INTRODUÇÃO EMENTA A Teologia Contemporânea trata do estudo acerca da teologia mais particularmente do Século XX.

Esse século esteve comprometido com uma pluralidade de ―teologias‖, de caminhos e de muitas reflexões sobre o mundo, sobre Deus e o homem. De início, há a necessidade de uma passagem reflexiva pelo período medieval, ainda que de modo conciso, no que tange aos debates teológicos e seus grandes expoentes. Depois, em evidência, a Reforma Religiosa com suas propostas renovadoras, não no sentido de se estabelecer novas doutrinas, mas de reaver a natureza e sentido da Bíblia como padrão de fé e prática da Igreja. Sobre a salvação e o papel da Igreja, se constituem algo de extrema importância nesse cenário, respectivamente. Entretanto, o que era para ser renovado, transformou-se numa divisão de segmentos eclesiais, fazendo surgir posturas diversas em relação a vários pontos doutrinários. Antes de se refletir sobre a teologia do Século XX, é imprescindível verificar que a Teologia Contemporânea tem suas bases assentadas no Século XIX. Immanuel Kant sistematizou a confiança do homem moderno na capacidade da razão para tratar de todo o material em sua capacidade e em sua incapacidade para ocupar-se do que vai mais além. Assim, um novo conjunto de pressupostos religiosos moldou o pensamento do homem moderno. O Iluminismo qualificou os séculos XVII e XVIII, constituindo a história intelectual do Ocidente. Enquanto a cosmologia da Idade Média era percebida como um sistema orgânico, na modernidade tudo passou a ser relativo, fragmentado. A era da razão toma corpo, de modo que o homem passou a ser visto como o centro do universo. Deus já não era mais visto como o autor da criação, e se era, não interviria nela; a religião não mais doutrinava a vida humana, mas a produção científica. A Teologia Contemporânea é a teologia do Século XX. Em sentido real, nasceu em 1919. Seu iniciador foi um jovem pastor, Karl Barth (1886-1968). É ele um novo pivô teológico na história, o anúncio de uma nova era teológica, considerando como marca o seu Comentário da Carta de Paulo aos Romanos, em 1919. Uma análise não só em Barth, mas também em muitos outros expoentes faz justiça à natureza da matéria. OBJETIVO GERAL Conduzir o estudante de Teologia à reflexão sobre os principais pontos da Teologia Contemporânea relacionados aos seus expoentes, é o objetivo geral da matéria. Consequentemente, se pode também observar as muitas facetas de posturas teológicas que ainda hoje se propagam, fazendo que as mentes reflitam mediante diversificados caminhos, bem como gerando diversificadas conclusões. Conclusões que muitas vezes se distanciam da Bíblia e comprometem negativamente a antropologia e áreas afins. OBJETIVOS ESPECÍFICOS Por objetivos específicos, significa o entendimento das diversas posturas de teólogos do período que compreende o Século XX. A percepção de como se conduziram os pensamentos diversos, uma vez que não daria mais para estar preso a dogmas. Serão sistematicamente percebidos, os postulados divergentes e convergentes dessa época, que tiveram seus objetivos de se tentar dar respostas às perguntas surgidas, quer do ângulo da Ciência, quer do ângulo da própria Igreja, respostas concretas.

Índice
Introdução: Vertentes que influenciaram a teologia do séc XX 1. 1.1. 1.2. 1.3. 1.4. Fase Racionalista ou Iluminista Racionalista Deísmo Iluminismo Principais temas em debate

2. Fase Romantista ou Modernismo 2.1 Imannuel Kant 2.2 Um novo conjunto de pressupostos religiosos para o homem moderno. 2.3 A autonomia do homem e sua influência no pensamento religioso moderno. 2.4 O relativismo de David Hume e sua influência na filosofia kantiana. 2.5 O confinamento de Deus na teologia contemporânea. 2.6 As idéias deístas na filosofia da emancipação e sua influencia na teologia contemporânea. 2.7 Uma separação radical entre história e fé. 3. Friedrich Schleiermacher. 3.1 Ritschl e sua escola. 3.2. Adolf von Harnack da escola de Ritschl. 3.3 Hegel e os idealistas. 3.4 Ferdinand Christian Baur. 3.5 David Friedrich Strauss.

4. Dialética de Karl Barth e a revolta contra o Liberalismo Teológico. 4.1 Neo-ortodoxia: Analisando os pressupostos teológicos do novo liberalism.o 4.2 Objeções à neo-ortodoxia. 5. Crítica da Forma: O método investigativo de Rudolf Bultman. 5.1 O método investigativo da crítica formal. 5.2 Objeções ao método crítico de Rudolf Bultmamm 5.3 Desmitologização: O método interpretativo de Rudolf Bultmann 6. Heilsgeschichte: A escola teológica do Dr. Oscar Cullmann 6.1 O pensamento de Cullman e a ortodoxia teológica.

7. Teologia Secular: Robinson, Cox e Buren: Uma teologia do mundo para o homem moderno. 7.1 A postura da teologia secular. 7.2 Avaliação da teologia secular.

8. Ética Situacional: Joseph Fletcher e um novo conjunto de valores para o homem moderno. 8.1 Conhecendo os pressupostos da nova moralidade. 8.2 Uma análise da nova moralidade religiosa. 9. Teologia da Esperança: Jurgen Moltmann e a análise escatológica existencial. 10. Teologia da história: Wolfhart Pannenberg e a teologia histórica da ressurreição. 11. Pannenberg e a ressurreição de Cristo. 12. Teologia da Evolução: Teilhard de Chardin e o darwinismo teológico. 13. Teologia do Processo: Dr. Charles Hartshorne e a Teologia do Deus Finito. 14. Pressupostos da teologia de Paul Tillich. 15. Teologia da Libertação: Uma resposta teológica à crise econômica e social Latino-Americana. 16. Pentecostalismo: Parham, Seymour e o avivamento místico-pietista do século XX. 17. Neopentecostalismo: Misticismo, pragmatismo e culto à Mamom. 18. Glossário Teológico Contemporâneo.

Conclusão

que era con-siderada serva da teologia. se pensava serem inacessíveis à razão.(1) fez com que muitos homens se convencessem do poder da razão e da necessidade de todas as coisas serem testadas por ela. 1640-1680) – que diziam que a ―razão é um reflexo da mente divina na alma humana‖. inis. Nos anos que se seguiram ao Sínodo de Dort (1618-19). se expandiu para além dos limites do pensamento aristotélico e da Bíblia – em parte devido à ciência natural e em parte fruto de reflexões de pensadores como René Descartes (1596-1650). 1. as novéis colônias inglesas na América. a partir do final do século 16. quem não era calvinista era tido como arminiano. o movimento veio à tona e seus adeptos foram chamados de latitudinarians (latitudinários). FASE RACIONALISTA OU ILUMINISTA No mundo cristão. de seus Principia Mathematica (Princípios de Matemática).1 Racionalismo No período que marca a virada do século 16 para o 17. Essa classificação generalizada. através do uso da razão. pouco afetando. até então. a filosofia. formas de governo e de culto. chamando-as reséctivamente. De uma maneira geral. termo derivado da palavra latina latitudo. especialmente na Holanda reformada e na Inglaterra puritana. reagiram à confessionalidade e à disciplina. em 1687. permitindo uma ampla variedade de doutrinas. foram englobados no contexto arminiano. que significa amplo ou largo. pois. a partir da publicação. inclusive aquelas relacionadas à área da consciência ou do espírito. pelo menos inicialmente. por fazerem oposição ao calvinismo.1. serviu para encobrir os racionalistas. os adeptos do uso da razão ou racionalistas. por algum tempo. que tratou da controvérsia arminiana na Holanda. especialmente devido à obra de Isaac Newton (1642-1727). O progresso da ciência. de dogmatismo e intolerância. Os principais mentores desse movimento foram os Cambridge Platonists (Platonistas de Cambridge) ou Teólogos-Filósofos de Cambridge (c. . alguns teólogos começaram a atacar o calvinismo. O objetivo dos latitudinários era manter a igreja unida com base em uns poucos artigos fundamentais de fé. que. Entretanto. que no século 17 estavam fortemente impregnadas de religiosidade. Houve uma sensível mudança no comportamento da sociedade cristã em face da influência do racionalismo. Essa influência fez-se mais presente na Europa continental.

Alemanha e Estados Unidos. membro do grande núcleo pietista que funcionava a partir da Universidade de Halle. eles suspeitavam de tudo que não se conformava com sua visão mecanicista do universo. muitas vezes acompanhadas de frieza espiritual. em especial na França. a prova da verdade era a razoabilidade. . Deus não pode-ria fazer o que para o homem seria imoral. defensor do princípio da lei natural. as ortodoxias confessionais protestantes. que em meados do século 18 já havia perdido a sua força original. Para os escolásticos. em sua grande maioria. Halle foi aos poucos se tornando um centro de teologia racionalista entre os protestantes. a teologia racionalista tendeu a modificar. dentre as quais o ateísmo. e até mesmo destruir. desenvolveu uma espécie de teologia matemática. Entre os filósofos alemães. na Inglaterra. especial-mente. cuja teologia começou a tender para um número exagerado de definições precisas. e (2) investigação científica. no seio de um grupo de escritores de tendência racionalista. alguns dos quais discípulos de John Locke. Contudo. caracterizada pela busca de uma verdade racional e imutável. 1. Toland defendia a idéia de que ―a doutrina cristã nunca foi misteriosa e devia ser entendida somente como uma réplica da religião natural‖. No campo teológico-eclesiástico. no sentido de conformidade com o senso comum.2 Deísmo O deísmo teve início na Inglaterra na primeira metade do século 17. foi o estopim de outros movimentos de reação à ortodoxia protestante. Os teólogos racionalistas defendiam a tese de que a bondade em Deus não poderia diferir em essência da bondade no homem e. o declínio da fé e o enfraquecimento da vida religiosa. Embora tenha havido algumas contribuições benéficas à sociedade como um todo. John Locke (1632-1704). e. pelo menos até o final do século 18 os racionalistas aceitassem os milagres do Novo Testamento. O racionalismo teve grande influência no escolasticismo protestante. John Toland (1670-1722). Embora. ser um bom religioso era aceitar as doutrinas corretas.O racionalismo dava ênfase principalmente a dois pontos: (1) liberdade e dignidade. o barão Christian von Wolff (1679-1754). por conseguinte. Para Locke. o racionalismo provocou graves e perturbadoras conseqüências na vida da igreja. Dentre os deístas ingleses destaca-se. Os principais filósofos racionalistas da época foram: o judeu holandês Baruch Spinoza (1632-1677) e o matemático alemão Gottfried Leibniz (16461716) no Continente Europeu. Foi um movimento de curta duração.

O legado do deísmo não foi. ou são supérfluos. ou que pode ser obtido pelo uso da razão. obtiveram sua independência. . do que com a realidade a ser conhecida. Em seu afã de valorizar o homem. ou está acima da razão. contudo. por intermédio do Espírito Santo. destaca-se a crença num Deus transcendente. 2) os piores inimigos da humanidade são os que têm mantido as criaturas na superstição: os sacerdotes. preocuparam-se mais com o sujeito conhecedor. em síntese. Deus não se envolve mais com o mundo que ele mesmo criou. Dentre os líderes do movimento de independência. é superstição e não tem valor. popularizou as idéias deístas em seu país. por exemplo. não deveria ser cultuado. de alguma forma. 5) os milagres não são prova real da revelação. alguns eram declaradamente deístas. providência e encarnação. sob a alegação de que há uma religião natural. 1794-1796).O movimento deísta surgiu como uma reação à idéia de que o conhecimento teológico somente poderia ser adquirido através do ensino da Igreja ou da revelação pessoal de Deus. como tal. que. na assim chamada revelação. totalmente negativo. 1730). não havendo lugar. Para corroborar o que foi dito resumidamente sobre os princípios do deísmo. em 1776. Thomas Jefferson (1743-1826) e Thomas Paine (1737-1809). para revelação bíblica. um conhecimento religioso inato em todas as pessoas. podem ser retiradas cinco idéias básicas da obra de Matthew Tindal (1657-1733). que está acima e além da sua criação. 3) tudo o que é de valor na revelação já foi dado aos homens na religião natural racional. 4) tudo o que é obscuro. ou são um insulto à perfeita obra de um Criador. como culto perene a Deus. daí o cristianismo ser tão antigo quanto a criação. milagres. Christianity as Old as the Creation (O Cristianismo é Tão Antigo quanto a Criação. Este último. mas migrou para a França. explicados à luz da razão. como Estados Unidos da América. sendo a causa primeira. substituíram a revelação pela razão e pelos sentidos. posto que o cultivo da ética e da piedade estimulou. portanto. mudando o foco da teologia de Deus para o homem. que pôs este mundo a girar segundo as mais perfeitas leis mecânicas e não interfere no seu funcionamento. como Benjamin Franklin (1706-1790). O deísmo não ficou restrito à Inglaterra. Cristo foi apenas um mestre e. desvalorizaram o pecado. Os deístas criam também que a ética e a piedade eram as virtudes que necessitavam ser desenvolvidas. ou seja. pois. a Alemanha e especialmente as colônias inglesas na América. com seu livro Age of Reason (Idade da Razão. sendo a Bíblia um manual eminentemente ético. Tudo é regido por leis naturais. Dentre os princípios que balizavam o deísmo. o empenho dos cristãos em atividades humanitárias e em uma maior tolerância religiosa. Seu propósito era estabelecer uma religião ao mesmo tempo natural e científica. considerada por alguns historiadores como a bíblia deísta: 1) tudo que é reconhecido além e acima da razão é crença sem prova. Os deístas.

Em 1784. daí passando para a França. mas em todos os lugares se acha em cadeias. racional e autônoma. disse que era a chegada do homem à maturidade. em especial a ingerência da Igreja nas coisas do Estado. No campo da ética. exceto para a oficial. considerada o maior movimento social dos tempos modernos. A Revolução Francesa. e pregava a tolerância para todas as religiões. imposta. não só na França. o filósofo alemão Immanuel Kant. Ele nasceu livre. O alvo era o homem no estado de pura natureza. ao estágio em que o homem pensa por si mesmo. afirmando: Todo homem é nobre por natureza. da tradição e da sociedade política e religiosa. mediante a razão. Como foi visto. Essa postura enfaticamente racional gerou uma forte oposição a todas as atividades e instituições que não fossem meramente racionais. ao responder a uma pergunta sobre o que era o iluminismo.[. O objetivo do movimento era iluminar o povo. Dentre os principais iluministas franceses destacaram-se.. tais como a Bíblia e o Estado. para a qual a religião deve arcar com boa dose da culpa. inicialmente. como a Igreja. que devia ser restaurado. colaborador da Enciclopédia e autor de vários tratados na área da filosofia.1. Locke desenvolveu o deísmo inglês como uma religião natural e racional dos livres pensadores. ou seja. social e religioso que se desenvolveu na Europa no período que vai da Revolução Inglesa (1688) até a Revolução Francesa (1789). contra o obscurantismo da história. Outra figura de destaque foi François-Marie Arouet (1694-1778). Rousseau repudiou a doutrina cristã da queda. O pleno desenvolvimento do iluminismo ocorreu na França. autor do Contrato Social. a razão humana passou a dominar acima de tudo e de todos. as crianças devem ser criadas fora da influência danosa da Igreja. que forneceu ao iluminismo o método crítico que utilizou com habilidade. Voltaire professava um teísmo baseado na ordem e na realidade do mundo. que lhe diziam o que devia fazer. sem a tutela de autoridades externas. onde houve o culto da razão. Itália e Alemanha. O seu lema foi Sapere Aude (Tenha a coragem de usar o seu próprio entendimento). Sua escravidão deve-se à corrupção da sociedade. mais conhecido como Voltaire.3 Iluminismo Iluminismo é o nome do movimento cultural. Jean D‘Alembert (1717-1783) e Denis Diderot (1713-1784). Sua fonte principal foi o racionalismo. . cerca de 100 anos. que foi um poderoso instrumento para a difusão das idéias iluministas. mas em outros países. ou seja. responsáveis pela editoração da Enciclopédia.] Assim. O iluminismo teve origem na Inglaterra. ou seja.. foi altamente influenciada pelo iluminismo e colocou em dúvida os dogmas da religião cristã. Locke defendeu a moral natural. Não menos importante que Voltaire foi Jean-Jacques Rousseau (1712-1778). que tanto influenciou os chamados Pais Fundadores da Independência Americana.

Disse ainda que o cristianismo se baseia nas alegações fraudulentas da ressurreição e da segunda vinda de Cristo. a uma racionalização da teologia e. a história da vida de Jesus deveria passar pelo crivo da razão. Reimarus é considerado o precursor. Conseqüentemente. e que morreu desiludido. no século 19. 1780). cujo papel é fornecer uma educação moral para a raça humana. Tal entendimento os levou. a ciência. naturalmente. Ele ainda considerava que as principais religiões eram expressões diferentes da única religião verdadeira. identificação e desenvolvimento de várias tendências religiosas e filosóficas. Para Lessing. portanto. e sim uma perene investigação. a que se submete também a religião. responsável pela divulgação do racionalismo de Leibniz. inclusive verificando aspectos ligados à credibilidade dos escritos evangélicos. O iluminismo exerceu significativa influência. deu azo ao surgimento. ensinando todos os homens a viverem como irmãos. Foi no Sacro Império Germânico que a teologia iluminista alcançou o seu maior desenvolvimento. segundo uma concepção historicista. através do livro Apologie oder Schutzschrift für die vernunftigen Verehrer Gottes (Apologia dos Adoradores Racionais de Deus). que os discípulos teriam inventado depois da morte de Jesus. cujo ensinamento moral se misturou com a política e a escatologia. mormente sobre o movimento evangélico. Para Reimarus. em especial o deísmo de Locke. Isso porque a ênfase dos iluministas estava centrada no homem. os livros da Bíblia deveriam ser lidos e estudados como todos os outros livros. do tema do Jesus Histórico. tendo procurado em vão estabelecer o reino de Deus na Terra. através das obras de Hermann Reimarus (1694-1768) e Moses Mendelssohn (1729-1786). conseqüentemente. ―a cultura. autor de Die Erziehung des Menschengeschlechts (A Educação do Gênero Humano. Muitos estudiosos consideram que o maior expoente do iluminismo alemão foi Gotthold Ephraim Lessing (1729-1781). superior a todos os dogmas e doutrinas. segundo o qual todos os fatos e circunstâncias estariam obrigados a ser considerados exclusivamente à luz da evidência dos Evangelhos.O fundador do iluminismo na Alemanha foi Christian Wolff. que foi. Essa obra expressa a sua crença na perfeição da raça humana e na perspectiva do desenvolvimento de uma consciência moral que poderia conduzir a humanidade a um estágio nunca atingido de irmandade universal e liberdade moral. no qual retratou Jesus como um pregador simples da Galiléia. Essa atitude se tornou típica do iluminismo teológico. . no âmbito da teologia histórica. sobre o cristianismo de um modo geral. inclusive o cristianismo‖. colocando Cristo e seu evangelho em segundo plano. responsável pelo novo tratamento dado pelos historiadores e teólogos a detalhes da vida de Jesus. embora negativa. a verdade não é uma posse.

se constata que é muito tênue a linha divisória entre as fases e subfases do liberalismo teológico. razão pela qual a Genebra calvinista. para quem ―a moralidade é o alvo da religião‖.36 2. deísmo e iluminismo. os governantes. propunham alvos essencialmente humanistas para a sociedade. O primeiro entendia que o Estado era um instrumento estabelecido por Deus para a manutenção da moralidade e para a promoção da verdadeira religião. Nos campos político e social. no período de 1555 a 1564. de modo que fica difícil discernir fronteiras específicas. quer quanto à época de sua aplicação. FASE ROMANTISTA OU MODERNISMO Os diversos movimentos de reação à ortodoxia estão interligados entre si. Ainda com base no pensamento iluminista.Os liberais iluministas rejeitaram o antigo aforismo ―todo poder emana de Deus‖. A concepção dos iluministas era substancialmente diferente: embora reconhecessem a Divindade. . Nessa mesma linha moralizante também se enquadra o racionalismo neologista de Johann Semler (1725-1791). A Revolução Industrial também pode ser considerada uma das filhas do iluminismo. o iluminismo exerceu forte influência sobre dois movimentos que marcaram a história recente da civilização ocidental: a Revolução e Independência Americana (1775-83) e a Revolução Francesa (1789-99). É interessante a comparação entre a concepção de Calvino sobre o Estado e o pensamento iluminista. mesmo os reis ou príncipes de sangue. não têm direitos inalienáveis de governo. houve um notável desenvolvimento da maçonaria. o iluminismo tinha pelo menos um ponto em comum com o movimento evangélico: a ética moralizadora da sociedade. em especial na Europa e nos Estados Unidos. Na realidade. que significa a piedade viva que coincide com a consciência religiosa universal‖. que afirmou: ―Em contraste com a teologia existe a religião. mesmo com o acréscimo tomista ―para o povo‖. Isso pode ser constatado na leitura da obra de Matthew Tindal. Não obstante as diferenças essenciais assinaladas. Pelo contrário. o modernismo nada mais foi que uma continuação de seus antecessores: racionalismo. Assim. como no que se refere ao seu conteúdo. é um exemplo clássico de moderna teocracia. o governo deriva sua autoridade do consentimento do povo governado. Dessa forma.

o qual é universalmente conhecido. um capítulo à parte. o homem do ocidente havia assimilado algumas dessas idéias. 2. . Na idade média. De certa forma. 1793). Kant logrou sistematizar a confiança do homem moderno na capacidade da razão para tratar de tudo o que diz respeito ao mundo material. O mundo grego havia elaborado algumas normas religiosas básicas em torno do paradoxo entre a forma e a matéria. Ela não é baseada em uma revelação particular ou histórica. ao invés de ser um ato transformador de Deus. tem as suas raízes nas idéias do filósofo Immanuel Kant. As idéias de Tindal estão bem presentes no pensamento de Kant. Kant não se projetou apenas sobre o século dezenove. A influência de Immanuel Kant na Teologia Contemporânea A revolução teológica do século passado que ficou conhecida pelo nome de teologia existencialista ou contemporânea. Kant se mostrou simpático à ênfase deísta apoiada no tripé Deus. mas também sobre o século vinte. o princípio básico da moralidade é o imperativo categórico. colocando em primeiro lugar a ética absoluta. quando ele afirma que ―a verdadeira religião é natural e universal. esse filósofo merece. para onde haviam convergido várias correntes teológicas e filosóficas no século 19. Com base nessa premissa. reorganizando-as em torno do conceito de natureza e graça. sem nenhuma dúvida. ao contrário. pois produz modificação no caráter de tal modo que ―o mal radical do homem é derrotado e o bem é trazido à tona‖. a síntese de Tomás de Aquino era de origem pagã e aristotélica.2. ele se posicionou ante a religião enfatizando que a religião moralista da razão é a única necessária. mas.2 Um novo conjunto de pressupostos religiosos para o homem moderno. mas divergiu do iluminismo no que tange ao propósito da vida.1 Immanuel Kant O modernismo teve origem na Alemanha. especialmente através do livro Die Religion innerhalb der Grenzen der blossen Vernunft (Religião dentro dos Limites da Razão Somente. fazendo dela um elemento aperfeiçoador da superestrutura. Ao fazer isso. na própria natureza da vida humana‖. Para Kant. ao invés da felicidade. Quem deu início a esse tipo de teologia liberal foi Immanuel Kant (1724-1804). Embora já tenha sido mencionado na introdução. e sua incapacidade para ocupar-se de tudo o que está além do nosso mundo. virtude e imortalidade. e privava a graça de seu caráter puramente cristão.

isto é.3 A autonomia do homem e sua influência no pensamento religioso moderno. produziu uma avaliação muito elevada da capacidade humana. trabalhando com idéias tomadas do cristianismo. pode ser alcançada sem a necessidade de nenhum aprendizado bíblico. 2.Kant e sua idéia de autonomia fizeram dessa privação da graça mais que uma simples moldura teológica: pela primeira vez na história da civilização ocidental. A natureza era agora interpretada como um terreno infinito que o pensamento matemático autônomo devia controlar. De acordo com essa nova maneira de pensar. essa autonomia representava a substituição do conceito de revelação do cristão – que tem sua expressão máxima em Cristo e na Bíblia – pela razão autônoma do homem. poderia julgar o mundo do fenômeno e o mundo do número. nem está longe da idéia da razão autônoma como juíza da revelação na análise racional de Pannenberg. A história do pensamento e da teologia ocidental desde Kant nos mostra como esses pressupostos religiosos. não consiste em conhecer o que Deus tem feito para a nossa salvação. até mesmo o conceito de natureza – conservado da síntese medieval aquiniana – se transformou. e somente a razão. modelaram uma nova teologia e um novo mundo. segundo Kant. tal como em Bultmann e sua idéia de desmitologização. na filosofia kantiana. emancipada de qualquer pensamento preconizado. Para Kant. A razão. A autonomia preconizada por Kant. que apresenta os relatos da ressurreição como estando contaminados de lendas. e sim em conhecer o que devemos fazer para chegarmos a ser dignos dela. conseqüente e consciente. sobretudo da razão humana como autoridade final e como crivo para a verdade. nem da negativa de Cullmann de considerar os relatos da criação de Gênesis como história autêntica. . A verdadeira religião. a natureza foi separada da graça de forma elaborada. Essa moralidade religiosa. a graça foi suplantada pela idéia de emancipação. Kant entroniza a razão como sendo o princípio supremo. passando a ser uma esfera micro-cósmica dentro da qual a personalidade humana podia exercer sua autonomia. o homem tinha que nascer de novo como pessoa completamente livre e autônoma. Não há muita distância entre esse pensamento de Kant e o pensamento posterior dos teólogos contemporâneos. No pensamento do homem moderno. a emancipação de valores exteriores. Em um sentido ulterior.

Ele ficou isolado no mundo dos fenômenos e Deus no mundo numeral. o numeral que toca o fenomenal. uma vez que o homem não pode perceber as coisas como são na realidade – tanto no mundo dos fenômenos como no mundo dos números – não pode introduzir-se por essa porta para conhecer a Deus. Deus como origem de todas as coisas. seu único vínculo com o mundo dos fenômenos se daria por meio da necessidade que o homem tem da idéia de Deus para o seu mundo ético. Ele reaparece na divisão neo-ortodoxa entre História e Geschichte. e o outro. . ele é simplesmente irrelevante. Segundo ele. o homem como ser contingente.2. como ―Aquele que não pode ser explicado como se explica um objeto‖. Kant criou dois mundos.4 O relativismo de David Hume e sua influência na filosofia kantiana. Esse confinamento de Deus no mundo dos números é o tema favorito da teologia contemporânea. Nesse ínterim. não pode entrar. sem entrar nele. mas a diminuiu de tal forma que o Deus soberano. Kant não fechou totalmente a porta do nosso mundo para Deus. Esse confinamento do mundo espiritual é o fator preponderante da insistência contemporânea na ―humanidade‖ da Bíblia e da definição barthiana de revelação como sendo o encontro divino-humano.5 O confinamento de Deus na teologia contemporânea. Kant. o aprisionou com um muro à prova de som. ao colocar Deus em um outro mundo. havia lançado dúvida em quanto à possibilidade de alguém provar alguma coisa. da imortalidade. O efeito de tudo isso foi em parte. o mundo de Deus. mas apenas aquele conhecimento que os sentidos nos proporcionam. quase ninguém se atreve a buscar o Jesus histórico. sendo um percebido pela razão e pelos sentidos. ou. Da mesma forma. David Hume. Com isso. na diferenciação de Bultmann entre o Jesus histórico e o Cristo kerigmático. Tal confinamento se reforça com a insistência crescente do existencialismo na liberdade. da liberdade e das idéias reguladoras que a razão não pode explicar. Causa e efeito. como se isso fosse pudesse resolver o problema epistemológico. Ele também produz em Moltmann uma teologia da esperança. usando uma linguagem kantiana. e reaparece de forma modificada nos primeiros escritos de Karl Barth acerca de Deus como ―Totalmente Outro‖. completamente cética quanto a qualquer fim escatológico na história fenomenal. tudo isso era para ele completamente evasivo. ainda que capaz de falar de um futuro numenal. tanto dentro como fora de si mesmo. Kant tomou emprestado de Hume o problema do conhecimento proposto por ele e o reformulou. 2. cujas vestes enchiam o templo (Isaías 6. não conhecemos a coisa em si. devastador.1). porém. à saber. mas que devem ocupar um lugar na vida como se fossem objetos reais ao alcance da razão. o mundo dos fenômenos e o mundo dos números. entre o Jesus fenomenal e o Cristo numenal. filósofo escocês.

dizendo que isso não tem a menor importância diante do que a serpente disse. O Jesus histórico parecia cada vez mais distante do Cristo da fé. quer seja em sua forma mais conservadora (como se encontra em Oscar Cullmann e Wolfhart Pannenberg). Bultmann fará o mesmo ao rejeitar os relatos evangélicos como sendo produtos historicamente duvidosos por um lado. Também John Robinson. Começa-se então a fazer distinção entre a Palavra de Deus e a Bíblia. apesar de todo o seu debate interno. afirmando que ainda que a história escrita do cristianismo não se possa aceitar. Da mesma forma. por causa da sua compreensão existencial do ―Eu‖. Também Barth e Bultmman. Essa idéia de humanização da Bíblia veio a ser uma das características distintivas da crítica bíblica. como o abandono da doutrina da inspiração verbal. e junto com o pressuposto metodológico. o ensino de Cristo pode e deve ser aceito. ou em suas expressões mais radicais (como em Paul Tillich. e de Deus como o Fundamento do ser. John Robinson e nos teólogos seculares).2.6 As idéias deístas presentes na filosofia da emancipação e sua influencia na teologia contemporânea. ao mesmo tempo em que rejeita a idéia de céu como sendo um ―lugar lá em cima‖. Moltmann o utilizará ao burlar-se da noção clássica de escatologia cumprindo-se na história. A historicidade da Bíblia parece menos importante que aquilo que ela diz. 2. a autonomia do método sobre o texto bíblico estabeleceu certos pressupostos que o método histórico-crítico ainda mantém. G. fala de uma nova dimensão de vida como ser em profundidade. Acerca desse impasse.7 Uma separação radical entre história e fé. Lessing afirmou que ―o verdadeiro valor de qualquer religião não depende da história. seguem unidos no emprego dessa metodologia. Barth fará isso ao ser indagado sobre se a serpente realmente falou no jardim do Édem. ressurge a idéia de que há erros na Bíblia e que esta deve ser tratada como qualquer conjunto de documentos do passado. Os teólogos contemporâneos apresentam repetidas vezes essa dissociação do Jesus histórico e do Jesus da fé.E. senão de sua capacidade de transformar a vida através do amor‖. A divisão entre história e fé também se tornou mais tarde um pressuposto da teologia contemporânea. e ao mesmo tempo falará sobre a igreja orientada para o futuro. por outro lado. O conceito deísta que fez parte do processo de florescimento da autonomia não dava nenhum lugar à intervenção divina na criação por meio de algo sobrenatural e revelador. e aceitando-os. .

. e esse pressuposto será um grande dilema para a teologia dialética de Karl Bath. como pode o homem conhecer a Deus? A filosofia de Kant transforma Deus em um ser incognoscível. considerandose o rol de simpatizantes entre renomados historiadores eclesiásticos. Entre tantas objeções que se pode fazer a Kant.42 Contudo. Lançar uma ponte sobre o abismo entre o universal e o finito. Em contraste com o que é universal. mas quanto aos seus relativos graus de eficiência.Não há duvida de que Immanuel Kant teve grande influência sobre o pensamento teológico contemporâneo. Na verdade. sendo considerado o fundador da moderna teologia protestante. embora parecidas. onde. 3. O homem é em si mesmo [.. Portanto.100-c. outra menos verdadeira. Williston Walker e Justo González. O mestre Justino. bem como de outros teólogos contemporâneos. deram origem a um mundo novo. sente-se finito. todas são falsas! . associados a muitas idéias cristãs. Como se pode notar no texto reproduzido. uma plena manifestação do Deus imanente. entre outros. A maior obra de Schleiermacher no campo da teologia dogmática foi Der Christliche Glaube (A Fé Cristã. Esse sentido de dependência é a base de toda religião. em Seu mundo. ele enclausurou os seres humanos no mundo dos fenômenos. desde Kant que a história do pensamento e da teologia ocidental é a história de como seus pressupostos religiosos.] um microcosmo. diferem substancialmente daquelas esposadas pelo apologista Justino Mártir (c.]. pôr o homem em harmonia com Deus. Para Walker.165). absoluto e eterno. um reflexo do universo. Não há. limitado e temporário – numa palavra. dependente. as religiões não devem ser divididas em falsas e verdadeiras. encontra-se o seguinte conceito sobre religião: O Absoluto está em tudo. Schleiermacher ―deu à teologia nova base e à pessoa de Cristo um significado em grande parte desconhecido em seu tempo‖. por conseguinte.. Deus está. pois. 1831). A influência do seu pensamento no campo da teologia histórica é significativa. em seu tempo. uma é a mais óbvia: Se o nosso entendimento acerca de Deus não é ao menos alegórico. O teólogo alemão afirmou que o cristianismo é a melhor das religiões. por exemplo. dando a entender que outras existem igualmente boas. as idéias de Schleiermacher. esse Deus imanente não intervém na natureza e tampouco opera milagres através dos homens. eis o alvo de todas as religiões [. tais como Robert Nichols. não havendo modo da mente fenomenal conhecer o numeral. em algum sentido. Todos os progressos da religião na história são verdadeira revelação. Embora sua filosofia encarasse com valentia as questões pleiteadas por Hume. afirmara: ―O cristianismo é a verdadeira filosofia!‖.. Friedrich Schleiermacher O luterano Friedrich Schleiermacher (1768-1834) é talvez o mais influente teólogo alemão do século 19.

Ainda no campo da cristologia. sendo que a história da paixão serve apenas como exemplo e ilustração da perseverança em meio ao sofrimento. o enfoque principal de Schleiermacher não era teológico. não é dependente da doutrina do nascimento virginal. No que se refere à Trindade Santa.Ao tentar eliminar da teologia todo e qualquer resquício de dualismo. mas psicológico. a qual não deve ser considerada literalmente. idênticos. A união do Divino com o humano recebeu sua expressão perfeita na pessoa de Cristo. mas devem ser vistas como expressões válidas da consciência de Deus e não devem ser ignoradas. em conseqüência. ele rejeitou o conceito de pecado como desobediência a Deus ou à sua lei. a partir de Adão. Bengt Hägglund considera que tal conceito aproxima Schleiermacher dos gnósticos. posto que estes também negligenciavam a morte e ressurreição de Cristo. morte e ressurreição) nada significa para a salvação. Daí a não aceitação de que as Escrituras fossem a Palavra de Deus inspirada. O mal não pode ser concebido como algo hostil a Deus. O mesmo raciocínio se aplica às doutrinas da ressurreição. as idéias de Tindal parecem brotar em seu subconsciente. Influenciado pelo romantismo da época. Esta união. em última análise. Quanto à doutrina do pecado. Dessa forma. Para ele. ele diz: ―O Filho e o Espírito são simplesmente formas de revelação desta substância. ascensão e segunda vinda. Assim. Schleiermacher rejeitou a idéia do diabo ou de espíritos maus. Ao expressar esses conceitos. que permanece passiva. ainda de modo romântico. que eram simples seres humanos. A cristologia de Schleiermacher é peculiar. não se pode atribuir qualquer significado ao sofrimento de Cristo na cruz. Sua pressuposição básica é que existe um único espírito ou consciência comum que une todos os seres humanos e tal espírito possibilita a correta interpretação. Ele preconizava que os intérpretes da Escritura deveriam tentar entender as idéias de seus autores. Schleiermacher considerava que ―o espírito é o que há de mais elevado no homem e não pode ser considerado algo mau. Há comunicação de atributos somente no sentido da natureza divina para a humana. as histórias do Éden não devem ser interpretadas como historicamente verdadeiras. entretanto. ao afirmar que a obra de Jesus (sofrimento. No que tange à hermenêutica bíblica. O pecado é simplesmente a carne em oposição ao espírito‖. 2) Deus e o conceito natural são um. e 3) Deus é a única substância indivisível. Assim. nenhuma realidade ou influência pode ser atribuída ao diabo. Dessa forma. Schleiermacher não difere substancialmente dos teólogos racionalistas. O Espírito Santo é identificado como o espírito público que aviva a comunhão dos crentes‖. . o teólogo alemão se aproximou da heresia sabelianista ou modalista. pois a criação não pode ser combinada com a idéia de um poder espiritual mau e. Schleiermacher fez as seguintes afirmações a respeito de Deus: 1) Deus e o mundo são. Schleiermacher ataca frontalmente a ortodoxia.

3. a partir de Lutero e Calvino. Disto resulta uma modificação interna na vontade do homem: o homem chega a reconhecer a vontade de Deus e deste modo se predispõe a fazer o bem. Ritschl não concebia o pecado como corrupção universal perante Deus e entendia que a divindade de Cristo era figurada e se caracterizava unicamente pela unidade de sua vontade com Deus. Mediante a fé. Além de rejeitar o conceito jurídico da justificação. transforma-se em confiança e filiação. 1870-1874). muito grande. Ritschl foi autor de várias obras. defendido por setores da ortodoxia protestante. a teologia do valor moral. configurando uma espécie de monotelismo. tendo como divulgadores o teólogo protestante alemão Albrecht Ritschl (1822-1889) e seus discípulos. das quais a mais importante é Die christliche Lehre von der Rechtfertigung und Versöhnung (A Doutrina Cristã da Justificação e da Reconciliação. Esta. reino de Deus. que Ritschl define como “justificação” (Rechtfertigung) ou perdão dos pecados. A influência de Kant se traduz no conceito de religião como o triunfo do espírito ou do valor moral sobre os males da sociedade. Ritschl fora influenciado tanto por Kant como por Schleiermacher. antes perturbada. na crença de que Deus não é conhecido como autoexistente. restaura a liberdade ética entravada pelo pecado. igreja. manifesta-se em boas obras. mas somente até onde ele se auto-revela através de Cristo. Ritschl negou ou reinterpretou as seguintes doutrinas tradicionais: trindade. Tal transformação interna é o que Ritschl denomina “reconciliação” (Versöhnung). a relação entre o homem e Deus.1 Ritschl e sua escola Uma teologia liberal até certo ponto nova e original. por sua vez. e a de Schleiermacher. mas a sua influência na teologia protestante alemã da segunda metade do século XIV foi. O esforço de Ritschl em manter uma teologia de revelação divina sem a fé em milagres foi duramente atacada tanto por liberais como por conserva-dores. . revelação. A tentativa de aplicar os princípios filosóficos kantianos ao cristianismo protestante constituiu atitude típica de uma era em que havia pouco respeito pelos mistérios da religião e praticamente nenhum temor ante o julgamento divino. pecado original e encarnação. surgiu em fins do século XIV e nos primeiros anos do século XX. Bengt Hägglund sintetiza o livro da seguinte forma: Salvação. sem dúvida.

mas no entendimento da religião como um desenvolvimento histórico. a doutrina gnóstica. Ele também procurou demonstrar que os credos formulados nos Concílios Ecumênicos de Nicéia (325) e Calcedônia (451) usaram um grande número de conceitos retirados da filosofia grega. Sua intenção era separar essa essência. As idéias de Harnack sobre os dogmas não eram inéditas. Sua obra mais conhecida é Lehrbuch der Dogmengeschichte (História dos Dogmas. considera a generalização de Harnack inadequada. paradoxalmente. havia um grupo que. e os cristãos devem seguir o exemplo de Jesus de uma ―retidão superior‖ governada pela lei do amor. Harnack O discípulo mais importante da escola de Ritschl foi Adolf von Harnack (1851-1930). cerca de dois terços da escritura neotestamentária deve ser deixada de lado. O miolo da mensagem de Jesus é o reino de Deus. havia sido rejeitada pela igreja. na formulação do dogma da Trindade e da Pessoa de Cristo. 1886-1889). Paul Tillich. que se isso for verdadeiro. pois tanto Paulo como João usam muitos conceitos helenistas. grande erudito em patrística. se colocava contra toda e qualquer idéia de dogma configurada especialmente pelos credos. embora concorde com uma possível influência gnóstica. e que isto obscurecia a natureza essencial e o impacto prático dos ensinos de Jesus. Contudo. teólogo e historiador alemão.3. posto que a primeira onda. o antidogmatismo de Harnack foi muito mais substancial e profundo. ou seja. pois no século XVII. onde ele procurou demonstrar que a relevância do cristianismo para o mundo moderno não repousa no dogmatismo teológico. das formas mutáveis de vida e de pensamento nas quais o evangelho foi transmitido. que existe independente do culto religioso. contemporâneo de Harnack. uma vez que ela leva à conclusão de que só deve ser aproveitado no Novo Testamento aquilo que tiver uma ligação clara ou for derivado do Antigo Testamento. 1900). que ele chamou de o ―miolo‖ do evangelho.2. do elemento periférico ou da ―casca‖. Harnack procurou apresentar um sumário do que ele considerava a essência do evangelho. na Assembléia de Westminster. chegando alguns a considerar os Dez Mandamentos como elementos dogmáticos cuja referência deveria ser evitada no contexto dos padrões de Westminster. Numa série de conferências realizadas em Berlim em 1900. Sua idéia mais distintiva foi que o dogma da igreja primitiva consistia no resultado natural da busca de padrões para filiar membros. compiladas e publicadas com o título Das Wesen des Christentums (O que é o Cristianismo. A este desenvolvimento ele chamou de segunda onda da helenização. Diz mais. . que é permanentemente válido.

tudo o que existe só se torna real porque é percebido pela mente do homem. é a fórmula clássica da teologia liberal: o evangelho ou a mensagem pregada por Jesus nada tem com a mensagem posterior. Harnack cunhou a idéia de dois evangelhos. ele mesmo se considerava apenas um teólogo e. pregada sobre Jesus.Em decorrência da fórmula de miolo e casca. com base na experiência da ressurreição. O processo completo culmina na Trindade. contida na Bíblia. o evangelho de Jesus e evangelho sobre Jesus. moderna. às doutrinas da trindade e da encarnação. por exemplo. Esta mensagem original é a mensagem da vinda do reino. é revivida aqui em uma versão mais refinada. Essa. que Paulo interpreta Jesus de um modo que está muito longe do verdadeiro Jesus histórico. A teoria do conflito entre Paulo e Pedro. que produziu as doutrinas sobre Jesus. um verdadeiro e outro falso. . uma escola filosófica que. Ademais. Para Hegel. ou seja. ou seja. ou seja. Tillich. e mesmo assim devem ser eliminados todos os sinais que identifiquem uma possível influência paulina. enfatiza que toda e qualquer experiência humana ou percepção consiste de idéias. afirma que o maior erro dele e de toda a teologia liberal é que ela não está apoiada em uma teologia sistemática. que é Deus. ao concluir a sua análise crítica sobre a obra de Harnack. o cristianismo é a religião absoluta e o universo está em uma constante luta. O Amor que os une é o Espírito Santo – a síntese. e o reino de Deus é o estado no qual Deus e os membros individuais de seu domínio estão em uma relação de perdão. como tal. A união se dá na mais suprema síntese – o Deus-Homem. Ele se objetiva no Filho – a antítese. Hegel considerou o Pai como a unidade divina – a tese.3 Hegel e os idealistas Muitos dos teólogos e filósofos liberais também são considerados como tendo ligações com o idealismo. Ele afirmou que o evangelho sobre Jesus não está contido no evangelho pregado por Jesus. a partir do Absoluto. ele desenvolveu um método dialético aplicável também à teologia. Na realidade. na realidade. Contudo. Na primeira. doutrinas que não podem ser encontradas na mensagem original de Jesus. voltou-se contra Schleiermacher. Distingue-se ele da humanidade finita – a antítese. reputado como o principal filósofo alemão de sua época. 3. Dentre os principais idealistas destaca-se Georg Wilhelm Friedrich Hegel (1770-1831). e foi ela. Hegel afirma que Deus é a tese. Tal afirmativa pressupõe a redução do evangelho somente aos sinóticos. mútua aceitação e amor. em última análise. como. No que se refere à encarnação. desenvolvida por Baur (ver adiante). toda a comunidade cristã primitiva que rodeava Paulo estava impregnada de conceitos helenizantes.

com base em suas pesquisas do Novo Testamento. Coríntios e Gálatas eram genuinamente de Paulo. nesse particular Baur parece ter sido influenciado por Kant e Hegel. o Apóstolo de Jesus Cristo. não poderia ter sido escrito no século I. trouxe sérias conseqüências ao desenvolvimento do hegelianismo posterior. antítese e síntese ao desenvolvimento primitivo do cristianismo. o método dialético de Hegel. Os partidos petrino e paulino lutaram e dessa luta surgiu o partido joanino. por seu irenismo e familiaridade com controvérsias da metade do século II.4 Ferdinand Christian Baur Ferdinand Christian Baur (1792-1860). sendo que o Evangelho de João. Baur aplicou os mesmos princípios à vida e pensamento do apóstolo Paulo e concluiu que somente as Cartas aos Romanos. que eram grandes admiradores do quarto evangelho. . ele afirmou que a maior parte do Novo Testamento teria sido escrita no segundo século. Segundo Paul Tillich. der Apostel Jesu Christi (Paulo. ou a Igreja Católica – a síntese. A tensão inevitável surgiu com o cristianismo paulino a antítese. achou na filosofia contemporânea de Hegel um instrumento adequado para a remodelação da teologia. Em seu livro Paulus. ele aplicou os conceitos hegelianos de tese. Ainda nessa linha. pois sintetiza e harmoniza o conflito entre cristãos judeus e gentios e. 1845). Assim. portanto. teólogo filosófico protestante alemão e fundador da Escola de Tübingen de crítica bíblica. em especial. 3. resolvendo-se a oposição em uma unidade mais elevada.Apesar de não ter atacado a teologia ortodoxa tradicional. ele acreditava que o autor de Atos era pós-apostólico. mais precisamente em um ensaio sobre o chamado partido de Cristo na correspondência de Paulo aos coríntios. por parte do grupo chamado de esquerda hegeliana. foi escrito no final da segunda centúria. Ademais. representada entre outros por Ferdinand Baur e David Strauss. O partido de Cristo começou essencialmente como um judaísmo messiânico sob a liderança de Pedro e adotado pelos apóstolos originais – a tese. em que cada conceito aponta além de si mesmo a outro conceito contrário.

em todos os seus característicos sobre-humanos. foi uma tentativa de despir o Jesus histórico de sua moldura de mito criada pela imaginação poética da igreja antiga. Para Strauss. Racionalista não confesso. justificando-os através da idéia de mito. Seu conceito de que o homem é a união entre o finito e o infinito. em atendimento aos anseios dos homens daquele tempo. que teriam sido engendrados por escritores do século II. 2) Todos os textos nos quais Deus intervem no curso natural dos fatos são irreconciliáveis com as leis conhecidas e universais que governam os acontecimentos. A vida de Jesus. mas o Cristo do Novo Testamento é essencialmente. 1872). . No final de sua vida.5 David Friedrich Strauss Outro membro da esquerda hegeliana foi David Friedrich Strauss (1808-1874). influenciado pelo pensador iluminista Reimarus e pelos ensinos da escola de Tübingen. 3) Logo. todos os textos nos quais Deus intervém no curso natural dos fatos não são históricos. tem sido copiado por algumas crenças esotéricas modernas como a Nova Era. conforme apresentada nos Evangelhos. uma forma personalizada de darwinismo. no qual se propõe a substituir o cristianismo pelo materialismo científico. entre o espírito e a natureza. Das Leben Jesu kritisch bearbeitet (A Vida de Jesus Criticamente Examinada. Os argumentos de Strauss podem ser reduzidos aos seguintes silogismos: 1) Todos os textos que não se conciliam com as leis conhecidas e universais que governam os acontecimentos não são históricos. de 700 páginas.3. Jesus existiu. do mesmo modo que Baur considerou o Evangelho de João como o mais afastado no tempo. considerou os milagres bíblicos atribuídos a Jesus como impossíveis. criação mitológica e deve ser entendido simbolicamente como a realização da Idéia ou Espírito Absoluto na raça humana. que esperavam um Messias que fizesse maravilhas e aguardavam o cumprimento das profecias do Antigo Testamento. Strauss publicou o livro Der alte und der neue Glaube (A Velha Fé e a Nova. 1836). que. em sua maior obra.

O Jesus do mentor de Barth. Foi ele quem dominou o ambiente teológico. mas a encarnação do amor e dos ideais humanistas. A medida de toda a verdade era a experiência. pode se opor à sua teologia ou acolher suas idéias. Não há nenhuma dúvida de que o pensamento de Barth dominou o pensamento teológico do seu tempo. formulou os problemas e apresentou as hipóteses de maior relevância. à saber: Harnack e Herrmann. aluno do Dr. que todo teólogo do nosso século que quiser estudar teologia a sério. . não era o filho de Deus único e sobrenatural. o sentimento. totalmente revisada e publicada em 1921. Herrman. um jovem pastor de uma pequenina igreja da Suíça escreveu um comentário tão radical que certo escritor disse que Karl Barth pegou uma carta escrita em grego do primeiro século e transformou em uma carta urgente para o homem do século vinte. e desde então tem estado no centro da teologia moderna. uma bomba que Barth lançou no cenário teológico contemporâneo. A teologia desses dois mestres e também a de Barth era o Idealismo teológico. Barth se encarregou de repudiar grande parte desse liberalismo clássico. de qualquer forma. A Bíblia do mentor de Barth. Em 1919. Conn. Em 1919. cheio de erros e que exigia uma crítica radical para encontrar a verdade. Porém. A revolta teológica contra o liberalismo teológico foi uma das mais notórias características da teologia barthiana. Barth havia aprendido teologia aos pés de dois grandes teólogos liberais.4 . caracterizado por uma profunda veia de pietismo e de preocupação pela prática da experiência religiosa cristã. não era a Palavra infalível de Deus. e sim um livro extraordinário. ainda que ordinário. e com muito mais força em 1921. Ele foi. mas não pode jamais ignorá-la se quiser conhecer a situação teológica contemporânea. Cornelius Van Til. passemos agora a discorrer sobre a teologia contemporânea em si. 1919 tem sido para muitos o ponto de partida da teologia contemporânea. esboça alguns princípios que emanam do comentário de Karl Barth aos Romanos e que parecem ter desempenhado o papel mais influente na formação das novas variantes teológicas. Karl Barth e a revolta contra o Liberalismo Teológico Tendo já comentado a influencia da filosofia kantiana para a teologia do século vinte. Ele transformou a teologia do século vinte em teologia da crise. Um teólogo católico disse que esse comentário aos Romanos foi uma revolução copernicana na teologia protestante que acabou com o predomínio do liberalismo teológico. A influência da obra de Karl Barth nessa nova era da teologia é enorme. Esses princípios serão abordados nos tópicos a seguir. Harnack. Ele produziu um impacto tão grande na teologia protestante. Diz-se da segunda versão do comentário aos Romanos. de fato. O que havia nesse comentário do pastor Barth que sacudiu os alicerces teológicos do século vinte? Quais foram os princípios que Barth apresentou e que se converteram no legado de uma nova era teológica? Harvie M. que ela foi ainda mais revolucionária que a primeira.

A Bíblia. O liberalismo fazia de Deus algo imanente ao mundo. e não o homem!‖. os mestres liberais de Barth se uniram com outros teólogos para declarar seu apoio à Alemanha. Esse é o conceito barthiano de revelação. Nesse ínterim. e não a Deus.] a Bíblia se transforma em palavra de Deus nesse momento‖. ela não é Palavra de Deus. O comentário de Barth aos Romanos surgiu então como repúdio de seus antigos mestres liberais. Barth quis edificar a ética sobre a base da teologia. Bart condenou a religião como o pecado máximo. A relação entre Deus e a Bíblia é real. . porém indireta. Esse termo ficou rapidamente associado à obra de Barth.. pelo menos. O comentário de Barth também introduziu um novo método para explicar a teologia. Barth se opôs a isso e apresentou Deus como ―Totalmente Outro‖. até que a Bíblia se torne real para nós. Em oposição ao antigo liberalismo. A dialética de Barth. O homem devia somente conservar ambos os elementos do paradoxo. porém. e chamou suas idéias de Teologia da Palavra de Deus. É esse ato de sustentação do paradoxo que Kierkgaard chama de ―salto de fé‖. pode-se ler a Bíblia sem ouvir a Palavra de Deus. O liberalismo havia exaltado o uso aculturado da religião. Este era seu legado kantiano. até que ela nos fale da nossa situação existencial. Para ele. não podendo ser sintetizada.A primeira guerra mundial e seus horrores acabaram por soterrar o idealismo teológico liberal. O subjetivismo do liberalismo do século XIX havia colocado o homem no lugar de Deus. Segundo Barth. mas. a dialética. o que demonstrou que eles eram mestres de uma religião atada a uma cultura. um livro através do qual nos pode chegar a Palavra de Deus. Barth enfatizou a necessidade que o homem tem da revelação.. O comentário de 1921 de Barth propôs uma nova idéia de revelação. Kierkgaard havia dito que toda afirmação teológica era paradoxal. ―é a Palavra de Deus enquanto Deus fala por meio dela [. A Bíblia é simplesmente um livro. insistiu na distinção entre a Bíblia e a Palavra de Deus. diz Barth. Barth exclamou: ―Seja Deus. Barth. O liberalismo edificou a teologia sobre a base da ética. ainda que o método tenha sido tomado por empréstimo do teólogo existencialista Soren Kierkgaard. a liberal Inglaterra e a civilizada França lutavam como animais ferozes. A culta Alemanha. ou teologia do paradoxo.

O comentário de Barth também demarcou a fronteira entre a história e a teologia. céu e terra. Os liberais clássicos como o professor de Barth. Harnack. a não ser que o consideremos longe‖. tudo o que resta é uma cratera abrasada no terreno. A fé é um vazio preenchido não pela história. ele é infinito e soberano. a revelação que vem de cima para o homem. não podemos fazer outra coisa em teologia a não ser utilizar o método de afirmação e contraafirmação. é um paradoxo: Deus é o oculto que se revela. a própria natureza de Deus exige que as afirmações que lhe dirigimos sejam revestidas de contradição: ―Não podemos considerá-lo perto.Tal conceito influenciou muito a teologia barthiana. em oposição declarada ao liberalismo. apenas podemos nos dirigir a Ele [. nunca objeto. A teologia do século dezenove se dedicou a procurar o Jesus histórico por detrás do Cristo sobrenatural da Bíblia. Ele pertence. Não se pode identificar Deus com nada no mundo. Segundo Barth. em certo sentido. todo homem é escolhido e também reprovado em Cristo.. de maneira que quando preparava o comentário aos Romanos. Deus não é simplesmente uma unidade no mundo dos fenômenos. mas ainda é pecador. é que Deus é sempre sujeito. ao encontrar a contradição do pecado e finitude humana. segundo Barth. Deus e o homem. não há nada na história sobre o que possamos basear a fé. Segundo Barth. se dedicaram a buscar nos evangelhos – os quais eles condenavam como não-confiáveis – os fatos históricos sobre Jesus. Deus fala ao homem como a bomba explode na terra. ―Ele não pode ser explicado como qualquer outro objeto pode ser. apenas a toca como uma tangente toca um círculo. Não podemos falar a respeito de Deus. não cabe à teologia medílo em uma forma de pensamento direto ou unilinear‖. que também é um legado kantiano.] Por esta razão. A própria natureza da revelação. Um dos pressupostos de Barth. Não nos atrevemos a pronunciar em forma absoluta a palavra definitiva [. Sem dúvida o grande tema de Barth. o homem é justificado por Cristo. Apenas falamos a Deus. Depois da explosão.. Barth asseverou que essa busca é um a busca sem importância. a revelação não entra na história. e essa cratera é a igreja. e só pode ser conhecido quando nos fala. ao coração do pensamento doutrinário‖. foi a ―infinita diferença qualitativa‖ entre eternidade e tempo. . Barth afirmava que ―enquanto estamos na terra. segundo ele. segundo a teologia dialética de Barth. mas pela revelação.] O paradoxo não é acidental na teologia cristã. conhecemos a Deus e conhecemos o pecado. O comentário de Barth veio reafirmar a transcendência absoluta de Deus. ―Totalmente Outro‖.. só pode ser assimilada pela mente humana como sendo um paradoxo. Certo comentarista observou que. Deus chega ao homem como a tangente que toca o círculo.. nem sequer com as palavras da Escritura. pois. mas na realidade não o toca.

Profundamente influenciado pelos conceitos de história de Kierkgaard e de Franz Overbeck. Sua idéia de revelação. Ao longo do desenvolvimento da teologia contemporânea. Barth não aceita a inerrância da Bíblia. porém sua influência continua sendo grande a ponto de podermos designar o século dezoito e o pensamento de Kant como protótipo da teologia contemporânea. Geschichte se ocupa daquilo que une essencialmente. no alemão. que exige algo de mim e requer meu compromisso. Objeções à teologia dialética de Karl Barth. dentro da sua teologia dialética. algumas críticas que se pode fazer à obra de Barth. Barth dividiu a história em dois níveis: Historie e Geschichte. principalmente no que concerne ao mundo dos fenômenos e dos números é muito grande. e o posicionamento de Barth nada mais é que uma opção por ficar em cima do muro. Segundo Barth. ainda que as idéias de Barth representem uma revolta contra o liberalismo clássico. A inerrância das escrituras é uma das diferenças cruciais entre o liberalismo e o cristianismo ortodoxo. na prática. não de Historie. é puramente subjetiva. Mais uma vez a influência do pensamento de Immanuel Kant sobre a teologia de Karl Barth. pode-se dizer que ele suavizou algumas idéias mais incisivas. Por causa dos seus pressupostos liberais. a diferença entre a Bíblia como meramente um livro e a Bíblia como a Palavra de Deus depende exclusivamente da reação humana frente a este livro. o âmbito da Historie de nada vale para o crente. podendo ser comprovada objetivamente. Barth não conseguiu se livrar do ponto de vista crítico liberal das Escrituras. Há. e até certo ponto. O que passo a expor agora são algumas críticas que se podem fazer ao pensamento de Barth. chegando mesmo a afirmar que toda a Bíblia é um documento humano falível e que buscar partes infalíveis nas Escrituras é ―simples capricho pessoal e desobediência‖. sem dúvida. Para ele. as idéias kantianas de fenomenal e numenal ―volta e meia‖ reaparecem com uma nova roupagem. a conotação que essas duas palavras têm é bem diferente. o homem é entronizado no centro da experiência religiosa. a ressurreição de Jesus pertence ao âmbito de Geschichte. na Prússia. Para Barth. Em primeiro lugar. Ele mesmo reconheceu alguns de seus excessos e poliu boa parte dos argumentos que enfatizou a princípio. podendo-se até dizer que a teologia contemporânea tem sua raiz em Konigsberg. Alguns tomam o tema e o ampliam. Historie é a totalidade dos fatos históricos do passado. em última instancia. Embora em uma atitude de revolta contra o liberalismo ele tenha exclamado: ―Seja Deus e não o homem‖. Jesus deve ser confrontado no âmbito de Geschichte. suas idéias podem ser chamadas de novo liberalismo. . Ainda que ambos os termos possam ser traduzidos por história.

Ao que vemos. o homem não pode conhecê-lo diretamente. Barth confina Deus ao mundo dos números e apresenta a dialética – a teologia do paradoxo – como sendo à única teologia possível.O resultado final da dialética de Barth é a destruição da verdade objetiva. a revolução se ampliou consideravelmente. 4. de Barth. mas nenhum teólogo de nossa época poderá jamais ignorar a teologia dialética de Karl Barth e sua influência no cenário teológico contemporâneo. A questão é: se Deus é assim tão indescritível e insondável. ele jamais conseguiu se libertar completamente do liberalismo teológico de seus mestres Herrmann e Harnack. Tal como Kant. de que maneira o homem pode conhecê-lo? A separação que Barth faz da Historie e da Geschichte. e nos anos que se seguiram. como poderemos aproximar-nos da verdade sobre Deus? Também a sua insistência em descrever Deus como ―Totalmente Outro‖ faz de Deus um ser indescritível. embora a teologia de Barth tenha sido responsável por uma prática religiosa em que os valores evidenciam a religiosidade do cristão. . mas não pode livrar-se de seus pressupostos. Ele revoltou-se contra o liberalismo teológico. Ela argumenta na tradição de Nietzche e Overbeck.1 Neo-ortodoxia: Analisando os pressupostos teológicos do novo liberalismo Karl Barth havia desencadeado uma tremenda revolução com seu comentário aos Romanos. Como Deus não é um objeto no tempo e no espaço. afirma ele. também privou o cristianismo do seu lugar na história. mas ao fazê-lo. traz à tona a problemática concernente à historicidade da obra redentora de Cristo como fundamento do cristianismo. de fato. Emil Brunner talvez tenha sido um dos nomes mais conhecidos dessa nova escola. acaba por solapar a base do cristianismo. se avolumando sob a égide de um novo movimento teológico denominado ―neo-ortodoxia‖. é claro. depois. Se toda comunicação histórica e toda experiência direta com Deus se encaixa em uma concepção pagã de Deus. e visto que a ―inescrutabilidade e recondidez formam parte da natureza de Deus‖. separando o cristianismo da história. Podemos aceitar seus pressupostos ou acirrar-nos contra ele. argumentou contra ele. Ele exclui a razão a priori e deixa a porta fechada à percepção humana. e ao fazê-lo. quase todo o pensamento teológico moderno até a década de setenta envolverá a perspectiva de Barth. É claro que o propósito de Barth foi tirar do liberalismo o monopólio quanto ao método de interpretação. Sua teologia é de suma importância para o século vinte e.

conceito que é negado por Brunner. em Nova Iorque. Tornou-se professor de teologia em Zurich em 1924. Agora. indicamos alguns dos pressupostos. A teologia de Brunner. tendo exercido influência no oriente. Essa insistência em que Deus é sempre sujeito e nunca objeto será um tema bastante recorrente na teologia contemporânea. de Barth. apesar da influencia de Brunner. Na verdade. no Japão ele era conhecido como o único teólogo. Essa influência de Barth no Japão deve-se principalmente aos escritos de Tokutaro Takahura. . cabe a nós destacarmos os temas comuns. o mundo inteiro sentiu o abalo da teologia barthiana. por exemplo. Berlim e também no Union Theological Seminary. tanto que ao final da década de cinqüenta. por volta de 1925. as três principais correntes teológicas já eram mencionadas como sendo a conservadora ou ortodoxa. mas se defendeu argumentando que se o homem pecador não é mais a imagem de Deus e se não há nenhuma revelação de Deus na natureza. as criticas de Barth à Bultmann e as críticas que Bultmann devolveu à Barth. assim como a de Barth. Emil Brunner aceita a revelação geral. e em 1953 deixou a Suíça para tornarse professor na Universidade Cristã do Japão. estudou em Zurich. foi Barth quem foi apelidado de ―o papa teológico‖. Desde os primeiros anos do comentário aos Romanos. mas devemos nos relacionar com ele apenas como um ―Tu‖. a neo-ortodoxia – às vezes chamada de barthianismo – cruzou muitas fronteiras. é extremamente subjetiva. Enquanto nos Estados Unidos ele era recebido como um dos mais importantes teólogos. bem como a metodologia da estrutura teológica neo-ortodoxa. A ferrenha diferença de opiniões entre Barth e Brunner quanto à realidade do nascimento virginal e da revelação geral. são indicativos de que as vozes dentro do movimento neo-ortodoxo nem sempre foram unânimes.Brunner foi um teólogo suíço residente nos Estados Unidos que também teve participação importante no desenvolvimento da teologia neo-ortodoxa. ele define o cristianismo e a teologia em termos mais relacionais que racionais. O esboço que demonstraremos a seguir está baseado principalmente na obra Dogmática da Igreja. ou um ―isso‖. liberal e neo-ortodoxa. e a mesma é negada por Barth. Em um capítulo anterior. Buscando inspiração nos escritos dos filósofos Martin Bubber e Soren Kierkgaard. a discordância de Pannenberg acerca do conceito barthiano de história. Nascido em 1889. No Japão. Ele argumenta que Deus não pode ser tratado como um objeto de estudo. Ele foi duramente criticado por Barth por afirmar que a imagem de Deus se encontra ainda no homem pecador e que Deus se revela na natureza. Temos que reconhecer que existe muita rivalidade no movimento. então o homem não pode ser responsabilizado pelo pecado que comete. Barth aceita o nascimento virginal.

O tema mais debatido pela neo-ortodoxia é o conceito de revelação. A revelação, segundo Barth, é uma perpendicular que vem de cima, e que por isso não pode se comparar com as melhores intuições humanas. A revelação é um evento no qual Deus toma a iniciativa. Também é dito que a revelação não pode comparar-se com a Bíblia, pois é superior a ela. A Bíblia e suas afirmações são testemunhas, são sinais indicadores da revelação, mas não é a revelação em si. A Escritura não é a Palavra de Deus, e nem as afirmações da Escritura são revelação. Segundo Barth, comparar a Bíblia com a Palavra de Deus é objetivar e materializar a revelação. Nesse mesmo terreno, Brunner definiu a revelação como sendo uma ocasião de diálogo em que Deus se encontra com o homem. Não se pode dizer que a revelação tenha acontecido, à não ser que ambos os participantes do encontro – a saber, Deus e o homem – se encontrem. O coração da revelação da Palavra de Deus, segundo a perspectiva neo-ortodoxa, é Jesus Cristo. De fato, Barth insiste tanto nessa idéia que chega ao ponto de negar a existência de qualquer outra revelação, à parte de Cristo. Para ele, a história da revelação e a história da salvação vêm a ser a mesma coisa. No Cristo de Barth, Deus revelou que não queria deixar o homem existir em pecado. Por isso, Barth insiste em que nunca deveríamos mencionar o pecado, a não ser que agreguemos imediatamente que o pecado foi derrotado, esquecido e vencido por Jesus. A reconciliação entre Deus e o homem se efetua por meio de Cristo. Jesus Cristo é o próprio Deus, isto é, é Deus que se humilha a si mesmo. Em sua liberdade, Deus cruza o abismo aberto e mostra que ele é verdadeiramente Senhor. Na encarnação, Deus se humilha a si mesmo. Barth não quer admitir a humilhação do homem Jesus. Segundo ele, dizer que a humilhação se refere ao homem é uma mera tautologia. Que sentido haveria em falar de um homem humilhado? A humilhação é algo natural no homem. Porém, dizer que Deus se humilhou a si mesmo, segundo Barth, é entender o verdadeiro significado de Jesus Cristo como Deus. Ele é o Deus que se humilha que se revela, e é também a própria essência da revelação. Barth afirma que Cristo, embora haja se humilhado como Deus, foi exaltado como homem. Ele se nega a admitir a idéia tradicional dos dois estados de Cristo, humilhação e exaltação, referindo-se à totalidade do Deus-homem em ordem cronológica. Para Barth, Deus se humilhou a si mesmo e o homem (a humanidade de Jesus) foi exaltada. Dizer que o estado de exaltação se refere a Deus também é mera tautologia. Que sentido haveria em falar em um Deus exaltado? A exaltação é algo natural em Deus. Segundo Barth, ―em Cristo, a humanidade é humanidade exaltada, assim como a divindade é divindade humilhada. E a humanidade é exaltada com a humilhação da Divindade‖.

A doutrina de Barth traz implícito o universalismo. Outro problema bastante polêmico dentro da neo-ortodoxia é a ambigüidade de seus proponentes no que concerne à possibilidade de salvação universal. Barth desde o início repudiou o conceito supralapsariano – que é a dupla predestinação – afirmando que a eleição não diz respeito a pessoas, e sim à Cristo. Ele afirma que a tarefa da igreja é proclamar que os homens já foram eleitos em Cristo, e que portanto, devem viver como escolhidos. Para Barth, a eleição não é um estado que adquirimos em Cristo, e sim uma vida de ação e serviço a Deus. Esse conceito barthiano implica em universalismo? Barth não afirmou, mas também jamais negou essa hipótese. Em uma de suas últimas conferências sobre a humanidade de Deus, ele disse que ―não temos o direito teológico de estabelecer quaisquer limites à misericórdia de Deus que se manifesta em Jesus Cristo‖. 4.2 Objeções à neo-ortodoxia. Como se pode observar, muitos pressupostos da neo-ortodoxia são resultantes da influência do liberalismo, o que torna algumas de suas propostas inaceitáveis para os teólogos ortodoxos. Há ainda muita polêmica dentro da neo-ortodoxia, não sendo difícil levantar objeções a essa corrente teológica. O que apresentamos a seguir são algumas objeções mais freqüentes que são levantadas contra a neo-ortodoxia. Primeiramente, a neo-ortodoxia coloca a experiência subjetiva acima da revelação objetiva. Para a neo-ortodoxia, a revelação não é simplesmente uma declaração de Deus ao homem, e sim um encontro divino-humano, uma confrontação e um diálogo existencial. De acordo com essa premissa, a Bíblia não pode ser a Palavra de Deus. Ela se transforma em Palavra de Deus à medida que Deus fala conosco por meio dela. Reconhece-se nessa premissa a dívida que a neo-ortodoxia tem com a escola de filosofia existencialista. A neo-ortodoxia conserva a linguagem teológica ortodoxa, porém a reinterpreta, e muitas vezes o resultado desta reinterpretação é tão nocivo quanto veneno no leite. As doutrinas do pecado original, da queda de Adão, da redenção, da ressurreição e da segunda vinda de Cristo são chamadas de mitos por Brunner e de saga por Barth. A interpretação que a neo-ortodoxia dá a essas passagens é acima de tudo existencial, quase nunca literal, sob alegação de que essas doutrinas não descrevem eventos na história, e sim condições históricas sob as quais todos os homens vivem. Gênesis 3, por exemplo, não deve ser tomado como história literal, sendo apenas uma forma simbólica de explicar a realidade do pecado e do orgulho na vida humana. Esse conceito de teologia não deixa nenhuma porta pela qual possa entrar a pregação da vinda do Filho de Deus como evento a ocorrer na história, por exemplo.

A insistência de Barth em Jesus Cristo como o coração da revelação é tão forte que o leva a negar a existência de qualquer outra revelação de Deus. Essa idéia é contrária a Bíblia, pois esta afirma que Deus se revela através da sua criação (Atos 14.17 e Romanos 1.19-20). O conceito barthiano e neo-ortodoxo de revelação também é contrário à doutrina bíblica da inspiração, e acaba por destruir o caráter bíblico de revelação canônica. Alguns acusam Barth de fazer uma interpretação dualista da encarnação de Cristo, pois ele parece fazer distinção entre as duas naturezas, repudiando por completo o credo da Calcedônia. Ora, Cristo não nos salvou apenas por meio da sua divindade, mas também por meio da sua humanidade. Nós temos paz por meio do sangue da cruz (Colossenses 1.20, Efésios 2.16) e não há nada mais humano que o sangue de uma pessoa. Ainda que Barth diz que nem afirma e nem nega a teoria da salvação universal, sua idéia de ―eleição universal em Cristo‖ parece uma espécie de neo-universalismo. Além disso, seu repúdio pelas descrições do céu e do inferno parecem um conceito de salvação bem diferente do que é apresentado nas Escrituras. O resultado dessa postura ―neouniversalista‖ é a destruição da gravidade da incredulidade, e deste modo a neo-ortodoxia destrói as advertências bíblicas contra a apostasia, bem como o chamado ao arrependimento e à fé. Por várias razões, muitos teólogos têm entendido mal a neo-ortodoxia. Essa corrente teológica pretende, entre outras coisas, ser um retorno ao ensino dos reformadores. A razão de ser da neo-ortodoxia é atacar o otimismo do liberalismo clássico e as corrupções da teologia católica romana. É sua intenção por em evidência a centralidade absoluta da pessoa de Cristo, a transcendência de Deus e a necessidade de revelação. Naturalmente, todos esses pontos básicos estão em harmonia com o conceito evangélico. Apesar disso, como se pode observar, a neo-ortodoxia se separa da fé cristã histórica não somente em algumas esferas pouco relevantes, mas também em seus conceitos básicos. Recomendamos as obras de Barth, Bultmann e Brunner – bem como de outros teólogos neo-ortodoxos – por sua influência e contribuição para o cenário teológico contemporâneo, mas a apreciação dessas obras deve ser feita com cautela e com espírito crítico. 5. Crítica da Forma: O método investigativo de Rudolf Bultmann No mesmo ano em que Karl Barth publicou seu comentário aos Romanos, apareceram mais dois livros acerca de temas neotestamentários que anunciavam uma nova mudança nos estudos críticos. O livro Die Formgeschichte des Erxrngeliums, de Martin Dibelius (1883-1947), foi o responsável por popularizar o jargão teológico crítica formal. Outro livro, Der Ráhmen der Geschichte Jesus (1919), de Karl L. Schimidt, pretendia ser o golpe de misericórdia dos liberais contra a confiabilidade do Evangelho de Marcos. Porém, mais que a estes dois nomes, a coluna vertebral dessa nova mudança estaria associada a um outro nome: Rudolf Bultmann. O livro de Bultmann que revolucionou a história dos estudos da Bíblia foi History of the Synoptic Tradition (História da tradição dos Sinóticos), escrito em 1921. A influência de Bultmann no campo da crítica sobrepujou a de Dibelius.

editou e organizou os livros canônicos de forma artificial. lugares. temos apenas histórias sobre Jesus‖. e deve ser avaliada como qualquer outra obra literária religiosa antiga. inventando lugares. Milagres. histórias controvertidas e profecias cumpridas seriam nada mais que uma tradição proveniente de uma fonte tardia e menos confiável. ―imediatamente‖. importante. tais como Oscar Cullmann e Joachim Jeremias. Inglaterra e Estados Unidos. Essas tradições orais também não são dignas de confiança. . nós ―não possuímos a história de Jesus. Como disse K. tal como temos nos sinóticos. tais detalhes não são confiáveis. usam uma adaptação do seu método crítico. consistindo basicamente de ditos e relatos individuais referentes a Jesus e aos seus discípulos. cronologia. inclusive histórias independentes acerca de Jesus. Os autores dos evangelhos procuraram unir várias tradições orais independentes e contraditórias que existiam na igreja antes que fosse escrito o Novo Testamento. Shimidt. A igreja ajuntou essas tradições e usou em forma de narrativa. Aos poucos. Segundo a crítica formal. que teria sido anterior aos quatro Evangelhos canônicos e diferente dos mesmos. O propósito da crítica formal é encontrar o Evangelho por detrás dos Evangelhos.1 O método investigativo da crítica formal. de acordo com seus próprios propósitos apologéticos e evangelísticos. ―em um barco‖. Segundo os seus proponentes. ―no dia seguinte‖. acolheram vários pressupostos da crítica formal. Bultmann vai mais além. tendo sofrido acréscimos por parte da comunidade cristã primitiva. ―em uma viagem‖ – são apenas meros recursos literários usados pelos compiladores dos Evangelhos para unir todas as narrativas. tal como a temos hoje seria apenas uma compilação de lendas e ensinos isolados que foram ardilosamente inseridos como sendo parte da história original. bem como outros países com tradição no estudo da teologia. etc. Para ele. a Bíblia é o produto de antigas influências históricas e religiosas. Com respeito à confiabilidade da Bíblia. 5. A Bíblia.O método crítico de Bultmann é de fato. Até mesmo os seus críticos. partindo da premissa de que a igreja primitiva compilou. Para dar aos Evangelhos um detalhe harmônico. teriam sido acrescentados detalhes quanto à seqüência.L. O labor do crítico formal é mostrar que a mensagem de Jesus. A premissa fundamental da crítica formal é que os evangelhos são o produto do labor da igreja primitiva. um dos pioneiros no campo da crítica. ainda que receosos quanto à nova matéria que estava associada principalmente ao nome de Bultmann. Frases como as dos Evangelhos. e afirma que a Bíblia não é a Palavra inspirada de Deus em nenhum sentido objetivo. tempos e enlaces para unir as tradições independentes. ao refutar as conclusões de Bultmann. é em grande parte espúria. os quatro Evangelhos que dispomos servem apenas como ―matéria prima‖ na nossa busca pelo verdadeiro Evangelho.

entre outros.3 Objeções ao método crítico de Rudolf Bultmann. Além disso. A crítica formal também nos recorda o caráter ocasional dos Evangelhos. já que as fontes cristãs primitivas não se interessam por isso. como por exemplo. Todos os documentos do Novo Testamento. não importa a forma em que a crítica formal os selecione. o resultado dessa metodologia é essencialmente anti-sobrenaturalista. Como tais. 5. Cada um deles foi escrito com uma idéia. Flávio Josefo e Tácito. e até mesmo com alguns pressupostos de Bultmann. Assim como a teologia dialética de Barth. pois há menção da pessoa de Cristo nos escritos dos Pais apostólicos. expressam em primeiro lugar uma preocupação vital com a problemática da época. por considerá-las principais. Mateus para os judeus. sendo antes disso um testemunho da fé dos crentes. antes de adquirir a forma escrita do Novo Testamento. alguns dos pontos sustentados pela neo-ortodoxia. e não existem outras fontes acerca de Jesus‖. Ela também nos recorda que os Evangelhos não são relatos neutros ou imparciais. ele não conseguiu demonstrar objetivamente o Jesus ―não-sobrenatural‖. É claro que o comentário de Bultmann é preconceituoso e tendencialista. a crítica formal nos lembra que os Evangelhos não se interessavam grandemente por detalhes geográficos e cronológicos. Para Bultmann. É claro que esses pontos consensuais são superficiais. de forma quase consensual. sendo fragmentadas e lendárias. em uma ocasião histórica específica. filho de Deus. Não há dúvida que Jesus viveu e realizou muitas das obras que lhe são atribuídas. e Marcos e Lucas para os gentios. como a comunidade cristã ortodoxa havia pensado e praticado anteriormente. E por último. por maiores que foram os esforços de Bultmann. continuam refletindo o Jesus sobrenatural. . A crítica formal nos lembra que o evangelho se conservou oralmente durante pelo menos uma geração. o que temos nos Evangelhos canônicos são apenas resíduos do Jesus histórico. mas ele se mostra extremamente cético. dentre as quais destacaremos cinco. o método crítico de Rudolf Bultmann é demasiadamente injusto com a natureza do Novo Testamento. Consenso com os cristãos ortodoxos. Ele disse: ―Creio que não podemos saber quase nada acerca da vida e personalidade de Jesus. principalmente quanto à possibilidade do sobrenatural e do chamado ―Jesus histórico‖. Os cristãos ortodoxos aceitam.Por fim. Há várias objeções que se pode fazer ao criticismo de Bultmann.

. A verdade. A crítica formal também é injusta com os escritores dos relatos evangélicos. os apóstolos eram uma fonte autorizada de informação com respeito dos atos e doutrinas de Cristo. como a ausência de sinais de Cristo em sua terra natal (Mateus 13. como no prólogo de Lucas (Lucas 1. apesar disso. narra também alguns fatos embaraçosos. a pesar dos muitos sucessos.1-2). e os Evangelhos a relatos contraditórios. exerceu o papel mais importante na produção dos Evangelhos.5). cada Evangelho é um marco histórico de certos aspectos da vida de Cristo. Segundo a crítica formal. mas a crítica formal não reconhece a diversidade de transmissão oral dentro da unidade dos relatos evangélicos. O método crítico de Bultmann separa o cristianismo de Cristo.A primeira delas está relacionada com a história. por se tratar de uma crônica de contínuos sucessos. A igreja a qual Paulo e seus companheiros testemunharam não foi criadora (2 Coríntios 4. e ainda nos apresentam marcos diferentes da vida de Jesus. Sua maior responsabilidade não foi a criação de novas tradições. Diferente do que dizem estes críticos. Eles também ignoram que o Novo Testamento.1. e não criar uma versão mitológica e deturpada do Evangelho. cada evangelista distribuiu seu material histórico de acordo com seus propósitos. várias vezes eles se mostram cautelosos com os dados históricos. O que eles não levam em conta é que dentro dos limites de um esquema histórico amplo. Porém. Eles eram testemunhas oculares. Além disso. porém. o cristianismo dos apóstolos não passava de versões falhas sobre Cristo e sua mensagem. e não na comunidade cristã. Eles reduzem Mateus. está claro que os apóstolos exerciam um controle estratégico da mensagem oficial da igreja durante os anos de transmissão oral. Na verdade.1-4). Em Atos 4. é que a mensagem neotestamentária está centrada na pessoa de Cristo e no que ele fez (2Coríntios 4. Os críticos da tradição de Bultmann argumentam que. Isso tudo viola injustamente a unidade do relato evangélico. A grande premissa deste método de estudo é que a comunidade cristã. a crítica de Bultmann é exagerada porque exige dos escritores dos Evangelhos algo que eles não quiseram fazer. Não há embasamento sólido para a teoria da inconfiabilidade histórica dos Evangelhos. mas não eram historiadores treinados. mas apenas receptora da verdade. Os Evangelhos possuem uma unidade básica de testemunhos confiáveis de Cristo.54-58) e a sua agonia no Getsêmani. eles não podem ser um esquema historicamente confiável sobre a vida de Cristo. e não Cristo. Sua presença tinha como finalidade impedir que surgissem versões deturpadas do Evangelho. e sim a preservação e proclamação das antigas tradições. Marcos e Lucas a meros compiladores de documentos.21-22.

como os críticos desejam que seja. Europa e da Ásia. além de ser ainda hoje a parte de sua formulação teológica mais controversa. O impacto desse conceito na Europa foi tremendo. Essa palavra cacofônica é uma terminologia que foi popularizada por Bultmann em um ensaio escrito em 1941. a teologia da desmitologização é sem dúvida uma parte importantíssima da teologia contemporânea e merece destaque entre as idéias que Bultmann ajudou a preconizar. No capítulo anterior. 5. está demasiadamente comprometida com os pressupostos do liberalismo para que possa ser considerada uma analise imparcial dos fatos. segue-se irrefragavelmente que a crítica da Bíblia tal como aparece em Rudolf Bultmann. e continuar exercendo influência no pensamento teológico contemporâneo ocidental? É isso que estaremos analisando neste capítulo. Quando as primeiras versões evangélicas começaram a circular. Outras idéias dele também permearam o cenário teológico do século vinte. O que será que há de tão controverso e ao mesmo tempo tão atraente nesse conceito de Bultmann.3 Desmitologização: O método interpretativo de Rudolf Bultmann Uma das palavras chaves para entender a teologia do século vinte é a ―desmitologização‖. Mas a crítica formal não foi a única contribuição de Bultmann à teologia contemporânea. Quando Bultmann e outros críticos da Bíblia dizem que a narrativa evangélica está repleta de fábulas que se acumularam durante o período entre a tradição oral e a palavra escrita. O que ocorre. entre as quais está a desmitologização. a ponto de instigar consideravelmente os teólogos dos Estados Unidos. O primeiro relato documental foi feito por Marcos e as evidências demonstram que ele foi escrito cerca de vinte e cinco anos após os eventos por ele narrados. caso estes fossem impostores e estivessem inserindo mitos na narrativa. é justamente o contrário: os Evangelhos foram recebidos com muita alegria e divulgados pelas igrejas.A crítica formal parece esquecer que o lapso de tempo entre os fatos históricos e os documentos escritos é mínimo. . e se por um lado a Alemanha perdeu pouco a pouco o interesse pelos pressupostos da desmitologização. a idéia recebeu um novo estímulo quando o John Robinson discorreu sobre o tema em seu livro Honest to God. tornando-se a partir daí um jargão teológico. muitas das testemunhas oculares estavam vivas e poderiam facilmente desmascarar os escritores. eles esquecem que o intervalo entre os fatos acontecidos e o registro desses fatos é muito pequeno. De tudo isso. apresentamos uma parte muito importante da influência atual de Bultmann. de 1963. Apesar disso. Não é possível sintetizar todo o pensamento de Bulmann em uma única palavra. O problema em dizer que o NT está repleto de material lendário é que vinte e cinco anos é muito pouco tempo para se formar uma lenda. porém. é uma analise preconceituosa do relato evangélico.

O programa de desmitologização. No centro do programa de desmitologização de Bultmann consta na afirmação de que no Novo Testamento encontram-se duas coisas: O Evangelho cristão, por um lado. A cosmogonia do século primeiro, de índole mitológica, de outro lado. Sendo assim, o teólogo contemporâneo precisa separar o kerigma (transliteração da palavra grega que significa ―conteúdo da pregação‖), de sua envoltura mitológica. O kerigma seria a entranha irredutível na qual o homem moderno deve crer. A idéia de mito, para Bultmann, tem sua origem no pensamento pré-científico do século primeiro. O propósito do mito seria expressar a maneira como o homem vê a si mesmo, e não apresentar um quadro objetivo e histórico do mundo. O mito emprega imagens e termos tomados deste mundo para transmitir convicções acerca do enfoque que o homem tem de si mesmo. No século primeiro, o judeu entendia o seu mundo como um sistema aberto a Deus e aos poderes sobrenaturais. Nessa era pré-científica, acreditava-se que o universo tinha três níveis, com o céu acima, a terra no centro e o inferno debaixo da terra. Bultmann insiste que essa é a visão de mundo encontrada na Bíblia. Esta inserção mítica, segundo Bultmann, também foi utilizada para transformar Jesus. A pessoa histórica de Jesus, segundo esse professor, se converteu rapidamente em um mito do cristianismo primitivo, e é por isso que Bultmann argumenta que o conhecimento histórico de Jesus não tem valor para a fé cristã primitiva, pois o quadro apresentado pelo Novo Testamento é de índole essencialmente mítica. Os fatos históricos acerca de Jesus se transformaram em uma história mítica de um ser divino e preexistente que se encarnou e expiou com seu sangue os pecados de todos os homens, ressuscitando também dentre os mortos e subindo ao céu e, segundo se cria, regressaria rapidamente para julgar o mundo e iniciar uma nova era. Esta história também foi embelecida com histórias milagrosas, vozes celestes e triunfos sobre demônios. Bultmann afirma que toda essa apresentação que o Novo Testamento faz de Jesus não passa de mito., isto é, do reflexo do pensamento pré-científico das pessoas do século primeiro, que criaram esses mitos para entenderem melhor a si mesmos. Esses mitos, segundo ele, não tem nenhuma validade para o homem do século vinte, que acredita em hospitais, e não em milagres; em penicilina, e não em orações. Para transmitir com eficácia o evangelho ao homem moderno, devemos despojar o Novo Testamento dos mitos e encontra o Evangelho por trás dos Evangelhos. É este processo de descobrimento que Bultmann chama de desmitologização.

O processo de desmitologização, segundo o próprio Bultmann, não significa negar a mitologia, e sim interpretá-la existencialmente, em função da compreensão que o homem tem de sua própria existência. Bultmann busca fazer essa interpretação existencialista dos mitos utilizando conceitos do filósofo existencialista alemão Martin Heidegger (1889). Assim, ele afirma que o suposto nascimento virginal de Cristo é uma tentativa humana de expressar o significado de Jesus para a fé. A cruz de Cristo também perde seu significado expiatório. Cristo na cruz não está fazendo nenhuma substituição vicária: ela tem significado apenas como símbolo de que o homem assumiu uma nova existência, renunciando toda a segurança material por uma vida que se vive apoiado no transcendente. Características básicas da mitologia do Novo Testamento. Em ultima análise, Bultmann diz que as características básicas da mitologia do Novo Testamento se concentram em duas categorias de autocompreensão: a vida fora da fé e a vida de fé. A vida fora da fé. Nesse sentido, os termos conhecidos como pecado, carne, temor e morte são apenas explicações míticas da vida fora da fé. Em termos existenciais, pode-se dizer que significam uma vida escrava das realidades tangíveis, visíveis e que perecem. A vida de fé. A vida de fé, por outro lado, consiste em abandonar completamente esta adesão às realidades tangíveis. Significa ainda a libertação do próprio passado e a abertura para o futuro de Deus. Para Bultmann, essa abertura ao futuro de Deus é o único significado real da escatologia. A implicação desse pensamento é que o viver escatológico genuíno é viver em constante renovação através da decisão de obedecer. Objeções à doutrina de Bultmann. A teologia de Bultmann é anti-cristã e herética, e o nosso juízo sobre ela deve ser negativo por vários aspectos: Primeiro, a desmitologização, assim como a neo-ortodoxia, tem grande dívida com a filosofia existencialista, que está em desacordo com o Novo Testamento. No existencialismo, assim como na neo-ortodoxia e na teologia da desmitologização, o enfoque central é o próprio homem, quando na Bíblia o enfoque é Deus. Sob influência do existencialismo, Bultmann coloca o homem no centro das atenções, cometendo uma injustiça e porque não dizer, sendo desonesto para com o caráter teocêntrico do Novo Testamento. O verdadeiro propósito do Novo Testamento é proclamar que o Deus soberano veio ao mundo na pessoa de Jesus para restaurar a natureza humana e resgatar a humanidade. O coração do Novo testamento continua sendo Deus, e não o Homem.

A desmitologização destrói a objetividade do NovoTestamento, portanto, é anticristã. Ela converte a Bíblia em uma religiosidade baseada no irreal e pré-científico. A religião cristã se transforma em um aglomerado de mitos e a historicidade dos eventos milagrosos é logo descartada. Herman Riddebos nota que, segundo Bultmann, Jesus ―não foi concebido pelo Espírito Santo, nem nasceu da virgem Maria. Sofreu sob Pôncio Pilatos e foi crucificado, mas não desceu ao hades, não ressuscitou dos mortos e nem subiu aos céus. Também não está assentado à direita de Deus Pai e não voltará para julgar os vivos e os mortos‖. Segundo Bultmann, ressurreição, inferno e nascimento virginal são palavras desprovidas de significado real, não sendo literais. São dogmas mitológicos e não expressam nenhuma realidade objetiva. O mesmo ocorre com a trindade, com a expiação vicária e com a obra do Espírito Santo. O cristianismo primitivo está marcado pelo impacto da pessoa e da obra de Cristo. Não existe outra justificativa capaz de explicar o nascimento da igreja e da sua teologia, porém Bultmann reduz sua influência à zero. Ele preconceituosamente assume uma postura anti-sobrenaturalista e presume, com base em seus conceitos tendenciosos e sem nenhuma evidência plausível, que todos os relatos confiáveis acerca de Jesus ficaram suprimidos ou destruídos no breve período que transcorreu entre sua vida terrenal e o início da pregação evangélica. Seu ceticismo é insustentável. Será que 50 dias é tempo suficiente para que os discípulos viessem a esquecer tudo o que ouviram e viram? Não foi só Heidgger que influenciou a teologia de Bultmann. As idéias de David Hume, o cético escocês, haviam influenciado o mundo e seu legado se estendia à época de Bultmann. É injustificável a negação de Bultamann dos relatos sobrenaturais e a classificação arbitrária desses relatos como sendo essencialmente mitológicos. Também podemos perceber várias pressuposições do liberalismo clássico na obra de Bultmann, razão pela qual tanto o seu método crítico como sua teologia da desmitologização ganharam o apelido de neo-liberalismo. Bultmann é totalmente incoerente ao basear suas idéias nas Escrituras, pois o que ele chama de mito, a Bíblia chama fato. Seu antropocentrismo pode estar bem de acordo com a filosofia existencialista, mas é totalmente oposto ao caráter teocêntrico do Novo Testamento. O desvendamento das Escrituras pela desmitologização é herético. Ao contrário do que Bultmann pretende, não é a desmitologização que desvendará de modo compreensível as Escrituras para o homem moderno, e sim o Espírito Santo. Somente ele, segundo a Bíblia, é que pode dissipar as trevas da incredulidade levando o pecador a ver o Evangelho. Com seu método interpretativo, Bultmann nos desafia a compreender o homem moderno, quando pregamos a ele. Esse enfoque é digno e necessário, mas não é ―desmitologizando‖ o Evangelho e interpretando-o existencialmente que nós solucionaremos os problemas da humanidade. Ao apresentar a mensagem cristã ao homem moderno, devemos ter em mente que por mais moderno que ele seja, ele ainda é homem natural, e portanto ―não pode compreender as coisas que são do Espírito de Deus, porque lhe parece loucura‖ (1 Coríntios 2.14). Creio que esse versículo, mais que qualquer outro, pode ser aplicado ao método interpretativo de Rudolf Bultmann.

Cullmann tomou os métodos exegéticos da crítica formal para aplicá-lo em sua reconstrução da história do Novo Testamento. perito no Novo Testamento. cujos pressupostos já foram apresentados.6. Cullmann é a pessoa que popularizou o termo no século vinte. a Heilsgeschichte de Cullmann tomou muitas idéias básicas para um novo enfoque da história. que pode ser traduzida para a língua portuguesa como história da salvação. O Novo Testamento. ele submeteu suas interpretações ao contexto que lhe oferecia a própria Escritura. Neste mesmo sentido. Heilsgeschichte: A escola teológica do Dr. Outro ponto importante na teologia do Dr. von Hofmann e Adolf Schlater. Segundo Cullmann. segundo ele. Ele diz que Barth e Bultmann assimilaram noções filosóficas estranhas ―que corromperam sua percepção da mensagem espontânea do Novo Testamento‖. Cullmann é a ênfase cristológica de seus escritos. e mais dependentes da exegese bíblica do que a obra de Barth e Bultmann. Seus escritos são menos dependentes do existencialismo e de outros pressupostos filosóficos. Neste livro ele afirma que a teologia cristã primitiva é quase exclusivamente cristologia.K. De Rudolf Bultmann. . o impulso de Bultmann. Esta diferença entre Cullmann e seus contemporâneos pode explicar porque muitas de suas idéias têm sido aceitas aos evangélicos ocidentais. Também foi influenciado pela compreensão cristocêntrica do barthianismo e pelo conceito definitivo do papel da fé na revelação divina. de que Deus atua na história. se opondo fortemente a muitas características radicais da crítica formal e da desmitologização. o Dr. Um dos livros mais inteligentes de Cullmann é um estudo exegético dos títulos de Cristo no Novo Testamento. é sábio referir-se as idéias de Oscar Cullmann como sendo neo-ortodoxas em sua orientação. o Dr. como J. O mais interessante na obra de Cullmann é que. porque parte da obra de Cullmann foi escrita de modo a refutar e interagir algumas idéias de dois importantes teólogos contemporâneos. ao mesmo tempo em que Cullmann manteve algumas idéias de Barth e Bultmann. principalmente ao fazer distinção entre os elementos essenciais e acidentais da mensagem do Novo Testamento. Ainda que seu conceito de história está bastante renhido com o evangélico. a saber: Barth e Bultmann. Introduzir neste ponto nosso estudo sobre Cullmann e a Heilsgeschichte é intencional. Devido a essa relação com os escritos de Barth e Bultmann. Heilsgeschichte. sua ênfase na idéia central da história da salvação. Diferente desses dois homens. ao passo que as idéias de Barth têm sido rejeitadas. Ainda que o significado e origem de heilsgeschichte remonta aos teólogos alemães do século dezenove. enfatizou a importância da história para a compreensão adequada da Bíblia. Oscar Cullmann. De Karl Barth. deve ser a chave para a compreensão de si mesmo.C. A palavra ganhou um significado mais pleno dentro da teologia ocidental contemporânea após os escritos do teólogo suíço. ele não temeu desassociar-se desses homens. comunga muito bem com a teologia ortodoxa. é arbitrário e ingênuo. Oscar Cullmann Parte do mundo teológico do século vinte gira em torno de uma palavra alemã.

unho de Cristo. e não uma realidade em si mesma. Quanto à revelação. A razão pela qual Cullmann não admite que o Evangelho seja revelação é justamente essa: aceitar o Evangelho seria limitar a ação de Deus a essa linha estreita. A revelação e a redenção divina estão baseadas em realidades históricas bem objetivas. sendo ela mesma a chave de ação na linha estreita da história bíblica. não em palavras. quando o Reino de Deus estará presente de modo pleno. depois do qual viriam as glórias da era vindoura. ao enfatizar a história como veículo da revelação. Isso implica em uma nova perspectiva escatológica. O tempo. e continua falando da experiência religiosa como ponto de apoio da revelação. apareceu na história da salvação na fase final do plano de redenção divino. porém. perito em Antigo Testamento da mesma escola. de modo que a história se encontra em um drama cósmico. A batalha que decide a vitória final já teve seu lugar. em todo o seu poder e glória. Os judeus no tempo do Novo Testamento aguardavam a vinda do Messias-Salvador como o anuncio iminente do fim do mundo. A ação central na história da salvação é a primeira vinda de Jesus Cristo como Salvador. Devemos entender o Novo Testamenticomo testemunho dos atos reveladores de Deus‖. Cullmann consequentemente está privando a Escritura de ser o dado básico da religião cristã. Cullmann afirma que o interprete somente conhece a história quando se identifica com ela.Principais postulados da escola Heilsgeschichte de teologia. Obviamente que essa é uma idéia neo-ortodoxa. ―a revelação se dá em fatos históricos. Cullman e os outros teólogos da história da salvação ainda têm dificuldades em considerar o significado da salvação como algo objetivamente acessível. A igreja. a escatologia inclui todos os sucessos salvadores a partir da encarnação e concluirá com a segunda vinda. segundo Cullmann. O dado básico passa a ser a história santa e a Escritura passa a ser apenas uma constante desse dado definitivo. A Heilsgeschichte (daqui por diante nos referiremos a ela apenas por história da salvação). As bênçãos da era vindoura começaram com a obra e o testem. e o estudioso participa dessa história pela fé. A pesar da forte insistência na historicidade dos relatos bíblicos. como escola de interpretação teológica insiste principalmente na história e na revelação de Deus na história. são um drama mundial e Jesus é a figura principal neste drama. A história. mas sua finalização está reservada para o tempo da segunda vinda. é algo no qual Deus atua para realizar a salvação do homem em Cristo. portanto. e não em mitos levantados pela igreja. Para Cullmann. Como afirmou George Ernest Wright. quando o interprete a conhece. passa a ser revelação. Toda a história e todo o tempo. . A Bíblia dá testemunho que Jesus é o messias e que ele deu início a essa nova era. para Cullmann. como afirma Bultmann. o centro da história.

Sua forte insistência na salvação como um sucesso histórico centrado em Cristo é muito útil como defesa apologética e refuta a contento o programa de desmitologização de Bultmann. Com relação ao conceito de Cullmann sobre a revelação. Desde Karl Barth. Junto com isso.6. mas era também uma teologia trinitariana (Romanos 8. têm se demonstrado especialmente úteis. A teologia da reforma sempre insistiu na necessidade da iluminação do Espírito Santo para compreender a revelação de Deus (1 Coríntios 2. ele acaba por negligenciar as formulações cristãs históricas da doutrina da trindade. pois ao enfatizar demais o cristocentrismo. Teologia Secular: Robinson. o leitor evangélico deve ter sempre presente que os pressupostos básicos de Cullmann são os de Barth e Bultmann e consequentemente essas mesmas idéias às vezes são um estorvo para o exame e compreensão da história da salvação. o que mostra que ele não está totalmente disposto a admitir a realidade da revelação como verdade infalível contida na Escritura. Começava a nascer então a teologia da secularização. Cox e Buren: Uma teologia do mundo para o homem moderno. a menos que o homem a entenda. Como já foi esposado anteriormente. também deveríamos advertir que ele continua dependendo muito do subjetivismo da neo-ortodoxia.1 O pensamento de Cullman e a ortodoxia teológica. Cullmann chama o relato Bíblico da criação e a segunda vinda de mitos. inclusive para corrigir certa insistência ortodoxa do passado. em última análise. 7.28). e no período pós-guerra esse clamor se intensificou e se homogeneizou com algumas idéias extremamente sociais e humanistas.13).31-39. de tal forma que o pensamento teológico acerca do Reino de Deus se mesclou com as pretensões do papado. Suas idéias acerca da relação entre a escatologia e a primeira vinda de Cristo. sua ênfase exclusivamente cristológica acaba por converter o cristianismo em cristomonismo – para usar uma terminologia barthiana – .14). o uso que ele mesmo faz do criticismo faz distinção entre a Bíblia e a palavra de Deus. É verdade que a teologia da igreja primitiva estava marcada pela cristologia (2Coríntios 13.18 e 1Coríntios 15. ela nem mesmo é revelação. O maior propagador da história da salvação crê que. Suas idéias exegéticas a respeito das escrituras também são parte significativa de sua contribuição para a teologia. a tendência parecia ser a oposta. havia um forte clamor por um cristianismo menos dogmático e mais vivenciável. João 1. A intenção era trazer o Reino de Deus através da força militar e plantar suas idéias na sociedade. . Na idade média houve uma forte tendência eclesiástica de sacramentalizar a sociedade. Por último. Apesar da crítica que Cullmann faz do uso da crítica formal por parte de Bultmann. a teologia da Heilsgeschichte se parece muito com a teologia ortodoxa. Em meados do século vinte.

Honest to God (1963). cristãos secularistas é ―ama a Deus e faça o que quiser‖. ele parte para a idéia de um Deus no nosso interior. O livro de Robinson começa com o convencimento de que a idéia de um Deus ―lá em cima‖. não deve haver uma distinção entre igreja e mundo. de Barth e na filosofia de Kant deve ser deixada de lado por se tratar de uma idéia antiquada e errônea. Por secularismo. mas como fruto do evangelho. O Deus da Bíblia. O problema é que ao invés de buscar a moderação entre a transcendência e a imanência de Deus. os secularistas conservaram alguma forma moderada de religião. mas sim o mundo e as suas necessidades. apresenta o secularismo não como inimigo da igreja. Em outro livro. O lema desses novos ―crentes‖. algo totalmente imanente.1 A postura da teologia secular. porém.Poucos sabem. . mesmo quando pensavam que a idéia de Deus era obsoleta. Cox entende o processo histórico pelo qual a sociedade se liberta do controle da igreja e dos sistemas metafísicos fechados. ainda que exige atenção. tanto que se cumpre hoje o que foi dito por certo comentarista: ―no fim do século vinte. 7. O centro de interesse dessa nova teologia não é a igreja. Robinson reafirma que Deus é o fundamento do nosso ser. Esse radicalismo ateológico ganhou proporções gigantescas no best-seler de John Robinson. Esse tipo de concessão. de Harvey Cox. ele continua influenciando a igreja e seus ensinos sadios. De fato. O conhecido movimento da morte de Deus talvez tenha já morrido como moda teológica. Quais seriam os pressupostos dessa teologia do mundo? Que idéias os chamados teólogos seculares defendem? O que apresentamos à seguir são as principais idéias esposadas pela teologia do mundo. rodeados por um paganismo agressivo e arrogante. deve ser redefinido como sendo o Deus deste mundo (cf.4). Uma das manifestações mais abertas e nocivas dessa ―deserção secularista de Deus‖ que caracteriza a apostasia. o final do século vinte e início do século vinte e um. que é o desenvolvimento lógico da nossa tendência secularista‖. mas o secularismo tão presente e difundido em nossa era. já esteve organizado em um forte sistema religioso. A Cidade Secular. apostasia deliberada e oposição aberta ao sagrado. foram marcados por uma forte tendência secular. talvez por medo de se oporem ao amor e ao culto cristão. tão transcendente como na teologia de Kierkgaard. os cristãos consagrados serão uma minoria consciente no ocidente. A princípio. escrito em 1965. resiste a toda definição. porém. se percebem as mesmas exigências teológicas. 2 Coríntios 4. segundo ele. como ramificação da teologia secular. Sendo esse um movimento com muitas posições extremas. encontra sua versão religiosa no que passou a chamar-se teologia secular. está mudando vertiginosamente. e acrescenta que a igreja nunca deveria ser uma organização para homens religiosos.

não há espaço para o Jesus salvador. Ele. A Bíblia nos instrui a amar nossos inimigos (Mateus 5. Nas palavras de Robinson. Muitos dos valores desse movimento teológico foram retiradas do diário e das cartas de Bonhoeffer. assim como Cox e Buren. e a nossa teologia não deve ser confinada às quatro paredes da nave de um templo. O único mundo real é o aqui e agora. a orar pelas autoridades (1 Timóteo 2. não a assassiná-los. seus pressupostos nos trazem à mente uma verdade que foi expressa pelo próprio Bonhoeffer. no máximo. Existe na teologia secular um esforço para minimizar o sobrenaturalismo. Com respeito a isso. Sem dúvida.Eles reclamam que a igreja tem se esquivado e racionalizado quanto as suas falhas em não enfrentar-se com os males sociais e políticos. os teólogos seculares estão de acordo que os problemas deste mundo deveriam ser uma das preocupações vitais da igreja. Porém. no qual ele ―revela que o fundamento do ser humano é o amor‖. Ele é. a de que ―não se pode encerrar a Cristo na sociedade sagrada da igreja‖. O campo é o mundo. pastor alemão executado pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial por participar de um complô contra a vida de Hitler. A conduta de Bonhoeffer é reprovável e anti-cristã. segundo ele. Os teólogos seculares também afirmam que nossa teologia deve expressar um espírito de secularização. escritas na prisão. em seus razoamentos teológicos afirma que o próprio Deus deve ser excluído do cenário teológico. os teólogos seculares rejeitaram totalmente o reino sobrenatural e a segunda vinda de Cristo.Em primeiro lugar. . e a idéia do céu é chamada por eles de ―escotilha de escape‖. a voz mais eloqüente foi Dietrich Bonhoeffer. A idéia liberal de que Jesus foi apenas um homem bom que viveu perto de Deus ganhou vida dentro da teologia secular. Assim também. a pergunta ―Como posso encontrar um Deus benigno?‖ deve ser substituída por ―Como encontrar um próximo benigno?‖. O cristianismo. É uma teologia totalmente naturalista. A terceira objeção diz respeito à possibilidade do sobrenatural. Harvey Cox diz que devemos deixar de falar da ontologia antiquada para começarmos a falar de funções e de ativismo dinâmico. Na teologia secular.2). cujo Deus é literalmente o Deus deste mundo (2 Coríntios 4. o mais radical dos teólogos seculares é Paul Van Buren. O espírito ativista de Hitler é o espírito da teologia secular. um bom exemplo. repudia a idéia de uma expiação sobrenatural e perdoadora.4). e talvez seja essa a razão pela qual ele chegou a ser considerado uma espécie de patrono do secularismo teológico. Buren. enquanto este aguardava a execução. deve ser reconstruído sem Deus. e não lutar contra elas. Robinson fala da expiação como ―a entrega completa de Jesus em amor‖.44). e Cristo deve ser visto como o paradigma da existência humana.

).2 Avaliação da teologia secular. eles ignoram o sobrenatural. estamos no mundo para servir nele. O problema é que eles não somente captaram. 12. quando uma coisa só é necessária.7. Há quem creia que a teologia da secularização tenha trazido apenas prejuízo à teologia ortodoxa. em seu repúdio pela metafísica e a ontologia. Os teólogos seculares vestem seu humanismo de jargões teológicos e nos ensinam a viver no mundo de Marta. apesar do prejuízo causado ter sido maior que o bem que ela tem feito. A teologia secular é uma teologia mundana elaborada para responder à incredulidade arrogante de um homem que não ama a Deus. A teologia secular. não tinham pensado em fazer. não querem crer em um Deus ativo na criação. Tal como Bultmann. A teologia secular é radical e antibíblica. Qual deve ser a reação da igreja perante essas doutrinas? Certamente reconhecemos que esses homens captaram o espírito de nosso tempo. mas os teólogos seculares confundem o serviço no mundo com serviço para o mundo. eles esquecem que o amor de Deus escolhe filhos. A vida cristã é um viver com Deus.22 ss. Sua teologia é a essência da apostasia descrita na Bíblia como característica do tempo do fim. Eles não querem uma Bíblia sobrenaturalmente inspirada. senão que deixaram dominar-se por ele. Mateus 11. e não apenas servos. A teologia secular fala de um reino centralizado na obra e no futuro de um homem autônomo.31-46). uma da suas contribuições para a teologia ortodoxa foi plantar algumas perguntas que os teólogos.. A teologia secular demonstra o desejo de uma reformulação do cristianismo em termos que sejam aceitáveis para o pensamento moderno e que possa ser traduzido em termos compreensíveis para o homem do século vinte. . É verdade que Jesus recomendou que preocupássemos com os males do nosso mundo e buscássemos corrigi-los (Mateus 25. encerrados em seus sistemas dogmáticos. e não esperam um reino futuro. mas a si mesmo. é uma vida em adoração e não somente uma vida de trabalhos humanitários. mas. e muitas delas têm repercussão missionária e verdadeira importância na contextualização da mensagem cristã para o mundo. Além do mais. demonstram seu preconceito quanto ao mundo fenomenal. nunca no homem (cf. e não para servir a ele.11 ss. O único reino que a Bíblia conhece está centralizado no poder e na obra de Cristo.

embora como sistema filosófico. se opõe grave e abertamente a muitas formas da ―ética tradicional‖. O homem moderno distanciou-se de Deus. o que denota. e ao distanciar-se perdeu também seus valores éticos.8. quando o Dr. professor de ética social no Seminário Episcopal de Cambridge. Existencialismo – Filosofia que coloca o homem no centro do universo. É esse novo conjunto de valores do homem moderno que nós denominamos ética situacional. O importante não são os valores objetivos. segundo ele mesmo. . começando com a própria pessoa. Quanto aos pressupostos da ética situacional. normas e princípios morais da velha moralidade. não havendo imposição moral absoluta. Fletcher definiu esses pressupostos como sendo: Pragmatismo – Doutrina segundo a qual o valor da verdade é determindado pela funcionabilidade. publicou o livro Situation Ethics. ou ética situacional. Ela é uma reação às leis. suas idéias tenham sido rapidamente implantadas nas universidades brasileiras. Positivismo – Segundo essa cosmovisão. Massachusetts. com princípios teológicos mais existencialistas que puritanos. Relativismo – Conceito filosófico segundo a qual a verdade é um valor subjetivo. Joseph Fletcher. e consequentemente teve que partir em busca de uma nova moralidade. Essa nova moralidade religiosa. A popularidade da ética situacional como sistema teológico não teve tanta influência nos seminários teológicos protestantes do Brasil. também ajudou a propagar as idéias do movimento. sustentada como modo ideal de conduta. começando a partir de normas absolutas. é indutiva. O livro de Robinson. o movimento chamou a atenção da opinião publica em 1966. por sua vez. Com isso. a prioridade da pessoa sobre os princípios. Robinson diz que a velha moralidade é dedutiva. A nova moralidade. Com raízes que penetram os princípios éticos de homens como Karl Barth. a ética situacional exalta o homem sobre a lei. as declarações de fé são voluntaristas e não racionais. Ética Situacional: Joseph Fletcher e um novo conjunto de valores para o homem moderno. mas a maneira como o ser humano experimenta esses valores. mais neo-ortodoxos do que propriamente ortodoxos. Rudolf Bultmann e Paul Tillich. Honest to God. eternamente validadas e imutáveis. Não demorou muito para que o ocidente abandonasse as idéias éticas tradicionais do cristianismo.

Peter Wagner. A principal característica da ética situacional é que o fim justifica os meios. mas: ―o que eu acho disso?‖. existencial e deve estar baseada no amor. John F. a nova ética transforma o amor ágape em eros. para Fletcher e os demais teólogos da situação. que também é um pragmático: ―A Bíblia não nos consente pecar. a fim de alcançarmos os fins que Ele nos recomendou‖. não é um código ético. ao contrário. o único mal intrínseco é a falta de amor e o único bem e virtude é exclusivamente o amor. McArthur diz o seguinte: ―Oponho-me ao pragmatismo tão freqüentemente defendido por especialistas em crescimentos de igreja. Não há nela nenhuma menção a pureza sexual. . então. em que os fins justificam os meios. e sim o amor ágape. ao avaliar a veracidade de um determinado comportamento a pergunta a ser feita não é ―o que a Bíblia diz?‖. ou não permite usarmos quaisquer meios que Deus tenha proibido. por outro lado. Certo e errado dependem da nossa decisão neste mundo relativista. É claro que esses conceitos são demasiadamente ingênuos e conduzem fatalmente à imoralidade. um amor desinteressado e sacrificado. segundo a cosmovisão situacionista. é uma questão subjetiva. É tolice pensar que alguém pode ser bíblico e pragamático. É justamente esse tipo de pragmatismo imoral e anti-cristão que Fletcher propõe em sua teologia. Em outras palavras. a resposta é não.O critério fundamental e único de conduta para o situacionista. ―de que forma isso pode me dar prazer?‖. Para Robinson e Fletcher. A nova moralidade da qual o homem moderno se vê vestido tende a ver toda a moralidade cristã como um conjunto de tabus que devem ser quebrados a todo custo. Ao afirmar que aquilo que é feito com amor não é pecado. conforme diz C. a fim de que a graça seja mais abundante. O pragmatista deseja saber o que produzirá resultados. ela promove a sensualidade. 8. quando a ética cristã é comprometida no afã alcançar as massas.1 Conhecendo os pressupostos da nova moralidade. O pior de tudo não é quando as tendências pragmáticas são usadas para construir o crescimento de igrejas – ainda que o pragmatismo já seja um conceito escandaloso em si mesmo – mas sim. crendo que podem induzir esse crescimento numérico por seguirem quaisquer técnicas que parecem produzir resultados naquele momento‖. ―dará certo?‖ e por último ―eu estou fazendo por amor?‖. O certo e o errado. o amor exige o divórcio‖. Por exemplo: ―se o bem estar emocional e espiritual do casal e dos filhos será promovido com a separação do casal. que colocam o crescimento numérico acima do crescimento espiritual. Quanto ao pragmatismo como tendência evangélica. ao mesmo tempo. se importa tão-somente com o que a Bíblia ordena. O pensador bíblico. pragmática. neste caso. As duas filosofias se opõem mutuamente no nível mais básico. porém tal amor é impossível dentro de uma teologia pragmática. Pode um bom fim ser anulado por um meio mau? Para a ética situacional.

O pragmatismo também foi a maior tendência da igreja ocidental na segunda metade do século vinte. Aceita como corretos e bons nossos alvos escolhidos. Além disso. onde às vezes a ignorância pretensamente se veste de autoridade espiritual. A Bíblia nos apresenta um conjunto de imposições morais que devem ditar o nosso modo de viver. Como corrente teológica. Deus é a pessoa central para quem todas as coisas convergem. Este mesmo escritor acrescenta. Se a eficácia se tornar o indicador do que é certo ou errado. Ao propor um antropocentrismo teológico. no pensamento do dinamarquês Soren Kierkgaard. como doutrina teológica ela comete erros graves. não há razão nenhuma no estudo da verdade. Qualquer tentativa de conciliar o relativismo com o cristianismo constitui irracionalidade e fraude. e está sempre reaparecendo na teologia contemporânea. O existencialismo é uma filosofia centrada no eu.36). Do mesmo modo. o estudioso A. Não há nenhuma possibilidade de ser um indivíduo cristão e ao mesmo tempo relativista.44-48). o relativismo também é uma afronta ao cristianismo. Se a verdade é apenas uma questão relativa. Em 1955. por sua vez. perdão e respeito mútuo. sem a menor dúvida nossa doutrina será diluída. o existencialismo se descaracteriza completamente como proposta bíblico-teológica. e não o homem (Romanos 11. mas extremamente absoluta que tem seu ápice na pessoa de Jesus (João 14.6). Com idéias que remontam ao Romantismo. mas parecem totalmente dominados por ele‖. é um fideísmo exagerado e anti-bíblico.W. e consequentemente. visto que as duas cosmovisões são mutuamente excludentes. e não apenas idéias pragmáticas e relativas (Mateus 5. o relativismo deve ser rejeitado por várias questões. não há verdade nenhuma. bem como na teologia de Friedrich Scheleiermacher. ao contrário do que ensina o relativismo. Porém. Qualquer filosofia de ministério do tipo ―fins-que-justificam-os-meios‖ inevitavelmente comprometerá a doutrina. Assim como o pragmatismo. Tozer discorreu sobre o futuro da igreja nestes termos: ―Digo sem hesitação que uma grande parte das atividades existentes hoje nos círculos evangélicos não são apenas influenciadas pelo pragmatismo. em tom de desabafo: ―A filosofia pragmática [.] não faz perguntas embaraçosas a respeito da sabedoria daquilo que estamos realizando ou a respeito de sua moralidade. todas as proposições de verdade são verdadeiras.. Se todas as reivindicações de verdade são de um mesmo valor. portanto. buscando meios e maneiras eficientes para alcançá-los‖. tem sua maior abrangência nos círculos místicos. Em última análise. Dentro de um sistema relativista o assassínio. de um modo quase profético. o estupro e o genocídio possuem o mesmo valor dos ideais cristão da caridade. se a verdade em moralidade é uma questão pragmática e relativa. o conceito de verdade para um pragmatista é moldado pelo que parece ser eficaz e não pela revelação objetiva das Escrituras. Essa tendência de interpretar a Bíblia em termos existenciais tem sua origem muito antes de Fletcher.. O positivismo. . a despeito de qualquer proposição em contrário. a única razão para ser bom é a vantagem que eu posso tirar da situação. a verdade não é uma questão relativa. o existencialismo é uma forte tendência na teologia contemporânea.

. expressando. No ano de 1969. Há quem relacione ao movimento outros dois nomes: Wolfhart Pannenberg. sem nenhuma dúvida. Revolution and the Future (Religião. Poderia haver sistema melhor para o homem natural? A conclusão quanto ao referido capítulo é aparentemente óbvia: qualquer teologia do tipo ―fins-que-justificam-os-meios‖ inevitavelmente comprometerá a doutrina. A chave central para entender a teologia futurista de Moltmann é sua idéia de que Deus está sujeito ao processo temporal. ele está determinado pelo futuro. Teologia da Esperança: Jurgen Moltmann e a análise escatológica existencial Em 1965. Nosso Deus será Deus quando cumprir suas promessas e com isso estabelecer o seu reino. que apresentaremos no capítulo seguinte. As implicações surgem em vários aspectos. O sistema ético situacional é um sistema que não pede nada em termos éticos e teológicos. ainda que seja possível fazer essa distinção. que saiu em inglês em 1967. no atempo. Em última análise. ao juízo. Entendendo a teologia futurista de Moltmann. Para Moltmann. Porém. porque ele é parte do tempo que avança para o futuro. 9. Deus não é absoluto. e sim quem ele será no futuro. Deus está presente na esperança. Deus não revela quem ele é. Desta forma. desde desonestidade a imoralidade sexual. a eternidade se perde no tempo. dentro da teologia cristã.2 Uma análise da nova moralidade religiosa. são produto da esperança. Deus está presente apenas em suas promessas. além de ser um ataque devastador aos teólogos existencialistas que argumentavam na linha de Bultmann. foi publicada a sua segunda obra. No cristianismo tradicional. Religion. A ética situacional elabora seu programa sem dar nenhuma atenção ao arrependimento. e Ernst Benz. Todas as afirmações que fazemos sobre Deus. a despeito de qualquer proposição em contrário. o futuro é a natureza essencial de Deus.8. à fé e à redenção. porém. em nosso estudo. a religiosidade idealizada pelo homem moderno. de Marburg. revolução e o Futuro). sem a menor dúvida nossa doutrina será diluída. entendemos que Pannenberg se encaixa melhor em outro movimento. Os teólogos receberam entenderam o livro de Jurgen Moltmann como sendo um chamado refrescante a uma maior valorização da escatologia. Neste processo. Robinson deixa a impressão de que o homem moderno é tão maduro que precisa de muito pouca – e talvez nenhuma – ajuda espiritual fora dos seus próprios recursos naturais. Deus não é plenamente Deus. não há como negar que esses homens possuem muitos aspectos em comum. Se a eficácia se tornar o indicador do que é certo ou errado. Deus e Jesus Cristo aparecem fora do tempo. de Munique. Na teologia de Moltmann. o conceito de verdade para um pragmatista/relativista é moldado pelo que parece ser eficaz e não pela revelação objetiva das Escrituras. um jovem teólogo alemão da Universidade de Tubinga fez ressoar a sua voz através de seu livro The Theology of Hope (A Teologia da Esperança). cujo teor repercutiu grandemente no mundo acadêmico.

toda teologia cristã deve modelar-se através da escatologia. A questão não é a violência em si. aberta à liberdade do futuro. o problema da violência versus não-violência recebe o nome de ―problema ilusório‖. A participação da igreja na sociedade poderá utilizar a revolução como meio apropriado. e sim olhar o nosso futuro ilimitado para o Calvário. Deus entrou no tempo. Não devemos olhar desde o Calvário para a Nova Jerusalém. Moltmann interpreta como aberta ao futuro. qualquer conservador certamente saberá reconhecer os erros patentes de Moltmann. para Moltmann. A idéia de Moltmann de considerar a Bíblia desde o começo como um livro escatológico pode parecer um atrativo para o cristão ortodoxo. e consequentemente o futuro se tornou algo desconhecido tanto para o homem como para Deus. A tarefa da igreja é não é apenas se informar sobre o passado para mudar o futuro. Afirma-se tradicionalmente que a ressurreição de Cristo é a base histórica da ressurreição final. e por isso. Moltmann diz que o homem não deve olhá-lo passivamente. O Cristo ressuscitado é ―as primícias‖ da ressurreição (1Coríntios 15. as categorias do passado devem ser descartadas.2). O presente em si mesmo não é importante.Segundo Moltmann. Porém. ele deve participar ativamente na sociedade. O importante é que o futuro se apodere da pessoa no presente‖.23. Neste avançar para o futuro. Porém. Para que o futuro se realize na sociedade. mesmo que ela não seja necessariamente o único meio. O futuro significa liberdade e liberdade é relatividade. aqui também pode ser vista uma profunda consciência para com o mundo. O principal propósito da igreja é ser o instrumento por meio do qual Deus trará a ―reconciliação universal e social‖. A ressurreição de Cristo é um fato histórico que atribui pleno significado ao nosso futuro. Realmente um assunto tão importante quanto a escatologia não deveria ocupar as últimas páginas em nossos livros de teologia sistemática. e sim se o uso da violência foi justificado ou injustificado. Ainda quanto ao futuro. Essa tendência pragmática em que os fins justificam os meios é uma tendência muito forte dentro da Teologia da Esperança. . Jesus ressuscitou dentre os mortos há quase dois mil anos com seu corpo físico? Para Moltmann essa é uma questão sem importância. Assim como na ―Teologia Secular‖. a questão da historicidade da ressurreição corporal de Jesus não é válida. Moltmann porém diria que a ressurreição final é a base da ressurreição de Jesus. A morte e ressurreição de Cristo são a garantia que Deus dá de que haverá ressurreição futura. bem como os horrores que traria a sua visão ética. O cristianismo evangélico relaciona intimamente a ressurreição de Cristo com a escatologia. É também ―pregar o Evangelho de tal forma que o futuro se apodere do indivíduo e lhe impulsione a agir de modo concreto para mudar o seu próprio futuro. At 4. Acontece que a escatologia para ele não significa a previsão tradicional da segunda vinda de Jesus. pois não existem formas ou categorias fixas no mundo. o começo da ressurreição final.

e mais filosófica que teológica. e quando lemos o seu segundo livro. ―Teologia da Esperança‖ nasceu de um dialogo com o ateu alemão Ernst Bloch. e rejeitou todo o conceito objetivo da história. pois no presente ele sequer é Deus. só existe no futuro. Ainda que Moltmann revista sua escatologia de conceitos bíblicos. mas ele acaba levando os conceitos barthianos muito mais longe. Apesar de todo esforço de Moltmann para produzir uma teologia bíblica. o de Moltmann.Objeções à Teologia da Esperança.7). A idéia que Moltmann tem da escatologia é destituída de base bíblica. Em seu afã de refutar as teologias não-ortoxas do seu tempo. mas Moltmann foi ainda mais além. no entanto. Pedro ou João. ele não admitia nenhum Deus eterno ou infinito. Como observou certo escritor: ―No monte sinai. Barth havia transcedentalisado a escatologia por meio do emprego da distinção entre Historie e Geschichte. e será introduzido por meio da proclamação do poder salvador de Jesus Cristo (Atos 28. A teologia de Moltmann tem maior dívida com Nietzche. Ela é antes. ela é a edificação da utopia na terra. O primeiro livro de Moltmann. segundo ele. o Reino de Deus traz a paz. mas Moltmann não permitua que Deus lhe dissesse o mesmo. Deus disse a Moisés: Eu sou o que sou. em um homem que observa o futuro e age na sociedade.30-31). o Reino de Deus é. porém. no entanto. e não a guerra (Romanos 14. no entanto. Moltmann critica muitos conceitos neo-ortodoxos. seu sistema nada mais é do que uma teologia centralizada no homem. A meta do futuro de Moltmann não é a plena manifestação da glória de Cristo. vemos que nesse intercâmbio. . Quanto ao conceito de Deus. a teologia de Moltmann destruiu até mesmo a possibilidade de haver história. O Deus da Bíblia existe de eternidade a eternidade. seu sistema está mais fundamentado no marxismo do que em Cristo. esse reino é também uma realidade terrenal e tangível. o Reino de Deus. Para ele. é descrito na Bíblia como celestial. o Reino de Deus é trazido por meio da revolução. com Overback e com Feurbach do que com Paulo. Para Moltmann. Essa teologia do Deus finito e temporal. Ela é mais marxista que bíblica. não pode ser teologia bíblica. Moltmann assimilou muitas idéias de Bloch. Deus se tornou finito e aberto a um futuro desconhecido. no final. o Reino de Deus se introduz na terra por meio da política e da revolução. um tropeço. Se por um lado a dialética de Barth acabou com a possibilidade da relação entre história e fé. Moltmann ultrapassou o limite do bom senso e acabou por propor uma teologia quase tão nociva quanto aquela a que ele se dedicou a refutar. segundo a Bíblia. Ao entrar no tempo. e que ainda incita a rebeldia e a revolução. um escândalo e uma nociva ameaça à sã doutrina. Para Moltmann. Para o apóstolo Paulo.

Teologia da história: Wolfhart Pannenberg e a teologia histórica da ressurreição. Ele não consegue assimilar as idéias dialéticas. Por exemplo: Moltmann não está tão interessado em alicerçar a fé na história. Os dois também falam da ressurreição de cristo como um tema central da fé cristã. Neste sentido. A questão da fé relacionada à história. Moltmann está muito mais vinculado a Bultmann que a Pannenberg. Outra diferença entre ambos está no modo de entender a fé: Para Pannenberg. ao ponto de certo crítico afirmar que ele foi o primeiro teólogo alemão contemporâneo a romper totalmente com os pressupostos dialéticos barthianos. . seria incorreto agrupar os dois na mesma escola de pensamento. Apesar do caráter particular da sua obra. e ainda os dois mundos propostos por Kant: o dos fenômenos e o mundo numenal . na Alemanha. além do esforço por refutar os pressupostos existencialistas de Bultmann. nem com suas idéias de revolução social. As supostas diferenças entre Historie e Geschicthe. enquanto Moltmann descarta qualquer interesse pela ressurreição corporal como sendo algo impertinente.10. por outro lado há diferenças importantes entre esses dois esquemas teológicos. isso porque. Pannenberg também não compartilha dos pressupostos marxistas de Moltmann. há quem associe a este círculo o nome de Jurgen Moltmann. É verdade que Pannenberg compartilhem algumas idéias comuns. porém. Pannenberg reconhece a realidade histórica da ressurreição como algo crucial para a compreensão do Novo Testamento. No final da década de cinqüenta se podia facilmente perceber o surgimento de uma nova escola de interpretação teológica. o maior nome dessa nova escola foi sem dúvida o de Wolfohart Pennenberg. acusando-o de proteger sua teologia. na visão de Pannenberg são ―um clamor sem sentido‖. jovem professor de teologia sistemática da Universidade de Mainz. escondendo-a dos ataques da história. tanto que esse grupo de jovens teólogos e a nova escola ganhou o epíteto de ―círculo de Pannenberg‖. Pannenberg apresenta uma forte resistência às idéias de Rudolf Bultmann. entre o Jesus histórico e o Cristo Kerigmático. mesmo com tal similaridade de interesses. como o interesse pela relação entre a história e a fé. A fé não pode ser separada de sua base e conteúdo histórico. a fé está relacionada com o passado. Wolfhart Pannemberg. foi o responsável por dar uma forma mais sistemática ao que posteriormente se convencionou chamar Teologia da História. Ele também se opõe à Karl Barth. ou Teologia da Ressurreição. Klaus Koch e Rolf Rendtorff. Porém. principalmente por seu conceito de redução da história à experiência individual. Em sua teologia. Esta nova ênfase podia ser claramente percebida nas teses de doutorado de jovens professores como Ulrich Wilckens. A pregação da ―Palavra de Deus‖ é uma afirmação vazia se não estiver relacionada com aquilo que realmente aconteceu. enquanto Moltmann a relaciona com o futuro. se por um lado há um ponto de contado entre os dois. As idéias de Pannenberg foram revolucionárias em seu tempo. o desejo de uma orientação teológica escatológica e principalmente a ressurreição de Cristo. Porém.

caso o túmulo de Jesus não estivesse. para Pannenberg. vazia. O túmulo vazio é um fato histórico e aliado à mudança repentina que ocorreu nos discípulos. A fé é. a ressurreição foi um fato histórico. como afirma a escola Heilsgeschichte. antes. Não existem partes específicas na história. Eles também não teriam nenhum benefício em inventar uma mentira de tamanha proporção. Ele afirma ainda que esta história na qual se dá a revelação. Ele diz estar convencido não só de que a crença da igreja na ressurreição não é um mito pré-fabricado. em oposição clara e aberta com a escola Heilsgeschichte. mas ninguém se atreve a questionar a realidade do túmulo vazio. por meio dos sucessos históricos. é uma forte evidência de que Jesus realmente ressuscitou corporalmente. não devemos fazer distinção entre história salvífica e história secular ou profana (distinção comum tanto na Heilsgeschichte como nas teologias existencialistas contemporâneas). Para ele.O conceito de revelação e fé em Pannenberg. e sim mediata. como ensinou Bultmann. A única explicação satisfatória para a repentina mudança que ocorreu nos apóstolos é exatamente a ressurreição corporal de Cristo. Difernte de Moltmann e dos outros teólogos existencialistas. Segundo ele. Pannenberg não busca desmitologizar a ressurreição. Além disso. isso porque. 11. Pannenberg insiste em que a revelação de Deus não chega ao homem de forma imediata. . toda história é algo plenamente conhecido e até mesmo ordenado por Deus. O conhecimento histórico é a única base da fé. Esta revelação histórica está ao alcance de todo aquele que tenha olhos para ver. uma vez que os atos salvíficos de Deus realmente aconteceram e tem o seu lugar na história. a revelação se dá exclusivamente por meio de atos históricos. a comunidade cristã primitiva não teria conseguido sobreviver. portanto. pois estes estavam muito desanimados após a morte de Cristo para chegarem sozinhos à conclusão de que Cristo ressuscitou. como também de que ela é historicamente demonstrável. ou ramificações dentro da história. o conhecimento da verdade histórica. A explicação inventada pelos judeus para refutar a ressurreição é que os discípulos roubaram o corpo. de fato. Ele se recusa a explicar os relatos evangélicos da ressurreição como fruto da imaginação dos apóstolos. não é uma revelação especial que só pode ser compreendida pela fé. Pannenberg e a ressurreição de Cristo.

Seu sistema é mais ortodoxo que o proposto pelos existencialistas e nos faz lembrar que. essa visão que ele possui da Bíblia tem levado muitos a relacionar o seu nome com a crítica histórica e com o próprio Bultmann. Ele não confere à toda Bíblia o status de revelação divina. embora Barth e Bultmann hajam tido debates acirrados. ele parece tirar a fé das mãos do crente simples e colocá-la nas mãos do teólogo experiente. elas apenas podem crer quando ouvem e confiam no relato de um perito em história cristã. uma ameaça à própria revelação. Se a fé está baseada exclusivamente no conhecimento da história e esta é o seu único fundamento. Os críticos de também parecem indicar que. Ainda que Pannemberg ataque as posições de Barth e Bultmann no que concerne à relação entre fé e história. Ao refutar a idéia neo-ortodoxa de que a revelação só se transforma em verdade para as pessoas por meio de uma aceitação pessoal. Ela é uma brilhante defesa apologética em favor do cristianismo histórico. Ambos advogam uma teologia dialética que sufoca tanto a revelação histórica como o caráter universal do cristianismo. Com isso. Porque foi que quando Paulo pregou em Atenas uns creram e outros zombaram? A teologia de Pannenberg é muito mais do que uma simples escola de interpretação. ela é revelação. Pannenberg não pôde explicar de modo satisfatório a razão da incredulidade. Ao fazer que a fé dependa exclusivamente da história. não são capazes de crer por si mesmas. sobre esta base. . Pannenberg leva-nos a concluir que as pessoas simples e sem condições para efetuar uma pesquisa investigativa. de fato. que garante a confiabilidade da informação. mesmo quando o homem não se interessa ou busca compreendê-la. Uma e outra vez ele insiste em que o nascimento virginal é um mito. há muitos aspectos em que ele parece mais um herdeiro da neoortodoxia que seu oponente. Além disso. Ele também está de acordo com Bultmann em que os títulos que expressam a divindade de Jesus foram criados pela igreja primitiva. Pannemberg também ressalta que a falta de uma revelação objetiva da neo-ortodoxia é.Objeções à teologia de Wolfhart Pannenberg. Sua teologia também é importante porque ressalta ao mundo que a fé cristã é a única verdade universal. não existe grande diferença entre seus sistemas. Embora o mesmo ocorra no pensamento de Agostinho e até mesmo de Lutero. Pannenberg destaca que a revelação não se torna revelação quando é compreendida. dando a entender que algumas partes são mais importantes que outras.

12. Sua influência pode ser percebida até mesmo nos países que compõem o nosso terceiro mundo. curva a que devem seguir todas as linhas‖. Para descrever a etapa seguinte. que significa a ―camada mental‖ da terra. esses livros suprimidos durante toda a sua vida começaram a aparecer. e também é chamada de hominização. publicou uma obra meticulosa sobre Teilhard. O ponto de partida do pensamento teológico de Telhard é a evolução. este teólogo foi impedido de publicar seus livros. Esta é a fase da história evolutiva da terra aparece a vida biológica na terra. Sua destacada personalidade e seu caráter humanitário podem ser percebidos por qualquer pessoa que o tenha conhecido ou lido algo acerca da vida deste destacado sacerdote católico. permaneceu fiel a sua ordem durante toda vida. Muitos fatores ajudam a explicar a repentina popularidade que alcançou a teologia de Teilhard. A terra. foi formada ente cinco e dez milhões de anos e desde então vem se desenvolvendo através da evolução. Suas idéias lograram arrancar elogios até mesmo de Dom Hélder Câmara. fundador de um sistema teológico que ficou conhecido como teologia da evolução. que apesar das restrições que o Vaticano impôs aos seus livros. Teologia da Evolução: Teilhard de Chardin e o darwinismo teológico. com o que ele alude que na evolução existe uma tendência por parte da matéria. estudioso equatoriano. Essa noosfera nada mais é do que o surgimento do homem pensante sobre a terra. Ele admite que a terra veio a existir por meio de um lento processo. Francisco Bravo. Porém. pode ser resumido como consta no seguinte esquema: Partículas elementares (chamadas de Ponto Alfa) => Átomos => Moléculas => Células Vivas => Organismos Pluricelulares. que pode ser descrito na seguinte ordem: Barisfera (época da ―terra derretida‖) => Formação da crosta => Formação da água e do ar => Formação da atmosfera. em 1920. ou biosfera. arcebispo do Recife. Seus conhecimentos de geólogo e paleontólogo são grandes atrativos para o mundo científico. o processo evolutivo adquire consciência de si mesmo. segundo ele. Chardin criou o termo noosfera. . alguns dos seus comentaristas mais apaixonados são cientistas e teólogos protestantes. Um dos acontecimentos religiosos que mais despertaram o interesse dos teólogos no fim da década de cinqüenta foi a popularidade póstuma do cientista e místico jesuíta Pedro Teilhard de Chardin (1881-1955). Durante sua vida. Esta é a etapa mais importante na história do mundo. O processo. segundo ele. Embora ele tenha sido um teólogo católico. considerados pela igreja católica como sendo nocivos e de conteúdo herético. Este processo evolutivo avança segundo o que Teilhad chama de ―lei da consciência e da complexidade‖. a qual ele chama de ―luz que ilumina todos os fatos. Nesta fase. Conhecendo a proposta teológica de Teilhard de Chardin. que a faz tornar-se cada vez mais complexa. quinze anos depois da sua morte.

Ele vê todo o processo evolutivo que começa com as partículas. a teologia de Teilhard Chardin parte do pressuposto de que o homem alcança sua verdadeira dignidade e plenitude espiritual por meio do processo evolutivo. . segundo ele. Esse movimento para o centro. é o processo de amor. Os princípios de Teilhard de Chardin apresentam várias dificuldades para o crente ortodoxo. sendo ele a afinidade do ―ser‖ com o ―ser‖. O Cristo de Teilhard é o reflexo no coração do processo do ponto Ômega. mas nenhuma dessas concessões desabilita o esquema de criação conforme narrado em Gênesis. é também contrária a Bíblia. Assim sendo. Sua ênfase na personalidade autônoma que. a teologia evolucionista deste teólogo descaracteriza a criação.28). Assim como as teorias evolutivas seculares. Na teologia darwiniana de Teilhard. Ao contrário disso. Principais objeções a teologia evolucionista de Chardin. mais que a causa eficiente do universo. e sim propriedade geral de toda a vida. e o universo se auto-realiza em Cristo. os fragmentos do mundo se buscam para que o mundo possa chegar a ―ser‖. diferentes tons de pele. na qual cada um dos elementos alcançará sua consumação. fazendo diferenciação entre microevolução e macroevolução. ou seja. O amor. Nesta etapa. Cristo é o centro do processo evolutivo e o seu princípio básico.21-25). a união sobrenatural de todas as coisas em Deus. numa forma superior de panteísmo. e se encontra no final do processo. Microevolução é a mutação que ocorre dentro das espécies e seria o fator responsável pelas diferentes raças de cães. segundo a qual o aperfeiçoamento advém da comunhão com Cristo Jesus. e criando cada ser em conformidade com a sua espécie. Assim como todas as teorias evolucionistas seculares. Sua teologia é o reflexo do pensamento naturalista do seu tempo. Teilhard começa a se apoiar na teologia para predizer o futuro da evolução. tal como aparece na Bíblia. etc. ao mesmo tempo que o universo. dando a perfeição a todas as coisas. Por meio de um ato pessoal de comunhão. Isso também é contrário a doutrina da graça.Nessa etapa de sua teoria evolutiva. o ponto Alfa. para Teilhard. a expectativa da unidade perfeita. não é exclusividade humana. Sua linguagem é obliqua e seu esforço hercúleo para fazer de Cristo o centro da evolução é desonesto e contraditório. Movidos pelas forças do amor. Deus vem a ser a causa final. Deus será tudo em todos (1Coríntios 15. Dessa síntese filosófico/naturalista procedem as demais divergências de Teilhard com a teologia ortodoxa. Há muitos teólogos contemporâneos que concordam com a teoria da antiguidade da terra. desde Kant aparece e reaparece na teologia contemporânea. e com a evolução das espécies à partir das espécies criadas por Deus (Gênesis 1.. Cristo incorpora em si o ―psiquismo‖ total da terra. a teoria de Teilhard é macroevolucionista e negligencia completamente o ponto mais básico da criação que é Deus fazendo todas as coisas do nada pela sua palavra. e converge no que ele chama de Ponto Ômega.

elaborada pelo famoso matemático e filósofo. Talvez essa seja uma das razões da sua difusão rápida. a doutrina bíblica do juízo quase não se vê na obra de Teilhard. A teologia de Chardin não permite que a graça seja graça. a teologia da evolução de Teilhard é demasiado otimista. para ele. Em segundo lugar. Ele divaga pela senda do universalismo e do panteísmo. Charles Hartshorne e a Teologia do Deus Finito De origem norte-americana. o resultado de tal união é a perda tanto do mundo. 13. a teologia do processo também toma por empréstimo alguns pressupostos de uma vertente filosófica contemporânea. A idéia de Teilhard de união do universo com Cristo. elaborou sua filosofia em torno de algumas idéias de Charles Darwin. como de Cristo. A teologia da evolução. sendo que o universo representa o corpo orgânico de Cristo ainda em evolução. O mal. morte. chegando ao ponto de afirmar que a evolução é ―o sucesso mais prodigioso que a história jamais se referiu‖. a filosofia do processo. da Universidade de Chicago. Ele se emociona tanto com a evolução que se esquece que. solidão e angústia. . segundo a fé cristã.Como todas as teorias evolucionistas. e nem permite que o pecado seja pecado. Por essa mesma razão. a cristologia de Chardin transforma o Cristo da Bíblia em um Cristo cósmico. Alfred North Whitehead (1861-1947). e não a teoria da evolução. prometendo um final feliz para todos. Não há como sustentar esse sistema teológico sem perder a identidade cristã. tal união tem como conseqüência lógica a deificação da criação (panteísmo). que por sua vez. Charles Hartshorne. A proclamação da evolução constante por parte de Chardin nunca se vê alterada pela realidade bíblica do pecado no homem. apresenta dois grandes inconvenientes: Primeiro. A teologia do processo como escola teológica é uma tentativa de restabelecer a doutrina de Deus em um mundo extremamente cético.Teologia do Processo: Dr. bem como as teorias evolucionistas seculares. Teilhard foi um homem totalmente deslumbrado com as teorias científicas do seu tempo. Em última análise. sem fazer nenhuma alusão à graça de Deus. a saber. essa nova escola teológica tem como seu maior expositor o professor Dr. é antagônica a Bíblia. Assim como as outras teologias radicais surgidas no século vinte. através da desordem material. o maior sucesso da história é a vinda de Cristo. é uma superabundância da estrutura de um mundo em evolução. que se manifesta em planos diferentes. O homem moderno está disposto a aceitar qualquer tipo de droga entorpecente que se apresente sob o pseudônimo de ciência.

a teologia do processo tende à dissipar a idéia de Deus como ser pessoal. é ―co-criador‖ do universo. não há certeza alguma quanto aos eventos futuros. O legado kantiano. reduzindo-o a um mero conceito panteísta. Whitehead lhes serve como ponto de partida. Os filósofos antigos desenvolveram seus sistemas em torno da idéia de que o mundo era algo fixo. Schubert Ogden e John Coob Jr. segundo Whitehead. tanto na história como na natureza‖. pois uma vez que não há um Deus soberano e onisciente. está bem latente na filosofia de Whitehead. Essa tendência teológica torna injustificável a escatologia. Assim como na teologia de Paul Tillich. uma coexistência de ordem e liberdade na qual o homem participa para criar o futuro. em que o ser incluía o porvir. o que reduz o cristianismo bíblico a uma mera versão panteísta de religião.. ―não é um ser. Deus. segundo a teologia do processo. como se pode observar. isso porque tanto ele quanto Whitehead assimilam idéias evolucionistas. Os teólogos do processo também comprometem a soberania de Deus. ―é a visão de algo que está além. Assim como na filosofia kantiana. possuí-la é o bem último. Deus. ―Deus literalmente contém o universo‖. devemos demonstrar a realidade objetiva de Deus através de uma metafísica racional. As idéias de Chardin também são muito parecidas com a dos teólogos do processo. atrás e dentro do fluxo passageiro das coisas imediatas. emergindo sempre em tudo. a teologia do processo descaracteriza Deus. . e mesmo assim. estando sempre em constante processo de transformação. para ele. A criação de Deus é um processo contínuo. Nesse sentido. o teólogo do movimento. Com isso. A religião. Segundo ele. e sim uma força dinâmica por detrás da evolução. Associado com teólogos radicais de língua inglesa como Norman Pittenger.Pressuposições da Teologia do Processo. Daniel Day Willlians. reduzindo Deus à uma força que existe como o aspecto principal de todas as coisas. Desse modo. na teologia do processo também há um grande apelo à autonomia e a liberdade humana. algo que é real e ao mesmo tempo espera por realizar-se. o livro de apocalipse e as profecias bíblicas perdem todo o sentido. até Deus está sujeito ao porvir (um conceito semelhante ao do teísmo aberto e da teologia da esperança). está além do nosso alcance‖. algo que é uma possibilidade remota e mesmo assim é o maior de todos os atos presentes. Objeções à teologia do processo. o grupo está convencido que para responder à ―Teologia da Morte de Deus‖. Whitehead desenvolveu seu sistema ao redor da idéia de que o mundo é dinâmico. Harthshorne desenvolveu ainda mais a filosofia de Whitehead e aplicou suas conclusões no cenário teológico. Nas palavras de Hartshorne.

Como se pode perceber. e não somente isso mas também retira o próprio Deus Soberano do cenário e introduz em seu lugar uma divindade caricata. pois parece altamente improvável que um ser que não tenha presciência plena dos contingentes futuros saiba o que acontecerá. Ele é um homem em quem Deus atuou. Há um abandono do sobrenatural. e o Deus vivo da Bíblia fica submerso em termos imanentes‖. uma intervenção direta no livre-arbítrio humano. de que maneira qualquer uma das profecias preditivas das Escrituras poderia ser qualquer coisa além de probabilidades? A teologia do processo aniquila a fé que o crente tem em Deus. fala e atua por conta própria. a teologia do processo põe em risco a credibilidade das Escrituras. A Bíblia na afirma categoricamente: “Deus não é homem para que minta”. dentro da teologia do processo é ―uma seqüência de experiências pessoalmente ordenada‖. também é insustentável porque tal ato seria uma coerção divina. também na teologia do processo há uma tendência em reinterpretar os milagres da Bíblia em termos existenciais. Um evento tal como esse acabaria por forçar nossa vontade. segundo os teólogos do processo. em sua teologia o mundo se torna necessário para que Deus exista. um conceito mental tomado à partir de analogias da experiência humana. Sua cristologia também é bastante confusa. mas se Deus é ignorante em relação a grandes períodos da história futura. [na teologia do processo] a criação se transforma em evolução. o Deus pessoal da Bíblia que se auto-revela. como pode fazer predições sobre o futuro? A conseqüência lógica do seu sistema é que não pode haver predição ‗cem por cento‘ segura na Bíblia. Cristo aparece mais como um ―símbolo‖ da atividade divina na terra do que como uma intervenção divina no curso desse mundo. pois se Deus não tem nenhum conhecimento dos fatos ainda não ocorridos. mas suas conclusões o dissociam do Deus encarnado. a redenção se transforma em relação e a ressurreição se transforma em renovação. Ao negar o conhecimento que Deus possa ter de fatos ainda não ocorridos. a teologia do processo está muito mais fundamentada em hipóteses filosóficas do que naquilo que a Bíblia realmente diz.Ainda que muitos teólogos do processo se neguem a admitir que descrevem Deus em termos panteístas. esse biblicismo é apenas aparente. Como podemos ver. e manifesta seus designos de forma inteligente. os milagres desaparecem. o mundo também condiciona as atividades de Deus. penteísta e consequentemente. finita. Além disso. impotente. A doutrina da ressurreição. Como disse Carl Henry: ―apesar de todo esforço. . Mesmo que a teologia do processo tenta dar um ―toque bíblico‖ em sua teologia. Dessa forma.

Se por um lado a filosofia naturalista não pode responder os questionamentos do homem. Tillich é mesmo uma figura controversa. 14. Embora fosse um homem de grande erudição. O fato é que Tillich se valeu das elucubrações de ambas as partes. Tendo fugido da tirania de Hitler em 1933. apesar das semelhanças. Ele se situa exatamente no centro. Paul Tillich se tornou professor do Union Theological Seminary. Sua profunda erudição e seus conhecimentos de história. Apesar de não ter formado uma escola específica. à saber: Barth e Bultmann. e talvez. coletando ―supostamente‖ o que havia de melhor nessas duas escolas. por essa razão. no entanto. A mensagem do cristianismo surge como ―um conjunto de verdades sagradas que apareceram em meio à situação humana como corpos estranhos procedentes de um mundo estranho‖. em Nova Iorque. Há pelo menos três grandes vultos teológicos do século vinte.Teologia do Ser: Paul Tillich e a fronteira entre o liberalismo racionalista e a teologia existencialista. Pressupostos da teologia de Paul Tillich. Na América do Norte. o ―sobrenaturalismo do cristianismo histórico‖ é muito transcendente para que o homem possa encontrar nele a resposta. ele é mencionado em conjunto com Barth e Brunner. O teólogo Willian H. a teologia. entre a crítica destrutiva da desmitologização e o existencialismo neo-ortodoxo. Já apresentamos dois deles. psicologia. filosofia. segundo ele. Paul Tillich. Há quem pense que seu existencialismo teológico tenha surgido nesse período e especificamente por causa dos horrores da guerra. dedicou seu tempo para ajudar os refugiados da Europa. Porém. Na Europa ele é considerado um liberal e ferrenho opositor de Barth e Brunner. Sua experiência como capelão no período da guerra fez com que ele tivesse uma vívida impressão dos problemas sociais. sua intelectualidade não o privou de prestar importantes serviços sociais e religiosos. não formou especificamente uma escola teológica específica. por outro lado. e é isso mesmo que ela é. ele argumenta que deve haver uma correlação entre os problemas do homem e a fé cristã. Ao chegar nos Estados Unidos. arte e análise política. apelido pelo qual é conhecido hoje nos círculos acadêmicos. Exerceu capelania durante os quatro anos da Primeira Guerra Mundial e participou do Movimento Socialista Religioso na Alemanha. ele é considerado como pertencendo a escola neo-ortodoxa e em alguns círculos teológicos. mas tal comentário será sempre especulação. Queremos agora apresentar o terceiro deles. lhe renderam o título de ―teólogo dos teólogos‖. Hordern define a teologia de Paul Tillich como sendo ―a fronteira entre o liberalismo e a neo-ortodoxia‖. é provável que somente Rudolf Bultmann tenha exercido uma influencia igual no cenário teológico mundial. Como encontrar a verdade? E de que modo podemos construir uma teologia? . além de sua especialidade. Tillich desenvolveu um sistema teológico que resiste a qualquer rótulo. neo-ortodoxa e liberal. Falando do ―princípio de correlação‖. Parte da popularidade de Tillich nos círculos acadêmicos deve-se a sua profunda preocupação em encontra alguma forma de relacionar a mensagem da Bíblia com as necessidades do século vinte.

pois mesmo que o considerássemos como o ser mais elevado. começamos definindo a religião. Nossa preocupação é essencial quando ponderamos sobre aquilo que é a soma da nossa realidade e a estrutura e objetivo da nossa existência. Quanto ao pecado. afirmar a existência de Deus é tão ateu quanto negá-la. A justificação também não é um ato soberano de um Deus pessoal. paradoxalmente não é nem uma coisa nem um ser. segundo ele. O relato da crucificação é mencionado como lendário e contraditório. significa simplesmente que Jesus foi restituído à sua dignidade na mente dos discípulos. Ele esta além do ser ou das coisas. no qual se dissolve toda alienação que tenta diluir a unidade do homem com Deus. mas também sem sentido. Por isso. A regeneração é descrita por ele como ―ser incorporado na Nova Realidade manifesta em Jesus‖. A religião não é apenas uma questão de ter determinada crença ou praticar certas ações. A ressurreição. Nós nos preocupamos essencialmente quando ponderamos sobre aquilo que tem o poder de destruir ou de salvarnos. A responsabilidade pelas tensões da vida moderna não está relacionada a um conceito clássico de pecado. o homem é religioso quando está ―essencialmente preocupado‖. A preocupação essencial é aquela que tem prioridade sobre todas as preocupações da vida. . Ele é a resposta simbólica do homem para a sua busca de bravura para superar as situações que o limitam. Tillich o define em função do ser e da alienação do Ser. O pecado é a alienação do fundamento do nosso ser. o que seria uma explicação superficial e simplória. Essa preocupação essencial é o que determina nosso ser ou o não-ser. mas também o poder de Ser por si mesmo. O essencial é o próprio Ser. e isso foge a nossa compreensão. A palavra ―símbolo‖ é resultado do repúdio de Tillich por qualquer interpretação ortodoxa acerca da pessoa e da obra de Cristo. Este Ser (com maiúscula). Em sua cristologia. Essa preocupação. isso porque o Ser transcende à existência. As descrições da salvação em seus aspectos. ou aquilo que tradicionalmente chamamos de Deus. Cristo é o símbolo do ―Novo Ser‖. segundo ele.Para Tillich. Ela se resume na entrega total de nosso ser. a afirmação ―Deus se fez homem‖ é uma afirmação não apenas paradoxal. como portador do ―Novo Ser‖. A santificação é o processo através do qual o Novo Ser transforma a personalidade e a comunidade fora da igreja. tais como o ser e o não ser que tanto o angustiam. tem o poder de elevar o homem sobre si mesmo. em que se rompe a distância. tais como justificação. Segundo ele. Para Tillich. para Tillich. Deus não é apenas o Ser. regeneração e santificação também estão sujeitas à reinterpretações. Não podemos compará-lo a nada a fim de definilo. o estaríamos reduzindo a um objeto e uma criatura. ele define Jesus como o símbolo no qual se supera a alienação. e sim uma palavra simbólica que indica que o homem é aceito apesar de si mesmo.

sutil e tremendamente criativa. entre elas a sua rejeição da Bíblia como palavra de Deus. exceto pela sua afirmação de que só ele foi e é o Cristo. Seguindo os moldes neo-ortodoxos e liberais. ―sua maior falha foi substituir a Palavra de Deus pela palavra do homem‖. Também não conseguimos entender que tipo de Deus pode estar além da transcendência. temos a impressão de estar diante de um incrível tratado teológico produzido por uma mente enciclopédica. A soteriologia de Tillich não tem significado concreto. não há mais distinção entre Criador e criatura. Essa teologia diluída poderia ser bastante aceitável para um budista ou um hindu. As vezes essa tradução nos ajuda a ver as coisas sob uma luz mais clara e profunda. No sistema dele. e sim uma ―tradução‖ da linguagem teológica em termos teosóficos e ontológicos. A Bíblia. Sua cristologia também é uma fraude. O conceito de ―Ser‖ que Tillich apresenta se assemelha muito mais a um aspecto desse mundo do que existe por si só e independe de sua criação. pode até aparecer. . não é aplicável aos problemas da nossa época. Sua doutrina definitivamente não é doutrina bíblica. ele argumenta que a Bíblia. Não entendemos o porquê Paul Tillich insiste em empregar a palavra Deus com sentido cristão. Tillich utiliza a filosofia para analisar os problemas mais profundos da existência do homem contemporâneo. No entanto. porém na maioria das vezes. O ―princípio da correlação‖ de Tillich afirma que a filosofia pode dar-nos uma analise adequada da situação humana. sua tradução faz violência tanto ao Espírito quanto à letra que ele traduz. Quando nos deparamos pela primeira vez com a obra de Paul Tillich. a maior falta dele não foi substituir a teologia pela filosofia. nesse caso. exceto como um símbolo a mais para descrever uma situação existencial que não tem relação com o Deus Vivo. precisa. Por esta causa. sua teologia não é especificamente cristã. Deus é um poder racional que penetra a profundidade do ser. Como escreveu o crítico Kenneth Hamilton. Religiosos de ambos os grupos certamente abraçariam com alegria seus pressupostos. o que faz dele um absoluto nada. e que não é nem sobrenatural nem natural. mas não é uma pessoa que se comunica ou com quem possamos ter comunhão. interpretada da maneira tradicional. Há várias objeções que se pode fazer à teologia de Tillich. Tillich reduz Jesus a um mero símbolo. No entanto. mas estará sempre em plano secundário. Sua idéia de Deus não é trinitária e nem pessoal.Objeções à teologia de Paul Tillich.

Cristo não ressuscitou. também Cristo não ressuscitou. e talvez o leitor nunca se depare com os problemas aqui levantados. ou quase nula. E. E. é a Teologia da Libertação. é vã a vossa fé.Vemos em Paul Tillich um sério compromisso com a filosofia existencialista. Até aqui a nossa abordagem tem sido principalmente teórica. Se por um lado Tillich é considerado excelente erudito (e eu diria até um bom filósofo). Teologia da Libertação: Uma resposta teológica à crise econômica e social LatinoAmericana. Porque. quase não vemos influência desses movimentos. sua interpretação meramente existencial do cristianismo faz dele um teólogo ruim. e cujos pressupostos tem de alguma maneira modelado a forma de fazer teologia no Brasil. se Cristo não ressuscitou. Ao negar a historicidade dos fatos narrados no Novo Testamento. ele lança tantas dúvidas acerca dos milagres e da ressurreição que de nenhuma maneira. Não sei ao certo como Paulo argumentaria com Tillich. a ocorrência literal dos milagres e o maior milagre do cristianismo: a ressurreição. à partir desse capítulo. E ainda mais: os que dormiram em Cristo pereceram. e somos tidos por falsas testemunhas de Deus. se é certo que os mortos não ressuscitam. mas creio que seria algo assim. a vossa fé. ao qual ele não ressuscitou. se os mortos não ressuscitam. Porém. conforme já foi dito no capítulo primeiro. passando pelas principais escolas teológicas da era contemporânea. A primeira dessas três escolas.13-19). Tillich remove o fundamento e a esperança da fé cristã. Temos analisado as doutrinas dessas escolas e em nenhum momento fugimos da responsabilidade de apresentar o nosso parecer. sua teologia pode ser chamada cristã. Muitos dos programas teológicos até aqui apresentados foram postos em caráter de informação. segundo os princípios paulinos. Assim como Bultmann. apresentada por nós no capítulo dez sob o título de ―teologia do processo‖. se não há ressurreição de mortos. a não ser um ou outro incidente recente de pastores que abraçaram a teologia relacional. . da perspectiva ortodoxa. ao mesmo tempo em que podemos perceber seu particular descaso para com a Palavra de Deus. porque temos asseverado contra Deus que ele ressuscitou a Cristo. A análise que fazemos dessas propostas teológicas encontra seus pressupostos na ortodoxia bíblica. Se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida. então. Apesar da relevância dos problemas até aqui levantados. Imagino o que diria o apóstolo Paulo a um pregador como Paul Tillich: ―E. de origem netamente Latina. 15. se Cristo não ressuscitou. Nas comunidades eclesiásticas brasileiras. somos os mais infelizes de todos os homens‖(1Coríntios 15. e vã. é vã a nossa pregação. e ainda permaneceis nos vossos pecados. onde o liberalismo teológico e o naturalismo têm estado ativo e presente. salvo nas esferas seculares. abordaremos três correntes teológicas cuja presença é marcante no Brasil. a influência dessas escolas teológicas na nossa teologia e em nossas denominações é pequena.

Nas décadas de 60 e 70. ―exploração‖. A palavra. uma mudança radical nas estrutura. e sim os ideais do marxismo. onde quinhentos em cada mil crianças morrem antes de completar um ano de idade. As palavras chaves para entender essa teologia social são ―revolução‖. política e econômica que lhes é imposta. A teologia da libertação e a revolução social. sacerdote colombiano que morreu em um tiroteio como membro da guerrilha de Che Guevara. ao ponto de alguns considerarem Camilo Torres. para se interarem da dominação social. Para eles. o problema da violência e da não-violência é um problema ilusório. e oitenta por cento da população vive com uma renda de oitenta dólares por ano. resultante da criação contínua de uma nova maneira de ser e de uma revolução permanente. não está subentendida a obra de Cristo por nós. Ele foi a maior fonte de inspiração e o impulso motor dessa nova tendência teológica. animados pela política mais aberta do Vaticano II. Richard Shaull. e mais laica e prática. ―dominação estrangeira‖. o ambiente teológico da América Latina passou por sérias transformações. Libertação social para melhores condições de vida. como se pode deduzir dessas linhas. Hugo Assman e Gustavo Gutiérrez Merino. sendo o cerne dessa conscientização o despertar da consciência das massas miseráveis que vivem a cultura do silêncio. se empenharam em buscar uma teologia que pudesse resolver os conflitos sociais da América Ibero Hispana. O padre Camilo costumava dizer que ―cada católico que não é revolucionário e não está do lado da revolução comete pecado mortal‖. protestantes como Rubem Alves. Em meio a uma estrutura social em que um homem velho morre aos vinte e oito anos. a voz revolucionária começou a clamar em favor das massas. onde os estudantes que protestam são torturados. Qualquer semelhança com os conhecidos jargões do comunismo não é mera coincidência. Os teólogos da libertação se declararam várias vezes favoráveis a luta armada. O ambiente no Brasil e na Argentina era de ditadura. os teólogos da libertação são bem pragmáticos. Sob a palavra ―libertação‖.Contextualizando a teologia da libertação. Na questão da violência. Católicos romanos como Juan Luís Segundo. ―capitalismo‖ e ―proletariado‖. . Os teólogos que viveram esse período foram levados a formular uma teologia que fosse menos acadêmica e teórica. os meios se fazem necessário. Libertação pedagógica para uma consciência crítica através do que o pedagogo brasileiro Paulo Freire chamou de ―conscientização‖. ―libertação‖. Apenas existe a questão do uso justificado ou injustificado da força. dentro desse movimento teológico significa: Libertação política das pessoas e setores socialmente oprimidas. que pudesse sanar os problemas sociais e econômicos de então. Emílio Castro. Essa atitude violenta foi de fato uma proposta aberta aos religiosos para que tomem lugar nas barricadas e lutem em prol do desenvolvimento social e econômico da América Latina. e se o fim é nobre. como o santo patrono da causa. José Míguez Bonino e o então missionário no Brasil.

entre outros. Em 1984. O encontro com Deus é descrito como ―o compromisso com o processo histórico da humanidade‖. foi submetido a um processo no Vaticano. ―é o esforço do ser humano para ser parte do processo através do qual o mundo será transformado‖. Como movimento político. promove uma revolução pacífica. assessor de movimentos sociais de cunho popular libertador.No Brasil. o que faz da teologia da libertação mais um movimento político que um movimento netamente teológico. e condenado a um ano de ―silêncio obsequioso‖. Essa concepção de salvação talvez corresponda à idéia judaica de messianismo na época de Cristo.28. Em 1985. A responsabilidade social é um dever do cristão. a principal voz do movimento no Brasil. de uma sociedade mais justa e fraterna.5). ela tem sido um brado a favor da dignidade humana. apesar de sua ―apostasia‖ e de seu marxismo. então arcebispo do Recife. professor e conferencista nos mais diferentes auditórios do Brasil e do exterior. o que eles admitem na teoria. Tal ponto de partida deve ser contextual. Em 1992. a pena foi suspensa em 1986. apresentadas no livro ―Igreja: Carisma e Poder‖. Embora Hugo Assman e Dom Hélder Câmara sejam dos nomes que representam o pensamento da teologia da libertação no Brasil. em razão de suas teses ligadas à teologia da libertação. atualmente é o Dr. órgão herdeiro da Inquisição. sendo também deposto de todas as suas funções editoriais e de magistério no campo religioso. escritor. Leonardo Boff. dentro da cosmovisão libertária. mas pouco tem a ver com o conceito tal como utilizado por Jesus e por Paulo. em nossa época. como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra e as Comunidades Eclesiais de Base (CEB‘s). se resume em ―um processo que abarca o homem e a história‖. Porém. e a teologia deve ser elaborada à partir de elucubrações sócio-políticas. A salvação. sendo de novo ameaçado com uma segunda punição pelas autoridades de Roma. foi negado por eles mesmos muitas vezes na prática. Curiosamente a cúpula da CNBB parece continuar com boas relações com Boff. Como membro do conselho editorial da Editora Vozes entre 1970 e 1985. por não se contentar com as reformas triviais. deve ter uma transcrição e aplicação política. foi interrogado pelo cardeal Joseph Ratzinger (o atual papa Bento XVI). Dada a pressão mundial sobre o Vaticano. Dom Hélder Câmara. Leonardo Boff que está no centro do debate sobre a teologia da libertação. ―Mudou de trincheira para continuar a mesma luta‖: continua como teólogo da libertação. . 1João 3. Os pressupostos da Teologia da Libertação e as objeções à doutrina. podendo retomar algumas de suas atividades. com raízes na dimensão humana e política. mas a salvação não se restringe a essa responsabilidade: salvação significa perdão e cancelamento dos pecados cometidos contra Deus (Hebreus 9. O ponto de partida para a elaboração da teologia da libertação. Boff participou da coordenação e publicação da coleção ―Teologia da Libertação‖. então prefeito da Congregação da Doutrina e da Fé. segundo o peruano Gutiérrez. e o evangelho. ―apostatou‖ de sua condição de padre e da própria Igreja Católica para se unir com uma mulher.

ou o marxismo. Não é preciso polarizar para ter responsabilidade social. O problema é que. Ainda assim. a tendência da teologia cristã é polarizar: Ou a experiência. Atualmente o movimento se reduz a algumas ―comunidades de base‖. pois neste caso. a teologia da libertação não pode escapar das mesmas acusações levantadas contra ela: moralidade relativista e pragmática. também teólogo libertário. há de se admitir a classificação do movimento da teologia da libertação como um movimento violento é falha. Em outras palavras. e no caso da Teologia da Libertação. e nesse sentido. Rubem Alves. É preciso ressaltar que as afirmações de violência não são de nenhum modo característica de todos os teólogos da libertação. isso porque a ―Sola Scriptura‖ não admite nenhum ―somado a‖. mas a influência nas faculdades ainda é grande.Nesse processo de teologia libertária. ou a história. Como é difícil associar todo esse discurso com as palavras de Jesus no Sermão da Montanha! Como o evangelicalismo deve responder a essa ―revolução teológica‖? É óbvio que o cristão não deve viver alienado de qualquer idéia política ou deva se conformar a uma mentalidade status quo. conforme temos exposto em tese. Toda rotulação é pobre. . Devido à repressão ao movimento. é proclamar que o filho de Deus ressuscitou e tem poder de perdoar pecados. que tentam colocar em prática as idéias sociais da mesma. a missão da igreja acaba por confundir-se com confrontamento político e adesão e exposição de idéias sociais. e não há nenhuma possibilidade de um crente evangélico sustentá-la sem cair em contradição. não podemos deixar de aludir que. ou não somos cristãos. A teologia da libertação está fundamentada em uma postura na qual a presente práxis histórica se transforma em norma canônica para descobrir a vontade de Deus. ou a razão. hoje não há muitos grupos ou indivíduos que mantém a Teologia da Libertação. segundo a Bíblia. ou ―junto com‖. ou a fé. Como disse. os fins justificam os meios. a teologia da libertação é fortemente um movimento violento. ―a violência se converte na força que move a história no caminho para conduzir à sociedade perfeita‖. Ele também afirma que o ―amor para os oprimidos significa cólera contra os opressores‖. nem é preciso forçar a exegese ou fazer eisegese para defender pressupostos sociais. Ao refletir algo parecido com a ética situacional. Ela foge totalmente a ortodoxia reformada. é justo empregar a violência contra a violência. mas a missão do cristão. ainda que não totalmente.

também acreditavam que uma segunda obra de graça revestiria o cristão com o poder do Espírito. era ensinado que cada cristão precisa esperar pela promessa do batismo no Espírito Santo.A. Aroolappen. porém. acreditava que o batismo no Espírito Santo provesse revestimento de poder para se obter a perfeição cristã. que é o batismo no Espírito Santo. firmou-se como alicerce do Movimento Pentecostal. Pentecostalismo: Parham. A crença na segunda obra de graça não ficou confinada ao metodismo. o revestimento de poder para o serviço cristão. pelo menos dois reavivamentos do século XIX podem ser considerados precursores do moderno movimento pentecostal. O primeiro teria ocorrido na Inglaterra. O movimento também tem suas raízes na Doutrina da Perfeição Cristã. teólogo pentecostal das Assembléias de Deus. Essa doutrina chegou na América do Norte. Wesley conclama os crentes à buscarem uma segunda obra de graça. em 1760. uma das principais líderes metodistas. e inspirou o Movimento de Santidade. Outros três livros que proporcionaram as bases sobre a qual foi construído o movimento pentecostal foram Guia para a Santidade e A Promessa do Pai.16. C. cuja ênfase estava voltada à vida santificada. Moody e R. de John Wesley. em 1895. Benjamin Hardin Irwin começou. . a ensinar sobre três obras de graça. O advogado e pregador cristão Charles G. e Tongue of Fire (Língua de Fogo). de William Arthur. fazendo uma interpretação pessoal de Lc 24. da irmã Phoebe Palmer. Seymour e o avivamento místico-pietista do século XX. Segundo o Dr. McGee. Torrey. ao redor de 1830. e o segundo teria ocorrido no sul da Índia. Aos que procuravam receber a segunda obra de graça. Mesmo assim. sob a liderança de J.49. Gary B. Em seu livro A Short Account of Christian Perfection. Segundo Irwin. que livraria os crentes de sua natureza moral imperfeita. Outros pregadores de renome. tais como Dwight L. posterior à conversão. Porém. tendo como caudilho o ministério de Edward Irving. Finney. por exemplo. a dissidência teológica começou a surgir. A maior parte do Movimento de Santidade condenou essa terceira obra da graça como sendo heresia. a noção que Irwin possuía de uma terceira obra de graça. quando o pregador Wesleyano radical da Santidade. a segunda obra de graça iniciava a santificação e a terceira trazia o ―batismo do amor ardente‖.

divulgou-se pelos Estados Unidos e pelo resto do mundo. já haviam ocorrido em fins do século XIX. aluna da Escola Bíblica Betel de Charles Fox Parham. 10 e 19. xenolalia. A grande contribuição teológica de Parham ao movimento acha-se na sua insistência de que o falar noutras línguas é a evidência bíblica vital da terceira obra de graça: o batismo no Espírito Santo. a mensagem pentecostal. e falaram em outras línguas (xenolalia). cada vez mais pentecostais estavam de acordo em que as línguas por eles faladas eram glossolalia. À princípio. e um de seus alunos. em Los Angeles. no estado americano do Kansas. no ano 1906. línguas desconhecidas e não identificáveis pela inteligência humana. em 1916. que incluía o falar noutras línguas como sinal do batismo no Espírito Santo. muitos outros alunos foram batizados com o ―novo‖ batismo. Depois de Agnes Ozman. tornou-se líder de uma igreja na rua Azuza. incluindo o falar noutras línguas. Posteriormente. Aqueles que presenciavam esses acontecimentos. que influenciado por Irwin e convencido pelos seus próprios estudos dos Atos dos Apóstolos. e muitos diziam que o movimento era a restauração da fé apostólica. porém. em Topeka. capítulos 2. experiências semelhantes. Na verdade. Sendo assim. como na já mencionada Índia e na Finlândia. teve uma experiência mística e começou a falar em outras línguas. línguas inteligíveis – idiomas pátrios. porém. o fenômeno das línguas auxiliaria como uma ferramenta nas mãos dos missionários transculturais. deu ao movimento o título de The Apostolic Faith Restored (Fé Apostólica Restaurada). De fato. porém até então esses eram apenas casos isolados.Dois eventos marcaram definitivamente a chegada do moderno movimento pentecostal. O primeiro deles é datado de 1º de Janeiro de 1901. os cristãos pentecostais achavam que as línguas faladas por eles eram. testemunhou um grande reavivamento na Escola Bíblica Betel. Depois de 1906. Foi então que o movimento pentecostal explodiu. e desde então o falar em outras línguas tem sido destacado pelos pentecostais como sendo a evidência física inicial do batismo no Espírito e a prova cabal do mesmo. Foi à partir do início do século vinte que o pentecostalismo ganhou projeção mundial. de fato. A partir da rua Azuza. isto é. quando Bennett Freeman Lawrence escreveu a primeira história do movimento pentecostal. faziam rapidamente um paralelo com os eventos do livro de Atos dos Apóstolos. em lugares bem distantes entre si. isto é. quando Agnes Ozman. Suas asserções estão baseadas nos relatos de Atos dos Apóstolos. . um homem negro chamado William Seymour. após ter passado pela mesma experiência mística. continuava crendo que as línguas faladas pelos pentecostais eram xenolalia e que essas línguas eram expressões idiomáticas de outras nações. Parham mudou-se para Houston. Parham. Charles Parham era um pregador do Movimento de Santidade. Essa tese perdeu força com o decorrer dos anos e hoje é crença quase comum em círculos pentecostais que as línguas faladas por eles não são idiomas estrangeiros. tanto nos Estados Unidos quanto no exterior. que seriam capacitados sobrenaturalmente para falarem outros idiomas.

na GrãBretanha como tendo uma grande influência sobre o Movimento de Santidade na América do Norte. uma vida mais profunda. enquanto os pentecostais de tendências reformada defendiam a santificação progressiva. Gary B. e consequentemente sobre o pentecostalismo. houve quatro grandes controvérsias. que é uma variação do unitarismo. ininteligíveis por meios naturais. Essa sentença está alicerçada no conceito wesleyano. Os principais pressupostos da doutrina pentecostal. portanto.E. Seria ela progressiva ou instantânea? Os pentecostais de tendências wesleyanas asseguravam que a santificação era uma obra instantânea. Em um sermão pregado em Arroyo Seco. Os conferencistas de Keswick acreditavam que o batismo no Espírito Santo produzia uma vida contínua de vitória. Houve então uma cisma no movimento e os que enfatizaram o batismo apenas no nome de Jesus acabaram por propor uma doutrina modalística da trindade.38) ao invés da fórmula trinitariana (Mt 28. R. McAlister observou que os apóstolos batizavam apenas em nome de Jesus (At 2. Os que deram crédito à pregação de McAlister foram ―rebatizados‖ em nome de Jesus.19). não acompanharam as tendências modalísticas. A quarta controvérsia é de ênfase cristológica. que afirmava que o batismo no Espírito produzia a perfeição cristã. A primeira. e logo nos primeiros dezesseis anos de existência. McGee também menciona as conferências de Keswick. e diz respeito à natureza das línguas faladas. No início do movimento houve muitos debates acerca da doutrina.O Dr. caracterizada pela plenitude do Espírito. no entanto. em especial o livro de Atos e os últimos versículos de Marcos. . para fundamentar o falar noutras línguas como a evidência inicial do batismo no Espírito Santo. A segunda controvérsia já foi mencionada. sobre o valor teológico da literatura narrativa. Outro debate girava em torno da segunda obra da graça: a santificação. Um grupo acreditava tratar-se de expressões idiomáticas inteligíveis (línguas pátrias) enquanto outro acreditava que as línguas faladas eram expressões de mistério. As Assembléias de Deus.

Todos os cristãos pentecostais crêem: a) No Batismo no Espírito Santo como experiência subseqüente e distinta da salvação.Vemos. com sua crença na purificação instantânea do pecado ou no revestimento do poder do Espírito produziu um ambiente receptivo aos ensinos da cura mediante a fé. No final do século dezenove e início do século vinte. Lembremos que o mundo greco-romano nos dias apostólicos também tinha suas religiões de mistério. portanto. esse não foi o fator decisivo. A promessa de uma cura instantânea veio de encontro com as necessidades básicas do nosso povo. havia em nossas terras um grande número de leprosos e muita gente morria apenas por falta de higiene ou por efeito de uma desinteria. A crença mística do povo brasileiro. e ainda que isso tenha contribuído para a aceitação do evangelho. ao mesmo tempo que a teologia pietista. Razões que contribuíram para crescimento do Movimento Pentecostal. São dispensacionalistas. podendo haver outros itens não relacionados nessa pesquisa. . No Brasil. b) Na atualidade dos dons espirituais. c) Que o batismo pentecostal reveste o crente com poder do alto capacitando-o para exercer seu ministério ao mundo. a medicina avançava à duras penas e oferecia pouca ajuda aos que se achavam gravemente enfermos. No falar em línguas como evidência física inicial do batismo no Espírito. profecias. os ministérios que ressaltavam a importância da oração pelos enfermos atraía a atenção dos crentes estadunidenses. destacamos à seguir aquilo que consideramos ser as crenças mais universais dos pentecostais. Não queremos dizer com isso que o pentecostalismo somente se instaurou no Brasil por causa da influência dos cultos afros e do xamanismo. o quanto resulta difícil fazer generalizações doutrinárias acerca do movimento. línguas e interpretação de línguas e operação de milagres. Consequentemente. a maioria dos cristãos pentecostais também crê: a) b) c) Na vinda de Jesus pré-milenista e pré-tribulacionista. também foi um fator decisivo para a recepção das doutrinas pregadas pelos missionários suecos. na época em que Daniel Berg e Gunnar Vingren aportaram em nosso país. tais como cura. A lista não é exaustiva. Apesar disso. a fé no miraculoso para a cura física começou a ressurgir nos círculos evangélicos. sobretudo no norte do país. Além disso. Na Alemanha do século dezenove. de modo o movimento teve ampla aceitação. a medicina era ainda mais precária.

faziam estudos sobre o Jesus histórico desassociando-o do Jesus da fé. As Assembléias de Deus. mas o fato é que o pentecostalismo foi uma das principais reações contrárias ao secularismo teológico que surgiu no século vinte. volta e meia desaparece dos púlpitos nos congressos. a excessiva ênfase na inspiração sobrenatural da fala. Outra questão diz respeito aos milagres. É interessante perceber que nesses cem anos de controvérsias teológicas. desmitologização. Jamais vimos Jesus ou os seus apóstolos invocando a presença de anjos antes de trazer uma mensagem aos fiéis. Porém. A isso os pentecostais dizem que Jesus e os discípulos também faziam sinais. Crédito no céu? Onde está a mensagem da graça. dizem que as profecias só são válidas se estiverem em comum acordo com a Bíblia sagrada e terão valor apenas após o seu cumprimento. Muitos cessacionistas têm se empenhado para desacreditar o pentecostalismo e a atualidade dos dons espirituais. Esse mesmo pregador gosta de dizer a Deus em suas ―fervorosas‖ orações: ―se tenho crédito no céu…‖. enquanto os teólogos alemães e norteamenricanos patenteavam jargões como geschichte. Se por um lado os demais movimentos estavam associados ao desejo de amoldar a fé cristã aos padrões filosóficos e científicos do homem moderno. Em muitas igrejas evangélicas. Os restauracionistas pentecostais. tornou-se uma das maiores denominações do mundo.Objeções à doutrina pentecostal. criavam teologias com ênfase em teorias naturalistas e evolucionistas. entre as quais destacamos algumas. invocar serafins antes de fazer sua preleção. o pentecostalismo por sua vez surgiu do desejo de reencontrar a fé cristã primitiva e de desassociar-se do sistema secular. Os cessacionistas argumentam que se a inspiração profética é atual. então teremos duas fontes inspiradas: a Bíblia e a profecia. do favor de Deus? . é permutada. Essa prática definitivamente não é cristã. ou dom de profecia. e nem por isso aqueles que se convertiam tinham seu livre-arbítrio violado. a ponto de ter se tornado praxe de certo pregador televisivo. Não faltam porém objeções às práticas do movimento. tem substituído a pregação da palavra de Deus. E os exageros não param por aí: a Bíblia também. Alguns cessassionistas dizem que a ocorrência de sinais fantásticos seria mais que persuasão e violaria incondicionalmente o livre-arbítrio humano. filha desse reavivamento espiritual. Muitos presenciaram a multiplicação dos pães. nenhuma exegese por eles apresentada justifica o anti-sobrenaturalismo presente em sua teologia. surgiu também um movimento de restauração da fé apostólica. na leitura e pregação devocional da Bíblia e com uma visão de ministério às nações. mas nem por isso se tornaram crentes. e quando reaparece. Em meio ao cenário árido da teologia do início do século vinte. Talvez minha observação pareça arrebatada ou até mesmo apaixonada demais. por outro lado. Muitas foram as contribuições do pentecostalismo. É comum em nossos dias ver pregadores pentecostais trazendo novas e estranhas revelações acerca de anjos. visões e da conduta cristã. surgiu um movimento com ênfase na santificação.

promovidos por pregadores que mais parecem animadores de auditório. O pentecostalismo surge no cenário contemporâneo na contramão da teologia moderna liberal e neo-ortodoxa. Apesar da semelhança semântica. surgiu no cenário mundial um movimento que buscava justamente o oposto.Outro pregador pentecostal que há anos se identificava como homem ortodoxo tem se rendido fatalmente à práticas neo-pentecostais. creio que o movimento contará com certa credibilidade. Conhecemos muitos assim. Virou já um ícone do evangelho da prosperidade. porém. Enquanto Barth apresentava Deus como ―Totalmente-Outro‖. mercadejando as bênçãos de Deus e enfatizando muito mais o presente que o porvir. Muitos excessos têm sido cometidos desde então. a erudição e o conhecimento teológico. quero ressaltar que a dissimile é maior que qualquer afinidade que estes dois nomes possam sugerir. mas isso não desqualifica o movimento. Há muitos que ainda prezam pela pregação bíblica e que mantém o perfeito equilíbrio entre a unção. Bultmann. a pregação catequética e com embasamento escriturístico tem sido substituída por empolgados shows evangélicos. No entanto. . urgência de uma nova reforma religiosa dentro do próprio movimento: uma nova restauração da fé apostólica. sobretudo no cenário nacional. e enquanto existirem esses. De modo quase geral. obviamente influenciados pelo existencialismo de Kierkgaard. Tillich e Brunner agitavam o cenário teológico mundial com inovações e com suas tendências filosóficas. Isso. Na verdade. vive em nós. não significa que não haja pentecostais sérios e ortodoxos. William Seymour e os demais pregadores do movimento pietista pentecostal instavam para que os homens se amoldassem à Palavra de Deus. esses excessos ocorrem bem na fronteira de dois movimentos contemporâneos com muita força em nosso país: o pentecostalismo e o neopentecostalismo. Enquanto Barth. os pregadores pentecostais insistiam na possibilidade de um relacionamento pessoal com Deus e definiam-no como aquele que habita os céus e que paradoxalmente. faz-nos pensar na necessidade e porque não dizer. Se por um lado Paul Tillich buscava amoldar a Bíblia às necessidades do homem. o atual quadro do pentecostalismo. pelo ceticismo de David Hume e pelos apelos filosóficos de Immanuel Kant.

em 1975. Nos nossos dias. as Igrejas Pentecostais Livres: Sinais e Prodígios. Porém. da Cura Diferencial e do Exorcismo. mas lembremos-nos: o sinal sempre foi sinal para incrédulos! Em toda a história. Jorge Tadeu e outros. tais como a Igreja Presbiteriana Renovada. como a chamada Confissão Positiva (Evangelho da Saúde e da Prosperidade. à qual fomos chamados. Kenneth Hagin. originária da Igreja Católica Romana. Essek William Kenyon e de seus principais porta-vozes. Na década de 70. como a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD). e os Pentecostais Carismáticos. em congressos. pragmatismo e culto à Mamom.38-39). pensando estar fazendo o melhor para Deus. Como já foi dito no capítulo anterior. juntamente com as doutrinas neopentecostais têm surgido muitas doutrinas paralelas. Neopentecostalismo: Misticismo. quando na verdade estão sendo instrumentos para erosão perniciosa contra a vida espiritual da Igreja. fundada em 1970. em escolas bíblicas de férias e na televisão. de multidão má e incrédula (cf.17. História do Movimento Neopentecostal. em 1973. Mateus 12. alicerces ou filtro teológico. Marilyn Hickey. chega-se à conclusão de que o verdadeiro pai da confissão positiva é Essek William Kenyon. de novas manifestações. Quebra de Maldições. defender com muita submissão os valores do Evangelho e a imaculada Igreja de Nosso Senhor Jesus. Nova Unção). de tal forma que muitos pregadores da prosperidade – inclusive os brasileiros – se consideram discípulos de Hagin. ensinam sempre sob a orientação filosófica de seu pai. fundada em 1977. Robert Schüller. Muitos obreiros e ministérios são envolvidos em assuntos aparentemente simples como os que temos abordado. Temos buscado nessas páginas. as diferenças entre esses dois grupos protestantes são maiores que qualquer semelhança que possam ter. Muitas pessoas no movimento da confissão positiva consideram Kenneth Hagin como o pai do movimento. sempre buscaram um sinal e uma materialização do imaterial. Maldições Hereditárias. Kenneth Copeland. e Socorrista. apregoadas por supostos avivalistas em acampamentos cristãos. Jesus chamou essa multidão que de um lado para o outro em busca de uma experiência. quando se investiga o desenvolvimento histórico do movimento. embora seja possível estabelecer uma símile entre o pentecostalismo e o neopentecostalismo. além de apresentar as principais doutrinas do século vinte. sejam pregadores ou leigos. Estes. Este movimento se originou a partir de denominações históricas. Maldição de Família e Pecado de Geração. fundadas em 1967. Renovação Carismática. as Igrejas com pouca estrutura eclesiástica. . Todos estes. homens e mulheres no decorrer de sua incansável busca por um toque religioso. e por mentores católicos carismáticos no exercício do Toque do Dom. evangélicos ou não. vivem em busca de ―sinais‖ de Deus. sem nenhuma consulta à exegese bíblica. chegou no Brasil o movimento que ficou conhecido como neopentecostalismo.

O ministério de Kenneth Hagin é hoje um dos maiores do mundo e sua influência tem se espalhado por muitas partes do globo. finalmente. e chegou a abraçar inclusive muitos ensinos de seitas heréticas. alguém utilizaria as idéias e os escritos de Kenyon para dar forma ao que viria a ser um dos maiores e mais controvertidos movimentos dentro do corpo de Cristo da atualidade. nas mais rígidas e dogmáticas de todas as seitas metafísicas. Depois da terceira ―visita ao inferno‖. sendo assim levado a tomar uma decisão quanto a sua vida espiritual. encarregou sua filha Rute de continuar o seu ministério e publicar os seus escritos. faleceu Kenyon. seu próprio ministério. Hagin conta ter descido outras duas vezes ―ao inferno‖ para ali contemplar os seus horrores. Hagin aceitou a Cristo como seu Salvador. Estados Unidos. em 1867. para o unitarismo. onde supostamente viu e sentiu coisas que o deixaram perplexo. Nova York. onde freqüentou várias escolas. Paulo Romeiro. a Escola Bíblica por Correspondência Rhema e o Centro de Treinamento Bíblico Rhema em Tulsa. para o Novo Pensamento (Nova Idéia). não é nem ciência nem cristã. Em 1892. a Ciência Cristã. fundada por Charles Emerson. que à bem da verdade. como por exemplo a Ciência Cristã. para o transcendentalismo. Esta pessoa é Kenneth Erwin Hagin. É muito importante saber quem foi Charles Emerson para se compreender a hermenêutica de Kenyon. em 1974. e terminou. Sua conversão à Ciência Cristã foi a última progressão lógica na sua evolução metafísica do ortodoxo para o sectário‖. O professor do Makenzie e apologista do ICP. Fundou em Tusla. em 1908. começou a associar-se com os pentecostais e em 1937. No início do seu ministério. A primeira foi Hagin ter sido ―levado ao inferno‖. Tendo passado por essas duas denominações. . Antes de sua morte. Em seus 40 anos de ministério. a Escola Bíblica de Hagin já formou cerca de 6. foi uma mente muito confusa e sincretista. Ésse Charles Emerson. escreve o seguinte acerca de Emerson: Charles Emerson foi uma figura um tanto contriversa. recebeu o batismo com Espírito Santo e falou em línguas. em 1962. Hagin foi um jovem pregador batista (1934-1937) e pastoreou uma igreja da comunidade onde morava. Em Super Crentes. Mais tarde. Duas experiências polêmicas teriam afetado toda a sua vida e ministério. a teologia de Emerson evoluiu do congregacionalismo para o universalismo.600 alunos. Devido à sua crença em cura divina. Segundo o professor Paulo Romeiro. entre elas a Faculdade Emerson de Oratória. finalmente fundou.Kenyon nasceu no condado de Saratoga. segundo se sabe. No dia 19 de março de 1948. o que ela cumpriu fielmente. Emerson uniu-se à Ciência Cristã em 1903 e nela permaneceu envolvido até sua morte. mudou-se para Boston. com a idade de 80 anos. Neste mesmo ano foi licenciado como ministro da Assembléia de Deus (1937-1949) e pastoreou várias igrejas dessa denominação no Estado do Texas.

Jerry Savelle. John Osteen. Hobart Freeman. T.R. líder da Igreja Internacional da Graça de Deus. o já mencionado Edir Macedo e o líder da Igreja Internacional da Graça de Deus. pastor da Igreja Evangélica Cristo Vive. Pode ser citado ainda o ministério de Miguel Ângelo da Silva Ferreira. enquanto no Antigo Testamento a promessa é de prosperidade advinda da obediência. a destacar algumas práticas dos principais grupos neopentecostais. em seu pequeno. Serafim Isidoro. Os bens da organização estão avaliados em 20 milhões de dólares. Pressuposições da Doutrina da Prosperidade. que já esteve no Brasil acompanhado de Rex Humbard. Soares. Benny Hinn e Lester Sumrall. é enviada para 190 mil lares mensalmente e calcula-se que cerca de 20 mil fitas cassete de estudos são distribuídas a cada mês. Outra pessoa que tem influenciado muitos no Brasil é o engenheiro Jorge Tadeu. . L.A revista Word of Faith (Palavra da Fé). que também pertence ao movimento. Para o Dr. Para justificar o disparate. o Filho do Homem muitas vezes não tinha sequer onde reclinar a cabeça. É muito difícil enumerar os pressupostos do neopentecostalismo. pobreza e enfermidade são características de uma vida sem fé. Além de Essek W. (filho de Kenneth Hagin). porém inteligente livro Considerações à Doutrina da Prosperidade. R. A prosperidade financeira também é um direito do crente. baseando a cura divina na expiação e usando para isso o texto de Isaías 53. Bob Tilton. responsável pela publicação da maioria dos livros de Kenneth Hagin no Brasil. Kenneth e Glória Copeland. Soares. Kenyon e Kenneth Hagin. é uma figura extremamente controvertida hoje nos Estados Unidos. o Novo Testamento traz em seu cerne uma mensagem de abnegação. chegando até mesmo a chorar e a profetizar enquanto pede dinheiro no seu programa de televisão. principalmente pelos seus métodos de levantamento de fundos. Os porta-vozes da doutrina da prosperidade não medem esforços para conseguir arrecadações. Charles Capps. Apenas queremos chamar a atenção para algo que se tornou o principal enfoque do neopentecostalismo: a teologia da prosperidade. hoje pastor e líder das igrejas Maná. no Rio de Janeiro. Nos limitaremos. R. Osborn. Fred Price. visto que existem diversas denominações neopentecostais e todas possuem sistema doutrinario eclético. afirmam que Jesus era rico – bem como os seus discípulos – mas até onde sabemos. R. Ele também diz que ―a busca do sensacionalismo e da prosperidade facil afasta o homem da ordem antiga: Comerás o pão do suor do teu rosto‖.4-5. Já foram vendidos cerca de 33 milhões de cópias de seus 126 livros e panfletos. A doença tem sua origem na falta de comunhão com Deus. em Portugal. Segundo essa abordagem teológica. de modo que um indivíduo realmente convertido nunca deve ficar doente. os nomes mais conhecidos ligados à confissão positiva são Ken Hagin Jr. sendo a pobreza uma maldição. portanto.

pastor do Centro Cristão de Orlando. cruzes. além de objetos sem nenhum valor financeiro. Ele passa a idéia de que existem nove deuses na Trindade. . Seu livro. está causando celeuma nos Estados Unidos. Não faz muito tempo. medalhas com inscrições. portais da felicidade. Além destas. supostamente importados de Israel. Bom Dia. mas a semelhança com as práticas iconoclasticas da idade média é evidente: Substituindo a idolatria por metodologias visuais e palpáveis. podemos encontrar muitos pressupostos do ―movimento da fé‖. como a volta de Jesus num dia de sábado no ano 2007. lenços. Adão não só voava [como os pássaros]. o jornal Mensageiro da Paz publicou uma nota sobre Benny Hinn: ―O livro Bom Dia. copos com água. de Oregon. Hinn levou os membros de sua igreja a repetir depois dele a seguinte frase: ―Eu sou um deus-homem‖. tanto o livro de Hinn como seus ensinos têm levantado muita polêmica. Porém. A ênfase sobre a prosperidade financeira é bastante acentuada. Não sei se as pessoas chegam a saber disso. Ela também defende a maldição de família e a necessidade de ruptura das mesmas. O boletim The Berean Call (O Chamado dos Bereanos). O vídeo consta nos arquivos do ICP e o episódio é citado por Paulo Romeiro em Super Crentes. e sua esposa fazia o mesmo (…) Ambos eram sobrehumanos‖. quando a Bíblia diz que ―aquele dia e hora ninguém sabe‖. fundada pelo bispo Edir Macedo. tais como água do Jordão e azeite para unção. onde afirma que Jesus morreu duas vezes. como. na Flórida. a guarda do sábado. física e espiritualmente. especialmente na televisão. bem como a afirmação de que o número dos salvos será maior do que o número dos perdidos. é um de seus nomes mais famosos. é um dos mais vendidos hoje na América do Norte. O autor se justifica afirmando que não soube explicar bem o que queria dizer. por exemplo. de Benny Hinn. publicou os seguintes comentários de Hinn a respeito de Adão e Eva: ―Adão era um ser sobre-humano quando Deus o criou. Espírito Santo. mas ele foi o primeiro super-homem que já existiu. há ainda questões escatológicas. Espírito Santo. A confissão positiva já alcançou repercussão significativa nos meios de comunicação. Entre seus ensinos mais controversos está o seu comentário de Is 53:9. No ano de 1992. lenços. mas também voava para o espaço (…) com um pensamento ele estaria na Lua (…) podia nadar [debaixo d'água] sem perder o fôlego. A capacidade imaginativa de Hinn é tão perspicaz que não exitariamos em recomendar sua ―história‖ à Walt Disney Pictures. réplicas da Arca do Concerto. a denominação faz uso de rosas. Na Igreja Universal do Reino de Deus. Valnice Milhomens também tem aderido à muitas práticas neopentecostais. retalhos dos ternos usados pelos pastores (será que eles rasgam o Armani do Bispo Macedo também?). em setembro de 1992. o estudo acerca do ―corpo‖ do Espírito Santo.Não há dúvida de que o movimento da fé tem em Benny Hinn.

do ICP (Instituto Cristão de Pesquisas). em Portugal. afirma que ―Deus só pode dar o que Ele tem. Para Deus lhe dar uma doença teria que pedi-la emprestada ao diabo. John Ankerberg e John Weldon nos ajudam a interpretar o texto de Isaías 53:4-5 com o seguinte comentário: ―No hebraico a palavra ―sarar‖ (em hebraico. Pedro se refere à cura espiritual (citando a Septuaginta). O contexto deve determinar se um dos sentidos ou ambos são empregados. muitos membros dessas igrejas vivem frustrados. tocou em seus ossos e ressuscitou (2 Reis 13:14-21). O pastor Jorge Tadeu. Um outro exemplo citado por ele é o de Jó. O Senhor Soberano foi substituído por um Deus vassalo. pois a Bíblia diz que um soldado morto. A iniciativa partiu de Deus. Muitos pregadores da confissão positiva declaram que toda enfermidade procede do diabo. pode-se referir à cura física ou à cura espiritual. Números 12:10). Ele também afirma que dizer que a enfermidade é conseqüência da falta de fé ou pecado na vida do crente constitui-se numa falácia bíblica. Objeções ao neopentecostalismo. está garantida na expiação com base em Isaías 53:4. Portanto. total e perfeita. Seu sofrimento não foi causado por confissões pessimistas. Por acaso Deus teve que tomar a lepra emprestada do diabo para colocá-la em Miriã? A lepra de Miriã foi provocada por Deus (cf. após ser colocado na sepultura de Eliseu. ―não podemos esquecer também que. pois temem pronunciar maldições que interfiram em seu progresso espiritual. usar esta passagem para dizer que a cura divina. nem tampouco foi o diabo quem decidiu provar Jó. mas o ensino de Jorge Tadeu é contrário ao que diz a Bíblia. A cura física também deve ser pronunciada. Por exemplo. ele menciona o profeta Eliseu. e em Mateus 8:17. Mateus se refere à cura física (citando o texto hebraico massorético). utilizando um jargão próprio do neopentecostalismo. 5 é forçar o texto e não reflete uma boa exegese‖. em 1 Pedro 2:24. rapha).Os pregadores neopentecostais também ensinam que a fé e o recebimento das bençãos de Deus está relacionada com a confissão que fazemos. É comum assistir na TV pregadores da Prosperidade ensinando os crentes a dar ordens em Deus. Para ratificar sua asserção. que apesar de ter sido um grande profeta de Deus e de ter tido um ministério marcado por muitos feitos sobrenaturais. a expiação de Cristo ainda não havia acontecido. ―Basta examinar as Escrituras para notarmos que verdadeiros servos de Deus passaram privações e dificuldades em suas trajetórias a serviço do Senhor‖. sempre disposto à acatar ordens e tudo sem reclamar. pecados ocultos ou falta de fé. líder das igrejas Maná. quando Jesus curou a sogra de Pedro (Mateus 8:14-17). ou ainda. o que é uma idéia absurda‖. . Será que ele não tinha fé ou estava em pecado? Muito pelo contrário. de modo que a fé é reduzida à uma mera confissão positiva. ―decretada‖. Segundo Paulo Romeiro. Por causa disso. morreu em conseqüência de sua enfermidade.

Mas a palavra (Gr. que faz com que as coisas sejam realizadas. Logos) de Deus. na Palavra de Deus não há sequer uma distinção teológica entre estes dois termos. Depois vem logos. na primeira página.23-25: “Sendo de novo gerados. mas é geralmente empregado no contexto de sonhos. não existe nenhuma grande diferença entre estes dois vocábulos. Rhema) que entre vós foi evangelizada”. sobre as circunstâncias que levaram ao falecimento do pequeno Nelson Marta. eles afirmam que podemos usar a palavra rhema para realizarmos no mundo espiritual e físico tudo aquilo que desejamos. Em uma linguagem mais coloquial. ou ―agir sobre a Palavra‖ e outras.Existe nos Estados Unidos muitos casos documentados de mortes causadas pela pretensa fé. e toda a glória do homem como a flor da erva. viva que permanece para sempre. a Bíblia. e outra subjetiva. expressa de Deus. que Deus fala aos iniciados. direta. e caiu a sua flor. o autor pode não está mais se referindo à Palavra de Deus escrita. não tem escapado das críticas da imprensa em Portugal. Desta forma. O termo pode-se referir também à Bíblia. Logos e Rhema. O Dr. muitos pais perderam seus filhos para enfermidades que poderiam ser facilmente medicadas. na mente do apóstolo não havia distinção entre estas palavras. não de semente corruptível. ―Mas que Grande Seita! Deixem de tomar remédios! — aconselha a seita religiosa Maná. mas ao seu próprio ―decreto‖ (rhema) ou uma palavra pessoal de Deus para ele (logos). pela palavra (Gr. Ele declara que ―os ensinadores da fé inventavam uma falsa distinção de significado entre essas duas palavras gregas. o vocábulo rhema é o ―abracadabra‖ que os neopentecostais pronunciam para materializar o objeto desejado. podemos perceber no movimento neopentecostal duas fontes de autoridade: uma objetiva – a Bíblia. O ministério das igrejas Maná. . ou ―a palavra de revelação‖ que é a palavra mística. Sendo assim fica desfeita a pretensão daqueles que querem forçar uma interpretação e aplicação errônea destes termos. Russel Shedd afirma que Pedro não fez distinção sobre estes termos em sua primeira carta. a polêmica da semântica. a revelação ou palavra da fé. revelada de Deus. e que rhema é a palavra dita. faz uma séria denúncia. Secou-se a erva. O jornal Tal & Qual. é a ―palavra‘‖ que os crentes usam para ―decretar‖ ou ―declarar‖ a fim de trazer prosperidade ou cura para esta dimensão‖. Dessa forma. dizendo que há uma distinção entre eles no sentido de que logos é a Palavra escrita. de oito anos. mas da incorruptível. Os apologistas da confissão positiva fazem um cavalo de batalha sobre as palavras gregas logos e rhema que significam palavra. Rhema. Porque toda a carne é como a erva. e esta é a palavra (Gr. dizem eles. Segundo Michael Horton. quando alguém lê uma referência na literatura do pregador da fé à ―Palavra de Deus‖. que seriam como os sinônimos ―enorme‖ e ―imenso‖ no português. Mas a morte de uma criança acaba de pôr em causa o insólito ―mandamento‖. Como se pode ver. capítulo 1. na edição de 30 de agosto a 5 de setembro de 1991. visões e comunicações particulares entre Deus e seu ―agente‖. Assim. Supostamente baseados nas promessas de Deus. A palavra rhema seria uma espécie de ―vara de condão‖ capaz de materializar o objeto da nossa cobiça. ocorrido em 13 de maio de 1991. Rhema) do Senhor permanece para sempre. Entretanto.

Cristo. mas não cabe nos lábios de Cristo ou dos apóstolos. Temos depois o apóstolo Paulo escreveria aos coríntios: ―se esperamos em Cristo só nessa vida. AGNOSTICISMO Doutrina que defende a incognoscibilidade de qualquer ordem de realidade desprovida de evidência lógica satisfatória. O termo foi criado por T. somos os mais miseráveis de todos os homens‖. Glossário Teológico Contemporâneo. e nem na verdadeira igreja evangélica. em um estábulo emprestado. é uma teologia mal elaborada. Huxley (1825 – 1895). quando a prioridade dele deveria ser ―buscar as coisas que são do alto‖. Entrou em Jerusalém montado em um jumento emprestado. levando-o a buscar a prosperidade terrena. Para o agnosticismo a razão humana não pode adquirir uma ciência certa. Foi ele quem disse: ―No mundo.O neopentecostalismo. o agnosticismo deve ser considerado segundo o sistema científico a que se amolda e também os pressupostos da teoria do conhecimento que adota. Nega a possibilidade de um conhecimento racional e certo de qualquer realidade transcendente. e foi sepultado em um túmulo emprestado.H. apenas afirma que isso não se pode conhecer com certeza por meio da razão. Só a cruz era dele. A mensagem triunfalista dos pregadores da prosperidade podem até caber em um discurso político onde a avareza prima sobre o caráter. Em sua mensagem ele nos falou sobre a necessidade de negar-se a si mesmo e tomar a cruz. Entrou no mundo desassistido de bens materiais e proferiu suas pregações em um barco emprestado. Sob qualquer forma que se apresente. tereis aflições‖. a não ser das realidades apreendidas pela experiência sensível. 18. . Como sistema teológico foi condenado pelos apóstolos e pela Igreja. alardeado pelos teólogos da prosperidade como um homem abastado. nasceu humilde e pobre. para expressar o seu desprezo em face da atitude de certeza dogmática simbolizada pelas crenças dos antigos gnósticos. ecléticopragmática que busca os resultados mais que a pureza doutrinaria. à luz da ortodoxia. Ela desvirtua o crente.

ANALOGIA DA FÉ Era analogia entis que Karl Bath substitui pela analogia Fidei (analogia da fé), visto que a verdade religiosa é dada por Deus. É um conceito Bíblico tirado de Romanos 12, (analogia tes pisteões) ou (metron pisteõs), que são palavras semelhantes "analogia da fé" e "medida da fé", representam um desenvolvimento do significado paulino original. Para a hermenêutica a analogia da fé conota que passagens bíblicas podem ser interpretadas com outras passagens porque nada dentro das escrituras podem se contradizer e tendo em vista que Deus é o autor das Escrituras. Para Agostinho a interpretação da das Escrituras não deve violar a fé. E Lutero usa termos quase semelhantes "o intérprete primário da Escritura deve ser ela própria", por isso as autoridades cristãs evitavam qualquer fonte fora das Escrituras. Para alguns pais da igreja passagens difíceis das escrituras são iluminadas pela fé ensinadas pela igreja, já o protestantismo da reforma é contra essa idéia imposta pelo catolicismo. Ainda como princípio exegético a analogia da fé sofre alguns abusos com significados que o autor bíblico não quis colocar no texto, por isso o intérprete de uma passagem bíblica deve se esforçar o máximo para extrair do texto o que realmente ele diz.

ANTROPOLOGIA TEOLÓGICA Antropologia nasceu com o grego Heródoto, no século V a.C. que foi cognominado Pai da Antropologia. Antropologia Teológica é a doutrina do homem no que tange a Deus. Teve sua transformação em duas grandes transições: a do cosmo para Deus, quando o cristianismo suplantou a visão grega da realidade. A segunda é de Deus para o homem e ocorreu na época moderna em conseqüência da secularização e do ateísmo. Repentinamente Deus desaparece de cena e cede lugar ao homem. Sua transformação teve início no Renascimento. O espírito humano abre-se a um novo modo de ver e agir, um violento contraste com o precedente, enquanto o primeiro, o centro de todo interesse era Deis, agora o centro é o homem. A filosofia é ao mesmo tempo a testemunha fiel e artífice principal da transição do teocentrismo para o antropotismo. Vemos aí (Descartes, Hume, Spinoza). Mas Kant que atinge o momento conclusivo, afirmando que o homem não é mais simplesmente o ponto de partida, mas também o ponto de chegada da reflexão filosófica. Vemos também dois princípios que são supremos na antropologia teológica: São o arquitetônico e hermenêutico. O arquitetônico é o eixo do ordenamento de todos os eventos da história da salvação. O hermenêutico é a verdade primária a cuja luz a teologia procura compreender e interpretar um dos aspectos da história da salvação.

CALVINISMO

Doutrina religiosa fundada por João Calvino. Ele nasceu em Noyon, em 1509 e morreu em Genebra em 1564. Caracteriza-se pela origem democrática da autoridade religiosa (os ministros não são padres). Os principais fundamentos da doutrina estão contidos na obra de Calvino intitulada "Instituição da Religião Cristã". Calvino e seus seguidores, sustentavam a soberania absoluta de Deus, a justificação pela fé, e a predestinação. O Calvinismo não admite as cerimônias religiosas e nega com rigor a tradição; pela crença na predestinação acha inútil as obras para a salvação. Segundo Calvino, a fé se dá pela deposição de absoluta confiança em Deus. Os seguidores de Calvino, na França, passaram a ser chamados "huguenotes". Propagou-se a doutrina pela Holanda, Suíça, Hungria, Escócia e Estados Unidos. Do Calvinismo, originou-se o puritanismo e as demais igrejas protestantes. Esta doutrina não foi aceita pelos sorbonistas, e Calvino foi perseguido e obrigado a deixar a Igreja Católica, fugindo para Basiléia.

CONSELHO MUNDIAL DE IGREJAS – CMI

Desde 1909 – Conferência Missionária Mundial em Edinburgo até 1937 – Conferência sobre "Vida e Trabalho" em Oxoford e sobre "Fé e Ordem" em Edimburgo – o movimento ecumênico era atuante sob muitos aspectos mas não tinha organização central. Por ocasião das conferências de 1937 tomaram-se as primeiras iniciativas para a fusão de "Vida e Trabalho" e "Fé e Ordem" num Conselho Mundial de Igrejas – CMI. De 1938 a 1948 este permaneceu – devido à Segunda Guerra Mundial – oficialmente em "processo de formação"; em Amsterdã, em 1958, ele foi formalmente estabelecido. O CMI é uma comunhão de igrejas que confessam o Senhor Jesus como Deus Salvador, segundo as Escrituras e por isso buscam cumprir em conjunto a sua vocação comum para glória do único Deus, Pai, Filho e Espírito Santo. É uma organização ecumênica internacional das igrejas cristãs da Reforma da qual a igreja católica faz parte como observadora. Prolonga historicamente os dois movimentos mundiais: "Vida e Trabalho", "Be Oxford" e "Fé e Ordem" de Edimburgo. O CMI não é uma igreja, nem pretende ser uma espécie de "super igreja", mas existe para servir as igrejas como instrumento, possibilitando-lhes entrar em contato umas com as outras. O CMI não considera nenhum conceito ou doutrina sobre a unidade da igreja como normativo para suas igrejas membros. Pretende ajudar todas elas na procura dessa meta. A 5ª Assembléia Geral foi em Nairobi em 1975. Ela propôs um consenso em torno da unidade nos seguinte termos: "Jesus Cristo fundou uma igreja. Hoje vivemos em

diversas igrejas separadas umas das outras. Contudo, nossa visão do futuro é que algum dia viveremos de novo, como irmãos e irmãs numa igreja indivisa. O CMI exerce seu mandato por intermédio da Assembléia Geral, do Comitê central do Comitê executivo, das Comissões, dos Comitês das Unidades de Programas e dos Centros Permanentes Administrativos de Genebra e Nova York. A Assembléia se reúne a cada sete anos.

CORRELAÇÃO (teologia)

Paul Tillich faz uma correlação entre teologia de Bultmann ortodoxia e a teologia de Karl Barth cristomonismo, esta teologia foi desenvolvida em 1951. Paul Tillich chegou a um consenso que sintetiza a sabedoria e a experiência humana com a religião bíblica, empregando todos os recursos da ciência, da história, da literatura, da arte, e da psicologia em profundidade, bem como a filosofia clássica e a moderna, em especial o existencialismo de Kierkegaard. Assim estabeleceu um tipo de doutrina teológica que era o fim apologético e estabeleceu a correlação de fé com a existência humana. Paul Tillich afirma que a doutrina só tem valor ou significado para o homem, se estiver relacionado com os problemas, as situações, e as crises de sua existência cultural, secular e cotidiana.

Paul Tillich escolheu atuar "na fronteira" entre a religião e a cultura ele escreve "a religião é a substância da cultura e a cultura é a forma da religião" Paul Tillich afirma que sempre que ele se encontra entre duas possibilidades existenciais, ele reflete sobre sua posição de sempre Ter um pé em cada um dos dois arraiais tradicionalmente antagônicos. Daí sua teologia de correlação inteiramente dialética. Paul Tillich procurou relacionar os problemas de sua filosofia, a partir da condição humana comum e demonstrou a relevância e o significado da doutrina teológica relacionada com o problema assim interpretado. Sua tese torna-se numa síntese em quatro níveis: (1) disciplina, (2) antológica, (3) histórica, e (4) na vida pessoal. DEÍSMO

Vem do latim deus, "deus". Os socianos introduziram o termo no século VI. Porém veio a ser aplicado a um movimento dos séculos XVII e XVIII, que enfatizava que o conhecimento sobre questões religiosas e espirituais vem através da razão, e não através da revelação, que sempre aparece como suspeita e como instrumento de fanáticos e de pessoas de estabilidade mental questionável. Vendo-se nisto a característica principal do deísmo, conhecimento através da razão e não sobrenatural. A isso podemos chamar de religião natural comum a todos, era uma garantia de uma convivência pacífica, que surge como um reflexo do iluminismo no campo religioso.

despindo-as de sua veste literária mítica. antítese e síntese. DIALÉTICA Dialética vem do Dialéktos grego. Dialética é o emprego da formulação. A dialética explica a mudança como resultado do conflito entre os opostos. debate. Na sua forma genuína. que trazem à luz contrários e opostos. que tem em si uma antítese. que se fundem num novo tipo de coisa que sintetiza ambos os opostos. perdendo seu caráter paradoxal. A própria vida é dialética. proposto pelo teólogo alemão Rusolf Bultmann (1884-1976). A demitização. para poder interpretá-las de modo crítico e não eliminá-las. e deve ser aplicada na biologia. e que visa a escoimar a mensagem cristã da roupagem dos mitos. A dialética determina todos os processos da vida. que significa discurso. mas em sua interpretação. Consiste na discrepância entre cosmologia antiga e moderna bem como entre as compreensões existenciais divergentes dos homens da Bíblia e dos de todas as épocas posteriores. que gera uma síntese. na psicologia. Essa interpretação pressupõe que as categorias mitológicas utilizadas pelos autores se constitua em instrumento destinado a expressa a revelação. tese. Para Platão a dialética tornou-se uma forma suprema de adquirir conhecimento. não reside na eliminação de asserções e descrições. . Dialética é o jogo dos opostos que se fundem gerando assim uma tese. A dialética aparece como o nome dado ao estudo do inter-relacionamento das idéias platônicas.DEMITIZAÇÃO Método desenvolvido na teologia protestante e católica. Busca impedir que a mensagem evangélica se fundamente em assertivas mitológicas. que é a nova tese. Esse vocábulo refere-se àquele tipo de atividade filosófica que traça distinções rígidas. e na sociologia. para que a mensagem nelas contida adquira dimensões existenciais. salva o essencial das narrativas.

ETERNIDADE As palavras hebraicas. e tempo não fixado. associava a idéia de fluxo com a idéia de existência. a consciência cristã viu-se obrigada a converter-se em consciência social. as quais são: Uma função mais ampla da Igreja. . EVANGELHO SOCIAL O Evangelho Social apareceu no final do séc. designam qualquer período com duração desconhecida. A idéia de eternidade não deve ser entendida em contraste com o tempo. É similar no grego no vocábulo AIÔN que indica uma vida inteira ou um tempo indefinido no passado ou no futuro. Tendo em vista este fato. Na filosofia grega. Esta corrente do protestantismo moderno teve como base o livro "Em Seus Passos o que Faria Jesus?" Esta corrente teve como sua maior expressão a figura de Walter Rauschenbush. não sabemos o fim. E uma crítica crescente dos sistemas e ideologias da ordem vigente. uma sucessão infinita de eras. Para Platão a esfera da eternidade é imaterial diferente de nosso mundo. O Evangelho Social se caracterizou por uma dupla ênfase. dotado de um tipo de vida que se encontra exclusivamente no ser divino. A eternidade unida no próprio Deus. Foi sem dúvida alguma uma aplicação da ética cristã em resposta as exigências de uma nova situação histórica – a intensidade dos problemas sociais geradas pelo rápido crescimento industrial dos EUA. A era presente é limitada em sua duração. Heráclito. a era futura tem um começo. XIX e dava bastante ênfase aos aspectos sociais do cristianismo. ADH e OLAM. A idéia Bíblica de eternidade não é ausência de tempo mas a extensão ilimitada de tempo. portanto ele não tem causa. tendo um começo e um fim. a realidade e insignificância daquilo que é temporal. a existência da eternidade divina subentendia.

que frisam a necessidade do evangelismo. Estas palavras aparecem quase cem vezes no Novo Testamento e passaram para os idiomas modernos através do equivalente em latim. Pedro Waldo. Embora o evangelicalismo seja geralmente considerado um fenômeno contemporâneo. Desde a Reforma Protestante. os batistas.EVANGELICALISMO Movimento no cristianismo moderno que transcende as fronteiras denominacionais e confessionais. traduzido como boasnovas. sendo euangelizomai o verbo correspondente. enfatizando a conformidade com as doutrinas básicas da fé e um alcance missionário de compaixão e urgência. Usualmente. No século XIX. o evangelicalismo é muito mais do que um assentimento ortodoxo a determinados dogmas ou uma volta racionária aos costumes antigos. A igreja apostólica. L. John Wycliffe. surgiram Charles Spurgeon. rejeitando as tradições.. os movimentos reformistas medievais. essencialmente protestantes. Hudson Taylor. notícias de alegria. John Huss e Savonarola se distinguiram dentro do evangelicalismo de tempos remotos. A palavra é derivada do substantivo grego euangelion. os concílios. Na Alemanha. da crença nos elementos fundamentais do ensino bíblico. Charles Finey. da expiação mediante o sangue de Cristo. D. . na Suíça e em alguns outros países a palavra passou a indicar o corpo geral das igrejas protestantes. e outros. George Williams. Quem se identifica com este movimento é um "evangélico conservador" (ou "evangelical") que crê no evangelho de Jesus Cristo e o proclama. Dos mais recentes podemos citar: John e Charles Wesley. é empregada quase como sinônimo da Igreja Baixa (expressão que aponta para os membros de postura mais protestante e evangélica). como padrões de fé e prática. os evangélicos são aqueles grupos. que supõem que retornaram ao evangelho (ou Bíblia). etc. da regeneração. Na Inglaterra. É a afirmação das crenças centrais do cristianismo histórico. Com a "autoctonização" das organizações assistenciais e evangelísticas e o envio de missionários por grupos dentro dos próprios países do Terceiro Mundo. o evangelicalismo já obteve sua maioridade e é verdadeiramente um fenômeno global. que significa anunciar boas-novas ou proclamar como boas-novas. pregadores como Bernardo de Claraval. o espírito evangélico sempre se manifestou no decurso da história eclesiástica. Assim. esses grupos apegam-se a esses documentos sagrados com a sua base de autoridade. George Whitefield. os pais da igreja. Moody. evangelium. a palavra tem sido adotada por certos grupos cristãos. congregacionais e metodistas. as cruzadas evangelísticas de Billy Graham. em contraste com o sistema tradicional que se desenvolveu na Igreja Católica Romana. Na atualidade.

XX as posições existencialistas desenvolveram-se na sua forma ateísta por Heidegger (1889-1969) e Gabriel Marcel (1889-1963). FENOMENOLOGIA – Fenômeno + logia – aparência + conhecimento – estudo do fenômeno. na medida em que esta se pretende ciência – e nega a existência de valores objetivos. o homem como referência o valor principal). dar luz. Os mesmos menosprezavam o conhecimento científico em particular a psicologia. Karl Jaspers considerava a filosofia como metafísica dentro da qual se processa todo o saber e toda a descoberta possível do ser. O que os filósofos existencialistas tem em comum. No séc. . a qual seria realizada mediante a decisão livre do indivíduo e a fé em Deus. Os filósofos existencialistas refletem sobre a natureza da realidade. FENOMENOLOGIA FENOMENOLOGIA – Do grego yaíva que significa: a brilhar. pois para os mesmos existir implica em estar em relação como outros seres humanos. Para eles dar-se um confronto dramático e trágico entre o homem e o mundo. denominadas possíveis de acontecer ou não. com as coisas e com a natureza. Kierkegaard propôs-se a conduzir os indivíduos à plenitude da sua existência. é o conceito de existência. enfatizando como preferência a realidade e a importância da liberdade humana.EXISTENCIALISMO Os existencialistas ao contrário do modo de pensar do homem da Idade Média que dizia que o ser humano possuía uma essência que "a priore" o determinava. A FENOMENOLOGIA tem como pai o filósofo alemão Esmund Husserl (1859-1938) da escola de Cristian Wolff. mas subordinavam as questões tradicionais da metafísica e da filosofia do conhecimento a uma perspectiva antropocêntrica (isto é. diziam que o homem é um ser histórico e que sua essência vai sendo construída pois a "existência precede a essência". ser brilhante. A doutrina existencialista tem como precursor Kierkegaard (1813-1855) o qual atacou a interpretação dogmática do cristianismo e o sistema metafísico Hegeliano. sendo estas relações múltiplas. concretas.

explicando-a termos teosóficos ou de filosofia pagã. sistema eclético filósofo-religioso. GNOSTICISMO Esta palavra vem do grego "gignoskein". tentativa conduzida sem rigor sistemático. . Se porventura o gnosticismo tivesse sucesso. o que chamava de purificação do fenômeno – A busca da essência. É de Husserl o conceito contemporâneo: "FENOMENOLOGIA é a generalização da noção de objeto que compreende não somente as coisas materiais. o cristianismo tornar-se-ia apenas mais outro culto misterioso greco-romano. Sartre concorda com Heidegger e entende que o pensamento natural é um fenômeno que busca a transfenomenologia que leva a considerações antológicas. as essências e os objetos ideais. o gnosticismo consistia essencialmente. mas também as formas de categorias. O filósofo Lambert. pressupondo-lhe como o pensamento absoluto. Todavia. nessa tentativa. Ele aplicava a redução eidética. A principal corrente das idéias gnósticas foi o espiritualismo neoplatônico de Filo de Alexandria. Gnosticismo é a primeira tentativa de uma filosofia cristã. Na compreensão de William Hamilito era a identificação do objeto pelos dados empíricos. O gnosticismo cristão era basicamente uma forma de heresia sobre a pessoa de Cristo. No tocante ao cristianismo. com a mistura de elementos cristãos. Valentim e Bardesane. Os principais gnósticos: Basílides. neoplatônicos e orientais. surgido nos primeiros séculos da era cristã buscando conciliar todas as religiões e decifrarlhes o sentido através da gnose. Husserl insistiu em purificar o termo desatrelando-o da psicologia. Hegel particularizou-lhe ao desempenho da mente. entendeu FENOMENOLOGIA como sendo o estudo dos erros da aparência ilusória. Para Heidegger a FENEMOLOGIA mostra o que está escondido e fundamenta o que se mostra possibilitando o estudo do "SER". Kant tomou o vocábulo para explicar as características dos fenômenos de forma geral. místicos. saber. Carpócrate. Este termo foi trabalhado por outros pensadores que lhe deram diferentes compreensões. na tentativa de fundir as revelações dadas por meio de Cristo e seus apóstolos com os padrões de pensamentos já existentes. É uma investigação a priore dos significados do pensamento".Hussel pretendia fazer uma análise descritiva particularizada do fenômeno.

porque via a síntese histórica cumprida na monarquia constitucional do governo alemão. por ser uma síntese final. Uma variante da doutrina precedente. Ela supõe a coincidência de finito e infinito. racionalidade e necessidade) e que todo conhecimento é conhecimento histórico. que vê na história a revelação de Deus no sentido de considerar cada momento da própria história em relação direta com Deus e permeado dos valores transcendentes.HISTORICISMO Doutrina Histórica-Filosófica que define o pensamento como resultado cultural do processo histórico e reduz a realidade e sua concepção à história adotada por autores como Croce. Certamente. totalmente. Hegel e Marx podem ser criticados desse modo. desenvolvimento. de mundo e de Deus. a história como a própria realização de Deus. Esta consiste em explicar de outro modo (mediante falsificação) a natureza de algum fenômeno. se estivermos olhando para os sentidos envolvidos no processo histórico. por haver pensado. Isto significa que é muito difícil chegar-se a uma história pura. A doutrina segundo a qual a realidade é histórica (isto é. que o comunismo poria fim ao processo histórico. afirmava que "tudo é história". em sua pátria: e Marx. Conte e Simmel. O termo foi cunhado por Mannheim e Troeltsch. Concepção segundo a qual o pensamento humano se caracteriza por seu processo histórico erigido em sistema a ponto de fazer do tempo o gerador e o decorador das verdades que a escola vai paulatinamente ensinando. e Dilthey. na história. Hegel. Essa palavra vem do termo alemão "historismus". mediante uma alusão à sua origem. portanto. e considera. O termo historicismo também é usado em um sentido negativo. Nietzesche. incluídos por ele. que vigorava em seus dias. da escola neokantiana. uma palavra usada para se aplicar a uma ênfase exagerada sobre a história. como sinônimo de falácia genética. . argumentava que todos os historiadores escrevem como cativos de sua era e circunstâncias particulares.

o homem no centro de todas as coisas. etc. o modo de pensar que se desenvolvera no escolasticismo. O humanismo cristão da Idade Média e da Renascença tem mostrado ser o único fundamento da liberdade pessoal e acadêmica da era moderna. consideremos os pontos abaixo: O uso popular dessa palavra refere-se a algum padrão de perfeição ou algo que aponta para nobreza. de tal modo que segundo o humanismo. naturalmente. XVI o que predominava era o teocentrismo. O homem aparece como a base de todos os valores e de toda excelência bem como o objeto de todas as atividades.HUMANISMO Na idade média no séc. ou seja para algo que deve ser emulado. Erasmo. Aquilo que . contemplação". IDEALISMO O termo vem do grego ideein. Ideal – Vem do termo grego "eidos". o termo indica um conjunto de padrões daquilo que é mais desejável. criou-se um filosofia relativista. como os esforços necessários para atingir tal alvo. o homem é a primazia (visão antropocêntrica). Durante a Renascença. para alguma elevada qualidade. "ver". e assim foi rejeitado. dava valor à missão de Cristo. Augusto Conte foi o grande campeão dessa forma de humanismo. todas as considerações éticas. O ideal é a forma mais desejável de realização de qualquer coisa. pelo menos em parte. Foi assim cunhada a significação clássica do termo. "visão. como cristão. ou aquele tipo de cultura e ênfase promovidos por certos filósofos gregos. Assim. homens como Petrarca e Erasmo de Roterdã retornaram às raízes gregas quanto a muitos valores. metafísicas e práticas dependem do homem. que também caracterizava a Igreja medieval e a sociedade. Protágoras afirmava que o homem é a medida de todas as coisas. contemplação. enquanto na renascença criaram o humanismo. "visão". Ele fazia da humanidade o único objeto da nossa adoração. sem valores fixos ou absolutos. dos deuses. e não de forças cósmicas. tudo era em nome de Deus ou seja (Deus era o centro de tudo). com sua autoridade religiosa centralizada. De acordo com um uso popular. e de eidos. tendo adicionado isso à sua clássica maneira de pensar sobre o homem.

são verdadeiras realidades. É. O movimento contra as crenças e instituições estabelecidas ganhou impulso durante o século XVIII. 9-23 refletem o dualismo Platônico. Rousseau. formas ou universais. Muitos foram presos em função de suas convicções. O mundo celeste é o mundo espiritual. onde imperam as realidades espirituais. se admitirmos qualquer realidade. dando origem a uma nova síntese. Idealismo Hegeliano – Hegel ensinava um idealismo absoluto. 8. . O mundo ideal é o mundo arquétipo e não material das idéias. Irradiou-se da Inglaterra e dos Países Baixos. imitativa do real. Nos escritos de Platão. e nenhuma síntese dEle é final. são apenas nomes que damos às operações do Espírito Absoluto. Esse é um tipo de idealismo metafísico. seus atos e suas realizações. bem como seu estado de ser. com uma cópia do arquétipo que vai sendo produzida nos objetos materiais. As lojas maçônicas ajudaram a disseminá-lo por toda a Europa. mas através da Enciclopédia seus ataques ao governo. em seu caráter. e a matéria é menos real. Condorcet e outros. Uma nova tese surgirá inevitavelmente de sua antítese. O idealismo subjetivo. então teremos um dualismo. Caracterizou-se pela confiança no progresso e na razão. Essa forma de idealismo metafísico chama-se realismo metafísico. dentro desse sistema. é a tese. O iluminismo católico mostra linhas nitidamente sociais e humanitárias. Quando um ideal é pertencente às idéias. antítese e síntese. pelo desafio à tradição e à autoridade. ILUMINISMO Movimento filosófico que teve seu apogeu no século XVIII e determinou a face espiritual do século XIX. e não material. A matéria seria menos real e. e o mundo inferior é material. e é mera cópia do mundo superior. dando a entender que a idéia é que é real". O Espírito Absoluto nunca descansa. Essas formas.5. Apresenta aspectos diversos conforme os países. onde o ideal é mais real. à Igreja e ao judiciário forneceram a base intelectual para a Revolução Francesa. por intermédio do poder do LOGOS. Tugot. A força Cósmica todo-abrangente (Deus) é idéia. que atua através de seu próprio sistema de tese. Para ele. Os trechos de Heb. espiritual em sua essência. possuídas de natureza espiritual. que admite certo tipo de dualismo. idéia é arquétipo. com Voltaire. através da qual dá forma a todas as coisas. então devemos falar em ideal conceptual. O cristianismo reteve essa forma de dualismo. as idéias. Idealismo Platônico – Platão preparou o caminho para um tipo especial de idealismo que tem desfrutado uma longa e influente história. O idealismo objetivo seria a antítese.existe somente na imaginação. sem qualquer realidade física. e pelo incentivo à liberdade de pensamento. das formas universais.

chamado Augustinus. O seu tratado teológico. A religião revelada não é uma verdade. depois da morte dele. Admite maior amplitude na esfera das opiniões pessoais. No campo moral. Um resultado positivo do movimento foi que o mesmo inspirou um maior desenvolvimento da filosofia e da teologia morais. o jansenismo atacava o laxismo e defendia uma disciplina rigorosa. LIBERALISMO Conjunto de idéias e doutrinas que têm por objetivo assegurar a liberdade individual inclusive no campo moral e religioso. vivia uma forma extrema e radical da idéias de Agostinho. seguindo idéias de Cornelius Jansen. disciplinares e de costume. pois achava que a reforma dos dogmas católicos e da ética romana deveria usar moldes agostinianos como guia. O jansenismo foi um movimento de tentativa de reforma. principalmente em face de sua forte ênfase sobre a doutrina da predestinação e sobre o ensino que a graça divina se limita aos eleitos. Ele não reconhece como verdadeira nenhuma religião. eqüivale no campo do conhecimento à valorização da experiência individual.JANSENISMO (Do francês jansénisme). É contrário a qualquer tipo de intolerância. O termo "jansenista" adquiriu significados secundários. Ensina que todas devem ser toleradas e que todas são matéria de opinião. e é direito de todos os indivíduos seguirem aquilo que a sua fantasia quiser. . LIBERALISMO POLÍTICO – Defende a valorização da livre iniciativa e da liberdade individual no campo da política e da economia. publicado dois anos após a sua morte. mas um sentimento e um gosto. Causou grande comoção. Preconiza o direito ao indivíduo de adotar idéias e posições avançadas. tanto intelectual quanto sensível. como de escrúpulos éticos extremos e grande rigor quanto às questões dogmáticas. bispo de Ipres (1585-1638). Foi adotada a principio na abadia de Port-Royal e condenada pelo para Inocêncio X em 1653. não é um fato objetivo nem milagroso. É a doutrina segundo a qual não existe verdade positiva em religião. Jansen buscava respostas para certas questões doutrinárias levantadas pelo luteranismo e pelo calvinismo. dentro da Igreja Católica Romana. · LIBERALISMO RELIGIOSO – foi um desenvolvimento da teologia alemã posterior ao iluminismo. mas num credo vale o outro.

especulações abstratas. ou apenas uma instância da mente. MITO Vem do grego. apresentada como histórica. etc. um homem pode sentir-se restringido por sua própria consciência e pela fé bíblica. que significa "contar". ao final dos tratados de física. Assim. monos. Ainda no sentido da unidade da verdade. em sua discussão sobre o problema corpo-mente.C. como numa igreja. contada como se fosse histórica e real. sua cultura. mas não por outras forças.LIBERALISMO ÉTICO – Não admite nenhuma restrição imposta por algum sistema. o termo meta (depois) tomou o sentido de "mais além" dos domínios da física. na liberdade de qualquer tipo de obrigação. tem a liberdade de tomar suas próprias decisões éticas. Ele usava a palavra "monismo" a fim de designar a idéia daqueles filósofos que reconhecem somente a existência do corpo físico. por meio de cujo princípio tudo existe e opera. Esse termo foi introduzido na filosofia por Christian Wolff. Essa palavra procede de Andronico de Rhodes. Refere-se a qualquer doutrina que diz que algum princípio único governa todas as coisas. o mito consistindo em história da (s) divindade (s). Em teologia. Em quase todas as religiões primitivas e desaparecidas. suas crenças religiosas. necessariamente. "narrar uma ficção". visto que Deus é a fonte originária de toda verdade. no ano 70 a. Passou a designar as teorias racionais que se situam além da verificação experimental dos fenômenos físicos aparentes. Pode-se aplicar o monismo para o cristianismo para o cristianismo no sentido de que postula uma única causa da existência. existe um forte elemento mítico. relacionada a tradições cosmológicas e sobrenaturais de um povo. A liberdade ética pois. o Estado. seus heróis. Escreviam-se então. uma única fonte da vida. METAFÍSICA Ramo da filosofia que trata dos princípios e fundamentos das coisas primárias. pressupõe a existência desta (s). MONISMO Esse vocábulo vem do grego. ou realidade última. agindo ativa e passivamente no tempo e no espaço. ou ainda existentes. e que fazem da mente apenas uma função do cérebro. Não obstante ao apresentado o monismo mostra outras formas: . etc. pensando que o corpo físico é uma ilusão. sobre quaisquer bases e de acordo com qualquer sistema ou teoria. mythos. que passaram a ser conhecidas com o nome de meta ta phusia (depois da física). que colecionou pela primeira vez. Um mito é uma ficção popular. Com o passar do tempo. os escritos de Aristóteles. numa fé religiosa. que propões que toda verdade é uma só. mas somente na liberdade de certos tipos de restrição. Pode-se dizer que é uma estória. O pensamento religioso dos povos primitivos se expressa quase que exclusivamente através de mitos. não implica. O homem como indivíduo. ou que reconhecem somente a existência da mente. "único". Também pode ser uma doutrina panteísta em que Deus e a natureza se dissolvem em uma só realidade impessoal. com seus deuses.

os autores israelitas se referem a um só Deus. que tem interesse pelo homem. como por exemplo: MONOTEÍSMO ÉTICO – que é a afirmação de um só Deus com base ética. 1. e seus representantes divinos. desta forma ao narra a criação (Gn. Transcende todos os reino do ser e do sentido. alguma coisa neutra. são superadas naquele que é último e que transcende a todos eles. 1-2. Assim desde os primeiros capítulos da Bíblia. dos quais ele provê e no qual desaparecem. . Todos os conflitos entre os deuses. entre o divino e o demoníaco. Essas leis. 4). fizeram quando identificaram Zeus como ultima cidade ontológica. "Deus. o mesmo dizia que a realidade básica do mundo nem é a matéria física e nem é a idéia. Ele representa o poder e o valor da hierarquia. incluem sobretudo as normas de conduta apodicamente formuladas. que exige completa obediência.MONISMO NEUTRO – defendido por Bertrand Russel. por meio da qual se expressam. garantindo para o homem um teísmo baseado no amor. de Moisés. O deus-monarca impera sobre os deuses inferiores e sobre os seres da natureza divina. É o mesmo e único Deus que aparece nas histórias de Caim e Abel. dos Patriarcas. segundo as leis que expressam a vontade de Deus. Há muita idéias associadas ao monoteísmo. Foi isto que os estóicos. Deus como único Criador. Os conflitos entre os deuses estão reduzidos por seu poder. O Deus único criou tudo. o que empresta imenso poder à percepção dos sentidos e suas capacidades. intervindo. Ele determina a ordem de valores. o texto sagrado menciona EL ou ELHOIM (Deus). O Deus único é Pai. de Noé. Está na linha divisória entre politeísmo e monoteísmo. Essa é a proposição mais consoladora da religião. de diferentes modos. em que a vontade de Deus assumiu forma concreta. dos profetas que anunciam a sua encarnação na Pessoa de Jesus Cristo. que continua interessado pela sua criação. "único" e theós. Ela indica aquele ensino que só existe um Deus. ainda indefinida. que tudo tira do nada por sua palavra toda-poderosa. O monoteísmo tem outras formas. Desde o princípio Javé foi considerado um Deus de propósito ético. Seu fim seria o fim de todos aqueles sobre os quais ele impera. O Javinismo era uma religião de vida e conduta. entre os deuses e as coisas. MONOTEÍSMO MÍSTICO – afirmação de um só Deus por razões místicas. MONOTEÍSMO Essa palavra vem do grego mónos. Deus não pode deixar de existir e a sua vida não depende de qualquer coisa externa ou fator sustentador. MONOTEÍSMO MONÁRQUICO – afirmação de um só Deus com soberania absoluta. os fenômenos materiais e mentais. mas antes. MONISMO EPISTEMOLÓGICO – assevera que o objeto conhecido e o processo de conhecer são uma só coisa dentro da relação-conhecimento. em favor do fundamente e abismos divinos. com: Deus é dotado de vida necessária e independente.

O monoteísmo trinitário é o monoteísmo concreto: a afirmação do Deus vivo. onde C. ou ainda "Teologia dialética". Gustaf Aulém e Ander Nygren tornaram-se seguidores. com os irmãos Niebuhr. não tem um conjunto articulado de fundamentos em comum. tais como Dietrich Bonhoeffer. Começou com a crise associada à desilusão que seguiu a Primeira Guerra Mundial. e em outros lugares igrejas e países começaram a ler a respeito do movimento e a observar aquilo que estava acontecendo. Dodd e Edwyn Hoskyns se envolveram. Para os neo-ortodoxos. feito por Hitler. É uma tentativa de falar do Deus vivo: o Deus em quem estão unidos o último e o concreto. A primeira reação eficaz contra o liberalismo teológico foi promovida por Karl Barth. Este movimento também foi chamado de "Teologia da crise". que retomando Kiekegaard. A neo-ortodoxia não é um sistema único. outros a voltarem à sua pátria tais como Barth. a se exilarem. Na melhor das hipóteses. e é técnica de colocar os opostos. NEO-ORTODOXIA O termo neo-ortodoxia significa uma "nova ortodoxia". com uma rejeição do escolasticismo protestante (que foi quando Melanchthom abandonou a intransigência dos outros Reformadores e colocou seu profundo conhecimento do pensamento aristotélico a serviço da Escritura). A nova abordagem metodológica do movimento envolvia o uso do pensamento dialético que remonta ao mundo grego e a Sócrates. pode ser descrito como uma abordagem ou atitude que começou num ambiente comum. a imanência de Deus e a melhoria progressiva da humanidade. Foi usado por Abelardo em Sic et Non. A repressão resultante. e o método dialético que procura descobrir a verdade no opostos dos paradoxos leva a uma fé verdadeira e dinâmica. Não é uma questão com o número três. pelo uso de perguntas e respostas para derivar o discernimento e a verdade. muitos líderes do movimento neoortodoxo encontraram-se com outros cristãos alemães em Barmem em 1934 e publicaram um declaração contra os males do nazismo. os paradoxos da fé devem permanecer exatamente assim. além de "Neo-ortodoxia". não é um movimento unificado. denunciou vigorosamente todas as tentativas de amordaçar Palavra de Deus com a razão. na procura da verdade. um contra o outro. forçou alguns como Paul Tillich. nos Estados Unidos. Com a ascenção do movimento nazista na Alemanha. e com uma negação do movimento liberal protestante que tinha ressaltado a acomodação do cristianismo à ciência e à cultura ocidentais. Em pouco tempo esse movimento alcançou a Inglaterra. H. na Suíça. porém dentro em breve passou a se expressar de vários modos. .MONOTEÍSMO TRINITÁRIO – afirmação de um só Deus em três pessoas distintas. alguns a se esconderem.

ao qual resposta da humanidade deve ser escutar. como a Palavra que Se fez carne. pelo uso de perguntas e respostas para derivar o discernimento e a verdade. outros a voltarem à sua pátria tais como Barth. Essa revelação é a Palavra de Deus num sentido tríplice. um ato dinâmico da graça. as Escrituras. Ortodoxo encontraram-se com outros cristãos alemães em Barmem em 1934 e publicaram um declaração contra os males do nazismo. e é técnica de colocar os opostos. quanto à forma como ela é controlada. que é o veículo para proclamação do Verbo que se fez carne. Jesus. alguns a se esconderem. ortodoxo encontraram-se com outros cristãos alemães em Barmem em 1934 e publicaram um declaração contra os males do nazismo. A repressão resultante. a se exilarem. que apontam para a Palavra que Se fez carne e o Sermão. que é totalmente outro em relação a Sua criação. Para os neo-ortodoxos. forçou alguns como Paul Tillich. que é o veículo para proclamação do Verbo que se fez carne. A nova abordagem metodológica do movimento envolvia o uso do pensamento dialético que remonta ao mundo grego e a Sócrates. A repressão resultante. e o método dialético que procura descobrir a verdade no opostos dos paradoxos leva a uma fé verdadeira e dinâmica.O conceito teológico fundamental do movimento foi aquele do Deus soberano e completamente livre. redimida. denunciou vigorosamente todas as tentativas de amordaçar Palavra de Deus com a razão. além de "Neo-ortodoxia". Também que a auto-revelação de Deus. Foi usado por Abelardo em Sic et Non. . forçou alguns como Paul Tillich. que é totalmente outro em relação a Sua criação. como também enfatizou a unidade das Escrituras e ajudou a precipitar um novo interesse pela hermenêutica. feito por Hitler. A relevância desse movimento foi tirar a Bíblia das mão dos críticos liberais que procuraram só pela crítica-histórica explicá-las. a se exilarem. ou ainda "Teologia dialética". e como Ele determina revelar-Se a ela. A primeira reação eficaz contra o liberalismo teológico foi promovida por Karl Barth. tais como Dietrich Bonhoeffer. O conceito teológico fundamental do movimento foi aquele do Deus soberano e completamente livre. Essa revelação é a Palavra de Deus num sentido tríplice. alguns a se esconderem. quanto à forma como ela é controlada. outros a voltarem à sua pátria tais como Barth. redimida. que apontam para a Palavra que Se fez carne e o Sermão. ao qual resposta da humanidade deve ser escutar. e como Ele determina revelar-Se a ela. Jesus. Este movimento também foi chamado de "Teologia da crise". como a Palavra que Se fez carne. que retomando Kiekegaard. um ato dinâmico da graça. um contra o outro. os paradoxos da fé devem permanecer exatamente assim. as Escrituras. tais como Dietrich Bonhoeffer. A relevância desse movimento foi tirar a Bíblia das mão dos críticos liberais que procuraram só pela crítica-histórica explicá-las. Também que a auto-revelação de Deus. feito por Hitler. na procura da verdade. como também enfatizou a unidade das Escrituras e ajudou a precipitar um novo interesse pela hermenêutica.

como também enfatizou a unidade das Escrituras e ajudou a precipitar um novo interesse pela hermenêutica. inclusive na escola cristã de Alexandria. denunciou vigorosamente todas as tentativas de amordaçar Palavra de Deus com a razão. que foi iniciada pela incíclica de Leão XIII. O neoplatonismo teve influência no Oriente Próximo até o século VI. que apontam para a Palavra que Se fez carne e o Sermão. Também que a auto-revelação de Deus. pelo uso de perguntas e respostas para derivar o discernimento e a verdade. os paradoxos da fé devem permanecer exatamente assim. ou ainda "Teologia dialética". Jesus. e o método dialético que procura descobrir a verdade no opostos dos paradoxos leva a uma fé verdadeira e dinâmica. Para os neo-ortodoxos. Três níveis da realidade são afirmados: o da alma. O Uno é Deus. A relevância desse movimento foi tirar a Bíblia das mão dos críticos liberais que procuraram só pela crítica-histórica explicá-las. redimida. Entendesse que este movimento de retorno a doutrina de Tomás de Aquino e no anseio da cultura católica. na procura da verdade. memórias e percepções. e como Ele determina revelar-Se a ela. NEOPLATONISMO Modalidade do platonismo criado por Plotino (204-270 a. que é o veículo para proclamação do Verbo que se fez carne. um contra o outro.C. O intelecto é o repositório dos arquéticos. o do intelecto e o do Uno. um ato dinâmico da graça. como a Palavra que Se fez carne. Desenvolveu a mística do platonismo. quanto à forma como ela é controlada. NEOTOMISMO Um reavivamento do pensamento de Tomás de Aquino no século XX. A alma corresponde à mente do indivíduo com pensamentos. ao qual resposta da humanidade deve ser escutar.). A nova abordagem metodológica do movimento envolvia o uso do pensamento dialético que remonta ao mundo grego e a Sócrates. e é técnica de colocar os opostos. que é totalmente outro em relação a Sua criação. além de "Neo-ortodoxia". Este movimento consiste na defesa . Este movimento também foi chamado de "Teologia da crise". as Escrituras. O conceito teológico fundamental do movimento foi aquele do Deus soberano e completamente livre. Essa revelação é a Palavra de Deus num sentido tríplice. partindo da idéia sobre a capacidade da alma de elevar-se a contemplação dos arquéticos perfeitos do mundo. Foi usado por Abelardo em Sic et Non.A primeira reação eficaz contra o liberalismo teológico foi promovida por Karl Barth. que retomando Kiekegaard. A meta da vida filosófica consiste em se unir com o Uno.

mas sem qualquer plano construtivo. . Equivale. Certo movimento russo do último quartel do século XIX foi acusado de empregar esse termo. Em ética. na relaboração e na modernização de tais teses. designa a corrente segundo a qual não há hierarquia de valores nem qualquer verdade de ordem moral. mas Canuns. a partir dos últimos decênios do século passado. mesmo que nada seja apresentado para tomar o lugar das coisas e instituições destruídas. ou como William Hamilton. a moralidade e os valores seriam artificiais. O NIHILISMO TEOLÓGICO pode ser visto nos escritos de Nietzsche. um ato bom e positivo. como Thomas Altizer. Ou. Sartre e aqueles que promoviam o que veio a ser chamado de Teologia Radical. em termos religiosos. imperou o caos. Bakunin era defensor dessa posição extremada. Pais e Filhos (1862). desafortunadamente. mas nada se fez de construtivo. Ali. O termo deriva do advérbio latino nihil que significa nada. que declarou que "Deus está morto". Schopenhauer. também empregaram esse tema em suas discussões. em sua novela. Foi cunhado por Turgeniev. foi aceito por alguns teólogos posteriores. contrariamente. digno do nome. os estudos de filosofia medieval isto é da escolástica clássica. preservava alguns valores. mas nada tendo a ver com a verdade. dizia que o NIHILISMO está fora de um comportamento admissível. à descrença radical. então pode indicar que nossos conceitos de Deus são obsoletos. O NIHILISMO POLÍTICO chega ao extremo de afirmar que a destruição da ordem social herdada é. que substituísse o que eles pretendiam eliminar. contudo. Muitos oficiais russos foram mortos. servindo a pessoas e a classes. em uma tentativa de destruição. NIHILISMO Doutrina filosófica que nega a existência do absoluto. Esse termo pode tornar-se absolutamente ateísta: Deus não existe. Um dos mais importantes efeitos da florescência neotomista é a importância renovada que asseveram. o termo tinha um significado político. Esse vocábulo tem sido largamente usado em vários campos e com vários sentidos.polêmica das teses filosóficas tomistas contra as diversas direções da filosofia contemporânea e indiretamente. por si mesma. ensinando que a renúncia e a simpatia têm algum valor. O NIHILISMO ÉTICO afirma que não existem valores genuínos. Esse tema. O PESSIMISMO é uma forma de NIHILISMO ÉTICO.

terrível. primeiramente como o gnosticismo e depois com outros erros a respeito da trindade e da pessoa de Cristo. Uma divisão da filosofia e da teologia emprega esse vocábulo para indicar o estudo geral e o conhecimento do ser. "ontos" "SER" e logia. O termo não é bíblico. A aceitação rigorosa da "regra de fé" (regula fidei) era exigida como uma condição prévia da comunhão. A palavra expressa a idéia de que certas declarações sintetizam como exatidão o conteúdo do Cristianismo às verdades reveladas e. em contraste com a heresia ou a heterodoxia. A idéia da ortodoxia veio a ser importante na igreja a partir do século II. quando foi cunhado por Clauberg. por causa da inclusão da cláusula "filioque" no seu credo. Essa palavra foi chamada por Rudolph Otto com base no termo latino numem.NUMINOSO Designação dada ao que é influenciado ou está sob dependência da divindade. É a experiência do Outro. referindo-se à finalidade misteriosa. e dessa maneira. ONTOLOGIA A palavra ontologia deriva-se de dois termos gregos. "conhecimento". santa. que nos deixa admirados. do incompreensível – de Deus. chegamos a conhecer a Deus. ORTODOXIA O equivalente em português da palavra grega "orthodoxia" (de orthos "certo". tinha-se tornado o termo padrão para indicar o estudo do ser. o que significa crença correta. portanto. Nenhum escritor secular ou cristão usa-o antes do século II. por causa de conflitos. embora o verbo orthodoxein esteja em Aristóteles. bem como os dogmas e as doutrinas. são por sua própria natureza normativas para a igreja universal. é uma divisão de metafísica. Pelo fim daquele século. em 1647. conforme é possível ao homem conhecê-lo. aterrorizadora e sagrada da deidade. Essa experiência do numinoso é aquilo que está por trás de todas as grandes religiões do mundo. Esse termo foi usado pela primeira vez no século XVIII. e doxa "opinião"). . ressaltavam a importância da ortodoxia quanto a soteriologia dos credos da reforma. Os teólogos protestantes do século XVII. O termo numinoso tem por propósito transmitir a idéia da Presença do Espírito Divino. o que por sua vez. E a experiência que gera todas as respostas morais e éticas da religião. especialmente os luteranos conservadores. do Santo. e surgiu uma multiplicidade de credos que explicavam essa "regra". A Igreja Oriental se autodenomina "ortodoxa" e condena a Igreja Oriental como heterodoxa.

professor de teologia sistemática em Heidelberg (1955). Porque para ele a história é o princípio de averiguar o futuro com a revelação da Palavra. Para Pannenberg. conforme elas foram definidas pela Igreja. Quando foi publicado seu livro Jesus – God And Man em 1968. oferecendo uma exagerada simplificação. A verdade revelatória está necessariamente inerente na totalidade da história e bem clara para todos quantos observam. veio a ser uma influência no mundo de fala inglesa. 1959. (Que é o homem? A antropologia atual à luz da teologia). A doutrina teológica de Pannenberg considera que a realidade histórica tem prioridade sobre a fé e o raciocínio humanos. as declarações excatedráticas dos papas. nascido em Stettin. Rejeitando certas idéias católicas romanas.Quanto ao catolicismo romano. Deixar de captar a revelação dentro da história é falha do indivíduo e da sua investigação. (Revelação como história) 1962. e não da própria história. A história está tão clara em suas funções revelatórias que sua interpretação pode ser feita sem a ajuda da revelação sobrenatural. apresenta sua teologia de dentro da categoria da história. PANNENBERG Teólogo evangélico alemão. Wolfhart Pannenberg. . pode ser chamado o teólogo da história. toda história é a revelação de Deus. as decisões dos concílios. os credos. 1964. o mesmo oferece uma base complexa para a ortodoxia: as Escrituras. Wolfhart Pannenberg. eles oferecem as "Escrituras somente". os pareceres dos chamados pais da Igreja. por sua vez. que é professor de teologia sistemática na Universidade de Munique. Os grupos protestantes. Obras principais: Heilsgeschethen Und Geschechte (A redenção como acontecimento e história). cortam o nó górdio. Wuppertal (1958) e Mainz (desde 1961).

Do ponto de vista bíblico. Imanentista – Deus faz parte do mundo e é imanente nele. . enquanto que a Bíblia apresenta um equilíbrio. dando a entender que tudo é Deus. que identifica a mente e a matéria. todos os seres e toda a existência de Deus.PANTEÍSMO Essa palavra vem do grego. + Theós. em 1705. O panteísmo é uma espécie de monismo. desde então o termo tem sido continuamente usado. · Formas de Panteísmo mais importantes: Hilozoísta – O divino é imanente do mundo e é caracterizado como elemento básico do mundo que empresta mudança e movimento à sua totalidade. embora sujeito a modificações. Nas Escrituras. mas não é idêntico a elas. Acósmico – Deus é absoluto e constitui a totalidade da realidade. embora diferentes expressões de uma mesma coisa. e que pensa que a unidade é divina. sem começo. Neoplatônico – Deus é absoluto em todos os aspectos. A forma objetivada. o panteísmo é deficiente por causa de duas considerações: Nega a transcendência de Deus e defende Sua imanência radical. e usou a forma nominal "panteísmo". Da identidade dos Opostos – qualquer dissertação a respeito de Deus deve necessariamente apelar aos opostos. pan. De acordo com o panteísmo. O universo passa a ser auto-existente. Por sua vez. o finito e o infinito tornam-se uma e a mesma coisa. Deus é o cabeça da totalidade. Deus é imutável e não é afetado pelo mundo. são concebidos como um todo. o caráter pessoal de Deus. onde Deus está ativo na história e na sua criação. E. "deus". Monista absolutista – Deus é tanto absoluto quanto idêntico com o mundo. E assim. removido do mundo transcedente sobre ele. e o mundo é o seu corpo. Sendo assim. Fay atacou a filosofia de Toland. "panteísta". foi cunhada pela primeira vez por John Toland. "tudo". Tendência de identificar Deus com o mundo material. Monista Relativista – O mundo é real e mutável. negando assim. De acordo com o panteísmo. Deus é retratado supremamente como uma pessoa.

o pietismo teve início entre os luteranos da Alemanha. a retidão pessoal. também. "aquele que cumpre seus deveres". as pessoas transformam-se em atores. A necessidade de experiências religiosas pessoais. associado principalmente a Philipp Jakob Spener. Mas a palavra alude a uma reverência especial diante de Deus. Essas coisas são enfatizadas em lugar do ritualismo e das formalidades do culto. Tinha organizado escolas para os pobres. Também houve uma pronunciada ênfase antiintelectual. mas a sua mensagem não tardou as espalhar-se por toda a Alemanha e daí para outros países. incluindo misticismo. Como um movimento organizado. John Wesley e o metodismo primitivo podem ser classificados como um movimento pietista. em vez de ritos. um orfanato. considerados dotados de espiritualidade inferior. organizada pelo enteado de Spener. sacramentos e da religiosidade. Um teatro religioso. O mais notável discípulo de Spener foi August Hermann Framke. o valor do misticismo. a necessidade de uma conversão que realmente mudasse a vida do indivíduo. o tema pietismo assumiu uma conotação negativa. No grego temos sébomai "ser piedoso". Ele servia como pastor em Frankfurt-ammain. no fim do século XVII. O metodismo trouxe de volta à igreja a necessidade de uma experiência religiosa pessoal. Por causa desses vícios. o calvinismo. desnecessária. que causou forte desequilíbrio no movimento. Spener cria que a ênfase original da reforma protestante. ou seja. a santidade e a devoção. A corrente principal do luteranismo tornara-se rígida em suas doutrinas e morta no sacramentalismo. sobre a conversão pessoal. Outrossim. historicamente falando o metodismo foi muito influenciado pelo pietismo alemão. procurando ser mais piedosas. caiu no legalismo dogmático. um desprezo relativo aos credos. a santificação e a experiência religiosa tinha-se perdido essencialmente. a fraternidade universal dos crentes. e uma santificação que continuasse esse processo. "ser reverente". A igreja morávia. e foi mui significativa a sua ênfase sobre as experiências místicas. uma casa publicadora e outras obras de caridade. . Ele foi um bem sucedido professor e obreiro cristão. uma religiosidade que gera mais calor emocional do que iluminação fanatismo. adotou a prática dos princípios pietistas. De fato. o conde Von Zinzendorf. axetismo e separação desnecessária de outros cristãos. o que justifica o seu protesto e o movimento que daí resultou.PIETISMO A base latina dessa palavra portuguesa é pius. A ênfase do pietismo recai sobre as experiências religiosas. o calor emocional na religião cristã. passando a ser aplicado a fanáticos e sonhadores religiosos. ou mesmo como se nem fossem cristãos autênticos. entusiasmadas e dotadas de mais profundas experiências religiosas do que outras pessoas. segundo a história informa-nos. era combatido por ministros e teólogos invejosos. e.

propriamente. no caso designa a teoria dessa arte. os dunkers (batistas alemães). o que também sucedeu ao luteranismo norte-americano. Podemos defini-la assim: Hermenêutica é a ciência que nos ensina os princípios. que a palavra hermenêutica deve sua origem de Hermes. o que pode chegar a uma clarificação. Spenes e Francke aspiravam outras variedades de Pietismo alemão. A igreja reformada alemã da América do Norte exerceu uma influência pietista sobre povo reformado alemão naquele continente. também. Diz-se. um novo interesse por Lutero e sua teologia.O metodismo. porque trata de um livro peculiar no campo da literatura – a Bíblia como inspirada palavra de Deus. na Georgia prostrou relevantes contribuições ao Pietismo. leis. tornando as palavras inteligíveis e significativas. Talvez possamos dizer que a maioria das igrejas pentencostais da atualidade retém tanto as virtudes quanto os vícios desse movimento. ou a um comentário adicional. . mas. se deriva do verbo Hermeneuo.. texto. A Hermenêutica "Sacra" tem caráter muito especial. quer isto dizer que. tais como. João Wesley em 1735. Hermes transmitia as mensagens dos deuses aos mortais. O conde Nikolas Vom Zinzendory. profecia. não só as anunciava textualmente. poesia. os mononitas. história. PRINCIPAIS EXPOENTES DO PIETISMO – Philipp Jacob Spener é considerado o Pai do Pietismo. através dele. eides da igreja Marávia renovada. mas agia também como intérprete. as leis e os métodos de interpretação. Os irmãos unidos em Cristo e a igreja Evangélica foram denominações que incorporaram tendências pietistas. outra descobrir as instruções contidas em formas simbólicas. a arte de Hermeneuein (interpretar). Johann Albrecht (1687-1752) Haus Nielsem Hauge (1771-1824) que teve. era afiliado de Spener e aluno de Francke. A Hermenêutica "Geral" se aplica a determinados tipos de produção literária. A Expansão do Pietismo. os Schewenkfelderes e os morávios devem todas alguma coisa ao pietismo. em 1666 foi chamado para ser o ministro principal em Frankfurt-am-Main. num aspecto ou noutro. A igreja reformada holandesa também teve líderes cujos discípulos salientaram esse conceito. etc. PRINCÍPIO HERMENÊUTICO A palavra Hermenêutica é derivada do termo grego hermeneutike que. por sua vez. Consequentemente a hermenêutica tem duas tarefas: Uma determinar o conteúdo do significado exato de uma palavra. frases. Platão foi o primeiro a empregar Hermeneutike (subentendendo-se a palavra techne) Hermenêutica é.

assim. ao Evangelho. e portanto da Igreja. Em sua orientação de conjunto. que se julgava sua depositária e intérprete. REFORMA A Reforma foi a renovação da vida religiosa acontecida na Europa do século XVI pelo retorno às origens do Cristianismo. isto é. e a todos os rituais e às glosas que havia acumulado durante séculos. Explicando que a realidade dos indivíduos derivava do universal. e a humanidade como um universo procedia o homem como indivíduo. No texto Contra Henrique VIII da Inglaterra (1522) Lutero contrapunha a tradição eclesiástica. o retorno direto à palavra de Jesus Cristo. ULTRA-REALISTAS: (século XII) expandiu a teoria de Agostinho que tinha modificado o realismo de Platão ao sustentar que as proposições universais existiam na mente criativa de Deus antes do universo material. nas portas da catedral de Wittenberg. à parte dos objetos em particular. REALISMO METAFÍSICO: Advoga a existência da realidade metafísica em si mesma. de onde tudo programa. Preparada pelo humanista Erasmo de Roterdão (1466-1536). o retorno aos princípios levava a negar o valor da tradição. não pondo em dúvida a possibilidade do seu conhecimento. a Reforma protestante apresenta-se como um dos meios de realização daquele retorno aos princípios que foi a divisa do Renascimento. naquilo que elas tem de invaríavelem face da multiplicidade do vir a ser. . Explicando. No domínio religioso. O Realismo Gnoseologico dos Milésios eles admitiam a existência real de uma substância das causas. a Reforma foi iniciada pela obra do monge agostiniano Martinho Lutero (1483-1546) que em 1517 afixou. 95 teses contra a venda das indulgências.REALISMO Doutrina medieval. mas na sua substância verdadeira. de uma entidade (digamos assim) metafísica. a universalidade do pecado na raça humana e a unicidade da trindade. REALISMO GNOSEOLÓGICO: é o que admite a possibilidade do conhecimento das causas. independentemente das coisas em que se manifestam. originada na teoria das idéias de Platão segundo a qualos universais existem por si. de que estas se constituíam. Refere-se a uma existência separado.

poderíamos distinguir três alas: 1) a direita. mas também estes subtraídos de qualquer supervisão sacerdotal e considerados como expressão da relação direta do homem com Deus. em sua forma preliminar. 2º) a negação da liberdade humana e o reconhecimento da predestinação da parte de Deus. Wasler e Burdach para explicar o RENASCIMENTO espiritual do homem adâmico morto pelo pecado. 3) a esquerda. Os grandes líderes da Reforma. no século XIV e com John Huss. 2) O centro. isto é. isto é. além de Lutero. segundo Lutero. a justificação por meio da fé. constituído pelo luteranismo e o calvinismo. batismo. com John Wycliffe. Pode-se dizer que a Reforma começou. tornando-se quase sinônimo de protestantismo. no século XVI. cerimônias) e a redução dos sacramentos àqueles que são mencionados pela Bíblia. Dentro da Reforma protestante. que se encarna no anabatismo. de "Reforma". eucaristia. das técnicas religiosas (ritos. porém. penitência. foram Zwinglio e Calvino. o trabalho inicial de Lutero teve continuidade graças aos esforços de Melanchthon e João Knox. a qual implica dois corolários fundamentais: 1º) a negação do valor das obras. Quando. uma vez que a Igreja Católica institucionalizava a religião e asseverava os seus dogmas sem nenhuma flexibilidade para discussão a respeito. mas apenas "reformar" a existente. formar uma Igreja separada. se consumou a separação entre católicos e protestantes. que foi outra figura espiritual que lançou o alicerce sobre o qual a Reforma veio a ser edificada. Michelet e Burckhardt usaram esse vocábulo para enfocar a historicidade do período em 1855 e 1860. sacrifícios. que conservou numerosos elementos "católicos". No movimento renascentista. como único "serviço divino" que possuía valor religioso. Verifica-se portanto que o tema religião discutido . A Reforma é o berço de toda a teologia moderna. que não rejeitaram completamente uma constituição hierárquica da Igreja. com sua rejeição da hierarquia. do sentido salvífico dos sacramentos e do batismo de crianças. representada pelo anglicanismo. No sentido teológico a palavra RENASCIMENTO foi usada nos estudos de Hildebrand. os quais não pretenderam. Lutero opôs o exercício dos deveres civis. Ao culto sacerdotal.O ensinamento fundamental do Evangelho é. o RENASCIMENTO religioso enfatizava o principal objetivo da religião que seria levar o homem de volta a DEUS. o nome da Reforma veio adquirir um aspecto nitidamente confessional. Além de Zwinglio e Calvino. A fé é o sinal seguro desta predestinação e portanto o indício da salvação. RENASCIMENTO Este termo deriva-se do francês Renaissance e corresponde a um movimento literário. artístico e filosófico desenvolvido no período dos séculos XIV e XVI na Europa Ocidental. Por isso foram chamados de "reformadores" e sua ação. inicialmente.

dentro do RENASCIMENTO contribuiu eficazmente para a revolução teológica que reflete até nossos dias que foi a REFORMA PROTESTANTE. sendo julgada de conformidade com ela. Não admitia que Jesus tinha feito qualquer milagre. Straus não aceitou a mensagem de Cristo. Julgado de acordo com suas obras/atos. Eles pretendiam fazer uma revisão dos relatos bíblicos. Prestação de contas dos seus atos. esse título. REVISIONISMO: Espiritual 1º Revisionismo crença que a verdadeira pessoa é uma alma sobrevive a morte biológica. no estado espiritual. Avaliação da qualidade da vida. Henrique Paulus (1761 a 1877) publicou em 1928 a obra vida de Jesus Paulus. é comumente dedicado a Herman Reinamein. Revisão da vida anterior à morte. e primeiro revisionista não podemos dizer que Ritschel é o pai do movimento revisionista. O revisionismo biografo procurava desmistificar a deidade de Cristo. Era o tema central do revisionismo. ou seja a vida além do túmulo. a qual. O revisionismo nasceu dentro a teologia moderna e adeltro a teologia contemporânea até hoje os teólogos influenciam. seja o pai da teologia liberal e dos principais. 2º O movimento revisionista foi um movimento teológico moderno que tinha como objetivo a busca do Cristo histórico. e também recontar a história de modo racional. David Frederich Straus (1808 a 1877) Straus também escreveu a obra a Vida de Jesus. Embora Ritschel. Por isso pretendiam fazer uma biografia corrigida de Jesus. sobre a vida de Cristo. precisa enfrentar uma revisão da vida na carne. .

No secularismo as dimensões – presente e imanente de existência estão revertidos dos atributos do eterno e do transcendente. o natural mais do que o sobrenatural. o Deus sobrenatural criou o mundo e sustenta a sua existência. O secularismo carrega uma falha fatal. como filosofia abrangente de vida. e objetivo da adoração. O secularismo é uma ideologia. adorando e servindo a criatura em lugar do criador" (Rm. e das organizações sociais (não-religiosas) humanas. Embora Deus haja Senhor da história e do universo. Homens e mulheres. como tal constitui-se num rival do cristianismo. Educado em Tübingen e Berlim. Antes. No entanto. continua a preservá-lo. Da perspectiva da teologia bíblica cristã. utilizava-se da pura razão.25). Ele não pode ser identificado com um ou outro (panteísmo). O secularismo é uma abordagem não-religiosa da vida individual e social. da ciência. O principal expoente do secularismo é Dietrich Bonhoeffer nascer em Breslau. religião invertida e una. "pertence a uma época". sem fazer qualquer alusão à religião ou as reivindicações da igreja. Nos círculos religiosos recebe o sentido de "aquilo que pertence ao mundo de nosso tempo" e que não faz parte do que é sagrado ou espiritual.SECULARISMO Essa palavra vem do latim seculum. Tendo excluído o Deus transcendente como absoluto e o objetivo da adoração. tornou-se pastor luterano e trabalhou em Barcelona e Nova York. o secularismo inexoravelmente torna o mundo do homem e da natureza absoluta. o secularismo é o culpado porque "mudaram a verdade de Deus em mentira. Prússia (depois Wroclaw. porque nega e exclui Deus e o sobrenatural numa fixação míope naquilo que é imanente e natural. 1. para uma visão fechada do mundo que funciona semelhante a uma religião. pelo seu conceito reducionista da realidade. Em termos bíblicos. e age para redimi-lo. Em termos gerais. o secularismo envolve uma afirmação da realidades imanentes deste mundo. a 4 de fevereiro de 1906. Na discussão contemporânea. E uma cosmovisão e um estilo de vida que se inclina par ao profano mais do que para o sagrado. na Polônia). O secularismo procurava aprimorar as condições humanas. Em 1931 . Este mundo (o saeculum) tem valor porque Deus o criou. o secularismo e o humanismo são freqüentemente vitais como uma só dupla que forma o humanismo secular – uma abordagem da vida e da sociedade que glorifica a criatura e rejeita o criador. existem em liberdade e responsabilidade que o homem tem com Deus e o mundo. expressa um entusiasmo sem reservas pelo processo da secularização em todas as esferas da vida. O secularismo veio a ser uma espécie de movimento do tipo humanista. O secularismo. Nenhuma discussão contemporânea do cristianismo e secularismo pode deixar de lidar com as cartas e papéis da Prisão escritos por Dietrich Bonhoeffer. E uma forma de religiosidade.

Ao cristianismo essencial ao que chama razoável. na produção de bens de consumo. . Quando Hitler subiu ao poder em 1933. o que sugeria a possibilidade de haver cristãos arreligiosos. nas artes. quando dizia que a igreja não existe senão quando é "para os outros". SÉCULO XIX Mudanças profundas na sociedade. nos conceitos científicos. Propunha como uma das soluções a interpretação não-religiosa dos conceitos bíblicos. dedicado a causas humanistas. SECULARIZAÇÃO A palavra secular provém do termo latino. do final do século anterior. A secularização é como ameaça e precaução. mas está no mundo. Em 1935 foi chamado a assumir a direção de um seminário clandestino em Finkenwald.assumiu a cátedra de teologia sistemática na Universidade de Berlim. O que ele asseverou é que o cristão moderno deve ser um homem também voltado para atividades seculares. última conseqüência das mudanças processadas pelo Iluminismo. A Secularização adquire significados da distinção medieval entre aquilo que ficava sob jurisdição eclesiástica ou monástica ou aquilo que não ficava por serem de competência do Estado. não como quem governa e comanda. Este homem novo. mas como quem serve. O destinatário do evangelho é o homem novo. significando "esta idade presente". É a inversão de valores dentro dos campos teológicos e secularistas. Bonhoeffer estava em Londres e decidiu lutar contra o nazismo. que significa era ou época. fizeram sufocar o anseio doentio por um nacionalismo exacerbado. Havia a violenta substituição do Absolutismo pelo "terceiro estado da burguesia". Essa ditadura só será subjugada por Napoleão e suas guerras Imperialistas. A Secularização é uma palavra temporal usada para traduzir a palavra grega "aeon". A Secularização é uma ameaça provocante. caracterizam o século dezenove. que deve ser levada a sério. não nos deve causar medo. O problema central de sua teologia era como ser cristão num mundo secularizado e ateu. onde o ser humano começa a se voltar para o presente esquecendo completamente o futuro. A provocação da Secularização é um desafio às nossas igrejas de nos integrarmos às necessidades humanas. na Pomerânia. saecelum. havia a Revolução Francesa. Dirigindo a nova orientação do período. que por sua vez. A igreja deve participar das tarefas humanas. sufocada no terror sanguinário da Ditadura Jacobina. Secularização é a libertação do que é mundano em relação ao que é santo. A igreja não deve permanecer fora do mundo. A secularização como teologia surgiu com Bonhoeffer. tendo como objetivo principal Jesus Cristo.

A Teologia Contemporânea nasce sob as hostilidades de teólogos liberais e neo-ortodoxos. O século do artista e de seu atrevimento. depois de sofrer certa pressão no século XVIII e começos do XIX. como para os demais românticos. Quando o Romantismo passou de moda. Ele aproveitou as idéias principais do Iluminismo e do Romantismo e s incorporou em um sistema teológico. tratado que definia as relações da Igreja Católica Romana na França com o Governo. Da esperança perdida. tais como a liberdade de consciência e de culto. Sentimo-nos dependentes não somente de outras pessoas. mas também do Infinito. Schleiermacher formulou sua obra-prima de teologia sistemática. Entre 1800 e 1821. que adentra a Teologia Contemporânea. Na religião o século XIX encontrou o papado em grande humilhação. O século da questão social. ou pelo menos a ele atrelada e dele dependente e auxiliada. e do medo da morte que afora devia ser enfrentada sem Deus. a teologia de Schleiermacher passou também. A hostilidade do papado ao progresso do mundo moderno manifestou-se de vários modos. cada indivíduo deve desenvolver-se como uma pessoa.. Após a queda de Napoleão. Imperador da França. O século do cidadão. publicado em 1864. Schleiermacher continuou sua atividade como pregador e professor de teologia sistemática. de Pio IX. Por esse tratado "a igreja ficava sujeita ao Estado". Para Schleiermacher. Muitos indicam Friedrich Schleiermacher (1768-1834) como o pai da Teologia Moderna. Nesse documento foram denunciados como "erros". um século de tolhedora tristeza e de branda melancolia. O século da declaração da morte de Deus. Um mundo de anseio à morte prematura. Durante essas duas décadas. porém. O segundo instante da Teologia se evidencia na Teologia Liberal. da morte. ele deixou uma marca que dura até hoje. do Tudo. Mas é também o tempo de um mundo pintado pelos impressionistas. desde o início do século XIX e encontrou sua máxima expressão no SILABUS. Schleiermacher formulou uma teologia à luz do Romantismo. enfrentou poderosamente todos os surtos do processo humano. realizou com o Papa Pio VII a concordata. O século do materialismo e do material. o século do drama. de ideais abandonados. vários elementos.. A Igreja Católica Romana. É o século do medo. Pio VII voltou a Roma e os Estados papais foram restabelecidos. do Universo – enfim. cada um de nós também vive num estado de dependência. Mesmo assim. . frágil e passadiço. A vida humana envolve uma tensão entre a dependência e a independência. Além dessa auto-afirmação. de sua arrogância. de Deus. o primeiro instante da Teologia Moderna como se sabe é a Reforma que se constituiu no oferecer de uma nova era teológica. e essa dependência é a base de nossa vida religiosa. Em 1801 Napoleão. Cada um precisa afirmar sua individualidade. distinta de qualquer outra. resistiu às influências modernizantes e continuou desenvolvendo todos os seus elementos medievais.É o século dos grandes prospectos e das máquinas.

Já quanto aos realistas. Ritschl insistiu em rejeitar a metafísica. Por sua parte. Depois de 1850. da natureza humana. Por influência do Realismo. Ritschl apresentou-se como um estudioso do Novo Testamento e de Lutero. especialmente em questões metodológicas. A partir de Schleiermacher. por isso pretendiam fazer uma biografia corrigida de Cristo. Schleiermacher havia lançado a Teologia Liberal Protestante. O autor apresenta uma reinterpretação moralizante da fé cristã em termos especialmente atraentes para os protestantes alemães. com uma interpretação liberal da fé cristã. Ele não pretendia falar de Deus em si. Esta honra ficou para o professor Albrecht Ritschl. Por esta razão. e sua influência continua. Ritschl publicou. até hoje. Ele valorizou os "sentimentos piedosos". mas uma teologia voltada para questões éticas. a maioria rejeitou a distinção de Schleiermacher entre religião e moralidade. da Universidade de Göttingen. . Ritschl argumentou que os ortodoxos dos seus dias erraram por confundirem a doutrina cristã com a metafísica. Lutero tirou a metafísica das reflexões tão lógicas. Em lugar disso. Os três volumes desta obra tratam dos pontos de vista: (1) do Novo Testamento. A Teologia Moderna é marcada pelo revisionismo. História do Cristianismo e Dogmática. em três volumes. e Tomás de Aquino argumentou de pressuposições aristotélicas. eles queriam saber o efeito da doutrina na vida e na sociedade. sua obra-prima: Die Christliche Lehre von der Rechtfertigung und Versohnung (A Doutrina Cristã da Justificação e Reconciliação). Para Ritschl. dizendo que os sentimentos piedosos equivaliam ao senso de consciência absoluta de Deus. ele se limitou a falar da "modificação do sentimento. (2) da História do Cristianismo. Ritschl (1822-1889) era um pesquisador incansável. Em matéria de religião. Lutero – o herói das mais diversas teologias alemãs – desvinculou a teologia da metafísica. um número crescente de teólogos queria uma teologia reduzida. Schleiermacher iniciou a Teologia Liberal Protestante – um movimento que cresceu durante o século XIX e que existe ainda hoje. e a ortodoxia a trouxe de volta com Melanchton e Ritschl a retirou em suas formulações teológicas liberais. Revisionismo foi um movimento teológico moderno que tinha como objetivo a busca do Cristo histórico. que ele apreciava desde sua formação pietista. a ortodoxia protestante restaurou a metafísica à teologia. (3) da Teologia Sistemática.Schleiermacher começou por reduzir a fé às proporções dos sentimentos religiosos de cada pessoa. eliminando-a da teologia. Agostinho fez teologia de uma base platônica. Além disso a Teologia Liberal Protestante pouco enfatiza o pecado. Isto quer dizer: ele enfrentou os ortodoxos com suas próprias armas. tendo uma visão otimista. Ele dominou três áreas de estudo: Novo Testamento. Mas a Teologia Liberal Protestante não recebeu sua expressão plena de Schleiermacher. Ritschl é o primeiro dos revisionistas. esses teólogos rejeitaram o sistema que herdaram de Schleiermacher. se interessavam menos pelos sentimentos do que os românticos. embora pouco profunda. Entre 1870 e 1874. a Teologia Liberal Protestante diminuiu o peso doutrinário da fé. ou da autoconsciência imediata".

Compete a Ritschl reformular a teologia sem metafísica. Oscar Culmann. e inspirado por críticos como Soren Kierkegaard (1813-1855). Dessa maneira Ritschl se apresenta como o campeão do verdadeiro luteranismo. Os escritos de Ritschl também continham numerosos ataques contra o misticismo. A forma da teologia liberal encontrase no idealismo gnóstico de Kant. uma outra ala do protestantismo alemão. Friedrich Nietzsch (18441900). Paul Tillich. não é a infinita bondade de Deus que é salientada. Bultmann. Na "teologia da crise" de Barth (do grego krinein. Dentro da teologia contemporânea destacam-se: Karl Barth. Barth. Os escritos de Ritschl contra a metafísica eram. Nietzche e Marx. Entre os católicos: Teilhard de Chardin. na realidade. Entre os ortodoxos: Bulgakov. A teologia moderna foi construída com base em Kant e Hegel. Estes entre os protestantes. Florowsky e Lossoky. Das reinterpretações de Ritschl. outra vez. sobremodo humano. Ritschl apresentou uma nova teoria de expiação – a teoria da influência moral. na realidade. contra a ortodoxia protestante. julgar). inclusive a religião. Como ele acusou os ortodoxos de confundirem a metafísica com o cristianismo. Teólogos do século dezenove como Albrecht Ritschl (1822-1889) e Ernst Troeltsch (18651923) procuravam encontrar o espaço da teologia no mundo pós-Kantiano. Bonhofer. Lonergan. como na teologia deísta. deu início no entre-guerras a um movimento teológico que buscava alcançar aquilo que a teologia oitocentista não havia conseguido: uma teologia não iluminista e pós-Kantiana que não se evaporasse à medida que fosse produzida. que não fosse redutível a nada além da teologia cristã propriamente e da revelação de Deus em Jesus Cristo. mas o juízo divino sobre tudo que se revela humano. Brunerr. ataques contra o pietismo. A teologia liberal foi constituída nos pressupostos iluministas racionalistas. também rejeitou o pietismo como uma infiltração do misticismo no pensamento cristão. Von Balthasar e outros. Guardini Ranner. Ritschl rejeitou tanto a ortodoxia como o pietismo. Schilebuckk. A teologia contemporânea tem bases em Soren Kickegaard. . insatisfeito com as soluções propostas pelos teólogos do século dezenove. Wilhelm Herrmann (1946-1922) e Albert Schweitzer (1875-1965). Heidegger. a mais importante é sua leitura da obra redentora de Cristo. Aqui. seus argumentos antimísticos foram. Mas talvez tenha sido o teólogo suíço Karl Barth (1886-1968) quem melhor resultados alcançou nessa direção.

preservando assim a idéia de um Deus ortodoxo. não somente há razões pelas quais Deus faz tudo quanto faz. introduzindo-o na filosofia. a despeito de aparentes erros que nos cercam. sendo assim. Alguns filósofos usam o solipsismo metafísico para anular o solipsismo epistemológico. é que forma toda a realidade". Acreditar que só eu existo é tão absurdo que também é absurdo dizer que só posso Ter conhecimento de minha própria existência. Como pode haver um Deus justo. TEODICÉIA Esse termo vem do grego theos. mas não posso afirmá-lo com certeza absoluta. expõem Teodicéias. A Teodicéia de Leibnitz foi estruturada para seu sistema teológico extremamente racionalista. Utilizam-se de um argumento do reduction ad absurdum. O latim por detrás desse termo português é solus. com as suas modificações subjetivas. até onde ela está envolvida. a grande mônada. o solipsismo metafísico redunda do dilema do conhecimento: uma pessoa qualquer pensa que é a única entidade em existência. Sua Teodicéia fazia parte do seu sistema de mônadas. Deus é o único ser metafisicamente necessário. esse vocábulo usualmente designa aquela atividade que busca justificar as maneiras de Deus como os homens. temos aí um pseudodilema.SOLIPSISMO Doutrina segundo a qual a única realidade no mundo é o eu. justiça. aparece como o programados das demais mônadas. Até onde posso determinar. até onde vai o meu conhecimento. deus. no mundo em que vivemos. da atitude que consiste em sustentar que o eu individual de que se tem consciência. A idéia é que a pessoa ou mente individual. . "sozinho" e ipse. Todo-poderoso onisciente ao mesmo tempo em que há tantos males no mundo? Aqueles que procuram explicar o problema do mal. onde Deus. conforme se verifica durante os sonhos. só eu existo. Ou seja. como também tais razões são leis necessárias. e onde Deus não incorre em equívocos. tenho bases para crer que somente eu existo. Por sua vez. Leibnitz teve fazer toda espécie de ginástica para defender sua tese. todas as demais pessoas e coisas podem ser um produto de sua própria mente. Foi Leibnitz quem cunhou esse termo. A Teodicéia de Leibnitz era determinista. Além disso para Leibnitz. ou até onde a pessoa pode provar. isto é. salpicado de males naturalmente. O solipsismo epistemológico refere-se ao "dilema do conhecimento do próprio eu". Porém. "o próprio eu". Essas razões podem ser discernidas pela luz da razão pura. Em seu uso comum. sem ajuda da revelação. e dike. É possível que outras pessoas existam. é a única que existe. no sentido em que vivemos no melhor de todos os mundos possíveis. "o equivalente concreto do que os filósofos chama de solipsismo.

a contrastar com a Teologia oficial. as ocasionais manifestações tacitamente pressupõem. será demonstrado que Deus não é um Deus bom. portanto. há um número infinito de mundo contingentes finitos possíveis. Visto que Deus é totalmente bom. são pela sua própria natureza e Deus não poderia ter criado. em desejar o melhor. e Deus é livre quanto a criar ou não criar. São raras as definições claras do que seria propriamente "teologia da cruz". porque sua própria existência é o sumo bem. Outras Teodicéias bem conhecidas baseiam-se numa teologia racionalista modificada. . na maioria dos casos. na primavera de 1518. Se for possível demonstrar que Deus desejou algo inferior ao mundo melhor. metafisicamente falando. à "Teologia da Glória". e o bem metafísico é a plenitude da existência . Portanto. Foi Lutero quem. metafisicamente falando. Portanto o sistema de Leibinitz diz que Deus opera com base na razão suficiente. Se possível for demonstrar que Deus desejou aquilo que é metafisicamente melhor. ao que parece. a Teodicéia tem um grande valor apologético. Ele será moralmente digno de louvor.O mal metafísico é a finitude ou a falta de existência. por mais que alguém decididamente se distancie da mesma. TEOLOGIA DA CRUZ Por mais que divirjam as opiniões a respeito da chamada Teologia dialética. mas. isto é. Os que são maus. É herança de Paulo que Lutero levanta com sua teologia da cruz contra uma igreja que se tornou segura e saciada. A bondade moral de Deus consiste. em todo caso será preciso admitir que de modo geral é ela que dita à teologia de hoje o seu enfoque. Não houve teólogo na igreja cristã que tenha feito ressuscitar como Lutero. O sistema de Leibnitz exige que haja o melhor mundo possível. que há quatro considerações básicas: Universo Racionalista modificado. não existe nenhum mundo melhor. metafisicamente falando. à Teologia eclesial dominante. isto é. em Heidelberg. contrapôs expressamente seus "paradoxos" teológicos como "Teologia da Cruz". Evidentemente ele se serviu dessa formulação porque nela encontrou a caracterização mais sucinta e certeira da peculiaridade do evangelho. Se for possível demonstrar que Deus desejou algo inferior ao mundo melhor. as idéias de Paulo. que muitas delas respondem aos problemas do mal que são enfrentados pelas teologias para as quais são construídas. Ele já concretizou o melhor de todos os mundos possíveis. por mais que a considerem carente de contemplação e correção. Deus não é obrigado a criar mundo algum. criar um mundo é uma coisa condigna a ser feita por Deus. que a "teologia de cruz" representa o estágio préreformatório da teologia de Lutero. Deus não fará coisa alguma sem uma razão suficiente e discernível pela razão pura. a despeito da presença do mal no mundo. Essa metafísica subjaz a defesa do livre-arbítrio e também a Teodicéia da edificação das almas. Geralmente essa formulação aparece como algo que dispensa maior discussão.

só é compreendida numa vida sob a cruz. Na cruz se frustra toda concepção fictícia de Deus. o que parece odioso ao ser humano. de fato. é desejável e digno de amor e em altíssimo grau. é sábio. A teologia de Lutero.Em contrapartida defendemos a seguinte tese: a teologia da cruz é o princípio de toda a teologia de Lutero. . Podemos constatar a marca da teologia na cristologia ou na doutrina da santa ceia. Ele sabe que só Deus pode ser encontrado na cruz e no sofrimento. o que é fraco. ele é o eixo central da reflexão teológica. mas que deve ser considerada. forte. mas ele próprio é envolvido neste acontecimento. Ouvimos que. A teologia da cruz é cristocêntrica. O resultado deste estudo é para nós uma prova indireta de que a teologia da cruz não constitui o pré-estágio pré-reformatório da teologia de Lutero propriamente dita. o que é vergonha. Para o cristão. como também no caso de Paulo. a exemplo do teólogo da glória. O sentido da cruz não se revela ao pensar contemplativo. A doutrina da cruz que determinou decisivamente o conceito de Deus e de Fé. é glória. Pelo contrário. A cruz é o juízo sobre todas as ideias e obras humanas de escolha própria. essa fórmula apresenta uma característica de todo o seu pensar teológico. ela não pode ser limitada a um período particular de sua teologia. para a teologia da cruz. "A cruz põe tudo à prova". é na cruz de Cristo e do cristão que se mostra o sentido mais profundo da ação de Deus junto ao mundo. Por isso não foge do sofrimento. Denominamos a teologia da cruz como a marca de toda a teologia de Lutero. mas apenas à experiência sofredora. Face à situação real do ser humano. ela representa a inversão radical de todas as suposições humanas. O teólogo da cruz não está posicionado como espectador em relação à cruz de Cristo. O que é tolo. é apenas um mergulhão da árvore da mística medieval e de teologia monástica. como marca de todo o pensamento teológico de Lutero. ainda assim valeria a pena retraçá-la como um todo orgânico. a cruz de Cristo e a cruz do cristão formam uma unidade. mas considera-o como as sagradas relíquias que devem ser abraçada devotadamente – pois o próprio Deus "está oculto nos sofrimentos" e quer ser venerado por nós como tal. antes. Cristo é tudo.

França. em 1º de maio de 1881. quer o novo e consequente êxodo da sociedade atual das grandes estreitas das estruturas vigentes. Suas obras conheceram um sucesso editorial sem precedentes em seu gênero: Chardin iniciou sua atividade científica no início do século.. Expressam sempre e por igual o "Shalon" dirigido a todo homem em suas relações sociais. A liberdade. Deus não é "totalmente diverso" de nós (Ganz Andere). que traçou suas linhas programáticas em seu famoso livro Theologie Der Hoffring (Teologia da Esperança). que não interrompeu nem mesmo quando suas inquietações espirituais o levaram a ingressar na Companhia de Jesus. Lé phenomène humain foi a obra em que Chardin procurou realizar tal programa. a Evolução infunde sangue novo às perspectivas e aspirações cristãs. outorgada e vivida a partir de Cristo.TEOLOGIA DA ESPERANÇA O fundador desse tipo de teologia foi o alemão Jürgen Moltmann. dedicou-se desde a juventude ao estudo dessa matéria. Este sentido teológico foge ao inconveniente de considerar a mensagem da Ressurreição como mero e inconsistente relato histórico ou como simples apelo a decisão. Ultimamente. em 1899. O Escopo desta Teologia é expor que as implicações práticas da fé inflamada na chama da Ressurreição de Jesus. e nos leva a entender a Ressurreição como mensagem promissora que se abre para a história e nos obriga a nos empenharmos por nos transformar a nós próprios e ao mundo. quando o mundo da ciência era decididamente adverso ao mundo da fé e da religião. Mas a fé cristã. mas sim uma maravilhosa correspondência. nenhum autor suscitou tanto interesse quanto Pierre Teilhard de Chardin. não é destinada e não se apresta a salvar até mesmo a mudar a evolução?. por seu turno. . Filho de um aristocrata rural interessado pela geologia. uma nova interpretação da mensagem Cristã. que adota como princípio hermenêutico exatamente a esperança. e a mensagem do Reino de Deus não significam apenas liberdade e santidade interiores. a paz na Terra e a libertação de tudo o que é efêmero. Nos últimos anos. A obra termina com a seguinte afirmação do valor superior do cristianismo: "De qualquer forma.. TEOLOGIA DA EVOLUÇÃO Pierre Teilhard de Chardin nasceu em Sarcenar. porque o cristianismo vem de encontro às mais intimas exigências da ciência. o padre Schillebierckx tornou-se um zeloso seguidor da Teologia da Esperança. Segundo Chardin é preciso fazer ver aos cientistas que não há nenhuma imcompatibilidade entre a religião cristã moderna e a ciência moderna.

é um argumento muito forte a seu favor. conduzem ambas à perfeição intelectual. todas as teorias. tão local e caduca quanto a concepção laplaciana do sistema solar. a realizar a passagem da matéria ao espírito. a física. Somente o cristianismo pode-se inclinar. Examinemos este axioma. Lé Phénomène Humain (O fenômeno humano). a seus semelhantes e a seu fim último. seja a futura. Esta. A intenção declarada de Chardin. não apenas servir. O futuro do homem). visa. mas também a amar o formidável movimento que nos arrasta. Ciência e religião. Em seu pensamento. verdadeiramente. que é Deus. que parece esmagar o homem e sua consciência. para ser pensáveis e verdadeiras. Um após outro. todos os sistemas. Isso não significa outra coisa senão que ele satisfaz a todas as condições que nós temos o direito de exigir de uma religião do futuro e que. longe de se contradizerem. seja a passada. uma curva que todas as linha devem seguir: eis o que é a evolução: Segundo Chardin. o eixo principal de evolução". origem de sua obra mais importante. em 1955. na medida em que nos coloca em condições de entender a história. O axioma número um refere-se à evolução. em toda a sua obra. ao contrário..No presente momento. é elaborar uma visão cósmica que abarque em um só olhar tanto o mundo da ciência quanto o da fé. Somente ele – absolutamente só ele sobre a Terra moderna – se mostra capaz de sintetizar em um só ato vital o todo e a pessoa. a sociologia e até mesmo as matemáticas e história das religiões.. Exatamente: mas. São verdadeiramente cegos aqueles que não se dão conta da amplitude de um movimento cuja órbita. todos os domínios do conhecimento humano se movimentam. Os estudos científicos conduzira Teilhard de Chardin a uma profunda meditação sobre o problema da evolução. não é uma hipótese. uma hipótese?. a evolução é a maior descoberta do século passado e de todos os tempos. porque a evolução deve passar através do cristianismo. do menos consciente ao mais consciente. concluída em 1940. A evolução – uma teoria. a evolução outra coisa não é que o transformismo. que ela domina. em direção ao estudo de algum desenvolvimento. todas as hipóteses. outra coisa não é que a velha hipótese Darwinista. em um abraço completo e indefinidamente perfectível. no qual a fé e a esperança se consumam na caridade. mas sim uma verdade certíssima: "Para muitos. um sistema. Ao juízo de Chardin a evolução não está absolutamente em conflito com o cristianismo. Uma luz que aclara todos os fatos. muito mais que tudo isso. ganhou e invadiu sucessivamente a química. uma condição geral à qual devem se dobrar e satisfazer. O homem é o centro e a razão dessa evolução: sua alma o liga a esse universo. na realidade. por sua vez. arrastados por uma única corrente de fundo. e o transformismo. o cristianismo representa a única corrente de pensamento suficientemente audaz e progressiva para abraçar prática e eficazmente o mundo. As implicações morais e religiosas desse sistema foram desenvolvidas numa série de obras como Le Milieu divin (1958. ultrapassando infinitamente as ciências naturais. é através dele que passa enfim. mas só publicada postumamente. O meio divino) e L‘Avenir de L‘homme (1959. . segundo Chardin. a evolução evidente do universo material. portanto.

Teilhard de Chardin morreu em Nova York. Ingressou então na Fundação Wenner-Gren. Hugo Assmann. Entre os principais teólogos que a iniciaram e desenvolveram. A mensagem de salvação é interpretada à luz das opressões de que o homem precisa ser libertado. Eduardo Pironio e A. no sentido de política. culturais e políticas. Leonardo Boff. Segundo. mas sim a intervenção de Deus. Analisando a situação social do continente. B. L. examinou o problema das relações entre a igreja e o mundo moderno. TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO A experiência cotidiana das comunidades cristãs latino-americanas que combatem as injustiças econômicas. a injustiça e o ódio. mas ante a impossibilidade de publicar seus textos – que circularam em exemplares mimeografados e só foram editados após sua morte – transferiu-se para os Estados Unidos. a fome. A conferência pediu uma teologia e uma catequese que oferecessem "a possibilidade de uma libertação plena e a riqueza de uma salvação integral em Cristo. a miséria. Segundo Galiléia. está na origem da chamada teologia da libertação. J. López Trujillo. . os bispos consideraram que a igreja tinha como missão continuar a obra de Cristo. A característica mais inovadora do movimento foi encarar os problemas políticos como base para a interpretação dos textos bíblicos. A teologia da libertação constitui uma nova interpretação da mensagem evangélica. que veio libertar os homens não apenas do pecado. Porfirio Miranda. enviado ao mundo para "libertar todos os homens de todo tipo de escravidão a que os tenha sujeitado o pecado. que têm sua origem no egoísmo humano". a ignorância. nos últimos anos de sua vida. em 1968. Seu método hermenêutico deixa de lado as categorias idealistas tradicionais e emprega categorias históricas. citem-se Gustavo Gutiérrez. Apesar do nome. o Êxodo é a imagem bíblica da mensagem da salvação. a Conferência Episcopal Latino-Americana (Celam) foi o grande impulso da teologia da libertação. O eixo da teologia da libertação é a figura do Cristo libertador. em 10 de abril de 1055. José M. Libânio. mas também de todas as suas conseqüências. o Senhor". inclusive as injustiças.Teilhard de Chardin regressou à França em 1946. duas expedições científicas ao continente africano. Um outro elemento importante da teologia da libertação é o método de análise marxista. de Nova York. não é propriamente uma teologia. surgido na Europa na década de 1970. que patrocinou. Ao narrar a libertação dos hebreus do cativeiro no Egito e sua marcha para a Terra Prometida. e a história sagrada não é algo distinto da história da humanidade ou superposto a ela. numa palavra. a opressão e. Reunida na cidade colombiana de Medellín. depois que o Concílio Vaticano II (19621965). à luz da injustiça social. sociais. Bonino. J.

1988). é. a teologia da prosperidade não se cansa de repetir que nem doenças nem problemas financeiros são da vontade de Deus. ele não tem fé ou está em pecado. enquanto os pressupostos filosóficos propriamente ditos foram fornecidos pelas seitas metafísicas. A posição. desenvolveu-se com o tempo. Uma seita é composta por um grupo bem definido de pessoas. A Teologia da Prosperidade é algo novo na história da igreja. mas negam doutrinas básicas da Bíblia. que se chamam cristãos. escritas contra a teologia da prosperidade. Horn. Mas isso não quer dizer que ele tenha surgido de modo repentino ou aparecido totalmente formado. Na teologia da prosperidade. mesmo passando por cima da vontade divina. seus adeptos não negam nenhuma doutrina básica nem buscam outro fundamento que não seja Cristo e os apóstolos. como decretar a morte de alguém (até mesmo a de um pastor) Segundo Kenneth Hagin. o pentecostalismo fornece a base ou o grupo. Saúde e Prosperidade são algo vivido dentro da teologia. ela não é uma seita. o cristão que está passando tal coisa ou coisas. afirma que sempre positivamente. 1989) e várias seitas metafísicas do início do século XX. Tendo em vista a Autoridade profética. tratam-na como se fosse uma heresia ou uma seita. Parece que nada assim já foi visto antes. Dessas duas fontes. onde a teologia encontrou a maior parte de seus adeptos. nunca: "Se Deus quiser!" Isso envolvendo saúde ou bem material. Como todo movimento. Sua doutrina é radical com relação com relação ao homem físico e espiritual.TEOLOGIA DA PROSPERIDADE Algumas obras norte-americanas. . trata-se de uma forma de compreender a Bíblia. Antes. Pesquisas feitas nos Estados Unidos sobre a teologia revelam que existem duas raízes históricas e filosóficas da teologia da prosperidade: O pentecostalismo (Barron. que floresceram na região de Boston (McConnell. assim como os Testemunhas de Jeová ou os Mórmons. tais como a trindade e a divindade de Cristo. 1987. A Confissão Positiva é outra corrente da doutrina da teologia da prosperidade. ela garante a realização com fé dos pedidos desejados pelo cristão. e isso significa que tem raízes ligadas a pessoas. épocas e lugares diversos.

condições de clima. Enfim. . quer dizer. costumes (ética) e muitos outros fatores. o Cristo deve relacionar-se neste diálogo só como a palavra " " sem reivindicar a autoridade do " ". No siquismo um dos grandes mandamentos do guru Nanaque era: "Lembre-se sempre de Deus. Janardana. surge um grande problema no que diz respeito à estruturação do diálogo do cristianismo para com as demais religiões. um lugar de fogo atormentado por demônios horrendos. ou seja. um redentor. é surpreendente notar a similaridade entre todas. 4. um livro sagrado. Nas religiões Crê-se em uma vida pós-morte.TEOLOGIA DAS RELIGIÕES É a globalização das religiões com o intuito da integração dos seus conteúdos comuns. o livro sagrado dos muçulmanos. melhor dizendo "o árabe é a forma mais pura de revelação". No hinduísmo muitos se referem a sua fé como sanatana darma. família e mandamentos de Deus. um Deus trino ou uma divindade superior. Mas. também destacam-se os conteúdos de caráter ético e moral. no tormento eterno para os maus e uma recompensa celestial para os bons. Eles acreditam que o árabe é a língua usada por Deus falar por meio de Gabriel. Porém. lei ou ordem eternas. são inúmeros os exemplos no que se refere ao estudo dos conteúdos comuns entre as religiões. então o que certamente para os homens resulta é morar no inferno". Quando no referimos à "teologia das religiões" queremos destacar um conjunto. No islamismo o árabe é a língua obrigatória para se ler o Qur‘na (Alcorão). No que diz respeito à moral ou quebra de valores encontramos o seguinte texto: "Quando as leis da família são destruídas. um todo. um ponto em comum. repita Seu nome". bem como a interação de Cristo com os diversos credos. Podíamos nos referir a "teologias" mas daria um sentido de independência. etc. De forma superficial parece que as religiões são muito diferentes umas das outras. No budismo acredita-se em um inferno onde estão os ímpios. se removermos as distinções da língua. numa alma humana imortal. Dentre estes conteúdos comuns podemos citar a revelação do logos.

Bernard Meland. A teologia de processo seguiu duas direções principais desde Whitehead: a empírica e a racional. Deus cria junto com o resto do mundo. o mesmo Deus. XX que se originou. o campeão da segunda delas Charles Hartshorne é talvez o mais relevante dos teólogos de processo desde Whitehead. O Deus da metafísica do processo e o Deus da revelação bíblica são. Propõe a Teologia de Processo que um Deus criou a partir do nada seja autocrático. A grande contribuição da teologia de processo é a doutrina do relacionamento de Deus com o mundo. Ademais. Deus está tão intimamente ligado com o restante da realidade que Ele também é visto como estando crescendo e se desenvolvendo. supostamente. O mundo para eles está em mudança e Deus também está nesse processo. A primeira destas ênfase é achada em Bernar Loomer. Esse tipo de Deus não consegue casar com a idéia de um Deus que interage na História e mantém uma relação de amor e ajuda às criaturas. dentro da corrente racional. seguido por John Cobb e Schubert Ogden. Ele é o Pai da criatividade. A teologia do processo adotou a metafísica elaborada pelos filósofos do processo para obter os recursos mais adequados para expressar aquilo que a Bíblia entende por Deus e por mundo dentro da moderna estrutura da cosmovisão evolutiva. e Henry Weiman. Um Deus que não pode agir ou ter interação com o mundo teria uma personalidade menos do que significante. A oração e o serviço possuem pouco significado a não ser que haja um relacionamento real e pessoal entre Deus e os homens. Segundo pensam. em grande parte. que considerava a realidade como tendo uma natureza progressiva ou evolutiva.TEOLOGIA DE PROCESSO Movimento teológico do séc. . Não há apelo existencial num Ser impessoal com quem não se pode ter relacionamento. do pensamento de Alfred North Whitehead. "imperial" e conceitualmente impossível.

por ser a mais correta de todas. de forma que necessariamente também deverá haver uma multiplicidade de teologias. Teologia evangélica é aquela que intenciona perceber. e este fato lança uma luz bastante reveladora sobre os deuses em questão: é que cada uma delas se considera e se proclama a se mesma sendo a única correta ou ao menos como sendo a melhor. de conceituação e de expressão de todos os homens. de forma clara e inequívoca. dos apóstolos e profetas do novo testamento. único. a única teologia correta do Deus sublime. que por si mesmo fala aos homens. existência que vê confrontada com a auto-revelação de Deus no evangelho. XVI. fato este que os capacita tecnicamente a participarem. origem e norma da mesma – é aí que existe teologia evangélica. A melhor teologia. do esforço teológico-cognitivo. isto é. verdadeiro e real é aquela que procura comprovar a se mesma pela "demonstração do espírito e do poder". compreender e tornar manifesto o Deus do evangelho – quer dizer.já que evidentemente aponta para a Bíblia – que de alguma maneira está sendo respeitada em todas as confissões. de compreender e de interpretar a "Deus". de forma ativa. A teologia da qual trataremos é a que. O termo "teologia" parece indicar que em seu âmbito. que são: dialética insolúvel do evento da existência humana. a fé de pessoas humanas que receberam o Dom e a vontade de reconhecerem e de confessarem a auto-revelação de Deus como tendo acontecido a favor deles. compreendê-lo em seu sentido e interpretá-lo quanto ao alcance de sua existência – e isso. Não queremos o termo evangélico de forma confessionalista . Mas ao termo "Deus" poderão ser atribuídos os mais variados sentidos. que tem por finalidade perceber um objeto (respectivamente uma área definida) como fenômeno. na capacidade de percepção. . latentes nos documentos das história de Israel. A teologia evangélica raciocina com base em três premissas secundárias. veio à luz. há uma coisa comum entre as mais variadas teologias. inclusive os crentes. posteriores aos evento reformatório. Onde se realizar o evento deste Deus se tornar objeto da ciência do homem e como tal. Teologia. E existe teologia evangélica no catolicismo romano e oriental-ortodoxo.TEOLOGIA EVANGÉLICA Teologia representa um dos empreendimentos humanos costumeiramente qualificados de "científicos". a partir de suas origens absconditas. por ser ciência específica (e muito específica). se trate de perceber. realizado no confronto com Deus que se auto-revela no evangelho. por ser "protestante". Mas. A teologia à qual queremos introduzir é a teologia evangélica. para ser redescoberta e revivida na Reforma do séc. ainda não é necessariamente evangélica. que age dentro deles e entre eles da maneira por Ele mesmo indicada. e na razão. O adjetivo aponta para o novo testamento e simultaneamente para a Reforma do séc. XVI. dentro do caminho indicado pelo próprio objeto em questão. o Deus que se manifesta no evangelho. como também existe na área das inúmeras variações e mesmo das formas degeneradas. nos escritos dos evangelistas.

mas sim. O Deus do evangelho não é nenhum Deus solitário. de forma que vai sendo liberada continuamente por seu próprio objeto. Mas nesta história Ele também é o que é. O assunto da teologia evangélica é Deus – Deus . que tem uma palavra amiga. por ser palavra de graça. o Deus do homem. como sendo o homem de Deus. . o Deus do evangelho é o Deus que se relaciona com o homem. O Deus do evangelho se compadece. de ser Deus – não ao lado do homem. e. a sua auto-revelação benigna e amiga ao homem. Teologia evangélica. na história de suas ações. superior a existência humana. através do seu labor. Filho e Espírito Santo – assim. mas antes em confirmação do mesmo. mas igualmente não só acima do homem. a fé e a capacidade intelectual do homem. antes de tudo. A teologia evangélica lida com o Deus do homem. seu irmão. mas precisamente lida com o homem. como seu ser e sua auto-compreensão. Nela Ele tem e prova tanto sua existência como sua essência. responde ao gracioso sim de Deus. seu amigo. junto a ele. e isto não em detrimento ou em abandono do seu ser divino. isto é. é ciência que deixa seu assunto agir livremente. não é um Deus desvinculado de tudo que não seja Ele mesmo. Portanto.Teologia não ignora que o Deus do evangelho se acha voltado para a existência humana. venha revelar-se. isto é. de jure e de fato. para verificar como a existência. seu Deus. mas também como seu pai. na unidade de sua vida como Pai. isto é. em confronto com o Deus do evangelho. Nela é que Ele se manifesta a si mesmo. a favor dele: não só como seu senhor. que bastasse a si mesmo e que fosse recluso em si mesmo: não é nenhum Deus absoluto. Como em si mesmo é o Uno. A prioridade absoluta da teologia evangélica é Deus mesmo. Teologia evangélica sabe esperar. em relação a realidade – dele distinta – Ele é livre. Ela em toda a sua modéstia é ciência livre.

movidos por forças ocultas. A doutrina fundamental da teosofia é que o homem tende a voltar à ordem divina de onde saiu. Os primeiros vestígios da teosofia encontram-se nos UPANISSHADS SÂNSCRITOS. em um julgamento em Paris. TOMISMO A escola de filosofia e teologia que segue o pensamento de Tomás de Aquino. o nome de teosofia foi dado a uma forma de crença. Mostravam a instabilidade da existência material. Em diversas épocas apareceram homens a imortalidade da alma e a existência de um vasto cosmos. e cresceu em influência. Ciências divinas. XV. a qual consiste ser absolutamente em abstrair do objeto. A doutrina do tomismo entra nas relações entre razão e a fé que consiste em confiar à razão o dever de demonstrar o preângulo da fé. mas só aparecido ou correspondente ao ser de Deus. nos séculos XVI. através do conhecimento e do domínio da ordem natural. Em uma encíclica de 1879. Para Leão XIII pediu que o catolicismo romano voltasse à filosofia tomista tradicional. defendida por Madame Blavatsky. a realidade de um mundo oculto que de todas as partes nos cerca. sendo. Doutrina da analogicidade do ser que consiste em julgar que o termo ser referido à criatura tem um significado não identifico. França em 1876. . virtualmente oficializando o tomismo como a maneira como os católicos romanos devera filosofar acerca de sua fé cristã. de esclarecer e defender os dogmas indemonstráveis e de proceder de modo relativamente autônomo no domínio da física e da metafísica. para conseguir isto precisa livrar-se gradativamente dos grilhões da matéria. alemão – theosophic. de Deus e das leis do universo. Conhecimento de Deus. Prega a fraternidade dos homens e tolerância de todas as crenças religiosas. Desenvolveu-se em várias fases e passou por períodos de apoio e descuido. A época mais fluente do tomismo começou nos meados do século XIX. assim como de uma intuição ou iluminação que o leva a conhecer a divindade. francês – théosophic. em certo sentido. Comunicação com Deus. escritora russa. a filosofia hindu teosófica. É doutrina do caráter abstrativo do conhecimento. Porém sobreviveu facilmente a isso. (sabedoria de deus) . O tomismo foi atacado por causa de alegados erros. Esta especulação mística espalhou-se também para a Pércia e foi recebida pelos árabes depois da sua conquista do Irã. baseado no conhecimento interiormente revelado e místico. inglês – theosophy. O termo já era usado pelos neoplatônicos para indicar o conhecimento das coisas divinas derivadas de uma direta inspiração de Deus.TEOSOFIA No grego: theós + sóphos. Nos tempos modernos. É panteísta e nega um Deus pessoal e imortalidade da pessoa humana. O termo emprega-se também para um sistema filosófico.

alguns nomes inevitavelmente ficaram de fora. Ao fazê-lo. apenas tentamos apresentar os nomes associados às respectivas escolas. Um contemporâneo de Kant que também influenciou a teologia do século vinte foi Soren Kierkgaard. tais acontecimentos não são eventos históricos. ele faz distinção entre Historie e Geschichte. demos também a Immanuel Kant um capítulo à parte. Ele insiste que a Bíblia está cheia de mitos. e sim uma mera narrativa mítica. e outros. Parece que a popularidade de um teólogo está mais relacionada ao grau de inovação que ele apresenta do que com a coerência lógica. Em suma. e sim Geschichte. tornando difícil conhecê-lo e relacionar-se com ele.Conclusão: Qual será a cara da teologia do século XXI? Neste trabalho apresentamos as principais escolas teológicas do século vinte e seus respectivos arautos. A grande lição que o século vinte nos ensinou foi: ―saia da linha ou seja esquecido‖. definindo-o como Totalmente-Outro. Quanto aos milagres. mas não lhe dedicamos um capítulo especial porque entendemos que ele foi um teólogo cristão e não especificamente um filósofo secular como Kant e Marx. . Para Bultmann. bíblica e sistêmica de seus escritos. não devem ser confrontados na esfera secular. muito mais ortodoxos que os três primeiros. sendo equiparada à própria fé. como Emil Brunner. o nome de Brunner está bem associado ao de Karl Barth e à teologia dialética. são quase ignorados. portanto. Não tivemos com isso nenhuma intenção de reduzir a importância Brunner ou qualquer outro teólogo contemporâneo. Os milagres. e nesse aspecto. enquanto o segundo diz respeito à história subjetiva e sacra. Ainda bem que não escrevemos nossas obras para obter lisonjas dos homens. tenham tanta repercussão quando outros como Pannemberg e Cullmann. pois temos considerado que sua influência sobre a teologia do século vinte é maior que o de qualquer outro. Consideramos injusto que nomes como Barth. entre o Jesus histórico e o Cristo kerigmático. Barth inspirou-se na filosofia existencialista e principalmente em Kant para elaborar o seu conceito teológico de Deus. É claro que nessa abordagem. Nossa exposição começou com uma abordagem panorâmica do pensamento de Kant. Marx e Darwin. e que deve ser desmitificada por nós. Bultmann e Tillich. o que um dia faremos. o Jesus descrito nos evangelhos não é o Jesus histórico. inevitavelmente isola Deus do outro lado do abismo. Apesar de ser mencionado já na introdução. Uma distinção semelhante ocorre em Bultmann. se Deus permitir. O teólogo de maior projeção dentro da teologia contemporânea é Karl Bath. Bultmann também nega todo valor objetivo da Bíblia como Palavra de Deus. Também entendemos que seu nome caberia melhor em um ensaio sobre a teologia do século dezenove. Seguindo Kant. a ressurreição e outros atos sobrenaturais narrados na Bíblia não são Historie. ele é cético: todas as narrativas miraculosas não passam de mitos. não puderam ser apresentados em um capítulo próprio. alegando que a primeira diz respeito à história objetiva e secular. equiparando-a a qualquer narrativa antiga. e da influência desses pensadores sobre a teologia contemporânea. que propõe uma distinção entre história e fé.

A sua ênfase é extremamente cristológica. surge um grupo de teólogos cujo exacerbado esforço era elaborar uma teologia que estivesse mais próxima dos problemas da humanidade. foram as principais obras desse movimento. ou simplesmente ―História da Salvação‖. Oscar Cullmann com a Heilsgeschichte. José Míguez Bonino e o então missionário no Brasil. de Harvey Cox. porém. aliás. salvando assim a historicidade do cristianismo. Na década de sessenta. Porém. essa nova escola teológica agitou o cenário teológico nas décadas de sessenta e setenta. No Brasil. Dietrich Bonhoeffer ficou conhecido por participar de um complot contra a vida de Hitler. a própria expressão ―Palavra de Deus‖ caiu em desuso no decorrer do século vinte. o principal expoente dessa nova e estranha doutrina é o expadre e posteriormente professor da PUC-SP. com pressupostos bastante semelhantes. Em uma época em que os teólogos faziam questão de distinguir entre teologia e história. A resposta por eles é uma afronta à teologia. Nessa mesma época surge na América Latina a Teologia da Libertação. Buscando inspiração não na Bíblia. discordando dele quanto às conclusões. Wolfhart Pannenberg construiu uma teologia sobre o alicerce da história. nem todos os teólogos contemporâneos assumiram a mesma postura. Richard Shaull. Ele foi sem dúvida o mais radical deles. Emílio Castro. ele sequer admite uma história secular. A maioria deles parecia estar mais ligada às idéias de seu tempo do que à Palavra de Deus. Hugo Assman e Gustavo Gutiérrez Merino. Outro importante teólogo secularista foi Paul Van Buren. É essa teologia ativista que os teólogos secularistas propõem. apesar de Cullmann e Pannemberg terem prestado um relevante serviço á ortodoxia (ainda que nenhum deles é considerado literalmente ortodoxo). o que levanta inclusive algumas objeções sobre a sua teologia. toda história é História da Salvação. A Cidade Secular. Para Cullman não existe duas histórias. e protestantes como Rubem Alves. Uma característica interessante de Culmann é que ele aceita o desafio de Bultmann e apresenta suas elucubrações partindo de alguns pressupostos da crítica formal. aliás. buscava consolidar uma teologia que pudesse oferecer respostas ao clima ditatorial e à crise econômica latino-americana. O problema é que essa idéia foi levada ao extremo. uma cristã e uma secular. Honest to God. pois faz do marxismo o maior dos atos de Deus na história. Para ele. do ―bispo‖ John Robinson. A história abrange os atos portentosos de Deus em favor da nossa redenção. Leonardo Boff. mas na filosofia socialista de Karl Marx. sobretudo à teologia protestante. . que construiu a sua teologia tendo por base a história. a teologia de Cullman é uma ponta de esperança para o pensamento teológico contemporâneo. surge o Dr. O patrono da teologia secular. A heresia fomentada por católicos romanos como Juan Luís Segundo.Para refutar a teologia de Bultmann. De qualquer forma. bem como Pannemberg.

Usando pressupostos do existencialismo. aquele que a Bíblia descreve como imutável. Joseph Fletcher afirmou que a moral não é absoluta. Esse pragmatismo também está presente na Teologia da Libertação e na Teologia Secular. Para ele não existe o problema da violência versus não-violência. Vemos isso na teologia do padre católico Teilhard Chardin. muitos teólogos do século vinte perderam completamente o senso de direção. Outra mostra desse desespero é a teologia de Jurgen Moltmann. é vã a nossa fé‖. assim como outras teologias modernas. e sim se a violência é justificável ou injustificável. A Ética Situacional. Como homens loucos. Nossos atos não deveriam ser julgados por padrões absolutos e uma ética relativa se infiltrou na teologia contemporânea. assim como a de Fletcher. . porém. uma vez que ele decidiu entrar no tempo. Não há conduta errada quando se quer alcançar um fim nobre. tornando-se um ser meramente temporal. Somos bem-aventurados quando somos perseguidos e vilipendiados. O ―Deus Finito‖ não é o único problema da teologia de Moltmann: ele também nega que a ressurreição de Cristo seja um fato histórico. ―se Cristo não ressuscitou. mas nada tem a ver com a Bíblia. do pragmatismo e das filosofias relativista e positivista. a Ética Situacional apregoa uma teologia na qual os fins justificam os meios. nem mesmo Deus é eterno.Várias outras tentativas de amoldar a teologia à praxe modernista também foram elaboradas. Essa teologia é de ênfase escatológica. Pecar deliberadamente para que a graça seja mais abundante. eles corriam desesperados em busca de uma associação que pudesse ―salvar‖ à teologia. militância contra governos que se oponham aos nossos valores. Desse modo. A questão central não é a violência em si. como um Ser em evolução. e não o contrário. que nos ensina que melhor é o sofrer fazendo o bem do que fazer o mal para que os advenham bens. Na perspectiva de Moltmann. tudo isso soa dissonante ao supremo às palavras de Jesus no sermão do monte. Em seu afã de apresentar uma teologia que pudesse se adequar aos padrões mundanos e às crenças seculares. nega o sobrenaturalismo das escrituras e se esforça para reinterpretar as narrativas miraculosas em termos existenciais. A Bíblia cada vez mais parecia um livro ultrapassado e cada vez mais os teólogos procuravam muletas seculares para amparar à Bíblia. Ora. a violência é desaconselhável em qualquer situação. Não é preciso dizer que ele teve que fazer um esforço hercúleo e muita eisegese para conciliar o criacionismo bíblico e o evolucionismo. é relativa e pragmática. Esse teólogo católico teve a mente tão doutrinada pelas teorias evolucionistas que chegou a apresentar o próprio Deus. A moralidade de Molmann. conhecida como Teologia da Esperança. Para Cristo. a morte de Cristo não foi substitutiva. mas a escatologia de Moltmann nada tem a ver com a noção tradicional que envolve o retorno de Cristo e a entrada dos crentes no estado eterno. Esse conceito tem suas base na filosofia ateísta de Nietzche e aparece também na Teologia do Processo. duas teorias totalmente opostas uma à outra. e sim uma demonstração de amor.

Valendo-se de pressupostos existencialistas e liberais. ao contrário. Bultmann ou Barth. ele afirma que Deus tornou-se finito e temporal. de tal forma que o movimento foi chamado em seus primórdios de Restauração da Fé Apostólica. e deve ser logo descartado. não há nenhuma razão para depositarmos nele alguma confiança. muito das quais beiram o absurdo. Contudo. não foi Hatshorne. O teólogo mais controverso do século passado. Sua própria teologia está baseada em um ser impessoal. Essa teologia também é conhecida pelo nome de Teísmo Aberto e Teísmo do Livre-Arbítrio. Reservamos os dois últimos capítulos para abordar dois movimentos que estão em acelerado crescimento em nosso país. mas um que se posicionou bem na fronteira entre esses dois pensadores: Paul Tillich. mas também a dissociação dessas dois movimentos das demais escolas contemporâneas de intrepretação teológica. a natureza do pecado e a própria salvação. De modo geral. Hoje. bem como a mudanças e a evolução moral. reduzido à mera força racional e criadora. É fácil fazer um paralelo entre Moltmann e Chardin: assim como Moltmann. 1Co 15. à saber. Nascido na Califórnia. ―as igrejas liberais nasceram fadadas ao fracasso‖. ele assevera que Deus está em constante processo evolutivo. Como disse o Rev. como já vimos. Entre as doutrinas por ele modificadas estão a encarnação. Barth.Charles Hatshorne é o preconizador da Teologia do Processo. a principal influência de Hatshorne foi o matemático e filósofo Alfred North Whitehead. . É simplesmente impossível encontrar uma só igreja liberal com membresia superior a cem membros. Tillich elaborou uma teologia que ficou conhecida pelo nome Teologia do Ser. Deus. no entanto.13-19). o pentecostalismo e o neopentecostalismo. A ressurreição também é reinterpretada por ele. podemos perceber no pentecostalismo certo frescor. segundo essa concepção. mas um ser finito e limitado ao tempo. Não foi apenas a importância dessas duas teologias no cenário brasileiro que lhe renderam um lugar especial neste trabalho. Tillich e dos demais teólogos de influência no século vinte. Esse teísmo anti-bíblico mina toda confiança que o crente deposita na Bíblia. apesar da semelhança com as teologias de Moltmann e Chardin. O pentecostalismo. As igrejas pentecostais. Ele propõe reinterpretações da Bíblia. o moderno movimento pentecostal teve como principal pregador o pastor William Seymour. Ele fatalmente não pode prever o futuro. A conseqüência direta dessa teologia é simples: se Deus não tem o controle dos contingentes futuros. A característica principal dessa teologia é a afirmação de que Deus é um ser temporal e está sujeito ao tempo. da perspectiva conservadora ele não passa de um herege. e como Chardin. Hernandes Dias Lopes em palestra no congresso Vida Nova de Teologia. e o principal teólogo e sistematizador das doutrinas pentecostais foi Charles Parham. Muitos excessos foram cometidos nessa tentativa de retorno ao modo de culto primitivo. mas isso não desqualifica o movimento como um todo. vivem abarrotadas e há constante necessidade de se construir novos templos. não é um Ser Onisciente. encontra suas raízes no Movimento de Santidade e tem em John Wesley seu principal antecessor. olhamos ao nosso redor e indagamos pelas igrejas liberais e neo-ortodoxas. retirando assim a base da esperança cristã (cf. mais de um século depois. Trata-se de uma tentativa de voltar à fé cristã primitiva. Ele surge como chuva serôdia em meio ao árido cenário teológico do século vinte e mantém-se na contramão de Bultmann. Embora em alguns círculos Paul Tillich seja citado como o ―teólogo dos teólogos‖.

O neopentecostalismo surge na década de setenta como uma deturpação do movimento pentecostal e como reflexo de uma cultura capitalista. No Brasil. A segunda conclusão à que chegamos é que mui dificilmente um pensador escapará às idéias do seu tempo. O próprio neopentecostalismo é um materialismo disfarçado de cristianismo. nem sempre há justiça em teologia. e repetilas agora seria uma tarefa enfadonha e pouco proveitosa. A primeira é que do ponto de vista conservador. Quer seja por Immanuel Kant. A análise da teologia do século vinte nos ensina pelo menos três coisas. Lewis. A tendência dos ―poderosos‖ sempre foi usar o poder em benefício próprio. que ela exista ao menos para refutar a filosofia ruim‖. A verdade é que herdamos uma teologia deturpada. Os teólogos do século vinte foram grandemente influenciados pelas idéias teológicas e filosóficas de pensadores anteriores a eles. Silas Malafaia. enquanto Benny Him endossa a fileira espiritualista. aumentando a necessidade de apologistas cristãos entre nós. como é o caso de Jurgen Moltmann. haja vista que ao final de cada capítulo são apresentadas várias objeções às respectivas escolas. que já ganhou o apelido de Bíblia do Milhão. a Bíblia da Batalha Espiritual e Vitória Financeira. ou por Nietzche e Overback.S. Atualmente há também pregadores pentecostais aderindo à idéias do movimento neopentecostal. e não demorou para que um grupo de pentecostais. não significa que toda filosofia seja ruim. Parece que para ganhar projeção no meio evangélico é preciso romper com os antigos padrões e fomentar o erro no seio da cristandade. fruto do casamento da teologia com a filosofia existencialista. que inclusive escreve livros sobre prosperidade e promove a Bíblia de estudo do Morris Cerrullo. Tudo isso torna o trabalho do teólogo muito árduo. vemos de cara a influência da filosofia pragmatista norte-americana e até mesmo idéias da seita Ciência Cristã. Cooperland e Hagin formam a ala mais materialista do movimento. o certo é que nenhum deles escapou das influências do seu tempo. os principais expositores desse movimento pragmático-mercantil são RR. Até no pentecostalismo podemos perceber as idéias previamente concebidas por John Wesley e no neopentecostalismo. Kenyon. É difícil enumerar uma a uma as diversas conclusões à que chegamos. . Sheleiermacher e Soren Kierkgaard. prostrado ante Mamon em adoração. Qualquer que leia a obra de Teilhard Chardin logo se dará conta de que o evolucionismo para ele está acima da teologia e que as idéias de Darwin são mais aludidas por ele que os portentosos atos de Cristo. esquecendo do exemplo de Jesus na tentação de Mateus capítulo quatro. da Assembléia de Deus. como por exemplo o Pr. Tillich e outros tantos teólogos neo-ortodoxos. ―se não há razão para existir a filosofia. há também a boa filosofia e como disse C. Barth. como no caso de Brunner. estabelecesse uma teologia para verter as bênçãos espirituais em materiais e essas sobre si mesmos. Soares e Edir Macedo. Isso porém. O problema é quando a filosofia ruim ou irracional arroga para si o status de verdade universal.

Entendemos que tal esforço cabe mais a uma enciclopédia que a um ensaio de teologia. e fracassou. aquelas igrejas que permaneceram fiéis à tradição reformada e ao cristianismo histórico. A necessidade do homem ainda é a salvação. isso porque. não devemos sujeitar a nossa teologia às novas tendências. Diante de tudo o que temos exposto. hoje estamos analisando a teologia do século vinte. ―é impossível exegese sem pressupostos‖. ainda que pareça agradável aos ouvidos no início. ele está em busca de uma fé para viver. com certeza. incitá-los a pensar de modo crítico e com isso propor uma analise concernente ao fundamento sobre o qual construiremos a teologia do século vinte e um. nós analisamos e julgamos a teologia contemporânea à luz das nossas pressuposições. à fim de agradar as mentes contemporâneas. Não foi possível apresentar uma obra completa ou fazer uma analise dos pormenores dentro de cada escola. logo será abandonado: Ele fatalmente fracassa por não pode satisfazer às exigências da alma humana. A nossa principal intenção. cabe a cada teólogo fazer a sua parte nesse edifício. sem salvação. saberemos o resultado dessa construção. os temos. Portanto. Precisamos olhar para os erros do passado e com muita cautela construir a teologia do futuro. correntes filosóficas e modismos pós-modernistas. No entanto. ressurreição ou imposições morais. é levá-los a refletir sobre as bases sobre a qual a teologia do século passado foi edificada. . No momento. Agora. além de introduzir estudantes de teologia no panorama teológico do século vinte. permanecem até hoje. uma música do cantor evangélico João Alexandre parece representar bem o quadro do protestantismo brasileiro. se quisermos construir um edifício teológico bem alicerçado para o futuro. Esperamos que o que hoje é um fato. Terminamos assim a nossa introdução à difícil matéria de teologia contemporânea. mas amanhã serão analisados os pressupostos teológicos do século vinte e um. E na verdade. ainda permanece uma pergunta: Até que ponto nós somos ortodoxos? Muitos teólogos do século passado se perderam nas idéias do seu tempo de tal forma que as suas abordagens dificilmente podem ser consideradas cristãs. e amanhã. O que dirão da nossa teologia? Ou será que nós não temos pressupostos? Sim. E a nossa teologia? Ela ainda pode ser considerada cristã? Ora. nesse início de século. como bem afirmou o controverso Rudolf Bultmann. Devemos nos esforçar ao máximo para fazer da Bíblia o nosso pressuposto básico. amanhã seja apenas história.A terceira conclusão é que embora seja muito difícil escapar do nosso invólucro cultural. Essa tentativa foi feita no século passado por neo-ortodoxos e liberais. A razão disso é que o homem não está simplesmente buscando uma doutrina para concordar. faz-se necessária a avaliação dos nossos paradigmas e não apenas a simples adequação dos mesmos à interpretação bíblica. É por isso que um evangelho sem cruz.

Edição. Tradução Lailah de Noronha. São Paulo – Editora Quadrangular. Tradução de Neyd Siqueira. 2006. John. William L. 1965. CONN. A Proclamação do Evangelho. Netto. HORTON. 1965. Teologia Contemporânea. ROMEIRO. A Cidade Secular – Macmillian. . _______. Enciclopédia de Bíblia. HEIDGEER. El único argumento. Norman. Enciclopédia Magister. _______. Teologia Contemporânea – Rio de Janeiro: CPAD BARTH. 2004. 1998. 2000. 2004. O que é metafísica? E-Books. Prometeo libros: 2004. tradução: Hans Udo Fuchs – São Paulo: Vida Nova. tradução Emirson Justino – São Paulo: Editora Vida. São Paulo: Novo Século. Harvie M. GEISLER. tradução Roque Monteiro de Andrade – São Paulo: Editora Hagnos. A veracidade da fé cristã: uma apologética contemporânea. de Faria E Moysés C. DUFFIELD. Rio de Janeiro: CPAD. CHAMPLIN. Igreja Dogmática. Van. Karl. William. Enciclopédia Magister. 2002. São Paulo: Editora Novo Século. Buenos Aires. O que é Filosofia? E-Books. Stanley M. Super-Crentes: O Evangelho Segundo Kenneth Hagin. Paul. de A. Teísmo aberto: uma teologia além dos limites bíblicos. Enciclopédia Magister. HODERN. _______. 2006. Martin. Teologia Contemporânea. Abraão de. _______. CLEAVE. Comentário aos Romanos. CRAIG. Rio Grande do Sul: Editora Sinodal e Edições Paulinas. 2002. 7ª Edição.Bibliografia consultada ALMEIDA. Edições Archês. Enciclopédia de Apologética: Respostas aos críticos da fé cristã. COX. 2ª. KANT. et al. Guy P. São Paulo: Editora Novo Século. Harvey. Nathaniel M. ISIDORO. Teologia Sistemática: Uma perspectiva Pentecostal. TILLICH. Edição. Fundamentos da Teologia Pentecostal. PIPER. Teologia e Filosofia – Editora Hagnos. Valnice Milhomens e os Profetas da Prosperidade – São Paulo: Mundo Cristão. 2004. Russel N. E-Books. 2004. Teologia Sistemática. Immanuel. Tradução: Eduardo G.. Paulo. Considerações à Doutrina da Prosperidade. 2000. São Paulo: Editora Vida. 2003. Serafim. Crítica da Razão Pura. 7ª.

John Robinson. Paul Tillich... bem como artigos compilados da internet. Brunner. . Bultmann. Teilhard Chardin. Leonardo Boff. entre outros.[.] Também foram utilizadas várias resenhas dos livros de Barth.

.

.

.

.

.

.

.

..

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful