino Mártir (c. ele enclausurou os seres humanos no mundo dos fenômenos. associados a muitas idéias cristãs. mas quanto aos seus relativos graus de eficiência. as idéias de Schleiermacher. Portanto. Williston Walker e Justo González. sendo considerado o fundador da moderna teologia protestante. Para Walker. embora parecidas. bem como de outros teólogos contemporâneos. em Seu mundo. Entre tantas objeções que se pode fazer a Kant. desde Kant que a história do pensamento e da teologia ocidental é a história de como seus pressupostos religiosos.] um microcosmo. outra menos verdadeira. e esse pressuposto será um grande dilema para a teologia dialética de Karl Bath. Friedrich Schleiermacher O luterano Friedrich Schleiermacher (1768-1834) é talvez o mais influente teólogo alemão do século 19. Esse sentido de dependência é a base de toda religião. A maior obra de Schleiermacher no campo da teologia dogmática foi Der Christliche Glaube (A Fé Cristã.Não há duvida de que Immanuel Kant teve grande influência sobre o pensamento teológico contemporâneo. Deus está. um reflexo do universo. por conseguinte. O homem é em si mesmo [. 3. considerandose o rol de simpatizantes entre renomados historiadores eclesiásticos. O mestre Justino.42 Contudo. 1831). encontra-se o seguinte conceito sobre religião: O Absoluto está em tudo. deram origem a um mundo novo.. dependente.. não havendo modo da mente fenomenal conhecer o numeral. Como se pode notar no texto reproduzido. eis o alvo de todas as religiões [. Na verdade. Schleiermacher ―deu à teologia nova base e à pessoa de Cristo um significado em grande parte desconhecido em seu tempo‖.165). todas são falsas! .100-c. afirmara: ―O cristianismo é a verdadeira filosofia!‖.. pôr o homem em harmonia com Deus. as religiões não devem ser divididas em falsas e verdadeiras. limitado e temporário – numa palavra. dando a entender que outras existem igualmente boas. entre outros. uma é a mais óbvia: Se o nosso entendimento acerca de Deus não é ao menos alegórico. absoluto e eterno. onde. Em contraste com o que é universal.]. sente-se finito. O teólogo alemão afirmou que o cristianismo é a melhor das religiões. como pode o homem conhecer a Deus? A filosofia de Kant transforma Deus em um ser incognoscível. A influência do seu pensamento no campo da teologia histórica é significativa.

ainda de modo romântico. O Espírito Santo é identificado como o espírito público que aviva a comunhão dos crentes‖. O mesmo raciocínio se aplica às doutrinas da ressurreição. mas psicológico. O mal não pode ser concebido como algo hostil a Deus. No que tange à hermenêutica bíblica. O pecado é simplesmente a carne em oposição ao espírito‖. . Schleiermacher fez as seguintes afirmações a respeito de Deus: 1) Deus e o mundo são. Schleiermacher considerava que ―o espírito é o que há de mais elevado no homem e não pode ser considerado algo mau. Para ele. Há comunicação de atributos somente no sentido da natureza divina para a humana. posto que estes também negligenciavam a morte e ressurreição de Cristo. pois a criação não pode ser combinada com a idéia de um poder espiritual mau e. Bengt Hägglund considera que tal conceito aproxima Schleiermacher dos gnósticos. ascensão e segunda vinda. que permanece passiva. Schleiermacher ataca frontalmente a ortodoxia. Dessa forma. Quanto à doutrina do pecado. Ele preconizava que os intérpretes da Escritura deveriam tentar entender as idéias de seus autores. as histórias do Éden não devem ser interpretadas como historicamente verdadeiras. No que se refere à Trindade Santa. nenhuma realidade ou influência pode ser atribuída ao diabo. Assim.Ao tentar eliminar da teologia todo e qualquer resquício de dualismo. ele rejeitou o conceito de pecado como desobediência a Deus ou à sua lei. entretanto. Influenciado pelo romantismo da época. Schleiermacher não difere substancialmente dos teólogos racionalistas. sendo que a história da paixão serve apenas como exemplo e ilustração da perseverança em meio ao sofrimento. A união do Divino com o humano recebeu sua expressão perfeita na pessoa de Cristo. não se pode atribuir qualquer significado ao sofrimento de Cristo na cruz. não é dependente da doutrina do nascimento virginal. 2) Deus e o conceito natural são um. a qual não deve ser considerada literalmente. Assim. ao afirmar que a obra de Jesus (sofrimento. que eram simples seres humanos. Sua pressuposição básica é que existe um único espírito ou consciência comum que une todos os seres humanos e tal espírito possibilita a correta interpretação. Ainda no campo da cristologia. morte e ressurreição) nada significa para a salvação. em conseqüência. em última análise. idênticos. mas devem ser vistas como expressões válidas da consciência de Deus e não devem ser ignoradas. o teólogo alemão se aproximou da heresia sabelianista ou modalista. Esta união. Daí a não aceitação de que as Escrituras fossem a Palavra de Deus inspirada. A cristologia de Schleiermacher é peculiar. o enfoque principal de Schleiermacher não era teológico. Ao expressar esses conceitos. Dessa forma. a partir de Adão. Schleiermacher rejeitou a idéia do diabo ou de espíritos maus. ele diz: ―O Filho e o Espírito são simplesmente formas de revelação desta substância. e 3) Deus é a única substância indivisível. as idéias de Tindal parecem brotar em seu subconsciente.

surgiu em fins do século XIV e nos primeiros anos do século XX. sem dúvida. configurando uma espécie de monotelismo. A tentativa de aplicar os princípios filosóficos kantianos ao cristianismo protestante constituiu atitude típica de uma era em que havia pouco respeito pelos mistérios da religião e praticamente nenhum temor ante o julgamento divino. O esforço de Ritschl em manter uma teologia de revelação divina sem a fé em milagres foi duramente atacada tanto por liberais como por conserva-dores. Disto resulta uma modificação interna na vontade do homem: o homem chega a reconhecer a vontade de Deus e deste modo se predispõe a fazer o bem. Ritschl fora influenciado tanto por Kant como por Schleiermacher. a partir de Lutero e Calvino. e a de Schleiermacher. na crença de que Deus não é conhecido como autoexistente. Tal transformação interna é o que Ritschl denomina “reconciliação” (Versöhnung). Mediante a fé. defendido por setores da ortodoxia protestante. a teologia do valor moral.1 Ritschl e sua escola Uma teologia liberal até certo ponto nova e original. manifesta-se em boas obras. igreja. revelação. Bengt Hägglund sintetiza o livro da seguinte forma: Salvação. Ritschl não concebia o pecado como corrupção universal perante Deus e entendia que a divindade de Cristo era figurada e se caracterizava unicamente pela unidade de sua vontade com Deus. transforma-se em confiança e filiação. Além de rejeitar o conceito jurídico da justificação. antes perturbada.3. restaura a liberdade ética entravada pelo pecado. Esta. reino de Deus. mas a sua influência na teologia protestante alemã da segunda metade do século XIV foi. por sua vez. Ritschl negou ou reinterpretou as seguintes doutrinas tradicionais: trindade. . que Ritschl define como “justificação” (Rechtfertigung) ou perdão dos pecados. 1870-1874). das quais a mais importante é Die christliche Lehre von der Rechtfertigung und Versöhnung (A Doutrina Cristã da Justificação e da Reconciliação. A influência de Kant se traduz no conceito de religião como o triunfo do espírito ou do valor moral sobre os males da sociedade. muito grande. mas somente até onde ele se auto-revela através de Cristo. pecado original e encarnação. Ritschl foi autor de várias obras. a relação entre o homem e Deus. tendo como divulgadores o teólogo protestante alemão Albrecht Ritschl (1822-1889) e seus discípulos.

3. 1886-1889). ou seja. que se isso for verdadeiro. compiladas e publicadas com o título Das Wesen des Christentums (O que é o Cristianismo. Contudo. As idéias de Harnack sobre os dogmas não eram inéditas. embora concorde com uma possível influência gnóstica. mas no entendimento da religião como um desenvolvimento histórico. . pois tanto Paulo como João usam muitos conceitos helenistas. Harnack procurou apresentar um sumário do que ele considerava a essência do evangelho. onde ele procurou demonstrar que a relevância do cristianismo para o mundo moderno não repousa no dogmatismo teológico. uma vez que ela leva à conclusão de que só deve ser aproveitado no Novo Testamento aquilo que tiver uma ligação clara ou for derivado do Antigo Testamento. havia um grupo que. teólogo e historiador alemão. do elemento periférico ou da ―casca‖. que é permanentemente válido. Harnack O discípulo mais importante da escola de Ritschl foi Adolf von Harnack (1851-1930).2. na formulação do dogma da Trindade e da Pessoa de Cristo. cerca de dois terços da escritura neotestamentária deve ser deixada de lado. Ele também procurou demonstrar que os credos formulados nos Concílios Ecumênicos de Nicéia (325) e Calcedônia (451) usaram um grande número de conceitos retirados da filosofia grega. posto que a primeira onda. o antidogmatismo de Harnack foi muito mais substancial e profundo. Sua intenção era separar essa essência. O miolo da mensagem de Jesus é o reino de Deus. das formas mutáveis de vida e de pensamento nas quais o evangelho foi transmitido. Sua obra mais conhecida é Lehrbuch der Dogmengeschichte (História dos Dogmas. Paul Tillich. considera a generalização de Harnack inadequada. pois no século XVII. paradoxalmente. chegando alguns a considerar os Dez Mandamentos como elementos dogmáticos cuja referência deveria ser evitada no contexto dos padrões de Westminster. e que isto obscurecia a natureza essencial e o impacto prático dos ensinos de Jesus. que ele chamou de o ―miolo‖ do evangelho. e os cristãos devem seguir o exemplo de Jesus de uma ―retidão superior‖ governada pela lei do amor. a doutrina gnóstica. na Assembléia de Westminster. havia sido rejeitada pela igreja. Diz mais. que existe independente do culto religioso. Sua idéia mais distintiva foi que o dogma da igreja primitiva consistia no resultado natural da busca de padrões para filiar membros. Numa série de conferências realizadas em Berlim em 1900. A este desenvolvimento ele chamou de segunda onda da helenização. contemporâneo de Harnack. se colocava contra toda e qualquer idéia de dogma configurada especialmente pelos credos. 1900). grande erudito em patrística.

O Amor que os une é o Espírito Santo – a síntese. que é Deus. mútua aceitação e amor. Tal afirmativa pressupõe a redução do evangelho somente aos sinóticos. desenvolvida por Baur (ver adiante). e o reino de Deus é o estado no qual Deus e os membros individuais de seu domínio estão em uma relação de perdão. Ademais. enfatiza que toda e qualquer experiência humana ou percepção consiste de idéias. Ele se objetiva no Filho – a antítese. na realidade. toda a comunidade cristã primitiva que rodeava Paulo estava impregnada de conceitos helenizantes. A união se dá na mais suprema síntese – o Deus-Homem. Dentre os principais idealistas destaca-se Georg Wilhelm Friedrich Hegel (1770-1831). com base na experiência da ressurreição. Contudo. tudo o que existe só se torna real porque é percebido pela mente do homem. contida na Bíblia.3 Hegel e os idealistas Muitos dos teólogos e filósofos liberais também são considerados como tendo ligações com o idealismo. Na primeira. o cristianismo é a religião absoluta e o universo está em uma constante luta. O processo completo culmina na Trindade. Na realidade. ao concluir a sua análise crítica sobre a obra de Harnack. e foi ela. Esta mensagem original é a mensagem da vinda do reino. Ele afirmou que o evangelho sobre Jesus não está contido no evangelho pregado por Jesus. A teoria do conflito entre Paulo e Pedro. Distingue-se ele da humanidade finita – a antítese. como tal. um verdadeiro e outro falso. afirma que o maior erro dele e de toda a teologia liberal é que ela não está apoiada em uma teologia sistemática. reputado como o principal filósofo alemão de sua época. Tillich. voltou-se contra Schleiermacher. pregada sobre Jesus. ou seja. Harnack cunhou a idéia de dois evangelhos. e mesmo assim devem ser eliminados todos os sinais que identifiquem uma possível influência paulina. . é a fórmula clássica da teologia liberal: o evangelho ou a mensagem pregada por Jesus nada tem com a mensagem posterior. que produziu as doutrinas sobre Jesus. o evangelho de Jesus e evangelho sobre Jesus. doutrinas que não podem ser encontradas na mensagem original de Jesus.Em decorrência da fórmula de miolo e casca. é revivida aqui em uma versão mais refinada. ou seja. Para Hegel. por exemplo. ou seja. No que se refere à encarnação. que Paulo interpreta Jesus de um modo que está muito longe do verdadeiro Jesus histórico. em última análise. Hegel considerou o Pai como a unidade divina – a tese. Hegel afirma que Deus é a tese. 3. ele mesmo se considerava apenas um teólogo e. uma escola filosófica que. Essa. às doutrinas da trindade e da encarnação. ele desenvolveu um método dialético aplicável também à teologia. como. moderna. a partir do Absoluto.

ele acreditava que o autor de Atos era pós-apostólico. em que cada conceito aponta além de si mesmo a outro conceito contrário. Coríntios e Gálatas eram genuinamente de Paulo. O partido de Cristo começou essencialmente como um judaísmo messiânico sob a liderança de Pedro e adotado pelos apóstolos originais – a tese. antítese e síntese ao desenvolvimento primitivo do cristianismo. em especial. mais precisamente em um ensaio sobre o chamado partido de Cristo na correspondência de Paulo aos coríntios. Em seu livro Paulus. nesse particular Baur parece ter sido influenciado por Kant e Hegel. Os partidos petrino e paulino lutaram e dessa luta surgiu o partido joanino. sendo que o Evangelho de João. representada entre outros por Ferdinand Baur e David Strauss. resolvendo-se a oposição em uma unidade mais elevada. 3. Ainda nessa linha. com base em suas pesquisas do Novo Testamento. por seu irenismo e familiaridade com controvérsias da metade do século II. trouxe sérias conseqüências ao desenvolvimento do hegelianismo posterior. que eram grandes admiradores do quarto evangelho. Ademais. Segundo Paul Tillich.Apesar de não ter atacado a teologia ortodoxa tradicional. 1845). achou na filosofia contemporânea de Hegel um instrumento adequado para a remodelação da teologia. por parte do grupo chamado de esquerda hegeliana. o Apóstolo de Jesus Cristo. não poderia ter sido escrito no século I. foi escrito no final da segunda centúria. portanto. teólogo filosófico protestante alemão e fundador da Escola de Tübingen de crítica bíblica. Baur aplicou os mesmos princípios à vida e pensamento do apóstolo Paulo e concluiu que somente as Cartas aos Romanos. ou a Igreja Católica – a síntese. pois sintetiza e harmoniza o conflito entre cristãos judeus e gentios e. der Apostel Jesu Christi (Paulo. ele afirmou que a maior parte do Novo Testamento teria sido escrita no segundo século. ele aplicou os conceitos hegelianos de tese. A tensão inevitável surgiu com o cristianismo paulino a antítese. . o método dialético de Hegel.4 Ferdinand Christian Baur Ferdinand Christian Baur (1792-1860). Assim.

Jesus existiu. Para Strauss.3.5 David Friedrich Strauss Outro membro da esquerda hegeliana foi David Friedrich Strauss (1808-1874). tem sido copiado por algumas crenças esotéricas modernas como a Nova Era. foi uma tentativa de despir o Jesus histórico de sua moldura de mito criada pela imaginação poética da igreja antiga. do mesmo modo que Baur considerou o Evangelho de João como o mais afastado no tempo. em atendimento aos anseios dos homens daquele tempo. que. A vida de Jesus. . justificando-os através da idéia de mito. uma forma personalizada de darwinismo. em sua maior obra. Racionalista não confesso. que teriam sido engendrados por escritores do século II. Strauss publicou o livro Der alte und der neue Glaube (A Velha Fé e a Nova. 1836). Seu conceito de que o homem é a união entre o finito e o infinito. 2) Todos os textos nos quais Deus intervem no curso natural dos fatos são irreconciliáveis com as leis conhecidas e universais que governam os acontecimentos. Das Leben Jesu kritisch bearbeitet (A Vida de Jesus Criticamente Examinada. Os argumentos de Strauss podem ser reduzidos aos seguintes silogismos: 1) Todos os textos que não se conciliam com as leis conhecidas e universais que governam os acontecimentos não são históricos. 1872). considerou os milagres bíblicos atribuídos a Jesus como impossíveis. que esperavam um Messias que fizesse maravilhas e aguardavam o cumprimento das profecias do Antigo Testamento. no qual se propõe a substituir o cristianismo pelo materialismo científico. mas o Cristo do Novo Testamento é essencialmente. em todos os seus característicos sobre-humanos. criação mitológica e deve ser entendido simbolicamente como a realização da Idéia ou Espírito Absoluto na raça humana. todos os textos nos quais Deus intervém no curso natural dos fatos não são históricos. entre o espírito e a natureza. conforme apresentada nos Evangelhos. 3) Logo. influenciado pelo pensador iluminista Reimarus e pelos ensinos da escola de Tübingen. No final de sua vida. de 700 páginas.

Em 1919. Esses princípios serão abordados nos tópicos a seguir. Harnack. Ele foi. caracterizado por uma profunda veia de pietismo e de preocupação pela prática da experiência religiosa cristã. Barth havia aprendido teologia aos pés de dois grandes teólogos liberais. e desde então tem estado no centro da teologia moderna. Ele produziu um impacto tão grande na teologia protestante. O Jesus do mentor de Barth. 1919 tem sido para muitos o ponto de partida da teologia contemporânea. Foi ele quem dominou o ambiente teológico. . Barth se encarregou de repudiar grande parte desse liberalismo clássico. Herrman. não era o filho de Deus único e sobrenatural. passemos agora a discorrer sobre a teologia contemporânea em si. pode se opor à sua teologia ou acolher suas idéias. à saber: Harnack e Herrmann. Porém. e com muito mais força em 1921. formulou os problemas e apresentou as hipóteses de maior relevância. de fato. que ela foi ainda mais revolucionária que a primeira. mas a encarnação do amor e dos ideais humanistas. A teologia desses dois mestres e também a de Barth era o Idealismo teológico. um jovem pastor de uma pequenina igreja da Suíça escreveu um comentário tão radical que certo escritor disse que Karl Barth pegou uma carta escrita em grego do primeiro século e transformou em uma carta urgente para o homem do século vinte. o sentimento. uma bomba que Barth lançou no cenário teológico contemporâneo. aluno do Dr. não era a Palavra infalível de Deus. A medida de toda a verdade era a experiência. Ele transformou a teologia do século vinte em teologia da crise. cheio de erros e que exigia uma crítica radical para encontrar a verdade. Conn. de qualquer forma. Um teólogo católico disse que esse comentário aos Romanos foi uma revolução copernicana na teologia protestante que acabou com o predomínio do liberalismo teológico. Cornelius Van Til. esboça alguns princípios que emanam do comentário de Karl Barth aos Romanos e que parecem ter desempenhado o papel mais influente na formação das novas variantes teológicas. Karl Barth e a revolta contra o Liberalismo Teológico Tendo já comentado a influencia da filosofia kantiana para a teologia do século vinte. mas não pode jamais ignorá-la se quiser conhecer a situação teológica contemporânea. ainda que ordinário. O que havia nesse comentário do pastor Barth que sacudiu os alicerces teológicos do século vinte? Quais foram os princípios que Barth apresentou e que se converteram no legado de uma nova era teológica? Harvie M. totalmente revisada e publicada em 1921.4 . Diz-se da segunda versão do comentário aos Romanos. que todo teólogo do nosso século que quiser estudar teologia a sério. A influência da obra de Karl Barth nessa nova era da teologia é enorme. A revolta teológica contra o liberalismo teológico foi uma das mais notórias características da teologia barthiana. e sim um livro extraordinário. Em 1919. A Bíblia do mentor de Barth. Não há nenhuma dúvida de que o pensamento de Barth dominou o pensamento teológico do seu tempo.

O liberalismo fazia de Deus algo imanente ao mundo. pode-se ler a Bíblia sem ouvir a Palavra de Deus. Segundo Barth. Bart condenou a religião como o pecado máximo. O comentário de Barth também introduziu um novo método para explicar a teologia. O liberalismo havia exaltado o uso aculturado da religião. . A culta Alemanha. Nesse ínterim. diz Barth. a dialética. não podendo ser sintetizada. pelo menos. ainda que o método tenha sido tomado por empréstimo do teólogo existencialista Soren Kierkgaard. a liberal Inglaterra e a civilizada França lutavam como animais ferozes. A Bíblia. Para ele. e não o homem!‖. Barth quis edificar a ética sobre a base da teologia. ou teologia do paradoxo. Em oposição ao antigo liberalismo. A dialética de Barth. um livro através do qual nos pode chegar a Palavra de Deus.. O comentário de Barth aos Romanos surgiu então como repúdio de seus antigos mestres liberais. o que demonstrou que eles eram mestres de uma religião atada a uma cultura. Esse é o conceito barthiano de revelação. O subjetivismo do liberalismo do século XIX havia colocado o homem no lugar de Deus. É esse ato de sustentação do paradoxo que Kierkgaard chama de ―salto de fé‖.] a Bíblia se transforma em palavra de Deus nesse momento‖. porém indireta. Barth se opôs a isso e apresentou Deus como ―Totalmente Outro‖. Barth. até que a Bíblia se torne real para nós. A Bíblia é simplesmente um livro. Esse termo ficou rapidamente associado à obra de Barth. os mestres liberais de Barth se uniram com outros teólogos para declarar seu apoio à Alemanha. e não a Deus. e chamou suas idéias de Teologia da Palavra de Deus. O liberalismo edificou a teologia sobre a base da ética. porém.. Barth exclamou: ―Seja Deus. até que ela nos fale da nossa situação existencial. Este era seu legado kantiano. Kierkgaard havia dito que toda afirmação teológica era paradoxal. O homem devia somente conservar ambos os elementos do paradoxo. O comentário de 1921 de Barth propôs uma nova idéia de revelação. A relação entre Deus e a Bíblia é real. Barth enfatizou a necessidade que o homem tem da revelação. ―é a Palavra de Deus enquanto Deus fala por meio dela [.A primeira guerra mundial e seus horrores acabaram por soterrar o idealismo teológico liberal. mas. ela não é Palavra de Deus. insistiu na distinção entre a Bíblia e a Palavra de Deus.

apenas podemos nos dirigir a Ele [. se dedicaram a buscar nos evangelhos – os quais eles condenavam como não-confiáveis – os fatos históricos sobre Jesus. a revelação que vem de cima para o homem.Tal conceito influenciou muito a teologia barthiana. tudo o que resta é uma cratera abrasada no terreno. mas pela revelação. em oposição declarada ao liberalismo. ao coração do pensamento doutrinário‖. não cabe à teologia medílo em uma forma de pensamento direto ou unilinear‖. ―Ele não pode ser explicado como qualquer outro objeto pode ser.] O paradoxo não é acidental na teologia cristã. a revelação não entra na história. foi a ―infinita diferença qualitativa‖ entre eternidade e tempo. Não podemos falar a respeito de Deus. o homem é justificado por Cristo. céu e terra. nunca objeto.. que também é um legado kantiano. A própria natureza da revelação. mas na realidade não o toca. Os liberais clássicos como o professor de Barth. segundo Barth. em certo sentido. Deus não é simplesmente uma unidade no mundo dos fenômenos.. pois. Um dos pressupostos de Barth. não há nada na história sobre o que possamos basear a fé. A fé é um vazio preenchido não pela história. Harnack. todo homem é escolhido e também reprovado em Cristo. Deus e o homem. segundo ele. Certo comentarista observou que.] Por esta razão. Segundo Barth.. só pode ser assimilada pela mente humana como sendo um paradoxo. Deus fala ao homem como a bomba explode na terra. Barth afirmava que ―enquanto estamos na terra. Barth asseverou que essa busca é um a busca sem importância. ao encontrar a contradição do pecado e finitude humana. é um paradoxo: Deus é o oculto que se revela. mas ainda é pecador. não podemos fazer outra coisa em teologia a não ser utilizar o método de afirmação e contraafirmação. Ele pertence. Segundo Barth. nem sequer com as palavras da Escritura. Sem dúvida o grande tema de Barth. e só pode ser conhecido quando nos fala. de maneira que quando preparava o comentário aos Romanos. Não nos atrevemos a pronunciar em forma absoluta a palavra definitiva [.. Depois da explosão. O comentário de Barth também demarcou a fronteira entre a história e a teologia. . é que Deus é sempre sujeito. a não ser que o consideremos longe‖. Apenas falamos a Deus. e essa cratera é a igreja. Deus chega ao homem como a tangente que toca o círculo. apenas a toca como uma tangente toca um círculo. ―Totalmente Outro‖. Não se pode identificar Deus com nada no mundo. A teologia do século dezenove se dedicou a procurar o Jesus histórico por detrás do Cristo sobrenatural da Bíblia. O comentário de Barth veio reafirmar a transcendência absoluta de Deus. conhecemos a Deus e conhecemos o pecado. a própria natureza de Deus exige que as afirmações que lhe dirigimos sejam revestidas de contradição: ―Não podemos considerá-lo perto. segundo a teologia dialética de Barth. ele é infinito e soberano.

Objeções à teologia dialética de Karl Barth. Jesus deve ser confrontado no âmbito de Geschichte. Mais uma vez a influência do pensamento de Immanuel Kant sobre a teologia de Karl Barth. Ao longo do desenvolvimento da teologia contemporânea. sem dúvida. Em primeiro lugar. ainda que as idéias de Barth representem uma revolta contra o liberalismo clássico.Profundamente influenciado pelos conceitos de história de Kierkgaard e de Franz Overbeck. Geschichte se ocupa daquilo que une essencialmente. principalmente no que concerne ao mundo dos fenômenos e dos números é muito grande. Há. Alguns tomam o tema e o ampliam. em última instancia. chegando mesmo a afirmar que toda a Bíblia é um documento humano falível e que buscar partes infalíveis nas Escrituras é ―simples capricho pessoal e desobediência‖. a ressurreição de Jesus pertence ao âmbito de Geschichte. as idéias kantianas de fenomenal e numenal ―volta e meia‖ reaparecem com uma nova roupagem. e o posicionamento de Barth nada mais é que uma opção por ficar em cima do muro. podendo-se até dizer que a teologia contemporânea tem sua raiz em Konigsberg. não de Historie. que exige algo de mim e requer meu compromisso. A inerrância das escrituras é uma das diferenças cruciais entre o liberalismo e o cristianismo ortodoxo. O que passo a expor agora são algumas críticas que se podem fazer ao pensamento de Barth. no alemão. Barth não aceita a inerrância da Bíblia. a diferença entre a Bíblia como meramente um livro e a Bíblia como a Palavra de Deus depende exclusivamente da reação humana frente a este livro. na Prússia. Historie é a totalidade dos fatos históricos do passado. dentro da sua teologia dialética. e até certo ponto. . podendo ser comprovada objetivamente. a conotação que essas duas palavras têm é bem diferente. algumas críticas que se pode fazer à obra de Barth. Por causa dos seus pressupostos liberais. Sua idéia de revelação. pode-se dizer que ele suavizou algumas idéias mais incisivas. na prática. Ainda que ambos os termos possam ser traduzidos por história. Para Barth. o homem é entronizado no centro da experiência religiosa. Para ele. suas idéias podem ser chamadas de novo liberalismo. Ele mesmo reconheceu alguns de seus excessos e poliu boa parte dos argumentos que enfatizou a princípio. porém sua influência continua sendo grande a ponto de podermos designar o século dezoito e o pensamento de Kant como protótipo da teologia contemporânea. é puramente subjetiva. Segundo Barth. Barth não conseguiu se livrar do ponto de vista crítico liberal das Escrituras. Embora em uma atitude de revolta contra o liberalismo ele tenha exclamado: ―Seja Deus e não o homem‖. Barth dividiu a história em dois níveis: Historie e Geschichte. o âmbito da Historie de nada vale para o crente.

de Barth. se avolumando sob a égide de um novo movimento teológico denominado ―neo-ortodoxia‖. Ele exclui a razão a priori e deixa a porta fechada à percepção humana. é claro. e nos anos que se seguiram. e ao fazê-lo. de que maneira o homem pode conhecê-lo? A separação que Barth faz da Historie e da Geschichte. embora a teologia de Barth tenha sido responsável por uma prática religiosa em que os valores evidenciam a religiosidade do cristão. quase todo o pensamento teológico moderno até a década de setenta envolverá a perspectiva de Barth. Podemos aceitar seus pressupostos ou acirrar-nos contra ele. mas nenhum teólogo de nossa época poderá jamais ignorar a teologia dialética de Karl Barth e sua influência no cenário teológico contemporâneo. depois. separando o cristianismo da história. Ela argumenta na tradição de Nietzche e Overbeck. Ele revoltou-se contra o liberalismo teológico. Barth confina Deus ao mundo dos números e apresenta a dialética – a teologia do paradoxo – como sendo à única teologia possível. . o homem não pode conhecê-lo diretamente. 4. ele jamais conseguiu se libertar completamente do liberalismo teológico de seus mestres Herrmann e Harnack. Como Deus não é um objeto no tempo e no espaço. mas não pode livrar-se de seus pressupostos. acaba por solapar a base do cristianismo. argumentou contra ele. como poderemos aproximar-nos da verdade sobre Deus? Também a sua insistência em descrever Deus como ―Totalmente Outro‖ faz de Deus um ser indescritível. Se toda comunicação histórica e toda experiência direta com Deus se encaixa em uma concepção pagã de Deus. Tal como Kant. Ao que vemos. Sua teologia é de suma importância para o século vinte e.O resultado final da dialética de Barth é a destruição da verdade objetiva. É claro que o propósito de Barth foi tirar do liberalismo o monopólio quanto ao método de interpretação. a revolução se ampliou consideravelmente.1 Neo-ortodoxia: Analisando os pressupostos teológicos do novo liberalismo Karl Barth havia desencadeado uma tremenda revolução com seu comentário aos Romanos. de fato. traz à tona a problemática concernente à historicidade da obra redentora de Cristo como fundamento do cristianismo. Emil Brunner talvez tenha sido um dos nomes mais conhecidos dessa nova escola. A questão é: se Deus é assim tão indescritível e insondável. e visto que a ―inescrutabilidade e recondidez formam parte da natureza de Deus‖. afirma ele. também privou o cristianismo do seu lugar na história. mas ao fazê-lo.

No Japão. Ele argumenta que Deus não pode ser tratado como um objeto de estudo. assim como a de Barth. as criticas de Barth à Bultmann e as críticas que Bultmann devolveu à Barth. A ferrenha diferença de opiniões entre Barth e Brunner quanto à realidade do nascimento virginal e da revelação geral. mas devemos nos relacionar com ele apenas como um ―Tu‖. Na verdade. ou um ―isso‖. foi Barth quem foi apelidado de ―o papa teológico‖. Essa influência de Barth no Japão deve-se principalmente aos escritos de Tokutaro Takahura. bem como a metodologia da estrutura teológica neo-ortodoxa. as três principais correntes teológicas já eram mencionadas como sendo a conservadora ou ortodoxa. tendo exercido influência no oriente. Essa insistência em que Deus é sempre sujeito e nunca objeto será um tema bastante recorrente na teologia contemporânea. A teologia de Brunner. liberal e neo-ortodoxa. Agora. é extremamente subjetiva. conceito que é negado por Brunner. tanto que ao final da década de cinqüenta. mas se defendeu argumentando que se o homem pecador não é mais a imagem de Deus e se não há nenhuma revelação de Deus na natureza. Buscando inspiração nos escritos dos filósofos Martin Bubber e Soren Kierkgaard. Nascido em 1889. então o homem não pode ser responsabilizado pelo pecado que comete. Em um capítulo anterior. Enquanto nos Estados Unidos ele era recebido como um dos mais importantes teólogos. e em 1953 deixou a Suíça para tornarse professor na Universidade Cristã do Japão. Tornou-se professor de teologia em Zurich em 1924. Desde os primeiros anos do comentário aos Romanos. Temos que reconhecer que existe muita rivalidade no movimento. Emil Brunner aceita a revelação geral. estudou em Zurich. apesar da influencia de Brunner. cabe a nós destacarmos os temas comuns. . por exemplo. e a mesma é negada por Barth. Berlim e também no Union Theological Seminary. Barth aceita o nascimento virginal. o mundo inteiro sentiu o abalo da teologia barthiana. em Nova Iorque. ele define o cristianismo e a teologia em termos mais relacionais que racionais.Brunner foi um teólogo suíço residente nos Estados Unidos que também teve participação importante no desenvolvimento da teologia neo-ortodoxa. Ele foi duramente criticado por Barth por afirmar que a imagem de Deus se encontra ainda no homem pecador e que Deus se revela na natureza. de Barth. são indicativos de que as vozes dentro do movimento neo-ortodoxo nem sempre foram unânimes. por volta de 1925. O esboço que demonstraremos a seguir está baseado principalmente na obra Dogmática da Igreja. indicamos alguns dos pressupostos. no Japão ele era conhecido como o único teólogo. a discordância de Pannenberg acerca do conceito barthiano de história. a neo-ortodoxia – às vezes chamada de barthianismo – cruzou muitas fronteiras.

O tema mais debatido pela neo-ortodoxia é o conceito de revelação. A revelação, segundo Barth, é uma perpendicular que vem de cima, e que por isso não pode se comparar com as melhores intuições humanas. A revelação é um evento no qual Deus toma a iniciativa. Também é dito que a revelação não pode comparar-se com a Bíblia, pois é superior a ela. A Bíblia e suas afirmações são testemunhas, são sinais indicadores da revelação, mas não é a revelação em si. A Escritura não é a Palavra de Deus, e nem as afirmações da Escritura são revelação. Segundo Barth, comparar a Bíblia com a Palavra de Deus é objetivar e materializar a revelação. Nesse mesmo terreno, Brunner definiu a revelação como sendo uma ocasião de diálogo em que Deus se encontra com o homem. Não se pode dizer que a revelação tenha acontecido, à não ser que ambos os participantes do encontro – a saber, Deus e o homem – se encontrem. O coração da revelação da Palavra de Deus, segundo a perspectiva neo-ortodoxa, é Jesus Cristo. De fato, Barth insiste tanto nessa idéia que chega ao ponto de negar a existência de qualquer outra revelação, à parte de Cristo. Para ele, a história da revelação e a história da salvação vêm a ser a mesma coisa. No Cristo de Barth, Deus revelou que não queria deixar o homem existir em pecado. Por isso, Barth insiste em que nunca deveríamos mencionar o pecado, a não ser que agreguemos imediatamente que o pecado foi derrotado, esquecido e vencido por Jesus. A reconciliação entre Deus e o homem se efetua por meio de Cristo. Jesus Cristo é o próprio Deus, isto é, é Deus que se humilha a si mesmo. Em sua liberdade, Deus cruza o abismo aberto e mostra que ele é verdadeiramente Senhor. Na encarnação, Deus se humilha a si mesmo. Barth não quer admitir a humilhação do homem Jesus. Segundo ele, dizer que a humilhação se refere ao homem é uma mera tautologia. Que sentido haveria em falar de um homem humilhado? A humilhação é algo natural no homem. Porém, dizer que Deus se humilhou a si mesmo, segundo Barth, é entender o verdadeiro significado de Jesus Cristo como Deus. Ele é o Deus que se humilha que se revela, e é também a própria essência da revelação. Barth afirma que Cristo, embora haja se humilhado como Deus, foi exaltado como homem. Ele se nega a admitir a idéia tradicional dos dois estados de Cristo, humilhação e exaltação, referindo-se à totalidade do Deus-homem em ordem cronológica. Para Barth, Deus se humilhou a si mesmo e o homem (a humanidade de Jesus) foi exaltada. Dizer que o estado de exaltação se refere a Deus também é mera tautologia. Que sentido haveria em falar em um Deus exaltado? A exaltação é algo natural em Deus. Segundo Barth, ―em Cristo, a humanidade é humanidade exaltada, assim como a divindade é divindade humilhada. E a humanidade é exaltada com a humilhação da Divindade‖.

A doutrina de Barth traz implícito o universalismo. Outro problema bastante polêmico dentro da neo-ortodoxia é a ambigüidade de seus proponentes no que concerne à possibilidade de salvação universal. Barth desde o início repudiou o conceito supralapsariano – que é a dupla predestinação – afirmando que a eleição não diz respeito a pessoas, e sim à Cristo. Ele afirma que a tarefa da igreja é proclamar que os homens já foram eleitos em Cristo, e que portanto, devem viver como escolhidos. Para Barth, a eleição não é um estado que adquirimos em Cristo, e sim uma vida de ação e serviço a Deus. Esse conceito barthiano implica em universalismo? Barth não afirmou, mas também jamais negou essa hipótese. Em uma de suas últimas conferências sobre a humanidade de Deus, ele disse que ―não temos o direito teológico de estabelecer quaisquer limites à misericórdia de Deus que se manifesta em Jesus Cristo‖. 4.2 Objeções à neo-ortodoxia. Como se pode observar, muitos pressupostos da neo-ortodoxia são resultantes da influência do liberalismo, o que torna algumas de suas propostas inaceitáveis para os teólogos ortodoxos. Há ainda muita polêmica dentro da neo-ortodoxia, não sendo difícil levantar objeções a essa corrente teológica. O que apresentamos a seguir são algumas objeções mais freqüentes que são levantadas contra a neo-ortodoxia. Primeiramente, a neo-ortodoxia coloca a experiência subjetiva acima da revelação objetiva. Para a neo-ortodoxia, a revelação não é simplesmente uma declaração de Deus ao homem, e sim um encontro divino-humano, uma confrontação e um diálogo existencial. De acordo com essa premissa, a Bíblia não pode ser a Palavra de Deus. Ela se transforma em Palavra de Deus à medida que Deus fala conosco por meio dela. Reconhece-se nessa premissa a dívida que a neo-ortodoxia tem com a escola de filosofia existencialista. A neo-ortodoxia conserva a linguagem teológica ortodoxa, porém a reinterpreta, e muitas vezes o resultado desta reinterpretação é tão nocivo quanto veneno no leite. As doutrinas do pecado original, da queda de Adão, da redenção, da ressurreição e da segunda vinda de Cristo são chamadas de mitos por Brunner e de saga por Barth. A interpretação que a neo-ortodoxia dá a essas passagens é acima de tudo existencial, quase nunca literal, sob alegação de que essas doutrinas não descrevem eventos na história, e sim condições históricas sob as quais todos os homens vivem. Gênesis 3, por exemplo, não deve ser tomado como história literal, sendo apenas uma forma simbólica de explicar a realidade do pecado e do orgulho na vida humana. Esse conceito de teologia não deixa nenhuma porta pela qual possa entrar a pregação da vinda do Filho de Deus como evento a ocorrer na história, por exemplo.

A insistência de Barth em Jesus Cristo como o coração da revelação é tão forte que o leva a negar a existência de qualquer outra revelação de Deus. Essa idéia é contrária a Bíblia, pois esta afirma que Deus se revela através da sua criação (Atos 14.17 e Romanos 1.19-20). O conceito barthiano e neo-ortodoxo de revelação também é contrário à doutrina bíblica da inspiração, e acaba por destruir o caráter bíblico de revelação canônica. Alguns acusam Barth de fazer uma interpretação dualista da encarnação de Cristo, pois ele parece fazer distinção entre as duas naturezas, repudiando por completo o credo da Calcedônia. Ora, Cristo não nos salvou apenas por meio da sua divindade, mas também por meio da sua humanidade. Nós temos paz por meio do sangue da cruz (Colossenses 1.20, Efésios 2.16) e não há nada mais humano que o sangue de uma pessoa. Ainda que Barth diz que nem afirma e nem nega a teoria da salvação universal, sua idéia de ―eleição universal em Cristo‖ parece uma espécie de neo-universalismo. Além disso, seu repúdio pelas descrições do céu e do inferno parecem um conceito de salvação bem diferente do que é apresentado nas Escrituras. O resultado dessa postura ―neouniversalista‖ é a destruição da gravidade da incredulidade, e deste modo a neo-ortodoxia destrói as advertências bíblicas contra a apostasia, bem como o chamado ao arrependimento e à fé. Por várias razões, muitos teólogos têm entendido mal a neo-ortodoxia. Essa corrente teológica pretende, entre outras coisas, ser um retorno ao ensino dos reformadores. A razão de ser da neo-ortodoxia é atacar o otimismo do liberalismo clássico e as corrupções da teologia católica romana. É sua intenção por em evidência a centralidade absoluta da pessoa de Cristo, a transcendência de Deus e a necessidade de revelação. Naturalmente, todos esses pontos básicos estão em harmonia com o conceito evangélico. Apesar disso, como se pode observar, a neo-ortodoxia se separa da fé cristã histórica não somente em algumas esferas pouco relevantes, mas também em seus conceitos básicos. Recomendamos as obras de Barth, Bultmann e Brunner – bem como de outros teólogos neo-ortodoxos – por sua influência e contribuição para o cenário teológico contemporâneo, mas a apreciação dessas obras deve ser feita com cautela e com espírito crítico. 5. Crítica da Forma: O método investigativo de Rudolf Bultmann No mesmo ano em que Karl Barth publicou seu comentário aos Romanos, apareceram mais dois livros acerca de temas neotestamentários que anunciavam uma nova mudança nos estudos críticos. O livro Die Formgeschichte des Erxrngeliums, de Martin Dibelius (1883-1947), foi o responsável por popularizar o jargão teológico crítica formal. Outro livro, Der Ráhmen der Geschichte Jesus (1919), de Karl L. Schimidt, pretendia ser o golpe de misericórdia dos liberais contra a confiabilidade do Evangelho de Marcos. Porém, mais que a estes dois nomes, a coluna vertebral dessa nova mudança estaria associada a um outro nome: Rudolf Bultmann. O livro de Bultmann que revolucionou a história dos estudos da Bíblia foi History of the Synoptic Tradition (História da tradição dos Sinóticos), escrito em 1921. A influência de Bultmann no campo da crítica sobrepujou a de Dibelius.

ao refutar as conclusões de Bultmann. editou e organizou os livros canônicos de forma artificial. inclusive histórias independentes acerca de Jesus. consistindo basicamente de ditos e relatos individuais referentes a Jesus e aos seus discípulos. Até mesmo os seus críticos. que teria sido anterior aos quatro Evangelhos canônicos e diferente dos mesmos.O método crítico de Bultmann é de fato. ―imediatamente‖. Para dar aos Evangelhos um detalhe harmônico. tais como Oscar Cullmann e Joachim Jeremias. A igreja ajuntou essas tradições e usou em forma de narrativa. Para ele. etc. O propósito da crítica formal é encontrar o Evangelho por detrás dos Evangelhos. Como disse K. tal como temos nos sinóticos. O labor do crítico formal é mostrar que a mensagem de Jesus. histórias controvertidas e profecias cumpridas seriam nada mais que uma tradição proveniente de uma fonte tardia e menos confiável. e afirma que a Bíblia não é a Palavra inspirada de Deus em nenhum sentido objetivo. acolheram vários pressupostos da crítica formal. . importante.1 O método investigativo da crítica formal. Com respeito à confiabilidade da Bíblia. Os autores dos evangelhos procuraram unir várias tradições orais independentes e contraditórias que existiam na igreja antes que fosse escrito o Novo Testamento. 5. A premissa fundamental da crítica formal é que os evangelhos são o produto do labor da igreja primitiva. Bultmann vai mais além. teriam sido acrescentados detalhes quanto à seqüência. bem como outros países com tradição no estudo da teologia. lugares. nós ―não possuímos a história de Jesus. Inglaterra e Estados Unidos. e deve ser avaliada como qualquer outra obra literária religiosa antiga. um dos pioneiros no campo da crítica. cronologia. Essas tradições orais também não são dignas de confiança. tempos e enlaces para unir as tradições independentes. de acordo com seus próprios propósitos apologéticos e evangelísticos. os quatro Evangelhos que dispomos servem apenas como ―matéria prima‖ na nossa busca pelo verdadeiro Evangelho. tais detalhes não são confiáveis. inventando lugares. Shimidt. ―em um barco‖. Aos poucos. Frases como as dos Evangelhos. tal como a temos hoje seria apenas uma compilação de lendas e ensinos isolados que foram ardilosamente inseridos como sendo parte da história original. A Bíblia. partindo da premissa de que a igreja primitiva compilou. Segundo a crítica formal. é em grande parte espúria. ainda que receosos quanto à nova matéria que estava associada principalmente ao nome de Bultmann. Segundo os seus proponentes. tendo sofrido acréscimos por parte da comunidade cristã primitiva. ―no dia seguinte‖. usam uma adaptação do seu método crítico. ―em uma viagem‖ – são apenas meros recursos literários usados pelos compiladores dos Evangelhos para unir todas as narrativas. Milagres.L. a Bíblia é o produto de antigas influências históricas e religiosas. temos apenas histórias sobre Jesus‖.

A crítica formal nos lembra que o evangelho se conservou oralmente durante pelo menos uma geração. dentre as quais destacaremos cinco. A crítica formal também nos recorda o caráter ocasional dos Evangelhos. por maiores que foram os esforços de Bultmann. Cada um deles foi escrito com uma idéia. mas ele se mostra extremamente cético.Por fim. e até mesmo com alguns pressupostos de Bultmann. já que as fontes cristãs primitivas não se interessam por isso. o que temos nos Evangelhos canônicos são apenas resíduos do Jesus histórico. como por exemplo. por considerá-las principais. expressam em primeiro lugar uma preocupação vital com a problemática da época. filho de Deus. antes de adquirir a forma escrita do Novo Testamento. E por último. não importa a forma em que a crítica formal os selecione. É claro que o comentário de Bultmann é preconceituoso e tendencialista. de forma quase consensual. o resultado dessa metodologia é essencialmente anti-sobrenaturalista. Ela também nos recorda que os Evangelhos não são relatos neutros ou imparciais. alguns dos pontos sustentados pela neo-ortodoxia. pois há menção da pessoa de Cristo nos escritos dos Pais apostólicos. Como tais.3 Objeções ao método crítico de Rudolf Bultmann. Flávio Josefo e Tácito. como a comunidade cristã ortodoxa havia pensado e praticado anteriormente. Mateus para os judeus. continuam refletindo o Jesus sobrenatural. Os cristãos ortodoxos aceitam. o método crítico de Rudolf Bultmann é demasiadamente injusto com a natureza do Novo Testamento. e não existem outras fontes acerca de Jesus‖. Ele disse: ―Creio que não podemos saber quase nada acerca da vida e personalidade de Jesus. Além disso. e Marcos e Lucas para os gentios. entre outros. Todos os documentos do Novo Testamento. Para Bultmann. principalmente quanto à possibilidade do sobrenatural e do chamado ―Jesus histórico‖. Não há dúvida que Jesus viveu e realizou muitas das obras que lhe são atribuídas. ele não conseguiu demonstrar objetivamente o Jesus ―não-sobrenatural‖. em uma ocasião histórica específica. Assim como a teologia dialética de Barth. a crítica formal nos lembra que os Evangelhos não se interessavam grandemente por detalhes geográficos e cronológicos. 5. Consenso com os cristãos ortodoxos. É claro que esses pontos consensuais são superficiais. sendo fragmentadas e lendárias. Há várias objeções que se pode fazer ao criticismo de Bultmann. . sendo antes disso um testemunho da fé dos crentes.

A primeira delas está relacionada com a história. cada evangelista distribuiu seu material histórico de acordo com seus propósitos. várias vezes eles se mostram cautelosos com os dados históricos. e os Evangelhos a relatos contraditórios. A grande premissa deste método de estudo é que a comunidade cristã. A crítica formal também é injusta com os escritores dos relatos evangélicos. Não há embasamento sólido para a teoria da inconfiabilidade histórica dos Evangelhos. Sua maior responsabilidade não foi a criação de novas tradições. apesar disso.21-22. A igreja a qual Paulo e seus companheiros testemunharam não foi criadora (2 Coríntios 4. os apóstolos eram uma fonte autorizada de informação com respeito dos atos e doutrinas de Cristo. e ainda nos apresentam marcos diferentes da vida de Jesus. O método crítico de Bultmann separa o cristianismo de Cristo. Diferente do que dizem estes críticos. está claro que os apóstolos exerciam um controle estratégico da mensagem oficial da igreja durante os anos de transmissão oral. Marcos e Lucas a meros compiladores de documentos. mas não eram historiadores treinados. O que eles não levam em conta é que dentro dos limites de um esquema histórico amplo. Sua presença tinha como finalidade impedir que surgissem versões deturpadas do Evangelho. porém. Na verdade. narra também alguns fatos embaraçosos. é que a mensagem neotestamentária está centrada na pessoa de Cristo e no que ele fez (2Coríntios 4. Os críticos da tradição de Bultmann argumentam que. A verdade. eles não podem ser um esquema historicamente confiável sobre a vida de Cristo. Segundo a crítica formal. Os Evangelhos possuem uma unidade básica de testemunhos confiáveis de Cristo. mas a crítica formal não reconhece a diversidade de transmissão oral dentro da unidade dos relatos evangélicos. mas apenas receptora da verdade. Eles reduzem Mateus. . Em Atos 4. e não na comunidade cristã.5). a pesar dos muitos sucessos.1. e não criar uma versão mitológica e deturpada do Evangelho. exerceu o papel mais importante na produção dos Evangelhos. como a ausência de sinais de Cristo em sua terra natal (Mateus 13. Eles eram testemunhas oculares. e sim a preservação e proclamação das antigas tradições. Eles também ignoram que o Novo Testamento. Isso tudo viola injustamente a unidade do relato evangélico.1-4).54-58) e a sua agonia no Getsêmani. e não Cristo. cada Evangelho é um marco histórico de certos aspectos da vida de Cristo. a crítica de Bultmann é exagerada porque exige dos escritores dos Evangelhos algo que eles não quiseram fazer. o cristianismo dos apóstolos não passava de versões falhas sobre Cristo e sua mensagem. Porém. como no prólogo de Lucas (Lucas 1. Além disso. por se tratar de uma crônica de contínuos sucessos.1-2).

De tudo isso. de 1963. No capítulo anterior. a idéia recebeu um novo estímulo quando o John Robinson discorreu sobre o tema em seu livro Honest to God.A crítica formal parece esquecer que o lapso de tempo entre os fatos históricos e os documentos escritos é mínimo. e continuar exercendo influência no pensamento teológico contemporâneo ocidental? É isso que estaremos analisando neste capítulo. a teologia da desmitologização é sem dúvida uma parte importantíssima da teologia contemporânea e merece destaque entre as idéias que Bultmann ajudou a preconizar. entre as quais está a desmitologização. a ponto de instigar consideravelmente os teólogos dos Estados Unidos. Mas a crítica formal não foi a única contribuição de Bultmann à teologia contemporânea. segue-se irrefragavelmente que a crítica da Bíblia tal como aparece em Rudolf Bultmann. . é justamente o contrário: os Evangelhos foram recebidos com muita alegria e divulgados pelas igrejas. O que será que há de tão controverso e ao mesmo tempo tão atraente nesse conceito de Bultmann. Apesar disso. Não é possível sintetizar todo o pensamento de Bulmann em uma única palavra. muitas das testemunhas oculares estavam vivas e poderiam facilmente desmascarar os escritores. Outras idéias dele também permearam o cenário teológico do século vinte. O problema em dizer que o NT está repleto de material lendário é que vinte e cinco anos é muito pouco tempo para se formar uma lenda. Quando as primeiras versões evangélicas começaram a circular. é uma analise preconceituosa do relato evangélico. e se por um lado a Alemanha perdeu pouco a pouco o interesse pelos pressupostos da desmitologização. caso estes fossem impostores e estivessem inserindo mitos na narrativa. além de ser ainda hoje a parte de sua formulação teológica mais controversa. como os críticos desejam que seja. O primeiro relato documental foi feito por Marcos e as evidências demonstram que ele foi escrito cerca de vinte e cinco anos após os eventos por ele narrados. Quando Bultmann e outros críticos da Bíblia dizem que a narrativa evangélica está repleta de fábulas que se acumularam durante o período entre a tradição oral e a palavra escrita.3 Desmitologização: O método interpretativo de Rudolf Bultmann Uma das palavras chaves para entender a teologia do século vinte é a ―desmitologização‖. porém. Essa palavra cacofônica é uma terminologia que foi popularizada por Bultmann em um ensaio escrito em 1941. eles esquecem que o intervalo entre os fatos acontecidos e o registro desses fatos é muito pequeno. O que ocorre. apresentamos uma parte muito importante da influência atual de Bultmann. O impacto desse conceito na Europa foi tremendo. Europa e da Ásia. está demasiadamente comprometida com os pressupostos do liberalismo para que possa ser considerada uma analise imparcial dos fatos. 5. tornando-se a partir daí um jargão teológico.

O programa de desmitologização. No centro do programa de desmitologização de Bultmann consta na afirmação de que no Novo Testamento encontram-se duas coisas: O Evangelho cristão, por um lado. A cosmogonia do século primeiro, de índole mitológica, de outro lado. Sendo assim, o teólogo contemporâneo precisa separar o kerigma (transliteração da palavra grega que significa ―conteúdo da pregação‖), de sua envoltura mitológica. O kerigma seria a entranha irredutível na qual o homem moderno deve crer. A idéia de mito, para Bultmann, tem sua origem no pensamento pré-científico do século primeiro. O propósito do mito seria expressar a maneira como o homem vê a si mesmo, e não apresentar um quadro objetivo e histórico do mundo. O mito emprega imagens e termos tomados deste mundo para transmitir convicções acerca do enfoque que o homem tem de si mesmo. No século primeiro, o judeu entendia o seu mundo como um sistema aberto a Deus e aos poderes sobrenaturais. Nessa era pré-científica, acreditava-se que o universo tinha três níveis, com o céu acima, a terra no centro e o inferno debaixo da terra. Bultmann insiste que essa é a visão de mundo encontrada na Bíblia. Esta inserção mítica, segundo Bultmann, também foi utilizada para transformar Jesus. A pessoa histórica de Jesus, segundo esse professor, se converteu rapidamente em um mito do cristianismo primitivo, e é por isso que Bultmann argumenta que o conhecimento histórico de Jesus não tem valor para a fé cristã primitiva, pois o quadro apresentado pelo Novo Testamento é de índole essencialmente mítica. Os fatos históricos acerca de Jesus se transformaram em uma história mítica de um ser divino e preexistente que se encarnou e expiou com seu sangue os pecados de todos os homens, ressuscitando também dentre os mortos e subindo ao céu e, segundo se cria, regressaria rapidamente para julgar o mundo e iniciar uma nova era. Esta história também foi embelecida com histórias milagrosas, vozes celestes e triunfos sobre demônios. Bultmann afirma que toda essa apresentação que o Novo Testamento faz de Jesus não passa de mito., isto é, do reflexo do pensamento pré-científico das pessoas do século primeiro, que criaram esses mitos para entenderem melhor a si mesmos. Esses mitos, segundo ele, não tem nenhuma validade para o homem do século vinte, que acredita em hospitais, e não em milagres; em penicilina, e não em orações. Para transmitir com eficácia o evangelho ao homem moderno, devemos despojar o Novo Testamento dos mitos e encontra o Evangelho por trás dos Evangelhos. É este processo de descobrimento que Bultmann chama de desmitologização.

O processo de desmitologização, segundo o próprio Bultmann, não significa negar a mitologia, e sim interpretá-la existencialmente, em função da compreensão que o homem tem de sua própria existência. Bultmann busca fazer essa interpretação existencialista dos mitos utilizando conceitos do filósofo existencialista alemão Martin Heidegger (1889). Assim, ele afirma que o suposto nascimento virginal de Cristo é uma tentativa humana de expressar o significado de Jesus para a fé. A cruz de Cristo também perde seu significado expiatório. Cristo na cruz não está fazendo nenhuma substituição vicária: ela tem significado apenas como símbolo de que o homem assumiu uma nova existência, renunciando toda a segurança material por uma vida que se vive apoiado no transcendente. Características básicas da mitologia do Novo Testamento. Em ultima análise, Bultmann diz que as características básicas da mitologia do Novo Testamento se concentram em duas categorias de autocompreensão: a vida fora da fé e a vida de fé. A vida fora da fé. Nesse sentido, os termos conhecidos como pecado, carne, temor e morte são apenas explicações míticas da vida fora da fé. Em termos existenciais, pode-se dizer que significam uma vida escrava das realidades tangíveis, visíveis e que perecem. A vida de fé. A vida de fé, por outro lado, consiste em abandonar completamente esta adesão às realidades tangíveis. Significa ainda a libertação do próprio passado e a abertura para o futuro de Deus. Para Bultmann, essa abertura ao futuro de Deus é o único significado real da escatologia. A implicação desse pensamento é que o viver escatológico genuíno é viver em constante renovação através da decisão de obedecer. Objeções à doutrina de Bultmann. A teologia de Bultmann é anti-cristã e herética, e o nosso juízo sobre ela deve ser negativo por vários aspectos: Primeiro, a desmitologização, assim como a neo-ortodoxia, tem grande dívida com a filosofia existencialista, que está em desacordo com o Novo Testamento. No existencialismo, assim como na neo-ortodoxia e na teologia da desmitologização, o enfoque central é o próprio homem, quando na Bíblia o enfoque é Deus. Sob influência do existencialismo, Bultmann coloca o homem no centro das atenções, cometendo uma injustiça e porque não dizer, sendo desonesto para com o caráter teocêntrico do Novo Testamento. O verdadeiro propósito do Novo Testamento é proclamar que o Deus soberano veio ao mundo na pessoa de Jesus para restaurar a natureza humana e resgatar a humanidade. O coração do Novo testamento continua sendo Deus, e não o Homem.

A desmitologização destrói a objetividade do NovoTestamento, portanto, é anticristã. Ela converte a Bíblia em uma religiosidade baseada no irreal e pré-científico. A religião cristã se transforma em um aglomerado de mitos e a historicidade dos eventos milagrosos é logo descartada. Herman Riddebos nota que, segundo Bultmann, Jesus ―não foi concebido pelo Espírito Santo, nem nasceu da virgem Maria. Sofreu sob Pôncio Pilatos e foi crucificado, mas não desceu ao hades, não ressuscitou dos mortos e nem subiu aos céus. Também não está assentado à direita de Deus Pai e não voltará para julgar os vivos e os mortos‖. Segundo Bultmann, ressurreição, inferno e nascimento virginal são palavras desprovidas de significado real, não sendo literais. São dogmas mitológicos e não expressam nenhuma realidade objetiva. O mesmo ocorre com a trindade, com a expiação vicária e com a obra do Espírito Santo. O cristianismo primitivo está marcado pelo impacto da pessoa e da obra de Cristo. Não existe outra justificativa capaz de explicar o nascimento da igreja e da sua teologia, porém Bultmann reduz sua influência à zero. Ele preconceituosamente assume uma postura anti-sobrenaturalista e presume, com base em seus conceitos tendenciosos e sem nenhuma evidência plausível, que todos os relatos confiáveis acerca de Jesus ficaram suprimidos ou destruídos no breve período que transcorreu entre sua vida terrenal e o início da pregação evangélica. Seu ceticismo é insustentável. Será que 50 dias é tempo suficiente para que os discípulos viessem a esquecer tudo o que ouviram e viram? Não foi só Heidgger que influenciou a teologia de Bultmann. As idéias de David Hume, o cético escocês, haviam influenciado o mundo e seu legado se estendia à época de Bultmann. É injustificável a negação de Bultamann dos relatos sobrenaturais e a classificação arbitrária desses relatos como sendo essencialmente mitológicos. Também podemos perceber várias pressuposições do liberalismo clássico na obra de Bultmann, razão pela qual tanto o seu método crítico como sua teologia da desmitologização ganharam o apelido de neo-liberalismo. Bultmann é totalmente incoerente ao basear suas idéias nas Escrituras, pois o que ele chama de mito, a Bíblia chama fato. Seu antropocentrismo pode estar bem de acordo com a filosofia existencialista, mas é totalmente oposto ao caráter teocêntrico do Novo Testamento. O desvendamento das Escrituras pela desmitologização é herético. Ao contrário do que Bultmann pretende, não é a desmitologização que desvendará de modo compreensível as Escrituras para o homem moderno, e sim o Espírito Santo. Somente ele, segundo a Bíblia, é que pode dissipar as trevas da incredulidade levando o pecador a ver o Evangelho. Com seu método interpretativo, Bultmann nos desafia a compreender o homem moderno, quando pregamos a ele. Esse enfoque é digno e necessário, mas não é ―desmitologizando‖ o Evangelho e interpretando-o existencialmente que nós solucionaremos os problemas da humanidade. Ao apresentar a mensagem cristã ao homem moderno, devemos ter em mente que por mais moderno que ele seja, ele ainda é homem natural, e portanto ―não pode compreender as coisas que são do Espírito de Deus, porque lhe parece loucura‖ (1 Coríntios 2.14). Creio que esse versículo, mais que qualquer outro, pode ser aplicado ao método interpretativo de Rudolf Bultmann.

Cullmann tomou os métodos exegéticos da crítica formal para aplicá-lo em sua reconstrução da história do Novo Testamento. O mais interessante na obra de Cullmann é que. a Heilsgeschichte de Cullmann tomou muitas idéias básicas para um novo enfoque da história. Devido a essa relação com os escritos de Barth e Bultmann. principalmente ao fazer distinção entre os elementos essenciais e acidentais da mensagem do Novo Testamento. se opondo fortemente a muitas características radicais da crítica formal e da desmitologização. ao passo que as idéias de Barth têm sido rejeitadas. de que Deus atua na história. Diferente desses dois homens. o Dr. ele não temeu desassociar-se desses homens. segundo ele. Ele diz que Barth e Bultmann assimilaram noções filosóficas estranhas ―que corromperam sua percepção da mensagem espontânea do Novo Testamento‖. ao mesmo tempo em que Cullmann manteve algumas idéias de Barth e Bultmann. porque parte da obra de Cullmann foi escrita de modo a refutar e interagir algumas idéias de dois importantes teólogos contemporâneos. Outro ponto importante na teologia do Dr. O Novo Testamento. e mais dependentes da exegese bíblica do que a obra de Barth e Bultmann. como J. a saber: Barth e Bultmann. ele submeteu suas interpretações ao contexto que lhe oferecia a própria Escritura. Heilsgeschichte. Introduzir neste ponto nosso estudo sobre Cullmann e a Heilsgeschichte é intencional. perito no Novo Testamento. Neste mesmo sentido. Neste livro ele afirma que a teologia cristã primitiva é quase exclusivamente cristologia.K. comunga muito bem com a teologia ortodoxa. Um dos livros mais inteligentes de Cullmann é um estudo exegético dos títulos de Cristo no Novo Testamento. von Hofmann e Adolf Schlater. enfatizou a importância da história para a compreensão adequada da Bíblia. Heilsgeschichte: A escola teológica do Dr. cujos pressupostos já foram apresentados. Ainda que seu conceito de história está bastante renhido com o evangélico. é sábio referir-se as idéias de Oscar Cullmann como sendo neo-ortodoxas em sua orientação. De Karl Barth.C. Também foi influenciado pela compreensão cristocêntrica do barthianismo e pelo conceito definitivo do papel da fé na revelação divina. sua ênfase na idéia central da história da salvação. Cullmann é a ênfase cristológica de seus escritos. é arbitrário e ingênuo. Cullmann é a pessoa que popularizou o termo no século vinte. A palavra ganhou um significado mais pleno dentro da teologia ocidental contemporânea após os escritos do teólogo suíço. Esta diferença entre Cullmann e seus contemporâneos pode explicar porque muitas de suas idéias têm sido aceitas aos evangélicos ocidentais. Ainda que o significado e origem de heilsgeschichte remonta aos teólogos alemães do século dezenove. deve ser a chave para a compreensão de si mesmo. De Rudolf Bultmann. Oscar Cullmann Parte do mundo teológico do século vinte gira em torno de uma palavra alemã. Oscar Cullmann. Seus escritos são menos dependentes do existencialismo e de outros pressupostos filosóficos. que pode ser traduzida para a língua portuguesa como história da salvação.6. Segundo Cullmann. o Dr. . o impulso de Bultmann.

Cullmann afirma que o interprete somente conhece a história quando se identifica com ela. são um drama mundial e Jesus é a figura principal neste drama. ―a revelação se dá em fatos históricos. Os judeus no tempo do Novo Testamento aguardavam a vinda do Messias-Salvador como o anuncio iminente do fim do mundo. como afirma Bultmann. apareceu na história da salvação na fase final do plano de redenção divino. não em palavras. e continua falando da experiência religiosa como ponto de apoio da revelação. A história. perito em Antigo Testamento da mesma escola. As bênçãos da era vindoura começaram com a obra e o testem. A razão pela qual Cullmann não admite que o Evangelho seja revelação é justamente essa: aceitar o Evangelho seria limitar a ação de Deus a essa linha estreita.unho de Cristo. sendo ela mesma a chave de ação na linha estreita da história bíblica. Cullman e os outros teólogos da história da salvação ainda têm dificuldades em considerar o significado da salvação como algo objetivamente acessível. quando o interprete a conhece. A Bíblia dá testemunho que Jesus é o messias e que ele deu início a essa nova era. Como afirmou George Ernest Wright. Cullmann consequentemente está privando a Escritura de ser o dado básico da religião cristã. depois do qual viriam as glórias da era vindoura. para Cullmann. O dado básico passa a ser a história santa e a Escritura passa a ser apenas uma constante desse dado definitivo. Isso implica em uma nova perspectiva escatológica. quando o Reino de Deus estará presente de modo pleno. ao enfatizar a história como veículo da revelação. segundo Cullmann. e o estudioso participa dessa história pela fé. A ação central na história da salvação é a primeira vinda de Jesus Cristo como Salvador. e não em mitos levantados pela igreja. mas sua finalização está reservada para o tempo da segunda vinda. A igreja. Devemos entender o Novo Testamenticomo testemunho dos atos reveladores de Deus‖. A pesar da forte insistência na historicidade dos relatos bíblicos. O tempo. é algo no qual Deus atua para realizar a salvação do homem em Cristo. como escola de interpretação teológica insiste principalmente na história e na revelação de Deus na história. A revelação e a redenção divina estão baseadas em realidades históricas bem objetivas. A Heilsgeschichte (daqui por diante nos referiremos a ela apenas por história da salvação). o centro da história. de modo que a história se encontra em um drama cósmico. . em todo o seu poder e glória. Quanto à revelação. Obviamente que essa é uma idéia neo-ortodoxa. portanto. A batalha que decide a vitória final já teve seu lugar. passa a ser revelação. porém.Principais postulados da escola Heilsgeschichte de teologia. Para Cullmann. a escatologia inclui todos os sucessos salvadores a partir da encarnação e concluirá com a segunda vinda. e não uma realidade em si mesma. Toda a história e todo o tempo.

têm se demonstrado especialmente úteis.1 O pensamento de Cullman e a ortodoxia teológica. em última análise. a menos que o homem a entenda. também deveríamos advertir que ele continua dependendo muito do subjetivismo da neo-ortodoxia. Por último. Suas idéias acerca da relação entre a escatologia e a primeira vinda de Cristo.31-39. e no período pós-guerra esse clamor se intensificou e se homogeneizou com algumas idéias extremamente sociais e humanistas. Apesar da crítica que Cullmann faz do uso da crítica formal por parte de Bultmann. . inclusive para corrigir certa insistência ortodoxa do passado. de tal forma que o pensamento teológico acerca do Reino de Deus se mesclou com as pretensões do papado. ela nem mesmo é revelação. Cullmann chama o relato Bíblico da criação e a segunda vinda de mitos. Na idade média houve uma forte tendência eclesiástica de sacramentalizar a sociedade. A intenção era trazer o Reino de Deus através da força militar e plantar suas idéias na sociedade. o leitor evangélico deve ter sempre presente que os pressupostos básicos de Cullmann são os de Barth e Bultmann e consequentemente essas mesmas idéias às vezes são um estorvo para o exame e compreensão da história da salvação. Com relação ao conceito de Cullmann sobre a revelação. Como já foi esposado anteriormente.13). o que mostra que ele não está totalmente disposto a admitir a realidade da revelação como verdade infalível contida na Escritura. sua ênfase exclusivamente cristológica acaba por converter o cristianismo em cristomonismo – para usar uma terminologia barthiana – .18 e 1Coríntios 15. João 1. Teologia Secular: Robinson. Em meados do século vinte. Sua forte insistência na salvação como um sucesso histórico centrado em Cristo é muito útil como defesa apologética e refuta a contento o programa de desmitologização de Bultmann. pois ao enfatizar demais o cristocentrismo.28). a tendência parecia ser a oposta. ele acaba por negligenciar as formulações cristãs históricas da doutrina da trindade. A teologia da reforma sempre insistiu na necessidade da iluminação do Espírito Santo para compreender a revelação de Deus (1 Coríntios 2. a teologia da Heilsgeschichte se parece muito com a teologia ortodoxa. Junto com isso. Cox e Buren: Uma teologia do mundo para o homem moderno. Começava a nascer então a teologia da secularização. Suas idéias exegéticas a respeito das escrituras também são parte significativa de sua contribuição para a teologia. 7. É verdade que a teologia da igreja primitiva estava marcada pela cristologia (2Coríntios 13. Desde Karl Barth. mas era também uma teologia trinitariana (Romanos 8.6. o uso que ele mesmo faz do criticismo faz distinção entre a Bíblia e a palavra de Deus.14). havia um forte clamor por um cristianismo menos dogmático e mais vivenciável. O maior propagador da história da salvação crê que.

rodeados por um paganismo agressivo e arrogante. porém. já esteve organizado em um forte sistema religioso. segundo ele. Esse tipo de concessão. tão transcendente como na teologia de Kierkgaard. O livro de Robinson começa com o convencimento de que a idéia de um Deus ―lá em cima‖. A Cidade Secular. de Barth e na filosofia de Kant deve ser deixada de lado por se tratar de uma idéia antiquada e errônea. Esse radicalismo ateológico ganhou proporções gigantescas no best-seler de John Robinson. O lema desses novos ―crentes‖. mas sim o mundo e as suas necessidades. e acrescenta que a igreja nunca deveria ser uma organização para homens religiosos. tanto que se cumpre hoje o que foi dito por certo comentarista: ―no fim do século vinte. Por secularismo. deve ser redefinido como sendo o Deus deste mundo (cf. se percebem as mesmas exigências teológicas. que é o desenvolvimento lógico da nossa tendência secularista‖.1 A postura da teologia secular. de Harvey Cox. como ramificação da teologia secular. foram marcados por uma forte tendência secular. O centro de interesse dessa nova teologia não é a igreja. está mudando vertiginosamente. O conhecido movimento da morte de Deus talvez tenha já morrido como moda teológica. ele continua influenciando a igreja e seus ensinos sadios. 2 Coríntios 4. Cox entende o processo histórico pelo qual a sociedade se liberta do controle da igreja e dos sistemas metafísicos fechados. o final do século vinte e início do século vinte e um. encontra sua versão religiosa no que passou a chamar-se teologia secular.Poucos sabem. O problema é que ao invés de buscar a moderação entre a transcendência e a imanência de Deus. Uma das manifestações mais abertas e nocivas dessa ―deserção secularista de Deus‖ que caracteriza a apostasia. mesmo quando pensavam que a idéia de Deus era obsoleta. 7. os cristãos consagrados serão uma minoria consciente no ocidente. mas como fruto do evangelho. mas o secularismo tão presente e difundido em nossa era. De fato. Quais seriam os pressupostos dessa teologia do mundo? Que idéias os chamados teólogos seculares defendem? O que apresentamos à seguir são as principais idéias esposadas pela teologia do mundo. os secularistas conservaram alguma forma moderada de religião. algo totalmente imanente. A princípio. Em outro livro. Honest to God (1963). ele parte para a idéia de um Deus no nosso interior. Robinson reafirma que Deus é o fundamento do nosso ser. Sendo esse um movimento com muitas posições extremas. porém. O Deus da Bíblia. escrito em 1965. apostasia deliberada e oposição aberta ao sagrado. ainda que exige atenção.4). . apresenta o secularismo não como inimigo da igreja. resiste a toda definição. talvez por medo de se oporem ao amor e ao culto cristão. não deve haver uma distinção entre igreja e mundo. cristãos secularistas é ―ama a Deus e faça o que quiser‖.

Ele.Em primeiro lugar. O cristianismo. A idéia liberal de que Jesus foi apenas um homem bom que viveu perto de Deus ganhou vida dentro da teologia secular. e Cristo deve ser visto como o paradigma da existência humana. Buren. a de que ―não se pode encerrar a Cristo na sociedade sagrada da igreja‖. Nas palavras de Robinson. Robinson fala da expiação como ―a entrega completa de Jesus em amor‖. a voz mais eloqüente foi Dietrich Bonhoeffer. escritas na prisão. A terceira objeção diz respeito à possibilidade do sobrenatural. e não lutar contra elas. Com respeito a isso. Existe na teologia secular um esforço para minimizar o sobrenaturalismo. e a idéia do céu é chamada por eles de ―escotilha de escape‖. A conduta de Bonhoeffer é reprovável e anti-cristã. não há espaço para o Jesus salvador. a orar pelas autoridades (1 Timóteo 2. no máximo. assim como Cox e Buren. A Bíblia nos instrui a amar nossos inimigos (Mateus 5. em seus razoamentos teológicos afirma que o próprio Deus deve ser excluído do cenário teológico.2). O único mundo real é o aqui e agora. Muitos dos valores desse movimento teológico foram retiradas do diário e das cartas de Bonhoeffer. a pergunta ―Como posso encontrar um Deus benigno?‖ deve ser substituída por ―Como encontrar um próximo benigno?‖. Harvey Cox diz que devemos deixar de falar da ontologia antiquada para começarmos a falar de funções e de ativismo dinâmico. Os teólogos seculares também afirmam que nossa teologia deve expressar um espírito de secularização. Ele é. um bom exemplo. enquanto este aguardava a execução. .44).Eles reclamam que a igreja tem se esquivado e racionalizado quanto as suas falhas em não enfrentar-se com os males sociais e políticos. os teólogos seculares rejeitaram totalmente o reino sobrenatural e a segunda vinda de Cristo. pastor alemão executado pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial por participar de um complô contra a vida de Hitler. segundo ele. no qual ele ―revela que o fundamento do ser humano é o amor‖. Sem dúvida.4). Na teologia secular. É uma teologia totalmente naturalista. o mais radical dos teólogos seculares é Paul Van Buren. Porém. os teólogos seculares estão de acordo que os problemas deste mundo deveriam ser uma das preocupações vitais da igreja. seus pressupostos nos trazem à mente uma verdade que foi expressa pelo próprio Bonhoeffer. Assim também. repudia a idéia de uma expiação sobrenatural e perdoadora. não a assassiná-los. e a nossa teologia não deve ser confinada às quatro paredes da nave de um templo. e talvez seja essa a razão pela qual ele chegou a ser considerado uma espécie de patrono do secularismo teológico. cujo Deus é literalmente o Deus deste mundo (2 Coríntios 4. deve ser reconstruído sem Deus. O espírito ativista de Hitler é o espírito da teologia secular. O campo é o mundo.

11 ss. encerrados em seus sistemas dogmáticos. e não esperam um reino futuro. 12. apesar do prejuízo causado ter sido maior que o bem que ela tem feito. uma da suas contribuições para a teologia ortodoxa foi plantar algumas perguntas que os teólogos. nunca no homem (cf. A teologia secular fala de um reino centralizado na obra e no futuro de um homem autônomo. A vida cristã é um viver com Deus.7.). não tinham pensado em fazer. mas os teólogos seculares confundem o serviço no mundo com serviço para o mundo. Tal como Bultmann. eles esquecem que o amor de Deus escolhe filhos. quando uma coisa só é necessária.22 ss. .. A teologia secular. O problema é que eles não somente captaram. É verdade que Jesus recomendou que preocupássemos com os males do nosso mundo e buscássemos corrigi-los (Mateus 25. O único reino que a Bíblia conhece está centralizado no poder e na obra de Cristo. A teologia secular demonstra o desejo de uma reformulação do cristianismo em termos que sejam aceitáveis para o pensamento moderno e que possa ser traduzido em termos compreensíveis para o homem do século vinte.2 Avaliação da teologia secular. senão que deixaram dominar-se por ele. mas a si mesmo. A teologia secular é radical e antibíblica. Qual deve ser a reação da igreja perante essas doutrinas? Certamente reconhecemos que esses homens captaram o espírito de nosso tempo. Sua teologia é a essência da apostasia descrita na Bíblia como característica do tempo do fim. e não para servir a ele. Além do mais. Os teólogos seculares vestem seu humanismo de jargões teológicos e nos ensinam a viver no mundo de Marta. mas. Há quem creia que a teologia da secularização tenha trazido apenas prejuízo à teologia ortodoxa. não querem crer em um Deus ativo na criação.31-46). estamos no mundo para servir nele. demonstram seu preconceito quanto ao mundo fenomenal. e não apenas servos. em seu repúdio pela metafísica e a ontologia. Mateus 11. eles ignoram o sobrenatural. e muitas delas têm repercussão missionária e verdadeira importância na contextualização da mensagem cristã para o mundo. A teologia secular é uma teologia mundana elaborada para responder à incredulidade arrogante de um homem que não ama a Deus. Eles não querem uma Bíblia sobrenaturalmente inspirada. é uma vida em adoração e não somente uma vida de trabalhos humanitários.

Essa nova moralidade religiosa. o que denota. é indutiva. Robinson diz que a velha moralidade é dedutiva. professor de ética social no Seminário Episcopal de Cambridge. suas idéias tenham sido rapidamente implantadas nas universidades brasileiras. a ética situacional exalta o homem sobre a lei. O livro de Robinson. sustentada como modo ideal de conduta. e ao distanciar-se perdeu também seus valores éticos. as declarações de fé são voluntaristas e não racionais. eternamente validadas e imutáveis. A nova moralidade. Positivismo – Segundo essa cosmovisão. por sua vez. Com raízes que penetram os princípios éticos de homens como Karl Barth. a prioridade da pessoa sobre os princípios. não havendo imposição moral absoluta. Joseph Fletcher. mas a maneira como o ser humano experimenta esses valores. Ética Situacional: Joseph Fletcher e um novo conjunto de valores para o homem moderno. Ela é uma reação às leis. A popularidade da ética situacional como sistema teológico não teve tanta influência nos seminários teológicos protestantes do Brasil. segundo ele mesmo. embora como sistema filosófico. começando com a própria pessoa. Massachusetts. e consequentemente teve que partir em busca de uma nova moralidade. Com isso. publicou o livro Situation Ethics. O homem moderno distanciou-se de Deus. mais neo-ortodoxos do que propriamente ortodoxos. Relativismo – Conceito filosófico segundo a qual a verdade é um valor subjetivo. . Não demorou muito para que o ocidente abandonasse as idéias éticas tradicionais do cristianismo. É esse novo conjunto de valores do homem moderno que nós denominamos ética situacional. Quanto aos pressupostos da ética situacional. Honest to God. com princípios teológicos mais existencialistas que puritanos. Rudolf Bultmann e Paul Tillich. o movimento chamou a atenção da opinião publica em 1966. se opõe grave e abertamente a muitas formas da ―ética tradicional‖.8. O importante não são os valores objetivos. ou ética situacional. começando a partir de normas absolutas. também ajudou a propagar as idéias do movimento. Fletcher definiu esses pressupostos como sendo: Pragmatismo – Doutrina segundo a qual o valor da verdade é determindado pela funcionabilidade. quando o Dr. normas e princípios morais da velha moralidade. Existencialismo – Filosofia que coloca o homem no centro do universo.

por outro lado. A nova moralidade da qual o homem moderno se vê vestido tende a ver toda a moralidade cristã como um conjunto de tabus que devem ser quebrados a todo custo.O critério fundamental e único de conduta para o situacionista. pragmática. Pode um bom fim ser anulado por um meio mau? Para a ética situacional. Em outras palavras. mas: ―o que eu acho disso?‖. ao contrário. segundo a cosmovisão situacionista. Peter Wagner. John F. ou não permite usarmos quaisquer meios que Deus tenha proibido. As duas filosofias se opõem mutuamente no nível mais básico. crendo que podem induzir esse crescimento numérico por seguirem quaisquer técnicas que parecem produzir resultados naquele momento‖. A principal característica da ética situacional é que o fim justifica os meios. É claro que esses conceitos são demasiadamente ingênuos e conduzem fatalmente à imoralidade. O pior de tudo não é quando as tendências pragmáticas são usadas para construir o crescimento de igrejas – ainda que o pragmatismo já seja um conceito escandaloso em si mesmo – mas sim.1 Conhecendo os pressupostos da nova moralidade. o amor exige o divórcio‖. Por exemplo: ―se o bem estar emocional e espiritual do casal e dos filhos será promovido com a separação do casal. quando a ética cristã é comprometida no afã alcançar as massas. . ela promove a sensualidade. 8. um amor desinteressado e sacrificado. que colocam o crescimento numérico acima do crescimento espiritual. ―de que forma isso pode me dar prazer?‖. a fim de que a graça seja mais abundante. é uma questão subjetiva. Quanto ao pragmatismo como tendência evangélica. ao mesmo tempo. não é um código ético. O pensador bíblico. Não há nela nenhuma menção a pureza sexual. neste caso. McArthur diz o seguinte: ―Oponho-me ao pragmatismo tão freqüentemente defendido por especialistas em crescimentos de igreja. Para Robinson e Fletcher. a nova ética transforma o amor ágape em eros. então. conforme diz C. se importa tão-somente com o que a Bíblia ordena. É tolice pensar que alguém pode ser bíblico e pragamático. Ao afirmar que aquilo que é feito com amor não é pecado. Certo e errado dependem da nossa decisão neste mundo relativista. É justamente esse tipo de pragmatismo imoral e anti-cristão que Fletcher propõe em sua teologia. ―dará certo?‖ e por último ―eu estou fazendo por amor?‖. a fim de alcançarmos os fins que Ele nos recomendou‖. para Fletcher e os demais teólogos da situação. O pragmatista deseja saber o que produzirá resultados. existencial e deve estar baseada no amor. O certo e o errado. porém tal amor é impossível dentro de uma teologia pragmática. em que os fins justificam os meios. o único mal intrínseco é a falta de amor e o único bem e virtude é exclusivamente o amor. a resposta é não. ao avaliar a veracidade de um determinado comportamento a pergunta a ser feita não é ―o que a Bíblia diz?‖. que também é um pragmático: ―A Bíblia não nos consente pecar. e sim o amor ágape.

36). o estudioso A.. bem como na teologia de Friedrich Scheleiermacher.] não faz perguntas embaraçosas a respeito da sabedoria daquilo que estamos realizando ou a respeito de sua moralidade. de um modo quase profético. Em última análise. mas extremamente absoluta que tem seu ápice na pessoa de Jesus (João 14. Além disso. Como corrente teológica. Este mesmo escritor acrescenta. não há razão nenhuma no estudo da verdade. perdão e respeito mútuo.O pragmatismo também foi a maior tendência da igreja ocidental na segunda metade do século vinte. Se todas as reivindicações de verdade são de um mesmo valor. no pensamento do dinamarquês Soren Kierkgaard. Tozer discorreu sobre o futuro da igreja nestes termos: ―Digo sem hesitação que uma grande parte das atividades existentes hoje nos círculos evangélicos não são apenas influenciadas pelo pragmatismo. Qualquer filosofia de ministério do tipo ―fins-que-justificam-os-meios‖ inevitavelmente comprometerá a doutrina. o estupro e o genocídio possuem o mesmo valor dos ideais cristão da caridade. Ao propor um antropocentrismo teológico. Qualquer tentativa de conciliar o relativismo com o cristianismo constitui irracionalidade e fraude.44-48). Dentro de um sistema relativista o assassínio. e está sempre reaparecendo na teologia contemporânea. O existencialismo é uma filosofia centrada no eu.6). Não há nenhuma possibilidade de ser um indivíduo cristão e ao mesmo tempo relativista. a despeito de qualquer proposição em contrário. mas parecem totalmente dominados por ele‖. Em 1955. ao contrário do que ensina o relativismo. onde às vezes a ignorância pretensamente se veste de autoridade espiritual. e não o homem (Romanos 11. se a verdade em moralidade é uma questão pragmática e relativa. o relativismo deve ser rejeitado por várias questões. Se a eficácia se tornar o indicador do que é certo ou errado. e não apenas idéias pragmáticas e relativas (Mateus 5. é um fideísmo exagerado e anti-bíblico. Assim como o pragmatismo. em tom de desabafo: ―A filosofia pragmática [. Aceita como corretos e bons nossos alvos escolhidos. todas as proposições de verdade são verdadeiras. o existencialismo se descaracteriza completamente como proposta bíblico-teológica. Deus é a pessoa central para quem todas as coisas convergem. o relativismo também é uma afronta ao cristianismo. Do mesmo modo. e consequentemente. não há verdade nenhuma. a verdade não é uma questão relativa.W. Com idéias que remontam ao Romantismo. por sua vez. a única razão para ser bom é a vantagem que eu posso tirar da situação. Essa tendência de interpretar a Bíblia em termos existenciais tem sua origem muito antes de Fletcher. Se a verdade é apenas uma questão relativa. buscando meios e maneiras eficientes para alcançá-los‖. A Bíblia nos apresenta um conjunto de imposições morais que devem ditar o nosso modo de viver. O positivismo. Porém.. o existencialismo é uma forte tendência na teologia contemporânea. tem sua maior abrangência nos círculos místicos. portanto. o conceito de verdade para um pragmatista é moldado pelo que parece ser eficaz e não pela revelação objetiva das Escrituras. . como doutrina teológica ela comete erros graves. visto que as duas cosmovisões são mutuamente excludentes. sem a menor dúvida nossa doutrina será diluída.

cujo teor repercutiu grandemente no mundo acadêmico. à fé e à redenção. Se a eficácia se tornar o indicador do que é certo ou errado. . e Ernst Benz. foi publicada a sua segunda obra. de Marburg. entendemos que Pannenberg se encaixa melhor em outro movimento. de Munique. no atempo. revolução e o Futuro). que apresentaremos no capítulo seguinte. Entendendo a teologia futurista de Moltmann. não há como negar que esses homens possuem muitos aspectos em comum. Nosso Deus será Deus quando cumprir suas promessas e com isso estabelecer o seu reino. o futuro é a natureza essencial de Deus. ao juízo. Robinson deixa a impressão de que o homem moderno é tão maduro que precisa de muito pouca – e talvez nenhuma – ajuda espiritual fora dos seus próprios recursos naturais. sem nenhuma dúvida. Revolution and the Future (Religião. Religion. As implicações surgem em vários aspectos. Deus está presente na esperança. 9. Porém. sem a menor dúvida nossa doutrina será diluída. No cristianismo tradicional. A chave central para entender a teologia futurista de Moltmann é sua idéia de que Deus está sujeito ao processo temporal. que saiu em inglês em 1967. Deus não é plenamente Deus. são produto da esperança. Poderia haver sistema melhor para o homem natural? A conclusão quanto ao referido capítulo é aparentemente óbvia: qualquer teologia do tipo ―fins-que-justificam-os-meios‖ inevitavelmente comprometerá a doutrina. Neste processo. porque ele é parte do tempo que avança para o futuro. A ética situacional elabora seu programa sem dar nenhuma atenção ao arrependimento. Deus não é absoluto. Deus não revela quem ele é. Em última análise. a religiosidade idealizada pelo homem moderno. expressando. um jovem teólogo alemão da Universidade de Tubinga fez ressoar a sua voz através de seu livro The Theology of Hope (A Teologia da Esperança).8. Deus está presente apenas em suas promessas. Os teólogos receberam entenderam o livro de Jurgen Moltmann como sendo um chamado refrescante a uma maior valorização da escatologia. Teologia da Esperança: Jurgen Moltmann e a análise escatológica existencial Em 1965. Deus e Jesus Cristo aparecem fora do tempo. desde desonestidade a imoralidade sexual. Desta forma. ele está determinado pelo futuro. além de ser um ataque devastador aos teólogos existencialistas que argumentavam na linha de Bultmann. Na teologia de Moltmann. O sistema ético situacional é um sistema que não pede nada em termos éticos e teológicos. Para Moltmann. o conceito de verdade para um pragmatista/relativista é moldado pelo que parece ser eficaz e não pela revelação objetiva das Escrituras. No ano de 1969. dentro da teologia cristã. em nosso estudo. ainda que seja possível fazer essa distinção. a eternidade se perde no tempo. e sim quem ele será no futuro. Há quem relacione ao movimento outros dois nomes: Wolfhart Pannenberg. a despeito de qualquer proposição em contrário.2 Uma análise da nova moralidade religiosa. Todas as afirmações que fazemos sobre Deus. porém.

Moltmann interpreta como aberta ao futuro. O futuro significa liberdade e liberdade é relatividade. A morte e ressurreição de Cristo são a garantia que Deus dá de que haverá ressurreição futura. O importante é que o futuro se apodere da pessoa no presente‖. Porém. Afirma-se tradicionalmente que a ressurreição de Cristo é a base histórica da ressurreição final. É também ―pregar o Evangelho de tal forma que o futuro se apodere do indivíduo e lhe impulsione a agir de modo concreto para mudar o seu próprio futuro. Assim como na ―Teologia Secular‖. o problema da violência versus não-violência recebe o nome de ―problema ilusório‖. A questão não é a violência em si. Moltmann diz que o homem não deve olhá-lo passivamente. e sim olhar o nosso futuro ilimitado para o Calvário. aberta à liberdade do futuro. A ressurreição de Cristo é um fato histórico que atribui pleno significado ao nosso futuro. O presente em si mesmo não é importante. ele deve participar ativamente na sociedade. as categorias do passado devem ser descartadas. toda teologia cristã deve modelar-se através da escatologia. qualquer conservador certamente saberá reconhecer os erros patentes de Moltmann. Acontece que a escatologia para ele não significa a previsão tradicional da segunda vinda de Jesus. At 4. Porém.2). O cristianismo evangélico relaciona intimamente a ressurreição de Cristo com a escatologia. A tarefa da igreja é não é apenas se informar sobre o passado para mudar o futuro. bem como os horrores que traria a sua visão ética. e sim se o uso da violência foi justificado ou injustificado. Ainda quanto ao futuro. . Realmente um assunto tão importante quanto a escatologia não deveria ocupar as últimas páginas em nossos livros de teologia sistemática. pois não existem formas ou categorias fixas no mundo. Neste avançar para o futuro.Segundo Moltmann.23. O principal propósito da igreja é ser o instrumento por meio do qual Deus trará a ―reconciliação universal e social‖. a questão da historicidade da ressurreição corporal de Jesus não é válida. Deus entrou no tempo. e consequentemente o futuro se tornou algo desconhecido tanto para o homem como para Deus. O Cristo ressuscitado é ―as primícias‖ da ressurreição (1Coríntios 15. para Moltmann. A participação da igreja na sociedade poderá utilizar a revolução como meio apropriado. e por isso. Não devemos olhar desde o Calvário para a Nova Jerusalém. o começo da ressurreição final. Jesus ressuscitou dentre os mortos há quase dois mil anos com seu corpo físico? Para Moltmann essa é uma questão sem importância. aqui também pode ser vista uma profunda consciência para com o mundo. A idéia de Moltmann de considerar a Bíblia desde o começo como um livro escatológico pode parecer um atrativo para o cristão ortodoxo. Moltmann porém diria que a ressurreição final é a base da ressurreição de Jesus. Essa tendência pragmática em que os fins justificam os meios é uma tendência muito forte dentro da Teologia da Esperança. mesmo que ela não seja necessariamente o único meio. Para que o futuro se realize na sociedade.

Moltmann assimilou muitas idéias de Bloch. Ela é mais marxista que bíblica. vemos que nesse intercâmbio. pois no presente ele sequer é Deus. não pode ser teologia bíblica. Moltmann critica muitos conceitos neo-ortodoxos. Barth havia transcedentalisado a escatologia por meio do emprego da distinção entre Historie e Geschichte. Pedro ou João. Como observou certo escritor: ―No monte sinai. no entanto. ―Teologia da Esperança‖ nasceu de um dialogo com o ateu alemão Ernst Bloch. ele não admitia nenhum Deus eterno ou infinito. Para ele. o Reino de Deus se introduz na terra por meio da política e da revolução. Apesar de todo esforço de Moltmann para produzir uma teologia bíblica. Moltmann ultrapassou o limite do bom senso e acabou por propor uma teologia quase tão nociva quanto aquela a que ele se dedicou a refutar. um escândalo e uma nociva ameaça à sã doutrina. mas Moltmann não permitua que Deus lhe dissesse o mesmo. mas ele acaba levando os conceitos barthianos muito mais longe. no entanto.30-31). a teologia de Moltmann destruiu até mesmo a possibilidade de haver história. um tropeço. esse reino é também uma realidade terrenal e tangível. O Deus da Bíblia existe de eternidade a eternidade. no final. . e não a guerra (Romanos 14. A teologia de Moltmann tem maior dívida com Nietzche. seu sistema está mais fundamentado no marxismo do que em Cristo.7). e que ainda incita a rebeldia e a revolução. o de Moltmann. Ainda que Moltmann revista sua escatologia de conceitos bíblicos. e será introduzido por meio da proclamação do poder salvador de Jesus Cristo (Atos 28. o Reino de Deus traz a paz. Em seu afã de refutar as teologias não-ortoxas do seu tempo. ela é a edificação da utopia na terra. Se por um lado a dialética de Barth acabou com a possibilidade da relação entre história e fé. O primeiro livro de Moltmann. Para Moltmann. Quanto ao conceito de Deus. no entanto. em um homem que observa o futuro e age na sociedade.Objeções à Teologia da Esperança. o Reino de Deus é trazido por meio da revolução. Ao entrar no tempo. e quando lemos o seu segundo livro. mas Moltmann foi ainda mais além. Para Moltmann. seu sistema nada mais é do que uma teologia centralizada no homem. com Overback e com Feurbach do que com Paulo. Deus se tornou finito e aberto a um futuro desconhecido. A meta do futuro de Moltmann não é a plena manifestação da glória de Cristo. segundo a Bíblia. A idéia que Moltmann tem da escatologia é destituída de base bíblica. o Reino de Deus é. é descrito na Bíblia como celestial. Essa teologia do Deus finito e temporal. Ela é antes. Para o apóstolo Paulo. o Reino de Deus. e rejeitou todo o conceito objetivo da história. só existe no futuro. segundo ele. Deus disse a Moisés: Eu sou o que sou. porém. e mais filosófica que teológica.

Moltmann está muito mais vinculado a Bultmann que a Pannenberg. Neste sentido. principalmente por seu conceito de redução da história à experiência individual. enquanto Moltmann a relaciona com o futuro. escondendo-a dos ataques da história. .10. Wolfhart Pannemberg. se por um lado há um ponto de contado entre os dois. além do esforço por refutar os pressupostos existencialistas de Bultmann. Ele também se opõe à Karl Barth. ou Teologia da Ressurreição. No final da década de cinqüenta se podia facilmente perceber o surgimento de uma nova escola de interpretação teológica. na Alemanha. Pannenberg apresenta uma forte resistência às idéias de Rudolf Bultmann. e ainda os dois mundos propostos por Kant: o dos fenômenos e o mundo numenal . Ele não consegue assimilar as idéias dialéticas. seria incorreto agrupar os dois na mesma escola de pensamento. Pannenberg reconhece a realidade histórica da ressurreição como algo crucial para a compreensão do Novo Testamento. Apesar do caráter particular da sua obra. Klaus Koch e Rolf Rendtorff. o maior nome dessa nova escola foi sem dúvida o de Wolfohart Pennenberg. a fé está relacionada com o passado. Em sua teologia. por outro lado há diferenças importantes entre esses dois esquemas teológicos. É verdade que Pannenberg compartilhem algumas idéias comuns. jovem professor de teologia sistemática da Universidade de Mainz. As supostas diferenças entre Historie e Geschicthe. acusando-o de proteger sua teologia. A fé não pode ser separada de sua base e conteúdo histórico. tanto que esse grupo de jovens teólogos e a nova escola ganhou o epíteto de ―círculo de Pannenberg‖. nem com suas idéias de revolução social. Outra diferença entre ambos está no modo de entender a fé: Para Pannenberg. entre o Jesus histórico e o Cristo Kerigmático. foi o responsável por dar uma forma mais sistemática ao que posteriormente se convencionou chamar Teologia da História. Pannenberg também não compartilha dos pressupostos marxistas de Moltmann. mesmo com tal similaridade de interesses. A questão da fé relacionada à história. o desejo de uma orientação teológica escatológica e principalmente a ressurreição de Cristo. como o interesse pela relação entre a história e a fé. enquanto Moltmann descarta qualquer interesse pela ressurreição corporal como sendo algo impertinente. na visão de Pannenberg são ―um clamor sem sentido‖. Porém. Esta nova ênfase podia ser claramente percebida nas teses de doutorado de jovens professores como Ulrich Wilckens. isso porque. Os dois também falam da ressurreição de cristo como um tema central da fé cristã. porém. há quem associe a este círculo o nome de Jurgen Moltmann. As idéias de Pannenberg foram revolucionárias em seu tempo. Teologia da história: Wolfhart Pannenberg e a teologia histórica da ressurreição. A pregação da ―Palavra de Deus‖ é uma afirmação vazia se não estiver relacionada com aquilo que realmente aconteceu. Por exemplo: Moltmann não está tão interessado em alicerçar a fé na história. ao ponto de certo crítico afirmar que ele foi o primeiro teólogo alemão contemporâneo a romper totalmente com os pressupostos dialéticos barthianos. Porém.

Pannenberg insiste em que a revelação de Deus não chega ao homem de forma imediata. a revelação se dá exclusivamente por meio de atos históricos. como afirma a escola Heilsgeschichte. mas ninguém se atreve a questionar a realidade do túmulo vazio. a comunidade cristã primitiva não teria conseguido sobreviver. Segundo ele. antes. A fé é. Ele afirma ainda que esta história na qual se dá a revelação. 11. para Pannenberg. ou ramificações dentro da história. . O conhecimento histórico é a única base da fé. não é uma revelação especial que só pode ser compreendida pela fé. Difernte de Moltmann e dos outros teólogos existencialistas. Pannenberg e a ressurreição de Cristo. Eles também não teriam nenhum benefício em inventar uma mentira de tamanha proporção. é uma forte evidência de que Jesus realmente ressuscitou corporalmente. Esta revelação histórica está ao alcance de todo aquele que tenha olhos para ver. e sim mediata. Para ele. caso o túmulo de Jesus não estivesse. por meio dos sucessos históricos. em oposição clara e aberta com a escola Heilsgeschichte. Ele diz estar convencido não só de que a crença da igreja na ressurreição não é um mito pré-fabricado. Não existem partes específicas na história. não devemos fazer distinção entre história salvífica e história secular ou profana (distinção comum tanto na Heilsgeschichte como nas teologias existencialistas contemporâneas). A explicação inventada pelos judeus para refutar a ressurreição é que os discípulos roubaram o corpo. toda história é algo plenamente conhecido e até mesmo ordenado por Deus. o conhecimento da verdade histórica. vazia. como também de que ela é historicamente demonstrável.O conceito de revelação e fé em Pannenberg. O túmulo vazio é um fato histórico e aliado à mudança repentina que ocorreu nos discípulos. de fato. Ele se recusa a explicar os relatos evangélicos da ressurreição como fruto da imaginação dos apóstolos. Pannenberg não busca desmitologizar a ressurreição. portanto. pois estes estavam muito desanimados após a morte de Cristo para chegarem sozinhos à conclusão de que Cristo ressuscitou. uma vez que os atos salvíficos de Deus realmente aconteceram e tem o seu lugar na história. a ressurreição foi um fato histórico. Além disso. A única explicação satisfatória para a repentina mudança que ocorreu nos apóstolos é exatamente a ressurreição corporal de Cristo. isso porque. como ensinou Bultmann.

Uma e outra vez ele insiste em que o nascimento virginal é um mito. uma ameaça à própria revelação. Se a fé está baseada exclusivamente no conhecimento da história e esta é o seu único fundamento. Sua teologia também é importante porque ressalta ao mundo que a fé cristã é a única verdade universal. essa visão que ele possui da Bíblia tem levado muitos a relacionar o seu nome com a crítica histórica e com o próprio Bultmann. Embora o mesmo ocorra no pensamento de Agostinho e até mesmo de Lutero. Ainda que Pannemberg ataque as posições de Barth e Bultmann no que concerne à relação entre fé e história. embora Barth e Bultmann hajam tido debates acirrados. elas apenas podem crer quando ouvem e confiam no relato de um perito em história cristã. Ela é uma brilhante defesa apologética em favor do cristianismo histórico.Objeções à teologia de Wolfhart Pannenberg. Ele também está de acordo com Bultmann em que os títulos que expressam a divindade de Jesus foram criados pela igreja primitiva. Seu sistema é mais ortodoxo que o proposto pelos existencialistas e nos faz lembrar que. não existe grande diferença entre seus sistemas. Ao fazer que a fé dependa exclusivamente da história. Os críticos de também parecem indicar que. de fato. ela é revelação. Ao refutar a idéia neo-ortodoxa de que a revelação só se transforma em verdade para as pessoas por meio de uma aceitação pessoal. Além disso. Pannenberg não pôde explicar de modo satisfatório a razão da incredulidade. . Porque foi que quando Paulo pregou em Atenas uns creram e outros zombaram? A teologia de Pannenberg é muito mais do que uma simples escola de interpretação. Com isso. Ele não confere à toda Bíblia o status de revelação divina. Pannenberg leva-nos a concluir que as pessoas simples e sem condições para efetuar uma pesquisa investigativa. que garante a confiabilidade da informação. Pannenberg destaca que a revelação não se torna revelação quando é compreendida. ele parece tirar a fé das mãos do crente simples e colocá-la nas mãos do teólogo experiente. mesmo quando o homem não se interessa ou busca compreendê-la. sobre esta base. há muitos aspectos em que ele parece mais um herdeiro da neoortodoxia que seu oponente. dando a entender que algumas partes são mais importantes que outras. Pannemberg também ressalta que a falta de uma revelação objetiva da neo-ortodoxia é. Ambos advogam uma teologia dialética que sufoca tanto a revelação histórica como o caráter universal do cristianismo. não são capazes de crer por si mesmas.

Seus conhecimentos de geólogo e paleontólogo são grandes atrativos para o mundo científico. com o que ele alude que na evolução existe uma tendência por parte da matéria. que significa a ―camada mental‖ da terra. publicou uma obra meticulosa sobre Teilhard. Um dos acontecimentos religiosos que mais despertaram o interesse dos teólogos no fim da década de cinqüenta foi a popularidade póstuma do cientista e místico jesuíta Pedro Teilhard de Chardin (1881-1955). e também é chamada de hominização. Embora ele tenha sido um teólogo católico. . Conhecendo a proposta teológica de Teilhard de Chardin. Esta é a fase da história evolutiva da terra aparece a vida biológica na terra. Suas idéias lograram arrancar elogios até mesmo de Dom Hélder Câmara. O ponto de partida do pensamento teológico de Telhard é a evolução. esses livros suprimidos durante toda a sua vida começaram a aparecer. Nesta fase. ou biosfera. Chardin criou o termo noosfera. este teólogo foi impedido de publicar seus livros. a qual ele chama de ―luz que ilumina todos os fatos. arcebispo do Recife. que a faz tornar-se cada vez mais complexa. que apesar das restrições que o Vaticano impôs aos seus livros. o processo evolutivo adquire consciência de si mesmo. Essa noosfera nada mais é do que o surgimento do homem pensante sobre a terra. em 1920. Este processo evolutivo avança segundo o que Teilhad chama de ―lei da consciência e da complexidade‖. estudioso equatoriano. quinze anos depois da sua morte. Para descrever a etapa seguinte. segundo ele. Sua destacada personalidade e seu caráter humanitário podem ser percebidos por qualquer pessoa que o tenha conhecido ou lido algo acerca da vida deste destacado sacerdote católico. A terra. Sua influência pode ser percebida até mesmo nos países que compõem o nosso terceiro mundo. pode ser resumido como consta no seguinte esquema: Partículas elementares (chamadas de Ponto Alfa) => Átomos => Moléculas => Células Vivas => Organismos Pluricelulares. O processo. Ele admite que a terra veio a existir por meio de um lento processo. foi formada ente cinco e dez milhões de anos e desde então vem se desenvolvendo através da evolução. curva a que devem seguir todas as linhas‖. Durante sua vida.12. que pode ser descrito na seguinte ordem: Barisfera (época da ―terra derretida‖) => Formação da crosta => Formação da água e do ar => Formação da atmosfera. permaneceu fiel a sua ordem durante toda vida. Francisco Bravo. alguns dos seus comentaristas mais apaixonados são cientistas e teólogos protestantes. considerados pela igreja católica como sendo nocivos e de conteúdo herético. Esta é a etapa mais importante na história do mundo. Porém. fundador de um sistema teológico que ficou conhecido como teologia da evolução. segundo ele. Teologia da Evolução: Teilhard de Chardin e o darwinismo teológico. Muitos fatores ajudam a explicar a repentina popularidade que alcançou a teologia de Teilhard.

não é exclusividade humana. e sim propriedade geral de toda a vida. o ponto Alfa. a expectativa da unidade perfeita. na qual cada um dos elementos alcançará sua consumação. a teologia evolucionista deste teólogo descaracteriza a criação. Movidos pelas forças do amor. Principais objeções a teologia evolucionista de Chardin. Por meio de um ato pessoal de comunhão. Sua teologia é o reflexo do pensamento naturalista do seu tempo. a união sobrenatural de todas as coisas em Deus. fazendo diferenciação entre microevolução e macroevolução. sendo ele a afinidade do ―ser‖ com o ―ser‖. Os princípios de Teilhard de Chardin apresentam várias dificuldades para o crente ortodoxo. e se encontra no final do processo. dando a perfeição a todas as coisas. Teilhard começa a se apoiar na teologia para predizer o futuro da evolução. ou seja. Isso também é contrário a doutrina da graça. Esse movimento para o centro. Microevolução é a mutação que ocorre dentro das espécies e seria o fator responsável pelas diferentes raças de cães. Sua linguagem é obliqua e seu esforço hercúleo para fazer de Cristo o centro da evolução é desonesto e contraditório.. Nesta etapa. é também contrária a Bíblia. Ao contrário disso. Na teologia darwiniana de Teilhard. e converge no que ele chama de Ponto Ômega. para Teilhard. e com a evolução das espécies à partir das espécies criadas por Deus (Gênesis 1. é o processo de amor. mais que a causa eficiente do universo. Deus será tudo em todos (1Coríntios 15. Assim como todas as teorias evolucionistas seculares. e criando cada ser em conformidade com a sua espécie. Cristo incorpora em si o ―psiquismo‖ total da terra. O Cristo de Teilhard é o reflexo no coração do processo do ponto Ômega. os fragmentos do mundo se buscam para que o mundo possa chegar a ―ser‖. O amor. ao mesmo tempo que o universo. desde Kant aparece e reaparece na teologia contemporânea. Há muitos teólogos contemporâneos que concordam com a teoria da antiguidade da terra.Nessa etapa de sua teoria evolutiva. e o universo se auto-realiza em Cristo. . tal como aparece na Bíblia.28). etc. Deus vem a ser a causa final. segundo a qual o aperfeiçoamento advém da comunhão com Cristo Jesus. numa forma superior de panteísmo.21-25). Assim como as teorias evolutivas seculares. segundo ele. Sua ênfase na personalidade autônoma que. a teologia de Teilhard Chardin parte do pressuposto de que o homem alcança sua verdadeira dignidade e plenitude espiritual por meio do processo evolutivo. Assim sendo. mas nenhuma dessas concessões desabilita o esquema de criação conforme narrado em Gênesis. Cristo é o centro do processo evolutivo e o seu princípio básico. Ele vê todo o processo evolutivo que começa com as partículas. Dessa síntese filosófico/naturalista procedem as demais divergências de Teilhard com a teologia ortodoxa. diferentes tons de pele. a teoria de Teilhard é macroevolucionista e negligencia completamente o ponto mais básico da criação que é Deus fazendo todas as coisas do nada pela sua palavra.

Teologia do Processo: Dr. através da desordem material. morte. sem fazer nenhuma alusão à graça de Deus. Charles Hartshorne e a Teologia do Deus Finito De origem norte-americana. A teologia do processo como escola teológica é uma tentativa de restabelecer a doutrina de Deus em um mundo extremamente cético. Ele se emociona tanto com a evolução que se esquece que. Não há como sustentar esse sistema teológico sem perder a identidade cristã. que por sua vez. Talvez essa seja uma das razões da sua difusão rápida. solidão e angústia. A teologia de Chardin não permite que a graça seja graça.Como todas as teorias evolucionistas. segundo a fé cristã. Em última análise. Por essa mesma razão. Ele divaga pela senda do universalismo e do panteísmo. 13. da Universidade de Chicago. e não a teoria da evolução. apresenta dois grandes inconvenientes: Primeiro. Alfred North Whitehead (1861-1947). Teilhard foi um homem totalmente deslumbrado com as teorias científicas do seu tempo. que se manifesta em planos diferentes. A proclamação da evolução constante por parte de Chardin nunca se vê alterada pela realidade bíblica do pecado no homem. a teologia da evolução de Teilhard é demasiado otimista. essa nova escola teológica tem como seu maior expositor o professor Dr. o resultado de tal união é a perda tanto do mundo. a saber. prometendo um final feliz para todos. a filosofia do processo. bem como as teorias evolucionistas seculares. elaborada pelo famoso matemático e filósofo. elaborou sua filosofia em torno de algumas idéias de Charles Darwin. Charles Hartshorne. como de Cristo. tal união tem como conseqüência lógica a deificação da criação (panteísmo). A idéia de Teilhard de união do universo com Cristo. e nem permite que o pecado seja pecado. O homem moderno está disposto a aceitar qualquer tipo de droga entorpecente que se apresente sob o pseudônimo de ciência. . chegando ao ponto de afirmar que a evolução é ―o sucesso mais prodigioso que a história jamais se referiu‖. é antagônica a Bíblia. a doutrina bíblica do juízo quase não se vê na obra de Teilhard. Em segundo lugar. o maior sucesso da história é a vinda de Cristo. para ele. Assim como as outras teologias radicais surgidas no século vinte. sendo que o universo representa o corpo orgânico de Cristo ainda em evolução. a teologia do processo também toma por empréstimo alguns pressupostos de uma vertente filosófica contemporânea. é uma superabundância da estrutura de um mundo em evolução. A teologia da evolução. a cristologia de Chardin transforma o Cristo da Bíblia em um Cristo cósmico. O mal.

atrás e dentro do fluxo passageiro das coisas imediatas. O legado kantiano. Objeções à teologia do processo. algo que é uma possibilidade remota e mesmo assim é o maior de todos os atos presentes. Deus. Harthshorne desenvolveu ainda mais a filosofia de Whitehead e aplicou suas conclusões no cenário teológico. como se pode observar. na teologia do processo também há um grande apelo à autonomia e a liberdade humana. é ―co-criador‖ do universo.. Nas palavras de Hartshorne. Deus. está bem latente na filosofia de Whitehead. ―Deus literalmente contém o universo‖. o que reduz o cristianismo bíblico a uma mera versão panteísta de religião. Desse modo. ―não é um ser. algo que é real e ao mesmo tempo espera por realizar-se. Whitehead desenvolveu seu sistema ao redor da idéia de que o mundo é dinâmico. Com isso. o livro de apocalipse e as profecias bíblicas perdem todo o sentido. segundo Whitehead. Associado com teólogos radicais de língua inglesa como Norman Pittenger. A criação de Deus é um processo contínuo. não há certeza alguma quanto aos eventos futuros. uma coexistência de ordem e liberdade na qual o homem participa para criar o futuro. Os teólogos do processo também comprometem a soberania de Deus. possuí-la é o bem último. pois uma vez que não há um Deus soberano e onisciente. e mesmo assim. Assim como na teologia de Paul Tillich. em que o ser incluía o porvir. segundo a teologia do processo. ―é a visão de algo que está além. . Essa tendência teológica torna injustificável a escatologia. estando sempre em constante processo de transformação. Daniel Day Willlians. reduzindo Deus à uma força que existe como o aspecto principal de todas as coisas. Whitehead lhes serve como ponto de partida. emergindo sempre em tudo. devemos demonstrar a realidade objetiva de Deus através de uma metafísica racional. A religião. a teologia do processo descaracteriza Deus. o teólogo do movimento. isso porque tanto ele quanto Whitehead assimilam idéias evolucionistas. está além do nosso alcance‖. Segundo ele. o grupo está convencido que para responder à ―Teologia da Morte de Deus‖. Schubert Ogden e John Coob Jr. Os filósofos antigos desenvolveram seus sistemas em torno da idéia de que o mundo era algo fixo.Pressuposições da Teologia do Processo. Assim como na filosofia kantiana. Nesse sentido. reduzindo-o a um mero conceito panteísta. a teologia do processo tende à dissipar a idéia de Deus como ser pessoal. tanto na história como na natureza‖. e sim uma força dinâmica por detrás da evolução. As idéias de Chardin também são muito parecidas com a dos teólogos do processo. até Deus está sujeito ao porvir (um conceito semelhante ao do teísmo aberto e da teologia da esperança). para ele.

como pode fazer predições sobre o futuro? A conseqüência lógica do seu sistema é que não pode haver predição ‗cem por cento‘ segura na Bíblia. Há um abandono do sobrenatural. a teologia do processo está muito mais fundamentada em hipóteses filosóficas do que naquilo que a Bíblia realmente diz. penteísta e consequentemente. pois parece altamente improvável que um ser que não tenha presciência plena dos contingentes futuros saiba o que acontecerá. Dessa forma. finita. mas se Deus é ignorante em relação a grandes períodos da história futura. esse biblicismo é apenas aparente. . Como disse Carl Henry: ―apesar de todo esforço. A Bíblia na afirma categoricamente: “Deus não é homem para que minta”. e não somente isso mas também retira o próprio Deus Soberano do cenário e introduz em seu lugar uma divindade caricata.Ainda que muitos teólogos do processo se neguem a admitir que descrevem Deus em termos panteístas. Ao negar o conhecimento que Deus possa ter de fatos ainda não ocorridos. A doutrina da ressurreição. uma intervenção direta no livre-arbítrio humano. fala e atua por conta própria. e manifesta seus designos de forma inteligente. Cristo aparece mais como um ―símbolo‖ da atividade divina na terra do que como uma intervenção divina no curso desse mundo. um conceito mental tomado à partir de analogias da experiência humana. o Deus pessoal da Bíblia que se auto-revela. Além disso. também é insustentável porque tal ato seria uma coerção divina. dentro da teologia do processo é ―uma seqüência de experiências pessoalmente ordenada‖. o mundo também condiciona as atividades de Deus. Sua cristologia também é bastante confusa. mas suas conclusões o dissociam do Deus encarnado. segundo os teólogos do processo. de que maneira qualquer uma das profecias preditivas das Escrituras poderia ser qualquer coisa além de probabilidades? A teologia do processo aniquila a fé que o crente tem em Deus. a redenção se transforma em relação e a ressurreição se transforma em renovação. e o Deus vivo da Bíblia fica submerso em termos imanentes‖. Mesmo que a teologia do processo tenta dar um ―toque bíblico‖ em sua teologia. em sua teologia o mundo se torna necessário para que Deus exista. os milagres desaparecem. a teologia do processo põe em risco a credibilidade das Escrituras. [na teologia do processo] a criação se transforma em evolução. impotente. Como se pode perceber. Ele é um homem em quem Deus atuou. pois se Deus não tem nenhum conhecimento dos fatos ainda não ocorridos. Como podemos ver. Um evento tal como esse acabaria por forçar nossa vontade. também na teologia do processo há uma tendência em reinterpretar os milagres da Bíblia em termos existenciais.

em Nova Iorque. Como encontrar a verdade? E de que modo podemos construir uma teologia? . entre a crítica destrutiva da desmitologização e o existencialismo neo-ortodoxo. O teólogo Willian H. Ao chegar nos Estados Unidos. o ―sobrenaturalismo do cristianismo histórico‖ é muito transcendente para que o homem possa encontrar nele a resposta. Paul Tillich se tornou professor do Union Theological Seminary. arte e análise política. não formou especificamente uma escola teológica específica. Se por um lado a filosofia naturalista não pode responder os questionamentos do homem. 14. O fato é que Tillich se valeu das elucubrações de ambas as partes. Falando do ―princípio de correlação‖. e é isso mesmo que ela é. psicologia. coletando ―supostamente‖ o que havia de melhor nessas duas escolas. por essa razão. lhe renderam o título de ―teólogo dos teólogos‖. Pressupostos da teologia de Paul Tillich. Há pelo menos três grandes vultos teológicos do século vinte. dedicou seu tempo para ajudar os refugiados da Europa. por outro lado. Já apresentamos dois deles. Queremos agora apresentar o terceiro deles. Ele se situa exatamente no centro. à saber: Barth e Bultmann. mas tal comentário será sempre especulação. no entanto. segundo ele. Hordern define a teologia de Paul Tillich como sendo ―a fronteira entre o liberalismo e a neo-ortodoxia‖. filosofia. Paul Tillich. Na Europa ele é considerado um liberal e ferrenho opositor de Barth e Brunner. Há quem pense que seu existencialismo teológico tenha surgido nesse período e especificamente por causa dos horrores da guerra. Tillich desenvolveu um sistema teológico que resiste a qualquer rótulo. Sua profunda erudição e seus conhecimentos de história. Sua experiência como capelão no período da guerra fez com que ele tivesse uma vívida impressão dos problemas sociais. Parte da popularidade de Tillich nos círculos acadêmicos deve-se a sua profunda preocupação em encontra alguma forma de relacionar a mensagem da Bíblia com as necessidades do século vinte. Apesar de não ter formado uma escola específica. A mensagem do cristianismo surge como ―um conjunto de verdades sagradas que apareceram em meio à situação humana como corpos estranhos procedentes de um mundo estranho‖. Tillich é mesmo uma figura controversa. ele argumenta que deve haver uma correlação entre os problemas do homem e a fé cristã. sua intelectualidade não o privou de prestar importantes serviços sociais e religiosos. apesar das semelhanças. a teologia. Na América do Norte. é provável que somente Rudolf Bultmann tenha exercido uma influencia igual no cenário teológico mundial. neo-ortodoxa e liberal. Embora fosse um homem de grande erudição. ele é mencionado em conjunto com Barth e Brunner.Teologia do Ser: Paul Tillich e a fronteira entre o liberalismo racionalista e a teologia existencialista. Porém. ele é considerado como pertencendo a escola neo-ortodoxa e em alguns círculos teológicos. apelido pelo qual é conhecido hoje nos círculos acadêmicos. Exerceu capelania durante os quatro anos da Primeira Guerra Mundial e participou do Movimento Socialista Religioso na Alemanha. Tendo fugido da tirania de Hitler em 1933. e talvez. além de sua especialidade.

O pecado é a alienação do fundamento do nosso ser. o homem é religioso quando está ―essencialmente preocupado‖. em que se rompe a distância. Nós nos preocupamos essencialmente quando ponderamos sobre aquilo que tem o poder de destruir ou de salvarnos. A ressurreição. ou aquilo que tradicionalmente chamamos de Deus. o estaríamos reduzindo a um objeto e uma criatura. mas também sem sentido. no qual se dissolve toda alienação que tenta diluir a unidade do homem com Deus. afirmar a existência de Deus é tão ateu quanto negá-la. Cristo é o símbolo do ―Novo Ser‖. pois mesmo que o considerássemos como o ser mais elevado. e isso foge a nossa compreensão. para Tillich. tais como justificação. Essa preocupação. Ele esta além do ser ou das coisas. começamos definindo a religião.Para Tillich. ele define Jesus como o símbolo no qual se supera a alienação. Deus não é apenas o Ser. O relato da crucificação é mencionado como lendário e contraditório. . A responsabilidade pelas tensões da vida moderna não está relacionada a um conceito clássico de pecado. Segundo ele. Por isso. a afirmação ―Deus se fez homem‖ é uma afirmação não apenas paradoxal. tais como o ser e o não ser que tanto o angustiam. A justificação também não é um ato soberano de um Deus pessoal. Ela se resume na entrega total de nosso ser. isso porque o Ser transcende à existência. Este Ser (com maiúscula). tem o poder de elevar o homem sobre si mesmo. como portador do ―Novo Ser‖. significa simplesmente que Jesus foi restituído à sua dignidade na mente dos discípulos. paradoxalmente não é nem uma coisa nem um ser. segundo ele. A regeneração é descrita por ele como ―ser incorporado na Nova Realidade manifesta em Jesus‖. A religião não é apenas uma questão de ter determinada crença ou praticar certas ações. O essencial é o próprio Ser. As descrições da salvação em seus aspectos. Em sua cristologia. A santificação é o processo através do qual o Novo Ser transforma a personalidade e a comunidade fora da igreja. Nossa preocupação é essencial quando ponderamos sobre aquilo que é a soma da nossa realidade e a estrutura e objetivo da nossa existência. A palavra ―símbolo‖ é resultado do repúdio de Tillich por qualquer interpretação ortodoxa acerca da pessoa e da obra de Cristo. Quanto ao pecado. Tillich o define em função do ser e da alienação do Ser. Não podemos compará-lo a nada a fim de definilo. mas também o poder de Ser por si mesmo. e sim uma palavra simbólica que indica que o homem é aceito apesar de si mesmo. segundo ele. Para Tillich. regeneração e santificação também estão sujeitas à reinterpretações. o que seria uma explicação superficial e simplória. A preocupação essencial é aquela que tem prioridade sobre todas as preocupações da vida. Essa preocupação essencial é o que determina nosso ser ou o não-ser. Ele é a resposta simbólica do homem para a sua busca de bravura para superar as situações que o limitam.

Quando nos deparamos pela primeira vez com a obra de Paul Tillich. No entanto. entre elas a sua rejeição da Bíblia como palavra de Deus. O conceito de ―Ser‖ que Tillich apresenta se assemelha muito mais a um aspecto desse mundo do que existe por si só e independe de sua criação. não é aplicável aos problemas da nossa época. interpretada da maneira tradicional. Há várias objeções que se pode fazer à teologia de Tillich. mas não é uma pessoa que se comunica ou com quem possamos ter comunhão. No entanto. Tillich reduz Jesus a um mero símbolo. a maior falta dele não foi substituir a teologia pela filosofia. ele argumenta que a Bíblia. Como escreveu o crítico Kenneth Hamilton. Deus é um poder racional que penetra a profundidade do ser. temos a impressão de estar diante de um incrível tratado teológico produzido por uma mente enciclopédica. o que faz dele um absoluto nada. não há mais distinção entre Criador e criatura. e que não é nem sobrenatural nem natural. O ―princípio da correlação‖ de Tillich afirma que a filosofia pode dar-nos uma analise adequada da situação humana. Sua doutrina definitivamente não é doutrina bíblica. nesse caso. A Bíblia. Seguindo os moldes neo-ortodoxos e liberais. mas estará sempre em plano secundário. No sistema dele. pode até aparecer. Não entendemos o porquê Paul Tillich insiste em empregar a palavra Deus com sentido cristão. precisa. A soteriologia de Tillich não tem significado concreto. Sua cristologia também é uma fraude. ―sua maior falha foi substituir a Palavra de Deus pela palavra do homem‖. exceto pela sua afirmação de que só ele foi e é o Cristo. Também não conseguimos entender que tipo de Deus pode estar além da transcendência. Por esta causa. exceto como um símbolo a mais para descrever uma situação existencial que não tem relação com o Deus Vivo. porém na maioria das vezes. Tillich utiliza a filosofia para analisar os problemas mais profundos da existência do homem contemporâneo. As vezes essa tradução nos ajuda a ver as coisas sob uma luz mais clara e profunda. sutil e tremendamente criativa. Essa teologia diluída poderia ser bastante aceitável para um budista ou um hindu.Objeções à teologia de Paul Tillich. sua tradução faz violência tanto ao Espírito quanto à letra que ele traduz. e sim uma ―tradução‖ da linguagem teológica em termos teosóficos e ontológicos. sua teologia não é especificamente cristã. . Sua idéia de Deus não é trinitária e nem pessoal. Religiosos de ambos os grupos certamente abraçariam com alegria seus pressupostos.

a ocorrência literal dos milagres e o maior milagre do cristianismo: a ressurreição. conforme já foi dito no capítulo primeiro. A análise que fazemos dessas propostas teológicas encontra seus pressupostos na ortodoxia bíblica. porque temos asseverado contra Deus que ele ressuscitou a Cristo. salvo nas esferas seculares. Muitos dos programas teológicos até aqui apresentados foram postos em caráter de informação. abordaremos três correntes teológicas cuja presença é marcante no Brasil. passando pelas principais escolas teológicas da era contemporânea. E. . se não há ressurreição de mortos. apresentada por nós no capítulo dez sob o título de ―teologia do processo‖. onde o liberalismo teológico e o naturalismo têm estado ativo e presente. Porém. a vossa fé. da perspectiva ortodoxa. ao mesmo tempo em que podemos perceber seu particular descaso para com a Palavra de Deus. Cristo não ressuscitou. Porque.13-19). ao qual ele não ressuscitou. E. e talvez o leitor nunca se depare com os problemas aqui levantados. e ainda permaneceis nos vossos pecados. então. E ainda mais: os que dormiram em Cristo pereceram. ou quase nula. A primeira dessas três escolas. também Cristo não ressuscitou. à partir desse capítulo. sua interpretação meramente existencial do cristianismo faz dele um teólogo ruim. a não ser um ou outro incidente recente de pastores que abraçaram a teologia relacional. Teologia da Libertação: Uma resposta teológica à crise econômica e social LatinoAmericana. 15. Não sei ao certo como Paulo argumentaria com Tillich. Imagino o que diria o apóstolo Paulo a um pregador como Paul Tillich: ―E. e cujos pressupostos tem de alguma maneira modelado a forma de fazer teologia no Brasil. é vã a vossa fé. Se por um lado Tillich é considerado excelente erudito (e eu diria até um bom filósofo). Nas comunidades eclesiásticas brasileiras. é a Teologia da Libertação.Vemos em Paul Tillich um sério compromisso com a filosofia existencialista. e somos tidos por falsas testemunhas de Deus. Assim como Bultmann. quase não vemos influência desses movimentos. Tillich remove o fundamento e a esperança da fé cristã. se Cristo não ressuscitou. mas creio que seria algo assim. é vã a nossa pregação. a influência dessas escolas teológicas na nossa teologia e em nossas denominações é pequena. se os mortos não ressuscitam. sua teologia pode ser chamada cristã. Até aqui a nossa abordagem tem sido principalmente teórica. Apesar da relevância dos problemas até aqui levantados. segundo os princípios paulinos. de origem netamente Latina. Temos analisado as doutrinas dessas escolas e em nenhum momento fugimos da responsabilidade de apresentar o nosso parecer. ele lança tantas dúvidas acerca dos milagres e da ressurreição que de nenhuma maneira. Se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida. somos os mais infelizes de todos os homens‖(1Coríntios 15. se é certo que os mortos não ressuscitam. Ao negar a historicidade dos fatos narrados no Novo Testamento. se Cristo não ressuscitou. e vã.

e oitenta por cento da população vive com uma renda de oitenta dólares por ano. Os teólogos que viveram esse período foram levados a formular uma teologia que fosse menos acadêmica e teórica. onde os estudantes que protestam são torturados. Emílio Castro. e sim os ideais do marxismo. Ele foi a maior fonte de inspiração e o impulso motor dessa nova tendência teológica. Hugo Assman e Gustavo Gutiérrez Merino. como o santo patrono da causa. resultante da criação contínua de uma nova maneira de ser e de uma revolução permanente. o problema da violência e da não-violência é um problema ilusório. Em meio a uma estrutura social em que um homem velho morre aos vinte e oito anos. que pudesse sanar os problemas sociais e econômicos de então. ―dominação estrangeira‖. Richard Shaull. Católicos romanos como Juan Luís Segundo. sacerdote colombiano que morreu em um tiroteio como membro da guerrilha de Che Guevara. ao ponto de alguns considerarem Camilo Torres. se empenharam em buscar uma teologia que pudesse resolver os conflitos sociais da América Ibero Hispana. uma mudança radical nas estrutura.Contextualizando a teologia da libertação. a voz revolucionária começou a clamar em favor das massas. Libertação social para melhores condições de vida. o ambiente teológico da América Latina passou por sérias transformações. Para eles. O ambiente no Brasil e na Argentina era de ditadura. ―libertação‖. os teólogos da libertação são bem pragmáticos. para se interarem da dominação social. ―capitalismo‖ e ―proletariado‖. . Sob a palavra ―libertação‖. Na questão da violência. Nas décadas de 60 e 70. como se pode deduzir dessas linhas. sendo o cerne dessa conscientização o despertar da consciência das massas miseráveis que vivem a cultura do silêncio. A teologia da libertação e a revolução social. não está subentendida a obra de Cristo por nós. As palavras chaves para entender essa teologia social são ―revolução‖. e se o fim é nobre. José Míguez Bonino e o então missionário no Brasil. Apenas existe a questão do uso justificado ou injustificado da força. animados pela política mais aberta do Vaticano II. os meios se fazem necessário. Os teólogos da libertação se declararam várias vezes favoráveis a luta armada. Libertação pedagógica para uma consciência crítica através do que o pedagogo brasileiro Paulo Freire chamou de ―conscientização‖. A palavra. Essa atitude violenta foi de fato uma proposta aberta aos religiosos para que tomem lugar nas barricadas e lutem em prol do desenvolvimento social e econômico da América Latina. onde quinhentos em cada mil crianças morrem antes de completar um ano de idade. dentro desse movimento teológico significa: Libertação política das pessoas e setores socialmente oprimidas. política e econômica que lhes é imposta. protestantes como Rubem Alves. Qualquer semelhança com os conhecidos jargões do comunismo não é mera coincidência. e mais laica e prática. O padre Camilo costumava dizer que ―cada católico que não é revolucionário e não está do lado da revolução comete pecado mortal‖. ―exploração‖.

de uma sociedade mais justa e fraterna. Leonardo Boff. foi interrogado pelo cardeal Joseph Ratzinger (o atual papa Bento XVI). órgão herdeiro da Inquisição. Porém. . então arcebispo do Recife. Como movimento político. segundo o peruano Gutiérrez. Embora Hugo Assman e Dom Hélder Câmara sejam dos nomes que representam o pensamento da teologia da libertação no Brasil. Essa concepção de salvação talvez corresponda à idéia judaica de messianismo na época de Cristo. A salvação. professor e conferencista nos mais diferentes auditórios do Brasil e do exterior. em nossa época. apresentadas no livro ―Igreja: Carisma e Poder‖. e condenado a um ano de ―silêncio obsequioso‖. A responsabilidade social é um dever do cristão. como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra e as Comunidades Eclesiais de Base (CEB‘s). dentro da cosmovisão libertária. ela tem sido um brado a favor da dignidade humana. Leonardo Boff que está no centro do debate sobre a teologia da libertação. escritor. entre outros. Em 1992.5). sendo de novo ameaçado com uma segunda punição pelas autoridades de Roma. foi submetido a um processo no Vaticano. com raízes na dimensão humana e política.28. ―Mudou de trincheira para continuar a mesma luta‖: continua como teólogo da libertação. e o evangelho.No Brasil. mas pouco tem a ver com o conceito tal como utilizado por Jesus e por Paulo. Em 1985. assessor de movimentos sociais de cunho popular libertador. podendo retomar algumas de suas atividades. Boff participou da coordenação e publicação da coleção ―Teologia da Libertação‖. Dada a pressão mundial sobre o Vaticano. deve ter uma transcrição e aplicação política. ―é o esforço do ser humano para ser parte do processo através do qual o mundo será transformado‖. e a teologia deve ser elaborada à partir de elucubrações sócio-políticas. Dom Hélder Câmara. por não se contentar com as reformas triviais. foi negado por eles mesmos muitas vezes na prática. Como membro do conselho editorial da Editora Vozes entre 1970 e 1985. então prefeito da Congregação da Doutrina e da Fé. se resume em ―um processo que abarca o homem e a história‖. O encontro com Deus é descrito como ―o compromisso com o processo histórico da humanidade‖. em razão de suas teses ligadas à teologia da libertação. sendo também deposto de todas as suas funções editoriais e de magistério no campo religioso. Em 1984. apesar de sua ―apostasia‖ e de seu marxismo. O ponto de partida para a elaboração da teologia da libertação. Os pressupostos da Teologia da Libertação e as objeções à doutrina. o que faz da teologia da libertação mais um movimento político que um movimento netamente teológico. atualmente é o Dr. mas a salvação não se restringe a essa responsabilidade: salvação significa perdão e cancelamento dos pecados cometidos contra Deus (Hebreus 9. Curiosamente a cúpula da CNBB parece continuar com boas relações com Boff. Tal ponto de partida deve ser contextual. a pena foi suspensa em 1986. ―apostatou‖ de sua condição de padre e da própria Igreja Católica para se unir com uma mulher. 1João 3. promove uma revolução pacífica. o que eles admitem na teoria. a principal voz do movimento no Brasil.

Rubem Alves. ou não somos cristãos. que tentam colocar em prática as idéias sociais da mesma. O problema é que. a tendência da teologia cristã é polarizar: Ou a experiência. pois neste caso. Como disse. Atualmente o movimento se reduz a algumas ―comunidades de base‖. . ou a história. Como é difícil associar todo esse discurso com as palavras de Jesus no Sermão da Montanha! Como o evangelicalismo deve responder a essa ―revolução teológica‖? É óbvio que o cristão não deve viver alienado de qualquer idéia política ou deva se conformar a uma mentalidade status quo. e nesse sentido. a missão da igreja acaba por confundir-se com confrontamento político e adesão e exposição de idéias sociais. e não há nenhuma possibilidade de um crente evangélico sustentá-la sem cair em contradição. e no caso da Teologia da Libertação. não podemos deixar de aludir que. Devido à repressão ao movimento. ou a fé. a teologia da libertação não pode escapar das mesmas acusações levantadas contra ela: moralidade relativista e pragmática. ainda que não totalmente. hoje não há muitos grupos ou indivíduos que mantém a Teologia da Libertação. mas a influência nas faculdades ainda é grande. Ele também afirma que o ―amor para os oprimidos significa cólera contra os opressores‖. ou a razão. Ainda assim. nem é preciso forçar a exegese ou fazer eisegese para defender pressupostos sociais.Nesse processo de teologia libertária. Toda rotulação é pobre. mas a missão do cristão. É preciso ressaltar que as afirmações de violência não são de nenhum modo característica de todos os teólogos da libertação. ―a violência se converte na força que move a história no caminho para conduzir à sociedade perfeita‖. ou ―junto com‖. ou o marxismo. Ao refletir algo parecido com a ética situacional. segundo a Bíblia. os fins justificam os meios. Ela foge totalmente a ortodoxia reformada. isso porque a ―Sola Scriptura‖ não admite nenhum ―somado a‖. também teólogo libertário. há de se admitir a classificação do movimento da teologia da libertação como um movimento violento é falha. A teologia da libertação está fundamentada em uma postura na qual a presente práxis histórica se transforma em norma canônica para descobrir a vontade de Deus. Em outras palavras. a teologia da libertação é fortemente um movimento violento. Não é preciso polarizar para ter responsabilidade social. é proclamar que o filho de Deus ressuscitou e tem poder de perdoar pecados. é justo empregar a violência contra a violência. conforme temos exposto em tese.

cuja ênfase estava voltada à vida santificada. Pentecostalismo: Parham. teólogo pentecostal das Assembléias de Deus. Torrey. Aos que procuravam receber a segunda obra de graça. por exemplo. que livraria os crentes de sua natureza moral imperfeita. fazendo uma interpretação pessoal de Lc 24. de William Arthur. e Tongue of Fire (Língua de Fogo). posterior à conversão. firmou-se como alicerce do Movimento Pentecostal. O movimento também tem suas raízes na Doutrina da Perfeição Cristã. também acreditavam que uma segunda obra de graça revestiria o cristão com o poder do Espírito. e o segundo teria ocorrido no sul da Índia. Segundo o Dr. Em seu livro A Short Account of Christian Perfection. A crença na segunda obra de graça não ficou confinada ao metodismo. uma das principais líderes metodistas. acreditava que o batismo no Espírito Santo provesse revestimento de poder para se obter a perfeição cristã. Gary B. ao redor de 1830. a dissidência teológica começou a surgir. C. da irmã Phoebe Palmer. Seymour e o avivamento místico-pietista do século XX. Aroolappen. Outros pregadores de renome. O advogado e pregador cristão Charles G. que é o batismo no Espírito Santo. .49. em 1895. a ensinar sobre três obras de graça. a segunda obra de graça iniciava a santificação e a terceira trazia o ―batismo do amor ardente‖. pelo menos dois reavivamentos do século XIX podem ser considerados precursores do moderno movimento pentecostal. Benjamin Hardin Irwin começou. Mesmo assim. A maior parte do Movimento de Santidade condenou essa terceira obra da graça como sendo heresia. O primeiro teria ocorrido na Inglaterra. de John Wesley. quando o pregador Wesleyano radical da Santidade. Outros três livros que proporcionaram as bases sobre a qual foi construído o movimento pentecostal foram Guia para a Santidade e A Promessa do Pai. Wesley conclama os crentes à buscarem uma segunda obra de graça. Porém. McGee. em 1760.16. e inspirou o Movimento de Santidade. Moody e R. porém. tendo como caudilho o ministério de Edward Irving. era ensinado que cada cristão precisa esperar pela promessa do batismo no Espírito Santo. a noção que Irwin possuía de uma terceira obra de graça. o revestimento de poder para o serviço cristão. Finney. tais como Dwight L.A. sob a liderança de J. Essa doutrina chegou na América do Norte. Segundo Irwin.

de fato. e desde então o falar em outras línguas tem sido destacado pelos pentecostais como sendo a evidência física inicial do batismo no Espírito e a prova cabal do mesmo. porém. continuava crendo que as línguas faladas pelos pentecostais eram xenolalia e que essas línguas eram expressões idiomáticas de outras nações. tornou-se líder de uma igreja na rua Azuza. o fenômeno das línguas auxiliaria como uma ferramenta nas mãos dos missionários transculturais. em Los Angeles. que incluía o falar noutras línguas como sinal do batismo no Espírito Santo. isto é. no ano 1906. Depois de 1906. em 1916. deu ao movimento o título de The Apostolic Faith Restored (Fé Apostólica Restaurada). já haviam ocorrido em fins do século XIX. muitos outros alunos foram batizados com o ―novo‖ batismo. Charles Parham era um pregador do Movimento de Santidade. a mensagem pentecostal. Parham. em Topeka. como na já mencionada Índia e na Finlândia. A grande contribuição teológica de Parham ao movimento acha-se na sua insistência de que o falar noutras línguas é a evidência bíblica vital da terceira obra de graça: o batismo no Espírito Santo. Parham mudou-se para Houston. incluindo o falar noutras línguas. no estado americano do Kansas. capítulos 2. porém até então esses eram apenas casos isolados. em lugares bem distantes entre si. Na verdade. aluna da Escola Bíblica Betel de Charles Fox Parham. que influenciado por Irwin e convencido pelos seus próprios estudos dos Atos dos Apóstolos. Posteriormente. 10 e 19. línguas desconhecidas e não identificáveis pela inteligência humana. e falaram em outras línguas (xenolalia). Depois de Agnes Ozman. os cristãos pentecostais achavam que as línguas faladas por eles eram. quando Agnes Ozman. Foi à partir do início do século vinte que o pentecostalismo ganhou projeção mundial. que seriam capacitados sobrenaturalmente para falarem outros idiomas. cada vez mais pentecostais estavam de acordo em que as línguas por eles faladas eram glossolalia.Dois eventos marcaram definitivamente a chegada do moderno movimento pentecostal. quando Bennett Freeman Lawrence escreveu a primeira história do movimento pentecostal. Foi então que o movimento pentecostal explodiu. Suas asserções estão baseadas nos relatos de Atos dos Apóstolos. porém. . O primeiro deles é datado de 1º de Janeiro de 1901. teve uma experiência mística e começou a falar em outras línguas. Aqueles que presenciavam esses acontecimentos. À princípio. e muitos diziam que o movimento era a restauração da fé apostólica. divulgou-se pelos Estados Unidos e pelo resto do mundo. De fato. línguas inteligíveis – idiomas pátrios. xenolalia. testemunhou um grande reavivamento na Escola Bíblica Betel. um homem negro chamado William Seymour. A partir da rua Azuza. Sendo assim. e um de seus alunos. Essa tese perdeu força com o decorrer dos anos e hoje é crença quase comum em círculos pentecostais que as línguas faladas por eles não são idiomas estrangeiros. faziam rapidamente um paralelo com os eventos do livro de Atos dos Apóstolos. experiências semelhantes. após ter passado pela mesma experiência mística. isto é. tanto nos Estados Unidos quanto no exterior.

Em um sermão pregado em Arroyo Seco. McAlister observou que os apóstolos batizavam apenas em nome de Jesus (At 2.19). Os que deram crédito à pregação de McAlister foram ―rebatizados‖ em nome de Jesus. Os principais pressupostos da doutrina pentecostal. Um grupo acreditava tratar-se de expressões idiomáticas inteligíveis (línguas pátrias) enquanto outro acreditava que as línguas faladas eram expressões de mistério. Essa sentença está alicerçada no conceito wesleyano. A segunda controvérsia já foi mencionada. em especial o livro de Atos e os últimos versículos de Marcos. não acompanharam as tendências modalísticas. Seria ela progressiva ou instantânea? Os pentecostais de tendências wesleyanas asseguravam que a santificação era uma obra instantânea. e diz respeito à natureza das línguas faladas. houve quatro grandes controvérsias. na GrãBretanha como tendo uma grande influência sobre o Movimento de Santidade na América do Norte. As Assembléias de Deus. Os conferencistas de Keswick acreditavam que o batismo no Espírito Santo produzia uma vida contínua de vitória. Outro debate girava em torno da segunda obra da graça: a santificação. A primeira. ininteligíveis por meios naturais. No início do movimento houve muitos debates acerca da doutrina. McGee também menciona as conferências de Keswick. enquanto os pentecostais de tendências reformada defendiam a santificação progressiva.O Dr. Gary B. R. e consequentemente sobre o pentecostalismo. uma vida mais profunda. sobre o valor teológico da literatura narrativa. .E. caracterizada pela plenitude do Espírito.38) ao invés da fórmula trinitariana (Mt 28. A quarta controvérsia é de ênfase cristológica. que é uma variação do unitarismo. Houve então uma cisma no movimento e os que enfatizaram o batismo apenas no nome de Jesus acabaram por propor uma doutrina modalística da trindade. portanto. e logo nos primeiros dezesseis anos de existência. que afirmava que o batismo no Espírito produzia a perfeição cristã. no entanto. para fundamentar o falar noutras línguas como a evidência inicial do batismo no Espírito Santo.

São dispensacionalistas. Lembremos que o mundo greco-romano nos dias apostólicos também tinha suas religiões de mistério. a medicina avançava à duras penas e oferecia pouca ajuda aos que se achavam gravemente enfermos. a fé no miraculoso para a cura física começou a ressurgir nos círculos evangélicos. Razões que contribuíram para crescimento do Movimento Pentecostal. tais como cura. No falar em línguas como evidência física inicial do batismo no Espírito. A promessa de uma cura instantânea veio de encontro com as necessidades básicas do nosso povo. esse não foi o fator decisivo. a maioria dos cristãos pentecostais também crê: a) b) c) Na vinda de Jesus pré-milenista e pré-tribulacionista. ao mesmo tempo que a teologia pietista. na época em que Daniel Berg e Gunnar Vingren aportaram em nosso país.Vemos. profecias. sobretudo no norte do país. Na Alemanha do século dezenove. podendo haver outros itens não relacionados nessa pesquisa. de modo o movimento teve ampla aceitação. Consequentemente. No final do século dezenove e início do século vinte. portanto. línguas e interpretação de línguas e operação de milagres. e ainda que isso tenha contribuído para a aceitação do evangelho. com sua crença na purificação instantânea do pecado ou no revestimento do poder do Espírito produziu um ambiente receptivo aos ensinos da cura mediante a fé. A lista não é exaustiva. a medicina era ainda mais precária. destacamos à seguir aquilo que consideramos ser as crenças mais universais dos pentecostais. A crença mística do povo brasileiro. . os ministérios que ressaltavam a importância da oração pelos enfermos atraía a atenção dos crentes estadunidenses. No Brasil. Todos os cristãos pentecostais crêem: a) No Batismo no Espírito Santo como experiência subseqüente e distinta da salvação. o quanto resulta difícil fazer generalizações doutrinárias acerca do movimento. c) Que o batismo pentecostal reveste o crente com poder do alto capacitando-o para exercer seu ministério ao mundo. havia em nossas terras um grande número de leprosos e muita gente morria apenas por falta de higiene ou por efeito de uma desinteria. também foi um fator decisivo para a recepção das doutrinas pregadas pelos missionários suecos. Além disso. b) Na atualidade dos dons espirituais. Não queremos dizer com isso que o pentecostalismo somente se instaurou no Brasil por causa da influência dos cultos afros e do xamanismo. Apesar disso.

Objeções à doutrina pentecostal. surgiu um movimento com ênfase na santificação. volta e meia desaparece dos púlpitos nos congressos. É comum em nossos dias ver pregadores pentecostais trazendo novas e estranhas revelações acerca de anjos. a ponto de ter se tornado praxe de certo pregador televisivo. surgiu também um movimento de restauração da fé apostólica. a excessiva ênfase na inspiração sobrenatural da fala. Se por um lado os demais movimentos estavam associados ao desejo de amoldar a fé cristã aos padrões filosóficos e científicos do homem moderno. Muitos cessacionistas têm se empenhado para desacreditar o pentecostalismo e a atualidade dos dons espirituais. é permutada. A isso os pentecostais dizem que Jesus e os discípulos também faziam sinais. É interessante perceber que nesses cem anos de controvérsias teológicas. Essa prática definitivamente não é cristã. faziam estudos sobre o Jesus histórico desassociando-o do Jesus da fé. na leitura e pregação devocional da Bíblia e com uma visão de ministério às nações. e nem por isso aqueles que se convertiam tinham seu livre-arbítrio violado. Crédito no céu? Onde está a mensagem da graça. Não faltam porém objeções às práticas do movimento. Muitos presenciaram a multiplicação dos pães. Em muitas igrejas evangélicas. Os restauracionistas pentecostais. do favor de Deus? . desmitologização. enquanto os teólogos alemães e norteamenricanos patenteavam jargões como geschichte. Jamais vimos Jesus ou os seus apóstolos invocando a presença de anjos antes de trazer uma mensagem aos fiéis. tem substituído a pregação da palavra de Deus. Alguns cessassionistas dizem que a ocorrência de sinais fantásticos seria mais que persuasão e violaria incondicionalmente o livre-arbítrio humano. mas nem por isso se tornaram crentes. Porém. ou dom de profecia. filha desse reavivamento espiritual. E os exageros não param por aí: a Bíblia também. o pentecostalismo por sua vez surgiu do desejo de reencontrar a fé cristã primitiva e de desassociar-se do sistema secular. Os cessacionistas argumentam que se a inspiração profética é atual. Muitas foram as contribuições do pentecostalismo. Outra questão diz respeito aos milagres. Em meio ao cenário árido da teologia do início do século vinte. invocar serafins antes de fazer sua preleção. mas o fato é que o pentecostalismo foi uma das principais reações contrárias ao secularismo teológico que surgiu no século vinte. Esse mesmo pregador gosta de dizer a Deus em suas ―fervorosas‖ orações: ―se tenho crédito no céu…‖. entre as quais destacamos algumas. e quando reaparece. tornou-se uma das maiores denominações do mundo. nenhuma exegese por eles apresentada justifica o anti-sobrenaturalismo presente em sua teologia. Talvez minha observação pareça arrebatada ou até mesmo apaixonada demais. por outro lado. então teremos duas fontes inspiradas: a Bíblia e a profecia. As Assembléias de Deus. dizem que as profecias só são válidas se estiverem em comum acordo com a Bíblia sagrada e terão valor apenas após o seu cumprimento. criavam teologias com ênfase em teorias naturalistas e evolucionistas. visões e da conduta cristã.

faz-nos pensar na necessidade e porque não dizer. creio que o movimento contará com certa credibilidade. os pregadores pentecostais insistiam na possibilidade de um relacionamento pessoal com Deus e definiam-no como aquele que habita os céus e que paradoxalmente. Enquanto Barth apresentava Deus como ―Totalmente-Outro‖. pelo ceticismo de David Hume e pelos apelos filosóficos de Immanuel Kant. Se por um lado Paul Tillich buscava amoldar a Bíblia às necessidades do homem. sobretudo no cenário nacional. esses excessos ocorrem bem na fronteira de dois movimentos contemporâneos com muita força em nosso país: o pentecostalismo e o neopentecostalismo. a pregação catequética e com embasamento escriturístico tem sido substituída por empolgados shows evangélicos. mercadejando as bênçãos de Deus e enfatizando muito mais o presente que o porvir. Conhecemos muitos assim. Na verdade. e enquanto existirem esses. William Seymour e os demais pregadores do movimento pietista pentecostal instavam para que os homens se amoldassem à Palavra de Deus. promovidos por pregadores que mais parecem animadores de auditório. o atual quadro do pentecostalismo. quero ressaltar que a dissimile é maior que qualquer afinidade que estes dois nomes possam sugerir.Outro pregador pentecostal que há anos se identificava como homem ortodoxo tem se rendido fatalmente à práticas neo-pentecostais. . Há muitos que ainda prezam pela pregação bíblica e que mantém o perfeito equilíbrio entre a unção. vive em nós. De modo quase geral. surgiu no cenário mundial um movimento que buscava justamente o oposto. obviamente influenciados pelo existencialismo de Kierkgaard. a erudição e o conhecimento teológico. O pentecostalismo surge no cenário contemporâneo na contramão da teologia moderna liberal e neo-ortodoxa. Isso. No entanto. porém. Virou já um ícone do evangelho da prosperidade. Tillich e Brunner agitavam o cenário teológico mundial com inovações e com suas tendências filosóficas. Muitos excessos têm sido cometidos desde então. urgência de uma nova reforma religiosa dentro do próprio movimento: uma nova restauração da fé apostólica. não significa que não haja pentecostais sérios e ortodoxos. Bultmann. Apesar da semelhança semântica. Enquanto Barth. mas isso não desqualifica o movimento.

defender com muita submissão os valores do Evangelho e a imaculada Igreja de Nosso Senhor Jesus. pragmatismo e culto à Mamom. Na década de 70. como a chamada Confissão Positiva (Evangelho da Saúde e da Prosperidade. Quebra de Maldições. Kenneth Hagin. chega-se à conclusão de que o verdadeiro pai da confissão positiva é Essek William Kenyon. Como já foi dito no capítulo anterior. como a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD). apregoadas por supostos avivalistas em acampamentos cristãos. Marilyn Hickey. Renovação Carismática. Jorge Tadeu e outros. Robert Schüller. alicerces ou filtro teológico. Nos nossos dias. . embora seja possível estabelecer uma símile entre o pentecostalismo e o neopentecostalismo. juntamente com as doutrinas neopentecostais têm surgido muitas doutrinas paralelas. da Cura Diferencial e do Exorcismo. e Socorrista. e os Pentecostais Carismáticos. à qual fomos chamados. Maldição de Família e Pecado de Geração. chegou no Brasil o movimento que ficou conhecido como neopentecostalismo. ensinam sempre sob a orientação filosófica de seu pai. as diferenças entre esses dois grupos protestantes são maiores que qualquer semelhança que possam ter. mas lembremos-nos: o sinal sempre foi sinal para incrédulos! Em toda a história. Porém. vivem em busca de ―sinais‖ de Deus. Jesus chamou essa multidão que de um lado para o outro em busca de uma experiência. fundada em 1977.38-39). quando se investiga o desenvolvimento histórico do movimento. tais como a Igreja Presbiteriana Renovada. em escolas bíblicas de férias e na televisão. Estes. Todos estes. sejam pregadores ou leigos. de tal forma que muitos pregadores da prosperidade – inclusive os brasileiros – se consideram discípulos de Hagin. em 1973. pensando estar fazendo o melhor para Deus. originária da Igreja Católica Romana. sempre buscaram um sinal e uma materialização do imaterial. evangélicos ou não. homens e mulheres no decorrer de sua incansável busca por um toque religioso. e por mentores católicos carismáticos no exercício do Toque do Dom. em 1975. Essek William Kenyon e de seus principais porta-vozes. fundadas em 1967. Neopentecostalismo: Misticismo. de multidão má e incrédula (cf. as Igrejas com pouca estrutura eclesiástica. sem nenhuma consulta à exegese bíblica. Nova Unção). Muitas pessoas no movimento da confissão positiva consideram Kenneth Hagin como o pai do movimento. quando na verdade estão sendo instrumentos para erosão perniciosa contra a vida espiritual da Igreja. Kenneth Copeland. Muitos obreiros e ministérios são envolvidos em assuntos aparentemente simples como os que temos abordado. Maldições Hereditárias. de novas manifestações. além de apresentar as principais doutrinas do século vinte. as Igrejas Pentecostais Livres: Sinais e Prodígios. História do Movimento Neopentecostal.17. Mateus 12. em congressos. Temos buscado nessas páginas. Este movimento se originou a partir de denominações históricas. fundada em 1970.

não é nem ciência nem cristã. com a idade de 80 anos. Ésse Charles Emerson. Em seus 40 anos de ministério. como por exemplo a Ciência Cristã.600 alunos. a Escola Bíblica por Correspondência Rhema e o Centro de Treinamento Bíblico Rhema em Tulsa.Kenyon nasceu no condado de Saratoga. começou a associar-se com os pentecostais e em 1937. Nova York. entre elas a Faculdade Emerson de Oratória. fundada por Charles Emerson. No dia 19 de março de 1948. É muito importante saber quem foi Charles Emerson para se compreender a hermenêutica de Kenyon. Hagin aceitou a Cristo como seu Salvador. a teologia de Emerson evoluiu do congregacionalismo para o universalismo. para o Novo Pensamento (Nova Idéia). mudou-se para Boston. onde supostamente viu e sentiu coisas que o deixaram perplexo. No início do seu ministério. nas mais rígidas e dogmáticas de todas as seitas metafísicas. para o unitarismo. Duas experiências polêmicas teriam afetado toda a sua vida e ministério. Devido à sua crença em cura divina. O ministério de Kenneth Hagin é hoje um dos maiores do mundo e sua influência tem se espalhado por muitas partes do globo. em 1867. a Ciência Cristã. Fundou em Tusla. a Escola Bíblica de Hagin já formou cerca de 6. e chegou a abraçar inclusive muitos ensinos de seitas heréticas. recebeu o batismo com Espírito Santo e falou em línguas. foi uma mente muito confusa e sincretista. onde freqüentou várias escolas. para o transcendentalismo. Antes de sua morte. Emerson uniu-se à Ciência Cristã em 1903 e nela permaneceu envolvido até sua morte. em 1974. seu próprio ministério. Hagin foi um jovem pregador batista (1934-1937) e pastoreou uma igreja da comunidade onde morava. Neste mesmo ano foi licenciado como ministro da Assembléia de Deus (1937-1949) e pastoreou várias igrejas dessa denominação no Estado do Texas. em 1908. Em Super Crentes. Em 1892. em 1962. finalmente fundou. A primeira foi Hagin ter sido ―levado ao inferno‖. O professor do Makenzie e apologista do ICP. Esta pessoa é Kenneth Erwin Hagin. finalmente. Segundo o professor Paulo Romeiro. sendo assim levado a tomar uma decisão quanto a sua vida espiritual. alguém utilizaria as idéias e os escritos de Kenyon para dar forma ao que viria a ser um dos maiores e mais controvertidos movimentos dentro do corpo de Cristo da atualidade. Paulo Romeiro. Sua conversão à Ciência Cristã foi a última progressão lógica na sua evolução metafísica do ortodoxo para o sectário‖. Hagin conta ter descido outras duas vezes ―ao inferno‖ para ali contemplar os seus horrores. Estados Unidos. Depois da terceira ―visita ao inferno‖. escreve o seguinte acerca de Emerson: Charles Emerson foi uma figura um tanto contriversa. faleceu Kenyon. segundo se sabe. . que à bem da verdade. Mais tarde. o que ela cumpriu fielmente. e terminou. Tendo passado por essas duas denominações. encarregou sua filha Rute de continuar o seu ministério e publicar os seus escritos.

Pode ser citado ainda o ministério de Miguel Ângelo da Silva Ferreira.A revista Word of Faith (Palavra da Fé). afirmam que Jesus era rico – bem como os seus discípulos – mas até onde sabemos. Soares. enquanto no Antigo Testamento a promessa é de prosperidade advinda da obediência. chegando até mesmo a chorar e a profetizar enquanto pede dinheiro no seu programa de televisão. Kenyon e Kenneth Hagin. pobreza e enfermidade são características de uma vida sem fé. portanto. Fred Price. Nos limitaremos. sendo a pobreza uma maldição. T. Serafim Isidoro. no Rio de Janeiro. Kenneth e Glória Copeland. L. . A prosperidade financeira também é um direito do crente. que já esteve no Brasil acompanhado de Rex Humbard. Bob Tilton. principalmente pelos seus métodos de levantamento de fundos. Além de Essek W. baseando a cura divina na expiação e usando para isso o texto de Isaías 53. que também pertence ao movimento. hoje pastor e líder das igrejas Maná.4-5. Os porta-vozes da doutrina da prosperidade não medem esforços para conseguir arrecadações. responsável pela publicação da maioria dos livros de Kenneth Hagin no Brasil.R. Para justificar o disparate. em seu pequeno. R. o Filho do Homem muitas vezes não tinha sequer onde reclinar a cabeça. pastor da Igreja Evangélica Cristo Vive. É muito difícil enumerar os pressupostos do neopentecostalismo. A doença tem sua origem na falta de comunhão com Deus. líder da Igreja Internacional da Graça de Deus. de modo que um indivíduo realmente convertido nunca deve ficar doente. Para o Dr. Apenas queremos chamar a atenção para algo que se tornou o principal enfoque do neopentecostalismo: a teologia da prosperidade. R. em Portugal. Soares. é enviada para 190 mil lares mensalmente e calcula-se que cerca de 20 mil fitas cassete de estudos são distribuídas a cada mês. Ele também diz que ―a busca do sensacionalismo e da prosperidade facil afasta o homem da ordem antiga: Comerás o pão do suor do teu rosto‖. Charles Capps. é uma figura extremamente controvertida hoje nos Estados Unidos. o já mencionado Edir Macedo e o líder da Igreja Internacional da Graça de Deus. (filho de Kenneth Hagin). Segundo essa abordagem teológica. Os bens da organização estão avaliados em 20 milhões de dólares. Jerry Savelle. Benny Hinn e Lester Sumrall. porém inteligente livro Considerações à Doutrina da Prosperidade. Já foram vendidos cerca de 33 milhões de cópias de seus 126 livros e panfletos. Osborn. o Novo Testamento traz em seu cerne uma mensagem de abnegação. Hobart Freeman. R. os nomes mais conhecidos ligados à confissão positiva são Ken Hagin Jr. Outra pessoa que tem influenciado muitos no Brasil é o engenheiro Jorge Tadeu. a destacar algumas práticas dos principais grupos neopentecostais. John Osteen. visto que existem diversas denominações neopentecostais e todas possuem sistema doutrinario eclético. Pressuposições da Doutrina da Prosperidade.

mas também voava para o espaço (…) com um pensamento ele estaria na Lua (…) podia nadar [debaixo d'água] sem perder o fôlego. além de objetos sem nenhum valor financeiro. física e espiritualmente. Adão não só voava [como os pássaros]. na Flórida. como a volta de Jesus num dia de sábado no ano 2007. é um dos mais vendidos hoje na América do Norte. como. tais como água do Jordão e azeite para unção. Além destas. por exemplo. Ele passa a idéia de que existem nove deuses na Trindade. quando a Bíblia diz que ―aquele dia e hora ninguém sabe‖. onde afirma que Jesus morreu duas vezes. O boletim The Berean Call (O Chamado dos Bereanos). o jornal Mensageiro da Paz publicou uma nota sobre Benny Hinn: ―O livro Bom Dia. No ano de 1992. a guarda do sábado. Valnice Milhomens também tem aderido à muitas práticas neopentecostais. pastor do Centro Cristão de Orlando. podemos encontrar muitos pressupostos do ―movimento da fé‖. Bom Dia. Não faz muito tempo. Espírito Santo. Hinn levou os membros de sua igreja a repetir depois dele a seguinte frase: ―Eu sou um deus-homem‖. Não sei se as pessoas chegam a saber disso. publicou os seguintes comentários de Hinn a respeito de Adão e Eva: ―Adão era um ser sobre-humano quando Deus o criou. A ênfase sobre a prosperidade financeira é bastante acentuada. cruzes. supostamente importados de Israel. o estudo acerca do ―corpo‖ do Espírito Santo.Não há dúvida de que o movimento da fé tem em Benny Hinn. lenços. de Oregon. O vídeo consta nos arquivos do ICP e o episódio é citado por Paulo Romeiro em Super Crentes. A capacidade imaginativa de Hinn é tão perspicaz que não exitariamos em recomendar sua ―história‖ à Walt Disney Pictures. copos com água. réplicas da Arca do Concerto. mas a semelhança com as práticas iconoclasticas da idade média é evidente: Substituindo a idolatria por metodologias visuais e palpáveis. a denominação faz uso de rosas. e sua esposa fazia o mesmo (…) Ambos eram sobrehumanos‖. Ela também defende a maldição de família e a necessidade de ruptura das mesmas. Seu livro. Espírito Santo. . lenços. há ainda questões escatológicas. bem como a afirmação de que o número dos salvos será maior do que o número dos perdidos. em setembro de 1992. tanto o livro de Hinn como seus ensinos têm levantado muita polêmica. retalhos dos ternos usados pelos pastores (será que eles rasgam o Armani do Bispo Macedo também?). fundada pelo bispo Edir Macedo. especialmente na televisão. portais da felicidade. Na Igreja Universal do Reino de Deus. medalhas com inscrições. Porém. O autor se justifica afirmando que não soube explicar bem o que queria dizer. mas ele foi o primeiro super-homem que já existiu. A confissão positiva já alcançou repercussão significativa nos meios de comunicação. de Benny Hinn. está causando celeuma nos Estados Unidos. é um de seus nomes mais famosos. Entre seus ensinos mais controversos está o seu comentário de Is 53:9.

rapha). Objeções ao neopentecostalismo. ―Basta examinar as Escrituras para notarmos que verdadeiros servos de Deus passaram privações e dificuldades em suas trajetórias a serviço do Senhor‖. tocou em seus ossos e ressuscitou (2 Reis 13:14-21). Por exemplo. pecados ocultos ou falta de fé. Seu sofrimento não foi causado por confissões pessimistas. Para Deus lhe dar uma doença teria que pedi-la emprestada ao diabo. 5 é forçar o texto e não reflete uma boa exegese‖. após ser colocado na sepultura de Eliseu. que apesar de ter sido um grande profeta de Deus e de ter tido um ministério marcado por muitos feitos sobrenaturais. Um outro exemplo citado por ele é o de Jó. mas o ensino de Jorge Tadeu é contrário ao que diz a Bíblia. O Senhor Soberano foi substituído por um Deus vassalo. pode-se referir à cura física ou à cura espiritual. Será que ele não tinha fé ou estava em pecado? Muito pelo contrário. e em Mateus 8:17. quando Jesus curou a sogra de Pedro (Mateus 8:14-17). de modo que a fé é reduzida à uma mera confissão positiva. Muitos pregadores da confissão positiva declaram que toda enfermidade procede do diabo. ―decretada‖.Os pregadores neopentecostais também ensinam que a fé e o recebimento das bençãos de Deus está relacionada com a confissão que fazemos. pois temem pronunciar maldições que interfiram em seu progresso espiritual. Por causa disso. sempre disposto à acatar ordens e tudo sem reclamar. Portanto. Segundo Paulo Romeiro. está garantida na expiação com base em Isaías 53:4. ou ainda. pois a Bíblia diz que um soldado morto. líder das igrejas Maná. o que é uma idéia absurda‖. em 1 Pedro 2:24. A cura física também deve ser pronunciada. . John Ankerberg e John Weldon nos ajudam a interpretar o texto de Isaías 53:4-5 com o seguinte comentário: ―No hebraico a palavra ―sarar‖ (em hebraico. Mateus se refere à cura física (citando o texto hebraico massorético). do ICP (Instituto Cristão de Pesquisas). ele menciona o profeta Eliseu. em Portugal. afirma que ―Deus só pode dar o que Ele tem. Por acaso Deus teve que tomar a lepra emprestada do diabo para colocá-la em Miriã? A lepra de Miriã foi provocada por Deus (cf. A iniciativa partiu de Deus. Números 12:10). ―não podemos esquecer também que. É comum assistir na TV pregadores da Prosperidade ensinando os crentes a dar ordens em Deus. muitos membros dessas igrejas vivem frustrados. morreu em conseqüência de sua enfermidade. a expiação de Cristo ainda não havia acontecido. total e perfeita. O contexto deve determinar se um dos sentidos ou ambos são empregados. usar esta passagem para dizer que a cura divina. O pastor Jorge Tadeu. Pedro se refere à cura espiritual (citando a Septuaginta). Ele também afirma que dizer que a enfermidade é conseqüência da falta de fé ou pecado na vida do crente constitui-se numa falácia bíblica. utilizando um jargão próprio do neopentecostalismo. nem tampouco foi o diabo quem decidiu provar Jó. Para ratificar sua asserção.

Porque toda a carne é como a erva. e toda a glória do homem como a flor da erva. direta. Mas a morte de uma criança acaba de pôr em causa o insólito ―mandamento‖. Rhema. Segundo Michael Horton. não tem escapado das críticas da imprensa em Portugal. e caiu a sua flor. faz uma séria denúncia. O termo pode-se referir também à Bíblia. Depois vem logos. O Dr. e que rhema é a palavra dita. dizendo que há uma distinção entre eles no sentido de que logos é a Palavra escrita. na edição de 30 de agosto a 5 de setembro de 1991. Ele declara que ―os ensinadores da fé inventavam uma falsa distinção de significado entre essas duas palavras gregas. Entretanto. na Palavra de Deus não há sequer uma distinção teológica entre estes dois termos. que seriam como os sinônimos ―enorme‖ e ―imenso‖ no português. Supostamente baseados nas promessas de Deus. é a ―palavra‘‖ que os crentes usam para ―decretar‖ ou ―declarar‖ a fim de trazer prosperidade ou cura para esta dimensão‖. dizem eles. Desta forma. expressa de Deus. Russel Shedd afirma que Pedro não fez distinção sobre estes termos em sua primeira carta. Rhema) que entre vós foi evangelizada”. mas ao seu próprio ―decreto‖ (rhema) ou uma palavra pessoal de Deus para ele (logos). O ministério das igrejas Maná. Logos e Rhema. sobre as circunstâncias que levaram ao falecimento do pequeno Nelson Marta. Como se pode ver.Existe nos Estados Unidos muitos casos documentados de mortes causadas pela pretensa fé. quando alguém lê uma referência na literatura do pregador da fé à ―Palavra de Deus‖. viva que permanece para sempre. Secou-se a erva. que Deus fala aos iniciados. ―Mas que Grande Seita! Deixem de tomar remédios! — aconselha a seita religiosa Maná. Dessa forma. visões e comunicações particulares entre Deus e seu ―agente‖. Logos) de Deus. eles afirmam que podemos usar a palavra rhema para realizarmos no mundo espiritual e físico tudo aquilo que desejamos. Sendo assim fica desfeita a pretensão daqueles que querem forçar uma interpretação e aplicação errônea destes termos. podemos perceber no movimento neopentecostal duas fontes de autoridade: uma objetiva – a Bíblia. de oito anos.23-25: “Sendo de novo gerados. ou ―agir sobre a Palavra‖ e outras. capítulo 1. Assim. Rhema) do Senhor permanece para sempre. revelada de Deus. não de semente corruptível. Os apologistas da confissão positiva fazem um cavalo de batalha sobre as palavras gregas logos e rhema que significam palavra. A palavra rhema seria uma espécie de ―vara de condão‖ capaz de materializar o objeto da nossa cobiça. mas da incorruptível. o vocábulo rhema é o ―abracadabra‖ que os neopentecostais pronunciam para materializar o objeto desejado. mas é geralmente empregado no contexto de sonhos. a Bíblia. . Mas a palavra (Gr. pela palavra (Gr. na mente do apóstolo não havia distinção entre estas palavras. ou ―a palavra de revelação‖ que é a palavra mística. ocorrido em 13 de maio de 1991. na primeira página. não existe nenhuma grande diferença entre estes dois vocábulos. a polêmica da semântica. que faz com que as coisas sejam realizadas. e esta é a palavra (Gr. o autor pode não está mais se referindo à Palavra de Deus escrita. e outra subjetiva. a revelação ou palavra da fé. muitos pais perderam seus filhos para enfermidades que poderiam ser facilmente medicadas. Em uma linguagem mais coloquial. O jornal Tal & Qual.

Sob qualquer forma que se apresente. quando a prioridade dele deveria ser ―buscar as coisas que são do alto‖. 18. nasceu humilde e pobre. AGNOSTICISMO Doutrina que defende a incognoscibilidade de qualquer ordem de realidade desprovida de evidência lógica satisfatória. Entrou em Jerusalém montado em um jumento emprestado. Foi ele quem disse: ―No mundo. a não ser das realidades apreendidas pela experiência sensível. o agnosticismo deve ser considerado segundo o sistema científico a que se amolda e também os pressupostos da teoria do conhecimento que adota. Temos depois o apóstolo Paulo escreveria aos coríntios: ―se esperamos em Cristo só nessa vida. alardeado pelos teólogos da prosperidade como um homem abastado. levando-o a buscar a prosperidade terrena. e nem na verdadeira igreja evangélica.O neopentecostalismo. mas não cabe nos lábios de Cristo ou dos apóstolos. Em sua mensagem ele nos falou sobre a necessidade de negar-se a si mesmo e tomar a cruz.H. Nega a possibilidade de um conhecimento racional e certo de qualquer realidade transcendente. à luz da ortodoxia. Ela desvirtua o crente. em um estábulo emprestado. Para o agnosticismo a razão humana não pode adquirir uma ciência certa. apenas afirma que isso não se pode conhecer com certeza por meio da razão. O termo foi criado por T. Entrou no mundo desassistido de bens materiais e proferiu suas pregações em um barco emprestado. Cristo. e foi sepultado em um túmulo emprestado. ecléticopragmática que busca os resultados mais que a pureza doutrinaria. Só a cruz era dele. tereis aflições‖. é uma teologia mal elaborada. . para expressar o seu desprezo em face da atitude de certeza dogmática simbolizada pelas crenças dos antigos gnósticos. A mensagem triunfalista dos pregadores da prosperidade podem até caber em um discurso político onde a avareza prima sobre o caráter. Glossário Teológico Contemporâneo. Huxley (1825 – 1895). somos os mais miseráveis de todos os homens‖. Como sistema teológico foi condenado pelos apóstolos e pela Igreja.

ANALOGIA DA FÉ Era analogia entis que Karl Bath substitui pela analogia Fidei (analogia da fé), visto que a verdade religiosa é dada por Deus. É um conceito Bíblico tirado de Romanos 12, (analogia tes pisteões) ou (metron pisteõs), que são palavras semelhantes "analogia da fé" e "medida da fé", representam um desenvolvimento do significado paulino original. Para a hermenêutica a analogia da fé conota que passagens bíblicas podem ser interpretadas com outras passagens porque nada dentro das escrituras podem se contradizer e tendo em vista que Deus é o autor das Escrituras. Para Agostinho a interpretação da das Escrituras não deve violar a fé. E Lutero usa termos quase semelhantes "o intérprete primário da Escritura deve ser ela própria", por isso as autoridades cristãs evitavam qualquer fonte fora das Escrituras. Para alguns pais da igreja passagens difíceis das escrituras são iluminadas pela fé ensinadas pela igreja, já o protestantismo da reforma é contra essa idéia imposta pelo catolicismo. Ainda como princípio exegético a analogia da fé sofre alguns abusos com significados que o autor bíblico não quis colocar no texto, por isso o intérprete de uma passagem bíblica deve se esforçar o máximo para extrair do texto o que realmente ele diz.

ANTROPOLOGIA TEOLÓGICA Antropologia nasceu com o grego Heródoto, no século V a.C. que foi cognominado Pai da Antropologia. Antropologia Teológica é a doutrina do homem no que tange a Deus. Teve sua transformação em duas grandes transições: a do cosmo para Deus, quando o cristianismo suplantou a visão grega da realidade. A segunda é de Deus para o homem e ocorreu na época moderna em conseqüência da secularização e do ateísmo. Repentinamente Deus desaparece de cena e cede lugar ao homem. Sua transformação teve início no Renascimento. O espírito humano abre-se a um novo modo de ver e agir, um violento contraste com o precedente, enquanto o primeiro, o centro de todo interesse era Deis, agora o centro é o homem. A filosofia é ao mesmo tempo a testemunha fiel e artífice principal da transição do teocentrismo para o antropotismo. Vemos aí (Descartes, Hume, Spinoza). Mas Kant que atinge o momento conclusivo, afirmando que o homem não é mais simplesmente o ponto de partida, mas também o ponto de chegada da reflexão filosófica. Vemos também dois princípios que são supremos na antropologia teológica: São o arquitetônico e hermenêutico. O arquitetônico é o eixo do ordenamento de todos os eventos da história da salvação. O hermenêutico é a verdade primária a cuja luz a teologia procura compreender e interpretar um dos aspectos da história da salvação.

CALVINISMO

Doutrina religiosa fundada por João Calvino. Ele nasceu em Noyon, em 1509 e morreu em Genebra em 1564. Caracteriza-se pela origem democrática da autoridade religiosa (os ministros não são padres). Os principais fundamentos da doutrina estão contidos na obra de Calvino intitulada "Instituição da Religião Cristã". Calvino e seus seguidores, sustentavam a soberania absoluta de Deus, a justificação pela fé, e a predestinação. O Calvinismo não admite as cerimônias religiosas e nega com rigor a tradição; pela crença na predestinação acha inútil as obras para a salvação. Segundo Calvino, a fé se dá pela deposição de absoluta confiança em Deus. Os seguidores de Calvino, na França, passaram a ser chamados "huguenotes". Propagou-se a doutrina pela Holanda, Suíça, Hungria, Escócia e Estados Unidos. Do Calvinismo, originou-se o puritanismo e as demais igrejas protestantes. Esta doutrina não foi aceita pelos sorbonistas, e Calvino foi perseguido e obrigado a deixar a Igreja Católica, fugindo para Basiléia.

CONSELHO MUNDIAL DE IGREJAS – CMI

Desde 1909 – Conferência Missionária Mundial em Edinburgo até 1937 – Conferência sobre "Vida e Trabalho" em Oxoford e sobre "Fé e Ordem" em Edimburgo – o movimento ecumênico era atuante sob muitos aspectos mas não tinha organização central. Por ocasião das conferências de 1937 tomaram-se as primeiras iniciativas para a fusão de "Vida e Trabalho" e "Fé e Ordem" num Conselho Mundial de Igrejas – CMI. De 1938 a 1948 este permaneceu – devido à Segunda Guerra Mundial – oficialmente em "processo de formação"; em Amsterdã, em 1958, ele foi formalmente estabelecido. O CMI é uma comunhão de igrejas que confessam o Senhor Jesus como Deus Salvador, segundo as Escrituras e por isso buscam cumprir em conjunto a sua vocação comum para glória do único Deus, Pai, Filho e Espírito Santo. É uma organização ecumênica internacional das igrejas cristãs da Reforma da qual a igreja católica faz parte como observadora. Prolonga historicamente os dois movimentos mundiais: "Vida e Trabalho", "Be Oxford" e "Fé e Ordem" de Edimburgo. O CMI não é uma igreja, nem pretende ser uma espécie de "super igreja", mas existe para servir as igrejas como instrumento, possibilitando-lhes entrar em contato umas com as outras. O CMI não considera nenhum conceito ou doutrina sobre a unidade da igreja como normativo para suas igrejas membros. Pretende ajudar todas elas na procura dessa meta. A 5ª Assembléia Geral foi em Nairobi em 1975. Ela propôs um consenso em torno da unidade nos seguinte termos: "Jesus Cristo fundou uma igreja. Hoje vivemos em

diversas igrejas separadas umas das outras. Contudo, nossa visão do futuro é que algum dia viveremos de novo, como irmãos e irmãs numa igreja indivisa. O CMI exerce seu mandato por intermédio da Assembléia Geral, do Comitê central do Comitê executivo, das Comissões, dos Comitês das Unidades de Programas e dos Centros Permanentes Administrativos de Genebra e Nova York. A Assembléia se reúne a cada sete anos.

CORRELAÇÃO (teologia)

Paul Tillich faz uma correlação entre teologia de Bultmann ortodoxia e a teologia de Karl Barth cristomonismo, esta teologia foi desenvolvida em 1951. Paul Tillich chegou a um consenso que sintetiza a sabedoria e a experiência humana com a religião bíblica, empregando todos os recursos da ciência, da história, da literatura, da arte, e da psicologia em profundidade, bem como a filosofia clássica e a moderna, em especial o existencialismo de Kierkegaard. Assim estabeleceu um tipo de doutrina teológica que era o fim apologético e estabeleceu a correlação de fé com a existência humana. Paul Tillich afirma que a doutrina só tem valor ou significado para o homem, se estiver relacionado com os problemas, as situações, e as crises de sua existência cultural, secular e cotidiana.

Paul Tillich escolheu atuar "na fronteira" entre a religião e a cultura ele escreve "a religião é a substância da cultura e a cultura é a forma da religião" Paul Tillich afirma que sempre que ele se encontra entre duas possibilidades existenciais, ele reflete sobre sua posição de sempre Ter um pé em cada um dos dois arraiais tradicionalmente antagônicos. Daí sua teologia de correlação inteiramente dialética. Paul Tillich procurou relacionar os problemas de sua filosofia, a partir da condição humana comum e demonstrou a relevância e o significado da doutrina teológica relacionada com o problema assim interpretado. Sua tese torna-se numa síntese em quatro níveis: (1) disciplina, (2) antológica, (3) histórica, e (4) na vida pessoal. DEÍSMO

Vem do latim deus, "deus". Os socianos introduziram o termo no século VI. Porém veio a ser aplicado a um movimento dos séculos XVII e XVIII, que enfatizava que o conhecimento sobre questões religiosas e espirituais vem através da razão, e não através da revelação, que sempre aparece como suspeita e como instrumento de fanáticos e de pessoas de estabilidade mental questionável. Vendo-se nisto a característica principal do deísmo, conhecimento através da razão e não sobrenatural. A isso podemos chamar de religião natural comum a todos, era uma garantia de uma convivência pacífica, que surge como um reflexo do iluminismo no campo religioso.

A demitização. A dialética aparece como o nome dado ao estudo do inter-relacionamento das idéias platônicas. não reside na eliminação de asserções e descrições. que trazem à luz contrários e opostos. mas em sua interpretação. Para Platão a dialética tornou-se uma forma suprema de adquirir conhecimento. e deve ser aplicada na biologia. e na sociologia. DIALÉTICA Dialética vem do Dialéktos grego. Na sua forma genuína. A dialética explica a mudança como resultado do conflito entre os opostos. Esse vocábulo refere-se àquele tipo de atividade filosófica que traça distinções rígidas. que é a nova tese. debate. despindo-as de sua veste literária mítica. e que visa a escoimar a mensagem cristã da roupagem dos mitos. Essa interpretação pressupõe que as categorias mitológicas utilizadas pelos autores se constitua em instrumento destinado a expressa a revelação. que tem em si uma antítese. Consiste na discrepância entre cosmologia antiga e moderna bem como entre as compreensões existenciais divergentes dos homens da Bíblia e dos de todas as épocas posteriores. tese. para poder interpretá-las de modo crítico e não eliminá-las. perdendo seu caráter paradoxal. Busca impedir que a mensagem evangélica se fundamente em assertivas mitológicas. para que a mensagem nelas contida adquira dimensões existenciais.DEMITIZAÇÃO Método desenvolvido na teologia protestante e católica. que significa discurso. A dialética determina todos os processos da vida. . A própria vida é dialética. Dialética é o jogo dos opostos que se fundem gerando assim uma tese. antítese e síntese. proposto pelo teólogo alemão Rusolf Bultmann (1884-1976). salva o essencial das narrativas. na psicologia. Dialética é o emprego da formulação. que gera uma síntese. que se fundem num novo tipo de coisa que sintetiza ambos os opostos.

ETERNIDADE As palavras hebraicas. EVANGELHO SOCIAL O Evangelho Social apareceu no final do séc. a era futura tem um começo. A era presente é limitada em sua duração. não sabemos o fim. Esta corrente do protestantismo moderno teve como base o livro "Em Seus Passos o que Faria Jesus?" Esta corrente teve como sua maior expressão a figura de Walter Rauschenbush. A idéia de eternidade não deve ser entendida em contraste com o tempo. Para Platão a esfera da eternidade é imaterial diferente de nosso mundo. uma sucessão infinita de eras. É similar no grego no vocábulo AIÔN que indica uma vida inteira ou um tempo indefinido no passado ou no futuro. ADH e OLAM. Heráclito. e tempo não fixado. XIX e dava bastante ênfase aos aspectos sociais do cristianismo. Tendo em vista este fato. E uma crítica crescente dos sistemas e ideologias da ordem vigente. tendo um começo e um fim. Foi sem dúvida alguma uma aplicação da ética cristã em resposta as exigências de uma nova situação histórica – a intensidade dos problemas sociais geradas pelo rápido crescimento industrial dos EUA. O Evangelho Social se caracterizou por uma dupla ênfase. A idéia Bíblica de eternidade não é ausência de tempo mas a extensão ilimitada de tempo. a consciência cristã viu-se obrigada a converter-se em consciência social. a existência da eternidade divina subentendia. dotado de um tipo de vida que se encontra exclusivamente no ser divino. A eternidade unida no próprio Deus. . associava a idéia de fluxo com a idéia de existência. a realidade e insignificância daquilo que é temporal. portanto ele não tem causa. Na filosofia grega. designam qualquer período com duração desconhecida. as quais são: Uma função mais ampla da Igreja.

É a afirmação das crenças centrais do cristianismo histórico. L. Desde a Reforma Protestante. que supõem que retornaram ao evangelho (ou Bíblia). esses grupos apegam-se a esses documentos sagrados com a sua base de autoridade. os concílios. da crença nos elementos fundamentais do ensino bíblico. congregacionais e metodistas. o espírito evangélico sempre se manifestou no decurso da história eclesiástica. Hudson Taylor. os movimentos reformistas medievais. evangelium. os pais da igreja. o evangelicalismo já obteve sua maioridade e é verdadeiramente um fenômeno global. que frisam a necessidade do evangelismo. surgiram Charles Spurgeon. Dos mais recentes podemos citar: John e Charles Wesley. John Huss e Savonarola se distinguiram dentro do evangelicalismo de tempos remotos. Quem se identifica com este movimento é um "evangélico conservador" (ou "evangelical") que crê no evangelho de Jesus Cristo e o proclama. é empregada quase como sinônimo da Igreja Baixa (expressão que aponta para os membros de postura mais protestante e evangélica). rejeitando as tradições. A palavra é derivada do substantivo grego euangelion. etc. os evangélicos são aqueles grupos.. da regeneração. traduzido como boasnovas. Na Alemanha. na Suíça e em alguns outros países a palavra passou a indicar o corpo geral das igrejas protestantes. como padrões de fé e prática. enfatizando a conformidade com as doutrinas básicas da fé e um alcance missionário de compaixão e urgência. que significa anunciar boas-novas ou proclamar como boas-novas. George Williams. Com a "autoctonização" das organizações assistenciais e evangelísticas e o envio de missionários por grupos dentro dos próprios países do Terceiro Mundo. notícias de alegria. Moody.EVANGELICALISMO Movimento no cristianismo moderno que transcende as fronteiras denominacionais e confessionais. Estas palavras aparecem quase cem vezes no Novo Testamento e passaram para os idiomas modernos através do equivalente em latim. e outros. Usualmente. Pedro Waldo. Assim. Charles Finey. o evangelicalismo é muito mais do que um assentimento ortodoxo a determinados dogmas ou uma volta racionária aos costumes antigos. Na Inglaterra. No século XIX. as cruzadas evangelísticas de Billy Graham. a palavra tem sido adotada por certos grupos cristãos. . Na atualidade. em contraste com o sistema tradicional que se desenvolveu na Igreja Católica Romana. da expiação mediante o sangue de Cristo. essencialmente protestantes. John Wycliffe. sendo euangelizomai o verbo correspondente. pregadores como Bernardo de Claraval. os batistas. A igreja apostólica. D. George Whitefield. Embora o evangelicalismo seja geralmente considerado um fenômeno contemporâneo.

XX as posições existencialistas desenvolveram-se na sua forma ateísta por Heidegger (1889-1969) e Gabriel Marcel (1889-1963). O que os filósofos existencialistas tem em comum. Kierkegaard propôs-se a conduzir os indivíduos à plenitude da sua existência. com as coisas e com a natureza. é o conceito de existência. sendo estas relações múltiplas.EXISTENCIALISMO Os existencialistas ao contrário do modo de pensar do homem da Idade Média que dizia que o ser humano possuía uma essência que "a priore" o determinava. diziam que o homem é um ser histórico e que sua essência vai sendo construída pois a "existência precede a essência". enfatizando como preferência a realidade e a importância da liberdade humana. . A doutrina existencialista tem como precursor Kierkegaard (1813-1855) o qual atacou a interpretação dogmática do cristianismo e o sistema metafísico Hegeliano. No séc. concretas. pois para os mesmos existir implica em estar em relação como outros seres humanos. Para eles dar-se um confronto dramático e trágico entre o homem e o mundo. A FENOMENOLOGIA tem como pai o filósofo alemão Esmund Husserl (1859-1938) da escola de Cristian Wolff. a qual seria realizada mediante a decisão livre do indivíduo e a fé em Deus. ser brilhante. mas subordinavam as questões tradicionais da metafísica e da filosofia do conhecimento a uma perspectiva antropocêntrica (isto é. FENOMENOLOGIA FENOMENOLOGIA – Do grego yaíva que significa: a brilhar. Os mesmos menosprezavam o conhecimento científico em particular a psicologia. FENOMENOLOGIA – Fenômeno + logia – aparência + conhecimento – estudo do fenômeno. na medida em que esta se pretende ciência – e nega a existência de valores objetivos. o homem como referência o valor principal). Karl Jaspers considerava a filosofia como metafísica dentro da qual se processa todo o saber e toda a descoberta possível do ser. Os filósofos existencialistas refletem sobre a natureza da realidade. dar luz. denominadas possíveis de acontecer ou não.

saber. tentativa conduzida sem rigor sistemático. É uma investigação a priore dos significados do pensamento". Todavia. . surgido nos primeiros séculos da era cristã buscando conciliar todas as religiões e decifrarlhes o sentido através da gnose. A principal corrente das idéias gnósticas foi o espiritualismo neoplatônico de Filo de Alexandria. Os principais gnósticos: Basílides. O gnosticismo cristão era basicamente uma forma de heresia sobre a pessoa de Cristo.Hussel pretendia fazer uma análise descritiva particularizada do fenômeno. Gnosticismo é a primeira tentativa de uma filosofia cristã. Este termo foi trabalhado por outros pensadores que lhe deram diferentes compreensões. Para Heidegger a FENEMOLOGIA mostra o que está escondido e fundamenta o que se mostra possibilitando o estudo do "SER". Na compreensão de William Hamilito era a identificação do objeto pelos dados empíricos. GNOSTICISMO Esta palavra vem do grego "gignoskein". Carpócrate. as essências e os objetos ideais. Hegel particularizou-lhe ao desempenho da mente. É de Husserl o conceito contemporâneo: "FENOMENOLOGIA é a generalização da noção de objeto que compreende não somente as coisas materiais. explicando-a termos teosóficos ou de filosofia pagã. Valentim e Bardesane. No tocante ao cristianismo. Kant tomou o vocábulo para explicar as características dos fenômenos de forma geral. na tentativa de fundir as revelações dadas por meio de Cristo e seus apóstolos com os padrões de pensamentos já existentes. mas também as formas de categorias. o gnosticismo consistia essencialmente. o que chamava de purificação do fenômeno – A busca da essência. místicos. Sartre concorda com Heidegger e entende que o pensamento natural é um fenômeno que busca a transfenomenologia que leva a considerações antológicas. neoplatônicos e orientais. com a mistura de elementos cristãos. O filósofo Lambert. Husserl insistiu em purificar o termo desatrelando-o da psicologia. Se porventura o gnosticismo tivesse sucesso. entendeu FENOMENOLOGIA como sendo o estudo dos erros da aparência ilusória. pressupondo-lhe como o pensamento absoluto. sistema eclético filósofo-religioso. o cristianismo tornar-se-ia apenas mais outro culto misterioso greco-romano. nessa tentativa. Ele aplicava a redução eidética.

mediante uma alusão à sua origem. de mundo e de Deus. A doutrina segundo a qual a realidade é histórica (isto é. Hegel e Marx podem ser criticados desse modo. que vigorava em seus dias. a história como a própria realização de Deus. Essa palavra vem do termo alemão "historismus". e Dilthey.HISTORICISMO Doutrina Histórica-Filosófica que define o pensamento como resultado cultural do processo histórico e reduz a realidade e sua concepção à história adotada por autores como Croce. Nietzesche. O termo foi cunhado por Mannheim e Troeltsch. Isto significa que é muito difícil chegar-se a uma história pura. Concepção segundo a qual o pensamento humano se caracteriza por seu processo histórico erigido em sistema a ponto de fazer do tempo o gerador e o decorador das verdades que a escola vai paulatinamente ensinando. Hegel. que vê na história a revelação de Deus no sentido de considerar cada momento da própria história em relação direta com Deus e permeado dos valores transcendentes. uma palavra usada para se aplicar a uma ênfase exagerada sobre a história. Conte e Simmel. se estivermos olhando para os sentidos envolvidos no processo histórico. por haver pensado. totalmente. incluídos por ele. Uma variante da doutrina precedente. . Ela supõe a coincidência de finito e infinito. Esta consiste em explicar de outro modo (mediante falsificação) a natureza de algum fenômeno. que o comunismo poria fim ao processo histórico. racionalidade e necessidade) e que todo conhecimento é conhecimento histórico. desenvolvimento. por ser uma síntese final. porque via a síntese histórica cumprida na monarquia constitucional do governo alemão. em sua pátria: e Marx. e considera. da escola neokantiana. portanto. na história. argumentava que todos os historiadores escrevem como cativos de sua era e circunstâncias particulares. como sinônimo de falácia genética. afirmava que "tudo é história". Certamente. O termo historicismo também é usado em um sentido negativo.

de tal modo que segundo o humanismo. Aquilo que . O ideal é a forma mais desejável de realização de qualquer coisa. com sua autoridade religiosa centralizada. tendo adicionado isso à sua clássica maneira de pensar sobre o homem. homens como Petrarca e Erasmo de Roterdã retornaram às raízes gregas quanto a muitos valores. o termo indica um conjunto de padrões daquilo que é mais desejável. De acordo com um uso popular. e de eidos. Ideal – Vem do termo grego "eidos". XVI o que predominava era o teocentrismo. Assim. contemplação. sem valores fixos ou absolutos. IDEALISMO O termo vem do grego ideein. O homem aparece como a base de todos os valores e de toda excelência bem como o objeto de todas as atividades. Protágoras afirmava que o homem é a medida de todas as coisas. metafísicas e práticas dependem do homem. "visão. Augusto Conte foi o grande campeão dessa forma de humanismo. O humanismo cristão da Idade Média e da Renascença tem mostrado ser o único fundamento da liberdade pessoal e acadêmica da era moderna. o homem é a primazia (visão antropocêntrica). etc. consideremos os pontos abaixo: O uso popular dessa palavra refere-se a algum padrão de perfeição ou algo que aponta para nobreza. "visão". o modo de pensar que se desenvolvera no escolasticismo. dos deuses. enquanto na renascença criaram o humanismo. pelo menos em parte. Durante a Renascença. e não de forças cósmicas. "ver". como os esforços necessários para atingir tal alvo. tudo era em nome de Deus ou seja (Deus era o centro de tudo). Ele fazia da humanidade o único objeto da nossa adoração.HUMANISMO Na idade média no séc. o homem no centro de todas as coisas. ou aquele tipo de cultura e ênfase promovidos por certos filósofos gregos. que também caracterizava a Igreja medieval e a sociedade. Foi assim cunhada a significação clássica do termo. para alguma elevada qualidade. e assim foi rejeitado. como cristão. criou-se um filosofia relativista. dava valor à missão de Cristo. Erasmo. naturalmente. contemplação". ou seja para algo que deve ser emulado. todas as considerações éticas.

8. idéia é arquétipo. ILUMINISMO Movimento filosófico que teve seu apogeu no século XVIII e determinou a face espiritual do século XIX. então devemos falar em ideal conceptual. onde o ideal é mais real. A matéria seria menos real e. Apresenta aspectos diversos conforme os países. e não material. são verdadeiras realidades. com uma cópia do arquétipo que vai sendo produzida nos objetos materiais. mas através da Enciclopédia seus ataques ao governo. O movimento contra as crenças e instituições estabelecidas ganhou impulso durante o século XVIII. imitativa do real. espiritual em sua essência. Essas formas. formas ou universais. O idealismo objetivo seria a antítese. em seu caráter. e pelo incentivo à liberdade de pensamento. 9-23 refletem o dualismo Platônico. e é mera cópia do mundo superior. . Os trechos de Heb.existe somente na imaginação. O cristianismo reteve essa forma de dualismo. então teremos um dualismo. Idealismo Platônico – Platão preparou o caminho para um tipo especial de idealismo que tem desfrutado uma longa e influente história. são apenas nomes que damos às operações do Espírito Absoluto. se admitirmos qualquer realidade. Essa forma de idealismo metafísico chama-se realismo metafísico. seus atos e suas realizações. É. antítese e síntese. as idéias. e a matéria é menos real. A força Cósmica todo-abrangente (Deus) é idéia. que atua através de seu próprio sistema de tese. por intermédio do poder do LOGOS. e nenhuma síntese dEle é final. O iluminismo católico mostra linhas nitidamente sociais e humanitárias. Rousseau. sem qualquer realidade física. Tugot. das formas universais. Irradiou-se da Inglaterra e dos Países Baixos. O idealismo subjetivo. à Igreja e ao judiciário forneceram a base intelectual para a Revolução Francesa. bem como seu estado de ser. As lojas maçônicas ajudaram a disseminá-lo por toda a Europa. Para ele.5. Uma nova tese surgirá inevitavelmente de sua antítese. O mundo celeste é o mundo espiritual. é a tese. possuídas de natureza espiritual. Esse é um tipo de idealismo metafísico. Nos escritos de Platão. e o mundo inferior é material. Condorcet e outros. que admite certo tipo de dualismo. dando origem a uma nova síntese. pelo desafio à tradição e à autoridade. dando a entender que a idéia é que é real". Caracterizou-se pela confiança no progresso e na razão. O mundo ideal é o mundo arquétipo e não material das idéias. Muitos foram presos em função de suas convicções. através da qual dá forma a todas as coisas. dentro desse sistema. Idealismo Hegeliano – Hegel ensinava um idealismo absoluto. com Voltaire. Quando um ideal é pertencente às idéias. onde imperam as realidades espirituais. O Espírito Absoluto nunca descansa.

Ele não reconhece como verdadeira nenhuma religião. . LIBERALISMO Conjunto de idéias e doutrinas que têm por objetivo assegurar a liberdade individual inclusive no campo moral e religioso. bispo de Ipres (1585-1638). No campo moral. O jansenismo foi um movimento de tentativa de reforma. não é um fato objetivo nem milagroso. É contrário a qualquer tipo de intolerância. Causou grande comoção.JANSENISMO (Do francês jansénisme). · LIBERALISMO RELIGIOSO – foi um desenvolvimento da teologia alemã posterior ao iluminismo. A religião revelada não é uma verdade. mas num credo vale o outro. publicado dois anos após a sua morte. Foi adotada a principio na abadia de Port-Royal e condenada pelo para Inocêncio X em 1653. LIBERALISMO POLÍTICO – Defende a valorização da livre iniciativa e da liberdade individual no campo da política e da economia. dentro da Igreja Católica Romana. vivia uma forma extrema e radical da idéias de Agostinho. eqüivale no campo do conhecimento à valorização da experiência individual. como de escrúpulos éticos extremos e grande rigor quanto às questões dogmáticas. principalmente em face de sua forte ênfase sobre a doutrina da predestinação e sobre o ensino que a graça divina se limita aos eleitos. o jansenismo atacava o laxismo e defendia uma disciplina rigorosa. disciplinares e de costume. O termo "jansenista" adquiriu significados secundários. O seu tratado teológico. Preconiza o direito ao indivíduo de adotar idéias e posições avançadas. Um resultado positivo do movimento foi que o mesmo inspirou um maior desenvolvimento da filosofia e da teologia morais. chamado Augustinus. Admite maior amplitude na esfera das opiniões pessoais. e é direito de todos os indivíduos seguirem aquilo que a sua fantasia quiser. Ensina que todas devem ser toleradas e que todas são matéria de opinião. pois achava que a reforma dos dogmas católicos e da ética romana deveria usar moldes agostinianos como guia. Jansen buscava respostas para certas questões doutrinárias levantadas pelo luteranismo e pelo calvinismo. mas um sentimento e um gosto. seguindo idéias de Cornelius Jansen. depois da morte dele. tanto intelectual quanto sensível. É a doutrina segundo a qual não existe verdade positiva em religião.

como numa igreja. e que fazem da mente apenas uma função do cérebro. Também pode ser uma doutrina panteísta em que Deus e a natureza se dissolvem em uma só realidade impessoal. por meio de cujo princípio tudo existe e opera. "único". suas crenças religiosas. especulações abstratas. tem a liberdade de tomar suas próprias decisões éticas. não implica. visto que Deus é a fonte originária de toda verdade. MITO Vem do grego. Esse termo foi introduzido na filosofia por Christian Wolff. Pode-se dizer que é uma estória. relacionada a tradições cosmológicas e sobrenaturais de um povo. no ano 70 a. monos. Escreviam-se então. Pode-se aplicar o monismo para o cristianismo para o cristianismo no sentido de que postula uma única causa da existência. pensando que o corpo físico é uma ilusão. Assim. ao final dos tratados de física. ou apenas uma instância da mente. O pensamento religioso dos povos primitivos se expressa quase que exclusivamente através de mitos. etc. O homem como indivíduo. uma única fonte da vida. Com o passar do tempo. sua cultura. na liberdade de qualquer tipo de obrigação. mas não por outras forças. Ele usava a palavra "monismo" a fim de designar a idéia daqueles filósofos que reconhecem somente a existência do corpo físico. A liberdade ética pois. ou que reconhecem somente a existência da mente. Em quase todas as religiões primitivas e desaparecidas. Não obstante ao apresentado o monismo mostra outras formas: . etc.LIBERALISMO ÉTICO – Não admite nenhuma restrição imposta por algum sistema. existe um forte elemento mítico. com seus deuses. que colecionou pela primeira vez. mas somente na liberdade de certos tipos de restrição. sobre quaisquer bases e de acordo com qualquer sistema ou teoria. apresentada como histórica. o termo meta (depois) tomou o sentido de "mais além" dos domínios da física. os escritos de Aristóteles. numa fé religiosa. Ainda no sentido da unidade da verdade. Essa palavra procede de Andronico de Rhodes. que significa "contar". ou ainda existentes. "narrar uma ficção". o mito consistindo em história da (s) divindade (s). que propões que toda verdade é uma só. pressupõe a existência desta (s). um homem pode sentir-se restringido por sua própria consciência e pela fé bíblica. MONISMO Esse vocábulo vem do grego. agindo ativa e passivamente no tempo e no espaço. Passou a designar as teorias racionais que se situam além da verificação experimental dos fenômenos físicos aparentes. Um mito é uma ficção popular. METAFÍSICA Ramo da filosofia que trata dos princípios e fundamentos das coisas primárias. em sua discussão sobre o problema corpo-mente. mythos.C. Refere-se a qualquer doutrina que diz que algum princípio único governa todas as coisas. ou realidade última. necessariamente. contada como se fosse histórica e real. o Estado. seus heróis. Em teologia. que passaram a ser conhecidas com o nome de meta ta phusia (depois da física).

Assim desde os primeiros capítulos da Bíblia. em favor do fundamente e abismos divinos. Desde o princípio Javé foi considerado um Deus de propósito ético.MONISMO NEUTRO – defendido por Bertrand Russel. O monoteísmo tem outras formas. como por exemplo: MONOTEÍSMO ÉTICO – que é a afirmação de um só Deus com base ética. o mesmo dizia que a realidade básica do mundo nem é a matéria física e nem é a idéia. "único" e theós. incluem sobretudo as normas de conduta apodicamente formuladas. Essa é a proposição mais consoladora da religião. Está na linha divisória entre politeísmo e monoteísmo. que tudo tira do nada por sua palavra toda-poderosa. O Deus único é Pai. o que empresta imenso poder à percepção dos sentidos e suas capacidades. Essas leis. fizeram quando identificaram Zeus como ultima cidade ontológica. dos Patriarcas. dos quais ele provê e no qual desaparecem. Os conflitos entre os deuses estão reduzidos por seu poder. Ele determina a ordem de valores. "Deus. em que a vontade de Deus assumiu forma concreta. desta forma ao narra a criação (Gn. entre o divino e o demoníaco. intervindo. Há muita idéias associadas ao monoteísmo. Todos os conflitos entre os deuses. e seus representantes divinos. de Moisés. garantindo para o homem um teísmo baseado no amor. O Javinismo era uma religião de vida e conduta. de Noé. Seu fim seria o fim de todos aqueles sobre os quais ele impera. que continua interessado pela sua criação. dos profetas que anunciam a sua encarnação na Pessoa de Jesus Cristo. ainda indefinida. MONOTEÍSMO MONÁRQUICO – afirmação de um só Deus com soberania absoluta. É o mesmo e único Deus que aparece nas histórias de Caim e Abel. Foi isto que os estóicos. o texto sagrado menciona EL ou ELHOIM (Deus). . MONOTEÍSMO MÍSTICO – afirmação de um só Deus por razões místicas. O deus-monarca impera sobre os deuses inferiores e sobre os seres da natureza divina. Transcende todos os reino do ser e do sentido. Deus como único Criador. por meio da qual se expressam. são superadas naquele que é último e que transcende a todos eles. os autores israelitas se referem a um só Deus. com: Deus é dotado de vida necessária e independente. 4). que exige completa obediência. MONISMO EPISTEMOLÓGICO – assevera que o objeto conhecido e o processo de conhecer são uma só coisa dentro da relação-conhecimento. Ela indica aquele ensino que só existe um Deus. Ele representa o poder e o valor da hierarquia. Deus não pode deixar de existir e a sua vida não depende de qualquer coisa externa ou fator sustentador. que tem interesse pelo homem. de diferentes modos. os fenômenos materiais e mentais. alguma coisa neutra. MONOTEÍSMO Essa palavra vem do grego mónos. mas antes. 1. entre os deuses e as coisas. segundo as leis que expressam a vontade de Deus. 1-2. O Deus único criou tudo.

É uma tentativa de falar do Deus vivo: o Deus em quem estão unidos o último e o concreto. Gustaf Aulém e Ander Nygren tornaram-se seguidores. os paradoxos da fé devem permanecer exatamente assim. nos Estados Unidos. na procura da verdade. outros a voltarem à sua pátria tais como Barth. e em outros lugares igrejas e países começaram a ler a respeito do movimento e a observar aquilo que estava acontecendo. denunciou vigorosamente todas as tentativas de amordaçar Palavra de Deus com a razão. . Este movimento também foi chamado de "Teologia da crise". Com a ascenção do movimento nazista na Alemanha. não é um movimento unificado. Foi usado por Abelardo em Sic et Non. Em pouco tempo esse movimento alcançou a Inglaterra. além de "Neo-ortodoxia".MONOTEÍSMO TRINITÁRIO – afirmação de um só Deus em três pessoas distintas. NEO-ORTODOXIA O termo neo-ortodoxia significa uma "nova ortodoxia". Na melhor das hipóteses. a se exilarem. não tem um conjunto articulado de fundamentos em comum. A neo-ortodoxia não é um sistema único. O monoteísmo trinitário é o monoteísmo concreto: a afirmação do Deus vivo. com uma rejeição do escolasticismo protestante (que foi quando Melanchthom abandonou a intransigência dos outros Reformadores e colocou seu profundo conhecimento do pensamento aristotélico a serviço da Escritura). porém dentro em breve passou a se expressar de vários modos. Dodd e Edwyn Hoskyns se envolveram. e o método dialético que procura descobrir a verdade no opostos dos paradoxos leva a uma fé verdadeira e dinâmica. Para os neo-ortodoxos. um contra o outro. e com uma negação do movimento liberal protestante que tinha ressaltado a acomodação do cristianismo à ciência e à cultura ocidentais. Não é uma questão com o número três. pelo uso de perguntas e respostas para derivar o discernimento e a verdade. A nova abordagem metodológica do movimento envolvia o uso do pensamento dialético que remonta ao mundo grego e a Sócrates. tais como Dietrich Bonhoeffer. e é técnica de colocar os opostos. A primeira reação eficaz contra o liberalismo teológico foi promovida por Karl Barth. alguns a se esconderem. com os irmãos Niebuhr. muitos líderes do movimento neoortodoxo encontraram-se com outros cristãos alemães em Barmem em 1934 e publicaram um declaração contra os males do nazismo. feito por Hitler. H. que retomando Kiekegaard. pode ser descrito como uma abordagem ou atitude que começou num ambiente comum. onde C. Começou com a crise associada à desilusão que seguiu a Primeira Guerra Mundial. a imanência de Deus e a melhoria progressiva da humanidade. ou ainda "Teologia dialética". A repressão resultante. na Suíça. forçou alguns como Paul Tillich.

tais como Dietrich Bonhoeffer. que é o veículo para proclamação do Verbo que se fez carne. um contra o outro. A primeira reação eficaz contra o liberalismo teológico foi promovida por Karl Barth. e é técnica de colocar os opostos. alguns a se esconderem. ao qual resposta da humanidade deve ser escutar. A nova abordagem metodológica do movimento envolvia o uso do pensamento dialético que remonta ao mundo grego e a Sócrates. O conceito teológico fundamental do movimento foi aquele do Deus soberano e completamente livre. como a Palavra que Se fez carne. como também enfatizou a unidade das Escrituras e ajudou a precipitar um novo interesse pela hermenêutica. feito por Hitler. os paradoxos da fé devem permanecer exatamente assim. redimida. Este movimento também foi chamado de "Teologia da crise". que é totalmente outro em relação a Sua criação. a se exilarem. a se exilarem. as Escrituras. alguns a se esconderem. ortodoxo encontraram-se com outros cristãos alemães em Barmem em 1934 e publicaram um declaração contra os males do nazismo. denunciou vigorosamente todas as tentativas de amordaçar Palavra de Deus com a razão. um ato dinâmico da graça. as Escrituras. Também que a auto-revelação de Deus. ao qual resposta da humanidade deve ser escutar. pelo uso de perguntas e respostas para derivar o discernimento e a verdade. e o método dialético que procura descobrir a verdade no opostos dos paradoxos leva a uma fé verdadeira e dinâmica. que é o veículo para proclamação do Verbo que se fez carne. forçou alguns como Paul Tillich. como a Palavra que Se fez carne. Jesus. ou ainda "Teologia dialética". Essa revelação é a Palavra de Deus num sentido tríplice. quanto à forma como ela é controlada. como também enfatizou a unidade das Escrituras e ajudou a precipitar um novo interesse pela hermenêutica. Essa revelação é a Palavra de Deus num sentido tríplice. que apontam para a Palavra que Se fez carne e o Sermão. que é totalmente outro em relação a Sua criação. quanto à forma como ela é controlada. Para os neo-ortodoxos. que retomando Kiekegaard. Foi usado por Abelardo em Sic et Non.O conceito teológico fundamental do movimento foi aquele do Deus soberano e completamente livre. A relevância desse movimento foi tirar a Bíblia das mão dos críticos liberais que procuraram só pela crítica-histórica explicá-las. e como Ele determina revelar-Se a ela. Jesus. que apontam para a Palavra que Se fez carne e o Sermão. outros a voltarem à sua pátria tais como Barth. A repressão resultante. além de "Neo-ortodoxia". redimida. . outros a voltarem à sua pátria tais como Barth. forçou alguns como Paul Tillich. Ortodoxo encontraram-se com outros cristãos alemães em Barmem em 1934 e publicaram um declaração contra os males do nazismo. Também que a auto-revelação de Deus. um ato dinâmico da graça. e como Ele determina revelar-Se a ela. na procura da verdade. A repressão resultante. feito por Hitler. tais como Dietrich Bonhoeffer. A relevância desse movimento foi tirar a Bíblia das mão dos críticos liberais que procuraram só pela crítica-histórica explicá-las.

que foi iniciada pela incíclica de Leão XIII. como também enfatizou a unidade das Escrituras e ajudou a precipitar um novo interesse pela hermenêutica. e o método dialético que procura descobrir a verdade no opostos dos paradoxos leva a uma fé verdadeira e dinâmica.A primeira reação eficaz contra o liberalismo teológico foi promovida por Karl Barth. O neoplatonismo teve influência no Oriente Próximo até o século VI. os paradoxos da fé devem permanecer exatamente assim. Essa revelação é a Palavra de Deus num sentido tríplice. A relevância desse movimento foi tirar a Bíblia das mão dos críticos liberais que procuraram só pela crítica-histórica explicá-las. redimida. o do intelecto e o do Uno. ou ainda "Teologia dialética". denunciou vigorosamente todas as tentativas de amordaçar Palavra de Deus com a razão.C. e é técnica de colocar os opostos. ao qual resposta da humanidade deve ser escutar. Foi usado por Abelardo em Sic et Non. como a Palavra que Se fez carne. Este movimento também foi chamado de "Teologia da crise". Três níveis da realidade são afirmados: o da alma. as Escrituras. partindo da idéia sobre a capacidade da alma de elevar-se a contemplação dos arquéticos perfeitos do mundo. quanto à forma como ela é controlada. inclusive na escola cristã de Alexandria. que retomando Kiekegaard. A alma corresponde à mente do indivíduo com pensamentos. O intelecto é o repositório dos arquéticos. além de "Neo-ortodoxia". Este movimento consiste na defesa . que apontam para a Palavra que Se fez carne e o Sermão. e como Ele determina revelar-Se a ela. na procura da verdade. NEOPLATONISMO Modalidade do platonismo criado por Plotino (204-270 a. Entendesse que este movimento de retorno a doutrina de Tomás de Aquino e no anseio da cultura católica. Para os neo-ortodoxos. pelo uso de perguntas e respostas para derivar o discernimento e a verdade. que é o veículo para proclamação do Verbo que se fez carne. um contra o outro. Jesus. NEOTOMISMO Um reavivamento do pensamento de Tomás de Aquino no século XX. A meta da vida filosófica consiste em se unir com o Uno. Também que a auto-revelação de Deus. A nova abordagem metodológica do movimento envolvia o uso do pensamento dialético que remonta ao mundo grego e a Sócrates. que é totalmente outro em relação a Sua criação. O Uno é Deus.). memórias e percepções. um ato dinâmico da graça. Desenvolveu a mística do platonismo. O conceito teológico fundamental do movimento foi aquele do Deus soberano e completamente livre.

preservava alguns valores. NIHILISMO Doutrina filosófica que nega a existência do absoluto. imperou o caos. Esse termo pode tornar-se absolutamente ateísta: Deus não existe. os estudos de filosofia medieval isto é da escolástica clássica. O NIHILISMO ÉTICO afirma que não existem valores genuínos. Ali. na relaboração e na modernização de tais teses.polêmica das teses filosóficas tomistas contra as diversas direções da filosofia contemporânea e indiretamente. ensinando que a renúncia e a simpatia têm algum valor. contudo. digno do nome. em sua novela. à descrença radical. designa a corrente segundo a qual não há hierarquia de valores nem qualquer verdade de ordem moral. O NIHILISMO TEOLÓGICO pode ser visto nos escritos de Nietzsche. como Thomas Altizer. mas nada se fez de construtivo. O NIHILISMO POLÍTICO chega ao extremo de afirmar que a destruição da ordem social herdada é. Schopenhauer. Em ética. então pode indicar que nossos conceitos de Deus são obsoletos. o termo tinha um significado político. a moralidade e os valores seriam artificiais. Foi cunhado por Turgeniev. em uma tentativa de destruição. Pais e Filhos (1862). Ou. Esse tema. . Esse vocábulo tem sido largamente usado em vários campos e com vários sentidos. dizia que o NIHILISMO está fora de um comportamento admissível. O termo deriva do advérbio latino nihil que significa nada. em termos religiosos. Um dos mais importantes efeitos da florescência neotomista é a importância renovada que asseveram. que substituísse o que eles pretendiam eliminar. que declarou que "Deus está morto". mas sem qualquer plano construtivo. um ato bom e positivo. mesmo que nada seja apresentado para tomar o lugar das coisas e instituições destruídas. contrariamente. O PESSIMISMO é uma forma de NIHILISMO ÉTICO. Equivale. mas nada tendo a ver com a verdade. a partir dos últimos decênios do século passado. servindo a pessoas e a classes. desafortunadamente. Muitos oficiais russos foram mortos. por si mesma. Sartre e aqueles que promoviam o que veio a ser chamado de Teologia Radical. Certo movimento russo do último quartel do século XIX foi acusado de empregar esse termo. foi aceito por alguns teólogos posteriores. ou como William Hamilton. Bakunin era defensor dessa posição extremada. também empregaram esse tema em suas discussões. mas Canuns.

o que significa crença correta. é uma divisão de metafísica. A Igreja Oriental se autodenomina "ortodoxa" e condena a Igreja Oriental como heterodoxa. portanto. ORTODOXIA O equivalente em português da palavra grega "orthodoxia" (de orthos "certo". "conhecimento". Uma divisão da filosofia e da teologia emprega esse vocábulo para indicar o estudo geral e o conhecimento do ser. e doxa "opinião"). Essa palavra foi chamada por Rudolph Otto com base no termo latino numem. em 1647. santa. por causa da inclusão da cláusula "filioque" no seu credo. chegamos a conhecer a Deus. quando foi cunhado por Clauberg. por causa de conflitos.NUMINOSO Designação dada ao que é influenciado ou está sob dependência da divindade. do Santo. terrível. A idéia da ortodoxia veio a ser importante na igreja a partir do século II. e surgiu uma multiplicidade de credos que explicavam essa "regra". bem como os dogmas e as doutrinas. E a experiência que gera todas as respostas morais e éticas da religião. ONTOLOGIA A palavra ontologia deriva-se de dois termos gregos. É a experiência do Outro. o que por sua vez. A aceitação rigorosa da "regra de fé" (regula fidei) era exigida como uma condição prévia da comunhão. ressaltavam a importância da ortodoxia quanto a soteriologia dos credos da reforma. primeiramente como o gnosticismo e depois com outros erros a respeito da trindade e da pessoa de Cristo. O termo não é bíblico. em contraste com a heresia ou a heterodoxia. tinha-se tornado o termo padrão para indicar o estudo do ser. do incompreensível – de Deus. embora o verbo orthodoxein esteja em Aristóteles. "ontos" "SER" e logia. e dessa maneira. são por sua própria natureza normativas para a igreja universal. O termo numinoso tem por propósito transmitir a idéia da Presença do Espírito Divino. que nos deixa admirados. . Os teólogos protestantes do século XVII. conforme é possível ao homem conhecê-lo. Nenhum escritor secular ou cristão usa-o antes do século II. aterrorizadora e sagrada da deidade. Pelo fim daquele século. referindo-se à finalidade misteriosa. A palavra expressa a idéia de que certas declarações sintetizam como exatidão o conteúdo do Cristianismo às verdades reveladas e. Essa experiência do numinoso é aquilo que está por trás de todas as grandes religiões do mundo. especialmente os luteranos conservadores. Esse termo foi usado pela primeira vez no século XVIII.

PANNENBERG Teólogo evangélico alemão. as decisões dos concílios. 1964. veio a ser uma influência no mundo de fala inglesa. A doutrina teológica de Pannenberg considera que a realidade histórica tem prioridade sobre a fé e o raciocínio humanos. Wolfhart Pannenberg. os credos. (Revelação como história) 1962. o mesmo oferece uma base complexa para a ortodoxia: as Escrituras. Wolfhart Pannenberg. 1959. Porque para ele a história é o princípio de averiguar o futuro com a revelação da Palavra. pode ser chamado o teólogo da história.Quanto ao catolicismo romano. cortam o nó górdio. Rejeitando certas idéias católicas romanas. por sua vez. as declarações excatedráticas dos papas. toda história é a revelação de Deus. nascido em Stettin. professor de teologia sistemática em Heidelberg (1955). A verdade revelatória está necessariamente inerente na totalidade da história e bem clara para todos quantos observam. e não da própria história. oferecendo uma exagerada simplificação. Deixar de captar a revelação dentro da história é falha do indivíduo e da sua investigação. conforme elas foram definidas pela Igreja. eles oferecem as "Escrituras somente". A história está tão clara em suas funções revelatórias que sua interpretação pode ser feita sem a ajuda da revelação sobrenatural. Obras principais: Heilsgeschethen Und Geschechte (A redenção como acontecimento e história). Quando foi publicado seu livro Jesus – God And Man em 1968. Para Pannenberg. Os grupos protestantes. os pareceres dos chamados pais da Igreja. . apresenta sua teologia de dentro da categoria da história. (Que é o homem? A antropologia atual à luz da teologia). que é professor de teologia sistemática na Universidade de Munique. Wuppertal (1958) e Mainz (desde 1961).

sem começo. O universo passa a ser auto-existente. que identifica a mente e a matéria. Imanentista – Deus faz parte do mundo e é imanente nele. "deus". mas não é idêntico a elas. + Theós. e usou a forma nominal "panteísmo". embora diferentes expressões de uma mesma coisa. Fay atacou a filosofia de Toland. onde Deus está ativo na história e na sua criação. Nas Escrituras. em 1705.PANTEÍSMO Essa palavra vem do grego. foi cunhada pela primeira vez por John Toland. o panteísmo é deficiente por causa de duas considerações: Nega a transcendência de Deus e defende Sua imanência radical. Deus é retratado supremamente como uma pessoa. "panteísta". E. o finito e o infinito tornam-se uma e a mesma coisa. dando a entender que tudo é Deus. removido do mundo transcedente sobre ele. De acordo com o panteísmo. Do ponto de vista bíblico. Deus é imutável e não é afetado pelo mundo. Acósmico – Deus é absoluto e constitui a totalidade da realidade. desde então o termo tem sido continuamente usado. e que pensa que a unidade é divina. O panteísmo é uma espécie de monismo. Da identidade dos Opostos – qualquer dissertação a respeito de Deus deve necessariamente apelar aos opostos. Deus é o cabeça da totalidade. A forma objetivada. todos os seres e toda a existência de Deus. Tendência de identificar Deus com o mundo material. enquanto que a Bíblia apresenta um equilíbrio. negando assim. pan. são concebidos como um todo. E assim. Monista Relativista – O mundo é real e mutável. e o mundo é o seu corpo. Monista absolutista – Deus é tanto absoluto quanto idêntico com o mundo. · Formas de Panteísmo mais importantes: Hilozoísta – O divino é imanente do mundo e é caracterizado como elemento básico do mundo que empresta mudança e movimento à sua totalidade. Sendo assim. embora sujeito a modificações. o caráter pessoal de Deus. "tudo". Por sua vez. . Neoplatônico – Deus é absoluto em todos os aspectos. De acordo com o panteísmo.

O metodismo trouxe de volta à igreja a necessidade de uma experiência religiosa pessoal. a necessidade de uma conversão que realmente mudasse a vida do indivíduo. A corrente principal do luteranismo tornara-se rígida em suas doutrinas e morta no sacramentalismo. uma casa publicadora e outras obras de caridade. em vez de ritos. incluindo misticismo. sobre a conversão pessoal. Um teatro religioso. era combatido por ministros e teólogos invejosos. historicamente falando o metodismo foi muito influenciado pelo pietismo alemão. caiu no legalismo dogmático. Ele foi um bem sucedido professor e obreiro cristão. segundo a história informa-nos. o conde Von Zinzendorf. a santidade e a devoção. A igreja morávia. associado principalmente a Philipp Jakob Spener. e. o que justifica o seu protesto e o movimento que daí resultou. desnecessária. a fraternidade universal dos crentes. "aquele que cumpre seus deveres". ou mesmo como se nem fossem cristãos autênticos. Essas coisas são enfatizadas em lugar do ritualismo e das formalidades do culto. A necessidade de experiências religiosas pessoais. o calvinismo. o calor emocional na religião cristã. no fim do século XVII. Outrossim. Ele servia como pastor em Frankfurt-ammain. o tema pietismo assumiu uma conotação negativa. A ênfase do pietismo recai sobre as experiências religiosas. Spener cria que a ênfase original da reforma protestante. axetismo e separação desnecessária de outros cristãos. John Wesley e o metodismo primitivo podem ser classificados como um movimento pietista. as pessoas transformam-se em atores. e uma santificação que continuasse esse processo. mas a sua mensagem não tardou as espalhar-se por toda a Alemanha e daí para outros países. ou seja. um orfanato. entusiasmadas e dotadas de mais profundas experiências religiosas do que outras pessoas. a santificação e a experiência religiosa tinha-se perdido essencialmente. um desprezo relativo aos credos. No grego temos sébomai "ser piedoso". o pietismo teve início entre os luteranos da Alemanha. uma religiosidade que gera mais calor emocional do que iluminação fanatismo. e foi mui significativa a sua ênfase sobre as experiências místicas. "ser reverente". . sacramentos e da religiosidade. organizada pelo enteado de Spener. passando a ser aplicado a fanáticos e sonhadores religiosos. Por causa desses vícios. procurando ser mais piedosas. a retidão pessoal. De fato. também. Como um movimento organizado. Também houve uma pronunciada ênfase antiintelectual. adotou a prática dos princípios pietistas. considerados dotados de espiritualidade inferior.PIETISMO A base latina dessa palavra portuguesa é pius. Mas a palavra alude a uma reverência especial diante de Deus. O mais notável discípulo de Spener foi August Hermann Framke. Tinha organizado escolas para os pobres. que causou forte desequilíbrio no movimento. o valor do misticismo.

Diz-se. Talvez possamos dizer que a maioria das igrejas pentencostais da atualidade retém tanto as virtudes quanto os vícios desse movimento. A Hermenêutica "Geral" se aplica a determinados tipos de produção literária. . quer isto dizer que. mas. leis. poesia. PRINCIPAIS EXPOENTES DO PIETISMO – Philipp Jacob Spener é considerado o Pai do Pietismo. eides da igreja Marávia renovada. os Schewenkfelderes e os morávios devem todas alguma coisa ao pietismo. Platão foi o primeiro a empregar Hermeneutike (subentendendo-se a palavra techne) Hermenêutica é. frases. Consequentemente a hermenêutica tem duas tarefas: Uma determinar o conteúdo do significado exato de uma palavra. A igreja reformada holandesa também teve líderes cujos discípulos salientaram esse conceito. ou a um comentário adicional. se deriva do verbo Hermeneuo. a arte de Hermeneuein (interpretar). propriamente. Os irmãos unidos em Cristo e a igreja Evangélica foram denominações que incorporaram tendências pietistas. os dunkers (batistas alemães). porque trata de um livro peculiar no campo da literatura – a Bíblia como inspirada palavra de Deus. Spenes e Francke aspiravam outras variedades de Pietismo alemão. tais como. os mononitas. texto.. PRINCÍPIO HERMENÊUTICO A palavra Hermenêutica é derivada do termo grego hermeneutike que. A Hermenêutica "Sacra" tem caráter muito especial. através dele. um novo interesse por Lutero e sua teologia. o que também sucedeu ao luteranismo norte-americano. A igreja reformada alemã da América do Norte exerceu uma influência pietista sobre povo reformado alemão naquele continente. não só as anunciava textualmente. Hermes transmitia as mensagens dos deuses aos mortais. A Expansão do Pietismo. na Georgia prostrou relevantes contribuições ao Pietismo. Johann Albrecht (1687-1752) Haus Nielsem Hauge (1771-1824) que teve. também. o que pode chegar a uma clarificação. outra descobrir as instruções contidas em formas simbólicas. tornando as palavras inteligíveis e significativas. num aspecto ou noutro. O conde Nikolas Vom Zinzendory. em 1666 foi chamado para ser o ministro principal em Frankfurt-am-Main. profecia. era afiliado de Spener e aluno de Francke. João Wesley em 1735. etc. história. por sua vez. no caso designa a teoria dessa arte. as leis e os métodos de interpretação. mas agia também como intérprete.O metodismo. que a palavra hermenêutica deve sua origem de Hermes. Podemos defini-la assim: Hermenêutica é a ciência que nos ensina os princípios.

o retorno aos princípios levava a negar o valor da tradição. 95 teses contra a venda das indulgências. a Reforma foi iniciada pela obra do monge agostiniano Martinho Lutero (1483-1546) que em 1517 afixou. a universalidade do pecado na raça humana e a unicidade da trindade. Explicando. que se julgava sua depositária e intérprete. Explicando que a realidade dos indivíduos derivava do universal. Em sua orientação de conjunto. a Reforma protestante apresenta-se como um dos meios de realização daquele retorno aos princípios que foi a divisa do Renascimento. assim. de uma entidade (digamos assim) metafísica. REALISMO METAFÍSICO: Advoga a existência da realidade metafísica em si mesma. REALISMO GNOSEOLÓGICO: é o que admite a possibilidade do conhecimento das causas. Refere-se a uma existência separado. e a humanidade como um universo procedia o homem como indivíduo. ao Evangelho. o retorno direto à palavra de Jesus Cristo. originada na teoria das idéias de Platão segundo a qualos universais existem por si.REALISMO Doutrina medieval. de que estas se constituíam. REFORMA A Reforma foi a renovação da vida religiosa acontecida na Europa do século XVI pelo retorno às origens do Cristianismo. e portanto da Igreja. não pondo em dúvida a possibilidade do seu conhecimento. nas portas da catedral de Wittenberg. isto é. mas na sua substância verdadeira. e a todos os rituais e às glosas que havia acumulado durante séculos. No texto Contra Henrique VIII da Inglaterra (1522) Lutero contrapunha a tradição eclesiástica. naquilo que elas tem de invaríavelem face da multiplicidade do vir a ser. à parte dos objetos em particular. de onde tudo programa. O Realismo Gnoseologico dos Milésios eles admitiam a existência real de uma substância das causas. Preparada pelo humanista Erasmo de Roterdão (1466-1536). . ULTRA-REALISTAS: (século XII) expandiu a teoria de Agostinho que tinha modificado o realismo de Platão ao sustentar que as proposições universais existiam na mente criativa de Deus antes do universo material. No domínio religioso. independentemente das coisas em que se manifestam.

A Reforma é o berço de toda a teologia moderna. Além de Zwinglio e Calvino. que se encarna no anabatismo. a justificação por meio da fé. os quais não pretenderam. a qual implica dois corolários fundamentais: 1º) a negação do valor das obras. artístico e filosófico desenvolvido no período dos séculos XIV e XVI na Europa Ocidental. poderíamos distinguir três alas: 1) a direita. 2) O centro. 3) a esquerda. se consumou a separação entre católicos e protestantes. que conservou numerosos elementos "católicos". do sentido salvífico dos sacramentos e do batismo de crianças. das técnicas religiosas (ritos. Quando. mas apenas "reformar" a existente. mas também estes subtraídos de qualquer supervisão sacerdotal e considerados como expressão da relação direta do homem com Deus. constituído pelo luteranismo e o calvinismo. Wasler e Burdach para explicar o RENASCIMENTO espiritual do homem adâmico morto pelo pecado. que foi outra figura espiritual que lançou o alicerce sobre o qual a Reforma veio a ser edificada. Verifica-se portanto que o tema religião discutido . eucaristia. isto é. sacrifícios. tornando-se quase sinônimo de protestantismo. 2º) a negação da liberdade humana e o reconhecimento da predestinação da parte de Deus. o trabalho inicial de Lutero teve continuidade graças aos esforços de Melanchthon e João Knox. porém. Lutero opôs o exercício dos deveres civis. Michelet e Burckhardt usaram esse vocábulo para enfocar a historicidade do período em 1855 e 1860. Dentro da Reforma protestante. A fé é o sinal seguro desta predestinação e portanto o indício da salvação. Os grandes líderes da Reforma. cerimônias) e a redução dos sacramentos àqueles que são mencionados pela Bíblia. o nome da Reforma veio adquirir um aspecto nitidamente confessional. No sentido teológico a palavra RENASCIMENTO foi usada nos estudos de Hildebrand. penitência. inicialmente. foram Zwinglio e Calvino. em sua forma preliminar. o RENASCIMENTO religioso enfatizava o principal objetivo da religião que seria levar o homem de volta a DEUS. segundo Lutero. isto é. batismo. Pode-se dizer que a Reforma começou. Ao culto sacerdotal. com sua rejeição da hierarquia. que não rejeitaram completamente uma constituição hierárquica da Igreja. uma vez que a Igreja Católica institucionalizava a religião e asseverava os seus dogmas sem nenhuma flexibilidade para discussão a respeito. RENASCIMENTO Este termo deriva-se do francês Renaissance e corresponde a um movimento literário. no século XVI. formar uma Igreja separada. como único "serviço divino" que possuía valor religioso. de "Reforma". além de Lutero.O ensinamento fundamental do Evangelho é. no século XIV e com John Huss. representada pelo anglicanismo. Por isso foram chamados de "reformadores" e sua ação. No movimento renascentista. com John Wycliffe.

a qual. . e primeiro revisionista não podemos dizer que Ritschel é o pai do movimento revisionista.dentro do RENASCIMENTO contribuiu eficazmente para a revolução teológica que reflete até nossos dias que foi a REFORMA PROTESTANTE. Embora Ritschel. Avaliação da qualidade da vida. O revisionismo biografo procurava desmistificar a deidade de Cristo. ou seja a vida além do túmulo. Henrique Paulus (1761 a 1877) publicou em 1928 a obra vida de Jesus Paulus. REVISIONISMO: Espiritual 1º Revisionismo crença que a verdadeira pessoa é uma alma sobrevive a morte biológica. Por isso pretendiam fazer uma biografia corrigida de Jesus. sobre a vida de Cristo. seja o pai da teologia liberal e dos principais. esse título. Eles pretendiam fazer uma revisão dos relatos bíblicos. e também recontar a história de modo racional. precisa enfrentar uma revisão da vida na carne. Prestação de contas dos seus atos. Straus não aceitou a mensagem de Cristo. é comumente dedicado a Herman Reinamein. O revisionismo nasceu dentro a teologia moderna e adeltro a teologia contemporânea até hoje os teólogos influenciam. 2º O movimento revisionista foi um movimento teológico moderno que tinha como objetivo a busca do Cristo histórico. David Frederich Straus (1808 a 1877) Straus também escreveu a obra a Vida de Jesus. no estado espiritual. Era o tema central do revisionismo. Julgado de acordo com suas obras/atos. Não admitia que Jesus tinha feito qualquer milagre. sendo julgada de conformidade com ela. Revisão da vida anterior à morte.

como tal constitui-se num rival do cristianismo. existem em liberdade e responsabilidade que o homem tem com Deus e o mundo. o natural mais do que o sobrenatural. Nenhuma discussão contemporânea do cristianismo e secularismo pode deixar de lidar com as cartas e papéis da Prisão escritos por Dietrich Bonhoeffer. Este mundo (o saeculum) tem valor porque Deus o criou. o secularismo é o culpado porque "mudaram a verdade de Deus em mentira. Nos círculos religiosos recebe o sentido de "aquilo que pertence ao mundo de nosso tempo" e que não faz parte do que é sagrado ou espiritual. Em termos bíblicos. utilizava-se da pura razão. Em 1931 . e age para redimi-lo. e objetivo da adoração. religião invertida e una. o secularismo e o humanismo são freqüentemente vitais como uma só dupla que forma o humanismo secular – uma abordagem da vida e da sociedade que glorifica a criatura e rejeita o criador. pelo seu conceito reducionista da realidade. Ele não pode ser identificado com um ou outro (panteísmo). Antes. Na discussão contemporânea. porque nega e exclui Deus e o sobrenatural numa fixação míope naquilo que é imanente e natural. e das organizações sociais (não-religiosas) humanas. Homens e mulheres. na Polônia). o secularismo envolve uma afirmação da realidades imanentes deste mundo. No entanto. E uma forma de religiosidade. expressa um entusiasmo sem reservas pelo processo da secularização em todas as esferas da vida. O principal expoente do secularismo é Dietrich Bonhoeffer nascer em Breslau. O secularismo veio a ser uma espécie de movimento do tipo humanista. como filosofia abrangente de vida. Tendo excluído o Deus transcendente como absoluto e o objetivo da adoração. sem fazer qualquer alusão à religião ou as reivindicações da igreja. O secularismo.SECULARISMO Essa palavra vem do latim seculum. Da perspectiva da teologia bíblica cristã. Prússia (depois Wroclaw. O secularismo é uma ideologia. o secularismo inexoravelmente torna o mundo do homem e da natureza absoluta. No secularismo as dimensões – presente e imanente de existência estão revertidos dos atributos do eterno e do transcendente. a 4 de fevereiro de 1906. Em termos gerais. Embora Deus haja Senhor da história e do universo. o Deus sobrenatural criou o mundo e sustenta a sua existência.25). tornou-se pastor luterano e trabalhou em Barcelona e Nova York. da ciência. continua a preservá-lo. adorando e servindo a criatura em lugar do criador" (Rm. 1. O secularismo procurava aprimorar as condições humanas. "pertence a uma época". E uma cosmovisão e um estilo de vida que se inclina par ao profano mais do que para o sagrado. O secularismo carrega uma falha fatal. O secularismo é uma abordagem não-religiosa da vida individual e social. para uma visão fechada do mundo que funciona semelhante a uma religião. Educado em Tübingen e Berlim.

quando dizia que a igreja não existe senão quando é "para os outros". . fizeram sufocar o anseio doentio por um nacionalismo exacerbado. saecelum. É a inversão de valores dentro dos campos teológicos e secularistas. não nos deve causar medo. última conseqüência das mudanças processadas pelo Iluminismo. nos conceitos científicos. caracterizam o século dezenove. Bonhoeffer estava em Londres e decidiu lutar contra o nazismo. A Secularização é uma palavra temporal usada para traduzir a palavra grega "aeon". Este homem novo. A Secularização é uma ameaça provocante. mas como quem serve. Dirigindo a nova orientação do período. nas artes. Propunha como uma das soluções a interpretação não-religiosa dos conceitos bíblicos.assumiu a cátedra de teologia sistemática na Universidade de Berlim. Havia a violenta substituição do Absolutismo pelo "terceiro estado da burguesia". do final do século anterior. Secularização é a libertação do que é mundano em relação ao que é santo. Ao cristianismo essencial ao que chama razoável. A Secularização adquire significados da distinção medieval entre aquilo que ficava sob jurisdição eclesiástica ou monástica ou aquilo que não ficava por serem de competência do Estado. não como quem governa e comanda. que por sua vez. que significa era ou época. o que sugeria a possibilidade de haver cristãos arreligiosos. SECULARIZAÇÃO A palavra secular provém do termo latino. tendo como objetivo principal Jesus Cristo. A igreja deve participar das tarefas humanas. O problema central de sua teologia era como ser cristão num mundo secularizado e ateu. Em 1935 foi chamado a assumir a direção de um seminário clandestino em Finkenwald. O destinatário do evangelho é o homem novo. na produção de bens de consumo. havia a Revolução Francesa. SÉCULO XIX Mudanças profundas na sociedade. A provocação da Secularização é um desafio às nossas igrejas de nos integrarmos às necessidades humanas. Quando Hitler subiu ao poder em 1933. sufocada no terror sanguinário da Ditadura Jacobina. A igreja não deve permanecer fora do mundo. O que ele asseverou é que o cristão moderno deve ser um homem também voltado para atividades seculares. dedicado a causas humanistas. onde o ser humano começa a se voltar para o presente esquecendo completamente o futuro. que deve ser levada a sério. A secularização como teologia surgiu com Bonhoeffer. significando "esta idade presente". na Pomerânia. Essa ditadura só será subjugada por Napoleão e suas guerras Imperialistas. A secularização é como ameaça e precaução. mas está no mundo.

Ele aproveitou as idéias principais do Iluminismo e do Romantismo e s incorporou em um sistema teológico. Entre 1800 e 1821. Um mundo de anseio à morte prematura. mas também do Infinito. Em 1801 Napoleão. . publicado em 1864. Mas é também o tempo de um mundo pintado pelos impressionistas. Nesse documento foram denunciados como "erros". de sua arrogância. O século do artista e de seu atrevimento. cada indivíduo deve desenvolver-se como uma pessoa. depois de sofrer certa pressão no século XVIII e começos do XIX. Durante essas duas décadas. desde o início do século XIX e encontrou sua máxima expressão no SILABUS. o primeiro instante da Teologia Moderna como se sabe é a Reforma que se constituiu no oferecer de uma nova era teológica. enfrentou poderosamente todos os surtos do processo humano. e do medo da morte que afora devia ser enfrentada sem Deus. Na religião o século XIX encontrou o papado em grande humilhação. vários elementos. A Teologia Contemporânea nasce sob as hostilidades de teólogos liberais e neo-ortodoxos. do Tudo. Da esperança perdida.É o século dos grandes prospectos e das máquinas. de Pio IX. a teologia de Schleiermacher passou também. A Igreja Católica Romana. O segundo instante da Teologia se evidencia na Teologia Liberal. do Universo – enfim. Schleiermacher continuou sua atividade como pregador e professor de teologia sistemática. Mesmo assim. resistiu às influências modernizantes e continuou desenvolvendo todos os seus elementos medievais. realizou com o Papa Pio VII a concordata. porém. O século do cidadão. Cada um precisa afirmar sua individualidade. Além dessa auto-afirmação. o século do drama. Por esse tratado "a igreja ficava sujeita ao Estado". que adentra a Teologia Contemporânea. O século da declaração da morte de Deus. Após a queda de Napoleão. Quando o Romantismo passou de moda. Imperador da França. O século do materialismo e do material. A vida humana envolve uma tensão entre a dependência e a independência. tratado que definia as relações da Igreja Católica Romana na França com o Governo. Pio VII voltou a Roma e os Estados papais foram restabelecidos. Sentimo-nos dependentes não somente de outras pessoas. cada um de nós também vive num estado de dependência. distinta de qualquer outra. É o século do medo. frágil e passadiço.. Muitos indicam Friedrich Schleiermacher (1768-1834) como o pai da Teologia Moderna. Schleiermacher formulou uma teologia à luz do Romantismo. de ideais abandonados. O século da questão social. ou pelo menos a ele atrelada e dele dependente e auxiliada. e essa dependência é a base de nossa vida religiosa. ele deixou uma marca que dura até hoje. da morte. Schleiermacher formulou sua obra-prima de teologia sistemática. um século de tolhedora tristeza e de branda melancolia. como para os demais românticos. A hostilidade do papado ao progresso do mundo moderno manifestou-se de vários modos. de Deus. tais como a liberdade de consciência e de culto. Para Schleiermacher..

Por sua parte. Ritschl publicou. O autor apresenta uma reinterpretação moralizante da fé cristã em termos especialmente atraentes para os protestantes alemães. por isso pretendiam fazer uma biografia corrigida de Cristo. um número crescente de teólogos queria uma teologia reduzida. ou da autoconsciência imediata". Já quanto aos realistas. Lutero tirou a metafísica das reflexões tão lógicas. (3) da Teologia Sistemática. Ele não pretendia falar de Deus em si. com uma interpretação liberal da fé cristã. Ele valorizou os "sentimentos piedosos". a ortodoxia protestante restaurou a metafísica à teologia. Por esta razão. Além disso a Teologia Liberal Protestante pouco enfatiza o pecado. em três volumes. Ritschl argumentou que os ortodoxos dos seus dias erraram por confundirem a doutrina cristã com a metafísica. da Universidade de Göttingen. Ritschl insistiu em rejeitar a metafísica. Lutero – o herói das mais diversas teologias alemãs – desvinculou a teologia da metafísica. Mas a Teologia Liberal Protestante não recebeu sua expressão plena de Schleiermacher. a maioria rejeitou a distinção de Schleiermacher entre religião e moralidade. e Tomás de Aquino argumentou de pressuposições aristotélicas. Em lugar disso. A partir de Schleiermacher. Para Ritschl. até hoje.Schleiermacher começou por reduzir a fé às proporções dos sentimentos religiosos de cada pessoa. Ele dominou três áreas de estudo: Novo Testamento. A Teologia Moderna é marcada pelo revisionismo. se interessavam menos pelos sentimentos do que os românticos. Agostinho fez teologia de uma base platônica. eliminando-a da teologia. Schleiermacher iniciou a Teologia Liberal Protestante – um movimento que cresceu durante o século XIX e que existe ainda hoje. Os três volumes desta obra tratam dos pontos de vista: (1) do Novo Testamento. tendo uma visão otimista. Ritschl é o primeiro dos revisionistas. dizendo que os sentimentos piedosos equivaliam ao senso de consciência absoluta de Deus. a Teologia Liberal Protestante diminuiu o peso doutrinário da fé. esses teólogos rejeitaram o sistema que herdaram de Schleiermacher. especialmente em questões metodológicas. sua obra-prima: Die Christliche Lehre von der Rechtfertigung und Versohnung (A Doutrina Cristã da Justificação e Reconciliação). Em matéria de religião. Esta honra ficou para o professor Albrecht Ritschl. Depois de 1850. Ritschl apresentou-se como um estudioso do Novo Testamento e de Lutero. Entre 1870 e 1874. e sua influência continua. ele se limitou a falar da "modificação do sentimento. da natureza humana. Isto quer dizer: ele enfrentou os ortodoxos com suas próprias armas. Schleiermacher havia lançado a Teologia Liberal Protestante. História do Cristianismo e Dogmática. mas uma teologia voltada para questões éticas. (2) da História do Cristianismo. que ele apreciava desde sua formação pietista. Revisionismo foi um movimento teológico moderno que tinha como objetivo a busca do Cristo histórico. . Ritschl (1822-1889) era um pesquisador incansável. Por influência do Realismo. eles queriam saber o efeito da doutrina na vida e na sociedade. embora pouco profunda. e a ortodoxia a trouxe de volta com Melanchton e Ritschl a retirou em suas formulações teológicas liberais.

Barth. Das reinterpretações de Ritschl. Wilhelm Herrmann (1946-1922) e Albert Schweitzer (1875-1965). Os escritos de Ritschl também continham numerosos ataques contra o misticismo. outra vez. como na teologia deísta. Brunerr. na realidade. Estes entre os protestantes. A teologia contemporânea tem bases em Soren Kickegaard. Friedrich Nietzsch (18441900). A teologia liberal foi constituída nos pressupostos iluministas racionalistas. contra a ortodoxia protestante. seus argumentos antimísticos foram. julgar). Paul Tillich. Bonhofer. Bultmann. na realidade. inclusive a religião. também rejeitou o pietismo como uma infiltração do misticismo no pensamento cristão. Nietzche e Marx. Os escritos de Ritschl contra a metafísica eram. Ritschl rejeitou tanto a ortodoxia como o pietismo. ataques contra o pietismo. Dessa maneira Ritschl se apresenta como o campeão do verdadeiro luteranismo. Heidegger. deu início no entre-guerras a um movimento teológico que buscava alcançar aquilo que a teologia oitocentista não havia conseguido: uma teologia não iluminista e pós-Kantiana que não se evaporasse à medida que fosse produzida. Teólogos do século dezenove como Albrecht Ritschl (1822-1889) e Ernst Troeltsch (18651923) procuravam encontrar o espaço da teologia no mundo pós-Kantiano. Oscar Culmann. mas o juízo divino sobre tudo que se revela humano. A forma da teologia liberal encontrase no idealismo gnóstico de Kant. Mas talvez tenha sido o teólogo suíço Karl Barth (1886-1968) quem melhor resultados alcançou nessa direção. Ritschl apresentou uma nova teoria de expiação – a teoria da influência moral. e inspirado por críticos como Soren Kierkegaard (1813-1855). sobremodo humano. Lonergan. Dentro da teologia contemporânea destacam-se: Karl Barth. a mais importante é sua leitura da obra redentora de Cristo. Como ele acusou os ortodoxos de confundirem a metafísica com o cristianismo. Schilebuckk. insatisfeito com as soluções propostas pelos teólogos do século dezenove. . Entre os ortodoxos: Bulgakov. Aqui.Compete a Ritschl reformular a teologia sem metafísica. Guardini Ranner. A teologia moderna foi construída com base em Kant e Hegel. não é a infinita bondade de Deus que é salientada. Na "teologia da crise" de Barth (do grego krinein. Florowsky e Lossoky. Entre os católicos: Teilhard de Chardin. uma outra ala do protestantismo alemão. Von Balthasar e outros. que não fosse redutível a nada além da teologia cristã propriamente e da revelação de Deus em Jesus Cristo.

O latim por detrás desse termo português é solus. Essas razões podem ser discernidas pela luz da razão pura. . Foi Leibnitz quem cunhou esse termo. expõem Teodicéias. Leibnitz teve fazer toda espécie de ginástica para defender sua tese. Até onde posso determinar. não somente há razões pelas quais Deus faz tudo quanto faz. A idéia é que a pessoa ou mente individual. "sozinho" e ipse. mas não posso afirmá-lo com certeza absoluta. é a única que existe. isto é. Utilizam-se de um argumento do reduction ad absurdum. no sentido em que vivemos no melhor de todos os mundos possíveis. salpicado de males naturalmente. TEODICÉIA Esse termo vem do grego theos. temos aí um pseudodilema. só eu existo. a despeito de aparentes erros que nos cercam. conforme se verifica durante os sonhos. Como pode haver um Deus justo. A Teodicéia de Leibnitz era determinista. deus. e dike. e onde Deus não incorre em equívocos. é que forma toda a realidade". Todo-poderoso onisciente ao mesmo tempo em que há tantos males no mundo? Aqueles que procuram explicar o problema do mal. sem ajuda da revelação. da atitude que consiste em sustentar que o eu individual de que se tem consciência. ou até onde a pessoa pode provar. Deus é o único ser metafisicamente necessário. até onde vai o meu conhecimento. A Teodicéia de Leibnitz foi estruturada para seu sistema teológico extremamente racionalista. preservando assim a idéia de um Deus ortodoxo. onde Deus. Sua Teodicéia fazia parte do seu sistema de mônadas. sendo assim. todas as demais pessoas e coisas podem ser um produto de sua própria mente. com as suas modificações subjetivas. introduzindo-o na filosofia.SOLIPSISMO Doutrina segundo a qual a única realidade no mundo é o eu. Acreditar que só eu existo é tão absurdo que também é absurdo dizer que só posso Ter conhecimento de minha própria existência. Porém. Alguns filósofos usam o solipsismo metafísico para anular o solipsismo epistemológico. "o equivalente concreto do que os filósofos chama de solipsismo. tenho bases para crer que somente eu existo. aparece como o programados das demais mônadas. o solipsismo metafísico redunda do dilema do conhecimento: uma pessoa qualquer pensa que é a única entidade em existência. O solipsismo epistemológico refere-se ao "dilema do conhecimento do próprio eu". Além disso para Leibnitz. Por sua vez. justiça. Em seu uso comum. a grande mônada. "o próprio eu". até onde ela está envolvida. esse vocábulo usualmente designa aquela atividade que busca justificar as maneiras de Deus como os homens. como também tais razões são leis necessárias. É possível que outras pessoas existam. Ou seja. no mundo em que vivemos.

metafisicamente falando. Não houve teólogo na igreja cristã que tenha feito ressuscitar como Lutero. Ele será moralmente digno de louvor. Ele já concretizou o melhor de todos os mundos possíveis. mas. Portanto. não existe nenhum mundo melhor. são pela sua própria natureza e Deus não poderia ter criado. que a "teologia de cruz" representa o estágio préreformatório da teologia de Lutero. na maioria dos casos. em Heidelberg. O sistema de Leibnitz exige que haja o melhor mundo possível. Essa metafísica subjaz a defesa do livre-arbítrio e também a Teodicéia da edificação das almas. será demonstrado que Deus não é um Deus bom. Deus não é obrigado a criar mundo algum. Portanto o sistema de Leibinitz diz que Deus opera com base na razão suficiente. criar um mundo é uma coisa condigna a ser feita por Deus. a Teodicéia tem um grande valor apologético. isto é. em todo caso será preciso admitir que de modo geral é ela que dita à teologia de hoje o seu enfoque. por mais que a considerem carente de contemplação e correção. à Teologia eclesial dominante. Outras Teodicéias bem conhecidas baseiam-se numa teologia racionalista modificada. metafisicamente falando.O mal metafísico é a finitude ou a falta de existência. TEOLOGIA DA CRUZ Por mais que divirjam as opiniões a respeito da chamada Teologia dialética. . e Deus é livre quanto a criar ou não criar. por mais que alguém decididamente se distancie da mesma. São raras as definições claras do que seria propriamente "teologia da cruz". Geralmente essa formulação aparece como algo que dispensa maior discussão. que há quatro considerações básicas: Universo Racionalista modificado. A bondade moral de Deus consiste. Se for possível demonstrar que Deus desejou algo inferior ao mundo melhor. É herança de Paulo que Lutero levanta com sua teologia da cruz contra uma igreja que se tornou segura e saciada. contrapôs expressamente seus "paradoxos" teológicos como "Teologia da Cruz". que muitas delas respondem aos problemas do mal que são enfrentados pelas teologias para as quais são construídas. isto é. Deus não fará coisa alguma sem uma razão suficiente e discernível pela razão pura. em desejar o melhor. Visto que Deus é totalmente bom. Os que são maus. as idéias de Paulo. Evidentemente ele se serviu dessa formulação porque nela encontrou a caracterização mais sucinta e certeira da peculiaridade do evangelho. na primavera de 1518. à "Teologia da Glória". e o bem metafísico é a plenitude da existência . a despeito da presença do mal no mundo. Foi Lutero quem. Se for possível demonstrar que Deus desejou algo inferior ao mundo melhor. portanto. metafisicamente falando. porque sua própria existência é o sumo bem. há um número infinito de mundo contingentes finitos possíveis. ao que parece. as ocasionais manifestações tacitamente pressupõem. Se possível for demonstrar que Deus desejou aquilo que é metafisicamente melhor. a contrastar com a Teologia oficial.

o que parece odioso ao ser humano. Denominamos a teologia da cruz como a marca de toda a teologia de Lutero. é apenas um mergulhão da árvore da mística medieval e de teologia monástica. ele é o eixo central da reflexão teológica. é desejável e digno de amor e em altíssimo grau. Na cruz se frustra toda concepção fictícia de Deus. é glória. é na cruz de Cristo e do cristão que se mostra o sentido mais profundo da ação de Deus junto ao mundo. O resultado deste estudo é para nós uma prova indireta de que a teologia da cruz não constitui o pré-estágio pré-reformatório da teologia de Lutero propriamente dita. para a teologia da cruz. ela não pode ser limitada a um período particular de sua teologia. Ele sabe que só Deus pode ser encontrado na cruz e no sofrimento. mas apenas à experiência sofredora. A cruz é o juízo sobre todas as ideias e obras humanas de escolha própria. . como também no caso de Paulo. Podemos constatar a marca da teologia na cristologia ou na doutrina da santa ceia. a cruz de Cristo e a cruz do cristão formam uma unidade. O sentido da cruz não se revela ao pensar contemplativo. ainda assim valeria a pena retraçá-la como um todo orgânico. forte. essa fórmula apresenta uma característica de todo o seu pensar teológico. a exemplo do teólogo da glória. Pelo contrário. o que é fraco. como marca de todo o pensamento teológico de Lutero. o que é vergonha. O que é tolo. A teologia de Lutero. Por isso não foge do sofrimento. A teologia da cruz é cristocêntrica. "A cruz põe tudo à prova". ela representa a inversão radical de todas as suposições humanas. Face à situação real do ser humano.Em contrapartida defendemos a seguinte tese: a teologia da cruz é o princípio de toda a teologia de Lutero. de fato. só é compreendida numa vida sob a cruz. mas considera-o como as sagradas relíquias que devem ser abraçada devotadamente – pois o próprio Deus "está oculto nos sofrimentos" e quer ser venerado por nós como tal. Para o cristão. A doutrina da cruz que determinou decisivamente o conceito de Deus e de Fé. Ouvimos que. mas que deve ser considerada. Cristo é tudo. O teólogo da cruz não está posicionado como espectador em relação à cruz de Cristo. antes. mas ele próprio é envolvido neste acontecimento. é sábio.

mas sim uma maravilhosa correspondência. o padre Schillebierckx tornou-se um zeloso seguidor da Teologia da Esperança. Expressam sempre e por igual o "Shalon" dirigido a todo homem em suas relações sociais. e a mensagem do Reino de Deus não significam apenas liberdade e santidade interiores. nenhum autor suscitou tanto interesse quanto Pierre Teilhard de Chardin. Este sentido teológico foge ao inconveniente de considerar a mensagem da Ressurreição como mero e inconsistente relato histórico ou como simples apelo a decisão. Nos últimos anos. Segundo Chardin é preciso fazer ver aos cientistas que não há nenhuma imcompatibilidade entre a religião cristã moderna e a ciência moderna. . que adota como princípio hermenêutico exatamente a esperança. quer o novo e consequente êxodo da sociedade atual das grandes estreitas das estruturas vigentes. a Evolução infunde sangue novo às perspectivas e aspirações cristãs.. A obra termina com a seguinte afirmação do valor superior do cristianismo: "De qualquer forma. porque o cristianismo vem de encontro às mais intimas exigências da ciência. quando o mundo da ciência era decididamente adverso ao mundo da fé e da religião. a paz na Terra e a libertação de tudo o que é efêmero. Suas obras conheceram um sucesso editorial sem precedentes em seu gênero: Chardin iniciou sua atividade científica no início do século. e nos leva a entender a Ressurreição como mensagem promissora que se abre para a história e nos obriga a nos empenharmos por nos transformar a nós próprios e ao mundo. Deus não é "totalmente diverso" de nós (Ganz Andere). por seu turno. TEOLOGIA DA EVOLUÇÃO Pierre Teilhard de Chardin nasceu em Sarcenar. Ultimamente. O Escopo desta Teologia é expor que as implicações práticas da fé inflamada na chama da Ressurreição de Jesus. em 1899. França. Lé phenomène humain foi a obra em que Chardin procurou realizar tal programa. que traçou suas linhas programáticas em seu famoso livro Theologie Der Hoffring (Teologia da Esperança).. Filho de um aristocrata rural interessado pela geologia. uma nova interpretação da mensagem Cristã. dedicou-se desde a juventude ao estudo dessa matéria. não é destinada e não se apresta a salvar até mesmo a mudar a evolução?. A liberdade. Mas a fé cristã.TEOLOGIA DA ESPERANÇA O fundador desse tipo de teologia foi o alemão Jürgen Moltmann. que não interrompeu nem mesmo quando suas inquietações espirituais o levaram a ingressar na Companhia de Jesus. outorgada e vivida a partir de Cristo. em 1º de maio de 1881.

em um abraço completo e indefinidamente perfectível. não é uma hipótese. uma hipótese?. é através dele que passa enfim. para ser pensáveis e verdadeiras. em direção ao estudo de algum desenvolvimento. Somente o cristianismo pode-se inclinar. um sistema. ganhou e invadiu sucessivamente a química. seja a futura. o eixo principal de evolução". e o transformismo. Um após outro. O homem é o centro e a razão dessa evolução: sua alma o liga a esse universo. uma condição geral à qual devem se dobrar e satisfazer.. Ciência e religião. em toda a sua obra. na medida em que nos coloca em condições de entender a história. todos os domínios do conhecimento humano se movimentam. mas sim uma verdade certíssima: "Para muitos. que ela domina. mas só publicada postumamente. segundo Chardin. A evolução – uma teoria. tão local e caduca quanto a concepção laplaciana do sistema solar. a evolução é a maior descoberta do século passado e de todos os tempos. portanto. ao contrário. a sociologia e até mesmo as matemáticas e história das religiões. não apenas servir. visa. Somente ele – absolutamente só ele sobre a Terra moderna – se mostra capaz de sintetizar em um só ato vital o todo e a pessoa. em 1955. muito mais que tudo isso. Os estudos científicos conduzira Teilhard de Chardin a uma profunda meditação sobre o problema da evolução. Lé Phénomène Humain (O fenômeno humano). a seus semelhantes e a seu fim último.. Uma luz que aclara todos os fatos. seja a passada. Esta. O futuro do homem). por sua vez. Ao juízo de Chardin a evolução não está absolutamente em conflito com o cristianismo. verdadeiramente. o cristianismo representa a única corrente de pensamento suficientemente audaz e progressiva para abraçar prática e eficazmente o mundo. O axioma número um refere-se à evolução. a física. São verdadeiramente cegos aqueles que não se dão conta da amplitude de um movimento cuja órbita. todas as teorias. concluída em 1940. na realidade. todos os sistemas. As implicações morais e religiosas desse sistema foram desenvolvidas numa série de obras como Le Milieu divin (1958. O meio divino) e L‘Avenir de L‘homme (1959. mas também a amar o formidável movimento que nos arrasta. a realizar a passagem da matéria ao espírito. longe de se contradizerem. todas as hipóteses. Em seu pensamento. é elaborar uma visão cósmica que abarque em um só olhar tanto o mundo da ciência quanto o da fé. a evolução outra coisa não é que o transformismo. é um argumento muito forte a seu favor. que parece esmagar o homem e sua consciência. Examinemos este axioma. ultrapassando infinitamente as ciências naturais. outra coisa não é que a velha hipótese Darwinista. que é Deus. Isso não significa outra coisa senão que ele satisfaz a todas as condições que nós temos o direito de exigir de uma religião do futuro e que. arrastados por uma única corrente de fundo. do menos consciente ao mais consciente. no qual a fé e a esperança se consumam na caridade. origem de sua obra mais importante. A intenção declarada de Chardin.No presente momento. Exatamente: mas. . a evolução evidente do universo material. uma curva que todas as linha devem seguir: eis o que é a evolução: Segundo Chardin. conduzem ambas à perfeição intelectual. porque a evolução deve passar através do cristianismo.

L. Eduardo Pironio e A. em 1968.Teilhard de Chardin regressou à França em 1946. Um outro elemento importante da teologia da libertação é o método de análise marxista. Bonino. Libânio. Segundo Galiléia. não é propriamente uma teologia. o Êxodo é a imagem bíblica da mensagem da salvação. B. em 10 de abril de 1055. A característica mais inovadora do movimento foi encarar os problemas políticos como base para a interpretação dos textos bíblicos. mas sim a intervenção de Deus. surgido na Europa na década de 1970. Seu método hermenêutico deixa de lado as categorias idealistas tradicionais e emprega categorias históricas. que patrocinou. a Conferência Episcopal Latino-Americana (Celam) foi o grande impulso da teologia da libertação. a ignorância. Entre os principais teólogos que a iniciaram e desenvolveram. O eixo da teologia da libertação é a figura do Cristo libertador. e a história sagrada não é algo distinto da história da humanidade ou superposto a ela. de Nova York. a miséria. examinou o problema das relações entre a igreja e o mundo moderno. duas expedições científicas ao continente africano. Apesar do nome. Segundo. a fome. mas também de todas as suas conseqüências. A teologia da libertação constitui uma nova interpretação da mensagem evangélica. A mensagem de salvação é interpretada à luz das opressões de que o homem precisa ser libertado. . Leonardo Boff. TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO A experiência cotidiana das comunidades cristãs latino-americanas que combatem as injustiças econômicas. Analisando a situação social do continente. J. o Senhor". Hugo Assmann. os bispos consideraram que a igreja tinha como missão continuar a obra de Cristo. numa palavra. a opressão e. mas ante a impossibilidade de publicar seus textos – que circularam em exemplares mimeografados e só foram editados após sua morte – transferiu-se para os Estados Unidos. inclusive as injustiças. J. está na origem da chamada teologia da libertação. sociais. citem-se Gustavo Gutiérrez. Reunida na cidade colombiana de Medellín. culturais e políticas. nos últimos anos de sua vida. José M. que têm sua origem no egoísmo humano". enviado ao mundo para "libertar todos os homens de todo tipo de escravidão a que os tenha sujeitado o pecado. no sentido de política. Ao narrar a libertação dos hebreus do cativeiro no Egito e sua marcha para a Terra Prometida. Ingressou então na Fundação Wenner-Gren. que veio libertar os homens não apenas do pecado. López Trujillo. Porfirio Miranda. A conferência pediu uma teologia e uma catequese que oferecessem "a possibilidade de uma libertação plena e a riqueza de uma salvação integral em Cristo. a injustiça e o ódio. à luz da injustiça social. Teilhard de Chardin morreu em Nova York. depois que o Concílio Vaticano II (19621965).

TEOLOGIA DA PROSPERIDADE Algumas obras norte-americanas. Sua doutrina é radical com relação com relação ao homem físico e espiritual. A Teologia da Prosperidade é algo novo na história da igreja. e isso significa que tem raízes ligadas a pessoas. Mas isso não quer dizer que ele tenha surgido de modo repentino ou aparecido totalmente formado. enquanto os pressupostos filosóficos propriamente ditos foram fornecidos pelas seitas metafísicas. épocas e lugares diversos. afirma que sempre positivamente. Parece que nada assim já foi visto antes. Saúde e Prosperidade são algo vivido dentro da teologia. A Confissão Positiva é outra corrente da doutrina da teologia da prosperidade. nunca: "Se Deus quiser!" Isso envolvendo saúde ou bem material. Pesquisas feitas nos Estados Unidos sobre a teologia revelam que existem duas raízes históricas e filosóficas da teologia da prosperidade: O pentecostalismo (Barron. é. o pentecostalismo fornece a base ou o grupo. Na teologia da prosperidade. como decretar a morte de alguém (até mesmo a de um pastor) Segundo Kenneth Hagin. Horn. tais como a trindade e a divindade de Cristo. Dessas duas fontes. a teologia da prosperidade não se cansa de repetir que nem doenças nem problemas financeiros são da vontade de Deus. que floresceram na região de Boston (McConnell. Antes. escritas contra a teologia da prosperidade. o cristão que está passando tal coisa ou coisas. desenvolveu-se com o tempo. onde a teologia encontrou a maior parte de seus adeptos. Como todo movimento. . 1988). tratam-na como se fosse uma heresia ou uma seita. assim como os Testemunhas de Jeová ou os Mórmons. 1987. Uma seita é composta por um grupo bem definido de pessoas. ele não tem fé ou está em pecado. que se chamam cristãos. A posição. 1989) e várias seitas metafísicas do início do século XX. Tendo em vista a Autoridade profética. mas negam doutrinas básicas da Bíblia. ela garante a realização com fé dos pedidos desejados pelo cristão. trata-se de uma forma de compreender a Bíblia. mesmo passando por cima da vontade divina. seus adeptos não negam nenhuma doutrina básica nem buscam outro fundamento que não seja Cristo e os apóstolos. ela não é uma seita.

Porém. um Deus trino ou uma divindade superior. um livro sagrado. melhor dizendo "o árabe é a forma mais pura de revelação". Quando no referimos à "teologia das religiões" queremos destacar um conjunto. Podíamos nos referir a "teologias" mas daria um sentido de independência. são inúmeros os exemplos no que se refere ao estudo dos conteúdos comuns entre as religiões. No hinduísmo muitos se referem a sua fé como sanatana darma. Mas. o Cristo deve relacionar-se neste diálogo só como a palavra " " sem reivindicar a autoridade do " ". bem como a interação de Cristo com os diversos credos. também destacam-se os conteúdos de caráter ético e moral. No budismo acredita-se em um inferno onde estão os ímpios. . um todo. um lugar de fogo atormentado por demônios horrendos. um redentor. repita Seu nome". um ponto em comum. 4. família e mandamentos de Deus. Eles acreditam que o árabe é a língua usada por Deus falar por meio de Gabriel. costumes (ética) e muitos outros fatores.TEOLOGIA DAS RELIGIÕES É a globalização das religiões com o intuito da integração dos seus conteúdos comuns. então o que certamente para os homens resulta é morar no inferno". No islamismo o árabe é a língua obrigatória para se ler o Qur‘na (Alcorão). Janardana. quer dizer. ou seja. etc. No siquismo um dos grandes mandamentos do guru Nanaque era: "Lembre-se sempre de Deus. lei ou ordem eternas. Dentre estes conteúdos comuns podemos citar a revelação do logos. se removermos as distinções da língua. No que diz respeito à moral ou quebra de valores encontramos o seguinte texto: "Quando as leis da família são destruídas. surge um grande problema no que diz respeito à estruturação do diálogo do cristianismo para com as demais religiões. numa alma humana imortal. no tormento eterno para os maus e uma recompensa celestial para os bons. De forma superficial parece que as religiões são muito diferentes umas das outras. condições de clima. Nas religiões Crê-se em uma vida pós-morte. o livro sagrado dos muçulmanos. é surpreendente notar a similaridade entre todas. Enfim.

A primeira destas ênfase é achada em Bernar Loomer. Um Deus que não pode agir ou ter interação com o mundo teria uma personalidade menos do que significante. dentro da corrente racional. A grande contribuição da teologia de processo é a doutrina do relacionamento de Deus com o mundo. Ele é o Pai da criatividade. Segundo pensam. Propõe a Teologia de Processo que um Deus criou a partir do nada seja autocrático. . Esse tipo de Deus não consegue casar com a idéia de um Deus que interage na História e mantém uma relação de amor e ajuda às criaturas. O mundo para eles está em mudança e Deus também está nesse processo. Deus está tão intimamente ligado com o restante da realidade que Ele também é visto como estando crescendo e se desenvolvendo. O Deus da metafísica do processo e o Deus da revelação bíblica são. do pensamento de Alfred North Whitehead. "imperial" e conceitualmente impossível. que considerava a realidade como tendo uma natureza progressiva ou evolutiva.TEOLOGIA DE PROCESSO Movimento teológico do séc. Bernard Meland. Ademais. Deus cria junto com o resto do mundo. supostamente. A oração e o serviço possuem pouco significado a não ser que haja um relacionamento real e pessoal entre Deus e os homens. o mesmo Deus. A teologia do processo adotou a metafísica elaborada pelos filósofos do processo para obter os recursos mais adequados para expressar aquilo que a Bíblia entende por Deus e por mundo dentro da moderna estrutura da cosmovisão evolutiva. Não há apelo existencial num Ser impessoal com quem não se pode ter relacionamento. A teologia de processo seguiu duas direções principais desde Whitehead: a empírica e a racional. o campeão da segunda delas Charles Hartshorne é talvez o mais relevante dos teólogos de processo desde Whitehead. e Henry Weiman. XX que se originou. em grande parte. seguido por John Cobb e Schubert Ogden.

O termo "teologia" parece indicar que em seu âmbito. de conceituação e de expressão de todos os homens. há uma coisa comum entre as mais variadas teologias. do esforço teológico-cognitivo. veio à luz. para ser redescoberta e revivida na Reforma do séc. a fé de pessoas humanas que receberam o Dom e a vontade de reconhecerem e de confessarem a auto-revelação de Deus como tendo acontecido a favor deles. por ser "protestante". posteriores aos evento reformatório. existência que vê confrontada com a auto-revelação de Deus no evangelho. Não queremos o termo evangélico de forma confessionalista . de forma clara e inequívoca. único. A teologia evangélica raciocina com base em três premissas secundárias. A teologia à qual queremos introduzir é a teologia evangélica. a única teologia correta do Deus sublime. Mas. a partir de suas origens absconditas. e na razão. realizado no confronto com Deus que se auto-revela no evangelho. XVI. Onde se realizar o evento deste Deus se tornar objeto da ciência do homem e como tal. que tem por finalidade perceber um objeto (respectivamente uma área definida) como fenômeno. de compreender e de interpretar a "Deus". na capacidade de percepção. origem e norma da mesma – é aí que existe teologia evangélica. compreender e tornar manifesto o Deus do evangelho – quer dizer. . isto é. por ser a mais correta de todas. fato este que os capacita tecnicamente a participarem. se trate de perceber. que são: dialética insolúvel do evento da existência humana. O adjetivo aponta para o novo testamento e simultaneamente para a Reforma do séc. o Deus que se manifesta no evangelho. de forma ativa. A teologia da qual trataremos é a que. Mas ao termo "Deus" poderão ser atribuídos os mais variados sentidos. de forma que necessariamente também deverá haver uma multiplicidade de teologias. Teologia evangélica é aquela que intenciona perceber. verdadeiro e real é aquela que procura comprovar a se mesma pela "demonstração do espírito e do poder". A melhor teologia. e este fato lança uma luz bastante reveladora sobre os deuses em questão: é que cada uma delas se considera e se proclama a se mesma sendo a única correta ou ao menos como sendo a melhor. dos apóstolos e profetas do novo testamento. E existe teologia evangélica no catolicismo romano e oriental-ortodoxo. nos escritos dos evangelistas. Teologia. que age dentro deles e entre eles da maneira por Ele mesmo indicada. inclusive os crentes. dentro do caminho indicado pelo próprio objeto em questão.TEOLOGIA EVANGÉLICA Teologia representa um dos empreendimentos humanos costumeiramente qualificados de "científicos".já que evidentemente aponta para a Bíblia – que de alguma maneira está sendo respeitada em todas as confissões. latentes nos documentos das história de Israel. que por si mesmo fala aos homens. como também existe na área das inúmeras variações e mesmo das formas degeneradas. compreendê-lo em seu sentido e interpretá-lo quanto ao alcance de sua existência – e isso. ainda não é necessariamente evangélica. XVI. por ser ciência específica (e muito específica).

mas precisamente lida com o homem. que tem uma palavra amiga. mas igualmente não só acima do homem. O Deus do evangelho se compadece. Nela Ele tem e prova tanto sua existência como sua essência. Ela em toda a sua modéstia é ciência livre. isto é. Teologia evangélica sabe esperar. como seu ser e sua auto-compreensão. por ser palavra de graça. em relação a realidade – dele distinta – Ele é livre. Como em si mesmo é o Uno. na história de suas ações. na unidade de sua vida como Pai. O Deus do evangelho não é nenhum Deus solitário. em confronto com o Deus do evangelho. seu Deus. mas também como seu pai. mas sim. . e. superior a existência humana. de jure e de fato. o Deus do evangelho é o Deus que se relaciona com o homem. Nela é que Ele se manifesta a si mesmo. é ciência que deixa seu assunto agir livremente. como sendo o homem de Deus. A teologia evangélica lida com o Deus do homem. isto é. A prioridade absoluta da teologia evangélica é Deus mesmo. Mas nesta história Ele também é o que é. não é um Deus desvinculado de tudo que não seja Ele mesmo. responde ao gracioso sim de Deus. mas antes em confirmação do mesmo. Teologia evangélica. e isto não em detrimento ou em abandono do seu ser divino.Teologia não ignora que o Deus do evangelho se acha voltado para a existência humana. a sua auto-revelação benigna e amiga ao homem. junto a ele. de forma que vai sendo liberada continuamente por seu próprio objeto. a fé e a capacidade intelectual do homem. o Deus do homem. O assunto da teologia evangélica é Deus – Deus . seu amigo. através do seu labor. venha revelar-se. isto é. que bastasse a si mesmo e que fosse recluso em si mesmo: não é nenhum Deus absoluto. Filho e Espírito Santo – assim. de ser Deus – não ao lado do homem. Portanto. a favor dele: não só como seu senhor. antes de tudo. para verificar como a existência. seu irmão.

nos séculos XVI. Esta especulação mística espalhou-se também para a Pércia e foi recebida pelos árabes depois da sua conquista do Irã. para conseguir isto precisa livrar-se gradativamente dos grilhões da matéria. Porém sobreviveu facilmente a isso. Mostravam a instabilidade da existência material. Em uma encíclica de 1879. Prega a fraternidade dos homens e tolerância de todas as crenças religiosas. A doutrina fundamental da teosofia é que o homem tende a voltar à ordem divina de onde saiu. de Deus e das leis do universo. movidos por forças ocultas. a qual consiste ser absolutamente em abstrair do objeto. mas só aparecido ou correspondente ao ser de Deus. O termo emprega-se também para um sistema filosófico. alemão – theosophic. Nos tempos modernos. XV. Os primeiros vestígios da teosofia encontram-se nos UPANISSHADS SÂNSCRITOS. e cresceu em influência. O tomismo foi atacado por causa de alegados erros. É doutrina do caráter abstrativo do conhecimento. virtualmente oficializando o tomismo como a maneira como os católicos romanos devera filosofar acerca de sua fé cristã. através do conhecimento e do domínio da ordem natural. escritora russa. O termo já era usado pelos neoplatônicos para indicar o conhecimento das coisas divinas derivadas de uma direta inspiração de Deus. a realidade de um mundo oculto que de todas as partes nos cerca. Ciências divinas. TOMISMO A escola de filosofia e teologia que segue o pensamento de Tomás de Aquino. assim como de uma intuição ou iluminação que o leva a conhecer a divindade. Comunicação com Deus. em um julgamento em Paris. Para Leão XIII pediu que o catolicismo romano voltasse à filosofia tomista tradicional. Doutrina da analogicidade do ser que consiste em julgar que o termo ser referido à criatura tem um significado não identifico. Conhecimento de Deus. (sabedoria de deus) . Desenvolveu-se em várias fases e passou por períodos de apoio e descuido. Em diversas épocas apareceram homens a imortalidade da alma e a existência de um vasto cosmos. o nome de teosofia foi dado a uma forma de crença. defendida por Madame Blavatsky. inglês – theosophy. baseado no conhecimento interiormente revelado e místico. francês – théosophic.TEOSOFIA No grego: theós + sóphos. a filosofia hindu teosófica. de esclarecer e defender os dogmas indemonstráveis e de proceder de modo relativamente autônomo no domínio da física e da metafísica. em certo sentido. . França em 1876. A doutrina do tomismo entra nas relações entre razão e a fé que consiste em confiar à razão o dever de demonstrar o preângulo da fé. É panteísta e nega um Deus pessoal e imortalidade da pessoa humana. A época mais fluente do tomismo começou nos meados do século XIX. sendo.

Para Bultmann. o que um dia faremos. Não tivemos com isso nenhuma intenção de reduzir a importância Brunner ou qualquer outro teólogo contemporâneo. enquanto o segundo diz respeito à história subjetiva e sacra. como Emil Brunner. tais acontecimentos não são eventos históricos. entre o Jesus histórico e o Cristo kerigmático. Também entendemos que seu nome caberia melhor em um ensaio sobre a teologia do século dezenove. tornando difícil conhecê-lo e relacionar-se com ele.Conclusão: Qual será a cara da teologia do século XXI? Neste trabalho apresentamos as principais escolas teológicas do século vinte e seus respectivos arautos. portanto. o Jesus descrito nos evangelhos não é o Jesus histórico. A grande lição que o século vinte nos ensinou foi: ―saia da linha ou seja esquecido‖. alegando que a primeira diz respeito à história objetiva e secular. tenham tanta repercussão quando outros como Pannemberg e Cullmann. apenas tentamos apresentar os nomes associados às respectivas escolas. Ainda bem que não escrevemos nossas obras para obter lisonjas dos homens. se Deus permitir. são quase ignorados. Consideramos injusto que nomes como Barth. Um contemporâneo de Kant que também influenciou a teologia do século vinte foi Soren Kierkgaard. o nome de Brunner está bem associado ao de Karl Barth e à teologia dialética. e outros. Ele insiste que a Bíblia está cheia de mitos. muito mais ortodoxos que os três primeiros. ele é cético: todas as narrativas miraculosas não passam de mitos. Barth inspirou-se na filosofia existencialista e principalmente em Kant para elaborar o seu conceito teológico de Deus. mas não lhe dedicamos um capítulo especial porque entendemos que ele foi um teólogo cristão e não especificamente um filósofo secular como Kant e Marx. não puderam ser apresentados em um capítulo próprio. definindo-o como Totalmente-Outro. Nossa exposição começou com uma abordagem panorâmica do pensamento de Kant. Quanto aos milagres. . É claro que nessa abordagem. Em suma. sendo equiparada à própria fé. inevitavelmente isola Deus do outro lado do abismo. Marx e Darwin. Ao fazê-lo. demos também a Immanuel Kant um capítulo à parte. e da influência desses pensadores sobre a teologia contemporânea. Uma distinção semelhante ocorre em Bultmann. e nesse aspecto. a ressurreição e outros atos sobrenaturais narrados na Bíblia não são Historie. não devem ser confrontados na esfera secular. equiparando-a a qualquer narrativa antiga. Apesar de ser mencionado já na introdução. e que deve ser desmitificada por nós. ele faz distinção entre Historie e Geschichte. e sim uma mera narrativa mítica. Bultmann também nega todo valor objetivo da Bíblia como Palavra de Deus. Bultmann e Tillich. bíblica e sistêmica de seus escritos. alguns nomes inevitavelmente ficaram de fora. Os milagres. pois temos considerado que sua influência sobre a teologia do século vinte é maior que o de qualquer outro. Parece que a popularidade de um teólogo está mais relacionada ao grau de inovação que ele apresenta do que com a coerência lógica. Seguindo Kant. O teólogo de maior projeção dentro da teologia contemporânea é Karl Bath. que propõe uma distinção entre história e fé. e sim Geschichte.

a teologia de Cullman é uma ponta de esperança para o pensamento teológico contemporâneo. A história abrange os atos portentosos de Deus em favor da nossa redenção. discordando dele quanto às conclusões. Hugo Assman e Gustavo Gutiérrez Merino. o principal expoente dessa nova e estranha doutrina é o expadre e posteriormente professor da PUC-SP. mas na filosofia socialista de Karl Marx. Dietrich Bonhoeffer ficou conhecido por participar de um complot contra a vida de Hitler. do ―bispo‖ John Robinson. É essa teologia ativista que os teólogos secularistas propõem. O patrono da teologia secular. José Míguez Bonino e o então missionário no Brasil. A Cidade Secular. surge o Dr. Leonardo Boff. Wolfhart Pannenberg construiu uma teologia sobre o alicerce da história. A maioria deles parecia estar mais ligada às idéias de seu tempo do que à Palavra de Deus. O problema é que essa idéia foi levada ao extremo. Oscar Cullmann com a Heilsgeschichte. que construiu a sua teologia tendo por base a história. Outro importante teólogo secularista foi Paul Van Buren. e protestantes como Rubem Alves. Para ele. aliás. ou simplesmente ―História da Salvação‖. Honest to God. A resposta por eles é uma afronta à teologia. bem como Pannemberg. sobretudo à teologia protestante. A heresia fomentada por católicos romanos como Juan Luís Segundo. ele sequer admite uma história secular. Em uma época em que os teólogos faziam questão de distinguir entre teologia e história. No Brasil. Richard Shaull. porém. Para Cullman não existe duas histórias. pois faz do marxismo o maior dos atos de Deus na história. salvando assim a historicidade do cristianismo.Para refutar a teologia de Bultmann. buscava consolidar uma teologia que pudesse oferecer respostas ao clima ditatorial e à crise econômica latino-americana. com pressupostos bastante semelhantes. Buscando inspiração não na Bíblia. nem todos os teólogos contemporâneos assumiram a mesma postura. uma cristã e uma secular. surge um grupo de teólogos cujo exacerbado esforço era elaborar uma teologia que estivesse mais próxima dos problemas da humanidade. Ele foi sem dúvida o mais radical deles. essa nova escola teológica agitou o cenário teológico nas décadas de sessenta e setenta. toda história é História da Salvação. A sua ênfase é extremamente cristológica. a própria expressão ―Palavra de Deus‖ caiu em desuso no decorrer do século vinte. de Harvey Cox. Porém. Na década de sessenta. Uma característica interessante de Culmann é que ele aceita o desafio de Bultmann e apresenta suas elucubrações partindo de alguns pressupostos da crítica formal. Emílio Castro. apesar de Cullmann e Pannemberg terem prestado um relevante serviço á ortodoxia (ainda que nenhum deles é considerado literalmente ortodoxo). Nessa mesma época surge na América Latina a Teologia da Libertação. foram as principais obras desse movimento. De qualquer forma. o que levanta inclusive algumas objeções sobre a sua teologia. . aliás.

Esse teólogo católico teve a mente tão doutrinada pelas teorias evolucionistas que chegou a apresentar o próprio Deus. que nos ensina que melhor é o sofrer fazendo o bem do que fazer o mal para que os advenham bens. do pragmatismo e das filosofias relativista e positivista. muitos teólogos do século vinte perderam completamente o senso de direção. é relativa e pragmática. Na perspectiva de Moltmann. militância contra governos que se oponham aos nossos valores. Outra mostra desse desespero é a teologia de Jurgen Moltmann. Pecar deliberadamente para que a graça seja mais abundante. como um Ser em evolução. a violência é desaconselhável em qualquer situação. nega o sobrenaturalismo das escrituras e se esforça para reinterpretar as narrativas miraculosas em termos existenciais. Para ele não existe o problema da violência versus não-violência. e não o contrário. A Ética Situacional. Esse conceito tem suas base na filosofia ateísta de Nietzche e aparece também na Teologia do Processo. Para Cristo. Nossos atos não deveriam ser julgados por padrões absolutos e uma ética relativa se infiltrou na teologia contemporânea. tudo isso soa dissonante ao supremo às palavras de Jesus no sermão do monte. nem mesmo Deus é eterno. A questão central não é a violência em si. assim como outras teologias modernas. aquele que a Bíblia descreve como imutável. eles corriam desesperados em busca de uma associação que pudesse ―salvar‖ à teologia. Usando pressupostos do existencialismo. é vã a nossa fé‖. O ―Deus Finito‖ não é o único problema da teologia de Moltmann: ele também nega que a ressurreição de Cristo seja um fato histórico. Desse modo. . Vemos isso na teologia do padre católico Teilhard Chardin. ―se Cristo não ressuscitou. Em seu afã de apresentar uma teologia que pudesse se adequar aos padrões mundanos e às crenças seculares. a morte de Cristo não foi substitutiva. duas teorias totalmente opostas uma à outra. Ora. Somos bem-aventurados quando somos perseguidos e vilipendiados. a Ética Situacional apregoa uma teologia na qual os fins justificam os meios. mas a escatologia de Moltmann nada tem a ver com a noção tradicional que envolve o retorno de Cristo e a entrada dos crentes no estado eterno.Várias outras tentativas de amoldar a teologia à praxe modernista também foram elaboradas. porém. Joseph Fletcher afirmou que a moral não é absoluta. Não há conduta errada quando se quer alcançar um fim nobre. A Bíblia cada vez mais parecia um livro ultrapassado e cada vez mais os teólogos procuravam muletas seculares para amparar à Bíblia. tornando-se um ser meramente temporal. Não é preciso dizer que ele teve que fazer um esforço hercúleo e muita eisegese para conciliar o criacionismo bíblico e o evolucionismo. Esse pragmatismo também está presente na Teologia da Libertação e na Teologia Secular. e sim uma demonstração de amor. uma vez que ele decidiu entrar no tempo. e sim se a violência é justificável ou injustificável. Essa teologia é de ênfase escatológica. conhecida como Teologia da Esperança. A moralidade de Molmann. assim como a de Fletcher. mas nada tem a ver com a Bíblia. Como homens loucos.

reduzido à mera força racional e criadora. Reservamos os dois últimos capítulos para abordar dois movimentos que estão em acelerado crescimento em nosso país. Hoje. Tillich elaborou uma teologia que ficou conhecida pelo nome Teologia do Ser. A ressurreição também é reinterpretada por ele. O teólogo mais controverso do século passado. e o principal teólogo e sistematizador das doutrinas pentecostais foi Charles Parham. Essa teologia também é conhecida pelo nome de Teísmo Aberto e Teísmo do Livre-Arbítrio. segundo essa concepção. Como disse o Rev. Hernandes Dias Lopes em palestra no congresso Vida Nova de Teologia. Ele propõe reinterpretações da Bíblia. mas isso não desqualifica o movimento como um todo. a principal influência de Hatshorne foi o matemático e filósofo Alfred North Whitehead. não é um Ser Onisciente. ele afirma que Deus tornou-se finito e temporal. ele assevera que Deus está em constante processo evolutivo. e como Chardin. Valendo-se de pressupostos existencialistas e liberais. ―as igrejas liberais nasceram fadadas ao fracasso‖. e deve ser logo descartado. mas também a dissociação dessas dois movimentos das demais escolas contemporâneas de intrepretação teológica. como já vimos. Entre as doutrinas por ele modificadas estão a encarnação. Embora em alguns círculos Paul Tillich seja citado como o ―teólogo dos teólogos‖. no entanto. É fácil fazer um paralelo entre Moltmann e Chardin: assim como Moltmann. o moderno movimento pentecostal teve como principal pregador o pastor William Seymour. O pentecostalismo. muito das quais beiram o absurdo. . As igrejas pentecostais. Sua própria teologia está baseada em um ser impessoal. olhamos ao nosso redor e indagamos pelas igrejas liberais e neo-ortodoxas. 1Co 15. mas um que se posicionou bem na fronteira entre esses dois pensadores: Paul Tillich. o pentecostalismo e o neopentecostalismo. A característica principal dessa teologia é a afirmação de que Deus é um ser temporal e está sujeito ao tempo. Contudo. Trata-se de uma tentativa de voltar à fé cristã primitiva. mas um ser finito e limitado ao tempo. de tal forma que o movimento foi chamado em seus primórdios de Restauração da Fé Apostólica. Ele surge como chuva serôdia em meio ao árido cenário teológico do século vinte e mantém-se na contramão de Bultmann. bem como a mudanças e a evolução moral. ao contrário.Charles Hatshorne é o preconizador da Teologia do Processo. Bultmann ou Barth. retirando assim a base da esperança cristã (cf. vivem abarrotadas e há constante necessidade de se construir novos templos. Esse teísmo anti-bíblico mina toda confiança que o crente deposita na Bíblia. mais de um século depois. apesar da semelhança com as teologias de Moltmann e Chardin. É simplesmente impossível encontrar uma só igreja liberal com membresia superior a cem membros.13-19). Deus. podemos perceber no pentecostalismo certo frescor. Ele fatalmente não pode prever o futuro. Tillich e dos demais teólogos de influência no século vinte. Não foi apenas a importância dessas duas teologias no cenário brasileiro que lhe renderam um lugar especial neste trabalho. da perspectiva conservadora ele não passa de um herege. Muitos excessos foram cometidos nessa tentativa de retorno ao modo de culto primitivo. Nascido na Califórnia. encontra suas raízes no Movimento de Santidade e tem em John Wesley seu principal antecessor. a natureza do pecado e a própria salvação. A conseqüência direta dessa teologia é simples: se Deus não tem o controle dos contingentes futuros. Barth. à saber. De modo geral. não foi Hatshorne. não há nenhuma razão para depositarmos nele alguma confiança.

Barth. fruto do casamento da teologia com a filosofia existencialista. Lewis. que inclusive escreve livros sobre prosperidade e promove a Bíblia de estudo do Morris Cerrullo. e repetilas agora seria uma tarefa enfadonha e pouco proveitosa. enquanto Benny Him endossa a fileira espiritualista. há também a boa filosofia e como disse C. prostrado ante Mamon em adoração. A segunda conclusão à que chegamos é que mui dificilmente um pensador escapará às idéias do seu tempo. O próprio neopentecostalismo é um materialismo disfarçado de cristianismo. Sheleiermacher e Soren Kierkgaard. nem sempre há justiça em teologia. Soares e Edir Macedo. O problema é quando a filosofia ruim ou irracional arroga para si o status de verdade universal. esquecendo do exemplo de Jesus na tentação de Mateus capítulo quatro. os principais expositores desse movimento pragmático-mercantil são RR.S. Isso porém. A tendência dos ―poderosos‖ sempre foi usar o poder em benefício próprio. Os teólogos do século vinte foram grandemente influenciados pelas idéias teológicas e filosóficas de pensadores anteriores a eles. a Bíblia da Batalha Espiritual e Vitória Financeira. No Brasil. ou por Nietzche e Overback. ―se não há razão para existir a filosofia. Atualmente há também pregadores pentecostais aderindo à idéias do movimento neopentecostal. Kenyon.O neopentecostalismo surge na década de setenta como uma deturpação do movimento pentecostal e como reflexo de uma cultura capitalista. A primeira é que do ponto de vista conservador. da Assembléia de Deus. como é o caso de Jurgen Moltmann. como no caso de Brunner. Parece que para ganhar projeção no meio evangélico é preciso romper com os antigos padrões e fomentar o erro no seio da cristandade. aumentando a necessidade de apologistas cristãos entre nós. que já ganhou o apelido de Bíblia do Milhão. Até no pentecostalismo podemos perceber as idéias previamente concebidas por John Wesley e no neopentecostalismo. Tudo isso torna o trabalho do teólogo muito árduo. É difícil enumerar uma a uma as diversas conclusões à que chegamos. Silas Malafaia. estabelecesse uma teologia para verter as bênçãos espirituais em materiais e essas sobre si mesmos. vemos de cara a influência da filosofia pragmatista norte-americana e até mesmo idéias da seita Ciência Cristã. Qualquer que leia a obra de Teilhard Chardin logo se dará conta de que o evolucionismo para ele está acima da teologia e que as idéias de Darwin são mais aludidas por ele que os portentosos atos de Cristo. como por exemplo o Pr. Quer seja por Immanuel Kant. Cooperland e Hagin formam a ala mais materialista do movimento. A análise da teologia do século vinte nos ensina pelo menos três coisas. e não demorou para que um grupo de pentecostais. Tillich e outros tantos teólogos neo-ortodoxos. . A verdade é que herdamos uma teologia deturpada. o certo é que nenhum deles escapou das influências do seu tempo. haja vista que ao final de cada capítulo são apresentadas várias objeções às respectivas escolas. não significa que toda filosofia seja ruim. que ela exista ao menos para refutar a filosofia ruim‖.

ainda permanece uma pergunta: Até que ponto nós somos ortodoxos? Muitos teólogos do século passado se perderam nas idéias do seu tempo de tal forma que as suas abordagens dificilmente podem ser consideradas cristãs. Essa tentativa foi feita no século passado por neo-ortodoxos e liberais. incitá-los a pensar de modo crítico e com isso propor uma analise concernente ao fundamento sobre o qual construiremos a teologia do século vinte e um. Portanto. Terminamos assim a nossa introdução à difícil matéria de teologia contemporânea. à fim de agradar as mentes contemporâneas. ainda que pareça agradável aos ouvidos no início. hoje estamos analisando a teologia do século vinte. A necessidade do homem ainda é a salvação. ele está em busca de uma fé para viver. É por isso que um evangelho sem cruz. com certeza. E na verdade. aquelas igrejas que permaneceram fiéis à tradição reformada e ao cristianismo histórico. Entendemos que tal esforço cabe mais a uma enciclopédia que a um ensaio de teologia. ressurreição ou imposições morais. A nossa principal intenção. Não foi possível apresentar uma obra completa ou fazer uma analise dos pormenores dentro de cada escola. Esperamos que o que hoje é um fato. cabe a cada teólogo fazer a sua parte nesse edifício. O que dirão da nossa teologia? Ou será que nós não temos pressupostos? Sim. isso porque. não devemos sujeitar a nossa teologia às novas tendências. ―é impossível exegese sem pressupostos‖. Agora. faz-se necessária a avaliação dos nossos paradigmas e não apenas a simples adequação dos mesmos à interpretação bíblica. se quisermos construir um edifício teológico bem alicerçado para o futuro. sem salvação. mas amanhã serão analisados os pressupostos teológicos do século vinte e um. Devemos nos esforçar ao máximo para fazer da Bíblia o nosso pressuposto básico. Precisamos olhar para os erros do passado e com muita cautela construir a teologia do futuro. permanecem até hoje. E a nossa teologia? Ela ainda pode ser considerada cristã? Ora. A razão disso é que o homem não está simplesmente buscando uma doutrina para concordar. No momento. além de introduzir estudantes de teologia no panorama teológico do século vinte. uma música do cantor evangélico João Alexandre parece representar bem o quadro do protestantismo brasileiro. amanhã seja apenas história. os temos.A terceira conclusão é que embora seja muito difícil escapar do nosso invólucro cultural. e amanhã. nós analisamos e julgamos a teologia contemporânea à luz das nossas pressuposições. . e fracassou. saberemos o resultado dessa construção. logo será abandonado: Ele fatalmente fracassa por não pode satisfazer às exigências da alma humana. Diante de tudo o que temos exposto. é levá-los a refletir sobre as bases sobre a qual a teologia do século passado foi edificada. No entanto. como bem afirmou o controverso Rudolf Bultmann. correntes filosóficas e modismos pós-modernistas. nesse início de século.

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Paul Tillich. Bultmann.[.. Teilhard Chardin.. entre outros. bem como artigos compilados da internet. . Brunner.] Também foram utilizadas várias resenhas dos livros de Barth. Leonardo Boff. John Robinson.

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