INTRODUÇÃO EMENTA A Teologia Contemporânea trata do estudo acerca da teologia mais particularmente do Século XX.

Esse século esteve comprometido com uma pluralidade de ―teologias‖, de caminhos e de muitas reflexões sobre o mundo, sobre Deus e o homem. De início, há a necessidade de uma passagem reflexiva pelo período medieval, ainda que de modo conciso, no que tange aos debates teológicos e seus grandes expoentes. Depois, em evidência, a Reforma Religiosa com suas propostas renovadoras, não no sentido de se estabelecer novas doutrinas, mas de reaver a natureza e sentido da Bíblia como padrão de fé e prática da Igreja. Sobre a salvação e o papel da Igreja, se constituem algo de extrema importância nesse cenário, respectivamente. Entretanto, o que era para ser renovado, transformou-se numa divisão de segmentos eclesiais, fazendo surgir posturas diversas em relação a vários pontos doutrinários. Antes de se refletir sobre a teologia do Século XX, é imprescindível verificar que a Teologia Contemporânea tem suas bases assentadas no Século XIX. Immanuel Kant sistematizou a confiança do homem moderno na capacidade da razão para tratar de todo o material em sua capacidade e em sua incapacidade para ocupar-se do que vai mais além. Assim, um novo conjunto de pressupostos religiosos moldou o pensamento do homem moderno. O Iluminismo qualificou os séculos XVII e XVIII, constituindo a história intelectual do Ocidente. Enquanto a cosmologia da Idade Média era percebida como um sistema orgânico, na modernidade tudo passou a ser relativo, fragmentado. A era da razão toma corpo, de modo que o homem passou a ser visto como o centro do universo. Deus já não era mais visto como o autor da criação, e se era, não interviria nela; a religião não mais doutrinava a vida humana, mas a produção científica. A Teologia Contemporânea é a teologia do Século XX. Em sentido real, nasceu em 1919. Seu iniciador foi um jovem pastor, Karl Barth (1886-1968). É ele um novo pivô teológico na história, o anúncio de uma nova era teológica, considerando como marca o seu Comentário da Carta de Paulo aos Romanos, em 1919. Uma análise não só em Barth, mas também em muitos outros expoentes faz justiça à natureza da matéria. OBJETIVO GERAL Conduzir o estudante de Teologia à reflexão sobre os principais pontos da Teologia Contemporânea relacionados aos seus expoentes, é o objetivo geral da matéria. Consequentemente, se pode também observar as muitas facetas de posturas teológicas que ainda hoje se propagam, fazendo que as mentes reflitam mediante diversificados caminhos, bem como gerando diversificadas conclusões. Conclusões que muitas vezes se distanciam da Bíblia e comprometem negativamente a antropologia e áreas afins. OBJETIVOS ESPECÍFICOS Por objetivos específicos, significa o entendimento das diversas posturas de teólogos do período que compreende o Século XX. A percepção de como se conduziram os pensamentos diversos, uma vez que não daria mais para estar preso a dogmas. Serão sistematicamente percebidos, os postulados divergentes e convergentes dessa época, que tiveram seus objetivos de se tentar dar respostas às perguntas surgidas, quer do ângulo da Ciência, quer do ângulo da própria Igreja, respostas concretas.

Índice
Introdução: Vertentes que influenciaram a teologia do séc XX 1. 1.1. 1.2. 1.3. 1.4. Fase Racionalista ou Iluminista Racionalista Deísmo Iluminismo Principais temas em debate

2. Fase Romantista ou Modernismo 2.1 Imannuel Kant 2.2 Um novo conjunto de pressupostos religiosos para o homem moderno. 2.3 A autonomia do homem e sua influência no pensamento religioso moderno. 2.4 O relativismo de David Hume e sua influência na filosofia kantiana. 2.5 O confinamento de Deus na teologia contemporânea. 2.6 As idéias deístas na filosofia da emancipação e sua influencia na teologia contemporânea. 2.7 Uma separação radical entre história e fé. 3. Friedrich Schleiermacher. 3.1 Ritschl e sua escola. 3.2. Adolf von Harnack da escola de Ritschl. 3.3 Hegel e os idealistas. 3.4 Ferdinand Christian Baur. 3.5 David Friedrich Strauss.

4. Dialética de Karl Barth e a revolta contra o Liberalismo Teológico. 4.1 Neo-ortodoxia: Analisando os pressupostos teológicos do novo liberalism.o 4.2 Objeções à neo-ortodoxia. 5. Crítica da Forma: O método investigativo de Rudolf Bultman. 5.1 O método investigativo da crítica formal. 5.2 Objeções ao método crítico de Rudolf Bultmamm 5.3 Desmitologização: O método interpretativo de Rudolf Bultmann 6. Heilsgeschichte: A escola teológica do Dr. Oscar Cullmann 6.1 O pensamento de Cullman e a ortodoxia teológica.

7. Teologia Secular: Robinson, Cox e Buren: Uma teologia do mundo para o homem moderno. 7.1 A postura da teologia secular. 7.2 Avaliação da teologia secular.

8. Ética Situacional: Joseph Fletcher e um novo conjunto de valores para o homem moderno. 8.1 Conhecendo os pressupostos da nova moralidade. 8.2 Uma análise da nova moralidade religiosa. 9. Teologia da Esperança: Jurgen Moltmann e a análise escatológica existencial. 10. Teologia da história: Wolfhart Pannenberg e a teologia histórica da ressurreição. 11. Pannenberg e a ressurreição de Cristo. 12. Teologia da Evolução: Teilhard de Chardin e o darwinismo teológico. 13. Teologia do Processo: Dr. Charles Hartshorne e a Teologia do Deus Finito. 14. Pressupostos da teologia de Paul Tillich. 15. Teologia da Libertação: Uma resposta teológica à crise econômica e social Latino-Americana. 16. Pentecostalismo: Parham, Seymour e o avivamento místico-pietista do século XX. 17. Neopentecostalismo: Misticismo, pragmatismo e culto à Mamom. 18. Glossário Teológico Contemporâneo.

Conclusão

1640-1680) – que diziam que a ―razão é um reflexo da mente divina na alma humana‖. 1. que era con-siderada serva da teologia. se expandiu para além dos limites do pensamento aristotélico e da Bíblia – em parte devido à ciência natural e em parte fruto de reflexões de pensadores como René Descartes (1596-1650). pois. Nos anos que se seguiram ao Sínodo de Dort (1618-19). pelo menos inicialmente. termo derivado da palavra latina latitudo. por algum tempo. a filosofia. até então. as novéis colônias inglesas na América. Os principais mentores desse movimento foram os Cambridge Platonists (Platonistas de Cambridge) ou Teólogos-Filósofos de Cambridge (c. a partir da publicação. de dogmatismo e intolerância. o movimento veio à tona e seus adeptos foram chamados de latitudinarians (latitudinários). inclusive aquelas relacionadas à área da consciência ou do espírito. foram englobados no contexto arminiano. através do uso da razão. de seus Principia Mathematica (Princípios de Matemática). De uma maneira geral. formas de governo e de culto. Essa influência fez-se mais presente na Europa continental.1 Racionalismo No período que marca a virada do século 16 para o 17. a partir do final do século 16. que significa amplo ou largo. pouco afetando. especialmente devido à obra de Isaac Newton (1642-1727). O objetivo dos latitudinários era manter a igreja unida com base em uns poucos artigos fundamentais de fé. FASE RACIONALISTA OU ILUMINISTA No mundo cristão. . especialmente na Holanda reformada e na Inglaterra puritana. permitindo uma ampla variedade de doutrinas. alguns teólogos começaram a atacar o calvinismo. quem não era calvinista era tido como arminiano.1. Entretanto. que no século 17 estavam fortemente impregnadas de religiosidade. que tratou da controvérsia arminiana na Holanda. reagiram à confessionalidade e à disciplina. Houve uma sensível mudança no comportamento da sociedade cristã em face da influência do racionalismo. serviu para encobrir os racionalistas. os adeptos do uso da razão ou racionalistas. inis. Essa classificação generalizada. que.(1) fez com que muitos homens se convencessem do poder da razão e da necessidade de todas as coisas serem testadas por ela. por fazerem oposição ao calvinismo. se pensava serem inacessíveis à razão. chamando-as reséctivamente. O progresso da ciência. em 1687.

o declínio da fé e o enfraquecimento da vida religiosa. na Inglaterra. Deus não pode-ria fazer o que para o homem seria imoral. que em meados do século 18 já havia perdido a sua força original. caracterizada pela busca de uma verdade racional e imutável. eles suspeitavam de tudo que não se conformava com sua visão mecanicista do universo. pelo menos até o final do século 18 os racionalistas aceitassem os milagres do Novo Testamento. Para Locke. em especial na França. O racionalismo teve grande influência no escolasticismo protestante. e. 1. no sentido de conformidade com o senso comum. o barão Christian von Wolff (1679-1754). por conseguinte. foi o estopim de outros movimentos de reação à ortodoxia protestante. Entre os filósofos alemães. alguns dos quais discípulos de John Locke. especial-mente. Contudo. Para os escolásticos. Embora.O racionalismo dava ênfase principalmente a dois pontos: (1) liberdade e dignidade. Os principais filósofos racionalistas da época foram: o judeu holandês Baruch Spinoza (1632-1677) e o matemático alemão Gottfried Leibniz (16461716) no Continente Europeu. muitas vezes acompanhadas de frieza espiritual. desenvolveu uma espécie de teologia matemática. a teologia racionalista tendeu a modificar. Alemanha e Estados Unidos. em sua grande maioria. no seio de um grupo de escritores de tendência racionalista. e até mesmo destruir. Halle foi aos poucos se tornando um centro de teologia racionalista entre os protestantes. dentre as quais o ateísmo. e (2) investigação científica. ser um bom religioso era aceitar as doutrinas corretas. . Embora tenha havido algumas contribuições benéficas à sociedade como um todo. John Toland (1670-1722). o racionalismo provocou graves e perturbadoras conseqüências na vida da igreja. No campo teológico-eclesiástico. Dentre os deístas ingleses destaca-se. membro do grande núcleo pietista que funcionava a partir da Universidade de Halle. John Locke (1632-1704). Os teólogos racionalistas defendiam a tese de que a bondade em Deus não poderia diferir em essência da bondade no homem e. as ortodoxias confessionais protestantes. a prova da verdade era a razoabilidade. Foi um movimento de curta duração.2 Deísmo O deísmo teve início na Inglaterra na primeira metade do século 17. Toland defendia a idéia de que ―a doutrina cristã nunca foi misteriosa e devia ser entendida somente como uma réplica da religião natural‖. cuja teologia começou a tender para um número exagerado de definições precisas. defensor do princípio da lei natural.

destaca-se a crença num Deus transcendente. 5) os milagres não são prova real da revelação. substituíram a revelação pela razão e pelos sentidos. popularizou as idéias deístas em seu país. Cristo foi apenas um mestre e. sendo a causa primeira. ou seja. milagres. obtiveram sua independência. é superstição e não tem valor. alguns eram declaradamente deístas. Os deístas. . ou são um insulto à perfeita obra de um Criador. como Benjamin Franklin (1706-1790). portanto. considerada por alguns historiadores como a bíblia deísta: 1) tudo que é reconhecido além e acima da razão é crença sem prova. contudo.O movimento deísta surgiu como uma reação à idéia de que o conhecimento teológico somente poderia ser adquirido através do ensino da Igreja ou da revelação pessoal de Deus. Seu propósito era estabelecer uma religião ao mesmo tempo natural e científica. Este último. 3) tudo o que é de valor na revelação já foi dado aos homens na religião natural racional. o empenho dos cristãos em atividades humanitárias e em uma maior tolerância religiosa. em 1776. Dentre os líderes do movimento de independência. como tal. um conhecimento religioso inato em todas as pessoas. desvalorizaram o pecado. posto que o cultivo da ética e da piedade estimulou. com seu livro Age of Reason (Idade da Razão. não deveria ser cultuado. 4) tudo o que é obscuro. de alguma forma. sob a alegação de que há uma religião natural. providência e encarnação. 1794-1796). ou são supérfluos. Tudo é regido por leis naturais. totalmente negativo. podem ser retiradas cinco idéias básicas da obra de Matthew Tindal (1657-1733). 2) os piores inimigos da humanidade são os que têm mantido as criaturas na superstição: os sacerdotes. que pôs este mundo a girar segundo as mais perfeitas leis mecânicas e não interfere no seu funcionamento. Thomas Jefferson (1743-1826) e Thomas Paine (1737-1809). mudando o foco da teologia de Deus para o homem. ou está acima da razão. Para corroborar o que foi dito resumidamente sobre os princípios do deísmo. pois. como culto perene a Deus. O deísmo não ficou restrito à Inglaterra. que está acima e além da sua criação. a Alemanha e especialmente as colônias inglesas na América. em síntese. preocuparam-se mais com o sujeito conhecedor. O legado do deísmo não foi. Os deístas criam também que a ética e a piedade eram as virtudes que necessitavam ser desenvolvidas. na assim chamada revelação. para revelação bíblica. do que com a realidade a ser conhecida. por exemplo. Christianity as Old as the Creation (O Cristianismo é Tão Antigo quanto a Criação. Deus não se envolve mais com o mundo que ele mesmo criou. que. explicados à luz da razão. por intermédio do Espírito Santo. como Estados Unidos da América. daí o cristianismo ser tão antigo quanto a criação. 1730). mas migrou para a França. Dentre os princípios que balizavam o deísmo. não havendo lugar. Em seu afã de valorizar o homem. ou que pode ser obtido pelo uso da razão. sendo a Bíblia um manual eminentemente ético.

considerada o maior movimento social dos tempos modernos. ou seja. colaborador da Enciclopédia e autor de vários tratados na área da filosofia. Itália e Alemanha. Outra figura de destaque foi François-Marie Arouet (1694-1778). . O iluminismo teve origem na Inglaterra. onde houve o culto da razão. que lhe diziam o que devia fazer. Locke defendeu a moral natural. tais como a Bíblia e o Estado. que tanto influenciou os chamados Pais Fundadores da Independência Americana. e pregava a tolerância para todas as religiões. mediante a razão. da tradição e da sociedade política e religiosa. Voltaire professava um teísmo baseado na ordem e na realidade do mundo. Rousseau repudiou a doutrina cristã da queda. Sua escravidão deve-se à corrupção da sociedade. Locke desenvolveu o deísmo inglês como uma religião natural e racional dos livres pensadores. Essa postura enfaticamente racional gerou uma forte oposição a todas as atividades e instituições que não fossem meramente racionais. contra o obscurantismo da história. em especial a ingerência da Igreja nas coisas do Estado. Ele nasceu livre. inicialmente. para a qual a religião deve arcar com boa dose da culpa. ou seja.1.[. A Revolução Francesa. Em 1784. cerca de 100 anos. Não menos importante que Voltaire foi Jean-Jacques Rousseau (1712-1778). não só na França. afirmando: Todo homem é nobre por natureza. disse que era a chegada do homem à maturidade. O pleno desenvolvimento do iluminismo ocorreu na França. racional e autônoma. Sua fonte principal foi o racionalismo.3 Iluminismo Iluminismo é o nome do movimento cultural. O alvo era o homem no estado de pura natureza. autor do Contrato Social. No campo da ética. imposta. O objetivo do movimento era iluminar o povo. o filósofo alemão Immanuel Kant. daí passando para a França. ou seja. as crianças devem ser criadas fora da influência danosa da Igreja. ao responder a uma pergunta sobre o que era o iluminismo. mais conhecido como Voltaire.] Assim. responsáveis pela editoração da Enciclopédia. Jean D‘Alembert (1717-1783) e Denis Diderot (1713-1784).. mas em outros países. O seu lema foi Sapere Aude (Tenha a coragem de usar o seu próprio entendimento). que devia ser restaurado. exceto para a oficial. social e religioso que se desenvolveu na Europa no período que vai da Revolução Inglesa (1688) até a Revolução Francesa (1789). Dentre os principais iluministas franceses destacaram-se. mas em todos os lugares se acha em cadeias. que foi um poderoso instrumento para a difusão das idéias iluministas. como a Igreja. sem a tutela de autoridades externas. que forneceu ao iluminismo o método crítico que utilizou com habilidade. a razão humana passou a dominar acima de tudo e de todos. Como foi visto. foi altamente influenciada pelo iluminismo e colocou em dúvida os dogmas da religião cristã. ao estágio em que o homem pensa por si mesmo..

―a cultura. cujo papel é fornecer uma educação moral para a raça humana. ensinando todos os homens a viverem como irmãos. segundo uma concepção historicista. cujo ensinamento moral se misturou com a política e a escatologia. no âmbito da teologia histórica. e sim uma perene investigação. responsável pelo novo tratamento dado pelos historiadores e teólogos a detalhes da vida de Jesus. em especial o deísmo de Locke. deu azo ao surgimento. Para Reimarus. Para Lessing. através das obras de Hermann Reimarus (1694-1768) e Moses Mendelssohn (1729-1786). que os discípulos teriam inventado depois da morte de Jesus. a uma racionalização da teologia e. através do livro Apologie oder Schutzschrift für die vernunftigen Verehrer Gottes (Apologia dos Adoradores Racionais de Deus). no século 19. no qual retratou Jesus como um pregador simples da Galiléia. a ciência. segundo o qual todos os fatos e circunstâncias estariam obrigados a ser considerados exclusivamente à luz da evidência dos Evangelhos. que foi. e que morreu desiludido. a verdade não é uma posse. identificação e desenvolvimento de várias tendências religiosas e filosóficas.O fundador do iluminismo na Alemanha foi Christian Wolff. Muitos estudiosos consideram que o maior expoente do iluminismo alemão foi Gotthold Ephraim Lessing (1729-1781). sobre o cristianismo de um modo geral. colocando Cristo e seu evangelho em segundo plano. Ele ainda considerava que as principais religiões eram expressões diferentes da única religião verdadeira. . a história da vida de Jesus deveria passar pelo crivo da razão. portanto. tendo procurado em vão estabelecer o reino de Deus na Terra. embora negativa. Essa obra expressa a sua crença na perfeição da raça humana e na perspectiva do desenvolvimento de uma consciência moral que poderia conduzir a humanidade a um estágio nunca atingido de irmandade universal e liberdade moral. Reimarus é considerado o precursor. Tal entendimento os levou. do tema do Jesus Histórico. Conseqüentemente. inclusive o cristianismo‖. Essa atitude se tornou típica do iluminismo teológico. a que se submete também a religião. Isso porque a ênfase dos iluministas estava centrada no homem. mormente sobre o movimento evangélico. conseqüentemente. O iluminismo exerceu significativa influência. inclusive verificando aspectos ligados à credibilidade dos escritos evangélicos. Disse ainda que o cristianismo se baseia nas alegações fraudulentas da ressurreição e da segunda vinda de Cristo. superior a todos os dogmas e doutrinas. naturalmente. responsável pela divulgação do racionalismo de Leibniz. autor de Die Erziehung des Menschengeschlechts (A Educação do Gênero Humano. Foi no Sacro Império Germânico que a teologia iluminista alcançou o seu maior desenvolvimento. os livros da Bíblia deveriam ser lidos e estudados como todos os outros livros. 1780).

36 2. Pelo contrário. quer quanto à época de sua aplicação. houve um notável desenvolvimento da maçonaria. que afirmou: ―Em contraste com a teologia existe a religião. para quem ―a moralidade é o alvo da religião‖. no período de 1555 a 1564. propunham alvos essencialmente humanistas para a sociedade. mesmo com o acréscimo tomista ―para o povo‖. Não obstante as diferenças essenciais assinaladas.Os liberais iluministas rejeitaram o antigo aforismo ―todo poder emana de Deus‖. deísmo e iluminismo. o modernismo nada mais foi que uma continuação de seus antecessores: racionalismo. o iluminismo exerceu forte influência sobre dois movimentos que marcaram a história recente da civilização ocidental: a Revolução e Independência Americana (1775-83) e a Revolução Francesa (1789-99). não têm direitos inalienáveis de governo. Isso pode ser constatado na leitura da obra de Matthew Tindal. o iluminismo tinha pelo menos um ponto em comum com o movimento evangélico: a ética moralizadora da sociedade. razão pela qual a Genebra calvinista. Dessa forma. A Revolução Industrial também pode ser considerada uma das filhas do iluminismo. Nessa mesma linha moralizante também se enquadra o racionalismo neologista de Johann Semler (1725-1791). FASE ROMANTISTA OU MODERNISMO Os diversos movimentos de reação à ortodoxia estão interligados entre si. Ainda com base no pensamento iluminista. se constata que é muito tênue a linha divisória entre as fases e subfases do liberalismo teológico. mesmo os reis ou príncipes de sangue. o governo deriva sua autoridade do consentimento do povo governado. O primeiro entendia que o Estado era um instrumento estabelecido por Deus para a manutenção da moralidade e para a promoção da verdadeira religião. A concepção dos iluministas era substancialmente diferente: embora reconhecessem a Divindade. . Nos campos político e social. É interessante a comparação entre a concepção de Calvino sobre o Estado e o pensamento iluminista. que significa a piedade viva que coincide com a consciência religiosa universal‖. Na realidade. de modo que fica difícil discernir fronteiras específicas. como no que se refere ao seu conteúdo. Assim. os governantes. é um exemplo clássico de moderna teocracia. em especial na Europa e nos Estados Unidos.

Com base nessa premissa. o homem do ocidente havia assimilado algumas dessas idéias. colocando em primeiro lugar a ética absoluta. mas divergiu do iluminismo no que tange ao propósito da vida. ao invés de ser um ato transformador de Deus.2 Um novo conjunto de pressupostos religiosos para o homem moderno.2. Embora já tenha sido mencionado na introdução. . para onde haviam convergido várias correntes teológicas e filosóficas no século 19. Kant se mostrou simpático à ênfase deísta apoiada no tripé Deus. pois produz modificação no caráter de tal modo que ―o mal radical do homem é derrotado e o bem é trazido à tona‖. um capítulo à parte. Ao fazer isso. mas também sobre o século vinte. As idéias de Tindal estão bem presentes no pensamento de Kant. ao contrário.1 Immanuel Kant O modernismo teve origem na Alemanha. 1793). Ela não é baseada em uma revelação particular ou histórica. e privava a graça de seu caráter puramente cristão. na própria natureza da vida humana‖. ele se posicionou ante a religião enfatizando que a religião moralista da razão é a única necessária. Kant logrou sistematizar a confiança do homem moderno na capacidade da razão para tratar de tudo o que diz respeito ao mundo material. A influência de Immanuel Kant na Teologia Contemporânea A revolução teológica do século passado que ficou conhecida pelo nome de teologia existencialista ou contemporânea. sem nenhuma dúvida. e sua incapacidade para ocupar-se de tudo o que está além do nosso mundo. o princípio básico da moralidade é o imperativo categórico. O mundo grego havia elaborado algumas normas religiosas básicas em torno do paradoxo entre a forma e a matéria. 2. esse filósofo merece. a síntese de Tomás de Aquino era de origem pagã e aristotélica. virtude e imortalidade. o qual é universalmente conhecido. Na idade média. Kant não se projetou apenas sobre o século dezenove. De certa forma. quando ele afirma que ―a verdadeira religião é natural e universal. tem as suas raízes nas idéias do filósofo Immanuel Kant. ao invés da felicidade. Para Kant. reorganizando-as em torno do conceito de natureza e graça. mas. fazendo dela um elemento aperfeiçoador da superestrutura. especialmente através do livro Die Religion innerhalb der Grenzen der blossen Vernunft (Religião dentro dos Limites da Razão Somente. Quem deu início a esse tipo de teologia liberal foi Immanuel Kant (1724-1804).

nem da negativa de Cullmann de considerar os relatos da criação de Gênesis como história autêntica. sobretudo da razão humana como autoridade final e como crivo para a verdade. e sim em conhecer o que devemos fazer para chegarmos a ser dignos dela. emancipada de qualquer pensamento preconizado. a emancipação de valores exteriores. Kant entroniza a razão como sendo o princípio supremo. . modelaram uma nova teologia e um novo mundo. até mesmo o conceito de natureza – conservado da síntese medieval aquiniana – se transformou. o homem tinha que nascer de novo como pessoa completamente livre e autônoma.3 A autonomia do homem e sua influência no pensamento religioso moderno. isto é. A verdadeira religião. segundo Kant. A natureza era agora interpretada como um terreno infinito que o pensamento matemático autônomo devia controlar. produziu uma avaliação muito elevada da capacidade humana. que apresenta os relatos da ressurreição como estando contaminados de lendas. nem está longe da idéia da razão autônoma como juíza da revelação na análise racional de Pannenberg. a natureza foi separada da graça de forma elaborada. tal como em Bultmann e sua idéia de desmitologização. No pensamento do homem moderno. A razão. A história do pensamento e da teologia ocidental desde Kant nos mostra como esses pressupostos religiosos. na filosofia kantiana. essa autonomia representava a substituição do conceito de revelação do cristão – que tem sua expressão máxima em Cristo e na Bíblia – pela razão autônoma do homem. Essa moralidade religiosa. Em um sentido ulterior. poderia julgar o mundo do fenômeno e o mundo do número.Kant e sua idéia de autonomia fizeram dessa privação da graça mais que uma simples moldura teológica: pela primeira vez na história da civilização ocidental. pode ser alcançada sem a necessidade de nenhum aprendizado bíblico. 2. passando a ser uma esfera micro-cósmica dentro da qual a personalidade humana podia exercer sua autonomia. A autonomia preconizada por Kant. De acordo com essa nova maneira de pensar. não consiste em conhecer o que Deus tem feito para a nossa salvação. conseqüente e consciente. Para Kant. e somente a razão. trabalhando com idéias tomadas do cristianismo. Não há muita distância entre esse pensamento de Kant e o pensamento posterior dos teólogos contemporâneos. a graça foi suplantada pela idéia de emancipação.

e o outro. ou. Esse confinamento do mundo espiritual é o fator preponderante da insistência contemporânea na ―humanidade‖ da Bíblia e da definição barthiana de revelação como sendo o encontro divino-humano. cujas vestes enchiam o templo (Isaías 6. . Kant tomou emprestado de Hume o problema do conhecimento proposto por ele e o reformulou. Segundo ele.5 O confinamento de Deus na teologia contemporânea. 2. mas a diminuiu de tal forma que o Deus soberano. Da mesma forma. Ele ficou isolado no mundo dos fenômenos e Deus no mundo numeral.4 O relativismo de David Hume e sua influência na filosofia kantiana.1). entre o Jesus fenomenal e o Cristo numenal. da liberdade e das idéias reguladoras que a razão não pode explicar. da imortalidade. sendo um percebido pela razão e pelos sentidos. ainda que capaz de falar de um futuro numenal. havia lançado dúvida em quanto à possibilidade de alguém provar alguma coisa. seu único vínculo com o mundo dos fenômenos se daria por meio da necessidade que o homem tem da idéia de Deus para o seu mundo ético. o aprisionou com um muro à prova de som. não pode entrar. mas apenas aquele conhecimento que os sentidos nos proporcionam. quase ninguém se atreve a buscar o Jesus histórico. Causa e efeito. na diferenciação de Bultmann entre o Jesus histórico e o Cristo kerigmático. ele é simplesmente irrelevante. Ele reaparece na divisão neo-ortodoxa entre História e Geschichte.2. como se isso fosse pudesse resolver o problema epistemológico. Tal confinamento se reforça com a insistência crescente do existencialismo na liberdade. sem entrar nele. filósofo escocês. o homem como ser contingente. Ele também produz em Moltmann uma teologia da esperança. e reaparece de forma modificada nos primeiros escritos de Karl Barth acerca de Deus como ―Totalmente Outro‖. completamente cética quanto a qualquer fim escatológico na história fenomenal. David Hume. não conhecemos a coisa em si. Com isso. o mundo dos fenômenos e o mundo dos números. o mundo de Deus. Kant criou dois mundos. Esse confinamento de Deus no mundo dos números é o tema favorito da teologia contemporânea. porém. usando uma linguagem kantiana. Nesse ínterim. ao colocar Deus em um outro mundo. tanto dentro como fora de si mesmo. à saber. como ―Aquele que não pode ser explicado como se explica um objeto‖. mas que devem ocupar um lugar na vida como se fossem objetos reais ao alcance da razão. o numeral que toca o fenomenal. tudo isso era para ele completamente evasivo. Deus como origem de todas as coisas. O efeito de tudo isso foi em parte. uma vez que o homem não pode perceber as coisas como são na realidade – tanto no mundo dos fenômenos como no mundo dos números – não pode introduzir-se por essa porta para conhecer a Deus. Kant. devastador. Kant não fechou totalmente a porta do nosso mundo para Deus.

e junto com o pressuposto metodológico. Da mesma forma. e aceitando-os. Acerca desse impasse. quer seja em sua forma mais conservadora (como se encontra em Oscar Cullmann e Wolfhart Pannenberg). A divisão entre história e fé também se tornou mais tarde um pressuposto da teologia contemporânea. a autonomia do método sobre o texto bíblico estabeleceu certos pressupostos que o método histórico-crítico ainda mantém. . seguem unidos no emprego dessa metodologia. Moltmann o utilizará ao burlar-se da noção clássica de escatologia cumprindo-se na história. John Robinson e nos teólogos seculares). como o abandono da doutrina da inspiração verbal. G. 2. apesar de todo o seu debate interno. ao mesmo tempo em que rejeita a idéia de céu como sendo um ―lugar lá em cima‖. o ensino de Cristo pode e deve ser aceito. Os teólogos contemporâneos apresentam repetidas vezes essa dissociação do Jesus histórico e do Jesus da fé. O Jesus histórico parecia cada vez mais distante do Cristo da fé.7 Uma separação radical entre história e fé. fala de uma nova dimensão de vida como ser em profundidade. Lessing afirmou que ―o verdadeiro valor de qualquer religião não depende da história. Essa idéia de humanização da Bíblia veio a ser uma das características distintivas da crítica bíblica. por outro lado. e de Deus como o Fundamento do ser. por causa da sua compreensão existencial do ―Eu‖. ou em suas expressões mais radicais (como em Paul Tillich. A historicidade da Bíblia parece menos importante que aquilo que ela diz. Bultmann fará o mesmo ao rejeitar os relatos evangélicos como sendo produtos historicamente duvidosos por um lado.6 As idéias deístas presentes na filosofia da emancipação e sua influencia na teologia contemporânea. senão de sua capacidade de transformar a vida através do amor‖.E. ressurge a idéia de que há erros na Bíblia e que esta deve ser tratada como qualquer conjunto de documentos do passado.2. Começa-se então a fazer distinção entre a Palavra de Deus e a Bíblia. Também Barth e Bultmman. Barth fará isso ao ser indagado sobre se a serpente realmente falou no jardim do Édem. e ao mesmo tempo falará sobre a igreja orientada para o futuro. afirmando que ainda que a história escrita do cristianismo não se possa aceitar. Também John Robinson. O conceito deísta que fez parte do processo de florescimento da autonomia não dava nenhum lugar à intervenção divina na criação por meio de algo sobrenatural e revelador. dizendo que isso não tem a menor importância diante do que a serpente disse.

Friedrich Schleiermacher O luterano Friedrich Schleiermacher (1768-1834) é talvez o mais influente teólogo alemão do século 19. Como se pode notar no texto reproduzido. afirmara: ―O cristianismo é a verdadeira filosofia!‖. Schleiermacher ―deu à teologia nova base e à pessoa de Cristo um significado em grande parte desconhecido em seu tempo‖. ele enclausurou os seres humanos no mundo dos fenômenos. Não há. 3.165).100-c. limitado e temporário – numa palavra. Todos os progressos da religião na história são verdadeira revelação. desde Kant que a história do pensamento e da teologia ocidental é a história de como seus pressupostos religiosos.. associados a muitas idéias cristãs.. pois. Para Walker. A maior obra de Schleiermacher no campo da teologia dogmática foi Der Christliche Glaube (A Fé Cristã. embora parecidas. as idéias de Schleiermacher. por conseguinte. A influência do seu pensamento no campo da teologia histórica é significativa. diferem substancialmente daquelas esposadas pelo apologista Justino Mártir (c. dependente. 1831). Deus está. Williston Walker e Justo González. um reflexo do universo. não havendo modo da mente fenomenal conhecer o numeral. O teólogo alemão afirmou que o cristianismo é a melhor das religiões. sendo considerado o fundador da moderna teologia protestante. eis o alvo de todas as religiões [. pôr o homem em harmonia com Deus.Não há duvida de que Immanuel Kant teve grande influência sobre o pensamento teológico contemporâneo. mas quanto aos seus relativos graus de eficiência. encontra-se o seguinte conceito sobre religião: O Absoluto está em tudo. Entre tantas objeções que se pode fazer a Kant. O mestre Justino. outra menos verdadeira. O homem é em si mesmo [. considerandose o rol de simpatizantes entre renomados historiadores eclesiásticos. deram origem a um mundo novo..42 Contudo. Embora sua filosofia encarasse com valentia as questões pleiteadas por Hume. dando a entender que outras existem igualmente boas. e esse pressuposto será um grande dilema para a teologia dialética de Karl Bath. tais como Robert Nichols. esse Deus imanente não intervém na natureza e tampouco opera milagres através dos homens. Portanto.] um microcosmo. Lançar uma ponte sobre o abismo entre o universal e o finito. em Seu mundo. Na verdade. bem como de outros teólogos contemporâneos. uma plena manifestação do Deus imanente.]. como pode o homem conhecer a Deus? A filosofia de Kant transforma Deus em um ser incognoscível. todas são falsas! . Esse sentido de dependência é a base de toda religião. por exemplo. sente-se finito. em algum sentido. uma é a mais óbvia: Se o nosso entendimento acerca de Deus não é ao menos alegórico. em seu tempo. Em contraste com o que é universal. absoluto e eterno. onde. as religiões não devem ser divididas em falsas e verdadeiras.. entre outros.

O Espírito Santo é identificado como o espírito público que aviva a comunhão dos crentes‖. No que tange à hermenêutica bíblica. as idéias de Tindal parecem brotar em seu subconsciente. e 3) Deus é a única substância indivisível. Daí a não aceitação de que as Escrituras fossem a Palavra de Deus inspirada. Ele preconizava que os intérpretes da Escritura deveriam tentar entender as idéias de seus autores. Ao expressar esses conceitos. o teólogo alemão se aproximou da heresia sabelianista ou modalista. Sua pressuposição básica é que existe um único espírito ou consciência comum que une todos os seres humanos e tal espírito possibilita a correta interpretação. O pecado é simplesmente a carne em oposição ao espírito‖. 2) Deus e o conceito natural são um. Quanto à doutrina do pecado. ainda de modo romântico. mas devem ser vistas como expressões válidas da consciência de Deus e não devem ser ignoradas. Para ele. as histórias do Éden não devem ser interpretadas como historicamente verdadeiras.Ao tentar eliminar da teologia todo e qualquer resquício de dualismo. No que se refere à Trindade Santa. pois a criação não pode ser combinada com a idéia de um poder espiritual mau e. Schleiermacher ataca frontalmente a ortodoxia. a qual não deve ser considerada literalmente. posto que estes também negligenciavam a morte e ressurreição de Cristo. ele rejeitou o conceito de pecado como desobediência a Deus ou à sua lei. Influenciado pelo romantismo da época. que eram simples seres humanos. idênticos. O mal não pode ser concebido como algo hostil a Deus. Assim. Dessa forma. Dessa forma. Há comunicação de atributos somente no sentido da natureza divina para a humana. Bengt Hägglund considera que tal conceito aproxima Schleiermacher dos gnósticos. Ainda no campo da cristologia. entretanto. . morte e ressurreição) nada significa para a salvação. Schleiermacher fez as seguintes afirmações a respeito de Deus: 1) Deus e o mundo são. não é dependente da doutrina do nascimento virginal. ascensão e segunda vinda. Assim. em conseqüência. não se pode atribuir qualquer significado ao sofrimento de Cristo na cruz. Schleiermacher não difere substancialmente dos teólogos racionalistas. A união do Divino com o humano recebeu sua expressão perfeita na pessoa de Cristo. mas psicológico. O mesmo raciocínio se aplica às doutrinas da ressurreição. em última análise. a partir de Adão. A cristologia de Schleiermacher é peculiar. Schleiermacher considerava que ―o espírito é o que há de mais elevado no homem e não pode ser considerado algo mau. o enfoque principal de Schleiermacher não era teológico. ele diz: ―O Filho e o Espírito são simplesmente formas de revelação desta substância. ao afirmar que a obra de Jesus (sofrimento. Esta união. Schleiermacher rejeitou a idéia do diabo ou de espíritos maus. sendo que a história da paixão serve apenas como exemplo e ilustração da perseverança em meio ao sofrimento. que permanece passiva. nenhuma realidade ou influência pode ser atribuída ao diabo.

Ritschl fora influenciado tanto por Kant como por Schleiermacher. revelação. na crença de que Deus não é conhecido como autoexistente. O esforço de Ritschl em manter uma teologia de revelação divina sem a fé em milagres foi duramente atacada tanto por liberais como por conserva-dores. manifesta-se em boas obras. a partir de Lutero e Calvino. Mediante a fé. mas a sua influência na teologia protestante alemã da segunda metade do século XIV foi. A influência de Kant se traduz no conceito de religião como o triunfo do espírito ou do valor moral sobre os males da sociedade. e a de Schleiermacher. antes perturbada. Ritschl não concebia o pecado como corrupção universal perante Deus e entendia que a divindade de Cristo era figurada e se caracterizava unicamente pela unidade de sua vontade com Deus. Esta. 1870-1874). Disto resulta uma modificação interna na vontade do homem: o homem chega a reconhecer a vontade de Deus e deste modo se predispõe a fazer o bem. igreja. A tentativa de aplicar os princípios filosóficos kantianos ao cristianismo protestante constituiu atitude típica de uma era em que havia pouco respeito pelos mistérios da religião e praticamente nenhum temor ante o julgamento divino. defendido por setores da ortodoxia protestante. transforma-se em confiança e filiação. Além de rejeitar o conceito jurídico da justificação. das quais a mais importante é Die christliche Lehre von der Rechtfertigung und Versöhnung (A Doutrina Cristã da Justificação e da Reconciliação. pecado original e encarnação. Ritschl foi autor de várias obras. surgiu em fins do século XIV e nos primeiros anos do século XX. sem dúvida. mas somente até onde ele se auto-revela através de Cristo. restaura a liberdade ética entravada pelo pecado. reino de Deus. . configurando uma espécie de monotelismo. tendo como divulgadores o teólogo protestante alemão Albrecht Ritschl (1822-1889) e seus discípulos.3. que Ritschl define como “justificação” (Rechtfertigung) ou perdão dos pecados. muito grande. a teologia do valor moral. Ritschl negou ou reinterpretou as seguintes doutrinas tradicionais: trindade. Bengt Hägglund sintetiza o livro da seguinte forma: Salvação. por sua vez.1 Ritschl e sua escola Uma teologia liberal até certo ponto nova e original. Tal transformação interna é o que Ritschl denomina “reconciliação” (Versöhnung). a relação entre o homem e Deus.

do elemento periférico ou da ―casca‖. se colocava contra toda e qualquer idéia de dogma configurada especialmente pelos credos. . que existe independente do culto religioso. paradoxalmente. das formas mutáveis de vida e de pensamento nas quais o evangelho foi transmitido. Ele também procurou demonstrar que os credos formulados nos Concílios Ecumênicos de Nicéia (325) e Calcedônia (451) usaram um grande número de conceitos retirados da filosofia grega. mas no entendimento da religião como um desenvolvimento histórico. grande erudito em patrística. Contudo. chegando alguns a considerar os Dez Mandamentos como elementos dogmáticos cuja referência deveria ser evitada no contexto dos padrões de Westminster. cerca de dois terços da escritura neotestamentária deve ser deixada de lado. a doutrina gnóstica. que é permanentemente válido. que se isso for verdadeiro. Sua intenção era separar essa essência. Sua idéia mais distintiva foi que o dogma da igreja primitiva consistia no resultado natural da busca de padrões para filiar membros. e os cristãos devem seguir o exemplo de Jesus de uma ―retidão superior‖ governada pela lei do amor. que ele chamou de o ―miolo‖ do evangelho. As idéias de Harnack sobre os dogmas não eram inéditas. ou seja. 1886-1889). e que isto obscurecia a natureza essencial e o impacto prático dos ensinos de Jesus. O miolo da mensagem de Jesus é o reino de Deus. pois tanto Paulo como João usam muitos conceitos helenistas. havia um grupo que. embora concorde com uma possível influência gnóstica.2. na Assembléia de Westminster. Sua obra mais conhecida é Lehrbuch der Dogmengeschichte (História dos Dogmas. Numa série de conferências realizadas em Berlim em 1900. uma vez que ela leva à conclusão de que só deve ser aproveitado no Novo Testamento aquilo que tiver uma ligação clara ou for derivado do Antigo Testamento. onde ele procurou demonstrar que a relevância do cristianismo para o mundo moderno não repousa no dogmatismo teológico. contemporâneo de Harnack.3. Harnack procurou apresentar um sumário do que ele considerava a essência do evangelho. o antidogmatismo de Harnack foi muito mais substancial e profundo. 1900). Harnack O discípulo mais importante da escola de Ritschl foi Adolf von Harnack (1851-1930). teólogo e historiador alemão. A este desenvolvimento ele chamou de segunda onda da helenização. Paul Tillich. pois no século XVII. posto que a primeira onda. considera a generalização de Harnack inadequada. Diz mais. compiladas e publicadas com o título Das Wesen des Christentums (O que é o Cristianismo. na formulação do dogma da Trindade e da Pessoa de Cristo. havia sido rejeitada pela igreja.

desenvolvida por Baur (ver adiante). e mesmo assim devem ser eliminados todos os sinais que identifiquem uma possível influência paulina. a partir do Absoluto. o cristianismo é a religião absoluta e o universo está em uma constante luta. moderna. é a fórmula clássica da teologia liberal: o evangelho ou a mensagem pregada por Jesus nada tem com a mensagem posterior. Ademais. Tal afirmativa pressupõe a redução do evangelho somente aos sinóticos. Para Hegel. afirma que o maior erro dele e de toda a teologia liberal é que ela não está apoiada em uma teologia sistemática. ao concluir a sua análise crítica sobre a obra de Harnack. e foi ela. em última análise. com base na experiência da ressurreição. toda a comunidade cristã primitiva que rodeava Paulo estava impregnada de conceitos helenizantes. doutrinas que não podem ser encontradas na mensagem original de Jesus. contida na Bíblia. por exemplo. uma escola filosófica que. voltou-se contra Schleiermacher. como tal. reputado como o principal filósofo alemão de sua época. o evangelho de Jesus e evangelho sobre Jesus. às doutrinas da trindade e da encarnação. pregada sobre Jesus. e o reino de Deus é o estado no qual Deus e os membros individuais de seu domínio estão em uma relação de perdão. O processo completo culmina na Trindade. enfatiza que toda e qualquer experiência humana ou percepção consiste de idéias. Dentre os principais idealistas destaca-se Georg Wilhelm Friedrich Hegel (1770-1831).Em decorrência da fórmula de miolo e casca. Esta mensagem original é a mensagem da vinda do reino. ele mesmo se considerava apenas um teólogo e. ou seja. Ele afirmou que o evangelho sobre Jesus não está contido no evangelho pregado por Jesus. A teoria do conflito entre Paulo e Pedro. na realidade. Contudo.3 Hegel e os idealistas Muitos dos teólogos e filósofos liberais também são considerados como tendo ligações com o idealismo. um verdadeiro e outro falso. 3. O Amor que os une é o Espírito Santo – a síntese. Hegel afirma que Deus é a tese. ele desenvolveu um método dialético aplicável também à teologia. que Paulo interpreta Jesus de um modo que está muito longe do verdadeiro Jesus histórico. Distingue-se ele da humanidade finita – a antítese. como. Essa. Na realidade. que é Deus. Hegel considerou o Pai como a unidade divina – a tese. . que produziu as doutrinas sobre Jesus. Tillich. ou seja. Ele se objetiva no Filho – a antítese. Na primeira. No que se refere à encarnação. ou seja. A união se dá na mais suprema síntese – o Deus-Homem. é revivida aqui em uma versão mais refinada. mútua aceitação e amor. tudo o que existe só se torna real porque é percebido pela mente do homem. Harnack cunhou a idéia de dois evangelhos.

teólogo filosófico protestante alemão e fundador da Escola de Tübingen de crítica bíblica. 1845). que eram grandes admiradores do quarto evangelho. 3.4 Ferdinand Christian Baur Ferdinand Christian Baur (1792-1860). A tensão inevitável surgiu com o cristianismo paulino a antítese. sendo que o Evangelho de João. nesse particular Baur parece ter sido influenciado por Kant e Hegel. por seu irenismo e familiaridade com controvérsias da metade do século II. Segundo Paul Tillich. representada entre outros por Ferdinand Baur e David Strauss. Em seu livro Paulus. em que cada conceito aponta além de si mesmo a outro conceito contrário. Os partidos petrino e paulino lutaram e dessa luta surgiu o partido joanino. antítese e síntese ao desenvolvimento primitivo do cristianismo. ou a Igreja Católica – a síntese. Baur aplicou os mesmos princípios à vida e pensamento do apóstolo Paulo e concluiu que somente as Cartas aos Romanos. o Apóstolo de Jesus Cristo. . trouxe sérias conseqüências ao desenvolvimento do hegelianismo posterior. achou na filosofia contemporânea de Hegel um instrumento adequado para a remodelação da teologia. O partido de Cristo começou essencialmente como um judaísmo messiânico sob a liderança de Pedro e adotado pelos apóstolos originais – a tese. der Apostel Jesu Christi (Paulo. mais precisamente em um ensaio sobre o chamado partido de Cristo na correspondência de Paulo aos coríntios. Ainda nessa linha. Ademais. em especial. ele aplicou os conceitos hegelianos de tese. Assim. ele acreditava que o autor de Atos era pós-apostólico. não poderia ter sido escrito no século I. com base em suas pesquisas do Novo Testamento. portanto. Coríntios e Gálatas eram genuinamente de Paulo. resolvendo-se a oposição em uma unidade mais elevada. pois sintetiza e harmoniza o conflito entre cristãos judeus e gentios e. por parte do grupo chamado de esquerda hegeliana. ele afirmou que a maior parte do Novo Testamento teria sido escrita no segundo século. o método dialético de Hegel. foi escrito no final da segunda centúria.Apesar de não ter atacado a teologia ortodoxa tradicional.

foi uma tentativa de despir o Jesus histórico de sua moldura de mito criada pela imaginação poética da igreja antiga. A vida de Jesus. No final de sua vida. influenciado pelo pensador iluminista Reimarus e pelos ensinos da escola de Tübingen. Strauss publicou o livro Der alte und der neue Glaube (A Velha Fé e a Nova. mas o Cristo do Novo Testamento é essencialmente. 1872). em sua maior obra. considerou os milagres bíblicos atribuídos a Jesus como impossíveis. de 700 páginas. . tem sido copiado por algumas crenças esotéricas modernas como a Nova Era. 3) Logo. conforme apresentada nos Evangelhos. em todos os seus característicos sobre-humanos. do mesmo modo que Baur considerou o Evangelho de João como o mais afastado no tempo. uma forma personalizada de darwinismo. 2) Todos os textos nos quais Deus intervem no curso natural dos fatos são irreconciliáveis com as leis conhecidas e universais que governam os acontecimentos.3. Seu conceito de que o homem é a união entre o finito e o infinito. Racionalista não confesso. todos os textos nos quais Deus intervém no curso natural dos fatos não são históricos. em atendimento aos anseios dos homens daquele tempo. que. criação mitológica e deve ser entendido simbolicamente como a realização da Idéia ou Espírito Absoluto na raça humana. justificando-os através da idéia de mito. Para Strauss. Das Leben Jesu kritisch bearbeitet (A Vida de Jesus Criticamente Examinada. Os argumentos de Strauss podem ser reduzidos aos seguintes silogismos: 1) Todos os textos que não se conciliam com as leis conhecidas e universais que governam os acontecimentos não são históricos. Jesus existiu. no qual se propõe a substituir o cristianismo pelo materialismo científico. que esperavam um Messias que fizesse maravilhas e aguardavam o cumprimento das profecias do Antigo Testamento. entre o espírito e a natureza.5 David Friedrich Strauss Outro membro da esquerda hegeliana foi David Friedrich Strauss (1808-1874). que teriam sido engendrados por escritores do século II. 1836).

O Jesus do mentor de Barth. Foi ele quem dominou o ambiente teológico. Barth havia aprendido teologia aos pés de dois grandes teólogos liberais. e com muito mais força em 1921. um jovem pastor de uma pequenina igreja da Suíça escreveu um comentário tão radical que certo escritor disse que Karl Barth pegou uma carta escrita em grego do primeiro século e transformou em uma carta urgente para o homem do século vinte. Conn. Em 1919. e desde então tem estado no centro da teologia moderna. Ele produziu um impacto tão grande na teologia protestante. Barth se encarregou de repudiar grande parte desse liberalismo clássico. cheio de erros e que exigia uma crítica radical para encontrar a verdade. Harnack. A influência da obra de Karl Barth nessa nova era da teologia é enorme. mas a encarnação do amor e dos ideais humanistas. que todo teólogo do nosso século que quiser estudar teologia a sério. Karl Barth e a revolta contra o Liberalismo Teológico Tendo já comentado a influencia da filosofia kantiana para a teologia do século vinte. pode se opor à sua teologia ou acolher suas idéias. O que havia nesse comentário do pastor Barth que sacudiu os alicerces teológicos do século vinte? Quais foram os princípios que Barth apresentou e que se converteram no legado de uma nova era teológica? Harvie M. Porém. Um teólogo católico disse que esse comentário aos Romanos foi uma revolução copernicana na teologia protestante que acabou com o predomínio do liberalismo teológico. Não há nenhuma dúvida de que o pensamento de Barth dominou o pensamento teológico do seu tempo. ainda que ordinário. formulou os problemas e apresentou as hipóteses de maior relevância. Diz-se da segunda versão do comentário aos Romanos. de qualquer forma. que ela foi ainda mais revolucionária que a primeira. Ele transformou a teologia do século vinte em teologia da crise. de fato. caracterizado por uma profunda veia de pietismo e de preocupação pela prática da experiência religiosa cristã. mas não pode jamais ignorá-la se quiser conhecer a situação teológica contemporânea. aluno do Dr.4 . A revolta teológica contra o liberalismo teológico foi uma das mais notórias características da teologia barthiana. Cornelius Van Til. . não era o filho de Deus único e sobrenatural. A Bíblia do mentor de Barth. Esses princípios serão abordados nos tópicos a seguir. o sentimento. e sim um livro extraordinário. totalmente revisada e publicada em 1921. esboça alguns princípios que emanam do comentário de Karl Barth aos Romanos e que parecem ter desempenhado o papel mais influente na formação das novas variantes teológicas. uma bomba que Barth lançou no cenário teológico contemporâneo. A medida de toda a verdade era a experiência. Ele foi. Herrman. Em 1919. à saber: Harnack e Herrmann. 1919 tem sido para muitos o ponto de partida da teologia contemporânea. passemos agora a discorrer sobre a teologia contemporânea em si. A teologia desses dois mestres e também a de Barth era o Idealismo teológico. não era a Palavra infalível de Deus.

Barth exclamou: ―Seja Deus. Barth enfatizou a necessidade que o homem tem da revelação. ―é a Palavra de Deus enquanto Deus fala por meio dela [. O comentário de Barth aos Romanos surgiu então como repúdio de seus antigos mestres liberais. Bart condenou a religião como o pecado máximo. A culta Alemanha. O comentário de Barth também introduziu um novo método para explicar a teologia. não podendo ser sintetizada. pelo menos. diz Barth. Segundo Barth. A relação entre Deus e a Bíblia é real.A primeira guerra mundial e seus horrores acabaram por soterrar o idealismo teológico liberal. e não o homem!‖. insistiu na distinção entre a Bíblia e a Palavra de Deus. O liberalismo edificou a teologia sobre a base da ética. A dialética de Barth. até que ela nos fale da nossa situação existencial. . A Bíblia. porém. É esse ato de sustentação do paradoxo que Kierkgaard chama de ―salto de fé‖.. Nesse ínterim. um livro através do qual nos pode chegar a Palavra de Deus. mas. Barth se opôs a isso e apresentou Deus como ―Totalmente Outro‖. O homem devia somente conservar ambos os elementos do paradoxo. Para ele. a liberal Inglaterra e a civilizada França lutavam como animais ferozes. até que a Bíblia se torne real para nós. Esse termo ficou rapidamente associado à obra de Barth. Este era seu legado kantiano. Barth quis edificar a ética sobre a base da teologia. a dialética. e não a Deus. porém indireta. ainda que o método tenha sido tomado por empréstimo do teólogo existencialista Soren Kierkgaard. ela não é Palavra de Deus. O subjetivismo do liberalismo do século XIX havia colocado o homem no lugar de Deus.] a Bíblia se transforma em palavra de Deus nesse momento‖. Kierkgaard havia dito que toda afirmação teológica era paradoxal. Barth. O liberalismo fazia de Deus algo imanente ao mundo. Em oposição ao antigo liberalismo. ou teologia do paradoxo. O liberalismo havia exaltado o uso aculturado da religião. o que demonstrou que eles eram mestres de uma religião atada a uma cultura. e chamou suas idéias de Teologia da Palavra de Deus. A Bíblia é simplesmente um livro. os mestres liberais de Barth se uniram com outros teólogos para declarar seu apoio à Alemanha.. O comentário de 1921 de Barth propôs uma nova idéia de revelação. Esse é o conceito barthiano de revelação. pode-se ler a Bíblia sem ouvir a Palavra de Deus.

de maneira que quando preparava o comentário aos Romanos. o homem é justificado por Cristo. O comentário de Barth veio reafirmar a transcendência absoluta de Deus. apenas podemos nos dirigir a Ele [. A teologia do século dezenove se dedicou a procurar o Jesus histórico por detrás do Cristo sobrenatural da Bíblia. O comentário de Barth também demarcou a fronteira entre a história e a teologia. ao coração do pensamento doutrinário‖. é que Deus é sempre sujeito.Tal conceito influenciou muito a teologia barthiana. A fé é um vazio preenchido não pela história. ―Ele não pode ser explicado como qualquer outro objeto pode ser. Segundo Barth.] Por esta razão. foi a ―infinita diferença qualitativa‖ entre eternidade e tempo. segundo ele. Harnack. não cabe à teologia medílo em uma forma de pensamento direto ou unilinear‖. ele é infinito e soberano. . Deus não é simplesmente uma unidade no mundo dos fenômenos. que também é um legado kantiano. a própria natureza de Deus exige que as afirmações que lhe dirigimos sejam revestidas de contradição: ―Não podemos considerá-lo perto. mas ainda é pecador. ―Totalmente Outro‖. segundo Barth. Ele pertence. a revelação não entra na história. Segundo Barth.. Depois da explosão. não podemos fazer outra coisa em teologia a não ser utilizar o método de afirmação e contraafirmação.. Não se pode identificar Deus com nada no mundo. não há nada na história sobre o que possamos basear a fé. segundo a teologia dialética de Barth. Não podemos falar a respeito de Deus. Não nos atrevemos a pronunciar em forma absoluta a palavra definitiva [. nem sequer com as palavras da Escritura. Apenas falamos a Deus. a revelação que vem de cima para o homem. Certo comentarista observou que. Barth asseverou que essa busca é um a busca sem importância.] O paradoxo não é acidental na teologia cristã. Um dos pressupostos de Barth. céu e terra. Sem dúvida o grande tema de Barth. e só pode ser conhecido quando nos fala. a não ser que o consideremos longe‖. em oposição declarada ao liberalismo. e essa cratera é a igreja. apenas a toca como uma tangente toca um círculo. se dedicaram a buscar nos evangelhos – os quais eles condenavam como não-confiáveis – os fatos históricos sobre Jesus. só pode ser assimilada pela mente humana como sendo um paradoxo. é um paradoxo: Deus é o oculto que se revela. Os liberais clássicos como o professor de Barth.. Deus e o homem. pois. ao encontrar a contradição do pecado e finitude humana.. mas pela revelação. A própria natureza da revelação. Deus fala ao homem como a bomba explode na terra. conhecemos a Deus e conhecemos o pecado. Deus chega ao homem como a tangente que toca o círculo. Barth afirmava que ―enquanto estamos na terra. todo homem é escolhido e também reprovado em Cristo. em certo sentido. mas na realidade não o toca. tudo o que resta é uma cratera abrasada no terreno. nunca objeto.

Ao longo do desenvolvimento da teologia contemporânea. Segundo Barth. Mais uma vez a influência do pensamento de Immanuel Kant sobre a teologia de Karl Barth. suas idéias podem ser chamadas de novo liberalismo. . a ressurreição de Jesus pertence ao âmbito de Geschichte. o âmbito da Historie de nada vale para o crente. sem dúvida. Por causa dos seus pressupostos liberais. Historie é a totalidade dos fatos históricos do passado. Jesus deve ser confrontado no âmbito de Geschichte. que exige algo de mim e requer meu compromisso. principalmente no que concerne ao mundo dos fenômenos e dos números é muito grande. Ele mesmo reconheceu alguns de seus excessos e poliu boa parte dos argumentos que enfatizou a princípio. Em primeiro lugar. A inerrância das escrituras é uma das diferenças cruciais entre o liberalismo e o cristianismo ortodoxo. Para ele. não de Historie. o homem é entronizado no centro da experiência religiosa. ainda que as idéias de Barth representem uma revolta contra o liberalismo clássico. Barth dividiu a história em dois níveis: Historie e Geschichte. podendo ser comprovada objetivamente. O que passo a expor agora são algumas críticas que se podem fazer ao pensamento de Barth. a conotação que essas duas palavras têm é bem diferente. dentro da sua teologia dialética. e até certo ponto. Embora em uma atitude de revolta contra o liberalismo ele tenha exclamado: ―Seja Deus e não o homem‖. Há. porém sua influência continua sendo grande a ponto de podermos designar o século dezoito e o pensamento de Kant como protótipo da teologia contemporânea. podendo-se até dizer que a teologia contemporânea tem sua raiz em Konigsberg. pode-se dizer que ele suavizou algumas idéias mais incisivas. algumas críticas que se pode fazer à obra de Barth. na Prússia. na prática. Geschichte se ocupa daquilo que une essencialmente. no alemão. é puramente subjetiva. as idéias kantianas de fenomenal e numenal ―volta e meia‖ reaparecem com uma nova roupagem. Para Barth. Ainda que ambos os termos possam ser traduzidos por história. Objeções à teologia dialética de Karl Barth. Sua idéia de revelação. chegando mesmo a afirmar que toda a Bíblia é um documento humano falível e que buscar partes infalíveis nas Escrituras é ―simples capricho pessoal e desobediência‖. e o posicionamento de Barth nada mais é que uma opção por ficar em cima do muro.Profundamente influenciado pelos conceitos de história de Kierkgaard e de Franz Overbeck. Alguns tomam o tema e o ampliam. Barth não aceita a inerrância da Bíblia. Barth não conseguiu se livrar do ponto de vista crítico liberal das Escrituras. a diferença entre a Bíblia como meramente um livro e a Bíblia como a Palavra de Deus depende exclusivamente da reação humana frente a este livro. em última instancia.

4. É claro que o propósito de Barth foi tirar do liberalismo o monopólio quanto ao método de interpretação. traz à tona a problemática concernente à historicidade da obra redentora de Cristo como fundamento do cristianismo. e visto que a ―inescrutabilidade e recondidez formam parte da natureza de Deus‖. . Como Deus não é um objeto no tempo e no espaço. embora a teologia de Barth tenha sido responsável por uma prática religiosa em que os valores evidenciam a religiosidade do cristão. é claro. afirma ele. Ela argumenta na tradição de Nietzche e Overbeck. se avolumando sob a égide de um novo movimento teológico denominado ―neo-ortodoxia‖. separando o cristianismo da história. Tal como Kant. a revolução se ampliou consideravelmente. de que maneira o homem pode conhecê-lo? A separação que Barth faz da Historie e da Geschichte. o homem não pode conhecê-lo diretamente. acaba por solapar a base do cristianismo. e ao fazê-lo. Barth confina Deus ao mundo dos números e apresenta a dialética – a teologia do paradoxo – como sendo à única teologia possível. Ele revoltou-se contra o liberalismo teológico. também privou o cristianismo do seu lugar na história. quase todo o pensamento teológico moderno até a década de setenta envolverá a perspectiva de Barth. e nos anos que se seguiram.O resultado final da dialética de Barth é a destruição da verdade objetiva. de Barth. mas nenhum teólogo de nossa época poderá jamais ignorar a teologia dialética de Karl Barth e sua influência no cenário teológico contemporâneo. Emil Brunner talvez tenha sido um dos nomes mais conhecidos dessa nova escola. Sua teologia é de suma importância para o século vinte e. Se toda comunicação histórica e toda experiência direta com Deus se encaixa em uma concepção pagã de Deus.1 Neo-ortodoxia: Analisando os pressupostos teológicos do novo liberalismo Karl Barth havia desencadeado uma tremenda revolução com seu comentário aos Romanos. Podemos aceitar seus pressupostos ou acirrar-nos contra ele. de fato. mas ao fazê-lo. como poderemos aproximar-nos da verdade sobre Deus? Também a sua insistência em descrever Deus como ―Totalmente Outro‖ faz de Deus um ser indescritível. depois. Ao que vemos. argumentou contra ele. mas não pode livrar-se de seus pressupostos. ele jamais conseguiu se libertar completamente do liberalismo teológico de seus mestres Herrmann e Harnack. A questão é: se Deus é assim tão indescritível e insondável. Ele exclui a razão a priori e deixa a porta fechada à percepção humana.

indicamos alguns dos pressupostos. cabe a nós destacarmos os temas comuns. em Nova Iorque. são indicativos de que as vozes dentro do movimento neo-ortodoxo nem sempre foram unânimes. Emil Brunner aceita a revelação geral. por exemplo. Temos que reconhecer que existe muita rivalidade no movimento. Ele argumenta que Deus não pode ser tratado como um objeto de estudo. de Barth. No Japão. tanto que ao final da década de cinqüenta. apesar da influencia de Brunner. mas devemos nos relacionar com ele apenas como um ―Tu‖. A ferrenha diferença de opiniões entre Barth e Brunner quanto à realidade do nascimento virginal e da revelação geral. conceito que é negado por Brunner. foi Barth quem foi apelidado de ―o papa teológico‖. Tornou-se professor de teologia em Zurich em 1924. no Japão ele era conhecido como o único teólogo. então o homem não pode ser responsabilizado pelo pecado que comete. a discordância de Pannenberg acerca do conceito barthiano de história. liberal e neo-ortodoxa. Buscando inspiração nos escritos dos filósofos Martin Bubber e Soren Kierkgaard. o mundo inteiro sentiu o abalo da teologia barthiana. estudou em Zurich. e a mesma é negada por Barth. Barth aceita o nascimento virginal. Essa insistência em que Deus é sempre sujeito e nunca objeto será um tema bastante recorrente na teologia contemporânea. Em um capítulo anterior. A teologia de Brunner. é extremamente subjetiva. Enquanto nos Estados Unidos ele era recebido como um dos mais importantes teólogos. Essa influência de Barth no Japão deve-se principalmente aos escritos de Tokutaro Takahura. ou um ―isso‖. a neo-ortodoxia – às vezes chamada de barthianismo – cruzou muitas fronteiras. as criticas de Barth à Bultmann e as críticas que Bultmann devolveu à Barth. Nascido em 1889. ele define o cristianismo e a teologia em termos mais relacionais que racionais. assim como a de Barth. bem como a metodologia da estrutura teológica neo-ortodoxa. por volta de 1925.Brunner foi um teólogo suíço residente nos Estados Unidos que também teve participação importante no desenvolvimento da teologia neo-ortodoxa. mas se defendeu argumentando que se o homem pecador não é mais a imagem de Deus e se não há nenhuma revelação de Deus na natureza. tendo exercido influência no oriente. as três principais correntes teológicas já eram mencionadas como sendo a conservadora ou ortodoxa. Agora. Na verdade. Berlim e também no Union Theological Seminary. Desde os primeiros anos do comentário aos Romanos. Ele foi duramente criticado por Barth por afirmar que a imagem de Deus se encontra ainda no homem pecador e que Deus se revela na natureza. . e em 1953 deixou a Suíça para tornarse professor na Universidade Cristã do Japão. O esboço que demonstraremos a seguir está baseado principalmente na obra Dogmática da Igreja.

O tema mais debatido pela neo-ortodoxia é o conceito de revelação. A revelação, segundo Barth, é uma perpendicular que vem de cima, e que por isso não pode se comparar com as melhores intuições humanas. A revelação é um evento no qual Deus toma a iniciativa. Também é dito que a revelação não pode comparar-se com a Bíblia, pois é superior a ela. A Bíblia e suas afirmações são testemunhas, são sinais indicadores da revelação, mas não é a revelação em si. A Escritura não é a Palavra de Deus, e nem as afirmações da Escritura são revelação. Segundo Barth, comparar a Bíblia com a Palavra de Deus é objetivar e materializar a revelação. Nesse mesmo terreno, Brunner definiu a revelação como sendo uma ocasião de diálogo em que Deus se encontra com o homem. Não se pode dizer que a revelação tenha acontecido, à não ser que ambos os participantes do encontro – a saber, Deus e o homem – se encontrem. O coração da revelação da Palavra de Deus, segundo a perspectiva neo-ortodoxa, é Jesus Cristo. De fato, Barth insiste tanto nessa idéia que chega ao ponto de negar a existência de qualquer outra revelação, à parte de Cristo. Para ele, a história da revelação e a história da salvação vêm a ser a mesma coisa. No Cristo de Barth, Deus revelou que não queria deixar o homem existir em pecado. Por isso, Barth insiste em que nunca deveríamos mencionar o pecado, a não ser que agreguemos imediatamente que o pecado foi derrotado, esquecido e vencido por Jesus. A reconciliação entre Deus e o homem se efetua por meio de Cristo. Jesus Cristo é o próprio Deus, isto é, é Deus que se humilha a si mesmo. Em sua liberdade, Deus cruza o abismo aberto e mostra que ele é verdadeiramente Senhor. Na encarnação, Deus se humilha a si mesmo. Barth não quer admitir a humilhação do homem Jesus. Segundo ele, dizer que a humilhação se refere ao homem é uma mera tautologia. Que sentido haveria em falar de um homem humilhado? A humilhação é algo natural no homem. Porém, dizer que Deus se humilhou a si mesmo, segundo Barth, é entender o verdadeiro significado de Jesus Cristo como Deus. Ele é o Deus que se humilha que se revela, e é também a própria essência da revelação. Barth afirma que Cristo, embora haja se humilhado como Deus, foi exaltado como homem. Ele se nega a admitir a idéia tradicional dos dois estados de Cristo, humilhação e exaltação, referindo-se à totalidade do Deus-homem em ordem cronológica. Para Barth, Deus se humilhou a si mesmo e o homem (a humanidade de Jesus) foi exaltada. Dizer que o estado de exaltação se refere a Deus também é mera tautologia. Que sentido haveria em falar em um Deus exaltado? A exaltação é algo natural em Deus. Segundo Barth, ―em Cristo, a humanidade é humanidade exaltada, assim como a divindade é divindade humilhada. E a humanidade é exaltada com a humilhação da Divindade‖.

A doutrina de Barth traz implícito o universalismo. Outro problema bastante polêmico dentro da neo-ortodoxia é a ambigüidade de seus proponentes no que concerne à possibilidade de salvação universal. Barth desde o início repudiou o conceito supralapsariano – que é a dupla predestinação – afirmando que a eleição não diz respeito a pessoas, e sim à Cristo. Ele afirma que a tarefa da igreja é proclamar que os homens já foram eleitos em Cristo, e que portanto, devem viver como escolhidos. Para Barth, a eleição não é um estado que adquirimos em Cristo, e sim uma vida de ação e serviço a Deus. Esse conceito barthiano implica em universalismo? Barth não afirmou, mas também jamais negou essa hipótese. Em uma de suas últimas conferências sobre a humanidade de Deus, ele disse que ―não temos o direito teológico de estabelecer quaisquer limites à misericórdia de Deus que se manifesta em Jesus Cristo‖. 4.2 Objeções à neo-ortodoxia. Como se pode observar, muitos pressupostos da neo-ortodoxia são resultantes da influência do liberalismo, o que torna algumas de suas propostas inaceitáveis para os teólogos ortodoxos. Há ainda muita polêmica dentro da neo-ortodoxia, não sendo difícil levantar objeções a essa corrente teológica. O que apresentamos a seguir são algumas objeções mais freqüentes que são levantadas contra a neo-ortodoxia. Primeiramente, a neo-ortodoxia coloca a experiência subjetiva acima da revelação objetiva. Para a neo-ortodoxia, a revelação não é simplesmente uma declaração de Deus ao homem, e sim um encontro divino-humano, uma confrontação e um diálogo existencial. De acordo com essa premissa, a Bíblia não pode ser a Palavra de Deus. Ela se transforma em Palavra de Deus à medida que Deus fala conosco por meio dela. Reconhece-se nessa premissa a dívida que a neo-ortodoxia tem com a escola de filosofia existencialista. A neo-ortodoxia conserva a linguagem teológica ortodoxa, porém a reinterpreta, e muitas vezes o resultado desta reinterpretação é tão nocivo quanto veneno no leite. As doutrinas do pecado original, da queda de Adão, da redenção, da ressurreição e da segunda vinda de Cristo são chamadas de mitos por Brunner e de saga por Barth. A interpretação que a neo-ortodoxia dá a essas passagens é acima de tudo existencial, quase nunca literal, sob alegação de que essas doutrinas não descrevem eventos na história, e sim condições históricas sob as quais todos os homens vivem. Gênesis 3, por exemplo, não deve ser tomado como história literal, sendo apenas uma forma simbólica de explicar a realidade do pecado e do orgulho na vida humana. Esse conceito de teologia não deixa nenhuma porta pela qual possa entrar a pregação da vinda do Filho de Deus como evento a ocorrer na história, por exemplo.

A insistência de Barth em Jesus Cristo como o coração da revelação é tão forte que o leva a negar a existência de qualquer outra revelação de Deus. Essa idéia é contrária a Bíblia, pois esta afirma que Deus se revela através da sua criação (Atos 14.17 e Romanos 1.19-20). O conceito barthiano e neo-ortodoxo de revelação também é contrário à doutrina bíblica da inspiração, e acaba por destruir o caráter bíblico de revelação canônica. Alguns acusam Barth de fazer uma interpretação dualista da encarnação de Cristo, pois ele parece fazer distinção entre as duas naturezas, repudiando por completo o credo da Calcedônia. Ora, Cristo não nos salvou apenas por meio da sua divindade, mas também por meio da sua humanidade. Nós temos paz por meio do sangue da cruz (Colossenses 1.20, Efésios 2.16) e não há nada mais humano que o sangue de uma pessoa. Ainda que Barth diz que nem afirma e nem nega a teoria da salvação universal, sua idéia de ―eleição universal em Cristo‖ parece uma espécie de neo-universalismo. Além disso, seu repúdio pelas descrições do céu e do inferno parecem um conceito de salvação bem diferente do que é apresentado nas Escrituras. O resultado dessa postura ―neouniversalista‖ é a destruição da gravidade da incredulidade, e deste modo a neo-ortodoxia destrói as advertências bíblicas contra a apostasia, bem como o chamado ao arrependimento e à fé. Por várias razões, muitos teólogos têm entendido mal a neo-ortodoxia. Essa corrente teológica pretende, entre outras coisas, ser um retorno ao ensino dos reformadores. A razão de ser da neo-ortodoxia é atacar o otimismo do liberalismo clássico e as corrupções da teologia católica romana. É sua intenção por em evidência a centralidade absoluta da pessoa de Cristo, a transcendência de Deus e a necessidade de revelação. Naturalmente, todos esses pontos básicos estão em harmonia com o conceito evangélico. Apesar disso, como se pode observar, a neo-ortodoxia se separa da fé cristã histórica não somente em algumas esferas pouco relevantes, mas também em seus conceitos básicos. Recomendamos as obras de Barth, Bultmann e Brunner – bem como de outros teólogos neo-ortodoxos – por sua influência e contribuição para o cenário teológico contemporâneo, mas a apreciação dessas obras deve ser feita com cautela e com espírito crítico. 5. Crítica da Forma: O método investigativo de Rudolf Bultmann No mesmo ano em que Karl Barth publicou seu comentário aos Romanos, apareceram mais dois livros acerca de temas neotestamentários que anunciavam uma nova mudança nos estudos críticos. O livro Die Formgeschichte des Erxrngeliums, de Martin Dibelius (1883-1947), foi o responsável por popularizar o jargão teológico crítica formal. Outro livro, Der Ráhmen der Geschichte Jesus (1919), de Karl L. Schimidt, pretendia ser o golpe de misericórdia dos liberais contra a confiabilidade do Evangelho de Marcos. Porém, mais que a estes dois nomes, a coluna vertebral dessa nova mudança estaria associada a um outro nome: Rudolf Bultmann. O livro de Bultmann que revolucionou a história dos estudos da Bíblia foi History of the Synoptic Tradition (História da tradição dos Sinóticos), escrito em 1921. A influência de Bultmann no campo da crítica sobrepujou a de Dibelius.

Segundo os seus proponentes. tendo sofrido acréscimos por parte da comunidade cristã primitiva. a Bíblia é o produto de antigas influências históricas e religiosas. temos apenas histórias sobre Jesus‖. Inglaterra e Estados Unidos. é em grande parte espúria. ―em uma viagem‖ – são apenas meros recursos literários usados pelos compiladores dos Evangelhos para unir todas as narrativas. editou e organizou os livros canônicos de forma artificial. tais como Oscar Cullmann e Joachim Jeremias. e afirma que a Bíblia não é a Palavra inspirada de Deus em nenhum sentido objetivo. importante. 5. consistindo basicamente de ditos e relatos individuais referentes a Jesus e aos seus discípulos. usam uma adaptação do seu método crítico. tal como a temos hoje seria apenas uma compilação de lendas e ensinos isolados que foram ardilosamente inseridos como sendo parte da história original. inclusive histórias independentes acerca de Jesus. tais detalhes não são confiáveis. lugares. A Bíblia. acolheram vários pressupostos da crítica formal.L. Segundo a crítica formal. O labor do crítico formal é mostrar que a mensagem de Jesus. histórias controvertidas e profecias cumpridas seriam nada mais que uma tradição proveniente de uma fonte tardia e menos confiável. O propósito da crítica formal é encontrar o Evangelho por detrás dos Evangelhos. que teria sido anterior aos quatro Evangelhos canônicos e diferente dos mesmos. Para dar aos Evangelhos um detalhe harmônico. nós ―não possuímos a história de Jesus. A premissa fundamental da crítica formal é que os evangelhos são o produto do labor da igreja primitiva. tal como temos nos sinóticos.1 O método investigativo da crítica formal. Frases como as dos Evangelhos. Para ele. ―em um barco‖. Aos poucos. ao refutar as conclusões de Bultmann. e deve ser avaliada como qualquer outra obra literária religiosa antiga. Como disse K. A igreja ajuntou essas tradições e usou em forma de narrativa. partindo da premissa de que a igreja primitiva compilou. Até mesmo os seus críticos. etc. ainda que receosos quanto à nova matéria que estava associada principalmente ao nome de Bultmann. Milagres. Bultmann vai mais além. ―no dia seguinte‖. cronologia.O método crítico de Bultmann é de fato. tempos e enlaces para unir as tradições independentes. um dos pioneiros no campo da crítica. Essas tradições orais também não são dignas de confiança. . Os autores dos evangelhos procuraram unir várias tradições orais independentes e contraditórias que existiam na igreja antes que fosse escrito o Novo Testamento. os quatro Evangelhos que dispomos servem apenas como ―matéria prima‖ na nossa busca pelo verdadeiro Evangelho. inventando lugares. Shimidt. bem como outros países com tradição no estudo da teologia. ―imediatamente‖. Com respeito à confiabilidade da Bíblia. de acordo com seus próprios propósitos apologéticos e evangelísticos. teriam sido acrescentados detalhes quanto à seqüência.

E por último. Todos os documentos do Novo Testamento. alguns dos pontos sustentados pela neo-ortodoxia. o método crítico de Rudolf Bultmann é demasiadamente injusto com a natureza do Novo Testamento. Há várias objeções que se pode fazer ao criticismo de Bultmann. Mateus para os judeus. Ela também nos recorda que os Evangelhos não são relatos neutros ou imparciais. entre outros.3 Objeções ao método crítico de Rudolf Bultmann. ele não conseguiu demonstrar objetivamente o Jesus ―não-sobrenatural‖. Cada um deles foi escrito com uma idéia. como por exemplo. É claro que esses pontos consensuais são superficiais. Assim como a teologia dialética de Barth. Além disso. por considerá-las principais. e até mesmo com alguns pressupostos de Bultmann. filho de Deus. sendo antes disso um testemunho da fé dos crentes. a crítica formal nos lembra que os Evangelhos não se interessavam grandemente por detalhes geográficos e cronológicos. Os cristãos ortodoxos aceitam. e não existem outras fontes acerca de Jesus‖. mas ele se mostra extremamente cético. Como tais. de forma quase consensual. Consenso com os cristãos ortodoxos. sendo fragmentadas e lendárias. A crítica formal também nos recorda o caráter ocasional dos Evangelhos. continuam refletindo o Jesus sobrenatural. principalmente quanto à possibilidade do sobrenatural e do chamado ―Jesus histórico‖. Não há dúvida que Jesus viveu e realizou muitas das obras que lhe são atribuídas. antes de adquirir a forma escrita do Novo Testamento. já que as fontes cristãs primitivas não se interessam por isso. Para Bultmann. Flávio Josefo e Tácito. expressam em primeiro lugar uma preocupação vital com a problemática da época. pois há menção da pessoa de Cristo nos escritos dos Pais apostólicos. É claro que o comentário de Bultmann é preconceituoso e tendencialista. em uma ocasião histórica específica. o que temos nos Evangelhos canônicos são apenas resíduos do Jesus histórico. e Marcos e Lucas para os gentios. A crítica formal nos lembra que o evangelho se conservou oralmente durante pelo menos uma geração. como a comunidade cristã ortodoxa havia pensado e praticado anteriormente. 5. o resultado dessa metodologia é essencialmente anti-sobrenaturalista. . por maiores que foram os esforços de Bultmann.Por fim. dentre as quais destacaremos cinco. não importa a forma em que a crítica formal os selecione. Ele disse: ―Creio que não podemos saber quase nada acerca da vida e personalidade de Jesus.

porém. A verdade. e não Cristo. A crítica formal também é injusta com os escritores dos relatos evangélicos. O que eles não levam em conta é que dentro dos limites de um esquema histórico amplo.1-4). Os Evangelhos possuem uma unidade básica de testemunhos confiáveis de Cristo. narra também alguns fatos embaraçosos. Isso tudo viola injustamente a unidade do relato evangélico. Diferente do que dizem estes críticos. várias vezes eles se mostram cautelosos com os dados históricos.1-2). Segundo a crítica formal. cada Evangelho é um marco histórico de certos aspectos da vida de Cristo. e não criar uma versão mitológica e deturpada do Evangelho. como no prólogo de Lucas (Lucas 1. exerceu o papel mais importante na produção dos Evangelhos. é que a mensagem neotestamentária está centrada na pessoa de Cristo e no que ele fez (2Coríntios 4. mas a crítica formal não reconhece a diversidade de transmissão oral dentro da unidade dos relatos evangélicos. Eles eram testemunhas oculares. cada evangelista distribuiu seu material histórico de acordo com seus propósitos. A igreja a qual Paulo e seus companheiros testemunharam não foi criadora (2 Coríntios 4. O método crítico de Bultmann separa o cristianismo de Cristo.1. Sua maior responsabilidade não foi a criação de novas tradições. mas apenas receptora da verdade. Eles também ignoram que o Novo Testamento. e ainda nos apresentam marcos diferentes da vida de Jesus. Não há embasamento sólido para a teoria da inconfiabilidade histórica dos Evangelhos. por se tratar de uma crônica de contínuos sucessos. e os Evangelhos a relatos contraditórios. e sim a preservação e proclamação das antigas tradições. e não na comunidade cristã. .A primeira delas está relacionada com a história.54-58) e a sua agonia no Getsêmani. mas não eram historiadores treinados. apesar disso. eles não podem ser um esquema historicamente confiável sobre a vida de Cristo. como a ausência de sinais de Cristo em sua terra natal (Mateus 13. está claro que os apóstolos exerciam um controle estratégico da mensagem oficial da igreja durante os anos de transmissão oral. o cristianismo dos apóstolos não passava de versões falhas sobre Cristo e sua mensagem. a crítica de Bultmann é exagerada porque exige dos escritores dos Evangelhos algo que eles não quiseram fazer. Marcos e Lucas a meros compiladores de documentos. Porém. Eles reduzem Mateus.21-22. a pesar dos muitos sucessos.5). os apóstolos eram uma fonte autorizada de informação com respeito dos atos e doutrinas de Cristo. Sua presença tinha como finalidade impedir que surgissem versões deturpadas do Evangelho. Os críticos da tradição de Bultmann argumentam que. Em Atos 4. Além disso. Na verdade. A grande premissa deste método de estudo é que a comunidade cristã.

O primeiro relato documental foi feito por Marcos e as evidências demonstram que ele foi escrito cerca de vinte e cinco anos após os eventos por ele narrados. apresentamos uma parte muito importante da influência atual de Bultmann. Essa palavra cacofônica é uma terminologia que foi popularizada por Bultmann em um ensaio escrito em 1941. de 1963. tornando-se a partir daí um jargão teológico. Mas a crítica formal não foi a única contribuição de Bultmann à teologia contemporânea. O impacto desse conceito na Europa foi tremendo. eles esquecem que o intervalo entre os fatos acontecidos e o registro desses fatos é muito pequeno.A crítica formal parece esquecer que o lapso de tempo entre os fatos históricos e os documentos escritos é mínimo. entre as quais está a desmitologização. a teologia da desmitologização é sem dúvida uma parte importantíssima da teologia contemporânea e merece destaque entre as idéias que Bultmann ajudou a preconizar. caso estes fossem impostores e estivessem inserindo mitos na narrativa. porém.3 Desmitologização: O método interpretativo de Rudolf Bultmann Uma das palavras chaves para entender a teologia do século vinte é a ―desmitologização‖. como os críticos desejam que seja. Não é possível sintetizar todo o pensamento de Bulmann em uma única palavra. Apesar disso. e se por um lado a Alemanha perdeu pouco a pouco o interesse pelos pressupostos da desmitologização. Outras idéias dele também permearam o cenário teológico do século vinte. O problema em dizer que o NT está repleto de material lendário é que vinte e cinco anos é muito pouco tempo para se formar uma lenda. Europa e da Ásia. está demasiadamente comprometida com os pressupostos do liberalismo para que possa ser considerada uma analise imparcial dos fatos. segue-se irrefragavelmente que a crítica da Bíblia tal como aparece em Rudolf Bultmann. O que ocorre. é justamente o contrário: os Evangelhos foram recebidos com muita alegria e divulgados pelas igrejas. Quando Bultmann e outros críticos da Bíblia dizem que a narrativa evangélica está repleta de fábulas que se acumularam durante o período entre a tradição oral e a palavra escrita. O que será que há de tão controverso e ao mesmo tempo tão atraente nesse conceito de Bultmann. De tudo isso. é uma analise preconceituosa do relato evangélico. além de ser ainda hoje a parte de sua formulação teológica mais controversa. a idéia recebeu um novo estímulo quando o John Robinson discorreu sobre o tema em seu livro Honest to God. 5. Quando as primeiras versões evangélicas começaram a circular. muitas das testemunhas oculares estavam vivas e poderiam facilmente desmascarar os escritores. a ponto de instigar consideravelmente os teólogos dos Estados Unidos. e continuar exercendo influência no pensamento teológico contemporâneo ocidental? É isso que estaremos analisando neste capítulo. . No capítulo anterior.

O programa de desmitologização. No centro do programa de desmitologização de Bultmann consta na afirmação de que no Novo Testamento encontram-se duas coisas: O Evangelho cristão, por um lado. A cosmogonia do século primeiro, de índole mitológica, de outro lado. Sendo assim, o teólogo contemporâneo precisa separar o kerigma (transliteração da palavra grega que significa ―conteúdo da pregação‖), de sua envoltura mitológica. O kerigma seria a entranha irredutível na qual o homem moderno deve crer. A idéia de mito, para Bultmann, tem sua origem no pensamento pré-científico do século primeiro. O propósito do mito seria expressar a maneira como o homem vê a si mesmo, e não apresentar um quadro objetivo e histórico do mundo. O mito emprega imagens e termos tomados deste mundo para transmitir convicções acerca do enfoque que o homem tem de si mesmo. No século primeiro, o judeu entendia o seu mundo como um sistema aberto a Deus e aos poderes sobrenaturais. Nessa era pré-científica, acreditava-se que o universo tinha três níveis, com o céu acima, a terra no centro e o inferno debaixo da terra. Bultmann insiste que essa é a visão de mundo encontrada na Bíblia. Esta inserção mítica, segundo Bultmann, também foi utilizada para transformar Jesus. A pessoa histórica de Jesus, segundo esse professor, se converteu rapidamente em um mito do cristianismo primitivo, e é por isso que Bultmann argumenta que o conhecimento histórico de Jesus não tem valor para a fé cristã primitiva, pois o quadro apresentado pelo Novo Testamento é de índole essencialmente mítica. Os fatos históricos acerca de Jesus se transformaram em uma história mítica de um ser divino e preexistente que se encarnou e expiou com seu sangue os pecados de todos os homens, ressuscitando também dentre os mortos e subindo ao céu e, segundo se cria, regressaria rapidamente para julgar o mundo e iniciar uma nova era. Esta história também foi embelecida com histórias milagrosas, vozes celestes e triunfos sobre demônios. Bultmann afirma que toda essa apresentação que o Novo Testamento faz de Jesus não passa de mito., isto é, do reflexo do pensamento pré-científico das pessoas do século primeiro, que criaram esses mitos para entenderem melhor a si mesmos. Esses mitos, segundo ele, não tem nenhuma validade para o homem do século vinte, que acredita em hospitais, e não em milagres; em penicilina, e não em orações. Para transmitir com eficácia o evangelho ao homem moderno, devemos despojar o Novo Testamento dos mitos e encontra o Evangelho por trás dos Evangelhos. É este processo de descobrimento que Bultmann chama de desmitologização.

O processo de desmitologização, segundo o próprio Bultmann, não significa negar a mitologia, e sim interpretá-la existencialmente, em função da compreensão que o homem tem de sua própria existência. Bultmann busca fazer essa interpretação existencialista dos mitos utilizando conceitos do filósofo existencialista alemão Martin Heidegger (1889). Assim, ele afirma que o suposto nascimento virginal de Cristo é uma tentativa humana de expressar o significado de Jesus para a fé. A cruz de Cristo também perde seu significado expiatório. Cristo na cruz não está fazendo nenhuma substituição vicária: ela tem significado apenas como símbolo de que o homem assumiu uma nova existência, renunciando toda a segurança material por uma vida que se vive apoiado no transcendente. Características básicas da mitologia do Novo Testamento. Em ultima análise, Bultmann diz que as características básicas da mitologia do Novo Testamento se concentram em duas categorias de autocompreensão: a vida fora da fé e a vida de fé. A vida fora da fé. Nesse sentido, os termos conhecidos como pecado, carne, temor e morte são apenas explicações míticas da vida fora da fé. Em termos existenciais, pode-se dizer que significam uma vida escrava das realidades tangíveis, visíveis e que perecem. A vida de fé. A vida de fé, por outro lado, consiste em abandonar completamente esta adesão às realidades tangíveis. Significa ainda a libertação do próprio passado e a abertura para o futuro de Deus. Para Bultmann, essa abertura ao futuro de Deus é o único significado real da escatologia. A implicação desse pensamento é que o viver escatológico genuíno é viver em constante renovação através da decisão de obedecer. Objeções à doutrina de Bultmann. A teologia de Bultmann é anti-cristã e herética, e o nosso juízo sobre ela deve ser negativo por vários aspectos: Primeiro, a desmitologização, assim como a neo-ortodoxia, tem grande dívida com a filosofia existencialista, que está em desacordo com o Novo Testamento. No existencialismo, assim como na neo-ortodoxia e na teologia da desmitologização, o enfoque central é o próprio homem, quando na Bíblia o enfoque é Deus. Sob influência do existencialismo, Bultmann coloca o homem no centro das atenções, cometendo uma injustiça e porque não dizer, sendo desonesto para com o caráter teocêntrico do Novo Testamento. O verdadeiro propósito do Novo Testamento é proclamar que o Deus soberano veio ao mundo na pessoa de Jesus para restaurar a natureza humana e resgatar a humanidade. O coração do Novo testamento continua sendo Deus, e não o Homem.

A desmitologização destrói a objetividade do NovoTestamento, portanto, é anticristã. Ela converte a Bíblia em uma religiosidade baseada no irreal e pré-científico. A religião cristã se transforma em um aglomerado de mitos e a historicidade dos eventos milagrosos é logo descartada. Herman Riddebos nota que, segundo Bultmann, Jesus ―não foi concebido pelo Espírito Santo, nem nasceu da virgem Maria. Sofreu sob Pôncio Pilatos e foi crucificado, mas não desceu ao hades, não ressuscitou dos mortos e nem subiu aos céus. Também não está assentado à direita de Deus Pai e não voltará para julgar os vivos e os mortos‖. Segundo Bultmann, ressurreição, inferno e nascimento virginal são palavras desprovidas de significado real, não sendo literais. São dogmas mitológicos e não expressam nenhuma realidade objetiva. O mesmo ocorre com a trindade, com a expiação vicária e com a obra do Espírito Santo. O cristianismo primitivo está marcado pelo impacto da pessoa e da obra de Cristo. Não existe outra justificativa capaz de explicar o nascimento da igreja e da sua teologia, porém Bultmann reduz sua influência à zero. Ele preconceituosamente assume uma postura anti-sobrenaturalista e presume, com base em seus conceitos tendenciosos e sem nenhuma evidência plausível, que todos os relatos confiáveis acerca de Jesus ficaram suprimidos ou destruídos no breve período que transcorreu entre sua vida terrenal e o início da pregação evangélica. Seu ceticismo é insustentável. Será que 50 dias é tempo suficiente para que os discípulos viessem a esquecer tudo o que ouviram e viram? Não foi só Heidgger que influenciou a teologia de Bultmann. As idéias de David Hume, o cético escocês, haviam influenciado o mundo e seu legado se estendia à época de Bultmann. É injustificável a negação de Bultamann dos relatos sobrenaturais e a classificação arbitrária desses relatos como sendo essencialmente mitológicos. Também podemos perceber várias pressuposições do liberalismo clássico na obra de Bultmann, razão pela qual tanto o seu método crítico como sua teologia da desmitologização ganharam o apelido de neo-liberalismo. Bultmann é totalmente incoerente ao basear suas idéias nas Escrituras, pois o que ele chama de mito, a Bíblia chama fato. Seu antropocentrismo pode estar bem de acordo com a filosofia existencialista, mas é totalmente oposto ao caráter teocêntrico do Novo Testamento. O desvendamento das Escrituras pela desmitologização é herético. Ao contrário do que Bultmann pretende, não é a desmitologização que desvendará de modo compreensível as Escrituras para o homem moderno, e sim o Espírito Santo. Somente ele, segundo a Bíblia, é que pode dissipar as trevas da incredulidade levando o pecador a ver o Evangelho. Com seu método interpretativo, Bultmann nos desafia a compreender o homem moderno, quando pregamos a ele. Esse enfoque é digno e necessário, mas não é ―desmitologizando‖ o Evangelho e interpretando-o existencialmente que nós solucionaremos os problemas da humanidade. Ao apresentar a mensagem cristã ao homem moderno, devemos ter em mente que por mais moderno que ele seja, ele ainda é homem natural, e portanto ―não pode compreender as coisas que são do Espírito de Deus, porque lhe parece loucura‖ (1 Coríntios 2.14). Creio que esse versículo, mais que qualquer outro, pode ser aplicado ao método interpretativo de Rudolf Bultmann.

Seus escritos são menos dependentes do existencialismo e de outros pressupostos filosóficos. Cullmann é a ênfase cristológica de seus escritos. é sábio referir-se as idéias de Oscar Cullmann como sendo neo-ortodoxas em sua orientação. O mais interessante na obra de Cullmann é que. Cullmann tomou os métodos exegéticos da crítica formal para aplicá-lo em sua reconstrução da história do Novo Testamento. cujos pressupostos já foram apresentados. Oscar Cullmann. a saber: Barth e Bultmann. o Dr.6. Ainda que seu conceito de história está bastante renhido com o evangélico. Outro ponto importante na teologia do Dr.K. a Heilsgeschichte de Cullmann tomou muitas idéias básicas para um novo enfoque da história. Oscar Cullmann Parte do mundo teológico do século vinte gira em torno de uma palavra alemã. O Novo Testamento. enfatizou a importância da história para a compreensão adequada da Bíblia. Cullmann é a pessoa que popularizou o termo no século vinte. ao passo que as idéias de Barth têm sido rejeitadas. deve ser a chave para a compreensão de si mesmo. Devido a essa relação com os escritos de Barth e Bultmann. ele não temeu desassociar-se desses homens. De Karl Barth. Diferente desses dois homens. comunga muito bem com a teologia ortodoxa. que pode ser traduzida para a língua portuguesa como história da salvação. sua ênfase na idéia central da história da salvação. se opondo fortemente a muitas características radicais da crítica formal e da desmitologização. principalmente ao fazer distinção entre os elementos essenciais e acidentais da mensagem do Novo Testamento. Segundo Cullmann. Também foi influenciado pela compreensão cristocêntrica do barthianismo e pelo conceito definitivo do papel da fé na revelação divina. segundo ele. porque parte da obra de Cullmann foi escrita de modo a refutar e interagir algumas idéias de dois importantes teólogos contemporâneos. é arbitrário e ingênuo. A palavra ganhou um significado mais pleno dentro da teologia ocidental contemporânea após os escritos do teólogo suíço. Heilsgeschichte. Esta diferença entre Cullmann e seus contemporâneos pode explicar porque muitas de suas idéias têm sido aceitas aos evangélicos ocidentais. ao mesmo tempo em que Cullmann manteve algumas idéias de Barth e Bultmann. Neste livro ele afirma que a teologia cristã primitiva é quase exclusivamente cristologia. Neste mesmo sentido. De Rudolf Bultmann. Ele diz que Barth e Bultmann assimilaram noções filosóficas estranhas ―que corromperam sua percepção da mensagem espontânea do Novo Testamento‖. Ainda que o significado e origem de heilsgeschichte remonta aos teólogos alemães do século dezenove. como J. . Heilsgeschichte: A escola teológica do Dr. o Dr. von Hofmann e Adolf Schlater. ele submeteu suas interpretações ao contexto que lhe oferecia a própria Escritura. Um dos livros mais inteligentes de Cullmann é um estudo exegético dos títulos de Cristo no Novo Testamento. Introduzir neste ponto nosso estudo sobre Cullmann e a Heilsgeschichte é intencional. o impulso de Bultmann. e mais dependentes da exegese bíblica do que a obra de Barth e Bultmann.C. de que Deus atua na história. perito no Novo Testamento.

A pesar da forte insistência na historicidade dos relatos bíblicos. passa a ser revelação. A história. e continua falando da experiência religiosa como ponto de apoio da revelação. ―a revelação se dá em fatos históricos. em todo o seu poder e glória. Os judeus no tempo do Novo Testamento aguardavam a vinda do Messias-Salvador como o anuncio iminente do fim do mundo. A razão pela qual Cullmann não admite que o Evangelho seja revelação é justamente essa: aceitar o Evangelho seria limitar a ação de Deus a essa linha estreita. A revelação e a redenção divina estão baseadas em realidades históricas bem objetivas.Principais postulados da escola Heilsgeschichte de teologia. A Heilsgeschichte (daqui por diante nos referiremos a ela apenas por história da salvação). apareceu na história da salvação na fase final do plano de redenção divino. porém. O tempo. como afirma Bultmann. ao enfatizar a história como veículo da revelação. . Como afirmou George Ernest Wright. Devemos entender o Novo Testamenticomo testemunho dos atos reveladores de Deus‖. portanto. A batalha que decide a vitória final já teve seu lugar. é algo no qual Deus atua para realizar a salvação do homem em Cristo. A igreja. perito em Antigo Testamento da mesma escola. Cullmann afirma que o interprete somente conhece a história quando se identifica com ela. Obviamente que essa é uma idéia neo-ortodoxa. Cullmann consequentemente está privando a Escritura de ser o dado básico da religião cristã.unho de Cristo. quando o Reino de Deus estará presente de modo pleno. As bênçãos da era vindoura começaram com a obra e o testem. sendo ela mesma a chave de ação na linha estreita da história bíblica. Quanto à revelação. mas sua finalização está reservada para o tempo da segunda vinda. Toda a história e todo o tempo. quando o interprete a conhece. e não uma realidade em si mesma. segundo Cullmann. A ação central na história da salvação é a primeira vinda de Jesus Cristo como Salvador. Isso implica em uma nova perspectiva escatológica. e o estudioso participa dessa história pela fé. de modo que a história se encontra em um drama cósmico. A Bíblia dá testemunho que Jesus é o messias e que ele deu início a essa nova era. e não em mitos levantados pela igreja. O dado básico passa a ser a história santa e a Escritura passa a ser apenas uma constante desse dado definitivo. como escola de interpretação teológica insiste principalmente na história e na revelação de Deus na história. Cullman e os outros teólogos da história da salvação ainda têm dificuldades em considerar o significado da salvação como algo objetivamente acessível. não em palavras. depois do qual viriam as glórias da era vindoura. o centro da história. a escatologia inclui todos os sucessos salvadores a partir da encarnação e concluirá com a segunda vinda. para Cullmann. Para Cullmann. são um drama mundial e Jesus é a figura principal neste drama.

Com relação ao conceito de Cullmann sobre a revelação.1 O pensamento de Cullman e a ortodoxia teológica. o que mostra que ele não está totalmente disposto a admitir a realidade da revelação como verdade infalível contida na Escritura. A teologia da reforma sempre insistiu na necessidade da iluminação do Espírito Santo para compreender a revelação de Deus (1 Coríntios 2. o leitor evangélico deve ter sempre presente que os pressupostos básicos de Cullmann são os de Barth e Bultmann e consequentemente essas mesmas idéias às vezes são um estorvo para o exame e compreensão da história da salvação. 7.18 e 1Coríntios 15. É verdade que a teologia da igreja primitiva estava marcada pela cristologia (2Coríntios 13.14). O maior propagador da história da salvação crê que. e no período pós-guerra esse clamor se intensificou e se homogeneizou com algumas idéias extremamente sociais e humanistas. ele acaba por negligenciar as formulações cristãs históricas da doutrina da trindade. pois ao enfatizar demais o cristocentrismo. sua ênfase exclusivamente cristológica acaba por converter o cristianismo em cristomonismo – para usar uma terminologia barthiana – . também deveríamos advertir que ele continua dependendo muito do subjetivismo da neo-ortodoxia. têm se demonstrado especialmente úteis. Suas idéias exegéticas a respeito das escrituras também são parte significativa de sua contribuição para a teologia. Por último. mas era também uma teologia trinitariana (Romanos 8. de tal forma que o pensamento teológico acerca do Reino de Deus se mesclou com as pretensões do papado. Teologia Secular: Robinson. Cullmann chama o relato Bíblico da criação e a segunda vinda de mitos. Em meados do século vinte. o uso que ele mesmo faz do criticismo faz distinção entre a Bíblia e a palavra de Deus. Sua forte insistência na salvação como um sucesso histórico centrado em Cristo é muito útil como defesa apologética e refuta a contento o programa de desmitologização de Bultmann. Suas idéias acerca da relação entre a escatologia e a primeira vinda de Cristo. Apesar da crítica que Cullmann faz do uso da crítica formal por parte de Bultmann. . João 1. inclusive para corrigir certa insistência ortodoxa do passado. a menos que o homem a entenda. ela nem mesmo é revelação.6.28). Desde Karl Barth.13). Como já foi esposado anteriormente. a tendência parecia ser a oposta. Na idade média houve uma forte tendência eclesiástica de sacramentalizar a sociedade. havia um forte clamor por um cristianismo menos dogmático e mais vivenciável. A intenção era trazer o Reino de Deus através da força militar e plantar suas idéias na sociedade. em última análise. a teologia da Heilsgeschichte se parece muito com a teologia ortodoxa. Cox e Buren: Uma teologia do mundo para o homem moderno.31-39. Junto com isso. Começava a nascer então a teologia da secularização.

resiste a toda definição. que é o desenvolvimento lógico da nossa tendência secularista‖.Poucos sabem. O lema desses novos ―crentes‖. Robinson reafirma que Deus é o fundamento do nosso ser. escrito em 1965. de Barth e na filosofia de Kant deve ser deixada de lado por se tratar de uma idéia antiquada e errônea. tão transcendente como na teologia de Kierkgaard. apresenta o secularismo não como inimigo da igreja. O centro de interesse dessa nova teologia não é a igreja. O Deus da Bíblia. De fato. Uma das manifestações mais abertas e nocivas dessa ―deserção secularista de Deus‖ que caracteriza a apostasia. algo totalmente imanente. mas o secularismo tão presente e difundido em nossa era.4). rodeados por um paganismo agressivo e arrogante. se percebem as mesmas exigências teológicas. Cox entende o processo histórico pelo qual a sociedade se liberta do controle da igreja e dos sistemas metafísicos fechados. já esteve organizado em um forte sistema religioso.1 A postura da teologia secular. 2 Coríntios 4. o final do século vinte e início do século vinte e um. cristãos secularistas é ―ama a Deus e faça o que quiser‖. porém. ainda que exige atenção. tanto que se cumpre hoje o que foi dito por certo comentarista: ―no fim do século vinte. Quais seriam os pressupostos dessa teologia do mundo? Que idéias os chamados teólogos seculares defendem? O que apresentamos à seguir são as principais idéias esposadas pela teologia do mundo. Esse tipo de concessão. ele parte para a idéia de um Deus no nosso interior. deve ser redefinido como sendo o Deus deste mundo (cf. O problema é que ao invés de buscar a moderação entre a transcendência e a imanência de Deus. 7. Honest to God (1963). e acrescenta que a igreja nunca deveria ser uma organização para homens religiosos. mas sim o mundo e as suas necessidades. os secularistas conservaram alguma forma moderada de religião. O livro de Robinson começa com o convencimento de que a idéia de um Deus ―lá em cima‖. O conhecido movimento da morte de Deus talvez tenha já morrido como moda teológica. foram marcados por uma forte tendência secular. não deve haver uma distinção entre igreja e mundo. talvez por medo de se oporem ao amor e ao culto cristão. os cristãos consagrados serão uma minoria consciente no ocidente. segundo ele. Esse radicalismo ateológico ganhou proporções gigantescas no best-seler de John Robinson. mesmo quando pensavam que a idéia de Deus era obsoleta. Em outro livro. está mudando vertiginosamente. ele continua influenciando a igreja e seus ensinos sadios. . A Cidade Secular. mas como fruto do evangelho. Sendo esse um movimento com muitas posições extremas. de Harvey Cox. porém. A princípio. Por secularismo. apostasia deliberada e oposição aberta ao sagrado. como ramificação da teologia secular. encontra sua versão religiosa no que passou a chamar-se teologia secular.

Muitos dos valores desse movimento teológico foram retiradas do diário e das cartas de Bonhoeffer. A Bíblia nos instrui a amar nossos inimigos (Mateus 5. Os teólogos seculares também afirmam que nossa teologia deve expressar um espírito de secularização. repudia a idéia de uma expiação sobrenatural e perdoadora. Ele. a orar pelas autoridades (1 Timóteo 2. Assim também. e talvez seja essa a razão pela qual ele chegou a ser considerado uma espécie de patrono do secularismo teológico. cujo Deus é literalmente o Deus deste mundo (2 Coríntios 4. . Robinson fala da expiação como ―a entrega completa de Jesus em amor‖. Com respeito a isso. os teólogos seculares rejeitaram totalmente o reino sobrenatural e a segunda vinda de Cristo. a pergunta ―Como posso encontrar um Deus benigno?‖ deve ser substituída por ―Como encontrar um próximo benigno?‖. e não lutar contra elas. seus pressupostos nos trazem à mente uma verdade que foi expressa pelo próprio Bonhoeffer.Em primeiro lugar.Eles reclamam que a igreja tem se esquivado e racionalizado quanto as suas falhas em não enfrentar-se com os males sociais e políticos.44). um bom exemplo.4). deve ser reconstruído sem Deus. É uma teologia totalmente naturalista. no qual ele ―revela que o fundamento do ser humano é o amor‖.2). pastor alemão executado pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial por participar de um complô contra a vida de Hitler. não a assassiná-los. não há espaço para o Jesus salvador. Harvey Cox diz que devemos deixar de falar da ontologia antiquada para começarmos a falar de funções e de ativismo dinâmico. e a idéia do céu é chamada por eles de ―escotilha de escape‖. Porém. assim como Cox e Buren. O cristianismo. A idéia liberal de que Jesus foi apenas um homem bom que viveu perto de Deus ganhou vida dentro da teologia secular. Buren. a voz mais eloqüente foi Dietrich Bonhoeffer. O único mundo real é o aqui e agora. Nas palavras de Robinson. A terceira objeção diz respeito à possibilidade do sobrenatural. no máximo. enquanto este aguardava a execução. a de que ―não se pode encerrar a Cristo na sociedade sagrada da igreja‖. Sem dúvida. O espírito ativista de Hitler é o espírito da teologia secular. o mais radical dos teólogos seculares é Paul Van Buren. escritas na prisão. em seus razoamentos teológicos afirma que o próprio Deus deve ser excluído do cenário teológico. Existe na teologia secular um esforço para minimizar o sobrenaturalismo. segundo ele. e Cristo deve ser visto como o paradigma da existência humana. A conduta de Bonhoeffer é reprovável e anti-cristã. Na teologia secular. os teólogos seculares estão de acordo que os problemas deste mundo deveriam ser uma das preocupações vitais da igreja. Ele é. e a nossa teologia não deve ser confinada às quatro paredes da nave de um templo. O campo é o mundo.

. não querem crer em um Deus ativo na criação. Sua teologia é a essência da apostasia descrita na Bíblia como característica do tempo do fim. A teologia secular é uma teologia mundana elaborada para responder à incredulidade arrogante de um homem que não ama a Deus. O único reino que a Bíblia conhece está centralizado no poder e na obra de Cristo. senão que deixaram dominar-se por ele. demonstram seu preconceito quanto ao mundo fenomenal. mas a si mesmo. Mateus 11. mas os teólogos seculares confundem o serviço no mundo com serviço para o mundo.11 ss.2 Avaliação da teologia secular. não tinham pensado em fazer. Eles não querem uma Bíblia sobrenaturalmente inspirada. e não esperam um reino futuro.. mas. O problema é que eles não somente captaram. A teologia secular fala de um reino centralizado na obra e no futuro de um homem autônomo. Há quem creia que a teologia da secularização tenha trazido apenas prejuízo à teologia ortodoxa. A teologia secular.7. uma da suas contribuições para a teologia ortodoxa foi plantar algumas perguntas que os teólogos. em seu repúdio pela metafísica e a ontologia. encerrados em seus sistemas dogmáticos. estamos no mundo para servir nele. nunca no homem (cf. Os teólogos seculares vestem seu humanismo de jargões teológicos e nos ensinam a viver no mundo de Marta.22 ss. Além do mais.31-46).). eles esquecem que o amor de Deus escolhe filhos. e não apenas servos. Qual deve ser a reação da igreja perante essas doutrinas? Certamente reconhecemos que esses homens captaram o espírito de nosso tempo. A teologia secular é radical e antibíblica. A vida cristã é um viver com Deus. e não para servir a ele. Tal como Bultmann. eles ignoram o sobrenatural. é uma vida em adoração e não somente uma vida de trabalhos humanitários. É verdade que Jesus recomendou que preocupássemos com os males do nosso mundo e buscássemos corrigi-los (Mateus 25. A teologia secular demonstra o desejo de uma reformulação do cristianismo em termos que sejam aceitáveis para o pensamento moderno e que possa ser traduzido em termos compreensíveis para o homem do século vinte. quando uma coisa só é necessária. 12. e muitas delas têm repercussão missionária e verdadeira importância na contextualização da mensagem cristã para o mundo. apesar do prejuízo causado ter sido maior que o bem que ela tem feito.

O livro de Robinson. Robinson diz que a velha moralidade é dedutiva. mas a maneira como o ser humano experimenta esses valores. Não demorou muito para que o ocidente abandonasse as idéias éticas tradicionais do cristianismo. começando a partir de normas absolutas. quando o Dr. Rudolf Bultmann e Paul Tillich. Com isso. normas e princípios morais da velha moralidade. se opõe grave e abertamente a muitas formas da ―ética tradicional‖. também ajudou a propagar as idéias do movimento. . com princípios teológicos mais existencialistas que puritanos. A popularidade da ética situacional como sistema teológico não teve tanta influência nos seminários teológicos protestantes do Brasil. por sua vez. sustentada como modo ideal de conduta. não havendo imposição moral absoluta.8. começando com a própria pessoa. O importante não são os valores objetivos. Massachusetts. Ela é uma reação às leis. ou ética situacional. Ética Situacional: Joseph Fletcher e um novo conjunto de valores para o homem moderno. É esse novo conjunto de valores do homem moderno que nós denominamos ética situacional. e ao distanciar-se perdeu também seus valores éticos. é indutiva. segundo ele mesmo. embora como sistema filosófico. suas idéias tenham sido rapidamente implantadas nas universidades brasileiras. e consequentemente teve que partir em busca de uma nova moralidade. Honest to God. A nova moralidade. eternamente validadas e imutáveis. a ética situacional exalta o homem sobre a lei. as declarações de fé são voluntaristas e não racionais. Relativismo – Conceito filosófico segundo a qual a verdade é um valor subjetivo. professor de ética social no Seminário Episcopal de Cambridge. Joseph Fletcher. Positivismo – Segundo essa cosmovisão. publicou o livro Situation Ethics. Fletcher definiu esses pressupostos como sendo: Pragmatismo – Doutrina segundo a qual o valor da verdade é determindado pela funcionabilidade. Com raízes que penetram os princípios éticos de homens como Karl Barth. Existencialismo – Filosofia que coloca o homem no centro do universo. Quanto aos pressupostos da ética situacional. o que denota. Essa nova moralidade religiosa. a prioridade da pessoa sobre os princípios. o movimento chamou a atenção da opinião publica em 1966. mais neo-ortodoxos do que propriamente ortodoxos. O homem moderno distanciou-se de Deus.

então. a resposta é não. porém tal amor é impossível dentro de uma teologia pragmática. o único mal intrínseco é a falta de amor e o único bem e virtude é exclusivamente o amor. . por outro lado. pragmática. ao mesmo tempo. conforme diz C. Por exemplo: ―se o bem estar emocional e espiritual do casal e dos filhos será promovido com a separação do casal. ao contrário. se importa tão-somente com o que a Bíblia ordena.O critério fundamental e único de conduta para o situacionista. um amor desinteressado e sacrificado. crendo que podem induzir esse crescimento numérico por seguirem quaisquer técnicas que parecem produzir resultados naquele momento‖. a fim de alcançarmos os fins que Ele nos recomendou‖. É claro que esses conceitos são demasiadamente ingênuos e conduzem fatalmente à imoralidade. não é um código ético. e sim o amor ágape. Quanto ao pragmatismo como tendência evangélica. A nova moralidade da qual o homem moderno se vê vestido tende a ver toda a moralidade cristã como um conjunto de tabus que devem ser quebrados a todo custo. A principal característica da ética situacional é que o fim justifica os meios. existencial e deve estar baseada no amor. O pensador bíblico. o amor exige o divórcio‖. Ao afirmar que aquilo que é feito com amor não é pecado. que também é um pragmático: ―A Bíblia não nos consente pecar. Em outras palavras. As duas filosofias se opõem mutuamente no nível mais básico. em que os fins justificam os meios. a fim de que a graça seja mais abundante. É tolice pensar que alguém pode ser bíblico e pragamático. mas: ―o que eu acho disso?‖. ao avaliar a veracidade de um determinado comportamento a pergunta a ser feita não é ―o que a Bíblia diz?‖. ―de que forma isso pode me dar prazer?‖. John F. O certo e o errado. É justamente esse tipo de pragmatismo imoral e anti-cristão que Fletcher propõe em sua teologia. O pragmatista deseja saber o que produzirá resultados. Para Robinson e Fletcher. Pode um bom fim ser anulado por um meio mau? Para a ética situacional. O pior de tudo não é quando as tendências pragmáticas são usadas para construir o crescimento de igrejas – ainda que o pragmatismo já seja um conceito escandaloso em si mesmo – mas sim. é uma questão subjetiva. McArthur diz o seguinte: ―Oponho-me ao pragmatismo tão freqüentemente defendido por especialistas em crescimentos de igreja. Não há nela nenhuma menção a pureza sexual. neste caso. Peter Wagner. para Fletcher e os demais teólogos da situação. quando a ética cristã é comprometida no afã alcançar as massas. segundo a cosmovisão situacionista. ―dará certo?‖ e por último ―eu estou fazendo por amor?‖. Certo e errado dependem da nossa decisão neste mundo relativista.1 Conhecendo os pressupostos da nova moralidade. 8. a nova ética transforma o amor ágape em eros. ela promove a sensualidade. ou não permite usarmos quaisquer meios que Deus tenha proibido. que colocam o crescimento numérico acima do crescimento espiritual.

Essa tendência de interpretar a Bíblia em termos existenciais tem sua origem muito antes de Fletcher. Qualquer tentativa de conciliar o relativismo com o cristianismo constitui irracionalidade e fraude. . todas as proposições de verdade são verdadeiras. Assim como o pragmatismo. ao contrário do que ensina o relativismo. Se a eficácia se tornar o indicador do que é certo ou errado. em tom de desabafo: ―A filosofia pragmática [. e não o homem (Romanos 11. Do mesmo modo. Porém. o existencialismo é uma forte tendência na teologia contemporânea. perdão e respeito mútuo. Se todas as reivindicações de verdade são de um mesmo valor. como doutrina teológica ela comete erros graves. Com idéias que remontam ao Romantismo. o relativismo deve ser rejeitado por várias questões. Se a verdade é apenas uma questão relativa. o estudioso A. Tozer discorreu sobre o futuro da igreja nestes termos: ―Digo sem hesitação que uma grande parte das atividades existentes hoje nos círculos evangélicos não são apenas influenciadas pelo pragmatismo. tem sua maior abrangência nos círculos místicos. visto que as duas cosmovisões são mutuamente excludentes. a verdade não é uma questão relativa. buscando meios e maneiras eficientes para alcançá-los‖. a única razão para ser bom é a vantagem que eu posso tirar da situação. e está sempre reaparecendo na teologia contemporânea. Como corrente teológica. Aceita como corretos e bons nossos alvos escolhidos. O positivismo. sem a menor dúvida nossa doutrina será diluída. e consequentemente. Não há nenhuma possibilidade de ser um indivíduo cristão e ao mesmo tempo relativista.. o estupro e o genocídio possuem o mesmo valor dos ideais cristão da caridade. a despeito de qualquer proposição em contrário. não há razão nenhuma no estudo da verdade. O existencialismo é uma filosofia centrada no eu.44-48). bem como na teologia de Friedrich Scheleiermacher. o conceito de verdade para um pragmatista é moldado pelo que parece ser eficaz e não pela revelação objetiva das Escrituras.. por sua vez. Qualquer filosofia de ministério do tipo ―fins-que-justificam-os-meios‖ inevitavelmente comprometerá a doutrina. Além disso. de um modo quase profético. não há verdade nenhuma.36). onde às vezes a ignorância pretensamente se veste de autoridade espiritual. o relativismo também é uma afronta ao cristianismo. se a verdade em moralidade é uma questão pragmática e relativa. Deus é a pessoa central para quem todas as coisas convergem. o existencialismo se descaracteriza completamente como proposta bíblico-teológica. mas parecem totalmente dominados por ele‖. Dentro de um sistema relativista o assassínio. e não apenas idéias pragmáticas e relativas (Mateus 5. Este mesmo escritor acrescenta. A Bíblia nos apresenta um conjunto de imposições morais que devem ditar o nosso modo de viver. Em 1955. é um fideísmo exagerado e anti-bíblico. mas extremamente absoluta que tem seu ápice na pessoa de Jesus (João 14.] não faz perguntas embaraçosas a respeito da sabedoria daquilo que estamos realizando ou a respeito de sua moralidade.O pragmatismo também foi a maior tendência da igreja ocidental na segunda metade do século vinte. Em última análise. Ao propor um antropocentrismo teológico.W. portanto.6). no pensamento do dinamarquês Soren Kierkgaard.

Deus não é plenamente Deus. entendemos que Pannenberg se encaixa melhor em outro movimento. expressando. Há quem relacione ao movimento outros dois nomes: Wolfhart Pannenberg. além de ser um ataque devastador aos teólogos existencialistas que argumentavam na linha de Bultmann. no atempo. Deus está presente na esperança. Deus não é absoluto. Porém.2 Uma análise da nova moralidade religiosa. O sistema ético situacional é um sistema que não pede nada em termos éticos e teológicos. ao juízo. Em última análise. A chave central para entender a teologia futurista de Moltmann é sua idéia de que Deus está sujeito ao processo temporal. Neste processo. sem nenhuma dúvida. Deus não revela quem ele é. a eternidade se perde no tempo. Poderia haver sistema melhor para o homem natural? A conclusão quanto ao referido capítulo é aparentemente óbvia: qualquer teologia do tipo ―fins-que-justificam-os-meios‖ inevitavelmente comprometerá a doutrina. que apresentaremos no capítulo seguinte. ele está determinado pelo futuro. não há como negar que esses homens possuem muitos aspectos em comum. No cristianismo tradicional. Religion. Os teólogos receberam entenderam o livro de Jurgen Moltmann como sendo um chamado refrescante a uma maior valorização da escatologia. No ano de 1969. 9. desde desonestidade a imoralidade sexual. o futuro é a natureza essencial de Deus. e sim quem ele será no futuro. Robinson deixa a impressão de que o homem moderno é tão maduro que precisa de muito pouca – e talvez nenhuma – ajuda espiritual fora dos seus próprios recursos naturais. à fé e à redenção. Deus e Jesus Cristo aparecem fora do tempo. cujo teor repercutiu grandemente no mundo acadêmico. Todas as afirmações que fazemos sobre Deus. que saiu em inglês em 1967. ainda que seja possível fazer essa distinção. Na teologia de Moltmann. Deus está presente apenas em suas promessas. um jovem teólogo alemão da Universidade de Tubinga fez ressoar a sua voz através de seu livro The Theology of Hope (A Teologia da Esperança). dentro da teologia cristã. revolução e o Futuro). Revolution and the Future (Religião. de Marburg. a despeito de qualquer proposição em contrário. porque ele é parte do tempo que avança para o futuro. e Ernst Benz. são produto da esperança. Nosso Deus será Deus quando cumprir suas promessas e com isso estabelecer o seu reino. . Teologia da Esperança: Jurgen Moltmann e a análise escatológica existencial Em 1965. foi publicada a sua segunda obra. o conceito de verdade para um pragmatista/relativista é moldado pelo que parece ser eficaz e não pela revelação objetiva das Escrituras. Se a eficácia se tornar o indicador do que é certo ou errado. de Munique. Desta forma. em nosso estudo.8. Entendendo a teologia futurista de Moltmann. porém. a religiosidade idealizada pelo homem moderno. sem a menor dúvida nossa doutrina será diluída. Para Moltmann. As implicações surgem em vários aspectos. A ética situacional elabora seu programa sem dar nenhuma atenção ao arrependimento.

At 4. qualquer conservador certamente saberá reconhecer os erros patentes de Moltmann. O cristianismo evangélico relaciona intimamente a ressurreição de Cristo com a escatologia. O futuro significa liberdade e liberdade é relatividade. ele deve participar ativamente na sociedade. Porém. e sim olhar o nosso futuro ilimitado para o Calvário. aqui também pode ser vista uma profunda consciência para com o mundo. Neste avançar para o futuro. A ressurreição de Cristo é um fato histórico que atribui pleno significado ao nosso futuro.23. Moltmann interpreta como aberta ao futuro. O presente em si mesmo não é importante. O importante é que o futuro se apodere da pessoa no presente‖. toda teologia cristã deve modelar-se através da escatologia. Jesus ressuscitou dentre os mortos há quase dois mil anos com seu corpo físico? Para Moltmann essa é uma questão sem importância. aberta à liberdade do futuro. A participação da igreja na sociedade poderá utilizar a revolução como meio apropriado. O Cristo ressuscitado é ―as primícias‖ da ressurreição (1Coríntios 15. Essa tendência pragmática em que os fins justificam os meios é uma tendência muito forte dentro da Teologia da Esperança. para Moltmann. e por isso. a questão da historicidade da ressurreição corporal de Jesus não é válida. o problema da violência versus não-violência recebe o nome de ―problema ilusório‖. Assim como na ―Teologia Secular‖. A morte e ressurreição de Cristo são a garantia que Deus dá de que haverá ressurreição futura. Realmente um assunto tão importante quanto a escatologia não deveria ocupar as últimas páginas em nossos livros de teologia sistemática. as categorias do passado devem ser descartadas. Afirma-se tradicionalmente que a ressurreição de Cristo é a base histórica da ressurreição final. Deus entrou no tempo. Para que o futuro se realize na sociedade.2). Não devemos olhar desde o Calvário para a Nova Jerusalém. A idéia de Moltmann de considerar a Bíblia desde o começo como um livro escatológico pode parecer um atrativo para o cristão ortodoxo. pois não existem formas ou categorias fixas no mundo. o começo da ressurreição final. É também ―pregar o Evangelho de tal forma que o futuro se apodere do indivíduo e lhe impulsione a agir de modo concreto para mudar o seu próprio futuro. .Segundo Moltmann. e sim se o uso da violência foi justificado ou injustificado. A tarefa da igreja é não é apenas se informar sobre o passado para mudar o futuro. e consequentemente o futuro se tornou algo desconhecido tanto para o homem como para Deus. A questão não é a violência em si. mesmo que ela não seja necessariamente o único meio. Moltmann diz que o homem não deve olhá-lo passivamente. O principal propósito da igreja é ser o instrumento por meio do qual Deus trará a ―reconciliação universal e social‖. Moltmann porém diria que a ressurreição final é a base da ressurreição de Jesus. Ainda quanto ao futuro. Acontece que a escatologia para ele não significa a previsão tradicional da segunda vinda de Jesus. bem como os horrores que traria a sua visão ética. Porém.

e quando lemos o seu segundo livro. Ao entrar no tempo. Barth havia transcedentalisado a escatologia por meio do emprego da distinção entre Historie e Geschichte. porém. ―Teologia da Esperança‖ nasceu de um dialogo com o ateu alemão Ernst Bloch. o Reino de Deus é trazido por meio da revolução. . no final. em um homem que observa o futuro e age na sociedade. o de Moltmann. e rejeitou todo o conceito objetivo da história. Deus disse a Moisés: Eu sou o que sou. um tropeço. no entanto. Para ele. o Reino de Deus traz a paz. Se por um lado a dialética de Barth acabou com a possibilidade da relação entre história e fé. e não a guerra (Romanos 14.30-31). mas Moltmann foi ainda mais além. Moltmann ultrapassou o limite do bom senso e acabou por propor uma teologia quase tão nociva quanto aquela a que ele se dedicou a refutar. Quanto ao conceito de Deus. Em seu afã de refutar as teologias não-ortoxas do seu tempo. com Overback e com Feurbach do que com Paulo. O primeiro livro de Moltmann. pois no presente ele sequer é Deus. Moltmann critica muitos conceitos neo-ortodoxos. A teologia de Moltmann tem maior dívida com Nietzche. Essa teologia do Deus finito e temporal. e mais filosófica que teológica. A idéia que Moltmann tem da escatologia é destituída de base bíblica. a teologia de Moltmann destruiu até mesmo a possibilidade de haver história. Ela é antes. seu sistema está mais fundamentado no marxismo do que em Cristo. segundo ele. o Reino de Deus é.7). Para o apóstolo Paulo. ele não admitia nenhum Deus eterno ou infinito. mas ele acaba levando os conceitos barthianos muito mais longe. Pedro ou João. vemos que nesse intercâmbio. Para Moltmann. mas Moltmann não permitua que Deus lhe dissesse o mesmo. Apesar de todo esforço de Moltmann para produzir uma teologia bíblica. O Deus da Bíblia existe de eternidade a eternidade. Para Moltmann. é descrito na Bíblia como celestial. esse reino é também uma realidade terrenal e tangível. A meta do futuro de Moltmann não é a plena manifestação da glória de Cristo. o Reino de Deus se introduz na terra por meio da política e da revolução. Ainda que Moltmann revista sua escatologia de conceitos bíblicos. Ela é mais marxista que bíblica. o Reino de Deus. e será introduzido por meio da proclamação do poder salvador de Jesus Cristo (Atos 28. Moltmann assimilou muitas idéias de Bloch. segundo a Bíblia. no entanto. no entanto. só existe no futuro. seu sistema nada mais é do que uma teologia centralizada no homem. um escândalo e uma nociva ameaça à sã doutrina. não pode ser teologia bíblica. e que ainda incita a rebeldia e a revolução. Deus se tornou finito e aberto a um futuro desconhecido. Como observou certo escritor: ―No monte sinai.Objeções à Teologia da Esperança. ela é a edificação da utopia na terra.

Pannenberg também não compartilha dos pressupostos marxistas de Moltmann. escondendo-a dos ataques da história. Porém.10. por outro lado há diferenças importantes entre esses dois esquemas teológicos. A questão da fé relacionada à história. Em sua teologia. há quem associe a este círculo o nome de Jurgen Moltmann. como o interesse pela relação entre a história e a fé. A fé não pode ser separada de sua base e conteúdo histórico. enquanto Moltmann a relaciona com o futuro. Neste sentido. Pannenberg apresenta uma forte resistência às idéias de Rudolf Bultmann. o maior nome dessa nova escola foi sem dúvida o de Wolfohart Pennenberg. isso porque. nem com suas idéias de revolução social. acusando-o de proteger sua teologia. ao ponto de certo crítico afirmar que ele foi o primeiro teólogo alemão contemporâneo a romper totalmente com os pressupostos dialéticos barthianos. a fé está relacionada com o passado. Teologia da história: Wolfhart Pannenberg e a teologia histórica da ressurreição. A pregação da ―Palavra de Deus‖ é uma afirmação vazia se não estiver relacionada com aquilo que realmente aconteceu. e ainda os dois mundos propostos por Kant: o dos fenômenos e o mundo numenal . mesmo com tal similaridade de interesses. Por exemplo: Moltmann não está tão interessado em alicerçar a fé na história. Ele não consegue assimilar as idéias dialéticas. ou Teologia da Ressurreição. foi o responsável por dar uma forma mais sistemática ao que posteriormente se convencionou chamar Teologia da História. Apesar do caráter particular da sua obra. jovem professor de teologia sistemática da Universidade de Mainz. na Alemanha. porém. tanto que esse grupo de jovens teólogos e a nova escola ganhou o epíteto de ―círculo de Pannenberg‖. As idéias de Pannenberg foram revolucionárias em seu tempo. seria incorreto agrupar os dois na mesma escola de pensamento. além do esforço por refutar os pressupostos existencialistas de Bultmann. Klaus Koch e Rolf Rendtorff. É verdade que Pannenberg compartilhem algumas idéias comuns. Pannenberg reconhece a realidade histórica da ressurreição como algo crucial para a compreensão do Novo Testamento. se por um lado há um ponto de contado entre os dois. Outra diferença entre ambos está no modo de entender a fé: Para Pannenberg. Esta nova ênfase podia ser claramente percebida nas teses de doutorado de jovens professores como Ulrich Wilckens. enquanto Moltmann descarta qualquer interesse pela ressurreição corporal como sendo algo impertinente. As supostas diferenças entre Historie e Geschicthe. Os dois também falam da ressurreição de cristo como um tema central da fé cristã. entre o Jesus histórico e o Cristo Kerigmático. . Moltmann está muito mais vinculado a Bultmann que a Pannenberg. na visão de Pannenberg são ―um clamor sem sentido‖. Wolfhart Pannemberg. Ele também se opõe à Karl Barth. Porém. o desejo de uma orientação teológica escatológica e principalmente a ressurreição de Cristo. principalmente por seu conceito de redução da história à experiência individual. No final da década de cinqüenta se podia facilmente perceber o surgimento de uma nova escola de interpretação teológica.

. A explicação inventada pelos judeus para refutar a ressurreição é que os discípulos roubaram o corpo. isso porque. não devemos fazer distinção entre história salvífica e história secular ou profana (distinção comum tanto na Heilsgeschichte como nas teologias existencialistas contemporâneas). A única explicação satisfatória para a repentina mudança que ocorreu nos apóstolos é exatamente a ressurreição corporal de Cristo. a revelação se dá exclusivamente por meio de atos históricos. para Pannenberg. como ensinou Bultmann. Segundo ele. a ressurreição foi um fato histórico. como afirma a escola Heilsgeschichte. Esta revelação histórica está ao alcance de todo aquele que tenha olhos para ver. Pannenberg e a ressurreição de Cristo. Pannenberg insiste em que a revelação de Deus não chega ao homem de forma imediata. O conhecimento histórico é a única base da fé. e sim mediata. pois estes estavam muito desanimados após a morte de Cristo para chegarem sozinhos à conclusão de que Cristo ressuscitou. Além disso. não é uma revelação especial que só pode ser compreendida pela fé. Ele afirma ainda que esta história na qual se dá a revelação. como também de que ela é historicamente demonstrável. antes.O conceito de revelação e fé em Pannenberg. A fé é. o conhecimento da verdade histórica. por meio dos sucessos históricos. vazia. Difernte de Moltmann e dos outros teólogos existencialistas. Ele se recusa a explicar os relatos evangélicos da ressurreição como fruto da imaginação dos apóstolos. é uma forte evidência de que Jesus realmente ressuscitou corporalmente. caso o túmulo de Jesus não estivesse. Pannenberg não busca desmitologizar a ressurreição. 11. Para ele. a comunidade cristã primitiva não teria conseguido sobreviver. ou ramificações dentro da história. de fato. em oposição clara e aberta com a escola Heilsgeschichte. mas ninguém se atreve a questionar a realidade do túmulo vazio. Ele diz estar convencido não só de que a crença da igreja na ressurreição não é um mito pré-fabricado. uma vez que os atos salvíficos de Deus realmente aconteceram e tem o seu lugar na história. Eles também não teriam nenhum benefício em inventar uma mentira de tamanha proporção. toda história é algo plenamente conhecido e até mesmo ordenado por Deus. Não existem partes específicas na história. O túmulo vazio é um fato histórico e aliado à mudança repentina que ocorreu nos discípulos. portanto.

Sua teologia também é importante porque ressalta ao mundo que a fé cristã é a única verdade universal. ela é revelação. de fato. uma ameaça à própria revelação. Seu sistema é mais ortodoxo que o proposto pelos existencialistas e nos faz lembrar que. Ambos advogam uma teologia dialética que sufoca tanto a revelação histórica como o caráter universal do cristianismo. Porque foi que quando Paulo pregou em Atenas uns creram e outros zombaram? A teologia de Pannenberg é muito mais do que uma simples escola de interpretação. Ele não confere à toda Bíblia o status de revelação divina. não são capazes de crer por si mesmas. Ela é uma brilhante defesa apologética em favor do cristianismo histórico. há muitos aspectos em que ele parece mais um herdeiro da neoortodoxia que seu oponente. embora Barth e Bultmann hajam tido debates acirrados. essa visão que ele possui da Bíblia tem levado muitos a relacionar o seu nome com a crítica histórica e com o próprio Bultmann. Se a fé está baseada exclusivamente no conhecimento da história e esta é o seu único fundamento. que garante a confiabilidade da informação. Ainda que Pannemberg ataque as posições de Barth e Bultmann no que concerne à relação entre fé e história. sobre esta base. Embora o mesmo ocorra no pensamento de Agostinho e até mesmo de Lutero. não existe grande diferença entre seus sistemas. ele parece tirar a fé das mãos do crente simples e colocá-la nas mãos do teólogo experiente. dando a entender que algumas partes são mais importantes que outras. Ele também está de acordo com Bultmann em que os títulos que expressam a divindade de Jesus foram criados pela igreja primitiva. Pannemberg também ressalta que a falta de uma revelação objetiva da neo-ortodoxia é. mesmo quando o homem não se interessa ou busca compreendê-la. Pannenberg leva-nos a concluir que as pessoas simples e sem condições para efetuar uma pesquisa investigativa. Pannenberg destaca que a revelação não se torna revelação quando é compreendida. Os críticos de também parecem indicar que. . Com isso. Além disso. Ao refutar a idéia neo-ortodoxa de que a revelação só se transforma em verdade para as pessoas por meio de uma aceitação pessoal.Objeções à teologia de Wolfhart Pannenberg. Ao fazer que a fé dependa exclusivamente da história. elas apenas podem crer quando ouvem e confiam no relato de um perito em história cristã. Pannenberg não pôde explicar de modo satisfatório a razão da incredulidade. Uma e outra vez ele insiste em que o nascimento virginal é um mito.

e também é chamada de hominização. Esta é a fase da história evolutiva da terra aparece a vida biológica na terra. alguns dos seus comentaristas mais apaixonados são cientistas e teólogos protestantes. Seus conhecimentos de geólogo e paleontólogo são grandes atrativos para o mundo científico. ou biosfera. quinze anos depois da sua morte. . Nesta fase. com o que ele alude que na evolução existe uma tendência por parte da matéria. Durante sua vida. O processo. foi formada ente cinco e dez milhões de anos e desde então vem se desenvolvendo através da evolução. estudioso equatoriano. Embora ele tenha sido um teólogo católico. pode ser resumido como consta no seguinte esquema: Partículas elementares (chamadas de Ponto Alfa) => Átomos => Moléculas => Células Vivas => Organismos Pluricelulares. Ele admite que a terra veio a existir por meio de um lento processo. a qual ele chama de ―luz que ilumina todos os fatos.12. Chardin criou o termo noosfera. que a faz tornar-se cada vez mais complexa. Porém. O ponto de partida do pensamento teológico de Telhard é a evolução. considerados pela igreja católica como sendo nocivos e de conteúdo herético. A terra. arcebispo do Recife. Sua influência pode ser percebida até mesmo nos países que compõem o nosso terceiro mundo. Muitos fatores ajudam a explicar a repentina popularidade que alcançou a teologia de Teilhard. Para descrever a etapa seguinte. que significa a ―camada mental‖ da terra. Sua destacada personalidade e seu caráter humanitário podem ser percebidos por qualquer pessoa que o tenha conhecido ou lido algo acerca da vida deste destacado sacerdote católico. Francisco Bravo. Um dos acontecimentos religiosos que mais despertaram o interesse dos teólogos no fim da década de cinqüenta foi a popularidade póstuma do cientista e místico jesuíta Pedro Teilhard de Chardin (1881-1955). publicou uma obra meticulosa sobre Teilhard. permaneceu fiel a sua ordem durante toda vida. que apesar das restrições que o Vaticano impôs aos seus livros. segundo ele. em 1920. Essa noosfera nada mais é do que o surgimento do homem pensante sobre a terra. esses livros suprimidos durante toda a sua vida começaram a aparecer. Teologia da Evolução: Teilhard de Chardin e o darwinismo teológico. Conhecendo a proposta teológica de Teilhard de Chardin. Esta é a etapa mais importante na história do mundo. Suas idéias lograram arrancar elogios até mesmo de Dom Hélder Câmara. que pode ser descrito na seguinte ordem: Barisfera (época da ―terra derretida‖) => Formação da crosta => Formação da água e do ar => Formação da atmosfera. curva a que devem seguir todas as linhas‖. segundo ele. o processo evolutivo adquire consciência de si mesmo. fundador de um sistema teológico que ficou conhecido como teologia da evolução. Este processo evolutivo avança segundo o que Teilhad chama de ―lei da consciência e da complexidade‖. este teólogo foi impedido de publicar seus livros.

Deus vem a ser a causa final. Movidos pelas forças do amor. Isso também é contrário a doutrina da graça. etc.21-25). desde Kant aparece e reaparece na teologia contemporânea. mas nenhuma dessas concessões desabilita o esquema de criação conforme narrado em Gênesis. Sua teologia é o reflexo do pensamento naturalista do seu tempo. segundo ele. Na teologia darwiniana de Teilhard.28). diferentes tons de pele. Assim como todas as teorias evolucionistas seculares. Cristo é o centro do processo evolutivo e o seu princípio básico. Principais objeções a teologia evolucionista de Chardin. Esse movimento para o centro. é também contrária a Bíblia. os fragmentos do mundo se buscam para que o mundo possa chegar a ―ser‖. . a expectativa da unidade perfeita. Teilhard começa a se apoiar na teologia para predizer o futuro da evolução. Assim sendo. para Teilhard. e criando cada ser em conformidade com a sua espécie. Dessa síntese filosófico/naturalista procedem as demais divergências de Teilhard com a teologia ortodoxa. segundo a qual o aperfeiçoamento advém da comunhão com Cristo Jesus. a teologia evolucionista deste teólogo descaracteriza a criação.. Sua linguagem é obliqua e seu esforço hercúleo para fazer de Cristo o centro da evolução é desonesto e contraditório. Deus será tudo em todos (1Coríntios 15. numa forma superior de panteísmo. Nesta etapa. Sua ênfase na personalidade autônoma que. Por meio de um ato pessoal de comunhão. é o processo de amor. a teologia de Teilhard Chardin parte do pressuposto de que o homem alcança sua verdadeira dignidade e plenitude espiritual por meio do processo evolutivo. Assim como as teorias evolutivas seculares. a união sobrenatural de todas as coisas em Deus. a teoria de Teilhard é macroevolucionista e negligencia completamente o ponto mais básico da criação que é Deus fazendo todas as coisas do nada pela sua palavra. dando a perfeição a todas as coisas. na qual cada um dos elementos alcançará sua consumação. Ao contrário disso. O amor. e se encontra no final do processo. O Cristo de Teilhard é o reflexo no coração do processo do ponto Ômega. fazendo diferenciação entre microevolução e macroevolução. o ponto Alfa. e o universo se auto-realiza em Cristo. Há muitos teólogos contemporâneos que concordam com a teoria da antiguidade da terra. Ele vê todo o processo evolutivo que começa com as partículas. sendo ele a afinidade do ―ser‖ com o ―ser‖. e sim propriedade geral de toda a vida. Microevolução é a mutação que ocorre dentro das espécies e seria o fator responsável pelas diferentes raças de cães.Nessa etapa de sua teoria evolutiva. e converge no que ele chama de Ponto Ômega. ou seja. e com a evolução das espécies à partir das espécies criadas por Deus (Gênesis 1. Os princípios de Teilhard de Chardin apresentam várias dificuldades para o crente ortodoxo. mais que a causa eficiente do universo. tal como aparece na Bíblia. Cristo incorpora em si o ―psiquismo‖ total da terra. ao mesmo tempo que o universo. não é exclusividade humana.

sem fazer nenhuma alusão à graça de Deus. O mal. é antagônica a Bíblia. Por essa mesma razão. Alfred North Whitehead (1861-1947). o maior sucesso da história é a vinda de Cristo. apresenta dois grandes inconvenientes: Primeiro. o resultado de tal união é a perda tanto do mundo. que por sua vez. a filosofia do processo. chegando ao ponto de afirmar que a evolução é ―o sucesso mais prodigioso que a história jamais se referiu‖. e nem permite que o pecado seja pecado. sendo que o universo representa o corpo orgânico de Cristo ainda em evolução. Em última análise. elaborou sua filosofia em torno de algumas idéias de Charles Darwin. e não a teoria da evolução. 13. Em segundo lugar. solidão e angústia. Ele se emociona tanto com a evolução que se esquece que. da Universidade de Chicago. a teologia da evolução de Teilhard é demasiado otimista.Teologia do Processo: Dr. a doutrina bíblica do juízo quase não se vê na obra de Teilhard.Como todas as teorias evolucionistas. A teologia de Chardin não permite que a graça seja graça. é uma superabundância da estrutura de um mundo em evolução. essa nova escola teológica tem como seu maior expositor o professor Dr. a cristologia de Chardin transforma o Cristo da Bíblia em um Cristo cósmico. a teologia do processo também toma por empréstimo alguns pressupostos de uma vertente filosófica contemporânea. morte. Assim como as outras teologias radicais surgidas no século vinte. como de Cristo. a saber. Charles Hartshorne. que se manifesta em planos diferentes. Talvez essa seja uma das razões da sua difusão rápida. segundo a fé cristã. A teologia do processo como escola teológica é uma tentativa de restabelecer a doutrina de Deus em um mundo extremamente cético. através da desordem material. para ele. O homem moderno está disposto a aceitar qualquer tipo de droga entorpecente que se apresente sob o pseudônimo de ciência. Charles Hartshorne e a Teologia do Deus Finito De origem norte-americana. Ele divaga pela senda do universalismo e do panteísmo. tal união tem como conseqüência lógica a deificação da criação (panteísmo). . A idéia de Teilhard de união do universo com Cristo. A teologia da evolução. elaborada pelo famoso matemático e filósofo. bem como as teorias evolucionistas seculares. prometendo um final feliz para todos. Teilhard foi um homem totalmente deslumbrado com as teorias científicas do seu tempo. Não há como sustentar esse sistema teológico sem perder a identidade cristã. A proclamação da evolução constante por parte de Chardin nunca se vê alterada pela realidade bíblica do pecado no homem.

emergindo sempre em tudo. em que o ser incluía o porvir. . A religião. Segundo ele.. algo que é uma possibilidade remota e mesmo assim é o maior de todos os atos presentes. Nas palavras de Hartshorne. Deus. o livro de apocalipse e as profecias bíblicas perdem todo o sentido. está além do nosso alcance‖. Associado com teólogos radicais de língua inglesa como Norman Pittenger. ―é a visão de algo que está além. Os filósofos antigos desenvolveram seus sistemas em torno da idéia de que o mundo era algo fixo. segundo a teologia do processo. é ―co-criador‖ do universo. pois uma vez que não há um Deus soberano e onisciente. ―Deus literalmente contém o universo‖. estando sempre em constante processo de transformação. As idéias de Chardin também são muito parecidas com a dos teólogos do processo. o que reduz o cristianismo bíblico a uma mera versão panteísta de religião. e mesmo assim. Com isso. reduzindo Deus à uma força que existe como o aspecto principal de todas as coisas. atrás e dentro do fluxo passageiro das coisas imediatas. Assim como na teologia de Paul Tillich. Assim como na filosofia kantiana. como se pode observar. devemos demonstrar a realidade objetiva de Deus através de uma metafísica racional. a teologia do processo descaracteriza Deus. segundo Whitehead. Objeções à teologia do processo.Pressuposições da Teologia do Processo. O legado kantiano. Daniel Day Willlians. possuí-la é o bem último. Os teólogos do processo também comprometem a soberania de Deus. Harthshorne desenvolveu ainda mais a filosofia de Whitehead e aplicou suas conclusões no cenário teológico. Whitehead lhes serve como ponto de partida. não há certeza alguma quanto aos eventos futuros. reduzindo-o a um mero conceito panteísta. e sim uma força dinâmica por detrás da evolução. Desse modo. algo que é real e ao mesmo tempo espera por realizar-se. Schubert Ogden e John Coob Jr. até Deus está sujeito ao porvir (um conceito semelhante ao do teísmo aberto e da teologia da esperança). tanto na história como na natureza‖. Whitehead desenvolveu seu sistema ao redor da idéia de que o mundo é dinâmico. está bem latente na filosofia de Whitehead. Nesse sentido. para ele. o teólogo do movimento. na teologia do processo também há um grande apelo à autonomia e a liberdade humana. isso porque tanto ele quanto Whitehead assimilam idéias evolucionistas. ―não é um ser. A criação de Deus é um processo contínuo. a teologia do processo tende à dissipar a idéia de Deus como ser pessoal. uma coexistência de ordem e liberdade na qual o homem participa para criar o futuro. Deus. Essa tendência teológica torna injustificável a escatologia. o grupo está convencido que para responder à ―Teologia da Morte de Deus‖.

Um evento tal como esse acabaria por forçar nossa vontade. Ele é um homem em quem Deus atuou. [na teologia do processo] a criação se transforma em evolução. a teologia do processo está muito mais fundamentada em hipóteses filosóficas do que naquilo que a Bíblia realmente diz. como pode fazer predições sobre o futuro? A conseqüência lógica do seu sistema é que não pode haver predição ‗cem por cento‘ segura na Bíblia. fala e atua por conta própria. Há um abandono do sobrenatural. Dessa forma. um conceito mental tomado à partir de analogias da experiência humana. em sua teologia o mundo se torna necessário para que Deus exista. Cristo aparece mais como um ―símbolo‖ da atividade divina na terra do que como uma intervenção divina no curso desse mundo. mas se Deus é ignorante em relação a grandes períodos da história futura. A Bíblia na afirma categoricamente: “Deus não é homem para que minta”.Ainda que muitos teólogos do processo se neguem a admitir que descrevem Deus em termos panteístas. Sua cristologia também é bastante confusa. finita. pois parece altamente improvável que um ser que não tenha presciência plena dos contingentes futuros saiba o que acontecerá. pois se Deus não tem nenhum conhecimento dos fatos ainda não ocorridos. A doutrina da ressurreição. de que maneira qualquer uma das profecias preditivas das Escrituras poderia ser qualquer coisa além de probabilidades? A teologia do processo aniquila a fé que o crente tem em Deus. o mundo também condiciona as atividades de Deus. a teologia do processo põe em risco a credibilidade das Escrituras. uma intervenção direta no livre-arbítrio humano. Além disso. penteísta e consequentemente. e o Deus vivo da Bíblia fica submerso em termos imanentes‖. a redenção se transforma em relação e a ressurreição se transforma em renovação. os milagres desaparecem. esse biblicismo é apenas aparente. Mesmo que a teologia do processo tenta dar um ―toque bíblico‖ em sua teologia. e não somente isso mas também retira o próprio Deus Soberano do cenário e introduz em seu lugar uma divindade caricata. Como podemos ver. . mas suas conclusões o dissociam do Deus encarnado. também é insustentável porque tal ato seria uma coerção divina. Como disse Carl Henry: ―apesar de todo esforço. o Deus pessoal da Bíblia que se auto-revela. segundo os teólogos do processo. impotente. também na teologia do processo há uma tendência em reinterpretar os milagres da Bíblia em termos existenciais. e manifesta seus designos de forma inteligente. Ao negar o conhecimento que Deus possa ter de fatos ainda não ocorridos. dentro da teologia do processo é ―uma seqüência de experiências pessoalmente ordenada‖. Como se pode perceber.

psicologia. não formou especificamente uma escola teológica específica. Na América do Norte. o ―sobrenaturalismo do cristianismo histórico‖ é muito transcendente para que o homem possa encontrar nele a resposta. por outro lado. Queremos agora apresentar o terceiro deles. a teologia. 14. coletando ―supostamente‖ o que havia de melhor nessas duas escolas. Tillich é mesmo uma figura controversa. Se por um lado a filosofia naturalista não pode responder os questionamentos do homem. Como encontrar a verdade? E de que modo podemos construir uma teologia? . é provável que somente Rudolf Bultmann tenha exercido uma influencia igual no cenário teológico mundial. Hordern define a teologia de Paul Tillich como sendo ―a fronteira entre o liberalismo e a neo-ortodoxia‖. Exerceu capelania durante os quatro anos da Primeira Guerra Mundial e participou do Movimento Socialista Religioso na Alemanha. Paul Tillich se tornou professor do Union Theological Seminary. Na Europa ele é considerado um liberal e ferrenho opositor de Barth e Brunner. O teólogo Willian H. em Nova Iorque. segundo ele. Falando do ―princípio de correlação‖. e é isso mesmo que ela é. mas tal comentário será sempre especulação. A mensagem do cristianismo surge como ―um conjunto de verdades sagradas que apareceram em meio à situação humana como corpos estranhos procedentes de um mundo estranho‖. ele é considerado como pertencendo a escola neo-ortodoxa e em alguns círculos teológicos. sua intelectualidade não o privou de prestar importantes serviços sociais e religiosos. Pressupostos da teologia de Paul Tillich. Ao chegar nos Estados Unidos. Há quem pense que seu existencialismo teológico tenha surgido nesse período e especificamente por causa dos horrores da guerra. Porém. Tendo fugido da tirania de Hitler em 1933. entre a crítica destrutiva da desmitologização e o existencialismo neo-ortodoxo. Sua experiência como capelão no período da guerra fez com que ele tivesse uma vívida impressão dos problemas sociais. Paul Tillich. ele argumenta que deve haver uma correlação entre os problemas do homem e a fé cristã. apelido pelo qual é conhecido hoje nos círculos acadêmicos. e talvez. Já apresentamos dois deles. ele é mencionado em conjunto com Barth e Brunner. no entanto. lhe renderam o título de ―teólogo dos teólogos‖. filosofia. arte e análise política. além de sua especialidade. Apesar de não ter formado uma escola específica. Parte da popularidade de Tillich nos círculos acadêmicos deve-se a sua profunda preocupação em encontra alguma forma de relacionar a mensagem da Bíblia com as necessidades do século vinte. neo-ortodoxa e liberal. Sua profunda erudição e seus conhecimentos de história. Tillich desenvolveu um sistema teológico que resiste a qualquer rótulo. Há pelo menos três grandes vultos teológicos do século vinte. à saber: Barth e Bultmann. Ele se situa exatamente no centro. O fato é que Tillich se valeu das elucubrações de ambas as partes. Embora fosse um homem de grande erudição.Teologia do Ser: Paul Tillich e a fronteira entre o liberalismo racionalista e a teologia existencialista. por essa razão. apesar das semelhanças. dedicou seu tempo para ajudar os refugiados da Europa.

tais como justificação. tais como o ser e o não ser que tanto o angustiam. Não podemos compará-lo a nada a fim de definilo. regeneração e santificação também estão sujeitas à reinterpretações. Segundo ele. isso porque o Ser transcende à existência. A justificação também não é um ato soberano de um Deus pessoal. Deus não é apenas o Ser. a afirmação ―Deus se fez homem‖ é uma afirmação não apenas paradoxal. O relato da crucificação é mencionado como lendário e contraditório. o que seria uma explicação superficial e simplória. segundo ele. Ele é a resposta simbólica do homem para a sua busca de bravura para superar as situações que o limitam. Para Tillich. Nossa preocupação é essencial quando ponderamos sobre aquilo que é a soma da nossa realidade e a estrutura e objetivo da nossa existência. afirmar a existência de Deus é tão ateu quanto negá-la. Quanto ao pecado. . A ressurreição. Ele esta além do ser ou das coisas. Nós nos preocupamos essencialmente quando ponderamos sobre aquilo que tem o poder de destruir ou de salvarnos. pois mesmo que o considerássemos como o ser mais elevado. começamos definindo a religião. ou aquilo que tradicionalmente chamamos de Deus. A santificação é o processo através do qual o Novo Ser transforma a personalidade e a comunidade fora da igreja. A religião não é apenas uma questão de ter determinada crença ou praticar certas ações. Tillich o define em função do ser e da alienação do Ser. no qual se dissolve toda alienação que tenta diluir a unidade do homem com Deus. O essencial é o próprio Ser. Ela se resume na entrega total de nosso ser. o estaríamos reduzindo a um objeto e uma criatura. O pecado é a alienação do fundamento do nosso ser. ele define Jesus como o símbolo no qual se supera a alienação. o homem é religioso quando está ―essencialmente preocupado‖. Cristo é o símbolo do ―Novo Ser‖. mas também sem sentido. Essa preocupação essencial é o que determina nosso ser ou o não-ser.Para Tillich. em que se rompe a distância. A regeneração é descrita por ele como ―ser incorporado na Nova Realidade manifesta em Jesus‖. Este Ser (com maiúscula). paradoxalmente não é nem uma coisa nem um ser. A responsabilidade pelas tensões da vida moderna não está relacionada a um conceito clássico de pecado. como portador do ―Novo Ser‖. significa simplesmente que Jesus foi restituído à sua dignidade na mente dos discípulos. e sim uma palavra simbólica que indica que o homem é aceito apesar de si mesmo. A preocupação essencial é aquela que tem prioridade sobre todas as preocupações da vida. mas também o poder de Ser por si mesmo. tem o poder de elevar o homem sobre si mesmo. Por isso. e isso foge a nossa compreensão. Essa preocupação. A palavra ―símbolo‖ é resultado do repúdio de Tillich por qualquer interpretação ortodoxa acerca da pessoa e da obra de Cristo. segundo ele. para Tillich. Em sua cristologia. As descrições da salvação em seus aspectos.

temos a impressão de estar diante de um incrível tratado teológico produzido por uma mente enciclopédica. Como escreveu o crítico Kenneth Hamilton. mas estará sempre em plano secundário. A Bíblia. Por esta causa. ele argumenta que a Bíblia. O conceito de ―Ser‖ que Tillich apresenta se assemelha muito mais a um aspecto desse mundo do que existe por si só e independe de sua criação. a maior falta dele não foi substituir a teologia pela filosofia. ―sua maior falha foi substituir a Palavra de Deus pela palavra do homem‖. precisa. Seguindo os moldes neo-ortodoxos e liberais. entre elas a sua rejeição da Bíblia como palavra de Deus. As vezes essa tradução nos ajuda a ver as coisas sob uma luz mais clara e profunda. não é aplicável aos problemas da nossa época. mas não é uma pessoa que se comunica ou com quem possamos ter comunhão. Também não conseguimos entender que tipo de Deus pode estar além da transcendência. Sua idéia de Deus não é trinitária e nem pessoal. Sua doutrina definitivamente não é doutrina bíblica. sua tradução faz violência tanto ao Espírito quanto à letra que ele traduz. Não entendemos o porquê Paul Tillich insiste em empregar a palavra Deus com sentido cristão. e que não é nem sobrenatural nem natural. sua teologia não é especificamente cristã. O ―princípio da correlação‖ de Tillich afirma que a filosofia pode dar-nos uma analise adequada da situação humana. A soteriologia de Tillich não tem significado concreto. Religiosos de ambos os grupos certamente abraçariam com alegria seus pressupostos. Há várias objeções que se pode fazer à teologia de Tillich. interpretada da maneira tradicional. e sim uma ―tradução‖ da linguagem teológica em termos teosóficos e ontológicos. Tillich utiliza a filosofia para analisar os problemas mais profundos da existência do homem contemporâneo. sutil e tremendamente criativa. porém na maioria das vezes. No entanto. Quando nos deparamos pela primeira vez com a obra de Paul Tillich. Deus é um poder racional que penetra a profundidade do ser. não há mais distinção entre Criador e criatura. No entanto. Essa teologia diluída poderia ser bastante aceitável para um budista ou um hindu. o que faz dele um absoluto nada. No sistema dele. . exceto como um símbolo a mais para descrever uma situação existencial que não tem relação com o Deus Vivo. exceto pela sua afirmação de que só ele foi e é o Cristo.Objeções à teologia de Paul Tillich. Sua cristologia também é uma fraude. pode até aparecer. Tillich reduz Jesus a um mero símbolo. nesse caso.

e cujos pressupostos tem de alguma maneira modelado a forma de fazer teologia no Brasil. Teologia da Libertação: Uma resposta teológica à crise econômica e social LatinoAmericana. é vã a vossa fé. Temos analisado as doutrinas dessas escolas e em nenhum momento fugimos da responsabilidade de apresentar o nosso parecer. A análise que fazemos dessas propostas teológicas encontra seus pressupostos na ortodoxia bíblica. Imagino o que diria o apóstolo Paulo a um pregador como Paul Tillich: ―E. somos os mais infelizes de todos os homens‖(1Coríntios 15. se Cristo não ressuscitou. passando pelas principais escolas teológicas da era contemporânea. a não ser um ou outro incidente recente de pastores que abraçaram a teologia relacional. salvo nas esferas seculares.Vemos em Paul Tillich um sério compromisso com a filosofia existencialista. ao mesmo tempo em que podemos perceber seu particular descaso para com a Palavra de Deus. Assim como Bultmann. Porque. Ao negar a historicidade dos fatos narrados no Novo Testamento. Não sei ao certo como Paulo argumentaria com Tillich. Porém. Cristo não ressuscitou. de origem netamente Latina. à partir desse capítulo. segundo os princípios paulinos. ele lança tantas dúvidas acerca dos milagres e da ressurreição que de nenhuma maneira. conforme já foi dito no capítulo primeiro. . Se por um lado Tillich é considerado excelente erudito (e eu diria até um bom filósofo). Até aqui a nossa abordagem tem sido principalmente teórica. se é certo que os mortos não ressuscitam. Se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida. e vã. 15. Muitos dos programas teológicos até aqui apresentados foram postos em caráter de informação. abordaremos três correntes teológicas cuja presença é marcante no Brasil. e talvez o leitor nunca se depare com os problemas aqui levantados. porque temos asseverado contra Deus que ele ressuscitou a Cristo. Apesar da relevância dos problemas até aqui levantados. então. Nas comunidades eclesiásticas brasileiras. é vã a nossa pregação. é a Teologia da Libertação. da perspectiva ortodoxa. se os mortos não ressuscitam. e somos tidos por falsas testemunhas de Deus. onde o liberalismo teológico e o naturalismo têm estado ativo e presente. E ainda mais: os que dormiram em Cristo pereceram. ou quase nula. E. E. sua teologia pode ser chamada cristã. sua interpretação meramente existencial do cristianismo faz dele um teólogo ruim. mas creio que seria algo assim. quase não vemos influência desses movimentos. se não há ressurreição de mortos. se Cristo não ressuscitou. apresentada por nós no capítulo dez sob o título de ―teologia do processo‖. A primeira dessas três escolas. a influência dessas escolas teológicas na nossa teologia e em nossas denominações é pequena. também Cristo não ressuscitou. e ainda permaneceis nos vossos pecados. a vossa fé. ao qual ele não ressuscitou. a ocorrência literal dos milagres e o maior milagre do cristianismo: a ressurreição.13-19). Tillich remove o fundamento e a esperança da fé cristã.

onde quinhentos em cada mil crianças morrem antes de completar um ano de idade. O padre Camilo costumava dizer que ―cada católico que não é revolucionário e não está do lado da revolução comete pecado mortal‖. Hugo Assman e Gustavo Gutiérrez Merino. animados pela política mais aberta do Vaticano II. que pudesse sanar os problemas sociais e econômicos de então. Católicos romanos como Juan Luís Segundo. ao ponto de alguns considerarem Camilo Torres. uma mudança radical nas estrutura. como o santo patrono da causa. Essa atitude violenta foi de fato uma proposta aberta aos religiosos para que tomem lugar nas barricadas e lutem em prol do desenvolvimento social e econômico da América Latina. José Míguez Bonino e o então missionário no Brasil. Na questão da violência. A teologia da libertação e a revolução social. Libertação pedagógica para uma consciência crítica através do que o pedagogo brasileiro Paulo Freire chamou de ―conscientização‖.Contextualizando a teologia da libertação. os teólogos da libertação são bem pragmáticos. Qualquer semelhança com os conhecidos jargões do comunismo não é mera coincidência. Os teólogos que viveram esse período foram levados a formular uma teologia que fosse menos acadêmica e teórica. . protestantes como Rubem Alves. e sim os ideais do marxismo. Emílio Castro. dentro desse movimento teológico significa: Libertação política das pessoas e setores socialmente oprimidas. Os teólogos da libertação se declararam várias vezes favoráveis a luta armada. ―capitalismo‖ e ―proletariado‖. e se o fim é nobre. para se interarem da dominação social. Richard Shaull. ―exploração‖. Nas décadas de 60 e 70. ―dominação estrangeira‖. Apenas existe a questão do uso justificado ou injustificado da força. O ambiente no Brasil e na Argentina era de ditadura. Em meio a uma estrutura social em que um homem velho morre aos vinte e oito anos. A palavra. política e econômica que lhes é imposta. sendo o cerne dessa conscientização o despertar da consciência das massas miseráveis que vivem a cultura do silêncio. Para eles. ―libertação‖. Sob a palavra ―libertação‖. Libertação social para melhores condições de vida. sacerdote colombiano que morreu em um tiroteio como membro da guerrilha de Che Guevara. como se pode deduzir dessas linhas. se empenharam em buscar uma teologia que pudesse resolver os conflitos sociais da América Ibero Hispana. Ele foi a maior fonte de inspiração e o impulso motor dessa nova tendência teológica. os meios se fazem necessário. a voz revolucionária começou a clamar em favor das massas. o ambiente teológico da América Latina passou por sérias transformações. resultante da criação contínua de uma nova maneira de ser e de uma revolução permanente. e mais laica e prática. onde os estudantes que protestam são torturados. As palavras chaves para entender essa teologia social são ―revolução‖. e oitenta por cento da população vive com uma renda de oitenta dólares por ano. não está subentendida a obra de Cristo por nós. o problema da violência e da não-violência é um problema ilusório.

atualmente é o Dr. . ―apostatou‖ de sua condição de padre e da própria Igreja Católica para se unir com uma mulher. com raízes na dimensão humana e política. apresentadas no livro ―Igreja: Carisma e Poder‖. Em 1992. a principal voz do movimento no Brasil. órgão herdeiro da Inquisição. em nossa época. segundo o peruano Gutiérrez. O ponto de partida para a elaboração da teologia da libertação. Leonardo Boff. ela tem sido um brado a favor da dignidade humana. então arcebispo do Recife. Em 1984. Como membro do conselho editorial da Editora Vozes entre 1970 e 1985. Boff participou da coordenação e publicação da coleção ―Teologia da Libertação‖. dentro da cosmovisão libertária. promove uma revolução pacífica. Embora Hugo Assman e Dom Hélder Câmara sejam dos nomes que representam o pensamento da teologia da libertação no Brasil. Os pressupostos da Teologia da Libertação e as objeções à doutrina. assessor de movimentos sociais de cunho popular libertador. em razão de suas teses ligadas à teologia da libertação. deve ter uma transcrição e aplicação política.No Brasil. O encontro com Deus é descrito como ―o compromisso com o processo histórico da humanidade‖. professor e conferencista nos mais diferentes auditórios do Brasil e do exterior. foi submetido a um processo no Vaticano. Curiosamente a cúpula da CNBB parece continuar com boas relações com Boff. Leonardo Boff que está no centro do debate sobre a teologia da libertação. de uma sociedade mais justa e fraterna. Essa concepção de salvação talvez corresponda à idéia judaica de messianismo na época de Cristo. podendo retomar algumas de suas atividades. 1João 3. Dom Hélder Câmara. a pena foi suspensa em 1986. o que eles admitem na teoria. apesar de sua ―apostasia‖ e de seu marxismo. Porém. ―é o esforço do ser humano para ser parte do processo através do qual o mundo será transformado‖. entre outros. foi interrogado pelo cardeal Joseph Ratzinger (o atual papa Bento XVI). e o evangelho. o que faz da teologia da libertação mais um movimento político que um movimento netamente teológico. sendo de novo ameaçado com uma segunda punição pelas autoridades de Roma.5). e a teologia deve ser elaborada à partir de elucubrações sócio-políticas. então prefeito da Congregação da Doutrina e da Fé. A salvação. A responsabilidade social é um dever do cristão. mas a salvação não se restringe a essa responsabilidade: salvação significa perdão e cancelamento dos pecados cometidos contra Deus (Hebreus 9. mas pouco tem a ver com o conceito tal como utilizado por Jesus e por Paulo. foi negado por eles mesmos muitas vezes na prática. sendo também deposto de todas as suas funções editoriais e de magistério no campo religioso.28. Em 1985. Tal ponto de partida deve ser contextual. e condenado a um ano de ―silêncio obsequioso‖. Como movimento político. ―Mudou de trincheira para continuar a mesma luta‖: continua como teólogo da libertação. por não se contentar com as reformas triviais. como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra e as Comunidades Eclesiais de Base (CEB‘s). escritor. Dada a pressão mundial sobre o Vaticano. se resume em ―um processo que abarca o homem e a história‖.

ou não somos cristãos. Devido à repressão ao movimento. Rubem Alves. nem é preciso forçar a exegese ou fazer eisegese para defender pressupostos sociais. ou o marxismo. a teologia da libertação é fortemente um movimento violento. também teólogo libertário. Ainda assim. ou a fé. Ela foge totalmente a ortodoxia reformada. Toda rotulação é pobre. ou ―junto com‖. . mas a influência nas faculdades ainda é grande. e no caso da Teologia da Libertação. O problema é que. há de se admitir a classificação do movimento da teologia da libertação como um movimento violento é falha. ―a violência se converte na força que move a história no caminho para conduzir à sociedade perfeita‖. Como é difícil associar todo esse discurso com as palavras de Jesus no Sermão da Montanha! Como o evangelicalismo deve responder a essa ―revolução teológica‖? É óbvio que o cristão não deve viver alienado de qualquer idéia política ou deva se conformar a uma mentalidade status quo. que tentam colocar em prática as idéias sociais da mesma. mas a missão do cristão. A teologia da libertação está fundamentada em uma postura na qual a presente práxis histórica se transforma em norma canônica para descobrir a vontade de Deus. ou a história. Em outras palavras. Não é preciso polarizar para ter responsabilidade social. os fins justificam os meios. pois neste caso. é justo empregar a violência contra a violência.Nesse processo de teologia libertária. conforme temos exposto em tese. ainda que não totalmente. a missão da igreja acaba por confundir-se com confrontamento político e adesão e exposição de idéias sociais. a tendência da teologia cristã é polarizar: Ou a experiência. É preciso ressaltar que as afirmações de violência não são de nenhum modo característica de todos os teólogos da libertação. Ele também afirma que o ―amor para os oprimidos significa cólera contra os opressores‖. não podemos deixar de aludir que. e nesse sentido. Como disse. ou a razão. segundo a Bíblia. é proclamar que o filho de Deus ressuscitou e tem poder de perdoar pecados. hoje não há muitos grupos ou indivíduos que mantém a Teologia da Libertação. Atualmente o movimento se reduz a algumas ―comunidades de base‖. e não há nenhuma possibilidade de um crente evangélico sustentá-la sem cair em contradição. a teologia da libertação não pode escapar das mesmas acusações levantadas contra ela: moralidade relativista e pragmática. isso porque a ―Sola Scriptura‖ não admite nenhum ―somado a‖. Ao refletir algo parecido com a ética situacional.

a segunda obra de graça iniciava a santificação e a terceira trazia o ―batismo do amor ardente‖. cuja ênfase estava voltada à vida santificada. fazendo uma interpretação pessoal de Lc 24. Aroolappen. acreditava que o batismo no Espírito Santo provesse revestimento de poder para se obter a perfeição cristã. O primeiro teria ocorrido na Inglaterra. Torrey. pelo menos dois reavivamentos do século XIX podem ser considerados precursores do moderno movimento pentecostal. que é o batismo no Espírito Santo. McGee. Finney. Segundo o Dr. tendo como caudilho o ministério de Edward Irving.A. a ensinar sobre três obras de graça. A crença na segunda obra de graça não ficou confinada ao metodismo. posterior à conversão. Gary B. A maior parte do Movimento de Santidade condenou essa terceira obra da graça como sendo heresia. Porém. Outros três livros que proporcionaram as bases sobre a qual foi construído o movimento pentecostal foram Guia para a Santidade e A Promessa do Pai. uma das principais líderes metodistas. em 1760. Pentecostalismo: Parham. Benjamin Hardin Irwin começou. Segundo Irwin. que livraria os crentes de sua natureza moral imperfeita. em 1895. O movimento também tem suas raízes na Doutrina da Perfeição Cristã.16. sob a liderança de J. era ensinado que cada cristão precisa esperar pela promessa do batismo no Espírito Santo. Wesley conclama os crentes à buscarem uma segunda obra de graça. e inspirou o Movimento de Santidade. . de William Arthur. Seymour e o avivamento místico-pietista do século XX. e o segundo teria ocorrido no sul da Índia. a dissidência teológica começou a surgir. Essa doutrina chegou na América do Norte. porém. tais como Dwight L. O advogado e pregador cristão Charles G. por exemplo. Moody e R. da irmã Phoebe Palmer. Mesmo assim. a noção que Irwin possuía de uma terceira obra de graça. de John Wesley. também acreditavam que uma segunda obra de graça revestiria o cristão com o poder do Espírito. quando o pregador Wesleyano radical da Santidade. o revestimento de poder para o serviço cristão.49. firmou-se como alicerce do Movimento Pentecostal. C. ao redor de 1830. e Tongue of Fire (Língua de Fogo). Aos que procuravam receber a segunda obra de graça. Outros pregadores de renome. teólogo pentecostal das Assembléias de Deus. Em seu livro A Short Account of Christian Perfection.

Charles Parham era um pregador do Movimento de Santidade. e um de seus alunos. um homem negro chamado William Seymour. continuava crendo que as línguas faladas pelos pentecostais eram xenolalia e que essas línguas eram expressões idiomáticas de outras nações. Suas asserções estão baseadas nos relatos de Atos dos Apóstolos. em lugares bem distantes entre si. tornou-se líder de uma igreja na rua Azuza. quando Bennett Freeman Lawrence escreveu a primeira história do movimento pentecostal. Aqueles que presenciavam esses acontecimentos. a mensagem pentecostal. Na verdade. porém. no estado americano do Kansas. após ter passado pela mesma experiência mística. no ano 1906. A partir da rua Azuza. capítulos 2. em 1916. porém até então esses eram apenas casos isolados. Parham. 10 e 19. isto é. quando Agnes Ozman. incluindo o falar noutras línguas. em Topeka. xenolalia. já haviam ocorrido em fins do século XIX. Foi então que o movimento pentecostal explodiu. em Los Angeles. faziam rapidamente um paralelo com os eventos do livro de Atos dos Apóstolos. e falaram em outras línguas (xenolalia). que influenciado por Irwin e convencido pelos seus próprios estudos dos Atos dos Apóstolos. aluna da Escola Bíblica Betel de Charles Fox Parham. isto é.Dois eventos marcaram definitivamente a chegada do moderno movimento pentecostal. os cristãos pentecostais achavam que as línguas faladas por eles eram. Sendo assim. Depois de 1906. deu ao movimento o título de The Apostolic Faith Restored (Fé Apostólica Restaurada). línguas inteligíveis – idiomas pátrios. De fato. teve uma experiência mística e começou a falar em outras línguas. À princípio. e muitos diziam que o movimento era a restauração da fé apostólica. como na já mencionada Índia e na Finlândia. Depois de Agnes Ozman. Parham mudou-se para Houston. A grande contribuição teológica de Parham ao movimento acha-se na sua insistência de que o falar noutras línguas é a evidência bíblica vital da terceira obra de graça: o batismo no Espírito Santo. porém. testemunhou um grande reavivamento na Escola Bíblica Betel. e desde então o falar em outras línguas tem sido destacado pelos pentecostais como sendo a evidência física inicial do batismo no Espírito e a prova cabal do mesmo. cada vez mais pentecostais estavam de acordo em que as línguas por eles faladas eram glossolalia. experiências semelhantes. tanto nos Estados Unidos quanto no exterior. línguas desconhecidas e não identificáveis pela inteligência humana. O primeiro deles é datado de 1º de Janeiro de 1901. o fenômeno das línguas auxiliaria como uma ferramenta nas mãos dos missionários transculturais. muitos outros alunos foram batizados com o ―novo‖ batismo. de fato. Posteriormente. que seriam capacitados sobrenaturalmente para falarem outros idiomas. divulgou-se pelos Estados Unidos e pelo resto do mundo. Foi à partir do início do século vinte que o pentecostalismo ganhou projeção mundial. . que incluía o falar noutras línguas como sinal do batismo no Espírito Santo. Essa tese perdeu força com o decorrer dos anos e hoje é crença quase comum em círculos pentecostais que as línguas faladas por eles não são idiomas estrangeiros.

. A primeira. As Assembléias de Deus. uma vida mais profunda. que afirmava que o batismo no Espírito produzia a perfeição cristã. para fundamentar o falar noutras línguas como a evidência inicial do batismo no Espírito Santo. que é uma variação do unitarismo. e diz respeito à natureza das línguas faladas.38) ao invés da fórmula trinitariana (Mt 28. portanto. Os conferencistas de Keswick acreditavam que o batismo no Espírito Santo produzia uma vida contínua de vitória. na GrãBretanha como tendo uma grande influência sobre o Movimento de Santidade na América do Norte. caracterizada pela plenitude do Espírito. Essa sentença está alicerçada no conceito wesleyano. No início do movimento houve muitos debates acerca da doutrina.O Dr. e logo nos primeiros dezesseis anos de existência. Em um sermão pregado em Arroyo Seco.19). Seria ela progressiva ou instantânea? Os pentecostais de tendências wesleyanas asseguravam que a santificação era uma obra instantânea. sobre o valor teológico da literatura narrativa. no entanto. enquanto os pentecostais de tendências reformada defendiam a santificação progressiva. A segunda controvérsia já foi mencionada.E. houve quatro grandes controvérsias. ininteligíveis por meios naturais. Os que deram crédito à pregação de McAlister foram ―rebatizados‖ em nome de Jesus. McGee também menciona as conferências de Keswick. Outro debate girava em torno da segunda obra da graça: a santificação. e consequentemente sobre o pentecostalismo. em especial o livro de Atos e os últimos versículos de Marcos. Os principais pressupostos da doutrina pentecostal. R. McAlister observou que os apóstolos batizavam apenas em nome de Jesus (At 2. Um grupo acreditava tratar-se de expressões idiomáticas inteligíveis (línguas pátrias) enquanto outro acreditava que as línguas faladas eram expressões de mistério. Houve então uma cisma no movimento e os que enfatizaram o batismo apenas no nome de Jesus acabaram por propor uma doutrina modalística da trindade. não acompanharam as tendências modalísticas. A quarta controvérsia é de ênfase cristológica. Gary B.

. línguas e interpretação de línguas e operação de milagres. na época em que Daniel Berg e Gunnar Vingren aportaram em nosso país. a maioria dos cristãos pentecostais também crê: a) b) c) Na vinda de Jesus pré-milenista e pré-tribulacionista. havia em nossas terras um grande número de leprosos e muita gente morria apenas por falta de higiene ou por efeito de uma desinteria. Não queremos dizer com isso que o pentecostalismo somente se instaurou no Brasil por causa da influência dos cultos afros e do xamanismo. a medicina avançava à duras penas e oferecia pouca ajuda aos que se achavam gravemente enfermos. sobretudo no norte do país. Na Alemanha do século dezenove. a fé no miraculoso para a cura física começou a ressurgir nos círculos evangélicos. São dispensacionalistas. Todos os cristãos pentecostais crêem: a) No Batismo no Espírito Santo como experiência subseqüente e distinta da salvação. A crença mística do povo brasileiro. tais como cura. e ainda que isso tenha contribuído para a aceitação do evangelho. Consequentemente. profecias. A promessa de uma cura instantânea veio de encontro com as necessidades básicas do nosso povo. com sua crença na purificação instantânea do pecado ou no revestimento do poder do Espírito produziu um ambiente receptivo aos ensinos da cura mediante a fé. o quanto resulta difícil fazer generalizações doutrinárias acerca do movimento. podendo haver outros itens não relacionados nessa pesquisa. c) Que o batismo pentecostal reveste o crente com poder do alto capacitando-o para exercer seu ministério ao mundo. No falar em línguas como evidência física inicial do batismo no Espírito. esse não foi o fator decisivo. ao mesmo tempo que a teologia pietista. Lembremos que o mundo greco-romano nos dias apostólicos também tinha suas religiões de mistério. Apesar disso.Vemos. A lista não é exaustiva. b) Na atualidade dos dons espirituais. No final do século dezenove e início do século vinte. a medicina era ainda mais precária. Além disso. Razões que contribuíram para crescimento do Movimento Pentecostal. No Brasil. também foi um fator decisivo para a recepção das doutrinas pregadas pelos missionários suecos. os ministérios que ressaltavam a importância da oração pelos enfermos atraía a atenção dos crentes estadunidenses. de modo o movimento teve ampla aceitação. portanto. destacamos à seguir aquilo que consideramos ser as crenças mais universais dos pentecostais.

a ponto de ter se tornado praxe de certo pregador televisivo. Os cessacionistas argumentam que se a inspiração profética é atual. A isso os pentecostais dizem que Jesus e os discípulos também faziam sinais. na leitura e pregação devocional da Bíblia e com uma visão de ministério às nações. Em meio ao cenário árido da teologia do início do século vinte. Em muitas igrejas evangélicas. a excessiva ênfase na inspiração sobrenatural da fala. desmitologização. Jamais vimos Jesus ou os seus apóstolos invocando a presença de anjos antes de trazer uma mensagem aos fiéis. surgiu um movimento com ênfase na santificação.Objeções à doutrina pentecostal. As Assembléias de Deus. faziam estudos sobre o Jesus histórico desassociando-o do Jesus da fé. dizem que as profecias só são válidas se estiverem em comum acordo com a Bíblia sagrada e terão valor apenas após o seu cumprimento. ou dom de profecia. por outro lado. surgiu também um movimento de restauração da fé apostólica. tornou-se uma das maiores denominações do mundo. mas o fato é que o pentecostalismo foi uma das principais reações contrárias ao secularismo teológico que surgiu no século vinte. invocar serafins antes de fazer sua preleção. Se por um lado os demais movimentos estavam associados ao desejo de amoldar a fé cristã aos padrões filosóficos e científicos do homem moderno. Crédito no céu? Onde está a mensagem da graça. Talvez minha observação pareça arrebatada ou até mesmo apaixonada demais. o pentecostalismo por sua vez surgiu do desejo de reencontrar a fé cristã primitiva e de desassociar-se do sistema secular. do favor de Deus? . Muitos cessacionistas têm se empenhado para desacreditar o pentecostalismo e a atualidade dos dons espirituais. enquanto os teólogos alemães e norteamenricanos patenteavam jargões como geschichte. Muitos presenciaram a multiplicação dos pães. Essa prática definitivamente não é cristã. volta e meia desaparece dos púlpitos nos congressos. entre as quais destacamos algumas. Muitas foram as contribuições do pentecostalismo. visões e da conduta cristã. criavam teologias com ênfase em teorias naturalistas e evolucionistas. Alguns cessassionistas dizem que a ocorrência de sinais fantásticos seria mais que persuasão e violaria incondicionalmente o livre-arbítrio humano. Esse mesmo pregador gosta de dizer a Deus em suas ―fervorosas‖ orações: ―se tenho crédito no céu…‖. É interessante perceber que nesses cem anos de controvérsias teológicas. filha desse reavivamento espiritual. mas nem por isso se tornaram crentes. é permutada. Não faltam porém objeções às práticas do movimento. Porém. Outra questão diz respeito aos milagres. nenhuma exegese por eles apresentada justifica o anti-sobrenaturalismo presente em sua teologia. então teremos duas fontes inspiradas: a Bíblia e a profecia. e quando reaparece. tem substituído a pregação da palavra de Deus. e nem por isso aqueles que se convertiam tinham seu livre-arbítrio violado. Os restauracionistas pentecostais. E os exageros não param por aí: a Bíblia também. É comum em nossos dias ver pregadores pentecostais trazendo novas e estranhas revelações acerca de anjos.

pelo ceticismo de David Hume e pelos apelos filosóficos de Immanuel Kant. Enquanto Barth. não significa que não haja pentecostais sérios e ortodoxos.Outro pregador pentecostal que há anos se identificava como homem ortodoxo tem se rendido fatalmente à práticas neo-pentecostais. No entanto. . Bultmann. O pentecostalismo surge no cenário contemporâneo na contramão da teologia moderna liberal e neo-ortodoxa. vive em nós. Isso. a erudição e o conhecimento teológico. mas isso não desqualifica o movimento. faz-nos pensar na necessidade e porque não dizer. Há muitos que ainda prezam pela pregação bíblica e que mantém o perfeito equilíbrio entre a unção. quero ressaltar que a dissimile é maior que qualquer afinidade que estes dois nomes possam sugerir. Se por um lado Paul Tillich buscava amoldar a Bíblia às necessidades do homem. Na verdade. a pregação catequética e com embasamento escriturístico tem sido substituída por empolgados shows evangélicos. os pregadores pentecostais insistiam na possibilidade de um relacionamento pessoal com Deus e definiam-no como aquele que habita os céus e que paradoxalmente. Enquanto Barth apresentava Deus como ―Totalmente-Outro‖. Virou já um ícone do evangelho da prosperidade. De modo quase geral. creio que o movimento contará com certa credibilidade. promovidos por pregadores que mais parecem animadores de auditório. e enquanto existirem esses. obviamente influenciados pelo existencialismo de Kierkgaard. Tillich e Brunner agitavam o cenário teológico mundial com inovações e com suas tendências filosóficas. urgência de uma nova reforma religiosa dentro do próprio movimento: uma nova restauração da fé apostólica. porém. surgiu no cenário mundial um movimento que buscava justamente o oposto. sobretudo no cenário nacional. esses excessos ocorrem bem na fronteira de dois movimentos contemporâneos com muita força em nosso país: o pentecostalismo e o neopentecostalismo. Muitos excessos têm sido cometidos desde então. o atual quadro do pentecostalismo. Conhecemos muitos assim. William Seymour e os demais pregadores do movimento pietista pentecostal instavam para que os homens se amoldassem à Palavra de Deus. Apesar da semelhança semântica. mercadejando as bênçãos de Deus e enfatizando muito mais o presente que o porvir.

evangélicos ou não. como a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD). História do Movimento Neopentecostal. de tal forma que muitos pregadores da prosperidade – inclusive os brasileiros – se consideram discípulos de Hagin. Estes. de multidão má e incrédula (cf. Renovação Carismática.17. embora seja possível estabelecer uma símile entre o pentecostalismo e o neopentecostalismo. em 1973. alicerces ou filtro teológico. e os Pentecostais Carismáticos. Maldições Hereditárias. sejam pregadores ou leigos. Jorge Tadeu e outros. Porém. as Igrejas com pouca estrutura eclesiástica. chegou no Brasil o movimento que ficou conhecido como neopentecostalismo. pragmatismo e culto à Mamom. Kenneth Hagin. Maldição de Família e Pecado de Geração. chega-se à conclusão de que o verdadeiro pai da confissão positiva é Essek William Kenyon. Mateus 12. Temos buscado nessas páginas. Marilyn Hickey. além de apresentar as principais doutrinas do século vinte. fundada em 1970. apregoadas por supostos avivalistas em acampamentos cristãos. tais como a Igreja Presbiteriana Renovada.38-39). em escolas bíblicas de férias e na televisão. fundada em 1977. juntamente com as doutrinas neopentecostais têm surgido muitas doutrinas paralelas. defender com muita submissão os valores do Evangelho e a imaculada Igreja de Nosso Senhor Jesus. mas lembremos-nos: o sinal sempre foi sinal para incrédulos! Em toda a história. as Igrejas Pentecostais Livres: Sinais e Prodígios. em congressos. pensando estar fazendo o melhor para Deus. Muitas pessoas no movimento da confissão positiva consideram Kenneth Hagin como o pai do movimento. Kenneth Copeland. Este movimento se originou a partir de denominações históricas. e Socorrista. originária da Igreja Católica Romana. e por mentores católicos carismáticos no exercício do Toque do Dom. Todos estes. Na década de 70. Neopentecostalismo: Misticismo. homens e mulheres no decorrer de sua incansável busca por um toque religioso. Nova Unção). Nos nossos dias. ensinam sempre sob a orientação filosófica de seu pai. à qual fomos chamados. como a chamada Confissão Positiva (Evangelho da Saúde e da Prosperidade. em 1975. Muitos obreiros e ministérios são envolvidos em assuntos aparentemente simples como os que temos abordado. vivem em busca de ―sinais‖ de Deus. as diferenças entre esses dois grupos protestantes são maiores que qualquer semelhança que possam ter. Como já foi dito no capítulo anterior. da Cura Diferencial e do Exorcismo. fundadas em 1967. . Quebra de Maldições. de novas manifestações. sempre buscaram um sinal e uma materialização do imaterial. quando na verdade estão sendo instrumentos para erosão perniciosa contra a vida espiritual da Igreja. Jesus chamou essa multidão que de um lado para o outro em busca de uma experiência. quando se investiga o desenvolvimento histórico do movimento. Essek William Kenyon e de seus principais porta-vozes. Robert Schüller. sem nenhuma consulta à exegese bíblica.

finalmente fundou. em 1908. Neste mesmo ano foi licenciado como ministro da Assembléia de Deus (1937-1949) e pastoreou várias igrejas dessa denominação no Estado do Texas. nas mais rígidas e dogmáticas de todas as seitas metafísicas. a Escola Bíblica de Hagin já formou cerca de 6. e terminou. Em 1892. encarregou sua filha Rute de continuar o seu ministério e publicar os seus escritos. a Escola Bíblica por Correspondência Rhema e o Centro de Treinamento Bíblico Rhema em Tulsa. Depois da terceira ―visita ao inferno‖. a teologia de Emerson evoluiu do congregacionalismo para o universalismo. Paulo Romeiro. Estados Unidos. com a idade de 80 anos. Devido à sua crença em cura divina. Em Super Crentes.Kenyon nasceu no condado de Saratoga. a Ciência Cristã. entre elas a Faculdade Emerson de Oratória. Hagin conta ter descido outras duas vezes ―ao inferno‖ para ali contemplar os seus horrores. para o transcendentalismo. como por exemplo a Ciência Cristã. sendo assim levado a tomar uma decisão quanto a sua vida espiritual. Emerson uniu-se à Ciência Cristã em 1903 e nela permaneceu envolvido até sua morte. Duas experiências polêmicas teriam afetado toda a sua vida e ministério. Sua conversão à Ciência Cristã foi a última progressão lógica na sua evolução metafísica do ortodoxo para o sectário‖. em 1974. onde supostamente viu e sentiu coisas que o deixaram perplexo. Ésse Charles Emerson. que à bem da verdade. Hagin foi um jovem pregador batista (1934-1937) e pastoreou uma igreja da comunidade onde morava. É muito importante saber quem foi Charles Emerson para se compreender a hermenêutica de Kenyon. foi uma mente muito confusa e sincretista. Hagin aceitou a Cristo como seu Salvador. Antes de sua morte. finalmente. em 1867. alguém utilizaria as idéias e os escritos de Kenyon para dar forma ao que viria a ser um dos maiores e mais controvertidos movimentos dentro do corpo de Cristo da atualidade. em 1962. onde freqüentou várias escolas. não é nem ciência nem cristã. A primeira foi Hagin ter sido ―levado ao inferno‖. para o Novo Pensamento (Nova Idéia). segundo se sabe. recebeu o batismo com Espírito Santo e falou em línguas. para o unitarismo. Tendo passado por essas duas denominações. Esta pessoa é Kenneth Erwin Hagin. Nova York. faleceu Kenyon. Segundo o professor Paulo Romeiro. Fundou em Tusla. Mais tarde. No início do seu ministério. e chegou a abraçar inclusive muitos ensinos de seitas heréticas. O professor do Makenzie e apologista do ICP. No dia 19 de março de 1948. . o que ela cumpriu fielmente. Em seus 40 anos de ministério. escreve o seguinte acerca de Emerson: Charles Emerson foi uma figura um tanto contriversa. O ministério de Kenneth Hagin é hoje um dos maiores do mundo e sua influência tem se espalhado por muitas partes do globo. começou a associar-se com os pentecostais e em 1937. fundada por Charles Emerson.600 alunos. mudou-se para Boston. seu próprio ministério.

sendo a pobreza uma maldição. T. R. Ele também diz que ―a busca do sensacionalismo e da prosperidade facil afasta o homem da ordem antiga: Comerás o pão do suor do teu rosto‖. John Osteen. de modo que um indivíduo realmente convertido nunca deve ficar doente. os nomes mais conhecidos ligados à confissão positiva são Ken Hagin Jr. Hobart Freeman. o Novo Testamento traz em seu cerne uma mensagem de abnegação.R. R. R. portanto. L. . Os porta-vozes da doutrina da prosperidade não medem esforços para conseguir arrecadações. é enviada para 190 mil lares mensalmente e calcula-se que cerca de 20 mil fitas cassete de estudos são distribuídas a cada mês. Outra pessoa que tem influenciado muitos no Brasil é o engenheiro Jorge Tadeu.4-5. pobreza e enfermidade são características de uma vida sem fé. o já mencionado Edir Macedo e o líder da Igreja Internacional da Graça de Deus. baseando a cura divina na expiação e usando para isso o texto de Isaías 53. Benny Hinn e Lester Sumrall. Para o Dr. Apenas queremos chamar a atenção para algo que se tornou o principal enfoque do neopentecostalismo: a teologia da prosperidade. Kenyon e Kenneth Hagin. Jerry Savelle. A doença tem sua origem na falta de comunhão com Deus. Charles Capps. Já foram vendidos cerca de 33 milhões de cópias de seus 126 livros e panfletos.A revista Word of Faith (Palavra da Fé). enquanto no Antigo Testamento a promessa é de prosperidade advinda da obediência. é uma figura extremamente controvertida hoje nos Estados Unidos. responsável pela publicação da maioria dos livros de Kenneth Hagin no Brasil. Osborn. É muito difícil enumerar os pressupostos do neopentecostalismo. hoje pastor e líder das igrejas Maná. líder da Igreja Internacional da Graça de Deus. Serafim Isidoro. afirmam que Jesus era rico – bem como os seus discípulos – mas até onde sabemos. principalmente pelos seus métodos de levantamento de fundos. porém inteligente livro Considerações à Doutrina da Prosperidade. Pode ser citado ainda o ministério de Miguel Ângelo da Silva Ferreira. (filho de Kenneth Hagin). Fred Price. Soares. em seu pequeno. o Filho do Homem muitas vezes não tinha sequer onde reclinar a cabeça. em Portugal. Os bens da organização estão avaliados em 20 milhões de dólares. Soares. A prosperidade financeira também é um direito do crente. Pressuposições da Doutrina da Prosperidade. Além de Essek W. visto que existem diversas denominações neopentecostais e todas possuem sistema doutrinario eclético. que também pertence ao movimento. que já esteve no Brasil acompanhado de Rex Humbard. Kenneth e Glória Copeland. no Rio de Janeiro. Bob Tilton. chegando até mesmo a chorar e a profetizar enquanto pede dinheiro no seu programa de televisão. a destacar algumas práticas dos principais grupos neopentecostais. Para justificar o disparate. Segundo essa abordagem teológica. Nos limitaremos. pastor da Igreja Evangélica Cristo Vive.

quando a Bíblia diz que ―aquele dia e hora ninguém sabe‖. tais como água do Jordão e azeite para unção. tanto o livro de Hinn como seus ensinos têm levantado muita polêmica. Bom Dia. mas também voava para o espaço (…) com um pensamento ele estaria na Lua (…) podia nadar [debaixo d'água] sem perder o fôlego. é um de seus nomes mais famosos. Porém. Adão não só voava [como os pássaros]. Ela também defende a maldição de família e a necessidade de ruptura das mesmas. medalhas com inscrições. física e espiritualmente. é um dos mais vendidos hoje na América do Norte. de Oregon. e sua esposa fazia o mesmo (…) Ambos eram sobrehumanos‖. onde afirma que Jesus morreu duas vezes. A confissão positiva já alcançou repercussão significativa nos meios de comunicação. No ano de 1992.Não há dúvida de que o movimento da fé tem em Benny Hinn. Na Igreja Universal do Reino de Deus. a denominação faz uso de rosas. Além destas. na Flórida. o estudo acerca do ―corpo‖ do Espírito Santo. . retalhos dos ternos usados pelos pastores (será que eles rasgam o Armani do Bispo Macedo também?). lenços. Espírito Santo. fundada pelo bispo Edir Macedo. o jornal Mensageiro da Paz publicou uma nota sobre Benny Hinn: ―O livro Bom Dia. há ainda questões escatológicas. réplicas da Arca do Concerto. em setembro de 1992. além de objetos sem nenhum valor financeiro. Não faz muito tempo. supostamente importados de Israel. O boletim The Berean Call (O Chamado dos Bereanos). mas ele foi o primeiro super-homem que já existiu. O autor se justifica afirmando que não soube explicar bem o que queria dizer. Não sei se as pessoas chegam a saber disso. a guarda do sábado. Espírito Santo. por exemplo. especialmente na televisão. cruzes. Seu livro. lenços. Hinn levou os membros de sua igreja a repetir depois dele a seguinte frase: ―Eu sou um deus-homem‖. Entre seus ensinos mais controversos está o seu comentário de Is 53:9. bem como a afirmação de que o número dos salvos será maior do que o número dos perdidos. está causando celeuma nos Estados Unidos. Valnice Milhomens também tem aderido à muitas práticas neopentecostais. publicou os seguintes comentários de Hinn a respeito de Adão e Eva: ―Adão era um ser sobre-humano quando Deus o criou. mas a semelhança com as práticas iconoclasticas da idade média é evidente: Substituindo a idolatria por metodologias visuais e palpáveis. Ele passa a idéia de que existem nove deuses na Trindade. A capacidade imaginativa de Hinn é tão perspicaz que não exitariamos em recomendar sua ―história‖ à Walt Disney Pictures. podemos encontrar muitos pressupostos do ―movimento da fé‖. como a volta de Jesus num dia de sábado no ano 2007. portais da felicidade. de Benny Hinn. O vídeo consta nos arquivos do ICP e o episódio é citado por Paulo Romeiro em Super Crentes. A ênfase sobre a prosperidade financeira é bastante acentuada. pastor do Centro Cristão de Orlando. copos com água. como.

O pastor Jorge Tadeu. Muitos pregadores da confissão positiva declaram que toda enfermidade procede do diabo. Por exemplo. a expiação de Cristo ainda não havia acontecido. pois a Bíblia diz que um soldado morto. O Senhor Soberano foi substituído por um Deus vassalo. A cura física também deve ser pronunciada. Um outro exemplo citado por ele é o de Jó. O contexto deve determinar se um dos sentidos ou ambos são empregados. Ele também afirma que dizer que a enfermidade é conseqüência da falta de fé ou pecado na vida do crente constitui-se numa falácia bíblica. sempre disposto à acatar ordens e tudo sem reclamar. . Seu sofrimento não foi causado por confissões pessimistas. morreu em conseqüência de sua enfermidade. John Ankerberg e John Weldon nos ajudam a interpretar o texto de Isaías 53:4-5 com o seguinte comentário: ―No hebraico a palavra ―sarar‖ (em hebraico. Será que ele não tinha fé ou estava em pecado? Muito pelo contrário. após ser colocado na sepultura de Eliseu. em 1 Pedro 2:24. total e perfeita. Portanto. Números 12:10). Objeções ao neopentecostalismo. Segundo Paulo Romeiro. em Portugal. pode-se referir à cura física ou à cura espiritual. o que é uma idéia absurda‖. rapha). ―não podemos esquecer também que. que apesar de ter sido um grande profeta de Deus e de ter tido um ministério marcado por muitos feitos sobrenaturais. nem tampouco foi o diabo quem decidiu provar Jó. líder das igrejas Maná. de modo que a fé é reduzida à uma mera confissão positiva. A iniciativa partiu de Deus. Por causa disso. muitos membros dessas igrejas vivem frustrados. e em Mateus 8:17. 5 é forçar o texto e não reflete uma boa exegese‖. Mateus se refere à cura física (citando o texto hebraico massorético). afirma que ―Deus só pode dar o que Ele tem. do ICP (Instituto Cristão de Pesquisas). mas o ensino de Jorge Tadeu é contrário ao que diz a Bíblia. Pedro se refere à cura espiritual (citando a Septuaginta). ―decretada‖. está garantida na expiação com base em Isaías 53:4. Para Deus lhe dar uma doença teria que pedi-la emprestada ao diabo.Os pregadores neopentecostais também ensinam que a fé e o recebimento das bençãos de Deus está relacionada com a confissão que fazemos. tocou em seus ossos e ressuscitou (2 Reis 13:14-21). pois temem pronunciar maldições que interfiram em seu progresso espiritual. quando Jesus curou a sogra de Pedro (Mateus 8:14-17). É comum assistir na TV pregadores da Prosperidade ensinando os crentes a dar ordens em Deus. ou ainda. Por acaso Deus teve que tomar a lepra emprestada do diabo para colocá-la em Miriã? A lepra de Miriã foi provocada por Deus (cf. ele menciona o profeta Eliseu. utilizando um jargão próprio do neopentecostalismo. ―Basta examinar as Escrituras para notarmos que verdadeiros servos de Deus passaram privações e dificuldades em suas trajetórias a serviço do Senhor‖. Para ratificar sua asserção. pecados ocultos ou falta de fé. usar esta passagem para dizer que a cura divina.

que Deus fala aos iniciados. Rhema. quando alguém lê uma referência na literatura do pregador da fé à ―Palavra de Deus‖. Os apologistas da confissão positiva fazem um cavalo de batalha sobre as palavras gregas logos e rhema que significam palavra. Desta forma. Ele declara que ―os ensinadores da fé inventavam uma falsa distinção de significado entre essas duas palavras gregas. . muitos pais perderam seus filhos para enfermidades que poderiam ser facilmente medicadas. na Palavra de Deus não há sequer uma distinção teológica entre estes dois termos. o autor pode não está mais se referindo à Palavra de Deus escrita. Logos) de Deus. ―Mas que Grande Seita! Deixem de tomar remédios! — aconselha a seita religiosa Maná. Em uma linguagem mais coloquial. dizendo que há uma distinção entre eles no sentido de que logos é a Palavra escrita. mas ao seu próprio ―decreto‖ (rhema) ou uma palavra pessoal de Deus para ele (logos). sobre as circunstâncias que levaram ao falecimento do pequeno Nelson Marta. O termo pode-se referir também à Bíblia. a Bíblia. a revelação ou palavra da fé. que seriam como os sinônimos ―enorme‖ e ―imenso‖ no português. capítulo 1. Mas a morte de uma criança acaba de pôr em causa o insólito ―mandamento‖. e toda a glória do homem como a flor da erva. o vocábulo rhema é o ―abracadabra‖ que os neopentecostais pronunciam para materializar o objeto desejado. Assim. dizem eles. na primeira página. mas da incorruptível. mas é geralmente empregado no contexto de sonhos. direta. O ministério das igrejas Maná.23-25: “Sendo de novo gerados. pela palavra (Gr. e caiu a sua flor. Logos e Rhema. e que rhema é a palavra dita. A palavra rhema seria uma espécie de ―vara de condão‖ capaz de materializar o objeto da nossa cobiça. faz uma séria denúncia.Existe nos Estados Unidos muitos casos documentados de mortes causadas pela pretensa fé. viva que permanece para sempre. ocorrido em 13 de maio de 1991. Russel Shedd afirma que Pedro não fez distinção sobre estes termos em sua primeira carta. O jornal Tal & Qual. não de semente corruptível. não existe nenhuma grande diferença entre estes dois vocábulos. Sendo assim fica desfeita a pretensão daqueles que querem forçar uma interpretação e aplicação errônea destes termos. O Dr. que faz com que as coisas sejam realizadas. a polêmica da semântica. visões e comunicações particulares entre Deus e seu ―agente‖. Mas a palavra (Gr. Como se pode ver. de oito anos. Porque toda a carne é como a erva. na mente do apóstolo não havia distinção entre estas palavras. ou ―a palavra de revelação‖ que é a palavra mística. Rhema) do Senhor permanece para sempre. revelada de Deus. não tem escapado das críticas da imprensa em Portugal. Segundo Michael Horton. Entretanto. eles afirmam que podemos usar a palavra rhema para realizarmos no mundo espiritual e físico tudo aquilo que desejamos. Depois vem logos. Dessa forma. Secou-se a erva. na edição de 30 de agosto a 5 de setembro de 1991. e outra subjetiva. podemos perceber no movimento neopentecostal duas fontes de autoridade: uma objetiva – a Bíblia. ou ―agir sobre a Palavra‖ e outras. é a ―palavra‘‖ que os crentes usam para ―decretar‖ ou ―declarar‖ a fim de trazer prosperidade ou cura para esta dimensão‖. e esta é a palavra (Gr. Supostamente baseados nas promessas de Deus. Rhema) que entre vós foi evangelizada”. expressa de Deus.

Em sua mensagem ele nos falou sobre a necessidade de negar-se a si mesmo e tomar a cruz. Cristo. a não ser das realidades apreendidas pela experiência sensível. e foi sepultado em um túmulo emprestado. mas não cabe nos lábios de Cristo ou dos apóstolos. alardeado pelos teólogos da prosperidade como um homem abastado. Nega a possibilidade de um conhecimento racional e certo de qualquer realidade transcendente.O neopentecostalismo. Foi ele quem disse: ―No mundo. Para o agnosticismo a razão humana não pode adquirir uma ciência certa. Huxley (1825 – 1895). Como sistema teológico foi condenado pelos apóstolos e pela Igreja. Só a cruz era dele. 18. Entrou no mundo desassistido de bens materiais e proferiu suas pregações em um barco emprestado. nasceu humilde e pobre. somos os mais miseráveis de todos os homens‖.H. para expressar o seu desprezo em face da atitude de certeza dogmática simbolizada pelas crenças dos antigos gnósticos. ecléticopragmática que busca os resultados mais que a pureza doutrinaria. Sob qualquer forma que se apresente. A mensagem triunfalista dos pregadores da prosperidade podem até caber em um discurso político onde a avareza prima sobre o caráter. Temos depois o apóstolo Paulo escreveria aos coríntios: ―se esperamos em Cristo só nessa vida. AGNOSTICISMO Doutrina que defende a incognoscibilidade de qualquer ordem de realidade desprovida de evidência lógica satisfatória. apenas afirma que isso não se pode conhecer com certeza por meio da razão. Ela desvirtua o crente. é uma teologia mal elaborada. tereis aflições‖. o agnosticismo deve ser considerado segundo o sistema científico a que se amolda e também os pressupostos da teoria do conhecimento que adota. Entrou em Jerusalém montado em um jumento emprestado. em um estábulo emprestado. à luz da ortodoxia. e nem na verdadeira igreja evangélica. quando a prioridade dele deveria ser ―buscar as coisas que são do alto‖. . Glossário Teológico Contemporâneo. levando-o a buscar a prosperidade terrena. O termo foi criado por T.

ANALOGIA DA FÉ Era analogia entis que Karl Bath substitui pela analogia Fidei (analogia da fé), visto que a verdade religiosa é dada por Deus. É um conceito Bíblico tirado de Romanos 12, (analogia tes pisteões) ou (metron pisteõs), que são palavras semelhantes "analogia da fé" e "medida da fé", representam um desenvolvimento do significado paulino original. Para a hermenêutica a analogia da fé conota que passagens bíblicas podem ser interpretadas com outras passagens porque nada dentro das escrituras podem se contradizer e tendo em vista que Deus é o autor das Escrituras. Para Agostinho a interpretação da das Escrituras não deve violar a fé. E Lutero usa termos quase semelhantes "o intérprete primário da Escritura deve ser ela própria", por isso as autoridades cristãs evitavam qualquer fonte fora das Escrituras. Para alguns pais da igreja passagens difíceis das escrituras são iluminadas pela fé ensinadas pela igreja, já o protestantismo da reforma é contra essa idéia imposta pelo catolicismo. Ainda como princípio exegético a analogia da fé sofre alguns abusos com significados que o autor bíblico não quis colocar no texto, por isso o intérprete de uma passagem bíblica deve se esforçar o máximo para extrair do texto o que realmente ele diz.

ANTROPOLOGIA TEOLÓGICA Antropologia nasceu com o grego Heródoto, no século V a.C. que foi cognominado Pai da Antropologia. Antropologia Teológica é a doutrina do homem no que tange a Deus. Teve sua transformação em duas grandes transições: a do cosmo para Deus, quando o cristianismo suplantou a visão grega da realidade. A segunda é de Deus para o homem e ocorreu na época moderna em conseqüência da secularização e do ateísmo. Repentinamente Deus desaparece de cena e cede lugar ao homem. Sua transformação teve início no Renascimento. O espírito humano abre-se a um novo modo de ver e agir, um violento contraste com o precedente, enquanto o primeiro, o centro de todo interesse era Deis, agora o centro é o homem. A filosofia é ao mesmo tempo a testemunha fiel e artífice principal da transição do teocentrismo para o antropotismo. Vemos aí (Descartes, Hume, Spinoza). Mas Kant que atinge o momento conclusivo, afirmando que o homem não é mais simplesmente o ponto de partida, mas também o ponto de chegada da reflexão filosófica. Vemos também dois princípios que são supremos na antropologia teológica: São o arquitetônico e hermenêutico. O arquitetônico é o eixo do ordenamento de todos os eventos da história da salvação. O hermenêutico é a verdade primária a cuja luz a teologia procura compreender e interpretar um dos aspectos da história da salvação.

CALVINISMO

Doutrina religiosa fundada por João Calvino. Ele nasceu em Noyon, em 1509 e morreu em Genebra em 1564. Caracteriza-se pela origem democrática da autoridade religiosa (os ministros não são padres). Os principais fundamentos da doutrina estão contidos na obra de Calvino intitulada "Instituição da Religião Cristã". Calvino e seus seguidores, sustentavam a soberania absoluta de Deus, a justificação pela fé, e a predestinação. O Calvinismo não admite as cerimônias religiosas e nega com rigor a tradição; pela crença na predestinação acha inútil as obras para a salvação. Segundo Calvino, a fé se dá pela deposição de absoluta confiança em Deus. Os seguidores de Calvino, na França, passaram a ser chamados "huguenotes". Propagou-se a doutrina pela Holanda, Suíça, Hungria, Escócia e Estados Unidos. Do Calvinismo, originou-se o puritanismo e as demais igrejas protestantes. Esta doutrina não foi aceita pelos sorbonistas, e Calvino foi perseguido e obrigado a deixar a Igreja Católica, fugindo para Basiléia.

CONSELHO MUNDIAL DE IGREJAS – CMI

Desde 1909 – Conferência Missionária Mundial em Edinburgo até 1937 – Conferência sobre "Vida e Trabalho" em Oxoford e sobre "Fé e Ordem" em Edimburgo – o movimento ecumênico era atuante sob muitos aspectos mas não tinha organização central. Por ocasião das conferências de 1937 tomaram-se as primeiras iniciativas para a fusão de "Vida e Trabalho" e "Fé e Ordem" num Conselho Mundial de Igrejas – CMI. De 1938 a 1948 este permaneceu – devido à Segunda Guerra Mundial – oficialmente em "processo de formação"; em Amsterdã, em 1958, ele foi formalmente estabelecido. O CMI é uma comunhão de igrejas que confessam o Senhor Jesus como Deus Salvador, segundo as Escrituras e por isso buscam cumprir em conjunto a sua vocação comum para glória do único Deus, Pai, Filho e Espírito Santo. É uma organização ecumênica internacional das igrejas cristãs da Reforma da qual a igreja católica faz parte como observadora. Prolonga historicamente os dois movimentos mundiais: "Vida e Trabalho", "Be Oxford" e "Fé e Ordem" de Edimburgo. O CMI não é uma igreja, nem pretende ser uma espécie de "super igreja", mas existe para servir as igrejas como instrumento, possibilitando-lhes entrar em contato umas com as outras. O CMI não considera nenhum conceito ou doutrina sobre a unidade da igreja como normativo para suas igrejas membros. Pretende ajudar todas elas na procura dessa meta. A 5ª Assembléia Geral foi em Nairobi em 1975. Ela propôs um consenso em torno da unidade nos seguinte termos: "Jesus Cristo fundou uma igreja. Hoje vivemos em

diversas igrejas separadas umas das outras. Contudo, nossa visão do futuro é que algum dia viveremos de novo, como irmãos e irmãs numa igreja indivisa. O CMI exerce seu mandato por intermédio da Assembléia Geral, do Comitê central do Comitê executivo, das Comissões, dos Comitês das Unidades de Programas e dos Centros Permanentes Administrativos de Genebra e Nova York. A Assembléia se reúne a cada sete anos.

CORRELAÇÃO (teologia)

Paul Tillich faz uma correlação entre teologia de Bultmann ortodoxia e a teologia de Karl Barth cristomonismo, esta teologia foi desenvolvida em 1951. Paul Tillich chegou a um consenso que sintetiza a sabedoria e a experiência humana com a religião bíblica, empregando todos os recursos da ciência, da história, da literatura, da arte, e da psicologia em profundidade, bem como a filosofia clássica e a moderna, em especial o existencialismo de Kierkegaard. Assim estabeleceu um tipo de doutrina teológica que era o fim apologético e estabeleceu a correlação de fé com a existência humana. Paul Tillich afirma que a doutrina só tem valor ou significado para o homem, se estiver relacionado com os problemas, as situações, e as crises de sua existência cultural, secular e cotidiana.

Paul Tillich escolheu atuar "na fronteira" entre a religião e a cultura ele escreve "a religião é a substância da cultura e a cultura é a forma da religião" Paul Tillich afirma que sempre que ele se encontra entre duas possibilidades existenciais, ele reflete sobre sua posição de sempre Ter um pé em cada um dos dois arraiais tradicionalmente antagônicos. Daí sua teologia de correlação inteiramente dialética. Paul Tillich procurou relacionar os problemas de sua filosofia, a partir da condição humana comum e demonstrou a relevância e o significado da doutrina teológica relacionada com o problema assim interpretado. Sua tese torna-se numa síntese em quatro níveis: (1) disciplina, (2) antológica, (3) histórica, e (4) na vida pessoal. DEÍSMO

Vem do latim deus, "deus". Os socianos introduziram o termo no século VI. Porém veio a ser aplicado a um movimento dos séculos XVII e XVIII, que enfatizava que o conhecimento sobre questões religiosas e espirituais vem através da razão, e não através da revelação, que sempre aparece como suspeita e como instrumento de fanáticos e de pessoas de estabilidade mental questionável. Vendo-se nisto a característica principal do deísmo, conhecimento através da razão e não sobrenatural. A isso podemos chamar de religião natural comum a todos, era uma garantia de uma convivência pacífica, que surge como um reflexo do iluminismo no campo religioso.

que trazem à luz contrários e opostos. e na sociologia. DIALÉTICA Dialética vem do Dialéktos grego. e deve ser aplicada na biologia. perdendo seu caráter paradoxal. Dialética é o jogo dos opostos que se fundem gerando assim uma tese. Dialética é o emprego da formulação. que gera uma síntese. A demitização. para poder interpretá-las de modo crítico e não eliminá-las. para que a mensagem nelas contida adquira dimensões existenciais. Busca impedir que a mensagem evangélica se fundamente em assertivas mitológicas. Na sua forma genuína. proposto pelo teólogo alemão Rusolf Bultmann (1884-1976). que é a nova tese. Esse vocábulo refere-se àquele tipo de atividade filosófica que traça distinções rígidas. Consiste na discrepância entre cosmologia antiga e moderna bem como entre as compreensões existenciais divergentes dos homens da Bíblia e dos de todas as épocas posteriores. . despindo-as de sua veste literária mítica. salva o essencial das narrativas. na psicologia. que tem em si uma antítese. que significa discurso. não reside na eliminação de asserções e descrições. tese. que se fundem num novo tipo de coisa que sintetiza ambos os opostos. e que visa a escoimar a mensagem cristã da roupagem dos mitos. A dialética determina todos os processos da vida. A própria vida é dialética. A dialética explica a mudança como resultado do conflito entre os opostos. A dialética aparece como o nome dado ao estudo do inter-relacionamento das idéias platônicas. Para Platão a dialética tornou-se uma forma suprema de adquirir conhecimento. Essa interpretação pressupõe que as categorias mitológicas utilizadas pelos autores se constitua em instrumento destinado a expressa a revelação.DEMITIZAÇÃO Método desenvolvido na teologia protestante e católica. antítese e síntese. debate. mas em sua interpretação.

Esta corrente do protestantismo moderno teve como base o livro "Em Seus Passos o que Faria Jesus?" Esta corrente teve como sua maior expressão a figura de Walter Rauschenbush. EVANGELHO SOCIAL O Evangelho Social apareceu no final do séc. A idéia de eternidade não deve ser entendida em contraste com o tempo. É similar no grego no vocábulo AIÔN que indica uma vida inteira ou um tempo indefinido no passado ou no futuro. E uma crítica crescente dos sistemas e ideologias da ordem vigente. Heráclito. O Evangelho Social se caracterizou por uma dupla ênfase. portanto ele não tem causa. XIX e dava bastante ênfase aos aspectos sociais do cristianismo.ETERNIDADE As palavras hebraicas. Foi sem dúvida alguma uma aplicação da ética cristã em resposta as exigências de uma nova situação histórica – a intensidade dos problemas sociais geradas pelo rápido crescimento industrial dos EUA. a consciência cristã viu-se obrigada a converter-se em consciência social. não sabemos o fim. a era futura tem um começo. . A idéia Bíblica de eternidade não é ausência de tempo mas a extensão ilimitada de tempo. Na filosofia grega. uma sucessão infinita de eras. Tendo em vista este fato. as quais são: Uma função mais ampla da Igreja. a existência da eternidade divina subentendia. a realidade e insignificância daquilo que é temporal. dotado de um tipo de vida que se encontra exclusivamente no ser divino. designam qualquer período com duração desconhecida. A era presente é limitada em sua duração. A eternidade unida no próprio Deus. associava a idéia de fluxo com a idéia de existência. e tempo não fixado. ADH e OLAM. Para Platão a esfera da eternidade é imaterial diferente de nosso mundo. tendo um começo e um fim.

Assim. Moody. Desde a Reforma Protestante. da crença nos elementos fundamentais do ensino bíblico. Com a "autoctonização" das organizações assistenciais e evangelísticas e o envio de missionários por grupos dentro dos próprios países do Terceiro Mundo. John Wycliffe. pregadores como Bernardo de Claraval. da expiação mediante o sangue de Cristo. Quem se identifica com este movimento é um "evangélico conservador" (ou "evangelical") que crê no evangelho de Jesus Cristo e o proclama. Na Alemanha.. enfatizando a conformidade com as doutrinas básicas da fé e um alcance missionário de compaixão e urgência. Hudson Taylor. Usualmente. e outros. Estas palavras aparecem quase cem vezes no Novo Testamento e passaram para os idiomas modernos através do equivalente em latim. George Whitefield. esses grupos apegam-se a esses documentos sagrados com a sua base de autoridade. que significa anunciar boas-novas ou proclamar como boas-novas. No século XIX. os movimentos reformistas medievais. surgiram Charles Spurgeon. John Huss e Savonarola se distinguiram dentro do evangelicalismo de tempos remotos. Pedro Waldo. A igreja apostólica. . os evangélicos são aqueles grupos. como padrões de fé e prática. Embora o evangelicalismo seja geralmente considerado um fenômeno contemporâneo. Dos mais recentes podemos citar: John e Charles Wesley. rejeitando as tradições. evangelium. o espírito evangélico sempre se manifestou no decurso da história eclesiástica. traduzido como boasnovas. É a afirmação das crenças centrais do cristianismo histórico. Charles Finey. na Suíça e em alguns outros países a palavra passou a indicar o corpo geral das igrejas protestantes. sendo euangelizomai o verbo correspondente. George Williams.EVANGELICALISMO Movimento no cristianismo moderno que transcende as fronteiras denominacionais e confessionais. os pais da igreja. as cruzadas evangelísticas de Billy Graham. essencialmente protestantes. o evangelicalismo já obteve sua maioridade e é verdadeiramente um fenômeno global. os batistas. A palavra é derivada do substantivo grego euangelion. Na atualidade. D. L. que frisam a necessidade do evangelismo. notícias de alegria. Na Inglaterra. congregacionais e metodistas. em contraste com o sistema tradicional que se desenvolveu na Igreja Católica Romana. o evangelicalismo é muito mais do que um assentimento ortodoxo a determinados dogmas ou uma volta racionária aos costumes antigos. é empregada quase como sinônimo da Igreja Baixa (expressão que aponta para os membros de postura mais protestante e evangélica). que supõem que retornaram ao evangelho (ou Bíblia). etc. os concílios. a palavra tem sido adotada por certos grupos cristãos. da regeneração.

FENOMENOLOGIA – Fenômeno + logia – aparência + conhecimento – estudo do fenômeno. concretas. denominadas possíveis de acontecer ou não. dar luz. pois para os mesmos existir implica em estar em relação como outros seres humanos. A FENOMENOLOGIA tem como pai o filósofo alemão Esmund Husserl (1859-1938) da escola de Cristian Wolff. com as coisas e com a natureza. sendo estas relações múltiplas. FENOMENOLOGIA FENOMENOLOGIA – Do grego yaíva que significa: a brilhar. . Os mesmos menosprezavam o conhecimento científico em particular a psicologia. Karl Jaspers considerava a filosofia como metafísica dentro da qual se processa todo o saber e toda a descoberta possível do ser. é o conceito de existência. A doutrina existencialista tem como precursor Kierkegaard (1813-1855) o qual atacou a interpretação dogmática do cristianismo e o sistema metafísico Hegeliano. No séc. diziam que o homem é um ser histórico e que sua essência vai sendo construída pois a "existência precede a essência". mas subordinavam as questões tradicionais da metafísica e da filosofia do conhecimento a uma perspectiva antropocêntrica (isto é. Para eles dar-se um confronto dramático e trágico entre o homem e o mundo. a qual seria realizada mediante a decisão livre do indivíduo e a fé em Deus. o homem como referência o valor principal). na medida em que esta se pretende ciência – e nega a existência de valores objetivos. O que os filósofos existencialistas tem em comum. enfatizando como preferência a realidade e a importância da liberdade humana.EXISTENCIALISMO Os existencialistas ao contrário do modo de pensar do homem da Idade Média que dizia que o ser humano possuía uma essência que "a priore" o determinava. ser brilhante. Kierkegaard propôs-se a conduzir os indivíduos à plenitude da sua existência. Os filósofos existencialistas refletem sobre a natureza da realidade. XX as posições existencialistas desenvolveram-se na sua forma ateísta por Heidegger (1889-1969) e Gabriel Marcel (1889-1963).

pressupondo-lhe como o pensamento absoluto. Valentim e Bardesane. Os principais gnósticos: Basílides. O gnosticismo cristão era basicamente uma forma de heresia sobre a pessoa de Cristo. Todavia. sistema eclético filósofo-religioso. . na tentativa de fundir as revelações dadas por meio de Cristo e seus apóstolos com os padrões de pensamentos já existentes. É uma investigação a priore dos significados do pensamento". entendeu FENOMENOLOGIA como sendo o estudo dos erros da aparência ilusória. Se porventura o gnosticismo tivesse sucesso. Este termo foi trabalhado por outros pensadores que lhe deram diferentes compreensões. tentativa conduzida sem rigor sistemático. GNOSTICISMO Esta palavra vem do grego "gignoskein". No tocante ao cristianismo. O filósofo Lambert. Gnosticismo é a primeira tentativa de uma filosofia cristã. Carpócrate. explicando-a termos teosóficos ou de filosofia pagã.Hussel pretendia fazer uma análise descritiva particularizada do fenômeno. Sartre concorda com Heidegger e entende que o pensamento natural é um fenômeno que busca a transfenomenologia que leva a considerações antológicas. com a mistura de elementos cristãos. as essências e os objetos ideais. Na compreensão de William Hamilito era a identificação do objeto pelos dados empíricos. o gnosticismo consistia essencialmente. É de Husserl o conceito contemporâneo: "FENOMENOLOGIA é a generalização da noção de objeto que compreende não somente as coisas materiais. saber. Husserl insistiu em purificar o termo desatrelando-o da psicologia. Hegel particularizou-lhe ao desempenho da mente. A principal corrente das idéias gnósticas foi o espiritualismo neoplatônico de Filo de Alexandria. neoplatônicos e orientais. surgido nos primeiros séculos da era cristã buscando conciliar todas as religiões e decifrarlhes o sentido através da gnose. Para Heidegger a FENEMOLOGIA mostra o que está escondido e fundamenta o que se mostra possibilitando o estudo do "SER". mas também as formas de categorias. nessa tentativa. o que chamava de purificação do fenômeno – A busca da essência. o cristianismo tornar-se-ia apenas mais outro culto misterioso greco-romano. Kant tomou o vocábulo para explicar as características dos fenômenos de forma geral. místicos. Ele aplicava a redução eidética.

a história como a própria realização de Deus. Essa palavra vem do termo alemão "historismus". na história. que vigorava em seus dias. desenvolvimento. por haver pensado. Uma variante da doutrina precedente. Ela supõe a coincidência de finito e infinito. Conte e Simmel. Nietzesche. O termo historicismo também é usado em um sentido negativo. portanto. . por ser uma síntese final. incluídos por ele. mediante uma alusão à sua origem. que vê na história a revelação de Deus no sentido de considerar cada momento da própria história em relação direta com Deus e permeado dos valores transcendentes.HISTORICISMO Doutrina Histórica-Filosófica que define o pensamento como resultado cultural do processo histórico e reduz a realidade e sua concepção à história adotada por autores como Croce. e considera. Esta consiste em explicar de outro modo (mediante falsificação) a natureza de algum fenômeno. como sinônimo de falácia genética. se estivermos olhando para os sentidos envolvidos no processo histórico. Concepção segundo a qual o pensamento humano se caracteriza por seu processo histórico erigido em sistema a ponto de fazer do tempo o gerador e o decorador das verdades que a escola vai paulatinamente ensinando. porque via a síntese histórica cumprida na monarquia constitucional do governo alemão. e Dilthey. A doutrina segundo a qual a realidade é histórica (isto é. de mundo e de Deus. que o comunismo poria fim ao processo histórico. uma palavra usada para se aplicar a uma ênfase exagerada sobre a história. Hegel e Marx podem ser criticados desse modo. Isto significa que é muito difícil chegar-se a uma história pura. Certamente. totalmente. Hegel. afirmava que "tudo é história". da escola neokantiana. argumentava que todos os historiadores escrevem como cativos de sua era e circunstâncias particulares. racionalidade e necessidade) e que todo conhecimento é conhecimento histórico. O termo foi cunhado por Mannheim e Troeltsch. em sua pátria: e Marx.

o homem é a primazia (visão antropocêntrica). dava valor à missão de Cristo. com sua autoridade religiosa centralizada. Aquilo que . criou-se um filosofia relativista. e assim foi rejeitado. como cristão. O ideal é a forma mais desejável de realização de qualquer coisa. e de eidos. O humanismo cristão da Idade Média e da Renascença tem mostrado ser o único fundamento da liberdade pessoal e acadêmica da era moderna. o termo indica um conjunto de padrões daquilo que é mais desejável. Ideal – Vem do termo grego "eidos". pelo menos em parte. o modo de pensar que se desenvolvera no escolasticismo. de tal modo que segundo o humanismo. Foi assim cunhada a significação clássica do termo. ou seja para algo que deve ser emulado. "visão. tudo era em nome de Deus ou seja (Deus era o centro de tudo). De acordo com um uso popular. "ver". e não de forças cósmicas. Assim. como os esforços necessários para atingir tal alvo. consideremos os pontos abaixo: O uso popular dessa palavra refere-se a algum padrão de perfeição ou algo que aponta para nobreza. etc. homens como Petrarca e Erasmo de Roterdã retornaram às raízes gregas quanto a muitos valores. "visão". enquanto na renascença criaram o humanismo. ou aquele tipo de cultura e ênfase promovidos por certos filósofos gregos. Durante a Renascença.HUMANISMO Na idade média no séc. dos deuses. Augusto Conte foi o grande campeão dessa forma de humanismo. sem valores fixos ou absolutos. Protágoras afirmava que o homem é a medida de todas as coisas. para alguma elevada qualidade. Ele fazia da humanidade o único objeto da nossa adoração. O homem aparece como a base de todos os valores e de toda excelência bem como o objeto de todas as atividades. metafísicas e práticas dependem do homem. contemplação". contemplação. que também caracterizava a Igreja medieval e a sociedade. IDEALISMO O termo vem do grego ideein. naturalmente. tendo adicionado isso à sua clássica maneira de pensar sobre o homem. o homem no centro de todas as coisas. XVI o que predominava era o teocentrismo. todas as considerações éticas. Erasmo.

A matéria seria menos real e. em seu caráter. idéia é arquétipo. e não material. dando origem a uma nova síntese. é a tese. são verdadeiras realidades. As lojas maçônicas ajudaram a disseminá-lo por toda a Europa. então teremos um dualismo. Esse é um tipo de idealismo metafísico. imitativa do real. das formas universais. com Voltaire. que admite certo tipo de dualismo. O mundo celeste é o mundo espiritual. Apresenta aspectos diversos conforme os países. seus atos e suas realizações. à Igreja e ao judiciário forneceram a base intelectual para a Revolução Francesa. O idealismo subjetivo. dando a entender que a idéia é que é real". Rousseau. O mundo ideal é o mundo arquétipo e não material das idéias. então devemos falar em ideal conceptual. Muitos foram presos em função de suas convicções.existe somente na imaginação. e pelo incentivo à liberdade de pensamento. É. e é mera cópia do mundo superior. com uma cópia do arquétipo que vai sendo produzida nos objetos materiais. dentro desse sistema. onde imperam as realidades espirituais. Condorcet e outros. 8. ILUMINISMO Movimento filosófico que teve seu apogeu no século XVIII e determinou a face espiritual do século XIX. Irradiou-se da Inglaterra e dos Países Baixos. são apenas nomes que damos às operações do Espírito Absoluto. O movimento contra as crenças e instituições estabelecidas ganhou impulso durante o século XVIII. as idéias. pelo desafio à tradição e à autoridade. possuídas de natureza espiritual. formas ou universais. que atua através de seu próprio sistema de tese. Essa forma de idealismo metafísico chama-se realismo metafísico. Quando um ideal é pertencente às idéias. mas através da Enciclopédia seus ataques ao governo. Essas formas. 9-23 refletem o dualismo Platônico. Idealismo Hegeliano – Hegel ensinava um idealismo absoluto. Idealismo Platônico – Platão preparou o caminho para um tipo especial de idealismo que tem desfrutado uma longa e influente história. Caracterizou-se pela confiança no progresso e na razão. A força Cósmica todo-abrangente (Deus) é idéia. espiritual em sua essência. O cristianismo reteve essa forma de dualismo. Nos escritos de Platão. e o mundo inferior é material. se admitirmos qualquer realidade. Os trechos de Heb. e nenhuma síntese dEle é final. O iluminismo católico mostra linhas nitidamente sociais e humanitárias. . O Espírito Absoluto nunca descansa. Tugot. antítese e síntese. O idealismo objetivo seria a antítese.5. Para ele. e a matéria é menos real. Uma nova tese surgirá inevitavelmente de sua antítese. por intermédio do poder do LOGOS. bem como seu estado de ser. sem qualquer realidade física. através da qual dá forma a todas as coisas. onde o ideal é mais real.

LIBERALISMO POLÍTICO – Defende a valorização da livre iniciativa e da liberdade individual no campo da política e da economia. O jansenismo foi um movimento de tentativa de reforma. Jansen buscava respostas para certas questões doutrinárias levantadas pelo luteranismo e pelo calvinismo. vivia uma forma extrema e radical da idéias de Agostinho. mas num credo vale o outro. O termo "jansenista" adquiriu significados secundários. depois da morte dele. Ele não reconhece como verdadeira nenhuma religião.JANSENISMO (Do francês jansénisme). Um resultado positivo do movimento foi que o mesmo inspirou um maior desenvolvimento da filosofia e da teologia morais. É contrário a qualquer tipo de intolerância. Ensina que todas devem ser toleradas e que todas são matéria de opinião. eqüivale no campo do conhecimento à valorização da experiência individual. pois achava que a reforma dos dogmas católicos e da ética romana deveria usar moldes agostinianos como guia. Admite maior amplitude na esfera das opiniões pessoais. Causou grande comoção. publicado dois anos após a sua morte. · LIBERALISMO RELIGIOSO – foi um desenvolvimento da teologia alemã posterior ao iluminismo. A religião revelada não é uma verdade. tanto intelectual quanto sensível. dentro da Igreja Católica Romana. bispo de Ipres (1585-1638). O seu tratado teológico. o jansenismo atacava o laxismo e defendia uma disciplina rigorosa. chamado Augustinus. Foi adotada a principio na abadia de Port-Royal e condenada pelo para Inocêncio X em 1653. seguindo idéias de Cornelius Jansen. LIBERALISMO Conjunto de idéias e doutrinas que têm por objetivo assegurar a liberdade individual inclusive no campo moral e religioso. Preconiza o direito ao indivíduo de adotar idéias e posições avançadas. É a doutrina segundo a qual não existe verdade positiva em religião. No campo moral. mas um sentimento e um gosto. não é um fato objetivo nem milagroso. como de escrúpulos éticos extremos e grande rigor quanto às questões dogmáticas. principalmente em face de sua forte ênfase sobre a doutrina da predestinação e sobre o ensino que a graça divina se limita aos eleitos. disciplinares e de costume. e é direito de todos os indivíduos seguirem aquilo que a sua fantasia quiser. .

Não obstante ao apresentado o monismo mostra outras formas: . mas não por outras forças. "único". o mito consistindo em história da (s) divindade (s). que propões que toda verdade é uma só. contada como se fosse histórica e real. Ainda no sentido da unidade da verdade. Em teologia. Pode-se aplicar o monismo para o cristianismo para o cristianismo no sentido de que postula uma única causa da existência. por meio de cujo princípio tudo existe e opera. etc. MITO Vem do grego. em sua discussão sobre o problema corpo-mente. Ele usava a palavra "monismo" a fim de designar a idéia daqueles filósofos que reconhecem somente a existência do corpo físico. Refere-se a qualquer doutrina que diz que algum princípio único governa todas as coisas. O pensamento religioso dos povos primitivos se expressa quase que exclusivamente através de mitos. um homem pode sentir-se restringido por sua própria consciência e pela fé bíblica. que significa "contar". Um mito é uma ficção popular. no ano 70 a. Assim. especulações abstratas. não implica. Com o passar do tempo. Também pode ser uma doutrina panteísta em que Deus e a natureza se dissolvem em uma só realidade impessoal. seus heróis. ou realidade última. Em quase todas as religiões primitivas e desaparecidas. pressupõe a existência desta (s). numa fé religiosa. ou apenas uma instância da mente. suas crenças religiosas. como numa igreja. apresentada como histórica. o termo meta (depois) tomou o sentido de "mais além" dos domínios da física. Esse termo foi introduzido na filosofia por Christian Wolff.C. Essa palavra procede de Andronico de Rhodes. visto que Deus é a fonte originária de toda verdade. mas somente na liberdade de certos tipos de restrição. sobre quaisquer bases e de acordo com qualquer sistema ou teoria. etc. tem a liberdade de tomar suas próprias decisões éticas. o Estado. O homem como indivíduo. ou que reconhecem somente a existência da mente. Pode-se dizer que é uma estória. com seus deuses.LIBERALISMO ÉTICO – Não admite nenhuma restrição imposta por algum sistema. A liberdade ética pois. sua cultura. ao final dos tratados de física. ou ainda existentes. "narrar uma ficção". Passou a designar as teorias racionais que se situam além da verificação experimental dos fenômenos físicos aparentes. agindo ativa e passivamente no tempo e no espaço. mythos. que colecionou pela primeira vez. os escritos de Aristóteles. que passaram a ser conhecidas com o nome de meta ta phusia (depois da física). necessariamente. METAFÍSICA Ramo da filosofia que trata dos princípios e fundamentos das coisas primárias. relacionada a tradições cosmológicas e sobrenaturais de um povo. monos. pensando que o corpo físico é uma ilusão. existe um forte elemento mítico. e que fazem da mente apenas uma função do cérebro. Escreviam-se então. uma única fonte da vida. na liberdade de qualquer tipo de obrigação. MONISMO Esse vocábulo vem do grego.

o texto sagrado menciona EL ou ELHOIM (Deus). de Moisés. incluem sobretudo as normas de conduta apodicamente formuladas. Deus como único Criador. Essas leis. Essa é a proposição mais consoladora da religião. Ele determina a ordem de valores. Assim desde os primeiros capítulos da Bíblia. intervindo. desta forma ao narra a criação (Gn. MONOTEÍSMO MÍSTICO – afirmação de um só Deus por razões místicas. o mesmo dizia que a realidade básica do mundo nem é a matéria física e nem é a idéia. os autores israelitas se referem a um só Deus. MONISMO EPISTEMOLÓGICO – assevera que o objeto conhecido e o processo de conhecer são uma só coisa dentro da relação-conhecimento. Deus não pode deixar de existir e a sua vida não depende de qualquer coisa externa ou fator sustentador. Desde o princípio Javé foi considerado um Deus de propósito ético. Foi isto que os estóicos. O deus-monarca impera sobre os deuses inferiores e sobre os seres da natureza divina. alguma coisa neutra. que continua interessado pela sua criação. que tem interesse pelo homem. Está na linha divisória entre politeísmo e monoteísmo. dos quais ele provê e no qual desaparecem. de Noé. os fenômenos materiais e mentais. Ele representa o poder e o valor da hierarquia. em que a vontade de Deus assumiu forma concreta. segundo as leis que expressam a vontade de Deus. Os conflitos entre os deuses estão reduzidos por seu poder. "único" e theós. que exige completa obediência. entre o divino e o demoníaco. de diferentes modos. entre os deuses e as coisas. MONOTEÍSMO Essa palavra vem do grego mónos. dos Patriarcas. Há muita idéias associadas ao monoteísmo. É o mesmo e único Deus que aparece nas histórias de Caim e Abel. "Deus. garantindo para o homem um teísmo baseado no amor. fizeram quando identificaram Zeus como ultima cidade ontológica. mas antes. como por exemplo: MONOTEÍSMO ÉTICO – que é a afirmação de um só Deus com base ética. MONOTEÍSMO MONÁRQUICO – afirmação de um só Deus com soberania absoluta. dos profetas que anunciam a sua encarnação na Pessoa de Jesus Cristo. Transcende todos os reino do ser e do sentido. com: Deus é dotado de vida necessária e independente. O Deus único é Pai. Ela indica aquele ensino que só existe um Deus. O Javinismo era uma religião de vida e conduta. que tudo tira do nada por sua palavra toda-poderosa. O Deus único criou tudo. . por meio da qual se expressam. Todos os conflitos entre os deuses. o que empresta imenso poder à percepção dos sentidos e suas capacidades. Seu fim seria o fim de todos aqueles sobre os quais ele impera. 4). e seus representantes divinos.MONISMO NEUTRO – defendido por Bertrand Russel. 1. ainda indefinida. 1-2. são superadas naquele que é último e que transcende a todos eles. O monoteísmo tem outras formas. em favor do fundamente e abismos divinos.

que retomando Kiekegaard. com uma rejeição do escolasticismo protestante (que foi quando Melanchthom abandonou a intransigência dos outros Reformadores e colocou seu profundo conhecimento do pensamento aristotélico a serviço da Escritura). e é técnica de colocar os opostos.MONOTEÍSMO TRINITÁRIO – afirmação de um só Deus em três pessoas distintas. H. A primeira reação eficaz contra o liberalismo teológico foi promovida por Karl Barth. a se exilarem. pode ser descrito como uma abordagem ou atitude que começou num ambiente comum. não tem um conjunto articulado de fundamentos em comum. Este movimento também foi chamado de "Teologia da crise". não é um movimento unificado. e com uma negação do movimento liberal protestante que tinha ressaltado a acomodação do cristianismo à ciência e à cultura ocidentais. na Suíça. Gustaf Aulém e Ander Nygren tornaram-se seguidores. É uma tentativa de falar do Deus vivo: o Deus em quem estão unidos o último e o concreto. O monoteísmo trinitário é o monoteísmo concreto: a afirmação do Deus vivo. denunciou vigorosamente todas as tentativas de amordaçar Palavra de Deus com a razão. Em pouco tempo esse movimento alcançou a Inglaterra. os paradoxos da fé devem permanecer exatamente assim. Começou com a crise associada à desilusão que seguiu a Primeira Guerra Mundial. um contra o outro. A nova abordagem metodológica do movimento envolvia o uso do pensamento dialético que remonta ao mundo grego e a Sócrates. forçou alguns como Paul Tillich. Dodd e Edwyn Hoskyns se envolveram. . com os irmãos Niebuhr. alguns a se esconderem. a imanência de Deus e a melhoria progressiva da humanidade. feito por Hitler. outros a voltarem à sua pátria tais como Barth. onde C. A repressão resultante. além de "Neo-ortodoxia". porém dentro em breve passou a se expressar de vários modos. NEO-ORTODOXIA O termo neo-ortodoxia significa uma "nova ortodoxia". Com a ascenção do movimento nazista na Alemanha. Para os neo-ortodoxos. Não é uma questão com o número três. pelo uso de perguntas e respostas para derivar o discernimento e a verdade. A neo-ortodoxia não é um sistema único. muitos líderes do movimento neoortodoxo encontraram-se com outros cristãos alemães em Barmem em 1934 e publicaram um declaração contra os males do nazismo. nos Estados Unidos. tais como Dietrich Bonhoeffer. Foi usado por Abelardo em Sic et Non. e em outros lugares igrejas e países começaram a ler a respeito do movimento e a observar aquilo que estava acontecendo. Na melhor das hipóteses. na procura da verdade. e o método dialético que procura descobrir a verdade no opostos dos paradoxos leva a uma fé verdadeira e dinâmica. ou ainda "Teologia dialética".

O conceito teológico fundamental do movimento foi aquele do Deus soberano e completamente livre. Foi usado por Abelardo em Sic et Non. e é técnica de colocar os opostos. Essa revelação é a Palavra de Deus num sentido tríplice. que é totalmente outro em relação a Sua criação. como a Palavra que Se fez carne. e como Ele determina revelar-Se a ela. denunciou vigorosamente todas as tentativas de amordaçar Palavra de Deus com a razão. outros a voltarem à sua pátria tais como Barth. forçou alguns como Paul Tillich. Jesus. um ato dinâmico da graça. as Escrituras. A relevância desse movimento foi tirar a Bíblia das mão dos críticos liberais que procuraram só pela crítica-histórica explicá-las. Ortodoxo encontraram-se com outros cristãos alemães em Barmem em 1934 e publicaram um declaração contra os males do nazismo. A repressão resultante. como a Palavra que Se fez carne. a se exilarem. tais como Dietrich Bonhoeffer. quanto à forma como ela é controlada. ao qual resposta da humanidade deve ser escutar. ou ainda "Teologia dialética". e como Ele determina revelar-Se a ela. um contra o outro. outros a voltarem à sua pátria tais como Barth. como também enfatizou a unidade das Escrituras e ajudou a precipitar um novo interesse pela hermenêutica. as Escrituras. A primeira reação eficaz contra o liberalismo teológico foi promovida por Karl Barth. a se exilarem. Também que a auto-revelação de Deus. como também enfatizou a unidade das Escrituras e ajudou a precipitar um novo interesse pela hermenêutica. Também que a auto-revelação de Deus. e o método dialético que procura descobrir a verdade no opostos dos paradoxos leva a uma fé verdadeira e dinâmica. forçou alguns como Paul Tillich. quanto à forma como ela é controlada. Este movimento também foi chamado de "Teologia da crise". redimida. na procura da verdade. tais como Dietrich Bonhoeffer. que é o veículo para proclamação do Verbo que se fez carne. que apontam para a Palavra que Se fez carne e o Sermão. ao qual resposta da humanidade deve ser escutar. Para os neo-ortodoxos. feito por Hitler. alguns a se esconderem. ortodoxo encontraram-se com outros cristãos alemães em Barmem em 1934 e publicaram um declaração contra os males do nazismo. . alguns a se esconderem. A repressão resultante. redimida.O conceito teológico fundamental do movimento foi aquele do Deus soberano e completamente livre. A nova abordagem metodológica do movimento envolvia o uso do pensamento dialético que remonta ao mundo grego e a Sócrates. pelo uso de perguntas e respostas para derivar o discernimento e a verdade. A relevância desse movimento foi tirar a Bíblia das mão dos críticos liberais que procuraram só pela crítica-histórica explicá-las. além de "Neo-ortodoxia". um ato dinâmico da graça. que é totalmente outro em relação a Sua criação. feito por Hitler. os paradoxos da fé devem permanecer exatamente assim. que retomando Kiekegaard. Jesus. Essa revelação é a Palavra de Deus num sentido tríplice. que é o veículo para proclamação do Verbo que se fez carne. que apontam para a Palavra que Se fez carne e o Sermão.

Este movimento consiste na defesa . Essa revelação é a Palavra de Deus num sentido tríplice. na procura da verdade. que foi iniciada pela incíclica de Leão XIII. O conceito teológico fundamental do movimento foi aquele do Deus soberano e completamente livre. O Uno é Deus. as Escrituras. e o método dialético que procura descobrir a verdade no opostos dos paradoxos leva a uma fé verdadeira e dinâmica.). Desenvolveu a mística do platonismo. Entendesse que este movimento de retorno a doutrina de Tomás de Aquino e no anseio da cultura católica. NEOTOMISMO Um reavivamento do pensamento de Tomás de Aquino no século XX. como a Palavra que Se fez carne. quanto à forma como ela é controlada. que apontam para a Palavra que Se fez carne e o Sermão. A nova abordagem metodológica do movimento envolvia o uso do pensamento dialético que remonta ao mundo grego e a Sócrates. além de "Neo-ortodoxia". um ato dinâmico da graça. O intelecto é o repositório dos arquéticos. memórias e percepções. o do intelecto e o do Uno. partindo da idéia sobre a capacidade da alma de elevar-se a contemplação dos arquéticos perfeitos do mundo. ou ainda "Teologia dialética". Também que a auto-revelação de Deus. e é técnica de colocar os opostos. inclusive na escola cristã de Alexandria. O neoplatonismo teve influência no Oriente Próximo até o século VI. um contra o outro. denunciou vigorosamente todas as tentativas de amordaçar Palavra de Deus com a razão. que retomando Kiekegaard. pelo uso de perguntas e respostas para derivar o discernimento e a verdade. ao qual resposta da humanidade deve ser escutar. como também enfatizou a unidade das Escrituras e ajudou a precipitar um novo interesse pela hermenêutica. Foi usado por Abelardo em Sic et Non. que é o veículo para proclamação do Verbo que se fez carne. Jesus.A primeira reação eficaz contra o liberalismo teológico foi promovida por Karl Barth. Três níveis da realidade são afirmados: o da alma. A relevância desse movimento foi tirar a Bíblia das mão dos críticos liberais que procuraram só pela crítica-histórica explicá-las.C. e como Ele determina revelar-Se a ela. redimida. NEOPLATONISMO Modalidade do platonismo criado por Plotino (204-270 a. A meta da vida filosófica consiste em se unir com o Uno. Este movimento também foi chamado de "Teologia da crise". os paradoxos da fé devem permanecer exatamente assim. Para os neo-ortodoxos. que é totalmente outro em relação a Sua criação. A alma corresponde à mente do indivíduo com pensamentos.

a partir dos últimos decênios do século passado. Sartre e aqueles que promoviam o que veio a ser chamado de Teologia Radical. na relaboração e na modernização de tais teses. em termos religiosos. Em ética. Foi cunhado por Turgeniev.polêmica das teses filosóficas tomistas contra as diversas direções da filosofia contemporânea e indiretamente. por si mesma. Esse termo pode tornar-se absolutamente ateísta: Deus não existe. digno do nome. imperou o caos. à descrença radical. o termo tinha um significado político. Ou. preservava alguns valores. desafortunadamente. a moralidade e os valores seriam artificiais. NIHILISMO Doutrina filosófica que nega a existência do absoluto. Muitos oficiais russos foram mortos. mas nada tendo a ver com a verdade. um ato bom e positivo. Esse vocábulo tem sido largamente usado em vários campos e com vários sentidos. em uma tentativa de destruição. então pode indicar que nossos conceitos de Deus são obsoletos. Equivale. Certo movimento russo do último quartel do século XIX foi acusado de empregar esse termo. mas Canuns. O NIHILISMO ÉTICO afirma que não existem valores genuínos. que substituísse o que eles pretendiam eliminar. O PESSIMISMO é uma forma de NIHILISMO ÉTICO. Bakunin era defensor dessa posição extremada. O termo deriva do advérbio latino nihil que significa nada. os estudos de filosofia medieval isto é da escolástica clássica. mesmo que nada seja apresentado para tomar o lugar das coisas e instituições destruídas. também empregaram esse tema em suas discussões. contudo. mas nada se fez de construtivo. O NIHILISMO TEOLÓGICO pode ser visto nos escritos de Nietzsche. O NIHILISMO POLÍTICO chega ao extremo de afirmar que a destruição da ordem social herdada é. contrariamente. servindo a pessoas e a classes. Esse tema. Pais e Filhos (1862). ensinando que a renúncia e a simpatia têm algum valor. que declarou que "Deus está morto". designa a corrente segundo a qual não há hierarquia de valores nem qualquer verdade de ordem moral. . Ali. em sua novela. dizia que o NIHILISMO está fora de um comportamento admissível. mas sem qualquer plano construtivo. ou como William Hamilton. Schopenhauer. Um dos mais importantes efeitos da florescência neotomista é a importância renovada que asseveram. foi aceito por alguns teólogos posteriores. como Thomas Altizer.

Nenhum escritor secular ou cristão usa-o antes do século II. que nos deixa admirados. quando foi cunhado por Clauberg. o que significa crença correta.NUMINOSO Designação dada ao que é influenciado ou está sob dependência da divindade. A Igreja Oriental se autodenomina "ortodoxa" e condena a Igreja Oriental como heterodoxa. Essa experiência do numinoso é aquilo que está por trás de todas as grandes religiões do mundo. em contraste com a heresia ou a heterodoxia. do incompreensível – de Deus. E a experiência que gera todas as respostas morais e éticas da religião. Uma divisão da filosofia e da teologia emprega esse vocábulo para indicar o estudo geral e o conhecimento do ser. ONTOLOGIA A palavra ontologia deriva-se de dois termos gregos. A aceitação rigorosa da "regra de fé" (regula fidei) era exigida como uma condição prévia da comunhão. o que por sua vez. santa. é uma divisão de metafísica. O termo não é bíblico. . terrível. Os teólogos protestantes do século XVII. embora o verbo orthodoxein esteja em Aristóteles. e doxa "opinião"). "ontos" "SER" e logia. bem como os dogmas e as doutrinas. O termo numinoso tem por propósito transmitir a idéia da Presença do Espírito Divino. em 1647. "conhecimento". especialmente os luteranos conservadores. aterrorizadora e sagrada da deidade. e dessa maneira. conforme é possível ao homem conhecê-lo. do Santo. primeiramente como o gnosticismo e depois com outros erros a respeito da trindade e da pessoa de Cristo. referindo-se à finalidade misteriosa. ORTODOXIA O equivalente em português da palavra grega "orthodoxia" (de orthos "certo". tinha-se tornado o termo padrão para indicar o estudo do ser. ressaltavam a importância da ortodoxia quanto a soteriologia dos credos da reforma. É a experiência do Outro. e surgiu uma multiplicidade de credos que explicavam essa "regra". chegamos a conhecer a Deus. A idéia da ortodoxia veio a ser importante na igreja a partir do século II. Pelo fim daquele século. portanto. por causa de conflitos. A palavra expressa a idéia de que certas declarações sintetizam como exatidão o conteúdo do Cristianismo às verdades reveladas e. por causa da inclusão da cláusula "filioque" no seu credo. Essa palavra foi chamada por Rudolph Otto com base no termo latino numem. Esse termo foi usado pela primeira vez no século XVIII. são por sua própria natureza normativas para a igreja universal.

conforme elas foram definidas pela Igreja. as declarações excatedráticas dos papas. veio a ser uma influência no mundo de fala inglesa. que é professor de teologia sistemática na Universidade de Munique. Para Pannenberg. Os grupos protestantes. (Revelação como história) 1962. toda história é a revelação de Deus. cortam o nó górdio. (Que é o homem? A antropologia atual à luz da teologia). Rejeitando certas idéias católicas romanas. pode ser chamado o teólogo da história. Wuppertal (1958) e Mainz (desde 1961). Deixar de captar a revelação dentro da história é falha do indivíduo e da sua investigação. PANNENBERG Teólogo evangélico alemão. 1959. apresenta sua teologia de dentro da categoria da história. as decisões dos concílios. os pareceres dos chamados pais da Igreja. A verdade revelatória está necessariamente inerente na totalidade da história e bem clara para todos quantos observam. Wolfhart Pannenberg. Obras principais: Heilsgeschethen Und Geschechte (A redenção como acontecimento e história). Porque para ele a história é o princípio de averiguar o futuro com a revelação da Palavra. e não da própria história.Quanto ao catolicismo romano. A história está tão clara em suas funções revelatórias que sua interpretação pode ser feita sem a ajuda da revelação sobrenatural. nascido em Stettin. oferecendo uma exagerada simplificação. Quando foi publicado seu livro Jesus – God And Man em 1968. Wolfhart Pannenberg. . o mesmo oferece uma base complexa para a ortodoxia: as Escrituras. por sua vez. A doutrina teológica de Pannenberg considera que a realidade histórica tem prioridade sobre a fé e o raciocínio humanos. professor de teologia sistemática em Heidelberg (1955). eles oferecem as "Escrituras somente". os credos. 1964.

. Sendo assim. o panteísmo é deficiente por causa de duas considerações: Nega a transcendência de Deus e defende Sua imanência radical. negando assim. em 1705. E. sem começo. Deus é o cabeça da totalidade. são concebidos como um todo. e que pensa que a unidade é divina. Monista absolutista – Deus é tanto absoluto quanto idêntico com o mundo. Por sua vez. "panteísta". "deus". embora diferentes expressões de uma mesma coisa. enquanto que a Bíblia apresenta um equilíbrio. mas não é idêntico a elas. pan. Nas Escrituras. Deus é retratado supremamente como uma pessoa. Neoplatônico – Deus é absoluto em todos os aspectos. "tudo". dando a entender que tudo é Deus. e o mundo é o seu corpo. Tendência de identificar Deus com o mundo material. Imanentista – Deus faz parte do mundo e é imanente nele. O panteísmo é uma espécie de monismo. · Formas de Panteísmo mais importantes: Hilozoísta – O divino é imanente do mundo e é caracterizado como elemento básico do mundo que empresta mudança e movimento à sua totalidade. O universo passa a ser auto-existente. Deus é imutável e não é afetado pelo mundo. Monista Relativista – O mundo é real e mutável. E assim. De acordo com o panteísmo. o finito e o infinito tornam-se uma e a mesma coisa. Acósmico – Deus é absoluto e constitui a totalidade da realidade. Da identidade dos Opostos – qualquer dissertação a respeito de Deus deve necessariamente apelar aos opostos. foi cunhada pela primeira vez por John Toland. todos os seres e toda a existência de Deus. A forma objetivada. e usou a forma nominal "panteísmo". onde Deus está ativo na história e na sua criação. De acordo com o panteísmo. removido do mundo transcedente sobre ele.PANTEÍSMO Essa palavra vem do grego. desde então o termo tem sido continuamente usado. que identifica a mente e a matéria. Do ponto de vista bíblico. + Theós. Fay atacou a filosofia de Toland. embora sujeito a modificações. o caráter pessoal de Deus.

ou seja. Como um movimento organizado. uma casa publicadora e outras obras de caridade. O mais notável discípulo de Spener foi August Hermann Framke. Também houve uma pronunciada ênfase antiintelectual. axetismo e separação desnecessária de outros cristãos. adotou a prática dos princípios pietistas. a necessidade de uma conversão que realmente mudasse a vida do indivíduo. o que justifica o seu protesto e o movimento que daí resultou. procurando ser mais piedosas. o calor emocional na religião cristã. entusiasmadas e dotadas de mais profundas experiências religiosas do que outras pessoas. passando a ser aplicado a fanáticos e sonhadores religiosos. o tema pietismo assumiu uma conotação negativa. e foi mui significativa a sua ênfase sobre as experiências místicas. O metodismo trouxe de volta à igreja a necessidade de uma experiência religiosa pessoal. ou mesmo como se nem fossem cristãos autênticos. A ênfase do pietismo recai sobre as experiências religiosas. o valor do misticismo. No grego temos sébomai "ser piedoso". desnecessária. caiu no legalismo dogmático. sacramentos e da religiosidade. segundo a história informa-nos. incluindo misticismo. a retidão pessoal.PIETISMO A base latina dessa palavra portuguesa é pius. também. . Outrossim. uma religiosidade que gera mais calor emocional do que iluminação fanatismo. Por causa desses vícios. Ele servia como pastor em Frankfurt-ammain. A igreja morávia. Spener cria que a ênfase original da reforma protestante. a fraternidade universal dos crentes. o conde Von Zinzendorf. De fato. Um teatro religioso. no fim do século XVII. organizada pelo enteado de Spener. e uma santificação que continuasse esse processo. a santificação e a experiência religiosa tinha-se perdido essencialmente. a santidade e a devoção. considerados dotados de espiritualidade inferior. Essas coisas são enfatizadas em lugar do ritualismo e das formalidades do culto. as pessoas transformam-se em atores. A corrente principal do luteranismo tornara-se rígida em suas doutrinas e morta no sacramentalismo. um orfanato. associado principalmente a Philipp Jakob Spener. "ser reverente". Tinha organizado escolas para os pobres. John Wesley e o metodismo primitivo podem ser classificados como um movimento pietista. o calvinismo. sobre a conversão pessoal. era combatido por ministros e teólogos invejosos. o pietismo teve início entre os luteranos da Alemanha. um desprezo relativo aos credos. historicamente falando o metodismo foi muito influenciado pelo pietismo alemão. "aquele que cumpre seus deveres". Ele foi um bem sucedido professor e obreiro cristão. A necessidade de experiências religiosas pessoais. mas a sua mensagem não tardou as espalhar-se por toda a Alemanha e daí para outros países. e. em vez de ritos. Mas a palavra alude a uma reverência especial diante de Deus. que causou forte desequilíbrio no movimento.

num aspecto ou noutro. Talvez possamos dizer que a maioria das igrejas pentencostais da atualidade retém tanto as virtudes quanto os vícios desse movimento. Hermes transmitia as mensagens dos deuses aos mortais. Podemos defini-la assim: Hermenêutica é a ciência que nos ensina os princípios.O metodismo. no caso designa a teoria dessa arte. os dunkers (batistas alemães). na Georgia prostrou relevantes contribuições ao Pietismo. poesia. se deriva do verbo Hermeneuo. por sua vez. etc. tornando as palavras inteligíveis e significativas. PRINCÍPIO HERMENÊUTICO A palavra Hermenêutica é derivada do termo grego hermeneutike que. os Schewenkfelderes e os morávios devem todas alguma coisa ao pietismo. leis. . frases.. era afiliado de Spener e aluno de Francke. A igreja reformada alemã da América do Norte exerceu uma influência pietista sobre povo reformado alemão naquele continente. um novo interesse por Lutero e sua teologia. não só as anunciava textualmente. porque trata de um livro peculiar no campo da literatura – a Bíblia como inspirada palavra de Deus. quer isto dizer que. A Expansão do Pietismo. propriamente. ou a um comentário adicional. que a palavra hermenêutica deve sua origem de Hermes. Spenes e Francke aspiravam outras variedades de Pietismo alemão. eides da igreja Marávia renovada. A Hermenêutica "Sacra" tem caráter muito especial. mas. tais como. profecia. mas agia também como intérprete. O conde Nikolas Vom Zinzendory. Consequentemente a hermenêutica tem duas tarefas: Uma determinar o conteúdo do significado exato de uma palavra. A igreja reformada holandesa também teve líderes cujos discípulos salientaram esse conceito. as leis e os métodos de interpretação. a arte de Hermeneuein (interpretar). A Hermenêutica "Geral" se aplica a determinados tipos de produção literária. Os irmãos unidos em Cristo e a igreja Evangélica foram denominações que incorporaram tendências pietistas. outra descobrir as instruções contidas em formas simbólicas. Platão foi o primeiro a empregar Hermeneutike (subentendendo-se a palavra techne) Hermenêutica é. o que pode chegar a uma clarificação. história. em 1666 foi chamado para ser o ministro principal em Frankfurt-am-Main. Diz-se. também. o que também sucedeu ao luteranismo norte-americano. os mononitas. PRINCIPAIS EXPOENTES DO PIETISMO – Philipp Jacob Spener é considerado o Pai do Pietismo. texto. Johann Albrecht (1687-1752) Haus Nielsem Hauge (1771-1824) que teve. através dele. João Wesley em 1735.

e a humanidade como um universo procedia o homem como indivíduo. nas portas da catedral de Wittenberg. REALISMO METAFÍSICO: Advoga a existência da realidade metafísica em si mesma. de que estas se constituíam. Em sua orientação de conjunto. mas na sua substância verdadeira. de onde tudo programa. ULTRA-REALISTAS: (século XII) expandiu a teoria de Agostinho que tinha modificado o realismo de Platão ao sustentar que as proposições universais existiam na mente criativa de Deus antes do universo material. ao Evangelho. naquilo que elas tem de invaríavelem face da multiplicidade do vir a ser. Preparada pelo humanista Erasmo de Roterdão (1466-1536). . Explicando que a realidade dos indivíduos derivava do universal. originada na teoria das idéias de Platão segundo a qualos universais existem por si. REALISMO GNOSEOLÓGICO: é o que admite a possibilidade do conhecimento das causas. a universalidade do pecado na raça humana e a unicidade da trindade. que se julgava sua depositária e intérprete. isto é. 95 teses contra a venda das indulgências.REALISMO Doutrina medieval. No texto Contra Henrique VIII da Inglaterra (1522) Lutero contrapunha a tradição eclesiástica. e a todos os rituais e às glosas que havia acumulado durante séculos. à parte dos objetos em particular. o retorno direto à palavra de Jesus Cristo. Refere-se a uma existência separado. a Reforma foi iniciada pela obra do monge agostiniano Martinho Lutero (1483-1546) que em 1517 afixou. O Realismo Gnoseologico dos Milésios eles admitiam a existência real de uma substância das causas. não pondo em dúvida a possibilidade do seu conhecimento. o retorno aos princípios levava a negar o valor da tradição. independentemente das coisas em que se manifestam. e portanto da Igreja. No domínio religioso. Explicando. a Reforma protestante apresenta-se como um dos meios de realização daquele retorno aos princípios que foi a divisa do Renascimento. REFORMA A Reforma foi a renovação da vida religiosa acontecida na Europa do século XVI pelo retorno às origens do Cristianismo. assim. de uma entidade (digamos assim) metafísica.

com sua rejeição da hierarquia. das técnicas religiosas (ritos. uma vez que a Igreja Católica institucionalizava a religião e asseverava os seus dogmas sem nenhuma flexibilidade para discussão a respeito. segundo Lutero. Michelet e Burckhardt usaram esse vocábulo para enfocar a historicidade do período em 1855 e 1860.O ensinamento fundamental do Evangelho é. sacrifícios. constituído pelo luteranismo e o calvinismo. que foi outra figura espiritual que lançou o alicerce sobre o qual a Reforma veio a ser edificada. que não rejeitaram completamente uma constituição hierárquica da Igreja. de "Reforma". Ao culto sacerdotal. No sentido teológico a palavra RENASCIMENTO foi usada nos estudos de Hildebrand. Pode-se dizer que a Reforma começou. se consumou a separação entre católicos e protestantes. o nome da Reforma veio adquirir um aspecto nitidamente confessional. com John Wycliffe. A Reforma é o berço de toda a teologia moderna. 2) O centro. os quais não pretenderam. RENASCIMENTO Este termo deriva-se do francês Renaissance e corresponde a um movimento literário. em sua forma preliminar. além de Lutero. inicialmente. isto é. 2º) a negação da liberdade humana e o reconhecimento da predestinação da parte de Deus. Os grandes líderes da Reforma. que conservou numerosos elementos "católicos". Quando. Dentro da Reforma protestante. cerimônias) e a redução dos sacramentos àqueles que são mencionados pela Bíblia. Por isso foram chamados de "reformadores" e sua ação. a justificação por meio da fé. Verifica-se portanto que o tema religião discutido . porém. artístico e filosófico desenvolvido no período dos séculos XIV e XVI na Europa Ocidental. 3) a esquerda. o RENASCIMENTO religioso enfatizava o principal objetivo da religião que seria levar o homem de volta a DEUS. que se encarna no anabatismo. No movimento renascentista. Wasler e Burdach para explicar o RENASCIMENTO espiritual do homem adâmico morto pelo pecado. isto é. Lutero opôs o exercício dos deveres civis. representada pelo anglicanismo. a qual implica dois corolários fundamentais: 1º) a negação do valor das obras. poderíamos distinguir três alas: 1) a direita. do sentido salvífico dos sacramentos e do batismo de crianças. A fé é o sinal seguro desta predestinação e portanto o indício da salvação. no século XIV e com John Huss. o trabalho inicial de Lutero teve continuidade graças aos esforços de Melanchthon e João Knox. Além de Zwinglio e Calvino. como único "serviço divino" que possuía valor religioso. mas apenas "reformar" a existente. no século XVI. penitência. tornando-se quase sinônimo de protestantismo. mas também estes subtraídos de qualquer supervisão sacerdotal e considerados como expressão da relação direta do homem com Deus. formar uma Igreja separada. batismo. foram Zwinglio e Calvino. eucaristia.

Era o tema central do revisionismo. REVISIONISMO: Espiritual 1º Revisionismo crença que a verdadeira pessoa é uma alma sobrevive a morte biológica. Julgado de acordo com suas obras/atos. 2º O movimento revisionista foi um movimento teológico moderno que tinha como objetivo a busca do Cristo histórico. sendo julgada de conformidade com ela. Eles pretendiam fazer uma revisão dos relatos bíblicos. Avaliação da qualidade da vida. Henrique Paulus (1761 a 1877) publicou em 1928 a obra vida de Jesus Paulus. David Frederich Straus (1808 a 1877) Straus também escreveu a obra a Vida de Jesus. . precisa enfrentar uma revisão da vida na carne. e também recontar a história de modo racional. Por isso pretendiam fazer uma biografia corrigida de Jesus. ou seja a vida além do túmulo. O revisionismo biografo procurava desmistificar a deidade de Cristo. e primeiro revisionista não podemos dizer que Ritschel é o pai do movimento revisionista. esse título. Embora Ritschel.dentro do RENASCIMENTO contribuiu eficazmente para a revolução teológica que reflete até nossos dias que foi a REFORMA PROTESTANTE. Não admitia que Jesus tinha feito qualquer milagre. é comumente dedicado a Herman Reinamein. a qual. sobre a vida de Cristo. no estado espiritual. Straus não aceitou a mensagem de Cristo. O revisionismo nasceu dentro a teologia moderna e adeltro a teologia contemporânea até hoje os teólogos influenciam. Revisão da vida anterior à morte. seja o pai da teologia liberal e dos principais. Prestação de contas dos seus atos.

como tal constitui-se num rival do cristianismo. No entanto. porque nega e exclui Deus e o sobrenatural numa fixação míope naquilo que é imanente e natural. a 4 de fevereiro de 1906. Este mundo (o saeculum) tem valor porque Deus o criou. o secularismo é o culpado porque "mudaram a verdade de Deus em mentira. E uma cosmovisão e um estilo de vida que se inclina par ao profano mais do que para o sagrado. Ele não pode ser identificado com um ou outro (panteísmo). Antes. como filosofia abrangente de vida. religião invertida e una. "pertence a uma época". O secularismo é uma ideologia. e objetivo da adoração. Em 1931 . tornou-se pastor luterano e trabalhou em Barcelona e Nova York. continua a preservá-lo. adorando e servindo a criatura em lugar do criador" (Rm. Nenhuma discussão contemporânea do cristianismo e secularismo pode deixar de lidar com as cartas e papéis da Prisão escritos por Dietrich Bonhoeffer. na Polônia). sem fazer qualquer alusão à religião ou as reivindicações da igreja. Na discussão contemporânea. O secularismo carrega uma falha fatal. existem em liberdade e responsabilidade que o homem tem com Deus e o mundo. Prússia (depois Wroclaw. Em termos bíblicos. e age para redimi-lo. Embora Deus haja Senhor da história e do universo. o natural mais do que o sobrenatural. O secularismo procurava aprimorar as condições humanas. expressa um entusiasmo sem reservas pelo processo da secularização em todas as esferas da vida. Em termos gerais. pelo seu conceito reducionista da realidade. o secularismo inexoravelmente torna o mundo do homem e da natureza absoluta. e das organizações sociais (não-religiosas) humanas. o secularismo envolve uma afirmação da realidades imanentes deste mundo. Homens e mulheres. Da perspectiva da teologia bíblica cristã. O principal expoente do secularismo é Dietrich Bonhoeffer nascer em Breslau. o Deus sobrenatural criou o mundo e sustenta a sua existência. No secularismo as dimensões – presente e imanente de existência estão revertidos dos atributos do eterno e do transcendente.SECULARISMO Essa palavra vem do latim seculum. Nos círculos religiosos recebe o sentido de "aquilo que pertence ao mundo de nosso tempo" e que não faz parte do que é sagrado ou espiritual. E uma forma de religiosidade. para uma visão fechada do mundo que funciona semelhante a uma religião.25). O secularismo. Educado em Tübingen e Berlim. O secularismo veio a ser uma espécie de movimento do tipo humanista. da ciência. utilizava-se da pura razão. Tendo excluído o Deus transcendente como absoluto e o objetivo da adoração. o secularismo e o humanismo são freqüentemente vitais como uma só dupla que forma o humanismo secular – uma abordagem da vida e da sociedade que glorifica a criatura e rejeita o criador. O secularismo é uma abordagem não-religiosa da vida individual e social. 1.

significando "esta idade presente". A secularização é como ameaça e precaução. A provocação da Secularização é um desafio às nossas igrejas de nos integrarmos às necessidades humanas. na Pomerânia. saecelum. não como quem governa e comanda. Em 1935 foi chamado a assumir a direção de um seminário clandestino em Finkenwald. nos conceitos científicos. na produção de bens de consumo. onde o ser humano começa a se voltar para o presente esquecendo completamente o futuro. tendo como objetivo principal Jesus Cristo. mas como quem serve. O problema central de sua teologia era como ser cristão num mundo secularizado e ateu. Bonhoeffer estava em Londres e decidiu lutar contra o nazismo. SÉCULO XIX Mudanças profundas na sociedade. fizeram sufocar o anseio doentio por um nacionalismo exacerbado. É a inversão de valores dentro dos campos teológicos e secularistas. Quando Hitler subiu ao poder em 1933. . Propunha como uma das soluções a interpretação não-religiosa dos conceitos bíblicos. A igreja não deve permanecer fora do mundo. Dirigindo a nova orientação do período. que significa era ou época. última conseqüência das mudanças processadas pelo Iluminismo. o que sugeria a possibilidade de haver cristãos arreligiosos. caracterizam o século dezenove. O que ele asseverou é que o cristão moderno deve ser um homem também voltado para atividades seculares. SECULARIZAÇÃO A palavra secular provém do termo latino. A Secularização adquire significados da distinção medieval entre aquilo que ficava sob jurisdição eclesiástica ou monástica ou aquilo que não ficava por serem de competência do Estado. nas artes. Essa ditadura só será subjugada por Napoleão e suas guerras Imperialistas. O destinatário do evangelho é o homem novo. não nos deve causar medo. Havia a violenta substituição do Absolutismo pelo "terceiro estado da burguesia". quando dizia que a igreja não existe senão quando é "para os outros". Ao cristianismo essencial ao que chama razoável.assumiu a cátedra de teologia sistemática na Universidade de Berlim. Secularização é a libertação do que é mundano em relação ao que é santo. A secularização como teologia surgiu com Bonhoeffer. A igreja deve participar das tarefas humanas. que por sua vez. havia a Revolução Francesa. dedicado a causas humanistas. Este homem novo. mas está no mundo. do final do século anterior. que deve ser levada a sério. sufocada no terror sanguinário da Ditadura Jacobina. A Secularização é uma palavra temporal usada para traduzir a palavra grega "aeon". A Secularização é uma ameaça provocante.

distinta de qualquer outra.É o século dos grandes prospectos e das máquinas. Para Schleiermacher. A Igreja Católica Romana. O século da declaração da morte de Deus. ou pelo menos a ele atrelada e dele dependente e auxiliada.. que adentra a Teologia Contemporânea. Pio VII voltou a Roma e os Estados papais foram restabelecidos. e essa dependência é a base de nossa vida religiosa. mas também do Infinito. Durante essas duas décadas. A Teologia Contemporânea nasce sob as hostilidades de teólogos liberais e neo-ortodoxos. o primeiro instante da Teologia Moderna como se sabe é a Reforma que se constituiu no oferecer de uma nova era teológica. um século de tolhedora tristeza e de branda melancolia. O século do cidadão. a teologia de Schleiermacher passou também. resistiu às influências modernizantes e continuou desenvolvendo todos os seus elementos medievais. O século da questão social. Cada um precisa afirmar sua individualidade. Quando o Romantismo passou de moda. e do medo da morte que afora devia ser enfrentada sem Deus. de Deus. vários elementos. Nesse documento foram denunciados como "erros". Entre 1800 e 1821. como para os demais românticos. enfrentou poderosamente todos os surtos do processo humano.. A vida humana envolve uma tensão entre a dependência e a independência. Além dessa auto-afirmação. depois de sofrer certa pressão no século XVIII e começos do XIX. Sentimo-nos dependentes não somente de outras pessoas. O século do materialismo e do material. O século do artista e de seu atrevimento. tais como a liberdade de consciência e de culto. do Universo – enfim. tratado que definia as relações da Igreja Católica Romana na França com o Governo. ele deixou uma marca que dura até hoje. de sua arrogância. Mesmo assim. Em 1801 Napoleão. Por esse tratado "a igreja ficava sujeita ao Estado". desde o início do século XIX e encontrou sua máxima expressão no SILABUS. porém. É o século do medo. O segundo instante da Teologia se evidencia na Teologia Liberal. cada um de nós também vive num estado de dependência. Após a queda de Napoleão. Schleiermacher formulou sua obra-prima de teologia sistemática. da morte. de Pio IX. Da esperança perdida. realizou com o Papa Pio VII a concordata. Muitos indicam Friedrich Schleiermacher (1768-1834) como o pai da Teologia Moderna. Ele aproveitou as idéias principais do Iluminismo e do Romantismo e s incorporou em um sistema teológico. Mas é também o tempo de um mundo pintado pelos impressionistas. cada indivíduo deve desenvolver-se como uma pessoa. publicado em 1864. o século do drama. . A hostilidade do papado ao progresso do mundo moderno manifestou-se de vários modos. Um mundo de anseio à morte prematura. do Tudo. Na religião o século XIX encontrou o papado em grande humilhação. Imperador da França. de ideais abandonados. frágil e passadiço. Schleiermacher formulou uma teologia à luz do Romantismo. Schleiermacher continuou sua atividade como pregador e professor de teologia sistemática.

Mas a Teologia Liberal Protestante não recebeu sua expressão plena de Schleiermacher. Além disso a Teologia Liberal Protestante pouco enfatiza o pecado. eles queriam saber o efeito da doutrina na vida e na sociedade. um número crescente de teólogos queria uma teologia reduzida. . (2) da História do Cristianismo. e a ortodoxia a trouxe de volta com Melanchton e Ritschl a retirou em suas formulações teológicas liberais. Por sua parte. a Teologia Liberal Protestante diminuiu o peso doutrinário da fé. até hoje. Esta honra ficou para o professor Albrecht Ritschl. embora pouco profunda. A partir de Schleiermacher. ele se limitou a falar da "modificação do sentimento. Ritschl publicou. mas uma teologia voltada para questões éticas. Ritschl apresentou-se como um estudioso do Novo Testamento e de Lutero. Isto quer dizer: ele enfrentou os ortodoxos com suas próprias armas. Ritschl argumentou que os ortodoxos dos seus dias erraram por confundirem a doutrina cristã com a metafísica. e Tomás de Aquino argumentou de pressuposições aristotélicas. especialmente em questões metodológicas. Revisionismo foi um movimento teológico moderno que tinha como objetivo a busca do Cristo histórico. se interessavam menos pelos sentimentos do que os românticos. Ele dominou três áreas de estudo: Novo Testamento. Em lugar disso. esses teólogos rejeitaram o sistema que herdaram de Schleiermacher. ou da autoconsciência imediata". História do Cristianismo e Dogmática. Em matéria de religião. da Universidade de Göttingen. Os três volumes desta obra tratam dos pontos de vista: (1) do Novo Testamento.Schleiermacher começou por reduzir a fé às proporções dos sentimentos religiosos de cada pessoa. dizendo que os sentimentos piedosos equivaliam ao senso de consciência absoluta de Deus. sua obra-prima: Die Christliche Lehre von der Rechtfertigung und Versohnung (A Doutrina Cristã da Justificação e Reconciliação). Ritschl é o primeiro dos revisionistas. eliminando-a da teologia. Por influência do Realismo. que ele apreciava desde sua formação pietista. Lutero – o herói das mais diversas teologias alemãs – desvinculou a teologia da metafísica. Entre 1870 e 1874. Lutero tirou a metafísica das reflexões tão lógicas. A Teologia Moderna é marcada pelo revisionismo. a ortodoxia protestante restaurou a metafísica à teologia. com uma interpretação liberal da fé cristã. Por esta razão. Schleiermacher havia lançado a Teologia Liberal Protestante. em três volumes. da natureza humana. Ele valorizou os "sentimentos piedosos". O autor apresenta uma reinterpretação moralizante da fé cristã em termos especialmente atraentes para os protestantes alemães. (3) da Teologia Sistemática. Já quanto aos realistas. e sua influência continua. Ritschl insistiu em rejeitar a metafísica. por isso pretendiam fazer uma biografia corrigida de Cristo. Agostinho fez teologia de uma base platônica. Depois de 1850. tendo uma visão otimista. Schleiermacher iniciou a Teologia Liberal Protestante – um movimento que cresceu durante o século XIX e que existe ainda hoje. Ele não pretendia falar de Deus em si. Para Ritschl. Ritschl (1822-1889) era um pesquisador incansável. a maioria rejeitou a distinção de Schleiermacher entre religião e moralidade.

também rejeitou o pietismo como uma infiltração do misticismo no pensamento cristão. A teologia liberal foi constituída nos pressupostos iluministas racionalistas. Nietzche e Marx. Friedrich Nietzsch (18441900). Ritschl rejeitou tanto a ortodoxia como o pietismo. Wilhelm Herrmann (1946-1922) e Albert Schweitzer (1875-1965). A teologia contemporânea tem bases em Soren Kickegaard. que não fosse redutível a nada além da teologia cristã propriamente e da revelação de Deus em Jesus Cristo. na realidade. Von Balthasar e outros. Os escritos de Ritschl contra a metafísica eram. Entre os ortodoxos: Bulgakov. ataques contra o pietismo. uma outra ala do protestantismo alemão. sobremodo humano. Como ele acusou os ortodoxos de confundirem a metafísica com o cristianismo. Guardini Ranner. Dentro da teologia contemporânea destacam-se: Karl Barth. insatisfeito com as soluções propostas pelos teólogos do século dezenove. Dessa maneira Ritschl se apresenta como o campeão do verdadeiro luteranismo. Oscar Culmann. não é a infinita bondade de Deus que é salientada. outra vez. A teologia moderna foi construída com base em Kant e Hegel. Heidegger. a mais importante é sua leitura da obra redentora de Cristo. seus argumentos antimísticos foram. A forma da teologia liberal encontrase no idealismo gnóstico de Kant. contra a ortodoxia protestante. Lonergan. Das reinterpretações de Ritschl. Schilebuckk. deu início no entre-guerras a um movimento teológico que buscava alcançar aquilo que a teologia oitocentista não havia conseguido: uma teologia não iluminista e pós-Kantiana que não se evaporasse à medida que fosse produzida. Bonhofer. Florowsky e Lossoky. Na "teologia da crise" de Barth (do grego krinein. inclusive a religião. Barth. na realidade. Paul Tillich. Aqui.Compete a Ritschl reformular a teologia sem metafísica. Entre os católicos: Teilhard de Chardin. Brunerr. . Teólogos do século dezenove como Albrecht Ritschl (1822-1889) e Ernst Troeltsch (18651923) procuravam encontrar o espaço da teologia no mundo pós-Kantiano. como na teologia deísta. mas o juízo divino sobre tudo que se revela humano. Estes entre os protestantes. Ritschl apresentou uma nova teoria de expiação – a teoria da influência moral. julgar). e inspirado por críticos como Soren Kierkegaard (1813-1855). Os escritos de Ritschl também continham numerosos ataques contra o misticismo. Mas talvez tenha sido o teólogo suíço Karl Barth (1886-1968) quem melhor resultados alcançou nessa direção. Bultmann.

Leibnitz teve fazer toda espécie de ginástica para defender sua tese. é a única que existe. Além disso para Leibnitz. da atitude que consiste em sustentar que o eu individual de que se tem consciência. Todo-poderoso onisciente ao mesmo tempo em que há tantos males no mundo? Aqueles que procuram explicar o problema do mal. A Teodicéia de Leibnitz era determinista. só eu existo. até onde vai o meu conhecimento. é que forma toda a realidade". sendo assim. TEODICÉIA Esse termo vem do grego theos. aparece como o programados das demais mônadas. A idéia é que a pessoa ou mente individual. ou até onde a pessoa pode provar. "o equivalente concreto do que os filósofos chama de solipsismo. "sozinho" e ipse. não somente há razões pelas quais Deus faz tudo quanto faz. Alguns filósofos usam o solipsismo metafísico para anular o solipsismo epistemológico. preservando assim a idéia de um Deus ortodoxo. onde Deus. isto é. A Teodicéia de Leibnitz foi estruturada para seu sistema teológico extremamente racionalista. a grande mônada. conforme se verifica durante os sonhos. Acreditar que só eu existo é tão absurdo que também é absurdo dizer que só posso Ter conhecimento de minha própria existência. Como pode haver um Deus justo. tenho bases para crer que somente eu existo. até onde ela está envolvida. Em seu uso comum. Deus é o único ser metafisicamente necessário. temos aí um pseudodilema. mas não posso afirmá-lo com certeza absoluta. O solipsismo epistemológico refere-se ao "dilema do conhecimento do próprio eu". Foi Leibnitz quem cunhou esse termo. Ou seja. Até onde posso determinar. o solipsismo metafísico redunda do dilema do conhecimento: uma pessoa qualquer pensa que é a única entidade em existência. no sentido em que vivemos no melhor de todos os mundos possíveis. sem ajuda da revelação. e onde Deus não incorre em equívocos. como também tais razões são leis necessárias. . Por sua vez. "o próprio eu". Sua Teodicéia fazia parte do seu sistema de mônadas. justiça. O latim por detrás desse termo português é solus. introduzindo-o na filosofia.SOLIPSISMO Doutrina segundo a qual a única realidade no mundo é o eu. Essas razões podem ser discernidas pela luz da razão pura. Utilizam-se de um argumento do reduction ad absurdum. esse vocábulo usualmente designa aquela atividade que busca justificar as maneiras de Deus como os homens. É possível que outras pessoas existam. com as suas modificações subjetivas. e dike. salpicado de males naturalmente. expõem Teodicéias. no mundo em que vivemos. todas as demais pessoas e coisas podem ser um produto de sua própria mente. a despeito de aparentes erros que nos cercam. Porém. deus.

há um número infinito de mundo contingentes finitos possíveis. ao que parece. por mais que a considerem carente de contemplação e correção. Ele já concretizou o melhor de todos os mundos possíveis. as ocasionais manifestações tacitamente pressupõem. por mais que alguém decididamente se distancie da mesma. isto é. portanto. A bondade moral de Deus consiste. metafisicamente falando. Portanto. Se for possível demonstrar que Deus desejou algo inferior ao mundo melhor. metafisicamente falando. contrapôs expressamente seus "paradoxos" teológicos como "Teologia da Cruz". Se possível for demonstrar que Deus desejou aquilo que é metafisicamente melhor. metafisicamente falando. em Heidelberg. Essa metafísica subjaz a defesa do livre-arbítrio e também a Teodicéia da edificação das almas. à "Teologia da Glória". Ele será moralmente digno de louvor. Foi Lutero quem. que muitas delas respondem aos problemas do mal que são enfrentados pelas teologias para as quais são construídas. mas. e o bem metafísico é a plenitude da existência . Evidentemente ele se serviu dessa formulação porque nela encontrou a caracterização mais sucinta e certeira da peculiaridade do evangelho. será demonstrado que Deus não é um Deus bom. TEOLOGIA DA CRUZ Por mais que divirjam as opiniões a respeito da chamada Teologia dialética. isto é. Deus não é obrigado a criar mundo algum. Os que são maus. em desejar o melhor. a Teodicéia tem um grande valor apologético. Deus não fará coisa alguma sem uma razão suficiente e discernível pela razão pura. Não houve teólogo na igreja cristã que tenha feito ressuscitar como Lutero. São raras as definições claras do que seria propriamente "teologia da cruz". que a "teologia de cruz" representa o estágio préreformatório da teologia de Lutero. . na maioria dos casos. a despeito da presença do mal no mundo. criar um mundo é uma coisa condigna a ser feita por Deus. Geralmente essa formulação aparece como algo que dispensa maior discussão. e Deus é livre quanto a criar ou não criar. porque sua própria existência é o sumo bem. na primavera de 1518. Outras Teodicéias bem conhecidas baseiam-se numa teologia racionalista modificada. não existe nenhum mundo melhor. O sistema de Leibnitz exige que haja o melhor mundo possível. a contrastar com a Teologia oficial. à Teologia eclesial dominante. Se for possível demonstrar que Deus desejou algo inferior ao mundo melhor. são pela sua própria natureza e Deus não poderia ter criado.O mal metafísico é a finitude ou a falta de existência. que há quatro considerações básicas: Universo Racionalista modificado. É herança de Paulo que Lutero levanta com sua teologia da cruz contra uma igreja que se tornou segura e saciada. Visto que Deus é totalmente bom. as idéias de Paulo. Portanto o sistema de Leibinitz diz que Deus opera com base na razão suficiente. em todo caso será preciso admitir que de modo geral é ela que dita à teologia de hoje o seu enfoque.

só é compreendida numa vida sob a cruz. antes. como também no caso de Paulo. O sentido da cruz não se revela ao pensar contemplativo. O resultado deste estudo é para nós uma prova indireta de que a teologia da cruz não constitui o pré-estágio pré-reformatório da teologia de Lutero propriamente dita. como marca de todo o pensamento teológico de Lutero. a cruz de Cristo e a cruz do cristão formam uma unidade. essa fórmula apresenta uma característica de todo o seu pensar teológico. . Na cruz se frustra toda concepção fictícia de Deus.Em contrapartida defendemos a seguinte tese: a teologia da cruz é o princípio de toda a teologia de Lutero. mas apenas à experiência sofredora. para a teologia da cruz. O teólogo da cruz não está posicionado como espectador em relação à cruz de Cristo. é na cruz de Cristo e do cristão que se mostra o sentido mais profundo da ação de Deus junto ao mundo. ela não pode ser limitada a um período particular de sua teologia. mas considera-o como as sagradas relíquias que devem ser abraçada devotadamente – pois o próprio Deus "está oculto nos sofrimentos" e quer ser venerado por nós como tal. O que é tolo. Pelo contrário. A teologia de Lutero. mas ele próprio é envolvido neste acontecimento. Ouvimos que. é sábio. é glória. "A cruz põe tudo à prova". ela representa a inversão radical de todas as suposições humanas. a exemplo do teólogo da glória. Podemos constatar a marca da teologia na cristologia ou na doutrina da santa ceia. A teologia da cruz é cristocêntrica. de fato. Por isso não foge do sofrimento. o que parece odioso ao ser humano. A cruz é o juízo sobre todas as ideias e obras humanas de escolha própria. Cristo é tudo. o que é vergonha. Para o cristão. Face à situação real do ser humano. forte. Denominamos a teologia da cruz como a marca de toda a teologia de Lutero. ele é o eixo central da reflexão teológica. é desejável e digno de amor e em altíssimo grau. A doutrina da cruz que determinou decisivamente o conceito de Deus e de Fé. é apenas um mergulhão da árvore da mística medieval e de teologia monástica. mas que deve ser considerada. o que é fraco. Ele sabe que só Deus pode ser encontrado na cruz e no sofrimento. ainda assim valeria a pena retraçá-la como um todo orgânico.

uma nova interpretação da mensagem Cristã. por seu turno. porque o cristianismo vem de encontro às mais intimas exigências da ciência. A obra termina com a seguinte afirmação do valor superior do cristianismo: "De qualquer forma. Mas a fé cristã. Nos últimos anos. O Escopo desta Teologia é expor que as implicações práticas da fé inflamada na chama da Ressurreição de Jesus.. França. dedicou-se desde a juventude ao estudo dessa matéria. a Evolução infunde sangue novo às perspectivas e aspirações cristãs. A liberdade. quer o novo e consequente êxodo da sociedade atual das grandes estreitas das estruturas vigentes. TEOLOGIA DA EVOLUÇÃO Pierre Teilhard de Chardin nasceu em Sarcenar.. e a mensagem do Reino de Deus não significam apenas liberdade e santidade interiores. Suas obras conheceram um sucesso editorial sem precedentes em seu gênero: Chardin iniciou sua atividade científica no início do século. o padre Schillebierckx tornou-se um zeloso seguidor da Teologia da Esperança. que traçou suas linhas programáticas em seu famoso livro Theologie Der Hoffring (Teologia da Esperança). que não interrompeu nem mesmo quando suas inquietações espirituais o levaram a ingressar na Companhia de Jesus. Filho de um aristocrata rural interessado pela geologia. em 1899. nenhum autor suscitou tanto interesse quanto Pierre Teilhard de Chardin. que adota como princípio hermenêutico exatamente a esperança. mas sim uma maravilhosa correspondência. Segundo Chardin é preciso fazer ver aos cientistas que não há nenhuma imcompatibilidade entre a religião cristã moderna e a ciência moderna. outorgada e vivida a partir de Cristo. Ultimamente. não é destinada e não se apresta a salvar até mesmo a mudar a evolução?. Lé phenomène humain foi a obra em que Chardin procurou realizar tal programa.TEOLOGIA DA ESPERANÇA O fundador desse tipo de teologia foi o alemão Jürgen Moltmann. a paz na Terra e a libertação de tudo o que é efêmero. em 1º de maio de 1881. quando o mundo da ciência era decididamente adverso ao mundo da fé e da religião. e nos leva a entender a Ressurreição como mensagem promissora que se abre para a história e nos obriga a nos empenharmos por nos transformar a nós próprios e ao mundo. Este sentido teológico foge ao inconveniente de considerar a mensagem da Ressurreição como mero e inconsistente relato histórico ou como simples apelo a decisão. Expressam sempre e por igual o "Shalon" dirigido a todo homem em suas relações sociais. . Deus não é "totalmente diverso" de nós (Ganz Andere).

todos os domínios do conhecimento humano se movimentam. por sua vez. do menos consciente ao mais consciente. que é Deus. a evolução é a maior descoberta do século passado e de todos os tempos. seja a futura. é através dele que passa enfim. Examinemos este axioma. a seus semelhantes e a seu fim último. a sociologia e até mesmo as matemáticas e história das religiões. porque a evolução deve passar através do cristianismo. ganhou e invadiu sucessivamente a química. visa. portanto.. mas só publicada postumamente. para ser pensáveis e verdadeiras. em 1955. As implicações morais e religiosas desse sistema foram desenvolvidas numa série de obras como Le Milieu divin (1958. todos os sistemas. o eixo principal de evolução". a evolução evidente do universo material. em toda a sua obra. a evolução outra coisa não é que o transformismo. a realizar a passagem da matéria ao espírito. A evolução – uma teoria. que ela domina. concluída em 1940. seja a passada. ultrapassando infinitamente as ciências naturais. no qual a fé e a esperança se consumam na caridade. Ao juízo de Chardin a evolução não está absolutamente em conflito com o cristianismo. Lé Phénomène Humain (O fenômeno humano). uma curva que todas as linha devem seguir: eis o que é a evolução: Segundo Chardin.. Um após outro. tão local e caduca quanto a concepção laplaciana do sistema solar. O futuro do homem). O meio divino) e L‘Avenir de L‘homme (1959. em direção ao estudo de algum desenvolvimento. muito mais que tudo isso. não apenas servir. arrastados por uma única corrente de fundo. Somente ele – absolutamente só ele sobre a Terra moderna – se mostra capaz de sintetizar em um só ato vital o todo e a pessoa. na medida em que nos coloca em condições de entender a história.No presente momento. Somente o cristianismo pode-se inclinar. ao contrário. Os estudos científicos conduzira Teilhard de Chardin a uma profunda meditação sobre o problema da evolução. longe de se contradizerem. uma hipótese?. mas também a amar o formidável movimento que nos arrasta. . outra coisa não é que a velha hipótese Darwinista. o cristianismo representa a única corrente de pensamento suficientemente audaz e progressiva para abraçar prática e eficazmente o mundo. uma condição geral à qual devem se dobrar e satisfazer. um sistema. segundo Chardin. em um abraço completo e indefinidamente perfectível. A intenção declarada de Chardin. todas as teorias. que parece esmagar o homem e sua consciência. São verdadeiramente cegos aqueles que não se dão conta da amplitude de um movimento cuja órbita. Isso não significa outra coisa senão que ele satisfaz a todas as condições que nós temos o direito de exigir de uma religião do futuro e que. todas as hipóteses. O homem é o centro e a razão dessa evolução: sua alma o liga a esse universo. conduzem ambas à perfeição intelectual. é um argumento muito forte a seu favor. Exatamente: mas. mas sim uma verdade certíssima: "Para muitos. Esta. é elaborar uma visão cósmica que abarque em um só olhar tanto o mundo da ciência quanto o da fé. Em seu pensamento. O axioma número um refere-se à evolução. e o transformismo. na realidade. verdadeiramente. Ciência e religião. a física. não é uma hipótese. Uma luz que aclara todos os fatos. origem de sua obra mais importante.

Entre os principais teólogos que a iniciaram e desenvolveram. o Senhor". Apesar do nome. Segundo Galiléia. em 10 de abril de 1055. a opressão e. inclusive as injustiças. A teologia da libertação constitui uma nova interpretação da mensagem evangélica.Teilhard de Chardin regressou à França em 1946. citem-se Gustavo Gutiérrez. Leonardo Boff. O eixo da teologia da libertação é a figura do Cristo libertador. numa palavra. . que veio libertar os homens não apenas do pecado. Reunida na cidade colombiana de Medellín. Analisando a situação social do continente. enviado ao mundo para "libertar todos os homens de todo tipo de escravidão a que os tenha sujeitado o pecado. a ignorância. A característica mais inovadora do movimento foi encarar os problemas políticos como base para a interpretação dos textos bíblicos. de Nova York. Seu método hermenêutico deixa de lado as categorias idealistas tradicionais e emprega categorias históricas. sociais. a Conferência Episcopal Latino-Americana (Celam) foi o grande impulso da teologia da libertação. mas ante a impossibilidade de publicar seus textos – que circularam em exemplares mimeografados e só foram editados após sua morte – transferiu-se para os Estados Unidos. e a história sagrada não é algo distinto da história da humanidade ou superposto a ela. Porfirio Miranda. J. Ao narrar a libertação dos hebreus do cativeiro no Egito e sua marcha para a Terra Prometida. os bispos consideraram que a igreja tinha como missão continuar a obra de Cristo. A mensagem de salvação é interpretada à luz das opressões de que o homem precisa ser libertado. Libânio. no sentido de política. não é propriamente uma teologia. López Trujillo. mas sim a intervenção de Deus. Segundo. mas também de todas as suas conseqüências. está na origem da chamada teologia da libertação. B. Hugo Assmann. Eduardo Pironio e A. que patrocinou. Ingressou então na Fundação Wenner-Gren. TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO A experiência cotidiana das comunidades cristãs latino-americanas que combatem as injustiças econômicas. Teilhard de Chardin morreu em Nova York. Bonino. depois que o Concílio Vaticano II (19621965). duas expedições científicas ao continente africano. surgido na Europa na década de 1970. A conferência pediu uma teologia e uma catequese que oferecessem "a possibilidade de uma libertação plena e a riqueza de uma salvação integral em Cristo. em 1968. a fome. J. o Êxodo é a imagem bíblica da mensagem da salvação. a injustiça e o ódio. culturais e políticas. Um outro elemento importante da teologia da libertação é o método de análise marxista. examinou o problema das relações entre a igreja e o mundo moderno. à luz da injustiça social. que têm sua origem no egoísmo humano". nos últimos anos de sua vida. L. a miséria. José M.

1987. o cristão que está passando tal coisa ou coisas. Saúde e Prosperidade são algo vivido dentro da teologia. e isso significa que tem raízes ligadas a pessoas. seus adeptos não negam nenhuma doutrina básica nem buscam outro fundamento que não seja Cristo e os apóstolos. enquanto os pressupostos filosóficos propriamente ditos foram fornecidos pelas seitas metafísicas. desenvolveu-se com o tempo. onde a teologia encontrou a maior parte de seus adeptos. afirma que sempre positivamente. ela garante a realização com fé dos pedidos desejados pelo cristão. trata-se de uma forma de compreender a Bíblia. 1988). que floresceram na região de Boston (McConnell. Como todo movimento. ela não é uma seita. Sua doutrina é radical com relação com relação ao homem físico e espiritual. Parece que nada assim já foi visto antes. assim como os Testemunhas de Jeová ou os Mórmons. Pesquisas feitas nos Estados Unidos sobre a teologia revelam que existem duas raízes históricas e filosóficas da teologia da prosperidade: O pentecostalismo (Barron. . que se chamam cristãos. épocas e lugares diversos. Mas isso não quer dizer que ele tenha surgido de modo repentino ou aparecido totalmente formado. é. escritas contra a teologia da prosperidade. mas negam doutrinas básicas da Bíblia. 1989) e várias seitas metafísicas do início do século XX. tais como a trindade e a divindade de Cristo. Dessas duas fontes. como decretar a morte de alguém (até mesmo a de um pastor) Segundo Kenneth Hagin. A Teologia da Prosperidade é algo novo na história da igreja. Horn. Antes. tratam-na como se fosse uma heresia ou uma seita. A Confissão Positiva é outra corrente da doutrina da teologia da prosperidade. ele não tem fé ou está em pecado. nunca: "Se Deus quiser!" Isso envolvendo saúde ou bem material. a teologia da prosperidade não se cansa de repetir que nem doenças nem problemas financeiros são da vontade de Deus. A posição. mesmo passando por cima da vontade divina. o pentecostalismo fornece a base ou o grupo.TEOLOGIA DA PROSPERIDADE Algumas obras norte-americanas. Na teologia da prosperidade. Tendo em vista a Autoridade profética. Uma seita é composta por um grupo bem definido de pessoas.

também destacam-se os conteúdos de caráter ético e moral. Podíamos nos referir a "teologias" mas daria um sentido de independência. condições de clima. etc. 4. surge um grande problema no que diz respeito à estruturação do diálogo do cristianismo para com as demais religiões. Quando no referimos à "teologia das religiões" queremos destacar um conjunto. lei ou ordem eternas. Janardana. Enfim. então o que certamente para os homens resulta é morar no inferno". . um ponto em comum. um livro sagrado. repita Seu nome". Eles acreditam que o árabe é a língua usada por Deus falar por meio de Gabriel. são inúmeros os exemplos no que se refere ao estudo dos conteúdos comuns entre as religiões. Mas. numa alma humana imortal. No budismo acredita-se em um inferno onde estão os ímpios. um lugar de fogo atormentado por demônios horrendos. No siquismo um dos grandes mandamentos do guru Nanaque era: "Lembre-se sempre de Deus.TEOLOGIA DAS RELIGIÕES É a globalização das religiões com o intuito da integração dos seus conteúdos comuns. um Deus trino ou uma divindade superior. costumes (ética) e muitos outros fatores. se removermos as distinções da língua. Nas religiões Crê-se em uma vida pós-morte. no tormento eterno para os maus e uma recompensa celestial para os bons. família e mandamentos de Deus. o livro sagrado dos muçulmanos. o Cristo deve relacionar-se neste diálogo só como a palavra " " sem reivindicar a autoridade do " ". melhor dizendo "o árabe é a forma mais pura de revelação". é surpreendente notar a similaridade entre todas. bem como a interação de Cristo com os diversos credos. um redentor. No islamismo o árabe é a língua obrigatória para se ler o Qur‘na (Alcorão). um todo. quer dizer. Porém. Dentre estes conteúdos comuns podemos citar a revelação do logos. De forma superficial parece que as religiões são muito diferentes umas das outras. No que diz respeito à moral ou quebra de valores encontramos o seguinte texto: "Quando as leis da família são destruídas. No hinduísmo muitos se referem a sua fé como sanatana darma. ou seja.

Esse tipo de Deus não consegue casar com a idéia de um Deus que interage na História e mantém uma relação de amor e ajuda às criaturas. Ele é o Pai da criatividade. do pensamento de Alfred North Whitehead. Deus está tão intimamente ligado com o restante da realidade que Ele também é visto como estando crescendo e se desenvolvendo. O mundo para eles está em mudança e Deus também está nesse processo. A oração e o serviço possuem pouco significado a não ser que haja um relacionamento real e pessoal entre Deus e os homens. Segundo pensam. Ademais. Bernard Meland. e Henry Weiman. supostamente. o campeão da segunda delas Charles Hartshorne é talvez o mais relevante dos teólogos de processo desde Whitehead. o mesmo Deus. . Não há apelo existencial num Ser impessoal com quem não se pode ter relacionamento. A primeira destas ênfase é achada em Bernar Loomer. O Deus da metafísica do processo e o Deus da revelação bíblica são. "imperial" e conceitualmente impossível. que considerava a realidade como tendo uma natureza progressiva ou evolutiva.TEOLOGIA DE PROCESSO Movimento teológico do séc. A teologia de processo seguiu duas direções principais desde Whitehead: a empírica e a racional. A grande contribuição da teologia de processo é a doutrina do relacionamento de Deus com o mundo. Deus cria junto com o resto do mundo. dentro da corrente racional. A teologia do processo adotou a metafísica elaborada pelos filósofos do processo para obter os recursos mais adequados para expressar aquilo que a Bíblia entende por Deus e por mundo dentro da moderna estrutura da cosmovisão evolutiva. em grande parte. seguido por John Cobb e Schubert Ogden. Um Deus que não pode agir ou ter interação com o mundo teria uma personalidade menos do que significante. XX que se originou. Propõe a Teologia de Processo que um Deus criou a partir do nada seja autocrático.

dos apóstolos e profetas do novo testamento. a única teologia correta do Deus sublime. o Deus que se manifesta no evangelho. como também existe na área das inúmeras variações e mesmo das formas degeneradas. O adjetivo aponta para o novo testamento e simultaneamente para a Reforma do séc. que são: dialética insolúvel do evento da existência humana. realizado no confronto com Deus que se auto-revela no evangelho. de forma ativa. isto é. a fé de pessoas humanas que receberam o Dom e a vontade de reconhecerem e de confessarem a auto-revelação de Deus como tendo acontecido a favor deles. A teologia da qual trataremos é a que. fato este que os capacita tecnicamente a participarem. existência que vê confrontada com a auto-revelação de Deus no evangelho. latentes nos documentos das história de Israel. único. verdadeiro e real é aquela que procura comprovar a se mesma pela "demonstração do espírito e do poder". para ser redescoberta e revivida na Reforma do séc.TEOLOGIA EVANGÉLICA Teologia representa um dos empreendimentos humanos costumeiramente qualificados de "científicos". de conceituação e de expressão de todos os homens. XVI. Onde se realizar o evento deste Deus se tornar objeto da ciência do homem e como tal. A teologia à qual queremos introduzir é a teologia evangélica. que tem por finalidade perceber um objeto (respectivamente uma área definida) como fenômeno. veio à luz. compreendê-lo em seu sentido e interpretá-lo quanto ao alcance de sua existência – e isso. a partir de suas origens absconditas. E existe teologia evangélica no catolicismo romano e oriental-ortodoxo. compreender e tornar manifesto o Deus do evangelho – quer dizer. Mas ao termo "Deus" poderão ser atribuídos os mais variados sentidos. por ser ciência específica (e muito específica). de forma que necessariamente também deverá haver uma multiplicidade de teologias. que age dentro deles e entre eles da maneira por Ele mesmo indicada. há uma coisa comum entre as mais variadas teologias. inclusive os crentes. e na razão. de compreender e de interpretar a "Deus". posteriores aos evento reformatório. Teologia. na capacidade de percepção. de forma clara e inequívoca. A teologia evangélica raciocina com base em três premissas secundárias. que por si mesmo fala aos homens. O termo "teologia" parece indicar que em seu âmbito. origem e norma da mesma – é aí que existe teologia evangélica. Teologia evangélica é aquela que intenciona perceber. se trate de perceber. por ser "protestante". XVI. . Não queremos o termo evangélico de forma confessionalista . dentro do caminho indicado pelo próprio objeto em questão. A melhor teologia.já que evidentemente aponta para a Bíblia – que de alguma maneira está sendo respeitada em todas as confissões. nos escritos dos evangelistas. Mas. do esforço teológico-cognitivo. e este fato lança uma luz bastante reveladora sobre os deuses em questão: é que cada uma delas se considera e se proclama a se mesma sendo a única correta ou ao menos como sendo a melhor. por ser a mais correta de todas. ainda não é necessariamente evangélica.

seu irmão. e. mas igualmente não só acima do homem. Ela em toda a sua modéstia é ciência livre. em relação a realidade – dele distinta – Ele é livre. Filho e Espírito Santo – assim. na história de suas ações. a favor dele: não só como seu senhor. como sendo o homem de Deus.Teologia não ignora que o Deus do evangelho se acha voltado para a existência humana. Nela é que Ele se manifesta a si mesmo. Teologia evangélica. . através do seu labor. seu amigo. junto a ele. antes de tudo. O Deus do evangelho não é nenhum Deus solitário. não é um Deus desvinculado de tudo que não seja Ele mesmo. como seu ser e sua auto-compreensão. de forma que vai sendo liberada continuamente por seu próprio objeto. venha revelar-se. na unidade de sua vida como Pai. Como em si mesmo é o Uno. superior a existência humana. a sua auto-revelação benigna e amiga ao homem. seu Deus. a fé e a capacidade intelectual do homem. O Deus do evangelho se compadece. mas precisamente lida com o homem. em confronto com o Deus do evangelho. que tem uma palavra amiga. isto é. O assunto da teologia evangélica é Deus – Deus . e isto não em detrimento ou em abandono do seu ser divino. isto é. para verificar como a existência. mas também como seu pai. isto é. é ciência que deixa seu assunto agir livremente. Portanto. Mas nesta história Ele também é o que é. responde ao gracioso sim de Deus. A teologia evangélica lida com o Deus do homem. mas sim. o Deus do evangelho é o Deus que se relaciona com o homem. de ser Deus – não ao lado do homem. Teologia evangélica sabe esperar. que bastasse a si mesmo e que fosse recluso em si mesmo: não é nenhum Deus absoluto. Nela Ele tem e prova tanto sua existência como sua essência. o Deus do homem. por ser palavra de graça. de jure e de fato. A prioridade absoluta da teologia evangélica é Deus mesmo. mas antes em confirmação do mesmo.

a filosofia hindu teosófica. defendida por Madame Blavatsky. para conseguir isto precisa livrar-se gradativamente dos grilhões da matéria. baseado no conhecimento interiormente revelado e místico. inglês – theosophy. Esta especulação mística espalhou-se também para a Pércia e foi recebida pelos árabes depois da sua conquista do Irã. (sabedoria de deus) . . A época mais fluente do tomismo começou nos meados do século XIX. A doutrina fundamental da teosofia é que o homem tende a voltar à ordem divina de onde saiu. Conhecimento de Deus. TOMISMO A escola de filosofia e teologia que segue o pensamento de Tomás de Aquino. virtualmente oficializando o tomismo como a maneira como os católicos romanos devera filosofar acerca de sua fé cristã. o nome de teosofia foi dado a uma forma de crença. sendo. escritora russa.TEOSOFIA No grego: theós + sóphos. O termo emprega-se também para um sistema filosófico. Prega a fraternidade dos homens e tolerância de todas as crenças religiosas. Os primeiros vestígios da teosofia encontram-se nos UPANISSHADS SÂNSCRITOS. Doutrina da analogicidade do ser que consiste em julgar que o termo ser referido à criatura tem um significado não identifico. Mostravam a instabilidade da existência material. É doutrina do caráter abstrativo do conhecimento. assim como de uma intuição ou iluminação que o leva a conhecer a divindade. francês – théosophic. através do conhecimento e do domínio da ordem natural. em certo sentido. França em 1876. Para Leão XIII pediu que o catolicismo romano voltasse à filosofia tomista tradicional. a realidade de um mundo oculto que de todas as partes nos cerca. O tomismo foi atacado por causa de alegados erros. Em diversas épocas apareceram homens a imortalidade da alma e a existência de um vasto cosmos. de Deus e das leis do universo. movidos por forças ocultas. a qual consiste ser absolutamente em abstrair do objeto. em um julgamento em Paris. Ciências divinas. Porém sobreviveu facilmente a isso. O termo já era usado pelos neoplatônicos para indicar o conhecimento das coisas divinas derivadas de uma direta inspiração de Deus. e cresceu em influência. Nos tempos modernos. XV. Em uma encíclica de 1879. alemão – theosophic. nos séculos XVI. de esclarecer e defender os dogmas indemonstráveis e de proceder de modo relativamente autônomo no domínio da física e da metafísica. Desenvolveu-se em várias fases e passou por períodos de apoio e descuido. É panteísta e nega um Deus pessoal e imortalidade da pessoa humana. mas só aparecido ou correspondente ao ser de Deus. Comunicação com Deus. A doutrina do tomismo entra nas relações entre razão e a fé que consiste em confiar à razão o dever de demonstrar o preângulo da fé.

Ele insiste que a Bíblia está cheia de mitos. Quanto aos milagres. Em suma. e nesse aspecto. Seguindo Kant. Um contemporâneo de Kant que também influenciou a teologia do século vinte foi Soren Kierkgaard. . Marx e Darwin. mas não lhe dedicamos um capítulo especial porque entendemos que ele foi um teólogo cristão e não especificamente um filósofo secular como Kant e Marx. Não tivemos com isso nenhuma intenção de reduzir a importância Brunner ou qualquer outro teólogo contemporâneo. o que um dia faremos. muito mais ortodoxos que os três primeiros. Uma distinção semelhante ocorre em Bultmann. tornando difícil conhecê-lo e relacionar-se com ele. Para Bultmann. equiparando-a a qualquer narrativa antiga. tais acontecimentos não são eventos históricos. A grande lição que o século vinte nos ensinou foi: ―saia da linha ou seja esquecido‖. apenas tentamos apresentar os nomes associados às respectivas escolas. Parece que a popularidade de um teólogo está mais relacionada ao grau de inovação que ele apresenta do que com a coerência lógica. Apesar de ser mencionado já na introdução. se Deus permitir. como Emil Brunner. são quase ignorados. É claro que nessa abordagem. ele faz distinção entre Historie e Geschichte. Bultmann também nega todo valor objetivo da Bíblia como Palavra de Deus. o Jesus descrito nos evangelhos não é o Jesus histórico. bíblica e sistêmica de seus escritos. ele é cético: todas as narrativas miraculosas não passam de mitos. entre o Jesus histórico e o Cristo kerigmático. enquanto o segundo diz respeito à história subjetiva e sacra. e que deve ser desmitificada por nós. Barth inspirou-se na filosofia existencialista e principalmente em Kant para elaborar o seu conceito teológico de Deus. e sim uma mera narrativa mítica. inevitavelmente isola Deus do outro lado do abismo. Também entendemos que seu nome caberia melhor em um ensaio sobre a teologia do século dezenove. e outros. o nome de Brunner está bem associado ao de Karl Barth e à teologia dialética. Os milagres. que propõe uma distinção entre história e fé. definindo-o como Totalmente-Outro. e da influência desses pensadores sobre a teologia contemporânea. alguns nomes inevitavelmente ficaram de fora. Consideramos injusto que nomes como Barth. a ressurreição e outros atos sobrenaturais narrados na Bíblia não são Historie. Bultmann e Tillich.Conclusão: Qual será a cara da teologia do século XXI? Neste trabalho apresentamos as principais escolas teológicas do século vinte e seus respectivos arautos. demos também a Immanuel Kant um capítulo à parte. tenham tanta repercussão quando outros como Pannemberg e Cullmann. Ao fazê-lo. O teólogo de maior projeção dentro da teologia contemporânea é Karl Bath. não puderam ser apresentados em um capítulo próprio. Ainda bem que não escrevemos nossas obras para obter lisonjas dos homens. sendo equiparada à própria fé. Nossa exposição começou com uma abordagem panorâmica do pensamento de Kant. portanto. não devem ser confrontados na esfera secular. pois temos considerado que sua influência sobre a teologia do século vinte é maior que o de qualquer outro. alegando que a primeira diz respeito à história objetiva e secular. e sim Geschichte.

A sua ênfase é extremamente cristológica. Richard Shaull. Wolfhart Pannenberg construiu uma teologia sobre o alicerce da história. Hugo Assman e Gustavo Gutiérrez Merino. foram as principais obras desse movimento. Buscando inspiração não na Bíblia. Ele foi sem dúvida o mais radical deles. O problema é que essa idéia foi levada ao extremo. toda história é História da Salvação. Para Cullman não existe duas histórias. que construiu a sua teologia tendo por base a história. surge um grupo de teólogos cujo exacerbado esforço era elaborar uma teologia que estivesse mais próxima dos problemas da humanidade. mas na filosofia socialista de Karl Marx. com pressupostos bastante semelhantes.Para refutar a teologia de Bultmann. José Míguez Bonino e o então missionário no Brasil. Nessa mesma época surge na América Latina a Teologia da Libertação. Dietrich Bonhoeffer ficou conhecido por participar de um complot contra a vida de Hitler. A maioria deles parecia estar mais ligada às idéias de seu tempo do que à Palavra de Deus. surge o Dr. de Harvey Cox. essa nova escola teológica agitou o cenário teológico nas décadas de sessenta e setenta. buscava consolidar uma teologia que pudesse oferecer respostas ao clima ditatorial e à crise econômica latino-americana. Oscar Cullmann com a Heilsgeschichte. do ―bispo‖ John Robinson. Porém. pois faz do marxismo o maior dos atos de Deus na história. porém. A heresia fomentada por católicos romanos como Juan Luís Segundo. ou simplesmente ―História da Salvação‖. Uma característica interessante de Culmann é que ele aceita o desafio de Bultmann e apresenta suas elucubrações partindo de alguns pressupostos da crítica formal. Para ele. ele sequer admite uma história secular. e protestantes como Rubem Alves. uma cristã e uma secular. a teologia de Cullman é uma ponta de esperança para o pensamento teológico contemporâneo. Leonardo Boff. Na década de sessenta. No Brasil. A história abrange os atos portentosos de Deus em favor da nossa redenção. Outro importante teólogo secularista foi Paul Van Buren. nem todos os teólogos contemporâneos assumiram a mesma postura. o principal expoente dessa nova e estranha doutrina é o expadre e posteriormente professor da PUC-SP. Emílio Castro. De qualquer forma. . a própria expressão ―Palavra de Deus‖ caiu em desuso no decorrer do século vinte. sobretudo à teologia protestante. A Cidade Secular. aliás. bem como Pannemberg. Em uma época em que os teólogos faziam questão de distinguir entre teologia e história. o que levanta inclusive algumas objeções sobre a sua teologia. apesar de Cullmann e Pannemberg terem prestado um relevante serviço á ortodoxia (ainda que nenhum deles é considerado literalmente ortodoxo). Honest to God. aliás. O patrono da teologia secular. discordando dele quanto às conclusões. É essa teologia ativista que os teólogos secularistas propõem. A resposta por eles é uma afronta à teologia. salvando assim a historicidade do cristianismo.

Esse teólogo católico teve a mente tão doutrinada pelas teorias evolucionistas que chegou a apresentar o próprio Deus. como um Ser em evolução. . nega o sobrenaturalismo das escrituras e se esforça para reinterpretar as narrativas miraculosas em termos existenciais. eles corriam desesperados em busca de uma associação que pudesse ―salvar‖ à teologia. assim como outras teologias modernas. Na perspectiva de Moltmann. e não o contrário. muitos teólogos do século vinte perderam completamente o senso de direção. ―se Cristo não ressuscitou. é vã a nossa fé‖. O ―Deus Finito‖ não é o único problema da teologia de Moltmann: ele também nega que a ressurreição de Cristo seja um fato histórico. mas a escatologia de Moltmann nada tem a ver com a noção tradicional que envolve o retorno de Cristo e a entrada dos crentes no estado eterno. Para ele não existe o problema da violência versus não-violência. Não é preciso dizer que ele teve que fazer um esforço hercúleo e muita eisegese para conciliar o criacionismo bíblico e o evolucionismo. a violência é desaconselhável em qualquer situação. Desse modo. Não há conduta errada quando se quer alcançar um fim nobre. mas nada tem a ver com a Bíblia. aquele que a Bíblia descreve como imutável. Em seu afã de apresentar uma teologia que pudesse se adequar aos padrões mundanos e às crenças seculares. porém. Joseph Fletcher afirmou que a moral não é absoluta. que nos ensina que melhor é o sofrer fazendo o bem do que fazer o mal para que os advenham bens. A Bíblia cada vez mais parecia um livro ultrapassado e cada vez mais os teólogos procuravam muletas seculares para amparar à Bíblia. A questão central não é a violência em si. assim como a de Fletcher. e sim se a violência é justificável ou injustificável. e sim uma demonstração de amor. Essa teologia é de ênfase escatológica. Nossos atos não deveriam ser julgados por padrões absolutos e uma ética relativa se infiltrou na teologia contemporânea. tudo isso soa dissonante ao supremo às palavras de Jesus no sermão do monte.Várias outras tentativas de amoldar a teologia à praxe modernista também foram elaboradas. Esse conceito tem suas base na filosofia ateísta de Nietzche e aparece também na Teologia do Processo. A Ética Situacional. uma vez que ele decidiu entrar no tempo. nem mesmo Deus é eterno. Usando pressupostos do existencialismo. Pecar deliberadamente para que a graça seja mais abundante. tornando-se um ser meramente temporal. do pragmatismo e das filosofias relativista e positivista. Esse pragmatismo também está presente na Teologia da Libertação e na Teologia Secular. conhecida como Teologia da Esperança. A moralidade de Molmann. a Ética Situacional apregoa uma teologia na qual os fins justificam os meios. Outra mostra desse desespero é a teologia de Jurgen Moltmann. Como homens loucos. Somos bem-aventurados quando somos perseguidos e vilipendiados. Vemos isso na teologia do padre católico Teilhard Chardin. a morte de Cristo não foi substitutiva. militância contra governos que se oponham aos nossos valores. duas teorias totalmente opostas uma à outra. Para Cristo. Ora. é relativa e pragmática.

a principal influência de Hatshorne foi o matemático e filósofo Alfred North Whitehead. ele afirma que Deus tornou-se finito e temporal. Embora em alguns círculos Paul Tillich seja citado como o ―teólogo dos teólogos‖. É fácil fazer um paralelo entre Moltmann e Chardin: assim como Moltmann. Esse teísmo anti-bíblico mina toda confiança que o crente deposita na Bíblia. Tillich e dos demais teólogos de influência no século vinte. Contudo. no entanto. Bultmann ou Barth. Deus. bem como a mudanças e a evolução moral. Como disse o Rev. e como Chardin. ele assevera que Deus está em constante processo evolutivo. mais de um século depois. A ressurreição também é reinterpretada por ele. Hoje. mas um que se posicionou bem na fronteira entre esses dois pensadores: Paul Tillich. Ele surge como chuva serôdia em meio ao árido cenário teológico do século vinte e mantém-se na contramão de Bultmann. retirando assim a base da esperança cristã (cf. Sua própria teologia está baseada em um ser impessoal. da perspectiva conservadora ele não passa de um herege. Trata-se de uma tentativa de voltar à fé cristã primitiva. Barth. ―as igrejas liberais nasceram fadadas ao fracasso‖. Nascido na Califórnia. Ele propõe reinterpretações da Bíblia. o pentecostalismo e o neopentecostalismo. A característica principal dessa teologia é a afirmação de que Deus é um ser temporal e está sujeito ao tempo. a natureza do pecado e a própria salvação. não há nenhuma razão para depositarmos nele alguma confiança. mas também a dissociação dessas dois movimentos das demais escolas contemporâneas de intrepretação teológica. de tal forma que o movimento foi chamado em seus primórdios de Restauração da Fé Apostólica. Entre as doutrinas por ele modificadas estão a encarnação. Muitos excessos foram cometidos nessa tentativa de retorno ao modo de culto primitivo. Reservamos os dois últimos capítulos para abordar dois movimentos que estão em acelerado crescimento em nosso país. Tillich elaborou uma teologia que ficou conhecida pelo nome Teologia do Ser. e o principal teólogo e sistematizador das doutrinas pentecostais foi Charles Parham.Charles Hatshorne é o preconizador da Teologia do Processo. mas isso não desqualifica o movimento como um todo. como já vimos. podemos perceber no pentecostalismo certo frescor. Hernandes Dias Lopes em palestra no congresso Vida Nova de Teologia. muito das quais beiram o absurdo. e deve ser logo descartado. De modo geral. Ele fatalmente não pode prever o futuro. mas um ser finito e limitado ao tempo. Valendo-se de pressupostos existencialistas e liberais. não é um Ser Onisciente. 1Co 15. vivem abarrotadas e há constante necessidade de se construir novos templos. A conseqüência direta dessa teologia é simples: se Deus não tem o controle dos contingentes futuros. ao contrário. É simplesmente impossível encontrar uma só igreja liberal com membresia superior a cem membros. apesar da semelhança com as teologias de Moltmann e Chardin. olhamos ao nosso redor e indagamos pelas igrejas liberais e neo-ortodoxas. reduzido à mera força racional e criadora. As igrejas pentecostais. à saber. Essa teologia também é conhecida pelo nome de Teísmo Aberto e Teísmo do Livre-Arbítrio. . Não foi apenas a importância dessas duas teologias no cenário brasileiro que lhe renderam um lugar especial neste trabalho. o moderno movimento pentecostal teve como principal pregador o pastor William Seymour. não foi Hatshorne. O teólogo mais controverso do século passado.13-19). encontra suas raízes no Movimento de Santidade e tem em John Wesley seu principal antecessor. O pentecostalismo. segundo essa concepção.

. Até no pentecostalismo podemos perceber as idéias previamente concebidas por John Wesley e no neopentecostalismo. que ela exista ao menos para refutar a filosofia ruim‖. Isso porém. É difícil enumerar uma a uma as diversas conclusões à que chegamos. que já ganhou o apelido de Bíblia do Milhão. Quer seja por Immanuel Kant. Soares e Edir Macedo. prostrado ante Mamon em adoração. Sheleiermacher e Soren Kierkgaard. Parece que para ganhar projeção no meio evangélico é preciso romper com os antigos padrões e fomentar o erro no seio da cristandade. Tudo isso torna o trabalho do teólogo muito árduo. como é o caso de Jurgen Moltmann. A verdade é que herdamos uma teologia deturpada. ―se não há razão para existir a filosofia. e repetilas agora seria uma tarefa enfadonha e pouco proveitosa. os principais expositores desse movimento pragmático-mercantil são RR. A análise da teologia do século vinte nos ensina pelo menos três coisas. nem sempre há justiça em teologia. haja vista que ao final de cada capítulo são apresentadas várias objeções às respectivas escolas. A segunda conclusão à que chegamos é que mui dificilmente um pensador escapará às idéias do seu tempo. A primeira é que do ponto de vista conservador. Silas Malafaia. Tillich e outros tantos teólogos neo-ortodoxos. Os teólogos do século vinte foram grandemente influenciados pelas idéias teológicas e filosóficas de pensadores anteriores a eles.S. aumentando a necessidade de apologistas cristãos entre nós. Cooperland e Hagin formam a ala mais materialista do movimento. Barth. estabelecesse uma teologia para verter as bênçãos espirituais em materiais e essas sobre si mesmos. como por exemplo o Pr. não significa que toda filosofia seja ruim. como no caso de Brunner. ou por Nietzche e Overback. Kenyon. O próprio neopentecostalismo é um materialismo disfarçado de cristianismo. o certo é que nenhum deles escapou das influências do seu tempo.O neopentecostalismo surge na década de setenta como uma deturpação do movimento pentecostal e como reflexo de uma cultura capitalista. da Assembléia de Deus. enquanto Benny Him endossa a fileira espiritualista. No Brasil. fruto do casamento da teologia com a filosofia existencialista. O problema é quando a filosofia ruim ou irracional arroga para si o status de verdade universal. esquecendo do exemplo de Jesus na tentação de Mateus capítulo quatro. e não demorou para que um grupo de pentecostais. Atualmente há também pregadores pentecostais aderindo à idéias do movimento neopentecostal. vemos de cara a influência da filosofia pragmatista norte-americana e até mesmo idéias da seita Ciência Cristã. que inclusive escreve livros sobre prosperidade e promove a Bíblia de estudo do Morris Cerrullo. Lewis. há também a boa filosofia e como disse C. a Bíblia da Batalha Espiritual e Vitória Financeira. A tendência dos ―poderosos‖ sempre foi usar o poder em benefício próprio. Qualquer que leia a obra de Teilhard Chardin logo se dará conta de que o evolucionismo para ele está acima da teologia e que as idéias de Darwin são mais aludidas por ele que os portentosos atos de Cristo.

A razão disso é que o homem não está simplesmente buscando uma doutrina para concordar. sem salvação. Terminamos assim a nossa introdução à difícil matéria de teologia contemporânea. ainda permanece uma pergunta: Até que ponto nós somos ortodoxos? Muitos teólogos do século passado se perderam nas idéias do seu tempo de tal forma que as suas abordagens dificilmente podem ser consideradas cristãs. A nossa principal intenção. saberemos o resultado dessa construção. uma música do cantor evangélico João Alexandre parece representar bem o quadro do protestantismo brasileiro. cabe a cada teólogo fazer a sua parte nesse edifício. hoje estamos analisando a teologia do século vinte. à fim de agradar as mentes contemporâneas. faz-se necessária a avaliação dos nossos paradigmas e não apenas a simples adequação dos mesmos à interpretação bíblica. ressurreição ou imposições morais. aquelas igrejas que permaneceram fiéis à tradição reformada e ao cristianismo histórico. E a nossa teologia? Ela ainda pode ser considerada cristã? Ora. permanecem até hoje. nós analisamos e julgamos a teologia contemporânea à luz das nossas pressuposições. . não devemos sujeitar a nossa teologia às novas tendências. No entanto. Diante de tudo o que temos exposto. Agora. se quisermos construir um edifício teológico bem alicerçado para o futuro. Não foi possível apresentar uma obra completa ou fazer uma analise dos pormenores dentro de cada escola. ele está em busca de uma fé para viver. ainda que pareça agradável aos ouvidos no início. e amanhã. é levá-los a refletir sobre as bases sobre a qual a teologia do século passado foi edificada. É por isso que um evangelho sem cruz. O que dirão da nossa teologia? Ou será que nós não temos pressupostos? Sim. ―é impossível exegese sem pressupostos‖. Portanto. nesse início de século. incitá-los a pensar de modo crítico e com isso propor uma analise concernente ao fundamento sobre o qual construiremos a teologia do século vinte e um. A necessidade do homem ainda é a salvação. e fracassou. como bem afirmou o controverso Rudolf Bultmann. além de introduzir estudantes de teologia no panorama teológico do século vinte. Devemos nos esforçar ao máximo para fazer da Bíblia o nosso pressuposto básico. Essa tentativa foi feita no século passado por neo-ortodoxos e liberais. Esperamos que o que hoje é um fato. os temos. Entendemos que tal esforço cabe mais a uma enciclopédia que a um ensaio de teologia. logo será abandonado: Ele fatalmente fracassa por não pode satisfazer às exigências da alma humana. isso porque. correntes filosóficas e modismos pós-modernistas. No momento. amanhã seja apenas história. com certeza. Precisamos olhar para os erros do passado e com muita cautela construir a teologia do futuro.A terceira conclusão é que embora seja muito difícil escapar do nosso invólucro cultural. E na verdade. mas amanhã serão analisados os pressupostos teológicos do século vinte e um.

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