INTRODUÇÃO EMENTA A Teologia Contemporânea trata do estudo acerca da teologia mais particularmente do Século XX.

Esse século esteve comprometido com uma pluralidade de ―teologias‖, de caminhos e de muitas reflexões sobre o mundo, sobre Deus e o homem. De início, há a necessidade de uma passagem reflexiva pelo período medieval, ainda que de modo conciso, no que tange aos debates teológicos e seus grandes expoentes. Depois, em evidência, a Reforma Religiosa com suas propostas renovadoras, não no sentido de se estabelecer novas doutrinas, mas de reaver a natureza e sentido da Bíblia como padrão de fé e prática da Igreja. Sobre a salvação e o papel da Igreja, se constituem algo de extrema importância nesse cenário, respectivamente. Entretanto, o que era para ser renovado, transformou-se numa divisão de segmentos eclesiais, fazendo surgir posturas diversas em relação a vários pontos doutrinários. Antes de se refletir sobre a teologia do Século XX, é imprescindível verificar que a Teologia Contemporânea tem suas bases assentadas no Século XIX. Immanuel Kant sistematizou a confiança do homem moderno na capacidade da razão para tratar de todo o material em sua capacidade e em sua incapacidade para ocupar-se do que vai mais além. Assim, um novo conjunto de pressupostos religiosos moldou o pensamento do homem moderno. O Iluminismo qualificou os séculos XVII e XVIII, constituindo a história intelectual do Ocidente. Enquanto a cosmologia da Idade Média era percebida como um sistema orgânico, na modernidade tudo passou a ser relativo, fragmentado. A era da razão toma corpo, de modo que o homem passou a ser visto como o centro do universo. Deus já não era mais visto como o autor da criação, e se era, não interviria nela; a religião não mais doutrinava a vida humana, mas a produção científica. A Teologia Contemporânea é a teologia do Século XX. Em sentido real, nasceu em 1919. Seu iniciador foi um jovem pastor, Karl Barth (1886-1968). É ele um novo pivô teológico na história, o anúncio de uma nova era teológica, considerando como marca o seu Comentário da Carta de Paulo aos Romanos, em 1919. Uma análise não só em Barth, mas também em muitos outros expoentes faz justiça à natureza da matéria. OBJETIVO GERAL Conduzir o estudante de Teologia à reflexão sobre os principais pontos da Teologia Contemporânea relacionados aos seus expoentes, é o objetivo geral da matéria. Consequentemente, se pode também observar as muitas facetas de posturas teológicas que ainda hoje se propagam, fazendo que as mentes reflitam mediante diversificados caminhos, bem como gerando diversificadas conclusões. Conclusões que muitas vezes se distanciam da Bíblia e comprometem negativamente a antropologia e áreas afins. OBJETIVOS ESPECÍFICOS Por objetivos específicos, significa o entendimento das diversas posturas de teólogos do período que compreende o Século XX. A percepção de como se conduziram os pensamentos diversos, uma vez que não daria mais para estar preso a dogmas. Serão sistematicamente percebidos, os postulados divergentes e convergentes dessa época, que tiveram seus objetivos de se tentar dar respostas às perguntas surgidas, quer do ângulo da Ciência, quer do ângulo da própria Igreja, respostas concretas.

Índice
Introdução: Vertentes que influenciaram a teologia do séc XX 1. 1.1. 1.2. 1.3. 1.4. Fase Racionalista ou Iluminista Racionalista Deísmo Iluminismo Principais temas em debate

2. Fase Romantista ou Modernismo 2.1 Imannuel Kant 2.2 Um novo conjunto de pressupostos religiosos para o homem moderno. 2.3 A autonomia do homem e sua influência no pensamento religioso moderno. 2.4 O relativismo de David Hume e sua influência na filosofia kantiana. 2.5 O confinamento de Deus na teologia contemporânea. 2.6 As idéias deístas na filosofia da emancipação e sua influencia na teologia contemporânea. 2.7 Uma separação radical entre história e fé. 3. Friedrich Schleiermacher. 3.1 Ritschl e sua escola. 3.2. Adolf von Harnack da escola de Ritschl. 3.3 Hegel e os idealistas. 3.4 Ferdinand Christian Baur. 3.5 David Friedrich Strauss.

4. Dialética de Karl Barth e a revolta contra o Liberalismo Teológico. 4.1 Neo-ortodoxia: Analisando os pressupostos teológicos do novo liberalism.o 4.2 Objeções à neo-ortodoxia. 5. Crítica da Forma: O método investigativo de Rudolf Bultman. 5.1 O método investigativo da crítica formal. 5.2 Objeções ao método crítico de Rudolf Bultmamm 5.3 Desmitologização: O método interpretativo de Rudolf Bultmann 6. Heilsgeschichte: A escola teológica do Dr. Oscar Cullmann 6.1 O pensamento de Cullman e a ortodoxia teológica.

7. Teologia Secular: Robinson, Cox e Buren: Uma teologia do mundo para o homem moderno. 7.1 A postura da teologia secular. 7.2 Avaliação da teologia secular.

8. Ética Situacional: Joseph Fletcher e um novo conjunto de valores para o homem moderno. 8.1 Conhecendo os pressupostos da nova moralidade. 8.2 Uma análise da nova moralidade religiosa. 9. Teologia da Esperança: Jurgen Moltmann e a análise escatológica existencial. 10. Teologia da história: Wolfhart Pannenberg e a teologia histórica da ressurreição. 11. Pannenberg e a ressurreição de Cristo. 12. Teologia da Evolução: Teilhard de Chardin e o darwinismo teológico. 13. Teologia do Processo: Dr. Charles Hartshorne e a Teologia do Deus Finito. 14. Pressupostos da teologia de Paul Tillich. 15. Teologia da Libertação: Uma resposta teológica à crise econômica e social Latino-Americana. 16. Pentecostalismo: Parham, Seymour e o avivamento místico-pietista do século XX. 17. Neopentecostalismo: Misticismo, pragmatismo e culto à Mamom. 18. Glossário Teológico Contemporâneo.

Conclusão

por fazerem oposição ao calvinismo. serviu para encobrir os racionalistas. reagiram à confessionalidade e à disciplina. FASE RACIONALISTA OU ILUMINISTA No mundo cristão. que. termo derivado da palavra latina latitudo. pelo menos inicialmente. 1. alguns teólogos começaram a atacar o calvinismo. o movimento veio à tona e seus adeptos foram chamados de latitudinarians (latitudinários). que no século 17 estavam fortemente impregnadas de religiosidade. por algum tempo. as novéis colônias inglesas na América. inclusive aquelas relacionadas à área da consciência ou do espírito. Entretanto. Houve uma sensível mudança no comportamento da sociedade cristã em face da influência do racionalismo. inis. que tratou da controvérsia arminiana na Holanda. de dogmatismo e intolerância. Essa influência fez-se mais presente na Europa continental. até então. os adeptos do uso da razão ou racionalistas. Nos anos que se seguiram ao Sínodo de Dort (1618-19). 1640-1680) – que diziam que a ―razão é um reflexo da mente divina na alma humana‖. que significa amplo ou largo. especialmente na Holanda reformada e na Inglaterra puritana. quem não era calvinista era tido como arminiano. O progresso da ciência. a partir do final do século 16. a partir da publicação. De uma maneira geral. . que era con-siderada serva da teologia. a filosofia. Os principais mentores desse movimento foram os Cambridge Platonists (Platonistas de Cambridge) ou Teólogos-Filósofos de Cambridge (c. se pensava serem inacessíveis à razão. chamando-as reséctivamente. permitindo uma ampla variedade de doutrinas. de seus Principia Mathematica (Princípios de Matemática). O objetivo dos latitudinários era manter a igreja unida com base em uns poucos artigos fundamentais de fé. pois.1 Racionalismo No período que marca a virada do século 16 para o 17. se expandiu para além dos limites do pensamento aristotélico e da Bíblia – em parte devido à ciência natural e em parte fruto de reflexões de pensadores como René Descartes (1596-1650).(1) fez com que muitos homens se convencessem do poder da razão e da necessidade de todas as coisas serem testadas por ela. pouco afetando. através do uso da razão. especialmente devido à obra de Isaac Newton (1642-1727). Essa classificação generalizada. formas de governo e de culto. foram englobados no contexto arminiano. em 1687.1.

Toland defendia a idéia de que ―a doutrina cristã nunca foi misteriosa e devia ser entendida somente como uma réplica da religião natural‖. o barão Christian von Wolff (1679-1754). membro do grande núcleo pietista que funcionava a partir da Universidade de Halle. a prova da verdade era a razoabilidade. Entre os filósofos alemães. na Inglaterra. Halle foi aos poucos se tornando um centro de teologia racionalista entre os protestantes. a teologia racionalista tendeu a modificar. foi o estopim de outros movimentos de reação à ortodoxia protestante. 1. caracterizada pela busca de uma verdade racional e imutável. cuja teologia começou a tender para um número exagerado de definições precisas. dentre as quais o ateísmo. no sentido de conformidade com o senso comum. por conseguinte. Para Locke. Deus não pode-ria fazer o que para o homem seria imoral. que em meados do século 18 já havia perdido a sua força original. John Toland (1670-1722). . Contudo. em sua grande maioria. e até mesmo destruir. John Locke (1632-1704). pelo menos até o final do século 18 os racionalistas aceitassem os milagres do Novo Testamento. Os teólogos racionalistas defendiam a tese de que a bondade em Deus não poderia diferir em essência da bondade no homem e. e (2) investigação científica. especial-mente.O racionalismo dava ênfase principalmente a dois pontos: (1) liberdade e dignidade. Foi um movimento de curta duração. No campo teológico-eclesiástico. o racionalismo provocou graves e perturbadoras conseqüências na vida da igreja. e. muitas vezes acompanhadas de frieza espiritual. desenvolveu uma espécie de teologia matemática. alguns dos quais discípulos de John Locke. ser um bom religioso era aceitar as doutrinas corretas. Alemanha e Estados Unidos. no seio de um grupo de escritores de tendência racionalista. Os principais filósofos racionalistas da época foram: o judeu holandês Baruch Spinoza (1632-1677) e o matemático alemão Gottfried Leibniz (16461716) no Continente Europeu. O racionalismo teve grande influência no escolasticismo protestante. Dentre os deístas ingleses destaca-se. Embora. eles suspeitavam de tudo que não se conformava com sua visão mecanicista do universo. em especial na França. defensor do princípio da lei natural. as ortodoxias confessionais protestantes. o declínio da fé e o enfraquecimento da vida religiosa. Embora tenha havido algumas contribuições benéficas à sociedade como um todo. Para os escolásticos.2 Deísmo O deísmo teve início na Inglaterra na primeira metade do século 17.

que. por intermédio do Espírito Santo. um conhecimento religioso inato em todas as pessoas. com seu livro Age of Reason (Idade da Razão. ou está acima da razão. em síntese. Para corroborar o que foi dito resumidamente sobre os princípios do deísmo. sendo a causa primeira. providência e encarnação. 1730). alguns eram declaradamente deístas. como culto perene a Deus. Deus não se envolve mais com o mundo que ele mesmo criou. não deveria ser cultuado. destaca-se a crença num Deus transcendente. 4) tudo o que é obscuro. em 1776. O deísmo não ficou restrito à Inglaterra. O legado do deísmo não foi. ou são supérfluos. ou que pode ser obtido pelo uso da razão. na assim chamada revelação. Este último. popularizou as idéias deístas em seu país. Thomas Jefferson (1743-1826) e Thomas Paine (1737-1809). milagres. explicados à luz da razão. substituíram a revelação pela razão e pelos sentidos. Cristo foi apenas um mestre e. Em seu afã de valorizar o homem. sob a alegação de que há uma religião natural. contudo. mudando o foco da teologia de Deus para o homem. Seu propósito era estabelecer uma religião ao mesmo tempo natural e científica. de alguma forma. Os deístas. o empenho dos cristãos em atividades humanitárias e em uma maior tolerância religiosa. por exemplo. Os deístas criam também que a ética e a piedade eram as virtudes que necessitavam ser desenvolvidas. a Alemanha e especialmente as colônias inglesas na América. daí o cristianismo ser tão antigo quanto a criação. 5) os milagres não são prova real da revelação. Tudo é regido por leis naturais. mas migrou para a França. que está acima e além da sua criação.O movimento deísta surgiu como uma reação à idéia de que o conhecimento teológico somente poderia ser adquirido através do ensino da Igreja ou da revelação pessoal de Deus. como tal. totalmente negativo. . considerada por alguns historiadores como a bíblia deísta: 1) tudo que é reconhecido além e acima da razão é crença sem prova. para revelação bíblica. podem ser retiradas cinco idéias básicas da obra de Matthew Tindal (1657-1733). que pôs este mundo a girar segundo as mais perfeitas leis mecânicas e não interfere no seu funcionamento. como Benjamin Franklin (1706-1790). do que com a realidade a ser conhecida. como Estados Unidos da América. Christianity as Old as the Creation (O Cristianismo é Tão Antigo quanto a Criação. desvalorizaram o pecado. é superstição e não tem valor. Dentre os princípios que balizavam o deísmo. 1794-1796). portanto. 2) os piores inimigos da humanidade são os que têm mantido as criaturas na superstição: os sacerdotes. sendo a Bíblia um manual eminentemente ético. não havendo lugar. 3) tudo o que é de valor na revelação já foi dado aos homens na religião natural racional. preocuparam-se mais com o sujeito conhecedor. posto que o cultivo da ética e da piedade estimulou. obtiveram sua independência. Dentre os líderes do movimento de independência. pois. ou são um insulto à perfeita obra de um Criador. ou seja.

Outra figura de destaque foi François-Marie Arouet (1694-1778). Voltaire professava um teísmo baseado na ordem e na realidade do mundo. O pleno desenvolvimento do iluminismo ocorreu na França. onde houve o culto da razão. considerada o maior movimento social dos tempos modernos. daí passando para a França. e pregava a tolerância para todas as religiões. não só na França.3 Iluminismo Iluminismo é o nome do movimento cultural. imposta. da tradição e da sociedade política e religiosa. disse que era a chegada do homem à maturidade. ao estágio em que o homem pensa por si mesmo. as crianças devem ser criadas fora da influência danosa da Igreja. inicialmente. No campo da ética. o filósofo alemão Immanuel Kant. mas em outros países. ou seja. sem a tutela de autoridades externas. foi altamente influenciada pelo iluminismo e colocou em dúvida os dogmas da religião cristã.[.. O iluminismo teve origem na Inglaterra. responsáveis pela editoração da Enciclopédia. mas em todos os lugares se acha em cadeias. mediante a razão.] Assim. Ele nasceu livre. O objetivo do movimento era iluminar o povo. Locke defendeu a moral natural. Não menos importante que Voltaire foi Jean-Jacques Rousseau (1712-1778). que lhe diziam o que devia fazer. Itália e Alemanha. racional e autônoma. ao responder a uma pergunta sobre o que era o iluminismo. O alvo era o homem no estado de pura natureza. Como foi visto. colaborador da Enciclopédia e autor de vários tratados na área da filosofia. exceto para a oficial. Rousseau repudiou a doutrina cristã da queda. que forneceu ao iluminismo o método crítico que utilizou com habilidade. autor do Contrato Social. Dentre os principais iluministas franceses destacaram-se. A Revolução Francesa. como a Igreja. para a qual a religião deve arcar com boa dose da culpa. Essa postura enfaticamente racional gerou uma forte oposição a todas as atividades e instituições que não fossem meramente racionais. ou seja. Em 1784. mais conhecido como Voltaire. que foi um poderoso instrumento para a difusão das idéias iluministas. que tanto influenciou os chamados Pais Fundadores da Independência Americana. ou seja. Locke desenvolveu o deísmo inglês como uma religião natural e racional dos livres pensadores. Sua escravidão deve-se à corrupção da sociedade. afirmando: Todo homem é nobre por natureza. social e religioso que se desenvolveu na Europa no período que vai da Revolução Inglesa (1688) até a Revolução Francesa (1789). a razão humana passou a dominar acima de tudo e de todos. em especial a ingerência da Igreja nas coisas do Estado.. tais como a Bíblia e o Estado. que devia ser restaurado. . Jean D‘Alembert (1717-1783) e Denis Diderot (1713-1784). contra o obscurantismo da história. cerca de 100 anos. O seu lema foi Sapere Aude (Tenha a coragem de usar o seu próprio entendimento). Sua fonte principal foi o racionalismo.1.

a história da vida de Jesus deveria passar pelo crivo da razão. Ele ainda considerava que as principais religiões eram expressões diferentes da única religião verdadeira. superior a todos os dogmas e doutrinas. Essa obra expressa a sua crença na perfeição da raça humana e na perspectiva do desenvolvimento de uma consciência moral que poderia conduzir a humanidade a um estágio nunca atingido de irmandade universal e liberdade moral. através das obras de Hermann Reimarus (1694-1768) e Moses Mendelssohn (1729-1786). tendo procurado em vão estabelecer o reino de Deus na Terra. segundo uma concepção historicista. Tal entendimento os levou. os livros da Bíblia deveriam ser lidos e estudados como todos os outros livros.O fundador do iluminismo na Alemanha foi Christian Wolff. que os discípulos teriam inventado depois da morte de Jesus. Isso porque a ênfase dos iluministas estava centrada no homem. autor de Die Erziehung des Menschengeschlechts (A Educação do Gênero Humano. através do livro Apologie oder Schutzschrift für die vernunftigen Verehrer Gottes (Apologia dos Adoradores Racionais de Deus). Foi no Sacro Império Germânico que a teologia iluminista alcançou o seu maior desenvolvimento. 1780). que foi. no âmbito da teologia histórica. Disse ainda que o cristianismo se baseia nas alegações fraudulentas da ressurreição e da segunda vinda de Cristo. colocando Cristo e seu evangelho em segundo plano. a ciência. a uma racionalização da teologia e. Muitos estudiosos consideram que o maior expoente do iluminismo alemão foi Gotthold Ephraim Lessing (1729-1781). segundo o qual todos os fatos e circunstâncias estariam obrigados a ser considerados exclusivamente à luz da evidência dos Evangelhos. . Para Lessing. naturalmente. mormente sobre o movimento evangélico. a verdade não é uma posse. responsável pelo novo tratamento dado pelos historiadores e teólogos a detalhes da vida de Jesus. embora negativa. no século 19. portanto. e que morreu desiludido. O iluminismo exerceu significativa influência. Para Reimarus. cujo papel é fornecer uma educação moral para a raça humana. inclusive o cristianismo‖. em especial o deísmo de Locke. e sim uma perene investigação. deu azo ao surgimento. identificação e desenvolvimento de várias tendências religiosas e filosóficas. responsável pela divulgação do racionalismo de Leibniz. no qual retratou Jesus como um pregador simples da Galiléia. Essa atitude se tornou típica do iluminismo teológico. ―a cultura. do tema do Jesus Histórico. a que se submete também a religião. Conseqüentemente. ensinando todos os homens a viverem como irmãos. inclusive verificando aspectos ligados à credibilidade dos escritos evangélicos. cujo ensinamento moral se misturou com a política e a escatologia. sobre o cristianismo de um modo geral. conseqüentemente. Reimarus é considerado o precursor.

mesmo com o acréscimo tomista ―para o povo‖.36 2. FASE ROMANTISTA OU MODERNISMO Os diversos movimentos de reação à ortodoxia estão interligados entre si. o modernismo nada mais foi que uma continuação de seus antecessores: racionalismo. Não obstante as diferenças essenciais assinaladas. como no que se refere ao seu conteúdo. em especial na Europa e nos Estados Unidos. que significa a piedade viva que coincide com a consciência religiosa universal‖. . Nos campos político e social. quer quanto à época de sua aplicação. A Revolução Industrial também pode ser considerada uma das filhas do iluminismo. no período de 1555 a 1564. O primeiro entendia que o Estado era um instrumento estabelecido por Deus para a manutenção da moralidade e para a promoção da verdadeira religião. É interessante a comparação entre a concepção de Calvino sobre o Estado e o pensamento iluminista. Isso pode ser constatado na leitura da obra de Matthew Tindal. Na realidade. razão pela qual a Genebra calvinista. o iluminismo tinha pelo menos um ponto em comum com o movimento evangélico: a ética moralizadora da sociedade. de modo que fica difícil discernir fronteiras específicas. mesmo os reis ou príncipes de sangue. os governantes. houve um notável desenvolvimento da maçonaria. Ainda com base no pensamento iluminista. Assim. Dessa forma. Nessa mesma linha moralizante também se enquadra o racionalismo neologista de Johann Semler (1725-1791). que afirmou: ―Em contraste com a teologia existe a religião. propunham alvos essencialmente humanistas para a sociedade. o iluminismo exerceu forte influência sobre dois movimentos que marcaram a história recente da civilização ocidental: a Revolução e Independência Americana (1775-83) e a Revolução Francesa (1789-99). não têm direitos inalienáveis de governo. o governo deriva sua autoridade do consentimento do povo governado. A concepção dos iluministas era substancialmente diferente: embora reconhecessem a Divindade. deísmo e iluminismo. é um exemplo clássico de moderna teocracia. para quem ―a moralidade é o alvo da religião‖. Pelo contrário. se constata que é muito tênue a linha divisória entre as fases e subfases do liberalismo teológico.Os liberais iluministas rejeitaram o antigo aforismo ―todo poder emana de Deus‖.

Ela não é baseada em uma revelação particular ou histórica.1 Immanuel Kant O modernismo teve origem na Alemanha. esse filósofo merece. ao invés da felicidade. ao contrário. pois produz modificação no caráter de tal modo que ―o mal radical do homem é derrotado e o bem é trazido à tona‖.2. mas. As idéias de Tindal estão bem presentes no pensamento de Kant. na própria natureza da vida humana‖. ele se posicionou ante a religião enfatizando que a religião moralista da razão é a única necessária. o princípio básico da moralidade é o imperativo categórico. a síntese de Tomás de Aquino era de origem pagã e aristotélica. virtude e imortalidade. Com base nessa premissa. Kant não se projetou apenas sobre o século dezenove. 1793). Embora já tenha sido mencionado na introdução. Ao fazer isso. Quem deu início a esse tipo de teologia liberal foi Immanuel Kant (1724-1804). um capítulo à parte. reorganizando-as em torno do conceito de natureza e graça. quando ele afirma que ―a verdadeira religião é natural e universal. O mundo grego havia elaborado algumas normas religiosas básicas em torno do paradoxo entre a forma e a matéria.2 Um novo conjunto de pressupostos religiosos para o homem moderno. para onde haviam convergido várias correntes teológicas e filosóficas no século 19. fazendo dela um elemento aperfeiçoador da superestrutura. De certa forma. tem as suas raízes nas idéias do filósofo Immanuel Kant. o qual é universalmente conhecido. 2. Kant logrou sistematizar a confiança do homem moderno na capacidade da razão para tratar de tudo o que diz respeito ao mundo material. o homem do ocidente havia assimilado algumas dessas idéias. A influência de Immanuel Kant na Teologia Contemporânea A revolução teológica do século passado que ficou conhecida pelo nome de teologia existencialista ou contemporânea. colocando em primeiro lugar a ética absoluta. ao invés de ser um ato transformador de Deus. sem nenhuma dúvida. e sua incapacidade para ocupar-se de tudo o que está além do nosso mundo. Kant se mostrou simpático à ênfase deísta apoiada no tripé Deus. mas também sobre o século vinte. Para Kant. Na idade média. e privava a graça de seu caráter puramente cristão. mas divergiu do iluminismo no que tange ao propósito da vida. . especialmente através do livro Die Religion innerhalb der Grenzen der blossen Vernunft (Religião dentro dos Limites da Razão Somente.

Essa moralidade religiosa. segundo Kant. modelaram uma nova teologia e um novo mundo. a natureza foi separada da graça de forma elaborada. A razão. que apresenta os relatos da ressurreição como estando contaminados de lendas. passando a ser uma esfera micro-cósmica dentro da qual a personalidade humana podia exercer sua autonomia. essa autonomia representava a substituição do conceito de revelação do cristão – que tem sua expressão máxima em Cristo e na Bíblia – pela razão autônoma do homem. Em um sentido ulterior. não consiste em conhecer o que Deus tem feito para a nossa salvação. na filosofia kantiana. pode ser alcançada sem a necessidade de nenhum aprendizado bíblico. Kant entroniza a razão como sendo o princípio supremo. a graça foi suplantada pela idéia de emancipação. A autonomia preconizada por Kant. e somente a razão. poderia julgar o mundo do fenômeno e o mundo do número. nem da negativa de Cullmann de considerar os relatos da criação de Gênesis como história autêntica. sobretudo da razão humana como autoridade final e como crivo para a verdade.Kant e sua idéia de autonomia fizeram dessa privação da graça mais que uma simples moldura teológica: pela primeira vez na história da civilização ocidental. A história do pensamento e da teologia ocidental desde Kant nos mostra como esses pressupostos religiosos. a emancipação de valores exteriores. emancipada de qualquer pensamento preconizado. nem está longe da idéia da razão autônoma como juíza da revelação na análise racional de Pannenberg. A verdadeira religião. produziu uma avaliação muito elevada da capacidade humana. trabalhando com idéias tomadas do cristianismo. o homem tinha que nascer de novo como pessoa completamente livre e autônoma. 2. Para Kant. isto é. Não há muita distância entre esse pensamento de Kant e o pensamento posterior dos teólogos contemporâneos. De acordo com essa nova maneira de pensar. A natureza era agora interpretada como um terreno infinito que o pensamento matemático autônomo devia controlar. . até mesmo o conceito de natureza – conservado da síntese medieval aquiniana – se transformou.3 A autonomia do homem e sua influência no pensamento religioso moderno. tal como em Bultmann e sua idéia de desmitologização. conseqüente e consciente. No pensamento do homem moderno. e sim em conhecer o que devemos fazer para chegarmos a ser dignos dela.

mas a diminuiu de tal forma que o Deus soberano. na diferenciação de Bultmann entre o Jesus histórico e o Cristo kerigmático. ainda que capaz de falar de um futuro numenal. Kant tomou emprestado de Hume o problema do conhecimento proposto por ele e o reformulou. ou. ele é simplesmente irrelevante. devastador. Deus como origem de todas as coisas. seu único vínculo com o mundo dos fenômenos se daria por meio da necessidade que o homem tem da idéia de Deus para o seu mundo ético. Esse confinamento de Deus no mundo dos números é o tema favorito da teologia contemporânea. o aprisionou com um muro à prova de som. completamente cética quanto a qualquer fim escatológico na história fenomenal. sendo um percebido pela razão e pelos sentidos. o mundo dos fenômenos e o mundo dos números. não conhecemos a coisa em si. Segundo ele.4 O relativismo de David Hume e sua influência na filosofia kantiana. da imortalidade. Da mesma forma. quase ninguém se atreve a buscar o Jesus histórico. tudo isso era para ele completamente evasivo. Com isso. e reaparece de forma modificada nos primeiros escritos de Karl Barth acerca de Deus como ―Totalmente Outro‖. e o outro. Ele também produz em Moltmann uma teologia da esperança. Causa e efeito. mas que devem ocupar um lugar na vida como se fossem objetos reais ao alcance da razão. o homem como ser contingente. ao colocar Deus em um outro mundo. à saber. Nesse ínterim. O efeito de tudo isso foi em parte. como ―Aquele que não pode ser explicado como se explica um objeto‖. Tal confinamento se reforça com a insistência crescente do existencialismo na liberdade. o numeral que toca o fenomenal. Ele reaparece na divisão neo-ortodoxa entre História e Geschichte. sem entrar nele. como se isso fosse pudesse resolver o problema epistemológico.1). . o mundo de Deus. não pode entrar. filósofo escocês.5 O confinamento de Deus na teologia contemporânea. tanto dentro como fora de si mesmo. Kant criou dois mundos. mas apenas aquele conhecimento que os sentidos nos proporcionam. Ele ficou isolado no mundo dos fenômenos e Deus no mundo numeral. Esse confinamento do mundo espiritual é o fator preponderante da insistência contemporânea na ―humanidade‖ da Bíblia e da definição barthiana de revelação como sendo o encontro divino-humano. havia lançado dúvida em quanto à possibilidade de alguém provar alguma coisa. uma vez que o homem não pode perceber as coisas como são na realidade – tanto no mundo dos fenômenos como no mundo dos números – não pode introduzir-se por essa porta para conhecer a Deus. entre o Jesus fenomenal e o Cristo numenal. Kant não fechou totalmente a porta do nosso mundo para Deus. porém. David Hume. usando uma linguagem kantiana. da liberdade e das idéias reguladoras que a razão não pode explicar. 2. Kant. cujas vestes enchiam o templo (Isaías 6.2.

por causa da sua compreensão existencial do ―Eu‖. por outro lado. apesar de todo o seu debate interno. Essa idéia de humanização da Bíblia veio a ser uma das características distintivas da crítica bíblica. seguem unidos no emprego dessa metodologia.E.2.6 As idéias deístas presentes na filosofia da emancipação e sua influencia na teologia contemporânea. dizendo que isso não tem a menor importância diante do que a serpente disse. Os teólogos contemporâneos apresentam repetidas vezes essa dissociação do Jesus histórico e do Jesus da fé. John Robinson e nos teólogos seculares). a autonomia do método sobre o texto bíblico estabeleceu certos pressupostos que o método histórico-crítico ainda mantém. Começa-se então a fazer distinção entre a Palavra de Deus e a Bíblia. Também John Robinson. Moltmann o utilizará ao burlar-se da noção clássica de escatologia cumprindo-se na história. O Jesus histórico parecia cada vez mais distante do Cristo da fé. Bultmann fará o mesmo ao rejeitar os relatos evangélicos como sendo produtos historicamente duvidosos por um lado. . e de Deus como o Fundamento do ser. Barth fará isso ao ser indagado sobre se a serpente realmente falou no jardim do Édem. como o abandono da doutrina da inspiração verbal. afirmando que ainda que a história escrita do cristianismo não se possa aceitar. e junto com o pressuposto metodológico.7 Uma separação radical entre história e fé. Lessing afirmou que ―o verdadeiro valor de qualquer religião não depende da história. senão de sua capacidade de transformar a vida através do amor‖. e aceitando-os. A historicidade da Bíblia parece menos importante que aquilo que ela diz. ou em suas expressões mais radicais (como em Paul Tillich. ressurge a idéia de que há erros na Bíblia e que esta deve ser tratada como qualquer conjunto de documentos do passado. Acerca desse impasse. e ao mesmo tempo falará sobre a igreja orientada para o futuro. Também Barth e Bultmman. G. Da mesma forma. A divisão entre história e fé também se tornou mais tarde um pressuposto da teologia contemporânea. O conceito deísta que fez parte do processo de florescimento da autonomia não dava nenhum lugar à intervenção divina na criação por meio de algo sobrenatural e revelador. fala de uma nova dimensão de vida como ser em profundidade. ao mesmo tempo em que rejeita a idéia de céu como sendo um ―lugar lá em cima‖. 2. o ensino de Cristo pode e deve ser aceito. quer seja em sua forma mais conservadora (como se encontra em Oscar Cullmann e Wolfhart Pannenberg).

uma plena manifestação do Deus imanente. Na verdade. Para Walker. pois. em algum sentido. absoluto e eterno.. em seu tempo. encontra-se o seguinte conceito sobre religião: O Absoluto está em tudo. associados a muitas idéias cristãs. uma é a mais óbvia: Se o nosso entendimento acerca de Deus não é ao menos alegórico. sente-se finito. por exemplo.100-c. O homem é em si mesmo [. esse Deus imanente não intervém na natureza e tampouco opera milagres através dos homens. todas são falsas! . por conseguinte. Não há. pôr o homem em harmonia com Deus. Portanto.165).. e esse pressuposto será um grande dilema para a teologia dialética de Karl Bath. Como se pode notar no texto reproduzido. um reflexo do universo. onde. 3. entre outros. O teólogo alemão afirmou que o cristianismo é a melhor das religiões. ele enclausurou os seres humanos no mundo dos fenômenos. O mestre Justino. as religiões não devem ser divididas em falsas e verdadeiras. dando a entender que outras existem igualmente boas. Esse sentido de dependência é a base de toda religião.]. como pode o homem conhecer a Deus? A filosofia de Kant transforma Deus em um ser incognoscível. afirmara: ―O cristianismo é a verdadeira filosofia!‖.42 Contudo. embora parecidas. considerandose o rol de simpatizantes entre renomados historiadores eclesiásticos. não havendo modo da mente fenomenal conhecer o numeral. em Seu mundo. Em contraste com o que é universal. limitado e temporário – numa palavra. Schleiermacher ―deu à teologia nova base e à pessoa de Cristo um significado em grande parte desconhecido em seu tempo‖. bem como de outros teólogos contemporâneos. desde Kant que a história do pensamento e da teologia ocidental é a história de como seus pressupostos religiosos. Todos os progressos da religião na história são verdadeira revelação. diferem substancialmente daquelas esposadas pelo apologista Justino Mártir (c. Lançar uma ponte sobre o abismo entre o universal e o finito. dependente. deram origem a um mundo novo. A influência do seu pensamento no campo da teologia histórica é significativa. Embora sua filosofia encarasse com valentia as questões pleiteadas por Hume. sendo considerado o fundador da moderna teologia protestante. 1831). Deus está. eis o alvo de todas as religiões [. Williston Walker e Justo González.] um microcosmo.Não há duvida de que Immanuel Kant teve grande influência sobre o pensamento teológico contemporâneo. as idéias de Schleiermacher. mas quanto aos seus relativos graus de eficiência. tais como Robert Nichols. Friedrich Schleiermacher O luterano Friedrich Schleiermacher (1768-1834) é talvez o mais influente teólogo alemão do século 19.. A maior obra de Schleiermacher no campo da teologia dogmática foi Der Christliche Glaube (A Fé Cristã. outra menos verdadeira.. Entre tantas objeções que se pode fazer a Kant.

Influenciado pelo romantismo da época. . a partir de Adão. Dessa forma. em última análise. que eram simples seres humanos. ele diz: ―O Filho e o Espírito são simplesmente formas de revelação desta substância. O Espírito Santo é identificado como o espírito público que aviva a comunhão dos crentes‖. Schleiermacher ataca frontalmente a ortodoxia. o teólogo alemão se aproximou da heresia sabelianista ou modalista. O mesmo raciocínio se aplica às doutrinas da ressurreição. o enfoque principal de Schleiermacher não era teológico. pois a criação não pode ser combinada com a idéia de um poder espiritual mau e. a qual não deve ser considerada literalmente. Esta união. as idéias de Tindal parecem brotar em seu subconsciente. sendo que a história da paixão serve apenas como exemplo e ilustração da perseverança em meio ao sofrimento. 2) Deus e o conceito natural são um. morte e ressurreição) nada significa para a salvação. não é dependente da doutrina do nascimento virginal. ascensão e segunda vinda. mas devem ser vistas como expressões válidas da consciência de Deus e não devem ser ignoradas. Dessa forma. posto que estes também negligenciavam a morte e ressurreição de Cristo. em conseqüência. ainda de modo romântico. entretanto. idênticos. não se pode atribuir qualquer significado ao sofrimento de Cristo na cruz. Ele preconizava que os intérpretes da Escritura deveriam tentar entender as idéias de seus autores. Schleiermacher rejeitou a idéia do diabo ou de espíritos maus. O mal não pode ser concebido como algo hostil a Deus. Para ele. O pecado é simplesmente a carne em oposição ao espírito‖. ao afirmar que a obra de Jesus (sofrimento. Schleiermacher fez as seguintes afirmações a respeito de Deus: 1) Deus e o mundo são. Assim. A união do Divino com o humano recebeu sua expressão perfeita na pessoa de Cristo. Bengt Hägglund considera que tal conceito aproxima Schleiermacher dos gnósticos. nenhuma realidade ou influência pode ser atribuída ao diabo. Schleiermacher considerava que ―o espírito é o que há de mais elevado no homem e não pode ser considerado algo mau. Quanto à doutrina do pecado. Daí a não aceitação de que as Escrituras fossem a Palavra de Deus inspirada. ele rejeitou o conceito de pecado como desobediência a Deus ou à sua lei. Ainda no campo da cristologia. Há comunicação de atributos somente no sentido da natureza divina para a humana. as histórias do Éden não devem ser interpretadas como historicamente verdadeiras. Schleiermacher não difere substancialmente dos teólogos racionalistas. Ao expressar esses conceitos. e 3) Deus é a única substância indivisível. Assim. Sua pressuposição básica é que existe um único espírito ou consciência comum que une todos os seres humanos e tal espírito possibilita a correta interpretação. que permanece passiva. mas psicológico. No que tange à hermenêutica bíblica. A cristologia de Schleiermacher é peculiar.Ao tentar eliminar da teologia todo e qualquer resquício de dualismo. No que se refere à Trindade Santa.

antes perturbada.3. por sua vez. Mediante a fé. na crença de que Deus não é conhecido como autoexistente. que Ritschl define como “justificação” (Rechtfertigung) ou perdão dos pecados. defendido por setores da ortodoxia protestante. surgiu em fins do século XIV e nos primeiros anos do século XX. a teologia do valor moral. e a de Schleiermacher.1 Ritschl e sua escola Uma teologia liberal até certo ponto nova e original. mas a sua influência na teologia protestante alemã da segunda metade do século XIV foi. Ritschl foi autor de várias obras. reino de Deus. A tentativa de aplicar os princípios filosóficos kantianos ao cristianismo protestante constituiu atitude típica de uma era em que havia pouco respeito pelos mistérios da religião e praticamente nenhum temor ante o julgamento divino. configurando uma espécie de monotelismo. muito grande. a partir de Lutero e Calvino. Ritschl fora influenciado tanto por Kant como por Schleiermacher. Além de rejeitar o conceito jurídico da justificação. restaura a liberdade ética entravada pelo pecado. Disto resulta uma modificação interna na vontade do homem: o homem chega a reconhecer a vontade de Deus e deste modo se predispõe a fazer o bem. das quais a mais importante é Die christliche Lehre von der Rechtfertigung und Versöhnung (A Doutrina Cristã da Justificação e da Reconciliação. revelação. transforma-se em confiança e filiação. Esta. Tal transformação interna é o que Ritschl denomina “reconciliação” (Versöhnung). . tendo como divulgadores o teólogo protestante alemão Albrecht Ritschl (1822-1889) e seus discípulos. Bengt Hägglund sintetiza o livro da seguinte forma: Salvação. pecado original e encarnação. Ritschl não concebia o pecado como corrupção universal perante Deus e entendia que a divindade de Cristo era figurada e se caracterizava unicamente pela unidade de sua vontade com Deus. a relação entre o homem e Deus. mas somente até onde ele se auto-revela através de Cristo. O esforço de Ritschl em manter uma teologia de revelação divina sem a fé em milagres foi duramente atacada tanto por liberais como por conserva-dores. 1870-1874). igreja. A influência de Kant se traduz no conceito de religião como o triunfo do espírito ou do valor moral sobre os males da sociedade. Ritschl negou ou reinterpretou as seguintes doutrinas tradicionais: trindade. manifesta-se em boas obras. sem dúvida.

Sua idéia mais distintiva foi que o dogma da igreja primitiva consistia no resultado natural da busca de padrões para filiar membros. ou seja. compiladas e publicadas com o título Das Wesen des Christentums (O que é o Cristianismo. o antidogmatismo de Harnack foi muito mais substancial e profundo. chegando alguns a considerar os Dez Mandamentos como elementos dogmáticos cuja referência deveria ser evitada no contexto dos padrões de Westminster. . Paul Tillich. 1886-1889). pois tanto Paulo como João usam muitos conceitos helenistas. e que isto obscurecia a natureza essencial e o impacto prático dos ensinos de Jesus. mas no entendimento da religião como um desenvolvimento histórico. onde ele procurou demonstrar que a relevância do cristianismo para o mundo moderno não repousa no dogmatismo teológico. que é permanentemente válido. e os cristãos devem seguir o exemplo de Jesus de uma ―retidão superior‖ governada pela lei do amor. pois no século XVII. 1900). que existe independente do culto religioso. Ele também procurou demonstrar que os credos formulados nos Concílios Ecumênicos de Nicéia (325) e Calcedônia (451) usaram um grande número de conceitos retirados da filosofia grega. Contudo.3. considera a generalização de Harnack inadequada. havia um grupo que. uma vez que ela leva à conclusão de que só deve ser aproveitado no Novo Testamento aquilo que tiver uma ligação clara ou for derivado do Antigo Testamento. do elemento periférico ou da ―casca‖. embora concorde com uma possível influência gnóstica. O miolo da mensagem de Jesus é o reino de Deus. que se isso for verdadeiro. posto que a primeira onda. As idéias de Harnack sobre os dogmas não eram inéditas. contemporâneo de Harnack. na formulação do dogma da Trindade e da Pessoa de Cristo. A este desenvolvimento ele chamou de segunda onda da helenização. teólogo e historiador alemão. paradoxalmente. Sua intenção era separar essa essência. das formas mutáveis de vida e de pensamento nas quais o evangelho foi transmitido. cerca de dois terços da escritura neotestamentária deve ser deixada de lado. na Assembléia de Westminster. grande erudito em patrística. Sua obra mais conhecida é Lehrbuch der Dogmengeschichte (História dos Dogmas. havia sido rejeitada pela igreja. Harnack procurou apresentar um sumário do que ele considerava a essência do evangelho. a doutrina gnóstica. Diz mais. que ele chamou de o ―miolo‖ do evangelho. se colocava contra toda e qualquer idéia de dogma configurada especialmente pelos credos. Harnack O discípulo mais importante da escola de Ritschl foi Adolf von Harnack (1851-1930). Numa série de conferências realizadas em Berlim em 1900.2.

o evangelho de Jesus e evangelho sobre Jesus. Dentre os principais idealistas destaca-se Georg Wilhelm Friedrich Hegel (1770-1831).Em decorrência da fórmula de miolo e casca. ou seja. Na primeira. Hegel considerou o Pai como a unidade divina – a tese. com base na experiência da ressurreição. na realidade. ou seja. O processo completo culmina na Trindade. doutrinas que não podem ser encontradas na mensagem original de Jesus. ele desenvolveu um método dialético aplicável também à teologia. enfatiza que toda e qualquer experiência humana ou percepção consiste de idéias. O Amor que os une é o Espírito Santo – a síntese. que Paulo interpreta Jesus de um modo que está muito longe do verdadeiro Jesus histórico. No que se refere à encarnação. como. a partir do Absoluto. por exemplo. desenvolvida por Baur (ver adiante). A união se dá na mais suprema síntese – o Deus-Homem. como tal. ele mesmo se considerava apenas um teólogo e. é revivida aqui em uma versão mais refinada. em última análise. que é Deus. Ele afirmou que o evangelho sobre Jesus não está contido no evangelho pregado por Jesus. pregada sobre Jesus. mútua aceitação e amor. o cristianismo é a religião absoluta e o universo está em uma constante luta. Distingue-se ele da humanidade finita – a antítese. Ademais. Tal afirmativa pressupõe a redução do evangelho somente aos sinóticos. voltou-se contra Schleiermacher. um verdadeiro e outro falso. A teoria do conflito entre Paulo e Pedro. e mesmo assim devem ser eliminados todos os sinais que identifiquem uma possível influência paulina. afirma que o maior erro dele e de toda a teologia liberal é que ela não está apoiada em uma teologia sistemática. que produziu as doutrinas sobre Jesus. reputado como o principal filósofo alemão de sua época. Ele se objetiva no Filho – a antítese. Harnack cunhou a idéia de dois evangelhos. 3. moderna. Esta mensagem original é a mensagem da vinda do reino. toda a comunidade cristã primitiva que rodeava Paulo estava impregnada de conceitos helenizantes. Hegel afirma que Deus é a tese. Essa. . é a fórmula clássica da teologia liberal: o evangelho ou a mensagem pregada por Jesus nada tem com a mensagem posterior. e o reino de Deus é o estado no qual Deus e os membros individuais de seu domínio estão em uma relação de perdão. ao concluir a sua análise crítica sobre a obra de Harnack. ou seja. Tillich. Para Hegel. Contudo. tudo o que existe só se torna real porque é percebido pela mente do homem. contida na Bíblia. às doutrinas da trindade e da encarnação.3 Hegel e os idealistas Muitos dos teólogos e filósofos liberais também são considerados como tendo ligações com o idealismo. e foi ela. uma escola filosófica que. Na realidade.

trouxe sérias conseqüências ao desenvolvimento do hegelianismo posterior. por seu irenismo e familiaridade com controvérsias da metade do século II. Baur aplicou os mesmos princípios à vida e pensamento do apóstolo Paulo e concluiu que somente as Cartas aos Romanos. pois sintetiza e harmoniza o conflito entre cristãos judeus e gentios e. Ainda nessa linha. em que cada conceito aponta além de si mesmo a outro conceito contrário. o Apóstolo de Jesus Cristo. achou na filosofia contemporânea de Hegel um instrumento adequado para a remodelação da teologia.Apesar de não ter atacado a teologia ortodoxa tradicional. foi escrito no final da segunda centúria. em especial. o método dialético de Hegel. 3. A tensão inevitável surgiu com o cristianismo paulino a antítese. nesse particular Baur parece ter sido influenciado por Kant e Hegel. Em seu livro Paulus. que eram grandes admiradores do quarto evangelho. representada entre outros por Ferdinand Baur e David Strauss. ele aplicou os conceitos hegelianos de tese. Coríntios e Gálatas eram genuinamente de Paulo. por parte do grupo chamado de esquerda hegeliana. resolvendo-se a oposição em uma unidade mais elevada. Ademais. ele acreditava que o autor de Atos era pós-apostólico. sendo que o Evangelho de João. portanto. com base em suas pesquisas do Novo Testamento. ele afirmou que a maior parte do Novo Testamento teria sido escrita no segundo século. der Apostel Jesu Christi (Paulo. . Os partidos petrino e paulino lutaram e dessa luta surgiu o partido joanino. não poderia ter sido escrito no século I.4 Ferdinand Christian Baur Ferdinand Christian Baur (1792-1860). antítese e síntese ao desenvolvimento primitivo do cristianismo. 1845). O partido de Cristo começou essencialmente como um judaísmo messiânico sob a liderança de Pedro e adotado pelos apóstolos originais – a tese. Assim. mais precisamente em um ensaio sobre o chamado partido de Cristo na correspondência de Paulo aos coríntios. Segundo Paul Tillich. ou a Igreja Católica – a síntese. teólogo filosófico protestante alemão e fundador da Escola de Tübingen de crítica bíblica.

em sua maior obra. em atendimento aos anseios dos homens daquele tempo. A vida de Jesus. todos os textos nos quais Deus intervém no curso natural dos fatos não são históricos. 2) Todos os textos nos quais Deus intervem no curso natural dos fatos são irreconciliáveis com as leis conhecidas e universais que governam os acontecimentos. do mesmo modo que Baur considerou o Evangelho de João como o mais afastado no tempo. que teriam sido engendrados por escritores do século II. 3) Logo. Das Leben Jesu kritisch bearbeitet (A Vida de Jesus Criticamente Examinada. foi uma tentativa de despir o Jesus histórico de sua moldura de mito criada pela imaginação poética da igreja antiga. no qual se propõe a substituir o cristianismo pelo materialismo científico. Os argumentos de Strauss podem ser reduzidos aos seguintes silogismos: 1) Todos os textos que não se conciliam com as leis conhecidas e universais que governam os acontecimentos não são históricos. que. . justificando-os através da idéia de mito. Para Strauss. em todos os seus característicos sobre-humanos. Strauss publicou o livro Der alte und der neue Glaube (A Velha Fé e a Nova. entre o espírito e a natureza. 1836). considerou os milagres bíblicos atribuídos a Jesus como impossíveis. 1872).3. No final de sua vida. tem sido copiado por algumas crenças esotéricas modernas como a Nova Era. Jesus existiu. mas o Cristo do Novo Testamento é essencialmente. uma forma personalizada de darwinismo. influenciado pelo pensador iluminista Reimarus e pelos ensinos da escola de Tübingen. Seu conceito de que o homem é a união entre o finito e o infinito.5 David Friedrich Strauss Outro membro da esquerda hegeliana foi David Friedrich Strauss (1808-1874). que esperavam um Messias que fizesse maravilhas e aguardavam o cumprimento das profecias do Antigo Testamento. de 700 páginas. conforme apresentada nos Evangelhos. Racionalista não confesso. criação mitológica e deve ser entendido simbolicamente como a realização da Idéia ou Espírito Absoluto na raça humana.

A revolta teológica contra o liberalismo teológico foi uma das mais notórias características da teologia barthiana. Esses princípios serão abordados nos tópicos a seguir. Barth se encarregou de repudiar grande parte desse liberalismo clássico. aluno do Dr. não era o filho de Deus único e sobrenatural. Ele foi. Em 1919. cheio de erros e que exigia uma crítica radical para encontrar a verdade. caracterizado por uma profunda veia de pietismo e de preocupação pela prática da experiência religiosa cristã. Foi ele quem dominou o ambiente teológico. de fato. A teologia desses dois mestres e também a de Barth era o Idealismo teológico. Um teólogo católico disse que esse comentário aos Romanos foi uma revolução copernicana na teologia protestante que acabou com o predomínio do liberalismo teológico. Herrman. Ele produziu um impacto tão grande na teologia protestante. Diz-se da segunda versão do comentário aos Romanos. Harnack. A medida de toda a verdade era a experiência. à saber: Harnack e Herrmann. totalmente revisada e publicada em 1921. e sim um livro extraordinário. ainda que ordinário. A Bíblia do mentor de Barth. e desde então tem estado no centro da teologia moderna. mas não pode jamais ignorá-la se quiser conhecer a situação teológica contemporânea. um jovem pastor de uma pequenina igreja da Suíça escreveu um comentário tão radical que certo escritor disse que Karl Barth pegou uma carta escrita em grego do primeiro século e transformou em uma carta urgente para o homem do século vinte. Em 1919. pode se opor à sua teologia ou acolher suas idéias. esboça alguns princípios que emanam do comentário de Karl Barth aos Romanos e que parecem ter desempenhado o papel mais influente na formação das novas variantes teológicas. Cornelius Van Til. passemos agora a discorrer sobre a teologia contemporânea em si. formulou os problemas e apresentou as hipóteses de maior relevância. O Jesus do mentor de Barth. 1919 tem sido para muitos o ponto de partida da teologia contemporânea. . que todo teólogo do nosso século que quiser estudar teologia a sério. de qualquer forma. Conn. não era a Palavra infalível de Deus. e com muito mais força em 1921. Ele transformou a teologia do século vinte em teologia da crise. Porém. o sentimento. mas a encarnação do amor e dos ideais humanistas. Barth havia aprendido teologia aos pés de dois grandes teólogos liberais. Não há nenhuma dúvida de que o pensamento de Barth dominou o pensamento teológico do seu tempo. A influência da obra de Karl Barth nessa nova era da teologia é enorme. Karl Barth e a revolta contra o Liberalismo Teológico Tendo já comentado a influencia da filosofia kantiana para a teologia do século vinte. uma bomba que Barth lançou no cenário teológico contemporâneo. O que havia nesse comentário do pastor Barth que sacudiu os alicerces teológicos do século vinte? Quais foram os princípios que Barth apresentou e que se converteram no legado de uma nova era teológica? Harvie M. que ela foi ainda mais revolucionária que a primeira.4 .

O comentário de Barth também introduziu um novo método para explicar a teologia. Para ele. ou teologia do paradoxo. até que a Bíblia se torne real para nós. A Bíblia. ―é a Palavra de Deus enquanto Deus fala por meio dela [. Bart condenou a religião como o pecado máximo. até que ela nos fale da nossa situação existencial. ainda que o método tenha sido tomado por empréstimo do teólogo existencialista Soren Kierkgaard. um livro através do qual nos pode chegar a Palavra de Deus. pelo menos. Barth quis edificar a ética sobre a base da teologia.] a Bíblia se transforma em palavra de Deus nesse momento‖.A primeira guerra mundial e seus horrores acabaram por soterrar o idealismo teológico liberal. insistiu na distinção entre a Bíblia e a Palavra de Deus. não podendo ser sintetizada. . Kierkgaard havia dito que toda afirmação teológica era paradoxal. O liberalismo havia exaltado o uso aculturado da religião.. a liberal Inglaterra e a civilizada França lutavam como animais ferozes. A dialética de Barth. os mestres liberais de Barth se uniram com outros teólogos para declarar seu apoio à Alemanha. mas. pode-se ler a Bíblia sem ouvir a Palavra de Deus. Nesse ínterim. e chamou suas idéias de Teologia da Palavra de Deus. Barth se opôs a isso e apresentou Deus como ―Totalmente Outro‖. O homem devia somente conservar ambos os elementos do paradoxo. ela não é Palavra de Deus. É esse ato de sustentação do paradoxo que Kierkgaard chama de ―salto de fé‖. O subjetivismo do liberalismo do século XIX havia colocado o homem no lugar de Deus. diz Barth. O liberalismo fazia de Deus algo imanente ao mundo. A Bíblia é simplesmente um livro. O comentário de Barth aos Romanos surgiu então como repúdio de seus antigos mestres liberais.. Segundo Barth. A relação entre Deus e a Bíblia é real. Barth exclamou: ―Seja Deus. Barth enfatizou a necessidade que o homem tem da revelação. e não a Deus. Este era seu legado kantiano. porém indireta. Em oposição ao antigo liberalismo. a dialética. O liberalismo edificou a teologia sobre a base da ética. Barth. Esse termo ficou rapidamente associado à obra de Barth. A culta Alemanha. O comentário de 1921 de Barth propôs uma nova idéia de revelação. o que demonstrou que eles eram mestres de uma religião atada a uma cultura. e não o homem!‖. porém. Esse é o conceito barthiano de revelação.

A fé é um vazio preenchido não pela história. segundo ele. Não podemos falar a respeito de Deus. se dedicaram a buscar nos evangelhos – os quais eles condenavam como não-confiáveis – os fatos históricos sobre Jesus. é que Deus é sempre sujeito. todo homem é escolhido e também reprovado em Cristo. em certo sentido. Segundo Barth. o homem é justificado por Cristo. Harnack.. tudo o que resta é uma cratera abrasada no terreno. Os liberais clássicos como o professor de Barth. Barth afirmava que ―enquanto estamos na terra. não cabe à teologia medílo em uma forma de pensamento direto ou unilinear‖. em oposição declarada ao liberalismo. é um paradoxo: Deus é o oculto que se revela. mas pela revelação. Um dos pressupostos de Barth. nem sequer com as palavras da Escritura. A própria natureza da revelação. Depois da explosão. conhecemos a Deus e conhecemos o pecado. a não ser que o consideremos longe‖. ―Ele não pode ser explicado como qualquer outro objeto pode ser.Tal conceito influenciou muito a teologia barthiana.. não há nada na história sobre o que possamos basear a fé. a própria natureza de Deus exige que as afirmações que lhe dirigimos sejam revestidas de contradição: ―Não podemos considerá-lo perto.. Certo comentarista observou que. Barth asseverou que essa busca é um a busca sem importância. que também é um legado kantiano. Sem dúvida o grande tema de Barth. não podemos fazer outra coisa em teologia a não ser utilizar o método de afirmação e contraafirmação. ao coração do pensamento doutrinário‖. segundo Barth. e só pode ser conhecido quando nos fala. O comentário de Barth veio reafirmar a transcendência absoluta de Deus.] O paradoxo não é acidental na teologia cristã. a revelação que vem de cima para o homem. céu e terra. só pode ser assimilada pela mente humana como sendo um paradoxo. Segundo Barth. ao encontrar a contradição do pecado e finitude humana. Deus chega ao homem como a tangente que toca o círculo. a revelação não entra na história. A teologia do século dezenove se dedicou a procurar o Jesus histórico por detrás do Cristo sobrenatural da Bíblia. Não se pode identificar Deus com nada no mundo. Deus fala ao homem como a bomba explode na terra. apenas podemos nos dirigir a Ele [. Não nos atrevemos a pronunciar em forma absoluta a palavra definitiva [. mas ainda é pecador. e essa cratera é a igreja. . pois. segundo a teologia dialética de Barth. Ele pertence.. nunca objeto. ―Totalmente Outro‖. Deus e o homem. O comentário de Barth também demarcou a fronteira entre a história e a teologia. de maneira que quando preparava o comentário aos Romanos. Apenas falamos a Deus.] Por esta razão. foi a ―infinita diferença qualitativa‖ entre eternidade e tempo. Deus não é simplesmente uma unidade no mundo dos fenômenos. apenas a toca como uma tangente toca um círculo. ele é infinito e soberano. mas na realidade não o toca.

podendo ser comprovada objetivamente. e o posicionamento de Barth nada mais é que uma opção por ficar em cima do muro. a conotação que essas duas palavras têm é bem diferente. o âmbito da Historie de nada vale para o crente.Profundamente influenciado pelos conceitos de história de Kierkgaard e de Franz Overbeck. Embora em uma atitude de revolta contra o liberalismo ele tenha exclamado: ―Seja Deus e não o homem‖. Geschichte se ocupa daquilo que une essencialmente. chegando mesmo a afirmar que toda a Bíblia é um documento humano falível e que buscar partes infalíveis nas Escrituras é ―simples capricho pessoal e desobediência‖. Objeções à teologia dialética de Karl Barth. em última instancia. Sua idéia de revelação. dentro da sua teologia dialética. a diferença entre a Bíblia como meramente um livro e a Bíblia como a Palavra de Deus depende exclusivamente da reação humana frente a este livro. Para Barth. principalmente no que concerne ao mundo dos fenômenos e dos números é muito grande. suas idéias podem ser chamadas de novo liberalismo. Para ele. Historie é a totalidade dos fatos históricos do passado. Barth não aceita a inerrância da Bíblia. não de Historie. porém sua influência continua sendo grande a ponto de podermos designar o século dezoito e o pensamento de Kant como protótipo da teologia contemporânea. sem dúvida. o homem é entronizado no centro da experiência religiosa. Mais uma vez a influência do pensamento de Immanuel Kant sobre a teologia de Karl Barth. Ainda que ambos os termos possam ser traduzidos por história. as idéias kantianas de fenomenal e numenal ―volta e meia‖ reaparecem com uma nova roupagem. a ressurreição de Jesus pertence ao âmbito de Geschichte. Barth dividiu a história em dois níveis: Historie e Geschichte. e até certo ponto. Em primeiro lugar. na prática. O que passo a expor agora são algumas críticas que se podem fazer ao pensamento de Barth. . Jesus deve ser confrontado no âmbito de Geschichte. podendo-se até dizer que a teologia contemporânea tem sua raiz em Konigsberg. Segundo Barth. pode-se dizer que ele suavizou algumas idéias mais incisivas. Alguns tomam o tema e o ampliam. Ele mesmo reconheceu alguns de seus excessos e poliu boa parte dos argumentos que enfatizou a princípio. Ao longo do desenvolvimento da teologia contemporânea. é puramente subjetiva. A inerrância das escrituras é uma das diferenças cruciais entre o liberalismo e o cristianismo ortodoxo. no alemão. ainda que as idéias de Barth representem uma revolta contra o liberalismo clássico. Por causa dos seus pressupostos liberais. Há. algumas críticas que se pode fazer à obra de Barth. na Prússia. Barth não conseguiu se livrar do ponto de vista crítico liberal das Escrituras. que exige algo de mim e requer meu compromisso.

afirma ele. Como Deus não é um objeto no tempo e no espaço. Ele exclui a razão a priori e deixa a porta fechada à percepção humana. quase todo o pensamento teológico moderno até a década de setenta envolverá a perspectiva de Barth. depois.1 Neo-ortodoxia: Analisando os pressupostos teológicos do novo liberalismo Karl Barth havia desencadeado uma tremenda revolução com seu comentário aos Romanos. separando o cristianismo da história. mas ao fazê-lo.O resultado final da dialética de Barth é a destruição da verdade objetiva. Emil Brunner talvez tenha sido um dos nomes mais conhecidos dessa nova escola. de Barth. argumentou contra ele. Tal como Kant. a revolução se ampliou consideravelmente. . A questão é: se Deus é assim tão indescritível e insondável. É claro que o propósito de Barth foi tirar do liberalismo o monopólio quanto ao método de interpretação. Podemos aceitar seus pressupostos ou acirrar-nos contra ele. 4. embora a teologia de Barth tenha sido responsável por uma prática religiosa em que os valores evidenciam a religiosidade do cristão. e nos anos que se seguiram. Ao que vemos. é claro. e ao fazê-lo. como poderemos aproximar-nos da verdade sobre Deus? Também a sua insistência em descrever Deus como ―Totalmente Outro‖ faz de Deus um ser indescritível. de fato. Sua teologia é de suma importância para o século vinte e. se avolumando sob a égide de um novo movimento teológico denominado ―neo-ortodoxia‖. Se toda comunicação histórica e toda experiência direta com Deus se encaixa em uma concepção pagã de Deus. e visto que a ―inescrutabilidade e recondidez formam parte da natureza de Deus‖. o homem não pode conhecê-lo diretamente. de que maneira o homem pode conhecê-lo? A separação que Barth faz da Historie e da Geschichte. Barth confina Deus ao mundo dos números e apresenta a dialética – a teologia do paradoxo – como sendo à única teologia possível. Ele revoltou-se contra o liberalismo teológico. acaba por solapar a base do cristianismo. ele jamais conseguiu se libertar completamente do liberalismo teológico de seus mestres Herrmann e Harnack. Ela argumenta na tradição de Nietzche e Overbeck. traz à tona a problemática concernente à historicidade da obra redentora de Cristo como fundamento do cristianismo. mas não pode livrar-se de seus pressupostos. mas nenhum teólogo de nossa época poderá jamais ignorar a teologia dialética de Karl Barth e sua influência no cenário teológico contemporâneo. também privou o cristianismo do seu lugar na história.

foi Barth quem foi apelidado de ―o papa teológico‖. Enquanto nos Estados Unidos ele era recebido como um dos mais importantes teólogos. bem como a metodologia da estrutura teológica neo-ortodoxa. O esboço que demonstraremos a seguir está baseado principalmente na obra Dogmática da Igreja. estudou em Zurich. . Na verdade. então o homem não pode ser responsabilizado pelo pecado que comete. indicamos alguns dos pressupostos. e em 1953 deixou a Suíça para tornarse professor na Universidade Cristã do Japão. Ele foi duramente criticado por Barth por afirmar que a imagem de Deus se encontra ainda no homem pecador e que Deus se revela na natureza. cabe a nós destacarmos os temas comuns. ou um ―isso‖. Agora. tendo exercido influência no oriente. A teologia de Brunner. tanto que ao final da década de cinqüenta. Temos que reconhecer que existe muita rivalidade no movimento. por exemplo. ele define o cristianismo e a teologia em termos mais relacionais que racionais. Berlim e também no Union Theological Seminary.Brunner foi um teólogo suíço residente nos Estados Unidos que também teve participação importante no desenvolvimento da teologia neo-ortodoxa. de Barth. conceito que é negado por Brunner. por volta de 1925. no Japão ele era conhecido como o único teólogo. Ele argumenta que Deus não pode ser tratado como um objeto de estudo. as criticas de Barth à Bultmann e as críticas que Bultmann devolveu à Barth. Em um capítulo anterior. Tornou-se professor de teologia em Zurich em 1924. Emil Brunner aceita a revelação geral. são indicativos de que as vozes dentro do movimento neo-ortodoxo nem sempre foram unânimes. A ferrenha diferença de opiniões entre Barth e Brunner quanto à realidade do nascimento virginal e da revelação geral. a neo-ortodoxia – às vezes chamada de barthianismo – cruzou muitas fronteiras. Barth aceita o nascimento virginal. é extremamente subjetiva. No Japão. apesar da influencia de Brunner. Buscando inspiração nos escritos dos filósofos Martin Bubber e Soren Kierkgaard. Essa influência de Barth no Japão deve-se principalmente aos escritos de Tokutaro Takahura. a discordância de Pannenberg acerca do conceito barthiano de história. liberal e neo-ortodoxa. Essa insistência em que Deus é sempre sujeito e nunca objeto será um tema bastante recorrente na teologia contemporânea. assim como a de Barth. o mundo inteiro sentiu o abalo da teologia barthiana. e a mesma é negada por Barth. as três principais correntes teológicas já eram mencionadas como sendo a conservadora ou ortodoxa. Nascido em 1889. mas se defendeu argumentando que se o homem pecador não é mais a imagem de Deus e se não há nenhuma revelação de Deus na natureza. em Nova Iorque. Desde os primeiros anos do comentário aos Romanos. mas devemos nos relacionar com ele apenas como um ―Tu‖.

O tema mais debatido pela neo-ortodoxia é o conceito de revelação. A revelação, segundo Barth, é uma perpendicular que vem de cima, e que por isso não pode se comparar com as melhores intuições humanas. A revelação é um evento no qual Deus toma a iniciativa. Também é dito que a revelação não pode comparar-se com a Bíblia, pois é superior a ela. A Bíblia e suas afirmações são testemunhas, são sinais indicadores da revelação, mas não é a revelação em si. A Escritura não é a Palavra de Deus, e nem as afirmações da Escritura são revelação. Segundo Barth, comparar a Bíblia com a Palavra de Deus é objetivar e materializar a revelação. Nesse mesmo terreno, Brunner definiu a revelação como sendo uma ocasião de diálogo em que Deus se encontra com o homem. Não se pode dizer que a revelação tenha acontecido, à não ser que ambos os participantes do encontro – a saber, Deus e o homem – se encontrem. O coração da revelação da Palavra de Deus, segundo a perspectiva neo-ortodoxa, é Jesus Cristo. De fato, Barth insiste tanto nessa idéia que chega ao ponto de negar a existência de qualquer outra revelação, à parte de Cristo. Para ele, a história da revelação e a história da salvação vêm a ser a mesma coisa. No Cristo de Barth, Deus revelou que não queria deixar o homem existir em pecado. Por isso, Barth insiste em que nunca deveríamos mencionar o pecado, a não ser que agreguemos imediatamente que o pecado foi derrotado, esquecido e vencido por Jesus. A reconciliação entre Deus e o homem se efetua por meio de Cristo. Jesus Cristo é o próprio Deus, isto é, é Deus que se humilha a si mesmo. Em sua liberdade, Deus cruza o abismo aberto e mostra que ele é verdadeiramente Senhor. Na encarnação, Deus se humilha a si mesmo. Barth não quer admitir a humilhação do homem Jesus. Segundo ele, dizer que a humilhação se refere ao homem é uma mera tautologia. Que sentido haveria em falar de um homem humilhado? A humilhação é algo natural no homem. Porém, dizer que Deus se humilhou a si mesmo, segundo Barth, é entender o verdadeiro significado de Jesus Cristo como Deus. Ele é o Deus que se humilha que se revela, e é também a própria essência da revelação. Barth afirma que Cristo, embora haja se humilhado como Deus, foi exaltado como homem. Ele se nega a admitir a idéia tradicional dos dois estados de Cristo, humilhação e exaltação, referindo-se à totalidade do Deus-homem em ordem cronológica. Para Barth, Deus se humilhou a si mesmo e o homem (a humanidade de Jesus) foi exaltada. Dizer que o estado de exaltação se refere a Deus também é mera tautologia. Que sentido haveria em falar em um Deus exaltado? A exaltação é algo natural em Deus. Segundo Barth, ―em Cristo, a humanidade é humanidade exaltada, assim como a divindade é divindade humilhada. E a humanidade é exaltada com a humilhação da Divindade‖.

A doutrina de Barth traz implícito o universalismo. Outro problema bastante polêmico dentro da neo-ortodoxia é a ambigüidade de seus proponentes no que concerne à possibilidade de salvação universal. Barth desde o início repudiou o conceito supralapsariano – que é a dupla predestinação – afirmando que a eleição não diz respeito a pessoas, e sim à Cristo. Ele afirma que a tarefa da igreja é proclamar que os homens já foram eleitos em Cristo, e que portanto, devem viver como escolhidos. Para Barth, a eleição não é um estado que adquirimos em Cristo, e sim uma vida de ação e serviço a Deus. Esse conceito barthiano implica em universalismo? Barth não afirmou, mas também jamais negou essa hipótese. Em uma de suas últimas conferências sobre a humanidade de Deus, ele disse que ―não temos o direito teológico de estabelecer quaisquer limites à misericórdia de Deus que se manifesta em Jesus Cristo‖. 4.2 Objeções à neo-ortodoxia. Como se pode observar, muitos pressupostos da neo-ortodoxia são resultantes da influência do liberalismo, o que torna algumas de suas propostas inaceitáveis para os teólogos ortodoxos. Há ainda muita polêmica dentro da neo-ortodoxia, não sendo difícil levantar objeções a essa corrente teológica. O que apresentamos a seguir são algumas objeções mais freqüentes que são levantadas contra a neo-ortodoxia. Primeiramente, a neo-ortodoxia coloca a experiência subjetiva acima da revelação objetiva. Para a neo-ortodoxia, a revelação não é simplesmente uma declaração de Deus ao homem, e sim um encontro divino-humano, uma confrontação e um diálogo existencial. De acordo com essa premissa, a Bíblia não pode ser a Palavra de Deus. Ela se transforma em Palavra de Deus à medida que Deus fala conosco por meio dela. Reconhece-se nessa premissa a dívida que a neo-ortodoxia tem com a escola de filosofia existencialista. A neo-ortodoxia conserva a linguagem teológica ortodoxa, porém a reinterpreta, e muitas vezes o resultado desta reinterpretação é tão nocivo quanto veneno no leite. As doutrinas do pecado original, da queda de Adão, da redenção, da ressurreição e da segunda vinda de Cristo são chamadas de mitos por Brunner e de saga por Barth. A interpretação que a neo-ortodoxia dá a essas passagens é acima de tudo existencial, quase nunca literal, sob alegação de que essas doutrinas não descrevem eventos na história, e sim condições históricas sob as quais todos os homens vivem. Gênesis 3, por exemplo, não deve ser tomado como história literal, sendo apenas uma forma simbólica de explicar a realidade do pecado e do orgulho na vida humana. Esse conceito de teologia não deixa nenhuma porta pela qual possa entrar a pregação da vinda do Filho de Deus como evento a ocorrer na história, por exemplo.

A insistência de Barth em Jesus Cristo como o coração da revelação é tão forte que o leva a negar a existência de qualquer outra revelação de Deus. Essa idéia é contrária a Bíblia, pois esta afirma que Deus se revela através da sua criação (Atos 14.17 e Romanos 1.19-20). O conceito barthiano e neo-ortodoxo de revelação também é contrário à doutrina bíblica da inspiração, e acaba por destruir o caráter bíblico de revelação canônica. Alguns acusam Barth de fazer uma interpretação dualista da encarnação de Cristo, pois ele parece fazer distinção entre as duas naturezas, repudiando por completo o credo da Calcedônia. Ora, Cristo não nos salvou apenas por meio da sua divindade, mas também por meio da sua humanidade. Nós temos paz por meio do sangue da cruz (Colossenses 1.20, Efésios 2.16) e não há nada mais humano que o sangue de uma pessoa. Ainda que Barth diz que nem afirma e nem nega a teoria da salvação universal, sua idéia de ―eleição universal em Cristo‖ parece uma espécie de neo-universalismo. Além disso, seu repúdio pelas descrições do céu e do inferno parecem um conceito de salvação bem diferente do que é apresentado nas Escrituras. O resultado dessa postura ―neouniversalista‖ é a destruição da gravidade da incredulidade, e deste modo a neo-ortodoxia destrói as advertências bíblicas contra a apostasia, bem como o chamado ao arrependimento e à fé. Por várias razões, muitos teólogos têm entendido mal a neo-ortodoxia. Essa corrente teológica pretende, entre outras coisas, ser um retorno ao ensino dos reformadores. A razão de ser da neo-ortodoxia é atacar o otimismo do liberalismo clássico e as corrupções da teologia católica romana. É sua intenção por em evidência a centralidade absoluta da pessoa de Cristo, a transcendência de Deus e a necessidade de revelação. Naturalmente, todos esses pontos básicos estão em harmonia com o conceito evangélico. Apesar disso, como se pode observar, a neo-ortodoxia se separa da fé cristã histórica não somente em algumas esferas pouco relevantes, mas também em seus conceitos básicos. Recomendamos as obras de Barth, Bultmann e Brunner – bem como de outros teólogos neo-ortodoxos – por sua influência e contribuição para o cenário teológico contemporâneo, mas a apreciação dessas obras deve ser feita com cautela e com espírito crítico. 5. Crítica da Forma: O método investigativo de Rudolf Bultmann No mesmo ano em que Karl Barth publicou seu comentário aos Romanos, apareceram mais dois livros acerca de temas neotestamentários que anunciavam uma nova mudança nos estudos críticos. O livro Die Formgeschichte des Erxrngeliums, de Martin Dibelius (1883-1947), foi o responsável por popularizar o jargão teológico crítica formal. Outro livro, Der Ráhmen der Geschichte Jesus (1919), de Karl L. Schimidt, pretendia ser o golpe de misericórdia dos liberais contra a confiabilidade do Evangelho de Marcos. Porém, mais que a estes dois nomes, a coluna vertebral dessa nova mudança estaria associada a um outro nome: Rudolf Bultmann. O livro de Bultmann que revolucionou a história dos estudos da Bíblia foi History of the Synoptic Tradition (História da tradição dos Sinóticos), escrito em 1921. A influência de Bultmann no campo da crítica sobrepujou a de Dibelius.

Milagres. ―imediatamente‖. editou e organizou os livros canônicos de forma artificial. usam uma adaptação do seu método crítico. etc. Para dar aos Evangelhos um detalhe harmônico. consistindo basicamente de ditos e relatos individuais referentes a Jesus e aos seus discípulos. tendo sofrido acréscimos por parte da comunidade cristã primitiva. histórias controvertidas e profecias cumpridas seriam nada mais que uma tradição proveniente de uma fonte tardia e menos confiável. Como disse K. inventando lugares. Segundo os seus proponentes. tal como a temos hoje seria apenas uma compilação de lendas e ensinos isolados que foram ardilosamente inseridos como sendo parte da história original. ainda que receosos quanto à nova matéria que estava associada principalmente ao nome de Bultmann. que teria sido anterior aos quatro Evangelhos canônicos e diferente dos mesmos. tempos e enlaces para unir as tradições independentes. Segundo a crítica formal. nós ―não possuímos a história de Jesus. teriam sido acrescentados detalhes quanto à seqüência. Frases como as dos Evangelhos. ―no dia seguinte‖. um dos pioneiros no campo da crítica. tais detalhes não são confiáveis. Com respeito à confiabilidade da Bíblia. partindo da premissa de que a igreja primitiva compilou. . Shimidt. lugares. é em grande parte espúria. de acordo com seus próprios propósitos apologéticos e evangelísticos. O labor do crítico formal é mostrar que a mensagem de Jesus. cronologia. inclusive histórias independentes acerca de Jesus. ao refutar as conclusões de Bultmann. ―em um barco‖. 5. Bultmann vai mais além. e afirma que a Bíblia não é a Palavra inspirada de Deus em nenhum sentido objetivo. a Bíblia é o produto de antigas influências históricas e religiosas. temos apenas histórias sobre Jesus‖. Os autores dos evangelhos procuraram unir várias tradições orais independentes e contraditórias que existiam na igreja antes que fosse escrito o Novo Testamento. ―em uma viagem‖ – são apenas meros recursos literários usados pelos compiladores dos Evangelhos para unir todas as narrativas. A Bíblia. Para ele. Até mesmo os seus críticos. e deve ser avaliada como qualquer outra obra literária religiosa antiga. O propósito da crítica formal é encontrar o Evangelho por detrás dos Evangelhos. os quatro Evangelhos que dispomos servem apenas como ―matéria prima‖ na nossa busca pelo verdadeiro Evangelho. Aos poucos.L. tais como Oscar Cullmann e Joachim Jeremias. A igreja ajuntou essas tradições e usou em forma de narrativa.O método crítico de Bultmann é de fato.1 O método investigativo da crítica formal. Inglaterra e Estados Unidos. bem como outros países com tradição no estudo da teologia. tal como temos nos sinóticos. Essas tradições orais também não são dignas de confiança. acolheram vários pressupostos da crítica formal. importante. A premissa fundamental da crítica formal é que os evangelhos são o produto do labor da igreja primitiva.

entre outros. o método crítico de Rudolf Bultmann é demasiadamente injusto com a natureza do Novo Testamento. e Marcos e Lucas para os gentios. pois há menção da pessoa de Cristo nos escritos dos Pais apostólicos. continuam refletindo o Jesus sobrenatural. 5. sendo antes disso um testemunho da fé dos crentes. A crítica formal nos lembra que o evangelho se conservou oralmente durante pelo menos uma geração. o resultado dessa metodologia é essencialmente anti-sobrenaturalista. Consenso com os cristãos ortodoxos. e não existem outras fontes acerca de Jesus‖. como por exemplo. Mateus para os judeus. Cada um deles foi escrito com uma idéia. Ela também nos recorda que os Evangelhos não são relatos neutros ou imparciais. . alguns dos pontos sustentados pela neo-ortodoxia. Não há dúvida que Jesus viveu e realizou muitas das obras que lhe são atribuídas. a crítica formal nos lembra que os Evangelhos não se interessavam grandemente por detalhes geográficos e cronológicos. Ele disse: ―Creio que não podemos saber quase nada acerca da vida e personalidade de Jesus. filho de Deus. antes de adquirir a forma escrita do Novo Testamento. e até mesmo com alguns pressupostos de Bultmann.Por fim. Como tais. A crítica formal também nos recorda o caráter ocasional dos Evangelhos.3 Objeções ao método crítico de Rudolf Bultmann. por considerá-las principais. Todos os documentos do Novo Testamento. E por último. o que temos nos Evangelhos canônicos são apenas resíduos do Jesus histórico. Para Bultmann. expressam em primeiro lugar uma preocupação vital com a problemática da época. É claro que o comentário de Bultmann é preconceituoso e tendencialista. sendo fragmentadas e lendárias. Flávio Josefo e Tácito. por maiores que foram os esforços de Bultmann. Há várias objeções que se pode fazer ao criticismo de Bultmann. ele não conseguiu demonstrar objetivamente o Jesus ―não-sobrenatural‖. Os cristãos ortodoxos aceitam. É claro que esses pontos consensuais são superficiais. não importa a forma em que a crítica formal os selecione. Assim como a teologia dialética de Barth. de forma quase consensual. Além disso. já que as fontes cristãs primitivas não se interessam por isso. dentre as quais destacaremos cinco. em uma ocasião histórica específica. principalmente quanto à possibilidade do sobrenatural e do chamado ―Jesus histórico‖. mas ele se mostra extremamente cético. como a comunidade cristã ortodoxa havia pensado e praticado anteriormente.

1-4). Eles reduzem Mateus. o cristianismo dos apóstolos não passava de versões falhas sobre Cristo e sua mensagem. os apóstolos eram uma fonte autorizada de informação com respeito dos atos e doutrinas de Cristo. Isso tudo viola injustamente a unidade do relato evangélico. e não criar uma versão mitológica e deturpada do Evangelho.1-2). eles não podem ser um esquema historicamente confiável sobre a vida de Cristo. Em Atos 4. Eles também ignoram que o Novo Testamento. e ainda nos apresentam marcos diferentes da vida de Jesus. O que eles não levam em conta é que dentro dos limites de um esquema histórico amplo. Segundo a crítica formal. Os Evangelhos possuem uma unidade básica de testemunhos confiáveis de Cristo. A crítica formal também é injusta com os escritores dos relatos evangélicos. está claro que os apóstolos exerciam um controle estratégico da mensagem oficial da igreja durante os anos de transmissão oral. cada Evangelho é um marco histórico de certos aspectos da vida de Cristo. como no prólogo de Lucas (Lucas 1. e sim a preservação e proclamação das antigas tradições. e não Cristo.5). Os críticos da tradição de Bultmann argumentam que. Eles eram testemunhas oculares. a crítica de Bultmann é exagerada porque exige dos escritores dos Evangelhos algo que eles não quiseram fazer.1.A primeira delas está relacionada com a história. Sua presença tinha como finalidade impedir que surgissem versões deturpadas do Evangelho. e os Evangelhos a relatos contraditórios. Sua maior responsabilidade não foi a criação de novas tradições. A igreja a qual Paulo e seus companheiros testemunharam não foi criadora (2 Coríntios 4. Na verdade. porém. Diferente do que dizem estes críticos. a pesar dos muitos sucessos. mas apenas receptora da verdade. mas a crítica formal não reconhece a diversidade de transmissão oral dentro da unidade dos relatos evangélicos. O método crítico de Bultmann separa o cristianismo de Cristo. . A verdade. várias vezes eles se mostram cautelosos com os dados históricos. e não na comunidade cristã. A grande premissa deste método de estudo é que a comunidade cristã. Marcos e Lucas a meros compiladores de documentos. por se tratar de uma crônica de contínuos sucessos. Não há embasamento sólido para a teoria da inconfiabilidade histórica dos Evangelhos.54-58) e a sua agonia no Getsêmani. narra também alguns fatos embaraçosos. Além disso. Porém. exerceu o papel mais importante na produção dos Evangelhos. é que a mensagem neotestamentária está centrada na pessoa de Cristo e no que ele fez (2Coríntios 4.21-22. mas não eram historiadores treinados. apesar disso. cada evangelista distribuiu seu material histórico de acordo com seus propósitos. como a ausência de sinais de Cristo em sua terra natal (Mateus 13.

está demasiadamente comprometida com os pressupostos do liberalismo para que possa ser considerada uma analise imparcial dos fatos. é justamente o contrário: os Evangelhos foram recebidos com muita alegria e divulgados pelas igrejas. é uma analise preconceituosa do relato evangélico. Europa e da Ásia. 5. como os críticos desejam que seja. O que ocorre. apresentamos uma parte muito importante da influência atual de Bultmann. a idéia recebeu um novo estímulo quando o John Robinson discorreu sobre o tema em seu livro Honest to God. segue-se irrefragavelmente que a crítica da Bíblia tal como aparece em Rudolf Bultmann. a ponto de instigar consideravelmente os teólogos dos Estados Unidos. O primeiro relato documental foi feito por Marcos e as evidências demonstram que ele foi escrito cerca de vinte e cinco anos após os eventos por ele narrados. Apesar disso. . Essa palavra cacofônica é uma terminologia que foi popularizada por Bultmann em um ensaio escrito em 1941. e se por um lado a Alemanha perdeu pouco a pouco o interesse pelos pressupostos da desmitologização. além de ser ainda hoje a parte de sua formulação teológica mais controversa. eles esquecem que o intervalo entre os fatos acontecidos e o registro desses fatos é muito pequeno.A crítica formal parece esquecer que o lapso de tempo entre os fatos históricos e os documentos escritos é mínimo. No capítulo anterior. Não é possível sintetizar todo o pensamento de Bulmann em uma única palavra.3 Desmitologização: O método interpretativo de Rudolf Bultmann Uma das palavras chaves para entender a teologia do século vinte é a ―desmitologização‖. muitas das testemunhas oculares estavam vivas e poderiam facilmente desmascarar os escritores. O impacto desse conceito na Europa foi tremendo. entre as quais está a desmitologização. a teologia da desmitologização é sem dúvida uma parte importantíssima da teologia contemporânea e merece destaque entre as idéias que Bultmann ajudou a preconizar. O problema em dizer que o NT está repleto de material lendário é que vinte e cinco anos é muito pouco tempo para se formar uma lenda. Quando as primeiras versões evangélicas começaram a circular. porém. De tudo isso. e continuar exercendo influência no pensamento teológico contemporâneo ocidental? É isso que estaremos analisando neste capítulo. tornando-se a partir daí um jargão teológico. caso estes fossem impostores e estivessem inserindo mitos na narrativa. Outras idéias dele também permearam o cenário teológico do século vinte. de 1963. Mas a crítica formal não foi a única contribuição de Bultmann à teologia contemporânea. Quando Bultmann e outros críticos da Bíblia dizem que a narrativa evangélica está repleta de fábulas que se acumularam durante o período entre a tradição oral e a palavra escrita. O que será que há de tão controverso e ao mesmo tempo tão atraente nesse conceito de Bultmann.

O programa de desmitologização. No centro do programa de desmitologização de Bultmann consta na afirmação de que no Novo Testamento encontram-se duas coisas: O Evangelho cristão, por um lado. A cosmogonia do século primeiro, de índole mitológica, de outro lado. Sendo assim, o teólogo contemporâneo precisa separar o kerigma (transliteração da palavra grega que significa ―conteúdo da pregação‖), de sua envoltura mitológica. O kerigma seria a entranha irredutível na qual o homem moderno deve crer. A idéia de mito, para Bultmann, tem sua origem no pensamento pré-científico do século primeiro. O propósito do mito seria expressar a maneira como o homem vê a si mesmo, e não apresentar um quadro objetivo e histórico do mundo. O mito emprega imagens e termos tomados deste mundo para transmitir convicções acerca do enfoque que o homem tem de si mesmo. No século primeiro, o judeu entendia o seu mundo como um sistema aberto a Deus e aos poderes sobrenaturais. Nessa era pré-científica, acreditava-se que o universo tinha três níveis, com o céu acima, a terra no centro e o inferno debaixo da terra. Bultmann insiste que essa é a visão de mundo encontrada na Bíblia. Esta inserção mítica, segundo Bultmann, também foi utilizada para transformar Jesus. A pessoa histórica de Jesus, segundo esse professor, se converteu rapidamente em um mito do cristianismo primitivo, e é por isso que Bultmann argumenta que o conhecimento histórico de Jesus não tem valor para a fé cristã primitiva, pois o quadro apresentado pelo Novo Testamento é de índole essencialmente mítica. Os fatos históricos acerca de Jesus se transformaram em uma história mítica de um ser divino e preexistente que se encarnou e expiou com seu sangue os pecados de todos os homens, ressuscitando também dentre os mortos e subindo ao céu e, segundo se cria, regressaria rapidamente para julgar o mundo e iniciar uma nova era. Esta história também foi embelecida com histórias milagrosas, vozes celestes e triunfos sobre demônios. Bultmann afirma que toda essa apresentação que o Novo Testamento faz de Jesus não passa de mito., isto é, do reflexo do pensamento pré-científico das pessoas do século primeiro, que criaram esses mitos para entenderem melhor a si mesmos. Esses mitos, segundo ele, não tem nenhuma validade para o homem do século vinte, que acredita em hospitais, e não em milagres; em penicilina, e não em orações. Para transmitir com eficácia o evangelho ao homem moderno, devemos despojar o Novo Testamento dos mitos e encontra o Evangelho por trás dos Evangelhos. É este processo de descobrimento que Bultmann chama de desmitologização.

O processo de desmitologização, segundo o próprio Bultmann, não significa negar a mitologia, e sim interpretá-la existencialmente, em função da compreensão que o homem tem de sua própria existência. Bultmann busca fazer essa interpretação existencialista dos mitos utilizando conceitos do filósofo existencialista alemão Martin Heidegger (1889). Assim, ele afirma que o suposto nascimento virginal de Cristo é uma tentativa humana de expressar o significado de Jesus para a fé. A cruz de Cristo também perde seu significado expiatório. Cristo na cruz não está fazendo nenhuma substituição vicária: ela tem significado apenas como símbolo de que o homem assumiu uma nova existência, renunciando toda a segurança material por uma vida que se vive apoiado no transcendente. Características básicas da mitologia do Novo Testamento. Em ultima análise, Bultmann diz que as características básicas da mitologia do Novo Testamento se concentram em duas categorias de autocompreensão: a vida fora da fé e a vida de fé. A vida fora da fé. Nesse sentido, os termos conhecidos como pecado, carne, temor e morte são apenas explicações míticas da vida fora da fé. Em termos existenciais, pode-se dizer que significam uma vida escrava das realidades tangíveis, visíveis e que perecem. A vida de fé. A vida de fé, por outro lado, consiste em abandonar completamente esta adesão às realidades tangíveis. Significa ainda a libertação do próprio passado e a abertura para o futuro de Deus. Para Bultmann, essa abertura ao futuro de Deus é o único significado real da escatologia. A implicação desse pensamento é que o viver escatológico genuíno é viver em constante renovação através da decisão de obedecer. Objeções à doutrina de Bultmann. A teologia de Bultmann é anti-cristã e herética, e o nosso juízo sobre ela deve ser negativo por vários aspectos: Primeiro, a desmitologização, assim como a neo-ortodoxia, tem grande dívida com a filosofia existencialista, que está em desacordo com o Novo Testamento. No existencialismo, assim como na neo-ortodoxia e na teologia da desmitologização, o enfoque central é o próprio homem, quando na Bíblia o enfoque é Deus. Sob influência do existencialismo, Bultmann coloca o homem no centro das atenções, cometendo uma injustiça e porque não dizer, sendo desonesto para com o caráter teocêntrico do Novo Testamento. O verdadeiro propósito do Novo Testamento é proclamar que o Deus soberano veio ao mundo na pessoa de Jesus para restaurar a natureza humana e resgatar a humanidade. O coração do Novo testamento continua sendo Deus, e não o Homem.

A desmitologização destrói a objetividade do NovoTestamento, portanto, é anticristã. Ela converte a Bíblia em uma religiosidade baseada no irreal e pré-científico. A religião cristã se transforma em um aglomerado de mitos e a historicidade dos eventos milagrosos é logo descartada. Herman Riddebos nota que, segundo Bultmann, Jesus ―não foi concebido pelo Espírito Santo, nem nasceu da virgem Maria. Sofreu sob Pôncio Pilatos e foi crucificado, mas não desceu ao hades, não ressuscitou dos mortos e nem subiu aos céus. Também não está assentado à direita de Deus Pai e não voltará para julgar os vivos e os mortos‖. Segundo Bultmann, ressurreição, inferno e nascimento virginal são palavras desprovidas de significado real, não sendo literais. São dogmas mitológicos e não expressam nenhuma realidade objetiva. O mesmo ocorre com a trindade, com a expiação vicária e com a obra do Espírito Santo. O cristianismo primitivo está marcado pelo impacto da pessoa e da obra de Cristo. Não existe outra justificativa capaz de explicar o nascimento da igreja e da sua teologia, porém Bultmann reduz sua influência à zero. Ele preconceituosamente assume uma postura anti-sobrenaturalista e presume, com base em seus conceitos tendenciosos e sem nenhuma evidência plausível, que todos os relatos confiáveis acerca de Jesus ficaram suprimidos ou destruídos no breve período que transcorreu entre sua vida terrenal e o início da pregação evangélica. Seu ceticismo é insustentável. Será que 50 dias é tempo suficiente para que os discípulos viessem a esquecer tudo o que ouviram e viram? Não foi só Heidgger que influenciou a teologia de Bultmann. As idéias de David Hume, o cético escocês, haviam influenciado o mundo e seu legado se estendia à época de Bultmann. É injustificável a negação de Bultamann dos relatos sobrenaturais e a classificação arbitrária desses relatos como sendo essencialmente mitológicos. Também podemos perceber várias pressuposições do liberalismo clássico na obra de Bultmann, razão pela qual tanto o seu método crítico como sua teologia da desmitologização ganharam o apelido de neo-liberalismo. Bultmann é totalmente incoerente ao basear suas idéias nas Escrituras, pois o que ele chama de mito, a Bíblia chama fato. Seu antropocentrismo pode estar bem de acordo com a filosofia existencialista, mas é totalmente oposto ao caráter teocêntrico do Novo Testamento. O desvendamento das Escrituras pela desmitologização é herético. Ao contrário do que Bultmann pretende, não é a desmitologização que desvendará de modo compreensível as Escrituras para o homem moderno, e sim o Espírito Santo. Somente ele, segundo a Bíblia, é que pode dissipar as trevas da incredulidade levando o pecador a ver o Evangelho. Com seu método interpretativo, Bultmann nos desafia a compreender o homem moderno, quando pregamos a ele. Esse enfoque é digno e necessário, mas não é ―desmitologizando‖ o Evangelho e interpretando-o existencialmente que nós solucionaremos os problemas da humanidade. Ao apresentar a mensagem cristã ao homem moderno, devemos ter em mente que por mais moderno que ele seja, ele ainda é homem natural, e portanto ―não pode compreender as coisas que são do Espírito de Deus, porque lhe parece loucura‖ (1 Coríntios 2.14). Creio que esse versículo, mais que qualquer outro, pode ser aplicado ao método interpretativo de Rudolf Bultmann.

Heilsgeschichte: A escola teológica do Dr. principalmente ao fazer distinção entre os elementos essenciais e acidentais da mensagem do Novo Testamento. Também foi influenciado pela compreensão cristocêntrica do barthianismo e pelo conceito definitivo do papel da fé na revelação divina. O mais interessante na obra de Cullmann é que. enfatizou a importância da história para a compreensão adequada da Bíblia. Ele diz que Barth e Bultmann assimilaram noções filosóficas estranhas ―que corromperam sua percepção da mensagem espontânea do Novo Testamento‖. Ainda que seu conceito de história está bastante renhido com o evangélico. como J. O Novo Testamento.K. De Rudolf Bultmann. ao mesmo tempo em que Cullmann manteve algumas idéias de Barth e Bultmann. de que Deus atua na história. ele não temeu desassociar-se desses homens. ele submeteu suas interpretações ao contexto que lhe oferecia a própria Escritura. Diferente desses dois homens. é arbitrário e ingênuo. Cullmann é a pessoa que popularizou o termo no século vinte. Oscar Cullmann. von Hofmann e Adolf Schlater. Cullmann é a ênfase cristológica de seus escritos. deve ser a chave para a compreensão de si mesmo. Ainda que o significado e origem de heilsgeschichte remonta aos teólogos alemães do século dezenove. segundo ele. Outro ponto importante na teologia do Dr. Esta diferença entre Cullmann e seus contemporâneos pode explicar porque muitas de suas idéias têm sido aceitas aos evangélicos ocidentais. que pode ser traduzida para a língua portuguesa como história da salvação. Neste mesmo sentido. cujos pressupostos já foram apresentados. o impulso de Bultmann.C. o Dr. o Dr. ao passo que as idéias de Barth têm sido rejeitadas.6. Seus escritos são menos dependentes do existencialismo e de outros pressupostos filosóficos. é sábio referir-se as idéias de Oscar Cullmann como sendo neo-ortodoxas em sua orientação. . a Heilsgeschichte de Cullmann tomou muitas idéias básicas para um novo enfoque da história. Neste livro ele afirma que a teologia cristã primitiva é quase exclusivamente cristologia. Segundo Cullmann. De Karl Barth. Cullmann tomou os métodos exegéticos da crítica formal para aplicá-lo em sua reconstrução da história do Novo Testamento. comunga muito bem com a teologia ortodoxa. e mais dependentes da exegese bíblica do que a obra de Barth e Bultmann. sua ênfase na idéia central da história da salvação. perito no Novo Testamento. porque parte da obra de Cullmann foi escrita de modo a refutar e interagir algumas idéias de dois importantes teólogos contemporâneos. Um dos livros mais inteligentes de Cullmann é um estudo exegético dos títulos de Cristo no Novo Testamento. Heilsgeschichte. Devido a essa relação com os escritos de Barth e Bultmann. Introduzir neste ponto nosso estudo sobre Cullmann e a Heilsgeschichte é intencional. Oscar Cullmann Parte do mundo teológico do século vinte gira em torno de uma palavra alemã. A palavra ganhou um significado mais pleno dentro da teologia ocidental contemporânea após os escritos do teólogo suíço. a saber: Barth e Bultmann. se opondo fortemente a muitas características radicais da crítica formal e da desmitologização.

sendo ela mesma a chave de ação na linha estreita da história bíblica. Isso implica em uma nova perspectiva escatológica. porém. e não uma realidade em si mesma. como escola de interpretação teológica insiste principalmente na história e na revelação de Deus na história. para Cullmann. portanto. em todo o seu poder e glória. Cullman e os outros teólogos da história da salvação ainda têm dificuldades em considerar o significado da salvação como algo objetivamente acessível. a escatologia inclui todos os sucessos salvadores a partir da encarnação e concluirá com a segunda vinda. quando o interprete a conhece.unho de Cristo. O tempo. e o estudioso participa dessa história pela fé. depois do qual viriam as glórias da era vindoura. A Bíblia dá testemunho que Jesus é o messias e que ele deu início a essa nova era. e continua falando da experiência religiosa como ponto de apoio da revelação. perito em Antigo Testamento da mesma escola. o centro da história. Como afirmou George Ernest Wright. A razão pela qual Cullmann não admite que o Evangelho seja revelação é justamente essa: aceitar o Evangelho seria limitar a ação de Deus a essa linha estreita. e não em mitos levantados pela igreja. . não em palavras. Devemos entender o Novo Testamenticomo testemunho dos atos reveladores de Deus‖. O dado básico passa a ser a história santa e a Escritura passa a ser apenas uma constante desse dado definitivo. ―a revelação se dá em fatos históricos. é algo no qual Deus atua para realizar a salvação do homem em Cristo. A batalha que decide a vitória final já teve seu lugar. Obviamente que essa é uma idéia neo-ortodoxa. Os judeus no tempo do Novo Testamento aguardavam a vinda do Messias-Salvador como o anuncio iminente do fim do mundo. Quanto à revelação. Cullmann consequentemente está privando a Escritura de ser o dado básico da religião cristã. Para Cullmann. A igreja. mas sua finalização está reservada para o tempo da segunda vinda. quando o Reino de Deus estará presente de modo pleno. passa a ser revelação. Cullmann afirma que o interprete somente conhece a história quando se identifica com ela. ao enfatizar a história como veículo da revelação. apareceu na história da salvação na fase final do plano de redenção divino. segundo Cullmann. são um drama mundial e Jesus é a figura principal neste drama. A história. A revelação e a redenção divina estão baseadas em realidades históricas bem objetivas. como afirma Bultmann. A Heilsgeschichte (daqui por diante nos referiremos a ela apenas por história da salvação). de modo que a história se encontra em um drama cósmico.Principais postulados da escola Heilsgeschichte de teologia. Toda a história e todo o tempo. A pesar da forte insistência na historicidade dos relatos bíblicos. A ação central na história da salvação é a primeira vinda de Jesus Cristo como Salvador. As bênçãos da era vindoura começaram com a obra e o testem.

6. Junto com isso. o que mostra que ele não está totalmente disposto a admitir a realidade da revelação como verdade infalível contida na Escritura. ela nem mesmo é revelação. Começava a nascer então a teologia da secularização. É verdade que a teologia da igreja primitiva estava marcada pela cristologia (2Coríntios 13. Suas idéias exegéticas a respeito das escrituras também são parte significativa de sua contribuição para a teologia.14). têm se demonstrado especialmente úteis. Desde Karl Barth. Suas idéias acerca da relação entre a escatologia e a primeira vinda de Cristo. Cullmann chama o relato Bíblico da criação e a segunda vinda de mitos. Na idade média houve uma forte tendência eclesiástica de sacramentalizar a sociedade. O maior propagador da história da salvação crê que. o uso que ele mesmo faz do criticismo faz distinção entre a Bíblia e a palavra de Deus. João 1. 7. de tal forma que o pensamento teológico acerca do Reino de Deus se mesclou com as pretensões do papado. Com relação ao conceito de Cullmann sobre a revelação.1 O pensamento de Cullman e a ortodoxia teológica. Sua forte insistência na salvação como um sucesso histórico centrado em Cristo é muito útil como defesa apologética e refuta a contento o programa de desmitologização de Bultmann. sua ênfase exclusivamente cristológica acaba por converter o cristianismo em cristomonismo – para usar uma terminologia barthiana – . A intenção era trazer o Reino de Deus através da força militar e plantar suas idéias na sociedade. pois ao enfatizar demais o cristocentrismo. a teologia da Heilsgeschichte se parece muito com a teologia ortodoxa.18 e 1Coríntios 15. A teologia da reforma sempre insistiu na necessidade da iluminação do Espírito Santo para compreender a revelação de Deus (1 Coríntios 2. . ele acaba por negligenciar as formulações cristãs históricas da doutrina da trindade. a menos que o homem a entenda. Apesar da crítica que Cullmann faz do uso da crítica formal por parte de Bultmann. Em meados do século vinte. Cox e Buren: Uma teologia do mundo para o homem moderno. Teologia Secular: Robinson.31-39. Como já foi esposado anteriormente. também deveríamos advertir que ele continua dependendo muito do subjetivismo da neo-ortodoxia.28). inclusive para corrigir certa insistência ortodoxa do passado. e no período pós-guerra esse clamor se intensificou e se homogeneizou com algumas idéias extremamente sociais e humanistas. a tendência parecia ser a oposta. mas era também uma teologia trinitariana (Romanos 8. o leitor evangélico deve ter sempre presente que os pressupostos básicos de Cullmann são os de Barth e Bultmann e consequentemente essas mesmas idéias às vezes são um estorvo para o exame e compreensão da história da salvação. havia um forte clamor por um cristianismo menos dogmático e mais vivenciável. Por último.13). em última análise.

Robinson reafirma que Deus é o fundamento do nosso ser. O problema é que ao invés de buscar a moderação entre a transcendência e a imanência de Deus. os cristãos consagrados serão uma minoria consciente no ocidente. O livro de Robinson começa com o convencimento de que a idéia de um Deus ―lá em cima‖. cristãos secularistas é ―ama a Deus e faça o que quiser‖. Uma das manifestações mais abertas e nocivas dessa ―deserção secularista de Deus‖ que caracteriza a apostasia. foram marcados por uma forte tendência secular. porém.4). ele continua influenciando a igreja e seus ensinos sadios. apresenta o secularismo não como inimigo da igreja. de Harvey Cox. como ramificação da teologia secular. e acrescenta que a igreja nunca deveria ser uma organização para homens religiosos. De fato.Poucos sabem. de Barth e na filosofia de Kant deve ser deixada de lado por se tratar de uma idéia antiquada e errônea. porém. escrito em 1965. mas sim o mundo e as suas necessidades. o final do século vinte e início do século vinte e um. A Cidade Secular. Sendo esse um movimento com muitas posições extremas. mesmo quando pensavam que a idéia de Deus era obsoleta.1 A postura da teologia secular. não deve haver uma distinção entre igreja e mundo. O centro de interesse dessa nova teologia não é a igreja. Cox entende o processo histórico pelo qual a sociedade se liberta do controle da igreja e dos sistemas metafísicos fechados. rodeados por um paganismo agressivo e arrogante. O conhecido movimento da morte de Deus talvez tenha já morrido como moda teológica. está mudando vertiginosamente. segundo ele. mas o secularismo tão presente e difundido em nossa era. algo totalmente imanente. Em outro livro. Esse tipo de concessão. tanto que se cumpre hoje o que foi dito por certo comentarista: ―no fim do século vinte. O Deus da Bíblia. 2 Coríntios 4. 7. Por secularismo. deve ser redefinido como sendo o Deus deste mundo (cf. já esteve organizado em um forte sistema religioso. apostasia deliberada e oposição aberta ao sagrado. . resiste a toda definição. Quais seriam os pressupostos dessa teologia do mundo? Que idéias os chamados teólogos seculares defendem? O que apresentamos à seguir são as principais idéias esposadas pela teologia do mundo. encontra sua versão religiosa no que passou a chamar-se teologia secular. Esse radicalismo ateológico ganhou proporções gigantescas no best-seler de John Robinson. Honest to God (1963). O lema desses novos ―crentes‖. que é o desenvolvimento lógico da nossa tendência secularista‖. ele parte para a idéia de um Deus no nosso interior. ainda que exige atenção. os secularistas conservaram alguma forma moderada de religião. mas como fruto do evangelho. tão transcendente como na teologia de Kierkgaard. se percebem as mesmas exigências teológicas. A princípio. talvez por medo de se oporem ao amor e ao culto cristão.

O espírito ativista de Hitler é o espírito da teologia secular. seus pressupostos nos trazem à mente uma verdade que foi expressa pelo próprio Bonhoeffer. a pergunta ―Como posso encontrar um Deus benigno?‖ deve ser substituída por ―Como encontrar um próximo benigno?‖. Na teologia secular. não a assassiná-los. Harvey Cox diz que devemos deixar de falar da ontologia antiquada para começarmos a falar de funções e de ativismo dinâmico. o mais radical dos teólogos seculares é Paul Van Buren. e não lutar contra elas. .Eles reclamam que a igreja tem se esquivado e racionalizado quanto as suas falhas em não enfrentar-se com os males sociais e políticos. Sem dúvida. Nas palavras de Robinson. não há espaço para o Jesus salvador. cujo Deus é literalmente o Deus deste mundo (2 Coríntios 4. A terceira objeção diz respeito à possibilidade do sobrenatural. A idéia liberal de que Jesus foi apenas um homem bom que viveu perto de Deus ganhou vida dentro da teologia secular. em seus razoamentos teológicos afirma que o próprio Deus deve ser excluído do cenário teológico. e a idéia do céu é chamada por eles de ―escotilha de escape‖.44). O campo é o mundo. Assim também. O cristianismo. Com respeito a isso.4). a orar pelas autoridades (1 Timóteo 2. escritas na prisão. O único mundo real é o aqui e agora. pastor alemão executado pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial por participar de um complô contra a vida de Hitler. assim como Cox e Buren. e Cristo deve ser visto como o paradigma da existência humana. a de que ―não se pode encerrar a Cristo na sociedade sagrada da igreja‖. Robinson fala da expiação como ―a entrega completa de Jesus em amor‖. no qual ele ―revela que o fundamento do ser humano é o amor‖. um bom exemplo. enquanto este aguardava a execução. no máximo. A conduta de Bonhoeffer é reprovável e anti-cristã. segundo ele.Em primeiro lugar. a voz mais eloqüente foi Dietrich Bonhoeffer. Ele. os teólogos seculares estão de acordo que os problemas deste mundo deveriam ser uma das preocupações vitais da igreja.2). deve ser reconstruído sem Deus. Existe na teologia secular um esforço para minimizar o sobrenaturalismo. A Bíblia nos instrui a amar nossos inimigos (Mateus 5. e a nossa teologia não deve ser confinada às quatro paredes da nave de um templo. Buren. e talvez seja essa a razão pela qual ele chegou a ser considerado uma espécie de patrono do secularismo teológico. Muitos dos valores desse movimento teológico foram retiradas do diário e das cartas de Bonhoeffer. repudia a idéia de uma expiação sobrenatural e perdoadora. É uma teologia totalmente naturalista. Porém. os teólogos seculares rejeitaram totalmente o reino sobrenatural e a segunda vinda de Cristo. Ele é. Os teólogos seculares também afirmam que nossa teologia deve expressar um espírito de secularização.

e não apenas servos. A teologia secular. apesar do prejuízo causado ter sido maior que o bem que ela tem feito. eles ignoram o sobrenatural. demonstram seu preconceito quanto ao mundo fenomenal. mas.22 ss. eles esquecem que o amor de Deus escolhe filhos. A teologia secular demonstra o desejo de uma reformulação do cristianismo em termos que sejam aceitáveis para o pensamento moderno e que possa ser traduzido em termos compreensíveis para o homem do século vinte.). O problema é que eles não somente captaram. Além do mais. A vida cristã é um viver com Deus.7. não tinham pensado em fazer. e não esperam um reino futuro. e não para servir a ele. A teologia secular fala de um reino centralizado na obra e no futuro de um homem autônomo. Tal como Bultmann. A teologia secular é radical e antibíblica. uma da suas contribuições para a teologia ortodoxa foi plantar algumas perguntas que os teólogos.11 ss. quando uma coisa só é necessária. Sua teologia é a essência da apostasia descrita na Bíblia como característica do tempo do fim. Eles não querem uma Bíblia sobrenaturalmente inspirada. 12. Os teólogos seculares vestem seu humanismo de jargões teológicos e nos ensinam a viver no mundo de Marta. nunca no homem (cf. senão que deixaram dominar-se por ele. O único reino que a Bíblia conhece está centralizado no poder e na obra de Cristo. . em seu repúdio pela metafísica e a ontologia.2 Avaliação da teologia secular. Mateus 11. e muitas delas têm repercussão missionária e verdadeira importância na contextualização da mensagem cristã para o mundo. é uma vida em adoração e não somente uma vida de trabalhos humanitários. Há quem creia que a teologia da secularização tenha trazido apenas prejuízo à teologia ortodoxa. encerrados em seus sistemas dogmáticos. Qual deve ser a reação da igreja perante essas doutrinas? Certamente reconhecemos que esses homens captaram o espírito de nosso tempo. É verdade que Jesus recomendou que preocupássemos com os males do nosso mundo e buscássemos corrigi-los (Mateus 25. mas os teólogos seculares confundem o serviço no mundo com serviço para o mundo. A teologia secular é uma teologia mundana elaborada para responder à incredulidade arrogante de um homem que não ama a Deus. estamos no mundo para servir nele.. não querem crer em um Deus ativo na criação. mas a si mesmo.31-46).

. segundo ele mesmo. O importante não são os valores objetivos. Positivismo – Segundo essa cosmovisão. professor de ética social no Seminário Episcopal de Cambridge. ou ética situacional. o que denota. Relativismo – Conceito filosófico segundo a qual a verdade é um valor subjetivo. Massachusetts. Existencialismo – Filosofia que coloca o homem no centro do universo. Com isso. Fletcher definiu esses pressupostos como sendo: Pragmatismo – Doutrina segundo a qual o valor da verdade é determindado pela funcionabilidade. quando o Dr. com princípios teológicos mais existencialistas que puritanos. começando com a própria pessoa. Não demorou muito para que o ocidente abandonasse as idéias éticas tradicionais do cristianismo. A nova moralidade. É esse novo conjunto de valores do homem moderno que nós denominamos ética situacional. eternamente validadas e imutáveis. não havendo imposição moral absoluta. Rudolf Bultmann e Paul Tillich. Ela é uma reação às leis.8. Honest to God. e ao distanciar-se perdeu também seus valores éticos. por sua vez. a ética situacional exalta o homem sobre a lei. A popularidade da ética situacional como sistema teológico não teve tanta influência nos seminários teológicos protestantes do Brasil. se opõe grave e abertamente a muitas formas da ―ética tradicional‖. normas e princípios morais da velha moralidade. publicou o livro Situation Ethics. Robinson diz que a velha moralidade é dedutiva. mais neo-ortodoxos do que propriamente ortodoxos. é indutiva. o movimento chamou a atenção da opinião publica em 1966. mas a maneira como o ser humano experimenta esses valores. sustentada como modo ideal de conduta. Joseph Fletcher. O livro de Robinson. O homem moderno distanciou-se de Deus. suas idéias tenham sido rapidamente implantadas nas universidades brasileiras. as declarações de fé são voluntaristas e não racionais. Com raízes que penetram os princípios éticos de homens como Karl Barth. e consequentemente teve que partir em busca de uma nova moralidade. também ajudou a propagar as idéias do movimento. Quanto aos pressupostos da ética situacional. embora como sistema filosófico. começando a partir de normas absolutas. Essa nova moralidade religiosa. a prioridade da pessoa sobre os princípios. Ética Situacional: Joseph Fletcher e um novo conjunto de valores para o homem moderno.

um amor desinteressado e sacrificado. O pior de tudo não é quando as tendências pragmáticas são usadas para construir o crescimento de igrejas – ainda que o pragmatismo já seja um conceito escandaloso em si mesmo – mas sim. pragmática. Em outras palavras. então. . Ao afirmar que aquilo que é feito com amor não é pecado. 8. o amor exige o divórcio‖. O certo e o errado. se importa tão-somente com o que a Bíblia ordena. em que os fins justificam os meios. John F. neste caso. A principal característica da ética situacional é que o fim justifica os meios. mas: ―o que eu acho disso?‖. a fim de que a graça seja mais abundante. que colocam o crescimento numérico acima do crescimento espiritual. Quanto ao pragmatismo como tendência evangélica. O pensador bíblico. É claro que esses conceitos são demasiadamente ingênuos e conduzem fatalmente à imoralidade. ao contrário. porém tal amor é impossível dentro de uma teologia pragmática. Certo e errado dependem da nossa decisão neste mundo relativista. As duas filosofias se opõem mutuamente no nível mais básico. ao avaliar a veracidade de um determinado comportamento a pergunta a ser feita não é ―o que a Bíblia diz?‖. a nova ética transforma o amor ágape em eros. Peter Wagner. e sim o amor ágape. O pragmatista deseja saber o que produzirá resultados. ou não permite usarmos quaisquer meios que Deus tenha proibido. Por exemplo: ―se o bem estar emocional e espiritual do casal e dos filhos será promovido com a separação do casal. que também é um pragmático: ―A Bíblia não nos consente pecar. segundo a cosmovisão situacionista. a resposta é não. McArthur diz o seguinte: ―Oponho-me ao pragmatismo tão freqüentemente defendido por especialistas em crescimentos de igreja.O critério fundamental e único de conduta para o situacionista. ao mesmo tempo. ―de que forma isso pode me dar prazer?‖. não é um código ético. Pode um bom fim ser anulado por um meio mau? Para a ética situacional.1 Conhecendo os pressupostos da nova moralidade. Para Robinson e Fletcher. ―dará certo?‖ e por último ―eu estou fazendo por amor?‖. É tolice pensar que alguém pode ser bíblico e pragamático. É justamente esse tipo de pragmatismo imoral e anti-cristão que Fletcher propõe em sua teologia. quando a ética cristã é comprometida no afã alcançar as massas. ela promove a sensualidade. conforme diz C. é uma questão subjetiva. a fim de alcançarmos os fins que Ele nos recomendou‖. Não há nela nenhuma menção a pureza sexual. o único mal intrínseco é a falta de amor e o único bem e virtude é exclusivamente o amor. existencial e deve estar baseada no amor. A nova moralidade da qual o homem moderno se vê vestido tende a ver toda a moralidade cristã como um conjunto de tabus que devem ser quebrados a todo custo. crendo que podem induzir esse crescimento numérico por seguirem quaisquer técnicas que parecem produzir resultados naquele momento‖. por outro lado. para Fletcher e os demais teólogos da situação.

Como corrente teológica. Com idéias que remontam ao Romantismo. O positivismo. Qualquer filosofia de ministério do tipo ―fins-que-justificam-os-meios‖ inevitavelmente comprometerá a doutrina. o relativismo também é uma afronta ao cristianismo. o estudioso A. Além disso. o existencialismo é uma forte tendência na teologia contemporânea.6). Se a verdade é apenas uma questão relativa. e não apenas idéias pragmáticas e relativas (Mateus 5.O pragmatismo também foi a maior tendência da igreja ocidental na segunda metade do século vinte. portanto.36). Porém. Qualquer tentativa de conciliar o relativismo com o cristianismo constitui irracionalidade e fraude. A Bíblia nos apresenta um conjunto de imposições morais que devem ditar o nosso modo de viver. bem como na teologia de Friedrich Scheleiermacher. tem sua maior abrangência nos círculos místicos. de um modo quase profético. no pensamento do dinamarquês Soren Kierkgaard. Dentro de um sistema relativista o assassínio. Essa tendência de interpretar a Bíblia em termos existenciais tem sua origem muito antes de Fletcher.44-48).W. Em 1955. e não o homem (Romanos 11. buscando meios e maneiras eficientes para alcançá-los‖. Não há nenhuma possibilidade de ser um indivíduo cristão e ao mesmo tempo relativista.] não faz perguntas embaraçosas a respeito da sabedoria daquilo que estamos realizando ou a respeito de sua moralidade. o existencialismo se descaracteriza completamente como proposta bíblico-teológica. O existencialismo é uma filosofia centrada no eu. sem a menor dúvida nossa doutrina será diluída. Ao propor um antropocentrismo teológico. não há razão nenhuma no estudo da verdade. visto que as duas cosmovisões são mutuamente excludentes. por sua vez. todas as proposições de verdade são verdadeiras. Deus é a pessoa central para quem todas as coisas convergem. a despeito de qualquer proposição em contrário. como doutrina teológica ela comete erros graves. e está sempre reaparecendo na teologia contemporânea. . Este mesmo escritor acrescenta. e consequentemente.. Se todas as reivindicações de verdade são de um mesmo valor. Em última análise. Assim como o pragmatismo. é um fideísmo exagerado e anti-bíblico. Aceita como corretos e bons nossos alvos escolhidos. o relativismo deve ser rejeitado por várias questões. a única razão para ser bom é a vantagem que eu posso tirar da situação. a verdade não é uma questão relativa. se a verdade em moralidade é uma questão pragmática e relativa. Do mesmo modo. não há verdade nenhuma. o estupro e o genocídio possuem o mesmo valor dos ideais cristão da caridade. mas parecem totalmente dominados por ele‖. Se a eficácia se tornar o indicador do que é certo ou errado. em tom de desabafo: ―A filosofia pragmática [. o conceito de verdade para um pragmatista é moldado pelo que parece ser eficaz e não pela revelação objetiva das Escrituras. onde às vezes a ignorância pretensamente se veste de autoridade espiritual.. Tozer discorreu sobre o futuro da igreja nestes termos: ―Digo sem hesitação que uma grande parte das atividades existentes hoje nos círculos evangélicos não são apenas influenciadas pelo pragmatismo. mas extremamente absoluta que tem seu ápice na pessoa de Jesus (João 14. ao contrário do que ensina o relativismo. perdão e respeito mútuo.

No cristianismo tradicional.2 Uma análise da nova moralidade religiosa. além de ser um ataque devastador aos teólogos existencialistas que argumentavam na linha de Bultmann. que saiu em inglês em 1967. o conceito de verdade para um pragmatista/relativista é moldado pelo que parece ser eficaz e não pela revelação objetiva das Escrituras. no atempo. Neste processo. porque ele é parte do tempo que avança para o futuro. Deus não é plenamente Deus. Para Moltmann. desde desonestidade a imoralidade sexual. ainda que seja possível fazer essa distinção. a despeito de qualquer proposição em contrário. Robinson deixa a impressão de que o homem moderno é tão maduro que precisa de muito pouca – e talvez nenhuma – ajuda espiritual fora dos seus próprios recursos naturais. foi publicada a sua segunda obra. que apresentaremos no capítulo seguinte. ao juízo. Revolution and the Future (Religião. a eternidade se perde no tempo. são produto da esperança. revolução e o Futuro). ele está determinado pelo futuro. Todas as afirmações que fazemos sobre Deus. Os teólogos receberam entenderam o livro de Jurgen Moltmann como sendo um chamado refrescante a uma maior valorização da escatologia. cujo teor repercutiu grandemente no mundo acadêmico. dentro da teologia cristã. Porém. Poderia haver sistema melhor para o homem natural? A conclusão quanto ao referido capítulo é aparentemente óbvia: qualquer teologia do tipo ―fins-que-justificam-os-meios‖ inevitavelmente comprometerá a doutrina. Na teologia de Moltmann. não há como negar que esses homens possuem muitos aspectos em comum. Entendendo a teologia futurista de Moltmann. de Marburg. O sistema ético situacional é um sistema que não pede nada em termos éticos e teológicos. à fé e à redenção. Desta forma. Há quem relacione ao movimento outros dois nomes: Wolfhart Pannenberg. Deus não revela quem ele é. Deus está presente apenas em suas promessas. em nosso estudo. a religiosidade idealizada pelo homem moderno. Teologia da Esperança: Jurgen Moltmann e a análise escatológica existencial Em 1965. o futuro é a natureza essencial de Deus. . sem nenhuma dúvida. sem a menor dúvida nossa doutrina será diluída. Religion. As implicações surgem em vários aspectos. e Ernst Benz. A ética situacional elabora seu programa sem dar nenhuma atenção ao arrependimento. expressando. um jovem teólogo alemão da Universidade de Tubinga fez ressoar a sua voz através de seu livro The Theology of Hope (A Teologia da Esperança). 9. entendemos que Pannenberg se encaixa melhor em outro movimento. No ano de 1969. Deus não é absoluto. Deus e Jesus Cristo aparecem fora do tempo. porém.8. Nosso Deus será Deus quando cumprir suas promessas e com isso estabelecer o seu reino. Deus está presente na esperança. A chave central para entender a teologia futurista de Moltmann é sua idéia de que Deus está sujeito ao processo temporal. e sim quem ele será no futuro. Se a eficácia se tornar o indicador do que é certo ou errado. de Munique. Em última análise.

qualquer conservador certamente saberá reconhecer os erros patentes de Moltmann. toda teologia cristã deve modelar-se através da escatologia. a questão da historicidade da ressurreição corporal de Jesus não é válida. O principal propósito da igreja é ser o instrumento por meio do qual Deus trará a ―reconciliação universal e social‖. At 4. Para que o futuro se realize na sociedade. A ressurreição de Cristo é um fato histórico que atribui pleno significado ao nosso futuro. Afirma-se tradicionalmente que a ressurreição de Cristo é a base histórica da ressurreição final. A questão não é a violência em si. aberta à liberdade do futuro. Moltmann porém diria que a ressurreição final é a base da ressurreição de Jesus. O cristianismo evangélico relaciona intimamente a ressurreição de Cristo com a escatologia. Porém. e consequentemente o futuro se tornou algo desconhecido tanto para o homem como para Deus. O importante é que o futuro se apodere da pessoa no presente‖. Porém. Acontece que a escatologia para ele não significa a previsão tradicional da segunda vinda de Jesus. o começo da ressurreição final. pois não existem formas ou categorias fixas no mundo. e sim olhar o nosso futuro ilimitado para o Calvário.Segundo Moltmann. Jesus ressuscitou dentre os mortos há quase dois mil anos com seu corpo físico? Para Moltmann essa é uma questão sem importância. A idéia de Moltmann de considerar a Bíblia desde o começo como um livro escatológico pode parecer um atrativo para o cristão ortodoxo. A participação da igreja na sociedade poderá utilizar a revolução como meio apropriado. para Moltmann. Deus entrou no tempo. Assim como na ―Teologia Secular‖. ele deve participar ativamente na sociedade. e sim se o uso da violência foi justificado ou injustificado. bem como os horrores que traria a sua visão ética. Neste avançar para o futuro. Não devemos olhar desde o Calvário para a Nova Jerusalém. aqui também pode ser vista uma profunda consciência para com o mundo. as categorias do passado devem ser descartadas. O presente em si mesmo não é importante. Ainda quanto ao futuro. mesmo que ela não seja necessariamente o único meio. Moltmann interpreta como aberta ao futuro. A tarefa da igreja é não é apenas se informar sobre o passado para mudar o futuro. . o problema da violência versus não-violência recebe o nome de ―problema ilusório‖. Moltmann diz que o homem não deve olhá-lo passivamente. e por isso. Realmente um assunto tão importante quanto a escatologia não deveria ocupar as últimas páginas em nossos livros de teologia sistemática. O futuro significa liberdade e liberdade é relatividade.23. O Cristo ressuscitado é ―as primícias‖ da ressurreição (1Coríntios 15. A morte e ressurreição de Cristo são a garantia que Deus dá de que haverá ressurreição futura.2). Essa tendência pragmática em que os fins justificam os meios é uma tendência muito forte dentro da Teologia da Esperança. É também ―pregar o Evangelho de tal forma que o futuro se apodere do indivíduo e lhe impulsione a agir de modo concreto para mudar o seu próprio futuro.

no final.30-31). um tropeço. vemos que nesse intercâmbio. e será introduzido por meio da proclamação do poder salvador de Jesus Cristo (Atos 28. mas Moltmann não permitua que Deus lhe dissesse o mesmo.Objeções à Teologia da Esperança. Como observou certo escritor: ―No monte sinai. o Reino de Deus é. Em seu afã de refutar as teologias não-ortoxas do seu tempo. a teologia de Moltmann destruiu até mesmo a possibilidade de haver história. Pedro ou João. é descrito na Bíblia como celestial. O primeiro livro de Moltmann. Moltmann critica muitos conceitos neo-ortodoxos. o de Moltmann. Deus disse a Moisés: Eu sou o que sou. em um homem que observa o futuro e age na sociedade. Ainda que Moltmann revista sua escatologia de conceitos bíblicos. no entanto.7). e quando lemos o seu segundo livro. Para ele. o Reino de Deus se introduz na terra por meio da política e da revolução. Ela é mais marxista que bíblica. ela é a edificação da utopia na terra. Ao entrar no tempo. mas ele acaba levando os conceitos barthianos muito mais longe. não pode ser teologia bíblica. ―Teologia da Esperança‖ nasceu de um dialogo com o ateu alemão Ernst Bloch. segundo a Bíblia. Ela é antes. no entanto. Deus se tornou finito e aberto a um futuro desconhecido. Se por um lado a dialética de Barth acabou com a possibilidade da relação entre história e fé. Moltmann assimilou muitas idéias de Bloch. e rejeitou todo o conceito objetivo da história. esse reino é também uma realidade terrenal e tangível. Apesar de todo esforço de Moltmann para produzir uma teologia bíblica. o Reino de Deus. seu sistema está mais fundamentado no marxismo do que em Cristo. Barth havia transcedentalisado a escatologia por meio do emprego da distinção entre Historie e Geschichte. Quanto ao conceito de Deus. O Deus da Bíblia existe de eternidade a eternidade. e que ainda incita a rebeldia e a revolução. o Reino de Deus traz a paz. A teologia de Moltmann tem maior dívida com Nietzche. seu sistema nada mais é do que uma teologia centralizada no homem. Para Moltmann. ele não admitia nenhum Deus eterno ou infinito. mas Moltmann foi ainda mais além. no entanto. e mais filosófica que teológica. Moltmann ultrapassou o limite do bom senso e acabou por propor uma teologia quase tão nociva quanto aquela a que ele se dedicou a refutar. e não a guerra (Romanos 14. o Reino de Deus é trazido por meio da revolução. com Overback e com Feurbach do que com Paulo. um escândalo e uma nociva ameaça à sã doutrina. . segundo ele. A meta do futuro de Moltmann não é a plena manifestação da glória de Cristo. Essa teologia do Deus finito e temporal. Para Moltmann. só existe no futuro. pois no presente ele sequer é Deus. A idéia que Moltmann tem da escatologia é destituída de base bíblica. Para o apóstolo Paulo. porém.

Pannenberg reconhece a realidade histórica da ressurreição como algo crucial para a compreensão do Novo Testamento. Esta nova ênfase podia ser claramente percebida nas teses de doutorado de jovens professores como Ulrich Wilckens. entre o Jesus histórico e o Cristo Kerigmático. principalmente por seu conceito de redução da história à experiência individual. a fé está relacionada com o passado. Apesar do caráter particular da sua obra. As idéias de Pannenberg foram revolucionárias em seu tempo. nem com suas idéias de revolução social. . A pregação da ―Palavra de Deus‖ é uma afirmação vazia se não estiver relacionada com aquilo que realmente aconteceu. tanto que esse grupo de jovens teólogos e a nova escola ganhou o epíteto de ―círculo de Pannenberg‖. Porém. o maior nome dessa nova escola foi sem dúvida o de Wolfohart Pennenberg.10. como o interesse pela relação entre a história e a fé. na Alemanha. isso porque. Wolfhart Pannemberg. ou Teologia da Ressurreição. Pannenberg apresenta uma forte resistência às idéias de Rudolf Bultmann. jovem professor de teologia sistemática da Universidade de Mainz. e ainda os dois mundos propostos por Kant: o dos fenômenos e o mundo numenal . mesmo com tal similaridade de interesses. se por um lado há um ponto de contado entre os dois. enquanto Moltmann descarta qualquer interesse pela ressurreição corporal como sendo algo impertinente. Neste sentido. Em sua teologia. Teologia da história: Wolfhart Pannenberg e a teologia histórica da ressurreição. Por exemplo: Moltmann não está tão interessado em alicerçar a fé na história. foi o responsável por dar uma forma mais sistemática ao que posteriormente se convencionou chamar Teologia da História. Moltmann está muito mais vinculado a Bultmann que a Pannenberg. Os dois também falam da ressurreição de cristo como um tema central da fé cristã. seria incorreto agrupar os dois na mesma escola de pensamento. No final da década de cinqüenta se podia facilmente perceber o surgimento de uma nova escola de interpretação teológica. escondendo-a dos ataques da história. Outra diferença entre ambos está no modo de entender a fé: Para Pannenberg. porém. ao ponto de certo crítico afirmar que ele foi o primeiro teólogo alemão contemporâneo a romper totalmente com os pressupostos dialéticos barthianos. As supostas diferenças entre Historie e Geschicthe. além do esforço por refutar os pressupostos existencialistas de Bultmann. Ele não consegue assimilar as idéias dialéticas. A questão da fé relacionada à história. por outro lado há diferenças importantes entre esses dois esquemas teológicos. na visão de Pannenberg são ―um clamor sem sentido‖. enquanto Moltmann a relaciona com o futuro. o desejo de uma orientação teológica escatológica e principalmente a ressurreição de Cristo. acusando-o de proteger sua teologia. Porém. Ele também se opõe à Karl Barth. A fé não pode ser separada de sua base e conteúdo histórico. É verdade que Pannenberg compartilhem algumas idéias comuns. Pannenberg também não compartilha dos pressupostos marxistas de Moltmann. há quem associe a este círculo o nome de Jurgen Moltmann. Klaus Koch e Rolf Rendtorff.

é uma forte evidência de que Jesus realmente ressuscitou corporalmente. uma vez que os atos salvíficos de Deus realmente aconteceram e tem o seu lugar na história. . isso porque. A fé é. caso o túmulo de Jesus não estivesse. A explicação inventada pelos judeus para refutar a ressurreição é que os discípulos roubaram o corpo. O túmulo vazio é um fato histórico e aliado à mudança repentina que ocorreu nos discípulos. 11. e sim mediata. em oposição clara e aberta com a escola Heilsgeschichte. Além disso. mas ninguém se atreve a questionar a realidade do túmulo vazio. toda história é algo plenamente conhecido e até mesmo ordenado por Deus. Segundo ele. antes. para Pannenberg. Ele afirma ainda que esta história na qual se dá a revelação. Pannenberg e a ressurreição de Cristo. Ele diz estar convencido não só de que a crença da igreja na ressurreição não é um mito pré-fabricado. não devemos fazer distinção entre história salvífica e história secular ou profana (distinção comum tanto na Heilsgeschichte como nas teologias existencialistas contemporâneas). a ressurreição foi um fato histórico. vazia. Esta revelação histórica está ao alcance de todo aquele que tenha olhos para ver. não é uma revelação especial que só pode ser compreendida pela fé. como também de que ela é historicamente demonstrável. Eles também não teriam nenhum benefício em inventar uma mentira de tamanha proporção. O conhecimento histórico é a única base da fé. Não existem partes específicas na história. Ele se recusa a explicar os relatos evangélicos da ressurreição como fruto da imaginação dos apóstolos. a comunidade cristã primitiva não teria conseguido sobreviver. Pannenberg insiste em que a revelação de Deus não chega ao homem de forma imediata. como afirma a escola Heilsgeschichte.O conceito de revelação e fé em Pannenberg. como ensinou Bultmann. de fato. por meio dos sucessos históricos. portanto. Pannenberg não busca desmitologizar a ressurreição. Difernte de Moltmann e dos outros teólogos existencialistas. pois estes estavam muito desanimados após a morte de Cristo para chegarem sozinhos à conclusão de que Cristo ressuscitou. Para ele. ou ramificações dentro da história. a revelação se dá exclusivamente por meio de atos históricos. o conhecimento da verdade histórica. A única explicação satisfatória para a repentina mudança que ocorreu nos apóstolos é exatamente a ressurreição corporal de Cristo.

há muitos aspectos em que ele parece mais um herdeiro da neoortodoxia que seu oponente. Ele também está de acordo com Bultmann em que os títulos que expressam a divindade de Jesus foram criados pela igreja primitiva. que garante a confiabilidade da informação. mesmo quando o homem não se interessa ou busca compreendê-la. Pannenberg destaca que a revelação não se torna revelação quando é compreendida. Ela é uma brilhante defesa apologética em favor do cristianismo histórico. essa visão que ele possui da Bíblia tem levado muitos a relacionar o seu nome com a crítica histórica e com o próprio Bultmann. Ao refutar a idéia neo-ortodoxa de que a revelação só se transforma em verdade para as pessoas por meio de uma aceitação pessoal. Ainda que Pannemberg ataque as posições de Barth e Bultmann no que concerne à relação entre fé e história. Se a fé está baseada exclusivamente no conhecimento da história e esta é o seu único fundamento. Porque foi que quando Paulo pregou em Atenas uns creram e outros zombaram? A teologia de Pannenberg é muito mais do que uma simples escola de interpretação. de fato. não existe grande diferença entre seus sistemas. Os críticos de também parecem indicar que. ele parece tirar a fé das mãos do crente simples e colocá-la nas mãos do teólogo experiente. não são capazes de crer por si mesmas. Ao fazer que a fé dependa exclusivamente da história. elas apenas podem crer quando ouvem e confiam no relato de um perito em história cristã. Sua teologia também é importante porque ressalta ao mundo que a fé cristã é a única verdade universal. Uma e outra vez ele insiste em que o nascimento virginal é um mito. Ambos advogam uma teologia dialética que sufoca tanto a revelação histórica como o caráter universal do cristianismo. Além disso. Pannenberg leva-nos a concluir que as pessoas simples e sem condições para efetuar uma pesquisa investigativa. embora Barth e Bultmann hajam tido debates acirrados. ela é revelação. Ele não confere à toda Bíblia o status de revelação divina. dando a entender que algumas partes são mais importantes que outras. . uma ameaça à própria revelação. sobre esta base. Com isso.Objeções à teologia de Wolfhart Pannenberg. Pannemberg também ressalta que a falta de uma revelação objetiva da neo-ortodoxia é. Pannenberg não pôde explicar de modo satisfatório a razão da incredulidade. Embora o mesmo ocorra no pensamento de Agostinho e até mesmo de Lutero. Seu sistema é mais ortodoxo que o proposto pelos existencialistas e nos faz lembrar que.

Muitos fatores ajudam a explicar a repentina popularidade que alcançou a teologia de Teilhard. estudioso equatoriano. alguns dos seus comentaristas mais apaixonados são cientistas e teólogos protestantes. Ele admite que a terra veio a existir por meio de um lento processo. Sua destacada personalidade e seu caráter humanitário podem ser percebidos por qualquer pessoa que o tenha conhecido ou lido algo acerca da vida deste destacado sacerdote católico. Teologia da Evolução: Teilhard de Chardin e o darwinismo teológico. a qual ele chama de ―luz que ilumina todos os fatos. Durante sua vida. quinze anos depois da sua morte. segundo ele. Esta é a fase da história evolutiva da terra aparece a vida biológica na terra. fundador de um sistema teológico que ficou conhecido como teologia da evolução. que apesar das restrições que o Vaticano impôs aos seus livros. Para descrever a etapa seguinte. que significa a ―camada mental‖ da terra. Esta é a etapa mais importante na história do mundo. Este processo evolutivo avança segundo o que Teilhad chama de ―lei da consciência e da complexidade‖. ou biosfera. Nesta fase. Embora ele tenha sido um teólogo católico. que a faz tornar-se cada vez mais complexa. arcebispo do Recife. com o que ele alude que na evolução existe uma tendência por parte da matéria. e também é chamada de hominização. este teólogo foi impedido de publicar seus livros. Suas idéias lograram arrancar elogios até mesmo de Dom Hélder Câmara. segundo ele. publicou uma obra meticulosa sobre Teilhard. que pode ser descrito na seguinte ordem: Barisfera (época da ―terra derretida‖) => Formação da crosta => Formação da água e do ar => Formação da atmosfera. Essa noosfera nada mais é do que o surgimento do homem pensante sobre a terra. Um dos acontecimentos religiosos que mais despertaram o interesse dos teólogos no fim da década de cinqüenta foi a popularidade póstuma do cientista e místico jesuíta Pedro Teilhard de Chardin (1881-1955). Seus conhecimentos de geólogo e paleontólogo são grandes atrativos para o mundo científico. considerados pela igreja católica como sendo nocivos e de conteúdo herético. O processo. Conhecendo a proposta teológica de Teilhard de Chardin. permaneceu fiel a sua ordem durante toda vida. O ponto de partida do pensamento teológico de Telhard é a evolução. curva a que devem seguir todas as linhas‖. pode ser resumido como consta no seguinte esquema: Partículas elementares (chamadas de Ponto Alfa) => Átomos => Moléculas => Células Vivas => Organismos Pluricelulares. Francisco Bravo. esses livros suprimidos durante toda a sua vida começaram a aparecer. . Chardin criou o termo noosfera. foi formada ente cinco e dez milhões de anos e desde então vem se desenvolvendo através da evolução. em 1920. o processo evolutivo adquire consciência de si mesmo.12. Porém. Sua influência pode ser percebida até mesmo nos países que compõem o nosso terceiro mundo. A terra.

etc.21-25). O Cristo de Teilhard é o reflexo no coração do processo do ponto Ômega. Cristo incorpora em si o ―psiquismo‖ total da terra. Dessa síntese filosófico/naturalista procedem as demais divergências de Teilhard com a teologia ortodoxa.28). a união sobrenatural de todas as coisas em Deus. e se encontra no final do processo. O amor. Assim como todas as teorias evolucionistas seculares. Movidos pelas forças do amor. ou seja. Na teologia darwiniana de Teilhard. Sua teologia é o reflexo do pensamento naturalista do seu tempo. Há muitos teólogos contemporâneos que concordam com a teoria da antiguidade da terra. é também contrária a Bíblia. e o universo se auto-realiza em Cristo. a teoria de Teilhard é macroevolucionista e negligencia completamente o ponto mais básico da criação que é Deus fazendo todas as coisas do nada pela sua palavra. tal como aparece na Bíblia. mas nenhuma dessas concessões desabilita o esquema de criação conforme narrado em Gênesis. Ele vê todo o processo evolutivo que começa com as partículas. Deus vem a ser a causa final. e com a evolução das espécies à partir das espécies criadas por Deus (Gênesis 1. ao mesmo tempo que o universo. dando a perfeição a todas as coisas. segundo ele. sendo ele a afinidade do ―ser‖ com o ―ser‖. segundo a qual o aperfeiçoamento advém da comunhão com Cristo Jesus. para Teilhard. a teologia evolucionista deste teólogo descaracteriza a criação. e sim propriedade geral de toda a vida. Por meio de um ato pessoal de comunhão. Assim sendo. diferentes tons de pele. Deus será tudo em todos (1Coríntios 15. desde Kant aparece e reaparece na teologia contemporânea. numa forma superior de panteísmo. Sua linguagem é obliqua e seu esforço hercúleo para fazer de Cristo o centro da evolução é desonesto e contraditório.. fazendo diferenciação entre microevolução e macroevolução. é o processo de amor. não é exclusividade humana. Teilhard começa a se apoiar na teologia para predizer o futuro da evolução.Nessa etapa de sua teoria evolutiva. a teologia de Teilhard Chardin parte do pressuposto de que o homem alcança sua verdadeira dignidade e plenitude espiritual por meio do processo evolutivo. Principais objeções a teologia evolucionista de Chardin. a expectativa da unidade perfeita. Esse movimento para o centro. e criando cada ser em conformidade com a sua espécie. Nesta etapa. na qual cada um dos elementos alcançará sua consumação. os fragmentos do mundo se buscam para que o mundo possa chegar a ―ser‖. o ponto Alfa. mais que a causa eficiente do universo. Ao contrário disso. Assim como as teorias evolutivas seculares. Microevolução é a mutação que ocorre dentro das espécies e seria o fator responsável pelas diferentes raças de cães. e converge no que ele chama de Ponto Ômega. Isso também é contrário a doutrina da graça. Sua ênfase na personalidade autônoma que. . Cristo é o centro do processo evolutivo e o seu princípio básico. Os princípios de Teilhard de Chardin apresentam várias dificuldades para o crente ortodoxo.

Assim como as outras teologias radicais surgidas no século vinte. Talvez essa seja uma das razões da sua difusão rápida. Charles Hartshorne e a Teologia do Deus Finito De origem norte-americana. bem como as teorias evolucionistas seculares. a teologia do processo também toma por empréstimo alguns pressupostos de uma vertente filosófica contemporânea. Teilhard foi um homem totalmente deslumbrado com as teorias científicas do seu tempo. para ele. através da desordem material.Como todas as teorias evolucionistas. solidão e angústia. apresenta dois grandes inconvenientes: Primeiro. tal união tem como conseqüência lógica a deificação da criação (panteísmo). A teologia de Chardin não permite que a graça seja graça. é antagônica a Bíblia. Alfred North Whitehead (1861-1947).Teologia do Processo: Dr. prometendo um final feliz para todos. morte. Ele divaga pela senda do universalismo e do panteísmo. elaborou sua filosofia em torno de algumas idéias de Charles Darwin. a doutrina bíblica do juízo quase não se vê na obra de Teilhard. A proclamação da evolução constante por parte de Chardin nunca se vê alterada pela realidade bíblica do pecado no homem. Em última análise. Por essa mesma razão. que por sua vez. o resultado de tal união é a perda tanto do mundo. da Universidade de Chicago. e nem permite que o pecado seja pecado. A teologia da evolução. sem fazer nenhuma alusão à graça de Deus. Não há como sustentar esse sistema teológico sem perder a identidade cristã. a cristologia de Chardin transforma o Cristo da Bíblia em um Cristo cósmico. elaborada pelo famoso matemático e filósofo. a teologia da evolução de Teilhard é demasiado otimista. O homem moderno está disposto a aceitar qualquer tipo de droga entorpecente que se apresente sob o pseudônimo de ciência. A idéia de Teilhard de união do universo com Cristo. o maior sucesso da história é a vinda de Cristo. segundo a fé cristã. . sendo que o universo representa o corpo orgânico de Cristo ainda em evolução. chegando ao ponto de afirmar que a evolução é ―o sucesso mais prodigioso que a história jamais se referiu‖. a saber. a filosofia do processo. A teologia do processo como escola teológica é uma tentativa de restabelecer a doutrina de Deus em um mundo extremamente cético. Charles Hartshorne. 13. essa nova escola teológica tem como seu maior expositor o professor Dr. O mal. que se manifesta em planos diferentes. Em segundo lugar. como de Cristo. é uma superabundância da estrutura de um mundo em evolução. e não a teoria da evolução. Ele se emociona tanto com a evolução que se esquece que.

até Deus está sujeito ao porvir (um conceito semelhante ao do teísmo aberto e da teologia da esperança). para ele. Deus. Schubert Ogden e John Coob Jr. como se pode observar. uma coexistência de ordem e liberdade na qual o homem participa para criar o futuro. Nesse sentido. Segundo ele. Desse modo. e sim uma força dinâmica por detrás da evolução. o livro de apocalipse e as profecias bíblicas perdem todo o sentido. Deus. Assim como na teologia de Paul Tillich. Assim como na filosofia kantiana. A criação de Deus é um processo contínuo. Os filósofos antigos desenvolveram seus sistemas em torno da idéia de que o mundo era algo fixo. o teólogo do movimento. algo que é real e ao mesmo tempo espera por realizar-se. Os teólogos do processo também comprometem a soberania de Deus. a teologia do processo descaracteriza Deus. devemos demonstrar a realidade objetiva de Deus através de uma metafísica racional. segundo a teologia do processo. emergindo sempre em tudo. A religião.Pressuposições da Teologia do Processo. . Essa tendência teológica torna injustificável a escatologia. e mesmo assim. a teologia do processo tende à dissipar a idéia de Deus como ser pessoal. segundo Whitehead. reduzindo-o a um mero conceito panteísta. o que reduz o cristianismo bíblico a uma mera versão panteísta de religião. é ―co-criador‖ do universo. Associado com teólogos radicais de língua inglesa como Norman Pittenger. Harthshorne desenvolveu ainda mais a filosofia de Whitehead e aplicou suas conclusões no cenário teológico. Whitehead desenvolveu seu sistema ao redor da idéia de que o mundo é dinâmico. atrás e dentro do fluxo passageiro das coisas imediatas. ―é a visão de algo que está além. tanto na história como na natureza‖. estando sempre em constante processo de transformação. reduzindo Deus à uma força que existe como o aspecto principal de todas as coisas. isso porque tanto ele quanto Whitehead assimilam idéias evolucionistas. pois uma vez que não há um Deus soberano e onisciente. Nas palavras de Hartshorne. na teologia do processo também há um grande apelo à autonomia e a liberdade humana. Com isso. algo que é uma possibilidade remota e mesmo assim é o maior de todos os atos presentes. Whitehead lhes serve como ponto de partida.. Objeções à teologia do processo. em que o ser incluía o porvir. Daniel Day Willlians. está bem latente na filosofia de Whitehead. ―Deus literalmente contém o universo‖. ―não é um ser. não há certeza alguma quanto aos eventos futuros. O legado kantiano. está além do nosso alcance‖. possuí-la é o bem último. As idéias de Chardin também são muito parecidas com a dos teólogos do processo. o grupo está convencido que para responder à ―Teologia da Morte de Deus‖.

pois parece altamente improvável que um ser que não tenha presciência plena dos contingentes futuros saiba o que acontecerá. e o Deus vivo da Bíblia fica submerso em termos imanentes‖. de que maneira qualquer uma das profecias preditivas das Escrituras poderia ser qualquer coisa além de probabilidades? A teologia do processo aniquila a fé que o crente tem em Deus. penteísta e consequentemente. Há um abandono do sobrenatural. dentro da teologia do processo é ―uma seqüência de experiências pessoalmente ordenada‖. também é insustentável porque tal ato seria uma coerção divina. Dessa forma. também na teologia do processo há uma tendência em reinterpretar os milagres da Bíblia em termos existenciais. e manifesta seus designos de forma inteligente. em sua teologia o mundo se torna necessário para que Deus exista. impotente. Como disse Carl Henry: ―apesar de todo esforço. mas se Deus é ignorante em relação a grandes períodos da história futura. A doutrina da ressurreição.Ainda que muitos teólogos do processo se neguem a admitir que descrevem Deus em termos panteístas. a teologia do processo põe em risco a credibilidade das Escrituras. mas suas conclusões o dissociam do Deus encarnado. Ele é um homem em quem Deus atuou. Ao negar o conhecimento que Deus possa ter de fatos ainda não ocorridos. esse biblicismo é apenas aparente. A Bíblia na afirma categoricamente: “Deus não é homem para que minta”. o mundo também condiciona as atividades de Deus. a redenção se transforma em relação e a ressurreição se transforma em renovação. segundo os teólogos do processo. o Deus pessoal da Bíblia que se auto-revela. finita. fala e atua por conta própria. [na teologia do processo] a criação se transforma em evolução. Cristo aparece mais como um ―símbolo‖ da atividade divina na terra do que como uma intervenção divina no curso desse mundo. . Além disso. pois se Deus não tem nenhum conhecimento dos fatos ainda não ocorridos. os milagres desaparecem. Como se pode perceber. Sua cristologia também é bastante confusa. Como podemos ver. e não somente isso mas também retira o próprio Deus Soberano do cenário e introduz em seu lugar uma divindade caricata. uma intervenção direta no livre-arbítrio humano. a teologia do processo está muito mais fundamentada em hipóteses filosóficas do que naquilo que a Bíblia realmente diz. Mesmo que a teologia do processo tenta dar um ―toque bíblico‖ em sua teologia. Um evento tal como esse acabaria por forçar nossa vontade. um conceito mental tomado à partir de analogias da experiência humana. como pode fazer predições sobre o futuro? A conseqüência lógica do seu sistema é que não pode haver predição ‗cem por cento‘ segura na Bíblia.

neo-ortodoxa e liberal. e é isso mesmo que ela é.Teologia do Ser: Paul Tillich e a fronteira entre o liberalismo racionalista e a teologia existencialista. O teólogo Willian H. Ao chegar nos Estados Unidos. sua intelectualidade não o privou de prestar importantes serviços sociais e religiosos. Pressupostos da teologia de Paul Tillich. segundo ele. lhe renderam o título de ―teólogo dos teólogos‖. Paul Tillich se tornou professor do Union Theological Seminary. Queremos agora apresentar o terceiro deles. ele é considerado como pertencendo a escola neo-ortodoxa e em alguns círculos teológicos. à saber: Barth e Bultmann. apesar das semelhanças. não formou especificamente uma escola teológica específica. Porém. mas tal comentário será sempre especulação. em Nova Iorque. 14. Se por um lado a filosofia naturalista não pode responder os questionamentos do homem. Sua profunda erudição e seus conhecimentos de história. Embora fosse um homem de grande erudição. Ele se situa exatamente no centro. Apesar de não ter formado uma escola específica. Exerceu capelania durante os quatro anos da Primeira Guerra Mundial e participou do Movimento Socialista Religioso na Alemanha. além de sua especialidade. por essa razão. psicologia. ele é mencionado em conjunto com Barth e Brunner. no entanto. Já apresentamos dois deles. A mensagem do cristianismo surge como ―um conjunto de verdades sagradas que apareceram em meio à situação humana como corpos estranhos procedentes de um mundo estranho‖. é provável que somente Rudolf Bultmann tenha exercido uma influencia igual no cenário teológico mundial. apelido pelo qual é conhecido hoje nos círculos acadêmicos. Na América do Norte. Na Europa ele é considerado um liberal e ferrenho opositor de Barth e Brunner. a teologia. Tillich desenvolveu um sistema teológico que resiste a qualquer rótulo. Paul Tillich. Tillich é mesmo uma figura controversa. entre a crítica destrutiva da desmitologização e o existencialismo neo-ortodoxo. Sua experiência como capelão no período da guerra fez com que ele tivesse uma vívida impressão dos problemas sociais. Hordern define a teologia de Paul Tillich como sendo ―a fronteira entre o liberalismo e a neo-ortodoxia‖. arte e análise política. Há quem pense que seu existencialismo teológico tenha surgido nesse período e especificamente por causa dos horrores da guerra. O fato é que Tillich se valeu das elucubrações de ambas as partes. filosofia. ele argumenta que deve haver uma correlação entre os problemas do homem e a fé cristã. e talvez. Falando do ―princípio de correlação‖. Há pelo menos três grandes vultos teológicos do século vinte. o ―sobrenaturalismo do cristianismo histórico‖ é muito transcendente para que o homem possa encontrar nele a resposta. Tendo fugido da tirania de Hitler em 1933. coletando ―supostamente‖ o que havia de melhor nessas duas escolas. Como encontrar a verdade? E de que modo podemos construir uma teologia? . dedicou seu tempo para ajudar os refugiados da Europa. por outro lado. Parte da popularidade de Tillich nos círculos acadêmicos deve-se a sua profunda preocupação em encontra alguma forma de relacionar a mensagem da Bíblia com as necessidades do século vinte.

Este Ser (com maiúscula). Essa preocupação essencial é o que determina nosso ser ou o não-ser. Não podemos compará-lo a nada a fim de definilo. e sim uma palavra simbólica que indica que o homem é aceito apesar de si mesmo. Ela se resume na entrega total de nosso ser. Para Tillich. ou aquilo que tradicionalmente chamamos de Deus. A santificação é o processo através do qual o Novo Ser transforma a personalidade e a comunidade fora da igreja. Tillich o define em função do ser e da alienação do Ser. ele define Jesus como o símbolo no qual se supera a alienação. Ele esta além do ser ou das coisas. Nossa preocupação é essencial quando ponderamos sobre aquilo que é a soma da nossa realidade e a estrutura e objetivo da nossa existência. segundo ele. mas também o poder de Ser por si mesmo. A ressurreição. segundo ele. afirmar a existência de Deus é tão ateu quanto negá-la. isso porque o Ser transcende à existência. O essencial é o próprio Ser. pois mesmo que o considerássemos como o ser mais elevado. . Cristo é o símbolo do ―Novo Ser‖. para Tillich. em que se rompe a distância. significa simplesmente que Jesus foi restituído à sua dignidade na mente dos discípulos. Essa preocupação. o homem é religioso quando está ―essencialmente preocupado‖. As descrições da salvação em seus aspectos. regeneração e santificação também estão sujeitas à reinterpretações. tem o poder de elevar o homem sobre si mesmo. A preocupação essencial é aquela que tem prioridade sobre todas as preocupações da vida. como portador do ―Novo Ser‖. tais como o ser e o não ser que tanto o angustiam. mas também sem sentido. O pecado é a alienação do fundamento do nosso ser. paradoxalmente não é nem uma coisa nem um ser. o que seria uma explicação superficial e simplória. no qual se dissolve toda alienação que tenta diluir a unidade do homem com Deus.Para Tillich. Por isso. A regeneração é descrita por ele como ―ser incorporado na Nova Realidade manifesta em Jesus‖. Em sua cristologia. A responsabilidade pelas tensões da vida moderna não está relacionada a um conceito clássico de pecado. A religião não é apenas uma questão de ter determinada crença ou praticar certas ações. Deus não é apenas o Ser. Segundo ele. e isso foge a nossa compreensão. começamos definindo a religião. Quanto ao pecado. Nós nos preocupamos essencialmente quando ponderamos sobre aquilo que tem o poder de destruir ou de salvarnos. o estaríamos reduzindo a um objeto e uma criatura. a afirmação ―Deus se fez homem‖ é uma afirmação não apenas paradoxal. A justificação também não é um ato soberano de um Deus pessoal. A palavra ―símbolo‖ é resultado do repúdio de Tillich por qualquer interpretação ortodoxa acerca da pessoa e da obra de Cristo. O relato da crucificação é mencionado como lendário e contraditório. Ele é a resposta simbólica do homem para a sua busca de bravura para superar as situações que o limitam. tais como justificação.

nesse caso. Quando nos deparamos pela primeira vez com a obra de Paul Tillich. Religiosos de ambos os grupos certamente abraçariam com alegria seus pressupostos. Não entendemos o porquê Paul Tillich insiste em empregar a palavra Deus com sentido cristão. No entanto. não há mais distinção entre Criador e criatura. exceto pela sua afirmação de que só ele foi e é o Cristo. ―sua maior falha foi substituir a Palavra de Deus pela palavra do homem‖. Seguindo os moldes neo-ortodoxos e liberais. Sua idéia de Deus não é trinitária e nem pessoal. . exceto como um símbolo a mais para descrever uma situação existencial que não tem relação com o Deus Vivo. O ―princípio da correlação‖ de Tillich afirma que a filosofia pode dar-nos uma analise adequada da situação humana. Há várias objeções que se pode fazer à teologia de Tillich. a maior falta dele não foi substituir a teologia pela filosofia. Essa teologia diluída poderia ser bastante aceitável para um budista ou um hindu. e sim uma ―tradução‖ da linguagem teológica em termos teosóficos e ontológicos. Também não conseguimos entender que tipo de Deus pode estar além da transcendência. Como escreveu o crítico Kenneth Hamilton. porém na maioria das vezes. mas não é uma pessoa que se comunica ou com quem possamos ter comunhão. sua teologia não é especificamente cristã. Deus é um poder racional que penetra a profundidade do ser. Tillich utiliza a filosofia para analisar os problemas mais profundos da existência do homem contemporâneo. A Bíblia. No entanto. Sua cristologia também é uma fraude. No sistema dele. ele argumenta que a Bíblia. Por esta causa. precisa. e que não é nem sobrenatural nem natural.Objeções à teologia de Paul Tillich. sutil e tremendamente criativa. Tillich reduz Jesus a um mero símbolo. temos a impressão de estar diante de um incrível tratado teológico produzido por uma mente enciclopédica. interpretada da maneira tradicional. pode até aparecer. O conceito de ―Ser‖ que Tillich apresenta se assemelha muito mais a um aspecto desse mundo do que existe por si só e independe de sua criação. Sua doutrina definitivamente não é doutrina bíblica. A soteriologia de Tillich não tem significado concreto. mas estará sempre em plano secundário. sua tradução faz violência tanto ao Espírito quanto à letra que ele traduz. As vezes essa tradução nos ajuda a ver as coisas sob uma luz mais clara e profunda. não é aplicável aos problemas da nossa época. entre elas a sua rejeição da Bíblia como palavra de Deus. o que faz dele um absoluto nada.

Se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida. segundo os princípios paulinos. Porque. então. quase não vemos influência desses movimentos. somos os mais infelizes de todos os homens‖(1Coríntios 15. é vã a nossa pregação. Porém. porque temos asseverado contra Deus que ele ressuscitou a Cristo. Temos analisado as doutrinas dessas escolas e em nenhum momento fugimos da responsabilidade de apresentar o nosso parecer. salvo nas esferas seculares. Nas comunidades eclesiásticas brasileiras. se Cristo não ressuscitou. Assim como Bultmann.Vemos em Paul Tillich um sério compromisso com a filosofia existencialista. Muitos dos programas teológicos até aqui apresentados foram postos em caráter de informação. . ao mesmo tempo em que podemos perceber seu particular descaso para com a Palavra de Deus. à partir desse capítulo.13-19). se Cristo não ressuscitou. Imagino o que diria o apóstolo Paulo a um pregador como Paul Tillich: ―E. a ocorrência literal dos milagres e o maior milagre do cristianismo: a ressurreição. A análise que fazemos dessas propostas teológicas encontra seus pressupostos na ortodoxia bíblica. a não ser um ou outro incidente recente de pastores que abraçaram a teologia relacional. e ainda permaneceis nos vossos pecados. Não sei ao certo como Paulo argumentaria com Tillich. também Cristo não ressuscitou. A primeira dessas três escolas. onde o liberalismo teológico e o naturalismo têm estado ativo e presente. e cujos pressupostos tem de alguma maneira modelado a forma de fazer teologia no Brasil. E. ou quase nula. ao qual ele não ressuscitou. é a Teologia da Libertação. E. Tillich remove o fundamento e a esperança da fé cristã. se é certo que os mortos não ressuscitam. Teologia da Libertação: Uma resposta teológica à crise econômica e social LatinoAmericana. 15. da perspectiva ortodoxa. passando pelas principais escolas teológicas da era contemporânea. E ainda mais: os que dormiram em Cristo pereceram. se não há ressurreição de mortos. e talvez o leitor nunca se depare com os problemas aqui levantados. mas creio que seria algo assim. abordaremos três correntes teológicas cuja presença é marcante no Brasil. ele lança tantas dúvidas acerca dos milagres e da ressurreição que de nenhuma maneira. sua interpretação meramente existencial do cristianismo faz dele um teólogo ruim. sua teologia pode ser chamada cristã. Até aqui a nossa abordagem tem sido principalmente teórica. Cristo não ressuscitou. apresentada por nós no capítulo dez sob o título de ―teologia do processo‖. Apesar da relevância dos problemas até aqui levantados. Se por um lado Tillich é considerado excelente erudito (e eu diria até um bom filósofo). Ao negar a historicidade dos fatos narrados no Novo Testamento. a influência dessas escolas teológicas na nossa teologia e em nossas denominações é pequena. é vã a vossa fé. a vossa fé. conforme já foi dito no capítulo primeiro. e somos tidos por falsas testemunhas de Deus. de origem netamente Latina. e vã. se os mortos não ressuscitam.

os teólogos da libertação são bem pragmáticos. se empenharam em buscar uma teologia que pudesse resolver os conflitos sociais da América Ibero Hispana. não está subentendida a obra de Cristo por nós. animados pela política mais aberta do Vaticano II. como se pode deduzir dessas linhas. Católicos romanos como Juan Luís Segundo. o problema da violência e da não-violência é um problema ilusório. A teologia da libertação e a revolução social. o ambiente teológico da América Latina passou por sérias transformações. As palavras chaves para entender essa teologia social são ―revolução‖. Hugo Assman e Gustavo Gutiérrez Merino. Apenas existe a questão do uso justificado ou injustificado da força. A palavra. e sim os ideais do marxismo. ―capitalismo‖ e ―proletariado‖. ―dominação estrangeira‖. Em meio a uma estrutura social em que um homem velho morre aos vinte e oito anos. política e econômica que lhes é imposta. que pudesse sanar os problemas sociais e econômicos de então. O padre Camilo costumava dizer que ―cada católico que não é revolucionário e não está do lado da revolução comete pecado mortal‖. e se o fim é nobre. onde quinhentos em cada mil crianças morrem antes de completar um ano de idade. Libertação pedagógica para uma consciência crítica através do que o pedagogo brasileiro Paulo Freire chamou de ―conscientização‖. uma mudança radical nas estrutura. dentro desse movimento teológico significa: Libertação política das pessoas e setores socialmente oprimidas. resultante da criação contínua de uma nova maneira de ser e de uma revolução permanente. Na questão da violência. sendo o cerne dessa conscientização o despertar da consciência das massas miseráveis que vivem a cultura do silêncio. Sob a palavra ―libertação‖. sacerdote colombiano que morreu em um tiroteio como membro da guerrilha de Che Guevara. Essa atitude violenta foi de fato uma proposta aberta aos religiosos para que tomem lugar nas barricadas e lutem em prol do desenvolvimento social e econômico da América Latina. Os teólogos que viveram esse período foram levados a formular uma teologia que fosse menos acadêmica e teórica.Contextualizando a teologia da libertação. Libertação social para melhores condições de vida. Nas décadas de 60 e 70. O ambiente no Brasil e na Argentina era de ditadura. onde os estudantes que protestam são torturados. Qualquer semelhança com os conhecidos jargões do comunismo não é mera coincidência. . Richard Shaull. Os teólogos da libertação se declararam várias vezes favoráveis a luta armada. os meios se fazem necessário. como o santo patrono da causa. e mais laica e prática. para se interarem da dominação social. ao ponto de alguns considerarem Camilo Torres. Emílio Castro. protestantes como Rubem Alves. José Míguez Bonino e o então missionário no Brasil. ―exploração‖. e oitenta por cento da população vive com uma renda de oitenta dólares por ano. Para eles. Ele foi a maior fonte de inspiração e o impulso motor dessa nova tendência teológica. ―libertação‖. a voz revolucionária começou a clamar em favor das massas.

a pena foi suspensa em 1986. e a teologia deve ser elaborada à partir de elucubrações sócio-políticas. Os pressupostos da Teologia da Libertação e as objeções à doutrina.No Brasil. Dada a pressão mundial sobre o Vaticano. podendo retomar algumas de suas atividades. Em 1992. O encontro com Deus é descrito como ―o compromisso com o processo histórico da humanidade‖. e o evangelho. escritor. Em 1985. ―Mudou de trincheira para continuar a mesma luta‖: continua como teólogo da libertação. Leonardo Boff que está no centro do debate sobre a teologia da libertação. órgão herdeiro da Inquisição. então arcebispo do Recife. Curiosamente a cúpula da CNBB parece continuar com boas relações com Boff. foi submetido a um processo no Vaticano. A responsabilidade social é um dever do cristão. Tal ponto de partida deve ser contextual. atualmente é o Dr. o que eles admitem na teoria. ela tem sido um brado a favor da dignidade humana. em nossa época. ―é o esforço do ser humano para ser parte do processo através do qual o mundo será transformado‖. A salvação. e condenado a um ano de ―silêncio obsequioso‖. 1João 3. segundo o peruano Gutiérrez. Embora Hugo Assman e Dom Hélder Câmara sejam dos nomes que representam o pensamento da teologia da libertação no Brasil. em razão de suas teses ligadas à teologia da libertação. sendo também deposto de todas as suas funções editoriais e de magistério no campo religioso. entre outros. .5). apresentadas no livro ―Igreja: Carisma e Poder‖. apesar de sua ―apostasia‖ e de seu marxismo. como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra e as Comunidades Eclesiais de Base (CEB‘s). o que faz da teologia da libertação mais um movimento político que um movimento netamente teológico. foi negado por eles mesmos muitas vezes na prática. Como movimento político. então prefeito da Congregação da Doutrina e da Fé. dentro da cosmovisão libertária. ―apostatou‖ de sua condição de padre e da própria Igreja Católica para se unir com uma mulher. Boff participou da coordenação e publicação da coleção ―Teologia da Libertação‖. a principal voz do movimento no Brasil. deve ter uma transcrição e aplicação política. de uma sociedade mais justa e fraterna. O ponto de partida para a elaboração da teologia da libertação. sendo de novo ameaçado com uma segunda punição pelas autoridades de Roma. mas a salvação não se restringe a essa responsabilidade: salvação significa perdão e cancelamento dos pecados cometidos contra Deus (Hebreus 9. promove uma revolução pacífica. Porém. se resume em ―um processo que abarca o homem e a história‖. Como membro do conselho editorial da Editora Vozes entre 1970 e 1985. Essa concepção de salvação talvez corresponda à idéia judaica de messianismo na época de Cristo. Dom Hélder Câmara. mas pouco tem a ver com o conceito tal como utilizado por Jesus e por Paulo.28. por não se contentar com as reformas triviais. assessor de movimentos sociais de cunho popular libertador. com raízes na dimensão humana e política. Leonardo Boff. Em 1984. professor e conferencista nos mais diferentes auditórios do Brasil e do exterior. foi interrogado pelo cardeal Joseph Ratzinger (o atual papa Bento XVI).

Ela foge totalmente a ortodoxia reformada. isso porque a ―Sola Scriptura‖ não admite nenhum ―somado a‖. Ao refletir algo parecido com a ética situacional. Como disse. Devido à repressão ao movimento. ou ―junto com‖. . também teólogo libertário. ou a razão. Em outras palavras. ainda que não totalmente. Ele também afirma que o ―amor para os oprimidos significa cólera contra os opressores‖. mas a missão do cristão. hoje não há muitos grupos ou indivíduos que mantém a Teologia da Libertação. a tendência da teologia cristã é polarizar: Ou a experiência. ou o marxismo. conforme temos exposto em tese. Rubem Alves. é proclamar que o filho de Deus ressuscitou e tem poder de perdoar pecados. há de se admitir a classificação do movimento da teologia da libertação como um movimento violento é falha. Como é difícil associar todo esse discurso com as palavras de Jesus no Sermão da Montanha! Como o evangelicalismo deve responder a essa ―revolução teológica‖? É óbvio que o cristão não deve viver alienado de qualquer idéia política ou deva se conformar a uma mentalidade status quo. os fins justificam os meios. ―a violência se converte na força que move a história no caminho para conduzir à sociedade perfeita‖. segundo a Bíblia. a missão da igreja acaba por confundir-se com confrontamento político e adesão e exposição de idéias sociais.Nesse processo de teologia libertária. O problema é que. e nesse sentido. é justo empregar a violência contra a violência. e no caso da Teologia da Libertação. mas a influência nas faculdades ainda é grande. É preciso ressaltar que as afirmações de violência não são de nenhum modo característica de todos os teólogos da libertação. nem é preciso forçar a exegese ou fazer eisegese para defender pressupostos sociais. não podemos deixar de aludir que. que tentam colocar em prática as idéias sociais da mesma. ou não somos cristãos. ou a fé. a teologia da libertação é fortemente um movimento violento. Toda rotulação é pobre. Atualmente o movimento se reduz a algumas ―comunidades de base‖. pois neste caso. Não é preciso polarizar para ter responsabilidade social. a teologia da libertação não pode escapar das mesmas acusações levantadas contra ela: moralidade relativista e pragmática. ou a história. A teologia da libertação está fundamentada em uma postura na qual a presente práxis histórica se transforma em norma canônica para descobrir a vontade de Deus. Ainda assim. e não há nenhuma possibilidade de um crente evangélico sustentá-la sem cair em contradição.

teólogo pentecostal das Assembléias de Deus. posterior à conversão. ao redor de 1830. em 1895. pelo menos dois reavivamentos do século XIX podem ser considerados precursores do moderno movimento pentecostal. Em seu livro A Short Account of Christian Perfection. Moody e R. quando o pregador Wesleyano radical da Santidade. Mesmo assim. a segunda obra de graça iniciava a santificação e a terceira trazia o ―batismo do amor ardente‖. da irmã Phoebe Palmer. a noção que Irwin possuía de uma terceira obra de graça. Porém. Outros pregadores de renome. Outros três livros que proporcionaram as bases sobre a qual foi construído o movimento pentecostal foram Guia para a Santidade e A Promessa do Pai. Finney. e inspirou o Movimento de Santidade. Wesley conclama os crentes à buscarem uma segunda obra de graça. Segundo o Dr. uma das principais líderes metodistas. O advogado e pregador cristão Charles G.16. McGee. e o segundo teria ocorrido no sul da Índia. que é o batismo no Espírito Santo. a ensinar sobre três obras de graça. porém. Benjamin Hardin Irwin começou. acreditava que o batismo no Espírito Santo provesse revestimento de poder para se obter a perfeição cristã. que livraria os crentes de sua natureza moral imperfeita. tais como Dwight L. e Tongue of Fire (Língua de Fogo). Torrey. em 1760. O primeiro teria ocorrido na Inglaterra. por exemplo. Aroolappen. . O movimento também tem suas raízes na Doutrina da Perfeição Cristã.49. fazendo uma interpretação pessoal de Lc 24. A maior parte do Movimento de Santidade condenou essa terceira obra da graça como sendo heresia. firmou-se como alicerce do Movimento Pentecostal.A. de John Wesley. Seymour e o avivamento místico-pietista do século XX. o revestimento de poder para o serviço cristão. Gary B. A crença na segunda obra de graça não ficou confinada ao metodismo. Pentecostalismo: Parham. Essa doutrina chegou na América do Norte. era ensinado que cada cristão precisa esperar pela promessa do batismo no Espírito Santo. a dissidência teológica começou a surgir. Segundo Irwin. C. sob a liderança de J. também acreditavam que uma segunda obra de graça revestiria o cristão com o poder do Espírito. cuja ênfase estava voltada à vida santificada. de William Arthur. tendo como caudilho o ministério de Edward Irving. Aos que procuravam receber a segunda obra de graça.

incluindo o falar noutras línguas. Depois de Agnes Ozman. como na já mencionada Índia e na Finlândia. Depois de 1906. porém. Suas asserções estão baseadas nos relatos de Atos dos Apóstolos. tanto nos Estados Unidos quanto no exterior. quando Agnes Ozman. Essa tese perdeu força com o decorrer dos anos e hoje é crença quase comum em círculos pentecostais que as línguas faladas por eles não são idiomas estrangeiros. A grande contribuição teológica de Parham ao movimento acha-se na sua insistência de que o falar noutras línguas é a evidência bíblica vital da terceira obra de graça: o batismo no Espírito Santo. aluna da Escola Bíblica Betel de Charles Fox Parham. no ano 1906. cada vez mais pentecostais estavam de acordo em que as línguas por eles faladas eram glossolalia. De fato. que seriam capacitados sobrenaturalmente para falarem outros idiomas. quando Bennett Freeman Lawrence escreveu a primeira história do movimento pentecostal. xenolalia. em Los Angeles. porém. Foi à partir do início do século vinte que o pentecostalismo ganhou projeção mundial. teve uma experiência mística e começou a falar em outras línguas. em Topeka. Foi então que o movimento pentecostal explodiu. após ter passado pela mesma experiência mística. Parham mudou-se para Houston. isto é. Aqueles que presenciavam esses acontecimentos. a mensagem pentecostal. capítulos 2. línguas desconhecidas e não identificáveis pela inteligência humana. línguas inteligíveis – idiomas pátrios. no estado americano do Kansas. porém até então esses eram apenas casos isolados. de fato. os cristãos pentecostais achavam que as línguas faladas por eles eram. faziam rapidamente um paralelo com os eventos do livro de Atos dos Apóstolos. muitos outros alunos foram batizados com o ―novo‖ batismo. deu ao movimento o título de The Apostolic Faith Restored (Fé Apostólica Restaurada). O primeiro deles é datado de 1º de Janeiro de 1901. e muitos diziam que o movimento era a restauração da fé apostólica. em 1916. Sendo assim. experiências semelhantes. Posteriormente. continuava crendo que as línguas faladas pelos pentecostais eram xenolalia e que essas línguas eram expressões idiomáticas de outras nações. Charles Parham era um pregador do Movimento de Santidade. o fenômeno das línguas auxiliaria como uma ferramenta nas mãos dos missionários transculturais. isto é. . e um de seus alunos. testemunhou um grande reavivamento na Escola Bíblica Betel. tornou-se líder de uma igreja na rua Azuza. Parham. que incluía o falar noutras línguas como sinal do batismo no Espírito Santo. e falaram em outras línguas (xenolalia). e desde então o falar em outras línguas tem sido destacado pelos pentecostais como sendo a evidência física inicial do batismo no Espírito e a prova cabal do mesmo. em lugares bem distantes entre si. À princípio. um homem negro chamado William Seymour. que influenciado por Irwin e convencido pelos seus próprios estudos dos Atos dos Apóstolos. 10 e 19. Na verdade. divulgou-se pelos Estados Unidos e pelo resto do mundo. A partir da rua Azuza.Dois eventos marcaram definitivamente a chegada do moderno movimento pentecostal. já haviam ocorrido em fins do século XIX.

A quarta controvérsia é de ênfase cristológica. A segunda controvérsia já foi mencionada. que é uma variação do unitarismo. Em um sermão pregado em Arroyo Seco. caracterizada pela plenitude do Espírito.19). em especial o livro de Atos e os últimos versículos de Marcos. e diz respeito à natureza das línguas faladas. na GrãBretanha como tendo uma grande influência sobre o Movimento de Santidade na América do Norte. Os principais pressupostos da doutrina pentecostal.O Dr. No início do movimento houve muitos debates acerca da doutrina. enquanto os pentecostais de tendências reformada defendiam a santificação progressiva. Seria ela progressiva ou instantânea? Os pentecostais de tendências wesleyanas asseguravam que a santificação era uma obra instantânea. Essa sentença está alicerçada no conceito wesleyano. McGee também menciona as conferências de Keswick. não acompanharam as tendências modalísticas. Gary B. .E. sobre o valor teológico da literatura narrativa. que afirmava que o batismo no Espírito produzia a perfeição cristã. e logo nos primeiros dezesseis anos de existência. uma vida mais profunda. A primeira. no entanto. para fundamentar o falar noutras línguas como a evidência inicial do batismo no Espírito Santo. houve quatro grandes controvérsias. portanto. Os que deram crédito à pregação de McAlister foram ―rebatizados‖ em nome de Jesus. Um grupo acreditava tratar-se de expressões idiomáticas inteligíveis (línguas pátrias) enquanto outro acreditava que as línguas faladas eram expressões de mistério. R. As Assembléias de Deus. McAlister observou que os apóstolos batizavam apenas em nome de Jesus (At 2.38) ao invés da fórmula trinitariana (Mt 28. Os conferencistas de Keswick acreditavam que o batismo no Espírito Santo produzia uma vida contínua de vitória. Outro debate girava em torno da segunda obra da graça: a santificação. Houve então uma cisma no movimento e os que enfatizaram o batismo apenas no nome de Jesus acabaram por propor uma doutrina modalística da trindade. e consequentemente sobre o pentecostalismo. ininteligíveis por meios naturais.

a fé no miraculoso para a cura física começou a ressurgir nos círculos evangélicos. . portanto. a medicina era ainda mais precária. São dispensacionalistas. na época em que Daniel Berg e Gunnar Vingren aportaram em nosso país. e ainda que isso tenha contribuído para a aceitação do evangelho. No final do século dezenove e início do século vinte. com sua crença na purificação instantânea do pecado ou no revestimento do poder do Espírito produziu um ambiente receptivo aos ensinos da cura mediante a fé. Consequentemente. esse não foi o fator decisivo. línguas e interpretação de línguas e operação de milagres. A promessa de uma cura instantânea veio de encontro com as necessidades básicas do nosso povo. A lista não é exaustiva. podendo haver outros itens não relacionados nessa pesquisa. No Brasil. a medicina avançava à duras penas e oferecia pouca ajuda aos que se achavam gravemente enfermos.Vemos. Todos os cristãos pentecostais crêem: a) No Batismo no Espírito Santo como experiência subseqüente e distinta da salvação. profecias. de modo o movimento teve ampla aceitação. A crença mística do povo brasileiro. Além disso. os ministérios que ressaltavam a importância da oração pelos enfermos atraía a atenção dos crentes estadunidenses. c) Que o batismo pentecostal reveste o crente com poder do alto capacitando-o para exercer seu ministério ao mundo. havia em nossas terras um grande número de leprosos e muita gente morria apenas por falta de higiene ou por efeito de uma desinteria. o quanto resulta difícil fazer generalizações doutrinárias acerca do movimento. Lembremos que o mundo greco-romano nos dias apostólicos também tinha suas religiões de mistério. Apesar disso. Na Alemanha do século dezenove. ao mesmo tempo que a teologia pietista. sobretudo no norte do país. a maioria dos cristãos pentecostais também crê: a) b) c) Na vinda de Jesus pré-milenista e pré-tribulacionista. também foi um fator decisivo para a recepção das doutrinas pregadas pelos missionários suecos. tais como cura. destacamos à seguir aquilo que consideramos ser as crenças mais universais dos pentecostais. No falar em línguas como evidência física inicial do batismo no Espírito. b) Na atualidade dos dons espirituais. Não queremos dizer com isso que o pentecostalismo somente se instaurou no Brasil por causa da influência dos cultos afros e do xamanismo. Razões que contribuíram para crescimento do Movimento Pentecostal.

criavam teologias com ênfase em teorias naturalistas e evolucionistas. Outra questão diz respeito aos milagres. surgiu também um movimento de restauração da fé apostólica. entre as quais destacamos algumas. o pentecostalismo por sua vez surgiu do desejo de reencontrar a fé cristã primitiva e de desassociar-se do sistema secular. Os cessacionistas argumentam que se a inspiração profética é atual. então teremos duas fontes inspiradas: a Bíblia e a profecia. a excessiva ênfase na inspiração sobrenatural da fala. Alguns cessassionistas dizem que a ocorrência de sinais fantásticos seria mais que persuasão e violaria incondicionalmente o livre-arbítrio humano. faziam estudos sobre o Jesus histórico desassociando-o do Jesus da fé. tornou-se uma das maiores denominações do mundo. Muitas foram as contribuições do pentecostalismo. tem substituído a pregação da palavra de Deus. Muitos cessacionistas têm se empenhado para desacreditar o pentecostalismo e a atualidade dos dons espirituais. Esse mesmo pregador gosta de dizer a Deus em suas ―fervorosas‖ orações: ―se tenho crédito no céu…‖. e quando reaparece. volta e meia desaparece dos púlpitos nos congressos. visões e da conduta cristã. mas o fato é que o pentecostalismo foi uma das principais reações contrárias ao secularismo teológico que surgiu no século vinte. Porém. ou dom de profecia. Essa prática definitivamente não é cristã. Os restauracionistas pentecostais. enquanto os teólogos alemães e norteamenricanos patenteavam jargões como geschichte.Objeções à doutrina pentecostal. É comum em nossos dias ver pregadores pentecostais trazendo novas e estranhas revelações acerca de anjos. a ponto de ter se tornado praxe de certo pregador televisivo. mas nem por isso se tornaram crentes. nenhuma exegese por eles apresentada justifica o anti-sobrenaturalismo presente em sua teologia. filha desse reavivamento espiritual. Crédito no céu? Onde está a mensagem da graça. Jamais vimos Jesus ou os seus apóstolos invocando a presença de anjos antes de trazer uma mensagem aos fiéis. As Assembléias de Deus. na leitura e pregação devocional da Bíblia e com uma visão de ministério às nações. Em muitas igrejas evangélicas. é permutada. Não faltam porém objeções às práticas do movimento. Talvez minha observação pareça arrebatada ou até mesmo apaixonada demais. do favor de Deus? . surgiu um movimento com ênfase na santificação. A isso os pentecostais dizem que Jesus e os discípulos também faziam sinais. invocar serafins antes de fazer sua preleção. dizem que as profecias só são válidas se estiverem em comum acordo com a Bíblia sagrada e terão valor apenas após o seu cumprimento. E os exageros não param por aí: a Bíblia também. desmitologização. Muitos presenciaram a multiplicação dos pães. É interessante perceber que nesses cem anos de controvérsias teológicas. Se por um lado os demais movimentos estavam associados ao desejo de amoldar a fé cristã aos padrões filosóficos e científicos do homem moderno. Em meio ao cenário árido da teologia do início do século vinte. e nem por isso aqueles que se convertiam tinham seu livre-arbítrio violado. por outro lado.

Bultmann. mas isso não desqualifica o movimento. William Seymour e os demais pregadores do movimento pietista pentecostal instavam para que os homens se amoldassem à Palavra de Deus. porém. surgiu no cenário mundial um movimento que buscava justamente o oposto. quero ressaltar que a dissimile é maior que qualquer afinidade que estes dois nomes possam sugerir. o atual quadro do pentecostalismo. Isso. Apesar da semelhança semântica. e enquanto existirem esses. Muitos excessos têm sido cometidos desde então. Há muitos que ainda prezam pela pregação bíblica e que mantém o perfeito equilíbrio entre a unção. No entanto. . faz-nos pensar na necessidade e porque não dizer. creio que o movimento contará com certa credibilidade. esses excessos ocorrem bem na fronteira de dois movimentos contemporâneos com muita força em nosso país: o pentecostalismo e o neopentecostalismo. De modo quase geral. Enquanto Barth apresentava Deus como ―Totalmente-Outro‖. mercadejando as bênçãos de Deus e enfatizando muito mais o presente que o porvir. sobretudo no cenário nacional. O pentecostalismo surge no cenário contemporâneo na contramão da teologia moderna liberal e neo-ortodoxa. pelo ceticismo de David Hume e pelos apelos filosóficos de Immanuel Kant. Tillich e Brunner agitavam o cenário teológico mundial com inovações e com suas tendências filosóficas. a pregação catequética e com embasamento escriturístico tem sido substituída por empolgados shows evangélicos. Na verdade. Enquanto Barth. Se por um lado Paul Tillich buscava amoldar a Bíblia às necessidades do homem. não significa que não haja pentecostais sérios e ortodoxos. Conhecemos muitos assim.Outro pregador pentecostal que há anos se identificava como homem ortodoxo tem se rendido fatalmente à práticas neo-pentecostais. obviamente influenciados pelo existencialismo de Kierkgaard. a erudição e o conhecimento teológico. Virou já um ícone do evangelho da prosperidade. promovidos por pregadores que mais parecem animadores de auditório. os pregadores pentecostais insistiam na possibilidade de um relacionamento pessoal com Deus e definiam-no como aquele que habita os céus e que paradoxalmente. vive em nós. urgência de uma nova reforma religiosa dentro do próprio movimento: uma nova restauração da fé apostólica.

além de apresentar as principais doutrinas do século vinte. Temos buscado nessas páginas. Maldição de Família e Pecado de Geração. Jorge Tadeu e outros. Muitas pessoas no movimento da confissão positiva consideram Kenneth Hagin como o pai do movimento. da Cura Diferencial e do Exorcismo. mas lembremos-nos: o sinal sempre foi sinal para incrédulos! Em toda a história. Como já foi dito no capítulo anterior. Quebra de Maldições. Este movimento se originou a partir de denominações históricas. em congressos. Kenneth Hagin. Marilyn Hickey. sempre buscaram um sinal e uma materialização do imaterial. apregoadas por supostos avivalistas em acampamentos cristãos. Nos nossos dias. pragmatismo e culto à Mamom. fundadas em 1967. em escolas bíblicas de férias e na televisão. as diferenças entre esses dois grupos protestantes são maiores que qualquer semelhança que possam ter. à qual fomos chamados. embora seja possível estabelecer uma símile entre o pentecostalismo e o neopentecostalismo. chegou no Brasil o movimento que ficou conhecido como neopentecostalismo. pensando estar fazendo o melhor para Deus. Renovação Carismática. fundada em 1977. chega-se à conclusão de que o verdadeiro pai da confissão positiva é Essek William Kenyon. Maldições Hereditárias. . quando se investiga o desenvolvimento histórico do movimento. defender com muita submissão os valores do Evangelho e a imaculada Igreja de Nosso Senhor Jesus. alicerces ou filtro teológico. de tal forma que muitos pregadores da prosperidade – inclusive os brasileiros – se consideram discípulos de Hagin.38-39). homens e mulheres no decorrer de sua incansável busca por um toque religioso. Neopentecostalismo: Misticismo. de multidão má e incrédula (cf. em 1973. e Socorrista. em 1975. Mateus 12. Nova Unção). as Igrejas Pentecostais Livres: Sinais e Prodígios. tais como a Igreja Presbiteriana Renovada. Estes. e por mentores católicos carismáticos no exercício do Toque do Dom. ensinam sempre sob a orientação filosófica de seu pai. Todos estes. originária da Igreja Católica Romana. evangélicos ou não. sem nenhuma consulta à exegese bíblica. Muitos obreiros e ministérios são envolvidos em assuntos aparentemente simples como os que temos abordado. Jesus chamou essa multidão que de um lado para o outro em busca de uma experiência. Essek William Kenyon e de seus principais porta-vozes. as Igrejas com pouca estrutura eclesiástica. Na década de 70. fundada em 1970. como a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD). como a chamada Confissão Positiva (Evangelho da Saúde e da Prosperidade. Porém.17. vivem em busca de ―sinais‖ de Deus. juntamente com as doutrinas neopentecostais têm surgido muitas doutrinas paralelas. de novas manifestações. História do Movimento Neopentecostal. Robert Schüller. e os Pentecostais Carismáticos. quando na verdade estão sendo instrumentos para erosão perniciosa contra a vida espiritual da Igreja. sejam pregadores ou leigos. Kenneth Copeland.

Em seus 40 anos de ministério. onde freqüentou várias escolas. em 1974. escreve o seguinte acerca de Emerson: Charles Emerson foi uma figura um tanto contriversa. No início do seu ministério. começou a associar-se com os pentecostais e em 1937. a Escola Bíblica de Hagin já formou cerca de 6. Devido à sua crença em cura divina. Fundou em Tusla. em 1867. Nova York. faleceu Kenyon. sendo assim levado a tomar uma decisão quanto a sua vida espiritual.600 alunos. recebeu o batismo com Espírito Santo e falou em línguas. alguém utilizaria as idéias e os escritos de Kenyon para dar forma ao que viria a ser um dos maiores e mais controvertidos movimentos dentro do corpo de Cristo da atualidade. O professor do Makenzie e apologista do ICP. Depois da terceira ―visita ao inferno‖. . com a idade de 80 anos. a Ciência Cristã. finalmente fundou. a Escola Bíblica por Correspondência Rhema e o Centro de Treinamento Bíblico Rhema em Tulsa. Tendo passado por essas duas denominações. e chegou a abraçar inclusive muitos ensinos de seitas heréticas. entre elas a Faculdade Emerson de Oratória. Em 1892. A primeira foi Hagin ter sido ―levado ao inferno‖. O ministério de Kenneth Hagin é hoje um dos maiores do mundo e sua influência tem se espalhado por muitas partes do globo. em 1962. É muito importante saber quem foi Charles Emerson para se compreender a hermenêutica de Kenyon. encarregou sua filha Rute de continuar o seu ministério e publicar os seus escritos. Hagin foi um jovem pregador batista (1934-1937) e pastoreou uma igreja da comunidade onde morava. a teologia de Emerson evoluiu do congregacionalismo para o universalismo. seu próprio ministério. em 1908. Ésse Charles Emerson. Esta pessoa é Kenneth Erwin Hagin. mudou-se para Boston. que à bem da verdade. para o Novo Pensamento (Nova Idéia).Kenyon nasceu no condado de Saratoga. fundada por Charles Emerson. Hagin aceitou a Cristo como seu Salvador. Antes de sua morte. o que ela cumpriu fielmente. Estados Unidos. Hagin conta ter descido outras duas vezes ―ao inferno‖ para ali contemplar os seus horrores. foi uma mente muito confusa e sincretista. Paulo Romeiro. Neste mesmo ano foi licenciado como ministro da Assembléia de Deus (1937-1949) e pastoreou várias igrejas dessa denominação no Estado do Texas. Sua conversão à Ciência Cristã foi a última progressão lógica na sua evolução metafísica do ortodoxo para o sectário‖. Segundo o professor Paulo Romeiro. Mais tarde. não é nem ciência nem cristã. onde supostamente viu e sentiu coisas que o deixaram perplexo. Emerson uniu-se à Ciência Cristã em 1903 e nela permaneceu envolvido até sua morte. No dia 19 de março de 1948. Em Super Crentes. nas mais rígidas e dogmáticas de todas as seitas metafísicas. como por exemplo a Ciência Cristã. para o unitarismo. para o transcendentalismo. e terminou. finalmente. segundo se sabe. Duas experiências polêmicas teriam afetado toda a sua vida e ministério.

visto que existem diversas denominações neopentecostais e todas possuem sistema doutrinario eclético. Outra pessoa que tem influenciado muitos no Brasil é o engenheiro Jorge Tadeu. principalmente pelos seus métodos de levantamento de fundos. líder da Igreja Internacional da Graça de Deus. que também pertence ao movimento. Segundo essa abordagem teológica. Nos limitaremos. pastor da Igreja Evangélica Cristo Vive. Kenneth e Glória Copeland. R.A revista Word of Faith (Palavra da Fé). Benny Hinn e Lester Sumrall. Soares. A doença tem sua origem na falta de comunhão com Deus. baseando a cura divina na expiação e usando para isso o texto de Isaías 53. hoje pastor e líder das igrejas Maná. chegando até mesmo a chorar e a profetizar enquanto pede dinheiro no seu programa de televisão. a destacar algumas práticas dos principais grupos neopentecostais. Jerry Savelle. Apenas queremos chamar a atenção para algo que se tornou o principal enfoque do neopentecostalismo: a teologia da prosperidade. Charles Capps. John Osteen. Serafim Isidoro. Pode ser citado ainda o ministério de Miguel Ângelo da Silva Ferreira. de modo que um indivíduo realmente convertido nunca deve ficar doente. T. enquanto no Antigo Testamento a promessa é de prosperidade advinda da obediência. em seu pequeno. Fred Price. É muito difícil enumerar os pressupostos do neopentecostalismo. . é enviada para 190 mil lares mensalmente e calcula-se que cerca de 20 mil fitas cassete de estudos são distribuídas a cada mês.R. que já esteve no Brasil acompanhado de Rex Humbard.4-5. porém inteligente livro Considerações à Doutrina da Prosperidade. A prosperidade financeira também é um direito do crente. Osborn. portanto. em Portugal. o Novo Testamento traz em seu cerne uma mensagem de abnegação. Para justificar o disparate. pobreza e enfermidade são características de uma vida sem fé. Para o Dr. os nomes mais conhecidos ligados à confissão positiva são Ken Hagin Jr. (filho de Kenneth Hagin). R. L. afirmam que Jesus era rico – bem como os seus discípulos – mas até onde sabemos. o Filho do Homem muitas vezes não tinha sequer onde reclinar a cabeça. R. Kenyon e Kenneth Hagin. sendo a pobreza uma maldição. o já mencionado Edir Macedo e o líder da Igreja Internacional da Graça de Deus. responsável pela publicação da maioria dos livros de Kenneth Hagin no Brasil. é uma figura extremamente controvertida hoje nos Estados Unidos. Soares. no Rio de Janeiro. Ele também diz que ―a busca do sensacionalismo e da prosperidade facil afasta o homem da ordem antiga: Comerás o pão do suor do teu rosto‖. Pressuposições da Doutrina da Prosperidade. Hobart Freeman. Bob Tilton. Os bens da organização estão avaliados em 20 milhões de dólares. Os porta-vozes da doutrina da prosperidade não medem esforços para conseguir arrecadações. Além de Essek W. Já foram vendidos cerca de 33 milhões de cópias de seus 126 livros e panfletos.

No ano de 1992. Espírito Santo. podemos encontrar muitos pressupostos do ―movimento da fé‖. como. Não sei se as pessoas chegam a saber disso. Entre seus ensinos mais controversos está o seu comentário de Is 53:9. está causando celeuma nos Estados Unidos. por exemplo. como a volta de Jesus num dia de sábado no ano 2007. Valnice Milhomens também tem aderido à muitas práticas neopentecostais. a denominação faz uso de rosas. medalhas com inscrições. bem como a afirmação de que o número dos salvos será maior do que o número dos perdidos. O boletim The Berean Call (O Chamado dos Bereanos). O autor se justifica afirmando que não soube explicar bem o que queria dizer. . publicou os seguintes comentários de Hinn a respeito de Adão e Eva: ―Adão era um ser sobre-humano quando Deus o criou. Bom Dia. o estudo acerca do ―corpo‖ do Espírito Santo. portais da felicidade. é um de seus nomes mais famosos. Hinn levou os membros de sua igreja a repetir depois dele a seguinte frase: ―Eu sou um deus-homem‖. A ênfase sobre a prosperidade financeira é bastante acentuada. lenços. tanto o livro de Hinn como seus ensinos têm levantado muita polêmica. copos com água. tais como água do Jordão e azeite para unção. especialmente na televisão. quando a Bíblia diz que ―aquele dia e hora ninguém sabe‖. em setembro de 1992. Ele passa a idéia de que existem nove deuses na Trindade. A capacidade imaginativa de Hinn é tão perspicaz que não exitariamos em recomendar sua ―história‖ à Walt Disney Pictures. é um dos mais vendidos hoje na América do Norte. fundada pelo bispo Edir Macedo.Não há dúvida de que o movimento da fé tem em Benny Hinn. Adão não só voava [como os pássaros]. de Oregon. Espírito Santo. mas também voava para o espaço (…) com um pensamento ele estaria na Lua (…) podia nadar [debaixo d'água] sem perder o fôlego. mas a semelhança com as práticas iconoclasticas da idade média é evidente: Substituindo a idolatria por metodologias visuais e palpáveis. o jornal Mensageiro da Paz publicou uma nota sobre Benny Hinn: ―O livro Bom Dia. Além destas. onde afirma que Jesus morreu duas vezes. na Flórida. Porém. há ainda questões escatológicas. pastor do Centro Cristão de Orlando. mas ele foi o primeiro super-homem que já existiu. supostamente importados de Israel. e sua esposa fazia o mesmo (…) Ambos eram sobrehumanos‖. cruzes. Seu livro. Não faz muito tempo. física e espiritualmente. a guarda do sábado. O vídeo consta nos arquivos do ICP e o episódio é citado por Paulo Romeiro em Super Crentes. A confissão positiva já alcançou repercussão significativa nos meios de comunicação. de Benny Hinn. retalhos dos ternos usados pelos pastores (será que eles rasgam o Armani do Bispo Macedo também?). Ela também defende a maldição de família e a necessidade de ruptura das mesmas. réplicas da Arca do Concerto. lenços. Na Igreja Universal do Reino de Deus. além de objetos sem nenhum valor financeiro.

sempre disposto à acatar ordens e tudo sem reclamar. em Portugal. e em Mateus 8:17. Mateus se refere à cura física (citando o texto hebraico massorético). pois temem pronunciar maldições que interfiram em seu progresso espiritual. tocou em seus ossos e ressuscitou (2 Reis 13:14-21). A cura física também deve ser pronunciada. . rapha). O contexto deve determinar se um dos sentidos ou ambos são empregados. Seu sofrimento não foi causado por confissões pessimistas. afirma que ―Deus só pode dar o que Ele tem. Pedro se refere à cura espiritual (citando a Septuaginta). O Senhor Soberano foi substituído por um Deus vassalo. ―Basta examinar as Escrituras para notarmos que verdadeiros servos de Deus passaram privações e dificuldades em suas trajetórias a serviço do Senhor‖. mas o ensino de Jorge Tadeu é contrário ao que diz a Bíblia. nem tampouco foi o diabo quem decidiu provar Jó. A iniciativa partiu de Deus.Os pregadores neopentecostais também ensinam que a fé e o recebimento das bençãos de Deus está relacionada com a confissão que fazemos. do ICP (Instituto Cristão de Pesquisas). de modo que a fé é reduzida à uma mera confissão positiva. O pastor Jorge Tadeu. usar esta passagem para dizer que a cura divina. pode-se referir à cura física ou à cura espiritual. Para Deus lhe dar uma doença teria que pedi-la emprestada ao diabo. ele menciona o profeta Eliseu. Objeções ao neopentecostalismo. a expiação de Cristo ainda não havia acontecido. É comum assistir na TV pregadores da Prosperidade ensinando os crentes a dar ordens em Deus. John Ankerberg e John Weldon nos ajudam a interpretar o texto de Isaías 53:4-5 com o seguinte comentário: ―No hebraico a palavra ―sarar‖ (em hebraico. ou ainda. Ele também afirma que dizer que a enfermidade é conseqüência da falta de fé ou pecado na vida do crente constitui-se numa falácia bíblica. Por exemplo. utilizando um jargão próprio do neopentecostalismo. morreu em conseqüência de sua enfermidade. muitos membros dessas igrejas vivem frustrados. ―não podemos esquecer também que. em 1 Pedro 2:24. Portanto. 5 é forçar o texto e não reflete uma boa exegese‖. quando Jesus curou a sogra de Pedro (Mateus 8:14-17). Por causa disso. Muitos pregadores da confissão positiva declaram que toda enfermidade procede do diabo. pois a Bíblia diz que um soldado morto. o que é uma idéia absurda‖. líder das igrejas Maná. Segundo Paulo Romeiro. Números 12:10). Um outro exemplo citado por ele é o de Jó. total e perfeita. que apesar de ter sido um grande profeta de Deus e de ter tido um ministério marcado por muitos feitos sobrenaturais. após ser colocado na sepultura de Eliseu. Por acaso Deus teve que tomar a lepra emprestada do diabo para colocá-la em Miriã? A lepra de Miriã foi provocada por Deus (cf. Para ratificar sua asserção. pecados ocultos ou falta de fé. Será que ele não tinha fé ou estava em pecado? Muito pelo contrário. ―decretada‖. está garantida na expiação com base em Isaías 53:4.

que Deus fala aos iniciados. a polêmica da semântica. capítulo 1. e caiu a sua flor. Russel Shedd afirma que Pedro não fez distinção sobre estes termos em sua primeira carta. e toda a glória do homem como a flor da erva. mas é geralmente empregado no contexto de sonhos. Mas a morte de uma criança acaba de pôr em causa o insólito ―mandamento‖. Sendo assim fica desfeita a pretensão daqueles que querem forçar uma interpretação e aplicação errônea destes termos. o autor pode não está mais se referindo à Palavra de Deus escrita. e outra subjetiva. ocorrido em 13 de maio de 1991. de oito anos. a revelação ou palavra da fé. Os apologistas da confissão positiva fazem um cavalo de batalha sobre as palavras gregas logos e rhema que significam palavra. e que rhema é a palavra dita. na edição de 30 de agosto a 5 de setembro de 1991. Logos e Rhema. na Palavra de Deus não há sequer uma distinção teológica entre estes dois termos. na mente do apóstolo não havia distinção entre estas palavras. quando alguém lê uma referência na literatura do pregador da fé à ―Palavra de Deus‖. Mas a palavra (Gr. O ministério das igrejas Maná. dizendo que há uma distinção entre eles no sentido de que logos é a Palavra escrita. Entretanto. Secou-se a erva. não de semente corruptível. Supostamente baseados nas promessas de Deus. Rhema) do Senhor permanece para sempre.23-25: “Sendo de novo gerados. expressa de Deus. O jornal Tal & Qual. . Em uma linguagem mais coloquial. faz uma séria denúncia. podemos perceber no movimento neopentecostal duas fontes de autoridade: uma objetiva – a Bíblia. A palavra rhema seria uma espécie de ―vara de condão‖ capaz de materializar o objeto da nossa cobiça. viva que permanece para sempre. visões e comunicações particulares entre Deus e seu ―agente‖. Rhema.Existe nos Estados Unidos muitos casos documentados de mortes causadas pela pretensa fé. Assim. e esta é a palavra (Gr. direta. ou ―a palavra de revelação‖ que é a palavra mística. é a ―palavra‘‖ que os crentes usam para ―decretar‖ ou ―declarar‖ a fim de trazer prosperidade ou cura para esta dimensão‖. que seriam como os sinônimos ―enorme‖ e ―imenso‖ no português. pela palavra (Gr. eles afirmam que podemos usar a palavra rhema para realizarmos no mundo espiritual e físico tudo aquilo que desejamos. Dessa forma. Como se pode ver. mas da incorruptível. dizem eles. mas ao seu próprio ―decreto‖ (rhema) ou uma palavra pessoal de Deus para ele (logos). Ele declara que ―os ensinadores da fé inventavam uma falsa distinção de significado entre essas duas palavras gregas. Rhema) que entre vós foi evangelizada”. revelada de Deus. Segundo Michael Horton. não tem escapado das críticas da imprensa em Portugal. Desta forma. o vocábulo rhema é o ―abracadabra‖ que os neopentecostais pronunciam para materializar o objeto desejado. Porque toda a carne é como a erva. sobre as circunstâncias que levaram ao falecimento do pequeno Nelson Marta. a Bíblia. O Dr. ―Mas que Grande Seita! Deixem de tomar remédios! — aconselha a seita religiosa Maná. não existe nenhuma grande diferença entre estes dois vocábulos. muitos pais perderam seus filhos para enfermidades que poderiam ser facilmente medicadas. Depois vem logos. ou ―agir sobre a Palavra‖ e outras. na primeira página. Logos) de Deus. O termo pode-se referir também à Bíblia. que faz com que as coisas sejam realizadas.

nasceu humilde e pobre. . AGNOSTICISMO Doutrina que defende a incognoscibilidade de qualquer ordem de realidade desprovida de evidência lógica satisfatória. à luz da ortodoxia. levando-o a buscar a prosperidade terrena. a não ser das realidades apreendidas pela experiência sensível. tereis aflições‖. Nega a possibilidade de um conhecimento racional e certo de qualquer realidade transcendente. Entrou em Jerusalém montado em um jumento emprestado. Ela desvirtua o crente. Como sistema teológico foi condenado pelos apóstolos e pela Igreja. Huxley (1825 – 1895). Temos depois o apóstolo Paulo escreveria aos coríntios: ―se esperamos em Cristo só nessa vida. Sob qualquer forma que se apresente. Cristo. A mensagem triunfalista dos pregadores da prosperidade podem até caber em um discurso político onde a avareza prima sobre o caráter. é uma teologia mal elaborada. Foi ele quem disse: ―No mundo. O termo foi criado por T. ecléticopragmática que busca os resultados mais que a pureza doutrinaria. o agnosticismo deve ser considerado segundo o sistema científico a que se amolda e também os pressupostos da teoria do conhecimento que adota. e foi sepultado em um túmulo emprestado.H. apenas afirma que isso não se pode conhecer com certeza por meio da razão. Entrou no mundo desassistido de bens materiais e proferiu suas pregações em um barco emprestado. Para o agnosticismo a razão humana não pode adquirir uma ciência certa. Em sua mensagem ele nos falou sobre a necessidade de negar-se a si mesmo e tomar a cruz. mas não cabe nos lábios de Cristo ou dos apóstolos. 18. quando a prioridade dele deveria ser ―buscar as coisas que são do alto‖. Glossário Teológico Contemporâneo. somos os mais miseráveis de todos os homens‖. e nem na verdadeira igreja evangélica. Só a cruz era dele. para expressar o seu desprezo em face da atitude de certeza dogmática simbolizada pelas crenças dos antigos gnósticos.O neopentecostalismo. alardeado pelos teólogos da prosperidade como um homem abastado. em um estábulo emprestado.

ANALOGIA DA FÉ Era analogia entis que Karl Bath substitui pela analogia Fidei (analogia da fé), visto que a verdade religiosa é dada por Deus. É um conceito Bíblico tirado de Romanos 12, (analogia tes pisteões) ou (metron pisteõs), que são palavras semelhantes "analogia da fé" e "medida da fé", representam um desenvolvimento do significado paulino original. Para a hermenêutica a analogia da fé conota que passagens bíblicas podem ser interpretadas com outras passagens porque nada dentro das escrituras podem se contradizer e tendo em vista que Deus é o autor das Escrituras. Para Agostinho a interpretação da das Escrituras não deve violar a fé. E Lutero usa termos quase semelhantes "o intérprete primário da Escritura deve ser ela própria", por isso as autoridades cristãs evitavam qualquer fonte fora das Escrituras. Para alguns pais da igreja passagens difíceis das escrituras são iluminadas pela fé ensinadas pela igreja, já o protestantismo da reforma é contra essa idéia imposta pelo catolicismo. Ainda como princípio exegético a analogia da fé sofre alguns abusos com significados que o autor bíblico não quis colocar no texto, por isso o intérprete de uma passagem bíblica deve se esforçar o máximo para extrair do texto o que realmente ele diz.

ANTROPOLOGIA TEOLÓGICA Antropologia nasceu com o grego Heródoto, no século V a.C. que foi cognominado Pai da Antropologia. Antropologia Teológica é a doutrina do homem no que tange a Deus. Teve sua transformação em duas grandes transições: a do cosmo para Deus, quando o cristianismo suplantou a visão grega da realidade. A segunda é de Deus para o homem e ocorreu na época moderna em conseqüência da secularização e do ateísmo. Repentinamente Deus desaparece de cena e cede lugar ao homem. Sua transformação teve início no Renascimento. O espírito humano abre-se a um novo modo de ver e agir, um violento contraste com o precedente, enquanto o primeiro, o centro de todo interesse era Deis, agora o centro é o homem. A filosofia é ao mesmo tempo a testemunha fiel e artífice principal da transição do teocentrismo para o antropotismo. Vemos aí (Descartes, Hume, Spinoza). Mas Kant que atinge o momento conclusivo, afirmando que o homem não é mais simplesmente o ponto de partida, mas também o ponto de chegada da reflexão filosófica. Vemos também dois princípios que são supremos na antropologia teológica: São o arquitetônico e hermenêutico. O arquitetônico é o eixo do ordenamento de todos os eventos da história da salvação. O hermenêutico é a verdade primária a cuja luz a teologia procura compreender e interpretar um dos aspectos da história da salvação.

CALVINISMO

Doutrina religiosa fundada por João Calvino. Ele nasceu em Noyon, em 1509 e morreu em Genebra em 1564. Caracteriza-se pela origem democrática da autoridade religiosa (os ministros não são padres). Os principais fundamentos da doutrina estão contidos na obra de Calvino intitulada "Instituição da Religião Cristã". Calvino e seus seguidores, sustentavam a soberania absoluta de Deus, a justificação pela fé, e a predestinação. O Calvinismo não admite as cerimônias religiosas e nega com rigor a tradição; pela crença na predestinação acha inútil as obras para a salvação. Segundo Calvino, a fé se dá pela deposição de absoluta confiança em Deus. Os seguidores de Calvino, na França, passaram a ser chamados "huguenotes". Propagou-se a doutrina pela Holanda, Suíça, Hungria, Escócia e Estados Unidos. Do Calvinismo, originou-se o puritanismo e as demais igrejas protestantes. Esta doutrina não foi aceita pelos sorbonistas, e Calvino foi perseguido e obrigado a deixar a Igreja Católica, fugindo para Basiléia.

CONSELHO MUNDIAL DE IGREJAS – CMI

Desde 1909 – Conferência Missionária Mundial em Edinburgo até 1937 – Conferência sobre "Vida e Trabalho" em Oxoford e sobre "Fé e Ordem" em Edimburgo – o movimento ecumênico era atuante sob muitos aspectos mas não tinha organização central. Por ocasião das conferências de 1937 tomaram-se as primeiras iniciativas para a fusão de "Vida e Trabalho" e "Fé e Ordem" num Conselho Mundial de Igrejas – CMI. De 1938 a 1948 este permaneceu – devido à Segunda Guerra Mundial – oficialmente em "processo de formação"; em Amsterdã, em 1958, ele foi formalmente estabelecido. O CMI é uma comunhão de igrejas que confessam o Senhor Jesus como Deus Salvador, segundo as Escrituras e por isso buscam cumprir em conjunto a sua vocação comum para glória do único Deus, Pai, Filho e Espírito Santo. É uma organização ecumênica internacional das igrejas cristãs da Reforma da qual a igreja católica faz parte como observadora. Prolonga historicamente os dois movimentos mundiais: "Vida e Trabalho", "Be Oxford" e "Fé e Ordem" de Edimburgo. O CMI não é uma igreja, nem pretende ser uma espécie de "super igreja", mas existe para servir as igrejas como instrumento, possibilitando-lhes entrar em contato umas com as outras. O CMI não considera nenhum conceito ou doutrina sobre a unidade da igreja como normativo para suas igrejas membros. Pretende ajudar todas elas na procura dessa meta. A 5ª Assembléia Geral foi em Nairobi em 1975. Ela propôs um consenso em torno da unidade nos seguinte termos: "Jesus Cristo fundou uma igreja. Hoje vivemos em

diversas igrejas separadas umas das outras. Contudo, nossa visão do futuro é que algum dia viveremos de novo, como irmãos e irmãs numa igreja indivisa. O CMI exerce seu mandato por intermédio da Assembléia Geral, do Comitê central do Comitê executivo, das Comissões, dos Comitês das Unidades de Programas e dos Centros Permanentes Administrativos de Genebra e Nova York. A Assembléia se reúne a cada sete anos.

CORRELAÇÃO (teologia)

Paul Tillich faz uma correlação entre teologia de Bultmann ortodoxia e a teologia de Karl Barth cristomonismo, esta teologia foi desenvolvida em 1951. Paul Tillich chegou a um consenso que sintetiza a sabedoria e a experiência humana com a religião bíblica, empregando todos os recursos da ciência, da história, da literatura, da arte, e da psicologia em profundidade, bem como a filosofia clássica e a moderna, em especial o existencialismo de Kierkegaard. Assim estabeleceu um tipo de doutrina teológica que era o fim apologético e estabeleceu a correlação de fé com a existência humana. Paul Tillich afirma que a doutrina só tem valor ou significado para o homem, se estiver relacionado com os problemas, as situações, e as crises de sua existência cultural, secular e cotidiana.

Paul Tillich escolheu atuar "na fronteira" entre a religião e a cultura ele escreve "a religião é a substância da cultura e a cultura é a forma da religião" Paul Tillich afirma que sempre que ele se encontra entre duas possibilidades existenciais, ele reflete sobre sua posição de sempre Ter um pé em cada um dos dois arraiais tradicionalmente antagônicos. Daí sua teologia de correlação inteiramente dialética. Paul Tillich procurou relacionar os problemas de sua filosofia, a partir da condição humana comum e demonstrou a relevância e o significado da doutrina teológica relacionada com o problema assim interpretado. Sua tese torna-se numa síntese em quatro níveis: (1) disciplina, (2) antológica, (3) histórica, e (4) na vida pessoal. DEÍSMO

Vem do latim deus, "deus". Os socianos introduziram o termo no século VI. Porém veio a ser aplicado a um movimento dos séculos XVII e XVIII, que enfatizava que o conhecimento sobre questões religiosas e espirituais vem através da razão, e não através da revelação, que sempre aparece como suspeita e como instrumento de fanáticos e de pessoas de estabilidade mental questionável. Vendo-se nisto a característica principal do deísmo, conhecimento através da razão e não sobrenatural. A isso podemos chamar de religião natural comum a todos, era uma garantia de uma convivência pacífica, que surge como um reflexo do iluminismo no campo religioso.

Na sua forma genuína. não reside na eliminação de asserções e descrições. e deve ser aplicada na biologia. que tem em si uma antítese. tese. despindo-as de sua veste literária mítica. que trazem à luz contrários e opostos. debate. para que a mensagem nelas contida adquira dimensões existenciais. DIALÉTICA Dialética vem do Dialéktos grego. A dialética determina todos os processos da vida. mas em sua interpretação. A demitização. Busca impedir que a mensagem evangélica se fundamente em assertivas mitológicas. que gera uma síntese. salva o essencial das narrativas. que se fundem num novo tipo de coisa que sintetiza ambos os opostos. e que visa a escoimar a mensagem cristã da roupagem dos mitos. e na sociologia. Consiste na discrepância entre cosmologia antiga e moderna bem como entre as compreensões existenciais divergentes dos homens da Bíblia e dos de todas as épocas posteriores. A dialética aparece como o nome dado ao estudo do inter-relacionamento das idéias platônicas. Dialética é o emprego da formulação. que significa discurso. . A dialética explica a mudança como resultado do conflito entre os opostos. na psicologia. A própria vida é dialética.DEMITIZAÇÃO Método desenvolvido na teologia protestante e católica. proposto pelo teólogo alemão Rusolf Bultmann (1884-1976). Essa interpretação pressupõe que as categorias mitológicas utilizadas pelos autores se constitua em instrumento destinado a expressa a revelação. Para Platão a dialética tornou-se uma forma suprema de adquirir conhecimento. antítese e síntese. para poder interpretá-las de modo crítico e não eliminá-las. Esse vocábulo refere-se àquele tipo de atividade filosófica que traça distinções rígidas. perdendo seu caráter paradoxal. que é a nova tese. Dialética é o jogo dos opostos que se fundem gerando assim uma tese.

. A eternidade unida no próprio Deus. Tendo em vista este fato. dotado de um tipo de vida que se encontra exclusivamente no ser divino. a consciência cristã viu-se obrigada a converter-se em consciência social. não sabemos o fim. a realidade e insignificância daquilo que é temporal. associava a idéia de fluxo com a idéia de existência. designam qualquer período com duração desconhecida. XIX e dava bastante ênfase aos aspectos sociais do cristianismo. ADH e OLAM. uma sucessão infinita de eras. a era futura tem um começo. A idéia de eternidade não deve ser entendida em contraste com o tempo. Esta corrente do protestantismo moderno teve como base o livro "Em Seus Passos o que Faria Jesus?" Esta corrente teve como sua maior expressão a figura de Walter Rauschenbush. Para Platão a esfera da eternidade é imaterial diferente de nosso mundo. EVANGELHO SOCIAL O Evangelho Social apareceu no final do séc. A idéia Bíblica de eternidade não é ausência de tempo mas a extensão ilimitada de tempo. e tempo não fixado. O Evangelho Social se caracterizou por uma dupla ênfase. É similar no grego no vocábulo AIÔN que indica uma vida inteira ou um tempo indefinido no passado ou no futuro. a existência da eternidade divina subentendia. Foi sem dúvida alguma uma aplicação da ética cristã em resposta as exigências de uma nova situação histórica – a intensidade dos problemas sociais geradas pelo rápido crescimento industrial dos EUA. E uma crítica crescente dos sistemas e ideologias da ordem vigente. A era presente é limitada em sua duração. Na filosofia grega. as quais são: Uma função mais ampla da Igreja. tendo um começo e um fim.ETERNIDADE As palavras hebraicas. Heráclito. portanto ele não tem causa.

Usualmente. que significa anunciar boas-novas ou proclamar como boas-novas. a palavra tem sido adotada por certos grupos cristãos. esses grupos apegam-se a esses documentos sagrados com a sua base de autoridade. Na Alemanha. George Whitefield. da regeneração. John Huss e Savonarola se distinguiram dentro do evangelicalismo de tempos remotos. . que supõem que retornaram ao evangelho (ou Bíblia). Pedro Waldo. Estas palavras aparecem quase cem vezes no Novo Testamento e passaram para os idiomas modernos através do equivalente em latim. em contraste com o sistema tradicional que se desenvolveu na Igreja Católica Romana. os evangélicos são aqueles grupos. Assim. L. Moody. rejeitando as tradições. que frisam a necessidade do evangelismo. Desde a Reforma Protestante. o evangelicalismo já obteve sua maioridade e é verdadeiramente um fenômeno global. Embora o evangelicalismo seja geralmente considerado um fenômeno contemporâneo. e outros. Quem se identifica com este movimento é um "evangélico conservador" (ou "evangelical") que crê no evangelho de Jesus Cristo e o proclama. na Suíça e em alguns outros países a palavra passou a indicar o corpo geral das igrejas protestantes. os batistas. Hudson Taylor. pregadores como Bernardo de Claraval. sendo euangelizomai o verbo correspondente. No século XIX. congregacionais e metodistas. Charles Finey. Com a "autoctonização" das organizações assistenciais e evangelísticas e o envio de missionários por grupos dentro dos próprios países do Terceiro Mundo. Na atualidade. A igreja apostólica. os concílios. George Williams. evangelium. o evangelicalismo é muito mais do que um assentimento ortodoxo a determinados dogmas ou uma volta racionária aos costumes antigos. as cruzadas evangelísticas de Billy Graham. como padrões de fé e prática. surgiram Charles Spurgeon.. da expiação mediante o sangue de Cristo. é empregada quase como sinônimo da Igreja Baixa (expressão que aponta para os membros de postura mais protestante e evangélica). John Wycliffe. notícias de alegria. A palavra é derivada do substantivo grego euangelion. É a afirmação das crenças centrais do cristianismo histórico. os movimentos reformistas medievais. enfatizando a conformidade com as doutrinas básicas da fé e um alcance missionário de compaixão e urgência. da crença nos elementos fundamentais do ensino bíblico. D. o espírito evangélico sempre se manifestou no decurso da história eclesiástica. etc. essencialmente protestantes. traduzido como boasnovas. Na Inglaterra.EVANGELICALISMO Movimento no cristianismo moderno que transcende as fronteiras denominacionais e confessionais. os pais da igreja. Dos mais recentes podemos citar: John e Charles Wesley.

sendo estas relações múltiplas. Karl Jaspers considerava a filosofia como metafísica dentro da qual se processa todo o saber e toda a descoberta possível do ser. a qual seria realizada mediante a decisão livre do indivíduo e a fé em Deus. XX as posições existencialistas desenvolveram-se na sua forma ateísta por Heidegger (1889-1969) e Gabriel Marcel (1889-1963).EXISTENCIALISMO Os existencialistas ao contrário do modo de pensar do homem da Idade Média que dizia que o ser humano possuía uma essência que "a priore" o determinava. denominadas possíveis de acontecer ou não. na medida em que esta se pretende ciência – e nega a existência de valores objetivos. Para eles dar-se um confronto dramático e trágico entre o homem e o mundo. FENOMENOLOGIA – Fenômeno + logia – aparência + conhecimento – estudo do fenômeno. . com as coisas e com a natureza. Kierkegaard propôs-se a conduzir os indivíduos à plenitude da sua existência. Os filósofos existencialistas refletem sobre a natureza da realidade. concretas. dar luz. O que os filósofos existencialistas tem em comum. ser brilhante. FENOMENOLOGIA FENOMENOLOGIA – Do grego yaíva que significa: a brilhar. diziam que o homem é um ser histórico e que sua essência vai sendo construída pois a "existência precede a essência". Os mesmos menosprezavam o conhecimento científico em particular a psicologia. enfatizando como preferência a realidade e a importância da liberdade humana. A FENOMENOLOGIA tem como pai o filósofo alemão Esmund Husserl (1859-1938) da escola de Cristian Wolff. é o conceito de existência. A doutrina existencialista tem como precursor Kierkegaard (1813-1855) o qual atacou a interpretação dogmática do cristianismo e o sistema metafísico Hegeliano. o homem como referência o valor principal). No séc. mas subordinavam as questões tradicionais da metafísica e da filosofia do conhecimento a uma perspectiva antropocêntrica (isto é. pois para os mesmos existir implica em estar em relação como outros seres humanos.

É uma investigação a priore dos significados do pensamento". o que chamava de purificação do fenômeno – A busca da essência. É de Husserl o conceito contemporâneo: "FENOMENOLOGIA é a generalização da noção de objeto que compreende não somente as coisas materiais. o cristianismo tornar-se-ia apenas mais outro culto misterioso greco-romano. Todavia. explicando-a termos teosóficos ou de filosofia pagã. nessa tentativa. Gnosticismo é a primeira tentativa de uma filosofia cristã. saber. entendeu FENOMENOLOGIA como sendo o estudo dos erros da aparência ilusória. Ele aplicava a redução eidética. O filósofo Lambert. A principal corrente das idéias gnósticas foi o espiritualismo neoplatônico de Filo de Alexandria. . Na compreensão de William Hamilito era a identificação do objeto pelos dados empíricos. o gnosticismo consistia essencialmente. Este termo foi trabalhado por outros pensadores que lhe deram diferentes compreensões.Hussel pretendia fazer uma análise descritiva particularizada do fenômeno. Husserl insistiu em purificar o termo desatrelando-o da psicologia. pressupondo-lhe como o pensamento absoluto. No tocante ao cristianismo. tentativa conduzida sem rigor sistemático. com a mistura de elementos cristãos. surgido nos primeiros séculos da era cristã buscando conciliar todas as religiões e decifrarlhes o sentido através da gnose. sistema eclético filósofo-religioso. Carpócrate. neoplatônicos e orientais. Se porventura o gnosticismo tivesse sucesso. GNOSTICISMO Esta palavra vem do grego "gignoskein". Kant tomou o vocábulo para explicar as características dos fenômenos de forma geral. Valentim e Bardesane. na tentativa de fundir as revelações dadas por meio de Cristo e seus apóstolos com os padrões de pensamentos já existentes. místicos. O gnosticismo cristão era basicamente uma forma de heresia sobre a pessoa de Cristo. mas também as formas de categorias. Hegel particularizou-lhe ao desempenho da mente. Os principais gnósticos: Basílides. Sartre concorda com Heidegger e entende que o pensamento natural é um fenômeno que busca a transfenomenologia que leva a considerações antológicas. as essências e os objetos ideais. Para Heidegger a FENEMOLOGIA mostra o que está escondido e fundamenta o que se mostra possibilitando o estudo do "SER".

Esta consiste em explicar de outro modo (mediante falsificação) a natureza de algum fenômeno. que o comunismo poria fim ao processo histórico. A doutrina segundo a qual a realidade é histórica (isto é. por ser uma síntese final. da escola neokantiana. Essa palavra vem do termo alemão "historismus". argumentava que todos os historiadores escrevem como cativos de sua era e circunstâncias particulares. a história como a própria realização de Deus. por haver pensado. que vigorava em seus dias. incluídos por ele. e considera. se estivermos olhando para os sentidos envolvidos no processo histórico. em sua pátria: e Marx. na história. racionalidade e necessidade) e que todo conhecimento é conhecimento histórico. uma palavra usada para se aplicar a uma ênfase exagerada sobre a história. Hegel e Marx podem ser criticados desse modo. portanto. mediante uma alusão à sua origem. desenvolvimento. totalmente. Uma variante da doutrina precedente. e Dilthey. Hegel. Isto significa que é muito difícil chegar-se a uma história pura. Concepção segundo a qual o pensamento humano se caracteriza por seu processo histórico erigido em sistema a ponto de fazer do tempo o gerador e o decorador das verdades que a escola vai paulatinamente ensinando. Nietzesche. afirmava que "tudo é história". que vê na história a revelação de Deus no sentido de considerar cada momento da própria história em relação direta com Deus e permeado dos valores transcendentes. . como sinônimo de falácia genética. Conte e Simmel. O termo historicismo também é usado em um sentido negativo. porque via a síntese histórica cumprida na monarquia constitucional do governo alemão. O termo foi cunhado por Mannheim e Troeltsch.HISTORICISMO Doutrina Histórica-Filosófica que define o pensamento como resultado cultural do processo histórico e reduz a realidade e sua concepção à história adotada por autores como Croce. Ela supõe a coincidência de finito e infinito. Certamente. de mundo e de Deus.

e não de forças cósmicas. "ver". Ele fazia da humanidade o único objeto da nossa adoração. Augusto Conte foi o grande campeão dessa forma de humanismo. enquanto na renascença criaram o humanismo. O humanismo cristão da Idade Média e da Renascença tem mostrado ser o único fundamento da liberdade pessoal e acadêmica da era moderna. Assim. ou seja para algo que deve ser emulado. e assim foi rejeitado. Aquilo que . dava valor à missão de Cristo. Ideal – Vem do termo grego "eidos". De acordo com um uso popular. XVI o que predominava era o teocentrismo. Protágoras afirmava que o homem é a medida de todas as coisas. O homem aparece como a base de todos os valores e de toda excelência bem como o objeto de todas as atividades.HUMANISMO Na idade média no séc. naturalmente. IDEALISMO O termo vem do grego ideein. Durante a Renascença. contemplação". "visão. homens como Petrarca e Erasmo de Roterdã retornaram às raízes gregas quanto a muitos valores. dos deuses. o homem no centro de todas as coisas. o termo indica um conjunto de padrões daquilo que é mais desejável. o homem é a primazia (visão antropocêntrica). metafísicas e práticas dependem do homem. com sua autoridade religiosa centralizada. para alguma elevada qualidade. sem valores fixos ou absolutos. O ideal é a forma mais desejável de realização de qualquer coisa. como cristão. Erasmo. consideremos os pontos abaixo: O uso popular dessa palavra refere-se a algum padrão de perfeição ou algo que aponta para nobreza. contemplação. de tal modo que segundo o humanismo. etc. e de eidos. "visão". todas as considerações éticas. como os esforços necessários para atingir tal alvo. ou aquele tipo de cultura e ênfase promovidos por certos filósofos gregos. o modo de pensar que se desenvolvera no escolasticismo. tudo era em nome de Deus ou seja (Deus era o centro de tudo). tendo adicionado isso à sua clássica maneira de pensar sobre o homem. que também caracterizava a Igreja medieval e a sociedade. Foi assim cunhada a significação clássica do termo. pelo menos em parte. criou-se um filosofia relativista.

possuídas de natureza espiritual. são verdadeiras realidades. Condorcet e outros. das formas universais. Esse é um tipo de idealismo metafísico.5. . através da qual dá forma a todas as coisas. Irradiou-se da Inglaterra e dos Países Baixos. em seu caráter. Idealismo Platônico – Platão preparou o caminho para um tipo especial de idealismo que tem desfrutado uma longa e influente história. Apresenta aspectos diversos conforme os países. O mundo celeste é o mundo espiritual. e é mera cópia do mundo superior. e pelo incentivo à liberdade de pensamento. se admitirmos qualquer realidade. imitativa do real. dando a entender que a idéia é que é real". idéia é arquétipo. O movimento contra as crenças e instituições estabelecidas ganhou impulso durante o século XVIII. O idealismo objetivo seria a antítese. 8. Uma nova tese surgirá inevitavelmente de sua antítese. sem qualquer realidade física. Essa forma de idealismo metafísico chama-se realismo metafísico. As lojas maçônicas ajudaram a disseminá-lo por toda a Europa. e o mundo inferior é material. então teremos um dualismo. É. mas através da Enciclopédia seus ataques ao governo. Quando um ideal é pertencente às idéias. e a matéria é menos real. espiritual em sua essência. por intermédio do poder do LOGOS. e não material. então devemos falar em ideal conceptual. antítese e síntese. O Espírito Absoluto nunca descansa. dentro desse sistema. A força Cósmica todo-abrangente (Deus) é idéia. que atua através de seu próprio sistema de tese. é a tese. pelo desafio à tradição e à autoridade.existe somente na imaginação. à Igreja e ao judiciário forneceram a base intelectual para a Revolução Francesa. Idealismo Hegeliano – Hegel ensinava um idealismo absoluto. Tugot. Para ele. formas ou universais. as idéias. com uma cópia do arquétipo que vai sendo produzida nos objetos materiais. O iluminismo católico mostra linhas nitidamente sociais e humanitárias. A matéria seria menos real e. Muitos foram presos em função de suas convicções. Nos escritos de Platão. bem como seu estado de ser. onde o ideal é mais real. e nenhuma síntese dEle é final. Rousseau. O mundo ideal é o mundo arquétipo e não material das idéias. são apenas nomes que damos às operações do Espírito Absoluto. Essas formas. dando origem a uma nova síntese. ILUMINISMO Movimento filosófico que teve seu apogeu no século XVIII e determinou a face espiritual do século XIX. O idealismo subjetivo. Os trechos de Heb. com Voltaire. seus atos e suas realizações. 9-23 refletem o dualismo Platônico. O cristianismo reteve essa forma de dualismo. que admite certo tipo de dualismo. onde imperam as realidades espirituais. Caracterizou-se pela confiança no progresso e na razão.

Causou grande comoção. pois achava que a reforma dos dogmas católicos e da ética romana deveria usar moldes agostinianos como guia. eqüivale no campo do conhecimento à valorização da experiência individual. A religião revelada não é uma verdade. · LIBERALISMO RELIGIOSO – foi um desenvolvimento da teologia alemã posterior ao iluminismo. O jansenismo foi um movimento de tentativa de reforma. seguindo idéias de Cornelius Jansen. O termo "jansenista" adquiriu significados secundários. não é um fato objetivo nem milagroso. como de escrúpulos éticos extremos e grande rigor quanto às questões dogmáticas. Foi adotada a principio na abadia de Port-Royal e condenada pelo para Inocêncio X em 1653. e é direito de todos os indivíduos seguirem aquilo que a sua fantasia quiser. bispo de Ipres (1585-1638). mas um sentimento e um gosto. É contrário a qualquer tipo de intolerância. vivia uma forma extrema e radical da idéias de Agostinho. disciplinares e de costume.JANSENISMO (Do francês jansénisme). É a doutrina segundo a qual não existe verdade positiva em religião. o jansenismo atacava o laxismo e defendia uma disciplina rigorosa. Ele não reconhece como verdadeira nenhuma religião. Admite maior amplitude na esfera das opiniões pessoais. Ensina que todas devem ser toleradas e que todas são matéria de opinião. dentro da Igreja Católica Romana. Um resultado positivo do movimento foi que o mesmo inspirou um maior desenvolvimento da filosofia e da teologia morais. No campo moral. mas num credo vale o outro. Preconiza o direito ao indivíduo de adotar idéias e posições avançadas. LIBERALISMO POLÍTICO – Defende a valorização da livre iniciativa e da liberdade individual no campo da política e da economia. Jansen buscava respostas para certas questões doutrinárias levantadas pelo luteranismo e pelo calvinismo. publicado dois anos após a sua morte. tanto intelectual quanto sensível. LIBERALISMO Conjunto de idéias e doutrinas que têm por objetivo assegurar a liberdade individual inclusive no campo moral e religioso. principalmente em face de sua forte ênfase sobre a doutrina da predestinação e sobre o ensino que a graça divina se limita aos eleitos. chamado Augustinus. O seu tratado teológico. . depois da morte dele.

suas crenças religiosas. contada como se fosse histórica e real. sua cultura. numa fé religiosa. Ele usava a palavra "monismo" a fim de designar a idéia daqueles filósofos que reconhecem somente a existência do corpo físico. sobre quaisquer bases e de acordo com qualquer sistema ou teoria. agindo ativa e passivamente no tempo e no espaço. Um mito é uma ficção popular. mas somente na liberdade de certos tipos de restrição. Pode-se dizer que é uma estória. o termo meta (depois) tomou o sentido de "mais além" dos domínios da física. etc. mas não por outras forças. uma única fonte da vida. necessariamente. ou realidade última. O homem como indivíduo. etc. seus heróis. Escreviam-se então. com seus deuses. na liberdade de qualquer tipo de obrigação. ou apenas uma instância da mente. que significa "contar". em sua discussão sobre o problema corpo-mente. pressupõe a existência desta (s). ou ainda existentes. um homem pode sentir-se restringido por sua própria consciência e pela fé bíblica. visto que Deus é a fonte originária de toda verdade.C. especulações abstratas. Passou a designar as teorias racionais que se situam além da verificação experimental dos fenômenos físicos aparentes. "narrar uma ficção". Refere-se a qualquer doutrina que diz que algum princípio único governa todas as coisas. os escritos de Aristóteles. mythos. Não obstante ao apresentado o monismo mostra outras formas: . Pode-se aplicar o monismo para o cristianismo para o cristianismo no sentido de que postula uma única causa da existência. MONISMO Esse vocábulo vem do grego. apresentada como histórica. que passaram a ser conhecidas com o nome de meta ta phusia (depois da física). como numa igreja. pensando que o corpo físico é uma ilusão. relacionada a tradições cosmológicas e sobrenaturais de um povo. Em quase todas as religiões primitivas e desaparecidas. Em teologia. Essa palavra procede de Andronico de Rhodes. monos. o Estado. e que fazem da mente apenas uma função do cérebro. Esse termo foi introduzido na filosofia por Christian Wolff. no ano 70 a. Ainda no sentido da unidade da verdade. A liberdade ética pois. ou que reconhecem somente a existência da mente. O pensamento religioso dos povos primitivos se expressa quase que exclusivamente através de mitos. tem a liberdade de tomar suas próprias decisões éticas.LIBERALISMO ÉTICO – Não admite nenhuma restrição imposta por algum sistema. MITO Vem do grego. Também pode ser uma doutrina panteísta em que Deus e a natureza se dissolvem em uma só realidade impessoal. que colecionou pela primeira vez. não implica. o mito consistindo em história da (s) divindade (s). que propões que toda verdade é uma só. Com o passar do tempo. ao final dos tratados de física. por meio de cujo princípio tudo existe e opera. existe um forte elemento mítico. METAFÍSICA Ramo da filosofia que trata dos princípios e fundamentos das coisas primárias. Assim. "único".

Deus não pode deixar de existir e a sua vida não depende de qualquer coisa externa ou fator sustentador. intervindo. os fenômenos materiais e mentais. Transcende todos os reino do ser e do sentido. Todos os conflitos entre os deuses. MONISMO EPISTEMOLÓGICO – assevera que o objeto conhecido e o processo de conhecer são uma só coisa dentro da relação-conhecimento. Essa é a proposição mais consoladora da religião. são superadas naquele que é último e que transcende a todos eles. que continua interessado pela sua criação. os autores israelitas se referem a um só Deus. entre o divino e o demoníaco. que tem interesse pelo homem. dos quais ele provê e no qual desaparecem. dos profetas que anunciam a sua encarnação na Pessoa de Jesus Cristo. É o mesmo e único Deus que aparece nas histórias de Caim e Abel. de diferentes modos. Ele representa o poder e o valor da hierarquia. Ele determina a ordem de valores. e seus representantes divinos. o mesmo dizia que a realidade básica do mundo nem é a matéria física e nem é a idéia. em favor do fundamente e abismos divinos. Foi isto que os estóicos. desta forma ao narra a criação (Gn. . MONOTEÍSMO MÍSTICO – afirmação de um só Deus por razões místicas. O Javinismo era uma religião de vida e conduta. com: Deus é dotado de vida necessária e independente. O Deus único criou tudo. O Deus único é Pai. Seu fim seria o fim de todos aqueles sobre os quais ele impera. como por exemplo: MONOTEÍSMO ÉTICO – que é a afirmação de um só Deus com base ética. garantindo para o homem um teísmo baseado no amor. o que empresta imenso poder à percepção dos sentidos e suas capacidades. MONOTEÍSMO Essa palavra vem do grego mónos.MONISMO NEUTRO – defendido por Bertrand Russel. ainda indefinida. Assim desde os primeiros capítulos da Bíblia. Essas leis. segundo as leis que expressam a vontade de Deus. O monoteísmo tem outras formas. em que a vontade de Deus assumiu forma concreta. Ela indica aquele ensino que só existe um Deus. dos Patriarcas. fizeram quando identificaram Zeus como ultima cidade ontológica. alguma coisa neutra. que exige completa obediência. entre os deuses e as coisas. Deus como único Criador. por meio da qual se expressam. de Moisés. incluem sobretudo as normas de conduta apodicamente formuladas. Os conflitos entre os deuses estão reduzidos por seu poder. mas antes. o texto sagrado menciona EL ou ELHOIM (Deus). Desde o princípio Javé foi considerado um Deus de propósito ético. de Noé. 4). "Deus. 1-2. Está na linha divisória entre politeísmo e monoteísmo. que tudo tira do nada por sua palavra toda-poderosa. 1. O deus-monarca impera sobre os deuses inferiores e sobre os seres da natureza divina. Há muita idéias associadas ao monoteísmo. MONOTEÍSMO MONÁRQUICO – afirmação de um só Deus com soberania absoluta. "único" e theós.

com os irmãos Niebuhr.MONOTEÍSMO TRINITÁRIO – afirmação de um só Deus em três pessoas distintas. e o método dialético que procura descobrir a verdade no opostos dos paradoxos leva a uma fé verdadeira e dinâmica. com uma rejeição do escolasticismo protestante (que foi quando Melanchthom abandonou a intransigência dos outros Reformadores e colocou seu profundo conhecimento do pensamento aristotélico a serviço da Escritura). A neo-ortodoxia não é um sistema único. Começou com a crise associada à desilusão que seguiu a Primeira Guerra Mundial. Este movimento também foi chamado de "Teologia da crise". não tem um conjunto articulado de fundamentos em comum. além de "Neo-ortodoxia". O monoteísmo trinitário é o monoteísmo concreto: a afirmação do Deus vivo. muitos líderes do movimento neoortodoxo encontraram-se com outros cristãos alemães em Barmem em 1934 e publicaram um declaração contra os males do nazismo. Em pouco tempo esse movimento alcançou a Inglaterra. Dodd e Edwyn Hoskyns se envolveram. forçou alguns como Paul Tillich. Para os neo-ortodoxos. porém dentro em breve passou a se expressar de vários modos. na procura da verdade. A primeira reação eficaz contra o liberalismo teológico foi promovida por Karl Barth. Gustaf Aulém e Ander Nygren tornaram-se seguidores. que retomando Kiekegaard. A repressão resultante. . Não é uma questão com o número três. tais como Dietrich Bonhoeffer. os paradoxos da fé devem permanecer exatamente assim. É uma tentativa de falar do Deus vivo: o Deus em quem estão unidos o último e o concreto. A nova abordagem metodológica do movimento envolvia o uso do pensamento dialético que remonta ao mundo grego e a Sócrates. na Suíça. H. um contra o outro. nos Estados Unidos. não é um movimento unificado. e em outros lugares igrejas e países começaram a ler a respeito do movimento e a observar aquilo que estava acontecendo. e com uma negação do movimento liberal protestante que tinha ressaltado a acomodação do cristianismo à ciência e à cultura ocidentais. a imanência de Deus e a melhoria progressiva da humanidade. Foi usado por Abelardo em Sic et Non. denunciou vigorosamente todas as tentativas de amordaçar Palavra de Deus com a razão. feito por Hitler. a se exilarem. Na melhor das hipóteses. NEO-ORTODOXIA O termo neo-ortodoxia significa uma "nova ortodoxia". e é técnica de colocar os opostos. pode ser descrito como uma abordagem ou atitude que começou num ambiente comum. onde C. ou ainda "Teologia dialética". pelo uso de perguntas e respostas para derivar o discernimento e a verdade. Com a ascenção do movimento nazista na Alemanha. alguns a se esconderem. outros a voltarem à sua pátria tais como Barth.

forçou alguns como Paul Tillich. e o método dialético que procura descobrir a verdade no opostos dos paradoxos leva a uma fé verdadeira e dinâmica. O conceito teológico fundamental do movimento foi aquele do Deus soberano e completamente livre. A primeira reação eficaz contra o liberalismo teológico foi promovida por Karl Barth. Essa revelação é a Palavra de Deus num sentido tríplice. redimida. as Escrituras. na procura da verdade. a se exilarem. que retomando Kiekegaard. quanto à forma como ela é controlada. que é o veículo para proclamação do Verbo que se fez carne. alguns a se esconderem. que é totalmente outro em relação a Sua criação. redimida. a se exilarem. um ato dinâmico da graça. feito por Hitler. que apontam para a Palavra que Se fez carne e o Sermão. quanto à forma como ela é controlada. um ato dinâmico da graça. os paradoxos da fé devem permanecer exatamente assim. Para os neo-ortodoxos. tais como Dietrich Bonhoeffer. e é técnica de colocar os opostos. A relevância desse movimento foi tirar a Bíblia das mão dos críticos liberais que procuraram só pela crítica-histórica explicá-las. Ortodoxo encontraram-se com outros cristãos alemães em Barmem em 1934 e publicaram um declaração contra os males do nazismo. que apontam para a Palavra que Se fez carne e o Sermão. A nova abordagem metodológica do movimento envolvia o uso do pensamento dialético que remonta ao mundo grego e a Sócrates. que é totalmente outro em relação a Sua criação. A relevância desse movimento foi tirar a Bíblia das mão dos críticos liberais que procuraram só pela crítica-histórica explicá-las.O conceito teológico fundamental do movimento foi aquele do Deus soberano e completamente livre. e como Ele determina revelar-Se a ela. ortodoxo encontraram-se com outros cristãos alemães em Barmem em 1934 e publicaram um declaração contra os males do nazismo. alguns a se esconderem. pelo uso de perguntas e respostas para derivar o discernimento e a verdade. A repressão resultante. Foi usado por Abelardo em Sic et Non. tais como Dietrich Bonhoeffer. como a Palavra que Se fez carne. Jesus. um contra o outro. forçou alguns como Paul Tillich. . ao qual resposta da humanidade deve ser escutar. Jesus. além de "Neo-ortodoxia". Este movimento também foi chamado de "Teologia da crise". como também enfatizou a unidade das Escrituras e ajudou a precipitar um novo interesse pela hermenêutica. outros a voltarem à sua pátria tais como Barth. A repressão resultante. como a Palavra que Se fez carne. Também que a auto-revelação de Deus. Também que a auto-revelação de Deus. e como Ele determina revelar-Se a ela. que é o veículo para proclamação do Verbo que se fez carne. feito por Hitler. como também enfatizou a unidade das Escrituras e ajudou a precipitar um novo interesse pela hermenêutica. ou ainda "Teologia dialética". as Escrituras. outros a voltarem à sua pátria tais como Barth. ao qual resposta da humanidade deve ser escutar. denunciou vigorosamente todas as tentativas de amordaçar Palavra de Deus com a razão. Essa revelação é a Palavra de Deus num sentido tríplice.

Três níveis da realidade são afirmados: o da alma. O conceito teológico fundamental do movimento foi aquele do Deus soberano e completamente livre. inclusive na escola cristã de Alexandria. o do intelecto e o do Uno. e como Ele determina revelar-Se a ela. O Uno é Deus. Este movimento consiste na defesa . O intelecto é o repositório dos arquéticos. redimida. ou ainda "Teologia dialética". como também enfatizou a unidade das Escrituras e ajudou a precipitar um novo interesse pela hermenêutica. que é o veículo para proclamação do Verbo que se fez carne.A primeira reação eficaz contra o liberalismo teológico foi promovida por Karl Barth. os paradoxos da fé devem permanecer exatamente assim. que é totalmente outro em relação a Sua criação. e o método dialético que procura descobrir a verdade no opostos dos paradoxos leva a uma fé verdadeira e dinâmica. como a Palavra que Se fez carne. um contra o outro. pelo uso de perguntas e respostas para derivar o discernimento e a verdade. quanto à forma como ela é controlada. que foi iniciada pela incíclica de Leão XIII. Foi usado por Abelardo em Sic et Non. Para os neo-ortodoxos. e é técnica de colocar os opostos.C. Desenvolveu a mística do platonismo. Também que a auto-revelação de Deus. O neoplatonismo teve influência no Oriente Próximo até o século VI. Entendesse que este movimento de retorno a doutrina de Tomás de Aquino e no anseio da cultura católica. memórias e percepções. que apontam para a Palavra que Se fez carne e o Sermão. um ato dinâmico da graça. Este movimento também foi chamado de "Teologia da crise". Essa revelação é a Palavra de Deus num sentido tríplice. as Escrituras. NEOTOMISMO Um reavivamento do pensamento de Tomás de Aquino no século XX.). ao qual resposta da humanidade deve ser escutar. denunciou vigorosamente todas as tentativas de amordaçar Palavra de Deus com a razão. A alma corresponde à mente do indivíduo com pensamentos. A meta da vida filosófica consiste em se unir com o Uno. na procura da verdade. A nova abordagem metodológica do movimento envolvia o uso do pensamento dialético que remonta ao mundo grego e a Sócrates. Jesus. além de "Neo-ortodoxia". A relevância desse movimento foi tirar a Bíblia das mão dos críticos liberais que procuraram só pela crítica-histórica explicá-las. partindo da idéia sobre a capacidade da alma de elevar-se a contemplação dos arquéticos perfeitos do mundo. que retomando Kiekegaard. NEOPLATONISMO Modalidade do platonismo criado por Plotino (204-270 a.

os estudos de filosofia medieval isto é da escolástica clássica. Sartre e aqueles que promoviam o que veio a ser chamado de Teologia Radical. mas nada tendo a ver com a verdade. O NIHILISMO POLÍTICO chega ao extremo de afirmar que a destruição da ordem social herdada é. Um dos mais importantes efeitos da florescência neotomista é a importância renovada que asseveram. por si mesma. O PESSIMISMO é uma forma de NIHILISMO ÉTICO. mas nada se fez de construtivo. digno do nome. Equivale. a partir dos últimos decênios do século passado. . em uma tentativa de destruição. como Thomas Altizer. então pode indicar que nossos conceitos de Deus são obsoletos. ou como William Hamilton. O NIHILISMO TEOLÓGICO pode ser visto nos escritos de Nietzsche. Em ética. NIHILISMO Doutrina filosófica que nega a existência do absoluto. Esse vocábulo tem sido largamente usado em vários campos e com vários sentidos. mas Canuns. dizia que o NIHILISMO está fora de um comportamento admissível. Schopenhauer. Certo movimento russo do último quartel do século XIX foi acusado de empregar esse termo. servindo a pessoas e a classes. O NIHILISMO ÉTICO afirma que não existem valores genuínos. a moralidade e os valores seriam artificiais. na relaboração e na modernização de tais teses. imperou o caos. também empregaram esse tema em suas discussões. o termo tinha um significado político. que substituísse o que eles pretendiam eliminar. mas sem qualquer plano construtivo. mesmo que nada seja apresentado para tomar o lugar das coisas e instituições destruídas. Pais e Filhos (1862). em sua novela. foi aceito por alguns teólogos posteriores. Bakunin era defensor dessa posição extremada. contrariamente. Esse tema. Foi cunhado por Turgeniev. contudo. desafortunadamente. à descrença radical. Muitos oficiais russos foram mortos. preservava alguns valores.polêmica das teses filosóficas tomistas contra as diversas direções da filosofia contemporânea e indiretamente. em termos religiosos. Ou. um ato bom e positivo. designa a corrente segundo a qual não há hierarquia de valores nem qualquer verdade de ordem moral. O termo deriva do advérbio latino nihil que significa nada. que declarou que "Deus está morto". Ali. Esse termo pode tornar-se absolutamente ateísta: Deus não existe. ensinando que a renúncia e a simpatia têm algum valor.

conforme é possível ao homem conhecê-lo. é uma divisão de metafísica.NUMINOSO Designação dada ao que é influenciado ou está sob dependência da divindade. do incompreensível – de Deus. quando foi cunhado por Clauberg. referindo-se à finalidade misteriosa. A idéia da ortodoxia veio a ser importante na igreja a partir do século II. O termo não é bíblico. A palavra expressa a idéia de que certas declarações sintetizam como exatidão o conteúdo do Cristianismo às verdades reveladas e. A aceitação rigorosa da "regra de fé" (regula fidei) era exigida como uma condição prévia da comunhão. especialmente os luteranos conservadores. em 1647. aterrorizadora e sagrada da deidade. do Santo. por causa de conflitos. e surgiu uma multiplicidade de credos que explicavam essa "regra". e doxa "opinião"). ORTODOXIA O equivalente em português da palavra grega "orthodoxia" (de orthos "certo". "conhecimento". "ontos" "SER" e logia. Essa experiência do numinoso é aquilo que está por trás de todas as grandes religiões do mundo. o que significa crença correta. tinha-se tornado o termo padrão para indicar o estudo do ser. O termo numinoso tem por propósito transmitir a idéia da Presença do Espírito Divino. que nos deixa admirados. E a experiência que gera todas as respostas morais e éticas da religião. ressaltavam a importância da ortodoxia quanto a soteriologia dos credos da reforma. Esse termo foi usado pela primeira vez no século XVIII. primeiramente como o gnosticismo e depois com outros erros a respeito da trindade e da pessoa de Cristo. portanto. chegamos a conhecer a Deus. . o que por sua vez. por causa da inclusão da cláusula "filioque" no seu credo. e dessa maneira. ONTOLOGIA A palavra ontologia deriva-se de dois termos gregos. Nenhum escritor secular ou cristão usa-o antes do século II. Os teólogos protestantes do século XVII. terrível. Pelo fim daquele século. Essa palavra foi chamada por Rudolph Otto com base no termo latino numem. Uma divisão da filosofia e da teologia emprega esse vocábulo para indicar o estudo geral e o conhecimento do ser. santa. bem como os dogmas e as doutrinas. embora o verbo orthodoxein esteja em Aristóteles. A Igreja Oriental se autodenomina "ortodoxa" e condena a Igreja Oriental como heterodoxa. são por sua própria natureza normativas para a igreja universal. em contraste com a heresia ou a heterodoxia. É a experiência do Outro.

professor de teologia sistemática em Heidelberg (1955). as declarações excatedráticas dos papas. 1964. Porque para ele a história é o princípio de averiguar o futuro com a revelação da Palavra. as decisões dos concílios. A verdade revelatória está necessariamente inerente na totalidade da história e bem clara para todos quantos observam. Rejeitando certas idéias católicas romanas. eles oferecem as "Escrituras somente". veio a ser uma influência no mundo de fala inglesa. Para Pannenberg. PANNENBERG Teólogo evangélico alemão. cortam o nó górdio. e não da própria história. Wolfhart Pannenberg. que é professor de teologia sistemática na Universidade de Munique. (Que é o homem? A antropologia atual à luz da teologia). o mesmo oferece uma base complexa para a ortodoxia: as Escrituras. por sua vez. os pareceres dos chamados pais da Igreja. Wuppertal (1958) e Mainz (desde 1961). nascido em Stettin. Quando foi publicado seu livro Jesus – God And Man em 1968. Os grupos protestantes. (Revelação como história) 1962. A história está tão clara em suas funções revelatórias que sua interpretação pode ser feita sem a ajuda da revelação sobrenatural. oferecendo uma exagerada simplificação. A doutrina teológica de Pannenberg considera que a realidade histórica tem prioridade sobre a fé e o raciocínio humanos.Quanto ao catolicismo romano. os credos. conforme elas foram definidas pela Igreja. Deixar de captar a revelação dentro da história é falha do indivíduo e da sua investigação. Obras principais: Heilsgeschethen Und Geschechte (A redenção como acontecimento e história). apresenta sua teologia de dentro da categoria da história. . pode ser chamado o teólogo da história. 1959. Wolfhart Pannenberg. toda história é a revelação de Deus.

removido do mundo transcedente sobre ele. dando a entender que tudo é Deus. onde Deus está ativo na história e na sua criação. Tendência de identificar Deus com o mundo material. Por sua vez. "panteísta". sem começo. são concebidos como um todo. o caráter pessoal de Deus. Do ponto de vista bíblico. embora sujeito a modificações. mas não é idêntico a elas. Neoplatônico – Deus é absoluto em todos os aspectos. foi cunhada pela primeira vez por John Toland. Monista Relativista – O mundo é real e mutável. + Theós.PANTEÍSMO Essa palavra vem do grego. negando assim. E assim. "deus". Imanentista – Deus faz parte do mundo e é imanente nele. em 1705. Monista absolutista – Deus é tanto absoluto quanto idêntico com o mundo. pan. Fay atacou a filosofia de Toland. A forma objetivada. e que pensa que a unidade é divina. Deus é retratado supremamente como uma pessoa. e usou a forma nominal "panteísmo". E. "tudo". e o mundo é o seu corpo. Acósmico – Deus é absoluto e constitui a totalidade da realidade. · Formas de Panteísmo mais importantes: Hilozoísta – O divino é imanente do mundo e é caracterizado como elemento básico do mundo que empresta mudança e movimento à sua totalidade. embora diferentes expressões de uma mesma coisa. o finito e o infinito tornam-se uma e a mesma coisa. que identifica a mente e a matéria. enquanto que a Bíblia apresenta um equilíbrio. Nas Escrituras. todos os seres e toda a existência de Deus. Sendo assim. Da identidade dos Opostos – qualquer dissertação a respeito de Deus deve necessariamente apelar aos opostos. . desde então o termo tem sido continuamente usado. o panteísmo é deficiente por causa de duas considerações: Nega a transcendência de Deus e defende Sua imanência radical. De acordo com o panteísmo. Deus é imutável e não é afetado pelo mundo. O universo passa a ser auto-existente. Deus é o cabeça da totalidade. O panteísmo é uma espécie de monismo. De acordo com o panteísmo.

Spener cria que a ênfase original da reforma protestante. ou seja. em vez de ritos. adotou a prática dos princípios pietistas. o tema pietismo assumiu uma conotação negativa. historicamente falando o metodismo foi muito influenciado pelo pietismo alemão. segundo a história informa-nos. procurando ser mais piedosas. no fim do século XVII. o pietismo teve início entre os luteranos da Alemanha. organizada pelo enteado de Spener. A necessidade de experiências religiosas pessoais. . Por causa desses vícios. uma casa publicadora e outras obras de caridade. desnecessária. considerados dotados de espiritualidade inferior. Também houve uma pronunciada ênfase antiintelectual. Tinha organizado escolas para os pobres. A ênfase do pietismo recai sobre as experiências religiosas. ou mesmo como se nem fossem cristãos autênticos. o conde Von Zinzendorf. Mas a palavra alude a uma reverência especial diante de Deus. John Wesley e o metodismo primitivo podem ser classificados como um movimento pietista. também. "ser reverente". entusiasmadas e dotadas de mais profundas experiências religiosas do que outras pessoas. O mais notável discípulo de Spener foi August Hermann Framke. e uma santificação que continuasse esse processo. o calvinismo. "aquele que cumpre seus deveres". e foi mui significativa a sua ênfase sobre as experiências místicas. No grego temos sébomai "ser piedoso". o que justifica o seu protesto e o movimento que daí resultou. a santidade e a devoção. que causou forte desequilíbrio no movimento. A igreja morávia. o valor do misticismo. Como um movimento organizado. uma religiosidade que gera mais calor emocional do que iluminação fanatismo. Outrossim. Ele foi um bem sucedido professor e obreiro cristão. axetismo e separação desnecessária de outros cristãos. O metodismo trouxe de volta à igreja a necessidade de uma experiência religiosa pessoal. Ele servia como pastor em Frankfurt-ammain. a fraternidade universal dos crentes. sacramentos e da religiosidade. um orfanato. associado principalmente a Philipp Jakob Spener. Um teatro religioso. a retidão pessoal. a santificação e a experiência religiosa tinha-se perdido essencialmente. mas a sua mensagem não tardou as espalhar-se por toda a Alemanha e daí para outros países. caiu no legalismo dogmático. a necessidade de uma conversão que realmente mudasse a vida do indivíduo. um desprezo relativo aos credos. A corrente principal do luteranismo tornara-se rígida em suas doutrinas e morta no sacramentalismo. o calor emocional na religião cristã. De fato.PIETISMO A base latina dessa palavra portuguesa é pius. as pessoas transformam-se em atores. incluindo misticismo. sobre a conversão pessoal. era combatido por ministros e teólogos invejosos. passando a ser aplicado a fanáticos e sonhadores religiosos. e. Essas coisas são enfatizadas em lugar do ritualismo e das formalidades do culto.

Talvez possamos dizer que a maioria das igrejas pentencostais da atualidade retém tanto as virtudes quanto os vícios desse movimento. história. texto. as leis e os métodos de interpretação. os mononitas. o que pode chegar a uma clarificação. por sua vez. Spenes e Francke aspiravam outras variedades de Pietismo alemão. poesia. A igreja reformada holandesa também teve líderes cujos discípulos salientaram esse conceito. que a palavra hermenêutica deve sua origem de Hermes. Os irmãos unidos em Cristo e a igreja Evangélica foram denominações que incorporaram tendências pietistas.. Johann Albrecht (1687-1752) Haus Nielsem Hauge (1771-1824) que teve. tais como. outra descobrir as instruções contidas em formas simbólicas. um novo interesse por Lutero e sua teologia. Consequentemente a hermenêutica tem duas tarefas: Uma determinar o conteúdo do significado exato de uma palavra. era afiliado de Spener e aluno de Francke. profecia. se deriva do verbo Hermeneuo. em 1666 foi chamado para ser o ministro principal em Frankfurt-am-Main.O metodismo. Hermes transmitia as mensagens dos deuses aos mortais. através dele. num aspecto ou noutro. leis. . mas agia também como intérprete. porque trata de um livro peculiar no campo da literatura – a Bíblia como inspirada palavra de Deus. O conde Nikolas Vom Zinzendory. os Schewenkfelderes e os morávios devem todas alguma coisa ao pietismo. eides da igreja Marávia renovada. A igreja reformada alemã da América do Norte exerceu uma influência pietista sobre povo reformado alemão naquele continente. tornando as palavras inteligíveis e significativas. frases. propriamente. Platão foi o primeiro a empregar Hermeneutike (subentendendo-se a palavra techne) Hermenêutica é. etc. quer isto dizer que. os dunkers (batistas alemães). no caso designa a teoria dessa arte. A Hermenêutica "Sacra" tem caráter muito especial. a arte de Hermeneuein (interpretar). mas. o que também sucedeu ao luteranismo norte-americano. ou a um comentário adicional. A Expansão do Pietismo. Diz-se. não só as anunciava textualmente. A Hermenêutica "Geral" se aplica a determinados tipos de produção literária. Podemos defini-la assim: Hermenêutica é a ciência que nos ensina os princípios. João Wesley em 1735. PRINCÍPIO HERMENÊUTICO A palavra Hermenêutica é derivada do termo grego hermeneutike que. na Georgia prostrou relevantes contribuições ao Pietismo. PRINCIPAIS EXPOENTES DO PIETISMO – Philipp Jacob Spener é considerado o Pai do Pietismo. também.

O Realismo Gnoseologico dos Milésios eles admitiam a existência real de uma substância das causas. de uma entidade (digamos assim) metafísica. ao Evangelho. Explicando que a realidade dos indivíduos derivava do universal. e a todos os rituais e às glosas que havia acumulado durante séculos. assim. de onde tudo programa. e a humanidade como um universo procedia o homem como indivíduo. o retorno direto à palavra de Jesus Cristo.REALISMO Doutrina medieval. REALISMO GNOSEOLÓGICO: é o que admite a possibilidade do conhecimento das causas. independentemente das coisas em que se manifestam. 95 teses contra a venda das indulgências. REFORMA A Reforma foi a renovação da vida religiosa acontecida na Europa do século XVI pelo retorno às origens do Cristianismo. originada na teoria das idéias de Platão segundo a qualos universais existem por si. Preparada pelo humanista Erasmo de Roterdão (1466-1536). Explicando. o retorno aos princípios levava a negar o valor da tradição. de que estas se constituíam. nas portas da catedral de Wittenberg. e portanto da Igreja. a Reforma foi iniciada pela obra do monge agostiniano Martinho Lutero (1483-1546) que em 1517 afixou. No texto Contra Henrique VIII da Inglaterra (1522) Lutero contrapunha a tradição eclesiástica. não pondo em dúvida a possibilidade do seu conhecimento. isto é. a universalidade do pecado na raça humana e a unicidade da trindade. . a Reforma protestante apresenta-se como um dos meios de realização daquele retorno aos princípios que foi a divisa do Renascimento. que se julgava sua depositária e intérprete. mas na sua substância verdadeira. Refere-se a uma existência separado. ULTRA-REALISTAS: (século XII) expandiu a teoria de Agostinho que tinha modificado o realismo de Platão ao sustentar que as proposições universais existiam na mente criativa de Deus antes do universo material. No domínio religioso. Em sua orientação de conjunto. à parte dos objetos em particular. REALISMO METAFÍSICO: Advoga a existência da realidade metafísica em si mesma. naquilo que elas tem de invaríavelem face da multiplicidade do vir a ser.

isto é. RENASCIMENTO Este termo deriva-se do francês Renaissance e corresponde a um movimento literário. artístico e filosófico desenvolvido no período dos séculos XIV e XVI na Europa Ocidental. porém. o nome da Reforma veio adquirir um aspecto nitidamente confessional. Ao culto sacerdotal. Os grandes líderes da Reforma. batismo. a justificação por meio da fé. No sentido teológico a palavra RENASCIMENTO foi usada nos estudos de Hildebrand. segundo Lutero. que conservou numerosos elementos "católicos". tornando-se quase sinônimo de protestantismo. no século XIV e com John Huss. das técnicas religiosas (ritos.O ensinamento fundamental do Evangelho é. mas apenas "reformar" a existente. como único "serviço divino" que possuía valor religioso. 2) O centro. Quando. mas também estes subtraídos de qualquer supervisão sacerdotal e considerados como expressão da relação direta do homem com Deus. sacrifícios. Dentro da Reforma protestante. formar uma Igreja separada. 2º) a negação da liberdade humana e o reconhecimento da predestinação da parte de Deus. foram Zwinglio e Calvino. de "Reforma". além de Lutero. Pode-se dizer que a Reforma começou. em sua forma preliminar. Por isso foram chamados de "reformadores" e sua ação. Além de Zwinglio e Calvino. poderíamos distinguir três alas: 1) a direita. os quais não pretenderam. que foi outra figura espiritual que lançou o alicerce sobre o qual a Reforma veio a ser edificada. com sua rejeição da hierarquia. que se encarna no anabatismo. isto é. cerimônias) e a redução dos sacramentos àqueles que são mencionados pela Bíblia. eucaristia. que não rejeitaram completamente uma constituição hierárquica da Igreja. Lutero opôs o exercício dos deveres civis. no século XVI. A fé é o sinal seguro desta predestinação e portanto o indício da salvação. o RENASCIMENTO religioso enfatizava o principal objetivo da religião que seria levar o homem de volta a DEUS. uma vez que a Igreja Católica institucionalizava a religião e asseverava os seus dogmas sem nenhuma flexibilidade para discussão a respeito. com John Wycliffe. o trabalho inicial de Lutero teve continuidade graças aos esforços de Melanchthon e João Knox. Verifica-se portanto que o tema religião discutido . se consumou a separação entre católicos e protestantes. do sentido salvífico dos sacramentos e do batismo de crianças. Wasler e Burdach para explicar o RENASCIMENTO espiritual do homem adâmico morto pelo pecado. representada pelo anglicanismo. 3) a esquerda. Michelet e Burckhardt usaram esse vocábulo para enfocar a historicidade do período em 1855 e 1860. constituído pelo luteranismo e o calvinismo. a qual implica dois corolários fundamentais: 1º) a negação do valor das obras. inicialmente. penitência. A Reforma é o berço de toda a teologia moderna. No movimento renascentista.

Prestação de contas dos seus atos. Por isso pretendiam fazer uma biografia corrigida de Jesus. no estado espiritual. seja o pai da teologia liberal e dos principais. . precisa enfrentar uma revisão da vida na carne. e também recontar a história de modo racional. Eles pretendiam fazer uma revisão dos relatos bíblicos. sendo julgada de conformidade com ela. a qual. ou seja a vida além do túmulo. Avaliação da qualidade da vida. Era o tema central do revisionismo. Henrique Paulus (1761 a 1877) publicou em 1928 a obra vida de Jesus Paulus. sobre a vida de Cristo. e primeiro revisionista não podemos dizer que Ritschel é o pai do movimento revisionista. David Frederich Straus (1808 a 1877) Straus também escreveu a obra a Vida de Jesus. Revisão da vida anterior à morte.dentro do RENASCIMENTO contribuiu eficazmente para a revolução teológica que reflete até nossos dias que foi a REFORMA PROTESTANTE. O revisionismo biografo procurava desmistificar a deidade de Cristo. REVISIONISMO: Espiritual 1º Revisionismo crença que a verdadeira pessoa é uma alma sobrevive a morte biológica. Embora Ritschel. Não admitia que Jesus tinha feito qualquer milagre. Straus não aceitou a mensagem de Cristo. Julgado de acordo com suas obras/atos. 2º O movimento revisionista foi um movimento teológico moderno que tinha como objetivo a busca do Cristo histórico. é comumente dedicado a Herman Reinamein. esse título. O revisionismo nasceu dentro a teologia moderna e adeltro a teologia contemporânea até hoje os teólogos influenciam.

e objetivo da adoração. continua a preservá-lo. Prússia (depois Wroclaw. expressa um entusiasmo sem reservas pelo processo da secularização em todas as esferas da vida. O secularismo. O principal expoente do secularismo é Dietrich Bonhoeffer nascer em Breslau. Tendo excluído o Deus transcendente como absoluto e o objetivo da adoração. para uma visão fechada do mundo que funciona semelhante a uma religião. E uma forma de religiosidade. o natural mais do que o sobrenatural.25). E uma cosmovisão e um estilo de vida que se inclina par ao profano mais do que para o sagrado. Em termos gerais. Este mundo (o saeculum) tem valor porque Deus o criou. o secularismo é o culpado porque "mudaram a verdade de Deus em mentira. a 4 de fevereiro de 1906. existem em liberdade e responsabilidade que o homem tem com Deus e o mundo. tornou-se pastor luterano e trabalhou em Barcelona e Nova York. O secularismo procurava aprimorar as condições humanas. da ciência. como tal constitui-se num rival do cristianismo. o secularismo e o humanismo são freqüentemente vitais como uma só dupla que forma o humanismo secular – uma abordagem da vida e da sociedade que glorifica a criatura e rejeita o criador. Homens e mulheres. sem fazer qualquer alusão à religião ou as reivindicações da igreja. o Deus sobrenatural criou o mundo e sustenta a sua existência. Educado em Tübingen e Berlim. na Polônia). o secularismo envolve uma afirmação da realidades imanentes deste mundo. Em 1931 . adorando e servindo a criatura em lugar do criador" (Rm. O secularismo é uma abordagem não-religiosa da vida individual e social. Antes. porque nega e exclui Deus e o sobrenatural numa fixação míope naquilo que é imanente e natural. Embora Deus haja Senhor da história e do universo. O secularismo é uma ideologia. Ele não pode ser identificado com um ou outro (panteísmo). Em termos bíblicos. "pertence a uma época". No entanto. e age para redimi-lo.SECULARISMO Essa palavra vem do latim seculum. Nenhuma discussão contemporânea do cristianismo e secularismo pode deixar de lidar com as cartas e papéis da Prisão escritos por Dietrich Bonhoeffer. como filosofia abrangente de vida. e das organizações sociais (não-religiosas) humanas. utilizava-se da pura razão. Na discussão contemporânea. religião invertida e una. No secularismo as dimensões – presente e imanente de existência estão revertidos dos atributos do eterno e do transcendente. O secularismo veio a ser uma espécie de movimento do tipo humanista. pelo seu conceito reducionista da realidade. o secularismo inexoravelmente torna o mundo do homem e da natureza absoluta. O secularismo carrega uma falha fatal. 1. Da perspectiva da teologia bíblica cristã. Nos círculos religiosos recebe o sentido de "aquilo que pertence ao mundo de nosso tempo" e que não faz parte do que é sagrado ou espiritual.

Quando Hitler subiu ao poder em 1933. O que ele asseverou é que o cristão moderno deve ser um homem também voltado para atividades seculares. do final do século anterior. O destinatário do evangelho é o homem novo. que por sua vez. dedicado a causas humanistas. que significa era ou época. quando dizia que a igreja não existe senão quando é "para os outros". A Secularização é uma ameaça provocante. Em 1935 foi chamado a assumir a direção de um seminário clandestino em Finkenwald. A secularização como teologia surgiu com Bonhoeffer. Bonhoeffer estava em Londres e decidiu lutar contra o nazismo. mas está no mundo. A Secularização adquire significados da distinção medieval entre aquilo que ficava sob jurisdição eclesiástica ou monástica ou aquilo que não ficava por serem de competência do Estado. Este homem novo. A igreja deve participar das tarefas humanas. sufocada no terror sanguinário da Ditadura Jacobina. nos conceitos científicos. A igreja não deve permanecer fora do mundo. que deve ser levada a sério. nas artes.assumiu a cátedra de teologia sistemática na Universidade de Berlim. . na produção de bens de consumo. Secularização é a libertação do que é mundano em relação ao que é santo. o que sugeria a possibilidade de haver cristãos arreligiosos. Essa ditadura só será subjugada por Napoleão e suas guerras Imperialistas. SECULARIZAÇÃO A palavra secular provém do termo latino. tendo como objetivo principal Jesus Cristo. Ao cristianismo essencial ao que chama razoável. não nos deve causar medo. Dirigindo a nova orientação do período. caracterizam o século dezenove. não como quem governa e comanda. A Secularização é uma palavra temporal usada para traduzir a palavra grega "aeon". havia a Revolução Francesa. onde o ser humano começa a se voltar para o presente esquecendo completamente o futuro. última conseqüência das mudanças processadas pelo Iluminismo. A secularização é como ameaça e precaução. É a inversão de valores dentro dos campos teológicos e secularistas. na Pomerânia. Havia a violenta substituição do Absolutismo pelo "terceiro estado da burguesia". fizeram sufocar o anseio doentio por um nacionalismo exacerbado. Propunha como uma das soluções a interpretação não-religiosa dos conceitos bíblicos. significando "esta idade presente". mas como quem serve. O problema central de sua teologia era como ser cristão num mundo secularizado e ateu. A provocação da Secularização é um desafio às nossas igrejas de nos integrarmos às necessidades humanas. SÉCULO XIX Mudanças profundas na sociedade. saecelum.

a teologia de Schleiermacher passou também. ou pelo menos a ele atrelada e dele dependente e auxiliada. A Igreja Católica Romana. Schleiermacher continuou sua atividade como pregador e professor de teologia sistemática. distinta de qualquer outra. Da esperança perdida. cada um de nós também vive num estado de dependência. de sua arrogância. o século do drama. A Teologia Contemporânea nasce sob as hostilidades de teólogos liberais e neo-ortodoxos. Sentimo-nos dependentes não somente de outras pessoas. ele deixou uma marca que dura até hoje. Schleiermacher formulou uma teologia à luz do Romantismo. e essa dependência é a base de nossa vida religiosa. desde o início do século XIX e encontrou sua máxima expressão no SILABUS. porém. O século da questão social. Por esse tratado "a igreja ficava sujeita ao Estado". O século do cidadão. Um mundo de anseio à morte prematura. O século do materialismo e do material. o primeiro instante da Teologia Moderna como se sabe é a Reforma que se constituiu no oferecer de uma nova era teológica. Após a queda de Napoleão. como para os demais românticos. publicado em 1864. Entre 1800 e 1821. do Tudo. cada indivíduo deve desenvolver-se como uma pessoa. do Universo – enfim. que adentra a Teologia Contemporânea. vários elementos. mas também do Infinito. realizou com o Papa Pio VII a concordata. tais como a liberdade de consciência e de culto.É o século dos grandes prospectos e das máquinas. da morte. Na religião o século XIX encontrou o papado em grande humilhação. O segundo instante da Teologia se evidencia na Teologia Liberal. resistiu às influências modernizantes e continuou desenvolvendo todos os seus elementos medievais. Pio VII voltou a Roma e os Estados papais foram restabelecidos. de Pio IX. Quando o Romantismo passou de moda. e do medo da morte que afora devia ser enfrentada sem Deus. Em 1801 Napoleão. Cada um precisa afirmar sua individualidade. Mas é também o tempo de um mundo pintado pelos impressionistas. Para Schleiermacher. de Deus. tratado que definia as relações da Igreja Católica Romana na França com o Governo. Nesse documento foram denunciados como "erros". um século de tolhedora tristeza e de branda melancolia. de ideais abandonados. Além dessa auto-afirmação. A vida humana envolve uma tensão entre a dependência e a independência. Muitos indicam Friedrich Schleiermacher (1768-1834) como o pai da Teologia Moderna. Schleiermacher formulou sua obra-prima de teologia sistemática. Imperador da França.. Ele aproveitou as idéias principais do Iluminismo e do Romantismo e s incorporou em um sistema teológico.. depois de sofrer certa pressão no século XVIII e começos do XIX. Mesmo assim. O século do artista e de seu atrevimento. A hostilidade do papado ao progresso do mundo moderno manifestou-se de vários modos. Durante essas duas décadas. O século da declaração da morte de Deus. . frágil e passadiço. É o século do medo. enfrentou poderosamente todos os surtos do processo humano.

mas uma teologia voltada para questões éticas. Ritschl (1822-1889) era um pesquisador incansável. Por influência do Realismo. da Universidade de Göttingen. da natureza humana. Ele não pretendia falar de Deus em si. que ele apreciava desde sua formação pietista. e Tomás de Aquino argumentou de pressuposições aristotélicas. embora pouco profunda. Mas a Teologia Liberal Protestante não recebeu sua expressão plena de Schleiermacher. Ritschl publicou. Ele valorizou os "sentimentos piedosos". A Teologia Moderna é marcada pelo revisionismo. Por esta razão. (3) da Teologia Sistemática. sua obra-prima: Die Christliche Lehre von der Rechtfertigung und Versohnung (A Doutrina Cristã da Justificação e Reconciliação). a ortodoxia protestante restaurou a metafísica à teologia. História do Cristianismo e Dogmática. Esta honra ficou para o professor Albrecht Ritschl. Ritschl argumentou que os ortodoxos dos seus dias erraram por confundirem a doutrina cristã com a metafísica. Ritschl é o primeiro dos revisionistas. Os três volumes desta obra tratam dos pontos de vista: (1) do Novo Testamento. Ele dominou três áreas de estudo: Novo Testamento. Depois de 1850. um número crescente de teólogos queria uma teologia reduzida. Schleiermacher havia lançado a Teologia Liberal Protestante. Entre 1870 e 1874. eliminando-a da teologia. ou da autoconsciência imediata". tendo uma visão otimista. Agostinho fez teologia de uma base platônica. (2) da História do Cristianismo. Lutero – o herói das mais diversas teologias alemãs – desvinculou a teologia da metafísica. Lutero tirou a metafísica das reflexões tão lógicas. . especialmente em questões metodológicas. Já quanto aos realistas. A partir de Schleiermacher. por isso pretendiam fazer uma biografia corrigida de Cristo. O autor apresenta uma reinterpretação moralizante da fé cristã em termos especialmente atraentes para os protestantes alemães. dizendo que os sentimentos piedosos equivaliam ao senso de consciência absoluta de Deus. com uma interpretação liberal da fé cristã. Em matéria de religião. esses teólogos rejeitaram o sistema que herdaram de Schleiermacher. em três volumes. e a ortodoxia a trouxe de volta com Melanchton e Ritschl a retirou em suas formulações teológicas liberais. Além disso a Teologia Liberal Protestante pouco enfatiza o pecado. até hoje. Schleiermacher iniciou a Teologia Liberal Protestante – um movimento que cresceu durante o século XIX e que existe ainda hoje. eles queriam saber o efeito da doutrina na vida e na sociedade. Para Ritschl. a maioria rejeitou a distinção de Schleiermacher entre religião e moralidade. e sua influência continua.Schleiermacher começou por reduzir a fé às proporções dos sentimentos religiosos de cada pessoa. Em lugar disso. Ritschl insistiu em rejeitar a metafísica. Ritschl apresentou-se como um estudioso do Novo Testamento e de Lutero. Revisionismo foi um movimento teológico moderno que tinha como objetivo a busca do Cristo histórico. a Teologia Liberal Protestante diminuiu o peso doutrinário da fé. se interessavam menos pelos sentimentos do que os românticos. ele se limitou a falar da "modificação do sentimento. Por sua parte. Isto quer dizer: ele enfrentou os ortodoxos com suas próprias armas.

A teologia moderna foi construída com base em Kant e Hegel. na realidade. na realidade. inclusive a religião. a mais importante é sua leitura da obra redentora de Cristo. Friedrich Nietzsch (18441900). Brunerr. ataques contra o pietismo.Compete a Ritschl reformular a teologia sem metafísica. Os escritos de Ritschl também continham numerosos ataques contra o misticismo. também rejeitou o pietismo como uma infiltração do misticismo no pensamento cristão. outra vez. Bultmann. Von Balthasar e outros. A teologia contemporânea tem bases em Soren Kickegaard. . Wilhelm Herrmann (1946-1922) e Albert Schweitzer (1875-1965). Bonhofer. uma outra ala do protestantismo alemão. Ritschl apresentou uma nova teoria de expiação – a teoria da influência moral. mas o juízo divino sobre tudo que se revela humano. Entre os ortodoxos: Bulgakov. Heidegger. como na teologia deísta. deu início no entre-guerras a um movimento teológico que buscava alcançar aquilo que a teologia oitocentista não havia conseguido: uma teologia não iluminista e pós-Kantiana que não se evaporasse à medida que fosse produzida. A teologia liberal foi constituída nos pressupostos iluministas racionalistas. Dessa maneira Ritschl se apresenta como o campeão do verdadeiro luteranismo. Teólogos do século dezenove como Albrecht Ritschl (1822-1889) e Ernst Troeltsch (18651923) procuravam encontrar o espaço da teologia no mundo pós-Kantiano. contra a ortodoxia protestante. Entre os católicos: Teilhard de Chardin. Oscar Culmann. Guardini Ranner. A forma da teologia liberal encontrase no idealismo gnóstico de Kant. Ritschl rejeitou tanto a ortodoxia como o pietismo. Como ele acusou os ortodoxos de confundirem a metafísica com o cristianismo. Os escritos de Ritschl contra a metafísica eram. Lonergan. Aqui. Paul Tillich. seus argumentos antimísticos foram. Estes entre os protestantes. Nietzche e Marx. não é a infinita bondade de Deus que é salientada. e inspirado por críticos como Soren Kierkegaard (1813-1855). Das reinterpretações de Ritschl. Florowsky e Lossoky. Schilebuckk. Mas talvez tenha sido o teólogo suíço Karl Barth (1886-1968) quem melhor resultados alcançou nessa direção. Barth. julgar). Na "teologia da crise" de Barth (do grego krinein. sobremodo humano. Dentro da teologia contemporânea destacam-se: Karl Barth. insatisfeito com as soluções propostas pelos teólogos do século dezenove. que não fosse redutível a nada além da teologia cristã propriamente e da revelação de Deus em Jesus Cristo.

aparece como o programados das demais mônadas. O latim por detrás desse termo português é solus. como também tais razões são leis necessárias. A Teodicéia de Leibnitz foi estruturada para seu sistema teológico extremamente racionalista. "sozinho" e ipse. A Teodicéia de Leibnitz era determinista. "o equivalente concreto do que os filósofos chama de solipsismo. Ou seja. Além disso para Leibnitz. da atitude que consiste em sustentar que o eu individual de que se tem consciência. Por sua vez. temos aí um pseudodilema. e dike. com as suas modificações subjetivas. Utilizam-se de um argumento do reduction ad absurdum. o solipsismo metafísico redunda do dilema do conhecimento: uma pessoa qualquer pensa que é a única entidade em existência. no mundo em que vivemos. é a única que existe. Até onde posso determinar. Alguns filósofos usam o solipsismo metafísico para anular o solipsismo epistemológico. só eu existo. Foi Leibnitz quem cunhou esse termo. Porém. Como pode haver um Deus justo. é que forma toda a realidade". conforme se verifica durante os sonhos. até onde ela está envolvida. sem ajuda da revelação. salpicado de males naturalmente. . no sentido em que vivemos no melhor de todos os mundos possíveis. até onde vai o meu conhecimento.SOLIPSISMO Doutrina segundo a qual a única realidade no mundo é o eu. tenho bases para crer que somente eu existo. justiça. A idéia é que a pessoa ou mente individual. isto é. introduzindo-o na filosofia. todas as demais pessoas e coisas podem ser um produto de sua própria mente. TEODICÉIA Esse termo vem do grego theos. Leibnitz teve fazer toda espécie de ginástica para defender sua tese. a grande mônada. Todo-poderoso onisciente ao mesmo tempo em que há tantos males no mundo? Aqueles que procuram explicar o problema do mal. "o próprio eu". sendo assim. onde Deus. não somente há razões pelas quais Deus faz tudo quanto faz. expõem Teodicéias. mas não posso afirmá-lo com certeza absoluta. Acreditar que só eu existo é tão absurdo que também é absurdo dizer que só posso Ter conhecimento de minha própria existência. ou até onde a pessoa pode provar. Essas razões podem ser discernidas pela luz da razão pura. Deus é o único ser metafisicamente necessário. Sua Teodicéia fazia parte do seu sistema de mônadas. e onde Deus não incorre em equívocos. O solipsismo epistemológico refere-se ao "dilema do conhecimento do próprio eu". esse vocábulo usualmente designa aquela atividade que busca justificar as maneiras de Deus como os homens. preservando assim a idéia de um Deus ortodoxo. É possível que outras pessoas existam. deus. a despeito de aparentes erros que nos cercam. Em seu uso comum.

a despeito da presença do mal no mundo. A bondade moral de Deus consiste. metafisicamente falando. É herança de Paulo que Lutero levanta com sua teologia da cruz contra uma igreja que se tornou segura e saciada. as ocasionais manifestações tacitamente pressupõem. criar um mundo é uma coisa condigna a ser feita por Deus. as idéias de Paulo. Ele já concretizou o melhor de todos os mundos possíveis. Evidentemente ele se serviu dessa formulação porque nela encontrou a caracterização mais sucinta e certeira da peculiaridade do evangelho. Não houve teólogo na igreja cristã que tenha feito ressuscitar como Lutero. em Heidelberg. Ele será moralmente digno de louvor. a Teodicéia tem um grande valor apologético. à Teologia eclesial dominante. Geralmente essa formulação aparece como algo que dispensa maior discussão. Outras Teodicéias bem conhecidas baseiam-se numa teologia racionalista modificada. Deus não fará coisa alguma sem uma razão suficiente e discernível pela razão pura. mas. metafisicamente falando. que a "teologia de cruz" representa o estágio préreformatório da teologia de Lutero. São raras as definições claras do que seria propriamente "teologia da cruz". Se for possível demonstrar que Deus desejou algo inferior ao mundo melhor. Foi Lutero quem. Portanto. na primavera de 1518. isto é. Se possível for demonstrar que Deus desejou aquilo que é metafisicamente melhor. na maioria dos casos. O sistema de Leibnitz exige que haja o melhor mundo possível. e Deus é livre quanto a criar ou não criar. a contrastar com a Teologia oficial. Visto que Deus é totalmente bom. à "Teologia da Glória". Portanto o sistema de Leibinitz diz que Deus opera com base na razão suficiente. Essa metafísica subjaz a defesa do livre-arbítrio e também a Teodicéia da edificação das almas. . Os que são maus. e o bem metafísico é a plenitude da existência . será demonstrado que Deus não é um Deus bom. isto é. em desejar o melhor. TEOLOGIA DA CRUZ Por mais que divirjam as opiniões a respeito da chamada Teologia dialética. ao que parece. Deus não é obrigado a criar mundo algum. por mais que a considerem carente de contemplação e correção. não existe nenhum mundo melhor. contrapôs expressamente seus "paradoxos" teológicos como "Teologia da Cruz". porque sua própria existência é o sumo bem. são pela sua própria natureza e Deus não poderia ter criado.O mal metafísico é a finitude ou a falta de existência. metafisicamente falando. que muitas delas respondem aos problemas do mal que são enfrentados pelas teologias para as quais são construídas. portanto. em todo caso será preciso admitir que de modo geral é ela que dita à teologia de hoje o seu enfoque. por mais que alguém decididamente se distancie da mesma. que há quatro considerações básicas: Universo Racionalista modificado. há um número infinito de mundo contingentes finitos possíveis. Se for possível demonstrar que Deus desejou algo inferior ao mundo melhor.

Ouvimos que.Em contrapartida defendemos a seguinte tese: a teologia da cruz é o princípio de toda a teologia de Lutero. A teologia de Lutero. antes. Face à situação real do ser humano. ainda assim valeria a pena retraçá-la como um todo orgânico. O teólogo da cruz não está posicionado como espectador em relação à cruz de Cristo. ela representa a inversão radical de todas as suposições humanas. Podemos constatar a marca da teologia na cristologia ou na doutrina da santa ceia. ela não pode ser limitada a um período particular de sua teologia. Denominamos a teologia da cruz como a marca de toda a teologia de Lutero. o que é vergonha. mas apenas à experiência sofredora. a exemplo do teólogo da glória. O resultado deste estudo é para nós uma prova indireta de que a teologia da cruz não constitui o pré-estágio pré-reformatório da teologia de Lutero propriamente dita. é sábio. . como marca de todo o pensamento teológico de Lutero. Por isso não foge do sofrimento. como também no caso de Paulo. mas que deve ser considerada. para a teologia da cruz. Na cruz se frustra toda concepção fictícia de Deus. é na cruz de Cristo e do cristão que se mostra o sentido mais profundo da ação de Deus junto ao mundo. mas considera-o como as sagradas relíquias que devem ser abraçada devotadamente – pois o próprio Deus "está oculto nos sofrimentos" e quer ser venerado por nós como tal. A cruz é o juízo sobre todas as ideias e obras humanas de escolha própria. só é compreendida numa vida sob a cruz. a cruz de Cristo e a cruz do cristão formam uma unidade. essa fórmula apresenta uma característica de todo o seu pensar teológico. ele é o eixo central da reflexão teológica. de fato. o que parece odioso ao ser humano. A teologia da cruz é cristocêntrica. O que é tolo. Cristo é tudo. A doutrina da cruz que determinou decisivamente o conceito de Deus e de Fé. o que é fraco. mas ele próprio é envolvido neste acontecimento. "A cruz põe tudo à prova". Ele sabe que só Deus pode ser encontrado na cruz e no sofrimento. Pelo contrário. O sentido da cruz não se revela ao pensar contemplativo. é desejável e digno de amor e em altíssimo grau. forte. Para o cristão. é apenas um mergulhão da árvore da mística medieval e de teologia monástica. é glória.

Filho de um aristocrata rural interessado pela geologia. TEOLOGIA DA EVOLUÇÃO Pierre Teilhard de Chardin nasceu em Sarcenar.TEOLOGIA DA ESPERANÇA O fundador desse tipo de teologia foi o alemão Jürgen Moltmann. a Evolução infunde sangue novo às perspectivas e aspirações cristãs. mas sim uma maravilhosa correspondência. Este sentido teológico foge ao inconveniente de considerar a mensagem da Ressurreição como mero e inconsistente relato histórico ou como simples apelo a decisão. quando o mundo da ciência era decididamente adverso ao mundo da fé e da religião. quer o novo e consequente êxodo da sociedade atual das grandes estreitas das estruturas vigentes. Suas obras conheceram um sucesso editorial sem precedentes em seu gênero: Chardin iniciou sua atividade científica no início do século. França.. Nos últimos anos. A obra termina com a seguinte afirmação do valor superior do cristianismo: "De qualquer forma. a paz na Terra e a libertação de tudo o que é efêmero. outorgada e vivida a partir de Cristo. . porque o cristianismo vem de encontro às mais intimas exigências da ciência. que adota como princípio hermenêutico exatamente a esperança. que traçou suas linhas programáticas em seu famoso livro Theologie Der Hoffring (Teologia da Esperança). o padre Schillebierckx tornou-se um zeloso seguidor da Teologia da Esperança. e nos leva a entender a Ressurreição como mensagem promissora que se abre para a história e nos obriga a nos empenharmos por nos transformar a nós próprios e ao mundo. Ultimamente. nenhum autor suscitou tanto interesse quanto Pierre Teilhard de Chardin.. não é destinada e não se apresta a salvar até mesmo a mudar a evolução?. Expressam sempre e por igual o "Shalon" dirigido a todo homem em suas relações sociais. O Escopo desta Teologia é expor que as implicações práticas da fé inflamada na chama da Ressurreição de Jesus. em 1º de maio de 1881. uma nova interpretação da mensagem Cristã. e a mensagem do Reino de Deus não significam apenas liberdade e santidade interiores. em 1899. que não interrompeu nem mesmo quando suas inquietações espirituais o levaram a ingressar na Companhia de Jesus. Deus não é "totalmente diverso" de nós (Ganz Andere). Mas a fé cristã. Segundo Chardin é preciso fazer ver aos cientistas que não há nenhuma imcompatibilidade entre a religião cristã moderna e a ciência moderna. A liberdade. Lé phenomène humain foi a obra em que Chardin procurou realizar tal programa. por seu turno. dedicou-se desde a juventude ao estudo dessa matéria.

Exatamente: mas. Somente ele – absolutamente só ele sobre a Terra moderna – se mostra capaz de sintetizar em um só ato vital o todo e a pessoa. visa. o cristianismo representa a única corrente de pensamento suficientemente audaz e progressiva para abraçar prática e eficazmente o mundo. Uma luz que aclara todos os fatos. não apenas servir. origem de sua obra mais importante. que ela domina. uma curva que todas as linha devem seguir: eis o que é a evolução: Segundo Chardin. As implicações morais e religiosas desse sistema foram desenvolvidas numa série de obras como Le Milieu divin (1958. O meio divino) e L‘Avenir de L‘homme (1959. porque a evolução deve passar através do cristianismo. na realidade. para ser pensáveis e verdadeiras. longe de se contradizerem. Em seu pensamento. mas também a amar o formidável movimento que nos arrasta. Isso não significa outra coisa senão que ele satisfaz a todas as condições que nós temos o direito de exigir de uma religião do futuro e que. outra coisa não é que a velha hipótese Darwinista. portanto. conduzem ambas à perfeição intelectual. todos os sistemas. muito mais que tudo isso. do menos consciente ao mais consciente. o eixo principal de evolução". .. que é Deus. é elaborar uma visão cósmica que abarque em um só olhar tanto o mundo da ciência quanto o da fé. A evolução – uma teoria. um sistema. seja a futura. que parece esmagar o homem e sua consciência. Os estudos científicos conduzira Teilhard de Chardin a uma profunda meditação sobre o problema da evolução. verdadeiramente. seja a passada. ao contrário. a seus semelhantes e a seu fim último. é através dele que passa enfim. Ciência e religião. a evolução é a maior descoberta do século passado e de todos os tempos. Examinemos este axioma. O axioma número um refere-se à evolução. todas as teorias. em um abraço completo e indefinidamente perfectível. mas sim uma verdade certíssima: "Para muitos. a sociologia e até mesmo as matemáticas e história das religiões. São verdadeiramente cegos aqueles que não se dão conta da amplitude de um movimento cuja órbita. Somente o cristianismo pode-se inclinar. O homem é o centro e a razão dessa evolução: sua alma o liga a esse universo.. por sua vez. a física. todos os domínios do conhecimento humano se movimentam. a evolução outra coisa não é que o transformismo. arrastados por uma única corrente de fundo. O futuro do homem). em 1955. e o transformismo. Ao juízo de Chardin a evolução não está absolutamente em conflito com o cristianismo. no qual a fé e a esperança se consumam na caridade. concluída em 1940. não é uma hipótese. Um após outro. a realizar a passagem da matéria ao espírito. a evolução evidente do universo material.No presente momento. ultrapassando infinitamente as ciências naturais. uma condição geral à qual devem se dobrar e satisfazer. A intenção declarada de Chardin. é um argumento muito forte a seu favor. tão local e caduca quanto a concepção laplaciana do sistema solar. mas só publicada postumamente. Lé Phénomène Humain (O fenômeno humano). em direção ao estudo de algum desenvolvimento. ganhou e invadiu sucessivamente a química. Esta. em toda a sua obra. segundo Chardin. na medida em que nos coloca em condições de entender a história. uma hipótese?. todas as hipóteses.

o Êxodo é a imagem bíblica da mensagem da salvação. Bonino. a injustiça e o ódio. duas expedições científicas ao continente africano. mas ante a impossibilidade de publicar seus textos – que circularam em exemplares mimeografados e só foram editados após sua morte – transferiu-se para os Estados Unidos. Teilhard de Chardin morreu em Nova York. Leonardo Boff. TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO A experiência cotidiana das comunidades cristãs latino-americanas que combatem as injustiças econômicas. mas também de todas as suas conseqüências. Ingressou então na Fundação Wenner-Gren. Segundo. Segundo Galiléia. L. J. Reunida na cidade colombiana de Medellín. Eduardo Pironio e A. em 1968. depois que o Concílio Vaticano II (19621965). os bispos consideraram que a igreja tinha como missão continuar a obra de Cristo. de Nova York. a fome. que veio libertar os homens não apenas do pecado. à luz da injustiça social. Seu método hermenêutico deixa de lado as categorias idealistas tradicionais e emprega categorias históricas. inclusive as injustiças. O eixo da teologia da libertação é a figura do Cristo libertador. não é propriamente uma teologia. Porfirio Miranda. a opressão e. surgido na Europa na década de 1970. enviado ao mundo para "libertar todos os homens de todo tipo de escravidão a que os tenha sujeitado o pecado. a miséria. sociais.Teilhard de Chardin regressou à França em 1946. a Conferência Episcopal Latino-Americana (Celam) foi o grande impulso da teologia da libertação. López Trujillo. em 10 de abril de 1055. examinou o problema das relações entre a igreja e o mundo moderno. que têm sua origem no egoísmo humano". B. Libânio. mas sim a intervenção de Deus. A característica mais inovadora do movimento foi encarar os problemas políticos como base para a interpretação dos textos bíblicos. J. Um outro elemento importante da teologia da libertação é o método de análise marxista. no sentido de política. culturais e políticas. a ignorância. A teologia da libertação constitui uma nova interpretação da mensagem evangélica. Entre os principais teólogos que a iniciaram e desenvolveram. e a história sagrada não é algo distinto da história da humanidade ou superposto a ela. Hugo Assmann. Apesar do nome. o Senhor". Analisando a situação social do continente. A mensagem de salvação é interpretada à luz das opressões de que o homem precisa ser libertado. numa palavra. nos últimos anos de sua vida. citem-se Gustavo Gutiérrez. que patrocinou. está na origem da chamada teologia da libertação. José M. A conferência pediu uma teologia e uma catequese que oferecessem "a possibilidade de uma libertação plena e a riqueza de uma salvação integral em Cristo. Ao narrar a libertação dos hebreus do cativeiro no Egito e sua marcha para a Terra Prometida. .

seus adeptos não negam nenhuma doutrina básica nem buscam outro fundamento que não seja Cristo e os apóstolos. enquanto os pressupostos filosóficos propriamente ditos foram fornecidos pelas seitas metafísicas. . Pesquisas feitas nos Estados Unidos sobre a teologia revelam que existem duas raízes históricas e filosóficas da teologia da prosperidade: O pentecostalismo (Barron. que floresceram na região de Boston (McConnell. 1988). assim como os Testemunhas de Jeová ou os Mórmons. 1989) e várias seitas metafísicas do início do século XX. o pentecostalismo fornece a base ou o grupo. Na teologia da prosperidade. ela garante a realização com fé dos pedidos desejados pelo cristão. afirma que sempre positivamente. Parece que nada assim já foi visto antes. Sua doutrina é radical com relação com relação ao homem físico e espiritual. Dessas duas fontes. A Confissão Positiva é outra corrente da doutrina da teologia da prosperidade. épocas e lugares diversos. é. o cristão que está passando tal coisa ou coisas. a teologia da prosperidade não se cansa de repetir que nem doenças nem problemas financeiros são da vontade de Deus.TEOLOGIA DA PROSPERIDADE Algumas obras norte-americanas. e isso significa que tem raízes ligadas a pessoas. ela não é uma seita. 1987. A Teologia da Prosperidade é algo novo na história da igreja. escritas contra a teologia da prosperidade. Saúde e Prosperidade são algo vivido dentro da teologia. desenvolveu-se com o tempo. onde a teologia encontrou a maior parte de seus adeptos. nunca: "Se Deus quiser!" Isso envolvendo saúde ou bem material. mesmo passando por cima da vontade divina. trata-se de uma forma de compreender a Bíblia. ele não tem fé ou está em pecado. Como todo movimento. Horn. A posição. como decretar a morte de alguém (até mesmo a de um pastor) Segundo Kenneth Hagin. Uma seita é composta por um grupo bem definido de pessoas. Antes. Tendo em vista a Autoridade profética. Mas isso não quer dizer que ele tenha surgido de modo repentino ou aparecido totalmente formado. tratam-na como se fosse uma heresia ou uma seita. mas negam doutrinas básicas da Bíblia. tais como a trindade e a divindade de Cristo. que se chamam cristãos.

bem como a interação de Cristo com os diversos credos. um lugar de fogo atormentado por demônios horrendos. costumes (ética) e muitos outros fatores. No que diz respeito à moral ou quebra de valores encontramos o seguinte texto: "Quando as leis da família são destruídas. também destacam-se os conteúdos de caráter ético e moral. família e mandamentos de Deus. Mas. o Cristo deve relacionar-se neste diálogo só como a palavra " " sem reivindicar a autoridade do " ". Dentre estes conteúdos comuns podemos citar a revelação do logos. surge um grande problema no que diz respeito à estruturação do diálogo do cristianismo para com as demais religiões. se removermos as distinções da língua. Janardana. etc. condições de clima.TEOLOGIA DAS RELIGIÕES É a globalização das religiões com o intuito da integração dos seus conteúdos comuns. um redentor. numa alma humana imortal. . um todo. No hinduísmo muitos se referem a sua fé como sanatana darma. um Deus trino ou uma divindade superior. Enfim. um livro sagrado. no tormento eterno para os maus e uma recompensa celestial para os bons. ou seja. é surpreendente notar a similaridade entre todas. quer dizer. um ponto em comum. então o que certamente para os homens resulta é morar no inferno". lei ou ordem eternas. melhor dizendo "o árabe é a forma mais pura de revelação". No islamismo o árabe é a língua obrigatória para se ler o Qur‘na (Alcorão). Nas religiões Crê-se em uma vida pós-morte. Eles acreditam que o árabe é a língua usada por Deus falar por meio de Gabriel. 4. No siquismo um dos grandes mandamentos do guru Nanaque era: "Lembre-se sempre de Deus. o livro sagrado dos muçulmanos. Porém. No budismo acredita-se em um inferno onde estão os ímpios. De forma superficial parece que as religiões são muito diferentes umas das outras. repita Seu nome". Quando no referimos à "teologia das religiões" queremos destacar um conjunto. Podíamos nos referir a "teologias" mas daria um sentido de independência. são inúmeros os exemplos no que se refere ao estudo dos conteúdos comuns entre as religiões.

que considerava a realidade como tendo uma natureza progressiva ou evolutiva. Não há apelo existencial num Ser impessoal com quem não se pode ter relacionamento. Um Deus que não pode agir ou ter interação com o mundo teria uma personalidade menos do que significante. e Henry Weiman. supostamente. A grande contribuição da teologia de processo é a doutrina do relacionamento de Deus com o mundo. A teologia de processo seguiu duas direções principais desde Whitehead: a empírica e a racional. A teologia do processo adotou a metafísica elaborada pelos filósofos do processo para obter os recursos mais adequados para expressar aquilo que a Bíblia entende por Deus e por mundo dentro da moderna estrutura da cosmovisão evolutiva. Segundo pensam. O mundo para eles está em mudança e Deus também está nesse processo. A oração e o serviço possuem pouco significado a não ser que haja um relacionamento real e pessoal entre Deus e os homens. O Deus da metafísica do processo e o Deus da revelação bíblica são. o mesmo Deus. XX que se originou. Bernard Meland. seguido por John Cobb e Schubert Ogden. Ademais. Deus cria junto com o resto do mundo. Propõe a Teologia de Processo que um Deus criou a partir do nada seja autocrático. Esse tipo de Deus não consegue casar com a idéia de um Deus que interage na História e mantém uma relação de amor e ajuda às criaturas. Deus está tão intimamente ligado com o restante da realidade que Ele também é visto como estando crescendo e se desenvolvendo. dentro da corrente racional. "imperial" e conceitualmente impossível. do pensamento de Alfred North Whitehead. . Ele é o Pai da criatividade. o campeão da segunda delas Charles Hartshorne é talvez o mais relevante dos teólogos de processo desde Whitehead. A primeira destas ênfase é achada em Bernar Loomer. em grande parte.TEOLOGIA DE PROCESSO Movimento teológico do séc.

a partir de suas origens absconditas. há uma coisa comum entre as mais variadas teologias. que age dentro deles e entre eles da maneira por Ele mesmo indicada. Onde se realizar o evento deste Deus se tornar objeto da ciência do homem e como tal. compreender e tornar manifesto o Deus do evangelho – quer dizer. de forma que necessariamente também deverá haver uma multiplicidade de teologias. isto é. Não queremos o termo evangélico de forma confessionalista . se trate de perceber. por ser ciência específica (e muito específica). veio à luz. A teologia à qual queremos introduzir é a teologia evangélica. inclusive os crentes. O termo "teologia" parece indicar que em seu âmbito. Mas ao termo "Deus" poderão ser atribuídos os mais variados sentidos. para ser redescoberta e revivida na Reforma do séc. E existe teologia evangélica no catolicismo romano e oriental-ortodoxo. realizado no confronto com Deus que se auto-revela no evangelho. do esforço teológico-cognitivo. de forma ativa. nos escritos dos evangelistas. Teologia. A melhor teologia. . de compreender e de interpretar a "Deus". existência que vê confrontada com a auto-revelação de Deus no evangelho. que são: dialética insolúvel do evento da existência humana. por ser a mais correta de todas. dos apóstolos e profetas do novo testamento. na capacidade de percepção. e este fato lança uma luz bastante reveladora sobre os deuses em questão: é que cada uma delas se considera e se proclama a se mesma sendo a única correta ou ao menos como sendo a melhor.TEOLOGIA EVANGÉLICA Teologia representa um dos empreendimentos humanos costumeiramente qualificados de "científicos".já que evidentemente aponta para a Bíblia – que de alguma maneira está sendo respeitada em todas as confissões. a fé de pessoas humanas que receberam o Dom e a vontade de reconhecerem e de confessarem a auto-revelação de Deus como tendo acontecido a favor deles. e na razão. dentro do caminho indicado pelo próprio objeto em questão. origem e norma da mesma – é aí que existe teologia evangélica. XVI. que por si mesmo fala aos homens. único. verdadeiro e real é aquela que procura comprovar a se mesma pela "demonstração do espírito e do poder". o Deus que se manifesta no evangelho. de forma clara e inequívoca. a única teologia correta do Deus sublime. XVI. O adjetivo aponta para o novo testamento e simultaneamente para a Reforma do séc. compreendê-lo em seu sentido e interpretá-lo quanto ao alcance de sua existência – e isso. fato este que os capacita tecnicamente a participarem. que tem por finalidade perceber um objeto (respectivamente uma área definida) como fenômeno. Mas. A teologia da qual trataremos é a que. por ser "protestante". latentes nos documentos das história de Israel. ainda não é necessariamente evangélica. de conceituação e de expressão de todos os homens. A teologia evangélica raciocina com base em três premissas secundárias. como também existe na área das inúmeras variações e mesmo das formas degeneradas. Teologia evangélica é aquela que intenciona perceber. posteriores aos evento reformatório.

Teologia não ignora que o Deus do evangelho se acha voltado para a existência humana. seu amigo. Nela Ele tem e prova tanto sua existência como sua essência. de forma que vai sendo liberada continuamente por seu próprio objeto. a favor dele: não só como seu senhor. mas antes em confirmação do mesmo. Teologia evangélica sabe esperar. não é um Deus desvinculado de tudo que não seja Ele mesmo. isto é. mas igualmente não só acima do homem. Nela é que Ele se manifesta a si mesmo. isto é. O Deus do evangelho não é nenhum Deus solitário. antes de tudo. que bastasse a si mesmo e que fosse recluso em si mesmo: não é nenhum Deus absoluto. e. isto é. na unidade de sua vida como Pai. mas sim. para verificar como a existência. na história de suas ações. como seu ser e sua auto-compreensão. o Deus do homem. é ciência que deixa seu assunto agir livremente. venha revelar-se. A teologia evangélica lida com o Deus do homem. e isto não em detrimento ou em abandono do seu ser divino. através do seu labor. de ser Deus – não ao lado do homem. superior a existência humana. Filho e Espírito Santo – assim. em confronto com o Deus do evangelho. A prioridade absoluta da teologia evangélica é Deus mesmo. Mas nesta história Ele também é o que é. mas também como seu pai. a sua auto-revelação benigna e amiga ao homem. o Deus do evangelho é o Deus que se relaciona com o homem. de jure e de fato. que tem uma palavra amiga. Portanto. mas precisamente lida com o homem. . seu irmão. responde ao gracioso sim de Deus. em relação a realidade – dele distinta – Ele é livre. por ser palavra de graça. a fé e a capacidade intelectual do homem. como sendo o homem de Deus. Como em si mesmo é o Uno. O Deus do evangelho se compadece. Teologia evangélica. junto a ele. seu Deus. Ela em toda a sua modéstia é ciência livre. O assunto da teologia evangélica é Deus – Deus .

A doutrina do tomismo entra nas relações entre razão e a fé que consiste em confiar à razão o dever de demonstrar o preângulo da fé. O termo já era usado pelos neoplatônicos para indicar o conhecimento das coisas divinas derivadas de uma direta inspiração de Deus. Esta especulação mística espalhou-se também para a Pércia e foi recebida pelos árabes depois da sua conquista do Irã. virtualmente oficializando o tomismo como a maneira como os católicos romanos devera filosofar acerca de sua fé cristã. defendida por Madame Blavatsky. para conseguir isto precisa livrar-se gradativamente dos grilhões da matéria. Conhecimento de Deus. escritora russa. A época mais fluente do tomismo começou nos meados do século XIX. Prega a fraternidade dos homens e tolerância de todas as crenças religiosas. nos séculos XVI. de esclarecer e defender os dogmas indemonstráveis e de proceder de modo relativamente autônomo no domínio da física e da metafísica. através do conhecimento e do domínio da ordem natural. Em diversas épocas apareceram homens a imortalidade da alma e a existência de um vasto cosmos. O tomismo foi atacado por causa de alegados erros. Os primeiros vestígios da teosofia encontram-se nos UPANISSHADS SÂNSCRITOS. . Ciências divinas. Porém sobreviveu facilmente a isso. assim como de uma intuição ou iluminação que o leva a conhecer a divindade. sendo. O termo emprega-se também para um sistema filosófico. Nos tempos modernos. baseado no conhecimento interiormente revelado e místico. francês – théosophic. movidos por forças ocultas. A doutrina fundamental da teosofia é que o homem tende a voltar à ordem divina de onde saiu. França em 1876. XV. a filosofia hindu teosófica. Comunicação com Deus. de Deus e das leis do universo. mas só aparecido ou correspondente ao ser de Deus. Mostravam a instabilidade da existência material. (sabedoria de deus) . o nome de teosofia foi dado a uma forma de crença. a realidade de um mundo oculto que de todas as partes nos cerca. Em uma encíclica de 1879. alemão – theosophic. em um julgamento em Paris. É panteísta e nega um Deus pessoal e imortalidade da pessoa humana.TEOSOFIA No grego: theós + sóphos. e cresceu em influência. a qual consiste ser absolutamente em abstrair do objeto. Doutrina da analogicidade do ser que consiste em julgar que o termo ser referido à criatura tem um significado não identifico. em certo sentido. É doutrina do caráter abstrativo do conhecimento. Para Leão XIII pediu que o catolicismo romano voltasse à filosofia tomista tradicional. Desenvolveu-se em várias fases e passou por períodos de apoio e descuido. TOMISMO A escola de filosofia e teologia que segue o pensamento de Tomás de Aquino. inglês – theosophy.

inevitavelmente isola Deus do outro lado do abismo. o Jesus descrito nos evangelhos não é o Jesus histórico. Marx e Darwin. Parece que a popularidade de um teólogo está mais relacionada ao grau de inovação que ele apresenta do que com a coerência lógica. É claro que nessa abordagem. tornando difícil conhecê-lo e relacionar-se com ele. Ainda bem que não escrevemos nossas obras para obter lisonjas dos homens. o que um dia faremos. e sim uma mera narrativa mítica. Em suma. Também entendemos que seu nome caberia melhor em um ensaio sobre a teologia do século dezenove. Ao fazê-lo. demos também a Immanuel Kant um capítulo à parte.Conclusão: Qual será a cara da teologia do século XXI? Neste trabalho apresentamos as principais escolas teológicas do século vinte e seus respectivos arautos. Apesar de ser mencionado já na introdução. Uma distinção semelhante ocorre em Bultmann. alguns nomes inevitavelmente ficaram de fora. Não tivemos com isso nenhuma intenção de reduzir a importância Brunner ou qualquer outro teólogo contemporâneo. pois temos considerado que sua influência sobre a teologia do século vinte é maior que o de qualquer outro. tais acontecimentos não são eventos históricos. e da influência desses pensadores sobre a teologia contemporânea. como Emil Brunner. equiparando-a a qualquer narrativa antiga. alegando que a primeira diz respeito à história objetiva e secular. Consideramos injusto que nomes como Barth. Os milagres. apenas tentamos apresentar os nomes associados às respectivas escolas. Nossa exposição começou com uma abordagem panorâmica do pensamento de Kant. bíblica e sistêmica de seus escritos. definindo-o como Totalmente-Outro. são quase ignorados. Seguindo Kant. e nesse aspecto. que propõe uma distinção entre história e fé. . o nome de Brunner está bem associado ao de Karl Barth e à teologia dialética. Bultmann também nega todo valor objetivo da Bíblia como Palavra de Deus. não puderam ser apresentados em um capítulo próprio. não devem ser confrontados na esfera secular. mas não lhe dedicamos um capítulo especial porque entendemos que ele foi um teólogo cristão e não especificamente um filósofo secular como Kant e Marx. portanto. Um contemporâneo de Kant que também influenciou a teologia do século vinte foi Soren Kierkgaard. se Deus permitir. Quanto aos milagres. e outros. Ele insiste que a Bíblia está cheia de mitos. tenham tanta repercussão quando outros como Pannemberg e Cullmann. Para Bultmann. ele faz distinção entre Historie e Geschichte. e que deve ser desmitificada por nós. sendo equiparada à própria fé. O teólogo de maior projeção dentro da teologia contemporânea é Karl Bath. entre o Jesus histórico e o Cristo kerigmático. A grande lição que o século vinte nos ensinou foi: ―saia da linha ou seja esquecido‖. a ressurreição e outros atos sobrenaturais narrados na Bíblia não são Historie. ele é cético: todas as narrativas miraculosas não passam de mitos. enquanto o segundo diz respeito à história subjetiva e sacra. muito mais ortodoxos que os três primeiros. Barth inspirou-se na filosofia existencialista e principalmente em Kant para elaborar o seu conceito teológico de Deus. e sim Geschichte. Bultmann e Tillich.

Wolfhart Pannenberg construiu uma teologia sobre o alicerce da história. No Brasil. A heresia fomentada por católicos romanos como Juan Luís Segundo. do ―bispo‖ John Robinson. Oscar Cullmann com a Heilsgeschichte. A sua ênfase é extremamente cristológica. que construiu a sua teologia tendo por base a história. com pressupostos bastante semelhantes. de Harvey Cox. Richard Shaull.Para refutar a teologia de Bultmann. nem todos os teólogos contemporâneos assumiram a mesma postura. buscava consolidar uma teologia que pudesse oferecer respostas ao clima ditatorial e à crise econômica latino-americana. pois faz do marxismo o maior dos atos de Deus na história. foram as principais obras desse movimento. É essa teologia ativista que os teólogos secularistas propõem. discordando dele quanto às conclusões. De qualquer forma. Para Cullman não existe duas histórias. A Cidade Secular. O problema é que essa idéia foi levada ao extremo. e protestantes como Rubem Alves. Nessa mesma época surge na América Latina a Teologia da Libertação. Honest to God. a teologia de Cullman é uma ponta de esperança para o pensamento teológico contemporâneo. porém. Outro importante teólogo secularista foi Paul Van Buren. A história abrange os atos portentosos de Deus em favor da nossa redenção. salvando assim a historicidade do cristianismo. Ele foi sem dúvida o mais radical deles. Uma característica interessante de Culmann é que ele aceita o desafio de Bultmann e apresenta suas elucubrações partindo de alguns pressupostos da crítica formal. Buscando inspiração não na Bíblia. surge um grupo de teólogos cujo exacerbado esforço era elaborar uma teologia que estivesse mais próxima dos problemas da humanidade. o principal expoente dessa nova e estranha doutrina é o expadre e posteriormente professor da PUC-SP. mas na filosofia socialista de Karl Marx. bem como Pannemberg. essa nova escola teológica agitou o cenário teológico nas décadas de sessenta e setenta. sobretudo à teologia protestante. Dietrich Bonhoeffer ficou conhecido por participar de um complot contra a vida de Hitler. O patrono da teologia secular. toda história é História da Salvação. aliás. Hugo Assman e Gustavo Gutiérrez Merino. Na década de sessenta. Leonardo Boff. Porém. José Míguez Bonino e o então missionário no Brasil. o que levanta inclusive algumas objeções sobre a sua teologia. uma cristã e uma secular. ou simplesmente ―História da Salvação‖. A resposta por eles é uma afronta à teologia. ele sequer admite uma história secular. apesar de Cullmann e Pannemberg terem prestado um relevante serviço á ortodoxia (ainda que nenhum deles é considerado literalmente ortodoxo). A maioria deles parecia estar mais ligada às idéias de seu tempo do que à Palavra de Deus. . Em uma época em que os teólogos faziam questão de distinguir entre teologia e história. Emílio Castro. surge o Dr. aliás. a própria expressão ―Palavra de Deus‖ caiu em desuso no decorrer do século vinte. Para ele.

uma vez que ele decidiu entrar no tempo. Para Cristo. Ora. e sim se a violência é justificável ou injustificável. duas teorias totalmente opostas uma à outra. Outra mostra desse desespero é a teologia de Jurgen Moltmann. é vã a nossa fé‖. ―se Cristo não ressuscitou. A moralidade de Molmann. aquele que a Bíblia descreve como imutável. tornando-se um ser meramente temporal. A Ética Situacional. eles corriam desesperados em busca de uma associação que pudesse ―salvar‖ à teologia. Esse teólogo católico teve a mente tão doutrinada pelas teorias evolucionistas que chegou a apresentar o próprio Deus. Essa teologia é de ênfase escatológica. Somos bem-aventurados quando somos perseguidos e vilipendiados. a violência é desaconselhável em qualquer situação. militância contra governos que se oponham aos nossos valores. Em seu afã de apresentar uma teologia que pudesse se adequar aos padrões mundanos e às crenças seculares. a Ética Situacional apregoa uma teologia na qual os fins justificam os meios. porém. assim como outras teologias modernas. é relativa e pragmática. Pecar deliberadamente para que a graça seja mais abundante. do pragmatismo e das filosofias relativista e positivista. Desse modo. Nossos atos não deveriam ser julgados por padrões absolutos e uma ética relativa se infiltrou na teologia contemporânea. que nos ensina que melhor é o sofrer fazendo o bem do que fazer o mal para que os advenham bens. . mas a escatologia de Moltmann nada tem a ver com a noção tradicional que envolve o retorno de Cristo e a entrada dos crentes no estado eterno. Para ele não existe o problema da violência versus não-violência. Como homens loucos.Várias outras tentativas de amoldar a teologia à praxe modernista também foram elaboradas. nem mesmo Deus é eterno. e não o contrário. assim como a de Fletcher. A questão central não é a violência em si. como um Ser em evolução. Vemos isso na teologia do padre católico Teilhard Chardin. O ―Deus Finito‖ não é o único problema da teologia de Moltmann: ele também nega que a ressurreição de Cristo seja um fato histórico. conhecida como Teologia da Esperança. A Bíblia cada vez mais parecia um livro ultrapassado e cada vez mais os teólogos procuravam muletas seculares para amparar à Bíblia. a morte de Cristo não foi substitutiva. nega o sobrenaturalismo das escrituras e se esforça para reinterpretar as narrativas miraculosas em termos existenciais. Esse pragmatismo também está presente na Teologia da Libertação e na Teologia Secular. Esse conceito tem suas base na filosofia ateísta de Nietzche e aparece também na Teologia do Processo. e sim uma demonstração de amor. Não há conduta errada quando se quer alcançar um fim nobre. Usando pressupostos do existencialismo. Na perspectiva de Moltmann. tudo isso soa dissonante ao supremo às palavras de Jesus no sermão do monte. Não é preciso dizer que ele teve que fazer um esforço hercúleo e muita eisegese para conciliar o criacionismo bíblico e o evolucionismo. mas nada tem a ver com a Bíblia. muitos teólogos do século vinte perderam completamente o senso de direção. Joseph Fletcher afirmou que a moral não é absoluta.

Hernandes Dias Lopes em palestra no congresso Vida Nova de Teologia. não é um Ser Onisciente. o pentecostalismo e o neopentecostalismo. apesar da semelhança com as teologias de Moltmann e Chardin. ele afirma que Deus tornou-se finito e temporal. mas isso não desqualifica o movimento como um todo. podemos perceber no pentecostalismo certo frescor. Deus. mas um ser finito e limitado ao tempo. As igrejas pentecostais. segundo essa concepção. Barth. da perspectiva conservadora ele não passa de um herege. 1Co 15. Trata-se de uma tentativa de voltar à fé cristã primitiva. Esse teísmo anti-bíblico mina toda confiança que o crente deposita na Bíblia. Essa teologia também é conhecida pelo nome de Teísmo Aberto e Teísmo do Livre-Arbítrio. De modo geral. no entanto.13-19). Entre as doutrinas por ele modificadas estão a encarnação. mas um que se posicionou bem na fronteira entre esses dois pensadores: Paul Tillich. Como disse o Rev. Muitos excessos foram cometidos nessa tentativa de retorno ao modo de culto primitivo. e deve ser logo descartado. A característica principal dessa teologia é a afirmação de que Deus é um ser temporal e está sujeito ao tempo. a principal influência de Hatshorne foi o matemático e filósofo Alfred North Whitehead. Bultmann ou Barth.Charles Hatshorne é o preconizador da Teologia do Processo. Valendo-se de pressupostos existencialistas e liberais. Ele fatalmente não pode prever o futuro. Ele surge como chuva serôdia em meio ao árido cenário teológico do século vinte e mantém-se na contramão de Bultmann. vivem abarrotadas e há constante necessidade de se construir novos templos. retirando assim a base da esperança cristã (cf. Sua própria teologia está baseada em um ser impessoal. Embora em alguns círculos Paul Tillich seja citado como o ―teólogo dos teólogos‖. ao contrário. Ele propõe reinterpretações da Bíblia. Tillich elaborou uma teologia que ficou conhecida pelo nome Teologia do Ser. A ressurreição também é reinterpretada por ele. olhamos ao nosso redor e indagamos pelas igrejas liberais e neo-ortodoxas. Reservamos os dois últimos capítulos para abordar dois movimentos que estão em acelerado crescimento em nosso país. O pentecostalismo. Hoje. ele assevera que Deus está em constante processo evolutivo. mais de um século depois. e como Chardin. a natureza do pecado e a própria salvação. É simplesmente impossível encontrar uma só igreja liberal com membresia superior a cem membros. não há nenhuma razão para depositarmos nele alguma confiança. o moderno movimento pentecostal teve como principal pregador o pastor William Seymour. bem como a mudanças e a evolução moral. Tillich e dos demais teólogos de influência no século vinte. reduzido à mera força racional e criadora. Não foi apenas a importância dessas duas teologias no cenário brasileiro que lhe renderam um lugar especial neste trabalho. encontra suas raízes no Movimento de Santidade e tem em John Wesley seu principal antecessor. não foi Hatshorne. à saber. Contudo. A conseqüência direta dessa teologia é simples: se Deus não tem o controle dos contingentes futuros. . de tal forma que o movimento foi chamado em seus primórdios de Restauração da Fé Apostólica. ―as igrejas liberais nasceram fadadas ao fracasso‖. como já vimos. O teólogo mais controverso do século passado. e o principal teólogo e sistematizador das doutrinas pentecostais foi Charles Parham. muito das quais beiram o absurdo. mas também a dissociação dessas dois movimentos das demais escolas contemporâneas de intrepretação teológica. Nascido na Califórnia. É fácil fazer um paralelo entre Moltmann e Chardin: assim como Moltmann.

É difícil enumerar uma a uma as diversas conclusões à que chegamos. e não demorou para que um grupo de pentecostais. Até no pentecostalismo podemos perceber as idéias previamente concebidas por John Wesley e no neopentecostalismo. como é o caso de Jurgen Moltmann. como por exemplo o Pr. haja vista que ao final de cada capítulo são apresentadas várias objeções às respectivas escolas. No Brasil. O problema é quando a filosofia ruim ou irracional arroga para si o status de verdade universal. vemos de cara a influência da filosofia pragmatista norte-americana e até mesmo idéias da seita Ciência Cristã. o certo é que nenhum deles escapou das influências do seu tempo. . Atualmente há também pregadores pentecostais aderindo à idéias do movimento neopentecostal. da Assembléia de Deus. Lewis. Sheleiermacher e Soren Kierkgaard.O neopentecostalismo surge na década de setenta como uma deturpação do movimento pentecostal e como reflexo de uma cultura capitalista. como no caso de Brunner. Silas Malafaia. Tudo isso torna o trabalho do teólogo muito árduo. O próprio neopentecostalismo é um materialismo disfarçado de cristianismo. esquecendo do exemplo de Jesus na tentação de Mateus capítulo quatro.S. que ela exista ao menos para refutar a filosofia ruim‖. aumentando a necessidade de apologistas cristãos entre nós. nem sempre há justiça em teologia. A primeira é que do ponto de vista conservador. a Bíblia da Batalha Espiritual e Vitória Financeira. fruto do casamento da teologia com a filosofia existencialista. A tendência dos ―poderosos‖ sempre foi usar o poder em benefício próprio. Cooperland e Hagin formam a ala mais materialista do movimento. Tillich e outros tantos teólogos neo-ortodoxos. Soares e Edir Macedo. que já ganhou o apelido de Bíblia do Milhão. há também a boa filosofia e como disse C. Os teólogos do século vinte foram grandemente influenciados pelas idéias teológicas e filosóficas de pensadores anteriores a eles. A segunda conclusão à que chegamos é que mui dificilmente um pensador escapará às idéias do seu tempo. Quer seja por Immanuel Kant. e repetilas agora seria uma tarefa enfadonha e pouco proveitosa. A análise da teologia do século vinte nos ensina pelo menos três coisas. os principais expositores desse movimento pragmático-mercantil são RR. estabelecesse uma teologia para verter as bênçãos espirituais em materiais e essas sobre si mesmos. Qualquer que leia a obra de Teilhard Chardin logo se dará conta de que o evolucionismo para ele está acima da teologia e que as idéias de Darwin são mais aludidas por ele que os portentosos atos de Cristo. ou por Nietzche e Overback. que inclusive escreve livros sobre prosperidade e promove a Bíblia de estudo do Morris Cerrullo. Kenyon. Isso porém. A verdade é que herdamos uma teologia deturpada. enquanto Benny Him endossa a fileira espiritualista. ―se não há razão para existir a filosofia. Barth. Parece que para ganhar projeção no meio evangélico é preciso romper com os antigos padrões e fomentar o erro no seio da cristandade. prostrado ante Mamon em adoração. não significa que toda filosofia seja ruim.

A nossa principal intenção. isso porque. Diante de tudo o que temos exposto. Entendemos que tal esforço cabe mais a uma enciclopédia que a um ensaio de teologia. nesse início de século. ―é impossível exegese sem pressupostos‖. além de introduzir estudantes de teologia no panorama teológico do século vinte. à fim de agradar as mentes contemporâneas. ele está em busca de uma fé para viver. e amanhã. É por isso que um evangelho sem cruz. E na verdade. nós analisamos e julgamos a teologia contemporânea à luz das nossas pressuposições. A necessidade do homem ainda é a salvação. Esperamos que o que hoje é um fato. uma música do cantor evangélico João Alexandre parece representar bem o quadro do protestantismo brasileiro. correntes filosóficas e modismos pós-modernistas. faz-se necessária a avaliação dos nossos paradigmas e não apenas a simples adequação dos mesmos à interpretação bíblica. e fracassou. Devemos nos esforçar ao máximo para fazer da Bíblia o nosso pressuposto básico. aquelas igrejas que permaneceram fiéis à tradição reformada e ao cristianismo histórico. incitá-los a pensar de modo crítico e com isso propor uma analise concernente ao fundamento sobre o qual construiremos a teologia do século vinte e um. amanhã seja apenas história. cabe a cada teólogo fazer a sua parte nesse edifício. ressurreição ou imposições morais. como bem afirmou o controverso Rudolf Bultmann.A terceira conclusão é que embora seja muito difícil escapar do nosso invólucro cultural. No entanto. No momento. A razão disso é que o homem não está simplesmente buscando uma doutrina para concordar. E a nossa teologia? Ela ainda pode ser considerada cristã? Ora. com certeza. saberemos o resultado dessa construção. permanecem até hoje. Não foi possível apresentar uma obra completa ou fazer uma analise dos pormenores dentro de cada escola. Precisamos olhar para os erros do passado e com muita cautela construir a teologia do futuro. se quisermos construir um edifício teológico bem alicerçado para o futuro. logo será abandonado: Ele fatalmente fracassa por não pode satisfazer às exigências da alma humana. Agora. . mas amanhã serão analisados os pressupostos teológicos do século vinte e um. não devemos sujeitar a nossa teologia às novas tendências. Portanto. é levá-los a refletir sobre as bases sobre a qual a teologia do século passado foi edificada. ainda permanece uma pergunta: Até que ponto nós somos ortodoxos? Muitos teólogos do século passado se perderam nas idéias do seu tempo de tal forma que as suas abordagens dificilmente podem ser consideradas cristãs. Terminamos assim a nossa introdução à difícil matéria de teologia contemporânea. O que dirão da nossa teologia? Ou será que nós não temos pressupostos? Sim. Essa tentativa foi feita no século passado por neo-ortodoxos e liberais. sem salvação. hoje estamos analisando a teologia do século vinte. ainda que pareça agradável aos ouvidos no início. os temos.

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entre outros.[... Teilhard Chardin. John Robinson. Brunner. bem como artigos compilados da internet. Bultmann. Leonardo Boff. .] Também foram utilizadas várias resenhas dos livros de Barth. Paul Tillich.

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