Apostila Teologia Contemporanea

INTRODUÇÃO EMENTA A Teologia Contemporânea trata do estudo acerca da teologia mais particularmente do Século XX.

Esse século esteve comprometido com uma pluralidade de ―teologias‖, de caminhos e de muitas reflexões sobre o mundo, sobre Deus e o homem. De início, há a necessidade de uma passagem reflexiva pelo período medieval, ainda que de modo conciso, no que tange aos debates teológicos e seus grandes expoentes. Depois, em evidência, a Reforma Religiosa com suas propostas renovadoras, não no sentido de se estabelecer novas doutrinas, mas de reaver a natureza e sentido da Bíblia como padrão de fé e prática da Igreja. Sobre a salvação e o papel da Igreja, se constituem algo de extrema importância nesse cenário, respectivamente. Entretanto, o que era para ser renovado, transformou-se numa divisão de segmentos eclesiais, fazendo surgir posturas diversas em relação a vários pontos doutrinários. Antes de se refletir sobre a teologia do Século XX, é imprescindível verificar que a Teologia Contemporânea tem suas bases assentadas no Século XIX. Immanuel Kant sistematizou a confiança do homem moderno na capacidade da razão para tratar de todo o material em sua capacidade e em sua incapacidade para ocupar-se do que vai mais além. Assim, um novo conjunto de pressupostos religiosos moldou o pensamento do homem moderno. O Iluminismo qualificou os séculos XVII e XVIII, constituindo a história intelectual do Ocidente. Enquanto a cosmologia da Idade Média era percebida como um sistema orgânico, na modernidade tudo passou a ser relativo, fragmentado. A era da razão toma corpo, de modo que o homem passou a ser visto como o centro do universo. Deus já não era mais visto como o autor da criação, e se era, não interviria nela; a religião não mais doutrinava a vida humana, mas a produção científica. A Teologia Contemporânea é a teologia do Século XX. Em sentido real, nasceu em 1919. Seu iniciador foi um jovem pastor, Karl Barth (1886-1968). É ele um novo pivô teológico na história, o anúncio de uma nova era teológica, considerando como marca o seu Comentário da Carta de Paulo aos Romanos, em 1919. Uma análise não só em Barth, mas também em muitos outros expoentes faz justiça à natureza da matéria. OBJETIVO GERAL Conduzir o estudante de Teologia à reflexão sobre os principais pontos da Teologia Contemporânea relacionados aos seus expoentes, é o objetivo geral da matéria. Consequentemente, se pode também observar as muitas facetas de posturas teológicas que ainda hoje se propagam, fazendo que as mentes reflitam mediante diversificados caminhos, bem como gerando diversificadas conclusões. Conclusões que muitas vezes se distanciam da Bíblia e comprometem negativamente a antropologia e áreas afins. OBJETIVOS ESPECÍFICOS Por objetivos específicos, significa o entendimento das diversas posturas de teólogos do período que compreende o Século XX. A percepção de como se conduziram os pensamentos diversos, uma vez que não daria mais para estar preso a dogmas. Serão sistematicamente percebidos, os postulados divergentes e convergentes dessa época, que tiveram seus objetivos de se tentar dar respostas às perguntas surgidas, quer do ângulo da Ciência, quer do ângulo da própria Igreja, respostas concretas.

Índice
Introdução: Vertentes que influenciaram a teologia do séc XX 1. 1.1. 1.2. 1.3. 1.4. Fase Racionalista ou Iluminista Racionalista Deísmo Iluminismo Principais temas em debate

2. Fase Romantista ou Modernismo 2.1 Imannuel Kant 2.2 Um novo conjunto de pressupostos religiosos para o homem moderno. 2.3 A autonomia do homem e sua influência no pensamento religioso moderno. 2.4 O relativismo de David Hume e sua influência na filosofia kantiana. 2.5 O confinamento de Deus na teologia contemporânea. 2.6 As idéias deístas na filosofia da emancipação e sua influencia na teologia contemporânea. 2.7 Uma separação radical entre história e fé. 3. Friedrich Schleiermacher. 3.1 Ritschl e sua escola. 3.2. Adolf von Harnack da escola de Ritschl. 3.3 Hegel e os idealistas. 3.4 Ferdinand Christian Baur. 3.5 David Friedrich Strauss.

4. Dialética de Karl Barth e a revolta contra o Liberalismo Teológico. 4.1 Neo-ortodoxia: Analisando os pressupostos teológicos do novo liberalism.o 4.2 Objeções à neo-ortodoxia. 5. Crítica da Forma: O método investigativo de Rudolf Bultman. 5.1 O método investigativo da crítica formal. 5.2 Objeções ao método crítico de Rudolf Bultmamm 5.3 Desmitologização: O método interpretativo de Rudolf Bultmann 6. Heilsgeschichte: A escola teológica do Dr. Oscar Cullmann 6.1 O pensamento de Cullman e a ortodoxia teológica.

7. Teologia Secular: Robinson, Cox e Buren: Uma teologia do mundo para o homem moderno. 7.1 A postura da teologia secular. 7.2 Avaliação da teologia secular.

8. Ética Situacional: Joseph Fletcher e um novo conjunto de valores para o homem moderno. 8.1 Conhecendo os pressupostos da nova moralidade. 8.2 Uma análise da nova moralidade religiosa. 9. Teologia da Esperança: Jurgen Moltmann e a análise escatológica existencial. 10. Teologia da história: Wolfhart Pannenberg e a teologia histórica da ressurreição. 11. Pannenberg e a ressurreição de Cristo. 12. Teologia da Evolução: Teilhard de Chardin e o darwinismo teológico. 13. Teologia do Processo: Dr. Charles Hartshorne e a Teologia do Deus Finito. 14. Pressupostos da teologia de Paul Tillich. 15. Teologia da Libertação: Uma resposta teológica à crise econômica e social Latino-Americana. 16. Pentecostalismo: Parham, Seymour e o avivamento místico-pietista do século XX. 17. Neopentecostalismo: Misticismo, pragmatismo e culto à Mamom. 18. Glossário Teológico Contemporâneo.

Conclusão

FASE RACIONALISTA OU ILUMINISTA No mundo cristão. O progresso da ciência. Entretanto. que no século 17 estavam fortemente impregnadas de religiosidade. inclusive aquelas relacionadas à área da consciência ou do espírito. a filosofia. as novéis colônias inglesas na América. Houve uma sensível mudança no comportamento da sociedade cristã em face da influência do racionalismo. pois. formas de governo e de culto. por fazerem oposição ao calvinismo. a partir da publicação. alguns teólogos começaram a atacar o calvinismo. de dogmatismo e intolerância. Nos anos que se seguiram ao Sínodo de Dort (1618-19). Os principais mentores desse movimento foram os Cambridge Platonists (Platonistas de Cambridge) ou Teólogos-Filósofos de Cambridge (c. quem não era calvinista era tido como arminiano.1 Racionalismo No período que marca a virada do século 16 para o 17. Essa classificação generalizada. termo derivado da palavra latina latitudo. em 1687. reagiram à confessionalidade e à disciplina. que. 1640-1680) – que diziam que a ―razão é um reflexo da mente divina na alma humana‖. os adeptos do uso da razão ou racionalistas. que significa amplo ou largo. pouco afetando.1. que era con-siderada serva da teologia. pelo menos inicialmente. foram englobados no contexto arminiano. por algum tempo. até então. permitindo uma ampla variedade de doutrinas.(1) fez com que muitos homens se convencessem do poder da razão e da necessidade de todas as coisas serem testadas por ela. 1. especialmente devido à obra de Isaac Newton (1642-1727). de seus Principia Mathematica (Princípios de Matemática). se pensava serem inacessíveis à razão. através do uso da razão. chamando-as reséctivamente. De uma maneira geral. serviu para encobrir os racionalistas. O objetivo dos latitudinários era manter a igreja unida com base em uns poucos artigos fundamentais de fé. especialmente na Holanda reformada e na Inglaterra puritana. que tratou da controvérsia arminiana na Holanda. . Essa influência fez-se mais presente na Europa continental. a partir do final do século 16. se expandiu para além dos limites do pensamento aristotélico e da Bíblia – em parte devido à ciência natural e em parte fruto de reflexões de pensadores como René Descartes (1596-1650). inis. o movimento veio à tona e seus adeptos foram chamados de latitudinarians (latitudinários).

Halle foi aos poucos se tornando um centro de teologia racionalista entre os protestantes. No campo teológico-eclesiástico. desenvolveu uma espécie de teologia matemática. as ortodoxias confessionais protestantes. na Inglaterra. Foi um movimento de curta duração. a teologia racionalista tendeu a modificar. o racionalismo provocou graves e perturbadoras conseqüências na vida da igreja. especial-mente. Deus não pode-ria fazer o que para o homem seria imoral. foi o estopim de outros movimentos de reação à ortodoxia protestante. que em meados do século 18 já havia perdido a sua força original. no seio de um grupo de escritores de tendência racionalista. Toland defendia a idéia de que ―a doutrina cristã nunca foi misteriosa e devia ser entendida somente como uma réplica da religião natural‖. Os principais filósofos racionalistas da época foram: o judeu holandês Baruch Spinoza (1632-1677) e o matemático alemão Gottfried Leibniz (16461716) no Continente Europeu. pelo menos até o final do século 18 os racionalistas aceitassem os milagres do Novo Testamento. muitas vezes acompanhadas de frieza espiritual. membro do grande núcleo pietista que funcionava a partir da Universidade de Halle. O racionalismo teve grande influência no escolasticismo protestante. em sua grande maioria. alguns dos quais discípulos de John Locke. e (2) investigação científica. eles suspeitavam de tudo que não se conformava com sua visão mecanicista do universo. caracterizada pela busca de uma verdade racional e imutável. dentre as quais o ateísmo. defensor do princípio da lei natural. . Embora. por conseguinte. e. Dentre os deístas ingleses destaca-se. Para Locke. e até mesmo destruir. a prova da verdade era a razoabilidade. 1. Para os escolásticos. no sentido de conformidade com o senso comum. cuja teologia começou a tender para um número exagerado de definições precisas. Alemanha e Estados Unidos. Entre os filósofos alemães. Contudo. ser um bom religioso era aceitar as doutrinas corretas. John Locke (1632-1704). John Toland (1670-1722).2 Deísmo O deísmo teve início na Inglaterra na primeira metade do século 17.O racionalismo dava ênfase principalmente a dois pontos: (1) liberdade e dignidade. em especial na França. Embora tenha havido algumas contribuições benéficas à sociedade como um todo. o barão Christian von Wolff (1679-1754). o declínio da fé e o enfraquecimento da vida religiosa. Os teólogos racionalistas defendiam a tese de que a bondade em Deus não poderia diferir em essência da bondade no homem e.

Tudo é regido por leis naturais. que. preocuparam-se mais com o sujeito conhecedor. . como Estados Unidos da América. que está acima e além da sua criação. ou são um insulto à perfeita obra de um Criador. contudo. O legado do deísmo não foi. 3) tudo o que é de valor na revelação já foi dado aos homens na religião natural racional. como Benjamin Franklin (1706-1790). daí o cristianismo ser tão antigo quanto a criação. destaca-se a crença num Deus transcendente. Em seu afã de valorizar o homem. totalmente negativo. 4) tudo o que é obscuro. podem ser retiradas cinco idéias básicas da obra de Matthew Tindal (1657-1733). em síntese. ou seja. é superstição e não tem valor. portanto. Thomas Jefferson (1743-1826) e Thomas Paine (1737-1809). 5) os milagres não são prova real da revelação. 2) os piores inimigos da humanidade são os que têm mantido as criaturas na superstição: os sacerdotes. Christianity as Old as the Creation (O Cristianismo é Tão Antigo quanto a Criação. na assim chamada revelação. como tal. posto que o cultivo da ética e da piedade estimulou. como culto perene a Deus. popularizou as idéias deístas em seu país. sob a alegação de que há uma religião natural. para revelação bíblica. com seu livro Age of Reason (Idade da Razão. o empenho dos cristãos em atividades humanitárias e em uma maior tolerância religiosa. explicados à luz da razão. considerada por alguns historiadores como a bíblia deísta: 1) tudo que é reconhecido além e acima da razão é crença sem prova. Cristo foi apenas um mestre e. sendo a Bíblia um manual eminentemente ético. um conhecimento religioso inato em todas as pessoas. mas migrou para a França. O deísmo não ficou restrito à Inglaterra. sendo a causa primeira. do que com a realidade a ser conhecida. providência e encarnação. em 1776. ou que pode ser obtido pelo uso da razão. 1730). desvalorizaram o pecado. a Alemanha e especialmente as colônias inglesas na América. não deveria ser cultuado. Dentre os princípios que balizavam o deísmo. 1794-1796). por exemplo. obtiveram sua independência. não havendo lugar. ou está acima da razão.O movimento deísta surgiu como uma reação à idéia de que o conhecimento teológico somente poderia ser adquirido através do ensino da Igreja ou da revelação pessoal de Deus. substituíram a revelação pela razão e pelos sentidos. pois. Deus não se envolve mais com o mundo que ele mesmo criou. mudando o foco da teologia de Deus para o homem. alguns eram declaradamente deístas. Os deístas. Seu propósito era estabelecer uma religião ao mesmo tempo natural e científica. por intermédio do Espírito Santo. Os deístas criam também que a ética e a piedade eram as virtudes que necessitavam ser desenvolvidas. milagres. de alguma forma. Para corroborar o que foi dito resumidamente sobre os princípios do deísmo. Este último. Dentre os líderes do movimento de independência. que pôs este mundo a girar segundo as mais perfeitas leis mecânicas e não interfere no seu funcionamento. ou são supérfluos.

Ele nasceu livre. afirmando: Todo homem é nobre por natureza. imposta.1. em especial a ingerência da Igreja nas coisas do Estado. mas em outros países. cerca de 100 anos. tais como a Bíblia e o Estado. Outra figura de destaque foi François-Marie Arouet (1694-1778). Em 1784. não só na França. da tradição e da sociedade política e religiosa. ao responder a uma pergunta sobre o que era o iluminismo. que lhe diziam o que devia fazer. as crianças devem ser criadas fora da influência danosa da Igreja. Jean D‘Alembert (1717-1783) e Denis Diderot (1713-1784). a razão humana passou a dominar acima de tudo e de todos. O iluminismo teve origem na Inglaterra. exceto para a oficial. sem a tutela de autoridades externas. inicialmente. autor do Contrato Social. ao estágio em que o homem pensa por si mesmo. que tanto influenciou os chamados Pais Fundadores da Independência Americana. colaborador da Enciclopédia e autor de vários tratados na área da filosofia.] Assim. daí passando para a França. para a qual a religião deve arcar com boa dose da culpa. contra o obscurantismo da história. que devia ser restaurado. o filósofo alemão Immanuel Kant. social e religioso que se desenvolveu na Europa no período que vai da Revolução Inglesa (1688) até a Revolução Francesa (1789). considerada o maior movimento social dos tempos modernos. Sua escravidão deve-se à corrupção da sociedade. O objetivo do movimento era iluminar o povo. Essa postura enfaticamente racional gerou uma forte oposição a todas as atividades e instituições que não fossem meramente racionais. responsáveis pela editoração da Enciclopédia. Sua fonte principal foi o racionalismo. Locke desenvolveu o deísmo inglês como uma religião natural e racional dos livres pensadores. Como foi visto. ou seja. mais conhecido como Voltaire. Rousseau repudiou a doutrina cristã da queda. como a Igreja.. e pregava a tolerância para todas as religiões.[. A Revolução Francesa. ou seja. .3 Iluminismo Iluminismo é o nome do movimento cultural. Voltaire professava um teísmo baseado na ordem e na realidade do mundo. mediante a razão. Itália e Alemanha. Dentre os principais iluministas franceses destacaram-se. mas em todos os lugares se acha em cadeias. que foi um poderoso instrumento para a difusão das idéias iluministas. O pleno desenvolvimento do iluminismo ocorreu na França. ou seja. O seu lema foi Sapere Aude (Tenha a coragem de usar o seu próprio entendimento). Locke defendeu a moral natural.. que forneceu ao iluminismo o método crítico que utilizou com habilidade. Não menos importante que Voltaire foi Jean-Jacques Rousseau (1712-1778). O alvo era o homem no estado de pura natureza. foi altamente influenciada pelo iluminismo e colocou em dúvida os dogmas da religião cristã. racional e autônoma. onde houve o culto da razão. disse que era a chegada do homem à maturidade. No campo da ética.

os livros da Bíblia deveriam ser lidos e estudados como todos os outros livros. inclusive verificando aspectos ligados à credibilidade dos escritos evangélicos. que os discípulos teriam inventado depois da morte de Jesus. Ele ainda considerava que as principais religiões eram expressões diferentes da única religião verdadeira. Reimarus é considerado o precursor. no qual retratou Jesus como um pregador simples da Galiléia. ensinando todos os homens a viverem como irmãos. cujo ensinamento moral se misturou com a política e a escatologia. Muitos estudiosos consideram que o maior expoente do iluminismo alemão foi Gotthold Ephraim Lessing (1729-1781). responsável pelo novo tratamento dado pelos historiadores e teólogos a detalhes da vida de Jesus. ―a cultura. que foi. a que se submete também a religião. e que morreu desiludido. no âmbito da teologia histórica. Essa obra expressa a sua crença na perfeição da raça humana e na perspectiva do desenvolvimento de uma consciência moral que poderia conduzir a humanidade a um estágio nunca atingido de irmandade universal e liberdade moral. através do livro Apologie oder Schutzschrift für die vernunftigen Verehrer Gottes (Apologia dos Adoradores Racionais de Deus). segundo uma concepção historicista. e sim uma perene investigação. Foi no Sacro Império Germânico que a teologia iluminista alcançou o seu maior desenvolvimento. Conseqüentemente. no século 19. conseqüentemente. a história da vida de Jesus deveria passar pelo crivo da razão. a uma racionalização da teologia e. portanto. através das obras de Hermann Reimarus (1694-1768) e Moses Mendelssohn (1729-1786). responsável pela divulgação do racionalismo de Leibniz. a verdade não é uma posse. segundo o qual todos os fatos e circunstâncias estariam obrigados a ser considerados exclusivamente à luz da evidência dos Evangelhos. . Para Lessing. mormente sobre o movimento evangélico. tendo procurado em vão estabelecer o reino de Deus na Terra. identificação e desenvolvimento de várias tendências religiosas e filosóficas. O iluminismo exerceu significativa influência. inclusive o cristianismo‖. Tal entendimento os levou. embora negativa. cujo papel é fornecer uma educação moral para a raça humana. Essa atitude se tornou típica do iluminismo teológico. autor de Die Erziehung des Menschengeschlechts (A Educação do Gênero Humano.O fundador do iluminismo na Alemanha foi Christian Wolff. superior a todos os dogmas e doutrinas. colocando Cristo e seu evangelho em segundo plano. do tema do Jesus Histórico. deu azo ao surgimento. Isso porque a ênfase dos iluministas estava centrada no homem. 1780). Disse ainda que o cristianismo se baseia nas alegações fraudulentas da ressurreição e da segunda vinda de Cristo. em especial o deísmo de Locke. naturalmente. Para Reimarus. a ciência. sobre o cristianismo de um modo geral.

de modo que fica difícil discernir fronteiras específicas. mesmo os reis ou príncipes de sangue. É interessante a comparação entre a concepção de Calvino sobre o Estado e o pensamento iluminista. razão pela qual a Genebra calvinista. para quem ―a moralidade é o alvo da religião‖. houve um notável desenvolvimento da maçonaria. não têm direitos inalienáveis de governo. O primeiro entendia que o Estado era um instrumento estabelecido por Deus para a manutenção da moralidade e para a promoção da verdadeira religião. Isso pode ser constatado na leitura da obra de Matthew Tindal. Pelo contrário. Na realidade. mesmo com o acréscimo tomista ―para o povo‖. os governantes. deísmo e iluminismo. no período de 1555 a 1564. Assim. . FASE ROMANTISTA OU MODERNISMO Os diversos movimentos de reação à ortodoxia estão interligados entre si.Os liberais iluministas rejeitaram o antigo aforismo ―todo poder emana de Deus‖. Não obstante as diferenças essenciais assinaladas. o iluminismo exerceu forte influência sobre dois movimentos que marcaram a história recente da civilização ocidental: a Revolução e Independência Americana (1775-83) e a Revolução Francesa (1789-99). que significa a piedade viva que coincide com a consciência religiosa universal‖. Dessa forma. A concepção dos iluministas era substancialmente diferente: embora reconhecessem a Divindade. Ainda com base no pensamento iluminista.36 2. o modernismo nada mais foi que uma continuação de seus antecessores: racionalismo. o iluminismo tinha pelo menos um ponto em comum com o movimento evangélico: a ética moralizadora da sociedade. se constata que é muito tênue a linha divisória entre as fases e subfases do liberalismo teológico. é um exemplo clássico de moderna teocracia. em especial na Europa e nos Estados Unidos. quer quanto à época de sua aplicação. propunham alvos essencialmente humanistas para a sociedade. A Revolução Industrial também pode ser considerada uma das filhas do iluminismo. que afirmou: ―Em contraste com a teologia existe a religião. como no que se refere ao seu conteúdo. Nos campos político e social. Nessa mesma linha moralizante também se enquadra o racionalismo neologista de Johann Semler (1725-1791). o governo deriva sua autoridade do consentimento do povo governado.

especialmente através do livro Die Religion innerhalb der Grenzen der blossen Vernunft (Religião dentro dos Limites da Razão Somente. e sua incapacidade para ocupar-se de tudo o que está além do nosso mundo. quando ele afirma que ―a verdadeira religião é natural e universal. De certa forma. pois produz modificação no caráter de tal modo que ―o mal radical do homem é derrotado e o bem é trazido à tona‖. O mundo grego havia elaborado algumas normas religiosas básicas em torno do paradoxo entre a forma e a matéria. mas divergiu do iluminismo no que tange ao propósito da vida.2. tem as suas raízes nas idéias do filósofo Immanuel Kant. sem nenhuma dúvida. mas. o homem do ocidente havia assimilado algumas dessas idéias. esse filósofo merece. fazendo dela um elemento aperfeiçoador da superestrutura. . a síntese de Tomás de Aquino era de origem pagã e aristotélica. A influência de Immanuel Kant na Teologia Contemporânea A revolução teológica do século passado que ficou conhecida pelo nome de teologia existencialista ou contemporânea. virtude e imortalidade. mas também sobre o século vinte. Para Kant. Quem deu início a esse tipo de teologia liberal foi Immanuel Kant (1724-1804). Embora já tenha sido mencionado na introdução. 2. 1793). ele se posicionou ante a religião enfatizando que a religião moralista da razão é a única necessária. ao contrário. o qual é universalmente conhecido. ao invés da felicidade.1 Immanuel Kant O modernismo teve origem na Alemanha. Kant logrou sistematizar a confiança do homem moderno na capacidade da razão para tratar de tudo o que diz respeito ao mundo material. Kant não se projetou apenas sobre o século dezenove. reorganizando-as em torno do conceito de natureza e graça. Com base nessa premissa. um capítulo à parte. colocando em primeiro lugar a ética absoluta. Na idade média. o princípio básico da moralidade é o imperativo categórico. para onde haviam convergido várias correntes teológicas e filosóficas no século 19. As idéias de Tindal estão bem presentes no pensamento de Kant. Kant se mostrou simpático à ênfase deísta apoiada no tripé Deus. na própria natureza da vida humana‖. Ao fazer isso. e privava a graça de seu caráter puramente cristão.2 Um novo conjunto de pressupostos religiosos para o homem moderno. Ela não é baseada em uma revelação particular ou histórica. ao invés de ser um ato transformador de Deus.

A natureza era agora interpretada como um terreno infinito que o pensamento matemático autônomo devia controlar. essa autonomia representava a substituição do conceito de revelação do cristão – que tem sua expressão máxima em Cristo e na Bíblia – pela razão autônoma do homem. poderia julgar o mundo do fenômeno e o mundo do número. tal como em Bultmann e sua idéia de desmitologização. emancipada de qualquer pensamento preconizado. pode ser alcançada sem a necessidade de nenhum aprendizado bíblico. Não há muita distância entre esse pensamento de Kant e o pensamento posterior dos teólogos contemporâneos. 2. a natureza foi separada da graça de forma elaborada. isto é. na filosofia kantiana.3 A autonomia do homem e sua influência no pensamento religioso moderno. Em um sentido ulterior. A razão. sobretudo da razão humana como autoridade final e como crivo para a verdade. não consiste em conhecer o que Deus tem feito para a nossa salvação. que apresenta os relatos da ressurreição como estando contaminados de lendas. trabalhando com idéias tomadas do cristianismo. passando a ser uma esfera micro-cósmica dentro da qual a personalidade humana podia exercer sua autonomia. e somente a razão. a emancipação de valores exteriores. . produziu uma avaliação muito elevada da capacidade humana. Para Kant. A autonomia preconizada por Kant. A verdadeira religião. até mesmo o conceito de natureza – conservado da síntese medieval aquiniana – se transformou. e sim em conhecer o que devemos fazer para chegarmos a ser dignos dela. A história do pensamento e da teologia ocidental desde Kant nos mostra como esses pressupostos religiosos. conseqüente e consciente.Kant e sua idéia de autonomia fizeram dessa privação da graça mais que uma simples moldura teológica: pela primeira vez na história da civilização ocidental. No pensamento do homem moderno. a graça foi suplantada pela idéia de emancipação. Kant entroniza a razão como sendo o princípio supremo. nem está longe da idéia da razão autônoma como juíza da revelação na análise racional de Pannenberg. nem da negativa de Cullmann de considerar os relatos da criação de Gênesis como história autêntica. segundo Kant. Essa moralidade religiosa. o homem tinha que nascer de novo como pessoa completamente livre e autônoma. modelaram uma nova teologia e um novo mundo. De acordo com essa nova maneira de pensar.

4 O relativismo de David Hume e sua influência na filosofia kantiana. Kant. Da mesma forma. filósofo escocês. Nesse ínterim. Ele também produz em Moltmann uma teologia da esperança. David Hume. entre o Jesus fenomenal e o Cristo numenal. o numeral que toca o fenomenal. Tal confinamento se reforça com a insistência crescente do existencialismo na liberdade. Causa e efeito. Esse confinamento de Deus no mundo dos números é o tema favorito da teologia contemporânea. à saber. Kant não fechou totalmente a porta do nosso mundo para Deus. mas a diminuiu de tal forma que o Deus soberano. o aprisionou com um muro à prova de som. não conhecemos a coisa em si. cujas vestes enchiam o templo (Isaías 6.5 O confinamento de Deus na teologia contemporânea. na diferenciação de Bultmann entre o Jesus histórico e o Cristo kerigmático. Esse confinamento do mundo espiritual é o fator preponderante da insistência contemporânea na ―humanidade‖ da Bíblia e da definição barthiana de revelação como sendo o encontro divino-humano. como ―Aquele que não pode ser explicado como se explica um objeto‖.1). Ele reaparece na divisão neo-ortodoxa entre História e Geschichte. Ele ficou isolado no mundo dos fenômenos e Deus no mundo numeral. sendo um percebido pela razão e pelos sentidos. e o outro. tudo isso era para ele completamente evasivo. havia lançado dúvida em quanto à possibilidade de alguém provar alguma coisa. sem entrar nele. ao colocar Deus em um outro mundo. devastador.2. não pode entrar. uma vez que o homem não pode perceber as coisas como são na realidade – tanto no mundo dos fenômenos como no mundo dos números – não pode introduzir-se por essa porta para conhecer a Deus. Kant tomou emprestado de Hume o problema do conhecimento proposto por ele e o reformulou. ele é simplesmente irrelevante. mas apenas aquele conhecimento que os sentidos nos proporcionam. e reaparece de forma modificada nos primeiros escritos de Karl Barth acerca de Deus como ―Totalmente Outro‖. Kant criou dois mundos. Com isso. o homem como ser contingente. tanto dentro como fora de si mesmo. porém. como se isso fosse pudesse resolver o problema epistemológico. completamente cética quanto a qualquer fim escatológico na história fenomenal. da liberdade e das idéias reguladoras que a razão não pode explicar. o mundo de Deus. 2. mas que devem ocupar um lugar na vida como se fossem objetos reais ao alcance da razão. Deus como origem de todas as coisas. usando uma linguagem kantiana. da imortalidade. Segundo ele. quase ninguém se atreve a buscar o Jesus histórico. . O efeito de tudo isso foi em parte. seu único vínculo com o mundo dos fenômenos se daria por meio da necessidade que o homem tem da idéia de Deus para o seu mundo ético. ou. ainda que capaz de falar de um futuro numenal. o mundo dos fenômenos e o mundo dos números.

G. A historicidade da Bíblia parece menos importante que aquilo que ela diz. ao mesmo tempo em que rejeita a idéia de céu como sendo um ―lugar lá em cima‖. dizendo que isso não tem a menor importância diante do que a serpente disse. John Robinson e nos teólogos seculares). ressurge a idéia de que há erros na Bíblia e que esta deve ser tratada como qualquer conjunto de documentos do passado. quer seja em sua forma mais conservadora (como se encontra em Oscar Cullmann e Wolfhart Pannenberg). Da mesma forma. Também John Robinson. Bultmann fará o mesmo ao rejeitar os relatos evangélicos como sendo produtos historicamente duvidosos por um lado. senão de sua capacidade de transformar a vida através do amor‖.6 As idéias deístas presentes na filosofia da emancipação e sua influencia na teologia contemporânea. 2. o ensino de Cristo pode e deve ser aceito. A divisão entre história e fé também se tornou mais tarde um pressuposto da teologia contemporânea. . por causa da sua compreensão existencial do ―Eu‖. Barth fará isso ao ser indagado sobre se a serpente realmente falou no jardim do Édem.2.E. e aceitando-os. apesar de todo o seu debate interno. O conceito deísta que fez parte do processo de florescimento da autonomia não dava nenhum lugar à intervenção divina na criação por meio de algo sobrenatural e revelador. seguem unidos no emprego dessa metodologia. Também Barth e Bultmman. e ao mesmo tempo falará sobre a igreja orientada para o futuro. como o abandono da doutrina da inspiração verbal. ou em suas expressões mais radicais (como em Paul Tillich. Acerca desse impasse. e junto com o pressuposto metodológico. afirmando que ainda que a história escrita do cristianismo não se possa aceitar. Essa idéia de humanização da Bíblia veio a ser uma das características distintivas da crítica bíblica. a autonomia do método sobre o texto bíblico estabeleceu certos pressupostos que o método histórico-crítico ainda mantém. fala de uma nova dimensão de vida como ser em profundidade. e de Deus como o Fundamento do ser. O Jesus histórico parecia cada vez mais distante do Cristo da fé. Moltmann o utilizará ao burlar-se da noção clássica de escatologia cumprindo-se na história. Lessing afirmou que ―o verdadeiro valor de qualquer religião não depende da história. por outro lado. Os teólogos contemporâneos apresentam repetidas vezes essa dissociação do Jesus histórico e do Jesus da fé.7 Uma separação radical entre história e fé. Começa-se então a fazer distinção entre a Palavra de Deus e a Bíblia.

Friedrich Schleiermacher O luterano Friedrich Schleiermacher (1768-1834) é talvez o mais influente teólogo alemão do século 19. absoluto e eterno.]. eis o alvo de todas as religiões [. O homem é em si mesmo [. Deus está. por conseguinte. 3. Entre tantas objeções que se pode fazer a Kant. Todos os progressos da religião na história são verdadeira revelação. sente-se finito. considerandose o rol de simpatizantes entre renomados historiadores eclesiásticos. entre outros. Na verdade. pois. esse Deus imanente não intervém na natureza e tampouco opera milagres através dos homens. Portanto. Em contraste com o que é universal. outra menos verdadeira. ele enclausurou os seres humanos no mundo dos fenômenos. pôr o homem em harmonia com Deus.] um microcosmo. as idéias de Schleiermacher. A influência do seu pensamento no campo da teologia histórica é significativa.. por exemplo. em seu tempo. afirmara: ―O cristianismo é a verdadeira filosofia!‖. como pode o homem conhecer a Deus? A filosofia de Kant transforma Deus em um ser incognoscível. Embora sua filosofia encarasse com valentia as questões pleiteadas por Hume. embora parecidas. bem como de outros teólogos contemporâneos.Não há duvida de que Immanuel Kant teve grande influência sobre o pensamento teológico contemporâneo.. encontra-se o seguinte conceito sobre religião: O Absoluto está em tudo. uma é a mais óbvia: Se o nosso entendimento acerca de Deus não é ao menos alegórico. dando a entender que outras existem igualmente boas. O mestre Justino. Williston Walker e Justo González. sendo considerado o fundador da moderna teologia protestante. Schleiermacher ―deu à teologia nova base e à pessoa de Cristo um significado em grande parte desconhecido em seu tempo‖. dependente. as religiões não devem ser divididas em falsas e verdadeiras. um reflexo do universo.42 Contudo. não havendo modo da mente fenomenal conhecer o numeral. Lançar uma ponte sobre o abismo entre o universal e o finito. todas são falsas! . tais como Robert Nichols. Para Walker.100-c. em Seu mundo.. limitado e temporário – numa palavra. Não há. deram origem a um mundo novo. Esse sentido de dependência é a base de toda religião. mas quanto aos seus relativos graus de eficiência. 1831).165). em algum sentido. associados a muitas idéias cristãs. Como se pode notar no texto reproduzido. O teólogo alemão afirmou que o cristianismo é a melhor das religiões. e esse pressuposto será um grande dilema para a teologia dialética de Karl Bath.. uma plena manifestação do Deus imanente. diferem substancialmente daquelas esposadas pelo apologista Justino Mártir (c. onde. A maior obra de Schleiermacher no campo da teologia dogmática foi Der Christliche Glaube (A Fé Cristã. desde Kant que a história do pensamento e da teologia ocidental é a história de como seus pressupostos religiosos.

Influenciado pelo romantismo da época. Para ele. 2) Deus e o conceito natural são um. Schleiermacher fez as seguintes afirmações a respeito de Deus: 1) Deus e o mundo são. mas psicológico. Dessa forma. Schleiermacher não difere substancialmente dos teólogos racionalistas. não é dependente da doutrina do nascimento virginal. Assim. entretanto. O pecado é simplesmente a carne em oposição ao espírito‖. ele rejeitou o conceito de pecado como desobediência a Deus ou à sua lei. Bengt Hägglund considera que tal conceito aproxima Schleiermacher dos gnósticos. Há comunicação de atributos somente no sentido da natureza divina para a humana. o teólogo alemão se aproximou da heresia sabelianista ou modalista. O Espírito Santo é identificado como o espírito público que aviva a comunhão dos crentes‖. ele diz: ―O Filho e o Espírito são simplesmente formas de revelação desta substância. Dessa forma. Ele preconizava que os intérpretes da Escritura deveriam tentar entender as idéias de seus autores. que eram simples seres humanos. No que se refere à Trindade Santa. que permanece passiva. nenhuma realidade ou influência pode ser atribuída ao diabo. Assim. posto que estes também negligenciavam a morte e ressurreição de Cristo. a qual não deve ser considerada literalmente. No que tange à hermenêutica bíblica. ainda de modo romântico.Ao tentar eliminar da teologia todo e qualquer resquício de dualismo. e 3) Deus é a única substância indivisível. morte e ressurreição) nada significa para a salvação. . ascensão e segunda vinda. ao afirmar que a obra de Jesus (sofrimento. Sua pressuposição básica é que existe um único espírito ou consciência comum que une todos os seres humanos e tal espírito possibilita a correta interpretação. as histórias do Éden não devem ser interpretadas como historicamente verdadeiras. as idéias de Tindal parecem brotar em seu subconsciente. idênticos. Schleiermacher considerava que ―o espírito é o que há de mais elevado no homem e não pode ser considerado algo mau. mas devem ser vistas como expressões válidas da consciência de Deus e não devem ser ignoradas. Ao expressar esses conceitos. Schleiermacher rejeitou a idéia do diabo ou de espíritos maus. em conseqüência. O mesmo raciocínio se aplica às doutrinas da ressurreição. Daí a não aceitação de que as Escrituras fossem a Palavra de Deus inspirada. Ainda no campo da cristologia. A cristologia de Schleiermacher é peculiar. A união do Divino com o humano recebeu sua expressão perfeita na pessoa de Cristo. a partir de Adão. O mal não pode ser concebido como algo hostil a Deus. Schleiermacher ataca frontalmente a ortodoxia. Esta união. não se pode atribuir qualquer significado ao sofrimento de Cristo na cruz. pois a criação não pode ser combinada com a idéia de um poder espiritual mau e. o enfoque principal de Schleiermacher não era teológico. Quanto à doutrina do pecado. em última análise. sendo que a história da paixão serve apenas como exemplo e ilustração da perseverança em meio ao sofrimento.

Disto resulta uma modificação interna na vontade do homem: o homem chega a reconhecer a vontade de Deus e deste modo se predispõe a fazer o bem. a teologia do valor moral. Ritschl negou ou reinterpretou as seguintes doutrinas tradicionais: trindade. e a de Schleiermacher. a partir de Lutero e Calvino. . das quais a mais importante é Die christliche Lehre von der Rechtfertigung und Versöhnung (A Doutrina Cristã da Justificação e da Reconciliação. surgiu em fins do século XIV e nos primeiros anos do século XX. pecado original e encarnação.1 Ritschl e sua escola Uma teologia liberal até certo ponto nova e original. Ritschl não concebia o pecado como corrupção universal perante Deus e entendia que a divindade de Cristo era figurada e se caracterizava unicamente pela unidade de sua vontade com Deus. A tentativa de aplicar os princípios filosóficos kantianos ao cristianismo protestante constituiu atitude típica de uma era em que havia pouco respeito pelos mistérios da religião e praticamente nenhum temor ante o julgamento divino. Ritschl fora influenciado tanto por Kant como por Schleiermacher. defendido por setores da ortodoxia protestante. revelação. igreja. restaura a liberdade ética entravada pelo pecado.3. mas a sua influência na teologia protestante alemã da segunda metade do século XIV foi. que Ritschl define como “justificação” (Rechtfertigung) ou perdão dos pecados. Tal transformação interna é o que Ritschl denomina “reconciliação” (Versöhnung). Além de rejeitar o conceito jurídico da justificação. tendo como divulgadores o teólogo protestante alemão Albrecht Ritschl (1822-1889) e seus discípulos. Esta. muito grande. Mediante a fé. a relação entre o homem e Deus. transforma-se em confiança e filiação. Bengt Hägglund sintetiza o livro da seguinte forma: Salvação. O esforço de Ritschl em manter uma teologia de revelação divina sem a fé em milagres foi duramente atacada tanto por liberais como por conserva-dores. na crença de que Deus não é conhecido como autoexistente. sem dúvida. A influência de Kant se traduz no conceito de religião como o triunfo do espírito ou do valor moral sobre os males da sociedade. mas somente até onde ele se auto-revela através de Cristo. antes perturbada. configurando uma espécie de monotelismo. Ritschl foi autor de várias obras. por sua vez. reino de Deus. manifesta-se em boas obras. 1870-1874).

que existe independente do culto religioso. Sua obra mais conhecida é Lehrbuch der Dogmengeschichte (História dos Dogmas. pois no século XVII. contemporâneo de Harnack. Paul Tillich. chegando alguns a considerar os Dez Mandamentos como elementos dogmáticos cuja referência deveria ser evitada no contexto dos padrões de Westminster. do elemento periférico ou da ―casca‖. se colocava contra toda e qualquer idéia de dogma configurada especialmente pelos credos. Harnack procurou apresentar um sumário do que ele considerava a essência do evangelho. embora concorde com uma possível influência gnóstica. A este desenvolvimento ele chamou de segunda onda da helenização. Contudo. cerca de dois terços da escritura neotestamentária deve ser deixada de lado. havia um grupo que. na Assembléia de Westminster. que ele chamou de o ―miolo‖ do evangelho. que se isso for verdadeiro.2. Numa série de conferências realizadas em Berlim em 1900. ou seja. Sua intenção era separar essa essência. Sua idéia mais distintiva foi que o dogma da igreja primitiva consistia no resultado natural da busca de padrões para filiar membros. As idéias de Harnack sobre os dogmas não eram inéditas. paradoxalmente. 1886-1889). pois tanto Paulo como João usam muitos conceitos helenistas. mas no entendimento da religião como um desenvolvimento histórico. O miolo da mensagem de Jesus é o reino de Deus. a doutrina gnóstica. das formas mutáveis de vida e de pensamento nas quais o evangelho foi transmitido. onde ele procurou demonstrar que a relevância do cristianismo para o mundo moderno não repousa no dogmatismo teológico. que é permanentemente válido. uma vez que ela leva à conclusão de que só deve ser aproveitado no Novo Testamento aquilo que tiver uma ligação clara ou for derivado do Antigo Testamento. 1900). Harnack O discípulo mais importante da escola de Ritschl foi Adolf von Harnack (1851-1930). o antidogmatismo de Harnack foi muito mais substancial e profundo. e os cristãos devem seguir o exemplo de Jesus de uma ―retidão superior‖ governada pela lei do amor. considera a generalização de Harnack inadequada. havia sido rejeitada pela igreja. grande erudito em patrística. e que isto obscurecia a natureza essencial e o impacto prático dos ensinos de Jesus. posto que a primeira onda. Ele também procurou demonstrar que os credos formulados nos Concílios Ecumênicos de Nicéia (325) e Calcedônia (451) usaram um grande número de conceitos retirados da filosofia grega.3. compiladas e publicadas com o título Das Wesen des Christentums (O que é o Cristianismo. teólogo e historiador alemão. na formulação do dogma da Trindade e da Pessoa de Cristo. . Diz mais.

Dentre os principais idealistas destaca-se Georg Wilhelm Friedrich Hegel (1770-1831). o cristianismo é a religião absoluta e o universo está em uma constante luta. doutrinas que não podem ser encontradas na mensagem original de Jesus. enfatiza que toda e qualquer experiência humana ou percepção consiste de idéias. ou seja. ao concluir a sua análise crítica sobre a obra de Harnack. tudo o que existe só se torna real porque é percebido pela mente do homem. ou seja. com base na experiência da ressurreição. Essa. Esta mensagem original é a mensagem da vinda do reino. e foi ela. na realidade. Tal afirmativa pressupõe a redução do evangelho somente aos sinóticos. voltou-se contra Schleiermacher. O Amor que os une é o Espírito Santo – a síntese. ou seja. a partir do Absoluto. que Paulo interpreta Jesus de um modo que está muito longe do verdadeiro Jesus histórico. Na primeira. Na realidade. ele desenvolveu um método dialético aplicável também à teologia. afirma que o maior erro dele e de toda a teologia liberal é que ela não está apoiada em uma teologia sistemática. No que se refere à encarnação. ele mesmo se considerava apenas um teólogo e. um verdadeiro e outro falso. A teoria do conflito entre Paulo e Pedro. Hegel considerou o Pai como a unidade divina – a tese. moderna. Ele afirmou que o evangelho sobre Jesus não está contido no evangelho pregado por Jesus. Ademais. e mesmo assim devem ser eliminados todos os sinais que identifiquem uma possível influência paulina. como tal. é revivida aqui em uma versão mais refinada. pregada sobre Jesus.3 Hegel e os idealistas Muitos dos teólogos e filósofos liberais também são considerados como tendo ligações com o idealismo. Ele se objetiva no Filho – a antítese. mútua aceitação e amor. como. contida na Bíblia. Para Hegel. que produziu as doutrinas sobre Jesus. que é Deus. 3. toda a comunidade cristã primitiva que rodeava Paulo estava impregnada de conceitos helenizantes. O processo completo culmina na Trindade. Hegel afirma que Deus é a tese. . desenvolvida por Baur (ver adiante). Contudo. em última análise. Harnack cunhou a idéia de dois evangelhos. A união se dá na mais suprema síntese – o Deus-Homem. reputado como o principal filósofo alemão de sua época. por exemplo. Tillich. o evangelho de Jesus e evangelho sobre Jesus. uma escola filosófica que. é a fórmula clássica da teologia liberal: o evangelho ou a mensagem pregada por Jesus nada tem com a mensagem posterior. e o reino de Deus é o estado no qual Deus e os membros individuais de seu domínio estão em uma relação de perdão.Em decorrência da fórmula de miolo e casca. às doutrinas da trindade e da encarnação. Distingue-se ele da humanidade finita – a antítese.

ele acreditava que o autor de Atos era pós-apostólico. em que cada conceito aponta além de si mesmo a outro conceito contrário. em especial.Apesar de não ter atacado a teologia ortodoxa tradicional. com base em suas pesquisas do Novo Testamento. trouxe sérias conseqüências ao desenvolvimento do hegelianismo posterior. Ainda nessa linha. . não poderia ter sido escrito no século I. portanto. mais precisamente em um ensaio sobre o chamado partido de Cristo na correspondência de Paulo aos coríntios. representada entre outros por Ferdinand Baur e David Strauss. foi escrito no final da segunda centúria. o Apóstolo de Jesus Cristo. nesse particular Baur parece ter sido influenciado por Kant e Hegel. Em seu livro Paulus. achou na filosofia contemporânea de Hegel um instrumento adequado para a remodelação da teologia. resolvendo-se a oposição em uma unidade mais elevada. A tensão inevitável surgiu com o cristianismo paulino a antítese. ele aplicou os conceitos hegelianos de tese. 3. 1845). Segundo Paul Tillich. O partido de Cristo começou essencialmente como um judaísmo messiânico sob a liderança de Pedro e adotado pelos apóstolos originais – a tese.4 Ferdinand Christian Baur Ferdinand Christian Baur (1792-1860). Baur aplicou os mesmos princípios à vida e pensamento do apóstolo Paulo e concluiu que somente as Cartas aos Romanos. Ademais. ou a Igreja Católica – a síntese. sendo que o Evangelho de João. ele afirmou que a maior parte do Novo Testamento teria sido escrita no segundo século. Assim. que eram grandes admiradores do quarto evangelho. Coríntios e Gálatas eram genuinamente de Paulo. antítese e síntese ao desenvolvimento primitivo do cristianismo. teólogo filosófico protestante alemão e fundador da Escola de Tübingen de crítica bíblica. por parte do grupo chamado de esquerda hegeliana. pois sintetiza e harmoniza o conflito entre cristãos judeus e gentios e. o método dialético de Hegel. por seu irenismo e familiaridade com controvérsias da metade do século II. der Apostel Jesu Christi (Paulo. Os partidos petrino e paulino lutaram e dessa luta surgiu o partido joanino.

que. em sua maior obra. influenciado pelo pensador iluminista Reimarus e pelos ensinos da escola de Tübingen. no qual se propõe a substituir o cristianismo pelo materialismo científico. uma forma personalizada de darwinismo. Jesus existiu. Das Leben Jesu kritisch bearbeitet (A Vida de Jesus Criticamente Examinada. criação mitológica e deve ser entendido simbolicamente como a realização da Idéia ou Espírito Absoluto na raça humana. Para Strauss. justificando-os através da idéia de mito. de 700 páginas. mas o Cristo do Novo Testamento é essencialmente. 3) Logo.5 David Friedrich Strauss Outro membro da esquerda hegeliana foi David Friedrich Strauss (1808-1874). que teriam sido engendrados por escritores do século II. No final de sua vida. em atendimento aos anseios dos homens daquele tempo. 1836). todos os textos nos quais Deus intervém no curso natural dos fatos não são históricos. conforme apresentada nos Evangelhos. Strauss publicou o livro Der alte und der neue Glaube (A Velha Fé e a Nova. do mesmo modo que Baur considerou o Evangelho de João como o mais afastado no tempo.3. tem sido copiado por algumas crenças esotéricas modernas como a Nova Era. 2) Todos os textos nos quais Deus intervem no curso natural dos fatos são irreconciliáveis com as leis conhecidas e universais que governam os acontecimentos. Seu conceito de que o homem é a união entre o finito e o infinito. A vida de Jesus. foi uma tentativa de despir o Jesus histórico de sua moldura de mito criada pela imaginação poética da igreja antiga. Racionalista não confesso. em todos os seus característicos sobre-humanos. considerou os milagres bíblicos atribuídos a Jesus como impossíveis. que esperavam um Messias que fizesse maravilhas e aguardavam o cumprimento das profecias do Antigo Testamento. 1872). . entre o espírito e a natureza. Os argumentos de Strauss podem ser reduzidos aos seguintes silogismos: 1) Todos os textos que não se conciliam com as leis conhecidas e universais que governam os acontecimentos não são históricos.

Diz-se da segunda versão do comentário aos Romanos. A influência da obra de Karl Barth nessa nova era da teologia é enorme. de fato. Esses princípios serão abordados nos tópicos a seguir. . A teologia desses dois mestres e também a de Barth era o Idealismo teológico. Ele produziu um impacto tão grande na teologia protestante. e sim um livro extraordinário. Foi ele quem dominou o ambiente teológico. caracterizado por uma profunda veia de pietismo e de preocupação pela prática da experiência religiosa cristã. que todo teólogo do nosso século que quiser estudar teologia a sério. esboça alguns princípios que emanam do comentário de Karl Barth aos Romanos e que parecem ter desempenhado o papel mais influente na formação das novas variantes teológicas. de qualquer forma. A revolta teológica contra o liberalismo teológico foi uma das mais notórias características da teologia barthiana. um jovem pastor de uma pequenina igreja da Suíça escreveu um comentário tão radical que certo escritor disse que Karl Barth pegou uma carta escrita em grego do primeiro século e transformou em uma carta urgente para o homem do século vinte. O Jesus do mentor de Barth. aluno do Dr. O que havia nesse comentário do pastor Barth que sacudiu os alicerces teológicos do século vinte? Quais foram os princípios que Barth apresentou e que se converteram no legado de uma nova era teológica? Harvie M. 1919 tem sido para muitos o ponto de partida da teologia contemporânea. Herrman. A medida de toda a verdade era a experiência. Porém. e desde então tem estado no centro da teologia moderna. Em 1919. pode se opor à sua teologia ou acolher suas idéias. não era o filho de Deus único e sobrenatural. Harnack. formulou os problemas e apresentou as hipóteses de maior relevância. Em 1919. uma bomba que Barth lançou no cenário teológico contemporâneo. totalmente revisada e publicada em 1921. Cornelius Van Til. Barth se encarregou de repudiar grande parte desse liberalismo clássico. Ele foi. Karl Barth e a revolta contra o Liberalismo Teológico Tendo já comentado a influencia da filosofia kantiana para a teologia do século vinte.4 . Um teólogo católico disse que esse comentário aos Romanos foi uma revolução copernicana na teologia protestante que acabou com o predomínio do liberalismo teológico. Não há nenhuma dúvida de que o pensamento de Barth dominou o pensamento teológico do seu tempo. Barth havia aprendido teologia aos pés de dois grandes teólogos liberais. passemos agora a discorrer sobre a teologia contemporânea em si. à saber: Harnack e Herrmann. e com muito mais força em 1921. A Bíblia do mentor de Barth. que ela foi ainda mais revolucionária que a primeira. não era a Palavra infalível de Deus. o sentimento. ainda que ordinário. Ele transformou a teologia do século vinte em teologia da crise. cheio de erros e que exigia uma crítica radical para encontrar a verdade. Conn. mas a encarnação do amor e dos ideais humanistas. mas não pode jamais ignorá-la se quiser conhecer a situação teológica contemporânea.

não podendo ser sintetizada. O liberalismo havia exaltado o uso aculturado da religião. até que ela nos fale da nossa situação existencial. Esse é o conceito barthiano de revelação. ela não é Palavra de Deus. insistiu na distinção entre a Bíblia e a Palavra de Deus. um livro através do qual nos pode chegar a Palavra de Deus. Bart condenou a religião como o pecado máximo. O liberalismo fazia de Deus algo imanente ao mundo. Segundo Barth. e não o homem!‖. a dialética. e chamou suas idéias de Teologia da Palavra de Deus. O liberalismo edificou a teologia sobre a base da ética. a liberal Inglaterra e a civilizada França lutavam como animais ferozes. A culta Alemanha. É esse ato de sustentação do paradoxo que Kierkgaard chama de ―salto de fé‖.] a Bíblia se transforma em palavra de Deus nesse momento‖. O comentário de Barth também introduziu um novo método para explicar a teologia. porém indireta. os mestres liberais de Barth se uniram com outros teólogos para declarar seu apoio à Alemanha. ou teologia do paradoxo. A Bíblia é simplesmente um livro. . Kierkgaard havia dito que toda afirmação teológica era paradoxal. porém. até que a Bíblia se torne real para nós. A relação entre Deus e a Bíblia é real. O comentário de Barth aos Romanos surgiu então como repúdio de seus antigos mestres liberais.A primeira guerra mundial e seus horrores acabaram por soterrar o idealismo teológico liberal. Barth exclamou: ―Seja Deus. Barth se opôs a isso e apresentou Deus como ―Totalmente Outro‖. O subjetivismo do liberalismo do século XIX havia colocado o homem no lugar de Deus. Esse termo ficou rapidamente associado à obra de Barth. diz Barth. pode-se ler a Bíblia sem ouvir a Palavra de Deus. Barth enfatizou a necessidade que o homem tem da revelação. pelo menos. e não a Deus. Em oposição ao antigo liberalismo. A Bíblia. Barth quis edificar a ética sobre a base da teologia. ―é a Palavra de Deus enquanto Deus fala por meio dela [.. Este era seu legado kantiano. ainda que o método tenha sido tomado por empréstimo do teólogo existencialista Soren Kierkgaard.. O homem devia somente conservar ambos os elementos do paradoxo. Para ele. o que demonstrou que eles eram mestres de uma religião atada a uma cultura. Nesse ínterim. Barth. A dialética de Barth. mas. O comentário de 1921 de Barth propôs uma nova idéia de revelação.

―Ele não pode ser explicado como qualquer outro objeto pode ser. mas ainda é pecador.] Por esta razão. ao encontrar a contradição do pecado e finitude humana.. se dedicaram a buscar nos evangelhos – os quais eles condenavam como não-confiáveis – os fatos históricos sobre Jesus. ao coração do pensamento doutrinário‖. a própria natureza de Deus exige que as afirmações que lhe dirigimos sejam revestidas de contradição: ―Não podemos considerá-lo perto. Os liberais clássicos como o professor de Barth.] O paradoxo não é acidental na teologia cristã. Barth afirmava que ―enquanto estamos na terra. em certo sentido. segundo Barth. O comentário de Barth também demarcou a fronteira entre a história e a teologia. pois.. e só pode ser conhecido quando nos fala. segundo a teologia dialética de Barth. Barth asseverou que essa busca é um a busca sem importância. só pode ser assimilada pela mente humana como sendo um paradoxo. nem sequer com as palavras da Escritura. céu e terra. nunca objeto. mas na realidade não o toca. todo homem é escolhido e também reprovado em Cristo. não há nada na história sobre o que possamos basear a fé. a não ser que o consideremos longe‖. Segundo Barth. apenas podemos nos dirigir a Ele [. O comentário de Barth veio reafirmar a transcendência absoluta de Deus. Não podemos falar a respeito de Deus. em oposição declarada ao liberalismo. Não nos atrevemos a pronunciar em forma absoluta a palavra definitiva [. de maneira que quando preparava o comentário aos Romanos. Ele pertence. Certo comentarista observou que. Não se pode identificar Deus com nada no mundo. A própria natureza da revelação. conhecemos a Deus e conhecemos o pecado. apenas a toca como uma tangente toca um círculo. Deus chega ao homem como a tangente que toca o círculo.. é que Deus é sempre sujeito. não cabe à teologia medílo em uma forma de pensamento direto ou unilinear‖. não podemos fazer outra coisa em teologia a não ser utilizar o método de afirmação e contraafirmação. ―Totalmente Outro‖. A fé é um vazio preenchido não pela história. Um dos pressupostos de Barth. Deus e o homem. Depois da explosão. mas pela revelação. ele é infinito e soberano. Deus não é simplesmente uma unidade no mundo dos fenômenos. é um paradoxo: Deus é o oculto que se revela. o homem é justificado por Cristo. foi a ―infinita diferença qualitativa‖ entre eternidade e tempo.. . tudo o que resta é uma cratera abrasada no terreno. Sem dúvida o grande tema de Barth. que também é um legado kantiano. A teologia do século dezenove se dedicou a procurar o Jesus histórico por detrás do Cristo sobrenatural da Bíblia. segundo ele. Deus fala ao homem como a bomba explode na terra.Tal conceito influenciou muito a teologia barthiana. Apenas falamos a Deus. Segundo Barth. a revelação que vem de cima para o homem. a revelação não entra na história. e essa cratera é a igreja. Harnack.

a ressurreição de Jesus pertence ao âmbito de Geschichte. Barth dividiu a história em dois níveis: Historie e Geschichte.Profundamente influenciado pelos conceitos de história de Kierkgaard e de Franz Overbeck. Ele mesmo reconheceu alguns de seus excessos e poliu boa parte dos argumentos que enfatizou a princípio. algumas críticas que se pode fazer à obra de Barth. em última instancia. o âmbito da Historie de nada vale para o crente. Ainda que ambos os termos possam ser traduzidos por história. Alguns tomam o tema e o ampliam. suas idéias podem ser chamadas de novo liberalismo. Historie é a totalidade dos fatos históricos do passado. não de Historie. Geschichte se ocupa daquilo que une essencialmente. Barth não aceita a inerrância da Bíblia. chegando mesmo a afirmar que toda a Bíblia é um documento humano falível e que buscar partes infalíveis nas Escrituras é ―simples capricho pessoal e desobediência‖. Segundo Barth. dentro da sua teologia dialética. a conotação que essas duas palavras têm é bem diferente. e o posicionamento de Barth nada mais é que uma opção por ficar em cima do muro. ainda que as idéias de Barth representem uma revolta contra o liberalismo clássico. e até certo ponto. na Prússia. sem dúvida. a diferença entre a Bíblia como meramente um livro e a Bíblia como a Palavra de Deus depende exclusivamente da reação humana frente a este livro. Ao longo do desenvolvimento da teologia contemporânea. O que passo a expor agora são algumas críticas que se podem fazer ao pensamento de Barth. podendo-se até dizer que a teologia contemporânea tem sua raiz em Konigsberg. as idéias kantianas de fenomenal e numenal ―volta e meia‖ reaparecem com uma nova roupagem. Em primeiro lugar. que exige algo de mim e requer meu compromisso. Embora em uma atitude de revolta contra o liberalismo ele tenha exclamado: ―Seja Deus e não o homem‖. o homem é entronizado no centro da experiência religiosa. Sua idéia de revelação. pode-se dizer que ele suavizou algumas idéias mais incisivas. principalmente no que concerne ao mundo dos fenômenos e dos números é muito grande. Barth não conseguiu se livrar do ponto de vista crítico liberal das Escrituras. podendo ser comprovada objetivamente. no alemão. na prática. Para Barth. Por causa dos seus pressupostos liberais. Para ele. Há. A inerrância das escrituras é uma das diferenças cruciais entre o liberalismo e o cristianismo ortodoxo. é puramente subjetiva. Objeções à teologia dialética de Karl Barth. Mais uma vez a influência do pensamento de Immanuel Kant sobre a teologia de Karl Barth. porém sua influência continua sendo grande a ponto de podermos designar o século dezoito e o pensamento de Kant como protótipo da teologia contemporânea. . Jesus deve ser confrontado no âmbito de Geschichte.

de fato. Emil Brunner talvez tenha sido um dos nomes mais conhecidos dessa nova escola. . e nos anos que se seguiram. o homem não pode conhecê-lo diretamente. Como Deus não é um objeto no tempo e no espaço. traz à tona a problemática concernente à historicidade da obra redentora de Cristo como fundamento do cristianismo.1 Neo-ortodoxia: Analisando os pressupostos teológicos do novo liberalismo Karl Barth havia desencadeado uma tremenda revolução com seu comentário aos Romanos. e visto que a ―inescrutabilidade e recondidez formam parte da natureza de Deus‖. Ao que vemos. mas não pode livrar-se de seus pressupostos. Tal como Kant. depois. embora a teologia de Barth tenha sido responsável por uma prática religiosa em que os valores evidenciam a religiosidade do cristão. Ele exclui a razão a priori e deixa a porta fechada à percepção humana. acaba por solapar a base do cristianismo. ele jamais conseguiu se libertar completamente do liberalismo teológico de seus mestres Herrmann e Harnack. de que maneira o homem pode conhecê-lo? A separação que Barth faz da Historie e da Geschichte. mas nenhum teólogo de nossa época poderá jamais ignorar a teologia dialética de Karl Barth e sua influência no cenário teológico contemporâneo. Podemos aceitar seus pressupostos ou acirrar-nos contra ele.O resultado final da dialética de Barth é a destruição da verdade objetiva. 4. Sua teologia é de suma importância para o século vinte e. é claro. de Barth. A questão é: se Deus é assim tão indescritível e insondável. se avolumando sob a égide de um novo movimento teológico denominado ―neo-ortodoxia‖. separando o cristianismo da história. Se toda comunicação histórica e toda experiência direta com Deus se encaixa em uma concepção pagã de Deus. Barth confina Deus ao mundo dos números e apresenta a dialética – a teologia do paradoxo – como sendo à única teologia possível. quase todo o pensamento teológico moderno até a década de setenta envolverá a perspectiva de Barth. Ele revoltou-se contra o liberalismo teológico. a revolução se ampliou consideravelmente. argumentou contra ele. também privou o cristianismo do seu lugar na história. e ao fazê-lo. mas ao fazê-lo. afirma ele. Ela argumenta na tradição de Nietzche e Overbeck. É claro que o propósito de Barth foi tirar do liberalismo o monopólio quanto ao método de interpretação. como poderemos aproximar-nos da verdade sobre Deus? Também a sua insistência em descrever Deus como ―Totalmente Outro‖ faz de Deus um ser indescritível.

Nascido em 1889. assim como a de Barth. Essa insistência em que Deus é sempre sujeito e nunca objeto será um tema bastante recorrente na teologia contemporânea. de Barth. em Nova Iorque. Berlim e também no Union Theological Seminary. Temos que reconhecer que existe muita rivalidade no movimento. Desde os primeiros anos do comentário aos Romanos. cabe a nós destacarmos os temas comuns. então o homem não pode ser responsabilizado pelo pecado que comete. Enquanto nos Estados Unidos ele era recebido como um dos mais importantes teólogos. são indicativos de que as vozes dentro do movimento neo-ortodoxo nem sempre foram unânimes. tendo exercido influência no oriente. Na verdade. as criticas de Barth à Bultmann e as críticas que Bultmann devolveu à Barth. estudou em Zurich. o mundo inteiro sentiu o abalo da teologia barthiana. Ele argumenta que Deus não pode ser tratado como um objeto de estudo. conceito que é negado por Brunner. apesar da influencia de Brunner. Buscando inspiração nos escritos dos filósofos Martin Bubber e Soren Kierkgaard. as três principais correntes teológicas já eram mencionadas como sendo a conservadora ou ortodoxa. mas se defendeu argumentando que se o homem pecador não é mais a imagem de Deus e se não há nenhuma revelação de Deus na natureza. O esboço que demonstraremos a seguir está baseado principalmente na obra Dogmática da Igreja. e em 1953 deixou a Suíça para tornarse professor na Universidade Cristã do Japão. Barth aceita o nascimento virginal. indicamos alguns dos pressupostos. a neo-ortodoxia – às vezes chamada de barthianismo – cruzou muitas fronteiras. Agora. Tornou-se professor de teologia em Zurich em 1924. liberal e neo-ortodoxa.Brunner foi um teólogo suíço residente nos Estados Unidos que também teve participação importante no desenvolvimento da teologia neo-ortodoxa. . ele define o cristianismo e a teologia em termos mais relacionais que racionais. e a mesma é negada por Barth. Emil Brunner aceita a revelação geral. foi Barth quem foi apelidado de ―o papa teológico‖. Ele foi duramente criticado por Barth por afirmar que a imagem de Deus se encontra ainda no homem pecador e que Deus se revela na natureza. tanto que ao final da década de cinqüenta. ou um ―isso‖. a discordância de Pannenberg acerca do conceito barthiano de história. no Japão ele era conhecido como o único teólogo. No Japão. por exemplo. por volta de 1925. A ferrenha diferença de opiniões entre Barth e Brunner quanto à realidade do nascimento virginal e da revelação geral. A teologia de Brunner. Essa influência de Barth no Japão deve-se principalmente aos escritos de Tokutaro Takahura. bem como a metodologia da estrutura teológica neo-ortodoxa. Em um capítulo anterior. mas devemos nos relacionar com ele apenas como um ―Tu‖. é extremamente subjetiva.

O tema mais debatido pela neo-ortodoxia é o conceito de revelação. A revelação, segundo Barth, é uma perpendicular que vem de cima, e que por isso não pode se comparar com as melhores intuições humanas. A revelação é um evento no qual Deus toma a iniciativa. Também é dito que a revelação não pode comparar-se com a Bíblia, pois é superior a ela. A Bíblia e suas afirmações são testemunhas, são sinais indicadores da revelação, mas não é a revelação em si. A Escritura não é a Palavra de Deus, e nem as afirmações da Escritura são revelação. Segundo Barth, comparar a Bíblia com a Palavra de Deus é objetivar e materializar a revelação. Nesse mesmo terreno, Brunner definiu a revelação como sendo uma ocasião de diálogo em que Deus se encontra com o homem. Não se pode dizer que a revelação tenha acontecido, à não ser que ambos os participantes do encontro – a saber, Deus e o homem – se encontrem. O coração da revelação da Palavra de Deus, segundo a perspectiva neo-ortodoxa, é Jesus Cristo. De fato, Barth insiste tanto nessa idéia que chega ao ponto de negar a existência de qualquer outra revelação, à parte de Cristo. Para ele, a história da revelação e a história da salvação vêm a ser a mesma coisa. No Cristo de Barth, Deus revelou que não queria deixar o homem existir em pecado. Por isso, Barth insiste em que nunca deveríamos mencionar o pecado, a não ser que agreguemos imediatamente que o pecado foi derrotado, esquecido e vencido por Jesus. A reconciliação entre Deus e o homem se efetua por meio de Cristo. Jesus Cristo é o próprio Deus, isto é, é Deus que se humilha a si mesmo. Em sua liberdade, Deus cruza o abismo aberto e mostra que ele é verdadeiramente Senhor. Na encarnação, Deus se humilha a si mesmo. Barth não quer admitir a humilhação do homem Jesus. Segundo ele, dizer que a humilhação se refere ao homem é uma mera tautologia. Que sentido haveria em falar de um homem humilhado? A humilhação é algo natural no homem. Porém, dizer que Deus se humilhou a si mesmo, segundo Barth, é entender o verdadeiro significado de Jesus Cristo como Deus. Ele é o Deus que se humilha que se revela, e é também a própria essência da revelação. Barth afirma que Cristo, embora haja se humilhado como Deus, foi exaltado como homem. Ele se nega a admitir a idéia tradicional dos dois estados de Cristo, humilhação e exaltação, referindo-se à totalidade do Deus-homem em ordem cronológica. Para Barth, Deus se humilhou a si mesmo e o homem (a humanidade de Jesus) foi exaltada. Dizer que o estado de exaltação se refere a Deus também é mera tautologia. Que sentido haveria em falar em um Deus exaltado? A exaltação é algo natural em Deus. Segundo Barth, ―em Cristo, a humanidade é humanidade exaltada, assim como a divindade é divindade humilhada. E a humanidade é exaltada com a humilhação da Divindade‖.

A doutrina de Barth traz implícito o universalismo. Outro problema bastante polêmico dentro da neo-ortodoxia é a ambigüidade de seus proponentes no que concerne à possibilidade de salvação universal. Barth desde o início repudiou o conceito supralapsariano – que é a dupla predestinação – afirmando que a eleição não diz respeito a pessoas, e sim à Cristo. Ele afirma que a tarefa da igreja é proclamar que os homens já foram eleitos em Cristo, e que portanto, devem viver como escolhidos. Para Barth, a eleição não é um estado que adquirimos em Cristo, e sim uma vida de ação e serviço a Deus. Esse conceito barthiano implica em universalismo? Barth não afirmou, mas também jamais negou essa hipótese. Em uma de suas últimas conferências sobre a humanidade de Deus, ele disse que ―não temos o direito teológico de estabelecer quaisquer limites à misericórdia de Deus que se manifesta em Jesus Cristo‖. 4.2 Objeções à neo-ortodoxia. Como se pode observar, muitos pressupostos da neo-ortodoxia são resultantes da influência do liberalismo, o que torna algumas de suas propostas inaceitáveis para os teólogos ortodoxos. Há ainda muita polêmica dentro da neo-ortodoxia, não sendo difícil levantar objeções a essa corrente teológica. O que apresentamos a seguir são algumas objeções mais freqüentes que são levantadas contra a neo-ortodoxia. Primeiramente, a neo-ortodoxia coloca a experiência subjetiva acima da revelação objetiva. Para a neo-ortodoxia, a revelação não é simplesmente uma declaração de Deus ao homem, e sim um encontro divino-humano, uma confrontação e um diálogo existencial. De acordo com essa premissa, a Bíblia não pode ser a Palavra de Deus. Ela se transforma em Palavra de Deus à medida que Deus fala conosco por meio dela. Reconhece-se nessa premissa a dívida que a neo-ortodoxia tem com a escola de filosofia existencialista. A neo-ortodoxia conserva a linguagem teológica ortodoxa, porém a reinterpreta, e muitas vezes o resultado desta reinterpretação é tão nocivo quanto veneno no leite. As doutrinas do pecado original, da queda de Adão, da redenção, da ressurreição e da segunda vinda de Cristo são chamadas de mitos por Brunner e de saga por Barth. A interpretação que a neo-ortodoxia dá a essas passagens é acima de tudo existencial, quase nunca literal, sob alegação de que essas doutrinas não descrevem eventos na história, e sim condições históricas sob as quais todos os homens vivem. Gênesis 3, por exemplo, não deve ser tomado como história literal, sendo apenas uma forma simbólica de explicar a realidade do pecado e do orgulho na vida humana. Esse conceito de teologia não deixa nenhuma porta pela qual possa entrar a pregação da vinda do Filho de Deus como evento a ocorrer na história, por exemplo.

A insistência de Barth em Jesus Cristo como o coração da revelação é tão forte que o leva a negar a existência de qualquer outra revelação de Deus. Essa idéia é contrária a Bíblia, pois esta afirma que Deus se revela através da sua criação (Atos 14.17 e Romanos 1.19-20). O conceito barthiano e neo-ortodoxo de revelação também é contrário à doutrina bíblica da inspiração, e acaba por destruir o caráter bíblico de revelação canônica. Alguns acusam Barth de fazer uma interpretação dualista da encarnação de Cristo, pois ele parece fazer distinção entre as duas naturezas, repudiando por completo o credo da Calcedônia. Ora, Cristo não nos salvou apenas por meio da sua divindade, mas também por meio da sua humanidade. Nós temos paz por meio do sangue da cruz (Colossenses 1.20, Efésios 2.16) e não há nada mais humano que o sangue de uma pessoa. Ainda que Barth diz que nem afirma e nem nega a teoria da salvação universal, sua idéia de ―eleição universal em Cristo‖ parece uma espécie de neo-universalismo. Além disso, seu repúdio pelas descrições do céu e do inferno parecem um conceito de salvação bem diferente do que é apresentado nas Escrituras. O resultado dessa postura ―neouniversalista‖ é a destruição da gravidade da incredulidade, e deste modo a neo-ortodoxia destrói as advertências bíblicas contra a apostasia, bem como o chamado ao arrependimento e à fé. Por várias razões, muitos teólogos têm entendido mal a neo-ortodoxia. Essa corrente teológica pretende, entre outras coisas, ser um retorno ao ensino dos reformadores. A razão de ser da neo-ortodoxia é atacar o otimismo do liberalismo clássico e as corrupções da teologia católica romana. É sua intenção por em evidência a centralidade absoluta da pessoa de Cristo, a transcendência de Deus e a necessidade de revelação. Naturalmente, todos esses pontos básicos estão em harmonia com o conceito evangélico. Apesar disso, como se pode observar, a neo-ortodoxia se separa da fé cristã histórica não somente em algumas esferas pouco relevantes, mas também em seus conceitos básicos. Recomendamos as obras de Barth, Bultmann e Brunner – bem como de outros teólogos neo-ortodoxos – por sua influência e contribuição para o cenário teológico contemporâneo, mas a apreciação dessas obras deve ser feita com cautela e com espírito crítico. 5. Crítica da Forma: O método investigativo de Rudolf Bultmann No mesmo ano em que Karl Barth publicou seu comentário aos Romanos, apareceram mais dois livros acerca de temas neotestamentários que anunciavam uma nova mudança nos estudos críticos. O livro Die Formgeschichte des Erxrngeliums, de Martin Dibelius (1883-1947), foi o responsável por popularizar o jargão teológico crítica formal. Outro livro, Der Ráhmen der Geschichte Jesus (1919), de Karl L. Schimidt, pretendia ser o golpe de misericórdia dos liberais contra a confiabilidade do Evangelho de Marcos. Porém, mais que a estes dois nomes, a coluna vertebral dessa nova mudança estaria associada a um outro nome: Rudolf Bultmann. O livro de Bultmann que revolucionou a história dos estudos da Bíblia foi History of the Synoptic Tradition (História da tradição dos Sinóticos), escrito em 1921. A influência de Bultmann no campo da crítica sobrepujou a de Dibelius.

um dos pioneiros no campo da crítica. tais detalhes não são confiáveis. Para ele. inventando lugares. inclusive histórias independentes acerca de Jesus. Até mesmo os seus críticos. Segundo a crítica formal. nós ―não possuímos a história de Jesus. Milagres.L. Segundo os seus proponentes. importante. Como disse K. 5. Com respeito à confiabilidade da Bíblia. tendo sofrido acréscimos por parte da comunidade cristã primitiva.O método crítico de Bultmann é de fato. ―em um barco‖. tal como a temos hoje seria apenas uma compilação de lendas e ensinos isolados que foram ardilosamente inseridos como sendo parte da história original. Shimidt. lugares. A Bíblia. e afirma que a Bíblia não é a Palavra inspirada de Deus em nenhum sentido objetivo. é em grande parte espúria. acolheram vários pressupostos da crítica formal. A igreja ajuntou essas tradições e usou em forma de narrativa. Frases como as dos Evangelhos. que teria sido anterior aos quatro Evangelhos canônicos e diferente dos mesmos. a Bíblia é o produto de antigas influências históricas e religiosas. Para dar aos Evangelhos um detalhe harmônico. consistindo basicamente de ditos e relatos individuais referentes a Jesus e aos seus discípulos. histórias controvertidas e profecias cumpridas seriam nada mais que uma tradição proveniente de uma fonte tardia e menos confiável. os quatro Evangelhos que dispomos servem apenas como ―matéria prima‖ na nossa busca pelo verdadeiro Evangelho. ―em uma viagem‖ – são apenas meros recursos literários usados pelos compiladores dos Evangelhos para unir todas as narrativas. etc. ―imediatamente‖. teriam sido acrescentados detalhes quanto à seqüência.1 O método investigativo da crítica formal. . Bultmann vai mais além. partindo da premissa de que a igreja primitiva compilou. ―no dia seguinte‖. Inglaterra e Estados Unidos. Os autores dos evangelhos procuraram unir várias tradições orais independentes e contraditórias que existiam na igreja antes que fosse escrito o Novo Testamento. ao refutar as conclusões de Bultmann. cronologia. tal como temos nos sinóticos. bem como outros países com tradição no estudo da teologia. temos apenas histórias sobre Jesus‖. A premissa fundamental da crítica formal é que os evangelhos são o produto do labor da igreja primitiva. O labor do crítico formal é mostrar que a mensagem de Jesus. O propósito da crítica formal é encontrar o Evangelho por detrás dos Evangelhos. usam uma adaptação do seu método crítico. de acordo com seus próprios propósitos apologéticos e evangelísticos. editou e organizou os livros canônicos de forma artificial. Aos poucos. tais como Oscar Cullmann e Joachim Jeremias. e deve ser avaliada como qualquer outra obra literária religiosa antiga. tempos e enlaces para unir as tradições independentes. ainda que receosos quanto à nova matéria que estava associada principalmente ao nome de Bultmann. Essas tradições orais também não são dignas de confiança.

ele não conseguiu demonstrar objetivamente o Jesus ―não-sobrenatural‖. . 5. E por último. É claro que esses pontos consensuais são superficiais. o que temos nos Evangelhos canônicos são apenas resíduos do Jesus histórico. A crítica formal também nos recorda o caráter ocasional dos Evangelhos. por maiores que foram os esforços de Bultmann. Os cristãos ortodoxos aceitam. o resultado dessa metodologia é essencialmente anti-sobrenaturalista. a crítica formal nos lembra que os Evangelhos não se interessavam grandemente por detalhes geográficos e cronológicos. alguns dos pontos sustentados pela neo-ortodoxia. Como tais. Consenso com os cristãos ortodoxos.Por fim. e Marcos e Lucas para os gentios. e até mesmo com alguns pressupostos de Bultmann. Todos os documentos do Novo Testamento. de forma quase consensual. não importa a forma em que a crítica formal os selecione. antes de adquirir a forma escrita do Novo Testamento. já que as fontes cristãs primitivas não se interessam por isso. o método crítico de Rudolf Bultmann é demasiadamente injusto com a natureza do Novo Testamento. Há várias objeções que se pode fazer ao criticismo de Bultmann. em uma ocasião histórica específica. pois há menção da pessoa de Cristo nos escritos dos Pais apostólicos. Flávio Josefo e Tácito. Ela também nos recorda que os Evangelhos não são relatos neutros ou imparciais. dentre as quais destacaremos cinco. Mateus para os judeus. Para Bultmann. sendo fragmentadas e lendárias. Cada um deles foi escrito com uma idéia.3 Objeções ao método crítico de Rudolf Bultmann. É claro que o comentário de Bultmann é preconceituoso e tendencialista. por considerá-las principais. Não há dúvida que Jesus viveu e realizou muitas das obras que lhe são atribuídas. como por exemplo. Ele disse: ―Creio que não podemos saber quase nada acerca da vida e personalidade de Jesus. principalmente quanto à possibilidade do sobrenatural e do chamado ―Jesus histórico‖. expressam em primeiro lugar uma preocupação vital com a problemática da época. mas ele se mostra extremamente cético. continuam refletindo o Jesus sobrenatural. entre outros. filho de Deus. Assim como a teologia dialética de Barth. A crítica formal nos lembra que o evangelho se conservou oralmente durante pelo menos uma geração. e não existem outras fontes acerca de Jesus‖. como a comunidade cristã ortodoxa havia pensado e praticado anteriormente. sendo antes disso um testemunho da fé dos crentes. Além disso.

o cristianismo dos apóstolos não passava de versões falhas sobre Cristo e sua mensagem. Isso tudo viola injustamente a unidade do relato evangélico. O método crítico de Bultmann separa o cristianismo de Cristo. por se tratar de uma crônica de contínuos sucessos. A grande premissa deste método de estudo é que a comunidade cristã. Os Evangelhos possuem uma unidade básica de testemunhos confiáveis de Cristo. O que eles não levam em conta é que dentro dos limites de um esquema histórico amplo. A igreja a qual Paulo e seus companheiros testemunharam não foi criadora (2 Coríntios 4. está claro que os apóstolos exerciam um controle estratégico da mensagem oficial da igreja durante os anos de transmissão oral. Não há embasamento sólido para a teoria da inconfiabilidade histórica dos Evangelhos. A verdade. Além disso. como no prólogo de Lucas (Lucas 1. várias vezes eles se mostram cautelosos com os dados históricos. e ainda nos apresentam marcos diferentes da vida de Jesus. e não criar uma versão mitológica e deturpada do Evangelho.A primeira delas está relacionada com a história. Eles reduzem Mateus. porém.54-58) e a sua agonia no Getsêmani. mas apenas receptora da verdade. A crítica formal também é injusta com os escritores dos relatos evangélicos. como a ausência de sinais de Cristo em sua terra natal (Mateus 13. Eles eram testemunhas oculares. apesar disso.1-4). é que a mensagem neotestamentária está centrada na pessoa de Cristo e no que ele fez (2Coríntios 4. Porém. Sua presença tinha como finalidade impedir que surgissem versões deturpadas do Evangelho. exerceu o papel mais importante na produção dos Evangelhos. os apóstolos eram uma fonte autorizada de informação com respeito dos atos e doutrinas de Cristo. Os críticos da tradição de Bultmann argumentam que. Marcos e Lucas a meros compiladores de documentos. e sim a preservação e proclamação das antigas tradições. mas não eram historiadores treinados. mas a crítica formal não reconhece a diversidade de transmissão oral dentro da unidade dos relatos evangélicos.5).1. Diferente do que dizem estes críticos. eles não podem ser um esquema historicamente confiável sobre a vida de Cristo. Na verdade. a pesar dos muitos sucessos. e não Cristo. cada evangelista distribuiu seu material histórico de acordo com seus propósitos.1-2). Eles também ignoram que o Novo Testamento. Em Atos 4. narra também alguns fatos embaraçosos. cada Evangelho é um marco histórico de certos aspectos da vida de Cristo. e não na comunidade cristã. e os Evangelhos a relatos contraditórios. Segundo a crítica formal.21-22. a crítica de Bultmann é exagerada porque exige dos escritores dos Evangelhos algo que eles não quiseram fazer. Sua maior responsabilidade não foi a criação de novas tradições. .

e se por um lado a Alemanha perdeu pouco a pouco o interesse pelos pressupostos da desmitologização. eles esquecem que o intervalo entre os fatos acontecidos e o registro desses fatos é muito pequeno. Essa palavra cacofônica é uma terminologia que foi popularizada por Bultmann em um ensaio escrito em 1941. O que será que há de tão controverso e ao mesmo tempo tão atraente nesse conceito de Bultmann. entre as quais está a desmitologização. além de ser ainda hoje a parte de sua formulação teológica mais controversa. O que ocorre. O impacto desse conceito na Europa foi tremendo. a ponto de instigar consideravelmente os teólogos dos Estados Unidos. . está demasiadamente comprometida com os pressupostos do liberalismo para que possa ser considerada uma analise imparcial dos fatos. Não é possível sintetizar todo o pensamento de Bulmann em uma única palavra. Mas a crítica formal não foi a única contribuição de Bultmann à teologia contemporânea. muitas das testemunhas oculares estavam vivas e poderiam facilmente desmascarar os escritores. Europa e da Ásia. caso estes fossem impostores e estivessem inserindo mitos na narrativa. Outras idéias dele também permearam o cenário teológico do século vinte. No capítulo anterior. tornando-se a partir daí um jargão teológico. porém. e continuar exercendo influência no pensamento teológico contemporâneo ocidental? É isso que estaremos analisando neste capítulo. Apesar disso. O primeiro relato documental foi feito por Marcos e as evidências demonstram que ele foi escrito cerca de vinte e cinco anos após os eventos por ele narrados. é uma analise preconceituosa do relato evangélico. apresentamos uma parte muito importante da influência atual de Bultmann. Quando as primeiras versões evangélicas começaram a circular. 5. O problema em dizer que o NT está repleto de material lendário é que vinte e cinco anos é muito pouco tempo para se formar uma lenda. a idéia recebeu um novo estímulo quando o John Robinson discorreu sobre o tema em seu livro Honest to God.3 Desmitologização: O método interpretativo de Rudolf Bultmann Uma das palavras chaves para entender a teologia do século vinte é a ―desmitologização‖. Quando Bultmann e outros críticos da Bíblia dizem que a narrativa evangélica está repleta de fábulas que se acumularam durante o período entre a tradição oral e a palavra escrita. segue-se irrefragavelmente que a crítica da Bíblia tal como aparece em Rudolf Bultmann. a teologia da desmitologização é sem dúvida uma parte importantíssima da teologia contemporânea e merece destaque entre as idéias que Bultmann ajudou a preconizar. De tudo isso. de 1963. como os críticos desejam que seja.A crítica formal parece esquecer que o lapso de tempo entre os fatos históricos e os documentos escritos é mínimo. é justamente o contrário: os Evangelhos foram recebidos com muita alegria e divulgados pelas igrejas.

O programa de desmitologização. No centro do programa de desmitologização de Bultmann consta na afirmação de que no Novo Testamento encontram-se duas coisas: O Evangelho cristão, por um lado. A cosmogonia do século primeiro, de índole mitológica, de outro lado. Sendo assim, o teólogo contemporâneo precisa separar o kerigma (transliteração da palavra grega que significa ―conteúdo da pregação‖), de sua envoltura mitológica. O kerigma seria a entranha irredutível na qual o homem moderno deve crer. A idéia de mito, para Bultmann, tem sua origem no pensamento pré-científico do século primeiro. O propósito do mito seria expressar a maneira como o homem vê a si mesmo, e não apresentar um quadro objetivo e histórico do mundo. O mito emprega imagens e termos tomados deste mundo para transmitir convicções acerca do enfoque que o homem tem de si mesmo. No século primeiro, o judeu entendia o seu mundo como um sistema aberto a Deus e aos poderes sobrenaturais. Nessa era pré-científica, acreditava-se que o universo tinha três níveis, com o céu acima, a terra no centro e o inferno debaixo da terra. Bultmann insiste que essa é a visão de mundo encontrada na Bíblia. Esta inserção mítica, segundo Bultmann, também foi utilizada para transformar Jesus. A pessoa histórica de Jesus, segundo esse professor, se converteu rapidamente em um mito do cristianismo primitivo, e é por isso que Bultmann argumenta que o conhecimento histórico de Jesus não tem valor para a fé cristã primitiva, pois o quadro apresentado pelo Novo Testamento é de índole essencialmente mítica. Os fatos históricos acerca de Jesus se transformaram em uma história mítica de um ser divino e preexistente que se encarnou e expiou com seu sangue os pecados de todos os homens, ressuscitando também dentre os mortos e subindo ao céu e, segundo se cria, regressaria rapidamente para julgar o mundo e iniciar uma nova era. Esta história também foi embelecida com histórias milagrosas, vozes celestes e triunfos sobre demônios. Bultmann afirma que toda essa apresentação que o Novo Testamento faz de Jesus não passa de mito., isto é, do reflexo do pensamento pré-científico das pessoas do século primeiro, que criaram esses mitos para entenderem melhor a si mesmos. Esses mitos, segundo ele, não tem nenhuma validade para o homem do século vinte, que acredita em hospitais, e não em milagres; em penicilina, e não em orações. Para transmitir com eficácia o evangelho ao homem moderno, devemos despojar o Novo Testamento dos mitos e encontra o Evangelho por trás dos Evangelhos. É este processo de descobrimento que Bultmann chama de desmitologização.

O processo de desmitologização, segundo o próprio Bultmann, não significa negar a mitologia, e sim interpretá-la existencialmente, em função da compreensão que o homem tem de sua própria existência. Bultmann busca fazer essa interpretação existencialista dos mitos utilizando conceitos do filósofo existencialista alemão Martin Heidegger (1889). Assim, ele afirma que o suposto nascimento virginal de Cristo é uma tentativa humana de expressar o significado de Jesus para a fé. A cruz de Cristo também perde seu significado expiatório. Cristo na cruz não está fazendo nenhuma substituição vicária: ela tem significado apenas como símbolo de que o homem assumiu uma nova existência, renunciando toda a segurança material por uma vida que se vive apoiado no transcendente. Características básicas da mitologia do Novo Testamento. Em ultima análise, Bultmann diz que as características básicas da mitologia do Novo Testamento se concentram em duas categorias de autocompreensão: a vida fora da fé e a vida de fé. A vida fora da fé. Nesse sentido, os termos conhecidos como pecado, carne, temor e morte são apenas explicações míticas da vida fora da fé. Em termos existenciais, pode-se dizer que significam uma vida escrava das realidades tangíveis, visíveis e que perecem. A vida de fé. A vida de fé, por outro lado, consiste em abandonar completamente esta adesão às realidades tangíveis. Significa ainda a libertação do próprio passado e a abertura para o futuro de Deus. Para Bultmann, essa abertura ao futuro de Deus é o único significado real da escatologia. A implicação desse pensamento é que o viver escatológico genuíno é viver em constante renovação através da decisão de obedecer. Objeções à doutrina de Bultmann. A teologia de Bultmann é anti-cristã e herética, e o nosso juízo sobre ela deve ser negativo por vários aspectos: Primeiro, a desmitologização, assim como a neo-ortodoxia, tem grande dívida com a filosofia existencialista, que está em desacordo com o Novo Testamento. No existencialismo, assim como na neo-ortodoxia e na teologia da desmitologização, o enfoque central é o próprio homem, quando na Bíblia o enfoque é Deus. Sob influência do existencialismo, Bultmann coloca o homem no centro das atenções, cometendo uma injustiça e porque não dizer, sendo desonesto para com o caráter teocêntrico do Novo Testamento. O verdadeiro propósito do Novo Testamento é proclamar que o Deus soberano veio ao mundo na pessoa de Jesus para restaurar a natureza humana e resgatar a humanidade. O coração do Novo testamento continua sendo Deus, e não o Homem.

A desmitologização destrói a objetividade do NovoTestamento, portanto, é anticristã. Ela converte a Bíblia em uma religiosidade baseada no irreal e pré-científico. A religião cristã se transforma em um aglomerado de mitos e a historicidade dos eventos milagrosos é logo descartada. Herman Riddebos nota que, segundo Bultmann, Jesus ―não foi concebido pelo Espírito Santo, nem nasceu da virgem Maria. Sofreu sob Pôncio Pilatos e foi crucificado, mas não desceu ao hades, não ressuscitou dos mortos e nem subiu aos céus. Também não está assentado à direita de Deus Pai e não voltará para julgar os vivos e os mortos‖. Segundo Bultmann, ressurreição, inferno e nascimento virginal são palavras desprovidas de significado real, não sendo literais. São dogmas mitológicos e não expressam nenhuma realidade objetiva. O mesmo ocorre com a trindade, com a expiação vicária e com a obra do Espírito Santo. O cristianismo primitivo está marcado pelo impacto da pessoa e da obra de Cristo. Não existe outra justificativa capaz de explicar o nascimento da igreja e da sua teologia, porém Bultmann reduz sua influência à zero. Ele preconceituosamente assume uma postura anti-sobrenaturalista e presume, com base em seus conceitos tendenciosos e sem nenhuma evidência plausível, que todos os relatos confiáveis acerca de Jesus ficaram suprimidos ou destruídos no breve período que transcorreu entre sua vida terrenal e o início da pregação evangélica. Seu ceticismo é insustentável. Será que 50 dias é tempo suficiente para que os discípulos viessem a esquecer tudo o que ouviram e viram? Não foi só Heidgger que influenciou a teologia de Bultmann. As idéias de David Hume, o cético escocês, haviam influenciado o mundo e seu legado se estendia à época de Bultmann. É injustificável a negação de Bultamann dos relatos sobrenaturais e a classificação arbitrária desses relatos como sendo essencialmente mitológicos. Também podemos perceber várias pressuposições do liberalismo clássico na obra de Bultmann, razão pela qual tanto o seu método crítico como sua teologia da desmitologização ganharam o apelido de neo-liberalismo. Bultmann é totalmente incoerente ao basear suas idéias nas Escrituras, pois o que ele chama de mito, a Bíblia chama fato. Seu antropocentrismo pode estar bem de acordo com a filosofia existencialista, mas é totalmente oposto ao caráter teocêntrico do Novo Testamento. O desvendamento das Escrituras pela desmitologização é herético. Ao contrário do que Bultmann pretende, não é a desmitologização que desvendará de modo compreensível as Escrituras para o homem moderno, e sim o Espírito Santo. Somente ele, segundo a Bíblia, é que pode dissipar as trevas da incredulidade levando o pecador a ver o Evangelho. Com seu método interpretativo, Bultmann nos desafia a compreender o homem moderno, quando pregamos a ele. Esse enfoque é digno e necessário, mas não é ―desmitologizando‖ o Evangelho e interpretando-o existencialmente que nós solucionaremos os problemas da humanidade. Ao apresentar a mensagem cristã ao homem moderno, devemos ter em mente que por mais moderno que ele seja, ele ainda é homem natural, e portanto ―não pode compreender as coisas que são do Espírito de Deus, porque lhe parece loucura‖ (1 Coríntios 2.14). Creio que esse versículo, mais que qualquer outro, pode ser aplicado ao método interpretativo de Rudolf Bultmann.

o Dr. Cullmann é a ênfase cristológica de seus escritos.K. ele não temeu desassociar-se desses homens. comunga muito bem com a teologia ortodoxa. De Rudolf Bultmann. Também foi influenciado pela compreensão cristocêntrica do barthianismo e pelo conceito definitivo do papel da fé na revelação divina. e mais dependentes da exegese bíblica do que a obra de Barth e Bultmann. Neste mesmo sentido. ele submeteu suas interpretações ao contexto que lhe oferecia a própria Escritura. principalmente ao fazer distinção entre os elementos essenciais e acidentais da mensagem do Novo Testamento. a saber: Barth e Bultmann. Ele diz que Barth e Bultmann assimilaram noções filosóficas estranhas ―que corromperam sua percepção da mensagem espontânea do Novo Testamento‖. de que Deus atua na história. Segundo Cullmann. como J. a Heilsgeschichte de Cullmann tomou muitas idéias básicas para um novo enfoque da história. Heilsgeschichte. Devido a essa relação com os escritos de Barth e Bultmann. De Karl Barth. o Dr. Oscar Cullmann. Outro ponto importante na teologia do Dr. Seus escritos são menos dependentes do existencialismo e de outros pressupostos filosóficos. O Novo Testamento. deve ser a chave para a compreensão de si mesmo. Cullmann é a pessoa que popularizou o termo no século vinte. que pode ser traduzida para a língua portuguesa como história da salvação. Oscar Cullmann Parte do mundo teológico do século vinte gira em torno de uma palavra alemã. porque parte da obra de Cullmann foi escrita de modo a refutar e interagir algumas idéias de dois importantes teólogos contemporâneos. é sábio referir-se as idéias de Oscar Cullmann como sendo neo-ortodoxas em sua orientação. cujos pressupostos já foram apresentados. Um dos livros mais inteligentes de Cullmann é um estudo exegético dos títulos de Cristo no Novo Testamento. O mais interessante na obra de Cullmann é que. A palavra ganhou um significado mais pleno dentro da teologia ocidental contemporânea após os escritos do teólogo suíço. é arbitrário e ingênuo. von Hofmann e Adolf Schlater. ao mesmo tempo em que Cullmann manteve algumas idéias de Barth e Bultmann. . Esta diferença entre Cullmann e seus contemporâneos pode explicar porque muitas de suas idéias têm sido aceitas aos evangélicos ocidentais. Diferente desses dois homens. Ainda que seu conceito de história está bastante renhido com o evangélico. ao passo que as idéias de Barth têm sido rejeitadas. Introduzir neste ponto nosso estudo sobre Cullmann e a Heilsgeschichte é intencional. se opondo fortemente a muitas características radicais da crítica formal e da desmitologização.6. Ainda que o significado e origem de heilsgeschichte remonta aos teólogos alemães do século dezenove. segundo ele. perito no Novo Testamento. sua ênfase na idéia central da história da salvação. Neste livro ele afirma que a teologia cristã primitiva é quase exclusivamente cristologia. o impulso de Bultmann. Heilsgeschichte: A escola teológica do Dr.C. Cullmann tomou os métodos exegéticos da crítica formal para aplicá-lo em sua reconstrução da história do Novo Testamento. enfatizou a importância da história para a compreensão adequada da Bíblia.

é algo no qual Deus atua para realizar a salvação do homem em Cristo. Os judeus no tempo do Novo Testamento aguardavam a vinda do Messias-Salvador como o anuncio iminente do fim do mundo. A batalha que decide a vitória final já teve seu lugar. Como afirmou George Ernest Wright. mas sua finalização está reservada para o tempo da segunda vinda. Toda a história e todo o tempo. Cullmann consequentemente está privando a Escritura de ser o dado básico da religião cristã. ao enfatizar a história como veículo da revelação. passa a ser revelação. quando o Reino de Deus estará presente de modo pleno. . apareceu na história da salvação na fase final do plano de redenção divino. A Bíblia dá testemunho que Jesus é o messias e que ele deu início a essa nova era. e o estudioso participa dessa história pela fé. Isso implica em uma nova perspectiva escatológica. A Heilsgeschichte (daqui por diante nos referiremos a ela apenas por história da salvação). o centro da história. e não uma realidade em si mesma. A história. ―a revelação se dá em fatos históricos. Obviamente que essa é uma idéia neo-ortodoxa. Cullmann afirma que o interprete somente conhece a história quando se identifica com ela. de modo que a história se encontra em um drama cósmico. quando o interprete a conhece. O tempo. e continua falando da experiência religiosa como ponto de apoio da revelação. em todo o seu poder e glória. não em palavras. A razão pela qual Cullmann não admite que o Evangelho seja revelação é justamente essa: aceitar o Evangelho seria limitar a ação de Deus a essa linha estreita. a escatologia inclui todos os sucessos salvadores a partir da encarnação e concluirá com a segunda vinda. como afirma Bultmann. A pesar da forte insistência na historicidade dos relatos bíblicos. A igreja. portanto. Para Cullmann. A ação central na história da salvação é a primeira vinda de Jesus Cristo como Salvador. segundo Cullmann. e não em mitos levantados pela igreja.Principais postulados da escola Heilsgeschichte de teologia. perito em Antigo Testamento da mesma escola. como escola de interpretação teológica insiste principalmente na história e na revelação de Deus na história. sendo ela mesma a chave de ação na linha estreita da história bíblica. são um drama mundial e Jesus é a figura principal neste drama. porém. depois do qual viriam as glórias da era vindoura. O dado básico passa a ser a história santa e a Escritura passa a ser apenas uma constante desse dado definitivo. para Cullmann. Devemos entender o Novo Testamenticomo testemunho dos atos reveladores de Deus‖. A revelação e a redenção divina estão baseadas em realidades históricas bem objetivas. Cullman e os outros teólogos da história da salvação ainda têm dificuldades em considerar o significado da salvação como algo objetivamente acessível. Quanto à revelação.unho de Cristo. As bênçãos da era vindoura começaram com a obra e o testem.

a teologia da Heilsgeschichte se parece muito com a teologia ortodoxa. Cullmann chama o relato Bíblico da criação e a segunda vinda de mitos. também deveríamos advertir que ele continua dependendo muito do subjetivismo da neo-ortodoxia.31-39. Em meados do século vinte. mas era também uma teologia trinitariana (Romanos 8. e no período pós-guerra esse clamor se intensificou e se homogeneizou com algumas idéias extremamente sociais e humanistas. em última análise.18 e 1Coríntios 15. 7. ele acaba por negligenciar as formulações cristãs históricas da doutrina da trindade. . A teologia da reforma sempre insistiu na necessidade da iluminação do Espírito Santo para compreender a revelação de Deus (1 Coríntios 2. inclusive para corrigir certa insistência ortodoxa do passado. Junto com isso. o uso que ele mesmo faz do criticismo faz distinção entre a Bíblia e a palavra de Deus. sua ênfase exclusivamente cristológica acaba por converter o cristianismo em cristomonismo – para usar uma terminologia barthiana – . ela nem mesmo é revelação. Como já foi esposado anteriormente. Suas idéias exegéticas a respeito das escrituras também são parte significativa de sua contribuição para a teologia. o leitor evangélico deve ter sempre presente que os pressupostos básicos de Cullmann são os de Barth e Bultmann e consequentemente essas mesmas idéias às vezes são um estorvo para o exame e compreensão da história da salvação.6. Começava a nascer então a teologia da secularização. pois ao enfatizar demais o cristocentrismo. Suas idéias acerca da relação entre a escatologia e a primeira vinda de Cristo.14). Cox e Buren: Uma teologia do mundo para o homem moderno. Sua forte insistência na salvação como um sucesso histórico centrado em Cristo é muito útil como defesa apologética e refuta a contento o programa de desmitologização de Bultmann. A intenção era trazer o Reino de Deus através da força militar e plantar suas idéias na sociedade. Por último. havia um forte clamor por um cristianismo menos dogmático e mais vivenciável. a tendência parecia ser a oposta. O maior propagador da história da salvação crê que. de tal forma que o pensamento teológico acerca do Reino de Deus se mesclou com as pretensões do papado. Teologia Secular: Robinson. João 1. Desde Karl Barth. a menos que o homem a entenda.13). Na idade média houve uma forte tendência eclesiástica de sacramentalizar a sociedade. Com relação ao conceito de Cullmann sobre a revelação. têm se demonstrado especialmente úteis. o que mostra que ele não está totalmente disposto a admitir a realidade da revelação como verdade infalível contida na Escritura.1 O pensamento de Cullman e a ortodoxia teológica.28). É verdade que a teologia da igreja primitiva estava marcada pela cristologia (2Coríntios 13. Apesar da crítica que Cullmann faz do uso da crítica formal por parte de Bultmann.

ainda que exige atenção. e acrescenta que a igreja nunca deveria ser uma organização para homens religiosos. O livro de Robinson começa com o convencimento de que a idéia de um Deus ―lá em cima‖. porém. O Deus da Bíblia. encontra sua versão religiosa no que passou a chamar-se teologia secular. . mas sim o mundo e as suas necessidades. mesmo quando pensavam que a idéia de Deus era obsoleta. mas o secularismo tão presente e difundido em nossa era. De fato. Quais seriam os pressupostos dessa teologia do mundo? Que idéias os chamados teólogos seculares defendem? O que apresentamos à seguir são as principais idéias esposadas pela teologia do mundo. o final do século vinte e início do século vinte e um. porém. 2 Coríntios 4. apostasia deliberada e oposição aberta ao sagrado.1 A postura da teologia secular. O centro de interesse dessa nova teologia não é a igreja. rodeados por um paganismo agressivo e arrogante. apresenta o secularismo não como inimigo da igreja. os cristãos consagrados serão uma minoria consciente no ocidente. O lema desses novos ―crentes‖. escrito em 1965. já esteve organizado em um forte sistema religioso.Poucos sabem. O problema é que ao invés de buscar a moderação entre a transcendência e a imanência de Deus. algo totalmente imanente. Por secularismo. os secularistas conservaram alguma forma moderada de religião. ele continua influenciando a igreja e seus ensinos sadios. não deve haver uma distinção entre igreja e mundo. está mudando vertiginosamente. Cox entende o processo histórico pelo qual a sociedade se liberta do controle da igreja e dos sistemas metafísicos fechados. tanto que se cumpre hoje o que foi dito por certo comentarista: ―no fim do século vinte. como ramificação da teologia secular. O conhecido movimento da morte de Deus talvez tenha já morrido como moda teológica. que é o desenvolvimento lógico da nossa tendência secularista‖. resiste a toda definição. foram marcados por uma forte tendência secular. ele parte para a idéia de um Deus no nosso interior. deve ser redefinido como sendo o Deus deste mundo (cf. A Cidade Secular. se percebem as mesmas exigências teológicas. Robinson reafirma que Deus é o fundamento do nosso ser. Esse radicalismo ateológico ganhou proporções gigantescas no best-seler de John Robinson. Uma das manifestações mais abertas e nocivas dessa ―deserção secularista de Deus‖ que caracteriza a apostasia. tão transcendente como na teologia de Kierkgaard. cristãos secularistas é ―ama a Deus e faça o que quiser‖.4). Sendo esse um movimento com muitas posições extremas. Honest to God (1963). Em outro livro. de Harvey Cox. Esse tipo de concessão. talvez por medo de se oporem ao amor e ao culto cristão. 7. segundo ele. de Barth e na filosofia de Kant deve ser deixada de lado por se tratar de uma idéia antiquada e errônea. A princípio. mas como fruto do evangelho.

não há espaço para o Jesus salvador. Sem dúvida. Existe na teologia secular um esforço para minimizar o sobrenaturalismo. Na teologia secular. a de que ―não se pode encerrar a Cristo na sociedade sagrada da igreja‖.44).2). Ele é.Em primeiro lugar. e talvez seja essa a razão pela qual ele chegou a ser considerado uma espécie de patrono do secularismo teológico. O campo é o mundo. assim como Cox e Buren. deve ser reconstruído sem Deus. e Cristo deve ser visto como o paradigma da existência humana. A idéia liberal de que Jesus foi apenas um homem bom que viveu perto de Deus ganhou vida dentro da teologia secular. O único mundo real é o aqui e agora.4). Buren. A conduta de Bonhoeffer é reprovável e anti-cristã. a pergunta ―Como posso encontrar um Deus benigno?‖ deve ser substituída por ―Como encontrar um próximo benigno?‖.Eles reclamam que a igreja tem se esquivado e racionalizado quanto as suas falhas em não enfrentar-se com os males sociais e políticos. seus pressupostos nos trazem à mente uma verdade que foi expressa pelo próprio Bonhoeffer. É uma teologia totalmente naturalista. a orar pelas autoridades (1 Timóteo 2. e a nossa teologia não deve ser confinada às quatro paredes da nave de um templo. repudia a idéia de uma expiação sobrenatural e perdoadora. Os teólogos seculares também afirmam que nossa teologia deve expressar um espírito de secularização. a voz mais eloqüente foi Dietrich Bonhoeffer. os teólogos seculares estão de acordo que os problemas deste mundo deveriam ser uma das preocupações vitais da igreja. Nas palavras de Robinson. O cristianismo. pastor alemão executado pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial por participar de um complô contra a vida de Hitler. segundo ele. enquanto este aguardava a execução. . não a assassiná-los. Porém. no qual ele ―revela que o fundamento do ser humano é o amor‖. cujo Deus é literalmente o Deus deste mundo (2 Coríntios 4. Assim também. Com respeito a isso. A terceira objeção diz respeito à possibilidade do sobrenatural. escritas na prisão. Muitos dos valores desse movimento teológico foram retiradas do diário e das cartas de Bonhoeffer. os teólogos seculares rejeitaram totalmente o reino sobrenatural e a segunda vinda de Cristo. um bom exemplo. no máximo. Harvey Cox diz que devemos deixar de falar da ontologia antiquada para começarmos a falar de funções e de ativismo dinâmico. Ele. em seus razoamentos teológicos afirma que o próprio Deus deve ser excluído do cenário teológico. e a idéia do céu é chamada por eles de ―escotilha de escape‖. A Bíblia nos instrui a amar nossos inimigos (Mateus 5. e não lutar contra elas. O espírito ativista de Hitler é o espírito da teologia secular. Robinson fala da expiação como ―a entrega completa de Jesus em amor‖. o mais radical dos teólogos seculares é Paul Van Buren.

nunca no homem (cf. estamos no mundo para servir nele. mas a si mesmo. O único reino que a Bíblia conhece está centralizado no poder e na obra de Cristo. Há quem creia que a teologia da secularização tenha trazido apenas prejuízo à teologia ortodoxa. mas.7. em seu repúdio pela metafísica e a ontologia.11 ss. apesar do prejuízo causado ter sido maior que o bem que ela tem feito. eles ignoram o sobrenatural. Além do mais. Qual deve ser a reação da igreja perante essas doutrinas? Certamente reconhecemos que esses homens captaram o espírito de nosso tempo.22 ss. e não para servir a ele.. não tinham pensado em fazer. não querem crer em um Deus ativo na criação. uma da suas contribuições para a teologia ortodoxa foi plantar algumas perguntas que os teólogos. A teologia secular fala de um reino centralizado na obra e no futuro de um homem autônomo. 12. A teologia secular. senão que deixaram dominar-se por ele.31-46). A teologia secular é uma teologia mundana elaborada para responder à incredulidade arrogante de um homem que não ama a Deus. e não apenas servos. mas os teólogos seculares confundem o serviço no mundo com serviço para o mundo. É verdade que Jesus recomendou que preocupássemos com os males do nosso mundo e buscássemos corrigi-los (Mateus 25. A teologia secular é radical e antibíblica. Eles não querem uma Bíblia sobrenaturalmente inspirada. é uma vida em adoração e não somente uma vida de trabalhos humanitários. Os teólogos seculares vestem seu humanismo de jargões teológicos e nos ensinam a viver no mundo de Marta. demonstram seu preconceito quanto ao mundo fenomenal. A vida cristã é um viver com Deus. . O problema é que eles não somente captaram. e não esperam um reino futuro. Sua teologia é a essência da apostasia descrita na Bíblia como característica do tempo do fim. e muitas delas têm repercussão missionária e verdadeira importância na contextualização da mensagem cristã para o mundo. A teologia secular demonstra o desejo de uma reformulação do cristianismo em termos que sejam aceitáveis para o pensamento moderno e que possa ser traduzido em termos compreensíveis para o homem do século vinte. Tal como Bultmann. quando uma coisa só é necessária. encerrados em seus sistemas dogmáticos.). eles esquecem que o amor de Deus escolhe filhos. Mateus 11.2 Avaliação da teologia secular.

o movimento chamou a atenção da opinião publica em 1966. embora como sistema filosófico. a prioridade da pessoa sobre os princípios. . Massachusetts. Com raízes que penetram os princípios éticos de homens como Karl Barth. O homem moderno distanciou-se de Deus. Essa nova moralidade religiosa. Relativismo – Conceito filosófico segundo a qual a verdade é um valor subjetivo. a ética situacional exalta o homem sobre a lei. com princípios teológicos mais existencialistas que puritanos. A popularidade da ética situacional como sistema teológico não teve tanta influência nos seminários teológicos protestantes do Brasil. segundo ele mesmo. e consequentemente teve que partir em busca de uma nova moralidade. O livro de Robinson. Não demorou muito para que o ocidente abandonasse as idéias éticas tradicionais do cristianismo. publicou o livro Situation Ethics. e ao distanciar-se perdeu também seus valores éticos. Ética Situacional: Joseph Fletcher e um novo conjunto de valores para o homem moderno. ou ética situacional. Honest to God. o que denota. Quanto aos pressupostos da ética situacional. Positivismo – Segundo essa cosmovisão. é indutiva. Ela é uma reação às leis. não havendo imposição moral absoluta. Rudolf Bultmann e Paul Tillich. Com isso.8. normas e princípios morais da velha moralidade. É esse novo conjunto de valores do homem moderno que nós denominamos ética situacional. mas a maneira como o ser humano experimenta esses valores. O importante não são os valores objetivos. as declarações de fé são voluntaristas e não racionais. Fletcher definiu esses pressupostos como sendo: Pragmatismo – Doutrina segundo a qual o valor da verdade é determindado pela funcionabilidade. quando o Dr. se opõe grave e abertamente a muitas formas da ―ética tradicional‖. Joseph Fletcher. começando com a própria pessoa. começando a partir de normas absolutas. mais neo-ortodoxos do que propriamente ortodoxos. também ajudou a propagar as idéias do movimento. sustentada como modo ideal de conduta. Robinson diz que a velha moralidade é dedutiva. Existencialismo – Filosofia que coloca o homem no centro do universo. A nova moralidade. professor de ética social no Seminário Episcopal de Cambridge. eternamente validadas e imutáveis. suas idéias tenham sido rapidamente implantadas nas universidades brasileiras. por sua vez.

ela promove a sensualidade. Por exemplo: ―se o bem estar emocional e espiritual do casal e dos filhos será promovido com a separação do casal. ao mesmo tempo. é uma questão subjetiva.O critério fundamental e único de conduta para o situacionista. A nova moralidade da qual o homem moderno se vê vestido tende a ver toda a moralidade cristã como um conjunto de tabus que devem ser quebrados a todo custo. a resposta é não. Em outras palavras. John F. segundo a cosmovisão situacionista. conforme diz C. não é um código ético. Peter Wagner. neste caso. É claro que esses conceitos são demasiadamente ingênuos e conduzem fatalmente à imoralidade. o amor exige o divórcio‖. Não há nela nenhuma menção a pureza sexual. As duas filosofias se opõem mutuamente no nível mais básico. se importa tão-somente com o que a Bíblia ordena. o único mal intrínseco é a falta de amor e o único bem e virtude é exclusivamente o amor. a fim de que a graça seja mais abundante. a fim de alcançarmos os fins que Ele nos recomendou‖. ao contrário. O pragmatista deseja saber o que produzirá resultados. que colocam o crescimento numérico acima do crescimento espiritual. ou não permite usarmos quaisquer meios que Deus tenha proibido. quando a ética cristã é comprometida no afã alcançar as massas. Ao afirmar que aquilo que é feito com amor não é pecado. ―de que forma isso pode me dar prazer?‖. a nova ética transforma o amor ágape em eros. um amor desinteressado e sacrificado. ―dará certo?‖ e por último ―eu estou fazendo por amor?‖. . 8. em que os fins justificam os meios. Pode um bom fim ser anulado por um meio mau? Para a ética situacional. para Fletcher e os demais teólogos da situação. É tolice pensar que alguém pode ser bíblico e pragamático. porém tal amor é impossível dentro de uma teologia pragmática. e sim o amor ágape. A principal característica da ética situacional é que o fim justifica os meios. existencial e deve estar baseada no amor.1 Conhecendo os pressupostos da nova moralidade. que também é um pragmático: ―A Bíblia não nos consente pecar. então. Quanto ao pragmatismo como tendência evangélica. É justamente esse tipo de pragmatismo imoral e anti-cristão que Fletcher propõe em sua teologia. ao avaliar a veracidade de um determinado comportamento a pergunta a ser feita não é ―o que a Bíblia diz?‖. O certo e o errado. McArthur diz o seguinte: ―Oponho-me ao pragmatismo tão freqüentemente defendido por especialistas em crescimentos de igreja. Para Robinson e Fletcher. O pensador bíblico. Certo e errado dependem da nossa decisão neste mundo relativista. mas: ―o que eu acho disso?‖. pragmática. O pior de tudo não é quando as tendências pragmáticas são usadas para construir o crescimento de igrejas – ainda que o pragmatismo já seja um conceito escandaloso em si mesmo – mas sim. por outro lado. crendo que podem induzir esse crescimento numérico por seguirem quaisquer técnicas que parecem produzir resultados naquele momento‖.

onde às vezes a ignorância pretensamente se veste de autoridade espiritual. Porém. o estudioso A. o estupro e o genocídio possuem o mesmo valor dos ideais cristão da caridade. não há razão nenhuma no estudo da verdade. ao contrário do que ensina o relativismo. Assim como o pragmatismo. mas extremamente absoluta que tem seu ápice na pessoa de Jesus (João 14. Qualquer filosofia de ministério do tipo ―fins-que-justificam-os-meios‖ inevitavelmente comprometerá a doutrina. .. a despeito de qualquer proposição em contrário. e está sempre reaparecendo na teologia contemporânea. como doutrina teológica ela comete erros graves. Este mesmo escritor acrescenta. o relativismo também é uma afronta ao cristianismo. Com idéias que remontam ao Romantismo. não há verdade nenhuma. a única razão para ser bom é a vantagem que eu posso tirar da situação.. e não apenas idéias pragmáticas e relativas (Mateus 5.] não faz perguntas embaraçosas a respeito da sabedoria daquilo que estamos realizando ou a respeito de sua moralidade. Além disso. Em 1955. em tom de desabafo: ―A filosofia pragmática [. bem como na teologia de Friedrich Scheleiermacher. Em última análise. Como corrente teológica. todas as proposições de verdade são verdadeiras. Ao propor um antropocentrismo teológico. mas parecem totalmente dominados por ele‖. Essa tendência de interpretar a Bíblia em termos existenciais tem sua origem muito antes de Fletcher. o relativismo deve ser rejeitado por várias questões.O pragmatismo também foi a maior tendência da igreja ocidental na segunda metade do século vinte. de um modo quase profético.6). sem a menor dúvida nossa doutrina será diluída. Aceita como corretos e bons nossos alvos escolhidos. Se a verdade é apenas uma questão relativa. Qualquer tentativa de conciliar o relativismo com o cristianismo constitui irracionalidade e fraude. visto que as duas cosmovisões são mutuamente excludentes. buscando meios e maneiras eficientes para alcançá-los‖. Se todas as reivindicações de verdade são de um mesmo valor. o conceito de verdade para um pragmatista é moldado pelo que parece ser eficaz e não pela revelação objetiva das Escrituras. Do mesmo modo. tem sua maior abrangência nos círculos místicos.36). e consequentemente. a verdade não é uma questão relativa. A Bíblia nos apresenta um conjunto de imposições morais que devem ditar o nosso modo de viver. Tozer discorreu sobre o futuro da igreja nestes termos: ―Digo sem hesitação que uma grande parte das atividades existentes hoje nos círculos evangélicos não são apenas influenciadas pelo pragmatismo. perdão e respeito mútuo. Não há nenhuma possibilidade de ser um indivíduo cristão e ao mesmo tempo relativista. é um fideísmo exagerado e anti-bíblico. O existencialismo é uma filosofia centrada no eu. portanto. o existencialismo se descaracteriza completamente como proposta bíblico-teológica. e não o homem (Romanos 11. se a verdade em moralidade é uma questão pragmática e relativa. Se a eficácia se tornar o indicador do que é certo ou errado. no pensamento do dinamarquês Soren Kierkgaard. O positivismo. Dentro de um sistema relativista o assassínio.44-48). por sua vez.W. Deus é a pessoa central para quem todas as coisas convergem. o existencialismo é uma forte tendência na teologia contemporânea.

ele está determinado pelo futuro. desde desonestidade a imoralidade sexual. 9. não há como negar que esses homens possuem muitos aspectos em comum.2 Uma análise da nova moralidade religiosa. . à fé e à redenção. Deus está presente na esperança. Os teólogos receberam entenderam o livro de Jurgen Moltmann como sendo um chamado refrescante a uma maior valorização da escatologia. As implicações surgem em vários aspectos. e sim quem ele será no futuro. Entendendo a teologia futurista de Moltmann. Deus não é absoluto. ainda que seja possível fazer essa distinção. um jovem teólogo alemão da Universidade de Tubinga fez ressoar a sua voz através de seu livro The Theology of Hope (A Teologia da Esperança). dentro da teologia cristã. Deus não é plenamente Deus. Se a eficácia se tornar o indicador do que é certo ou errado. o conceito de verdade para um pragmatista/relativista é moldado pelo que parece ser eficaz e não pela revelação objetiva das Escrituras. a despeito de qualquer proposição em contrário. O sistema ético situacional é um sistema que não pede nada em termos éticos e teológicos. expressando. Robinson deixa a impressão de que o homem moderno é tão maduro que precisa de muito pouca – e talvez nenhuma – ajuda espiritual fora dos seus próprios recursos naturais. porque ele é parte do tempo que avança para o futuro. a religiosidade idealizada pelo homem moderno. Deus e Jesus Cristo aparecem fora do tempo. sem a menor dúvida nossa doutrina será diluída. Em última análise. de Munique. No ano de 1969. A chave central para entender a teologia futurista de Moltmann é sua idéia de que Deus está sujeito ao processo temporal. Teologia da Esperança: Jurgen Moltmann e a análise escatológica existencial Em 1965. que saiu em inglês em 1967. cujo teor repercutiu grandemente no mundo acadêmico. são produto da esperança. Todas as afirmações que fazemos sobre Deus.8. Revolution and the Future (Religião. Deus está presente apenas em suas promessas. revolução e o Futuro). o futuro é a natureza essencial de Deus. Poderia haver sistema melhor para o homem natural? A conclusão quanto ao referido capítulo é aparentemente óbvia: qualquer teologia do tipo ―fins-que-justificam-os-meios‖ inevitavelmente comprometerá a doutrina. Religion. no atempo. e Ernst Benz. Para Moltmann. Nosso Deus será Deus quando cumprir suas promessas e com isso estabelecer o seu reino. sem nenhuma dúvida. a eternidade se perde no tempo. Na teologia de Moltmann. em nosso estudo. que apresentaremos no capítulo seguinte. ao juízo. Desta forma. entendemos que Pannenberg se encaixa melhor em outro movimento. além de ser um ataque devastador aos teólogos existencialistas que argumentavam na linha de Bultmann. foi publicada a sua segunda obra. Há quem relacione ao movimento outros dois nomes: Wolfhart Pannenberg. No cristianismo tradicional. Neste processo. Deus não revela quem ele é. A ética situacional elabora seu programa sem dar nenhuma atenção ao arrependimento. de Marburg. Porém. porém.

mesmo que ela não seja necessariamente o único meio. ele deve participar ativamente na sociedade. e por isso. bem como os horrores que traria a sua visão ética. A tarefa da igreja é não é apenas se informar sobre o passado para mudar o futuro. Moltmann interpreta como aberta ao futuro. O presente em si mesmo não é importante. aqui também pode ser vista uma profunda consciência para com o mundo. para Moltmann. Essa tendência pragmática em que os fins justificam os meios é uma tendência muito forte dentro da Teologia da Esperança. qualquer conservador certamente saberá reconhecer os erros patentes de Moltmann. Afirma-se tradicionalmente que a ressurreição de Cristo é a base histórica da ressurreição final. Deus entrou no tempo. A morte e ressurreição de Cristo são a garantia que Deus dá de que haverá ressurreição futura. Para que o futuro se realize na sociedade. O futuro significa liberdade e liberdade é relatividade. toda teologia cristã deve modelar-se através da escatologia. Realmente um assunto tão importante quanto a escatologia não deveria ocupar as últimas páginas em nossos livros de teologia sistemática.Segundo Moltmann. O importante é que o futuro se apodere da pessoa no presente‖. At 4. o problema da violência versus não-violência recebe o nome de ―problema ilusório‖. as categorias do passado devem ser descartadas. Acontece que a escatologia para ele não significa a previsão tradicional da segunda vinda de Jesus. A ressurreição de Cristo é um fato histórico que atribui pleno significado ao nosso futuro. e sim se o uso da violência foi justificado ou injustificado. . A questão não é a violência em si. A participação da igreja na sociedade poderá utilizar a revolução como meio apropriado. Porém. aberta à liberdade do futuro. Não devemos olhar desde o Calvário para a Nova Jerusalém. O Cristo ressuscitado é ―as primícias‖ da ressurreição (1Coríntios 15. Moltmann porém diria que a ressurreição final é a base da ressurreição de Jesus. pois não existem formas ou categorias fixas no mundo.2). A idéia de Moltmann de considerar a Bíblia desde o começo como um livro escatológico pode parecer um atrativo para o cristão ortodoxo. o começo da ressurreição final. Ainda quanto ao futuro. Jesus ressuscitou dentre os mortos há quase dois mil anos com seu corpo físico? Para Moltmann essa é uma questão sem importância. e consequentemente o futuro se tornou algo desconhecido tanto para o homem como para Deus. O cristianismo evangélico relaciona intimamente a ressurreição de Cristo com a escatologia. Assim como na ―Teologia Secular‖. Neste avançar para o futuro. Moltmann diz que o homem não deve olhá-lo passivamente. e sim olhar o nosso futuro ilimitado para o Calvário.23. O principal propósito da igreja é ser o instrumento por meio do qual Deus trará a ―reconciliação universal e social‖. Porém. É também ―pregar o Evangelho de tal forma que o futuro se apodere do indivíduo e lhe impulsione a agir de modo concreto para mudar o seu próprio futuro. a questão da historicidade da ressurreição corporal de Jesus não é válida.

Ao entrar no tempo. um escândalo e uma nociva ameaça à sã doutrina. ela é a edificação da utopia na terra. A meta do futuro de Moltmann não é a plena manifestação da glória de Cristo. Ela é antes. em um homem que observa o futuro e age na sociedade. . Deus disse a Moisés: Eu sou o que sou. é descrito na Bíblia como celestial. seu sistema está mais fundamentado no marxismo do que em Cristo. no entanto. seu sistema nada mais é do que uma teologia centralizada no homem. no final. o Reino de Deus traz a paz. e mais filosófica que teológica. segundo ele. o Reino de Deus é trazido por meio da revolução. o Reino de Deus é. a teologia de Moltmann destruiu até mesmo a possibilidade de haver história. Como observou certo escritor: ―No monte sinai. O primeiro livro de Moltmann. esse reino é também uma realidade terrenal e tangível. Essa teologia do Deus finito e temporal. porém.7). o Reino de Deus se introduz na terra por meio da política e da revolução. e que ainda incita a rebeldia e a revolução. Moltmann critica muitos conceitos neo-ortodoxos. Para ele. não pode ser teologia bíblica. Se por um lado a dialética de Barth acabou com a possibilidade da relação entre história e fé. Moltmann assimilou muitas idéias de Bloch. segundo a Bíblia. mas Moltmann não permitua que Deus lhe dissesse o mesmo. Ainda que Moltmann revista sua escatologia de conceitos bíblicos. com Overback e com Feurbach do que com Paulo. Para o apóstolo Paulo. Deus se tornou finito e aberto a um futuro desconhecido. O Deus da Bíblia existe de eternidade a eternidade. o de Moltmann.30-31). um tropeço. pois no presente ele sequer é Deus. mas ele acaba levando os conceitos barthianos muito mais longe. Barth havia transcedentalisado a escatologia por meio do emprego da distinção entre Historie e Geschichte. Ela é mais marxista que bíblica. no entanto. e quando lemos o seu segundo livro. mas Moltmann foi ainda mais além. só existe no futuro. e será introduzido por meio da proclamação do poder salvador de Jesus Cristo (Atos 28. Quanto ao conceito de Deus. e rejeitou todo o conceito objetivo da história. ele não admitia nenhum Deus eterno ou infinito. A idéia que Moltmann tem da escatologia é destituída de base bíblica. e não a guerra (Romanos 14. Apesar de todo esforço de Moltmann para produzir uma teologia bíblica. ―Teologia da Esperança‖ nasceu de um dialogo com o ateu alemão Ernst Bloch. Em seu afã de refutar as teologias não-ortoxas do seu tempo. Moltmann ultrapassou o limite do bom senso e acabou por propor uma teologia quase tão nociva quanto aquela a que ele se dedicou a refutar. Para Moltmann. no entanto. A teologia de Moltmann tem maior dívida com Nietzche. vemos que nesse intercâmbio. o Reino de Deus. Pedro ou João. Para Moltmann.Objeções à Teologia da Esperança.

foi o responsável por dar uma forma mais sistemática ao que posteriormente se convencionou chamar Teologia da História. há quem associe a este círculo o nome de Jurgen Moltmann. Outra diferença entre ambos está no modo de entender a fé: Para Pannenberg. escondendo-a dos ataques da história. como o interesse pela relação entre a história e a fé. Pannenberg apresenta uma forte resistência às idéias de Rudolf Bultmann. o desejo de uma orientação teológica escatológica e principalmente a ressurreição de Cristo. jovem professor de teologia sistemática da Universidade de Mainz. porém. nem com suas idéias de revolução social. Apesar do caráter particular da sua obra. principalmente por seu conceito de redução da história à experiência individual. É verdade que Pannenberg compartilhem algumas idéias comuns. Pannenberg também não compartilha dos pressupostos marxistas de Moltmann. Ele também se opõe à Karl Barth.10. mesmo com tal similaridade de interesses. Porém. A pregação da ―Palavra de Deus‖ é uma afirmação vazia se não estiver relacionada com aquilo que realmente aconteceu. Pannenberg reconhece a realidade histórica da ressurreição como algo crucial para a compreensão do Novo Testamento. entre o Jesus histórico e o Cristo Kerigmático. A fé não pode ser separada de sua base e conteúdo histórico. além do esforço por refutar os pressupostos existencialistas de Bultmann. No final da década de cinqüenta se podia facilmente perceber o surgimento de uma nova escola de interpretação teológica. ou Teologia da Ressurreição. na visão de Pannenberg são ―um clamor sem sentido‖. Klaus Koch e Rolf Rendtorff. na Alemanha. As supostas diferenças entre Historie e Geschicthe. tanto que esse grupo de jovens teólogos e a nova escola ganhou o epíteto de ―círculo de Pannenberg‖. Porém. o maior nome dessa nova escola foi sem dúvida o de Wolfohart Pennenberg. se por um lado há um ponto de contado entre os dois. . isso porque. Wolfhart Pannemberg. As idéias de Pannenberg foram revolucionárias em seu tempo. por outro lado há diferenças importantes entre esses dois esquemas teológicos. Esta nova ênfase podia ser claramente percebida nas teses de doutorado de jovens professores como Ulrich Wilckens. enquanto Moltmann a relaciona com o futuro. Ele não consegue assimilar as idéias dialéticas. enquanto Moltmann descarta qualquer interesse pela ressurreição corporal como sendo algo impertinente. Por exemplo: Moltmann não está tão interessado em alicerçar a fé na história. Teologia da história: Wolfhart Pannenberg e a teologia histórica da ressurreição. e ainda os dois mundos propostos por Kant: o dos fenômenos e o mundo numenal . a fé está relacionada com o passado. A questão da fé relacionada à história. seria incorreto agrupar os dois na mesma escola de pensamento. Neste sentido. acusando-o de proteger sua teologia. Moltmann está muito mais vinculado a Bultmann que a Pannenberg. Os dois também falam da ressurreição de cristo como um tema central da fé cristã. Em sua teologia. ao ponto de certo crítico afirmar que ele foi o primeiro teólogo alemão contemporâneo a romper totalmente com os pressupostos dialéticos barthianos.

como afirma a escola Heilsgeschichte. ou ramificações dentro da história. O conhecimento histórico é a única base da fé. a ressurreição foi um fato histórico. . O túmulo vazio é um fato histórico e aliado à mudança repentina que ocorreu nos discípulos. mas ninguém se atreve a questionar a realidade do túmulo vazio. a comunidade cristã primitiva não teria conseguido sobreviver. portanto. Difernte de Moltmann e dos outros teólogos existencialistas. como também de que ela é historicamente demonstrável. isso porque. em oposição clara e aberta com a escola Heilsgeschichte. não é uma revelação especial que só pode ser compreendida pela fé. 11. Para ele. caso o túmulo de Jesus não estivesse. de fato. Pannenberg insiste em que a revelação de Deus não chega ao homem de forma imediata. A fé é. uma vez que os atos salvíficos de Deus realmente aconteceram e tem o seu lugar na história. Pannenberg e a ressurreição de Cristo. não devemos fazer distinção entre história salvífica e história secular ou profana (distinção comum tanto na Heilsgeschichte como nas teologias existencialistas contemporâneas). A explicação inventada pelos judeus para refutar a ressurreição é que os discípulos roubaram o corpo. para Pannenberg. a revelação se dá exclusivamente por meio de atos históricos. Ele diz estar convencido não só de que a crença da igreja na ressurreição não é um mito pré-fabricado. Segundo ele. e sim mediata. Não existem partes específicas na história. Esta revelação histórica está ao alcance de todo aquele que tenha olhos para ver. Eles também não teriam nenhum benefício em inventar uma mentira de tamanha proporção. antes. Além disso. toda história é algo plenamente conhecido e até mesmo ordenado por Deus. é uma forte evidência de que Jesus realmente ressuscitou corporalmente. Ele afirma ainda que esta história na qual se dá a revelação. Ele se recusa a explicar os relatos evangélicos da ressurreição como fruto da imaginação dos apóstolos. por meio dos sucessos históricos. como ensinou Bultmann. A única explicação satisfatória para a repentina mudança que ocorreu nos apóstolos é exatamente a ressurreição corporal de Cristo.O conceito de revelação e fé em Pannenberg. pois estes estavam muito desanimados após a morte de Cristo para chegarem sozinhos à conclusão de que Cristo ressuscitou. Pannenberg não busca desmitologizar a ressurreição. o conhecimento da verdade histórica. vazia.

Ainda que Pannemberg ataque as posições de Barth e Bultmann no que concerne à relação entre fé e história. não são capazes de crer por si mesmas. Pannemberg também ressalta que a falta de uma revelação objetiva da neo-ortodoxia é. .Objeções à teologia de Wolfhart Pannenberg. Os críticos de também parecem indicar que. Ao fazer que a fé dependa exclusivamente da história. Pannenberg destaca que a revelação não se torna revelação quando é compreendida. Além disso. Pannenberg leva-nos a concluir que as pessoas simples e sem condições para efetuar uma pesquisa investigativa. não existe grande diferença entre seus sistemas. essa visão que ele possui da Bíblia tem levado muitos a relacionar o seu nome com a crítica histórica e com o próprio Bultmann. Ambos advogam uma teologia dialética que sufoca tanto a revelação histórica como o caráter universal do cristianismo. uma ameaça à própria revelação. Porque foi que quando Paulo pregou em Atenas uns creram e outros zombaram? A teologia de Pannenberg é muito mais do que uma simples escola de interpretação. há muitos aspectos em que ele parece mais um herdeiro da neoortodoxia que seu oponente. Seu sistema é mais ortodoxo que o proposto pelos existencialistas e nos faz lembrar que. embora Barth e Bultmann hajam tido debates acirrados. sobre esta base. Uma e outra vez ele insiste em que o nascimento virginal é um mito. Ele também está de acordo com Bultmann em que os títulos que expressam a divindade de Jesus foram criados pela igreja primitiva. Ela é uma brilhante defesa apologética em favor do cristianismo histórico. Embora o mesmo ocorra no pensamento de Agostinho e até mesmo de Lutero. Se a fé está baseada exclusivamente no conhecimento da história e esta é o seu único fundamento. dando a entender que algumas partes são mais importantes que outras. que garante a confiabilidade da informação. ela é revelação. Pannenberg não pôde explicar de modo satisfatório a razão da incredulidade. elas apenas podem crer quando ouvem e confiam no relato de um perito em história cristã. Sua teologia também é importante porque ressalta ao mundo que a fé cristã é a única verdade universal. mesmo quando o homem não se interessa ou busca compreendê-la. de fato. Ele não confere à toda Bíblia o status de revelação divina. Com isso. ele parece tirar a fé das mãos do crente simples e colocá-la nas mãos do teólogo experiente. Ao refutar a idéia neo-ortodoxa de que a revelação só se transforma em verdade para as pessoas por meio de uma aceitação pessoal.

segundo ele. Durante sua vida. fundador de um sistema teológico que ficou conhecido como teologia da evolução. Embora ele tenha sido um teólogo católico. que a faz tornar-se cada vez mais complexa. publicou uma obra meticulosa sobre Teilhard. Chardin criou o termo noosfera. segundo ele. alguns dos seus comentaristas mais apaixonados são cientistas e teólogos protestantes. Seus conhecimentos de geólogo e paleontólogo são grandes atrativos para o mundo científico. foi formada ente cinco e dez milhões de anos e desde então vem se desenvolvendo através da evolução. Um dos acontecimentos religiosos que mais despertaram o interesse dos teólogos no fim da década de cinqüenta foi a popularidade póstuma do cientista e místico jesuíta Pedro Teilhard de Chardin (1881-1955). Teologia da Evolução: Teilhard de Chardin e o darwinismo teológico. Para descrever a etapa seguinte. ou biosfera. com o que ele alude que na evolução existe uma tendência por parte da matéria. Conhecendo a proposta teológica de Teilhard de Chardin. e também é chamada de hominização. Nesta fase. arcebispo do Recife.12. pode ser resumido como consta no seguinte esquema: Partículas elementares (chamadas de Ponto Alfa) => Átomos => Moléculas => Células Vivas => Organismos Pluricelulares. O ponto de partida do pensamento teológico de Telhard é a evolução. o processo evolutivo adquire consciência de si mesmo. Suas idéias lograram arrancar elogios até mesmo de Dom Hélder Câmara. . quinze anos depois da sua morte. curva a que devem seguir todas as linhas‖. Porém. A terra. Essa noosfera nada mais é do que o surgimento do homem pensante sobre a terra. em 1920. Sua destacada personalidade e seu caráter humanitário podem ser percebidos por qualquer pessoa que o tenha conhecido ou lido algo acerca da vida deste destacado sacerdote católico. esses livros suprimidos durante toda a sua vida começaram a aparecer. estudioso equatoriano. que apesar das restrições que o Vaticano impôs aos seus livros. Sua influência pode ser percebida até mesmo nos países que compõem o nosso terceiro mundo. Muitos fatores ajudam a explicar a repentina popularidade que alcançou a teologia de Teilhard. Ele admite que a terra veio a existir por meio de um lento processo. que pode ser descrito na seguinte ordem: Barisfera (época da ―terra derretida‖) => Formação da crosta => Formação da água e do ar => Formação da atmosfera. Este processo evolutivo avança segundo o que Teilhad chama de ―lei da consciência e da complexidade‖. permaneceu fiel a sua ordem durante toda vida. O processo. a qual ele chama de ―luz que ilumina todos os fatos. Esta é a fase da história evolutiva da terra aparece a vida biológica na terra. Esta é a etapa mais importante na história do mundo. considerados pela igreja católica como sendo nocivos e de conteúdo herético. este teólogo foi impedido de publicar seus livros. que significa a ―camada mental‖ da terra. Francisco Bravo.

Assim sendo. mas nenhuma dessas concessões desabilita o esquema de criação conforme narrado em Gênesis. Cristo incorpora em si o ―psiquismo‖ total da terra. Há muitos teólogos contemporâneos que concordam com a teoria da antiguidade da terra. e se encontra no final do processo. e sim propriedade geral de toda a vida. e o universo se auto-realiza em Cristo. o ponto Alfa. numa forma superior de panteísmo. O amor. Dessa síntese filosófico/naturalista procedem as demais divergências de Teilhard com a teologia ortodoxa. O Cristo de Teilhard é o reflexo no coração do processo do ponto Ômega. sendo ele a afinidade do ―ser‖ com o ―ser‖. Sua linguagem é obliqua e seu esforço hercúleo para fazer de Cristo o centro da evolução é desonesto e contraditório. Deus será tudo em todos (1Coríntios 15. segundo ele. Isso também é contrário a doutrina da graça. é também contrária a Bíblia. diferentes tons de pele. desde Kant aparece e reaparece na teologia contemporânea. fazendo diferenciação entre microevolução e macroevolução. para Teilhard. Esse movimento para o centro. Teilhard começa a se apoiar na teologia para predizer o futuro da evolução. é o processo de amor. ou seja. e criando cada ser em conformidade com a sua espécie. a união sobrenatural de todas as coisas em Deus. Ele vê todo o processo evolutivo que começa com as partículas. Os princípios de Teilhard de Chardin apresentam várias dificuldades para o crente ortodoxo. Nesta etapa. Microevolução é a mutação que ocorre dentro das espécies e seria o fator responsável pelas diferentes raças de cães. e converge no que ele chama de Ponto Ômega. Assim como todas as teorias evolucionistas seculares. a teologia evolucionista deste teólogo descaracteriza a criação. Na teologia darwiniana de Teilhard. Deus vem a ser a causa final. os fragmentos do mundo se buscam para que o mundo possa chegar a ―ser‖. e com a evolução das espécies à partir das espécies criadas por Deus (Gênesis 1. Por meio de um ato pessoal de comunhão.28). ao mesmo tempo que o universo.. a expectativa da unidade perfeita. . segundo a qual o aperfeiçoamento advém da comunhão com Cristo Jesus. Sua teologia é o reflexo do pensamento naturalista do seu tempo. Sua ênfase na personalidade autônoma que.21-25). não é exclusividade humana. a teologia de Teilhard Chardin parte do pressuposto de que o homem alcança sua verdadeira dignidade e plenitude espiritual por meio do processo evolutivo. Movidos pelas forças do amor. dando a perfeição a todas as coisas.Nessa etapa de sua teoria evolutiva. Assim como as teorias evolutivas seculares. Cristo é o centro do processo evolutivo e o seu princípio básico. a teoria de Teilhard é macroevolucionista e negligencia completamente o ponto mais básico da criação que é Deus fazendo todas as coisas do nada pela sua palavra. tal como aparece na Bíblia. Ao contrário disso. etc. Principais objeções a teologia evolucionista de Chardin. mais que a causa eficiente do universo. na qual cada um dos elementos alcançará sua consumação.

Em segundo lugar. prometendo um final feliz para todos. O mal. elaborou sua filosofia em torno de algumas idéias de Charles Darwin.Como todas as teorias evolucionistas. Talvez essa seja uma das razões da sua difusão rápida. O homem moderno está disposto a aceitar qualquer tipo de droga entorpecente que se apresente sob o pseudônimo de ciência. tal união tem como conseqüência lógica a deificação da criação (panteísmo). solidão e angústia. Assim como as outras teologias radicais surgidas no século vinte. sendo que o universo representa o corpo orgânico de Cristo ainda em evolução. A teologia da evolução. Ele se emociona tanto com a evolução que se esquece que. a teologia da evolução de Teilhard é demasiado otimista. é uma superabundância da estrutura de um mundo em evolução. que se manifesta em planos diferentes. como de Cristo. da Universidade de Chicago. o resultado de tal união é a perda tanto do mundo. a filosofia do processo. chegando ao ponto de afirmar que a evolução é ―o sucesso mais prodigioso que a história jamais se referiu‖. Teilhard foi um homem totalmente deslumbrado com as teorias científicas do seu tempo. morte. essa nova escola teológica tem como seu maior expositor o professor Dr. Charles Hartshorne. A teologia do processo como escola teológica é uma tentativa de restabelecer a doutrina de Deus em um mundo extremamente cético. bem como as teorias evolucionistas seculares. é antagônica a Bíblia. Alfred North Whitehead (1861-1947). Ele divaga pela senda do universalismo e do panteísmo. A teologia de Chardin não permite que a graça seja graça. e não a teoria da evolução. o maior sucesso da história é a vinda de Cristo. 13. apresenta dois grandes inconvenientes: Primeiro. Charles Hartshorne e a Teologia do Deus Finito De origem norte-americana. e nem permite que o pecado seja pecado. a cristologia de Chardin transforma o Cristo da Bíblia em um Cristo cósmico. Por essa mesma razão. através da desordem material. a saber. segundo a fé cristã. para ele.Teologia do Processo: Dr. A proclamação da evolução constante por parte de Chardin nunca se vê alterada pela realidade bíblica do pecado no homem. elaborada pelo famoso matemático e filósofo. que por sua vez. Não há como sustentar esse sistema teológico sem perder a identidade cristã. sem fazer nenhuma alusão à graça de Deus. . a doutrina bíblica do juízo quase não se vê na obra de Teilhard. Em última análise. A idéia de Teilhard de união do universo com Cristo. a teologia do processo também toma por empréstimo alguns pressupostos de uma vertente filosófica contemporânea.

Desse modo. segundo Whitehead. o teólogo do movimento. estando sempre em constante processo de transformação. Harthshorne desenvolveu ainda mais a filosofia de Whitehead e aplicou suas conclusões no cenário teológico. até Deus está sujeito ao porvir (um conceito semelhante ao do teísmo aberto e da teologia da esperança). pois uma vez que não há um Deus soberano e onisciente. devemos demonstrar a realidade objetiva de Deus através de uma metafísica racional. Assim como na filosofia kantiana. Assim como na teologia de Paul Tillich. ―Deus literalmente contém o universo‖. tanto na história como na natureza‖. Associado com teólogos radicais de língua inglesa como Norman Pittenger. Deus. Nesse sentido. . A religião. A criação de Deus é um processo contínuo. reduzindo Deus à uma força que existe como o aspecto principal de todas as coisas. ―não é um ser. como se pode observar. Schubert Ogden e John Coob Jr. Os teólogos do processo também comprometem a soberania de Deus. a teologia do processo descaracteriza Deus. e sim uma força dinâmica por detrás da evolução. Whitehead lhes serve como ponto de partida. algo que é real e ao mesmo tempo espera por realizar-se. segundo a teologia do processo. O legado kantiano. Nas palavras de Hartshorne. o livro de apocalipse e as profecias bíblicas perdem todo o sentido. na teologia do processo também há um grande apelo à autonomia e a liberdade humana. Objeções à teologia do processo. algo que é uma possibilidade remota e mesmo assim é o maior de todos os atos presentes. As idéias de Chardin também são muito parecidas com a dos teólogos do processo. para ele. Com isso. está bem latente na filosofia de Whitehead. Segundo ele. ―é a visão de algo que está além. e mesmo assim.. em que o ser incluía o porvir. está além do nosso alcance‖. a teologia do processo tende à dissipar a idéia de Deus como ser pessoal. Deus. o que reduz o cristianismo bíblico a uma mera versão panteísta de religião. atrás e dentro do fluxo passageiro das coisas imediatas.Pressuposições da Teologia do Processo. possuí-la é o bem último. Daniel Day Willlians. Whitehead desenvolveu seu sistema ao redor da idéia de que o mundo é dinâmico. Essa tendência teológica torna injustificável a escatologia. Os filósofos antigos desenvolveram seus sistemas em torno da idéia de que o mundo era algo fixo. o grupo está convencido que para responder à ―Teologia da Morte de Deus‖. uma coexistência de ordem e liberdade na qual o homem participa para criar o futuro. emergindo sempre em tudo. é ―co-criador‖ do universo. reduzindo-o a um mero conceito panteísta. isso porque tanto ele quanto Whitehead assimilam idéias evolucionistas. não há certeza alguma quanto aos eventos futuros.

pois parece altamente improvável que um ser que não tenha presciência plena dos contingentes futuros saiba o que acontecerá. penteísta e consequentemente. a teologia do processo está muito mais fundamentada em hipóteses filosóficas do que naquilo que a Bíblia realmente diz. a redenção se transforma em relação e a ressurreição se transforma em renovação. Como disse Carl Henry: ―apesar de todo esforço. Mesmo que a teologia do processo tenta dar um ―toque bíblico‖ em sua teologia. Há um abandono do sobrenatural. mas suas conclusões o dissociam do Deus encarnado. Sua cristologia também é bastante confusa. o mundo também condiciona as atividades de Deus. A doutrina da ressurreição. Ao negar o conhecimento que Deus possa ter de fatos ainda não ocorridos. impotente. Ele é um homem em quem Deus atuou. . os milagres desaparecem. Um evento tal como esse acabaria por forçar nossa vontade. uma intervenção direta no livre-arbítrio humano. o Deus pessoal da Bíblia que se auto-revela. de que maneira qualquer uma das profecias preditivas das Escrituras poderia ser qualquer coisa além de probabilidades? A teologia do processo aniquila a fé que o crente tem em Deus. e manifesta seus designos de forma inteligente. [na teologia do processo] a criação se transforma em evolução.Ainda que muitos teólogos do processo se neguem a admitir que descrevem Deus em termos panteístas. segundo os teólogos do processo. Cristo aparece mais como um ―símbolo‖ da atividade divina na terra do que como uma intervenção divina no curso desse mundo. como pode fazer predições sobre o futuro? A conseqüência lógica do seu sistema é que não pode haver predição ‗cem por cento‘ segura na Bíblia. Dessa forma. e o Deus vivo da Bíblia fica submerso em termos imanentes‖. A Bíblia na afirma categoricamente: “Deus não é homem para que minta”. em sua teologia o mundo se torna necessário para que Deus exista. um conceito mental tomado à partir de analogias da experiência humana. esse biblicismo é apenas aparente. também é insustentável porque tal ato seria uma coerção divina. também na teologia do processo há uma tendência em reinterpretar os milagres da Bíblia em termos existenciais. Além disso. finita. pois se Deus não tem nenhum conhecimento dos fatos ainda não ocorridos. Como se pode perceber. fala e atua por conta própria. Como podemos ver. e não somente isso mas também retira o próprio Deus Soberano do cenário e introduz em seu lugar uma divindade caricata. mas se Deus é ignorante em relação a grandes períodos da história futura. a teologia do processo põe em risco a credibilidade das Escrituras. dentro da teologia do processo é ―uma seqüência de experiências pessoalmente ordenada‖.

mas tal comentário será sempre especulação. não formou especificamente uma escola teológica específica. Parte da popularidade de Tillich nos círculos acadêmicos deve-se a sua profunda preocupação em encontra alguma forma de relacionar a mensagem da Bíblia com as necessidades do século vinte. e é isso mesmo que ela é. por outro lado. Tillich desenvolveu um sistema teológico que resiste a qualquer rótulo. A mensagem do cristianismo surge como ―um conjunto de verdades sagradas que apareceram em meio à situação humana como corpos estranhos procedentes de um mundo estranho‖. filosofia. é provável que somente Rudolf Bultmann tenha exercido uma influencia igual no cenário teológico mundial. além de sua especialidade. à saber: Barth e Bultmann. Ao chegar nos Estados Unidos. dedicou seu tempo para ajudar os refugiados da Europa. Embora fosse um homem de grande erudição. Sua profunda erudição e seus conhecimentos de história. Exerceu capelania durante os quatro anos da Primeira Guerra Mundial e participou do Movimento Socialista Religioso na Alemanha. neo-ortodoxa e liberal. Paul Tillich. Porém. psicologia. Há pelo menos três grandes vultos teológicos do século vinte. por essa razão. ele é considerado como pertencendo a escola neo-ortodoxa e em alguns círculos teológicos. no entanto. Tillich é mesmo uma figura controversa. Ele se situa exatamente no centro. em Nova Iorque. Na América do Norte. Apesar de não ter formado uma escola específica. Há quem pense que seu existencialismo teológico tenha surgido nesse período e especificamente por causa dos horrores da guerra. Na Europa ele é considerado um liberal e ferrenho opositor de Barth e Brunner. arte e análise política. Falando do ―princípio de correlação‖. Paul Tillich se tornou professor do Union Theological Seminary. Sua experiência como capelão no período da guerra fez com que ele tivesse uma vívida impressão dos problemas sociais.Teologia do Ser: Paul Tillich e a fronteira entre o liberalismo racionalista e a teologia existencialista. segundo ele. O fato é que Tillich se valeu das elucubrações de ambas as partes. apesar das semelhanças. o ―sobrenaturalismo do cristianismo histórico‖ é muito transcendente para que o homem possa encontrar nele a resposta. sua intelectualidade não o privou de prestar importantes serviços sociais e religiosos. Hordern define a teologia de Paul Tillich como sendo ―a fronteira entre o liberalismo e a neo-ortodoxia‖. a teologia. e talvez. ele é mencionado em conjunto com Barth e Brunner. Queremos agora apresentar o terceiro deles. 14. lhe renderam o título de ―teólogo dos teólogos‖. entre a crítica destrutiva da desmitologização e o existencialismo neo-ortodoxo. Já apresentamos dois deles. ele argumenta que deve haver uma correlação entre os problemas do homem e a fé cristã. apelido pelo qual é conhecido hoje nos círculos acadêmicos. Se por um lado a filosofia naturalista não pode responder os questionamentos do homem. coletando ―supostamente‖ o que havia de melhor nessas duas escolas. Como encontrar a verdade? E de que modo podemos construir uma teologia? . O teólogo Willian H. Tendo fugido da tirania de Hitler em 1933. Pressupostos da teologia de Paul Tillich.

segundo ele. Essa preocupação essencial é o que determina nosso ser ou o não-ser. Deus não é apenas o Ser. para Tillich. Quanto ao pecado. Em sua cristologia. O pecado é a alienação do fundamento do nosso ser. Nós nos preocupamos essencialmente quando ponderamos sobre aquilo que tem o poder de destruir ou de salvarnos.Para Tillich. Ele esta além do ser ou das coisas. significa simplesmente que Jesus foi restituído à sua dignidade na mente dos discípulos. afirmar a existência de Deus é tão ateu quanto negá-la. O essencial é o próprio Ser. começamos definindo a religião. A ressurreição. A palavra ―símbolo‖ é resultado do repúdio de Tillich por qualquer interpretação ortodoxa acerca da pessoa e da obra de Cristo. Cristo é o símbolo do ―Novo Ser‖. segundo ele. As descrições da salvação em seus aspectos. e isso foge a nossa compreensão. o homem é religioso quando está ―essencialmente preocupado‖. Este Ser (com maiúscula). pois mesmo que o considerássemos como o ser mais elevado. ou aquilo que tradicionalmente chamamos de Deus. tem o poder de elevar o homem sobre si mesmo. A justificação também não é um ato soberano de um Deus pessoal. A regeneração é descrita por ele como ―ser incorporado na Nova Realidade manifesta em Jesus‖. no qual se dissolve toda alienação que tenta diluir a unidade do homem com Deus. isso porque o Ser transcende à existência. A religião não é apenas uma questão de ter determinada crença ou praticar certas ações. paradoxalmente não é nem uma coisa nem um ser. Essa preocupação. em que se rompe a distância. como portador do ―Novo Ser‖. Ele é a resposta simbólica do homem para a sua busca de bravura para superar as situações que o limitam. ele define Jesus como o símbolo no qual se supera a alienação. Segundo ele. Ela se resume na entrega total de nosso ser. Não podemos compará-lo a nada a fim de definilo. . Tillich o define em função do ser e da alienação do Ser. mas também o poder de Ser por si mesmo. o que seria uma explicação superficial e simplória. Nossa preocupação é essencial quando ponderamos sobre aquilo que é a soma da nossa realidade e a estrutura e objetivo da nossa existência. regeneração e santificação também estão sujeitas à reinterpretações. e sim uma palavra simbólica que indica que o homem é aceito apesar de si mesmo. Para Tillich. O relato da crucificação é mencionado como lendário e contraditório. A santificação é o processo através do qual o Novo Ser transforma a personalidade e a comunidade fora da igreja. mas também sem sentido. A responsabilidade pelas tensões da vida moderna não está relacionada a um conceito clássico de pecado. tais como justificação. o estaríamos reduzindo a um objeto e uma criatura. tais como o ser e o não ser que tanto o angustiam. a afirmação ―Deus se fez homem‖ é uma afirmação não apenas paradoxal. Por isso. A preocupação essencial é aquela que tem prioridade sobre todas as preocupações da vida.

Há várias objeções que se pode fazer à teologia de Tillich. porém na maioria das vezes. Quando nos deparamos pela primeira vez com a obra de Paul Tillich. o que faz dele um absoluto nada. No sistema dele. mas não é uma pessoa que se comunica ou com quem possamos ter comunhão. não é aplicável aos problemas da nossa época. No entanto. Essa teologia diluída poderia ser bastante aceitável para um budista ou um hindu. Como escreveu o crítico Kenneth Hamilton. a maior falta dele não foi substituir a teologia pela filosofia. pode até aparecer. interpretada da maneira tradicional. nesse caso. No entanto. precisa. sutil e tremendamente criativa. Sua cristologia também é uma fraude. ―sua maior falha foi substituir a Palavra de Deus pela palavra do homem‖. sua tradução faz violência tanto ao Espírito quanto à letra que ele traduz. . Não entendemos o porquê Paul Tillich insiste em empregar a palavra Deus com sentido cristão. temos a impressão de estar diante de um incrível tratado teológico produzido por uma mente enciclopédica. sua teologia não é especificamente cristã. A Bíblia. Sua doutrina definitivamente não é doutrina bíblica.Objeções à teologia de Paul Tillich. não há mais distinção entre Criador e criatura. e que não é nem sobrenatural nem natural. Seguindo os moldes neo-ortodoxos e liberais. mas estará sempre em plano secundário. exceto como um símbolo a mais para descrever uma situação existencial que não tem relação com o Deus Vivo. Também não conseguimos entender que tipo de Deus pode estar além da transcendência. O conceito de ―Ser‖ que Tillich apresenta se assemelha muito mais a um aspecto desse mundo do que existe por si só e independe de sua criação. Por esta causa. exceto pela sua afirmação de que só ele foi e é o Cristo. Sua idéia de Deus não é trinitária e nem pessoal. Tillich reduz Jesus a um mero símbolo. e sim uma ―tradução‖ da linguagem teológica em termos teosóficos e ontológicos. entre elas a sua rejeição da Bíblia como palavra de Deus. ele argumenta que a Bíblia. Tillich utiliza a filosofia para analisar os problemas mais profundos da existência do homem contemporâneo. Religiosos de ambos os grupos certamente abraçariam com alegria seus pressupostos. O ―princípio da correlação‖ de Tillich afirma que a filosofia pode dar-nos uma analise adequada da situação humana. A soteriologia de Tillich não tem significado concreto. As vezes essa tradução nos ajuda a ver as coisas sob uma luz mais clara e profunda. Deus é um poder racional que penetra a profundidade do ser.

e cujos pressupostos tem de alguma maneira modelado a forma de fazer teologia no Brasil. apresentada por nós no capítulo dez sob o título de ―teologia do processo‖. ao mesmo tempo em que podemos perceber seu particular descaso para com a Palavra de Deus. conforme já foi dito no capítulo primeiro. Se por um lado Tillich é considerado excelente erudito (e eu diria até um bom filósofo). Nas comunidades eclesiásticas brasileiras. se é certo que os mortos não ressuscitam. e somos tidos por falsas testemunhas de Deus. A primeira dessas três escolas. . onde o liberalismo teológico e o naturalismo têm estado ativo e presente. Porém. também Cristo não ressuscitou. Se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida. Apesar da relevância dos problemas até aqui levantados. é vã a vossa fé. ou quase nula. sua interpretação meramente existencial do cristianismo faz dele um teólogo ruim. E. passando pelas principais escolas teológicas da era contemporânea. é a Teologia da Libertação. Até aqui a nossa abordagem tem sido principalmente teórica. então. Cristo não ressuscitou. Ao negar a historicidade dos fatos narrados no Novo Testamento. abordaremos três correntes teológicas cuja presença é marcante no Brasil. A análise que fazemos dessas propostas teológicas encontra seus pressupostos na ortodoxia bíblica. E. a não ser um ou outro incidente recente de pastores que abraçaram a teologia relacional. se Cristo não ressuscitou. se os mortos não ressuscitam. e talvez o leitor nunca se depare com os problemas aqui levantados. salvo nas esferas seculares. ao qual ele não ressuscitou. segundo os princípios paulinos. Temos analisado as doutrinas dessas escolas e em nenhum momento fugimos da responsabilidade de apresentar o nosso parecer. da perspectiva ortodoxa. a influência dessas escolas teológicas na nossa teologia e em nossas denominações é pequena. Tillich remove o fundamento e a esperança da fé cristã. a vossa fé. se Cristo não ressuscitou. mas creio que seria algo assim. a ocorrência literal dos milagres e o maior milagre do cristianismo: a ressurreição. é vã a nossa pregação. Não sei ao certo como Paulo argumentaria com Tillich. Teologia da Libertação: Uma resposta teológica à crise econômica e social LatinoAmericana. somos os mais infelizes de todos os homens‖(1Coríntios 15. se não há ressurreição de mortos. ele lança tantas dúvidas acerca dos milagres e da ressurreição que de nenhuma maneira. porque temos asseverado contra Deus que ele ressuscitou a Cristo. Imagino o que diria o apóstolo Paulo a um pregador como Paul Tillich: ―E. e vã. e ainda permaneceis nos vossos pecados. 15. E ainda mais: os que dormiram em Cristo pereceram.13-19).Vemos em Paul Tillich um sério compromisso com a filosofia existencialista. de origem netamente Latina. sua teologia pode ser chamada cristã. Porque. Assim como Bultmann. à partir desse capítulo. quase não vemos influência desses movimentos. Muitos dos programas teológicos até aqui apresentados foram postos em caráter de informação.

onde os estudantes que protestam são torturados. Para eles. ―libertação‖. Qualquer semelhança com os conhecidos jargões do comunismo não é mera coincidência. onde quinhentos em cada mil crianças morrem antes de completar um ano de idade. Libertação social para melhores condições de vida. que pudesse sanar os problemas sociais e econômicos de então. não está subentendida a obra de Cristo por nós. uma mudança radical nas estrutura. Richard Shaull. Hugo Assman e Gustavo Gutiérrez Merino. resultante da criação contínua de uma nova maneira de ser e de uma revolução permanente. o problema da violência e da não-violência é um problema ilusório. protestantes como Rubem Alves. para se interarem da dominação social. como o santo patrono da causa. se empenharam em buscar uma teologia que pudesse resolver os conflitos sociais da América Ibero Hispana.Contextualizando a teologia da libertação. o ambiente teológico da América Latina passou por sérias transformações. Sob a palavra ―libertação‖. e mais laica e prática. dentro desse movimento teológico significa: Libertação política das pessoas e setores socialmente oprimidas. O padre Camilo costumava dizer que ―cada católico que não é revolucionário e não está do lado da revolução comete pecado mortal‖. a voz revolucionária começou a clamar em favor das massas. ao ponto de alguns considerarem Camilo Torres. Essa atitude violenta foi de fato uma proposta aberta aos religiosos para que tomem lugar nas barricadas e lutem em prol do desenvolvimento social e econômico da América Latina. . os teólogos da libertação são bem pragmáticos. e sim os ideais do marxismo. Católicos romanos como Juan Luís Segundo. Os teólogos da libertação se declararam várias vezes favoráveis a luta armada. José Míguez Bonino e o então missionário no Brasil. política e econômica que lhes é imposta. A teologia da libertação e a revolução social. A palavra. ―capitalismo‖ e ―proletariado‖. Na questão da violência. Os teólogos que viveram esse período foram levados a formular uma teologia que fosse menos acadêmica e teórica. Emílio Castro. ―exploração‖. Ele foi a maior fonte de inspiração e o impulso motor dessa nova tendência teológica. e se o fim é nobre. e oitenta por cento da população vive com uma renda de oitenta dólares por ano. Em meio a uma estrutura social em que um homem velho morre aos vinte e oito anos. As palavras chaves para entender essa teologia social são ―revolução‖. ―dominação estrangeira‖. animados pela política mais aberta do Vaticano II. como se pode deduzir dessas linhas. Libertação pedagógica para uma consciência crítica através do que o pedagogo brasileiro Paulo Freire chamou de ―conscientização‖. os meios se fazem necessário. O ambiente no Brasil e na Argentina era de ditadura. sendo o cerne dessa conscientização o despertar da consciência das massas miseráveis que vivem a cultura do silêncio. sacerdote colombiano que morreu em um tiroteio como membro da guerrilha de Che Guevara. Apenas existe a questão do uso justificado ou injustificado da força. Nas décadas de 60 e 70.

Curiosamente a cúpula da CNBB parece continuar com boas relações com Boff. Tal ponto de partida deve ser contextual. em nossa época. foi negado por eles mesmos muitas vezes na prática. O encontro com Deus é descrito como ―o compromisso com o processo histórico da humanidade‖. Leonardo Boff. foi interrogado pelo cardeal Joseph Ratzinger (o atual papa Bento XVI). Em 1985. O ponto de partida para a elaboração da teologia da libertação. Boff participou da coordenação e publicação da coleção ―Teologia da Libertação‖. e o evangelho. sendo de novo ameaçado com uma segunda punição pelas autoridades de Roma. mas pouco tem a ver com o conceito tal como utilizado por Jesus e por Paulo. escritor. e condenado a um ano de ―silêncio obsequioso‖. em razão de suas teses ligadas à teologia da libertação. Em 1992. promove uma revolução pacífica. professor e conferencista nos mais diferentes auditórios do Brasil e do exterior. Essa concepção de salvação talvez corresponda à idéia judaica de messianismo na época de Cristo. Como movimento político. Embora Hugo Assman e Dom Hélder Câmara sejam dos nomes que representam o pensamento da teologia da libertação no Brasil. a pena foi suspensa em 1986. Em 1984. mas a salvação não se restringe a essa responsabilidade: salvação significa perdão e cancelamento dos pecados cometidos contra Deus (Hebreus 9. o que eles admitem na teoria. podendo retomar algumas de suas atividades. apresentadas no livro ―Igreja: Carisma e Poder‖. Dom Hélder Câmara. então prefeito da Congregação da Doutrina e da Fé. atualmente é o Dr. com raízes na dimensão humana e política. Os pressupostos da Teologia da Libertação e as objeções à doutrina. sendo também deposto de todas as suas funções editoriais e de magistério no campo religioso. foi submetido a um processo no Vaticano. entre outros. se resume em ―um processo que abarca o homem e a história‖. segundo o peruano Gutiérrez. Porém. ―Mudou de trincheira para continuar a mesma luta‖: continua como teólogo da libertação. 1João 3. Dada a pressão mundial sobre o Vaticano. A salvação. apesar de sua ―apostasia‖ e de seu marxismo. de uma sociedade mais justa e fraterna. A responsabilidade social é um dever do cristão. Leonardo Boff que está no centro do debate sobre a teologia da libertação.28.5). e a teologia deve ser elaborada à partir de elucubrações sócio-políticas. Como membro do conselho editorial da Editora Vozes entre 1970 e 1985. o que faz da teologia da libertação mais um movimento político que um movimento netamente teológico. dentro da cosmovisão libertária. então arcebispo do Recife. órgão herdeiro da Inquisição.No Brasil. . ela tem sido um brado a favor da dignidade humana. ―apostatou‖ de sua condição de padre e da própria Igreja Católica para se unir com uma mulher. por não se contentar com as reformas triviais. assessor de movimentos sociais de cunho popular libertador. ―é o esforço do ser humano para ser parte do processo através do qual o mundo será transformado‖. como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra e as Comunidades Eclesiais de Base (CEB‘s). deve ter uma transcrição e aplicação política. a principal voz do movimento no Brasil.

a tendência da teologia cristã é polarizar: Ou a experiência. Ela foge totalmente a ortodoxia reformada. segundo a Bíblia. que tentam colocar em prática as idéias sociais da mesma. É preciso ressaltar que as afirmações de violência não são de nenhum modo característica de todos os teólogos da libertação. pois neste caso. a teologia da libertação não pode escapar das mesmas acusações levantadas contra ela: moralidade relativista e pragmática. é proclamar que o filho de Deus ressuscitou e tem poder de perdoar pecados. A teologia da libertação está fundamentada em uma postura na qual a presente práxis histórica se transforma em norma canônica para descobrir a vontade de Deus. os fins justificam os meios. também teólogo libertário. é justo empregar a violência contra a violência. O problema é que. Toda rotulação é pobre. ou a fé. a teologia da libertação é fortemente um movimento violento. ou não somos cristãos. Atualmente o movimento se reduz a algumas ―comunidades de base‖. ou ―junto com‖. ou a história. Devido à repressão ao movimento. Ao refletir algo parecido com a ética situacional. Como disse. Ele também afirma que o ―amor para os oprimidos significa cólera contra os opressores‖. mas a missão do cristão.Nesse processo de teologia libertária. mas a influência nas faculdades ainda é grande. isso porque a ―Sola Scriptura‖ não admite nenhum ―somado a‖. conforme temos exposto em tese. e não há nenhuma possibilidade de um crente evangélico sustentá-la sem cair em contradição. e no caso da Teologia da Libertação. há de se admitir a classificação do movimento da teologia da libertação como um movimento violento é falha. Ainda assim. ou a razão. Não é preciso polarizar para ter responsabilidade social. ou o marxismo. nem é preciso forçar a exegese ou fazer eisegese para defender pressupostos sociais. . Em outras palavras. e nesse sentido. ainda que não totalmente. não podemos deixar de aludir que. Rubem Alves. a missão da igreja acaba por confundir-se com confrontamento político e adesão e exposição de idéias sociais. ―a violência se converte na força que move a história no caminho para conduzir à sociedade perfeita‖. Como é difícil associar todo esse discurso com as palavras de Jesus no Sermão da Montanha! Como o evangelicalismo deve responder a essa ―revolução teológica‖? É óbvio que o cristão não deve viver alienado de qualquer idéia política ou deva se conformar a uma mentalidade status quo. hoje não há muitos grupos ou indivíduos que mantém a Teologia da Libertação.

quando o pregador Wesleyano radical da Santidade. Essa doutrina chegou na América do Norte. a dissidência teológica começou a surgir. pelo menos dois reavivamentos do século XIX podem ser considerados precursores do moderno movimento pentecostal. também acreditavam que uma segunda obra de graça revestiria o cristão com o poder do Espírito. de John Wesley. acreditava que o batismo no Espírito Santo provesse revestimento de poder para se obter a perfeição cristã. Em seu livro A Short Account of Christian Perfection. firmou-se como alicerce do Movimento Pentecostal.A. A maior parte do Movimento de Santidade condenou essa terceira obra da graça como sendo heresia. teólogo pentecostal das Assembléias de Deus. Mesmo assim. o revestimento de poder para o serviço cristão. e inspirou o Movimento de Santidade. O advogado e pregador cristão Charles G. tais como Dwight L. sob a liderança de J. a noção que Irwin possuía de uma terceira obra de graça. fazendo uma interpretação pessoal de Lc 24.16. uma das principais líderes metodistas. da irmã Phoebe Palmer. a ensinar sobre três obras de graça. Finney. Outros pregadores de renome. cuja ênfase estava voltada à vida santificada. de William Arthur. Benjamin Hardin Irwin começou. Pentecostalismo: Parham. porém. Wesley conclama os crentes à buscarem uma segunda obra de graça. O primeiro teria ocorrido na Inglaterra. Outros três livros que proporcionaram as bases sobre a qual foi construído o movimento pentecostal foram Guia para a Santidade e A Promessa do Pai. . Aos que procuravam receber a segunda obra de graça. por exemplo. Moody e R. A crença na segunda obra de graça não ficou confinada ao metodismo. McGee. Torrey. tendo como caudilho o ministério de Edward Irving. Porém. a segunda obra de graça iniciava a santificação e a terceira trazia o ―batismo do amor ardente‖. e o segundo teria ocorrido no sul da Índia.49. O movimento também tem suas raízes na Doutrina da Perfeição Cristã. C. Seymour e o avivamento místico-pietista do século XX. em 1895. Aroolappen. Segundo Irwin. posterior à conversão. que é o batismo no Espírito Santo. era ensinado que cada cristão precisa esperar pela promessa do batismo no Espírito Santo. e Tongue of Fire (Língua de Fogo). ao redor de 1830. Gary B. em 1760. Segundo o Dr. que livraria os crentes de sua natureza moral imperfeita.

que seriam capacitados sobrenaturalmente para falarem outros idiomas. que influenciado por Irwin e convencido pelos seus próprios estudos dos Atos dos Apóstolos. teve uma experiência mística e começou a falar em outras línguas. no ano 1906. aluna da Escola Bíblica Betel de Charles Fox Parham. Sendo assim. capítulos 2. e muitos diziam que o movimento era a restauração da fé apostólica. quando Bennett Freeman Lawrence escreveu a primeira história do movimento pentecostal. de fato. O primeiro deles é datado de 1º de Janeiro de 1901. línguas desconhecidas e não identificáveis pela inteligência humana. os cristãos pentecostais achavam que as línguas faladas por eles eram. A grande contribuição teológica de Parham ao movimento acha-se na sua insistência de que o falar noutras línguas é a evidência bíblica vital da terceira obra de graça: o batismo no Espírito Santo. incluindo o falar noutras línguas.Dois eventos marcaram definitivamente a chegada do moderno movimento pentecostal. testemunhou um grande reavivamento na Escola Bíblica Betel. Suas asserções estão baseadas nos relatos de Atos dos Apóstolos. a mensagem pentecostal. A partir da rua Azuza. Depois de 1906. Aqueles que presenciavam esses acontecimentos. Posteriormente. muitos outros alunos foram batizados com o ―novo‖ batismo. faziam rapidamente um paralelo com os eventos do livro de Atos dos Apóstolos. e um de seus alunos. e desde então o falar em outras línguas tem sido destacado pelos pentecostais como sendo a evidência física inicial do batismo no Espírito e a prova cabal do mesmo. Foi então que o movimento pentecostal explodiu. porém. línguas inteligíveis – idiomas pátrios. Depois de Agnes Ozman. em Los Angeles. À princípio. Parham. isto é. em 1916. após ter passado pela mesma experiência mística. já haviam ocorrido em fins do século XIX. Essa tese perdeu força com o decorrer dos anos e hoje é crença quase comum em círculos pentecostais que as línguas faladas por eles não são idiomas estrangeiros. xenolalia. tornou-se líder de uma igreja na rua Azuza. no estado americano do Kansas. como na já mencionada Índia e na Finlândia. De fato. um homem negro chamado William Seymour. Foi à partir do início do século vinte que o pentecostalismo ganhou projeção mundial. . o fenômeno das línguas auxiliaria como uma ferramenta nas mãos dos missionários transculturais. Charles Parham era um pregador do Movimento de Santidade. em lugares bem distantes entre si. que incluía o falar noutras línguas como sinal do batismo no Espírito Santo. porém. Parham mudou-se para Houston. porém até então esses eram apenas casos isolados. quando Agnes Ozman. e falaram em outras línguas (xenolalia). em Topeka. Na verdade. cada vez mais pentecostais estavam de acordo em que as línguas por eles faladas eram glossolalia. deu ao movimento o título de The Apostolic Faith Restored (Fé Apostólica Restaurada). tanto nos Estados Unidos quanto no exterior. continuava crendo que as línguas faladas pelos pentecostais eram xenolalia e que essas línguas eram expressões idiomáticas de outras nações. 10 e 19. divulgou-se pelos Estados Unidos e pelo resto do mundo. isto é. experiências semelhantes.

19). A primeira. McGee também menciona as conferências de Keswick. Essa sentença está alicerçada no conceito wesleyano.38) ao invés da fórmula trinitariana (Mt 28. Seria ela progressiva ou instantânea? Os pentecostais de tendências wesleyanas asseguravam que a santificação era uma obra instantânea. e consequentemente sobre o pentecostalismo. Um grupo acreditava tratar-se de expressões idiomáticas inteligíveis (línguas pátrias) enquanto outro acreditava que as línguas faladas eram expressões de mistério. em especial o livro de Atos e os últimos versículos de Marcos. portanto. A quarta controvérsia é de ênfase cristológica. sobre o valor teológico da literatura narrativa. no entanto. . McAlister observou que os apóstolos batizavam apenas em nome de Jesus (At 2. Outro debate girava em torno da segunda obra da graça: a santificação. As Assembléias de Deus. Gary B. Os principais pressupostos da doutrina pentecostal. caracterizada pela plenitude do Espírito. para fundamentar o falar noutras línguas como a evidência inicial do batismo no Espírito Santo. e logo nos primeiros dezesseis anos de existência.E. Em um sermão pregado em Arroyo Seco. Os que deram crédito à pregação de McAlister foram ―rebatizados‖ em nome de Jesus.O Dr. No início do movimento houve muitos debates acerca da doutrina. A segunda controvérsia já foi mencionada. enquanto os pentecostais de tendências reformada defendiam a santificação progressiva. não acompanharam as tendências modalísticas. e diz respeito à natureza das línguas faladas. Houve então uma cisma no movimento e os que enfatizaram o batismo apenas no nome de Jesus acabaram por propor uma doutrina modalística da trindade. uma vida mais profunda. ininteligíveis por meios naturais. que é uma variação do unitarismo. Os conferencistas de Keswick acreditavam que o batismo no Espírito Santo produzia uma vida contínua de vitória. que afirmava que o batismo no Espírito produzia a perfeição cristã. houve quatro grandes controvérsias. R. na GrãBretanha como tendo uma grande influência sobre o Movimento de Santidade na América do Norte.

A crença mística do povo brasileiro. havia em nossas terras um grande número de leprosos e muita gente morria apenas por falta de higiene ou por efeito de uma desinteria. Consequentemente. Não queremos dizer com isso que o pentecostalismo somente se instaurou no Brasil por causa da influência dos cultos afros e do xamanismo. de modo o movimento teve ampla aceitação. profecias. esse não foi o fator decisivo. na época em que Daniel Berg e Gunnar Vingren aportaram em nosso país. ao mesmo tempo que a teologia pietista. São dispensacionalistas. a medicina avançava à duras penas e oferecia pouca ajuda aos que se achavam gravemente enfermos. A promessa de uma cura instantânea veio de encontro com as necessidades básicas do nosso povo. podendo haver outros itens não relacionados nessa pesquisa. portanto. Todos os cristãos pentecostais crêem: a) No Batismo no Espírito Santo como experiência subseqüente e distinta da salvação. No Brasil. Além disso. a fé no miraculoso para a cura física começou a ressurgir nos círculos evangélicos. c) Que o batismo pentecostal reveste o crente com poder do alto capacitando-o para exercer seu ministério ao mundo. No falar em línguas como evidência física inicial do batismo no Espírito. b) Na atualidade dos dons espirituais. Lembremos que o mundo greco-romano nos dias apostólicos também tinha suas religiões de mistério. também foi um fator decisivo para a recepção das doutrinas pregadas pelos missionários suecos. e ainda que isso tenha contribuído para a aceitação do evangelho. Na Alemanha do século dezenove. Apesar disso. com sua crença na purificação instantânea do pecado ou no revestimento do poder do Espírito produziu um ambiente receptivo aos ensinos da cura mediante a fé. . A lista não é exaustiva.Vemos. Razões que contribuíram para crescimento do Movimento Pentecostal. tais como cura. o quanto resulta difícil fazer generalizações doutrinárias acerca do movimento. sobretudo no norte do país. a maioria dos cristãos pentecostais também crê: a) b) c) Na vinda de Jesus pré-milenista e pré-tribulacionista. destacamos à seguir aquilo que consideramos ser as crenças mais universais dos pentecostais. No final do século dezenove e início do século vinte. línguas e interpretação de línguas e operação de milagres. a medicina era ainda mais precária. os ministérios que ressaltavam a importância da oração pelos enfermos atraía a atenção dos crentes estadunidenses.

mas nem por isso se tornaram crentes. e quando reaparece. Esse mesmo pregador gosta de dizer a Deus em suas ―fervorosas‖ orações: ―se tenho crédito no céu…‖. Não faltam porém objeções às práticas do movimento. filha desse reavivamento espiritual. ou dom de profecia. tem substituído a pregação da palavra de Deus. Alguns cessassionistas dizem que a ocorrência de sinais fantásticos seria mais que persuasão e violaria incondicionalmente o livre-arbítrio humano. dizem que as profecias só são válidas se estiverem em comum acordo com a Bíblia sagrada e terão valor apenas após o seu cumprimento. Jamais vimos Jesus ou os seus apóstolos invocando a presença de anjos antes de trazer uma mensagem aos fiéis. Muitos cessacionistas têm se empenhado para desacreditar o pentecostalismo e a atualidade dos dons espirituais. na leitura e pregação devocional da Bíblia e com uma visão de ministério às nações. entre as quais destacamos algumas. É comum em nossos dias ver pregadores pentecostais trazendo novas e estranhas revelações acerca de anjos. criavam teologias com ênfase em teorias naturalistas e evolucionistas. nenhuma exegese por eles apresentada justifica o anti-sobrenaturalismo presente em sua teologia. Outra questão diz respeito aos milagres. Muitas foram as contribuições do pentecostalismo. As Assembléias de Deus. E os exageros não param por aí: a Bíblia também. faziam estudos sobre o Jesus histórico desassociando-o do Jesus da fé. surgiu um movimento com ênfase na santificação. É interessante perceber que nesses cem anos de controvérsias teológicas. enquanto os teólogos alemães e norteamenricanos patenteavam jargões como geschichte. Crédito no céu? Onde está a mensagem da graça. Os cessacionistas argumentam que se a inspiração profética é atual. e nem por isso aqueles que se convertiam tinham seu livre-arbítrio violado. Essa prática definitivamente não é cristã. a excessiva ênfase na inspiração sobrenatural da fala. Muitos presenciaram a multiplicação dos pães. visões e da conduta cristã.Objeções à doutrina pentecostal. do favor de Deus? . invocar serafins antes de fazer sua preleção. Porém. então teremos duas fontes inspiradas: a Bíblia e a profecia. Em meio ao cenário árido da teologia do início do século vinte. tornou-se uma das maiores denominações do mundo. volta e meia desaparece dos púlpitos nos congressos. mas o fato é que o pentecostalismo foi uma das principais reações contrárias ao secularismo teológico que surgiu no século vinte. por outro lado. a ponto de ter se tornado praxe de certo pregador televisivo. é permutada. desmitologização. surgiu também um movimento de restauração da fé apostólica. Se por um lado os demais movimentos estavam associados ao desejo de amoldar a fé cristã aos padrões filosóficos e científicos do homem moderno. o pentecostalismo por sua vez surgiu do desejo de reencontrar a fé cristã primitiva e de desassociar-se do sistema secular. A isso os pentecostais dizem que Jesus e os discípulos também faziam sinais. Talvez minha observação pareça arrebatada ou até mesmo apaixonada demais. Os restauracionistas pentecostais. Em muitas igrejas evangélicas.

e enquanto existirem esses. sobretudo no cenário nacional. urgência de uma nova reforma religiosa dentro do próprio movimento: uma nova restauração da fé apostólica. O pentecostalismo surge no cenário contemporâneo na contramão da teologia moderna liberal e neo-ortodoxa. esses excessos ocorrem bem na fronteira de dois movimentos contemporâneos com muita força em nosso país: o pentecostalismo e o neopentecostalismo. a erudição e o conhecimento teológico. promovidos por pregadores que mais parecem animadores de auditório. De modo quase geral. Há muitos que ainda prezam pela pregação bíblica e que mantém o perfeito equilíbrio entre a unção. Enquanto Barth. Apesar da semelhança semântica. pelo ceticismo de David Hume e pelos apelos filosóficos de Immanuel Kant. No entanto. a pregação catequética e com embasamento escriturístico tem sido substituída por empolgados shows evangélicos. . Isso. mas isso não desqualifica o movimento. faz-nos pensar na necessidade e porque não dizer. surgiu no cenário mundial um movimento que buscava justamente o oposto. Muitos excessos têm sido cometidos desde então. creio que o movimento contará com certa credibilidade. Bultmann. Tillich e Brunner agitavam o cenário teológico mundial com inovações e com suas tendências filosóficas. Conhecemos muitos assim. Virou já um ícone do evangelho da prosperidade. Se por um lado Paul Tillich buscava amoldar a Bíblia às necessidades do homem. mercadejando as bênçãos de Deus e enfatizando muito mais o presente que o porvir. porém. Enquanto Barth apresentava Deus como ―Totalmente-Outro‖. quero ressaltar que a dissimile é maior que qualquer afinidade que estes dois nomes possam sugerir. o atual quadro do pentecostalismo.Outro pregador pentecostal que há anos se identificava como homem ortodoxo tem se rendido fatalmente à práticas neo-pentecostais. os pregadores pentecostais insistiam na possibilidade de um relacionamento pessoal com Deus e definiam-no como aquele que habita os céus e que paradoxalmente. Na verdade. não significa que não haja pentecostais sérios e ortodoxos. William Seymour e os demais pregadores do movimento pietista pentecostal instavam para que os homens se amoldassem à Palavra de Deus. obviamente influenciados pelo existencialismo de Kierkgaard. vive em nós.

quando se investiga o desenvolvimento histórico do movimento. como a chamada Confissão Positiva (Evangelho da Saúde e da Prosperidade. Todos estes. Muitos obreiros e ministérios são envolvidos em assuntos aparentemente simples como os que temos abordado. Na década de 70. fundada em 1977. em 1973. sempre buscaram um sinal e uma materialização do imaterial. vivem em busca de ―sinais‖ de Deus. Robert Schüller. fundada em 1970. Kenneth Copeland. da Cura Diferencial e do Exorcismo. Kenneth Hagin. Mateus 12. apregoadas por supostos avivalistas em acampamentos cristãos. homens e mulheres no decorrer de sua incansável busca por um toque religioso. e Socorrista. evangélicos ou não. tais como a Igreja Presbiteriana Renovada. Marilyn Hickey. defender com muita submissão os valores do Evangelho e a imaculada Igreja de Nosso Senhor Jesus. em escolas bíblicas de férias e na televisão. . como a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD). e os Pentecostais Carismáticos. sem nenhuma consulta à exegese bíblica. mas lembremos-nos: o sinal sempre foi sinal para incrédulos! Em toda a história. Temos buscado nessas páginas. quando na verdade estão sendo instrumentos para erosão perniciosa contra a vida espiritual da Igreja. à qual fomos chamados. Porém. em congressos. de multidão má e incrédula (cf. fundadas em 1967. Maldição de Família e Pecado de Geração. Neopentecostalismo: Misticismo. sejam pregadores ou leigos. Maldições Hereditárias. originária da Igreja Católica Romana. de tal forma que muitos pregadores da prosperidade – inclusive os brasileiros – se consideram discípulos de Hagin. Este movimento se originou a partir de denominações históricas. Nova Unção). ensinam sempre sob a orientação filosófica de seu pai. Jesus chamou essa multidão que de um lado para o outro em busca de uma experiência. e por mentores católicos carismáticos no exercício do Toque do Dom. pragmatismo e culto à Mamom. Como já foi dito no capítulo anterior.38-39). juntamente com as doutrinas neopentecostais têm surgido muitas doutrinas paralelas. embora seja possível estabelecer uma símile entre o pentecostalismo e o neopentecostalismo. chegou no Brasil o movimento que ficou conhecido como neopentecostalismo. chega-se à conclusão de que o verdadeiro pai da confissão positiva é Essek William Kenyon. Muitas pessoas no movimento da confissão positiva consideram Kenneth Hagin como o pai do movimento. além de apresentar as principais doutrinas do século vinte. História do Movimento Neopentecostal. Renovação Carismática. as Igrejas Pentecostais Livres: Sinais e Prodígios. Jorge Tadeu e outros. Essek William Kenyon e de seus principais porta-vozes. Nos nossos dias. em 1975.17. de novas manifestações. pensando estar fazendo o melhor para Deus. as Igrejas com pouca estrutura eclesiástica. as diferenças entre esses dois grupos protestantes são maiores que qualquer semelhança que possam ter. Quebra de Maldições. Estes. alicerces ou filtro teológico.

Hagin aceitou a Cristo como seu Salvador. segundo se sabe. para o Novo Pensamento (Nova Idéia). O professor do Makenzie e apologista do ICP. a teologia de Emerson evoluiu do congregacionalismo para o universalismo. não é nem ciência nem cristã. No dia 19 de março de 1948. em 1962. que à bem da verdade. para o transcendentalismo. seu próprio ministério. com a idade de 80 anos. a Escola Bíblica de Hagin já formou cerca de 6. e terminou. Depois da terceira ―visita ao inferno‖. para o unitarismo. Em Super Crentes. Duas experiências polêmicas teriam afetado toda a sua vida e ministério. Em 1892. em 1974. nas mais rígidas e dogmáticas de todas as seitas metafísicas. Emerson uniu-se à Ciência Cristã em 1903 e nela permaneceu envolvido até sua morte. alguém utilizaria as idéias e os escritos de Kenyon para dar forma ao que viria a ser um dos maiores e mais controvertidos movimentos dentro do corpo de Cristo da atualidade.600 alunos. Sua conversão à Ciência Cristã foi a última progressão lógica na sua evolução metafísica do ortodoxo para o sectário‖. finalmente. Paulo Romeiro. onde supostamente viu e sentiu coisas que o deixaram perplexo. como por exemplo a Ciência Cristã. Ésse Charles Emerson. entre elas a Faculdade Emerson de Oratória. o que ela cumpriu fielmente. a Escola Bíblica por Correspondência Rhema e o Centro de Treinamento Bíblico Rhema em Tulsa. Neste mesmo ano foi licenciado como ministro da Assembléia de Deus (1937-1949) e pastoreou várias igrejas dessa denominação no Estado do Texas. em 1867. recebeu o batismo com Espírito Santo e falou em línguas. finalmente fundou. Estados Unidos. Devido à sua crença em cura divina. Nova York. A primeira foi Hagin ter sido ―levado ao inferno‖. começou a associar-se com os pentecostais e em 1937. mudou-se para Boston. encarregou sua filha Rute de continuar o seu ministério e publicar os seus escritos. Mais tarde.Kenyon nasceu no condado de Saratoga. e chegou a abraçar inclusive muitos ensinos de seitas heréticas. Tendo passado por essas duas denominações. Fundou em Tusla. sendo assim levado a tomar uma decisão quanto a sua vida espiritual. Em seus 40 anos de ministério. em 1908. fundada por Charles Emerson. onde freqüentou várias escolas. Hagin foi um jovem pregador batista (1934-1937) e pastoreou uma igreja da comunidade onde morava. Esta pessoa é Kenneth Erwin Hagin. Antes de sua morte. escreve o seguinte acerca de Emerson: Charles Emerson foi uma figura um tanto contriversa. foi uma mente muito confusa e sincretista. a Ciência Cristã. É muito importante saber quem foi Charles Emerson para se compreender a hermenêutica de Kenyon. O ministério de Kenneth Hagin é hoje um dos maiores do mundo e sua influência tem se espalhado por muitas partes do globo. No início do seu ministério. faleceu Kenyon. . Hagin conta ter descido outras duas vezes ―ao inferno‖ para ali contemplar os seus horrores. Segundo o professor Paulo Romeiro.

é enviada para 190 mil lares mensalmente e calcula-se que cerca de 20 mil fitas cassete de estudos são distribuídas a cada mês. de modo que um indivíduo realmente convertido nunca deve ficar doente. Pressuposições da Doutrina da Prosperidade.A revista Word of Faith (Palavra da Fé). o já mencionado Edir Macedo e o líder da Igreja Internacional da Graça de Deus. .R. a destacar algumas práticas dos principais grupos neopentecostais. Kenyon e Kenneth Hagin. líder da Igreja Internacional da Graça de Deus. Nos limitaremos. L. Para o Dr. Outra pessoa que tem influenciado muitos no Brasil é o engenheiro Jorge Tadeu. é uma figura extremamente controvertida hoje nos Estados Unidos. os nomes mais conhecidos ligados à confissão positiva são Ken Hagin Jr. Além de Essek W. baseando a cura divina na expiação e usando para isso o texto de Isaías 53. o Filho do Homem muitas vezes não tinha sequer onde reclinar a cabeça. A prosperidade financeira também é um direito do crente. É muito difícil enumerar os pressupostos do neopentecostalismo. principalmente pelos seus métodos de levantamento de fundos. Bob Tilton. o Novo Testamento traz em seu cerne uma mensagem de abnegação. visto que existem diversas denominações neopentecostais e todas possuem sistema doutrinario eclético. porém inteligente livro Considerações à Doutrina da Prosperidade. Soares. chegando até mesmo a chorar e a profetizar enquanto pede dinheiro no seu programa de televisão. pastor da Igreja Evangélica Cristo Vive. hoje pastor e líder das igrejas Maná. R. pobreza e enfermidade são características de uma vida sem fé. Pode ser citado ainda o ministério de Miguel Ângelo da Silva Ferreira. responsável pela publicação da maioria dos livros de Kenneth Hagin no Brasil. Soares. (filho de Kenneth Hagin). Já foram vendidos cerca de 33 milhões de cópias de seus 126 livros e panfletos. Ele também diz que ―a busca do sensacionalismo e da prosperidade facil afasta o homem da ordem antiga: Comerás o pão do suor do teu rosto‖. afirmam que Jesus era rico – bem como os seus discípulos – mas até onde sabemos. Segundo essa abordagem teológica. que já esteve no Brasil acompanhado de Rex Humbard. Charles Capps. Apenas queremos chamar a atenção para algo que se tornou o principal enfoque do neopentecostalismo: a teologia da prosperidade. portanto. que também pertence ao movimento.4-5. em Portugal. R. Jerry Savelle. no Rio de Janeiro. Para justificar o disparate. Kenneth e Glória Copeland. enquanto no Antigo Testamento a promessa é de prosperidade advinda da obediência. Benny Hinn e Lester Sumrall. A doença tem sua origem na falta de comunhão com Deus. Os porta-vozes da doutrina da prosperidade não medem esforços para conseguir arrecadações. John Osteen. Osborn. Os bens da organização estão avaliados em 20 milhões de dólares. Fred Price. em seu pequeno. Hobart Freeman. T. sendo a pobreza uma maldição. Serafim Isidoro. R.

supostamente importados de Israel. a denominação faz uso de rosas. O vídeo consta nos arquivos do ICP e o episódio é citado por Paulo Romeiro em Super Crentes. A ênfase sobre a prosperidade financeira é bastante acentuada. tanto o livro de Hinn como seus ensinos têm levantado muita polêmica. Porém. bem como a afirmação de que o número dos salvos será maior do que o número dos perdidos. o estudo acerca do ―corpo‖ do Espírito Santo. Entre seus ensinos mais controversos está o seu comentário de Is 53:9. física e espiritualmente. Ela também defende a maldição de família e a necessidade de ruptura das mesmas. está causando celeuma nos Estados Unidos. é um de seus nomes mais famosos. O autor se justifica afirmando que não soube explicar bem o que queria dizer. Espírito Santo.Não há dúvida de que o movimento da fé tem em Benny Hinn. além de objetos sem nenhum valor financeiro. Além destas. como. mas ele foi o primeiro super-homem que já existiu. por exemplo. mas também voava para o espaço (…) com um pensamento ele estaria na Lua (…) podia nadar [debaixo d'água] sem perder o fôlego. o jornal Mensageiro da Paz publicou uma nota sobre Benny Hinn: ―O livro Bom Dia. Ele passa a idéia de que existem nove deuses na Trindade. Hinn levou os membros de sua igreja a repetir depois dele a seguinte frase: ―Eu sou um deus-homem‖. lenços. retalhos dos ternos usados pelos pastores (será que eles rasgam o Armani do Bispo Macedo também?). Bom Dia. Não sei se as pessoas chegam a saber disso. publicou os seguintes comentários de Hinn a respeito de Adão e Eva: ―Adão era um ser sobre-humano quando Deus o criou. medalhas com inscrições. Seu livro. é um dos mais vendidos hoje na América do Norte. na Flórida. No ano de 1992. Na Igreja Universal do Reino de Deus. . Espírito Santo. como a volta de Jesus num dia de sábado no ano 2007. cruzes. Adão não só voava [como os pássaros]. quando a Bíblia diz que ―aquele dia e hora ninguém sabe‖. podemos encontrar muitos pressupostos do ―movimento da fé‖. réplicas da Arca do Concerto. e sua esposa fazia o mesmo (…) Ambos eram sobrehumanos‖. A confissão positiva já alcançou repercussão significativa nos meios de comunicação. fundada pelo bispo Edir Macedo. tais como água do Jordão e azeite para unção. de Oregon. Não faz muito tempo. copos com água. mas a semelhança com as práticas iconoclasticas da idade média é evidente: Substituindo a idolatria por metodologias visuais e palpáveis. onde afirma que Jesus morreu duas vezes. A capacidade imaginativa de Hinn é tão perspicaz que não exitariamos em recomendar sua ―história‖ à Walt Disney Pictures. portais da felicidade. Valnice Milhomens também tem aderido à muitas práticas neopentecostais. lenços. especialmente na televisão. pastor do Centro Cristão de Orlando. a guarda do sábado. de Benny Hinn. em setembro de 1992. O boletim The Berean Call (O Chamado dos Bereanos). há ainda questões escatológicas.

Portanto. total e perfeita. O contexto deve determinar se um dos sentidos ou ambos são empregados. Por exemplo. Seu sofrimento não foi causado por confissões pessimistas. . A iniciativa partiu de Deus. pode-se referir à cura física ou à cura espiritual. Um outro exemplo citado por ele é o de Jó. ele menciona o profeta Eliseu. ―não podemos esquecer também que. Por causa disso. afirma que ―Deus só pode dar o que Ele tem. quando Jesus curou a sogra de Pedro (Mateus 8:14-17). Pedro se refere à cura espiritual (citando a Septuaginta). nem tampouco foi o diabo quem decidiu provar Jó. em 1 Pedro 2:24. sempre disposto à acatar ordens e tudo sem reclamar. Para ratificar sua asserção. pecados ocultos ou falta de fé. É comum assistir na TV pregadores da Prosperidade ensinando os crentes a dar ordens em Deus. John Ankerberg e John Weldon nos ajudam a interpretar o texto de Isaías 53:4-5 com o seguinte comentário: ―No hebraico a palavra ―sarar‖ (em hebraico. o que é uma idéia absurda‖. ―decretada‖. Para Deus lhe dar uma doença teria que pedi-la emprestada ao diabo. A cura física também deve ser pronunciada. tocou em seus ossos e ressuscitou (2 Reis 13:14-21). mas o ensino de Jorge Tadeu é contrário ao que diz a Bíblia. de modo que a fé é reduzida à uma mera confissão positiva. 5 é forçar o texto e não reflete uma boa exegese‖. Segundo Paulo Romeiro. está garantida na expiação com base em Isaías 53:4. que apesar de ter sido um grande profeta de Deus e de ter tido um ministério marcado por muitos feitos sobrenaturais. a expiação de Cristo ainda não havia acontecido. Será que ele não tinha fé ou estava em pecado? Muito pelo contrário. do ICP (Instituto Cristão de Pesquisas). Ele também afirma que dizer que a enfermidade é conseqüência da falta de fé ou pecado na vida do crente constitui-se numa falácia bíblica. ou ainda.Os pregadores neopentecostais também ensinam que a fé e o recebimento das bençãos de Deus está relacionada com a confissão que fazemos. rapha). Mateus se refere à cura física (citando o texto hebraico massorético). O Senhor Soberano foi substituído por um Deus vassalo. utilizando um jargão próprio do neopentecostalismo. Por acaso Deus teve que tomar a lepra emprestada do diabo para colocá-la em Miriã? A lepra de Miriã foi provocada por Deus (cf. em Portugal. e em Mateus 8:17. líder das igrejas Maná. muitos membros dessas igrejas vivem frustrados. morreu em conseqüência de sua enfermidade. pois temem pronunciar maldições que interfiram em seu progresso espiritual. ―Basta examinar as Escrituras para notarmos que verdadeiros servos de Deus passaram privações e dificuldades em suas trajetórias a serviço do Senhor‖. pois a Bíblia diz que um soldado morto. O pastor Jorge Tadeu. Muitos pregadores da confissão positiva declaram que toda enfermidade procede do diabo. após ser colocado na sepultura de Eliseu. usar esta passagem para dizer que a cura divina. Números 12:10). Objeções ao neopentecostalismo.

Logos) de Deus. Supostamente baseados nas promessas de Deus. e caiu a sua flor. ou ―a palavra de revelação‖ que é a palavra mística. não tem escapado das críticas da imprensa em Portugal. podemos perceber no movimento neopentecostal duas fontes de autoridade: uma objetiva – a Bíblia. e toda a glória do homem como a flor da erva. Dessa forma. o autor pode não está mais se referindo à Palavra de Deus escrita. na Palavra de Deus não há sequer uma distinção teológica entre estes dois termos. Os apologistas da confissão positiva fazem um cavalo de batalha sobre as palavras gregas logos e rhema que significam palavra.23-25: “Sendo de novo gerados. a polêmica da semântica. Depois vem logos. que Deus fala aos iniciados. Porque toda a carne é como a erva. na edição de 30 de agosto a 5 de setembro de 1991. Entretanto. e que rhema é a palavra dita. Rhema) do Senhor permanece para sempre. Segundo Michael Horton. mas é geralmente empregado no contexto de sonhos. não de semente corruptível. Russel Shedd afirma que Pedro não fez distinção sobre estes termos em sua primeira carta. Sendo assim fica desfeita a pretensão daqueles que querem forçar uma interpretação e aplicação errônea destes termos. quando alguém lê uma referência na literatura do pregador da fé à ―Palavra de Deus‖. Ele declara que ―os ensinadores da fé inventavam uma falsa distinção de significado entre essas duas palavras gregas. ou ―agir sobre a Palavra‖ e outras. na primeira página. O ministério das igrejas Maná. O termo pode-se referir também à Bíblia. pela palavra (Gr. revelada de Deus. Secou-se a erva.Existe nos Estados Unidos muitos casos documentados de mortes causadas pela pretensa fé. não existe nenhuma grande diferença entre estes dois vocábulos. ―Mas que Grande Seita! Deixem de tomar remédios! — aconselha a seita religiosa Maná. capítulo 1. dizem eles. na mente do apóstolo não havia distinção entre estas palavras. Rhema) que entre vós foi evangelizada”. dizendo que há uma distinção entre eles no sentido de que logos é a Palavra escrita. Em uma linguagem mais coloquial. O jornal Tal & Qual. ocorrido em 13 de maio de 1991. Desta forma. visões e comunicações particulares entre Deus e seu ―agente‖. que faz com que as coisas sejam realizadas. viva que permanece para sempre. direta. mas ao seu próprio ―decreto‖ (rhema) ou uma palavra pessoal de Deus para ele (logos). é a ―palavra‘‖ que os crentes usam para ―decretar‖ ou ―declarar‖ a fim de trazer prosperidade ou cura para esta dimensão‖. o vocábulo rhema é o ―abracadabra‖ que os neopentecostais pronunciam para materializar o objeto desejado. Mas a morte de uma criança acaba de pôr em causa o insólito ―mandamento‖. Rhema. a Bíblia. mas da incorruptível. O Dr. . Logos e Rhema. Como se pode ver. A palavra rhema seria uma espécie de ―vara de condão‖ capaz de materializar o objeto da nossa cobiça. expressa de Deus. Mas a palavra (Gr. muitos pais perderam seus filhos para enfermidades que poderiam ser facilmente medicadas. a revelação ou palavra da fé. sobre as circunstâncias que levaram ao falecimento do pequeno Nelson Marta. e esta é a palavra (Gr. que seriam como os sinônimos ―enorme‖ e ―imenso‖ no português. Assim. faz uma séria denúncia. de oito anos. e outra subjetiva. eles afirmam que podemos usar a palavra rhema para realizarmos no mundo espiritual e físico tudo aquilo que desejamos.

Temos depois o apóstolo Paulo escreveria aos coríntios: ―se esperamos em Cristo só nessa vida. alardeado pelos teólogos da prosperidade como um homem abastado. Ela desvirtua o crente. à luz da ortodoxia. Entrou em Jerusalém montado em um jumento emprestado. Entrou no mundo desassistido de bens materiais e proferiu suas pregações em um barco emprestado. tereis aflições‖. apenas afirma que isso não se pode conhecer com certeza por meio da razão. somos os mais miseráveis de todos os homens‖. Em sua mensagem ele nos falou sobre a necessidade de negar-se a si mesmo e tomar a cruz. levando-o a buscar a prosperidade terrena. Huxley (1825 – 1895).O neopentecostalismo. nasceu humilde e pobre. 18. em um estábulo emprestado. o agnosticismo deve ser considerado segundo o sistema científico a que se amolda e também os pressupostos da teoria do conhecimento que adota. Cristo. . e foi sepultado em um túmulo emprestado. Para o agnosticismo a razão humana não pode adquirir uma ciência certa. e nem na verdadeira igreja evangélica. Glossário Teológico Contemporâneo. mas não cabe nos lábios de Cristo ou dos apóstolos. O termo foi criado por T. Nega a possibilidade de um conhecimento racional e certo de qualquer realidade transcendente. Foi ele quem disse: ―No mundo. é uma teologia mal elaborada. quando a prioridade dele deveria ser ―buscar as coisas que são do alto‖.H. ecléticopragmática que busca os resultados mais que a pureza doutrinaria. Como sistema teológico foi condenado pelos apóstolos e pela Igreja. Sob qualquer forma que se apresente. a não ser das realidades apreendidas pela experiência sensível. para expressar o seu desprezo em face da atitude de certeza dogmática simbolizada pelas crenças dos antigos gnósticos. AGNOSTICISMO Doutrina que defende a incognoscibilidade de qualquer ordem de realidade desprovida de evidência lógica satisfatória. A mensagem triunfalista dos pregadores da prosperidade podem até caber em um discurso político onde a avareza prima sobre o caráter. Só a cruz era dele.

ANALOGIA DA FÉ Era analogia entis que Karl Bath substitui pela analogia Fidei (analogia da fé), visto que a verdade religiosa é dada por Deus. É um conceito Bíblico tirado de Romanos 12, (analogia tes pisteões) ou (metron pisteõs), que são palavras semelhantes "analogia da fé" e "medida da fé", representam um desenvolvimento do significado paulino original. Para a hermenêutica a analogia da fé conota que passagens bíblicas podem ser interpretadas com outras passagens porque nada dentro das escrituras podem se contradizer e tendo em vista que Deus é o autor das Escrituras. Para Agostinho a interpretação da das Escrituras não deve violar a fé. E Lutero usa termos quase semelhantes "o intérprete primário da Escritura deve ser ela própria", por isso as autoridades cristãs evitavam qualquer fonte fora das Escrituras. Para alguns pais da igreja passagens difíceis das escrituras são iluminadas pela fé ensinadas pela igreja, já o protestantismo da reforma é contra essa idéia imposta pelo catolicismo. Ainda como princípio exegético a analogia da fé sofre alguns abusos com significados que o autor bíblico não quis colocar no texto, por isso o intérprete de uma passagem bíblica deve se esforçar o máximo para extrair do texto o que realmente ele diz.

ANTROPOLOGIA TEOLÓGICA Antropologia nasceu com o grego Heródoto, no século V a.C. que foi cognominado Pai da Antropologia. Antropologia Teológica é a doutrina do homem no que tange a Deus. Teve sua transformação em duas grandes transições: a do cosmo para Deus, quando o cristianismo suplantou a visão grega da realidade. A segunda é de Deus para o homem e ocorreu na época moderna em conseqüência da secularização e do ateísmo. Repentinamente Deus desaparece de cena e cede lugar ao homem. Sua transformação teve início no Renascimento. O espírito humano abre-se a um novo modo de ver e agir, um violento contraste com o precedente, enquanto o primeiro, o centro de todo interesse era Deis, agora o centro é o homem. A filosofia é ao mesmo tempo a testemunha fiel e artífice principal da transição do teocentrismo para o antropotismo. Vemos aí (Descartes, Hume, Spinoza). Mas Kant que atinge o momento conclusivo, afirmando que o homem não é mais simplesmente o ponto de partida, mas também o ponto de chegada da reflexão filosófica. Vemos também dois princípios que são supremos na antropologia teológica: São o arquitetônico e hermenêutico. O arquitetônico é o eixo do ordenamento de todos os eventos da história da salvação. O hermenêutico é a verdade primária a cuja luz a teologia procura compreender e interpretar um dos aspectos da história da salvação.

CALVINISMO

Doutrina religiosa fundada por João Calvino. Ele nasceu em Noyon, em 1509 e morreu em Genebra em 1564. Caracteriza-se pela origem democrática da autoridade religiosa (os ministros não são padres). Os principais fundamentos da doutrina estão contidos na obra de Calvino intitulada "Instituição da Religião Cristã". Calvino e seus seguidores, sustentavam a soberania absoluta de Deus, a justificação pela fé, e a predestinação. O Calvinismo não admite as cerimônias religiosas e nega com rigor a tradição; pela crença na predestinação acha inútil as obras para a salvação. Segundo Calvino, a fé se dá pela deposição de absoluta confiança em Deus. Os seguidores de Calvino, na França, passaram a ser chamados "huguenotes". Propagou-se a doutrina pela Holanda, Suíça, Hungria, Escócia e Estados Unidos. Do Calvinismo, originou-se o puritanismo e as demais igrejas protestantes. Esta doutrina não foi aceita pelos sorbonistas, e Calvino foi perseguido e obrigado a deixar a Igreja Católica, fugindo para Basiléia.

CONSELHO MUNDIAL DE IGREJAS – CMI

Desde 1909 – Conferência Missionária Mundial em Edinburgo até 1937 – Conferência sobre "Vida e Trabalho" em Oxoford e sobre "Fé e Ordem" em Edimburgo – o movimento ecumênico era atuante sob muitos aspectos mas não tinha organização central. Por ocasião das conferências de 1937 tomaram-se as primeiras iniciativas para a fusão de "Vida e Trabalho" e "Fé e Ordem" num Conselho Mundial de Igrejas – CMI. De 1938 a 1948 este permaneceu – devido à Segunda Guerra Mundial – oficialmente em "processo de formação"; em Amsterdã, em 1958, ele foi formalmente estabelecido. O CMI é uma comunhão de igrejas que confessam o Senhor Jesus como Deus Salvador, segundo as Escrituras e por isso buscam cumprir em conjunto a sua vocação comum para glória do único Deus, Pai, Filho e Espírito Santo. É uma organização ecumênica internacional das igrejas cristãs da Reforma da qual a igreja católica faz parte como observadora. Prolonga historicamente os dois movimentos mundiais: "Vida e Trabalho", "Be Oxford" e "Fé e Ordem" de Edimburgo. O CMI não é uma igreja, nem pretende ser uma espécie de "super igreja", mas existe para servir as igrejas como instrumento, possibilitando-lhes entrar em contato umas com as outras. O CMI não considera nenhum conceito ou doutrina sobre a unidade da igreja como normativo para suas igrejas membros. Pretende ajudar todas elas na procura dessa meta. A 5ª Assembléia Geral foi em Nairobi em 1975. Ela propôs um consenso em torno da unidade nos seguinte termos: "Jesus Cristo fundou uma igreja. Hoje vivemos em

diversas igrejas separadas umas das outras. Contudo, nossa visão do futuro é que algum dia viveremos de novo, como irmãos e irmãs numa igreja indivisa. O CMI exerce seu mandato por intermédio da Assembléia Geral, do Comitê central do Comitê executivo, das Comissões, dos Comitês das Unidades de Programas e dos Centros Permanentes Administrativos de Genebra e Nova York. A Assembléia se reúne a cada sete anos.

CORRELAÇÃO (teologia)

Paul Tillich faz uma correlação entre teologia de Bultmann ortodoxia e a teologia de Karl Barth cristomonismo, esta teologia foi desenvolvida em 1951. Paul Tillich chegou a um consenso que sintetiza a sabedoria e a experiência humana com a religião bíblica, empregando todos os recursos da ciência, da história, da literatura, da arte, e da psicologia em profundidade, bem como a filosofia clássica e a moderna, em especial o existencialismo de Kierkegaard. Assim estabeleceu um tipo de doutrina teológica que era o fim apologético e estabeleceu a correlação de fé com a existência humana. Paul Tillich afirma que a doutrina só tem valor ou significado para o homem, se estiver relacionado com os problemas, as situações, e as crises de sua existência cultural, secular e cotidiana.

Paul Tillich escolheu atuar "na fronteira" entre a religião e a cultura ele escreve "a religião é a substância da cultura e a cultura é a forma da religião" Paul Tillich afirma que sempre que ele se encontra entre duas possibilidades existenciais, ele reflete sobre sua posição de sempre Ter um pé em cada um dos dois arraiais tradicionalmente antagônicos. Daí sua teologia de correlação inteiramente dialética. Paul Tillich procurou relacionar os problemas de sua filosofia, a partir da condição humana comum e demonstrou a relevância e o significado da doutrina teológica relacionada com o problema assim interpretado. Sua tese torna-se numa síntese em quatro níveis: (1) disciplina, (2) antológica, (3) histórica, e (4) na vida pessoal. DEÍSMO

Vem do latim deus, "deus". Os socianos introduziram o termo no século VI. Porém veio a ser aplicado a um movimento dos séculos XVII e XVIII, que enfatizava que o conhecimento sobre questões religiosas e espirituais vem através da razão, e não através da revelação, que sempre aparece como suspeita e como instrumento de fanáticos e de pessoas de estabilidade mental questionável. Vendo-se nisto a característica principal do deísmo, conhecimento através da razão e não sobrenatural. A isso podemos chamar de religião natural comum a todos, era uma garantia de uma convivência pacífica, que surge como um reflexo do iluminismo no campo religioso.

que gera uma síntese. e deve ser aplicada na biologia. . mas em sua interpretação. que trazem à luz contrários e opostos. na psicologia. Na sua forma genuína. salva o essencial das narrativas. Essa interpretação pressupõe que as categorias mitológicas utilizadas pelos autores se constitua em instrumento destinado a expressa a revelação. Esse vocábulo refere-se àquele tipo de atividade filosófica que traça distinções rígidas. proposto pelo teólogo alemão Rusolf Bultmann (1884-1976). A própria vida é dialética. para que a mensagem nelas contida adquira dimensões existenciais. não reside na eliminação de asserções e descrições. Consiste na discrepância entre cosmologia antiga e moderna bem como entre as compreensões existenciais divergentes dos homens da Bíblia e dos de todas as épocas posteriores. e na sociologia. que significa discurso. que se fundem num novo tipo de coisa que sintetiza ambos os opostos. antítese e síntese. e que visa a escoimar a mensagem cristã da roupagem dos mitos. tese. despindo-as de sua veste literária mítica. perdendo seu caráter paradoxal. Busca impedir que a mensagem evangélica se fundamente em assertivas mitológicas. que é a nova tese. A dialética determina todos os processos da vida. DIALÉTICA Dialética vem do Dialéktos grego. A dialética explica a mudança como resultado do conflito entre os opostos. para poder interpretá-las de modo crítico e não eliminá-las. Dialética é o jogo dos opostos que se fundem gerando assim uma tese. A dialética aparece como o nome dado ao estudo do inter-relacionamento das idéias platônicas.DEMITIZAÇÃO Método desenvolvido na teologia protestante e católica. debate. Dialética é o emprego da formulação. Para Platão a dialética tornou-se uma forma suprema de adquirir conhecimento. que tem em si uma antítese. A demitização.

as quais são: Uma função mais ampla da Igreja. Na filosofia grega. . É similar no grego no vocábulo AIÔN que indica uma vida inteira ou um tempo indefinido no passado ou no futuro. a realidade e insignificância daquilo que é temporal. portanto ele não tem causa. a existência da eternidade divina subentendia. ADH e OLAM. A era presente é limitada em sua duração. Foi sem dúvida alguma uma aplicação da ética cristã em resposta as exigências de uma nova situação histórica – a intensidade dos problemas sociais geradas pelo rápido crescimento industrial dos EUA. XIX e dava bastante ênfase aos aspectos sociais do cristianismo. Para Platão a esfera da eternidade é imaterial diferente de nosso mundo. E uma crítica crescente dos sistemas e ideologias da ordem vigente. A idéia de eternidade não deve ser entendida em contraste com o tempo. uma sucessão infinita de eras. dotado de um tipo de vida que se encontra exclusivamente no ser divino. Esta corrente do protestantismo moderno teve como base o livro "Em Seus Passos o que Faria Jesus?" Esta corrente teve como sua maior expressão a figura de Walter Rauschenbush. A idéia Bíblica de eternidade não é ausência de tempo mas a extensão ilimitada de tempo. associava a idéia de fluxo com a idéia de existência. tendo um começo e um fim. designam qualquer período com duração desconhecida. Tendo em vista este fato. Heráclito. e tempo não fixado. O Evangelho Social se caracterizou por uma dupla ênfase. a consciência cristã viu-se obrigada a converter-se em consciência social. A eternidade unida no próprio Deus. não sabemos o fim.ETERNIDADE As palavras hebraicas. EVANGELHO SOCIAL O Evangelho Social apareceu no final do séc. a era futura tem um começo.

Hudson Taylor. Na atualidade. John Wycliffe. Quem se identifica com este movimento é um "evangélico conservador" (ou "evangelical") que crê no evangelho de Jesus Cristo e o proclama. da regeneração. rejeitando as tradições.. como padrões de fé e prática. No século XIX. L. Assim. os movimentos reformistas medievais. Com a "autoctonização" das organizações assistenciais e evangelísticas e o envio de missionários por grupos dentro dos próprios países do Terceiro Mundo. essencialmente protestantes. a palavra tem sido adotada por certos grupos cristãos. Desde a Reforma Protestante. George Whitefield. Embora o evangelicalismo seja geralmente considerado um fenômeno contemporâneo. os batistas. que supõem que retornaram ao evangelho (ou Bíblia). John Huss e Savonarola se distinguiram dentro do evangelicalismo de tempos remotos. evangelium. os evangélicos são aqueles grupos. que frisam a necessidade do evangelismo. Dos mais recentes podemos citar: John e Charles Wesley. o evangelicalismo é muito mais do que um assentimento ortodoxo a determinados dogmas ou uma volta racionária aos costumes antigos. D. George Williams. o evangelicalismo já obteve sua maioridade e é verdadeiramente um fenômeno global. os concílios. Estas palavras aparecem quase cem vezes no Novo Testamento e passaram para os idiomas modernos através do equivalente em latim.EVANGELICALISMO Movimento no cristianismo moderno que transcende as fronteiras denominacionais e confessionais. em contraste com o sistema tradicional que se desenvolveu na Igreja Católica Romana. que significa anunciar boas-novas ou proclamar como boas-novas. Na Inglaterra. Usualmente. enfatizando a conformidade com as doutrinas básicas da fé e um alcance missionário de compaixão e urgência. as cruzadas evangelísticas de Billy Graham. É a afirmação das crenças centrais do cristianismo histórico. o espírito evangélico sempre se manifestou no decurso da história eclesiástica. Moody. A palavra é derivada do substantivo grego euangelion. surgiram Charles Spurgeon. sendo euangelizomai o verbo correspondente. Na Alemanha. . Pedro Waldo. Charles Finey. etc. traduzido como boasnovas. A igreja apostólica. da expiação mediante o sangue de Cristo. pregadores como Bernardo de Claraval. da crença nos elementos fundamentais do ensino bíblico. na Suíça e em alguns outros países a palavra passou a indicar o corpo geral das igrejas protestantes. é empregada quase como sinônimo da Igreja Baixa (expressão que aponta para os membros de postura mais protestante e evangélica). congregacionais e metodistas. esses grupos apegam-se a esses documentos sagrados com a sua base de autoridade. os pais da igreja. notícias de alegria. e outros.

o homem como referência o valor principal). XX as posições existencialistas desenvolveram-se na sua forma ateísta por Heidegger (1889-1969) e Gabriel Marcel (1889-1963). O que os filósofos existencialistas tem em comum. No séc. Os filósofos existencialistas refletem sobre a natureza da realidade. na medida em que esta se pretende ciência – e nega a existência de valores objetivos. Os mesmos menosprezavam o conhecimento científico em particular a psicologia. sendo estas relações múltiplas. . enfatizando como preferência a realidade e a importância da liberdade humana.EXISTENCIALISMO Os existencialistas ao contrário do modo de pensar do homem da Idade Média que dizia que o ser humano possuía uma essência que "a priore" o determinava. FENOMENOLOGIA – Fenômeno + logia – aparência + conhecimento – estudo do fenômeno. FENOMENOLOGIA FENOMENOLOGIA – Do grego yaíva que significa: a brilhar. pois para os mesmos existir implica em estar em relação como outros seres humanos. Kierkegaard propôs-se a conduzir os indivíduos à plenitude da sua existência. denominadas possíveis de acontecer ou não. a qual seria realizada mediante a decisão livre do indivíduo e a fé em Deus. ser brilhante. é o conceito de existência. diziam que o homem é um ser histórico e que sua essência vai sendo construída pois a "existência precede a essência". dar luz. A FENOMENOLOGIA tem como pai o filósofo alemão Esmund Husserl (1859-1938) da escola de Cristian Wolff. com as coisas e com a natureza. Para eles dar-se um confronto dramático e trágico entre o homem e o mundo. mas subordinavam as questões tradicionais da metafísica e da filosofia do conhecimento a uma perspectiva antropocêntrica (isto é. concretas. Karl Jaspers considerava a filosofia como metafísica dentro da qual se processa todo o saber e toda a descoberta possível do ser. A doutrina existencialista tem como precursor Kierkegaard (1813-1855) o qual atacou a interpretação dogmática do cristianismo e o sistema metafísico Hegeliano.

GNOSTICISMO Esta palavra vem do grego "gignoskein". mas também as formas de categorias. explicando-a termos teosóficos ou de filosofia pagã. Todavia. Hegel particularizou-lhe ao desempenho da mente. Husserl insistiu em purificar o termo desatrelando-o da psicologia. Ele aplicava a redução eidética. o que chamava de purificação do fenômeno – A busca da essência. Valentim e Bardesane. sistema eclético filósofo-religioso. Gnosticismo é a primeira tentativa de uma filosofia cristã. tentativa conduzida sem rigor sistemático. Kant tomou o vocábulo para explicar as características dos fenômenos de forma geral. o gnosticismo consistia essencialmente. surgido nos primeiros séculos da era cristã buscando conciliar todas as religiões e decifrarlhes o sentido através da gnose. neoplatônicos e orientais. Sartre concorda com Heidegger e entende que o pensamento natural é um fenômeno que busca a transfenomenologia que leva a considerações antológicas. na tentativa de fundir as revelações dadas por meio de Cristo e seus apóstolos com os padrões de pensamentos já existentes. com a mistura de elementos cristãos.Hussel pretendia fazer uma análise descritiva particularizada do fenômeno. O gnosticismo cristão era basicamente uma forma de heresia sobre a pessoa de Cristo. É uma investigação a priore dos significados do pensamento". . Para Heidegger a FENEMOLOGIA mostra o que está escondido e fundamenta o que se mostra possibilitando o estudo do "SER". as essências e os objetos ideais. saber. místicos. Os principais gnósticos: Basílides. entendeu FENOMENOLOGIA como sendo o estudo dos erros da aparência ilusória. pressupondo-lhe como o pensamento absoluto. A principal corrente das idéias gnósticas foi o espiritualismo neoplatônico de Filo de Alexandria. O filósofo Lambert. o cristianismo tornar-se-ia apenas mais outro culto misterioso greco-romano. Na compreensão de William Hamilito era a identificação do objeto pelos dados empíricos. Carpócrate. No tocante ao cristianismo. É de Husserl o conceito contemporâneo: "FENOMENOLOGIA é a generalização da noção de objeto que compreende não somente as coisas materiais. nessa tentativa. Este termo foi trabalhado por outros pensadores que lhe deram diferentes compreensões. Se porventura o gnosticismo tivesse sucesso.

racionalidade e necessidade) e que todo conhecimento é conhecimento histórico. desenvolvimento. Uma variante da doutrina precedente. Ela supõe a coincidência de finito e infinito. porque via a síntese histórica cumprida na monarquia constitucional do governo alemão. na história. A doutrina segundo a qual a realidade é histórica (isto é. que o comunismo poria fim ao processo histórico. O termo foi cunhado por Mannheim e Troeltsch. em sua pátria: e Marx. e Dilthey. da escola neokantiana. Conte e Simmel. afirmava que "tudo é história". Hegel. uma palavra usada para se aplicar a uma ênfase exagerada sobre a história. Hegel e Marx podem ser criticados desse modo. argumentava que todos os historiadores escrevem como cativos de sua era e circunstâncias particulares. .HISTORICISMO Doutrina Histórica-Filosófica que define o pensamento como resultado cultural do processo histórico e reduz a realidade e sua concepção à história adotada por autores como Croce. mediante uma alusão à sua origem. se estivermos olhando para os sentidos envolvidos no processo histórico. totalmente. Isto significa que é muito difícil chegar-se a uma história pura. de mundo e de Deus. Concepção segundo a qual o pensamento humano se caracteriza por seu processo histórico erigido em sistema a ponto de fazer do tempo o gerador e o decorador das verdades que a escola vai paulatinamente ensinando. por haver pensado. Esta consiste em explicar de outro modo (mediante falsificação) a natureza de algum fenômeno. Certamente. portanto. a história como a própria realização de Deus. Nietzesche. como sinônimo de falácia genética. que vigorava em seus dias. Essa palavra vem do termo alemão "historismus". por ser uma síntese final. O termo historicismo também é usado em um sentido negativo. e considera. que vê na história a revelação de Deus no sentido de considerar cada momento da própria história em relação direta com Deus e permeado dos valores transcendentes. incluídos por ele.

O homem aparece como a base de todos os valores e de toda excelência bem como o objeto de todas as atividades. naturalmente. o homem no centro de todas as coisas. tendo adicionado isso à sua clássica maneira de pensar sobre o homem. o modo de pensar que se desenvolvera no escolasticismo. dos deuses. consideremos os pontos abaixo: O uso popular dessa palavra refere-se a algum padrão de perfeição ou algo que aponta para nobreza. Foi assim cunhada a significação clássica do termo. Ele fazia da humanidade o único objeto da nossa adoração. XVI o que predominava era o teocentrismo. Augusto Conte foi o grande campeão dessa forma de humanismo. o homem é a primazia (visão antropocêntrica). etc. Durante a Renascença. contemplação". e de eidos. Ideal – Vem do termo grego "eidos". criou-se um filosofia relativista. O ideal é a forma mais desejável de realização de qualquer coisa. O humanismo cristão da Idade Média e da Renascença tem mostrado ser o único fundamento da liberdade pessoal e acadêmica da era moderna. como cristão. de tal modo que segundo o humanismo. dava valor à missão de Cristo. com sua autoridade religiosa centralizada. Protágoras afirmava que o homem é a medida de todas as coisas. IDEALISMO O termo vem do grego ideein. tudo era em nome de Deus ou seja (Deus era o centro de tudo). Aquilo que . e assim foi rejeitado. todas as considerações éticas. De acordo com um uso popular. metafísicas e práticas dependem do homem. "visão". contemplação. homens como Petrarca e Erasmo de Roterdã retornaram às raízes gregas quanto a muitos valores. que também caracterizava a Igreja medieval e a sociedade. ou seja para algo que deve ser emulado. e não de forças cósmicas. como os esforços necessários para atingir tal alvo. enquanto na renascença criaram o humanismo. Assim. ou aquele tipo de cultura e ênfase promovidos por certos filósofos gregos. o termo indica um conjunto de padrões daquilo que é mais desejável. "visão. Erasmo. pelo menos em parte. sem valores fixos ou absolutos.HUMANISMO Na idade média no séc. para alguma elevada qualidade. "ver".

dentro desse sistema. espiritual em sua essência. através da qual dá forma a todas as coisas. e pelo incentivo à liberdade de pensamento. mas através da Enciclopédia seus ataques ao governo. O iluminismo católico mostra linhas nitidamente sociais e humanitárias. Irradiou-se da Inglaterra e dos Países Baixos. Tugot. por intermédio do poder do LOGOS. são apenas nomes que damos às operações do Espírito Absoluto. Quando um ideal é pertencente às idéias. Nos escritos de Platão. e é mera cópia do mundo superior. que atua através de seu próprio sistema de tese. onde o ideal é mais real. Caracterizou-se pela confiança no progresso e na razão. e não material. As lojas maçônicas ajudaram a disseminá-lo por toda a Europa. dando origem a uma nova síntese. dando a entender que a idéia é que é real". onde imperam as realidades espirituais. imitativa do real. sem qualquer realidade física. em seu caráter. e nenhuma síntese dEle é final. Rousseau. Esse é um tipo de idealismo metafísico. Muitos foram presos em função de suas convicções. formas ou universais. possuídas de natureza espiritual. à Igreja e ao judiciário forneceram a base intelectual para a Revolução Francesa. 8. que admite certo tipo de dualismo. com Voltaire. Idealismo Hegeliano – Hegel ensinava um idealismo absoluto. das formas universais. pelo desafio à tradição e à autoridade. O mundo ideal é o mundo arquétipo e não material das idéias. A força Cósmica todo-abrangente (Deus) é idéia. se admitirmos qualquer realidade. ILUMINISMO Movimento filosófico que teve seu apogeu no século XVIII e determinou a face espiritual do século XIX. as idéias. Condorcet e outros. são verdadeiras realidades. É. O idealismo subjetivo. então devemos falar em ideal conceptual. Uma nova tese surgirá inevitavelmente de sua antítese. e a matéria é menos real. 9-23 refletem o dualismo Platônico. idéia é arquétipo. O Espírito Absoluto nunca descansa. bem como seu estado de ser. então teremos um dualismo.5. Apresenta aspectos diversos conforme os países. Essa forma de idealismo metafísico chama-se realismo metafísico.existe somente na imaginação. Idealismo Platônico – Platão preparou o caminho para um tipo especial de idealismo que tem desfrutado uma longa e influente história. e o mundo inferior é material. O movimento contra as crenças e instituições estabelecidas ganhou impulso durante o século XVIII. O cristianismo reteve essa forma de dualismo. Os trechos de Heb. antítese e síntese. com uma cópia do arquétipo que vai sendo produzida nos objetos materiais. Essas formas. . seus atos e suas realizações. é a tese. Para ele. O idealismo objetivo seria a antítese. A matéria seria menos real e. O mundo celeste é o mundo espiritual.

dentro da Igreja Católica Romana. A religião revelada não é uma verdade. Causou grande comoção. O termo "jansenista" adquiriu significados secundários. tanto intelectual quanto sensível. bispo de Ipres (1585-1638). seguindo idéias de Cornelius Jansen. vivia uma forma extrema e radical da idéias de Agostinho. e é direito de todos os indivíduos seguirem aquilo que a sua fantasia quiser. mas um sentimento e um gosto. pois achava que a reforma dos dogmas católicos e da ética romana deveria usar moldes agostinianos como guia. mas num credo vale o outro. · LIBERALISMO RELIGIOSO – foi um desenvolvimento da teologia alemã posterior ao iluminismo. como de escrúpulos éticos extremos e grande rigor quanto às questões dogmáticas. publicado dois anos após a sua morte. depois da morte dele. disciplinares e de costume. É contrário a qualquer tipo de intolerância. O jansenismo foi um movimento de tentativa de reforma. . Foi adotada a principio na abadia de Port-Royal e condenada pelo para Inocêncio X em 1653. Ensina que todas devem ser toleradas e que todas são matéria de opinião. o jansenismo atacava o laxismo e defendia uma disciplina rigorosa.JANSENISMO (Do francês jansénisme). não é um fato objetivo nem milagroso. eqüivale no campo do conhecimento à valorização da experiência individual. Jansen buscava respostas para certas questões doutrinárias levantadas pelo luteranismo e pelo calvinismo. LIBERALISMO POLÍTICO – Defende a valorização da livre iniciativa e da liberdade individual no campo da política e da economia. Preconiza o direito ao indivíduo de adotar idéias e posições avançadas. No campo moral. É a doutrina segundo a qual não existe verdade positiva em religião. Admite maior amplitude na esfera das opiniões pessoais. Ele não reconhece como verdadeira nenhuma religião. chamado Augustinus. Um resultado positivo do movimento foi que o mesmo inspirou um maior desenvolvimento da filosofia e da teologia morais. LIBERALISMO Conjunto de idéias e doutrinas que têm por objetivo assegurar a liberdade individual inclusive no campo moral e religioso. principalmente em face de sua forte ênfase sobre a doutrina da predestinação e sobre o ensino que a graça divina se limita aos eleitos. O seu tratado teológico.

mythos. ou realidade última. como numa igreja. uma única fonte da vida. ou que reconhecem somente a existência da mente. etc. MITO Vem do grego. que passaram a ser conhecidas com o nome de meta ta phusia (depois da física). no ano 70 a. não implica. O pensamento religioso dos povos primitivos se expressa quase que exclusivamente através de mitos. Passou a designar as teorias racionais que se situam além da verificação experimental dos fenômenos físicos aparentes. pressupõe a existência desta (s). Essa palavra procede de Andronico de Rhodes. O homem como indivíduo. suas crenças religiosas. na liberdade de qualquer tipo de obrigação. METAFÍSICA Ramo da filosofia que trata dos princípios e fundamentos das coisas primárias. Assim. seus heróis. existe um forte elemento mítico. Refere-se a qualquer doutrina que diz que algum princípio único governa todas as coisas. ou apenas uma instância da mente. sua cultura. em sua discussão sobre o problema corpo-mente. mas somente na liberdade de certos tipos de restrição.LIBERALISMO ÉTICO – Não admite nenhuma restrição imposta por algum sistema. por meio de cujo princípio tudo existe e opera. Com o passar do tempo. visto que Deus é a fonte originária de toda verdade. mas não por outras forças. sobre quaisquer bases e de acordo com qualquer sistema ou teoria. "narrar uma ficção". que propões que toda verdade é uma só. Em quase todas as religiões primitivas e desaparecidas. "único". o termo meta (depois) tomou o sentido de "mais além" dos domínios da física. um homem pode sentir-se restringido por sua própria consciência e pela fé bíblica. Pode-se dizer que é uma estória. agindo ativa e passivamente no tempo e no espaço. Um mito é uma ficção popular. Ainda no sentido da unidade da verdade. especulações abstratas. A liberdade ética pois. numa fé religiosa. necessariamente. Escreviam-se então. Também pode ser uma doutrina panteísta em que Deus e a natureza se dissolvem em uma só realidade impessoal. com seus deuses. contada como se fosse histórica e real. MONISMO Esse vocábulo vem do grego. que colecionou pela primeira vez. Em teologia. Ele usava a palavra "monismo" a fim de designar a idéia daqueles filósofos que reconhecem somente a existência do corpo físico. tem a liberdade de tomar suas próprias decisões éticas. que significa "contar". os escritos de Aristóteles.C. Esse termo foi introduzido na filosofia por Christian Wolff. ao final dos tratados de física. o mito consistindo em história da (s) divindade (s). e que fazem da mente apenas uma função do cérebro. etc. monos. Pode-se aplicar o monismo para o cristianismo para o cristianismo no sentido de que postula uma única causa da existência. Não obstante ao apresentado o monismo mostra outras formas: . relacionada a tradições cosmológicas e sobrenaturais de um povo. pensando que o corpo físico é uma ilusão. o Estado. apresentada como histórica. ou ainda existentes.

como por exemplo: MONOTEÍSMO ÉTICO – que é a afirmação de um só Deus com base ética. Ela indica aquele ensino que só existe um Deus. e seus representantes divinos. Seu fim seria o fim de todos aqueles sobre os quais ele impera. os fenômenos materiais e mentais. incluem sobretudo as normas de conduta apodicamente formuladas. O Javinismo era uma religião de vida e conduta. o mesmo dizia que a realidade básica do mundo nem é a matéria física e nem é a idéia. de diferentes modos. Foi isto que os estóicos. Desde o princípio Javé foi considerado um Deus de propósito ético. em favor do fundamente e abismos divinos. que continua interessado pela sua criação. "Deus.MONISMO NEUTRO – defendido por Bertrand Russel. 1-2. MONOTEÍSMO MÍSTICO – afirmação de um só Deus por razões místicas. MONOTEÍSMO Essa palavra vem do grego mónos. MONISMO EPISTEMOLÓGICO – assevera que o objeto conhecido e o processo de conhecer são uma só coisa dentro da relação-conhecimento. em que a vontade de Deus assumiu forma concreta. intervindo. segundo as leis que expressam a vontade de Deus. desta forma ao narra a criação (Gn. o que empresta imenso poder à percepção dos sentidos e suas capacidades. . Está na linha divisória entre politeísmo e monoteísmo. de Noé. são superadas naquele que é último e que transcende a todos eles. de Moisés. Deus como único Criador. Essas leis. ainda indefinida. O Deus único criou tudo. Há muita idéias associadas ao monoteísmo. por meio da qual se expressam. 4). fizeram quando identificaram Zeus como ultima cidade ontológica. mas antes. O Deus único é Pai. Transcende todos os reino do ser e do sentido. MONOTEÍSMO MONÁRQUICO – afirmação de um só Deus com soberania absoluta. Ele representa o poder e o valor da hierarquia. Os conflitos entre os deuses estão reduzidos por seu poder. dos profetas que anunciam a sua encarnação na Pessoa de Jesus Cristo. dos Patriarcas. O monoteísmo tem outras formas. os autores israelitas se referem a um só Deus. O deus-monarca impera sobre os deuses inferiores e sobre os seres da natureza divina. Assim desde os primeiros capítulos da Bíblia. dos quais ele provê e no qual desaparecem. Ele determina a ordem de valores. garantindo para o homem um teísmo baseado no amor. "único" e theós. alguma coisa neutra. Todos os conflitos entre os deuses. 1. entre o divino e o demoníaco. Deus não pode deixar de existir e a sua vida não depende de qualquer coisa externa ou fator sustentador. que tem interesse pelo homem. com: Deus é dotado de vida necessária e independente. Essa é a proposição mais consoladora da religião. o texto sagrado menciona EL ou ELHOIM (Deus). entre os deuses e as coisas. que exige completa obediência. É o mesmo e único Deus que aparece nas histórias de Caim e Abel. que tudo tira do nada por sua palavra toda-poderosa.

Com a ascenção do movimento nazista na Alemanha. É uma tentativa de falar do Deus vivo: o Deus em quem estão unidos o último e o concreto. com os irmãos Niebuhr. denunciou vigorosamente todas as tentativas de amordaçar Palavra de Deus com a razão.MONOTEÍSMO TRINITÁRIO – afirmação de um só Deus em três pessoas distintas. e é técnica de colocar os opostos. H. alguns a se esconderem. além de "Neo-ortodoxia". que retomando Kiekegaard. O monoteísmo trinitário é o monoteísmo concreto: a afirmação do Deus vivo. os paradoxos da fé devem permanecer exatamente assim. não tem um conjunto articulado de fundamentos em comum. A repressão resultante. Dodd e Edwyn Hoskyns se envolveram. A primeira reação eficaz contra o liberalismo teológico foi promovida por Karl Barth. e o método dialético que procura descobrir a verdade no opostos dos paradoxos leva a uma fé verdadeira e dinâmica. ou ainda "Teologia dialética". porém dentro em breve passou a se expressar de vários modos. onde C. forçou alguns como Paul Tillich. e em outros lugares igrejas e países começaram a ler a respeito do movimento e a observar aquilo que estava acontecendo. a imanência de Deus e a melhoria progressiva da humanidade. Na melhor das hipóteses. . Gustaf Aulém e Ander Nygren tornaram-se seguidores. Não é uma questão com o número três. muitos líderes do movimento neoortodoxo encontraram-se com outros cristãos alemães em Barmem em 1934 e publicaram um declaração contra os males do nazismo. a se exilarem. feito por Hitler. Começou com a crise associada à desilusão que seguiu a Primeira Guerra Mundial. Este movimento também foi chamado de "Teologia da crise". tais como Dietrich Bonhoeffer. na Suíça. na procura da verdade. outros a voltarem à sua pátria tais como Barth. com uma rejeição do escolasticismo protestante (que foi quando Melanchthom abandonou a intransigência dos outros Reformadores e colocou seu profundo conhecimento do pensamento aristotélico a serviço da Escritura). NEO-ORTODOXIA O termo neo-ortodoxia significa uma "nova ortodoxia". Para os neo-ortodoxos. e com uma negação do movimento liberal protestante que tinha ressaltado a acomodação do cristianismo à ciência e à cultura ocidentais. nos Estados Unidos. Foi usado por Abelardo em Sic et Non. não é um movimento unificado. Em pouco tempo esse movimento alcançou a Inglaterra. pode ser descrito como uma abordagem ou atitude que começou num ambiente comum. A neo-ortodoxia não é um sistema único. um contra o outro. pelo uso de perguntas e respostas para derivar o discernimento e a verdade. A nova abordagem metodológica do movimento envolvia o uso do pensamento dialético que remonta ao mundo grego e a Sócrates.

A primeira reação eficaz contra o liberalismo teológico foi promovida por Karl Barth. O conceito teológico fundamental do movimento foi aquele do Deus soberano e completamente livre. que apontam para a Palavra que Se fez carne e o Sermão. alguns a se esconderem. e como Ele determina revelar-Se a ela.O conceito teológico fundamental do movimento foi aquele do Deus soberano e completamente livre. que é totalmente outro em relação a Sua criação. que é totalmente outro em relação a Sua criação. A relevância desse movimento foi tirar a Bíblia das mão dos críticos liberais que procuraram só pela crítica-histórica explicá-las. ortodoxo encontraram-se com outros cristãos alemães em Barmem em 1934 e publicaram um declaração contra os males do nazismo. tais como Dietrich Bonhoeffer. Essa revelação é a Palavra de Deus num sentido tríplice. Para os neo-ortodoxos. além de "Neo-ortodoxia". os paradoxos da fé devem permanecer exatamente assim. como também enfatizou a unidade das Escrituras e ajudou a precipitar um novo interesse pela hermenêutica. alguns a se esconderem. ao qual resposta da humanidade deve ser escutar. redimida. que é o veículo para proclamação do Verbo que se fez carne. Também que a auto-revelação de Deus. as Escrituras. A relevância desse movimento foi tirar a Bíblia das mão dos críticos liberais que procuraram só pela crítica-histórica explicá-las. e é técnica de colocar os opostos. denunciou vigorosamente todas as tentativas de amordaçar Palavra de Deus com a razão. um contra o outro. e o método dialético que procura descobrir a verdade no opostos dos paradoxos leva a uma fé verdadeira e dinâmica. redimida. tais como Dietrich Bonhoeffer. A repressão resultante. forçou alguns como Paul Tillich. um ato dinâmico da graça. . Essa revelação é a Palavra de Deus num sentido tríplice. como a Palavra que Se fez carne. Também que a auto-revelação de Deus. Foi usado por Abelardo em Sic et Non. Este movimento também foi chamado de "Teologia da crise". ou ainda "Teologia dialética". ao qual resposta da humanidade deve ser escutar. que apontam para a Palavra que Se fez carne e o Sermão. A nova abordagem metodológica do movimento envolvia o uso do pensamento dialético que remonta ao mundo grego e a Sócrates. quanto à forma como ela é controlada. pelo uso de perguntas e respostas para derivar o discernimento e a verdade. que retomando Kiekegaard. as Escrituras. Ortodoxo encontraram-se com outros cristãos alemães em Barmem em 1934 e publicaram um declaração contra os males do nazismo. como também enfatizou a unidade das Escrituras e ajudou a precipitar um novo interesse pela hermenêutica. feito por Hitler. Jesus. como a Palavra que Se fez carne. que é o veículo para proclamação do Verbo que se fez carne. um ato dinâmico da graça. a se exilarem. na procura da verdade. feito por Hitler. A repressão resultante. a se exilarem. e como Ele determina revelar-Se a ela. quanto à forma como ela é controlada. forçou alguns como Paul Tillich. outros a voltarem à sua pátria tais como Barth. outros a voltarem à sua pátria tais como Barth. Jesus.

Jesus. Este movimento consiste na defesa . ao qual resposta da humanidade deve ser escutar. redimida. A nova abordagem metodológica do movimento envolvia o uso do pensamento dialético que remonta ao mundo grego e a Sócrates. Essa revelação é a Palavra de Deus num sentido tríplice. inclusive na escola cristã de Alexandria. ou ainda "Teologia dialética". e o método dialético que procura descobrir a verdade no opostos dos paradoxos leva a uma fé verdadeira e dinâmica.A primeira reação eficaz contra o liberalismo teológico foi promovida por Karl Barth. que apontam para a Palavra que Se fez carne e o Sermão. o do intelecto e o do Uno. A relevância desse movimento foi tirar a Bíblia das mão dos críticos liberais que procuraram só pela crítica-histórica explicá-las. um contra o outro. NEOPLATONISMO Modalidade do platonismo criado por Plotino (204-270 a. O Uno é Deus. pelo uso de perguntas e respostas para derivar o discernimento e a verdade. que foi iniciada pela incíclica de Leão XIII.). partindo da idéia sobre a capacidade da alma de elevar-se a contemplação dos arquéticos perfeitos do mundo. Três níveis da realidade são afirmados: o da alma. que retomando Kiekegaard. Desenvolveu a mística do platonismo. NEOTOMISMO Um reavivamento do pensamento de Tomás de Aquino no século XX. denunciou vigorosamente todas as tentativas de amordaçar Palavra de Deus com a razão. um ato dinâmico da graça. O neoplatonismo teve influência no Oriente Próximo até o século VI. e como Ele determina revelar-Se a ela. O conceito teológico fundamental do movimento foi aquele do Deus soberano e completamente livre. as Escrituras. A meta da vida filosófica consiste em se unir com o Uno. que é o veículo para proclamação do Verbo que se fez carne. como a Palavra que Se fez carne. e é técnica de colocar os opostos. na procura da verdade. Foi usado por Abelardo em Sic et Non.C. A alma corresponde à mente do indivíduo com pensamentos. Entendesse que este movimento de retorno a doutrina de Tomás de Aquino e no anseio da cultura católica. além de "Neo-ortodoxia". O intelecto é o repositório dos arquéticos. Também que a auto-revelação de Deus. como também enfatizou a unidade das Escrituras e ajudou a precipitar um novo interesse pela hermenêutica. quanto à forma como ela é controlada. Este movimento também foi chamado de "Teologia da crise". que é totalmente outro em relação a Sua criação. Para os neo-ortodoxos. memórias e percepções. os paradoxos da fé devem permanecer exatamente assim.

ensinando que a renúncia e a simpatia têm algum valor. designa a corrente segundo a qual não há hierarquia de valores nem qualquer verdade de ordem moral. dizia que o NIHILISMO está fora de um comportamento admissível. Foi cunhado por Turgeniev. o termo tinha um significado político. foi aceito por alguns teólogos posteriores. mesmo que nada seja apresentado para tomar o lugar das coisas e instituições destruídas. que substituísse o que eles pretendiam eliminar. O NIHILISMO ÉTICO afirma que não existem valores genuínos. por si mesma. a partir dos últimos decênios do século passado.polêmica das teses filosóficas tomistas contra as diversas direções da filosofia contemporânea e indiretamente. então pode indicar que nossos conceitos de Deus são obsoletos. digno do nome. desafortunadamente. mas sem qualquer plano construtivo. servindo a pessoas e a classes. contrariamente. Esse termo pode tornar-se absolutamente ateísta: Deus não existe. à descrença radical. O termo deriva do advérbio latino nihil que significa nada. Schopenhauer. em uma tentativa de destruição. Equivale. mas Canuns. Muitos oficiais russos foram mortos. um ato bom e positivo. a moralidade e os valores seriam artificiais. ou como William Hamilton. Em ética. em termos religiosos. como Thomas Altizer. também empregaram esse tema em suas discussões. Pais e Filhos (1862). O PESSIMISMO é uma forma de NIHILISMO ÉTICO. Certo movimento russo do último quartel do século XIX foi acusado de empregar esse termo. Esse tema. mas nada tendo a ver com a verdade. Ou. . O NIHILISMO TEOLÓGICO pode ser visto nos escritos de Nietzsche. que declarou que "Deus está morto". Sartre e aqueles que promoviam o que veio a ser chamado de Teologia Radical. imperou o caos. Bakunin era defensor dessa posição extremada. Esse vocábulo tem sido largamente usado em vários campos e com vários sentidos. Um dos mais importantes efeitos da florescência neotomista é a importância renovada que asseveram. na relaboração e na modernização de tais teses. em sua novela. Ali. mas nada se fez de construtivo. contudo. NIHILISMO Doutrina filosófica que nega a existência do absoluto. os estudos de filosofia medieval isto é da escolástica clássica. preservava alguns valores. O NIHILISMO POLÍTICO chega ao extremo de afirmar que a destruição da ordem social herdada é.

"ontos" "SER" e logia. Os teólogos protestantes do século XVII. bem como os dogmas e as doutrinas. A aceitação rigorosa da "regra de fé" (regula fidei) era exigida como uma condição prévia da comunhão. A palavra expressa a idéia de que certas declarações sintetizam como exatidão o conteúdo do Cristianismo às verdades reveladas e. embora o verbo orthodoxein esteja em Aristóteles. quando foi cunhado por Clauberg. É a experiência do Outro. Nenhum escritor secular ou cristão usa-o antes do século II. por causa da inclusão da cláusula "filioque" no seu credo. terrível. e dessa maneira. aterrorizadora e sagrada da deidade. E a experiência que gera todas as respostas morais e éticas da religião. O termo não é bíblico. santa. Esse termo foi usado pela primeira vez no século XVIII. ONTOLOGIA A palavra ontologia deriva-se de dois termos gregos. e surgiu uma multiplicidade de credos que explicavam essa "regra". que nos deixa admirados. A Igreja Oriental se autodenomina "ortodoxa" e condena a Igreja Oriental como heterodoxa. portanto. Pelo fim daquele século. por causa de conflitos. Essa palavra foi chamada por Rudolph Otto com base no termo latino numem. conforme é possível ao homem conhecê-lo. são por sua própria natureza normativas para a igreja universal. o que por sua vez. é uma divisão de metafísica. especialmente os luteranos conservadores. . O termo numinoso tem por propósito transmitir a idéia da Presença do Espírito Divino. chegamos a conhecer a Deus. do incompreensível – de Deus. o que significa crença correta. e doxa "opinião"). em 1647. Uma divisão da filosofia e da teologia emprega esse vocábulo para indicar o estudo geral e o conhecimento do ser. do Santo. Essa experiência do numinoso é aquilo que está por trás de todas as grandes religiões do mundo. ressaltavam a importância da ortodoxia quanto a soteriologia dos credos da reforma. A idéia da ortodoxia veio a ser importante na igreja a partir do século II. primeiramente como o gnosticismo e depois com outros erros a respeito da trindade e da pessoa de Cristo. em contraste com a heresia ou a heterodoxia.NUMINOSO Designação dada ao que é influenciado ou está sob dependência da divindade. tinha-se tornado o termo padrão para indicar o estudo do ser. "conhecimento". ORTODOXIA O equivalente em português da palavra grega "orthodoxia" (de orthos "certo". referindo-se à finalidade misteriosa.

e não da própria história. Para Pannenberg. oferecendo uma exagerada simplificação. veio a ser uma influência no mundo de fala inglesa. . eles oferecem as "Escrituras somente". os pareceres dos chamados pais da Igreja. Deixar de captar a revelação dentro da história é falha do indivíduo e da sua investigação. A doutrina teológica de Pannenberg considera que a realidade histórica tem prioridade sobre a fé e o raciocínio humanos. A história está tão clara em suas funções revelatórias que sua interpretação pode ser feita sem a ajuda da revelação sobrenatural. PANNENBERG Teólogo evangélico alemão. os credos. as declarações excatedráticas dos papas. A verdade revelatória está necessariamente inerente na totalidade da história e bem clara para todos quantos observam. Wolfhart Pannenberg. cortam o nó górdio.Quanto ao catolicismo romano. toda história é a revelação de Deus. Rejeitando certas idéias católicas romanas. que é professor de teologia sistemática na Universidade de Munique. por sua vez. 1959. Wolfhart Pannenberg. o mesmo oferece uma base complexa para a ortodoxia: as Escrituras. Wuppertal (1958) e Mainz (desde 1961). Obras principais: Heilsgeschethen Und Geschechte (A redenção como acontecimento e história). Os grupos protestantes. pode ser chamado o teólogo da história. apresenta sua teologia de dentro da categoria da história. nascido em Stettin. (Revelação como história) 1962. conforme elas foram definidas pela Igreja. as decisões dos concílios. professor de teologia sistemática em Heidelberg (1955). Quando foi publicado seu livro Jesus – God And Man em 1968. (Que é o homem? A antropologia atual à luz da teologia). 1964. Porque para ele a história é o princípio de averiguar o futuro com a revelação da Palavra.

o panteísmo é deficiente por causa de duas considerações: Nega a transcendência de Deus e defende Sua imanência radical. A forma objetivada. desde então o termo tem sido continuamente usado. E. sem começo. o finito e o infinito tornam-se uma e a mesma coisa. e que pensa que a unidade é divina. O universo passa a ser auto-existente. Imanentista – Deus faz parte do mundo e é imanente nele. em 1705. Tendência de identificar Deus com o mundo material. foi cunhada pela primeira vez por John Toland. Acósmico – Deus é absoluto e constitui a totalidade da realidade. e o mundo é o seu corpo. Deus é imutável e não é afetado pelo mundo. De acordo com o panteísmo. Do ponto de vista bíblico. "panteísta". Deus é retratado supremamente como uma pessoa. que identifica a mente e a matéria. removido do mundo transcedente sobre ele. "deus". Monista absolutista – Deus é tanto absoluto quanto idêntico com o mundo. embora diferentes expressões de uma mesma coisa. De acordo com o panteísmo. E assim. embora sujeito a modificações. todos os seres e toda a existência de Deus. Deus é o cabeça da totalidade. Da identidade dos Opostos – qualquer dissertação a respeito de Deus deve necessariamente apelar aos opostos. O panteísmo é uma espécie de monismo. "tudo". são concebidos como um todo. . Por sua vez. Monista Relativista – O mundo é real e mutável. pan.PANTEÍSMO Essa palavra vem do grego. dando a entender que tudo é Deus. Sendo assim. enquanto que a Bíblia apresenta um equilíbrio. e usou a forma nominal "panteísmo". mas não é idêntico a elas. o caráter pessoal de Deus. Nas Escrituras. Fay atacou a filosofia de Toland. + Theós. Neoplatônico – Deus é absoluto em todos os aspectos. onde Deus está ativo na história e na sua criação. · Formas de Panteísmo mais importantes: Hilozoísta – O divino é imanente do mundo e é caracterizado como elemento básico do mundo que empresta mudança e movimento à sua totalidade. negando assim.

sacramentos e da religiosidade. a fraternidade universal dos crentes. um orfanato. incluindo misticismo. que causou forte desequilíbrio no movimento. sobre a conversão pessoal. uma religiosidade que gera mais calor emocional do que iluminação fanatismo. desnecessária. e. uma casa publicadora e outras obras de caridade. era combatido por ministros e teólogos invejosos. De fato. . o valor do misticismo. A igreja morávia. o tema pietismo assumiu uma conotação negativa. A necessidade de experiências religiosas pessoais. Spener cria que a ênfase original da reforma protestante. a necessidade de uma conversão que realmente mudasse a vida do indivíduo. caiu no legalismo dogmático. "aquele que cumpre seus deveres". segundo a história informa-nos. Um teatro religioso. a retidão pessoal. procurando ser mais piedosas. Como um movimento organizado. a santificação e a experiência religiosa tinha-se perdido essencialmente. axetismo e separação desnecessária de outros cristãos. Ele foi um bem sucedido professor e obreiro cristão. A ênfase do pietismo recai sobre as experiências religiosas. um desprezo relativo aos credos. em vez de ritos. ou mesmo como se nem fossem cristãos autênticos. e uma santificação que continuasse esse processo. historicamente falando o metodismo foi muito influenciado pelo pietismo alemão. o calor emocional na religião cristã. Ele servia como pastor em Frankfurt-ammain. também. Por causa desses vícios. Mas a palavra alude a uma reverência especial diante de Deus. Essas coisas são enfatizadas em lugar do ritualismo e das formalidades do culto. mas a sua mensagem não tardou as espalhar-se por toda a Alemanha e daí para outros países. organizada pelo enteado de Spener. John Wesley e o metodismo primitivo podem ser classificados como um movimento pietista. No grego temos sébomai "ser piedoso". e foi mui significativa a sua ênfase sobre as experiências místicas. O metodismo trouxe de volta à igreja a necessidade de uma experiência religiosa pessoal. Tinha organizado escolas para os pobres. considerados dotados de espiritualidade inferior. Outrossim. o conde Von Zinzendorf. o calvinismo. ou seja. "ser reverente". associado principalmente a Philipp Jakob Spener. passando a ser aplicado a fanáticos e sonhadores religiosos. a santidade e a devoção.PIETISMO A base latina dessa palavra portuguesa é pius. A corrente principal do luteranismo tornara-se rígida em suas doutrinas e morta no sacramentalismo. Também houve uma pronunciada ênfase antiintelectual. o pietismo teve início entre os luteranos da Alemanha. o que justifica o seu protesto e o movimento que daí resultou. as pessoas transformam-se em atores. O mais notável discípulo de Spener foi August Hermann Framke. adotou a prática dos princípios pietistas. entusiasmadas e dotadas de mais profundas experiências religiosas do que outras pessoas. no fim do século XVII.

texto. Hermes transmitia as mensagens dos deuses aos mortais. tais como. os mononitas. A igreja reformada holandesa também teve líderes cujos discípulos salientaram esse conceito. Podemos defini-la assim: Hermenêutica é a ciência que nos ensina os princípios. frases. em 1666 foi chamado para ser o ministro principal em Frankfurt-am-Main. . num aspecto ou noutro. história. Platão foi o primeiro a empregar Hermeneutike (subentendendo-se a palavra techne) Hermenêutica é. poesia. era afiliado de Spener e aluno de Francke. por sua vez. porque trata de um livro peculiar no campo da literatura – a Bíblia como inspirada palavra de Deus. o que pode chegar a uma clarificação. Diz-se. a arte de Hermeneuein (interpretar).O metodismo. Johann Albrecht (1687-1752) Haus Nielsem Hauge (1771-1824) que teve. etc. Spenes e Francke aspiravam outras variedades de Pietismo alemão. propriamente. O conde Nikolas Vom Zinzendory. as leis e os métodos de interpretação. na Georgia prostrou relevantes contribuições ao Pietismo. que a palavra hermenêutica deve sua origem de Hermes. João Wesley em 1735. os dunkers (batistas alemães). não só as anunciava textualmente. Os irmãos unidos em Cristo e a igreja Evangélica foram denominações que incorporaram tendências pietistas. se deriva do verbo Hermeneuo. mas agia também como intérprete. no caso designa a teoria dessa arte. A Hermenêutica "Geral" se aplica a determinados tipos de produção literária. tornando as palavras inteligíveis e significativas. também. PRINCÍPIO HERMENÊUTICO A palavra Hermenêutica é derivada do termo grego hermeneutike que. A Hermenêutica "Sacra" tem caráter muito especial. leis. profecia. outra descobrir as instruções contidas em formas simbólicas. quer isto dizer que. A igreja reformada alemã da América do Norte exerceu uma influência pietista sobre povo reformado alemão naquele continente. um novo interesse por Lutero e sua teologia. eides da igreja Marávia renovada. Talvez possamos dizer que a maioria das igrejas pentencostais da atualidade retém tanto as virtudes quanto os vícios desse movimento. o que também sucedeu ao luteranismo norte-americano. Consequentemente a hermenêutica tem duas tarefas: Uma determinar o conteúdo do significado exato de uma palavra. ou a um comentário adicional. mas. através dele. os Schewenkfelderes e os morávios devem todas alguma coisa ao pietismo. A Expansão do Pietismo. PRINCIPAIS EXPOENTES DO PIETISMO – Philipp Jacob Spener é considerado o Pai do Pietismo..

nas portas da catedral de Wittenberg. isto é. de uma entidade (digamos assim) metafísica. naquilo que elas tem de invaríavelem face da multiplicidade do vir a ser. originada na teoria das idéias de Platão segundo a qualos universais existem por si. e a humanidade como um universo procedia o homem como indivíduo. de onde tudo programa. assim. No texto Contra Henrique VIII da Inglaterra (1522) Lutero contrapunha a tradição eclesiástica. o retorno direto à palavra de Jesus Cristo. a Reforma protestante apresenta-se como um dos meios de realização daquele retorno aos princípios que foi a divisa do Renascimento. mas na sua substância verdadeira. Refere-se a uma existência separado. Preparada pelo humanista Erasmo de Roterdão (1466-1536). não pondo em dúvida a possibilidade do seu conhecimento. a universalidade do pecado na raça humana e a unicidade da trindade. No domínio religioso.REALISMO Doutrina medieval. Em sua orientação de conjunto. Explicando que a realidade dos indivíduos derivava do universal. . e portanto da Igreja. ULTRA-REALISTAS: (século XII) expandiu a teoria de Agostinho que tinha modificado o realismo de Platão ao sustentar que as proposições universais existiam na mente criativa de Deus antes do universo material. à parte dos objetos em particular. Explicando. REFORMA A Reforma foi a renovação da vida religiosa acontecida na Europa do século XVI pelo retorno às origens do Cristianismo. de que estas se constituíam. independentemente das coisas em que se manifestam. REALISMO METAFÍSICO: Advoga a existência da realidade metafísica em si mesma. e a todos os rituais e às glosas que havia acumulado durante séculos. 95 teses contra a venda das indulgências. a Reforma foi iniciada pela obra do monge agostiniano Martinho Lutero (1483-1546) que em 1517 afixou. o retorno aos princípios levava a negar o valor da tradição. que se julgava sua depositária e intérprete. ao Evangelho. REALISMO GNOSEOLÓGICO: é o que admite a possibilidade do conhecimento das causas. O Realismo Gnoseologico dos Milésios eles admitiam a existência real de uma substância das causas.

A Reforma é o berço de toda a teologia moderna. representada pelo anglicanismo. o trabalho inicial de Lutero teve continuidade graças aos esforços de Melanchthon e João Knox. além de Lutero. 3) a esquerda. do sentido salvífico dos sacramentos e do batismo de crianças. Por isso foram chamados de "reformadores" e sua ação. segundo Lutero. uma vez que a Igreja Católica institucionalizava a religião e asseverava os seus dogmas sem nenhuma flexibilidade para discussão a respeito. Dentro da Reforma protestante. das técnicas religiosas (ritos. Wasler e Burdach para explicar o RENASCIMENTO espiritual do homem adâmico morto pelo pecado. RENASCIMENTO Este termo deriva-se do francês Renaissance e corresponde a um movimento literário. que conservou numerosos elementos "católicos". com sua rejeição da hierarquia. Michelet e Burckhardt usaram esse vocábulo para enfocar a historicidade do período em 1855 e 1860. o RENASCIMENTO religioso enfatizava o principal objetivo da religião que seria levar o homem de volta a DEUS. penitência. Ao culto sacerdotal. em sua forma preliminar. a qual implica dois corolários fundamentais: 1º) a negação do valor das obras. eucaristia. mas apenas "reformar" a existente. No sentido teológico a palavra RENASCIMENTO foi usada nos estudos de Hildebrand. o nome da Reforma veio adquirir um aspecto nitidamente confessional. que se encarna no anabatismo. porém. A fé é o sinal seguro desta predestinação e portanto o indício da salvação. foram Zwinglio e Calvino. de "Reforma". isto é. que foi outra figura espiritual que lançou o alicerce sobre o qual a Reforma veio a ser edificada. se consumou a separação entre católicos e protestantes. constituído pelo luteranismo e o calvinismo. os quais não pretenderam. Verifica-se portanto que o tema religião discutido . com John Wycliffe. Além de Zwinglio e Calvino. No movimento renascentista. que não rejeitaram completamente uma constituição hierárquica da Igreja. Os grandes líderes da Reforma. Lutero opôs o exercício dos deveres civis. artístico e filosófico desenvolvido no período dos séculos XIV e XVI na Europa Ocidental. tornando-se quase sinônimo de protestantismo. poderíamos distinguir três alas: 1) a direita. 2) O centro. 2º) a negação da liberdade humana e o reconhecimento da predestinação da parte de Deus. Quando. batismo. no século XVI. a justificação por meio da fé. cerimônias) e a redução dos sacramentos àqueles que são mencionados pela Bíblia. Pode-se dizer que a Reforma começou. como único "serviço divino" que possuía valor religioso. mas também estes subtraídos de qualquer supervisão sacerdotal e considerados como expressão da relação direta do homem com Deus.O ensinamento fundamental do Evangelho é. inicialmente. no século XIV e com John Huss. sacrifícios. formar uma Igreja separada. isto é.

Embora Ritschel. é comumente dedicado a Herman Reinamein. Henrique Paulus (1761 a 1877) publicou em 1928 a obra vida de Jesus Paulus. Não admitia que Jesus tinha feito qualquer milagre. Julgado de acordo com suas obras/atos. Por isso pretendiam fazer uma biografia corrigida de Jesus. esse título. a qual.dentro do RENASCIMENTO contribuiu eficazmente para a revolução teológica que reflete até nossos dias que foi a REFORMA PROTESTANTE. e também recontar a história de modo racional. sendo julgada de conformidade com ela. Prestação de contas dos seus atos. sobre a vida de Cristo. Revisão da vida anterior à morte. Straus não aceitou a mensagem de Cristo. O revisionismo biografo procurava desmistificar a deidade de Cristo. precisa enfrentar uma revisão da vida na carne. O revisionismo nasceu dentro a teologia moderna e adeltro a teologia contemporânea até hoje os teólogos influenciam. 2º O movimento revisionista foi um movimento teológico moderno que tinha como objetivo a busca do Cristo histórico. David Frederich Straus (1808 a 1877) Straus também escreveu a obra a Vida de Jesus. . no estado espiritual. Era o tema central do revisionismo. ou seja a vida além do túmulo. Eles pretendiam fazer uma revisão dos relatos bíblicos. Avaliação da qualidade da vida. seja o pai da teologia liberal e dos principais. e primeiro revisionista não podemos dizer que Ritschel é o pai do movimento revisionista. REVISIONISMO: Espiritual 1º Revisionismo crença que a verdadeira pessoa é uma alma sobrevive a morte biológica.

Ele não pode ser identificado com um ou outro (panteísmo). O secularismo carrega uma falha fatal. O secularismo veio a ser uma espécie de movimento do tipo humanista. adorando e servindo a criatura em lugar do criador" (Rm. Em 1931 . Da perspectiva da teologia bíblica cristã. Em termos gerais. e objetivo da adoração. Educado em Tübingen e Berlim. Nos círculos religiosos recebe o sentido de "aquilo que pertence ao mundo de nosso tempo" e que não faz parte do que é sagrado ou espiritual. Prússia (depois Wroclaw. Na discussão contemporânea. o secularismo envolve uma afirmação da realidades imanentes deste mundo. como tal constitui-se num rival do cristianismo. sem fazer qualquer alusão à religião ou as reivindicações da igreja. Embora Deus haja Senhor da história e do universo. continua a preservá-lo. Em termos bíblicos. O secularismo é uma ideologia. pelo seu conceito reducionista da realidade.25). Nenhuma discussão contemporânea do cristianismo e secularismo pode deixar de lidar com as cartas e papéis da Prisão escritos por Dietrich Bonhoeffer. porque nega e exclui Deus e o sobrenatural numa fixação míope naquilo que é imanente e natural. o Deus sobrenatural criou o mundo e sustenta a sua existência. Este mundo (o saeculum) tem valor porque Deus o criou. Homens e mulheres. a 4 de fevereiro de 1906. o secularismo inexoravelmente torna o mundo do homem e da natureza absoluta. o secularismo e o humanismo são freqüentemente vitais como uma só dupla que forma o humanismo secular – uma abordagem da vida e da sociedade que glorifica a criatura e rejeita o criador. da ciência. expressa um entusiasmo sem reservas pelo processo da secularização em todas as esferas da vida. 1. E uma cosmovisão e um estilo de vida que se inclina par ao profano mais do que para o sagrado. No secularismo as dimensões – presente e imanente de existência estão revertidos dos atributos do eterno e do transcendente. e das organizações sociais (não-religiosas) humanas. existem em liberdade e responsabilidade que o homem tem com Deus e o mundo. o secularismo é o culpado porque "mudaram a verdade de Deus em mentira. E uma forma de religiosidade. religião invertida e una. na Polônia). No entanto. Antes. O secularismo é uma abordagem não-religiosa da vida individual e social. "pertence a uma época". O secularismo. utilizava-se da pura razão.SECULARISMO Essa palavra vem do latim seculum. O secularismo procurava aprimorar as condições humanas. Tendo excluído o Deus transcendente como absoluto e o objetivo da adoração. para uma visão fechada do mundo que funciona semelhante a uma religião. o natural mais do que o sobrenatural. como filosofia abrangente de vida. e age para redimi-lo. O principal expoente do secularismo é Dietrich Bonhoeffer nascer em Breslau. tornou-se pastor luterano e trabalhou em Barcelona e Nova York.

Quando Hitler subiu ao poder em 1933. fizeram sufocar o anseio doentio por um nacionalismo exacerbado. que significa era ou época.assumiu a cátedra de teologia sistemática na Universidade de Berlim. mas está no mundo. dedicado a causas humanistas. . A igreja não deve permanecer fora do mundo. O que ele asseverou é que o cristão moderno deve ser um homem também voltado para atividades seculares. Essa ditadura só será subjugada por Napoleão e suas guerras Imperialistas. nas artes. A secularização é como ameaça e precaução. Secularização é a libertação do que é mundano em relação ao que é santo. não nos deve causar medo. onde o ser humano começa a se voltar para o presente esquecendo completamente o futuro. caracterizam o século dezenove. do final do século anterior. que deve ser levada a sério. Ao cristianismo essencial ao que chama razoável. O problema central de sua teologia era como ser cristão num mundo secularizado e ateu. O destinatário do evangelho é o homem novo. É a inversão de valores dentro dos campos teológicos e secularistas. saecelum. mas como quem serve. A Secularização é uma palavra temporal usada para traduzir a palavra grega "aeon". Propunha como uma das soluções a interpretação não-religiosa dos conceitos bíblicos. última conseqüência das mudanças processadas pelo Iluminismo. A provocação da Secularização é um desafio às nossas igrejas de nos integrarmos às necessidades humanas. SÉCULO XIX Mudanças profundas na sociedade. Havia a violenta substituição do Absolutismo pelo "terceiro estado da burguesia". Bonhoeffer estava em Londres e decidiu lutar contra o nazismo. que por sua vez. sufocada no terror sanguinário da Ditadura Jacobina. havia a Revolução Francesa. Este homem novo. significando "esta idade presente". na produção de bens de consumo. na Pomerânia. não como quem governa e comanda. A Secularização adquire significados da distinção medieval entre aquilo que ficava sob jurisdição eclesiástica ou monástica ou aquilo que não ficava por serem de competência do Estado. Em 1935 foi chamado a assumir a direção de um seminário clandestino em Finkenwald. A secularização como teologia surgiu com Bonhoeffer. A Secularização é uma ameaça provocante. SECULARIZAÇÃO A palavra secular provém do termo latino. Dirigindo a nova orientação do período. A igreja deve participar das tarefas humanas. nos conceitos científicos. quando dizia que a igreja não existe senão quando é "para os outros". o que sugeria a possibilidade de haver cristãos arreligiosos. tendo como objetivo principal Jesus Cristo.

depois de sofrer certa pressão no século XVIII e começos do XIX. publicado em 1864. mas também do Infinito. e essa dependência é a base de nossa vida religiosa. Nesse documento foram denunciados como "erros". Entre 1800 e 1821. a teologia de Schleiermacher passou também. Muitos indicam Friedrich Schleiermacher (1768-1834) como o pai da Teologia Moderna. como para os demais românticos. tratado que definia as relações da Igreja Católica Romana na França com o Governo. O século do cidadão. de Deus. Ele aproveitou as idéias principais do Iluminismo e do Romantismo e s incorporou em um sistema teológico. Além dessa auto-afirmação. A Igreja Católica Romana. Na religião o século XIX encontrou o papado em grande humilhação. realizou com o Papa Pio VII a concordata. um século de tolhedora tristeza e de branda melancolia. O segundo instante da Teologia se evidencia na Teologia Liberal. Por esse tratado "a igreja ficava sujeita ao Estado". resistiu às influências modernizantes e continuou desenvolvendo todos os seus elementos medievais. Em 1801 Napoleão. ele deixou uma marca que dura até hoje. Mas é também o tempo de um mundo pintado pelos impressionistas. que adentra a Teologia Contemporânea. porém. de ideais abandonados. O século da declaração da morte de Deus. Schleiermacher formulou uma teologia à luz do Romantismo. Imperador da França. Schleiermacher continuou sua atividade como pregador e professor de teologia sistemática. cada um de nós também vive num estado de dependência. desde o início do século XIX e encontrou sua máxima expressão no SILABUS. Da esperança perdida. Um mundo de anseio à morte prematura.. do Universo – enfim. o primeiro instante da Teologia Moderna como se sabe é a Reforma que se constituiu no oferecer de uma nova era teológica. Para Schleiermacher. enfrentou poderosamente todos os surtos do processo humano. Pio VII voltou a Roma e os Estados papais foram restabelecidos. do Tudo. A vida humana envolve uma tensão entre a dependência e a independência. distinta de qualquer outra. Quando o Romantismo passou de moda. cada indivíduo deve desenvolver-se como uma pessoa. frágil e passadiço. . tais como a liberdade de consciência e de culto. o século do drama.É o século dos grandes prospectos e das máquinas. de sua arrogância. de Pio IX. Cada um precisa afirmar sua individualidade.. e do medo da morte que afora devia ser enfrentada sem Deus. Durante essas duas décadas. Sentimo-nos dependentes não somente de outras pessoas. O século do materialismo e do material. O século da questão social. Schleiermacher formulou sua obra-prima de teologia sistemática. A hostilidade do papado ao progresso do mundo moderno manifestou-se de vários modos. A Teologia Contemporânea nasce sob as hostilidades de teólogos liberais e neo-ortodoxos. vários elementos. O século do artista e de seu atrevimento. ou pelo menos a ele atrelada e dele dependente e auxiliada. da morte. É o século do medo. Após a queda de Napoleão. Mesmo assim.

até hoje. Mas a Teologia Liberal Protestante não recebeu sua expressão plena de Schleiermacher. e sua influência continua. Ritschl publicou. Ritschl (1822-1889) era um pesquisador incansável. Ritschl apresentou-se como um estudioso do Novo Testamento e de Lutero. Ele dominou três áreas de estudo: Novo Testamento. por isso pretendiam fazer uma biografia corrigida de Cristo. Entre 1870 e 1874. que ele apreciava desde sua formação pietista. Ele não pretendia falar de Deus em si. Lutero tirou a metafísica das reflexões tão lógicas. e a ortodoxia a trouxe de volta com Melanchton e Ritschl a retirou em suas formulações teológicas liberais. Por sua parte. Isto quer dizer: ele enfrentou os ortodoxos com suas próprias armas. Lutero – o herói das mais diversas teologias alemãs – desvinculou a teologia da metafísica. a ortodoxia protestante restaurou a metafísica à teologia. Os três volumes desta obra tratam dos pontos de vista: (1) do Novo Testamento. (2) da História do Cristianismo. Esta honra ficou para o professor Albrecht Ritschl. eliminando-a da teologia. Em matéria de religião. a maioria rejeitou a distinção de Schleiermacher entre religião e moralidade. tendo uma visão otimista. ou da autoconsciência imediata". Em lugar disso. esses teólogos rejeitaram o sistema que herdaram de Schleiermacher. sua obra-prima: Die Christliche Lehre von der Rechtfertigung und Versohnung (A Doutrina Cristã da Justificação e Reconciliação). Ele valorizou os "sentimentos piedosos". O autor apresenta uma reinterpretação moralizante da fé cristã em termos especialmente atraentes para os protestantes alemães. (3) da Teologia Sistemática. a Teologia Liberal Protestante diminuiu o peso doutrinário da fé. História do Cristianismo e Dogmática. embora pouco profunda. Agostinho fez teologia de uma base platônica. Por esta razão. ele se limitou a falar da "modificação do sentimento. dizendo que os sentimentos piedosos equivaliam ao senso de consciência absoluta de Deus. especialmente em questões metodológicas. Ritschl argumentou que os ortodoxos dos seus dias erraram por confundirem a doutrina cristã com a metafísica. se interessavam menos pelos sentimentos do que os românticos. Além disso a Teologia Liberal Protestante pouco enfatiza o pecado. da Universidade de Göttingen. mas uma teologia voltada para questões éticas. A Teologia Moderna é marcada pelo revisionismo. Schleiermacher iniciou a Teologia Liberal Protestante – um movimento que cresceu durante o século XIX e que existe ainda hoje. Depois de 1850. Ritschl é o primeiro dos revisionistas. um número crescente de teólogos queria uma teologia reduzida. e Tomás de Aquino argumentou de pressuposições aristotélicas. eles queriam saber o efeito da doutrina na vida e na sociedade. Ritschl insistiu em rejeitar a metafísica. da natureza humana. Já quanto aos realistas.Schleiermacher começou por reduzir a fé às proporções dos sentimentos religiosos de cada pessoa. com uma interpretação liberal da fé cristã. em três volumes. Para Ritschl. A partir de Schleiermacher. Por influência do Realismo. . Schleiermacher havia lançado a Teologia Liberal Protestante. Revisionismo foi um movimento teológico moderno que tinha como objetivo a busca do Cristo histórico.

outra vez. Ritschl apresentou uma nova teoria de expiação – a teoria da influência moral. seus argumentos antimísticos foram. A forma da teologia liberal encontrase no idealismo gnóstico de Kant. Das reinterpretações de Ritschl. Florowsky e Lossoky. ataques contra o pietismo. sobremodo humano. Entre os ortodoxos: Bulgakov. Os escritos de Ritschl contra a metafísica eram. Von Balthasar e outros.Compete a Ritschl reformular a teologia sem metafísica. A teologia moderna foi construída com base em Kant e Hegel. Mas talvez tenha sido o teólogo suíço Karl Barth (1886-1968) quem melhor resultados alcançou nessa direção. julgar). a mais importante é sua leitura da obra redentora de Cristo. Guardini Ranner. Barth. A teologia liberal foi constituída nos pressupostos iluministas racionalistas. Dessa maneira Ritschl se apresenta como o campeão do verdadeiro luteranismo. mas o juízo divino sobre tudo que se revela humano. contra a ortodoxia protestante. Estes entre os protestantes. não é a infinita bondade de Deus que é salientada. Nietzche e Marx. também rejeitou o pietismo como uma infiltração do misticismo no pensamento cristão. Paul Tillich. que não fosse redutível a nada além da teologia cristã propriamente e da revelação de Deus em Jesus Cristo. Wilhelm Herrmann (1946-1922) e Albert Schweitzer (1875-1965). Bonhofer. Friedrich Nietzsch (18441900). na realidade. Ritschl rejeitou tanto a ortodoxia como o pietismo. inclusive a religião. Os escritos de Ritschl também continham numerosos ataques contra o misticismo. e inspirado por críticos como Soren Kierkegaard (1813-1855). Bultmann. na realidade. . Na "teologia da crise" de Barth (do grego krinein. Brunerr. A teologia contemporânea tem bases em Soren Kickegaard. Oscar Culmann. Aqui. Entre os católicos: Teilhard de Chardin. Heidegger. como na teologia deísta. Teólogos do século dezenove como Albrecht Ritschl (1822-1889) e Ernst Troeltsch (18651923) procuravam encontrar o espaço da teologia no mundo pós-Kantiano. Dentro da teologia contemporânea destacam-se: Karl Barth. deu início no entre-guerras a um movimento teológico que buscava alcançar aquilo que a teologia oitocentista não havia conseguido: uma teologia não iluminista e pós-Kantiana que não se evaporasse à medida que fosse produzida. insatisfeito com as soluções propostas pelos teólogos do século dezenove. Como ele acusou os ortodoxos de confundirem a metafísica com o cristianismo. Lonergan. uma outra ala do protestantismo alemão. Schilebuckk.

A Teodicéia de Leibnitz foi estruturada para seu sistema teológico extremamente racionalista. O latim por detrás desse termo português é solus. tenho bases para crer que somente eu existo. mas não posso afirmá-lo com certeza absoluta. preservando assim a idéia de um Deus ortodoxo. temos aí um pseudodilema. Além disso para Leibnitz. a grande mônada. "o próprio eu". Até onde posso determinar. A idéia é que a pessoa ou mente individual. Em seu uso comum. Sua Teodicéia fazia parte do seu sistema de mônadas. até onde vai o meu conhecimento. da atitude que consiste em sustentar que o eu individual de que se tem consciência. é que forma toda a realidade". e onde Deus não incorre em equívocos. o solipsismo metafísico redunda do dilema do conhecimento: uma pessoa qualquer pensa que é a única entidade em existência. como também tais razões são leis necessárias. Alguns filósofos usam o solipsismo metafísico para anular o solipsismo epistemológico. justiça. Ou seja. "sozinho" e ipse. aparece como o programados das demais mônadas. não somente há razões pelas quais Deus faz tudo quanto faz. Deus é o único ser metafisicamente necessário. conforme se verifica durante os sonhos. só eu existo. no sentido em que vivemos no melhor de todos os mundos possíveis. expõem Teodicéias. a despeito de aparentes erros que nos cercam. e dike. Por sua vez. ou até onde a pessoa pode provar. salpicado de males naturalmente. A Teodicéia de Leibnitz era determinista. Essas razões podem ser discernidas pela luz da razão pura.SOLIPSISMO Doutrina segundo a qual a única realidade no mundo é o eu. sendo assim. é a única que existe. esse vocábulo usualmente designa aquela atividade que busca justificar as maneiras de Deus como os homens. Porém. Utilizam-se de um argumento do reduction ad absurdum. sem ajuda da revelação. onde Deus. Como pode haver um Deus justo. Foi Leibnitz quem cunhou esse termo. Leibnitz teve fazer toda espécie de ginástica para defender sua tese. "o equivalente concreto do que os filósofos chama de solipsismo. É possível que outras pessoas existam. . Todo-poderoso onisciente ao mesmo tempo em que há tantos males no mundo? Aqueles que procuram explicar o problema do mal. até onde ela está envolvida. Acreditar que só eu existo é tão absurdo que também é absurdo dizer que só posso Ter conhecimento de minha própria existência. O solipsismo epistemológico refere-se ao "dilema do conhecimento do próprio eu". isto é. no mundo em que vivemos. todas as demais pessoas e coisas podem ser um produto de sua própria mente. com as suas modificações subjetivas. deus. TEODICÉIA Esse termo vem do grego theos. introduzindo-o na filosofia.

É herança de Paulo que Lutero levanta com sua teologia da cruz contra uma igreja que se tornou segura e saciada. as idéias de Paulo. mas. Não houve teólogo na igreja cristã que tenha feito ressuscitar como Lutero. são pela sua própria natureza e Deus não poderia ter criado. metafisicamente falando. portanto. ao que parece. metafisicamente falando. que a "teologia de cruz" representa o estágio préreformatório da teologia de Lutero. que muitas delas respondem aos problemas do mal que são enfrentados pelas teologias para as quais são construídas. Essa metafísica subjaz a defesa do livre-arbítrio e também a Teodicéia da edificação das almas.O mal metafísico é a finitude ou a falta de existência. contrapôs expressamente seus "paradoxos" teológicos como "Teologia da Cruz". Portanto. não existe nenhum mundo melhor. por mais que alguém decididamente se distancie da mesma. Evidentemente ele se serviu dessa formulação porque nela encontrou a caracterização mais sucinta e certeira da peculiaridade do evangelho. a Teodicéia tem um grande valor apologético. Geralmente essa formulação aparece como algo que dispensa maior discussão. criar um mundo é uma coisa condigna a ser feita por Deus. Foi Lutero quem. A bondade moral de Deus consiste. na maioria dos casos. Deus não fará coisa alguma sem uma razão suficiente e discernível pela razão pura. O sistema de Leibnitz exige que haja o melhor mundo possível. e Deus é livre quanto a criar ou não criar. em todo caso será preciso admitir que de modo geral é ela que dita à teologia de hoje o seu enfoque. à "Teologia da Glória". Portanto o sistema de Leibinitz diz que Deus opera com base na razão suficiente. há um número infinito de mundo contingentes finitos possíveis. Visto que Deus é totalmente bom. Se for possível demonstrar que Deus desejou algo inferior ao mundo melhor. à Teologia eclesial dominante. Se possível for demonstrar que Deus desejou aquilo que é metafisicamente melhor. a contrastar com a Teologia oficial. Outras Teodicéias bem conhecidas baseiam-se numa teologia racionalista modificada. . e o bem metafísico é a plenitude da existência . isto é. na primavera de 1518. TEOLOGIA DA CRUZ Por mais que divirjam as opiniões a respeito da chamada Teologia dialética. São raras as definições claras do que seria propriamente "teologia da cruz". Ele será moralmente digno de louvor. metafisicamente falando. em Heidelberg. porque sua própria existência é o sumo bem. Deus não é obrigado a criar mundo algum. a despeito da presença do mal no mundo. por mais que a considerem carente de contemplação e correção. as ocasionais manifestações tacitamente pressupõem. em desejar o melhor. Ele já concretizou o melhor de todos os mundos possíveis. que há quatro considerações básicas: Universo Racionalista modificado. será demonstrado que Deus não é um Deus bom. isto é. Se for possível demonstrar que Deus desejou algo inferior ao mundo melhor. Os que são maus.

de fato. é desejável e digno de amor e em altíssimo grau. Pelo contrário. A teologia da cruz é cristocêntrica. ela não pode ser limitada a um período particular de sua teologia. ela representa a inversão radical de todas as suposições humanas. é na cruz de Cristo e do cristão que se mostra o sentido mais profundo da ação de Deus junto ao mundo. só é compreendida numa vida sob a cruz. o que é vergonha. Ele sabe que só Deus pode ser encontrado na cruz e no sofrimento. essa fórmula apresenta uma característica de todo o seu pensar teológico. mas que deve ser considerada. antes. . o que parece odioso ao ser humano. mas ele próprio é envolvido neste acontecimento. é apenas um mergulhão da árvore da mística medieval e de teologia monástica. Face à situação real do ser humano. para a teologia da cruz. Por isso não foge do sofrimento. o que é fraco. como também no caso de Paulo. Podemos constatar a marca da teologia na cristologia ou na doutrina da santa ceia. A teologia de Lutero. Na cruz se frustra toda concepção fictícia de Deus. O sentido da cruz não se revela ao pensar contemplativo. a exemplo do teólogo da glória. é sábio. Denominamos a teologia da cruz como a marca de toda a teologia de Lutero. é glória. O que é tolo. "A cruz põe tudo à prova". O resultado deste estudo é para nós uma prova indireta de que a teologia da cruz não constitui o pré-estágio pré-reformatório da teologia de Lutero propriamente dita. mas considera-o como as sagradas relíquias que devem ser abraçada devotadamente – pois o próprio Deus "está oculto nos sofrimentos" e quer ser venerado por nós como tal.Em contrapartida defendemos a seguinte tese: a teologia da cruz é o princípio de toda a teologia de Lutero. Para o cristão. ele é o eixo central da reflexão teológica. como marca de todo o pensamento teológico de Lutero. a cruz de Cristo e a cruz do cristão formam uma unidade. O teólogo da cruz não está posicionado como espectador em relação à cruz de Cristo. mas apenas à experiência sofredora. A doutrina da cruz que determinou decisivamente o conceito de Deus e de Fé. forte. A cruz é o juízo sobre todas as ideias e obras humanas de escolha própria. Ouvimos que. Cristo é tudo. ainda assim valeria a pena retraçá-la como um todo orgânico.

O Escopo desta Teologia é expor que as implicações práticas da fé inflamada na chama da Ressurreição de Jesus. em 1º de maio de 1881..TEOLOGIA DA ESPERANÇA O fundador desse tipo de teologia foi o alemão Jürgen Moltmann. Lé phenomène humain foi a obra em que Chardin procurou realizar tal programa. A liberdade. quer o novo e consequente êxodo da sociedade atual das grandes estreitas das estruturas vigentes. Nos últimos anos. não é destinada e não se apresta a salvar até mesmo a mudar a evolução?. Ultimamente. . Segundo Chardin é preciso fazer ver aos cientistas que não há nenhuma imcompatibilidade entre a religião cristã moderna e a ciência moderna. nenhum autor suscitou tanto interesse quanto Pierre Teilhard de Chardin. o padre Schillebierckx tornou-se um zeloso seguidor da Teologia da Esperança. Filho de um aristocrata rural interessado pela geologia. que não interrompeu nem mesmo quando suas inquietações espirituais o levaram a ingressar na Companhia de Jesus. Este sentido teológico foge ao inconveniente de considerar a mensagem da Ressurreição como mero e inconsistente relato histórico ou como simples apelo a decisão. que traçou suas linhas programáticas em seu famoso livro Theologie Der Hoffring (Teologia da Esperança). dedicou-se desde a juventude ao estudo dessa matéria. quando o mundo da ciência era decididamente adverso ao mundo da fé e da religião. a Evolução infunde sangue novo às perspectivas e aspirações cristãs. uma nova interpretação da mensagem Cristã. e nos leva a entender a Ressurreição como mensagem promissora que se abre para a história e nos obriga a nos empenharmos por nos transformar a nós próprios e ao mundo. por seu turno. Expressam sempre e por igual o "Shalon" dirigido a todo homem em suas relações sociais. porque o cristianismo vem de encontro às mais intimas exigências da ciência. que adota como princípio hermenêutico exatamente a esperança. outorgada e vivida a partir de Cristo. a paz na Terra e a libertação de tudo o que é efêmero. mas sim uma maravilhosa correspondência. e a mensagem do Reino de Deus não significam apenas liberdade e santidade interiores. TEOLOGIA DA EVOLUÇÃO Pierre Teilhard de Chardin nasceu em Sarcenar. França. Mas a fé cristã.. Deus não é "totalmente diverso" de nós (Ganz Andere). A obra termina com a seguinte afirmação do valor superior do cristianismo: "De qualquer forma. em 1899. Suas obras conheceram um sucesso editorial sem precedentes em seu gênero: Chardin iniciou sua atividade científica no início do século.

o cristianismo representa a única corrente de pensamento suficientemente audaz e progressiva para abraçar prática e eficazmente o mundo. a física. que ela domina. a seus semelhantes e a seu fim último. Uma luz que aclara todos os fatos. portanto. Os estudos científicos conduzira Teilhard de Chardin a uma profunda meditação sobre o problema da evolução. . em direção ao estudo de algum desenvolvimento. na medida em que nos coloca em condições de entender a história. todas as hipóteses. conduzem ambas à perfeição intelectual. em 1955. muito mais que tudo isso. não é uma hipótese. verdadeiramente. arrastados por uma única corrente de fundo. O axioma número um refere-se à evolução. é um argumento muito forte a seu favor. a evolução evidente do universo material. que é Deus. a realizar a passagem da matéria ao espírito. mas sim uma verdade certíssima: "Para muitos. na realidade. para ser pensáveis e verdadeiras. uma hipótese?. A intenção declarada de Chardin. Somente ele – absolutamente só ele sobre a Terra moderna – se mostra capaz de sintetizar em um só ato vital o todo e a pessoa. visa. As implicações morais e religiosas desse sistema foram desenvolvidas numa série de obras como Le Milieu divin (1958. porque a evolução deve passar através do cristianismo. o eixo principal de evolução". A evolução – uma teoria. longe de se contradizerem. uma condição geral à qual devem se dobrar e satisfazer. O meio divino) e L‘Avenir de L‘homme (1959. Lé Phénomène Humain (O fenômeno humano). no qual a fé e a esperança se consumam na caridade. um sistema. todos os domínios do conhecimento humano se movimentam. que parece esmagar o homem e sua consciência. não apenas servir. O futuro do homem). concluída em 1940. Ao juízo de Chardin a evolução não está absolutamente em conflito com o cristianismo. a evolução é a maior descoberta do século passado e de todos os tempos. outra coisa não é que a velha hipótese Darwinista. uma curva que todas as linha devem seguir: eis o que é a evolução: Segundo Chardin. Esta. ganhou e invadiu sucessivamente a química. O homem é o centro e a razão dessa evolução: sua alma o liga a esse universo. é elaborar uma visão cósmica que abarque em um só olhar tanto o mundo da ciência quanto o da fé.. origem de sua obra mais importante. e o transformismo. em um abraço completo e indefinidamente perfectível. a evolução outra coisa não é que o transformismo. ao contrário. em toda a sua obra.No presente momento.. tão local e caduca quanto a concepção laplaciana do sistema solar. do menos consciente ao mais consciente. a sociologia e até mesmo as matemáticas e história das religiões. Isso não significa outra coisa senão que ele satisfaz a todas as condições que nós temos o direito de exigir de uma religião do futuro e que. Exatamente: mas. é através dele que passa enfim. mas também a amar o formidável movimento que nos arrasta. Um após outro. todas as teorias. Em seu pensamento. São verdadeiramente cegos aqueles que não se dão conta da amplitude de um movimento cuja órbita. ultrapassando infinitamente as ciências naturais. segundo Chardin. Examinemos este axioma. todos os sistemas. mas só publicada postumamente. por sua vez. Ciência e religião. Somente o cristianismo pode-se inclinar. seja a futura. seja a passada.

Hugo Assmann. J. José M. em 1968. depois que o Concílio Vaticano II (19621965). Seu método hermenêutico deixa de lado as categorias idealistas tradicionais e emprega categorias históricas. . Ao narrar a libertação dos hebreus do cativeiro no Egito e sua marcha para a Terra Prometida.Teilhard de Chardin regressou à França em 1946. e a história sagrada não é algo distinto da história da humanidade ou superposto a ela. A conferência pediu uma teologia e uma catequese que oferecessem "a possibilidade de uma libertação plena e a riqueza de uma salvação integral em Cristo. B. que patrocinou. a injustiça e o ódio. no sentido de política. Bonino. o Senhor". A mensagem de salvação é interpretada à luz das opressões de que o homem precisa ser libertado. Eduardo Pironio e A. citem-se Gustavo Gutiérrez. de Nova York. Entre os principais teólogos que a iniciaram e desenvolveram. O eixo da teologia da libertação é a figura do Cristo libertador. Libânio. o Êxodo é a imagem bíblica da mensagem da salvação. Apesar do nome. à luz da injustiça social. a Conferência Episcopal Latino-Americana (Celam) foi o grande impulso da teologia da libertação. J. surgido na Europa na década de 1970. a fome. mas sim a intervenção de Deus. Reunida na cidade colombiana de Medellín. Um outro elemento importante da teologia da libertação é o método de análise marxista. L. Teilhard de Chardin morreu em Nova York. está na origem da chamada teologia da libertação. enviado ao mundo para "libertar todos os homens de todo tipo de escravidão a que os tenha sujeitado o pecado. a opressão e. inclusive as injustiças. examinou o problema das relações entre a igreja e o mundo moderno. sociais. os bispos consideraram que a igreja tinha como missão continuar a obra de Cristo. mas também de todas as suas conseqüências. Segundo. que têm sua origem no egoísmo humano". em 10 de abril de 1055. que veio libertar os homens não apenas do pecado. numa palavra. Leonardo Boff. Segundo Galiléia. TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO A experiência cotidiana das comunidades cristãs latino-americanas que combatem as injustiças econômicas. Ingressou então na Fundação Wenner-Gren. A teologia da libertação constitui uma nova interpretação da mensagem evangélica. A característica mais inovadora do movimento foi encarar os problemas políticos como base para a interpretação dos textos bíblicos. não é propriamente uma teologia. mas ante a impossibilidade de publicar seus textos – que circularam em exemplares mimeografados e só foram editados após sua morte – transferiu-se para os Estados Unidos. duas expedições científicas ao continente africano. a ignorância. culturais e políticas. nos últimos anos de sua vida. a miséria. Analisando a situação social do continente. López Trujillo. Porfirio Miranda.

ela garante a realização com fé dos pedidos desejados pelo cristão. Mas isso não quer dizer que ele tenha surgido de modo repentino ou aparecido totalmente formado.TEOLOGIA DA PROSPERIDADE Algumas obras norte-americanas. enquanto os pressupostos filosóficos propriamente ditos foram fornecidos pelas seitas metafísicas. Parece que nada assim já foi visto antes. afirma que sempre positivamente. que floresceram na região de Boston (McConnell. a teologia da prosperidade não se cansa de repetir que nem doenças nem problemas financeiros são da vontade de Deus. tratam-na como se fosse uma heresia ou uma seita. seus adeptos não negam nenhuma doutrina básica nem buscam outro fundamento que não seja Cristo e os apóstolos. tais como a trindade e a divindade de Cristo. Pesquisas feitas nos Estados Unidos sobre a teologia revelam que existem duas raízes históricas e filosóficas da teologia da prosperidade: O pentecostalismo (Barron. o cristão que está passando tal coisa ou coisas. que se chamam cristãos. e isso significa que tem raízes ligadas a pessoas. Uma seita é composta por um grupo bem definido de pessoas. Dessas duas fontes. Na teologia da prosperidade. como decretar a morte de alguém (até mesmo a de um pastor) Segundo Kenneth Hagin. escritas contra a teologia da prosperidade. desenvolveu-se com o tempo. . 1987. o pentecostalismo fornece a base ou o grupo. 1988). ele não tem fé ou está em pecado. assim como os Testemunhas de Jeová ou os Mórmons. A Teologia da Prosperidade é algo novo na história da igreja. onde a teologia encontrou a maior parte de seus adeptos. Saúde e Prosperidade são algo vivido dentro da teologia. mesmo passando por cima da vontade divina. A Confissão Positiva é outra corrente da doutrina da teologia da prosperidade. A posição. Horn. Sua doutrina é radical com relação com relação ao homem físico e espiritual. é. épocas e lugares diversos. trata-se de uma forma de compreender a Bíblia. ela não é uma seita. Tendo em vista a Autoridade profética. Como todo movimento. 1989) e várias seitas metafísicas do início do século XX. Antes. mas negam doutrinas básicas da Bíblia. nunca: "Se Deus quiser!" Isso envolvendo saúde ou bem material.

um livro sagrado. um ponto em comum. Podíamos nos referir a "teologias" mas daria um sentido de independência. etc. Quando no referimos à "teologia das religiões" queremos destacar um conjunto.TEOLOGIA DAS RELIGIÕES É a globalização das religiões com o intuito da integração dos seus conteúdos comuns. um Deus trino ou uma divindade superior. ou seja. um lugar de fogo atormentado por demônios horrendos. costumes (ética) e muitos outros fatores. melhor dizendo "o árabe é a forma mais pura de revelação". o Cristo deve relacionar-se neste diálogo só como a palavra " " sem reivindicar a autoridade do " ". no tormento eterno para os maus e uma recompensa celestial para os bons. é surpreendente notar a similaridade entre todas. numa alma humana imortal. quer dizer. são inúmeros os exemplos no que se refere ao estudo dos conteúdos comuns entre as religiões. lei ou ordem eternas. família e mandamentos de Deus. De forma superficial parece que as religiões são muito diferentes umas das outras. Enfim. Janardana. se removermos as distinções da língua. Porém. No que diz respeito à moral ou quebra de valores encontramos o seguinte texto: "Quando as leis da família são destruídas. Mas. No islamismo o árabe é a língua obrigatória para se ler o Qur‘na (Alcorão). um todo. No siquismo um dos grandes mandamentos do guru Nanaque era: "Lembre-se sempre de Deus. No budismo acredita-se em um inferno onde estão os ímpios. No hinduísmo muitos se referem a sua fé como sanatana darma. . Eles acreditam que o árabe é a língua usada por Deus falar por meio de Gabriel. Dentre estes conteúdos comuns podemos citar a revelação do logos. surge um grande problema no que diz respeito à estruturação do diálogo do cristianismo para com as demais religiões. o livro sagrado dos muçulmanos. então o que certamente para os homens resulta é morar no inferno". também destacam-se os conteúdos de caráter ético e moral. repita Seu nome". condições de clima. 4. Nas religiões Crê-se em uma vida pós-morte. bem como a interação de Cristo com os diversos credos. um redentor.

Bernard Meland. O Deus da metafísica do processo e o Deus da revelação bíblica são. em grande parte. A oração e o serviço possuem pouco significado a não ser que haja um relacionamento real e pessoal entre Deus e os homens. A teologia do processo adotou a metafísica elaborada pelos filósofos do processo para obter os recursos mais adequados para expressar aquilo que a Bíblia entende por Deus e por mundo dentro da moderna estrutura da cosmovisão evolutiva. Segundo pensam. Ademais. Um Deus que não pode agir ou ter interação com o mundo teria uma personalidade menos do que significante. A grande contribuição da teologia de processo é a doutrina do relacionamento de Deus com o mundo. Deus está tão intimamente ligado com o restante da realidade que Ele também é visto como estando crescendo e se desenvolvendo. Deus cria junto com o resto do mundo. O mundo para eles está em mudança e Deus também está nesse processo. A primeira destas ênfase é achada em Bernar Loomer. . Ele é o Pai da criatividade. XX que se originou. Não há apelo existencial num Ser impessoal com quem não se pode ter relacionamento. Esse tipo de Deus não consegue casar com a idéia de um Deus que interage na História e mantém uma relação de amor e ajuda às criaturas.TEOLOGIA DE PROCESSO Movimento teológico do séc. A teologia de processo seguiu duas direções principais desde Whitehead: a empírica e a racional. seguido por John Cobb e Schubert Ogden. o mesmo Deus. e Henry Weiman. o campeão da segunda delas Charles Hartshorne é talvez o mais relevante dos teólogos de processo desde Whitehead. que considerava a realidade como tendo uma natureza progressiva ou evolutiva. "imperial" e conceitualmente impossível. do pensamento de Alfred North Whitehead. Propõe a Teologia de Processo que um Deus criou a partir do nada seja autocrático. dentro da corrente racional. supostamente.

E existe teologia evangélica no catolicismo romano e oriental-ortodoxo. origem e norma da mesma – é aí que existe teologia evangélica. há uma coisa comum entre as mais variadas teologias. compreendê-lo em seu sentido e interpretá-lo quanto ao alcance de sua existência – e isso. de conceituação e de expressão de todos os homens. ainda não é necessariamente evangélica. inclusive os crentes. a fé de pessoas humanas que receberam o Dom e a vontade de reconhecerem e de confessarem a auto-revelação de Deus como tendo acontecido a favor deles. de forma clara e inequívoca. para ser redescoberta e revivida na Reforma do séc. verdadeiro e real é aquela que procura comprovar a se mesma pela "demonstração do espírito e do poder". Não queremos o termo evangélico de forma confessionalista . de forma ativa. veio à luz. Mas ao termo "Deus" poderão ser atribuídos os mais variados sentidos. de compreender e de interpretar a "Deus". que tem por finalidade perceber um objeto (respectivamente uma área definida) como fenômeno. XVI. Teologia evangélica é aquela que intenciona perceber. O adjetivo aponta para o novo testamento e simultaneamente para a Reforma do séc. por ser a mais correta de todas. por ser ciência específica (e muito específica). Mas. o Deus que se manifesta no evangelho. A teologia evangélica raciocina com base em três premissas secundárias.TEOLOGIA EVANGÉLICA Teologia representa um dos empreendimentos humanos costumeiramente qualificados de "científicos". isto é. compreender e tornar manifesto o Deus do evangelho – quer dizer.já que evidentemente aponta para a Bíblia – que de alguma maneira está sendo respeitada em todas as confissões. A melhor teologia. por ser "protestante". latentes nos documentos das história de Israel. do esforço teológico-cognitivo. e este fato lança uma luz bastante reveladora sobre os deuses em questão: é que cada uma delas se considera e se proclama a se mesma sendo a única correta ou ao menos como sendo a melhor. existência que vê confrontada com a auto-revelação de Deus no evangelho. posteriores aos evento reformatório. como também existe na área das inúmeras variações e mesmo das formas degeneradas. a partir de suas origens absconditas. dentro do caminho indicado pelo próprio objeto em questão. realizado no confronto com Deus que se auto-revela no evangelho. A teologia da qual trataremos é a que. XVI. nos escritos dos evangelistas. de forma que necessariamente também deverá haver uma multiplicidade de teologias. Onde se realizar o evento deste Deus se tornar objeto da ciência do homem e como tal. fato este que os capacita tecnicamente a participarem. que por si mesmo fala aos homens. que age dentro deles e entre eles da maneira por Ele mesmo indicada. que são: dialética insolúvel do evento da existência humana. a única teologia correta do Deus sublime. . se trate de perceber. dos apóstolos e profetas do novo testamento. na capacidade de percepção. Teologia. único. A teologia à qual queremos introduzir é a teologia evangélica. e na razão. O termo "teologia" parece indicar que em seu âmbito.

O Deus do evangelho se compadece. na unidade de sua vida como Pai. na história de suas ações. é ciência que deixa seu assunto agir livremente. antes de tudo. O assunto da teologia evangélica é Deus – Deus . Teologia evangélica. superior a existência humana. Filho e Espírito Santo – assim. isto é. mas precisamente lida com o homem. de forma que vai sendo liberada continuamente por seu próprio objeto. como sendo o homem de Deus. o Deus do evangelho é o Deus que se relaciona com o homem. que bastasse a si mesmo e que fosse recluso em si mesmo: não é nenhum Deus absoluto. seu amigo. seu Deus. em confronto com o Deus do evangelho. a sua auto-revelação benigna e amiga ao homem. Nela é que Ele se manifesta a si mesmo. responde ao gracioso sim de Deus. isto é. mas antes em confirmação do mesmo. como seu ser e sua auto-compreensão. em relação a realidade – dele distinta – Ele é livre. para verificar como a existência. seu irmão. Portanto. mas também como seu pai. por ser palavra de graça. e. através do seu labor. mas igualmente não só acima do homem. isto é. de ser Deus – não ao lado do homem. venha revelar-se. Como em si mesmo é o Uno. junto a ele. a favor dele: não só como seu senhor. a fé e a capacidade intelectual do homem. não é um Deus desvinculado de tudo que não seja Ele mesmo. e isto não em detrimento ou em abandono do seu ser divino. Ela em toda a sua modéstia é ciência livre. Teologia evangélica sabe esperar. Mas nesta história Ele também é o que é. A prioridade absoluta da teologia evangélica é Deus mesmo. O Deus do evangelho não é nenhum Deus solitário.Teologia não ignora que o Deus do evangelho se acha voltado para a existência humana. . A teologia evangélica lida com o Deus do homem. Nela Ele tem e prova tanto sua existência como sua essência. mas sim. que tem uma palavra amiga. o Deus do homem. de jure e de fato.

defendida por Madame Blavatsky. em certo sentido. Ciências divinas. em um julgamento em Paris. A época mais fluente do tomismo começou nos meados do século XIX. Esta especulação mística espalhou-se também para a Pércia e foi recebida pelos árabes depois da sua conquista do Irã. Nos tempos modernos. de Deus e das leis do universo. O tomismo foi atacado por causa de alegados erros. assim como de uma intuição ou iluminação que o leva a conhecer a divindade. nos séculos XVI. virtualmente oficializando o tomismo como a maneira como os católicos romanos devera filosofar acerca de sua fé cristã.TEOSOFIA No grego: theós + sóphos. O termo emprega-se também para um sistema filosófico. Porém sobreviveu facilmente a isso. Mostravam a instabilidade da existência material. movidos por forças ocultas. francês – théosophic. e cresceu em influência. alemão – theosophic. Conhecimento de Deus. (sabedoria de deus) . É panteísta e nega um Deus pessoal e imortalidade da pessoa humana. Prega a fraternidade dos homens e tolerância de todas as crenças religiosas. . baseado no conhecimento interiormente revelado e místico. TOMISMO A escola de filosofia e teologia que segue o pensamento de Tomás de Aquino. França em 1876. para conseguir isto precisa livrar-se gradativamente dos grilhões da matéria. O termo já era usado pelos neoplatônicos para indicar o conhecimento das coisas divinas derivadas de uma direta inspiração de Deus. Comunicação com Deus. Doutrina da analogicidade do ser que consiste em julgar que o termo ser referido à criatura tem um significado não identifico. a realidade de um mundo oculto que de todas as partes nos cerca. É doutrina do caráter abstrativo do conhecimento. A doutrina do tomismo entra nas relações entre razão e a fé que consiste em confiar à razão o dever de demonstrar o preângulo da fé. Desenvolveu-se em várias fases e passou por períodos de apoio e descuido. Em diversas épocas apareceram homens a imortalidade da alma e a existência de um vasto cosmos. a filosofia hindu teosófica. o nome de teosofia foi dado a uma forma de crença. Em uma encíclica de 1879. através do conhecimento e do domínio da ordem natural. a qual consiste ser absolutamente em abstrair do objeto. escritora russa. mas só aparecido ou correspondente ao ser de Deus. Para Leão XIII pediu que o catolicismo romano voltasse à filosofia tomista tradicional. XV. inglês – theosophy. de esclarecer e defender os dogmas indemonstráveis e de proceder de modo relativamente autônomo no domínio da física e da metafísica. A doutrina fundamental da teosofia é que o homem tende a voltar à ordem divina de onde saiu. Os primeiros vestígios da teosofia encontram-se nos UPANISSHADS SÂNSCRITOS. sendo.

que propõe uma distinção entre história e fé. Também entendemos que seu nome caberia melhor em um ensaio sobre a teologia do século dezenove. sendo equiparada à própria fé. Apesar de ser mencionado já na introdução. portanto. É claro que nessa abordagem. são quase ignorados. A grande lição que o século vinte nos ensinou foi: ―saia da linha ou seja esquecido‖. o que um dia faremos. Quanto aos milagres. alguns nomes inevitavelmente ficaram de fora. Ele insiste que a Bíblia está cheia de mitos. Ao fazê-lo. demos também a Immanuel Kant um capítulo à parte. e outros. . o Jesus descrito nos evangelhos não é o Jesus histórico. tais acontecimentos não são eventos históricos. Não tivemos com isso nenhuma intenção de reduzir a importância Brunner ou qualquer outro teólogo contemporâneo. bíblica e sistêmica de seus escritos. equiparando-a a qualquer narrativa antiga. não puderam ser apresentados em um capítulo próprio. Bultmann também nega todo valor objetivo da Bíblia como Palavra de Deus. Em suma. e sim Geschichte. alegando que a primeira diz respeito à história objetiva e secular. Marx e Darwin.Conclusão: Qual será a cara da teologia do século XXI? Neste trabalho apresentamos as principais escolas teológicas do século vinte e seus respectivos arautos. ele é cético: todas as narrativas miraculosas não passam de mitos. entre o Jesus histórico e o Cristo kerigmático. como Emil Brunner. Um contemporâneo de Kant que também influenciou a teologia do século vinte foi Soren Kierkgaard. definindo-o como Totalmente-Outro. Bultmann e Tillich. Os milagres. apenas tentamos apresentar os nomes associados às respectivas escolas. se Deus permitir. o nome de Brunner está bem associado ao de Karl Barth e à teologia dialética. e da influência desses pensadores sobre a teologia contemporânea. mas não lhe dedicamos um capítulo especial porque entendemos que ele foi um teólogo cristão e não especificamente um filósofo secular como Kant e Marx. ele faz distinção entre Historie e Geschichte. Para Bultmann. Seguindo Kant. enquanto o segundo diz respeito à história subjetiva e sacra. tenham tanta repercussão quando outros como Pannemberg e Cullmann. pois temos considerado que sua influência sobre a teologia do século vinte é maior que o de qualquer outro. O teólogo de maior projeção dentro da teologia contemporânea é Karl Bath. Nossa exposição começou com uma abordagem panorâmica do pensamento de Kant. Parece que a popularidade de um teólogo está mais relacionada ao grau de inovação que ele apresenta do que com a coerência lógica. Uma distinção semelhante ocorre em Bultmann. e que deve ser desmitificada por nós. Consideramos injusto que nomes como Barth. e nesse aspecto. tornando difícil conhecê-lo e relacionar-se com ele. e sim uma mera narrativa mítica. Barth inspirou-se na filosofia existencialista e principalmente em Kant para elaborar o seu conceito teológico de Deus. a ressurreição e outros atos sobrenaturais narrados na Bíblia não são Historie. muito mais ortodoxos que os três primeiros. inevitavelmente isola Deus do outro lado do abismo. Ainda bem que não escrevemos nossas obras para obter lisonjas dos homens. não devem ser confrontados na esfera secular.

. o que levanta inclusive algumas objeções sobre a sua teologia. mas na filosofia socialista de Karl Marx. Emílio Castro. porém. Outro importante teólogo secularista foi Paul Van Buren. a própria expressão ―Palavra de Deus‖ caiu em desuso no decorrer do século vinte. A resposta por eles é uma afronta à teologia. aliás. ou simplesmente ―História da Salvação‖. Nessa mesma época surge na América Latina a Teologia da Libertação. surge um grupo de teólogos cujo exacerbado esforço era elaborar uma teologia que estivesse mais próxima dos problemas da humanidade. De qualquer forma. do ―bispo‖ John Robinson. aliás. com pressupostos bastante semelhantes. A maioria deles parecia estar mais ligada às idéias de seu tempo do que à Palavra de Deus. Leonardo Boff. discordando dele quanto às conclusões. Buscando inspiração não na Bíblia.Para refutar a teologia de Bultmann. José Míguez Bonino e o então missionário no Brasil. Para Cullman não existe duas histórias. A heresia fomentada por católicos romanos como Juan Luís Segundo. O patrono da teologia secular. sobretudo à teologia protestante. surge o Dr. Porém. Em uma época em que os teólogos faziam questão de distinguir entre teologia e história. ele sequer admite uma história secular. Honest to God. que construiu a sua teologia tendo por base a história. A sua ênfase é extremamente cristológica. A história abrange os atos portentosos de Deus em favor da nossa redenção. foram as principais obras desse movimento. Ele foi sem dúvida o mais radical deles. pois faz do marxismo o maior dos atos de Deus na história. toda história é História da Salvação. Na década de sessenta. O problema é que essa idéia foi levada ao extremo. Hugo Assman e Gustavo Gutiérrez Merino. essa nova escola teológica agitou o cenário teológico nas décadas de sessenta e setenta. apesar de Cullmann e Pannemberg terem prestado um relevante serviço á ortodoxia (ainda que nenhum deles é considerado literalmente ortodoxo). É essa teologia ativista que os teólogos secularistas propõem. salvando assim a historicidade do cristianismo. o principal expoente dessa nova e estranha doutrina é o expadre e posteriormente professor da PUC-SP. Wolfhart Pannenberg construiu uma teologia sobre o alicerce da história. A Cidade Secular. Para ele. Uma característica interessante de Culmann é que ele aceita o desafio de Bultmann e apresenta suas elucubrações partindo de alguns pressupostos da crítica formal. No Brasil. buscava consolidar uma teologia que pudesse oferecer respostas ao clima ditatorial e à crise econômica latino-americana. e protestantes como Rubem Alves. Richard Shaull. bem como Pannemberg. a teologia de Cullman é uma ponta de esperança para o pensamento teológico contemporâneo. Dietrich Bonhoeffer ficou conhecido por participar de um complot contra a vida de Hitler. nem todos os teólogos contemporâneos assumiram a mesma postura. de Harvey Cox. uma cristã e uma secular. Oscar Cullmann com a Heilsgeschichte.

Como homens loucos. nega o sobrenaturalismo das escrituras e se esforça para reinterpretar as narrativas miraculosas em termos existenciais. tudo isso soa dissonante ao supremo às palavras de Jesus no sermão do monte. Ora. O ―Deus Finito‖ não é o único problema da teologia de Moltmann: ele também nega que a ressurreição de Cristo seja um fato histórico. e sim se a violência é justificável ou injustificável. eles corriam desesperados em busca de uma associação que pudesse ―salvar‖ à teologia. é vã a nossa fé‖. Esse teólogo católico teve a mente tão doutrinada pelas teorias evolucionistas que chegou a apresentar o próprio Deus. ―se Cristo não ressuscitou. militância contra governos que se oponham aos nossos valores. Não é preciso dizer que ele teve que fazer um esforço hercúleo e muita eisegese para conciliar o criacionismo bíblico e o evolucionismo. Outra mostra desse desespero é a teologia de Jurgen Moltmann. a violência é desaconselhável em qualquer situação. que nos ensina que melhor é o sofrer fazendo o bem do que fazer o mal para que os advenham bens. e sim uma demonstração de amor. Nossos atos não deveriam ser julgados por padrões absolutos e uma ética relativa se infiltrou na teologia contemporânea. . a Ética Situacional apregoa uma teologia na qual os fins justificam os meios. é relativa e pragmática. Joseph Fletcher afirmou que a moral não é absoluta. porém. muitos teólogos do século vinte perderam completamente o senso de direção. Esse conceito tem suas base na filosofia ateísta de Nietzche e aparece também na Teologia do Processo. uma vez que ele decidiu entrar no tempo. Em seu afã de apresentar uma teologia que pudesse se adequar aos padrões mundanos e às crenças seculares. A questão central não é a violência em si. Vemos isso na teologia do padre católico Teilhard Chardin. Na perspectiva de Moltmann. tornando-se um ser meramente temporal. duas teorias totalmente opostas uma à outra. a morte de Cristo não foi substitutiva. do pragmatismo e das filosofias relativista e positivista. conhecida como Teologia da Esperança. mas nada tem a ver com a Bíblia. A Bíblia cada vez mais parecia um livro ultrapassado e cada vez mais os teólogos procuravam muletas seculares para amparar à Bíblia. assim como outras teologias modernas. Desse modo. e não o contrário. Somos bem-aventurados quando somos perseguidos e vilipendiados. A moralidade de Molmann. nem mesmo Deus é eterno. mas a escatologia de Moltmann nada tem a ver com a noção tradicional que envolve o retorno de Cristo e a entrada dos crentes no estado eterno. Essa teologia é de ênfase escatológica. Não há conduta errada quando se quer alcançar um fim nobre. como um Ser em evolução. Para ele não existe o problema da violência versus não-violência. Pecar deliberadamente para que a graça seja mais abundante.Várias outras tentativas de amoldar a teologia à praxe modernista também foram elaboradas. Esse pragmatismo também está presente na Teologia da Libertação e na Teologia Secular. assim como a de Fletcher. Usando pressupostos do existencialismo. aquele que a Bíblia descreve como imutável. Para Cristo. A Ética Situacional.

A ressurreição também é reinterpretada por ele. É simplesmente impossível encontrar uma só igreja liberal com membresia superior a cem membros. Tillich elaborou uma teologia que ficou conhecida pelo nome Teologia do Ser. segundo essa concepção. podemos perceber no pentecostalismo certo frescor. ao contrário.13-19). Sua própria teologia está baseada em um ser impessoal. . no entanto. a principal influência de Hatshorne foi o matemático e filósofo Alfred North Whitehead. a natureza do pecado e a própria salvação. Valendo-se de pressupostos existencialistas e liberais. mas isso não desqualifica o movimento como um todo. Esse teísmo anti-bíblico mina toda confiança que o crente deposita na Bíblia. Nascido na Califórnia. A característica principal dessa teologia é a afirmação de que Deus é um ser temporal e está sujeito ao tempo. O teólogo mais controverso do século passado. Entre as doutrinas por ele modificadas estão a encarnação. 1Co 15. retirando assim a base da esperança cristã (cf. Ele fatalmente não pode prever o futuro. mais de um século depois.Charles Hatshorne é o preconizador da Teologia do Processo. o pentecostalismo e o neopentecostalismo. A conseqüência direta dessa teologia é simples: se Deus não tem o controle dos contingentes futuros. Tillich e dos demais teólogos de influência no século vinte. não foi Hatshorne. como já vimos. As igrejas pentecostais. mas um ser finito e limitado ao tempo. não é um Ser Onisciente. apesar da semelhança com as teologias de Moltmann e Chardin. Trata-se de uma tentativa de voltar à fé cristã primitiva. Embora em alguns círculos Paul Tillich seja citado como o ―teólogo dos teólogos‖. Deus. olhamos ao nosso redor e indagamos pelas igrejas liberais e neo-ortodoxas. Contudo. o moderno movimento pentecostal teve como principal pregador o pastor William Seymour. Barth. Como disse o Rev. e deve ser logo descartado. ele assevera que Deus está em constante processo evolutivo. Ele propõe reinterpretações da Bíblia. O pentecostalismo. Ele surge como chuva serôdia em meio ao árido cenário teológico do século vinte e mantém-se na contramão de Bultmann. Hoje. vivem abarrotadas e há constante necessidade de se construir novos templos. e o principal teólogo e sistematizador das doutrinas pentecostais foi Charles Parham. É fácil fazer um paralelo entre Moltmann e Chardin: assim como Moltmann. De modo geral. Essa teologia também é conhecida pelo nome de Teísmo Aberto e Teísmo do Livre-Arbítrio. encontra suas raízes no Movimento de Santidade e tem em John Wesley seu principal antecessor. de tal forma que o movimento foi chamado em seus primórdios de Restauração da Fé Apostólica. Não foi apenas a importância dessas duas teologias no cenário brasileiro que lhe renderam um lugar especial neste trabalho. não há nenhuma razão para depositarmos nele alguma confiança. à saber. bem como a mudanças e a evolução moral. Hernandes Dias Lopes em palestra no congresso Vida Nova de Teologia. Muitos excessos foram cometidos nessa tentativa de retorno ao modo de culto primitivo. ele afirma que Deus tornou-se finito e temporal. muito das quais beiram o absurdo. Reservamos os dois últimos capítulos para abordar dois movimentos que estão em acelerado crescimento em nosso país. mas um que se posicionou bem na fronteira entre esses dois pensadores: Paul Tillich. ―as igrejas liberais nasceram fadadas ao fracasso‖. mas também a dissociação dessas dois movimentos das demais escolas contemporâneas de intrepretação teológica. e como Chardin. da perspectiva conservadora ele não passa de um herege. reduzido à mera força racional e criadora. Bultmann ou Barth.

Kenyon.S. a Bíblia da Batalha Espiritual e Vitória Financeira. nem sempre há justiça em teologia. que inclusive escreve livros sobre prosperidade e promove a Bíblia de estudo do Morris Cerrullo. Quer seja por Immanuel Kant. O problema é quando a filosofia ruim ou irracional arroga para si o status de verdade universal. A primeira é que do ponto de vista conservador. vemos de cara a influência da filosofia pragmatista norte-americana e até mesmo idéias da seita Ciência Cristã. haja vista que ao final de cada capítulo são apresentadas várias objeções às respectivas escolas. esquecendo do exemplo de Jesus na tentação de Mateus capítulo quatro. É difícil enumerar uma a uma as diversas conclusões à que chegamos. não significa que toda filosofia seja ruim. como por exemplo o Pr.O neopentecostalismo surge na década de setenta como uma deturpação do movimento pentecostal e como reflexo de uma cultura capitalista. fruto do casamento da teologia com a filosofia existencialista. A tendência dos ―poderosos‖ sempre foi usar o poder em benefício próprio. prostrado ante Mamon em adoração. que já ganhou o apelido de Bíblia do Milhão. e repetilas agora seria uma tarefa enfadonha e pouco proveitosa. aumentando a necessidade de apologistas cristãos entre nós. O próprio neopentecostalismo é um materialismo disfarçado de cristianismo. Até no pentecostalismo podemos perceber as idéias previamente concebidas por John Wesley e no neopentecostalismo. como é o caso de Jurgen Moltmann. enquanto Benny Him endossa a fileira espiritualista. Os teólogos do século vinte foram grandemente influenciados pelas idéias teológicas e filosóficas de pensadores anteriores a eles. estabelecesse uma teologia para verter as bênçãos espirituais em materiais e essas sobre si mesmos. A segunda conclusão à que chegamos é que mui dificilmente um pensador escapará às idéias do seu tempo. Isso porém. e não demorou para que um grupo de pentecostais. o certo é que nenhum deles escapou das influências do seu tempo. os principais expositores desse movimento pragmático-mercantil são RR. que ela exista ao menos para refutar a filosofia ruim‖. A análise da teologia do século vinte nos ensina pelo menos três coisas. Soares e Edir Macedo. . ―se não há razão para existir a filosofia. Qualquer que leia a obra de Teilhard Chardin logo se dará conta de que o evolucionismo para ele está acima da teologia e que as idéias de Darwin são mais aludidas por ele que os portentosos atos de Cristo. Atualmente há também pregadores pentecostais aderindo à idéias do movimento neopentecostal. Tudo isso torna o trabalho do teólogo muito árduo. A verdade é que herdamos uma teologia deturpada. No Brasil. ou por Nietzche e Overback. Lewis. Silas Malafaia. Barth. Cooperland e Hagin formam a ala mais materialista do movimento. Sheleiermacher e Soren Kierkgaard. da Assembléia de Deus. há também a boa filosofia e como disse C. Parece que para ganhar projeção no meio evangélico é preciso romper com os antigos padrões e fomentar o erro no seio da cristandade. como no caso de Brunner. Tillich e outros tantos teólogos neo-ortodoxos.

uma música do cantor evangélico João Alexandre parece representar bem o quadro do protestantismo brasileiro. é levá-los a refletir sobre as bases sobre a qual a teologia do século passado foi edificada. os temos. No momento. No entanto. não devemos sujeitar a nossa teologia às novas tendências. ainda permanece uma pergunta: Até que ponto nós somos ortodoxos? Muitos teólogos do século passado se perderam nas idéias do seu tempo de tal forma que as suas abordagens dificilmente podem ser consideradas cristãs. Esperamos que o que hoje é um fato. permanecem até hoje. saberemos o resultado dessa construção. A nossa principal intenção. Portanto. A necessidade do homem ainda é a salvação. incitá-los a pensar de modo crítico e com isso propor uma analise concernente ao fundamento sobre o qual construiremos a teologia do século vinte e um. se quisermos construir um edifício teológico bem alicerçado para o futuro. hoje estamos analisando a teologia do século vinte. além de introduzir estudantes de teologia no panorama teológico do século vinte. Entendemos que tal esforço cabe mais a uma enciclopédia que a um ensaio de teologia. Devemos nos esforçar ao máximo para fazer da Bíblia o nosso pressuposto básico. com certeza. Precisamos olhar para os erros do passado e com muita cautela construir a teologia do futuro. É por isso que um evangelho sem cruz. . Essa tentativa foi feita no século passado por neo-ortodoxos e liberais. ―é impossível exegese sem pressupostos‖. e fracassou. e amanhã. ainda que pareça agradável aos ouvidos no início.A terceira conclusão é que embora seja muito difícil escapar do nosso invólucro cultural. amanhã seja apenas história. à fim de agradar as mentes contemporâneas. nesse início de século. correntes filosóficas e modismos pós-modernistas. logo será abandonado: Ele fatalmente fracassa por não pode satisfazer às exigências da alma humana. faz-se necessária a avaliação dos nossos paradigmas e não apenas a simples adequação dos mesmos à interpretação bíblica. nós analisamos e julgamos a teologia contemporânea à luz das nossas pressuposições. E na verdade. Agora. sem salvação. O que dirão da nossa teologia? Ou será que nós não temos pressupostos? Sim. Diante de tudo o que temos exposto. isso porque. ele está em busca de uma fé para viver. mas amanhã serão analisados os pressupostos teológicos do século vinte e um. E a nossa teologia? Ela ainda pode ser considerada cristã? Ora. A razão disso é que o homem não está simplesmente buscando uma doutrina para concordar. ressurreição ou imposições morais. Terminamos assim a nossa introdução à difícil matéria de teologia contemporânea. Não foi possível apresentar uma obra completa ou fazer uma analise dos pormenores dentro de cada escola. como bem afirmou o controverso Rudolf Bultmann. cabe a cada teólogo fazer a sua parte nesse edifício. aquelas igrejas que permaneceram fiéis à tradição reformada e ao cristianismo histórico.

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[. Paul Tillich. John Robinson. Brunner. entre outros. Leonardo Boff.. Teilhard Chardin. Bultmann. .] Também foram utilizadas várias resenhas dos livros de Barth.. bem como artigos compilados da internet.

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