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Fato social

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Objeto central da sociologia de Émile Durkheim, um fato social é qualquer forma de indução
sobre os indivíduos que é tida como uma coisa exterior a eles, tendo uma existência
independente e estabelecida em toda a sociedade, que é considerada então como caracterizada
pelo conjunto de fatos sociais estabelecidos.
Também se define o fato social como uma norma coletiva com independência e poder de coerção
sobre o indivíduo.
[editar] Sociologia clássica
Segundo Emile Durkheim, os Fatos Sociais constituem o objeto de estudo da Sociologia pois
decorrem da vida em sociedade.O sociólogo francês defende que estes têm três características:
• Coercitividade - característica relacionada com a força dos padrões culturais do grupo
que os indivíduos integram. Estes padrões culturais são fortes de tal maneira que obrigam
os indivíduos a cumpri-los.
• Exterioridade - esta característica transmite o fato desses padrões de cultura serem
"exteriores aos indivíduos", ou seja ao fato de virem do exterior e de serem independentes
das suas consciências.
• Generalidade - os fatos sociais existem não para um indivíduo específico, mas para a
coletividade. Podemos perceber a generalidade pela propagação das tendências dos
grupos pela sociedade, por exemplo.
Para Émile Durkheim, fatos sociais são "coisas". São maneiras de agir, pensar e sentir exteriores
ao indivíduo, e dotadas de um poder coercitivo. Não podem ser confundidos com os fenômenos
orgânicos nem com os psíquicos, constituem uma espécie nova de fatos. São fatos sociais: regras
jurídicas, morais, dogmas religiosos, sistemas financeiros, maneiras de agir, costumes, etc.
“É um fato social toda a maneira de fazer, fixada ou não, suscetível de exercer sobre o
indivíduo uma coação exterior.”; ou ainda, “que é geral no conjunto de uma dada
sociedade tendo, ao mesmo tempo, uma existência própria, independente das suas
manifestações individuais.” Ou ainda:Todas as maneiras de ser, fazer, pensar, agir e
sentir desde que compartilhadas coletivamente. Variam de cultura para cultura e tem
como base a moral social, estabelecendo um conjunto de regras e determinando o que é
certo ou errado, permitido ou proibido.
Existem também as correntes sociais, como as grandes manifestações de entusiasmos,
indignação, piedade, etc. Chegam a cada um de nós do exterior e não têm sua origem em
nenhuma consciência particular. Têm grande poder de coação e são suscetíveis de nos arrastar,
mesmo contra a vontade. Se um indivíduo experimentar opor-se a uma destas manifestações
coletivas, os sentimentos que nega voltar-se-ão contra ele. Estamos então a ser vítimas de uma
ilusão que nos faz acreditar termos sido nós quem elaborou aquilo que se nos impôs do exterior.
Percebemos então que fomos sua presa, mais do que seus criadores.
Analisando os fatos sociais chega-se à conclusão de que toda a educação dada às crianças
consiste num esforço contínuo para impor à criança maneiras de ver, de sentir e de agir às quais
ela não teria chegado espontaneamente. Segundo Herbert Spencer, uma educação racional
deveria deixar a criança agir com toda a liberdade. Mas essa teoria pedagógica nunca foi
praticada por nenhum povo conhecido, não passa então de um desejo pessoal. A educação tem
justamente o objetivo de criar o ser social.
Não é a generalidade que serve para caracterizar os fenômenos sociológicos. Um pensamento
comum a todos ou um movimento por todos os indivíduos não são por isso fatos sociais. Isso são
só suas encarnações individuais.
Há certas correntes de opinião que nos levam ao casamento, ao suicídio ou a uma taxa de
natalidade mais ou menos forte; estes são, evidentemente, fatos sociais. Somente as estatísticas
podem nos fornecer meios de isolar os fatos sociais dos casos individuais. Por exemplo, a alta
taxa de suicídio no Japão; não são só fatos individuais e particulares que os levam a suicidar.
Toda cultura e a educação deste país exerce grande diferença no pensamento do indivíduo na
hora de se suicidar. O mesmo caso particular de frustração do indivíduo, em outra sociedade,
poderia não o levar ao suicídio. Esse é um fato social, além de psicológico.
O efeito de coação externa de um fato social é fácil de constatar quando se traduz por uma reação
direta da sociedade, como é o caso do direito, das crenças, dos usos e até das modas.
Não podemos escolher a forma das nossas casas tal como não podemos escolher a forma do
nosso vestuário sem sofrer algum tipo de coação externa. Os nossos gostos são quase
obrigatórios visto que as vias de comunicação determinam de forma imperiosa os costumes,
trocas, etc. Isso portanto também é um fato social, visto que é geral.
Contrariando Auguste Comte, não há um progresso, uma evolução da humanidade, o que existe
são sociedades particulares que nascem, se desenvolvem e morrem, independentemente umas das
outras. Se, além disso, se considera que as sociedades mais recentes continuam as que
precederam, então cada tipo superior poderá ser considerado como a simples repetição do tipo
imediatamente inferior. Um povo que substitui um outro não é apenas um prolongamento deste
último com alguns caracteres novos; é diferente, constitui uma individualidade nova.
Spencer não aceita este conceito, como proposição afirma que “uma sociedade só existe a partir
do momento em que à justaposição se junta uma cooperação.” “Há uma cooperação espontânea
que se efetua sem premeditação quando se tenta atingir fins de interesse privado; e há uma
cooperação conscientemente instituída que supõe fins de interesse público nitidamente
reconhecidos.” Às primeiras Spencer dá o nome de sociedades industriais e, às segundas, o de
sociedades militares. Para Spencer a sociedade não passa de realização de uma idéia, neste caso a
idéia de cooperação.

[editar] Método dos Fatos Sociais


Devemos considerar os fatos sociais como “coisas”.
Nota: Para Durkheim, "coisa" é algo Sui generes, ou seja, é dotado de uma lógica
própria.
1. Precisamos limpar toda a mente de prenoções antes de analisarmos fatos sociais. Essas
“noções vulgares” desfiguram o verdadeiro aspecto das coisas e que nós confundimos
com as verdadeiras coisas. As prenoções são capazes de dominar o espírito e substituir a
realidade. Esquecidas as prenoções devemos analisar os fatos sociais cientificamente.
2. O sociólogo deve definir aquilo que irá tratar, para que todos saibam, incluindo ele
próprio, o que está em causa. É necessário que exprima os fenômenos não em função de
uma idéia concebida pelo espírito, mas sim das suas propriedades concretas. As únicas
características a que podemos recorrer são as imediatamente visíveis. Tomar sempre para
objeto de investigação um grupo de fenômenos previamente definidos por certas
características exteriores que lhes sejam comuns, e incluir na mesma investigação todos
os que correspondam a esta definição. Por isso todo fato social é coercitivo, exterior e
geral.
O casamento é um exemplo de fato social o qual nos deparamos a todo momento em nossa
sociedade. Todo o círculo de parentes e amigos que o cercam de forma direta ou indireta impõe
que o cidadão deve se casar e constituir uma família. Até quando a situação tem como principal
finalidade a descontração, gozação e coisas do gênero, o fato social mostra suas características,
no exemplo abaixo podemos ver nitidamente algumas delas. Ex: "e você já se casou...", quem
nunca se deparou com uma pergunta desta ao rever um grande amigo, ou numa reunião com seus
familiares que não os via há muito tempo? Apesar de ser dotado de um poder coercitivo,
aceitamos o mesmo de bom grado.
[editar] Ver também
O que durknein quer dizer com deixar de
lado as pré noções?
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by Gnuhc
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Quando Durkheim (1858-1917) diz para deixar de lado as pré noções quer dizer que devemos
inverstigar o que há por trás do senso comum, este alimentado por preconceito, para que
deixemos de mover nossas ações e pensamentos premeditadamente e com idéias que não dizem
respeito à realidade, escondida em meio aos preconceitos.
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Regras relativas à observação dos fatos


sociais
Resumo do Livro por:Zelinda Autor : Émile Durkheim

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Para Durkheim, a reflexão é anterior à ciência, porém, ao utilizar de maneira metódica esta
reflexão, o homem passa a regular sua conduta a partir das noções que utiliza para
compreender as coisas e não a partir da coisa em si. Ele considera que os conceitos não
podem tomar o lugar das coisas. Segundo o autor, este modo de proceder é uma inclinação
natural do homem e dominou também a própria ciência natural em sua origem. A sociologia,
para Durkheim tratava de conceitos, não de coisas. Daí a sua crítica ao evolucionismo de
Comte, que estaria assentado sobre as idéias, não sobre os fatos. Uma outra crítica feita por
Durkheim se dirige à teoria formulada por Spencer, que estabeleceu como característica básica
de uma sociedade a cooperação (cooperação de caráter privado, predominante em sociedades
industriais, e de caráter público, em sociedades militares). De acordo com Durkheim, ele
também teria se deixado levar por prenoções e não observado as coisas em si. Os fatos que
Spencer inscreve em sua sociologia são, para Durkheim, apenas uma forma de ilustrar suas
prenoções. O mesmo acontece no que ele vai chamar de “ramos especiais da sociologia”: a
moral e a economia política. No que se refere à economia política, não é a partir da observação
das condições de que depende a coisa que estuda que vai reconhecer a existência dos fatos;
pois senão teria começado por expor as experiências das quais tirou esta conclusão. É assim
que ele diz ser necessário ir à coisa para daí então deduzir os conceitos, realizando assim o
método indutivo. Ele exemplifica com o modo como é construída a noção de valor: Durkheim
afirma que muito do que é tido como ciência não é nada mais nada menos que arte, pois o
cientista não se atém à coisa em si, mas às idéias que ela suscita. Assim é que, para ele, as
leis econômicas e da moral tidas como naturais são meros “conselhos de sabedoria prática”,
não podendo ser chamada cada uma delas de lei natural porque não são constatadas
indutivamente. Por isso que para Durkheim é necessário que os fenômenos sejam estudados
de fora, isto é, do exterior. Assim procedendo, o cientista poderá alcançar a objetividade dos
fatos. Daí decorre a importância do postulado estabelecido por Durkheim: O caráter
convencional de uma prática ou de uma instituição não deve jamais ser pressuposto. Apesar da
crítica que é feita a Durkheim no sentido de que sua teoria não contempla a mudança, vemos
que a mudança é admitida, porém dentro de certas condições. Durkheim compara as reformas
propostas por ele à Sociologia àquelas experimentadas pela Psicologia, que também era
baseada nas idéias formuladas a respeito das sensações que os indivíduos experimentavam,
não nas sensações em si. Mesmo reconhecendo esta similaridade, ele diferencia os fatos
psíquicos dos fatos sociais: Após enunciar essa diferenciação, Durkheim estabelece as regras
através das quais os fatos sociais seriam alcançados: 1. É preciso afastar sistematicamente
todas as prenoções. – Durkheim sugere que todas as prenoções sejam abandonadas em nome
da verdadeira ciência, mas reconhece, contudo, ser esta uma tarefa difícil 2. Nunca tomar por
objeto de pesquisa senão um grupo de fenômenos previamente definidos por certos caracteres
exteriores que lhe são comuns, e compreender na mesma pesquisa todos aqueles que
correspondem a esta definição. Durkheim diz ser imprescindível definir o objeto estudado
porque em sociologia é comum a referência a coisas sem uma definição rigorosa do que se
tratam. Este procedimento é necessário a fim eliminar as ambiguidades. Como exemplo, ele
cita um autor, Garofalo que define como crime apenas uma espécie de crime, encontrada numa
determinada sociedade. Para Durkheim, seria necessário localizar o crime em cada sociedade
estudada, entendendo-o não como algo atrelado às regras de moralidade vigente, mas
consideradas no contexto em que ocorre, seja uma sociedade “civilizada” ou “primitiva”. Isto é o
que leva, de acordo com Durkheim, à consideração de que os “selvagens” são desprovidos de
quaisquer regras de moralidade. Tais regras podem ser encontradas tanto nas sociedades
consideradas “superiores” como nas “inferiores”. À acusação de que estaria derivando o crime
da punição, Durkheim rebate dizendo que um sociólogo deve se esforçar por considerar os
fatos sociais isolados de suas manifestações individuais. Segundo Durkheim, tanto a ciência
como o conhecimento vulgar partem da sensação, pois é dela que se originam todas as idéias,
sejam científicas ou não. O que diferencia o saber científico do saber comum é o modo como
vai ser elaborada esta matéria comum.

Publicado em: setembro 20, 2007 Updated: outubro 05, 2010

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coisa
Definition:

O termo alemão correspondente "Ding" relaciona-se com "denken":


pensar, e portanto significa: "o pensado". Corresponde-lhe, em
latim, "res", que se filia na mesma raiz do verbo "reor": pensar, crer,
e que portanto designa: "o que se pensa ou crê". De fato. podemos
distinguir, no significado do termo "coisa", três etapas. Em
primeiro lugar, coisa designa o ser individual concreto, tópico-
temporal, que se nos apresenta na experiência sensível; assim
falamos, p. ex., do "mundo das coisas". Sem dúvida, pode
também o homem ser denominado coisa; contudo habitualmente
opomos o mundo das coisas ao homem, porque, dada a sua
qualidade de pessoa espiritual, não o contamos entre as puras
coisas. Em sentido mais amplo, coisa denota o objeto, acerca do
qual falamos ou pensamos, formulamos proposições ou emitimos
juízos. Assim compreendido, o termo "coisa" é sinônimo de algo,
alguma coisa; abarca igualmente o abstrato (o número, a
justiça) e o supra-sensível (Deus). Neste plano surge a questão
epistemológica: É-nos acessível a coisa em si ? No mais profundo
sentido metafísico, "res" (coisa) pertence às determinações
fundamentais transcendentais do ser (Transcendentais) e,
portanto, de todo ente em geral. "Coisa", unida tão intimamente
quanto possível ao "ente", tem como conteúdo a essência estática,
o "ser tal" do ente, ao passo que "ente" põe em destaque a
existência dinâmica. — Lotz. [Brugger]

Os escolásticos consideraram o conceito de coisa como um dos


conceitos dos transcendentais. A coisa é um dos cinco modos de
ser e o seu modo de ser corresponde, em geral, ao de todo o ente.
O conceito de coisa distingue-se do de ente só por uma distinção
de razão raciocinante. Em contrapartida, o conceito de qualquer
dos outros transcendentais não é de modo algum sinônimo do
conceito de ente.

Por vezes, considera-se que as coisas são as entidades individuais, e


em particular as existências materiais individuais. Estas definições
têm o inconveniente de ser demasiado vagas (e o conceito de
entidade individual não é de modo algum preciso) ou demasiado
restritas (pois o conceito de coisa enquanto um dos modos de ser
do ente tem maior extensão do que o conceito de coisa material).

Mais aceitável - embora não isento de dificuldades - é ligar o


conceito de coisa ao conceito de substância. Em muitas ocasiões,
ao falar de uma falamos da outra, como quando se diz, por
exemplo: “a coisa com as suas propriedades”. Seja como for, uma
vez que se introduziu o conceito de coisa, é mister indicar ainda de
que coisas se trata quando se aplica aquele conceito. Um dos
modos de entender o conceito de coisa consiste em contrapô-lo ao
conceito de pessoa. Segundo alguns autores, esta contraposição é
meramente mental ou conceptual. Certos pensadores (chamados
impersonalistas) consideraram, com efeito, que a noção de pessoa
pode sempre reduzir-se - ontológica ou metafisicamente - à de
coisa. Outros pensadores (chamados personalistas) consideraram
que a noção de coisa pode sempre reduzir-se - ontológica e
metafisicamente - à de pessoa. Em ambos os casos, só uma das
noções corresponde à realidade. Os autores impersonalistas eram
normalmente metafisicamente realistas; os autores personalistas
eram normalmente metafisicamente personalistas. Outros autores
inclinam-se para considerar que a noção de coisa não exclui a de
pessoa nem a de pessoa a de coisa; ambas se referem a realidades
fundamentais cuja relação é mister então explicar. Do ponto de
vista histórico, pode considerar-se que nos conceitos de coisa e de
pessoa se expressam certas “concepções do mundo” prévias às
várias filosofias alojadas em cada uma delas. Em certo sentido, do
vocábulo coisa pode dizer-se que o pensamento grego clássico
se inclinou para o predomínio da coisa. Isto equivale a um pensar
do tipo “coisista” e substancialista. O conceito de pessoa, em
contrapartida, vai-se introduzindo à medida que se reconhecem
tipos de realidade não redutíveis ao fixo, ao estável, ao exterior, à
figura, etc. De entre esses tipos de realidade, destacam aquilo a
que se chama “vida íntima” ou “espírito”. O cristianismo
contribuiu para destacar esses tipos de realidade. Em geral, pode
dizer-se que na medida em que se predomina a ideia de ser como
ser em si, predomina também a noção de coisa, e na proporção em
que predomina a ideia de um ser como ser para si, predomina a
noção de pessoa. [Ferrater]

Avaliação Educacional em debate


Reformas curriculares e avaliação da aprendizagem em diferentes modalidades de ensino são
alguns dos seis temas em debate na Conferência sobre Avaliação Educacional em Moçambique,
iniciada na manhã de segunda-feira, em Maputo.
Organizado pelo Centro de Estudos de Políticas Educativas da Universidade Pedagógica, o
encontro de dois dias reúne investigadores, docentes, estudantes e cerca de 30 oradores nacionais
e estrangeiros.

Constam dos objectivos do encontro debater questões relativas às teorias e práticas avaliativas e
como estas podem contribuir para a melhoria da qualidade de ensino - aprendizagem em
Moçambique. Uma reflexão sobre os paradigmas e tendências actuais da avaliação educacional,
a análise de políticas de avaliação educacional, a divulgação dos resultados da pesquisa sobre
avaliação educacional, bem como a partilha de experiências sobre a avaliação educacional e a
contribuição para a melhoria da avaliação do sistema educativo em Moçambique, são matérias de
debate.

O encontro acontece na sequência da conferência sobre Formação de professores em


Moçambique, realizada em 2008, cujos resultados contribuíram para a reforma em curso.
Entre outras actividades, o Centro de Estudos de Políticas Educativas, coordena a Reforma
Curricular na Universidade Pedagógica de Moçambique.

A conferência sobre avaliação educacional em Moçambique que termina esta terça-feira, decorre
sobre o lema “Inclusão, Inovação e Qualidade.

Angola profunda
...intensa paixão, tristeza profunda...
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Quarta-feira, 21 de Novembro de 2007

fazendo a história da educação


“Uma revolução silenciosa em Angola”

Filipe Zau
"Uma revolução silenciosa em Angola: o ensino técnico-profissional antes e
depois da independência". Este é o livro que será lançado na próxima terça-
feira, no Instituto Médio de Luanda, o Imel, ainda como parte das
comemorações dos 32 anos de independência de Angola.
Trata-se de uma contribuição para a história da educação, como bem consta
no subtítulo desse trabalho de investigação. Uma iniciativa do Ministério da
Educação de Angola, o trabalho de pesquisa que culminou com a edição de um
belo livro coordenado pela historiadora angolana Maria Ermelinda Zau.
A exiguidade de trabalhos publicados sobre Educação em Angola e a
importância deste sector na formação de recursos humanos necessários à
promoção do desenvolvimento constitui razão mais do que suficiente para a
edição deste trabalho de investigação, que se debruça sobre o Ensino Técnico-
Profissional, desde o período colonial até aos dias de hoje, no preciso
momento em que está em curso uma nova reforma do sistema educativo.
Segundo o editor, Raimundo Lima, as razões para que tal ocorra encontram-se
expressas neste estudo que, a partir de uma grelha epistemológica, procurou
proporcionar aos leitores uma melhor compreensão das finalidades e fins da
Educação, face às políticas de formação levadas a cabo, antes e depois da
independência, bem como as repercussões das mesmas na actividade laboral.
Assim se analisam e entendem os motivos que levaram à adopção, logo após a
independência, de um novo conceito de Ensino Técnico-Profissional que, no
actual contexto da competitividade do mercado, teve de ser revisto, face ao
défice de mão-de-obra qualificada e ao crescimento das taxas de desemprego.
Com curso do Ramo de Formação Educacional (Pós-Licenciatura) em História
pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de
Lisboa, Ermelinda Zau fez sua licenciatura em História - Ramo Científico pela
Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.
Ela contou com contribuições de Emílio Leôncio, Filipe Zau, Maria José
Rocha, João Américo Pereira e Guerrivaldo Tomaz no trabalho de pesquisa e
na elaboração do livro propriamente, cuja edição sai com 10 mil exemplares.
Na supervisão gráfica, o especialista Washington Falcão fez um belo trabalho,
valorizando ainda mais o conteúdo.
"Ensino Técnico-Profissional - Uma contribuição para a História da Educação
em Angola", título do livro que abarca esta investigação, recorre à explanação
das diferentes estratégias de formação levadas a cabo em distintos períodos da
memória histórica do país e constitui um instrumento de trabalho de todos os
que assumem a Educação e a Formação como sua principal actividade
profissional.
Este estudo permite comparar dados relativos a matrículas, currículos, perfis
de entrada e saída de estudantes, professores e gestores, modelos de
administração e políticas educativas de antes e pós-independência, sem perder
de vista as opiniões de responsáveis políticos em diferentes épocas da história
da Formação Profissional e do Ensino Técnico-Profissional em Angola.
No contexto de um Governo de Unidade e Reconciliação Nacional e da
reforma do sistema educativo como um todo e da Reforma do Ensino Técnico-
Profissional em particular, coube à direcção do Ministério da Educação,
chefiado pelo Dr. António Burity da Silva Neto, criar uma rede de escolas
técnicas por todo o país, que implicou:
- Na reabilitação e edificação de novas infra-estruturas;
-Na elaboração de planos de estudo e programas para novos cursos;
-No reapetrechamento de laboratórios e oficinas;
-Na mobilização e formação do corpo docente...
Enfim, nasce, assim, uma filosofia de formação mais moderna, essencialmente
direccionada para a juventude angolana, que, em tempo de paz, constitui o
elemento preponderante para o desenvolvimento, que já se vislumbra para
este país.

Repercussões de séculos de dominação

Um aspecto que não podemos, nem devemos nunca deixar de considerar, foi a
existência de um factor permanente, que influiu nas políticas educativas
adoptadas no período colonial e que consistiu em considerar África como uma
dependência económica da Europa, sujeita às conveniências e aos interesses
dos países dominadores. Para isto, chama a atenção o ministro da Educação,
António Burity da Silva, que vai dirigir o lançamento da obra literária na terça-
feira próxima.
Tal facto reflectiu-se, fortemente, na pouca evolução educacional, acarretando,
assim, para os africanos, um atraso no seu desenvolvimento social. Para que se
possa entender as repercussões de séculos de dominação colonial portuguesa,
deve-se, primeiro, levar em conta que, por exemplo, o ensino secundário, em
Angola, iniciou em 1919, data da fundação do Liceu Salvador Correia, em
Luanda. Portanto, mais de quatro séculos depois da chegada dos portugueses
ao reino do Kongo (1482) e mais de três séculos após a fundação desta cidade
(1575).
Christian Baudelot e Roger Establet (1972) explicam ser uma característica
dos sistemas educacionais das sociedades capitalistas a dissimulação da sua
dualidade estrutural. Para elidir a contradição entre uma rede destinada à
formação dos trabalhadores intelectuais e outra, destinada à formação do
trabalho manual, os sistemas educacionais são apresentados sob a capa da
ideologia da escola única e unificadora, em vez de dual e diversificada.
Consequentemente, os sistemas educacionais são vistos, compreendidos e
apresentados a partir de uma posição sócio-educacional específica; ou seja, a
partir do ensino superior, negligenciando-se a existência de uma população
escolar destinada ao mercado de trabalho, isenta de uma preparação
propedêutica necessária a essa finalidade, já que, a formação profissional, é
concebida separadamente. A partir destes autores po- der-se-á mesmo dizer
que, ao descrever-se a estrutura educacional de um país como uma progressão
do ensino primário ao superior, se está, logo à partida, a excluir tudo o que diz
respeito à formação profissional e técnico profissional, particularmente, a que
se destina à formação dos trabalhadores directamente ligados à produção.
Um objectivo importante deste estudo é, precisamente, o de permitir
estabelecer a comparação desta dualidade escolar nas modalidades
estabelecidas pelas políticas educativas levadas a cabo na época colonial e o
lugar que a formação profissional e técnico profissional ocupa no quadro das
políticas educativas do pós-independência, com particular relevância para o
actual momento de Reformulação do Sistema Educativo.
Enfim, facilmente se poderá inferir, sobre que estratégias de formação se
destinavam à Formação Profissional e ao Ensino Técnico-Profissional num e
noutro período da História da Educação em Angola. O desvendamento
daquela dualidade revela os interesses que orientaram e orientam as políticas
de educação profissional e tecnológica, num e noutro período da memória
histórica angolana. Faz assim entender quais motivos ideológicos e os
interesses políticos, económicos e sociais que movem a educação, bem como
os fins e objectivos que contribuíram para a promoção dos interesses coloniais
e os que promovem hoje interesses nacionais.
Por outro lado, ao se descrever o Subsistema do Ensino Técnico-Profissional e
as suas articulações com o Ensino Geral/Propedêutico, este estudo não deixa
de estabelecer as diferenças e semelhanças entre estas duas vertentes.
Importante é ainda considerar que, após o fim da guerra fratricida em Angola,
que durou décadas, se dá a emergência de uma verdadeira revolução
silenciosa com a implementação da Reforma do Ensino Técnico-Profissional
(RETEP). Para tal, o Governo investiu o equivalente a 48 milhões de dólares
americanos para promover uma mudança estruturante neste subsistema de
ensino, a partir de um diagnóstico dos paradigmas de formação realizados nos
períodos colonial e pós-independência, recorrendo: à base material, à análise
dos currículos, ao tipo de organização e gestão escolar, à formação e
preparação do corpo docente, aos perfis de entrada e saída dos alunos...
Foram também feitos estudos sobre a relação entre as escolas técnicas a criar e
as necessidades económicas locais e regionais, de modo a se estabelecerem
relações entre as instituições de formação e a comunidade onde foram
inseridas. Analisaram-se discursos e preocupações de autoridades políticas e
educacionais desde a época colonial, para identificar as concepções e os
interesses que regeram e regem as estratégias de formação ao longo da
história da Educação em Angola. Examinaram-se as particularidades
específicas a conferir à rede de instituições criadas e a criar, no sentido de as
tornar rentáveis para o desenvolvimento do país.
(Jornal de Angola)
marcadores: cultura

publicado por zé kahango às 12:56


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Introdução

O presente artigo faz parte de uma colectânea de temas relacionados ao Ensino da


Sociologia nos vários subsistemas de ensino angolano, onde a nossa preocupação central
cinge-se em Analisar a Reforma Educativa e o seu impacto no Ensino da Sociologia a nível
do ensino secundário.

Este artigo nos permitirá entender as premissas que estão na base da implementação da
Reforma Educativa em Angola, onde identifica-se as anomalias referentes ao fraco
aproveitamento escolar dos estudantes e as fragilidades que o próprio sistema de educação
possuía, sem por de lado, os impactos que a Reforma Educativa causou ao Ensino da
Sociologia, realçando assim, as dificuldades que os professores de sociologia enfrentam no
cumprimento das suas actividades laborais.
1. 1. A Reforma Educativa e o seu impacto na disciplina de sociologia a nível do
ensino secundário.

Ao falarmos em reforma a nosso ver, só estamos diante de uma reforma quando pretende-
se mudar algo velho e substitui-lo por algo novo, desde que seja melhor que o anterior ou
ofereça melhores garantias. Esta mudança ou substituição de algo velho por algo novo,
reflecte-se na Reforma Educativa que Angola implementou recentemente e isto só foi
possível, graças a um estudo realizado pelo Ministério da Educação que visava diagnosticar
as dificuldades do anterior Sistema de Educação e identificar as anomalias referentes ao
fraco aproveitamento escolar dos estudantes nos diferentes níveis de ensino.
Posteriormente, constatou-se que "…Entre 1981 e 1984, 10 000 professores abandonaram
o Ministério da Educação, tendo como causas: a situação político-militar, a baixa
remuneração salarial e as péssimas condições sociais…" (MED.2009:7), quanto ao IIº e IIIº
Nível que faziam parte do Ensino de Base constatou-se que ", …o ensino estava nas mãos
de docentes estrangeiros, cuja língua de trabalho e preparação profissional era diferente,
conforme a sua nacionalidade…" (Idem), sem esquecer o elevado índice de reprovação dos
estudantes que estavam no Iº Nível, "…Em cada 1 000 alunos que ingressavam na 1ª
Classe, somente 142 concluíam o Iº Nível do Ensino de Base, dos quais 34 transitavam sem
repetições de classe, 43 com uma repetição e 64 com duas ou três repetições." (Idem).
Além destas, ainda existem outras anomalias como:

"…a distorção da rede escolar, a exiguidade das infra-estruturas escolares, a insuficiente


qualidade e quantidade do corpo docente, o deficiente fornecimento de equipamentos, de
material escolar e de meios [de] ensino, a débil gestão administrativa e pedagógica das
instituições de ensino e a consequente desvalorização da carreira docente."
(GRILO.2004:99)

Face a estas fraquezas que começaram no Ensino de Base e que repercutiram-se noutros
níveis de ensino, o Ministério da Educação viu-se obrigado a conceber uma nova estrutura
no Sistema de Educação em Angola, uma vez que cada Estado, em determinadas
circunstâncias da sua história, pode criar ou inovar o Sistema de Educação de que necessita
para fazer fincar os seus ideais e objectivos, assim sendo, o Governo de Angola aprovou a
Lei 13/01, de 31 de Dezembro, Lei de Bases do Sistema de Educação. Este novo Sistema de
Educação foi aprovado em 2001 e implementado paulatinamente a partir de 2004.

Quanto ao impacto que a Reforma Educativa causou ao Ensino da Sociologia, afirmamos


que a Reforma Educativa trouxe consigo mais impactos negativos que positivos à disciplina
de sociologia a nível do Ensino Secundário. A exemplo, constata-se o seguinte:

1.1 Impactos negativos

a) A disciplina de sociologia deixou de ser uma disciplina obrigatória a todos estudantes


para ser um disciplina de opção, onde só alguns estudantes dos cursos de Ciências
Humanas e Ciências Económicas-Jurídicas são os que estudam-na, em contrapartida, todos
estudantes do curso de Ciências Físicas-Biológicas não estudam-na, assim sendo, estamos
diante de uma descriminação porque alguns têm o privilégio de estudá-la e outros não;

b) Quando se fala em disciplina de opção, subentende-se que o estudante tem a liberdade


de optar se vai estudá-la ou não. Algo que na nossa pesquisa constatamos que o estudante
não tem a liberdade de opção, porque, lhe é imposta a condição de estudar uma das duas,
onde o critério de selecção obedece o seguinte principio: o estudante que no livro de ponto
o seu número é par estuda psicologia, por outro lado, o estudante que no livro de ponto o
seu número é impar estuda sociologia;

c) Com a entrada da Reforma Educativa, a disciplina de sociologia contínua em situação de


desigualdade comparando com as outras disciplinas, porque, até ao momento não há
manual de apoio referente a disciplina de sociologia para professores e estudantes do
Ensino Secundário;

d) O programa de sociologia da Reforma Educativa elaborado pelo INIDE, exige o uso de


novos manuais de consulta, em contrapartida, isto dificulta significativamente o trabalho
dos professores, porque, nem todos têm a possibilidade de obterem os manuais
recomendados, por isso, extraem as matérias de qualquer manual de sociologia;

e) Com a entrada da Reforma Educativa passou haver uma certa diminuição na carga
horária da disciplina de sociologia, porque, antes da reforma as aulas eram administradas
(2) duas vezes por semanas, compreendendo assim (4) tempos semanais; com a entrada
da reforma, as aulas passaram a ser administradas apenas (1) uma vez por semana,
compreendendo assim (2) dois tempos semanais.

1.2 Impactos positivos

a) Com a entrada da Reforma Educativa a disciplina de sociologia passou a ser leccionada


em (2) dois anos, a contar da 11ª classe até a 12ª classe, ao passo que, antes da reforma a
disciplina de sociologia era leccionada em um ano, isto é, na 11ª classe;

b) Com a entrada da Reforma Educativa, os estudantes de sociologia e não só, têm tido
avaliações diárias ou semanais como condição necessária, ao passo que, antes da reforma
as avaliações eram trimestrais.

Estes foram os principais impactos constatados que a Reforma Educativa, causou a


disciplina de sociologia a nível do ensino secundário.

Conclusão

A guisa de conclusão apraz-nos dizer que, o anterior sistema de educação e ensino possuía
muitas lacunas e fragilidades, por este motivo, não adequava-se as metas que o País
pretendia alcançar, razão pela qual, implementou-se um novo sistema de ensino através de
uma reforma. Quanto ao impacto desta reforma ao Ensino da Sociologia, temos a dizer que,
a Reforma Educativa trouxe consigo mais impactos negativos que positivos ao Ensino da
Sociologia, assim sendo, a Reforma Educativa não trouxe melhorias significativas ao Ensino
da Sociologia, porque os professores continuam a enfrentar os problemas antigos, como a
falta de manual de apoio publicado oficialmente pelo Instituto Nacional para Investigação e
Desenvolvimento da Educação, salas de aula superlotadas, políticas de ensino mal
direccionadas, entre outras.

Para terminar, considera-se este artigo como o alicerce de uma obra em construção, ou
seja, considera-se como o trilho de um percurso a ser percorrido, onde cada um é chamado
a intervir e a contribuir para o engrandecimento da ciência.

Referências Bibliográficas

GRILO, Luisa Maria Alvez. (2004), Reforma do Ensino Geral In Colóquio sobre o Ensino em
Angola. Luanda: Fundação Sagrada Esperança.

LEMBE, Horácio Domingos. (2010), O Ensino da Sociologia no Ensino Secundário em


Luanda: Estudo de Caso da Escola do IIº Ciclo do Ensino Secundário nº 3030-Ingombota
(1992-2006). Trabalho Apresentado para a Obtenção do Grau de Licenciatura em Ciências
da Educação, Opção Sociologia.

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. (2009) Informação sobre a Implementação do Novo Sistema


de Educação: Reforma Educativa do Ensino Primário e Secundário. Luanda: INIDE.

REPÚBLICA DE ANGOLA. (2001), Lei de Bases do Sistema de Educação In Diário da


República. I Série – N.º 65. Luanda: Imprensa Nacional.

(Artigonal SC #3363813)

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Horácio Lembe - Perfil do Autor:

<html >
Horácio Domingos Lembe, licenciado em sociologia pelo Instituto Superior de Ciências da
Educação de Luanda.
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disciplina-de-sociologia-a-nivel-do-ensino-secundario-3363813.html

Palavras-chave do artigo:
reforma educativa
,

ensino da sociologia no ensino secundario


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» Excelência no atendimento

Módulo I - O atendimento ao público sob o enfoque da


qualidade
Aula 3 > Paradigmas essenciais e princípios do bom atendimento
Conceito de paradigma (Texto 1)
Adotar princípios de qualidade no atendimento ao público,
como os anunciados na aula 1 deste módulo e como os que
você foi solicitado a elaborar anteriormente, pode consistir em
uma verdadeira mudança de paradigma no que diz respeito à
dinâmica e ao funcionamento de sua atividade profissional.
O que isso quer dizer?
Na atualidade, o termo paradigma tem sido usado com
freqüência nas mais diversas áreas do conhecimento –
educação, economia, política, religião, estética, entre outras.
Na década de 60 (séc. XX), essa palavra foi utilizada pelo físico
Thomas Kuhn para mostrar ao mundo científico que leis,
teorias e modelos aceitos pela prática científica são exemplos
de paradigmas que podem sofrer mudanças.
A partir daí, outras noções sobre o termo foram surgindo. Uma
delas se refere ao modo como cada pessoa percebe o mundo,
em razão das suas crenças, dos seus valores, da sua
experiência de vida, entre outros aspectos.

Você agora está na terceira aula do módulo. Você


se apropriou do conteúdo das duas aulas precedentes?
Reveja suas anotações, reveja as atividades realizadas.
Mantenha-se motivado!
O paradigma é também conceituado como um conjunto de
pressuposições por meio do qual é possível predizer e
compreender as mudanças que vêm ocorrendo no mundo e
lidar com a quantidade de informações produzidas e
transmitidas entre os continentes a uma velocidade
impressionante.
Outro conceito de paradigma está atrelado à idéia de regras,
normas e regulamentos que interferem no modo de vida das
pessoas. Nessa visão, o conceito de paradigma está vinculado
à condição humana, pois considera-se que as idéias, as
opiniões e os problemas que nascem nas relações interpessoais
possibilitam o surgimento de um paradigma.
Conseqüentemente, mudar de atitude na relação estabelecida
com o público consiste em significativa mudança de paradigma,
que pode influenciar positivamente na representação que o
público constrói acerca do Serviço Público.

No filme “Mudança de Hábito”, a atriz


estadunidense Whoopi Goldberg interpreta uma cantora
de boate que, perseguida por criminosos, refugia-se em
um convento, onde tem que, literalmente, mudar de
paradigma, adotar outra postura, outros
comportamentos. Se tiver oportunidade, alugue a fita,
assista a esse filme e reflita sobre a mudança de
paradigmas.

Não deixe de acessar o texto de apoio a esta aula.

De acordo com o Dicionário Aurélio, o termo


“paradigma” significa “modelo”, “padrão”. Como situar,
no âmbito das organizações, a mudança de paradigmas?
A professora Ursula Blattmann, da Universidade Federal
de Santa Catarina, escreveu um texto a respeito das
organizações e da escolha do paradigma da
transformação. Esse texto pode auxiliar você a
responder à questão proposta. Leia-o, acessando pela
Internet, conforme indicado na seção
“Hipertextualização”.

paradigmas e Um paradigma Uma das noções


é um modelo de paradigma é a
mudanças de ou exemplo. aquela usada em
paradigma Um caso leis, onde um
paradigmático paradigma é um
é o caso típico caso modelo a
ou arquetípico. ser distinguido
Uma mudança de casos
de paradigma é penumbrais.
o movimento Uma lei poderia
de um considerar crime
paradigma para usar uma arma.
outro. Um caso em que
um assaltante
usa uma
Magnum .357
carregada seria
um caso
paradigmático;
um caso em que
um assaltante
usa uma pistola
de água seria
considerado
penumbral. Um
tribunal teria que
decidir se a lei
tinha intenção de
incluir o uso de
pistolas de água
como crime, mas
não haveria
necessidade de
interpretação da
lei para decidir
se o uso da
Magnum .357
carregada estava
dentro da
intenção da
legislatura.
Paradigma nesta
acepção, não
possui nenhuma
mudança de
paradigma
correlacionada.

Autonomia e ética
A missão da educação e a educação como missão:

Autonomia e ética no cotidiano escolar.

Resumo:

Diante dos novos paradigmas de sociedade que estão surgindo, há necessidade de


um perfil de pessoa mais solidária, critica e criativa, sensível às diversidades,
convivendo com o incerto, empreendedora e autônoma. A aprendizagem
significativa contempla o saber estratégico - habilidades e competências para
compreender o mundo e nele agir; o saber político - habilidades e competências
para compreender a sociedade e nela participar; o saber ético - habilidades e
competências para apreender que cada opção pode fazer-nos mais ou menos
humanos. A aprendizagem deve desenvolver competências, levando à autonomia
intelectual e moral, à cooperação, ao pensamento crítico através do confronto de
idéias e do debate.
Palavras-chave

Educação; Autonomia; Ética; Ação.

Quem acompanha, como cidadão do mundo, as discussões e análises sobre nosso


tempo, já está se acostumando com a idéia de que não estamos vivendo, somente,
uma época de grandes mudanças, mas também, uma mudança de época. Em
outras palavras, uma mudança paradigmática, que se faz presente e nítida nos
aspectos políticos, econômicos, sociais e ideológicos. A vida em nossa sociedade
está em constante mudança com o surgimento de novos costumes, novas formas
de cultura e comunicação.

É nesse cenário (político-econômico-social e ideológico) antagônico, paradoxal,


acelerado, pós-moderno que os valores e as mudanças não só se revelam amplas e
profundas, como complexas. Mundo menos previsível, mais complexo, dinâmico,
criativo e pluralista, em que a mudança é componente essencial; tudo é relativo,
apenas provável, incerto e ao mesmo tempo, complementar; tudo está em
movimento, em constante fluxo de energia em processo de mudança; lugar de
instabilidade e de flutuações.

É uma mudança que contempla todas as dimensões da pessoa: mental,


comportamental, afetiva, institucional, ético-moral e espiritual. Concepções e/ou
noções de espaço, tempo, linguagem, trabalho, conhecimento e educação são
questionadas: Atualmente, o desenvolvimento científico tem mostrado que a
possibilidade do desenvolvimento do conhecimento é mais abrangente do que
apenas ler, escrever e calcular.

Vejamos, por exemplo, a contribuição de H. Gardner, Phd da Universidade de


Harvard (EUA). As inteligências múltiplas demonstram que todos os seres humanos
são capazes de aprender.

Na ótica político-econômica, prevalece um modelo de Estado mais gerenciador que


administrador, no qual o mercado passa a ser o agente regulador das condições de
compra e venda do bem estar pessoal e coletivo. É o surgimento de um Estado que
vai desacelerando gradualmente seu nível de participação e grau de
responsabilidade na execução das coisas públicas para dar espaço a um mercado
que assume, num processo de terceirização econômica, em parcerias ou
privativamente a prestação de serviços. É um modelo em que os princípios da
liberdade, da livre concorrência e da competição individualista afloram como os
eixos norteadores desse mercado. Vivemos sob a ideologia neo-liberal, cujo ideário
prioriza os princípios de liberdade para competir e o individualismo, tendo sempre
em vista o mercado, com a maximização da eficiência e do lucro...
Conseqüentemente, estamos numa crescente exclusão.

É flagrante a exclusão social, marcada pela institucionalização da violência e pela


exploração do potencial humano, acarretando contextos sociais corruptíveis,
isentos de sanções, impunes frente ao desrespeito, à justiça e à dignidade humana.
É possível constatar que nossa sociedade não é autônoma. Vivemos numa
sociedade excludente, com dificuldade de acesso à informação em todos os níveis
desde o educacional até o tecnológico. É necessário que incorporemos em nossas
ações o significado das coisas, tudo o que incorporamos expressamos em ações.
Quanto ao engajamento, estamos ainda engatinhando.

Diante desse quadro, a participação social, conceituada como cidadania, passa por
um eventual esvaziamento, minimizando a importância e a necessidade do
desenvolvimento de idéias de participação, compromisso, responsabilidade e
envolvimento. É uma sociedade de flagrantes injustiças sociais que prioriza o Ter
em detrimento do Ser, que não prima pelo exercício do princípio democrático da
liberdade, que desestimula atitudes de respeito à individualidade e ao respeito
mútuo, que se caracteriza pela ausência e vivência do princípio de que todas as
pessoas têm direitos e são iguais.

No seio, entretanto, da ambigüidade que permeia essas mudanças, novos valores


emergem, promovendo e estimulando o aparecimento de atitudes inovadoras, tais
como: o espírito de cooperação e solidariedade entre os excluídos: Podemos
perceber que existe a tentativa por parte de alguns segmentos da sociedade
(ONG's, associações) de conscientizar a população de que a sua participação em
decisões é importantíssima. Isso é importante porque uma sociedade de pessoas
individualistas, pouco participativas, materialistas e descomprometidas, dificilmente
vai gerar realização, harmonia, justiça, igualdade, inclusão.

Cabe destaque à sensibilidade pela questão ecológica, à valorização da ética e à


indignação frente a sua inexistência, às iniciativas de combate à corrupção política,

a tolerância e ao diálogo entre as diferentes culturas, religiões e governos: a


sociedade em que vivemos está preocupada com os problemas sociais.

Em termos sócio-ideológicos, a globalização é uma tendência mundial que se


caracteriza paradoxalmente. Por um lado, alto desenvolvimento tecnológico, com
uma rede de comunicação intercontinental, que faz de todas as pessoas, em
qualquer lugar do planeta, um cidadão do mundo. E, por outro lado, forma
conglomerados econômicos internacionais e massifica minorias étnicas e religiosas.

Em nome de uma tradição religiosa são gerados conflitos armados em vários


países. A intolerância e o fundamentalismo dificultam a pluralidade cultural e
religiosa devido a dogmas absolutos ou atitudes intransigentes. Mas, constatamos
também, a emergência de pequenos movimentos, marcados por uma experiência
de fé individual e imediata que relativiza ritos e doutrinas, fragmentando as
históricas tradições religiosas. Os conflitos humanos estão presentes em toda parte,
é preciso manter a identidade do indivíduo.

É a humanidade em crise existencial, buscando um sentido significativo e


consistente de vida que estimule o surgimento de novos movimentos religiosos,
fundamentados em propostas teológicas de prosperidade econômica, isto é, da
satisfação material e espiritual imediata. Em todo momento nossas ações não são
neutras, estamos sempre nos interpretando, expressando nossa identidade. No
mundo em que vivemos, individualista e globalizado, onde imperam as relações de
consumo, a espiritualidade se faz nos grandes centros (Shoppings, por exemplo) .
No caso do Brasil, a religiosidade, inerente à cultura, é marcada pela pluralidade,
sincretismo e diversidade.

Enfim, vivemos em um mundo marcado pela incerteza, insatisfação e subjetividade.


Somos uma geração desmotivada, recebemos tudo pronto; tudo que se cria e se faz
é para o nosso conforto, mas ficamos cada vez mais insatisfeitos. Nós estamos
vivendo num mundo onde o ser humano sente-se desiludido, perdido no tempo e no
espaço, um ser em crise, buscando desesperadamente um sentido para sua
existência.

Essa conjuntura mundial se reproduz na América Latina também, inviabilizando


projetos nacionais autônomos e, no Brasil, acentua o aumento da pobreza e da
histórica desigualdade social.

O Brasil real é assustador pelas suas contradições e pela insensibilidade da


burocracia do poder em não se deixar pautar pelas preocupações que dele
emergem.

Na agenda governamental, a preocupação se volta em manter as metas


econômicas estipuladas por políticas internacionais, garantindo assim, o respeito
internacional e uma suposta estabilidade inflacionaria.

O Brasil real continua mal, convivendo com "um governo que vai bem".

Fonte: http://www.webartigos.com/articles/21188/1/A-missao-da-educacao-e-a-educacao-como-missao-
autonomia-e-etica/pagina1.html#ixzz1F4AfeII5

Moçambique: um perfil
Teresa Maria da Cruz e Silva
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• Apresentação: o País
• Introdução
• 1. Estratégias de Desenvolvimento do país nos
campos político, económico e social

• 1.1. O legado colonial


• 1.2. Transição e consolidação da
independência nacional (1974-1977)
• 1.3. A construção do socialismo (1977-1983/4)

• 1.4. A abertura da economia e para uma


transição política (1984-1992)
• 1.5. Reconstruindo uma nova sociedade
(1992-1999)
• 2. Produção do conhecimento científico: as
ciências sociais

• Notas

• Bibliografia

Apresentação: o País
País: Moçambique situa-se na zona austral e na costa oriental de
África. Com uma supefície de 799.380 quilómetros quadrados,
faz fronteira a norte com a Tanzania, a ocidente com o Malawi,
Zambia, Zimbabwe e África do Sul, e a Sul com a Swazilandia e a
África do Sul. A sua faixa costeira, na zona este do território, é
banhada pelo oceano Indico, numa extensão de 2.515 quilómetros.
População: A população de Moçambique é estimada em 15.7
milhões de habitantes (censo 97), sendo 7.5 milhões de homens e
8.3 milhões de mulheres, com uma média de 20 habitantes por
quilómetro quadrado, onde a descrepância é extraordinariamente
variável. A situação geográfica e a história deste país, marcada por
vários processos migratórios, resultou num grupo populacional
heterogéneo com características multiculturais e multiétnicas.
Moçambique tem uma população predominantemente rural, com
uma percentagem de 23% dos seus habitantes em áreas urbanas.
Maputo, a capital (ex-Lourenço Marques), no sul do país, e a
cidade da Beira, no centro do país, têm os mais elevados índices de
concentração de população urbana, representando o imenso
mosaico cultural que é Moçambique. A língua oficial é o
português, embora declarado como língua materna de apenas 5%
da população, durante o censo de 1997. Das diversas línguas de
origem bantu faladas nos país, as que cobrem um índice mais
elevado de populações, enquanto língua materna são: emakua (1/3
da população); xisena,(1/4 da população); xitsonga (1/5 da
população) e xitswa (1/8 da população).
Saúde, Educação e economia: Depois da independência (1975), o
governo expandiu os cuidados primários de saúde às zonas rurais e
introduziu a educação nas componentes fundamentais dos
programas de desenvolvimento da sociedade. Entre 1975 e 1982
duplicou o número de ingressos nas escolas primárias e a taxa de
analfabetismo foi reduzida em 20%. A guerra destruíu uma parte
importante de infraestruturas económicas e sociais, tendo afectado
as comunicações dentro do país, o comércio rural, a saúde e a
educação. Está em processo, um programa para a reabilitação
dessas infraestruturas, com particular atenção para escolas, postos
de saúde e vias de comunicação mais importantes para garantir o
estabelecimento das ligações entre as diversas províncias e distritos.
Em 1997, a taxa bruta de natalidade era de 45.2 por mil habitantes e
a taxa bruta de mortalidade era de 18.6 por mil habitantes. A taxa
de mortalidade infantil era de 134 por mil nascidos vivos e a
esperança de vida à nascença era de 46 anos, sendo de 47.5 para a
mulher e 44.5 para os homens. No período de 1992-1997 a taxa
global de fecundidade era de 5.8 filhos por mulher (PNUD, 1998).
A economia moçambicana, basicamente agrícola (80%), assenta
em grande medida na produção familiar camponesa. A economia
socialista havia orientado os investimentos nesta área para as
grandes machambas estatais (farms) e a produção e organização dos
camponeses em aldeias comunais. A liberalização da economia e o
fim da guerra melhoraram a situação da produção alimentar mas
não resolveram os constrangimentos que impedem o crescimento e
expansão desta actividade, bem como do comércio rural. A
indústria manufactureira desenvolvida no país durante o sistema
colonial tinha um base frágil. A política socialista tinha como
objectivo fazer um investimento na indústria pesada. Com a guerra
e o processo de privatização, crescem as taxas de desemprego na
indústria manufactureira, em crise. Entre 1995 e 1997 verificou-se
um nítido crescimento do Produto Interno Bruto, o qual passou, de
1.3 em 1995, para 6.6 em 1996 e 14.1 em 1997 (PNUD, 1998).

INTRODUÇÃO
Moçambique tornou-se independente em 1975, depois de uma luta
armada de libertação nacional. A FRELIMO - Frente de Libertação
de Moçambique, que havia conduzido a luta durante 10 anos,
formou o primeiro governo, com um programa de trabalho
orientado para a construção de uma sociedade socialista.
Em 1976 surgiram os primeiros indícios de desestabilização em
Moçambique, cujo desenvolvimento atinge a forma de uma guerra
civil alargada a todo o país, sobretudo na década de 80, opondo o
governo e a RENAMO - Resistência Nacional de Moçambique. A
desestabilização provocada por estes conflitos internos é agravada
por agressões militares que a Rodésia faz a Moçambique, mais
tarde transferidas para o regime de apartheid da África do Sul.
Apenas em 1992, com a assinatura do ‘Acordo Geral de Paz’ entre
a FRELIMO e a RENAMO, cessam as hostilidades e inicia-se um
processo de paz e reconciliação.
A década de 80 marca a transição de uma economia centralmente
planificada para uma economia aberta, de mercado. Nos anos 90,
concretiza-se a transição política anteriormente iniciada, onde se
destaca a introdução de uma constituição pluralista e a emergência
de um processo de descentralização política e administrativa.
Com este perfil, pretendemos apresentar um resumo informativo
sobre a evolução dos acontecimentos políticos, económicos e
sociais em Moçambique, no período pós-independência, e os
desenvolvimentos no campo científico, particularmente nas
Ciências Sociais, que acompanharam estes processos.
O texto está organizado nos seguintes pontos: i) estratégias de
desenvolvimento do país nos campos político, económico e social,
ii) produção do conhecimento científico: as ciências sociais, e
contém ainda iii) uma lista de referências bibliográficas, sobretudo
de trabalhos publicados, mapas e quadros.

1-ESTRATÉGIAS DE DESENVOLVIMENTO DO PAÍS NOS


CAMPOS POLÍTICO, ECONÓMICO E SOCIAL

Existe hoje uma extensa bibliografia em Português e em Inglês (1)


sobre o assunto que estamos a tratar, utilizando periodizações
semelhantes, ou mais ou menos diferenciadas, o que reflecte
também diferentes orientações e interpretações dos impactos dos
diversos acontecimentos internos ou externos, sobre o
desenvolvimento do país. Com este conjunto de informações, cuja
análise resulta do trabalho sobre fontes secundárias e não sobre
dados empíricos provenientes do nosso trabalho de pesquisa,
pretendemos apenas trazer a vosso conhecimento alguns pontos que
consideramos importantes para contextualizar o desenvolvimento
da pesquisa em Moçambique, no âmbito do projecto ‘Reinventing
Social Emancipation: exploring the possibilities of counter-
hegemonic globalization’, do qual todos nós fazemos parte. Muito
embora o nosso enfoque se concentre num passado mais recente,
começaremos a nossa apresentação por introduzir o período
colonial, uma forma de introduzir os problemas de transição do
colonialismo para a independência.
1.1- O legado colonial
Entre a chegada do primeiro navegador português a Moçambique
(1498) e o controle efectivo do território e a instalação da
administração colonial, decorreu um processo difícil de dominação
das diversas organizações políticas africanas que detinham o poder
no território. A ocupação efectiva ocorreu em finais do século
passado, com a dominação do Estado de Gaza no sul do país,
embora apenas na década de 20, a administração colonial tenha
passado a assumir um real controle do território.
O desenvolvimento do colonialismo Português em Moçambique,
pode ser grosseiramente dividido em três períodos (2) :
i)1885-1926: com uma economia dominada por grandes plantações
exploradas por companhias majestásticas não portuguesas onde se
praticava a monocultura de produtos de exportação (sisal, açucar e
copra), no centro e norte do país, com base em mão de obra barata.
As companhias, por sua vez, também controlavam o mercado da
venda de força de trabalho para países como a Rodésia, Malawi
(Niassalândia), Tanganhica, Congo Belga e em alguns casos a
África do Sul (WUYTS, 1980:12-13). No sul, predominava a
exportação de mão de obra para alimentar o capital mineiro da
África do Sul. Os acordos assinados entre Portugal e a África do
Sul para a exportação da mão-de-obra, traziam rendimentos
específicos ao Estado colonial, quer através de impostos, quer da
utilização dos caminhos de ferro que ligavam o porto de Lourenço
Marques à África do Sul, quer ainda através da utilização do
próprio porto, para o trânsito de mercadorias;
ii)1926-1960: sob influência da construção do nacionalismo
económico, este período é marcado por uma intensificação do
trabalho forçado e integração crescente da economia de
Moçambique numa economia regional dominada pela África do
Sul. O princípio do trabalho forçado e da introdução de culturas
forçadas marcam este período, como uma forma de proteger a
burguesia portuguesa, incapaz de concorrer com o capital mineiro e
com as plantações, no acesso à mão de obra.
iii)1960-1973: As mudanças políticas mundiais e a crise do regime
de Salazar durante este período levaram a diversas reformas
políticas e económicas, que conduziram, entre outras medidas, à
abolição do trabalho e das culturas forçadas e ao traçar de novas
estatégias de desenvolvimento para as colónias. Algumas das
consequências das reformas políticas levaram à modernização do
capital, com a abertura da ecomonia ao investimento estrangeiro. É
neste período e neste contexto de modernização do capital que se
fazem investimentos na indústria manufactureira.
A economia colonial sobreviveu durante muitos anos na base de
uma dependência de dois sistemas, o trabalho migratório e o
trabalho e agricultura coercivos, mesmo depois da abolição formal
das culturas e do trabalho forçado. O colonialismo português
introduziu mecanismos impeditivos do crescimento de uma
burguesia negra, agrícola ou comercial. Assim, embora houvesse
uma diferenciação de classe e até mesmo alguns ‘koulaks’ e
pequenos comerciantes, o sistema de produção agrícola e industrial
manteve-se nas mãos da burguesia portuguesa (FIRST, R.,
MANGHEZI, A., et al ,1983; CEA,1998; WUYTS, M. & O’LAUGHLIN,
B.,1981).
Um olhar sobre a rede de estradas e caminhos de ferro de
Moçambique, no período colonial, facilmente nos ajudará a avaliar
a orientação destes para uma economia de serviços, que ligava os
países do ‘hinterland’ ao exterior, através dos portos
moçambicanos. Cerca de metade das divisas de Moçambique eram
geradas pelos serviços de transportes e portos para os países
vizinhos (3)
A reacção à dominação colonial havia sido marcada por vários tipos
de contestação, através da literatura, arte e greves de trabalhadores,
movimentos esses que assumiram aspectos mais radicais com o
desenvolvimento dos movimentos nacionalistas em finais da década
de 50 e inícios da década de 60. Nos anos 60, a FRELIMO, Frente
de Libertação de Moçambique, fundada no exílio, inicia a luta
armada de libertação nacional (1964), que só veio a culminar 10
anos depois.
No processo de luta, a FRELIMO criou as ‘zonas libertadas’, áreas
no interior do território moçambicano fora do controle da
administração portuguesa, funcionando como um ‘Estado dentro de
um Estado’, com um sistema próprio de administração. À medida
que a guerra avançava, as ‘zonas libertadas’ foram nascendo
sucessivamente nas províncias de Cabo Delgado, Niassa e Tete. A
sua forma de organização é uma ilustração dos esforços tentativos
feitos pela Frente de Libertação de Moçambique para criar uma
alternativa à sociedade colonial, com uma economia sem
‘exploração do homem pelo homem’, com formas colectivas de
produção e de comercialização e a implantação de bases
democráticas (ADAM, 1997: 4). Como diz Yussuf Adam, o modelo
idealizado pela FRELIMO, acabou por ser mais uma utopia do que
uma realidade, tendo porém, pelo menos até certo ponto, servido de
inspiração para traçar o modelo socialista de desenvolvimento
implantado em Moçambique depois da independência, onde se
pretendia negar quer os modelos de desenvolvimento coloniais,
quer os neo-coloniais.
1.2- Transição e consolidação da independência nacional (1974-
1977)
Com o cessar-fogo e a assinatura dos ‘Acordos de Lusaka’ em
Setembro de 1974, sucede-se a criação de um governo de transição,
composto por representantes da FRELIMO e do governo português,
cuja duração se estende até à independência nacional de
Moçambique, a 25 de Junho de 1975.
O hiato provocado pela saída massiva dos portugueses que haviam
preenchido a maior parte dos lugares do quadro da administração e
do aparelho económico, depois da proclamação da independência
nacional, teve que ser preenchido e assumido pela FRELIMO. As
mudanças operadas em Moçambique pelo sistema de administração
portuguesa em finais do período colonial, não foram
suficientemente abrangentes de molde a criarem uma élite negra
educada. Na altura da independência, Moçambique tinha uma
população com um percentagem de 90% de analfabetos, um
número reduzido de técnicos e pessoas com formação superior. No
geral, havia poucas pessoas preparadas para preencherem os lugares
abruptamente deixados pelos portugueses. É importante registar que
o êxodo de portugueses e de alguns indianos neste período entre a
transição e o pós-independência, foi acompanhado por uma
‘sabotagem’ da economia de Moçambique, que pode ser
caracterizada pelo esvaziamento das contas bancárias, fraudes na
importação de mercadorias e exportações ilegais de bens (carros,
tractores, maquinaria,etc). Na mesma altura, empresas e bancos
portugueses procederam ao repatriamento do activo e dos saldos
existentes, criando assim um rombo na economia de Moçambique
Logo após os primeiros anos de independência, a África do Sul
iniciou um processo de repatriamento de trabalhadores
moçambicanos com contratos nas minas, e o fluxo de recrutamento
de trabalhadores sofreu uma redução nos anos seguintes (de 120
000 para 40 000 num só ano) (HERMELE, 1998). Este processo foi
acompanhado por um redireccionamento da utilização dos serviços
dos portos e caminhos de ferro de Lourenço Marques, pela África
do Sul (recorde-se que por altura da independência nacional, mais
de 90% dos serviços prestados pelos portos e caminhos de ferro de
Moçambique eram direccionados para os países vizinhos). Em
1976,Moçambique adere às sanções das Nações Unidas contra a
Rodésia (Zimbabwe) e encerra as suas fronteiras com este país.
Recorde-se que a Rodésia era uma importante fonte de captação de
divisas para Moçambique, não só através da utilização do porto e
dos caminhos de ferro da Beira, para o transporte de mercadorias de
trânsito, mas também através do consumo de derivados do petróleo
provenientes da refinaria em Maputo, para suprir os problemas de
uma economia embargada. O encerramento das fonteiras com a
Rodésia, para além das consequências económicas mencionadas,
trouxe também um processo de desestabilização a Moçambique
(HANLON, 1997), como será referido mais à frente. Com uma
economia largamente dependente dos serviços prestados aos países
vizinhos, e na sequência do novo tipo de relações agora existentes
com a Rodésia e a África do Sul, Moçambique viu assim
drasticamente diminuída a entrada de divisas para o país.
As calamidades naturais que afectaram o país entre 1977 e 1978, os
efeitos da depressão sobre a economia moçambicana,de base
agrícola, agravados pelos aspectos acima mencionados, levaram o
país a um declínio económico em espiral .
O novo governo independente, deveria não só organizar o
funcionamento da administração mas também garantir a produção e
os mecanismos necessários para manter uma economia
operacional.Utilizando a sua experiência das zonas libertadas e
guiada por um programa de transformação socialista, a FRELIMO
traçou as suas estratégias para mudar a estrutura económica e social
do país. As mudanças radicais preconizadas pelo novo governo
passavam necessariamente pelo exercício de um controle estatal nas
zonas rurais e por uma política de intervenção nos sectores
económicos e sociais.
Duas das grandes áreas de investimento na área social, foram a
saúde e a educação. Na educação, tentando contrariar as políticas
coloniais, criam-se condições para a entrada massiva de crianças
nas escolas primárias, e priorizaram-se estratégias para diminuir
rapidamente os índices de analfabetismo e promover a educação de
adultos. Na área da saúde, criaram-se programas de saúde rural,
tentando assim estender a rede sanitária a todo o país e
previlegiando a medicina preventiva. Uma leitura pelos dados
estatísticos sobre as áreas sociais, mostra-nos que em 7 anos o
número de ingressos nas escolas primárias duplicou e que no
mesmo período, quadriplicou o número de postos sanitários. No
seu processo de intervenção, com vista à massificação dos serviços
sociais, o Estado procede à nacionalização da saúde, da
educação, da habitação e dos serviços de advocacia privada
(1975), e mais tarde a outras intervenções no campo económico.
A estratégia económica preconizada pela FRELIMO assentava na
transformação social baseada na modernização do campo através da
criação de aldeias comunais com facilidade de acesso a
infraestuturas sociais como a saúde e educação, aumento da
produditividade através de um programa de introdução de uma
agricultura mecanizada nas machambas estatatais, uma tentativa
para inverter o processo de exploração colonial dos camponeses, e
onde o Estado passava a fazer a acumulação. Caberia também às
machambas estatais o fornecimento de alimentos às zonas urbanas,
antes abastecidas pelos farmeiros portugueses. Esta estratégia foi
aprovada pelo 3o. Congresso da FRELIMO, realizado em Maputo,
em Fevereiro de 1977, e era conhecida como a ‘estratégia de
socialização do campo’. Neste Congresso, a FRELIMO também
declarou a sua passagem de Frente para um ‘Partido de Vanguarda
Marxista-Leninista’, com a missão de liderar, organizar, orientar e
educar as massas, visando destruir as bases do capitalismo e
construir uma sociedade socialista.
As estratégias introduzidas pela FRELIMO depois da
independência para manter a produção e a economia em
andamento, não conseguiram superar de imediato a crise económica
que afectava o país:
‘Entre 1974 e 1976, a produção de colheitas para exportação
diminuíu em 40%, o milho cultivado pelos camponeses em 20%, a
mandioca em 61% e a produção agrícola dos colonos (produtos
hortícolas e alimentares para abastecimento das cidades) em
50%. No mesmo período, a produção industrial baixou em 36%’
(NEWITT, 1997: 473; WUYTS, 1985: 186).
Os mesmos factores contribuíram ainda para a criação de dívidas de
importação. Assim, os trabalhadores desempregados do sector
agrícola e das minas sulafricanas iniciaram um processo de
migração para as cidades. Numa tentativa de controle da crise, o
governo criou a Comissão Nacional de Abastecimentos. Nesse
processo, foi introduzido um sistema de controle de preços e um
cartão de racionamento, o ‘cartão de abastecimento’, por cada
agregado familiar.
‘A estratégia de desenvolvimento permitiu um total monopólio
pelo poder do estado, e a sua hegemonia sobre todas as forças
económicas e políticas’ (ADAM, 1997: 5-6).

1.3- A construção do socialismo (1977-1983/4)


Com a criação do Partido Marxista-Leninista, em 1977, criaram-se
também os ‘movimentos democráticos de massas’ para enquadrar
os trabalhadores, as mulheres, a juventude, organizações criadas ‘de
cima para baixo’ sob a tutela e orientação do Partido. Durante este
período, Moçambique estabelece relações com os países do Leste
europeu, de quem recebe inicialmente uma ajuda no campo militar.
Recorde-se que os primeiros indícios de conflitos armados haviam
surgido em 1976.
A adesão de Moçambique ao processo de sanções contra a Rodésia
e o encerramento das fronteiras entre os dois países, abriu o
caminho para uma história de hostilidades que havia de durar até
aos anos 90. O apoio dado por Moçambique aos guerrilheiros e
refugiados zimbabweanos, agravou ainda mais as relações entre os
dois países. As incursões militares perpetradas pelo regime de Ian
Smith ao interior de Moçambique, foram agravados pelo apoio
dado à criação e desenvolvimento de um movimento de oposição à
FRELIMO, a RENAMO. Com a independência do Zimbabwe, em
1980, a base de apoio deste movimento foi transferida para a África
do Sul, que por sua vez também realizou incursões militares ao
interior de Moçambique e criou um clima permanente de
instabilidade. A África do Sul tinha como objectivos retaliar a
FRELIMO pelo apoio dado ao ANC (Congresso Nacional
Africano), através da destruição das infraestruturas e da sua
economia, por forma a obrigar a FRELIMO a sentar-se a uma mesa
de negociações. Com o apoio militar sulafricano, a RENAMO
aumentou o seu exército, de menos de 1000 efectivos em 1980, para
8000 efectivos em 1982 (Human Rights Watch, 1994: 8). Com zonas de
combate em Manica e Sofala, rapidamente as suas operações
militares se expandiram por todo o país. Em 1982, a guerra tinha-se
alastrado às províncias do sul, Gaza e Inhambane, e à Zambézia.
Como diz Hanlon (1997), desde os anos 60, quando a FRELIMO
iniciou a guerra, pairava sobre ela a nuvem da guerra fria, com os
Estados Unidos e a NATO ao lado de Portugal, o que levou este
movimento a aliar-se à União Soviética e à China. Nos anos 70, o
abrandamento da guerra fria trouxe novas esperanças à África
Austral, e o debate sobre a Nova Ordem Internacional havia mesmo
criado ao ‘terceiro mundo’ a esperança de acesso ao ‘financiamento
internacional para os seus programas de modernização’(4) . Em
Moçambique, o novo governo tentava introduzir uma política de
desenvolvimento socialista. Depois da independência do Zimbabwe
em 1980, os regimes de maioria formaram a SADCC (hoje SADC),
Conferência para
a Coordenação do Desenvolvimento da África Austral. Logo a
seguir, com Reagan nos Estados Unidos e Tacher na Grã-Bretanha,
há um ‘volt-face’, e a guerra fria explode de novo, com
consequências no Afeganistão, Camboja, El Salvador, Angola e
Moçambique (NEWITT, 1997). O governo de Moçambique foi
rotulado como comunista, e entrou na ‘lista negra’ dos Estados
Unidos da América, que em consequência disso apoiou
indirectamente e encorajou a guerra de desestabilização contra
Moçambique, através da África do Sul. A guerra que durou até aos
anos 90 teve prejuízos inestimáveis (HANLON, 1997: 14.):
• a guerra atingiu principalmente as zonas
rurais, onde foram destruídas escolas e
hospitais, raptados alunos e professores,
destruídas infraestruturas económicas, como
pontes, estradas, cantinas e tractores;
• das 5886 escolas do ensino primário do
primeiro grau, 3498 (60%) foram encerradas
ou destruídas; na Zambézia, só 12%
continuaram a funcionar até ao fim da guerra;
• do número de postos de saúde de nível
primário, que entre 1975 e 1985, havia
passado de 326 para 1195, cerca de 500
foram encerrados ou destruídos pela
RENAMO;
• mais de 3000 cantinas rurais foram
encerradas ou destruídas;
• estima-se que cerca de 1 milhão de pessoas
tenha morrido, 1,7 millhões se tenha
refugiado nos países vizinhos e pelo menos 3
milhões estivessem deslocadas das suas
zonas de origem;
A componente externa de apoio a esta guerra, se bem que não possa
ser ignorada, reflecte apenas uma parte das razões que levaram à
sua manutenção. É também necessário tomar em linha de conta os
problemas internos do país e as políticas e estratégias utilizadas
pela FRELIMO como resposta à crise existente, que marcaram um
distanciamento entre o governo e a população, criando um
descontentamento que ajudou a alimentar o conflito armado.
A reestruturação radical da economia, através do modelo de
economia centralmente planificada pelo Estado, estava longe de
solucionar os problemas advenientes da tentativa de suprir a crise
económica resultante da destruição da economia colonial (5) e
mostrou ser a menos adequada para a solução dos problemas
económicos e sociais existentes no país. As medidas económicas
preconizadas pelo Estado, tinham marginalizado os camponeses
familiares a favor do desenvolvimento de uma agricultura
mecanizada, destruindo assim o sistema que havia garantido a
maior parte da produção para consumo interno e uma parte da
produção para exportação deste país. Era pois necessário repensar a
estratégia e avaliar o papel a desempenhar pelo Estado na gestão da
economia (ADAM, 1997: 6-7).
A guerra, a seca e as calamidades naturais alargaram o âmbito das
pressões internas para alteração das políticas da FRELIMO. A
situação económica e social sofriam uma degradação crescentes.
Em algumas províncias era já visível o espectro da fome e era
necessário mobilizar recursos para o pagamento da dívida externa
(6) . As medidas de emergência para tentar suster a economia não
poderiam ser permanentes. Era difícil manter os níveis de emprego
na indústria com baixos níveis de rendimento ou subsidiar a
improdutividade das machambas estatais e manter também os
subsídios para a alimentação das populações urbanas ou para as
áreas sociais como a saúde, a habitação e a educação, que acabaram
por conduzir a uma deterioração destes serviços. Entrara-se já numa
fase de ruptura do mercado, com uma hegemonia do mercado negro
e uma consequente baixa cambial. Nos princípios da década de
80, a situação económica do país transportava já sinais
alarmantes:
i. crescimento do nível de importações sem que
houvesse disponibilidade de divisas;
ii. os subsídios estatais à educação, saúde e despesas
correntes do sector estatal incluindo as empresas
estatais levaram a um déficit no orçamento do
Estado. Isto resultou no endividamento público
interno e externo;
iii. depois de 1984, Moçambique entra na fase da crise
da dívida e perde a credibilidade ‘creditícia’ junto
dos mercados internacionais (PNUD, 1998: 51).
O decréscimo dos níveis de produção não podia de modo algum
compatibilizar-se com o nível de crescimento das populações, pelo
que foi necessário fazer uma contracção dos consumos, com
impactos na redução da produção do bem-estar das populações e a
consequente deterioração dos seus níveis de vida. A estratégia
socialista apresentava sinais evidentes de desmoronamento. Em
contrapartida, as conversações para adesão ao Banco Mundial (BM)
e ao Fundo Monetário Internacional (FMI) avançavam
progressivamente no cenário sócio-económico local , o que veio a
resultar no lançamento das reformas económicas. Em meados da
década de 80, são visíveis os esforços da FRELIMO no campo
político e económico, para alterar as consequências negativas
resultantes da estratégia de desenvolvimento utilizada
anteriormente.
1.4 A abertura da economia e para uma transição política (1984-
1992)
As pressões políticas no campo interno e externo e a necessidade de
receber ajuda alimentar para superar a crise económica e as
consequências da guerra e das calamidades naturais levaram a
FRELIMO a redifinir a sua política externa: i) em 1982 o governo
‘começou a cortejar os Estados Unidos e a fazer a sua "viragem
para o Ocidente" (HANLON, 1997: 15); ii) em 1984, assinou o
‘Acordo de Nkomati’ com a África do Sul, uma tentativa de cortar
os apoios da África do Sul à RENAMO. Com este acordo, criaram-
se também alguns espaços para negociações sobre a mão de obra
moçambicana, e sobre o fornecimento da energia eléctrica de
Cabora-Bassa para a África do Sul.
Depois de uma fase de economia centralmente planificada, em 1985
dão-se os primeiros passos para a sua liberalização, o que leva a
uma transição. Visando reverter as tendências negativas do
crescimento económico através de um reajustamento estrutural, em
1987 é introduzido o Programa de Reabilitaçao Económica (PRE) e
em 1990 o Programa de Reabilitação Económica e Social (PRES).
O programa de ajustamento estrutural, é um pacote que envolve o
livre comércio, a desregulamentação e a privatização. O governo
liberalizou os preços, praticamente terminou a sua gestão do
mercado, cortou o seu orçamento nos sectores sociais, e introduziu
mudanças nas políticas da saúde e da educação, onde foi
estabelecido um sistema que atribui acesso com base no
rendimento. As reformas económicas introduzidas em
Moçambique, nas duas últimas décadas levaram a uma revitalização
da economia, o que não pode ser mecanicamente traduzido por uma
redução da pobreza. ‘A pobreza, entendida como ausência das
condições para uma vida longa, instrução e um padrão de vida
aceitável, afecta a maioria esmagadora da população de
Moçambique’ (PNUD, 1996: 81). Organizações como o Banco
Mundial e o Fundo Monetário Internacional classificaram este país
na posição dos mais pobres do mundo.

1.5- Reconstruindo uma nova sociedade (1992-1999)


Em 1990 a FRELIMO introduziu uma nova constituição que
permitia eleições multipartidárias, a liberdade de imprensa e o
direito à greve. Desde 1987 que se faziam esforços para estabelecer
conversações entre a FRELIMO e a RENAMO. Em Julho de 1990
o governo e a RENAMO deram início às conversações em Roma e
em Outubro de 1992, também em Roma, Joaquim Chissano e
Afonso Dlakama assinaram o Acordo de Paz. O processo de cessar
fogo, a desmobilização e o repatriamento decorreram sem
incidentes de maior, e em Outubro de 1994, realizavam-se as
primeiras eleições multiparditárias (presidenciais) em Moçambique.
Em 1998 realizaram-se as primeiras eleições para os órgãos locais,
estando também em preparação as segundas eleições presidenciais,
calendarizadas para 1999.
O processo de transição política já embrionário na década de 80,
tem a sua concretização nos anos 90. As crises económicas
sucessivas e os processos de transição que marcaram Moçambique
entre 1974/75 e 1999 têm custos sociais, que se reflectem na
qualidade de vida das populações. A necessidade de contrair os
níveis de consumo para os adaptar à realidade económica do país e
a incapacidade e impossibilidade do Estado para prover o bem estar
social impede que se crie um sistema para a minimização dos
efeitos sociais negativos das reformas económicas, elevando os
níveis de pobreza e o crescimento da exclusão, da reivindicação e
da violência.
2- PRODUÇÃO DE CONHECIMENTO CIENTÍFICO: AS
CIÊNCIAS SOCIAIS
A produção científica na área das Ciências Sociais tem um papel
fulcral a desempenhar no diagnóstico e interpretação dos diversos
processos sociais. No entanto, ela não deixa de estar permeável ao
meio ambiente em que se insere, ficando assim exposta a
manipulações que podem servir os interesses dos poderes políticos.
Com um enfoque no período pós-independência, na nossa breve
análise tentaremos ilustrar essa interpenetração entre produção
científica e o meio em que os seus produtores se inserem.
Nas colónias portuguesas, o desenvolvimento das Ciências Sociais,
moldado para legitimar o sistema político vigente, transformara o
Estado colonial no sujeito da história e as populações africanas no
seu objecto. Em Moçambique, a maior parte dos estudos produzidos
durante este período, consistiam em descrições etnográficas,
estatísticas, estudos sobre questões da diplomacia portuguesa,
monografias, leis e instituições coloniais, visando legitimar e dar
visibilidade à presença portuguesa em Moçambique. O sistema de
educação fora estruturado para reforçar a ideologia do regime, e os
paliativos introduzidos com as reformas tentavam contornar a
possibilidade de produzir uma élite educada que viesse a constituir
uma oposição política e um grupo forte de intelectuais.
Os estudos universitários foram apenas introduzidos nos anos 60,
com a criação de uma escola superior. Os cursos de Ciências
Sociais e Humanas, estavam restringidos apenas a algumas
disciplinas, onde não havia lugar para estudos relativos à
Sociologia, à Antropologia e às Ciências Políticas. A táctica de
‘dividir para reinar’ que tão bem caracterizou vários processos de
colonização no mundo, foi também aplicada pelo governo colonial
no direccionamento da produção intelectual em Ciências Sociais,
como o atestam as formas como o regime manipulou a produção
científica nos campos da História e da Antropologia.
A independência de Moçambique, em 1975, trouxe consigo novos
desafios nos campos político, social e económico, e a necessidade
de reconstruir e dar uma nova direcção à produção científica na área
das Ciências Sociais. Apesar do reduzido número de pessoas com
formação superior existente nessa época, uma jovem geração de
intelectuais moçambicanos estabeleceu a ruptura com os moldes de
produção científica vigentes, e trouxe uma nova abordagem à
produção científica e consequentemente aos programas e métodos
de ensino neste mesmo campo. Neste processo, jogou um papel
vital o Centro de Estudos Africanos da Universidade Eduardo
Mondlane, particularmente no domínio da pesquisa, onde as
práticas de campo e a necessidade de combinar o trabalho empírico
e o teórico foram valorizadas, e a Faculdade de Letras da mesma
universidade, que através de debates, reformas curriculares e
produção científica, trouxe também novas contribuições. Mesmo
assim, era ainda muito fraca a quantidade de cientistas sociais e a
produção científica estava ainda muito longe de responder às
necessidades reais de então.
O impacto do capitalismo colonial e a sua relação com a economia
sulafricana e o paradigma dos movimentos de libertação
dominaram as temáticas da maior parte das pesquisas realizadas
durante este período (JOSÉ, 1989), uma ilustração dos esforços feitos
na época para a ‘recuperação’ da história de Moçambique e da
interpretação dos diversos processos de luta que haviam ocorrido,
envoltos em novas análises.
Do período da produção socialista à economia de mercado e ao
processo de paz e reconstrução, a produção em Ciências Sociais no
período pós-independência em Moçambique, mostra-nos uma
marcada influência dos diversos desafios, processos de transição e
reformas que num período tão curto abrangeram Moçambique.
Assim, o processo relativo à implantação de uma economia e uma
sociedade socialista, o impacto da guerra, o processo de paz e a
construção de uma sociedade democrática, marcam a produção
científica em Moçambique. Não se pode de modo algum ignorar o
contexto regional, onde a dominação económica sulafricana, o
regime do apartheid e a nova África Austral pós-apartheid fazem
também parte dos interesses dos cientistas sociais deste período.
No processo das transições políticas porque Moçambique passou
desde a independência, diferentes disciplinas e áreas de trabalho
foram recuperadas, de acordo com necessidades específicas,
justificações sociais e jogos e interesses do poder. A título de
exemplo poderemos mencionar o caso da Antropologia, que foi
severamente rejeitada por alguns intelectuais, logo após a
independência nacional, pela sua relação com a legitimação do
poder colonial, e a produção paternalística sobre a história dos
povos africanos, seus ‘usos e costumes’, que agora está num
processo de ‘recuperação’ e num nítido processo de manipulação
pelo poder para justificar a necessidade política de ‘reafricanização’
e da integração das ‘autoridades tradicionais’ e ‘poder tradicional’
em Moçambique. Mais recentemente, passaram também a
desempenhar um papel de destaque os estudos sobre religião e
sociedade e sobre mulher e género, que em muitos casos são
também utilizados para servir os interesses das classes no poder e
também para atrair doadores. Muitos outros exemplos poderiam
ainda ser aqui apresentados para ilustrar a influência e o impacto
que os desenvolvimentos políticos sociais e económicos podem ter
na produção científica. A falta de recursos financeiros, a
dependência em relação aos doadores e a ‘burocratização’ da
investigação, gerida de uma forma administrativa e onde a
consultoria e pesquisa muitas vezes não se destrinçam (REIS, 1997),
fazem também parte dos nós de estrangulamento para uma efectiva
produção científica.
A necessidade de alargar o âmbito de pesquisa levou à criação, nas
duas últmas décadas, de vários centros de investigação
multidisciplinares especializados, como são os casos do Centro de
Estudos Estratégicos do Instituto Superior de Relações
Internacionais, o Centro de Estudos de População e o Núcleo de
Estudos da Terra, ambos na Faculdade de Letras da Universidade
Eduardo Mondlane. Fora das instituições de ensino superior, é
importante mencionar o caso do ARPAC-Arquivo do Património
Cultural, ligado ao Ministério da Cultura, que reunindo um corpo
de investigadores, entre antropólogos, sociólogos, historiadores e
musicólogos, faz um trabalho de levantamento e análise na área de
Ciências Sociais, e promove novas publicações.
Depois da independência nacional, Moçambique tinha apenas uma
Universidade. Hoje, tem uma universidade pública e dois institutos
superiores, para a formação de pessoal docente e na área de
relações internacionais, contando ainda com 3 escolas superiores
privadas, onde se leccionam alguns cursos de formação na área de
Ciências Sociais. Depois do encerramento dos cursos de Letras
(História, Geografia e Linguística) e de Ciências da Educação, em
1979 (por um período de quase cinco anos), e mais tarde o curso de
Direito, por razões que se prendem com as estratégias políticas da
época, em finais da década de 80 e inícios da década de 90, cria-se
uma nova abertura para o repensar da importância das Ciências
Sociais no país. Abre-se a formação em Ciências Sociais, com a
UFICS-Unidade de Formação e Investigação em Ciências Sociais,
com ramificações para a Sociologia, Antropologia e Administração
Pública. É importante referir o facto das instituições do ensino
superior terem iniciado, também nas duas últimas décadas um
grande investimento na formação do seu corpo docente e os
esforços que se realizam para promover práticas de investigação.
No campo das publicações está talvez uma das maiores
fragilidades, uma vez que as nacionais não são difundidas, e vivem
permanentemente entre a falta de fundos, de pessoal qualificado
para realizar a gestão da sua produção, e muitas vezes até de um
desinteresse da parte de investigadores moçambicanos em publicar
em revistas moçambicanas. Assim, é por vezes mais fácil encontrar
artigos e até livros sobre Moçambique e elaborados por autores
moçambicanos em revistas e editoras no estrangeiro do que no país.
Devemos no entanto destacar duas revistas, que apesar de
enfrentarem algumas dificuldades vão conseguindo manter um
perfil de qualidade e reconhecimento internacional: i) Arquivo uma
revista de História e Ciências Sociais, editada pelo Arquivo
Histórico de Moçambique, e ii) Estudos Moçambicanos, uma
revista de Ciências Sociais, editada pelo Centro de Estudos
Africanos, ambas da Universidade Eduardo Mondlane.

NOTAS

(1) Veja alguns exemplos na bibiografia anexa a este texto.


(2) Baseado no trabalho de Marc Wuyts: ‘Economia política do
colonialismo em Moçambique’, Estudos Moçambicanos (1), 1980,
pp.9-22.
(3) Por alturas da independência nacional (1975), cerca de 90%
dos serviços prestados pelos portos de Moçambique, eram dirigidos
aos países vizinhos. Veja: HERMELE, K, 1988)
(4) ABRAHAMSSON & NILSSON, citados por HANLON
(1997), p.11.
(5) Em 1974, a economia já tinha sido afectada pelo aumento do
preço do petróleo e outros bens manufacturados, a níve mundial.
(6) 1982 foi o último ano em que Moçambique esteve capaz de
pagar a dívida. ADAM, Y (1997), p.8.

BIBLIOGRAFIA
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• SOGGE, David (1997), ed. Moçambique:
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• WUYTS, Marc (1980) ‘Economia Política do
Colonialismo’.Estudos Moçambicanos (1). pp. 9-22.
• WUYTS, Marc & O’LAUGHLIN, Bridget (1981)’A
questão agrária em Moçambique’ Estudos
Moçambicanos (3), pp.9-32
• WUYTS, Marc (1985) ‘Money, Planning and Rural
transformation in Mozambique’. Journal of
Development Studies(22), pp.180-207.
• WUYTS, Marc (1989) Money and Planning for
Socialist Transition. Gower, Aldershot.
• ZACARIAS, Agostinho(1991)Repensando sobre
Moçambique e África Austral. Maputo: Instituto
Superior de Relações Internacionais.
Confira as opções disponíveis no fim de cada página!

Logística/Gestão do
aprovisionamento/Funções do
aprovisionamento
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Gestão do Gestão de fornecedores


<< Introdução
aprovisionamento >>

Índice
[esconder]
• 1 Funções do aprovisionamento
○ 1.1 A importância do aprovisionamento
○ 1.2 O aprovisionamento na actualidade
○ 1.3 Tarefas do aprovisionamento

[editar] Funções do aprovisionamento


[editar] A importância do aprovisionamento
Em norma, as empresas negligenciam os custos do aprovisionamento devido à sua
complexidade. Todos os processos inerentes a uma empresa como o marketing, produção e
vendas são aspectos que exigem muita atenção e tiram ênfase ao aprovisionamento. Isto é de
certa forma errado visto que os serviços e os materiais comprados representam 25 a 40 porcento
do valor de venda do produto final. Uma área de custos tão grande não pode ser assim
negligenciada.(Riggs, Robbins, 1997, p. 8)

Nos anos 30, o departamento de teoria laborais de Adam Smith criou uma maneira de organizar
trabalho por funções para aumentar a eficiência dos operários. Esta organização criou o
departamento da procura que foi concebido para aumentar a eficiência de uma empresa em 3
áreas:
• Compra de materiais e serviços;
• Eficiência dos operários por tarefa;
• Beneficiar de compras em larga escala.(Riggs, Robbins, 1997, p. 9)
O departamento do aprovisionamento teria uma equipa de pessoas para realizar as tarefas de
compra como:
• Produzir ordens de compra;
• Planear e receber materiais;
• Seleccionar fornecedores;
• Negociação de termos;
• Pagamento de contas;
• Desenvolvimento de contractos. (Riggs, Robbins, 1997, p. 10)
Este método funcionou bem até aos anos 70, mas nesta década surgiu o conceito do indivíduo e o
poder das equipas. Estes dois novos conceitos organizacionais mudaram a organização de vários
aspectos na empresa como a contabilidade, serviços de informação e o próprio
aprovisionamento. Estes novos conceitos nas antigas estruturas desequilibrou as organizações.
(Riggs, Robbins, 1997, p. 9-10)

À medida que os indivíduos começaram a especificar mais e mais fornecedores, os


departamentos responsáveis pela compra ficaram com a responsabilidade primária de processar
ordens. Toda a atenção estava agora centrada em satisfazer as necessidades do indivíduo ou da
equipa e perdeu-se foco em aspectos do aprovisionamento como a selecção de fornecedores,
processo de compra e decisão de compra. Resumindo, a compra deixou de ser um acto
administrativo favorável em demasiados negócios. Como resultado, grande parte dos negócios
enfrentavam agora uma nova serie de problemas:
• A proliferação de fornecedores;
• Uma explosão de compras de baixo custo, resultando pouco tempo para
estratégicas oportunidades de compra do lado dos fornecedores;
• Diversidade de fornecedores do mesmo produto com as mesmas
características;
• A compra passou a ser um simples negócio transaccional sem qualquer
gestão.(Riggs, Robbins, 1997, p. 11-12)

Estes problemas resultaram em custos adicionais ocultos. As milhares de compras a baixo custo,
exigidas pelos indivíduos ou equipas, representavam no total entre 40 a 60% do valor das
vendas. Estes custos ocultos e indirectos dariam azo a:
• Custos não competitivos para estas despesas;
• Altos custos de transacção;
• Negligência em tarefas administrativas como recepção de bens e auditorias.
(Riggs, Robbins, 1997, p. 12)

O problema com tudo isto é a maximização do valor do dinheiro gasto em compras que foi
esquecido. Na situação actual, onde todas as empresas procuram a maior redução de custos
possível, o departamento de aprovisionamento não pode ser esquecido. O Aprovisionamento tem
simples conceitos e ferramentas para reavaliar o comportamento de uma empresa na altura das
compras. (Riggs, Robbins, 1997, p. 13)

[editar] O aprovisionamento na actualidade


Visto a necessidade emergente de evoluir o departamento do aprovisionamento, as empresas
começaram a procurar hipóteses e opções para melhorar o desempenho do aprovisionamento. A
gestão do aprovisionamento ganhou uma nova denominação:
• Gestão do aprovisionamento - metodologia usada para examinar todas as
facetas da compra e do uso dos materiais e serviços comprados. Processo
designado para maximizar o valor do dinheiro investido em materiais e
serviços comprados. É um processo que visa criar estratégias para gerir a
procura e o uso dos materiais e serviços. (Riggs, Robbins, 1997, p. 49)

São vários os aspectos que podem ser melhorados no aprovisionamento:


• O tempo de ciclo para compras;
• O tempo de ciclo para implementação de melhorias;
• Pessoal fora do departamento que realiza funções indirectas relacionadas
com a compra;
• Pouca dedicação à procura de boas localizações para melhoria do
fornecimento;
• Falta de foco na inovação;
• Falta de preocupação em encontrar fornecedores chave para satisfazer
clientes chave de modo a descobrir bons negócios. (Riggs, Robbins, 1997, p.
14)

Na actualidade, os mercados estão em constante mudança. Os preços variam diariamente e, para


todos os negócios, é necessário a empresa conseguir manter-se competitiva para conseguir
manter, ou até mesmo, atingir o sucesso. É então essencial ter em conta o tempo quando
estudamos o aprovisionamento de uma empresa. O tempo de implementação de novas estruturas,
a inovação e a melhoria têm de ser rápidas. Já há muito tempo que o aprovisionamento deixou de
ser apenas uma compra de um material e tentar pagar a dívida. Agora é uma questão de descobrir
como é que os fornecedores nos conseguem inserir mais rapidamente no mercado e como é que a
empresa consegue melhorar quando aí chegarmos. (Riggs, Robbins, 1997, p. 33-35)

É importante a criação de pontes entre os fornecedores e os clientes. A ausência desta ponte inibe
a possibilidade de o cliente melhorar a eficácia do seu negócio. Um bom cliente com um bom
negócio é fundamental para qualquer empresa.

Compradores tradicionais Gestores de aprovisionamento

• Capacidade de satisfazer • Procura de um fornecedor mais competitivo


especificações • Descobrir as melhores práticas para o uso
do material
• Preços • Gerir a relação com o fornecedor
• Entrega • Procura das melhores experiências e
• Termos de Contrato aprendizagens por parte do cliente
• Análise de custos do fornecedor

Tabela 1: Problemas relacionados com a compra. (Riggs, Robbins, 1997, p. 41)

Cada aprovisionamento e serviço requerem uma estratégia bem definida para a sua compra e uso.
O novo papel do gestor do aprovisionamento é aceder ao mercado através de uma rede de bons
fornecedores que:
• Satisfaçam todos os requisitos e benefícios;
• Tenham a melhor tecnologia, as melhores pratica e os melhores processos;
• Tenham as melhores estruturas de custos;
• Estejam actualizados com o mercado.
(Riggs, Robbins, 1997, p. 50)

O gestor do aprovisionamento e o fornecedor criam uma estratégia para implementar um melhor


sistema de entrega que inclua as melhores práticas para o uso e todos os processos de suporte e
transacções. O aprovisionamento gere todas as compras e serviços para reduzir custos e foca os
fornecedores em melhorarias na qualidade, consistência e uso. (Riggs, Robbins, 1997, p. 50-52)
[editar] Tarefas do aprovisionamento
O aprovisionamento tem com principal propósito optimizar o valor final de um produto para o
cliente. A gestão do aprovisionamento tem como objectivo:
• Identificar os melhores fornecedores;
• Analisar todas as indústrias relacionadas e as relações custo/uso;
• Revelar o custo da compra, recibo, inventário e pagamento;
• Determinar o impacto na utilidade e tempo gasto de operários;
• Relacionar o valor dos materiais e serviços com as necessidades e uso do
cliente.
(Riggs, Robbins, 1997, p. 53-54)

A eficácia do aprovisionamento é medido em várias dimensões e não apenas no custo do


material ou da aquisição. Entra em conta:
• O custo total, incluindo o custo da unidade, do inventario, descontos e
impostos;
• Custos de utilização, gastos e qualidade;
• Custos do processo de compra;
• Tempo de ciclo entre o fornecedor e o cliente.
(Riggs, Robbins, 1997, p. 54-55)
Processo de melhoria Processo de
Processo de Procura
contínua inovação

• Anãlise da
• Análise do satisfação dos
mercado/indústri requisitos
Conceito • Mapeamento da
a
s chave cadeia de preços • Criação de
• Modelos de novas solucões
• Benchamrking
custos do
fornecedor • Inovação em
base do tempo

• Optimização do uso
Efeitos • Fornecedores • Preparação para
e do custo do
competitivos inovação
material/serviço

• Consolidação • Redução de custos • Aumento da


Benefíci com o fornecedor receita
• Redução do tempo
os
• Redução de usado pelos • Melhoria de
custos operários custos

Tabela 2: Processos base da gestão do aprovisionamento (Riggs, Robbins, 1997, p. 56)

A incerteza existente no meio industrial torna as decisões de aprovisionamento cada vez mais
importantes, em particular para as matérias primas e componentes mais complexas e estratégicas.
Os efeitos da decisão de compra a longo prazo são também um factor preocupante, perigoso e
importante. O aprovisionamento de matéria prima ou componentes é caracterizado por:
• Incerteza no fornecimento;
• Dependência de fontes de "commodities" no estrangeiro;
• Tempos de entrega longos e variáveis;
• Falta de fontes de energia, ou aumentos no seu preço;
• Regulamentação governamental;
• Aumento da competição em termos globais.
(Arantes, 2005)

Este ambiente em mudança contínua torna necessário que o aprovisionamento seja mais efectivo
na sua tarefa de pesquisa no mercado de abastecimento. As condições existentes no mercado de
abastecimento, como os preços, as condições de pagamento, os tempos de entrega e a
disponibilidade, devem ser transmitidas às outras áreas da organização. Esta informação é vital
para a formulação de decisões estratégicas e de decisões operacionais. (Arantes, 2005)

Matérias primas e componentes críticas devem ser identificadas, e planos de contingência devem
ser elaborados para garantir a produção continua e a qualidade.O planeamento estratégico do
Aprovisionamento passa então por:
• Identificação do aprovisionamento crítico - componentes com tecnologia
proprietária, limitações de capacidade do fornecedor, existência de poucos
fornecedores, disponibilidade de MP ao nível do fornecedor, componentes de
elevado valor-incorporado, etc.;
• Aferição do risco - verificar a probabilidade de ocorrência do cenário mais
pessimista e do mais optimista, e verificar o desempenho da organização
nesses cenários;
• Desenvolvimento e implementação de uma estratégia - de modo a garantir
que o abastecimento se dê sem interrupções e de uma forma que minimize o
custo total, satisfazendo as necessidades determinadas.
(Arantes, 2005)
O departamento de aprovisionamento não acrescenta valor ao produto final. É um custo
necessário, pelo que deve este ser minimizado num perspectiva de custo total. OS custos que
podem ser reduzidos são:
• Custos administrativos;
• Preço de aquisição;
• Custos de posse de existências;
• Balanceamento de volumes;
• Estabelecimento de relações a longo prazo com fornecedores.
(Arantes, 2005)

Gestão do
<< Gestão do Gestão do
aprovisionamento/Gestã
aprovisionamento aprovisionamento
o de fornecedores >>

Gestão do
Gestão do Gestão de
aprovisionament
aprovisionamento fornecedores
o
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%C3%A3o_do_aprovisionamento/Fun%C3%A7%C3%B5es_do_aprovisionamento"

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1. Generalidades sobre a Função Aprovisionamento;
2. Organização da Função Aprovisionamento;
3. Fontes de Abastecimento;
4. Negociação;
5. Gestão do Armazém. Dimensionamento;
6. Manuseio e Acondicionamento;
7. Introdução à Gestão de Stocks;
8. Quantidade Económica de Encomenda;
9. Número Económico de Encomendas por Ano;
10. Principais Sistemas de Gestão de Stocks;
11. Stock de Segurança. Critérios Especiais de Cálculo.
1. Generalidades sobre a Função Aprovisionamento;
1. Definição, âmbito e competências da Função Aprovisionamento/Compras;
2. Objectivos do Aprovisionamento;
3. Responsabilidades da Função.
Definição de Aprovisionamento:
pode definir-se como a função responsável pela aquisição de
Aprovisionamento organizado

equipamento, mercadorias e serviços requeridos para cada operação de produção;


Por stock, entende-se a existência de qualquer artigo ou recurso usado numa organização.
A necessidade de detenção de stocks decorre, fundamentalmente, da dificuldade de sincronizar de
forma perfeita a procura e oferta de bens e serviços. Mais concretamente, as razões que
conduzem à criação de stocks são:
Prover a procura do consumidor; Permitir flexibilidade na programação da produção;
Comprar de forma mais económica e; Proporcionar uma salvaguarda para
incumprimentos.
O objectivo da gestão de stocks é o de maximizar o seu serviço ao consumidor, minimizando-se o
custo de detenção.
Âmbito do Aprovisionamento:
A definição anterior comprende como “compradores” organizados, aqueles que procedem
à aquisição de bens e serviços destinados à produção, estabelecendo-se assim a distinção
entre compras de uma organização e compras de um indivíduo ou família.
Dentre os compradores, cuja classificação difere de autor para autor, podem tipificar-se
os industriais, institucionais e intermédios. Seja qual for a classificação, verifica-se que as
organizações que desempenhem funções semelhantes, têm idênticos comportamentos em
relação às compras.
Competências da Função Aprovisionamento/Compras:
Assegurar o cumprimento dos objectivos de aprovisionamentos abarcando, de acordo
com o grau de independência do departamento, funções que vão desde a validação e
verificação do planeamento estratégico ao tratamento administrativo das operações de
compra e controlo de existências, passando pelos processos de negociação, levantamento
e classificação de fornecedores.
A definição clássica dos objectivos do aprovisionamento, que se traduz na “obtenção de materiais de
qualidade certa na quantidade certa, na fonte certa, para serem entregues no sítio certo à
hora certa” demonstra que os objectivos dos aprovisionamentos são fundamentalmente
três:
 Segurança nos aprovisionamentos;
 Melhoria da relação qualidade/preço dos produtos;
 Optimização do nível de stocks.

A obtenção de todos os “certos” contidos na definição anterior pode revelar-se de


difícil exequibilidade. Por exemplo, o preço certo (mais baixo) pode não ser o da
fonte certa (prazo e qualidade). Deve ser, por isso, assegurada uma solução de
compromisso entre os objectivos parcelares enunciados.
A extensão de responsabilidades da Função Aprovisionamentos estará dependente do tipo de
organização em que se envolve. O âmbito de responsabilidades pode ser melhor
apreendido através da síntese evolutiva da Função na Organizações.
Modelo Clássico: Neste tipo de organização, a função é designada por “Serviço
de Compras”, sendo eminentemente administrativa. O seu papel consiste na
transformação de pedidos de compra em encomendas, procurando satisfazer essa
necessidade ao mais baixo custo. Por vezes, caso as fontes de fornecimento
estejam já identificadas pelos técnicos que requisitam os bens ou serviços, a
função não difere da de um comum serviço administrativo.
A Função passa a integrar funções prospectivas e não de mero
Função Aprovisionamentos:

acompanhamento de compras, passando de uma actuação clara de curto prazo


para uma actuação de médio e longo prazos. A função intensifica-se, estando ao
nível de qualquer departamento funcional da organização, através de:
 Pesquisa e selecção sistemáticas de fornecedores;
 Autonomia para encomendar quantidades diferentes das
necessidades expressas;
 Participação na concepção de produtos e definição dos processos
de produção;
 Participação na definição da política geral da empresa.
A função Aprovisionamentos evoluiu ainda para aquilo a que se denomina “gestão
dos fluxos físicos”. Esta gestão permite retirar a actuação passiva da Função (soberania

da produção) integrando-a com a produção e coordenando-a com um conjunto de


actividades, resultando daí melhores e mais planificadas decisões de
aprovisionamento. A função passou então a integrar as seguintes
responsabilidades:
 Gestão das compras
 Controlo da Produção (planificação geral da produção);
 Concepção e gestão de sistemas de stocks a todos os níveis do
processo de uma forma coordenada (matérias,produtos em curso e
acabados);
 Armazenamento e gestão física dos stocks;
 Transporte, recepção e expedição;
 Liquidação de excedentes (matérias e produtos).
Organização da Função Aprovisionamento
1. Posicionamento na estrutura da empresa;
2. Centralização versus descentralização;
3. Relacionamento com as restantes funções da empresa;
4. Descrição das funções típicas de um serviço de compras;
5. Bases de funcionamento do serviço de compras;
6. Regulamento Interno de Compras.
O posicionamento do aprovisionamento na estrutura da empresa, depende das responsabilidades que estejam
acometidas à função:
• Função superior ou de direcção (quadros superiores);
• Função administrativa intermédia (quadros intermédios);
• Procedimento de rotina no escritório (administrativos).
Em função do importância e peso do aprovisionamento, a organização interna do departamento
poderá obrigar à criação de sub-divisões, sendo os seguintes os critérios mais comuns para a sua
constituição:
Por produtos; por estádio de produção; por localização de unidades de produção ou por cliente.

No caso de empresas com várias unidades de produção, coloca-se frequentemente a questão de


centralizar ou descentralizar a organização de compras . Vários argumentos existem a favor de cada uma das opções.
Argumentos a favor da centralização:
Definição qualitativa das necessidades: a centralização traz standardização e redução de
nomenclaturas e referências, com inevitáveis ganhos na gestão de stocks. Por outro lado, a
concentração induz aumento das quantidades aprovisionadas e consequente aumento do poder
negocial.
• Definição quantitativa das necessidades: a concentração leva a um “somatório” de
quantidades a adquirir com reflexos nos descontos por quantidade e exigência de
qualidade perante os fornecedores;
• Política de fornecedores: a concentração permite, sem comprometimentos de
curto prazo, a instauração de uma política de fornecedores, com vista à sua
selecção através de melhores critérios e processos. Para além disso, permite
melhorar as normas de qualidade e controlo;
• Gestão de stocks: a centralização não só permite redução de custos de gestão
como a diminuição do stock de segurança;
• Política de compra: a centralização elimina a utilização heterogénea de
metodologias de compra e facilita a avaliação dos métodos de trabalho do
departamento;
• Profissionalização da compra: redução de pessoal que, contudo, deverá ser
altamente especializado;
• Reconhecimento das compras: a centralização permite a valorização da função, a
concretizar-se no organograma da empresa.
Passados em revista alguns argumentos a favor da centralização, coloca-se a questão de saber
quais os factores que favorecem a tomada de decisão de centralizar a organização das compras (quando centralizar):

• Semelhança de produtos utilizados: as unidades de negócio consomem produtos


da mesma categoria;
• Dimensão das unidades de negócio: reduzida dimensão dessas unidades, sem
massa crítica para a organização de compras individual;
• Proximidade geográfica: a proximidade geográfica das unidades de negócio
favorece o processo de centralização.
Argumentos a favor da descentralização:
Proximidade da necessidade : a descentralização pode ser defendida nos casos de compras específicas e não
repetitivas, onde a participação dos técnicos na especificação, acompanhamento da compra e
necessidades pós-venda assumam papel importante. Ainda pode ser invocado este argumento no
caso de unidades de actuação regional;
Programação de entregas: a descentralização pode facilitar a organização do processo de recepção e

verificação da conformidade das compras de acordo com as necessidades estipuladas;


Necessidades limitadas ou únicas: as compras esporádicas ou de utilização única, ou que correspondam a

pequenas quantidades, não justificam o recurso a um serviço de compras centralizado;


Compras como centro de resultados: se as unidades geográficamente dispersas forem consideradas como

centros de resultados autónomos, então deverão dominar todo o processo que concorra para a
formação daquele resultado, designadamente as compras. Poder-se-á admitir soluções híbridas
em que o serviço central de compras sirva apenas de “advisor” do serviço local.
Diferentes formas de centralização:
Central de referenciamento: não existe propriamente uma estrutura central, mas apenas um referência aos
fornecedores que ofereçam garantias de cumprimento;
Convenções obrigatórias: convenções e contratos de compra assinados com fornecedores, o que obriga à

compra por parte das unidades descentralizadas. Esta solução implica já a criação de uma
estrtura central;
Central de compras no sentido estrito: criação de uma unidade central com responsabilidade de escolha de

fornecedores, negociação e elaboração dos contratos. As encomendas podem ser centralizadas,


assim como a liquidação das compras, mas a central nunca está na posse das existências;
Central de compras com armazenamento: a central de compras controla também o armazenamento com redução

dos custos com stock de segurança e custos de transporte.


O aprovisionamento está directamente ligado ao planeamento e à produção, mas tem fortes interacções com as áreas comercial e
financeira.
Interacção com a produção: elaboração dos planos de compra, calendarização de entregas, gestão dos
stocks de materiais necessários à produção (e de resíduos e materiais obsoletos), controlo de
qualidade, aprovação de amostras e protótipos, selecção das fontes de fornecimento, alargamento
do número de fornecedores;
Interacção com o planeamento: preparação das especificações dos bens a adquirir, informação sobre

disponibilidade de referências ou materiais, avaliação de alternativas de menor custo;


Interacção com a área comercial: validação das vendas previsionais, garantia da manutenção de preços

competitivos (via compras), comprometimento perante as datas de entrega ao cliente;


Interacção com a área financeira: preparação do orçamento, informação sobre custos padrão, validação das

facturas e acordo para pagamento, avaliação das existências finais, discussão das condições de
pagamento.
Descrição das funções típicas de um serviço de compras
Na área de planeamento:

• Preparação dos orçamentos de material;


• Pesquisa e aperfeiçoamento de produtos;
• Análise de engenharia e de valor;
• Normalização das especificações.
Na área de aquisição:

• Determinação das quantidades de encomenda;


• Processamento das requisições;
• Emissão de inquéritos;
• Avaliação de cotações;
• Apreciação de fornecedores;
• Negociações;
• Elaboração de contratos;
• Acompanhamento das entregas;
• Verificação da facturação;
• Certificação de pagamentos;
• Classificação de fornecedores.
Na área de armazenagem:

• Localização dos abastecimentos;


• Instalações e equipamento;
• Manuseamento mecânico;
• Classificação de produtos em armazém;
• Codificação e catalogação;
• Recepção e inspecção de compras;
• Informação à produção;
• Registos de stock;
• Colocação de resíduos e material obsoleto.
Na área de controlo de produção:

• Elaboração de sequências e prazos de execução;


• Decisão sobre a oportunidade de compra e produção;
• Recolha de informação sobre qualidade e fiabilidade;
• Adequação do fluxo de abastecimentos à produção ou tendências de vendas.
Na área de distribuição:

• Armazenagem;
• Embalagem;
• Transporte externo.
Bases de funcionamento do serviço de compras

Dependendo da dimensão e desenvolvimento do serviço de compras, o conteúdo funcional


anteriormente descrito deverá traduzir-se numa base de funcionamento enformada pela definição
de políticas, procedimentos e regulamentos:
• Políticas: afirmação dos objectivos e responsabilidade da função e sua
consubstanciação prática;
• Procedimentos: sequência de acções a implementar;
• Regulamentos: regras pormenorizadas sobre o funcionamento do departamento e
conduta do pessoal.
Regulamento Interno de Compras

A tradução para manual ou regulamento das acções a desempenhar pelo departamento possui as
vantagens de:
• Obrigar a precisar e esclarecer todos os detalhes das operações;
• Conduzir à reflexão e melhoria dos procedimentos e políticas do
departamento;
• Formar o pessoal;
• Constituir auxiliar da auditoria interna.
Por sua vez, os manuais ou regulamentos apresentam como desvantagens:
• O custo de elaboração e eventual aumento de burocracia;
• A necessidade de actualização permanente mediante alterações de
políticas e procedimentos.
3. Fontes de Abastecimento
1. Pesquisa das fontes de aprovisionamento;
2. Classificação de fornecedores;
3. Avaliação e selecção de fornecedores.
A escolha e avaliação das fontes de abastecimento definem-se como o conjunto de
procedimentos e processos, através dos quais se estuda e avalia os fornecedores, de forma a
determinar quais os que melhor correspondem às necessidades de compra.
A pesquisa de fornecedores pode ser mais ou menos extensa, dependendo de:
• características dos aprovisionamentos, como sejam, a primeira compra, compra
repetida ou compra modificada (alteração das especificações);
• grau de satisfação do cliente, o que leva a uma postura mais ou menos proactiva
na pesquisa e selecção de fornecedores;
• constrangimentos de tempo que conduzam ao recurso a fornecedores habituais vs.
processo de pesquisa;
• motivações de ordem pessoal dos responsáveis pelo processo.
Classificação, avaliação e selecção de fornecedores

A classificação de fornecedores pode ser efectuada por critérios de localização, dimensão ou


características específicas (produtor, grossista ou retalhista);
A avaliação dos fornecedores consiste na sua hierarquização no que respeita aos critérios
fundamentais exigidos pela empresa, designadamente: preço, qualidade e entrega. Esta avaliação
fornece ao comprador informações objectivas com vista à selecção da fonte de
aprovisionamento.
A avaliação pode ser feita através de uma pontuação subjectiva (a evitar na medida em que
conduz a erros de apreciação) ou pontuação objectiva.
No que respeita à pontuação quantitativa, podem ser utilizados métodos como:
• Check list com factores ponderados pelo comprador;
• Utilização de números-índice (ex. rejeição de materiais, pontualidade, ou
outros), o que permite aferir a evolução do fornecedor.
A fase de selecção de fornecedores, resulta da avaliação, mas deverá sempre atender a factores
adicionais (políticos), tais como a conveniência de fornecimentos simples ou múltiplos, sinergias
da relação com o fornecedor, fornecedor pequeno/grande – locais/globais e progresso e
desenvolvimento dos fornecedores.
Uma das questões centrais na selecção consiste na eleição de um número de fornecedores
considerado ideal. A resposta à pergunta “quantos fornecedores” depende da ponderação dos
seguintes factores:
• Efeitos no custo total de aquisição – A opção por vários fornecedores em
concorrência pode baixar o preço do produto, mas aumentar outros custos
da compra, diminuindo também a capacidade de negociação por
quantidade;
• Efeito na segurança de fornecimentos.

O recurso a um fornecedor único é inevitável nos casos em que:


• O produto está patenteado ou incorpora tecnologia complexa;
• As quantidades exigidas são reduzidas;
• A reputação do fornecedor ou a exigência do cliente assim o impõem.
4. Negociação
1. O que se negoceia;
2. Como se negoceia;
3. Curvas de aprendizagem.
Por negociação entende-se qualquer forma de comunicação através da qual os
participantes procuram explorar as sua forças relativas com vista a atingir fins
específicos.
Na área de aprovisionamentos o “que se negoceia” não é mais do que um conjunto de
tópicos relacionados com a compra:
• Modificação do preço;
• Processo de fixação dos preços;
• Descontos (quantidade, revenda ou financeiros);
• Condições de pagamento;
• Custos e condições de transporte;
• Alteração de datas ou de especificações;
• Acondicionamento, embalagem e distribuição;
• Fornecimento de amostras;
• Indemnizações, etc.
Como se negoceia

A negociação compreende, geralmente, três fases: pré-negociação, negociação propriamente dita


e pós-negociação.
A pré-negociação compreende todas as acções preliminares à negociação propriamente dita,
designadamente:
• Determinação de quem vai negociar;
• Local da negociação (se aplicável);
• Recolha de informações;
• Fixação de objectivos;
• Alinhamento de táticas e estratégias.
Para a negociação propriamente dita, algumas técnicas podem ser utilizadas, tais como:
• Colocação de assuntos mais controversos no final da agenda, após obtenção de acordo em
matérias mais consensuais;
• Utilização da informação a disponibilizar como meio de pressão sobre a parte contrária;
• Flexibilidade para efectuar concessões, mas sempre de forma a que se ”sacrifique um
dedo para se conseguir um braço”.
A curva de aprendizagem ilustra o fenómeno da redução de horas de produção acumuladas à medida que
aumenta o número de unidades produzidas (redução da hora de trabalho por unidade produzida).
A utilização das curvas de aprendizagem no processo de negociação pode ser importante (prazos
de entrega e custo global de encomendas), sendo de evitar nos seguintes casos:
• Sempre que a aprendizagem não for constante;
• Sempre que a relação custo/volume não se afigure significativa face ao custo de análise
da curva de aprendizagem.
Introdução à gestão de stocks

1. Conceito e funções desempenhados pelos stocks;


2. O peso dos stocks na gestão financeira da empresa;
3. Diferentes custos implicados na gestão dos stocks;
4. Stock activo;
5. Stock de segurança;
6. Método de análise ABC.
Conceito e funções desempenhados pelos stocks

Por stock, relembra-se, entende-se a existência de qualquer artigo ou recurso usado numa
organização.
Conforme já referido, a necessidade de detenção de stocks, tende a: prover a procura do
consumidor; permitir flexibilidade na programação da produção; comprar de forma mais
económica e; proporcionar uma salvaguarda para incumprimentos.
Se quisermos, as funções principais dos stocks podem ser reescritas da forma que se segue:
• Função de regulação (funcionamento regular das diferentes etapas da produção ou
cadeias de abastecimento e da actividade sazonal);
• Função económica (compra superior às necessidades no sentido de diminuir o custo
inerente à gestão dos stocks);
• Função de antecipação (criação de stocks de matérias-primas, mercadorias e produtos por
antecipação às vendas);
• Função de segurança (criação de um nível de existências de reserva face a contingências
– stock de segurança).
O peso dos stocks na gestão financeira da empresa

• A detenção de stocks afecta (aumenta) directamente as necessidades em fundo de maneio


da empresa;
• Por outro lado, a obsolescência dos stocks traduz-se num custo directo para a empresa;
• As condições de compra, designadamente no que respeita a prazos de pagamento e
descontos financeiros obtidos, influenciam directamente o fundo de maneio e resultados
financeiros da empresa;
• A gestão de aprovisionamentos deve, por isso, assegurar um correcto nível de
aprovisionamento (investimento em capital circulante) e garantir as melhores condições
de aquisição na perspectiva da gestão financeira.
Diferentes custos implicados na gestão dos stocks

Custo de aquisição (purchase cost).


• Este custo inclui o preço unitário dos bens adquiridos, aos quais se adiciona os
custos de transporte;
• No caso de produção interna, inclui o custo de produção interna (custos directos
de mão-de-obra e materiais, aos quais acrescem os custos indirectos de produção);
• Note-se que este custo deve também incluir os descontos unitários obtidos pelo
aprovisionamento.
Custo de manutenção ou custo de posse (holding cost ou carrying cost).

Este integra todos os custos que se associam à manutenção e movimentação das existências em
armazém e incluem:
• Custo do capital;
• Custo de armazenamento físico;
• Custo de seguro;
• Custo manuseio e distribuição;
• Custo de obsolescência;
• Custo de funcionamento (outros).
Custo de efectivação e recepção de encomendas (order/setup cost).
Este integra todos os custos que se associam à emissão de uma encomenda (order) ou aos custos
de ajustamento da produção (setup).
Custo de ruptura (stockout cost).
Inclui as consequências económicas e financeiras de uma ruptura interna ou externa de
existências ou produtos:
• Reposição (backorder);
• Perdas actuais;
• Perdas potenciais.
Por stock activo (working stock) entende-se o nível de existências que se espera utilizar num
determinado período de tempo;
Por stock de segurança (safety stock ou buffer stock) entende-se o nível extraordinário de existências
que se constitui para fazer face a situações inesperadas, das quais se destacam a flutação da
procura e o tempo de entrega.

A análise ABC, também conhecida como Lei de Pareto ou 20 X 80, consiste em segmentar os
produtos ou referências em três grupos aplicando os seguinte critérios:
Categoria A: 15 a 20% que representam 75% a 80% do valor dos stocks;
Categoria B: 20 a 25% que representam 10% a 15% do valor dos stocks;
Categoria C: 60 a 65% que representam 5% a 10% do valor dos stocks.
Vários critérios podem ser utilizados na análise ABC: o consumo, a rotação e o stock médio.
A análise ABC, permite implementar políticas diferenciadas a nível de fornecedores, clientes e
stocks, e facilita o agrupamento das encomendas.
1. Modelos de gestão de stocks: introdução

1. Procura dependente vs. procura independente;


2. Procura contínua vs. procura discreta;
3. Modelos determinísticos vs. modelos probabilísticos;
4. Modelos de quantidade fixa (fixed order size systems) vs. modelos de intervalo
fixo (fixed order interval systems).
Quando se fala em procura independente, assume-se que a procura de um determinado item não está
relacionada com a dos restantes items. É o caso da generalidade dos produtos finais;
Por outro lado, fala-se de procura dependente quando a procura de um item se relaciona com outros ou
resulta de um nível superior. Nesta classificação integram-se as matérias-primas, matérias
subsidiárias e componentes.
Quando se fala em procura contínua entende-se que esta se manifesta a uma taxa constante durante um
determinado horizonte temporal;
Por outro lado, a procura discreta ocorre em intervalos ou pontos discretos. Este comportamento pode
ocorrer em situações de procura dependente ou independente.
Os modelos determinísticos assumem como pressuposto o conhecimento da procura e do tempo de
entrega (lead time) tratando-os como constantes. Com base neste pressuposto a sua aplicação
adequa-se fundamentalmente a situações de procura independente;
Os modelos probabilísticos incluem a incerteza e risco quer na previsão da procura quer no tempo de
entrega, tratando esta variáveis como aleatórias.
Nos modelos de quantidade fixa, existe uma revisão sistemática dos níveis de stock – inventário permanente
-, sendo colocada sempre a mesma quantidade de encomenda quando se atinge um determinado
nível de stock;
Nos modelos de intervalo fixo, também chamados de sistemas de inventário periódico, são determinados os
pontos no tempo em que se deverá realizar a encomenda, sendo a quantidade função do consumo
entretanto verificado.
XIX – Modelos de gestão de stocks: procura independente
1. Modelos determinísticos
1.1. Procura contínua
1.1.1. Modelos de quantidade fixa
EOQ (Economic Order Quantity)
1.1.2. Modelos de intervalo fixo
EOI (Economic Order Interval - item único)
EOI (Economic Order Interval - items múltiplos)
1.2. Procura discreta
1.2.1. Lot-for-Lot
1.2.2. POQ (Periodic Order Quantity)
1.2.3. Algorítmo de Wagner-Whitin
1.2.4. Algorítmo de Silver Meal
2. Modelos probabilísticos
2.1. Stock de segurança
2.1.1. Procura variável e tempo de entrega constante
2.1.2. Procura constante e tempo de entrega variável
2.1.3. Procura e tempo de entrega variáveis
Modelos determinísticos, de procura contínua e quantidade fixa

Os principais problemas que se levantam na colocação de encomendas são os de saber quanto e quando
comprar. No caso de se assumir uma procura determinística, poderão ser utilizadas encomendas de

dimensão fixa, onde se revê o nível de stock após cada transacção que, chegando a um
determinado ponto no tempo, obriga a nova encomenda de dimensão predeterminada.
Portanto, os parâmetros que definem o modelo são:
• ponto de reabastecimento ou de encomenda (B - reorder point)
• dimensão (quantidade) da encomenda (Q – lot size) .
O funcionamento deste sistema de encomenda de dimensão fixa ou pré-determinada, é
descrito na seguinte figura:

Modelo EOQ

é conhecido por Quantidade Económica de


O lote a encomendar que permite minimizar os custos totais com stocks

Encomenda (Economic Order Quantity). O funcionamento deste modelo clássico consta na


figura seguinte.
O custo total dos stocks é dado pela função:
CT (Q) = PR + CR/Q + HQ/2, onde
R é a procura anual em unidades;
P é o custo unitário do item;
C é o custo de efectivação por encomenda;
H = PF é o custo de posse anual por unidade;
Q é a dimensão da encomenda;
F é custo de posse unitário anual expresso em %.
A minimização desta função conduz-nos à solução:
Q* = 2CR/H = 2CR/PF

exemplo:
Uma empresa compra 8.000 unidades dos artigo X, a 10 € a unidade. O custo de efectivação é de 30 €
por encomenda, e o custo de posse por unidade é de 3 € por ano. Qual é a quantidade económica de encomenda e o custo
total?

Q* = 2CR/H = (2 x 30 x 8000) / 3 = 400 unidades


CT = PR + HQ* = 10€ x 8000 + 3€ x 400 = 81.200 €
Adicionalmente podemos determinar:
Nº de encomendas num ano (m)
m = R/Q* = HR/2C
Intervalo entre encomendas (T)
T = 1/m = Q*/R = 2C/HR
Ponto de encomenda (B)
B = RL / 12 (se L expresso em meses)
B = RL / 52 (se L expresso em semanas)
Sendo L o tempo de entrega expresso em meses ou semanas
No caso vertente teremos m = 20 ordens/ano, T = 0,05 (podendo ser convertido em dias, semanas
ou meses) e, admitindo L = 2 semanas, B = 307,7 unidades.
críticas ao modelo:

O modelo EOQ clássico é bastante limitativo em termos de aplicação prática, uma vez que se
baseia nos seguintes pressupostos:
• A procura é conhecida, constante e contínua;
• O tempo de entrega (lead time) é constante e conhecido;
• O lote encomendado é imediatamente somado ao stock existente;
• Não são permitidas rupturas (backorders);
• Os custos de estrutura são fixos (setup, holding e unit cost) independentemente da
quantidade encomendada;
• O espaço físico de armazenagem é ilimitado;
• O modelo só admite um único item (não pode haver ordens conjuntas).
Apesar das limitações apresentadas, alguns refinamentos podem ser introduzidos ao modelo. Em
primeiro lugar pode ser admitida a possibilidade de ocorrência de rupturas (backorders), ou seja, de procura
que poderá ser satisfeita mais tarde do que o momento em que se verifique.
Se não houvesse custo com rupturas, não havia razão para constituir stocks; se as rupturas
fossem demasiado onerosas, nunca deveriam ocorrer. Os custos geralmente associados às
rupturas são os que resultam do tratamento e manuseamento extraordinários e necessidade de
tempos de entrega mais curtos.
Admitamos então a possibilidade de ocorrência de rupturas no modelo, com o pressuposto de
que não se verificam perdas de vendas por esse efeito.
O modelo terá o mesmo funcionamento em termos de mecanismo de encomenda com as
seguintes excepções:
• Existe uma quantidade máxima de ruptura (J), sendo o inventário máximo Q-J.
• O custo de posse verifica-se no período t1 e o custo de ruptura no período t2.

O custo total dos stocks é dado pela função:


CT (Q,J) = PR + CR/Q + [H(Q-J)2]/2Q + (KJ2)/2Q, onde
R é a procura anual em unidades;
P é o custo unitário do item;
C é o custo de efectivação por encomenda;
H = PF é o custo de posse anual por unidade;
Q é a dimensão da encomenda;
F é custo de posse unitário anual expresso em %;
J é quantidade máxima de ruptura em unidades;
K é o custo unitário anual de ruptura.
A minimização desta função resulta nas seguintes soluções:
Dimensão da encomenda
Q* = 2CR/H x (H+K)/K
Quantidade máxima de rupturas
J* = HQ*/(H+K)
Stock máximo
Q*-J* = KQ*/(H+K)
Ponto de encomenda (tempo de entrega – rupturas)
B = (RL/N) – J*, em que:
N é o número de dias/semanas/meses de trabalho no ano;
L é o tempo de entrega em dias/semanas/meses.
Tempo máximo de entrega ao cliente = J*/R
Exercício:
Considere o exemplo já referido aquando da abordagem do modelo original. Suponha que
passam a ser admitidas rupturas e que o custo anual por unidade com rupturas é de 1 €.
a) Qual o impacto na quantidade de encomenda e no ponto de encomenda?
b) Qual é o número máximo de unidades passíves de ruptura e qual o tempo máximo de entrega
ao cliente?
e) O que acontece ao número de encomendas por ano e intervalo entre encomendas?
d) Qual o custo total?
Solução do exercício; (valores do modelo original):
Q* = 800 unidades; (400)
J* = 600 unidades; (n.a.)
B = -292 unidades; (307,7)
TC(Q*,J*) = 80.600 €; (81.200 €)
Tmp. máx. entrega cliente = 0,075 anos ou 3,9 sem.; (0)
m = 10; (20)
T = 0,1 (convertido em dias, semanas ou meses); (0,05)
Nota: o custo total pode também ser determinado pela seguinte expressão: CT = PR + KJ*.
Uma outra alteração passível de ser introduzida ao modelo EOQ, consiste na prática de descontos de
quantidade.

O desconto de quantidade permite a redução de custo via preço de aquisição, a redução do custo
de efectivação por unidade (maiores quantidades), mas induz maiores custos de posse.
Os descontos podem ser globais – aplicados uniformemente sobre as quantidades encomendadas,
ou incrementais – aplicados por escalões.
Em qualquer dos casos existem sempre (um ou vários dependendo do tipo de desconto) limites mínimos de quantidades
a partir dos quais vigora o desconto (ou descontos).
A curva de custo total é descontínua. Cada um dos segmentos da curva tem um mínimo que pode
ou não ser válido (admissível), o que obriga à utilização do seguinte método:

exercício:
Uma empresa compra 8.000 unidades por ano do produto X. O fornecedor vende essas unidades
a 10 € por unidade para encomendas até 500 unidades, e a 9 € por unidade para encomendas
superiores. Qual a quantidade económica de encomenda se o custo de efectivação por
encomenda for de 30 € e o custo de posse anual for de 30% do custo de aquisição por unidade?
Resolução do exercício:
Em primeiro lugar, deverá ser determinada a solução com o preço mais baixo (9 €). O modelo indica que a solução é
Q*9€ = 422 unidades. Esta solução não é admissível.
O passo seguinte consiste em efectuar o cálculo para o preço imediatamente a seguir (10 €). A solução é Q*10€ =
400 unidades. Esta é uma solução admissível.
Por último, determina-se o CT para a solução admissível (encomenda de 400 unidades) e para a quantidade de
alteração de preço superior (500 unidades):
CT (400) = 81.200 € e CT (500) = 73.155 €
A solução final, após comparação dos CT’s, consiste em encomendar 500 unidades.
Existem outras alterações ao modelo EOQ com vista a ultrapassar as limitações impostas pelos pressupostos
utilizados. Passam-se a listar as mais significativas:
• Introdução de rupturas
• Introdução de descontos globais
• Introdução de descontos incrementais
• Preços especiais de venda (ex. saldos)
• Aumento de preços anunciados pelo fornecedor
• Acréscimo da encomenda aos stocks em diferentes momentos do tempo:
• Neste caso específico utiliza-se o modelo EPQ (Economic Production
Quantity) que permite trabalhar com ordens de um item ou ordens
múltiplas.
Modelos determinísticos, de procura contínua e intervalo fixo

Uma outra alternativa de resolução do problema quanto e quando encomendar neste tipo de modelos
determinísticos, consiste em colocar ordens em iguais intervalos de tempo, sendo a quantidade encomendada
resultante da procura entretanto verificada entre esses intervalos.
O problema consiste em determinar um volume máximo de stock (E) que, após a passagem de
um determinado período de tempo (T), deve ser reavaliado. Nova encomenda deve ser colocada
para restabelecer o stock no nível E. Como se assume que o modelo é de procura determinística e
contínua, a quantidade de encomenda também se mantém constante (e apenas por esta razão).
As duas variáveis a considerar são, por isso, o intervalo fixo de encomenda (T – fixed review period) e o nível máximo de
stock (E – maximum inventory level).

O funcionamento deste sistema de encomenda de intervalo fixo, é descrito na seguinte figura:

Modelo EOI (item único)

CT(T) = PR + mC + PFR/2m = PR + C/T + PFRT/2 = PR + HRT* onde:


m = 1/T = número de ordens ou revisões do stock anuais;
R/2m = RT/2 = stock médio em unidades;
T = 1/m = intervalo de encomendas em anos.
A minimização desta função resulta nas seguintes soluções:
T* = 2C/PFR
m* = 1/T* = PFR/2C
Q* = RT* = 2CR/H
E = nível máximo de stock, quando T e L estão expressos em anos = RT + RL = R(T+L)
Exercício:
Uma empresa compra 8.000 unidades dos artigo X, a 10 € a unidade. O custo de efectivação é de
30 € por encomenda, e o custo de posse por unidade é de 3 € por ano. Qual é o intervalo
económico de encomenda, o nível máximo de stock e o custo total, sabendo-se que o tempo de
entrega é de 10 dias e a empresa opera 250 dias por ano?
T* = 2C/HR = 2 X 30 / ( 3 X 8000) = 0,05 anos = 12,5 dias
E = [R( T + L)] / N = [8000 X (12,5 + 10)] / 250 = 720 unidades
CT(T*) = PR + HRT* = 10 X 8000 + 3 X 8000 X 0,05 = 81,200

Modelo EOI (items múltiplos)

No retalho ou venda por grosso geralmente não é colocada a encomenda de um item


isoladamente. Para além da redução dos custos logísticos, este método permite uma
monitorização menos frequente do nível de stocks.
Na preparação de ordens de encomenda conjuntas, a quantidade encomendada de um item
depende do intervalo de tempo entre ordens.
O problema consiste em determinar o intervalo de tempo (T) que minimize o custos com os
stocks no seu conjunto. Um vez determinado T, o nível máximo de stock para cada item (Ei)
pode ser calculado. As quantidades a encomendar corresponderão à diferença entre esse nível
máximo e a posição do stock em cada data de encomenda.
Tal como o EOQ, o modelo de intervalo fixo enferma de algumas limitações:
• Procura, tempo de entrega, preço unitário, custos de efectivação e posse são
constantes;
• Não são admitidas rupturas;
• A encomenda é recebida de uma só vez.
No entanto, tanto os modelos de ordem fixa como os modelos de intervalo fixo podem constituir
uma excelente aproximação ao problema de minimização dos custos de stocks se as
condicionantes reais não violarem gravemente os pressupostos inerentes aos modelos teóricos
abordados.
Modelos determinísticos, de procura discreta

Mesmo que se admita que a procura é conhecida, e por isso determinística, a sua verificação
pode ocorrer em momentos distintos no tempo (intervalos ou pontos discretos).
Quando a procura varia ao longo do horizonte temporal, vários factores devem ser considerados
na determinação da quantidade a encomendar:
O horizonte temporal considerado pode influenciar a decisão;
As quantidades de reaprovisionamento podem ser calculadas para todo o horizonte temporal,
mas só as decisões imediatas são implementadas (dimensão da encomenda dinâmica vs. estática)
À medida que se avança no tempo, nova informação sobre os períodos futuros deve ser
adicionada.
Existem vários modelos que visam solucionar o problema de minimização dos custos com stocks para procura discreta.
Os que vão ser objecto de estudo assumem os seguintes pressupostos:
• A procura verifica-se sempre no início do período;
• O horizonte temporal é finito e composto por períodos uniformes;
• As quantidades encomendadas abarcam um ou mais períodos (inteiros ou não)
sempre na sequência cronológica do horizonte temporal;
• O tempo de entrega é 0. Isto não constitui forte limitação uma vez que se pode
antecipar a data de encomenda nos casos em que este pressuposto não se
verifique;
• As encomendas são recebidas integralmente no início do período;
• As quantidades consumidas num período são retiradas do stock, pelo que não
incorrem em custos de posse;
• Não há descontos de quantidade e o tempo de entrega é conhecido e constante.
Modelo Lot-4-Lot

Este é o modelo de encomendas mais simples. A ordem é colocada no período em que ocorre a
procura, e precisamente pela quantidade procurada.
Esta metodologia conduz permanentemente ao stock nulo e, consequentemente, à inexistência de
custos de posse.
Por outro lado, negligencia por completo as repercussões nos custos de efectivação, que podem
ser elevadas.
Nos casos em que os custos de posse são elevados e os custos de efectivação são reduzidos (caso
de bens muito caros ou raramente solicitados), este método pode ser utilizado conduzindo a boas
soluções de custo.
Exercício:
Suponha a seguinte previsão da procura:
Mês 1 – 200 unidades
Mês 2 – 100 unidades
Mês 3 – 250 unidades
Mês 4 – 400 unidades
Qual o plano de encomendas utilizando o lot-4-lot?
Mês 1 – 200 unidades
Mês 2 – 100 unidades
Mês 3 – 250 unidades
Mês 4 – 400 unidades
Modelo POQ

O modelo POQ (Periodic Order Quantity) é uma adaptação do já estudado EOI para o problema
concreto da procura descontínua.
O POQ, ou quantidade periódica de encomenda, consiste em determinar um número inteiro de períodos nos quais devem ser colocadas encomendas
.
que satisfaçam a procura dos períodos seguintes

O EOI (Economic Order Interval) é assim determinado:


, sendo R a procura média por período.

Algorítmo de Wagner-Whitin
Um algorítmo é um procedimento que conduz à solução de um determinado problema através de
um processo repetitivo (procedimentos recursivos).
O algorítmo desenvolvido por Wagner e Whitin obtém soluções óptimas para o problema da gestão de stocks com procura
determinística discreta, utilizando a programação dinâmica para minimização dos custos associados à

gestão dos stocks.


O seu funcionamento pode resumir-se à aplicação dos passos a seguir discriminados.
Calcular a matriz dos custos variáveis totais para todas as alternativas de encomendas durante o
horizonte temporal composto por N períodos. Esses custos incluem a efectivação e posse.
Define-se Zce como os custos variáveis totais nos períodos c a e colocando ordens de encomenda
no período c que satisfaçam a procura até ao período e:

...
Algorítmo de Silver-Meal

notas finais

Existem muitos outros modelos que abordam o problema da gestão de stocks com procura
determinística discreta:
Least Unit Cost (custo unitário mínimo);
Part-Period Algoritm ou Least Total Cost;
Incremental PPA;
....
O algoritmo de Wagner-Whitin, por conduzir a soluções óptimas, é vulgarmente utilizado como
benchmark para avaliação de modelos alternativos.
No entanto, a sua complexidade leva a que muitas vezes se adoptem modelos mais simples para
a resolução deste tipo de problemas.
Modelos Probabilísticos – Stock de Segurança
Os modelos tradicionais não tomam em consideração o risco e incerteza na verificação da
procura e no tempo de entrega. Quando estas duas variáveis, ou pelo menos uma delas, são
tratadas como aleatórias, o modelo passa a ser considerado probabilístico.
Os modelos probabilísticos a estudar são os expostos nos pontos anteriores, com alteração dos
pressupostos assumidos sobre a procura e tempo de entrega (variáveis aleatórias).
Tendo em consideração o carácter aleatório de uma das variáveis, os stocks podem ser
subdivididos em stock activo e stock de segurança, sendo este último aquele que as empresas
detêm não porque esperam utilizá-lo, mas sim porque dele podem necessitar.
Assume-se que o stock de segurança assume maior relevância na satisfação da procura no
período de entrega (lead time), cobrindo um eventual excesso de procura ou alargamento do
tempo de entrega (variáveis aleatórias).
O stock de segurança induz maiores custos de posse, evitando ou diminuindo os custos de
ruptura.
Considerando S o stock de segurança, a figura seguinte ilustra uma gestão de stocks ideal,
admitindo que a procura não sofre variação.

A situação anterior raramente ilustra a realidade; normalmente a procura é irregular e discreta e o


tempo de entrega pode não ser constante.
A figura seguinte ilustra três situações possíveis:
1. stock de segurança insuficiente (ruptura),
2. stock de segurança não utilizado
3. stock de segurança suficiente para absorver a variabilidade da procura.
Objectivos Conteúdos Estratégias/Actividad Recursos Avaliação
es Educativos

Dar a A Deve ser dada a Ao


noção de organizaç entender ao aluno a longo desta
aprovisionamen ão das importância que Retroprojector unidade de
to compras. começa a ser dada ensino o
- Explicar a - Funções de ao aprovisionamento Projector de professor
importância dos um serviço de em geral e especial à slides poderá
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- Fases da optimização que é parede do aluno
- Distinguir compra realização de necessária conseguir pelo diálogo
de uma compra. entre o serviço a Equipamento individual,
aprovisionamento. prestar e o custo que de vídeo pela análise
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principais de um para a utilizados
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compras. trabalhos. publicações
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- Descrever as Outros especialida
fases de um A recursos: de e pela
processo de gestão do - Textos de apoio elaboração
compra. stock retirados de de fichas de
- Gestão bibliografia trabalho
material do adequada. para
Dar a stock. - Analisar resolução
noção de stock - Gestão materiais de
- Distinguir a administrativa extraídos de problemas
utilidade e os do stock. jornais e revistas ligados à
inconvenientes dos da gestão
stocks. especialidade. económica
- Analisar o de stocks.
processo
armazenagem.
- Indicar as tarefas
administrativas no
armazém.

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