INTRODUÇÃO EMENTA A Teologia Contemporânea trata do estudo acerca da teologia mais particularmente do Século XX.

Esse século esteve comprometido com uma pluralidade de ―teologias‖, de caminhos e de muitas reflexões sobre o mundo, sobre Deus e o homem. De início, há a necessidade de uma passagem reflexiva pelo período medieval, ainda que de modo conciso, no que tange aos debates teológicos e seus grandes expoentes. Depois, em evidência, a Reforma Religiosa com suas propostas renovadoras, não no sentido de se estabelecer novas doutrinas, mas de reaver a natureza e sentido da Bíblia como padrão de fé e prática da Igreja. Sobre a salvação e o papel da Igreja, se constituem algo de extrema importância nesse cenário, respectivamente. Entretanto, o que era para ser renovado, transformou-se numa divisão de segmentos eclesiais, fazendo surgir posturas diversas em relação a vários pontos doutrinários. Antes de se refletir sobre a teologia do Século XX, é imprescindível verificar que a Teologia Contemporânea tem suas bases assentadas no Século XIX. Immanuel Kant sistematizou a confiança do homem moderno na capacidade da razão para tratar de todo o material em sua capacidade e em sua incapacidade para ocupar-se do que vai mais além. Assim, um novo conjunto de pressupostos religiosos moldou o pensamento do homem moderno. O Iluminismo qualificou os séculos XVII e XVIII, constituindo a história intelectual do Ocidente. Enquanto a cosmologia da Idade Média era percebida como um sistema orgânico, na modernidade tudo passou a ser relativo, fragmentado. A era da razão toma corpo, de modo que o homem passou a ser visto como o centro do universo. Deus já não era mais visto como o autor da criação, e se era, não interviria nela; a religião não mais doutrinava a vida humana, mas a produção científica. A Teologia Contemporânea é a teologia do Século XX. Em sentido real, nasceu em 1919. Seu iniciador foi um jovem pastor, Karl Barth (1886-1968). É ele um novo pivô teológico na história, o anúncio de uma nova era teológica, considerando como marca o seu Comentário da Carta de Paulo aos Romanos, em 1919. Uma análise não só em Barth, mas também em muitos outros expoentes faz justiça à natureza da matéria. OBJETIVO GERAL Conduzir o estudante de Teologia à reflexão sobre os principais pontos da Teologia Contemporânea relacionados aos seus expoentes, é o objetivo geral da matéria. Consequentemente, se pode também observar as muitas facetas de posturas teológicas que ainda hoje se propagam, fazendo que as mentes reflitam mediante diversificados caminhos, bem como gerando diversificadas conclusões. Conclusões que muitas vezes se distanciam da Bíblia e comprometem negativamente a antropologia e áreas afins. OBJETIVOS ESPECÍFICOS Por objetivos específicos, significa o entendimento das diversas posturas de teólogos do período que compreende o Século XX. A percepção de como se conduziram os pensamentos diversos, uma vez que não daria mais para estar preso a dogmas. Serão sistematicamente percebidos, os postulados divergentes e convergentes dessa época, que tiveram seus objetivos de se tentar dar respostas às perguntas surgidas, quer do ângulo da Ciência, quer do ângulo da própria Igreja, respostas concretas.

Índice
Introdução: Vertentes que influenciaram a teologia do séc XX 1. 1.1. 1.2. 1.3. 1.4. Fase Racionalista ou Iluminista Racionalista Deísmo Iluminismo Principais temas em debate

2. Fase Romantista ou Modernismo 2.1 Imannuel Kant 2.2 Um novo conjunto de pressupostos religiosos para o homem moderno. 2.3 A autonomia do homem e sua influência no pensamento religioso moderno. 2.4 O relativismo de David Hume e sua influência na filosofia kantiana. 2.5 O confinamento de Deus na teologia contemporânea. 2.6 As idéias deístas na filosofia da emancipação e sua influencia na teologia contemporânea. 2.7 Uma separação radical entre história e fé. 3. Friedrich Schleiermacher. 3.1 Ritschl e sua escola. 3.2. Adolf von Harnack da escola de Ritschl. 3.3 Hegel e os idealistas. 3.4 Ferdinand Christian Baur. 3.5 David Friedrich Strauss.

4. Dialética de Karl Barth e a revolta contra o Liberalismo Teológico. 4.1 Neo-ortodoxia: Analisando os pressupostos teológicos do novo liberalism.o 4.2 Objeções à neo-ortodoxia. 5. Crítica da Forma: O método investigativo de Rudolf Bultman. 5.1 O método investigativo da crítica formal. 5.2 Objeções ao método crítico de Rudolf Bultmamm 5.3 Desmitologização: O método interpretativo de Rudolf Bultmann 6. Heilsgeschichte: A escola teológica do Dr. Oscar Cullmann 6.1 O pensamento de Cullman e a ortodoxia teológica.

7. Teologia Secular: Robinson, Cox e Buren: Uma teologia do mundo para o homem moderno. 7.1 A postura da teologia secular. 7.2 Avaliação da teologia secular.

8. Ética Situacional: Joseph Fletcher e um novo conjunto de valores para o homem moderno. 8.1 Conhecendo os pressupostos da nova moralidade. 8.2 Uma análise da nova moralidade religiosa. 9. Teologia da Esperança: Jurgen Moltmann e a análise escatológica existencial. 10. Teologia da história: Wolfhart Pannenberg e a teologia histórica da ressurreição. 11. Pannenberg e a ressurreição de Cristo. 12. Teologia da Evolução: Teilhard de Chardin e o darwinismo teológico. 13. Teologia do Processo: Dr. Charles Hartshorne e a Teologia do Deus Finito. 14. Pressupostos da teologia de Paul Tillich. 15. Teologia da Libertação: Uma resposta teológica à crise econômica e social Latino-Americana. 16. Pentecostalismo: Parham, Seymour e o avivamento místico-pietista do século XX. 17. Neopentecostalismo: Misticismo, pragmatismo e culto à Mamom. 18. Glossário Teológico Contemporâneo.

Conclusão

permitindo uma ampla variedade de doutrinas. De uma maneira geral. reagiram à confessionalidade e à disciplina. foram englobados no contexto arminiano. a partir do final do século 16. se pensava serem inacessíveis à razão. Essa classificação generalizada. através do uso da razão. O progresso da ciência.1. serviu para encobrir os racionalistas. em 1687. FASE RACIONALISTA OU ILUMINISTA No mundo cristão. que. formas de governo e de culto. Essa influência fez-se mais presente na Europa continental. Entretanto. pouco afetando.(1) fez com que muitos homens se convencessem do poder da razão e da necessidade de todas as coisas serem testadas por ela. a partir da publicação. Os principais mentores desse movimento foram os Cambridge Platonists (Platonistas de Cambridge) ou Teólogos-Filósofos de Cambridge (c. Nos anos que se seguiram ao Sínodo de Dort (1618-19). a filosofia. pelo menos inicialmente. de dogmatismo e intolerância. . Houve uma sensível mudança no comportamento da sociedade cristã em face da influência do racionalismo. inclusive aquelas relacionadas à área da consciência ou do espírito. pois. que no século 17 estavam fortemente impregnadas de religiosidade. quem não era calvinista era tido como arminiano. que era con-siderada serva da teologia. que tratou da controvérsia arminiana na Holanda. por algum tempo. o movimento veio à tona e seus adeptos foram chamados de latitudinarians (latitudinários). os adeptos do uso da razão ou racionalistas. 1640-1680) – que diziam que a ―razão é um reflexo da mente divina na alma humana‖. 1. inis. termo derivado da palavra latina latitudo. as novéis colônias inglesas na América. até então. por fazerem oposição ao calvinismo. chamando-as reséctivamente.1 Racionalismo No período que marca a virada do século 16 para o 17. especialmente na Holanda reformada e na Inglaterra puritana. que significa amplo ou largo. alguns teólogos começaram a atacar o calvinismo. se expandiu para além dos limites do pensamento aristotélico e da Bíblia – em parte devido à ciência natural e em parte fruto de reflexões de pensadores como René Descartes (1596-1650). O objetivo dos latitudinários era manter a igreja unida com base em uns poucos artigos fundamentais de fé. de seus Principia Mathematica (Princípios de Matemática). especialmente devido à obra de Isaac Newton (1642-1727).

que em meados do século 18 já havia perdido a sua força original. o declínio da fé e o enfraquecimento da vida religiosa. a teologia racionalista tendeu a modificar. desenvolveu uma espécie de teologia matemática. no seio de um grupo de escritores de tendência racionalista. No campo teológico-eclesiástico. Os principais filósofos racionalistas da época foram: o judeu holandês Baruch Spinoza (1632-1677) e o matemático alemão Gottfried Leibniz (16461716) no Continente Europeu. a prova da verdade era a razoabilidade. cuja teologia começou a tender para um número exagerado de definições precisas. Embora. eles suspeitavam de tudo que não se conformava com sua visão mecanicista do universo. Dentre os deístas ingleses destaca-se. Contudo. caracterizada pela busca de uma verdade racional e imutável. alguns dos quais discípulos de John Locke. Toland defendia a idéia de que ―a doutrina cristã nunca foi misteriosa e devia ser entendida somente como uma réplica da religião natural‖. em especial na França. no sentido de conformidade com o senso comum. e. por conseguinte. Embora tenha havido algumas contribuições benéficas à sociedade como um todo. membro do grande núcleo pietista que funcionava a partir da Universidade de Halle. o racionalismo provocou graves e perturbadoras conseqüências na vida da igreja.O racionalismo dava ênfase principalmente a dois pontos: (1) liberdade e dignidade. muitas vezes acompanhadas de frieza espiritual. Foi um movimento de curta duração. Alemanha e Estados Unidos. na Inglaterra. Os teólogos racionalistas defendiam a tese de que a bondade em Deus não poderia diferir em essência da bondade no homem e.2 Deísmo O deísmo teve início na Inglaterra na primeira metade do século 17. especial-mente. Para os escolásticos. e até mesmo destruir. Halle foi aos poucos se tornando um centro de teologia racionalista entre os protestantes. Deus não pode-ria fazer o que para o homem seria imoral. 1. em sua grande maioria. e (2) investigação científica. Para Locke. as ortodoxias confessionais protestantes. pelo menos até o final do século 18 os racionalistas aceitassem os milagres do Novo Testamento. John Locke (1632-1704). dentre as quais o ateísmo. ser um bom religioso era aceitar as doutrinas corretas. Entre os filósofos alemães. defensor do princípio da lei natural. . foi o estopim de outros movimentos de reação à ortodoxia protestante. O racionalismo teve grande influência no escolasticismo protestante. John Toland (1670-1722). o barão Christian von Wolff (1679-1754).

Tudo é regido por leis naturais. Dentre os princípios que balizavam o deísmo. em 1776. explicados à luz da razão. um conhecimento religioso inato em todas as pessoas. Christianity as Old as the Creation (O Cristianismo é Tão Antigo quanto a Criação. Thomas Jefferson (1743-1826) e Thomas Paine (1737-1809). Para corroborar o que foi dito resumidamente sobre os princípios do deísmo.O movimento deísta surgiu como uma reação à idéia de que o conhecimento teológico somente poderia ser adquirido através do ensino da Igreja ou da revelação pessoal de Deus. do que com a realidade a ser conhecida. Os deístas criam também que a ética e a piedade eram as virtudes que necessitavam ser desenvolvidas. mudando o foco da teologia de Deus para o homem. providência e encarnação. 5) os milagres não são prova real da revelação. por exemplo. substituíram a revelação pela razão e pelos sentidos. milagres. por intermédio do Espírito Santo. sob a alegação de que há uma religião natural. sendo a Bíblia um manual eminentemente ético. 3) tudo o que é de valor na revelação já foi dado aos homens na religião natural racional. como Benjamin Franklin (1706-1790). que. totalmente negativo. sendo a causa primeira. pois. que está acima e além da sua criação. popularizou as idéias deístas em seu país. como tal. com seu livro Age of Reason (Idade da Razão. Seu propósito era estabelecer uma religião ao mesmo tempo natural e científica. Em seu afã de valorizar o homem. Dentre os líderes do movimento de independência. não havendo lugar. de alguma forma. Os deístas. ou que pode ser obtido pelo uso da razão. em síntese. Deus não se envolve mais com o mundo que ele mesmo criou. contudo. O legado do deísmo não foi. obtiveram sua independência. para revelação bíblica. . que pôs este mundo a girar segundo as mais perfeitas leis mecânicas e não interfere no seu funcionamento. destaca-se a crença num Deus transcendente. como Estados Unidos da América. daí o cristianismo ser tão antigo quanto a criação. podem ser retiradas cinco idéias básicas da obra de Matthew Tindal (1657-1733). ou seja. ou são supérfluos. na assim chamada revelação. 1730). 2) os piores inimigos da humanidade são os que têm mantido as criaturas na superstição: os sacerdotes. desvalorizaram o pecado. considerada por alguns historiadores como a bíblia deísta: 1) tudo que é reconhecido além e acima da razão é crença sem prova. mas migrou para a França. 4) tudo o que é obscuro. preocuparam-se mais com o sujeito conhecedor. posto que o cultivo da ética e da piedade estimulou. portanto. a Alemanha e especialmente as colônias inglesas na América. como culto perene a Deus. 1794-1796). Este último. não deveria ser cultuado. o empenho dos cristãos em atividades humanitárias e em uma maior tolerância religiosa. é superstição e não tem valor. alguns eram declaradamente deístas. Cristo foi apenas um mestre e. O deísmo não ficou restrito à Inglaterra. ou está acima da razão. ou são um insulto à perfeita obra de um Criador.

] Assim. Como foi visto. O alvo era o homem no estado de pura natureza. Outra figura de destaque foi François-Marie Arouet (1694-1778). que tanto influenciou os chamados Pais Fundadores da Independência Americana. mais conhecido como Voltaire. tais como a Bíblia e o Estado. que lhe diziam o que devia fazer. Jean D‘Alembert (1717-1783) e Denis Diderot (1713-1784). ao estágio em que o homem pensa por si mesmo. a razão humana passou a dominar acima de tudo e de todos. Voltaire professava um teísmo baseado na ordem e na realidade do mundo. daí passando para a França. A Revolução Francesa. O pleno desenvolvimento do iluminismo ocorreu na França. sem a tutela de autoridades externas. No campo da ética. racional e autônoma. que foi um poderoso instrumento para a difusão das idéias iluministas.. Em 1784. Locke defendeu a moral natural. as crianças devem ser criadas fora da influência danosa da Igreja. para a qual a religião deve arcar com boa dose da culpa. disse que era a chegada do homem à maturidade. considerada o maior movimento social dos tempos modernos. foi altamente influenciada pelo iluminismo e colocou em dúvida os dogmas da religião cristã. mediante a razão. ao responder a uma pergunta sobre o que era o iluminismo. mas em outros países. O iluminismo teve origem na Inglaterra. o filósofo alemão Immanuel Kant. social e religioso que se desenvolveu na Europa no período que vai da Revolução Inglesa (1688) até a Revolução Francesa (1789). que forneceu ao iluminismo o método crítico que utilizou com habilidade. Rousseau repudiou a doutrina cristã da queda.1. Dentre os principais iluministas franceses destacaram-se. imposta. . afirmando: Todo homem é nobre por natureza. não só na França. e pregava a tolerância para todas as religiões. ou seja. inicialmente. exceto para a oficial. ou seja. Essa postura enfaticamente racional gerou uma forte oposição a todas as atividades e instituições que não fossem meramente racionais. Ele nasceu livre. O objetivo do movimento era iluminar o povo. onde houve o culto da razão. mas em todos os lugares se acha em cadeias. responsáveis pela editoração da Enciclopédia. como a Igreja.. em especial a ingerência da Igreja nas coisas do Estado. Não menos importante que Voltaire foi Jean-Jacques Rousseau (1712-1778).[. autor do Contrato Social. Sua escravidão deve-se à corrupção da sociedade. Sua fonte principal foi o racionalismo. Itália e Alemanha. cerca de 100 anos. colaborador da Enciclopédia e autor de vários tratados na área da filosofia. O seu lema foi Sapere Aude (Tenha a coragem de usar o seu próprio entendimento). Locke desenvolveu o deísmo inglês como uma religião natural e racional dos livres pensadores.3 Iluminismo Iluminismo é o nome do movimento cultural. contra o obscurantismo da história. da tradição e da sociedade política e religiosa. ou seja. que devia ser restaurado.

Para Lessing. Disse ainda que o cristianismo se baseia nas alegações fraudulentas da ressurreição e da segunda vinda de Cristo. 1780). no âmbito da teologia histórica. Reimarus é considerado o precursor. inclusive o cristianismo‖. inclusive verificando aspectos ligados à credibilidade dos escritos evangélicos. conseqüentemente.O fundador do iluminismo na Alemanha foi Christian Wolff. responsável pelo novo tratamento dado pelos historiadores e teólogos a detalhes da vida de Jesus. Foi no Sacro Império Germânico que a teologia iluminista alcançou o seu maior desenvolvimento. portanto. O iluminismo exerceu significativa influência. colocando Cristo e seu evangelho em segundo plano. Essa obra expressa a sua crença na perfeição da raça humana e na perspectiva do desenvolvimento de uma consciência moral que poderia conduzir a humanidade a um estágio nunca atingido de irmandade universal e liberdade moral. no século 19. através do livro Apologie oder Schutzschrift für die vernunftigen Verehrer Gottes (Apologia dos Adoradores Racionais de Deus). mormente sobre o movimento evangélico. a história da vida de Jesus deveria passar pelo crivo da razão. autor de Die Erziehung des Menschengeschlechts (A Educação do Gênero Humano. responsável pela divulgação do racionalismo de Leibniz. ―a cultura. cujo papel é fornecer uma educação moral para a raça humana. ensinando todos os homens a viverem como irmãos. sobre o cristianismo de um modo geral. que os discípulos teriam inventado depois da morte de Jesus. tendo procurado em vão estabelecer o reino de Deus na Terra. superior a todos os dogmas e doutrinas. naturalmente. a verdade não é uma posse. através das obras de Hermann Reimarus (1694-1768) e Moses Mendelssohn (1729-1786). a que se submete também a religião. do tema do Jesus Histórico. Isso porque a ênfase dos iluministas estava centrada no homem. que foi. a ciência. Tal entendimento os levou. cujo ensinamento moral se misturou com a política e a escatologia. Conseqüentemente. a uma racionalização da teologia e. segundo o qual todos os fatos e circunstâncias estariam obrigados a ser considerados exclusivamente à luz da evidência dos Evangelhos. e que morreu desiludido. no qual retratou Jesus como um pregador simples da Galiléia. . Essa atitude se tornou típica do iluminismo teológico. identificação e desenvolvimento de várias tendências religiosas e filosóficas. embora negativa. os livros da Bíblia deveriam ser lidos e estudados como todos os outros livros. Ele ainda considerava que as principais religiões eram expressões diferentes da única religião verdadeira. segundo uma concepção historicista. e sim uma perene investigação. Para Reimarus. deu azo ao surgimento. Muitos estudiosos consideram que o maior expoente do iluminismo alemão foi Gotthold Ephraim Lessing (1729-1781). em especial o deísmo de Locke.

de modo que fica difícil discernir fronteiras específicas. FASE ROMANTISTA OU MODERNISMO Os diversos movimentos de reação à ortodoxia estão interligados entre si. razão pela qual a Genebra calvinista. Isso pode ser constatado na leitura da obra de Matthew Tindal.Os liberais iluministas rejeitaram o antigo aforismo ―todo poder emana de Deus‖. Nos campos político e social. Não obstante as diferenças essenciais assinaladas. A concepção dos iluministas era substancialmente diferente: embora reconhecessem a Divindade. mesmo os reis ou príncipes de sangue. o iluminismo exerceu forte influência sobre dois movimentos que marcaram a história recente da civilização ocidental: a Revolução e Independência Americana (1775-83) e a Revolução Francesa (1789-99). Assim.36 2. se constata que é muito tênue a linha divisória entre as fases e subfases do liberalismo teológico. propunham alvos essencialmente humanistas para a sociedade. no período de 1555 a 1564. é um exemplo clássico de moderna teocracia. Pelo contrário. que afirmou: ―Em contraste com a teologia existe a religião. Dessa forma. para quem ―a moralidade é o alvo da religião‖. Ainda com base no pensamento iluminista. É interessante a comparação entre a concepção de Calvino sobre o Estado e o pensamento iluminista. O primeiro entendia que o Estado era um instrumento estabelecido por Deus para a manutenção da moralidade e para a promoção da verdadeira religião. o modernismo nada mais foi que uma continuação de seus antecessores: racionalismo. os governantes. A Revolução Industrial também pode ser considerada uma das filhas do iluminismo. o iluminismo tinha pelo menos um ponto em comum com o movimento evangélico: a ética moralizadora da sociedade. quer quanto à época de sua aplicação. Nessa mesma linha moralizante também se enquadra o racionalismo neologista de Johann Semler (1725-1791). houve um notável desenvolvimento da maçonaria. não têm direitos inalienáveis de governo. deísmo e iluminismo. . como no que se refere ao seu conteúdo. em especial na Europa e nos Estados Unidos. mesmo com o acréscimo tomista ―para o povo‖. o governo deriva sua autoridade do consentimento do povo governado. Na realidade. que significa a piedade viva que coincide com a consciência religiosa universal‖.

o princípio básico da moralidade é o imperativo categórico. A influência de Immanuel Kant na Teologia Contemporânea A revolução teológica do século passado que ficou conhecida pelo nome de teologia existencialista ou contemporânea. ele se posicionou ante a religião enfatizando que a religião moralista da razão é a única necessária. Kant se mostrou simpático à ênfase deísta apoiada no tripé Deus. esse filósofo merece. sem nenhuma dúvida. um capítulo à parte. Quem deu início a esse tipo de teologia liberal foi Immanuel Kant (1724-1804). ao invés de ser um ato transformador de Deus. virtude e imortalidade. a síntese de Tomás de Aquino era de origem pagã e aristotélica. e sua incapacidade para ocupar-se de tudo o que está além do nosso mundo. colocando em primeiro lugar a ética absoluta. fazendo dela um elemento aperfeiçoador da superestrutura. Kant não se projetou apenas sobre o século dezenove. o qual é universalmente conhecido. reorganizando-as em torno do conceito de natureza e graça.2 Um novo conjunto de pressupostos religiosos para o homem moderno. mas divergiu do iluminismo no que tange ao propósito da vida. 2. Ela não é baseada em uma revelação particular ou histórica. especialmente através do livro Die Religion innerhalb der Grenzen der blossen Vernunft (Religião dentro dos Limites da Razão Somente. As idéias de Tindal estão bem presentes no pensamento de Kant. Com base nessa premissa. Para Kant. O mundo grego havia elaborado algumas normas religiosas básicas em torno do paradoxo entre a forma e a matéria. pois produz modificação no caráter de tal modo que ―o mal radical do homem é derrotado e o bem é trazido à tona‖. na própria natureza da vida humana‖. Na idade média.2. mas. Ao fazer isso. 1793). e privava a graça de seu caráter puramente cristão.1 Immanuel Kant O modernismo teve origem na Alemanha. quando ele afirma que ―a verdadeira religião é natural e universal. ao contrário. mas também sobre o século vinte. para onde haviam convergido várias correntes teológicas e filosóficas no século 19. o homem do ocidente havia assimilado algumas dessas idéias. Embora já tenha sido mencionado na introdução. ao invés da felicidade. tem as suas raízes nas idéias do filósofo Immanuel Kant. Kant logrou sistematizar a confiança do homem moderno na capacidade da razão para tratar de tudo o que diz respeito ao mundo material. De certa forma. .

A razão. De acordo com essa nova maneira de pensar. A história do pensamento e da teologia ocidental desde Kant nos mostra como esses pressupostos religiosos. poderia julgar o mundo do fenômeno e o mundo do número. a graça foi suplantada pela idéia de emancipação. modelaram uma nova teologia e um novo mundo. pode ser alcançada sem a necessidade de nenhum aprendizado bíblico. Essa moralidade religiosa. trabalhando com idéias tomadas do cristianismo. na filosofia kantiana. não consiste em conhecer o que Deus tem feito para a nossa salvação. produziu uma avaliação muito elevada da capacidade humana. segundo Kant. . nem está longe da idéia da razão autônoma como juíza da revelação na análise racional de Pannenberg. passando a ser uma esfera micro-cósmica dentro da qual a personalidade humana podia exercer sua autonomia. 2. conseqüente e consciente.Kant e sua idéia de autonomia fizeram dessa privação da graça mais que uma simples moldura teológica: pela primeira vez na história da civilização ocidental. sobretudo da razão humana como autoridade final e como crivo para a verdade. até mesmo o conceito de natureza – conservado da síntese medieval aquiniana – se transformou. essa autonomia representava a substituição do conceito de revelação do cristão – que tem sua expressão máxima em Cristo e na Bíblia – pela razão autônoma do homem. tal como em Bultmann e sua idéia de desmitologização. Não há muita distância entre esse pensamento de Kant e o pensamento posterior dos teólogos contemporâneos. A autonomia preconizada por Kant. Para Kant. A verdadeira religião. No pensamento do homem moderno. A natureza era agora interpretada como um terreno infinito que o pensamento matemático autônomo devia controlar. Em um sentido ulterior.3 A autonomia do homem e sua influência no pensamento religioso moderno. a natureza foi separada da graça de forma elaborada. isto é. emancipada de qualquer pensamento preconizado. que apresenta os relatos da ressurreição como estando contaminados de lendas. a emancipação de valores exteriores. Kant entroniza a razão como sendo o princípio supremo. e somente a razão. o homem tinha que nascer de novo como pessoa completamente livre e autônoma. nem da negativa de Cullmann de considerar os relatos da criação de Gênesis como história autêntica. e sim em conhecer o que devemos fazer para chegarmos a ser dignos dela.

como se isso fosse pudesse resolver o problema epistemológico. Deus como origem de todas as coisas. à saber. uma vez que o homem não pode perceber as coisas como são na realidade – tanto no mundo dos fenômenos como no mundo dos números – não pode introduzir-se por essa porta para conhecer a Deus. ele é simplesmente irrelevante. como ―Aquele que não pode ser explicado como se explica um objeto‖. entre o Jesus fenomenal e o Cristo numenal.1). não conhecemos a coisa em si. Ele reaparece na divisão neo-ortodoxa entre História e Geschichte. sem entrar nele. Tal confinamento se reforça com a insistência crescente do existencialismo na liberdade. . seu único vínculo com o mundo dos fenômenos se daria por meio da necessidade que o homem tem da idéia de Deus para o seu mundo ético. o aprisionou com um muro à prova de som.2. não pode entrar. Kant criou dois mundos. mas a diminuiu de tal forma que o Deus soberano. ao colocar Deus em um outro mundo. filósofo escocês. ainda que capaz de falar de um futuro numenal. Esse confinamento do mundo espiritual é o fator preponderante da insistência contemporânea na ―humanidade‖ da Bíblia e da definição barthiana de revelação como sendo o encontro divino-humano. havia lançado dúvida em quanto à possibilidade de alguém provar alguma coisa. 2. Da mesma forma. ou. na diferenciação de Bultmann entre o Jesus histórico e o Cristo kerigmático. Esse confinamento de Deus no mundo dos números é o tema favorito da teologia contemporânea. tanto dentro como fora de si mesmo. Ele também produz em Moltmann uma teologia da esperança. tudo isso era para ele completamente evasivo. Kant não fechou totalmente a porta do nosso mundo para Deus. usando uma linguagem kantiana. cujas vestes enchiam o templo (Isaías 6. mas que devem ocupar um lugar na vida como se fossem objetos reais ao alcance da razão. da imortalidade. o mundo de Deus. Segundo ele. Ele ficou isolado no mundo dos fenômenos e Deus no mundo numeral. porém. da liberdade e das idéias reguladoras que a razão não pode explicar. sendo um percebido pela razão e pelos sentidos. devastador. Kant tomou emprestado de Hume o problema do conhecimento proposto por ele e o reformulou. o numeral que toca o fenomenal. Nesse ínterim. Causa e efeito. Kant. quase ninguém se atreve a buscar o Jesus histórico. e reaparece de forma modificada nos primeiros escritos de Karl Barth acerca de Deus como ―Totalmente Outro‖. mas apenas aquele conhecimento que os sentidos nos proporcionam. o homem como ser contingente. David Hume. completamente cética quanto a qualquer fim escatológico na história fenomenal. O efeito de tudo isso foi em parte. e o outro.5 O confinamento de Deus na teologia contemporânea.4 O relativismo de David Hume e sua influência na filosofia kantiana. o mundo dos fenômenos e o mundo dos números. Com isso.

2. Da mesma forma. A divisão entre história e fé também se tornou mais tarde um pressuposto da teologia contemporânea. Os teólogos contemporâneos apresentam repetidas vezes essa dissociação do Jesus histórico e do Jesus da fé. por causa da sua compreensão existencial do ―Eu‖. fala de uma nova dimensão de vida como ser em profundidade. e junto com o pressuposto metodológico. como o abandono da doutrina da inspiração verbal. ao mesmo tempo em que rejeita a idéia de céu como sendo um ―lugar lá em cima‖. por outro lado. senão de sua capacidade de transformar a vida através do amor‖. O Jesus histórico parecia cada vez mais distante do Cristo da fé. o ensino de Cristo pode e deve ser aceito.7 Uma separação radical entre história e fé. Barth fará isso ao ser indagado sobre se a serpente realmente falou no jardim do Édem. Lessing afirmou que ―o verdadeiro valor de qualquer religião não depende da história. Também Barth e Bultmman. . ressurge a idéia de que há erros na Bíblia e que esta deve ser tratada como qualquer conjunto de documentos do passado. O conceito deísta que fez parte do processo de florescimento da autonomia não dava nenhum lugar à intervenção divina na criação por meio de algo sobrenatural e revelador. e aceitando-os.E. ou em suas expressões mais radicais (como em Paul Tillich. quer seja em sua forma mais conservadora (como se encontra em Oscar Cullmann e Wolfhart Pannenberg). Essa idéia de humanização da Bíblia veio a ser uma das características distintivas da crítica bíblica. G. Também John Robinson. John Robinson e nos teólogos seculares). A historicidade da Bíblia parece menos importante que aquilo que ela diz. e de Deus como o Fundamento do ser.2. dizendo que isso não tem a menor importância diante do que a serpente disse. apesar de todo o seu debate interno. Bultmann fará o mesmo ao rejeitar os relatos evangélicos como sendo produtos historicamente duvidosos por um lado. a autonomia do método sobre o texto bíblico estabeleceu certos pressupostos que o método histórico-crítico ainda mantém. Acerca desse impasse. afirmando que ainda que a história escrita do cristianismo não se possa aceitar. Moltmann o utilizará ao burlar-se da noção clássica de escatologia cumprindo-se na história. seguem unidos no emprego dessa metodologia. Começa-se então a fazer distinção entre a Palavra de Deus e a Bíblia. e ao mesmo tempo falará sobre a igreja orientada para o futuro.6 As idéias deístas presentes na filosofia da emancipação e sua influencia na teologia contemporânea.

um reflexo do universo. afirmara: ―O cristianismo é a verdadeira filosofia!‖. 3. todas são falsas! . tais como Robert Nichols. Williston Walker e Justo González. limitado e temporário – numa palavra. Entre tantas objeções que se pode fazer a Kant. O mestre Justino.. Embora sua filosofia encarasse com valentia as questões pleiteadas por Hume. sendo considerado o fundador da moderna teologia protestante.100-c. associados a muitas idéias cristãs. dando a entender que outras existem igualmente boas. encontra-se o seguinte conceito sobre religião: O Absoluto está em tudo. em seu tempo. Para Walker. absoluto e eterno.]. A maior obra de Schleiermacher no campo da teologia dogmática foi Der Christliche Glaube (A Fé Cristã. O homem é em si mesmo [. entre outros. O teólogo alemão afirmou que o cristianismo é a melhor das religiões. bem como de outros teólogos contemporâneos. uma plena manifestação do Deus imanente. Todos os progressos da religião na história são verdadeira revelação. A influência do seu pensamento no campo da teologia histórica é significativa.165). por conseguinte. pois. as religiões não devem ser divididas em falsas e verdadeiras. uma é a mais óbvia: Se o nosso entendimento acerca de Deus não é ao menos alegórico. desde Kant que a história do pensamento e da teologia ocidental é a história de como seus pressupostos religiosos. deram origem a um mundo novo.. dependente. eis o alvo de todas as religiões [. como pode o homem conhecer a Deus? A filosofia de Kant transforma Deus em um ser incognoscível. esse Deus imanente não intervém na natureza e tampouco opera milagres através dos homens..42 Contudo.] um microcosmo. Lançar uma ponte sobre o abismo entre o universal e o finito. Friedrich Schleiermacher O luterano Friedrich Schleiermacher (1768-1834) é talvez o mais influente teólogo alemão do século 19. Não há. em Seu mundo. sente-se finito. Esse sentido de dependência é a base de toda religião. em algum sentido. diferem substancialmente daquelas esposadas pelo apologista Justino Mártir (c. pôr o homem em harmonia com Deus. onde. considerandose o rol de simpatizantes entre renomados historiadores eclesiásticos.. outra menos verdadeira. por exemplo. Como se pode notar no texto reproduzido. Portanto. Na verdade. embora parecidas. as idéias de Schleiermacher. Schleiermacher ―deu à teologia nova base e à pessoa de Cristo um significado em grande parte desconhecido em seu tempo‖. mas quanto aos seus relativos graus de eficiência. Deus está. e esse pressuposto será um grande dilema para a teologia dialética de Karl Bath. 1831). não havendo modo da mente fenomenal conhecer o numeral. Em contraste com o que é universal. ele enclausurou os seres humanos no mundo dos fenômenos.Não há duvida de que Immanuel Kant teve grande influência sobre o pensamento teológico contemporâneo.

Schleiermacher fez as seguintes afirmações a respeito de Deus: 1) Deus e o mundo são. No que tange à hermenêutica bíblica. Schleiermacher rejeitou a idéia do diabo ou de espíritos maus. . Daí a não aceitação de que as Escrituras fossem a Palavra de Deus inspirada. No que se refere à Trindade Santa. O mal não pode ser concebido como algo hostil a Deus. Ainda no campo da cristologia. Assim. O pecado é simplesmente a carne em oposição ao espírito‖. Ao expressar esses conceitos. Influenciado pelo romantismo da época. as idéias de Tindal parecem brotar em seu subconsciente. que permanece passiva. Schleiermacher considerava que ―o espírito é o que há de mais elevado no homem e não pode ser considerado algo mau. O Espírito Santo é identificado como o espírito público que aviva a comunhão dos crentes‖. ascensão e segunda vinda. A união do Divino com o humano recebeu sua expressão perfeita na pessoa de Cristo. em última análise. Schleiermacher não difere substancialmente dos teólogos racionalistas. pois a criação não pode ser combinada com a idéia de um poder espiritual mau e. que eram simples seres humanos. o enfoque principal de Schleiermacher não era teológico. Sua pressuposição básica é que existe um único espírito ou consciência comum que une todos os seres humanos e tal espírito possibilita a correta interpretação. não é dependente da doutrina do nascimento virginal. a qual não deve ser considerada literalmente. mas devem ser vistas como expressões válidas da consciência de Deus e não devem ser ignoradas. ele rejeitou o conceito de pecado como desobediência a Deus ou à sua lei. entretanto. O mesmo raciocínio se aplica às doutrinas da ressurreição. não se pode atribuir qualquer significado ao sofrimento de Cristo na cruz. A cristologia de Schleiermacher é peculiar. o teólogo alemão se aproximou da heresia sabelianista ou modalista. ao afirmar que a obra de Jesus (sofrimento. a partir de Adão. morte e ressurreição) nada significa para a salvação. idênticos. Bengt Hägglund considera que tal conceito aproxima Schleiermacher dos gnósticos. Dessa forma. mas psicológico. ainda de modo romântico. Há comunicação de atributos somente no sentido da natureza divina para a humana. ele diz: ―O Filho e o Espírito são simplesmente formas de revelação desta substância. posto que estes também negligenciavam a morte e ressurreição de Cristo. as histórias do Éden não devem ser interpretadas como historicamente verdadeiras. Schleiermacher ataca frontalmente a ortodoxia. Esta união. sendo que a história da paixão serve apenas como exemplo e ilustração da perseverança em meio ao sofrimento. Assim. em conseqüência. 2) Deus e o conceito natural são um. Para ele. nenhuma realidade ou influência pode ser atribuída ao diabo.Ao tentar eliminar da teologia todo e qualquer resquício de dualismo. Quanto à doutrina do pecado. Dessa forma. e 3) Deus é a única substância indivisível. Ele preconizava que os intérpretes da Escritura deveriam tentar entender as idéias de seus autores.

pecado original e encarnação. 1870-1874). mas a sua influência na teologia protestante alemã da segunda metade do século XIV foi. Ritschl não concebia o pecado como corrupção universal perante Deus e entendia que a divindade de Cristo era figurada e se caracterizava unicamente pela unidade de sua vontade com Deus. por sua vez. Tal transformação interna é o que Ritschl denomina “reconciliação” (Versöhnung). Além de rejeitar o conceito jurídico da justificação. a partir de Lutero e Calvino. Ritschl foi autor de várias obras. sem dúvida. Ritschl fora influenciado tanto por Kant como por Schleiermacher. das quais a mais importante é Die christliche Lehre von der Rechtfertigung und Versöhnung (A Doutrina Cristã da Justificação e da Reconciliação. mas somente até onde ele se auto-revela através de Cristo.3. a relação entre o homem e Deus. O esforço de Ritschl em manter uma teologia de revelação divina sem a fé em milagres foi duramente atacada tanto por liberais como por conserva-dores. a teologia do valor moral. que Ritschl define como “justificação” (Rechtfertigung) ou perdão dos pecados. e a de Schleiermacher. restaura a liberdade ética entravada pelo pecado. Mediante a fé. configurando uma espécie de monotelismo. tendo como divulgadores o teólogo protestante alemão Albrecht Ritschl (1822-1889) e seus discípulos. revelação. antes perturbada. Esta. Bengt Hägglund sintetiza o livro da seguinte forma: Salvação. reino de Deus. defendido por setores da ortodoxia protestante. manifesta-se em boas obras. surgiu em fins do século XIV e nos primeiros anos do século XX. Ritschl negou ou reinterpretou as seguintes doutrinas tradicionais: trindade.1 Ritschl e sua escola Uma teologia liberal até certo ponto nova e original. na crença de que Deus não é conhecido como autoexistente. . muito grande. igreja. Disto resulta uma modificação interna na vontade do homem: o homem chega a reconhecer a vontade de Deus e deste modo se predispõe a fazer o bem. A tentativa de aplicar os princípios filosóficos kantianos ao cristianismo protestante constituiu atitude típica de uma era em que havia pouco respeito pelos mistérios da religião e praticamente nenhum temor ante o julgamento divino. transforma-se em confiança e filiação. A influência de Kant se traduz no conceito de religião como o triunfo do espírito ou do valor moral sobre os males da sociedade.

que é permanentemente válido. Contudo. pois tanto Paulo como João usam muitos conceitos helenistas. que ele chamou de o ―miolo‖ do evangelho. Sua obra mais conhecida é Lehrbuch der Dogmengeschichte (História dos Dogmas.3. onde ele procurou demonstrar que a relevância do cristianismo para o mundo moderno não repousa no dogmatismo teológico. se colocava contra toda e qualquer idéia de dogma configurada especialmente pelos credos. chegando alguns a considerar os Dez Mandamentos como elementos dogmáticos cuja referência deveria ser evitada no contexto dos padrões de Westminster. Harnack O discípulo mais importante da escola de Ritschl foi Adolf von Harnack (1851-1930). a doutrina gnóstica. das formas mutáveis de vida e de pensamento nas quais o evangelho foi transmitido. na Assembléia de Westminster. O miolo da mensagem de Jesus é o reino de Deus. . o antidogmatismo de Harnack foi muito mais substancial e profundo. posto que a primeira onda. A este desenvolvimento ele chamou de segunda onda da helenização. que se isso for verdadeiro. mas no entendimento da religião como um desenvolvimento histórico. havia sido rejeitada pela igreja. cerca de dois terços da escritura neotestamentária deve ser deixada de lado.2. Sua intenção era separar essa essência. 1900). embora concorde com uma possível influência gnóstica. Paul Tillich. que existe independente do culto religioso. e que isto obscurecia a natureza essencial e o impacto prático dos ensinos de Jesus. contemporâneo de Harnack. Ele também procurou demonstrar que os credos formulados nos Concílios Ecumênicos de Nicéia (325) e Calcedônia (451) usaram um grande número de conceitos retirados da filosofia grega. As idéias de Harnack sobre os dogmas não eram inéditas. Sua idéia mais distintiva foi que o dogma da igreja primitiva consistia no resultado natural da busca de padrões para filiar membros. e os cristãos devem seguir o exemplo de Jesus de uma ―retidão superior‖ governada pela lei do amor. considera a generalização de Harnack inadequada. teólogo e historiador alemão. ou seja. havia um grupo que. do elemento periférico ou da ―casca‖. na formulação do dogma da Trindade e da Pessoa de Cristo. pois no século XVII. Diz mais. grande erudito em patrística. 1886-1889). paradoxalmente. Harnack procurou apresentar um sumário do que ele considerava a essência do evangelho. compiladas e publicadas com o título Das Wesen des Christentums (O que é o Cristianismo. uma vez que ela leva à conclusão de que só deve ser aproveitado no Novo Testamento aquilo que tiver uma ligação clara ou for derivado do Antigo Testamento. Numa série de conferências realizadas em Berlim em 1900.

3. Hegel afirma que Deus é a tese. Hegel considerou o Pai como a unidade divina – a tese. voltou-se contra Schleiermacher. . o evangelho de Jesus e evangelho sobre Jesus. ele mesmo se considerava apenas um teólogo e. é revivida aqui em uma versão mais refinada. A união se dá na mais suprema síntese – o Deus-Homem. Ele afirmou que o evangelho sobre Jesus não está contido no evangelho pregado por Jesus. e o reino de Deus é o estado no qual Deus e os membros individuais de seu domínio estão em uma relação de perdão. A teoria do conflito entre Paulo e Pedro. por exemplo. ao concluir a sua análise crítica sobre a obra de Harnack. Ele se objetiva no Filho – a antítese. que é Deus. ele desenvolveu um método dialético aplicável também à teologia. pregada sobre Jesus.3 Hegel e os idealistas Muitos dos teólogos e filósofos liberais também são considerados como tendo ligações com o idealismo. Ademais. e foi ela. como tal. Tillich. Para Hegel. ou seja. um verdadeiro e outro falso. No que se refere à encarnação. às doutrinas da trindade e da encarnação. afirma que o maior erro dele e de toda a teologia liberal é que ela não está apoiada em uma teologia sistemática. a partir do Absoluto. Contudo. Esta mensagem original é a mensagem da vinda do reino. desenvolvida por Baur (ver adiante). que Paulo interpreta Jesus de um modo que está muito longe do verdadeiro Jesus histórico. contida na Bíblia. reputado como o principal filósofo alemão de sua época. doutrinas que não podem ser encontradas na mensagem original de Jesus. O processo completo culmina na Trindade. que produziu as doutrinas sobre Jesus. ou seja. com base na experiência da ressurreição. ou seja. mútua aceitação e amor. O Amor que os une é o Espírito Santo – a síntese. o cristianismo é a religião absoluta e o universo está em uma constante luta. enfatiza que toda e qualquer experiência humana ou percepção consiste de idéias. Na primeira. e mesmo assim devem ser eliminados todos os sinais que identifiquem uma possível influência paulina. Na realidade. é a fórmula clássica da teologia liberal: o evangelho ou a mensagem pregada por Jesus nada tem com a mensagem posterior. Essa. Distingue-se ele da humanidade finita – a antítese. Harnack cunhou a idéia de dois evangelhos. na realidade. como. Tal afirmativa pressupõe a redução do evangelho somente aos sinóticos. em última análise. moderna. uma escola filosófica que.Em decorrência da fórmula de miolo e casca. Dentre os principais idealistas destaca-se Georg Wilhelm Friedrich Hegel (1770-1831). tudo o que existe só se torna real porque é percebido pela mente do homem. toda a comunidade cristã primitiva que rodeava Paulo estava impregnada de conceitos helenizantes.

mais precisamente em um ensaio sobre o chamado partido de Cristo na correspondência de Paulo aos coríntios. representada entre outros por Ferdinand Baur e David Strauss. 1845). ele afirmou que a maior parte do Novo Testamento teria sido escrita no segundo século. sendo que o Evangelho de João. o método dialético de Hegel. portanto. foi escrito no final da segunda centúria. por seu irenismo e familiaridade com controvérsias da metade do século II. Ademais. teólogo filosófico protestante alemão e fundador da Escola de Tübingen de crítica bíblica. . achou na filosofia contemporânea de Hegel um instrumento adequado para a remodelação da teologia. ele acreditava que o autor de Atos era pós-apostólico.4 Ferdinand Christian Baur Ferdinand Christian Baur (1792-1860). com base em suas pesquisas do Novo Testamento. Em seu livro Paulus. não poderia ter sido escrito no século I. nesse particular Baur parece ter sido influenciado por Kant e Hegel. que eram grandes admiradores do quarto evangelho. antítese e síntese ao desenvolvimento primitivo do cristianismo. o Apóstolo de Jesus Cristo. A tensão inevitável surgiu com o cristianismo paulino a antítese. Assim. Os partidos petrino e paulino lutaram e dessa luta surgiu o partido joanino. trouxe sérias conseqüências ao desenvolvimento do hegelianismo posterior. Segundo Paul Tillich. der Apostel Jesu Christi (Paulo. Ainda nessa linha. 3. ou a Igreja Católica – a síntese. em especial. em que cada conceito aponta além de si mesmo a outro conceito contrário. pois sintetiza e harmoniza o conflito entre cristãos judeus e gentios e. resolvendo-se a oposição em uma unidade mais elevada. ele aplicou os conceitos hegelianos de tese. O partido de Cristo começou essencialmente como um judaísmo messiânico sob a liderança de Pedro e adotado pelos apóstolos originais – a tese. Baur aplicou os mesmos princípios à vida e pensamento do apóstolo Paulo e concluiu que somente as Cartas aos Romanos.Apesar de não ter atacado a teologia ortodoxa tradicional. Coríntios e Gálatas eram genuinamente de Paulo. por parte do grupo chamado de esquerda hegeliana.

em todos os seus característicos sobre-humanos. Para Strauss.5 David Friedrich Strauss Outro membro da esquerda hegeliana foi David Friedrich Strauss (1808-1874). que esperavam um Messias que fizesse maravilhas e aguardavam o cumprimento das profecias do Antigo Testamento. Das Leben Jesu kritisch bearbeitet (A Vida de Jesus Criticamente Examinada. tem sido copiado por algumas crenças esotéricas modernas como a Nova Era. Os argumentos de Strauss podem ser reduzidos aos seguintes silogismos: 1) Todos os textos que não se conciliam com as leis conhecidas e universais que governam os acontecimentos não são históricos. 1872). mas o Cristo do Novo Testamento é essencialmente. 3) Logo. conforme apresentada nos Evangelhos. foi uma tentativa de despir o Jesus histórico de sua moldura de mito criada pela imaginação poética da igreja antiga. em atendimento aos anseios dos homens daquele tempo. em sua maior obra. Jesus existiu. do mesmo modo que Baur considerou o Evangelho de João como o mais afastado no tempo.3. uma forma personalizada de darwinismo. 1836). entre o espírito e a natureza. todos os textos nos quais Deus intervém no curso natural dos fatos não são históricos. considerou os milagres bíblicos atribuídos a Jesus como impossíveis. Strauss publicou o livro Der alte und der neue Glaube (A Velha Fé e a Nova. de 700 páginas. . justificando-os através da idéia de mito. Racionalista não confesso. no qual se propõe a substituir o cristianismo pelo materialismo científico. que teriam sido engendrados por escritores do século II. 2) Todos os textos nos quais Deus intervem no curso natural dos fatos são irreconciliáveis com as leis conhecidas e universais que governam os acontecimentos. No final de sua vida. criação mitológica e deve ser entendido simbolicamente como a realização da Idéia ou Espírito Absoluto na raça humana. A vida de Jesus. Seu conceito de que o homem é a união entre o finito e o infinito. influenciado pelo pensador iluminista Reimarus e pelos ensinos da escola de Tübingen. que.

de qualquer forma. que ela foi ainda mais revolucionária que a primeira. 1919 tem sido para muitos o ponto de partida da teologia contemporânea. A revolta teológica contra o liberalismo teológico foi uma das mais notórias características da teologia barthiana. não era o filho de Deus único e sobrenatural. . Ele produziu um impacto tão grande na teologia protestante. e com muito mais força em 1921. formulou os problemas e apresentou as hipóteses de maior relevância. O que havia nesse comentário do pastor Barth que sacudiu os alicerces teológicos do século vinte? Quais foram os princípios que Barth apresentou e que se converteram no legado de uma nova era teológica? Harvie M. esboça alguns princípios que emanam do comentário de Karl Barth aos Romanos e que parecem ter desempenhado o papel mais influente na formação das novas variantes teológicas. um jovem pastor de uma pequenina igreja da Suíça escreveu um comentário tão radical que certo escritor disse que Karl Barth pegou uma carta escrita em grego do primeiro século e transformou em uma carta urgente para o homem do século vinte. Um teólogo católico disse que esse comentário aos Romanos foi uma revolução copernicana na teologia protestante que acabou com o predomínio do liberalismo teológico. A medida de toda a verdade era a experiência. Herrman. Harnack. o sentimento. A Bíblia do mentor de Barth. mas não pode jamais ignorá-la se quiser conhecer a situação teológica contemporânea. caracterizado por uma profunda veia de pietismo e de preocupação pela prática da experiência religiosa cristã. O Jesus do mentor de Barth. ainda que ordinário. Diz-se da segunda versão do comentário aos Romanos. mas a encarnação do amor e dos ideais humanistas. Não há nenhuma dúvida de que o pensamento de Barth dominou o pensamento teológico do seu tempo.4 . à saber: Harnack e Herrmann. uma bomba que Barth lançou no cenário teológico contemporâneo. e sim um livro extraordinário. Porém. A influência da obra de Karl Barth nessa nova era da teologia é enorme. Barth se encarregou de repudiar grande parte desse liberalismo clássico. pode se opor à sua teologia ou acolher suas idéias. Barth havia aprendido teologia aos pés de dois grandes teólogos liberais. A teologia desses dois mestres e também a de Barth era o Idealismo teológico. não era a Palavra infalível de Deus. aluno do Dr. de fato. Karl Barth e a revolta contra o Liberalismo Teológico Tendo já comentado a influencia da filosofia kantiana para a teologia do século vinte. Ele transformou a teologia do século vinte em teologia da crise. passemos agora a discorrer sobre a teologia contemporânea em si. Foi ele quem dominou o ambiente teológico. Conn. e desde então tem estado no centro da teologia moderna. totalmente revisada e publicada em 1921. Esses princípios serão abordados nos tópicos a seguir. Cornelius Van Til. Em 1919. Em 1919. que todo teólogo do nosso século que quiser estudar teologia a sério. Ele foi. cheio de erros e que exigia uma crítica radical para encontrar a verdade.

mas. não podendo ser sintetizada. O liberalismo fazia de Deus algo imanente ao mundo. . O liberalismo havia exaltado o uso aculturado da religião. um livro através do qual nos pode chegar a Palavra de Deus. A Bíblia é simplesmente um livro. Em oposição ao antigo liberalismo. e não a Deus. ainda que o método tenha sido tomado por empréstimo do teólogo existencialista Soren Kierkgaard. e não o homem!‖. O comentário de Barth também introduziu um novo método para explicar a teologia. O comentário de Barth aos Romanos surgiu então como repúdio de seus antigos mestres liberais. Barth quis edificar a ética sobre a base da teologia. O liberalismo edificou a teologia sobre a base da ética. Barth se opôs a isso e apresentou Deus como ―Totalmente Outro‖. Segundo Barth. É esse ato de sustentação do paradoxo que Kierkgaard chama de ―salto de fé‖. O comentário de 1921 de Barth propôs uma nova idéia de revelação. Kierkgaard havia dito que toda afirmação teológica era paradoxal. até que ela nos fale da nossa situação existencial. Esse é o conceito barthiano de revelação. Para ele. Esse termo ficou rapidamente associado à obra de Barth. a dialética. A Bíblia. o que demonstrou que eles eram mestres de uma religião atada a uma cultura. pelo menos. Nesse ínterim. A dialética de Barth. A relação entre Deus e a Bíblia é real. pode-se ler a Bíblia sem ouvir a Palavra de Deus. ou teologia do paradoxo. porém. Bart condenou a religião como o pecado máximo. ―é a Palavra de Deus enquanto Deus fala por meio dela [. Este era seu legado kantiano.A primeira guerra mundial e seus horrores acabaram por soterrar o idealismo teológico liberal. A culta Alemanha. ela não é Palavra de Deus. O homem devia somente conservar ambos os elementos do paradoxo. Barth exclamou: ―Seja Deus. diz Barth. Barth enfatizou a necessidade que o homem tem da revelação..] a Bíblia se transforma em palavra de Deus nesse momento‖. porém indireta. os mestres liberais de Barth se uniram com outros teólogos para declarar seu apoio à Alemanha. a liberal Inglaterra e a civilizada França lutavam como animais ferozes. insistiu na distinção entre a Bíblia e a Palavra de Deus. até que a Bíblia se torne real para nós. Barth. e chamou suas idéias de Teologia da Palavra de Deus. O subjetivismo do liberalismo do século XIX havia colocado o homem no lugar de Deus..

apenas podemos nos dirigir a Ele [. a própria natureza de Deus exige que as afirmações que lhe dirigimos sejam revestidas de contradição: ―Não podemos considerá-lo perto. A teologia do século dezenove se dedicou a procurar o Jesus histórico por detrás do Cristo sobrenatural da Bíblia. Deus não é simplesmente uma unidade no mundo dos fenômenos. não há nada na história sobre o que possamos basear a fé. apenas a toca como uma tangente toca um círculo. a revelação não entra na história. o homem é justificado por Cristo. em oposição declarada ao liberalismo. é um paradoxo: Deus é o oculto que se revela. nunca objeto.. ao coração do pensamento doutrinário‖. mas pela revelação.. foi a ―infinita diferença qualitativa‖ entre eternidade e tempo. Ele pertence. e essa cratera é a igreja. não cabe à teologia medílo em uma forma de pensamento direto ou unilinear‖. Certo comentarista observou que. ―Totalmente Outro‖. nem sequer com as palavras da Escritura. conhecemos a Deus e conhecemos o pecado. Deus e o homem. pois. se dedicaram a buscar nos evangelhos – os quais eles condenavam como não-confiáveis – os fatos históricos sobre Jesus. Sem dúvida o grande tema de Barth. céu e terra. Deus fala ao homem como a bomba explode na terra. segundo ele. Barth afirmava que ―enquanto estamos na terra. segundo a teologia dialética de Barth. segundo Barth. . Não se pode identificar Deus com nada no mundo. não podemos fazer outra coisa em teologia a não ser utilizar o método de afirmação e contraafirmação. a revelação que vem de cima para o homem.] Por esta razão. ele é infinito e soberano. só pode ser assimilada pela mente humana como sendo um paradoxo. Segundo Barth. mas ainda é pecador. ao encontrar a contradição do pecado e finitude humana. Depois da explosão. é que Deus é sempre sujeito.. Um dos pressupostos de Barth.] O paradoxo não é acidental na teologia cristã. de maneira que quando preparava o comentário aos Romanos. mas na realidade não o toca. Barth asseverou que essa busca é um a busca sem importância. Não podemos falar a respeito de Deus. a não ser que o consideremos longe‖.Tal conceito influenciou muito a teologia barthiana. e só pode ser conhecido quando nos fala. O comentário de Barth veio reafirmar a transcendência absoluta de Deus. Apenas falamos a Deus. A fé é um vazio preenchido não pela história. O comentário de Barth também demarcou a fronteira entre a história e a teologia. Harnack. Segundo Barth. tudo o que resta é uma cratera abrasada no terreno. que também é um legado kantiano. Os liberais clássicos como o professor de Barth. Deus chega ao homem como a tangente que toca o círculo. Não nos atrevemos a pronunciar em forma absoluta a palavra definitiva [. todo homem é escolhido e também reprovado em Cristo. ―Ele não pode ser explicado como qualquer outro objeto pode ser.. A própria natureza da revelação. em certo sentido.

o homem é entronizado no centro da experiência religiosa. Objeções à teologia dialética de Karl Barth. não de Historie. Ao longo do desenvolvimento da teologia contemporânea. Para Barth. principalmente no que concerne ao mundo dos fenômenos e dos números é muito grande. a diferença entre a Bíblia como meramente um livro e a Bíblia como a Palavra de Deus depende exclusivamente da reação humana frente a este livro. a ressurreição de Jesus pertence ao âmbito de Geschichte. as idéias kantianas de fenomenal e numenal ―volta e meia‖ reaparecem com uma nova roupagem. podendo-se até dizer que a teologia contemporânea tem sua raiz em Konigsberg. a conotação que essas duas palavras têm é bem diferente. . o âmbito da Historie de nada vale para o crente. podendo ser comprovada objetivamente. e o posicionamento de Barth nada mais é que uma opção por ficar em cima do muro. Embora em uma atitude de revolta contra o liberalismo ele tenha exclamado: ―Seja Deus e não o homem‖. Barth não conseguiu se livrar do ponto de vista crítico liberal das Escrituras. Ele mesmo reconheceu alguns de seus excessos e poliu boa parte dos argumentos que enfatizou a princípio. Ainda que ambos os termos possam ser traduzidos por história. na prática. dentro da sua teologia dialética. Geschichte se ocupa daquilo que une essencialmente. Mais uma vez a influência do pensamento de Immanuel Kant sobre a teologia de Karl Barth. Alguns tomam o tema e o ampliam. Barth não aceita a inerrância da Bíblia. Segundo Barth. que exige algo de mim e requer meu compromisso. Barth dividiu a história em dois níveis: Historie e Geschichte. sem dúvida. suas idéias podem ser chamadas de novo liberalismo. O que passo a expor agora são algumas críticas que se podem fazer ao pensamento de Barth. algumas críticas que se pode fazer à obra de Barth. no alemão. Há. é puramente subjetiva. ainda que as idéias de Barth representem uma revolta contra o liberalismo clássico. porém sua influência continua sendo grande a ponto de podermos designar o século dezoito e o pensamento de Kant como protótipo da teologia contemporânea. Historie é a totalidade dos fatos históricos do passado. e até certo ponto. na Prússia. em última instancia. A inerrância das escrituras é uma das diferenças cruciais entre o liberalismo e o cristianismo ortodoxo. Por causa dos seus pressupostos liberais. Para ele. pode-se dizer que ele suavizou algumas idéias mais incisivas. Sua idéia de revelação. Em primeiro lugar. chegando mesmo a afirmar que toda a Bíblia é um documento humano falível e que buscar partes infalíveis nas Escrituras é ―simples capricho pessoal e desobediência‖. Jesus deve ser confrontado no âmbito de Geschichte.Profundamente influenciado pelos conceitos de história de Kierkgaard e de Franz Overbeck.

e nos anos que se seguiram. Emil Brunner talvez tenha sido um dos nomes mais conhecidos dessa nova escola. o homem não pode conhecê-lo diretamente. Ele exclui a razão a priori e deixa a porta fechada à percepção humana. separando o cristianismo da história. argumentou contra ele. Barth confina Deus ao mundo dos números e apresenta a dialética – a teologia do paradoxo – como sendo à única teologia possível. embora a teologia de Barth tenha sido responsável por uma prática religiosa em que os valores evidenciam a religiosidade do cristão. Sua teologia é de suma importância para o século vinte e. Tal como Kant. Podemos aceitar seus pressupostos ou acirrar-nos contra ele. Ao que vemos. É claro que o propósito de Barth foi tirar do liberalismo o monopólio quanto ao método de interpretação. acaba por solapar a base do cristianismo. quase todo o pensamento teológico moderno até a década de setenta envolverá a perspectiva de Barth. também privou o cristianismo do seu lugar na história.1 Neo-ortodoxia: Analisando os pressupostos teológicos do novo liberalismo Karl Barth havia desencadeado uma tremenda revolução com seu comentário aos Romanos. mas nenhum teólogo de nossa época poderá jamais ignorar a teologia dialética de Karl Barth e sua influência no cenário teológico contemporâneo. e visto que a ―inescrutabilidade e recondidez formam parte da natureza de Deus‖. de que maneira o homem pode conhecê-lo? A separação que Barth faz da Historie e da Geschichte. de fato. afirma ele. Se toda comunicação histórica e toda experiência direta com Deus se encaixa em uma concepção pagã de Deus. a revolução se ampliou consideravelmente. mas não pode livrar-se de seus pressupostos. . Ela argumenta na tradição de Nietzche e Overbeck. ele jamais conseguiu se libertar completamente do liberalismo teológico de seus mestres Herrmann e Harnack. A questão é: se Deus é assim tão indescritível e insondável. 4. traz à tona a problemática concernente à historicidade da obra redentora de Cristo como fundamento do cristianismo. depois. de Barth. se avolumando sob a égide de um novo movimento teológico denominado ―neo-ortodoxia‖. como poderemos aproximar-nos da verdade sobre Deus? Também a sua insistência em descrever Deus como ―Totalmente Outro‖ faz de Deus um ser indescritível. Como Deus não é um objeto no tempo e no espaço. Ele revoltou-se contra o liberalismo teológico. e ao fazê-lo. é claro. mas ao fazê-lo.O resultado final da dialética de Barth é a destruição da verdade objetiva.

ou um ―isso‖. Essa insistência em que Deus é sempre sujeito e nunca objeto será um tema bastante recorrente na teologia contemporânea. e a mesma é negada por Barth. indicamos alguns dos pressupostos. Agora. Nascido em 1889. Essa influência de Barth no Japão deve-se principalmente aos escritos de Tokutaro Takahura. Enquanto nos Estados Unidos ele era recebido como um dos mais importantes teólogos. a neo-ortodoxia – às vezes chamada de barthianismo – cruzou muitas fronteiras. mas devemos nos relacionar com ele apenas como um ―Tu‖. tanto que ao final da década de cinqüenta. de Barth. no Japão ele era conhecido como o único teólogo. Em um capítulo anterior. o mundo inteiro sentiu o abalo da teologia barthiana. e em 1953 deixou a Suíça para tornarse professor na Universidade Cristã do Japão. A ferrenha diferença de opiniões entre Barth e Brunner quanto à realidade do nascimento virginal e da revelação geral. cabe a nós destacarmos os temas comuns. ele define o cristianismo e a teologia em termos mais relacionais que racionais. em Nova Iorque. O esboço que demonstraremos a seguir está baseado principalmente na obra Dogmática da Igreja. Temos que reconhecer que existe muita rivalidade no movimento. tendo exercido influência no oriente. mas se defendeu argumentando que se o homem pecador não é mais a imagem de Deus e se não há nenhuma revelação de Deus na natureza. apesar da influencia de Brunner. . as três principais correntes teológicas já eram mencionadas como sendo a conservadora ou ortodoxa. são indicativos de que as vozes dentro do movimento neo-ortodoxo nem sempre foram unânimes. foi Barth quem foi apelidado de ―o papa teológico‖. No Japão.Brunner foi um teólogo suíço residente nos Estados Unidos que também teve participação importante no desenvolvimento da teologia neo-ortodoxa. Berlim e também no Union Theological Seminary. Ele foi duramente criticado por Barth por afirmar que a imagem de Deus se encontra ainda no homem pecador e que Deus se revela na natureza. assim como a de Barth. por volta de 1925. é extremamente subjetiva. conceito que é negado por Brunner. Desde os primeiros anos do comentário aos Romanos. Tornou-se professor de teologia em Zurich em 1924. por exemplo. então o homem não pode ser responsabilizado pelo pecado que comete. Na verdade. bem como a metodologia da estrutura teológica neo-ortodoxa. Ele argumenta que Deus não pode ser tratado como um objeto de estudo. Buscando inspiração nos escritos dos filósofos Martin Bubber e Soren Kierkgaard. liberal e neo-ortodoxa. a discordância de Pannenberg acerca do conceito barthiano de história. Barth aceita o nascimento virginal. as criticas de Barth à Bultmann e as críticas que Bultmann devolveu à Barth. estudou em Zurich. A teologia de Brunner. Emil Brunner aceita a revelação geral.

O tema mais debatido pela neo-ortodoxia é o conceito de revelação. A revelação, segundo Barth, é uma perpendicular que vem de cima, e que por isso não pode se comparar com as melhores intuições humanas. A revelação é um evento no qual Deus toma a iniciativa. Também é dito que a revelação não pode comparar-se com a Bíblia, pois é superior a ela. A Bíblia e suas afirmações são testemunhas, são sinais indicadores da revelação, mas não é a revelação em si. A Escritura não é a Palavra de Deus, e nem as afirmações da Escritura são revelação. Segundo Barth, comparar a Bíblia com a Palavra de Deus é objetivar e materializar a revelação. Nesse mesmo terreno, Brunner definiu a revelação como sendo uma ocasião de diálogo em que Deus se encontra com o homem. Não se pode dizer que a revelação tenha acontecido, à não ser que ambos os participantes do encontro – a saber, Deus e o homem – se encontrem. O coração da revelação da Palavra de Deus, segundo a perspectiva neo-ortodoxa, é Jesus Cristo. De fato, Barth insiste tanto nessa idéia que chega ao ponto de negar a existência de qualquer outra revelação, à parte de Cristo. Para ele, a história da revelação e a história da salvação vêm a ser a mesma coisa. No Cristo de Barth, Deus revelou que não queria deixar o homem existir em pecado. Por isso, Barth insiste em que nunca deveríamos mencionar o pecado, a não ser que agreguemos imediatamente que o pecado foi derrotado, esquecido e vencido por Jesus. A reconciliação entre Deus e o homem se efetua por meio de Cristo. Jesus Cristo é o próprio Deus, isto é, é Deus que se humilha a si mesmo. Em sua liberdade, Deus cruza o abismo aberto e mostra que ele é verdadeiramente Senhor. Na encarnação, Deus se humilha a si mesmo. Barth não quer admitir a humilhação do homem Jesus. Segundo ele, dizer que a humilhação se refere ao homem é uma mera tautologia. Que sentido haveria em falar de um homem humilhado? A humilhação é algo natural no homem. Porém, dizer que Deus se humilhou a si mesmo, segundo Barth, é entender o verdadeiro significado de Jesus Cristo como Deus. Ele é o Deus que se humilha que se revela, e é também a própria essência da revelação. Barth afirma que Cristo, embora haja se humilhado como Deus, foi exaltado como homem. Ele se nega a admitir a idéia tradicional dos dois estados de Cristo, humilhação e exaltação, referindo-se à totalidade do Deus-homem em ordem cronológica. Para Barth, Deus se humilhou a si mesmo e o homem (a humanidade de Jesus) foi exaltada. Dizer que o estado de exaltação se refere a Deus também é mera tautologia. Que sentido haveria em falar em um Deus exaltado? A exaltação é algo natural em Deus. Segundo Barth, ―em Cristo, a humanidade é humanidade exaltada, assim como a divindade é divindade humilhada. E a humanidade é exaltada com a humilhação da Divindade‖.

A doutrina de Barth traz implícito o universalismo. Outro problema bastante polêmico dentro da neo-ortodoxia é a ambigüidade de seus proponentes no que concerne à possibilidade de salvação universal. Barth desde o início repudiou o conceito supralapsariano – que é a dupla predestinação – afirmando que a eleição não diz respeito a pessoas, e sim à Cristo. Ele afirma que a tarefa da igreja é proclamar que os homens já foram eleitos em Cristo, e que portanto, devem viver como escolhidos. Para Barth, a eleição não é um estado que adquirimos em Cristo, e sim uma vida de ação e serviço a Deus. Esse conceito barthiano implica em universalismo? Barth não afirmou, mas também jamais negou essa hipótese. Em uma de suas últimas conferências sobre a humanidade de Deus, ele disse que ―não temos o direito teológico de estabelecer quaisquer limites à misericórdia de Deus que se manifesta em Jesus Cristo‖. 4.2 Objeções à neo-ortodoxia. Como se pode observar, muitos pressupostos da neo-ortodoxia são resultantes da influência do liberalismo, o que torna algumas de suas propostas inaceitáveis para os teólogos ortodoxos. Há ainda muita polêmica dentro da neo-ortodoxia, não sendo difícil levantar objeções a essa corrente teológica. O que apresentamos a seguir são algumas objeções mais freqüentes que são levantadas contra a neo-ortodoxia. Primeiramente, a neo-ortodoxia coloca a experiência subjetiva acima da revelação objetiva. Para a neo-ortodoxia, a revelação não é simplesmente uma declaração de Deus ao homem, e sim um encontro divino-humano, uma confrontação e um diálogo existencial. De acordo com essa premissa, a Bíblia não pode ser a Palavra de Deus. Ela se transforma em Palavra de Deus à medida que Deus fala conosco por meio dela. Reconhece-se nessa premissa a dívida que a neo-ortodoxia tem com a escola de filosofia existencialista. A neo-ortodoxia conserva a linguagem teológica ortodoxa, porém a reinterpreta, e muitas vezes o resultado desta reinterpretação é tão nocivo quanto veneno no leite. As doutrinas do pecado original, da queda de Adão, da redenção, da ressurreição e da segunda vinda de Cristo são chamadas de mitos por Brunner e de saga por Barth. A interpretação que a neo-ortodoxia dá a essas passagens é acima de tudo existencial, quase nunca literal, sob alegação de que essas doutrinas não descrevem eventos na história, e sim condições históricas sob as quais todos os homens vivem. Gênesis 3, por exemplo, não deve ser tomado como história literal, sendo apenas uma forma simbólica de explicar a realidade do pecado e do orgulho na vida humana. Esse conceito de teologia não deixa nenhuma porta pela qual possa entrar a pregação da vinda do Filho de Deus como evento a ocorrer na história, por exemplo.

A insistência de Barth em Jesus Cristo como o coração da revelação é tão forte que o leva a negar a existência de qualquer outra revelação de Deus. Essa idéia é contrária a Bíblia, pois esta afirma que Deus se revela através da sua criação (Atos 14.17 e Romanos 1.19-20). O conceito barthiano e neo-ortodoxo de revelação também é contrário à doutrina bíblica da inspiração, e acaba por destruir o caráter bíblico de revelação canônica. Alguns acusam Barth de fazer uma interpretação dualista da encarnação de Cristo, pois ele parece fazer distinção entre as duas naturezas, repudiando por completo o credo da Calcedônia. Ora, Cristo não nos salvou apenas por meio da sua divindade, mas também por meio da sua humanidade. Nós temos paz por meio do sangue da cruz (Colossenses 1.20, Efésios 2.16) e não há nada mais humano que o sangue de uma pessoa. Ainda que Barth diz que nem afirma e nem nega a teoria da salvação universal, sua idéia de ―eleição universal em Cristo‖ parece uma espécie de neo-universalismo. Além disso, seu repúdio pelas descrições do céu e do inferno parecem um conceito de salvação bem diferente do que é apresentado nas Escrituras. O resultado dessa postura ―neouniversalista‖ é a destruição da gravidade da incredulidade, e deste modo a neo-ortodoxia destrói as advertências bíblicas contra a apostasia, bem como o chamado ao arrependimento e à fé. Por várias razões, muitos teólogos têm entendido mal a neo-ortodoxia. Essa corrente teológica pretende, entre outras coisas, ser um retorno ao ensino dos reformadores. A razão de ser da neo-ortodoxia é atacar o otimismo do liberalismo clássico e as corrupções da teologia católica romana. É sua intenção por em evidência a centralidade absoluta da pessoa de Cristo, a transcendência de Deus e a necessidade de revelação. Naturalmente, todos esses pontos básicos estão em harmonia com o conceito evangélico. Apesar disso, como se pode observar, a neo-ortodoxia se separa da fé cristã histórica não somente em algumas esferas pouco relevantes, mas também em seus conceitos básicos. Recomendamos as obras de Barth, Bultmann e Brunner – bem como de outros teólogos neo-ortodoxos – por sua influência e contribuição para o cenário teológico contemporâneo, mas a apreciação dessas obras deve ser feita com cautela e com espírito crítico. 5. Crítica da Forma: O método investigativo de Rudolf Bultmann No mesmo ano em que Karl Barth publicou seu comentário aos Romanos, apareceram mais dois livros acerca de temas neotestamentários que anunciavam uma nova mudança nos estudos críticos. O livro Die Formgeschichte des Erxrngeliums, de Martin Dibelius (1883-1947), foi o responsável por popularizar o jargão teológico crítica formal. Outro livro, Der Ráhmen der Geschichte Jesus (1919), de Karl L. Schimidt, pretendia ser o golpe de misericórdia dos liberais contra a confiabilidade do Evangelho de Marcos. Porém, mais que a estes dois nomes, a coluna vertebral dessa nova mudança estaria associada a um outro nome: Rudolf Bultmann. O livro de Bultmann que revolucionou a história dos estudos da Bíblia foi History of the Synoptic Tradition (História da tradição dos Sinóticos), escrito em 1921. A influência de Bultmann no campo da crítica sobrepujou a de Dibelius.

bem como outros países com tradição no estudo da teologia. tal como a temos hoje seria apenas uma compilação de lendas e ensinos isolados que foram ardilosamente inseridos como sendo parte da história original.O método crítico de Bultmann é de fato. . tempos e enlaces para unir as tradições independentes. é em grande parte espúria.1 O método investigativo da crítica formal. que teria sido anterior aos quatro Evangelhos canônicos e diferente dos mesmos. ―em um barco‖. histórias controvertidas e profecias cumpridas seriam nada mais que uma tradição proveniente de uma fonte tardia e menos confiável. Frases como as dos Evangelhos. Essas tradições orais também não são dignas de confiança. os quatro Evangelhos que dispomos servem apenas como ―matéria prima‖ na nossa busca pelo verdadeiro Evangelho. e afirma que a Bíblia não é a Palavra inspirada de Deus em nenhum sentido objetivo. acolheram vários pressupostos da crítica formal. Segundo a crítica formal. tal como temos nos sinóticos. 5. Segundo os seus proponentes. tais como Oscar Cullmann e Joachim Jeremias. O propósito da crítica formal é encontrar o Evangelho por detrás dos Evangelhos. inclusive histórias independentes acerca de Jesus. tendo sofrido acréscimos por parte da comunidade cristã primitiva. Aos poucos. O labor do crítico formal é mostrar que a mensagem de Jesus. teriam sido acrescentados detalhes quanto à seqüência. partindo da premissa de que a igreja primitiva compilou. etc. ―imediatamente‖. usam uma adaptação do seu método crítico. Para ele. lugares. Inglaterra e Estados Unidos.L. editou e organizou os livros canônicos de forma artificial. ―no dia seguinte‖. ―em uma viagem‖ – são apenas meros recursos literários usados pelos compiladores dos Evangelhos para unir todas as narrativas. nós ―não possuímos a história de Jesus. Shimidt. A premissa fundamental da crítica formal é que os evangelhos são o produto do labor da igreja primitiva. e deve ser avaliada como qualquer outra obra literária religiosa antiga. de acordo com seus próprios propósitos apologéticos e evangelísticos. ainda que receosos quanto à nova matéria que estava associada principalmente ao nome de Bultmann. A Bíblia. Bultmann vai mais além. a Bíblia é o produto de antigas influências históricas e religiosas. Para dar aos Evangelhos um detalhe harmônico. Como disse K. um dos pioneiros no campo da crítica. inventando lugares. tais detalhes não são confiáveis. Os autores dos evangelhos procuraram unir várias tradições orais independentes e contraditórias que existiam na igreja antes que fosse escrito o Novo Testamento. importante. temos apenas histórias sobre Jesus‖. consistindo basicamente de ditos e relatos individuais referentes a Jesus e aos seus discípulos. Com respeito à confiabilidade da Bíblia. cronologia. ao refutar as conclusões de Bultmann. Até mesmo os seus críticos. A igreja ajuntou essas tradições e usou em forma de narrativa. Milagres.

Ela também nos recorda que os Evangelhos não são relatos neutros ou imparciais. Como tais. a crítica formal nos lembra que os Evangelhos não se interessavam grandemente por detalhes geográficos e cronológicos. Além disso. Cada um deles foi escrito com uma idéia. e Marcos e Lucas para os gentios. sendo antes disso um testemunho da fé dos crentes. como a comunidade cristã ortodoxa havia pensado e praticado anteriormente. ele não conseguiu demonstrar objetivamente o Jesus ―não-sobrenatural‖. Não há dúvida que Jesus viveu e realizou muitas das obras que lhe são atribuídas. sendo fragmentadas e lendárias. por considerá-las principais. antes de adquirir a forma escrita do Novo Testamento. o que temos nos Evangelhos canônicos são apenas resíduos do Jesus histórico. principalmente quanto à possibilidade do sobrenatural e do chamado ―Jesus histórico‖. E por último. A crítica formal também nos recorda o caráter ocasional dos Evangelhos. Consenso com os cristãos ortodoxos. filho de Deus. . expressam em primeiro lugar uma preocupação vital com a problemática da época. Flávio Josefo e Tácito. por maiores que foram os esforços de Bultmann. Os cristãos ortodoxos aceitam. pois há menção da pessoa de Cristo nos escritos dos Pais apostólicos. Há várias objeções que se pode fazer ao criticismo de Bultmann. Para Bultmann. Todos os documentos do Novo Testamento. Assim como a teologia dialética de Barth. continuam refletindo o Jesus sobrenatural. já que as fontes cristãs primitivas não se interessam por isso. não importa a forma em que a crítica formal os selecione. e não existem outras fontes acerca de Jesus‖. 5. mas ele se mostra extremamente cético.Por fim. como por exemplo.3 Objeções ao método crítico de Rudolf Bultmann. A crítica formal nos lembra que o evangelho se conservou oralmente durante pelo menos uma geração. alguns dos pontos sustentados pela neo-ortodoxia. Mateus para os judeus. o método crítico de Rudolf Bultmann é demasiadamente injusto com a natureza do Novo Testamento. de forma quase consensual. dentre as quais destacaremos cinco. e até mesmo com alguns pressupostos de Bultmann. entre outros. em uma ocasião histórica específica. É claro que o comentário de Bultmann é preconceituoso e tendencialista. o resultado dessa metodologia é essencialmente anti-sobrenaturalista. É claro que esses pontos consensuais são superficiais. Ele disse: ―Creio que não podemos saber quase nada acerca da vida e personalidade de Jesus.

Os Evangelhos possuem uma unidade básica de testemunhos confiáveis de Cristo. Os críticos da tradição de Bultmann argumentam que. e não Cristo. O método crítico de Bultmann separa o cristianismo de Cristo. é que a mensagem neotestamentária está centrada na pessoa de Cristo e no que ele fez (2Coríntios 4. e não na comunidade cristã.5). a pesar dos muitos sucessos. e sim a preservação e proclamação das antigas tradições. Marcos e Lucas a meros compiladores de documentos. como a ausência de sinais de Cristo em sua terra natal (Mateus 13. Segundo a crítica formal. Sua maior responsabilidade não foi a criação de novas tradições. Eles também ignoram que o Novo Testamento. Além disso. como no prólogo de Lucas (Lucas 1. mas apenas receptora da verdade. A igreja a qual Paulo e seus companheiros testemunharam não foi criadora (2 Coríntios 4. e não criar uma versão mitológica e deturpada do Evangelho.1-4). Em Atos 4. . o cristianismo dos apóstolos não passava de versões falhas sobre Cristo e sua mensagem. A crítica formal também é injusta com os escritores dos relatos evangélicos.A primeira delas está relacionada com a história. exerceu o papel mais importante na produção dos Evangelhos. O que eles não levam em conta é que dentro dos limites de um esquema histórico amplo. Porém. Eles eram testemunhas oculares.21-22.1-2). mas não eram historiadores treinados. cada Evangelho é um marco histórico de certos aspectos da vida de Cristo. está claro que os apóstolos exerciam um controle estratégico da mensagem oficial da igreja durante os anos de transmissão oral. apesar disso. narra também alguns fatos embaraçosos. Na verdade. Sua presença tinha como finalidade impedir que surgissem versões deturpadas do Evangelho. cada evangelista distribuiu seu material histórico de acordo com seus propósitos. eles não podem ser um esquema historicamente confiável sobre a vida de Cristo. Eles reduzem Mateus.1. A grande premissa deste método de estudo é que a comunidade cristã. e ainda nos apresentam marcos diferentes da vida de Jesus. Isso tudo viola injustamente a unidade do relato evangélico. Não há embasamento sólido para a teoria da inconfiabilidade histórica dos Evangelhos. várias vezes eles se mostram cautelosos com os dados históricos.54-58) e a sua agonia no Getsêmani. porém. a crítica de Bultmann é exagerada porque exige dos escritores dos Evangelhos algo que eles não quiseram fazer. A verdade. mas a crítica formal não reconhece a diversidade de transmissão oral dentro da unidade dos relatos evangélicos. por se tratar de uma crônica de contínuos sucessos. os apóstolos eram uma fonte autorizada de informação com respeito dos atos e doutrinas de Cristo. e os Evangelhos a relatos contraditórios. Diferente do que dizem estes críticos.

No capítulo anterior. Quando Bultmann e outros críticos da Bíblia dizem que a narrativa evangélica está repleta de fábulas que se acumularam durante o período entre a tradição oral e a palavra escrita. Essa palavra cacofônica é uma terminologia que foi popularizada por Bultmann em um ensaio escrito em 1941. e continuar exercendo influência no pensamento teológico contemporâneo ocidental? É isso que estaremos analisando neste capítulo. Outras idéias dele também permearam o cenário teológico do século vinte. a ponto de instigar consideravelmente os teólogos dos Estados Unidos. é justamente o contrário: os Evangelhos foram recebidos com muita alegria e divulgados pelas igrejas. muitas das testemunhas oculares estavam vivas e poderiam facilmente desmascarar os escritores. Mas a crítica formal não foi a única contribuição de Bultmann à teologia contemporânea.3 Desmitologização: O método interpretativo de Rudolf Bultmann Uma das palavras chaves para entender a teologia do século vinte é a ―desmitologização‖. Apesar disso. eles esquecem que o intervalo entre os fatos acontecidos e o registro desses fatos é muito pequeno. . apresentamos uma parte muito importante da influência atual de Bultmann. O que será que há de tão controverso e ao mesmo tempo tão atraente nesse conceito de Bultmann. além de ser ainda hoje a parte de sua formulação teológica mais controversa. caso estes fossem impostores e estivessem inserindo mitos na narrativa. é uma analise preconceituosa do relato evangélico. está demasiadamente comprometida com os pressupostos do liberalismo para que possa ser considerada uma analise imparcial dos fatos. e se por um lado a Alemanha perdeu pouco a pouco o interesse pelos pressupostos da desmitologização. a teologia da desmitologização é sem dúvida uma parte importantíssima da teologia contemporânea e merece destaque entre as idéias que Bultmann ajudou a preconizar. segue-se irrefragavelmente que a crítica da Bíblia tal como aparece em Rudolf Bultmann. Europa e da Ásia. Quando as primeiras versões evangélicas começaram a circular.A crítica formal parece esquecer que o lapso de tempo entre os fatos históricos e os documentos escritos é mínimo. de 1963. O problema em dizer que o NT está repleto de material lendário é que vinte e cinco anos é muito pouco tempo para se formar uma lenda. O primeiro relato documental foi feito por Marcos e as evidências demonstram que ele foi escrito cerca de vinte e cinco anos após os eventos por ele narrados. 5. O impacto desse conceito na Europa foi tremendo. Não é possível sintetizar todo o pensamento de Bulmann em uma única palavra. entre as quais está a desmitologização. porém. a idéia recebeu um novo estímulo quando o John Robinson discorreu sobre o tema em seu livro Honest to God. como os críticos desejam que seja. tornando-se a partir daí um jargão teológico. O que ocorre. De tudo isso.

O programa de desmitologização. No centro do programa de desmitologização de Bultmann consta na afirmação de que no Novo Testamento encontram-se duas coisas: O Evangelho cristão, por um lado. A cosmogonia do século primeiro, de índole mitológica, de outro lado. Sendo assim, o teólogo contemporâneo precisa separar o kerigma (transliteração da palavra grega que significa ―conteúdo da pregação‖), de sua envoltura mitológica. O kerigma seria a entranha irredutível na qual o homem moderno deve crer. A idéia de mito, para Bultmann, tem sua origem no pensamento pré-científico do século primeiro. O propósito do mito seria expressar a maneira como o homem vê a si mesmo, e não apresentar um quadro objetivo e histórico do mundo. O mito emprega imagens e termos tomados deste mundo para transmitir convicções acerca do enfoque que o homem tem de si mesmo. No século primeiro, o judeu entendia o seu mundo como um sistema aberto a Deus e aos poderes sobrenaturais. Nessa era pré-científica, acreditava-se que o universo tinha três níveis, com o céu acima, a terra no centro e o inferno debaixo da terra. Bultmann insiste que essa é a visão de mundo encontrada na Bíblia. Esta inserção mítica, segundo Bultmann, também foi utilizada para transformar Jesus. A pessoa histórica de Jesus, segundo esse professor, se converteu rapidamente em um mito do cristianismo primitivo, e é por isso que Bultmann argumenta que o conhecimento histórico de Jesus não tem valor para a fé cristã primitiva, pois o quadro apresentado pelo Novo Testamento é de índole essencialmente mítica. Os fatos históricos acerca de Jesus se transformaram em uma história mítica de um ser divino e preexistente que se encarnou e expiou com seu sangue os pecados de todos os homens, ressuscitando também dentre os mortos e subindo ao céu e, segundo se cria, regressaria rapidamente para julgar o mundo e iniciar uma nova era. Esta história também foi embelecida com histórias milagrosas, vozes celestes e triunfos sobre demônios. Bultmann afirma que toda essa apresentação que o Novo Testamento faz de Jesus não passa de mito., isto é, do reflexo do pensamento pré-científico das pessoas do século primeiro, que criaram esses mitos para entenderem melhor a si mesmos. Esses mitos, segundo ele, não tem nenhuma validade para o homem do século vinte, que acredita em hospitais, e não em milagres; em penicilina, e não em orações. Para transmitir com eficácia o evangelho ao homem moderno, devemos despojar o Novo Testamento dos mitos e encontra o Evangelho por trás dos Evangelhos. É este processo de descobrimento que Bultmann chama de desmitologização.

O processo de desmitologização, segundo o próprio Bultmann, não significa negar a mitologia, e sim interpretá-la existencialmente, em função da compreensão que o homem tem de sua própria existência. Bultmann busca fazer essa interpretação existencialista dos mitos utilizando conceitos do filósofo existencialista alemão Martin Heidegger (1889). Assim, ele afirma que o suposto nascimento virginal de Cristo é uma tentativa humana de expressar o significado de Jesus para a fé. A cruz de Cristo também perde seu significado expiatório. Cristo na cruz não está fazendo nenhuma substituição vicária: ela tem significado apenas como símbolo de que o homem assumiu uma nova existência, renunciando toda a segurança material por uma vida que se vive apoiado no transcendente. Características básicas da mitologia do Novo Testamento. Em ultima análise, Bultmann diz que as características básicas da mitologia do Novo Testamento se concentram em duas categorias de autocompreensão: a vida fora da fé e a vida de fé. A vida fora da fé. Nesse sentido, os termos conhecidos como pecado, carne, temor e morte são apenas explicações míticas da vida fora da fé. Em termos existenciais, pode-se dizer que significam uma vida escrava das realidades tangíveis, visíveis e que perecem. A vida de fé. A vida de fé, por outro lado, consiste em abandonar completamente esta adesão às realidades tangíveis. Significa ainda a libertação do próprio passado e a abertura para o futuro de Deus. Para Bultmann, essa abertura ao futuro de Deus é o único significado real da escatologia. A implicação desse pensamento é que o viver escatológico genuíno é viver em constante renovação através da decisão de obedecer. Objeções à doutrina de Bultmann. A teologia de Bultmann é anti-cristã e herética, e o nosso juízo sobre ela deve ser negativo por vários aspectos: Primeiro, a desmitologização, assim como a neo-ortodoxia, tem grande dívida com a filosofia existencialista, que está em desacordo com o Novo Testamento. No existencialismo, assim como na neo-ortodoxia e na teologia da desmitologização, o enfoque central é o próprio homem, quando na Bíblia o enfoque é Deus. Sob influência do existencialismo, Bultmann coloca o homem no centro das atenções, cometendo uma injustiça e porque não dizer, sendo desonesto para com o caráter teocêntrico do Novo Testamento. O verdadeiro propósito do Novo Testamento é proclamar que o Deus soberano veio ao mundo na pessoa de Jesus para restaurar a natureza humana e resgatar a humanidade. O coração do Novo testamento continua sendo Deus, e não o Homem.

A desmitologização destrói a objetividade do NovoTestamento, portanto, é anticristã. Ela converte a Bíblia em uma religiosidade baseada no irreal e pré-científico. A religião cristã se transforma em um aglomerado de mitos e a historicidade dos eventos milagrosos é logo descartada. Herman Riddebos nota que, segundo Bultmann, Jesus ―não foi concebido pelo Espírito Santo, nem nasceu da virgem Maria. Sofreu sob Pôncio Pilatos e foi crucificado, mas não desceu ao hades, não ressuscitou dos mortos e nem subiu aos céus. Também não está assentado à direita de Deus Pai e não voltará para julgar os vivos e os mortos‖. Segundo Bultmann, ressurreição, inferno e nascimento virginal são palavras desprovidas de significado real, não sendo literais. São dogmas mitológicos e não expressam nenhuma realidade objetiva. O mesmo ocorre com a trindade, com a expiação vicária e com a obra do Espírito Santo. O cristianismo primitivo está marcado pelo impacto da pessoa e da obra de Cristo. Não existe outra justificativa capaz de explicar o nascimento da igreja e da sua teologia, porém Bultmann reduz sua influência à zero. Ele preconceituosamente assume uma postura anti-sobrenaturalista e presume, com base em seus conceitos tendenciosos e sem nenhuma evidência plausível, que todos os relatos confiáveis acerca de Jesus ficaram suprimidos ou destruídos no breve período que transcorreu entre sua vida terrenal e o início da pregação evangélica. Seu ceticismo é insustentável. Será que 50 dias é tempo suficiente para que os discípulos viessem a esquecer tudo o que ouviram e viram? Não foi só Heidgger que influenciou a teologia de Bultmann. As idéias de David Hume, o cético escocês, haviam influenciado o mundo e seu legado se estendia à época de Bultmann. É injustificável a negação de Bultamann dos relatos sobrenaturais e a classificação arbitrária desses relatos como sendo essencialmente mitológicos. Também podemos perceber várias pressuposições do liberalismo clássico na obra de Bultmann, razão pela qual tanto o seu método crítico como sua teologia da desmitologização ganharam o apelido de neo-liberalismo. Bultmann é totalmente incoerente ao basear suas idéias nas Escrituras, pois o que ele chama de mito, a Bíblia chama fato. Seu antropocentrismo pode estar bem de acordo com a filosofia existencialista, mas é totalmente oposto ao caráter teocêntrico do Novo Testamento. O desvendamento das Escrituras pela desmitologização é herético. Ao contrário do que Bultmann pretende, não é a desmitologização que desvendará de modo compreensível as Escrituras para o homem moderno, e sim o Espírito Santo. Somente ele, segundo a Bíblia, é que pode dissipar as trevas da incredulidade levando o pecador a ver o Evangelho. Com seu método interpretativo, Bultmann nos desafia a compreender o homem moderno, quando pregamos a ele. Esse enfoque é digno e necessário, mas não é ―desmitologizando‖ o Evangelho e interpretando-o existencialmente que nós solucionaremos os problemas da humanidade. Ao apresentar a mensagem cristã ao homem moderno, devemos ter em mente que por mais moderno que ele seja, ele ainda é homem natural, e portanto ―não pode compreender as coisas que são do Espírito de Deus, porque lhe parece loucura‖ (1 Coríntios 2.14). Creio que esse versículo, mais que qualquer outro, pode ser aplicado ao método interpretativo de Rudolf Bultmann.

Neste mesmo sentido. ao mesmo tempo em que Cullmann manteve algumas idéias de Barth e Bultmann. De Karl Barth. ele submeteu suas interpretações ao contexto que lhe oferecia a própria Escritura. a Heilsgeschichte de Cullmann tomou muitas idéias básicas para um novo enfoque da história. Devido a essa relação com os escritos de Barth e Bultmann. von Hofmann e Adolf Schlater. o Dr. Outro ponto importante na teologia do Dr. Oscar Cullmann. enfatizou a importância da história para a compreensão adequada da Bíblia. a saber: Barth e Bultmann. se opondo fortemente a muitas características radicais da crítica formal e da desmitologização. . De Rudolf Bultmann. principalmente ao fazer distinção entre os elementos essenciais e acidentais da mensagem do Novo Testamento. Diferente desses dois homens. Introduzir neste ponto nosso estudo sobre Cullmann e a Heilsgeschichte é intencional. deve ser a chave para a compreensão de si mesmo. segundo ele. é arbitrário e ingênuo. Esta diferença entre Cullmann e seus contemporâneos pode explicar porque muitas de suas idéias têm sido aceitas aos evangélicos ocidentais. O mais interessante na obra de Cullmann é que. Cullmann é a ênfase cristológica de seus escritos. Ele diz que Barth e Bultmann assimilaram noções filosóficas estranhas ―que corromperam sua percepção da mensagem espontânea do Novo Testamento‖. Heilsgeschichte: A escola teológica do Dr. Oscar Cullmann Parte do mundo teológico do século vinte gira em torno de uma palavra alemã. é sábio referir-se as idéias de Oscar Cullmann como sendo neo-ortodoxas em sua orientação. ao passo que as idéias de Barth têm sido rejeitadas. cujos pressupostos já foram apresentados. Ainda que o significado e origem de heilsgeschichte remonta aos teólogos alemães do século dezenove. e mais dependentes da exegese bíblica do que a obra de Barth e Bultmann.6.K. Ainda que seu conceito de história está bastante renhido com o evangélico. comunga muito bem com a teologia ortodoxa. Heilsgeschichte. O Novo Testamento. Segundo Cullmann. ele não temeu desassociar-se desses homens. perito no Novo Testamento. Um dos livros mais inteligentes de Cullmann é um estudo exegético dos títulos de Cristo no Novo Testamento. Cullmann é a pessoa que popularizou o termo no século vinte. Cullmann tomou os métodos exegéticos da crítica formal para aplicá-lo em sua reconstrução da história do Novo Testamento. Também foi influenciado pela compreensão cristocêntrica do barthianismo e pelo conceito definitivo do papel da fé na revelação divina. Seus escritos são menos dependentes do existencialismo e de outros pressupostos filosóficos. o impulso de Bultmann. que pode ser traduzida para a língua portuguesa como história da salvação. Neste livro ele afirma que a teologia cristã primitiva é quase exclusivamente cristologia. como J. o Dr. de que Deus atua na história. A palavra ganhou um significado mais pleno dentro da teologia ocidental contemporânea após os escritos do teólogo suíço. porque parte da obra de Cullmann foi escrita de modo a refutar e interagir algumas idéias de dois importantes teólogos contemporâneos.C. sua ênfase na idéia central da história da salvação.

Quanto à revelação. como afirma Bultmann. perito em Antigo Testamento da mesma escola. A Heilsgeschichte (daqui por diante nos referiremos a ela apenas por história da salvação). A pesar da forte insistência na historicidade dos relatos bíblicos.unho de Cristo. Devemos entender o Novo Testamenticomo testemunho dos atos reveladores de Deus‖. passa a ser revelação. Os judeus no tempo do Novo Testamento aguardavam a vinda do Messias-Salvador como o anuncio iminente do fim do mundo. como escola de interpretação teológica insiste principalmente na história e na revelação de Deus na história. apareceu na história da salvação na fase final do plano de redenção divino. não em palavras. e continua falando da experiência religiosa como ponto de apoio da revelação. Para Cullmann. Como afirmou George Ernest Wright. em todo o seu poder e glória. ―a revelação se dá em fatos históricos. quando o Reino de Deus estará presente de modo pleno. . Toda a história e todo o tempo. é algo no qual Deus atua para realizar a salvação do homem em Cristo. Obviamente que essa é uma idéia neo-ortodoxa. Isso implica em uma nova perspectiva escatológica. A igreja. As bênçãos da era vindoura começaram com a obra e o testem.Principais postulados da escola Heilsgeschichte de teologia. Cullmann consequentemente está privando a Escritura de ser o dado básico da religião cristã. mas sua finalização está reservada para o tempo da segunda vinda. quando o interprete a conhece. Cullman e os outros teólogos da história da salvação ainda têm dificuldades em considerar o significado da salvação como algo objetivamente acessível. segundo Cullmann. e não uma realidade em si mesma. A razão pela qual Cullmann não admite que o Evangelho seja revelação é justamente essa: aceitar o Evangelho seria limitar a ação de Deus a essa linha estreita. para Cullmann. Cullmann afirma que o interprete somente conhece a história quando se identifica com ela. porém. A Bíblia dá testemunho que Jesus é o messias e que ele deu início a essa nova era. de modo que a história se encontra em um drama cósmico. e o estudioso participa dessa história pela fé. ao enfatizar a história como veículo da revelação. são um drama mundial e Jesus é a figura principal neste drama. e não em mitos levantados pela igreja. O tempo. sendo ela mesma a chave de ação na linha estreita da história bíblica. A revelação e a redenção divina estão baseadas em realidades históricas bem objetivas. depois do qual viriam as glórias da era vindoura. a escatologia inclui todos os sucessos salvadores a partir da encarnação e concluirá com a segunda vinda. A batalha que decide a vitória final já teve seu lugar. O dado básico passa a ser a história santa e a Escritura passa a ser apenas uma constante desse dado definitivo. portanto. o centro da história. A história. A ação central na história da salvação é a primeira vinda de Jesus Cristo como Salvador.

14). a teologia da Heilsgeschichte se parece muito com a teologia ortodoxa. João 1. também deveríamos advertir que ele continua dependendo muito do subjetivismo da neo-ortodoxia. Desde Karl Barth.6. o que mostra que ele não está totalmente disposto a admitir a realidade da revelação como verdade infalível contida na Escritura. de tal forma que o pensamento teológico acerca do Reino de Deus se mesclou com as pretensões do papado. Cullmann chama o relato Bíblico da criação e a segunda vinda de mitos. Apesar da crítica que Cullmann faz do uso da crítica formal por parte de Bultmann. Sua forte insistência na salvação como um sucesso histórico centrado em Cristo é muito útil como defesa apologética e refuta a contento o programa de desmitologização de Bultmann. pois ao enfatizar demais o cristocentrismo. sua ênfase exclusivamente cristológica acaba por converter o cristianismo em cristomonismo – para usar uma terminologia barthiana – . e no período pós-guerra esse clamor se intensificou e se homogeneizou com algumas idéias extremamente sociais e humanistas. a tendência parecia ser a oposta. 7. ela nem mesmo é revelação. A intenção era trazer o Reino de Deus através da força militar e plantar suas idéias na sociedade. A teologia da reforma sempre insistiu na necessidade da iluminação do Espírito Santo para compreender a revelação de Deus (1 Coríntios 2. o leitor evangélico deve ter sempre presente que os pressupostos básicos de Cullmann são os de Barth e Bultmann e consequentemente essas mesmas idéias às vezes são um estorvo para o exame e compreensão da história da salvação.28). O maior propagador da história da salvação crê que. havia um forte clamor por um cristianismo menos dogmático e mais vivenciável. Cox e Buren: Uma teologia do mundo para o homem moderno.13). Começava a nascer então a teologia da secularização. Na idade média houve uma forte tendência eclesiástica de sacramentalizar a sociedade. a menos que o homem a entenda. em última análise. Teologia Secular: Robinson. Junto com isso. mas era também uma teologia trinitariana (Romanos 8. É verdade que a teologia da igreja primitiva estava marcada pela cristologia (2Coríntios 13. inclusive para corrigir certa insistência ortodoxa do passado. têm se demonstrado especialmente úteis. Suas idéias acerca da relação entre a escatologia e a primeira vinda de Cristo.18 e 1Coríntios 15. Por último. ele acaba por negligenciar as formulações cristãs históricas da doutrina da trindade.1 O pensamento de Cullman e a ortodoxia teológica. o uso que ele mesmo faz do criticismo faz distinção entre a Bíblia e a palavra de Deus. Como já foi esposado anteriormente.31-39. . Com relação ao conceito de Cullmann sobre a revelação. Em meados do século vinte. Suas idéias exegéticas a respeito das escrituras também são parte significativa de sua contribuição para a teologia.

Sendo esse um movimento com muitas posições extremas. está mudando vertiginosamente. O Deus da Bíblia. de Harvey Cox.1 A postura da teologia secular. O conhecido movimento da morte de Deus talvez tenha já morrido como moda teológica. foram marcados por uma forte tendência secular. já esteve organizado em um forte sistema religioso. 2 Coríntios 4. apresenta o secularismo não como inimigo da igreja. 7.4). rodeados por um paganismo agressivo e arrogante. como ramificação da teologia secular. Cox entende o processo histórico pelo qual a sociedade se liberta do controle da igreja e dos sistemas metafísicos fechados. e acrescenta que a igreja nunca deveria ser uma organização para homens religiosos. O problema é que ao invés de buscar a moderação entre a transcendência e a imanência de Deus. algo totalmente imanente. A Cidade Secular.Poucos sabem. os cristãos consagrados serão uma minoria consciente no ocidente. porém. segundo ele. porém. mas sim o mundo e as suas necessidades. Esse tipo de concessão. Por secularismo. mas como fruto do evangelho. tanto que se cumpre hoje o que foi dito por certo comentarista: ―no fim do século vinte. mesmo quando pensavam que a idéia de Deus era obsoleta. escrito em 1965. Esse radicalismo ateológico ganhou proporções gigantescas no best-seler de John Robinson. talvez por medo de se oporem ao amor e ao culto cristão. . de Barth e na filosofia de Kant deve ser deixada de lado por se tratar de uma idéia antiquada e errônea. ele continua influenciando a igreja e seus ensinos sadios. tão transcendente como na teologia de Kierkgaard. resiste a toda definição. De fato. Honest to God (1963). encontra sua versão religiosa no que passou a chamar-se teologia secular. Robinson reafirma que Deus é o fundamento do nosso ser. os secularistas conservaram alguma forma moderada de religião. se percebem as mesmas exigências teológicas. não deve haver uma distinção entre igreja e mundo. Em outro livro. ele parte para a idéia de um Deus no nosso interior. apostasia deliberada e oposição aberta ao sagrado. cristãos secularistas é ―ama a Deus e faça o que quiser‖. mas o secularismo tão presente e difundido em nossa era. O livro de Robinson começa com o convencimento de que a idéia de um Deus ―lá em cima‖. Quais seriam os pressupostos dessa teologia do mundo? Que idéias os chamados teólogos seculares defendem? O que apresentamos à seguir são as principais idéias esposadas pela teologia do mundo. O centro de interesse dessa nova teologia não é a igreja. deve ser redefinido como sendo o Deus deste mundo (cf. que é o desenvolvimento lógico da nossa tendência secularista‖. Uma das manifestações mais abertas e nocivas dessa ―deserção secularista de Deus‖ que caracteriza a apostasia. A princípio. O lema desses novos ―crentes‖. o final do século vinte e início do século vinte e um. ainda que exige atenção.

2). e a nossa teologia não deve ser confinada às quatro paredes da nave de um templo. A terceira objeção diz respeito à possibilidade do sobrenatural. e a idéia do céu é chamada por eles de ―escotilha de escape‖. Porém. e talvez seja essa a razão pela qual ele chegou a ser considerado uma espécie de patrono do secularismo teológico. . Muitos dos valores desse movimento teológico foram retiradas do diário e das cartas de Bonhoeffer. Os teólogos seculares também afirmam que nossa teologia deve expressar um espírito de secularização. um bom exemplo. Sem dúvida. deve ser reconstruído sem Deus. o mais radical dos teólogos seculares é Paul Van Buren. cujo Deus é literalmente o Deus deste mundo (2 Coríntios 4. A idéia liberal de que Jesus foi apenas um homem bom que viveu perto de Deus ganhou vida dentro da teologia secular. assim como Cox e Buren. A Bíblia nos instrui a amar nossos inimigos (Mateus 5. Com respeito a isso. enquanto este aguardava a execução. O cristianismo. repudia a idéia de uma expiação sobrenatural e perdoadora. Assim também. Ele.4). e não lutar contra elas. A conduta de Bonhoeffer é reprovável e anti-cristã. no máximo. pastor alemão executado pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial por participar de um complô contra a vida de Hitler.44). seus pressupostos nos trazem à mente uma verdade que foi expressa pelo próprio Bonhoeffer. O espírito ativista de Hitler é o espírito da teologia secular. É uma teologia totalmente naturalista. Robinson fala da expiação como ―a entrega completa de Jesus em amor‖. escritas na prisão. Na teologia secular. Nas palavras de Robinson. a orar pelas autoridades (1 Timóteo 2. no qual ele ―revela que o fundamento do ser humano é o amor‖. os teólogos seculares rejeitaram totalmente o reino sobrenatural e a segunda vinda de Cristo. O único mundo real é o aqui e agora. segundo ele. Existe na teologia secular um esforço para minimizar o sobrenaturalismo. Harvey Cox diz que devemos deixar de falar da ontologia antiquada para começarmos a falar de funções e de ativismo dinâmico.Em primeiro lugar. O campo é o mundo. a pergunta ―Como posso encontrar um Deus benigno?‖ deve ser substituída por ―Como encontrar um próximo benigno?‖. não há espaço para o Jesus salvador. os teólogos seculares estão de acordo que os problemas deste mundo deveriam ser uma das preocupações vitais da igreja. Ele é. e Cristo deve ser visto como o paradigma da existência humana.Eles reclamam que a igreja tem se esquivado e racionalizado quanto as suas falhas em não enfrentar-se com os males sociais e políticos. a voz mais eloqüente foi Dietrich Bonhoeffer. em seus razoamentos teológicos afirma que o próprio Deus deve ser excluído do cenário teológico. Buren. a de que ―não se pode encerrar a Cristo na sociedade sagrada da igreja‖. não a assassiná-los.

7. não tinham pensado em fazer. em seu repúdio pela metafísica e a ontologia. A vida cristã é um viver com Deus. . A teologia secular é uma teologia mundana elaborada para responder à incredulidade arrogante de um homem que não ama a Deus. demonstram seu preconceito quanto ao mundo fenomenal. apesar do prejuízo causado ter sido maior que o bem que ela tem feito. nunca no homem (cf. quando uma coisa só é necessária. Qual deve ser a reação da igreja perante essas doutrinas? Certamente reconhecemos que esses homens captaram o espírito de nosso tempo. Os teólogos seculares vestem seu humanismo de jargões teológicos e nos ensinam a viver no mundo de Marta. mas a si mesmo. Há quem creia que a teologia da secularização tenha trazido apenas prejuízo à teologia ortodoxa. não querem crer em um Deus ativo na criação. 12. eles ignoram o sobrenatural. uma da suas contribuições para a teologia ortodoxa foi plantar algumas perguntas que os teólogos. mas os teólogos seculares confundem o serviço no mundo com serviço para o mundo.).. Sua teologia é a essência da apostasia descrita na Bíblia como característica do tempo do fim. eles esquecem que o amor de Deus escolhe filhos. Eles não querem uma Bíblia sobrenaturalmente inspirada. e não apenas servos. é uma vida em adoração e não somente uma vida de trabalhos humanitários.22 ss. Mateus 11. A teologia secular fala de um reino centralizado na obra e no futuro de um homem autônomo. mas. O problema é que eles não somente captaram. encerrados em seus sistemas dogmáticos. A teologia secular demonstra o desejo de uma reformulação do cristianismo em termos que sejam aceitáveis para o pensamento moderno e que possa ser traduzido em termos compreensíveis para o homem do século vinte. A teologia secular é radical e antibíblica. e não para servir a ele. estamos no mundo para servir nele. senão que deixaram dominar-se por ele.2 Avaliação da teologia secular. Além do mais. e muitas delas têm repercussão missionária e verdadeira importância na contextualização da mensagem cristã para o mundo. Tal como Bultmann. É verdade que Jesus recomendou que preocupássemos com os males do nosso mundo e buscássemos corrigi-los (Mateus 25.11 ss. O único reino que a Bíblia conhece está centralizado no poder e na obra de Cristo. e não esperam um reino futuro. A teologia secular.31-46).

eternamente validadas e imutáveis. é indutiva. se opõe grave e abertamente a muitas formas da ―ética tradicional‖. o movimento chamou a atenção da opinião publica em 1966. quando o Dr. mais neo-ortodoxos do que propriamente ortodoxos. ou ética situacional. publicou o livro Situation Ethics. O homem moderno distanciou-se de Deus. É esse novo conjunto de valores do homem moderno que nós denominamos ética situacional. suas idéias tenham sido rapidamente implantadas nas universidades brasileiras. Robinson diz que a velha moralidade é dedutiva. sustentada como modo ideal de conduta. o que denota. segundo ele mesmo. Positivismo – Segundo essa cosmovisão. normas e princípios morais da velha moralidade. e consequentemente teve que partir em busca de uma nova moralidade. Joseph Fletcher. O importante não são os valores objetivos. por sua vez. Honest to God. . Relativismo – Conceito filosófico segundo a qual a verdade é um valor subjetivo. com princípios teológicos mais existencialistas que puritanos. O livro de Robinson. A nova moralidade. professor de ética social no Seminário Episcopal de Cambridge. Rudolf Bultmann e Paul Tillich. Quanto aos pressupostos da ética situacional. A popularidade da ética situacional como sistema teológico não teve tanta influência nos seminários teológicos protestantes do Brasil. Ela é uma reação às leis. Fletcher definiu esses pressupostos como sendo: Pragmatismo – Doutrina segundo a qual o valor da verdade é determindado pela funcionabilidade. Com raízes que penetram os princípios éticos de homens como Karl Barth. e ao distanciar-se perdeu também seus valores éticos. Existencialismo – Filosofia que coloca o homem no centro do universo. a prioridade da pessoa sobre os princípios. Essa nova moralidade religiosa. não havendo imposição moral absoluta. Com isso. Ética Situacional: Joseph Fletcher e um novo conjunto de valores para o homem moderno. Massachusetts. também ajudou a propagar as idéias do movimento. embora como sistema filosófico. a ética situacional exalta o homem sobre a lei. começando com a própria pessoa. mas a maneira como o ser humano experimenta esses valores. começando a partir de normas absolutas.8. Não demorou muito para que o ocidente abandonasse as idéias éticas tradicionais do cristianismo. as declarações de fé são voluntaristas e não racionais.

o amor exige o divórcio‖. pragmática. porém tal amor é impossível dentro de uma teologia pragmática. para Fletcher e os demais teólogos da situação. que colocam o crescimento numérico acima do crescimento espiritual. a resposta é não. Quanto ao pragmatismo como tendência evangélica. É justamente esse tipo de pragmatismo imoral e anti-cristão que Fletcher propõe em sua teologia. É tolice pensar que alguém pode ser bíblico e pragamático. ela promove a sensualidade. mas: ―o que eu acho disso?‖. e sim o amor ágape. Por exemplo: ―se o bem estar emocional e espiritual do casal e dos filhos será promovido com a separação do casal. conforme diz C. crendo que podem induzir esse crescimento numérico por seguirem quaisquer técnicas que parecem produzir resultados naquele momento‖. O pior de tudo não é quando as tendências pragmáticas são usadas para construir o crescimento de igrejas – ainda que o pragmatismo já seja um conceito escandaloso em si mesmo – mas sim. ao mesmo tempo. então. O pragmatista deseja saber o que produzirá resultados. Certo e errado dependem da nossa decisão neste mundo relativista. O pensador bíblico. O certo e o errado. existencial e deve estar baseada no amor. John F. As duas filosofias se opõem mutuamente no nível mais básico. a fim de alcançarmos os fins que Ele nos recomendou‖. A nova moralidade da qual o homem moderno se vê vestido tende a ver toda a moralidade cristã como um conjunto de tabus que devem ser quebrados a todo custo. a fim de que a graça seja mais abundante. Em outras palavras. que também é um pragmático: ―A Bíblia não nos consente pecar. McArthur diz o seguinte: ―Oponho-me ao pragmatismo tão freqüentemente defendido por especialistas em crescimentos de igreja. a nova ética transforma o amor ágape em eros.O critério fundamental e único de conduta para o situacionista. Não há nela nenhuma menção a pureza sexual. ou não permite usarmos quaisquer meios que Deus tenha proibido. não é um código ético. segundo a cosmovisão situacionista. ao contrário. é uma questão subjetiva. ―de que forma isso pode me dar prazer?‖. quando a ética cristã é comprometida no afã alcançar as massas.1 Conhecendo os pressupostos da nova moralidade. o único mal intrínseco é a falta de amor e o único bem e virtude é exclusivamente o amor. É claro que esses conceitos são demasiadamente ingênuos e conduzem fatalmente à imoralidade. Pode um bom fim ser anulado por um meio mau? Para a ética situacional. ao avaliar a veracidade de um determinado comportamento a pergunta a ser feita não é ―o que a Bíblia diz?‖. um amor desinteressado e sacrificado. A principal característica da ética situacional é que o fim justifica os meios. . ―dará certo?‖ e por último ―eu estou fazendo por amor?‖. Ao afirmar que aquilo que é feito com amor não é pecado. em que os fins justificam os meios. Para Robinson e Fletcher. se importa tão-somente com o que a Bíblia ordena. Peter Wagner. neste caso. 8. por outro lado.

e está sempre reaparecendo na teologia contemporânea. de um modo quase profético. Este mesmo escritor acrescenta. Se a eficácia se tornar o indicador do que é certo ou errado. Ao propor um antropocentrismo teológico. o existencialismo é uma forte tendência na teologia contemporânea. Essa tendência de interpretar a Bíblia em termos existenciais tem sua origem muito antes de Fletcher. A Bíblia nos apresenta um conjunto de imposições morais que devem ditar o nosso modo de viver. por sua vez. o existencialismo se descaracteriza completamente como proposta bíblico-teológica. em tom de desabafo: ―A filosofia pragmática [. Qualquer tentativa de conciliar o relativismo com o cristianismo constitui irracionalidade e fraude. visto que as duas cosmovisões são mutuamente excludentes. bem como na teologia de Friedrich Scheleiermacher. a verdade não é uma questão relativa. o relativismo também é uma afronta ao cristianismo. e não apenas idéias pragmáticas e relativas (Mateus 5. o relativismo deve ser rejeitado por várias questões. Com idéias que remontam ao Romantismo. Aceita como corretos e bons nossos alvos escolhidos. buscando meios e maneiras eficientes para alcançá-los‖. a despeito de qualquer proposição em contrário. Como corrente teológica. como doutrina teológica ela comete erros graves. não há razão nenhuma no estudo da verdade. todas as proposições de verdade são verdadeiras. Além disso. Porém. ao contrário do que ensina o relativismo. mas parecem totalmente dominados por ele‖. Qualquer filosofia de ministério do tipo ―fins-que-justificam-os-meios‖ inevitavelmente comprometerá a doutrina.6). onde às vezes a ignorância pretensamente se veste de autoridade espiritual. portanto. perdão e respeito mútuo. Tozer discorreu sobre o futuro da igreja nestes termos: ―Digo sem hesitação que uma grande parte das atividades existentes hoje nos círculos evangélicos não são apenas influenciadas pelo pragmatismo. no pensamento do dinamarquês Soren Kierkgaard. e não o homem (Romanos 11.W. mas extremamente absoluta que tem seu ápice na pessoa de Jesus (João 14. tem sua maior abrangência nos círculos místicos.. Dentro de um sistema relativista o assassínio.. não há verdade nenhuma. Não há nenhuma possibilidade de ser um indivíduo cristão e ao mesmo tempo relativista. se a verdade em moralidade é uma questão pragmática e relativa. Assim como o pragmatismo. Deus é a pessoa central para quem todas as coisas convergem. o estupro e o genocídio possuem o mesmo valor dos ideais cristão da caridade. . a única razão para ser bom é a vantagem que eu posso tirar da situação.36). Se a verdade é apenas uma questão relativa. Em última análise. o estudioso A. Em 1955. o conceito de verdade para um pragmatista é moldado pelo que parece ser eficaz e não pela revelação objetiva das Escrituras. Se todas as reivindicações de verdade são de um mesmo valor. O existencialismo é uma filosofia centrada no eu. e consequentemente.] não faz perguntas embaraçosas a respeito da sabedoria daquilo que estamos realizando ou a respeito de sua moralidade.O pragmatismo também foi a maior tendência da igreja ocidental na segunda metade do século vinte. é um fideísmo exagerado e anti-bíblico. sem a menor dúvida nossa doutrina será diluída. Do mesmo modo.44-48). O positivismo.

expressando. entendemos que Pannenberg se encaixa melhor em outro movimento.8. ele está determinado pelo futuro. O sistema ético situacional é um sistema que não pede nada em termos éticos e teológicos. um jovem teólogo alemão da Universidade de Tubinga fez ressoar a sua voz através de seu livro The Theology of Hope (A Teologia da Esperança). no atempo. Em última análise. porque ele é parte do tempo que avança para o futuro. Desta forma. revolução e o Futuro). são produto da esperança. Entendendo a teologia futurista de Moltmann. Todas as afirmações que fazemos sobre Deus. o futuro é a natureza essencial de Deus. não há como negar que esses homens possuem muitos aspectos em comum. que saiu em inglês em 1967. A chave central para entender a teologia futurista de Moltmann é sua idéia de que Deus está sujeito ao processo temporal. Na teologia de Moltmann. Revolution and the Future (Religião. . cujo teor repercutiu grandemente no mundo acadêmico. sem nenhuma dúvida. Religion. As implicações surgem em vários aspectos. desde desonestidade a imoralidade sexual. ao juízo. foi publicada a sua segunda obra. de Marburg. à fé e à redenção. No cristianismo tradicional. Porém. que apresentaremos no capítulo seguinte. a eternidade se perde no tempo. Se a eficácia se tornar o indicador do que é certo ou errado. Há quem relacione ao movimento outros dois nomes: Wolfhart Pannenberg. Nosso Deus será Deus quando cumprir suas promessas e com isso estabelecer o seu reino. a despeito de qualquer proposição em contrário. Os teólogos receberam entenderam o livro de Jurgen Moltmann como sendo um chamado refrescante a uma maior valorização da escatologia. Neste processo. Deus não revela quem ele é. A ética situacional elabora seu programa sem dar nenhuma atenção ao arrependimento. sem a menor dúvida nossa doutrina será diluída. Deus e Jesus Cristo aparecem fora do tempo. 9.2 Uma análise da nova moralidade religiosa. além de ser um ataque devastador aos teólogos existencialistas que argumentavam na linha de Bultmann. de Munique. porém. Deus não é plenamente Deus. o conceito de verdade para um pragmatista/relativista é moldado pelo que parece ser eficaz e não pela revelação objetiva das Escrituras. No ano de 1969. Teologia da Esperança: Jurgen Moltmann e a análise escatológica existencial Em 1965. dentro da teologia cristã. Para Moltmann. Deus está presente apenas em suas promessas. Robinson deixa a impressão de que o homem moderno é tão maduro que precisa de muito pouca – e talvez nenhuma – ajuda espiritual fora dos seus próprios recursos naturais. em nosso estudo. Deus está presente na esperança. a religiosidade idealizada pelo homem moderno. Deus não é absoluto. e sim quem ele será no futuro. ainda que seja possível fazer essa distinção. e Ernst Benz. Poderia haver sistema melhor para o homem natural? A conclusão quanto ao referido capítulo é aparentemente óbvia: qualquer teologia do tipo ―fins-que-justificam-os-meios‖ inevitavelmente comprometerá a doutrina.

para Moltmann.Segundo Moltmann. Para que o futuro se realize na sociedade. ele deve participar ativamente na sociedade. O principal propósito da igreja é ser o instrumento por meio do qual Deus trará a ―reconciliação universal e social‖. Moltmann diz que o homem não deve olhá-lo passivamente. Moltmann interpreta como aberta ao futuro. e por isso. Deus entrou no tempo. pois não existem formas ou categorias fixas no mundo. A questão não é a violência em si. A idéia de Moltmann de considerar a Bíblia desde o começo como um livro escatológico pode parecer um atrativo para o cristão ortodoxo. qualquer conservador certamente saberá reconhecer os erros patentes de Moltmann. e sim se o uso da violência foi justificado ou injustificado. Porém. aqui também pode ser vista uma profunda consciência para com o mundo. Realmente um assunto tão importante quanto a escatologia não deveria ocupar as últimas páginas em nossos livros de teologia sistemática. Acontece que a escatologia para ele não significa a previsão tradicional da segunda vinda de Jesus. O presente em si mesmo não é importante. Jesus ressuscitou dentre os mortos há quase dois mil anos com seu corpo físico? Para Moltmann essa é uma questão sem importância. A participação da igreja na sociedade poderá utilizar a revolução como meio apropriado. O importante é que o futuro se apodere da pessoa no presente‖. Ainda quanto ao futuro. Afirma-se tradicionalmente que a ressurreição de Cristo é a base histórica da ressurreição final. o problema da violência versus não-violência recebe o nome de ―problema ilusório‖. .23. mesmo que ela não seja necessariamente o único meio. Porém. At 4. toda teologia cristã deve modelar-se através da escatologia. A tarefa da igreja é não é apenas se informar sobre o passado para mudar o futuro. A ressurreição de Cristo é um fato histórico que atribui pleno significado ao nosso futuro. O cristianismo evangélico relaciona intimamente a ressurreição de Cristo com a escatologia. e sim olhar o nosso futuro ilimitado para o Calvário. bem como os horrores que traria a sua visão ética. aberta à liberdade do futuro. e consequentemente o futuro se tornou algo desconhecido tanto para o homem como para Deus. a questão da historicidade da ressurreição corporal de Jesus não é válida. Essa tendência pragmática em que os fins justificam os meios é uma tendência muito forte dentro da Teologia da Esperança.2). Não devemos olhar desde o Calvário para a Nova Jerusalém. as categorias do passado devem ser descartadas. Moltmann porém diria que a ressurreição final é a base da ressurreição de Jesus. É também ―pregar o Evangelho de tal forma que o futuro se apodere do indivíduo e lhe impulsione a agir de modo concreto para mudar o seu próprio futuro. O Cristo ressuscitado é ―as primícias‖ da ressurreição (1Coríntios 15. Neste avançar para o futuro. A morte e ressurreição de Cristo são a garantia que Deus dá de que haverá ressurreição futura. o começo da ressurreição final. Assim como na ―Teologia Secular‖. O futuro significa liberdade e liberdade é relatividade.

Objeções à Teologia da Esperança. no entanto. e será introduzido por meio da proclamação do poder salvador de Jesus Cristo (Atos 28. Se por um lado a dialética de Barth acabou com a possibilidade da relação entre história e fé. Ainda que Moltmann revista sua escatologia de conceitos bíblicos. um escândalo e uma nociva ameaça à sã doutrina. um tropeço. e quando lemos o seu segundo livro. no entanto. no entanto. o Reino de Deus. o Reino de Deus é. não pode ser teologia bíblica. ele não admitia nenhum Deus eterno ou infinito. porém. segundo ele. é descrito na Bíblia como celestial. em um homem que observa o futuro e age na sociedade. pois no presente ele sequer é Deus. seu sistema está mais fundamentado no marxismo do que em Cristo. Apesar de todo esforço de Moltmann para produzir uma teologia bíblica. mas Moltmann foi ainda mais além. Moltmann assimilou muitas idéias de Bloch. o Reino de Deus é trazido por meio da revolução. Para Moltmann. segundo a Bíblia. no final. o de Moltmann. ela é a edificação da utopia na terra. seu sistema nada mais é do que uma teologia centralizada no homem. Moltmann ultrapassou o limite do bom senso e acabou por propor uma teologia quase tão nociva quanto aquela a que ele se dedicou a refutar. e rejeitou todo o conceito objetivo da história. Como observou certo escritor: ―No monte sinai. Pedro ou João.30-31). A teologia de Moltmann tem maior dívida com Nietzche. ―Teologia da Esperança‖ nasceu de um dialogo com o ateu alemão Ernst Bloch. a teologia de Moltmann destruiu até mesmo a possibilidade de haver história. Moltmann critica muitos conceitos neo-ortodoxos. Ela é mais marxista que bíblica. Deus se tornou finito e aberto a um futuro desconhecido. Barth havia transcedentalisado a escatologia por meio do emprego da distinção entre Historie e Geschichte. com Overback e com Feurbach do que com Paulo. Para o apóstolo Paulo. Para ele. e mais filosófica que teológica. mas ele acaba levando os conceitos barthianos muito mais longe. só existe no futuro. mas Moltmann não permitua que Deus lhe dissesse o mesmo.7). vemos que nesse intercâmbio. Essa teologia do Deus finito e temporal. Em seu afã de refutar as teologias não-ortoxas do seu tempo. . O Deus da Bíblia existe de eternidade a eternidade. esse reino é também uma realidade terrenal e tangível. e não a guerra (Romanos 14. Ela é antes. e que ainda incita a rebeldia e a revolução. Para Moltmann. O primeiro livro de Moltmann. o Reino de Deus se introduz na terra por meio da política e da revolução. Quanto ao conceito de Deus. Deus disse a Moisés: Eu sou o que sou. A meta do futuro de Moltmann não é a plena manifestação da glória de Cristo. A idéia que Moltmann tem da escatologia é destituída de base bíblica. o Reino de Deus traz a paz. Ao entrar no tempo.

Pannenberg reconhece a realidade histórica da ressurreição como algo crucial para a compreensão do Novo Testamento. Apesar do caráter particular da sua obra. acusando-o de proteger sua teologia. Esta nova ênfase podia ser claramente percebida nas teses de doutorado de jovens professores como Ulrich Wilckens. A pregação da ―Palavra de Deus‖ é uma afirmação vazia se não estiver relacionada com aquilo que realmente aconteceu. tanto que esse grupo de jovens teólogos e a nova escola ganhou o epíteto de ―círculo de Pannenberg‖. É verdade que Pannenberg compartilhem algumas idéias comuns. Pannenberg também não compartilha dos pressupostos marxistas de Moltmann. No final da década de cinqüenta se podia facilmente perceber o surgimento de uma nova escola de interpretação teológica. mesmo com tal similaridade de interesses. foi o responsável por dar uma forma mais sistemática ao que posteriormente se convencionou chamar Teologia da História. Moltmann está muito mais vinculado a Bultmann que a Pannenberg. o desejo de uma orientação teológica escatológica e principalmente a ressurreição de Cristo. por outro lado há diferenças importantes entre esses dois esquemas teológicos. ao ponto de certo crítico afirmar que ele foi o primeiro teólogo alemão contemporâneo a romper totalmente com os pressupostos dialéticos barthianos. se por um lado há um ponto de contado entre os dois. A questão da fé relacionada à história. ou Teologia da Ressurreição. a fé está relacionada com o passado. As idéias de Pannenberg foram revolucionárias em seu tempo. Ele não consegue assimilar as idéias dialéticas. Wolfhart Pannemberg. Pannenberg apresenta uma forte resistência às idéias de Rudolf Bultmann. Os dois também falam da ressurreição de cristo como um tema central da fé cristã. seria incorreto agrupar os dois na mesma escola de pensamento. Ele também se opõe à Karl Barth. Outra diferença entre ambos está no modo de entender a fé: Para Pannenberg. nem com suas idéias de revolução social. na Alemanha. o maior nome dessa nova escola foi sem dúvida o de Wolfohart Pennenberg. escondendo-a dos ataques da história. na visão de Pannenberg são ―um clamor sem sentido‖. Neste sentido. jovem professor de teologia sistemática da Universidade de Mainz. A fé não pode ser separada de sua base e conteúdo histórico. há quem associe a este círculo o nome de Jurgen Moltmann. enquanto Moltmann descarta qualquer interesse pela ressurreição corporal como sendo algo impertinente. As supostas diferenças entre Historie e Geschicthe. principalmente por seu conceito de redução da história à experiência individual. isso porque. Klaus Koch e Rolf Rendtorff. enquanto Moltmann a relaciona com o futuro. Por exemplo: Moltmann não está tão interessado em alicerçar a fé na história. Porém. Teologia da história: Wolfhart Pannenberg e a teologia histórica da ressurreição. Porém. porém. entre o Jesus histórico e o Cristo Kerigmático. . além do esforço por refutar os pressupostos existencialistas de Bultmann. Em sua teologia.10. como o interesse pela relação entre a história e a fé. e ainda os dois mundos propostos por Kant: o dos fenômenos e o mundo numenal .

o conhecimento da verdade histórica. mas ninguém se atreve a questionar a realidade do túmulo vazio. 11. Segundo ele. Para ele. como ensinou Bultmann. de fato. a comunidade cristã primitiva não teria conseguido sobreviver. é uma forte evidência de que Jesus realmente ressuscitou corporalmente. a revelação se dá exclusivamente por meio de atos históricos. por meio dos sucessos históricos. O túmulo vazio é um fato histórico e aliado à mudança repentina que ocorreu nos discípulos. para Pannenberg. Pannenberg não busca desmitologizar a ressurreição. portanto. . ou ramificações dentro da história. a ressurreição foi um fato histórico. toda história é algo plenamente conhecido e até mesmo ordenado por Deus. vazia. não devemos fazer distinção entre história salvífica e história secular ou profana (distinção comum tanto na Heilsgeschichte como nas teologias existencialistas contemporâneas). Eles também não teriam nenhum benefício em inventar uma mentira de tamanha proporção. uma vez que os atos salvíficos de Deus realmente aconteceram e tem o seu lugar na história. Não existem partes específicas na história. como também de que ela é historicamente demonstrável. Pannenberg insiste em que a revelação de Deus não chega ao homem de forma imediata. como afirma a escola Heilsgeschichte. Ele afirma ainda que esta história na qual se dá a revelação. em oposição clara e aberta com a escola Heilsgeschichte. Ele diz estar convencido não só de que a crença da igreja na ressurreição não é um mito pré-fabricado. caso o túmulo de Jesus não estivesse. Pannenberg e a ressurreição de Cristo.O conceito de revelação e fé em Pannenberg. Esta revelação histórica está ao alcance de todo aquele que tenha olhos para ver. e sim mediata. A fé é. antes. A explicação inventada pelos judeus para refutar a ressurreição é que os discípulos roubaram o corpo. Difernte de Moltmann e dos outros teólogos existencialistas. O conhecimento histórico é a única base da fé. não é uma revelação especial que só pode ser compreendida pela fé. pois estes estavam muito desanimados após a morte de Cristo para chegarem sozinhos à conclusão de que Cristo ressuscitou. Ele se recusa a explicar os relatos evangélicos da ressurreição como fruto da imaginação dos apóstolos. isso porque. A única explicação satisfatória para a repentina mudança que ocorreu nos apóstolos é exatamente a ressurreição corporal de Cristo. Além disso.

Pannenberg destaca que a revelação não se torna revelação quando é compreendida. elas apenas podem crer quando ouvem e confiam no relato de um perito em história cristã. Ao fazer que a fé dependa exclusivamente da história. Se a fé está baseada exclusivamente no conhecimento da história e esta é o seu único fundamento. embora Barth e Bultmann hajam tido debates acirrados.Objeções à teologia de Wolfhart Pannenberg. Além disso. Ele não confere à toda Bíblia o status de revelação divina. uma ameaça à própria revelação. Porque foi que quando Paulo pregou em Atenas uns creram e outros zombaram? A teologia de Pannenberg é muito mais do que uma simples escola de interpretação. Uma e outra vez ele insiste em que o nascimento virginal é um mito. Ela é uma brilhante defesa apologética em favor do cristianismo histórico. Sua teologia também é importante porque ressalta ao mundo que a fé cristã é a única verdade universal. Seu sistema é mais ortodoxo que o proposto pelos existencialistas e nos faz lembrar que. essa visão que ele possui da Bíblia tem levado muitos a relacionar o seu nome com a crítica histórica e com o próprio Bultmann. Pannenberg leva-nos a concluir que as pessoas simples e sem condições para efetuar uma pesquisa investigativa. não existe grande diferença entre seus sistemas. mesmo quando o homem não se interessa ou busca compreendê-la. ele parece tirar a fé das mãos do crente simples e colocá-la nas mãos do teólogo experiente. Ambos advogam uma teologia dialética que sufoca tanto a revelação histórica como o caráter universal do cristianismo. Embora o mesmo ocorra no pensamento de Agostinho e até mesmo de Lutero. há muitos aspectos em que ele parece mais um herdeiro da neoortodoxia que seu oponente. Ao refutar a idéia neo-ortodoxa de que a revelação só se transforma em verdade para as pessoas por meio de uma aceitação pessoal. Com isso. Os críticos de também parecem indicar que. não são capazes de crer por si mesmas. que garante a confiabilidade da informação. Pannenberg não pôde explicar de modo satisfatório a razão da incredulidade. ela é revelação. de fato. Pannemberg também ressalta que a falta de uma revelação objetiva da neo-ortodoxia é. . Ele também está de acordo com Bultmann em que os títulos que expressam a divindade de Jesus foram criados pela igreja primitiva. sobre esta base. dando a entender que algumas partes são mais importantes que outras. Ainda que Pannemberg ataque as posições de Barth e Bultmann no que concerne à relação entre fé e história.

Teologia da Evolução: Teilhard de Chardin e o darwinismo teológico. quinze anos depois da sua morte. que apesar das restrições que o Vaticano impôs aos seus livros. Muitos fatores ajudam a explicar a repentina popularidade que alcançou a teologia de Teilhard. Esta é a etapa mais importante na história do mundo. esses livros suprimidos durante toda a sua vida começaram a aparecer. Suas idéias lograram arrancar elogios até mesmo de Dom Hélder Câmara. O ponto de partida do pensamento teológico de Telhard é a evolução. segundo ele. Este processo evolutivo avança segundo o que Teilhad chama de ―lei da consciência e da complexidade‖. Um dos acontecimentos religiosos que mais despertaram o interesse dos teólogos no fim da década de cinqüenta foi a popularidade póstuma do cientista e místico jesuíta Pedro Teilhard de Chardin (1881-1955). que a faz tornar-se cada vez mais complexa. o processo evolutivo adquire consciência de si mesmo. curva a que devem seguir todas as linhas‖. segundo ele. a qual ele chama de ―luz que ilumina todos os fatos. com o que ele alude que na evolução existe uma tendência por parte da matéria. ou biosfera. Sua influência pode ser percebida até mesmo nos países que compõem o nosso terceiro mundo. estudioso equatoriano. e também é chamada de hominização. A terra. Embora ele tenha sido um teólogo católico. Francisco Bravo. . Para descrever a etapa seguinte. Nesta fase. Essa noosfera nada mais é do que o surgimento do homem pensante sobre a terra. fundador de um sistema teológico que ficou conhecido como teologia da evolução. Chardin criou o termo noosfera. Esta é a fase da história evolutiva da terra aparece a vida biológica na terra. Seus conhecimentos de geólogo e paleontólogo são grandes atrativos para o mundo científico. permaneceu fiel a sua ordem durante toda vida. Durante sua vida. pode ser resumido como consta no seguinte esquema: Partículas elementares (chamadas de Ponto Alfa) => Átomos => Moléculas => Células Vivas => Organismos Pluricelulares.12. alguns dos seus comentaristas mais apaixonados são cientistas e teólogos protestantes. arcebispo do Recife. que pode ser descrito na seguinte ordem: Barisfera (época da ―terra derretida‖) => Formação da crosta => Formação da água e do ar => Formação da atmosfera. considerados pela igreja católica como sendo nocivos e de conteúdo herético. este teólogo foi impedido de publicar seus livros. O processo. que significa a ―camada mental‖ da terra. Sua destacada personalidade e seu caráter humanitário podem ser percebidos por qualquer pessoa que o tenha conhecido ou lido algo acerca da vida deste destacado sacerdote católico. foi formada ente cinco e dez milhões de anos e desde então vem se desenvolvendo através da evolução. Conhecendo a proposta teológica de Teilhard de Chardin. Ele admite que a terra veio a existir por meio de um lento processo. em 1920. publicou uma obra meticulosa sobre Teilhard. Porém.

Cristo é o centro do processo evolutivo e o seu princípio básico. Os princípios de Teilhard de Chardin apresentam várias dificuldades para o crente ortodoxo. e sim propriedade geral de toda a vida. .. Deus vem a ser a causa final. para Teilhard. Ao contrário disso. a união sobrenatural de todas as coisas em Deus. ou seja. dando a perfeição a todas as coisas. a teologia evolucionista deste teólogo descaracteriza a criação. Dessa síntese filosófico/naturalista procedem as demais divergências de Teilhard com a teologia ortodoxa. Há muitos teólogos contemporâneos que concordam com a teoria da antiguidade da terra. Deus será tudo em todos (1Coríntios 15. a teologia de Teilhard Chardin parte do pressuposto de que o homem alcança sua verdadeira dignidade e plenitude espiritual por meio do processo evolutivo.21-25). O Cristo de Teilhard é o reflexo no coração do processo do ponto Ômega.28). mais que a causa eficiente do universo. Isso também é contrário a doutrina da graça. diferentes tons de pele. tal como aparece na Bíblia. mas nenhuma dessas concessões desabilita o esquema de criação conforme narrado em Gênesis. o ponto Alfa. Por meio de um ato pessoal de comunhão. ao mesmo tempo que o universo. Sua linguagem é obliqua e seu esforço hercúleo para fazer de Cristo o centro da evolução é desonesto e contraditório. e converge no que ele chama de Ponto Ômega. e criando cada ser em conformidade com a sua espécie. segundo a qual o aperfeiçoamento advém da comunhão com Cristo Jesus. Na teologia darwiniana de Teilhard. Movidos pelas forças do amor. Cristo incorpora em si o ―psiquismo‖ total da terra. Principais objeções a teologia evolucionista de Chardin. segundo ele. a teoria de Teilhard é macroevolucionista e negligencia completamente o ponto mais básico da criação que é Deus fazendo todas as coisas do nada pela sua palavra. os fragmentos do mundo se buscam para que o mundo possa chegar a ―ser‖. fazendo diferenciação entre microevolução e macroevolução. Assim como as teorias evolutivas seculares. Microevolução é a mutação que ocorre dentro das espécies e seria o fator responsável pelas diferentes raças de cães. Esse movimento para o centro. é também contrária a Bíblia. desde Kant aparece e reaparece na teologia contemporânea. e o universo se auto-realiza em Cristo. e se encontra no final do processo. a expectativa da unidade perfeita. O amor. Sua ênfase na personalidade autônoma que. e com a evolução das espécies à partir das espécies criadas por Deus (Gênesis 1. na qual cada um dos elementos alcançará sua consumação. Assim sendo. etc.Nessa etapa de sua teoria evolutiva. Ele vê todo o processo evolutivo que começa com as partículas. Teilhard começa a se apoiar na teologia para predizer o futuro da evolução. Assim como todas as teorias evolucionistas seculares. não é exclusividade humana. sendo ele a afinidade do ―ser‖ com o ―ser‖. é o processo de amor. Nesta etapa. Sua teologia é o reflexo do pensamento naturalista do seu tempo. numa forma superior de panteísmo.

Por essa mesma razão. prometendo um final feliz para todos. a cristologia de Chardin transforma o Cristo da Bíblia em um Cristo cósmico. e nem permite que o pecado seja pecado. . tal união tem como conseqüência lógica a deificação da criação (panteísmo). para ele. apresenta dois grandes inconvenientes: Primeiro. A idéia de Teilhard de união do universo com Cristo. morte. que por sua vez. é uma superabundância da estrutura de um mundo em evolução. A teologia do processo como escola teológica é uma tentativa de restabelecer a doutrina de Deus em um mundo extremamente cético. Charles Hartshorne e a Teologia do Deus Finito De origem norte-americana. solidão e angústia. a doutrina bíblica do juízo quase não se vê na obra de Teilhard. Charles Hartshorne. a teologia do processo também toma por empréstimo alguns pressupostos de uma vertente filosófica contemporânea. elaborada pelo famoso matemático e filósofo. Assim como as outras teologias radicais surgidas no século vinte. é antagônica a Bíblia. o resultado de tal união é a perda tanto do mundo. a filosofia do processo. O homem moderno está disposto a aceitar qualquer tipo de droga entorpecente que se apresente sob o pseudônimo de ciência. chegando ao ponto de afirmar que a evolução é ―o sucesso mais prodigioso que a história jamais se referiu‖. Em última análise. Ele se emociona tanto com a evolução que se esquece que. essa nova escola teológica tem como seu maior expositor o professor Dr. 13. sendo que o universo representa o corpo orgânico de Cristo ainda em evolução. e não a teoria da evolução. Não há como sustentar esse sistema teológico sem perder a identidade cristã. Teilhard foi um homem totalmente deslumbrado com as teorias científicas do seu tempo. Talvez essa seja uma das razões da sua difusão rápida. O mal. sem fazer nenhuma alusão à graça de Deus. segundo a fé cristã. Em segundo lugar. A proclamação da evolução constante por parte de Chardin nunca se vê alterada pela realidade bíblica do pecado no homem. Ele divaga pela senda do universalismo e do panteísmo. Alfred North Whitehead (1861-1947). a teologia da evolução de Teilhard é demasiado otimista. o maior sucesso da história é a vinda de Cristo. como de Cristo.Como todas as teorias evolucionistas. a saber.Teologia do Processo: Dr. A teologia de Chardin não permite que a graça seja graça. bem como as teorias evolucionistas seculares. que se manifesta em planos diferentes. A teologia da evolução. elaborou sua filosofia em torno de algumas idéias de Charles Darwin. através da desordem material. da Universidade de Chicago.

Deus. até Deus está sujeito ao porvir (um conceito semelhante ao do teísmo aberto e da teologia da esperança). e sim uma força dinâmica por detrás da evolução. o teólogo do movimento. O legado kantiano. o livro de apocalipse e as profecias bíblicas perdem todo o sentido. estando sempre em constante processo de transformação. é ―co-criador‖ do universo. Associado com teólogos radicais de língua inglesa como Norman Pittenger. em que o ser incluía o porvir. Assim como na filosofia kantiana. Segundo ele. Assim como na teologia de Paul Tillich. reduzindo-o a um mero conceito panteísta. isso porque tanto ele quanto Whitehead assimilam idéias evolucionistas. possuí-la é o bem último. Harthshorne desenvolveu ainda mais a filosofia de Whitehead e aplicou suas conclusões no cenário teológico. Desse modo. Os teólogos do processo também comprometem a soberania de Deus. ―Deus literalmente contém o universo‖. está além do nosso alcance‖. Objeções à teologia do processo. Nas palavras de Hartshorne. algo que é uma possibilidade remota e mesmo assim é o maior de todos os atos presentes. a teologia do processo tende à dissipar a idéia de Deus como ser pessoal. algo que é real e ao mesmo tempo espera por realizar-se.. como se pode observar. Essa tendência teológica torna injustificável a escatologia. Whitehead desenvolveu seu sistema ao redor da idéia de que o mundo é dinâmico. Schubert Ogden e John Coob Jr. o grupo está convencido que para responder à ―Teologia da Morte de Deus‖. . para ele. reduzindo Deus à uma força que existe como o aspecto principal de todas as coisas. Deus. As idéias de Chardin também são muito parecidas com a dos teólogos do processo. e mesmo assim. devemos demonstrar a realidade objetiva de Deus através de uma metafísica racional. A criação de Deus é um processo contínuo. A religião. ―é a visão de algo que está além. Daniel Day Willlians. Com isso. o que reduz o cristianismo bíblico a uma mera versão panteísta de religião. Nesse sentido. Whitehead lhes serve como ponto de partida. na teologia do processo também há um grande apelo à autonomia e a liberdade humana.Pressuposições da Teologia do Processo. segundo a teologia do processo. atrás e dentro do fluxo passageiro das coisas imediatas. não há certeza alguma quanto aos eventos futuros. pois uma vez que não há um Deus soberano e onisciente. Os filósofos antigos desenvolveram seus sistemas em torno da idéia de que o mundo era algo fixo. segundo Whitehead. emergindo sempre em tudo. uma coexistência de ordem e liberdade na qual o homem participa para criar o futuro. tanto na história como na natureza‖. ―não é um ser. a teologia do processo descaracteriza Deus. está bem latente na filosofia de Whitehead.

Além disso. . Há um abandono do sobrenatural. Como se pode perceber. impotente. mas se Deus é ignorante em relação a grandes períodos da história futura. Ele é um homem em quem Deus atuou. Um evento tal como esse acabaria por forçar nossa vontade. finita. um conceito mental tomado à partir de analogias da experiência humana. a redenção se transforma em relação e a ressurreição se transforma em renovação. fala e atua por conta própria. Sua cristologia também é bastante confusa. Dessa forma. em sua teologia o mundo se torna necessário para que Deus exista. e o Deus vivo da Bíblia fica submerso em termos imanentes‖. os milagres desaparecem. de que maneira qualquer uma das profecias preditivas das Escrituras poderia ser qualquer coisa além de probabilidades? A teologia do processo aniquila a fé que o crente tem em Deus. A doutrina da ressurreição. também é insustentável porque tal ato seria uma coerção divina. pois parece altamente improvável que um ser que não tenha presciência plena dos contingentes futuros saiba o que acontecerá. Como podemos ver. a teologia do processo põe em risco a credibilidade das Escrituras. como pode fazer predições sobre o futuro? A conseqüência lógica do seu sistema é que não pode haver predição ‗cem por cento‘ segura na Bíblia. esse biblicismo é apenas aparente. dentro da teologia do processo é ―uma seqüência de experiências pessoalmente ordenada‖. [na teologia do processo] a criação se transforma em evolução. Ao negar o conhecimento que Deus possa ter de fatos ainda não ocorridos. penteísta e consequentemente. Mesmo que a teologia do processo tenta dar um ―toque bíblico‖ em sua teologia. o Deus pessoal da Bíblia que se auto-revela. Como disse Carl Henry: ―apesar de todo esforço. e manifesta seus designos de forma inteligente. uma intervenção direta no livre-arbítrio humano. a teologia do processo está muito mais fundamentada em hipóteses filosóficas do que naquilo que a Bíblia realmente diz.Ainda que muitos teólogos do processo se neguem a admitir que descrevem Deus em termos panteístas. Cristo aparece mais como um ―símbolo‖ da atividade divina na terra do que como uma intervenção divina no curso desse mundo. segundo os teólogos do processo. e não somente isso mas também retira o próprio Deus Soberano do cenário e introduz em seu lugar uma divindade caricata. o mundo também condiciona as atividades de Deus. também na teologia do processo há uma tendência em reinterpretar os milagres da Bíblia em termos existenciais. A Bíblia na afirma categoricamente: “Deus não é homem para que minta”. mas suas conclusões o dissociam do Deus encarnado. pois se Deus não tem nenhum conhecimento dos fatos ainda não ocorridos.

ele argumenta que deve haver uma correlação entre os problemas do homem e a fé cristã. Já apresentamos dois deles. a teologia. coletando ―supostamente‖ o que havia de melhor nessas duas escolas. Paul Tillich. O fato é que Tillich se valeu das elucubrações de ambas as partes. Há quem pense que seu existencialismo teológico tenha surgido nesse período e especificamente por causa dos horrores da guerra. além de sua especialidade. e talvez. apesar das semelhanças. Se por um lado a filosofia naturalista não pode responder os questionamentos do homem. 14. filosofia. A mensagem do cristianismo surge como ―um conjunto de verdades sagradas que apareceram em meio à situação humana como corpos estranhos procedentes de um mundo estranho‖. segundo ele. Tillich é mesmo uma figura controversa. Tillich desenvolveu um sistema teológico que resiste a qualquer rótulo. em Nova Iorque. Parte da popularidade de Tillich nos círculos acadêmicos deve-se a sua profunda preocupação em encontra alguma forma de relacionar a mensagem da Bíblia com as necessidades do século vinte. não formou especificamente uma escola teológica específica. Falando do ―princípio de correlação‖. ele é mencionado em conjunto com Barth e Brunner. Sua profunda erudição e seus conhecimentos de história. Na Europa ele é considerado um liberal e ferrenho opositor de Barth e Brunner. e é isso mesmo que ela é. neo-ortodoxa e liberal. dedicou seu tempo para ajudar os refugiados da Europa. Como encontrar a verdade? E de que modo podemos construir uma teologia? . lhe renderam o título de ―teólogo dos teólogos‖. Pressupostos da teologia de Paul Tillich. Na América do Norte. à saber: Barth e Bultmann. sua intelectualidade não o privou de prestar importantes serviços sociais e religiosos. Porém. arte e análise política. ele é considerado como pertencendo a escola neo-ortodoxa e em alguns círculos teológicos. Paul Tillich se tornou professor do Union Theological Seminary. mas tal comentário será sempre especulação. Exerceu capelania durante os quatro anos da Primeira Guerra Mundial e participou do Movimento Socialista Religioso na Alemanha. é provável que somente Rudolf Bultmann tenha exercido uma influencia igual no cenário teológico mundial. Apesar de não ter formado uma escola específica. Ele se situa exatamente no centro. Queremos agora apresentar o terceiro deles. Embora fosse um homem de grande erudição. Tendo fugido da tirania de Hitler em 1933. apelido pelo qual é conhecido hoje nos círculos acadêmicos.Teologia do Ser: Paul Tillich e a fronteira entre o liberalismo racionalista e a teologia existencialista. entre a crítica destrutiva da desmitologização e o existencialismo neo-ortodoxo. Hordern define a teologia de Paul Tillich como sendo ―a fronteira entre o liberalismo e a neo-ortodoxia‖. por outro lado. Ao chegar nos Estados Unidos. por essa razão. O teólogo Willian H. no entanto. Há pelo menos três grandes vultos teológicos do século vinte. o ―sobrenaturalismo do cristianismo histórico‖ é muito transcendente para que o homem possa encontrar nele a resposta. psicologia. Sua experiência como capelão no período da guerra fez com que ele tivesse uma vívida impressão dos problemas sociais.

pois mesmo que o considerássemos como o ser mais elevado.Para Tillich. o que seria uma explicação superficial e simplória. como portador do ―Novo Ser‖. significa simplesmente que Jesus foi restituído à sua dignidade na mente dos discípulos. Tillich o define em função do ser e da alienação do Ser. e isso foge a nossa compreensão. afirmar a existência de Deus é tão ateu quanto negá-la. Este Ser (com maiúscula). A palavra ―símbolo‖ é resultado do repúdio de Tillich por qualquer interpretação ortodoxa acerca da pessoa e da obra de Cristo. A preocupação essencial é aquela que tem prioridade sobre todas as preocupações da vida. Por isso. Quanto ao pecado. A ressurreição. A regeneração é descrita por ele como ―ser incorporado na Nova Realidade manifesta em Jesus‖. em que se rompe a distância. ele define Jesus como o símbolo no qual se supera a alienação. O relato da crucificação é mencionado como lendário e contraditório. mas também sem sentido. e sim uma palavra simbólica que indica que o homem é aceito apesar de si mesmo. segundo ele. Nós nos preocupamos essencialmente quando ponderamos sobre aquilo que tem o poder de destruir ou de salvarnos. As descrições da salvação em seus aspectos. Segundo ele. no qual se dissolve toda alienação que tenta diluir a unidade do homem com Deus. O pecado é a alienação do fundamento do nosso ser. A santificação é o processo através do qual o Novo Ser transforma a personalidade e a comunidade fora da igreja. Cristo é o símbolo do ―Novo Ser‖. Ele esta além do ser ou das coisas. isso porque o Ser transcende à existência. tais como o ser e o não ser que tanto o angustiam. Essa preocupação essencial é o que determina nosso ser ou o não-ser. A religião não é apenas uma questão de ter determinada crença ou praticar certas ações. Em sua cristologia. Não podemos compará-lo a nada a fim de definilo. . começamos definindo a religião. paradoxalmente não é nem uma coisa nem um ser. regeneração e santificação também estão sujeitas à reinterpretações. segundo ele. mas também o poder de Ser por si mesmo. Nossa preocupação é essencial quando ponderamos sobre aquilo que é a soma da nossa realidade e a estrutura e objetivo da nossa existência. Essa preocupação. Ele é a resposta simbólica do homem para a sua busca de bravura para superar as situações que o limitam. tem o poder de elevar o homem sobre si mesmo. A justificação também não é um ato soberano de um Deus pessoal. A responsabilidade pelas tensões da vida moderna não está relacionada a um conceito clássico de pecado. a afirmação ―Deus se fez homem‖ é uma afirmação não apenas paradoxal. Para Tillich. ou aquilo que tradicionalmente chamamos de Deus. o homem é religioso quando está ―essencialmente preocupado‖. para Tillich. Deus não é apenas o Ser. o estaríamos reduzindo a um objeto e uma criatura. tais como justificação. Ela se resume na entrega total de nosso ser. O essencial é o próprio Ser.

o que faz dele um absoluto nada. Não entendemos o porquê Paul Tillich insiste em empregar a palavra Deus com sentido cristão. Tillich reduz Jesus a um mero símbolo. Sua cristologia também é uma fraude. Há várias objeções que se pode fazer à teologia de Tillich. No entanto. mas estará sempre em plano secundário. Religiosos de ambos os grupos certamente abraçariam com alegria seus pressupostos. A Bíblia. precisa. não é aplicável aos problemas da nossa época. Sua doutrina definitivamente não é doutrina bíblica. . O conceito de ―Ser‖ que Tillich apresenta se assemelha muito mais a um aspecto desse mundo do que existe por si só e independe de sua criação. temos a impressão de estar diante de um incrível tratado teológico produzido por uma mente enciclopédica. Deus é um poder racional que penetra a profundidade do ser. Como escreveu o crítico Kenneth Hamilton. ele argumenta que a Bíblia. As vezes essa tradução nos ajuda a ver as coisas sob uma luz mais clara e profunda. Quando nos deparamos pela primeira vez com a obra de Paul Tillich. exceto como um símbolo a mais para descrever uma situação existencial que não tem relação com o Deus Vivo. e sim uma ―tradução‖ da linguagem teológica em termos teosóficos e ontológicos. porém na maioria das vezes. e que não é nem sobrenatural nem natural. sua teologia não é especificamente cristã. a maior falta dele não foi substituir a teologia pela filosofia. Tillich utiliza a filosofia para analisar os problemas mais profundos da existência do homem contemporâneo. ―sua maior falha foi substituir a Palavra de Deus pela palavra do homem‖. interpretada da maneira tradicional. não há mais distinção entre Criador e criatura. nesse caso. entre elas a sua rejeição da Bíblia como palavra de Deus. No sistema dele. Sua idéia de Deus não é trinitária e nem pessoal. Essa teologia diluída poderia ser bastante aceitável para um budista ou um hindu. Seguindo os moldes neo-ortodoxos e liberais. pode até aparecer. Também não conseguimos entender que tipo de Deus pode estar além da transcendência. Por esta causa. sua tradução faz violência tanto ao Espírito quanto à letra que ele traduz. No entanto. mas não é uma pessoa que se comunica ou com quem possamos ter comunhão. exceto pela sua afirmação de que só ele foi e é o Cristo. O ―princípio da correlação‖ de Tillich afirma que a filosofia pode dar-nos uma analise adequada da situação humana. A soteriologia de Tillich não tem significado concreto. sutil e tremendamente criativa.Objeções à teologia de Paul Tillich.

Porque. Ao negar a historicidade dos fatos narrados no Novo Testamento. de origem netamente Latina. segundo os princípios paulinos. Se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida. a vossa fé. se os mortos não ressuscitam. salvo nas esferas seculares. Teologia da Libertação: Uma resposta teológica à crise econômica e social LatinoAmericana. sua interpretação meramente existencial do cristianismo faz dele um teólogo ruim.13-19). onde o liberalismo teológico e o naturalismo têm estado ativo e presente. a influência dessas escolas teológicas na nossa teologia e em nossas denominações é pequena. Se por um lado Tillich é considerado excelente erudito (e eu diria até um bom filósofo). Porém. se Cristo não ressuscitou. Cristo não ressuscitou. Apesar da relevância dos problemas até aqui levantados. . ou quase nula. apresentada por nós no capítulo dez sob o título de ―teologia do processo‖. E ainda mais: os que dormiram em Cristo pereceram. Muitos dos programas teológicos até aqui apresentados foram postos em caráter de informação. Tillich remove o fundamento e a esperança da fé cristã. ao qual ele não ressuscitou. Imagino o que diria o apóstolo Paulo a um pregador como Paul Tillich: ―E. Temos analisado as doutrinas dessas escolas e em nenhum momento fugimos da responsabilidade de apresentar o nosso parecer. E. é vã a nossa pregação. somos os mais infelizes de todos os homens‖(1Coríntios 15. passando pelas principais escolas teológicas da era contemporânea. então. também Cristo não ressuscitou. Nas comunidades eclesiásticas brasileiras. se Cristo não ressuscitou. e cujos pressupostos tem de alguma maneira modelado a forma de fazer teologia no Brasil. Não sei ao certo como Paulo argumentaria com Tillich. 15. sua teologia pode ser chamada cristã. e talvez o leitor nunca se depare com os problemas aqui levantados. é a Teologia da Libertação. Assim como Bultmann. à partir desse capítulo. e vã. porque temos asseverado contra Deus que ele ressuscitou a Cristo. A análise que fazemos dessas propostas teológicas encontra seus pressupostos na ortodoxia bíblica. abordaremos três correntes teológicas cuja presença é marcante no Brasil. ele lança tantas dúvidas acerca dos milagres e da ressurreição que de nenhuma maneira. da perspectiva ortodoxa. quase não vemos influência desses movimentos. é vã a vossa fé. Até aqui a nossa abordagem tem sido principalmente teórica. mas creio que seria algo assim. conforme já foi dito no capítulo primeiro. a ocorrência literal dos milagres e o maior milagre do cristianismo: a ressurreição. se é certo que os mortos não ressuscitam. E. a não ser um ou outro incidente recente de pastores que abraçaram a teologia relacional. e ainda permaneceis nos vossos pecados.Vemos em Paul Tillich um sério compromisso com a filosofia existencialista. A primeira dessas três escolas. e somos tidos por falsas testemunhas de Deus. ao mesmo tempo em que podemos perceber seu particular descaso para com a Palavra de Deus. se não há ressurreição de mortos.

dentro desse movimento teológico significa: Libertação política das pessoas e setores socialmente oprimidas. que pudesse sanar os problemas sociais e econômicos de então. resultante da criação contínua de uma nova maneira de ser e de uma revolução permanente. ao ponto de alguns considerarem Camilo Torres. uma mudança radical nas estrutura. e se o fim é nobre. sendo o cerne dessa conscientização o despertar da consciência das massas miseráveis que vivem a cultura do silêncio. o problema da violência e da não-violência é um problema ilusório. Nas décadas de 60 e 70. Richard Shaull. Libertação pedagógica para uma consciência crítica através do que o pedagogo brasileiro Paulo Freire chamou de ―conscientização‖. A palavra. Qualquer semelhança com os conhecidos jargões do comunismo não é mera coincidência. não está subentendida a obra de Cristo por nós. protestantes como Rubem Alves. Hugo Assman e Gustavo Gutiérrez Merino. e sim os ideais do marxismo. sacerdote colombiano que morreu em um tiroteio como membro da guerrilha de Che Guevara.Contextualizando a teologia da libertação. Os teólogos da libertação se declararam várias vezes favoráveis a luta armada. Essa atitude violenta foi de fato uma proposta aberta aos religiosos para que tomem lugar nas barricadas e lutem em prol do desenvolvimento social e econômico da América Latina. José Míguez Bonino e o então missionário no Brasil. se empenharam em buscar uma teologia que pudesse resolver os conflitos sociais da América Ibero Hispana. Sob a palavra ―libertação‖. a voz revolucionária começou a clamar em favor das massas. os teólogos da libertação são bem pragmáticos. Em meio a uma estrutura social em que um homem velho morre aos vinte e oito anos. ―exploração‖. As palavras chaves para entender essa teologia social são ―revolução‖. ―capitalismo‖ e ―proletariado‖. Católicos romanos como Juan Luís Segundo. política e econômica que lhes é imposta. A teologia da libertação e a revolução social. Emílio Castro. e mais laica e prática. Apenas existe a questão do uso justificado ou injustificado da força. ―libertação‖. Na questão da violência. o ambiente teológico da América Latina passou por sérias transformações. O ambiente no Brasil e na Argentina era de ditadura. e oitenta por cento da população vive com uma renda de oitenta dólares por ano. os meios se fazem necessário. para se interarem da dominação social. ―dominação estrangeira‖. Para eles. O padre Camilo costumava dizer que ―cada católico que não é revolucionário e não está do lado da revolução comete pecado mortal‖. onde os estudantes que protestam são torturados. como se pode deduzir dessas linhas. Os teólogos que viveram esse período foram levados a formular uma teologia que fosse menos acadêmica e teórica. Libertação social para melhores condições de vida. . Ele foi a maior fonte de inspiração e o impulso motor dessa nova tendência teológica. animados pela política mais aberta do Vaticano II. onde quinhentos em cada mil crianças morrem antes de completar um ano de idade. como o santo patrono da causa.

a pena foi suspensa em 1986. Leonardo Boff. . A responsabilidade social é um dever do cristão. Em 1992. então arcebispo do Recife. foi submetido a um processo no Vaticano. Tal ponto de partida deve ser contextual.28. ―Mudou de trincheira para continuar a mesma luta‖: continua como teólogo da libertação. em nossa época. então prefeito da Congregação da Doutrina e da Fé. O ponto de partida para a elaboração da teologia da libertação. Embora Hugo Assman e Dom Hélder Câmara sejam dos nomes que representam o pensamento da teologia da libertação no Brasil. promove uma revolução pacífica. A salvação. Em 1984.5). o que faz da teologia da libertação mais um movimento político que um movimento netamente teológico. escritor. foi negado por eles mesmos muitas vezes na prática. ―apostatou‖ de sua condição de padre e da própria Igreja Católica para se unir com uma mulher. mas pouco tem a ver com o conceito tal como utilizado por Jesus e por Paulo. atualmente é o Dr. de uma sociedade mais justa e fraterna. e o evangelho. Porém. sendo também deposto de todas as suas funções editoriais e de magistério no campo religioso. como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra e as Comunidades Eclesiais de Base (CEB‘s). Boff participou da coordenação e publicação da coleção ―Teologia da Libertação‖. Como movimento político. e condenado a um ano de ―silêncio obsequioso‖.No Brasil. e a teologia deve ser elaborada à partir de elucubrações sócio-políticas. ela tem sido um brado a favor da dignidade humana. Em 1985. com raízes na dimensão humana e política. se resume em ―um processo que abarca o homem e a história‖. O encontro com Deus é descrito como ―o compromisso com o processo histórico da humanidade‖. o que eles admitem na teoria. por não se contentar com as reformas triviais. Dom Hélder Câmara. foi interrogado pelo cardeal Joseph Ratzinger (o atual papa Bento XVI). Essa concepção de salvação talvez corresponda à idéia judaica de messianismo na época de Cristo. Como membro do conselho editorial da Editora Vozes entre 1970 e 1985. 1João 3. mas a salvação não se restringe a essa responsabilidade: salvação significa perdão e cancelamento dos pecados cometidos contra Deus (Hebreus 9. Os pressupostos da Teologia da Libertação e as objeções à doutrina. apresentadas no livro ―Igreja: Carisma e Poder‖. ―é o esforço do ser humano para ser parte do processo através do qual o mundo será transformado‖. órgão herdeiro da Inquisição. professor e conferencista nos mais diferentes auditórios do Brasil e do exterior. segundo o peruano Gutiérrez. a principal voz do movimento no Brasil. Curiosamente a cúpula da CNBB parece continuar com boas relações com Boff. Dada a pressão mundial sobre o Vaticano. podendo retomar algumas de suas atividades. entre outros. em razão de suas teses ligadas à teologia da libertação. Leonardo Boff que está no centro do debate sobre a teologia da libertação. dentro da cosmovisão libertária. deve ter uma transcrição e aplicação política. assessor de movimentos sociais de cunho popular libertador. sendo de novo ameaçado com uma segunda punição pelas autoridades de Roma. apesar de sua ―apostasia‖ e de seu marxismo.

nem é preciso forçar a exegese ou fazer eisegese para defender pressupostos sociais. não podemos deixar de aludir que. isso porque a ―Sola Scriptura‖ não admite nenhum ―somado a‖. é proclamar que o filho de Deus ressuscitou e tem poder de perdoar pecados. a teologia da libertação é fortemente um movimento violento. ou não somos cristãos. que tentam colocar em prática as idéias sociais da mesma. a missão da igreja acaba por confundir-se com confrontamento político e adesão e exposição de idéias sociais. também teólogo libertário. Como é difícil associar todo esse discurso com as palavras de Jesus no Sermão da Montanha! Como o evangelicalismo deve responder a essa ―revolução teológica‖? É óbvio que o cristão não deve viver alienado de qualquer idéia política ou deva se conformar a uma mentalidade status quo. Devido à repressão ao movimento. Ela foge totalmente a ortodoxia reformada. Toda rotulação é pobre. Ele também afirma que o ―amor para os oprimidos significa cólera contra os opressores‖. ainda que não totalmente. mas a missão do cristão. ―a violência se converte na força que move a história no caminho para conduzir à sociedade perfeita‖. há de se admitir a classificação do movimento da teologia da libertação como um movimento violento é falha. segundo a Bíblia. e não há nenhuma possibilidade de um crente evangélico sustentá-la sem cair em contradição.Nesse processo de teologia libertária. pois neste caso. Ao refletir algo parecido com a ética situacional. Não é preciso polarizar para ter responsabilidade social. ou a história. ou a fé. e no caso da Teologia da Libertação. ou a razão. É preciso ressaltar que as afirmações de violência não são de nenhum modo característica de todos os teólogos da libertação. A teologia da libertação está fundamentada em uma postura na qual a presente práxis histórica se transforma em norma canônica para descobrir a vontade de Deus. e nesse sentido. mas a influência nas faculdades ainda é grande. ou o marxismo. . Ainda assim. Em outras palavras. Rubem Alves. ou ―junto com‖. os fins justificam os meios. Como disse. hoje não há muitos grupos ou indivíduos que mantém a Teologia da Libertação. conforme temos exposto em tese. a tendência da teologia cristã é polarizar: Ou a experiência. é justo empregar a violência contra a violência. Atualmente o movimento se reduz a algumas ―comunidades de base‖. a teologia da libertação não pode escapar das mesmas acusações levantadas contra ela: moralidade relativista e pragmática. O problema é que.

A. McGee. Torrey. Em seu livro A Short Account of Christian Perfection. também acreditavam que uma segunda obra de graça revestiria o cristão com o poder do Espírito. Essa doutrina chegou na América do Norte. de John Wesley. cuja ênfase estava voltada à vida santificada. sob a liderança de J. da irmã Phoebe Palmer. Outros pregadores de renome. Outros três livros que proporcionaram as bases sobre a qual foi construído o movimento pentecostal foram Guia para a Santidade e A Promessa do Pai. fazendo uma interpretação pessoal de Lc 24. a ensinar sobre três obras de graça. acreditava que o batismo no Espírito Santo provesse revestimento de poder para se obter a perfeição cristã. O primeiro teria ocorrido na Inglaterra. de William Arthur. Benjamin Hardin Irwin começou. a noção que Irwin possuía de uma terceira obra de graça. quando o pregador Wesleyano radical da Santidade. Finney. C. A crença na segunda obra de graça não ficou confinada ao metodismo. e Tongue of Fire (Língua de Fogo). a segunda obra de graça iniciava a santificação e a terceira trazia o ―batismo do amor ardente‖. tendo como caudilho o ministério de Edward Irving. ao redor de 1830. Segundo Irwin. Aroolappen. e o segundo teria ocorrido no sul da Índia. . teólogo pentecostal das Assembléias de Deus. que é o batismo no Espírito Santo. que livraria os crentes de sua natureza moral imperfeita. O movimento também tem suas raízes na Doutrina da Perfeição Cristã. e inspirou o Movimento de Santidade.49. Aos que procuravam receber a segunda obra de graça. posterior à conversão. Segundo o Dr.16. firmou-se como alicerce do Movimento Pentecostal. em 1895. o revestimento de poder para o serviço cristão. Wesley conclama os crentes à buscarem uma segunda obra de graça. Porém. por exemplo. tais como Dwight L. uma das principais líderes metodistas. a dissidência teológica começou a surgir. era ensinado que cada cristão precisa esperar pela promessa do batismo no Espírito Santo. A maior parte do Movimento de Santidade condenou essa terceira obra da graça como sendo heresia. porém. Moody e R. em 1760. pelo menos dois reavivamentos do século XIX podem ser considerados precursores do moderno movimento pentecostal. O advogado e pregador cristão Charles G. Gary B. Mesmo assim. Pentecostalismo: Parham. Seymour e o avivamento místico-pietista do século XX.

Sendo assim. experiências semelhantes. o fenômeno das línguas auxiliaria como uma ferramenta nas mãos dos missionários transculturais. quando Agnes Ozman. em 1916. A partir da rua Azuza. Depois de 1906. Parham. porém até então esses eram apenas casos isolados. que incluía o falar noutras línguas como sinal do batismo no Espírito Santo. Suas asserções estão baseadas nos relatos de Atos dos Apóstolos. A grande contribuição teológica de Parham ao movimento acha-se na sua insistência de que o falar noutras línguas é a evidência bíblica vital da terceira obra de graça: o batismo no Espírito Santo. que influenciado por Irwin e convencido pelos seus próprios estudos dos Atos dos Apóstolos. 10 e 19. tornou-se líder de uma igreja na rua Azuza. e muitos diziam que o movimento era a restauração da fé apostólica. e falaram em outras línguas (xenolalia). À princípio. incluindo o falar noutras línguas. Depois de Agnes Ozman. testemunhou um grande reavivamento na Escola Bíblica Betel. e desde então o falar em outras línguas tem sido destacado pelos pentecostais como sendo a evidência física inicial do batismo no Espírito e a prova cabal do mesmo. isto é. faziam rapidamente um paralelo com os eventos do livro de Atos dos Apóstolos. Essa tese perdeu força com o decorrer dos anos e hoje é crença quase comum em círculos pentecostais que as línguas faladas por eles não são idiomas estrangeiros. isto é. divulgou-se pelos Estados Unidos e pelo resto do mundo. cada vez mais pentecostais estavam de acordo em que as línguas por eles faladas eram glossolalia. O primeiro deles é datado de 1º de Janeiro de 1901. Aqueles que presenciavam esses acontecimentos. um homem negro chamado William Seymour. no estado americano do Kansas.Dois eventos marcaram definitivamente a chegada do moderno movimento pentecostal. Foi então que o movimento pentecostal explodiu. muitos outros alunos foram batizados com o ―novo‖ batismo. Charles Parham era um pregador do Movimento de Santidade. porém. após ter passado pela mesma experiência mística. continuava crendo que as línguas faladas pelos pentecostais eram xenolalia e que essas línguas eram expressões idiomáticas de outras nações. Na verdade. De fato. xenolalia. no ano 1906. porém. tanto nos Estados Unidos quanto no exterior. quando Bennett Freeman Lawrence escreveu a primeira história do movimento pentecostal. como na já mencionada Índia e na Finlândia. em Los Angeles. deu ao movimento o título de The Apostolic Faith Restored (Fé Apostólica Restaurada). teve uma experiência mística e começou a falar em outras línguas. Parham mudou-se para Houston. Posteriormente. já haviam ocorrido em fins do século XIX. em Topeka. . Foi à partir do início do século vinte que o pentecostalismo ganhou projeção mundial. línguas inteligíveis – idiomas pátrios. e um de seus alunos. de fato. a mensagem pentecostal. aluna da Escola Bíblica Betel de Charles Fox Parham. que seriam capacitados sobrenaturalmente para falarem outros idiomas. capítulos 2. em lugares bem distantes entre si. línguas desconhecidas e não identificáveis pela inteligência humana. os cristãos pentecostais achavam que as línguas faladas por eles eram.

Em um sermão pregado em Arroyo Seco. portanto. Seria ela progressiva ou instantânea? Os pentecostais de tendências wesleyanas asseguravam que a santificação era uma obra instantânea. que é uma variação do unitarismo. e consequentemente sobre o pentecostalismo. para fundamentar o falar noutras línguas como a evidência inicial do batismo no Espírito Santo. Houve então uma cisma no movimento e os que enfatizaram o batismo apenas no nome de Jesus acabaram por propor uma doutrina modalística da trindade. não acompanharam as tendências modalísticas. enquanto os pentecostais de tendências reformada defendiam a santificação progressiva. sobre o valor teológico da literatura narrativa.E.O Dr. na GrãBretanha como tendo uma grande influência sobre o Movimento de Santidade na América do Norte. .38) ao invés da fórmula trinitariana (Mt 28. A quarta controvérsia é de ênfase cristológica. e logo nos primeiros dezesseis anos de existência. ininteligíveis por meios naturais. uma vida mais profunda. caracterizada pela plenitude do Espírito. R. Os que deram crédito à pregação de McAlister foram ―rebatizados‖ em nome de Jesus.19). A segunda controvérsia já foi mencionada. no entanto. Os principais pressupostos da doutrina pentecostal. Os conferencistas de Keswick acreditavam que o batismo no Espírito Santo produzia uma vida contínua de vitória. Gary B. McGee também menciona as conferências de Keswick. As Assembléias de Deus. Outro debate girava em torno da segunda obra da graça: a santificação. que afirmava que o batismo no Espírito produzia a perfeição cristã. A primeira. houve quatro grandes controvérsias. Essa sentença está alicerçada no conceito wesleyano. e diz respeito à natureza das línguas faladas. em especial o livro de Atos e os últimos versículos de Marcos. McAlister observou que os apóstolos batizavam apenas em nome de Jesus (At 2. Um grupo acreditava tratar-se de expressões idiomáticas inteligíveis (línguas pátrias) enquanto outro acreditava que as línguas faladas eram expressões de mistério. No início do movimento houve muitos debates acerca da doutrina.

destacamos à seguir aquilo que consideramos ser as crenças mais universais dos pentecostais. e ainda que isso tenha contribuído para a aceitação do evangelho. Apesar disso. profecias. Não queremos dizer com isso que o pentecostalismo somente se instaurou no Brasil por causa da influência dos cultos afros e do xamanismo. Na Alemanha do século dezenove. ao mesmo tempo que a teologia pietista. A lista não é exaustiva. b) Na atualidade dos dons espirituais. na época em que Daniel Berg e Gunnar Vingren aportaram em nosso país. podendo haver outros itens não relacionados nessa pesquisa. os ministérios que ressaltavam a importância da oração pelos enfermos atraía a atenção dos crentes estadunidenses. também foi um fator decisivo para a recepção das doutrinas pregadas pelos missionários suecos. sobretudo no norte do país. línguas e interpretação de línguas e operação de milagres. A promessa de uma cura instantânea veio de encontro com as necessidades básicas do nosso povo. No Brasil. a maioria dos cristãos pentecostais também crê: a) b) c) Na vinda de Jesus pré-milenista e pré-tribulacionista. de modo o movimento teve ampla aceitação. A crença mística do povo brasileiro. o quanto resulta difícil fazer generalizações doutrinárias acerca do movimento. havia em nossas terras um grande número de leprosos e muita gente morria apenas por falta de higiene ou por efeito de uma desinteria. . c) Que o batismo pentecostal reveste o crente com poder do alto capacitando-o para exercer seu ministério ao mundo. No final do século dezenove e início do século vinte. Razões que contribuíram para crescimento do Movimento Pentecostal.Vemos. Consequentemente. a fé no miraculoso para a cura física começou a ressurgir nos círculos evangélicos. tais como cura. esse não foi o fator decisivo. Além disso. Todos os cristãos pentecostais crêem: a) No Batismo no Espírito Santo como experiência subseqüente e distinta da salvação. com sua crença na purificação instantânea do pecado ou no revestimento do poder do Espírito produziu um ambiente receptivo aos ensinos da cura mediante a fé. a medicina avançava à duras penas e oferecia pouca ajuda aos que se achavam gravemente enfermos. a medicina era ainda mais precária. São dispensacionalistas. portanto. No falar em línguas como evidência física inicial do batismo no Espírito. Lembremos que o mundo greco-romano nos dias apostólicos também tinha suas religiões de mistério.

e nem por isso aqueles que se convertiam tinham seu livre-arbítrio violado. surgiu também um movimento de restauração da fé apostólica. o pentecostalismo por sua vez surgiu do desejo de reencontrar a fé cristã primitiva e de desassociar-se do sistema secular. criavam teologias com ênfase em teorias naturalistas e evolucionistas. na leitura e pregação devocional da Bíblia e com uma visão de ministério às nações. tem substituído a pregação da palavra de Deus. As Assembléias de Deus. Em muitas igrejas evangélicas.Objeções à doutrina pentecostal. Porém. Crédito no céu? Onde está a mensagem da graça. ou dom de profecia. Muitos presenciaram a multiplicação dos pães. e quando reaparece. por outro lado. Talvez minha observação pareça arrebatada ou até mesmo apaixonada demais. invocar serafins antes de fazer sua preleção. faziam estudos sobre o Jesus histórico desassociando-o do Jesus da fé. Não faltam porém objeções às práticas do movimento. Muitas foram as contribuições do pentecostalismo. Essa prática definitivamente não é cristã. filha desse reavivamento espiritual. dizem que as profecias só são válidas se estiverem em comum acordo com a Bíblia sagrada e terão valor apenas após o seu cumprimento. Se por um lado os demais movimentos estavam associados ao desejo de amoldar a fé cristã aos padrões filosóficos e científicos do homem moderno. Muitos cessacionistas têm se empenhado para desacreditar o pentecostalismo e a atualidade dos dons espirituais. Os cessacionistas argumentam que se a inspiração profética é atual. Jamais vimos Jesus ou os seus apóstolos invocando a presença de anjos antes de trazer uma mensagem aos fiéis. entre as quais destacamos algumas. nenhuma exegese por eles apresentada justifica o anti-sobrenaturalismo presente em sua teologia. Em meio ao cenário árido da teologia do início do século vinte. a ponto de ter se tornado praxe de certo pregador televisivo. Os restauracionistas pentecostais. Esse mesmo pregador gosta de dizer a Deus em suas ―fervorosas‖ orações: ―se tenho crédito no céu…‖. desmitologização. visões e da conduta cristã. É interessante perceber que nesses cem anos de controvérsias teológicas. Outra questão diz respeito aos milagres. mas nem por isso se tornaram crentes. É comum em nossos dias ver pregadores pentecostais trazendo novas e estranhas revelações acerca de anjos. E os exageros não param por aí: a Bíblia também. A isso os pentecostais dizem que Jesus e os discípulos também faziam sinais. Alguns cessassionistas dizem que a ocorrência de sinais fantásticos seria mais que persuasão e violaria incondicionalmente o livre-arbítrio humano. do favor de Deus? . tornou-se uma das maiores denominações do mundo. então teremos duas fontes inspiradas: a Bíblia e a profecia. a excessiva ênfase na inspiração sobrenatural da fala. volta e meia desaparece dos púlpitos nos congressos. mas o fato é que o pentecostalismo foi uma das principais reações contrárias ao secularismo teológico que surgiu no século vinte. é permutada. surgiu um movimento com ênfase na santificação. enquanto os teólogos alemães e norteamenricanos patenteavam jargões como geschichte.

De modo quase geral. Na verdade. porém. obviamente influenciados pelo existencialismo de Kierkgaard. o atual quadro do pentecostalismo. . William Seymour e os demais pregadores do movimento pietista pentecostal instavam para que os homens se amoldassem à Palavra de Deus. mercadejando as bênçãos de Deus e enfatizando muito mais o presente que o porvir. Virou já um ícone do evangelho da prosperidade. Bultmann. Há muitos que ainda prezam pela pregação bíblica e que mantém o perfeito equilíbrio entre a unção. Tillich e Brunner agitavam o cenário teológico mundial com inovações e com suas tendências filosóficas. O pentecostalismo surge no cenário contemporâneo na contramão da teologia moderna liberal e neo-ortodoxa. surgiu no cenário mundial um movimento que buscava justamente o oposto. faz-nos pensar na necessidade e porque não dizer. Enquanto Barth apresentava Deus como ―Totalmente-Outro‖. urgência de uma nova reforma religiosa dentro do próprio movimento: uma nova restauração da fé apostólica. sobretudo no cenário nacional. não significa que não haja pentecostais sérios e ortodoxos. pelo ceticismo de David Hume e pelos apelos filosóficos de Immanuel Kant. a pregação catequética e com embasamento escriturístico tem sido substituída por empolgados shows evangélicos. Enquanto Barth. No entanto. Apesar da semelhança semântica. vive em nós. quero ressaltar que a dissimile é maior que qualquer afinidade que estes dois nomes possam sugerir. Isso. e enquanto existirem esses. Conhecemos muitos assim. esses excessos ocorrem bem na fronteira de dois movimentos contemporâneos com muita força em nosso país: o pentecostalismo e o neopentecostalismo. mas isso não desqualifica o movimento. Muitos excessos têm sido cometidos desde então. promovidos por pregadores que mais parecem animadores de auditório. Se por um lado Paul Tillich buscava amoldar a Bíblia às necessidades do homem. a erudição e o conhecimento teológico. os pregadores pentecostais insistiam na possibilidade de um relacionamento pessoal com Deus e definiam-no como aquele que habita os céus e que paradoxalmente.Outro pregador pentecostal que há anos se identificava como homem ortodoxo tem se rendido fatalmente à práticas neo-pentecostais. creio que o movimento contará com certa credibilidade.

e os Pentecostais Carismáticos. fundada em 1977. . Quebra de Maldições. Neopentecostalismo: Misticismo. fundadas em 1967. mas lembremos-nos: o sinal sempre foi sinal para incrédulos! Em toda a história. Nova Unção). Este movimento se originou a partir de denominações históricas. chegou no Brasil o movimento que ficou conhecido como neopentecostalismo. tais como a Igreja Presbiteriana Renovada. sempre buscaram um sinal e uma materialização do imaterial. Kenneth Copeland. em escolas bíblicas de férias e na televisão. juntamente com as doutrinas neopentecostais têm surgido muitas doutrinas paralelas. homens e mulheres no decorrer de sua incansável busca por um toque religioso. de multidão má e incrédula (cf. da Cura Diferencial e do Exorcismo. e Socorrista. as diferenças entre esses dois grupos protestantes são maiores que qualquer semelhança que possam ter. fundada em 1970. Jesus chamou essa multidão que de um lado para o outro em busca de uma experiência. apregoadas por supostos avivalistas em acampamentos cristãos. Robert Schüller. além de apresentar as principais doutrinas do século vinte. Mateus 12. defender com muita submissão os valores do Evangelho e a imaculada Igreja de Nosso Senhor Jesus. Muitos obreiros e ministérios são envolvidos em assuntos aparentemente simples como os que temos abordado. Estes. Muitas pessoas no movimento da confissão positiva consideram Kenneth Hagin como o pai do movimento. Marilyn Hickey. como a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD). Essek William Kenyon e de seus principais porta-vozes. Porém. Maldições Hereditárias. as Igrejas com pouca estrutura eclesiástica.38-39). Temos buscado nessas páginas. quando na verdade estão sendo instrumentos para erosão perniciosa contra a vida espiritual da Igreja. ensinam sempre sob a orientação filosófica de seu pai. quando se investiga o desenvolvimento histórico do movimento. Kenneth Hagin. Jorge Tadeu e outros. sem nenhuma consulta à exegese bíblica. evangélicos ou não. como a chamada Confissão Positiva (Evangelho da Saúde e da Prosperidade. Nos nossos dias. chega-se à conclusão de que o verdadeiro pai da confissão positiva é Essek William Kenyon. Como já foi dito no capítulo anterior. pensando estar fazendo o melhor para Deus.17. de novas manifestações. Na década de 70. em congressos. de tal forma que muitos pregadores da prosperidade – inclusive os brasileiros – se consideram discípulos de Hagin. sejam pregadores ou leigos. História do Movimento Neopentecostal. Renovação Carismática. originária da Igreja Católica Romana. as Igrejas Pentecostais Livres: Sinais e Prodígios. Maldição de Família e Pecado de Geração. alicerces ou filtro teológico. à qual fomos chamados. em 1975. vivem em busca de ―sinais‖ de Deus. embora seja possível estabelecer uma símile entre o pentecostalismo e o neopentecostalismo. Todos estes. e por mentores católicos carismáticos no exercício do Toque do Dom. pragmatismo e culto à Mamom. em 1973.

onde freqüentou várias escolas. . Em seus 40 anos de ministério. Sua conversão à Ciência Cristã foi a última progressão lógica na sua evolução metafísica do ortodoxo para o sectário‖. fundada por Charles Emerson. em 1908. finalmente. sendo assim levado a tomar uma decisão quanto a sua vida espiritual. com a idade de 80 anos. Mais tarde. Segundo o professor Paulo Romeiro. entre elas a Faculdade Emerson de Oratória. mudou-se para Boston. o que ela cumpriu fielmente. em 1867. Emerson uniu-se à Ciência Cristã em 1903 e nela permaneceu envolvido até sua morte. finalmente fundou. Hagin conta ter descido outras duas vezes ―ao inferno‖ para ali contemplar os seus horrores. recebeu o batismo com Espírito Santo e falou em línguas. em 1962. Paulo Romeiro. para o transcendentalismo. Ésse Charles Emerson. nas mais rígidas e dogmáticas de todas as seitas metafísicas. onde supostamente viu e sentiu coisas que o deixaram perplexo. escreve o seguinte acerca de Emerson: Charles Emerson foi uma figura um tanto contriversa. Duas experiências polêmicas teriam afetado toda a sua vida e ministério.600 alunos. Hagin aceitou a Cristo como seu Salvador. faleceu Kenyon. começou a associar-se com os pentecostais e em 1937. alguém utilizaria as idéias e os escritos de Kenyon para dar forma ao que viria a ser um dos maiores e mais controvertidos movimentos dentro do corpo de Cristo da atualidade. para o unitarismo. a Ciência Cristã. O professor do Makenzie e apologista do ICP. Nova York. foi uma mente muito confusa e sincretista. É muito importante saber quem foi Charles Emerson para se compreender a hermenêutica de Kenyon. Em Super Crentes. Hagin foi um jovem pregador batista (1934-1937) e pastoreou uma igreja da comunidade onde morava. em 1974. No início do seu ministério. que à bem da verdade. Antes de sua morte. Estados Unidos. a Escola Bíblica por Correspondência Rhema e o Centro de Treinamento Bíblico Rhema em Tulsa. O ministério de Kenneth Hagin é hoje um dos maiores do mundo e sua influência tem se espalhado por muitas partes do globo. No dia 19 de março de 1948. para o Novo Pensamento (Nova Idéia). Fundou em Tusla. segundo se sabe. e chegou a abraçar inclusive muitos ensinos de seitas heréticas. Tendo passado por essas duas denominações. Em 1892. e terminou. Neste mesmo ano foi licenciado como ministro da Assembléia de Deus (1937-1949) e pastoreou várias igrejas dessa denominação no Estado do Texas. Devido à sua crença em cura divina. A primeira foi Hagin ter sido ―levado ao inferno‖. não é nem ciência nem cristã. encarregou sua filha Rute de continuar o seu ministério e publicar os seus escritos. Esta pessoa é Kenneth Erwin Hagin. como por exemplo a Ciência Cristã. Depois da terceira ―visita ao inferno‖. a teologia de Emerson evoluiu do congregacionalismo para o universalismo. seu próprio ministério.Kenyon nasceu no condado de Saratoga. a Escola Bíblica de Hagin já formou cerca de 6.

o já mencionado Edir Macedo e o líder da Igreja Internacional da Graça de Deus. Outra pessoa que tem influenciado muitos no Brasil é o engenheiro Jorge Tadeu.R. enquanto no Antigo Testamento a promessa é de prosperidade advinda da obediência. de modo que um indivíduo realmente convertido nunca deve ficar doente. Para o Dr. em seu pequeno. John Osteen. A prosperidade financeira também é um direito do crente. R. principalmente pelos seus métodos de levantamento de fundos. Nos limitaremos. Os bens da organização estão avaliados em 20 milhões de dólares. no Rio de Janeiro.4-5. Serafim Isidoro. R. . Jerry Savelle. Além de Essek W. é uma figura extremamente controvertida hoje nos Estados Unidos. L. portanto. que já esteve no Brasil acompanhado de Rex Humbard. A doença tem sua origem na falta de comunhão com Deus. Para justificar o disparate. Já foram vendidos cerca de 33 milhões de cópias de seus 126 livros e panfletos. Pode ser citado ainda o ministério de Miguel Ângelo da Silva Ferreira. o Novo Testamento traz em seu cerne uma mensagem de abnegação. chegando até mesmo a chorar e a profetizar enquanto pede dinheiro no seu programa de televisão. em Portugal. Os porta-vozes da doutrina da prosperidade não medem esforços para conseguir arrecadações. pobreza e enfermidade são características de uma vida sem fé. Ele também diz que ―a busca do sensacionalismo e da prosperidade facil afasta o homem da ordem antiga: Comerás o pão do suor do teu rosto‖. responsável pela publicação da maioria dos livros de Kenneth Hagin no Brasil. baseando a cura divina na expiação e usando para isso o texto de Isaías 53. Benny Hinn e Lester Sumrall. que também pertence ao movimento. (filho de Kenneth Hagin). Segundo essa abordagem teológica. o Filho do Homem muitas vezes não tinha sequer onde reclinar a cabeça. Kenyon e Kenneth Hagin. hoje pastor e líder das igrejas Maná. R. Kenneth e Glória Copeland. porém inteligente livro Considerações à Doutrina da Prosperidade. T. Pressuposições da Doutrina da Prosperidade. Fred Price. Osborn. visto que existem diversas denominações neopentecostais e todas possuem sistema doutrinario eclético. Apenas queremos chamar a atenção para algo que se tornou o principal enfoque do neopentecostalismo: a teologia da prosperidade. Soares.A revista Word of Faith (Palavra da Fé). os nomes mais conhecidos ligados à confissão positiva são Ken Hagin Jr. Charles Capps. Hobart Freeman. pastor da Igreja Evangélica Cristo Vive. Bob Tilton. a destacar algumas práticas dos principais grupos neopentecostais. líder da Igreja Internacional da Graça de Deus. é enviada para 190 mil lares mensalmente e calcula-se que cerca de 20 mil fitas cassete de estudos são distribuídas a cada mês. sendo a pobreza uma maldição. É muito difícil enumerar os pressupostos do neopentecostalismo. afirmam que Jesus era rico – bem como os seus discípulos – mas até onde sabemos. Soares.

podemos encontrar muitos pressupostos do ―movimento da fé‖. Espírito Santo. mas a semelhança com as práticas iconoclasticas da idade média é evidente: Substituindo a idolatria por metodologias visuais e palpáveis. publicou os seguintes comentários de Hinn a respeito de Adão e Eva: ―Adão era um ser sobre-humano quando Deus o criou. por exemplo. bem como a afirmação de que o número dos salvos será maior do que o número dos perdidos. Não faz muito tempo. pastor do Centro Cristão de Orlando. portais da felicidade. A capacidade imaginativa de Hinn é tão perspicaz que não exitariamos em recomendar sua ―história‖ à Walt Disney Pictures. Seu livro. como a volta de Jesus num dia de sábado no ano 2007. lenços. Entre seus ensinos mais controversos está o seu comentário de Is 53:9. Não sei se as pessoas chegam a saber disso. .Não há dúvida de que o movimento da fé tem em Benny Hinn. tais como água do Jordão e azeite para unção. réplicas da Arca do Concerto. na Flórida. como. Bom Dia. além de objetos sem nenhum valor financeiro. Na Igreja Universal do Reino de Deus. Valnice Milhomens também tem aderido à muitas práticas neopentecostais. especialmente na televisão. Espírito Santo. fundada pelo bispo Edir Macedo. e sua esposa fazia o mesmo (…) Ambos eram sobrehumanos‖. física e espiritualmente. há ainda questões escatológicas. Hinn levou os membros de sua igreja a repetir depois dele a seguinte frase: ―Eu sou um deus-homem‖. O vídeo consta nos arquivos do ICP e o episódio é citado por Paulo Romeiro em Super Crentes. No ano de 1992. cruzes. o jornal Mensageiro da Paz publicou uma nota sobre Benny Hinn: ―O livro Bom Dia. retalhos dos ternos usados pelos pastores (será que eles rasgam o Armani do Bispo Macedo também?). Além destas. medalhas com inscrições. é um de seus nomes mais famosos. Adão não só voava [como os pássaros]. tanto o livro de Hinn como seus ensinos têm levantado muita polêmica. lenços. quando a Bíblia diz que ―aquele dia e hora ninguém sabe‖. Porém. A ênfase sobre a prosperidade financeira é bastante acentuada. é um dos mais vendidos hoje na América do Norte. está causando celeuma nos Estados Unidos. a guarda do sábado. A confissão positiva já alcançou repercussão significativa nos meios de comunicação. a denominação faz uso de rosas. mas ele foi o primeiro super-homem que já existiu. em setembro de 1992. onde afirma que Jesus morreu duas vezes. mas também voava para o espaço (…) com um pensamento ele estaria na Lua (…) podia nadar [debaixo d'água] sem perder o fôlego. O boletim The Berean Call (O Chamado dos Bereanos). de Benny Hinn. O autor se justifica afirmando que não soube explicar bem o que queria dizer. Ele passa a idéia de que existem nove deuses na Trindade. Ela também defende a maldição de família e a necessidade de ruptura das mesmas. copos com água. de Oregon. supostamente importados de Israel. o estudo acerca do ―corpo‖ do Espírito Santo.

após ser colocado na sepultura de Eliseu. Segundo Paulo Romeiro. sempre disposto à acatar ordens e tudo sem reclamar. muitos membros dessas igrejas vivem frustrados. Por acaso Deus teve que tomar a lepra emprestada do diabo para colocá-la em Miriã? A lepra de Miriã foi provocada por Deus (cf. afirma que ―Deus só pode dar o que Ele tem. A iniciativa partiu de Deus. pode-se referir à cura física ou à cura espiritual. ―não podemos esquecer também que. Por exemplo. e em Mateus 8:17. Números 12:10). nem tampouco foi o diabo quem decidiu provar Jó. ―decretada‖. Muitos pregadores da confissão positiva declaram que toda enfermidade procede do diabo. pois a Bíblia diz que um soldado morto. tocou em seus ossos e ressuscitou (2 Reis 13:14-21). em Portugal. o que é uma idéia absurda‖. A cura física também deve ser pronunciada. que apesar de ter sido um grande profeta de Deus e de ter tido um ministério marcado por muitos feitos sobrenaturais. . O pastor Jorge Tadeu.Os pregadores neopentecostais também ensinam que a fé e o recebimento das bençãos de Deus está relacionada com a confissão que fazemos. pecados ocultos ou falta de fé. total e perfeita. Objeções ao neopentecostalismo. do ICP (Instituto Cristão de Pesquisas). utilizando um jargão próprio do neopentecostalismo. está garantida na expiação com base em Isaías 53:4. Será que ele não tinha fé ou estava em pecado? Muito pelo contrário. pois temem pronunciar maldições que interfiram em seu progresso espiritual. rapha). O contexto deve determinar se um dos sentidos ou ambos são empregados. em 1 Pedro 2:24. ele menciona o profeta Eliseu. Mateus se refere à cura física (citando o texto hebraico massorético). Ele também afirma que dizer que a enfermidade é conseqüência da falta de fé ou pecado na vida do crente constitui-se numa falácia bíblica. Seu sofrimento não foi causado por confissões pessimistas. Pedro se refere à cura espiritual (citando a Septuaginta). Portanto. morreu em conseqüência de sua enfermidade. ou ainda. usar esta passagem para dizer que a cura divina. mas o ensino de Jorge Tadeu é contrário ao que diz a Bíblia. quando Jesus curou a sogra de Pedro (Mateus 8:14-17). de modo que a fé é reduzida à uma mera confissão positiva. Por causa disso. É comum assistir na TV pregadores da Prosperidade ensinando os crentes a dar ordens em Deus. 5 é forçar o texto e não reflete uma boa exegese‖. a expiação de Cristo ainda não havia acontecido. Para Deus lhe dar uma doença teria que pedi-la emprestada ao diabo. John Ankerberg e John Weldon nos ajudam a interpretar o texto de Isaías 53:4-5 com o seguinte comentário: ―No hebraico a palavra ―sarar‖ (em hebraico. Para ratificar sua asserção. O Senhor Soberano foi substituído por um Deus vassalo. Um outro exemplo citado por ele é o de Jó. líder das igrejas Maná. ―Basta examinar as Escrituras para notarmos que verdadeiros servos de Deus passaram privações e dificuldades em suas trajetórias a serviço do Senhor‖.

Rhema. na primeira página.Existe nos Estados Unidos muitos casos documentados de mortes causadas pela pretensa fé. Depois vem logos. e esta é a palavra (Gr. Secou-se a erva. a polêmica da semântica. Mas a palavra (Gr. Rhema) do Senhor permanece para sempre. que Deus fala aos iniciados. O ministério das igrejas Maná. viva que permanece para sempre. visões e comunicações particulares entre Deus e seu ―agente‖. O termo pode-se referir também à Bíblia. muitos pais perderam seus filhos para enfermidades que poderiam ser facilmente medicadas. é a ―palavra‘‖ que os crentes usam para ―decretar‖ ou ―declarar‖ a fim de trazer prosperidade ou cura para esta dimensão‖. sobre as circunstâncias que levaram ao falecimento do pequeno Nelson Marta. o vocábulo rhema é o ―abracadabra‖ que os neopentecostais pronunciam para materializar o objeto desejado. Como se pode ver. Assim. pela palavra (Gr. expressa de Deus. ou ―a palavra de revelação‖ que é a palavra mística. que seriam como os sinônimos ―enorme‖ e ―imenso‖ no português. e toda a glória do homem como a flor da erva. A palavra rhema seria uma espécie de ―vara de condão‖ capaz de materializar o objeto da nossa cobiça. que faz com que as coisas sejam realizadas. o autor pode não está mais se referindo à Palavra de Deus escrita. Dessa forma. Russel Shedd afirma que Pedro não fez distinção sobre estes termos em sua primeira carta. dizendo que há uma distinção entre eles no sentido de que logos é a Palavra escrita. Ele declara que ―os ensinadores da fé inventavam uma falsa distinção de significado entre essas duas palavras gregas.23-25: “Sendo de novo gerados. . capítulo 1. a revelação ou palavra da fé. O jornal Tal & Qual. Rhema) que entre vós foi evangelizada”. e outra subjetiva. Sendo assim fica desfeita a pretensão daqueles que querem forçar uma interpretação e aplicação errônea destes termos. Desta forma. revelada de Deus. a Bíblia. Mas a morte de uma criança acaba de pôr em causa o insólito ―mandamento‖. Entretanto. na edição de 30 de agosto a 5 de setembro de 1991. Logos e Rhema. ―Mas que Grande Seita! Deixem de tomar remédios! — aconselha a seita religiosa Maná. não existe nenhuma grande diferença entre estes dois vocábulos. mas é geralmente empregado no contexto de sonhos. direta. Os apologistas da confissão positiva fazem um cavalo de batalha sobre as palavras gregas logos e rhema que significam palavra. ou ―agir sobre a Palavra‖ e outras. podemos perceber no movimento neopentecostal duas fontes de autoridade: uma objetiva – a Bíblia. Segundo Michael Horton. Em uma linguagem mais coloquial. e caiu a sua flor. na Palavra de Deus não há sequer uma distinção teológica entre estes dois termos. mas da incorruptível. e que rhema é a palavra dita. eles afirmam que podemos usar a palavra rhema para realizarmos no mundo espiritual e físico tudo aquilo que desejamos. na mente do apóstolo não havia distinção entre estas palavras. Supostamente baseados nas promessas de Deus. O Dr. de oito anos. não tem escapado das críticas da imprensa em Portugal. não de semente corruptível. mas ao seu próprio ―decreto‖ (rhema) ou uma palavra pessoal de Deus para ele (logos). Porque toda a carne é como a erva. Logos) de Deus. ocorrido em 13 de maio de 1991. faz uma séria denúncia. dizem eles. quando alguém lê uma referência na literatura do pregador da fé à ―Palavra de Deus‖.

Ela desvirtua o crente. é uma teologia mal elaborada. Entrou em Jerusalém montado em um jumento emprestado. à luz da ortodoxia. Huxley (1825 – 1895). AGNOSTICISMO Doutrina que defende a incognoscibilidade de qualquer ordem de realidade desprovida de evidência lógica satisfatória. alardeado pelos teólogos da prosperidade como um homem abastado. e nem na verdadeira igreja evangélica. em um estábulo emprestado. Cristo. Temos depois o apóstolo Paulo escreveria aos coríntios: ―se esperamos em Cristo só nessa vida. mas não cabe nos lábios de Cristo ou dos apóstolos. ecléticopragmática que busca os resultados mais que a pureza doutrinaria. A mensagem triunfalista dos pregadores da prosperidade podem até caber em um discurso político onde a avareza prima sobre o caráter. somos os mais miseráveis de todos os homens‖. O termo foi criado por T. Sob qualquer forma que se apresente. Foi ele quem disse: ―No mundo. Glossário Teológico Contemporâneo. Entrou no mundo desassistido de bens materiais e proferiu suas pregações em um barco emprestado. para expressar o seu desprezo em face da atitude de certeza dogmática simbolizada pelas crenças dos antigos gnósticos. levando-o a buscar a prosperidade terrena. apenas afirma que isso não se pode conhecer com certeza por meio da razão. Em sua mensagem ele nos falou sobre a necessidade de negar-se a si mesmo e tomar a cruz. Só a cruz era dele. Como sistema teológico foi condenado pelos apóstolos e pela Igreja.O neopentecostalismo. tereis aflições‖. quando a prioridade dele deveria ser ―buscar as coisas que são do alto‖. Para o agnosticismo a razão humana não pode adquirir uma ciência certa. . e foi sepultado em um túmulo emprestado. a não ser das realidades apreendidas pela experiência sensível. Nega a possibilidade de um conhecimento racional e certo de qualquer realidade transcendente. nasceu humilde e pobre. 18.H. o agnosticismo deve ser considerado segundo o sistema científico a que se amolda e também os pressupostos da teoria do conhecimento que adota.

ANALOGIA DA FÉ Era analogia entis que Karl Bath substitui pela analogia Fidei (analogia da fé), visto que a verdade religiosa é dada por Deus. É um conceito Bíblico tirado de Romanos 12, (analogia tes pisteões) ou (metron pisteõs), que são palavras semelhantes "analogia da fé" e "medida da fé", representam um desenvolvimento do significado paulino original. Para a hermenêutica a analogia da fé conota que passagens bíblicas podem ser interpretadas com outras passagens porque nada dentro das escrituras podem se contradizer e tendo em vista que Deus é o autor das Escrituras. Para Agostinho a interpretação da das Escrituras não deve violar a fé. E Lutero usa termos quase semelhantes "o intérprete primário da Escritura deve ser ela própria", por isso as autoridades cristãs evitavam qualquer fonte fora das Escrituras. Para alguns pais da igreja passagens difíceis das escrituras são iluminadas pela fé ensinadas pela igreja, já o protestantismo da reforma é contra essa idéia imposta pelo catolicismo. Ainda como princípio exegético a analogia da fé sofre alguns abusos com significados que o autor bíblico não quis colocar no texto, por isso o intérprete de uma passagem bíblica deve se esforçar o máximo para extrair do texto o que realmente ele diz.

ANTROPOLOGIA TEOLÓGICA Antropologia nasceu com o grego Heródoto, no século V a.C. que foi cognominado Pai da Antropologia. Antropologia Teológica é a doutrina do homem no que tange a Deus. Teve sua transformação em duas grandes transições: a do cosmo para Deus, quando o cristianismo suplantou a visão grega da realidade. A segunda é de Deus para o homem e ocorreu na época moderna em conseqüência da secularização e do ateísmo. Repentinamente Deus desaparece de cena e cede lugar ao homem. Sua transformação teve início no Renascimento. O espírito humano abre-se a um novo modo de ver e agir, um violento contraste com o precedente, enquanto o primeiro, o centro de todo interesse era Deis, agora o centro é o homem. A filosofia é ao mesmo tempo a testemunha fiel e artífice principal da transição do teocentrismo para o antropotismo. Vemos aí (Descartes, Hume, Spinoza). Mas Kant que atinge o momento conclusivo, afirmando que o homem não é mais simplesmente o ponto de partida, mas também o ponto de chegada da reflexão filosófica. Vemos também dois princípios que são supremos na antropologia teológica: São o arquitetônico e hermenêutico. O arquitetônico é o eixo do ordenamento de todos os eventos da história da salvação. O hermenêutico é a verdade primária a cuja luz a teologia procura compreender e interpretar um dos aspectos da história da salvação.

CALVINISMO

Doutrina religiosa fundada por João Calvino. Ele nasceu em Noyon, em 1509 e morreu em Genebra em 1564. Caracteriza-se pela origem democrática da autoridade religiosa (os ministros não são padres). Os principais fundamentos da doutrina estão contidos na obra de Calvino intitulada "Instituição da Religião Cristã". Calvino e seus seguidores, sustentavam a soberania absoluta de Deus, a justificação pela fé, e a predestinação. O Calvinismo não admite as cerimônias religiosas e nega com rigor a tradição; pela crença na predestinação acha inútil as obras para a salvação. Segundo Calvino, a fé se dá pela deposição de absoluta confiança em Deus. Os seguidores de Calvino, na França, passaram a ser chamados "huguenotes". Propagou-se a doutrina pela Holanda, Suíça, Hungria, Escócia e Estados Unidos. Do Calvinismo, originou-se o puritanismo e as demais igrejas protestantes. Esta doutrina não foi aceita pelos sorbonistas, e Calvino foi perseguido e obrigado a deixar a Igreja Católica, fugindo para Basiléia.

CONSELHO MUNDIAL DE IGREJAS – CMI

Desde 1909 – Conferência Missionária Mundial em Edinburgo até 1937 – Conferência sobre "Vida e Trabalho" em Oxoford e sobre "Fé e Ordem" em Edimburgo – o movimento ecumênico era atuante sob muitos aspectos mas não tinha organização central. Por ocasião das conferências de 1937 tomaram-se as primeiras iniciativas para a fusão de "Vida e Trabalho" e "Fé e Ordem" num Conselho Mundial de Igrejas – CMI. De 1938 a 1948 este permaneceu – devido à Segunda Guerra Mundial – oficialmente em "processo de formação"; em Amsterdã, em 1958, ele foi formalmente estabelecido. O CMI é uma comunhão de igrejas que confessam o Senhor Jesus como Deus Salvador, segundo as Escrituras e por isso buscam cumprir em conjunto a sua vocação comum para glória do único Deus, Pai, Filho e Espírito Santo. É uma organização ecumênica internacional das igrejas cristãs da Reforma da qual a igreja católica faz parte como observadora. Prolonga historicamente os dois movimentos mundiais: "Vida e Trabalho", "Be Oxford" e "Fé e Ordem" de Edimburgo. O CMI não é uma igreja, nem pretende ser uma espécie de "super igreja", mas existe para servir as igrejas como instrumento, possibilitando-lhes entrar em contato umas com as outras. O CMI não considera nenhum conceito ou doutrina sobre a unidade da igreja como normativo para suas igrejas membros. Pretende ajudar todas elas na procura dessa meta. A 5ª Assembléia Geral foi em Nairobi em 1975. Ela propôs um consenso em torno da unidade nos seguinte termos: "Jesus Cristo fundou uma igreja. Hoje vivemos em

diversas igrejas separadas umas das outras. Contudo, nossa visão do futuro é que algum dia viveremos de novo, como irmãos e irmãs numa igreja indivisa. O CMI exerce seu mandato por intermédio da Assembléia Geral, do Comitê central do Comitê executivo, das Comissões, dos Comitês das Unidades de Programas e dos Centros Permanentes Administrativos de Genebra e Nova York. A Assembléia se reúne a cada sete anos.

CORRELAÇÃO (teologia)

Paul Tillich faz uma correlação entre teologia de Bultmann ortodoxia e a teologia de Karl Barth cristomonismo, esta teologia foi desenvolvida em 1951. Paul Tillich chegou a um consenso que sintetiza a sabedoria e a experiência humana com a religião bíblica, empregando todos os recursos da ciência, da história, da literatura, da arte, e da psicologia em profundidade, bem como a filosofia clássica e a moderna, em especial o existencialismo de Kierkegaard. Assim estabeleceu um tipo de doutrina teológica que era o fim apologético e estabeleceu a correlação de fé com a existência humana. Paul Tillich afirma que a doutrina só tem valor ou significado para o homem, se estiver relacionado com os problemas, as situações, e as crises de sua existência cultural, secular e cotidiana.

Paul Tillich escolheu atuar "na fronteira" entre a religião e a cultura ele escreve "a religião é a substância da cultura e a cultura é a forma da religião" Paul Tillich afirma que sempre que ele se encontra entre duas possibilidades existenciais, ele reflete sobre sua posição de sempre Ter um pé em cada um dos dois arraiais tradicionalmente antagônicos. Daí sua teologia de correlação inteiramente dialética. Paul Tillich procurou relacionar os problemas de sua filosofia, a partir da condição humana comum e demonstrou a relevância e o significado da doutrina teológica relacionada com o problema assim interpretado. Sua tese torna-se numa síntese em quatro níveis: (1) disciplina, (2) antológica, (3) histórica, e (4) na vida pessoal. DEÍSMO

Vem do latim deus, "deus". Os socianos introduziram o termo no século VI. Porém veio a ser aplicado a um movimento dos séculos XVII e XVIII, que enfatizava que o conhecimento sobre questões religiosas e espirituais vem através da razão, e não através da revelação, que sempre aparece como suspeita e como instrumento de fanáticos e de pessoas de estabilidade mental questionável. Vendo-se nisto a característica principal do deísmo, conhecimento através da razão e não sobrenatural. A isso podemos chamar de religião natural comum a todos, era uma garantia de uma convivência pacífica, que surge como um reflexo do iluminismo no campo religioso.

que é a nova tese. que tem em si uma antítese. que gera uma síntese. . A dialética determina todos os processos da vida. A dialética aparece como o nome dado ao estudo do inter-relacionamento das idéias platônicas. perdendo seu caráter paradoxal. proposto pelo teólogo alemão Rusolf Bultmann (1884-1976). Busca impedir que a mensagem evangélica se fundamente em assertivas mitológicas. Dialética é o jogo dos opostos que se fundem gerando assim uma tese. tese. Essa interpretação pressupõe que as categorias mitológicas utilizadas pelos autores se constitua em instrumento destinado a expressa a revelação.DEMITIZAÇÃO Método desenvolvido na teologia protestante e católica. que se fundem num novo tipo de coisa que sintetiza ambos os opostos. A dialética explica a mudança como resultado do conflito entre os opostos. Consiste na discrepância entre cosmologia antiga e moderna bem como entre as compreensões existenciais divergentes dos homens da Bíblia e dos de todas as épocas posteriores. para que a mensagem nelas contida adquira dimensões existenciais. não reside na eliminação de asserções e descrições. salva o essencial das narrativas. A demitização. Para Platão a dialética tornou-se uma forma suprema de adquirir conhecimento. debate. despindo-as de sua veste literária mítica. Esse vocábulo refere-se àquele tipo de atividade filosófica que traça distinções rígidas. A própria vida é dialética. e na sociologia. antítese e síntese. e deve ser aplicada na biologia. para poder interpretá-las de modo crítico e não eliminá-las. mas em sua interpretação. Na sua forma genuína. na psicologia. DIALÉTICA Dialética vem do Dialéktos grego. e que visa a escoimar a mensagem cristã da roupagem dos mitos. que significa discurso. que trazem à luz contrários e opostos. Dialética é o emprego da formulação.

É similar no grego no vocábulo AIÔN que indica uma vida inteira ou um tempo indefinido no passado ou no futuro. E uma crítica crescente dos sistemas e ideologias da ordem vigente. . A idéia Bíblica de eternidade não é ausência de tempo mas a extensão ilimitada de tempo. A era presente é limitada em sua duração. ADH e OLAM.ETERNIDADE As palavras hebraicas. as quais são: Uma função mais ampla da Igreja. Para Platão a esfera da eternidade é imaterial diferente de nosso mundo. a realidade e insignificância daquilo que é temporal. a era futura tem um começo. A idéia de eternidade não deve ser entendida em contraste com o tempo. a existência da eternidade divina subentendia. A eternidade unida no próprio Deus. Heráclito. Foi sem dúvida alguma uma aplicação da ética cristã em resposta as exigências de uma nova situação histórica – a intensidade dos problemas sociais geradas pelo rápido crescimento industrial dos EUA. Esta corrente do protestantismo moderno teve como base o livro "Em Seus Passos o que Faria Jesus?" Esta corrente teve como sua maior expressão a figura de Walter Rauschenbush. designam qualquer período com duração desconhecida. portanto ele não tem causa. e tempo não fixado. EVANGELHO SOCIAL O Evangelho Social apareceu no final do séc. dotado de um tipo de vida que se encontra exclusivamente no ser divino. uma sucessão infinita de eras. O Evangelho Social se caracterizou por uma dupla ênfase. XIX e dava bastante ênfase aos aspectos sociais do cristianismo. não sabemos o fim. tendo um começo e um fim. Na filosofia grega. Tendo em vista este fato. associava a idéia de fluxo com a idéia de existência. a consciência cristã viu-se obrigada a converter-se em consciência social.

pregadores como Bernardo de Claraval. L. congregacionais e metodistas. da crença nos elementos fundamentais do ensino bíblico. sendo euangelizomai o verbo correspondente. Moody. o evangelicalismo já obteve sua maioridade e é verdadeiramente um fenômeno global. rejeitando as tradições. Na Alemanha. Na atualidade. as cruzadas evangelísticas de Billy Graham. John Huss e Savonarola se distinguiram dentro do evangelicalismo de tempos remotos. Assim. os concílios. Quem se identifica com este movimento é um "evangélico conservador" (ou "evangelical") que crê no evangelho de Jesus Cristo e o proclama. enfatizando a conformidade com as doutrinas básicas da fé e um alcance missionário de compaixão e urgência. em contraste com o sistema tradicional que se desenvolveu na Igreja Católica Romana. Estas palavras aparecem quase cem vezes no Novo Testamento e passaram para os idiomas modernos através do equivalente em latim. essencialmente protestantes. Pedro Waldo. Desde a Reforma Protestante. Usualmente. da regeneração. o evangelicalismo é muito mais do que um assentimento ortodoxo a determinados dogmas ou uma volta racionária aos costumes antigos. e outros. traduzido como boasnovas. esses grupos apegam-se a esses documentos sagrados com a sua base de autoridade. na Suíça e em alguns outros países a palavra passou a indicar o corpo geral das igrejas protestantes. que supõem que retornaram ao evangelho (ou Bíblia). . Com a "autoctonização" das organizações assistenciais e evangelísticas e o envio de missionários por grupos dentro dos próprios países do Terceiro Mundo. Dos mais recentes podemos citar: John e Charles Wesley. George Whitefield. os batistas. surgiram Charles Spurgeon. é empregada quase como sinônimo da Igreja Baixa (expressão que aponta para os membros de postura mais protestante e evangélica). o espírito evangélico sempre se manifestou no decurso da história eclesiástica. Na Inglaterra. John Wycliffe. os pais da igreja. É a afirmação das crenças centrais do cristianismo histórico. A palavra é derivada do substantivo grego euangelion. George Williams. evangelium. a palavra tem sido adotada por certos grupos cristãos. Charles Finey. Hudson Taylor. que significa anunciar boas-novas ou proclamar como boas-novas. Embora o evangelicalismo seja geralmente considerado um fenômeno contemporâneo. A igreja apostólica. D. que frisam a necessidade do evangelismo.. como padrões de fé e prática.EVANGELICALISMO Movimento no cristianismo moderno que transcende as fronteiras denominacionais e confessionais. os evangélicos são aqueles grupos. os movimentos reformistas medievais. notícias de alegria. No século XIX. etc. da expiação mediante o sangue de Cristo.

a qual seria realizada mediante a decisão livre do indivíduo e a fé em Deus. Para eles dar-se um confronto dramático e trágico entre o homem e o mundo. O que os filósofos existencialistas tem em comum. pois para os mesmos existir implica em estar em relação como outros seres humanos. sendo estas relações múltiplas. Kierkegaard propôs-se a conduzir os indivíduos à plenitude da sua existência. A FENOMENOLOGIA tem como pai o filósofo alemão Esmund Husserl (1859-1938) da escola de Cristian Wolff.EXISTENCIALISMO Os existencialistas ao contrário do modo de pensar do homem da Idade Média que dizia que o ser humano possuía uma essência que "a priore" o determinava. enfatizando como preferência a realidade e a importância da liberdade humana. mas subordinavam as questões tradicionais da metafísica e da filosofia do conhecimento a uma perspectiva antropocêntrica (isto é. na medida em que esta se pretende ciência – e nega a existência de valores objetivos. com as coisas e com a natureza. o homem como referência o valor principal). No séc. FENOMENOLOGIA FENOMENOLOGIA – Do grego yaíva que significa: a brilhar. denominadas possíveis de acontecer ou não. ser brilhante. é o conceito de existência. Karl Jaspers considerava a filosofia como metafísica dentro da qual se processa todo o saber e toda a descoberta possível do ser. FENOMENOLOGIA – Fenômeno + logia – aparência + conhecimento – estudo do fenômeno. . A doutrina existencialista tem como precursor Kierkegaard (1813-1855) o qual atacou a interpretação dogmática do cristianismo e o sistema metafísico Hegeliano. Os filósofos existencialistas refletem sobre a natureza da realidade. concretas. XX as posições existencialistas desenvolveram-se na sua forma ateísta por Heidegger (1889-1969) e Gabriel Marcel (1889-1963). diziam que o homem é um ser histórico e que sua essência vai sendo construída pois a "existência precede a essência". Os mesmos menosprezavam o conhecimento científico em particular a psicologia. dar luz.

Valentim e Bardesane. Gnosticismo é a primeira tentativa de uma filosofia cristã. mas também as formas de categorias. nessa tentativa. Os principais gnósticos: Basílides. O gnosticismo cristão era basicamente uma forma de heresia sobre a pessoa de Cristo. saber. Todavia. Na compreensão de William Hamilito era a identificação do objeto pelos dados empíricos. sistema eclético filósofo-religioso. GNOSTICISMO Esta palavra vem do grego "gignoskein". Ele aplicava a redução eidética. No tocante ao cristianismo. com a mistura de elementos cristãos. pressupondo-lhe como o pensamento absoluto. Hegel particularizou-lhe ao desempenho da mente. Carpócrate. explicando-a termos teosóficos ou de filosofia pagã. o cristianismo tornar-se-ia apenas mais outro culto misterioso greco-romano. surgido nos primeiros séculos da era cristã buscando conciliar todas as religiões e decifrarlhes o sentido através da gnose. místicos. neoplatônicos e orientais. Para Heidegger a FENEMOLOGIA mostra o que está escondido e fundamenta o que se mostra possibilitando o estudo do "SER". Husserl insistiu em purificar o termo desatrelando-o da psicologia. entendeu FENOMENOLOGIA como sendo o estudo dos erros da aparência ilusória. as essências e os objetos ideais. É de Husserl o conceito contemporâneo: "FENOMENOLOGIA é a generalização da noção de objeto que compreende não somente as coisas materiais. o que chamava de purificação do fenômeno – A busca da essência. A principal corrente das idéias gnósticas foi o espiritualismo neoplatônico de Filo de Alexandria. o gnosticismo consistia essencialmente. . tentativa conduzida sem rigor sistemático. O filósofo Lambert.Hussel pretendia fazer uma análise descritiva particularizada do fenômeno. Kant tomou o vocábulo para explicar as características dos fenômenos de forma geral. Sartre concorda com Heidegger e entende que o pensamento natural é um fenômeno que busca a transfenomenologia que leva a considerações antológicas. Se porventura o gnosticismo tivesse sucesso. na tentativa de fundir as revelações dadas por meio de Cristo e seus apóstolos com os padrões de pensamentos já existentes. É uma investigação a priore dos significados do pensamento". Este termo foi trabalhado por outros pensadores que lhe deram diferentes compreensões.

afirmava que "tudo é história". Ela supõe a coincidência de finito e infinito. porque via a síntese histórica cumprida na monarquia constitucional do governo alemão. por ser uma síntese final. argumentava que todos os historiadores escrevem como cativos de sua era e circunstâncias particulares. totalmente. por haver pensado. desenvolvimento. que vê na história a revelação de Deus no sentido de considerar cada momento da própria história em relação direta com Deus e permeado dos valores transcendentes. Hegel. Hegel e Marx podem ser criticados desse modo. como sinônimo de falácia genética. racionalidade e necessidade) e que todo conhecimento é conhecimento histórico. Esta consiste em explicar de outro modo (mediante falsificação) a natureza de algum fenômeno. e considera. Essa palavra vem do termo alemão "historismus". que o comunismo poria fim ao processo histórico. em sua pátria: e Marx. incluídos por ele. A doutrina segundo a qual a realidade é histórica (isto é. mediante uma alusão à sua origem. Concepção segundo a qual o pensamento humano se caracteriza por seu processo histórico erigido em sistema a ponto de fazer do tempo o gerador e o decorador das verdades que a escola vai paulatinamente ensinando. da escola neokantiana. Uma variante da doutrina precedente. Conte e Simmel. de mundo e de Deus. uma palavra usada para se aplicar a uma ênfase exagerada sobre a história. a história como a própria realização de Deus. Certamente. portanto. que vigorava em seus dias. Isto significa que é muito difícil chegar-se a uma história pura. . O termo historicismo também é usado em um sentido negativo. O termo foi cunhado por Mannheim e Troeltsch. na história.HISTORICISMO Doutrina Histórica-Filosófica que define o pensamento como resultado cultural do processo histórico e reduz a realidade e sua concepção à história adotada por autores como Croce. se estivermos olhando para os sentidos envolvidos no processo histórico. e Dilthey. Nietzesche.

sem valores fixos ou absolutos. todas as considerações éticas. O ideal é a forma mais desejável de realização de qualquer coisa. e de eidos. tudo era em nome de Deus ou seja (Deus era o centro de tudo). para alguma elevada qualidade. Augusto Conte foi o grande campeão dessa forma de humanismo. dos deuses. Foi assim cunhada a significação clássica do termo. Durante a Renascença. XVI o que predominava era o teocentrismo. "visão". Assim. metafísicas e práticas dependem do homem. o homem é a primazia (visão antropocêntrica). e assim foi rejeitado. e não de forças cósmicas. o homem no centro de todas as coisas. o termo indica um conjunto de padrões daquilo que é mais desejável. contemplação". naturalmente. consideremos os pontos abaixo: O uso popular dessa palavra refere-se a algum padrão de perfeição ou algo que aponta para nobreza. O homem aparece como a base de todos os valores e de toda excelência bem como o objeto de todas as atividades. "ver". que também caracterizava a Igreja medieval e a sociedade. O humanismo cristão da Idade Média e da Renascença tem mostrado ser o único fundamento da liberdade pessoal e acadêmica da era moderna. ou seja para algo que deve ser emulado. De acordo com um uso popular. como cristão. Aquilo que . IDEALISMO O termo vem do grego ideein. o modo de pensar que se desenvolvera no escolasticismo. como os esforços necessários para atingir tal alvo. Ele fazia da humanidade o único objeto da nossa adoração. de tal modo que segundo o humanismo. Protágoras afirmava que o homem é a medida de todas as coisas. tendo adicionado isso à sua clássica maneira de pensar sobre o homem. Erasmo. "visão. com sua autoridade religiosa centralizada.HUMANISMO Na idade média no séc. dava valor à missão de Cristo. ou aquele tipo de cultura e ênfase promovidos por certos filósofos gregos. Ideal – Vem do termo grego "eidos". criou-se um filosofia relativista. pelo menos em parte. etc. contemplação. enquanto na renascença criaram o humanismo. homens como Petrarca e Erasmo de Roterdã retornaram às raízes gregas quanto a muitos valores.

bem como seu estado de ser. Condorcet e outros. Idealismo Platônico – Platão preparou o caminho para um tipo especial de idealismo que tem desfrutado uma longa e influente história. que admite certo tipo de dualismo. O cristianismo reteve essa forma de dualismo. Esse é um tipo de idealismo metafísico. as idéias.5. 9-23 refletem o dualismo Platônico. é a tese. através da qual dá forma a todas as coisas.existe somente na imaginação. imitativa do real. então teremos um dualismo. com Voltaire. Os trechos de Heb. 8. As lojas maçônicas ajudaram a disseminá-lo por toda a Europa. sem qualquer realidade física. se admitirmos qualquer realidade. Quando um ideal é pertencente às idéias. e pelo incentivo à liberdade de pensamento. Rousseau. ILUMINISMO Movimento filosófico que teve seu apogeu no século XVIII e determinou a face espiritual do século XIX. dando a entender que a idéia é que é real". em seu caráter. e não material. O mundo ideal é o mundo arquétipo e não material das idéias. então devemos falar em ideal conceptual. antítese e síntese. por intermédio do poder do LOGOS. Idealismo Hegeliano – Hegel ensinava um idealismo absoluto. seus atos e suas realizações. pelo desafio à tradição e à autoridade. Muitos foram presos em função de suas convicções. possuídas de natureza espiritual. É. Para ele. mas através da Enciclopédia seus ataques ao governo. dando origem a uma nova síntese. O idealismo objetivo seria a antítese. Nos escritos de Platão. A matéria seria menos real e. espiritual em sua essência. O idealismo subjetivo. A força Cósmica todo-abrangente (Deus) é idéia. formas ou universais. Uma nova tese surgirá inevitavelmente de sua antítese. O iluminismo católico mostra linhas nitidamente sociais e humanitárias. são verdadeiras realidades. . idéia é arquétipo. Apresenta aspectos diversos conforme os países. e é mera cópia do mundo superior. dentro desse sistema. Essa forma de idealismo metafísico chama-se realismo metafísico. O movimento contra as crenças e instituições estabelecidas ganhou impulso durante o século XVIII. que atua através de seu próprio sistema de tese. e nenhuma síntese dEle é final. e a matéria é menos real. Caracterizou-se pela confiança no progresso e na razão. O Espírito Absoluto nunca descansa. Essas formas. são apenas nomes que damos às operações do Espírito Absoluto. à Igreja e ao judiciário forneceram a base intelectual para a Revolução Francesa. com uma cópia do arquétipo que vai sendo produzida nos objetos materiais. Tugot. onde imperam as realidades espirituais. O mundo celeste é o mundo espiritual. das formas universais. e o mundo inferior é material. Irradiou-se da Inglaterra e dos Países Baixos. onde o ideal é mais real.

. Preconiza o direito ao indivíduo de adotar idéias e posições avançadas. O jansenismo foi um movimento de tentativa de reforma. A religião revelada não é uma verdade. mas um sentimento e um gosto. Admite maior amplitude na esfera das opiniões pessoais. eqüivale no campo do conhecimento à valorização da experiência individual. vivia uma forma extrema e radical da idéias de Agostinho. O termo "jansenista" adquiriu significados secundários. bispo de Ipres (1585-1638). É a doutrina segundo a qual não existe verdade positiva em religião.JANSENISMO (Do francês jansénisme). não é um fato objetivo nem milagroso. Causou grande comoção. Foi adotada a principio na abadia de Port-Royal e condenada pelo para Inocêncio X em 1653. Jansen buscava respostas para certas questões doutrinárias levantadas pelo luteranismo e pelo calvinismo. pois achava que a reforma dos dogmas católicos e da ética romana deveria usar moldes agostinianos como guia. seguindo idéias de Cornelius Jansen. tanto intelectual quanto sensível. disciplinares e de costume. · LIBERALISMO RELIGIOSO – foi um desenvolvimento da teologia alemã posterior ao iluminismo. principalmente em face de sua forte ênfase sobre a doutrina da predestinação e sobre o ensino que a graça divina se limita aos eleitos. Um resultado positivo do movimento foi que o mesmo inspirou um maior desenvolvimento da filosofia e da teologia morais. publicado dois anos após a sua morte. chamado Augustinus. o jansenismo atacava o laxismo e defendia uma disciplina rigorosa. LIBERALISMO POLÍTICO – Defende a valorização da livre iniciativa e da liberdade individual no campo da política e da economia. No campo moral. e é direito de todos os indivíduos seguirem aquilo que a sua fantasia quiser. O seu tratado teológico. como de escrúpulos éticos extremos e grande rigor quanto às questões dogmáticas. depois da morte dele. É contrário a qualquer tipo de intolerância. Ensina que todas devem ser toleradas e que todas são matéria de opinião. mas num credo vale o outro. Ele não reconhece como verdadeira nenhuma religião. dentro da Igreja Católica Romana. LIBERALISMO Conjunto de idéias e doutrinas que têm por objetivo assegurar a liberdade individual inclusive no campo moral e religioso.

o mito consistindo em história da (s) divindade (s). o termo meta (depois) tomou o sentido de "mais além" dos domínios da física. "único". especulações abstratas. Com o passar do tempo. em sua discussão sobre o problema corpo-mente. ao final dos tratados de física. sobre quaisquer bases e de acordo com qualquer sistema ou teoria. pensando que o corpo físico é uma ilusão. um homem pode sentir-se restringido por sua própria consciência e pela fé bíblica. Pode-se aplicar o monismo para o cristianismo para o cristianismo no sentido de que postula uma única causa da existência. Também pode ser uma doutrina panteísta em que Deus e a natureza se dissolvem em uma só realidade impessoal. agindo ativa e passivamente no tempo e no espaço. mas não por outras forças.LIBERALISMO ÉTICO – Não admite nenhuma restrição imposta por algum sistema. e que fazem da mente apenas uma função do cérebro. monos. A liberdade ética pois. MONISMO Esse vocábulo vem do grego.C. Esse termo foi introduzido na filosofia por Christian Wolff. que passaram a ser conhecidas com o nome de meta ta phusia (depois da física). seus heróis. contada como se fosse histórica e real. etc. Refere-se a qualquer doutrina que diz que algum princípio único governa todas as coisas. os escritos de Aristóteles. relacionada a tradições cosmológicas e sobrenaturais de um povo. suas crenças religiosas. ou que reconhecem somente a existência da mente. Não obstante ao apresentado o monismo mostra outras formas: . MITO Vem do grego. tem a liberdade de tomar suas próprias decisões éticas. numa fé religiosa. METAFÍSICA Ramo da filosofia que trata dos princípios e fundamentos das coisas primárias. não implica. na liberdade de qualquer tipo de obrigação. sua cultura. que significa "contar". O pensamento religioso dos povos primitivos se expressa quase que exclusivamente através de mitos. Assim. no ano 70 a. mythos. Ainda no sentido da unidade da verdade. Pode-se dizer que é uma estória. Em quase todas as religiões primitivas e desaparecidas. apresentada como histórica. Escreviam-se então. que propões que toda verdade é uma só. mas somente na liberdade de certos tipos de restrição. O homem como indivíduo. com seus deuses. etc. Ele usava a palavra "monismo" a fim de designar a idéia daqueles filósofos que reconhecem somente a existência do corpo físico. existe um forte elemento mítico. o Estado. que colecionou pela primeira vez. ou apenas uma instância da mente. pressupõe a existência desta (s). Passou a designar as teorias racionais que se situam além da verificação experimental dos fenômenos físicos aparentes. necessariamente. "narrar uma ficção". Em teologia. uma única fonte da vida. ou ainda existentes. ou realidade última. por meio de cujo princípio tudo existe e opera. Um mito é uma ficção popular. como numa igreja. visto que Deus é a fonte originária de toda verdade. Essa palavra procede de Andronico de Rhodes.

com: Deus é dotado de vida necessária e independente. MONOTEÍSMO MÍSTICO – afirmação de um só Deus por razões místicas. o que empresta imenso poder à percepção dos sentidos e suas capacidades. desta forma ao narra a criação (Gn. que exige completa obediência. Todos os conflitos entre os deuses. O monoteísmo tem outras formas. mas antes. intervindo. de Noé. Está na linha divisória entre politeísmo e monoteísmo. de diferentes modos. Deus não pode deixar de existir e a sua vida não depende de qualquer coisa externa ou fator sustentador. Seu fim seria o fim de todos aqueles sobre os quais ele impera. Há muita idéias associadas ao monoteísmo. em favor do fundamente e abismos divinos. em que a vontade de Deus assumiu forma concreta. que continua interessado pela sua criação. ainda indefinida. "único" e theós. O Javinismo era uma religião de vida e conduta. dos Patriarcas. Ele determina a ordem de valores. que tem interesse pelo homem. Os conflitos entre os deuses estão reduzidos por seu poder. entre os deuses e as coisas. dos quais ele provê e no qual desaparecem.MONISMO NEUTRO – defendido por Bertrand Russel. Assim desde os primeiros capítulos da Bíblia. O deus-monarca impera sobre os deuses inferiores e sobre os seres da natureza divina. Transcende todos os reino do ser e do sentido. 4). dos profetas que anunciam a sua encarnação na Pessoa de Jesus Cristo. segundo as leis que expressam a vontade de Deus. O Deus único é Pai. de Moisés. Essas leis. garantindo para o homem um teísmo baseado no amor. como por exemplo: MONOTEÍSMO ÉTICO – que é a afirmação de um só Deus com base ética. O Deus único criou tudo. MONISMO EPISTEMOLÓGICO – assevera que o objeto conhecido e o processo de conhecer são uma só coisa dentro da relação-conhecimento. Foi isto que os estóicos. fizeram quando identificaram Zeus como ultima cidade ontológica. É o mesmo e único Deus que aparece nas histórias de Caim e Abel. . Essa é a proposição mais consoladora da religião. Deus como único Criador. alguma coisa neutra. Desde o princípio Javé foi considerado um Deus de propósito ético. por meio da qual se expressam. entre o divino e o demoníaco. MONOTEÍSMO Essa palavra vem do grego mónos. são superadas naquele que é último e que transcende a todos eles. Ela indica aquele ensino que só existe um Deus. "Deus. 1-2. Ele representa o poder e o valor da hierarquia. e seus representantes divinos. 1. incluem sobretudo as normas de conduta apodicamente formuladas. o mesmo dizia que a realidade básica do mundo nem é a matéria física e nem é a idéia. o texto sagrado menciona EL ou ELHOIM (Deus). que tudo tira do nada por sua palavra toda-poderosa. os autores israelitas se referem a um só Deus. os fenômenos materiais e mentais. MONOTEÍSMO MONÁRQUICO – afirmação de um só Deus com soberania absoluta.

H. ou ainda "Teologia dialética". onde C. Na melhor das hipóteses. A primeira reação eficaz contra o liberalismo teológico foi promovida por Karl Barth. O monoteísmo trinitário é o monoteísmo concreto: a afirmação do Deus vivo. Não é uma questão com o número três. denunciou vigorosamente todas as tentativas de amordaçar Palavra de Deus com a razão. A repressão resultante. tais como Dietrich Bonhoeffer. e o método dialético que procura descobrir a verdade no opostos dos paradoxos leva a uma fé verdadeira e dinâmica. Dodd e Edwyn Hoskyns se envolveram. outros a voltarem à sua pátria tais como Barth. os paradoxos da fé devem permanecer exatamente assim. com uma rejeição do escolasticismo protestante (que foi quando Melanchthom abandonou a intransigência dos outros Reformadores e colocou seu profundo conhecimento do pensamento aristotélico a serviço da Escritura). muitos líderes do movimento neoortodoxo encontraram-se com outros cristãos alemães em Barmem em 1934 e publicaram um declaração contra os males do nazismo. não é um movimento unificado. na Suíça. que retomando Kiekegaard. . além de "Neo-ortodoxia". Começou com a crise associada à desilusão que seguiu a Primeira Guerra Mundial. A nova abordagem metodológica do movimento envolvia o uso do pensamento dialético que remonta ao mundo grego e a Sócrates. Com a ascenção do movimento nazista na Alemanha. feito por Hitler. É uma tentativa de falar do Deus vivo: o Deus em quem estão unidos o último e o concreto. a se exilarem. Gustaf Aulém e Ander Nygren tornaram-se seguidores. alguns a se esconderem. Foi usado por Abelardo em Sic et Non. com os irmãos Niebuhr. Este movimento também foi chamado de "Teologia da crise". pelo uso de perguntas e respostas para derivar o discernimento e a verdade. a imanência de Deus e a melhoria progressiva da humanidade.MONOTEÍSMO TRINITÁRIO – afirmação de um só Deus em três pessoas distintas. não tem um conjunto articulado de fundamentos em comum. pode ser descrito como uma abordagem ou atitude que começou num ambiente comum. e em outros lugares igrejas e países começaram a ler a respeito do movimento e a observar aquilo que estava acontecendo. Para os neo-ortodoxos. Em pouco tempo esse movimento alcançou a Inglaterra. e é técnica de colocar os opostos. NEO-ORTODOXIA O termo neo-ortodoxia significa uma "nova ortodoxia". porém dentro em breve passou a se expressar de vários modos. A neo-ortodoxia não é um sistema único. na procura da verdade. e com uma negação do movimento liberal protestante que tinha ressaltado a acomodação do cristianismo à ciência e à cultura ocidentais. forçou alguns como Paul Tillich. nos Estados Unidos. um contra o outro.

. pelo uso de perguntas e respostas para derivar o discernimento e a verdade. um contra o outro. como a Palavra que Se fez carne. Essa revelação é a Palavra de Deus num sentido tríplice. os paradoxos da fé devem permanecer exatamente assim. na procura da verdade. as Escrituras. outros a voltarem à sua pátria tais como Barth. como também enfatizou a unidade das Escrituras e ajudou a precipitar um novo interesse pela hermenêutica. a se exilarem. ou ainda "Teologia dialética". tais como Dietrich Bonhoeffer. outros a voltarem à sua pátria tais como Barth. que é totalmente outro em relação a Sua criação. quanto à forma como ela é controlada. ao qual resposta da humanidade deve ser escutar. como a Palavra que Se fez carne. alguns a se esconderem.O conceito teológico fundamental do movimento foi aquele do Deus soberano e completamente livre. denunciou vigorosamente todas as tentativas de amordaçar Palavra de Deus com a razão. forçou alguns como Paul Tillich. que retomando Kiekegaard. A nova abordagem metodológica do movimento envolvia o uso do pensamento dialético que remonta ao mundo grego e a Sócrates. e o método dialético que procura descobrir a verdade no opostos dos paradoxos leva a uma fé verdadeira e dinâmica. como também enfatizou a unidade das Escrituras e ajudou a precipitar um novo interesse pela hermenêutica. além de "Neo-ortodoxia". A primeira reação eficaz contra o liberalismo teológico foi promovida por Karl Barth. Essa revelação é a Palavra de Deus num sentido tríplice. A relevância desse movimento foi tirar a Bíblia das mão dos críticos liberais que procuraram só pela crítica-histórica explicá-las. Jesus. e como Ele determina revelar-Se a ela. feito por Hitler. O conceito teológico fundamental do movimento foi aquele do Deus soberano e completamente livre. Também que a auto-revelação de Deus. redimida. Jesus. que é o veículo para proclamação do Verbo que se fez carne. A repressão resultante. Ortodoxo encontraram-se com outros cristãos alemães em Barmem em 1934 e publicaram um declaração contra os males do nazismo. um ato dinâmico da graça. ao qual resposta da humanidade deve ser escutar. a se exilarem. Para os neo-ortodoxos. ortodoxo encontraram-se com outros cristãos alemães em Barmem em 1934 e publicaram um declaração contra os males do nazismo. que apontam para a Palavra que Se fez carne e o Sermão. redimida. A repressão resultante. as Escrituras. e é técnica de colocar os opostos. forçou alguns como Paul Tillich. Também que a auto-revelação de Deus. quanto à forma como ela é controlada. um ato dinâmico da graça. que é o veículo para proclamação do Verbo que se fez carne. tais como Dietrich Bonhoeffer. Este movimento também foi chamado de "Teologia da crise". que é totalmente outro em relação a Sua criação. alguns a se esconderem. A relevância desse movimento foi tirar a Bíblia das mão dos críticos liberais que procuraram só pela crítica-histórica explicá-las. que apontam para a Palavra que Se fez carne e o Sermão. feito por Hitler. Foi usado por Abelardo em Sic et Non. e como Ele determina revelar-Se a ela.

o do intelecto e o do Uno. como a Palavra que Se fez carne. que foi iniciada pela incíclica de Leão XIII. NEOPLATONISMO Modalidade do platonismo criado por Plotino (204-270 a. Este movimento consiste na defesa . A relevância desse movimento foi tirar a Bíblia das mão dos críticos liberais que procuraram só pela crítica-histórica explicá-las. que apontam para a Palavra que Se fez carne e o Sermão. Para os neo-ortodoxos. O conceito teológico fundamental do movimento foi aquele do Deus soberano e completamente livre. os paradoxos da fé devem permanecer exatamente assim. A meta da vida filosófica consiste em se unir com o Uno. A nova abordagem metodológica do movimento envolvia o uso do pensamento dialético que remonta ao mundo grego e a Sócrates. Este movimento também foi chamado de "Teologia da crise". Três níveis da realidade são afirmados: o da alma. Jesus. Também que a auto-revelação de Deus. O neoplatonismo teve influência no Oriente Próximo até o século VI. Essa revelação é a Palavra de Deus num sentido tríplice.). que é o veículo para proclamação do Verbo que se fez carne. NEOTOMISMO Um reavivamento do pensamento de Tomás de Aquino no século XX. além de "Neo-ortodoxia". Entendesse que este movimento de retorno a doutrina de Tomás de Aquino e no anseio da cultura católica. memórias e percepções. pelo uso de perguntas e respostas para derivar o discernimento e a verdade. e o método dialético que procura descobrir a verdade no opostos dos paradoxos leva a uma fé verdadeira e dinâmica. ao qual resposta da humanidade deve ser escutar. redimida. partindo da idéia sobre a capacidade da alma de elevar-se a contemplação dos arquéticos perfeitos do mundo.C. que é totalmente outro em relação a Sua criação. que retomando Kiekegaard. denunciou vigorosamente todas as tentativas de amordaçar Palavra de Deus com a razão. Desenvolveu a mística do platonismo. O intelecto é o repositório dos arquéticos. O Uno é Deus. ou ainda "Teologia dialética". as Escrituras. um contra o outro. Foi usado por Abelardo em Sic et Non. na procura da verdade. e como Ele determina revelar-Se a ela. e é técnica de colocar os opostos. um ato dinâmico da graça.A primeira reação eficaz contra o liberalismo teológico foi promovida por Karl Barth. como também enfatizou a unidade das Escrituras e ajudou a precipitar um novo interesse pela hermenêutica. A alma corresponde à mente do indivíduo com pensamentos. quanto à forma como ela é controlada. inclusive na escola cristã de Alexandria.

o termo tinha um significado político. Sartre e aqueles que promoviam o que veio a ser chamado de Teologia Radical. . foi aceito por alguns teólogos posteriores. dizia que o NIHILISMO está fora de um comportamento admissível. também empregaram esse tema em suas discussões. a partir dos últimos decênios do século passado. NIHILISMO Doutrina filosófica que nega a existência do absoluto. ensinando que a renúncia e a simpatia têm algum valor. O NIHILISMO ÉTICO afirma que não existem valores genuínos.polêmica das teses filosóficas tomistas contra as diversas direções da filosofia contemporânea e indiretamente. Bakunin era defensor dessa posição extremada. ou como William Hamilton. Ou. a moralidade e os valores seriam artificiais. contudo. O termo deriva do advérbio latino nihil que significa nada. como Thomas Altizer. Pais e Filhos (1862). mas nada se fez de construtivo. contrariamente. preservava alguns valores. mas sem qualquer plano construtivo. mesmo que nada seja apresentado para tomar o lugar das coisas e instituições destruídas. desafortunadamente. digno do nome. Equivale. Um dos mais importantes efeitos da florescência neotomista é a importância renovada que asseveram. O NIHILISMO TEOLÓGICO pode ser visto nos escritos de Nietzsche. Muitos oficiais russos foram mortos. mas Canuns. O PESSIMISMO é uma forma de NIHILISMO ÉTICO. os estudos de filosofia medieval isto é da escolástica clássica. servindo a pessoas e a classes. um ato bom e positivo. à descrença radical. que substituísse o que eles pretendiam eliminar. Em ética. Esse vocábulo tem sido largamente usado em vários campos e com vários sentidos. Certo movimento russo do último quartel do século XIX foi acusado de empregar esse termo. O NIHILISMO POLÍTICO chega ao extremo de afirmar que a destruição da ordem social herdada é. na relaboração e na modernização de tais teses. em sua novela. em uma tentativa de destruição. Foi cunhado por Turgeniev. imperou o caos. em termos religiosos. que declarou que "Deus está morto". designa a corrente segundo a qual não há hierarquia de valores nem qualquer verdade de ordem moral. Esse tema. Esse termo pode tornar-se absolutamente ateísta: Deus não existe. por si mesma. então pode indicar que nossos conceitos de Deus são obsoletos. Schopenhauer. Ali. mas nada tendo a ver com a verdade.

bem como os dogmas e as doutrinas. é uma divisão de metafísica. por causa da inclusão da cláusula "filioque" no seu credo. embora o verbo orthodoxein esteja em Aristóteles. o que por sua vez. terrível. A idéia da ortodoxia veio a ser importante na igreja a partir do século II. Esse termo foi usado pela primeira vez no século XVIII. "conhecimento". portanto.NUMINOSO Designação dada ao que é influenciado ou está sob dependência da divindade. chegamos a conhecer a Deus. o que significa crença correta. . do Santo. santa. Essa palavra foi chamada por Rudolph Otto com base no termo latino numem. Os teólogos protestantes do século XVII. primeiramente como o gnosticismo e depois com outros erros a respeito da trindade e da pessoa de Cristo. conforme é possível ao homem conhecê-lo. ORTODOXIA O equivalente em português da palavra grega "orthodoxia" (de orthos "certo". especialmente os luteranos conservadores. do incompreensível – de Deus. O termo não é bíblico. E a experiência que gera todas as respostas morais e éticas da religião. O termo numinoso tem por propósito transmitir a idéia da Presença do Espírito Divino. Pelo fim daquele século. ONTOLOGIA A palavra ontologia deriva-se de dois termos gregos. em contraste com a heresia ou a heterodoxia. que nos deixa admirados. A Igreja Oriental se autodenomina "ortodoxa" e condena a Igreja Oriental como heterodoxa. e surgiu uma multiplicidade de credos que explicavam essa "regra". e doxa "opinião"). Uma divisão da filosofia e da teologia emprega esse vocábulo para indicar o estudo geral e o conhecimento do ser. A aceitação rigorosa da "regra de fé" (regula fidei) era exigida como uma condição prévia da comunhão. Nenhum escritor secular ou cristão usa-o antes do século II. aterrorizadora e sagrada da deidade. tinha-se tornado o termo padrão para indicar o estudo do ser. por causa de conflitos. em 1647. ressaltavam a importância da ortodoxia quanto a soteriologia dos credos da reforma. "ontos" "SER" e logia. e dessa maneira. É a experiência do Outro. Essa experiência do numinoso é aquilo que está por trás de todas as grandes religiões do mundo. referindo-se à finalidade misteriosa. são por sua própria natureza normativas para a igreja universal. A palavra expressa a idéia de que certas declarações sintetizam como exatidão o conteúdo do Cristianismo às verdades reveladas e. quando foi cunhado por Clauberg.

Os grupos protestantes. eles oferecem as "Escrituras somente". Wolfhart Pannenberg. as declarações excatedráticas dos papas. Wuppertal (1958) e Mainz (desde 1961). Deixar de captar a revelação dentro da história é falha do indivíduo e da sua investigação. oferecendo uma exagerada simplificação. (Que é o homem? A antropologia atual à luz da teologia). os credos. veio a ser uma influência no mundo de fala inglesa. os pareceres dos chamados pais da Igreja. Quando foi publicado seu livro Jesus – God And Man em 1968. Para Pannenberg. Rejeitando certas idéias católicas romanas. as decisões dos concílios. . A verdade revelatória está necessariamente inerente na totalidade da história e bem clara para todos quantos observam. Obras principais: Heilsgeschethen Und Geschechte (A redenção como acontecimento e história). PANNENBERG Teólogo evangélico alemão. por sua vez. toda história é a revelação de Deus. apresenta sua teologia de dentro da categoria da história. conforme elas foram definidas pela Igreja. 1964. Wolfhart Pannenberg. cortam o nó górdio. e não da própria história. A doutrina teológica de Pannenberg considera que a realidade histórica tem prioridade sobre a fé e o raciocínio humanos.Quanto ao catolicismo romano. nascido em Stettin. pode ser chamado o teólogo da história. Porque para ele a história é o princípio de averiguar o futuro com a revelação da Palavra. professor de teologia sistemática em Heidelberg (1955). 1959. (Revelação como história) 1962. A história está tão clara em suas funções revelatórias que sua interpretação pode ser feita sem a ajuda da revelação sobrenatural. que é professor de teologia sistemática na Universidade de Munique. o mesmo oferece uma base complexa para a ortodoxia: as Escrituras.

Da identidade dos Opostos – qualquer dissertação a respeito de Deus deve necessariamente apelar aos opostos. "panteísta". O universo passa a ser auto-existente. E assim. removido do mundo transcedente sobre ele. e o mundo é o seu corpo. desde então o termo tem sido continuamente usado. embora sujeito a modificações. mas não é idêntico a elas. negando assim. De acordo com o panteísmo. O panteísmo é uma espécie de monismo. Tendência de identificar Deus com o mundo material. Imanentista – Deus faz parte do mundo e é imanente nele. . Deus é o cabeça da totalidade. dando a entender que tudo é Deus. Nas Escrituras. + Theós. pan. Fay atacou a filosofia de Toland. Neoplatônico – Deus é absoluto em todos os aspectos. A forma objetivada. "tudo".PANTEÍSMO Essa palavra vem do grego. enquanto que a Bíblia apresenta um equilíbrio. Monista Relativista – O mundo é real e mutável. E. Sendo assim. Deus é imutável e não é afetado pelo mundo. o caráter pessoal de Deus. o panteísmo é deficiente por causa de duas considerações: Nega a transcendência de Deus e defende Sua imanência radical. embora diferentes expressões de uma mesma coisa. De acordo com o panteísmo. foi cunhada pela primeira vez por John Toland. "deus". Por sua vez. o finito e o infinito tornam-se uma e a mesma coisa. que identifica a mente e a matéria. Deus é retratado supremamente como uma pessoa. · Formas de Panteísmo mais importantes: Hilozoísta – O divino é imanente do mundo e é caracterizado como elemento básico do mundo que empresta mudança e movimento à sua totalidade. onde Deus está ativo na história e na sua criação. Monista absolutista – Deus é tanto absoluto quanto idêntico com o mundo. sem começo. em 1705. são concebidos como um todo. Do ponto de vista bíblico. Acósmico – Deus é absoluto e constitui a totalidade da realidade. e usou a forma nominal "panteísmo". todos os seres e toda a existência de Deus. e que pensa que a unidade é divina.

desnecessária. A igreja morávia. Outrossim. No grego temos sébomai "ser piedoso". O metodismo trouxe de volta à igreja a necessidade de uma experiência religiosa pessoal. o calvinismo. Por causa desses vícios. entusiasmadas e dotadas de mais profundas experiências religiosas do que outras pessoas. Como um movimento organizado. . De fato. ou seja. John Wesley e o metodismo primitivo podem ser classificados como um movimento pietista. era combatido por ministros e teólogos invejosos. o conde Von Zinzendorf. Ele servia como pastor em Frankfurt-ammain. mas a sua mensagem não tardou as espalhar-se por toda a Alemanha e daí para outros países. a necessidade de uma conversão que realmente mudasse a vida do indivíduo. passando a ser aplicado a fanáticos e sonhadores religiosos. e uma santificação que continuasse esse processo. A ênfase do pietismo recai sobre as experiências religiosas. procurando ser mais piedosas. no fim do século XVII. Tinha organizado escolas para os pobres. historicamente falando o metodismo foi muito influenciado pelo pietismo alemão. adotou a prática dos princípios pietistas. organizada pelo enteado de Spener. Essas coisas são enfatizadas em lugar do ritualismo e das formalidades do culto. o tema pietismo assumiu uma conotação negativa. o que justifica o seu protesto e o movimento que daí resultou. sacramentos e da religiosidade. uma casa publicadora e outras obras de caridade. Um teatro religioso. Também houve uma pronunciada ênfase antiintelectual. "aquele que cumpre seus deveres". o valor do misticismo.PIETISMO A base latina dessa palavra portuguesa é pius. e. a fraternidade universal dos crentes. Ele foi um bem sucedido professor e obreiro cristão. considerados dotados de espiritualidade inferior. Mas a palavra alude a uma reverência especial diante de Deus. também. ou mesmo como se nem fossem cristãos autênticos. que causou forte desequilíbrio no movimento. em vez de ritos. um desprezo relativo aos credos. a santificação e a experiência religiosa tinha-se perdido essencialmente. incluindo misticismo. A corrente principal do luteranismo tornara-se rígida em suas doutrinas e morta no sacramentalismo. sobre a conversão pessoal. Spener cria que a ênfase original da reforma protestante. caiu no legalismo dogmático. "ser reverente". axetismo e separação desnecessária de outros cristãos. A necessidade de experiências religiosas pessoais. o calor emocional na religião cristã. a retidão pessoal. O mais notável discípulo de Spener foi August Hermann Framke. uma religiosidade que gera mais calor emocional do que iluminação fanatismo. as pessoas transformam-se em atores. um orfanato. a santidade e a devoção. associado principalmente a Philipp Jakob Spener. e foi mui significativa a sua ênfase sobre as experiências místicas. segundo a história informa-nos. o pietismo teve início entre os luteranos da Alemanha.

tornando as palavras inteligíveis e significativas. João Wesley em 1735. a arte de Hermeneuein (interpretar). os dunkers (batistas alemães). mas agia também como intérprete. porque trata de um livro peculiar no campo da literatura – a Bíblia como inspirada palavra de Deus. Hermes transmitia as mensagens dos deuses aos mortais. PRINCIPAIS EXPOENTES DO PIETISMO – Philipp Jacob Spener é considerado o Pai do Pietismo. por sua vez. no caso designa a teoria dessa arte. Talvez possamos dizer que a maioria das igrejas pentencostais da atualidade retém tanto as virtudes quanto os vícios desse movimento. o que também sucedeu ao luteranismo norte-americano. também. A igreja reformada holandesa também teve líderes cujos discípulos salientaram esse conceito. as leis e os métodos de interpretação. propriamente. profecia. na Georgia prostrou relevantes contribuições ao Pietismo. era afiliado de Spener e aluno de Francke. A igreja reformada alemã da América do Norte exerceu uma influência pietista sobre povo reformado alemão naquele continente. Podemos defini-la assim: Hermenêutica é a ciência que nos ensina os princípios. outra descobrir as instruções contidas em formas simbólicas. etc. história. um novo interesse por Lutero e sua teologia. o que pode chegar a uma clarificação. através dele. Spenes e Francke aspiravam outras variedades de Pietismo alemão. A Hermenêutica "Geral" se aplica a determinados tipos de produção literária. se deriva do verbo Hermeneuo. O conde Nikolas Vom Zinzendory.. mas. A Expansão do Pietismo. ou a um comentário adicional. em 1666 foi chamado para ser o ministro principal em Frankfurt-am-Main. Diz-se. os mononitas. Os irmãos unidos em Cristo e a igreja Evangélica foram denominações que incorporaram tendências pietistas. Consequentemente a hermenêutica tem duas tarefas: Uma determinar o conteúdo do significado exato de uma palavra. num aspecto ou noutro. não só as anunciava textualmente. poesia. texto. quer isto dizer que. Johann Albrecht (1687-1752) Haus Nielsem Hauge (1771-1824) que teve.O metodismo. Platão foi o primeiro a empregar Hermeneutike (subentendendo-se a palavra techne) Hermenêutica é. PRINCÍPIO HERMENÊUTICO A palavra Hermenêutica é derivada do termo grego hermeneutike que. frases. eides da igreja Marávia renovada. A Hermenêutica "Sacra" tem caráter muito especial. os Schewenkfelderes e os morávios devem todas alguma coisa ao pietismo. que a palavra hermenêutica deve sua origem de Hermes. . tais como. leis.

e a humanidade como um universo procedia o homem como indivíduo. ao Evangelho. nas portas da catedral de Wittenberg. independentemente das coisas em que se manifestam. No texto Contra Henrique VIII da Inglaterra (1522) Lutero contrapunha a tradição eclesiástica. o retorno direto à palavra de Jesus Cristo. O Realismo Gnoseologico dos Milésios eles admitiam a existência real de uma substância das causas. isto é. 95 teses contra a venda das indulgências. mas na sua substância verdadeira. Preparada pelo humanista Erasmo de Roterdão (1466-1536). ULTRA-REALISTAS: (século XII) expandiu a teoria de Agostinho que tinha modificado o realismo de Platão ao sustentar que as proposições universais existiam na mente criativa de Deus antes do universo material. e portanto da Igreja. e a todos os rituais e às glosas que havia acumulado durante séculos. naquilo que elas tem de invaríavelem face da multiplicidade do vir a ser. de onde tudo programa. à parte dos objetos em particular. a Reforma protestante apresenta-se como um dos meios de realização daquele retorno aos princípios que foi a divisa do Renascimento.REALISMO Doutrina medieval. . a Reforma foi iniciada pela obra do monge agostiniano Martinho Lutero (1483-1546) que em 1517 afixou. não pondo em dúvida a possibilidade do seu conhecimento. a universalidade do pecado na raça humana e a unicidade da trindade. o retorno aos princípios levava a negar o valor da tradição. Refere-se a uma existência separado. Em sua orientação de conjunto. Explicando. No domínio religioso. REALISMO GNOSEOLÓGICO: é o que admite a possibilidade do conhecimento das causas. originada na teoria das idéias de Platão segundo a qualos universais existem por si. REFORMA A Reforma foi a renovação da vida religiosa acontecida na Europa do século XVI pelo retorno às origens do Cristianismo. REALISMO METAFÍSICO: Advoga a existência da realidade metafísica em si mesma. Explicando que a realidade dos indivíduos derivava do universal. assim. de que estas se constituíam. que se julgava sua depositária e intérprete. de uma entidade (digamos assim) metafísica.

poderíamos distinguir três alas: 1) a direita. do sentido salvífico dos sacramentos e do batismo de crianças. formar uma Igreja separada. inicialmente. Lutero opôs o exercício dos deveres civis. Os grandes líderes da Reforma. 2) O centro. Pode-se dizer que a Reforma começou. das técnicas religiosas (ritos. A fé é o sinal seguro desta predestinação e portanto o indício da salvação. de "Reforma". penitência. isto é. segundo Lutero. artístico e filosófico desenvolvido no período dos séculos XIV e XVI na Europa Ocidental. constituído pelo luteranismo e o calvinismo. o trabalho inicial de Lutero teve continuidade graças aos esforços de Melanchthon e João Knox. com sua rejeição da hierarquia. batismo. Dentro da Reforma protestante. Por isso foram chamados de "reformadores" e sua ação. 2º) a negação da liberdade humana e o reconhecimento da predestinação da parte de Deus. eucaristia. No sentido teológico a palavra RENASCIMENTO foi usada nos estudos de Hildebrand. Além de Zwinglio e Calvino. os quais não pretenderam. se consumou a separação entre católicos e protestantes. 3) a esquerda. foram Zwinglio e Calvino. sacrifícios.O ensinamento fundamental do Evangelho é. A Reforma é o berço de toda a teologia moderna. que conservou numerosos elementos "católicos". RENASCIMENTO Este termo deriva-se do francês Renaissance e corresponde a um movimento literário. Verifica-se portanto que o tema religião discutido . cerimônias) e a redução dos sacramentos àqueles que são mencionados pela Bíblia. Quando. mas apenas "reformar" a existente. representada pelo anglicanismo. porém. Ao culto sacerdotal. o RENASCIMENTO religioso enfatizava o principal objetivo da religião que seria levar o homem de volta a DEUS. Michelet e Burckhardt usaram esse vocábulo para enfocar a historicidade do período em 1855 e 1860. como único "serviço divino" que possuía valor religioso. com John Wycliffe. além de Lutero. que não rejeitaram completamente uma constituição hierárquica da Igreja. no século XVI. no século XIV e com John Huss. a justificação por meio da fé. isto é. que se encarna no anabatismo. o nome da Reforma veio adquirir um aspecto nitidamente confessional. tornando-se quase sinônimo de protestantismo. uma vez que a Igreja Católica institucionalizava a religião e asseverava os seus dogmas sem nenhuma flexibilidade para discussão a respeito. a qual implica dois corolários fundamentais: 1º) a negação do valor das obras. em sua forma preliminar. que foi outra figura espiritual que lançou o alicerce sobre o qual a Reforma veio a ser edificada. Wasler e Burdach para explicar o RENASCIMENTO espiritual do homem adâmico morto pelo pecado. No movimento renascentista. mas também estes subtraídos de qualquer supervisão sacerdotal e considerados como expressão da relação direta do homem com Deus.

Prestação de contas dos seus atos. Por isso pretendiam fazer uma biografia corrigida de Jesus. Avaliação da qualidade da vida.dentro do RENASCIMENTO contribuiu eficazmente para a revolução teológica que reflete até nossos dias que foi a REFORMA PROTESTANTE. esse título. ou seja a vida além do túmulo. Straus não aceitou a mensagem de Cristo. Henrique Paulus (1761 a 1877) publicou em 1928 a obra vida de Jesus Paulus. Eles pretendiam fazer uma revisão dos relatos bíblicos. no estado espiritual. Julgado de acordo com suas obras/atos. REVISIONISMO: Espiritual 1º Revisionismo crença que a verdadeira pessoa é uma alma sobrevive a morte biológica. Embora Ritschel. sendo julgada de conformidade com ela. Revisão da vida anterior à morte. Era o tema central do revisionismo. . seja o pai da teologia liberal e dos principais. e também recontar a história de modo racional. 2º O movimento revisionista foi um movimento teológico moderno que tinha como objetivo a busca do Cristo histórico. Não admitia que Jesus tinha feito qualquer milagre. a qual. David Frederich Straus (1808 a 1877) Straus também escreveu a obra a Vida de Jesus. O revisionismo biografo procurava desmistificar a deidade de Cristo. é comumente dedicado a Herman Reinamein. precisa enfrentar uma revisão da vida na carne. O revisionismo nasceu dentro a teologia moderna e adeltro a teologia contemporânea até hoje os teólogos influenciam. e primeiro revisionista não podemos dizer que Ritschel é o pai do movimento revisionista. sobre a vida de Cristo.

o Deus sobrenatural criou o mundo e sustenta a sua existência. o natural mais do que o sobrenatural. a 4 de fevereiro de 1906. Em termos gerais. o secularismo é o culpado porque "mudaram a verdade de Deus em mentira. na Polônia). Em termos bíblicos. O secularismo procurava aprimorar as condições humanas. continua a preservá-lo. Este mundo (o saeculum) tem valor porque Deus o criou. tornou-se pastor luterano e trabalhou em Barcelona e Nova York. o secularismo inexoravelmente torna o mundo do homem e da natureza absoluta. Antes. como filosofia abrangente de vida. e age para redimi-lo. o secularismo e o humanismo são freqüentemente vitais como uma só dupla que forma o humanismo secular – uma abordagem da vida e da sociedade que glorifica a criatura e rejeita o criador. como tal constitui-se num rival do cristianismo. porque nega e exclui Deus e o sobrenatural numa fixação míope naquilo que é imanente e natural. 1. E uma forma de religiosidade. pelo seu conceito reducionista da realidade. No entanto. No secularismo as dimensões – presente e imanente de existência estão revertidos dos atributos do eterno e do transcendente. Tendo excluído o Deus transcendente como absoluto e o objetivo da adoração. sem fazer qualquer alusão à religião ou as reivindicações da igreja. Em 1931 . o secularismo envolve uma afirmação da realidades imanentes deste mundo. Homens e mulheres. O secularismo. expressa um entusiasmo sem reservas pelo processo da secularização em todas as esferas da vida. utilizava-se da pura razão.SECULARISMO Essa palavra vem do latim seculum. adorando e servindo a criatura em lugar do criador" (Rm.25). existem em liberdade e responsabilidade que o homem tem com Deus e o mundo. Na discussão contemporânea. O secularismo veio a ser uma espécie de movimento do tipo humanista. Embora Deus haja Senhor da história e do universo. e objetivo da adoração. religião invertida e una. e das organizações sociais (não-religiosas) humanas. Nos círculos religiosos recebe o sentido de "aquilo que pertence ao mundo de nosso tempo" e que não faz parte do que é sagrado ou espiritual. Educado em Tübingen e Berlim. O principal expoente do secularismo é Dietrich Bonhoeffer nascer em Breslau. Prússia (depois Wroclaw. O secularismo carrega uma falha fatal. Da perspectiva da teologia bíblica cristã. O secularismo é uma ideologia. da ciência. para uma visão fechada do mundo que funciona semelhante a uma religião. Nenhuma discussão contemporânea do cristianismo e secularismo pode deixar de lidar com as cartas e papéis da Prisão escritos por Dietrich Bonhoeffer. E uma cosmovisão e um estilo de vida que se inclina par ao profano mais do que para o sagrado. Ele não pode ser identificado com um ou outro (panteísmo). O secularismo é uma abordagem não-religiosa da vida individual e social. "pertence a uma época".

Bonhoeffer estava em Londres e decidiu lutar contra o nazismo. quando dizia que a igreja não existe senão quando é "para os outros". A Secularização é uma ameaça provocante. dedicado a causas humanistas. saecelum. Propunha como uma das soluções a interpretação não-religiosa dos conceitos bíblicos. SÉCULO XIX Mudanças profundas na sociedade. na Pomerânia. A secularização como teologia surgiu com Bonhoeffer. última conseqüência das mudanças processadas pelo Iluminismo. fizeram sufocar o anseio doentio por um nacionalismo exacerbado. mas como quem serve. que deve ser levada a sério. Quando Hitler subiu ao poder em 1933. O que ele asseverou é que o cristão moderno deve ser um homem também voltado para atividades seculares. SECULARIZAÇÃO A palavra secular provém do termo latino. que por sua vez. Este homem novo. caracterizam o século dezenove. mas está no mundo. O destinatário do evangelho é o homem novo. Havia a violenta substituição do Absolutismo pelo "terceiro estado da burguesia". havia a Revolução Francesa. Secularização é a libertação do que é mundano em relação ao que é santo. que significa era ou época. sufocada no terror sanguinário da Ditadura Jacobina.assumiu a cátedra de teologia sistemática na Universidade de Berlim. onde o ser humano começa a se voltar para o presente esquecendo completamente o futuro. tendo como objetivo principal Jesus Cristo. É a inversão de valores dentro dos campos teológicos e secularistas. O problema central de sua teologia era como ser cristão num mundo secularizado e ateu. A Secularização é uma palavra temporal usada para traduzir a palavra grega "aeon". Ao cristianismo essencial ao que chama razoável. nas artes. significando "esta idade presente". A secularização é como ameaça e precaução. . Em 1935 foi chamado a assumir a direção de um seminário clandestino em Finkenwald. A Secularização adquire significados da distinção medieval entre aquilo que ficava sob jurisdição eclesiástica ou monástica ou aquilo que não ficava por serem de competência do Estado. A igreja deve participar das tarefas humanas. Essa ditadura só será subjugada por Napoleão e suas guerras Imperialistas. A igreja não deve permanecer fora do mundo. nos conceitos científicos. não nos deve causar medo. Dirigindo a nova orientação do período. na produção de bens de consumo. não como quem governa e comanda. do final do século anterior. o que sugeria a possibilidade de haver cristãos arreligiosos. A provocação da Secularização é um desafio às nossas igrejas de nos integrarmos às necessidades humanas.

cada um de nós também vive num estado de dependência. Após a queda de Napoleão. Mas é também o tempo de um mundo pintado pelos impressionistas. O século do cidadão. Pio VII voltou a Roma e os Estados papais foram restabelecidos.. Durante essas duas décadas. publicado em 1864. distinta de qualquer outra. Schleiermacher continuou sua atividade como pregador e professor de teologia sistemática. Entre 1800 e 1821. frágil e passadiço. um século de tolhedora tristeza e de branda melancolia. A Igreja Católica Romana. Ele aproveitou as idéias principais do Iluminismo e do Romantismo e s incorporou em um sistema teológico. tratado que definia as relações da Igreja Católica Romana na França com o Governo. o século do drama. a teologia de Schleiermacher passou também. desde o início do século XIX e encontrou sua máxima expressão no SILABUS. Cada um precisa afirmar sua individualidade. Mesmo assim. o primeiro instante da Teologia Moderna como se sabe é a Reforma que se constituiu no oferecer de uma nova era teológica. como para os demais românticos. tais como a liberdade de consciência e de culto. depois de sofrer certa pressão no século XVIII e começos do XIX. cada indivíduo deve desenvolver-se como uma pessoa. de sua arrogância. que adentra a Teologia Contemporânea. O século do materialismo e do material. da morte.. O século da declaração da morte de Deus. Para Schleiermacher. A vida humana envolve uma tensão entre a dependência e a independência. Na religião o século XIX encontrou o papado em grande humilhação. ou pelo menos a ele atrelada e dele dependente e auxiliada. enfrentou poderosamente todos os surtos do processo humano. Nesse documento foram denunciados como "erros". ele deixou uma marca que dura até hoje. Quando o Romantismo passou de moda. Schleiermacher formulou uma teologia à luz do Romantismo. resistiu às influências modernizantes e continuou desenvolvendo todos os seus elementos medievais. O século da questão social. Além dessa auto-afirmação. vários elementos. A Teologia Contemporânea nasce sob as hostilidades de teólogos liberais e neo-ortodoxos. mas também do Infinito. O século do artista e de seu atrevimento.É o século dos grandes prospectos e das máquinas. Em 1801 Napoleão. de Deus. É o século do medo. Schleiermacher formulou sua obra-prima de teologia sistemática. Por esse tratado "a igreja ficava sujeita ao Estado". e do medo da morte que afora devia ser enfrentada sem Deus. Um mundo de anseio à morte prematura. Imperador da França. O segundo instante da Teologia se evidencia na Teologia Liberal. do Universo – enfim. . A hostilidade do papado ao progresso do mundo moderno manifestou-se de vários modos. porém. Sentimo-nos dependentes não somente de outras pessoas. Da esperança perdida. realizou com o Papa Pio VII a concordata. e essa dependência é a base de nossa vida religiosa. do Tudo. de ideais abandonados. Muitos indicam Friedrich Schleiermacher (1768-1834) como o pai da Teologia Moderna. de Pio IX.

Ritschl insistiu em rejeitar a metafísica. eliminando-a da teologia. O autor apresenta uma reinterpretação moralizante da fé cristã em termos especialmente atraentes para os protestantes alemães. ou da autoconsciência imediata".Schleiermacher começou por reduzir a fé às proporções dos sentimentos religiosos de cada pessoa. com uma interpretação liberal da fé cristã. eles queriam saber o efeito da doutrina na vida e na sociedade. Ritschl (1822-1889) era um pesquisador incansável. Ritschl publicou. Depois de 1850. Ritschl é o primeiro dos revisionistas. A partir de Schleiermacher. a Teologia Liberal Protestante diminuiu o peso doutrinário da fé. História do Cristianismo e Dogmática. Schleiermacher havia lançado a Teologia Liberal Protestante. tendo uma visão otimista. e Tomás de Aquino argumentou de pressuposições aristotélicas. Ele dominou três áreas de estudo: Novo Testamento. até hoje. Para Ritschl. . (3) da Teologia Sistemática. Entre 1870 e 1874. Em lugar disso. mas uma teologia voltada para questões éticas. Lutero tirou a metafísica das reflexões tão lógicas. Ele não pretendia falar de Deus em si. a maioria rejeitou a distinção de Schleiermacher entre religião e moralidade. Schleiermacher iniciou a Teologia Liberal Protestante – um movimento que cresceu durante o século XIX e que existe ainda hoje. Lutero – o herói das mais diversas teologias alemãs – desvinculou a teologia da metafísica. um número crescente de teólogos queria uma teologia reduzida. dizendo que os sentimentos piedosos equivaliam ao senso de consciência absoluta de Deus. Os três volumes desta obra tratam dos pontos de vista: (1) do Novo Testamento. sua obra-prima: Die Christliche Lehre von der Rechtfertigung und Versohnung (A Doutrina Cristã da Justificação e Reconciliação). Por influência do Realismo. Em matéria de religião. Isto quer dizer: ele enfrentou os ortodoxos com suas próprias armas. se interessavam menos pelos sentimentos do que os românticos. por isso pretendiam fazer uma biografia corrigida de Cristo. a ortodoxia protestante restaurou a metafísica à teologia. Ele valorizou os "sentimentos piedosos". Ritschl apresentou-se como um estudioso do Novo Testamento e de Lutero. Além disso a Teologia Liberal Protestante pouco enfatiza o pecado. e a ortodoxia a trouxe de volta com Melanchton e Ritschl a retirou em suas formulações teológicas liberais. da natureza humana. ele se limitou a falar da "modificação do sentimento. Por sua parte. e sua influência continua. embora pouco profunda. Esta honra ficou para o professor Albrecht Ritschl. Por esta razão. Já quanto aos realistas. especialmente em questões metodológicas. em três volumes. (2) da História do Cristianismo. Revisionismo foi um movimento teológico moderno que tinha como objetivo a busca do Cristo histórico. que ele apreciava desde sua formação pietista. Mas a Teologia Liberal Protestante não recebeu sua expressão plena de Schleiermacher. Agostinho fez teologia de uma base platônica. Ritschl argumentou que os ortodoxos dos seus dias erraram por confundirem a doutrina cristã com a metafísica. da Universidade de Göttingen. esses teólogos rejeitaram o sistema que herdaram de Schleiermacher. A Teologia Moderna é marcada pelo revisionismo.

Schilebuckk. Mas talvez tenha sido o teólogo suíço Karl Barth (1886-1968) quem melhor resultados alcançou nessa direção. como na teologia deísta. Entre os ortodoxos: Bulgakov. deu início no entre-guerras a um movimento teológico que buscava alcançar aquilo que a teologia oitocentista não havia conseguido: uma teologia não iluminista e pós-Kantiana que não se evaporasse à medida que fosse produzida. e inspirado por críticos como Soren Kierkegaard (1813-1855). a mais importante é sua leitura da obra redentora de Cristo. Ritschl apresentou uma nova teoria de expiação – a teoria da influência moral. Von Balthasar e outros. Bultmann. Ritschl rejeitou tanto a ortodoxia como o pietismo.Compete a Ritschl reformular a teologia sem metafísica. A forma da teologia liberal encontrase no idealismo gnóstico de Kant. Como ele acusou os ortodoxos de confundirem a metafísica com o cristianismo. mas o juízo divino sobre tudo que se revela humano. Os escritos de Ritschl também continham numerosos ataques contra o misticismo. Os escritos de Ritschl contra a metafísica eram. Dentro da teologia contemporânea destacam-se: Karl Barth. sobremodo humano. Heidegger. Paul Tillich. Brunerr. outra vez. Dessa maneira Ritschl se apresenta como o campeão do verdadeiro luteranismo. Teólogos do século dezenove como Albrecht Ritschl (1822-1889) e Ernst Troeltsch (18651923) procuravam encontrar o espaço da teologia no mundo pós-Kantiano. Guardini Ranner. seus argumentos antimísticos foram. Oscar Culmann. Wilhelm Herrmann (1946-1922) e Albert Schweitzer (1875-1965). contra a ortodoxia protestante. A teologia moderna foi construída com base em Kant e Hegel. . uma outra ala do protestantismo alemão. A teologia liberal foi constituída nos pressupostos iluministas racionalistas. Lonergan. Na "teologia da crise" de Barth (do grego krinein. julgar). Entre os católicos: Teilhard de Chardin. insatisfeito com as soluções propostas pelos teólogos do século dezenove. Estes entre os protestantes. ataques contra o pietismo. Bonhofer. Friedrich Nietzsch (18441900). Aqui. Florowsky e Lossoky. inclusive a religião. na realidade. Barth. Nietzche e Marx. que não fosse redutível a nada além da teologia cristã propriamente e da revelação de Deus em Jesus Cristo. na realidade. não é a infinita bondade de Deus que é salientada. Das reinterpretações de Ritschl. também rejeitou o pietismo como uma infiltração do misticismo no pensamento cristão. A teologia contemporânea tem bases em Soren Kickegaard.

Todo-poderoso onisciente ao mesmo tempo em que há tantos males no mundo? Aqueles que procuram explicar o problema do mal. Acreditar que só eu existo é tão absurdo que também é absurdo dizer que só posso Ter conhecimento de minha própria existência. TEODICÉIA Esse termo vem do grego theos. o solipsismo metafísico redunda do dilema do conhecimento: uma pessoa qualquer pensa que é a única entidade em existência. Além disso para Leibnitz. no mundo em que vivemos. a grande mônada. e onde Deus não incorre em equívocos. O solipsismo epistemológico refere-se ao "dilema do conhecimento do próprio eu". salpicado de males naturalmente. Porém. não somente há razões pelas quais Deus faz tudo quanto faz. temos aí um pseudodilema. Essas razões podem ser discernidas pela luz da razão pura. "sozinho" e ipse. sendo assim. introduzindo-o na filosofia. justiça. Alguns filósofos usam o solipsismo metafísico para anular o solipsismo epistemológico. expõem Teodicéias. todas as demais pessoas e coisas podem ser um produto de sua própria mente. isto é. ou até onde a pessoa pode provar. conforme se verifica durante os sonhos. Até onde posso determinar. com as suas modificações subjetivas. só eu existo. Foi Leibnitz quem cunhou esse termo. mas não posso afirmá-lo com certeza absoluta. O latim por detrás desse termo português é solus. Como pode haver um Deus justo. Em seu uso comum. É possível que outras pessoas existam. "o equivalente concreto do que os filósofos chama de solipsismo. e dike. A Teodicéia de Leibnitz era determinista. até onde ela está envolvida. sem ajuda da revelação. no sentido em que vivemos no melhor de todos os mundos possíveis. Deus é o único ser metafisicamente necessário. tenho bases para crer que somente eu existo.SOLIPSISMO Doutrina segundo a qual a única realidade no mundo é o eu. Utilizam-se de um argumento do reduction ad absurdum. Ou seja. onde Deus. Por sua vez. . A Teodicéia de Leibnitz foi estruturada para seu sistema teológico extremamente racionalista. até onde vai o meu conhecimento. como também tais razões são leis necessárias. é a única que existe. da atitude que consiste em sustentar que o eu individual de que se tem consciência. esse vocábulo usualmente designa aquela atividade que busca justificar as maneiras de Deus como os homens. Leibnitz teve fazer toda espécie de ginástica para defender sua tese. A idéia é que a pessoa ou mente individual. "o próprio eu". é que forma toda a realidade". deus. Sua Teodicéia fazia parte do seu sistema de mônadas. aparece como o programados das demais mônadas. preservando assim a idéia de um Deus ortodoxo. a despeito de aparentes erros que nos cercam.

e o bem metafísico é a plenitude da existência . São raras as definições claras do que seria propriamente "teologia da cruz". A bondade moral de Deus consiste. na maioria dos casos. em desejar o melhor. Portanto o sistema de Leibinitz diz que Deus opera com base na razão suficiente. a Teodicéia tem um grande valor apologético. as idéias de Paulo. em Heidelberg. portanto. Foi Lutero quem. Deus não é obrigado a criar mundo algum. É herança de Paulo que Lutero levanta com sua teologia da cruz contra uma igreja que se tornou segura e saciada. contrapôs expressamente seus "paradoxos" teológicos como "Teologia da Cruz". metafisicamente falando. à Teologia eclesial dominante. que muitas delas respondem aos problemas do mal que são enfrentados pelas teologias para as quais são construídas. Não houve teólogo na igreja cristã que tenha feito ressuscitar como Lutero. que há quatro considerações básicas: Universo Racionalista modificado. metafisicamente falando. Portanto. isto é. O sistema de Leibnitz exige que haja o melhor mundo possível. Se possível for demonstrar que Deus desejou aquilo que é metafisicamente melhor. que a "teologia de cruz" representa o estágio préreformatório da teologia de Lutero. por mais que alguém decididamente se distancie da mesma. Evidentemente ele se serviu dessa formulação porque nela encontrou a caracterização mais sucinta e certeira da peculiaridade do evangelho. há um número infinito de mundo contingentes finitos possíveis. criar um mundo é uma coisa condigna a ser feita por Deus. em todo caso será preciso admitir que de modo geral é ela que dita à teologia de hoje o seu enfoque. a despeito da presença do mal no mundo. será demonstrado que Deus não é um Deus bom. metafisicamente falando. Outras Teodicéias bem conhecidas baseiam-se numa teologia racionalista modificada. são pela sua própria natureza e Deus não poderia ter criado. ao que parece. as ocasionais manifestações tacitamente pressupõem. Se for possível demonstrar que Deus desejou algo inferior ao mundo melhor. Ele já concretizou o melhor de todos os mundos possíveis. na primavera de 1518.O mal metafísico é a finitude ou a falta de existência. porque sua própria existência é o sumo bem. Essa metafísica subjaz a defesa do livre-arbítrio e também a Teodicéia da edificação das almas. . isto é. Se for possível demonstrar que Deus desejou algo inferior ao mundo melhor. à "Teologia da Glória". não existe nenhum mundo melhor. Deus não fará coisa alguma sem uma razão suficiente e discernível pela razão pura. Geralmente essa formulação aparece como algo que dispensa maior discussão. a contrastar com a Teologia oficial. mas. Os que são maus. e Deus é livre quanto a criar ou não criar. por mais que a considerem carente de contemplação e correção. TEOLOGIA DA CRUZ Por mais que divirjam as opiniões a respeito da chamada Teologia dialética. Visto que Deus é totalmente bom. Ele será moralmente digno de louvor.

A doutrina da cruz que determinou decisivamente o conceito de Deus e de Fé. forte. Pelo contrário. mas que deve ser considerada. é na cruz de Cristo e do cristão que se mostra o sentido mais profundo da ação de Deus junto ao mundo. ela não pode ser limitada a um período particular de sua teologia. Ele sabe que só Deus pode ser encontrado na cruz e no sofrimento. O teólogo da cruz não está posicionado como espectador em relação à cruz de Cristo. essa fórmula apresenta uma característica de todo o seu pensar teológico. é sábio. Podemos constatar a marca da teologia na cristologia ou na doutrina da santa ceia. Face à situação real do ser humano. Por isso não foge do sofrimento. O resultado deste estudo é para nós uma prova indireta de que a teologia da cruz não constitui o pré-estágio pré-reformatório da teologia de Lutero propriamente dita. ainda assim valeria a pena retraçá-la como um todo orgânico. antes. O que é tolo. é glória. A cruz é o juízo sobre todas as ideias e obras humanas de escolha própria. só é compreendida numa vida sob a cruz. o que é vergonha. a exemplo do teólogo da glória. Denominamos a teologia da cruz como a marca de toda a teologia de Lutero. Ouvimos que. o que parece odioso ao ser humano. a cruz de Cristo e a cruz do cristão formam uma unidade. . para a teologia da cruz. Na cruz se frustra toda concepção fictícia de Deus. Para o cristão. o que é fraco. de fato. é apenas um mergulhão da árvore da mística medieval e de teologia monástica. mas considera-o como as sagradas relíquias que devem ser abraçada devotadamente – pois o próprio Deus "está oculto nos sofrimentos" e quer ser venerado por nós como tal.Em contrapartida defendemos a seguinte tese: a teologia da cruz é o princípio de toda a teologia de Lutero. Cristo é tudo. O sentido da cruz não se revela ao pensar contemplativo. ele é o eixo central da reflexão teológica. A teologia de Lutero. como marca de todo o pensamento teológico de Lutero. é desejável e digno de amor e em altíssimo grau. ela representa a inversão radical de todas as suposições humanas. "A cruz põe tudo à prova". mas ele próprio é envolvido neste acontecimento. A teologia da cruz é cristocêntrica. mas apenas à experiência sofredora. como também no caso de Paulo.

não é destinada e não se apresta a salvar até mesmo a mudar a evolução?. TEOLOGIA DA EVOLUÇÃO Pierre Teilhard de Chardin nasceu em Sarcenar. nenhum autor suscitou tanto interesse quanto Pierre Teilhard de Chardin. Expressam sempre e por igual o "Shalon" dirigido a todo homem em suas relações sociais. França. Nos últimos anos.. a Evolução infunde sangue novo às perspectivas e aspirações cristãs. o padre Schillebierckx tornou-se um zeloso seguidor da Teologia da Esperança.. que não interrompeu nem mesmo quando suas inquietações espirituais o levaram a ingressar na Companhia de Jesus. . quer o novo e consequente êxodo da sociedade atual das grandes estreitas das estruturas vigentes. Lé phenomène humain foi a obra em que Chardin procurou realizar tal programa. porque o cristianismo vem de encontro às mais intimas exigências da ciência. e a mensagem do Reino de Deus não significam apenas liberdade e santidade interiores. em 1º de maio de 1881. em 1899. outorgada e vivida a partir de Cristo. Segundo Chardin é preciso fazer ver aos cientistas que não há nenhuma imcompatibilidade entre a religião cristã moderna e a ciência moderna.TEOLOGIA DA ESPERANÇA O fundador desse tipo de teologia foi o alemão Jürgen Moltmann. quando o mundo da ciência era decididamente adverso ao mundo da fé e da religião. por seu turno. A liberdade. que traçou suas linhas programáticas em seu famoso livro Theologie Der Hoffring (Teologia da Esperança). Mas a fé cristã. e nos leva a entender a Ressurreição como mensagem promissora que se abre para a história e nos obriga a nos empenharmos por nos transformar a nós próprios e ao mundo. dedicou-se desde a juventude ao estudo dessa matéria. Este sentido teológico foge ao inconveniente de considerar a mensagem da Ressurreição como mero e inconsistente relato histórico ou como simples apelo a decisão. Deus não é "totalmente diverso" de nós (Ganz Andere). mas sim uma maravilhosa correspondência. Ultimamente. a paz na Terra e a libertação de tudo o que é efêmero. Filho de um aristocrata rural interessado pela geologia. O Escopo desta Teologia é expor que as implicações práticas da fé inflamada na chama da Ressurreição de Jesus. que adota como princípio hermenêutico exatamente a esperança. Suas obras conheceram um sucesso editorial sem precedentes em seu gênero: Chardin iniciou sua atividade científica no início do século. A obra termina com a seguinte afirmação do valor superior do cristianismo: "De qualquer forma. uma nova interpretação da mensagem Cristã.

não apenas servir. O homem é o centro e a razão dessa evolução: sua alma o liga a esse universo. a física. no qual a fé e a esperança se consumam na caridade. por sua vez. um sistema. ganhou e invadiu sucessivamente a química. Lé Phénomène Humain (O fenômeno humano). o eixo principal de evolução". Somente ele – absolutamente só ele sobre a Terra moderna – se mostra capaz de sintetizar em um só ato vital o todo e a pessoa. mas sim uma verdade certíssima: "Para muitos. todos os domínios do conhecimento humano se movimentam. visa. ultrapassando infinitamente as ciências naturais. Somente o cristianismo pode-se inclinar. O axioma número um refere-se à evolução. O meio divino) e L‘Avenir de L‘homme (1959. concluída em 1940. A evolução – uma teoria. que é Deus. Ao juízo de Chardin a evolução não está absolutamente em conflito com o cristianismo. verdadeiramente. que parece esmagar o homem e sua consciência. Isso não significa outra coisa senão que ele satisfaz a todas as condições que nós temos o direito de exigir de uma religião do futuro e que. a seus semelhantes e a seu fim último. Uma luz que aclara todos os fatos. na realidade. São verdadeiramente cegos aqueles que não se dão conta da amplitude de um movimento cuja órbita. a evolução outra coisa não é que o transformismo. As implicações morais e religiosas desse sistema foram desenvolvidas numa série de obras como Le Milieu divin (1958. portanto.. para ser pensáveis e verdadeiras. seja a futura. na medida em que nos coloca em condições de entender a história. outra coisa não é que a velha hipótese Darwinista. mas também a amar o formidável movimento que nos arrasta. em toda a sua obra. segundo Chardin. origem de sua obra mais importante. arrastados por uma única corrente de fundo. a sociologia e até mesmo as matemáticas e história das religiões. muito mais que tudo isso. em 1955. A intenção declarada de Chardin. Exatamente: mas. uma hipótese?. seja a passada. . O futuro do homem). Ciência e religião. Um após outro.. todas as hipóteses. Examinemos este axioma. mas só publicada postumamente. Os estudos científicos conduzira Teilhard de Chardin a uma profunda meditação sobre o problema da evolução. uma condição geral à qual devem se dobrar e satisfazer. é elaborar uma visão cósmica que abarque em um só olhar tanto o mundo da ciência quanto o da fé. é um argumento muito forte a seu favor. tão local e caduca quanto a concepção laplaciana do sistema solar. a evolução é a maior descoberta do século passado e de todos os tempos. e o transformismo. porque a evolução deve passar através do cristianismo. conduzem ambas à perfeição intelectual. uma curva que todas as linha devem seguir: eis o que é a evolução: Segundo Chardin. não é uma hipótese. Em seu pensamento. o cristianismo representa a única corrente de pensamento suficientemente audaz e progressiva para abraçar prática e eficazmente o mundo. em direção ao estudo de algum desenvolvimento. que ela domina.No presente momento. em um abraço completo e indefinidamente perfectível. todas as teorias. do menos consciente ao mais consciente. é através dele que passa enfim. a evolução evidente do universo material. ao contrário. Esta. todos os sistemas. longe de se contradizerem. a realizar a passagem da matéria ao espírito.

depois que o Concílio Vaticano II (19621965). que têm sua origem no egoísmo humano". López Trujillo. a fome. Eduardo Pironio e A. mas sim a intervenção de Deus. Porfirio Miranda. no sentido de política. mas também de todas as suas conseqüências. em 10 de abril de 1055. citem-se Gustavo Gutiérrez. inclusive as injustiças. Segundo. Entre os principais teólogos que a iniciaram e desenvolveram. surgido na Europa na década de 1970. não é propriamente uma teologia. os bispos consideraram que a igreja tinha como missão continuar a obra de Cristo. J. Bonino. A característica mais inovadora do movimento foi encarar os problemas políticos como base para a interpretação dos textos bíblicos. Segundo Galiléia. culturais e políticas. nos últimos anos de sua vida. Ao narrar a libertação dos hebreus do cativeiro no Egito e sua marcha para a Terra Prometida. José M. sociais. o Senhor". L. TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO A experiência cotidiana das comunidades cristãs latino-americanas que combatem as injustiças econômicas. está na origem da chamada teologia da libertação. J. A conferência pediu uma teologia e uma catequese que oferecessem "a possibilidade de uma libertação plena e a riqueza de uma salvação integral em Cristo. a opressão e. A mensagem de salvação é interpretada à luz das opressões de que o homem precisa ser libertado. Ingressou então na Fundação Wenner-Gren. A teologia da libertação constitui uma nova interpretação da mensagem evangélica. à luz da injustiça social. examinou o problema das relações entre a igreja e o mundo moderno. Seu método hermenêutico deixa de lado as categorias idealistas tradicionais e emprega categorias históricas. Apesar do nome. a miséria. de Nova York. Um outro elemento importante da teologia da libertação é o método de análise marxista. a injustiça e o ódio. Libânio. B. Leonardo Boff. Analisando a situação social do continente. a ignorância. mas ante a impossibilidade de publicar seus textos – que circularam em exemplares mimeografados e só foram editados após sua morte – transferiu-se para os Estados Unidos. Teilhard de Chardin morreu em Nova York. numa palavra. a Conferência Episcopal Latino-Americana (Celam) foi o grande impulso da teologia da libertação. em 1968. que veio libertar os homens não apenas do pecado. Reunida na cidade colombiana de Medellín. enviado ao mundo para "libertar todos os homens de todo tipo de escravidão a que os tenha sujeitado o pecado. o Êxodo é a imagem bíblica da mensagem da salvação.Teilhard de Chardin regressou à França em 1946. que patrocinou. e a história sagrada não é algo distinto da história da humanidade ou superposto a ela. . Hugo Assmann. duas expedições científicas ao continente africano. O eixo da teologia da libertação é a figura do Cristo libertador.

é. mesmo passando por cima da vontade divina. Na teologia da prosperidade. o cristão que está passando tal coisa ou coisas. Antes. Pesquisas feitas nos Estados Unidos sobre a teologia revelam que existem duas raízes históricas e filosóficas da teologia da prosperidade: O pentecostalismo (Barron. escritas contra a teologia da prosperidade. nunca: "Se Deus quiser!" Isso envolvendo saúde ou bem material. e isso significa que tem raízes ligadas a pessoas. Horn. ele não tem fé ou está em pecado. A Teologia da Prosperidade é algo novo na história da igreja. enquanto os pressupostos filosóficos propriamente ditos foram fornecidos pelas seitas metafísicas. Uma seita é composta por um grupo bem definido de pessoas. que se chamam cristãos. Parece que nada assim já foi visto antes. mas negam doutrinas básicas da Bíblia. 1989) e várias seitas metafísicas do início do século XX. Tendo em vista a Autoridade profética. Sua doutrina é radical com relação com relação ao homem físico e espiritual. Mas isso não quer dizer que ele tenha surgido de modo repentino ou aparecido totalmente formado. A posição. seus adeptos não negam nenhuma doutrina básica nem buscam outro fundamento que não seja Cristo e os apóstolos. Como todo movimento. como decretar a morte de alguém (até mesmo a de um pastor) Segundo Kenneth Hagin. trata-se de uma forma de compreender a Bíblia. 1987. desenvolveu-se com o tempo. Dessas duas fontes. onde a teologia encontrou a maior parte de seus adeptos. tratam-na como se fosse uma heresia ou uma seita. afirma que sempre positivamente. que floresceram na região de Boston (McConnell. A Confissão Positiva é outra corrente da doutrina da teologia da prosperidade. 1988). o pentecostalismo fornece a base ou o grupo. assim como os Testemunhas de Jeová ou os Mórmons. ela não é uma seita.TEOLOGIA DA PROSPERIDADE Algumas obras norte-americanas. épocas e lugares diversos. tais como a trindade e a divindade de Cristo. ela garante a realização com fé dos pedidos desejados pelo cristão. a teologia da prosperidade não se cansa de repetir que nem doenças nem problemas financeiros são da vontade de Deus. Saúde e Prosperidade são algo vivido dentro da teologia. .

costumes (ética) e muitos outros fatores. No que diz respeito à moral ou quebra de valores encontramos o seguinte texto: "Quando as leis da família são destruídas. No islamismo o árabe é a língua obrigatória para se ler o Qur‘na (Alcorão). etc. ou seja. são inúmeros os exemplos no que se refere ao estudo dos conteúdos comuns entre as religiões. o livro sagrado dos muçulmanos. também destacam-se os conteúdos de caráter ético e moral. lei ou ordem eternas. Enfim. No budismo acredita-se em um inferno onde estão os ímpios. Nas religiões Crê-se em uma vida pós-morte. . No hinduísmo muitos se referem a sua fé como sanatana darma. no tormento eterno para os maus e uma recompensa celestial para os bons. um livro sagrado. numa alma humana imortal. melhor dizendo "o árabe é a forma mais pura de revelação". Quando no referimos à "teologia das religiões" queremos destacar um conjunto. Porém. condições de clima. De forma superficial parece que as religiões são muito diferentes umas das outras. 4. Dentre estes conteúdos comuns podemos citar a revelação do logos. o Cristo deve relacionar-se neste diálogo só como a palavra " " sem reivindicar a autoridade do " ". família e mandamentos de Deus. um todo. se removermos as distinções da língua. quer dizer. repita Seu nome". um ponto em comum. é surpreendente notar a similaridade entre todas. Janardana. um redentor. Eles acreditam que o árabe é a língua usada por Deus falar por meio de Gabriel. Podíamos nos referir a "teologias" mas daria um sentido de independência. Mas. então o que certamente para os homens resulta é morar no inferno". No siquismo um dos grandes mandamentos do guru Nanaque era: "Lembre-se sempre de Deus.TEOLOGIA DAS RELIGIÕES É a globalização das religiões com o intuito da integração dos seus conteúdos comuns. surge um grande problema no que diz respeito à estruturação do diálogo do cristianismo para com as demais religiões. um Deus trino ou uma divindade superior. um lugar de fogo atormentado por demônios horrendos. bem como a interação de Cristo com os diversos credos.

Um Deus que não pode agir ou ter interação com o mundo teria uma personalidade menos do que significante. Segundo pensam. dentro da corrente racional. A grande contribuição da teologia de processo é a doutrina do relacionamento de Deus com o mundo. . A teologia do processo adotou a metafísica elaborada pelos filósofos do processo para obter os recursos mais adequados para expressar aquilo que a Bíblia entende por Deus e por mundo dentro da moderna estrutura da cosmovisão evolutiva. Propõe a Teologia de Processo que um Deus criou a partir do nada seja autocrático. supostamente. "imperial" e conceitualmente impossível. Ele é o Pai da criatividade. O Deus da metafísica do processo e o Deus da revelação bíblica são. Deus está tão intimamente ligado com o restante da realidade que Ele também é visto como estando crescendo e se desenvolvendo. O mundo para eles está em mudança e Deus também está nesse processo.TEOLOGIA DE PROCESSO Movimento teológico do séc. XX que se originou. do pensamento de Alfred North Whitehead. e Henry Weiman. A teologia de processo seguiu duas direções principais desde Whitehead: a empírica e a racional. Esse tipo de Deus não consegue casar com a idéia de um Deus que interage na História e mantém uma relação de amor e ajuda às criaturas. seguido por John Cobb e Schubert Ogden. A oração e o serviço possuem pouco significado a não ser que haja um relacionamento real e pessoal entre Deus e os homens. Ademais. o mesmo Deus. que considerava a realidade como tendo uma natureza progressiva ou evolutiva. Bernard Meland. o campeão da segunda delas Charles Hartshorne é talvez o mais relevante dos teólogos de processo desde Whitehead. em grande parte. Deus cria junto com o resto do mundo. Não há apelo existencial num Ser impessoal com quem não se pode ter relacionamento. A primeira destas ênfase é achada em Bernar Loomer.

Não queremos o termo evangélico de forma confessionalista . A teologia da qual trataremos é a que. compreendê-lo em seu sentido e interpretá-lo quanto ao alcance de sua existência – e isso. e este fato lança uma luz bastante reveladora sobre os deuses em questão: é que cada uma delas se considera e se proclama a se mesma sendo a única correta ou ao menos como sendo a melhor. dentro do caminho indicado pelo próprio objeto em questão. existência que vê confrontada com a auto-revelação de Deus no evangelho. para ser redescoberta e revivida na Reforma do séc. se trate de perceber. compreender e tornar manifesto o Deus do evangelho – quer dizer. único. Mas. ainda não é necessariamente evangélica. de forma que necessariamente também deverá haver uma multiplicidade de teologias. que por si mesmo fala aos homens. dos apóstolos e profetas do novo testamento. E existe teologia evangélica no catolicismo romano e oriental-ortodoxo. Onde se realizar o evento deste Deus se tornar objeto da ciência do homem e como tal. realizado no confronto com Deus que se auto-revela no evangelho. A melhor teologia. como também existe na área das inúmeras variações e mesmo das formas degeneradas. XVI. que tem por finalidade perceber um objeto (respectivamente uma área definida) como fenômeno. O adjetivo aponta para o novo testamento e simultaneamente para a Reforma do séc. por ser a mais correta de todas. O termo "teologia" parece indicar que em seu âmbito. a única teologia correta do Deus sublime. posteriores aos evento reformatório. nos escritos dos evangelistas.já que evidentemente aponta para a Bíblia – que de alguma maneira está sendo respeitada em todas as confissões. de forma clara e inequívoca. Mas ao termo "Deus" poderão ser atribuídos os mais variados sentidos.TEOLOGIA EVANGÉLICA Teologia representa um dos empreendimentos humanos costumeiramente qualificados de "científicos". Teologia. na capacidade de percepção. origem e norma da mesma – é aí que existe teologia evangélica. a partir de suas origens absconditas. o Deus que se manifesta no evangelho. . por ser ciência específica (e muito específica). fato este que os capacita tecnicamente a participarem. de forma ativa. há uma coisa comum entre as mais variadas teologias. XVI. latentes nos documentos das história de Israel. que age dentro deles e entre eles da maneira por Ele mesmo indicada. a fé de pessoas humanas que receberam o Dom e a vontade de reconhecerem e de confessarem a auto-revelação de Deus como tendo acontecido a favor deles. A teologia à qual queremos introduzir é a teologia evangélica. por ser "protestante". veio à luz. isto é. verdadeiro e real é aquela que procura comprovar a se mesma pela "demonstração do espírito e do poder". A teologia evangélica raciocina com base em três premissas secundárias. do esforço teológico-cognitivo. de compreender e de interpretar a "Deus". que são: dialética insolúvel do evento da existência humana. de conceituação e de expressão de todos os homens. Teologia evangélica é aquela que intenciona perceber. e na razão. inclusive os crentes.

responde ao gracioso sim de Deus. Filho e Espírito Santo – assim. seu irmão. junto a ele. . mas precisamente lida com o homem. A teologia evangélica lida com o Deus do homem. Mas nesta história Ele também é o que é. de ser Deus – não ao lado do homem. mas sim. o Deus do homem. de jure e de fato. é ciência que deixa seu assunto agir livremente. por ser palavra de graça. seu Deus. isto é. mas antes em confirmação do mesmo. em confronto com o Deus do evangelho. Nela é que Ele se manifesta a si mesmo. através do seu labor. a favor dele: não só como seu senhor. O Deus do evangelho se compadece. venha revelar-se. que tem uma palavra amiga. isto é. não é um Deus desvinculado de tudo que não seja Ele mesmo. e. e isto não em detrimento ou em abandono do seu ser divino. mas igualmente não só acima do homem. superior a existência humana. em relação a realidade – dele distinta – Ele é livre. mas também como seu pai. que bastasse a si mesmo e que fosse recluso em si mesmo: não é nenhum Deus absoluto. Teologia evangélica. Nela Ele tem e prova tanto sua existência como sua essência. como seu ser e sua auto-compreensão. antes de tudo. O assunto da teologia evangélica é Deus – Deus . na unidade de sua vida como Pai. na história de suas ações. O Deus do evangelho não é nenhum Deus solitário. de forma que vai sendo liberada continuamente por seu próprio objeto. como sendo o homem de Deus. seu amigo. isto é. Portanto.Teologia não ignora que o Deus do evangelho se acha voltado para a existência humana. a fé e a capacidade intelectual do homem. para verificar como a existência. o Deus do evangelho é o Deus que se relaciona com o homem. Como em si mesmo é o Uno. a sua auto-revelação benigna e amiga ao homem. Teologia evangélica sabe esperar. A prioridade absoluta da teologia evangélica é Deus mesmo. Ela em toda a sua modéstia é ciência livre.

(sabedoria de deus) . Os primeiros vestígios da teosofia encontram-se nos UPANISSHADS SÂNSCRITOS. É panteísta e nega um Deus pessoal e imortalidade da pessoa humana. XV. A época mais fluente do tomismo começou nos meados do século XIX. assim como de uma intuição ou iluminação que o leva a conhecer a divindade. baseado no conhecimento interiormente revelado e místico. O termo emprega-se também para um sistema filosófico. . Nos tempos modernos. a qual consiste ser absolutamente em abstrair do objeto. através do conhecimento e do domínio da ordem natural. A doutrina fundamental da teosofia é que o homem tende a voltar à ordem divina de onde saiu. Em uma encíclica de 1879. de Deus e das leis do universo. em um julgamento em Paris. Conhecimento de Deus. Desenvolveu-se em várias fases e passou por períodos de apoio e descuido. alemão – theosophic. a filosofia hindu teosófica. Mostravam a instabilidade da existência material. Prega a fraternidade dos homens e tolerância de todas as crenças religiosas. mas só aparecido ou correspondente ao ser de Deus. Comunicação com Deus. Em diversas épocas apareceram homens a imortalidade da alma e a existência de um vasto cosmos. escritora russa. em certo sentido. defendida por Madame Blavatsky. Doutrina da analogicidade do ser que consiste em julgar que o termo ser referido à criatura tem um significado não identifico. para conseguir isto precisa livrar-se gradativamente dos grilhões da matéria. TOMISMO A escola de filosofia e teologia que segue o pensamento de Tomás de Aquino. sendo. Porém sobreviveu facilmente a isso. francês – théosophic. Esta especulação mística espalhou-se também para a Pércia e foi recebida pelos árabes depois da sua conquista do Irã. movidos por forças ocultas. É doutrina do caráter abstrativo do conhecimento. o nome de teosofia foi dado a uma forma de crença. O termo já era usado pelos neoplatônicos para indicar o conhecimento das coisas divinas derivadas de uma direta inspiração de Deus. inglês – theosophy. Ciências divinas.TEOSOFIA No grego: theós + sóphos. Para Leão XIII pediu que o catolicismo romano voltasse à filosofia tomista tradicional. França em 1876. nos séculos XVI. a realidade de um mundo oculto que de todas as partes nos cerca. virtualmente oficializando o tomismo como a maneira como os católicos romanos devera filosofar acerca de sua fé cristã. A doutrina do tomismo entra nas relações entre razão e a fé que consiste em confiar à razão o dever de demonstrar o preângulo da fé. O tomismo foi atacado por causa de alegados erros. e cresceu em influência. de esclarecer e defender os dogmas indemonstráveis e de proceder de modo relativamente autônomo no domínio da física e da metafísica.

inevitavelmente isola Deus do outro lado do abismo. como Emil Brunner. alguns nomes inevitavelmente ficaram de fora. o que um dia faremos. Em suma. e sim Geschichte. Barth inspirou-se na filosofia existencialista e principalmente em Kant para elaborar o seu conceito teológico de Deus. Um contemporâneo de Kant que também influenciou a teologia do século vinte foi Soren Kierkgaard. tais acontecimentos não são eventos históricos.Conclusão: Qual será a cara da teologia do século XXI? Neste trabalho apresentamos as principais escolas teológicas do século vinte e seus respectivos arautos. se Deus permitir. É claro que nessa abordagem. Seguindo Kant. são quase ignorados. não puderam ser apresentados em um capítulo próprio. Ainda bem que não escrevemos nossas obras para obter lisonjas dos homens. tornando difícil conhecê-lo e relacionar-se com ele. demos também a Immanuel Kant um capítulo à parte. e que deve ser desmitificada por nós. Parece que a popularidade de um teólogo está mais relacionada ao grau de inovação que ele apresenta do que com a coerência lógica. e outros. Ao fazê-lo. Para Bultmann. portanto. o nome de Brunner está bem associado ao de Karl Barth e à teologia dialética. que propõe uma distinção entre história e fé. A grande lição que o século vinte nos ensinou foi: ―saia da linha ou seja esquecido‖. Marx e Darwin. sendo equiparada à própria fé. tenham tanta repercussão quando outros como Pannemberg e Cullmann. entre o Jesus histórico e o Cristo kerigmático. alegando que a primeira diz respeito à história objetiva e secular. O teólogo de maior projeção dentro da teologia contemporânea é Karl Bath. Não tivemos com isso nenhuma intenção de reduzir a importância Brunner ou qualquer outro teólogo contemporâneo. a ressurreição e outros atos sobrenaturais narrados na Bíblia não são Historie. definindo-o como Totalmente-Outro. Uma distinção semelhante ocorre em Bultmann. Também entendemos que seu nome caberia melhor em um ensaio sobre a teologia do século dezenove. apenas tentamos apresentar os nomes associados às respectivas escolas. e da influência desses pensadores sobre a teologia contemporânea. Quanto aos milagres. o Jesus descrito nos evangelhos não é o Jesus histórico. . Consideramos injusto que nomes como Barth. Apesar de ser mencionado já na introdução. pois temos considerado que sua influência sobre a teologia do século vinte é maior que o de qualquer outro. muito mais ortodoxos que os três primeiros. Bultmann também nega todo valor objetivo da Bíblia como Palavra de Deus. equiparando-a a qualquer narrativa antiga. e nesse aspecto. ele é cético: todas as narrativas miraculosas não passam de mitos. Bultmann e Tillich. Ele insiste que a Bíblia está cheia de mitos. mas não lhe dedicamos um capítulo especial porque entendemos que ele foi um teólogo cristão e não especificamente um filósofo secular como Kant e Marx. Os milagres. enquanto o segundo diz respeito à história subjetiva e sacra. não devem ser confrontados na esfera secular. ele faz distinção entre Historie e Geschichte. bíblica e sistêmica de seus escritos. Nossa exposição começou com uma abordagem panorâmica do pensamento de Kant. e sim uma mera narrativa mítica.

A heresia fomentada por católicos romanos como Juan Luís Segundo. Porém. o que levanta inclusive algumas objeções sobre a sua teologia. do ―bispo‖ John Robinson. Nessa mesma época surge na América Latina a Teologia da Libertação. No Brasil. salvando assim a historicidade do cristianismo. o principal expoente dessa nova e estranha doutrina é o expadre e posteriormente professor da PUC-SP. essa nova escola teológica agitou o cenário teológico nas décadas de sessenta e setenta. surge o Dr. Oscar Cullmann com a Heilsgeschichte. Richard Shaull. de Harvey Cox. buscava consolidar uma teologia que pudesse oferecer respostas ao clima ditatorial e à crise econômica latino-americana. Emílio Castro. apesar de Cullmann e Pannemberg terem prestado um relevante serviço á ortodoxia (ainda que nenhum deles é considerado literalmente ortodoxo). A história abrange os atos portentosos de Deus em favor da nossa redenção. Outro importante teólogo secularista foi Paul Van Buren. ele sequer admite uma história secular. Leonardo Boff. surge um grupo de teólogos cujo exacerbado esforço era elaborar uma teologia que estivesse mais próxima dos problemas da humanidade. José Míguez Bonino e o então missionário no Brasil. porém. foram as principais obras desse movimento. a teologia de Cullman é uma ponta de esperança para o pensamento teológico contemporâneo. A sua ênfase é extremamente cristológica. A maioria deles parecia estar mais ligada às idéias de seu tempo do que à Palavra de Deus. aliás. Hugo Assman e Gustavo Gutiérrez Merino. mas na filosofia socialista de Karl Marx. Para Cullman não existe duas histórias. Para ele. e protestantes como Rubem Alves. uma cristã e uma secular. O problema é que essa idéia foi levada ao extremo.Para refutar a teologia de Bultmann. Wolfhart Pannenberg construiu uma teologia sobre o alicerce da história. aliás. nem todos os teólogos contemporâneos assumiram a mesma postura. pois faz do marxismo o maior dos atos de Deus na história. Em uma época em que os teólogos faziam questão de distinguir entre teologia e história. a própria expressão ―Palavra de Deus‖ caiu em desuso no decorrer do século vinte. É essa teologia ativista que os teólogos secularistas propõem. Dietrich Bonhoeffer ficou conhecido por participar de um complot contra a vida de Hitler. toda história é História da Salvação. Ele foi sem dúvida o mais radical deles. bem como Pannemberg. Buscando inspiração não na Bíblia. De qualquer forma. Na década de sessenta. Uma característica interessante de Culmann é que ele aceita o desafio de Bultmann e apresenta suas elucubrações partindo de alguns pressupostos da crítica formal. A Cidade Secular. com pressupostos bastante semelhantes. . ou simplesmente ―História da Salvação‖. discordando dele quanto às conclusões. sobretudo à teologia protestante. O patrono da teologia secular. A resposta por eles é uma afronta à teologia. Honest to God. que construiu a sua teologia tendo por base a história.

A moralidade de Molmann. Ora. Esse conceito tem suas base na filosofia ateísta de Nietzche e aparece também na Teologia do Processo. que nos ensina que melhor é o sofrer fazendo o bem do que fazer o mal para que os advenham bens. e sim se a violência é justificável ou injustificável. ―se Cristo não ressuscitou. nem mesmo Deus é eterno. Em seu afã de apresentar uma teologia que pudesse se adequar aos padrões mundanos e às crenças seculares. Outra mostra desse desespero é a teologia de Jurgen Moltmann. Não é preciso dizer que ele teve que fazer um esforço hercúleo e muita eisegese para conciliar o criacionismo bíblico e o evolucionismo. aquele que a Bíblia descreve como imutável. Esse teólogo católico teve a mente tão doutrinada pelas teorias evolucionistas que chegou a apresentar o próprio Deus. mas nada tem a ver com a Bíblia. Vemos isso na teologia do padre católico Teilhard Chardin. militância contra governos que se oponham aos nossos valores. Pecar deliberadamente para que a graça seja mais abundante. Somos bem-aventurados quando somos perseguidos e vilipendiados. porém. A Bíblia cada vez mais parecia um livro ultrapassado e cada vez mais os teólogos procuravam muletas seculares para amparar à Bíblia. e não o contrário. a violência é desaconselhável em qualquer situação. mas a escatologia de Moltmann nada tem a ver com a noção tradicional que envolve o retorno de Cristo e a entrada dos crentes no estado eterno. uma vez que ele decidiu entrar no tempo. Para ele não existe o problema da violência versus não-violência. é relativa e pragmática. assim como outras teologias modernas. Como homens loucos. a morte de Cristo não foi substitutiva. tornando-se um ser meramente temporal. A Ética Situacional. muitos teólogos do século vinte perderam completamente o senso de direção. Joseph Fletcher afirmou que a moral não é absoluta. a Ética Situacional apregoa uma teologia na qual os fins justificam os meios. Na perspectiva de Moltmann. Para Cristo. Esse pragmatismo também está presente na Teologia da Libertação e na Teologia Secular. Nossos atos não deveriam ser julgados por padrões absolutos e uma ética relativa se infiltrou na teologia contemporânea. Não há conduta errada quando se quer alcançar um fim nobre. é vã a nossa fé‖. Usando pressupostos do existencialismo. Desse modo. A questão central não é a violência em si. do pragmatismo e das filosofias relativista e positivista. . conhecida como Teologia da Esperança. Essa teologia é de ênfase escatológica. eles corriam desesperados em busca de uma associação que pudesse ―salvar‖ à teologia. O ―Deus Finito‖ não é o único problema da teologia de Moltmann: ele também nega que a ressurreição de Cristo seja um fato histórico. duas teorias totalmente opostas uma à outra.Várias outras tentativas de amoldar a teologia à praxe modernista também foram elaboradas. como um Ser em evolução. assim como a de Fletcher. tudo isso soa dissonante ao supremo às palavras de Jesus no sermão do monte. nega o sobrenaturalismo das escrituras e se esforça para reinterpretar as narrativas miraculosas em termos existenciais. e sim uma demonstração de amor.

o pentecostalismo e o neopentecostalismo. Embora em alguns círculos Paul Tillich seja citado como o ―teólogo dos teólogos‖.Charles Hatshorne é o preconizador da Teologia do Processo. Muitos excessos foram cometidos nessa tentativa de retorno ao modo de culto primitivo. ―as igrejas liberais nasceram fadadas ao fracasso‖. ele assevera que Deus está em constante processo evolutivo. Não foi apenas a importância dessas duas teologias no cenário brasileiro que lhe renderam um lugar especial neste trabalho. mas isso não desqualifica o movimento como um todo. É simplesmente impossível encontrar uma só igreja liberal com membresia superior a cem membros. A conseqüência direta dessa teologia é simples: se Deus não tem o controle dos contingentes futuros. e o principal teólogo e sistematizador das doutrinas pentecostais foi Charles Parham. Tillich e dos demais teólogos de influência no século vinte. de tal forma que o movimento foi chamado em seus primórdios de Restauração da Fé Apostólica. Hernandes Dias Lopes em palestra no congresso Vida Nova de Teologia. Como disse o Rev. e como Chardin. Barth. Trata-se de uma tentativa de voltar à fé cristã primitiva. Reservamos os dois últimos capítulos para abordar dois movimentos que estão em acelerado crescimento em nosso país. encontra suas raízes no Movimento de Santidade e tem em John Wesley seu principal antecessor. mais de um século depois. vivem abarrotadas e há constante necessidade de se construir novos templos. podemos perceber no pentecostalismo certo frescor. ele afirma que Deus tornou-se finito e temporal. mas também a dissociação dessas dois movimentos das demais escolas contemporâneas de intrepretação teológica. apesar da semelhança com as teologias de Moltmann e Chardin. Ele fatalmente não pode prever o futuro. Bultmann ou Barth. Contudo. Essa teologia também é conhecida pelo nome de Teísmo Aberto e Teísmo do Livre-Arbítrio. O teólogo mais controverso do século passado. retirando assim a base da esperança cristã (cf. não foi Hatshorne. ao contrário. a principal influência de Hatshorne foi o matemático e filósofo Alfred North Whitehead. Tillich elaborou uma teologia que ficou conhecida pelo nome Teologia do Ser. reduzido à mera força racional e criadora. da perspectiva conservadora ele não passa de um herege. a natureza do pecado e a própria salvação. à saber. As igrejas pentecostais. Entre as doutrinas por ele modificadas estão a encarnação. Deus. O pentecostalismo. muito das quais beiram o absurdo. Ele surge como chuva serôdia em meio ao árido cenário teológico do século vinte e mantém-se na contramão de Bultmann. e deve ser logo descartado. não é um Ser Onisciente.13-19). Nascido na Califórnia. Ele propõe reinterpretações da Bíblia. mas um ser finito e limitado ao tempo. não há nenhuma razão para depositarmos nele alguma confiança. Hoje. É fácil fazer um paralelo entre Moltmann e Chardin: assim como Moltmann. Valendo-se de pressupostos existencialistas e liberais. Sua própria teologia está baseada em um ser impessoal. A característica principal dessa teologia é a afirmação de que Deus é um ser temporal e está sujeito ao tempo. De modo geral. no entanto. o moderno movimento pentecostal teve como principal pregador o pastor William Seymour. 1Co 15. bem como a mudanças e a evolução moral. . segundo essa concepção. Esse teísmo anti-bíblico mina toda confiança que o crente deposita na Bíblia. olhamos ao nosso redor e indagamos pelas igrejas liberais e neo-ortodoxas. mas um que se posicionou bem na fronteira entre esses dois pensadores: Paul Tillich. A ressurreição também é reinterpretada por ele. como já vimos.

O neopentecostalismo surge na década de setenta como uma deturpação do movimento pentecostal e como reflexo de uma cultura capitalista. Até no pentecostalismo podemos perceber as idéias previamente concebidas por John Wesley e no neopentecostalismo. Barth. ou por Nietzche e Overback. que ela exista ao menos para refutar a filosofia ruim‖. Isso porém. O próprio neopentecostalismo é um materialismo disfarçado de cristianismo. esquecendo do exemplo de Jesus na tentação de Mateus capítulo quatro. Sheleiermacher e Soren Kierkgaard. Cooperland e Hagin formam a ala mais materialista do movimento. A segunda conclusão à que chegamos é que mui dificilmente um pensador escapará às idéias do seu tempo. Kenyon. Tillich e outros tantos teólogos neo-ortodoxos. os principais expositores desse movimento pragmático-mercantil são RR. que já ganhou o apelido de Bíblia do Milhão. prostrado ante Mamon em adoração. enquanto Benny Him endossa a fileira espiritualista. fruto do casamento da teologia com a filosofia existencialista. aumentando a necessidade de apologistas cristãos entre nós. Tudo isso torna o trabalho do teólogo muito árduo. a Bíblia da Batalha Espiritual e Vitória Financeira. que inclusive escreve livros sobre prosperidade e promove a Bíblia de estudo do Morris Cerrullo. da Assembléia de Deus. É difícil enumerar uma a uma as diversas conclusões à que chegamos. O problema é quando a filosofia ruim ou irracional arroga para si o status de verdade universal. Qualquer que leia a obra de Teilhard Chardin logo se dará conta de que o evolucionismo para ele está acima da teologia e que as idéias de Darwin são mais aludidas por ele que os portentosos atos de Cristo. o certo é que nenhum deles escapou das influências do seu tempo. estabelecesse uma teologia para verter as bênçãos espirituais em materiais e essas sobre si mesmos. nem sempre há justiça em teologia.S. A análise da teologia do século vinte nos ensina pelo menos três coisas. como no caso de Brunner. Lewis. como é o caso de Jurgen Moltmann. não significa que toda filosofia seja ruim. há também a boa filosofia e como disse C. haja vista que ao final de cada capítulo são apresentadas várias objeções às respectivas escolas. Os teólogos do século vinte foram grandemente influenciados pelas idéias teológicas e filosóficas de pensadores anteriores a eles. e repetilas agora seria uma tarefa enfadonha e pouco proveitosa. Atualmente há também pregadores pentecostais aderindo à idéias do movimento neopentecostal. e não demorou para que um grupo de pentecostais. Soares e Edir Macedo. ―se não há razão para existir a filosofia. vemos de cara a influência da filosofia pragmatista norte-americana e até mesmo idéias da seita Ciência Cristã. Silas Malafaia. como por exemplo o Pr. No Brasil. . Parece que para ganhar projeção no meio evangélico é preciso romper com os antigos padrões e fomentar o erro no seio da cristandade. Quer seja por Immanuel Kant. A verdade é que herdamos uma teologia deturpada. A tendência dos ―poderosos‖ sempre foi usar o poder em benefício próprio. A primeira é que do ponto de vista conservador.

logo será abandonado: Ele fatalmente fracassa por não pode satisfazer às exigências da alma humana. ele está em busca de uma fé para viver. correntes filosóficas e modismos pós-modernistas. e fracassou. Não foi possível apresentar uma obra completa ou fazer uma analise dos pormenores dentro de cada escola. e amanhã. sem salvação. uma música do cantor evangélico João Alexandre parece representar bem o quadro do protestantismo brasileiro. faz-se necessária a avaliação dos nossos paradigmas e não apenas a simples adequação dos mesmos à interpretação bíblica. Precisamos olhar para os erros do passado e com muita cautela construir a teologia do futuro. à fim de agradar as mentes contemporâneas. A razão disso é que o homem não está simplesmente buscando uma doutrina para concordar. Terminamos assim a nossa introdução à difícil matéria de teologia contemporânea. é levá-los a refletir sobre as bases sobre a qual a teologia do século passado foi edificada. Diante de tudo o que temos exposto. ressurreição ou imposições morais. Entendemos que tal esforço cabe mais a uma enciclopédia que a um ensaio de teologia. ―é impossível exegese sem pressupostos‖. No momento. hoje estamos analisando a teologia do século vinte. amanhã seja apenas história. É por isso que um evangelho sem cruz. além de introduzir estudantes de teologia no panorama teológico do século vinte. isso porque. Esperamos que o que hoje é um fato. E a nossa teologia? Ela ainda pode ser considerada cristã? Ora. nós analisamos e julgamos a teologia contemporânea à luz das nossas pressuposições. Devemos nos esforçar ao máximo para fazer da Bíblia o nosso pressuposto básico. com certeza. A necessidade do homem ainda é a salvação. permanecem até hoje.A terceira conclusão é que embora seja muito difícil escapar do nosso invólucro cultural. como bem afirmou o controverso Rudolf Bultmann. O que dirão da nossa teologia? Ou será que nós não temos pressupostos? Sim. Essa tentativa foi feita no século passado por neo-ortodoxos e liberais. nesse início de século. Agora. A nossa principal intenção. incitá-los a pensar de modo crítico e com isso propor uma analise concernente ao fundamento sobre o qual construiremos a teologia do século vinte e um. Portanto. cabe a cada teólogo fazer a sua parte nesse edifício. os temos. aquelas igrejas que permaneceram fiéis à tradição reformada e ao cristianismo histórico. ainda que pareça agradável aos ouvidos no início. . ainda permanece uma pergunta: Até que ponto nós somos ortodoxos? Muitos teólogos do século passado se perderam nas idéias do seu tempo de tal forma que as suas abordagens dificilmente podem ser consideradas cristãs. se quisermos construir um edifício teológico bem alicerçado para o futuro. mas amanhã serão analisados os pressupostos teológicos do século vinte e um. saberemos o resultado dessa construção. não devemos sujeitar a nossa teologia às novas tendências. E na verdade. No entanto.

El único argumento. Fundamentos da Teologia Pentecostal. São Paulo: Editora Novo Século. São Paulo – Editora Quadrangular. 2000. ISIDORO. _______. Tradução Lailah de Noronha. HODERN. 2002. PIPER. Norman. Paul.. Edição. William. Considerações à Doutrina da Prosperidade. Tradução de Neyd Siqueira. Prometeo libros: 2004. 7ª Edição. Crítica da Razão Pura. Teologia Sistemática: Uma perspectiva Pentecostal. 2006. tradução: Hans Udo Fuchs – São Paulo: Vida Nova. TILLICH. 2004. Nathaniel M. HEIDGEER. KANT. Guy P. Rio de Janeiro: CPAD. Teologia Contemporânea. tradução Roque Monteiro de Andrade – São Paulo: Editora Hagnos. E-Books. Harvey. São Paulo: Novo Século. COX. Enciclopédia de Apologética: Respostas aos críticos da fé cristã. 1965. Abraão de. de Faria E Moysés C. 2006. São Paulo: Editora Novo Século. CLEAVE. Karl. 2004. tradução Emirson Justino – São Paulo: Editora Vida. Enciclopédia Magister. Tradução: Eduardo G. GEISLER. CHAMPLIN. _______. Teologia e Filosofia – Editora Hagnos. HORTON. Igreja Dogmática. . São Paulo: Editora Vida. _______. Edição. Russel N. Comentário aos Romanos. O que é Filosofia? E-Books. Teologia Sistemática. Enciclopédia Magister. Paulo. _______. 2002. Enciclopédia de Bíblia. William L. Van. A Proclamação do Evangelho. 2003. Rio Grande do Sul: Editora Sinodal e Edições Paulinas. A veracidade da fé cristã: uma apologética contemporânea. 1965. Harvie M. Valnice Milhomens e os Profetas da Prosperidade – São Paulo: Mundo Cristão. Enciclopédia Magister. et al. Netto. Teísmo aberto: uma teologia além dos limites bíblicos. Stanley M. Edições Archês. Super-Crentes: O Evangelho Segundo Kenneth Hagin. DUFFIELD. de A. CRAIG.Bibliografia consultada ALMEIDA. O que é metafísica? E-Books. 1998. Martin. 7ª. 2000. Immanuel. A Cidade Secular – Macmillian. ROMEIRO. John. Teologia Contemporânea. Serafim. Teologia Contemporânea – Rio de Janeiro: CPAD BARTH. Buenos Aires. 2004. 2004. 2ª. CONN.

Paul Tillich.] Também foram utilizadas várias resenhas dos livros de Barth. Bultmann. Teilhard Chardin. . entre outros. John Robinson.. Leonardo Boff.[. Brunner.. bem como artigos compilados da internet.

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