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A relação escola, comunidade e família

A relação escola, comunidade e família

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II Congresso Político-Pedagógico da Rede Municipal de Ensino/Escola Plural

RELAÇÃO ESCOLA/FAMÍLIA/COMUNIDADE
1- Qual papel a família e a comunidade têm desempenhado na Escola ao longo dos anos? O sentido da entrada e da participação da família e da comunidade no interior da escola tem mudado muito através dos tempos em função de vários fatores. Houve um tempo, que poderíamos dizer anterior aos anos 80, em que a presença da família na escola se dava apenas nas festas comemorativas, nos momentos solenes marcantes da vida escolar ou em reuniões organizadas para “chamar a atenção” dos pais para o rendimento dos seus filhos. Qualquer presença da família e da comunidade fora dessas chamadas era considerada uma inconveniência, uma presença incômoda. Essa distância manteve-se por muito tempo, pois acreditavase ou queria-se fazer acreditar que o espaço escolar era espaço exclusivo daqueles que nele trabalhavam. Assim, a comunidade era convidada a participar de alguns momentos para ver o que a escola estava produzindo de bom, de apresentável. Ou convidada para ser responsabilizada por aquilo que a escola determinava ser a causa de problemas e fracassos. Uma distância fora criada e sedimentada fortemente. Um sentimento de presença indesejada impedia os pais de participarem do dia-a-dia da escola e da vida de seus filhos. A partir dos anos 80, com o crescimento da força dos movimentos sociais, a escola é atingida por essa onda de desejos e de necessidade de participação. Os próprios profissionais da educação, engajados na luta por mais liberdade, mais democracia e melhor educação pública, defenderam a abertura dos portões da escola para a entrada das comunidades. Ao passo que a consciência de direitos avançava na sociedade, mais particularmente entre os setores populares, aumentava a clareza de que a escola deveria ser um espaço público, do encontro dos pais, alunos e trabalhadores em educação. Os pais dos alunos percebem o quanto é importante ocupar esse lugar na escola e pressionam para essa abertura. A escola seria o ambiente favorável para exercer a democracia, construir acordos, conquistar vitórias, realizar sonhos etc. Vários segmentos sociais poderiam se encontrar e, através da criação, modificação e fortalecimento de instâncias de participação, propiciar as condições para que todos saíssem beneficiados, principalmente, com a qualidade de uma educação pública acessível a todos. As famílias, no entanto, tiveram que continuar enfrentando muitas dificuldades para o ingresso irrestrito nas escolas.

-1Secretaria Municipal de Educação Prefeitura de Belo Horizonte/2002

em Assembléias Escolares e Conselhos de Classe a participação quantitativa é bem pequena. Apesar da existência dos instrumentos.que do ponto de vista histórico se liga aos nossos dias . em sua maioria. A implementação de um novo modelo de administração pública de caráter democrático e popular. A intensificação da participação da mulher no mercado de trabalho. -2Secretaria Municipal de Educação Prefeitura de Belo Horizonte/2002 . o que se viu foi uma participação reduzida e marcada pelo fato da dificuldade de participação. tampouco não estão presentes quando o assunto é a discussão da proposta pedagógica ou as regras e normas que regem o interior dos estabelecimentos de ensino. alunos e pais. e a transformação radical da organização familiar influenciam diretamente na qualidade da participação da família na escola. reuniões. Saúde. que mudou radicalmente nos últimos 30 ou 40 anos. seminários e encontros marcaram a vida das pessoas. Aspectos complexos podem ser explorados para explicar essas dificuldades. Em continuidade ao movimento da década de 90. a partir de 1993. não se vê participação efetiva dos pais. principalmente por esses dois últimos. No setor da educação experimentamos a implantação do Programa Escola Plural. criando condições para o fortalecimento da participação efetiva da população. No entanto. nas quais foram eleitos os membros do Conselho Municipal de Educação. deixam muito a desejar. Ao mesmo tempo. Também no dia-a-dia da escola. provocada pelo aprofundamento da crise econômica. o que presenciamos hoje nas escolas é um afastamento cada vez maior das comunidades e das famílias dos processos e espaços de participação da escola. processos e espaços de decisão. esses ainda não foram devidamente apropriados por professores. fez multiplicar as associações representativas populares e os conselhos municipais (Educação. Há uma distância entre o chamar a comunidade para participação e o convívio cotidiano e regular entre esses vários segmentos para elaborar e encaminhar projetos comuns. bem como o envolvimento e a constância da comunidade.caracterizou-se pela intensificação ou pela tentativa de qualificação da participação popular em todos os setores. deliberativas. sendo a última em 2002. • a falta de uma convivência realmente democrática entre os trabalhadores em educação e as comunidades escolares. a realização da Constituinte Escolar e de duas Conferências Municipais de Educação.II Congresso Político-Pedagógico da Rede Municipal de Ensino/Escola Plural 2. No interior de algumas escolas as comunidades participaram com entusiasmo e com consciência.Como tem sido a participação da família e da comunidade na escola atualmente? De que instâncias e ações elas participam? Qual a qualidade dessa participação? A década de 90 . por opção ou por necessidade. nos Colegiados. Em processos como as eleições para diretores de escola. conferências. Assistência Social etc). comprovada pela repetida presença das mesmas pessoas em todos os eventos. tais como: • a transformação do perfil socioeconômico da família brasileira.

Como espaço de formação de sujeitos históricos a escola está incumbida de incentivar e colaborar na organização dos alunos. levando à sua pouca mobilização. como legítimos formadores humanos. a família poderá fazer uma relação entre a educação que acontece em casa e a que ocorre na escola. suas culturas. dando uma conotação de concessão ao ato do direito de participação dos pais. por sua natureza. O “território” escolar permanece sob o domínio dos professores. na busca -3Secretaria Municipal de Educação Prefeitura de Belo Horizonte/2002 . devem. dizendo o que quer. espaços de escuta e voz para esse segmento. uma constância nessa presença. Todo processo educativo exige. afastando os pais de uma influência maior nos rumos da escola. tornando a escola um espaço que se relaciona com a vida e não uma ilha que se isola da realidade. acesso às informações que dizem respeito aos seus filhos. Os professores. em que pode contribuir e certamente. Conferências etc). a participação dos pais no ambiente escolar facilita essa interação.Como se deve dar essa participação da família e da comunidade na escola? De que ações e instâncias elas devem participar e como? Seria um equívoco desvincular participação do processo de educação. o que percebemos hoje é uma participação eventual da comunidade em grandes momentos de discussão (Constituinte. Esse aspecto tem suas origens no autoritarismo de governos que sufocaram a participação popular e que consideravam o povo um objeto a ser moldado conforme a necessidade política. Ela também se educará nessa troca e compreenderá melhor a sistemática e a lógica que rege a escola. A escola é um dos espaços de educação da sociedade. Portanto. que tratam da materialidade da escola. Essa participação deverá conter alguns elementos fundamentais como a existência de objetivos claros que orientem e possam dar sentido à presença da família no interior da escola. do projeto político pedagógico etc. contribuindo com suas opiniões. marcada pela compreensão ainda insuficiente do processo vivido e um afastamento cada vez maior da vida da escola.II Congresso Político-Pedagógico da Rede Municipal de Ensino/Escola Plural • o controle dos espaços escolares pelo grupo de trabalhadores em educação que determina até onde pode ir a família. Ao participar da vida dessa instituição. Isso gera uma descrença na efetividade da participação. 3. • a histórica tendência de pouco comprometimento da população com as políticas públicas. saberá exigir mais. A família deve buscar participar da vida da escola. revelando seus desejos e aspirações. assim como toda participação real e consciente educa aquele que a exerce. portanto. É nesse exercício que alunos podem qualificar-se sujeitos responsáveis pelas suas ações. Cabe à família responder pelo que é de sua responsabilidade na educação de seus filhos. a participação efetiva de educadores e educandos.

Não por um defeito na forma desses mecanismos. os espaços maiores. entre posições políticas e ideológicas divergentes. mas por uma previsível formação de situações de conflito entre os segmentos escolares. no pátio da escola. portanto. uma intensificação do diálogo e da criação de espaços. É importante destacar que a criação desses mecanismos não transformou a escola num ambiente da democracia ampla. instrumentos e processos de participação e decisão ampliados para todos os segmentos escolares. Percebeu-se. como as conferências. ganharão em quantidade e em qualidade de participação.O que tem caracterizado a escola democrática ao longo dos anos? Apontar as características de uma escola democrática implica em identificar o contexto político em seus vários âmbitos. linguagem de domínio comum. Especialmente a partir da redemocratização do país. uma prática inédita na história da escola brasileira e por se alinhar às reivindicações populares para eleições diretas para todos os cargos executivos. criar as condições para a organização independente de seus alunos em grêmios estudantis. Se essas instâncias tiverem vida. a escola passa a ser influenciada pelas lutas por mais liberdade e por mais igualdade. As associações de pais e alunos precisam estar presentes em cada escola como o fim de organizar o segmento de forma autônoma. É necessário revigorar e/ou criar as instâncias de participação da escola para que possamos falar de verdadeira participação. que se dá no final da década de 70. O diálogo entre esses segmentos e a opção pela via da construção de uma ética que respeita as diferenças são os instrumentos para fazer -4Secretaria Municipal de Educação Prefeitura de Belo Horizonte/2002 . presentes num mesmo segmento e pelas variações indeterminadas da vida que provocam e são provocadas por fatores diversos da realidade. por exemplo.II Congresso Político-Pedagógico da Rede Municipal de Ensino/Escola Plural pela autonomia de seus alunos. nas reuniões com as famílias. a capacidade de mobilização e o grau de envolvimento das pessoas que habitam o ambiente escolar e as propostas que rondam as preocupações dessas pessoas. Pautas previamente conhecidas. GESTÃO DEMOCRÁTICA 1 . convocações feitas com antecedência são importantes fatores para favorecer essa participação de qualidade. As reuniões dos Colegiados e Assembléias Escolares têm que se transformar em espaços reais de manifestação da comunidade. se todas elas existirem com intensidade e força. por mais democracia em toda a sociedade. desde esse momento. Uma tendência à horizontalização das relações fez-se notar na sala de aula. ou seja. A escolha dos diretores das escolas por voto direto da comunidade escolar talvez tenha sido o marco desse momento: por ser uma novidade. horários de reuniões acessíveis aos pais.

Como resultado dessas alterações é muito importante destacar o que se percebe na relação do professor com o professor.II Congresso Político-Pedagógico da Rede Municipal de Ensino/Escola Plural com que esses processos e espaços democráticos se tornem de fato democráticos. que encerram as possibilidades de diálogo e que avalizem posturas exclusivamente centralizadoras. Nos dias de hoje. O primeiro. A prática dos professores. Com visões diferenciadas e histórias distintas. muito já se caminhou no sentido de ampliar esse campo de trabalho. para práticas que anulam a participação comunitária. é possível destacar o quanto a relação entre professores e alunos alterou-se significativamente.para além da criação de estruturas . combatendo. tão profundos em nossa cultura. Isso favorece o diálogo e a aproximação entre esses dois segmentos. Se não podemos dizer que há uma escola democrática em sua totalidade. Não é difícil para os que se encontram na luta pela democracia na escola. posturas e práticas condizentes com os princípios democráticos. mais ou menos democrática. mantinha a posição de superioridade absoluta. Professores de disciplinas se dedicam mais ao trabalho conjunto. por mais difícil que possa parecer aprimorar a democracia na escola. no fazer diário. em posição inferiorizada na relação. o professor comprometido com a qualidade de seu trabalho e com a aprendizagem de seus alunos compreendeu a necessidade de planejar e executar projetos coletivos. apontando uma nova forma de relacionamento marcada por elementos democráticos. Ao segundo. Ainda que persista fortemente o limite da área de conhecimento ou dos conteúdos disciplinares. Contudo. não é tão mais raro a participação de um professor na área que antes era considerada exclusivamente do colega. exercitar a memória e constatar a distância que havia entre o professor e o aluno. cabia apreender os ensinamentos transmitidos pelo mestre. professores e alunos são sujeitos cidadãos que se encontram no espaço escolar para a troca de conhecimentos e aprendizagem mútua. Os componentes autoritários e conservadores. cada sujeito dessa construção é responsável pela qualidade e pelo sentido embutidos nessas práticas. considerado o único sabedor. 2. pois dele não se admitia uma atitude ativa na relação ensino e aprendizagem.ações. expressam-se nas ações de todos os envolvidos nessa construção. Não há mais lugar. não cabendo a discussão e o questionamento. o único que ensina. Essa escola fazia crescer uma dificuldade no relacionamento mais solidário e mais humano entre professores e alunos. o que fortalecia suas características autoritárias. Entendendo a atividade de ensino como uma atividade prioritariamente coletiva. podemos sim afirmar que processos declaradamente autoritários e antidemocráticos estão fortemente pressionados a não fazer parte do atual cenário. os desvios dessa construção.Que práticas democráticas são exercidas hoje? A construção da democracia exige . O trabalho coletivo legitimou-se como uma forma de enfrentar os problemas -5Secretaria Municipal de Educação Prefeitura de Belo Horizonte/2002 . dos alunos e dos pais nessa caminhada vai-se revelando mais ou menos autoritária.

II Congresso Político-Pedagógico da Rede Municipal de Ensino/Escola Plural conhecidos nas escolas. 3. envolvimento em campanhas ou movimentos sociais dos bairros pela melhoria da qualidade de vida (Orçamento Participativo. quer dizer. Práticas democráticas nos dias de hoje no espaço escolar são ações desafiadoras ao quadro autoritário constitutivo da escola tradicional ainda fortemente viva em nossa Rede de Ensino. A própria idealização e elaboração do projeto político pedagógico. bem como e. acompanhar a educação de suas crianças e adolescentes. À família cabe. Uma nova ética está sendo construída nessa relação. projetos ambientais e outros). Propor. que deve buscar responder para que nós. Nesse perfil de escola é possível verificar a participação de todos na elaboração dos calendários escolares (e não apenas reuniões burocráticas para referendar a posição de grupos dominadores da escola). Assuntos discutidos em sala de aula e projetos especiais de pesquisa. respeitando-as e ouvindo-as com a intenção de estreitar uma convivência que sustentará os principais projetos e aspirações da escola. A prática da transparência na administração da escola passou a ser uma exigência dos novos conceitos no trato à coisa pública. em escolas que melhor conseguiram aprimorar as suas relações internas. professores. ainda está por ser construída. O cotidiano tem mostrado que o acesso dos pais ao que se trabalha na escola é hoje uma realidade na maioria delas. É de responsabilidade da escola. mas que valoriza cada professor. passa por uma boa discussão com todos aqueles envolvidos com a vida da escola. Não haverá fórmulas fáceis para construir a democracia na escola. a abertura do espaço para utilização da comunidade nos finais de semana etc. criar amplas possibilidades de participação da comunidade em seu cotidiano. que discute o interesse do grupo sem ignorar as idéias e iniciativas individuais. por exemplo. principalmente. bem como a sua execução. como parte de suas responsabilidades. na sua qualificação. daqueles que hoje estão coordenando a vida escolar. são hoje notícias que chegam às famílias constantemente. como retrato de um sistema de educação. que elimina os “feudos” do conhecimento. A superação das dificuldades implicará na intensificação da participação.Que práticas democráticas devem ser desenvolvidas? Cabe a todos pensar formas de superar as dificuldades encontradas no cotidiano da escola e a cada um contribuir para a aplicação de novas formas de agir dentro desse espaço. responder aos chamados da escola. estamos na escola. aproximando positivamente os professores e as áreas do conhecimento. estar presente nas reuniões. compondo juntamente com a escola uma parceria construtiva. por exemplo. aumentando o diálogo entre os segmentos escolares. A escola de práticas democráticas. opinar sobre a qualidade do ensino etc -6Secretaria Municipal de Educação Prefeitura de Belo Horizonte/2002 . O conjunto dos trabalhadores em educação e a comunidade local se relacionam de forma mais intensa e mais franca nos dias de hoje. Abrir as portas insistentemente às famílias e aprimorando a relação com elas.

sindicato e associações de pais. A existência dessas representações e a atividade permanente e de qualidade são fatores essenciais da construção democrática. a autonomia também é um processo que não se acaba nunca. A sensação. nem se pode oferecê-la a qualquer que seja a pessoa ou conjunto de pessoas. através da ação política consciente. Reivindicar a autonomia para que o outro a conceda ou autorize é uma contradição com a própria natureza da autonomia. professores e pais espera-se a organização e o intercâmbio entre suas representações formais como os grêmios. Portanto. percebendo a importância de superá-las. é compreensível a dificuldade de simplificar esse conceito e responder em meia dúzia de palavras a questão que se coloca. ou sentimento. a participação efetiva. É no diálogo com as dificuldades impostas pela vida. desenvolvendo sua capacidade crítica e na formação de sua identidade. haverá também de se enfrentar outro desafio: equilibrar o valor da liberdade e da responsabilidade. quer dizer a nossa educação ao longo da vida. ou ainda a necessidade da autonomia só existe nas pessoas ou nos grupos que. Não existe autonomia como fonte da energização da luta por liberdade se os sujeitos não caminham no sentido da conquista da liberdade. que se alimenta da necessidade de ampliar o campo da ação. constroem um conjunto de razões. Como a nossa formação humana. deve fazer parte das intenções pedagógicas do professor a busca da autonomia destes. A autonomia é assim fruto do exercício político. no caso da organização dos alunos. Para essa busca interminável da autonomia. Seus significados são elaborados a partir dos inúmeros entendimentos de mundo.II Congresso Político-Pedagógico da Rede Municipal de Ensino/Escola Plural são obrigações da família que alimentam a relação dialógica da comunidade escolar. consciente e sobretudo ética de todos deve balizar as relações entre os segmentos que convivem no interior da escola. que vamos formando a consciência autônoma. Cabe ressaltar que. da ação dirigida. de argumentos e de motivos para sustentar a direção determinada para alcançar seus objetivos maiores. interminável porque jamais bastará àqueles que lutam por um mundo melhor. De alunos. 4. assim como é de igual importância a responsabilização desses segmentos pelos destinos da escola. de projetos políticos e de formação histórica de cada pessoa ou de cada grupo organizado. Assumir as instâncias de participação como espaços legítimos do exercício da cidadania contribuirá muito para a qualidade de escola que se quer construir. Dessa maneira não podemos tê-la pronta para ser usada. -7Secretaria Municipal de Educação Prefeitura de Belo Horizonte/2002 .O que significa a autonomia para a escola? Autonomia tem sido importante e difícil tema de discussão em nossa Rede de Ensino. Basicamente.

A liberdade sem limites é um instrumento que serve ao interesse particular. sem respeito ao outro. donde podemos fazer autocrítica. com o que se nega os papéis de cada sujeito histórico no ambiente escolar. É uma medição crítica e consciente das situações. desejos e sonhos. A liberdade (sem rodeios) está condicionada por limites.Que instâncias. Daí a sua função equilibradora na luta pela autonomia ou na formação da autonomia dentro das pessoas. convicções. assim como não existe liberdade sem ética. que se autoriza a invadir o espaço vizinho sem qualquer consideração. doses de coragem. Como sugere Paulo Freire. como aprendizagem dialógica. ao colocar limites na liberdade. confundindo propositadamente autoridade e autoritarismo. se torna autoritária e distante da autonomia. a idéia de que se pode tudo. Limites historicamente produzidos nos conflitos de classe. a verdadeira ética. nos vendo no lugar do outro. sem a necessária ética. Não haverá autonomia sem esse condimento. nas quais consideramos nossas forças. Como se. uma luta contra a licenciosidade. Ela nos leva ao espelho. tão necessárias à luta pela liberdade. Existe toda uma estrutura de -8Secretaria Municipal de Educação Prefeitura de Belo Horizonte/2002 . o sujeito responsável pela ação fosse inexoravelmente autoritário. Como se. sem a qual não é possível falar em liberdade verdadeira. na universalização de conceitos fundamentais das relações humanas. arrasando com os sonhos e as utopias. pois se torna uma ferramenta oportunista e vulgar. não importando o outro. ao exercer autoridade. A liberdade. de teorias e práticas. o professor ou o pai necessariamente estivessem sendo autoritários. A liberdade que serve à autonomia é concebida como produto social. na convivência de mulheres e homens que atuam no mundo. A responsabilidade é o produto da ponderação dos possíveis. ou seja. pois sem responsabilidade a autonomia é uma senha para a aventura destrutiva das possibilidades. A responsabilidade é uma referência para a amplitude e a intensidade da liberdade. É dessa forma que podemos construir a nossa autonomia. que será fundamentalmente uma luta contra o autoritarismo que insiste em sobreviver em nossa cultura. dúvidas. de gênero. 5 . o termômetro da autocapacidade. nessa forma. Nossa cidade é uma das mais privilegiadas no país no sentido de ter dado passos importantes no aprimoramento da gestão democrática da cidade e da educação. Isso seria a ruptura do equilíbrio entre liberdade e responsabilidade. Deixar de ser responsável é também deixar de ser ético. entre autoridade e respeito ofendendo a ética construída socialmente. é negar o papel histórico da transformação possível do mundo. mecanismos e práticas levam à construção da autonomia? O que existe hoje e o que deve existir para tal? Talvez a dificuldade na construção da autonomia esteja mais na compreensão do que seja ela e menos na imperfeição das instâncias e dos mecanismos da gestão do espaço escolar. nossos medos.II Congresso Político-Pedagógico da Rede Municipal de Ensino/Escola Plural Não há autonomia sem esse equilíbrio.

formadora e contribuidora para a autonomia que proporcionará em última análise seres emancipados e engajados no movimento social. esse processo revela antes. na elaboração de propostas e solução de problemas é que os indivíduos atuantes tornam-se sujeitos sócio-históricos. É preciso. por exemplo. dos paternalismos. educa-as. na prática do exercício da participação. Recheado de práticas autoritárias e concepções tradicionalistas da política brasileira. que une e que de forma honesta não ilude as pessoas. O Conselho Municipal de Educação. da pesquisa de novas informações. urge problematizar as relações no ambiente escolar.II Congresso Político-Pedagógico da Rede Municipal de Ensino/Escola Plural funcionamento da escola que permite que pais. Nessa relação. infundadas. -9Secretaria Municipal de Educação Prefeitura de Belo Horizonte/2002 . como também as políticas públicas da cidade. que planejem juntos e tomem decisões importantes em conjunto. Enfim. devemos investir na participação desse processo na construção da autonomia dos sujeitos que convivem no espaço escolar. durante e depois das eleições o quanto é difícil construir a democracia. o que tem aberto espaço para críticas e até insinuações e propostas para acabar com as eleições diretas para esse cargo. Várias são as dificuldades vividas nesses processos eleitorais. portanto. Nesse exercício do entendimento. somando a cada luta um componente à sua autonomia. A participação em todas as instâncias de discussão e decisão é educativa. de classes. Discutir os papéis e os compromissos de cada segmento escolar para a necessária elaboração do projeto comum e dos acordos que darão apoio à essa construção. nessa problematização irá se constituindo uma autonomia segura. de culturas. Os Colegiados. É lá que se dão as discussões que levam a decisões importantes. buscar a autonomia que constrói. impossíveis de realização. das deformidades do autoritarismo presentes em nossa cultura. livre dos oportunismos. então. Como uma das primeiras cidades a instituir a eleição para diretores de escola. as relações de segmentos. Nesse momento também se fala da autonomia que muito serve às promessas vazias. fortalecendo os presentes e os futuros laços entre aqueles que lutam por uma escola progressista. nessa lida. da autonomia das pessoas e das unidades escolares. Nesse espaço se discute os problemas locais e restritos à relação ensino e aprendizagem. como um conselho que privilegia a participação popular. a conciliação e a opção entre esses. as Assembléias Escolares e os Conselhos de Classe são espaços importantes e necessários para o exercício da cidadania. tem de ser ocupado pelas comunidades escolares. alunos e professores discutam o seu dia-a-dia. É necessário discutir os interesses particulares dos grupos e o interesse público.

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